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Prévia do material em texto

Introdução ao Direito Tributário
Prof. Irapuã Gonçalves de Lima Beltrão
Descrição
Apresentação das características fulcrais do Sistema Tributário
Nacional, dos Princípios Tributários, assim como a conceituação de
tributos e suas espécies tributárias.
Propósito
Compreender os conceitos básicos do Sistema Tributário Nacional a fim
de absorver os elementos introdutórios ao Direito Tributário.
Preparação
Antes de iniciar o conteúdo deste tema, tenha em mãos, ou acessível,
uma versão da Constituição Federal (especialmente os artigos 145 a
156) e o Código Tributário Nacional (CTN) – Lei nº 5.172, de 1966.
Objetivos
Módulo 1
Princípios do Direito Tributário
Reconhecer os princípios do Direito Tributário.
Módulo 2
Tributos em espécie
Identificar tributos em espécie.
Introdução
A partir da evolução de nossa história jurídico-tributária, a ordem
constitucional consagrou a sistematização da atividade tributária
nacional. O Sistema Tributário do Brasil, resultado de um conjunto
de princípios constitucionais (legalidade, anterioridade, igualdade
etc.), tem como finalidade manter a estrutura social e econômica
do país, de forma a distribuir as receitas obtidas por meio dos
tributos.
Houve ainda a necessidade de regulamentar o Sistema Tributário,
com a definição de alguns conceitos e o estabelecimento de
normas gerais, o que ocorreu com a aprovação da Lei nº 5.172,
de 25 de outubro de 1966, posteriormente denominada de Código
Tributário Nacional (CTN). Dessa combinação, temos as duas
partes fundamentais para a compreensão tributária: os princípios
constitucionais e as definições básicas do Código Tributário.
Neste material de estudo, identificaremos as características
centrais do Sistema Tributário Nacional, reconhecendo os
elementos estruturais do poder de tributar, com a percepção de
sua manifestação, limitação e repartição entre os entes
federativos. Além disso, identificaremos as bases da
sistematização havida, com as definições constitucionais e o
papel executado pelo CTN, inclusive na definição dos conceitos
básicos do tributo e de suas espécies.

1 - Princípios do Direito Tributário
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer os princípios do
Direito Tributário.
Premissa
Ao determinar a competência das unidades federativas e as
modalidades tributárias, a Constituição definiu o poder de tributar.
Entretanto, tal poder não é de natureza absoluta, tendo a própria Carta
Política estabelecido uma série de limites ao seu exercício.
Essas previsões compreendem o conjunto de princípios básicos de
funcionamento da tributação nacional. Tais limitações, que se aplicam
genericamente a todas as formas de incidência tributária, servem para
fixar os conceitos primários para a atuação fiscal e dão garantias
constitucionais ao contribuinte para que não haja a cobrança indevida
ou irrazoável de tributos por parte do Estado.
As limitações ao poder de tributar estão concentradas nos artigos 150 a
152 da Constituição Federal (CF), salientando, por oportuno, que tal
listagem não é ali fixada de modo exaustivo, mesmo porque o caput do
art. 150 indica a possibilidade de existência de outras garantias
asseguradas ao contribuinte. Tais limitações, apesar de estarem
previstas naquele trecho constitucional, poderão ainda ser
regulamentadas por lei complementar, como indica o art. 146, inciso II,
da CF.
Caput
Designa, na linguagem jurídica, a parte inicial ou o título de um artigo.
Princípios
Princípio da legalidade
Limitação mais tradicional do Estado de Direito, o princípio da legalidade
está fundamentado no caso tributário no art. 150, inciso I, da
Constituição Federal. Por ele, qualquer criação ou majoração dos
tributos deverá ser realizada por meio de lei em sentido formal, sendo a
matéria mais bem regulamentada pelo art. 97 do CTN.
Como regra, a instituição dos tributos será realizada por lei ordinária,
sendo, em alguns casos, exigida pela própria Constituição a edição de
lei complementar. Nesse sentido, podemos destacar que são
submetidos ao rigor do quórum de maioria absoluta:
Empréstimo compulsório, em
qualquer hipótese
Art. 148
Imposto sobre grandes fortunas
Art. 153, VII
Impostos e contribuições sociais
residuais
Art. 154, II
Some-se a isso a previsão constitucional (art. 150, § 6º) de que
quaisquer favores fiscais sob a forma de subsídio, isenção, redução da
base de cálculo, anistia, remissão ou concessão de crédito presumido
em relação a impostos, taxas e contribuições somente podem ser
concedidos por meio da lei específica federal, estadual ou municipal,
conforme a competência do tributo em questão.
Quanto à criação dos tributos a que se refere o inciso I, não cabe
qualquer exceção. Todos os tributos serão sempre instituídos por meio
de lei editada pela unidade federativa competente. No que diz respeito à
majoração ou modificação, alguns impostos (II, IE, IPI, IOF) têm
tratamento excepcional, sendo diferenciados pela própria Constituição
ao permitir que o Poder Executivo altere suas alíquotas por meio de
decreto ou outro ato normativo, com base no art. 153, § 1°, da
Constituição Federal.
Sem prejuízo dessas exceções, como a instituição dos tributos é dada
mediante lei, todas as modificações que venham a ser feitas na
estrutura deles também demandarão, igualmente, uma lei daquela
mesma unidade federativa competente.
II
Imposto sobre importação de produtos estrangeiros.
IE
Imposto sobre a exportação de produtos nacionais ou nacionalizados.
IPI
Imposto sobre produtos industrializados.
IOF
Imposto sobre operações financeiras.
Princípio da igualdade ou isonomia
Tal qual o princípio anterior, o princípio da igualdade ou isonomia
encontra seu fundamento no inciso II do art. 150 da Constituição
Federal, cuja ideia básica significa o tratamento similar de todos perante
a lei.
Assim, segundo a isonomia, tanto na condição genérica (art. 5º da CF)
como na condição específica na matéria tributária (art. 150, II), todos
deverão ser tratados igualmente perante a lei. Mas a própria redação do
art. 150 demonstra que tal igualdade não será absoluta, já que admite
tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação
não equivalente.
