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<p>UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS ESCOLA DE VETERINÁRIA DEPARTAMENTO DE CLÍNICA E CIRURGIA VETERINÁRIAS CADERNO DIDÁTICO HEMATOLOGIA DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS Paulo Ricardo de Oliveira Paes* Fabiola de Oliveira Paes Leme* Rubens Antônio Carneiro* * Professor(a) Adjunto, UFMG Belo Horizonte 2009</p><p>1. Avaliação das Hemácias 5 Fisiologia das hemácias 5 1.2. Eritrograma 11 1.3. Morfologia das hemácias 17 1.4. Reticulócitos e ferro 30 1.5. Anemias 35 1.6. Policitemias 50 2. Avaliação dos Leucócitos 52 3. Hemostasia 73 3.1. Hemostasia primária 74 3.2. Hemostasia secundária 78 3.3. Hemostasia terciária 80 3.4. Distúrbios da hemostasia 82 3.5. Avaliação dos distúrbios da hemostasia 90 4. Exame da medula óssea 96 4.1. Alterações da medula óssea 110 5. Bibliografia recomendada 119 3</p><p>Hematologia R.A. AVALIAÇÃO DAS HEMÁCIAS 1. FISIOLOGIA DAS HEMÁCIAS As hemácias (eritrócitos ou glóbulos vermelhos) são células sanguíneas que tem como principal função o transporte de oxigênio para os tecidos e de gás carbônico dos tecidos para os Em um animal doméstico saudável as representam em média 28 a 45% do volume total de A diminuição significativa desta porcentagem, denominada anemia, resulta em intolerância ao exercício fraqueza e respiração rápida, que ocorrem em função da diminuição da capacidade de transporte do oxigênio. 1.1-ERITRON o eritron é composto por todas as células do organismo, o que inclui as células precursoras da medula óssea e as hemácias do sangue, sinusóides e medula 1.2- ERITROPOIESE A eritropoiese é a subdivisão da hematopoiese responsável pela produção de hemácias. Na vida fetal, as tal como as demais células são inicialmente produzidas em ilhas sanguíneas do mesênquima associado ao saco Posteriormente a atividade hematopoiética se generaliza pelo baço, timo, linfonodos a partir do terço final da vida fetal, exclusivamente na medula óssea o baço o figado mantêm o potencial hematopoiético e em alguns casos extremos podem ser responsáveis por eritropoiese extra- medular (Fig.5). camundongo é uma rara exceção. Nesta espécie o baço permanece como órgão hematopoiético na vida adulta 5 3 1 2 4 Figura 1. Células precursoras na medula de rubriblasto (1), prorrubricito (2), rubricito (3), metarrubricito (4) e (5). Vários componentes estão envolvidos na entre eles, células-tronco (stem células progenitoras e precursoras eritropoietina (EPO), ferro e vitaminas. Na eritropoiese a célula-tronco hematopoética se divide formando a célula progenitora inicial, chamada UFC-GEMM (unidade formadora de colônia de monócitos e Para a produção de a UFC-GEMM origina a célula progenitora tardia UFC-E. Tanto as células-tronco quanto as células progenitoras (UFCs) não podem ser morfologicamente diferenciadas dos da medula 5</p><p>Hematologia dos Animais Domésticos. PAES, R.A. óssea. A UFC-E origina a célula precursora rubriblasto que, por sua vez, iniciará a sequência de divisão e amadurecimento das células até a formação da hemácia (Fig.2). Como observado na Fig.1, as células precursoras podem ser morfologicamente diferenciadas na medula Rubriblasto Figura 2. Esquema da de maturação das células precursoras. Da célula precursora inicial (rubriblasto) precursora nucleada o núcleo torna-se cada vez mais que seja excluído da célula para formar o reticulócito (Figs. 2 e 3). Concomitante as alterações nucleares, o citoplasma torna-se cada vez menos basofilico e cada vez mais Esta alteração na coloração do citoplasma ocorre em função da afinidade dos ribossomos da hemoglobina pelos corantes básico e ácido, respectivamente. A etapa de divisões celulares a partir do rubriblasto até formar aproximadamente 16 metarrubricitos é realizada em 3 ou 4 dias. Os núcleos excluidos dos metarrubricitos são fagocitados por macrófagos. A célula anucleada resultante, chamada de reticulócito, contêm ribossomos, polirribossomos e mitocôndrias necessários para sintetizar os 20% restantes de hemoglobina para atingir a fase madura da Os ribossomos e polirribossomos, 6</p><p>Hematologia dos Animais P.R.O.; PAES LEME. F.O.: por RNA (60%) e proteínas (40%), contribuem para a policromasia observada no exame de sangue periférico corado com corante Romanovsky. Quando corados com o corante supra-vital Novo Azul de os ribossomos, mitocôndrias e outras organelas aparecem nos reticulócitos como uma rede reticular, dai nome "reticulócito". a b d Figura 3. Sangue de gato com anemia intensa e Metarrubicito (a), extrusão de núcleo de metarrubricito núcleo excluído (c) e reticulócitos (setas em d). Os reticulócitos permanecem em maturação na medula óssea por dois ou dias, quando entram na circulação sanguínea através da diapedese nos sinusóides Esta liberação da medula óssea para o sangue periférico ocorre por estímulo da EPO. o amadurecimento dos reticulócitos, iniciado na medula óssea, é finalizado em 24 a 48 horas no sangue periférico e no baço de gatos e Os reticulócitos liberados por cães e são relativamente imaturos e são denominados reticulócitos agregados. Nos gatos geralmente os reticulócitos são liberados já mais amadurecidos e recebem a denominação de reticulócitos pontilhados. Nos ruminantes e equinos os reticulócitos amadurecem a eritrócitos na medula óssea, para então serem liberados à circulação A regulação da eritropoiese é realizada pelo hormônio eritropoietina (EPO) pelas citocinas interleucina-3 (IL-3) e fatores estimuladores de colônia (CSF). Aproximadamente 85 a 90% da EPO é produzida pelas células intersticiais peritubulares dos rins, sendo os 10 a 15% restantes produzidos pelo figado. o estimulo fundamental para produção e liberação de EPO é a diminuição da tensão do oxigênio (PO2) nos rins. Para a eritropoiese, a EPO diminui a apoptose das células progenitoras e precursoras estimula a mitose, reduz o tempo de maturação das células e aumenta a liberação de reticulócitos e/ou eritrócitos jovens para o sangue. Já as citocinas, produzidas por tipos celulares como macrófagos e endoteliais, estimulam a multiplicação das células progenitoras principalmente a UFC-E. A eritropoiese ocorre em ilhas Estes aglomerados celulares possuem um central, conhecido como nurse cell (célula e um anel de células ao seu redor (Fig.4). Acredita-se que a nurse cell forneça nutrientes para o crescimento celular e ferro para a sintese de hemoglobina. As ilhas são que determina que raramente sejam observadas em exames citológicos de aspirados da medula óssea. 7</p><p>Hematologia dos Animais P.R.O.: PAES LEME F.O.: R.A. Figura 4. Nurse Cell em medula óssea Figura 5. Eritropoiese extra-medular em baço de portador de leucemia 1.3-HEMOGLOBINA 1.3.1-Estrutura Cada de hemoglobina é composta por quatro cadeias da proteína globina, sendo, nos animais adultos, duas cadeias a e duas cadeias cada uma ligada a um grupo heme. heme é composto por protoporfirina IX e ferro ferroso Aproximadamente 95% do peso seco dos eritrócitos é A proporção da sintese de heme e globina é balanceada e regulada uma pela outra. Desta forma, se uma célula precursora tem pouco heme e o está disponível, ocorre aumento concomitante da sintese de heme e 1.3.2-Função Quando totalmente saturada, cada molecula tetramérica de hemoglobina está ligada a quatro de oxigênio. No sangue as de hemoglobina estão 100% saturadas. Para tal, o ferro precisa estar no estado ferroso já que no estado férrico o oxigênio não consegue se ligar a hemoglobina. Portanto a hemoglobina com chamada de metemoglobina, é A hemoglobina funcional permite um transporte 70 vezes maior de oxigênio do que se este estivesse sendo transportado dissolvido no A hemoglobina também participa do transporte do Quando o CO2 difunde-se no eritrócito, a enzima anidrase carbônica cataliza a reação com H2O para formar e (CO2 + H2O H' + difunde-se da célula para o plasma e o é removido pela hemoglobina, que atua como tampão (H' + Hb HHb). Nos pulmões ocorre a reação inversa, com o ganhando novamente o eritrócito para formar CO2 que é liberado posteriormente na Este sistema é responsável por aproximadamente 70% do gás carbônico transportado aos pulmões. Outros 20% são transportados ligados à Hb e os 10% restantes são transportados dissolvidos no sangue na forma de CO2. A da hemoglobina ocorre nos precursores eritroides (rubriblasto a em uma série de reações que incluem a formação de protoporfirina IX. heme 8</p><p>Hematologia dos Animais P.R.O.: PAES R.A. e globina. Para a sintese são necessários substratos (aminoácidos e ferro) e co- fatores (vitamina B6) No amadurecimento das células precursoras ocorre aumento progressivo da concentração de hemoglobina nas células. a sintese da hemoglobina for incompleta, como, por exemplo, por carência de ferro ocorrem mitoses adicionais durante a eritropoiese, o que resulta na formação de eritrócitos menores. 1.3.4-Destruição A vida média das hemácias na circulação varia entre as espécies, sendo de aproximadamente 160 días nos bovinos, 150 dias nos ovinos, 145 dias nos equinos, 110 dias nos 86 dias nos e 70 dias nos gatos. No envelhecimento das hemácias ocorrem alterações no conteúdo enzimático e estrutura das membranas celulares que determinam que as células sejam menos capazes de sobreviver e fiquem sujeitas à remoção pelos Fisiologicamente as hemácias podem ser removidas da circulação por duas vias: A.) Por meio de fagocitose por macrófagos do baço, figado e medula A globina é quebrada e os seus aminoácidos são reutilizados. Após a liberação do ferro. heme é divido pela heme oxigenase, formando de carbono e biliverdina. A biliverdina é reduzida pela biliverdina redutase à bilirrubina, que é excretada para o sangue, onde se liga a albumina para ser transportada ao figado, onde é conjugada e posteriormente excretada nas fezes ou rins na forma de urobilinogênio. B.) Na com liberação do heme no sangue. Neste caso, a hemoglobina liberada se liga a haptoglobina formando o complexo que é removido do sangue pelo figado, evitando perda de hemoglobina pela urina. Esta é uma via secundária de remoção de eritrócitos senis do sangue. 1.4. METABOLISMO DO FERRO Nos animais saudáveis o ferro é em três principais locais: como componente da hemoglobina dos eritrócitos (50 a 70% do ferro), armazenado nas formas de ferritina e hemossiderina dos macrófagos da medula óssea, baço e fígado (25 a 40% do ferro) e como componente de outras como mioglobina, enzimas e citocromos (restante do ferro). A quantidade de ferro do organismo é regulada pelas taxas de absorção e de excreção. A absorção é regulada pela quantidade de ferro armazenada (grande quantidade de ferro armazenado diminui a absorção) e pela eritropoiese (eritropoiese acelerada aumenta a absorção). Em condições normais, menos de 0,05% do ferro corporal é perdido ou absorvido por dia. A dieta normal dos domésticos contém Fe+ e processo de absorção intestinal do ferro não é completamente compreendido, mas envolve o acido gástrico, mucina apoferritina e outras A apoferritina das células epiteliais da mucosa intestinal liga-se ao para formar ferritina mucosa. após a absorção no intestino, é transportado pelo sangue ligado a uma B-globulina, chamada apotransferrina, formando um complexo proteina-ferro denominado transferrina. Nos animais saudáveis aproximadamente 1/3 dos sítios de ligação da transferrina estão 9</p><p>Hematologia dos Animais PAES R.A. ocupados por ferro. ferro ligado à transferrina pode ter a concentração determinada laboratorialmente no exame denominado concentração de ferro Esta é uma das formas de determinar as reservas de ferro do A transferrina transporta ferro para ser armazenado nos tecidos ou para ser utilizado pelas células. A transferrina transporta o ferro armazenado para as células, principalmente para as células precursoras o ferro liberado da transferrina é incorporado ao heme da hemoglobina ou à uma armazenadora denominada apoferritina, para formar a ferritina. A ferritina, que fica armazenada nos macrófagos, é um complexo proteina-ferro solúvel em água. Ela é a forma mais disponível do ferro armazenado e pode ser determinada laboratorialmente como uma forma indireta de avaliação da reserva de ferro. Esta determinação é (dificil mensuração) e resulta em valores diminuídos na deficiência de ferro e aumentados na anemia inflamação aguda e crônica, doença hepática e algumas neoplasias. A ferritina é uma proteína de fase aguda, já que tem a sintese aumentada pelos macrófagos e hepatócitos nos processos inflamatórios. A hemossiderina, também armazenada nos macrófagos, é mais mas menos disponível, e é composta de ferritina e No exame citológico a hemossiderina é mais facilmente observada utilizando-se o corante Azul da principalmente nos macrófagos do baço, figado e medula óssea. 