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<p>O que o dinheiro não pode</p><p>comprar...</p><p>Sergio só precisa estalar os dedos para</p><p>conseguir tudo o que deseja, exceto Bella.</p><p>Mesmo que a filha de sua madrasta o</p><p>deixasse cego de luxúria, Sergio manteve a</p><p>distância por acreditar que ela era uma</p><p>interesseira. Anos mais tarde, quando Bella</p><p>o procura em busca de refúgio, a atração</p><p>que sentem ressurge ainda mais intensa.</p><p>Incapazes de resistir, decidem saciar a</p><p>paixão que os consome. Contudo, a noite</p><p>que tiveram apenas serviu para deixa-los</p><p>ansiando por mais!</p><p>http://www.harlequinbooks.com.br</p><p>https://www.facebook.com/HarlequinBooksBrasil</p><p>https://twitter.com/harlequinbooks</p><p>Os problemas só começaram a partir da festa</p><p>de aniversário de 16 anos dela, quando emergira</p><p>como uma borboleta de um casulo, encantando-</p><p>o com sua graça, sua beleza de adulta e incrível</p><p>jeito sexy.</p><p>Sergio se lembrou de ficar perplexo quando</p><p>Bella se aproximou e exigiu um beijo de</p><p>aniversário.</p><p>– Você vai ter que fazer isso – disse, sem o</p><p>menor indício de flerte. – Uma garota tem que</p><p>ser beijada ao fazer 16 anos e você é o único</p><p>homem aqui, além de papa. Mas ele não conta.</p><p>Sergio não estivera pronto para o efeito que</p><p>sentiu quando Bella se colocou na ponta dos</p><p>pés e pressionou os lábios contra os dele. Por</p><p>uma fração de segundo, se sentira tentado a</p><p>puxá-la para si, a abrir-lhe os lábios inocentes</p><p>com a língua. Ele certamente não era inocente</p><p>aos 21 anos, não depois de dois anos e meio na</p><p>universidade. Mas resistira à tentação bem a</p><p>tempo, mantendo o beijo platônico, o que</p><p>desapontara Bella, a julgar por sua expressão.</p><p>Bem, ela já não era mais aquela menina</p><p>inocente, lembrou a si mesmo ao se levantar e</p><p>rumar para o banheiro. Era tempo de parar de</p><p>tomar banhos frios e começar a ter o que</p><p>sempre quisera. Ou seja, Bella, em sua cama, à</p><p>sua mercê.</p><p>Querida leitora,</p><p>Sergio fizera um pacto com seus amigos de</p><p>faculdade: Aos 35 anos, seria dono de um</p><p>império, aproveitaria cada momento de sua</p><p>vida de solteiro e então se casaria. Prestes a</p><p>fazer aniversário, ele já havia perdido as</p><p>esperanças de cumprir a última parte do</p><p>acordo… até receber um telefonema de Bella,</p><p>filha de sua ex-madrasta. Depois de anos</p><p>afastados, eles se reencontram na romântica</p><p>villa às margens do Lago de Como e são</p><p>dominados por uma paixão fulminante. E</p><p>conforme se entregam ao desejo, Sergio fica</p><p>mais perto de realizar o seu maior sonho:</p><p>construir uma família.</p><p>Boa leitura!</p><p>Equipe Editorial Harlequin Books</p><p>Miranda Lee</p><p>SEDUÇÃO IMPLACÁVEL</p><p>Tradução</p><p>Tina TJ Gouveia</p><p>2016</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>“EU DEVERIA estar mais feliz”, pensou Sergio</p><p>enquanto desligava o chuveiro, pisava no</p><p>luxuoso tapete de banho e pegava uma toalha</p><p>mais luxuosa ainda. “Hoje, eu me tornei</p><p>bilionário. Meus dois melhores amigos ficaram</p><p>bilionários também. Se isso não me deixa feliz,</p><p>o que deixará?”</p><p>Ele franziu o cenho enquanto se enxugava</p><p>vigorosamente. Por que não estava mais feliz?</p><p>Por que não estava exultante com os quatro</p><p>bilhões e seiscentos milhões que haviam</p><p>recebido pela franquia de bares de vinhos Wild</p><p>Over Wine? Por que a assinatura do contrato</p><p>naquele dia o deixou sentindo-se um</p><p>pouquinho... vazio?</p><p>Os sábios diziam que era a jornada que dava</p><p>mais satisfação, não o destino, ponderou ele,</p><p>dando de ombros com ar resignado. O fato</p><p>irrefutável era que os três membros do Clube</p><p>dos Solteiros haviam alcançado seu destino</p><p>agora. Bem... quase. Nenhum deles fizera trinta</p><p>e cinco anos ainda, embora isso fosse acontecer</p><p>em breve. O próprio aniversário de trinta e</p><p>cinco anos dele seria dali a apenas uma</p><p>quinzena.</p><p>Sergio abriu um sorriso irônico ao se lembrar</p><p>da noite em que haviam formado o Clube dos</p><p>Solteiros. Eram muito jovens na época. Mas</p><p>nenhum deles havia se dado conta do fato.</p><p>Tinham se sentido incrivelmente maduros,</p><p>mais velhos aos vinte e três anos do que muitos</p><p>dos outros alunos de Oxford naquele ano. Mais</p><p>confiantes do que a maioria também, cada um</p><p>tendo sido abençoado com boa aparência e</p><p>inteligência acima da média. Também tinham</p><p>sido muito ambiciosos.</p><p>Ao menos ele e Alex foram ambiciosos.</p><p>Jeremy – que já tinha uma renda particular –</p><p>apenas os acompanhara.</p><p>Fora em uma sexta-feira à noite, vários</p><p>meses depois do dia em que tinham se</p><p>conhecido. Eles estavam no quarto de Jeremy,</p><p>naturalmente, que era bem maior e melhor do</p><p>que aquele que Sergio e Alex estavam</p><p>dividindo. Estavam um tanto embriagados,</p><p>quando Sergio – que tendia a se tornar</p><p>filosófico quando bebia – perguntara aos</p><p>outros quais eram seus objetivos na vida.</p><p>– Decididamente não o casamento. – Foi a</p><p>resposta sucinta de Jeremy.</p><p>Jeremy Barker-Whittle era o mais novo</p><p>herdeiro de um império do ramo bancário</p><p>britânico que datava de gerações. Talvez pelo</p><p>excesso de riqueza, a família dele era marcada</p><p>pelo divórcio. Não escapara aos dois amigos</p><p>que Jeremy era um tanto cínico quando se</p><p>tratava da instituição do casamento.</p><p>– Também não estou interessado em</p><p>casamento. – Alex Katona, um aluno bolsista</p><p>de Sydney com origens de proletariado e um QI</p><p>quase de gênio, concordou. – Vou estar</p><p>ocupado demais trabalhando para me casar.</p><p>Vou ser bilionário quando eu chegar aos trinta</p><p>e cinco anos.</p><p>– Eu também – assentiu Sergio. Embora ele</p><p>fosse filho único e herdeiro da empresa</p><p>Manufaturadora Morelli, com sede em Milão,</p><p>estava ciente de que a firma da família não</p><p>estava mais tão bem quanto já fora. Quando</p><p>herdou o negócio, Sergio suspeitou que talvez</p><p>não valesse a pena ser herdado. Se queria ter</p><p>sucesso na vida, teria que criar o seu próprio. O</p><p>que significava nada de casamento. Não por</p><p>um longo tempo, ao menos.</p><p>E, assim, o Clube dos Solteiros nascera e,</p><p>naquela noite, as regras e objetivos dos três</p><p>foram estipulados com grande entusiasmo.</p><p>A primeira regra fora sentimental – e</p><p>otimista – para três rapazes de vinte e poucos</p><p>anos.</p><p>Permanecerem amigos para sempre.</p><p>Era evidente que estavam bêbados na</p><p>ocasião, tendo consumido algumas garrafas do</p><p>suprimento aparentemente ilimitado do</p><p>delicioso vinho francês de Jeremy.</p><p>Mas surpreendentemente ainda eram</p><p>grandes amigos mais de uma década depois,</p><p>apesar de terem tido um negócio juntos, o que</p><p>costumava abalar algumas amizades.</p><p>Sergio não questionava por que a amizade</p><p>deles dera certo, mas sentia-se grato por ela.</p><p>Não imaginava que nada aconteceria para</p><p>arruinar o elo entre os três.</p><p>Ele teve que rir ao pensar na segunda regra,</p><p>porém, que era: Viver Plenamente.</p><p>Aquilo significava que deviam dormir com</p><p>todas as garotas atraentes que olhavam na</p><p>direção deles. Fora algo que os três tinham</p><p>levado à cabo muito bem durante seus anos em</p><p>Oxford. Desde a formatura e o início da vida</p><p>real, no entanto, tinham usado de mais</p><p>discernimento. Ao menos Sergio o fizera,</p><p>preferindo a companhia de mulheres que</p><p>tinham mais a oferecer do que seus corpos</p><p>desejosos. Mulheres com carreiras, classe e uma</p><p>conversa interessante. Frequentemente</p><p>mulheres mais velhas, ao contrário de Alex,</p><p>cujas namoradas pareciam cada vez mais novas.</p><p>– Mulheres mais novas não grudam, não</p><p>criticam e nem reclamam tanto quanto as</p><p>mulheres da minha idade – disse ele a Sergio,</p><p>um dia. – Nem sequer querem sempre que eu</p><p>me case com elas.</p><p>Alex ainda era avesso ao casamento. Não</p><p>como princípio. Apenas por si mesmo. Ao</p><p>contrário de Jeremy, não era cético em relação à</p><p>instituição. Seus pais e irmãos desfrutavam</p><p>casamentos felizes. Quanto a Jeremy, o jovem</p><p>se tornara um playboy incorrigível. Suas</p><p>namoradas iam e vinham com alarmante</p><p>velocidade. Ninguém podia se entediar mais</p><p>depressa com uma namorada do que Jeremy.</p><p>Mas havia sempre uma nova, ansiosa para</p><p>pegar o lugar da anterior. A riqueza, boa</p><p>aparência e charme dele sempre fizeram com</p><p>que as mulheres caíssem aos seus pés aonde</p><p>quer que ele fosse. Naturalmente, todas se</p><p>apaixonavam por ele também, um sentimento</p><p>que nunca era correspondido. Jeremy não se</p><p>apaixonava, deixando uma trilha de corações</p><p>partidos em toda a Grã-Bretanha e em metade</p><p>da Europa também. Sergio não aprovava e</p><p>manifestava sua opinião, mas Jeremy apenas</p><p>dava de ombros e dizia que não era o culpado</p><p>por ser volúvel. Era uma falha genética. Seu pai</p><p>estava no terceiro casamento</p><p>o</p><p>mês de julho aqui e as coisas acabaram ficando</p><p>um pouco negligenciadas. Disse para você ir</p><p>procurá-lo quando chegar.</p><p>Bella sorriu. Adorava a maneira como Maria</p><p>falava, com seu sonoro sotaque italiano. Era</p><p>charmosa. O lugar inteiro era charmoso.</p><p>– Oh, Maria! – disse com um suspiro de</p><p>contentamento. – Não faz ideia de como me</p><p>sinto feliz em estar aqui.</p><p>– Não tão feliz quanto Sergio. Ele está...</p><p>exultante.</p><p>Bella suspeitou que Maria estivesse</p><p>exagerando. Sergio não era do tipo que ficava</p><p>exultante. Nunca fora. E, embora ela lhe</p><p>admirasse a personalidade contida, achava-lhe</p><p>a tendência para ser reservado um pouco</p><p>irritante. Nunca se esquecera da noite em que</p><p>completara dezesseis anos, quando lhe pedira</p><p>ousadamente que a beijasse. E o que ele fizera?</p><p>Ficara tenso e lhe dera um beijo inocente, o que</p><p>fora humilhante e a magoara um pouco,</p><p>considerando que o achava tão bonito e sexy.</p><p>Não, Sergio não era do tipo que ficava</p><p>exultante. Com certeza, não era um típico</p><p>italiano de sangue quente. Mas era um bom</p><p>homem, sim.</p><p>– Acho que vou tomar um banho antes de ir</p><p>encontrá-lo. – Ela deu o braço a Maria e virou-</p><p>se para entrar, tirando a ambas do calor.</p><p>Esquecera-se de como ali podia esquentar no</p><p>verão. – Em que quarto me colocou?</p><p>– Sergio disse para colocá-la num dos</p><p>quartos ao lado do dele. Ele está na suíte</p><p>principal.</p><p>Nos velhos tempos, todas as crianças,</p><p>inclusive Sergio, dormiam no último andar da</p><p>villa, em quartos que não tinham o tamanho ou</p><p>o luxo dos quartos do andar intermediário,</p><p>onde todos os três quartos tinham banheiros</p><p>anexos e portas-janelas dando para varandas</p><p>amplas e frescas. A suíte principal, que ficava</p><p>no centro dos três quartos, era grande, com</p><p>uma imensa cama de casal e o banheiro mais</p><p>luxuoso que ela já vira. Era todo de mármore</p><p>preto e com uma enorme banheira de</p><p>hidromassagem.</p><p>Ela acabou ficando com um quarto agradável</p><p>cuja decoração era creme e dourada e o qual</p><p>sempre admirara. Não mudara ao longo dos</p><p>anos, pensou, enquanto se livrava do jeans</p><p>quente e separava um vestido de seda para usar.</p><p>A graciosa mobília antiga era a mesma, assim</p><p>como o papel de parede com frisos dourados e</p><p>as cortinas transparentes que oscilavam com a</p><p>brisa proveniente do lago. O banheiro era</p><p>igualmente bonito, pensou, ao prender o cabelo</p><p>num coque frouxo e tomar um banho rápido.</p><p>O chão e as paredes eram cobertos com</p><p>mármore creme e detalhes em dourado. Os</p><p>acessórios eram dourados, as toalhas, creme,</p><p>felpudas e macias. Uma vez que se enxugou e se</p><p>trocou, ela não perdeu tempo aplicando</p><p>maquiagem. Estava de férias, afinal. E os</p><p>paparazzi não faziam ideia de onde estava.</p><p>Poderia ter se deitado para um cochilo. A</p><p>grande cama era convidativa. A educação,</p><p>porém, insistia para que encontrasse Sergio e</p><p>lhe falasse de sua chegada. Maria dissera que ele</p><p>só a esperava dali a uma hora ou duas.</p><p>Compreensível. Quando o avião fizera a escala</p><p>em Roma, Bella havia sido informada de que o</p><p>voo para Milão atrasaria uma hora, o que ela</p><p>contou a Sergio através de mensagem de texto.</p><p>Mas, na verdade, o avião decolara apenas meia</p><p>hora atrasado e o piloto fizera o percurso em</p><p>um ótimo tempo, uma vez que os ventos</p><p>estavam favoráveis. Assim, ela chegou à villa</p><p>antes da metade da tarde, horário em que</p><p>Sergio a estivera esperando.</p><p>Quando deixou o banheiro, ela saiu para a</p><p>varanda, que lhe deu uma vista excelente, não</p><p>apenas do lago, mas dos belos jardins e</p><p>gramados da villa. Olhando ao redor à procura</p><p>de Sergio, acabou avistando um homem que</p><p>limpava a piscina. Era alto, de cabelo escuro e</p><p>não usava nada além de uma sunga, exibindo</p><p>um físico impressionante.</p><p>Deus do céu, pensou ela com a boca seca,</p><p>enquanto observava a maneira como os</p><p>músculos das costas dele ondulavam sob a pele.</p><p>Não era uma pele alva como a sua, mas</p><p>lindamente bronzeada, da maneira que apenas</p><p>homens do Mediterrâneo conseguiam sem usar</p><p>métodos artificiais. Era bonito da cabeça aos</p><p>pés, pensou, com ombros largos e uma cabeça</p><p>de formato harmonioso e cabelo preto farto</p><p>que cintilava sob o sol. Não conseguia parar de</p><p>olhar para ele, seu coração solitário invejando</p><p>Maria por ter arranjado um marido tão bonito.</p><p>Pois aquele tinha que ser Carlo.</p><p>Mas, tão logo aquele pensamento lhe</p><p>ocorreu, “Carlo” ergueu a cabeça e olhou</p><p>diretamente para ela, seus olhos familiares</p><p>arrancando-lhe uma exclamação surpresa.</p><p>Pois não era Carlo, mas Sergio, o</p><p>supostamente contido Sergio parecendo o</p><p>italiano de sangue quente que sua herança</p><p>apontava. O cabelo estava um pouco mais</p><p>comprido do que se lembrava e a barba por</p><p>fazer de um dia o deixava bastante sexy.</p><p>– O que está fazendo aqui tão cedo? – disse</p><p>ele, sorrindo-lhe.</p><p>Bella esforçou-se para colocar de lado o seu</p><p>choque, tanto com a beleza viril de Sergio</p><p>quanto com sua reação. Não queria se sentir</p><p>atraída por ele; não queria esse tipo de</p><p>distração, nem de complicação. Fora até ali</p><p>com o propósito de descansar. A última coisa</p><p>de que precisava era ser atormentada por</p><p>emoções inesperadas e indesejáveis.</p><p>“Droga, eu não quero isto”, pensou, tomada</p><p>por uma onda de frustração.</p><p>Esperava que, quando ele colocasse alguma</p><p>roupa, conseguisse olhar para Sergio e não</p><p>sentir nada além do que sempre sentira por ele,</p><p>que era admiração e afeição. Não atração</p><p>sexual.</p><p>Ainda assim, era atração sexual que abalava</p><p>sua compostura. Não conseguia parar de olhar</p><p>para ele, o coração disparando. Mas, quando o</p><p>rubor começou a tingir-lhe as faces, reuniu</p><p>toda a força de vontade que possuía e lhe</p><p>retribuiu o sorriso.</p><p>– O piloto ganhou tempo entre Roma e</p><p>Milão. – Seu tom casual surpreendeu-a. Talvez</p><p>fosse uma atriz tão boa quanto Charlie dizia.</p><p>– Entendo. Ouça, estou quase terminando</p><p>aqui, o que é bom – acrescentou Sergio com</p><p>um sorriso. – Não sinto tanto calor há séculos.</p><p>Por favor, desça até a cozinha e peça a Maria</p><p>que abra uma garrafa de vinho gelado. Ela sabe</p><p>qual é o meu favorito. Podemos tomá-lo aqui</p><p>no terraço. Vou apenas dar um rápido</p><p>mergulho primeiro. – Ele andou até a</p><p>extremidade da piscina, onde ficou com as</p><p>pernas ligeiramente entreabertas e os braços ao</p><p>longo do corpo antes de tornar a olhá-la. – Eu</p><p>sugeriria que você se juntasse a mim na piscina,</p><p>mas imagino que esteja sentindo a diferença de</p><p>fuso horário, depois de um voo tão longo.</p><p>– Estou cansada. – Ela conseguiu responder,</p><p>pensando que não se lembrava de já ter sido</p><p>tomada por tamanha atração física.</p><p>Apesar de saber que não deveria ficar</p><p>devorando Sergio com o olhar, percorria-lhe o</p><p>corpo quase nu com olhos ávidos, admirando-</p><p>se com o fato de ele ser tão bonito sem as</p><p>roupas. De melhor aparência do que qualquer</p><p>homem com quem ela já se envolvera. Tinha</p><p>um corpo perfeito, com ombros largos e um</p><p>peito forte encimando uma cintura estreita e o</p><p>abdome rijo. As nádegas eram firmes e as</p><p>pernas, fortes, compridas. Também tinha a</p><p>quantidade certa de músculos. O que quer que</p><p>tenha feito ao longo dos anos, ele cuidara do</p><p>físico. E, aliás, o que andara fazendo desde o</p><p>divórcio de Dolores e Alberto? Ela duvidava</p><p>que ele trabalhara na empresa da família, se</p><p>estivera vivendo em Londres. Os negócios dos</p><p>Morelli eram em Milão. A menos que,</p><p>evidentemente, Alberto tivesse dado ao filho a</p><p>direção de uma filial em Londres, da maneira</p><p>como o próprio pai dele o enviara para Sidney</p><p>todos aqueles anos antes.</p><p>Aquela linha de pensamento distraiu-a da</p><p>embaraçosa contemplação do corpo dele, então</p><p>ela desceu em busca de Maria e da garrafa de</p><p>vinho.</p><p>Quando se sentou à mesa do terraço,</p><p>admitiu a si mesma que não estava apenas</p><p>curiosa com a vida profissional de Sergio, mas</p><p>com a pessoal. Mas com que finalidade?,</p><p>perguntou-se, enquanto observava Sergio nadar</p><p>com facilidade. Fora até o Lago de Como em</p><p>busca de paz e tranquilidade, não para ter um</p><p>romance com seu irmão de criação. O que</p><p>poderia acontecer se ficasse flertando com ele.</p><p>Sabia que os homens a achavam desejável.</p><p>Alguns diziam que era irresistível.</p><p>Até que a levavam para a cama, pensou</p><p>Até que a levavam para a cama, pensou</p><p>aborrecida. Então, depois de algum tempo, não</p><p>a achavam tão desejável, ou irresistível. “Encare</p><p>os fatos, Bella, você</p><p>é um tédio na cama.” Um</p><p>fracasso. Podia ser bonita, mas era incapaz de</p><p>ficar excitada. O fato de achar Sergio</p><p>fisicamente atraente não significava nada.</p><p>Sempre se sentira atraída por homens altos,</p><p>morenos e bonitos. Infelizmente, a atração</p><p>nunca parecia representar paixão, do tipo que</p><p>vencia a timidez e fazia uma pessoa perder o</p><p>controle.</p><p>Bella sempre invejara a maneira como os</p><p>namorados às vezes tinham perdido o controle.</p><p>Seria maravilhoso, ao menos uma vez, perder o</p><p>controle. Mas ela nunca o perdera. Talvez</p><p>nunca o perdesse. Talvez fosse algo que herdara</p><p>da mãe, cuja vontade de ferro e autocontrole</p><p>beiravam a obsessão. Talvez sua timidez</p><p>quando ficava nua não fosse timidez em</p><p>absoluto, mas a recusa em deixar cair as defesas</p><p>inerentes ao fato de ser a filha de uma mulher</p><p>amarga, cínica. Bella não tinha dúvida de que a</p><p>mãe a amava, mas era um tipo deturpado de</p><p>amor. Possessivo, controlador e manipulador.</p><p>Sergio parou na beirada da piscina, a menos</p><p>de três metros da mesa onde ela estava sentada.</p><p>– É hora de eu sair – disse, atraindo a</p><p>atenção dela para o rosto dele, sexy com a barba</p><p>de um dia por fazer.</p><p>Bella conteve um suspiro de exasperação</p><p>diante de seus pensamentos errantes. O bom</p><p>senso exigia que afastasse os olhos de Sergio,</p><p>mas ela não conseguia. Assim, observou com o</p><p>coração acelerado, enquanto ele pousou as</p><p>palmas das mãos na beirada da piscina e deu</p><p>um impulso para cima, com os bíceps se</p><p>avolumando enquanto saía da água com um</p><p>salto ágil. Parou como um grande felino no</p><p>chão de pedra, com a água escorrendo pelo</p><p>cabelo, o peito e os braços. Bella ficou com a</p><p>respiração em suspenso e o olhar faminto</p><p>percorreu-lhe o incrível corpo másculo da</p><p>cabeça aos pés.</p><p>Felizmente, Maria apareceu com o balde de</p><p>gelo e taças àquela altura. Bella ficou contente</p><p>por ter uma desculpa para se virar e ajudá-la.</p><p>Não que desviar o olhar de Sergio tenha</p><p>ajudado muito. Não levara mais que alguns</p><p>segundos para espiar o que havia sob o</p><p>confinamento da sunga justa. Não apenas ele</p><p>era mais sexy sem roupas do que qualquer</p><p>homem com quem ela já estivera, mas era mais</p><p>bem-dotado também. Muito mais bem-</p><p>dotado, se seus olhos não estavam enganados.</p><p>Sua boca ficou seca ao imaginar como seria</p><p>fazer amor com um homem de tais proporções.</p><p>Se bem que “fazer amor” era dificilmente o que</p><p>tinha em mente. A fantasia sexual que</p><p>subitamente povoou sua mente não era</p><p>romântica, nem gentil. Nela, Sergio a possuía</p><p>sem preliminares, sem ternura, sem mentiras</p><p>sobre o amor. Não queria que ele dissesse que a</p><p>amava. Queria apenas sexo. Passional,</p><p>selvagem.</p><p>Não era apenas atração dessa vez, aceitou</p><p>trêmula, enquanto pegava a garrafa de vinho do</p><p>balde de gelo no meio da mesa. Era luxúria. O</p><p>mais famoso dos sete pecados capitais, infame</p><p>por seu poder de seduzir e destruir, por banir a</p><p>consciência e fazer de tolas as mais sensatas das</p><p>pessoas.</p><p>Por mais que ansiasse por aquele cenário em</p><p>que perdia o controle, ela esperara se apaixonar</p><p>na ocasião, não sentir apenas desejo. Quando</p><p>chegara ali, certamente não se imaginara</p><p>sentindo desejo por Sergio. A possibilidade de</p><p>bancar a tola com ele realmente a horrorizava.</p><p>Quando ele enrolou uma toalha nos quadris e</p><p>se sentou à mesa, ela conseguiu banir aquela</p><p>fantasia erótica para um canto da mente,</p><p>determinada a não ceder a impulsos insensatos.</p><p>Já ameaçavam estragar suas férias, algo que se</p><p>recusava a permitir. Precisava daquela folga,</p><p>desesperadamente. O que não precisava era cair</p><p>vítima de sentimentos que eram estritamente</p><p>sexuais e superficiais. Não amava Sergio. Nem</p><p>sequer o conhecia mais. Na verdade, ele era</p><p>virtualmente um estranho. O garoto que ela</p><p>conhecera e gostara tornara-se um homem.</p><p>Um homem com sua própria vida e seus</p><p>próprios planos. Um homem que, sem dúvida,</p><p>teria uma mulher em sua vida. Somente uma</p><p>tola imaginaria o contrário.</p><p>Depois do rompimento com Andrei no ano</p><p>anterior, ela jurara que pararia de ser tola em</p><p>relação aos homens. Era hora de colocar esse</p><p>voto à prova!</p><p>Recobrando-se, adquiriu uma máscara de</p><p>indiferença diante da quase nudez de Sergio e</p><p>preencheu-lhe uma taça com vinho.</p><p>– Você nada muito bem – disse num tom</p><p>neutro, ao entregar-lhe a taça. – Mas, afinal,</p><p>sempre nadou.</p><p>CAPÍTULO 7</p><p>ENQUANTO SE inclinava para pegar sua taça,</p><p>Sergio olhou para os olhos adoráveis mas frios</p><p>dela. Ainda assim, não tinham estado frios</p><p>alguns segundos antes. Tinham estado quentes</p><p>e famintos enquanto o olharam. Ele tinha</p><p>certeza disso.</p><p>Não havia sinal de nada agora, porém. Ela</p><p>estava calma e sofisticada, sentada ali à mesa,</p><p>parecendo incrivelmente desejável num vestido</p><p>de seda floral. Era magra demais, naturalmente.</p><p>Mulheres que viviam sob os holofotes eram</p><p>sempre magras demais, na opinião dele.</p><p>Ironicamente, o fato de Bella ser esguia só a</p><p>tornava mais desejável, dando-lhe ao corpo alto</p><p>e delicado uma fragilidade que era provocante.</p><p>A pele de porcelana estava livre de maquiagem</p><p>e ela tinha o belo cabelo loiro preso, deixando à</p><p>mostra o pescoço elegante e as orelhas</p><p>graciosas. Não estava usando batom, mas não</p><p>era preciso. Os lábios eram cheios e bem-</p><p>desenhados, e rosados em seu estado natural.</p><p>Ele conteve a respiração ao se imaginar</p><p>beijando aquela boca. E aquele pescoço. E as</p><p>orelhas. Quando começou a imaginar muito</p><p>mais, disse a si mesmo para se conter.</p><p>– Eu lembro que você também era um</p><p>peixinho – comentou ele, tomando um longo</p><p>gole do vinho gelado. O nado servira apenas</p><p>parcialmente para abrandar o calor sexual que</p><p>Bella sempre lhe evocava. A ereção já estivera se</p><p>manifestando quando saíra da piscina e, agora,</p><p>estava a mil, o que era um desconforto, levando</p><p>em conta as restrições da Lycra molhada.</p><p>Mas estava acostumado ao desconforto no</p><p>que dizia respeito a Bella.</p><p>Ele ponderava sobre como conduzir o resto</p><p>do dia, quando Maria apareceu no terraço com</p><p>um dos telefones da casa.</p><p>– A condessa – disse, entregando-lhe o fone.</p><p>Sergio sentiu-se momentaneamente</p><p>aborrecido com a interrupção, mas só até ver</p><p>Bella arquear as sobrancelhas. Nada aguçava</p><p>tanto a curiosidade de uma mulher quanto o</p><p>interesse de outra mulher.</p><p>– Com licença por um momento – disse a</p><p>ela, levando o fone ao ouvido. – Claudia. –</p><p>Usou de um tom jovial. – Que bom que você</p><p>ligou.</p><p>– Seu homem levado. Você vem passar uns</p><p>tempos aqui e não me avisa com antecedência.</p><p>Eu teria organizado um jantar em sua</p><p>homenagem na sua chegada se soubesse.</p><p>– Que gentileza sua. Mas não estou disposto</p><p>a muita socialização. Que tal um jantar só para</p><p>nós dois? Amanhã à noite, talvez? Às oito da</p><p>noite está bom para você?</p><p>– Sì. Às oito horas estará ótimo. Pedirei a</p><p>Angela que cozinhe algo especial. E vou abrir o</p><p>Chianti que Giovanni colocou na adega antes</p><p>de morrer.</p><p>O que havia quase dez anos, e significava que</p><p>a bebida estaria fantástica para se beber agora.</p><p>– Vou ficar aguardando. Agora, tenho que</p><p>desligar. Estive limpando a piscina e estou</p><p>ansioso para tomar um banho.</p><p>Ele desligou depressa, antes que Claudia</p><p>pudesse lhe perguntar por que estivera fazendo</p><p>o trabalho de Carlo. Era impossível explicar que</p><p>quisera estar limpando a piscina quando Bella</p><p>chegara. O motorista lhe enviara uma</p><p>mensagem de texto com a hora aproximada da</p><p>chegada dela antes de terem deixado Milão. O</p><p>plano fora o de que Bella o visse em traje de</p><p>banho, certo de que acharia seu corpo atraente.</p><p>Sabia que tinha um ótimo corpo. E, se o que se</p><p>comentava era verdade, Bella tinha uma queda</p><p>por homens altos de pele bronzeada e cabelos</p><p>escuros. Estava certo de que seu plano dera</p><p>certo. Ela o devorara com os olhos mais de uma</p><p>vez.</p><p>Mas Bella era uma mulher sofisticada e</p><p>muito bonita. Uma mulher bem-sucedida. Não</p><p>precisava ir atrás de homem nenhum, nem de</p><p>um que achasse fisicamente atraente. Estaria</p><p>acostumada a homens indo atrás dela,</p><p>enviando-lhe flores e cobrindo-a de palavras de</p><p>admiração e desejo. Ele pensara em usar tal</p><p>método para seduzi-la, mas mudara de ideia,</p><p>certo de que ela ficaria entediada com uma</p><p>tática tão óbvia. Queria ser mais original do</p><p>que isso. Levando em conta a intimidade de</p><p>estarem vivendo na mesma casa, tinha certeza</p><p>de que uma</p><p>situação propícia à sedução se</p><p>apresentaria cedo ou tarde.</p><p>– Uma condessa, Sergio? – perguntou Bella</p><p>num tom sardônico. – Ela tem cabelo ruivo,</p><p>talvez?</p><p>Ele franziu a testa.</p><p>– Por que pergunta isso?</p><p>– Uma mulher bastante atraente de cabelo</p><p>ruivo deu o braço a você no funeral do seu pai</p><p>enquanto estávamos conversando.</p><p>Sergio não conseguia se lembrar. Mas Bella,</p><p>sim. O que era interessante.</p><p>– Claudia é ruiva. Sim. É minha vizinha.</p><p>Mora numa villa na colina à nossa esquerda. É</p><p>uma boa vizinha. E uma boa amiga.</p><p>– E o conde é um bom amigo seu também?</p><p>Ele sorriu. Ela estava com ciúme.</p><p>Obviamente, estava aborrecida com o fato de</p><p>ele ter concordado em jantar em outro lugar</p><p>tão perto de sua chegada. E fora por aquela</p><p>razão que ele sugerira o jantar, tendo decidido</p><p>seguir uma das táticas que Jeremy sugerira na</p><p>outra noite. A de fingir falta de interesse.</p><p>– O conde morreu há vários anos –</p><p>informou ele a uma curiosa Bella.</p><p>– Entendo.</p><p>Ela não entendia, obviamente. Mas tudo</p><p>Ela não entendia, obviamente. Mas tudo</p><p>bem. Aquilo se adequava ao propósito de</p><p>Sergio de que Bella acreditasse que Claudia era</p><p>uma viúva alegre e que, na noite seguinte, ele</p><p>teria a bonita viúva nos braços. Mas Claudia</p><p>devia ter, no mínimo, cinquenta e cinco anos, e</p><p>seu cirurgião plástico merecia uma medalha</p><p>pelo maravilhoso trabalho que fizera ao longo</p><p>dos anos.</p><p>Maria apareceu à mesa naquele momento</p><p>com dois pratos de bruschetta. Sergio ficou</p><p>grato pela comida. Já almoçara, mas parecia</p><p>que fazia horas, pois seu apetite se acentuara</p><p>com o esforço físico.</p><p>Todos os seus apetites estavam acentuados</p><p>no momento.</p><p>– E então, vai me dizer por que estava tão</p><p>desesperada para se afastar de tudo? –</p><p>perguntou a Bella, servindo-se.</p><p>– É difícil colocar em palavras. Acho que me</p><p>cansei de tudo. Do trabalho. Da vida. E dos</p><p>homens. Especialmente dos homens.</p><p>Péssimo, pensou Sergio. De repente, seu</p><p>objetivo de seduzir Bella tornou-se mais difícil.</p><p>– Sou um homem.</p><p>– Sei disso. Mas você é… diferente.</p><p>– Não tão diferente quanto você possa pensar</p><p>– resmungou ele, odiando a maneira como a</p><p>consciência estava subitamente incomodando-</p><p>o.</p><p>– Você não diria a uma mulher que a ama só</p><p>para levá-la para a cama, não é?</p><p>– Não, não diria. – Por mais que ele se</p><p>sentisse tentado.</p><p>– Viu? Você é diferente dos patifes imorais</p><p>com quem tive o azar de me envolver. Você é</p><p>um cavalheiro.</p><p>– Mas não menos homem. Se eu quisesse</p><p>realmente uma mulher, eu poderia nem sempre</p><p>agir como um cavalheiro.</p><p>– Não acredito nisso.</p><p>– Então, você é uma tola. – A frustração</p><p>– Então, você é uma tola. – A frustração</p><p>deixou Sergio impaciente.</p><p>Quando viu a mágoa nos olhos azuis dela,</p><p>seu remorso foi imediato.</p><p>– Peço desculpas. Eu não deveria ter dito</p><p>isso. Mas não sou um santo, e você é uma</p><p>mulher muito bonita.</p><p>Ambos se entreolharam, e ele notou o pânico</p><p>instantâneo nos olhos dela. Não soube se eram</p><p>boas ou más notícias.</p><p>– T-Talvez a minha estada aqui não tenha</p><p>sido uma ideia tão boa, afinal. Acho que seria</p><p>melhor se eu me hospedasse num hotel.</p><p>Sergio não a deixaria fugir. Sempre soubera</p><p>que a seduzir seria um desafio. Mas seria</p><p>impossível, se ela não estivesse debaixo do seu</p><p>teto.</p><p>– Não seja boba – disse numa voz aveludada,</p><p>a que usava para fechar acordos difíceis. – Não</p><p>vou lhe dar nenhuma cantada tosca no</p><p>momento em que Maria for para casa hoje à</p><p>tarde. Estou sem namorada no momento, mas</p><p>estou numa idade em que posso ficar sem sexo</p><p>por um mero mês. Assim, coma, beba e, então,</p><p>vá tirar uma necessária soneca.</p><p>CAPÍTULO 8</p><p>MAS AQUELE era o problema, queixou-se Bella</p><p>consigo mesma enquanto desviava os olhos dos</p><p>dele para a comida. Quaisquer atenções da</p><p>parte dele seriam bem-vindas. E a cantada</p><p>podia ser tão tosca quanto ele quisesse. “Diga-</p><p>me que você me quer. Aqui mesmo e agora. Na</p><p>mesa ou no chão.” Ela não diria não. Queria</p><p>que ele arrancasse sua calcinha e a possuísse.</p><p>Sem preocupações. Sem palavras de amor e</p><p>nem mesmo de afeição.</p><p>Deus do céu, o que estava lhe acontecendo?</p><p>Aquela não era ela, aquela criatura que queria</p><p>coisas chocantes, que subitamente ansiava por</p><p>elas. Mas era lógico que tudo estava apenas em</p><p>sua mente. Não era real. Se Sergio lhe dessa</p><p>uma cantada, ela correria um quilômetro.</p><p>Mas não estava tudo apenas na sua cabeça,</p><p>não era? O calor úmido entre suas coxas era</p><p>real. Também o eram a aceleração no coração e</p><p>o intumescimento dos mamilos. Eram coisas</p><p>bastante reais. E desconcertantes.</p><p>Tinha de ir embora. Talvez não agora. Mas</p><p>logo que pudesse fazê-lo sem ofender Sergio.</p><p>Dali a dois dias, inventaria um telefonema de</p><p>Hollywood com uma oferta que não pudesse</p><p>recusar. Naquele meio tempo, manteria o</p><p>máximo de distância possível de Sergio. De</p><p>repente, o fato de que ele jantaria com a tal</p><p>condessa na noite seguinte não a incomodava</p><p>tanto, embora detestasse a ideia de que ele faria</p><p>sexo com ela. O que era absurdo. Por que ele</p><p>não faria sexo com a mulher se quisesse? Afinal,</p><p>dissera que estava sem namorada no momento.</p><p>Mas não adiantava. Só em pensar em Sergio</p><p>fazendo sexo com aquela mulher ela se roía de</p><p>ciúme por dentro.</p><p>Erguendo os olhos, encontrou os dele e</p><p>temeu deixá-lo ver a culpa que a consumia.</p><p>Embaraçada, disse a primeira coisa em que</p><p>conseguiu pensar.</p><p>– A que horas será o jantar hoje à noite?</p><p>– No horário que você quiser. Não quero que</p><p>Maria cozinhe e já lhe disse que pode ir embora</p><p>à tarde. Ela tem trabalhado arduamente nos</p><p>últimos dois dias, limpando a villa de alto a</p><p>baixo. Achei que pudéssemos caminhar até o</p><p>vilarejo e jantar lá. Vários restaurantes novos</p><p>surgiram desde a última vez em que você esteve</p><p>aqui. Mas, se estiver cansada demais para sair,</p><p>posso preparar alguma coisa.</p><p>– Você sabe cozinhar?</p><p>– Sou um solteiro vivendo no século vinte e</p><p>um. É claro que sei cozinhar. Se estivermos</p><p>falando em termos de um filé e de uma salada,</p><p>claro – acrescentou Sergio com um sorriso</p><p>maroto.</p><p>Bella não confiava em si mesma por não</p><p>saber como se comportaria se ambos tivessem</p><p>um jantar íntimo a sós na villa. Era melhor que</p><p>jantassem em público. Aquilo também</p><p>garantiria que Sergio estivesse totalmente</p><p>vestido. Quem saberia o que ele costumava</p><p>usar em casa?</p><p>Fazia calor. Talvez usasse apenas short,</p><p>deixando o peito despido. Seu peito viril,</p><p>másculo.</p><p>– Gosto de filé e salada – disse, desviando os</p><p>olhos daquele peito incrível para sua taça de</p><p>vinho –, mas eu gostaria de sair. Desde que</p><p>consiga dormir um pouco primeiro.</p><p>– Está certo. Ei, você não está comendo.</p><p>– Oh. Não. Não estou com fome. Estou</p><p>apenas cansada e com sede. – Ela esvaziou a</p><p>taça, esperando que o vinho abrandasse seu</p><p>desejo e a fizesse dormir. Afastando a cadeira</p><p>para trás, levantou-se. – Acho que vou subir até</p><p>o meu quarto agora.</p><p>– Leve o prato com você. Precisa comer.</p><p>– Está dizendo que estou magra demais? –</p><p>replicou Bella, tendo ficado sensível a</p><p>comentários sobre seus hábitos alimentares nos</p><p>anos mais recentes. Quando estava estressada,</p><p>não conseguia comer. Nas raras ocasiões em</p><p>que se sentia feliz, comia com prazer e seu peso</p><p>subia e descia como um ioiô. Geralmente,</p><p>perdia mais peso do que devia, porém. No</p><p>momento, estava ligeiramente abaixo do peso.</p><p>Mas não perigosamente.</p><p>– Você ficaria bem com mais alguns quilos.</p><p>Embora o comentário fosse sincero, ainda a</p><p>aborreceu.</p><p>– E você ficaria bem sendo mais educado.</p><p>Espero ser criticada pela mídia, mas não pelos</p><p>meus amigos.</p><p>De imediato, ele adquiriu uma expressão de</p><p>remorso.</p><p>– Tem razão. Desculpe. Geralmente tenho</p><p>mais tato do que isso. Estou preocupado com</p><p>você, nada mais. Como falei antes, você é uma</p><p>mulher muito bonita. Você seria bonita com</p><p>qualquer peso. Mas está claro que vem</p><p>trabalhando arduamente demais. Precisa</p><p>relaxar e comer, não apenas beber.</p><p>– Posso lembrá-lo – retrucou ela aborrecida</p><p>– que você não é mais o meu irmão mais velho?</p><p>O meu bem-estar não é da sua conta. Nem o</p><p>meu peso. Assim, me poupe dos sermões sobre</p><p>comer e beber. Se quisesse ouvir sermões, eu</p><p>teria ficado em Sydney com a minha mãe.</p><p>Agora, se não se importa, vou subir para o meu</p><p>necessário repouso.</p><p>SERGIO CONTRAIU o rosto enquanto a observava</p><p>se afastar.</p><p>Muito bem. Aquela era a maneira de seduzir</p><p>uma mulher. Dizer-lhe que era magra demais!</p><p>Ele soltou um riso seco. Ao menos, ela</p><p>reconhecia que ele não era mais seu irmão mais</p><p>velho. Chamara-o de amigo. Era um começo.</p><p>Mas, de repente, pareceu um longo caminho de</p><p>amigo até amante.</p><p>Maria saiu para o terraço e olhou de cenho</p><p>franzido para o prato cheio na mesa.</p><p>– Deixe – disse Sergio, ao vê-la fazer menção</p><p>de recolher o prato. – Estou com fome por dois.</p><p>– Sempre comia bastante quando estava</p><p>estressado.