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<p>Conceitos Básicos e Objetivos da Vigilância em Saúde</p><p>Profª. Ma. Keila Sousa</p><p>Objetivo da Aula:</p><p>Conhecer o conceito de Vigilância em Saúde;</p><p>Compreender os objetivos, estrutura e aplicação da Vigilância em Saúde;</p><p>Conhecer conceitos importantes para a compreensão da saúde;</p><p>Compreender a Abordagem One Health.</p><p>Conceito da Vigilância em Saúde</p><p>A Vigilância em Saúde é definida como o processo contínuo e sistemático de coleta, consolidação, análise e disseminação de informações sobre eventos relacionados à saúde.</p><p>Seu objetivo é o planejamento e a implementação de medidas de saúde pública, incluindo a regulação, intervenção e atuação sobre os condicionantes e determinantes da saúde para proteger e promover a saúde da população, prevenir e controlar riscos, agravos e doenças.</p><p>Componentes da Vigilância em Saúde</p><p>Atuação da Vigilância em Saúde em diferentes áreas:</p><p>Abrangência em todos os níveis de atenção à saúde.</p><p>Detecção, controle e prevenção de doenças transmissíveis;</p><p>Promoção da saúde;</p><p>Na interação com o laboratório,</p><p>No controle de vetores;</p><p>Investigação epidemiológica de campo;</p><p>Fortalecimento da estrutura e a organização dos serviços e aumentar a capacidade de resposta do Sistema Nacional de Vigilância em Saúde (SNVS);</p><p>Articulação e construção conjunta na Rede de Atenção à Saúde do SUS.</p><p>Prontidão para detectar e responder adequadamente às emergências em saúde pública, estruturada para o previsível, para o inusitado e para o futuro.</p><p>“Preparar-se para o inevitável, prevenindo o indesejável e controlando o que for controlável”</p><p>(Peter Drucker)</p><p>Diretrizes Orientadoras do SNVS</p><p>Portarias: Ministério da Saúde (3.252/2009 e 1.378 de 2013)</p><p>Resolução: N° 588, de 12 de julho de 2018 art. 1°, fica instituída a Política Nacional de Vigilância em Saúde (PNVS). Trata-se de um documento norteador do planejamento das ações de Vigilância em Saúde, com definições claras de responsabilidades, princípios, diretrizes e estratégias.</p><p>O artigo 4º da portaria cita que as ações de Vigilância em Saúde abrangem toda a população brasileira e envolvem práticas e processos de trabalho voltados para:</p><p>Principais ações:</p><p>Vigilância da situação de saúde da população.</p><p>Resposta às emergências de saúde pública.</p><p>Vigilância, prevenção e controle de doenças transmissíveis e crônicas.</p><p>Vigilância de populações expostas a riscos ambientais em saúde;</p><p>Vigilância da saúde do trabalhador e ambiental.</p><p>Vigilância epidemiológica</p><p>Estuda a ocorrência de doenças e outros agravos prioritários, seus fatores de risco e suas tendências na população de um território em um determinado tempo, além de planejar, executar e avaliar medidas de prevenção e de controle.</p><p>O MS estabelece a Lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e eventos de saúde pública nos serviços.</p><p>Imunização</p><p>As ações de vacinação estão entre as diretrizes e responsabilidades para a execução de Vigilância em Saúde e estão definidas em legislação nacional que aponta que a sua gestão é compartilhada pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios.</p><p>Instituir a vigilância de eventos adversos pós-vacinas e a universalidade de atendimento, aprimorar os sistemas de informação, além de descentralizar as ações e garantir a capacitação e atualização técnico-gerencial para seus gestores em todos os âmbitos</p><p>O acesso universal e gratuito a vacinas eficazes, seguras e de qualidade vem permitindo importantes resultados sobre as doenças imunopreveníveis, acarretando mudanças no padrão de adoecimento e morte da população brasileira.