Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

<p>AULA 1</p><p>DESENVOLVIMENTO</p><p>NEUROPSICOMOTOR E</p><p>APRENDIZAGEM</p><p>Prof. Everton Adriano de Morais</p><p>2</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Em primeiro lugar, seja bem-vindo à primeira aula da disciplina de</p><p>Desenvolvimento Neuropsicomotor e Aprendizagem. O objetivo é relacionar a</p><p>motricidade ao processo do aprender e apreender o conhecimento. A construção</p><p>das aulas será por meio de apresentação de temas como estruturas biológicas</p><p>envolvidas, interações sociais, díades como pais-filhos, professores-alunos,</p><p>educadores-educandos etc. A relação dos temas sempre será voltada a</p><p>aprendizagem no sentido de métodos e meios de absorver, reorganizar, assimilar</p><p>e adaptar informações.</p><p>O desenvolvimento humano tem diversas particularidades que trazem</p><p>complexidades em cada faixa etária, e, por esse motivo, existe uma necessidade</p><p>de analisar minuciosamente cada fase, desde o nascimento até a velhice. O</p><p>comportamento motor, por exemplo, tem suas singularidades na infância quanto</p><p>a reflexos, andar, correr, movimentos de coordenação motora fina, que, por sua</p><p>vez, exigem diversos processos cognitivos, como coordenação visomotora,</p><p>atenção, processos controlados e automatizados. Já na fase da velhice, esses</p><p>comportamentos podem apresentar deterioração e comprometer o funcionamento</p><p>de novas rotas de aprendizagem.</p><p>Desta forma, a meta a ser alcançada nesta aula é proporcionar a você</p><p>compreender o desenrolar e a interdependência de cada momento, sistema e</p><p>função do desenvolvimento neuropsicomotor.</p><p>CONTEXTUALIZANDO</p><p>Qual é a relação da motricidade com os processos do pensamento? O</p><p>comportamento motor tem, diretamente, uma relação com as emoções, a</p><p>afetividade, o social? A resposta assertiva para essas questões é sim. O motivo</p><p>que se pode investigar é que há uma interligação do pensar e da efetividade</p><p>motriz. Para Wallon (Fonseca, 2008, p.15-16), a motricidade corresponde à</p><p>primeira sequência paralela e simultânea que é criada estruturalmente</p><p>relacionada com o meio,e é considerada um instrumento essencial dos processos</p><p>de pensamento e suas interações com a vida de um modo geral.</p><p>Outro ponto importante também citado por Fonseca (2008, p. 16-17) são</p><p>as fases de maturação biológica referentes ao movimento e ao pensamento,</p><p>desde os meses iniciais de vida, bem como na primeira fase do bebê na qual ele</p><p>3</p><p>passa de deitado para sentado. Posteriormente, ele evolui do sentar para o</p><p>engatinhar, em seguida para o andar e o correr, mas isso ocorre de acordo com a</p><p>maturação e o envolvimento do ser junto ao meio social, ou seja, há uma demanda</p><p>do ambiente por meio da influência de outros humanos ou até mesmo de</p><p>estímulos relacionados a objetos, como brinquedos, roupas e outros acessórios,</p><p>uma vez que a criança procura se relacionar com os objetos, o que é uma</p><p>sociointeração, e, assim, tem construções de pensamento. A patir disso, tem uma</p><p>maturação de outros processos cognitivos, como linguagem, memória, atenção,</p><p>percepção, planejamento etc.</p><p>Conforme comentado anteriormente, Wallon (Fonseca, 2008, p. 19-20)</p><p>demostrava enorme interesse sobre o comportamento motriz e sua relação com</p><p>desenvolvimento, estrutura e maturação das crianças. Além disso, é considerado</p><p>um dos primeiros autores na Europa a relacionar a funcionalidade</p><p>neuropsicológica e a função tônica, esta corresponde ao comportamento motor.</p><p>O mais interessante é que esse autor não apenas relacionava isso a motricidade,</p><p>mas a afetividade e a aprendizagem humana. Dado esse enfoque no</p><p>desenvolvimento humano referente a motricidade, tem-se uma prévia dos</p><p>conteúdos que serão trabalhados no decorrer desta aula.