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Aptidões Específicas
Bateria Psicológica para Avaliação
da Atenção (BPA)
Fabián Javier Marín Rueda
Livro VaI. 1
•••
Bateria Psicológica para
Avaliação da Atenção
(BPA)
----- ----------------------------
Fabián Javier Marín Rueda
Bateria Psicológica para
Avaliação da Atenção
(BPA)
1ª edição
2013
Volume 1 - Coleção (BPA)
•
® EDITORA PSICO-PEDAGÓGICA LTDA.~ Vetar Rua Cubatão 48 - CEP 04013-000 - SP
editora Tel. 11113146-0333 - Fax. 11113146-0340
www.vetoreditora.com.brvendas@vetoreditora.com.br
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Rueda, Fabián Javier Marín
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção
(BPA) / Fabián Javier Marín Rueda. -- 1. ed. --
São Paulo: Vetor, 2013. -- (Coleção BPA; v. 1)
Bibliografia.
1. Atenção - Testes 2. Testes psicológicos
Título. lI. Série.
13-04974 CDD - 153.733
Índices para catálogo sistemático:
1. Atenção: Testes: Psicologia 153.733
2. Testes de atenção: Psicologia 153.733
ISBN: 978-85-7585-701-4 (Obra Completa)
ISBN: 978-85-7585-702-1 (Vol. 1)
Projeto gráfico: Vetor Editora
Capa: Vetor Editora
Revisão: Mônica de Deus Martins
Responsável Técnico: Fabián Javier Marin Rueda - CRP: 06/84746
De acordo com o § 10 do Artigo 13 da Lei no 4.119/62, este material é para uso
exclusivo do Psicólogo inscrito no Conselho Regional de Psicologia.
© 2013 - Vetor Editora Psico-Pedagógica Ltda.
É proibida a reprodução total ou parcial desta publicação, por qualquer meio existente e para qualquer finalidade,
sem autorização por escrito dos editores.
Dedico este trabalho as minhas amadas filhas:
Ana Vitória, porque, dia a dia, me faz lembrar que tudo tem seu tempo.
Laura, porque, dia a dia, me mostra quanto amor um pai pode dar,
independentemente do tempo e da distância.
Agradecimentos
A conclusão deste extenso trabalho foi possível graças ao envolvimento de pessoas
que acreditaram e contribuíram na coleta de dados, organização do material, suges-
tões no corpo do trabalho, ou apenas na torcida para que desse certo.
São eles
Os amigos do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu da Universidade São
Francisco: Ana Paula Porto Noronha, Cláudio Garcia Capitão e Makilim Nunes
Baptista. Destaco o meu agradecimento aos amigos Acácia Aparecida Angeli dos
Santos, pela revisão do texto final, e Ricardo Primi, pelas valiosas sugestões e con-
siderações na análise de dados.
O amigo de todas as horas, Alexandre José Raad, coordenador do curso de
Psicologia da Universidade Tiradentes, em Aracaju.
Os alunos, ex-alunos, orientandos e ex-orientandos da Universidade São Francisco:
Edna Maria Brandão, Hugo Ferrari Cardoso, Juliana Carnevalli Nery, Marcelo
Martinelli, Rebecca de Magalhães Monteiro e Robisom Carlos de Lima.
As alunas da primeira turma do curso de Especialização em Psicologia do Trânsito
da Universidade São Francisco/Campinas: Edileine Aparecida Donatti e Patrícia
Maluf.
As alunas da segunda turma do curso de Especialização em Psicologia do Trânsito
da Universidade São Francisco/Campinas: Adriana da Silva, Adriana Massimini
Junqueira, Alzira Martins, Ana Paula Castro, Angela Gutierrez, Débora Terrão,
Elisabeth Aockio,Elizete Cavallante, Fatima Cruz, Jurema Perez, Lais Silvia Duarte,
Raquel Tozador, Sandra Alves, Sandra da Silva, Tatiana Hermeto Moraes e Valéria
Rabelo.
Os alunos da segunda turma do curso de Especialização em Psicologia do Trânsito
da Universidade São Francisco/São Paulo: Ana Regina Coquemala, André Aleixo,
Aparecida Porfírio, Brasilia Struckas, Dimazilda Luz, Dulceneide Silva, Jaqueline
Vailati, Josete Villani, Juliana Nishikawa, Karina de Paula, Lídia Wasik, Maria
Aparecida Gomes, Marisa Gasparotto, Michelle Bravi, Mirtes Lona, Rosemeire dos
Santos, Sandra Zattoni, Silvana Freiman, Suzy Nascimento e Valéria Ambrósio.
Todas as crianças, adolescentes, adultos e idosos, que colaboraram cedendo seu
valioso tempo para responder os instrumentos.
Muito obrigado!
FICHA SÍNTESE
OBJETIVO
A Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) tem como objetivo
mensurar a capacidade geral de atenção, assim como realizar uma avaliação in-
dividualizada de tipos de atenção específicos,quais sejam, Atenção Concentrada
(AC),Atenção Dividida (AD) e Atenção Alternada (AA).
POPULAçÃO
Os estudos da BPA foram desenvolvidos com indivíduos em diferentes fases
do desenvolvimento humano, sendo crianças, adolescentes, adultos e idosos, com
idades variando entre 6 e 82 anos. Dessa forma, as normas de interpretação do
AC,AD,AA e da Atenção Geral estão adequadas para pessoas dessas idades.
CONTEXTOS
A BPA pode servir como instrumento para auxiliar na avaliação de as-
pectos atencionais em diversas áreas, como nos contextos clínico, escolar,
organizacional e do trânsito, assim como na seleção de pessoal, no auxílio ao
diagnóstico de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, em avaliações
neuropsicológicas, dentre outros. Nesse sentido, ressalta-se que o processo
de avaliação psicológica é complexo, devendo ser bem estruturado e envolver
vários procedimentos sistematizados que devem ser seguidos rigorosamente
para que seu resultado seja confiável e útil ao fim que se destina.
MATERIAL
Para a aplicação da BPA são necessários o livro de instruções da bateria,
folha de resposta do AC,AD e AA, caneta azul ou preta para responder os ins-
trumentos, cronômetro ou relógio para marcação do tempo, crivo de correção
específico para cada teste, caneta vermelha para a correção dos instrumentos
e folha de interpretação da BPA.
APLICAÇÃO
A aplicação pode ser individual e coletiva. As instruções contidas na seção
Normas de aplicação devem ser seguidas rigorosamente. No caso da aplicação
coletiva, as pessoas devem estar suficientemente separadas para evitar qual-
quer comunicação. Há um tempo específico para cada teste que compõe a BPA,
sendo 2 minutos para responder o AC, 4 minutos para o AD e 2 minutos e 30
segundos para o AA. O tempo total para aplicação da bateria poderá variar de
acordo com as características de cada pessoa, ou se a aplicação for individual
ou coletiva; mas no geral, não excede 20 minutos. Ressalta-se que a sequência
de aplicação deve seguir a ordem utilizada para a construção da BPA, ou seja,
primeiro deve ser aplicado o AC, depois o AD e, por fim, o AA. Todos os dados
que deram origem à BPA foram coletados no ano de 2011.
SUMÁRIO.
Fundamentação teórica 13
Atenção: breve histórico, definição e tipos 13
Testes de atenção no Brasil e pesquisas desenvolvidas com eles 16
Construção dos itens e dos instrumentos '" 28
Atenção concentrada (AC) 28
Atenção dividida (AD) 29
Atenção alternada (AA) 29
Estudos psicométricos 31
Participantes 31
Relação entre os testes AC/AD/AAda BPA 37
Estatísticas descritivas 39
Evidências de validade 40
Evidências de validade baseadas nas relações com variáveis externas .40
Validade de critério: com a variável idade .40
Validade de critério: com a variável escolaridade 46
Validade convergente: com o Teste de Atenção Concentrada (TEACO-FF)
e com o Teste de Atenção Dividida (TEADI)e Teste de Atenção Alternada (TEALT)...48
Validade com testes que avaliam construtos relacionados: com o
Teste Não Verbal de Inteligência - RI 50
Validade com testes que avaliam construtos relacionados:
com o Teste dos Cubos: para avaliação do raciocínio visuoespacial 53
Precisão 55
Síntese dos estudos psicométricos 58
Normas 60
Normas de aplicação 60
População-alvo 60
Material , 60
Preparação para testagem : 60
Instrução 61
Normas de correção : 62
Normas de interpretação 63
Exemplos de protocolos avaliados e sínteses da BPA 72
Exemplo 1 72
Síntese 1 78
Exemplo 2 80
Síntese 2 87
Exemplo 3 88
Síntese 3 95
Referências 97
Sobre o autor 99
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
ATENÇÃO: BREVE HISTÓRICO, DEFINIÇÃO E TIPOS
Em meados do século XIX Herman von Helmholtz começou a investigar de
forma sistemática o construto da atenção, podendo ser destacado como o primeiro
pesquisador sobre o assunto. Seus experimentos mostraram a capacidade da visão
humana para direcionar a atenção--- --- 1 0,1
82 1 --- --- 1 2 0,1
Total 190 385 373 758 1706 100
1 = Educação de Jovens e Adultos (EJA); 2 = Ensino Fundamental regular completo e incompleto; 3
= Ensino Médio completo e incompleto; 4 = Ensino Superior completo e incompleto.
36 Fabián Javier Marín Rueda
Na Tabela 2 observa-se que os participantes do EJA tinham 15 anos ou mais,
enquanto no Ensino Médio os participantes tinham 16 anos ou mais e no Ensino
Superior 17 ou mais. No que se refere ao Ensino Fundamental completo ou in-
completo, deve-se fazer uma ressalva, uma vez que na amostra havia crianças e
adolescentes que estavam regularmente matriculados em escolas e cursando os anos
letivos, bem como podem ser encontrados participantes que já tinham concluído
seus estudos nesse nível de escolaridade, mas que tinham uma idade maior. Nesse
sentido, os participantes do Ensino Fundamental podem ser divididos em dois
grupos: até os 16 anos eram crianças e adolescentes regularmente matriculados e
cursando a escola, o que representa 287 sujeitos; enquanto os participantes dessa
escolaridade que tinham 17 anos ou mais eram pessoas que informaram esse
nível de escolaridade, mas que já tinham concluído ou parado os estudos, o que
representou 98 indivíduos.
Com relação à idade em cada um desses cinco grupos de escolaridade, os indiví-
duos com Ensino Fundamental já concluído apresentaram a maior média de idade
(46,17, DP=16,17), variando de 17 a 81 anos. Por sua vez, o Ensino Fundamental
em andamento apresentou uma média de idade de 10,82, com um desvio-padrão
de 2,41, e variando de 6 a 16 anos. Já no EJA, a idade variou de 13 a 82 anos
(M =36,93, DP= 18,10),e a média nos Ensino Médioe Superior foi semelhante (32,17
e 30,38 respectivamente), sendo que no Ensino Médio variou de 16 a 80 anos, e no
Superior de 17 a 82 anos de idade. Quanto ao sexo dos participantes separados por
escolaridade, destaca-se que apenas no Ensino Superior foi observado um número
maior de mulheres em relação ao de homens (59,2% e 40,8%, respectivamente).
RELAÇÃO ENTRE OS TESTES AC/AD/AA DA BPA
Neste estudo participaram todos os sujeitos descritos em "participantes". O
primeiro passo foi realizar um gráfico de dispersão entre os testes (Figura 3), que
mostra uma nítida tendência de relação positiva entre eles.Além disso, pela Figura 3
pode-severificar que foram poucosos sujeitos que apresentaram pontuações negativas
nos testes, ou seja, indivíduos que erraram e/ou omitiram mais do que acertaram.
120r---------,
110
100
90
80
70
60
50,O
30
20
~ 19
-10
-20
-30
-40 n
-50
-SO
-70
-eo
-90
:11/8~~~~~~~.....;....~
"d"?s,.;~,>i''';~.9 7.9""".9V.9.sg9~.9070~?O
AC AD
300 300
200 200
'" '".(3 .(3
c: c:
.Q) .Q)
::J ::Jo- o-., ~li: u,
100 100
AA Atenção Total
Figura 4. Distribuição dos resultados em cada teste e na medida geral de atenção.
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 39
Com relação à pontuação média em cada teste, oAC e o AAapresentaram valores
muito próximos (82,90 e 82,78, respectivamente), enquanto o AD apresentou uma
média inferior (M=64,54, DP=33,56). Considerando que a pontuação máxima pos-
sível nos três testes é 120 pontos, verifica-se que o AD mostrou-se mais difícil para
os respondentes. Outro dado que deve ser considerado é que a quantidade de pontu-
ações negativas foi bastante baixa em todos os testes, sendo o AD o que apresentou
a maior porcentagem dessas respostas (80 sujeitos, que representa 4,5%), ou seja,
as pessoas erraram e/ou cometeram mais omissões do que acertos. Por sua vez, no
AA o número de sujeitos que apresentou um resultado negativo foi 16, enquanto no
AC apenas seis pessoas apresentaram pontuação final negativa. Em ambos os casos,
esses números não alcançam 1%da amostra total.
No que se refere à pontuação máxima possível em cada teste, no AA houve 94
pessoas (5,3%) que alcançaram o "teto", enquanto 65 pessoas o fizeram no AC
(3,7%).Já no AD, apenas quatro indivíduos obtiveram a pontuação máxima possível
(representando 0,2%).
Porfim, considerando a Atenção Geral, as pontuações variaram de -209 a 356
(M=230,25, DP=79,74). Foi observado que apenas 0,8% da amostra apresentou
pontuações negativas (14 sujeitos), assim como também se verificou que nenhum
indivíduo alcançou a pontuação máxima possível (360 pontos).
EVIDÊNCIAS DE VALIDADE
Evidências de validade baseadas nas relações com variáveis
externas
Validade de critério: com a variável idade
Participaram desta análise os sujeitos descritos em participantes, tendo como
objetivo analisar qual a relação existente entre os instrumentos e a idade das pessoas.
Para isso é apresentada a Figura 5, que mostra a relação entre as variáveis em questão.
o-c
o
-35
-75
_95
15 as
40
o o
Idade
o
o 00 o
-105 o
as 15 25 45 ~ ~ ~ ~
Idad.
Fabián Javier Marín Rueda
"o o
00 o82,41 26,58
Feminino 928 83,33 27,26
-0,72 0,473
Atenção Dividida
Faixas etárias Sexo N M DP t P
6 a 10 anos Masculino 62 36,18 25,49
Feminino 53 34,66 27,51
0,31 0,760
11 a 17 anos Masculino 147 51,47 35,29
Feminino 88 54,86 29,27
-0,76 0,448
18 a 25 anos Masculino 297 87,39 20,82
Feminino 294 83,14 20,81
2,48 0,013
26 a 30 anos Masculino 93 76,00 23,26
Feminino 103 69,32 26,58
1,86 0,064
31 a 50 anos Masculino 165 61,82 32,67
Feminino 193 63,17 31,71
-0,40 0,693
51 anos ou mais Masculino 67 37,84 31,47
Feminino 197 38,14 35,39
-0,06 0,951
Idade geral Masculino 831 66,87 33,42
Feminino 928 62,45 33,57
2,76 0,006
,....
44 Fabián Javier Marín Rueda
Atenção Alternada
Faixas etárias Sexo N M DP t P
6 a 10 anos Masculino 62 45,60 18,60
Feminino 53 42,87 14,12
0,87 0,384
11 a 17 anos Masculino 147 72,27 29,96
Feminino 88 73,25 23,21
-0,26 0,792
18 a 25 anos Masculino 297 103,63 17,46
Feminino 294 100,59 18,57
2,05 0,041
26 a 30 anos Masculino 93 91,58 19,43
Feminino 103 89,15 22,53
0,81 0,421
31 a 50 anos Masculino 165 82,47 26,47
Feminino 193 81,59 29,75
0,29 0,770
51 anos ou mais Masculino 67 61,67 32,30
Feminino 197 60,44 33,98
0,26 0,795
Idade geral Masculino 831 84,82 29,57
Feminino 928 80,96 31,02
2,67 0,008
Atenção Geral
Faixas etárias Sexo N M DP t P
6 a 10 anos Masculino 62 126,16 52,31
Feminino 53 123,72 43,24
0,27 0,787
11 a 17 anos Masculino 147 193,25 70,61
Feminino 88 208,03 59,60
-1,64 0,102
18 a 25 anos Masculino 297 286,21 43,86
Feminino 294 279,38 43,14
1,91 0,057
26 a 30 anos Masculino 93 257,75 52,29
Feminino 103 251,83 54,20
0,78 0,439
31 a 50 anos Masculino 165 230,95 72,59
Feminino 193 230,58 80,26
0,05 0,964
51 anos ou mais Masculino 67 167,48 78,59
Feminino 197 167,34 84,14
O,Ol 0,991
Idade geral Masculino 831 234,09 78,49
Feminino 928 226,80 80,73
1,92 0,055
Na Tabela 10 pode ser verificado que das 28 comparações realizadas, apenas
cinco apresentaram pontuações médias que foram estatisticamente significativas.
Assim, em quatro delas os homens apresentaram uma pontuação maior (AD e AA na
amostra geral e na faixa etária de 18 a 25 anos), enquanto as mulheres apresentaram
uma pontuação média maior no AC na faixa etária dos 11 aos 17 anos. Importante
destacar que a literatura sobre o tema mostra que não há um consenso quanto ao
desempenho atencional ser melhor em homens ou em mulheres. Com base nesses
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 45
aspectos, decidiu-se que não seria necessário o estabelecimento de normas e a criação
de critérios de interpretação em função do sexo das pessoas.
