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<p>SEGURIDADE SOCIAL –</p><p>SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>Unidade 4</p><p>Pensão por morte</p><p>CEO</p><p>DAVID LIRA STEPHEN BARROS</p><p>DIRETORA EDITORIAL</p><p>ALESSANDRA FERREIRA</p><p>GERENTE EDITORIAL</p><p>LAURA KRISTINA FRANCO DOS SANTOS</p><p>PROJETO GRÁFICO</p><p>TIAGO DA ROCHA</p><p>AUTORIA</p><p>ADRIANA KARLA TAVARES BATISTA NUNES LEAL</p><p>4 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>A</p><p>U</p><p>TO</p><p>RI</p><p>A</p><p>Adriana Karla Tavares Batista Nunes Leal</p><p>Possui graduação em Tecnologia em Gestão Ambiental</p><p>pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de</p><p>Pernambuco (2011), graduação em Complementação Pedagógica</p><p>em Ciências Biológicas pelo Instituto Federal de Educação, Ciência</p><p>e Tecnologia do Espírito Santo (2022), graduação em Geografia</p><p>pelo Centro Universitário de Araras Dr. Edmundo Ulson (2021) e</p><p>graduação em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo</p><p>pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (1999).</p><p>Atualmente é professora do Instituto Federal de Educação,</p><p>Ciência e Tecnologia de Pernambuco, oficial de administração</p><p>da Prefeitura Municipal de Sanharó/PE e educadora - Projeto</p><p>Cristão Comunitário Videira/PE. Tem experiência na área de</p><p>Ciências Ambientais, com ênfase em meio ambiente, atuando</p><p>principalmente nos seguintes temas: semiárido, educação,</p><p>administração, marketing, sustentabilidade, meio ambiente e</p><p>desenvolvimento sustentável. Estou muito feliz em poder ajudar</p><p>você nesta fase de muito estudo e trabalho. Sou apaixonada</p><p>pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida</p><p>àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui</p><p>convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de</p><p>autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você</p><p>nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo!</p><p>5SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>ÍC</p><p>O</p><p>N</p><p>ES</p><p>6 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>Princípios da pensão por morte no Brasil ............................... 9</p><p>Pensão por morte: como funciona ................................................................... 9</p><p>As pensões por morte: um panorama geral ................................................. 11</p><p>Os excluídos da pensão por morte ................................................................13</p><p>Pensões por morte no Brasil ...........................................................................20</p><p>A Lei n.º 13.135/2015 e a sua implicação na pensão por</p><p>morte ........................................................................................ 23</p><p>Análises do fundamento da lei nº 13.135/2015 ...........................................23</p><p>Mudanças implementadas pela Lei n.º 13.135/2015 .................................. 28</p><p>A Lei n.º 13.135/2015 na atualidade ..............................................................30</p><p>A economia e as pensões por morte .............................................................31</p><p>O benefício da pensão por morte como direito fundamental</p><p>social ......................................................................................... 38</p><p>O direito fundamental social da saúde.......................................................... 38</p><p>O direito fundamental social da educação ...................................................42</p><p>O direito fundamental social da habitação ...................................................45</p><p>O benefício da pensão por morte como direito fundamental social ....... 47</p><p>Teoria da reserva do possível segundo a lei n.º 13.135/2015 .................. 54</p><p>A seguridade social e o Princípio da Proibição do Retrocesso Social ...... 54</p><p>A Teoria da Reserva do Possível .....................................................................58</p><p>O princípio da proibição social como elemento essencial da seguridade</p><p>social e previdência social ................................................................................58</p><p>Teoria da reserva do possível segundo a lei n.º 13.135/2015 .................. 62</p><p>SU</p><p>M</p><p>Á</p><p>RI</p><p>O</p><p>7SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>A</p><p>PR</p><p>ES</p><p>EN</p><p>TA</p><p>ÇÃ</p><p>O</p><p>Os direitos sociais apesar de serem considerados por</p><p>parte da doutrina constitucional como fundamentais, seja por</p><p>sua posição no texto constitucional, seja por representarem</p><p>a expressão do Estado do Bem-estar Social, encontram</p><p>resistência ao seu cumprimento e interpretação como direitos</p><p>fundamentais. No Brasil, a Previdência Social e a Seguridade</p><p>Social, apesar de estarem estabelecidas no texto constitucional</p><p>e serem consideradas como elementos imutáveis, cláusulas</p><p>pétreas, por estabelecerem princípios do Estado do Bem-estar</p><p>Social, não possuem expressamente a previsão legal de norma</p><p>imutável, ficando assim passível de modificação pelo legislador</p><p>infraconstitucional, que termina por modificar benefícios</p><p>previdenciários, seja por meio de leis infraconstitucionais ou por</p><p>meio de emendas à constituição, revelando assim a ausência de</p><p>proteção devida aos direitos sociais fundamentais, como ocorreu</p><p>com a mudança no benefício previdenciário da Pensão por</p><p>Morte. Entretanto, analisando o benefício da pensão por morte</p><p>como um direito estabelecido no texto constitucional, integrando</p><p>assim a Previdência Social e a Seguridade Social, torna possível</p><p>observar como a mudança neste benefício trazida pela Lei nº.</p><p>13.135/2015 causou uma violação ao Princípio da Proibição do</p><p>Retrocesso Social, pois ao permitir que direitos assegurados aos</p><p>dependentes de segurados fossem diminuídos, claramente foi</p><p>causada uma diminuição na proteção dos cidadãos, uma violação</p><p>ao bem-estar social e uma fragilização do direito à proteção e</p><p>seguridade social. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva você</p><p>vai mergulhar neste universo!</p><p>8 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>O</p><p>BJ</p><p>ET</p><p>IV</p><p>O</p><p>S</p><p>Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 4</p><p>1. Interpretar os dispositivos legais atinentes aos</p><p>princípios da pensão por morte no Brasil.</p><p>2. Compreender e interpretar a Lei n.º 13.135/2015 e a</p><p>sua implicação da pensão por morte.</p><p>3. Discernir sobre o benefício da pensão por morte como</p><p>um direito fundamental social.</p><p>4. Aplicar a teoria da reserva do possível como fundamento</p><p>da Lei n.º 13.135/2015.</p><p>9SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>Princípios da pensão por morte</p><p>no Brasil</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao término deste capítulo, você será capaz de</p><p>entender como funciona a pensão por morte no</p><p>Brasil. Isso será fundamental para o exercício de</p><p>sua profissão, haja vista que essa é uma parte</p><p>muito relevante da previdência social. E então?</p><p>Motivado para desenvolver esta competência?</p><p>Vamos lá.</p><p>Pensão por morte: como funciona</p><p>A pensão por morte do segurado falecido é um benefício</p><p>concedido pelo governo local por meio do sistema de previdência</p><p>social brasileiro (INSS).</p><p>Figura 1 – Pensão por morte é um benefício concedido no Brasil</p><p>Fonte: Pixabay</p><p>10 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>Para garantir a elegibilidade, é preciso que (KITAYAMA,</p><p>2019):</p><p>a. O benefício por morte é devido aos dependentes do</p><p>segurado falecido, aposentado ou não, a partir da data</p><p>do falecimento.</p><p>b. Os dependentes elegíveis incluem cônjuges e</p><p>companheiros, filhos não emancipados menores</p><p>de 21 anos ou deficientes e menores dependentes,</p><p>pais e irmãos não emancipados menores de 21 anos</p><p>ou deficientes (dependendo do grupo elegível, será</p><p>necessária comprovação de dependência).</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>Mais e mais aposentados estão se mudando</p><p>para países com impostos baixos após suas vidas</p><p>profissionais, onde o custo de vida costuma ser</p><p>mais barato. Isso influi na qualidade de vida dos</p><p>idosos, pois quanto mais altas as aposentadorias,</p><p>maior a longevidade dessa faixa etária.</p><p>Sobre o valor do benefício (KITAYAMA, 2019):</p><p>a. Os dependentes elegíveis receberão até 100% do</p><p>benefício de aposentadoria que o aposentado vinha</p><p>recebendo ou que o empregado receberia se estivesse</p><p>aposentado na data do falecimento.</p><p>b. Se houver</p><p>Público, demandando então recursos para</p><p>sua execução. De fato, os direitos sociais</p><p>evidentemente impõem algum tipo de ação</p><p>estatal, mas convém observar que este</p><p>pretenso ‘ônus’ não é exclusivo dos direitos</p><p>sociais, mas de todo e qualquer direito</p><p>fundamental. (IBRAHIM, 2011, p. 101)</p><p>E como direito social fundamental, não está o legislador</p><p>infraconstitucional autorizado a editar normas que venham a</p><p>violar estas regras constitucionais. Com efeito, como corolário</p><p>desse impedimento, com ênfase no que diz respeito aos direitos</p><p>previdenciários, temos o Princípio da Proibição do Retrocesso</p><p>Social que pode ser conceituado:</p><p>[...] como sendo qualquer medida legislativa</p><p>diversa daquele encaminhamento, determinado</p><p>pelos princípios. Assim, a fim de verificar</p><p>se eventual alteração constitucional ou</p><p>infraconstitucional implica ou não um retrocesso</p><p>social, deve o intérprete voltar seus olhos</p><p>para o passado, para a Carta Política, na sua</p><p>redação originária, e identificar o caminho, a</p><p>diretriz a ser seguida, por força dos comandos</p><p>estabelecidos nos princípios de seguridade</p><p>social. Qualquer encaminhamento constitucional</p><p>ou infraconstitucional diverso daquele apontado</p><p>pelos princípios acarreta retrocesso social</p><p>(BALERA; FERNADES, 2015, p. 52).</p><p>Assim, qualquer norma infraconstitucional ou emenda</p><p>constitucional que venha a causar uma limitação a um direito</p><p>58 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>fundamental, gerando como efeito uma limitação a direito,</p><p>estará, em tese, ferindo este princípio.</p><p>A Teoria da Reserva do Possível</p><p>De forma a sedimentar juridicamente a edição da Lei</p><p>n.º 13.135/2015, além dos fundamentos econômicos, sempre</p><p>presentes como justificativas para reformas previdenciárias,</p><p>foi utilizado a Teoria da Reserva do Financeiramente Possível,</p><p>expressando que a efetividade dos direitos fundamentais,</p><p>em especial os sociais, estaria condicionada às possibilidades</p><p>financeiras dos cofres públicos, ou seja, para que sejam pagos os</p><p>benefícios, necessária seria a contribuição previdenciária.</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>Sem contribuições suficientes para manter</p><p>o custeio, os benefícios devem passar por</p><p>adequações, uma vez que não sendo possível</p><p>efetivar todas as políticas públicas, cabe aos</p><p>membros do Poder Executivo e Legislativo,</p><p>constitucionalmente eleitos pelo povo, escolher</p><p>quais políticas públicas e projetos sociais devem</p><p>ser implantados, justificando-se assim a edição da</p><p>Lei n.º 13.135/2015.</p><p>O princípio da proibição social</p><p>como elemento essencial da</p><p>seguridade social e previdência</p><p>social</p><p>Utilizando os princípios como orientadores da Seguridade</p><p>Social, da Previdência Social e do Estado de Bem-estar Social,</p><p>tem-se a base doutrinária para a existência do Princípio da</p><p>Proibição do Retrocesso Social, reconhecendo-se que apesar do</p><p>reconhecimento da Seguridade Social e da Previdência Social</p><p>59SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>serem reconhecidas como direitos sociais fundamentais somente</p><p>por meio de uma interpretação sistemática da Constituição</p><p>Federal, inegável que os princípios listados no art. 194, parágrafo</p><p>único, da CF, que são reproduzidos no art. 1º, da Lei n.º 8.212/90,</p><p>sedimentam ainda mais este entendimento (BRASIL, 1988).</p><p>E, considerando o conceito do referido Princípio da</p><p>Proibição do Retrocesso Social,</p><p>[...] podemos concluir que, o sistema do direito</p><p>de seguridade social pátrio adota o princípio</p><p>da irredutibilidade social, não permitindo</p><p>a adoção de Emenda Constitucional, que</p><p>venha a estabelecer prejuízo securitário, isto</p><p>é, prejuízo atinente aos direitos relativos à</p><p>saúde, previdência e assistência social, em</p><p>decorrência da adoção de regra contrária aos</p><p>princípios securitários, tendente a excluir os</p><p>referidos direitos (BALERA; FERNANDES, 2015,</p><p>p. 53).</p><p>Compreendido, está, portanto, o Estado do Bem-estar</p><p>Social determina como força motriz o avanço social, cravando no</p><p>texto constitucional princípios que devem ser observados pelo</p><p>legislador, seja para edição de emendas ao texto constitucional</p><p>seja para leis ordinárias, não podendo haver a diminuição ou</p><p>extinção de direitos sociais.