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<p>SEQUÊNCIA DIDÁTICA: COESÃO TEXTUAL</p><p>Leia o texto a seguir e o discuta com seus colegas. Após a leitura, vocês farão uma</p><p>atividade, individual ou em duplas, sobre coesão textual.</p><p>A cadela da minha vizinha é muito nervosa. Ela mora numa casa bem pequena e gosta</p><p>de beber água de coco. Minha vizinha gosta de escutar musica bem alta. Portanto na</p><p>casa dela não tem água de coco e ela vive me pedindo a da minha casa emprestada.</p><p>Mas essa minha vizinha é bem folgada. Minha vizinha é muito esquisita.</p><p> Você conseguiu entendê-lo? ______________________________________</p><p> Quem mora numa casa pequena: a cadela ou a vizinha? Qual das duas gosta de</p><p>beber água de coco? ______________________________________________</p><p>_______________________________________________________________</p><p> As palavras destacadas foram bem empregadas para deixar o texto</p><p>compreensível? __________________________________________________</p><p> Você acha que o texto segue uma sequência? As ideias progridem?</p><p>_______________________________________________________________</p><p> As palavras sublinhadas poderiam ser substituídas por outras, sem alterar o</p><p>sentido? ________________________________________________________</p><p> Reescreva o texto fazendo com que fique mais claro e melhor organizado:</p><p>________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________</p><p>Para conhecer melhor os recursos linguísticos que realizam a coesão textual, leia o</p><p>texto a seguir, atentando para os termos e símbolos em destaque. Trata-se de um</p><p>fragmento escrito por um estudante do Ensino Médio na redação do Exame</p><p>Nacional do Ensino Médio (ENEM) em 2011.</p><p>As redes sociais estão dominando a rede. Jovens, adultos e idosos: ninguém</p><p>escapa dessa explosão de tecnologia. As pessoas estão cada vez mais criando perfis,</p><p>principalmente no Facebook, e ø permanecem conectadas durante horas, todos os dias.</p><p>Não fazer parte das redes sociais é como não ter uma identidade.</p><p>Tente, agora, responder a estas perguntas:</p><p>a) De acordo com o trecho, qual é a explosão de tecnologia mencionada?</p><p>_____________________________________________________________</p><p>_____________________________________________________________</p><p>b) Quem não escapa dela?</p><p>_____________________________________________________________</p><p>_____________________________________________________________</p><p>c) Quem permanece conectado por longos períodos de tempo?</p><p>_____________________________________________________________</p><p>_____________________________________________________________</p><p>_____________________________________________________________</p><p>Podemos, deste modo, estabelecer as relações de referenciação presentes no</p><p>exemplo, ou seja, podem-se identificar as palavras, expressões ou demais termos que se</p><p>referem a outros, seja na frase, no parágrafo, ou no texto como um todo:</p><p>a) O estudante emprega o termo “explosão de tecnologia” para se referir (e</p><p>caracterizar, uma vez que, segundo a opinião dele, não se trata apenas de</p><p>tecnologia, e sim de uma explosão!) às “redes sociais”;</p><p>b) Ele explicita que “ninguém”, ou seja, “todo mundo” não escapa das redes</p><p>sociais (todo mundo: jovens, adultos e idosos);</p><p>c) E, por fim, omitindo o termo a que se refere (ø), ele afirma que as pessoas</p><p>(aquelas que, cada vez mais, estão criando perfis) permanecem conectadas (nas</p><p>redes sociais) durantes horas, todos os dias.</p><p>Sendo assim, podemos constatar que o aluno emprega, com habilidade, os elementos</p><p>linguísticos que promovem a referenciação e a coesão referencial. De acordo com a</p><p>pesquisadora Koch (1996), a coesão referencial é “(...) aquela em que um componente</p><p>da superfície textual faz remissão a outro(s) elemento(s) do universo textual” (p. 30). A</p><p>autora nomeia o termo principal (aquele ao qual se faz a remissão) de elemento de</p><p>referência ou referente textual, enquanto que o termo que faz referência é nomeado de</p><p>forma remissiva ou forma referencial.