Princípio da capacidade
contributiva (art. 145, § 1°, da CF)
A previsão da capacidade contributiva é corolário natural dessa
admissão de tratamento diferenciado em razão dos contribuintes em
situação diversa. Para muitos, é um princípio muito importante no
Direito Tributário, visto tratar da capacidade econômica do contribuinte.
Corolário
Na linguagem jurídica, corolário designa a consequência ou dedução de
uma proposição, uma regra ou um princípio apresentado ou demonstrado.
Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão
graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte,
facultado à administração tributária, especialmente para conferir
efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos
individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as
atividades econômicas do contribuinte.
Os impostos, sempre que possível, deverão ter caráter pessoal,
acompanhando a capacidade econômica do contribuinte. Um exemplo é
o Imposto de Renda Pessoa Física. Objetivamente, a Constituição
apenas refere tais indicações para os impostos, mas isso não tem sido
compreendido como um afastamento para os demais tributos. Talvez
nos impostos seja mais fácil e corrente o emprego da capacidade
contributiva, mas os conteúdos do princípio também serão aplicados
nas outras formas ou espécies de tributos.
Princípio da irretroatividade
§ 1º do art. 145 da Constituição Federal 
Com base no art. 150, inciso III, alínea “a”, da CF, o sentido da
irretroatividade significa que não se pode exigir o tributo referente a
fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os tenha
definido ou majorado.
A lei sempre se aplicará a fatos ocorridos após iniciada
sua vigência, protegendo os fatos já ocorridos.De tudo, a própria redação constitucional reforça que o seu conteúdo
deve ponderar sobre a aplicação da lei no tempo e sempre exigindo
atenção sobre o próprio sentido da ocorrência dos fatos geradores em
cada caso.
Princípio da anterioridade do
exercício
Como regra geral, as entidades tributantes não podem exigir um tributo
no mesmo exercício financeiro em que tenha sido publicada a lei que o
criou ou o aumentou – art. 150, inciso III, alínea “b”, CF. Dessa forma,
quando publicada uma lei que cria ou majora determinado tributo
durante o exercício financeiro (ano civil), ele somente poderá ser exigido
a partir de 1° de janeiro do ano seguinte.
Apesar de compreendida como medida de proteção do contribuinte, é
de se observar que ficou vedada a aplicação no mesmo ano apenas das
normas instituidoras ou majoradoras de tributos e não para qualquer
outra, ainda que em prejuízo dos particulares. Por isso, podemos
destacar o seguinte entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal
Federal (STF):
Norma legal que altera o prazo do recolhimento da obrigação
tributária, não se sujeita ao princípio da anterioridade.
Por outro lado, assim como o princípio da legalidade, o princípio da
anterioridade tem exceções, segundo o § 1° do art. 150 da CF; são elas:
Súmula Vinculante 50 
Além dessas, as contribuições sociais para financiamento da
seguridade social possuem regras próprias, de acordo com o art. 195,
caput e § 6º da CF, sendo exceções diferenciadas das demais, pois não
se submetem ao princípio da anterioridade, podendo ser exigidas
noventa dias após a data da publicação da lei que as tenha instituído ou
majorado.
Princípio da noventena ou da
 Imposto sobre importação (II).
 Imposto sobre exportação (IE).
 Imposto sobre produtos industrializados (IPI).
 Imposto operações financeiras (IOF).
 Impostos extraordinários de guerra (IEG).
 Empréstimo compulsório, no caso de despesas
extraordinárias por calamidade pública ou guerra
externa.
anterioridade nonagesimal
Para reforçar a segurança dos contribuintes, a Emenda Constitucional nº
42, de 2003, incluiu nova alínea no art. 150, inciso III, passando a exigir
não apenas a atenção ao exercício financeiro, mas também instituindo
que não poderiam ser exigidos os tributos antes de decorridos noventa
dias da publicação da lei que os instituiu ou aumentou.
Na mesma forma da referência anterior, a exigência da noventena tem
algumas exceções, todas no § 1° do art. 150; são elas:
 Imposto sobre importação (II).
 Imposto sobre exportação (IE).
 Imposto sobre renda e proventos (IR).
 Imposto operações financeiras (IOF).
 Impostos extraordinários de guerra (IEG).
 Empréstimo compulsório, no caso de despesas
extraordinárias por calamidade pública ou guerra
externa.
Considerando a relevância das exceções atualmente previstas para a
anterioridade e a noventena, confira o quadro para melhor entendimento:
EXCEÇÕES – QUADRO RESUMO
ANTERIORIDADE NOVENTENA
Art. 148, I – empréstimo
compulsório para despesas
extraordinárias;
Art. 148, I – empréstimo
compulsório para despesas
extraordinárias;
Art. 153, I – imposto sobre
importação (II);
Art. 153, I – imposto sobre
importação (II);
Art. 153, II – imposto sobre
exportação (IE);
Art. 153, II – imposto sobre
exportação (IE);
Art. 153, IV – imposto sobre
produtos industrializados
(IPI);
Art. 153, III – imposto sobre
a renda (IR);
Art. 153, V – imposto sobre
operações financeiras (IOF);
Art. 153, V – imposto sobre
operações financeiras (IOF);
Art. 154, I – imposto
extraordinário de guerra
(IEG).
Art. 154, I – imposto
extraordinário de guerra
(IEG).
Fixação da base de cálculo
do:
Art. 155, III – imposto sobre
a propriedade de veículos
automotores (IPVA);
Art. 156, I – imposto sobre a
propriedade predial e
territorial urbana (IPTU).
 A fixação da base de cálculo do IPVA e do IPTU.
Tabela: Exceções da anterioridade e noventena.
Irapuã Gonçalves de Lima Beltrão.
Além dessas, a contribuição para a seguridade social está submetida a
regime jurídico próprio, ou seja, tão somente ao prazo do nonagintídio,
conforme art. 195, § 6º da CF.
Nonagintídio
Termo técnico que também designa anterioridade nonagesimal ou
noventena (prazo de 90 dias).
Princípio da vedação ao con�sco
O princípio da vedação ao confisco tem duas finalidades básicas:
Reforçar o caráter não sancionatório dos tributos.
