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AULA 1 SISTEMAS ISO 9000 E AUDITORIAS DA QUALIDADE Prof.ª Michela Rossane Cavilha Scupino 2 TEMA 1 – QUALIDADE NAS ORGANIZAÇÕES Segundo Carvalho et al. (2005), a qualidade teria por finalidade a criação e consolidação de um diferencial competitivo para a organização, cujos objetivos estariam alinhados com os objetivos da organização. Os mesmos autores identificam que a Gestão da Qualidade moderna, paradoxalmente, recupera alguns atributos da época artesanal, como a busca da proximidade às demandas do cliente e maior customização (Carvalho et al., 2005). Ainda sobre qualidade, autores como Su et al. (2014) indicam que muitas organizações conseguem atingir altos níveis de qualidade; contudo, nem sempre se observa sua perenidade. A autora argumenta ainda sobre a questão de a qualidade não envolver apenas um alto nível de desempenho, mas também sustentar uma alta consistência de desempenho de qualidade. Entendem-se três capacidades que se distinguem nas empresas, quais sejam: 1. Meta-aprendizagem; 2. Detecção de sinais fracos; 3. Resiliência a interrupções de qualidade. Para Mas-Machuca et al. (2018), a gestão da qualidade em conjunto com a gestão do conhecimento e a cultura organizacional constituem recursos críticos para a vantagem competitiva sustentada da organização. Dessa forma, apenas a qualidade não seria suficiente, ainda que contribua para a eficácia organizacional. O alinhamento entre esses fatores é de suma importância para aumentar a eficácia geral da organização e fazê-la alcançar seus objetivos. Para Garvin (2002 apud Alves, 2017), a qualidade pode ser definida por meio de cinco abordagens; cada uma representaria os aspectos a seguir: • Transcendente: a excelência inata traduz qualidade, sendo interpretada como uma variável precisa e mensurável. Há pouca orientação prática; • Baseada no produto: refere-se aos atributos que o produto apresenta. Dessa forma, a melhor qualidade implicaria em maiores custos, ainda que nem sempre exista uma correspondência clara entre atributo e produto; • Baseada no usuário: é subjetiva, uma vez que está ligada às preferências e expectativas dos consumidores, tendo como dificuldade a identificação dos atributos correlacionada a essa subjetividade; 3 • Baseada na produção: a qualidade estaria atrelada a um grau de conformidade entre o planejado e o executado, sendo enfatizado o controle dos processos e estatísticas; • Baseada no valor: é composta pela excelência e pelo valor r; assim, custos e preços são os itens de relevância. Figura 1 – Abordagens da Qualidade TIPO CARÁTER DEFINIÇÃO TRANSCEDENTE FILOSÓFICO EXCELENCIA INATA, ALGO ABSOLUTO, RECONHECIDO POR TODOS BASEADA NO PRODUTO ECONÔMICO PRECISA, MENSURÁVEL E EXCLUSIVA DO PRODUTO. MAIS ATRIBUTOS, MAIOR A QUAL. BASEADA NO USUÁRIO SUBJETIVO PREFERÊNCIAS DO CLIENTE BASEADA NA PRODUÇÃO ENGENHARIA DA PRODUÇÃO CONFORMIDADE COM AS ESPECIFICAÇÕES, ASSOCIAÇÃO COM CUSTO BASEADA NO VALOR RELAÇÃO CUSTO X BENEFÍCIO DESEMPENHO ADEQUADO E PREÇO ACESSÍVEL Fonte: Elaborado com base em Garvin, 1984, citado por Martinelli, 2009. Há ainda a qualidade intrínseca e extrínseca: • Qualidade Extrínseca é aquela que cada pessoa ou cliente imagina ou percebe subjetivamente no produto/serviço; • Qualidade Intrínseca é aquela que cada pessoa ou cliente imagina ou percebe subjetivamente no produto/serviço. Refere-se à qualidade dos produtos ou dos serviços da organização. O cliente deseja receber um produto ou serviço de acordo com as especificações e dentro dos parâmetros prometidos. Exemplos de qualidade intrínseca são os manuais de veículos novos, as bulas de medicamentos, os manuais de produtos eletrônicos e os cardápios de restaurantes, pois o que neles está registra- fazer corresponde à função que o produto ou serviço deve cumprir. Em suma, qualidade intrínseca diz respeito às características inerentes aos produtos e/ou aos serviços prometidos para os clientes que os adquirem (Seleme, 2012). 