</p><p>Eliminação da Pólio</p><p>Sucesso da Vigilância Epidemiológica e Imunização</p><p>Histórico da Doença:</p><p>Pólio aterrorizava pais no início do século XX</p><p>Contaminação podia levar ao uso do pulmão de aço e danos musculares irreparáveis</p><p>Situação no Brasil:</p><p>Último caso registrado em 1989</p><p>Certificado de eliminação em 1994</p><p>Sucesso devido à alta cobertura vacinal</p><p>Importância da Vigilância e Imunização:</p><p>Risco de casos importados enquanto a doença não for erradicada globalmente</p><p>Manter altas taxas de cobertura vacinal e vigilância constante</p><p>Progresso Global:</p><p>99,9% de redução nos casos desde 1988</p><p>Casos do vírus selvagem apenas no Afeganistão e Paquistão nos últimos dois anos</p><p>Pulmões de aço: caixa torácica submetida a pressão negativa externa, haveria o seu deslocamento permitindo a ventilação pulmonar. Acesso em:http://www.medicinaintensiva.com.br/pulmao-aco-historia-fotos.htm</p><p>Eliminação da Rubéola</p><p>Exemplo de Sucesso na Vigilância e Imunização</p><p>Histórico no Brasil:</p><p>Trabalho conjunto da vigilância e assistência à saúde</p><p>Séries de campanhas de prevenção e intensificação das ações de vacinação desde 2004</p><p>Campanha Nacional de 2008:</p><p>67,9 milhões vacinados, alcançando 96,7% do público-alvo (20-39 anos)</p><p>250 milhões vacinados nas Américas contra rubéola e sarampo</p><p>Ações Estratégicas:</p><p>Melhoria das ações de vigilância epidemiológica e diagnóstico de genótipos</p><p>Avaliação de todas as internações hospitalares de agravos de notificação compulsória</p><p>Resultados:</p><p>Ausência de novos casos autóctones de rubéola desde 2009</p><p>Presença de assessores técnicos em todos os estados brasileiros, facilitando a comunicação e estratégias de vacinação</p><p>Desafio Recente:</p><p>Reintrodução do sarampo em 2018: 10.326 casos confirmados em 11 estados</p><p>Em 2019, 5.346 casos e 4 óbitos em 13 unidades federadas</p><p>Ministério da Saúde enviou 19,4 milhões de doses da vacina tríplice viral para prevenção</p><p>Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Boletins Epidemiológicos sobre a situação do sarampo (2018-2019).</p><p>Vigilância em saúde ambiental</p><p>Objetivo: Proporcionar o conhecimento e a detecção de mudanças nos fatores ambientais que interferem na saúde humana.</p><p>Finalidade: Identificar medidas de prevenção e controle dos fatores de risco ambientais relacionados a doenças ou outros agravos à saúde.</p><p>Atribuições:</p><p>Realizar vigilância epidemiológica das doenças e agravos à saúde humana associados a contaminantes ambientais.</p><p>Focar em contaminantes como agrotóxicos, amianto, mercúrio, benzeno e chumbo.</p><p>10</p><p>Vigilância em saúde do trabalhador (VISAT)</p><p>Objetivo: Promover a saúde e reduzir a morbimortalidade da população trabalhadora.</p><p>Ações: Integração de ações que intervenham nos agravos e determinantes decorrentes dos modelos de desenvolvimento e processos produtivos.</p><p>Especificidade: Focar na relação da saúde com o ambiente e os processos de trabalho.</p><p>Participação: Desenvolver práticas sanitárias com a participação dos trabalhadores em todas as etapas.</p><p>Atuação: Contínua e sistemática para detectar, conhecer, pesquisar e analisar os fatores determinantes dos agravos à saúde relacionados aos processos e ambientes de trabalho.</p><p>Finalidade: Planejar, executar e avaliar intervenções para eliminar ou controlar os fatores de risco (Portaria GM/MS Nº 3.120/98).</p><p>11</p><p>Vigilância sanitária</p><p>Objetivo Principal: Proteção e promoção da saúde, prevenindo riscos à saúde humana.</p><p>Ações Principais:</p><p>Fiscalização e monitoramento de processos e produtos.</p><p>Aplicação de infrações, intimações, interdição de estabelecimentos e apreensão de produtos e equipamentos.</p><p>Forma de Atuação:</p><p>Combate às causas de efeitos nocivos à saúde devido a distorções sanitárias na produção, circulação de bens e serviços.</p><p>Ação Comunicativa:</p><p>Mobilização e motivação da população para adesão às práticas sanitárias e promoção da saúde.</p><p>Desafios Atuais:</p><p>Emergência e reemergência de doenças devido a mudanças nos determinantes e condicionantes do adoecimento, como urbanização, mobilidade populacional e fatores econômicos, políticos e comportamentais.</p><p>Abordagem One Health (Saúde Única)</p><p>One Health é uma visão integrada da saúde composta por três áreas indissociáveis: humana, animal e ambiental.</p><p>Propõe a atuação conjunta e a adoção de políticas públicas efetivas para prevenção e controle de doenças e agravos, trabalhando nos níveis local, regional e nacional.</p><p>Tem como objetivo de reduzir os riscos para a saúde global.