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FACULDADE MULTIVIX – ES GUILHERME SOARES DE CASTRO DIREITO PREVIDENCIÁRIO Guilherme Soares de Castro Orientadora Laura Krause CARIACICA-ES 2020 GUILHERME SOARES DE CASTRO DIREITO PREVIDENCIÁRIO Trabalho de Aluno em Regime Didático Excepcional apresentado pelo acadêmico Guilherme Soares de Castro como exigência do curso de graduação 10º período em Direito da Faculdade Multivix como requisito parcial para aprovação na Disciplina de DIREITO PREVIDENCIÁRIO sob a orientação da professora Laura Krause CARIACICA-ES 2020 4 Sumário Introdução ................................................................................................................................... 5 1. ESTADO E A PROTEÇÃO SOCIAL AO TRABALHADOR ............................................. 5 1.1 O SURGIMENTO DA NOÇÃO DE PROTEÇÃO SOCIAL .............................................. 5 1.2 A MÚTUA ASSISTÊNCIA E A CARIDADE .................................................................... 6 1.3 A ASSISTÊNCIA SOCIAL ESTATAL .............................................................................. 7 1.4 A FORMAÇÃO DO CONCEITO DE BEM-ESTAR SOCIAL .......................................... 8 1.5 EVOLUÇÃO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL – DO MODELO DE BISMARCK AO MODELO DE BEVERIDGE .................................................................................................... 10 2. FUNDAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL ................................................................. 11 2.1 A INTERVENÇÃO DO ESTADO E A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA ............. 11 2.2 A SOLIDARIEDADE SOCIAL .......................................................................................... 12 2.3 A COMPULSORIEDADE DA FILIAÇÃO ....................................................................... 13 2.4 A PROTEÇÃO AOS PREVIDENTES ............................................................................... 13 2.5 A REDISTRIBUIÇÃO DE RENDA ................................................................................... 14 2.6 O RISCO SOCIAL .............................................................................................................. 16 2.7 DA PREVIDÊNCIA À SEGURANÇA SOCIAL ............................................................... 16 2.8 MODELOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL ........................................................................ 17 2.9 SISTEMAS CONTRIBUTIVOS E NÃO CONTRIBUTIVOS .......................................... 18 2.10 SISTEMAS CONTRIBUTIVOS DE REPARTIÇÃO E CAPITALIZAÇÃO .................. 20 2.11 SISTEMAS PRIVADOS DE PREVIDÊNCIA ................................................................. 21 2.12 O SISTEMA DE PILARES ............................................................................................... 22 2.12.1 Saúde .............................................................................................................................. 22 2.12.2 Assistência Social ........................................................................................................... 22 2.12.3 Previdência Social .......................................................................................................... 23 2.13 A EVOLUÇÃO DA PROTEÇÃO SOCIAL NO BRASIL ............................................... 23 2.14 PRIMEIRAS REGRAS DE PROTEÇÃO ......................................................................... 25 2.15 A LEI ELOY CHAVES .................................................................................................... 26 2.16 OS INSTITUTOS DE CLASSE ........................................................................................ 26 2.17 DA CRIAÇÃO DO INPS À CONSTITUIÇÃO DE 1988 ................................................ 27 2.18 A CONSTITUIÇÃO DE 1988 E A SEGURIDADE SOCIAL ......................................... 28 2.19 A CRIAÇÃO DO INSS E AS PRIMEIRAS REFORMAS .............................................. 30 2.20 A EMENDA CONSTITUCIONAL N. 20, DE 1998 ........................................................ 31 2.21 O DIREITO PREVIDENCIÁRIO AUTONOMIA CIENTÍFICA .................................... 33 2.22 CLASSIFICAÇÃO PERANTE A DIVISÃO DIDÁTICO ENCICLOPÉDICA DO DIREITO ................................................................................................................................... 33 2.23 RELAÇÃO DO DIREITO PREVIDENCIÁRIO COM OUTROS RAMOS DO DIREITO ................................................................................................................................... 34 2.24 FONTES DO DIREITO PREVIDENCIÁRIO .................................................................. 35 BIBLIOGRAFIA ....................................................................................................................... 36 5 INTRODUÇÃO O presente trabalho vem a cumprir exigência acadêmica para a disciplina de Direito Previdenciário na modalidade on-line em um estudo dirigido avaliativo sobre os tópicos a seguir. 1. ESTADO E A PROTEÇÃO SOCIAL AO TRABALHADOR 1.1 O SURGIMENTO DA NOÇÃO DE PROTEÇÃO SOCIAL Diante o desenvolvimento da sociedade e primordial preocupação na proteção dos indivíduos, isto é, garantir afronte calamidades, sejam elas naturais ou sociais, também, partilhar entre seus membros propiciando assistência necessária a garantir a dignidade e restabelecimento destes indivíduos. Segundo Russomano: “o mundo contemporâneo abandonou, há muito, os antigos conceitos da Justiça Comutativa, pois as novas realidades sociais e econômicas, ao longo da História, mostraram que não basta dar a cada um o que é seu para que a sociedade seja justa. Na verdade, algumas vezes, é dando a cada um o que não é seu que se engrandece a condição humana e que se redime a injustiça dos grandes abismos sociais” O conceito de Seguridade Social foi, inicialmente, desenvolvido na Convenção 102, de 1952, da Organização Internacional do Trabalho como “a proteção social que a sociedade proporciona aos seus membros, mediante uma série de medidas públicas contra as privações econômicas e sociais que, de outra maneira, provocariam o desaparecimento ou forte redução dos seus rendimentos em conseqüência de enfermidade, maternidade, acidente de trabalho, enfermidade profissional, emprego, invalidez, velhice e morte, bem como de assistência médica e de apoio à família com filhos”. Neste prisma, foi baseado nesse conceito que foi escrito o capítulo dedicado à Seguridade na Constituição de 1988, que, no Art. 194, determinou a competência do Poder Público, nos termos da lei, organizar a seguridade social, com base nos seguintes objetivos: a 6 “universalidade da cobertura e do atendimento”, a “uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais”, a “seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços”, a “irredutibilidade do valor dos benefícios”, a “eqüidade na forma de participação no custeio”, a “diversidade da base de financiamento” e a garantia de um “caráter democrático e descentralizado da administração”. Logo, o conceito de proteção social é a forma do Estado, mediante cediço de algumas liberdades cidadãs a responsabilidade em organizar e garantir que a distribuição de riquezas de um país possa ser dividido de forma igualitárias através de um conjunto de ações protetivas coletivas e individuais, estabelecendo como principal foco os menos afortunados sociais, a fim de diminuir as diferenças sociais, garantindo desta forma o mínimo existencial, o qual destacam-se três formas distintas de solução: beneficências entre pessoas,assistência pública e previdência social. 