</p><p>As redes sociais estão dominando a rede. Jovens, adultos e idosos: ninguém</p><p>escapa dessa explosão de tecnologia.</p><p>Referente Textual Forma Referencial</p><p>Atenção:</p><p>denomina-se anáfora a remissão a um elemento textual que já apareceu na</p><p>superfície textual e catáfora a remissão a um elemento textual que ainda não</p><p>apareceu.</p><p>Anáfora:</p><p>Paulo foi ao cinema. Ele não gostou do filme.</p><p>Catáfora:</p><p>Só desejo isto: que meus filhos fiquem bem.</p><p>Apresentamos, a seguir, um trecho de uma notícia. Leia-o com atenção:</p><p>Presidente adia entrevista por causa de assédio de jornalistas</p><p>O presidente chegou cedo para a entrevista. Os repórteres cercaram o</p><p>presidente no saguão de entrada e fizeram inúmeras perguntas ao presidente. Os</p><p>seguranças do presidente foram chamados imediatamente porque o presidente</p><p>estava sendo sufocado pelos microfones e gravadores. O presidente mostrou-se</p><p>irritado; nem mesmo a esposa do presidente conseguiu sair ilesa de alguma</p><p>pergunta. Por fim, o presidente adiou a entrevista.</p><p>Certamente, a leitura do trecho deve ter causado um estranhamento, apesar de ser</p><p>possível atribuir sentidos a ele, ou seja, o texto é coerente. Entretanto, a repetição</p><p>excessiva da palavra presidente (nove vezes, considerando o título) quebra a harmonia</p><p>das ideias e a ligação entre elas, além de empobrecer esteticamente o texto. Sendo</p><p>assim, a coesão do texto (no caso, a referencial) fica prejudicada por repetições</p><p>desnecessárias e cansativas, bem como podemos observar nos destaques:</p><p>Presidente adia entrevista devido ao assédio de jornalistas</p><p>O presidente chegou cedo para a entrevista. Os repórteres cercaram o</p><p>presidente no saguão de entrada e fizeram inúmeras perguntas ao presidente. Os</p><p>seguranças do presidente foram chamados imediatamente porque o presidente</p><p>estava sendo sufocado pelos microfones e gravadores. O presidente mostrou-se</p><p>irritado; nem mesmo a esposa do presidente conseguiu sair ilesa de alguma</p><p>pergunta. Por fim, o presidente adiou a entrevista.</p><p>Veja, a seguir, uma sugestão de reescrita da notícia apresentada, com os elementos</p><p>alterados em destaque:</p><p>Presidente adia entrevista devido ao assédio de jornalistas</p><p>Lula chegou cedo para a entrevista. Os repórteres cercaram-no no saguão</p><p>de entrada e fizeram inúmeras perguntas a ele. Os seguranças do presidente foram</p><p>chamados imediatamente porque o chefe de estado estava sendo sufocado pelos</p><p>microfones e gravadores. Lula mostrou-se irritado; nem mesmo sua esposa [ou:</p><p>nem mesmo a primeira dama] conseguiu sair ilesa de alguma pergunta. Por fim, o</p><p>líder político do país adiou a entrevista.</p><p>É importante lembrar que a repetição do mesmo vocábulo faz-se necessária quando não</p><p>houver possibilidade de substituição por um pronome ou termo/expressão equivalente,</p><p>por uma elipse, ou mesmo quando produzir algum efeito de sentido interessante (como</p><p>a ênfase). É o que ocorre com frequência em textos literários.</p><p>Vejamos dois exemplos: No meio do caminho, do escrito modernista Carlos</p><p>Drummond de Andrade, e Nariz, nariz e nariz, do poeta português Bocage.</p><p>P</p><p>P</p><p>Nariz, nariz, e nariz,</p><p>Nariz, que nunca se acaba;</p><p>Nariz, que se ele desaba,</p><p>Fará o mundo infeliz;</p><p>Nariz, que Newton não quis</p><p>Descrever-lhe a diagonal;</p><p>Nariz de massa infernal,</p><p>Que, se o cálculo não erra,</p><p>Posto entre o Sol e a Terra,</p><p>Faria eclipse total!</p><p>Bocage</p><p>Nariz, nariz e nariz</p><p>No meio do caminho</p><p>tinha uma pedra</p><p>tinha uma pedra no meio do caminho</p><p>tinha uma pedra</p><p>no meio do caminho tinha uma pedra.