10</p><p>Hematologia dos Animals P.R.O.: PAES R.A. 2- ERITROGRAMA A avaliação das células do sangue é chamada de Por meio do eritrograma pode-se determinar, por exemplo, se um animal encontra-se com a concentração de hemácias diminuída (anemia) e se a medula óssea está sendo estimulada a responder com uma produção de hemácias maior e mais rápida do que o normal (anemia regenerativa). Os vários dados fornecidos no eritrograma podem permitir conclusões como deficiência orgânica de ferro, aplasia de medula óssea, doença imuno-mediada, etc. No eritrograma pode-se obter ainda o diagnostico de infecções como anaplasmose e eritrograma é composto pelos parâmetros e indices eritrocitários e pelo exame microscópico do esfregaço sanguíneo. Os parâmetros eritrocitários são constituídos por três determinações básicas: hematócrito ou volume globular (VG), concentração de hemoglobina e concentração (ou contagem) de Os eritrocitários são constituídos por quatro determinações: VCM, CHCM, HCM e Outras avaliações, que normalmente não estão incluídas no mas que podem frequentemente ser utilizadas, incluem exame de concentrações de proteínas plasmáticas e ferro sérico e exame da medula óssea 2.1-HEMATÓCRITO OU VOLUME GLOBULAR (VG) o hematócrito ou volume globular (VG) é a porcentagem do sangue que é composta por hemácias. O VG é obtido por microcentrifugação ou por meio de aparelhos eletrônicos. Esta técnica exige uma microcentrifuga e tubos capilares. A centrifugação leva a sedimentação das células sanguíneas, o que resulta na formação de três camadas no tubo capilar: camada superior (plasma), camada intermediária (leucócitos e plaquetas), chamada de capa leucocitária, e camada inferior (hemácias) (Fig.6). Ao se determinar a porcentagem que a camada de hemácias representa em relação ao total do sangue centrifugado, chega-se ao VG (fig.7). 3 Figura 6. Representação de tubo capilar, com camada de (1), capa leucocitária (2) e plasma (3). a e Figura 7. Técnica do VG por microcentrifugação. Obtenção da amostra em microcapilar (a), centrifugação da amostra em microcentrifuga (b) e leitura em cartão próprio (c). 11</p><p>Hematologia dos Animais P.R.O.: PAES F.O.: R.A. Além do resultado do VG obtido pela técnica da microcentrifugação ser preciso, com margem de erro inferior a este método permite a obtenção dos seguintes dados adicionais: a) Determinação da concentração das proteínas plasmáticas por refratometria (Fig.8). b) Determinação da concentração de fibrinogênio por refratometria (Fig.8). c) Avaliação da e turbidez do plasma (Fig.9): c.1) Plasma normal: transparente e sem e gatos) ou transparente e sem con a amarelo claro (grandes animais). c.2) Plasma transparente amarelo claro a intenso gatos) ou transparente e amarelo intenso (grandes animais). c.3) Plasma de sangue hemolisado: transparente e rosado a avermelhado. c.4) Plasma lipêmico: turvo e esbranquiçado a d) Obtenção da capa leucocitária para pesquisa de hemoparasitos em leucócitos, observação de células atipicas, etc. Figura 8. Determinação de proteinas por Figura 9. Avaliação da e turbidez do plasma 2.1.2- Contadores eletrônicos Os contadores eletrônicos (fig.10) determinam o VG por meio de um cálculo: = contagem de hemácias (uL) VCM (fL) A maioria dos contadores eletrônicos é calibrada para as hemácias humanas. das espécies domésticas, apenas os possuem hemácias com VCM semelhante à dos humanos, a utilização da maior parte destes aparelhos para a determinação do VG não é recomendável na medicina veterinária. Figura 10. contador hematológico 12</p><p>Hematologia dos Animals PAES R.A. 2.2-CONCENTRAÇÃO DE HEMOGLOBINA A concentração de hemoglobina (Hb) é determinada por colorimetria em com resultado fornecido em g/dL de sangue e coeficiente de variação de aproximadamente 5%. A presença de corpúsculos de Heinz, e lipemia podem resultar em valores falsamente aumentados. Apesar da concentração de hemoglobina permitir a classificação de normocitemia e policitemia, a medicina veterinária normalmente utiliza o VG para esta Desta forma, no nosso a determinação da concentração de hemoglobina é utilizada basicamente para obtenção dos eritrocitários HCM e CHCM. 2.3-CONCENTRAÇÃO DE HEMÁCIAS (CONTAGEM DE HEMÁCIAS) A determinação da concentração de hemácias em hemocitômetro (câmara de Neubauer) tem um grande grau de erro e não oferece vantagem quando comparada às informações obtidas com VG. sendo utilizada principalmente para a determinação dos indices eritrocitários VCM e CHCM. Não obstante, quando se utilizam contadores eletrônicos ajustados para a espécie avaliada, a contagem de hemácias é mais precisa do que a contagem em o resultado da concentração de é fornecido em número de células/uL de sangue. 2.4- INTERPRETAÇÃO DO VG, [HB] E [HEMÁCIAS]. A. Animais com VG. concentração de hemoglobina e concentração de hemácias dentro dos limites de referência para a espécie são classificados como B. Animais com VG e/ou concentração de Hb e/ou concentração de hemácias abaixo dos limites de referência para a espécie são classificados como anêmicos. C. Animais com VG e/ou concentração de Hb e/ou concentração de hemácias acima dos limites de referência para a espécie são classificados como policitêmicos. Estes resultados devem ser interpretados com cautela, pois podem retratar alterações relativas induzidas por super-hidratação. contração esplênica, etc. Para a avaliação deve-se considerar histórico e exame físico do animal se possível, utilizar a concentração de proteínas plasmáticas. ÍNDICES ERITROCITÁRIOS eritrocitários são utilizados para a classificação das anemias e englobam volume médio (VCM), concentração de hemoglobina corpuscular média (CHCM), corpuscular média (HCM) e amplitude de variação do volume das hemácias 13</p><p>Hematologia dos Animais PAES F.O.: R.A. 2.5.1- Volume corpuscular médio (VCM) volume corpuscular médio (VCM) pode ser obtido utilizando-se a VCM (fL) VG (%) 10 (céls Exemplo: VG=25% Concentração de 4.200.000 céls/uL ou 4,2 céls o VCM também pode ser fornecido diretamente por contadores automáticos de Quando o valor do VCM está dentro dos limites de referência para a espécie, o animal é classificado como Quando os valores são superiores e inferiores aos valores de referência são classificados como macrociticos e microcíticos, A macrocitose normalmente está correlacionada com a presença de células eritróides imaturas e/ou produzidas com menor número de divisões celulares na eritropoiese e, desta forma, sugere que o animal está respondendo ao para produzir e liberar hemácias mais rapidamente. Algumas são: cães da raça que normalmente possuem VCM maior que outras raças de provavelmente pelo menor tempo de vida médio das hemácias (55 dias); alguns da raça Poodle, Malamute do Alaska e Schnauzer miniatura, portadores da macrocitose congênita; e gatos possivelmente em função de alteração na maturação A microcitose é comum nos animais jovens da maioria das espécies, que os valores de referência são estabelecidos com amostras de animais adultos. Esta microcitose pode estar correlacionada com a deficiência de ferro dos animais jovens. A deficiência de em qualquer fase da vida do causa divisão extra na eritropoiese porque a célula precursora, não tendo a concentração adequada de hemoglobina, entra em divisão celular que resulta em uma célula de mesmo grau de maturação e não do grau subsequente. Isto resulta na formação de reticulócitos e hemácias menores. A microcitose também pode estar associada aos desvios venosos porto-sistêmicos, que também influenciam negativamente as reservas de ferro. saudáveis de raças asiáticas (Akita, Chow Chow, Shar Pei, Shiba Inu) frequentemente possuem eritrócitos A normocitose pode ocorrer no inicio da resposta medular à anemia, quando ainda não foram liberadas células imaturas em proporção suficiente para alterar o VCM. Em anemias graves e crônicas, a normocitose normalmente indica que a medula óssea não está sendo estimulada (carência de eritropoietina, etc) ou não está respondendo ao para a aceleração da eritropoiese (mielofibrose, etc), mas outros elementos, como a presença de anisocitose, policromasia e concentração de reticulócitos, devem ser observados para esta conclusão. A normocitose pode eventualmente ocorrer na fase de passagem de macrocitose para microcitose, mas neste caso a anisocitose será evidente. 14</p><p>Hematologia dos Animais F.O.: R.A. Figura 11. Hemácias (VCM=81,0 fL) Figura 12. "microciticas" (VCM=50,0 de saudável da raça Schnauzer de saudável da raça Akita 2.5.2-Concentração de hemoglobina corpuscular média (CHCM) A concentração de hemoglobina corpuscular média (CHCM) é obtida pela CHCM (g/dL) = [Hb] (g/dL) 100 / VG (%) Como exemplo, se um animal possui VG=50% e [Hb]=15g/dL e outro possui VG=33% e ambos possuem já que em ambos teremos 30g de Hb por 100mL (dL) de Os valores de referência do CHCM de todas as espécies domésticas variam entre 32 e 36g/dL (o dL, no caso, é de hemácias e não de sangue) CHCM é indice eritrocitário de maior acurácia, porque não requer a contagem de hemácias para o seu cálculo. Entretanto, se o VG é obtido por cálculo de como no caso de analisadores hematológicos automatizados, a acurácia do CHCM é menor. animal é classificado como normocrômico quando o valor do CHCM está dentro dos limites de referência para a espécie. Os valores superior e inferior aos valores de referência são classificados como hipercrômico hipocrômico, A hipocromia pode ocorrer em função das células imaturas (reticulócitos) não possuirem concentrações plenas de hemoglobina e, neste caso, está associada à aceleração da produção/liberação de células A hipocromia também pode ocorrer nas anemias ferroprivas, já que as células não possuem concentrações adequadas de Entretanto, enquanto com deficiência de ferro normalmente apresentam microcitose e hipocromia, ocorrendo normocromia apenas na fase inicial da deficiência, gatos portadores de anemias ferroprivas normalmente apresentam hemácias microcíticas e A hipercromia não é fisiologicamente possível. o aumento do CHCM ocorre nos casos de in vivo e/ou in vitro, com consequente liberação de hemoglobina para o plasma, e no caso de interferência na leitura de hemoglobina dos aparelhos, por causa de icterícia, lipemia, metarrubrictos, corpúsculos de Heinz, etc. 15</p><p>Hematologia dos Animais Domésticos, PAES F.O.: R.A. Em raras enfermidades o CHCM pode estar verdadeiramente aumentado. Nos excentrócitos, a condensação oxidativa da hemoglobina e a fusão da membrana celular podem resultar em perda do volume celular desproporcional à perda de hemoglobina celular. Os esferócitos, apesar da possibilidade de perda desproporcional de volume e hemoglobina, geralmente apenas aparentam ser hipercrômicos devido a sua espessura aumentada. 2.5.3-Hemoglobina corpuscular média (HCM) A hemoglobina corpuscular média (HCM) é obtida pela HCM (pg) = (g/dL) 10 / o HCM e o CHCM permitem classificações semelhantes (normocromia, hipocromia). Em relação ao VCM. o HCM é preferencialmente utilizado apenas quando a determinação da concentração de hemácias é mais confiável que o VG. 2.5.4-Amplitude de variação do volume das hemácias (RDW). o RDW é fornecido por contadores celulares minimamente sofisticados, que determinam a variação no volume das hemácias por meio de cálculos. Apesar das alterações do RDW normalmente acompanhar as alterações do as alterações do RDW podem preceder às do VCM, podendo ser considerado, portanto, um teste mais Estes casos normalmente estão acompanhados de anisocitose e policromasia. 2.6-AVALIAÇÃO MICROSCÓPICA DAS CÉLULAS ERITRÓIDES No exame microscópico do esfregaço sanguíneo são realizadas quantitativas e qualitativas dos tipos celulares leucócitos e plaquetas). Podem também ser observados. parasitos extra-celulares, como Dirofilaria immitis e Trypanosoma spp. o exame morfológico das células que inclui as alterações de tamanho, cor, forma, inclusões e presença de microrganismos, é realizado na região imediatamente anterior à franja do esfregaço. 16</p><p>Hematologia dos Animais PAES F.O.: 3- MORFOLOGIA DAS HEMÁCIAS A morfologia das hemácias varia entre as diferentes espécies. Enquanto as hemácias dos mamiferos são anucleadas, todas as outras espécies vertebradas (aves, répteis, anfibios e peixes) possuem eritrócitos nucleados. As hemácias são discos bicôncavos nos mamiferos, exceto em camelideos (camelos, lhamas e outros), quando são ovais (Fig.13). Nos caprinos saudáveis e enfermos podem ser observadas, além dos discos hemácias de formatos variados, como triangulares, fusiformes e outros. (a) (b) (c) (d) Figura 13. Ilustração representando a do disco com halo central proeminente do gato, equino e ruminante, disco menor com halo central discreto de com formato oval (c) e de caprinos, com formas bizarras(d). formato de disco é eficiente para a troca de oxigênio, já que permite a deformabilidade da célula para a passagem por dentro dos capilares, que possuem um diâmetro menor do que o das hemácias. Quando observados em esfregaço sanguineo, os eritrócitos possuem uma palidez central devido ao formato da célula, já que nesta área da célula ocorre uma menor quantidade de hemoglobina. Esta palidez central é mais pronunciada nos já que as outras espécies mamiferas domésticas possuem hemácias menores, com concavidades menores e, consequentemente, palidez central menor ou mesmo ausente. A palidez central pode ser classificada como proeminente em leve em gatos, ausente a leve em equinos e leve a moderada em bovinos. Quanto ao tamanho, os eritrócitos possuem diâmetro médio, em um, de 7,0 5,8 (gatos); 5,8 (bovinos) e resultando em volume médio, em fL (fentolitros), de 70 52 45 (gatos) e 45 (equinos). (a) (b) (d) Figura 14. de (a); gato (b); caprino (c) e camelo (d). Além de tamanho, forma e palidez central, outras diferenças podem ser observadas entre as espécies, como a tendência a formar rouleaux nos equinos e gatos, presença de granulações azurofilicas na resposta a anemia dos ruminantes e ausência de reticulócitos na anemia dos equinos. A morfologia dos eritrócitos pode ser um fator importante para o diagnóstico de uma determinada enfermidade que causa anemia. Para tal é imprescindível que o esfregaço permita uma boa avaliação das células. 