</p><p>Maria fez um som de reprovação com a</p><p>língua.</p><p>– Aquela garota está magra demais.</p><p>– Eu sei. Eu lhe disse isso – confirmou</p><p>Sergio, servindo-se de mais uma bruschetta.</p><p>Maria olhou-o como se tivesse enlouquecido.</p><p>– Você é stupido – disse, sacudindo a mão no</p><p>ar. – Como acha que vai conseguir levar Bella</p><p>para a cama dizendo coisas desse tipo?</p><p>Sergio quase engasgou com a comida. Ainda</p><p>assim, deveria ter sabido que não conseguiria</p><p>enganar Maria. Era uma mulher esperta. Ao</p><p>menos agora ele não teria que esconder suas</p><p>intenções.</p><p>– Há quanto tempo você sabe?</p><p>– Que você está apaixonado por Bella? –</p><p>Maria deu de ombros. – Eu sempre soube.</p><p>Desde que vocês eram crianças. Você se tornou</p><p>um garoto diferente quando ela entrou na sua</p><p>vida. Ela iluminou a sua alma.</p><p>Sergio tornou a rir. Ela certamente iluminara</p><p>algo. Mas não era a alma dele.</p><p>– Não estou apaixonado por Bella, Maria. Eu</p><p>a amava quando era garoto. Como era possível</p><p>não a amar naquela época? Mas ela não é mais</p><p>a garotinha encantadora que era. Ela cresceu</p><p>para se tornar uma mulher absorvida pela</p><p>carreira e com uma fileira de namorados.</p><p>Também se tornou a mulher mais desejável da</p><p>face da terra. Assim sendo, sim, eu gostaria de</p><p>levá-la para a minha cama. Não vou negar. Mas</p><p>é tudo que eu quero.</p><p>– Vocês, homens. Nunca sabem o que</p><p>– Vocês, homens. Nunca sabem o que</p><p>querem, ou o que sentem. Meu Carlo. Ele</p><p>pensava o mesmo, mas, assim que tive seus</p><p>filhos, ele viu a verdade. Que é amor o tempo</p><p>todo.</p><p>– Está falando sobre mim, caro? – disse o</p><p>próprio homem, adiantando-se pelo terraço.</p><p>Carlo era um homem bonito com cabelo</p><p>cacheado preto e bom humor constante. Havia</p><p>sido mulherengo quando mais jovem, mas</p><p>agora era um dedicado homem de família,</p><p>provando que as pessoas podiam mudar.</p><p>– Sì, Carlo. – Maria abriu-lhe um sorriso. –</p><p>Eu estava dizendo que marido maravilhoso e</p><p>papà você é.</p><p>Carlo deu um largo sorriso.</p><p>– Eu me empenho ao máximo para cuidar</p><p>dos meus bambinos.</p><p>– Isso mesmo.</p><p>– A lancha já está pronta? – perguntou</p><p>Sergio.</p><p>Designara a Carlo a tarefa de limpar a lancha</p><p>de seu pai, enquanto ele cuidara da piscina.</p><p>– Sì. Verifiquei o motor e limpei tudo até</p><p>brilhar.</p><p>– Muito obrigado. Você trabalha muito bem.</p><p>– E você é um ótimo patrão.</p><p>– Mas ainda estúpido – disse Maria,</p><p>revirando os olhos depois que o marido se</p><p>afastou.</p><p>Sergio soltou um suspiro.</p><p>– Entendo o que quer dizer, Maria.</p><p>Ela murmurou algo em italiano e deixou-o</p><p>no terraço sentindo-se desgostoso consigo</p><p>mesmo. Por que cometera a gafe das gafes,</p><p>comentando sobre o peso de Bella? Era culpa</p><p>dela, evidentemente. Sempre que entrava na</p><p>cabeça dele, seu cérebro não raciocinava</p><p>direito.</p><p>“Pense!”, ordenou a si mesmo. “Pense!”</p><p>Havia dois rumos a tomar, decidiu enquanto</p><p>terminava a bruschetta e o vinho. Podia adotar</p><p>a abordagem paciente. Conversar com ela</p><p>primeiro, como um amigo. Fazer-lhe perguntas</p><p>sobre a carreira. Demonstrar interesse na vida</p><p>dela. Descobrir o que planejava fazer no futuro.</p><p>Já havia percebido, anteriormente, que as</p><p>mulheres gostavam de homens que eram bons</p><p>ouvintes.</p><p>Alternativamente, poderia usar a abordagem</p><p>de mau rapaz, o que significaria que, da vez</p><p>seguinte que estivessem juntos a sós, se o clima</p><p>estivesse certo, ele lhe daria uma cantada. Não</p><p>tosca, evidentemente. Algo suave e sofisticado.</p><p>Algo original e inteligente. Seria um risco, mas</p><p>um que valeria a pena correr. Pois ele</p><p>suspeitava que logo perderia a paciência em</p><p>saber que ela estava dormindo no quarto ao</p><p>lado do seu. Ele certamente não conseguiria</p><p>dormir.</p><p>Aliás, estava cansado de pensar. Tomaria um</p><p>banho e tentaria tirar uma soneca também</p><p>enquanto era possível. Tomar vinho daquele</p><p>jeito durante o dia deixava-o sonolento. Mas</p><p>aquele não era um dia normal.</p><p>CAPÍTULO 9</p><p>BELLA REVIROU-SE na cama, a diferença de fuso</p><p>horário e a falta de comprimidos tornando o</p><p>sono impossível.</p><p>Ainda assim, precisava dormir.</p><p>Desesperadamente. Precisava deixar para trás</p><p>pensamentos que a atormentavam. Ainda</p><p>achava difícil acreditar que passara a sentir</p><p>desejo por Sergio. Certo, era um homem de</p><p>porte impressionante e agora com um corpo</p><p>fantástico, bem diferente do adolescente</p><p>desengonçado que conhecera todos aqueles</p><p>anos antes. Mas ainda era Sergio, aquele que</p><p>fora seu irmão de criação, que era um homem</p><p>bom que a estava deixando ficar ali, apesar de</p><p>ela ter-lhe dado as costas e ao pai dele depois</p><p>do divórcio de sua mãe.</p><p>Surpreendentemente, ele não parecia guardar</p><p>nenhum ressentimento dela. Seu jeito ao</p><p>telefone fora bastante caloroso. Ocorrera a ela</p><p>durante o voo que ambos teriam ótimos</p><p>momentos juntos, conversando sobre os velhos</p><p>tempos, relaxando na companhia um do outro.</p><p>Pensara, inclusive, em lhe pedir conselhos sobre</p><p>o que deveria fazer com o resto de sua vida.</p><p>Pensara nele como o sensato Sergio, não o sexy</p><p>Sergio.</p><p>Não imaginara nem por um momento que</p><p>seria instantaneamente tomada por um desejo</p><p>tão forte que tornava a sua estada ali</p><p>impossível. Lágrimas ameaçaram dominá-la,</p><p>lágrimas de exaustão e frustração. Porque</p><p>queria ficar. E queria Sergio. O que, afinal, iria</p><p>fazer?</p><p>Tomar um banho quente para começar,</p><p>disse-lhe aquela voz exasperada na mente que</p><p>sempre intervinha quando Bella não conseguia</p><p>pensar com clareza. Ou um banho frio. Devia</p><p>fazer alguma coisa. Não apenas ficar ali</p><p>gemendo, fazendo um dramalhão.</p><p>Cerrando os dentes, entrou no banheiro e</p><p>ficou debaixo da água quente do chuveiro</p><p>longamente sem se importar em estar</p><p>molhando o cabelo. Quando terminou, sentia-</p><p>se melhor, embora a aparência não estivesse tão</p><p>boa. O cabelo longo ficava espigado quando o</p><p>molhava. Suspirando, usou o secador de cabelo</p><p>para domá-lo e colocou o pijama novo de seda</p><p>de volta. Comprara-o no aeroporto de Mascot</p><p>enquanto esperara o voo ser chamado.</p><p>Comprara um biquíni também.</p><p>Quando escovou os dentes e voltou ao</p><p>quarto, o sol já estava baixo no céu, com seus</p><p>raios batendo na varanda e envolvendo o</p><p>quarto com uma luminosidade suave. Quando</p><p>as cortinas esvoaçaram com a brisa, ela se viu</p><p>saindo para a varanda, esperando que a vista do</p><p>lago ajudasse a acalmar seus nervos.</p><p>O lago era tão bonito, com a água de um</p><p>azul-escuro e verde e barcos de todos os tipos</p><p>deslizando pela superfície. Barcos a vela,</p><p>lanchas, balsas. Bella ficou na amurada de</p><p>pedra e observou as embarcações por algum</p><p>tempo antes de erguer os olhos para o outro</p><p>lado do lago, onde mais villas magníficas</p><p>salpicavam a margem, algumas ocultas por</p><p>árvores altas. Olhou, então, para as montanhas</p><p>que se elevavam até o céu azul com os picos</p><p>mais elevados nevados, embora fosse verão.</p><p>Apesar da vista, seus pensamentos</p><p>continuaram girando em torno de Sergio.</p><p>– Vejo que você não consegue dormir</p><p>também – disse ele, materializando-se na</p><p>varanda ao seu lado.</p><p>Bella gelou enquanto virava a cabeça para</p><p>olhá-lo, já adivinhando que Sergio não estava</p><p>usando mais roupas do que usara previamente.</p><p>E teve razão. Ele estava nu em grande parte.</p><p>Braços. Peito. Pernas e pés.</p><p>A cueca de cetim preta que ele estava usando</p><p>não era tão reveladora quanto a sunga da</p><p>piscina, mas, ainda assim, era íntima. O pijama</p><p>de seda dela não ficava atrás, consistindo de</p><p>short e uma regata com um decote acentuado</p><p>em “V”.</p><p>– Já faz algum tempo que venho tendo</p><p>problemas para dormir – contou ela com</p><p>franqueza. – Geralmente, tomo um</p><p>comprimido para dormir, mas esqueci de</p><p>trazer os meus. Você não teria algum, por</p><p>acaso? – acrescentou, espiando-o mais uma vez.</p><p>Oh, que masoquista era!</p><p>– Desculpe. Não acredito nesse tipo de coisa.</p><p>Não que eu costume ter problemas com</p><p>insônia. Eu me exercito e nado bastante.</p><p>Numa</p><p>rara ocasião em que não consiga dormir, como</p><p>agora, tento a pílula para dormir da Mãe</p><p>Natureza.</p><p>Bella virou-se e o encarou, a frustração</p><p>tornando sua voz áspera.</p><p>– Bem, lamento, mas acho que uma xícara de</p><p>chá de camomila não vai adiantar.</p><p>Ele riu e seus olhos escuros brilharam com</p><p>humor e algo mais intenso.</p><p>– Eu não estava me referindo a chá de</p><p>camomila. Estava falando sobre sexo. Não acha</p><p>que depois de um orgasmo ou dois, você</p><p>adormece mais facilmente?</p><p>Bella não soube o que dizer. Nunca tivera um</p><p>orgasmo, quanto mais dois. Chegara perto</p><p>algumas vezes – ou achara que sim –, mas</p><p>nunca tivera a total satisfação. Apenas total</p><p>frustração.</p><p>– Sim, bem, estou há algum tempo sem</p><p>namorado... – Foi tudo que lhe ocorreu dizer.</p><p>Sergio a olhou de cima a baixo, e Bella sentiu</p><p>seu coração bater tão forte que teve a sensação</p><p>de que ele o ouviu.</p><p>– Você não precisa de um namorado para</p><p>– Você não precisa de um namorado para</p><p>fazer sexo. Apenas de um homem. Pode me</p><p>usar, se quiser. Como apontei antes, sou um</p><p>homem – acrescentou ele com um brilho</p><p>predatório no olhar.</p><p>Ela apenas o encarou com ar chocado. Quem</p><p>teria acreditado que Sergio podia ser tão... tão?</p><p>Ela não conseguiu encontrar a palavra certa.</p><p>“Sexy” não era forte o bastante. “Malicioso”</p><p>estava mais perto do sentido.</p><p>Uma imagem surgiu em sua mente, a de</p><p>como ele parecera bem-dotado naquela</p><p>reveladora sunga à tarde e de como ela tentara</p><p>imaginar como seria ter um homem daqueles</p><p>possuindo-a. Sua boca ficou seca diante do</p><p>pensamento, e o coração acelerou.</p><p>– Não pode estar falando sério! – exclamou,</p><p>enfim.</p><p>– Estou falando bastante sério.</p><p>– Mas eu... você… nós…</p><p>– Não temos parentesco algum. Nunca</p><p>– Não temos parentesco algum. Nunca</p><p>tivemos. Ouça, eu sempre gostei de você.</p><p>Especialmente depois que você cresceu e se</p><p>tornou famosa e linda. Para dizer a verdade, a</p><p>maior parte da população masculina do mundo</p><p>gosta da bonita Bella. Assim, não deve ser</p><p>árduo fazer amor com você.</p><p>Bella engoliu em seco. O choque e a tentação</p><p>a deixaram sem fala. Nem em seus mais loucos</p><p>sonhos teria achado que Sergio lhe proporia tal</p><p>coisa. Queria dizer sim. Realmente queria. Mas</p><p>encontrar aquela pequenina palavra era difícil.</p><p>– Não costumo ir para a cama com um</p><p>homem apenas para conseguir dormir.</p><p>Ele deu de ombros.</p><p>– Há sempre a primeira vez para tudo.</p><p>– Eu... Eu não sei. – Ela tentou encontrar</p><p>uma razão qualquer para dizer não, enquanto o</p><p>pânico avançava. – As pessoas dizem que o sexo</p><p>é uma maneira de acabar com as amizades.</p><p>– Ora, vamos, não é como se vivêssemos um</p><p>– Ora, vamos, não é como se vivêssemos um</p><p>do lado do outro. Quando o mês terminar,</p><p>você voltará para Nova York e provavelmente</p><p>não nos veremos por uma década.</p><p>Bella franziu a testa, não gostando daquela</p><p>ideia nem um pouco.</p><p>– Como é aquela expressão? – disse Sergio</p><p>com um sorriso irônico. Como não havia</p><p>separação entre as varandas, segurou-a pelos</p><p>ombros e puxou-a na sua direção. – Amigos</p><p>com benefícios? É o que podemos ser. Amigos</p><p>com benefícios.</p><p>Bella não fez nenhum comentário. Não pôde.</p><p>Porque, àquela altura, ele cobriu-lhe os lábios</p><p>com os seus.</p><p>CAPÍTULO 10</p><p>SERGIO TENTOU não perder a cabeça. Tentou</p><p>conduzir as coisas devagar. Mas era Bella que</p><p>estava finalmente beijando. Era Bella que estava</p><p>derretendo em seus braços e gemendo daquela</p><p>maneira sexy que as mulheres faziam quando</p><p>estavam excitadas. Qualquer preocupação</p><p>momentânea que tivera de que ela não</p><p>corresponderia foi banida ao som daquele</p><p>primeiro gemido, e o controle dele se dissipou</p><p>ao mesmo tempo. Suas mãos tremeram ao</p><p>erguê-las dos ombros de Bella e segurar-lhe as</p><p>faces, enquanto lhe entreabria os lábios</p><p>carnudos e lhe invadia a maciez da boca com a</p><p>língua. Ela a recebeu avidamente, e a própria</p><p>língua se entrelaçou com a de Sergio numa</p><p>dança erótica que fez com que a ereção dele se</p><p>manifestasse no mesmo instante.</p><p>O grunhido dele foi em parte de paixão, em</p><p>parte de dor. Com grande relutância, afastou os</p><p>lábios dos dela, sabendo que precisava parar</p><p>agora ou não conseguiria manter o controle</p><p>pelo tempo que queria. De maneira alguma iria</p><p>desapontá-la. Não na primeira vez. Não se</p><p>queria que Bella desejasse mais do que apenas</p><p>uma aventura de uma noite.</p><p>– Uau, Bella – disse com um sorriso, ao</p><p>colocar as mãos de volta nos ombros dela. –</p><p>Você beija muito bem. – Evidentemente ela</p><p>tivera bastante prática. Não um pensamento do</p><p>qual ele gostasse. – A menos que você queira</p><p>fazer sexo aqui na varanda – acrescentou</p><p>secamente –, sugiro que entremos no quarto.</p><p>Ela piscou algumas vezes e tinha o rosto</p><p>corado.</p><p>– Bella? – persistiu ele, quando ela</p><p>– Bella? – persistiu ele, quando ela</p><p>permaneceu em silêncio. – No seu quarto, ou</p><p>no meu?</p><p>Ela continuou em silêncio, parecendo</p><p>desorientada. Talvez não tivesse esperado</p><p>gostar tanto de beijá-lo quanto obviamente</p><p>gostara. O que quer que fosse, Sergio não a</p><p>deixaria desistir da ideia de fazer sexo com ele.</p><p>Assim, ergueu-a nos braços e carregou-a</p><p>rapidamente até a suíte. Ela não protestou,</p><p>embora tenha arregalado os olhos quando ele a</p><p>deitou sobre os lençóis de cetim preto da</p><p>grande cama de casal.</p><p>Ainda não disse nada.</p><p>– Ouça, se você é uma daquelas mulheres</p><p>que não gostam de falar durante o sexo, diga</p><p>agora. – Sergio usou deliberadamente a</p><p>conversa para abrandar a urgência do seu</p><p>desejo.</p><p>– Não gosto de conversar – disse ela numa</p><p>voz baixa e rouca.</p><p>Ele deu de ombros.</p><p>– É uma pena. É bom saber do que uma</p><p>mulher gosta e não gosta, especialmente na</p><p>primeira vez.</p><p>– Entendo. – Bella o fitou com seus bonitos</p><p>olhos de uma maneira que o fez querer beijá-la</p><p>outra vez. Mas ele não ousou.</p><p>– E então, há alguma coisa de que você goste</p><p>especialmente? Além de beijar, quero dizer.</p><p>Vejo que gosta disso.</p><p>Ela franziu a testa como se não soubesse o</p><p>que responder.</p><p>– Não... Não realmente.</p><p>– Ótimo. E quanto a coisas de que você não</p><p>gosta?</p><p>Um pequeno sorriso surgiu nos lábios dela.</p><p>– Eu não gosto de conversar.</p><p>Ele riu.</p><p>– Certo. Nada mais de conversar.</p><p>Não se importou. Já tivera sua pausa e seu</p><p>corpo estava novamente sob controle. Mais ou</p><p>menos.</p><p>Apoiando-se no cotovelo esquerdo, abriu o</p><p>primeiro botão da blusa de seda do pijama dela,</p><p>dizendo a si mesmo o tempo todo para não lhe</p><p>observar os seios. Devia apenas despi-la.</p><p>Se ao menos Bella não tivesse soltado uma</p><p>exclamação abafada quando ele lhe abriu a</p><p>blusa... Se ao menos não tivesse fechado os</p><p>olhos e apoiado a cabeça no travesseiro pois os</p><p>gestos a fizeram arquear os seios na direção</p><p>dele de maneira convidativa. Foi impossível</p><p>não olhar depois disso. Impossível não tocar.</p><p>Bella não estava magra demais.</p><p>Absolutamente. Ao menos, os seios estavam</p><p>cheios.</p><p>Eram perfeitos, com pele acetinada e</p><p>mamilos rosados, provocantes. Imploravam</p><p>pelas carícias da língua e dos lábios dele.</p><p>Prontamente, Sergio beijou-lhe os seios e</p><p>lambeu-lhe, então, os mamilos, sugando-os</p><p>avidamente em seguida, alheio ao perigo para o</p><p>seu controle. Bella começou a gemer e, então, a</p><p>virar a cabeça de um lado ao outro no</p><p>travesseiro. Ela afundou as mãos no cabelo</p><p>dele, puxando-o mais para si. Soltou um</p><p>pequeno grito de desapontamento quando ele</p><p>deixou seus seios para descer mais, livrando-a</p><p>da parte de baixo do pijama. Emitiu o mais</p><p>fraco protesto quando ele lhe abriu suas pernas.</p><p>Mas não houve queixa alguma quando ele</p><p>alcançou o alvo com os lábios. Bella se</p><p>contorceu e arqueou os quadris com prazer,</p><p>gemendo enquanto ele lhe explorava as zonas</p><p>erógenas com a língua e dedos.</p><p>Daquele momento em diante, o orgasmo</p><p>dela ficou garantido. Assim como o dele.</p><p>O clímax chegou para ambos ao mesmo</p><p>tempo. Mas eles ainda não estavam juntos.</p><p>Sergio deixou qualquer desapontamento de</p><p>lado ao se dar conta de que era apenas o</p><p>começo. Bella era sua agora, pensou, enquanto</p><p>se virava para sentar na beirada da cama.</p><p>Sexualmente, ao menos. Tudo o que tinha de</p><p>fazer era satisfazê-la e ela voltaria em busca de</p><p>mais.</p><p>Finalmente, ela abriu os olhos e o fitou com</p><p>uma expressão maravilhada.</p><p>– Eu não fazia ideia de que podia ser assim –</p><p>disse, soando aturdida.</p><p>– Assim como? – Ele percorreu-lhe a</p><p>deliciosa</p><p>nudez com um olhar demorado.</p><p>Ela fechou as pernas, parecendo confusa.</p><p>– Pensei... Pensei que precisasse estar</p><p>apaixonada para... para… você sabe...</p><p>Sergio estava perplexo com o fato de uma</p><p>mulher de trinta anos como Bella poder ser tão</p><p>ingênua.</p><p>– Às vezes, sexo sem amor é melhor. –</p><p>Ocorreu a ele que não sabia realmente, uma vez</p><p>que nunca se apaixonara. – Você pode se</p><p>concentrar na parte física em vez de na</p><p>emocional. As emoções complicam as coisas.</p><p>– Acho que tem razão. Você já se apaixonou</p><p>– Acho que tem razão. Você já se apaixonou</p><p>alguma vez?</p><p>– Não – respondeu ele abruptamente,</p><p>aborrecido com o fato de Maria ter colocado</p><p>ideias sobre amor na sua mente antes. Não</p><p>estava apaixonado por Bella. Decididamente</p><p>não. – Agora tenho que ir até o banheiro por</p><p>um segundo. Depois, vamos deitar e fazer sexo</p><p>de verdade.</p><p>CAPÍTULO 11</p><p>– DEUS DO céu – sussurrou Bella para si</p><p>mesma, depois que Sergio fechou a porta do</p><p>banheiro.</p><p>O que acontecera com a Bella que detestava</p><p>ficar nua diante dos homens? Que detestava</p><p>sexo oral? Que nunca tivera um orgasmo?</p><p>Desaparecera, pensou com uma inebriante</p><p>onda de prazer. Desaparecera!</p><p>Levou as mãos para tocar os bicos dos seios</p><p>sensíveis e deslizou-as até o abdome</p><p>subitamente tenso. Um arrepio percorreu-lhe a</p><p>espinha quando abriu as pernas outra vez, o</p><p>bastante para colocar a mão entre as coxas.</p><p>– Oh, sim – sussurrou, quando seus dedos</p><p>– Oh, sim – sussurrou, quando seus dedos</p><p>tocaram o clitóris sensível. Fechou os olhos,</p><p>movendo a mão pelas dobras escorregadias, até</p><p>que encontrou a entrada molhada para o seu</p><p>corpo. Nunca estivera tão molhada daquele</p><p>jeito. Ou excitada. Gemeu ao pensar como seria</p><p>quando Sergio a penetrasse.</p><p>Como sua mão foi afastada abruptamente,</p><p>ela abriu os olhos e soltou uma exclamação</p><p>surpresa.</p><p>Sergio sugira ao lado da cama e tinha uma</p><p>expressão de reprovação.</p><p>– A única pessoa que tem permissão de tocar</p><p>você aí nesta tarde sou eu.</p><p>Bella estremeceu de prazer quando ele levou</p><p>sua mão à boca e sugou-lhe os dedos, um a um.</p><p>Pareceu deliciado com o gosto dela.</p><p>Foi somente quando Sergio subiu na cama</p><p>que Bella se deu conta de que ele estava tão nu</p><p>quanto ela. Mais ainda, na verdade. Ela ainda</p><p>estava com a blusa do pijama, embora estivesse</p><p>aberta até a cintura.</p><p>Bella engoliu em seco ao vê-lo despido.</p><p>Soubera que ele era bem-dotado. Mas não</p><p>imaginara que fosse tanto. A ereção era</p><p>impressionante. E já estava abrigada por um</p><p>preservativo, pelo que ela se sentiu grata,</p><p>levando em conta que não estava raciocinando</p><p>com clareza. Tomava a pílula, mas isso não</p><p>protegia uma mulher de todas as consequências</p><p>de sexo inseguro.</p><p>– Agora, onde estávamos? – Sergio</p><p>observou-a com olhos ardentes enquanto lhe</p><p>abria as pernas e a tocava com intimidade.</p><p>Bella respirou fundo e seu coração bateu</p><p>descompassado enquanto ele a afagava com</p><p>seus dedos de uma maneira que a fazia querer</p><p>contorcer-se de prazer.</p><p>“Oh, não pare”, suplicou silenciosamente.</p><p>Ele parou, o que talvez tenha sido bom, uma</p><p>vez que ela se esquecera de respirar. Seu</p><p>coração disparou quando ele se acomodou</p><p>entre suas pernas e a penetrou. Foi apenas um</p><p>pouco a princípio, mas ela soltou uma</p><p>exclamação surpresa.</p><p>– Passe suas pernas em torno da minha</p><p>cintura – sugeriu ele com a voz carregada de</p><p>desejo. – Não quero machucar você.</p><p>Machucá-la? Ele não a estava machucando.</p><p>As sensações que lhe proporcionava eram</p><p>fantásticas. Ela já queria que ele continuasse a</p><p>penetrá-la.</p><p>Mas fez o que ele pediu, e acabou</p><p>acentuando ainda mais o contato.</p><p>Ela soltou um gemido. Deus do céu...</p><p>Arregalou os olhos quando ele começou a se</p><p>mover num ritmo lento e estável. Lento demais</p><p>para ela, no momento. Queria que ele fizesse</p><p>amor com ela alucinadamente.</p><p>– Mais depressa – pediu. – Mais depressa.</p><p>– Achei que você não gostasse de falar.</p><p>Quando ela praguejou por entre dentes, ele</p><p>Quando ela praguejou por entre dentes, ele</p><p>riu.</p><p>– Garota levada.</p><p>Não pôde acreditar quando ele saiu de</p><p>dentro dela. Poderia ter praguejado de novo,</p><p>mas ele a distraiu virando-a na cama.</p><p>– Vamos deixar você apropriadamente</p><p>despida. – Sergio retirou-lhe a blusa do pijama,</p><p>deixando-a deitada de costas para ele e o</p><p>bumbum totalmente exposto.</p><p>E ela se importava? Nem um pouco. No</p><p>passado, não teria suportado a humilhação.</p><p>Não mais. Adorava os olhos e as mãos de</p><p>Sergio nela. Como agora.</p><p>– Você é tão linda – murmurou ele,</p><p>acariciando-lhe os ombros, a espinha e</p><p>movendo o dedo com habilidade para lhe</p><p>estimular o clitóris ainda latejante.</p><p>Quando Sergio a fez apoiar-se nas mãos e</p><p>nos joelhos, Bella estava mais do que pronta</p><p>para que ele prosseguisse. Assim, ficou surpresa</p><p>– e estranhamente tocada – quando ele</p><p>perguntou se aquela posição estava boa.</p><p>O “sim” dela saiu de uma maneira</p><p>estrangulada e um nó formou-se em sua</p><p>garganta. Foi um momento estranho. Sentiu</p><p>quase vontade de chorar. Mas, então, ele a</p><p>penetrou e, excitada, ela se esqueceu de tudo</p><p>mais a não ser o contato íntimo de seus corpos</p><p>outra vez. Daquela vez, o ritmo dele não foi</p><p>lento, seu corpo movendo-se com poderosas</p><p>arremetidas. Quando Sergio contornou a frente</p><p>com as mãos para lhe acariciar os seios, ela se</p><p>sentia num outro mundo, no mundo em que a</p><p>paixão era absoluta. Movia o corpo</p><p>freneticamente, batendo as nádegas na pélvis</p><p>dele, desesperada por um fim para seu</p><p>tormento erótico.</p><p>Seu clímax dominou-a com a força de um</p><p>terremoto e seus gritos ecoaram pelo quarto,</p><p>sua satisfação aumentando com o som do</p><p>próprio êxtase de Sergio. Finalmente, Bella</p><p>desabou na cama, levando-o consigo. E foi</p><p>como ficaram por um longo tempo, com o</p><p>peito arfando, os corpos ainda unidos.</p><p>Gradualmente, a batida do coração de Bella</p><p>voltou ao normal e uma languidez como nunca</p><p>experimentara tomou conta de seu corpo. O</p><p>último pensamento antes de adormecer foi o de</p><p>que Sergio estivera tão certo. O sexo era bem</p><p>melhor sem a complicação das emoções.</p><p>CAPÍTULO 12</p><p>SERGIO DEU um grande suspiro de alívio, uma</p><p>vez que se deu conta de que Bella adormecera.</p><p>Por vários minutos ficou deitado lá, satisfeito</p><p>com a sensação de seu sexo dentro dela;</p><p>satisfeito com as lembranças de tudo que fizera</p><p>com ela até agora. Não fora o bastante,</p><p>evidentemente. Mal podia esperar para que ela</p><p>o tomasse em sua boca. Para que ficasse por</p><p>cima. Para fazê-la querer e precisar dele da</p><p>mesma maneira que a quisera e precisara dela</p><p>durante todos aqueles anos.</p><p>Era um desafio, considerando que ela não era</p><p>uma virgem inocente que nunca tivera um</p><p>orgasmo antes. Como aprisionar uma mulher</p><p>com sexo quando ela provavelmente já</p><p>experimentara cada prazer sexual e posição que</p><p>existiam?</p><p>Jeremy estivera enganado quando dissera</p><p>que Bella poderia não ser boa na cama. Ela fora</p><p>sensacional, uma vez que superara aquela tola</p><p>ideia de que tinha de estar apaixonada para</p><p>desfrutar sexo. Ele não imaginava de onde ela</p><p>tirara aquela ideia, considerando a mãe que</p><p>tinha. Dolores não fora apaixonada pelo pai</p><p>dele, mas ainda gostara de dormir com ele. Ou</p><p>fora o que o pai dissera depois do divórcio,</p><p>explicando a razão para ter ficado tão chocado</p><p>pelo anúncio dela de que o casamento</p><p>terminara. Olhando para trás, no entanto,</p><p>ocorria a Sergio que talvez Dolores tivesse</p><p>sabido fingir bem.</p><p>Não houvera o menor traço de fingimento</p><p>no orgasmo de Bella. Sergio sentiu o desejo se</p><p>reavivando ao se lembrar da força das</p><p>contrações dela. O fato de que a queria outra</p><p>vez tão depressa indicava a intensidade de seu</p><p>desejo por ela. Embora não fosse surpresa. Seu</p><p>desejo por Bella sempre fora obsessivo.</p><p>Pensou em acordá-la e possuí-la outra vez.</p><p>Mas decidiu que talvez não fosse um passo</p><p>acertado. Bella estava obviamente exausta, e</p><p>não apenas por causa do sexo, mas devido à</p><p>vida atarefada e o longo voo, além do</p><p>desapontamento com homens que não a</p><p>haviam amado da maneira como os amara.</p><p>O pensamento o fez franzir o cenho. O que</p><p>houvera naqueles sujeitos mulherengos que a</p><p>levara a se apaixonar por eles? A aparência? O</p><p>sucesso? O charme? Possivelmente todas essas</p><p>coisas, como também suas habilidades na</p><p>cama. Deviam ter sido bons amantes. Talvez</p><p>até excelentes.</p><p>Ele cerrou os dentes,</p><p>odiando o ciúme que</p><p>acompanhou aquele pensamento. Certo, ela</p><p>estivera com parceiros bons de cama no</p><p>passado. E daí? Ele próprio não era novato no</p><p>assunto. Era loucura ter ciúme dos ex-</p><p>namorados de Bella. Devia estar explorando a</p><p>vasta experiência dela, e não se sentir</p><p>contrariado.</p><p>Cuidadosamente, ele removeu o corpo um</p><p>tanto ereto de dentro dela e foi para o banheiro,</p><p>dizendo a si mesmo que os ex-namorados dela</p><p>não poderiam ter sido tão bons, ou ela teria se</p><p>casado com um deles. Parecia impossível que</p><p>nenhum deles a tivesse pedido em casamento.</p><p>Sergio teria gostado de lhe perguntar o que</p><p>acontecera, mas temeu que fosse uma maneira</p><p>indelicada de perguntar a uma mulher sobre</p><p>romances passados. Além do mais, tocar em</p><p>tais assuntos poderia revelar mais sobre os</p><p>sentimentos passados dele do que gostaria.</p><p>Assim, devia manter aquela relação</p><p>estritamente sexual. “E, seu idiota, não se</p><p>apaixone pela mulher!”</p><p>O QUARTO estava escuro quando Bella</p><p>O QUARTO estava escuro quando Bella</p><p>finalmente despertou. Sergio estava deitado de</p><p>costas ao seu lado na cama.</p><p>Adormecido, felizmente, dando-lhe tempo</p><p>para ordenar seus pensamentos antes de ter que</p><p>conversar com ele. Ela ainda não podia</p><p>acreditar em como o sexo podia ser sensacional</p><p>quando se estava realmente excitada.</p><p>Estremeceu de prazer ao pensar em como fora</p><p>incrível ter Sergio dentro de si. E quanto àquele</p><p>incrível orgasmo... sua mente tinha rodopiado</p><p>quando o clímax a enlevara.</p><p>Agora, entendia o poder sedutor do sexo,</p><p>algo que fugira à sua compreensão durante</p><p>todos aqueles anos. Sempre gostara de ser o</p><p>objeto de desejo, mas ela mesma nunca sentira</p><p>verdadeiro desejo por ninguém. Até esse dia.</p><p>Esse dia lhe abrira os olhos de muitas</p><p>maneiras. Não haviam sido apenas seus</p><p>sentimentos que a tinham surpreendido, mas o</p><p>próprio Sergio, que não se revelou em nada</p><p>como o homem que ela sempre imaginara que</p><p>fosse. No fundo, continuava sendo um</p><p>cavalheiro, era evidente.</p><p>Mas havia um lado de mau rapaz nele que ela</p><p>achava deliciosamente atraente. Isso lhe</p><p>ocorreu enquanto estava deitada ali,</p><p>ponderando que sempre se sentira atraída por</p><p>maus rapazes, especialmente altos, morenos e</p><p>bonitos. Apenas nunca sentira desejo por um</p><p>deles antes. Sergio era o primeiro naquele</p><p>aspecto.</p><p>E que primeiro!</p><p>Um arrepio carregado de erotismo percorreu</p><p>a espinha dela ao se recordar do momento em</p><p>que ele deslizara a mão por suas costas até tocá-</p><p>la com intimidade. Oh, no fundo, ele era um</p><p>cavalheiro. Outro homem poderia ter tirado</p><p>proveito dela àquela altura, levando-a ao limite</p><p>de uma maneira que ainda não estivera</p><p>preparada. Mas não o seu Sergio.</p><p>“Mas ele não é o seu Sergio”, lembrou a si</p><p>“Mas ele não é o seu Sergio”, lembrou a si</p><p>mesma com severidade. Era apenas um amigo.</p><p>Um amigo com benefícios. Um amigo</p><p>temporário com benefícios. A única razão para</p><p>ter sugerido aquilo era porque estava sem</p><p>namorada no momento. Ela não devia</p><p>imaginar que era algo especial para ele.</p><p>Não tinha dúvida de que Sergio tivera</p><p>inúmeras namoradas bonitas ao longo dos</p><p>anos. Observou o corpo nu dele depois que seus</p><p>olhos se adaptaram ao escuro do quarto. Notou</p><p>que, mesmo em repouso, o membro dele devia</p><p>ter cerca de dezessete centímetros de</p><p>comprimento. Ereto, devia ter pelo menos vinte</p><p>e dois.</p><p>Sentiu a garganta seca ao pensar em acariciá-</p><p>lo com os seus lábios e tomá-lo em sua boca.</p><p>Mas conseguiria. De algum modo. Porque</p><p>queria. Queria muito.</p><p>Era estranho, considerando que sempre</p><p>odiara fazer aquilo. Fora algo que suportara</p><p>durante seus relacionamentos passados. Os</p><p>homens pareciam gostar muito daquilo. Mas,</p><p>quando começara o relacionamento com</p><p>Andrei, sentira-se confiante o bastante para</p><p>recusar, dizendo simplesmente que não gostava</p><p>de fazer aquilo. Andrei ficara furioso,</p><p>acusando-a de não o amar. E, obviamente, não</p><p>amara, percebia agora. Fora uma mera atração</p><p>física passageira.</p><p>Como era bom finalmente enxergar que não</p><p>havia amado Andrei em absoluto. Que</p><p>libertador. Assim como sua descoberta de que</p><p>podia gostar de sexo sem estar apaixonada.</p><p>Embora fosse um tanto chocante. Bella sempre</p><p>fora romântica. Aquilo tornava mais aceitável o</p><p>fato de gostar de Sergio. E de que ele gostava</p><p>dela. Não estava sendo leviana em desfrutar um</p><p>romance de férias com ele.</p><p>Talvez estivesse sendo um pouco ousada,</p><p>pensou, soltando um risinho ao lembrar de si</p><p>mesma apoiada nas mãos e nos joelhos,</p><p>sacudindo o bumbum com um jeito fogoso.</p><p>– Isso soou sexy e travesso – murmurou</p><p>Sergio ao seu lado.</p><p>– Soou, não foi? – concordou ela.</p><p>– Posso perguntar no que estava pensando</p><p>quando riu?</p><p>– Não.</p><p>Os olhos escuros de Sergio brilharam</p><p>quando ele os correu com uma expressão</p><p>faminta pelo corpo dela, e Bella resistiu a uma</p><p>vontade momentânea de cobrir sua nudez. Era</p><p>um pouco tarde para se sentir envergonhada.</p><p>Além do mais, gostava de exibir seu corpo para</p><p>Sergio, da maneira como ele o olhava.</p><p>– Eu poderia fazer você me dizer. Poderia lhe</p><p>fazer cócegas até você confessar.</p><p>Bella arqueou as sobrancelhas com ar</p><p>insinuante.</p><p>– E lá estava eu, pensando que você pretendia</p><p>fazer algo sexy e travesso comigo.</p><p>– Quer algo sexy e travesso, então?</p><p>Bella se deu conta de que não se sentia muito</p><p>segura na sua ousadia. Não gostaria que Sergio</p><p>pensasse que queria fazer coisas esquisitas.</p><p>– Eu... Eu só estava flertando com você. Não</p><p>tinha nada específico em mente.</p><p>– Quer dizer que não quer que eu a amarre à</p><p>cama e a torture de todas as maneiras eróticas</p><p>possíveis até que você me conte todos os seus</p><p>fetiches secretos?</p><p>Bella arregalou os olhos quando as imagens</p><p>que as palavras evocaram lhe causaram uma</p><p>onda de excitação.</p><p>– Não? – disse ele, talvez interpretando o</p><p>olhar arregalado dela como choque. O que em</p><p>parte era verdade. Ela estava chocada com o</p><p>fato de querer que ele fizesse exatamente</p><p>aquilo. Chocada também com o fato de ele</p><p>sugerir tal coisa. Era, sem dúvida, um mau</p><p>rapaz. Ou isso, ou talvez todos os homens</p><p>fossem maus rapazes em se tratando de sexo.</p><p>Bella se deu conta de que tinha de assumir o</p><p>controle da situação e de sua libido, ou Sergio</p><p>poderia querer ir além do que ela lhe</p><p>permitisse. Não queria deixá-lo pensar que</p><p>estava disposta a qualquer coisa durante sua</p><p>estada ali.</p><p>– Não – disse com firmeza. – Para sua</p><p>informação, não tenho fetiches secretos. Nem</p><p>sou assim tão travessa. Agora, preciso ir ao</p><p>banheiro. E, depois, preciso de comida.</p><p>– Está certo. – O tom indiferente dele</p><p>deixou-a aliviada. – Vou pedir pizza para nós.</p><p>Ela colocou as pernas para fora da cama e</p><p>estava prestes a se levantar, quando o velho</p><p>acanhamento voltou inesperadamente. A ideia</p><p>de caminhar nua até o banheiro de repente</p><p>pareceu humilhante. Imaginou-o olhando para</p><p>seu bumbum despido e pensando em todos os</p><p>tipos de coisas ousadas.</p><p>No final, endireitou os ombros e a espinha,</p><p>levantou-se e começou a atravessar o chão de</p><p>mármore, ciente da maneira como suas</p><p>nádegas e quadris se moviam a cada passo.</p><p>O assobio sexy dele a fez corar.</p><p>– Estou começando a achar que você não é</p><p>um cavalheiro, afinal – disse ela por sobre o</p><p>ombro.</p><p>Sergio apenas riu, deixando-a sem opção a</p><p>não ser prosseguir e ignorar a maneira como os</p><p>olhos dele estavam grudados às suas nádegas.</p><p>Mas não houve constrangimento algum no</p><p>final. Quando fechou a porta do banheiro atrás</p><p>de si, Bella estava sorrindo. Era bom ser</p><p>desejada por Sergio. Era fantástico.</p><p>Havia muito a ser dito de um romance do</p><p>tipo “amigos com benefícios”, decidiu ela. O</p><p>mês pela frente prometia conter as melhores</p><p>férias que já tivera, uma maravilhosa</p><p>combinação de um cenário magnífico, de</p><p>tempo deliciosamente quente e do melhor sexo</p><p>que ela já tivera.</p><p>A última parte a fez rir, já que não tinha um</p><p>A última parte a fez rir, já que não tinha um</p><p>histórico de bom sexo. Se fosse sincera, a sua</p><p>falta de libido ao longo dos anos a preocupara.</p><p>Fizera com que se sentisse um fracasso nesse</p><p>aspecto de sua vida. Então, por que sua libido</p><p>despertara agora?, perguntou-se. E por que</p><p>com Sergio?</p><p>Tudo em que conseguia pensar era que</p><p>demorara a desabrochar em termos sexuais.</p><p>Sua puberdade chegara tarde e nunca fora louca</p><p>pelos</p><p>meninos como as outras adolescentes. Ou</p><p>talvez fosse algo relacionado ao próprio Sergio,</p><p>embora não fizesse ideia do quê. Sim, ele tinha</p><p>um corpo incrível. E, sim, era um amante</p><p>sensacional. Mas seus outros namorados eram</p><p>bonitos, experientes e a tinham coberto de</p><p>elogios. Ainda não se esquecera de que Sergio</p><p>lhe dissera que era magra demais. Embora</p><p>também tivesse dito que era bonita quando</p><p>fizeram amor, não fora?</p><p>– Oh, tanto faz – disse ela irritada para si</p><p>– Oh, tanto faz – disse ela irritada para si</p><p>mesma e abriu o chuveiro.</p><p>De nada adiantava ficar analisando uma</p><p>situação tão difícil. A realidade maravilhosa era</p><p>que, finalmente, reagia a um homem como</p><p>uma mulher normal. Finalmente, descobrira</p><p>como eram os orgasmos. Não haveria mais</p><p>namorados dizendo-lhe que era entediante na</p><p>cama. Nada mais da crença de que precisava</p><p>estar perdidamente apaixonada para ter uma</p><p>vida sexual satisfatória.</p><p>Sergio lhe mostrara que isso era uma total</p><p>falácia, uma fantasia romântica. Afinal, não</p><p>estava apaixonada por Sergio, nem ele estava</p><p>apaixonado por ela. Era algo libertador, não?