4 TEMA 2 – PRINCÍPIOS DO GERENCIAMENTO DA QUALIDADE Para Carvalho e Paladini (2005), a Gestão pela Qualidade é uma ferramenta utilizada pelas empresas para a reorientação gerencial, a qual se baseia em pilares como: envolvimento de todos os membros da organização nos processos; decisão baseada em fatos e dados; e busca constante pela melhoria contínua. Conforme Deming (1990), os 14 pontos, que resumiriam o gerenciamento da qualidade, seriam: • 1º: para ser competitivo, desenvolva constância de propósitos focando na melhoria do produto e do serviço; • 2º: adote a nova filosofia. Foco na sensibilização para as responsabilidades e a liderança no processo de transformação, em que os níveis de erros, defeitos e materiais inadequados não compõem as organizações; • 3º: a inspeção não é considerada para alcançar a qualidade. Busca-se o melhoramento do processo; • 4º: elimine contratações focadas nos menores preços. O desenvolvimento de fornecedores e o relacionamento de longo prazo contribuem para a qualidade; • 5º: o sistema de produção e de serviços deve ser melhorado constantemente, de modo a melhorar a qualidade e a produtividade e reduzir custos; • 6º: implantação de treinamento atuais; • 7º: implantação de métodos de controle. A liderança deve focar na melhoria dos processos; • 8º: elimine o medo dos colaboradores; • 9º: a organização deve romper barreiras entre os setores internos formando equipes multidisciplinares; • 10º: elimine metas para a mão-de-obra que exijam nível zero de falhas e estabeleçam novos níveis produtividade de forma conjunta e colaborativa; • 11º: elimine padrões de trabalho (quotas). O foco em números, por vezes, atrapalha a qualidade; • 12º: remova as barreiras que privam o colaborador de se orgulhar de seu desempenho e trabalho; • 13º: institua um programa de treinamento continuado; 5 • 14º: engaje a organização na busca em implantar os 13 pontos; Conforme Seleme (2012), entre outros autores, há algumas ferramentas para gestão da qualidade: • Brainstorming: também conhecido como “tempestade de ideias”, consiste em uma ferramenta para coleta das percepções de diferentes interessados, sem a necessidade de uma estruturação fina da mensagem. Proporcionam trocas de ideias de forma dinâmica, buscando encontrar soluções, melhorias e/ou inovações. Alimentar a troca de ideias, complementar uma ideia com a outra, é a proposta; • Benchmarking: configura-se como uma ferramenta cuja base é a pesquisa para avaliar produtos, serviços métodos de trabalho, entre outros elementos com foco na melhoria do desempenho da organização. A procura de melhores práticas ajuda na escolha da melhor estratégia para a organização com base em exemplos práticos vivenciados por outras organizações; • 5S: são cinco princípios: Senso de Utilização, Organização, Limpeza, Saúde ou Melhoria Contínua, Autodisciplina. Trata-se de uma ferramenta revestida de um fator de grande importância que, além de implementar a ordem organizacional, eleva a capacidade de discernimento do indivíduo. De origem japonesa, os cinco sentidos foram traduzidos para a língua portuguesa para aplicação nas fábricas, nos escritórios e em outros sistemas produtivos. O primeiro determina que sejam fornecidos aos funcionários os conhecimentos necessários para que haja o discernimento entre o que é útil ao seu trabalho e o que não é. O segundo implica nos elementos e ações focarem no local, possibilitando um senso ordenado e estruturado na prática de suas atividades. O terceiro corresponde ao senso de limpeza e traduz a primeira condição visível nos setores produtivos, permitindo o monitoramento dos elementos que, ao se mostrarem sujos, indicam problemas. O quarto S implica na busca da melhor organização e da mais eficiente limpeza. O quinto S propõe que o colaborador tragapara si próprio a postura do cotidiano de trabalho obtida com os 4 S anteriores; • PDCA: como um dos elementos mais difundidos em gestão da qualidade, o ciclo PDCA propõe uma transformação direcionada à melhoria continuada e ao controle da qualidade total. 