</p><p>Nunca me esquecerei desse acontecimento</p><p>na vida de minhas retinas tão fatigadas.</p><p>Nunca me esquecerei que no meio do caminho</p><p>tinha uma pedra</p><p>tinha uma pedra no meio do caminho</p><p>no meio do caminho tinha uma pedra.</p><p>Carlos Drummond de Andrade</p><p>No meio do caminho</p><p>Leia, agora, o texto proposto a seguir, procurando reconhecer a ocorrência dos</p><p>elementos linguísticos responsáveis pela coesão. Observe como esses elementos</p><p>aparecem no texto e como contribuem para a construção de seus sentidos.</p><p>O PIOR DO JEITINHO</p><p>O conjunto de inépcias que emerge da investigação sobre a tragédia de Santa</p><p>Maria evidencia um dos grandes males do país, que é a burla rotineira de normas legais</p><p>e recomendações técnicas por pessoas interessadas em auferir vantagens. Ocorre em</p><p>todos os setores da sociedade, da administração pública à portaria do edifício. É o lado</p><p>sombra do famoso jeitinho brasileiro, já incorporado à identidade cultural do nosso</p><p>povo. Às vezes, nos orgulhamos desse artifício que expressa a nossa criatividade, a</p><p>nossa tolerância, a nossa cordialidade ou a nossa capacidade de improvisar. Mas, em</p><p>muitas situações, ele nos envergonha, pois é usado como cobertura para a malandragem,</p><p>para a corrupção e para a ruptura de normas sociais, que invariavelmente causam</p><p>prejuízos para terceiros.</p><p>Tais comportamentos, facilmente comprovados no cotidiano dos brasileiros, só</p><p>ganham dimensão e causam revolta quando geram consequências graves, como em</p><p>desastres que poderiam ser evitados se os agentes envolvidos tivessem cumprido suas</p><p>obrigações. Porém, quando não ocorre uma tragédia nem morre ninguém, nossa reação</p><p>costuma ser, invariavelmente, de tolerância e conformismo. Suportamos, quase sempre</p><p>sem reclamar, o despreparo do funcionário da loja ou do restaurante, o desleixo do</p><p>servidor público que deveria nos considerar seu patrão, a má qualidade dos produtos</p><p>adquiridos muitas vezes por preços exorbitantes, as deficiências dos serviços que nos</p><p>prestam e a carência de equipamentos públicos indispensáveis para nosso conforto e</p><p>para nossa segurança.</p><p>O país convive historicamente com a cultura da irresponsabilidade e,</p><p>infelizmente, a maioria de nós tem sido conivente com ela. Até costumamos denunciar e</p><p>cobrar irregularidades de governantes, políticos e agentes públicos, mas nem sempre</p><p>percebemos que a incúria e a inação espraiam-se pelos estratos mais básicos da</p><p>sociedade. O lixo fora da lixeira é um indicativo não apenas de que alguém descumpriu</p><p>uma regra de cidadania, mas também de que a tolerância vai estimular o delito e a</p><p>impunidade. O carro estacionado em local não permitido indica não apenas que um</p><p>condutor infringiu a lei, mas também que o agente público descumpriu a sua atribuição</p><p>de fiscalizar. A expressão “não dá nada”, que se ouve com extrema frequência no</p><p>cotidiano brasileiro, transformou-se em um verdadeiro atestado nacional de</p><p>permissividade.</p><p>Tem solução? Especialistas no comportamento do brasileiro, como o cientista</p><p>político Alberto Carlos Almeida, dizem que o país ainda levará muito tempo para</p><p>superar a cultura da improvisação e para vencer aquilo que o filósofo Eduardo Gianetti</p><p>da Fonseca chama de “zonas cinzentas da moralidade”. Mas, leve o tempo que levar, o</p><p>certo é que esta mudança precisa ocorrer primeiro no indivíduo, para que também</p><p>ocorra no Estado, nos governantes e no conjunto da sociedade.</p><p>Editorial disponível em: http://portosmercados.com.be/site/o-pior-do-jeitinho</p><p>Glossário:</p><p>Inépcias: falta absoluta de aptidão, grande falta de inteligência; idiotismo.</p><p>Emerge: o mesmo que emergir: sair de onde estava mergulhado; manifestar-se,</p><p>mostrar-se, patentear-se.</p><p>Burla: zombaria, escárnio, motejo.</p><p>Auferir: colher, obter, ter.</p><p>Artifício: recurso engenhoso; habilidade, perspicácia.