17</p><p>Hematologia dos Animais PAES, P.R.O.: PAES F.O.: R.A. 3.1. ALTERAÇÕES NA COR DAS HEMÁCIAS 3.1.1. Policromasia A policromasia é a observação de células policromatofilicas no exame hematológico de rotina. Estas células, azuis-acinzentadas, resultam da presença de RNA e organelas (ribossomos, mitocôndrias) nos reticulócitos, o que permite uma correlação entre o grau de policromasia e a concentração de reticulócitos no sangue. O aumento no número de células policromatofilicas no esfregaço sanguíneo é, portanto, um importante indicador da aceleração da eritropoiese. A classificação para a policromasia pode ser realizada conforme a Tab.1 Tabela 1. Avaliação semi-quantitativa de policromasia baseado no número médio de células policromatofilicas por campo de aumento de Adaptado de Harvey (2001). Policromasia 2+ 3+ 4+ 2-7 8-14 15-29 >30 Gatos 1-2 3-8 9-15 >15 Bovinos 2-5 6-10 11-20 >20 Equinos Raro Apesar do grau de policromasia estar obrigatoriamente correlacionado à presença de reticulócitos, para uma quantificação precisa destas células é necessário utilizar a técnica de coloração com corante supra-vital, para que seja determinada a porcentagem e a concentração exata de reticulócitos. Figura 15. Policromasia e anisocitose intensas (3+ a 4+) em gato 3.1.2. Hipocromasia As hemácias hipocrômicas possuem um aumento da palidez central devido à diminuição da concentração de hemoglobina na deficiência de ferro. Este aumento de palidez ocorre tanto pela diminuição da coloração quanto pelo aumento da área central da célula. Nos com deficiência de ferro, a hipocromasia é mais facilmente observada do que nas outras espécies As hemácias hipocrômicas precisam ser diferenciadas das células em "forma de tigela", chamadas de torócitos, que apesar de possuir área central pálida aumentada, são formados geralmente por artefatos de lâmina. Além da diminuição da concentração de hemoglobina as hemácias são hipocrômicas devido ao afinamento das células. Como a deficiência de ferro causa um aumento do tempo para incorporação de hemoglobina (amadurecimento) e/ou um aumento da quantidade de divisões celulares (proliferação), a medula óssea produz e libera células menores que as normais. Neste caso espera-se observar hemácias menores que as normais. Entretanto, a presença de células mais finas e menores, chamadas de leptócitos pode impedir a observação da microcitose, pois estas "parecem" maiores no esfregaço 18</p><p>Hematologia des Animais P.R.O.; PAES LEME, R.A. 3.2. ALTERAÇÕES NO TAMANHO DOS ERITRÓCITOS 3.2.1. Anisocitose A variação no diâmetro das hemácias do é chamada de anisocitose. Esta variação ocorre devido à presença de células maiores e/ou menores. As hemácias dos bovinos, em comparação às das outras espécies, têm naturalmente mais variados, ou seja, anisocitose mais pronunciada em condições normais que nas outras espécies, quando também saudáveis. A presença de quantidade significativa de células maiores sugere a presença de quantidade aumentada de reticulócitos no sangue (reticulocitose). A anisocitose, entretanto, pode ser consequência da liberação de reticulócitos ou hemácias maiores em um processo interrompido a um tempo não determinado (dias ou mesmo semanas) desta forma, sugerir responsividade medular. A anisocitose, portanto, menos específico do que a policromasia para determinação da resposta medular. A presença de células menores ocorre na anemia por deficiência de e em alguns casos de insuficiência hepática, principalmente devido a desvio Nas anemias ferroprivas, entretanto, frequentemente não são observadas células menores no esfregaço apesar da determinação eletrônica indicar microcitose. Tabela 2. Avaliação semi-quantitativa de anisocitose baseado no número médio de células policromatofilicas por campo de aumento de 1.000x. Adaptado de Harvey (2001). Anisocitose 1+ 2+ 3+ 4+ 7-15 16-20 21-29 >30 Gatos 5-8 9-15 16-20 >20 Ruminantes 10-20 21-30 31-40 >40 Equinos 1-3 4-6 7-10 >10 Na anemia regenerativa das espécies domésticas (exceto podem ser liberadas, na circulação sanguínea, células com diâmetro aproximadamente duas vezes maior que o normal. Já os liberam células apenas ligeiramente maiores que as normais durante a anemia A presença de esferócitos no esfregaço sanguíneo de resulta em anisocitose, apesar das determinações eletrônicas normalmente indicarem volume corpuscular médio (VCM) normal ou aumentado. Isto ocorre porque, apesar destas células parecerem menores no exame do esfregaço elas na realidade possuem um volume normal. Além disso, a presença de células maiores (regenerativas) é comum nas anemias com esferocitose (fig.16). Figura 16. Esferocitose em Cocker Spaniel, 4 anos, Anemia hemolitica imuno-mediada (AHIM). 19</p><p>Hematologia dos Animais PAES F.O.: CARNEIRO, R.A. A anisocitose macrocítica sem policromasia concomitante pode ser observada em gatos portadores da leucemia felina a vírus (FeLV), por causar mielodisplasia ou doença mieloproliferativa. Isto pode ocorrer mesmo em gatos FeLV-positvos não anêmicos. A anisocitose macrocítica sem policromasia também pode ser observada em equinos Isto ocorre porque na resposta à anemia pode haver um número menor de divisões celulares na eritropoiese, resultando em reticulócitos maiores que os normais. Estes reticulócitos não são liberados na circulação dos equinos) e amadurecem a hemácias na medula As hemácias, quando liberadas, possuem diâmetros maiores com coloração normal. da raça Poodle podem apresentar uma discrasia medular que resulta na liberação de células uniformemente macrocíticas, com VCM entre 85-100 fL. Neste caso a anisocitose não é observada, porém podem ser observados eritrócitos nucleados, corpúsculos de Howell-Jolly e neutrófilos hipersegmentados. As causas da macrocitose dos Poodles ainda são desconhecidas. 3.3. ALTERAÇÕES NA FORMA DAS HEMÁCIAS (POIQUILOCITOSE) As hemácias com formas anormais são chamadas de poiquilócitos. Esta terminologia não é eficiente porque não indica qual a alteração ocorrida e, desta forma, impede a interpretação específica. As mudanças de forma mais importantes incluem as hemácias espiculadas (equinócitos, acantócitos, e esferócitos, queratócitos e Anormalidades menos significativas incluem codócitos, dacrócitos e (fig.17) (a) (b) (c) (d) (e) (f) (h) (g) (i) (j) (k) (1) Figura 17. Ilustração representando esquistócito (a), queratócito (b), acantócito (c), equinócito (d), (e), (f), leptócito (g), codócito (h), estomatócito (i), ovalócito (j), dacrócito (k) e torócito (1). Poucas anormalidades congênitas da forma das estão descritas nos animais. A maioria destas anormalidades está associada com anormalidades nas proteinas do citoesqueleto, nas concentrações de colesterol e fosfolipídeos das membranas eritrocitárias c nas concentrações plasmáticas destes lipídeos. Algumas destas anormalidades incluem a 20</p><p>Hematologia dos Animais PAES R.A. estomatocitose e a eliptocitose (ou ovalocitose) hereditárias em e a esferocitose hereditária do bovino da raça Japonesa de cor 3.3.1. Esquistócitos (schizo = corte) Os esquistócitos são fragmentos celulares irregulares que normalmente são resultantes de traumas intravasculares das hemácias (Figs. 17 e 18). Os esquistócitos, também conhecidos como esquisócitos ou fragmentos de são observados em animais com coagulação intravascular disseminada (CID), hemangiossarcoma, caval, endocardites e anemias ferroprivas. Na CID, os esquistócitos são observados devido à quebra das hemácias pela malha de fibrina e, normalmente, ocorrem com trombocitopenia concomitante. No hemangiosarcoma, quando ocorrem esquistócitos, os acantócitos normalmente também estão presentes. Na deficiência de ferro as hemácias sofrem lesões oxidativas, que resultam em lesões de membrana e aumento da susceptibilidade à traumas Figura 18. Esquistócito (seta) de Lhasa-Apsu. Figura 19. Queratócito (seta) de Lhasa-Apsu. 3.3.2. Queratócitos (kerato = chifre) Os queratócitos são hemácias com uma ou duas projeções ("chifres"), sendo também chamados de células capacete (Figs. 17, 19 e 20). Segundo Harvey (2001) e Brockus e Andreasen (2003), estas projeções ocorrem como resultado da ruptura de uma vesicula e estão normalmente associados às lesões oxidativas com formações de corpúsculos de Heinz, mas também podem estar associadas às anemias por deficiência de ferro, enfermidades sindromes mielodisplásicas e várias enfermidades que, em resultam no aparecimento concomitante de equinócitos e acantócitos. Para Stockham & Sott (2002) e Thrall (2004), entretanto, os queratócitos ocorrem nas mesmas condições que ocorrem os Segundo Harvey (2001), a formação de queratócitos é também potencializada nas amostras de sangue de gatos armazenadas em EDTA. 3.3.1. Acantócitos (acantho = espora) Os acantócitos, também conhecidos como células espora, são hemácias com espiculas de tamanhos e espaçamentos variados (Figs. 17 e 20). A quantidade de projeções varia de 2 a 20 por célula. Os acantócitos ocorrem como resultado de alterações na concentração de colesterol e fosfolipideos da membrana celular. Em humanos estão frequentemente associados às alterações do metabolismo lipídico, como ocorre nas enfermidades hepáticas, assim como, em gatos, estão normalmente associados à lipidose hepática. Em estão associados principalmente ao hemangiosarcoma e, com menor frequência, em enfermidades esplênicas, hepáticas, renais e CID. 21</p><p>Hematologia dos Animais PAES, R.A. (a) (a) (b) Figura 20. (a) e (b) no sangue de Pastor Alemão 3.3.4. Equinócitos (echino = espinho) Os equinócitos, também chamadas células ouriço, são células espiculadas com projeções uniformemente espaçadas, regularmente curtas e com formatos pontiagudos ou sem pontas (Fig.17). A formação de equinócitos pode ser um artefato resultante de excesso de EDTA, preparação incorreta do esfregaço ou ainda por tempo prolongado de armazenamento da amostra antes da preparação do esfregaço sanguíneo. Neste caso a hemácia é chamada de crenada. As hemácias crenadas são comuns no esfregaço de saudáveis, com formação in Os equinócitos são classificados em tipos II e III. Segundo Stockham & Scott o tipo I compreende as células com formato irregular, ao passo que os equinócitos tipos II e III são formados por projeções regularmente espaçadas e sem ponta e por projeções regularmente espaçadas e pontiagudas, Segundo Thrall (2004), além de artefatos, em os equinócitos podem estar associados à doença renal (devido à uremia), linfoma, envenenamento por serpentes e quimioterapia e, em equinos, após a realização de exercícios Além destes, para Harvey (2001) os equinócitos estão além de linfoma, à outras neoplasias (hemangiossarcoma, mastocitoma e carcinoma). Já para Stockham & Sott (2002), os equinócitos estão associados às desidratações hiponatrêmicas, intoxicação por doxorrubricinas e drogas 3.3.5. (sphero = esfera) Os esferócitos são hemácias fortemente coradas e com ausência da palidez central (Figs. 16 e 17). Apesar destas células parecerem menores no exame do esfregaço sanguíneo, elas na realidade possuem um volume normal. Os esferócitos são mais facilmente detectados em Nas demais espécies, devido ao menor tamanho e a ausência de palidez central das normais, é extremamente dificil a observação desta alteração. Os esferócitos possuem uma menor quantidade de membrana celular como resultado da fagocitose parcial desta, que ocorre em função da opsonização por sistema complemento e/ou anticorpos na dos A presença de esferócitos, portanto, é altamente sugestiva de anemia hemolítica imuno-mediada. Eles também podem estar associados às transfusões sanguíneas de sangue armazenado e intoxicações com formação de corpúsculos de Os esferócitos são prematuramente removidos da circulação por macrófagos esplênicos porque eles estão com uma capacidade reduzida de deformação consequentemente, têm dificuldade de atravessar os sinusóides esplênicos. 22</p><p>Hematologia dos Animais PAES R.A. 3.3.6. (Eccentro = excêntrico) Nos a hemoglobina está concentrada em um lado da célula, formando na região oposta uma zona clara e delimitada por uma membrana (Figs. 17 e 21). Nestas células a palidez central não está presente. Os estão associados com lesões oxidativas e, especialmente em são encontrados concomitantemente aos corpúsculos de Os animais com deficiência congênita de glicose-6-fosfato desidrogenase nas hemácias tem susceptibilidade aumentada à formação de excentrócitos e corpúsculos de Heinz. 3.3.7. (lepto = fino, magro) Os são células finas (magras) que aparecem como células hipocrômicas com palidez central aumentada (Figs. 17 e 21). Os leptócitos possuem uma relação membrana:volum aumentada, podendo aparecer dobrada devido ao excesso de membrana. Estão correlacionados com deficiência de ferro. 3.3.8. Codócitos (codo = chapéu) Os codócitos são tipos de leptócitos em forma de sino, mas que no esfregaço sanguíneo se assemelham a um alvo devido à distribuição central e periférica da hemoglobina, estando, portanto, correlacionados às anemias ferroprivas (Figs. 17 e 21). Segundo Stockham & Sott (2002), os conhecidos como células alvo e células chapéu mexicano, também são típicos da anemia regenerativa, ocorrendo devido ao excesso de membrana em relação à concentração celular de hemoglobina. (b) (c) (a) Figura 21. (a), (a) e codócitos (b) no sangue de SRD. 3.3.9. (stomato = boca) Os estomatócitos são hemácias unicôncavas normais são que no esfregaço sanguíneo aparecem com uma área clara no centro da célula, semelhante a uma boca (Fig.17). A presença de alguns estomatócitos no esfregaço sanguíneo normalmente não é significativa, podendo ser jovens ou artefatos de lâmina. Em algumas raças de como Schnauzer miniatura e Malamute do Alaska, estão descritos a ocorrência de estomatocitose hereditária. Nos Malamutes a estomatocitose é acompanhada de condrodisplasia. Nos Schnauzeres é assintomática, sem causa definida. 