Evitar que os tributos sejam demasiadamente previstos, evitando a
onerosidade não razoável, o excesso da tributação (art. 150, IV,
CF).
Princípio da liberdade de tráfego
Consagrando as ideias de liberdade de locomoção e unidade da
federação, o inciso V do art. 150 da Constituição Federal dispõe que é
vedado estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio
de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de
pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público.
Esse princípio tem como objetivo a liberdade de
trafegar, tanto pessoas como bens, impedindo que se
torne fato gerador e, assim, cobrando qualquer tipo de
tributo para o impedimento ou a inibição do tráfego.
Além dessas limitações que passaram a ser consideradas como os
princípios gerais da tributação, o texto constituído determinou ainda
algumas limitações direcionadas ora ao poder federal (art. 151), ora aos
estados, ao Distrito Federal e aos municípios.
Limitações ao poder de
tributar
Limitações especí�cas para a União
Algumas limitações tributárias foram intituídas de acordo com o art. 151
da CF:
Princípio da uniformidade geográfica (art. 151, inciso I, da CF),
exigindo que a União não crie tributos que não sejam uniformes
em todo o território nacional. Como óbvia exceção a tal
determinação, admite a concessão de incentivos fiscais
destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento
socioeconômico entre as diferentes regiões do país, como
ilustra a Zona Franca de Manaus.
Tratamento tributário mais oneroso para os estados, Distrito
Federal e municípios (art. 151, inciso II, da CF), proibindo que a
União estabeleça a tributação para as rendas das obrigações
da dívida pública e a remuneração dos agentes públicos dos
demais entes tributantes de níveis superiores aos que fixar
para si mesma e para seus agentes.
Proibição de invasão da competência para isentar (art. 151,
inciso III, da CF) – A União não pode conceder isenções dos
tributos de competência dos estados, do Distrito Federal e dos
municípios. Tal dispositivo mantém a coerência lógica das
competências para os tributos, só podendo legislar para
conceder isenção quem detém competência para a sua
respectiva instituição. Assim, a União só pode criar isenções
relativas a tributos de sua competência, não sendo permitida a
invasão sobre os tributos dos demais entes políticos.
A tributação sobre a renda das obrigações da dívida pública dos estados
e dos municípios, ou sobre a remuneração de seus agentes públicos,
poderá ser, no máximo, igual àquela que a União fixar para os seus
próprios. Tem relação com a ideia natural de igualdade, mas reflete
também preocupações federativas e resulta de histórico de tratamentos
realizados de forma distinta do esperado ao longo dos tempos.
Sobre a proibição de invasão, ela decorre de práticas anteriormente
autorizadas em que a União concedia isenção dos tributos de
competência das demais unidades federativas, sendo que isso era
expressamente previsto na Constituição anterior. Daí a afirmação do
texto de 1988 em acabar com a prática.
Limitações especí�cas para
estados, Distrito Federal e
municípios
Assim como a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios
também possuem limitações tributárias conforme pode ser visto a
seguir:
Nenhum estado, município ou o Distrito Federal pode estabelecer
distinção no tratamento dos tributos (ou alíquotas de patamares
diferentes) incidentes sobre bens ou serviços de qualquer
natureza, em função de sua origem ou de seu destino. Assim, o
ISS que um municípiocobra sobre o serviço prestado por um
contribuinte sediado em município diverso não pode ser
diferente do cobrado ao contribuinte de outros municípios.
Os princípios tributários na
prática
Neste vídeo, o especialista explicará e dará exemplos sobre os
princípios tributários.
Princípio da não diferenciação tributária (art. 152) 

Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
A Constituição Federal e o Código Tributário Nacional exigem que a
aplicação da legislação tributária siga alguns princípios,
principalmente para não haver cobranças abusivas, irregulares ou
injustas. O princípio da isonomia é um deles. Assinale a alternativa
que descreve mais adequadamente uma das considerações acerca
do princípio da isonomia:
Parabéns! A alternativa D está correta.
A
O tributo da União deve ser igual em todo o território
nacional.
B
Os tributos devem ser cobrados de acordo com a
capacidade de cada um.
C
A União, os estados e o Distrito Federal não podem
instituir impostos sobre patrimônio, renda ou
serviço uns dos outros.
D
A lei, em princípio, deve dar tratamento igualitário a
contribuintes que se encontram em situações
equivalentes.
E
As entidades tributantes não podem exigir um
tributo no mesmo exercício financeiro em que tenha
sido publica a lei que o criou ou o aumentou.
Ainda que decorrente da mesma matriz, o importante é não
confundir a isonomia com as exigências da uniformidade
geográfica. Mesmo que várias alternativas tenham assertivas
coerentes, a mais adequada ao texto constitucional é aquela que
orienta para uma regra geral da isonomia.
Questão 2
Considerando o princípio da noventena e suas exceções, na
hipótese de o Poder Executivo editar determinado decreto e publicá-
lo em 05 de setembro de 2011, visando majorar a alíquota do
imposto de importação de produtos estrangeiros incidente sobre
motocicletas, a nova alíquota passa a ser exigida:
Parabéns! A alternativa A está correta.
Sendo uma hipótese de imposto de importação, ele pode ser
modificado por decreto, não exigindo necessariamente lei por conta
da autorização dada pela Constituição. A CF/88, além de permitir a
modificação da alíquota desse imposto por ato do Poder Executivo,
admite que tal majoração pode ter efeito imediato já que está
A De imediato.
B
No exercício financeiro seguinte ao da data da
publicação do decreto.
C
A partir de 90 dias após a data da publicação do
decreto.
D
A partir de 90 dias após o exercício financeiro
seguinte ao da data da publicação do decreto.
E
A partir de 30 dias após a data da publicação do
decreto.
dispensada tanto da exigência do exercício financeiro como do
mínimo nonagesimal.
2 - Tributos em espécie
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car tributos em
espécie.
Tributo
Conceito e de�nição
Como mencionamos no módulo anterior, além dos princípios básicos da
tributação, o Código Tributário Nacional apresenta conceitos
fundamentais para a compreensão do funcionamento da atuação fiscal
do poder público.
Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou
cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de
ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade
administrativa plenamente vinculada.
Art. 3º do CTN 
Esse artigo 3º determina os aspectos básicos de todo e qualquer valor
exigido e, por isso, a partir de agora, estudaremos cada parte
componente.
Tributo é toda prestação pecuniária
compulsória
O tributo representará uma obrigação, com pagamento obrigatório em
dinheiro. Trata-se de um encargo financeiro de natureza pecuniária e
compulsória, isto é, o devedor deve cumpri-lo em dinheiro (pecúnia),
além de se tratar de prestação forçada (compulsória), nunca da vontade
de qualquer pessoa.
Ainda que socialmente tenhamos várias obrigações que decorrem da
vontade individual, os valores devidos ao poder público têm sua
compulsoriedade determinada da própria lei instituidora do tributo, que é
de natureza impositiva.
Resulta daí que não se deve considerar como tributo as prestações que
muitas vezes são devidas ao Estado, mas que ou não são entregues em
dinheiro ou não são compulsórias.
Exemplo
O serviço militar (por ser prestação em forma de serviço, ainda que
compulsória) ou, pelo mesmo motivo, as requisições (quando o Poder
Público determina que o particular lhe entregue certos bens).
Em moeda ou cujo valor nela se
possa exprimir
Em dinheiro, ou valor de moeda que se possa exprimir. Claro que toda
obrigação tributária deve ser primeiramente pensada para o seu
cumprimento em dinheiro, mas nada impede que se possa admitir
outras formas de cumprimento, especialmente a partir dos próprios
mecanismos definidos no CTN.
Sempre se discutiu sobre a possibilidade de satisfação do dever
tributário com a entrega de bens, mas somente a partir da Lei
Complementar nº 104/01, que acrescentou o inciso XI ao art. 156 do
Código Tributário Nacional, passou-se a admitir a dação (a entrega do
imóvel como meio de pagamento) em pagamento em bens imóveis, na
forma e nas condições estabelecidas em lei.
Destaca-se da própria disposição incluída no CTN: será
sempre (e tão somente) em bens imóveis. E, mesmo
assim, cada unidade federativa ainda deve fazer uma
lei para estabelecer as condições e os critérios para
tanto.
A Lei nº 13.259/2016 estabeleceu as condições para extinção do crédito
tributário inscrito em dívida ativa da União mediante dação em
pagamento de bens imóveis.
O tributo representará um dever assumido pelo particular que jamais
constitui sanção de ato ilícito (contrário à lei). O ato ilícito é sancionável
por algumas formas (art. 5º, inciso XLVI, da CF), ali prevista a
possibilidade de pena pecuniária (multa). A sanção – advinda ou não de
situações criminais – expressa em multa não é tributo, assim como não
o são as sanções administrativas e civis, quando o particular é
condenado a entregar dinheiro ao Estado.
Fato gerador do
tributo
Enseja prestação
pecuniária - tributo
Ato ilícito
Enseja prestação
pecuniária - multa
Nesse sentido, conclui-se que não se pode dar ao tributo qualquer
sentido punitivo, o que não quer dizer que os atos ilícitos não possam
ensejar resultados tributáveis.
Exemplo
Se uma pessoa comete conduta tratada como crime ou contravenção
penal, sofrerá a condenação criminal pelo exercício ilegal. Por outro
lado, se a referida pessoa obteve renda com aquela ilegalidade, essa
renda é tributável pelo imposto de renda. Não se confunde o ato
criminoso com os resultados – percepção dos rendimentos – daquele
ato.
O próprio Código Tributário Nacional expressa que a interpretação do
fato gerador (art. 118, CTN) será dada abstraindo a validade dos atos
praticados. É a consagração do princípio do pecunia non olet (expressão

em latim que significa “dinheiro não tem cheiro”). Essa máxima tributária
afirma que, uma vez ocorrendo o fato gerador, ainda que tenham
ocorrido fatos ilícitos antes, o tributo será devido. É o caso de alguém
que pratica atividade ilícita e, a partir dela, venha a auferir renda. Nesse
caso, o imposto de renda será devido.
Para ilustrar, veja um caso que chegou ao Supremo Tribunal Federal que
assim concluiu a sua análise:
Jogo do Bicho. Possibilidade jurídica de tributação sobre valores
oriundos de prática ou atividade ilícita. Princípio do Direito
Tributário do non olet. Precedente. Ordem parcialmente
conhecida e denegada.
1. A pretendida desclassificação do tipo previsto no art. 1º,
inciso I, para art. 2º, inciso I, da Lei nº 8.137/90 não foi
analisada pelo Superior Tribunal de Justiça. Com efeito,
sua análise neste ensejo configuraria, na linha de
precedentes, verdadeira supressão de instância, o que não
se admite.
2. A jurisprudência da Corte, à luz do art. 118 do Código
Tributário Nacional, assentou entendimento de ser possível
a tributação de renda obtida em razão de atividade ilícita,
visto que a definição legal do fato gerador é interpretada
comabstração da validade jurídica do ato efetivamente
praticado, bem como da natureza do seu objeto ou dos
seus efeitos. Princípio do non olet. Vide o HC nº 77.530/RS,
Primeira Turma, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, DJ
de 18/9/98.
3. Ordem parcialmente conhecida e denegada.
Instituído em lei
O tributo só pode ser instituído mediante lei expressa; nenhum tributo
poderá ser criado por circulares, portarias, decretos etc. Trata-se de
exigência decorrente do Estado de Direito e fundamental para a
segurança jurídica dos contribuintes.
Evidentemente, não é o CTN que afirma o tipo de lei necessária. Isso
ficará a cargo da Constituição, que indicará, nos casos em que entender,
a necessidade eventual de lei complementar. Caso contrário, será
mantido o padrão da lei ordinária. Por outro lado, nos limites
Exemplo 
estabelecidos pelo art. 62 da Constituição, admite-se a utilização das
medidas provisórias para instituição (ou majoração) de impostos que
naturalmente não sejam reservadas à lei complementar.