</p><p>Conivente: que finge não ver ou encobre o mal praticado por outrem.</p><p>Incúria: falta de cuidado, desleixo, negligência.</p><p>Inação: falta de ação, inércia; indecisão.</p><p>Procure, agora, responder às seguintes perguntas</p><p>❶ De acordo com a leitura apenas do título, que expectativa em relação ao texto (seu</p><p>conteúdo, por exemplo) você, como leitor, teve ao lê-lo?</p><p>______________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________</p><p>_____________________________________________________________________</p><p>❷ Por que são citados nomes de especialistas no último parágrafo do texto?</p><p>______________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________</p><p>O gênero do texto em questão é um editorial, bastante comum em jornais e</p><p>revistas. Os editoriais são textos que expressam a opinião da empresa, da direção</p><p>ou da equipe de redação, sem a obrigação de parecerem imparciais. Portanto, se</p><p>há a opinião de alguém sobre algo, certamente haverá argumentos para defendê-la.</p><p>No caso, são utilizados argumentos de autoridade.</p><p>Argumento de autoridade: é a citação de autores renomados, autoridades</p><p>em certo domínio do saber ou em uma área da atividade humana, com a finalidade</p><p>de apoiar ou confirmar uma tese, um ponto de vista. O uso de citações, por um</p><p>lado, cria a imagem de que o produtor do texto conhece bem o assunto que está</p><p>discutindo, porque já leu sobre ele e conhece o que pensam outros autores sobre</p><p>ele; por outro lado, torna os autores citados fiadores da veracidade de um dado</p><p>ponto de vista.</p><p>❸ Releia o trecho abaixo, extraído do primeiro parágrafo do texto:</p><p>“É o lado sombra do famoso jeitinho brasileiro, já incorporado à identidade cultural</p><p>do nosso povo. Às vezes, nos orgulhamos desse artifício que expressa a nossa</p><p>criatividade, a nossa tolerância, a nossa cordialidade ou a nossa capacidade de</p><p>improvisar.”</p><p>A expressão em destaque faz referência a qual informação presente no texto? O que se</p><p>pode entender pelo emprego da palavra artifício?</p><p>______________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________</p><p>_____________________________________________________________________</p><p>❹ Ainda no primeiro parágrafo, o pronome pessoal ele funciona como elemento</p><p>coesivo. Releia o trecho a seguir:</p><p>“Mas, em muitas situações, ele nos envergonha, pois é usado como cobertura para a</p><p>malandragem, para a corrupção e para a ruptura de normas sociais, que</p><p>invariavelmente causam prejuízos para terceiros.”</p><p>Qual palavra ou expressão o autor retoma através desse elemento?</p><p>______________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________</p><p>Observe que a coesão referencial pode se realizar por meio de vários recursos</p><p>linguísticos, sendo o emprego de pronomes uma das ocorrências mais frequentes.</p><p>Vamos relembrá-los:</p><p>Pronomes pessoais: Eu, tu, ele, ela, me, te, os, as...</p><p>Pronomes possessivos: Meu, teu, seu, nosso...</p><p>Pronomes demonstrativos: Este, esse, aquele, aquilo...</p><p>Pronomes indefinidos: Algum, nenhum, todo...</p><p>Pronomes relativos: Que, qual, onde...</p><p>E ainda... advérbios de lugar: Aqui, aí, lá...</p><p>Outros elementos linguísticos que realizam a coesão referencial: expressões ou grupos</p><p>nominais definidos,</p><p>palavras ou expressões sinônimas, hiperônimos, dentre outros.</p><p>Deste modo, segue-se um exemplo. Repare nos termos em destaque:</p><p>A diretora de TV Gisela Matta, 36, morreu ontem (1) no Rio de Janeiro</p><p>após ser atropelada por um ônibus. De acordo com familiares da vítima, ela estava</p><p>de bicicleta</p><p>na faixa de pedestres quando foi atingida.</p><p>(Folha de S. Paulo, 02/04/2013)</p><p>Os termos diretora de TV e Gisela Matta constituem o referente textual. O</p><p>pronome ela, por meio de processo anafórico, é uma das formas referenciais, assim</p><p>como a expressão a vítima, que foi empregada para fazer referência ao</p><p>atropelamento veiculado pela notícia, àquilo que provocou.