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<p>o papel realizado se desvia muito do esperado, a pessoa pode ou aproximar-se do papel esperado ou deixar o grupo.</p><p>A emergência da Psicologia dos Grupos</p><p>Terá sido a confluência de três grandes factos que criou a conjuntura favorável à emergência da Psicologia dos Grupos. Primeiro, o interesse de alguns pensadores em abordarem o fenómeno grupal, no domínio da especulação (porque sem apoio empírico), principalmente teóricos vindos de duas perspectivas: da perspectiva sociológica e da perspectiva psicossocial.</p><p>Os trabalhos de Elton Mayo [marco incontornável no estudo dos grupos], embora tivessem como objectivo inicial estudar a relação entre as condições de trabalho e a incidência de fadiga entre os trabalhadores, revelaram, inesperadamente, efeitos ao nível interpessoal, nomeadamente na relação entre trabalhadores e entre trabalhadores e gestores, levando, assim, Mayo e colaboradores, a colocar ênfase na organização social dos grupos de trabalho, nas relações sociais entre supervisor e subordinados, nas normas informais que regulam o comportamento dos membros do grupo de trabalho, assim como nas atitudes e motivos que existem no contexto do grupo (Cartwright & Zander, 1968).</p><p>A evolução da Psicologia dos Grupos</p><p>Vimos que embora a origem do estudo dos grupos remonte ao final do século XIX, foi através da Psicologia Social Norte Americana, nos primeiros anos do século XX, que este se tornou num campo de investigação distinto (Arrow, McGrath & Berdahl, 2000, p. 11), mais concretamente na década de 30, que, tal como referem alguns autores (e.g. Cartwright & Zander, 1968; Levine & Moreland, 2006), marcam o início do estudo sistemático dos pequenos grupos, que, sem dúvida, tem sido de enorme importância para psicólogos sociais e organizacionais (Sanna & Parks, 1997, p. 261). Todavia, e não estando os grupos exclusivamente associados a uma das ciências sociais, vimos, também, que sociólogos (essencialmente), antropólogos, economistas e cientistas políticos, aplicaram muita energia no seu estudo, mostrando que o interesse por grupos era (e continua a ser) partilhado, o que, de acordo com Cartwright e Zander (1968) faz com que qualquer conhecimento geral sobre a dinâmica dos grupos tivesse [e tenha] largo significado dentro das ciências sociais. Foi (este) o primeiro período de evolução do pensamento da Psicologia dos Grupos, a que González e Barrull (1999) intitulam de período fundacional, uma vez que durante o mesmo (décadas de 30 e 40) se formaram os seus pilares teóricos, essencialmente com as contribuições de duas grandes figuras, Moreno e Lewin.</p><p>3.Conclusão</p><p>Neste contexto, a Psicologia dos Grupos floresceu, principalmente no domínio da Psicologia social, até ao início dos anos 60, entrando, assim, segundo González e Barrull (op. cit.) na década do desenvolvimento teórico, o segundo período da evolução do pensamento da Psicologia dos Grupos, onde se destacam os contributos de Homans (numa perspectiva sociológica), Bavelas (numa perspectiva sistémica), Bales e Schutz (numa perspectiva factorialista), Festinger (numa perspectiva cognitivista), Bion, Thelen e Bennis e Shepard (numa perspectiva psicanalítica) e Thibaut e Kelly (numa perspectiva conductual) na realização de trabalhos teóricos que visaram explicar a natureza grupal do ser humano.</p><p>Todavia, depois deste período altamente produtivo12, a Psicologia dos Grupos entra numa crise teórica (o terceiro período do seu desenvolvimento), que durou até ao início dos anos 80, em consequência de uma crise maior, a da Psicologia social13 (González & Barrull, 1999). Tal como refere Steiner “ By the 1960’s, the group did, indeed, seem to be rather dead, or at least, in very deep hibernation” (1974, p. 101).</p><p>Referencia Bibliográfica</p><p>Arrow, H., McGrath, J., & Berdahl, J. (2000). Small Groups as Complex Systems. California: Sage Publications, Inc.</p><p>Arrow, H., Poole, M.S., Henry, K.B., Wheelan, S., & Moreland, R. (2004). Time, Change and Development: The temporal perspective on groups. Small Group Research, 1, 73-106.</p><p>Bar-Tal, D. (1998). Group beliefs as an Expression of Social Identity. In Stephen Worchel, J. Francisco Morales, Darío Paéz & Jean-Claude Deschamps (Eds.), Social identity. Internatonal Perspectives (pp. 93-113). London: sage Publications Ltd</p><p>Elliott, R., Fischer, C.T., & Rennie, D.L. (1999). Evolving guidelines for publication of qualitative research studies in psychology and related fields. British Journal of Clinical Psychology, 38, 215-229.</p><p>MOSCOVICI, Fela. Desenvolvimento interpessoal. Rio de Janeiro: José Olympio, 2004. MOSCOVICI, Fela. Desenvolvimento interpessoal: treinamento em grupo. 17. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009.</p><p>4</p><p>image1.png</p><p>image10.png</p>o papel realizado se desvia muito do esperado, a pessoa pode ou aproximar-se do papel esperado ou deixar o grupo. A emergência da Psicologia dos Grupos Terá sido a confluência de três grandes factos que criou a conjuntura favorável à emergência da Psicologia dos Grupos. Primeiro, o interesse de alguns pensadores em abordarem o fenómeno grupal, no domínio da especulação (porque sem apoio empírico), principalmente teóricos vindos de duas perspectivas: da perspectiva sociológica e da perspectiva psicossocial. Os trabalhos de Elton Mayo [marco incontornável no estudo dos grupos], embora tivessem como objectivo inicial estudar a relação entre as condições de trabalho e a incidência de fadiga entre os trabalhadores, revelaram, inesperadamente, efeitos ao nível interpessoal, nomeadamente na relação entre trabalhadores e entre trabalhadores e gestores, levando, assim, Mayo e colaboradores, a colocar ênfase na organização social dos grupos de trabalho, nas relações sociais entre supervisor e subordinados, nas normas informais que regulam o comportamento dos membros do grupo de trabalho, assim como nas atitudes e motivos que existem no contexto do grupo (Cartwright & Zander, 1968). A evolução da Psicologia dos Grupos Vimos que embora a origem do estudo dos grupos remonte ao final do século XIX, foi através da Psicologia Social Norte Americana, nos primeiros anos do século XX, que este se tornou num campo de investigação distinto (Arrow, McGrath & Berdahl, 2000, p. 11), mais concretamente na década de 30, que, tal como referem alguns autores (e.g. Cartwright & Zander, 1968; Levine & Moreland, 2006), marcam o início do estudo sistemático dos pequenos grupos, que, sem dúvida, tem sido de enorme importância para psicólogos sociais e organizacionais (Sanna & Parks, 1997, p. 261). Todavia, e não estando os grupos exclusivamente associados a uma das ciências sociais, vimos, também, que sociólogos (essencialmente), antropólogos, economistas e cientistas políticos, aplicaram muita energia no seu estudo, mostrando que o interesse por grupos era (e continua a ser) partilhado, o que, de acordo com Cartwright e Zander (1968) faz com que qualquer conhecimento geral sobre a dinâmica dos grupos tivesse [e tenha] largo significado dentro das ciências sociais. Foi (este) o primeiro período de evolução do pensamento da Psicologia dos Grupos, a que González e Barrull (1999) intitulam de período fundacional, uma vez que durante o mesmo (décadas de 30 e 40) se formaram os seus pilares teóricos, essencialmente com as contribuições de duas grandes figuras, Moreno e Lewin. 3.Conclusão Neste contexto, a Psicologia dos Grupos floresceu, principalmente no domínio da Psicologia social, até ao início dos anos 60, entrando, assim, segundo González e Barrull (op. cit.) na década do desenvolvimento teórico, o segundo período da evolução do pensamento da Psicologia dos Grupos, onde se destacam os contributos de Homans (numa perspectiva sociológica), Bavelas (numa perspectiva sistémica), Bales e Schutz (numa perspectiva factorialista), Festinger (numa perspectiva cognitivista), Bion, Thelen e Bennis e Shepard (numa perspectiva psicanalítica) e Thibaut e Kelly (numa perspectiva conductual) na realização de trabalhos teóricos que visaram explicar a natureza grupal do ser humano. Todavia, depois deste período altamente produtivo12, a Psicologia dos Grupos entra numa crise teórica (o terceiro período do seu desenvolvimento), que durou até ao início dos anos 80, em consequência de uma crise maior, a da Psicologia social13 (González & Barrull, 1999). Tal como refere Steiner “ By the 1960’s, the group did, indeed, seem to be rather dead, or at least, in very deep hibernation” (1974, p. 101). Referencia Bibliográfica Arrow, H., McGrath, J., & Berdahl, J. (2000). Small Groups as Complex Systems. California: Sage Publications, Inc. Arrow, H., Poole, M.S., Henry, K.B., Wheelan, S., & Moreland, R. (2004). Time, Change and Development: The temporal perspective on groups. Small Group Research, 1, 73-106. Bar-Tal, D. (1998). Group beliefs as an Expression of Social Identity. In Stephen Worchel, J. Francisco Morales, Darío Paéz & Jean-Claude Deschamps (Eds.), Social identity. Internatonal Perspectives (pp. 93-113). London: sage Publications Ltd Elliott, R., Fischer, C.T., & Rennie, D.L. (1999). Evolving guidelines for publication of qualitative research studies in psychology and related fields. British Journal of Clinical Psychology, 38, 215-229. MOSCOVICI, Fela. Desenvolvimento interpessoal. Rio de Janeiro: José Olympio, 2004. MOSCOVICI, Fela. Desenvolvimento interpessoal: treinamento em grupo. 17. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009. 4 image1.png image10.png