3.3.10. Eliptócitos ou ovalócitos (ovalo = oval) Os ovalócitos são as ovais típicas dos camelideos (Figs. 14 e 17). Nos gatos a presença de ovalócitos ocorre em anormalidades da medula óssea (desordens mieloproliferativas e leucemias lipidose e desvios porto- Nos ocorrem nas mielofibroses, e glomerulonefrites, quando são espiculados. 23</p><p>Hematologia dos Animais P.R.O. R.A. 3.3.11. Dacrócitos (dacro = lágrima) Os dacrócitos são hemácias com formato de gota de lágrima (Figs. 17 e 22) que, em humanos, mas não em são observados na mielofibrose. Nos e gatos os dacrócitos podem ser observados nas desordens mieloproliferativas e, apenas nos nas glomerulonefropatias. Nos ruminantes são observados nas deficiências de ferro. Não se sabe o mecanismo da formação de dacrócitos, apenas que podem ser um artefato da confecção do esfregaço sanguíneo. 3.3.12. (toro = forma de tigela) Os torócitos são hemácias com área central fortemente (Figs. 17 e 22). São artefatos de lâmina e não devem ser confundidas com hipocromasia. (b) (a) Figura 22. (a) e (b) no sangue de Lhasa-Apsu. 3.4. INCLUSÕES NAS HEMÁCIAS 00000 (a) (b) (c) (d) (e) Figura 23. Ilustração representando granulação azurofilica inclusão de cinomose corpúsculo de Heinz (c), corpúsculo de Howell-Jolly (d), (e). 3.4.1. Pontilhado basofílico Os pontilhados basofilicos são pequenos grânulos basofilicos formados por ribossomos agregados in vivo (Fig.23). Normalmente o pontilhado basofilico está associado com as células eritróides não amadurecidas de ruminantes, mas ocasionalmente pode ser observado na anemia regenerativa de cães e gatos. Quando não associada à anemia grave, a presença de pontilhado basofilico é sugestiva de intoxicação por chumbo, embora nem todos os animais intoxicados possuem estas inclusões. 24</p><p>Hematologia dos Animais P.R.O.: PAES F.O.: R.A. 3.4.2. Inclusões de cinomose em cães As inclusões virais da cinomose canina podem ser observadas nas células sanguíneas de alguns cães durante a fase virêmica da doença (Fig.23). Estas inclusões são tipicamente redondas e vermelhas quando observadas em células coradas com corantes rápidos (Diff- Quik), se assemelhando aos corpúsculos de Howell-Jolly, Quando se utilizam corantes de rotina Wright ou Giemsa, não se sabe porque, estas inclusões são dificilmente observadas, mas quando aparecem são azul-acinzentadas. 3.4.3. Corpúsculos de Heinz Estas inclusões são grandes agregados de hemoglobina oxidada que quando precipitados se ligam à superficie interna da membrana eritrocitária, formando uma projeção que se cora de vermelho à rosa pálido nos corantes Romanowsky (Figs. 23 e 24). Podem aparecer também como uma inclusão fantasma nas hemácias. Nos corantes utilizados para a observação de reticulócitos, os corpúsculos de Heinz aparecem na cor azul. Os gatos saudáveis podem apresentar de a 10% das hemácias com corpúsculos de Heinz. Isto ocorre porque os gatos não só são mais à desnaturação por oxidantes como possuem baços pouco eficientes na remoção dos corpúsculos das hemácias. Os animais saudáveis esplenectomizados das demais espécies também podem apresentar grande quantidade de corpúsculos de Heinz. De forma os compostos e drogas que normalmente estão associados à formação de corpúsculos de Heinz incluem a cebola, alho, brassica, benzocaina, zinco, cobre, acetominofen, propofol, fenotiazina, vitamina K, azul de metileno e 3.4.4. Corpúsculos de Howell-Jolly corpúsculo de Howell-Jolly é um fragmento do núcleo que permaneceu livre no citoplasma após a mitose de um precursor (ele não foi incorporado a um novo núcleo). Este corpúsculo é normalmente redondo, homogêneo e corado de roxo, não estando associados à membrana (Figs. 23 e 24). Em gatos pode ter forma de sino. (b) (a) Figura 24. Corpúsculo de Heinz (a) e corpúsculo de Howell-Jolly (b) no sangue de gato, SRD. 25</p><p>Hematologia dos Animais R.A. Estes corpúsculos podem ser observados no citoplasma de mamiferos saudáveis, principalmente em gatos. A frequência aumentada de corpúsculos de Howell-Jolly ocorre durante a aceleração da eritropoiese, mas também pode ser observada nos mamiferos com diminuição da atividade esplênica, incluindo a esplenectomia, já que o baço é o principal responsável pela sua remoção. 3.4.5. Grânulos sideróticos Os grânulos sideróticos (inclusões sideróticas) contêm ferro. Ao contrário do pontilhado basofilico, que tem distribuição relativamente homogênea pela os grânulos sideróticos geralmente aparecem como inclusões basofilicas focais localizadas próximas à periferia das células (Fig.23). Estas inclusões também são conhecidas como corpúsculos de Pappenheimer. A microscopia eletrônica destes corpúsculos em hemácias humanas revelou que ferro frequentemente está contido em vacuolos autofágicos (lisossomos) que também contém mitocôndrias degeneradas. o corante azul da Prússia é utilizado para verificar a presença do material ferro positivo. Os eritrócitos que contém estas inclusões são chamados de Os siderócitos estão ausentes ou são raros em animais saudáveis, podendo ocorrer na intoxicação por chumbo, anemia doenças mieloproliferativa e na terapia por cloranfenicol. 3.5. AGENTES INFECCIOSOS DAS HEMÁCIAS Vários agentes infecciosos, como protozoários (Babesia spp., Theileria spp. e Cytauxzoon felis), rickettsias (Anaplasma spp.) e micoplasmas (Haemobartonella spp. Eperithrozoon spp.). ocorrem nos eritrócitos dos animais domésticos. Os protozoários possuem núcleo, ao passo que as rickettsias e micoplasmas, como são são anucleadas. Dependendo da patogenicidade do organismo e da resistência do estes agentes infecciosos podem causar anemia leve a grave. 3.5.1. Babesia spp. Muitas espécies de Babesia infectam os animais, podendo causar anemia e trombocitopenia. Quando corados com corantes do tipo Romanowsky, a Babesia spp. apresenta um citoplasma com um núcleo vermelho a A Babesia spp. é transmitida por vários tipos de carrapatos, causando intra e extra-vascular, com patogenicidade variável. A B.canis e B.gibsoni são patogênicas aos a B.bovis B.bigemina infectam os bovinos, a B.caballi e B.equi ocorrem em equinos, a B.ovis e B.montasi infectam os ovinos e as B.herpailuri e B.pantherae infectam os gatos. Destas, são consideradas grandes a B.caballi e B.bigemina. A quantidade de piroplasmas esperadas por eritrócitos é de 1 a 2 na B.bigemina, B.equi e B.gibsoni, de 1, 2, 4 ou 8 na B.canis e de 2 a 4 na B.caballi. Os protozoários são mais facilmente observados em punção de capilares de ponta de orelha. Pode-se também pesquisar em capa leucocitária, já que ali se concentra uma maior porcentagem de hemácias maiores. A babesiose causa anemia moderada a grave em muitas vezes acompanhada de reticulocitose, policromasia, hiperbilirrubinemia, e trombocitopenia. 26</p><p>Hematologia dos Animais PAES LEME, F.O.: As infecções primárias em bezerros com menos de sete meses de idade normalmente não resultam no aparecimento de sinais clinicos e o desenvolvimento de uma imunidade duradoura não é dependente de re-infecção. Portanto, os riscos de ocorrência de perdas econômicas relevantes são mínimas em rebanhos mantidos com altas ou baixas taxas de inoculação de Babesia sp. maior problema ocorre em rebanhos expostos a uma taxa intermediária de inoculação de babesia, sendo que o clima, o tipo de solo e o biotipo do gado modulam a capacidade da região em suportar as populações de Boophilus microplus portanto, a taxa de infecção de Babesia sp. (b) (a) Figura 25. Babesia canis (a) Haemobartonella felis (b) 3.5.2. Theileria spp. A Theileria spp., quando observada no esfregaço sanguineo, é parecida com a Babesia spp. Theileria se diferencia do gênero Babesia por apresentar desenvolvimento em duas fases, uma na hemácia e outra nos tecidos. No gênero Babesia o desenvolvimento é exclusivamente nas hemácias. A Theileria spp. é patogênica em ruminantes e camelideos da Africa e 3.5.3. Cytauxzoon felis protozoário Cytauxzoon felis, como o nome indica, infecta as hemácias dos felinos. Tem forma similar à da Babesia e, como a Theileria, tem as fases tecidual e Em felinos selvagens a infecção geralmente é assintomática. 3.5.4. Anaplasma spp. A rickettsia Anaplasma spp. é observada no esfregaço sanguíneo de ruminantes, como uma inclusão basofilica redonda à oval, que pode ser confundida com corpúsculos de Howell- A anemia em bovinos por anaplasmose é causada por duas espécies de Anaplasma marginale nas regiões tropicais e subtropicais e A.centrale na do Sul e sul da África. A A.marginale é considerada mais patogênica do que a A.centrale. A aparece no esfregaço sanguíneo como I ou 2 inclusões basofilicas intracelulares localizadas na periferia das hemácias. A A.centrale tem localização celular mais central. A marginale causa anemia no gado adulto, com mortalidade mais frequente nos animais com três anos de idade ou mais Em pequenos ruminantes a anaplasmose é causada pela 27</p><p>Hematologia dos Animais P.R.O.: PAES LEME, F.O.: R.A. 3.5.5. Haemobartonella spp. Os micoplasmas do Haemobartonella são organismos anexados à superficie externa das hemácias. A H.felis aparece como um pequeno anel ou bastonete azul nas hemácias dos gatos (Fig.25). Eles fazem parasitemias ciclicas consequentemente, não são observados no sangue durante as infecções agudas. A H.canis normalmente formam cadeias de organismos que aparecem como estruturas filamentosas na superficie das hemácias dos 3.5.6. Eperythrozoon spp. Os micoplasmas Eperythrozoon são semelhantes aos micoplasmas do gênero Haemobartonella, porém, além de ocorrerem na supeficie das hemácias, são também observados entre as no fundo da lâmina. As infecções por Eperythrozoon ocorrem em ovinos, bovinos e lhamas, causando anemia significativa nos suínos e cordeiros. 3.6. ALTERAÇOES NA DISPOSIÇÃO DAS HEMÁCIAS NA 3.6.1. Rouleaux A formação em rouleaux é a associação espontânea das hemácias em fileiras, com aparência semelhante à de uma pilha de moedas derrubada. A formação em rouleaux é um achado normal no exame de sangue dos equinos. Em cães e gatos saudáveis a formação em rouleaux pode ocorrer de forma leve a moderada, respectivamente. Um aumento marcante da quantidade de rouleaux nestas duas espécies é observado nas inflamações e neoplasias, já que está correlacionado com aumento das concentrações plasmáticas de fibrinogênio e globulinas. aumento da formação de rouleaux pode também ser sugestivo de gamopatia, já que frequentemente ocorre em animais com mieloma múltiplo. Figura 26. Rouleaux em sangue de gato, leucemia 3.6.2. Aglutinação A aglutinação dos eritrócitos resulta da formação de aglomerados irregulares de hemácias per pontes de anticorpos. A aglutinação é altamente sugestiva de anemia hemolitica mediada, porém a ausência de aglutinação não descarta a anemia hemolitica imuno-mediada 28</p><p>Hematologia dos Animais PAES, R.A. A aglutinação precisa ser diferenciada da formação em rouleaux. A formação em rouleaux desaparece após a mistura do sangue com solução salina (1:1), ao passo que a aglutinação permanece. A aglutinação interfere na contagem eletrônica das quando um grupo de é contado como "uma grande resultando em erro na contagem de hemácias e no VCM. 29</p><p>Hematologia dos Animais PAES P.R.O.: PAES LEME, F.O.: R.A. 4- RETICULÓCITOS E FERRO 4.1. AVALIAÇÃO DOS RETICULÓCITOS Este exame normalmente não faz parte do hemograma, sendo solicitado quando há interesse em uma maior precisão no acompanhamento da resposta medular do paciente. Os reticulócitos são células anucleadas e não que corados com corante supra-vital formam uma rede devido a presença de RNA e organelas (ribossomos, mitocôndrias) no citoplasma. Como visto anteriormente, existem diferenças entre as espécies na liberação de reticulócitos. Os equinos e ruminantes, quando saudáveis, não liberam reticulócitos na circulação sanguínea. Já os e gatos liberam preferencialmente eritrócitos maduros, embora haja liberação concomitante de reticulócitos que amadurecem em 24 a 48 horas na circulação e no baço. Os gatos possuem dois tipos de reticulócitos, os tipos agregado e pontilhado. reticulócito agregado é semelhante ao observado nas demais espécies, com aglomerados reticulares no citoplasma. No tipo pontilhado, dois a seis pequenos grânulos estão distribuídos na célula. Quando corados por Romanowsky, apenas os reticulócitos agregados aparecem como células policromatofilicas. Nos gatos, o grau de policromasia, portanto, está correlacionado apenas com a concentração do tipo agregado. Os reticulócitos agregados amadurecem a forma reticular em 12 ao passo que os reticulócitos pontilhados levam outros 10 a 12 dias para amadurecer a eritrócito. Devido ao curto tempo de maturação, os reticulócitos agregados são preferencialmente utilizados para avaliar a atividade medular. 4.1.1. Porcentagem de reticulócitos (contagem de reticulócitos) A porcentagem de reticulócitos é a porcentagem das células da amostra de sangue que são Por exemplo, se há 10 reticulócitos a cada 100 células a porcentagem de reticulócitos é de 4.1.2. Porcentagem corrigida de reticulócitos Equação: Porcentagem corrigida de reticulócitos (%) - reticulócitos (%) VG do paciente (%) VG médio da espécie (%)* 45% e 37% (gatos) >1% para e >0,4% para gatos indicam resposta medular à anemia. uso da porcentagem corrigida não está consolidada nas outras espécies. 