</p><p>Com efeito, a exemplo do princípio da</p><p>proporcionalidade, o princípio da proibição do</p><p>retrocesso social fornece um critério objetivo</p><p>com o qual é possível controlar a adequação e</p><p>a correção da atividade restritiva dos direitos</p><p>fundamentais. Em que consiste esse critério?</p><p>Consiste em verificar se o legislador ou o</p><p>intérprete, na tarefa restritiva dos direitos</p><p>fundamentais, respeitou aqueles direitos,</p><p>60 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>igualmente fundamentais, já definidos e</p><p>incorporados ao patrimônio jurídico do</p><p>homem. Se foram respeitados, a atividade</p><p>restritiva apresenta-se juridicamente perfeita.</p><p>Caso contrário, a restrição efetivada configura-</p><p>se ilegal ou abusiva, portanto imperfeita (DE</p><p>DEUS, 2016, p. 200).</p><p>Restou evidenciado, ainda, que os direitos sociais</p><p>fundamentais são imutáveis, pois são cláusulas pétreas</p><p>constitucionais, logo, qualquer ameaça a esse status quo</p><p>pode e deve ser rechaçado com fundamento dos princípios</p><p>constitucionais.</p><p>Nessa ordem de ideias, cumpre relembrar que</p><p>os direitos fundamentais estão ao abrigo das</p><p>cláusulas pétreas, e, por isso, não podem ser</p><p>inadequadamente restringidos, e, menos ainda,</p><p>suprimidos. Partindo dessa ótica, o princípio da</p><p>proibição do retrocesso social alcança maior</p><p>importância, posto que amparado por norma</p><p>constitucional que veda qualquer modificação</p><p>legislativa ou interpretativa que tenda a</p><p>abolir um direito fundamental reconhecido</p><p>(FALSARELLA, 2012, p. 3).</p><p>E, neste cenário de um Estado do Bem-estar Social, em</p><p>que após a promulgação de um direito social, este se torna um</p><p>dever do Estado, e no caso em comento, em que se trata de um</p><p>benefício previdenciário, uma prestação mensal, esta obrigação</p><p>assume uma natureza de imutabilidade, própria dos direitos</p><p>fundamentais, de caráter alimentício, prestacional e imutável.</p><p>Diante do exposto, repisa-se que os direitos</p><p>fundamentais sociais, seja qual for a</p><p>classificação em que se queira enquadrá-</p><p>los, devem ser concebidos como direitos</p><p>61SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>fundamentais, de maneira que gozam do</p><p>regime jurídico dispensado a tal espécie de</p><p>direitos, ou seja, não apenas são considerados</p><p>como cláusulas pétreas do Texto Maior,</p><p>mas também devem ser considerados</p><p>como fundamentos de todo o ordenamento</p><p>jurídico, servindo tanto de norte para a sua</p><p>interpretação quanto de limites à ação do</p><p>Estado (devendo tal controle ser exercido</p><p>através do controle de constitucionalidade</p><p>dos atos administrativos e normativos) (DE</p><p>DEUS, 2016, p. 201).</p><p>E, sendo fundamental e imutável, o Princípio da Proibição</p><p>do Retrocesso Social não pode ser descartado, desconsiderado</p><p>ou ter sua aplicação mitigada, uma vez que após uma leitura do</p><p>texto constitucional claro se torna que a Carta Política de 1988 foi</p><p>construída de forma a fornecer uma interpretação lógica de seus</p><p>princípios, objetivos e deveres do Estado.</p><p>Temos, assim, que</p><p>Ao estabelecer restrições aos direitos</p><p>fundamentais, o legislador e o intérprete,</p><p>na verdade, nada mais fazem do que definir</p><p>o conteúdo e o alcance desses direitos,</p><p>visando a manter não somente a harmonia</p><p>do sistema jurídico, mas também o efetivo</p><p>equilíbrio nas relações sociais. Contudo, dada</p><p>a importância que esses direitos representam</p><p>para o homem e para a sociedade, tanto</p><p>que são denominados “fundamentais” pela</p><p>Constituição, a atividade restritiva de tais</p><p>direitos não pode ser exercida de forma livre</p><p>pelo legislador e pelo intérprete, razão pela</p><p>qual o sistema jurídico deve se munir de</p><p>62 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>“mecanismos” de controle dessa atividade.</p><p>[…] O princípio da proibição do retrocesso</p><p>social, que possui sede constitucional e já</p><p>vem sendo estudado e aplicado pela doutrina</p><p>e pela jurisprudência nacionais, afigura-se</p><p>como importante</p><p>mecanismo teórico-prático</p><p>para a proteção da materialidade e eficácia</p><p>dos direitos fundamentais (GOLDSCHMIDT,</p><p>2017, p. 4).</p><p>Explanada a importância do Princípio da Proibição do</p><p>Retrocesso Social, torna-se compreensível a importância deste</p><p>como essencial para a Seguridade Social, a Previdência Social e o</p><p>direito da sociedade à constante evolução social.</p><p>Teoria da reserva do possível</p><p>segundo a lei n.º 13.135/2015</p><p>Ao ser criada a Lei n.º 13.135/2015, que alterou o benefício</p><p>previdenciário da Pensão por Morte, além de violar o Princípio da</p><p>Proibição do Retrocesso Social, revela mais uma vez que a Teoria</p><p>da Reserva do Possível passou a ser utilizado como justificativa</p><p>para ausência Estatal, que não tendo recursos financeiros, deixa</p><p>de prover o atendimento das necessidades básicas da população.</p><p>Interessante notar que a discussão de que</p><p>todos os direitos trazem encargos financeiros</p><p>ao Estado mostra-se pacificada, a ponto de</p><p>a doutrina afastar, muito frequentemente,</p><p>a antiga distinção entre direitos negativos</p><p>e positivos. No entanto, os direitos sociais,</p><p>indiretamente, ainda sofrem desta mazela,</p><p>embora com rótulos diferentes, como a</p><p>reserva do possível (IBRAHIM, 2011, p. 123).</p><p>63SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>IMPORTANTE</p><p>A conotação fundamental da Teoria da Reserva do</p><p>Possível deve ser interpretada à luz dos princípios da</p><p>razoabilidade e proporcionalidade, considerando</p><p>a relação entre a pretensão em questão, que é</p><p>a efetivação dos direitos constitucionais, e as</p><p>limitações financeiras do Estado.</p><p>Para que seja utilizada como limitadora de um direito-</p><p>garantia constitucional, como a manutenção dos benefícios</p><p>previdenciários decorrentes da Seguridade Social, é indispensável</p><p>uma motivação detalhada que justifique a não satisfação das</p><p>necessidades básicas do ser humano, bem como a definição do</p><p>que constitui o mínimo existencial. Uma vez que um dos objetivos</p><p>da Pensão por Morte é garantir a subsistência dos dependentes</p><p>do segurado, impor várias regras que dificultem o acesso a esse</p><p>benefício e reduzam o valor base é um contrassenso jurídico.</p><p>Assim, eis que:</p><p>a reserva do possível, enfim, é um truísmo.</p><p>Qualquer ação estatal é inexoravelmente</p><p>limitada pela escassez, escolhas trágicas</p><p>devem ser feitas a todo momento, seja pelo</p><p>Estado, pelo mercado ou mesmo famílias. O</p><p>Direito passou a tomar maior ciência de tais</p><p>questões pelo ingresso dos direitos sociais,</p><p>mas o erro é achar que a limitação é atributo</p><p>exclusivo dos direitos prestacionais (IBRAHIM,</p><p>2011, p. 126).</p><p>Ao comentar sobre a Teoria da Reserva do Possível,</p><p>é necessário explicar que ela teve sua origem na Alemanha,</p><p>principalmente durante a década de 1970. Com essa nova</p><p>abordagem, a Corte Constitucional Alemã emitiu uma decisão</p><p>rápida que estabeleceu a aplicação da Teoria da Reserva do</p><p>Possível, no que ficou conhecido como o caso numerus clausus,</p><p>64 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>que tratava da limitação do número de vagas nas universidades</p><p>públicas alemãs.</p><p>Com efeito,</p><p>a expressão “reserva do possível” (Vorbehalt</p><p>des Möglichen) foi utilizada pela primeira vez</p><p>pelo Tribunal Constitucional Federal Alemão,</p><p>em julgamento proferido em 18 de julho de</p><p>1972. Trata-se da decisão BVerfGE 33, 303</p><p>(numerus clausus), na qual se analisou a</p><p>constitucionalidade, em controle concreto, de</p><p>normas de direito estadual que regulamentavam</p><p>a admissão aos cursos superiores de medicina</p><p>nas universidades de Hamburgo e da Baviera</p><p>nos anos de 1969 e 1970. Em razão do</p><p>exaurimento da capacidade de ensino dos</p><p>cursos de medicina, foram estabelecidas</p><p>limitações absolutas de admissão (numerus</p><p>clausus) (FALSARELLA, 2017, p. 3).</p><p>Em sua decisão, a Corte Alemã rejeitou a ideia de que</p><p>o Estado deveria fornecer uma quantidade suficiente de vagas</p><p>nas universidades públicas para atender a todos os estudantes,</p><p>argumentando que isso não seria razoável ou proporcional,</p><p>especialmente quando existiam outras instituições de ensino</p><p>com vagas disponíveis. Portanto, a Corte afirmou que o direito</p><p>ao acesso à educação estava garantido.</p><p>o Tribunal entendeu ser possível restringir</p><p>o acesso aos cursos de medicina, uma vez</p><p>que os direitos sociais de participação em</p><p>benefícios estatais “se encontram sob a</p><p>reserva do possível, no sentido de estabelecer</p><p>o que pode o indivíduo, racionalmente falando,</p><p>exigir da coletividade. Por conseguinte, foi</p><p>empregada a expressão reserva do possível</p><p>65SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>para se sustentar que não é possível conceder</p><p>aos indivíduos tudo o que pretendem, pois</p><p>há pleitos cuja exigência não é razoável</p><p>(FALSARELLA, 2017, p. 2).</p><p>Como se pode observar, a decisão da Suprema Corte</p><p>Alemã abordou a questão da razoabilidade da pretensão em</p><p>relação às necessidades da sociedade de forma confrontante. A</p><p>Teoria da Reserva do Possível, em sua origem, não está relacionada</p><p>exclusiva e diretamente à existência de recursos materiais/</p><p>financeiros suficientes para a efetivação dos direitos sociais, mas</p><p>à razoabilidade de impor ao Poder Executivo o cumprimento</p><p>efetivo dessa política pública diante da necessidade social.</p><p>Desse modo, verifica-se que a ideia de</p><p>reserva do possível para o Tribunal Federal</p><p>Alemão não se relaciona necessariamente</p><p>com as possibilidades fáticas em termos de</p><p>disponibilidade financeira, mas com o que</p><p>é racional ao indivíduo exigir do Estado e,</p><p>consequentemente, da sociedade. Caberia,</p><p>então, à sociedade determinar a razoabilidade</p><p>ou não da pretensão. De acordo com o</p><p>Tribunal, “o pensamento das pretensões</p><p>subjetivas ilimitadas às custas da coletividade</p><p>é incompatível com a ideia do Estado social</p><p>(FALSARELLA, 2017, p. 3).</p><p>Sobre o tema, explica a doutrina que</p><p>a ideia de que somente se pode-se exigir o</p><p>que razoável da sociedade, tem origem em</p><p>precedente da Corte Constitucional alemã,</p><p>de 1972, sobre a impossibilidade de asse-</p><p>gurar ingresso em universidades públicas</p><p>a todos que desejam. Algum limite mos-</p><p>tra-se razoável e mesmo desejável, visando</p><p>66 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>atender outras áreas de importância para a</p><p>sociedade. A partir de tal decisão, a doutri-</p><p>na usualmente divide a reserva do possível</p><p>na dimensão fática e jurídica, ou seja, fáti-</p><p>ca quanto à existência efetiva de recursos</p><p>e jurídica quanto à previsão de orçamento</p><p>(FALSARELLA, 2017, p. 5).</p><p>No entanto, no Brasil, a interpretação e adaptação da</p><p>teoria à realidade nacional transformaram esse princípio em</p><p>uma Teoria da Reserva do Financeiramente Possível, vista como</p><p>um limite à realização dos direitos fundamentais de natureza</p><p>prestacional.</p><p>Figura 18 – A Teoria da Reserva do Financeiramente Possível foi adaptada à realidade do Brasil</p><p>Fonte: Pixabay</p><p>No entanto, no Brasil, a expressão perdeu parte de seu</p><p>sentido original, uma vez que a doutrina não costuma se referir</p><p>à razoabilidade da pretensão, mas apenas à disponibilidade</p><p>de recursos. Isso se transformou na Teoria da Reserva do</p><p>Financeiramente Possível, a qual condiciona a efetivação</p><p>67SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>dos direitos sociais materiais e prestacionais àquilo que é</p><p>possível financeiramente ao Estado, uma vez que são direitos</p><p>fundamentais dependentes das possibilidades financeiras dos</p><p>cofres públicos.</p><p>Todavia, apesar da questão do financiamento</p><p>ser um elemento a ser sopesado na</p><p>aplicabilidade destes direitos, não há como</p><p>vincular sua jusfundamentalidade à boa</p><p>vontade do legislador ordinário, que poderia</p><p>fixar recursos a seu bel-prazer, com base em</p><p>uma argumentação pseudodemocrática. […]</p><p>É evidente que, com isso, não se pretende</p><p>assegurar teses panfletárias de validade</p><p>plena e ilimitada de direitos sociais – o que</p><p>inexiste mesmo para direitos de liberdade</p><p>– mas sim admitir que o custo é algo que</p><p>permeia qualquer ação humana, e eventual</p><p>ponderação poderá – ou mesmo deverá –</p><p>atingir qualquer um deles (FALSARELLA, 2017,</p><p>p. 4).</p><p>E, com a redução</p><p>nas contribuições previdenciárias</p><p>da classe economicamente ativa, se fez necessária a mudança</p><p>na Pensão por Morte, para evitar assim o endividamento dos</p><p>cofres públicos, pagando-se o preço da redução dos valores do</p><p>benefício, do período de recebimento, da exigência de prazo</p><p>mínimo de convivência para concessão do mesmo.</p><p>Inegável que a possibilidade financeira e a previsão</p><p>orçamentária tornaram-se argumentos dessa distorção da teoria</p><p>Alemã da Reserva do Possível, substituindo a proporcionalidade</p><p>da política pública em frente da razoabilidade da sua implantação.