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<p>HISTÓRIA</p><p>DA</p><p>RADIOLOGIA</p><p>Profº Everton Mendes</p><p>Aula 03</p><p>Acidente com Césio 137 em Goiânia</p><p>"No dia 13 de setembro de 1987, ocorreu em Goiânia o maior acidente</p><p>radioativo em área urbana; a população mundial ainda não havia se</p><p>recuperado do acidente radioativo que ocorreu na usina nuclear de</p><p>Chernobyl, em razão da explosão de um dos reatores, no ano de</p><p>1986."</p><p>Nessa época já havia em Goiânia a radioterapia, que tem como</p><p>principal ferramenta as radiações ionizantes. As radiações</p><p>ionizantes, dentro do serviço de radioterapia, são altamente</p><p>energizadas, pois possuem pequeno comprimento de onda e alta</p><p>frequência, e essas podem ser obtidas através do acelerador</p><p>linear ou de elementos radioativos.</p><p>Em 1987, o IGR (Instituto Goiano de Radiologia) estava fechado</p><p>e no local havia um aparelho abandonado utilizado para fazer</p><p>radioterapia, em seu interior havia o isótopo césio 137 dentro de</p><p>uma cápsula, que até então era blindada. O césio 137 é um</p><p>isótopo do césio por possuir mesmo número de prótons e</p><p>diferente número de nêutrons, e é um radioisótopo por ser</p><p>emissor de radiação.</p><p>Catadores de papel, em busca de sucatas que pudessem ser</p><p>vendidas a um ferro velho, invadiram o antigo IGR e levaram para</p><p>casa a cápsula que continha o césio 137. O problema surgiu</p><p>quando eles violaram a cápsula e tiveram acesso ao elemento</p><p>radioativo que lá estava. Após a violação da cápsula, pessoas,</p><p>animais, superfícies e quase tudo o que estava nas adjacências</p><p>sofreram irradiação (receberam incidência de radiação) e foram</p><p>contaminadas (presença de elemento radioativo em qualquer</p><p>superfície que cause risco potencial de saúde) pelo césio 137.</p><p>A radiação emitida por esse isótopo é ionizante, ou seja, possui a</p><p>capacidade de remover elétrons da eletrosfera e essa remoção</p><p>em seres vivos ocasiona alterações genéticas que podem</p><p>resultar em câncer, síndrome de down, albinismo, anemia, dentre</p><p>outras. Esse acidente gerou cerca de 13,4 toneladas de rejeitos</p><p>radioativos, várias pessoas com problemas de saúde e uma</p><p>ferida incicatrizável na população goiana em razão da</p><p>irresponsabilidade de poucos.</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=12x0zNkBwEc</p><p>Acidente Chernobyl</p><p>O acidente de Chernobyl aconteceu às 1h23min47s, portanto na</p><p>madrugada do dia 26 de abril de 1986. Esse acidente aconteceu</p><p>no reator 4 da usina de Chernobyl e foi resultado de falha</p><p>humana, uma vez que os operadores do reator descumpriram</p><p>diversos itens dos protocolos de segurança. Além disso, foi</p><p>apontado posteriormente que os reatores RBMK (usados em</p><p>Chernobyl e em outras usinas soviéticas) tinham um grave erro</p><p>no seu projeto, o qual permitiu que o acidente acontecesse.</p><p>Tudo ocorreu durante um teste de segurança que estava em</p><p>curso e resultou na explosão do reator 4. Com a explosão, dois</p><p>trabalhadores da usina foram mortos e, na sequência, um</p><p>incêndio no reator 4 iniciou-se e estendeu-se durante dias. A</p><p>explosão deixou o reator nuclear exposto, e o incêndio foi</p><p>responsável por jogar na atmosfera uma elevada quantidade de</p><p>material radioativo.</p><p>O vento levou o material radioativo lançado na atmosfera,</p><p>principalmente para o oeste e norte de Pripyat, e a radiação</p><p>espalhou-se pelo mundo. Rapidamente, foram identificados altos</p><p>níveis de radiação em locais como Polônia, Áustria, Suécia,</p><p>Bielorrússia e até locais muito distantes, como Reino Unido,</p><p>Estados Unidos e Canadá. Os primeiros a alertarem a</p><p>comunidade internacional de que algo havia acontecido na União</p><p>Soviética foram os suecos.</p><p>Os questionamentos realizados ao governo soviético levaram-no</p><p>a admitir que o acidente havia acontecido no dia 28 de abril. Até</p><p>então, os soviéticos trataram de esconder o que havia</p><p>acontecido, temendo os impactos disso para a reputação do país.