Validade de critério: com a variável escolaridade
o estudo teve como objetivo verificar se haveria diferença na BPA em função da
escolaridade dos participantes. Compuseram a amostra os 1.706 sujeitos que infor-
maram a escolaridade e que foram descritos em "participantes". Dessa forma, houve
a participação de cinco grupos de escolaridade, quais sejam, Educação de Jovens e
Adultos, Ensino Fundamental regular completo e incompleto, Ensino Fundamental
adultos completo e incompleto (caracterizado por indivíduos que tinham essa esco-
laridade, mas que haviam passado pela fase de escolarização há mais de dez anos),
Ensino Médio completo e incompleto e Ensino Superior completo e incompleto. O
EJA teve participantes que tinham 15 anos ou mais, enquanto no Ensino Médio os
participantes tinham a partir de 16 anos e no Ensino Superior a partir de 17.
No que se refere ao Ensino Fundamental completo ou incompleto, havia crianças e
adolescentes que estavam regularmente matriculados em escolas e cursando os anos
letivos, assim como também puderam ser encontrados participantes que já tinham
concluído seus estudos nesse nível de escolaridade, mas que eram mais velhos. Em
razão disso é que os participantes do Ensino Fundamental foram divididos em dois
grupos.
Assim sendo, para analisar possíveis diferenças em função da escolaridade realizou-
-se uma ANOVA,adotando como nível de significância 0,05. O resultado para cada
teste e para a medida de Atenção Geral pode ser observado na Tabela 11.
Tabela 11. Valores de F ep nos tipos de atenção e na medida geral em função da escolaridade
gl F p
AC 4 226,88serem estudantes adolescen-
tes ou adultos que estudam, a maior parte das vezes, no período noturno e que
trabalham durante o dia, o fato de terem apresentado o desempenho mais baixo
poderia ser justificado. Da mesma forma, o fato de as crianças e adolescentes que se
encontram no Ensino Fundamental regular terem apresentado pontuações médias
superiores pode ser justificado. Com base nos resultados apresentados, pode-se
sugerir a possibilidade de estabelecimento de normas para a BPA em função da
escolaridade das pessoas.
Validade convergente: com o Teste de Atenção Concentrada (TEACO-FF) e com
o Teste de Atenção Dividida (TEADI) e Teste de Atenção Alternada (TEALT)
Participaram deste estudo 215 indivíduos, comidades entre 10e 64 anos (M =21,99,
DP= 14,31), sendo 63,3% do sexo feminino. O objetivo foi verificar evidência de
48 Fabián Javier Marín Rueda
validade convergente entre os testes da BPAcom o TEACO-FF (Rueda & Sisto, 2009),
e TEADI e TEALT (Rueda, 2010b). Iniciaimente foram calculadas as estatísticas
descritivas (média, desvio-padrão, mínimo e máximo) dos testes e os resultados
podem ser observados na Tabela 14.
Tabela 14. Pontuações médias, desvio padrão, mínimos e máximos da BPA, TEACO-FF,
TEADleTEALT
AC AD AA Atenção Geral TEACO-FF TEADI TEALT
Média 77,86 70,29 88,10 236,25 109,20 111,19 102,48
DP 23,14 20,87 20,07 52,35 29,60 35,98 20,07
Mínimo 23 17 9 117 2 8 34
Máximo 120 118 120 348 177 180 128
As estatísticas mostram que no AC, AA, TEADI e TEALT foram alcançados as
pontuações máximas possíveis, fato não observado no AD, na Atenção Geral e no
TEACO-FF. Também pode ser verificado que nenhum instrumento apresentou
como pontuação mínima valores negativos, ou seja, não houve sujeitos que tenham
errado e omitido mais do que acertado. No que se refere aos outros valores, na
BPA foi evidenciado que o AA foi o teste que apresentou a maior pontuação média.
Dando andamento às análises e com o objetivo de verificar a evidência de validade
convergente, foi realizada uma correlação de Pearson entre os testes, e os resultados
podem ser visualizados na Tabela 15.
Tabela 15. Coeficientes de correlação entre a BPA e o TEACO-FF, TEADI e TEALT
TEACO-FF TEADI TEALT
AC 0,56* 0,47* 0,34*
AD 0,49* 0,64* 0,36*
AA 0,40* 0,48* 0,56*
Atenção Geral 0,60* 0,66* 0,51*
* Significante ao nível de 0,05.
o produto da correlação de Pearson mostrou resultados que podem ser considerados
muito satisfatórios, uma vez que os testes que avaliam os mesmos tipos de atenção
apresentaram sistematicamente os maiores coeficientes de correlação. Nesse sentido,
ao correlacionar o AC o maior coeficiente observado foi com o TEACO-FF, ou seja, os
instrumentos que se propõem a avaliar a atenção concentrada foram os que obtiveram
os maiores índices de correlação. O mesmo foi observado ao analisar as correlações
entre os testes que avaliam a atenção dividida e a atenção alternada, ou seja, no caso
do AD a maior correlação foi observada com o TEADI, e no caso do AAcom o TEALT.
Com base nisso, os resultados corresponderam ao que era teoricamente esperado.
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 49
Além disso, os resultados mostram que todas as correlações foram positivas e
estatisticamente significativas, indicando a existência de relação entre todos os testes
avaliados. Esse fato também é considerado adequado, uma. vez que todos os testes se
destinam a avaliar o construto da atenção. Ainda destaca-se o fato de todas as correla-
ções terem sido de magnitude moderada, de acordo com Dancey e Reidy (2006). No que
se refere à medida de Atenção Geral avaliada pela BPA,a correlação com o TEACO-FF,
TEADI e TEALT variou de 0,51 a 0,66, evidenciando validade convergente, uma vez
que coeficientes de correlação superiores a 0,501 são considerados indicativos desse
tipo de evidência (Nunes & Primi, 2010). Ainda em relação à evidência de validade
convergente, comojá mencionado, ela foi obtida para o AC, oAD e o AA,uma vez que
os coeficientes de correlação também foram superiores a 0,501.
Para ilustrar a relação verificada pelos coeficientes de correlação obtidos entre
os testes que avaliam o mesmo tipo de atenção, optou-se por realizar gráficos de
dispersão. Na Figura 6 encontram-se as figuras relacionando AC ao TEACO-FF, AD
com TEADI e AA com TEALT.
120
110
100
90
80
;0
o 50«
so o
.;0
30
20 o
10
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120
110
100
90
80
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o 60«
so
30
20
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o
"121l.,-----------~--=
110
100
so
80
70
o o
o
10o~ ~
Q 'Ó""osignificativos. Isso mostrou que o aumento da atenção, seja concentrada,
dividida ou alternada, corresponde a um aumento na pontuação no teste de inte-
ligência. Pelos dados alcançados é possível inferir mais uma evidência de validade
advinda da relação positiva estabelecida com a medida de um construto relacionado.
52 Fabián Javier Marín Rueda
Tabela20.Pontuações médias, desvio-padrão, mínimos e máximos da BPA e do Teste dos Cubos
AC AD AA Atenção Geral Teste dos Cubos
Média 97,02 92,27 109,37 298,66 7,60
DP 16,90 16,58 12,79 35,72 2,67
Mínimo 32 45 54 151 1
Máximo 120 120 120 356 15
Validade com testes que avaliam construtos relacionados: com o Teste dos
Cubos para avaliação do raciocínio visuoespacial
Para verificar evidência de validade com o raciocínio visuoespacial, a BPA foi
relacionada com o Teste dos Cubos (Rueda & Muniz, 2012). Para isso participaram
278 estudantes universitários, de ambos os sexos, e com idade variando de 18 a 48
anos (M=23,41, DP=5,14).
O Teste dos Cubos avalia o raciocínio visuoespacial, entendido como a capacidade
de formar representações mentais visuais e manipulá-Ias, transformando-as em novas
representações. Nas propriedades psicométricas do teste pode ser encontrado um
estudo de validade com base na estrutura interna, que mostrou a existência de dois
fatores. Os autores concluíram que o segundo fator era produto mais da dificuldade
dos itens do que de outro construto presente no instrumento. O teste também foi
correlacionado com o subteste de Raciocínio Espacial da BPR-5, obtendo comoresul-
tado um coeficiente de 0,61. Quanto à precisão, os coeficientes foram calculados pelo
alfa de Cronbach e pelo método das duas metades de Spearman-Brown e Guttman,
variando entre 0,80 e 0,84 para a amostra total, e entre 0,67 e 0,87 ao considerar as
diferentes faixas etárias.
Num primeiro momento, e antes de verificar a relação existente entre os instru-
mentos, foram calculadas as estatísticas descritivas dos testes. Os resultados são
apresentados na Tabela 20.
Pela Tabela 20 observa-se que apenas na medida de Atenção Geral não foi
alcançada a pontuação máxima possível, ou seja, não houve nenhum participante
que tenha alcançado os 120 pontos nos três testes que compõem a BPA, embora a
pontuação máxima tenha sido alcançada nos três instrumentos de forma separada.
A maior média de pontos foi verificada no AA, seguido do AD e por fim no AC.
No que se refere ao Teste dos Cubos, as pontuações variaram de 1 a 15, com uma'
média (7,60 pontos) um pouco abaixo da apresentada no manual do teste, quando
considerada a população de forma geral, independentemente do sexo e idade, que
é de 8,24 pontos.
Para verificar a relação existente entre os instrumentos foi realizado, num
primeiro momento, um gráfico de dispersão (Figura 8). Os dados indicam que o
aumento na atenção corresponde também a um aumento no desempenho no Teste
dos Cubos, mas a dispersão das pontuações pode ser considerada grande.
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 53
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O 60 120 180 240 300 360
Atenção Geral
Figura 8. Gráfico de dispersão da relação entre a BPA e o RI.
Para elucidar o resultado apresentado pela Figura 8, foi realizada uma correlação'
de Pearson entre a BPA e o Teste dos Cubos. O resultado dessa análise encontra-se
na Tabela 21.
Tabela 21. Coeficientes de correlação entre a BPA e o Teste dos Cubos
Teste dos Cubos
AC
AD
AA
Atenção Geral
0,08
0,20*
0,29':'
0,23*
54
* Significante ao nível de 0,01.
Fabián Javier Marín Rueda
Se considerado o apontado por Nunes e Primi (2010), foi verificada evidência de
validade pela comparação com testes que avaliam construtos relacionados para o
AD,AA e a medida de Atenção Geral, uma vez que os coeficientes obtidos variaram
entre 0,20 e 0,50. No caso do teste AC o coeficiente foi inferior a 0,20 e não foi es-
tatisticamente significativo. Se considerado o raciocínio visuoespacial, entende-se
que o processo de formar representações mentais visuais e manipulá-Ias, para depois
transformá-Ias em novas representações, estaria mais relacionado com o tipo de
atenção alternada, no qual após breves espaços de tempo o processo mental utilizado
deve ser alterado, a fim de localizar outros estímulos para serem cancelados. Ainda,
ao considerar o AD, a operacionalização do teste solicita que a pessoa procure três
estímulos no mesmo período de tempo. Dessa forma, o resultado obtido pode ser
considerado satisfatório, e forneceu evidência de validade para a BPA, por meio da
comparação com o Teste dos Cubos.
PRECISÃO
A precisão indica a estabilidade dos resultados, mostrando a quantidade em que
a medida realizada está livre de erros casuais ou qual a proporção da variância
que se refere a uma medida real. Nesse sentido, dizer que a precisão de um teste
é alta significa que o erro de medida dele é pequeno. A precisão de um teste pode
ser calculada considerando os itens ou calculando a estabilidade da medida com
o passar do tempo. Quanto aos itens, espera-se que estejam de forma semelhante
ao longo do instrumento; enquanto a estabilidade com o passar do tempo indica
a possibilidade de que em uma segunda aplicação se obtenha um resultado muito
semelhante à primeira.
No caso de testes de rapidez, como é a BPA,Anastasi e Urbina (2000) mencionam
que a forma mais correta para se calcular a precisão é o método de teste-reteste. A
precisão teste-reteste se caracteriza pela aplicação do mesmo instrumento em duas
ocasiões diferentes, separadas por um intervalo de tempo, a um ou mais grupos de
indivíduos. A correlação entre as pontuações obtidas nas diferentes administrações
do teste é o chamado coeficiente de correlação de teste-reteste, e que pode ser inter-
pretado comoum índice ou grau em que as pontuações podem flutuar como;resultado
do erro de amostragem de tempo (Urbina, 2007).
No caso da BPA, a precisão pelo método teste-reteste foi calculada por meio de
três aplicações. Primeiramente foi aplicado o instrumento em 378 sujeitos de todas
as faixas etárias que compunham a amostra normativa do instrumento. Após sete
dias retornou-se aos locais de aplicação, sendo coletados novamente os dados. Dessa
forma, as pessoas que responderam a BPA no primeiro e no sétimo dia foram 329
pessoas. Por sua vez, quatorze dias após a primeira aplicação procedeu-se a uma nova
coleta de dados, nas pessoas que tinham entre 18 e 50 anos, ficando dessa forma
uma amostra de 169 pessoas.
Dessa forma, a precisão foi calculada para cada teste (AC,AD, AA e a Atenção
Geral), em cada faixa etária e na amostra total, em três momentos: 1) após sete dias
da primeira aplicação, 2) sete dias após a segunda aplicação e 3) quatorze dias após a
primeira aplicação.Os resultados dessas análises podem ser visualizados na Tabela 22.
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 55
Tabela 22. Coeficientes de correlação de teste-reteste para o AC, AD, AA e Atenção
geral para cada faixa etária e para a amostra total
Atenção Concentrada
1-7 dias 7-14 dias 1-14 dias
N r N R N r
6 a 10 anos 44 0,69
11 a 17 anos 71 0,73
18 a 25 anos 92 0,84 83 0,8583 0,79
26 a 30 anos 63 0,83 53 0,82 53 0,81
31 a 50 anos 37 0,79 33 0,76 33 0,73
51 anos ou mais 22 0,81
Amostra total 329 0,80 169 0,81 169 0,75
Atenção Dividida
1-7 dias 7-14 dias 1-14 dias
N r N R N r
6 a 10 anos 44 0,74
11 a 17 anos 71 0,77
18 a 25 anos 92 0,73 83 0,88 83 0,76
26 a 30 anos 63 0,89 53 0,76 53 0,76
31 a 50 anos 37 0,85 33 0,71 33 0,72
51 anos ou mais 22 0,66
Amostra total 329 0,81 169 0,75 169 0,75
Atenção Alternada
1-7 dias 7-14 dias 1-14 dias
N r N R N r
6 a 10 anos 44 0,70
11 a 17 anos 71 0,74
18 a 25 anos 92 0,77 83 0,73 83 0,69
26 a 30 anos 63 0,79 53 0,76 53 0,70
31 a 50 anos 37 0,84 33 0,73 33 078
51 anos ou mais 22 0,80
Amostra total 329 0,79 169 0,74 169 0,72
Atenção Geral
1-7 dias 7-14 dias 1-14 dias
N r N R N r
6 a 10 anos 44 0,78
11 a 17 anos 71 0,73
18 a 25 anos 92 0,82 83 0,68 83 0,78
26 a 30 anos 63 0,78 53 0,75 53 0,83
31 a 50 anos 37 0,77 33 0,74 33 0,78
51 anos ou mais 22 0,71
Amostra total 329 0,78 169 0,73 169 0,79
56 Fabián Javier Marin Rueda
As análises mostraram coeficientes de precisão de teste-reteste que podem ser
considerados muito satisfatórios, variando de 0,68 a 0,89. Ao verificar cada teste e
a medida geral de atenção, verifica-se que no caso do AC os valores variaram entre
0,69 e 0,85; no caso do AD houve uma variação entre 0,66 e 0,89; e entre 0,69 e 0,84
ficaram os coeficientes para o AA. Por fim, no caso da Atenção Geral os valores do
coeficiente de correlação de teste-reteste variaram entre 0,68 e 0,83. Se considerado
que o método de teste-reteste pode sofrer influência de condições de testagem não
controladas em cada uma das aplicações, assim como que existe uma tendência de
que os coeficientes diminuam quanto maior for o espaço de tempo entre as aplicações,
pode-se interpretar que os resultados obtidos para a BPA são satisfatórios e atestam
a confiabilidade do instrumento.
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 57
SÍNTESE DOS ESTUDOS PSICOMÉTRICOS
Os estudos que atestam as qualidades psicométricas da Bateria Psicológica para
Avaliação da Atenção (BPA)foram desenvolvidos desde a criação dos próprios itens,
uma vez que eles seguiram todas as recomendações apontadas pela literatura em
se tratando desse tipo de avaliação. Nesse sentido, foram construídos itens que não
apresentam conteúdo numérico, alfabético, ou que fossem figuras conhecidas para
a população estudada. Todos os estímulos construídos são abstratos e servem, ora
como estímulos-alvo, ora como estímulos distratores. Ainda, o tempo de resposta
foi cuidadosamente fixado após estudos realizados em cada um dos três testes (AC,
AD eAA).
Posteriormente, nos estudos realizados com a BPA, foi possível encontrar evi-
dências de validade baseadas nas relações com variáveis externas. Primeiramente
foi estudada a validade de critério com as variáveis idade e escolaridade. Nesses
estudos foi identificado que os níveis atencionais variavam em razão da idade e da
escolaridade das pessoas, de forma congruente com a literatura publicada sobre o
assunto. No caso da idade foi verificado que há um aumento no nível de atenção,
seja do tipo concentrada, dividida ou alternada, até o início da vida adulta (por
volta dos 25 anos), e que após essa fase da vida começa a ser observado um declínio
dessa capacidade. Conforme o esperado, a BPA identificou seis faixas etárias que
apresentaram desempenhos diferentes. Na busca de evidência de validade com a
escolaridade, foi verificado que o aumento do nível de atenção nos seus diferentes
tipos, correspondeu também a um aumento na escolaridade, ou seja, indivíduos com
maior nível de escolaridade tendem a apresentar também maior nível atencional. O
pressuposto é que a escolaridade proporciona contato com várias estimulações que
colaboram com o desenvolvimento dessa capacidade.
Posteriormente foi verificada a validade convergente por meio da correlação com
o Teste de Atenção Concentrada (TEACO-FF), com o Teste de Atenção Dividida
(TEADI) e com o Teste de Atenção Alternada (TEALT). Nesse estudo foi verificado
que todas as correlações foram de magnitude moderada, além de ser observado que
os coeficientes de correlação entre o AC e TEACO-FF, AD e TEADI e AA e TEALT
foram todos superiores a 0,501, o que indica evidência de validade convergente.
