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História da Psicologia - Anotações

Notas sobre Introdução à História da Psicologia e antecedentes filosóficos. Aborda início científico (Wundt 1879), pluralidade, tipos e abordagens historiográficas (presentismo/historicismo; interna/externa; personalista/naturalista), Zeitgeist e influências da filosofia grega (Tales, Heráclito, Alcmeão, Pitágoras, Anaxágoras) com vínculos às correntes psicodinâmica, biológica e Gestalt.

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Bruna Moura

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<p>iNTRODUÇÃO À HISTÓRIA DA PSICOLOGIA</p><p>Início da Psicologia como ciência</p><p>● Final do século XIX (1879) - Wundt construiu os fundamentos básicos para que a</p><p>psicologia fosse uma ciência, mas já existiam diversas questões vinculadas à</p><p>psicologia na antiguidade (raízes filosóficas).</p><p>● A Psicologia é uma ciência plural - apesar de ter um objeto de estudo</p><p>(comportamento humano) existem fragmentos e diversos agrupamentos de ideias e</p><p>estudos que explicam de maneiras diferentes o mesmo objeto.</p><p>● A história da Psicologia traz um sentido de unidade a essa ciência que é tão</p><p>fragmentada.</p><p>● “Conhecer a sua história é conhecer melhor o seu próprio objeto de estudo: o ser</p><p>humano, seu desenvolvimento, seu estado atual e seu provável futuro.”</p><p>● Tipos de história:</p><p>1. Historiografia - escrita da história, é uma forma descritiva de se estudar o passado,</p><p>faz descrição de fatos preservando a autenticidade destes;</p><p>2. Historicidade - faz uma análise do material descritivo, os fatos descritos são</p><p>analisados à luz do contexto da época, inserindo-os em um contexto ainda maior.</p><p>Analisa os antecedentes e as consequências para uma melhor compreensão.</p><p>Levanta hipóteses.</p><p>● Abordagens:</p><p>1. Presentismo - interpreta o passado com base nos conhecimentos e valores atuais;</p><p>2. Historicismo - interpreta o passado considerando os valores e conhecimentos da</p><p>época.</p><p>3. Interna - descrição e análise exclusivamente dos eventos da história da psicologia</p><p>(as teorias dos pensadores apenas);</p><p>4. Externa - considera as influências externas sobre os eventos históricos (considera o</p><p>contexto em que o pensador estava inserido ao criar sua teoria);</p><p>5. Personalista - analisa a história da Psicologia pelo ponto de vista das grandes</p><p>personalidades, como seus verdadeiros motores;</p><p>6. Naturalista - enfatiza o clima intelectual e cultural da época (ou seja, o Zeitgeist)</p><p>● Zeitgeist - diversos fatores levam variadas pessoas a terem a mesma ideia, ou seja,</p><p>se não fosse aquele pensador específico, algum outro desenvolveria o mesmo</p><p>pensamento, pois o momento histórico social estava propício e favorecia o</p><p>desenvolvimento daquela linha de pensamento.</p><p>● Armadilha do Zeitgeist - não se deve levar a ideia de Zeitgeist ao extremo, não é</p><p>algo sobrenatural onde as pessoas vão chegar a ideia quer queiram, quer não; logo,</p><p>mesmo sendo um momento favorável para uma ideia surgir, isso não exclui o fato de</p><p>que é preciso que a pessoa seja capacitada para perceber e publicar tal ideia.</p><p>● História Velha (até final do século XIX) - visão presentista, interna e personalista;</p><p>● História Nova (a partir do século XX) - visão historicista, externa e naturalista.</p><p>● Deve-se adotar uma postura crítica, é preciso conhecer a biografia dos pensadores</p><p>envolvidos mas sem perder de vista a complexidade dos fatos históricos; deve-se</p><p>buscar no passado os fatores ou causas dos fatos atuais, mas sem deixar de</p><p>compreendê-los a luz do próprio período em que estavam inseridos; deve-se estudar</p><p>o desenvolvimento das correntes psicológicas e contextualizá-las com as forças</p><p>externas que as condicionam.