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<p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 1/44</p><p>Objetivos</p><p>Módulo 1</p><p>Financiamento do Estado</p><p>Distinguir as formas de financiamento do Estado.</p><p>Acessar módulo</p><p>Módulo 2</p><p>Fontes do Direito Tributário</p><p>Identificar o conceito, a natureza e as fontes do Direito Tributário.</p><p>Acessar módulo</p><p>Módulo 3</p><p>Fundamentos do Direito</p><p>Tributário</p><p>Prof. Irapuã Gonçalves de Lima BeltrãoDescrição</p><p>Os fundamentos da tributação, o financiamento do Estado, as fontes da tributação e as espécies de tributos.</p><p>Propósito</p><p>Compreender os conceitos básicos do financiamento do Estado, a inserção do tributo como um dos integrantes do</p><p>conjunto das receitas públicas e as fontes empregadas na tributação, absorvendo os elementos introdutórios ao Direito</p><p>Tributário e suas espécies, é fundamental para a atuação jurídico-profissional na área do Direito Tributário.</p><p>Preparação</p><p>Antes de iniciar o conteúdo deste tema, tenha em mãos ou acessível uma versão da Constituição Federal (especialmente</p><p>nos artigos 145 a 156), a Lei nº 4.320/64 e o Código Tributário Nacional – Lei nº 5.172, de 1966.</p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 2/44</p><p>Módulo 3</p><p>Tributos e suas espécies</p><p>Listar os tributos e suas espécies.</p><p>Acessar módulo</p><p>1</p><p>Financiamento do Estado</p><p>Ao fim deste módulo, você será capaz de distinguir as formas de financiamento do Estado.</p><p>Além das naturais análises sobre conceitos do Estado, seu papel e seus elementos estruturantes, o tempo demonstrou que seria</p><p>fundamental também o conhecimento sobre as formas de financiamento do agir estatal e demais componentes da atividade financeira por</p><p>ele desempenhada.</p><p>Se nos períodos antigos a obtenção dos recursos era basicamente resultado das simples imposição de poder, pilhagens, guerras e formas</p><p>mais primitivas, a evolução da atividade financeira do Estado apresentou novas formas de captação de recursos já dentro de óticas mais</p><p>jurídicas até a chegada dos meios abraçados pelo sentido do Estado de Direito.</p><p>Nos tempos atuais, a principal fonte (ainda que não a única) de receita pública decorre da tributação, sendo imperioso, portanto, uma melhor</p><p>conceituação do tributo e suas espécies, bem como um olhar comparativo com as outras formas de obtenção de recursos. Veremos tudo</p><p>isto em seguida.</p><p>Introdução</p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 3/44</p><p>As formas de �nanciamento do Estado</p><p>O professor Irapuã Beltrão discorre sobre as formas de financiamento do Estado, no vídeo a seguir. Vamos lá!</p><p>Estado e seu �nanciamento</p><p>Historicamente, quando foram estruturadas as funções do Estado, notadamente na prestação de serviços públicos atinentes aos interesses da</p><p>coletividade, restou inevitável o reconhecimento e também a disciplina da atividade financeira do Poder Público.</p><p>Para que o Estado mantenha suas atividades e possa exercer suas funções e missões constitucionais, é necessário que ele obtenha mais recursos</p><p>do que aqueles obtidos com essas atividades econômicas ou com a exploração do seu patrimônio. Para alcançar os próprios objetivos para os</p><p>quais foi desenhado e executar todas as tarefas administrativas, o Estado necessita de recursos financeiros, isto é, precisa obter recursos</p><p>financeiros por intermédio da atividade financeira.</p><p>Outra questão fundamental para os fins da atividade financeira é a demanda sobre qual é o papel do Estado. Sua função original está na satisfação</p><p>dos vários interesses públicos. Isso compõe a matéria estudada pelo Direito Administrativo e é reconhecida como a típica formação das atividades</p><p>administrativas – aqui entendidas em sentido bastante amplo – do Poder Público.</p><p></p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 4/44</p><p>A atividade financeira se desenvolveu para instrumentalizar a atividade administrativa indicada pelas previsões constitucionais de cada país ou</p><p>pelas demais fontes legislativas. Justo por isto pode-se dizer que a atividade financeira é instrumental, já que, por um lado, ela é pré-condição para a</p><p>atividade administrativa, ainda que existam situações em que ela auxilia o próprio processo de escolha das atividades que caberão ao Estado.</p><p>A atividade financeira nasceu, assim, para instrumentalizar atividades administrativas e até mesmo para definir o que será objeto de gestão pública</p><p>coletiva. Trata-se de condição para a execução de atividades administrativas. Atribuiu a receitas e despesas um caráter de lei, assumindo um caráter</p><p>democrático, na medida em que o orçamento hoje não é definido única e exclusivamente pelo governante no poder.</p><p>De toda forma, a atividade financeira, desde o início do Estado democrático, implica na coleta de receita pública e</p><p>na execução das respectivas despesas.</p><p>Essas receitas não são exclusivamente as tributárias, embora estas representem a principal fonte de receitas de qualquer Estado.</p><p>Naturalmente, o setor público desenvolveu mecanismos para a obtenção desses recursos. Uma das formas que o Estado tem para obter verba é</p><p>exercendo várias atividades geradoras de dinheiro. Algumas vezes, até mesmo visando a lucro. Nada impede que o Poder Público atue como</p><p>qualquer pessoa para obter recursos.</p><p>Entretanto, hoje, de maneira geral, o exercício da atividade econômica é reservado ao setor privado, como consagração da regra da liberdade de</p><p>iniciativa na ordem econômica. Mas a própria Constituição (art. 173) permite, ainda que excepcionalmente, ao Estado o exercício dessa atividade</p><p>por imperativos de segurança nacional ou relevante interesse coletivo. Nesse caso, é possível que o Poder Público venha a auferir recursos.</p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 5/44</p><p>Receitas</p><p>As receitas são entradas não devolutivas, assim entendidas aquelas que se incorporam definitivamente ao erário. No processo de incorporação das</p><p>receitas há a transferência de domínio em prol do Poder Público, com o fim de aumentar o patrimônio do Estado. Uma vez tendo ingressado no</p><p>domínio do Poder Público, as receitas só poderão sair mediante autorização legislativa.</p><p>Nesse sentido, diferenciam-se as receitas dos meros ingressos.</p><p>Independentemente dessas ponderações sobre as atividades financeiras do Estado, visando à captação de recursos e sua administração para</p><p>satisfazer as necessidades da sociedade, pode-se dividir as receitas públicas (recursos) em dois grandes grupos: Receitas originárias e derivadas.</p><p>Considerando as diversas formas de receita, foi elaborada uma classificação que distingue as receitas a partir do exercício ou não dos poderes de</p><p>autoridade, da imposição coercitiva de pagamento ou de utilização de serviços estatais.</p><p>Essa classificação leva em conta o regime jurídico aplicável. Assim:</p><p>Receita originária</p><p>O Estado age como um particular, não havendo o uso do poder de império.</p><p>Decorre de um regime de contrato.</p><p>Exemplo</p><p>Os depósitos judiciais, os depósitos em garantia de contratos e os depósitos compulsórios que as instituições financeiras realizam no</p><p>Banco Central do Brasil – BACEN. Estas são entradas temporárias e meramente devolutivas.</p><p></p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 6/44</p><p>Receita derivada</p><p>É aquela revestida de compulsoriedade.</p><p>Submete-se a um regime legal.</p><p>Como se verifica, há situações em que o Estado obtém recursos sem a aplicação de força, dispensando todos os atributos do poder de império do</p><p>Poder Público. Normalmente fundadas em meios contratuais, como na remuneração de tarifas nos serviços públicos, ou mesmo nas formas de</p><p>valores decorrentes das concessões e outros mecanismos de interação com os agentes privados. Nesta forma, todas as vezes em que a forma de</p><p>obtenção de recursos não seja marcada</p><p>pela compulsoriedade estatal na relação, haverá a coleta de receitas originárias.