</p><p>CAPÍTULO 13</p><p>– ESTA PIZZA está simplesmente deliciosa –</p><p>disse Bella com a boca um tanto cheia.</p><p>– Sì. – Sergio tornou a preencher a taça dela</p><p>de champanhe com uma garrafa que abrira em</p><p>celebração à maneia como as coisas iam entre</p><p>ambos.</p><p>A voz dela cantando no chuveiro o enchera</p><p>de uma alegria que poderia tê-lo preocupado,</p><p>se tivesse sido qualquer outra mulher cantando</p><p>no seu chuveiro. Mas aquela era Bella, a mulher</p><p>que o atormentara sexualmente durante anos.</p><p>E, agora, estava ali, na sua casa e na sua cama.</p><p>Ele estava encantado demais pela beleza</p><p>gloriosa dela, por sua sensualidade, contente</p><p>demais por ter sido bem-sucedido naquela</p><p>sedução para esmiuçar demais suas emoções.</p><p>Estavam sentados a uma mesa na varanda da</p><p>sala, com Bella de volta ao seu pijama e Sergio</p><p>usando um jeans.</p><p>Ela engoliu e lhe abriu um sorriso.</p><p>– Sabe que essa foi a primeira palavra em</p><p>italiano que você usou desde que cheguei? Você</p><p>perdeu o seu sotaque por completo. Bem, não</p><p>que fosse forte. Mesmo quando foi morar com</p><p>a gente em Sydney, você não falava como o seu</p><p>pai.</p><p>– É porque fui enviado para um internato</p><p>inglês quando eu tinha oito anos.</p><p>– Eu me lembro vagamente de você ter me</p><p>contato isso. Gostou de lá?</p><p>– Odiei. Fiquei feliz quando nossos pais se</p><p>casaram e meu pai mandou me buscar para</p><p>viver com ele e frequentar a escola em Sydney.</p><p>– Feliz até que se dera conta de que Dolores não</p><p>amara seu pai. Nem a ele. Embora fingisse amá-</p><p>los. Sempre fora bom em identificar uma farsa.</p><p>Não tivesse sido pela companhia vivaz de Bella,</p><p>sua vida teria sido um martírio. Seus estudos</p><p>em Sydney mal tinham sido toleráveis, pois</p><p>nunca fora um garoto popular.</p><p>– Você pareceu um australiano por uns</p><p>tempos. Até que o seu pai o mandou para a</p><p>universidade em Roma e você voltou falando</p><p>como um italiano.</p><p>– É mesmo? Não notei.</p><p>– E agora você fala totalmente como um</p><p>inglês.</p><p>– Bem, vivi na Inglaterra nos últimos onze</p><p>anos.</p><p>Bella pôs o restante de sua fatia de pizza no</p><p>prato.</p><p>– Fazendo o quê?</p><p>Antes de poder pensar melhor a respeito,</p><p>Sergio começou a lhe contar tudo sobre sua</p><p>vida, desde o divórcio dos pais de ambos.</p><p>Começou pelo primeiro ano de pós-graduação</p><p>em Oxford, onde, enfim, encontrara</p><p>verdadeiros amigos: Alex e Jeremy. Contou</p><p>tudo sobre eles, inclusive falando da formação</p><p>do Clube dos Solteiros. No último segundo,</p><p>deixou-a pensar que os votos para</p><p>permanecerem solteiros e se tornarem</p><p>bilionários não tinham nenhum prazo. Não lhe</p><p>daria nenhuma pista de que, em breve, estaria</p><p>em busca de uma esposa.</p><p>Explicou, então, como ele e os dois melhores</p><p>amigos tinham entrado no ramo de vinhos e</p><p>bares. Contou que, um dia, ele e Alex avistaram</p><p>um velho bar caindo aos pedaços à venda, não</p><p>muito longe do campus de Oxford. Contaram a</p><p>Jeremy a respeito, insistindo que poderia ser</p><p>transformado em um bom negócio com a</p><p>decoração e o vinho certos para atrair</p><p>principalmente a clientela estudantil. Jeremy</p><p>herdara uma quantia substancial da mãe e Alex</p><p>e Sergio fizeram um acordo com o amigo de</p><p>cuidarem de todo o trabalho físico se ele</p><p>investisse o dinheiro.</p><p>– Alex e eu fizemos a reforma. Envernizamos</p><p>o assoalho de madeira e pintamos as paredes e</p><p>o teto de preto. Então, penduramos pôsteres</p><p>imensos de uvas e vinhedos nas paredes e</p><p>cobrimos as banquetas com vinil roxo. Depois</p><p>disso, procuramos em bazares e lojas de móveis</p><p>usados a mobília e louças, e conseguimos</p><p>preços razoáveis. Achamos que nossos clientes</p><p>gostariam de um lugar onde pudessem relaxar,</p><p>ou estudar em seus laptops, enquanto bebiam</p><p>nosso vinho acessível. Então, contratamos</p><p>garotas bonitas para a equipe, vestindo roupas</p><p>simples, nada sexy.</p><p>Àquela altura de sua história, Sergio notou</p><p>que Bella franzia a testa.</p><p>– O que foi? – perguntou.</p><p>– Estive num bar de vinhos que se parece</p><p>exatamente com esse. E não foi em Oxford. Foi</p><p>em Nova York, numa rua perto da Broadway.</p><p>Não muito longe de onde moro. Chama-se</p><p>Wild Over Wine, mas todos os chamam de...</p><p>– Bar WOW – completou Sergio. – Sim. Há</p><p>uns dois deles em Nova York agora.</p><p>Bella estava atônita.</p><p>– Você é o dono deles?</p><p>– Não. Os bares Wild Over Wine são uma</p><p>franquia de grande sucesso agora. Após o</p><p>sucesso do nosso primeiro bar, compramos</p><p>outro e mais outro. Sempre perto de uma</p><p>universidade em princípio, mas, no final, em</p><p>qualquer lugar com uma boa localização.</p><p>Eventualmente, surgiu trabalho demais para</p><p>darmos conta, mesmo com Jeremy como nosso</p><p>diretor de finanças. De qualquer modo, tive a</p><p>brilhante ideia de começarmos uma franquia. E</p><p>deu certo. Logo, houve bares WOW por toda a</p><p>Grã-Bretanha e até alguns na Austrália e na</p><p>Nova Zelândia, graças a Alex. Eu lhe contei que</p><p>Alex é australiano, não foi?</p><p>Bela assentiu.</p><p>– É um vendedor brilhante. Brilhante em</p><p>tudo, aliás. De qualquer modo, recentemente a</p><p>franquia começou a entrar nos Estados Unidos,</p><p>com sucesso considerável, devo acrescentar.</p><p>– Posso imaginar. Adorei o bar a que fui.</p><p>Tinha um ambiente individual com suas</p><p>paredes pretas e mobília confortável. Mas eu</p><p>não diria que o vinho era tão barato.</p><p>– Sim, mudamos nossos conceitos nesse</p><p>aspecto. Um cliente ainda pode comprar vinho</p><p>barato nos bares WOW se for tudo que puder</p><p>pagar, mas fomos obrigados a também atender</p><p>clientes de alto nível cujo paladar requer algo</p><p>melhor. Oh, e mudamos a música de fundo</p><p>para clássica.</p><p>– Puxa vida! Eu jamais teria adivinhado que</p><p>você se tornou um homem de negócios tão</p><p>bem-sucedido. Sempre o imaginei com alguma</p><p>espécie de acadêmico.</p><p>Sergio tentou não se sentir ofendido. Fora</p><p>um nerd quando adolescente, sempre com a</p><p>cara enfiada num livro.</p><p>– Bem, nunca estive incerto quanto ao</p><p>caminho que você trilhou na sua carreira –</p><p>apontou. – Desde a época em que era apenas</p><p>uma menina, você se destinou à fama e à</p><p>fortuna no mundo da música. Todos os seus</p><p>muitos e vários sucessos nunca me</p><p>surpreenderam.</p><p>Bella pareceu um tanto embaraçada com os</p><p>elogios.</p><p>– É muita gentileza da sua parte, mas, para</p><p>ser sincera, não existe apenas fama e fortuna.</p><p>Quando estou fazendo um musical no palco,</p><p>trabalho longas horas. Pode ser exaustivo e,</p><p>francamente, solitário. Nem sempre tenho</p><p>tempo para uma vida social, ou</p><p>relacionamentos adequados.</p><p>Ela soltou um suspiro repleto de ironia e seus</p><p>olhos azuis escureceram enquanto pegava sua</p><p>taça de champanhe e tomava um longo gole.</p><p>– Sei que acha que eu tive uma porção de</p><p>– Sei que acha que eu tive uma porção de</p><p>relacionamentos. Mas isso está longe de ser</p><p>verdade. Na última década, tive apenas três</p><p>relacionamentos sérios e com homens que é</p><p>melhor que sejam esquecidos.</p><p>Sergio não soube o que dizer, a revelação</p><p>causando-lhe um misto de surpresa e de</p><p>ceticismo. Quem eram os três? O ator francês</p><p>tinha de ser um. E decididamente o sujeito</p><p>russo. O que deixava um palpite entre o</p><p>jogador de polo argentino e o astro de rock</p><p>americano. Se fosse acreditar nela. Mas por que</p><p>mentiria?</p><p>– Li uma vez que você estava saindo com</p><p>Chuck Richards – disse, enfim, tentando soar</p><p>indiferente, e não acusador.</p><p>– Deus do céu, não. Nunca saí com aquele</p><p>tipo. Infelizmente, meu relações públicas da</p><p>época achou que fosse bom para a minha</p><p>carreira que meu nome estivesse ligado ao de</p><p>celebridades. Na época, Chuck estava no auge.</p><p>Fui convencida a acompanhá-lo a uma</p><p>premiação naquele ano, alheia ao fato de que</p><p>ele era viciado em cocaína. Tive de lutar contra</p><p>ele na limusine durante o caminho até o meu</p><p>hotel. Eu lhe disse o que pensava dele quando,</p><p>finalmente, consegui sair, mas é claro que os</p><p>tabloides disseram que foi uma briga de</p><p>namorados. Algo que Chuck não negou. Ele</p><p>deu a entender que estávamos nos vendo</p><p>secretamente havia semanas. Despedi o relações</p><p>públicas, mas o seguinte que contratei não foi</p><p>muito melhor.</p><p>– Para que ter empresário?</p><p>– É como as coisas funcionam nos Estados</p><p>Unidos. Você não é ninguém no meio artístico</p><p>se não tiver empresário, relações públicas e</p><p>personal stylist. Tenho até um agente de</p><p>Hollywood.</p><p>– Vai fazer filmes em seguida? – Ela</p><p>enlouquecera? Já estava esgotada daquela</p><p>maneira.</p><p>– Talvez. Se o filme certo aparecer.</p><p>– É um erro querer se dedicar a tantas coisas</p><p>ao mesmo tempo – aconselhou-a Sergio,</p><p>sentindo-se preocupado com ela. – Descobri</p><p>isso por experiência própria no ano passado.</p><p>Com o meu pai falecido, achei que devia voltar</p><p>para Milão para tentar salvar o negócio da</p><p>família, que estava perto da falência. Não</p><p>devido a algum orgulho masculino, mas porque</p><p>muitas famílias contam com aquele negócio</p><p>para seu sustento. A economia está difícil na</p><p>Itália, assim como no restante do mundo. De</p><p>qualquer modo, eu sabia que não podia fazer</p><p>isso e cuidar da franquia ao mesmo tempo.</p><p>Teria de me desfazer de algo. Não podia me</p><p>dedicar aos dois.</p><p>– O que você fez?</p><p>– Conversei com Alex e Jeremy e, com</p><p>aprovação deles, vendi a franquia junto com os</p><p>bares de vinhos que realmente possuíamos.</p><p>– Espero que tenham conseguido um bom</p><p>– Espero que tenham conseguido um bom</p><p>preço.</p><p>Ele abriu um largo sorriso.</p><p>– Digamos que o principal objetivo do Clube</p><p>dos Solteiros foi alcançado.</p><p>– Vocês se tornaram bilionários?</p><p>– Sim. – Não adiantava esconder o fato.</p><p>Afinal, ele não precisava usar dinheiro para</p><p>seduzi-la. Ela já estava devidamente seduzida.</p><p>– Mas isso é maravilhoso! Oh, você é um</p><p>garoto esperto. Agora, tudo o que tem de fazer</p><p>é salvar o negócio da família.</p><p>– Exato. – Ele se esforçou para não parecer</p><p>convencido. – Infelizmente, não vai ser fácil.</p><p>Mas vou me empenhar.</p><p>– Tenho certeza de que sim. Então, você vai</p><p>passar a morar aqui?</p><p>– Apenas nos fins de semana. Há uma casa</p><p>da minha família em Milão onde vou ficar</p><p>durante a semana.</p><p>– Entendo. – Ela terminou sua fatia de pizza</p><p>– Entendo. – Ela terminou sua fatia de pizza</p><p>com uma expressão pensativa. – Você diz</p><p>família, mas há só você agora. Não quer se casar</p><p>e ter filhos algum dia? Com certeza, não</p><p>pretende ficar solteiro para sempre!</p><p>Sergio viu que estava numa situação</p><p>enrascada por sua omissão. Mas não queria que</p><p>ela soubesse sobre seu plano de procurar uma</p><p>esposa logo. Era algo que colocaria o romance</p><p>de ambos numa situação delicada.</p><p>Qualquer culpa que sentisse dissipou-se. Por</p><p>que deveria se sentir culpado? Ela estava se</p><p>divertindo, não estava? E ele estava</p><p>conseguindo o que sempre quisera.</p><p>– Sou obsessivo quando me vejo diante de</p><p>um desafio. Não vou ter tempo para esposa e</p><p>filhos enquanto o negócio da família não</p><p>estiver dando lucro, o que pode levar anos.</p><p>Além do mais, tenho apenas trinta e quatro</p><p>anos. Ainda tenho tempo de sobra para me</p><p>casar.</p><p>Bella fez uma careta.</p><p>– Eu gostaria de poder dizer o mesmo. As</p><p>mulheres não têm todo o tempo do mundo se</p><p>querem filhos. Eu fiz trinta anos no mês</p><p>passado. Meu relógio biológico está avançando.</p><p>Sergio reprimiu a vontade maluca de sugerir</p><p>que lhe daria um filho se ela ansiava por um.</p><p>– Ora, vamos, ao que parece, você mal possui</p><p>tempo para fazer sexo, quanto mais para filhos.</p><p>– É verdade – disse ela e, então, riu. Seus</p><p>olhos brilharam quando o observou do outro</p><p>lado da mesa. – Isto é, até hoje. Ainda não</p><p>posso acreditar em como foi sensacional entre</p><p>nós. Falo sério. Foi incrível!</p><p>Sergio não pôde acreditar em como sua</p><p>mente mudou depressa, passando de uma</p><p>simples conversa com Bella a querer fazer amor</p><p>com ela outra vez. Seu desejo estava mais forte</p><p>do que nunca. Estivera certo em sua avaliação</p><p>original de que levaria pelo menos um mês</p><p>fazendo amor com ela antes de poder</p><p>prosseguir com sua vida. Ela era como um vício</p><p>que não podia ser superado. Somente o tempo</p><p>o deixaria imune àquele poder que ela exercia</p><p>sobre ele.</p><p>Felizmente, Bella não sabia que possuía tal</p><p>poder, não sabia quanto ele a queria.</p><p>Era apenas um amigo com benefícios.</p><p>– Concordo – falou. – Então, agora que você</p><p>está alimentada, quer tentar outra pílula para</p><p>dormir da Mãe Natureza?</p><p>Ela arregalou um pouco os olhos, mas ficou</p><p>evidente que gostou da ideia tanto quanto ele.</p><p>– Não está cansado demais?</p><p>Ele teve que sorrir.</p><p>– Ainda não – disse e, então, tomou o</p><p>restante de seu champanhe. Ela não fazia ideia,</p><p>não era? Que era exatamente o que ele queria. –</p><p>Que tal tentarmos o seu quarto desta vez?</p><p>Desse jeito você não vai ter que responder</p><p>nenhuma pergunta embaraçosa quando Maria</p><p>encontrar a sua cama sem uso amanhã.</p><p>– Oh, Deus do céu. – Ela espantou-o com</p><p>um rubor repentino. – Esqueci que Maria</p><p>poderia pensar que...</p><p>Sergio sacudiu a cabeça. Mulheres,</p><p>descobrira ao longo dos anos, costumavam ser</p><p>criaturas complexas, contraditórias. Em geral,</p><p>falavam uma coisa e queriam dizer outra. Nem</p><p>sequer queria tentar entender Bella no</p><p>momento. Queria apenas fazer sexo com ela.</p><p>Repetidamente.</p><p>– Deixe que eu me preocupo com Maria. –</p><p>Ele se levantou e estendeu a mão para ela. –</p><p>Tudo o que tem a fazer hoje à noite é desfrutar</p><p>os benefícios da nossa amizade.</p><p>Adorou a maneira como as pupilas dela se</p><p>dilataram quando deu a mão para ele; adorou a</p><p>evidência do desejo dela. Daquela vez, insistiria</p><p>para que Bella ficasse por cima, mas somente</p><p>depois que ela tivesse lhe dado prazer com</p><p>aquela boca carnuda. Nessa noite, queria</p><p>observar-lhe o rosto conforme o êxtase a</p><p>arrebatasse, queria senti-la dominada por</p><p>deliciosos espasmos enquanto estivesse dentro</p><p>dela, vê-la perdendo o controle por completo.</p><p>E, somente então, ele se entregaria com</p><p>abandono.</p><p>CAPÍTULO 14</p><p>DE ALGUM modo, as pernas de Bella a levaram</p><p>até o quarto creme e dourado onde Sergio</p><p>soltou sua mão e começou imediatamente a</p><p>abrir-lhe os botões da blusa do pijama. O corpo</p><p>oscilou um pouco, e a mente rodopiava.</p><p>Queria-o ainda mais desesperadamente</p><p>daquela vez. O coração estava acelerado e o</p><p>estômago, em nós. Sentiu-se tentada a abrir a</p><p>blusa ela mesma, tamanha era sua impaciência</p><p>para ficar nua diante dele. Quando ele, enfim,</p><p>retirou-lhe a blusa, a barriga dela se contraiu,</p><p>fazendo-a dar-se conta de que estava com a</p><p>bexiga cheia. Tomara champanhe demais,</p><p>compreendeu.</p><p>– Eu... Eu preciso ir ao banheiro – disse</p><p>trêmula.</p><p>Ele franziu o cenho.</p><p>– Não está esfriando comigo, está?</p><p>– Claro que não. – O fogo que a percorria era</p><p>tão intenso que ela estava à beira da</p><p>combustão!</p><p>– Volte nua, então. Gosto de mulheres nuas.</p><p>Bella respirou fundo diante da súbita</p><p>aspereza na voz dele.</p><p>Sergio pareceu perceber que a contrariou,</p><p>pois passou um dedo sedutor pelo rosto dela e</p><p>em torno da boca.</p><p>– Mas só quando são bonitas como você,</p><p>adorável Bella.</p><p>Ela ergueu o queixo com o orgulho ferido</p><p>por ter sido classificada como apenas mais uma</p><p>de suas mulheres. E teria havido bastante delas</p><p>no passado. Podia ver aquilo. Não gostou</p><p>daquela ideia.</p><p>– Imagino que você não vá para a cama com</p><p>– Imagino que você não vá para a cama com</p><p>nenhum outro tipo – replicou ela, tola em</p><p>deixar o ciúme transparecer.</p><p>Sergio abriu um sorriso significativo e</p><p>afastou o dedo provocante.</p><p>– Você pode estar certa. Mas é uma falha</p><p>comum em solteiros. E em mulheres bonitas.</p><p>Não posso imaginar você indo para a cama</p><p>com um homem feio.</p><p>Ela não pôde encontrar uma resposta para</p><p>aquilo. Apesar de seus defeitos, os namorados</p><p>dela tinham sido altos, morenos e bonitos.</p><p>Como Sergio. Mas houvera apenas três deles,</p><p>ao passo que ela suspeitava que ele tivera</p><p>inúmeras namoradas.</p><p>Quem teria imaginado</p><p>que o garoto reservado que conhecera e ao qual</p><p>se afeiçoara tanto iria se tornar um playboy um</p><p>dia? E bilionário também!</p><p>– Não vamos discutir – prosseguiu ele, ainda</p><p>sorrindo. – Agora, vá fazer o que precisa.</p><p>Tenho que pegar alguns preservativos no meu</p><p>quarto, de qualquer modo. Vamos nos</p><p>encontrar nesta cama sem roupas dentro de</p><p>alguns minutos, está bem?</p><p>Bella tentou se ressentir daquela atitude</p><p>autoritária, mas foi em vão. Já era escrava do</p><p>delicioso prazer que ir para a cama com Sergio</p><p>prometia. Por mais que não gostasse de que ele</p><p>fosse um playboy, sua vasta experiência tinha</p><p>suas compensações. Ele certamente sabia o que</p><p>estava fazendo na cama. O que era mais do que</p><p>podia ser dito dela. Mas estava aprendendo.</p><p>Ocorreu-lhe que seus ex-namorados tinham</p><p>sido playboys também, com muita experiência</p><p>na cama. Mas nunca tivera um orgasmo com</p><p>nenhum deles. Nunca os desejara da maneira</p><p>como desejava Sergio. Era um enigma, pensou,</p><p>enquanto despia o pijama e olhava seu reflexo</p><p>no grande espelho acima da pia, notando as</p><p>faces rosadas e os mamilos túmidos. Mas não</p><p>era um enigma em que quisesse pensar por</p><p>muito tempo. Tudo o que queria era voltar</p><p>para o quarto e ficar à espera de Sergio, nua, da</p><p>maneira como ele gostava.</p><p>Ele já estava lá, deitado em cima dos lençóis</p><p>de algodão creme, igualmente despido. Mais</p><p>despido dessa vez, sem nenhum preservativo</p><p>cobrindo-lhe a impressionante ereção.</p><p>Quando ela o olhou e hesitou em subir na</p><p>cama, Sergio deitou-se de lado e apontou para a</p><p>pilha de preservativos na mesinha de cabeceira.</p><p>– Vou usar um quando for estritamente</p><p>necessário. Mas, até lá, achei que será muito</p><p>mais prazeroso sem proteção.</p><p>Bella achou o ar casual dele exasperante, mas,</p><p>ainda assim, excitante ao extremo. Poderia ser</p><p>que o fato de ele ter tirado toda a emoção da</p><p>situação a fazia relaxar e realmente desfrutar o</p><p>sexo? Parecia uma solução possível para o</p><p>enigma. Com certeza, quando estava com</p><p>Sergio, não ficava se perguntando se ele a</p><p>amava ou não. Porque sabia que não amava.</p><p>Sacudindo a cabeça, subiu na cama,</p><p>Sacudindo a cabeça, subiu na cama,</p><p>determinada a agir de maneira igualmente</p><p>casual. Mas não conseguiu. De repente, sua</p><p>vontade anterior de tomá-lo em sua boca</p><p>dissipou-se diante da realidade de fazê-lo.</p><p>Era tempo de adquirir uma nova ousadia.</p><p>Tempo de segurar as rédeas, talvez. Era algo</p><p>que não estava acostumava a fazer, mas não era</p><p>ignorante. Sabia do que os homens gostavam.</p><p>– Certo – disse num tom firme. – Deite-se, e</p><p>eu verei se posso ajudá-lo com o seu problema</p><p>para dormir.</p><p>Estranhamente, o fato de ter decidido</p><p>assumir o controle da situação fez maravilhas</p><p>por sua súbita falta de confiança. Enquanto se</p><p>sentava e baixava a cabeça na direção da</p><p>masculinidade impaciente de Sergio, Bella</p><p>experimentou a mesma onda de adrenalina que</p><p>sempre a percorria quando entrava no palco e</p><p>começava a cantar. O ato de cantar e dançar</p><p>para uma plateia sempre a entusiasmava.</p><p>Nunca ficava nervosa, não depois que o show</p><p>começava. Era evidente que ajudava o fato de</p><p>que sempre ensaiava até estar perfeita.</p><p>O papel que estava prestes a desempenhar</p><p>não era um que tivesse ensaiado.</p><p>Deveria ter experimentado uma crise de</p><p>confiança, mas não foi o caso.</p><p>“Posso fazer isto”, disse a si mesma com os</p><p>lábios pairando acima dele. “Aprendo rápido. E</p><p>sou observadora. Logo vou saber o que o</p><p>agrada mais.”</p><p>Bella respirou fundo e seus lábios se</p><p>entreabriram num último momento de pânico.</p><p>CAPÍTULO 15</p><p>SERGIO ESTREMECEU quando os lábios dela</p><p>roçaram a ponta de sua masculinidade.</p><p>Deus do céu, como fora tolo em achar que</p><p>poderia suportar aquilo por mais do que alguns</p><p>segundos.</p><p>Cerrou os dentes quando Bella repetiu a</p><p>carícia e se preparou para mais tormento. E ela</p><p>lhe deu mais, fazendo tudo que ele sonhara que</p><p>fizesse. Lambendo. Beijando. Sugando. Então,</p><p>tomando-o em sua boca, lentamente, até que</p><p>ele não pudesse suportar mais.</p><p>– Não – resmungou, quando estava prestes a</p><p>atingir o clímax.</p><p>Ela ergueu a cabeça imediatamente. Tinha</p><p>Ela ergueu a cabeça imediatamente. Tinha</p><p>um brilho sonhador nos olhos e os lábios</p><p>estavam deliciosamente cheios e molhados.</p><p>– Não? – perguntou confusa. E era evidente</p><p>que estaria. Os homens com quem já estivera a</p><p>teriam deixado ir até o fim. Teriam exigido</p><p>isso. Mas não era o que ele queria. Queria estar</p><p>dentro dela. Queria que fizesse amor com ele</p><p>com o corpo inteiro, não apenas a boca.</p><p>– Não – repetiu ele numa voz gutural. – É o</p><p>suficiente disso. Quero tudo, afinal.</p><p>Bella não disse uma palavra. Apenas o olhou</p><p>por um longo momento. Mas, então, sacudiu</p><p>os ombros de leve e pegou um preservativo.</p><p>– Acho melhor você colocar isto – disse com</p><p>a mão trêmula.</p><p>Então, ela estava excitada ao máximo. Era</p><p>bom, não era? Não significava nada especial.</p><p>Sergio rasgou o invólucro com os dentes e</p><p>cuidou da proteção de ambos rapidamente.</p><p>– O que é tão engraçado? – perguntou, ao</p><p>– O que é tão engraçado? – perguntou, ao</p><p>notar que ela sorria de leve.</p><p>– Eu só estava pensando que a prática leva à</p><p>perfeição.</p><p>Ele quase respondeu que estivera pensando a</p><p>mesma coisa sobre ela. Mas tinha bom senso o</p><p>bastante para saber como as mulheres podiam</p><p>ficar ofendidas pelo comentário errado.</p><p>Assim, apenas sorriu e deitou-se sobre ela</p><p>com a ereção entre ambos.</p><p>– Quero beijar essa sua boca deliciosa</p><p>enquanto ainda tem o meu gosto. – Ele roçou-</p><p>lhe os lábios com os seus. – Você é</p><p>extremamente sexy. Agora me beije.</p><p>Uma onda de triunfo o dominou quando</p><p>Bella obedeceu. Sua resolução de seduzi-la</p><p>ainda mais aumentou, de levá-la a fazer coisas</p><p>que talvez não tivesse feito antes, de fazê-la</p><p>querer que ele a dominasse totalmente.</p><p>Ele explorou-lhe a maciez da boca com a</p><p>língua, estabelecendo um ritmo que mostrava o</p><p>que ansiava fazer com ela. Fora e dentro, fora e</p><p>dentro, até deixá-la sem fôlego. Somente, então,</p><p>parou e rolou na cama, fazendo-a virar-se</p><p>consigo.</p><p>– Sente-se, Bella – ordenou, e ela obedeceu,</p><p>sentando-se por cima dele enquanto ele</p><p>permanecia deitado de costas.</p><p>– Agora, solte o seu cabelo.</p><p>Deus do céu, mas ele adorou a maneira como</p><p>as mãos dela tremeram quando atenderam seu</p><p>pedido. Vê-la tão excitada não compensava</p><p>todos os anos que sofrera por causa daquela</p><p>paixão recolhida, mas era um começo.</p><p>Observou admirado enquanto o glorioso</p><p>cabelo dela cascateava em erótico desalinho em</p><p>torno dos ombros. Tinha um cabelo incrível,</p><p>suave e sedoso, com uma ligeira ondulação</p><p>quando seco e muitos cachos quando molhado.</p><p>Ele olhou para baixo, onde uma delicada</p><p>penugem lhe guardava o sexo. Havia quem</p><p>eliminasse tudo, mas ele sempre preferira um</p><p>pouco de mistério.</p><p>Bella ainda era um mistério para ele de</p><p>algumas maneiras. Mas não na cama. Ela</p><p>obviamente gostava de estar no controle</p><p>algumas vezes. Mas, principalmente, preferia</p><p>fazer o papel de submissa. Estava bom para ele.</p><p>Gostava de dominar no quarto.</p><p>– Você pode assumir agora.</p><p>Bella pareceu perplexa por uma fração de</p><p>segundo. Mas então abriu um sorriso</p><p>enigmático. Sem dizer uma palavra, colocou-se</p><p>de joelhos e baixou os olhos para a ereção livre</p><p>de Sergio. Um grunhido escapou dos lábios</p><p>dele quando ela o segurou com ambas as mãos</p><p>e o guiou para a entrada de seu corpo. Os</p><p>olhares de ambos se detiveram naquele ponto, e</p><p>ele ficou com a respiração em suspenso</p><p>enquanto ela fez com que a penetrasse</p><p>lentamente.</p><p>Ela era incrível. E estava tão excitada.</p><p>Ele poderia ter mantido sua sanidade se ela</p><p>não tivesse começado a se mover, para cima e</p><p>para baixo, devagar, com os olhos fechados</p><p>como se estivesse enlevada. A respiração</p><p>tornou-se ofegante e acelerada. Era como se</p><p>estivesse em outro mundo.</p><p>A primeira contração dela o fez estremecer.</p><p>Arqueando os quadris abruptamente, foi como</p><p>se lava incandescente o percorresse num êxtase</p><p>poderoso. Estendendo as mãos para os ombros</p><p>dela, deitou-a sobre seu peito, segurando-a com</p><p>força enquanto os espasmos tomavam conta de</p><p>ambos.</p><p>Se ao menos Bella não tivesse apoiado o</p><p>rosto em seu pescoço. Se ao menos não tivesse</p><p>pressionado os lábios contra sua pele,</p><p>murmurando o nome dele ao mesmo tempo.</p><p>As emoções fluíram</p><p>e a mãe, no</p><p>quarto. Ou era no quinto?</p><p>Daquele modo, nem Alex, nem Jeremy</p><p>tinham problemas com a regra número três.</p><p>Os membros do Clube dos Solteiros não devem</p><p>se casar antes dos trinta e cinco anos.</p><p>O que parecera uma eternidade na época.</p><p>Ainda assim, Sergio sempre soubera, apesar</p><p>de uma grande dose de amargura diante do</p><p>segundo casamento do pai e subsequente</p><p>divórcio, que um dia iria se casar. Era italiano,</p><p>afinal. A família lhe era importante. Mas</p><p>deixara a ideia de lado enquanto trabalhara</p><p>obsessivamente rumo ao principal objetivo do</p><p>Clube dos Solteiros.</p><p>Tornar-se bilionário até os trinta e cinco anos.</p><p>O que finalmente haviam conseguido.</p><p>Naquele dia.</p><p>Outra onda de melancolia tomou conta de</p><p>Sergio enquanto aceitava que aquele dia</p><p>também marcava o final virtual do clube deles.</p><p>Sim, os três continuariam sendo amigos para</p><p>sempre – era fato –, mas apenas a distância. Ele</p><p>retornaria a Milão em breve para assumir o</p><p>controle dos negócios da família, que tinham</p><p>entrado em sério declínio desde a morte de seu</p><p>pai, no ano anterior. Alex voltaria à Austrália</p><p>no dia seguinte para expandir sua já bem-</p><p>sucedida construtora, ao passo que Jeremy</p><p>ficaria em Londres, onde planejava comprar</p><p>um negócio. Possivelmente ligado à</p><p>propaganda. Qualquer coisa exceto o ramo</p><p>bancário.</p><p>Sergio soube que, uma vez que contasse a</p><p>Jeremy e Alex naquela noite sobre sobre sua</p><p>intenção de se casar, eles também veriam que</p><p>os dias do Clube dos Solteiros estavam</p><p>seriamente contados. Bem, mas assim era a</p><p>vida. Nada permanecia igual. A mudança era</p><p>inevitável.</p><p>“Vou pensar no casamento como um novo</p><p>objetivo”, decidiu Sergio com determinação,</p><p>enquanto deixava o banheiro. Um novo</p><p>desafio. Uma nova jornada.</p><p>– E então, que tipo de esposa você quer? –</p><p>perguntou a si mesmo, enquanto entrava no</p><p>imenso closet que até Jeremy invejava. Ele</p><p>deixou para trás os cabides contendo os</p><p>sofisticados ternos italianos que usava para os</p><p>negócios. Aquela noite seria para celebração, e</p><p>não negócios, então ele escolheu uma calça</p><p>casual preta.</p><p>Ela teria de ser razoavelmente jovem, supôs,</p><p>uma vez que queria ter mais de um filho.</p><p>Certamente não deveria ter mais que vinte e</p><p>cinco anos. Também teria que ser fisicamente</p><p>atraente, decidiu, enquanto tirava uma camisa</p><p>de seda branca do cabide e a vestia. Não se via</p><p>casando com uma mulher comum. Não de</p><p>aparência estonteante, porém. Mulheres</p><p>estonteantemente bonitas só causavam</p><p>problemas a um homem.</p><p>Ele abotoava a camisa, quando o celular</p><p>pessoal tocou. Franziu o cenho, voltando ao</p><p>quarto e se adiantando até a mesinha de</p><p>cabeceira onde o deixara. Apenas poucas</p><p>pessoas tinham aquele número particular. Alex</p><p>e Jeremy, evidentemente. E Cynthia. Ele trocava</p><p>de número anualmente, gostando da</p><p>privacidade que tal providência lhe permitia.</p><p>Sem dúvida era Alex ou Jeremy, dizendo que</p><p>estava atrasado. Como de costume. Não seria</p><p>Cynthia. Rompera com ela mais de um mês</p><p>antes, e havia muito que ela desistira de uma</p><p>reconciliação.</p><p>Ele arqueou as sobrancelhas quando viu que</p><p>a identificação da pessoa que ligara estava</p><p>bloqueada. Apertou os lábios com raiva diante</p><p>da possibilidade de que seu número particular</p><p>tivesse sido invadido por hackers. Já acontecera</p><p>uma ou duas vezes antes.</p><p>– Quem é? – falou num tom seco ao celular.</p><p>Houve um breve silêncio do outro lado antes</p><p>de uma voz feminina dizer com hesitação:</p><p>– É... É Bella...</p><p>O choque atingiu Sergio em cheio,</p><p>roubando-lhe o fôlego, sem mencionar a voz.</p><p>– Sergio? – prosseguiu ela, após alguns</p><p>– Sergio? – prosseguiu ela, após alguns</p><p>segundos de silêncio tenso. – É você, não é?</p><p>– Sim, Bella, sou eu. – Ele se admirou em ver</p><p>como soava normal, porque não havia nada</p><p>remotamente normal se passando em seu</p><p>íntimo. Seu coração estava disparado e sua</p><p>cabeça parara de processar pensamentos</p><p>lógicos. Porque era Bella lhe telefonando. A</p><p>estonteantemente bonita Bella… sua irmã de</p><p>criação e atormentadora do passado.</p><p>– Você disse que… se eu precisasse da sua</p><p>ajuda... poderia lhe telefonar. Você... me deu o</p><p>seu número. No funeral do seu pai… Não se</p><p>lembra? – Ela concluiu um tanto ofegante.</p><p>– Sim, eu me lembro – admitiu ele, quando</p><p>conseguiu se recobrar.</p><p>– Vou ter que telefonar para você de volta –</p><p>disse ela de repente e desligou.</p><p>Sergio praguejou por entre dentes e olhou</p><p>para o celular mudo, resistindo à vontade de</p><p>atirá-lo na parede.</p><p>Durante cinco minutos, andou pelo quarto,</p><p>desejando que ela ligasse de volta,</p><p>perguntando-se preocupado em que tipo de</p><p>problema ela estava. Não que devesse se</p><p>preocupar. Bella obviamente não pensara duas</p><p>vezes nele desde o divórcio do pai dele e da mãe</p><p>dela. E aquilo havia sido onze anos antes! Seu</p><p>comparecimento ao funeral no ano anterior</p><p>fora apenas por causa do pai dele, e não dele</p><p>pessoalmente. Enfureceu-o o fato de estar</p><p>perdendo tempo à espera de que ela ligasse,</p><p>quando deveria estar rumando para o</p><p>restaurante. Sua reserva era para as oito da</p><p>noite, e já estava perto desse horário. Se tivesse</p><p>algum senso, devia parar de pensar em Bella e</p><p>se pôr a caminho.</p><p>Ele riu de si mesmo enquanto pegava os</p><p>sapatos e as meias e começava a colocá-los.</p><p>Afinal, quando fora que conseguira parar de</p><p>pensar em Bella?</p><p>Talvez, se ela tivesse se mantido distante,</p><p>Talvez, se ela tivesse se mantido distante,</p><p>levando uma vida tranquila na Austrália, talvez</p><p>tivesse conseguido esquecê-la. Mas não. O</p><p>destino não fora tão bondoso. Depois de</p><p>ganhar um concurso de talentos na televisão</p><p>australiana pouco antes de Dolores ter pedido o</p><p>divórcio ao pai dele, Bella prosseguira para se</p><p>tornar uma famosa estrela do teatro musical,</p><p>brilhando em shows no mundo todo,</p><p>especialmente na Broadway, mas em alguns em</p><p>Londres. Seu rosto lindo estivera em todos os</p><p>lugares na época. Na televisão. Nas laterais de</p><p>ônibus. Em outdoors. Sergio resistira a ir vê-la</p><p>no palco, sabendo que se a visse atuando</p><p>pessoalmente só alimentaria o poderoso desejo</p><p>que ela lhe inspirara e contra cuja lembrança</p><p>ainda lutava.</p><p>Mas uma vez, porém, o destino não fora</p><p>bondoso com ele. Jeremy o arrastara numa</p><p>noite, cerca de três anos antes, para um show de</p><p>variedades, onde, sem que Sergio soubesse,</p><p>Bella era uma das estrelas convidadas. Que</p><p>agonia havia sido ficar sentado lá vendo-a</p><p>cantar e dançar.</p><p>Mas pior fora Jeremy informando-o, depois</p><p>que a cortina baixou, que recebera um convite</p><p>para uma festa depois do show no Soho Hotel.</p><p>Ele poderia ter se recusado a acompanhá-lo,</p><p>mas uma curiosidade perversa sobrepujara-lhe</p><p>o primeiro instinto de ir para casa em seu novo</p><p>apartamento em Canary Wharf e se</p><p>embebedar. Em vez disso, fora à festa em que</p><p>Bella dançara com seu mais recente namorado,</p><p>um bonito ator francês de talento duvidoso</p><p>com fama de mulherengo. Que casal</p><p>espetacular eles faziam. Linda e loira, ela era o</p><p>par perfeito para o francês moreno. Usara um</p><p>etéreo vestido branco, enquanto ele se vestira</p><p>todo de preto; um demônio e um anjo. Sergio a</p><p>observara a distância, desejando-a como nunca,</p><p>seu ciúme se alastrando a cada vez que o</p><p>francês a tocava.</p><p>Não tinha mais uma clara lembrança do que</p><p>dissera a ela quando Bella finalmente o avistara</p><p>no salão, deixando o namorado por um</p><p>momento para se aproximar e lhe falar em</p><p>particular. Não teria sido rude. Não era o seu</p><p>jeito. O pai lhe incutira educação e boas</p><p>maneiras desde cedo. Sem dúvida, teria lhe</p><p>feito um elogio por seu desempenho no palco.</p><p>O que se lembrava, no entanto, era da maldosa</p><p>crueldade de sua ereção quando a vira mover os</p><p>lábios para dizer algo que não lembrava. Nunca</p><p>antes, nem desde então, sentira algo tão</p><p>intenso, aquela proximidade fazendo com que</p><p>o desejo por ela quase fugisse ao seu controle.</p><p>Mas tratara de controlá-lo, conversando com</p><p>ela por algum tempo até que o namorado</p><p>possessivo se aproximara e a levara. Fora</p><p>somente depois que Sergio chegara em casa que</p><p>dera vazão às suas emoções explosivas.</p><p>Esmurrara a porta do banheiro e quebrara dois</p><p>dedos. Depois, entrara no chuveiro frio e</p><p>chorara feito um bebê.</p><p>Levou várias semanas para que a mão dele</p><p>sarasse e para ter alguma perspectiva em</p><p>relação aos seus sentimentos autodestrutivos</p><p>do coração dele. Seu</p><p>grunhido foi de derrota. Ou de resignação?</p><p>Podia dizer a si mesmo que era apenas a</p><p>libido ditando suas ações com Bella. E era</p><p>verdade até certo ponto. Mas não podia mais</p><p>fingir que suas emoções não tinham se</p><p>envolvido também. Já era amor? Esperava que</p><p>não. Nunca se apaixonara. Mas não podia negar</p><p>que Bella o estava afetando de outras maneiras</p><p>além da sexual. O que era indesejável. Bella não</p><p>queria que ele se apaixonasse, e Sergio</p><p>certamente não queria se apaixonar por ela.</p><p>Uma vez que o romance de férias de ambos</p><p>tivesse terminado, Bella retomaria sua vida do</p><p>outro lado do mundo e aquele interlúdio seria</p><p>apenas uma lembrança agradável. A amizade de</p><p>ambos – mesmo com os benefícios – não</p><p>sobreviveria. Ela voltaria a ficar concentrada na</p><p>carreira e aquilo seria tudo. Não pensaria nele</p><p>duas vezes, da maneira como acontecera</p><p>quando os pais de ambos haviam se divorciado,</p><p>todos aqueles anos atrás. Fora ruim o bastante</p><p>desejá-la a distância. Não queria amá-la a</p><p>distância tampouco.</p><p>Decidiu certificar-se de que aquilo não</p><p>Decidiu certificar-se de que aquilo não</p><p>acontecesse.</p><p>Era melhor deixar aquela cama agora, disse a</p><p>si mesmo com firmeza. E parar com o sexo dali</p><p>em diante. Todos aqueles orgasmos incríveis</p><p>estavam criando um turbilhão em sua mente e</p><p>mexendo com suas emoções. O plano para</p><p>superar a obsessão por ela estivera fadado ao</p><p>fracasso desde o início. A lógica deveria tê-lo</p><p>avisado que, uma vez que tivesse Bella em sua</p><p>cama, estaria em perigo de ficar ainda mais</p><p>obcecado por ela.</p><p>Foi necessário um tremendo esforço para</p><p>que saísse debaixo do corpo dela, especialmente</p><p>quando Bella gemeu e o abraçou mais.