</p><p>ANTECEDENTES FILOSÓFICOS</p><p>● A raiz da Psicologia se dá na Filosofia (a partir da Idade Antiga);</p><p>Filosofia Grega</p><p>- Idade Antiga</p><p>● Período Cosmológico - as coisas eram explicadas através da criação de mitos e</p><p>pensamentos mágicos (não se considera o período cosmogênico pois ele vem antes</p><p>do pensamento racional).</p><p>● Tales de Mileto (séc. VII a.C) - rompeu com o período cosmogênico e com a tradição</p><p>mítica, pensou a natureza além das necessidades práticas; criou o conceito de</p><p>‘Archi’ na tentativa de explicar a origem das coisas resumindo a um único elemento</p><p>(elementarismo); dá origem ao pensamento lógico e racional (racionalismo).</p><p>● Heráclito de Éfeso (540 a.C) - a natureza está em constante mudança e essa</p><p>constante mutação só vai ocorrer com o encontro dos opostos; para ele, o elemento</p><p>primordial é o fogo, e um elemento novo só surge do confronto entre fogo e água;</p><p>acreditava na energia psíquica (consciente X inconsciente) (enantiodromia).</p><p>● Alcmeão de Creatina (580 a.C) - é considerado o iniciador das abordagens</p><p>biológicas, afirmava que os pensamentos e emoções (psique) estão no cérebro.</p><p>● Pitágoras de Samos (570 a.C) - tudo que existe se explica matematicamente (leis da</p><p>imanência); acreditava na transcendência (alma imortal e além do corpo –</p><p>influenciou as teorias psicodinâmicas ao crer em uma estrutura psíquica que</p><p>sobrepõe-se ao corpo).</p><p>● Anaxágoras de Clazômenas (499 a.C) - ao observar as plantas, afirmou que a</p><p>origem de todas as coisas se encontravam em sementes (homeomerias - núcleos</p><p>originários de tudo que existe e que estariam no ínicio, no magma – ex.: átomos de</p><p>H+ como uma semente originária); acreditava na existência de um Nous (razão</p><p>divina de onde tudo surge para que tudo exista de maneira harmônica); afirmou que</p><p>a totalidade é maior que a soma das partes (influenciou a teoria Gestaltista, que</p><p>afirma que toda percepção da realidade é sempre maior que a soma das partes).</p><p>● Demócrito de Abdera (460 a.C) - acreditava que tudo vem de um átomo (atomista</p><p>geométrico) e que o corpo humano também é formado de elementos indivisíveis;</p><p>possuía um pensamento determinista e mecanicista; influenciou o Behaviorismo</p><p>(que estuda os elementos básicos do comportamento, com o objetivo de prevê-lo ou</p><p>modificá-lo).</p><p>● Hipócrates (460 a.C) - é considerado o pai da medicina, criou uma tese onde as</p><p>pessoas podiam ser classificadas pelos seus humores.</p><p>● Sócrates (séc. IV a.C) - acredita que o cerébro é a sede da vida humana e que ele</p><p>desenvolve as atividades da mente (Pensamento, imaginação, memória, sonhos);</p><p>afirmava que o sujeito é duplo - composto tanto de carne, quanto de abstração (criou</p><p>a problemática de “Mente e corpo são separados ou um só?”.</p><p>● Platão - dualista; acreditava que o corpo e mente são separados, existindo a psiquê</p><p>(mundo das ideias) e o corpo (mundo da concretude), e que o corpo é como uma</p><p>‘marionete’ da mente (entidade psíquica);</p><p>● Aristóteles - monista; acreditava que o corpo e mente atuam como uma coisa só e</p><p>que são inseparáveis, existindo um organismo com coisas materiais e imateriais mas</p><p>que estão juntos, não existindo uma fronteira entre essas duas partes.</p><p>- Da Grécia Antiga à Idade Moderna</p><p>● Tomás de Aquino - acreditava que aspectos distintos poderiam coexistir e que a</p><p>religião não são oposto, mas sim que coexistem;</p><p>● Renascimento Cultural:</p><p>- Pensamento Medieval: teocentrismo, verdade = bíblia, conformismo, fé,</p><p>natureza = pecado, ascetismo;</p><p>- Pensamento Renascentista: antropocentrismo, experimentação, observação,</p><p>hedonismo, crença no progresso, natureza = beleza, razão.