</p><p>Mas não apenas assim. Ocorre ainda, por exemplo, com as doações para campanhas assistenciais. A doação e a herança jacente são</p><p>compreendidas como receita originária, porque não existe imperatividade.</p><p>No conceito mais moderno, as Receitas Derivadas diferenciam-se das originárias por serem exigidas compulsoriamente pelo Estado. Reforçamos, a</p><p>distinção entre essas duas formas da receita pública está na compulsoriedade e imperatividade das formas de sua percepção.</p><p>As receitas públicas, conforme visto, podem ser divididas em:</p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 7/44</p><p>Receitas originárias</p><p>São aquelas auferidas sem que o Estado exerça seu poder de soberania. Então, como o próprio nome diz, originam-se por intermédio de exploração</p><p>de bens e serviços públicos. É o caso dos preços públicos, por exemplo. A característica principal dessa receita é que ela não é dada pela</p><p>imperatividade, só paga quem se utilizar do bem ou do serviço prestado, num modelo em que o usuário ou particular tem alternativas possíveis para</p><p>atender aos seus interesses.</p><p>Ademais, no Estado moderno, são receitas originárias todas aquelas que, pela sua natureza, podem ser auferidas também pelas pessoas naturais</p><p>ou jurídicas de direito privado. É o momento em que o Estado atua sem exercer seu poder de soberania. Justamente por isso, as receitas originárias</p><p>são chamadas também de receitas contratuais, ainda que esta designação não seja a mais adequada.</p><p>Receitas derivadas</p><p>São as que derivam do patrimônio privado diretamente aos cofres públicos, realizadas por meio do poder de império do Estado, agindo</p><p>coercitivamente. Podemos citar as multas por infrações, por meio das quais o Estado age punitivamente, bem como também o pagamento dos</p><p>tributos.</p><p>A característica principal da receita derivada é sua compulsoriedade na relação jurídica de obtenção, ou seja, independe de atividades ou serviço</p><p>diretamente prestado ou de vontade das pessoas que farão as transferências. Portanto, é aquela auferida em decorrência do poder de “império”, do</p><p>poder coercitivo.</p><p>Por serem regidas por normas de direito público, as receitas derivadas somente podem ser cobradas pelo Estado, ou seja, pela entidade de direito</p><p>público que exerça o poder político sobre todos os cidadãos, que são chamados a contribuir para o custeio das despesas públicas. São</p><p>coercitivamente impostas ao cidadão</p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 8/44</p><p>coercitivamente impostas ao cidadão.</p><p>Antes mesmo da edição do Código Tributário Nacional, a lei geral das finanças públicas – Lei nº 4.320, de 1964 – já definia os tributos como uma</p><p>receita derivada. É a dicção do artigo nono:</p><p>Na prática, as receitas derivadas serão as mais presentes por serem de mais fácil obtenção, destacando-se o tributo como a principal forma.</p><p>Com isso, a conclusão primária e óbvia é que a tributação constitui uma relação jurídica crivada de compulsoriedade estatal. Em função de normas</p><p>constitucionais e legais, existe a permissão do Estado de tributar determinadas situações de natureza econômica, realizadas pelas pessoas</p><p>submetidas ao seu poder de império.</p><p>Pela classificação atual, tributos são receitas derivadas. Assim também são as penalidades pecuniárias, e, para muitos, a figura do confisco. A</p><p>doutrina dos anos 1950 inseria, entre as receitas derivadas, a figura das reparações de guerra – que ocorrem quando o Estado é vencido em uma</p><p>situação de guerra; pelas convenções internacionais, a nação vencida é obrigada a pagar reparações aos vencedores.</p><p>Os aluguéis, foros ainda existentes, e quaisquer outras situações em que o Estado atue na condição de contratante,</p><p>constituem situações de receitas originárias.</p><p>Essa distinção revela-se especialmente importante no estudo das taxas e preços públicos. Taxas são tipos de tributo e, portanto, pertencem ao</p><p>campo das receitas derivadas. Tarifas são de natureza contratual, sendo consideradas receitas originárias. A distinção, feita na doutrina e na</p><p>jurisprudência nacional, levou em consideração a compulsoriedade e a natureza tributária ou contratual para classificar tais receitas.</p><p>Exemplo</p><p>São exemplos de receitas derivadas, além da receita tributária, as arrecadadas em virtude de condenação judicial ao pagamento de multas</p><p>por crimes ou contravenções; as penalidades pecuniárias por infrações a normas administrativas ou à legislação do trânsito, eleitoral, do</p><p>trabalho, saúde, entre outras.</p><p></p><p>Art. 9º</p><p>Tributo é a receita derivada instituída pelas entidades de direito público, compreendendo os impostos, as taxas e contribuições nos termos</p><p>da Constituição e das leis vigentes em matéria financeira, destinando-se o seu produto ao custeio de atividades gerais ou específicas</p><p>exercidas por essas entidades.</p><p></p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 9/44</p><p>Vem que eu te explico!</p><p>Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.</p><p>Módulo 1 - Vem que eu te explico!</p><p>Receitas originárias</p><p>Módulo 1 - Vem que eu te explico!</p><p>Receitas derivadas</p><p></p><p></p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 10/44</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Falta pouco para atingir seus</p><p>objetivos.</p><p>Questão 1</p><p>Imposto e taxa são, para o Estado, formas de receita</p><p>A excepcionais.</p><p>B originárias.</p><p>C derivadas.</p><p>D ordinárias.</p><p>E subsidiárias.</p><p>Responder</p><p>Questão 2</p><p>Levando-se em consideração a classificação doutrinária das receitas públicas, é correto afirmar que as taxas e os preços públicos são receitas</p><p>A originárias e derivadas, respectivamente.</p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 11/44</p><p>2</p><p>Fontes do Direito Tributário</p><p>Ao fim deste módulo, você será capaz de identificar o conceito, a natureza e as fontes do Direito Tributário.</p><p>B derivadas e tributárias, respectivamente.</p><p>C originárias e ordinárias, respectivamente.</p><p>D derivadas e originárias, respectivamente.</p><p>E tributárias e derivadas, respectivamente.</p><p>Responder</p><p></p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 12/44</p><p>Conceito, natureza e fontes do Direito Tributário</p><p>A partir da atividade financeira, destacam-se, entre as receitas derivadas, os tributos e as relações deles decorrentes. Mais do que isso, surge um</p><p>campo de normas jurídicas, com regras, princípios e estrutura própria. Diante de tudo o que já foi dito, pode-se fundar o Direito Tributário como o</p><p>conjunto de normas e princípios jurídicos relativos aos tributos, isto é, a forma pela qual o Estado obtém receitas derivadas para manter o bem</p><p>comum e a satisfação das necessidades da sociedade.</p><p>Mas o objeto de estudo da tributação não recai apenas nos tributos em si. Desta figura, emerge a relação construída entre o poder político e as</p><p>pessoas a ele submetidas, com o objetivo de produzir aquela arrecadação. Nesse sentido, o Direito Tributário é um conjunto de princípios e normas</p><p>jurídicas relativas aos tributos, de forma a arrecadar estritamente as receitas derivadas que se enquadrem naquele conceito legal, visto que as</p><p>receitas originárias estão a cargo do Direito Financeiro.</p><p>Ruy Barbosa Nogueira assim conceitua o nosso campo de investigação:</p><p>É a disciplina da relação entre o Fisco e o contribuinte, resultante da imposição, arrecadação e fiscalização dos</p><p>impostos, taxas e contribuições de melhoria.</p><p>(NOGUEIRA, 1970, p. 3)</p><p>Na conceituação tributária não se pode esquecer que haverá um conjunto normativo que definirá a relação existente entre os particulares e o Poder</p><p>Público que exige tais valores. Trata-se de uma relação jurídica e,</p><p>portanto, formada por tal conjugado de formas jurídicas.