1.2 A MÚTUA ASSISTÊNCIA E A CARIDADE Entende-se como recente a concepção de proteção social na forma atual de existência por parte do Estado, contudo a visão desta necessidade de assistência e equilíbrio dentro do contexto social sempre foram perceptíveis a uma parcela da população na civilização que desabrochou no decorrer dos períodos históricos, motivado principalmente pelas inseguranças naturais que sempre nos rodearam. Há registros que as primeiras assistências sociais na historia datam de do período romano e grego, o qual possuíam grupos de pessoas que se reuniam, mediante de um fundo comum que permitia aos associados receberem socorro em caso de adversidade e perda das atividades laborativas. Na idade média européia tem-se o aparecimento das GUILDAS que eram representadas por associações de profissionais (sapateiros, ferreiros, alfaiates, marceneiros, carpinteiros, 7 artesãos, artistas) durante o período da Idade Média, formadas hierarquicamente por mestres, oficiais e aprendizes. O termo “Guilda” vem do germânico arcaico “gelth” e significa “pagamento”, posto que os trabalhadores associados pagavam uma quantia regularmente a fim de manter o funcionamento destas associações de mutualidade. Como marco para estruturação fundamental na proteção social foi desenvolvimento da sociedade industrial na primeira metade do século XIX na Europa, que buscavam reformas que humanizassem o sistema capitalista vivido na época. 1.3 A ASSISTÊNCIA SOCIAL ESTATAL Como trata-se de assunto recente no aglomerado de responsabilidade estatal, verifica-se que até o século XVIII o assunto não permeava as pautas, assim deixando os necessitados excluídos completamente, tanto da vida econômica como assistencial. Notório, que no período da Idade Moderna (século XV ao XVIII) o qual estabelecia no campo político, centralizava o poder e inaugurando uma política absolutista. O poder era voltado somente aos reis e ao Estado, neutralizando a participação dos cidadãos nas decisões políticas. A nobreza detinha privilégios econômicos, jurídicos e sociais; sobrando ao povo os impostos e retaliações. Já no campo econômico a Europa desenvolveu políticas mercantilistas com inicio das grandes navegações. Entretanto a influência do Liberalismo econômico estipulava um Estado inerte ante a necessidade dos menos afortunados e liberdade na relação entre particulares sem que houvesse a interferência estatal, ademais refletia na falta de proteção ao trabalhador e em pequenas preocupações com a dignidade da pessoa humana. 8 No que pese, foi uma época reconhecidamente de interferência mínima do Estado frente ao pulsante pensamento Liberal, onde limitava-se a assistência de pensões pecuniárias e abrigo aos financeiramente carentes. Desta forma percebesse que não havia concepções concretas de políticas publicas em caráter mútuo a garantir plena proteção a população mais pobre, ou seja, a classe trabalhadora era assolada pela exploração com limitadíssimos mecanismos de segurança estatal, os quais somente começaram a ser desenvolvido no século XIX em Londres. 1.4 A FORMAÇÃO DO CONCEITO DE BEM-ESTAR SOCIAL Com advento da Revolução Francesa no século XVIII por meio da Declaração Universal do Direito dos Homens e dos Cidadãos, nasce a mudança do pensamento em relação a proteção do individuo garantindo a todos o direito subjetivo, diante do chamado liberalismo político caracterizado pela idéia de previdência social, pública, gerida pelo Estado e com a participação de toda a sociedade. Preponderante foi a influencia do desenvolvimento da sociedade industrial e os efeitos que estava causando na sociedade para que houvesse a percepção da necessidade de obtenção e reconhecimento destes direitos, cujo propõe uma ruptura do modelo até então aplicado com características exploratórias da mão de obra para trabalho nas industrias sem garantir o mínimo existencial para as categorias. Entretanto, o caminho para o reconhecimento da necessidade e mudanças e ampliação de garantias e interferência do Estado foram marcados por diversas revoluções em regiões distintas da Europa, como: Na Inglaterra, revoluções de 1848 e 1871; Na França , em 1848 e na Alemanha. Principais pensadores que fundamentaram o caminho para obtenção destes direito sociais, cita-se: Paulo Márcio Cruz admite-se como pioneiro da idéia, Lorenz von Stein (1815-1890), 9 a partir de sua obra “História do Movimento Social na França”, de 1850, Marx (1848). Origens de um pensamento dirigido ao modelo contemporâneo de Estado – Democrático – devem ser creditadas a Ferdinand Lassale, inspirado na “Social Democracia”, Gotha (1875), economista alemão Adolph Wagner formulou uma teoria econômica conhecida por “Lei de Wagner”, Encíclica Papal “Rerum Novarum” (no pontificado de Leão XIII), de 15 de maio de 1891. Ademais, após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) Leo Wolman, as conseqüências econômicas e sociais, e por fim, como grande influencia a Revolução Soviética de 1917. Cabe ressaltar que a idéia de proteção estatal ao individuo vitima de infortúnio foi gradativa da segunda metade do século XIX até o início do século XX, um sistema jurídico que garantiria aos trabalhadores normas de proteção em relação aos seus empregadores nas suas relações contratuais, e um seguro – mediante contribuição destes – que consistia no direito a uma renda em caso de perda da capacidade de trabalho, por velhice, doença ou invalidez, ou a pensão por morte, devida aos dependentes. Percebe-se que o surgimento da necessidade de novas, ora inéditas garantias aos trabalhados deu-se ao passo da exploração industrial, o qual movimentou pesadores o operários a um complexo de idéias afim de diminuir as desigualdades, fazendo que o poder estatal interferisse, mesmo que, de forma lenta e gradual nas relações privadas na proteção social do individuo alijados do mercado de trabalho. É relevante fixar que o componente teoria e revolucionários foram fundamentados e instituídos até o período da segunda Guerra Mundial, todavia foi com a experiência traumática da quebra da bolsa de valores de 1929 e com o final da Grande Guerra que surgem efetivamente políticas econômicas e sociais para efetivamente colocar em prática o Modelo do Bem Estar Social, ora Welfare States. 10 1.5 EVOLUÇÃO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL – DO MODELO DE BISMARCK AO MODELO DE BEVERIDGE O sistema cognominado Bismarckiano de previdência, se desenvolve da seguinte forma; trabalhadores empregados e empregadores contribuem em poupança compulsória de forma que apenas estes fariam jus à proteção. Esse modelo pode ser resumido pela expressão: “ Plano de Seguradora”, pois, somente recebe quem contribui. O sistema denominado Beveridgiano abrange a universalidade dos indivíduos de uma sociedade em razão da contribuição de todos os nacionais. O Brasil adota sistema misto, pois, embora haja contribuição compulsória dos nacionais, aqueles que se encontram em hipossuficiência econômica e não contribuem também farão jus aos benefícios. Após o modelo Bismarckiano, outros países aprovaram seus planos de proteção social. A Dinamarca aprovou o direito à aposentadoria em 1891. Logo depois, a Suécia desenvolveu o primeiro plano de pensão nacional universal. Na América Latina, os sistemas mais antigos de seguro social foram criados na Argentina, Chile e Uruguai, no começo da década de 1920. Os Estados Unidos da América, de