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ESTUDO DIRIGIDO – Patologia Especial dos Animais Domésticos AV.02
1. Em uma criação comercial de suínos, a veterinária é chamada para investigar o nascimento de vários leitões com
fenda palatina (palatosquise) e fenda labial (queilosquise). A investigação retrospectiva revela que as matrizes, no
terço inicial da gestação, tiveram acesso a uma área invadida por uma planta do gênero Crotalaria. Qual o alcaloide
presente em Crotalaria retusa (nome popular: guiso-de-cascavel) e seu mecanismo teratogênico capaz de causar
essas fissuras faciais?
A) Swainsonina; inibe a alfa-manosidase, prejudicando a síntese de glicoproteínas da membrana basal do palato
B) Monocrotalina; ação alquilante sobre o DNA das células da crista neural, alterando a fusão dos processos faciais
C) Nitrato; causa hipóxia tecidual que inviabiliza a fusão das proeminências maxilares
D) Gossipol; quelante de zinco, mineral essencial para a síntese de colágeno na linha de fusão
E) Tanino; precipita proteínas e impede a migração celular
2. Uma gata Persa, gestante de aproximadamente 25 dias, desenvolveu dermatofitose severa. O tutor, por conta
própria, administrou griseofulvina via oral durante 10 dias. A ninhada nasceu com múltiplos filhotes apresentando
fenda palatina, e alguns com microftalmia e anencefalia. Considerando a embriologia do palato, em que momento
da gestação felina e por qual mecanismo a griseofulvina exerceu seu efeito teratogênico?
A) Na 1ª semana, inibindo a implantação do blastocisto
B) Entre o 25º e o 35º dia, atuando como antimitótico e inibindo a proliferação mesenquimal das cristas palatinas,
impedindo sua elevação e fusão
C) No terço final (45-55 dias), causando necrose isquêmica das proeminências nasais
D) Após o nascimento, não há efeito teratogênico; a lesão é congênita por má-formação genética herdada da mãe
E) Em qualquer fase, pois se acumula no líquido amniótico e é corrosivo para o epitélio embrionário
3. A formação do esmalte dentário (amelogênese) é um processo altamente sensível a insultos sistêmicos.
Alterações na cor e na integridade da superfície dentária podem indicar eventos ocorridos durante a fase de
mineralização. Sobre as anomalias do esmalte, é CORRETO afirmar:
A) A hipoplasia do esmalte em cães jovens é frequentemente uma sequela patognomônica da infecção pelo vírus da
Parvovirose
B) A fluorose ocorre devido à ingestão excessiva de flúor durante a vida adulta, causando o desgaste acelerado do
esmalte já formado
C) Na fluorose crônica, os dentes apresentam-se opacos, com manchas que variam do amarelo ao marrom, devido
à oxidação do esmalte poroso
D) A hipoplasia do esmalte é caracterizada pelo aumento da espessura do dente, dificultando a oclusão
E) Odontoblastos são as células responsáveis pela secreção da matriz do esmalte e as principais afetadas na fluorose
4. Ovinos criados próximo à uma indústria de processamento de rocha fosfática começam a apresentar desgaste
irregular e excessivo dos dentes, com manchas escuras e áreas de erosão do esmalte. Em alguns animais mais velhos,
nota-se pigmentação marrom-escura generalizada nos dentes, que se tornam quebradiços. A água de bebida é
proveniente de poço artesiano raso na área de influência da indústria. Qual o agente tóxico e a lesão específica?
A) Chumbo; linhas de plumbismo no esmalte
B) Flúor em excesso; fluorose dentária
C) Arsênico; necrose do esmalte
D) Selênio; selenose com queda e deformação dentária
E) Manganês; deposição no esmalte
5. A periodontite é uma doença inflamatória crônica que envolve interações complexas entre o biofilme bacteriano
e a resposta imune do hospedeiro. Para o correto entendimento clínico, é fundamental diferenciar os fatores
etiológicos primários dos secundários e compreender o papel do sistema imune na destruição tecidual. Sobre essa
interação, assinale a alternativa CORRETA:
A) O fator etiológico primário da periodontite é o acúmulo de cálculo dentário (tártaro), sendo imprescindível sua
remoção cirúrgica para resolução completa da inflamação.
B) A destruição do ligamento periodontal e do osso alveolar ocorre principalmente pela ação de metaloproteinases
e citocinas pró-inflamatórias (IL-1, TNF-α) produzidas pelas células do próprio hospedeiro em resposta ao biofilme,
e não diretamente pelas bactérias.
C) A gengivite e a periodontite são sinônimos clínicos, diferenciando-se apenas pelo grau de hiperplasia gengival.
D) A placa bacteriana supragengival é a principal responsável pela destruição do osso alveolar, enquanto a placa
subgengival atua apenas na formação de cálculo.
E) A resposta imune inata (neutrófilos e macrófagos) é completamente protetora na periodontite, sem qualquer
participação na destruição tecidual.
6. A doença periodontal é a afecção mais prevalente da cavidade oral de cães adultos. O processo inicia-se de forma
insidiosa e, se não controlado, culmina com a perda dentária. Sobre a etiopatogenia e a progressão histológica da
periodontite, assinale a alternativa CORRETA:
A) A gengivite marginal caracteriza-se pela perda de inserção do epitélio juncional e reabsorção da crista óssea
alveolar, sendo considerada a fase irreversível da doença
B) A placa bacteriana (biofilme) é constituída exclusivamente por bactérias Gram-positivas aeróbias, e sua
patogenicidade depende da espessura do cálculo dentário supragengival
C) A migração apical do epitélio juncional, com formação de bolsa periodontal verdadeira, é o marco histológico que
diferencia a periodontite da gengivite
D) O cálculo dentário, por sua superfície lisa e baixa aderência bacteriana, é o principal fator desencadeador da
resposta inflamatória gengival
E) Na progressão da doença, os osteoblastos são ativados por toxinas bacterianas, promovendo a reabsorção óssea
e a exposição de furca
7. A periodontite é a principal causa de perda dentária em cães adultos. Começando pela deposição de placa
bacteriana, qual a sequência CORRETA de eventos que culmina na perda de inserção e mobilidade dentária?
A) Placa → cálculo gengival → cárie → abscesso periapical → fratura
B) Placa → gengivite marginal → formação de bolsa periodontal e ação de bactérias anaeróbias → destruição do
ligamento periodontal e osso alveolar → perda dentária
C) Placa → hiperplasia gengival → reabsorção radicular externa → anquilose
D) Placa → mineralização imediata do esmalte → exposição pulpar → sepse
E) Placa → sialocele → compressão do periodonto
8. Em um cão, durante uma limpeza dentária, o veterinário encontra um dente pré-molar com exposição de furca
(espaço entre as raízes) e bolsa periodontal profunda. A avaliação radiográfica mostra perda óssea vertical
acentuada. O hálito é fétido. Qual a relação entre a periodontite grave e o risco de doença sistêmica nesse paciente?
A) Bacteremia transitória durante a mastigação; risco de endocardite bacteriana, glomerulonefrite e, em diabéticos,
piora do controle glicêmico
B) Exclusivamente absorção de toxinas que causam gastrite
C) Formação de êmbolos de tártaro que infartam o pulmão
D) Apenas halitose e desconforto local, sem repercussão sistêmica comprovada
E) Septicemia obrigatória toda vez que o animal se alimenta
9. A sialoadenite refere-se ao processo inflamatório das glândulas salivares. Sobre as possíveis causas e
apresentações desta condição, assinale a alternativa INCORRETA:
A) Pode ser causada pela presença de sialólitos (cálculos) que obstruem o ducto e favorecem a infecção ascendente.
B) Traumas perfurantes ou corpos estranhos (como gramíneas) podem introduzir bactérias diretamente no
parênquima glandular.
C) Ao contrário da sialocele, a sialoadenite aguda geralmente apresenta sinais de flogose (dor, calor e edema) e pode
cursar com febre.
D) A sialoadenite viral (similar à caxumba humana) é a causa mais comum de tumefação salivar em cães e gatos
domésticos.
E) Processos crônicos de sialoadenite podem evoluir para a atrofia do parênquima glandular e substituição portecido fibroso.