Além disso, instituir significa dizer que o legislador deverá trazer a
previsão dos elementos mínimos caracterizadores do tributo, ou seja:
Medidas provisórias
A medida provisória (MP) se constitui em instrumento com força de lei,
adotado pelo presidente da República para situações de relevância e
urgência. Seus efeitos são imediatos, mas a MP precisa ser aprovada no
Congresso Nacional para se tornar definitivamente lei.
Naturalmente, a norma instituidora possui capacidade de
estabelecimento de outros elementos, sejam decorrentes desses
aspectos essenciais do tributo ou periféricos. Contudo, ainda que não
exista a previsão de outros dados, tais elementos são indispensáveis
para a existência válida da tributação.
Cobrado mediante atividade
administrativa plenamente
vinculada
O fato gerador
A base de cálculo
A alíquota
O sujeito passivo
Além de se preocupar com a fase legislativa do tributo, a definição do
CTN ainda traz o tratamento da cobrança administrativa. Para esta,
afirma que será sempre cobrada por meio de uma atividade da
administração pública. E os agentes públicos atuarão sem qualquer
exercício de conveniência ou oportunidade nessa cobrança. Toda
atividade do Estado em relação a tributo estará disciplinada na lei
tributária, sem qualquer discricionariedade do agente fiscal responsável
pela arrecadação.
Espécies de tributos
A primeira referência às espécies de tributos reporta ao art. 5º do CTN,
que prevê que os tributos seriam:
impostos;
taxas;
contribuições de melhorias.
Apesar de apenas essas três espécies estarem previstas no art. 5º, a
Constituição Federal, além de manter a existência dessas formas
clássicas no art. 145, considera também tributos:
empréstimos compulsórios;
contribuições especiais ou parafiscais.
Os dois últimos se encaixam perfeitamente na definição de tributo e
tiveram sua natureza tributária reconhecida pelo Supremo Tribunal
Federal.
Comentário
Para completo conhecimento das espécies, é fundamental a análise de
cada uma dessas modalidades.
Impostos
Conceitualmente, os impostos são tributos não vinculados a qualquer
atividade específica do Estado que justifique o pagamento. Ou como
afirma o próprio Código, o imposto é o tributo cuja obrigação tem como
fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal
específica relativa ao contribuinte (art. 16).
De acordo com a Constituição Federal, os impostos são de competência
privativa de cada ente tributante, tudo na forma dos arts. 153 a 156,
separando os federais, os estaduais e do Distrito Federal e os
municipais, a saber:
• Imposto de importação (II).
• Imposto de exportação (IE).
• Imposto sobre a renda e os proventos de qualquer natureza
(IR).
• Imposto sobre produtos industrializados (IPI).
• Imposto sobre operações de crédito, câmbio, seguro e títulos e
valores mobiliários (IOF).
• Imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR).
• Imposto sobre grandes fortunas (IGF)*.
* Desses, o único ainda não legislado é o imposto sobre grandes
fortunas, sendo que os demais já foram objeto de atividade
legislativa e são efetivamente exigidos pela secretaria da Receita
Federal.
• Imposto sobre a transmissão causa mortis e doação (ITCMD).
• Imposto sobre a circulação de mercadorias e prestação de
serviços de transporte interestadual ou intermunicipal e de
comunicações (ICMS).
• Imposto sobre a propriedade de veículos automotores (IPVA).
• Imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana (IPTU).
• Imposto sobre a transmissão, inter vivos, de bens imóveis
Impostos da União Art. 153 CF 
Impostos dos estados Art. 155 CF 
Impostos dos municípios Art. 156 CF 
(ITBI).
• Imposto sobre serviços de qualquer natureza (ISS ou ISSQN).
Além desses, a Constituição ainda autoriza que a União institua novos
impostos, desde que por lei complementar, ou mesmo extraordinários
no caso de guerra externa ou na sua iminência (art. 154 CF).
Orienta a Constituição (art. 145, §1°) que, sempre que possível, os
impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a
capacidade econômica do contribuinte, facultando à administração
tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos,
identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o
patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte.
Dessa forma, o § 1° determina que os impostos, sempre que possível,
observarão a pessoalidade e serão calculados de acordo com a
capacidade contributiva.
Taxas
As taxas são tributos vinculados a uma atividade específica do Estado,
que visa à vantagem direta a quem paga, podendo ser a prestação de
serviços públicos, específicos e divisíveis, ou o exercício do poder de
polícia. Como qualquer entidade federativa pode executar tais
atividades, a União, os estados, o DF e os municípios podem instituir
esses tributos por serem de competência comum.
A definição do CTN (art. 77) é praticamente repetida pela Constituição
(art. 145, inciso II). A partir daqueles dispositivos, podemos dividir as
taxas de acordo com os seus dois fatos geradores admitidos.
Taxa de polícia
Tem como fato gerador o exercício regular do poder de polícia, que é
uma das maiores manifestações do poder de império realizado pelo
Estado, conceituado no art. 78 do CTN.
Atenção!
Deve-se observar que esse poder de polícia de que trata o art. 78 não diz
respeito ao poder da polícia, aí entendido como órgão de segurança
pública. Poder de polícia é aquele que o Estado tem para disciplinar ou
limitar a liberdade ou os direitos dos particulares, visando ao interesse
público, como, por exemplo, normas de construção em relação ao direito
de propriedade, entre outros. Sem prejuízo da diversidade entre as
unidades federativas, temos como exemplos comuns as taxas de
fiscalização: taxa de alvará, taxa de inspeção e taxa sanitária.
Taxas de serviços
São as taxas cobradas pelos serviços públicos já existentes e que
estejam em funcionamento, tendo como fato gerador a utilização efetiva
ou potencial de determinados serviços públicos, específicos, divisíveis,
prestados efetivamente ao contribuinte, ou ao menos aqueles que
estejam à disposição e sejam passíveis de utilização efetiva ou
potencial.
Serviços especí�cos
São serviços públicos estruturados em unidades autônomas de
intervenção.
Serviços divisíveis
São serviços que podem ser utilizados individualmente, em separado,
por cada um dos usuários.