</p><p>● Início da Ciência:</p><p>- Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, Francis Bacon, Johannes Kepler - buscam</p><p>explicações não somente pelo racionalismo mas também pela observação,</p><p>experimentação e mensuração;</p><p>- Surgimento do método científico e de correntes filosóficas baseadas nisso;</p><p>- O surgimento dos relógios e autômatos implicou no Zeitgeist mecanicista - a</p><p>ideia de que o universo funciona por leis e que cada peça move a outra em</p><p>um conjunto harmônico - interpretação do mundo e do homem como uma</p><p>máquina; se conhecer as peças e entender como elas funcionam, se é capaz</p><p>de explicar tudo;</p><p>- Reducionismo - princípio mecanicista que dizia que para entender uma</p><p>máquina, deve-se desmontá-la, reduzir as menores partes;</p><p>- Determinismo - uma causa define o movimento de outra (relação</p><p>causa-consequência); ao entender como as peças interagem, entende-se o</p><p>fenômeno;</p><p>- Dentro do movimento mecanicista, o princípio do reducionismo e</p><p>determinismo explicam o funcionamento das coisas e influencia no início da</p><p>psicologia ao aplicar-se aos seres humanos também;</p><p>- René Descartes - “eu duvido, logo penso, logo existo”; último grande nome</p><p>do racionalismo; não se conhece o mundo real, e sim a impressão que o</p><p>indivíduo tem sobre ele, assim, a única coisa que podemos confiar é a</p><p>mente; considerou o pensamento como a única coisa concreta, ainda que ele</p><p>seja abstrato (o pensamento é a única realidade concreta pois a realidade do</p><p>resto do mundo é subjetiva); concorda com Platão que existe uma relação</p><p>entre mente-corpo, mas não considera o corpo como um mero fantoche da</p><p>mente, acreditava que existia uma relação mútua de troca;</p><p>- Novas forças do século XIX</p><p>- Materialismo - pregava que só é possível acreditar naquilo que é</p><p>material/físico; qualquer ideia deveria ser comprovada em laboratório;</p><p>- Positivismo - é mecanicista e utilitarista; para uma ideia ser válida, ela deve</p><p>ser comprovada e útil; “Saber para prever, prever para prover” - August</p><p>Comte;</p><p>- Empirismo - o mundo só é conhecido pela observação e experiência; se opõe</p><p>ao pensamento de Descartes; John Locke era adepto;</p><p>- Associacionismo - tenta explicar a mente humana como sendo uma cadeia</p><p>complexa de associações de ideias;</p><p>Antecedentes fisiológicos</p><p>● Os aspectos fisiológicos foram importantes para o surgimento da psicologia como</p><p>ciência, visto que ela se inicia como ciência experimental a partir das experiências</p><p>realizadas no campo da fisiologia; a psicologia era muito vinculada à medicina;</p><p>● Grande parte das descobertas desse período aconteciam na Alemanha, devido ao</p><p>alto número de universidades, liberdade de pensamento e pesquisa, ou seja, as</p><p>grandes descobertas aconteceram lá considerando-se o contexto histórico em que</p><p>ela estava inserida;</p><p>- Hermann von Helmholtz (1821 - 1894)</p><p>- Fisiologista alemão que fez estudos vinculados ao conjunto sensorial do corpo,</p><p>buscando entender como as sensações se davam;</p><p>- Afirmou que as informações percorrem até o cérebro em 27 m/s;</p><p>- Ernst Weber (1795 - 1878)</p><p>- Realizou experiências sobre as sensações táteis e musculares;</p><p>- Princípio do limiar de dois pontos: existe uma distância mínima para que dois</p><p>pontos sejam sentidos como pontos distintos; Ex.: se colocarmos duas pontas de</p><p>lápis bem juntas sob a pele, iremos sentir apenas uma, mas à medida que formos</p><p>separando essas pontas, passaremos a sentir as duas de forma distinta;</p><p>- Princípio da diferença apenas perceptível: só se consegue distinguir a diferença</p><p>entre pesos, a partir de uma diferença mínima;</p><p>- Não é possível estabelecer uma distância mínima