</p><p>Entretanto, no campo da tributação, existe mais do que simples conjunto de normas jurídicas específicas.</p><p>Rubens Gomes de Souza afirma que o conteúdo do Direito Tributário é “essencialmente patrimonial ou econômico: os atos ou fatos da vida</p><p>interessam-lhe apenas como indícios de riqueza, que demonstrem uma capacidade econômica sobre a qual possa assentar um tributo” (SOUZA,</p><p>1982, p. 4). Por tal sentir, compreende também o fenômeno tributário da identificação dos fatos sociais que possam ser tidos como signos</p><p>demonstradores de riqueza, reveladores da capacidade contributiva dos indivíduos e integrantes daquele grupamento e, assim, submetidos à</p><p>tributação.</p><p>Os objetivos do Direito Tributário são:</p><p></p><p>Disciplinar as relações jurídicas entre o Estado e os particulares, decorrentes do exercício do poder fiscal do Estado sobre as manifestações da</p><p>capacidade econômica dos particulares.</p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 13/44</p><p></p><p>Definir as situações tributáveis, disciplinar a competência tributária, dispor sobre a obrigação tributária, sua cobrança, fiscalização e</p><p>penalização.</p><p>Dessa forma, o Direito Tributário não é apenas um conjunto de normas, mas, sim, a formação destas normas com o objetivo de cuidar diretamente</p><p>da obtenção desse recurso denominado tributo e as relações jurídicas daí decorrentes.</p><p>Fontes do direito tributário</p><p>O professor Irapuã Beltrão discorre sobre as fontes do Direito Tributário e o papel da lei como fonte do Direito Tributário. Vamos lá!</p><p>A referência às Fontes do Direito conduz a pelo menos dois conceitos de percepções distintas. Na linguagem jurídica, a palavra “fonte” remete à</p><p>metáfora do nascimento da água nascendo dos mananciais da terra. Referências jurídicas, inclusive, buscam a origem do significado do vocábulo</p><p>fons em latim, apontando para a origem de algo. Incorporado ao mundo jurídico, reflete o ponto de partida no caso do Direito.</p><p>Ao longo do tempo e dos estudos jurídicos, tal referência respondeu às indagações:</p><p></p><p></p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 14/44</p><p>De onde provém o Direito?</p><p>De onde seriam tiradas as previsões?</p><p>Onde seriam dadas as enunciações e normas regedoras de comportamento na</p><p>sociedade?</p><p>Tal símbolo teve papel decisivo no movimento de codificação do Direito presenciado a partir do século XIX, na medida em que o direito legislado</p><p>passa a ser a grande característica do universo jurídico.</p><p>Mas tal expressão admite dois sentidos distintos, como afirmado.</p><p>Fontes materiais</p><p>As fontes materiais são as bases sociais que se prestam para a criação do Direito. Essa referência, portanto, associa os fatos sociais que forem</p><p>julgados relevantes, incorporando os motivos lógicos ou morais que conduziram o legislador a criar normas jurídicas. No campo tributário, mais do</p><p>que fatos sociais, são também fenômenos demonstradores de riqueza que permitem a tributação.</p><p>As fontes materiais tributárias representam os fatos do mundo social reveladores de capacidade contributiva dos integrantes daquele grupo social</p><p>sobre os quais haverá a incidência tributária. São, depois de reconhecidos pelo legislador nacional, os fatos geradores da incidência tributária, como</p><p>a renda, o comércio interno e aduaneiro, o patrimônio, entre outros.</p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 15/44</p><p>Fontes formais</p><p>Diferentemente do sentido de fontes materiais, as fontes formais do direito identificam o modo como o Direito se formaliza com seus destinatários.</p><p>Dessa feita, a expressão “fontes formais” indica as normas nas quais se encontram os dispositivos jurídicos. São, basicamente, os atos normativos</p><p>que adicionam regras tributárias ao sistema. E tal tema será tratado pelo Código Tributário Nacional (CTN).</p><p>Quando o Código utiliza a expressão “Legislação Tributária”, indica inicialmente sua preocupação em identificar quais são as normas formais que</p><p>versam sobre a matéria tributária. Para identificação dessas normas, utilizamos a referência às fontes formais do Direito, sendo estas as bases</p><p>pelas quais se formam as regras entre os direitos individuais e as relações jurídicas com a sociedade e também com o Estado.</p><p>Naquele conceito, serão apresentados pelo Código Tributário Nacional as fontes normativas que cuidam da matéria tributária. Para tanto,</p><p>lembremos: fontes formais do Direito são as bases pelas quais se formam as regras entre os direitos individuais e as relações jurídicas com a</p><p>sociedade e também com o Estado.</p><p>No Direito Tributário, as fontes estão divididas entre:</p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 16/44</p><p>Fontes principais</p><p>Fontes primárias que fundamentalmente alteram o Direito Tributário, compostas de:</p><p>Constituição Federal e emendas;</p><p>Leis originárias;</p><p>Leis delegadas;</p><p>Leis complementares;</p><p>Medidas provisórias (em substituição aos antigos decretos-leis);</p><p>Decretos legislativos;</p><p>Tratados e convenções internacionais;</p><p>Resoluções.</p><p>Fontes secundárias</p><p>Normas complementares que, como o próprio nome diz, complementam e viabilizam as leis principais. São elas:</p><p>Decretos do Poder Executivo;</p><p>Atos normativos;</p><p>Decisões de órgãos administrativos, com efeito normativo;</p><p>Práticas administrativas reiteradas pelas autoridades;</p><p>Convênios entre os entes tributantes.</p><p>Contudo, sobre a conceituação da expressão legislação tributária em si, o artigo 96 do CTN informa que:</p><p>“compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que</p><p>versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.”</p><p>Assim, o artigo 96 CTN explicita as normas que compõem tal conjunto.</p><p>De imediato, verifica-se que não deve ser aceita como fonte formal do Direito Tributário a jurisprudência ou a doutrina, apesar de fornecerem bons</p><p>elementos para compreensão do fenômeno tributário. Importante observar, ainda, que não há qualquer referência do CTN sobre a Constituição e</p><p>suas emendas, tampouco às demais normas estruturantes (Constituições Estaduais ou Leis Orgânicas) dos entes políticos.</p><p>Assim ocorre porque a Constituição Federal está acima de qualquer outra fonte do direito, não podendo ser contrariada por nenhuma delas, sendo</p><p>ela a responsável pela existência e pela criação das demais normas da legislação, inclusive o próprio Código Tributário Nacional.</p><p>Fontes principais</p><p>Leis</p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 17/44</p><p>Com base no sentido dado às denominadas fontes formais do Direito, podemos afirmar que a lei é a fonte do Direito por excelência. Emprega-se</p><p>aqui o sentido estrito do vocábulo “lei”, ou seja, é o ato do Poder Legislativo, sancionado pelo Poder Executivo, com o caráter coercitivo de sua</p><p>aplicação.</p><p>Aqui surge elemento de cuidado, já que a expressão “legislação tributária” não se confunde com “lei”. A primeira tem um sentido muito mais amplo,</p><p>incluindo, além das leis, outras espécies de normas. Então, quando o CTN se refere à Legislação Tributária em seus artigos, está incluindo não</p><p>somente a lei, mas os tratados, as instruções normativas etc.</p><p>Entretanto, uma referência é fundamental:</p><p>Não existe hierarquia entre a lei complementar e a lei ordinária.</p><p>No nosso ordenamento, não há uma hierarquia, o que há é uma repartição de temas feita pela Constituição, sem que exista uma importância maior</p><p>para cada uma das matérias.</p><p>Papel da lei tributária</p><p>Sem prejuízo do veículo legal a ser empregado, o Código Tributário Nacional reservou um papel claro para a lei tributária. Isso porque quando a</p><p>Constituição afirmou que a lei seria necessária para instituir ou majorar tributos, ela definiu todo um conteúdo para essa fonte</p><p>primária.