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<p>1</p><p>X</p><p>SEMANA</p><p>DE</p><p>FONOAUDIOLOGIA</p><p>SEMAFON</p><p>-‐</p><p>UNICAMP</p><p>CEPRE</p><p>/</p><p>FCM</p><p>/</p><p>IEL</p><p>Entrevista sobre Gagueira com Silvia Friedman em 10/09/2012</p><p>GAGUEIRA</p><p>DEFINIÇÃO, CAUSA, MODO DE FUNCIONAMENTO E TRATAMENTO</p><p>DEFINIÇÃO E CAUSA DA GAGUEIRA</p><p>Como definir gagueira?; Qual a causa da gagueira?; Há componente</p><p>hereditário na gagueira?; Qual a influência que um filho de 3 ou 4 anos</p><p>(gagueira fisiológica) tem de um pai que é gago?; Uma pessoa pode tornar-</p><p>se gaga por conviver com outra que gagueja?</p><p>Definição</p><p>Para dar sentido a uma definição de gagueira toma-se,</p><p>primeiramente, uma posição em relação ao objeto da Fonoaudiologia e</p><p>considera-se que esse objeto é a linguagem/comunicação e seus</p><p>problemas; a linguagem/comunicação em sofrimento. Isto é importante</p><p>porque indica em que campo do saber se devem buscar os sinais</p><p>(semiologia) da gagueira, para compreender a sua causa (etiologia) e deles</p><p>derivar um tratamento afeito ao campo fonoaudiológico. À primeira vista</p><p>isto pode parecer bastante óbvio, mas, em se tratando de gagueira, não o</p><p>é, visto que a maior parte da literatura científica sobre o tema trata de sua</p><p>etiologia exclusivamente na perspectiva do funcionamento orgânico o qual</p><p>pertence ao território da medicina. Então, a questão é: como derivar de</p><p>2</p><p>uma etiologia afeita ao campo médico uma terapêutica para o campo</p><p>fonoaudiológico?</p><p>Concorda-se1 que toda clínica, para ser constituída, precisa ter e</p><p>manter homogeneidade e covariância entre seus 4 elementos: semiologia,</p><p>etiologia, diagnóstica e terapêutica. Assim, o conhecimento sobre gagueira</p><p>que sustenta o que se explicita a seguir, norteia-se por esse ponto de vista:</p><p>Gagueira é o efeito, na forma de falar, de um funcionamento</p><p>subjetivo-discursivo inadequado, construído no processo de</p><p>constituição do sujeito.</p><p>Essa inadequação, do ponto de vista discursivo, é um desequilíbrio</p><p>entre a forma (língua) e o sentido (fala) na produção do discurso. A posição</p><p>de equilíbrio, aquela que garante a fluência, se dá quando o falante desliza</p><p>pelo sentido esquecido da forma. Na gagueira, o falante em vez de</p><p>permanecer no sentido do discurso, vai para a sua forma, porque prevê o</p><p>lugar da gagueira na cadeia dos significantes, a fim de tentar evitá-la e,</p><p>nessa condição, perde a posição fluente 2,3.</p><p>Tal condição discursiva se sustenta e se faz presente porque, na</p><p>subjetividade, o falante ocupa uma posição estigmatizada construída na</p><p>infância, a partir de relações de comunicação com pessoas que lhe eram</p><p>significativas e que definiram sua fala como gaga. Como ser gaguejante é</p><p>uma condição estigmatizada socialmente, o falante assim enquadrado</p><p>deseja não mostrar essa forma de falar aos demais. Para esconder, conter</p><p>ou prevenir o aparecimento da gagueira na cadeia dos significantes, ele vai</p><p>para a forma, ou seja, para a materialidade da língua, para os sons, para</p><p>as palavras, por serem esses os lugares onde a gagueira se manifesta.</p><p>Dessa maneira, se produz um desequilíbrio entre língua e fala, que permite</p><p>explicitar, do ponto de vista lingüístico-discursivo, o fenômeno de</p><p>antecipação da gagueira reconhecido na literatura científica sobre o tema.</p><p>Esse funcionamento subjetivo-discursivo retrata a situação</p><p>paradoxal de fala que, em trabalhos anteriores, afirmou-se sustentar a</p><p>gagueira 4,5,6. O paradoxo decorre do fato de o falante não se permitir</p><p>continuar falando como falava, nem saber de que outra forma falar, dado o</p><p>fato de que sabemos falar, mas não sabemos como o fazemos, ou seja, a</p><p>produção da fala se dá de modo automatizado e espontâneo. Isso conduz</p><p>3</p><p>o falante a uma solução pouco eficaz, a de antecipar o lugar da gagueira.</p><p>Pouco eficaz, porque produz o mencionado desequilíbrio que, em vez de</p><p>livrá-lo da gagueira como ele desejaria, só faz reproduzi-la. Fica assim</p><p>preso no paradoxo: nem pode falar como falava, nem consegue encontrar</p><p>uma forma eficaz para falar fluentemente.</p><p>Tudo isso dá sentido à conhecida afirmação de que gagueira é tudo</p><p>que a pessoa faz para tentar não gaguejar. Sustenta também a</p><p>compreensão de que gagueira é a perda da espontaneidade para falar.</p><p>É interessante observar o quanto o exposto funcionamento</p><p>subjetivo-discursivo inadequado de fala é coerente com uma definição</p><p>orgânica da gagueira proposta7: “uma dificuldade na temporalização</p><p>entre as velocidades de seleção e ativação fonológica”. Este, de fato,</p><p>parece ser um funcionamento cerebral bem compatível a um falante que</p><p>está com a atenção na forma do discurso; na materialidade da língua, para</p><p>tentar esconder ou conter o aparecimento da gagueira na cadeia dos</p><p>significantes.</p><p>Outro paralelismo interessante entre o funcionamento subjetivo-</p><p>discursivo exposto e o funcionamento do cérebro se revela nos resultados</p><p>das imagens cerebrais obtidas por meio do PET Scan (Positron Emission</p><p>Tomography)8, feito em pessoas que gaguejam e pessoas fluentes. As</p><p>imagens mostraram que quando pessoas com gagueira falam, há mais</p><p>atividade no hemisfério direito que no esquerdo e quando pessoas sem</p><p>gagueira falam, dá-se o oposto. Como mostram as pesquisas2,3,6, o falante</p><p>com gagueira vai para a forma da fala; para a materialidade da língua, a fim</p><p>de localizar e, portanto, visualizar palavras ou sons temidos de modo a</p><p>evitá-los para não gaguejar. Essa visualização é coerente com o aumento</p><p>de funcionamento observado no hemisfério direito responsável, entre</p><p>outras coisas, pela síntese de imagens. Isso sugere que o substrato</p><p>neurológico encontrado em casos de gagueira pode ser conseqüência do</p><p>desequilíbrio no funcionamento discursivo.</p><p>Causa</p><p>Antes de abordar a causalidade da gagueira, cumpre considerar que</p><p>a noção de causa implica a noção de acontecimentos que se relacionam de</p><p>4</p><p>maneira linear, isto é: quando uma certa condição A estiver presente, se</p><p>produzirá uma nova condição B. Por exemplo: se a água for submetida ao</p><p>calor constante (condição A) se produzirá vapor (condição B) .</p><p>A causa da gagueira, na visão aqui proposta, não se enquadra em</p><p>uma relação de linearidade. Mais apropriado seria considerar uma múltipla</p><p>causalidade ou determinação de fatores que concorrem para seu</p><p>aparecimento, visto que, se a forma gaguejada de falar é efeito da tentativa</p><p>de controlar seu aparecimento por meio da antecipação, faz-se necessário</p><p>saber o que leva o falante a tentar esse controle. De acordo com as</p><p>pesquisas4,5,6, o que leva a isso é uma imagem estigmatizada de falante.