6 TEMA 3 – CRIANDO UMA CULTURA DA QUALIDADE Pereira (2020) elaborou um compêndio de vários autores que tratam de cultura organizacional, definindo-a como: A cultura organizacional é a estrutura básica da organização e o significado destes elementos na organização é alcançado através dos efeitos de socialização entre o indivíduo e o grupo, e encontra o seu alicerce na história coletiva da organização, assim como nas mais variadas facetas da sua atividade (Hofstede et al. 1990; Denison 1996; Davies et al. 2000). A cultura organizacional é definida como um conjunto de normas, crenças e valores compartilhados pelos membros da organização (Cameron; Quinn, 1999; Stock et al. 2007). Isso é apresentado por Rad (2006), a cultura organizacional consiste nas crenças, valores, normas, costumes e práticas da organização (Ott, 1989) e que são compreendidas e aceitas pelos membros da organização. Segundo Maull et al. (2001), uma definição amplamente aceita de cultura é fornecida por Schein (1984) "O padrão de suposições básicas que um determinado grupo inventou, descobriu ou desenvolveu ao aprender a lidar com seus problemas de adaptação externa e integração interna, e que funcionou bem o suficiente para ser considerado válido e, portanto, ser ensinado a novos membros como a maneira correta de perceber, pensar e sentir em relação a esses problemas" (...) No entanto, a cultura organizacional tem um conceito amplo e os autores Long e Fahey (2000) reforçam a ideia que a cultura organizacional implica em diferentes níveis, tais como valores, regras e práticas. É a cultura organizacional que transmite aos stakeholders as percepções e os símbolos que se traduzem na imagem corporativa (Nassar, 2000; Sousa, 2011). O mesmo autor conclui que a cultura organizacional é a base para a construção de outros requisitos organizacionais como o clima organizacional; esses requisitos, por sua vez, são diretamente relacionados os enfoques da organização (Pereira, 2020). Entende-se que as organizações possuem então, cada qual, o seu formato de trabalho, atitudes e liderança, que influenciarão nos sistemas de gestão de qualidade a serem implantados. A cultura organizacional reflete diretamente na iniciativa da qualidade, e, por ser intrínseca, a organização é de difícil mudança. Por isso, entender a cultura é fundamental para o sucesso do processo de gestão da qualidade. Mintzberg (2009), ainda que não se refira à cultura organizacional diretamente, estruturou um mecanismo de coordenação baseado em cinco estruturas, no qual as organizações parecem coordenar os trabalhos, quais sejam: A) Ajustamento mútuo: a coordenação do trabalho é obtida pelo processo de comunicação informal. Em razão de ser um mecanismo de coordenação simples, algumas atividades são exercidas, inicialmente, sem muita certeza, sendo o conhecimento desenvolvido à medida que o trabalho é 7 realizado. Sendo assim, a organização dependeria da habilidade de adaptação mútua; B) Supervisão Direta: baseada na evolução da organização, a supervisão assume a coordenação, tendo uma pessoa como responsável, organizando e monitorando os processos e serviços; C) Padronização: os processos de trabalho passam a ser padronizados quando o conteúdo do trabalho é especificado ou programado. Há um planejamento antes da execução. Pode ser aplicada a todos os níveis da organização; D) Outputs padronizados: os processos, além de padronizados, possuem especificações. A coordenação organiza as atividades com foco no crescimento; E) Padronização das habilidades: dá-se por meio de treinamento exigido para o desempenho do trabalho especificado. As organizações preparam o colaborador em programas de profissionalização. A proposição do autor, ainda que estruturada na década de 80/90, representa o pensamento e estruturação de algumas organizações, especialmente aquelas cujo relacionamento não é tão exigente. As grandes organizações cada vez mais buscam estabelecer uma cultura organizacional focada nos preceitos de qualidade similares aos que a ISO se propõe. Assim, as normas especificam requisitos para um sistema de gestão, incluindo o de qualidade, quando uma organização