</p><p>Como afirmamos antes, criar é a elaboração inicial da lei com a definição dos elementos básicos do tributo, aí incluindo o fato gerador,</p><p>naturalmente. Significar dizer que, se for mexer nesses elementos ou modificá-los depois de criados, também é necessária a elaboração de lei.</p><p>O artigo 97 do Código Tributário Nacional deixa clara tal determinação. E, a partir dele, podemos reconhecer o seguinte:</p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 18/44</p><p>Tratados e convenções internacionais</p><p>Os tratados e convenções internacionais são determinados atos acordados entre dois ou mais países com a intenção de administrar interesses</p><p>sociais, econômicos ou políticos, evitando conflitos entre estes mesmos interesses.</p><p>Instituição e extinção.</p><p>Majoração e redução.</p><p>De�nição do fato gerador e elementos da obrigação principal.</p><p>De�nição da alíquota e da base de cálculo.</p><p>Cominação de penalidades.</p><p>Hipóteses de suspensão, extinção ou exclusão do crédito.</p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 19/44</p><p>Das referências do Direito como um todo, o artigo 84, inciso VIII, da CF/88 determina que compete privativamente ao presidente da República</p><p>celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional. Ainda da carta constitucional, o artigo 49, inciso I,</p><p>decide que cabe ao Colegiado do Poder Legislativo resolver definitivamente sobre estes atos internacionais.</p><p>Então, de acordo com esse procedimento, para que sejam aplicados no país, os tratados e convenções internacionais precisam ser aprovados pelo</p><p>Congresso Nacional, uma vez que sem essa aprovação não se aderem às fontes do Direito do país. Por outro lado, dispõe o artigo 98 do CTN:</p><p>Isto significa que a legislação que se refere àquele país que realizou o tratado ou convenção é que terá tratamento diferenciado, sendo isto muito</p><p>comum para disciplinar e evitar situações de bitributação na esfera internacional, ou questões aduaneiras, entre outras medidas.</p><p>Justamente em razão dessa aplicabilidade, restou sedimentada a concepção de que os tratados tanto podem ser elaborados para funcionar como</p><p>uma norma geral e abstrata, como um pacto celebrado entre duas nações para regulamentar questões específicas de seus interesses.</p><p>Com essa determinação, é possível reconhecer que nosso sistema, em matéria tributária, adotou a posição supralegal para os atos internacionais.</p><p>Diante disso, depreende-se do artigo 98 do CTN, tem que ser interpretado de maneira que os tratados internacionais devam conviver com a lei</p><p>interna. Depois de devidamente incorporado ao direito interno, segundo aquele procedimento retratado, o tratado internacional deve ser respeitado</p><p>pela legislação interna como tal.</p><p>Decretos</p><p>Em sede tributária, são empregados no sentido dos Decretos Administrativos ou Regulamentadores. Ou seja, são aqueles atos normativos, de</p><p>competência exclusiva dos chefes do Poder Executivo, disciplinando situações previstas em lei para dar uma efetiva e fiel execução aos diplomas</p><p>elaborados pelo Poder Legislativo.</p><p>Art. 98</p><p>Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes</p><p>sobrevenha.</p><p></p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 20/44</p><p>elaborados pelo Poder Legislativo.</p><p>Desse modo, os decretos têm por finalidade executar as normas que já foram estabelecidas em lei, pois eles estão subordinados a ela. Com base</p><p>neste conceito, diz o CTN:</p><p>O regulamento, desta forma, tem a função de dar a execução às leis, aos tratados, no modelo tributário, conforme o artigo 99, do CTN.</p><p>Fontes secundárias – normas complementares</p><p>Sem prejuízo de todas estas formas primárias do Direito Tributário, o artigo 100 do CTN trata das fontes menores do Direito Tributário, subordinadas</p><p>às fontes principais, ou seja, são normas instrumentais. São todas normas expedidas no âmbito das autoridades administrativas e, justamente em</p><p>razão dessa origem, seu campo de eficácia é limitado.</p><p>Entretanto, mais do que prescrever quais são estas normas, o Código Tributário Nacional determina que sua observância pelo sujeito passivo exclui</p><p>a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo (artigo 100, parágrafo</p><p>único do CTN)</p><p>Art. 99</p><p>O conteúdo e o alcance dos decretos restringem-se aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância</p><p>das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei.</p><p></p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 21/44</p><p>único do CTN).</p><p>O limite de disciplina destas normas complementares é dado pela reserva legal.</p><p>Assuntos em que houver a submissão ao sentido estrito da legalidade não podem ser dispostos livremente pelas normas complementares.</p><p>Por outro lado, não sendo o tema submetido à reserva legal, as normas complementares poderão dispor, notadamente, se autorizada pelas</p><p>fontes primárias.</p><p>Atos normativos</p><p>São atos expedidos pelo Poder Executivo e pela Administração Pública, tendo como objetivo facilitar a aplicação correta da lei, orientando a todos,</p><p>tanto contribuintes como funcionários. Têm grande diversidade de denominação, mas são conhecidas a Instruções Normativas, as Circulares etc.</p><p>O decreto é ato emanado do chefe do Poder Executivo (presidente da República, governadores de Estado e do Distrito Federal e prefeitos). Já as</p><p>normas complementares são previstas no artigo 100 do CTN, e constituem todos os atos de outras autoridades administrativas subordinadas à</p><p>chefia do Poder Executivo. Portanto, são expedidos por autoridades distintas.</p><p>Decisões administrativas com e�cácia normativa</p><p>Como explicitamente mencionado no artigo 100 do CTN, são decisões dos órgãos singulares ou coletivos administrativos, a que a lei dá atribuição</p><p>de eficácia normativa, ou seja, são atos decisórios na esfera administrativa em relação aos contribuintes que são transformados posteriormente em</p><p>normas gerais e aplicáveis a todos.</p><p>Praxes administrativas/práticas reiteradas</p><p>São referentes aos usos e costumes observados pela Administração Tributária, normalmente conhecidos como praxes administrativas. São</p><p>determinados atos praticados pela Administração Pública, sempre da mesma forma, no que diz respeito ao contribuinte, passando a figurar como</p><p>norma ainda que não escrita ou consolidada em texto positivo.</p><p>Convênios</p><p>Na forma prevista no artigo 100 do CTN, são normas complementares em que a União Federal, os estados, o Distrito Federal e os municípios entre si</p><p>celebram, denominando-se convênios, porque visam dar tratamento à matéria tributária de modo comum a todas as unidades federativas que fazem</p><p>parte de sua celebração.</p><p></p><p>Exemplo</p><p>É o caso do ministro que “baixa portaria”, do secretário da Receita “que baixa instrução normativa” etc.</p><p></p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 22/44</p><p>Vem que eu te explico!</p><p>Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.</p><p>Módulo 2 - Vem que eu te explico!</p><p>Tratados e convenções internacionais</p><p>Módulo 2 - Vem que eu te explico!</p><p>Decisões administrativas com e�cácia normativa</p><p></p><p></p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 23/44</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Falta pouco para atingir seus</p><p>objetivos.</p><p>Questão 1</p><p>Em matéria de impostos, não é preciso lei para estabelecer</p><p>A as hipóteses de extinção.</p><p>B a cominação de penalidades.</p><p>C o prazo de pagamento.</p><p>D a dispensa de penalidades.</p><p>E a fixação da base de cálculo.</p><p>Responder</p><p>Questão 2</p><p>Em Direito Tributário, é matéria cabível aos decretos</p><p>A instituir</p><p>e majorar quaisquer tributos.</p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 24/44</p><p>3</p><p>Tributos e suas espécies</p><p>Ao fim deste módulo, você será capaz de listar os tributos e suas espécies.