</p><p>Conceito de Saúde Única e Zoonoses</p><p>Interações Ecológicas: Humanos e animais interagem em vários ambientes, possibilitando a transmissão</p><p>de doenças entre eles, chamadas zoonoses. Aproximadamente 60% das doenças humanas são zoonóticas, segundo a Organização Mundial da Saúde Animal.</p><p>Saúde Única (One Health):</p><p>Origem: Conferência Ministerial Internacional sobre Influenza Aviária e Pandêmica (2007) na Índia, com a participação de 111 países e 29 organizações internacionais.</p><p>Objetivo: Reduzir riscos de doenças infecciosas resultantes da interação entre animais, humanos e ecossistemas.</p><p>Estratégia: Colaboração interdisciplinar para a prevenção, vigilância e detecção de doenças animais, segurança alimentar e resistência a antimicrobianos.</p><p>Impactos das Zoonoses:</p><p>Estatísticas: 2,5 bilhões de casos e 2,7 milhões de mortes anuais; 5 novas doenças humanas surgem anualmente, sendo 3 de origem animal.</p><p>Desafios:</p><p>Práticas Pecuárias: Falhas em rastreios e tratamentos profiláticos podem levar à rápida disseminação de zoonoses.</p><p>Animais de Estimação: Negligência nos cuidados e abandono de animais aumentam o risco de doenças zoonóticas.</p><p>Consequências:</p><p>Saúde Pública: A falta de cuidados preventivos e tratamentos adequados pode agravar as zoonoses e impactar a saúde pública.</p><p>Em resumo:</p><p>Fator (Causa) Mudança (Efeito)</p><p>A população está crescendo e se expandindo para novas áreas geográficas. Como resultado, mais pessoas vivem em contato próximo com animais selvagens e domésticos. O contato próximo fornece mais oportunidades para que doenças passem entre animais e pessoas.</p><p>A terra sofre mudanças climáticas e aumentou o uso indevido da terra, como desmatamento e práticas agrícolas intensivas. Interrupções nas condições ambientais e habitats fornecem novas oportunidades para doenças passarem para os animais.</p><p>Aumento de viagens internacionais e comércio. As doenças e patógenos podem se espalhar rapidamente pelo mundo.</p><p>Avanços na Saúde Pública no Brasil</p><p>Estratégias de Integração Bem-Sucedidas: Redução da Mortalidade Infantil</p><p>Sucesso: Redução de 73% na mortalidade infantil no Brasil (60,8 óbitos por mil nascidos vivos em 1990 para 16,4 em 2015).</p><p>Meta da ONU: Reduzir em 66% a mortalidade infantil; Brasil superou a média mundial em 20%.</p><p>Global: Taxa global caiu de 91 para 43 mortes por mil nascidos vivos (redução de 53%).</p><p>Fatores Contribuintes</p><p>Ampliação da Atenção Básica</p><p>Acesso à Vacinação</p><p>Melhoria das Taxas de Aleitamento Materno</p><p>Educação Materna</p><p>Redução da Pobreza: Programas de transferência de renda</p><p>Impactos Positivos: Quase extinção de internações por desnutrição e doenças imunopreveníveis (sarampo, difteria, tétano neonatal, poliomielite, varíola, rubéola, meningites) e por diarreia ou pneumonia.</p><p>Avanços na Saúde Pública no Brasil</p><p>Programa Nacional de Controle do Tabagismo</p><p>Ratificação: Convenção-Quadro da OMS para Controle do Tabaco ratificada pelo Brasil em novembro de 2005 e promulgada em janeiro de 2006.</p><p>Objetivo: Política de Estado com foco na implementação de medidas de controle do tabaco.</p><p>Ações Principais:</p><p>Educação e Comunicação: Treinamento e conscientização.</p><p>Redução da Demanda: Medidas contra a dependência e para abandono do tabaco.</p><p>Trabalho em Rede: Criação de um ambiente favorável às medidas de controle.</p><p>Medidas Regulatórias:</p><p>Proibição de propagandas em rádio e TV</p><p>Proibição de fumar em locais fechados</p><p>Vamos exercitar</p><p>Maxcity é um município que possui um pouco mais de 800 mil habitantes, do interior do estado de Unilândia. A cidade está enfrentando um surto de sífilis e há preocupação especial, por parte das autoridades sanitárias locais, em relação às grávidas porque a doença está relacionada com complicações na gestação e malformações fetais. Na tentativa de controlar a transmissão vertical da doença, o município passou a realizar teste rápido para detecção de sífilis em todas as grávidas acompanhadas pelo pré-natal na atenção primária à saúde. As grávidas diagnosticadas com a doença passaram a ser notificadas por meio da ficha de notificação compulsória específica, seguindo o fluxo de informação para a Secretaria Municipal de Saúde de Maxcity e depois para a Secretaria Estadual de Saúde de Unilandia. O estado