</p><p>❺ No início do segundo parágrafo, a expressão tais comportamentos retoma uma</p><p>ideia expressa no primeiro parágrafo. Qual é essa ideia e de que maneira isso acontece?</p><p>______________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________</p><p>ontram explícitas na super</p><p>❻ No terceiro parágrafo, o autor utiliza o pronome pessoal do caso reto ela para</p><p>afirmar que nós, brasileiros, estamos sendo coniventes com algo. Releia o respectivo</p><p>parágrafo e responda: o elemento ela refere-se a quê? Qual foi o processo utilizado?</p><p>______________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________</p><p>Professor: nesta primeira parte, apresentamos uma visão geral a respeito de</p><p>elementos linguísticos que promovem a</p><p>Coesão sequencial</p><p>Nesta unidade, mostraremos a importância dos recursos coesivos para garantir a</p><p>progressão e a coerência textuais. Será apresentado um editorial, gênero da ordem do</p><p>argumentar, que o auxiliará a compreender os elementos coesivos desse tipo de texto</p><p>para então saber utilizá-los em suas produções. Afinal, a habilidade na escrita de textos</p><p>argumentativos será cobrada em processos seletivos, como vestibulares e o ENEM.</p><p>ATIVIDADES ANTES DA LEITURA DO TEXTO</p><p>1- Você lerá o texto a seguir “Lei seca e dura”. De acordo com o título, qual tema</p><p>você acredita que será abordado no texto?</p><p>_________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________</p><p>2- A partir de sua resposta anterior, que sentidos podem ser atribuídos às palavras</p><p>que compõem o título “Lei seca e dura”?</p><p>_________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________</p><p>3- Olhando para o texto, onde você acha que ele foi veiculado? E a qual gênero</p><p>textual ele pertence?</p><p>_________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________</p><p>Gênero textual: São todas as produções, orais ou escritas, que seguem uma</p><p>estrutura padrão relativamente estável, e que desempenham diferentes</p><p>funções sociais. Exemplos: e-mail, receita culinária, resumo, SMS, tirinha,</p><p>carta, charge, notícia, palestra, entre outras.</p><p>Agora, leia o texto:</p><p>Lei seca e dura</p><p>Um dos principais defeitos da chamada lei seca está prestes a ser corrigido pelo</p><p>Congresso Nacional.</p><p>Foi aprovado anteontem na Comissão de Constituição e Justiça do Senado um</p><p>projeto de lei que autoriza a utilização de qualquer meio de prova para atestar a</p><p>embriaguez do motorista ao volante, como testemunhos de policiais e exames clínicos --</p><p>que, hoje, não são aceitos pela Justiça.</p><p>Com a mudança, desaparece a necessidade de comprovar "concentração de</p><p>álcool por litro de sangue igual ou superior a seis decigramas". A ultrapassagem desse</p><p>limiar, decidiu o Superior Tribunal de Justiça em março, só pode ser aferida com o teste</p><p>do bafômetro ou um exame de sangue.</p><p>Ocorre que ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo. Hoje, se um</p><p>motorista se recusa a soprar o bafômetro ou a ceder sangue, não há como comprovar</p><p>que ele transpôs o limite tolerado.</p><p>É necessário, pois, retirar a lei seca desse impasse, a fim de restaurar seu</p><p>louvável propósito: combater a trágica combinação de bebida com volante. Motoristas</p><p>embriagados respondem por parte considerável das cerca de 40 mil mortes anuais no</p><p>trânsito no país.</p><p>Segundo um estudo da Faculdade de Medicina da USP, com base em dados de</p><p>2005 do IML de São Paulo, 44% dos 3.042 condutores mortos no Estado haviam</p><p>ingerido álcool antes de dirigir. Especialistas estimam cifras até maiores.</p><p>Os legisladores agiram com a intenção correta, portanto, quando aprovaram a lei</p><p>seca em 2008. No ímpeto punitivo, porém, deixaram abertas brechas que, como se</p><p>previa há quatro anos, terminaram por dificultar a aplicação da lei.