</p><p>TEMA 1 – DESENVOLVIMENTO NEUROPSICOMOTOR E O APRENDIZADO EM</p><p>DIVERSOS CONTEXTOS</p><p>Conforme visto anteriormente, na introdução da aula, o desenvolvimento</p><p>motor tem uma relação intimamente produzida junto aos pensamentos. No caso</p><p>dos seres humanos, entende-se que a todo momento, praticamente, há situações</p><p>e condições em que é possível a obtenção de aprendizagem. Desde o</p><p>nascimento, quando uma criança abre o olho e chega a este mundo, existe uma</p><p>exigência de aprender em todos os âmbitos. Novos conhecimentos são adquiridos</p><p>todos os dias – falar, brincar, mamar, o abrir e o fechar das mãos e outros</p><p>infindáveis exemplos. O fato é como isso ocorre, qual é a explicação minuciosa</p><p>para tal fenômeno. Para Henry Wallon, autor já mencionado na introdução desta</p><p>aula, o desenvolvimento psicomotor parte de uma sequência de comportamentos</p><p>ocasionados pela maturação que variam de indivíduo para indivíduo, mas que, em</p><p>sua essência, são produzidos por todos os seres humanos.</p><p>As características desse desenvolvimento envolvem uma sequência</p><p>progressiva de ações, das mais reflexas até as mais reflexivas, que são: reflexos</p><p>4</p><p>(que são marcados mais por impulsividade), emoções (estágio que o autor cita e</p><p>que faz relação com o tônus, um dos responsáveis pela motricidade), posturas</p><p>(hábitos), eu corporal (coordenação e lateralização), símbolos (conflitos e relação</p><p>do indivíduo com o outro), praxias (classificações e categorias) e, por último,</p><p>reflexão (mudanças e valores). Para ilustrar as informações, segue uma</p><p>explicação gráfica de como isso ocorre, de acordo com Wallon:</p><p>Figura 1 – Quadro gráfico descritivo do desenvolvimento psicomotor (Wallon)</p><p>Fonte: Wallon, S.d.</p><p>Quando se traz a questão da motricidade relacionada ao neuropsicomotor,</p><p>tem-se por investigação estruturas biológicas envolvidas, as quais fazem parte do</p><p>sistema nervoso e regem tal funcionamento. O cerebelo, estrutura do encéfalo</p><p>que está localizada na parte posterior e abaixo do cérebro, tem uma grande</p><p>responsabilidade na automatização e no controle do equilíbrio. Outro ponto</p><p>importante a essa ligação neurológica é o funcionamento das vísceras e o</p><p>comportamento motor: elas provocam reações interoceptivas que correspondem</p><p>a o que é interno do organismo, isso controlado pelo sistema nervoso, tendo como</p><p>uma das estruturas mais importantes o bulbo, que controla os ciclos vitais. No</p><p>decorrer do desenvolvimento, isso segue uma maturação que aprimora os</p><p>movimentos (Fonseca, 2008, p.21).</p><p>Crescimento, maturação e aprimoramento psicomotor têm como premissa</p><p>a relação do ser com o outro, e isso corresponde a uma gama de constructos</p><p>desenvolvidos a partir de interações sociais e funcionais do aprender, conhecer e</p><p>saber. Segundo Fernandes (2012, p. 1-5), o comportamento motriz passa por sua</p><p>construção por meio de interações sociais. A motricidade tem uma relação direta</p><p>5</p><p>com os processos de pensamento e produz um resultado de práxis, significado e</p><p>afetividade. Todavia, pode-se dizer que o aprender está ligado a diversos</p><p>contextos, e em cada um deles existe uma particularidade expressada. Não se</p><p>deve apenas considerar bases biologicistas ou de pensamentos, mas o âmbito de</p><p>interações sociais, estas também responsáveis na construção motriz.</p><p>TEMA 2 – ASPECTOS NEUROBIOLÓGICOS DO COMPORTAMENTO MOTOR</p><p>Os aspectos neurobiológicos do comportamento motor têm interação com</p><p>diversas estruturas cerebrais, que agem de forma modular entre si para produzir</p><p>ação e funcionalidade. É importante comentar algumas características, por</p><p>exemplo: antes da execução de um determinado movimento, há uma série de</p><p>sequências que acontecem. Inicia-se um planejamento, ainda que talvez não seja</p><p>refinado e aprimorado, mas que pode ser também bem estruturado. Em seguida,</p><p>há uma integração entre estrutura musculoesquelética, respiração, batimento</p><p>cardíaco, coordenação e organização. Por último, efetiva-se a execução do</p><p>movimento em si. Para que toda essa ação ocorra, há uma sistematização</p><p>coordenada pelas áreas cerebrais do lobo frontal.</p><p>De acordo com Kandel et al. (2014, p. 355-356), a organização estrutural</p><p>do movimento segue uma sequência biológica em nível de sistema nervoso. Esta</p><p>é controlada a partir do envolvimento direto do lobo frontal, seguindo uma série</p><p>imaginação e potencializar a criatividade. Com</p><p>isso, suas capacidades e habilidades cognitivas tendem a se aprimorar e o</p><p>funcionamento biológico e o processo maturacional do córtex tendem a</p><p>aperfeiçoar funções, como atenção, memória, linguagem etc.