30</p><p>Hematologia dos Animais PAES LEME, F.O.: R.A. 4.1.3. Concentração de reticulócitos (contagem absoluta de A concentração de no sangue é expressa pelo número de reticulócitos por Equação: Concentração de (uL) = porcentagem de reticulócitos (convertida à forma decimal) concentração de hemácias grau estimado de regeneração medular em pode ser descrito pela concentração de reticulócitos desta forma: 1. <60.000 /uL 2. Leve= 150.000/uL 3. Moderado= 300.000/uL 4. Marcante= >500.000/uL o grau estimado de regeneração medular em gatos pode ser descrito pela concentração de reticulócitos agregados desta forma: Nenhum= <15.000 2. Leve= 50.000/uL 3. Moderado= 100.000/uL 4. Marcante= grau estimado de regeneração medular em gatos pode ser descrito pela concentração de reticulócitos pontilhados desta forma: 1. Nenhum= <200.000 2. Leve= 500.000/uL 3. Moderado= 1.000.000/uL 4. Marcante= 4.1.4. de produção de reticulócitos Este é usado em humanos. Em animais ainda não há estudos Para aplicá-lo é necessário saber o tempo de maturação médio dos reticulócitos no sangue, que em cada espécie conforme o VG do individuo, já que durante a aceleração da eritropoiese há uma liberação dos reticulócitos pouco amadurecidos na medula óssea. Em humanos ele varia desta forma: VG=45%, tempo de maturação dos reticulócitos no sangue=1,0 dia; VG=35%, tempo de maturação dos reticulócitos no sangue=1,5 tempo de maturação dos reticulócitos no sangue=2,0 dias; VG=15%, tempo de maturação dos reticulócitos=2,5 Em foi descrito um tempo de maturação dos reticulócitos de 31 horas para animais saudáveis. Em animais anêmicos provavelmente é maior. Em gatos saudáveis os valores descritos são de 12 horas para reticulócitos agregados e 72 horas para pontilhados. Equação: Indice de produção de reticulócitos porcentagem corrigida de reticulócitos / tempo de maturação médio dos reticulócitos no sangue 31</p><p>Hematologia dos Animais PAES LEME, F.O.: R.A. Segundo Brockus & (2003), o indice de produção de reticulócitos é igual ao aumento na produção de eritrócitos (por exemplo, um índice de produção de reticulócitos de significa que a medula está produzindo 3,0 vezes a produção normal). Um indice de produção de reticulócitos superior a 2,0 significa resposta regenerativa. 4.1.5. Valores de referência para a avaliação de reticulócitos em e gatos. Tabela 3. Valores de referência para avaliação dos de e Valores de referência Teste Unidade Gatos Porcentagem de reticulócitos (agregados) % 0,0-1,0 Porcentagem de reticulócitos (pontilhados) % 0,0-10,0 Porcentagem corrigida de reticulócitos (agregados) % Porcentagem corrigida de reticulócitos (pontilhados) % Concentração de reticulócitos (agregados) 0-80 0-40 Concentração de reticulócitos (pontilhados) 50-300 4.1.6. Interpretação dos testes de avaliação de reticulócitos : a) o aumento na concentração de reticulócitos indica uma medula óssea responsiva (anemia e que a causa da anemia é extra-medular (hemorragia ou b) A reticulocitose é mais intensa na anemia hemolitica do que na anemia por hemorragia externa. Isto ocorre devido ao ferro dos eritrócitos destruídos se tornar mais rapidamente do que o ferro armazenado como hemossiderina. c) A reticulocitose não se torna claramente evidente até 48-72 horas após o início da anemia. Com uma medula normalmente responsiva, a reticulocitose máxima ocorre em sete dias. A reticulocitose, entretanto, pode atrasar em várias doenças d) A resposta de reticulócitos dos é maior do que a dos gatos. e) Os ruminantes desenvolvem uma reticulocitose significativa apenas quando o VG está muito f) A reticulocitose, à principio, não ocorre em equinos em qualquer tipo de g) Os lactantes têm alta concentração de h) A anemia sem resposta de reticulócitos sugere medula óssea não responsiva (anemia arregenerativa). Isto, entretanto, também pode ocorrer devido ao tempo insuficiente para a ocorrência da 4.2. AVALIAÇÃO DO FERRO CORPORAL Para a avaliação das reservas de ferro podem ser realizados os seguintes exames laboratoriais: concentração sérica de ferro, capacidade total de ligação ao ferro concentração sérica de ferritina e avaliação do ferro estável em macrófagos da medula óssea. 32</p><p>Hematologia dos Animais PAES LEME, F.O.: Concentração sérica de ferro sérica de ferro representa a quantidade de ferro que está ligada à transferrina, em um soro não hemolisado praticamente todo ferro está ligado à esta quando a ferritina está em concentração sérica aumentada, pode resultar em falso de hiperferremia. hiperferremia verdadeira está associada ao excesso de ingestão de ferro (iatrogênico ou por na regulação da absorção intestinal), à liberação de ferro dos tecidos (ferro liberado da na doença hemolítica e ferro liberado da ferritina dos hepatócitos na doença e ao aumento de (iatrogênico ou endógeno). hipoferremia está associada à deficiência de ferro (aumento da perda ou diminuição da ao desvio do ferro para os locais de armazenamento (doenças agudas ou crônicas) e outros mecanismos, como desvio portossistêmico em a determinação da concentração sérica do ferro, a amostra de soro ao plasma) estável quando refrigerada ou congelada. Em temperatura ambiente pode ser apenas por algumas horas. principio do exame bioquimico é a liberação do transferrina, utilizando um ambiente ácido, e a posterior redução à pelo ácido reage com um corante e é avaliado fotometricamente. Capacidade total de ligação ao ferro capacidade total de ligação ao ferro é uma mensuração da capacidade máxima do plasma transportar Como a maior parte do ferro plasmático está na transferrina, a sérica do ferro é dependente e está correlacionada à concentração de transferrina do soro. Cada de transferrina pode conter dois ions mas em animais o Fe+++ ocupa apenas 1/3 dos sítios de ligação da transferrina. Para a determinação da capacidade total de ligação ao ferro, a amostra de soro ao plasma) é estável por dias em refrigeração e temperatura ambiente, e por meses quando congelada. humanos, a capacidade total de ligação ao ferro pode estar aumentada na deficiência de já que há um aumento na produção de transferrina para aumentar a capacidade de transporte do ferro disponível para as células. Ao contrário, quando há uma diminuição da produção ou perda aumentada de transferrina, há uma diminuição da capacidade total de ao ferro. A diminuição da produção de transferrina ocorre na doença inflamatória (a transferrina é uma proteína de fase aguda negativa) e na insuficiência hepática (a transferrina B-globulina produzida nos hepatócitos). A diminuição da concentração de transferrina ocorre por perda aumentada nas lesões glomerulares graves. Avaliação do ferro estável em da medula No exame microscópico de amostras citológicas e histológicas da medula a é observada nos macrófagos como um pigmento granular ou globular amarelo a marrom. o exame pode ser realizado em animais com suspeita de deficiência de ferro, o processo é subjetivo e requer conhecimento de quanto de hemossiderina é esperado 33</p><p>Hematologia dos Animais PAES LEME, F.O.: R.A. em um animal saudável. É recomendável a utilização de um corante específico para o ferro, como o Azul da Prússia. Este exame não pode ser realizado em gatos, pois nesta espécie não há ferro estável na medula 4.2.4. Concentração sérica de ferritina Este é um exame pouco realizado na Medicina por se tratar de um ensaio imunológico A hiperferritinemia ocorre no aumento da quantidade de ferro do corpo (iatrogênico ou por absorção excessiva), no aumento da produção de ferritina, que pode ocorrer na inflamação (a ferritina é uma de fase aguda positiva) e na neoplasia (devido a inflamação), na liberação de ferritina dos hepatócitos e na hemólise (aumento da reciclagem de ferro). A hipoferritinemia ocorre quando uma diminuição nas reservas de ferro. Em animais com deficiência de ferro e inflamação concomitante, entretanto, a concentração sérica de ferritina tende a estar normal, já que os processos são antagônicos. 4.2.5. Comparação dos resultados dos exames para avaliação do ferro. Tabela 4. Comparação dos resultados dos exames para avaliação do ferro. Adaptado de Stockham & Scott. (2002). Concentração Capacidade Avaliação do Concentração sérica de total de ligação ferro na sérica de ferro ao ferro medula óssea ferritina Deficiência de ferro N ou Inflamação 1 Ingestão excessiva de ferro 1 N ou Aumento de 1 ? ? 1 N ou 1 Animais jovens Insuficiência hepática ? Nefropatia com perda de proetinas ? ? ? 34</p><p>Hematologia dos Animais PAES F.O.: R.A. 5. ANEMIAS anemia é o estado patológico diagnosticado por meio da diminuição da concentração de e/ou de hemoglobina e/ou do volume globular (VG). Como as alterações destes três eritrocitários geralmente ocorrem proporcionalmente, VG é mais utilizado na veterinária para a classificação do paciente como anêmico, normocitêmico ou Ocasionalmente, a presença de células alteradas (volume eritrocitário concentração de hemoglobina anormais) pode determinar classificações discordantes por não uniformes destes parâmetros. Nestes casos, a anemia ou policitemia são anemia não é uma doença, mas um estado patológico no qual o principal comprometimento a capacidade reduzida de transporte de oxigênio dos para os tecidos. A anemia por perda de sangue, por aumento da destruição das hemácias e/ou por na produção de hemácias. Os sinais clínicos resultantes refletem a diminuição da de transporte do oxigênio, que incluem a diminuição da tolerância ao exercicio, depressão e respiração rápida (taquipnéia). No exame físico o principal achado é a de mucosa, principalmente gengival. conjuntival e devido à diluição do sangue capilares. Na anemia grave também pode ocorrer em função da viscosidade do sangue. Em determinados casos ainda podem estar presentes sinais clínicos não específicos, como perda de peso, anorexia, febre e linfadenopatia, e sinais associados à destruição aumentada de hemácias, que incluem esplenomegalia, e/ou As manifestações sistêmicas, circulatórias e hematológicas da anemia por perda de sangue com o grau e a duração do processo. A perda de sangue, principalmente quando pode levar a morte por choque Os achados clínicos do choque incluem pulso rápido e irregular, membranas mucosas pálidas e secas, pele e estremidades frias, depressão, fraqueza muscular e temperatura corporal sub- normal. Um animal saudável pode suportar 20% de redução do seu volume sanguíneo, os sinais de choque podem aparecer quando são retirados 30 a 40% do seu volume de sangue. Em quando a perda de sangue é aguda, o volume mínimo de sangue suportável para a sobrevivência é de 60% Os animais que têm anemia crônica, por perda de sangue ou por disfunção da medula exibem mecanismos compensatórios para diminuição da hipóxia, como da concentração do 2,3 difosfoglicerato (2,3 DPG), que diminui a afinidade da pelo oxigênio e, consequentemente, aumenta a entrega do oxigênio para os Na perda de sangue crônica os animais podem, desta forma, suportar um volume até menor antes que apareçam sinais clínicos volume de sangue dos animais pode ser estimado em mL/kg ou porcentagem do peso corporal. Os bezerros e as raças equinas "sanguíneas" possuem 88-110mL/kg ou 10-11% do corporal em sangue. Os 77-78mL/kg ou Bezerros e vacas lactantes, 66- ou gatos, vacas não lactantes, cavalos de raças ovinos e caprinos, ou e suínos adultos, 55mL/kg ou Nos neonatos de várias espécies, o solume sanguíneo é comparativamente maior em termos de peso corporal e diminui durante o seu 35</p><p>Hematologia dos Animais PAES PAES F.O.: R.A. Nos primeiros dias de vida também ocorrem mudanças na proporção entre a quantidade de hemácias e o volume plasmático. Nos e bezerros neonatos, o volume plasmático aumenta nas primeiras 12 a 24 horas. Esta expansão do plasma é atribuída ao efeito osmótico das proteínas ingeridas no colostro, que determina o desvio do líquido intracelular (células dos tecidos) para líquido extracelular (interstício e plasma), resultando em diminuição da concentração das hemácias por hemodiluição. Posteriormente, ocorrem diminuições desproporcionais do plasma e devido à rápida destruição das hemácias fetais. A "anemia" do neonato portanto, uma manifestação transitória de ajuste fisiológico, devendo- se ter cuidados na interpretação do eritrograma nesta fase. No estabelecimento de valores de referência para cães da raça Beagle, do nascimento aos dois meses de idade, pesquisadores relataram VG médio de 46% nos primeiros três dias de vida, VG 28% na segunda, quarta e sexta semanas e VG 31% na oitava semana de vida. VG médio de adultos (45%) é, portanto, próximo ao do mas bastante superior ao das semanas seguintes dos dois primeiros meses de vida. Em pesquisa semelhante, realizada com gatos, VG médio variou de 45% nas primeiras seis horas de vida a 42% nas primeiras 24 36% na primeira semana, 31% nas segunda e terceira semanas, 30% na quarta semana, passando a aumentar nas semanas seguintes: 35% nas sexta e oitava semanas e 39% aos três meses de idade. Neste mesmo trabalho o VG médio dos gatos adultos foi de 40% 5.1. CLASSIFICAÇÃO DAS ANEMIAS As anemias são classificadas em três diferentes sistemas, cada um com vantagens e limitações nas situações clínicas e que, portanto, devem ser analisados em conjunto. primeiro sistema classifica a anemia conforme a resposta da medula ao problema. Neste caso a anemia é classificada como regenerativa ou como arregenerativa. segundo sistema classifica de acordo com a classificação morfológica das células (anemia normocítica normocrômica, anemia macrocítica etc). o terceiro sistema classifica em função da fisiopatologia (anemia por perda de sangue aguda, anemia hemolítica intravascular, etc). 