Houve também dois estudos realizados com o objetivo de obter evidência de vali-
dade com testes que avaliam construtos relacionados. Para isso, o resultado na BPA
foi comparado ao resultado no RI e no Teste dos Cubos. No caso da comparação com
o RI, o resultado apresentou coeficientes variando de 0,31 a 0,45, podendo interpre-
tar dessa forma que a evidência de validade procurada foi alcançada. Por sua vez,
na comparação com o Teste dos Cubos foi verificada a evidência de validade para o
AD, AA e a medida de Atenção Geral, uma vez que os coeficientes obtidos variaram
entre 0,20 e 0,29. Já na comparação com o AC, o coeficiente foi inferior a 0,20 e não
foi estatisticamente significativo.
58 Fabián Javier Marín Rueda
No que se refere aos estudos de precisão, o método escolhido foi o teste-reteste,
por ser considerado o mais apropriado a este tipo de instrumento. As análises mos-
traram coeficientes variando de 0,68 a 0,89: Especificamente em cada teste, no AC os
coeficientes variaram entre 0,69 e 0,85; no AD entre 0,66 e 0,89; e no AA entre 0,69
e 0,84. Em relação à medida de Atenção geral, os coeficientes de correlação variaram
entre 0,68 e 0,83. Considerando que o método utilizado pode sofrer influência de
condições de testagem não controladas, e que existe uma tendência de diminuição dos
coeficientes com o passar do espaço de tempo entre as aplicações, pode-se interpretar
que os resultados de precisão obtidos para a BPA são muito satisfatórios e atestam
a confiabilidade do instrumento. Os resultados de precisão somados aos resultados
dos estudos de validade permitem concluir que a Bateria Psicológica para Avaliação
da Atenção apresenta propriedades psicométricas que atestam a sua qualidade como
medida desse construto.
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 59
NORMAS
NORMAS DE APLICAÇÃO
População-alvo
A Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) pode ser aplicada em
crianças a partir dos 6 anos até idosos de mais de 80 anos, de ambos os sexos e
das diferentes escolaridades. Em todos os casos devem ser observadas as Tabelas
Normativas de interpretação.
Material
Para aplicação e correção da BPAsão necessários:
• Manual do teste
• Folhas de resposta (AC,AD e AA)
• Caneta preta ou azul para responder os instrumentos
• Caneta vermelha para correção dos instrumentos
• Cronômetro ou relógio
• Crivos de correção
• Folha de interpretação da BPA
Preparação para a testagem
A BPApode ser aplicada individual ou coletivamente. Como em qualquer teste
psicológico, antes da aplicação é considerado prudente realizar um bom rapport.
com ots) examinando(s), como forma de estabelecer um vínculo de confiança e
tranquilidade. Em ambas as possibilidades de aplicação, o teste deve ser preenchi-
do pelo próprio candidato, tanto no que se refere às informações de identificação
quanto às respostas do instrumento. Destaca-se que no caso de crianças que ainda
tem dificuldade na escrita, o preenchimento das informações de identificação
poderá receber o auxilio do aplicador. É importante ressaltar que uma explicação
geral sobre o motivo e o objetivo da realização dos testes deve ser dada.
No caso de aplicação coletiva recomenda-se que a quantidade de pessoas não
seja excessiva, sempre levando em consideração o tamanho do local de aplica-
ção, de modo que o ambiente não fique muito cheio. Outro aspecto que deve
ser observado é a distância entre as cadeiras, possibilitando que o examinador
60 Fabián Javier Marín Rueda
tenha espaço suficiente para andar entre as fileiras. Ainda, recomenda-se que o
psicólogo examinador tenha um auxiliar (estagiário de psicologia ou psicólogo),
com treinamento prévio, para ajudar a distribuir o material e esclarecer possíveis
dúvidas. No caso de aplicaçãocoletiva com crianças, recomenda-se a presença
de, no máximo, 10 crianças por sala, e dois aplicadores para esclarecer dúvidas.
A sala de aplicação deve ter boa iluminação, ser arejada e silenciosa, como uma
forma de assegurar o sigilo e as condições mínimas de conforto na situação de
aplicação de teste.
Instrução
As instruções dos três testes da BPAsão padronizadas e devem ser seguidas pelo
aplicador sem nenhuma modificação, a fim de evitar qualquer tipo de invalidez na
aplicação dos instrumentos. Há uma ordem de aplicação que deve ser seguida:
1) Deve ser aplicado o Teste de Atenção Concentrada
2) Deve ser aplicado o Teste de Atenção Dividida
3) Deve ser aplicado o Teste de Atenção Alternada
Essa ordem de aplicação deve ser respeitada sempre, pois foi nessa ordem que
todos os dados que fazem parte do livro de instruções do teste foram coletados.
Antes da distribuição do material, deve-se dizer:
((Vocêsvão responder a três testes de atenção. Primeiro será respondido um teste de
atenção concentrada, depois um de atenção dividida, e finalmente um que avalia
a atenção alternada. "
"Em. cada um deles será dada uma instrução diferente para responder. Portanto,
é muito importante que fiquem atentos para a orientação que será dada em cada
um dos testes. "
Perguntar se todo mundo entendeu, e em caso afirmativo continuar:
((Agoravocês vão receber a folha para realizar o teste de Atenção Concentrada. Não
escrevam nada nem virem a folha até que lhes seja pedido. "
Junto com a folha de resposta deve ser entregue uma caneta de cor preta ou azul.
Posteriormente deve ser dito:
':4.folha que vocês receberam (mostrar) contém algumas informações a seu respeito.
Por favor, preencham com a data, seu nome, sexo, idade, escolaridade eprofissão. "
Esperar até que todas as pessoas tenham preenchido com seus dados e depois
começar a aplicação dos instrumentos, na sequência indicada e respeitando as ins-
truções padronizadas que se encontram no cabeçalho de cada um dos testes.
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 61
Lembretes
a) Cada instrumento apresenta uma fase de treino que tem como objetivo fazer o
testando entender claramente qual atividade que deverá realizar durante a fase
de resposta. Todas as dúvidas deverão ser sanadas antes de começar a responder
a qualquer um dos testes.
b) É importante que o aplicador fique atento para o tempo de aplicação de cada
instrumento, pois varia de um para outro. Nesse sentido, vale a pena lembrar o
tempo de cada um:
b1) Atenção Concentrada = 2 minutos
b2) Atenção Dividida = 4 minutos
b3) Atenção Alternada = 2 minutos e 30 segundos
NORMAS DE CORREÇÃO
A correção de cada teste da BPA (AC,AD e AA) deve ser realizada com o seu res-
pectivo crivo de correção, no qual se encontram quadrados que indicam as figuras que
deveriam ter sido assinaladas pelo examinado. O crivo deve ser ajustado corretamente
sobre a folha do teste e a partir daí devem ser seguidas as seguintes orientações:
1) Devem ser contadas as figuras que foram riscadas e que estão dentro dos quadra-
dos. Essa informação refere-se aos acertos (A).
2) Depois devem ser contadas as figuras que foram marcadas e que estão fora dos
quadrados do crivo de correção. Essa informação refere-se aos erros (E).
3) O último passo é contar as figuras que deveriam ter sido marcadas e não o foram.
Essa informação refere-se às omissões (O). É importante lembrar que essa
informação deve ser obtida considerando até a última figura marcada, ou
seja, apenas até onde o sujeito chegou ao final do tempo preestabelecido.
4) Após obter essas três informações, elas devem ser anotadas na parte inferior da
folha de resposta, levando em consideração:
Acertos: Figuras que foram marcadas corretamente.
Erros: Figuras que foram assinaladas e não deveriam ter sido.
Omissões: Figuras que deveriam ter sido marcadas e não o foram.
Para obter a informação a respeito dos pontos (P) em cada um dos três testes, o
examinador deverá empregar a fórmulaP = A - (E + O). Salienta-se que na fórmula
apresentada, primeiro devem-se somar os erros e as omissões e depois subtrair o valor
encontrado do número de acertos (apenas uma vez), para se chegar ao total de pontos.
O valor obtido fornece uma informação do tipo de atenção que está sendo avaliada
por testes. Após obter o valor de 'P' em cada um dos testes, o psicólogo examinador
deverá procurar o percentil correspondente na Tabela Normativa de cada um deles.
Um diferencial da BPA é que oferece uma medida da Atenção Geral da pessoa
que está sendo avaliada. Para isso, os pontos obtidos em cada um dos testes devem
62 Fabián Javier Marín Rueda
ser somados e, dessa forma, a pontuação total será obtida, devendo posteriormente
consultar a tabela normativa correspondente.
A fórmula para obtenção da Atenção Geral é:
Pontos no AC + Pontos no AD + Pontos no AA = Pontos na Atenção Geral
Lembretes
1) A correção dos testes deve ser realizada considerando o último estímulo assina-
lado pela pessoa, ou seja, se no final do tempo previsto o testando se encontrava
na metade da oitava linha, é até esse ponto que será considerado para realizar a
correção.
2) O procedimento de correção adotado é o mesmo para os três testes que fazem parte
da BPA (AC,AD e AA). Apenas muda o crivo de correção que deve ser utilizado
em cada um dos testes.
3) Todas as orientações apresentadas na seçãoNormas de correção devem ser seguidas
de forma padronizada. Dessa forma, a correção deve ser realizada sempre com a
utilização do respectivo crivo de teste, não sendo recomendada a correção sem a
utilização deste. Embora o psicólogo tenha bastante conhecimento sobre
o teste, no que se refere especificamente à sua aplicação e correção, o
crivo diminui consideravelmente as possibilidades de erro.
4) O critério de correção de cada teste da BPAé o mesmo utilizado na maior parte dos
testes de atenção utilizados no Brasil, como oAC (Cambraia, 2003), o TEACO-FF
(Rueda & Sisto, 2009), TEADI e TEALT (Rueda, 2010). Dessa forma, o avaliador
deve ficar atento e não incorrer no erro de "achar" que as omissões são descontadas
duas vezes no processo de correção.
5) No momento de consultar as normas de interpretação dos testes, pode ocorrer que
uma determinada pontuação bruta fique localizada entre dois percentis. Nesse
caso deve-se considerar opercentil menor.
NORMAS DE INTERPRETAÇÃO
Para compor as normas de interpretação do AC, AD, AA e Atenção Geral foram
consideradas as variáveis idade e escolaridade, de acordo com os resultados obtidos
nos estudos de evidência de validade de critério com ambas as variáveis. Dessa forma,
optou -se por fornecer as normas para cada faixa etária, para a idade de forma geral
e para as diferentes escolaridades, em cada um dos testes e na medida da Atenção
Geral. Nas Tabelas 23 a 26 podem ser encontradas as informações para interpretação
dos resultados pelas faixas etárias, e nas Tabelas 27 a 30 encontram-se as normas
referentes à variável escolaridade. Deve ser destacado que todos os dados foram
coletados no ano de 2011.
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 63
Tabela 23. Normas (percentil, média, desvio-padrão, pontuação mínima e máxima) para a
Atenção Concentrada (AC)em função de cada faixa etária e na amostra total
Atenção Concentrada - AC
Pontuação por Faixa Etária
Classificação Percentil 6 a 10 11 a 17 18 a 25 26 a 30 31 a50 51 anos Todas as
anos anos anos anos anos ou mais idades
1 -15 15 51 32 15 -9 15
Inferior 10 22 40 70 68 47 32 43
20 34 50 81 77 66 45 59
25 36 55 84 80 72 48 67
Médio 30 37 59 87 83 77 52 71Inferior
40 41 69 92 88 84 61 81
Médio 50 44 74 97 95 91 70 87
60 48 80 103 99 98 79 94
Médio 70 52 88 107 105 104 86 102Superior
75 55 93 110 107 106 89 104
80 59 96 114 110 109 94 107
Superior 90 66 108 118 115 116 107 116
99 108 120 120 120 120 120 120
Média 45,22 73,41 95,42 91,85 86,21 68,57 82,90
Desvio-padrão 18,60 25,41 17,92 19,09 26,31 29,32 26,93
Mínimo -18 -3 4 28 -29 -86 -86
Máximo 112 120 120 120 120 120 120
Nº de sujeitos 115 235 591196 358 264 1759
64 Fabián Javier Marín Rueda
Tabela 24. Normas (percentil, média, desvio padrão, pontuação mínima e máxima) para a
Atenção Dividida (AD) em função de cada faixa etária e na amostra total
Atenção Dividida - AD
Pontuação por Faixa Etária
Classificação Percentil 6 a 10 11 a 17 18 a 25 26 a 30 31 a 50 51 anos Todas as
anos anos anos anos anos ou mais idades
1 -69 -46 26 -3 -48 -64 -37
Inferior 10 6 12 58 39 23 -8 21
20 19 32 70 52 38 12 37
25 22 38 73 59 44 16 44
Médio 30 27 42 76 62 50 23 50Inferior
40 32 47 82 68 60 31 61
Médio 50 36 54 87 74 67 40 70
60 42 62 94 80 74 46 78
Médio 70 51 72 98 90 83 59 86Superior
75 53 77 100 92 86 63 90
80 56 80 104 94 90 68 94
Superior 90 64 94 110 103 98 80 103
99 95 113 118 117 116 108 117
Média 35,48 52,74 85,27 72,49 62,54 38,06 64,54
Desvio-padrão 26,33 33,14 20,91 25,22 32,12 34,38 33,56
Mínimo -74 -69 -15 -20 -103 -91 -103
Máximo 96 114 120 120 118 115 120
Nº de sujeitos 115 235 591 196 358 264 1759
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 65
Tabela 25. Normas (percentil, média, desvio-padrão, pontuação mínima e máxima) para a
Atenção Alternada (AA)em função de cada faixa etária e na amostra total
Atenção Alternada - AA
Pontuação por Faixa Etária
Classificação Percentil 6 a 10 11 a 17 18 a 25 26 a 30 31 a 50 51 anos Todas as
anos anos anos anos anos ou mais idades
1 O -27 47 29 -1 -60 O
Inferior 10 25 39 75 62 40 23 40
20 31 48 86 72 58 38 56
25 36 53 91 77 64 41 63
Médio 30 37 58 95 81 71 47 69Inferior
40 40 65 103 87 80 56 79
Médio 50 44 73 108 94 87 63 88
60 47 83 112 98 95 71 96
Médio 70 51 90 116 104 101 80 105Superior
75 56 95 117 108 105 84 109
80 58 100 118 111 108 88 112
Superior 90 64 108 120 116 114 98 118
99 109 120 120 120 120 119 120
Média 44,34 72,63 102,12 90,30 81,99 60,75 82,78
Desvio-padrão 16,67 27,58 18,07 21,09 28,25 33,51 30,39
Mínimo O -39 5 20 -46 -119 -119
Máximo 113 120 120 120 120 120 120
Nº de sujeitos 115 235 591 196 358 264 1759
66 Fabián Javier Marín Rueda
Tabela 26. Normas (percentil,média, desvio-padrão, pontuação mínima e máxima) para a
Atenção Geral em função de cada faixaetáriae na amostra total
Atenção Geral
Pontuação por Faixa Etária
Classificação Percentil 6 alO 11 a 17 18 a 25 26 a 30 31 a 50 51 anos Todas as
anos anos anos anos anos ou mais idades
1 -41 -2 158 106 11 -80 8
5 44 83 206 164 83 30 86
Inferior 10 66 111 226 182 111 70 115
15 76 129 235 199 143 87 138
20 91 146 247 211 175 104 160
25 100 156 255 222 184 113 178
30 109 165 263 227 201 124 197
Médio 35 115 177 270 235 219 134 215Inferior
40 120 187 276 243 231 153 227
45 123 195 283 251 239 161 236
Médio 50 127 204 288 262 247 171 247
55 133 213 294 267 255 179 256
60 136 225 299 274 265 194 265
Médio 65 141 232 305 280 270 210 273Superior
70 147 241 310 289 278 223 283
75 150 248 316 296 288 234 291
80 160 256 322 304 297 244 301
85 166 266 330 309 305 254 310
Superior 90 180 279 336 318 316 266 320
95 207 295 342 337 330 280 334
99 260 324 354 347 345 323 347
Média 125,03 198,79 282,81 254,64 230,75 167,38 230,25
Desvio-padrão 48,15 66,96 43,60 53,25 76,71 82,61 79,74
Mínimo -48 -84 119 69 -10 -209 -209
Máximo 263 331 356 355 351 349 356
Nº de sujeitos 115 235 591 196 358 264 1759
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 67
Tabela 27. Normas (percentil, média, desvio padrão, pontuação mínima e máxima) para a
Atenção Concentrada (AC) em função da escolaridade
Atenção Concentrada - AC
Pontuação por Escolaridade
Educação de Ensino Ensino E. EnsinonsmoClassificação Percentil Jovens e Fundamental Fundamental M' die 10 SuperiorAdultos Regular Adultos
1 -8 9 42 28 49
Inferior 10 22 34 58 61 71
20 33 40 63 71 81
25 36 43 66 76 84
Médio 30 38 45 70 80 87Inferior
40 45 53 78 85 93
Médio 50 50 60 84 90 98
60 56 69 88 96 104
Médio 70 68 78 93 102 107Superior
75 73 82 98 104 111
80 79 88 105 108 114
Superior 90 88 101 115 115 118
99 106 120 120 120 120
Média 53,07 63,30
Desvio-padrão 24,89 26,95
Mínimo -10 -18
Máximo 110 120
Nº de sujeitos 194 283
83,28 88,51 95,84
21,04 20,89 18,43
42 4 -29
120 120 120
98 373 758
68 Fabián Javier Marín Rueda
Tabela 28. Normas (percentil, média, desvio-padrão, pontuação mínima e máxima) para a
Atenção Dividida (AD) em função da escolaridade.