</p><p>Justifica-se a possibilidade financeira, no argumento de que deve</p><p>haver recursos suficientes para o atendimento das necessidades</p><p>sociais. A previsão orçamentária refere-se à determinação da Lei</p><p>68 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>Orçamentária Anual, que estabelece a origem, a quantidade e o</p><p>destino dos recursos financeiros do Estado.</p><p>No Brasil, portanto [a reserva do possível],</p><p>passou a ser fática, ou seja, possibilidade</p><p>de adjudicação de direitos prestacionais se</p><p>houver disponibilidade financeira, que pode</p><p>compreender a existência de dinheiro somente</p><p>na caixa do Tesouro, ainda que destinado a</p><p>outras dotações orçamentárias! Como o dinheiro</p><p>público é inesgotável, pois o Estado sempre</p><p>pode extrair mais recursos da sociedade, segue-</p><p>se que há permanentemente a possibilidade</p><p>fática de garantia de direitos, inclusive na via do</p><p>sequestro da renda pública! Em outras palavras,</p><p>faticamente é impossível a tal reserva do possível</p><p>fática! (TORRES, 2009, p. 10).</p><p>Em oposição à Teoria da Reserva do Possível, existe o</p><p>Princípio do Mínimo Existencial, que abrange um conjunto de</p><p>direitos básicos, inalienáveis e essenciais (embora sem uma</p><p>definição unânime), que devem prevalecer sobre a escassez</p><p>de recursos do Estado. O mínimo existencial representa o</p><p>conjunto de prestações materiais indispensáveis ao exercício</p><p>das liberdades fundamentais e corresponde aos direitos</p><p>fundamentais cuja concretização é obrigatória e deve ser</p><p>efetivada pelo legislador e pelo administrador público. No que se</p><p>refere ao mínimo existencial, a Teoria da Reserva do Possível não</p><p>pode ser aplicada.</p><p>Em que pese é possível aceitar que:</p><p>as limitações econômicas, que não podem</p><p>ser ignoradas, devem ser cotejadas com as</p><p>demais disposições constitucionais, pois é aí</p><p>que se encontram as diretrizes da sociedade</p><p>69SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>brasileira, sob pena de transmutar os direitos</p><p>sociais em uma espécie de aleluia jurídico, na</p><p>conhecida expressão de C. Schmitt. As opções</p><p>fundamentais são fixadas neste documento</p><p>justamente como turno para a atuação da</p><p>Administração, incluindo a previdenciária, no</p><p>intuito de preservar os direitos fundamentais</p><p>e garantir o regime democrático (IBRAHIM,</p><p>2011, p. 165).</p><p>Tendo em vista o dever do Estado, este</p><p>[...] não pode se valer de auspiciosas</p><p>limitações orçamentárias para se esquivar</p><p>das responsabilidades e compromissos em</p><p>efetivar ações públicas. As prestações sociais</p><p>devem ser concretizadas ainda que as receitas</p><p>públicas sejam insuficientes (diante da precária</p><p>arrecadação de tributos) e ante a ausência de</p><p>previsibilidade orçamentária, posto que não</p><p>se confere ao Estado um comportamento de</p><p>inércia perante determinados bens jurídicos</p><p>submergidos em risco e que necessitam</p><p>de uma tutela especial (PORTES; ALMEIDA;</p><p>AZEVEDO, 2017, p. 33).</p><p>Assim, ainda que tenhamos fundamentos jurídicos para a</p><p>alteração no benefício previdenciário da Pensão por Morte, após</p><p>realizarmos uma análise da Lei n.º 13.135/2015, em face dos</p><p>princípios da Seguridade Social, que representam um direito e</p><p>uma garantia constitucional insculpida no art. 194, da CF, inegável</p><p>o entendimento de que a novel legislação previdenciária trouxe</p><p>prejuízos e violação de direitos fundamentais dos segurados e</p><p>seus dependentes.</p><p>70 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>RESUMINDO</p><p>E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu</p><p>mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de</p><p>que você realmente entendeu o tema de estudo deste</p><p>capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter</p><p>aprendido que a legislação que alterou os fundamentos</p><p>e características da Pensão por Morte acabou por violar</p><p>direitos dos cidadãos, violando assim o Princípio da</p><p>Proibição do Retrocesso Social, pois distante de assegurar</p><p>que direitos básicos fossem assegurados aos dependentes</p><p>do segurado falecido, terminou por limitar a concessão</p><p>do benefício de acordo com vários critérios, que apesar</p><p>de guardarem uma relação lógico-financeira, por ferirem</p><p>um princípio constitucional, expressa um descaso com os</p><p>direitos sociais duramente conquistados. Logo, em face</p><p>desta mudança violadora de tantos princípios essenciais</p><p>da Seguridade Social, que em nosso ordenamento jurídico</p><p>é efetivada por meio da Previdência Social, observa-se</p><p>no presente trabalho que a Lei n.º 13.135/2015, quando</p><p>analisada de acordo com os Princípios da Seguridade Social,</p><p>demonstrou que os prejuízos sofridos pelos segurados</p><p>e beneficiários com essa reforma legislativa limitou um</p><p>direito social estabelecido em nosso ordenamento jurídico</p><p>e que remonta há anos antes da CF/88. Ao final desta</p><p>observação, eis que restou evidenciado que sendo o</p><p>benefício previdenciário da pensão por morte um direito</p><p>previdenciário, este integra um direito social fundamental,</p><p>que após uma análise dos requisitos atuais e anteriores para</p><p>a concessão do benefício previdenciário, demonstrou que</p><p>a atual mudança implementada pela Lei n.º 13.135/2015</p><p>viola os princípios constitucionais da Seguridade Social.</p><p>Com efeito, o prejuízo causado aos beneficiários e</p><p>dependentes restou evidenciado com a modificação do</p><p>salário de benefício, dos requisitos para concessão deste e</p><p>no período de recebimento, que fragilizará a finalidade da</p><p>Pensão por Morte, que é de assegurar uma existência com</p><p>o atendimento do mínimo necessário para os dependentes</p><p>do segurado falecido, em flagrante descumprimento ao</p><p>Princípio Proibição do Retrocesso Social.</p><p>71SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>RE</p><p>FE</p><p>RÊ</p><p>N</p><p>CI</p><p>A</p><p>S</p><p>ALEXY, R. Teoria dos Direitos Fundamentais. Tradução de Virgílio</p><p>Afonso da Silva. São Paulo: Malheiros, 2008, p. 201.</p><p>AMADO, F. Direito Previdenciário. Salvador: Editora Jus Podium,</p><p>2016.</p><p>AZEVEDO, E. M.; ALMEIDA, G. B.; PORTES, P. A. O mito da teoria</p><p>da reserva do possível: os impasses do orçamento público para o</p><p>desenvolvimento dos direitos sociais. Direito e Desenvolvimento,</p><p>v. 4, n. 8, p. 33-59, 5 jun. 2017.</p><p>BALERA, W. A organização e o custeio da seguridade social. In:</p><p>BALERA, Wagner (Coord.). Curso de Direito Previdenciário:</p><p>homenagem a Moacyr Velloso Cardoso de Oliveira. São Paulo: LTR,</p><p>1992.</p><p>BALERA, W.; FERNANDES, T. D. Fundamentos da Seguridade</p><p>Social. São Paulo: LTR, 2015.</p><p>BITTENCOURT, R. O. C.; BORSIO, M. F.; PIRES, L. H. P. A. In:</p><p>Visibilidade do menor sob guarda e a pensão por morte. Revista</p><p>de Direitos Sociais, Seguridade e Previdência Social, v. 7, n. 2,</p><p>p. 63-79, 2022.</p><p>BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República</p><p>Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidente da</p><p>República, 2023.</p><p>COELHO, A. O. B. et al. Os efeitos do reconhecimento da</p><p>multiparentalidade na pensão por morte do regime geral da</p><p>previdência social. Revista da Defensoria Pública do Estado do</p><p>Rio Grande do Sul, n. 27, p. 65-80, 2020.</p><p>DE ARAÚJO, R. C.; DOS SANTOS, D. M. As políticas públicas</p><p>habitacionais no Brasil e a vedação de retrocesso no direito</p><p>de moradia. Anais do Seminário Internacional em Direitos</p><p>Humanos e Sociedade, v. 3, 2021.</p><p>DE CASTRO, C. A. P.; LAZZARI, J. B. Panorama e perspectivas da</p><p>previdência social no Brasil. Revista Direito das Relações Sociais</p><p>e Trabalhistas, v. 8, n. 2, p. 178-204, 2022.</p><p>72 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>DE DEUS, J. P. R. O princípio da proibição do retrocesso social como</p><p>meio protetivo dos direitos fundamentais.</p><p>Revista de Direito, [S.</p><p>l.], v. 7, n. 02, p. 189–233, 2016. Disponível em: https://periodicos.</p><p>ufv.br/revistadir/article/view/1626. Acesso em: 19 mar. 2023.</p><p>DE OLIVEIRA DOMINGOS, L. et al. O direito fundamental e coletivo à</p><p>saúde no contexto da judicialização. Cadernos Ibero-Americanos</p><p>de Direito Sanitário, v. 8, n. 2, p. 82-99, 2019.</p><p>DEL PINO, M.; DOS PRAZERES, K. L. A. Benefício de pensão por</p><p>morte sob a ótica da Lei n.º 13.125/2015: uma análise do atual</p><p>panorama previdenciário positivo. In: Anais do Congresso</p><p>Brasileiro de Processo Coletivo e Cidadania. 2019. p. 352-373.</p><p>FALSARELLA, C. Reserva do possível como aquilo que é razoável</p><p>se exigir do Estado. 2012. Disponível em: http://anape.org.br/</p><p>site/wp-content/uploads/2014/07/Arquivo_tese-28.pdf. Acesso</p><p>em: 18 mar. 2023.</p><p>FARIA, E. C. A proteção social da mulher e a pensão por morte:</p><p>implicações decorrentes da Lei n.º 13.135/2015. (The social</p><p>protection of women and the death pension: implications deriving</p><p>from Law 13.135/2015). Emancipação, v. 19, n. 2, p. 1-11, 2019.</p><p>GOLDSCHMIDT, R. O princípio da proibição do retrocesso</p><p>social e sua função protetora dos direitos fundamentais.</p><p>Anais do Seminário Nacional de Dimensões Materiais e</p><p>Eficaciais dos Direitos Fundamentais, [S. l.], v. 1, n. 1, p. 277–</p><p>288, 2011. Disponível em: https://periodicos.unoesc.edu.br/</p><p>seminarionacionaldedimensoes/article/view/906. Acesso em: 19</p><p>mar. 2023.</p><p>GONÇALVES, R. M. et al. Direito Fundamental à Educação como</p><p>Corolário da Dignidade Humana. Governança e direitos</p><p>fundamentais, p. 13, 2020.</p><p>IBRAHIM, F. Z. A previdência social no estado contemporâneo:</p><p>fundamentos, financiamento e regulação. Niterói, Rio de Janeiro:</p><p>Ímpetus, 2011, p. 99</p><p>73SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>KITAYAMA, A. B. S. Pensão por morte no Brasil: evolução dos</p><p>direitos e custeio desde a monarquia. 2019. Trabalho de Conclusão</p><p>de Curso. Universidade Federal do Rio Grande do Norte.</p><p>MARTINEZ, W. N. Princípios de direito previdenciário. 6. Ed. São</p><p>Paulo: LTR, 2015.</p><p>MARTINS, S. P. Direito da Seguridade Social. 35. Ed. São Paulo:</p><p>Atlas, 2017.</p><p>MONGE, C. O direito fundamental à proteção da saúde. e-Publica,</p><p>v. 6, n. 1, p. 75-100, 2019.</p><p>RABÊLO, Y. L. Nery et al. Inconstitucionalidade do Artigo 222, Inciso</p><p>Vii, Alínea B da Lei n.º 13.135/2015. Caderno de Graduação-</p><p>Humanas e Sociais-UNIT-PERNAMBUCO, v. 4, n. 1, p. 11-11, 2019.</p><p>SOARES, W. T. B. Sistema Único de Saúde: Um Direito Fundamental</p><p>de Natureza Social e Cláusula Pétrea Constitucional: A Cidadania e</p><p>a Dignidade da Pessoa Humana como Fundamentos do Direito à</p><p>Saúde no Brasil. São Paulo: Editora Dialética, 2021.</p><p>TONIAL, S. M.; PATERNO, A. L. O benefício da pensão por morte:</p><p>o retrocesso social em vista das constantes alterações legais.</p><p>Anuário Pesquisa e Extensão Unoesc São Miguel do Oeste, v. 5,</p><p>p. e26764-e26764, 2020.</p><p>TORRES, R. L. O direito ao mínimo existencial. Rio de Janeiro:</p><p>Renovar, 2009.</p><p>VRECHE, C. C.; MACIEL, L. P. Seguridade social no Brasil:</p><p>um panorama histórico e aspectos introdutórios ao direito</p><p>previdenciário brasileiro. ETIC-Encontro de iniciação científica -</p><p>ISSN 21-76-8498, v. 16, n. 16, 2020.</p><p>VIEIRA, M. A. R. Manual de direito previdenciário. 5. Ed. Niterói:</p><p>Ímpetus, 2006.</p><p>mais de um sobrevivente elegível, o</p><p>benefício é dividido igualmente entre todos eles. Se</p><p>um dos sobreviventes se tornar inelegível, o benefício é</p><p>recalculado e dividido entre os sobreviventes restantes.</p><p>11SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>As pensões por morte: um</p><p>panorama geral</p><p>Até 2050, o segmento da população global com 65 anos ou</p><p>mais terá dobrado de 10% para 20%. Quase 1,3 bilhão de pessoas</p><p>– 80% dos idosos – viverão em países de baixa renda. No entanto,</p><p>apenas cerca de um terço da população desses países tem algum</p><p>tipo de renda formal de aposentadoria. Os sistemas de pensões</p><p>contribuem para os dois objetivos, fornecendo rendimento em</p><p>caso de velhice, invalidez e morte prematura dos beneficiários</p><p>principais. Além disso, os sistemas de pensões contribuem para</p><p>promover a poupança a longo prazo e que, por sua vez, estimula</p><p>o crescimento econômico. Eles também são uma fonte cada</p><p>vez mais importante de financiamento sustentável e líderes na</p><p>ecologização dos sistemas financeiros (VRECHE; MACIEL, 2020).</p><p>IMPORTANTE</p><p>A lacuna entre perdas não seguradas e seguradas</p><p>permanece persistentemente grande. Atualmente,</p><p>existem importantes lacunas de proteção em todos</p><p>os segmentos da população que sofrem com a falta</p><p>de sustentabilidade. Tais como proteção de renda</p><p>na velhice, seguro de saúde para a população idosa,</p><p>proteção básica de subsistência para os pobres e</p><p>proteção catastrófica, incluindo seguro agrícola,</p><p>especialmente em áreas propensas a exposição</p><p>catastrófica que, a propósito, estão aumentando</p><p>permanentemente.