</p><p>Felizmente, os membros dela estavam</p><p>lânguidos, embora tenha aberto os olhos</p><p>quando ele a cobriu com o lençol.</p><p>– Não me deixe.</p><p>Ela era irresistível chamando-o dessa</p><p>maneira. Ele tinha de sair dali agora.</p><p>– Durma, sim? Você teve o bastante por</p><p>hoje. E, para ser franco, eu também.</p><p>Ele virou-se e deixou o quarto antes que</p><p>Bella pudesse ver que ele não tivera o bastante</p><p>dela. Nem de longe!</p><p>O sermão a si mesmo não parou depois que</p><p>retornou à suíte principal, continuando</p><p>durante todo o longo banho frio que se obrigou</p><p>a tomar.</p><p>– Nada de sexo amanhã – resmungou. –</p><p>Felizmente, Maria estará aqui por algumas</p><p>horas durante o dia. Isso deverá me impedir de</p><p>mergulhar com Bella na piscina e, depois, trazê-</p><p>la para o meu quarto para passarmos a tarde</p><p>fazendo amor.</p><p>Infelizmente, ambas as ideias projetaram</p><p>imagens eróticas que se recusaram a ser</p><p>banidas. Ele imaginou-os entregando-se a</p><p>bastante sexo oral na piscina. Talvez até a</p><p>deixasse ir até o fim com aquela boca deliciosa</p><p>dela. Mas, puxa, como Bella era boa naquilo.</p><p>Uma vez que chegasse ao clímax daquele jeito,</p><p>teria condições de ir com todo o vagar com ela</p><p>na cama. As preliminares poderiam durar</p><p>bastante. Poderia até amarrá-la à cama. Bella o</p><p>deixaria fazer aquilo? Possivelmente não ainda.</p><p>Mas logo…</p><p>Sergio interrompeu abruptamente a linha de</p><p>pensamento. O que, afinal, estava pensando ao</p><p>fazer planos para seduzir Bella ainda mais?</p><p>Devia estar se concentrando em reduzir a</p><p>quantidade de sexo entre ambos, não a</p><p>aumentar.</p><p>Sacudiu a cabeça para si mesmo, jurando</p><p>fazer tudo ao seu alcance para controlar a</p><p>situação. Um pouco de sexo com Bella estava</p><p>bem. Mas apenas como a última coisa à noite e</p><p>sob o pretexto de ajudar a ambos com sua</p><p>insônia. Porque ele tinha de encarar os fatos.</p><p>Não conseguiria dormir enquanto não a tivesse.</p><p>Mas sexo durante o dia estava fora de</p><p>cogitação. Só faria com que ficasse viciado nela.</p><p>Quando saiu do chuveiro, estava com o</p><p>corpo e a mente sob controle. Também tinha</p><p>um plano para sobreviver durante o mês</p><p>seguinte, porque era no que as coisas haviam se</p><p>transformado. Sobrevivência. Evidentemente,</p><p>ter um plano e colocá-lo em prática eram duas</p><p>coisas diferentes, às vezes. Também não</p><p>ajudaria o fato de que Maria estaria ali</p><p>bancando o Cupido o tempo todo. Felizmente,</p><p>aceitara o convite para o jantar na casa de</p><p>Claudia na noite seguinte. Isso deveria cobrir</p><p>algumas horas no início da noite, quando a</p><p>tentação era maior. E, felizmente, a partir de</p><p>segunda-feira, ele passaria cada dia útil na</p><p>fábrica em Milão. Já era tempo de começar a</p><p>trabalhar e se dedicar ao negócio da família, de</p><p>qualquer modo. Talvez, se ele se envolvesse</p><p>naquilo, ficar com Bella fosse menos</p><p>importante.</p><p>E talvez o sol não nascesse no dia seguinte,</p><p>pensou com um riso irônico.</p><p>CAPÍTULO 16</p><p>A COZINHA da villa era grande e convidativa,</p><p>com chão de pedra, armários de pinho,</p><p>bancadas de mármore e uma mesa central de</p><p>madeira com oito lugares. Quando Bella entrou</p><p>ali, logo após o meio-dia, Sergio estava sentado</p><p>à cabeceira da mesa, vestindo um short</p><p>colorido e uma camiseta branca. Tinha os olhos</p><p>baixos e as grandes mãos em torno de uma</p><p>caneca fumegante do que ela presumiu ser café.</p><p>Ainda não havia se barbeado e pareceu ainda</p><p>mais sexy do que no dia anterior. Maria estava</p><p>junto à pia, cantarolando baixinho e olhando</p><p>pela janela para o lago além.</p><p>Sergio ergueu a cabeça quando ela entrou e</p><p>Sergio ergueu a cabeça quando ela entrou e</p><p>percorreu-a com o olhar de alto a baixo antes</p><p>de lhe observar o rosto e um pequeno sorriso</p><p>curvar-lhe os lábios.</p><p>Foi um sacrifício não parecer embaraçada.</p><p>Mas ela conseguiu. Determinara-se antes de</p><p>descer a não agir como uma virgem insegura</p><p>que Sergio tivesse seduzido contra sua vontade.</p><p>Quando acordara de manhã, as lembranças do</p><p>dia anterior a haviam dominado. De certa</p><p>maneira, tudo parecera surreal. Seu desejo</p><p>inesperado por Sergio. A surpreendente</p><p>proposta dele de que tivessem um romance</p><p>como amigos com benefícios. E, então, a mais</p><p>surpreendente ousadia dela na cama.</p><p>Havia sido mesmo ela, acariciando-o com</p><p>lábios tão ávidos e, depois, sentando-se em</p><p>cima dele e entregando-se com tanto</p><p>abandono?</p><p>Uma parte de si queria se desvincular dessa</p><p>pessoa. A mãe a havia criado para acreditar que</p><p>boas moças não faziam coisas como aquelas.</p><p>Ao pensar nos conselhos hipócritas da mãe</p><p>ao longo dos anos, sentiu qualquer</p><p>constrangimento em relação à noite anterior</p><p>sendo banido. Com uma nova maturidade</p><p>sexual, aceitou que gostara de cada segundo</p><p>excitante. Gostara especialmente de sentir os</p><p>primeiros orgasmos. Deus do céu, nunca</p><p>sonhara com tanto prazer.</p><p>Perguntou-se momentaneamente, enquanto</p><p>sorria para Sergio, sobre como ele reagiria se ela</p><p>lhe contasse que nunca tivera um orgasmo</p><p>antes da noite anterior.</p><p>Não que o faria. Estava claro que ele</p><p>acreditava que era uma mulher experiente.</p><p>Revelar que isso não era verdade podia</p><p>afugentá-lo, algo que ela certamente não queria.</p><p>O que ela queria mais do que tudo era mais</p><p>daquilo que haviam partilhado na noite</p><p>anterior.</p><p>– Bom dia – disse alegremente, enquanto</p><p>– Bom dia – disse alegremente, enquanto</p><p>puxava a cadeira do lado oposto da mesa.</p><p>Maria virou-se imediatamente da pia.</p><p>– Finalmente! Alguém que vai querer o café</p><p>da manhã se levantou! Sergio só quer café. E</p><p>você, o que quer, Bella? Que tal uma saborosa</p><p>omelete?</p><p>– Você se ofenderia se eu tomasse apenas</p><p>café como Sergio?</p><p>Ele riu.</p><p>– Viu, Maria? Não sou o único que está com</p><p>o estômago fraco esta manhã.</p><p>– Bah! Vocês dois. Sei por que não querem o</p><p>café da manhã. Excesso de pizza e de</p><p>champanhe ontem à noite.</p><p>– Excesso de outra coisa – murmurou Sergio</p><p>e, então, sorriu para Bella com um brilho</p><p>significativo no olhar.</p><p>Ela estava calma por fora, mas, por dentro,</p><p>tremia de excitação. Quem teria acreditado que</p><p>o conservador Sergio se transformaria num</p><p>Casanova?</p><p>Não que ela se importasse.</p><p>– Como dormiu? – perguntou-lhe ele.</p><p>– Muito bem. E você?</p><p>– Profundamente.</p><p>– Champanhe sempre me deixa sonolenta –</p><p>disse Bella, determinada a entrar no jogo.</p><p>– Então, abriremos outra garrafa hoje à</p><p>noite.</p><p>– Pensei que você fosse à sua vizinha para</p><p>jantar hoje à noite.</p><p>– Sim, mas não vou voltar tarde.</p><p>– Talvez eu já tenha me deitado a essa altura.</p><p>Ele deu de ombros.</p><p>– Há sempre uma outra noite.</p><p>Bella ficou aborrecida com o fato de que</p><p>Sergio não estava tão ansioso para ficar com ela</p><p>quanto ela estava para ficar com ele. Mas por</p><p>que estaria?</p><p>A noite anterior não fora especial</p><p>para ele. Não tanto quanto fora para ela.</p><p>Maria franziu o cenho enquanto colocava</p><p>uma caneca de café diante de Bella.</p><p>– Não venho até aqui só para fazer café. –</p><p>Pousando as mãos nos quadris largos, alternou</p><p>um olhar entre ambos. – Já sei! Vou preparar</p><p>uma cesta de piquenique para vocês. Sergio,</p><p>leve Bella para passear no barco a remo. Vá até</p><p>aquela gruta secreta que encontrou quando</p><p>estava pescando há algum tempo. Dessa</p><p>maneira, Bella não precisa usar nenhuma</p><p>peruca tola. Pode ser ela mesma.</p><p>O coração de Bella deu um salto diante da</p><p>ideia de sair para um piquenique romântico</p><p>com Sergio numa gruta secreta. Ele não pareceu</p><p>gostar muito da ideia, se sua expressão era um</p><p>indicador.</p><p>– Não sei quanto a isso. Há sempre</p><p>movimento no lago aos domingos. Alguém</p><p>passando num barco poderia reconhecer Bella.</p><p>– Não se eu usar óculos escuros e um chapéu</p><p>de aba larga – disse Bella, olhando-o</p><p>diretamente nos olhos.</p><p>Sergio acabou assentindo.</p><p>– Está certo, mas sugiro que use um biquíni</p><p>por baixo da roupa. Está calor e a água na gruta</p><p>é perfeita para nadar.</p><p>Bella sentiu um nó no estômago ao pensar</p><p>no pequeno biquíni branco que comprara no</p><p>aeroporto. Não o comprara pensando em</p><p>sedução, mas servia exatamente para aquilo.</p><p>– Está bem.</p><p>– Maria, quanto tempo vai levar para</p><p>preparar a cesta de piquenique?</p><p>– Não muito. De dez a quinze minutos.</p><p>– Vou tirar o barco a remo. Bella, vá se</p><p>arrumar. E não se preocupe em colocar</p><p>maquiagem. Você não precisa.</p><p>Ela decidiu aceitar aquilo como um elogio,</p><p>apesar do tom um tanto brusco. Sergio podia</p><p>ser um Casanova na cama à noite, mas não era</p><p>muito charmoso à luz do dia.</p><p>– Posso terminar meu café primeiro?</p><p>– Se precisa.</p><p>– Sim. E depois vou me trocar.</p><p>Ele revirou os olhos.</p><p>– E quanto tempo isso vai levar?</p><p>– Quinze minutos. No máximo. – Aprendia-</p><p>se a ser rápido quando se trabalhava no palco.</p><p>– Vou acreditar quando vir. As mulheres não</p><p>conhecem o significado de pontualidade.</p><p>Apenas tente não me fazer esperar demais. – E</p><p>Sergio deixou a cozinha.</p><p>– Ele é um tanto rabugento de manhã, não é?</p><p>– comentou Bella, terminando seu café.</p><p>Maria suspirou.</p><p>– Ele tem ficado triste desde que o pai</p><p>morreu. Mas estará melhor agora que voltou</p><p>para viver na Itália. Ainda melhor quando</p><p>arranjar uma esposa. Talvez uma boa moça</p><p>como você, Bella. Já é tempo de você se casar,</p><p>não é?</p><p>Embora ficasse surpresa pela inesperada</p><p>sugestão de Maria, ela não pôde deixar de</p><p>mergulhar na fantasia romântica de se casar</p><p>com Sergio. Até que o bom senso interveio. De</p><p>maneira alguma Sergio a pediria em casamento.</p><p>Para ser franca, estava surpresa que ele a tivesse</p><p>perdoado o bastante para ser seu amigo. Se bem</p><p>que, agora, era uma amizade com benefícios,</p><p>benefícios que ela desfrutara na noite anterior</p><p>tanto quanto ele. Esperava desfrutar um pouco</p><p>mais desses benefícios durante o piquenique</p><p>romântico no lago. Só a ideia de estar com</p><p>Sergio outra vez já fazia sua mente rodopiar e o</p><p>coração bater mais forte.</p><p>– Sergio não está interessado em se casar tão</p><p>cedo, Maria. – Deixando a mesa, levou a caneca</p><p>até a pia. – E nem eu. – Seus interesses estavam</p><p>em outras coisas no momento. – Agora, é</p><p>melhor eu me apressar.</p><p>Dezessete minutos depois, estava sentada</p><p>num barco a remo de madeira de aspecto</p><p>antigo enquanto lançava um olhar desejoso à</p><p>moderna lancha branca e vermelha que se</p><p>encontrava no galpão de barcos. Depois de ter</p><p>acomodado a cesta de piquenique debaixo do</p><p>assento dela, Sergio usou um remo antigo para</p><p>tirar o barco da margem. Não havia mudado de</p><p>roupa, embora agora estivesse usando óculos</p><p>escuros.</p><p>– Acho que devo avisá-lo – disse, fingindo</p><p>indiferença. – Maria está tentando bancar o</p><p>Cupido para nós.</p><p>A expressão de Sergio demonstrou que</p><p>aquilo não era novidade para ele, o que talvez</p><p>explicasse sua irritação. Talvez Maria tivesse lhe</p><p>dito algo naquela manhã quando ele descera.</p><p>– Maria é uma romântica – disse ele</p><p>exasperado e dando de ombros.</p><p>– No fundo, a maioria das mulheres é</p><p>romântica – confessou Bella. Incluindo a si</p><p>mesma. Só uma romântica imaginaria que um</p><p>dia encontraria um homem que a amaria tão</p><p>profundamente quanto ela o amaria; que a</p><p>entenderia e apoiaria; que seria um excelente</p><p>pai e marido. Era desses pensamentos que as</p><p>fantasias eram formadas. Fantasias e filmes de</p><p>Hollywood.</p><p>Achava carinhoso da parte de Maria</p><p>imaginar que ela daria uma boa esposa para</p><p>Sergio. Mas não era o caso. O sexo entre ambos</p><p>podia ser ótimo, mas não passaria disso.</p><p>Seu suspiro conteve uma dose de pesar pelo</p><p>fato de a vida ser infinitamente mais</p><p>complicada para uma mulher a partir do</p><p>momento em que tinha uma carreira bem-</p><p>sucedida. Podia estar sofrendo um desgaste no</p><p>momento, mas jamais abriria mão de sua</p><p>carreira. Cantar e dançar para uma plateia</p><p>enlevavam sua alma de um modo que não</p><p>podia descrever. Sem isso, seria uma mera</p><p>sombra de si mesma.</p><p>– O que ela disse a você? – perguntou Sergio,</p><p>começando a remar.</p><p>O tom impaciente dele fez Bella se preocupar</p><p>com a possibilidade de ter colocado Maria em</p><p>apuros.</p><p>– Oh, não muito. Apenas que eu daria uma</p><p>boa esposa para você. O que achei um tanto</p><p>divertido. Não posso imaginar uma esposa</p><p>menos adequada para você. De qualquer modo,</p><p>falei a Maria que nenhum de nós queria se</p><p>casar no momento. Espero que não se importe</p><p>por eu ter falado por você.</p><p>– Nem um pouco. Agradeço.</p><p>Naquele momento, dois jet skis passaram</p><p>velozmente por eles, fazendo o barco balançar.</p><p>Bella conteve a respiração e segurou-se às</p><p>laterais de madeira.</p><p>Sergio praguejou na direção deles e, então,</p><p>desculpou-se com ela por seu linguajar.</p><p>– O Lago de Como na temporada de turistas</p><p>não é o que costumava ser.</p><p>– Sim, posso ver. Mas não se pode culpar as</p><p>pessoas por virem até aqui. É um lugar tão</p><p>bonito, especialmente no verão.</p><p>– Culpo as autoridades por deixarem que</p><p>– Culpo as autoridades por deixarem que</p><p>caubóis como aqueles estraguem a diversão das</p><p>outras pessoas. Este é um lugar para relaxar.</p><p>Não é uma pista de corrida aquática.</p><p>– Ainda assim, você tem uma lancha.</p><p>– Eu não a piloto feito um caubói.</p><p>Bella riu.</p><p>– Vou acreditar quando vir. Agora, onde está</p><p>essa gruta de que esteve falando?</p><p>– Ainda está um pouco distante. Se pararmos</p><p>de falar, remarei mais depressa. Apenas admire</p><p>a vista e relaxe.</p><p>Ela parou de falar, mas não relaxou. Talvez</p><p>porque a vista que começou a admirar não</p><p>tivesse nada a ver com os belos arredores, mas</p><p>com o homem diante de seus olhos. Enquanto</p><p>ele remava, flexionava os braços e os bíceps de</p><p>uma maneira incrível. Ela sentia-se grata por</p><p>estar usando óculos escuros porque podia</p><p>admirá-lo à vontade sem ser óbvia. O desejo</p><p>intenso que sentira por ele no dia anterior junto</p><p>à piscina voltou de imediato, fazendo com que</p><p>seu abdome se contraísse e os mamilos</p><p>formigassem. Mal podia esperar para chegarem</p><p>à privacidade da gruta. A palavra “secreta”</p><p>sugeria que ficariam lá sem serem observados.</p><p>Estariam completamente a sós...</p><p>SERGIO PODIA sentir os olhos dela pousando nele.</p><p>Ainda assim, nem sequer estava olhando</p><p>para ela. Não ousava. Observar-lhe a</p><p>impressionante beleza era uma tortura. O</p><p>chapéu e os óculos escuros não ajudavam.</p><p>Ainda podia ver-lhe o corpo que estava coberto</p><p>por uma camiseta longa branca e o que parecia</p><p>ser um biquíni branco por baixo. E havia</p><p>aquelas pernas... longas e bem-torneadas. As</p><p>pernas graciosas de uma dançarina... pernas</p><p>que o tinham cingido pela cintura enquanto</p><p>ele...</p><p>Cerrando os dentes, ele afastou os</p><p>pensamentos e tratou de se concentrar nos</p><p>remos. Era um bom remador. Remara em</p><p>Oxford, e sua equipe ganhara a regata num ano.</p><p>– No que está pensando? – perguntou Bella,</p><p>forçando-o a olhar para ela.</p><p>– Nos meus dias de remo em Oxford.</p><p>– Tinha muitas namoradas na torcida como</p><p>um verdadeiro Don Juan?</p><p>– Nunca fui um Don Juan como Jeremy, por</p><p>exemplo. Tive algumas namoradas em Oxford,</p><p>mas, desde então, minha vida sexual tem sido</p><p>conservadora. Apenas uma namorada por vez.</p><p>– Entendo. E quanto tempo uma namorada</p><p>costuma durar?</p><p>– Um tempo razoável. Tive poucas ao longo</p><p>dos anos.</p><p>– E você nunca se apaixonou?</p><p>Sergio</p><p>se deu conta de que aquela conversa</p><p>estava se tornando pessoal demais. Também</p><p>estava se aproximando da gruta.</p><p>– Nunca cheguei nem perto disso –</p><p>respondeu abruptamente. – Agora, se não se</p><p>importa em parar com as vinte perguntas,</p><p>estamos aqui. E esta parte seguinte é um tanto</p><p>difícil de percorrer.</p><p>BELLA FICARA grata pela distração de conversar.</p><p>Também ficara interessada em descobrir mais</p><p>sobre Sergio, o homem. Mas, uma vez que o</p><p>silêncio pairou entre ambos, voltou ao estado</p><p>em que o anseio por estar com ele outra vez</p><p>sobrepujou todas as outras emoções. Contendo</p><p>um suspiro, olhou ao redor e viu uma entrada</p><p>em “U” coberta pela mesma pedra antiga que</p><p>era comum em torno do lago. Não era uma</p><p>gruta romântica como imaginara, nem</p><p>conseguiu se imaginar nadando pelas águas ao</p><p>redor, que pareciam frias e profundas.</p><p>– A água está mais alta do que na última vez</p><p>que estive aqui – disse Sergio, encostando o</p><p>barco em degraus gastos e esculpidos nos</p><p>rochedos. Havia também uma grande argola de</p><p>ferro onde ele amarrou o barco.</p><p>– Não se preocupe – disse ele, ao vê-la franzir</p><p>– Não se preocupe – disse ele, ao vê-la franzir</p><p>a testa. – Há um bonito jardim secreto do outro</p><p>lado da gruta, numa passagem ao lado. Mas</p><p>acho que não vamos nadar. É melhor</p><p>deixarmos isso para quando voltarmos à villa.</p><p>Ele não exagerara. Havia realmente um</p><p>jardim secreto bonito do outro lado da gruta</p><p>árida, com musgo debaixo de pinheiros e uma</p><p>abundância de arbustos floridos emanando</p><p>uma variedade de fragrâncias. Era óbvio que o</p><p>jardim não recebia cuidados há algum tempo.</p><p>Não havia nenhuma villa por perto que ela</p><p>pudesse ver. Não que pudesse enxergar muito</p><p>longe; os arbustos e árvores eram densos</p><p>demais.</p><p>– Estamos invadindo propriedade privada? –</p><p>perguntou a Sergio, enquanto ele colocava a</p><p>cesta de piquenique de vime debaixo de uma</p><p>árvore frondosa e pegava um cobertor de</p><p>dentro dela.</p><p>– Possivelmente – confessou ele, estendendo</p><p>– Possivelmente – confessou ele, estendendo</p><p>o cobertor no chão. – Mas não estamos fazendo</p><p>nenhum mal. Está claro que ninguém usa mais</p><p>este lugar. Venha, não sei quanto a você, mas</p><p>de repente estou me sentindo faminto.</p><p>Bella teve que concordar que também estava,</p><p>quando Sergio abriu a cesta e ela viu o que</p><p>Maria mandara. Ajoelhou-se depressa para</p><p>ajudá-lo a retirar tudo da cesta, ficando com</p><p>água na boca diante da comida simples, mas de</p><p>aspecto delicioso. Junto com dois filões de pão</p><p>recém-assados, havia uma apetitosa seleção de</p><p>frios e queijos e dois enormes cachos de uvas,</p><p>além de alguns doces com creme. Não havia</p><p>vinho, mas apenas uma garrafa térmica com</p><p>café gelado junto com dois copos inquebráveis.</p><p>Quando havia comido quase mais do que de</p><p>costume, tudo que Bella queria fazer era se</p><p>deitar no cobertor e dormir. Seu suspiro de</p><p>contentamento ecoou ao redor enquanto se</p><p>esticava e fechava os olhos.</p><p>– Pelo que vejo, não vai precisar de mim</p><p>desta vez para ajudá-la a dormir, certo?</p><p>Bella abriu os olhos e o encontrou deitado ao</p><p>seu lado, observando-a com um olhar ardente.</p><p>Seu desejo por ele foi instantâneo, a</p><p>sonolência de segundos antes dissipando-se.</p><p>O que dizer? Ela ainda não estava</p><p>acostumada àquela nova criatura libidinosa que</p><p>emergira para assumir o controle da sua vida.</p><p>Queria deitar-se nua com ele naquele</p><p>cobertor. Queria Sergio por cima daquela vez.</p><p>Por cima e dentro dela. Preenchendo-a e lhe</p><p>dando prazer. Levando-a novamente a um</p><p>lugar onde ela não pensava, nem se preocupava,</p><p>um lugar em que tudo que queria era</p><p>mergulhar no prazer mais incrível e ser</p><p>enlevada pelo êxtase.</p><p>O calor espalhou-se por suas faces enquanto</p><p>se sentou no cobertor e despiu a camiseta.</p><p>Sergio não se moveu; ficou observando-a</p><p>enquanto ela se despia. Enfim, ela estava</p><p>totalmente nua, com a roupa dobrada na</p><p>grama, encimada pelo chapéu e os óculos</p><p>escuros. Não disse uma palavra, apenas se</p><p>deitou no cobertor e o olhou.</p><p>CAPÍTULO 17</p><p>SERGIO DEU-SE conta, então, que sua promessa</p><p>de diminuir o sexo era quase impossível de</p><p>manter, especialmente com Bella deitada nua e</p><p>convidativa à sua frente. Admitia que estivera</p><p>em busca de encrenca quando lhe perguntara se</p><p>ela precisava de ajuda para dormir. Mas não</p><p>esperara que Bella fizesse o que acabara de</p><p>fazer.</p><p>A beleza de seu corpo despido era um</p><p>poderoso afrodisíaco, mas o desejo que se</p><p>evidenciava em seus olhos era ainda mais</p><p>poderoso. Nenhum homem poderia resistir à</p><p>maneira como ela o desejava.</p><p>Ainda assim, Sergio tentou, usando a</p><p>Ainda assim, Sergio tentou, usando a</p><p>desculpa de que não levara preservativos.</p><p>Ela sorriu.</p><p>– Está tudo bem. Estou tomando a pílula. E,</p><p>antes que você pergunte, depois que terminei</p><p>com Andrei, fiz todos os exames existentes.</p><p>Todos deram negativo.</p><p>Sergio não precisava de mais encorajamento.</p><p>Nem a tranquilizou quanto a sua própria saúde.</p><p>Se bem que poderia. Talvez devesse. Mas já a</p><p>estava beijando, beijando e tocando, abrindo-</p><p>lhe as pernas e a acariciando, sentindo-lhe o</p><p>calor úmido que o aguardava. Os gemidos dela</p><p>o levaram ao limiar do prazer com tanta</p><p>rapidez que o forçaram a abandoná-la por</p><p>alguns segundos para se livrar das roupas. De</p><p>maneira alguma chegaria ao clímax se não</p><p>estivesse dentro dela.</p><p>Bella soltou uma exclamação deliciada</p><p>quando ele a penetrou e o cingiu pela cintura</p><p>com as pernas. A sensação de possuí-la era</p><p>incrível, os músculos eram firmes ao redor dele.</p><p>Sergio não ousou se mover com muito vigor,</p><p>sabendo que o clímax viria rápido demais.</p><p>Assim, manteve arremetidas lentas. Mas Bella</p><p>se moveu depressa, cravando as unhas nas</p><p>nádegas dele, erguendo os quadris do chão para</p><p>forçá-lo a ir mais fundo. Foi demais. Sergio</p><p>soltou um som gutural enquanto seu controle</p><p>explodia em labaredas de paixão. Quando</p><p>começou a dar fortes arremetidas, Bella gozou</p><p>de imediato, gritando o nome dele. O clímax de</p><p>Sergio se seguiu de maneira igualmente ruidosa</p><p>e intensa.</p><p>Permaneceram abraçados com força,</p><p>enquanto os espasmos os percorriam, até que,</p><p>finalmente, a tempestade de paixão passou.</p><p>Quando se entreolharam, os olhos dela</p><p>estavam atônitos.</p><p>– Deus do céu, Sergio. Isso foi... Isso foi…</p><p>– Fantástico? – sugeriu ele, usando humor</p><p>para esconder seu medo de que talvez estivesse</p><p>se apaixonando por Bella. Pois, com certeza,</p><p>apenas desejo não podia explicar a emoção que</p><p>o tomara quando a abraçara. Não quisera que o</p><p>momento terminasse nunca.</p><p>Ela riu.</p><p>– É uma maneira de colocar as coisas, eu</p><p>acho.</p><p>– É a única maneira, querida.</p><p>– Por favor, não me chame assim. – Ela não</p><p>achava que a forma de tratamento se aplicava</p><p>ao que ambos tinham.</p><p>– Como? De querida?</p><p>– Sim. Não sou a sua querida.</p><p>Puxa, mas aquilo magoava. Oh, sim, ele</p><p>estava se apaixonando por ela, embora Bella</p><p>fosse a última mulher na face da terra que</p><p>queria amar. A ironia da situação não lhe fugiu.</p><p>Seu pai se apaixonara pela mãe oportunista dela</p><p>e agora ele estava fazendo o mesmo com a filha.</p><p>Amaldiçoou a si mesmo por ter sido estúpido o</p><p>bastante para confessar que era bilionário. Mas</p><p>era tarde demais agora. O mal já fora feito.</p><p>– Como quer que a chame, então?</p><p>– Apenas de Bella. Sou sua amiga com</p><p>benefícios, lembra? Não sua namorada.</p><p>– É verdade. E posso dizer que nunca tive</p><p>benefícios melhores.</p><p>Sim, aquela era a maneira de manter a</p><p>situação. Calma e casual. De maneira alguma</p><p>ele revelaria seus verdadeiros sentimentos a ela.</p><p>Bella não pôde entender por que estava se</p><p>sentindo tão desapontada pela atitude de</p><p>Sergio. Ele estava apenas lhe dizendo a verdade,</p><p>afinal. Preocupou-a o fato de que talvez</p><p>estivesse tentando dar um toque romântico em</p><p>seus sentimentos por Sergio. A mãe a criara</p><p>para acreditar que boas moças só iam para a</p><p>cama com homens que amavam. E era por essa</p><p>razão que Bella tivera apenas três namorados</p><p>em mais de dez anos. Evidentemente, aquilo</p><p>fora antes de a mãe ter confessado a verdade</p><p>sobre seu casamento com o pai de Sergio.</p><p>Era difícil, porém, abandonar crenças de</p><p>longa data. Bella começara a pensar que tinha</p><p>que haver algo mais entre ambos do que apenas</p><p>sexo. Era curioso que tivesse experimentado</p><p>mais prazer com Sergio do que com seus ex-</p><p>namorados. Era inexplicável</p><p>que sentisse um</p><p>vazio tão grande quando ele saía dos seus</p><p>braços.</p><p>– O sexo é sempre tão bom para você,</p><p>Sergio? – perguntou, enquanto ele recolhia as</p><p>roupas.</p><p>Sergio queria chorar. Em vez disso, de algum</p><p>modo, encontrou uma voz indiferente.</p><p>– Nem sempre.</p><p>– Nunca senti nada como o que aconteceu.</p><p>A admissão alegrou-o, mas ele não ousou</p><p>olhá-la para não a deixar ver o brilho</p><p>apaixonado em seus olhos.</p><p>– Não existe explicação para a química sexual</p><p>– Não existe explicação para a química sexual</p><p>– mentiu ele, enquanto vestia o short e a</p><p>camiseta. – Às vezes, há umas melhores do que</p><p>outras. Também suspeito que você não tem a</p><p>companhia de um homem há bastante tempo.</p><p>É isso mesmo? – Finalmente, olhou-a.</p><p>Ela ainda estava nua e não fez esforço para se</p><p>cobrir.</p><p>– Rompi com Andrei há mais de um ano.</p><p>Ele já sabia. Fora a melhor notícia que tivera,</p><p>na época.</p><p>– E não houve ninguém desde então?</p><p>– Não.</p><p>– Não houve encontros de uma noite?</p><p>– Não tenho encontros de uma noite.</p><p>– O quê? Nunca?</p><p>– Não, nunca. Não posso pensar em nada</p><p>pior do que fazer sexo com um estranho.</p><p>– Isso é bastante... hã...</p><p>– Antiquado da minha parte?</p><p>– Eu estava pensando mais em “incomum”</p><p>– Eu estava pensando mais em “incomum”</p><p>nos tempos de hoje.</p><p>– Suponho que você tem encontros de uma</p><p>noite o tempo todo.</p><p>– Não com muita frequência. Mas houve</p><p>ocasiões na minha vida em que sexo</p><p>descompromissado com uma estranha foi</p><p>ótimo. – Como quando ele quase enlouquecera</p><p>depois de vê-la com o maldito francês. – Ouça,</p><p>se não se importa, acha que pode colocar sua</p><p>roupa de volta? A menos, é claro, que queira</p><p>uma segunda vez.</p><p>– Não sei se conseguiria uma segunda vez.</p><p>Estou cansada.</p><p>– Você não parece cansada. Está linda.</p><p>Ela corou.</p><p>– Você é impossível com as mulheres – disse,</p><p>recolhendo a roupa.</p><p>Ocorreu a Sergio que não se apaixonar por</p><p>uma mulher única e bonita como Bella devia</p><p>fazer qualquer homem se sentir um tolo. Na</p><p>verdade, se deixasse de lado os preconceitos em</p><p>relação à mãe dela, podia ver o quanto era</p><p>valorosa. Se fosse uma golpista mercenária</p><p>como a mãe, já teria se casado com um dos</p><p>namorados ricos que tivera. O russo, por</p><p>exemplo, era bilionário. Nem tampouco ela era</p><p>promíscua como imaginara. Era bastante doce</p><p>e sensível, uma mulher digna de se amar. Uma</p><p>mulher com quem valia a pena se casar.</p><p>O último pensamento chocou Sergio ao</p><p>extremo. Uma coisa era se apaixonar por Bella.</p><p>Outra coisa completamente diferente era</p><p>querer se casar com ela. Isso era tolice. Além do</p><p>fato de que não o amava, Bella não queria se</p><p>casar. Dissera aquilo.</p><p>Mas estava dizendo a absoluta verdade?,</p><p>perguntou-se ele, começando a guardar as</p><p>coisas na cesta de piquenique. Talvez tivesse</p><p>dito aquilo porque nenhum homem nunca a</p><p>pedira em casamento. Talvez fosse o orgulho</p><p>falando. Esperava que sim. Porque, agora que</p><p>tivera tempo para aceitar a verdade de seus</p><p>sentimentos, ele se dava conta de que se</p><p>apaixonar por Bella mudava tudo. Teria ficado</p><p>contente em tê-la durante um mês em sua</p><p>cama, quando acreditara que era apenas desejo</p><p>o que sentia. Mas um mero mês de sexo não</p><p>estava mais na sua lista de desejos. Queria uma</p><p>vida inteira amando Bella, queria tê-la como</p><p>sua esposa e mãe de seus filhos.</p><p>Ora, ele não facilitava as coisas para si</p><p>mesmo, não era?</p><p>Ainda assim, já conquistara o corpo dela.</p><p>Agora, tudo que tinha de fazer era conquistar-</p><p>lhe o coração.</p><p>Era mais fácil falar do que fazer.</p><p>– E então, no seu mundo de solteiro –</p><p>começou Bella, enquanto se vestia –, uma</p><p>amiga com benefícios tem de dividir?</p><p>Sergio não soube aonde ela queria chegar.</p><p>Até que compreendeu.</p><p>– Acho que está se referindo à condessa.</p><p>– Pode me chamar de antiquada, ou de</p><p>incomum, se preferir, mas eu não gostaria que</p><p>você fosse da cama dela para a minha hoje à</p><p>noite.</p><p>Ele gostou que ela soasse ciumenta, ou</p><p>possessiva. Não era o mesmo que amor, mas</p><p>era um bom começo.</p><p>– Eu jamais iria da cama de Claudia para a</p><p>sua, doce Bella. – Inclinando-se, beijou-a de</p><p>leve nos lábios.</p><p>Quando ergueu a cabeça, notou que ainda</p><p>havia dúvida nos olhos dela. Supôs que não</p><p>tinha ninguém a culpar a não ser a ele mesmo.</p><p>Mostrara-se como um solteiro inveterado e</p><p>agora estava enfrentando as consequências.</p><p>Imaginava que Bella não iria se apaixonar por</p><p>ele – muito menos tornar-se sua esposa –</p><p>enquanto não mostrasse que era um homem de</p><p>palavra.</p><p>– Nunca dormi com a condessa. É uma</p><p>amiga e vizinha, nada mais. Ouça, por que não</p><p>vai comigo hoje à noite? Posso ligar para</p><p>Claudia e explicar que tenho uma hóspede.</p><p>Ela franziu a testa e, então, sacudiu a cabeça.</p><p>– Não, por favor, não. Não quero ter que</p><p>usar aquela peruca tola e ser apresentada como</p><p>outra pessoa.</p><p>– Então, vá como você mesma. Não há nada</p><p>que a condessa goste mais do que de receber</p><p>uma celebridade em casa.</p><p>– Mas achei que você quisesse manter a</p><p>minha identidade em segredo.</p><p>– Isso foi antes. Percebo agora que estava</p><p>sendo paranoico em relação aos paparazzi.</p><p>Além do mais, se eu lhe pedir, Claudia não dirá</p><p>a ninguém sobre você. E que férias são essas se</p><p>você não puder relaxar e ser você mesma?</p><p>O rosto dela se descontraiu com um adorável</p><p>sorriso.</p><p>– Você é um homem realmente bom.</p><p>Quando não está sendo malicioso –</p><p>acrescentou, antes que ele pudesse aceitar seu</p><p>elogio.</p><p>– Sou apenas malicioso com você.</p><p>Ela ainda sorria quando subiram no barco.</p><p>– O que é tão engraçado? – perguntou ele.</p><p>– Eu estava pensando em como gosto de ser</p><p>sua amiga com benefícios. Vou sentir sua falta</p><p>quando eu tiver que voltar para Nova York. –</p><p>Ela deu um suspiro. – Se ao menos você não</p><p>morasse tão longe...</p><p>– Existem aviões, como sabe. Posso estar em</p><p>Nova York dentro de poucas horas.</p><p>Ela pareceu genuinamente surpresa.</p><p>– Você iria me visitar?</p><p>– Acho que eu poderia ser persuadido – disse</p><p>ele, tendo resolvido não apressar as coisas.</p><p>– O que eu teria que fazer para persuadir</p><p>você?</p><p>Ele abriu o que esperou ser um sorriso</p><p>maroto e charmoso.</p><p>– Mostrarei a você logo mais à noite.</p><p>CAPÍTULO 18</p><p>BELLA NÃO andava nervosa ultimamente. Mas</p><p>sentia-se nervosa naquela noite. Ou era</p><p>excitação que fazia seu coração disparar</p><p>enquanto caminhava de mãos dadas com</p><p>Sergio até a villa vizinha?</p><p>Mostrarei a você logo mais à noite...</p><p>Não conseguira tirar a promessa carregada</p><p>de erotismo da cabeça.</p><p>Ele era irresistível para as mulheres. Estava</p><p>extremamente bonito, numa calça social preta e</p><p>uma camisa de seda branca, aberta no</p><p>colarinho. Barbeara-se, eliminando os vestígios</p><p>de barba cerrada que estivera mantendo desde</p><p>que ela chegara, mas continuou igualmente</p><p>atraente. Achou a aparência arrumada dele</p><p>ainda mais sexy porque sabia que a imagem</p><p>conservadora que ele projetava naquela noite</p><p>não era a do verdadeiro Sergio. O verdadeiro</p><p>Sergio era muito diferente do que ela</p><p>imaginara. Não havia nada de conservador no</p><p>homem que sugerira o relacionamento deles de</p><p>amigos com benefícios. Um arrepio percorreu-</p><p>lhe a espinha enquanto se perguntava que</p><p>outros benefícios a aguardariam logo mais.</p><p>– Está com frio? – perguntou Sergio.</p><p>– Um pouco – mentiu ela. Como poderia</p><p>estar com frio se seu corpo inteiro ardia de</p><p>desejo?</p><p>– Deveria ter trazido um xale. Essa roupa que</p><p>está usando é bonita, mas não foi feita para ser</p><p>usada numa noite fresca.</p><p>Bella usava um terninho branco com calça de</p><p>boca larga e uma blusa de decote alto com um</p><p>generoso recorte nas costas. A blusa era</p><p>forrada, mas a quantidade de pele exposta</p><p>significava que um sutiã estava fora de</p><p>cogitação. Era um conjunto sexy que lhe</p><p>realçava a cor do cabelo e a fazia parecer alta e</p><p>elegante, quando o usava de salto alto. Naquela</p><p>noite, porém, combinara-o com sandálias</p><p>prateadas de salto baixo para a caminhada de</p><p>dez minutos que Sergio dissera que seria</p><p>necessária para chegarem à villa da condessa.</p><p>Prendera o cabelo no alto da cabeça para que</p><p>não ficasse em desalinho por causa da brisa do</p><p>lago.</p><p>– Não trouxe um xale na bagagem. Fiz as</p><p>malas um tanto às pressas.</p><p>– Então, deixe-me manter você aquecida. –</p><p>Ele passou um braço em torno dos ombros dela</p><p>e puxou-a para mais perto.</p><p>Bella conteve um gemido ao reagir</p><p>instantaneamente, com os mamilos se</p><p>comprimindo</p><p>junto ao forro de linho da blusa e</p><p>o ventre se contraindo. Nunca em sua vida</p><p>ficara tão ciente de seu corpo, especialmente</p><p>aquela região entre suas pernas que já latejava</p><p>de desejo. A ideia de ficar sentada a uma mesa</p><p>de jantar durante horas conversando com</p><p>alguém que não conhecia foi péssima. Preferiria</p><p>estar no quarto de Sergio, deixando-o lhe</p><p>mostrar como persuadi-lo a ir visitá-la em</p><p>Nova York.</p><p>O que quer que fosse, ela o faria. Faria</p><p>qualquer coisa para que Sergio estivesse em sua</p><p>cama regularmente. Não podia imaginar a vida</p><p>sem ele. Ele a fazia sentir coisas que nunca</p><p>sentira antes. Quando estava com ele, não se</p><p>sentia um fracasso. Ou alguém entediante.</p><p>Sentia-se deliciosamente sexy e</p><p>maravilhosamente livre de todas as emoções</p><p>negativas que o sexo sempre lhe produzira.</p><p>Além do mais, Sergio era um amigo de verdade.</p><p>Não tentava enganá-la com mentiras, nem a</p><p>seduzir com falsos elogios. Era sincero com ela.</p><p>– Não temos que ficar até tarde, temos?</p><p>SERGIO NOTOU a urgência na voz dela. Bella</p><p>SERGIO NOTOU a urgência na voz dela. Bella</p><p>podia não o amar, mas o queria. Querer alguém</p><p>podia ser algo poderoso, como ele sabia. Mas</p><p>não era amor.</p><p>Para fazer Bella se apaixonar por ele seria</p><p>necessário mais do que lhe dar sexo sempre que</p><p>quisesse. Sabia que as mulheres gostavam que</p><p>um homem fosse um desafio. Com isso em</p><p>mente, prometeu a si mesmo não se apressar a</p><p>voltar para casa naquela noite. Ele a faria</p><p>esperar. Faria com que o desejasse</p><p>intensamente. Iria deixá-la sofrer um pouco da</p><p>maneira como sofrera durante todos aqueles</p><p>anos.</p><p>– Lamento, mas eu não poderia ofender</p><p>Claudia saindo cedo. Ela ficou entusiasmada</p><p>quando lhe contei quem eu estava levando para</p><p>jantar. Você vai gostar da companhia dela, eu</p><p>lhe asseguro. Sem mencionar a comida e o</p><p>vinho. A condessa só serve o melhor. Eu lhe</p><p>daria um beijo se Claudia não estivesse nos</p><p>olhando do terraço. Assim, seja uma boa</p><p>menina e sorria.</p><p>– Deus do céu! – exclamou Bella, quando</p><p>tiveram uma melhor visão do lar da condessa. –</p><p>Isso não é uma villa. É um palácio!