</p><p>Então, faz-se necessário saber como essa imagem se constitui. Isso traz</p><p>para a cena as relações de comunicação do falante com pessoas que, para</p><p>ele, são significativas, bem como as crenças e os valores sobre a fala, a</p><p>fluência, a disfluência e a gagueira que perpassam essas relações num</p><p>dado contexto sócio-cultural, o que, no caso, se refere à ideologia de bem</p><p>falar.</p><p>Temos assim um encadeamento não linear de condições, que</p><p>concorrem para a constituição de uma fala com gagueira: a ideologia do</p><p>bem falar; as relações de comunicação que rejeitam a fala pela sua forma;</p><p>a constituição de uma imagem estigmatizada de falante; a tentativa de</p><p>controlar a fluência que gera um desequilíbrio no modo de funcionamento</p><p>discursivo.</p><p>Neutraliza-se ou suprime-se um efeito com efetividade, quanto</p><p>melhor se conhece sua causa. Assim, compreender de modo aprofundado</p><p>o encadeamento multi-causal que conduz à gagueira é fundamental para</p><p>poder pensar e construir um caminho eficiente para sua prevenção ou</p><p>superação. Retoma-se, então, esse processo de encadeamento desde seu</p><p>ponto mais precoce: o modo como, no cotidiano, se costuma olhar para</p><p>a</p><p>disfluência infantil e reagir a ela.</p><p>Antes disso, porém, é importante explicitar que o disfluir é aqui</p><p>entendido como aquilo que qualquer falante poderá fazer durante o tempo</p><p>em que estiver evocando palavra(s) ou sons que completariam seu</p><p>discurso. O seguinte trecho, extraído de uma entrevista de rádio,</p><p>exemplifica essa situação: “essa região que forma ai a/a/a/a/a área verde à</p><p>5</p><p>margem do rio Tietê...”. A disfluência sugere que o falante demorou para</p><p>evocar a palavra “área” ou para decidir se essa era a melhor palavra a ser</p><p>empregada no momento. Isso se difere radicalmente de gaguejar que é</p><p>aquilo que o falante faz quando sabe perfeitamente quais palavras irá usar</p><p>e prevê que irá gaguejar em alguma(s) delas9. Assim, também entre</p><p>disfluência e gagueira não há um relação linear de continuidade, há sim</p><p>uma história atravessada pelo modo como as relações de fala se</p><p>estruturam entre criança e adulto(s).</p><p>Sobre disfluência, temos pesquisa que mostra que a criança entre os</p><p>2 e 4 anos de idade disflui muito nos trechos de fala que são para ela ainda</p><p>pouco estruturados, porque neles joga com as regras da língua5. Isto se</p><p>articula a outra pesquisa5 que mostra que nessa faixa etária a criança, por</p><p>já conhecer o funcionamento da língua, é capaz de fazer reformulações no</p><p>seu discurso para evitar erros, o que vem acompanhado de hesitações e</p><p>repetições.</p><p>Essas disfluências, muito freqüentemente, são interpretadas como</p><p>gagueira, no cotidiano, devido a uma visão de senso comum, aqui</p><p>designada como ideologia de bem falar, na qual a disfluência é vista como</p><p>algo indesejável, inadequado. Nessa condição, muito freqüentemente</p><p>também, o falante se depara com pedidos para acalmar-se, respirar, falar</p><p>mais lentamente, além de imitações e deboches, entre outras reações</p><p>possíveis. Tais reações adquirem o significado de rejeição da fala</p><p>produzida, já que, por meio delas, o interlocutor sugere que se deve falar</p><p>de outro modo e não dá mostras de ter apreendido o sentido do que foi</p><p>dito.</p><p>Como argumentam alguns autores2, essa interpretação não permite</p><p>a reversibilidade discursiva, ou seja, não permite à criança entender seu</p><p>erro e repará-lo. Também, nega sentido ao que ela disse, porque nada se</p><p>responde ao conteúdo discursivo que a criança efetivamente produziu.</p><p>Funciona, assim, como um vaticínio condenatório dessa forma de falar 2,10.</p><p>Estas condições favorecem a constituição de uma imagem estigmatizada</p><p>de falante na subjetividade daquele que teve o sentido do seu dizer</p><p>negado. Isso, como foi dito, sustenta um funcionamento</p><p>subjetivo/discursivo desequilibrado no que se refere à relação entre fala e</p><p>6</p><p>língua. Por isso, está-se de acordo com esses autores quando propõem</p><p>que a interpretação da disfluência como gagueira está na origem do</p><p>aparecimento da última 2,10.</p><p>Componente hereditário</p><p>Diante da argumentação conduzida, está claro que o aparecimento</p><p>da gagueira é entendido como produto do processo de constituição de uma</p><p>imagem estigmatizada de falante na subjetividade e não como resultado de</p><p>algum componente hereditário. Sobre hereditariedade, vê-se pelo menos</p><p>dois aspectos a considerar.</p><p>As pesquisas genéticas com grupos de pessoas que apresentam</p><p>gagueira tem demonstrado um material genético similar presente entre</p><p>alguma porcentagem dessas pessoas. Com base nos conhecimentos sobre</p><p>a natureza da disfluência e da gagueira aqui delineados, sugere-se que tal</p><p>material deve antes estar relacionado à disfluência e, possivelmente,</p><p>também a outras dificuldades de linguagem, que preexistem à constituição</p><p>do quadro da gagueira. Sobre isso, vale destacar que tais pesquisas não</p><p>levaram em conta a possibilidade de uma diferenciação qualitativa entre</p><p>disfluir e gaguejar, ou seja, não isolaram essa variável.</p><p>O outro aspecto que também se deve considerar é a hereditariedade</p><p>das idéias. “As idéias são dotadas de vida própria porque dispõem, como o</p><p>vírus, em um meio (cultural/cerebral) favorável, da capacidade de auto-</p><p>nutrição e auto-reprodução”11. Quando uma pessoa que desenvolveu o</p><p>quadro da gagueira se depara com a disfluência de um filho, tende a</p><p>reproduzir o mesmo padrão de rejeição a essa forma de fala, de que foi</p><p>objeto no passado. Colabora, assim, inadvertidamente, com a constituição</p><p>de uma imagem estigmatizada de falante que está na raiz da constituição</p><p>da gagueira. Desse modo, a gagueira passa de pai para filho por</p><p>hereditariedade de idéias; idéias que levam à interpretação da disfluência</p><p>como gagueira, conforme já foi explicitado. Nesse sentido, uma pessoa</p><p>pode tornar-se gaga por conviver com outra que tem gagueira, em função</p><p>dos modos de interação que podem se estabelecer entre elas.</p><p>7</p><p>ALGUMAS CRENÇAS E MITOS QUE ACOMPANHAM E SUSTENTAM O MODO DE</p><p>FUNCIONAMENTO SUBJETIVO DA GAGUEIRA</p><p>Quais as crenças e mitos mais comuns que o sujeito com gagueira traz?</p><p>Exemplos de casos clínicos.</p><p>Quase quatro décadas vivenciando o atendimento clinico-terapêutico</p><p>a pessoas com gagueira contribuíram para organizar algumas das crenças</p><p>e mitos que acompanham e sustentam o modo de funcionamento dessa</p><p>forma de fala. Explicitá-las indica aspectos subjetivos que requerem</p><p>atenção terapêutica.