</p><p>O desastre de Chernobyl foi ocasionado por uma sucessão de</p><p>erros humanos e violações de procedimentos de segurança. No</p><p>dia 25 de abril de 1986, durante um desligamento de rotina, os</p><p>técnicos da usina realizaram um teste no reator Chernobyl 4. O</p><p>teste consistia em determinar quanto tempo as turbinas eram</p><p>capazes de girar após uma queda abrupta de energia. O teste</p><p>em questão já havia sido executado no ano anterior, quando se</p><p>percebeu que as turbinas haviam parado muito rapidamente.</p><p>Para resolver isso, novos dispositivos foram instalados ao longo</p><p>do ano e precisavam de testes.</p><p>O operador da usina cometeu alguns erros cruciais durante o</p><p>experimento, como a desativação do mecanismo de</p><p>desligamento automático do reator e o desligamento de quatro</p><p>das oito bombas de água que o refrigeravam. Quando o operador</p><p>percebeu o estado em que o reator encontrava-se, já era muito</p><p>tarde. A reação nuclear já estava extremamente instável, e a</p><p>quantidade de energia que ele produzia já ultrapassava 100</p><p>vezes a sua potência usual.</p><p>Os técnicos da usina decidiram que era necessário bombear gás</p><p>xenônio para o interior das varetas que continham as pastilhas</p><p>com cerca de 210 toneladas de urânio-235, já que esse gás tem</p><p>a capacidade de absorver os nêutrons emitidos pela fissão</p><p>nuclear. A instabilidade do reator tornou impossível o controle da</p><p>fissão exclusivamente pelo uso do xenônio. Dessa forma, hastes</p><p>contendo o elemento boro foram inseridas manualmente, para</p><p>frear a emissão de nêutrons, porém, quando inseridas, as hastes</p><p>expeliram certo volume de água do reator, consequentemente, a</p><p>água restante sobreaqueceu e evaporou, expandindo-se</p><p>violentamente.</p><p>A pressão produzida pela água foi suficientemente grande para</p><p>soltar a placa de cobertura do reator, que pesava nada menos</p><p>que 1000 toneladas. Nesse momento, uma grande quantidade de</p><p>vapor foi responsável por liberar os produtos da fissão nuclear,</p><p>como iodo-131, césio-137 e estrôncio-90 para a atmosfera.</p><p>Dois ou três segundos após a primeira explosão, uma segunda</p><p>explosão ejetou fragmentos das pastilhas de combustível, bem</p><p>como grafite aquecido (cerca de 300 kg de fragmentos de</p><p>carbono). O núcleo do reator fundiu-se graças às altíssimas</p><p>temperaturas e tornou-se incandescente, dando início a um</p><p>grande incêndio. Com isso, uma enorme nuvem de gases</p><p>altamente contaminados com diversos tipos de radioisótopos</p><p>escapou para a atmosfera.</p><p>Após a ocorrência da segunda explosão, a metade do reator 4</p><p>estava comprometida. Cerca de 300 toneladas de água foram</p><p>usadas por hora para abaixar a temperatura do reator. Entre o</p><p>segundo e o décimo dia, com a ajuda de helicópteros, foram</p><p>despejadas cerca de 5000 toneladas de boro, dolomita, areia,</p><p>argila e chumbo sobre o reator incandescente, como uma</p><p>tentativa de cessar a emissão de partículas radioativas.</p><p>O acidente de Chernobyl liberou cerca de 100 MCi (megaCuries),</p><p>ou 4.1018 becquerels, dos quais cerca de 2,5 Mci foram de</p><p>Césio-137 – o maior acidente radioativo da humanidade. A</p><p>grandeza becquerel diz respeito à taxa de desintegração nuclear,</p><p>ou seja, ela mede o número de decaimentos que acontecem a</p><p>cada segundo. Em outras palavras, nas proximidades do reator</p><p>4, ocorriam 4.000.000.000.000.000.000 de desintegrações</p><p>nucleares por segundo, dando origem à nuclídeos perigosos</p><p>como o de Césio, cuja a meia vida é de cerca de 30 anos.</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=cH53u2sOTfU</p><p>Efeitos da Radiação no Meio Ambiente</p><p>A radioatividade causa efeitos de longa duração no meio</p><p>ambiente, além de problemas de saúde para os seres humanos.</p><p>Para que se tenha uma ideia de quanto tempo pode durar a</p><p>contaminação, a cidade ucraniana de Chernobyl é até hoje uma</p><p>cidade fantasma, mesmo tendo passado mais de 25 anos desde</p><p>o acidente nuclear que, em 1986, provocou a morte direta de 30</p><p>funcionários e contaminou toda a vida da região.