</p><p>– Nem tanto, mas é um lugar grandioso. –</p><p>Sergio conduziu-a pelo caminho em declive em</p><p>direção aos degraus de pedra que levavam ao</p><p>imponente terraço. – Espere até ver o salão</p><p>principal. Uma infinidade de mármore e a mais</p><p>cara mobília de antiquário que o dinheiro pode</p><p>comprar. Sem dúvida, o conde era muito rico.</p><p>E muito velho. Morreu logo depois do primeiro</p><p>aniversário de casamento de ambos. Dizem que</p><p>morreu com um sorriso no rosto.</p><p>– Posso imaginar – sussurrou Bela, enquanto</p><p>subiam os degraus. – Ela é muito bonita.</p><p>– Mas não é tão jovem quanto parece –</p><p>sussurrou ele de volta e, então, disse em sua voz</p><p>normal: – Claudia! Você está linda esta noite.</p><p>– Ora, obrigada, Sergio – respondeu ela com</p><p>– Ora, obrigada, Sergio – respondeu ela com</p><p>seu falso sotaque italiano. Ele sabia muito bem</p><p>que Claudia não nascera na Itália. O pai lhe</p><p>contara que ela era da Albânia e que nascera</p><p>numa família pobre alguns anos depois da</p><p>guerra. – E esta é a adorável Bella. – A condessa</p><p>pegou as mãos dela. – Alberto gostava muito de</p><p>você, minha querida. E tinha muito orgulho</p><p>também. Ele foi a Londres para ver você se</p><p>apresentar. Sabia disso?</p><p>– Não, não sabia – falou Bella, desconcertada</p><p>com a informação.</p><p>– Ele ficaria muito contente em ver o filho e</p><p>você juntos.</p><p>Sergio aguardou que Bella negasse que</p><p>ambos tinham um relacionamento, mas não foi</p><p>o caso. Ela apenas sorriu e lhe lançou um olhar</p><p>de súplica para que a salvasse.</p><p>Ele não se sentiu inclinado a fazer tal coisa.</p><p>Queria que Claudia pensasse que estavam</p><p>juntos. Mas não queria que o mundo inteiro</p><p>soubesse. Ainda não.</p><p>– Estamos mantendo nosso relacionamento</p><p>em segredo por enquanto – disse à anfitriã. –</p><p>Não queremos que os paparazzi saibam. Assim,</p><p>como eu lhe disse ao telefone, Claudia, não diga</p><p>uma palavra a ninguém sobre a estada dela aqui</p><p>no lago comigo.</p><p>– Não direi nada – respondeu a condessa</p><p>com um sorriso de cumplicidade. – Mas você</p><p>tem que prometer que vou ser a primeira a</p><p>saber se e quando planejarem anunciar seu</p><p>noivado.</p><p>Bella pareceu perplexa, ao passo que Sergio</p><p>riu.</p><p>– Não estamos na fase do noivado ainda.</p><p>Mas se e quando estivermos, você vai ser a</p><p>primeira a saber.</p><p>– Maravilhoso. Adoro qualquer pretexto</p><p>para uma festa, como sabe. Agora devemos</p><p>entrar e ir para a sala de jantar antes que Angela</p><p>venha à nossa procura.</p><p>Depois disso, a noite transcorreu</p><p>tranquilamente, o que foi compreensível,</p><p>levando-se em conta as habilidades sociais da</p><p>anfitriã. A condessa conseguia fazer com que</p><p>seus convidados se sentissem especiais. As</p><p>perguntas sempre pareciam discretas, mas, sem</p><p>especular, acabava descobrindo todos os tipos</p><p>de detalhes pessoais. Bella, enfim, confessou</p><p>durante a sobremesa que já estava se sentindo</p><p>desgastada havia tempo e que provavelmente</p><p>precisava de férias mais longas do que um mês.</p><p>Sergio interveio dizendo que não haveria</p><p>problema algum se ela ficasse mais.</p><p>Claudia anunciou que tomariam café no</p><p>salão de música. Para chegarem lá, tiveram que</p><p>passar pelo salão principal e, olhando ao redor,</p><p>Bella pareceu impressionada com o lugar. O</p><p>salão de música era igualmente impressionante</p><p>e quase do mesmo tamanho. Tinha vários</p><p>assentos dispostos de maneira aconchegante e</p><p>um piano de cauda situado num palanque</p><p>semicircular com janelas do chão ao teto e uma</p><p>vista espetacular do lago durante o dia e ainda</p><p>encantadora à noite.</p><p>Depois que se sentaram – num sofá e</p><p>cadeiras de brocado –, Bella elogiou Claudia</p><p>pela beleza do salão e, então, perguntou-lhe se</p><p>tocava piano.</p><p>– Na verdade, não. O conde era o pianista. E</p><p>era brilhante. Eu adorava ouvi-lo tocar. E você,</p><p>Bella, toca piano?</p><p>– Eu toco – admitiu ela, surpreendendo</p><p>Sergio. Ele nunca a ouvira tocar durante os</p><p>anos em que vivera na mesma casa que ela.</p><p>Nem sequer haviam tido um piano. – Não tão</p><p>bem assim, porém. Na escola de artes que</p><p>cursei, tocar piano era obrigatório. Também</p><p>tínhamos aulas de composição. Quando se quer</p><p>escrever músicas, tocar piano ajuda. É claro que</p><p>a maioria dos compositores de hoje em dia usa</p><p>teclado eletrônico em vez do piano. Tenho um</p><p>no meu apartamento em Nova York. Foi</p><p>bastante caro, mas tem uma porção de</p><p>recursos, como gravação, por exemplo, que é</p><p>ótimo se você não quer se arriscar a perder o</p><p>seu trabalho.</p><p>– Você compõe músicas? – perguntou Sergio</p><p>e, então, censurou a si mesmo mentalmente por</p><p>ter soado surpreso.</p><p>Ela adquiriu uma expressão de timidez.</p><p>– Sim, eu componho músicas. Eu compus a</p><p>música principal do filme Um Anjo em Nova</p><p>York. Ganhei quase tanto dinheiro pela</p><p>composição dessa canção do que por cantá-la.</p><p>– Que garota brilhante você é! – exclamou</p><p>Claudia. – Ah, aí vem o café. Depois de</p><p>tomarmos nosso café, Bella, insisto para que</p><p>cante essa canção que compôs. Este salão tem a</p><p>acústica perfeita. Você vai cantar como um</p><p>anjo. Um Anjo de Nova York – acrescentou,</p><p>com seu sorriso mais persuasivo.</p><p>Bella era extremamente talentosa, lembrou</p><p>Sergio a si mesmo ao ouvi-la tocar piano e</p><p>cantar. A voz dela era única. Afinada, maviosa.</p><p>Mas era a emoção que punha nas apresentações</p><p>que elevava seu talento a um nível que a tornara</p><p>uma estrela da Broadway. Podia estar se</p><p>sentindo desgastada no momento, mas</p><p>ninguém diria se a ouvisse naquela noite.</p><p>Cantar e apresentar-se eram sua vida. Ele podia</p><p>ver aquilo. Ela jamais poderia abrir mão</p><p>daquilo. Qualquer homem que esperasse que</p><p>ela o fizesse seria um tolo.</p><p>Sergio não se considerava um tolo. Se e</p><p>quando... não, quando se casasse com Bella,</p><p>teria de estar preparado para colocar sua vida</p><p>profissional em suspenso ocasionalmente,</p><p>enquanto apoiava a carreira dela. Teria de</p><p>aprender a delegar trabalho a fim de poder</p><p>estar com ela em Nova York, ou Londres, ou</p><p>aonde quer que a carreira a levasse.</p><p>Não era o que estava acostumado a fazer.</p><p>Não era o que estava acostumado a fazer.</p><p>Fora bastante participativo no negócio da</p><p>franquia de bares de vinhos. Também estivera</p><p>esperando o desafio de tornar o negócio da</p><p>família um sucesso outra vez. O fato de ter-se</p><p>apaixonado por Bella, no entanto, obrigava-o a</p><p>mudar suas prioridades.</p><p>Conquistar o coração</p><p>dela era a primeira de sua vida. O negócio da</p><p>família teria que esperar até que isso</p><p>acontecesse. Se bem que... quem poderia saber?</p><p>Talvez um milagre acontecesse e ele</p><p>encontrasse um meio de resolver as coisas ao</p><p>longo do mês seguinte. Evidentemente, a única</p><p>maneira de fazer isso era começando o quanto</p><p>antes. No dia seguinte, iria a Milão para ver</p><p>como estavam as coisas pessoalmente.</p><p>Mas isso seria no dia seguinte. Seu foco no</p><p>momento estava em outras coisas, como levar</p><p>Bella para casa, onde poderia lhe mostrar seu</p><p>amor fazendo sexo com ela com um pouco</p><p>mais da paixão que guardara durante anos.</p><p>Teria de tomar cuidado, porém, para não dizer</p><p>que a amava no calor do momento.</p><p>Paciência, disse a si mesmo.</p><p>Não era uma de suas maiores virtudes.</p><p>Finalmente, conseguiu se despedir de</p><p>Claudia sem parecer estar com pressa.</p><p>Foi a própria Bella, porém, que aumentou</p><p>sua impaciência tão logo ficaram longe do</p><p>alcance da vista da condessa.</p><p>– Acho que vou morrer se você não me beijar</p><p>aqui mesmo. – A voz dela soou carregada de</p><p>uma urgência que espelhava a dele.</p><p>– Acho que devemos esperar até chegarmos</p><p>em casa.</p><p>– Não – argumentou ela, abraçando-o pelo</p><p>pescoço. – Nada mais de espera. Estou cansada</p><p>de esperar. Hoje foi pura tortura.</p><p>Ainda assim, Sergio hesitou. Mas, então,</p><p>ergueu as mãos para abrir o botão na altura da</p><p>nuca dela. Baixou-lhe a blusa até desnudá-la até</p><p>a cintura, afastando-a de si para poder olhá-la,</p><p>observando-lhe os mamilos túmidos e o peito</p><p>arfante.</p><p>– Se eu beijar você agora – disse numa voz</p><p>rouca de desejo –, não vou conseguir parar. Sua</p><p>roupa bonita vai ficar arruinada e o sexo não</p><p>será tão bom quanto deveria ser.</p><p>– Não me importo.</p><p>– Mas eu, sim. – Sergio ergueu-a nos braços,</p><p>e ela abraçou-o pelo pescoço. – Você merece</p><p>mais do que fazermos amor rapidamente no</p><p>jardim. Precisa que eu faça amor com você até</p><p>que não consiga mover um único músculo.</p><p>Vou amarrar você nua à cama e fazer você</p><p>gozar e gozar até que me implore para deixá-la</p><p>em paz. É do que precisa, não é? – declarou,</p><p>enquanto a carregava pelo caminho com uma</p><p>considerável rapidez.</p><p>Bella não disse uma palavra. Apenas deu um</p><p>gemido expectante e afundou o rosto no peito</p><p>dele.</p><p>CAPÍTULO 19</p><p>QUANDO BELLA acordou na manhã seguinte,</p><p>ficou perplexa em se ver em sua própria cama.</p><p>Estivera decididamente na suíte principal</p><p>quando, enfim, adormecera na noite anterior.</p><p>Sergio devia tê-la carregado para o quarto dela</p><p>em algum momento, mas não se lembrava</p><p>quando. As roupas que usara na noite anterior</p><p>estavam sobre uma cadeira a um canto, e as</p><p>sandálias, no chão ao lado.</p><p>Ao que tudo indicava, Sergio não queria que</p><p>Maria soubesse que estavam dormindo juntos.</p><p>Sem dúvida, se soubesse, ela iria querer casá-los</p><p>mais depressa que a condessa. Se bem que ela</p><p>não fazia ideia sobre como ele imaginava que</p><p>conseguiriam manter o relacionamento de</p><p>ambos em segredo por um mês. Maria era</p><p>muito intuitiva.</p><p>Suspirando, ela olhou para o relógio acima</p><p>da lareira. Minha nossa, passava do meio-dia!</p><p>Não dormia tão profundamente em anos.</p><p>Obviamente, uma vida sexual satisfatória era a</p><p>resposta para isso. E era satisfatória. Muito.</p><p>Após terem feito amor primeiramente de</p><p>maneira frenética de encontro à parte de dentro</p><p>da porta do quarto, Sergio a amara lentamente</p><p>na cama, olhando-a nos olhos de uma maneira</p><p>que ela adorara. Ela perdera a conta do número</p><p>de vezes em que chegara ao clímax. Não era de</p><p>admirar que, no final, tivesse adormecido tão</p><p>profundamente e sido carregada sem se dar</p><p>conta.</p><p>Uma batida suave à porta do quarto a fez</p><p>sentar abruptamente e cobrir os seios com o</p><p>lençol.</p><p>– Sergio? – perguntou, tomada por súbita</p><p>– Sergio? – perguntou, tomada por súbita</p><p>timidez.</p><p>– Não, sou eu. Maria. Sergio foi para Milão.</p><p>Saiu há umas duas horas.</p><p>– Oh, sim. Ele me disse que iria até lá hoje,</p><p>mas esqueci. Entre, Maria.</p><p>Ela abriu mais a porta e entrou, parecendo</p><p>atipicamente preocupada.</p><p>– Desculpe por ter acordado você. Sergio</p><p>disse que foram dormir tarde. Mas tenho que ir</p><p>para casa logo. Meu pequeno Antonio está com</p><p>gripe e Carlo está trabalhando do outro lado do</p><p>lago hoje.</p><p>– Então, deve ir para casa agora mesmo.</p><p>– Mas tenho que fazer a sua cama e limpar o</p><p>seu banheiro.</p><p>– Sou perfeitamente capaz de fazer minha</p><p>cama e limpar meu próprio banheiro. Agora,</p><p>vá.</p><p>– Tem certeza? E quanto ao seu almoço?</p><p>– Tenho certeza. Eu posso preparar alguma</p><p>– Tenho certeza. Eu posso preparar alguma</p><p>coisa. Vi que há uma porção de comida nos</p><p>armários e na geladeira. Além disso, é apenas</p><p>uma breve caminhada até o vilarejo mais</p><p>próximo, onde há um excelente café e uma</p><p>padaria. Já fiquei aqui antes, como sabe. Foi há</p><p>muito tempo, mas, como o motorista me disse</p><p>no outro dia, a Itália não mudou muito. E, por</p><p>favor, nem pense em voltar hoje à noite. Vou</p><p>pedir a Sergio que me leve a algum lugar para</p><p>jantar quando voltar para casa do trabalho.</p><p>Maria sorriu aliviada.</p><p>– Você é muito bondosa. Irei agora, então.</p><p>– Sim, por favor.</p><p>Depois que Maria saiu apressadamente, Bella</p><p>recostou-se no travesseiro e suspirou, tendo se</p><p>lembrado de que Sergio planejava ir a Milão</p><p>todos os dias úteis dali em diante, não apenas</p><p>aquele. O que lhe causou desapontamento.</p><p>Esperara tê-lo para si durante o mês inteiro.</p><p>Ainda assim, o negócio da família estava em</p><p>péssima situação, dissera ele durante um dos</p><p>breves descansos enquanto tinham feito amor</p><p>na noite anterior. Estivera perdendo dinheiro</p><p>por vários anos, pois o pai não fora tão astuto</p><p>para os negócios quanto o avô.</p><p>– É claro que o clima econômico mudou –</p><p>explicara Sergio. – Os mercados também. Se</p><p>antes os produtos de couro da Morelli vendiam</p><p>muito bem, tanto no exterior quanto aqui na</p><p>Itália, agora não conseguem concorrer com os</p><p>importados mais baratos da Ásia. Não temos</p><p>mais filiais em nenhum país. Não eram</p><p>lucrativas. Agora, usamos agências</p><p>independentes para tentar vender nossos</p><p>produtos no exterior. Sem muito sucesso,</p><p>receio.</p><p>Bella tentara tranquilizá-lo, dizendo que</p><p>depositava sua confiança nele, mas, na</p><p>realidade, não conseguira se concentrar, pois</p><p>estivera distraída pela maneira como Sergio a</p><p>acariciara enquanto falara. Ele parecera não</p><p>conseguir tirar as mãos dela. Não que com ela</p><p>tivesse sido diferente. Conforme a noite</p><p>avançara, gostara mais e mais de acariciá-lo</p><p>com intimidade, adorando a maneira como</p><p>conseguia fazê-lo ter uma ereção minutos</p><p>depois de ter chegado ao clímax. Estivera</p><p>fazendo aquilo quando perguntara em tom de</p><p>gracejo o que tinha que fazer para se certificar</p><p>de que ele a visitasse em Nova York. Sergio</p><p>sorrira e dissera que não precisava fazer nada</p><p>especial. Apenas estar lá quando ele chegasse ao</p><p>apartamento dela, não usando nada a não ser</p><p>perfume.</p><p>Sorrindo, Bella lhe prometera que o faria e,</p><p>naquele ponto, Sergio parara de falar e</p><p>começara a fazer amor com ela de novo. Que</p><p>vigor incrível tinha! E que habilidade. Sabia</p><p>exatamente como se mover quando estava</p><p>dentro dela. E como movê-la. Ficara surpresa</p><p>com as várias posições que ele lhe mostrara. Já</p><p>estava ansiosa para que ele voltasse para casa à</p><p>noite. Usaria algo sexy. Algo novo. O vilarejo</p><p>também tinha uma pequena butique. Ou</p><p>costumara ter. Esperava que ainda estivesse lá.</p><p>E estava. Se bem que com uma nova</p><p>proprietária. Também se modernizara,</p><p>vendendo acessórios sofisticados com roupas</p><p>de grife. Felizmente, a nova proprietária não</p><p>reconheceu Bella, apesar do fato de não estar</p><p>usando a peruca ruiva. Seguindo sempre os</p><p>conselhos de sua personal stylist de que o</p><p>melhor era investir em qualidade, ela comprou</p><p>um vestido de verão, um vestido para a noite,</p><p>um short, duas blusas leves e um bonito xale de</p><p>cashmere. O objetivo era o de ter algo para</p><p>todas as ocasiões durante sua estada ali com</p><p>Sergio. A última compra foi um par de tênis</p><p>caros mas práticos, que seriam melhores para</p><p>andar pelos caminhos de pedra do que</p><p>sandálias. Enfim, pediu à mulher que guardasse</p><p>suas compras enquanto almoçava.</p><p>Quinze minutos depois, estava sentada à</p><p>Quinze minutos depois, estava sentada à</p><p>mesa de um café na calçada saboreando uma</p><p>deliciosa salada e tomando água mineral,</p><p>quando uma ideia brilhante lhe ocorreu. Ao</p><p>menos achou-a brilhante. Uma onda de</p><p>entusiasmo percorreu-a ao se dar conta de que</p><p>aquilo podia ser a resposta para as preces de</p><p>Sergio. Ela teria lhe telefonado imediatamente</p><p>para contar sua ideia, mas deixara o celular na</p><p>gaveta da mesinha de cabeceira. Estivera</p><p>determinada a cortar o contato com o resto do</p><p>mundo por vários dias. Não quisera ver as</p><p>chamadas perdidas, nem os avisos de</p><p>mensagens. Devia haver várias da mãe,</p><p>tentando descobrir onde e com quem estava.</p><p>Sentiu uma ponta de culpa. Supôs que era</p><p>repreensível não deixar a mãe saber que estava</p><p>bem. Mas sempre tivera consideração pela mãe.</p><p>Quando sua carreira decolara, mantivera</p><p>Dolores como empresária por mais tempo do</p><p>que deveria. Soubera que as pessoas não tinham</p><p>reagido bem ao jeito agressivo de Dolores.</p><p>Haviam lhe dito que ficaria melhor com um</p><p>empresário profissional, alguém com</p><p>experiência e contatos para levar a carreira dela</p><p>a um novo patamar.</p><p>Fora quando Raoul entrara em sua vida que</p><p>ela finalmente saíra de baixo da asa da mãe.</p><p>Um jogador internacional de polo da</p><p>Argentina, Raoul a cortejara com o tipo de</p><p>persistência que Bella achara lisonjeira. Ainda</p><p>assim, o playboy argentino levara várias</p><p>semanas para seduzi-la e livrá-la do domínio da</p><p>mãe. Qualquer satisfação que tivera</p><p>inicialmente em tirar-lhe a virgindade, porém,</p><p>transformou-se gradativamente em</p><p>insatisfação. Ele não fora cruel quando rompera</p><p>o relacionamento, mas fora direto.</p><p>– Você precisa tirar aquela sua mãe da sua</p><p>vida, se quer se tornar uma mulher de verdade.</p><p>Ela trata você como uma garotinha. Você</p><p>precisa crescer e assumir o controle da sua vida</p><p>e da sua carreira. Obter representação</p><p>profissional antes que seja tarde demais.</p><p>Assim, ela contratou Josh, um dos mais</p><p>renomados empresários de Nova York. Dolores</p><p>ficou possessa e sua raiva só foi aliviada quando</p><p>Bella assinou um contrato em que a mãe ainda</p><p>receberia dez por cento da sua renda, embora</p><p>apenas pelos dez anos seguintes. O que</p><p>possivelmente explicava por que a mãe queria</p><p>tanto que fizesse aquele filme, compreendeu</p><p>Bella, com sua renda extra terminando dali a</p><p>um ano.</p><p>Não que Bella fosse deixar a mãe sem</p><p>dinheiro. Nem queria que ela se preocupasse</p><p>desnecessariamente. Decidiu lhe telefonar</p><p>naquela tarde, mas não antes de ligar para</p><p>Sergio. Ele era sua prioridade no momento.</p><p>Sentiu uma onda de contentamento ao pensar</p><p>que talvez pudesse ajudá-lo com o negócio da</p><p>família. Esperava que ele achasse que sua ideia</p><p>tinha mérito.</p><p>Entusiasmada, terminou o almoço e passou</p><p>na butique para buscar suas coisas. Assim que</p><p>retornou à villa, pegou o celular e sentou na</p><p>beirada da cama. Ignorando os avisos de</p><p>chamadas perdidas e de mensagens, respirou</p><p>fundo para se acalmar e ligou para Sergio.</p><p>Ele não atendeu as ligações dela e, àquela</p><p>altura, o coração dela estava acelerado.</p><p>– Bella! – exclamou ele, enfim, numa voz</p><p>ansiosa. – O que foi? O que aconteceu?</p><p>– Não aconteceu nada. Nada de ruim, quero</p><p>dizer. Fui até o vilarejo comprar algumas coisas</p><p>e, quando estava lá, tive uma ideia que achei</p><p>que poderia ser útil para o seu negócio. Fiquei</p><p>tão entusiasmada que praticamente corri de</p><p>volta para casa para poder ligar, pois deixei o</p><p>celular aqui. Não estou ligando num mau</p><p>momento, não é? Você está soando tão</p><p>estressado.</p><p>– Se você visse os números das vendas,</p><p>estaria estressada também. Vai ter que fazer</p><p>milagres, minha querida, para reverter isso.</p><p>Mas eu sou todo ouvidos.</p><p>Bella ficou tão surpresa com o fato de Sergio</p><p>chamá-la de querida que ficou sem fala por</p><p>alguns segundos. Não que ele quisesse dizer</p><p>alguma coisa com isso. Mas alegrou-a assim</p><p>mesmo. Se bem que a possibilidade de que</p><p>estivesse se apaixonando por ele preocupava-a</p><p>ao extremo. Não que Sergio não fosse um</p><p>homem valoroso o bastante para que se</p><p>apaixonasse por ele. Era sensível em sua</p><p>preocupação pelos funcionários. Era generoso,</p><p>afetuoso. Era um bom homem.</p><p>Mas, caso se apaixonasse por Sergio, de nada</p><p>adiantaria ficar fantasiando com a</p><p>possibilidade de ele corresponder ao seu amor.</p><p>Aquilo seria bom demais para ser verdade. Não</p><p>aconteceria. Sergio jamais se permitiria se</p><p>apaixonar pela filha da mulher que arruinara a</p><p>vida de seu pai. Na verdade, ele a queria pela</p><p>mesma razão que os homens sempre a</p><p>queriam. Porque a achavam bonita e sexy.</p><p>Amor não tinha nada a ver com seus</p><p>sentimentos por ela.</p><p>Era melhor se concentrar em ser apenas</p><p>amiga dele com benefícios, disse-lhe uma voz</p><p>sensata na mente. Porque, se começasse a</p><p>esperar mais, acabaria ficando com o coração</p><p>partido.</p><p>– Bella? – indagou Sergio. – Ainda está aí?</p><p>– Sim, sim. Ainda estou aqui. Estou apenas</p><p>organizando os pensamentos.</p><p>– Essa sua ideia é complicada?</p><p>– Não muito. Bem, a questão é que seus</p><p>produtos são baratos demais.</p><p>– Baratos demais?! Enlouqueceu? Já não</p><p>conseguimos competir da maneira como as</p><p>coisas estão.</p><p>– Então, não tente competir. Você está numa</p><p>batalha perdida tentando concorrer com</p><p>importados de países que podem fazer as coisas</p><p>por uma fração do que você faz. Você deve</p><p>fazer o que a Itália faz de melhor. Produzir</p><p>produtos de estilo e de grande qualidade pelos</p><p>quais possa cobrar de acordo. As pessoas</p><p>pagarão pela verdadeira qualidade. Acredite.</p><p>Sou uma delas.</p><p>Sergio ficou em silêncio por um longo</p><p>momento antes de responder.</p><p>– Sim, entendo o que quer dizer. Puxa vida,</p><p>acho que tem razão. Devemos subir nossos</p><p>preços, não os baixar. Que garota esperta você</p><p>é!</p><p>– Mas apenas se você elevar a qualidade. É</p><p>provável que você tenha que investir muito em</p><p>propaganda. As pessoas precisam olhar para os</p><p>seus produtos com novos olhos.</p><p>– Parece bem, mas será preciso muito</p><p>dinheiro. Dinheiro e tempo.</p><p>– Bem, você tem ambas as coisas de sobra,</p><p>não tem? Não é como se tivesse algo mais a</p><p>fazer.</p><p>O riso dele soou peculiar aos ouvidos de</p><p>O riso dele soou peculiar aos ouvidos de</p><p>Bella.</p><p>– Digo que tem razão outra vez. Não tenho</p><p>nada importante na minha agenda no futuro</p><p>próximo a não ser pegar um voo</p><p>ocasionalmente para Nova York para ver certa</p><p>pessoa.</p><p>– Oh? E quem seria? – perguntou ela em tom</p><p>de gracejo. Sim, aquela era a maneira de</p><p>conduzir as coisas. Sem ficar expondo seu</p><p>coração.</p><p>– Uma dama muito bonita e com uma mente</p><p>brilhante.</p><p>Bella não pôde deixar de corar de prazer. E</p><p>de se sentir exasperada ao mesmo tempo.</p><p>– Não precisa me elogiar.</p><p>– Ora, minha querida Bella, elogios nunca</p><p>são demais. Ouça, é melhor eu desligar e ir ter</p><p>uma conversa com os estilistas. Vou ver o que</p><p>podem fazer quanto a criar uma nova linha de</p><p>sapatos e bolsas. Acho que vão ficar bastante</p><p>entusiasmados.</p><p>– Isso é excelente. Você poderia trazer para</p><p>casa algumas amostras dos seus sapatos e</p><p>bolsas para que eu possa dar uma olhada neles e</p><p>compará-los com os que eu compro? – Ela</p><p>estava curiosa. E bastante disposta a ajudar.</p><p>– Claro.</p><p>– A que horas acha que vai chegar em casa?</p><p>– Não será cedo. Tenho muito a fazer aqui.</p><p>Possivelmente por volta das sete, sete e meia.</p><p>Ciao. – E ele desligou.</p><p>O encerramento abrupto da ligação e a</p><p>constatação de que se passariam horas até que</p><p>visse Sergio deixaram Bella desapontada. Ele</p><p>estava entusiasmado com as sugestões e mal</p><p>podia esperar para trabalhar nelas. Seria um</p><p>grande projeto e significaria que ele trabalharia</p><p>longas horas. Ela sentiria demais a falta dele. Ao</p><p>mesmo tempo, estava contente em ter podido</p><p>ajudar. Vira o quanto ele estivera preocupado,</p><p>não apenas com o destino da empresa da</p><p>família, mas com o das pessoas que</p><p>trabalhavam lá.</p><p>O suspiro dela carregou resignação com o</p><p>fato de que não teria tanto a companhia de</p><p>Sergio quanto gostaria. E não estava pensando</p><p>apenas em sexo. Adorava conversar com ele</p><p>também. Estar em sua companhia.</p><p>E a razão para isso, disse a si mesma com</p><p>firmeza, era que decididamente havia se</p><p>apaixonado por ele.</p><p>Soltou um gemido. Qualquer felicidade que</p><p>tal constatação trouxesse – e preferia amor à</p><p>luxuria – se dissipava com a realidade de que</p><p>era um amor não correspondido. Sergio</p><p>gostava dela. E a desejava. Talvez, depois desse</p><p>dia, talvez até a admirasse. Mas não era a</p><p>mesma coisa que amor.</p><p>Franzindo</p><p>o cenho, levantou-se e saiu até a</p><p>varanda, perguntando-se como poderia fazê-lo</p><p>se apaixonar por ela. Apesar de ser confiante no</p><p>que dizia respeito à sua carreira, não o era em</p><p>se tratando dos homens. Seus relacionamentos</p><p>passados tinham ferido sua autoestima nesse</p><p>aspecto. Também havia o problema de ela ser</p><p>filha de quem era. Poderia ser um grande</p><p>obstáculo na mente de Sergio.</p><p>NO FINAL, decidiu que tudo que podia fazer era</p><p>amá-lo e esperar que, eventualmente, ele</p><p>correspondesse a esse amor. Descartou a ideia</p><p>de lhe contar que o amava. Isso a faria parecer</p><p>persistente e carente. Teria de ser paciente.</p><p>Paciência, porém, não era uma de suas</p><p>virtudes. E ela também era teimosa e</p><p>determinada. Nunca se determinara a</p><p>conquistar um homem antes. No passado, os</p><p>homens tinham tentado conquistá-la.</p><p>Para desviar os pensamentos, ligou para a</p><p>mãe, que a bombardeou de perguntas e lhe</p><p>disse que o empresário e o agente estavam</p><p>querendo falar com ela com urgência, talvez</p><p>sobre o filme, acrescentou esperançosa. Assim</p><p>que se despediu da mãe sem lhe revelar onde</p><p>estava, ligou para Josh, e o empresário a</p><p>informou que ele e Charlie haviam se reunido e</p><p>decidido produzir Um Anjo em Nova York</p><p>independentemente, com o próprio dinheiro,</p><p>desde que ela o estrelasse. Naturalmente, Bella</p><p>lhe disse que faria o filme, mas manteve sua</p><p>posição e disse que precisaria de férias</p><p>primeiro. Felizmente, ele não argumentou,</p><p>embora a tivesse feito prometer estar em Nova</p><p>York no dia primeiro de agosto para ajudá-los</p><p>com elenco e figurinos. Ela concordou, sabendo</p><p>que não podia se esconder ali com Sergio para</p><p>sempre. Suas férias dos sonhos tinham de</p><p>terminar algum dia.</p><p>Ela desligou, sentindo um estranho misto de</p><p>euforia e apreensão. Parte de si queria contar a</p><p>Sergio sobre o filme – estava exultante com ele</p><p>–, mas a intuição a avisou a não o fazer. Não</p><p>queria falar sobre sua carreira. No pouco tempo</p><p>que lhe restava, queria se concentrar em Sergio</p><p>e em suas necessidades. E, quando tivesse que</p><p>partir, esperava que ele fosse procurá-la como</p><p>dissera. E esperava mais ainda que,</p><p>eventualmente, ele se apaixonasse por ela.</p><p>Só esperava não estar sendo otimista demais,</p><p>pensou com um suspiro resignado ao ligar de</p><p>volta para a mãe.</p><p>CAPÍTULO 20</p><p>SERGIO RESISTIU à vontade de correr durante o</p><p>trajeto entre Milão e o Lago de Como, a</p><p>despeito de sua impaciência para estar com</p><p>Bella. Não por causa de sexo. Sexo não era sua</p><p>prioridade naquela noite. Isso viria depois.</p><p>Primeiro, queria sentar-se com ela durante o</p><p>jantar e lhe contar tudo que acontecera no</p><p>trabalho, uma vez que começara a colocar a</p><p>ideia brilhante dela em prática.</p><p>QUANDO OUVIU o carro de Sergio chegar, Bella</p><p>conteve a crescente ansiedade e não saiu para o</p><p>pátio para abraçá-lo pelo pescoço. Tinha de</p><p>parecer calma, disse a si mesma, permanecendo</p><p>na cozinha. Ele entrou alguns momentos</p><p>depois com os braços cheios de caixas de</p><p>sapatos e bolsas e um brilho feliz no olhar.</p><p>– Eu estava ficando preocupada. Já passam</p><p>das sete e meia – disse ela, antes de poder se</p><p>conter.</p><p>– Eu teria enviado uma mensagem de texto,</p><p>mas isso levaria ainda mais tempo. Uau, que</p><p>cheiro bom é esse? – Sergio depositou todas as</p><p>caixas na mesa e aproximou-se do fogão para</p><p>sentir o aroma do molho à bolonhesa que fervia</p><p>ali. – Seu, ou de Maria?</p><p>– Meu. Um dos filhos de Maria está com</p><p>gripe, e eu a mandei para casa.</p><p>– Você é uma boa mulher. – Ele virou-se</p><p>para estreitá-la em seus braços. – E brilhante. A</p><p>sua ideia foi genial. E merece um beijo de</p><p>agradecimento.</p><p>Sem esperar reposta, Sergio tomou-lhe os</p><p>lábios com um beijo faminto por um delicioso</p><p>intervalo de tempo. Ela estava ofegante quando</p><p>ele, enfim, ergueu a cabeça.</p><p>– Você é como um vinho fino, minha</p><p>querida.</p><p>Bella riu, adorando a maneira como ele a</p><p>ficava chamando de querida.</p><p>– Obrigada.</p><p>– Falando em vinho fino, eu me lembro de</p><p>que Jeremy me mandou uma caixa de uma</p><p>safra excelente no último Natal. Vou buscar</p><p>duas garrafas na adega para tomarmos com</p><p>essa deliciosa comida que está fazendo para</p><p>nós.</p><p>– Ainda tenho que cozinhar o espaguete. Ou</p><p>prefere outro tipo de massa?</p><p>– Espaguete está ótimo. E não há pressa. Será</p><p>bom ficar aqui sentado com você e conversar</p><p>até que fique pronto. Tenho tanto a lhe dizer. E</p><p>a lhe mostrar.</p><p>– Sim, estou vendo. – Ela meneou a cabeça</p><p>para a montanha de caixas de sapatos e bolsas</p><p>na mesa.</p><p>– Eu não sabia ao certo quais trazer. Afinal,</p><p>não entendo nada de acessórios de moda</p><p>femininos. Como falei, gosto das minhas</p><p>mulheres nuas – acrescentou ele com um</p><p>sorriso maroto. – Volto num minuto.</p><p>Ela sacudiu a cabeça enquanto ele saía. Era</p><p>realmente maroto. Mas adorável. E bastante</p><p>sexy. Acharia difícil manter as mãos longe dele</p><p>até que tivessem conversado. Ainda assim, não</p><p>negava que estava curiosa quanto aos planos</p><p>dele para o negócio.</p><p>Quando Sergio voltou com duas garrafas de</p><p>vinho, o espaguete estava no fogo e Bella</p><p>examinava os sapatos e bolsas na mesa.</p><p>– E então, o que você acha? – perguntou-lhe,</p><p>enquanto abria ambas as garrafas.</p><p>– Não sou especialista, mas todos parecem</p><p>ter ótima qualidade. Não são baratos. O couro</p><p>é bonito e macio nos sapatos. E as bolsas têm</p><p>linhas clássicas atemporais. Também não são</p><p>grandes nem pequenas demais. Talvez você</p><p>possa melhorar a qualidade dos forros. O</p><p>material é um pouco fino. E a cor não é a</p><p>melhor. Forros pretos são irritantes. Nunca</p><p>consigo encontrar nada em bolsas que tenham</p><p>forro preto.</p><p>Sergio meneou a cabeça.</p><p>– Eu jamais teria pensado nisso.</p><p>– Por que pensaria? Você não é mulher.</p><p>Felizmente.</p><p>Sergio riu e serviu taças de vinho para</p><p>ambos.</p><p>– Agora me diga o que acha deste vinho.</p><p>– Mais uma vez, não sou especialista. – Ela</p><p>fez uma pausa para sorver um pouco do líquido</p><p>tinto. – Mas este é excepcional.</p><p>Jantaram no terraço, onde Bella já deixara a</p><p>mesa arrumada e incluíra velas. Depois que a</p><p>comida se foi e ambos começaram a beber a</p><p>segunda garrafa de vinho, Bella já tinha o</p><p>panorama completo dos planos de Sergio para</p><p>os sapatos e bolsas da Morelli.</p><p>Depois de ter ouvido as ideias de Bella ao</p><p>telefone, ele convocara imediatamente uma</p><p>reunião com todos os diretores e gerentes dos</p><p>departamentos, explicando que não iriam mais</p><p>tentar competir com os sapatos e bolsas feitos</p><p>na Ásia. Visariam mercados mais sofisticados,</p><p>aumentando a qualidade e os preços dos</p><p>produtos.</p><p>Ele sorveu um gole de vinho, fitando-a com</p><p>intensidade.</p><p>– Decidi que a nova linha de sapatos e bolsas</p><p>vai precisar de um novo nome. Espero que não</p><p>se importe, mas eu gostaria de chamá-la de</p><p>Bella.</p><p>– Por que eu me importaria?! Soa</p><p>incrivelmente bem. – Ela dirigiu-lhe um sorriso</p><p>de flerte. – Acho que talvez você seja tão</p><p>brilhante quanto eu.</p><p>– Tenho que percorrer um longo caminho</p><p>– Tenho que percorrer um longo caminho</p><p>para alcançar você, minha querida. Ainda estou</p><p>impressionado com aquela canção que compôs.</p><p>Sabe, nunca vi esse seu show em particular, mas</p><p>adoraria. Está planejando outra temporada na</p><p>Broadway logo? Talvez eu possa assistir a um</p><p>espetáculo seu quando for visitá-la.</p><p>Ela quase lhe contou sobre o filme. Mas não</p><p>o fez.</p><p>– Não há planos imediatos para outra</p><p>temporada.</p><p>– É uma pena. Não que eu precise de um</p><p>pretexto para visitar você. – Os olhos dele</p><p>brilharam de desejo quando a percorreram. – Já</p><p>lhe disse que está bastante sexy nesse vestido?</p><p>– Não. – O próprio desejo dela se alastrou</p><p>num instante.</p><p>– O que me diz de deixarmos esta bagunça</p><p>para Maria limpar amanhã e irmos para a</p><p>cama?</p><p>Sim, por favor, os olhos dela devem ter-lhe</p><p>Sim, por favor, os olhos dela devem ter-lhe</p><p>dito.</p><p>– Vamos. – Sergio pousou a taça de vinho na</p><p>mesa, levantou-se e estendeu a mão.</p><p>– Acha que eu poderia dormir com você a</p><p>noite inteira? – perguntou ela ofegante, quando</p><p>ele a conduziu pela escada até a suíte principal.</p><p>– Se é o que você quer.</p><p>– É o que eu quero. Mas é o que você quer?</p><p>Maria chegará às suas conclusões quando</p><p>encontrar minha cama arrumada.</p><p>– Maria já chegou às suas conclusões. É uma</p><p>romântica incorrigível, como Claudia.</p><p>– É uma característica feminina comum.</p><p>– Pensei que você não gostasse de falar</p><p>durante</p><p>o sexo. – Sergio começou a abrir os</p><p>botões do vestido dela.</p><p>– Nunca falei. Mas sou diferente com você. É</p><p>meu amigo, como também meu amante.</p><p>– É muito doce da sua parte, mas podemos</p><p>nos concentrar apenas na parte do amante esta</p><p>noite? Já falei o bastante por hoje.</p><p>Sergio beijou-a nos lábios com sofreguidão</p><p>até que ela não quisesse falar também. Quando</p><p>ele adormeceu uma hora depois com os braços</p><p>em torno dela, Bella tinha o coração cheio de</p><p>amor por ele e de um pouco de esperança.</p><p>Gostou do fato de que Sergio não se</p><p>preocupava mais com o que Maria pensava.</p><p>Era um motivo para ter esperança, não era?</p><p>CAPÍTULO 21</p><p>– ACHO QUE há algo que você deve saber –</p><p>disse Maria num tom casual duas semanas</p><p>depois, enquanto Bella entrava na cozinha após</p><p>ter acompanhado Sergio até o carro. Nos dias</p><p>úteis, ela adquirira o hábito de acompanhá-lo</p><p>até o carro e dar-lhe um beijo de “bom-dia”</p><p>como uma boa namorada. Se bem que</p><p>preferiria que fosse como uma boa esposa.</p><p>– O que é, Maria? – perguntou distraída,</p><p>com a mente ainda em Sergio.</p><p>– Hoje é o aniversário de Sergio.</p><p>– O quê? Oh, puxa, por que não me disse</p><p>ontem?</p><p>– Eu não estava aqui ontem. Foi domingo.</p><p>– Eu não estava aqui ontem. Foi domingo.</p><p>Sergio me deu o dia de folga.</p><p>– Desculpe. É verdade. Mas você poderia ter</p><p>dito algo esta manhã. Não ouvi você lhe</p><p>desejando um feliz aniversário durante o café</p><p>da manhã.</p><p>– Não quis constranger você.</p><p>E Bella se sentia constrangida. Deveria ter se</p><p>lembrado de que o aniversário dele estava</p><p>perto. Sempre o haviam comemorado durante</p><p>as férias de verão ali. Cerca de três semanas</p><p>depois do dela. Sergio era cinco anos mais</p><p>velho, o que fazia com que estivesse</p><p>completando trinta e cinco anos naquele dia.</p><p>– Eu me sinto péssima. Eu deveria ter me</p><p>lembrado.</p><p>– Não tem importância. Homens não se</p><p>importam com aniversários depois que se</p><p>tornam adultos. Mas talvez você possa lhe</p><p>comprar alguma coisa hoje, e eu lhe farei um</p><p>bolo.</p><p>– Oh, que ótimo. E talvez possa lhe preparar</p><p>sua comida favorita.</p><p>– Não seria possível. As pizzas do Roberto’s</p><p>são a comida favorita dele.</p><p>– Então, vamos pedir pizzas. E, enquanto</p><p>estiver no vilarejo lhe comprando um presente,</p><p>vou trazer alguns daqueles doces com creme de</p><p>que ele gosta. O que você acha?</p><p>– Acho que você ama muito Sergio.</p><p>Bella deu um profundo suspiro.</p><p>– Eu amo, Maria. Realmente. Mas não sei se</p><p>sou correspondida.</p><p>– Ora, é claro que ele corresponde. Sergio</p><p>sempre amou você. Desde que vocês eram</p><p>crianças.</p><p>– O quê? O que quer dizer?</p><p>– Como assim? Não está claro?</p><p>– Não para mim.</p><p>– Você está cega, como Sergio. Ele ama você</p><p>e logo vai enxergar isso. Então, pedirá você em</p><p>casamento.</p><p>Bella não poderia ter ficado mais perplexa.</p><p>– Você acha mesmo?