</p><p>A imagem de si como falante estigmatizado, relaciona-se à crença</p><p>de ser incompetente para falar. Nessa condição, não há valorização da</p><p>fala fluente que se mostra em diversas situações, há antes uma percepção</p><p>da fluência como algo que não faz parte de si. A fluência assusta, é vista</p><p>como ameaça, como anúncio de gagueira iminente. Perceber a fluência</p><p>corresponde, assim, a perceber algo que se vai perder; corresponde a</p><p>conectar-se com a gagueira. Nesse contexto, construir, na cena</p><p>terapêutica, uma nova qualidade de auto percepção da fluência, pode dar</p><p>suporte a uma mudança na imagem de si como falante, o que sustenta a</p><p>superação da gagueira.</p><p>A crença de que a fluência é algo que não faz parte de si, se</p><p>articula à crença de que ela está além de si, é algo a ser buscado em</p><p>algum lugar fora de si. Um tipo de busca fadada ao fracasso, por se pautar</p><p>na negação da fluência que já existe e se agarrar, muitas vezes, a</p><p>exercícios de articulação, de leitura, de lentificação da fala, que se acredita,</p><p>trarão a fluência desejada. Falta aqui a percepção crítica de que esses</p><p>exercícios funcionam justamente como confirmação de que a fluência não</p><p>existe e precisa ser conquistada e, dessa forma, de fato, sustentam a</p><p>gagueira.</p><p>Algumas frases típicas do discurso de pessoas que gaguejam,</p><p>descritas em pesquisa3, evidenciam a crença de saber em que lugar,</p><p>palavra ou fonema da cadeia dos significantes se irá gaguejar:</p><p>...quando sinto que vou gaguejar...; ...quando sei que vou gaguejar...;</p><p>8</p><p>gaguejo sempre que tem “P”; “PR”; “TR”. Falar meu nome é o pior; se der,</p><p>troco a palavra; “preciso tomar um fôlego (antes de certas palavras)”.</p><p>Isto, como já dito, é a materialização de que a atenção da pessoa</p><p>que gagueja se volta para a forma de sua fala e não para o sentido,</p><p>produzindo desequilíbrio entre fala e língua. Um efeito dessa crença é que</p><p>quanto menor for a liberdade discursiva, maior pode se tornar a gagueira.</p><p>Assim, quanto mais definido estiver para o falante o que ele tem a dizer,</p><p>como por exemplo, dizer o próprio nome, informar as horas, dizer a</p><p>profissão, dar parabéns, etc., melhor pode funcionar a antecipação do lugar</p><p>da gagueira. Essa previsão, por sua vez, produz a trava que é uma</p><p>resposta muscular à localização do lugar da indesejada gagueira. O falante</p><p>interrompe o fluxo sonoro, do mesmo modo que um caminhante</p><p>interromperia o passo, à vista de um perigo iminente ao longo do caminho.</p><p>O comentário que cabe aqui é que se o falante, apesar de saber</p><p>falar, não tem acesso às operações mentais e motoras que faz para isso,</p><p>também não poderia saber de antemão que iria gaguejar e em que lugar do</p><p>discurso</p><p>o faria. Isso parece fazer sentido com o fato de a antecipação</p><p>recair nos lugares mais fáceis de serem apreendidos por antecipação na</p><p>cadeia dos significantes, quais sejam: as palavras iniciais das frases e as</p><p>palavras chaves do discurso3. Um exemplo: se um falante com gagueira</p><p>estivesse para dizer qual é sua profissão, muito provavelmente anteciparia</p><p>gagueira na palavra “economista” (se esta for sua profissão) e poderia ter</p><p>uma trava no momento que emitir o “e”.</p><p>Outra crença, agora relativa à antecipação, é a de que ela leva ao</p><p>controle da gagueira. O que cria, de fato, é uma ilusão de controle, por</p><p>materializar algo com que lidar. Isso faz parecer que se poderá fazer algo</p><p>para não gaguejar, que é o desejo maior do falante que tem gagueira.</p><p>Desse modo, antecipar torna-se um hábito subjetivo muito arraigado, que</p><p>está na raiz da criação de truques para falar bem, os quais respondem ao</p><p>desejo de fazer algo para não gaguejar. No mesmo exemplo acima: o</p><p>falante, na iminência de dizer a palavra “economista”, se trava, usa então o</p><p>truque de soltar um pouco de ar e, depois disso, diz: “economista”.</p><p>É uma ilusão de controle porque, embora a antecipação leve ao</p><p>emprego de um truque e o truque, por fim, leve à liberação da pronuncia de</p><p>9</p><p>uma certa palavra, todo esse caminho reitera ao falante uma falta de</p><p>liberdade para falar. Reitera a necessidade de apoios, muletas, sem os</p><p>quais sente que não poderia falar. Isso sustenta uma imagem</p><p>estigmatizada de falante. Nesse sentido, vale considerar se é o falante que</p><p>controla a gagueira ou se, antes, é a gagueira que controla o falante.</p><p>Nesse contexto ainda, é importante comentar outro aspecto da</p><p>antecipação, bem como dos truques que ela permite engendrar. Ao</p><p>antecipar e, portanto definir, o lugar da gagueira, todo o discurso que fica</p><p>fora do raio antecipado pode ser pronunciado com fluência pelo falante,</p><p>naquele dado momento. Isso lhe permite aplicar com sucesso o truque de</p><p>trocar palavras. Esse truque, entretanto, pode fazê-lo sentir-se frustrado,</p><p>porque, muito embora tenha sido fluente ao falar, conforme desejava, isso</p><p>tem o custo de não se permitir dizer o que de fato deseja.</p><p>O funcionamento subjetivo ligado à antecipação, por outro lado,</p><p>também pode ser usado para compreender/perceber a efetiva capacidade</p><p>de fluir. Isso pode ser alcançado se o falante perceber que resolve os</p><p>problemas que encontra na sua fala falando; se perceber que os gestos</p><p>articulatórios evitados em um trecho de fala, reaparecem de modo fluente</p><p>em outros nos quais não foram antecipados. Tais percepções podem levá-</p><p>lo a compreender que a antecipação é um problema e não uma solução,</p><p>podem levá-lo também a reconhecer quanta fluência existe nos trechos de</p><p>fala em que não há antecipação.</p><p>Destaca-se que a antecipação do lugar da gagueira e seus</p><p>desdobramentos são aspectos fundamentais a serem trabalhados no</p><p>processo terapêutico de ressignificação.</p><p>Muitos sons ou gestos que a pessoa que gagueja manifesta ao</p><p>falar, tem, para ela, o status de elementos de camuflagem, ou seja, ao</p><p>empregá-los crê estar ocultando a gagueira. São conhecidos na literatura</p><p>como truques que, como foi dito, evidenciam o ato de antecipar o lugar da</p><p>gagueira na cadeia dos significantes. Alguns exemplos desses truques são:</p><p>- repetir as últimas palavras ditas para dar impulso à saída da palavra</p><p>antecipada como problemática: a gente ficou lá... a gente ficou lá... a gente</p><p>ficou lá.... é é é trabalhando;</p><p>10</p><p>- prolongar a vogal que antecede à palavra antecipada, a fim de evitar de</p><p>gaguejar nesta: nooooooo trabalho.</p><p>- fingir que não se lembra da palavra, ou seja, fingir uma disfluência: custou</p><p>q..., é é é é é, custou é é é é q... quinhentos reais; ele falou sobre... é é é é,</p><p>como se diz, é é é é alegria.