Tais definições são reforçadas pelos conceitos dispostos no art. 79 do
CTN.
Por outro lado, basta o usuário estar com o serviço à sua disposição
para existir a justificativa da cobrança da taxa, independentemente de o
serviço estar sendo utilizado efetivamente ou em potencial. Isso porque,
para serem remunerados por taxas, os serviços púbicos devem estar
fixados sem alternativas de outras utilizações. Se não houver essa
compulsoriedade, os serviços serão remunerados por preços públicos
(receita não tributária).Taxa
• Regime jurídico tributário.
• Sujeita aos princípios tributários.
• Decorre de lei.
• Receita derivada.
• Pode ser cobrada por utilização de serviço disponível.
• Indisponível.
• Sujeito ativo é sempre pessoa jurídica de direito público.
Preço público
• Regime jurídico contratual.
• Sem aplicação das normas tributárias.
• Autonomia das vontades.
• Receita originária.
• Não pode ser cobrado por utilização de serviço disponível.
• Passível de rescisão.
• Sujeito ativo pode ser pessoa de direito privado (ex.:
concessionária).
Essas distinções foram feitas pela interpretação do Supremo Tribunal
Federal que chegou, ainda antes da promulgação da atual Constituição,
a editar a seguinte súmula:
Preços de serviços públicos e taxas não se confundem, porque
taxas são compulsórias e têm sua cobrança condicionada à
prévia autorização orçamentária, em relação à lei que institui.
Ainda para nortear a cobrança da taxa, o art. 145, § 2º, da CF determina
que as taxas não poderão ter base de cálculo própria de impostos,
reproduzindo o conceito já anteriormente previsto no parágrafo único do
art. 77 codificado.
Sobre as taxas, podemos destacar os seguintes entendimentos já
firmados pelo Supremo Tribunal Federal (STF):
É inconstitucional a taxa municipal de conservação de estradas
de rodagem, cuja base de cálculo seja idêntica à do Imposto
Territorial Rural.
Súmula 545 (1969) 
Súmula 595 
É constitucional a Taxa de Fiscalização do Mercado de Títulos e
Valores Mobiliários instituída pela Lei nº 7.940/89.
Viola a garantia constitucional de acesso à jurisdição a taxa
judiciária calculada sem limite sobre o valor da causa.
A taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços públicos
de coleta, remoção e tratamento ou destinação de lixo ou
resíduos provenientes de imóveis não viola o artigo 145, II, da
Constituição Federal.
É constitucional a adoção, no cálculo do valor de taxa, de um ou
mais elementos da base de cálculo própria de determinado
imposto, desde que não haja integral identidade entre uma base
e outra.
O serviço de iluminação pública não pode ser remunerado por
taxa.
Contribuições de melhorias
A contribuição de melhoria é tributo vinculado, de competência comum,
ou seja, a União, os estados, o DF e os municípios podem instituí-la,
Súmula 665 
Súmula 667 
Súmula Vinculante 19 
Súmula Vinculante 29 
Súmula Vinculante 41 
conforme previsão do art. 145, inciso III, da CF, a partir da realização de
obras públicas.
Assim, as contribuições de melhorias decorrem de obras públicas, na
medida em que estas gerarem valorização na propriedade imobiliária de
outros, sendo esse fato gerador estabelecido no art. 81 do CTN.
Além de determinar o fato gerador, o Código prevê ainda os limites da
cobrança. O art. 81 do CTN determina a existência dos limites global e
individual, segundo os quais não pode o poder público cobrar além do
ressarcimento do gasto da obra pública e, no que é pertinente ao limite
individual, deve respeitar a valorização ou o benefício decorrente de
obras públicas.
Atenção!
Vale lembrar que não é toda obra pública que pode ter a cobrança da
contribuição de melhoria autorizada. É preciso que fique caracterizada a
valorização do imóvel do contribuinte em função dessa obra. O art. 82
do Código Tributário Nacional traz ainda algumas exigências para que o
legislador possa exercer tal competência tributária.
Empréstimo compulsório
Os empréstimos compulsórios têm como característica principal a
promessa de restituição dos valores pagos, já que devem ser devolvidos
em determinado período.
Na forma da atual redação do art. 148 CF, compete
exclusivamente à União a criação dos empréstimos
compulsórios, mediante lei complementar, e devem
obedecer ao regime jurídico-tributário, com exceção do
princípio da anterioridade e da noventena, no caso de
calamidade pública, guerra externa ou sua iminência.
Então, para esses casos, eles podem ser cobrados no mesmo exercício
em que foram instituídos, ou seja, no mesmo ano da publicação da lei,
diferentemente da maioria dos impostos, que só podem ser cobrados no
1º dia do ano subsequente àquele em que foram instituídos. A cobrança,
no caso, poderia ser imediata, justificando-se tal situação pelos motivos
excepcionais de sua criação.
Sendo reservado para a lei complementar, é impossível que o presidente
da República legisle sobre a matéria por meio da edição de uma medida
provisória, o que pode ser conferido no art. 62, §1º, da CF.
Diante das disposições constitucionais e do conceito geral do
empréstimo compulsório, podemos identificar as seguintes
características que diferenciam esse tributo dos demais:
São restituíveis.
A aplicação dos recursos arrecadados está vinculada à despesa
extraordinária que fundamentou sua instituição (art. 148, parágrafo
único, CF).
A União não poderá utilizar a receita arrecadada pelos empréstimos
compulsórios para outros fins diferentes daqueles para que foram
instituídos.
A lei complementar que instituiu o empréstimo compulsório deverá
prever a devolução total da importância arrecadada, respeitando
ainda o art. 15, parágrafo único, do CTN.
As determinações do art.148 da CF restaram recepcionando, em parte
apenas, o art. 15 do CTN, no que se excepciona o inciso III. Na forma da
Constituição temos, portanto, que a criação do empréstimo compulsório
somente pode ocorrer:
Para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de
calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência. Despesas
extraordinárias são aquelas imprevisíveis e urgentes que, por sua
imprevisibilidade, não estão contempladas no orçamento anual da
União e, por sua urgência, requerem atendimento imediato.