ou peso mínimo de maneira</p><p>universal pois a percepção muda entre os indivíduos;</p><p>- Theodor Fechner (1801 - 1887)</p><p>- Estudou a relação quantitativa entre uma sensação mental e um estímulo físico -</p><p>relação sensação/percepção;</p><p>- Limiar absoluto - quantidade mínima de estímulo que tem que acontecer para que</p><p>ele seja percebido pelo indivíduo (cada pessoa tem um);</p><p>- Limiar diferencial - uma intensidade mínima necessária para mudar a percepção de</p><p>algo;</p><p>- Paralelismo psicofísico - é possível estudar o mundo tanto pela percepção que se</p><p>tem dele, quanto por ele próprio – o aspecto físico e o psíquico são dois pontos de</p><p>vista de um mesmo fenômeno; o que acontece no corpo, acontece paralelamente na</p><p>mente e o que acontece na mente, acontece paralelamente no corpo;</p><p>- A partir dessa descoberta, a psicologia vai começar a tornar-se uma ciência</p><p>autônoma e separada da fisiologia/medicina;</p><p>- A psicofísica é uma proposta de superação do mecanicismo, destacando uma área</p><p>de intermédio entre o interno e o externo; o corpo e a mente interagem entre si,</p><p>sendo a relação mente-corpo interdisciplinar;</p><p>A fundação da Psicologia Experimental</p><p>● Wundt</p><p>- Era mecanicista/materialista;</p><p>- Fundador da psicologia como ciência;</p><p>- Abriu o laboratório em Leipzig em 1879 - considerado ano da fundação da</p><p>Psicologia;</p><p>- Voluntarismo de Wundt;</p><p>- “1° Compêndio de Psicologia” (1896) - 1° grande obra que posiciona a</p><p>psicologia como ciência, indo contra a ideia da Psicologia como “ciência da</p><p>alma” ou “ciência da mente”;</p><p>- Pretendia estudar a Psicologia através do método científico e, por isso, fazia</p><p>uma Psicologia Experimental; não aceitava aquilo que não podia ser</p><p>experimentado;</p><p>- Para Wundt, o objeto de estudo da psicologia experimental é a consciência, o</p><p>que ele chamou de experiência imediata;</p><p>- Seu método era empírico e reducionista (introspecção controlada), visando</p><p>entender como a consciência funciona;</p><p>- Consciência = processo mental fruto do cérebro; para Wundt, processos</p><p>mentais complexos resultam de elementos simples, sendo que ele buscava</p><p>conhecer quais eram essas menores partes (elementos simples) -</p><p>reducionismo;</p><p>- Wundt era reducionista e mecanicista, logo, para ele poderia dividir a</p><p>consciência em elementos mais puros;</p><p>- Voluntarismo - a consciência como um ato voluntário, o indivíduo conseguia</p><p>auto organizar-se a partir de elementos básicos da consciência;</p><p>- Experiência Imediata: vem do primeiro instante de contato com a realidade</p><p>(processo primário); liga-se a observação; trata do brilho, cor, forma, etc;</p><p>- Experiência Mediata: é uma análise da experiência imediata, posterior a</p><p>vivência (processo secundário), liga-se a interpretação; trata do objeto em si;</p><p>- Toda consciência é consciência de alguma coisa, logo ela é formada por</p><p>elementos que recebemos do mundo exterior;</p><p>- Introspecção: método de auto observação utilizado por Wundt para</p><p>compreensão da experiência imediata; perpassa pela apercepção;</p><p>- Apercepção: descriminação dos sentidos onde ao invés de traduzir algo,</p><p>descreve-se como ele é; essa experiência seria subjetiva pois podemos obter</p><p>sentidos diferentes;</p><p>- Para realizar tal experiência de forma controlada/científica, ele vai criar</p><p>laboratórios para tanto, buscando a validade científica a partir de máquinas;</p><p>contudo, tratando-se da experiência mediata, não era possível utilizar</p><p>máquinas/experimentos, para isso, então, ele desenvolveu a síntese criativa;</p><p>- Síntese criativa: Wundt afirmou que a vida psíquica, ou seja, a parte</p><p>psicológica do processo da experiência, é composta por elementos