</p><p>Este processo de contaminação do meio ambiente acontece em</p><p>cadeia. A partir do momento em que o solo é contaminado, toda</p><p>a vegetação que nele crescer também será contaminada. Os</p><p>animais</p><p>que se alimentarem desta vegetação também sofrerão</p><p>as consequências da radioatividade, muitas vezes</p><p>desenvolvendo doenças e anomalias diversas. Trata-se,</p><p>portanto, de uma forma de contaminação perversa e invisível.</p><p>O solo não fica infértil, mas tudo o que nasce dele carrega</p><p>consigo a radioatividade. Se levarmos em conta que a</p><p>contaminação pode durar décadas, é fácil imaginar o nível de</p><p>impacto ambiental e as consequências para a vida nas regiões</p><p>afetadas.</p><p>Além do solo, a água contaminada também propagará a</p><p>radioatividade por onde passar, afetando desde peixes até a</p><p>vegetação de rios e mares, favorecendo uma série de</p><p>desequilíbrio nos organismos que compõem estes ecossistemas.</p><p>No Japão, o recente acidente ocorrido nas usinas da cidade de</p><p>Fukushima, por causa do terremoto seguido de tsunami que</p><p>atingiu a região, ainda causa a indignação de</p><p>ambientalistas. Até hoje são lançados ao mar toneladas de</p><p>materiais contaminados, causando um verdadeiro desastre</p><p>ambiental.</p><p>https://pensamentoverde.com.br/governo/300-toneladas-de-agua-radioativa-sao-lancadas-por-dia-no-mar-pela-usina-de-fukushima/</p><p>https://pensamentoverde.com.br/governo/300-toneladas-de-agua-radioativa-sao-lancadas-por-dia-no-mar-pela-usina-de-fukushima/</p><p>https://pensamentoverde.com.br/governo/300-toneladas-de-agua-radioativa-sao-lancadas-por-dia-no-mar-pela-usina-de-fukushima/</p><p>Pelo fato dos átomos de césio serem pesados, o ar não sofre</p><p>contaminação radioativa de forma intensa. Porém, as partículas</p><p>de iodo, que são mais leves, podem se dissipar e permanecer na</p><p>atmosfera por um longo período.</p><p>O fato é que o solo, a água e o ar, além de animais e plantas,</p><p>são afetados cada um de uma maneira distinta. Na grande</p><p>interdependência que configura o meio ambiente, cada ponto de</p><p>desarmonia provoca impactos que podem se perpetuar por</p><p>décadas.</p><p>Descarte de material radiológico</p><p>Como todos nós sabemos, todos os resíduos gerados em nossas</p><p>casas ou escritórios têm de ser separados de acordo com sua</p><p>composição e, após isso, destinados corretamente.</p><p>Todavia, alguns resíduos, de acordo com sua composição,</p><p>apresentam uma maior periculosidade e necessitam de uma</p><p>destinação especial. É o caso das chapas de raios x e</p><p>radiografias.</p><p>As chapas de raios x, por possuírem em sua composição a</p><p>presença de metais pesados, não podem ser destinadas como</p><p>lixo comum, uma vez que esse procedimento as levará</p><p>diretamente para lixões, o que fará com que contaminem o solo.</p><p>Outro método aplicado à esses materiais quando descartados de</p><p>forma incorreta é a incineração.</p><p>Quando incineradas, os danos potenciais ao meio ambiente são</p><p>considerados irreversíveis, uma vez que os metais pesados</p><p>podem penetrar no solo e contaminar inclusive o lençol freático.</p><p>Assim, a melhor maneira de se descartar raios x e radiografias é</p><p>diretamente em postos de reciclagem. Nesses locais, as</p><p>radiografias são “limpas” com um agente chamado hipoclorito</p><p>2,0.</p><p>Dessa limpeza, gera-se um resíduo de característica sólida e</p><p>composição bastante nociva e química que, para ser limpo,</p><p>necessita da aplicação de uma solução contendo hidróxido de</p><p>sódio e água quente, obtendo, como consequência desse</p><p>processo, o óxido de prata.</p><p>O óxido de prata é então aquecido em uma solução de sacarose,</p><p>o que viabiliza a retirada da prata. Aquecida a 1000 ° Celsius a</p><p>prata bruta é revertida então em uma prata limpa, tal qual a</p><p>conhecemos.</p><p>Após esse processo, as placas, já sem a presença de metais e</p><p>contendo plástico em sua composição, são normalmente</p><p>destinadas para a reciclagem, gerando uma série de produtos</p><p>que serão utilizados por indústrias como, por exemplo,</p><p>embalagens, caixas de presentes, etc.</p>

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