Atenção Dividida - AD
Pontuação por Escolaridade
Educação de Ensino Ensino E. EnsinonsmoClassificação Percentil Jovens e Fundamental Fundamental Médio SuperiorAdultos Regular Adultos
1 -66 -50 -26 -34 -3
Inferior 10 -12 9 20 26 47
20 12 23 36 44 62
25 16 28 43 48 68
Médio 30 23 33 47 57 72Inferior
40 31 40 55 64 78
Médio 50 38 46 60 72 84
60 44 52 66 78 90
Médio 70 58 58 74 85 96Superior
75 63 62 76 87 98
80 70 68 79 92 102
Superior 90 88 83 93 100 108
99 106 110 118 115 118
Média 37,56 44,34 58,11 65,96 80,58
Desvio-padrão 36,81 30,94 26,97 30,52 24,97
Mínimo -91 -74 -26 -52 -103
Máximo 112 114 118 120 120
NQde sujeitos 194 283 98 373 758
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 69
Tabela 29. Normas (percentil, média, desvio-padrão, pontuação mínima e máxima) para a
Atenção Alternada (AA)em função da escolaridade
Atenção Alternada - AA
Pontuação por Escolaridade
Educação de Ensino Ensino Ensino Ensino
Classificação Percentil Jovens e Fundamental Fundamental Médio Superior
Adultos Regular Adultos
1 -46 -6 36 23 47
Inferior 10 10 32 54 51 73
20 23 38 58 64 84
25 28 41 61 69 90
Médio 30 33 44 63 72 94Inferior
40 39 48 69 80 99
Médio 50 51 56 73 86 106
60 64 61 77 91 111
Médio 70 78 69 81 99 114Superior
75 85 75 84 102 116
80 92 82 88 107 118
Superior 90 104 98 98 114 120
99 116 116 118 120 120
Média 53,88 58,63 73,70 83,63 100,60
Desvio-padrão 36,36 25,37 17,50 25,27 18,16
Mínimo -47 -39 36 -119 32
Máximo 117 120 118 120 120
Nº de sujeitos 194 283 98 373 758
70 Fabián Javier Marín Rueda
Tabela 30. Normas (percentil, média, desvio padrão, pontuação mínima e máxima) para a
Atenção Geral em função da escolaridade
Atenção Geral
Pontuação por Escolaridade
Educação de Ensino Ensino E' EnsinonsmoClassificação Percentil Jovens e Fundamental Fundamental Médíe 10 SuperiorAdultos Regular Adultos
1 -73 -9 73 67 125
5 6 58 123 119 186
Inferior 10 31 84 153 145 216
15 57 103 168 169 228
20 75 114 173 184 238
25 88 122 177 206 249
30 99 130 181 218 258
Médio 35 108 138 191 227 267Inferior
40 115 145 197 235 272
45 125 153 202 243 277
Médio 50 137 159 209 248 284
55 151 169 223 253 290
60 165 185 232 261 296
Médio 65 177 194 234 266 302Superior
70 189 205 238 275 307
75 214 214 250 285 312
80 234 228 264 290 319
85 246 241 273 302 327
Superior 90 265 256 291 312 335
95 282 276 324 324 342
99 314 315 342 342 354
Média 144,39 166,28 215,09 238,10 277,02
Desvio-padrão 85,58 66,98 55,15 62,81 48,66
Mínimo -93 -84 73 -38 30
Máximo 320 331 342 350 356
Nº de sujeitos 194 283 98 373 758
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 71
EXEMPLOS DE PROTOCOLOS AVALIADOS E SÍNTESES DA BPA
EXEMPLO 1
72
ATENÇÃO CONCENTRADA
Fabián Javier Marín Rueda
FOLHA DE RESPOSTAS
Parte integrante do Livro de Aplicação (vaI. 3) da Coleção BPA.
Nome: M.C.R.G.
Idade: 63 Sexo: D M [XlF Escolaridade: t"fWW' CowpIiJi,.
Data de Aplicação: 08 / 06 / ~Profissão: Apol.eJilõJa
INSTRUÇÕES
Para responder o teste você deverá fazer um traço ( I ) cada vez que aparecer um desenho igual ao modelo
abaixo. Ou seja, cada vez que esse desenho aparecer você deverá fazer o traço por cima dele. Caso erre, faça um
circulo e continue respondendo o teste.
O teste deve ser respondido sempre da esquerda para a direita. Quando chegar ao final de cada linha comece
na linha seguinte, novamente pelo lado esquerdo da folha.
Você terá 2 minutos para realizar o teste. Bom trabalho!
Agora faça um treinamento antes de iniciar a resposta ao instrumento:
IJ
~~~~~~~~~tiD~~~2E~D~~
~~~~~~DM~~~~~M~~Em~~
~~~~~~~~~D~~HH~E~D~~
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AGUARDE A INSTRUÇÃO PARA VIRAR A FOLHA
Este livro de aplicação possuinumeração sequencial, impressa em vermelho.
ESTafolha está Impresso em AZUl. PRETO e
VERMELHO. Se lhe apresentorem impresso em
qualquer outro cor ou de qualquer cubo modo.
frete-se de uma reprodução ilegal eecuse-se
outilitõ-Io.
+'"t • 'OrrORA PSICc>-PEOAGÓGlCA IJOA.~ Ve or RuoCubatão48·CEP04013·000-SP
lIdlcnI TeLnu 3146-0333-Fox.l11J 3146-0340
Copyrighl C 2013 - Vetor Editora Psico-Pedagógico lido. - São
Paulo. ~ proibida a reprodução Jotal ou parcial desta publica-
côo, por qualquer meio existente e paro qualquer finalidade.
sem curonzcçõc por escrito dos editores.
www.vetoredilora.com.brvendosOvelorediloro.com.br
Fabián Javier Marín Rueda
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Acertos: 106 Pontos: 102 Percentil por 80faixa etária:
Erros: Percentil
701 geral:
Omissões
3
Percentil por
50escolaridade:
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 73
-ATENÇAO DIVIDIDA
Fabián Javier Marín Rueda .
FOLHA DE RESPOSTAS
Parte integrante do Livro de Aplicação (vol. 4) da Coleção BPA.
Nome: M.C.R.G.
Idade: 63 Sexo:DM [Xl F Escolaridade: {uperriQr, CowpliJq
Data de Aplicação: 08 / 06 / ~Profissão: Apol.eiJõdo,
INSTRUÇÕES
Para responder o teste você deverá fazer um traço ( / ) cada vez que aparecer um desenho que for igual a
qualquer um dos três (3) modelos abaixo. Ou seja, eles não precisam estar um do lado do outro para serem as-
sinalados. Cada vez que um dos três desenhos aparecer você deverá fazer o traço por cima dele. Caso erre, faça
um circulo e continue respondendo o teste.
O teste deve ser respondido sempre da esquerda para a direita. Quando chegar ao final de cada linha comece
na linha seguinte, novamente pelo lado esquerdo da folha.
Você terá 4 minutos para realizar o teste. Bom trabalho!
Agora faça um treinamento antes de iniciar a resposta ao instrumento:
z.(J@~TI.rn~ZD ~ (J1J)H8 ~ D~~~~~8~gDzrn~~(J~O.~rn~~~rn8~(J~m~~Drn~ZIJ.Q~D~~
0~(Jm~~.rn~~D~(JlJm8~D~~~~~8~~D~rn~m(J~~.~~rn~.~rn~0(J~m~~Drn~01J~~~D~~
AGUARDE A INSTRUÇÃO PARA VIRAR A FOLHA
Este livro de aplicação possui numeração sequencial, impressa em vermelho.
Esta folho estô impresso em AZUL. PRETO e
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qualquer oulro cor ou de qualquer outro modo,
freto-se de uma reprodução ilegaL Recuse-se
autilizâ-la.
+'1.. • EDITORA PSlCO-PEDAGÕGICA LJDA.~ VeLOr Rua Cubalãa 48 • ap O4013.()OO· SP
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Copyright e 2013 - Velor Editora Psico-Pedogógica lida. - São
Paulo. É proibida o reprodução tolal ou parcial desta publico-
çõo. por qualquer meio existente e para qualquer finalidade,
sem autorização por escrito dos editores.
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74 Fabián Javier Marín Rueda
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Acertos: 58 Pontos: 16 Percen til por
25faixa etária:
Erros: 3 Percentil 1geral:
Omissões 39 Percentil por 1escolaridade:
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 75
,..,
ATENÇAO ALTERNADA
Fabián Javier Marín Rueda
FOLHA DE RESPOSTAS
Parte integrante do Livro de Aplicação (vol. 2) da Coleção BPA.
Nome: M.C.R.G.
Idade: 63 Sexo:DM [K] F Escolaridade: tupeJT.i.olr, CIJ/"f!!iJq
Data de Aplicação: 08 I 06 I 11Profissão: Apal,eilõJo,
INSTRUÇÕES
Para responder o teste você deverá fazer um traço ( / ) cada vez que aparecer um desenho igual ao modelo
que se encontra do lado esquerdo da folha. Ou seja, em cada linha deverá ser procurado e marcado um desenho
diferente, sempre levando em consideração o desenho que está na parte esquerda da folha de resposta, do lado
da setinha. Por isso é muito importante prestar bastante atenção no primeiro desenho de cada linha do teste.
Caso erre, faça um circulo e continue respondendo o teste.
O teste deve ser respondido sempre da esquerda para a direita. Quando chegar ao final de cada linha comece na
linha seguinte, novamente pelo lado esquerdo da folha, e levando em conta o desenho que está do lado esquerdo
da setinha.
Você terá 2 minutos e 30 segundos para realizar o teste. Bom trabalho!
Agora faça um treinamento antes de iniciar a resposta ao instrumento:
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~-~o~~u.~~~~ornS~D~~~-U.O~~g~OS~~3D~~~3~~
~-.~U~~~SO~D~~~O~~~S~~
AGUARDE A INSTRUÇÃO PARA VIRAR A FOLHA
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Esta folho está impressa em AZUL. PRETO e +Vi t • EDITORA PSICD-PEDAGóGICA IJOA. Copyright © 2013 - Velar Editora Psico-Pedagógica ltdc. -São
VERMELHO. Se lhe apresentarem impressa em e or Rua Cuboláo 48 - CEP 04013-000 - SP Paulo. Ê proibida o reprodução total ou parcial desta publico-
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côo. por qualquer meio existente e poro qualquer finalidade.
outTtizá-to. sem autorização por escrito dos editores.
76 Fabián Javier Marín Rueda
Acertos: 85 Pontos: 79 Percentil por 60faixa etária:
Erros: I Percentil 40geral:
Omissões 5 Percentil por
10escolaridade:
~-u~~.~rn~~o~~~~~~D~~~U-~~.~~bD~~~~~~~~rn.-~~~~~~~~U~~~~~~~rnDm~~-.~m~~~D~~Ourn~~~~~~~-rn~~D~u~~~~.~~~~~~~~~~-UDmm~~~~~wwn~~~~0m.~-~~~~uD~~~~~rn~~.~~rn-~~~~~~~~~U~~~~~m~~D-~~g~.~~~~rngG~~~O~~~~-~~m~D~~~~~~~~~~~~-.m'~Urn~mtJ~~~~~m~D~~~~~-~~Dg~~roBrn~u~~~~~~WB-.~g~Du~~~~~rn~~~~~
~-H~~~D~~~~~tib~~ti~~EUa-m~m~~~.~~~~~u~~Drn~~-~~~~~~~~~Du~~~~~rn~~.~-~~urn~~D~~~~~~~m~~~~~~-~~uD~~~.~rn~~~~~~~~~~~-~~.~~~~~~u~~~~D~~~~rn~-~~~~~~rnD~~~~~.U~m~~~
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 77
-FOLHA DE INTERPRETAÇAO
(BPA)
Fabián Javier Marín Rueda
Parte integrante do Livro de Avaliação (vaI. 5) da Coleção BPA.
Nome: M.C.R.G.
Idade: -----'-63"- Sexo: D M [K]F Escolaridade: __ ~...J.UP_eJUIJII,--,-· _Cowp'-l-IiJir-'--'--- __
Profissão: Ap~~ Data de Aplicação: 08 / 06 / ~
Percentil por faixa etária
(ver Tabela 23)
Percentil por escolaridade
(ver Tabela 27)
80 50
Percentil por faixa etária
(ver Tabela 24)
Percentil por escolaridade
(ver Tabela 28)
25 I
Percentil por faixa etária
(ver Tabela 25)
Percentil por escolaridade
(ver Tabela 29)
60 10
Percentil por faixa etária
(ver Tabela 26)
Percentil por escolaridade
(ver Tabela 30)
60 5
Síntese
A M~ roi, WJi.;,zaJa, ew, MCRG, wdJ,g" tk 63 ~, apDf.P.M1MD,e ria PoUlJ.i,f~UUJ- tupeJrio'r, ÇqJf(fJ!RJ;,. e w,plJfll.ku à BPA W«lr
eOJÚR, du P'WCRM•. tk M~p4ied.iqlea qla eJ.wa.edo- WJi.;,zadu ew, UJ«, 1JOH/,ulWr.;.". p~. f& apw,e.úhu, UJ«, t;(õ/, tk pOlÚiJce;Wcada e ~ •. w,uiJõJo. ob1J.du roi, aeiwIJ, da u-PEOAGOOICA lIDA.~ ve ar Ruo Cubotõo 48 - UP 04013-{)OO- SP
dota TeI.n1l3146-0333 - Fox.Ill13146-0340
Copyright Q 2013 - Vetar Editora Psico-Pedagógico lida. - Sôo
Paulo. É proibida o reprodução tolol ou parcial desta publica-
çõo. por qualquer meio existente e para Qualquer finalidade,
sem autorizaçõo por escrito dos editores.
www.veloreditoro.com.brvendos@velorediloro.com.br
80 Fabián Javier Marín Rueda
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Acertos: 69 Pontos: 69 Percentil por
40faixa etária:
Erros: Percentil 25O geral:
Omissões
O
Percentil por
60escolaridade:
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 81
-ATENÇAO DIVIDlDA
Fabián Javier Marín Rueda
FOLHA DE RESPOSTAS
Parte integrante do Livro de Aplicação (vaI. 4) da Coleção BPA.
J. V.M.Nome:
Idade: _--=-14-'---- Sexo: [XlM f/'BEscolaridade:
Profissão: Data de Aplicação: 29 / 08 / ~
INSTRUÇÕES
Para responder o teste você deverá fazer um traço ( / ) cada vez que aparecer um desenho que for igual a
qualquer um dos três (3) modelos abaixo. Ou seja, eles não precisam estar um do lado do outro para serem as-
sinalados. Cada vez que um dos três desenhos aparecer você deverá fazer o traço por cima dele. Caso erre, faça
um circulo e continue respondendo o teste.
O teste deve ser respondido sempre da esquerda para a direita. Quando chegar ao final de cada linha comece
na linha seguinte, novamente pelo lado esquerdo da folha.
Você terá 4 minutos para realizar o teste. Bom trabalho!
Agora faça um treinamento antes de iniciar a resposta ao instrumento:
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qualquer outro cor ou de qoolquer oulro modo, ••••••• TeI.11113146-a um dado estímulo em detrimento de outros.
Posteriormente, em 1890, William James também procurou trabalhar de forma
científica e sistemática o conceito, sendo que para ele a focalização e a concentração
eram aspectos fundamentais e básicos do construto.
Em 1907, Thorndike apontou duas possibilidades ao se referir à atenção, quais
sejam, atenção como sensação e atenção como ato ou ação. Como sensação, a atenção
seria caracterizada pelo esforço para que prevaleça um sentimento ou interesse em
detrimento de outros. Já a atenção como ato ou ação caracteriza-se pela focalização
de uma parte da mente em algumas ideias, enquanto outras são excluídas.
Como percebido, desde a segunda metade do século XIX até o início do século
XX houve preocupação com a definição do construto, em que pese à constatação de
que o mesmo não se mostrou passível de ser facilmente definido. Ainda, vale a pena
destacar que foi a partir da década de 1950 que as pesquisas sobre o construto sob a
perspectiva de várias teorias psicológicas foram, de fato, retomadas e principalmente
ampliadas (Wright & Ward, 1998).
Nesse sentido, a contribuição da psicologia cognitiva para o estudo da atenção
foi muito valiosa, uma vez que a teoria do filtro atentivo proposta por Broadbent
(1958) guiou muitas das pesquisas realizadas na segunda metade do século XX.
Segundo essa teoria, o processamento da informação ocorreria em dois momentos.
Primeiro a filtragem dos estímulos de acordo com sua importância e condição física
e, posteriormente, o descarte dos estímulos considerados sem relevância. A teoria
proposta por Broadbent (1958) deixou clara a característica seletiva da atenção e
foi um marco para que outras teorias fossem postuladas. Deve ser destacado que a
teoria proposta por Broadbent retomou as ideias iniciais de William James, no que
se refere à seletividade da atenção, assim como a sua capacidade limitada.
Nas décadas posteriores e principalmente a partir de 1970, o foco das pesquisas
sobre a atenção foi ainda maior na relação existente com os estímulos visuais. Uma
contribuição importante sobre o tema foi dada por Posner, Snyder e Davidson (1980),
ao postular a capacidade do sistema atencional para direcionar seus recursos para
uma parte específica do campo visual, com base na localização espacial dos estímulos.
Por sua vez, autores como Strauss, Barton e Reilley (1995) apresentaram uma
definição do construto semelhante à concepção proposta por Thorndike (1907) sobre
a atenção enquanto ato ou ação. Para os autores, a atenção seria uma função mental
complexa, relacionada à capacidade para focalizar algum estímulo do meio ambiente
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 13
ou interno. Dessa forma, a atenção seria a capacidade de a pessoa selecionar e manter
o controle da entrada de informações externas e o processamento de informações
internas necessárias em um determinado momento.
Destaca-se que essas proposições mais gerais sobre a atenção geraram outros
modelos mais específicos e direcionados para tarefas de busca visual com resultados
experimentais. Assim sendo, como aponta Pashler (1998), nas últimas décadas tem
havido maior interesse pela investigação de aspectos relacionados à seletividade e
de mecanismos que tornam esse processamento seletivo mais ou menos eficaz.