simples</p><p>que tem como base os sentidos porém passando a etapa das sensações</p><p>(imediata) e posteriormente entrando no campo do subjetivo do ser humano,</p><p>de modo que ao entrar nessa esfera subjetiva, a experiência não é</p><p>mensurável cientificamente/objetivamente. Logo a consciência vai ser fruto</p><p>dos elementos da experiência imediata + um processo subjetivo, o qual a</p><p>ciência não tinha como estudar, de modo que o resultado final vai ser maior</p><p>que a soma das partes, já que está embutido também toda uma experiência</p><p>de vida, o que é imensurável;</p><p>- Causalidade psíquica (a psicologia como a mãe de todas as ciências): tudo</p><p>que existe só é possível porque tem uma mente que pensa, e é a Psicologia</p><p>que vai estudar a mente; a consciência é a causalidade psíquica de tudo que</p><p>existe;</p><p>- Wundt contribuiu para a Psicologia a partir do rigor científico, levando em</p><p>conta também o relato verbal e a utilização de métodos;</p><p>O ESTRUTURALISMO DE TITCHENER</p><p>● Wundt fundou a ciência, mas Titchener quem criou a 1° escola da Psicologia;</p><p>● Inspirou-se na teoria de Wundt mas propôs uma nova abordagem denominada</p><p>“estruturalismo”, a qual não teve tanto êxito na Inglaterra (seu país de origem), mas</p><p>sucedeu bem nos EUA devido seu grande interesse na Psicologia para solução de</p><p>problemas;</p><p>● Objeto: a experiência consciente vivida pelo observador (= Wundt);</p><p>● Objetivo: queria descobrir quais os elementos básicos que estruturam a consciência</p><p>(elementista); “átomos da mente” - buscava um elemento fundamental que formava</p><p>a consciência (analogia aos pré-socráticos);</p><p>● Ciência básica - despreocupada com resultados, buscava apenas o conhecimento,</p><p>não se vinculava ao utilitarismo (o que com o passar do tempo influenciou no</p><p>desentusiasmo dos países com a sua teoria);</p><p>● Para ele, a consciência é a soma das experiências num dado momento de tempo</p><p>(ou seja, a soma das partes é igual ao resultado final, o que distinguia de Wundt);</p><p>● Mente = soma das experiências acumuladas ao longo da vida (diferente de Wundt</p><p>que afirmava que não era possível entender totalmente a mente pois ela era algo</p><p>muito maior);</p><p>● Acreditava que era possível treinar os indivíduos para realizarem a introspecção e</p><p>fugir do erro do estímulo e não confundir as experiências;</p><p>● Erro de estímulo = ocorre quando o observador interpreta o objeto em vez de</p><p>analisá-lo, deixando de lado suas características em favor de uma descrição</p><p>mais</p><p>simples e conhecida;</p><p>● Objetivos da introspecção: reduzir os processos conscientes às suas estruturas mais</p><p>básicas; identificar as leis de associação; conectar os elementos mentais à sua</p><p>contraparte fisiológica;</p><p>● Afirmou que existem 3 elementos da consciência: sensações, imagens e estados</p><p>afetivos;</p><p>1. Sensações (sensorial - sentidos): porta de entrada da experiência pois capta</p><p>informações do mundo exterior; é considerado um elemento concreto (possui</p><p>validade no mundo exterior, ainda que possível de enganos); ocorre a partir</p><p>do estímulo físico; é fixada no momento presente;</p><p>2. Imagens (pensamento): possibilita a visualização mental e a construção de</p><p>cenários mentais, possíveis de antecipar ou lembrar sensações e produzir</p><p>sentimentos; é abstrato (não possui validade no mundo exterior pois é</p><p>controlado pelo próprio sujeito); não são fixados no tempo presente, pode</p><p>sempre lembrar ou antecipar; não é possível afirmar onde termina a</p><p>sensação e começa o pensamento;</p><p>3. Estados afetivos: união das sensações e das imagens; se trata das</p><p>sensações, só podem estar no presente, ou seja, são elementos da emoção</p><p>que estão presentes em uma experiência, tal como o amor, o