10. Um gato doméstico de 8 anos apresenta anorexia, febre e aumento de volume bilateral na região das bochechas
e pescoço ventral. As glândulas submandibulares estão firmes, quentes e dolorosas à palpação. A pressão sobre a
glândula não produz saliva pelo ducto, e o exame citológico revela infiltrado neutrofílico com macrófagos e debris
celulares. Qual o diagnóstico e sua provável etiologia?
A) Sialocele cervical por ruptura traumática do ducto
B) Sialodenite (inflamação da glândula salivar), geralmente ascendente a partir da cavidade oral (bactérias aeróbias
e anaeróbias)
C) Adenocarcinoma de glândula salivar com metástase
D) Hiperplasia benigna associada à idade
E) Rânula com extensão para o espaço visceral do pescoço
11. As glândulas salivares podem sofrer processos inflamatórios ou acúmulos não neoplásicos de saliva nos tecidos
adjacentes. Diferenciar essas entidades é fundamental para o diagnóstico patológico. Correlacione as definições
abaixo:
I. Sialocele: Acúmulo de saliva no tecido subcutâneo devido ao rompimento de um ducto salivar.
II. Rânula: Mucocele específica localizada no assoalho da boca, ao lado da língua.
III. Sialodenite: Processo inflamatório da glândula salivar.
Assinale a alternativa que apresenta a análise CORRETA:
A) I e II são processos inflamatórios primários causados por sialólitos.
B) A rânula (II) é clinicamente caracterizada por uma dilatação cística revestida por epitélio glandular secretor.
C) A sialocele (I) é tecnicamente um "pseudocisto", pois o espaço onde a saliva se acumula não possui revestimento
epitelial próprio.
D) A sialodenite (III) em cães é quase sempre de origem viral, similar à caxumba humana.
E) O tratamento da sialocele envolve a cauterização do epitélio que reveste a cavidade de acúmulo.
12. O tratamento da sialocele muitas vezes envolve a remoção cirúrgica da glândula afetada (sialoadenectomia). Do
ponto de vista patológico, por que a simples drenagem do fluido (punção) geralmente não é resolutiva?
A) Porque a saliva acumulada possui propriedades neoplásicas e continuará invadindo tecidos adjacentes.
B) Porque o epitélio do pseudocisto continua secretando muco indefinidamente.
C) Porque a solução de continuidade (ruptura) no ducto ou na glândula permanece ativa, permitindo que o
extravasamento continue.
D) Porque a drenagem transforma o pseudocisto em um abscesso séptico incurável.
E) Porque a saliva extravasada sofre um processo de mineralização imediata após o contato com o ar.
13. Um cão sem raça definida, 7 anos, é atendido com histórico de regurgitação frequente, halitose intensa e
intolerância ao exercício. Durante a avaliação clínica, observa-se emagrecimento e crepitações pulmonares à
auscultação. O exame contrastado evidencia retenção de alimento ao longo de todo o esôfago. Histologicamente,
há degeneração e atrofia da musculatura esofágica. Qual a principal suspeita diagnóstica e a complicação secundária
mais provável?
A) Esofagite infecciosa e bronquite crônica
B) Divertículo esofágico e colapso traqueal
C) Estenose esofágica e insuficiência cardíaca
D) Megaesôfago e pneumonia aspirativa
E) Refluxo gastroesofágico e gastrite erosiva
14. A diferenciação entre vômito e regurgitação é fundamental para localizar o problema no trato digestório superior.
Durante o exame clínico de um animal, o veterinário deve classificar corretamente o evento de expulsão de
conteúdo. Assinale a alternativa que descreve corretamente as características do vômito:
A) É um processo passivo, sem esforço abdominal, onde o alimento expelido geralmente mantém o formato tubular
do esôfago.
B) É um processo ativo, precedido por náusea, hipersalivação e contrações musculares abdominais vigorosas,
podendo conter bile e alimento parcialmente digerido.
C) Ocorre exclusivamente em equinos e roedores devido à anatomia da cárdia.
D) O material expelido apresenta sempre pH básico, indicando que nunca passou pelo estômago.
E) É caracterizado pela expulsão imediata do alimento logo após a deglutição, sem qualquer sinal de esforço físico.
15. Um cão adulto, sem raça definida, foi atendido com histórico de ter ingerido um osso de frango cozido há
aproximadamente um mês. Na ocasião, apresentou engasgo e sialorreia intensa, mas o tutor não buscou
atendimento. Agora, o animal apresenta regurgitação logo após a ingestão de alimento sólido, embora ainda consiga
deglutir água e alimentos pastosos com menos dificuldade. A endoscopia revela uma área de estreitamento anular
e rígida no esôfago torácico, com mucosa de aspecto pálido e liso, sem massa ou ulceração ativa visível. O segmento
esofágico imediatamente cranial à lesão encontra-se moderadamente dilatado. Sobre a patogenia dessa condição,
assinale a alternativa CORRETA:
A) O osso causou uma perfuração completa, e a cicatrização por segunda intenção gerou uma ponte de epitélio que
estreita a luz esofágica (estenose epitelial primária).
B) A lesão inicial atingiu as camadas submucosa e muscular, e a deposição de colágeno pelos miofibroblastos durante
a cicatrização resultou em fibrose contrátil e estenose cicatricial, reduzindo permanentemente o diâmetro luminal.
C) O corpo estranho induziu uma paralisia do nervo vago, resultando em atonia segmentar que mimetiza uma
estenose ao exame endoscópico.
D) A regurgitação é causada exclusivamente pela dilatação cranial (megaesôfago), sendo a área de estreitamento
apenas um espasmo funcional reversível da musculatura.
E) O osso alojou-se na submucosa e sofreu mineralização distrófica, formando um cálculo esofágico que obstrui
parcialmente o lúmen, sem envolvimento de fibrose.
16. Em ruminantes, a reticuloperitonite traumática ocorre principalmente devido à:
A) Ingestão de alimentos contaminados com bactérias
B) Perfuração do retículo por corpos estranhos metálicos
C) Infecção viral sistêmica
D) Deficiência nutricional
E) Obstrução intestinal
17. Um cão da raça Buldogue de 3 meses, apresenta regurgitação pós-prandial crônica. O exame radiográfico
contrastado (esofagograma) demonstra um megasôfago segmentar localizado cranialmente à base do coração.
Durante a necropsia de um caso similar, observa-se que o esôfago está aprisionado por um anel vascular. Assinale a
alternativa que descreve as estruturas responsáveis por esse encarceramento extrínseco:
A) Veia cava cranial, arco aórtico esquerdo e nervo vago.
B) Arco aórtico direito persistente, ligamento arterioso (ducto arterioso) e tronco/artéria pulmonar.
C) Tronco braquiocefálico, veia ázigos e esôfago.
D) Artérias carótidas comuns e linfonodos mediastínicos hipertrofiados.
E) Persistência do ducto arterioso e hipertrofia do ventrículo direito.
18. A persistência do arco aórtico direito (PAAD) é a anomalia do anel vascular mais comum em cães, resultando em
megaesôfago cranial. Sobre a embriologia e a patogenia dessa condição, assinale a alternativa CORRETA:
A) O arco aórtico direito persiste, e o esquerdo involui; o ducto arterioso, ao se ligar à artéria pulmonar, forma um
anel vascular que comprime o esôfago e a traqueia.
B) O arco aórtico direito e o esquerdo persistem igualmente, formando um duplo arco aórtico que estrangula o
esôfago.
C) A artéria subclávia direita anômala é a causa direta da compressão esofágica, enquanto o arco aórtico permanece
à esquerda.
D) O ducto arterioso persiste patente, e o fluxo sanguíneo turbulento comprime dinamicamente o esôfago durante
a sístole.
E) A PAAD é uma condição adquirida após trauma torácico no período neonatal.