necessita (ABNT, 2015a): A) Demonstrar a capacidade para prover consistentemente produtos e serviços que atendam aos requisitos do cliente e requisitos estatutários e regulamentares aplicáveis; B) Aumentar a satisfação do cliente por meio da aplicação eficaz do sistema, incluindo processos para melhoria do sistema e para a garantia da conformidade com os requisitos do cliente, e com os requisitos estatutários e regulamentares aplicáveis. Chatterjee et al. (2018 citado por Pereira, 2020) correlacionam o tipo de cultura da organização com às percepções da organização, existindo organizações flexíveis, mais favorável do que organizações estáveis. Os autores Prajogo e McDermott (2005) indicam que vários fatores são atribuídos como determinantes do sucesso das organizações. Dentre eles, a 8 cultura organizacional é um dos principais. Porém, é preciso distinguir as práticas de qualidade e cultura organizacional. O primeiro é um modelo de gestão que visa atender às necessidades do cliente e expectativas dentro de uma organização por meio da melhoria contínua da qualidade de bens e serviços e integrando todas as funções e processos dentro de uma organização (Prajogo e McDermott, 2005). O segundo é definido como o padrão geral de mentalidades, crenças e valores que os membros da organização compartilham, e que moldam os comportamentos, práticas e outros artefatos da organização, configurando-se como uma explicação variável que distingue uma organização de outra (Prajogo e McDermott, 2005). Ao discutir a abordagem universalista e pluralista, Prajogo e McDermott (2005) estabelecem que a primeira vê a qualidade como resultado de uma cultura organizacional simples, em que o envolvimento das partes envolvidas na organização são pré-requisitos para uma gestão de qualidade de sucesso. A segunda coloca a gestão como multidimensional cujos princípios, práticas e técnicas, bem como as características da organização, são fundamentais para a gestão da qualidade. A norma ISO 9.001 (ABNT, 2015a), ainda que não trate diretamente sobre cultura organizacional da empresa, indica que a organização deve estabelecer, implementar, manter e melhorar continuamente um Sistema de Gestão de Qualidade, incluindo os processos necessários e suas interações, envolvendo: a) Determinar as entradas requeridas e as saídas esperadas desses processos; b) Determinar a sequência e interação desses processos; c) Determinar e aplicar os critérios e métodos (incluindo monitoramento, medições e indicadores de desempenho e relacionados) necessários para assegurar que a operação e o controle eficazes desses processos; d) Determinar os recursos necessários para esses processos e assegurar a sua disponibilidade; e) Atribuir as responsabilidades e autoridades para esses processos; f) Abordar os riscos e oportunidades; g) Avaliar esses processos e implementar quaisquer mudanças necessárias para assegurar que esses processos alcancem seus resultados pretendidos; h) Melhorar os processos e o sistema de gestão da qualidade. 9 TEMA 4 – NORMAS E CERTIFICAÇÕES Entende-se por normas técnica os requisitos/procedimentos/regras criados por uma instituição acreditada, que são necessários para determinada organização se enquadrar em um padrão. Nesse contexto, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é o Foro Nacional de Normalização. As Normas Brasileiras, cujo conteúdo é de responsabilidadedos Comitês Brasileiros (ABNT/CB), dos Organismos de Normalização Setorial (ABNT/ONS) e das Comissões de Estatutos Especiais (ABNT/CEE), são elaboradas por Comissões de Estudo (CE), formadas pelas partes interessadas no tema objeto da normalização (ABNT, 2015a). As certificações, por sua vez, referem-se ao atendimento dos requisitos de determinada Norma. Elas visam à padronização de produtos e serviços, assegurando a qualidade e a excelência, desde a produção até a entrega para os seus clientes. A escolha da norma adequada para a organização depende de fatores internos e externos à organização, conforme segue: • Internos: cultura (normas técnicas ou com elementos