</p><p>Outrossim, entende-se que a aprendizagem tem uma ligação direta com a</p><p>motricidade, pois os seres humanos constroem atividades, criam e montam</p><p>histórias – cheias de intenções – que partiram de sua interação social-cultural;</p><p>mediante isso, aplicam esses contextos no seu dia a dia, tanto no âmbito</p><p>educacional quanto em outro meio social. A regulação e a coordenação desses</p><p>processos levam ao aprimoramento da inter-relação dos processos de</p><p>funcionamento interno e externo no aprender.</p><p>12</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>Texto de abordagem teórica</p><p>BORGES, S. de M. et al. Psicomotricidade e retrogênese: considerações sobre o</p><p>envelhecimento e a Doença de Alzheimer. Revista de Psiquiatria Clínica, v. 37,</p><p>n. 3, p. 131-137, 2010. Disponível em:</p><p><https://www.scielo.br/j/rpc/a/hP88GYvFQnGcgJ39qctcCwC/?lang=pt>. Acesso</p><p>em: 10 ago. 2021.</p><p>Texto de abordagem prática</p><p>GOMES, J. A. D. G. Construção de coordenadas espaciais, psicomotricidade</p><p>e desempenho escolar. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade de</p><p>Campinas, Campinas, 1998. Disponível em:</p><p><http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/252617>. Acesso em: 10</p><p>ago. 2021.</p><p>Saiba mais</p><p>OLIVEIRA, G. C. Configuração cognitiva de crianças com dificuldades de</p><p>aprendizagem em função de uma avaliação escrita de língua portuguesa. Pro-</p><p>posições, v. 5, n. 1, p. 7-20, 1994. Disponível em:</p><p><https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/proposic/article/view/8644322>.</p><p>Acesso em: 10 ago. 2021.</p><p>13</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALMEIDA, A. C. P. C. de; SHIGUNOV, V. A atividade lúdica infantil e suas</p><p>possibilidades. Journal of Physical Education, v. 11, n. 1, p. 69-76, 2008.</p><p>Disponível em: <http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/RevEducFis/article/v</p><p>iew/3793/260>. Acesso em: 19 jun. 2018.</p><p>FONSECA, V. da. Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem. Porto</p><p>Alegre: Artmed, 2008.</p><p>FORTUNA, T. R. Sala de aula é lugar de brincar? In: XAVIER, M. L. M.; DALLA</p><p>ZEN, M. I. H. (Org.). Planejamento em destaque: análises menos convencionais.</p><p>Porto Alegre: Mediação, 2000, p. 147-164. (Cadernos de Educação Básica, 6).</p><p>GAZZANIGA, M.; HEATHERTON, T.; HALPERN, D. Ciência psicológica. Porto</p><p>Alegre: Artmed, 2018.</p><p>MORAES, S.; MALUF, M. F. de M. Psicomotricidade no contexto da</p><p>neuroaprendizagem: contribuições à ação psicopedagógica. Revista</p><p>Psicopedagogia, v. 32, n. 97, p. 84-92, 2015. Disponível em:</p><p><http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-</p><p>84862015000100009>. Acesso em: 19 jun. 2018.</p><p>MURTA, A. M. G. et al. Cognição, motricidade, autocuidados, linguagem e</p><p>socialização no desenvolvimento de crianças em creche. Journal of Human</p><p>Growth and Development, v. 21, n. 2, p. 220-229, 2011. Disponível em:</p><p><http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0104-</p><p>12822011000200005>. Acesso em: 19 jun. 2018.</p><p>VYGOTSKY, L S. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2008.</p><p>AULA 4</p><p>DESENVOLVIMENTO</p><p>NEUROPSICOMOTOR E</p><p>APRENDIZAGEM</p><p>Prof. Everton Adriano de Morais</p><p>2</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Seja bem-vindo(a) à nossa quarta aula. Nela discutiremos sobre</p><p>neuropsicomotricidade e algumas fases do desenvolvimento humano, também</p><p>abordando o tema do comportamento motor e suas disfunções: Quando e como</p><p>elas acontecem? Como lidar com situações como, por exemplo, os transtornos de</p><p>coordenação? Qual deve ser a postura dos educadores nesse caso?</p><p>O objetivo desta aula é nortear o aluno no que tange ao tópico do</p><p>desenvolvimento motor e sua relação junto aos processos do pensamento desde</p><p>a infância até a velhice. As aulas anteriores nos deram a visão de como o ser</p><p>humano constrói o processo de maturação e elaboração do comportamento</p><p>motor, elucidando quais as estruturas biológicas envolvidas, os principais autores</p><p>relacionados a esse tema e a interação com o meio social. Nesta aula, é</p><p>importante falar sobre como o funcionamento desse comportamento ocorre nas</p><p>fases da vida de um indivíduo.