</p><p>– Não digo mentiras. Só a verdade.</p><p>– Oh, Maria, espero que esteja certa. Acho</p><p>que vou morrer se ele não corresponder ao meu</p><p>amor.</p><p>Maria revirou os olhos.</p><p>– E dizem que as italianas são dramáticas.</p><p>Bella riu.</p><p>– Oh, você é engraçada. Agora, acho que vou</p><p>tomar um banho e sair.</p><p>Por volta da hora do almoço, uma contente</p><p>Bella voltava do vilarejo com um interessante</p><p>presente para Sergio, um cartão de aniversário</p><p>não muito sentimental e vários doces.</p><p>Encontrou Maria cantarolando na cozinha com</p><p>o bolo já assado, mas ainda não recheado, nem</p><p>coberto.</p><p>– Que presente comprou?</p><p>– Um perfume. – Era de Paris, naturalmente.</p><p>E tinha o nome sugestivo de “Sedução”.</p><p>– Ele vai gostar. Sergio anda bastante na</p><p>moda nos últimos tempos.</p><p>Depois do almoço, que ambas saborearam</p><p>no terraço, Bella estava pensando em passar a</p><p>tarde quente na piscina, quando um táxi</p><p>aquático chamou sua atenção, parando no</p><p>ancoradouro junto à lateral da casa. Um</p><p>homem desceu da lancha com uma mochila.</p><p>Era alto, elegante, de cabelo castanho e usava</p><p>bermuda, camisa polo e óculos escuros.</p><p>– Maria, você sabe quem é aquele homem</p><p>que está se aproximando?</p><p>– Sì. É o amigo inglês de Sergio. Ele fica aqui</p><p>às vezes. Seu nome é Jeremy. O sobrenome é</p><p>grande demais para eu me lembrar.</p><p>– Deus do céu. Jeremy! – exclamou Bella,</p><p>quando o homem estava perto o bastante para</p><p>ouvi-la.</p><p>Uma vez que chegou à sombra do terraço, ele</p><p>tirou os óculos escuros e abriu um largo</p><p>sorriso.</p><p>– Puxa vida! – exclamou, com um brilho</p><p>especulativo nos olhos azuis. – Bella!</p><p>Ela não ficou surpresa com o fato de ele</p><p>reconhecê-la. Seu rosto era bem conhecido.</p><p>Também presumiu que Jeremy soubesse que</p><p>ela e Sergio tinham sido irmãos de criação. De</p><p>acordo com Sergio, eles eram amigos próximos</p><p>desde os tempos de Oxford.</p><p>– E o que está fazendo aqui, posso</p><p>perguntar? – indagou Jeremy numa voz</p><p>possante. – Ou é uma pergunta rude? Você e</p><p>Sergio estão mantendo um romance secreto do</p><p>qual ele não me falou?</p><p>Bella tentou não corar, mas foi impossível.</p><p>– Ora, ora, ora. – Foi tudo que ele disse antes</p><p>de puxar uma cadeira e dirigir um sorriso</p><p>caloroso a Maria. – Olá, Maria, querida. Você</p><p>parece muito bem. Como aquele grande bruto</p><p>italiano está tratando você? Eu me refiro a</p><p>Carlo, não ao aniversariante. Onde ele está, a</p><p>propósito? Não me digam que percorri toda</p><p>essa distância para surpreendê-lo e ele nem</p><p>sequer está em casa!</p><p>Maria levantou-se, também um pouco</p><p>corada. Bella pôde ver que Jeremy devia fazer</p><p>sucesso com as mulheres, segundo as aventuras</p><p>que Sergio mencionara dos tempos de Oxford.</p><p>Era charmoso. E extremamente bonito. Mas</p><p>não era seu tipo.</p><p>– Sergio foi para o trabalho – explicou Maria,</p><p>retirando a mesa. – Em Milão. Mas estará em</p><p>casa no início da noite.</p><p>– Oh, felizmente.</p><p>– Gostaria de algo para comer e beber, sr.</p><p>Jeremy?</p><p>– Sim, obrigado.</p><p>Depois que Maria se foi, Bella se perguntou</p><p>como iria explicar sua presença ali na villa. No</p><p>final, decidiu que a verdade era um bom</p><p>começo, contando a Jeremy sobre como</p><p>comparecera ao funeral do pai de Sergio no ano</p><p>anterior e que ele lhe dera o número de seu</p><p>celular para o caso de precisar.</p><p>– Não vi você no funeral do pai dele.</p><p>– Eu estava disfarçada. Usei uma peruca</p><p>preta e óculos escuros.</p><p>– Entendo.</p><p>– Como estava sofrendo de um desgaste, há</p><p>algumas semanas liguei para Sergio e lhe pedi</p><p>para alugar a villa onde passávamos ótimas</p><p>férias na infância. Ele me disse que não poderia</p><p>alugá-la, uma vez que estaria aqui, e sugeriu</p><p>que eu ficasse como hóspede, longe dos</p><p>holofotes.</p><p>– Sergio poderia ter me contado. Eu não teria</p><p>comentado com ninguém. E como estão as</p><p>férias até agora?</p><p>– Oh... hã… muito boas. Muito… relaxantes.</p><p>– O que mais ela podia dizer? Se Sergio quisesse</p><p>que Jeremy soubesse de sua estada ali, teria lhe</p><p>contado. Se a amava da maneira como Maria</p><p>acreditava, por que não contara a seu respeito</p><p>ao amigo?</p><p>Quando Maria voltou com o almoço para</p><p>Jeremy, Bella aproveitou para se levantar.</p><p>– Se me der licença, vou subir até o meu</p><p>quarto e dar um telefonema a Sergio. Vou lhe</p><p>dizer que você está aqui.</p><p>– Boa ideia. E diga-lhe que volte agora</p><p>mesmo para casa para podermos fazer uma</p><p>festa de aniversário.</p><p>– Ele pode não querer fazer isso. Disse-me</p><p>que tinha reuniões muito importantes</p><p>agendadas para hoje.</p><p>Jeremy revirou os olhos.</p><p>– É típico. Aquele homem é viciado em</p><p>trabalho.</p><p>– Sim, é um pouco.</p><p>Mas Bella gostava daquilo em Sergio.</p><p>Gostava de seu perfeccionismo. Da inteligência</p><p>e da capacidade para o trabalho árduo. Era</p><p>evidente que teria preferido que ele ficasse em</p><p>casa com ela em vez de ir para Milão. Mas não</p><p>estava em posição de se queixar. Era apenas sua</p><p>amiga com benefícios até então, nem mesmo</p><p>uma namorada de verdade. Esperara que Sergio</p><p>dissesse algo quanto àquilo ao longo das duas</p><p>semanas anteriores. Mas ele não dissera nada, a</p><p>despeito das muitas conversas significativas de</p><p>ambos. A vida sexual deles também estava</p><p>melhor do que nunca e até mais íntima. Uma</p><p>imagem erótica surgiu-lhe na mente de quando</p><p>fora amarrada à cama no dia anterior. Nua,</p><p>evidentemente, e à tarde, sob a luz do dia, com</p><p>tudo exposto aos olhos ardentes dele, cada</p><p>parte de seu corpo acessível às suas mãos</p><p>experientes. Mas ela não sentira acanhamento,</p><p>apenas excitação e as mais deliciosas tensões</p><p>seguidas de incríveis orgasmos. A um</p><p>determinado ponto, ele a deixara sozinha</p><p>enquanto descera</p><p>para um nado revigorante,</p><p>voltando com água escorrendo pelo corpo a</p><p>apresentando-se de imediato à boca dela para...</p><p>– Vamos fazer uma coisa, Bella – disse</p><p>Jeremy, interrompendo-lhe os pensamentos</p><p>sensuais.</p><p>– O quê?</p><p>– Não telefone para ele. Deixe isso comigo.</p><p>– Mas... Mas...</p><p>– Acredite quando lhe digo que não existe</p><p>uma reunião que não possa ser adiada. Você</p><p>apenas tem que saber o que dizer.</p><p>Bella não teve como argumentar, pois Jeremy</p><p>já tirava o celular do bolso, e sentou-se de volta</p><p>à mesa do terraço. Não pôde deixar de ser</p><p>tomada por uma preocupação instintiva. Não</p><p>pôde imaginar o que seria dito entre os dois</p><p>amigos que estragaria sua felicidade, mas</p><p>apenas soube que poderia ser algo. De repente,</p><p>desejou ter dito a Sergio durante o fim de</p><p>semana que o amava. Quase dissera, várias</p><p>vezes, mas sempre mudava de ideia.</p><p>Esperava que não fosse tarde demais.</p><p>Tinha, porém, uma terrível suspeita de que</p><p>Tinha, porém, uma terrível suspeita de que</p><p>era...</p><p>CAPÍTULO 22</p><p>A REUNIÃO com os estilistas para as novas</p><p>linhas de sapatos e bolsas tinha sido concluída,</p><p>quando o celular de Sergio tocou. Sorriu</p><p>quando viu quem era no visor do aparelho.</p><p>Jeremy nunca esquecia seu aniversário. Alex</p><p>provavelmente ligaria mais tarde.</p><p>Não haveria comemorações naquele ano,</p><p>com Alex em Sydney e ele próprio em Milão,</p><p>mas havia o seu plano de se casar com Bella</p><p>antes que o ano terminasse. Os amigos, com</p><p>certeza, compareceriam ao casamento.</p><p>Recusava-se a considerar a possibilidade de</p><p>que Bella pudesse dizer não quando,</p><p>finalmente, confessasse seu amor e a pedisse em</p><p>casamento. O fracasso não era uma opção.</p><p>Amava-a demais para isso. E tinha certeza de</p><p>que ela também o amava. Era só uma questão</p><p>de esperar até que tempo o bastante tivesse se</p><p>passado para que ela acreditasse no amor dele.</p><p>Quase dissera algo durante o fim de semana,</p><p>mas concluíra que ainda era cedo.</p><p>– Olá, meu amigo! – disse um efusivo Jeremy</p><p>do outro lado da linha. – Feliz aniversário!</p><p>Adivinhe onde estou agora. Estou sentado ao</p><p>lado de uma maravilhosa piscina com uma</p><p>linda loira.</p><p>– Isso não é novidade. Não é como passa a</p><p>maioria dos seus verões?</p><p>– É verdade. Mas não costumo passá-los no</p><p>Lago de Como.</p><p>Choque – e algo mais – fez com que Sergio</p><p>avançasse para a frente em sua cadeira. Se</p><p>Jeremy falava a sério, a linda loira ao seu lado</p><p>era Bella.</p><p>Ele disse a si mesmo para se acalmar antes</p><p>Ele disse a si mesmo para se acalmar antes</p><p>que o pânico e uma onda de ciúme o</p><p>dominassem.</p><p>– Ei, espertinho – disse, no que esperou ser</p><p>um tom casual. – Tentou me surpreender no</p><p>meu aniversário, não foi?</p><p>– Exato. Mas não esperava que você estivesse</p><p>ausente. Pensei que fosse tirar algum tempo de</p><p>folga antes de salvar a firma da família.</p><p>– Eu ia, inicialmente. Quando convidei Bella</p><p>para ficar.</p><p>– Sim, ela me disse. E que foi ao funeral do</p><p>seu pai. Disfarçada, é claro.</p><p>Sergio respirou fundo. Jeremy já extraíra</p><p>vários detalhes de Bella. Era bom naquilo.</p><p>Esperou que ela não tivesse lhe contado que</p><p>estavam dormindo juntos. Não se importava</p><p>que Jeremy soubesse que estavam tendo um</p><p>relacionamento íntimo e nem que estava</p><p>apaixonado por Bella. O que o preocupava era</p><p>que o amigo dissesse coisas para ela antes que</p><p>ele tivesse a chance de fazê-lo, coisas como o</p><p>fato de o aniversário de trinta e cinco anos pôr</p><p>um fim à sua condição de solteiro e a confissão</p><p>de que pretendia se casar e ter uma família.</p><p>– Não contei a você e a Alex que ela iria se</p><p>hospedar aí por razões que ficarão óbvias em</p><p>seu devido tempo. Agora, tenho um favor a lhe</p><p>pedir. Não diga nada, apenas ouça. Isto é</p><p>importante.</p><p>– Está certo.</p><p>– Logo que puder, diga que gostaria de subir</p><p>até seu quarto para tomar um banho. Quando</p><p>estiver sozinho lá, volte a me ligar. Há algumas</p><p>coisas que preciso lhe dizer. Tome cuidado com</p><p>o que disser agora, uma vez que Bella está</p><p>ouvindo. Depois, suba e me ligue, está bem?</p><p>– Bem, acho que poderemos ficar sem sua</p><p>companhia mais umas duas horas. Mas venha o</p><p>mais depressa que puder. Ciao.</p><p>O ALÍVIO quando Jeremy desligou tomou conta</p><p>O ALÍVIO quando Jeremy desligou tomou conta</p><p>de Bella.</p><p>– Aquele homem precisa ter vida própria.</p><p>Foi bom eu ter viajado para cá, ou ele</p><p>provavelmente nem comemoraria o</p><p>aniversário.</p><p>– Tem razão – disse Bella. – Eu nem sequer</p><p>sabia que era aniversário dele, até que Maria me</p><p>disse hoje de manhã.</p><p>– Então, caberá a nós fazer com que ele se</p><p>divirta logo mais à noite. Nesse meio tempo,</p><p>acho que vou subir até o meu quarto e tomar</p><p>um banho. Talvez até tire uma soneca. Está</p><p>muito calor.</p><p>Jeremy pegou sua mochila e foi à procura de</p><p>Maria, enquanto Bella permaneceu no terraço</p><p>ordenando os pensamentos. Decidiu que, assim</p><p>que estivesse na privacidade do quarto, ligaria</p><p>para Sergio para que qualquer história que</p><p>fossem dizer a Jeremy sobre o relacionamento</p><p>coincidisse. Esperava que Maria não dissesse</p><p>nada naquele meio tempo. Levantando-se, foi</p><p>até a cozinha, que estava vazia. Maria devia</p><p>estar mostrando o quarto a Jeremy, sem dúvida</p><p>o quarto de hóspedes do outro lado da suíte</p><p>principal.</p><p>Bella franziu o cenho. Se ele dormisse</p><p>naquele quarto, ela não teria condições de</p><p>dividir a cama de Sergio sem se sentir inibida.</p><p>Não eram amantes dos mais quietos.</p><p>– Preciso terminar o bolo de aniversário de</p><p>Sergio – falou Maria, voltando depressa à</p><p>cozinha. – Bella, não há toalhas o bastante no</p><p>outro quarto de hóspedes. Poderia levar</p><p>algumas para mim até lá? As grandes e brancas.</p><p>Você sabe onde estão.</p><p>– Sim, é claro.</p><p>– Depois que o bolo estiver pronto, tenho</p><p>que ir. Falei a Sergio hoje de manhã que não</p><p>podia ficar o dia todo. Tenho outro serviço de</p><p>limpeza às segundas-feiras. Pode lhe desejar</p><p>feliz aniversário por mim?</p><p>– Sim, sim.</p><p>Bella pegou algumas toalhas brancas no</p><p>armário da lavanderia e subiu as escadas.</p><p>Quando bateu à porta do segundo quarto de</p><p>hóspedes, não houve resposta. Bateu</p><p>novamente, mas de nada adiantou.</p><p>Possivelmente, Jeremy estava no chuveiro. Ela</p><p>deu a volta pelo próprio quarto e atravessou as</p><p>varandas até a dele. Espiando para dentro, viu</p><p>que o quarto estava vazio e colocou as toalhas</p><p>ao pé da cama. Estava prestes a sair, quando a</p><p>voz abafada mas audível de Jeremy surgiu do</p><p>banheiro anexo.</p><p>– Certo, Sergio. Fiz o que você pediu. Agora</p><p>o que devo fazer em relação a Bella?</p><p>Bella soube que deveria sair imediatamente.</p><p>Não era bom ficar ouvindo atrás da porta. Mas</p><p>era uma mulher. Uma mulher apaixonada.</p><p>Como podia sair depois que seu nome fora</p><p>mencionado? Na verdade, aproximou-se mais</p><p>da porta do banheiro.</p><p>– Sim, entendo – disse Jeremy, após um</p><p>longo silêncio. – É embaraçoso. Então, ela não</p><p>sabe nada sobre os seus planos de se casar com</p><p>uma bela jovem italiana que vai adorá-lo e lhe</p><p>dar a família que você quer sem lhe causar</p><p>problema algum?</p><p>Bella cobriu a boca com a mão para não</p><p>soltar um grito. Mas, oh, como era profunda a</p><p>dor que tomou conta de seu coração. Porque</p><p>Sergio não a amava. Não apenas isso, mas ele</p><p>mentira para ela dizendo que não estava</p><p>interessado em se casar no momento. E o</p><p>tempo todo planejara se casar com uma</p><p>italiana. Uma jovem italiana, pensou ela com</p><p>amargura.</p><p>– Tenho que confessar que você me</p><p>surpreendeu, Sergio – prosseguiu Jeremy após</p><p>uma pausa. – Sei que sempre desejou Bella, mas</p><p>achei que a desprezasse. Ainda assim, entendo</p><p>perfeitamente que a tentação para seduzir a</p><p>mulher era grande demais para resistir. Não é à</p><p>toa que a luxúria é um dos sete pecados</p><p>capitais. Mas eu o aconselho a pensar bem para</p><p>onde vai a partir daqui. Não há dúvida de que</p><p>ela deve ser boa na cama. Muito boa. É fácil</p><p>ficar sexualmente obcecado por uma mulher</p><p>bonita que sabe o que fazer. Já me disseram</p><p>isso, na verdade. Obsessão desse tipo é algo que</p><p>nunca vivi. Já pensou em mantê-la como sua</p><p>amante, talvez? Poderia dar certo.</p><p>Bella não suportou ouvir mais nenhuma</p><p>palavra. De algum modo, conseguiu voltar até</p><p>seu quarto sem se atirar da varanda. O ultraje e</p><p>a raiva mesclavam-se à dor em seu coração.</p><p>Então, Sergio a desprezara e a desejara ao</p><p>mesmo tempo. Que combinação peculiar! E ali</p><p>estivera, achando que ele a convidara porque</p><p>era bondoso. Todos</p><p>por Bella. Conversar com Alex e Jeremy tinha</p><p>ajudado, embora seus conselhos houvessem</p><p>sido típicos.</p><p>– O que você precisa, amigo – dissera Alex –,</p><p>é fazer sexo mais vezes.</p><p>– Provavelmente, ela não é assim tão boa na</p><p>cama – acrescentara Jeremy. – Alex tem razão.</p><p>Há peixes o bastante no oceano. Jogue a rede</p><p>com mais frequência.</p><p>E fora o que ele fizera por algum tempo,</p><p>tendo feito sexo com mais mulheres no mês</p><p>seguinte do que tivera em anos. Todas tinham</p><p>sido aventuras de uma noite. Todas eram loiras</p><p>de olhos azuis com rostos e corpos bonitos.</p><p>No final, porém, aquele estilo de vida não</p><p>caíra bem a Sergio. Assim, encontrara Cynthia,</p><p>uma divorciada atraente que era muito boa de</p><p>cama e não se importara com o fato de que ele</p><p>não a amava. Gradualmente, Bella fora para um</p><p>canto da mente dele, onde ficava a maior parte</p><p>do tempo.</p><p>Ainda assim, quando soubera através de Alex</p><p>que Bella rompera com o ator francês, Sergio</p><p>não pudera negar alguma satisfação. Não se</p><p>sentira tão feliz quando descobrira que ela</p><p>começara um relacionamento com um</p><p>magnata russo que ganhava bilhões com</p><p>petróleo e gás natural, além de investir sua</p><p>fortuna numa rede de hotéis de luxo. O russo</p><p>tinha, de acordo com Alex, a reputação de</p><p>mulherengo e uma queda por celebridades</p><p>loiras, geralmente supermodelos e atrizes.</p><p>Sergio sacudira a cabeça ao ouvir aquilo.</p><p>Porque não era a primeira vez que Bella se</p><p>envolvia com um homem de reputação</p><p>duvidosa. Além do ator francês, a lista de</p><p>namorados anteriores incluía um astro do rock</p><p>com problemas com drogas e um jogador de</p><p>polo argentino que trocava de namoradas com</p><p>a frequência de seus cavalos. Nenhum daqueles</p><p>relacionamentos havia durado. Mas os</p><p>tabloides haviam se esbaldado comentando</p><p>sobre tais romances.</p><p>“Quando Bella encontraria o verdadeiro</p><p>amor?”, haviam especulado exaustivamente.</p><p>Sergio olhou para o celular ainda silencioso,</p><p>odiando a si mesmo por estar se preocupando</p><p>com Bella, desprezando a si mesmo por querer</p><p>ouvir a voz dela outra vez. Mas por que ela não</p><p>ligara de volta? Na verdade, soara nervosa. E</p><p>por que desligara tão abruptamente? O</p><p>namorado mais recente teria entrado no quarto</p><p>e a encontrado ao telefone com outro homem?</p><p>Estaria num relacionamento em que havia</p><p>abuso, talvez?</p><p>Apesar de ser bem-sucedida na carreira, Bella</p><p>era péssima na escolha dos homens.</p><p>O que não era culpa de ninguém a não ser</p><p>O que não era culpa de ninguém a não ser</p><p>dela!</p><p>Ainda assim, ele não gostava de pensar que</p><p>alguém a estivesse tratando mal.</p><p>Ele praguejou diante da linha torturada de</p><p>pensamentos. Droga, ela não era mais sua</p><p>responsabilidade. Não desde o divórcio. Não</p><p>deveria se importar nem um pouco com ela.</p><p>Mas, de algum modo, por alguma razão</p><p>perversa, se importava. E fora talvez por aquela</p><p>razão, quando ela aparecera do nada no funeral</p><p>do pai dele no ano anterior, parecendo cansada</p><p>e tensa, que ele lhe dera seu número particular</p><p>de celular e lhe dissera que, se precisasse dele</p><p>para alguma coisa, era só entrar em contato.</p><p>Curiosamente, não a reconhecera a princípio.</p><p>Ela estava usando um grande chapéu preto,</p><p>uma peruca preta e óculos escuros. Quando ela</p><p>manifestara suas condolências e, então,</p><p>acrescentara um sincero pedido de desculpas</p><p>pela maneira como a mãe dela tratara o pai</p><p>dele, a única emoção de Sergio fora tristeza.</p><p>Olhando para trás, só podia imaginar que o</p><p>sofrimento pela morte do pai havia lhe</p><p>abrandado a ação dos hormônios a um ponto</p><p>em que nem estar na presença provocante de</p><p>Bella pudera estimulá-los. Lembrava-se de ter</p><p>desejado conversar mais com ela. Mas, quando</p><p>alguém mais se aproximara para falar som ele –</p><p>não conseguia se lembrar de quem –, ela se</p><p>despedira depressa e desaparecera.</p><p>Nunca dissera a Jeremy e a Alex que a</p><p>morena misteriosa era Bella. Não estivera com</p><p>disposição para conversar ou fazer confidências</p><p>naquela época, pois uma onda de depressão o</p><p>dominara por várias semanas após o funeral.</p><p>Quando finalmente havia se recuperado, se</p><p>arrependera de ter dado o número do celular a</p><p>Bella. Não porque estivesse achando que ela o</p><p>contataria, mas porque seu gesto tolo a</p><p>colocara de volta em seus pensamentos.</p><p>Fora necessário um tremendo esforço para</p><p>Fora necessário um tremendo esforço para</p><p>relegá-la a um lugar onde não passava de uma</p><p>lembrança frustrante, mas vez ou outra – como</p><p>naquela noite – tudo vinha à tona para torturá-</p><p>lo.</p><p>Era algo patético. Exasperado consigo</p><p>mesmo, colocou o celular no bolso da calça e se</p><p>adiantou até a porta, determinado a não perder</p><p>mais um momento sequer com aquela mulher</p><p>irritante. Assim que trancou a porta, porém,</p><p>outro pensamento lhe ocorreu.</p><p>Talvez ela estivesse grávida!</p><p>Dessa vez, o riso de Sergio foi irônico e</p><p>zombeteiro. Nos velhos tempos, quando uma</p><p>mulher solteira engravidava, era um desastre.</p><p>Mas não mais assim. Se Bella tivesse</p><p>engravidado acidentalmente – uma ideia</p><p>bastante improvável, admitia ele agora –, ela</p><p>não precisaria da sua ajuda. Tinha dinheiro o</p><p>bastante para contratar babás e qualquer ajuda</p><p>de que precisasse. Certamente não pediria a</p><p>nenhum homem – especialmente não a ele –</p><p>que a tornasse sua esposa. Era uma completa</p><p>fantasia. Por mais que ele tivesse tido muitas</p><p>fantasias com Bella ao longo dos anos,</p><p>nenhuma incluíra casamento.</p><p>Mulheres como Bella não eram feitas para o</p><p>casamento. Eram feitas para ser admiradas e</p><p>desejadas. Para ser levadas para a cama, não</p><p>desposadas. Quanto a ter filhos... ela nunca</p><p>demonstrara vontade de tê-los. Mas poderia, se</p><p>tivesse desejado. Muitas mulheres que eram</p><p>celebridades tinham filhos fora do casamento.</p><p>Não, evidentemente Bella não estava</p><p>interessada naquele tipo de compromisso. Ele</p><p>não estava surpreso, levando em conta que ela</p><p>fora criada por uma mulher cuja ambição</p><p>obsessiva fora a de que a filha se tornasse rica e</p><p>famosa. Acreditava que Dolores apenas se</p><p>casara com o pai dele para poder pagar as aulas</p><p>de canto e de dança da filha dela. Seduzira o</p><p>viúvo italiano quando ele estava solitário e</p><p>vulnerável, depois o obrigara a casar em função</p><p>de uma suposta gravidez que desaparecera</p><p>milagrosamente logo que a aliança estava no</p><p>dedo dela. Sergio não podia provar que Dolores</p><p>nunca estivera grávida, mas sempre suspeitara</p><p>disso. Quando ela pedira o divórcio tão logo a</p><p>carreira de Bella tinha decolado, as suspeitas</p><p>dele tinham sido confirmadas. Não que tivesse</p><p>dito algo ao pai.</p><p>O pobre homem ficara abalado, tendo</p><p>amado Dolores realmente. E Bella também.</p><p>Não culpava Bella inteiramente pelo que se</p><p>tornara. Mães de crianças artistas eram</p><p>notórias por produzirem filhos problemáticos.</p><p>E Bella era problemática. Por que outra razão se</p><p>envolveria com uma sucessão de homens de má</p><p>reputação que nunca a faziam feliz? Ocorria-lhe</p><p>que ela levava a vida como se fosse um longo</p><p>reality show, vivida diante da mídia, deixando-</p><p>se ser conduzida na frente dos paparazzi por</p><p>homens mais interessados nela como um troféu</p><p>do que como uma pessoa.</p><p>“E quem é você para julgar?”, lembrou-o a</p><p>consciência abruptamente. “Ela não é mais uma</p><p>pessoa para você também.” Não havia sido</p><p>desde a noite da festa de aniversário de</p><p>dezesseis anos dela. Aquela fora a noite em que</p><p>ela se tornara objeto de desejo dele, um desejo</p><p>tão forte que nada, nem o tempo nem a</p><p>distância, ou o fato de ter outra mulher em sua</p><p>cama, pudera aplacá-lo. Achava que gostava</p><p>dela? E não era pouco.</p><p>O celular tocou naquele preciso momento,</p><p>fazendo com que seu coração parasse na boca.</p><p>Tirando-o do bolso, nem sequer parou para ver</p><p>o nome de quem ligara no visor.</p><p>– Sim – disse, um tanto brusco.</p><p>– Aqui é Alex, amigo. Desculpe, mas estamos</p><p>presos no trânsito. Vamos chegar um pouco</p><p>atrasados.</p><p>– Droga, Alex – retrucou Sergio, frustrado</p><p>– Droga, Alex – retrucou Sergio, frustrado</p><p>pelo fato de não ser Bella ligando-lhe de volta. –</p><p>A razão pela qual comprei um apartamento em</p><p>Canary Wharf foi porque é perto de tudo. – E</p><p>também porque a torre que abrigava o</p><p>apartamento de luxo dele tinha uma piscina</p><p>aquecida, uma academia fantástica e um</p><p>restaurante de primeira classe.</p><p>– Sim, bem, você sabe como são as quintas-</p><p>feiras à noite. E Jeremy demorou para</p><p>tinham lhe dito que</p><p>homem bom era. Mas era um patife. Não fizera</p><p>nada desde a chegada dela a não ser usá-la.</p><p>Ainda bem que não lhe dissera que o amava.</p><p>Teria sido humilhante demais. Desse modo, ao</p><p>menos podia se retirar daquela situação</p><p>dolorosa com o orgulho intacto.</p><p>Tinha de partir do Lago de Como o mais</p><p>rápido possível. Ligaria para Luigi e lhe pediria</p><p>que fosse buscá-la no início da manhã.</p><p>Felizmente, o motorista lhe deixara seu cartão</p><p>de visitas. E felizmente não dissera nada a</p><p>Sergio sobre o filme. Isso lhe daria o pretexto</p><p>perfeito para embarcar para Nova York com</p><p>urgência. Era uma pena que não pudesse deixar</p><p>a villa antes que Sergio chegasse em casa, mas</p><p>seria estranho demais. Enfrentá-lo, porém,</p><p>sabendo o que agora sabia, parecia um</p><p>obstáculo quase insuperável.</p><p>Esperou ser uma atriz tão boa quanto</p><p>Charlie vivia lhe dizendo que era porque iria</p><p>precisar de todas as suas habilidades de atuação</p><p>nas horas seguintes. Seria doloroso dizer a</p><p>Sergio que teria que partir no dia seguinte. Ele</p><p>podia não a amar, mas gostara de fazer amor</p><p>com ela.</p><p>Se bem que não havia sido fazer amor, certo?</p><p>Fora apenas sexo. Jeremy acusara-o de estar</p><p>sexualmente obcecado por ela. Outro</p><p>pensamento deprimente. Ainda assim, não era</p><p>a primeira vez que um homem ficava</p><p>sexualmente obcecado por ela. No passado, tais</p><p>obsessões tinham passado depressa, uma vez</p><p>que ficara claro que ela era entediante na cama.</p><p>Dessa vez, porém, não fora nada entediante na</p><p>cama. Reagira e se comportara como uma</p><p>mulher experiente. Sergio acreditara que ela era</p><p>a parceria preparada e disposta a fazer qualquer</p><p>coisa para lhe dar prazer.</p><p>Talvez não a julgasse mais promíscua; já</p><p>conhecia o bastante de seu caráter àquela</p><p>altura. Mas fora exatamente o que ele achara no</p><p>início. Mas ainda a seduzira e, oh, tão</p><p>habilmente, e a tivera de todas as maneiras</p><p>possíveis. E o tempo todo estivera planejando</p><p>se casar com outra mulher e mantê-la</p><p>provavelmente como sua amante.</p><p>Como tivera sonhos absurdos. Como fora</p><p>tola em pensar em amor.</p><p>De repente, precisou de um esforço sobre-</p><p>humano para esperar que Sergio chegasse em</p><p>casa. Para lhe dizer que partiria no dia seguinte.</p><p>Eram apenas amigos com benefícios, mas,</p><p>quando ele sugerisse que iria vê-la, ela lhe diria</p><p>num tom bastante casual que era melhor não.</p><p>“Foi um belo interlúdio, Sergio, querido”,</p><p>diria. “Mas agora tenho que retomar a minha</p><p>vida de verdade. Tenho certeza de que</p><p>entende.”</p><p>CAPÍTULO 23</p><p>SERGIO NÃO estava preparado para o anúncio de</p><p>Bella naquela noite de que teria que embarcar</p><p>para Nova York no dia seguinte. Observou-a</p><p>com desalento enquanto ela explicava que havia</p><p>aceitado o papel de protagonista de uma versão</p><p>para o cinema de Um Anjo em Nova York e que</p><p>fora chamada pelos produtores o mais depressa</p><p>possível. Ele se esforçou para encontrar as</p><p>palavras para parabenizá-la, sabendo de</p><p>imediato que todos os seus planos para tornar</p><p>Bella sua esposa tinham sido comprometidos.</p><p>Aquela noite, que até então tinha sido</p><p>divertida, perdeu todo o seu brilho.</p><p>– Bem, isso é maravilhoso! – exclamou</p><p>– Bem, isso é maravilhoso! – exclamou</p><p>Jeremy entusiasmado. – É maravilhoso, não é,</p><p>Sergio?</p><p>Não adiantava. Ele simplesmente não podia</p><p>fingir estar feliz por ela quando não estava.</p><p>– Por que precisa se apressar desse jeito?</p><p>Com certeza, pode ficar mais uma semana ou</p><p>duas. Diga a eles que está sofrendo de um sério</p><p>desgaste e precisa de mais tempo de férias.</p><p>– Mas seria mentira, Sergio, querido. As</p><p>últimas duas semanas que passei aqui fizeram</p><p>maravilhas. Estou dormindo profundamente e</p><p>tenho mais energia de que posso gastar. Assim,</p><p>não tenho nenhum pretexto para não voltar ao</p><p>trabalho. E, quando uma oportunidade como</p><p>essa aparece, não se pode perdê-la.</p><p>Sergio encarou-a, incapaz de encontrar as</p><p>palavras certas. Nunca em sua vida</p><p>experimentara tamanha confusão.</p><p>– Combinei com Luigi de me buscar bem</p><p>cedo. Meu voo sai às nove da manhã e,</p><p>portanto, tenho que sair daqui às seis.</p><p>– Não precisava ter feito isso. Eu mesmo a</p><p>teria levado ao aeroporto.</p><p>– É muita gentileza sua, mas achei que</p><p>quisesse passar algum tempo extra com Jeremy,</p><p>que percorreu uma distância enorme até aqui.</p><p>Não, acho que é melhor se eu for com Luigi,</p><p>mas obrigado pela sua oferta.</p><p>O sorriso de Bella, notou Sergio, estava</p><p>estranhamente falso, evocando a lembrança da</p><p>sensação que tivera quando chegara em casa e</p><p>ela estivera com uma vivacidade exagerada com</p><p>ele. Perguntara-se se fora por causa da presença</p><p>de Jeremy que ela o abraçara e beijara daquela</p><p>maneira e lhe desejara feliz aniversário antes de</p><p>ter se desculpado profusamente por ter</p><p>esquecido.</p><p>– Felizmente, Maria me disse esta manhã.</p><p>Isso me deu a oportunidade de lhe comprar um</p><p>presente. – Ela entregou-o, sorrindo quando ele</p><p>abriu a embalagem e viu que a colônia que lhe</p><p>comprara chamava-se “Sedução”. – Um nome</p><p>apropriado, não acha? – acrescentou ela em</p><p>tom de flerte.</p><p>Sergio ficara perplexo porque Bella não</p><p>costumava flertar exageradamente. Nem seus</p><p>olhos ficavam frios quando o olhava. Como</p><p>estavam agora.</p><p>Algo estava errado. Ele podia sentir isso.</p><p>– Se me derem licença, vou fazer as malas –</p><p>disse ela, antes que ele pudesse entender o que</p><p>estava acontecendo. – Depois, vou me deitar.</p><p>Tenho certeza de que vocês, rapazes, têm muito</p><p>que conversar. Não o verei de manhã, Sergio, e,</p><p>portanto, já vou me despedir agora.</p><p>Ele se esforçou para não se encolher quando</p><p>ela se aproximou e lhe deu um beijo platônico</p><p>no rosto.</p><p>– Você foi um anfitrião maravilhoso. Não</p><p>tinha férias tão relaxantes há anos. Vou lhe</p><p>mandar uma mensagem de texto de Nova York</p><p>para avisá-lo de que cheguei bem. Foi um</p><p>prazer conhecê-lo, Jeremy. Ciao.</p><p>Ela se foi antes que Sergio pudesse intervir e</p><p>detê-la. Se bem que ele não fazia ideia do que</p><p>poderia dizer àquela altura. Estava atônito com</p><p>a mudança em Bella. Aquela não era a mulher</p><p>calorosa e maravilhosa que passara a conhecer e</p><p>a amar. Nada daquilo estava fazendo sentido.</p><p>Ele se virou para Jeremy, que estava sentado</p><p>à mesa da cozinha diante de uma taça de vinho</p><p>e da pizza em seu prato.</p><p>– O que, afinal, disse a Bella depois que liguei</p><p>para você? – perguntou zangado.</p><p>– Nada. Eu nem sequer a vi antes de você</p><p>chegar em casa. Depois que nós conversamos</p><p>pelo celular, tomei um banho e dormi. Minha</p><p>nossa, que tipo de idiota pensa que sou?</p><p>Sergio deixou os ombros caírem e recostou-</p><p>se de volta na cadeira. Não podia acreditar que</p><p>Bella o estava deixando daquele jeito; que o</p><p>estava deixando, aliás! Estivera com tanta</p><p>certeza no fim de semana anterior de que ela o</p><p>amava, convencido de que apenas uma mulher</p><p>apaixonada lhe confiaria seu corpo daquela</p><p>maneira. Quase lhe dissera várias vezes que a</p><p>amava. Desejou tê-lo feito. Porque ao menos</p><p>saberia a verdade.</p><p>– Se quer minha opinião sincera – disse</p><p>Jeremy –, acho que o fato de Bella partir é</p><p>melhor. É óbvio que ela não tem os mesmos</p><p>sentimentos intensos por você que você tem</p><p>por ela. Se tivesse, não estaria voltando</p><p>rapidamente para Nova York desse jeito. A</p><p>prioridade de Bella na vida é seu trabalho. É por</p><p>isso que nunca se casou. Porque é casada com a</p><p>carreira.</p><p>Sergio contraiu o rosto diante da avaliação</p><p>franca e brutal de Jeremy. Devia haver alguma</p><p>verdade no que dissera. Ao mesmo tempo, não</p><p>podia aceitar a súbita decisão dela de partir no</p><p>dia seguinte. Algum instinto ainda lhe dizia que</p><p>havia algo muito errado.</p><p>– Talvez você esteja certo, mas não vou</p><p>deixá-la ir sem lhe dizer como me sinto em</p><p>relação a ela.</p><p>– Não é uma boa ideia – avisou Jeremy,</p><p>quando Sergio se levantou.</p><p>– Possivelmente não. Mas tem que ser feito.</p><p>BELLA ESTAVA fazendo as malas devagar e</p><p>tentando não chorar, quando uma inevitável</p><p>batida soou à porta do quarto. Soubera que</p><p>Sergio apareceria, que não a deixaria ir tão</p><p>facilmente. Na verdade, esperara aquilo.</p><p>Respirando fundo, foi atender, mas segurou</p><p>a porta, mantendo-a entreaberta para que ele</p><p>não entrasse. O óbvio estresse nos olhos de</p><p>Sergio quase dissolveu a determinação dela de</p><p>ser tão impiedosa quanto ele fora. Mas não</p><p>podia esquecer que ele a desejava, que estava</p><p>obcecado por ela. Era evidente</p><p>que não iria</p><p>querer que fosse embora tão depressa.</p><p>Aquela era a linha de pensamento que</p><p>Aquela era a linha de pensamento que</p><p>precisava manter para endurecer seu coração.</p><p>– Sim, Sergio? O que foi?</p><p>Ele franziu a testa com ar frustrado.</p><p>– Você me pergunta isso depois do que</p><p>partilhamos nas últimas duas semanas? Achei</p><p>que o que tivemos foi especial. Pelo visto, me</p><p>enganei.</p><p>– Oh, não, você tem razão. O que</p><p>partilhamos foi bastante especial e eu lhe serei</p><p>eternamente grata. Se não tivesse sido por você,</p><p>eu teria sido tola em acreditar que precisaria</p><p>me apaixonar para desfrutar o sexo. Agora sei</p><p>que tudo que preciso é de um amigo bonito</p><p>como você. Ouça, sei que falei que queria que</p><p>você me visitasse em Nova York de vez em</p><p>quando, mas acho que devemos parar as coisas</p><p>por aqui.</p><p>A frieza nos olhos dele afetou o coração já</p><p>partido de Bella.</p><p>– Entendo. Não há mais nada a ser dito,</p><p>– Entendo. Não há mais nada a ser dito,</p><p>então. Adeus, Bella. Boa sorte com o filme.</p><p>E ele se foi, seguindo pelo corredor sem olhar</p><p>para trás. Com um soluço estrangulado, ela</p><p>fechou a porta, escondeu o rosto nas mãos e</p><p>chorou.</p><p>CAPÍTULO 24</p><p>– OH! – EXCLAMOU Maria, quando entrou na</p><p>cozinha por volta das sete da manhã seguinte. –</p><p>Você já está de pé. E vestido.</p><p>Ela estreitou os olhos, notando talvez que o</p><p>patrão dormira com as próprias roupas. Depois</p><p>daquele encontro desolador com Bella, ele</p><p>descera e tomara mais duas garrafas de vinho.</p><p>Jeremy, então, dissera-lhe que já bebera o</p><p>bastante e ajudara-o a subir até o quarto. Ele</p><p>acordara quando ouvira o carro de Luigi no</p><p>cascalho às seis da manhã e só se levantara</p><p>depois que Bella tinha ido. Estava agora na</p><p>terceira xícara de café forte para tentar se</p><p>recobrar da ressaca.</p><p>Maria franziu a testa.</p><p>– Há algo errado. Onde está Bella?</p><p>– Foi embora – resmungou Sergio. Não</p><p>queria falar sobre Bella. Nem sequer pensar</p><p>nela. Deveria ter sabido como ela era o tempo</p><p>todo. Era a filha de Dolores, afinal.</p><p>– Foi embora para onde?</p><p>– Voltou para Nova York. Para fazer um</p><p>filme estúpido.</p><p>– Mas vai voltar, não vai?</p><p>– Não, não vai!</p><p>– Mas ela ama você – exclamou Maria,</p><p>soando horrorizada. – E você a ama.</p><p>Sergio riu.</p><p>– Bem, acertou pela metade. Eu a amo. Ao</p><p>menos, amava. Mas ela não me ama. Ela me</p><p>disse isso.</p><p>– Bah, tolice! Bella me disse que amava</p><p>muito você. Mas, como você, ela não tem</p><p>certeza de que você a ama. Disse que morreria</p><p>se você não a amasse. Quer se casar com você.</p><p>Ser sua esposa. Ter seus bambinos.</p><p>O coração de Sergio se encheu de esperança.</p><p>– Ela disse isso mesmo? Que me amava e</p><p>queria se casar comigo?</p><p>– Não falo mentiras! O que aconteceu para</p><p>que ela fosse embora? Que coisa estúpida lhe</p><p>disse desta vez?</p><p>– Eu não sei. Sinceramente, não sei.</p><p>– Tudo estava bem ontem. Talvez o sr.</p><p>Jeremy tenha lhe dito algo quando ela subiu</p><p>para lhe levar toalhas.</p><p>– O quê? Quando foi isso?</p><p>– Um pouco antes de eu ir embora. Ele subiu</p><p>para tomar um banho e me preocupei, achando</p><p>que não havia toalhas o bastante. Pedi a Bella</p><p>que lhe levasse mais algumas.</p><p>Sergio saltou da cadeira.</p><p>– Só pode ser isso!</p><p>Eufórico e perplexo ao mesmo tempo, subiu</p><p>a escada correndo e adentrou no quarto de</p><p>Jeremy sem bater.</p><p>– Acorde, Jeremy! Acorde!</p><p>O amigo sentou-se na cama abruptamente.</p><p>– Mas o que...? O que está acontecendo?