Franklin Roosevelt, instituíram o New Deal, com a doutrina do Wellfare State (Estado do bem-estar social), a partir de 1933, e editaram o Social Security Act, em 1935. A Nova Zelândia instituiu, em 1938, instituiu uma lei concedendo proteção a toda a população, implantando o seguro social e extinguindo o seguro privado. O Plano Beveridge baseava-se numa proteção ampla eduradoura, tanto que Lorde Beveridge afirmara que a segurança social deveria ser prestada do berço ao túmulo (Social security from the cradle to the grave). Segundo Martins, o Plano Beveridge tinha por objetivos unificar os seguros sociais existentes; estabelecer o princípio da universalidade, para que a proteção se estendesse a todos os cidadãos e não apenas aos trabalhadores; igualdade de proteção; tríplice forma de custeio, 11 porém com predominância do custeio estatal. ” O Plano Beveridge tinha cinco pilares: (a) necessidade; (b) doença; (c) ignorância; (d) carência; (e) desemprego. Era universal e uniforme. Visava ser aplicado a todas as pessoas e não apenas a quem tivesse contrato de trabalho, pois o sistema atual não atingia quem trabalhava por conta própria. Ainda, tinha por objeto abolir o estado de necessidade. Objetivava proporcionar garantia de renda às pessoas, atacando a indigência. Os princípios fundamentais do sistema eram: horizontalidade das taxas de benefícios de subsistência, horizontalidade das taxas de contribuição, unificação da responsabilidade administrativa, adequação dos benefícios, racionalização e classificação. FUNDAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL 2.1 A INTERVENÇÃO DO ESTADO E A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA No decorrer da história, muitos pensadores desenvolveram teorias sobre quais eram os direitos que qualquer homem deveria ter preservado, aqueles direitos cuja natureza é tão necessária que se transformaram em condições mínimas para a sobrevivência. Desta forma, cada um desses direitos protagonizou um parte do desenvolvimento da história jurídica, gerado por diversas lutas sociais sem as quais não seria possível sua atual existência. Neste enfoque, o Estado passou a garantir à sociedade brasileira os direitos sociais, culturais e econômicos. Segundo Rabenhorst, “o termo “dignidade” vem do latim dignitas, que designa tudo aquilo que merece respeito, consideração, mérito ou estima. Entende-se por dignidade, acima de tudo, como uma categoria moral, que compreende a qualidade ou valor particular que atribuímos aos seres humanos em função da posição que ocupam na escala dos seres, sendo um marco de proteção contra as arbitrariedades do Estado. Em razão da enorme carga de abstração que o termo carrega, a conceituação prática da “dignidade” não tem encontrado unanimidade entre os doutrinadores apesar do fato de que estas múltiplas definições acabam por complementar-se. 12 Buscando exatamente esta proteção contra infortúnios que pudessem ocorrer com os trabalhadores houve a demonstração que o Estado não oferecia garantia nenhuma aos seus cidadãos. O Princípio da Dignidade humana deve nortear a Administração Pública e toda a Sociedade com o objetivo de que, nos próximos anos, não existem brasileiros sem a cobertura previdenciária. 2.2 A SOLIDARIEDADE SOCIAL Inicialmente, citamos a definição do ilustre Professor Sérgio Pinto Martins: “Ocorre solidariedade na Seguridade Social quando várias pessoas economizam em conjunto para assegurar benefícios quando as pessoas do grupo necessitarem. As contingências são distribuídas igualmente a todas as pessoas do grupo. Quando uma pessoa é atingida pela contingência, todas as outras continuam contribuindo para a cobertura do benefício do necessitado.” Tal como: “O Direito da Seguridade Social é um conjunto de princípios, de regras e de instituições destinado a estabelecer um sistema de proteção social aos indivíduos contra contingências que os impeçam de prover as suas necessidades pessoais básicas e de suas famílias, integrado por ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, visando assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social”. Neste viés, trata-se de um conjunto de ações que visam a garantir assistência aos cidadãos que por ventura sofram infortúnios, assim mantenham-se com proteção suficiente pelo o Estado, a 13 fim de manutenir condições básicas e dignidade efetiva, visto que a solidariedade social deve conceder a devida distribuição de renda para esta finalidade. 2.3 A COMPULSORIEDADE DA FILIAÇÃO O Princípio da Compulsoriedade é o que obriga a filiação a regime de previdência social aos trabalhadores que trabalhem, desta forma garantir os trabalhadores que não contribuem fiquem excluídos do sistema protetivo, por conseqüência geraria um completo caos social, pois, quando ficassem impossibilitados de exercer suas atividades, não teriam como prover o seu sustento. Noutro aspecto a contributividade significa que, para ter direito a qualquer benefício da previdência social, é necessário enquadrar-se na condição de segurado, devendo contribuir para manutenção do sistema previdenciário. Até mesmo o aposentado que volta a exercer atividade profissional remunerada, é obrigado a contribuir para o sistema. Concepções doutrinárias acerca da filiação previdenciária compreendem que este designa uma vinculação entre uma pessoa física denominado segurado, e uma pessoa jurídica gestora da proteção social, o ente segurador. É este princípio que permite e justifica uma pessoa poder ser aposentada por invalidez em seu primeiro dia de trabalho, sem ter qualquer contribuição recolhida para o sistema. Também é a solidariedade que justifica a cobrança de contribuições pelo aposentado que volta a trabalhar. Este deverá adimplir seus recolhimentos mensais, como qualquer trabalhador, mesmo sabendo que não poderá obter nova aposentadoria 2.4 A PROTEÇÃO AOS PREVIDENTES O conceito de proteção aos previdentes, o qual se utiliza o legislador previdenciário para estabelecer a obrigatoriedade de filiação, baseia-se que a Previdência Social cria para todos os 14 indivíduos economicamente ativos uma proteção a sua renda, uma vez que, sendo o sistema fundamentado no ideal de solidariedade, se apenas os mais previdentes resolvessem fazer a contribuição para o seguro social, os demais, ao necessitarem da tutela estatal por incapacidade laborativa, causariam um ônus ainda maior a estes trabalhadores previdentes. 2.5 A REDISTRIBUIÇÃO DE RENDA A atual Constituição Brasileira preocupou-se em grande parte a defesa dos direitos sociais que, está intimamente ligado com a erradicação da pobreza e a diminuição das desigualdades sociais e econômicas. Ressalta-se que os direitos sociais estão cada vez mais presentes e são direitos fundamentais dos homens. Demonstra-se que o Brasil, assim como diversos países vêm se preocupando em proteger os direitos sociais de seus cidadãos através de seus textos constitucionais, porém, no caso da Constituição Brasileira, ocorreu a previsão expressa de diversos direitos que devem ser considerados sociais. Neste Prisma, o legislador constituinte deixou clara sua preocupação com a Previdência Social ao elencá-la como um direito social fundamental, devidamente expresso nos artigos 6º e 7º da Constituição Federal de 1988 e, posteriormente, ratificada pelas emendas constitucionais nº 26/2000 e nº 64/2010. Observa-se que a Previdência Social faz parte de um todo maior chamado Seguridade Social que, de acordo com o artigo 194 de nossa Carta Maior, corresponde a um conjunto integrado de ações públicas destinadas a assegurar os direitos a saúde, a previdência e a assistência social, de forma a efetivar a redistribuição de renda. Segundo Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes os direitos sociais são: “Direitos fundamentais do homem, caracterizando-se como verdadeiras liberdades positivas, de observância obrigatória em um Estado Social de Direito, tendo por finalidade a melhoria de condições de vida aos hipossuficientes, visando a concretização da igualdade social, e são consagrados como fundamentos do Estado democrático, pelo art. 1º, IV, da Constituição Federal. 