19. Um filhote de Pastor Malinois, com 9 semanas de idade, é levado ao atendimento com queixa de regurgitação
de alimento sólido desde o desmame. O animal apresenta escore corporal baixo, pelagem opaca e abdômen
retraído, embora demonstre apetite voraz. A radiografia torácica contrastada revela dilatação acentuada do esôfago
no segmento cranial à silhueta cardíaca, com estreitamento abrupto na região da basedo coração, enquanto o
esôfago caudal a esse ponto apresenta calibre normal. Com base no diagnóstico presuntivo de Persistência do Arco
Aórtico Direito (PAAD), assinale a alternativa que descreve corretamente a patogenia dessa anomalia:
A) A dilatação esofágica é decorrente de uma falha congênita na inervação parassimpática de toda a extensão do
órgão, resultando em atonia generalizada e acúmulo passivo de alimento (megaesôfago primário congênito)
B) A PAAD causa uma estenose funcional do esôfago, na qual o anel vascular induz um espasmo persistente da
musculatura lisa, impedindo a progressão da onda peristáltica secundária, sem que haja obstrução física real
C) O anel vascular formado pelo arco aórtico direito, ducto arterioso (ligamento arterioso) e artéria pulmonar
comprime mecanicamente o esôfago, impedindo a passagem de alimento sólido e resultando em dilatação sacular
do segmento cranial por acúmulo de ingesta (megaesôfago obstrutivo secundário).
D) A regurgitação observada nesses animais é causada principalmente pelo refluxo de suco gástrico, uma vez que o
anel vascular, ao comprimir o esôfago distal, mantém o esfíncter esofágico inferior (cárdia) permanentemente
patente.
E) A dilatação esofágica na PAAD é uniforme e acomete tanto o segmento cranial quanto o caudal à base do coração,
pois a estenose localizada gera um "efeito cascata" que compromete a motilidade de todo o órgão.
20. O parasitismo pelo nematódeo Spirocerca lupi em cães é responsável por lesões nodulares características no
esôfago. Além da esofagite granulomatosa, a infecção crônica por este parasita está classicamente associada ao
desenvolvimento de:
A) Papilomatose esofágica múltipla.
B) Carcinoma de células basais na junção gastroesofágica.
C) Neoplasias mesenquimais, especificamente o osteossarcoma ou fibrossarcoma esofágico.
D) Megaesôfago secundário à paralisia do nervo glossofaríngeo.
E) Estenose por compressão linfonodal mediastínica.
21. O Spirocerca lupi é um nematódeo que causa lesões esofágicas graves em cães. Quanto ao seu ciclo biológico e
à patogenia da esofagite parasitária, assinale a alternativa que descreve corretamente o mecanismo de migração da
larva e a localização das lesões:
A) A larva migra diretamente da mucosa oral para o esôfago após ingestão do hospedeiro paratênico, fixando-se na
submucosa e formando granulomas imediatamente, sem passagem vascular.
B) A larva, após ser liberada no estômago, penetra a parede da artéria celíaca e migra pela adventícia e íntima da
aorta torácica até alcançar a submucosa do esôfago, onde se estabelece e induz a formação de granulomas.
C) A larva realiza ciclo entero-pulmonar (Ciclo de Loss), migrando pelos pulmões, traqueia e sendo deglutida para
alcançar o esôfago.
D) A larva fêmea adulta deposita ovos diretamente na luz esofágica, onde eclodem e as larvas penetram na
submucosa, induzindo inflamação local.
E) A migração ocorre exclusivamente pelo sistema linfático mesentérico, ducto torácico e veia cava cranial.
22. Em relação ao carcinoma de células escamosas (CCE) do trato digestório superior de bovinos associado ao
consumo de samambaia (Pteridium aquilinum), qual é o princípio tóxico e o mecanismo carcinogênico envolvido?
A) Taninos; causam irritação crônica da mucosa e metaplasia escamosa reativa que evolui para displasia.
B) Ptaquilosídeo; após hidrólise no organismo, forma um íon carbonium que alquila o DNA, induzindo mutações e a
formação de aducts de DNA, especialmente em células epiteliais da mucosa do trato digestório superior.
C) Nitratos; convertidos a nitritos e nitrosaminas carcinogênicas no ambiente ruminal.
D) Glicosídeos cianogênicos; causam hipóxia tecidual crônica que estimula a proliferação celular desordenada.
E) Alcaloides pirrolizidínicos; causam cirrose hepática e secundariamente neoplasia esofágica.
23. Um bovino macho, 7 anos, criado extensivamente em pastagem nativa com grande infestação de Pteridium
aquilinum (samambaia), apresenta emagrecimento progressivo, disfagia, halitose e episódios de timpanismo
recidivante. A palpação da região faríngea revela aumento de volume firme, e a inspeção da cavidade oral identifica
uma massa vegetante, ulcerada e friável na base da língua, estendendo-se para a faringe. Considerando a
etiopatogenia dessa neoplasia e o princípio tóxico envolvido, assinale a alternativa CORRETA:
A) A neoplasia é um adenocarcinoma mucossecretor induzido pela ação irritativa crônica dos taninos presentes na
planta sobre a mucosa oral.
B) O ptaquilosídeo, após ativação no organismo, forma metabólitos eletrofílicos que alquilam o DNA das células
epiteliais, induzindo mutações que culminam no desenvolvimento de carcinoma de células escamosas,
frequentemente multicêntrico, envolvendo base da língua, faringe, esôfago e rúmen.
C) O princípio carcinogênico é a tiaminase, que ao destruir a vitamina B1 causa degeneração neuronal do plexo
mioentérico esofágico, levando à estase alimentar e metaplasia neoplásica secundária.
D) Trata-se de uma neoplasia benigna (papiloma) que, pela constante irritação mecânica dos alimentos fibrosos,
sofre transformação para carcinoma de células escamosas, sem relação direta com o princípio tóxico da planta.
E) O consumo da samambaia suprime a imunidade local da mucosa oral, permitindo a infecção pelo papilomavírus
bovino tipo 4 (BPV-4), que é o verdadeiro agente etiológico do carcinoma de células escamosas em bovinos,
independentemente da planta ingerida.
24. Durante uma vistoria em uma propriedade leiteira, o veterinário é informado de que três vacas apresentaram
distensão abdominal aguda logo após serem transferidas de um pasto de gramínea para um piquete de trevo-branco
(Trifolium repens) em floração. Um animal morreu antes de ser tratado. A necropsia revela rúmen repleto de
conteúdo espumoso, com bolhas minúsculas e estáveis, fígado e baço comprimidos contra o diafragma, e linha de
timpanismo (congestão e palidez) bem demarcada na região do cárdia e esôfago torácico. Assinale a alternativa que
correlaciona corretamente a etiologia, a patogenia e os achados de necropsia:
A) A linha de timpanismo na região do cárdia/esôfago é um artefato post mortem decorrente da autólise, não tendo
relação com a patogenia do quadro clínico
B) O timpanismo espumoso decorre da formação de espuma estável pelas saponinas e pectinas da leguminosa; o
gás aprisionado distende o rúmen, que comprime o diafragma (causando asfixia) e gera a linha de timpanismo
C) A morte ocorreu por acidose ruminal aguda, pois leguminosas são ricas em carboidratos rapidamente
fermentáveis; a espuma é um epifenômeno terminal
D) O timpanismo é do tipo gasoso secundário, pois o trevo causa paralisia vagal que impede a eructação, e a espuma
se forma pela agitação do conteúdo durante a agonia
E) A lesão de fígado e baço comprimidos contra o diafragma é patognomônica de timpanismo post mortem,
indicando que o animal morreu por outra causa e o gás se acumulou após o óbito
25. A diferenciação entre timpanismo ante mortem e post mortem é um desafio diagnóstico na rotina de necropsia
de ruminantes. Sobre os achados que auxiliam nessa diferenciação, assinale a alternativa CORRETA:
A) A presença de linha de timpanismo no esôfago é um achado patognomônico de timpanismo ante mortem, não
podendo ser reproduzido post mortem.
B) O timpanismo post mortem nunca causa protrusão de reto, pois a pressão intra-abdominal gerada pela autólise
é insuficiente para vencer o tônus do esfíncter anal.
C) No timpanismo ante mortem, além da distensão ruminal, espera-se encontrar congestão e edema pulmonar,
compressão do fígado contra o diafragma com palidez da superfície diafragmática, congestão da porção cranial do
esôfago e palidez da porção caudal (linha de timpanismo), e possível presença de conteúdo espumoso (no
espumoso) ou evidência de obstrução (no gasoso).