Quanto aos resultados experimentais mencionados, os mecanismos seletivos da
atenção podem ser verificados por meio do estudo de tarefas de busca visual. Esse tipo
de tarefa foi proposta por Atkinson, Holmgren e Juola (1969) e consiste em procurar
um estímulo-alvo definido previamente e dar uma resposta específica o mais rápido
possível a sua presença ou ausência. Dessa forma, há um aspecto muito importante
a ser considerado: a definição de como ocorre a procura pelo estímulo alvo. Nesse
sentido, se o estímulo-alvo tiver apenas uma característica, como a cor, a procura
dele é independente do número de distratores à sua volta. Já quando esse estímulo
apresenta e deve ser procurado por duas características, como a cor e a forma, o
número de distratores torna-se um elemento importante, uma vez que cada um
deles deve ser "eliminado" até que se identifique o estímulo alvo (Theeuwes, 1996;
Treisman, 1988; Treisman & Gelade, 1980; Treisman & Sato, 1990). Pela teoria do
filtro atentivo de Broadbent (1958), esses aspectos podem ser entendidos por meio
de dois estágios de processamento. O primeiro, denominado de pré-atencional, não
teria limitações de capacidade e funcionaria paralelamente por meio de todo o campo
visual. O segundo, denominado atencional, dependeria do pré-atencional e teria uma
capacidade limitada, estando limitado a um item de cada vez (Theeuwes, 1996).
Brevemente pode ser verificado que a avaliação da atenção tem centrado sua 'in-
vestigação nos aspectos relacionados à visão ..Mas como pode ser definida a atenção?
Embora muitas definições sobre o construto tenham sido dadas, um dos teóricos mais
aceitos e referenciados ao citar o construto é Robert Sternberg.
A atenção foi definida por Sternberg (2000, p. 78) como o "fenômeno pelo qual o
ser humano processa ativamente uma quantidade limitada de informações do enorme
montante de informações disponíveis através dos órgãos dos sentidos, de memórias
armazenadas e de outros processos cognitivos". Com base na definição, percebe-se a
atenção como capacidade e o esforço realizado para focalizar, selecionar e processar
um estímulo do ambiente, em detrimento de outros. Dessa forma, o indivíduo torna-se
capaz de utilizar seus recursos cognitivos para emitir respostas rápidas e adequadas
diante de estímulos que julgue importantes.
Embora possamos considerar a definição de Sternberg (2000) como uma das
mais aceitas, é importante destacar que outros autores (Hilgard & Atkinson, 1979;
Lent, 2001; Luria, 1979; Strauss, Barton & Reilley, 1995, entre outros) também têm
procurado definir o construto. A título de exemplo pode-se citar Richard, que em
2004 definiu a atenção como uma função cognitiva que ocorreria desde os primeiros
dias de vida e que tem como principal função orientar os sentidos aos estímulos do
ambiente. Assim, à medida que o cérebro se desenvolve, passa a administrar de forma
seletiva os recursos de processamento da informação, ou seja, prestar atenção em
um estímulo e inibir outros.
14 Fabián Javier Marín Rueda
Para além de definições teóricas, parece haver um consenso entre os pesquisadores
sobre a importância do construto em diversas funções mentais, como a linguagem
e o aprendizado, fazendo que a atenção seja considerada um dos componentes mais
importantes no grupo das chamadas funções cognitivas. Assim sendo, autores como
Allport (1993) e Posner (1993) consideram que a atenção desempenha um papel
muito importante na vida das pessoas, sendo a sua principal função selecionar e
extrair o estímulo mais importante em um determinado momento. Destacam que,
como função cognitiva, a atenção estaria especificamente relacionada à qualidade
com que as pessoas executam as tarefas que se propõem a realizar no seu dia a dia.
No que se refere às definições do construto, ambos autores sugerem que a falta de
um consenso quanto a uma definição de atenção na literatura pode ser atribuída a
uma gama muito grande de operações mentais que estão envolvidas no processo.
Com base nisso, pode-se dizer que atualmente existe uma diversidade de classifi-
cações para a atenção, que dependem da forma como o construto é operacionalizado.
Ao fazer uma revisão na literatura estrangeira sobre os diferentes tipos de atenção,
percebe-se a existência de uma mistura de nomenclaturas. Assim, em várias oca-
siões atenção concentrada é chamada de atenção seletiva ou atenção sustentada
(Brickenkamp, 2000; Lezak, 1995; Zillmer & Spiers, 1998). No Brasil pode ser ob-
servado um fato semelhante, uma vez que testes com características tipicamente de
atenção dividida muitas vezes são chamados de atenção distribuída ou atenção difusa.
Quanto aos diferentes tipos de atenção, pode-se verificar que na literatura inter-
nacionalser procurado e marcado um desenho
diferente, sempre levando em consideração o desenho que está na parte esquerda da folha de resposta, do lado
da setinha. Por isso é muito importante prestar bastante atenção no primeiro desenho de cada linha do teste.
Caso erre, faça um circulo e continue respondendo o teste.
O teste deve ser respondido sempre da esquerda para a direita. Quando chegar ao final de cada linha comece na
linha seguinte, novamente pelo lado esquerdo da folha, e levando em conta o desenho que está do lado esquerdo
da setinha.
Você terá 2 minutos e 30 segundos para realizar o teste. Bom trabalho!
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84 Fabián Javier Marin Rueda
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Erros: O Percentil 80geral:
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Nome: J.V.M~~~-----------------------------------------------------------------
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Profissão: Data de Aplicação: 29 / 08 / ~
Percentil por faixa etária
(ver Tabela 23)
Percentil por escolaridade
(ver Tabela 27)
40 60
Percentil por faixa etária
(ver Tabela 24)
Percentil por escolaridade
(ver Tabela 28)
10 80
Percentil por faixa etária
(ver Tabela 25)
Percentil por escolaridade
(ver Tabela 29)
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Percentil por faixa etária
(ver Tabela 26)
Percentil por escolaridade
(ver Tabela 30)
80 90
Síntese
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P-~ "'"w.eJido. rJR,~ Gwd. Oeilõ.co.-'t 91$ CCfOu seja, eles não precisam estar um do lado do outro para serem as-
sinalados. Cada vez que um dos três desenhos aparecer você deverá fazer o traço por cima dele. Caso erre, faça
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90 Fabián Javier Marín Rueda
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~~D~~rn~~~~~~~~~~s~~~~~~~~~~~~Drn~~~s~~~~~~~~~~~~~D~~~~~~~~~srn~~~~~~~~~~~~~~~rnD~~s~~~~~~~~~~CrnDs~~~~~~D~~~rn~~~~~~s~~~~~~~~~~Drn~~~~~~~~~~s~@~~~~~~~s~~~~~~~~~~~~D~~~~~~~~~~~~~~rn~~D~~~S~~~~~~~~D~~~~~~~s~rn~~~~~~D~~~~S~~~~~~rn~p~~~~~~~~D~~~rn~~s~~~~g~~~~~~~rn~~~~~D~~Se~~~rn~~~~~~~~~~~Q~~S~D~~~~~~~~S~~~~CD~rnu~u~tI]~~D~C~u~tI]~u~~cs~~rnu~DCtI]~~~~~su~~~~rn~CtI]~C~~~u~~CDrnS~tI]~~ut1J~~rnnBtI]~.~uu~~CtI]~~c~~~ ~·D~tI]~~C~~rn~tI]D~u~~Su~~C
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FOLHA DE RESPOSTAS
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t.M.M.Nome:
Idade: _-=3.=;,8 Sexo: [K] M Escolaridade:
Profissão:--'..M.•..IMriJ.=.;.::..;·1õ,"- Data de Aplicação: __ / __ / __
INSTRUÇÕES
Para responder o teste você deverá fazer um traço ( I ) cada vez que aparecer um desenho igual ao modelo
que se encontra do lado esquerdo da folha. Ou seja, em cada linha deverá ser procurado e marcado um desenho
diferente, sempre levando em consideração o desenho que está na parte esquerda da folha de resposta, do lado
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92 Fabián Javier Marín Rueda
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Acertos: 100 Pontos: 95 Percentil por 60faixa etária:
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· -FOLHA DE INTERPRETAÇAO
(BPA)
Fabián Javier Marín Rueda
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Nome: t.M.M.
Idade: _3=-8~ Sexo: [K] M DF Escolaridade:
Profissão:_M.:....:.:.OIiYr.i.4::..::::·=1ã'-- Data de Aplicação: __ / __ / __
Percentil por faixa etária
(ver Tabela 23)
Percentil por escolaridade
(ver Tabela 27)
80 90
Percentil por faixa etária
(ver Tabela 24)
Percentil por escolaridade
(ver Tabela 28)
60 70
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(ver Tabela 25)
Percentil por escolaridade
(ver Tabela 29)
60 80
Percentil por faixa etária
(ver Tabela 26)
Percentil por escolaridade
(ver Tabela 30)
70 85
Síntese
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tM~ llM tiifõl. rk 115plJfÚiJ4 11.0' AC, 7411.0' AO ~ 9511.0' AA, que, ,ouEncontro: Revista de Psicologia, 9(16), 75-89.
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98 Fabián Javier Marin Rueda
SOBRE O AUTOR
Fabián Javier Marín Rueda é Psicólogo, possui curso de Perito Examinador de
Trânsito pela Universidade de Ribeirão Preto, é Mestre e Doutor em Psicologia, com
área de concentração em Avaliação Psicológica, pelo Programa de Pós-graduação
Strictu Sensu em Psicologia da Universidade São Francisco. Professor da Graduação
e da Pós- graduação Strictu Sensu em Psicologia da Universidade São Francisco.
Publicou, além de vários artigos científicos e capítulos de livros, os seguintes testes:
Rueda, F. J. M., Raad, A. J. & Monteiro, R. M. (2013). Teste de Memória de Reconhecimento
- TEM-R. São Paulo: Casa do Psicólogo.
Rueda, F.J. M. (2013). Escala de Avaliação da Qualidade de Vida no Trabalho - Escala-QVT.
São Paulo: Casa do Psicólogo.
Rueda, F. J. M., & Ávila-Batista, A. C. (2012). Escala de Avaliação da Impulsividade Formas
A e B (EsAvI-A e EsAvI-B). São Paulo: Vetor.
Rueda, F. J. M., & Castro, N. R. (2012). Teste de Inteligência (TI). São Paulo: Vetor.
Rueda, F. J. M., & Muniz. M. (2012). Teste dos Cubos: para avaliação do raciocínio
visuoespacial. São Paulo: Vetor.
Rueda, F. J. M., & Santos, A. A. A. (2011). Escala de Avaliação do Clima Organizacional
(CLIMOR). São Paulo: Vetor.
Rueda, F. J. M. (2010). Teste de Atenção Dividida (TEADI) e Teste de Atenção Alternada
(TEALT). São Paulo: Casa do Psicólogo.
Rueda, F. J. M., & Sisto, F. F. (2009). Teste de Atenção Concentrada (TEACO-FF). São Paulo:
Casa do Psicólogo.
Rueda, F.J. M., & Sisto, F.F. (2007). Teste Pictórico de Memória (TEPIC-M). São Paulo: Vetor.
Sisto, F. F., Noronha, A. P.P.,Lamounier, R., Bartholomeu, D., & Rueda, F.J. M. (2006). Testes
de Atenção Dividida e Sustentada (AD e AS). São Paulo: Vetor.
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 99
Aptidões Específicas
Bateria Psicológica para Avaliação da
Atenção (BPA)
Fabián Javier Marín Rueda
Livro VaI. 1
ISBN 978-85-7585-702-1
9 788575 857021os conceitos mais mencionados e claramente diferenciados são a atenção
alternada, a atenção dividida e a atenção sustentada. Nesse sentido, é necessário
oferecer ao leitor uma definição de cada um deles. Ainda, a atenção concentrada será
um tipo de atenção aqui considerado, haja vista que faz parte dos tipos de atenção
avaliados pela Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção CBPA),além de ser um
dos conceitos mais utilizados na avaliação atencional no Brasil.
Assim sendo, a atenção alternada pode ser considerada como a capacidade em focar
a seletividade da atenção ora em um estímulo, ora em outro, por um determinado
período de tempo. Por sua vez, a atenção dividida caracteriza-se pela capacidade
para procurar dois ou mais estímulos simultaneamente (Rueda, 2010a). Já a atenção
concentrada pode ser entendida como a capacidade de uma pessoa em selecionar
apenas uma fonte de informação diante de vários estímulos distratores em um tempo
predeterminado CCambraia, 2003; Rueda & Sisto, 2009). Por fim, assim como na
atenção concentrada, na atenção sustentada o sujeito deve dirigir seu focoatencional
para um estímulo entre vários distratores presentes. A diferença entre ambos os tipos
de atenção refere-se ao fato de que o resultado em um teste de atenção sustentada é
fruto da comparação do desempenho do testando em diferentes partes do teste, ou
seja, para avaliá-Ia compara-se, por exemplo, o desempenho no início do teste com o
desempenho no final, para verificar se o sujeito sustentou ou não sua atenção. Já no
caso da atenção concentrada, o objetivo é verificar se a pessoa consegue concentrar
sua atenção em um determinado período de tempo, sem preocupação em saber se o
desempenho final é semelhante ou não ao desempenho inicial do teste.
É importante destacar que algumas características estão presentes em qualquer
tipo de atenção avaliado, uma vez que fazem parte da própria definição do construto.
São elas: a seletividade da atenção, o controle voluntário desta, e sua capacidade
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 15
limitada. Ainda, destaca-se que não há um teste para avaliação de um tipo de "atenção
pura", ou seja, ao longo do processo de resposta de um teste para avaliação da atenção
alternada, o sujeito também estará, por períodos predeterminados, concentrando sua
atenção. Do mesmo modo, ao responder um teste de atenção dividida, uma pessoa
precisará, além de concentrar sua atenção, fazer uso da alternância da mesma. Dentro
desse contexto, e antes de apresentar a BPA especificamente, o próximo tópico tem
como objetivo expor os testes de atenção utilizados e comercializados no Brasil, assim
como as pesquisas desenvolvidas e publicadas com estes.
TESTES DE ATENÇÃO NO BRASIL E PESQUISAS DESENVOLVIDAS
COM ELES
Antes de apresentar os testes para avaliação da atenção no Brasil, assim como
as pesquisas que têm sido desenvolvidas com eles, faz-se necessário um breve pa-
norama histórico da avaliação da qualidade dos testes psicológicos no Brasil. Para
isso, inicialmente é importante destacar que a avaliação psicológica é uma função
privativa do psicólogo, e que o artigo 13 da Lei n? 4.119, de 1962, determina que é
função privativa do psicólogo a utilização de métodos e técnicas psicológicas com
os objetivos de diagnóstico psicológico, orientação e seleção profissional, orientação
psicopedagógica, detecção e problemas de ajustamento.
Considerando que o Conselho Federal de Psicologia é o órgão fiscalizador da pro-
fissão, e que tem entre as suas atribuições a responsabilidade de garantir a qualidade
técnica e ética dos serviços prestados pelos psicólogos, em 2001 regulamentou a
elaboração, a comercialização e o uso dos testes psicológicos, por meio da Resolução
CFP nº 025/2001. Tal resolução foi revogada pela Resolução CFP n? 002/2003, que
atualmente está em vigor.
Essa resolução estabelece que os testes para uso profissional do psicólogo devem
atender a parâmetros mínimos de qualidade e estar sob a responsabilidade técnica
de um psicólogo registrado em um Conselho Regional de Psicologia. No que se
refere aos parâmetros mencionados, ficou estabelecido que os requisitos mínimos e
obrigatórios para os instrumentos de avaliação psicológica são: 1) apresentação da
fundamentação teórica do instrumento, na qual se determine o construto, a defini-o
ção de seus possíveis propósitos e os contextos principais para os quais o teste foi
desenvolvido; 2) apresentação de evidências de validade e precisão; 3) apresentação
de dados empíricos sobre as propriedades psicométricas dos itens do instrumento;
4) apresentação do sistema de correção e interpretação da pontuação do teste e; 5)
apresentação dos procedimentos de aplicação e correção, assim como das condições
nas quais o teste pode ser aplicado.
Além disso, junto com a Resolução CFP n? 002/2003 foi criado o Sistema de
Avaliação de Testes Psicológicos (Satepsi). O Satepsi pode ser acessado por meio do
endereço eletrônico http://www2.pol.org.br/satepsi/sistema/admin.cfm. e nele está
disponível a lista com todos os testes psicológicos favoráveis para uso, além da lista
com os testes desfavoráveis, testes não psicológicos, as datas referentes a cada etapa
do processo de avaliação do teste, pareceres, resoluções e espaço para o esclarecimento
de dúvidas, entre outras informações. Ainda, o Satepsi conta com uma Comissão
16 Fabián Javier Marín Rueda
Consultiva em Avaliação Psicológica, composta por membros de reconhecido saber em
testes psicológicos,acompanhada por umía) conselheiro/a) federal, bem como com uma
relação de pareceristas ad hoc, que auxiliam na avaliação do material a ser analisado.