</p><p>B revogar taxas e contribuições de intervenção no domínio econômico.</p><p>C definir fato gerador, alíquota e base de cálculo de quaisquer tributos.</p><p>D regulamentar leis em função das quais sejam expedidos.</p><p>E estabelecer isenções de impostos.</p><p>Responder</p><p></p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 25/44</p><p>Conceito de tributo</p><p>O professor Irapuã Beltrão discorre sobre o conceito de tributo, analisando seus elementos. Vamos assistir!</p><p>Tributos</p><p>Devemos adotar o conceito de tributo, de acordo com o artigo 3º do CTN, como:</p><p>“Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito,</p><p>instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.”</p><p>Esse artigo determina os aspectos básicos de todo e qualquer valor exigido e, por isso, estudaremos cada parte componente.</p><p>Tributo é toda prestação pecuniária compulsória</p><p>Por tal, o tributo representará uma obrigação, com pagamento obrigatório em dinheiro. Trata-se de um encargo financeiro de natureza pecuniária e</p><p>compulsória, isto é, o devedor deve cumpri-la em dinheiro (pecúnia), além de se tratar de prestação forçada, nunca da vontade de qualquer pessoa.</p><p></p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 26/44</p><p>Ainda que socialmente tenhamos várias obrigações que decorrem da vontade individual, os valores devidos ao Poder Público têm sua</p><p>compulsoriedade determinada na própria lei instituidora do tributo, que é de natureza impositiva.</p><p>Resulta daí que não se deve considerar como tributo as prestações que muitas vezes são devidas ao Estado, mas que, ou não são entregues em</p><p>dinheiro, ou não são compulsórias.</p><p>Em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir</p><p>Em dinheiro ou valor de moeda que se possa exprimir. É claro que toda obrigação tributária deve ser primeiramente pensada para seu cumprimento</p><p>em dinheiro, mas nada impede que se possa admitir outras formas de cumprimento, especialmente a partir dos próprios mecanismos definidos no</p><p>CTN.</p><p>Exemplo</p><p>O serviço militar, por ser prestação em forma de serviço, ainda que compulsória; ou ainda, pelo mesmo motivo, as requisições, quando o</p><p>Poder Público determina que o particular lhe entregue certos bens.</p><p></p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 27/44</p><p>Sempre se discutiu sobre a possibilidade de satisfação do dever tributário com a entrega de bens, mas, somente a partir da Lei Complementar nº</p><p>104/01, que acrescentou o inciso XI ao artigo 156 do Código Tributário Nacional (CTN), passou-se a admitir a dação em pagamento em bens</p><p>imóveis (a entrega do imóvel como meio de pagamento), na forma e nas condições estabelecidas em lei.</p><p>Mas, destaca-se da própria disposição incluída no CTN: será sempre (e tão somente) em bens imóveis. E, mesmo assim, cada Unidade Federativa</p><p>ainda deve fazer uma lei para estabelecer as condições e critérios para tanto.</p><p>Que não constitua sanção de ato ilícito</p><p>O tributo representará um dever assumido pelo particular que jamais constitui sanção de ato ilícito (contrário à lei). O ato ilícito é sancionável por</p><p>algumas formas (art. 5º, inciso XLVI), ali prevista a possibilidade de pena pecuniária (multa). A sanção – advinda ou não de situações criminais –,</p><p>expressa em multa, não é tributo, assim como não o são as sanções administrativas e civis, quando o particular é condenado a entregar dinheiro ao</p><p>Estado.</p><p>Neste sentido, deve ser extraída a conclusão de que não se pode dar ao tributo qualquer sentido punitivo, o que não quer dizer que os atos ilícitos</p><p>não possam ensejar resultados tributáveis. Por exemplo, se uma pessoa comete conduta tratada como crime ou contravenção penal, ela sofrerá a</p><p>condenação criminal pelo exercício ilegal.</p><p>Por outro lado, se a referida pessoa obteve renda com aquela ilegalidade, essa renda é tributável pelo Imposto de Renda. Não se confunde o ato</p><p>criminoso com os resultados – percepção dos rendimentos – daquele ato.</p><p>O próprio CTN expressa que a interpretação do fato gerador (artigo 118 do CTN) será dada abstraindo a validade dos atos praticados. É a</p><p>consagração do princípio do Pecunia non olet (dinheiro não tem cheiro). Esta máxima tributária afirma que, uma vez ocorrendo o fato gerador, ainda</p><p>que tenham ocorrido fatos ilícitos antes, o tributo será devido. É o caso de alguém que pratica atividade ilícita e, a partir dela, venha a auferir renda.</p><p>Neste caso o Imposto de Renda será devido</p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 28/44</p><p>Neste caso, o Imposto de Renda será devido.</p><p>Para ilustrar, vamos analisar um caso que chegou ao Supremo Tribunal Federal.</p><p>Jogo do Bicho. Possibilidade jurídica de tributação sobre valores oriundos de prática ou atividade ilícita. Princípio do Direito Tributário do non olet.</p><p>Precedente. Ordem parcialmente conhecida e denegada.</p><p>1. A pretendida desclassificação do tipo previsto no art. 1º, inciso I, para art. 2º, inciso I, da Lei nº 8.137/90 não foi analisada pelo Superior Tribunal</p><p>de Justiça. Com efeito sua análise neste ensejo configuraria, na linha de precedentes, verdadeira supressão de instância, o que não se admite.</p><p>2. A jurisprudência da Corte, à luz do art. 118 do Código Tributário Nacional, assentou entendimento de ser possível a tributação de renda obtida em</p><p>razão de atividade ilícita, visto que a definição legal do fato gerador é interpretada com abstração da validade jurídica do ato efetivamente</p><p>praticado, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Princípio do non olet. Vide o HC nº 77.530/RS, Primeira Turma, Relator o</p><p>Ministro Sepúlveda Pertence, DJ de 18/9/98.</p><p>3. Ordem parcialmente conhecida e denegada.</p><p>(STF – HC 94240/SP, 1ª turma, unan. J. em 23.8.2011, DJe 11.10.2011)</p><p>Instituído em lei</p><p>O tributo só pode ser instituído mediante lei expressa; nenhum tributo poderá ser criado por circulares, portarias, decretos etc. Trata-se de exigência</p><p>decorrente do Estado de Direito e fundamental para a segurança jurídica dos contribuintes.</p><p>Evidentemente não é o CTN que afirma o tipo de lei necessária. Isto ficará a cargo da Constituição, que indicará, nos casos em que entender, a</p><p>necessidade eventual de lei complementar.</p><p>Caso contrário, é mantido o padrão da lei ordinária. Por outro lado, nos limites estabelecidos pelo artigo 62 da CF/88, admite-se a utilização das</p><p>Medidas Provisórias para instituição (ou majoração) de tributos, que naturalmente não sejam reservadas à lei complementar.</p><p>Além disso, instituir significa dizer que o legislador deverá trazer a previsão dos elementos mínimos caracterizadores do tributo, ou seja:</p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 29/44</p><p></p><p>O fato gerador</p><p></p><p>A base de cálculo</p><p></p><p>A alíquota</p><p></p><p>O sujeito passivo</p><p>Naturalmente, a norma instituidora pode estabelecer outros elementos, sejam decorrentes destes aspectos essenciais do tributo ou periféricos.</p><p>Contudo, ainda que não exista a previsão de outros dados, tais elementos são indispensáveis para a existência válida da tributação.</p><p>Cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada</p><p>Além de se preocupar com a fase legislativa do tributo, a definição do CTN ainda traz o tratamento da cobrança administrativa. Para esta, afirma que</p><p>será sempre cobrada por meio de uma atividade da Administração Pública. E os agentes públicos atuaram sem qualquer exercício de conveniência</p><p>ou oportunidade nesta cobrança. Toda atividade do Estado</p><p>em relação a tributo estará disciplinada na lei tributária, sem qualquer discricionariedade</p><p>do agente fiscal responsável pela arrecadação.