15 Percebe-se que o doutrinador citadoé categórico quanto ao objetivo dos direitos sociais, ou seja, que ditos direitos visam a promover a concretização da igualdade social através de prestações positivas promovidas direta ou indiretamente pelo Estado. Tais prestações positivas do Estado são fundadas no artigo 3º, inciso III, da Constituição Federal que, por sua vez, traça como objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a erradicação da pobreza e da marginalização além da redução das desigualdades sociais e regionais. Tanto a erradicação da pobreza, quanto a redução das desigualdades sociais, são objetivos universais de todas as declarações nacionais devido as conseqüências negativas trazidas pela pobreza ao próprio indivíduo e, também, a toda coletividade. A inadequação da renda freqüentemente é a principal causa das privações que normalmente associamos à pobreza, como a fome individual e a fome coletiva. No entender de Amartya Sen, a pobreza tem várias outras imbricações além de sua significação literária, uma vez que limita a própria capacitação do indivíduo e sua formação. Deve-se desde modo estruturar o sistema social para uma distribuição justa, independentemente do que venha a acontecer. Para se atingir esse objetivo, é necessário situar o processo econômico social dentro de um contexto de instituições políticas e jurídicas adequadas. Por óbvio, que a busca destes objetivos devem ser analisadas de forma ampla e através de ações conjuntas ocorridas em todos os setores públicos que, direta ou indiretamente, apliquem efetivamente as políticas públicas adotadas pelo Estado, pois, somente assim, poderão refletir de forma positiva no processo econômico de distribuição e/ou redistribuição justa. 16 Talvez, a previsão constitucional de redistribuição de renda observamos o Princípio da Capacidade Contributiva, previsto no artigo 145, § 1º, que define que sempre que possível os impostos serão graduados de acordo com a capacidade econômica do seu contribuinte. Ocorre, que de forma alguma pode-se afirmar que não utilize do princípio de maneira analógica, isto é, a Previdência Social pode e, principalmente, deve ser utilizada como instrumento de erradicação da pobreza e de redução das desigualdades sociais. Claramente a Previdência Social, possui um objetivo de redistribuição de renda. João Batista Lazzari e Carlos Alberto Pereira de Castro entendem que: “a Previdência Social também a incumbência da redução das desigualdades sociais e econômicas, mediante uma política de redistribuição de renda, retirando maiores contribuições das camadas mais favorecidas e, com isso, concedendo benefícios a populações de mais baixa renda.” Diante desta confirmação de redistribuição de renda através da Previdência Social e, principalmente, por se basear na utilização do salário mínimo como instrumento para tanto, percebe-se uma possível efetividade na prática da política social pretendida. 2.6 O RISCO SOCIAL A Teoria do Risco Social esta intimamente relacionada com a da Proteção Estatal, visto que, por meio da Teoria da Proteção Estatal, o Estado deve realizar ações que venham a proteger o cidadão, seja através da concessão de um benefício previdenciário, garantindo-lhe, assim, o mínimo existencial para que desfrute a vida com dignidade. Importante destacar que não se pode confundir a noção de seguro social, própria da Seguridade Social, existente para reparar um risco social ou contingência social. 2.7 DA PREVIDÊNCIA À SEGURANÇA SOCIAL 17 A seguridade social é definida na Constituição Federal, no artigo 194, caput, como um “conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social”. Previdência social ou seguro social é o programa de seguro público que garante a proteção contra riscos econômicos, o qual podemos citar a perda de rendimento devido a doença, velhice ou desemprego, sendo a participação do contribuinte obrigatória. Os programas de seguro administrados pelo governo, fornecem benefícios após a ocorrência de certos eventos segurados. Neste prisma, tem-se seguro-desemprego que fornece benefícios caso o segurado fique desempregado. Noutro aspecto há os programas de seguros do setor privado, apenas os cidadãos que contribuem mensalmente por sua própria escolha para no futuro ou diante de fato inesperado recebem os benefícios relativos ao contrato firmado junto ao órgão contratado. A previdência e seguridade social é um sistema de proteção que abrange os três programas sociais de maior relevância gerenciados pelo Estado: a previdência social, a assistência social e a saúde. À seguridade social, compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizá-la, com base nos seguintes objetivos: universalidade da cobertura e do atendimento; uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais; seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços; irredutibilidade do valor dos benefícios; equidade na forma de participação no custeio; diversidade da base de financiamento; e caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do Governo. 2.8 MODELOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL 18 Diante o tema existem diversos modelos de previdência social pelo mundo, primeiro denominado regime social-democrata, que é típico dos países nórdicos, cuja ênfase é a universalidade da cobertura a todos os cidadãos, é marcado por benefícios de montante consideravelmente elevado em comparação a outros países, mesclando-se benefícios baseados em contribuições e não contributivos, além de uma vasta malha de serviços públicos, gratuitos. O segundo, chamado conservador-corporativo, tem por nascedouro a Europa ocidental, cuja tendência é priorizar o seguro social compulsório voltado à proteção dos riscos sociais, com foco na população que exerce trabalho remunerado, cujo custeio tem por base principal a contribuição destes trabalhadores e de seus tomadores de serviços, com benefícios proporcionais às contribuições. O terceiro, identificado como liberal, garante uma proteção residual, com benefícios contributivos e não contributivos que visam o combate à pobreza e a garantia de um patamar mínimo de renda, com limitada rede de serviços públicos gratuitos. Este modelo é adotado, entre outros países, no Reino Unido, Irlanda, Canadá e Estados Unidos. Por fim, um quarto modelo, denominado mediterrâneo, por ser típico dos países do sul da Europa como Espanha, Portugal, Itália, Grécia. Diferenciar-se do regime dito conservador- corporativo por haver um sistema de saúde pública universal e, dada a grande quantidade de pessoas trabalhando na informalidade ou em regime de economia familiar, haver uma preocupação específica, além da proteção à população assalariada. 