</p><p>Os provedores deverão lidar com esses desafios:</p><p>mudança demográfica (envelhecimento mundial) e mudança</p><p>climática aumentando o impacto e a frequência de eventos</p><p>catastróficos de forma sustentável. As formas atuais de seguro,</p><p>apesar de sua importância, são apenas uma ferramenta para</p><p>fechar a lacuna de proteção e proteger a vida das pessoas e seus</p><p>12 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>bens. O desafio de encontrar novas maneiras de reduzir essas</p><p>lacunas é fundamental para desenvolver ainda mais a economia</p><p>inclusiva global. A tecnologia inovadora parece oferecer soluções</p><p>nas áreas de subscrição, distribuição e ajustes de sinistros, e</p><p>a regulamentação em muitos países está incentivando o uso</p><p>dessas tecnologias, como Big Data, Inteligência Artificial e Machine</p><p>Learning (DE CASTRO; LAZZARI, 2022).</p><p>Figura 2 – A tecnologia pode ser usada para facilitar o fundo de pensões</p><p>Fonte: Pexels</p><p>Além disso, o conceito de reconstruir melhor deve</p><p>ser adotado pelos novos modelos de negócios de seguros.</p><p>Melhores setores de seguros nos países não apenas ajudarão na</p><p>diversificação do setor financeiro, mas, principalmente, ajudarão</p><p>indivíduos, famílias e organizações a expandirem as opções de</p><p>gerenciamento de riscos e investimentos. O seguro ajuda as</p><p>pessoas e as empresas a se protegerem de choques (VRECHE;</p><p>MACIEL, 2020).</p><p>13SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>Figura 3 – As pensões por morte cooperam com a redução da pobreza</p><p>Fonte: Pexels</p><p>O Banco Mundial tem o objetivo de reduzir a pobreza e</p><p>ajudar as pessoas pobres e desfavorecidas. O seguro protege a</p><p>vida e a propriedade das pessoas e ajuda a melhorar suas vidas.</p><p>Por que muitas pessoas ao redor do mundo não têm seguro?</p><p>Muitos não conhecem o seguro, não têm acesso fácil ao seguro,</p><p>não conseguem encontrar produtos adequados/sob medida ou</p><p>não podem pagar (DE CASTRO; LAZZARI, 2022).</p><p>Os excluídos da pensão por</p><p>morte</p><p>Cerca de 90 por cento da população mundial em idade</p><p>ativa não está coberta por regimes de pensões capazes de</p><p>proporcionar um rendimento de reforma adequado, segundo o</p><p>Gabinete Internacional do Trabalho (OIT) (DE CASTRO; LAZZARI,</p><p>2022).</p><p>14 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>A má gestão de muitos esquemas existentes piora a</p><p>situação e deixa grande parte da população mundial exposta</p><p>ao risco de pobreza na velhice. A OIT vê as pensões de velhice</p><p>como uma responsabilidade do Estado: a estabilidade que dão</p><p>aos trabalhadores é um dos pilares do bom funcionamento</p><p>dos mercados de trabalho e de economias saudáveis (VRECHE;</p><p>MACIEL, 2020).</p><p>Na Tailândia, onde apenas um em cada cinco</p><p>trabalhadores pertence ao regime de pensões do Estado, um</p><p>dos principais objetivos do governo é alargar a cobertura a todos</p><p>os trabalhadores, nomeadamente os trabalhadores a domicílio e</p><p>as pessoas que trabalham em pequenas empresas (CONSTANZI,</p><p>2019).</p><p>Figura 4 – O sistema de pensões é muito precário na Tailândia</p><p>Fonte: Pexels</p><p>15SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>As pensões de velhice foram introduzidas pela primeira</p><p>vez na Tailândia em 1998 sob a Lei de Seguridade Social de 1990.</p><p>Os benefícios não foram pagos até 2013, quando os primeiros</p><p>membros do plano teriam concluído o período de qualificação</p><p>(CONSTANZI, 2019).</p><p>Como em muitos outros países, o regime de pensões</p><p>da Tailândia tem de servir uma população em constante</p><p>envelhecimento. Trinta anos atrás, havia 17 trabalhadores para</p><p>cada tailandês com mais de 65 anos. A OIT espera que até o ano</p><p>de 2030 haverá apenas 13 trabalhadores para cada pessoa com</p><p>mais de 65 anos (VRECHE; MACIEL, 2020).</p><p>Ainda assim, o problema do envelhecimento permanece</p><p>muito menos agudo na Tailândia do que na maioria dos países</p><p>da OCDE e de renda média. O Japão, com a maior proporção de</p><p>pessoas com mais de 65 anos no mundo, tinha uma população</p><p>de 13 trabalhadores para cada pessoa com mais de 65 anos</p><p>desde o início dos anos 1960 (DE CASTRO; LAZARRI, 2022).</p><p>O envelhecimento da população da Tailândia impede a</p><p>dependência da família extensa para atender às necessidades</p><p>dos idosos. Os regimes de pensões capitalizados em muitas</p><p>partes da Ásia foram duramente atingidos pela turbulência</p><p>financeira, devido, em parte, à regulamentação governamental</p><p>excessiva dos sistemas financeiros nacionais (CONSTANZI, 2019).</p><p>Cingapura e Coreia do Sul têm atualmente os esquemas</p><p>mais bem administrados na Ásia. São viáveis financeiramente</p><p>com bons indicadores de compliance e desempenho (VRECHE;</p><p>MACIEL, 2020).</p><p>16 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>Figura 5 – A Coreia do Sul tem um sistema de pensões bem administrado</p><p>Fonte: Pexels</p><p>Uma característica marcante dessa região é o grande</p><p>número de países que mantêm fundos de previdência, muitas</p><p>vezes, remanescentes do período colonial, em vez de regimes</p><p>de pensões obrigatórios. Um fundo de previdência que</p><p>normalmente paga uma quantia fixa na aposentadoria, em vez</p><p>de um pagamento mensal fixo ao longo da vida, não cumpre a</p><p>mesma função que um plano de pensão, pois não fornece uma</p><p>renda substituta durante a aposentadoria (DE CASTRO; LAZZARI,</p><p>2022).</p><p>A República da Coreia, as Filipinas, a Tailândia, desde</p><p>1998, e o Vietnam administram regimes de pensões de segurança</p><p>social para empregados e, em alguns casos, também para</p><p>trabalhadores independentes (VRECHE; MACIEL, 2020).</p><p>17SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>A China está trabalhando duro para adaptar seu sistema</p><p>previdenciário às necessidades de uma população que envelhece</p><p>de forma alarmante. Cinquenta anos depois de conquistar</p><p>a independência, a Índia criou recentemente um regime de</p><p>pensões de seguro social. O Paquistão optou por um regime</p><p>de pensões de seguro social na década de 1970 (BITTENCOURT;</p><p>BORSIO; PIRES, 2022).</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>A obra Desenvolvimento e Reforma foi publicada</p><p>para coincidir com o Dia de Maio de 2000, o</p><p>feriado global que celebra as contribuições dos</p><p>trabalhadores para a sociedade.</p><p>A OIT está trabalhando com países de renda média e</p><p>em desenvolvimento para desenvolver esquemas de pensão ou</p><p>reformar os esquemas existentes. Esses países incluem: China,</p><p>Indonésia, Madagascar, Marrocos, Panamá, Filipinas, África do Sul,</p><p>Tailândia, Tunísia, Turquia, Ucrânia, Uruguai, Vietnã, vários países</p><p>da Europa Central e vários países do Caribe (CONSTANZI, 2019).</p><p>Figura 6 – O sistema</p><p>de pensões da China é passível de reformas</p><p>Fonte: Pexels</p><p>18 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>O estudo da OIT faz recomendações específicas</p><p>sobre como os países podem aumentar a porcentagem de</p><p>trabalhadores protegidos e melhorar os benefícios para todos</p><p>(DE CASTRO; LAZZARI, 2022).</p><p>A OIT diz que todos os países devem adotar a meta de</p><p>estender a cobertura a todos os membros da população. Outros</p><p>objetivos desejáveis incluem a instituição de esquemas que</p><p>protejam não apenas contra a pobreza na velhice, mas também</p><p>contra a invalidez, e disponha de benefícios para a família em caso</p><p>de falecimento do assalariado, ajuste da renda de aposentadoria</p><p>para levar em conta a inflação e um aumento geral nos padrões</p><p>de vida, além de desenvolvimento de provisões voluntárias</p><p>adicionais para renda de aposentadoria (VRECHE; MACIEL, 2020).</p><p>O desafio crucial é estender até os mínimos benefícios</p><p>de aposentadoria por idade para centenas de milhões de</p><p>trabalhadores do setor informal. Na África, mais de 90 por cento</p><p>da força de trabalho está envolvida em atividades informais, de</p><p>pequena escala e, muitas vezes, de subsistência, com pouca ou</p><p>nenhuma proteção social. Na América Latina, o setor informal</p><p>é a única parte do mercado de trabalho que está crescendo,</p><p>respondendo por 80% de todos os novos empregos criados (DE</p><p>CASTRO; LAZZARI, 2022).</p><p>19SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>Figura 7 – Na África, a informalidade é muito alta, o que prejudica o arrecadamento para o</p><p>fundo de pensões</p><p>Fonte: Pexels</p><p>Entre as recomendações da OIT para estender a cobertura</p><p>a esse vasto e crescente setor estão: modificação dos esquemas</p><p>existentes para cobrir grupos excluídos, concepção de esquemas</p><p>especiais para grupos excluídos, introdução de esquemas</p><p>de combate à pobreza baseados em impostos, universais ou</p><p>direcionados e encorajar o desenvolvimento de esquemas</p><p>20 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>especiais baseados na autoajuda entre pessoas do setor informal</p><p>(DE CASTRO; LAZZARI, 2022).</p><p>Pensões por morte no Brasil</p><p>Após a alteração em 2021, a vigência da pensão por</p><p>morte no Brasil permaneceu inalterada em 2022. De acordo com</p><p>a Lei n.º 13.135, de 17 de junho de 2015, soma-se um ano a cada</p><p>três anos às faixas etárias listadas pelo decreto federal de 2015.</p><p>Como a última alteração foi a partir de 2021, a idade mínima</p><p>dos pensionistas não sofrerá novo aumento até 2024 (VRECHE;</p><p>MACIEL, 2020).</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>A reforma da previdência proposta pelo governo</p><p>brasileiro visava mudar a constituição para alterar</p><p>o sistema de seguridade social do país. Para isso,</p><p>ela precisava ser aprovada por maioria absoluta</p><p>no Congresso Nacional. A reforma foi lançada</p><p>para enfrentar o enorme déficit no sistema</p><p>previdenciário de mais de R$ 194 bilhões em</p><p>2018 e o envelhecimento acelerado da população</p><p>brasileira. O projeto de emenda constitucional foi</p><p>entregue ao presidente da Câmara dos Deputados,</p><p>Rodrigo Maia, pelo presidente Jair Bolsonaro em 20</p><p>de fevereiro de 2019, dando início ao rito legal. Foi</p><p>aprovada pelo Senado Federal em 22 de outubro</p><p>de 2019 e entrou em vigor automaticamente.</p><p>Hoje, os pensionistas com 22 anos ou menos receberão o</p><p>benefício por até três anos. A duração sobe para seis anos para</p><p>os de 23 a 27 anos, dez para os de 28 a 30 anos, 15 para os de</p><p>31 a 41 e 20 para os de 42 a 44 anos. O benefício só é vitalício a</p><p>partir dos 45 anos (MUSSI, 2019).</p><p>21SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Embora o maior componente do déficit</p><p>previdenciário nas contas do governo nos últimos</p><p>anos esteja nas contas do funcionalismo público e</p><p>observando a evolução dos dados, vale ressaltar</p><p>que ele tem a maior concentração no INSS como</p><p>fonte de aumento de gastos por aposentados</p><p>e pensionistas. A obra de Giambiagi et al. (2004)</p><p>fornece um diagnóstico dos desequilíbrios</p><p>previdenciários no Brasil, propõe um conjunto</p><p>de propostas para enfrentar o problema e estima</p><p>a evolução dos gastos do INSS em diferentes</p><p>cenários. Para saber mais, acesse o QR code</p><p>disponível aqui .</p><p>A medida é válida apenas para novos titulares de pensões.</p><p>Os antigos beneficiários devem ter as suas pensões inalteradas</p><p>como um direito adquirido (DE CASTRO; LAZZARI, 2022).</p><p>22 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>RESUMINDO</p><p>E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu</p><p>mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de</p><p>que você realmente entendeu o tema de estudo</p><p>deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos.</p><p>Você deve ter aprendido que a pensão por morte</p><p>é um benefício pago pelo Instituto Nacional do</p><p>Seguro Social (INSS) que garante ao cônjuge ou</p><p>dependente da pessoa que faleceu o recebimento</p><p>de uma pensão integral no mesmo valor da</p><p>aposentadoria que aquela pessoa receberia, ou</p><p>seja, 100%. Quando a pessoa que recebe a pensão</p><p>também contribuiu com o INSS, ou seja, trabalhou</p><p>o período necessário para poder se aposentar,</p><p>ambos os benefícios são recebidos. Com a reforma</p><p>da previdência, a pensão por morte cai pela</p><p>metade, 50%, mais 10% para cada companheiro</p><p>e dependente que a pessoa deixou, ou seja,</p><p>um homem casado com dois filhos menores</p><p>deixará uma pensão de 50% + 30% (1 esposa e</p><p>2 dependentes), 80% do valor da aposentadoria</p><p>que receberia em vida. O aposentado não pode</p><p>acumular valor, entre aposentadoria e pensão, que</p><p>ultrapasse dois salários mínimos. A outra opção</p><p>que a pessoa tem é escolher o maior dos dois</p><p>benefícios, ou a pensão ou a própria aposentadoria,</p><p>que é o mesmo que liquidar o benefício.</p><p>23SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>A Lei n.º 13.135/2015 e a sua</p><p>implicação na pensão por morte</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao término deste capítulo, você será capaz de</p><p>entender como funciona a Lei nº 13.135/2015. Isto</p><p>será fundamental para o exercício de sua profissão,</p><p>haja vista que ela é fundamental para a correlação</p><p>com a pensão por morte. E então? Motivado para</p><p>desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante!</p><p>Análises do fundamento da lei nº</p><p>13.135/2015</p><p>O regime geral da previdência social (RGPS), atualmente</p><p>regido pela Lei n.