5.1.1. CLASSIFICAÇÃO DA ANEMIA EM FUNÇÃO DA RESPONSIVIDADE DA MEDULA ÓSSEA. Este sistema é baseado principalmente na presença ou ausência de reticulocitose no sangue. A anemia, neste sistema, é classificada como regenerativa (ou responsiva) quando está ocorrendo reticulocitose, e como arregenerativa (ou não responsiva) quando não há reticulocitose. A reticulocitose é determinada, de forma direta, pelo aumento da concentração de reticulócitos, e de forma indireta, pela policromasia. Para a classificação, exames sequenciais do sangue e/ou exame da medula óssea podem auxiliar, ou mesmo ser necessários, como no caso dos equinos. A habilidade para a ocorrência de reticulocitose varia nas diferentes espécies. Na maioria delas a reticulocitose é observada 3 a 4 dias após da estimulação da medula óssea pela eritropoietina com pique de produção ocorrendo entre 7 e 10 dias após o inicio do Os cães possuem a melhor resposta medular, com concentração de reticulócitos seis a oito vezes maior que normal durante a anemia grave. Gatos possuem uma habilidade moderada, com aumento ao redor de três a cinco vezes. Os ruminantes possuem uma 36</p><p>Hematologia Animais PAES F.O.: R.A. habilidade menor e a reticulocitose normalmente é acompanhada de pontilhado basofilico. Como os equinos raramente liberam reticulócitos na circulação sanguínea, exame de reticulócitos não é realizado nesta espécie. Além dos exames de reticulócitos (concentração, porcentagem corrigida e intensidade da policromasia), outros achados podem dar suporte ao estado de anemia regenerativa, como indices macrocíticos (VCM) e/ou hipocrômicos (CHCM e HCM). RDW elevado, anisocitose, corpúsculos de Howell-Jolly, codocitose, metarrubricitose e pontilhado porém estes também podem ocorrer em anemias arregenerativas. Apesar dos apresentarem a maior capacidade de reticulocitose, aumento do VCM não é proporcional porque os reticulócitos liberados, diferentemente do liberado pelas demais espécies, é apenas ligeiramente maior que as hemácias maduras. Em exames sequenciados, um aumento progressivo do mesmo com ausência de reticulocitose, indica que a medula óssea está responsiva e a anemia é regenerativa. Isto ocorre em equinos e em outros animais com anemias leves ou que estão na fase de resolução de uma anemia grave. A anemia regenerativa, observada na resposta à perda de sangue e à indica que a medula óssea esta em fase de reposição das hemácias no sangue. A anemia arregenerativa (mão responsiva) é observada nas doenças que afetam direta ou indiretamente a produção de assim como também pode ser observada nos primeiros dias após início da hemolise ou perda de sangue, quando a anemia é classificada como arregenerativa porque a medula óssea ainda não teve tempo de produzir uma reticulocitose proporcional à diminuição da quantidade das hemácias. 5.1.2. CLASSIFICAÇÃO DA ANEMIA EM FUNÇÃO DA MORFOLOGIA DOS ERITRÓCITOS sistema de classificação morfológico da anemia é realizado com base nos índices (VCM, CHCM e HCM) e na avaliação microscópica do esfregaço sanguíneo. Baseado no volume corpuscular médio a anemia é classificada como normocítica dentro dos limites de referência para a sugere, na anemia, que a eritropoiese é efetiva), macrocítica (VCM acima dos limites de referência para a indica que eritróides imaturas estão presentes ou há defeito na maturação eritrocitária) ou (VCM abaixo dos limites de referência para a espécie: indica aumento da de mitoses na eritropoise). Baseado nos resultados da concentração de corpuscular média (CHCM) e hemoglobina corpuscular média (HCM), a anemia classificada como normocrômica (CHCM e HCM dentro dos limites de referência para a indica que a sintese de hemoglobina está completa, podendo ocorrer na eritropoiese efetiva) e hipocrômica (CHCM e HCM abaixo dos limites de referência para a espécie, que a sintese de hemoglobina está incompleta, que ocorre nas células e pode ocorrer nos distúrbios da eritropoiese). A hipercromia, conforme descrito não é fisiologicamente (VCM) e a normocromia (CHCM e HCM) podem ocorrer em animais presença de concentração aumentada de macrócitos, micrócitos e hipocromasia, além de elevado, é fundamental exame do esfregaço sanguíneo para confirmar os dados dos 37</p><p>Hematologia dos Animais PAES F.O.: R.A. índices eritrocitários. Por este motivo o exame do esfregaço é realizado com os demais dados do eritrograma já concluídos. 5.1.2.1. Anemia normocítica normocrômica VG, e/ou [Hb] VCM, CHCM e HCM normais. Esfregaço esperado: hemácias uniformemente Ocasionalmente com com anormalidades morfológicas. Ocorre na anemia arregenerativa e no início da anemia regenerativa. Em equinos, a anemia é normalmente normocitica normocrômica, exceto se a quantidade de macrócitos liberada for suficiente para resultar em anemia macrocítica normocrômica (os macrócitos ocorrem em função do menor número de divisões celulares na eritropoiese). 5.1.2.2. Anemia hipocrômica VG, e/ou VCM aumentado e CHCM e/ou HCM diminuídos. Esfregaço sanguíneo: são esperadas as ocorrências de policromasia (exceto em equinos), hipocromasia (principalmente em macrocitose e anisocitose. A hipocromasia pode não ser reconhecida devido à basofilia das células policromatofilicas e por-causa de uma biconcavidade insuficiente para criar a área de palidez central. 5.1.2.3. Anemia macrocitica normocrômica VG, e/ou [Hb] diminuido(s), VCM aumentado e CHCM e HCM São esperados os mesmos achados da anemia macrocítica hipocrômica. Pode ocorrer na anemia regenerativa dos equinos, mas neste caso não há policromasia. Pode ocorrer em deficiências de ácido fólico e vitamina B12 que resultam em retardo na maturação nuclear e consequente formação de macrócitos (alteração rara na medicina veterinária). Em saudáveis da raça Poodle, que podem possuir um VCM anormalmente elevados para a espécie, a anemia arregenerativa pode ser macrocítica Ocorre ainda em função da diminuição de mitoses na eritropoise de gatos e nas eritroleucemias (raras) de qualquer espécie. 5.1.2.4. Anemia microcítica hipocrômica VG, e/ou [Hb] VCM e CHCM e/ou HCM diminuídos. Esfregaço são esperadas as ocorrências de microcitose, leptocitose, codocitose, hipocromasia e anisocitose. Podem ainda ser observados ovalócitos, queratócitos e esquistócitos. A policromasia pode estar presente, porém aquém do esperado para a gravidade da anemia. A anemia hipocrômica ocorre por deficiência de ferro e deficiência de vitamina e mais raramente na insuficiência hepática. 38</p><p>Hematologia dos Animais PAES LEME, R.A. 5.1.2.5. Anemia microcítica normocrômica VG, e/ou [Hb] VCM diminuído, CHCM normal e HCM normal (em alguns casos, HCM diminuído). Esfregaço varia de semelhante ao observado na anemia microcítica ao observado na anemia normocítica A anemia microcítica normocrômica ocorre no início da deficiência de ferro ou quando esta deficiência é leve, na insuficiência por doença hepática ou desvio caso a causa da microcitose é desconhecida, porém especula-se que ocorre um defeito transporte do ferro até as células precursoras Nestes casos o CHCM normal gode estar acompanhado de HCM diminuido. A anemia microcítica normocrômica também pode ocorrer nas anemias arregenerativas de de raças de origem asiáticas, e na diseritropoiese do Springer Spaniel Inglês. 5.1.3. CLASSIFICAÇÃO DA ANEMIA EM FUNÇÃO DA FISIOPATOLOGIA Em função da fisiopatologia, as anemias são classificadas como: A.) Anemias por perda de sangue (1) Anemias por perda de sangue aguda: as hemácias são perdidas interna ou externamente, em poucos minutos ou horas. Nas anemias por perda de sangue externa as hemácias são perdidas para meio externo (para fora do corpo ou para as cavidades dos tratos urinário ou gastrointestinal). Nas anemias por perda de sangue interna ocorre movimento das hemácias do espaço intravascular para o extravascular (tipicamente para as cavidades peritoneal e pleural) (2) Anemias por perda de sangue crônica: as hemácias são perdidas em pequenas quantidades, mas continuamente. B.) Anemias hemolíticas (1) extravascular: as hemácias sofrem lise fora dos vasos sanguíneos (nos macrofagos) (2) intravascular: as hemácias sofrem lise no interior dos vasos sanguíneos C.) Anemias por diminuição na produção de hemácias. (1) Doenças inflamatórias (2) Doença renal (3) Aplasia ou hipoplasia medular (4) Hipoplasia ou eritropoiese não efetiva 39</p><p>Hematologia dos Animais PAES F.O.: CARNEIRO, R.A. A seguinte chave pode ser utilizada para a classificação da anemia. Adaptado de Stockham & Scott (2002): VG, (Hb) e/ou (hemácias)? sim Reticulocitose e/ou aumento da policromasia? sim não anemia regenerativa anemia arregenerativa (perda de sangue, (perda de sangue ou hemólise ou recente (3-4 dias), eritropoiese neoplasia (rara)) reduzida ou defeituosa) 5.1.3.1. ANEMIAS POR PERDA DE SANGUE As anemias por perda de sangue ocorrem por: A.) Hemorragia devido às lesões dos vasos sanguíneos (trauma, neoplasia ou outros) ou aos distúrbios (distúrbios da coagulação ou trombocitopenia). B.) Parasitismo por nematódeos haemoncose e ostertagiose (ruminantes), coccidiose, carrapatos, pulgas e piolhos (cães, gatos e bezerros). C.) Remoção de sangue para transfusão sanguínea Baseados na duração, as anemias por perda de sangue podem ser classificadas como anemias por perda de sangue aguda e anemias por perda de sangue crônica. 5.1.3.1.1. Anemia por perda de sangue aguda Na forma aguda sangue é perdido dos vasos sanguíneos em alguns minutos a poucas horas. As coletadas poucas horas após a perda de sangue podem manter os parâmetros eritrocitários (VG, concentrações de hemácias e de hemoglobina) dentro dos limites de referência, ou seja, não caracterizando anemia. Isto ocorre mesmo com o início do movimento do líquido extravascular para o meio intravascular. Contudo, a continuidade desta movimentação leva à expansão do plasma e, consequentemente, à diminuição da concentração de hemácias por hemodiluição. Desta forma, uma hora após a perda de sangue têm-se a diminuição da concentração de proteínas plasmáticas e, após quatro horas, também é observada a diminuição da concentração de que se tornam marcantes em I a 2 dias. Apesar da liberação de reticulócitos pela medula óssea já ocorrer após 6 horas da perda de sangue, o aumento da concentração de reticulócitos no sangue só é evidente nos exames laboratoriais de rotina após 3 dias. Nos primeiros 3 a 4 dias, portanto, a anemia é classificada como normocítica normocrômica, o que pode levar a interpretação errônea de anemia por distúrbio na eritropoiese (arregenerativa). Nos dias subsequentes, a resposta medular produz 40</p><p>Hematologia dos Animais PAES, P.R.O.; PAES LEME, R.A. as alterações da espécie, que como visto anteriormente, pode variar de reticulocitose intensa a pequenas variações A concentração de proteínas plasmáticas começa a aumentar em 2 a 3 dias e, normalmente, em 5 a 7 dias a concentração de proteínas plasmáticas está restabelecida aos valores Este prazo é bem inferior ao do restabelecimento da concentração normal de hemácias (em muitos casos ao redor de 50 dias). Nos casos de hemotorax ou hemoperitôneo, entretanto, a restauração da normocitemia pode se mais acelerada, em função da reabsorção de aproximadamente 65% das hemácias em dois dias e de aproximadamente 80% em uma a duas semanas. 5.1.3.1.2. Anemia por perda de sangue crônica Nesta forma uma pequena quantidade de sangue é perdida do corpo continuamente por semanas a meses. A anemia ocorre por uma combinação de fatores, com destaque ao desenvolvimento da deficiência de ferro. Fisiologicamente, 1,0 mg de ferro é diariamente absorvido e excretado. Como 1,0 mL de sangue contém aproximadamente 0,5 mg de ferro, uma perda pequena e continuada de sangue pode resultar em desequilíbrio do ferro corporal. As causas da perda de sangue crônica incluem perdas para o meio externo, parasitos sugadores de sangue, úlceras, neoplasias, doenças inflamatórias do trato gastrointestinal e, mais raramente, por trombocitopenia ou distúrbio congênito. Em local principal de perda sanguínea crônica é o trato gastrointestinal. Diferentemente dos animais adultos, onde a perda de sangue crônica é quase sempre a causadora da deficiência de ferro, nos animais neonatos a deficiência é resultante principalmente da ingestão inadequada do mineral, já que o leite contém ferro insuficiente para acompanhar a taxa de crescimento dos filhotes. Nos neonatos, a anemia é particularmente grave em filhotes que não têm acesso ao solo rico em ferro, mas também ocorrem em filhotes de gatos, equinos e bovinos. Os achados de esfregaço sanguíneo da anemia por deficiência de ferro estão descritos em microcitica hipocrômica" e "anemia Outros achados laboratoriais em pacientes com deficiência de ferro, incluem a baixa concentração de ferro e de hemossiderina na medula óssea. Para se investigar a origem da perda de sangue pode-se ainda lançar mão da pesquisa de sangue oculto nas fezes. 