2.9 SISTEMAS CONTRIBUTIVOS E NÃO CONTRIBUTIVOS Segundo professor Wladimir Novaes Martinez “Seguridade social é técnica de proteção social, custeada solidariamente por toda a sociedade segundo o potencial de cada um, propiciando universalmente a todos o bem-estar das ações de saúde e dos serviços 19 assistenciais em nível mutável, conforme a realidade socioeconômica, e os das prestações previdenciárias.” Com relação à forma de financiamento, poderão ser caracterizados em sistemas contributivos e não contributivos. Sendo o sistema contributivo aquele que o segurado contribui diretamente, na expectativa que o obrigue a auferir um benefício, buscando assim uma maior segurança em sua vida. Sistema não contributivo, por sua vez, é o sistema para o qual não se exige do beneficiário uma contribuição direta. Seus recursos são provenientes da arrecadação direta de tributos pelo Estado, que posteriormentecontemplarão o orçamento anual com os recursos destinados para cada setor. Em tese, o sistema não contributivo, neste sentido, é aplicado na proteção social como forma de distinção da previdência social ou do seguro social. Os 8 benefícios previdenciários ou do seguro só são acessíveis quando alguém se filia à previdência e recolhe ou paga uma quantia mensal. Portanto essa proteção é contributiva porque é pré-paga e só se destina aos filiados e não, a toda população. Esta característica quer dizer que não há um pagamento específico para obter a atenção daquele serviço. O acesso é custeado pelo financiamento público cuja receita vem de taxas e impostos. O campo da proteção social não contributiva significa que os acessos a serviços e benefícios devem independer de pagamento antecipado ou no ato da atenção. Na relação de custeio da Seguridade Social, aplica-se o princípio de que todos que compõem a sociedade devem colaborar para a cobertura dos riscos provenientes da perda ou redução da capacidade de trabalho ou dos meios de subsistência. Trata-se de uma relação jurídica estatutária, porquanto é compulsória àqueles que a lei impõe. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I - receitas da União; 20 II - receitas das contribuições sociais; III - receitas de outras fontes. Constituem contribuições sociais: a) As das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) As dos empregadores domésticos; c) As dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário-de-contribuição; d) As das empresas, incidentes sobre faturamento e lucro; e) As incidentes sobre a receita de concursos de prognósticos. 2.10 SISTEMAS CONTRIBUTIVOS DE REPARTIÇÃO E CAPITALIZAÇÃO São fundos da previdência privada que caracterizam-se pela cotização de cada individuo segurado durante um determinado tempo para que possa ter direito ao beneficio, como um fundo garantidor para obtenção de um benéfico futuro, sendo ele individual ou coletivo. Destaca-se a capitalização por “Planos Individuais”, também os “Fundos de Pensão” que caracteriza por ter grupos ou entidade fechadas de previdência complementar. Nesta concepção de previdência por capitalização a participação do Estado é mínima, no momento em que só é responsável pelo regramento legal para instituições destes fundos, no mais, a grande importância deste sistema de capitalização é a participação do segurado ou potencial beneficiário, que deverá garantir a contribuição de cotas pré determinadas, seja para seu beneficio quanto para o beneficio dos seus dependentes. 21 No sistema de repartição, as contribuições serão direcionadas para um fundo único, do qual são responsáveis pela assistência de todo ou qualquer beneficiário que venha porventura necessitar do auxilio, estando certamente enquadrado nas regras previdenciárias. Importante salientar que na ausência de contribuição por parte do assegurado não lhe retira o direito a percepção a usufruir o beneficio, observando os critérios de carência instituídos em lei. 2.11 SISTEMAS PRIVADOS DE PREVIDÊNCIA E como o próprio nome diz PREVIDENCIA PRIVADA, é uma possível ferramenta para adicional do sistema de previdência de fornecido pelo Estado não sendo obrigatório. Entretanto, verifica-se sua existência a partir da década de 80 no governo ditatorial de Augusto Pinochet, o qual instituiu uma nova forma de gerenciar a contribuição dos trabalhadores através de entidades financeiras particulares, denominando como “Fundos de Pensões.” Neste plano o trabalhado ora contribuinte, deveria destinar de 10% a 12% do seu rendimento mensal as chamadas AFPs, cujas investiam em ações ou bônus, ficando expostas as variações do mercado financeiro. Identifica-se no sistema chileno como totalmente privatizante da previdência, o qual dificilmente apontará para um perfil verdadeiro de previdência social por não haver verdadeiramente a participação social no custeio. Contudo, tal sistema foi alterado em 2008 onde começa a perceber-se um caráter social com a implementação do “aporte previsional solidário” possibilitando a qualquer cidadão que tenha cotizado valores insuficientes tenha assegurado pelo Estado um complemento de sua renda. 22 2.12 O SISTEMA DE PILARES Costuma-se denominar de modelos construídos sobre um “pilar”. Segundo o Relatório sobre a Seguridade Social de 2009 da Conferência Interamericana de Seguridade Social, sugere a formação de três pilares: o primeiro seria uma rede de seguridade ou pensão mínima para todos os cidadãos, financiada por impostos gerais; o segundo, um sistema de benefícios contributivo, voltado à atividade laborativa, financiado por contribuições sobre salários; e o terceiro, baseado na economia voluntária individual. O modelo brasileiro atual vai ao encontro a esta tendência, se observarmos que ao chamado “primeiro pilar” pode-se associar as políticas de assistência social e saúde, ao “segundo pilar” os Regimes de Previdência Social. Atualmente todos contributivos e em modelo de repartição simples, e ao “terceiro pilar”, a Previdência Complementar Privada, em forma de capitalização. 2.12.1 Saúde “A saúde é direito de todos e um dever do Estado”. Assim estabelece o Artigo 196 da Constituição Federal. Respeitado o Princípio da Integralidade, atinge a totalidade e da universalidade que contempla todas as pessoas, que estão no território brasileiro, que são princípios fundamentais para compreender o gasto e a necessidade de financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS). A universalidade da cobertura e do atendimento é objetivo da Saúde, onde é dever do Estado garantir a todos os cidadãos brasileiros e estrangeiros o acesso, que deve ser compreendida no seu amplo cuidado, desde o atendimento em um posto de saúde até as políticas de combate e prevenção às endemias. 2.12.2 Assistência Social A assistência social é uma política pública, entendida como área de intervenção do Estado, administrada pelo Conselho de Assistência Social, instituída pela Constituição Federal de 23 1988, em seu art. 203, a Assistência Social é disciplinada pela Lei nº 8.742/93 Lei Orgânica da Assistência Social e conceituada como direito do cidadão e dever do Estado que provê os mínimos sociais. Política social provê o atendimento das necessidades básicas, focadas na proteção à família, maternidade, infância, adolescência, velhice e pessoa portadora de deficiência, independentemente de contribuição à Seguridade Social, conforme art. 203 e 204 da Constituição Federal. A organização da Assistência Social obedecerá a descentralização político-administrativa, ou seja, é a participação da população na formulação e controle das ações em todos os níveis. 