ódio, medo ou</p><p>tristeza;</p><p>● Semelhanças entre Wundt e Titchener: ambos tiveram como objeto a consciência;</p><p>possuíam uma visão mecanicista e reducionista; eram atomistas; utilizavam bases</p><p>fisiológicas; as pesquisas possuíam caráter científico;</p><p>● Titchener não usou de experimentação laboratorial, porém utilizou de observadores;</p><p>● Distinções:</p><p>Voluntarismo Estruturalismo</p><p>Uso de equipamentos Uso de observadores</p><p>Visão do todo (síntese) Visão das partes (elementos)</p><p>Pesquisa quantitativa Pesquisa qualitativa</p><p>O FUNCIONALISMO DE WILLIAM JAMES</p><p>● Psicologia das utilidades ao invés de “por que isso?” vai ser “pra que isso?”</p><p>● Tudo na mente existe para capacitar a sobrevivência e a se adaptar ao ambiente;</p><p>● Paralelismo psicológico: o que acontece no corpo acontece na mente e vice-versa;</p><p>● Monismo: se a natureza fez uma coisa só, é irrelevante os separar, é melhor</p><p>pensá-los como uma coisa só;</p><p>● Para eles, a consciência não tem função de conhecer e sim de adaptar, entrando no</p><p>modo filosófico do pragmatismo</p><p>● O Zeitgeist estadunidense: um espírito pragmático; ligava apenas para o que dá</p><p>resultado;</p><p>- Influências do Zeitgeist: Para o estudo psicológico: promover soluções para</p><p>problemas mentais/para entender comportamentos (“a psicologia tem que ter</p><p>utilidade”) - influenciou a criação de testes psicológicos; aplicação da</p><p>Psicologia nas necessidades do mercado (contratar pessoas);</p><p>- William James</p><p>● Criou a 3ª escola: Funcionalismo.</p><p>● Critica diretamente o Estruturalismo e o Voluntarismo, para ele, o</p><p>pensamento/consciência não podia ser dividido.</p><p>● Mente = baseada nas funções do cérebro; com a função de nos adaptar ao mundo,</p><p>não tem porque algo surgir se não tem função de sobrevivência; não se pode</p><p>desvincular a consciência de sua função: adaptação e sobrevivência.</p><p>● Para ele a introspecção tem um problema, pois o que é dito nela não é algo</p><p>universal, a partir de minha experiência não é possível generalizar, logo não é útil,</p><p>são apenas abstrações intelectuais;</p><p>● Características da mente: a consciência é um fluxo, ela é fluida e só é interrompida</p><p>pelo sono; é contínua; é seletiva: seleciona apenas uma parte da experiência para</p><p>prestar atenção;</p><p>● Feixes de hábitos: O cérebro economiza energia através dos hábitos; o hábito é</p><p>funcional para a sobrevivência, torna tudo automatizado economizando a energia</p><p>para outras coisas; os hábitos são criados automaticamente e inconscientemente,</p><p>podemos criá-los e mudá-los também conscientemente; não somos escravos dos</p><p>hábitos.</p><p>● William pregava uma visão eclética, criticava o uso de uma única metodologia;</p><p>pode-se usar a introspecção mas não de forma única; também utilizava o método</p><p>comparativo: compararam o comportamento animal e humano; de forma pragmática,</p><p>era mais fácil solucionar o comportamento humano através do animal.</p><p>● Teoria das emoções: Após o organismo perceber um estímulo que de alguma forma</p><p>o afeta (ameaça), sofre alterações fisiológicas perturbadoras (palpitação, falta de ar,</p><p>angústia...); o reconhecimento desses sintomas pelo cérebro gera a emoção;</p><p>- emoção= sentimento das mudanças corporais, as emoções físicas no</p><p>momento em que elas ocorrem (não há emoção sem algum estímulo);</p><p>- o estímulo tem que despertar no sujeito uma reação, e essa afetação vai</p><p>gerar uma reação fisiológica;</p><p>- existem conjuntos de reações como: raiva, amor, medo e o pesar.