º 8.213, de 24 de julho do ano de 1991, pode</p><p>ser compreendido como um fundo criado pelo governo federal,</p><p>responsável pela arrecadação das contribuições previdenciárias</p><p>dos trabalhadores rurais e urbanos, que não sejam servidores</p><p>públicos municipais, estaduais ou federais (DEL PINO; DOS</p><p>PRAZERES, 2019).</p><p>Figura 8 – Todos os trabalhadores brasileiros devem ser incluídos na arrecadação da</p><p>previdência</p><p>Fonte: Pexels</p><p>24 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>O regime geral da previdência social, enquanto política</p><p>pública, está vinculado ao Ministério da Previdência Social, que</p><p>planeja as formas de execução dessa política pública, que são</p><p>posteriormente executadas pelo Instituto Nacional de Seguridade</p><p>Social (INSS) (FARIA, 2019).</p><p>Em sentido amplo e objetivo, especialmente</p><p>visando abarcar todos os planos de previdência</p><p>básicos e complementares disponíveis no</p><p>Brasil, a previdência social pode ser definida</p><p>como um seguro com regime jurídico</p><p>especial, pois regida por normas de Direito</p><p>Público, sendo necessariamente contributiva,</p><p>que disponibilizo benefícios e serviços aos</p><p>segurados e seus dependentes, que variarão</p><p>a depender do plano de cobertura. (AMADO,</p><p>2016, p. 78)</p><p>O Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS),</p><p>Com o advento da Lei 11.457/2007, a principal</p><p>função administrativa do INSS se reduziu a gerir</p><p>o plano de benefícios e serviços do RGPS, pois</p><p>a autarquia federal não mais detém a Dívida</p><p>Ativa das contribuições previdenciárias, que</p><p>atualmente é da União, através da Secretaria</p><p>de Receita Federal do Brasil. Trata-se do maior</p><p>plano previdenciário brasileiro, pois engloba</p><p>cerca de 50 milhões de segurados, visando</p><p>cobrir vários riscos sociais, tais como velhice,</p><p>invalidez, doença, maternidade, prisão,</p><p>acidente e morte. (AMADO, 2016, p. 81)</p><p>Dessa forma, tem-se que os benefícios</p><p>previdenciários,</p><p>de forma geral, são estabelecidos na Lei n.º 8.213/1991, que</p><p>formam a previdência social, esta originada do art. 201, da CF/88,</p><p>com os benefícios gerais definidos no art. 194, da CF/88, podendo</p><p>25SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>o legislador infraconstitucional realizar mudanças, desde que</p><p>não atinjam o cerne do direito do cidadão a estes benefícios</p><p>previdenciários, em especial, o da pensão por morte (DEL PINO;</p><p>DOS PRAZERES, 2019).</p><p>O referido benefício possui a função de amparar os</p><p>dependentes do segurado falecido, que na data da morte,</p><p>estava adimplindo regularmente a contribuição previdenciária,</p><p>revelando, assim, o caráter protetivo da previdência social, que</p><p>deriva diretamente do art. 194, da Constituição da República</p><p>Federativa do Brasil, in verbis, “seguridade social compreende um</p><p>conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos</p><p>e da Sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à</p><p>saúde, à previdência e à assistência social” (BRASIL, 1988, p. 46).</p><p>Figura 9 – A questão da saúde está intimamente ligada à previdência social</p><p>Fonte: Pexels</p><p>Observa-se, assim, que a previdência social é uma</p><p>criação constitucional, com a finalidade de assegurar a todos os</p><p>indivíduos o mínimo necessário, para este e seus dependentes,</p><p>26 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>desde que aqueles contribuam, materializando o Princípio da</p><p>Obrigatoriedade e o Princípio da Contributividade, haja vista</p><p>que os benefícios previdenciários, com exceção do Benefício de</p><p>Assistência Continuada, estabelecido no art. 20, da Lei n.º 8.742,</p><p>de 07 de dezembro de 1993, são fornecidos a título oneroso (DEL</p><p>PINO; DOS PRAZERES, 2019).</p><p>IMPORTANTE</p><p>Ainda, em que pese à seguridade social ser</p><p>semelhante à previdência social, ambas são</p><p>institutos jurídicos diversos, possuindo, assim,</p><p>princípios orientadores e formadores que se</p><p>complementam, com a finalidade de assegurar o</p><p>cumprimento de ambos (FARIA, 2019).</p><p>Porém, com a reforma realizada no benefício da pensão</p><p>por morte, redução do período de recebimento do benefício,</p><p>diminuição do valor base a ser recebido pelos dependentes do</p><p>segurado, e ainda mais gravoso, com a necessidade de período</p><p>mínimo de convivência marital ou em regime de união estável</p><p>para a obtenção do benefício, surge uma significativa redução</p><p>dos direitos estabelecidos para os dependentes e beneficiários</p><p>(RABÊLO et al., 2019).</p><p>Em que pese às justificativas utilizadas para a micro</p><p>reforma previdenciária instituída, sendo a mais impactante</p><p>dela a necessidade de adequar as contas do Governo aos</p><p>valores arrecadados com as contribuições previdenciárias,</p><p>após a instituição de uma política pública, esta não pode</p><p>ser limitada ou extinta, pois além de ser o cumprimento de</p><p>uma ordem constitucional, um direito social, sua extinção ou</p><p>limitação contraria o texto constitucional, e no caso específico, a</p><p>seguridade social e a previdência social e o princípio da proibição</p><p>do retrocesso social (DEL PINO; DOS PRAZERES, 2019).</p><p>É preciso lembrar que:</p><p>27SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>O pressuposto da vedação é a ofensa história</p><p>às conquistas sociais necessárias condizentes</p><p>com a dignidade do ser humano vivendo em</p><p>sociedade pacífica e justa. Regressos são</p><p>admitidos quando fundados, necessários</p><p>e imprescindíveis ao equilíbrio das contas</p><p>da seguridade social e que contem com</p><p>a observância do direito adquirido. É</p><p>absolutamente necessário que a exposição de</p><p>motivos das leis modificadoras deixe bastante</p><p>solares os fundamentos das reformulações, no</p><p>mínimo partindo de audiência pública e com</p><p>amplíssima discussão nos centros de estudo e</p><p>no seio da sociedade (MARTINEZ, 2015, p. 106).</p><p>Assim, apesar da pensão por morte ser um benefício que</p><p>gera altos custos para os cofres públicos, de extrema importância</p><p>mencionar que a Carta Magna, ao tratar da seguridade social,</p><p>estabeleceu de forma clara e objetiva esse dever de prestação</p><p>do Estado, em especial, no que toca à previdência social e</p><p>assistência Social, determinando a seguridade social como um</p><p>sistema organizado na forma de um conjunto integrado de ações,</p><p>cuja iniciativa cabe ao Poder Público, Inciativa Privada e a toda</p><p>a sociedade, de forma a manter a existência dessa prestação</p><p>estatal (BRASIL, 1988).</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>Da leitura do art. 194, da CF/88, de onde se extrai</p><p>os princípios da seguridade social, extrai-se que o</p><p>objetivo do legislador constitucional, ao criar esse</p><p>sistema de prestação, foi o de integrar o Poder</p><p>Público, a Iniciativa Privada e o Cidadão, para que</p><p>jamais esse direito fundamental social possa ser</p><p>negado ou deixado de ser prestado (BRASIL, 1988).</p><p>Logo, a redução do alcance do mesmo ou a diminuição</p><p>do valor-base do benefício, ainda que seja um ato que trará</p><p>28 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>benefícios para os cofres públicos, viola princípios constitucionais</p><p>intrínsecos da seguridade social e da previdência social,</p><p>ao colocar em risco o exercício e a execução de um direito</p><p>fundamental a uma prestação previdenciária, estabelecida no</p><p>texto constitucional (DEL PINO; DOS PRAZERES, 2019).</p><p>Mudanças implementadas pela</p><p>Lei n.º 13.135/2015</p><p>A pensão por morte é uma prestação que resulta de uma</p><p>prestação pecuniária, devida aos dependentes previdenciários</p><p>do segurado por morte, com o objetivo de proporcionar, no</p><p>todo ou em parte, o sustento daqueles que dependiam deles</p><p>economicamente (FARIA, 2019).</p><p>Antes da alteração da Lei n.º 8.213/91, ocorrida por</p><p>força da Lei n.º 13.135/2015, o benefício era independente da</p><p>necessidade e era satisfeito apenas com a qualidade do segurado,</p><p>ou seja, se fez uma única contribuição antes do falecimento, já</p><p>era o suficiente para que os dependentes recebessem o benefício</p><p>(DEL PINO; DOS PRAZERES, 2019).</p><p>Após a lei, o segurado deve ter contribuído por, pelo</p><p>menos, 18 meses até a data de morte para que os dependentes</p><p>usufruam do benefício por mais tempo duradouro ou caso</p><p>não sejam atingidos os 18 meses de contribuição, a lei prevê</p><p>o recebimento de quatro meses de benefício, como forma de</p><p>exceção à regra dos 18 meses de contribuição (RABÊLO et al.,</p><p>2019).</p><p>Outra mudança significativa trazida pela lei é a duração da</p><p>pensão por morte, que anteriormente era vitalício ao cônjuge ou</p><p>parceiro. Após as mudanças em 2015, esse entendimento deixou</p><p>de ser regra e precisava ter ao mesmo tempo as contribuições</p><p>29SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>mínimas totais, período de convivência e idade do cônjuge</p><p>ou companheiro sobrevivente, para saber a período em que</p><p>receberá o benefício (RABÊLO et al., 2019).</p><p>Figura 10 – A Lei n.º 13.135/2015 traz mudanças quanto ao recebimento de pensões para</p><p>companheiros e cônjuges</p><p>Fonte: Pexels</p><p>No entanto, várias questões surgiram a partir dessas</p><p>mudanças, como a forma que foi feito, pois foi por medidas</p><p>provisórias e não por projeto de lei devidamente discutido, outra</p><p>questão levantada foram as diversas mudanças trazidas pela lei,</p><p>o que para alguns caracteriza uma “minirreforma da previdência”</p><p>(FARIA, 2019).</p><p>30 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>Por fim, nota-se, ao longo de toda a história, que as</p><p>perguntas sobre as políticas previdenciárias são sempre alvo de</p><p>reformas, mas não há como negar que são questões bastante</p><p>complexas, pois além do custo altíssimo para todo o sistema,</p><p>há a necessidade de conciliar a justiça social com o equilíbrio</p><p>financeiro e estrutura atuarial do sistema previdenciário,</p><p>tornando-se um grande desafio para o país (RABÊLO et al., 2019).</p><p>A Lei n.º 13.135/2015 na</p><p>atualidade</p><p>Um sistema previdenciário integral precisa manter</p><p>seu equilíbrio financeiro, por isso, é necessário desenvolver</p><p>estratégias para garantir sua sustentabilidade ao longo do</p><p>tempo, pois o custo de pagamento de diversos benefícios</p><p>aumenta proporcionalmente mais que o custo de recolhimento</p><p>dos mesmos, tornando o sistema</p><p>desequilibrado (DEL PINO; DOS</p><p>PRAZERES, 2019).</p><p>A constitucionalidade da lei foi fortemente contestada,</p><p>com alegações de que ela violava os princípios da dignidade</p><p>humana e a proibição do retrocesso social. A Lei n.º 13.135/2015</p><p>foi inicialmente tratada como medida provisória, mas também foi</p><p>criticada como ato administrativo, sem debate com a sociedade e</p><p>o legislativo (RABÊLO et al., 2019).</p><p>No entanto, algumas mudanças começaram a estimular</p><p>jovens dependentes produtivos a buscar o ingresso no mercado</p><p>de trabalho, reduzindo custos por meio do pagamento de</p><p>benefícios, mas não abandonando-os, pelo menos, por pouco</p><p>tempo (FARIA, 2019).</p><p>31SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>Figura 11 – É importante que os jovens dependentes entrem no mercado para contribuírem</p><p>com a previdência</p><p>Fonte: Pexels</p><p>Outras inovações ainda podem surgir, pois os governos</p><p>podem almejar equilibrar as contas públicas.</p><p>No entanto, muito cuidado deve ser tomado para</p><p>que a sociedade não seja a maior vítima, especialmente</p><p>aquelas que precisam de proteção social em</p><p>tempos de crise econômica (DEL PINO; DOS PRAZERES, 2019).</p><p>A economia e as pensões por morte</p><p>Na maioria dos países, os cônjuges ou parceiros</p><p>enlutados podem esperar apenas uma fração da pensão pública</p><p>do falecido, geralmente metade, e, muitas vezes, vem com</p><p>condições associadas, como ter filhos dependentes ou estar</p><p>perto da idade de aposentadoria (FARIA, 2019).</p><p>No Brasil, sobreviventes de qualquer idade recebem</p><p>quase o valor total pelo resto de suas vidas, e mesmo que o</p><p>32 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>falecido ainda não tenha se aposentado, a pensão começa</p><p>imediatamente. Como resultado, o Brasil gasta incomparáveis</p><p>3% do PIB com pensões de sobrevivência. Os países ricos da</p><p>Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico</p><p>(OCDE) gastam, em média, menos de 1% (RABÊLO et al., 2019).</p><p>Figura 12 – A Europa gasta bem menos com os fundos de pensões</p><p>Fonte: Pexels</p><p>Tudo isso significa que, embora o Brasil seja um país</p><p>jovem, ele gasta muito com pensões. Atualmente, há apenas 11</p><p>pessoas com 65 anos ou mais para cada 100 de 15 a 64 anos. A</p><p>proporção na Grécia é de 29 para 100. Mas o Brasil já gasta 11,3%</p><p>do PIB em pensões públicas, não muito menos que a Grécia com</p><p>11,9% (DEL PINO; DOS PRAZERES, 2019).