</p><p>- introduzir uma inspiração ou expiração antes da palavra antecipada:</p><p>então eu estava ehhh hestudando matemática; phhhreciso voltar hoje.</p><p>Vale comentar que esses truques, em vez de efetivamente</p><p>camuflarem alguma coisa, se constituem eles mesmos em gagueira.</p><p>Percebê-lo é um fator importante para seu desaparecimento.</p><p>Muito sofrimento se deriva, para a pessoa com gagueira, do fato de</p><p>crer que sabe o que os outros vão pensar dela se a virem gaguejar.</p><p>Uma afirmação clássica é: Penso que todos vão achar que sou um</p><p>incompetente; incapaz. Por achar que sabe o que os outros vão pensar e,</p><p>por ter certeza de que vai gaguejar (antecipação), muitas pessoas sentem</p><p>que não podem enfrentar a vida, o trabalho, o estudo, os relacionamentos.</p><p>Falta aí a noção crítica de que o que se pensa que os outros pensam</p><p>apenas revela as crenças que se tem a respeito de si. No caso da</p><p>gagueira, as crenças a respeito do pensar dos outros é o reflexo da</p><p>imagem estigmatizada de falante. Percebê-lo é fundamental para poder</p><p>agir de uma nova maneira perante os outros, de modo a enfrentar o que</p><p>antes se evitava.</p><p>Tanto pessoas com gagueira, como pessoas em geral, crêem no</p><p>mito de que o nervosismo é um fator desencadeador da gagueira.</p><p>Pesquisa a respeito de crenças sobre gagueira revelou que uma das</p><p>causas a ela atribuída é o nervosismo12.</p><p>Com base no que foi explicitado até aqui sobre o seu funcionamento,</p><p>entretanto, pode-se propor que tal visão é reducionista. “Nervosismo” é</p><p>designação ampla e vaga da manifestação de um estado emocional. Ver-</p><p>se como falante incompetente; acreditar que os outros nos vêem assim;</p><p>acreditar saber o lugar da gagueira e tentar evitar sua ocorrência, etc., são</p><p>aspectos subjetivos compatíveis com um estado de nervosismo. Este,</p><p>11</p><p>entretanto, sempre envolve sentimentos mais específicos como medo de</p><p>gaguejar, vergonha, culpa, raiva e frustração por ter gaguejado.</p><p>Os estados emocionais estão presentes no contexto subjetivo que</p><p>subjaz a todo o processo de tentar falar sem gaguejar, ou seja, estão</p><p>presentes antes, durante e após o ato de gaguejar em si. Não são, desse</p><p>modo, seu desencadeador direto e sim, parte do funcionamento de fala</p><p>gaguejante.</p><p>A trava é geralmente considerada pelos falantes com gagueira como</p><p>o pior acontecimento e está frequentemente associada à crença de que se</p><p>está sem ar para falar e se precisa aprender a respirar para superar a</p><p>gagueira. Isso revela uma falta de percepção dos sinais do próprio corpo</p><p>e, especificamente, do ato da respiração, já que travar é prender o ar que</p><p>se estava usando na fonação, ou seja, é o contrário de estar com falta de</p><p>ar.</p><p>Um trabalho de consciência corporal tem se mostrado fundamental</p><p>para favorecer a superação de crenças e mitos que sustentam o</p><p>funcionamento subjetivo-discursivo da gagueira.</p><p>TRATAMENTO</p><p>Gagueira tem cura?; Como tratar gagos?; Como lidar com o bloqueio/trava</p><p>durante as sessões (orientações a paciente e aos familiares; Como eliminar</p><p>as estratégias de antecipação da gagueira (exemplo, trocar uma palavra</p><p>por outra “menos difícil”) orientações para os pacientes; Orientações para o</p><p>processo terapêutico de crianças; Importância do acompanhamento</p><p>psicológico em paralelo ao fonoaudiológico; Estratégias utilizadas no filme</p><p>‘O Discurso do Rei’ que contribuíram para o sucesso do terapeuta).</p><p>Cura</p><p>Tomando a palavra cura em seu sentido mais amplo, que abrange</p><p>desde o restabelecimento da saúde do corpo, até a superação de estados</p><p>subjetivos que envolvem sofrimento, o delineamento aqui apresentado</p><p>permite defender a possibilidade de uma cura para a gagueira. Assim, a</p><p>cura ocorre quando se desfaz a necessidade subjetiva de controlar a fala</p><p>12</p><p>que vem acompanhada pela antecipação/localização do lugar da gagueira</p><p>na cadeia de significantes e pelo, conseqüente, uso de truques para tentar</p><p>falar bem. A cura reside, portanto, em um funcionamento discursivo</p><p>marcado pela sensação de confiança na capacidade de fluir, de modo a</p><p>permitir-se falar esquecido da forma, conectado apenas com o sentido do</p><p>dizer.</p><p>Diretrizes gerais</p><p>Pesquisas recentes sobre a satisfação de clientes em relação ao</p><p>tratamento de gagueira mostraram que métodos que priorizaram o uso de</p><p>técnicas e protocolos, em detrimento do envolvimento com as</p><p>necessidades dos pacientes e com o impacto da gagueira em suas vidas,</p><p>têm sido ineficientes para promover mudanças na fala da pessoa que</p><p>gagueja12. Essa crítica se refere às abordagens em que se visa modelar a</p><p>fala por meio do treinamento de técnicas para relaxar a musculatura,</p><p>lentificar a fala e manter a coordenação pneumofonoarticulatória. Tais</p><p>métodos, segundo os pacientes pesquisados, apenas repetem os</p><p>tradicionais conselhos de familiares e amigos para tentar alcançar a</p><p>fluência, tais como ter calma, respirar e falar devagar13. A crítica ressalta a</p><p>importância de terapias compreensivas, que levam em conta o sujeito e</p><p>sua história.</p><p>Com base na visão aqui proposta, entende-se que tentar modelar ou</p><p>controlar a fala é a solução encontrada pelo paciente. Ela é problemática</p><p>porque o leva a dirigir sua atenção para a forma de falar, o que, como se</p><p>viu, gera uma desarmonia entre fala e língua que sustenta a fala com</p><p>gagueira. Parar de controlar, portanto, é a diretriz que norteia o trabalho</p><p>que se proporá aqui para nortear a relação terapêutica.</p><p>Para que o falante possa superar o desejo/hábito de controle será</p><p>necessário que mude os valores que atribui à gagueira, a si como falante e</p><p>à imagem de falante que acredita ser-lhe atribuída pelos outros. Para tanto,</p><p>a proposta de tratamento se constitui num processo de ressignificar as</p><p>experiências de fala, no que tange aos outros e a si mesmo.</p><p>Em tal processo, o rumo de cada sessão é dado pela história de</p><p>vida, de fala e pelas concepções e valores de cada paciente, para, a partir</p><p>13</p><p>delas, gerar novas compreensões e vivências que permitam construir</p><p>novos sentidos sobre si mesmo, sobre a fala e sobre as relações com os</p><p>outros.</p><p>Uma compreensão/vivência ressignificativa fundamental é aquela</p><p>que leva a pessoa com gagueira a construir confiança na capacidade de</p><p>fluir, com base na compreensão de que essa fluência já existe em sua fala.