D) O timpanismo post mortem é caracterizado exclusivamente pela presença de espumaestável no conteúdo
ruminal, enquanto o ante mortem sempre apresenta gás livre.
E) A protrusão de reto é um sinal confiável de timpanismo ante mortem.
26. Um bovino adulto é encontrado morto no pasto pela manhã. O proprietário suspeita de timpanismo, pois o
animal estava em um piquete de alfafa. À necropsia, você observa: distensão abdominal moderada, rúmen com gás
livre e ingesta sem espuma, conteúdo intestinal normal, sem deslocamento de órgãos, sem obstrução esofágica, e
linha de timpanismo pouco evidente no esôfago. A mucosa ruminal está autolisada e se desprende facilmente.
Fígado e pulmões não apresentam congestão ou edema significativos. Qual a conclusão mais adequada?
A) Morte por timpanismo espumoso, pois o animal estava em pasto de alfafa, que é leguminosa de alto risco.
B) Morte por timpanismo gasoso secundário, sendo necessário procurar minuciosamente uma obstrução esofágica
que pode ter se deslocado post mortem.
C) Óbito por causa indeterminada, mas o timpanismo observado é, muito provavelmente, post mortem; a ausência
de congestão/edema pulmonar (asfixia), a mucosa ruminal autolisada (indicando autólise avançada) e a falta de
espuma ou obstrução sugerem que a distensão gasosa ocorreu após a morte.
D) Morte por acidose ruminal aguda; o gás um subproduto da fermentação anormal que continuou post mortem.
E) Morte por choque anafilático à proteína da alfafa, com timpanismo ante mortem associado.
27. Em um confinamento, vários bovinos apresentam, após uma mudança brusca na dieta, quadro de diarreia fétida,
depressão, desidratação e, em casos graves, morte. A necropsia de um animal revela rúmen com conteúdo líquido
e odor azedo, mucosa ruminal difusamente avermelhada, com áreas de desprendimento epitelial (ulceração) e
vesículas. O pH do conteúdo ruminal é 4,5. O exame histopatológico da mucosa revela necrose do epitélio
estratificado, congestão, edema e infiltrado inflamatório neutrofílico. Qual a complicação mais grave que pode advir
dessa lesão de mucosa ruminal?
A) Timpanismo gasoso irreversível por paralisia da musculatura ruminal.
B) Rumenite bacteriana secundária e abscessos hepáticos, pois a lesão da mucosa permite a translocação de
bactérias (especialmente Fusobacterium necrophorum) para a circulação portal.
C) Carcinoma de células escamosas do rúmen por metaplasia induzida pelo ácido.
D) Poliencefalomalácia por liberação de tiaminase ruminal durante a acidose.
E) Hipocalcemia aguda por quelação do cálcio pelo ácido lático.
28. Em um confinamento de bovinos, o veterinário se depara com dois cenários distintos.
Cenário A: um animal apresenta distensão abdominal aguda após ser realocado para um pasto de aveia jovem; à
sondagem, não se obtém gás, e sim espuma.
Cenário B: um animal apresenta depressão, diarreia e anorexia 24 horas após receber uma grande quantidade de
ração concentrada por erro de manejo; o pH ruminal é 4,5.
Sobre esses cenários, assinale a alternativa que correlaciona corretamente cada quadro com sua fisiopatologia e
achado de necropsia esperado:
A) Cenário A: timpanismo gasoso / necropsia: obstrução esofágica. Cenário B: Acidose ruminal subaguda / necropsia:
fígado com abscessos crônicos encapsulados.
B) Cenário A: timpanismo espumoso primário / necropsia: rúmen com espuma estável, linha de timpanismo,
congestão e edema pulmonar por asfixia. Cenário B: acidose ruminal aguda / necropsia: rúmen com conteúdo
líquido e azedo, mucosa ruminal necrótica e facilmente desprendível.
C) Cenário A: acidose ruminal aguda / necropsia: rúmen com odor azedo. Cenário B: timpanismo espumoso /
necropsia: rúmen com espuma estável.
D) Ambos são timpanismo gasoso, diferenciados apenas pela dieta. Necropsia: idêntica em ambos.
E) Cenário A: timpanismo post mortem. Cenário B: timpanismo ante mortem.
29. Em bovinos, o timpanismo espumoso ocorre
principalmente devido:
A) Acúmulo de gás livre
B) Formação de espuma estável no rúmen
C) Infecção bacteriana
D) Obstrução esofágica
E) Degeneração hepática
30. Em suínos, a presença de úlceras na região esofágica
do estômago está frequentemente associada a:
A) Infecção viral
B) Dietas finamente moídas
C) Deficiência de vitamina D
D) Excesso de fibra
E) Parasitismo intestinal
31. Um cão apresenta diarreia crônica e emagrecimento.
A biópsia intestinal revela atrofia de vilosidades. Essa
alteração leva principalmente a:
A) Aumento da digestão
B) Má absorção de nutrientes
C) Aumento da motilidade gástrica
D) Redução da secreção biliar
E) Hipersecreção pancreática
32. Um bovino apresenta dor abdominal cranial, febre e
redução da motilidade ruminal. Suspeita-se de
reticuloperitonite traumática. Qual achado é esperado?
A) Hipermotilidade intestinal
B) Presença de corpo estranho metálico
C) Aumento da produção de leite
D) Diarreia aquosa
E) Hipotermia
33. Um bovino leiteiro adulto apresenta apatia, queda na
produção e distensão abdominal à esquerda. À
auscultação, há som metálico “ping”. Qual a principal
hipótese diagnóstica?
A) Reticuloperitonite traumática
B) Deslocamento de abomaso à esquerda
C) Timpanismo espumoso
D) Enterite bacteriana
E) Úlcera de abomaso
34. Um equino apresenta cólica intensa, distensão
abdominal e ausência de motilidade intestinal. A
necropsia revela torção intestinal com áreas extensas de
necrose. Qual o mecanismo principal da lesão?
A) Inflamação supurativa
B) Isquemia seguida de necrose
C) Degeneração gordurosa
D) Infecção bacteriana primária
E) Reação imunomediada
35. Um cão apresenta vômito crônico, perda de peso e
espessamento da parede gástrica observado em
ultrassonografia. A biópsia revela infiltração de células
inflamatórias mononucleares. O diagnóstico mais
provável é:
A) Gastrite aguda hemorrágica
B) Linfoma gástrico
C) Gastrite crônica
D) Corpo estranho gástrico
E) Úlcera perfurante
36. Um cão jovem, não vacinado, apresenta vômito,
diarreia hemorrágica e leucopenia acentuada. Na
necropsia, observa-se necrose de criptas intestinais.
Qual o diagnóstico mais provável?
A) Cinomose
B) Coronavirose entérica
C) Parvovirose canina
D) Salmonelose
E) Giardíase
37. Em vacas leiteiras de alta produção, o Deslocamento de Abomaso à Esquerda (DAE) é uma patologia comum no
puerpério. Sobre a patogenia e as consequências metabólicas dessa condição, assinale a alternativa CORRETA:
A) O deslocamento ocorre primariamente por um excesso de motilidade abomasal causado por dietas ricas em fibra
B) A atonia abomasal permite o acúmulo de gás e o deslocamento do órgão para o antímero esquerdo, entre o
rúmen e a parede abdominal
C) O DAE evolui obrigatoriamente para torção e isquemia aguda nas primeiras 24 horas
D) O animal apresenta alcalose metabólica hipoclorêmica devido ao sequestro de íons cloreto e hidrogênio no
abomaso deslocado
E) As alternativas B e D estão corretas
38. Sobre o deslocamento de abomaso à esq., por que a percussão com auscultação revela um som metálico "ping"?
A) Devido ao colapso total do órgão por falta de gás.
B) Devido à presença de uma interface gás-líquido sob pressão dentro de uma víscera distendida e deslocada.
C) Devido à calcificação da parede do abomaso.
D) Pela presença de areia acumulada no fundo do saco abomasal.