</p><p>Em 1970, as mulheres brasileiras tinham em média 5,8</p><p>filhos, hoje esse número caiu para 1,8. Com relativamente poucos</p><p>dependentes nas duas pontas da escala de idade e uma grande</p><p>população em idade ativa, o país vive um “bônus demográfico”,</p><p>um momento mágico em que deveria poder crescer rapidamente,</p><p>33SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>desfrutar de maiores rendimentos e ainda sobrar investir. No</p><p>momento em que a grande geração se aposentar, esse excedente</p><p>deveria ter construído escolas e infraestrutura para tornar a</p><p>geração seguinte muito mais produtiva. O país deve ser rico o</p><p>suficiente para sustentar seu maior número de idosos sem muito</p><p>esforço (FARIA, 2019).</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>O Brasil desperdiçou essa oportunidade única. Nem o</p><p>regime geral de pensões dos trabalhadores privados</p><p>nem o regime especial dos funcionários públicos</p><p>produzem excedentes. Apesar das altíssimas taxas</p><p>de contribuição – até 33% do salário, dois terços</p><p>pagos pelo empregador e um terço pelo trabalhador</p><p>– ambos os regimes precisam ser complementados</p><p>com impostos gerais para pagar as pensões atuais.</p><p>Nos próximos anos, o bônus demográfico começará</p><p>a diminuir. Em vez de descobrir o que poderia ser</p><p>acessível, tentou transformar os privilégios sociais</p><p>de poucos em direitos de todos. Por exemplo, a</p><p>constituição de 1988 declara que os cuidados de saúde</p><p>são um direito de todos os cidadãos e que é dever</p><p>do Estado fornecê-los gratuitamente, mas serviços</p><p>como saúde e educação exigem planejamento e</p><p>organização e, embora tenham melhorado desde</p><p>o retorno à democracia, ainda estão muito aquém</p><p>dessa aspiração. As pensões simplesmente precisam</p><p>ser pagas e, desde então, têm impulsionado os gastos</p><p>públicos do Brasil. De vez em quando, geralmente em</p><p>anos pós-eleitorais, os governos brasileiros decidem</p><p>que devem conter os gastos públicos. Mas quase</p><p>nada é fácil de aparar. Os vínculos empregatícios</p><p>dos servidores públicos não permitem que sejam</p><p>despedidos ou tenham seus salários reduzidos.</p><p>As pensões não podem ser reduzidas. Então, o</p><p>machado recai sobre os investimentos, os que estão</p><p>em andamento são pausados, os que estão sendo</p><p>planejados são adiados.</p><p>34 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>A dívida pública bruta do Brasil é de quase 60% do Produto</p><p>Interno Bruto (PIB) (ou quase 70%, na definição mais pessimista</p><p>do Fundo Monetário Internacional), o que é muito para um país</p><p>de renda média. Se até mesmo alguns dos ambiciosos planos</p><p>de infraestrutura do governo seguirem em frente, essa dívida</p><p>aumentará ainda mais. Devido à escassez de crédito de longo</p><p>prazo no Brasil – um legado da hiperinflação –, bem como um</p><p>desejo politicamente motivado de limitar as taxas de juros, o</p><p>governo obrigou os bancos públicos a ajudá-lo: eles devem</p><p>emprestar aos possíveis vencedores de seus leilões cerca de dois</p><p>terços dos seus custos de construção. Porém, como as pensões</p><p>consomem grande parte da receita tributária, o governo não tem</p><p>dinheiro para canalizar para os bancos, então, o tesouro terá que</p><p>emitir títulos (DEL PINO; DOS PRAZERES, 2019).</p><p>Para piorar a situação, o Brasil já está se preparando para</p><p>uma poderosa crise previdenciária. A grande geração começará</p><p>a se aposentar em breve e, a menos que as regras mudem</p><p>radicalmente, até 2050, os contribuintes sustentarão o esquema</p><p>do setor privado sozinhos com robustos 5,6% do PIB. No entanto,</p><p>as reformas necessárias nem estão em discussão (RABÊLO et al.,</p><p>2019).</p><p>IMPORTANTE</p><p>O governo brasileiro gasta 5,6% do PIB em</p><p>educação, mais do que a média da OCDE. Isso</p><p>deveria ser suficiente para dar boas escolas, mas</p><p>não dá. Embora a grande conquista da década de</p><p>1990 tenha sido colocar a maioria das crianças na</p><p>escola e o país esteja se saindo melhor do que há</p><p>dez anos, nos estudos do Programa Internacional</p><p>de Avaliação de Estudantes (PISA) da OCDE, que</p><p>testam a alfabetização, aritmética e compreensão</p><p>científica de jovens de 15 anos, ele ainda permanece</p><p>próximo do inferior das estatísticas.</p><p>35SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>Metade de todos os jovens de 15 anos são incapazes de</p><p>interpretar ou tirar conclusões a partir dos textos mais simples.</p><p>Dois terços não conseguem mais do que aritmética básica.</p><p>Em alfabetização, matemática e ciências, apenas 1% tem alto</p><p>desempenho, e na OCDE, 9% o fazem (FARIA, 2019).</p><p>Parte do problema é que o orçamento da educação não</p><p>é bem utilizado. Os governos da OCDE gastam, em média, 30%</p><p>a mais com cada estudante universitário do que com cada aluno</p><p>escolar. O brasileiro gasta cinco vezes mais. Estudantes ricos que</p><p>frequentam escolas particulares têm muito mais probabilidade</p><p>de passar nos exames de admissão à universidade, isso é</p><p>chocantemente regressivo – e um desperdício também, já que</p><p>o retorno para o contribuinte de uma educação básica decente</p><p>para muitos seria muito maior do que de diplomas para poucos</p><p>(RABÊLO et al., 2019).</p><p>No entanto, as práticas mais prejudiciais têm a ver com</p><p>as pensões novamente. Os professores se aposentam cinco anos</p><p>antes dos demais trabalhadores, nas mesmas condições. Como</p><p>a maioria são mulheres, a carreira típica do professor é mais ou</p><p>menos assim: se forma aos 23, passa alguns anos se preparando</p><p>para o concurso público, começa a ensinar aos 25, aposenta-se</p><p>aos 50 anos com salário quase integral e recebe uma pensão</p><p>indexada até a morte aos 79 anos (FARIA, 2019).</p><p>Essa aposentadoria precoce tira profissionais experientes</p><p>de salas de aula, que não podem se dar ao luxo de perdê-los,</p><p>e torna mais difícil persuadir os melhores jovens graduados a</p><p>assumir o ensino em primeiro lugar. As</p><p>pensões representam</p><p>uma parte tão grande da remuneração total que comprimem os</p><p>salários. Os salários dos professores de escolas públicas estão</p><p>entre os mais baixos para cargos de pós-graduação no Brasil,</p><p>36 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>então, a maioria dos profissionais não está interessada (DEL</p><p>PINO; DOS PRAZERES, 2019).</p><p>Desde 1999, o Estado dedica cada centavo dos royalties</p><p>que recebe pelo petróleo em sua costa para financiar as pensões</p><p>de seus funcionários. Ele se considera sortudo por poder</p><p>aproveitar esse fluxo de receita, mas tais ganhos inesperados</p><p>devem ser usados para o bem das gerações futuras, não das</p><p>passadas (RABÊLO et al., 2019).</p><p>Figura 13 – O petróleo pode ser usado para financiamento de pensões</p><p>Fonte: Pexels</p><p>Parte do dinheiro extra deve ser gerado por royalties</p><p>das vastas reservas de petróleo em alto mar recentemente</p><p>descobertas no país, mas mais dinheiro não ajudará, a menos</p><p>que esteja vinculado a uma melhor qualidade dos professores e</p><p>37SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>ao progresso em direção a metas educacionais bem-elaboradas.</p><p>O Rio de Janeiro estabeleceu um currículo básico para cada</p><p>disciplina, impulsionou a formação contínua de professores e</p><p>começou a realizar testes padronizados em todo o estado, para</p><p>todos os alunos, duas vezes por ano. Sem mudanças desse tipo,</p><p>mais dinheiro pode até piorar as coisas (FARIA, 2019).</p><p>De forma mais ampla, o Brasil precisa reformular seus</p><p>gastos públicos, não os aumentar. Ele precisa investir mais e</p><p>parar de subornar os de meia-idade para deixar o mercado de</p><p>trabalho, levando consigo a herança dos filhos (DEL PINO; DOS</p><p>PRAZERES, 2019).</p><p>RESUMINDO</p><p>E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu</p><p>mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza</p><p>de que você realmente entendeu o tema de</p><p>estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que</p><p>vimos. Você deve ter aprendido que após a Lei</p><p>n.º 13.135/2015, o segurado deve ter contribuído</p><p>por pelo menos 18 meses até a data de morte</p><p>para que os dependentes usufruam do benefício</p><p>por mais tempo duradouro ou caso não sejam</p><p>atingidos os 18 meses de contribuição. A lei prevê</p><p>o recebimento de quatro meses de benefício,</p><p>como forma de exceção à regra dos 18 meses de</p><p>contribuição. Outra mudança significativa trazida</p><p>pela lei é a duração da pensão por morte, que</p><p>anteriormente era vitalício ao cônjuge ou parceiro.</p><p>Após as mudanças em 2015, esse entendimento</p><p>deixou de ser regra e precisava ter ao mesmo</p><p>tempo as contribuições mínimas totais, período de</p><p>convivência e idade do cônjuge ou companheiro</p><p>sobrevivente, para saber o período em que</p><p>receberá o benefício. Foi constatado que o Brasil</p><p>é um dos países que mais gasta com pensões por</p><p>morte no mundo.</p><p>38 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>O benefício da pensão por morte</p><p>como direito fundamental social</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao término deste capítulo, você será capaz de</p><p>entender como funciona o benefício da pensão por</p><p>morte como direito fundamental social. Isto será</p><p>fundamental para o exercício de sua profissão,</p><p>uma vez que a pensão por morte é um benefício</p><p>assegurado pela Constituição Brasileira. E então?</p><p>Motivado para desenvolver esta competência?</p><p>Vamos lá. Avante!</p><p>O direito fundamental social da</p><p>saúde</p><p>Os direitos sociais – obrigações positivas do Estado</p><p>de prover a manutenção e o desenvolvimento dos indivíduos</p><p>independentemente da participação no mercado de trabalho –</p><p>são agora características comuns, indiscutivelmente padrão, das</p><p>constituições contemporâneas (DOMINGOS et al, 2019).</p><p>Figura 14 – A saúde é um direito social fundamental no Brasil</p><p>Fonte: Pixabay</p><p>39SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>No Brasil, é possível destacar três direitos sociais</p><p>fundamentais proeminentes, tais como, saúde, habitação e</p><p>educação. O litígio mais antigo e mais proeminente - em termos</p><p>de volume, impacto econômico e atenção acadêmica - no Brasil</p><p>trata da saúde e do acesso à saúde. Os argumentos legais do</p><p>requerente tendem a se basear em alguma combinação do</p><p>direito à vida (art. 5), a garantia geral dos direitos sociais (art. 6),</p><p>o direito à saúde (art.196) e a obrigação do estado de fornecer</p><p>um sistema único de saúde (art. 198) previsto na Constituição</p><p>juntamente com a Lei 8.080 de 1990, o sistema público de</p><p>saúde (Sistema Único de Saúde) permitindo a legislação e, no</p><p>caso de reivindicações relacionadas ao HIV/AIDS, a Lei 9.313 de</p><p>1996 que determina o fornecimento gratuito de medicamentos</p><p>antirretrovirais (BRASIL, 1988).</p><p>Por vários anos após a promulgação da constituição de</p><p>1988, o judiciário não estava disposto a conceder reivindicações</p><p>de direitos sociais. Essa reticência inicial é atribuível a dois</p><p>fatores-chave: o conservadorismo do judiciário superior e</p><p>recursal e as normas profissionais do judiciário como um todo</p><p>que impediam julgamentos transformadores na área de direitos</p><p>sociais (ou qualquer outra área do direito) sem uma doutrina</p><p>legal que poderia ser usada para justificar a concessão de tais</p><p>reivindicações. Porque não havia doutrina ou interpretação legal</p><p>aceitável das garantias dos direitos sociais na Constituição de</p><p>1988 que lhes permitisse fazê-lo, independentemente de sua</p><p>vontade pessoal ou profissional de fazê-lo (MONGE, 2019).</p><p>Como é o caso da maioria dos países da América Latina,</p><p>o Brasil tem uma longa história de revisão judicial. No entanto,</p><p>na medida em que os juízes proferiram decisões contrárias</p><p>à vontade do executivo, a base teórica para a autoridade para</p><p>fazê-lo foi baseada em noções liberal-democráticas de direitos</p><p>negativos, como a prevenção da detenção ilegal; a doutrina</p><p>40 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>existente era ambivalente em relação aos componentes positivos</p><p>das obrigações de direitos ou antitética à sua justiciabilidade</p><p>(SOARES, 2021).</p><p>Em termos de raciocínio jurídico, dois argumentos</p><p>principais foram inicialmente bem-sucedidos contra</p><p>reivindicações de direitos sociais com implicações positivas</p><p>(por exemplo, o fornecimento de medicamentos). O primeiro</p><p>argumento era que esses direitos eram direitos programáticos;</p><p>que eles não eram diretamente obrigatórios e exigiam legislação</p><p>favorável. Se e quando o legislador aprovasse leis ou regulamentos</p><p>para atingir esses fins, os tribunais poderiam legitimamente</p><p>decidir se o Estado estava cumprindo ou não as obrigações</p><p>impostas pelo legislador. Caso contrário, os direitos sociais não</p><p>eram diretamente aplicáveis da mesma forma que os direitos</p><p>civis e políticos. O segundo argumento, também uma objeção</p><p>constitucional clássica, baseia-se na doutrina da separação de</p><p>poderes. Segundo o argumento, não cabe aos tribunais ditar</p><p>políticas ao Executivo e ao Legislativo. Esses dois argumentos,</p><p>particularmente os primeiros, eram geralmente considerados</p><p>persuasivos até meados da década de 1990. Como resultado,</p><p>houve pouco sucesso no litígio de direitos sociais durante esse</p><p>período (DOMINGOS et al, 2019).