5.1.3.2. ANEMIAS HEMOLÍTICAS é a necrose das hemácias que ocorre no fim da vida destas células. Quando a taxa de hemólise in vivo tem-se um estado patológico. Desta forma, a hemólise pode ser definida como um aumento da taxa de destruição das hemácias que em uma diminuição da vida média destas células. As causas de hemólise intra e estão relacionadas na tabela 5. definição do local de destruição dos eritrócitos (intra ou extravascular) pode auxiliar no já que certas doenças tipicamente causam intravascular e outras causam hemólise extravascular. Deve-se tomar cuidado, entretanto, na interpretação dos pois além das muitas doenças causam hemólise intra e extravascular. 41</p><p>Hematologia dos Animais PAES F.O.: CARNEIRO, R.A. Tabela 5. Causas de destruição aumentada de hemácias. intravascular Hemolise extravascular Clostridium hemolyticum Anaplasma C. spp Parasitos de hemácias Eperythrosoon spp E coli Haemobartonella spp. Leptospira Theileria spp. Parasitos de hemácias Babesia spp. spp. Acetominofen Anemia hemolitica autoimune e gatos) Benzocaina Virus da anemia infecciosa Agentes quimicos e plantas Imuno-mediadas equina oxidantes Brassica spp. Deficiência de cobre e Virus da leucemia felina (FeLV) Cebola Lupus Hemagiossarcoma Fenazopiridina Neoplasia Vitamina K Penicilina Agentes quimicos e plantas não Cefalosporinas Parasitos de hemácias oxidantes Veneno de serpentes Sarcocystis spp Zinco congênitos dos Anemia hemolitica autoimune Estomatocitose hereditária (equinos ruminantes) Imuno-mediada Deficiência de piruvato quinase Transfusão Fragmentação Coagulação intravascular disseminada (CID) Deficiência de Dirofilarioses (ruminantes) Hipo-osmolalidade Fluidoterapia Hemangiossarcoma por Vasculite Hipostatemia Deficiência de de GSH (ovinos) Insuficiência (equinos) Deficiência de fostofrutoquinase (cães) OBS: muitas das condições listadas na tabela acima têm componentes de hemólise intravascular e extravascular, mas foram dispostos de acordo com o tipo predominante de hemólise. 5.1.3.2.1.Anemia hemolítica imunomediada A anemia hemolítica imunomediada (AHIM) ocorre quando o sistema imune do animal produz anticorpos que se ligam às levando-as à destruição. Este processo pode ser iniciado por defeito no sistema imunológico por eritropoiese defeituosa (2) ou por ação de antigenos de drogas, agentes infecciosos ou neoplasias (3). Na prática infelizmente, muitas vezes não são reconhecidos os fatores que iniciaram o processo. Os sinais clínicos da AHIM são compatíveis com a presença de hemólise intravascular, extravascular ou ambas. As imunoglobulinas envolvidas são ou A hemólise extravascular ocorre quando os eritrócitos marcados pela imunoglobulina são fagocitados pelos macrófagos. A hemólise intravascular ocorre por ação de imunoglobulina e do sistema complemento. 5.1.3.2.1.1. Anemia hemolitica auto-imune (AHAI) Segundo a literatura, a anemia auto-imune (AHAI) é a forma de doença hemolítica mais comum em dos E.U.A., sendo encontrada também em gatos, cavalos e ruminantes. Como a maior parte dos casos de AHAI recebe esta classificação por desconhecimento do 42</p><p>Hematologia dos Animais PAES, PAES LEME, F.O.: desencadeante da doença, alguns autores preferem utilizar o termo anemia (AHII). As raças caninas mais acometidas por AHAI (ou AHII) são Old English Sheepdog, Cocker Border Collie, Poodle, English Springer Spaniel e Setter Irlandês, geralmente em animais de meia idade (6 a 8 anos). Os achados clássicos da AHAI são anemia regenerativa (leve a grave), esferocitose (normalmente reconhecida apenas nas hemácias de testes de Coomb's positivo e leucograma inflamatório. Podem também ser observados aglutinação de trombocitopenia e A AHAI pode ser arregenerativa nos seguintes casos: se o processo tiver início a menos de dois ou três dias, se os anticorpos estiveram atacando os precursores (aplasia pura de eritrócitos) ou, ainda, se outra enfermidade estiver interferindo na eritropoise. Nos casos de as evidências etc) podem não ocorrer se a taxa de destruição de hemácias for discreta ou se o processo é recente. A esferocitose também pode não estar presente se a taxa de formação de esferócitos for menor que a taxa de remoção pelos macrófagos. Adicionalmente é possível o teste de Coomb's ser negativo se a densidade de imunoglobulinas for baixa e/ou ocorrer algum problema de técnica laboratorial (reagente, amostra, etc.). 5.1.3.2.1.2.Anemia hemolitica imumomediada por drogas As drogas induzem a anemia imunomediada por se ligarem como haptenos aos (anticorpos se ligam aos haptenos), por induzirem a formação de auto-anticorpos contra hemácias e por outros mecanismos. As principais drogas reconhecidamente indutoras de hemólise imunomediada são a penicilina em equinos, o propiltioracil em gatos e as em cães. 5.1.3.2.1.3. Anemia imunomediada induzida por infecção bacteriana ou viral principais microrganismos envolvidos na anemia imunomediada são Mycoplasma felis, Eperythrozoon spp., Anaplasma spp., Leptospira spp., da anemia infecciosa equina (AIE) e da leucemia felina à (FeLV). o mecanismo da hemólise babesiose é multifatorial e ainda não está totalmente esclarecido e, desta forma, será abordado adiante. Mycoplasma felis (Haemobartonella felis) causa a anemia infecciosa felina. Os organismos em patogenicidade, com parasitemia normalmente presente durante a subitamente (questão de horas) desaparecem do sangue Isto resulta em resultados negativos nos exames de esfregaço sanguíneo (falso negativo). Além disto, as microrganismos "caem" dos eritrócitos in-vitro, obrigando que o sangue utilizado para se confeccionar esfregaço sanguíneo seja A hemólise da micoplasmose felina considerada imunomediada porque os anticorpos se ligam às hemácias parasitadas devido aos dos parasitos e à exposição de da membrana celular alterada. A é principalmente extravascular. Os principais achados laboratoriais são Mycoplasma no esfregaço sanguíneo, anemia moderada a grave, hiperbilirrubinemia e bilirrubinúria a moderadas, autoaglutinação e PCR positivo para M. felis ou Haemobartonella spp. 43</p><p>Hematologia dos Animals PAES CARNEIRO, R.A. A micoplasmose canina (M.canis) ocorre em animais esplenectomizados ou imunologicamente comprometidos. No restante é semelhante micoplasmose felina, exceto pela possível presença de no esfregaço dos A anaplasmose é uma doença dos ruminantes, causada por três espécies: Anaplasma marginale, A.centrale e A patogênese da anemia é principalmente imunomediada, com ligações de anticorpos aos eritrócitos lesionados pela infecção e consequente hemólise extravascular. Os principais achados laboratoriais são: anemia moderada a grave, com reticulocitose, policromasia e pontilhado basofilico; hiperbilirrubinemia e bilirrubinuria leve a marcante e PCR positivo para Anaplasma spp. Na leptospirose causada pela Leptospira interrogans, sorovares pomona e os microrganismos não infectam as mas a infecção nos outros tecidos (renal, hepático) pode resultar em hemólise. Nas infecções pelas demais espécies de Leptospira, a hemólise é observada principalmente em bezerros, cordeiros e Alguns dos principais achados laboratoriais são: anemia moderada a grave, hemoglobinemia e hiperbilirrubinemia e bilirrubinuria; neutrofilia e PCR positivo para Leptospira spp. virus da anemia infecciosa equina (AIE) é um que se replica nas células do sistema fagocitário mononuclear (antigamente denominado sistema reticulo endotelial) dos equideos. Uma persistente replicação do virus da AIE nos macrófagos e a resposta do hospedeiro à infecção criam o estado patológico que causa a doença A doença clínica pode ocorrer em função de um estado agudo ou de uma doença debilitante crônica causada por episódios recorrentes. A patogênese da doença envolve, além da hemólise, a diminuição da eritropoiese. A hemólise ocorre pela formação de imuno-complexo ou complemento aderido aos que resultam na destruição pelos A diminuição na produção celular ocorre em função da ação do fator de necrose tumoral (TNF) e outras citocinas que inibem a Na AIE, a anemia pode ocorrer por hemólise intravascular aguda, mas são mais comuns as doenças extravasculares crônicas e normocítica normocrômica A maioria das anemias por FeLV ocorre por diminuição da produção de hemácias, mas, em são resultantes da que pode estar associado com um processo hemolitico imunomediado. 5.1.3.2.2. Anemia por lesões oxidativas. Nas anemias por lesões oxidativas há formação de corpúsculos de Heinz e/ou de excentrócitos. 5.1.3.2.2.1. Anemia por de Heinz Os corpúsculos de Heinz são focos de hemoglobina precipitada. A sua formação envolve a seguinte sequência de eventos: as hemácias são expostas a um oxidante que inibe as vias de manutenção da hemoglobina no estado A (HbFe+) é convertida à A sofre mudanças na sua formando hemicromos. Os hemicromos se agregam para formar os corpúsculos 44</p><p>Hematologia dos Animais PAES PAES R.A. de Heinz. Estes corpúsculos frequentemente estão associados à membrana eritrocitária através ligações substâncias causam corpúsculos de Heinz. Em destacam-se: acetominofen, água oxigenada, cebola, vitamina K1, vitamina K3, naftaleno possivelmente, Em gatos: acetominofen, benzocaina, metionina, azul de metileno (usado antigamente antisépticos e cebola. A patogênese da formação de corpúsculos de Heinz inclui menor deformabilidade das hemacias, com consequente apreensão pelos macrófagos esplênicos; intravascular em função de lesões da membrana eritrocitária e, por último, ligação de anticorpos aos antigenos da membrana eritrocitária, com consequente remoção por macrófagos e Os principais achados laboratoriais incluem anemia leve a grave, policromasia e reticulocitose, corpúsculos de Heinz no sangue periférico (o corante novo azul de metileno pode auxiliar na excentrócitos, hiperbilirrubinemia e bilirrubinemia, hemoglobinemia e em casos agudos graves e A metemoglobinemia resulta em sangue No sangue periférico de gatos saudáveis é comum a presença de pequena quantidade de de Heinz. 5.1.3.2.2.2. Anemia por excentrócitos mesmo agente oxidante pode resultar em corpúsculos de Heinz em um animal e em excentrócitos em outro. 5.1.3.2.3. Anemias hemolíticas com outras patogêneses Nesta divisão estão incluídas as anemias causadas por protozoários, heparina, ingestão de e peçonhas. 5.1.3.2.3.1. Anemia hemolitica da infecção por protozoários Na infecção causada pelo protozoário do gênero Babesia, a patogênese não está totalmente compreendida, mas envolvem proteases produzidas pelo parasita reação imune contra as células parasitadas e lesões oxidativas dos eritrócitos. Na forma crônica da doença são observados poucos ou raros organismos no sangue, linfocitose leve (devido ao estímulo antigênico crônico) e soropositividade para Babesia spp. Nas formas aguda e sub-aguda são observados muitos piroplasmas no sangue, anemia moderada a grave, reticulocitose, policromasia, macrocitose, hiperbilirrubinemia, bilirrubinuria e, possivelmente, Na babesiose canina a trombocitopenia é tão frequente quanto à anemia. Outros protozoários causadores de anemia hemolitica são o Cytauxzoon felis, Theileria spp. e Trypanosoma spp. 45</p><p>Hematologia dos Animais Domésticos. PAES, P.R.O.; PAES CARNEIRO, R.A. 5.1.3.2.3.2. induzida por heparina Em equinos, a terapia com anticoagulante heparina pode causar aglutinação dos eritrócitos, anemia leve a moderada e aumento na excreção biliar de bilirrubina. Em estudo experimental, o hematócrito diminuiu de aproximadamente 30% para 20% após oito horas de tratamento com heparina, retornando aos valores controle após 4 ou 5 dias. 5.1.3.2.3.3. hipoosmolar A rápida infusão intravenosa de fluido hipotônico ou a ingestão de grandes quantidades de água, como a que ocorre em alguns bezerros, podem causar uma rápida hemólise intravascular induzida pelo movimento da água para o interior das hemácias. 5.1.3.2.3.4. induzida por peçonha veneno de alguns animais (serpentes, aranhas, insetos) causa hemólise. Os mecanismos incluem ativação do complemento e ação direta de hemolisinas. 5.1.3.3. ANEMIA POR DIMINUIÇÃO NA PRODUÇÃO DE HEMÁCIAS A principal razão para a anemia arregenerativa persistente é a diminuição na produção de embora também possa ocorrer por uma produção defeituosa das células. Como a vida média das hemácias dos animais domésticos varia entre 2 e 5 meses, se a anemia for causada exclusivamente por diminuição da produção de hemácias, são necessárias varias semanas para o desenvolvimento da anemia. Por exemplo, considerando-se que a vida média das hemácias dos é de 100 dias, seriam necessários aproximadamente 25 dias para o hematócrito diminuir de 40 para e 50 dias para uma diminuição de 40 para Nos gatos o processo é mais rápido (vida média das hemácias é de 70 dias) e nos grandes animais, o contrário (vida média ao redor de 150 dias). Como a maioria das doenças que comprometem a eritropoiese não cessa completamente a produção das hemácias, poderia se esperar um período ainda maior para o desenvolvimento da anemia. Muitas doenças que causam redução da eritropoiese, entretanto, também causam diminuição no tempo de vida das hemácias e, com isso, determinam o aparecimento da anemia antes do período esperado para a desenvolvida exclusivamente por diminuição da produção. A maioria dos animais com anemia arregenerativa, portanto, podem ficar neste estado por várias semanas até que apareçam os primeiros sinais clínicos da anemia. Quando a anemia arregenerativa é finalmente detectada, a maioria dos eritrócitos circulantes não foi produzida durante a doença. Desta forma, as características morfológicas das hemácias circulantes podem auxiliar na elucidação da causa da anemia arregenerativa. A anemia arregenerativa pode ocorrer por doença inflamatória (infecciosa ou não infecciosa), doença renal crônica, doença causadora de hipoplasia/aplasia de medula e doença causadora de distúrbio na eritropoiese. 