E) Pela contração espasmódica do retículo contra o diafragma.
39. A Síndrome Dilatação Vólvulo-Gástrica (SDVG) ou dilatação gástrica aguda afeta principalmente cães de raças
grandes e peito profundo. Sobre a rotação do estômago nesta síndrome, é correto afirmar:
A) O estômago rotaciona no sentido anti-horário quando visto da face ventral.
B) O piloro desloca-se da direita para a esquerda, passando por cima do cárdia, frequentemente cercando o baço.
C) A torção impede a eructação e o esvaziamento gástrico, mas não compromete o fluxo sanguíneo.
D) O baço permanece em sua posição original, à direita, sem sofrer congestão.
E) A principal lesão sistêmica é a hipertensão arterial severapor excesso de retorno venoso.
40. A ruptura gástrica em equinos é uma complicação fatal da dilatação aguda. Na necropsia, como o patologista
pode diferenciar uma ruptura ocorrida ante mortem de uma ruptura post mortem (cadavérica)?
A) Pela ausência de alimento na cavidade abdominal.
B) Pela presença de hemorragia, fibrina e reação inflamatória nas bordas da ruptura e no peritônio (peritonite vital).
C) Rupturas post mortem apresentam sempre bordas retraídas e cicatrizadas.
D) A ruptura ante mortem ocorre apenas na porção glandular do estômago.
E) Não há diferença macroscópica possível entre as duas condições.
41. A ruptura gástrica em cavalos é uma emergência fatal. Na necropsia, o patologista deve determinar se a ruptura
ocorreu enquanto o animal estava vivo (ante mortem) ou se foi um artefato cadavérico causado pela distensão
gasosa pós-morte (post mortem). Qual achado é indicativo de uma ruptura gástrica vital (ante mortem)?
A) Bordas da ruptura limpas, sem hemorragia, e ausência de conteúdo alimentar na cavidade abdominal.
B) Presença de hemorragia e deposição de fibrina nas bordas da ruptura, associada a uma peritonite química severa
com hiperemia da serosa peritoneal.
C) Localização da ruptura exclusivamente na porção escamosa (aglandular) do estômago, próximo ao margo plicatus.
D) Ausência de qualquer reação inflamatória, com a mucosa apresentando-se pálida e sem sinais de congestão.
E) A ruptura vital ocorre apenas se o estômago estiver completamente vazio no momento do óbito.
42. Uma égua Mangalarga, 10 anos, é atendida por cólica aguda. O animal apresenta sudorese profusa, taquipneia,
mucosas congestas e pulso fraco. A sondagem nasogástrica resulta em saída de mais de 15 litros de conteúdo
gástrico líquido e gás, com odor fétido. Após o esvaziamento, a égua apresenta alívio transitório, mas os sinais
retornam em 40 minutos. À palpação retal, detecta-se intestino delgado distendido e uma estrutura tubular tensa
na região cranial do abdômen. O quadro é compatível com dilatação gástrica secundária. Qual a causa primária mais
provável dessa dilatação?
A) Sobrecarga primária por ingestão excessiva de concentrado
B) Obstrução estrangulante ou simples do intestino delgado (ex.: íleo paralítico, vólvulo, intussuscepção), causando
acúmulo retrógrado de secreção gástrica e intestinal no estômago, que não consegue escoar para o duodeno
C) Gastrite ulcerativa primária com estenose pilórica cicatricial
D) Aerofagia psicogênica por estresse
E) Parasitismo gástrico massivo por Habronema muscae
43. Sobre a dilatação gástrica em equinos, diferencie a forma primária da forma secundária e assinale a alternativa
que descreve corretamente o risco de ruptura gástrica:
A) A dilatação gástrica primária é mais grave que a secundária, pois sempre evolui para torção; o risco de ruptura é
maior no fundo gástrico, onde a muscular é mais espessa.
B) A dilatação primária resulta da ingestão excessiva de alimento ou fermentação anormal no estômago; a
secundária é consequência de obstrução ou íleo do intestino delgado, com refluxo enterogástrico. A ruptura ocorre
classicamente na curvatura maior, ao longo da linha de inserção do omento maior, onde a parede é mais fina e
menos vascularizada.
C) Não há diferença clínica entre dilatação primária e secundária; a ruptura ocorre sempre no piloro, por ser a região
de maior pressão intraluminal.
D) A dilatação gástrica primária é exclusiva de potros, e a secundária, de adultos; a ruptura é rara e ocorre apenas
se houver neoplasia prévia.
E) A ruptura gástrica em equinos é um evento benigno e autolimitante, pois o conteúdo extravasa para a cavidade
peritoneal de forma controlada.
44. Um bezerro de 3 semanas, submetido a estresse de transporte e mudança brusca de dieta, desenvolve cólica
aguda, com vocalização, tenesmo e eliminação de muco sanguinolento pelo reto. O animal rapidamente entra em
choque e morre. À necropsia, observa-se um segmento de intestino delgado com uma porção invaginada para
dentro do lúmen do segmento adjacente. A serosa do segmento invaginado está difusamente escura (enegrecida) e
edemaciada, com fibrina na superfície, e os vasos mesentéricos estão ingurgitados. Qual a sequência patológica
esperada nessa condição?
A) Intussuscepção → obstrução simples sem comprometimento vascular → necrose por toxinas bacterianas.
B) Intussuscepção → obstrução do fluxo venoso (congestão e edema) → obstrução arterial (isquemia e necrose da
parede) → perda da integridade da mucosa (extravasamento de sangue e muco) → translocação bacteriana →
choque endotóxico.
C) Intussuscepção → perfuração imediata da alça → peritonite fecal no momento da invaginação.
D) Intussuscepção → redução espontânea obrigatória → cura sem sequelas.
E) Intussuscepção → hipertrofia compensatória da muscular → aumento do peristaltismo.
45. A intussuscepção pode ocorrer em diferentes porções do trato intestinal, e a classificação anatômica auxilia no
planejamento cirúrgico. Correlacione a localização anatômica com a terminologia técnica e as características
específicas em pequenos animais:
A) A intussuscepção ileocólica (intussuscepto: íleo; intussuscipiente: cólon) é a mais comum em cães jovens, mas
pode ser confundida com corpo estranho linear.
B) A intussuscepção jejuno-jejunal é a mais comum, e o intussuscepto sempre se necrosa completamente.
C) A intussuscepção gastroesofágica é a forma mais branda e autolimitante em cães.
D) A intussuscepção colo-cólica nunca causa sinais clínicos.
E) O termo "intussuscepção" significa a obstrução por um tumor, e não a invaginação do intestino.
46. A gastrite crônica é marcada por alterações proliferativas ou atróficas da mucosa. Em cães, a gastrite crônica
hipertrófica é caracterizada macroscopicamente por:
A) Adelgaçamento da parede gástrica tornando-a transparente.
B) Pregas gástricas muito espessadas, com aspecto de "cérebro" ou "paralelepípedos", devido à hiperplasia mucosa.
C) Presença de apenas uma úlcera profunda no fundo gástrico.
D) Coloração branca nacarada de toda a mucosa esofágica.
E) Ausência total de muco na superfície epitelial.
47. Um cão da raça Basenji, 7 anos, apresenta vômitos intermitentes há meses, perda de peso e hipoproteinemia. A
endoscopia revela mucosa gástrica do corpo e fundo com aspecto granular, áreas de palidez e adelgaçamento, com
vasos submucosos visíveis. A histopatologia mostra infiltrado linfoplasmocítico difuso na lâmina própria, redução e
atrofia das glândulas gástricas, e metaplasia intestinal focal. Qual o diagnóstico e a principal consequência funcional
dessa gastrite crônica?