2.12.3 Previdência Social Por fim, o terceiro pilar do sistema de seguridade é a Previdência Social. Busca a partir de uma lógica contributiva garantir sua sustentabilidade, como princípio estruturante do sistema, legitimando programas de transferência de renda. É um seguro social, que visa garantir renda ao segurado e contribuinte quando o mesmo perde a capacidade do exercício do trabalho por variados fatores, como doença, invalidez, idade avançada, desemprego, maternidade e reclusão. O contribuinte pode requerer aposentadoria por tempo de contribuição determinado pelos cálculos previdenciários. A Previdência Social tem a finalidade assegurar aos seus beneficiários meios indispensáveis de manutenção, por motivo de incapacidade, idade avançada, tempo de serviço, desemprego involuntário, encargos de família e reclusão ou morte daqueles de quem dependiam economicamente, conforme se extrai dos arts. 201 e 202 da Constituição Federal. 2.13 A EVOLUÇÃO DA PROTEÇÃO SOCIAL NO BRASIL 24 No Brasil, a idéia de seguridade social iniciou-se com os “socorrospúblicos”, com disposição expressa na Constituição de 1824. As atividades eram desenvolvidas pela iniciativa privada, por meio das santas casas de misericórdia, a exemplo da Santa Casa da Misericórdia de Santos, em 1553. O primeiro documento legislativo a tratar sobre a Previdência Social no Brasil foi a Constituição de 1824, a tal regulamentação. Tal dispositivo garantia aos cidadãos o direito aos então denominados “socorros públicos”. Apesar da referida previsão, a utilidade prática do dispositivo constitucional não existiu, tendo em vista que os cidadãos não dispunham de meios para exigir o efetivo cumprimento das garantia, ou seja, apesar de previsto constitucionalmente, o direito aos “socorros públicos” não era dotado de exigibilidade. No âmbito previdenciário, primeiramente surgiu o Montepio Geral dos Servidores do Estado (Mongeral), instituído em 1853, de caráter privado. Posteriormente, a Constituição brasileira de 1891 estabeleceu expressamente a aposentadoria por invalidez aos funcionários a serviço da nação. Após a Constituição brasileira de 1891, surgiram instrumentos normativos infraconstitucionais importantes, o Decreto nº 9.284/1911, que criou a Caixa de Pensões dos Operários da Casa da Moeda, e o Decreto nº 3.274/1919, que regulou as obrigações resultantes dos acidentes no trabalho. A Constituição brasileira de 1891 previu em seu bojo dois dispositivos relacionados à Previdência Social, que dispunha sobre a obrigação de a União prestar socorro aos Estados em calamidade pública, se tal Estado solicitasse, e o último dispunha sobre a aposentadoria por invalidez dos funcionários públicos. 25 No que tange a Constituição de 1891, deve-se observar que a referida aposentadoria concedida aos funcionários públicos que viessem a ficar inválidos, não dependia de qualquer contribuição por parte do trabalhador, sendo completamente custeada pelo Estado. 2.14 PRIMEIRAS REGRAS DE PROTEÇÃO O desenvolvimento da Previdência Social brasileira, teve início privativo, voluntário, mediante a formação dos primeiros planos mutualistas. Em um plano mais abstrato, tratando genericamente dos direitos sociais no Brasil, e não especificamente da Previdência Social, a Constituição Imperial de 1824 fez alusão à assistência social, ainda que indefinidamente e sem disposições concretas sobre o Direito Previdenciário. A primeira legislação específica sobre Direito Previdenciário data de 1888. Foi o Decreto nº. 9.912 de 26 de março de 1888, que regulou o direito à aposentadoria dos empregados dos correios. Outra norma, em novembro do mesmo ano, criaria a Caixa de Socorros em cada uma das estradas de ferro do Império. Por outra, a primeira Constituição Federal a abordar temática previdenciária específica foi a em 1981, no tocante à aposentadoria em favor dos funcionários públicos, ao que "a aposentadoria só poderá ser dada aos funcionários públicos em caso de invalidez no serviço da Nação." Após, no ano de 1892, foi instituída a aposentadoria por invalidez e a pensão por morte aos operários do Arsenal da Marinha, tendo em vista que estava vigorando o regime republicano, com forte influência de cafeicultores e militares. Em 1919, o Decreto Legislativo n°. 3.724 instituiu compulsoriamente um “seguro” por acidente de trabalho, que já vinha sendo praticado por alguns seguimentos, contudo sem previsão expressa na lei. 26 Entretanto, essas previsões legais e constitucionais ainda eram muito esparsas, carecendo de uma melhor estruturação jurídica e prática, que só veio a ocorrer a partir de 1923. 2.15 A LEI ELOY CHAVES Decreto Legislativo 4.682/1923, também conhecido como Lei Eloy Chaves, teve papel decisivo no surgimento efetivo da Previdência Social no Brasil. Redigida pelo deputado federal paulista que acabou emprestando o nome ao projeto, a legislação foi publicada em 24 de janeiro de 1923, e criou as Caixas de Aposentadoria e Pensões, inicialmente voltadas apenas às empresas de estradas de ferro – em um formato bastante semelhante ao atual modelo de previdência. Do discurso de Eloy Chaves à Câmara dos Deputados na apresentação do projeto de lei de caixa de aposentadoria e pensões para os ferroviários, podemos destacar: 1. a lei é dirigida a uma classe; 2. Eloy demonstra ter conhecimento da situação específica dos ferroviários; 3. o projeto das CAPs, que prevê a forma de custeio dos benefícios, tem por objetivo afastar o Estado de sua direção e fiscalização; A Lei Eloy Chaves de 1923, que instituiu a caixa de aposentadorias e pensões para os ferroviários, foi uma norma legal de caráter excepcional, sendo o primeiro modelo efetivo para produção de um sistema de previdência social no Brasil. A medida buscava resguardar o futuro de trabalhadores envolvidos em uma atividade exaustiva e suscetível a acidentes, e era inspirada na legislação da Argentina. 2.16 OS INSTITUTOS DE CLASSE As Caixas de Aposentadoria e Pensões instituídas pela chamada Lei Elói Chaves, de janeiro de 1923, beneficiavam poucas categorias profissionais. Na década de 30 Ministério do Trabalho incorporou-as e passou a tomar providências para que essa garantia trabalhista fosse 27 estendida a um número significativo de trabalhadores. Neste momento histórico, foi criado o Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Marítimos (IAPM), ao qual se seguiram o dos Comerciários (IAPC), dos Bancários (IAPB), o dos Industriários (IAPI), e os de outras categorias profissionais. Em fevereiro de 1938, foi criado o Instituto de Previdência e Assistência aos Servidores do Estado (IPASE). A presidência desses institutos eram exercidas por pessoas livremente nomeadas pelo presidente da República. Os Institutos de Aposentadoria e Pensões expandiram suas áreas de atuação, que passaram a incluir serviços na área de alimentação, habitação e saúde. A falta de um planejamento central foi também responsável por graves disparidades na qualidade do atendimento oferecido às diversas categorias profissionais. Por fim, na década de 60, todos institutos que atendiam aos trabalhadores do setor privado foram unificados no Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). 2.17 DA CRIAÇÃO DO INPS À CONSTITUIÇÃO DE 1988 Promulgada em 05.10.1988, teve todo um capítulo que trata da Seguridade Social, estendendo-se do artigo 194 ao 204 da Constituição Federal. Conhecida como a Constituição da solidariedade e do Bem Estar Social, manteve o custeio tripartite entre a União, Estados, Municípios e Distrito Federal; e entre Trabalhadores e Empregadores. Apresenta três áreas de atuação: assistência social, assistência à saúde e previdência social. Em 1990, o SINPAS foi extinto com o Programa de reforma administrativa do governo Collor que unificou o Ministério do trabalho e Previdência Social (MTPS). Ao MTPS ficaram vinculados a DATAPREV e o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social – Autarquia Federal criada pelo Decreto nº 99.350, de 27.06.1990). 