</p><p>– Vá até o banheiro, feche a porta e, então,</p><p>me diga algo.</p><p>– O quê?</p><p>– Faça isso!</p><p>Jeremy se levantou, entrou no banheiro e</p><p>fechou a porta. Sergio soltou um grunhido</p><p>quando ouviu a voz do amigo com toda a</p><p>clareza. Sem parar para explicar, correu até seu</p><p>quarto, onde apanhou uma camisa limpa e o</p><p>celular e, depois, rumou para a garagem. Estava</p><p>na estrada para Milão cinco minutos depois</p><p>com o coração disparado e cheio de esperança.</p><p>BELLA ESTAVA sentada numa área tranquila da</p><p>sala de espera da primeira classe, olhando</p><p>distraidamente pelas grandes janelas de vidro</p><p>para a movimentação do aeroporto, quando</p><p>alguém vestindo uma calça preta se</p><p>materializou no canto de seu olho.</p><p>– Posso me reunir a você? – perguntou uma</p><p>voz familiar.</p><p>O choque a fez erguer a cabeça e a peruca</p><p>ruiva balançou em torno das orelhas.</p><p>– Sergio. – Perplexa, notou que ele tinha os</p><p>olhos cansados e injetados. – O que... O que</p><p>está fazendo aqui?</p><p>Ele sentou-se na cadeira oposta com uma</p><p>estranha combinação de determinação e</p><p>remorso na expressão.</p><p>– Eu vim lhe dizer que amo você, Bella –</p><p>declarou com sentimento. – E eu sei que você</p><p>também me ama. Maria me disse isso esta</p><p>manhã. Também entendi finalmente o que</p><p>aconteceu ontem. Você levou toalhas para o</p><p>quarto de Jeremy e acabou ouvindo um lado da</p><p>nossa conversa ao celular. Você o ouviu dizer</p><p>que eu planejava me casar com uma jovem</p><p>italiana, além de possivelmente outras coisas</p><p>infelizes também. O que não ouviu, porém, foi</p><p>o que eu estava dizendo. Falei a Jeremy o</p><p>quanto amava você e queria me casar com você.</p><p>Falei a ele que esse estúpido plano de me casar</p><p>com uma garota italiana foi esquecido de vez</p><p>no dia em que você foi para a villa. Ele é que</p><p>estava com dúvidas. Não eu. Nunca eu.</p><p>Quando Bella assimilou a sinceridade na voz</p><p>de Sergio e viu o amor em seus olhos, não pôde</p><p>evitar. Desmanchou-se em lágrimas, seus</p><p>ombros tremendo enquanto soluçava de</p><p>felicidade e de alívio. Sergio a amava. Não a</p><p>estivera usando. Ele a amava!</p><p>– Por favor, não chore. – Sergio tirou-lhe as</p><p>mãos do rosto banhado de lágrimas. – Preciso</p><p>lhe perguntar algo – disse, entrelaçando os</p><p>dedos de ambos.</p><p>– Sim?</p><p>– Você me daria a honra de se tornar minha</p><p>esposa, minha querida Bella?</p><p>Ela se esforçou para vencer o nó na garganta</p><p>Ela se esforçou para vencer o nó na garganta</p><p>e sua voz soou firme:</p><p>– Sim, meu querido Sergio, sim.</p><p>Ele soltou um suspiro trêmulo.</p><p>– Corro o risco de chorar também. Vamos</p><p>sair daqui. – E levantou-se.</p><p>– Mas e quanto à minha bagagem? –</p><p>perguntou Bella ofegante, enquanto ele a</p><p>afastava dali. – Já está no avião.</p><p>– Uma vez que eu disser aos funcionários</p><p>que você não vai estar no voo, eles</p><p>descarregarão sua bagagem. Vou pedir a Luigi</p><p>que a busque mais tarde e que a leve até a villa.</p><p>– O que você teria feito se não tivesse</p><p>chegado aqui a tempo? E se o meu avião já</p><p>tivesse decolado?</p><p>– Eu teria embarcado no próximo voo para</p><p>Nova York.</p><p>– É mesmo?</p><p>– É melhor acreditar. Eu não ia deixar você</p><p>escapar, minha querida.</p><p>Bella jamais se sentira tão amada quanto no</p><p>momento.</p><p>Quando saíram do terminal vários minutos</p><p>depois, ficou surpresa em ver o carro prateado</p><p>de Sergio diante do aeroporto com um guarda</p><p>da segurança uniformizado abrindo a porta do</p><p>passageiro para ela.</p><p>– Agora, há uma coisa que tenho que lhe</p><p>perguntar – disse Sergio, quando já estavam a</p><p>caminho não do Lago de Como, mas da fábrica</p><p>Morelli. – Há mesmo um acordo para fazer um</p><p>filme, ou você inventou isso?</p><p>– Não, é verdade. Mas só precisavam de mim</p><p>lá no dia primeiro de agosto.</p><p>– Entendo.</p><p>– Se não quiser que eu o faça, não o farei.</p><p>Abrirei mão da minha carreira inteira se você</p><p>quiser.</p><p>O choque dele foi autêntico.</p><p>– Eu jamais lhe pediria isso. Não seria</p><p>correto. E não daria certo com o tempo. Você</p><p>nasceu para dançar, cantar e atuar.</p><p>Bella mordeu o lábio inferior enquanto uma</p><p>nova onda de emoções ameaçava dominá-la.</p><p>Que sorte ter encontrado o marido dos sonhos</p><p>que sempre quisera e que imaginara que não</p><p>existia.</p><p>– Não tenho que trabalhar o tempo todo –</p><p>assegurou. – Vou querer tirar muito tempo de</p><p>folga para estar aqui na Itália com você,</p><p>especialmente quando nascerem as crianças.</p><p>– Você quer filhos, então? – Ele soou um</p><p>tanto surpreso.</p><p>– Eu adoraria ter filhos. Especialmente os</p><p>seus filhos.</p><p>– Não faz ideia de como me sinto feliz. Maria</p><p>disse que sim, mas achei que talvez ela pudesse</p><p>estar se deixando levar. Oh, puxa...</p><p>– O que foi?</p><p>– Preciso ligar para Maria e Jeremy e dizer</p><p>que tudo está resolvido entre nós. Quando</p><p>descobri o que aconteceu, saí de lá em</p><p>disparada sem explicar nada. Tome, pegue meu</p><p>celular e ligue para Jeremy. O número dele está</p><p>no menu.</p><p>SERGIO NÃO pôde deixar de sorrir enquanto</p><p>ouvia Bella explicando tudo a Jeremy. Pôde</p><p>imaginá-lo quase engasgando diante da notícia</p><p>de que ambos iam</p><p>se casar.</p><p>– E diga-lhe que conte a Maria. Nós vamos</p><p>demorar para voltar para a villa. Depois que eu</p><p>fizer o que tenho que fazer no trabalho, levarei</p><p>você para comprar um anel.</p><p>– Jeremy mandou os parabéns – disse Bella a</p><p>Sergio depois que desligou. – Sabe, eu não</p><p>estava muito certa quanto a ele quando chegou,</p><p>especialmente depois que você comentou que</p><p>ele e seu outro amigo são Don Juans. Mas é</p><p>difícil não gostar dele, não é?</p><p>– Sim. É bastante carismático. E um ótimo</p><p>amigo. Mas é terrivelmente cético em relação</p><p>ao amor.</p><p>– Ele pode acabar se surpreendendo e se</p><p>– Ele pode acabar se surpreendendo e se</p><p>apaixonando um dia. Como aconteceu</p><p>conosco.</p><p>– Eu não apostaria.</p><p>Bella meneou a cabeça.</p><p>– Acho que não são todos que podem ter</p><p>sorte como nós. Sergio, você se importa se eu</p><p>lhe perguntar sobre algo que ouvi Jeremy dizer</p><p>ontem?</p><p>– Pergunte o que quiser. Não quero que haja</p><p>segredos entre nós. – Exceto talvez as intenções</p><p>lascivas dele quando a convidara para ficar na</p><p>villa.</p><p>– Está certo... Então, há quanto tempo você</p><p>me deseja?</p><p>– Ficaria escandalizada se eu lhe dissesse que</p><p>é desde o seu aniversário de dezesseis anos?</p><p>– Minha nossa! É verdade?</p><p>– Juro.</p><p>– Então, quando o beijei e você ficou parado</p><p>lá, quer dizer que estava fingindo?</p><p>– Sim.</p><p>– Mas eu não entendo. Por que teve que</p><p>fingir daquele jeito?</p><p>– Você era a minha irmã de criação na época.</p><p>Não teria sido certo.</p><p>– Eu não teria me importado.</p><p>– Sua mãe teria.</p><p>– Oh, puxa, minha mãe! Pode imaginar</p><p>como ela vai reagir quando eu lhe disser que</p><p>nós vamos nos casar?</p><p>– Ela vai aceitar, uma vez que você lhe disser</p><p>que sou bilionário.</p><p>Bella sorriu amplamente.</p><p>– Você pode estar certo quanto a isso.</p><p>Sergio soube que teria que se entender com a</p><p>mãe de Bella, e ele o faria. Pelo bem dela.</p><p>– Então, você tem que estar em Nova York</p><p>no dia primeiro de agosto.</p><p>– Sim.</p><p>– Isso me dá duas semanas para resolver as</p><p>coisas na fábrica, pôr uma pessoa nova no</p><p>comando e ir com você.</p><p>– Você irá comigo?</p><p>– Acha que eu a deixaria ir para a cidade do</p><p>pecado sozinha?</p><p>Bella revirou os olhos.</p><p>– Moro em Nova York há anos. Sei me</p><p>cuidar. Mas não me importo que você vá</p><p>comigo. Desde que você não se torne</p><p>possessivo e superprotetor como alguns</p><p>italianos fazem.</p><p>– Vou ser possessivo e superprotetor quanto</p><p>eu quiser. Você vai ser minha esposa.</p><p>– Oh, puxa...</p><p>– Estou brincando. E então, quanto tempo</p><p>acha que vai levar para fazer esse filme?</p><p>– Não muito. Dois meses, talvez? Mas vamos</p><p>ter que ensaiar um pouco primeiro. Depois,</p><p>teremos que reservar as locações e mandar fazer</p><p>o figurino. Pode levar o restante do ano.</p><p>– Nesse caso, teremos de nos casar antes de</p><p>ir. Ou é depressa demais para você?</p><p>– Não. Mas um casamento pode ser</p><p>organizado tão rapidamente?</p><p>– Acho que vamos precisar de uma licença</p><p>especial.</p><p>Bella respirou fundo.</p><p>– Há uma coisa que devo confessar, uma vez</p><p>que não vamos esconder segredos um do outro.</p><p>Sergio foi tomado por uma onda de</p><p>preocupação. Esperou que não fosse algo tão</p><p>sério.</p><p>– Sei que vai achar difícil acreditar nisso, mas</p><p>você é o único homem que já me satisfez</p><p>sexualmente. Antes de você, eu era entediante</p><p>na cama. Entediante, tímida e um total</p><p>fracasso. Minha falta de paixão foi o que</p><p>acabou com a maioria dos meus</p><p>relacionamentos. Mas não fui nada dessas</p><p>coisas com você. Desde o começo. Desde o</p><p>primeiro momento que olhei para você da</p><p>varanda e o vi junto à piscina. Puxa, você me</p><p>tirou o fôlego. Você pode achar isso uma tola</p><p>ideia romântica, mas acho que Maria tinha</p><p>razão. Fui diferente com você porque você me</p><p>amou da maneira como aqueles homens nunca</p><p>me amaram. Você é o homem que estive</p><p>esperando minha vida inteira. O homem dos</p><p>meus sonhos. Meu maravilhoso Sergio…</p><p>Ele se sentiu surpreso com a confissão. E</p><p>melhor do que nunca.</p><p>– E eu estive esperando você minha vida</p><p>inteira, minha querida Bella. Minha querida</p><p>Izzie…</p><p>Sergio sentiu um aperto no peito ao pensar</p><p>em como estivera perto de perdê-la.</p><p>Jurou naquele momento que faria tudo ao</p><p>seu alcance para ser o melhor marido que</p><p>pudesse, de modo que Bella jamais se</p><p>arrependesse de lhe confiar seu amor. Pensou</p><p>na oferta dela para abrir mão da carreira por</p><p>ele, a qual não aceitaria. Mas que prova maior</p><p>de amor poderia haver? Mas ela era</p><p>maravilhosa. E era toda sua. E pretendia</p><p>manter as coisas daquela maneira, até que a</p><p>morte os separasse.</p><p>INOCENTE PECADORA</p><p>Sara Craven</p><p>Enquanto a beijava, ele a acariciava ao longo</p><p>do pescoço com as pontas dos dedos,</p><p>demorando-se na curva de seus ombros,</p><p>passeando por suas costas, por cima da barreira</p><p>estreita de sua blusa, alcançando sua pele</p><p>sedosa abaixo, onde, por um instante, ele fez</p><p>uma pausa, como que surpreso, antes de</p><p>continuar sua exploração prazerosa, os dedos</p><p>percorrendo a espinha dela.</p><p>E quando Dana gemeu e arqueou</p><p>involuntariamente o corpo na direção dele,</p><p>sentiu-o sorrir contra seus lábios.</p><p>Ele avançou, então, passando braço em volta</p><p>da cintura dela, o outro sob seus joelhos,</p><p>erguendo-a, de modo que agora, Dana estava</p><p>deitada em suas coxas, embalada contra ele.</p><p>E recomeçou a beijá-la, sua boca contra a</p><p>dela, ainda mais exigente. Ele afastou a blusa</p><p>dela para o lado, cobrindo com a mão seu seio,</p><p>o polegar brincando com o mamilo, arrepiando</p><p>a pele rosa, provocando-a, alimentando seu</p><p>desejo.</p><p>Pela primeira vez em sua vida, Dana estava</p><p>experimentando a sedução e o prazer de um</p><p>homem, e ela sabia que aquele era o momento</p><p>de resistir. Ela precisava dar uma basta naquilo</p><p>antes que seu corpo não a obedecesse mais.</p><p>– Adam, por favor, escute o que tenho a</p><p>dizer... – Sua voz estava rouca, quase</p><p>irreconhecível, mas mais uma vez a sua única</p><p>resposta foi o dedo que suavemente tocou seus</p><p>lábios entreabertos, proibindo mais protestos.</p><p>Ele encontrou os três botões de pérola que</p><p>Ele encontrou os três botões de pérola que</p><p>fechavam sua blusa e os abriu antes de deslizar</p><p>a peça pelos ombros dela. Então, inclinando a</p><p>cabeça, tomou um dos mamilos rosados em</p><p>sua boca, sugando-o com delicadeza, para</p><p>depois tomar o outro, as carícias sensuais da</p><p>língua dele contra sua carne, fazendo-a gemer</p><p>baixinho.</p><p>Dana percebeu, em algum canto distante de</p><p>sua mente, que ele estava tentando descer o</p><p>zíper de sua saia, para tirá-la também.</p><p>E, dessa vez, enquanto ele a beijava, sua mão</p><p>começou a acariciar suas coxas, subindo mais e</p><p>mais, até alcançar o elástico rendado de sua</p><p>calcinha.</p><p>Dana estava agarrada a ele, o sabor fresco de</p><p>sua boca na dela, o deleite surpreendente de seu</p><p>toque em sua pele, e os prazeres inenarráveis</p><p>que prometiam arrebatá-la, comprometendo</p><p>seus sentidos ao ponto de ela não conseguir</p><p>perceber um ruído do lado de fora.</p><p>Dana estava vagamente consciente de que</p><p>alguma coisa pedia sua atenção. Algo se</p><p>aproximava dos limites de sua consciência que</p><p>lentamente se desfazia naquele mar de</p><p>sensações.</p><p>E, então, sentiu que ele ficou tenso quando</p><p>também notou que algo estava errado.</p><p>Havia alguém lá fora, ela percebeu chocada.</p><p>Testando a maçaneta da porta. Sacudindo-a,</p><p>frustrado e irritado.</p><p>– Dana, você está aí? Apresse-se e abra a</p><p>porta, querida. – Era a voz de Adam, baixa, mas</p><p>inconfundível.</p><p>Por um momento, ela permaneceu</p><p>congelada, sem acreditar. Porque Adam estava</p><p>ali com ela, quase fazendo amor com ela. Não</p><p>era ele?</p><p>Sua garganta fechou, ela estava horrorizada.</p><p>Começou a se debater, mas foi inútil. Estava</p><p>presa, impotente, na gaiola dos braços dele.</p><p>Muda também sob a pressão implacável de sua</p><p>boca, forçada a ficar em silêncio.</p><p>– Dana, abra a maldita porta. – Adam estava</p><p>impaciente agora. Houve uma pausa, então um</p><p>baque que poderia ter sido um pontapé no</p><p>umbral de madeira pesadas, seguido por uma</p><p>praga murmurada. E depois disso, silêncio,</p><p>indicando que ele tinha ido embora.</p><p>E enquanto ela se levantava do sofá,</p><p>afastando-se dele, ouviu Zac Belisandro dizer:</p><p>– Temo que ele esteja louco da vida.</p><p>Lançamentos do mês:</p><p>PAIXÃO AUDÁCIA 004 – INOCENTE</p><p>PECADORA – SARA CRAVEN</p><p>Minissérie – Os Sete Pecados Sensuais –</p><p>Segunda Temporada 4/4</p><p>Dana Grantham sonha com um futuro na</p><p>mansão onde crescera. Mas, o poderoso</p><p>bilionário Zac Belisandro estraga seus</p><p>planos.</p><p>Porém, ele a faz uma proposta: dará tudo o que</p><p>Dana sempre quis… se ela aceitar ser sua</p><p>esposa!</p><p>PAIXÃO GLAMOUR 004 – HERANÇA DE</p><p>SOMBRA – TARA PAMMI</p><p>Ludibriado pela irmã adotiva, Nathaniel</p><p>Ramirez volta para casa, tendo de encarar o</p><p>passado… e a bela Riya. Agora, ele está</p><p>determinado a usar todas as suas armas para</p><p>conseguir a herança… e levar Riya para a cama</p><p>como parte do acordo!</p><p>PAIXÃO ARDENTE 004 – ALGEMAS DE</p><p>SEDUÇÃO – CAITLIN CREWS</p><p>Minissérie – Sheiks e suas Noivas Ousadas 2/2</p><p>O sheik Kavian considera a fuga de sua</p><p>prometida um ato intolerável. Então, assim que</p><p>Amaya retorna, ele usa todo o seu poder para</p><p>comandar a sensual redenção de sua noiva. Mas</p><p>será que é o suficiente para convencê-la a</p><p>abraçar o futuro como rainha?</p><p>Próximos lançamentos:</p><p>PAIXÃO 473 – AMOR, HONRA & TRAIÇÃO</p><p>– ANNIE WEST</p><p>Donato Salazar planeja abandonar a filha de seu</p><p>inimigo no altar. Contudo, não esperava ficar</p><p>tão fascinado por Ella Sanderson. E conforme o</p><p>casamento se aproxima, ele tem de fazer uma</p><p>difícil escolha: amor ou vingança.</p><p>PAIXÃO AUDÁCIA 005 – PODER &</p><p>PERSUASÃO – LYNNE GRAHAM</p><p>Minissérie – Amor & Riqueza 1/2</p><p>Para conseguir uma herança, Cesare Sabatino</p><p>precisa de uma esposa… e de um herdeiro.</p><p>Contudo, fica surpreso quando Lizzie recusa</p><p>seu pedido de casamento. Agora, ele usará todo</p><p>o seu poder de sedução para fazê-la mudar de</p><p>ideia…</p><p>PAIXÃO GLAMOUR 005 – PAIXÃO</p><p>PAIXÃO GLAMOUR 005 – PAIXÃO</p><p>IMPULSIVA – CATHY WILLIAMS</p><p>O encontro de Sergio Bruzi e Susie Sandler foi</p><p>por acaso, a paixão que sentiram, arrebatadora.</p><p>Porém, logo descobririam as consequências de</p><p>se entregar de corpo e alma ao desejo…</p><p>PAIXÃO ARDENTE 005 – HERDEIRA</p><p>CATIVA – TARA PAMMI</p><p>Minissérie – Magnatas Gregos Domados 1/2</p><p>Para Stravos Sporades, a única forma de</p><p>proteger Leah era casando-se com ela, mesmo</p><p>que apenas de fachada. Anos depois, Leah</p><p>retorna exigindo o divórcio, mas acaba se</p><p>rendendo ao desejo que sente pelo marido.</p><p>16-30152</p><p>CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO</p><p>SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ</p><p>L516s</p><p>Lee, Miranda</p><p>Sedução implacável [recurso eletrônico] / Miranda</p><p>Lee; tradução Tina TJ Gouveia. - 1. ed. - Rio de Janeiro:</p><p>Harlequin, 2016.</p><p>recurso digital HB</p><p>Tradução de: The italian’s ruthless seduction</p><p>Formato: ePub</p><p>Requisitos do sistema: Adobe Digital Editions</p><p>Modo de acesso: World Wide Web</p><p>ISBN 978-85-398-2130-3 (recurso eletrônico)</p><p>1. Romance australiano. 2. Livros eletrônicos. I.</p><p>Gouveia, Tina TJ. II. Título.</p><p>CDD: 828.99343</p><p>CDU: 821.111(436)-3</p><p>PUBLICADO MEDIANTE ACORDO COM</p><p>HARLEQUIN BOOKS S.A.</p><p>Todos os direitos reservados. Proibidos a reprodução, o</p><p>Todos os direitos reservados. Proibidos a reprodução, o</p><p>armazenamento ou a transmissão, no todo ou em parte.</p><p>Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer</p><p>semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera</p><p>coincidência.</p><p>Título original: THE ITALIAN’S RUTHLESS</p><p>SEDUCTION</p><p>Copyright © 2016 by Miranda Lee</p><p>Originalmente publicado em 2016 por Mills & Boon</p><p>Modern Romance</p><p>Arte-final de capa:</p><p>Isabelle Paiva</p><p>Produção do arquivo ePub: Ranna Studio</p><p>Editora HR Ltda.</p><p>Rua Nova Jerusalém, 345</p><p>Bonsucesso, Rio de Janeiro, RJ – 21042-235</p><p>Contato:</p><p>virginia.rivera@harlequinbooks.com.br</p><p>mailto:virginia.rivera@harlequinbooks.com.br</p><p>SEDUÇÃO IMPLACÁVEL</p><p>Texto de capa</p><p>Teaser</p><p>Querida leitora</p><p>Rosto</p><p>Capítulo 1</p><p>Capítulo 2</p><p>Capítulo 3</p><p>Capítulo 4</p><p>Capítulo 5</p><p>Capítulo 6</p><p>Capítulo 7</p><p>Capítulo 8</p><p>Capítulo 9</p><p>Capítulo 10</p><p>Capítulo 11</p><p>Capítulo 12</p><p>Capítulo 13</p><p>Capítulo 14</p><p>Capítulo 15</p><p>Capítulo 16</p><p>Capítulo 17</p><p>Capítulo 18</p><p>Capítulo 19</p><p>Capítulo 20</p><p>Capítulo 21</p><p>Capítulo 22</p><p>Capítulo 23</p><p>Capítulo 24</p><p>Próximos lançamentos</p><p>Créditos</p><p>SEDUÇÃO IMPLACÁVEL</p><p>Teaser</p><p>Querida leitora</p><p>Rosto</p><p>Capítulo 1</p><p>Capítulo 2</p><p>Capítulo 3</p><p>Capítulo 4</p><p>Capítulo 5</p><p>Capítulo 6</p><p>Capítulo 7</p><p>Capítulo 8</p><p>Capítulo 9</p><p>Capítulo 10</p><p>Capítulo 11</p><p>Capítulo 12</p><p>Capítulo 13</p><p>Capítulo 14</p><p>Capítulo 15</p><p>Capítulo 16</p><p>Capítulo 17</p><p>Capítulo 18</p><p>Capítulo 19</p><p>Capítulo 20</p><p>Capítulo 21</p><p>Capítulo 22</p><p>Capítulo 23</p><p>Capítulo 24</p><p>Próximos lançamentos</p><p>Créditos</p><p>se vestir.</p><p>Ouça, não devemos levar mais que quinze</p><p>minutos. Sente-se à mesa e tome um drinque</p><p>até chegarmos lá. Você soa como se estivesse</p><p>precisando de um.</p><p>Sergio soltou um suspiro.</p><p>– Acho que tem razão.</p><p>– Há alguma coisa errada?</p><p>– Não. Só estou um pouco cansado.</p><p>Ele poderia ter lhes contado sobre o</p><p>telefonema de Bella se soubesse do que se</p><p>tratava. Mas não fazia ideia, droga. Talvez</p><p>nunca soubesse. Talvez ela nunca ligasse de</p><p>volta. Não tinha certeza se poderia suportar</p><p>aquilo.</p><p>– Está sendo um grande dia – disse Alex. –</p><p>Você é um negociador incrível. Agora, vá</p><p>relaxar com um uísque, e logo estaremos lá.</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>BELLA NÃO parou de tremer por alguns</p><p>minutos depois que desligou. Admitia que</p><p>estivera nervosa antes de ligar para Sergio, mas</p><p>era natural. Ainda se sentia culpada pela</p><p>maneira como sua mãe tratara o pai dele. Se</p><p>fosse sincera consigo mesma, não achava que</p><p>tinha o direito de pedir a ajuda dele. Não</p><p>depois do que sua mãe fizera.</p><p>Somente em meados do ano anterior, ela</p><p>descobrira como sua mãe tratara mal o pai de</p><p>Sergio. Dolores admitira numa noite, enquanto</p><p>supostamente dera conselhos à filha sobre os</p><p>homens e o casamento, que ela usara uma falsa</p><p>gravidez para fisgar o mandachuva italiano.</p><p>Dissera que nunca amara o homem, que</p><p>estivera disposta a qualquer coisa para</p><p>assegurar o apoio financeiro de que precisara</p><p>para tornar a filha uma estrela.</p><p>Bella ficara tão aturdida com as confissões</p><p>frias da mãe que se sentira impelida a procurar</p><p>o homem que já chamara afetuosamente de</p><p>“papa” e se desculpar. Havia sido difícil</p><p>localizá-lo. Não havia nenhuma menção a ele</p><p>na internet. Mas ela finalmente conseguira,</p><p>com a ajuda de um detetive particular, apenas</p><p>para descobrir que Alberto estava perto da</p><p>morte num hospital em Milão. A culpa a fizera</p><p>largar tudo e voar para Milão, determinada a</p><p>lhe dizer pessoalmente que sempre se lembrava</p><p>dele com grande afeição e que era grata por</p><p>tudo que fizera por ela.</p><p>Quando chegara ao hospital, porém, Alberto</p><p>já havia morrido. Assim, havia ido ao funeral.</p><p>Disfarçada, evidentemente. Não quisera causar</p><p>à família – especialmente Sergio – nenhum</p><p>constrangimento, sabendo que, se os paparazzi</p><p>a tivessem reconhecido, o funeral poderia ter se</p><p>tornado um circo.</p><p>Fora um dos dias mais difíceis de sua vida,</p><p>sentada sozinha na imensa e fria catedral,</p><p>testemunhando silenciosamente a dor palpável</p><p>de Sergio e perguntando-se se sua mãe era</p><p>indiretamente culpada pela morte do pai dele.</p><p>Costumava-se dizer que o estresse podia causar</p><p>câncer. E, sem dúvida, Dolores causara muito</p><p>estresse e infelicidade a Alberto Morelli durante</p><p>os oito anos que o casamento de ambos havia</p><p>durado.</p><p>Ainda assim, ele nunca demonstrara aquela</p><p>infelicidade perto dela. Havia sido muito bom</p><p>para ela, atencioso e generoso, assim como</p><p>Sergio também, que fora um maravilhoso</p><p>irmão mais velho, sempre disposto a ouvi-la</p><p>cantar ou observá-la dançar. Olhando para trás,</p><p>dava-se conta de que ele havia sido</p><p>surpreendentemente paciente com ela, e essa</p><p>não era uma virtude que se associava a garotos</p><p>adolescentes. Sergio tinha apenas quinze anos</p><p>quando Dolores se casara com Alberto, e ela era</p><p>uma menina precoce de dez anos de idade. Ele</p><p>era um garoto quieto, um tanto reservado na</p><p>personalidade, mas extremamente inteligente.</p><p>E surpreendentemente bom nos esportes. Os</p><p>dois sempre jogavam basquete no pátio dos</p><p>fundos quando ele queria dar uma pausa nos</p><p>estudos.</p><p>Ela sentira terrivelmente a falta de Sergio</p><p>quando ele fora enviado para a universidade</p><p>em Roma, pois o pai não quisera que ele</p><p>esquecesse suas raízes italianas. Ela tinha treze</p><p>anos na época e era muito magra, a única</p><p>menina em sua classe que não havia atingido a</p><p>puberdade. Só via Sergio três vezes por ano</p><p>depois disso, na Páscoa e no Natal, quando ele</p><p>costumava ir a Sydney para passar alguns dias,</p><p>e então por duas semanas em julho, quando a</p><p>família passava as férias em sua villa no Lago de</p><p>Como.</p><p>Oh, como ela adorava aquelas férias! Que</p><p>diversão tinham tido nadando, andando de</p><p>barco e passeando.</p><p>Não da última vez, porém. Lembrava-se de</p><p>que Sergio tinha passado a maior parte do</p><p>tempo no quarto, estudando para as provas</p><p>finais. No ano seguinte, os pais já haviam se</p><p>separado, Sergio fora para Oxford fazer uma</p><p>pós-graduação e ela estivera a caminho da</p><p>Broadway e do estrelato. O relacionamento de</p><p>ambos – o qual imaginara que fosse próximo –</p><p>de repente não mais existira. Sentira falta do</p><p>irmão mais velho a princípio, mas logo ficara</p><p>concentrada em sua carreira e a atenção que</p><p>requeria. Longe dos olhos se tornara</p><p>eventualmente longe do coração.</p><p>Seus caminhos haviam se cruzado apenas</p><p>uma vez desde então, numa festa após um</p><p>espetáculo em Londres. Não o reconhecera, a</p><p>princípio. Estava tão bonito e com uma</p><p>aparência impressionante, tendo encorpado</p><p>finalmente o seu porte alto. Mas os olhos eram</p><p>os mesmos. Era difícil esquecer olhos como</p><p>aqueles. Tão escuros e bonitos, e ela se sentira</p><p>desconcertada por seu ar duro. Não levou</p><p>muito tempo para perceber que ele ainda estava</p><p>zangado com a mãe dela – e com ela também,</p><p>supôs, pois sua polidez conteve um quê de</p><p>frieza.</p><p>Não houvera frieza nos olhos dele no funeral</p><p>do pai, porém, apenas tristeza e uma gentileza</p><p>que, na época, ela não sentira que merecera.</p><p>Felizmente, estava usando óculos escuros que</p><p>tinham lhe ocultado as lágrimas de sofrimento</p><p>e remorso. Soube que deveria ter entrado em</p><p>contato com ele e o pai depois do divórcio.</p><p>Deveria ter demonstrado pesar e gratidão. Mas,</p><p>na época, estivera absorta demais pela</p><p>repentina explosão de fama, prestes a realizar a</p><p>ávida ambição da mãe e, sim, admitia, a sua</p><p>própria. Podia desculpar a si mesma dizendo</p><p>que estava com apenas dezoito anos, mas</p><p>aquilo não era desculpa.</p><p>Bella ficara admirada quando Sergio</p><p>escrevera seu número particular de celular num</p><p>cartão de visitas e lhe dissera que lhe telefonasse</p><p>se precisasse de qualquer coisa. Sua compaixão</p><p>e seu gesto inesperado de generosidade</p><p>ameaçaram o restante do controle emocional</p><p>dela. Assim, quando uma ruiva atraente se</p><p>aproximara e dera o braço a ele, Bella colocara</p><p>o cartão na bolsa, dissera um adeus apressado e</p><p>fora embora antes de se desmanchar em</p><p>lágrimas ruidosas na frente de todos.</p><p>Lágrimas ameaçavam dominá-la outra vez.</p><p>Lágrimas de frustração e sofrimento. Não havia</p><p>dormido muito bem na noite anterior. Não</p><p>dormia bem havia muito tempo. Não podia</p><p>continuar daquele jeito. Tinha de se afastar de</p><p>tudo e de todos que sabia que, no fundo, não</p><p>queriam o melhor para ela. Só queriam o que</p><p>podiam obter através dela, que era o motivo</p><p>por que a pressionavam a aceitar mais e mais</p><p>trabalho. Ao longo dos anos, adquirira uma</p><p>longa lista de profissionais ligados a ela. No</p><p>momento, tinha um empresário, um agente de</p><p>Hollywood, um assistente pessoal, um</p><p>profissional de relações públicas, além de seu</p><p>personal stylist. Por trás, obviamente, havia a</p><p>mãe dela.</p><p>Todos queriam sua cota. Não tinha tempo</p><p>para si mesma. Não tinha tempo para uma vida</p><p>pessoal. Não tinha tempo para nada a não ser</p><p>trabalho.</p><p>Recentemente, começara a se sentir como se</p><p>estivesse numa montanha-russa que nunca</p><p>parava. Ela nunca parava. Bem, tinha que parar.</p><p>E tinha que parar agora!</p><p>– Então, pare de ser tão covarde e ligue para</p><p>Sergio de volta – ordenou a si mesma.</p><p>Endireitando a espinha, ignorou o súbito</p><p>disparo no coração, pegou o celular e apertou o</p><p>botão de rediscagem.</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>SERGIO ESTAVA sentado a uma mesa com a</p><p>melhor vista do rio, bebericando um copo de</p><p>uísque com gelo e se empenhando ao máximo</p><p>para relaxar, quando o celular tocou.</p><p>Seu coração acelerou e o estômago ficou</p><p>apertado ao olhar para o visor, mas uma onda</p><p>de alívio o dominou em seguida. A identidade</p><p>de quem ligava estava bloqueada. O que</p><p>significava que era Bella, ligando de volta.</p><p>Felizmente. Ele desconfiava de que não teria</p><p>conseguido dormir à noite se ela não tivesse</p><p>ligado. Teria precisado fazer algo ridículo como</p><p>contratar um detetive particular para descobrir</p><p>o número de celular ou endereço dela. Ou</p><p>algum meio de contatá-la.</p><p>Aquilo não era patético? Céus, tinha</p><p>de</p><p>arrumar um meio de se controlar.</p><p>Mas o aviso foi em vão, enquanto segurava o</p><p>celular com força e o erguia. Ao menos, quando</p><p>falou, sua voz soou calma e relaxada.</p><p>– Alô, Bella.</p><p>– Céus! Como você sabia que era eu?</p><p>– Você bloqueou a sua identificação de</p><p>chamada. Ninguém que usa meu número</p><p>particular faz isso.</p><p>– Oh, entendo.</p><p>– O que aconteceu antes? Por que desligou?</p><p>– Desculpe por isso. De repente, minha mãe</p><p>veio até a minha porta e não quis que ela</p><p>soubesse que eu estava ligando para você.</p><p>Sergio estava perplexo.</p><p>– Sua mãe mora com você?</p><p>– Deus do céu, não. Moro sozinha em Nova</p><p>York. Mas voltei a Sydney alguns dias atrás</p><p>para um feriado. Ouça, liguei num momento</p><p>ruim? Está ocupado demais para falar? Onde</p><p>está? Estou ouvindo barulho ao fundo.</p><p>– Estou num restaurante à espera de amigos.</p><p>Mas estão atrasados. O trânsito de Londres não</p><p>colabora para a pontualidade.</p><p>– Nem o de Nova York. Então, você ainda</p><p>mora em Londres?</p><p>– Comprei um apartamento aqui – disse</p><p>Sergio, perguntando-se o que ela desejaria.</p><p>Também começava a ver que sua preocupação</p><p>anterior com ela fora absurda. Mas era algo</p><p>típico de suas reações no tocante a Bella. Eram</p><p>sempre exageradas e deixavam a desejar em</p><p>termos de lógica. – Então, em que posso ajudá-</p><p>la?</p><p>– Eu estava me perguntando... Você ainda</p><p>tem aquela villa no Lago de Como? Você não a</p><p>vendeu depois que seu pai faleceu?</p><p>– Não. Eu jamais venderia a villa. Está na</p><p>família Morelli há gerações. Por quê?</p><p>– Eu... eu preciso espairecer, Sergio. Em</p><p>algum lugar particular e tranquilo. Pensei em</p><p>alugar a villa por umas duas ou três semanas.</p><p>Talvez até um mês.</p><p>– Entendo. – Sergio reprimiu seu</p><p>aborrecimento custosamente. Se ela queria</p><p>alugar uma maldita villa no Lago de Como,</p><p>havia delas de sobra no mercado. Por que lhe</p><p>pedir a sua? Uma parte de si quis mandá-la ao</p><p>inferno. Mas a outra parte – a que ainda a</p><p>desejava, apesar de tudo – não pôde resistir à</p><p>oportunidade de vê-la outra vez. Em carne e</p><p>osso. Em sua plena beleza.</p><p>– Quando você vai querer ficar lá? –</p><p>perguntou num tom casual.</p><p>– O quanto antes. Ao menos logo que eu</p><p>conseguir chegar lá. Como falei, estou em</p><p>Sydney no momento.</p><p>Na casa da mãe, pensou ele amargo, a que</p><p>seu pai dera generosamente àquela oportunista</p><p>como parte do acordo de divórcio.</p><p>– Pelo que entendo, Dolores não irá com</p><p>você para a villa, então?</p><p>– Deus do céu, não. Quero ir sozinha.</p><p>Aquilo o animou, uma vez que presumira</p><p>que ela iria com o mais recente namorado. De</p><p>repente, não conseguiu conter uma onda de</p><p>entusiasmo. Nunca ficara atrás de Bella ao</p><p>longo dos anos, apesar de seu desejo obsessivo</p><p>por ela. E poderia ter ficado quando se tornara</p><p>mais velho, especialmente depois que os</p><p>negócios com bares de vinhos tinham</p><p>começado a gerar tantos lucros. Afinal, ela não</p><p>era mais a sua irmã de criação, não mais o fruto</p><p>proibido. Por que ele não tentara nada, então?</p><p>Bem, por muitas razões. Na maioria das</p><p>vezes, orgulho. Era italiano, afinal. Não teria</p><p>reagido bem à rejeição. Ficar atrás de uma</p><p>mulher – de qualquer mulher – não era seu</p><p>estilo. Ficar atrás da filha da cavadora de ouro</p><p>que partira o coração do pai dele teria parecido</p><p>a traição extrema, além de estupidez. Afinal, e</p><p>se Bella fosse como a mãe? Se ela tivesse</p><p>aceitado suas investidas, ele jamais teria tido</p><p>certeza quanto aos seus sentimentos, se eram</p><p>verdadeiros ou falsos, especialmente depois que</p><p>se tornara muito rico.</p><p>Mas agora as coisas eram diferentes. O fato</p><p>de ela se colocar em dívida com ele tornava a</p><p>situação diferente.</p><p>– Lamento muito, mas não posso lhe alugar a</p><p>villa tão cedo. Eu mesmo vou ficar lá no mês</p><p>inteiro de julho.</p><p>– Oh – disse ela desapontada.</p><p>– Mas pode ficar lá comigo sem pagar</p><p>aluguel. Se não se importar em ter um pouco de</p><p>companhia.</p><p>– Apenas você? – indagou ela, soando</p><p>hesitante. – Quero dizer… Não vai levar</p><p>ninguém mais para ficar com você?</p><p>– Não. Serei apenas eu. E Maria, durante o</p><p>dia.</p><p>– A mesma Maria que cozinhava e limpava</p><p>– A mesma Maria que cozinhava e limpava</p><p>nos velhos tempos?</p><p>– A mesma. Mas ela não mora mais lá. Ela</p><p>casou e mora num vilarejo próximo com o</p><p>marido, Carlo. Ele cuida do jardim quando</p><p>necessário e da piscina durante o verão. Maria</p><p>vai até lá regularmente quando há alguém na</p><p>villa. O que não tem sido frequente desde que o</p><p>meu pai morreu.</p><p>Bella soltou um suspiro triste.</p><p>– Eu me sinto péssima em relação ao seu pai.</p><p>Sergio cerrou os dentes. Não queria que ela</p><p>se desculpasse outra vez. Ao ver Alex e Jeremy</p><p>entrando no restaurante, chegou a uma rápida</p><p>decisão.</p><p>– Desculpe por interrompê-la, Bella, mas os</p><p>meus amigos acabam de chegar. Se puder me</p><p>dar o número do seu celular, prometo que lhe</p><p>telefono mais tarde, quando poderemos fazer</p><p>planos concretos. – Um rápido cálculo mental</p><p>assegurou-lhe que ainda seria manhã na</p><p>Austrália, mesmo à meia-noite em Londres. –</p><p>Nesse meio tempo, reserve um voo para Milão</p><p>e faça as malas. E, por favor, não diga à sua mãe</p><p>aonde você vai. Na verdade, não diga a ninguém</p><p>aonde você vai. Não quero os paparazzi</p><p>sobrevoando a villa de helicóptero, tentando</p><p>obter uma foto da famosa Bella e seu mais</p><p>recente namorado, está bem?</p><p>– O quê? Oh, sim, entendo o que quer dizer.</p><p>Eles gostam de tirar conclusões precipitadas.</p><p>Especialmente em relação a mim. Prometo que</p><p>não direi a ninguém. Puxa, você não imagina</p><p>como sou grata por isso, Sergio. Eu sempre...</p><p>– Eu tenho que desligar agora, Bella. O seu</p><p>número, por favor?</p><p>Ela lhe deu o número de seu celular, e ele</p><p>desligou e guardou seu aparelho no bolso</p><p>enquanto Alex e Jeremy se aproximavam da</p><p>mesa.</p><p>O rosto que ergueu para saudar os amigos</p><p>pareceu calmo. Sergio não tinha o hábito de</p><p>demonstrar suas emoções, o que era bom,</p><p>considerando os pensamentos que giravam em</p><p>torno de sua mente. Ainda mal podia acreditar.</p><p>Bella! Na sua casa e graças a um favor dele!</p><p>Jamais se considerara um homem</p><p>impiedoso. Ou vingativo. Parecia que era ainda</p><p>mais italiano do que pensara.</p><p>– Desculpe o atraso. – Alex puxou uma</p><p>cadeira e sentou-se.</p><p>Alex, Sergio notou, enfim, vestira-se</p><p>despojadamente, com um jeans escuro e uma</p><p>camisa azul, ao passo que Jeremy usava um</p><p>terno. Não o azul-marinho que usara no início</p><p>do dia, mas um cinza com camisa e gravata</p><p>lilás.</p><p>– Marcando um encontro para amanhã à</p><p>noite? – perguntou Jeremy, também se</p><p>sentando.</p><p>– Sergio não sai para encontros – disse Alex</p><p>secamente. – Tem transas.</p><p>– Avarento – acusou Jeremy, ainda que</p><p>– Avarento – acusou Jeremy, ainda que</p><p>afetuosamente. – O mínimo que pode fazer é</p><p>pagar um jantar para uma garota antes de levá-</p><p>la para a cama. Com quem anda dormindo</p><p>ultimamente?</p><p>– Não é da sua conta. – Sergio decidiu</p><p>naquele momento não contar aos amigos sobre</p><p>o telefonema de Bella. Não queria que o</p><p>desviassem do rumo que decidira tomar. –</p><p>Vamos fazer o pedido. Estou faminto.</p><p>Era outra coisa de que gostava em</p><p>restaurantes. A rapidez com que as bebidas e</p><p>refeições eram servidas. Sem demora, uma</p><p>garrafa de champanhe foi aberta e servida,</p><p>acompanhada de dois pratos de pão de ervas.</p><p>Teria sido uma noite bastante prazerosa se</p><p>sua mente não estivesse ocupada com outras</p><p>coisas. Por exemplo, como iria seduzir Bella, o</p><p>que naturalmente era o que tinha toda a</p><p>intenção de fazer. Com toda a franqueza, não</p><p>tinha muita prática na sedução em si. Homens</p><p>altos e bonitos – especialmente os bem-</p><p>sucedidos – raramente tinham de recorrer à</p><p>sedução. Supôs que poderia dizer a Bella que</p><p>agora era bilionário – mulheres como ela nunca</p><p>se cansavam de dinheiro. Mas aquilo não seria</p><p>tão satisfatório quanto tê-la em sua cama por</p><p>livre e espontânea vontade, por estar atraída</p><p>por ele, não por seu dinheiro.