No que se refere aos testes de atenção aprovados pelo Satepsi, atualmente (consulta
realizada em fevereiro de 2012) encontram-se com parecer favorável para seu uso e
comercialização: 1) a Bateria de Funções Mentais para Motorista - BFM-l e BFM-4
(Tonglet, 1999; 2002a), que inclui os testes TADIM 1 e 2, TACOM A, B, G e D, e
TADIS 1 e 2; 2) a Bateria Geral de Funções Mentais - BGFM-l e BGFM-2 (Tonglet,
2002b; 2003), composta pelos testes TEDIF 1,2 e 3 TECON 1, 2 e 3; 3) o Teste de
Trilhas Coloridas - CTT (D'Elia, Satz, Uchiyama & White, 2010) para avaliação da
atenção sustentada e dividida; 4) a Escala de Atenção Seletiva Visual- EASV (Sisto
& Castro, 2011); 5) o Teste de Atenção Seletiva - TAS (Silva, 2012); (6) o Teste de
Atenção Concentrada - TEACO-FF (Rueda & Sisto, 2009); 7) o Teste de Atenção
Dividida (TEADI) e Teste de Atenção Alternada (TEALT) (Rueda, 2010a); 8) o Teste
de Atenção Concentrada - AC (Cambraia, 2003); 9) o Teste de Atenção Concentrada
- AC-15 (Boccalandro, 2003); 10) o Teste d2 (Brickenkamp, 2000) para avaliar a
atenção concentrada; 11) os Testes de Atenção Dividida e Sustentada - AD e AS
(Sisto, Noronha, Lamounier, Bartholomeu & Rueda, 2006). A seguir será realizada
uma descrição de cada um deles, no que se refere a sua estrutura, itens, tempo de
resposta e população à que se destina. Vale destacar que no Satepsi há ainda outros
três testes para avaliação com parecer favorável. São eles o Teste Computadorizado
de Atenção (TCAVisual), o Teste das Linhas e o Teste dos Círculos, constando como
requerentes na avaliação a Editora NEUROCOG, Cognição e Cognição para cada
um deles, respectivamente; porém, o autor deste livro de instruções não teve acesso
a tais materiais.
Quanto à apresentação dos manuais mencionados, esta será feita seguindo a ordem
cronológica apresentada no Satepsi. Assim sendo, os testes que compõem a BFM-l
(Tonglet, 1999) são o TADIM 1 e 2, que se constituem por 50 símbolos que são placas
de demarcação quilométrica que fazem parte da sinalização vertical das rodovias fe-
derais, e em especial da Rodovia Presidente Dutra. As 50 placas são coloridas e estão
dispersas espacialmente na folha de resposta dos testes. Para responder, o individuo
deve riscar a placa com o número" 1", e sequencialmente continuar riscando as placas
em ordem crescente. O tempo de aplicação de qualquer um dos instrumentos e de
4 minutos. Ainda,a BFM-l é composta pelo TACOM A e B. O TACOMA apresenta
como estímulos-alvo sinais de obrigação de trânsito, e como estímulos distratores
sinais de proibição de trânsito. Os testes são compostos por 21 linhas com 12 sinais
de regulamentação cada, sendo seis de obrigação e seis de proibição. Na 22ª linha há
quatro sinais de obrigação e oito de proibição. O tempo de resposta é de 1 minuto e
30 segundos. A diferença entre o TACOM A e o B, é que neste último os estímulos
são sinais de advertência do trânsito, sendo que os estímulos-alvo apresentam uma
predominância de linhas retas e os estímulos distratores linhas curvas. Por fim, a
BFM-l é composta pelos testes TADIS le 2. O TADIS 1 compreende tanto os sinais
de regulamentação como os de advertência, e eles podem ser tanto estímulos-alvo
como estímulos distratores. A estrutura da folha de resposta do teste é igual à do
TACOM A e B, porém o tempo de resposta é de 3 minutos. O TADIS 2 apresenta
estímulos diferentes do TADIS 1, porém são também sinais de advertência e de
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 17
regulamentação, o que torna ambos os testes muito semelhantes. Deve ser salientado
que o TADIM 1 e 2 informam avaliar a atenção difusa, o TACOMA e B a atenção
concentrada, e o TADIS 1 e 2 a atenção discriminativa, sendo que todos eles podem
ser aplicados em pessoas com mais de 18 anos.
O Teste d2 (Brickenkamp, 2000), publicado originalmente na Alemanha, destina-
-se à avaliação da atenção concentrada, e é composto por uma folha de resposta
contendo 14 linhas com 47 estímulos cada uma. Os estímulos foram construídos
com base na combinação sistemática de quatro elementos, formando 16 estímulos
diferentes. O sujeito deve assinalar sempre que aparecer uma letra "d" com dois
traços acima, com dois traços abaixo ou com um traço acima e outro abaixo. Os
estímulos distratores são letras "p" e "d" com traços diferentes. Para responder
o instrumento o sujeito tem um tempo de 20 segundos para cada linha, sendo que
sempre que esse tempo é atingido, o aplicador solicita que o sujeito passe para a
linha seguinte e continue respondendo. O instrumento pode ser aplicado em pessoas
de 9 a 52 anos de idade.
Retomando as baterias de funções mentais para motoristas, tem-se a BFM-4
(Tonglet, 2002a), que é constituída pelos testes TACOM C e TACOM D e, que se-
gundo o autor, avaliam a atenção concentrada complexa. Quanto ao primeiro teste,
é composto por sinais de regulamentação de trânsito. O autor informa que para
responder o teste os estímulos distratores foram escolhidos por sua semelhança
com os estímulos-alvo, e que isso seria uma característica dessa complexidade
da atenção. A folha de resposta tem 21 linhas com 12 sinais de regulamentação
cada, sendo seis alvo e seis distratores. Na 22ª linha há quatro estímulos-alvo e
oito distratores. O tempo de resposta é de 3 minutos. Por sua vez, o TACOM D
apresenta as mesmas características que o anterior, porém os estímulos utilizados
foram sinais de advertência de trânsito.
Já a BGFM-l (Tonglet, 2002b) é composta pelos testes TEDIF 1, 2 e 3. O TEDIF
1 se destina a avaliar a atenção difusa. Já nos TEDIF 2 e 3, o autor informa que se
destinam à avaliação da atenção difusa complexa. O TEDIF 1 é composto por apenas
um estímulo, que é um "losango menor inscrito em um losango maior, cujo espaço
intermediário é preenchido na cor azul marinho. O losango menor apresenta um
fundo em branco, com uma numeração que varia de 01 a 50" (p. 92). Tais estímulos
são apresentados de forma dispersa na folha de resposta do teste. Ao responder, a
pessoa deve procurar e riscar a placa com o número "01" e sequencialmente conti-
nuar riscando as placas em ordem crescente. O tempo de aplicação é de 4 minutos,
sendo que a cada minuto o respondente é avisado e deve fazer um círculo na última
figura riscada. O TEDIF 2 é muito semelhante. A diferença é que a figura é um
círculo, e as cores utilizadas são o verde, o amarelo, o vermelho e o azul marinho.
Por sua vez, no TEDIF 3 são utilizados como símbolos 10 tipos diferentes de figuras
geométricas, porém a forma de resposta é a mesma, com numeração variando de
1 a 50, e a pessoa devendo riscar os estímulos em ordem crescente. Os três testes
podem ser aplicados em indivíduos com mais de 18 anos.
Por fim tem-se a BGFM-2 (Tonglet, 2003), que é composta pelos testes TECON
1, 2 e 3 e avalia a atenção concentrada complexa. Segundo seu autor, os estímulos
dos três instrumentos foram escolhidos "com base nas figuras geométricas e na
teoria das cores de Leonardo da Vinci" (p, 76). No TECON 1, os estímulos-alvo são
18 Fabián Javier Marín Rueda
quadrados divididos pela metade, com uma parte colorida (azul marinho, amarelo,
vermelho e verde) e outra parte em branco, e os estímulos distratores são seme-
lhantes aos estímulos-alvo. A folha de resposta é composta por 21 linhas com 12
estímulos cada, sendo seis alvos e seis distratores. Na 22ª linha há quatro alvos e
oito distratores. O TECON 2 e 3 são muito semelhantes; a diferença que no 2 os
estímulos escolhidos foram triângulos e no 3, pentágonos. Os três instrumentos
podem ser aplicados em pessoas acima de 18 anos e tem como tempo de duração
3 minutos e 30 segundos.
Muito conhecido, o AC, originalmente publicado em 1967 pelo psicólogo Susy
Cambraia, atualmente encontra-se em sua quarta edição. O AC (Cambraia, 2003)
consiste em uma folha de resposta com 21 linhas, cada uma com 21 estímulos,
sendo sete alvo e 14 distratores. Para responder ao instrumento, o indivíduo deve
procurar e assinalar sempre que aparecer um dos três estímulos-alvo dispostos no
topo da folha de resposta. O instrumento tem um tempo de aplicação de 5 minutos,
e é destinado a pessoas a partir dos 18 anos. Ele é muito utilizado na avaliação
psicológica pericial para motoristas, e foi padronizado para pessoas que partici-
pavam desse tipo de avaliação, embora em sua concepção original essa população
não tenha sido alvo.
Por sua vez, o AC-15 (Boccalandro, 2003) foi originalmente publicado em 1977,
e apresenta aprovação do Satepsi desde o ano de 2003. Consiste em uma tarefa na
qual o sujeito deve examinar cada item, que se constitui de pares de palavras ou
sequência de números, dispostos em colunas que estão separadas por um traço, e
verificar se os dois membros do par são iguais ou diferentes. Se forem iguais, o tes-
tando deve marcar a letra "V" no traço que separa as colunas e, se foram diferentes,
a marcação não deve ser realizada. No que se refere ao tipo de atenção, o fato de
a pessoa procurar ora pares de palavras e ora pares de números, poderia implicar
uma alternância da atenção. Quanto ao resultado do instrumento, deve-se levar
em consideração a consistência com que a pessoa realiza o trabalho, uma vez que
existem pessoas que trabalhariam com uma boa rapidez e precisão inicialmente,
mas que se cansariam com maior rapidez, diminuindo seu ritmo de trabalho no
final da prova e aumentando o número de erros; por outro lado, existem pessoas
que aumentariam sua produção à medida que avançam na tarefa de conferência,
tendo nos últimos minutos uma produção maior do que no início. Para avaliar essa
variável, Boccalandro (2003) apresentou o conceito de consistência de trabalho, que
teria por objetivo comparar o rendimento nos últimos cinco minutos do teste com
o rendimento nos primeiros e dessa forma inferir se a pessoa aumentou, manteve
estável ou diminuiu sua produção no decorrer da prova. O teste é dividido em
três partes, com 120 estímulos cada, e o tempo de resposta é de 5 minutos para
cada um desses blocos. Pode ser aplicado em pessoas de 16 a 60 anos, com nível de
escolaridade a partir do ensino fundamental.
Em 2006, Sisto, Noronha, Lamounier, Bartholomeu e Rueda publicaram o AD
e o AS, destinados à avaliação da atenção dividida e sustentada, respectivamente,
em pessoas a partir dos 18 anos submetidas ao processo de obtenção, renovação ou
mudança da Carteira Nacional de Habilitação. No caso do AD, ele se caracteriza por
17 linhas, com 24 estímulos em cada uma,sendo que o respondente deve procurar
estímulos que tenham uma figura verde-claro e duas figuras verde-escuro lado a
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 19
lado, na horizontal ou na vertical, ou estímulos que tenham uma figura amarela e
duas figuras laranjas lado a lado na horizontal ou na vertical. Na correção do teste
são oferecidas duas medidas: concentração e velocidade com qualidade. Por sua vez,
o AS é composto por 25 linhas, com 25 estímulos cada. Em cada linha do teste o
sujeito deve marcar cada vez que aparecer o estímulo-alvo, que é composto por duas
figuras retangulares verdes lado a lado, seja na vertical ou na horizontal, dentro de
um agrupamento de nove figuras. Nesse teste, a cada 15 segundos o aplicador diz
"próxima", e o sujeito deve iniciar o cancelamento de estímulos na linha seguinte.
Assim como no AD, o AS oferece uma pontuação para as medidas de concentração e
de velocidade comqualidade. Ainda, é fornecida a medida de sustentação, que informa
se o sujeito ganhou, manteve ou perdeu desempenho nessa capacidade.
Em 2009, Rueda e Sisto publicaram o TEACO-FF, para avaliação da atenção
concentrada. O teste é composto por 500 estímulos distribuídos em 20 colunas com
25 estímulos cada, sendo nove alvos e 16 distratores. No topo da folha de resposta
se encontra o estímulo-alvo como modelo, que é "uma cruz com os quatro pontos
em sua volta". A localização de todos os estímulos foi sorteada ao acaso. O tempo
de aplicação é de 4 minutos, pode ser aplicado em diversos contextos e destina-se a
pessoas a partir dos 18 anos. O instrumento também é muito utilizado em avaliações
psicológicas periciais no contexto do trânsito.
Já no que se refere à atenção dividida e alternada, Rueda publicou em 2010 o
TEADI e o TEALT. O TEADI fornece uma medida que é calculada com base nos
estímulos que a pessoa deveria marcar e marcou, subtraindo-se os erros e as omissões.
No teste devem ser procurados e marcados três estímulos que se encontram locali-
zados aleatoriamente ao longo das linhas da folha de resposta. Em sua totalidade o
instrumento apresenta 450 estímulos distribuídos em 30 linhas, com 15 estímulos
cada. Cada linha tem seis estímulos-alvo e nove distratores. O tempo de aplicação
do instrumento é de cinco minutos. Já no TEALT o tempo de aplicação é de 2 mi-
nutos e 30 segundos. A medida oferecida pelo instrumento é calculada pela mesma
fórmula que no TEADI. Para responder o teste, o sujeito deve procurar e marcar
um estímulo-alvo diferente em cada linha do teste. Em sua totalidade o instrumento
apresenta 352 estímulos, distribuídos em 16 linhas com 22 estímulos cada, sendo
oito estímulos-alvo por linha. Destaca-se que ambos os testes podem ser aplicados
em pessoas a partir dos 18 anos, e que os estudos foram realizados com estudantes
universitários e com sujeitos que estavam passando pelo processo de obtenção,
renovação, mudança ou adição da Carteira Nacional de Habilitação.
Outro instrumento que será descrito é o CTT, de D'Elia, Satz, Uchiyama e White
(2010), que se propõe a avaliar a atenção sustentada e dividida. O teste é formado por
números e cores, o que, segundo os autores, é adequado, pois são símbolos universais
e exigem pouco conhecimento da linguagem verbal, podendo ser administrado em
sujeitos que não têm o ensino formal, mas que conhecem os números de 1 a 25. A
aplicação pode ser realizada em pessoas de 18 a 86 anos e não tem tempo limite de
resposta, sendo a duração aproximada de 10 minutos.
Por fim, os últimos dois instrumentos que foram aprovados pelo Satepsi e publi-
cados foram a EASV (Sisto & Castro, 2011) e o TAS (Silva, 2012). O primeiro apre-
senta tarefas compostas por cinco figuras com três, seis ou nove figuras geométricas.
O respondente tem uma figura modelo e quatro outras figuras nas quais deverá
20 Fabián Javier Marín Rueda
observar qual delas tem uma ou mais formas geométricas iguais às da figura modelo.
Dessa forma, o teste avalia a capacidade para encontrar elementos semelhantes em
conjuntos de itens que apresentam vários elementos distratores. Pode ser utilizado
em pessoas a partir dos 18 anos, e o tempo de aplicação é de 9 minutos. Por fim, o ,-
TAS, segundo o autor, destina-se à avaliação da atenção seletiva. O instrumento pode
ser aplicado em pessoas de 15 a 60 anos, e o tempo de aplicação é de 2 minutos e 30
segundos. O teste é composto por 20 linhas com 12 estímulos cada, sendo 4 alvo e 8
distratores em cada uma delas.
Como apresentado, e considerando o número expressivo de testes para avaliação
da atenção publicados no Brasil, poderia se pensar que a quantidade de pesquisas
científicas com eles também seria expressiva. No entanto, observa-se na literatura
que enquanto há disponíveis 23 testes para avaliação do construto, apenas 18pesqui-
sas foram publicadas, e, em todas, o objetivo foi a busca por evidências de validade.
Ressalta-se ainda que dessas 18pesquisas, várias trabalharam com os mesmos testes,
ou seja, há instrumentos com parecer favorável pelo Satepsi, e cujos manuais são
comercializados no Brasil, que não apresentam sequer um estudo publicado.
Em sequência serão descritas as pesquisas mencionadas, e a ordem de apresen-
tação seguirá a mesma linha do relato dos testes, ou seja, serão apresentadas em
ordem cronológica. Assim sendo, inicialmente tem-se a pesquisa de Noronha, Sisto,
Bartholomeu, Lamounier e Rueda (2006), que realizou um estudo sobre evidência de
validade entre o AC-Cambraia e oAS, com o objetivo de oferecer evidência para este
último. Participaram da pesquisa 212 pessoas, com idade entre 18 e 62 anos, candi-
datos à obtenção da CNH, do Estado de Minas Gerais. Nos resultados, as medidas
de concentração e de velocidade com qualidade do AS foram correlacionadas com a
pontuação do AC-Cambraia, por sexo e considerando a amostra total, evidenciando
coeficientes que variaram de 0,27 a 0,42. Ao realizar essa mesma análise controlando
o efeito da idade os coeficientes se mantiveram muito semelhantes, variando de 0,22
a 0,37. Ainda, na medida de sustentação oferecida pelo AS foi realizada uma ANOVA
considerando a pontuação doAC-Cambraia, não sendo observadas diferenças entre os
grupos de sujeitos que mantiveram, perderam ou ganharam sustentação (F=0,151,
p=0,860). Para os autores os objetivos do estudo foram alcançados, e destacaram
que os instrumentos pesquisados pareceriam avaliar parte do mesmo construto.
Ainda, ressaltaram que a utilização do termo "concentração" nos diferentes testes
de atenção pareceria ter diferentes conotações.
Por sua vez, com o objetivo de verificar a relação entre a atenção concentrada
com o estresse laboral, Baptista, Rueda e Sisto (2007) aplicaram o TEACO-FF e a
Escala de Vulnerabilidade ao Estresse no Trabalho (EVENT) em 61 estudantes que
trabalhavam nos períodos matutino e vespertino, e com idade variando de 18 a 33
anos. Ao relacionar a pontuação no TEACO-FF com os três fatores da EVENT e a
pontuação total, em cada sexo e na amostra geral, verificou-se que, de 12 correlações
possíveis, apenas duas foram estatisticamente significativas. Na interpretação dos
dados, os autores sugeriram que quanto mais o ambiente físico for inadequado, mais
despreparados os chefes e maior a falta de oportunidades de crescimento na empre-
sa, haverá também um aumento da atenção concentrada, mesmo que essa relação
possa ser considerada pequena. Ainda na análise de dados, os grupos com melhor e
pior desempenho no TEACO-FF foram comparados em cada fator da EVENT e na
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 21
pontuação total, evidenciando que ogrupo que apresentou menor estresse relacionado
ao clima e funcionamento organizacional e pressão no trabalho, assim como estresse
laboral de forma geral, apresentou também menos capacidade de atenção concentra-
da. Em que pese esses resultados, os autores destacaram que os efeitos do estresse
na atenção ainda permanecem bastante difíceis de serem definidos, atribuindo essa
dificuldade à alta complexidade de ambos os construtos.