de gestão), requisitos internos, tipos de produtos ou serviço, integração com sistemas de gestão, maturidade da organização; • Externos: necessidades de acreditação (obrigatoriedade ou ação voluntária), mercado e clientes (exigência do mercado, competitividade) e valores (custo para certificação e manutenção da Norma). Conforme o INMETRO1, a certificação pode ser voluntária ou compulsória, a depender dos instrumentos que regem os produtos e serviços da organização (Figura 2), sendo que: • Certificações voluntárias são aquelas em que a empresa define se deve ou não certificar o seu produto e, de acordo com o disposto em uma norma técnica, fazer uso dos benefícios que identifiquem que essa certificação pode trazer ao seu negócio; 1 Disponível em: <http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:rvRBXJfgRxUJ:www.inmetro.gov.br/qualidade/i aac/certifique-seu-produto.asp+&cd=11&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br>. 10 • Certificações compulsórias são aquelas em que um regulamento determina que a empresa só pode produzir/comercializar um produto depois que ele estiver certificado. Figura 2 – Certificação Voluntária ou Compulsória Fonte: Elaborado com base em Inmetro. S.d. A obrigatoriedade do produto pode ser determinada por uma lista de produtos abrangidos pelo Programa de Avaliação da Conformidade desenvolvidos pelo Inmetro. TEMA 5 – PRINCIPAIS CERTIFICAÇÕES NO BRASIL Diferentes certificações são disponibilizadas e atuam no Brasil. Antigamente, o sistema responsável era o SBC (Sistema Brasileiro de Certificação), que passou a ser denominado como SBAC – Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade (Portaria Inmetro n. 193/2010). Assim, a certificação acaba por ser o resultado positivo em uma avaliação de conformidade alinhada aos preceitos de determinada norma. As normas ISO são as principais certificações vinculadas à qualidade. Paralelamente a elas, há diferentes certificações em diferentes setores da economia. Destacam-se as certificações florestais, tal como descrito a seguir. A certificação florestal é definida pelo SNIF (Sistema Nacional de Inventário Florestal) como o processo pelo qual algumas empresas se submetem voluntariamente para atestar que seus produtos seguem um determinado padrão de qualidade, baseando-se nos três pilares da sustentabilidade: Ecologicamente Correto, Socialmente Justo e Economicamente Viável, além de cumprir todos os requisitos da legislação vigente. 11 A especificidade da certificação florestal exige que o reconhecimento dos padrões sustentáveis de determinado produto não abranja somente a produção final, mas também todas as características de seu processo produtivo, em que, por meio de um método, com critérios e padrões definidos, habilita a empresa a portar um selo de reconhecimento, o qual assegura que essa cumpre aos requisitos de um manejo florestal sustentável. É o meio de garantia que o produto ao qual o consumidor está adquirindo segue as séries de exigência que aquele selo determina. É a maneira mais eficiente de assegurar a manutenção das florestas e a responsabilidade da empresa com o desenvolvimento social e econômico, garantindo a sustentabilidade da produção. As organizações em sua maioria buscam colher benefícios utilizando os selos de certificação. Ometto (2010) elenca entre os motivos benéficos desse para as empresas e sociedade: • Aumenta as informações para escolha do consumidor; • Motiva os produtores a adotar práticas socialmente justas e ambientalmente corretas, premiando as empresas com uma marca lucrativa; • Aumenta a produtividade, na redução do desperdício de matéria-prima, energia e homens-horas; • Incentiva a construção de relações mais sólidas com fornecedores, clientes, comunidade, governos, trabalhadores e outros públicos de interesse; • Ajuda na visibilidade e consequente obtenção de crédito; • Garante a fidelidade de consumidores engajados; • Fortalece a relação com clientes empresariais que cada dia mais exigem estes tipos de produtos; • Permite às empresas se diferenciarem no mercado Das possíveis consequências negativas que a certificação carrega consigo, Ometto (2010) sintetiza como principais: • Alto Custo para sua obtenção; • Possibilidade de enganar o consumidor ao não deixar explícita a função do selo ou seu objetivo; • Criar barreiras comerciais entre os países. 