</p><p>Um modo de alcançar essa confiança pode apoiar-se no fato de que</p><p>pessoas que manifestam gagueira, também manifestam fala fluente</p><p>dependendo da situação de fala em questão. Algumas situações desse tipo</p><p>são: falar sozinho(a), falar com crianças, falar com o namorado(a), falar</p><p>com animais de estimação. O ponto importante em relação a essas</p><p>situações é perceber seu denominador comum: em todas, o julgamento do</p><p>outro não é importante para o falante. Esse aspecto ressalta quanto o</p><p>outro, as crenças e os valores do falante, são importantes para a</p><p>manifestação da gagueira.</p><p>A compreensão de que a fluência já é parte da fala de quem gagueja</p><p>permite ainda dar sentido a uma imagem sobre a relação entre fluência e</p><p>gagueira, que tem-se mostrado útil no trabalho de ressignificar para</p><p>construir confiança na capacidade de fluir. A imagem é de que a fluência</p><p>está em baixo da gagueira, já que a gagueira se ativa sobre a capacidade</p><p>de fluir, quando, devido ao valor que o falante dá ao julgamento do outro,</p><p>surge o medo de perder a fluência, que o leva a prever o lugar da gagueira</p><p>e às demais conseqüências já explicitadas. Isso sustenta a compreensão</p><p>de que a fluência não é algo a ser buscado fora de si; não é algo a ser</p><p>alcançado por meio de treinamentos. Ao contrario, é algo que já está aí,</p><p>sufocada pela falta de confiança.</p><p>Também é fundamental para construir/resgatar a confiança na</p><p>capacidade de fluir e sustentá-la, promover vivências que permitam</p><p>compreender e sentir os gestos articulatórios. A consciência dos gestos</p><p>articulatórios é capaz de, efetivamente, gerar um controle sobre a fala e</p><p>preencher assim o desejo de controle do falante com gagueira14, sendo que</p><p>sua ação não produz desequilíbrio entre língua e fala, porque não age</p><p>sobre a forma do dizer. O que se ativa é a percepção sensorial direcionada</p><p>à aptidão para os gestos e não imagens mentais de fonemas e palavras</p><p>14</p><p>consideradas perigosas, que sustentam a desarmonia entre fala e língua. A</p><p>capacidade de sentir os gestos articulatórios, desse modo, tem um</p><p>importante papel na mudança de foco em relação ao desejo de controlar a</p><p>fala que está arraigado na mente de quem tem gagueira.</p><p>Comenta-se algumas vivências ligadas à consciência dos gestos</p><p>articulatórios que se têm mostrado significativas para criar novos sentidos</p><p>sobre si e sobre a capacidade de falar: 1) Sentir os gestos articulatórios em</p><p>condições que geram fala fluente, sendo a situação terapêutica uma delas,</p><p>à medida que se estabelece um clima de confiança mútua entre paciente e</p><p>terapeuta. É um lugar ideal e privilegiado para iniciar essa vivência. Ela</p><p>permitirá sentir/compreender a plena competência do falante para todos os</p><p>gestos; 2) Dublagem que o paciente pode fazer do próprio terapeuta, de</p><p>personagens da TV, etc. 3) Ler sem voz, produzindo apenas os gestos</p><p>articulatórios. 4) Perceber/sentir certas incoerências em relação aos</p><p>fonemas/gestos temidos tais como: temer o fonema ‘k’ e manifestar</p><p>gagueira nele somente quando houve antecipação, sendo que o mesmo</p><p>não ocorre na articulação desse fonema quando não há antecipação; temer</p><p>pronunciar o fonema ‘p’, mas não os fonemas ‘b’ e ‘m’ que exigem gestos</p><p>articulatórios semelhantes; 5) Compreender/sentir o gesto de reter o ar</p><p>como aquele que faz surgir a trava ou bloqueio, percebendo que estas não</p><p>são devidas a algo desconhecido e invisível; 6) Construir atenção para a</p><p>sensação de soltura que, automaticamente, vem após a retenção de ar</p><p>(trava), permitindo que a fala continue, de modo que a gagueira deixa de</p><p>ser vista como sendo oposta à fala e à fluência e passa a ser</p><p>compreendida como um momento do discurso, uma singularidade, uma</p><p>idiossincrasia, que não impede o falante nem de dizer o que se pretendia</p><p>nem de ser compreendido pelo outro; 7) Permitir-se falar aguardando,</p><p>propositadamente, a sensação da trava, para poder senti-la sem angústia,</p><p>sem medo, etc., mas com uma atitude de curiosidade e análise.</p><p>As vivências críticas dos gestos articulatórios permitem construir</p><p>uma nova concepção da capacidade de falar e, dentro dela, do ato de</p><p>gaguejar, de modo que este deixa de ser visto como errado, feio, doentio,</p><p>para ser visto como uma qualidade do movimento sobre o qual se pode</p><p>agir; com o qual se pode lidar. A situação terapêutica investida de afeto e</p><p>15</p><p>confiança mútua, é o melhor lugar para iniciar essas vivências que,</p><p>paulatinamente, abrem lugar para mudanças no cotidiano do falante no que</p><p>se refere à visão de si, de sua fala e de suas relações com os outros.</p><p>A construção de confiança na capacidade de fluir relaciona-se</p><p>diretamente à superação da imagem estigmatizada de falante e do medo</p><p>de gaguejar. Em outras palavras, construir confiança na capacidade de fluir</p><p>permite ao falante aceitar sua gagueira, o que desativa a necessidade de</p><p>controlar a fala14.</p><p>Vale enfatizar que aceitar a gagueira não tem aqui um sentido</p><p>passivo de resignação em relação a ela. Tem um sentido ativo que se</p><p>apóia em compreender que lutar contra a gagueira; evitá-la envolve</p><p>antecipá-la e, portanto, entrar no funcionamento discursivo desarmônico já</p><p>explicitado. Aceitá-la, assim, decorre de uma ativa ressignificação da</p><p>imagem de si na direção de reconhecer o próprio valor tendo uma fala que</p><p>mostra gagueira; na direção de não diminuir-se devido a ela, mas sim ser</p><p>capaz de sustentar seu aparecimento, com dignidade, em qualquer</p><p>situação.</p><p>A noção de senso comum de que é favorável reforçar positivamente</p><p>os momentos de fluência da pessoa que tem gagueira, merece um</p><p>comentario no contexto da aboragem terapêutica aqui proposta. Tal reforço</p><p>age antes como negação da gagueira e ativa o desejo de controlar a fala</p><p>para não perder a fluência.</p><p>A ação ressignificadora está em sempre ligar o</p><p>reconhecimento da aptidão para fluir à diminuição do valor dado ao</p><p>gaguejar; ou seja, compreender que não é temeroso ou problemático</p><p>gaguejar, porque também se é apto a fluir.</p><p>Construir/resgatar a confiança na capacidade de fluir também está</p><p>ligado a uma compreensão crítica do funcionamento da antecipação,</p><p>elemento central na manifestação da gagueira. A perspectiva crítica reside</p><p>em compreender que antecipar é reflexo da falta de confiança na</p><p>capacidade de fluir; é manifestação da crença de que haverá gagueira e se</p><p>deve evitá-la. Reside em compreender que, se não tivesse havido uma</p><p>antecipação, nada de problemático teria acontecido naquele momento</p><p>específico de fala.</p><p>16</p><p>Algumas vivências ligadas a essa compreensão, tem-se mostrado</p><p>significativas para criar novos sentidos sobre si e sobre a capacidade de</p><p>falar, estas relacionam-se a perceber a íntima relação entre antecipar,</p><p>travar e/ou usar truques.