</p><p>Ele ficou ponderando durante a entrada qual</p><p>seria a melhor abordagem a usar com Bella.</p><p>Chegou à conclusão, enquanto comia o prato</p><p>principal, que o histórico de relacionamentos</p><p>dela sugeria que se sentia atraída por maus</p><p>rapazes, algo que ele não era. Ao menos não até</p><p>agora.</p><p>“Posso ser um mau rapaz”, decidiu durante a</p><p>sobremesa. Porque era evidente que, agora que</p><p>tinha a oportunidade, ele faria qualquer coisa –</p><p>absolutamente qualquer coisa – para ter Bella</p><p>em sua</p><p>cama, ao menos uma vez. Não, não</p><p>apenas uma vez. Uma vez não seria nem de</p><p>longe o bastante para aplacar o fogo que o</p><p>consumia. Precisaria de um mês inteiro de sexo</p><p>antes de se cansar dela. E não apenas de sexo</p><p>simples também. Queria sexo de todas as</p><p>formas possíveis, queria experimentar todas as</p><p>coisas eróticas que os outros namorados dela</p><p>teriam insistido que ela fizesse.</p><p>E, quando o mês tivesse terminado, depois</p><p>que tivesse se satisfeito, ele a mandaria embora</p><p>e começaria a procurar uma boa moça para</p><p>casar.</p><p>Era um ótimo plano, concluiu, enquanto</p><p>terminava seu pudim de caramelo.</p><p>– Você está pensativo esta noite, Sergio –</p><p>comentou Jeremy durante o café. – Sei que Alex</p><p>e eu somos os que falam mais do nosso trio,</p><p>mas geralmente você contribui para a conversa.</p><p>O que está acontecendo? Está com problemas</p><p>com alguma mulher?</p><p>Sergio conteve um riso. Problemas com uma</p><p>mulher nem sequer começava a descrever o</p><p>efeito que o telefonema de Bella lhe causara.</p><p>Mas sentia-se mais calmo agora que tinha um</p><p>plano definido na mente para lidar com o</p><p>obsessivo desejo por ela. Tudo que restava era a</p><p>execução do plano com sucesso, e ela deixaria</p><p>de ser um problema.</p><p>Nesse meio tempo, decidiu abordar o</p><p>assunto sobre o qual iria falar antes de Bella ter</p><p>ligado. Afinal, os três não se veriam</p><p>pessoalmente por um longo tempo e, como</p><p>eram membros do Clube dos Solteiros, ele</p><p>acreditava que tinham o direito de saber quais</p><p>eram suas intenções para o futuro.</p><p>– De certa maneira – respondeu enigmático</p><p>–, o sexo oposto tem a ver com o que vou dizer.</p><p>– Parece assombroso – disse Alex.</p><p>– Assombroso, não, mas sério. Sim, decidi</p><p>que vou me casar.</p><p>Alex respirou fundo, ao passo que Jeremy</p><p>apenas sorriu.</p><p>– Isso não me surpreende – disse irônico.</p><p>– Bem, surpreende a mim! – exclamou Alex,</p><p>de cenho franzido para Sergio. – Achei que,</p><p>depois do divórcio do seu pai, você nunca fosse</p><p>querer se casar.</p><p>Sergio deu de ombros.</p><p>– Isso é passado. Agora que o meu pai</p><p>faleceu e que nós vendemos a nossa franquia de</p><p>bares de vinhos, sinto a necessidade de uma</p><p>vida mais estável. – Ou sentiria depois que</p><p>tivesse aplacado necessidades mais imediatas. –</p><p>Eu quero uma família, Alex.</p><p>Alex suspirou e meneou a cabeça.</p><p>– Nada mais justo.</p><p>– Quem é a garota de sorte? – perguntou</p><p>Jeremy.</p><p>– Sim, quem é ela? – quis saber Alex.</p><p>– Eu não faço ideia. Ainda não a conheci. Eu</p><p>estava pensando numa garota italiana. Alguém</p><p>cuja família more em ou perto de Milão, uma</p><p>vez que é onde trabalharei a partir de agora.</p><p>Alex sacudiu a cabeça enquanto Jeremy fez</p><p>Alex sacudiu a cabeça enquanto Jeremy fez</p><p>um gesto de assentimento.</p><p>– Bem pensado. Garotas italianas são</p><p>passionais e dão excelentes mães, o que,</p><p>presumo, seja a sua principal razão para se</p><p>casar. Ter filhos.</p><p>– Sim. E quero mais do que um filho. O que</p><p>significa que minha esposa terá que ser jovem.</p><p>E bonita, é claro. E, de preferência, de uma</p><p>família rica. Pedirei à condessa que ofereça</p><p>algumas festas em sua villa. Ela conhece todos</p><p>no distrito que são alguém. – A condessa era a</p><p>vizinha mais próxima de Sergio no Lago de</p><p>Como, uma viúva rica na casa dos cinquenta</p><p>que fora uma boa amiga do pai dele e sua.</p><p>Naturalmente, não lhe pediria para</p><p>providenciar nada enquanto Bella não tivesse</p><p>ido embora.</p><p>– Mas e quanto ao amor? – interveio Alex,</p><p>soando horrorizado. – Não pode se casar com</p><p>alguém por quem não esteja perdidamente</p><p>apaixonado.</p><p>– Pelo amor de Deus, Alex – retrucou</p><p>Jeremy. – Estar perdidamente apaixonado é a</p><p>pior razão para se casar. Acredite. Eu sei. Meu</p><p>pai, mãe e irmãos estão sempre ficando</p><p>perdidamente apaixonados e nunca dura.</p><p>Sergio teve a ideia certa. Casar com uma garota</p><p>meiga que o adore e não queira nada além de</p><p>ser mãe e esposa o deixará feliz. – Abriu um</p><p>sorriso repentino. – Sabe, sempre achei que</p><p>você tivesse potencial para marido.</p><p>– Por que diz isso?</p><p>– Pela reprovação que demonstrou quando</p><p>eu estava atrás de garotas.</p><p>– Apenas pelo exagero, e você ainda está</p><p>atrás de garotas. A propósito, que táticas você</p><p>usa para deixar uma garota interessada? Você</p><p>também, Alex. Já devem ter deparado com uma</p><p>garota que não ficou interessada em vocês.</p><p>Quero saber o que fazem em tais</p><p>circunstâncias.</p><p>– Bem, acho que eu tentaria usar o charme</p><p>primeiro – falou Jeremy. – Dizer-lhe como a</p><p>acho interessante. Não bonita. Mulheres</p><p>bonitas ficam desconfiadas quando são</p><p>elogiadas por sua beleza. É melhor se</p><p>concentrar nas outras qualidades delas. Então,</p><p>se isso não desse certo, eu me colocaria na</p><p>companhia dela o máximo possível, mas a</p><p>ignoraria por completo. Use a tática da</p><p>psicologia inversa.</p><p>– Não posso dizer que concordo com essas</p><p>táticas – comentou Alex.</p><p>– E o que você faria? – replicou Jeremy.</p><p>– Primeiro, eu descobriria tudo que pudesse</p><p>sobre ela. As origens. As amizades. O que gosta</p><p>de fazer. Suas preferências. Depois a convidaria</p><p>para ir a um lugar que adorasse, um lugar</p><p>bastante especial e que custasse uma fortuna.</p><p>Um concerto, por exemplo. Ou a pré-estreia de</p><p>um filme com um dos atores favoritos dela. Se</p><p>isso não desse certo, eu diria o quanto a admiro</p><p>e desejo e que, se ela não saísse comigo, eu teria</p><p>que ir para a Tailândia e virar um monge.</p><p>Sergio não pôde se conter e riu. Jeremy</p><p>estava incrédulo.</p><p>– E já deu certo alguma vez? – perguntou. –</p><p>Essa história de monge?</p><p>– Não sei. Nunca tentei. Nunca precisei ir tão</p><p>longe. Desculpe, Sergio, mas as garotas caem</p><p>nos meus braços sem muito esforço da minha</p><p>parte.</p><p>Sergio não duvidava disso. Embora os três</p><p>tivessem sido abençoados na aparência, Alex</p><p>era excepcionalmente bonito. Era alto, loiro, de</p><p>olhos azuis e tinha um corpo que moldara até a</p><p>perfeição na academia.</p><p>– Você não terá problema em conseguir</p><p>qualquer garota que quiser – disse Alex a</p><p>Sergio. – Mas não se apresse em se casar. Você</p><p>esperou até agora. Dê uma chance ao amor de</p><p>verdade.</p><p>– Nunca percebi que você era um romântico.</p><p>– Sergio ficou subitamente ansioso para</p><p>encerrar aquele jantar e ligar para Bella.</p><p>– Nem eu – comentou Jeremy secamente. –</p><p>Vejo que o nosso Clube dos Solteiros vai acabar</p><p>perdendo dois de seus membros logo, não</p><p>apenas um.</p><p>Alex abriu um sorriso.</p><p>– Não eu. Não tenho planos de me estabilizar</p><p>tão cedo. Estou ocupado demais.</p><p>– E quanto a você, Jeremy? – perguntou</p><p>Sergio. – Há alguém especial na sua vida no</p><p>momento?</p><p>– Não posso dizer que há. Tenho meus</p><p>encontros, é claro. Mas ninguém especial.</p><p>Acredite quando digo que vou ser um membro</p><p>do Clube dos Solteiros até a morte.</p><p>Possivelmente o único membro, ao que parece.</p><p>– Você não tem que se casar – opinou Alex. –</p><p>– Você não tem que se casar – opinou Alex. –</p><p>Poderia viver com alguém. Até ter um bebê.</p><p>– Não gosto de bebês – replicou Jeremy com</p><p>indiferença. – Também não quero viver com</p><p>ninguém. Gosto de viver sozinho. Gosto de ser</p><p>egoísta.</p><p>Alex franziu o cenho.</p><p>– Você não é egoísta. É um homem caloroso,</p><p>generoso e um excelente amigo.</p><p>Jeremy chegou mais perto de corar que</p><p>Sergio já vira.</p><p>– E você, meu amigo – respondeu Jeremy,</p><p>tentando não parecer satisfeito –, é o sujeito</p><p>mais persuasivo do mundo. Poderia vender</p><p>gelo a esquimós. Não demorará muito a ganhar</p><p>outro bilhão.</p><p>– Espero que sim – declarou Alex. – Tenho</p><p>uma porção de pessoas pobres para abrigar e de</p><p>suas crianças para educar.</p><p>– Você e suas obras de caridade – interveio</p><p>Jeremy. – Acho que vai me pedir mais doações</p><p>depois de hoje.</p><p>– Com certeza. E a você também, Sergio.</p><p>Enviarei e-mails a vocês dois com os detalhes e</p><p>as quantias. Agora, não sei quanto a vocês, mas</p><p>eu estou exausto. Foi um longo dia. Além disso,</p><p>tenho um voo de vinte e três horas de volta</p><p>para Sydney amanhã. Vamos pedir a conta.</p><p>Sergio, você pode pagar, já que foi o de nós que</p><p>mais desfrutou o jantar.</p><p>– Será um prazer.</p><p>CAPÍTULO 4</p><p>– NÃO ENTENDO por que não pode me dizer</p><p>para onde vai – queixou-se Dolores. – Na</p><p>verdade, não entendo por que você tem de ir a</p><p>algum lugar! Pensei que tivesse vindo para casa</p><p>para passar o feriado.</p><p>Bella parou de fazer as malas por um instante</p><p>para dirigir um olhar de impaciência à mãe.</p><p>– Dificilmente é um feriado, com você</p><p>martelando no meu ouvido para</p><p>fazer aquele</p><p>filme que Charlie quer que eu faça. Se lhe disse</p><p>não uma vez, mãe, já foi o bastante. Não quero</p><p>fazer filmes.</p><p>– Então, por que arranjou um agente de</p><p>Hollywood?</p><p>– Não fui eu. Foi Josh. Só concordei porque,</p><p>na ocasião, um produtor famoso de Hollywood</p><p>estava pensando em fazer uma versão do filme</p><p>Um Anjo em Nova York. Eu teria feito isso.</p><p>Depois que esse projeto apareceu, fiquei com</p><p>Charlie porque achei que talvez outra pessoa</p><p>pudesse pegá-lo. Mas isso ainda não aconteceu.</p><p>Nesse meio tempo, não pretendo fazer nenhum</p><p>musical de segunda categoria que só queira</p><p>usar o meu nome para a distribuição.</p><p>– Como você sabe que é de segunda</p><p>categoria?</p><p>– Eu li o roteiro. E as músicas são terríveis.</p><p>– Roteiros podem ser mudados. E as músicas</p><p>podem ser refeitas. Charlie disse que</p><p>contrataram um diretor de primeira.</p><p>Bella soltou um suspiro.</p><p>– Vê o que eu quero dizer? Você</p><p>simplesmente não para. É por isso que vou</p><p>viajar. E por que não vou lhe dizer para onde</p><p>vou. Você poderá entrar em contato comigo</p><p>pelo meu celular. – Ela acrescentou para si</p><p>mesma para não se esquecer de desligar o</p><p>incômodo aparelho tão logo tivesse chegado ao</p><p>Lago de Como. – Agora, quer me deixar em</p><p>paz? Tenho de terminar de fazer as malas e</p><p>preciso sair para o aeroporto logo.</p><p>Era mentira. Ela nem sequer ligara para o</p><p>serviço de táxi. Reservara, porém, um voo para</p><p>Milão, que sairia do subúrbio de Mascot mais</p><p>tarde. Não era um voo direto, naturalmente.</p><p>Ela teria de ter paciência com algumas escalas.</p><p>Uma em Cingapura e a outra em Roma. Levaria</p><p>uma eternidade para chegar, mas esperava</p><p>poder dormir no caminho. Também esperava</p><p>que Sergio não a desapontasse quando, enfim,</p><p>lhe ligasse. Se ele mudasse de ideia quanto a</p><p>deixá-la ficar em sua villa, ela iria de qualquer</p><p>jeito e se hospedaria num hotel no Lago de</p><p>Como. Muitas das grandes villas antigas</p><p>tinham sido transformadas em charmosos</p><p>hotéis.</p><p>Bella tinha certeza, porém, de que Sergio não</p><p>a desapontaria, não depois de ter-lhe dito para</p><p>reservar um voo. Obviamente, tornara-se um</p><p>homem decente, como o pai. Não era como o</p><p>tipo de homem com quem ela se envolvera até</p><p>então e que sempre a desapontara no final.</p><p>– Deve ser algum lugar quente, pelas roupas</p><p>que você está levando. – A mãe não se movera</p><p>um milímetro do pé da cama e a observava</p><p>com ar teimoso.</p><p>Bella absteve-se de comentários e continuou</p><p>fazendo as malas.</p><p>– Posso esperar que você tenha recobrado o</p><p>bom senso e que vai se encontrar com Andrei</p><p>em alguma parte da Europa? É verão lá, não é?</p><p>Para dizer a verdade, ainda não consigo</p><p>entender por que você o deixou.</p><p>A exasperação, enfim, fez Bella erguer a</p><p>cabeça.</p><p>– Eu não deixei Andrei, mãe. Nunca</p><p>moramos juntos. Eu rompi o relacionamento</p><p>porque ele estava dormindo com outras</p><p>mulheres ao mesmo tempo em que estava</p><p>dormindo comigo.</p><p>– Foi o que você disse. Mas, filha, todos os</p><p>homens ricos têm olhos para outras mulheres.</p><p>E Andrei não é apenas rico. É bilionário. Li na</p><p>internet que ele acaba de abrir o hotel mais</p><p>luxuoso do mundo em Istambul. Pense só no</p><p>tipo de vida que você poderia ter como esposa</p><p>dele. Andrei não se importa com aquelas</p><p>garotas. É você que ele quer. É você que ele teria</p><p>pedido em casamento, afinal.</p><p>– Não, não teria. Andrei não é do tipo que</p><p>quer se casar.</p><p>– E foi por isso que aconselhei você a</p><p>engravidar. Ele teria se casado com você dessa</p><p>maneira. Um homem orgulhoso não iria querer</p><p>ter um filho ilegítimo.</p><p>Bella sacudiu a cabeça pensando</p><p>ironicamente que deveria ter contado à mãe a</p><p>verdade sobre Andrei. Sim, era orgulhoso, mas</p><p>também totalmente egoísta, e não tinha um</p><p>pingo de consciência. Ele a desejara quando a</p><p>vira no palco numa noite em Nova York,</p><p>tentara de tudo para cortejá-la, inclusive</p><p>romanticamente, até que ela cedera e fora para</p><p>a cama com ele. Na ocasião, acreditara que</p><p>Andrei a amava e vice-versa.</p><p>Infelizmente, a vida sexual de ambos não</p><p>fora um grande sucesso. Por culpa dela, era</p><p>evidente. Era sempre culpa dela. Todos os seus</p><p>namorados ao longo dos anos – e houvera bem</p><p>menos do que os tabloides sugeriam – haviam</p><p>ficado entediados com ela após um período</p><p>relativamente curto. Nenhum deles pudera</p><p>acreditar que era tímida na cama. Fora por essa</p><p>razão que se mantivera virgem até os vinte e</p><p>um anos.</p><p>Quando ela confrontara Andrei quanto a sua</p><p>infidelidade no ano anterior – e o romance dele</p><p>no deque do iate estivera em todos os jornais de</p><p>fofocas –, ele alegara que a falta de paixão dela o</p><p>levara a ter outras mulheres. Dissera que estava</p><p>cansado da recusa dela em fazer todas as coisas</p><p>eróticas e exóticas por que ansiava. Mas</p><p>toleraria uma mulher um tanto entediante na</p><p>cama, acrescentara, porque adorava ter uma</p><p>mulher com a beleza dela em seu braço em</p><p>público. Até se oferecera para lhe comprar um</p><p>apartamento em Paris se ela fizesse vista grossa</p><p>às amantes dele e continuasse ao seu lado.</p><p>Ficara chocado quando ela lhe dissera que o</p><p>relacionamento de ambos estava terminado.</p><p>Andrei não estava acostumado à rejeição do</p><p>sexo oposto.</p><p>Evidentemente, se Bella tivesse contado tudo</p><p>aquilo à mãe, ela teria dito que fora tola por</p><p>não ter aceitado o apartamento em Paris.</p><p>A mãe era exasperante, dominadora, com</p><p>um senso de moral comparável ao de Andrei.</p><p>Bella crescera achando que Dolores era</p><p>maravilhosa: uma mulher solteira que fora</p><p>condenada pela própria família quando</p><p>engravidara durante um feriado de trabalho no</p><p>exterior, supostamente seduzida por um suíço</p><p>que conhecera nos campos nevados da Suíça.</p><p>Ela se recusara a dizer aos pais desgostosos o</p><p>nome do pai, recusara-se a fazer um aborto e a</p><p>viver sob o teto deles e suas regras. Bella</p><p>admirara aquilo. Se fosse verdade, obviamente.</p><p>Nos tempos mais recentes, passara a acreditar</p><p>que talvez muito do que Dolores lhe contara ao</p><p>longo dos anos podia não ser inteiramente</p><p>verdade. Ainda assim, era verdade que Dolores</p><p>trabalhara arduamente para dar à filha tudo de</p><p>que precisara. Até conseguira tirar do modesto</p><p>salário como recepcionista o suficiente para</p><p>pagar aulas de canto e dança. Embora não para</p><p>o tipo de professor que quisera para sua</p><p>talentosa Isabel.</p><p>Assim, quando um novo chefe chegara, um</p><p>viúvo italiano enviado para Sydney pelo pai</p><p>para dirigir a filial australiana do negócio de</p><p>manufatura da família, Dolores vira a resposta</p><p>para todos os seus problemas. Pelas fotografias</p><p>que Bella vira, Dolores era uma mulher</p><p>bastante atraente na época. O pobre Alberto</p><p>não tivera a menor chance, e logo Dolores</p><p>conseguira um marido para prover tudo para a</p><p>enteada. Não apenas a melhor educação</p><p>particular que o dinheiro pudera pagar, mas</p><p>também um curso numa escola renomada de</p><p>artes cênicas.</p><p>E o resto, como diziam, era história.</p><p>Bella olhou para a mãe e desejou não a amar.</p><p>Era impossível, supôs. Era sua mãe. Além do</p><p>mais, sabia que Dolores a amava, mesmo que</p><p>tivesse um temperamento difícil.</p><p>– Mãe – disse com firmeza –, não vou para a</p><p>Europa para me encontrar com Andrei. Nem</p><p>vou lhe dizer para onde vou, a não ser que vou</p><p>estar sozinha. Agora, quero que você deixe este</p><p>quarto o mais rápido possível. Se não sair, vou</p><p>carregá-la daqui. – O que ela realmente poderia</p><p>fazer. Todos os anos de dança tinham tornado</p><p>Bella bastante forte. Também era vinte</p><p>centímetros mais alta que a mãe, que mal tinha</p><p>1,50m. Ela obviamente herdara a altura e as</p><p>características físicas do pai suíço.</p><p>Mal Dolores deixou o quarto resmungando,</p><p>e o celular de Bella tocou. Uma onda de alívio</p><p>dominou-a quando viu que era Sergio. Alívio e</p><p>entusiasmo. Já estava ansiosa para vê-lo, para</p><p>estar na companhia de alguém com quem</p><p>podia relaxar.</p><p>– Sergio – atendeu com prazer na voz. –</p><p>Estive à espera da sua ligação. Tive sorte e</p><p>consegui reservar um voo que sai de Mascot</p><p>esta tarde.</p><p>– Foi rápido.</p><p>– Sim. Bem, voar na primeira classe tem suas</p><p>vantagens. Mas há duas escalas. Uma em</p><p>Cingapura e uma em Roma. Vou levar muito</p><p>tempo para chegar em Milão.</p><p>O silêncio dele do outro lado da linha</p><p>preocupou-a um pouco.</p><p>– Você ainda quer que eu vá, não é?</p><p>– Oh, sem dúvida. Mal posso esperar para</p><p>que você chegue.</p><p>Bella sorriu. Era bom que ele quisesse que ela</p><p>fosse.</p><p>Não queria pensar que ele dissera aquilo</p><p>apenas por gentileza.</p><p>– Será bom colocar a conversa em dia. Vou</p><p>querer saber tudo que andou fazendo nos</p><p>últimos anos. Sei que nos vimos há algum</p><p>tempo, mas não conversamos muito. Presumo</p><p>que tenha sido bem-sucedido no que quer que</p><p>tenha feito. Você pareceu impressionante</p><p>naquela noite. Mas, afinal, você sempre foi</p><p>espantosamente inteligente.</p><p>– Tenho me saído bem ao longo dos anos –</p><p>disse Sergio, com uma modéstia que ela não</p><p>estava acostumada a ver nos homens. Em geral,</p><p>mal podiam esperar para se vangloriar. – Como</p><p>você. Teria sido impossível não saber sobre seus</p><p>êxitos, quando sua vida tem sido vivida sob os</p><p>holofotes. Mas não desperdicemos tempo</p><p>falando de detalhes pessoais ao telefone. Prefiro</p><p>fazer isso quando a vir em carne e osso. Agora,</p><p>sugiro que me envie uma mensagem de texto</p><p>com o seu horário de chegada quando estiver</p><p>mais perto do aeroporto de Milão... na sua</p><p>última escala, talvez... e eu providenciarei um</p><p>carro para ir buscar você. Com que nome vai</p><p>viajar? Não Bella, eu espero.</p><p>– Deus do céu, não. Fiz a reserva do voo sob</p><p>o nome de Isabel Cameron. Nem sempre fui</p><p>conhecida apenas como Bella, como sabe.</p><p>– Sim, eu sei. Você era apenas Isabel quando</p><p>nos conhecemos.</p><p>– Sim, mas você costumava me chamar de</p><p>Izzie. Até que a minha mãe lhe disse para não</p><p>fazer isso. Falou que era um péssimo apelido.</p><p>Até reclamou com o seu pai, lembra?</p><p>– Eu me lembro. Meu pai concordou com ela</p><p>e me disse que, se era para eu encurtar o seu</p><p>nome, deveria chamá-la de Bella.</p><p>Ela sorriu diante da lembrança.</p><p>– Que não é muito mais curto. Mas eu gostei,</p><p>especialmente depois que o seu pai disse que</p><p>significa “bonita” em italiano.</p><p>– E guerras.</p><p>– O quê?</p><p>– Bella também é o plural de bellum, que</p><p>significa “guerra” em latim.</p><p>– Oh. Eu não sabia disso. De qualquer modo,</p><p>se estiver preocupado com a possibilidade de as</p><p>pessoas me reconhecerem, não fique. Uma vez</p><p>que coloco uma peruca e óculos, ninguém me</p><p>reconhece. Diga ao motorista que segure um</p><p>cartaz com “Dolores Cameron” escrito nele.</p><p>– Claro.</p><p>– Você tem certeza quanto a isso? –</p><p>perguntou ela, subitamente preocupada. Não</p><p>queria dar trabalho. – Quero dizer que posso</p><p>ficar em um dos hotéis locais.</p><p>– Não seja boba. Sempre gostei da sua</p><p>companhia.</p><p>– É mesmo? Sempre achei que enlouquecia</p><p>– É mesmo? Sempre achei que enlouquecia</p><p>você afastando-o dos seus estudos para me ver</p><p>dançar e cantar o tempo todo.</p><p>– Você vivia querendo atenção, eu tenho que</p><p>admitir – disse ele com um sorriso na voz. –</p><p>Mas você também era muito talentosa.</p><p>Observar você cantar e dançar não era nada</p><p>penoso. Jogar basquete com você, porém, era</p><p>um pouco difícil, especialmente quando você</p><p>chorava por não ganhar.</p><p>– Eu não chorava!</p><p>– Sim, chorou naquele nosso primeiro jogo.</p><p>Depois disso, eu deixava você ganhar</p><p>ocasionalmente.</p><p>Bella riu.</p><p>– E eu que achava que sempre ganhava...</p><p>– Na vida, não se ganha sempre.</p><p>– É verdade – concordou ela, pensando em</p><p>todas as agruras da indústria do</p><p>entretenimento. – É melhor eu desligar –</p><p>acrescentou com relutância.</p><p>Gostou muito de conversar com Sergio e de</p><p>relembrar os velhos tempos. Tempos mais</p><p>felizes. Mais uma vez se arrependeu de não ter</p><p>mantido contato com ele depois do divórcio</p><p>dos pais. Mas já passara. Estavam em contato</p><p>agora e não pretendia deixá-lo distanciar-se</p><p>outra vez. Seria bom ter um irmão mais velho</p><p>em sua vida, alguém que sempre lhe daria bons</p><p>conselhos, que não teria intenções ocultas.</p><p>– Eu enviarei uma mensagem de texto</p><p>quando chegar em Roma.</p><p>– Excelente. Oh, e Bella...</p><p>– O quê?</p><p>– Não se esqueça. Não diga a ninguém aonde</p><p>está indo, ou com quem vai ficar.</p><p>– Não se preocupe, não direi. Ciao. – Ela</p><p>concluiu com ar entusiasmado e, então,</p><p>desligou.</p><p>CAPÍTULO 5</p><p>SERGIO COLOCOU o celular na mesinha de</p><p>cabeceira, dando um suspiro enquanto se</p><p>recostava nos travesseiros e a consciência o</p><p>impelia a mudar o curso que colocara em ação</p><p>naquela noite. Mas era tarde demais,</p><p>naturalmente. Ultrapassara um ponto em que</p><p>não havia, quando Bella lhe pedira para alugar a</p><p>casa.</p><p>Tinha que levar aquilo adiante, mesmo que</p><p>fosse um desastre só à espera de acontecer. Pois</p><p>ele já suspeitava que seduzir Bella poderia ter</p><p>consequências que não seriam facilmente</p><p>ignoradas.</p><p>Não uma gravidez. Não era tolo o bastante</p><p>Não uma gravidez. Não era tolo o bastante</p><p>para deixar isso acontecer. Estava pensando em</p><p>consequências emocionais. A última coisa que</p><p>queria era se apaixonar por ela. Desejá-la já era</p><p>complicado o bastante. Mas sobrevivera a isso.</p><p>Apaixonar-se, porém, era uma outra história.</p><p>E podia acontecer, especialmente se ia passar</p><p>tanto tempo com ela.</p><p>Então, era só não passar tanto tempo com</p><p>ela, disse-lhe a lógica. Uma vez que a levasse</p><p>para a cama, poderia ir para Milão para</p><p>trabalhar durante o dia e só voltar à noite à</p><p>villa.</p><p>Nada mais sensato. O que só o deixava com</p><p>o problema de como levá-la para a cama para</p><p>começar.</p><p>Era mais fácil falar do que fazer.</p><p>Obviamente, Bella ainda pensava nele como</p><p>seu irmão mais velho; aquele garoto quieto,</p><p>introvertido, que conhecera no princípio.</p><p>Primeiras impressões tendiam a ficar. Ele teria</p><p>que se certificar de que, dessa vez, ela não visse</p><p>nada daquele garoto. Bella teria de ver alguém</p><p>bastante diferente. Não totalmente um mau</p><p>rapaz. Sergio desconfiava de que não</p><p>conseguiria passar por uma mudança tão</p><p>radical de caráter. Mas havia espaço para um</p><p>pouco de malícia e muita ousadia.</p><p>Tirou parte da confiança do comentário de</p><p>Bella de que o achara impressionante quando o</p><p>vira na festa alguns anos antes. Se bem que</p><p>usara um smoking naquela noite. Mulheres</p><p>costumavam achar um homem impressionante</p><p>num smoking. Sergio precisava que Bella ficasse</p><p>impressionada por ele sem o smoking. Tinha</p><p>um ótimo corpo. Bem-definido, com pele</p><p>bronzeada e espantosamente poucos pelos para</p><p>um italiano. Também era bem-dotado, uma</p><p>dádiva genética da qual as mulheres pareciam</p><p>gostar muito. As pessoas podiam dizer que o</p><p>tamanho não importava, mas ele descobrira</p><p>que o oposto era verdade.</p><p>Respirou fundo ao imaginar como seria fazer</p><p>amor com Bella. Seu corpo começou a imaginar</p><p>também. Droga. Agora teria problemas para</p><p>dormir. Ainda assim, teria de levantar cedo no</p><p>dia seguinte, até mais cedo do que planejara</p><p>originalmente para a sexta-feira. Ele planejara</p><p>passar o dia inteiro na sede da franquia de bares</p><p>de vinhos, agradecendo à equipe por todo o</p><p>trabalho árduo, como também preparando-os</p><p>para a entrega para os novos chefes na segunda-</p><p>feira seguinte. Seria impossível agora. Só</p><p>disporia de algumas horas de manhã.</p><p>Abrandaria sua partida abrupta dando-lhes o</p><p>resto do dia de folga e pagando antecipado para</p><p>que tivessem uma festa de mudança de chefia</p><p>num pub local.</p><p>Detestava fazer as coisas às pressas, mas não</p><p>tinha opção. Precisava ir para o Lago de Como</p><p>o mais depressa possível. A villa estivera</p><p>desocupada por algum tempo; ele não estivera</p><p>lá desde a Páscoa. Sabia que Maria estava</p><p>mantendo o lugar limpo, mas talvez fosse</p><p>necessária uma limpeza geral. Ela também</p><p>precisava ser informada da chegada de uma</p><p>hóspede.</p><p>Não iria lhe dizer, porém, quem era a</p><p>hóspede antecipadamente. Apenas que era uma</p><p>amiga. Maria gostava muito de Bella. Nunca a</p><p>esquecera e, obviamente, sentira prazer diante</p><p>do sucesso de Bella. Maria ficaria entusiasmada</p><p>quando, enfim, ele revelasse quem era a</p><p>hóspede misteriosa, deu-se conta Sergio com</p><p>súbita preocupação. Como, afinal, iria seduzir</p><p>Bella debaixo do nariz de Maria sem que ela</p><p>descobrisse?</p><p>Impossível. Droga! Ele se colocara num beco</p><p>sem saída ali. Não era uma situação incomum</p><p>no que dizia respeito a Bella. Ela não</p><p>representara nada além de problemas desde o</p><p>primeiro dia que a vira.</p><p>Não, tinha de ser sincero. Os problemas só</p><p>começaram a partir da festa de aniversário de</p><p>dezesseis anos dela, quando emergira como</p><p>uma borboleta de um casulo, encantando-o</p><p>com sua graça, sua beleza de adulta e incrível</p><p>jeito sexy. Ele não voltara a Sydney por vários</p><p>meses. A vida universitária e a sofisticação de</p><p>Roma tinham lhe exercido mais fascínio do que</p><p>ficar numa casa dirigida por uma mulher</p><p>que</p><p>detestava. Mas o aniversário de Bella coincidira</p><p>com o intervalo no meio do ano, em junho, e o</p><p>pai dele insistira para que voltasse para casa</p><p>para celebrar, sendo que depois todos foram</p><p>para o Lago de Como para passar as férias</p><p>anuais. A última vez que ele tinha visto Bella,</p><p>no Natal anterior, ela era uma estudante</p><p>magricela de rabo de cavalo e aparelho nos</p><p>dentes.</p><p>Ela não parecera magra demais naquela</p><p>noite. E o aparelho tinha sido aposentado.</p><p>Usara maquiagem e um bonito vestido de festa.</p><p>Branco, naturalmente. Dolores soubera vestir a</p><p>filha de branco, a cor fazendo-a parecer um</p><p>lindo anjo. Infelizmente, um anjo sexy também.</p><p>Ainda assim, Sergio tivera certeza de que ela</p><p>ainda era virgem. Dolores teria se certificado</p><p>daquilo.</p><p>Assim, ele ficara perplexo quando ela se</p><p>aproximara e exigira um beijo de aniversário.</p><p>– Você vai ter que fazer isso – disse, sem o</p><p>menor indício de flerte. – Uma garota tem que</p><p>ser beijada no aniversário de dezesseis anos e</p><p>você é o único homem aqui, além de papa. E ele</p><p>não conta.</p><p>Sergio não estivera pronto para o efeito que</p><p>sentiu quando ela se colocou na ponta dos pés e</p><p>pressionou os lábios contra os dele. Por uma</p><p>fração de segundo, ele se sentira tentado a</p><p>puxá-la para si, a abrir-lhe os lábios inocentes</p><p>com a língua. Ele certamente não era inocente</p><p>aos vinte e um anos, não depois de dois anos e</p><p>meio na universidade. Mas resistira à tentação</p><p>bem a tempo, mantendo o beijo platônico, o</p><p>que desapontara Bella, a julgar por sua</p><p>expressão.</p><p>Bem, ela não era inocente agora, lembrou a si</p><p>mesmo ao se levantar e rumar para o banheiro.</p><p>Era tempo de parar de tomar banhos frios e</p><p>começar a ter o que sempre quisera.</p><p>Ou seja, Bella, em sua cama, à sua mercê.</p><p>CAPÍTULO 6</p><p>ENTUSIASMO E expectativa tomavam conta de</p><p>Bella à medida em que se aproximava da villa.</p><p>Não faltava muito agora, pensou ansiosa,</p><p>avistando trechos do lago através das árvores</p><p>altas.</p><p>De repente, não se sentia mais cansada,</p><p>enquanto um jato de adrenalina percorria suas</p><p>veias. Quando deixara o avião em Milão, estava</p><p>exausta, tendo conseguido apenas cochilar</p><p>brevemente entre as escalas.</p><p>Inacreditavelmente, esquecera seus</p><p>comprimidos para dormir, o que significaria</p><p>algumas noites insones.</p><p>A insônia era terrível. Bella detestava ficar se</p><p>A insônia era terrível. Bella detestava ficar se</p><p>revirando na cama a noite inteira. Detestava os</p><p>pensamentos negativos que a atormentavam</p><p>nessas ocasiões. A sensação de solidão, que</p><p>andava piorando nos últimos tempos. Ainda</p><p>assim, com um pouco de sorte, o ar fresco e a</p><p>mudança de cenário fariam o que nenhum</p><p>comprimido para dormir conseguia. Fariam</p><p>com que relaxasse. Com que resolvesse o que</p><p>realmente queria da vida. Porque,</p><p>sinceramente, não tinha mais certeza.</p><p>Houvera um tempo em que achara que</p><p>poderia ter tudo. Uma carreira empolgante e</p><p>desafiadora no palco, com um marido</p><p>apaixonado à espera nos bastidores para levá-la</p><p>para o adorável lar de ambos e dois filhos</p><p>felizes. Um menino e uma menina,</p><p>naturalmente. Nada a não ser perfeição no</p><p>mundo de sonhos dela.</p><p>Fora um choque para ela quando completara</p><p>trinta anos, na semana anterior, o fato de nem</p><p>sequer estar perto daquela existência ideal e de</p><p>não ter esperança de alcançá-la no futuro</p><p>próximo. Estava certo, ainda tinha uma carreira</p><p>empolgante e desafiadora. Mas não parecia</p><p>mais empolgante e desafiadora. Parecia</p><p>trabalho árduo.</p><p>Quanto à ideia de um marido apaixonado à</p><p>sua espera... Aquilo era mesmo um sonho! Um</p><p>homem daqueles simplesmente não existia.</p><p>Nenhum dos homens com quem se envolvera</p><p>se apaixonara por ela. Tinham sido egoístas,</p><p>arrogantes e somente a quiseram como uma</p><p>conquista, ou um símbolo de status, nunca</p><p>como esposa. E quanto a crianças... Bella sabia</p><p>que poderia ter um bebê se quisesse. Não era</p><p>necessário um marido para isso, nos últimos</p><p>tempos. Apenas um doador de esperma. Já</p><p>pensara a respeito, mas bem brevemente, pois a</p><p>ideia de ser mãe solteira não lhe exercera o</p><p>menor atrativo. Queria que seu filho, ou filhos,</p><p>tivessem tanto uma mãe quanto um homem</p><p>que a amasse e apoiasse e que fosse um pai</p><p>dedicado.</p><p>– Estamos quase lá, signorina Cameron –</p><p>disse Luigi, o motorista, tirando-a de sua</p><p>introspecção.</p><p>– Sim, estou começando a reconhecer as</p><p>coisas. Já estive aqui antes. Mas faz muitos</p><p>anos.</p><p>– O Lago de Como não mudou. A própria</p><p>Itália não mudou muito.</p><p>– Não, isso faz parte do charme.</p><p>O carro entrou por um caminho de cascalho</p><p>familiar, parando diante de portões altos de</p><p>madeira no meio de um muro de pedra. Os</p><p>portões pareciam novos, o muro de pedra, não.</p><p>– O signor Morelli morreu no ano passado –</p><p>disse Luigi num tom grave, apontando um</p><p>controle remoto para o portão.</p><p>– Sim, eu sei. Fui ao funeral dele.</p><p>Luigi franziu o cenho para ela através do</p><p>espelho retrovisor.</p><p>– Você não é parente.</p><p>– Não. Sou apenas uma amiga.</p><p>– Ah. Sinto falta dele. Fui seu motorista</p><p>durante o último ano da vida dele. Era um bom</p><p>homem.</p><p>– Sim, era.</p><p>– O filho dele é um bom homem também</p><p>– Ele, com certeza, é – concordou Bella,</p><p>contente em deixar de lado o assunto da morte</p><p>de Alberto.</p><p>Ficou quase aliviada quando os portões</p><p>foram finalmente abertos e a atenção de Luigi</p><p>se concentrou em manobrar o carro luxuoso</p><p>pela entrada de veículos circular em torno de</p><p>uma imensa fonte de pedra. Quando criança,</p><p>ficara chocada com a nudez das três estátuas no</p><p>centro da fonte. Ainda achava a estátua do</p><p>homem desafiadora. Seus genitais eram</p><p>maiores que o normal, o que possivelmente</p><p>explicava as expressões admiradas nas duas</p><p>mulheres. O avô de Sergio, que estivera bem</p><p>quando ela passara as primeiras férias ali,</p><p>dissera que o modelo para a estátua do homem</p><p>havia sido um ancestral distante que construíra</p><p>a villa no século dezesseis. Um mito, dissera</p><p>Sergio naquele mesmo dia, explicando que a</p><p>villa fora um monastério na época e que os</p><p>Morelli só a haviam comprado no final do</p><p>século dezenove. A fonte, embora parecesse ter</p><p>séculos, fora acrescentada depois, construída</p><p>depois da Primeira Guerra Mundial.</p><p>– Você vai aprender, querida Izzie –</p><p>confessara Sergio com um sorriso irônico –,</p><p>que os italianos gostam de contar vantagem.</p><p>Bella sorriu diante da lembrança. Sergio, por</p><p>sua vez, não parecia ter a necessidade de</p><p>impressionar os outros. Algumas pessoas</p><p>teriam alardeado aos quatro ventos o fato de</p><p>estarem tendo uma estrela da Broadway como</p><p>convidada em sua casa. Mas não Sergio. Ele</p><p>insistira para que não dissesse a ninguém aonde</p><p>estava indo, nem mesmo à mãe.</p><p>O que era perfeito para Bella. A paz e a</p><p>privacidade eram suas prioridades no</p><p>momento. Perguntou-se, porém, se ele falara a</p><p>Maria de sua vinda.</p><p>Ainda se fazia a pergunta, quando o carro</p><p>parou na entrada dos fundos da villa e a</p><p>própria mulher saiu por uma das pesadas</p><p>portas de ferro. O sorriso de boas-vindas dela</p><p>respondeu a sua pergunta instantaneamente.</p><p>O ânimo de Bella se renovou ao vê-la. Ora,</p><p>Maria não mudara nada! Estava um pouco</p><p>mais robusta, talvez, mas ainda tinha aquele</p><p>maravilhoso rosto feliz, lustrosos cabelos</p><p>negros e alegres olhos escuros. Quando Maria</p><p>desceu rapidamente a escada e abriu os braços,</p><p>Bella saiu do carro direto para o abraço mais</p><p>caloroso que já recebera em anos.</p><p>– Oh, é tão bom ver você, Dolores!</p><p>Bella quase riu. Bem a tempo, manteve uma</p><p>expressão imperturbável, entendendo que</p><p>aquilo era por causa de Luigi. Evidentemente,</p><p>Maria sabia muito bem quem ela era, apesar da</p><p>peruca ruiva e dos óculos escuros que usava</p><p>como disfarce.</p><p>Ela esperou pacientemente enquanto Luigi</p><p>carregava sua bagagem para dentro e, depois,</p><p>lhe agradeceu e lhe deu uma generosa gorjeta.</p><p>Depois que ele se foi, tirou os óculos e a peruca</p><p>e sacudiu o cabelo loiro.</p><p>– Posso ser chamada de Bella agora? –</p><p>perguntou a Maria, que soltou o delicioso</p><p>risinho juvenil de que Bella se lembrava.</p><p>– Sì. Mas é permitido, agora que você é rica e</p><p>famosa?</p><p>Bella respondeu com zombeteira reprovação:</p><p>– Se começar com essa tolice, vou ter que</p><p>falar com o seu patrão. O que me faz lembrar...</p><p>onde está Sergio? Já chegou?</p><p>– Sì. Está ajudando Carlo com o jardim e a</p><p>piscina. Não sabíamos que Sergio iria passar</p>