12 O sistema da FCS, atualmente, é o maior certificador florestal no mundo. Atua com pioneirismo dentro da missão de estabelecer padrões de manejo florestal sustentável, além de criar critérios de sustentabilidade para as certificadoras ao redor do mundo. O FSC não é quem certifica os manejos florestais; porém, é o responsável por credenciar as empresas que realizarão o trabalho, contando com uma vasta rede de cooperação ao redor do mundo e escritórios regionais em diversos países onde são debatidos e submetidos por meio de consultas a ONGs, instituições privadas e públicas e representantes da sociedade civil e impactados pelas operações florestais ao redor do mundo, adequando programas ao contexto e especificidade de cada país. O manejo florestal diz respeito a boas práticas de gestão florestal, e pode ser concedida em duas modalidades diferentes: certificação individual ou em grupo. A certificação individual trata de uma única unidade de manejo florestal gerida por um empreendimento. A certificação em grupo é uma alternativa que busca aumentar o acesso dos pequenos proprietários em que um grupo de produtores, organizados em cooperativas ou associações, são certificados. Conforme o FSC Brasil2, atualmente, são 10 princípios que regem o manejo florestal responsável ao redor do mundo: • Princípio 1: Conformidade com as leis e Princípios do FSC; • Princípio 2: Posse e Direitos e Responsabilidades de Uso; • Princípio 3: Direitos dos Povos Indígenas; • Princípio 4: Relações Comunitárias e Direitos dos Trabalhadores; • Princípio 5: Benefícios da Floresta; • Princípio 6: Impacto Ambiental; • Princípio 7: Plano de Manejo; • Princípio 8: Monitoramento e Avaliação; • Princípio 9: Manutenção de Florestas de Alto Valor de Conservação; • Princípio 10: Plantações. A outra estrutura de certificação florestal de grande relevância dentro do país, assim como o FSC, é o selo do CERFLOR. O Programa Brasileiro de Certificação Florestal tem como órgão executivo central o Instituto Nacional de 2 Disponível em: <https://br.fsc.org/pt-br/polticas-e-padres/princpios-e-critrios/os-10-princpios>. Acesso em: 28 jan. 2022. 13 Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). O Inmetro, autarquia federal vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) é o Organismo acreditador oficial do Governo Brasileiro e o gestor de programas de avaliação da conformidade, incluindo o Cerflor (Inmetro, 2019). A estruturação das certificações que são validadas pelo selo Cerflor não difere de categorias do selo FSC: Manejo Florestal e Cadeias de Custódias. Tanto o Inmetro/Cerflor quanto o FSC não são entidades certificadoras, mas sim responsáveis por creditar certificadoras, elaborando padrões e critérios de avaliaçõesao quais as empresas voluntariamente se submetem. A sistemática adotada é semelhante aos dois sistemas em que cada empresa atua dentro do escopo de manejo florestal e da cadeia de custódia. 14 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR ISO 14001:2015. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2015b. _____. ABNT NBR ISO 45001:2018. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2018 _____. ABNT NBR ISO 9001:2015. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2015a. CARVALHO, M. M. et al. Gestão da qualidade: teoria e casos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. CERFLOR: Certificação Florestal. INMETRO. Disponível em: <http://www.inmetro.gov.br/qualidade/cerflor.asp>. Acesso em: 28 jan. 2022. CHARLET, L. The ISO Survey. International Organization for Standardization. Disponível em: <https://www.iso.org/the-iso-survey.html>. Acesso em: 28 jan. 2022. CHAVES, S.; CAMPELLO, M. A qualidade e a evolução das normas série ISO 9000. 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