</p><p>Espécies de tributos</p><p>A primeira referência às espécies de tributos reporta ao artigo 5º do CTN, que prevê que os tributos seriam impostos, taxas e contribuições de</p><p>melhorias. Apesar de apenas essas três espécies estarem previstas no artigo 5º, a Constituição Federal, além de manter a existência destas formas</p><p>clássicas no artigo 145, considera também tributos os empréstimos compulsórios e as contribuições especiais ou parafiscais.</p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 30/44</p><p>Estas últimas duas se encaixam perfeitamente na definição de tributo e tiveram sua natureza tributária reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal.</p><p>De qualquer forma, para completo conhecimento das espécies, é fundamental a análise de cada uma destas modalidades.</p><p>Impostos</p><p>Conceitualmente, os impostos são tributos não vinculados a qualquer atividade específica do Estado que justifique o pagamento. Ou, como afirma o</p><p>próprio Código, o imposto é o tributo cuja obrigação tem como fato gerador uma situação independentemente de qualquer atividade estatal</p><p>específica relativa ao contribuinte (CTN, art. 16).</p><p>De acordo com a Constituição Federal, os impostos são de competência privativa de cada ente tributante, tudo na forma dos artigos 153 a 156,</p><p>separando os federais; os estaduais e do Distrito Federal e os municipais, a saber:</p><p>Impostos da União Art. 153 CF/88</p><p>Imposto de Importação (II)</p><p>Imposto de Exportação (IE)</p><p>Imposto sobre a Renda e os Proventos de qualquer natureza</p><p>(IR)</p><p>Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)</p><p>Imposto sobre Operações de crédito, câmbio, seguro e</p><p>títulos e valores mobiliário (IOF)</p><p>Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR)</p><p>Imposto sobre Grandes Fortunas (JGF)</p><p>Elaborado por: Irapuã Beltrão.</p><p>Destes, o único ainda não legislado é o Imposto sobre as grandes fortunas, ainda que os demais já tenham sido objeto de atividade legislativa e</p><p>sejam efetivamente exigidos pela Secretaria da Receita Federal.</p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 31/44</p><p>Impostos dos Estados</p><p>Art. 155 CF/88</p><p>Imposto sobre a Transmissão Causa Mortis e</p><p>Doação (ITCMD)</p><p>Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e</p><p>prestação de serviços de</p><p>transporte interestadual ou intermunicipal e de</p><p>comunicações (ICMS)</p><p>Imposto sobre a Propriedade de Veículos</p><p>Automotores (IPVA)</p><p>Elaborado por: Irapuã Beltrão.</p><p>Impostos dos Municípios</p><p>Art. 156 CF/88</p><p>Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial</p><p>Urbana (IPTU)</p><p>Imposto sobre a transmissão, inter vivos, de bens</p><p>imóveis (ITBI)</p><p>Imposto sobre Serviços de qualquer natureza (ISS</p><p>ou ISSQN)</p><p>Elaborado por: Irapuã Beltrão.</p><p>Diante das peculiaridades do Distrito Federal – que não integra nenhum estado e nem é dividido em municípios –, ele terá na sua competência todos</p><p>os impostos que são previstos aos estados e também aos municípios, cumulando no âmbito distrital todos os impostos listados no artigo 155 e no</p><p>artigo 156 CF/88.</p><p>Orienta a Constituição, em seu artigo 145, parágrafo primeiro, que sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados</p><p>segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultando à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a estes objetivos,</p><p>identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Desta</p><p>Saiba mais</p><p>A Constituição ainda autoriza que a União institua impostos novos, desde que por lei complementar, ou mesmo extraordinários no caso de</p><p>guerra externa ou a sua iminência (artigo 154 CF/88).</p><p></p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 32/44</p><p>forma, o parágrafo primeiro determina que os impostos, “sempre que possível”, observarão a pessoalidade e serão calculados de acordo com a</p><p>capacidade contributiva.</p><p>Taxas</p><p>As taxas são tributos vinculados a uma atividade específica do Estado, que visa vantagem direta a quem paga, podendo ser a prestação de serviços</p><p>públicos, específicos e divisíveis ou o exercício do poder de polícia. Como qualquer das entidades federativas podem executar tais atividades, a</p><p>União, os estados, o Distrito Federal e os municípios podem instituir esses tributos por serem de competência comum.</p><p>A definição do artigo 77 do CTN é praticamente repetida pela CF, em seu artigo 145, inciso II. A partir desses dispositivos, podemos dividir as taxas</p><p>de acordo com seus dois fatos geradores admitidos:</p><p>Taxa de polícia</p><p>Tem como fato gerador o exercício regular do poder de polícia, que é uma das maiores manifestações do poder de império realizado pelo Estado,</p><p>conceituado no artigo 78 do CTN.</p><p>Deve-se observar que esse poder de polícia de que trata o artigo 78 não diz respeito ao poder da polícia aí entendido como órgão de segurança</p><p>pública.</p><p>Esse poder de polícia é o poder que o Estado exerce para disciplinar ou limitar a liberdade ou os direitos dos particulares, visando ao interesse</p><p>público, como as normas de construção em relação ao direito de propriedade, entre outros. Sem prejuízo da diversidade entre as diversas unidades</p><p>federativas, temos, por exemplo comum, as taxas de fiscalização: taxa de alvará, taxa de inspeção e taxa sanitária.</p><p>Taxas de serviços</p><p>São as taxas cobradas pelos serviços públicos já existentes e que estão em funcionamento, tendo como fato gerador a utilização efetiva ou</p><p>potencial de determinados serviços públicos, específicos, divisíveis, prestados efetivamente ao contribuinte, ou ao menos aqueles que estejam à</p><p>disposição, e sejam passíveis de utilização efetiva ou potencial.</p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 33/44</p><p>Serviços especí�cos</p><p>São serviços públicos estruturados em unidades autônomas de intervenção.</p><p>Serviços divisíveis</p><p>São os que podem ser utilizados individualmente, em separado, por cada um dos usuários. Tais definições são reforçados pelos conceitos</p><p>existentes no artigo 79 do CTN.</p><p>Por outro lado, basta o usuário estar com o serviço à sua disposição para existir a justificativa da cobrança da taxa, independentemente de o serviço</p><p>estar sendo utilizado efetivamente ou em potencial. Isto porque, para serem remunerados por taxas, os serviços púbicos devem estar fixados sem</p><p>alternativas de outras utilizações. Se não houver essa compulsoriedade, os serviços serão remunerados por preços públicos (receita não tributária).</p><p>TAXA PREÇO PÚBLICO</p><p>Regime jurídico tributário Regime jurídico contratual</p><p>Sujeita aos princípios tributários Sem aplicação das normas tributárias</p><p>Decorre de lei Autonomia das vontades</p><p>Receita derivada Receita originária</p><p>Pode ser cobrada por utilização de serviço disponível Não pode ser cobrada por utilização de serviço disponível</p><p>Indisponível Passível de rescisão</p><p>Sujeito ativo é sempre pessoa jurídica de direito público</p><p>Sujeito ativo pode ser pessoa de direito privado (ex.:</p><p>concessionária)</p><p>Elaborado por: Irapuã Beltrão.</p><p>Estas distinções foram feitas pela interpretação do Supremo Tribunal Federal, que chegou, ainda antes da promulgação da atual Constituição, a</p><p>editar a seguinte súmula:</p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 34/44</p><p>Ainda para nortear a cobrança da taxa, o artigo 145, em seu parágrafo segundo da Constituição Federal, determina que “as taxas não poderão ter</p><p>base de cálculo própria de impostos”, reproduzindo o conceito já anteriormente previsto no parágrafo único do artigo 77 codificado.</p><p>Sobre as taxas, podemos destacar os seguintes entendimentos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal – STF:</p><p>Súmula 545</p><p>Preços de serviços públicos</p><p>e taxas não se confundem, porque estas, diferentemente daqueles, são compulsórios e têm sua cobrança</p><p>condicionada à prévia autorização orçamentária, em relação à lei que institui.