</p><p>As grandes escolas psicológicas</p><p>● Período das grandes escolas: 1879 - 1960, a partir disso surgiram apenas inovações</p><p>das teorias já existentes;</p><p>● Cada escola tinha a pretensão de ser uma explicação completa e coerente para os</p><p>fenômenos do comportamento humano; a quantidade de informações produzidas, as</p><p>diversidades de pressupostos e de zeitgeist produziu uma ruptura interna na ciência</p><p>da Psicologia = a crise permanente (hoje em dia não se perpetua uma visão de</p><p>superioridade entre as escolas);</p><p>● As grande escolas eram as: teorias psicodinâmicas, teorias da aprendizagem</p><p>(comportamentais), teorias humanistas/existencialistas e teorias disposicionais;</p><p>1. Psicodinâmicas (iniciado por Freud):</p><p>- compreendem que existe uma energia psíquica que compõe a mente e que o</p><p>movimento dessa energia é a causa do comportamento;</p><p>- também afirmam que a mente é formada pelo campo consciente e o</p><p>inconsciente; para algo sair do inconsciente e partir para o consciente,</p><p>demanda muita energia psíquica; tal energia é movimentada pela emoção, o</p><p>que determina que algumas memórias fiquem marcadas na nossa mente;</p><p>- o inconsciente possui baixo valor energético e é onde ocorrem atividades</p><p>psíquicas;</p><p>- Exemplos de teóricos: Freud, Jung, Adler, Melanie Klein, Erikson;</p><p>2. Aprendizagem (comportamentais/sociocognitivas): vão contra a ideia de energia</p><p>psíquica, pois consideram muito abstrato, e na realidade, o comportamento humano</p><p>pode ser explicado simplesmente como algo aprendido;</p><p>- nos comportamos como nos comportamos porque ao entrar em contato com</p><p>o ambiente, aprendemos dessa forma; ou seja, o comportamento é feito</p><p>através da relação com o ambiente e com as pessoas (comportamento é</p><p>aprendido a partir da relação com o meio);</p><p>- Exemplos de teóricos: Skinner e Bandura;</p><p>3. Existencialistas/humanistas (fenomenológico): o comportamento é originado na</p><p>percepção da realidade (não é energia psíquica ou relação com o meio); o indivíduo</p><p>se comporta a partir da forma como percebe e interpreta a realidade, ou seja,</p><p>mudando a interpretação da realidade, modifica-se o comportamento;</p><p>- Homem como ser potencialmente livre (diferente das psicodinâmicas e das</p><p>comportamentais), saudável e criativo;</p><p>- prega a liberdade de escolha do ser humano, de tal modo que, o que o</p><p>impede de escolher é a sua concepção da realidade, alterando isso, ele pode</p><p>escolher mudar;</p><p>- Exemplos teóricos: Carl Rogers; Maslow; Rollo May;</p><p>4. Disposicionais (abordagem de traços): não se preocuparam muito em explicar o</p><p>comportamento humano, mas sim em catalogar o comportamento, buscando a</p><p>possibilidade estatística de dividir os indivíduos por traços;</p><p>- utilizaram muitos testes e experimentos quantitativos para perceber e isolar</p><p>traços, visando um conjunto sistemático de características que possam ser</p><p>utilizadas para resumir a personalidade dos indivíduos;</p><p>- acreditavam que os traços são inatos;</p><p>- Exemplos teóricos: Allport; Cattell; Eysenck;</p><p>● Tais divisões em grandes grupos constituem uma proposta classificatória que ajuda</p><p>na compreensão para fins de estudo.</p><p>Teorias psicodinâmicas</p><p>● O zeitgeist do inconsciente: Freud não criou o inconsciente, antes dele, o</p><p>inconsciente já era pauta, ou seja, o inconsciente é um Zeitgeist; ex.: obra o médico</p><p>e o monstro (1886); ocorreram também descobertas do universo fisiológico de que</p><p>milhares processos químicos ocorrendo na nossa mente, os quais não temos</p><p>consciência; 1869 - surgimento do livro Filosofia do Inconsciente; deslanchou na</p><p>época estudos sobre sexualidade</p><p>e psicopatologias devido a ocorrência da histeria</p><p>na Europa;</p><p>● Influências da Psicodinâmica:</p><p>- 1° Lei da Termodinâmica: princípio de conservação da energia - em um</p><p>sistema a energia não é perdida e nem criada, apenas é transformada; surge</p><p>então a ideia da mente e corpo