</p><p>Agora que se dispõem a corrigir aquele equívoco, os parlamentares poderiam</p><p>aproveitar para retirar da norma seu caráter draconiano. Prescrever detenção de seis</p><p>meses a três anos para o motorista que simplesmente dirigir embriagado é um exagero.</p><p>Punições desse tipo deveriam incidir somente em casos de acidentes com vítimas.</p><p>O endurecimento administrativo que os legisladores também propõem, por outro</p><p>lado, parece um caminho adequado --a multa passa de R$ 957,70 para R$ 1.915,40.</p><p>Embora nem todas as correções desejáveis tenham sido feitas, os parlamentares</p><p>ao menos facilitaram a aplicação da lei. O projeto, se aprovado no plenário do Senado,</p><p>irá à sanção presidencial. Não parece haver obstáculos para que isso ocorra na semana</p><p>que vem, a tempo de a nova norma regular o trânsito já nas festas de fim de ano.</p><p>Folha de S. Paulo, 14 de dezembro de 2012.</p><p>Glossário:</p><p>Draconiano: Excessivo, rigoroso, cruelmente severo.</p><p>Ímpeto: Impulso, pressa irrefletida, precipitação.</p><p>Sanção: Aprovação de uma lei pelo chefe de estado.</p><p>4- Pela leitura, você percebeu que este texto foi veiculado em um jornal (Folha de S.</p><p>Paulo), produzido no gênero editorial. Qual a finalidade desse gênero, ou seja,</p><p>com que propósito ele é escrito?</p><p>_________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________</p><p>Observe o quadro abaixo para responder a próxima questão:</p><p>Tipologia textual Gêneros orais e escritos</p><p>Narração Conto, fábula, lenda, mito, biografia,</p><p>romance, novela,</p><p>piada, crônica, notícia, relato...</p><p>Descrição Laudo, guia de viagem, perfil em</p><p>comunidade virtual,</p><p>relatório, texto publicitário...</p><p>Tipologia textual: sequências linguísticas que têm uma função específica:</p><p>narrar, descrever, argumentar, explicar, orientar. No geral, um mesmo texto</p><p>apresenta mais de uma sequência linguística.</p><p>Argumentação Editorial, carta de leitor, assembleia,</p><p>debate, resenha,</p><p>ensaio, texto de opinião...</p><p>Exposição Artigo científico, seminário, palestra,</p><p>verbete, resumo, fichamento...</p><p>Injunção Manual de instruções, receita de bolo,</p><p>regulamento,</p><p>regras de jogo, receita médica...</p><p>5- Como você sabe, em um texto podem aparecer diferentes sequências textuais</p><p>(tipologias), como a narração, descrição e argumentação. Na sua opinião, qual</p><p>tipologia predomina nesse texto? Justifique.</p><p>_______________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________</p><p>_______________________________________________________________________</p><p>______________________________________________________________________</p><p>6- Mesmo revelando o posicionamento crítico e defendendo uma ideia, por que este</p><p>texto foi escrito em terceira pessoa e não na primeira pessoa?</p><p>_________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________</p><p>7- Que trechos revelam de forma mais explícita o posicionamento do locutor do</p><p>texto?</p><p>_________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________</p><p>Características gerais de um texto argumentativo: predominam sequências</p><p>argumentativas, é escrito em 3ª pessoa, em geral apresenta uma estrutura organizada em</p><p>introdução, desenvolvimento e conclusão, tem a finalidade de apresentar/defender a</p><p>posição de alguém sobre algo.</p><p>_________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________</p><p>8- Observe as expressões grifadas em negrito e em itálico. Qual sua função no</p><p>texto? Há diferença entre elas? Justifique.</p><p>_________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________</p><p>9- Identifique as relações de sentido que as palavras destacadas produzem no texto</p><p>(oposição, finalidade, explicação etc.), levando em consideração o trecho em que</p><p>elas aparecem.</p><p>a) “[...] utilização de qualquer meio de prova para atestar a embriaguez do</p><p>motorista ao volante, como testemunhos de policiais [...]”