</p><p>No que diz respeito à trava, a relação íntima está em que antecipar</p><p>age como um sinal/aviso de perigo iminente de gaguejar e a reação</p><p>corporal/emocional a isto, dado que a gagueira é indesejada, é de fechar a</p><p>passagem de ar, que produz a trava ou bloqueio. Isto permite compreender</p><p>que, num primeiro momento, a trava age como uma proteção e uma</p><p>necessidade, que impede a gagueira de se mostrar. Num segundo</p><p>momento, a vivência da trava confirma a antecipação feita pelo falante de</p><p>que ele não poderia falar e ficaria travado, o que significa que está</p><p>gaguejando. Isto fortalece a necessidade de antecipar o próximo lugar de</p><p>gagueira. Assim: a antecipação leva à trava/bloqueio e a trava/bloqueio</p><p>confirma a antecipação, de tal modo que a trava/bloqueio é, ao mesmo</p><p>tempo, necessidade, proteção e forma de manutenção da gagueira.</p><p>No que diz respeito ao uso de truques, a relação íntima está em que</p><p>a antecipação, ao agir como sinal/aviso de perigo iminente de gaguejar, dá</p><p>sentido ao aparecimento de truques ou estratégias que agem como</p><p>soluções/respostas a esse perigo para liberar a fala subseqüente ao seu</p><p>emprego. Nessa direção, é comum o emprego do truque de trocar as</p><p>palavras antecipadas por outras que não o foram, bem como o truque de</p><p>interpor palavras, sons ou gestos que agem como liberadoras do que foi</p><p>antecipado. Os truques, assim, apesar de permitirem resolver um problema</p><p>na fala, falando, agem como constante confirmação de que algo precisa ser</p><p>feito para se poder fluir e, desse modo, sustentam a falta de confiança na</p><p>capacidade de falar e, portanto, a gagueira.</p><p>Na situação terapêutica o falante poderá ter as condições para,</p><p>repetidas vezes, sentir/perceber esses intrincados mecanismos ligados à</p><p>antecipação, sem sofrimento, mas com uma atitude atenta de curiosidade e</p><p>análise. Isso o prepara para mudanças no sentido de passar a</p><p>compreender que: • sentir/saber que se vai gaguejar, bem como trocar</p><p>palavras são formas de existência da antecipação; • antecipar é um hábito</p><p>arraigado que explicita a aversão à gagueira; • antecipar é adivinhar, é uma</p><p>17</p><p>ilusão; • antecipar é ocupar-se com o não sabido; antecipar é criar</p><p>desequilíbrio entre a forma e o sentido; • a capacidade de resolver um</p><p>problema de fala falando é sinal de capacidade para fluir.</p><p>Superar o hábito de antecipar e construir confiança da capacidade</p><p>de fluir são a alma desta proposta terapêutica. A primeira depende da</p><p>segunda. Quando não houver mais antecipação não haverá mais gagueira,</p><p>no sentido de ter medo de pronunciar algo que já está previamente</p><p>delineado na mente. Podem haver, sim, disfluências, no sentido explicitado</p><p>anteriormente neste texto.</p><p>Duas outras vivências importantes aos processos de ressignificar a</p><p>experiência de fala, na direção de não temer a gagueira e confiar na</p><p>capacidade de fluir, merecem ser referidas. Uma é gaguejar de propósito,</p><p>no contexto terapêutico e, paulatinamente, em qualquer contexto.</p><p>Inicialmente, para ajudar a vencer uma possível rejeição à resistência à</p><p>tarefa, pode ser favorável estabelecer algum padrão de gagueira a ser</p><p>empregado de propósito, tal como repetir três vezes a sílaba no início de</p><p>algumas palavras. Posteriormente, empregar um padrão de gagueira</p><p>habitual ao do falante é favorável para superar esse padrão.</p><p>A outra vivência refere-se a ter capacidade para sustentar a</p><p>gagueira em qualquer contexto; estar preparado para dar respostas que</p><p>resgatam a dignidade do falante, quando algo, na situação de</p><p>comunicação, a ameaça. Se numa situação social (sala de aula, reunião)</p><p>alguém imita a fala gaguejada, por exemplo, o falante pode encarar com</p><p>serenidade o imitador e dizer algo no gênero de: “muito bom”; “melhor que</p><p>eu”; “você pode fazer novamente, por favor?”. Se numa situação qualquer o</p><p>falante tem uma trava forte e, com isso, se sente incomodado diante do</p><p>outro, pode em seguida dizer: “minha fala é assim, eu gaguejo”.</p><p>Processo terapêutico com crianças</p><p>Com base no que foi dito sobre a disfluência, a gagueira e sua</p><p>origem, entende-se que o processo terapêutico com crianças envolve,</p><p>sempre, todo o grupo familiar. Na campanha DIAG – Dia Internacional de</p><p>Atenção à Gagueira - 200815 abordou-se o que se considera fundamental</p><p>no direcionamento de tal processo: quando os pais de uma criança</p><p>18</p><p>consideram que ela está gaguejando não é a criança que precisa mudar,</p><p>para se adequar a imagem de falante idealizada pelos pais, são os pais, e</p><p>as demais pessoas significativas que a cercam, que precisam por em</p><p>perspectiva suas concepções de fala e compreender em profundidade o</p><p>que é fluência, disfluência e gagueira, a fim de poderem agir de modo a</p><p>não abalar a confiança que a criança tem em sua capacidade de falar.</p><p>Nessa direção, entende-se que orientar os pais a não manifestarem</p><p>qualquer reação diante das disfluências da criança não é suficiente para</p><p>impedir o processo de constituição de gagueira. Se a concepção de fala</p><p>dos pais implica em ver a disfluência como problema, como algo que</p><p>desejam que desapareça, ou seja, com rejeição, mesmo que não</p><p>verbalizem nada disso, não podem evitar de manifestá-lo na sutil</p><p>linguagem corporal e, desse modo, a rejeição passa a agir sobre a criança.</p><p>Assim, a suposta ausência de reação, na verdade, poderá significar para a</p><p>criança, por exemplo, que há algo tão errado em sua fala que os pais nem</p><p>conseguem falar sobre isso.</p><p>Para nortear o investimento terapêutico é necessário definir se na</p><p>subjetividade da criança está ou não instalada uma imagem estigmatizada</p><p>de falante. Em qualquer caso, construir uma compreensão aprofundada</p><p>sobre as relações entre fluir e disfluir e sobre o modo de constituição da</p><p>gagueira, ajuda os pais a entenderem e aceitarem o modo singular de falar</p><p>da criança e a agirem na direção de manter ou aumentar a confiança da</p><p>criança em sua capacidade de falar.</p><p>Quando não houver uma imagem estigmatizada instalada, a</p><p>confiança da criança poderá ser mantida pelos pais se manifestarem, por</p><p>exemplo, durante os momentos de disfluência, uma atitude de curiosidade</p><p>em relação ao que a criança dirá. Quando houver uma imagem</p><p>estigmatizada instalada, será favorável somar à atitude de curiosidade, a</p><p>compreensão de que as travas ou tensões que se mostram são, de fato,</p><p>esforços que a criança faz para não gaguejar. Com essa atitude e</p><p>compreensão, a linguagem corporal e verbal dos pais tenderá a expressar</p><p>aceitação. Isso ajudará a criança a superar a imagem estigmatizada de</p><p>falante e as tensões que dela derivam.