28 Mediante a fusão do IAPAS e do INPS, com a criação do INSS, este passa a ter a finalidade de cobrar as contribuições e pagar os benefícios, não se tendo mais dois órgãos para cada finalidade. A edição da Lei 8.212 de 1991, que dispõe sobre a organização da seguridade social, instituiu o plano de custeio. Enquanto que a Lei nº 8.213 de 1991 dispõe sobre os planos de benefícios da previdência social. Somente com a publicação das duas leis supracitadas é que restou regulamentada a matéria constitucional que trata da previdência. A partir das referidas Leis, não mais se encontravam distintos os dois regimes, urbano e rural, passando a se falar apenas no Regime Geral de Previdência Social (RGPS). A Lei nº 8.689 de 1993 extinguiu o INAMPS, sendo suas funções conferidas ao SUS. No mesmo ano, publicou-se a Lei nº 8.742 que versou sobre a organização da Assistência social. A LBA e a CBIA (antigaFUNABEM) foram extintas pela Medida Provisória nº 813 de 1995 e depois convertida na Lei 9.649/98. A mesma Medida Provisória extinguiu o Ministério da Previdência Social, criando no seu lugar o Ministério da Previdência e Assistência. Ainda naquele ano, a Lei nº 9.032 efetivou uma mini-reforma previdenciária, com a extinção de alguns benefícios e alterou a forma de cálculo de outros. 2.18 A CONSTITUIÇÃO DE 1988 E A SEGURIDADE SOCIAL A Constituição Federal de 1988 estabeleceu o sistema de Seguridade Social, como objetivo a ser alcançado pelo Estado brasileiro, atuando simultaneamente no pilares da área da saúde, assistência social e previdência social, de modo que as contribuições sociais passaram a custear as ações do Estado, e não mais somente no campo da Previdência Social. 29 Segundo o Supremo Tribunal Federal: “A seguridade social prevista no art. 194 da CF/1988 compreende a previdência, a saúde e a assistência social, destacando-se que as duas últimas não estão vinculadas a qualquer tipo de contraprestação por parte dos seus usuários, a teor dos arts. 196 e 203, ambos da CF/1988” (RE 636.941, rel. min. Luiz Fux, DJE de 04.04.2014, com Repercussão Geral – Tema 432). O Regime Geral de Previdência Social – RGPS, nos termos da Constituição atual (art. 201), não abriga a totalidade da população economicamente ativa, mas somente aqueles que, mediante contribuição e nos termos da lei, fizerem jus aos benefícios, não sendo abrangidos por outros regimes específicos de seguro social. Assim, ficam excluídos do Regime Geral de Previdência: os servidores públicos civis regidos por regime próprio de previdência; os militares; os membros do Poder Judiciário e do Ministério Público; e os membros do Tribunal de Contas da União, todos por possuírem regime previdenciário próprio; e os que não contribuem para nenhum regime, por não estarem exercendo qualquer atividade. Desta forma, na sua redação original, o art. 201 da Carta Magna aludia a “planos de previdência”, apontando na direção da existência de mais um regime previdenciário. Garante-se que o benefício substitutivo do salário ou rendimento do trabalho não será inferior ao valor do salário mínimo (art. 201, § 2.º). Os benefícios deverão, ainda, ser periodicamente reajustados, a fim de que seja preservado seu valor real, em caráter permanente, conforme critérios definidos na lei. Na área de saúde, deve oferecer uma política social com a finalidade de reduzir riscos de doenças e outros agravos, é de responsabilidade do SUS, de caráter descentralizado. Em termos de regramentos legais, ressalte-se a edição da Lei n.º 8.689/1993, que extinguiu o INAMPS – autarquia federal, absorvida sua competência funcional pelo SUS, gerido pelo Conselho Nacional de Saúde, em âmbito nacional. 30 A habilitação e a reabilitação profissionais decorrentes da atividade laborativa são encargos da Previdência Social, ficando a cargo das entidades de Assistência Social a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência congênita, ou não decorrente do trabalho (ex.: Apae, ABBR). Nesse ponto, é de frisar que a Assembleia Nacional Constituinte, ao dispor sobre a matéria em 1988, assegurou direitos até então não previstos, por exemplo, a equiparação dos direitos sociais dos trabalhadores rurais com os dos trabalhadores urbanos, pareando-os pelos últimos; a ampliação do período de licença-maternidade para 120 dias, com consequente acréscimo de despesas no pagamento dos salários-maternidade, e a adoção do regime jurídico único para os servidores públicos da Administração Direta, autarquias e fundações públicas das esferas federal, estadual e municipal. 2.19 A CRIAÇÃO DO INSS E AS PRIMEIRAS REFORMAS Instituto Nacional do Seguro Social – INSS foi criado em 27 de junho de 1990, durante a gestão do presidente Fernando Collor de Melo, por meio do Decreto n° 99.350, a partir da fusão do Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social – IAPAS com o Instituto Nacional de Previdência Social – INPS, como autarquia vinculada ao Ministério da Previdência e Assistência Social – MPAS, atual Ministério da Previdência Social – MPS. Compete ao INSS a operacionalização do reconhecimento dos direitos da clientela do Regime Geral de Previdência Social – RGPS. No art. 201 da Constituição Federal Brasileira, observa- se a organização do RGPS, que tem caráter contributivo e de filiação obrigatória, e onde se enquadra toda a atuação do INSS. O INSS caracteriza-se, como uma organização pública prestadora de serviços previdenciários para a sociedade brasileira. É nesse contexto e procurando preservar a integridade da qualidade do atendimento a essa clientela, que o Instituto do INSS vem buscando alternativas 31 de melhoria contínua, com programas de modernização e excelência operacional, ressaltando a maximização dos resultados e de ferramentas que fundamentem o processo de atendimento ideal aos anseios da sociedade em geral. 2.20 A EMENDA CONSTITUCIONAL N. 20, DE 1998 Em 1998, a Emenda Constitucional 20/1998 introduziu as mais sensíveis modificações no sistema previdenciário, com a constitucionalização do pilar complementar de previdência e a exigência do tempo mínimo de contribuição para efeitos de aposentadoria. Essas mudanças foram introduzidas tanto no regime geral, quanto no regime próprio dos servidores públicos. Todavia em 2003, a Reforma da Previdência foi complementada pela EC 41, onde pôs fim à integralidade e da paridade entre servidores ativos e inativos; determinou a convergência dos regimes próprios e geral de previdência; fixou o abono de permanência e a contribuição previdenciária para os servidores inativos. Já em 2005, a Emenda Constitucional 47/2005, modificou algumas alterações que haviam sido feitas pela Emenda Constitucional 41/2003, basicamente no que diz respeito ao teto de remuneração dos Estados e do Distrito Federal, bem como as regras de transição para a aposentadoria dos servidores públicos e a ampla extensão da integralidade e a paridade a todos os servidores que ingressaram no serviço público até 31.12.2004. Os servidores públicos tiveram seu regime de previdência especifica e detalhadamente tratado em passagem própria da Constituição de 1988, mais precisamente no art. 40, mais tarde com a expressa incidência subsidiária das disposições do regime geral de previdência social, introduzida pela EC 20/1998. Esse quadro normativo faz com que as modificações das regras de aposentadoria dos servidores públicos impliquem alterações da constituição. Impõe-se, também, que o aplicador 32 do direito incursione no direito intertemporal