A) Gastrite aguda hemorrágica; anemia ferropriva por perda sanguínea crônica
B) Gastrite crônica atrófica (linfoplasmocítica); redução da produção de ácido clorídrico e fator intrínseco, podendo
levar a hipergastrinemia reativa e, em casos avançados, deficiência de cobalamina (vit B12) e anemia megaloblástica
C) Gastropatia hipertrófica; hipersecreção ácida com formação de úlceras duodenais
D) Adenocarcinoma gástrico infiltrativo; as células neoplásicas mimetizam o infiltrado inflamatório
E) Gastrite folicular; hiperplasia de nódulos linfoides associada à infecção por Helicobacter spp
48. A gastrite micótica (zigomicose gástrica) em suínos é uma doença esporádica, porém de alta letalidade. Sobre os
fatores predisponentes e a patogenia dessa condição, assinale a alternativa CORRETA:
A) A gastrite micótica é uma doença contagiosa, transmitida por aerossóis entre suínos na fase de creche, e não
requer fatores predisponentes para se desenvolver.
B) Fatores como ração finamente moída (que predispõe à úlcera da pars esophagea), estresse, imunossupressão e
alterações na microbiota gástrica pelo uso de antibióticos criam uma porta de entrada (erosão/úlcera) e um
ambiente favorável para a germinação de esporos fúngicos ubiquitários (como os zigomicetos), que então invadem
a parede gástrica, causando trombose vascular,necrose isquêmica e enfisema tecidual.
C) A gastrite micótica é exclusivamente causada por Candida albicans, e a lesão é sempre superficial, restrita à
mucosa, sem invasão vascular.
D) O único fator predisponente é a deficiência de vit E e selênio, e a doença é prevenida com suplementação mineral.
E) A zigomicose gástrica é uma zoonose de grande importância, sendo a principal via de transmissão para humanos
o consumo de carne suína mal cozida.
49. A gastrite aguda em cães pode ser causada por:
A) Ingestão de toxinas
B) Exercício físico
C) Deficiência de água
D) Infecção pulmonar
E) Falta de vitamina C
50. A lipidose hepática felina geralmente está associada a:
A) Dieta hiperproteica
B) Jejum prolongado e mobilização de gordura
C) Infecção bacteriana hepática
D) Intoxicação por metais pesados
E) Baixa ingestão de água
51. Um cão Golden Retriever é atendido com vômitos agudos com presença de estrias de sangue (hematêmese)
após a ingestão inadvertida de uma cartela de anti-inflamatórios. O mecanismo patogenético da lesão gástrica
causada pelos AINEs (Anti-inflamatórios Não Esteroidais) baseia-se em:
A) Estimulação direta do nervo vago, aumentando a motilidade.
B) Inibição das enzimas ciclooxigenases (COX), reduzindo a síntese de prostaglandinas (PGE2 e PGI2), que são
essenciais para a secreção de muco, bicarbonato e manutenção do fluxo sanguíneo da mucosa.
C) Aumento da produção de gastrina pelas células G do antro.
D) Destruição física direta das células parietais pelo pH alcalino do fármaco.
E) Promoção de uma resposta de hipersensibilidade tipo I mediada por IgE.
52. A gastrite crônica hipertrófica em cães é uma alteração proliferativa que pode ser confundida
macroscopicamente com neoplasias. Sobre essa condição, assinale a alternativa CORRETA:
A) Caracteriza-se pelo adelgaçamento severo da mucosa, permitindo a visualização dos vasos submucosos.
B) As pregas gástricas tornam-se tortuosas e proeminentes devido à hiperplasia das células foveolares e glândulas
gástricas, conferindo aspecto cerebriforme à mucosa.
C) O infiltrado inflamatório é composto predominantemente por neutrófilos íntegros e fibrina.
D) É causada exclusivamente pela ingestão de corpos estranhos metálicos.
E) Leva sempre à redução drástica da produção de ácido clorídrico (acloridria).
53. Um filhote de Rottweiler, 4 meses, não vacinado, é atendido com histórico de vômitos, diarreia hemorrágica de
odor fétido e depressão profunda. O hemograma revela leucopenia acentuada (1.200 leucócitos/µL) com linfopenia
e neutropenia. O teste rápido para parvovírus canino (ELISA) nas fezes é positivo. O animal veio a óbito 48 horas
após o início dos sinais. À necropsia, qual o achado macroscópico esperado no intestino delgado?
A) Mucosa intestinal difusamente espessada e enrugada, com aspecto de "cérebro" (pregueamento cerebriforme)
B) Enterite segmentar com áreas de necrose e formação de pseudomembranas no cólon
C) Intestino delgado difusamente avermelhado a enegrecido, com conteúdo hemorrágico e mucosa necrótica, além
de linfonodos mesentéricos aumentados e edemaciados
D) Intestino delgado com múltiplos nódulos firmes e esbranquiçados na serosa
E) Mucosa intestinal pálida, adelgaçada e translúcida, com conteúdo aquoso e sem sangue
54. Sobre a patogenia da parvovirose canina, assinale a alternativa que explica corretamente o tropismo viral e a
origem dos sinais clínicos:
A) O parvovírus canino tipo 2 replica-se exclusivamente nos linfócitos T maduros dos linfonodos mesentéricos, e a
diarreia é mediada por citocinas inflamatórias, sem dano epitelial direto.
B) O vírus tem tropismo por células em divisão ativa, como os enterócitos das criptas intestinais e as células
progenitoras da medula óssea; a destruição das criptas impede a renovação do epitélio vilositário, causando colapso
das vilosidades, atrofia, necrose e hemorragia; a leucopenia decorre da destruição de precursores mieloides.
C) O parvovírus canino replica-se exclusivamente nas células caliciformes, e a diarreia é causada pelo excesso de
muco produzido em resposta à infecção.
D) A diarreia é puramente secretória, sem lesão estrutural do intestino, pois o vírus atua como uma enterotoxina.
E) O vírus destrói preferencialmente as vilosidades já maduras, poupando as criptas, o que leva a uma rápida
regeneração e recuperação espontânea em 24 horas.
55. Compare a lipidose hepática em bovinos (síndrome da vaca gorda) e em felinos (lipidose felina idiopática).
Assinale a alternativa que apresenta uma diferença fisiopatológica importante entre as duas espécies:
A) Ambas são doenças exclusivas de animais magros e desnutridos, sem relação com obesidade prévia.
B) Em bovinos, a lipidose ocorre tipicamente no periparto, associada ao balanço energético negativo e obesidade
prévia (vaca gorda), com acúmulo principalmente macrogoticular e frequentemente associada à cetose. Em felinos,
a lipidose é desencadeada pelo jejum prolongado (anorexia) em animais frequentemente obesos, com acúmulo
macro e microgoticular, e cursa com icterícia e encefalopatia hepática mais proeminentes.
C) A lipidose bovina é sempre fatal, enquanto a felina é autolimitante e não requer tratamento.
D) Em felinos, a lipidose ocorre exclusivamente no último trimestre de gestação, assim como em bovinos.
E) A lipidose felina é causada pela ingestão excessiva de carboidratos, enquanto a bovina é por deficiência de
proteína.
56. A enterite causada por parvovirose tem como principal alvo:
A) Células musculares lisas
B) Neurônios entéricos
C) Células das criptas intestinais
D) Hepatócitos
E) Células do pâncreas
57. A icterícia pré-hepática está associada a:
A) Obstrução biliar
B) Lesão hepatocelular
C) Hemólise intensa
D) Cirrose hepática
E) Neoplasia hepática
58. Um Papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), mantido em cativeiro com dieta exclusiva de sementes de girassol,
é levado à clínica com histórico de letargia e crescimento excessivo do bico. Ao exame físico, observa-se
hepatomegalia e coloração amarelada nas penas (amarelamento de penas verdes). Sobre a lipidose hepática nesta
espécie, assinale a alternativa CORRETA:
A) A patogenia está relacionada ao excesso de proteínas na dieta, que sobrecarrega o ciclo da ureia nos hepatócitos.
B) Macroscopicamente, o fígado apresenta-se diminuído (atrofiado), com consistência firme e coloração
acinzentada.
C) O acúmulo de triglicerídeos ocorre porque a ingestão excessiva de gorduras e carboidratos supera a capacidade
do fígado de oxidar ácidos graxos ou exportá-los como lipoproteínas de densidade muito baixa (VLDL).
D) Trata-se de um processo inflamatório agudo causado por vírus, resultando em necrose focal hemorrágica.
E) A lipidose em aves é uma alteração meramente estética e não interfere na função de síntese proteica ou
desintoxicação.