</p><p>19</p><p>Quando a imagem estigmatizada está instalada, ainda, é favorável</p><p>um trabalho terapêutico não apenas com o grupo familiar, mas também</p><p>com a criança. Os sinais de que a imagem está instalada estão ligados à</p><p>manifestação de medo de gaguejar em situações vividas pela criança; à</p><p>evitação de situações de fala; ao aparecimento de tensões corporais diante</p><p>das pessoas que rejeitam a forma de falar. Esses sinais, tanto para a</p><p>criança como para o adulto, implicam em saber que se vai gaguejar, ou</p><p>seja, em antecipar a gagueira na fala que será pronunciada.</p><p>A abordagem terapêutica proposta, por sua vez, também como para</p><p>o adulto, segue na direção de ressignificar as experiências de fala em</p><p>relação aos outros e a si mesmo. Exemplos dessa atuação terapêutica</p><p>podem ser apreciados na literatura fonoaudiológica16,17.</p><p>Vale ressaltar ainda que na escola, os profissionais que atuam junto</p><p>à criança também podem necessitar de esclarecimentos na direção do que</p><p>foi delineado para os pais. Saber como esses profissionais vêem a criança</p><p>e como interagem com ela em função de sua forma de falar, permitirá</p><p>avaliar essa necessidade.</p><p>Considerações sobre o acompanhamento psicológico em paralelo ao</p><p>fonoaudiológico</p><p>O acompanhamento psicológico em paralelo ao fonoaudiológico é,</p><p>com freqüência, proposto por fonoaudiólogos na prática clínico-terapêutica</p><p>direcionada a pessoas com gagueira. Isto pode ser entendido como</p><p>evidência de que o fonoaudiólogo percebe conteúdos no campo da</p><p>subjetividade desse tipo de falante que parecem importantes para a</p><p>eficácia do tratamento, e que não são tocados pelo procedimento que ele</p><p>emprega. Evidencia também que o fonoaudiólogo considera que esses</p><p>conteúdos estão fora do seu campo de atuação. Evidencia, portanto, uma</p><p>concepção segundo a qual o tipo de ação que o fonoaudiólogo desenvolve</p><p>em relação à pessoa que gagueja é uma que não envolve o âmbito</p><p>subjetivo da questão, embora esta seja importante para o tratamento.</p><p>Esse modo de ver a abordagem clínico-terapêutica fonoaudiológica</p><p>para a gagueira não encontra eco na proposta aqui delineada, que,</p><p>justamente, se pauta numa compreensão aprofundada do funcionamento</p><p>20</p><p>subjetivo e discursivo característicos ao falante na produção da gagueira,</p><p>e, sobre essa base, delineia ações terapêuticas. Essas ações, como se viu,</p><p>direcionam-se a uma subjetividade marcada por uma imagem</p><p>estigmatizada de falante, a qual sustenta um funcionamento discursivo</p><p>problemático, cujo efeito se materializa no padrão de fala gaguejante. O</p><p>manejo das ações ressignificativas implica um conhecimento especializado</p><p>que não separa subjetivo de discursivo e de fonoarticulatório. Ao contrário,</p><p>depende da capacidade de compreender como a mútua interação entre</p><p>essas dimensões humanas concorrem para a manifestação de uma fala</p><p>com gagueira. Nesses termos, como definir que parte corresponderia a</p><p>uma atuação fonoaudiológica e que parte corresponderia a uma atuação</p><p>psicológica? Como fazer essa cisão no tratamento?</p><p>Acredita-se que o acompanhamento psicológico mais efetivo no que</p><p>tange ao atendimento de uma pessoa com gagueira, seria aquele</p><p>direcionado ao fonoaudiólogo, especialmente àquele que está nas etapas</p><p>iniciais de sua atuação junto a pessoas com esse tipo de problema.</p><p>O fonoaudiólogo, para compreender e lidar com seu objeto, a</p><p>linguagem/comunicação em sofrimento, recebe/necessita de uma formação</p><p>interdisciplinar. Esta congrega, no mínimo, conhecimentos relativos ao</p><p>orgânico, lingüístico, psicológico e sócio-cultural. As especificidades do ser</p><p>humano relativas a cada condição geradora de sofrimento para a</p><p>linguagem/comunicação definem necessidades de aprofundamento ou</p><p>especialização teórico/prática por parte do profissional que pretende tratá-</p><p>la. No que tange à gagueira, à luz da visão que dela aqui se delineou,</p><p>entende-se que esse aprofundamento ou especialização diz respeito aos</p><p>campos da lingüística discursiva e da psicologia, no que tange à superação</p><p>de problemas com a imagem de si.</p><p>Estratégias utilizadas no filme ‘O Discurso do Rei’ que contribuíram</p><p>para o sucesso da terapia.</p><p>Alguns exemplos de manejo subjetivo significativo no tratamento de</p><p>pessoas com gagueira podem-se destacar no filme ‘O Discurso do Rei’.</p><p>De início o rei não aceita a terapia e o terapeuta lhe oferece um</p><p>elemento de impacto subjetivo, entregando-lhe a gravação que faz de sua</p><p>21</p><p>leitura durante o uso de fones de ouvido que emitem uma música alta o</p><p>bastante para impedi-lo de ouvir a própria voz. O mascaramento da própria</p><p>voz, como se sabe, tem o efeito de libertar a fluência do falante com</p><p>gagueira. O impacto ocorre quando o rei, tempos depois de ter recebido</p><p>essa gravação, resolve ouvi-la em sua casa e se vê confrontado com sua</p><p>efetiva capacidade de fluir ao falar. É isso que o leva a procurar novamente</p><p>o terapeuta e aceitar a terapia.</p><p>Na cena em que o rei aceita o tratamento, ele define enfaticamente</p><p>para o terapeuta que seu problema é exclusivamente motor. Segue-se uma</p><p>cena em que o terapeuta está a fazer uma série de exercícios motores com</p><p>o rei. Isso demonstra uma atitude cooperativa (a de ir na direção indicada</p><p>pelo paciente) por parte do terapeuta, que pesquisa prévia18 mostrou ser</p><p>fundamental no tratamento da gagueira.</p><p>Na cena em que, no consultório do terapeuta, o rei é convidado a</p><p>fazer uma atividade que apreciava quando criança, montar um avião</p><p>(aeromodelo), e, nesse contexto, rememora seus relacionamentos</p><p>familiares na infância, é sutilmente levado a visualizar a repressão que sua</p><p>fala sofreu quando criança. Apesar de formalmente ter rejeitado a</p><p>abordagem psicológica, nesse momento o rei foi confrontado e</p><p>conscientizado da existência de aspectos psicológicos marcantes ligados à</p><p>sua fala.</p><p>A cena em que o terapeuta se senta no trono do rei e provoca sua</p><p>autoridade, até o momento em que o rei grita: “eu tenho voz” é um ótimo</p><p>exemplo de fortalecimento da imagem do rei como falante capaz.</p><p>Estas, entre várias outras cenas do filme, ilustram os modos pelos</p><p>quais o terapeuta manejou as relações intersubjetivas para trabalhar</p><p>questões emocionais ligadas à gagueira.</p><p>As cenas em que as travas eram substituídas por palavrões, podem</p><p>ser consideradas como ressignificadoras do funcionamento discursivo,</p><p>porque têm o efeito de banalizar/ridicularizar a antecipação que sustenta a</p><p>trava. Evidentemente não se pode afirmar que o terapeuta tivesse ciência</p><p>desse funcionamento, mas antes que agisse intuitivamente. Também não</p><p>se pretende recomendar o uso dessa ação específica para desmistificar a</p><p>22</p><p>antecipação, a intenção é apenas explicitar porquê ela funcionou de modo</p><p>a inspirar novas ações com esse potencial.