e nas regras de transição decorrentes da sucessão de um regime previdenciário por outro. Para os servidores públicos, em sua redação original, a Constituição projetou um sistema amplamente isonômico, que previa: a equiparação entre servidores de carreiras similares dos diferentes Poderes do estado e a isonomia entre servidores ativos e aposentados, esta última assegurada por intermédio dos institutos da integralidade e da paridade. Mais do que um resgate histórico, as vantagens funcionais e remuneratórias dos servidores públicos não eram benesses estatais, mas, sim, parte de uma estratégia de qualificação do quadro funcional do Estado, mediante a atração de profissionais mais capacitados. De outro víeis, tratavam-se de contrapartidas remuneratórias para o profissional que, ao ingressar no serviço público mediante aprovação em concurso, perderia o direito ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e, em se tratando de carreiras estratégicas, tornaria inviável iniciativas empreendedoras empresariais, sendo excepcionalíssima a acumulação de cargos. Gradativamente, desde 1988, os direitos e garantias remuneratórias dos servidores públicos foram sendo erodidos porreformas formais da Constituição (emendas), complementadas por processos informais de mutação constitucional. Os direitos previdenciários são considerados de longa acumulação uma vez que sua aquisição se dá ao longo do tempo, tempo esse que envolve décadas para que enfim um direito previdenciário seja definitivamente adquirido e incorporado ao patrimônio jurídico individual do contribuinte. Logo, por serem de natureza contributiva a acumulação progressiva desses direitos faz com que o sistema normativo constitucional sob o qual as contribuições foram vertidas se incorpore ao patrimônio jurídico do contribuinte. 33 2.21 O DIREITO PREVIDENCIÁRIO AUTONOMIA CIENTÍFICA O Direito Previdenciário adquiriu status de ramo autônomo do direito por possuir métodos próprios, objeto, princípios, leis específicas e divisão interna. O método de realização do Direito Previdenciário mostra-se diferenciado em vista dos demais ramos da ciência jurídica. Dado que, alternativamente de outras relações obrigacionais, a relação jurídica previdenciária é de caráter compulsório para ambas as partes, para o indivíduo, pelo exercício de atividade que o enquadre como segurado; para o ente previdenciário, pela assunção das atribuições que a lei lhe impõe. Principal busca do direito previdenciário é disciplinar a Previdência Social regrando a relação jurídica de benefício e de custeio previdenciário, além de regrar a relação jurídica de previdência complementar. Além dos princípios constitucionais relativos à Seguridade Social, o direito previdenciário possui princípios doutrinários e exclusivos como: princípio da obrigatoriedade da filiação, da solidariedade, da unicidade das prestações, da automaticidade das prestações, da imprescritibilidade do direito ao benefício, da expansividade social.. O direito previdenciário é dividido internamente de acordo com a natureza das relações jurídicas, a saber: benefício, custeio e previdência complementar. 2.22 CLASSIFICAÇÃO PERANTE A DIVISÃO DIDÁTICO ENCICLOPÉDICA DO DIREITO Na atual classificação do Direito Previdenciário considera-se sua natureza como pública no campo a ordem privada, até mesmo como considera parte da doutrina, Direitos Sociais. Segundo o Professor Carlos Alberto Pereira de Castro trata-se de uma classificação meramente didático cientifico, visto que o reconhecimento da ordem jurídica não se pode falar em divisão do Direito. 34 Observando as normas do Direito Previdenciário podemos destacar algumas características de suma importância que a difere dos outros ramos do direito, como: atuação da norma sem a possibilidade de alteração por particulares; discricionalidade; filiação compulsória; fixação do contribuinte a das contribuições se da por lei; não há possibilidade de convenção entre as partes; beneficio irrenunciável; os beneficiários do regime são taxativamente enumerados na forma legal. Diante classificação do Direito Previdenciário como um direito social, segundo professor Cesarino Júnior é de bom tom estabelecer uma tênue, porém, importante forma que irá diferenciar o Direito do Trabalho e o Direito Previdenciário. A princípio os dois são de ordem pública, entretanto o direito do trabalho busca a regulação de aspectos contratuais mínimos para os trabalhadores observados a prevalência da autonomia de vontade, desde que respeitados os princípios trabalhistas. Noutro ponto, o Direito Previdenciário estabelece suas regras de forma taxativa, entretanto, diferentemente do Direito Trabalhista regula a relação contribuinte e ente arrecadador, sendo de natureza não contratual, ou seja, institucional. 2.23 RELAÇÃO DO DIREITO PREVIDENCIÁRIO COM OUTROS RAMOS DO DIREITO Segundo o entendimento doutrinário os ramos do direito não podem simplesmente serem vistos com um todo fragmentado, pois é necessária a interligação com uma norma central basilar fornece aos demais ramos do direito o alicerce e parâmetro para sustentação do todo o ordenamento jurídico. Neste viés, a relação direta entre o Direito Constitucional a o Direito Previdenciário, tendo em vista, as diversas conexões principiológicas para concessão dos benefícios previdenciários, como: requisitos, calculo dos proventos, fixação dos limites mínimos e máximos entre outros. 35 Outro ramos do direito que guarda relação com o Direito Previdenciário é o direito administrativo, dada função da atividade estatal desenvolvida pela autarquia gestora ( entidade da administração indireta). Também, o Direito Penal quando há pratica de infração à legislação previdenciária na conduta do agente quando caracteriza delito ou contravenção penal, dentre outros citamos o Direito Processual que por sua importância essencial tem recebido diversas alterações inseridas na legislação da previdência social. 2.24 FONTES DO DIREITO PREVIDENCIÁRIO O Princípio da Solidariedade, princípios estruturantes da Previdência Social tem sido usado, de modo a divergir com os demais princípios, sendo que os princípios que ali estão tem que guardar congruência entre si. A Previdência Social, segundo seus princípios instituidores, será custeada por toda a sociedade e de formas diversas, vista o Princípio da Diversidade da Base de Financiamento, de modo que, elegeram aqueles que irão contribuir e não terão contrapartida por assim fazê-lo, cita-se o caso da Pessoa Jurídica “ficção do direito” que apesar de muito contribuir seus valores revertem, tão somente, para seus colaboradores. Outro ponto, é Fontes do Direito Previdenciário o Princípio da Contributividade / Retributividade. Os princípios devem funcionar como espelhos; no primeiro momento contribuição para o sistema, gera o direito pela instituição do Princípio da Respectiva Fonte de Custeio e, oportunamente tenho direito a contrapartida, prestações pelo Princípio da Retributividade. Em suma, o Princípio da Solidariedade não pode ser considerado como o único informador levaria a instabilidade de todo o sistema porque as normas tratadas devem guardar harmonia 36 entre si, distante do pretendido pelo legislador assim como aqueles que se colocaram sob seu jugo. Importante mencionar o Princípio da Legalidade são editadas várias normas e regulamentos que compõe os princípios informadores do direito previdenciário e, por meio desse princípio, é possível, também, afastar as vícios prejudiciais jurídico previdenciário. 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