encaminha rotineiramente os casos ao Ministério da Saúde, por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Foi possível analisar o cenário epidemiológico da sífilis no município, utilizando os dados das notificações. Dessa maneira, o estado e o município puderam estimar a quantidade de insumos necessários para o tratamento das grávidas e de seus parceiros. Além disso, uma campanha para a prevenção da sífilis foi realizada, incentivando o uso de preservativos durante as relações sexuais e bem como a realização de testagem na população com fatores de risco para o adoecimento por sífilis</p><p>Agora, liste cinco estratégias implementadas em Maxcity na tentativa de conter a epidemia de sífilis em gestantes.</p><p>Respostas:</p><p>Realização de Testes Rápidos para Sífilis:</p><p>Testes rápidos são realizados em todas as grávidas durante o pré-natal na atenção primária à saúde para a detecção precoce da sífilis.</p><p>Notificação Compulsória:</p><p>As grávidas diagnosticadas com sífilis são notificadas por meio da ficha de notificação compulsória específica, seguindo um fluxo de informações da Secretaria Municipal de Saúde de Epicity para a Secretaria Estadual de Saúde de Campos Novos e, posteriormente, para o Ministério da Saúde de Proepilândia.</p><p>Análise Epidemiológica:</p><p>Utilização dos dados das notificações para analisar o cenário epidemiológico da sífilis no município, permitindo estimar a quantidade necessária de insumos para o tratamento das grávidas e seus parceiros.</p><p>Campanha de Prevenção:</p><p>Realização de campanhas de prevenção da sífilis, incentivando o uso de preservativos durante as relações sexuais e a realização de testagem na população com fatores de risco para a doença.</p><p>Estimativa e Distribuição de Insumos:</p><p>Estimativa da quantidade de insumos necessários para o tratamento, baseada na análise dos dados epidemiológicos, e distribuição desses insumos para o tratamento adequado das grávidas e de seus parceiros.</p><p>Essas estratégias ajudam a identificar, tratar e prevenir a sífilis, especialmente em gestantes, reduzindo as complicações e malformações fetais associadas à doença.</p><p>Referências</p><p>ALMEIDA FILHO N, BARRETO ML. Epidemiologia & Saúde: Fundamentos, Métodos, Aplicações. Koogan G, editor. Rio de Janeiro, 2011. 699 p.</p><p>BRASIL, MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. A SAÚDE E A HIGIENE PÚBLICA NA ORDEM COLONIAL E JOANINA. Arquivo Nacional. Disponível em: http://www.historiacolonial.arquivonacional.gov.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=2168&sid=163.</p><p>BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE, SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE, DEPARTAMENTO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA. Guia de Vigilância Epidemiológica. 7. ed. Brasília, 816 p. (2009).</p><p>BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE, SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE, DEPARTAMENTO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA. Ministério da Saúde confirma relação entre vírus Zika e microcefalia. http://por talsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/svs/noticiassvs/21016-ministerio-da-saude-confirma-relacao-entre-viruszika-e-microcefalia (acessado em 30/Nov/2015)</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomes da Silva. Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O controle do tabaco no Brasil: uma trajetória. Rio de Janeiro: INCA, 2012.</p><p>CARVALHO AO & EDUARDO MBP. Sistemas de Informação em Saúde para Municípios, vol. 6. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, 1998. (Série Saúde & Cidadania).</p><p>CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Guidelines for Evaluation Public Health Surveillance Systems. MMWR Supplements, 06 May. 1988 /37 (S-5): 1-18.14p. Disponível em: < www.cdc.gov/mmwr/preview/mmwrhtml/00001769.htm > Acesso em: 27 jan. 2004.</p><p>CHURCHILL, R. E.; TEUTSCH, S. M. Principles and Practice of Public Health Surveillance. 2.ed. Oxford: University press, 2000. p. 1.</p><p>image1.png</p><p>image2.png</p><p>image3.png</p><p>image4.png</p><p>image5.png</p><p>image6.png</p><p>image7.png</p><p>image8.png</p><p>image9.png</p><p>image10.jpeg</p><p>image11.jpeg</p><p>image12.png</p><p>image13.png</p><p>image14.png</p>