como um sistema fechado, onde a energia</p><p>psíquica está fluindo o tempo inteiro, assim, ela não é perdida e nem criada,</p><p>mas sim, transformada nos movimentos das funções psíquicas;</p><p>- Darwin (Teoria do Evolucionismo - defende a seleção natural): trazemos em</p><p>nossa genética evolucionária a história de milhões de anos de vida na Terra,</p><p>ou seja, tudo o que temos hoje é instintivo para a adaptação (forças</p><p>instintivas nos conduzem);</p><p>- Filosofia determinista: houve influência do mecanicismo (tudo é explicado</p><p>pelas relações de causalidade; causa e efeito - tudo que há no adulto é uma</p><p>questão de causalidade do desenvolvimento psicossexual da infância) e</p><p>positivismo (além da causa, há um fim - princípio da finalidade; teleologia =</p><p>estudo da finalidade);</p><p>- Gottfried Wilhelm Leibniz: criou o conceito de mônada ao afirmar que o</p><p>psiquismo humano tem átomos, ou seja, uma unidade indivisível que chama</p><p>de mônada (singularidade); a partir disso, afirmou que existem mônadas</p><p>mais ativas (com mais energia) e que produzem percepções mais</p><p>conscientes e mônadas menos ativas (com menos energia) e que produzem</p><p>percepções menos conscientes ou inconscientes; isso influenciou na</p><p>psicodinâmica já que tal teoria acreditava que a consciência exigia muita</p><p>energia psíquica;</p><p>- Johann Friedrich Herbart: criou o conceito de limiar da consciência, sendo</p><p>que o consciente ou inconsciente estão vinculados com a força da</p><p>percepção; afirmava que só chegava à consciência um elemento por vez,</p><p>sendo assim, os estímulos mais fortes são percebidos pela consciência e os</p><p>mais fracos ficam inconscientes;</p><p>- Gustav Theodor Fechner: fez a analogia do consciente/inconsciente e o</p><p>iceberg, afirmando que a parte que emerge e fica na superfície é o</p><p>consciente, e a parte submersa e profunda é o inconsciente.</p><p>- Sigmund Freud:</p><p>● Na 1ª tópica ele vai lançar o conceito do consciente, pré-consciente e inconsciente;</p><p>● Na 2ª tópica ele vai falar sobre os 3 elementos: ID, ego e superego;</p><p>● ID: está todo no inconsciente; “eu quero agora”; é a base de tudo que é do instinto,</p><p>tudo que a consciência não aceita; o instinto é porque somos animais, o pensamento</p><p>não tira de nós a violência, o desejo sexual descontrolado, o medo, etc. Tudo o que</p><p>é vergonhoso e inaceitável é parte de quem somos;</p><p>● EGO: parte na consciência/pré consciente e um pouco no consciente “vamos</p><p>encontrar uma alternativa”; o que nos diferencia dos animais é o Ego;</p><p>● SUPEREGO: “você não pode”;</p><p>● Para Freud, vivemos sempre esmagados por duas grandes forças: ID (desejo) e do</p><p>Superego (conceitos sociais do certo e errado). O Ego vai ser o mediador entre o</p><p>desejo e a regra, ele vai estar sempre pressionado e em conflito;</p><p>● Temos processos metabólicos que geram representações mentais (pulsões) e que</p><p>são energizadas pela libido;</p><p>● A Teoria de Freud é também conhecida como abordagem homeostática: a</p><p>homeostase é o equilíbrio dinâmico do corpo; assim como nosso corpo está o tempo</p><p>todo tentando manter esse equilíbrio, o psiquismo está o tempo todo tentando</p><p>também (o ID ta gerando pressão, o superego tá pressionando contra e o ego tá</p><p>procurando uma alternativa);</p><p>● O princípio do prazer para Freud não é validar a libido, mas sim o fim da tensão.</p><p>- Carl Jung</p><p>● Divide em consciente, inconsciente e inconsciente coletivo;</p><p>- Adler</p><p>● Não acreditava no consciente e inconsciente como lugares, para ele existe</p><p>estado de consciência e estado de inconsciência;</p><p>● Enquanto para Freud e Jung o inconsciente jamais se tornará consciente, para Adler</p><p>isso pode ocorrer.</p>

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