59. A pancreatite em cães está geralmente associada a:
A) Dietas ricas em gordura
B) Deficiência de carboidratos
C) Infecção viral exclusiva
D) Exercício excessivo
E) Baixo consumo de proteínas
60. Um cão com insuficiência hepática pode apresentar:
A) Hipoglicemia
B) Hiperglicemia persistente
C) Aumento da digestão
D) Redução da ureia
E) Aumento da massa muscular
61. Ovinos criados em área alagadiça apresentam emagrecimento progressivo, edema submandibular ("papada"),
ascite e anemia. A necropsia de um animal revela fígado com ductos biliares acentuadamente dilatados, espessados
e calcificados ("aspecto de cano de chumbo"), contendo inúmeros parasitas achatados, foliáceos, de coloração
marrom-acinzentada, medindo cerca de 2-3 cm. Qual o agente e a principal consequência crônica da lesão hepática?
A) Dicrocoelium dendriticum; colangite supurativa aguda
B) Fasciola hepatica; colangite crônica com fibrose periportal e ectasia ductal, levando a hipertensão portal, ascite
e hipoproteinemia por perda da função hepática
C) Echinococcus granulosus; cisto hidático compressivoD) Taenia hydatigena (Cysticercus tenuicollis); peritonite crônica
E) Thysanosoma actinioides; obstrução aguda do ducto colédoco
62. Sobre o ciclo migratório da Fasciola hepatica no hospedeiro definitivo e a patogenia das lesões hepáticas,
assinale a alternativa CORRETA:
A) As metacercárias ingeridas penetram diretamente os ductos biliares a partir do duodeno, sem migração
parenquimatosa, causando apenas colangite.
B) As formas jovens (fasciolas imaturas) penetram a parede intestinal, migram pela cavidade peritoneal, perfuram a
cápsula de Glisson e escavam o parênquima hepático por 6-8 semanas, causando hepatite traumática/hemorrágica
e fibrose até alcançarem os ductos biliares, onde se tornam adultas e causam colangite crônica.
C) A migração ocorre exclusivamente pela via hematógena (sistema porta), e as lesões são granulomatosas.
D) A Fasciola hepatica adulta vive na vesícula biliar e não causa lesão ductal significativa.
E) A fasciolose é uma doença exclusiva de bovinos, e ovinos são refratários à infecção.
63. Um equino com cólica apresenta impactação intestinal. Essa
condição ocorre principalmente devido a:
A) Excesso de ingestão hídrica
B) Obstrução por conteúdo alimentar seco
C) Infecção bacteriana
D) Degeneração hepática
E) Parasitas pulmonares
64. A peritonite pode ocorrer como
consequência de:
A) Lesões restritas ao fígado
B) Perfuração intestinal
C) Doença pulmonar
D) Lesão cutânea
E) Infecção urinária
65. Um cavalo da raça Quarto de Milha é atendido com sinais de dor abdominal severa, sudorese, inquietação e
tentativas frequentes de olhar para o flanco. Durante a necropsia, após o óbito, observa-se que uma porção do cólon
maior apresenta-se intensamente congesta, de coloração vermelho-escura a negra, com a parede espessada por
edema e presença de conteúdo hemorrágico no lúmen. O diagnóstico morfológico indica uma alteração
hemodinâmica grave decorrente do comprometimento do fluxo sanguíneo. Qual é o mecanismo patogenético mais
provável para a lesão descrita?
A) Obstrução luminal por enterólito, levando à necrose por pressão.
B) Torção de cólon maior, resultando em infarto hemorrágico por compressão venosa seguida de arterial.
C) Impactação por dieta grosseira, causando isquemia por compressão capilar prolongada.
D) Parasitismo por Strongylus vulgaris, causando tromboembolismo na artéria mesentérica cranial.
E) Enterite clostridial, com produção de toxinas que causam necrose epitelial direta.
66. Em um rebanho bovino mantido em pastagens degradadas com presença de Brachiaria decumbens, vários
animais jovens começaram a apresentar fotossensibilização cutânea, especialmente em áreas de pele
despigmentada, além de icterícia moderada e edema de face. Na análise histopatológica do fígado, observou-se
proliferação de ductos biliares, fibrose periportal e presença de cristais birrefringentes no interior de ductos biliares.
Considerando o quadro clínico-patológico, qual a causa correta da fotossensibilização observada?
A) Ingestão direta de substâncias fotodinâmicas presentes na planta (fotossensibilização primária).
B) Deficiência de vitamina B12, que altera o metabolismo da clorofila.
C) Lesão hepática que impede a excreção da filoeritrina, um metabólito da clorofila (fotossensibilização secundária
ou hepatógena).
D) Reação de hipersensibilidade do tipo I mediada por IgE após exposição solar.
E) Intoxicação por cobre, que causa hemólise intravascular e deposição de pigmento na pele.
67. Uma fêmea canina, Poodle, 8 anos, obesa, é levada à clínica com histórico de vômitos persistentes, dor
abdominal intensa em "posição de prece" e anorexia após ter ingerido restos de um churrasco gorduroso. Os exames
laboratoriais revelam leucocitose com desvio à esquerda e aumento significativo de lipase e amilase.
Sobre a patogenia da Necrose Pancreática Aguda nesta espécie, assinale a alternativa CORRETA:
A) A lesão inicia pela ativação intracitoplasmática prematura do tripsinogênio em tripsina nas células acinares.
B) A doença é causada primariamente por uma infecção bacteriana ascendente via ducto pancreático.
C) A ingestão de gordura causa hiperplasia nodular pancreática, que obstrui mecanicamente os ductos.
D) A deficiência de insulina é o gatilho principal para a liberação de enzimas hidrolíticas no interstício.
E) Trata-se de uma reação autoimune onde anticorpos atacam especificamente as ilhotas de Langerhans.
68. Um filhote de cão de 4 meses apresenta diarreia hemorrágica de odor fétido, desidratação severa e vômitos. O
hemograma revela uma panleucopenia acentuada. No exame anatomopatológico, o intestino delgado apresenta
serosa fosca e mucosa intensamente avermelhada. Histologicamente, observa-se necrose das células das criptas
intestinais e atrofia acentuada das vilosidades. Por que o Parvovírus Canino causa a necrose das criptas?
A) Porque o vírus possui tropismo por células com baixa taxa de replicação (células estáveis).
B) Porque o vírus se replica no lúmen intestinal e destrói as células por contato direto (efeito citopático externo).
C) Porque o vírus infecta preferencialmente células em alta atividade mitótica, como as do epitélio das criptas e
tecidos linfoides.
D) Porque a lesão é secundária à isquemia causada por trombose dos vasos da submucosa.
E) Porque o vírus induz a formação de sincícios que bloqueiam a absorção de nutrientes.
69. Durante o exame de um bovino confinado que recebia dieta rica em grãos, o veterinário observa aumento de
volume no flanco esquerdo, desconforto respiratório e morte súbita. Na necropsia, nota-se a presença de uma "linha
de timpanismo" no esôfago (palidez na porção intratorácica e congestão na porção cervical) e o rúmen repleto de
espuma misturada ao conteúdo alimentar. Qual é a classificação e a causa principal desta alteração ruminal?
A) Timpanismo secundário (gasoso), causado por obstrução física do esôfago por corpo estranho.
B) Acidose ruminal crônica, levando à atonia por destruição da microbiota celulolítica.
C) Timpanismo primário (espumoso), causado pela formação de uma espuma estável que impede a eructação,
associado a dietas ricas em grãos ou leguminosas.
D) Reticuloperitonite traumática, causando paralisia do nervo vago (Síndrome de Hoflund).
E) Putrefação post mortem, que gera acúmulo de gases em todos os compartimentos gástricos.
70. Durante a necropsia de um equino idoso, que veio a óbito por causas não relacionadas ao sistema digestório, o
patologista observa na mucosa gástrica, especificamente na região aglandular (escamosa) próxima ao margo
plicatus, dezenas de larvas de coloração avermelhada, cilíndricas, com fileiras de espinhos cuticulares, firmemente
aderidas à mucosa. Ao remover as larvas, notam-se pequenas escavações em "cratera" com fundo levemente
avermelhado. Sobre o achado descrito, assinale a alternativa CORRETA:
A) Essas lesões são causadas por Habronema muscae e resultam sempre em gastrite ulcerativa severa com
perfuração gástrica imediata.