No caso de investimento público de caráter urgente e de relevante
interesse nacional.
Atenção!
É importante repetir que a criação de empréstimos compulsórios
somente pode ser feita por lei complementar (art. 148 da Constituição
Federal). É preciso ainda registrar que o princípio da anterioridade e da
noventena (art. 150, inciso III, alíneas “b” e “c”, da Constituição Federal)
aplica-se apenas aos empréstimos compulsórios instituídos em caso de
investimento público de caráter urgente e de relevante interesse
nacional.
Contribuições especiais
A doutrina tradicional já identificava que as contribuições parafiscais
corresponderiam ao emprego das finanças públicas com objetivos que
não visavam principalmente à obtenção de receitas, mas, sim, a regular
ou a modificar a distribuição da riqueza nacional, a equilibrar os níveis
de preços de utilidades ou de salários, bem como outras finalidades
econômicas ou sociais semelhantes.
Atualmente, tais contribuições estão amparadas no art. 149 da CF e, em
regra, são instituídas por lei ordinária de competência da União e estão
classificadas em:
Contribuições sociais
São contribuições cobradas para o financiamento de áreas de interesse
social ou para custeio da seguridade social. Além da previsão do art.
149, trata também das contribuições para a seguridade social o art. 195
da Constituição Federal, dispondo sobre as seguintes incidências:
Do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na
forma da lei, incidentes sobre:
a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou
creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço,
mesmo sem vínculo empregatício;
 Contribuições sociais.
 Contribuições de intervenção no
domínio econômico.
 Contribuições de interesse das
categorias pro�ssionais ou
econômicas.
a receita ou o faturamento;
o lucro.
Do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não
incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas
pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201.
Sobre a receita de concursos de prognósticos.
Do importador de bens ou serviços do exterior ou de quem a lei a
ele equiparar.
Com base nessa previsão, foram instituídas as seguintes contribuições:
 Sobre a folhade pagamento.
 Do seguro de acidente do
trabalho.
 Do PIS/PASEP, recaindo sobre o
faturamento ou a receita bruta.
 Do Co�ns, recaindo sobre o
faturamento ou a receita bruta.
 Contribuição social sobre o lucro
líquido.
As contribuições sociais previstas no art. 195 da Constituição Federal
podem ser exigidas após noventa dias da data da publicação da lei que
as houver instituído ou modificado (art. 195, § 6°), não se sujeitando,
portanto, ao princípio da anterioridade (art. 150, III, “b”, da Constituição
Federal). Por outro lado, a lei que institui contribuição social baseada no
§ 4° do art. 195 da Constituição Federal (outras fontes) tem que ser de
natureza complementar.
Sobre essas contribuições, que fazem parte do Regime Geral da
Previdência Social, existe também o regime de previdência típico dos
servidores, sendo que cada unidade federativa deverá manter tal
sistema. Para tanto, o art. 149, §1º da CF determinou que, além da
União, os estados, o Distrito Federal e os municípios instituam
contribuição sobre os servidores – unicamente para os fins
previdenciários – não podendo utilizar alíquota menor do que a prevista
na norma federal.
Contribuições de intervenção no
domínio econômico (CIDE)
Em algumas situações, o poder público utiliza o tributo para intervir no
domínio econômico com o objetivo de controlar a produção de certos
bens ou para financiar determinados setores econômicos por meio de
recursos de outros domínios.
 Dos empregados e trabalhadores.
 Sobre a receita de prognósticos,
aí entendidos os jogos e as
loterias em geral.
 Sobre a importação.
De todas essas contribuições, a mais destacada é a
CIDE-combustíveis, atualmente tratada no art. 177, §
4º, da CF, com a redação dada pela Emenda
Constitucional nº 33, de 2001. Ela possui a clara
demonstração do seu campo de incidência e da
destinação dos recursos obtidos, além de algumas
regras específicas ali contidas.
Contribuições de interesse das
categorias pro�ssionais ou
econômicas
São as contribuições compulsórias instituídas pela União e destinadas a
sindicatos, conselhos ou organizações, tendo atualmente como grande
exemplo as contribuições das anuidades para financiamento dos
conselhos profissionais.
Importante observar que a atual redação do art. 149 ainda atribui
algumas características para as contribuições sociais e para a CIDE,
tudo na forma do §2º, a saber:
Não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação.
Incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou
serviços.
Poderão ter alíquotas, ad valorem (na forma de percentuais), tendo
por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no
caso de importação, o valor aduaneiro; ou específica, tendo por
base a unidade de medida adotada.
Além dessas contribuições, a Emenda Constitucional nº 39, de 2002,
introduz o art. 149-A com a previsão de contribuição de iluminação
pública (COSIP), de natureza distinta das demais e com características
diferentes dos demais tributos, de competência dos municípios e do
Distrito Federal, sendo ali facultada a cobrança nas contas de consumo
de energia elétrica.
A partir disso tudo, podemos entender que as contribuições especiais
são assim divididas:
Art. 149 União
Sociais
Sociais gerais
Seguridade social - Art. 195
Interventivas ou CIDE
Profissionais ou corporativas
Art. 149-A Municípios/DF
COSIP (contribuição sobre iluminação pública)
As espécies tributárias
Neste vídeo, o especialista explicará como as espécies tributárias são
classificadas no contexto da teoria pentapartida.
Classi�cação dos tributos
Os tributos podem ser classificados das seguintes formas:
Na estrutura original do Código Tributário Nacional, os tributos
estão distribuídos em duas categorias:
• Tributos vinculados: têm por fato gerador uma ação estatal
voltada diretamente para a prestação de uma atividade
específica ao contribuinte.
A exigência desses tributos encontra sua justificativa na
existência de uma atuação do Estado diretamente dirigida a
beneficiar o particular. Nesse contexto, são tributos vinculados
as taxas e as contribuições de melhoria. Se de um serviço
público, como o da coleta de lixo, ou de uma obra pública, como

Tributos vinculados e não vinculados 
o asfaltamento de uma rua, resulta uma vantagem direta ou um
benefício para o particular, o Estado pode dele cobrar,
respectivamente, uma taxa ou uma contribuição de melhoria.