Já Sisto, Rueda,Noronha e Bartholomeu (2007)procuraram evidências de validade
para o AD por meio da comparação com o Teste Conciso de Raciocínio (TCR). Para
isso aplicaram ambos os testes em um grupo de 178 candidatos à CNH do Estado
de Minas Gerais e com idade variando de 18 a 73 anos. Ao correlacionar as medidas
de concentração e de velocidade com qualidade do AD com a pontuação no TCR,
observou-se que os coeficientes de correlação variaram de 0,33 a 0,63, ao considerar
os sexos separadamente e a amostra geral. Como conclusão, os autores apontam
que as associações moderadas entre os instrumentos sugeriram que boa parte dos
construtos avaliados era comum, inferindo que uma boa capacidade em dividir a
atenção seria um indicativo de indivíduos inteligentes. Além disso, a evidência de
validade para as medidas do AD também foi verificada.
Com o objetivo de procurar evidência de validade concorrente para o TEACO-
FF, por meio da comparação com o TCR, Cecilio-Fernandes e Rueda (2007) reali-
zaram uma pesquisa com 78 estudantes universitários do estado de Sergipe, com
idade entre 18 e 43 anos. Após aplicação de ambos os instrumentos, as análises
iniciais procuraram verificar possíveis diferenças em função do sexo das pessoas.
Nesse sentido, em ambos os testes as mulheres tiveram um desempenho melhor,
porém tais diferenças não foram estatisticamente significativas. Ao correlacionar
os resultados da pontuação no TEACO-FF com cada serie e a pontuação total do
TCR, observou-se que apenas duas foram estatisticamente significativas, além de
apresentar magnitude fraca (r=0,27). Em que pese à baixa associação observada,
os autores destacaram que ao aumento da atenção concentrada lhe correspondeu
um aumento na inteligência avaliada pelo TCR, embora essa relação tenha sido
bastante pequena (7% de comunalidade). Pelos resultados da pesquisa foi conclu-
ído que os achados corroboraram a literatura, que aponta a existência de relação
entre ambos os construtos, independentemente do tipo de atenção que esteja sendo
avaliada. Ainda, os autores atentam para o fato de que pesquisas semelhantes
encontraram coeficientes de correlação bastante maiores. Um exemplo disso é a de
Sisto (2006), que, ao relacionar oAC-Cambraia com o TCR, verificou um coeficiente
de correlação de 0,45. Nesse sentido, Cecilio-Fernandes e Rueda (2007) ressaltam
que no AC-Cambraia o sujeito tem como objetivo procurar três estímulos entre
vários outros distratores, o que pela literatura muitas vezes poderia ser considerado
característico da atenção dividida.
Ainda pesquisando evidências de validade, Rueda, Sisto, Cunha e Machado
(2007) relacionaram o AS e o AD com o Teste Pictórico de Memória (TEPIC-M).
Participaram do estudo 147 estudantes da 8ª série do Ensino Fundamental até a 3ª
série do Ensino Médio, do interior do Estado de Minas Gerais e com idade entre 14 e
24 anos. As correlações entre as medidas do AS com o TEPIC-M variaram de 0,16 a
0,34, sendo todas estatisticamente significativas. Por sua vez, na comparação com o
AD os coeficientes variaram de 0,02 a 0,16, porém nenhum apresentou significância
22 Fabián Javier Marín Rueda
estatística. Ainda, na medida de sustentação do-ASnão foi observada nenhuma dife-
rença estatisticamente significativa, quando considerada a pontuação no TEPIC-M
como variável dependente. Por fim, o desempenho nos testes foi correlacionado com
a idade dos participantes, verificando que, conforme aumentou a idade, diminuiu
o desempenho nos testes de atenção. Os autores discutem que os testes utilizados
avaliam tipos diferentes de atenção, sendo que o AD poderia se referir a uma di-
mensão mais complexa do construto, uma vez que o indivíduo deve focar-se em dois
tipos de estímulos ao mesmo tempo. Os autores concluem que essas características
podem ter influenciado a verificação de correlações significativas no AS e não no AD.
Ainda, os testes AD e AS foram correlacionados com a Escala de Depressão
(EDEP), com o objetivo de verificar evidências de validade. A pesquisa foi realizada
por Gomes e Baptista (2010) e participaram 213 estudantes universitários do estado
de Minas Gerais, com idade variando de 18 a 52 anos. Os resultados mostraram que
nenhuma correlação entre os testes de atenção e a EDEP foram estatisticamente
significativas, além de terem apresentado magnitudes nulas. Quanto à correlação
entre o AS e o AD, os coeficientes variaram entre 0,21 e 0,32, mostrando que os tipos
de atenção avaliados por ambos são, de fato, diferentes.
Montiel, Figueiredo, Lustosa e Dias (2006) realizaram seu estudo com o objetivo
de buscar evidência de validade convergente para o Teste de Atenção Concentrada
Toulouse-Piéron, por meio da comparação com o TACOM-A.Responderam os instru-
mentos 139 candidatos à obtenção da CNH, com idade entre 18 e 70 anos do Estado
de Minas Gerais. Os coeficientes de correlação entre as medidas de rapidez e de
qualidade do Toulouse-Piéron com o TACOM-Aforam 0,34 e -0,13, respectivamente.
Os autores concluíram pela obtenção de evidência de validade procurada, em que
pese a um dos coeficientes de correlação observados ter sido muito baixo. Ainda, se
considerado que ambos os testes se propõem a medir a atenção concentrada, mesmo
a correlação de 0,34 parece ter sido baixa.
Tem-se também a pesquisa de Rueda e Gurgel (2008), que comparou o desempenho
no TEACO-FF em função da escolaridade, do tipo de avaliação psicológica pericial,
da categoria da CNH e pelo fato de exercer atividade remunerada ou não relacionada
ao ato de dirigir, em um grupo de 698 pessoas dos Estados da Bahia e de Sergipe,
com idade entre 18 e 58 anos, que estavam passando pelo processo de obtenção, re-
novação ou mudança da CNH ou que eram estudantes universitários. Nos resultados
sobre a escolaridade foi verificado que pessoas com ensino fundamental tiveram um
desempenho menor ao dos indivíduos que tinham o ensino médio, que, por sua vez,
apresentaram um desempenho inferior aos sujeitos com ensino superior. Ainda, ao
comparar os tipos de avaliação pericial aos quais os sujeitos tinham se submetido, foi
verificado que pessoas que procuraram a renovação da CNH apresentaram o menor
desempenho, seguido por quem procurou a mudança de categoria e quem procurava
a CNH pela primeira vez. No que se refere ao tipo de CNH, pessoas com categoria
C, D e E tiveram um desempenho melhor que as pessoas que tinham as categorias
A, B e A. Por fim, quem exercia atividade remunerada relacionada ao contexto do
transito apresentou um desempenho menor que aquelas pessoas que não exerciam
tal atividade. Quanto aos dados das últimas três comparações realizadas, os autores
concluíram que a variável mais importante a ser considerada na avaliação da atenção
seria a idade, uma vez que pessoas de mudança ou renovação de CNH, que possuem
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 23
a categoria C, D ou E e que exercem atividade remunerada, costumam ter uma idade
maior. Dessa forma, exigir dessas pessoas que apresentem níveis atencionais mais
elevados para dirigir veículos automotores não parece ser a melhor opção, uma vez
que outros aspectos parecem ser mais importantes para serem considerados.
Em outro estudo, Noronha, Sisto, Rueda e Bartholomeu (2008) tiveram como
objetivo buscar evidência de validade desenvolvimental para o AD. Para isso par-
ticiparam 369 pessoas, com idades variando entre 18 e 73 anos. Primeiramente
foi realizada uma correlação entre as medidas de concentração e de velocidade
com qualidade do AD com a idade das pessoas. O resultado variou de -0,35 a -0,67,
considerando o sexo das pessoas e a amostra geral. Com base nesses resultados os
autores entenderam que ao aumento da idade lhe correspondeu uma diminuição da
capacidade de atenção dividida, e optaram, então, por realizar um agrupamento das
idades em diferentes faixas etárias. Assim sendo, foram criadas seis faixas etárias,
quais sejam: pessoas de 18 e 19 anos, dos 20 aos 27 anos, 28 a 36,37 a 41,42 a 55 e
de 56 até 73 anos. Após a formação desses agrupamentos, realizou-se uma ANOVAe
verificaram-sediferenças estatisticamente significativas. A prova de Tukey separou
as faixas etárias em três agrupamentos, sendo verificado que as pessoas de 56 a 73
obtiveram o pior desempenho, e as pessoas de 18 e 19 o melhor. Ainda, foi verificado
de forma sistemática que quanto maior a faixa etária, menor o desempenho no AD.
Destaca-se que essa diferença foi observada em ambas as medidas fornecidas pelo
teste, ou seja, na concentração e na velocidade com qualidade. Pelos resultados, os
autores concluíram que foi obtida evidência de validade desenvolvimental para oAD,
tanto na medida de concentração como na de velocidade com qualidade.
Rueda, Noronha, Sisto e Bartholomeu (2008) procuraram verificar evidência de
validade de construto para oAS, aplicando o instrumento em 127 pessoas que procu-
ravam obter a CNH no estado de Minas Gerais. Os resultados mostraram correlações
negativas e significativas entre duas das medidas doAS: a concentração e a velocidade
com qualidade, com a idade das pessoas. Nas análises de variância, o agrupamento
das diferentes idades apresentou diferenças estatisticamente significativas tanto
em relação à concentração como à velocidade com qualidade, evidenciando que as
pessoas de menor idade tiveram um desempenho atencional melhor. Dessa forma, a
faixa etária de 20 a 27 anos teve um desempenho superior à faixa de 28 a 36 anos,
que por sua vez teve um resultado melhor que as pessoas com 37 anos ou mais. Com
base nesses resultados os autores concluíram pela evidência de validade de construto
para ambas as medidas do AS. '
Castro e Rueda (2009) procuraram verificar a relação entre o TEALT e o TCR,
aplicando os instrumentos em um grupo de 48 pessoas que pretendiam o obter a
CNH, com idade entre 18 e 46 anos e do Estado da Bahia. Na análise dos resultados
as pontuações de ambos os testes foram correlacionadas levando em consideração
as faixas etárias apontadas pelo manual do TEALT, assim como a amostra geral.
Verificou-se que os coeficientes variaram de 0,26 até 0,67. Ainda foram calculados os
coeficientes de correlação em função do sexo, sendo obtida uma correlação de 0,46
ao considerar o sexo masculino e 0,31 nas mulheres. Pelos resultados, os autores
concluíram que ao aumentar a alternância da capacidade atencional há um aumento
também da inteligência da pessoa, evidenciado pelos coeficientes de corelação posi-
tivos. Os autores destacam que, em que pese essa relação, deve-se considerar que
24 Fabián Javier Marin Rueda
a comunalidade entre os testes foi pequena. Finalizam o manuscrito ressaltando a
evidência de validade verificada no estudo em questão.
Rueda (2009) objetivou verificar evidência de validade para o TEACO-FF em
função da relação com o TEPIC-M. Para isso participaram do estudo 207 indiví-
duos, que eram estudantes universitários ou que estavam passando pelo processo
de obtenção, renovação, mudança ou adição da CNH do Estado de Sergipe e com
idade entre 18 e 58 anos. Os resultados foram analisados considerando o sexo dos
participantes, assim como se possuíam CNH ou não. Os coeficientes de correlação
que foram estatisticamente significativos variaram de 0,16 até 0,53. Ao considerar a
pontuação total de ambos os testes foi observada uma comunalidade de aproximada-
mente 20%, o que indicaria a existência de relação entre ambos os construtos. Com
base nos resultados é mencionada a necessidade de realizar estudos que ofereçam
dados sobre os instrumentos de medida para contextos específicos, como o trânsito,
as organizações e a escola, por exemplo.
Ainda, Rueda e Castro (2010a) buscaram evidência de validade para o TEALT
com base na variável idade, ou seja, procuraram observar se a capacidade de alternar
a atenção diminuiria com o aumento da idade. O instrumento foi aplicado em 798
pessoas, com idades entre 18e 72 anos, dos Estados da Bahia e de Sergipe. Aoanalisar
os resultados os autores realizaram a correlação entre a pontuação no TEALT e a
idade das pessoas, obtendo um coeficiente de -0,36, que mostrou que ao aumento da
idade lhe correspondeu uma diminuição da capacidade de atenção alternada avaliada
pelo teste. Com base nesse resultado os autores realizaram um agrupamento das
diferentes idades, criando três faixas etárias: de 18 a 22 anos, pessoas de 23 a 32 e
sujeitos com 33 anos ou mais. Posteriormente realizou-se uma ANOVAe verificou-
-se diferença estatisticamente significativa, assim como a prova de Tukey separou
as três faixas etárias, observando que as pessoas com 33 anos ou mais obtiveram o
pior desempenho, seguidas das pessoas de 23 a 32 anos e, por fim, das de 18 a 22,
que tiveram a maior média de pontos no teste. Dessa forma, quanto maior foi a faixa
etária menor foi o desempenho no instrumento, chegando à evidencia validade para
o TEALT,procurada no objetivo do estudo.
Castro, Rueda e Sisto (2010) buscaram evidência de validade para o TEALT por
meio da comparação com os testes AD e AS, aplicando os instrumentos em 133
estudantes universitários do Estado de Sergipe, com idades entre 18 e 50,anos. As
medidas de concentração e de velocidade com qualidade do AS e do AD foram cor-
relacionadas com a pontuação no TEALT,por faixa etária, sexo e na amostra total.
Os coeficientes de correlação que apresentaram significância estatística foram todos
positivos, e variaram de 0,20 até 0,57, evidenciando que parte dos construtos avalia
aspectos semelhantes. Quando analisada a medida de sustentação do AS não foram
evidenciadas diferenças de média em relação ao TEALT. Os autores concluíram
que há evidência de validade para o TEALT com base na correlação com testes que
avaliam construtos semelhantes.
Em outro estudo, Rueda e Castro (2010b) buscaram evidência de validade para
o TEADI, por meio da comparação com o AD e o AS. Participaram da pesquisa 105
estudantes universitários, com idade entre 18 e 53 anos e do estado de Sergipe. Ao
correlacionar as pontuações oferecidas pelos testes AD e AS com o TEADI, consi-
derando três faixas etárias diferentes, observaram-se correlações variando entre
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 25
0,44 e 0,77 com o AD, e entre 0,25 e 0,35 com o AS. Dessa forma, o estudo mostrou
evidência de validade convergente entre o TEADI e o AD, o que era esperado, uma
vez que ambos os instrumentos se propõem a avaliar a atenção dividida. Ainda, na
correlação com o AS, foi observada evidência de validade entre testes que avaliam
construtos semelhantes.
Em acréscimo, os autores discorrem que a porcentagem do construto que o TEADI
e o AD avaliam é composta de elementos comuns, sendo que a porcentagem que não
é comum foi atribuída a características estruturais dos próprios testes, uma vez que
o AD é um teste impresso em cores no qual a pessoa deve procurar uma
figura oval verde clara e duas figuras verde escuro lado a lado na horizon-
tal ou na vertical, assim como também uma figura oval amarela e duas
figuras laranjas lado a lado na horizontal ou na vertical. Por sua vez, no
TEADI a pessoa deve procurar três estímulos isolados na cor preta. Ou
seja, no caso do AD a divisão da atenção pode ser entendida como sendo
intrateste (procurar dois ou mais estímulos dentre vários distratores)
e intra-estímulo (procurar a combinação de figuras e cores dentro do
mesmo estímulo), enquanto que no TEADI a procura pelos estímulos é
apenas intra-teste. (Rueda & Castro, 2010b, p. 155).
Em uma pesquisa com 76 estudantes universitários do Estado de Sergipe e com
idades entre 18e 44 anos, Rueda (2010) relacionou o TEACO-FF com oADe observou
uma correlação positiva e estatisticamente significativa com a medida de concentração
do AD (r=0,39). Ao considerar o sexo das pessoas, esse coeficiente foi de 0,35 para
as mulheres e de 0,73 para os homens. Em que pese aos coeficientes verificados, o
autor ressaltou que os instrumentos utilizados apresentam características estrutu-
rais bastante diferentes, o que pode ter contribuído para que esses coeficientes não
fossem maiores. De toda forma, a evidência de validade entre os testes foi verificada.
Por sua vez,Rueda e Castro (2010c)procuraram verificar a relação entre a atenção
dividida, avaliada pelo TEADI, com a inteligência, avaliada pelo Teste de Inteligência
Não Verbal- Rl. Para isso aplicaram ambos instrumentos em uma mostra de 116
pessoas do Estado da Bahia, que estavam passando pelo processo de obtenção da
CNH, com idades entre 18 e 52 anos. As correlações entre os testes, considerando
três diferentes faixas etárias, variaram de 0,38 a 0,46, enquanto a correlação da
amostra total foi de 0,46. Os autores concluíram pela evidência de validade para o
TEADI pela comparação com o Rl.