</p><p></p><p>Súmula 595</p><p>É inconstitucional a taxa municipal de conservação de estradas de rodagem, cuja base de cálculo é idêntica à do Imposto Territorial</p><p>Rural.</p><p>Súmula 665</p><p>É constitucional a Taxa de Fiscalização do Mercado de Títulos e Valores Mobiliários instituída pela Lei 7.940/89.</p><p>Súmula 667</p><p>Viola a garantia constitucional de acesso à jurisdição a taxa judiciária calculada sem limite sobre o valor da causa.</p><p>Súmula 670</p><p>O serviço de iluminação pública não pode ser remunerado por taxa (posteriormente transformada em Súmula Vinculante nº 41).</p><p>Súmula Vinculante 19</p><p>A taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços públicos de coleta, remoção e tratamento ou destinação de lixo ou resíduos</p><p>provenientes de imóveis, não viola o artigo 145, inciso II, da CF/88.</p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 35/44</p><p>Contribuições de melhoria</p><p>A contribuição de melhoria é tributo vinculado, de competência comum, ou seja, a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios podem</p><p>instituí-la, conforme previsão do artigo145, inciso III, da CF/88, a partir da realização de obras públicas.</p><p>Assim, as contribuições de melhorias decorrem de obras públicas, na medida em que estas gerarem valorização na propriedade imobiliária de</p><p>outros, sendo este fato gerador estabelecido no artigo 81 do CTN.</p><p>Além de determinar o fato gerador, prevê ainda o CTN os limites da cobrança. Seu artigo 81 determina a existência dos limites global e individual.</p><p>Por estes, não pode o Poder Público cobrar além do ressarcimento do gasto da obra pública e, no que é pertinente ao limite individual, deve respeitar</p><p>a valorização ou o benefício decorrente de obras públicas.</p><p>Empréstimo compulsório</p><p>Os empréstimos compulsórios têm como característica principal a promessa de restituição dos valores pagos, já que devem ser devolvidos em</p><p>determinado período. Na forma da atual redação do artigo 148 da CF/88, compete exclusivamente à União a criação dos empréstimos</p><p>compulsórios, mediante lei complementar.</p><p>Súmula Vinculante 29</p><p>É constitucional a adoção, no cálculo do valor de taxa, de um ou mais elementos da base de cálculo própria de determinado imposto,</p><p>desde que não haja integral identidade entre uma base e outra.</p><p>Comentário</p><p>Vale lembrar que não é em toda obra pública que se pode ter a cobrança da contribuição de melhoria autorizada. É preciso que fique</p><p>caracterizada a valorização do imóvel do contribuinte em função dessa obra. O artigo 82 do Código Tributário Nacional traz ainda algumas</p><p>exigências para que o legislador possa exercer tal competência tributária.</p><p></p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 36/44</p><p>Devem obedecer ao regime jurídico-tributário, com exceção dos princípios da anterioridade e da noventena, no caso de calamidade pública, guerra</p><p>externa ou sua iminência. Então, para estes casos eles podem ser cobrados no mesmo exercício em que foram instituídos, ou seja, no mesmo ano</p><p>da publicação da lei, diferentemente da maioria dos impostos, que só podem ser cobrados no primeiro dia do ano subsequente àquele em que</p><p>foram instituídos. A cobrança, no caso, poderia ser imediata, justificando-se tal situação pelos motivos excepcionais de sua criação.</p><p>Sendo reservado para a Lei Complementar, é impossível que o presidente da República legisle sobre a matéria por meio da edição de uma medida</p><p>provisória (v. art. 62, parágrafo primeiro da Constituição Federal de 1988). Diante das disposições constitucionais e do conceito geral do</p><p>empréstimo compulsório, podemos identificar as seguintes características que diferenciam este tributo dos demais:</p><p>As determinações do artigo 148 da CF/88 restou recepcionando, em parte apenas, o artigo 15 do CTN, no que se excepciona o inciso III. Na forma</p><p>da Constituição, temos, portanto, que a criação do empréstimo compulsório somente pode ocorrer:</p><p>São restituíveis.</p><p>A aplicação dos recursos arrecadados está vinculada à despesa extraordinária que</p><p>fundamentou sua instituição (artigo 148, parágrafo único, CF).</p><p>A União não poderá utilizar a receita arrecadada dos empréstimos compulsórios para</p><p>outros �ns diferentes daqueles para que foram instituídos.</p><p>A lei complementar que instituiu o empréstimo compulsório deverá prever a devolução</p><p>total da importância arrecadada, respeitando ainda o artigo 15, parágrafo único, do CTN.</p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 37/44</p><p>da Constituição, temos, portanto, que a criação do empréstimo compulsório somente pode ocorrer:</p><p>1. No caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional.</p><p>2. Para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência. Despesas extraordinárias são</p><p>aquelas imprevisíveis e urgentes que, por sua imprevisibilidade, não estão contempladas no orçamento anual da União e, por sua urgência,</p><p>requerem atendimento imediato.</p><p>Importante ainda registrar que o princípio da anterioridade e da noventena (artigo 150, inciso III, alíneas “b” e “c”, da Constituição Federal) aplica-se</p><p>apenas aos empréstimos compulsórios instituídos em caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional.</p><p>Contribuições especiais</p><p>A doutrina tradicional já identificava que as contribuições parafiscais corresponderiam ao emprego das finanças públicas com objetivos que não</p><p>visavam precipuamente à obtenção de receitas, mas sim a regular ou modificar a distribuição da riqueza nacional, equilibrar os níveis de preços de</p><p>utilidades ou de salários, bem como outras finalidades econômicas ou sociais semelhantes.</p><p>Atualmente tais contribuições estão amparadas no artigo 149 da CF/88 e, em regra, são instituídas por lei ordinária de competência da União. Essas</p><p>contribuições estão classificadas em:</p><p></p><p>Contribuições sociais</p><p></p><p>Contribuições de intervenção no domínio econômico</p><p></p><p>Contribuições de interesse das categorias pro�ssionais ou econômicas</p><p>Relembrando</p><p>Repita-se que a criação de empréstimos compulsórios somente pode ser feita por lei complementar (artigo 148 CF/88).</p><p></p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 38/44</p><p>Contribuições Sociais</p><p>São contribuições cobradas para o financiamento de áreas de interesse social ou para custeio da seguridade social. Além da previsão do artigo 149,</p><p>trata também das contribuições para a seguridade social o artigo 195 da Constituição Federal, dispondo sobre as seguintes incidências:</p><p>I. do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:</p><p>a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem</p><p>vínculo empregatício;</p><p>a receita ou o faturamento;</p><p>o lucro;</p><p>II. do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime</p><p>geral de previdência social de que trata o art. 201;</p><p>III. sobre a receita de concursos de prognósticos;</p><p>IV. do importador de bens ou serviços do exterior ou de quem a lei a ele equiparar.</p><p>Com base nesta previsão, foram instituídas as seguintes contribuições:</p><p>Contribuição sobre a folha de pagamento.</p><p>Contribuição do seguro acidente do trabalho.</p><p>Contribuição do PIS/PASEP, recaindo sobre o faturamento ou receita bruta.</p><p>Contribuição do Co�ns, recaindo sobre o faturamento ou receita bruta.</p><p>Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.</p><p>Contribuição dos empregados e trabalhadores.</p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html#</p><p>39/44</p><p>As contribuições sociais previstas no artigo 195 da Constituição Federal de 1988 podem ser exigidas após noventa dias da data da publicação da lei</p><p>que as houver instituído ou modificado (artigo 195, parágrafo sexto), não se sujeitando, portanto, ao princípio da anterioridade (artigo 150, inciso III,</p><p>alínea “b”, da Constituição Federal). Por outro lado, a lei que institui contribuição social baseada no parágrafo quarto do artigo 195 da CF/88 (outras</p><p>fontes) tem de ser de natureza complementar.