• Tributos não vinculados: têm por fato gerador uma situação
independente de qualquer atividade estatal específica relativa ao
contribuinte. Ou seja, o Estado cobra tais tributos em razão de
seu poder de império e porque precisa de recursos para
satisfazer os interesses gerais da sociedade. Os tributos não
vinculados são os impostos especificados no texto
constitucional.
A razão original dos tributos sempre foi associada à obtenção de
recursos financeiros para o Estado. No entanto, esse não é mais
o seu único objetivo. Mais recentemente, o tributo passou a ser
utilizado como fonte de recursos destinados ao custeio de
atividades que, em princípio, não são próprias do Estado, mas
que ele as desenvolve por intermédio de entidades específicas,
como, por exemplo, a Previdência Social. Assim, quanto ao seu
objetivo, o tributo é puramente fiscal, extrafiscal e parafiscal.
• Fiscais: são os tributos que visam basicamente ao objetivo de
obter recursos para os cofres públicos. Sua instituição tem como
fundamental finalidade satisfazer a essa necessidade, seja para
remunerar-se pela prestação de um serviço – como no caso das
taxas e das contribuições de melhoria –, seja para atender à
manutenção do Estado em geral. São normalmente desse tipo os
impostos sobre o patrimônio e a renda.
• Extrafiscais: são os tributos cuja finalidade ultrapassa aquela
simples necessidade de arrecadação. Sua criação visa também,
entre outros, a disciplinar o mercado, a corrigir distorções sociais
ou econômicas e a alcançar certos objetivos econômicos. Os
impostos extrafiscais por excelência são os do comércio exterior
e o de operações financeiras.
• Parafiscais: contribuições destinadas a sustentar encargos
paralelos da administração pública direta, resultantes da
intervenção da União no domínio econômico, no interesse social
ou de categorias profissionais. Os grandes exemplos são as
contribuições para a seguridade social, a sindical, Sesc, Sesi,
entre outras.
Fiscalidade, extrafiscalidade e parafiscalidade 
Além desses critérios, é possível classificar os tributos de acordo
com a competência das unidades federais, sendo natural a
distinção entre os tributos de competência:
• federal;
• dos estados membros;
• do Distrito Federal; e
• municipal.
Separados por competência 
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Assinale a alternativa em que é possível identificar corretamente
tributos vinculados:
Parabéns! A alternativa B está correta.
O importante é distinguir os impostos dos demais, sobretudo
porque os impostos independem de qualquer atividade estatal, por
isso chamados de tributos não vinculados.
A A taxa, o imposto e a contribuição de melhoria.
B A taxa e a contribuição de melhoria.
C A taxa e os impostos diretos.
D A contribuição de melhoria e os impostos indiretos.
E Impostos diretos e indiretos.
Questão 2
Marque a alternativa que se inclui entre as características do tributo
contribuição de melhoria:
Parabéns! A alternativa E está correta.
O CTN, em seu art. 81, determina que as contribuições de melhorias
decorrerão de obras públicas, tendo como fato gerador a
valorização do imóvel em razão da obra pública.
Considerações �nais
Naturalmente, a partir das previsões iniciais e regulamentações do
Código Tributário, o mundo fiscal ganhará vida com a edição das
normas de cada tributo por meio das entidades federativas
competentes. Algumas espécies ganharão mais relevo ou não na prática
A Não ser vinculado a uma atividadeestatal.
B
Ter por fato gerador o exercício regular do poder de
polícia.
C
Ser instituído para fazer frente à obra pública a ser
iniciada após sua arrecadação.
D
Ter por base de cálculo o valor a ser utilizado na
obra pública.
E
É preciso que fique caracterizada a valorização do
imóvel do contribuinte em função da obra pública.
nacional, dependendo muito dos montantes de arrecadação efetiva na
sociedade e seus efeitos na vida dos contribuintes.
Sem prejuízo disso, todas as espécies tributárias possuem como raiz
fundamental esses conceitos extraídos do Código Tributário Nacional, o
que revela a importância das definições observadas, apesar da já
avançada data de sua promulgação.
Além de tais conceitos estabelecidos desde a promulgação do Código
Tributário, a experiência histórica nacional elevou ao plano
constitucional os princípios básicos para a atividade tributária, de forma
a definir limites ao exercício do poder pelas unidades federativas,
criando assim um colchão de proteção mínima dos contribuintes.
A combinação desses elementos mostra-se fundamental para a
compreensão da atividade tributária e consistiu em nosso objeto de
apresentação neste estudo.
Podcast
Para encerrar, ouça o especialista explicar sobre o tributo dentro do
Estado Democrático de Direito.

Explore +
Para continuar estudando sobre a importância dos princípios tributários,
leia o artigo Limitações ao poder de tributar à luz dos princípios
constitucionais tributários, de Joyce Barros.
Sobre as espécies tributárias e suas classificações, é interessante a
leitura de Os tributos no Direito Brasileiro: Classificação e Funções, de
Andressa Gomes.
Referências
BRASIL. Casa Civil. Código Tributário Nacional. Brasília: Congresso
Nacional, 1966.
BRASIL. Casa Civil. Constituição da República Federativa do Brasil.
Brasília: Congresso Nacional, 1988.
BRASIL. Casa Civil. Lei complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001.
Brasília, 2001
BRASIL. Supremo Tribunal Federal (STF). Habeas Corpus nº 94240/SP –
São Paulo, Relator: Ministro Dias Toffoli, Pesquisa de Jurisprudência.
Acórdão de 23 ago. 2011.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal (STF). Súmula 545. DJ de 12 dez.
1969.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal (STF). Súmula 595. DJ de 5 jan. 1977.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal (STF). Súmula 665. DJ de 13 out.
2003.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal (STF). Súmula 667. DJ de 13 out.
2003.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal (STF). Súmula vinculante 19. DJ de
10 nov. 2009.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal (STF). Súmula vinculante 29. DJ de
17 fev. 2010.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal (STF). Súmula vinculante 41. DJ de
20 mar. 2015.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal (STF). Súmula vinculante 50. DJ de
23 jun. 2015.
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