Por fim, Rueda (2011) objetivou verificar evidência de validade para o TEADI,
considerando as diferentes idades de uma amostra de 878 pessoas dos Estados da
Bahia e de Sergipe, com idades entre 18 e 72 anos. Primeiramente foi realizada uma
correlação de Pearson entre o resultado no teste e a idade das pessoas, obtendo um
coeficiente de -0,37, evidenciando dessa forma que com o aumento da idade houve
uma diminuição da pontuação no TEADI. Com base nisso realizaram-se diferentes
agrupamentos de idade, verificando que os agrupamentos de faixas etárias que me-
lhor se diferenciaram foram dos 18 aos 25 anos, dos 26 aos 35 anos e pessoas com
36 anos ou mais. Ao realizar uma ANOVA observou-se diferença estatisticamente
significativa, sendo que a prova de Tukey diferenciou os três grupos de faixas etárias.
26 Fabián Javier Marín Rueda
Nesse sentido, as pessoas de 36 anos ou mais obtiveram o pior desempenho, e as
pessoas de 18 a 25 o melhor. Pelo resultado foi concluído pela evidência de validade
para o TEADI com base na diferenciação das idades.
Pelo exposto até o momento, algumas considerações podem ser feitas.
Especificamente no que se refere à avaliação da capacidade atencional no Brasil, não
existe até o momento uma bateria que forneça informações sobre diferentes tipos
de atenção, assim como da capacidade geral de atenção de uma pessoa. As faixas
etárias que os testes contemplam são a partir dos 18 anos, exceção feita ao d2 (a
partir dos 9 anos), AC-15 (a partir de 16 anos) e TAS (a partir dos 15 anos). Dessa
forma, as diferentes etapas do desenvolvimento humano não estão contempladas
nos testes disponíveis. Outra constatação é que muitos dos testes apresentam dados
relacionados exclusivamente à área do trânsito. Nesse sentido, a Bateria Psicológica
para Avaliação da Atenção abrange idades a partir dos 6 anos até os 82 anos, fornece
uma medida de três tipos de atenção (concentrada, dividida e alternada), bem como
da capacidade atencional geral, e tem a possibilidade de ser aplicada em diversos
contextos, uma vez que seus estudos não priorizaram um ou outro, mas a variável
idade como determinante na capacidade da atenção.
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 27
CONSTRUÇÃO DOS ITENS E DOS IN~TRUMENTOS
Para construção da Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) foram
considerados alguns aspectos, referentes, primeiramente, à construção dos itens que
fariam parte da folha de resposta dos testes de Atenção Concentrada (AC),Atenção
Dividida (AD)e Atenção Alternada (AA).Dessa forma, em um primeiro momento foi
considerado o achado na construção do Teste de Bourdon, que data de 1895, e pode
ser considerado um dos primeiros testes psicológicos para avaliação da atenção. À
época da sua construção, esse instrumento tinha letras como estímulos-alvo que não
estavam uniformemente distribuídas em sua folha de resposta. Além disso, a execução
da prova era extremamente influenciada pelo nível de escolaridade da pessoa. Com
base nisso o teste passou por ampla reformulação, sendo as letras substituídas por
figuras (quadrinhos) com um pequeno segmento que se sobressaía de um de seus
ângulos ou dos lados. De acordo com Hiltmann (1962), essa substituição eliminou
o fator de familiaridade com as letras e consequentemente o peso da escolaridade.
A partir de então foi estabelecido um pressuposto muito utilizado em pesquisas
para avaliação da atenção visual, qual seja: os estímulos do teste (alvo e distrator)
devem priorizar características abstratas, uma vez que isso reduz a intervenção das
variáveis mencionadas e permite uma avaliação 'mais pura' do construto atenção.
Assim, o Teste de Bourdon passou a servir de base para o estudo e a construção de
muitos dos instrumentos para avaliação da atenção.
Seguindo essa pressuposição, foram criados vários estímulos abstratos que ser-
viram para compor as três folhas de respostas (AC, AD e AA), sendo que ora eles
foram estímulos-alvo, ora estímulos distratores, conforme pode ser constatado nas
próprias folhas de resposta de cada instrumento. Na sequência são apresentados tais
estímulos e, em seguida, cada um dos testes será brevemente descrito.
ATENÇÃO CONCENTRADA (AC)
Em sua totalidade o instrumento apresenta 400 estímulos distribuídos em 20
linhas com 20 estímulos cada. Do total, 120 são estímulos-alvo, sendo que cada linha
ímpar contem sete alvos e 13 distratores, enquanto cada linha par apresenta cinco
estímulos-alvo e 15 distratores (total de 280 distratores). No topo da folha de resposta
encontra-se o modelo que a pessoa deverá assinalar no momento de responder o teste.
O tempo de aplicação é de 2 minutos. Para se chegar nesse tempo o instrumento
foi aplicado sem tempo limite em 127 pessoas, com idade variando de 8 a 63 anos
28 Fabián Javier Marín Rueda
(M=31,24, DP=14,56). o tempo de resposta do grupo variou de }'36" a 5'07", sendo
o tempo médio verificado de 3'05". Com base nesse estudo preliminar e para evitar
o "efeito teto", estabeleceu-se o tempo de 2 minutos.
Para responder ao AC a pessoa deve marcar, na folha de resposta, cada vez que
aparecer um desenho igual ao estímulo-alvo. A pessoa começa respondendo do lado
esquerdo da folha de teste, e sempre que chegar ao final da linha deve começar na
linha seguinte novamente pelo lado esquerdo da folha.
O AC fornece uma informação que se refere à Atenção Concentrada, que indica
a capacidade de uma pessoa em selecionar apenas uma fonte de informação diante
de vários estímulos distratores em um tempo predeterminado. A medida de AC
corresponde à soma de estímulos-alvo que foram assinalados, menos os erros e as
omissões cometidas pelo sujeito.
ATENÇÃO DIVIDIDA (AD)
Em sua totalidade o instrumento apresenta 400 estímulos distribuídos em 20
linhas com 20 estímulos cada. Do total, 120 são estímulos-alvo, sendo que cada linha
contem seis alvos e 14 distratores (total de 280 distratores). No topo da folha de
resposta encontram-se os três modelos que a pessoa deverá assinalar no momento
de responder o teste.
O tempo de aplicação é de 4 minutos. Para se chegar a esse tempo o instrumento
foi aplicado sem tempo limite em 127 pessoas, com idade variando de 8 a 63 anos
(M=31,24, DP= 14,56). O tempo de resposta do grupo variou de 2'53" a 8'22", sendo
o tempo médio verificado de 5'39". Com base nesse estudo preliminar e para evitar
o "efeito teto", estabeleceu-se o tempo de 4 minutos.
Para responder o teste a pessoa deverá fazer o cancelamento cada vez que apa-
recer um desenho igual aos três estímulos-alvo do teste. Para isso a pessoa começa
respondendo do lado esquerdo da folha de teste e sempre que chegar ao final da linha
deve começar na seguinte novamente pelo lado esquerdo da folha. É importante
destacar que os três estímulos-alvo não precisam estar um do lado do outro para
serem assinalados, ou seja, cada vez que qualquer um deles aparecer na folha de
resposta, a pessoa deverá marcá-lo. .
O AD fornece uma informação que se refere à Atenção Dividida, que indica a
capacidade de uma pessoa para procurar dois ou mais estímulos simultaneamente
em um tempo predeterminado, e com vários distratores ao redor. A medida de AD
corresponde à soma de estímulos-alvo que foram assinalados, menos os erros e as
omissões cometidas pelo sujeito.
ATENÇÃO ALTERNADA(AA)
Em sua totalidade o instrumento apresenta 400 estímulos distribuídos em 20
linhas com 20 estímulos cada. Do total, 120 são estímulos-alvo, sendo que cada
linhaímpar contém cinco alvos e 15 distratores, enquanto cada linha par apresenta
sete estímulos-alvo e 13 distratores (total de 280 distratores). Na folha de resposta,
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 29
do lado esquerdo de cada linha do teste encontra-se o modelo que a pessoa deverá
assinalar no momento de responder aquela linha específica, sendo que em cada linha
o modelo a ser procurado e assinalado é diferente.
O tempo de aplicação é de 2 minutos e 30 segundos. Para se chegar a esse tempo
o instrumento foi aplicado sem tempo limite em 127 pessoas, com idade variando de
8 a 63 anos (M=31,24, DP=14,56). O tempo de resposta do grupo variou de 1'51" a
6'19", sendo o tempo médio verificado de 3'57". Com base nesse estudo preliminar
e para evitar o 'efeito teto', estabeleceu-se o tempo de 2'30" minutos.
Para responder ao teste a pessoa deve fazer um traço cada vez que aparecer o
desenho igual ao modelo que se encontra do lado esquerdo da folha de resposta, ao
lado de uma seta indicativa. A pessoa deve responder começando pelo lado esquerdo
da folha de teste, e quando chegar ao final de cada linha deverá começar novamente
na linha seguinte, também pelo lado esquerdo, e levando em consideração que o
estímulo-alvo a ser procurado em cada linha é diferente da linha anterior.
O AA fornece uma informação que se refere à Atenção Alternada, que indica a
capacidade de uma pessoa em focar sua atenção e selecionar ora um estímulo, ora
outro, por um determinado período de tempo e diante de vários estímulos distratores.
A medida de AAcorresponde à soma de estímulos-alvo que foram assinalados, menos
os erros e as omissões cometidos pelo sujeito.
30 Fabián Javier Marín Rueda
ESTUDOS PSICOMÉTRICOS
PARTICIPANTES
Participaram da construção da BPA 1759 sujeitos, com idade variando de 6 a
82 anos (M=29,61, DP=16,43), sendo 928 (52,8%) do sexo feminino e 831 (47,2%)
do masculino. No que se refere à escolaridade, ela abarcou a Educação de Jovens e
Adultos, o Ensino Fundamental completo e incompleto, o Ensino Médio completo
ou incompleto, assim como o Ensino Superior completo ou incompleto. A Figura 1
mostra a distribuição da amostra em função da idade.
300~-----------------------------.
100
200
o
Idade
Figura 1. Distribuição dos participantes por idade.
Como pode ser verificado na Figura 1, a maior parte dos indivíduos ficou concen-
trada entre 14 e 30 anos (51,4%), observando-se que a partir dos 6 anos houve um
aumento de participantes em cada idade até os 18anos, idade na qual ocorreu a maior
frequência de sujeitos (6,2%).A partir dos 30 anos observa-se uma diminuição das
frequências de pessoas, havendo de forma geral, uma boa representação das idades
dos participantes. Na sequência é apresentada a Tabela 1,que mostra a frequência de
participantes para cada sexo em cada idade, assim como a frequência e porcentagem
total de participantes em cada uma das idades.
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 31
Tabela 1. Descrição de participantes por idade e sexo
Masculino Feminino Geral
Idade Freq. Freq. Freq. %
6 6 2 8 0,5
7 13 8 21 1,2
8 17 16 33 1,9
9 13 7 20 1,1
10 13 20 33 1,9
11 35 32 67 3,8
12 15 11 26 1,5
13 13 13 26 1,5
14 25 14 39 2,2
15 18 5 23 1,3
16 27 5 32 1,8
17 14 8 22 1,3
18 56 53 109 6,2
19 37 44 81 4,6
20 37 39 76 4,3
21 45 42 87 4,9
22 39 36 75 4,3
23 35 35 70 4,0
24 23 21 44 2,5
25 25 24 49 2,8
26 24 22 46 2,6
27 24 23 47 2,7
28 16 19 35 2,0
29 19 23 42 2,4
30 10 16 26 1,5
31 15 6 21 1,2
32 13 9 22 1,3
33 13 14 27 1,5
34 7 8 15 0,9
35 7 18 25 1,4
36 7 10 17 1,0
37 10 6 16 0,9
38 12 11 23 1,3
39 5 15 20 1,1
40 9 5 14 0,8
41 11 13 24 1,4
42 8 9 17 1,0
43 6 8 14 0,8
44 10 12 22 1,3
32 Fabián Javier Marín Rueda
Masculino Feminino- Geral
Idade Freq. Freq. Freq. %
45 4 10 14 0,8
46 7 10 17 1,0
47 3 7 10 0,6
48 7 7 14 0,8
49 4 6 10 0,6
50 7 9 16 0,9
51 8 14 22 1,3
52 4 7 11 0,6
53 4 14 18 1,0
54 5 12 17 1,0
55 5 7 12 0,7
56 2 10 12 0,7
57 4 12 16 0,9
58 2 15 17 1,0
59 3 12 15 0,9
60 5 8 13 0,7
61 4 8 12 0,7
62 2 3 5 0,3
63 1 5 6 0,3
64 1 12 13 0,7
65 3 6 9 0,5
66 3 10 13 0,7
67 4 6 10 0,6
68 1 2 3 0,2
69 1 4 5 0,3
70 1 4 5 0,3
71 --- 7 7 0,4
72 --- 2 2 0,1
73 1 6 7 0,4
74 1 1 2 0,1
75 --- 2 2 0,1
76 1 --- I 0,1
77 2 2 0,1
78 --- 2 2 0,1
79 --- --- --- 0,0
80 --- 2 2 0,1
81 --- I 1 0,1
82 1 1 2 0,1
Total 831 928 1759 100
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 33
Na Tabela 1 observa-se que na maior parte das idades houve homogeneidade no
número de participantes em função do sexo. Ainda, deve ser destacado que 7% da
amostra tinha 60 anos ou mais. Em que pese a aparente baixa porcentagem dessa
faixa etária, ela representou 124 sujeitos do total da amostra, podendo-se considerar
que houve um número de participantes representativo de cada uma das fases do
desenvolvimento.
Especificamente no que se refere aos sexos, houve um número maior de partici-
pantes do sexo feminino, e em ambos os casos a idade variou de 6 a 82 anos. No caso
masculino, a média de idade foi de 26,17 anos (DP= 13,99), enquanto o feminino
apresentou uma média de idade um pouco mais elevada (M=32,70, DP=17,79).
No que tange à escolaridade das pessoas, a maior frequência foi observada no
Ensino Superior completo ou incompleto, representando 43,1% do total da amostra
(758 participantes). A Figura 2 é uma representação gráfica da escolaridade dos
sujeitos.
Não infomado
EJA
Superior
Médio
Figura 2. Escolaridade dos participantes.
Além de observar que no Ensino Superior estava concentrada a maior porcen-
tagem de participantes, verificou-se que o Ensino Fundamental e o Ensino Médio,
ambos podendo ser completos ou incompletos, apresentaram uma porcentagem de
indivíduos bastante semelhante (21,50%e 21,20%,respectivamente). No que se refere
à Educação de Jovens e Adultos, em que pese ter apresentado a menor frequência,
representou 190 do total de pessoas participantes da pesquisa (10,80%).Ressalta-se
que houve 53 pessoas (3%) que não informaram sua escolaridade.
Uma descrição mais pormenorizada da escolaridade é apresentada na Tabela 2. A
mesma mostra a frequência de participantes para cada escolaridade em cada idade,
assim como a frequência e porcentagem geral da escolaridade dos participantes em
cada uma das idades.
34 Fabián Javier Marín Rueda
Tabela 2. Descrição de participantes por idade e escolaridade
Escolaridade Geral
Idade 1 2 3 4 Freq. %
6 --- 8 --- --- 8 0,5
7 --- 21 --- --- 21 1,2
8 --- 33 --- --- 33 1,9
9 --- 2O --- --- 2O 1,2
10 --- 33 --- --- 33 1,9
11 --- 67 --- --- 67 3,9
12 --- 26 --- --- 26 1,5
13 --- 26 --- --- 26 1,5
14 --- 39 --- --- 39 2,3
15 11 12 --- --- 23 1,3
16 27 2 2 --- 31 1,8
17 13 1 6 2 22 1,3
18 4 3 50 49 106 6,2
19 --- --- 16 58 74 4,3
20 2 --- 13 60 75 4,4
21 2 3 16 65 86 5,0
22 1 2 16 56 75 4,4
23 --- 2 17 49 68 4,0
24 1 --- 12 30 43 2,5
25 --- I 12 36 49 2,9
26 1 6 17 22 46 2,7
27 2 --- 21 24 47 2,8
28 1 2 11 20 34 2,0
29 5 4 13 19 41 2,4
30 2 --- 9 15 26 1,5
31 2 --- 11 8 21 1,2
32 1 1 8 11 21 1,2
33 4 --- 9 14 27 1,6
34 3 2 4 6 15 0,9
35 7 2 7 9 25 1,5
36 2 --- 8 7 17 1,0
37 5 1 4 5 15 0,9
38 7 3 5 8 23 1,3
39 7 1 1 9 18 1,1
40 --- 2 3 9 14 0,8
41 4 2 2 15 23 1,3
42 3 3 3 7 16 0,9
43 3 --- 4 6 13 0,8
44 4 1 3 13 21 1,2
Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) 35
Escolaridade Geral
Idade 1 2 3 4 • Freq. %
45 3 4 --- 7 14 0,8
46 4 --- 2 11 17 1,0
47 4 2 2 1 9 0,5
48 2 2 --- 1O 14 0,8
49 1 3 1 5 10 0,6
50 --- 1 4 11 16 0,9
51 6 3 3 7 19 1,1
52 1 2 2 5 10 0,6
53 5 1 4 6 16 0,9
54 3 2 4 6 15 0,9
55 2 3 6 1 12 0,7
56 1 3 2 6 12 0,7
57 2 4 2 7 15 0,9
58 3 1 1 6 11 0,6
59 5 3 3 4 15 0,9
60 3 2 3 5 13 0,8
61 --- 2 4 6 12 0,7
62 2 1 --- 1 4 0,2
63 --- --- 3 2 5 0,3
64 2 3 3 4 12 0,7
65 2 3 1 3 9 0,5
66 2 --- 4 5 11 0,6
67 --- 5 2 2 9 0,5
68 1 1 --- --- 2 0,1
69 --- --- 3 1 4 0,2
70 2 --- 2 1 5 0,3
71 4 1 1 --- 6 0,4
72 2 --- --- --- 2 0,1
73 3 --- 3 1 7 0,4
74 --- 1 1 --- 2 0,1
75 --- 1 1 --- 2 0,1
76 --- --- --- --- --- 0,0
77 --- --- 1 1 2 0,1
78 --- --- 1 --- 1 0,1
79 --- --- --- --- --- 0,0
80 --- 1 1 --- 2 0,1
81 --- 1