</p><p>Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE)</p><p>Em algumas situações, o Poder Público utiliza o tributo para intervir no domínio econômico com o objetivo de controlar a produção de certos bens</p><p>ou para financiar determinadas setores econômicos por meio de recursos de outros domínios.</p><p>De todas estas contribuições, a mais destacada é a CIDE-combustível, hoje tratada no artigo 177, parágrafo quarto, da CF/88, com a redação dada</p><p>pela Emenda Constitucional n° 33, de 2001. Esta dá a clara demonstração de seu campo de incidência e da destinação dos recursos obtidos, além</p><p>de algumas regras específicas ali contidas.</p><p>Contribuições de Interesse das Categorias Pro�ssionais ou Econômicas</p><p>São as contribuições compulsórias instituídas pela União e destinadas a sindicatos, conselhos ou organizações, tendo atualmente como grande</p><p>exemplo as contribuições das anuidades para financiamento dos conselhos profissionais.</p><p>Importante observar que a atual redação do artigo 149 ainda atribui algumas características para as contribuições sociais e para a CIDE, tudo na</p><p>forma do parágrafo segundo, a saber:</p><p>Não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação.</p><p>Contribuição sobre a receita de prognósticos, ai entendido os jogos e loterias em geral.</p><p>Contribuição sobre a importação.</p><p>Comentário</p><p>Sobre tais contribuições, importa registrar que, além do Regime Geral da Previdência Social, existe também o regime de previdência típico</p><p>dos servidores, sendo que cada unidade federativa deverá manter tal sistema. Para tanto, o artigo 149, parágrafo primeiro da CF/88</p><p>determinou que, além da União, os estados, o Distrito Federal e os municípios instituam contribuição sobre os servidores – unicamente</p><p>para os fins previdenciários – não podendo utilizar alíquota menor do que a prevista na norma federal.</p><p></p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 40/44</p><p>Incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços.</p><p>Poderão ter alíquotas, ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro;</p><p>ou específica, tendo por base a unidade de medida adotada.</p><p>Além destas contribuições, a Emenda Constitucional nº 39, de 2002, introduz o artigo 149-A, com a previsão de contribuição de iluminação pública –</p><p>COSIP (de natureza distinta das demais e com características distintas dos demais tributos), de competência dos municípios e do Distrito Federal,</p><p>sendo ali facultada a cobrança nas contas de consumo de energia elétrica.</p><p>Com tudo isso, podemos entender que as contribuições especiais são assim divididas:</p><p>Art. 149 União</p><p>Sociais</p><p>Sociais</p><p>gerais</p><p>Seguridade</p><p>social –</p><p>Art. 195</p><p>Interventivas ou CIDE</p><p>Profissionais ou corporativas</p><p>Art. 149-A Municípios/DF</p><p>COSIP (contribuição sobre iluminação</p><p>pública)</p><p>Elaborado por: Irapuã Beltrão.</p><p>Vem que eu te explico!</p><p>Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.</p><p>Módulo 3 - Vem que eu te explico!</p><p>Taxas</p><p>Módulo 3 - Vem que eu te explico!</p><p>Contribuições sociais</p><p>Módulo 3 - Vem que eu te explico!</p><p>Contribuições de melhoria</p><p></p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 41/44</p><p></p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Falta pouco para atingir seus</p><p>objetivos.</p><p>Questão 1</p><p>São tributos vinculados:</p><p>A A taxa, o imposto e a contribuição de melhoria.</p><p>B A taxa e os impostos diretos.</p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 42/44</p><p>Considerações �nais</p><p>C A contribuição de melhoria e os impostos indiretos.</p><p>D A taxa e a contribuição de melhoria.</p><p>E O imposto sobre a propriedade de veículos automotores (IPVA) e taxa.</p><p>Responder</p><p>Questão 2</p><p>Inclui-se entre as características do tributo contribuição de melhoria:</p><p>A Não ser vinculada a uma atividade estatal.</p><p>B Ter por fato gerador a obra pública de que decorre desvalorização imobiliária.</p><p>C Não é toda obra pública que pode ter a cobrança da contribuição de melhoria autorizada.</p><p>D Não é preciso ter-se por base de cálculo o quantum da valorização dos imóveis adjacentes à obra.</p><p>E As contribuições de melhoria decorrem de obras públicas e privadas.</p><p>Responder</p><p></p><p></p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 43/44</p><p>Considerações �nais</p><p>Após o estudo deste conteúdo, estamos em condições de afirmar que a atividade financeira estatal, isto é, o financiamento das atividades</p><p>constitucionais estatais dá-se, sobretudo, por meio da cobrança de tributos dos cidadãos e das pessoas jurídicas.</p><p>Assim, percorremos os principais conceitos, características, classificações, princípios e normativos regedores dos tributos, procurando diferenciar</p><p>as diferentes espécies de tributos: impostos, taxas, contribuições de melhoria, empréstimo compulsório e contribuições especiais.</p><p>Tributo: conceito e espécies</p><p>O professor Irapuã Beltrão discorre sobre o conceito de tributo, diferenciando as espécies tributárias existentes do direito brasileiro. Vamos</p><p>ouvir!</p><p>00:00 12:12</p><p>1x</p><p></p><p></p><p>Referências</p><p>BRASIL. Código Tributário Nacional. Brasília: Congresso Nacional, 1966. Consultado na internet em: 15 jul. 2021.</p><p>BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Congresso Nacional, 1988. Consultado na internet em: 15 jul. 2021.</p><p>BRASIL. Lei nº 4320. Brasília: Congresso Nacional, 1964. Consultado na internet em: 15 jul. 2021.</p><p>BRASIL. Supremo Tribunal Federal. STF. Habeas Corpus nº 94240/SP. Relator: Ministro Dias Toffoli, Pesquisa de Jurisprudência. Acórdão, de</p><p>23.8.2011. Consultado na internet em: 14 jun. 2021.</p><p>BRASIL. Supremo Tribunal Federal. STF. Súmula 545. DJ de 12.12.1969. Consultado na internet em: 14 jun. 2021.</p><p>BRASIL. Supremo Tribunal Federal. STF. Súmula 595. DJ de 5.1.1977. Consultado na internet em: 14 jun. 2021.</p><p>BRASIL. Supremo Tribunal Federal. STF. Súmula 665. DJ de 13.10.2003. Consultado na internet em: 14 jun. 2021.</p><p>BRASIL. Supremo Tribunal Federal. STF. Súmula 667. DJ de 13.10.2003. Consultado na internet em: 14 jun. 2021.</p><p>BRASIL. Supremo Tribunal Federal. STF. Súmula vinculante 19. DJe 10.11.2009. Consultado na internet em: 14 jun. 2021.</p><p>BRASIL. Supremo Tribunal Federal. STF. Súmula vinculante 29. DJe 17.2.2010. Consultado na internet em: 14 jun. 2021.</p><p>BRASIL. Supremo Tribunal Federal. STF. Súmula vinculante 41. DJe 20.3.2015. Consultado na internet em: 14 jun. 2020.</p><p>BRASIL. Supremo Tribunal Federal. STF. Súmula vinculante 50. DJe 23.6.2015. Consultado na internet em: 14 jun. 2020.</p><p>NOGUEIRA, R. B. Direito Financeiro – curso de Direito Tributário. 2. ed. rev. e atual. São Paulo: José Bushatsky, 1970.</p><p>SOUZA, R. G. Compêndio de Legislação Tributária. 4 ed. São Paulo: Resenha Tributária, 1982.</p><p>Explore +</p><p></p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html</p><p>24/06/2022 21:13 Fundamentos do Direito Tributário</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/02495/index.html# 44/44</p><p>Explore</p><p>Para continuar estudando sobre as formas de financiamento do Estado e o fenômeno tributário, recomendamos a leitura dos conceitos sobre as</p><p>receitas no próprio Portal da Transparência do Governo Federal intitulado Orçamento da receita.</p><p>Sobre a compreensão das receitas na atividade financeira, é interessante a leitura de Atividade financeira do estado e receitas públicas, por Edson</p><p>Garcia, em artigo publicado na Revista da Unaerp.</p><p>Para reforçar o aprendizado sobre o conceito e as espécies tributárias, recomendamos a leitura do artigo O Tributo e suas espécies, de Felipe</p><p>Tavares Miranda, no site Jus.com.br.</p><p> Baixar conteúdo</p><p></p><p>javascript:CriaPDF()</p>

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