</p><p>Essa abordagem começou a mudar em meados da década</p><p>de 1990, quando decisões dos TJs (tribunais de Justiça estaduais)</p><p>do Rio Grande do Sul e de São Paulo, bem como do STF (Supremo</p><p>Tribunal Federal) começaram a rejeitar esses argumentos.</p><p>Destaca-se a decisão do STF sobre o acórdão liminar do ministro</p><p>Celso de Mello, posteriormente adotado por unanimidade pelo</p><p>plenário da Corte, no Programa de Educação Tutorial (PET) 1246.</p><p>Com origem no Estado de Santa Catarina, a decisão do Tribunal</p><p>exigiu financiamento público para um tratamento experimental</p><p>administrado nos Estados Unidos para a distrofia muscular de</p><p>41SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>Duchenne, doença degenerativa que afeta crianças (SOARES,</p><p>2021).</p><p>Os primeiros (bem-sucedidos) litígios centraram-</p><p>se na exigência do fornecimento público de medicamentos,</p><p>predominantemente antirretrovirais, para pacientes com HIV/</p><p>AIDS como parte de um esforço vagamente coordenado por</p><p>parte de organizações</p><p>da sociedade civil, profissionais de saúde e</p><p>elementos de mentalidade reformista em ministérios e agências</p><p>governamentais. A forma das reivindicações tendia a ser a</p><p>seguinte: o reclamante tem uma condição médica específica que</p><p>coloca sua vida ou saúde em risco, um determinado tratamento ou</p><p>medicamento melhoraria sua saúde ou chances de sobrevivência</p><p>e, como tal, o Estado tem a responsabilidade para garantir que</p><p>recebam esse tratamento ou medicamento. Em resposta, os</p><p>Estados Partes tendem a argumentar que as decisões judiciais na</p><p>área violariam a separação de poderes, que existem protocolos</p><p>razoáveis para alocar os recursos finitos do sistema de saúde, que</p><p>as limitações orçamentárias e legais (por exemplo, a proibição do</p><p>uso de fundos públicos para fins não orçamentários) impedem o</p><p>fornecimento imediato de todos os tratamentos e medicamentos</p><p>a todos os indivíduos e que os direitos constitucionais relativos</p><p>à saúde devem ser interpretados e aplicados como parte da</p><p>constituição como um todo (MONGE, 2019).</p><p>Exemplo: Um estudo de 2013 sobre o direito à saúde das</p><p>decisões dos Tribunais de Justiça (TJs) do Rio de Janeiro,</p><p>Minas Gerais e Pernambuco encontrou uma taxa geral</p><p>de sucesso de 97,8%, outro estudo no estado do Paraná</p><p>constatou que os casos iniciados em 2009 tiveram taxa de</p><p>sucesso de 81% em primeira instância e 92% em segunda</p><p>instância. Mais recentemente, no entanto, há evidências de</p><p>um ligeiro declínio nas taxas de sucesso. Em estudo sobre</p><p>ações de fornecimento público de medicamentos ajuizadas</p><p>42 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>na Justiça Federal do Estado do Paraná em 2014, o índice de</p><p>sucesso reclamante daquelas que já haviam sido resolvidas</p><p>até a publicação do estudo foi de apenas 75%.</p><p>A natureza fragmentada do judiciário brasileiro, a</p><p>utilização limitada de sistemas de gerenciamento de casos</p><p>totalmente eletrônicos e a inconsistência e incompatibilidade</p><p>dos sistemas de notificação de casos significam que não há uma</p><p>imagem precisa do volume ou dos resultados desses tipos de</p><p>ações para o país como um todo. Um grande corpo de pesquisa</p><p>focado em determinados estados, tribunais, tratamentos ou</p><p>alguma combinação destes, no entanto, indica que o volume de</p><p>casos é bastante alto e que as taxas de sucesso do reclamante são</p><p>extremamente altas. Os primeiros trabalhos empíricos nesta área</p><p>descobriram que os requerentes tiveram sucesso em 82% - 100%</p><p>das vezes, com a maioria dos estudos indicando taxas de sucesso</p><p>de mais de 90%. Embora a metodologia empregada pela maioria</p><p>desses estudos na coleta de dados faça com que eles não possam</p><p>ser, a rigor, considerados amostras representativas, a congruência</p><p>dos resultados é notável. Esses achados também são amplamente</p><p>apoiados por estudos mais recentes baseados em amostras</p><p>maiores e mais representativas (DOMINGOS et al, 2019).</p><p>O direito fundamental social da</p><p>educação</p><p>As reivindicações de direito à educação estão</p><p>fundamentadas principalmente no art. 208 da Constituição de 1988,</p><p>que determina que o Estado tem o dever de garantir a gratuidade</p><p>e a obrigatoriedade da educação básica e da educação infantil e</p><p>que “a omissão do Poder Público em ofertar a obrigatoriedade ou</p><p>oferecê-la irregularmente implica responsabilidade da autoridade</p><p>competente.” O litígio parece ter começado para valer no início e</p><p>43SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>meados dos anos 2000, embora o Ministério Público do Estado de</p><p>São Paulo tenha entrado com várias ações ligadas à educação ao</p><p>longo da década de 1990 relacionadas à elegibilidade por idade e</p><p>áreas de abrangência. Embora tenha havido mais ações coletivas</p><p>nessa área, as reclamações individuais ainda são a forma de ação</p><p>dominante e o volume de litígios tem sido substancialmente menor</p><p>do que o do direito à saúde (BRASIL, 1988).</p><p>Figura 15 - A educação é um direito fundamental no Brasil</p><p>Fonte: Pixabay</p><p>Uma certa proporção dos casos de educação tem se</p><p>concentrado no acesso a instituições de ensino superior, mas</p><p>o grosso das reivindicações, individuais e coletivas, tem a ver</p><p>com a educação primária e infantil. No Estado de São Paulo, o</p><p>Ministério Público avançou com sucesso uma série de ações</p><p>relativas a creches no início dos anos 2000 no sistema da Justiça</p><p>44 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>Estadual, mas as decisões não foram particularmente eficazes -</p><p>o estado foi incapaz de fornecer as vagas por falta de recursos.</p><p>Com relação aos casos coletivos, o judiciário não estava disposto</p><p>a se envolver (GONÇALVES et al, 2020).</p><p>Da mesma forma, um Defensor Público envolvido em</p><p>litígios sobre direito à moradia observou que, ao avançar com</p><p>reivindicações coletivas, os Defensores Públicos (e outros)</p><p>enfrentam muita resistência judicial, muitas vezes na forma</p><p>de referências à reserva possível, a separação de poderes e</p><p>preocupações sobre ativismo judicial para negar reivindicações</p><p>coletivas (GONÇALVES et al, 2020).</p><p>Isso, por sua vez, tem levado muitos, inclusive a</p><p>Defensoria Pública, a focar predominantemente em demandas</p><p>individuais. A principal preocupação com o litígio individual na</p><p>área da educação é que, em vez de resultar em mudança de</p><p>política, ele simplesmente levou a listas paralelas. Em geral, todas</p><p>as instituições primárias e pré-escolares têm listas de espera.</p><p>Quando um juiz ordena ao Executivo que ceda uma vaga a um</p><p>determinado indivíduo, tudo o que acontece é que ele recebe</p><p>prioridade na lista de espera. Mais recentemente, no entanto,</p><p>tem havido um sucesso notável na área de reivindicações de</p><p>educação coletiva (GONÇALVES et al, 2020).</p><p>Em dezembro de 2013, o Tribunal de Justiça do Estado de</p><p>São Paulo (TJ-SP), reformando a decisão do julgamento, decidiu</p><p>que a Prefeitura de São Paulo era obrigada a disponibilizar</p><p>150.000 novas vagas de creche até 2016. Esta decisão foi o</p><p>resultado de vários anos de esforços combinados do Ministério</p><p>Público, Defensoria Pública, Ação Educativa e outras ONGs. Uma</p><p>das principais características distintivas do caso foi a quantidade</p><p>de pesquisas e dados apresentados pelos reclamantes que</p><p>identificaram claramente áreas mal atendidas e lacunas na</p><p>45SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>cobertura em um nível de detalhe que antes não parecia. No</p><p>momento, no entanto, a implementação dessa decisão e se ela</p><p>servirá como um guia para reivindicações subsequentes não está</p><p>clara (MONGE, 2019).</p><p>O direito fundamental social da</p><p>habitação</p><p>Em contraste com o direito à saúde e o direito à educação, o</p><p>direito à moradia é geralmente invocado como um escudo em vez</p><p>de uma espada no Brasil. Ou seja, é mais frequentemente usado</p><p>como defesa contra ordens de despejo do que como tentativa de</p><p>extorquir um bem ou benefício diretamente do estado. O direito</p><p>à moradia também parece ser o menos comumente avançado</p><p>e ter provocado o menor impacto dos três direitos. Pelo menos</p><p>parte da razão para isso é atribuível à aparente relutância do</p><p>judiciário em revogar diretamente os direitos de propriedade</p><p>individual. Dito isto, como regra geral, uma residência principal</p><p>que tenha sido usada como garantia contra um empréstimo não</p><p>pode ser penhorada com base no direito à moradia. Além disso,</p><p>nas instâncias inferiores, sabe-se que as ordens de despejo são</p><p>acompanhadas pela provisão temporária de um estipêndio para</p><p>a parte despejada em um valor considerado suficiente para pagar</p><p>por acomodação alternativa. Na prática, porém, isso não gera</p><p>moradia adicional ou segurança de posse, mas simplesmente</p><p>resulta na mudança do despejado para diferentes moradias</p><p>irregulares, onde permanecem expostos à mesma precariedade</p><p>(DE ARAÚJO; DOS SANTOS, 2021).</p><p>46 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>Figura 16 – A habitação é um direito fundamental social no Brasil</p><p>Fonte: Pixabay</p><p>Apesar de algumas vitórias nos tribunais de primeira</p><p>instância - que foram derrubadas em apelação - e uma certa</p><p>disposição de juízes progressistas</p><p>para experimentar, estudiosos</p><p>sugerem que há uma forte tendência de conservadorismo</p><p>presente no judiciário brasileiro que está associada à aplicação</p><p>de leis de concepções liberais de propriedade privada e equipara</p><p>as tentativas de modificar esse entendimento (por exemplo,</p><p>por meio de protestos) como ataques ao estado de direito. Essa</p><p>abordagem tem um efeito inibidor na reforma agrária, pois</p><p>introduz uma variedade de requisitos processuais, aumenta</p><p>o custo da expropriação e joga com a narrativa dos ocupantes</p><p>como uma ameaça ao estado de direito (DE ARAÚJO; DOS</p><p>SANTOS, 2021).</p><p>47SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>O benefício da pensão por morte</p><p>como direito fundamental social</p><p>A análise do cenário jurídico do Brasil não pode ser</p><p>realizada sem que se leve em consideração outros elementos,</p><p>como a Economia, a Estrutura Social, a História e a Política</p><p>(TONIAL; PATERNO, 2020).</p><p>Dessa forma, pode-se afirmar que atualmente o país</p><p>está sendo regido por um sistema neoliberal, marcado pelo</p><p>Estado do Bem-Estar Social, em que o Estado observou que não</p><p>adianta zelar somente pelos direitos individuais, como liberdade</p><p>e propriedade, mas, para que haja uma real pacificação social, é</p><p>necessário também promover uma intervenção estatal de forma</p><p>a suprir as necessidades básicas dos seus cidadãos (FARIA, 2019).</p><p>Sob este viés, foi construída nossa Constituição Federal,</p><p>fruto de um período político, histórico e econômico de repressão,</p><p>violação e negação de direitos individuais e sociais, o período da</p><p>Ditadura que durou entre 1964 e 1985, o texto constitucional</p><p>surgiu estabelecendo direitos fundamentais que não poderiam</p><p>sofrer limitação ou extinção (COELHO et al, 2020).</p><p>IMPORTANTE</p><p>Os Direitos Fundamentais, estabelecidos no art. 5º,</p><p>da CF/88, possuem natureza de direitos positivos e</p><p>negativos. São direitos negativos, pois impõem ao</p><p>Estado um limite na sua atuação, e, são positivos,</p><p>ao passo que permitem ao cidadão exigir do Estado</p><p>uma atuação que venha a concretizar os direitos</p><p>individuais e coletivos (TONIAL; PATERNO, 2020).</p><p>Em decorrência dessa natureza dos direitos fundamentais,</p><p>que se destinam tanto ao indivíduo como a coletividade,</p><p>assegurando-lhes que uma atuação pode ser exigida do Estado,</p><p>surge o entendimento de que deve o Estado prestar aos seus</p><p>48 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>cidadãos o atendimento de suas necessidades básicas, “no</p><p>sentido de que este se encontra obrigado a colocar à disposição</p><p>dos indivíduos prestações de natureza jurídica e material (fática)”</p><p>(ALEXY, 2008, p. 201).</p><p>Por meio destas prestações, o Estado assegura a todos</p><p>a igualdade material e formal, possibilitando o atendimento de</p><p>necessidades básicas como saúde, alimentação, educação, lazer,</p><p>e no cenário em comento, amparo social e econômico por meio</p><p>da Seguridade Social e dos benefícios previdenciários (COELHO</p><p>et al, 2020).</p><p>Neste sentido, segundo Ibrahim (2011),</p><p>a previdência social, no direito positivo</p><p>brasileiro, é fixada como componente da</p><p>seguridade social, haja vista a previsão do</p><p>art. 94 da Constituição. Da mesma forma, é</p><p>direito social fixado no art. 6º da Constituição</p><p>brasileira, topograficamente localizada</p><p>dentro do Título dos Direitos e Garantias</p><p>Fundamentais. (IBRAHIM, 2011, p. 99)</p><p>E, como medida de execução da previdência social, temos</p><p>o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), estabelecido pela</p><p>Lei n.º 8.213/91, cujas políticas são elaboradas pelo Ministério</p><p>da Previdência Social (MPS) e executadas pelo Instituto Nacional</p><p>de Previdência Social (INSS), que determina e regulamenta os</p><p>tipos de benefícios previdenciários, dentre eles, a Pensão por</p><p>Morte, que pode ser compreendido como um dever de prestação</p><p>do Estado, que adimple com essa obrigação por meio do INSS</p><p>(TONIAL; PATERNO, 2020).