.</p><p>____________________________________________________________</p><p>b) “Hoje, se um motorista se recusa a soprar o bafômetro ou a ceder sangue,</p><p>não há como comprovar que ele transpôs o limite tolerado.”</p><p>___________________________________________________________</p><p>c) “É necessário, pois, retirar a lei seca desse impasse, a fim de restaurar seu</p><p>louvável propósito: combater a trágica combinação de bebida com volante.</p><p>Motoristas embriagados respondem por parte considerável das cerca de 40</p><p>mil mortes anuais no trânsito no país.”</p><p>_____________________________________________________________</p><p>d) “Os legisladores agiram com a intenção correta, portanto, quando aprovaram</p><p>a lei seca em 2008. No ímpeto punitivo, porém, deixaram abertas brechas</p><p>que, como se previa há quatro anos, terminaram por dificultar a aplicação da</p><p>lei.”</p><p>_____________________________________________________________</p><p>e) “Embora nem todas as correções desejáveis tenham sido feitas, os</p><p>parlamentares ao menos facilitaram a aplicação da lei. O projeto, se</p><p>aprovado no plenário do Senado, irá à sanção presidencial. Não parece haver</p><p>obstáculos para que isso ocorra na semana que vem, a tempo de a nova</p><p>norma regular o trânsito já nas festas de fim de ano.”</p><p>____________________________________________________________</p><p>Para responder à próxima questão, conheça alguns tipos de argumento:</p><p>10- Retire um fragmento do texto que contenha um argumento de autoridade.</p><p>_________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________</p><p>Tipos de Argumento</p><p>ARGUMENTO DE AUTORIDADE: Temos um argumento de autoridade quando</p><p>utilizamos as opiniões de uma ou mais fontes consideradas importantes, como</p><p>estudiosos, empresas, órgãos públicos, etc., que dão sustentação a um argumento.</p><p>POR ANALOGIA: Neste tipo de argumento, estabelece-se uma comparação entre</p><p>duas situações/ideias válidas para o desenvolvimento da argumentação do texto.</p><p>CAUSAS E EFEITOS: Para dizer que algo é causa e o outro é efeito, é preciso que a</p><p>primeira preceda a segunda.</p><p>COM EXEMPLOS: Neste tipo de argumento enumeram-se fatos, dados, diferentes</p><p>situações etc., para dar consistência à tese defendida.</p><p>11- Para argumentar, o autor utiliza algumas palavras para deixar claro seu ponto de</p><p>vista e também para enfatizar seus argumentos, como podemos observar na</p><p>palavra em negrito do trecho: “Embora nem todas as correções desejáveis</p><p>tenham sido feitas, os parlamentares ao menos facilitaram a aplicação da lei.”.</p><p>Encontre e destaque nos parágrafos a seguir outros exemplos.</p><p>É necessário, pois, retirar a lei seca desse impasse, a fim de restaurar seu</p><p>louvável propósito: combater a trágica combinação de bebida com volante.</p><p>Motoristas embriagados respondem por parte considerável das cerca de 40 mil</p><p>mortes anuais no trânsito no país.</p><p>[...]</p><p>Agora que se dispõem a corrigir aquele equívoco, os parlamentares poderiam</p><p>aproveitar para retirar da norma seu caráter draconiano. Prescrever detenção de</p><p>seis meses a três anos para o motorista que simplesmente dirigir embriagado é</p><p>um exagero. Punições desse tipo deveriam incidir somente em casos de acidentes</p><p>com vítimas.</p><p>12- Após a leitura e estudo do texto, suas respostas para as questões 1 e 2 se</p><p>confirmaram? Trata-se, mesmo, de uma “lei seca e dura”?</p><p>_________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________</p><p>________________________________________________________________</p><p>Como vimos nessa unidade, são vários os recursos linguísticos que podemos usar para</p><p>estabelecer a coesão de um texto: conectores, expressões nominais, tempos verbais, etc.</p><p>Tais elementos, portanto, são responsáveis por estabelecer relações de sentido entre as</p><p>partes do texto, isto é, eles estabelecem a coesão sequencial.</p>