B) As crateras observadas representam o local de fixação das larvas de Gasterophilus spp., sendo geralmente
achados incidentais de necropsia sem causar sinais clínicos graves, a menos que a infestação seja massiva.
C) A presença dessas larvas na porção aglandular indica que se trata obrigatoriamente da espécie Gasterophilus
intestinalis, que migra diretamente da pele para o duodeno.
D) O principal dano causado por esses parasitas é a anemia hemolítica profunda, devido ao hábito hematófago das
larvas de terceiro estágio (L3).
E) As crateras são na verdade neoplasias (carcinomas de células escamosas) induzidas pela presença crônica do
parasita.
71. Um lote de ovinos apresenta emagrecimento progressivo, palidez acentuada de mucosas (anemia) e um edema
submandibular proeminente conhecido popularmente como "papada" ou "queixo de garrafa". Não há histórico de
diarreia no rebanho. Na necropsia de um dos animais, o abomaso apresenta conteúdo líquidoavermelhado e
inúmeros parasitas delgados (cerca de 2 cm) com aspecto de "fio de poste de barbeiro" (listras brancas e vermelhas
espiraladas). As pregas do abomaso estão intensamente edemaciadas. Qual é o mecanismo patogenético que
explica o edema (ascite/edema submandibular) observado nesses animais?
A) Aumento da pressão hidrostática devido à IC direita causada pela migração larval no miocárdio.
B) Obstrução dos ductos biliares pelos parasitas adultos, impedindo a digestão de gorduras.
C) Hipoproteinemia (hipoalbuminemia) decorrente do hábito hematófago do parasita, que consome grandes
quantidades de sangue e proteína plasmática.
D) Reação inflamatória local severa que libera citocinas sistêmicas responsáveis por aumentar a permeabilidade
vascular em todo o corpo.
E) Produção de toxinas pelo Haemonchus contortus que causam lesão renal direta e proteinúria.
72. Em ruminantes, o abomaso pode ser alvo de diferentes parasitas. Enquanto o Haemonchus contortus é
conhecido pelo consumo direto de sangue, outro parasita, o Ostertagia ostertagi (em bovinos), causa uma lesão
característica na mucosa que prejudica a digestão química. Diferente da Haemoncose, a Ostertagiose causa uma
alteração morfológica específica na mucosa abomasal conhecida como:
A) "Língua de geada", caracterizada por placas esbranquiçadas de fibrina.
B) "Aspecto de couro marroquino" devido à hiperplasia das glândulas gástricas e perda das células parietais.
C) "Botão de camisa", que são úlceras profundas e circulares com bordas elevadas.
D) "Melena", que é a presença de sangue digerido apenas na porção final do intestino grosso.
E) "Caquexia gorda", onde o animal mantém a gordura cavitária mas perde massa muscular.
73. Um cão da raça Shih-Tzu, 8 anos, é levado ao veterinário com histórico de vômitos há 2 dias. O tutor descreve
que os episódios mais recentes contêm um material escuro, de aspecto granuloso e cor que lembra "pó de café" ou
"borra de café". O animal está prostrado e com mucosas pálidas. Considerando a fisiopatologia desse tipo de vômito,
o termo técnico adequado para essa apresentação e o local de origem do sangramento mais provável são:
A) Hemoptise; sangramento originado no trato respiratório superior.
B) Melena; sangue digerido eliminado exclusivamente pelas fezes.
C) Hematêmese (em "borra de café"); indica sangramento no trato digestório alto (esôfago, estômago ou duodeno),
onde o sangue foi exposto ao ácido clorídrico, sofrendo oxidação e digestão parcial da hemoglobina.
D) Hematoquezia; presença de sangue vivo nas fezes ou vômito.
E) Epistaxe deglutida; sangue do nariz que foi engolido e depois vomitado sem alteração química.
74. Uma égua adulta apresenta episódio agudo de diarreia, com grande volume de conteúdo líquido. Misturado às
fezes, observa-se sangue de coloração vermelho-vivo, em estrias, juntamente com coágulos. Não há melena
associada. Correlacione esse achado com o segmento intestinal mais provável de estar sendo a fonte do
sangramento e a terminologia CORRETA.
A) Melena; o sangramento é originário do intestino delgado (jejuno e íleo).
B) Hematoquezia; o sangue vermelho-vivo indica que não houve digestão enzimática ou bacteriana significativa,
sendo proveniente do intestino grosso (cólon ou reto).
C) Hematêmese; o sangue foi expelido junto com as fezes porque o animal vomitou e defecou simultaneamente.
D) Hemoptise; o sangue foi tossido previamente e deglutido muito rapidamente.
E) Melena e hematoquezia são sinônimos que indicam cronicidade da diarreia.
75. Em uma granja, leitões de 8 semanas apresentam diarreia que começa amarelada e evolui para fezes líquidas
contendo sangue fresco, muco e fragmentos de fibrina. Alguns animais morrem repentinamente com palidez de
mucosas. À necropsia, as lesões estão restritas ao cólon espiral, com mucosa espessada e recoberta por
pseudomembranas. Qual o termo para a presença de sangue nas fezes nesse caso e qual a provável doença?
A) Melena; úlcera gástrica.
B) Icterícia; leptospirose.
C) Hematêmese; vólvulo intestinal.
D) Melena; enteropatia proliferativa suína.
E) Hematoquezia/enterorragia; disenteria suína (Brachyspira hyodysenteriae).
76. Um filhote de cão SRD, 3 meses, não vacinado, apresenta vômito, diarreia com sangue vermelho-vivo e odor
fétido intenso, depressão e febre. O tutor está confuso, pois em uma consulta anterior, um outro veterinário lhe
disse que "sangue escuro nas fezes é pior". Sobre a associação da cor do sangue com a gravidade da doença, assinale
a alternativa CORRETA:
A) Sangue vermelho-vivo (hematoquezia) indica, por si só, uma lesão menos grave.
B) A cor do sangue está relacionada principalmente ao local do sangramento e ao tempo de trânsito intestinal, não
sendo um indicador direto da gravidade da perda sanguínea ou do prognóstico. Sangramentos volumosos no cólon
podem ser tão fatais quanto os do estômago. A parvovirose, por exemplo, pode causar hematoquezia grave e fatal.
C) Sangue escuro (melena) sempre significa câncer gástrico em estágio terminal.
D) Sangue vermelho-vivo nas fezes é um achado normal em filhotes durante a troca de dentição.
E) A presença de melena exclui automaticamente doenças infecciosas como a parvovirose.
77. Um cão intoxicado por rodenticida anticoagulante (ex.: brodifacoum) é levado à emergência. Além da apatia e
palidez extrema, o animal apresenta vômito com sangue vivo, fezes enegrecidas (melena) e múltiplas equimoses na
pele. A combinação de hematêmese e melena nesse caso de coagulopatia indica:
A) Um sangramento exclusivo e isolado no reto.
B) Um sangramento difuso por todo o trato digestório (alto e baixo), devido à falha generalizada na coagulação,
afetando qualquer ponto do sistema.
C) Uma perfuração gástrica causada diretamente pelo veneno.
D) Um erro de diagnóstico, pois rodenticidas não causam sangramento digestório.
E) Uma reação alérgica ao veneno.
78. As úlceras gástricas em equinos adultos, comuns em animais de esporte, podem se manifestar clinicamente de
forma sutil. Sabendo da fisiopatologia, qual achado clínico ou laboratorial poderia ser atribuído a um sangramento
crônico e de baixo volume por uma úlcera gástrica?
A) Hematêmese franca com sangue vivo e hipotensão aguda.
B) Melena intermitente ou anemia ferropriva (microcítica hipocrômica) por perda sanguínea crônica e insidiosa,
muitas vezes sem alteração macroscópica visível nas fezes.
C) Hematoquezia com coágulos e tenesmo.
D) Enterorragia com prolapso retal.
E) Hemoperitônio agudo.