</p><p>Posicionamento a respeito do speech easy. É possível utilizá-lo na</p><p>terapia?</p><p>Segundo se entende a partir da concepção de gagueira aqui</p><p>delineada, a ação do speech easy é a de afastar o falante de seu hábito de</p><p>antecipar o lugar da gagueira na cadeia dos significantes. Ao antecipar,</p><p>como se viu, o falante leva a atenção para a forma do dizer e se afasta do</p><p>sentido. Ao usar o dispositivo speech easy, que faz ouvir sua própria voz</p><p>como um pequeno atraso, o falante se depara com um novo e inusitado</p><p>elemento relativo à forma do dizer que, de algum modo, precisa processar</p><p>para que possa continuar a falar. Ocupado com esse novo processamento</p><p>afasta-se da habitual antecipação, ou seja, a ação do speech easy subtrai</p><p>a ação de antecipar. Sempre que a antecipação diminui ou desaparece, a</p><p>fluência de fala aumenta. A partir daí dois caminhos são possíveis: um, é o</p><p>falante, com o tempo, já acostumado à ação do speech easy, voltar a</p><p>antecipar. Nesse caso, haverá um aumento da gagueira e o speech easy</p><p>deixará de ser efetivo. Outro, é o falante passar a sentir confiança em sua</p><p>fala somente com o uso do speech easy. Nesse caso, ele se tornará</p><p>indispensável.</p><p>O segundo caso permite considerar uma possibilidade frutífera de</p><p>uso do speech easy na terapia. Com efeito, em vez de permitir que o</p><p>falante atribua ao aparelho sua capacidade de fluir, tornando-se refém do</p><p>dispositivo, mais vale levá-lo a compreender o funcionamento</p><p>subjetivo/discursivo que permite ao dispositivo produzir esse efeito. Desse</p><p>modo,</p><p>seu uso pode levar o falante a construir confiança em sua</p><p>capacidade de fluir e permitir que, oportunamente, possa dispensá-lo.</p><p>Vale considerar que o efeito do speech easy, tanto quanto o de ler</p><p>junto com outra pessoa; o de falar sob mascaramento sonoro de modo a</p><p>não ouvir a própria voz; o de falar sem voz, têm todos em comum o fato de</p><p>anularem o funcionamento discursivo de antecipar o lugar da gagueira na</p><p>cadeia dos significantes. Isso se deve ao fato de que todos, do ponto de</p><p>vista subjetivo, criam para o falante a sensação de estar escondido ou</p><p>23</p><p>protegido, o que subtrai a imagem estigmatizada de falante. Como todos</p><p>levam à produção de uma fala fluente, todos têm potencial para levar o</p><p>falante a compreender/reconhecer sua efetiva capacidade de fluir, bem</p><p>como a fundamental importância da confiança nessa capacidade, para</p><p>poder mantê-la.</p><p>PALAVRAS A UM FUTURO FONOAUDIÓLOGO QUE QUEIRA TRABALHAR COM</p><p>GAGUEIRA</p><p>O atendimento à pessoa com gagueira é complexo e exige uma</p><p>formação especializada após a graduação. Nessa especialização ou</p><p>aprimoramento, além da formação teórica necessária, considera-se</p><p>importante tanto a supervisão aos atendimentos realizados, como a</p><p>observação de terapias feitas por profissionais experientes.</p><p>No Instituto CEFAC – Ação Social em Saúde e Educação, da cidade</p><p>de São Paulo, oferece-se aprimoramento.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1- FREIRE RM. A fundação da clínica fonoaudiológica. In: Gonçalves NP;</p><p>Fonte RFL da (Org.). Aquisição de Linguagem, seus distúrbios e</p><p>especificidades: diferentes perspectivas. Curitiba: CRV. pp. 87-96, 2011.</p><p>2- AZEVEDO, N.; FREIRE, R. Trajetórias de aprisionamento e</p><p>silenciamento na língua: o sujeito, a gagueira e o outro. In: FRIEDMAN, S.;</p><p>CUNHA, M. C. Gagueira e Subjetividade: possibilidades de tratamento.</p><p>Porto Alegre: Artmed, pp.146-160, 2001.</p><p>3- DAMASCENO, WAPL & FRIEDMAN, S. Quando a Posição Fluente se</p><p>Perde: desarmonia entre fala e língua. Revista Distúrbios da Comunicação,</p><p>v. 24(3):309-321, 2012.</p><p>4- FRIEDMAN, S – Gagueira Origem e Tratamento, 4ª Ed. São Paulo:</p><p>Plexus Editora, 2004.</p><p>5- FRIEDMAN, S – Gagueira: Uma Visão Dialético Histórica. In Rocha EMN</p><p>(org.). Gagueira: Um distúrbio de fluência. São Paulo. Ed. Santos, p.189-</p><p>201, 2007.</p><p>6- FRIEDMAN, S – Fluência: Um acontecimento complexo, In: Fernandes</p><p>FDM; Mendes BCA; Navas ALPGP (orgs). Tratado de Fonoaudiologia. 2ª</p><p>Ed. São Paulo: Roca, 2010. p. 443-8.</p><p>7- ANDRADE, CF & JUSTE, F. Influência da extensão da palavra e local da</p><p>ruptura na sílaba na fala de adolescentes e adultos gagos e fluentes. Rev.</p><p>soc. bras. fonoaudiol. [periódico na Internet]. 16(1):19-24, 2011.</p><p>8- ANDRADE, CF; MENEGHETTI, C; SASSI, FC; BERTINI, F. Estudo</p><p>diagnóstico de um caso de gagueira desenvolvimental com uso de PET</p><p>(Positron Emission Tomography). Pró-fono;13(2):152-156, set. 2001.</p><p>24</p><p>9-FRIEDMAN, S e col. Você sabia que há uma grande diferença entre</p><p>disfluência ou gagueira natural e gagueira vivida como sofrimento?</p><p>Campanha pelo Dia Internacional de Atenção à Gagueira – 2012.</p><p>Disponível em: http://gagueiraesubjetividade.info/nepff.php</p><p>10- FREIRE, R & PASCALICCHIO PASSOS, MC. Gagueira: Uma questão</p><p>discursiva. Trab. Ling. Aplic. Campinas n(51.1): 9-35, 2012</p><p>11- MORIN, E. O método 4: as idéias- habitat, vida, costumes,</p><p>organização. 5ª Ed. Porto Alegre: Sulina. 2011.</p><p>12- RODRIGUES, P.R. Creencias y Actitudes de los maestros acerca de la</p><p>tartamudez y el tartamudo y conductas relacionadas a con las mismas.</p><p>Tese de Magistério Universidad Central de Venezuela. Caracas,</p><p>Venezuela. 1986.</p><p>13- PLEXICO LW, MANNING WH, DILOLLO A. Client perceptions of</p><p>effective and ineffective therapeutic alliances during treatment for stuttering.</p><p>Journal of Fluency Disorders. 35(4):333–354, 2010.</p><p>14- FRIEDMAN, S. Cartas com um paciente- co-autor. Valência, España:</p><p>Promolibro, 1990. Disponível em</p><p>http://gagueiraesubjetividade.info/horizontes_livros.php.</p><p>15- FRIEDMAN, S e col. Você sabia que quando uma criança gagueja não</p><p>é ela que precisa mudar, é você que precisa mudar o modo de encarar a</p><p>gagueira? Campanha pelo Dia Internacional de Atenção à Gagueira –</p><p>2008. Disponível em: http://gagueiraesubjetividade.info/nepff.php.</p><p>16- OLIVEIRA, PS e FRIEDMAN, S. A clínica da gagueira e o livro infantil.</p><p>Distúrbios da Comunicação, São Paulo,18(2):223-233, 2006.</p><p>17- PIRES, TI e FRIEDMAN, S. O efeito do processo terapêutico para</p><p>problemas de fala no discurso de pais, Distúrbios da Comunicação, São</p><p>Paulo, 24(2):173-183, 2012.</p><p>18- FRIEDMAN, S. A Construção do Personagem Bom Falante, São Paulo,</p><p>Summus Editorial, 185 pp. 1994.</p>