46</p><p>Hematologia dos Animais P.R.O.: PAES F.O.: R.A. 5.1.3.3.1. Doença inflamatória A anemia causada por inflamação é chamada anemia da doença inflamatória, anemia da doença crônica, ou ainda, anemia da inflamação. É a anemia arregenerativa mais comum dos animais domésticos e tem gravidade variando de leve a moderada. Tipicamente, a anemia da doença inflamatória é normocítica Em casos é microcítica Após o seu reconhecimento, a anemia da doença inflamatória tem pouco significado que os esforços devem ser direcionados para a resolução da doença primária e não para a anemia, que é uma anormalidade secundária. Qualquer doença crônica com componente inflamatório pode desencadear a anemia. Destacam-se as infecções crônicas (bactérias, rickettsias, fungos, e protozoários) e distúrbios não infecciosos (imune, tóxico ou A patogenia da anemia envolve ao menos quatro componentes: 1) baixa resposta renal e na sintese de eritropoietina (EPO), devido à ação da TNF e outras 2) baixa resposta das células precursoras e progenitoras eritróides à EPO, devido a ação da IL-1, interferon e TNF: 3) alterações na ferritina e transferrina que determinam um aumento da reserva de ferro e diminuição da disponibilidade do mesmo, causado por citocinas (IL-1, interferon, TNF e outras); 4) diminuição da sobrevida das hemácias por lesões oxidativas e subsequentes ligação de anticorpos e destruição celular, mediadas provavelmente pelas concentrações aumentadas de IL-1. Os achados da anemia da doença inflamatória que, quando presentes, auxiliam na conclusão que a anemia é deste tipo, são: 1) anemia normocítica normocrômica leve a moderada com pouca ou nenhuma poiquilocitose; 2) leucograma inflamatório (neutrofilia, monocitose); 3) hiperproteinemia por elevação das gama-globulinas ou outras proteínas inflamatórias; 4) medula óssea com células normais, hiperplasia granulocítica e, principalmente, quantidade abundante de hemossiderina (exceto em felinos); 5) hipoferremia. 5.1.3.3.2. Anemia da doença renal crônica A maioria dos pacientes com doença renal crônica são portadores de anemia dsicreta a moderada, normocítica A patogenia da anemia inclui diminuição da produção de EPO pelos rins, diminuição do tempo de vida médio das hemácias (ainda não totalmente decréscimo na resposta medular à EPO, e outros fatores, como hemorragia por lesão vascular pela uremia e estado nutricional ruim. 5.1.3.3.3. Anemia por hipoplasia ou aplasia da medula óssea (linhagens múltiplas) As lesões que causam aplasia/hipoplasia medular podem ocorrer em um ou mais dos seguintes componentes da medula óssea: vasos sanguíneos e/ou sinusóides, células reticulares, estroma medular (fibrócitos, adipócitos) e células-tronco hematopoéticas. As lesões podem ser reversíveis ou irreversíveis. As doenças são: 1) mielites resultantes de septicemias bacterianas, micoses disseminadas (exchistoplasmose), infecções virais (ex:AIE) ou infecções por protozoários 2) intoxicações como por quimioterápicos, estrógeno e fenilbutazona; 3) por radiação (raio-x e outros); 4) ocupação da medula óssea por outras células ou 47</p><p>Hematologia dos Animais P.R.O.: PAES LEME. F.O.: R.A. tecidos, como nas neoplasias (mieloproliferativas, linfoproliferativas e mastocitomas, carcinomas e sarcomas com na medula óssea), mielofibrose (proliferação de tecido fibroso após inflamação e/ou necrose) e osteoporose (proliferação no espaço medular). 5.1.3.3.4. Anemia por distúrbio medular da eritropoiese (específico) São as anemias causadas por FeLV. deficiência de nutrientes, aplasia pura das células doenças (hipotireodismo e hipoadrenocorticismo) e doença hepática. 5.1.3.3.4.1. Aplasia pura de células termo "aplasia pura de células é utilizado na doença que causa anemia arregenerativa por hipoplasia ou aplasia sem distúrbio nas outras linhagens celulares produzidas na medula. Esta doença está descrita em humanos, cães e gatos. Em humanos, a aplasia pura das células é causada por virus, que promove a destruição das células progenitoras/precursoras eritróides por anticorpos e/ou T. Em constatou-se a presença de substâncias (provavelmente anticorpos) que inibiram a eritropoiese in A doença, responsiva às dosagens imunossupressoras de causa anemia normocrômica, as vezes com e medula óssea com hipoplasia ou ausência de células mas com as outras linhagens preservadas. 5.1.3.3.4.2. Hipoplasia induzida por FeLV o virus da FeLV ataca seletivamente as células causando hipoplasia ou transformando as células em uma linhagem de células neoplasicas. Os achados laboratoriais incluem anemia leve a grave, arregenerativa, normocítica normocrômica ou macrocítica normocrômica, com ou sem rubricitose inapropriada. 5.1.3.3.4.3. Hipoplasia eritróide por deficiência de folato e vitamina B12 5.1.3.3.4.4. Hipoplasia eritróide no hipotireodismo Ocorre principalmente em causando uma anemia normocítica normocrômica leve. A patogenia envolve a diminuição dos hormônios T3 e T4 que resultam em diminuições no metabolismo e, consequentemente, na necessidade de pelos tecidos. A diminuição da necessidade pelo leva a uma diminuição na produção de EPO e, portanto, na eritropoiese. 5.1.3.3.4.5. Hipoplasia eritróide no hipoadrenocorticismo Assim como o hipotireodismo, o hipoadrenocorticismo ocorre principalmente em causando uma anemia normocitica normocrômica leve. Acredita-se que a anemia ocorra em função da carência de glicocorticóides para a sintese de eritrócitos, pois foi comprovado in vitro que os estimulam a eritropoiese. 5.1.3.3.4.6. Hipoplasia eritróide na doença hepática Os animais com doença hepática crônica ou com desvios porto-sistêmicos frequentemente apresentam uma anemia leve à moderada. Tipicamente a anemia é normocítica 48</p><p>Hematologia Animais PAES, P.R.O.; PAES R.A. normocrômica, mas quando a doença causa insuficiência em ela pode se tornar microcítica A patogenia da anemia normocítica normocrômica é a da anemia da doença e da anemia microcítica envolve um transporte ineficiente do ferro. 49</p><p>Hematologia dos Animais PAES LEME, F.O.: R.A. 6. POLICITEMIAS termo policitemia é utilizado para o aumento da concentração de eritrócitos no sangue, evidenciado pelo aumento do VG e/ou das concentrações de hemácias e/ou hemoglobina. Na realidade este termo é inadequado, já que se refere ao aumento de todas as células do sangue, incluindo os leucócitos e as plaquetas poli (muitas) cit (células) emia (no sangue). termo mais adequado para designar aumenta da concentração de hemácias, porém pouco utilizado, é eritrocitose. Neste texto utilizaremos o termo mais comum, isto é, policitemia. A policitemia pode ser relativa ou absoluta. A policitemia relativa ocorre devido ao decréscimo do volume plasmático (causado por desidratação ou desvio para as cavidades corporais) ou à redistribuição das hemácias (causado pela contração esplênica). A policitemia absoluta, causada pelo aumento do eritron, é classificada como primária ou secundária. A policitemia absoluta primária tem origem (eritrocitose primária ou policitemia vera) e a policitemia absoluta secundária tem várias origens (doenças cardíaca e pulmonar, hipertireodismo, etc.). Os das raças Greyhound, Afghanhound e Whippet possuem um VG (51 a 59%) superior ao das outras raças (37 a 45%). o mesmo ocorre com cavalos Quarto-de-Milha e de outras 6.1. POLICITEMIA RELATIVA Os pacientes com policitemia relativa causada pela redução do volume plasmático, normalmente apresentam hiperproteinemia (aumento da concentração plasmática de proteínas, neste caso relativo) e evidências de desidratação. Alguns animais desidratados, entretanto, podem apresentar normoproteinemia ou mesmo hipoproteinemia, devido à diminuição da ingestão de ao decréscimo na produção de pelo ou por aumento das perdas de proteínas pelos tratos urinário e gastrointestinal. Os animais desidratados podem apresentar ainda hipernatremia (aumento da concentração plasmática de sódio) e hipercloremia. Outra causa de policitemia relativa causada pela redução do volume plasmático é choque endotóxico, que determina desvio da água do espaço intravascular para o extravascular. Neste caso as endotoxinas causam aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos à água por meio de lesões nas células endoteliais e, além da eritrocitose leve a moderada (VG aumentado, podem ser observados leucograma inflamatório e trombocitopenia. Na policitemia relativa causada por contração esplênica a eritrocitose não é devido ao aumento do eritron, mas ao aumento do número e da concentração de hemácias no sangue periférico, causado pela migração das células do sinusóides esplênicos para o sangue Este estado é chamado de eritrocitose fisiológica porque é resultante da resposta fisiológica normal à medo e exercícios físicos, que causam a liberação de adrenalina da medula adrenal. aumento do VG é pequeno, normalmente não superior à sendo mais comum em e equinos, devido à alta concentração de hemácias nos sinusóides esplênicos destas espécies as hemácias dos sinusóides esplênicos, com VG que varia entre 70 e misturam-se às hemácias do sangue com VG entre 40 e 50% Em gatos foi relatado aumento de 25% do VG após a injeção de adrenalina. A policitemia relativa causada por contração esplênica normalmente é acompanhada de leucocitose 50</p><p>Hematologia dos Animais PAES F.O.: R.A. fisiológica (neutrofilia e linfocitose) que, assim como a policitemia, é transitória, ou seja, aos valores basais após alguns minutos da retirada do estímulo. POLICITEMIA ABSOLUTA A policitemia absoluta pode ser primária ou secundária. Policitemia absoluta secundária policitemia absoluta secundária pode ser fisiologicamente apropriada (em resposta à e consequente aumento da EPO) ou inapropriada (em resposta ao aumento indevido produção de EPO). Na policitemia fisiologicamente apropriada a oxigenação inadequada tecidos leva ao aumento da produção de EPO, que por sua vez estimula a eritropoisese e a de hemácias e oxigênio aos A hipoxia ou hipoxemia (redução da é em animais com doenças cardíaca e/ou pulmonar crônica grave. Outras causas incluem os habitantes de grandes altitudes (ar obesidade grave, hemoglobinopatias descrito até momento em animais domésticos) e No hipertireoidismo um aumento do metabolismo e, consequentemente, da necessidade de oxigênio pelos Em um estudo foi observado que 45% de 131 gatos com hipertireodismo policitemia (VG entre 38 e 57%). policitemia fisiologicamente inapropriada ocorre quando a produção de EPO está na ausência de hipóxia tecidual. Esta produção pode ocorrer em pacientes com renal (normalmente por tumor ou cisto que induz à renal localizada) e raramente outras Policitemia absoluta primária absoluta primária ocorre independente da concentração de EPO, devido ao autônomo da eritropoiese pela medula Pode ser dividida em eritrocitose (neoplasia da linhagem que resulta no aumento do numero de eritrócitos no sangue) e policitemia vera (neoplasia das linhagens e A eritrocitose primária pode ocorrer nos estágios iniciais da policitemia Esta última pode ser confirmada no mielograma (exame da medula óssea) e EPO em animais policitêmicos Policitemia PO2 EPO Relativa Normal Normal primária Normal Normal ou diminuida secundária à Diminuida Aumentada inapropriada Normal Aumentada 51</p><p>Hematologia dos Animais P.R.O.: PAES LEME, CARNEIRO, R.A. AVALIAÇÃO DOS LEUCÓCITOS Os leucócitos (neutrófilos, eosinófilos, monócitos e linfócitos) são células de defesa do organismo, atuando nos processos inflamatórios e imunológicos. 1. LEUCOPOIESE Os leucócitos (células brancas) dos podem ser subdivididos em duas categorias. o primeiro grupo, chamado de granulócitos ou polimorfonucleares, é constituído pelos neutrófilos, eosinófilos e monocitos. Esta denominação se deve ao citoplasma repleto de grânulos eosinofilicos (eosinófilos), basofilicos (basófilos) ou neutros (neutrófilos) e ao núcleo segmentado quando as células estão maduras. No outro grupo, dos ou mononucleares, o citoplasma não contém grânulos e o núcleo não é segmentado. É constituído pelos. linfócitos e monócitos. Os conhecidos como "leucócitos dos tecidos", são considerados à parte, já que normalmente não são observados na forma madura na circulação periférica. b d Figura 1. segmentado, cosinófilo e basófilo (a): segmentado e monócito caprino (b): (c); e (d). Os leucócitos são produzidos principalmente na medula óssea, no processo denominado leucopoiese que, assim como a eritropoiese e a trombopoiese, é parte integrante da hematopoiese. Na leucopoiese estão envolvidos células progenitoras e precursoras e vários fatores reguladores e estimuladores. Após liberados para a circulação a maior parte dos leucócitos circula por algumas horas a poucos dias, quando migram para os tecidos. Os linfonodos, baço e timo também contem células precursoras de leucócitos, no caso, linfócitos B e T. Para tal, a célula-tronco da medula óssea origina os dois principais tipos celulares que povoam o tecido linfático. A célula que migra até o timo, sofre diferenciação e se dirige aos órgãos onde origina uma população de T. o outro tipo celular deixa a medula óssea, migra até a bolsa de Fabrício (nas aves), sofre diferenciação e se instala nos órgãos onde dá origem à população de B. o equivalente da bolsa nos mamiferos ainda não está definido, sendo provável que ele não exista e que essas células sejam diferenciadas na própria medula óssea. 52</p>