</p><p>De forma geral, os benefícios previdenciários devem ser</p><p>guiados pelos Princípios Constitucionais da Seguridade Social,</p><p>dentre eles, o Princípio da Proibição do Retrocesso Social (art. 201,</p><p>49SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>§4º, CF/88) e o Princípio da Irredutibilidade do Valor dos Benefícios</p><p>(art. 194, IV, da CF/88), não sendo admitidas mudanças legislativas</p><p>que representem uma violação destes princípios (FARIA, 2019).</p><p>Como concretização destes princípios temos o benefício</p><p>previdenciário da Pensão por Morte, que “visa fornecer à família do</p><p>segurado, em caso de morte deste, a manutenção do rendimento, para</p><p>que de um momento a outro não vejam como prover seu sustento ou</p><p>tenham este substancialmente reduzido” (VIEIRA, 2006, p. 195).</p><p>Sendo a morte de um ente querido um dos momentos</p><p>mais difíceis para seus familiares, pois, além de muitas vezes</p><p>ser o responsável pela renda e subsistência do núcleo familiar,</p><p>representa uma perda afetiva e emocional irreparável,</p><p>extinguindo uma história construída durante anos de interação</p><p>afetiva (COELHO et al, 2020).</p><p>Dessa forma, com a finalidade precípua de manter o</p><p>mínimo de possibilidade de manutenção da renda familiar, tendo</p><p>em vista que na maioria das vezes o segurado falecido era o único</p><p>fornecedor da renda familiar, temos estabelecido no Regime Geral</p><p>de Previdência Social um benefício concedido aos dependentes do</p><p>falecido, a Pensão por Morte (COELHO et al, 2020).</p><p>IMPORTANTE</p><p>Importa mencionar que o referido benefício</p><p>sofreu severas mudanças com a promulgação da</p><p>Lei n.º 13.135/2015, com mudanças nos critérios</p><p>para a concessão da Pensão por Morte, além de</p><p>mudanças em sua estrutura, tornando-se vitalício</p><p>apenas em algumas situações (antes era vitalício a</p><p>partir da concessão), por meio de um período de</p><p>recebimento deste pelos beneficiários do segurado</p><p>falecido, sob o argumento de ser necessária uma</p><p>adequação destes elementos do referido benefício,</p><p>para evitar a falência do sistema previdenciário</p><p>(TONIAL; PATERNO, 2020).</p><p>50 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>Mas, considerando que os direitos sociais, apesar de</p><p>representaram um custo para o Estado, foram estabelecidos</p><p>no texto constitucional, e, em especial, os direitos referentes</p><p>à Previdência Social possuem uma estrutura organizacional e</p><p>procedimental rigidamente detalhada na Carta Magna, pois, com</p><p>efeito, “as linhas mestras da organização e do custeio, assim como</p><p>a descrição dos mais importantes dentre os benefícios e serviços</p><p>da seguridade social já vinham regulados, com riqueza de detalhes</p><p>pela própria Lei Fundamental” (BALERA, 1992, p. 44), não há, em</p><p>tese, fundamento para a desconsideração deste direito.</p><p>Desta forma, eis que as leis infraconstitucionais n.º 8.212</p><p>e 8.213, ambas de 24 de julho de 1991, representam nada menos</p><p>que a concretização de direitos expressos no texto constitucional,</p><p>com status de direito fundamental, não podendo assim sofrer</p><p>modificação por lei infraconstitucional, por meio da expressão</p><p>material e formal da Seguridade Social e da Previdência Social</p><p>(FARIA, 2019).</p><p>Sobre a Seguridade Social, para fins de compreensão</p><p>dela, vale mencionar que, no Brasil, ela:</p><p>[...] consiste no conjunto integrado de</p><p>ações que visam a assegurar os direitos</p><p>fundamentais à saúde, à assistência e à</p><p>previdência social, de iniciativa do Poder</p><p>Público e de toda a sociedade, nos termos</p><p>do artigo 194, da Constituição Federal.</p><p>Assim, não apenas o Estado atua no âmbito</p><p>da seguridade social, pois é auxiliado pelas</p><p>pessoas naturais e jurídicas de direito privado,</p><p>a exemplo daqueles que fazem doações aos</p><p>carentes e das entidades filantrópicas que</p><p>prestam serviços de assistência social e de</p><p>saúde gratuitamente. Atualmente, ostenta</p><p>51SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>simultaneamente a natureza jurídica de direito</p><p>fundamental de 2 e 3 dimensões, vez que tem</p><p>natureza prestacional positiva (direito social)</p><p>e possui caráter universal (natureza coletiva)</p><p>(AMADO, 2016, p. 24).</p><p>Dessa forma, eis que os benefícios previdenciários são</p><p>regulados, dentre outros, pelo Princípio da Irredutibilidade</p><p>do Valor dos Benefícios, que pode ser considerado um direito</p><p>garantia constitucional, com base no art. 5º, XXXVI, da CF, e, por</p><p>se tratar de uma garantia social, ainda é aplicável o disposto no</p><p>art. 7º, caput, da CF (TONIAL; PATERNO, 2020).</p><p>De acordo com este princípio, não podem os benefícios</p><p>previdenciários sofrer qualquer redução, pois se estes se</p><p>destinam a assegurar a dignidade da pessoa do segurado e</p><p>de seus dependentes, mantendo o mínimo necessário para</p><p>sua subsistência, logo, qualquer diminuição acarretaria o</p><p>desvirtuamento da função social do mesmo (FARIA, 2019).</p><p>Ademais, frise-se que no que tange à Previdência Social,</p><p>sendo regida pelo art. 201, da CF/88, temos estabelecido, de</p><p>forma objetiva, as prestações a serem cumpridas pelo Estado,</p><p>com especial relevo para os incisos I e V, estabelecendo, assim,</p><p>direitos fundamentais sociais que se expressam em obrigações-</p><p>prestações a serem adimplidas pelo Estado (COELHO et al, 2020).</p><p>Logo, é correta afirmação de que a:</p><p>[...] previdência social é uma garantia constitucional</p><p>que visa a manter níveis de proteção frente a</p><p>necessidades sociais, com o intuito de fornecer</p><p>a seus beneficiários algum rendimento que seja</p><p>substituidor de sua remuneração, indenizatório</p><p>de sequelas ou em razão de encargos familiares</p><p>(IBRAHIM, 2011, p. 45).</p><p>52 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>Observa-se, assim, o caráter prestacional do benefício</p><p>previdenciário dada à Pensão por Morte, cuja finalidade é</p><p>amparar os dependentes do segurado, assegurando que estes</p><p>mantenham o mínimo necessário para a sobrevivência, elemento</p><p>marcante no Estado do Bem-estar Social (COELHO et al, 2020).</p><p>53SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>RESUMINDO</p><p>E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu</p><p>mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de</p><p>que você realmente entendeu o tema de estudo</p><p>deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos.</p><p>Você deve ter aprendido que as garantias dos direitos</p><p>sociais são agora uma característica da maioria das</p><p>constituições do mundo. Eles foram caracterizados de</p><p>várias maneiras como ferramentas para a realização</p><p>da transformação social progressiva e como fachadas</p><p>destinadas a desviar a atenção dos abusos contínuos</p><p>dos direitos humanos, aprimoramento da democracia</p><p>e antimajoritários, bons e ruins. No Brasil, são direitos</p><p>fundamentais sociais a educação, a saúde e a moradia.</p><p>O direito à pensão por morte é adquirido por todos os</p><p>trabalhadores contribuintes. Atualmente, no entanto,</p><p>ainda estamos nos estágios iniciais de compreensão</p><p>dos efeitos sociais, econômicos e políticos de longo</p><p>prazo de sua constitucionalização e subsequente</p><p>litígio e interpretação judicial. À medida que</p><p>buscamos desenvolver nosso conhecimento nessa</p><p>área, devemos ter uma série de coisas no meu. Em</p><p>primeiro lugar, o ambiente institucional no qual uma</p><p>constituição é interpretada e aplicada é importante:</p><p>as culturas profissionais moldam tanto o que os juízes</p><p>buscam alcançar quanto como eles são capazes de</p><p>perseguir esses fins; o desenho institucional formal</p><p>determina os tipos de decisões que eles são capazes</p><p>de tomar e, por sua vez, moldará se e como grupos</p><p>de interesse, atores da sociedade civil e indivíduos</p><p>buscarão assistência judicial para alcançar seus</p><p>objetivos. Em segundo lugar, as variações no desenho</p><p>institucional e nas práticas padrão significam que</p><p>não se pode presumir que o foco nas decisões dos</p><p>tribunais superiores fornecerá uma compreensão</p><p>precisa da interpretação e aplicação dos direitos</p><p>sociais de um determinado país. Finalmente, como a</p><p>maioria dos fenômenos políticos amplos, a tendência</p><p>à constitucionalização dos direitos sociais não deve</p><p>ser vista como um bem inerente, nem se deve esperar</p><p>que seus efeitos sejam uniformes. É melhor concebido</p><p>como um processo maleável, sujeito a uma variedade</p><p>de influências, cuja implementação e operação</p><p>certamente terão consequências, intencionais ou não.</p><p>54 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>Teoria da reserva do possível</p><p>segundo a lei n.º 13.135/2015</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao término deste capítulo, você será capaz de</p><p>entender como funciona a Teoria da Reserva do</p><p>Possível segundo a Lei n.º 13.135/2015. Isto será</p><p>fundamental para o exercício de sua profissão,</p><p>haja vista que o entendimento dessa teoria</p><p>amplia os conhecimentos acerca da pensão por</p><p>morte. E então? Motivado para desenvolver esta</p><p>competência? Vamos lá!</p><p>A seguridade social e o Princípio</p><p>da Proibição do Retrocesso Social</p><p>A Seguridade Social pode ser compreendida como um</p><p>conjunto de ações do Estado, guiadas por princípios e regras,</p><p>cuja finalidade é promover o bem-estar social, a segurança do</p><p>trabalhador e sua família.</p><p>A ideia essencial da Seguridade Social é dar</p><p>aos indivíduos e a suas famílias tranquilidade</p><p>no sentido de que, na ocorrência de uma</p><p>contingência (invalidez, morte etc.), a qualidade</p><p>de vida não seja significativamente diminuída,</p><p>proporcionando meios para a manutenção das</p><p>necessidades básicas dessas pessoas. Logo,</p><p>a Seguridade Social deve garantir os meios</p><p>de subsistência básicos do indivíduo, não só,</p><p>mas principalmente para o futuro, inclusive</p><p>para o presente, independentemente de</p><p>contribuições para tanto. Verifica-se, assim,</p><p>que é uma forma de distribuição de renda aos</p><p>mais necessitados, que não tenham condição</p><p>55SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>de manter a própria subsistência (MARTINS,</p><p>2014, p. 21).</p><p>IMPORTANTE</p><p>Uma das formas da Seguridade Social se</p><p>materializar, portanto, é por meio dos benefícios</p><p>previdenciários que, por sua vez, integram a</p><p>Previdência Social e a Assistência Social, que tem</p><p>como princípio de forte relevância o Princípio da</p><p>Proibição do Retrocesso Social.</p><p>“De acordo com esse princípio, uma vez tendo o sistema</p><p>jurídico definido um determinado direito como fundamental, não</p><p>pode ser suprimido ou restringido inadequadamente, a ponto de</p><p>causar um retrocesso na sua atualização” (GOLDSMITDT, 2017, p.</p><p>12). Logo, toda e qualquer lei que causar uma mudança legislativa</p><p>que reduza direitos do indivíduo, é uma causa de retrocesso</p><p>social.</p><p>Sendo a Seguridade Social estabelecida no texto</p><p>constitucional, especificamente nos arts. 194 e 195 da CF, esta</p><p>poderia sofrer mudanças, haja vista a possibilidade de mudanças</p><p>do texto constitucional por meio de emendas à constituição</p><p>(BRASIL, 1988).</p><p>Porém, sendo a Seguridade Social compreendida como</p><p>um sistema integrado de princípios e leis que visam ao constante</p><p>e progressivo (nunca recessivo) desenvolvimento social,</p><p>[...] no sistema do direito da seguridade social</p><p>brasileiro, o conceito de seguridade social</p><p>está posto na própria Constituição Federal,</p><p>que não pode ser reformado, de modo a</p><p>estabelecer-se verdadeiro retrocesso social,</p><p>sob pena de afronta ao cerne imodificável</p><p>da Carta Magna, estabelecido no art. 60, §4º,</p><p>IV. Na Carta Política de 1988 o conceito de</p><p>seguridade social é detalhado com princípios</p><p>56 SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>e regras específicas a serem observadas,</p><p>deixando patente a adoção do princípio</p><p>irreversibilidade social, impossibilitando o</p><p>poder Constituinte Derivado de implementar</p><p>alterações constitucionais que instituam</p><p>retrocesso social. Há, portanto, um programa</p><p>imodificável, pois constitui cerne inalterável.</p><p>(BALERA, 2015, p. 52-53)</p><p>Desta forma, eis que sendo a Seguridade Social e a</p><p>Previdência Social direitos sociais criados com a finalidade de</p><p>proporcionarem a evolução da Sociedade, o crescimento do</p><p>Estado do Bem-estar Social, apesar desse objetivo ser alcançado</p><p>por meio de um ônus para o Estado, não podem deixar de ser</p><p>promovidos.</p><p>Figura 17 – A seguridade social visa ao bem-estar social</p><p>Fonte: Pexels</p><p>57SEGURIDADE SOCIAL – SAÚDE E PREVIDÊNCIA</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>4</p><p>Nesse diapasão, é correto afirmar que:</p><p>os direitos sociais, incluídos aí a previdência</p><p>social, exigiriam uma atuação concreta,</p><p>seriam obrigações positivas do Poder</p>