</p><p>CONTEXTUALIZANDO</p><p>Quando se fala em desenvolvimento, diversos são os aspectos e fatores</p><p>envolvidos: social, familiar, escolar, biológico, filogenético, ontogenético, afetivo,</p><p>cognitivo etc. Há inúmeras situações que contribuem para o desenvolvimento. A</p><p>fase da infância é caracterizada como uma das mais importantes no que se refere</p><p>a esse tema, pois, nela, diversas habilidades e aptidões podem contribuir para as</p><p>próximas fases. O comportamento motor é um dos grandes responsáveis pela</p><p>interação do homem, pelas construções cognitivas e pelo aprimoramento dessas.</p><p>A aprendizagem de tarefas complexas e funcionais, como dançar, praticar</p><p>esportes, dirigir, entre outras, envolve diretamente a motricidade (Neto et al.,</p><p>2008, p. 46-470).</p><p>E quando há uma dificuldade quanto a esse desenvolvimento? Como lidar</p><p>com isso? Qual postura a ser seguida? Os educadores que investem na educação</p><p>de forma holística, entendendo que o processo motriz não corresponde apenas</p><p>ao movimento musculoesquelético, mas a outras situações do aprender (como ler,</p><p>escrever e até mesmo calcular), acreditam ser possível cuidar e até mesmo</p><p>prevenir algumas dificuldades apresentadas. O fato de não haver um bom</p><p>desenvolvimento neuropsicomotor, por exemplo, pode influenciar diretamente na</p><p>alfabetização, na linguagem oral e na escrita, pois há uma integração entre esses</p><p>3</p><p>processos: havendo falha em um, os demais poderão ser afetados (Neto et al.,</p><p>2008, p. 47-50).</p><p>TEMA 1 – NEUROPSICOMOTRICIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTOJUVENIL:</p><p>UM PREPARO PARA AS DEMAIS FASES DO DESENVOLVIMENTO</p><p>A infância corresponde a uma fase de aprendizagem, preparo e maturação</p><p>para as demais fases do desenvolvimento. Cada particularidade é de extrema</p><p>importância para a criança – linguagem, relacionamento interpessoal, afetividade,</p><p>processos psicológicos, entre outras –, e isso se dá desde o nascimento, quando</p><p>acontecem os primeiros contatos com o meio, promovendo estímulos visuais,</p><p>auditivos, tátil-cinestésicos etc. O comportamento motor é uma forma de se</p><p>relacionar com o mundo com base no movimento, fornecendo o fundamento para</p><p>a articulação da fala, o preparo para coordenação motora e a elaboração de</p><p>movimentos controlados e automatizados (Rolim et al., 2008, p. 176-179; Sandril</p><p>et al., 2009, p. 34-36).</p><p>Por meio dessa explanação inicial, pode-se entender que a</p><p>psicomotricidade está presente desde os primeiros dias de vida: o movimento em</p><p>si é incentivado a todo instante. Uma das premissas importantes na construção</p><p>psicomotora da criança é o conhecimento do próprio corpo – quais os limites,</p><p>como se desenvolve. Esse “conhecer” ocorre por meio de práticas físicas e de</p><p>atividades educacionais estimuladas pelo meio e por outras pessoas, bem como</p><p>por pais, educadores, professores e familiares de um modo geral. Todas essas</p><p>funcionalidades são executadas por uma formação global, e podem até ser</p><p>consideradas uniformes.</p><p>Na infância, esse processo se dá pelo aprender contínuo de novos</p><p>movimentos executados, seja pegar um brinquedo, tocar com as mãos os pés,</p><p>exercitar as articulações etc. Na fase seguinte, que corresponde à adolescência,</p><p>o comportamento motor fica mais elaborado, refinado e aprimorado, em caso de</p><p>maturação saudável. Aquilo que outrora era executado de forma rudimentar agora</p><p>tem mais força e é mais consistente. Isso dependerá também da estimulação e</p><p>da educação do ambiente no qual o indivíduo está inserido, considerando também</p><p>sua formação e atividades desempenhadas, pois o desenvolvimento não depende</p><p>apenas de uma maturação biológica, já que o ser humano é biopsicossocial</p><p>(Rossi, 2012, p. 2-3).</p><p>4</p><p>Na psicomotricidade,</p><p>a construção ocorre do geral para o específico – os</p><p>movimentos são mais bruscos e, posteriormente, tornam-se mais elaborados. As</p><p>premissas básicas de desenvolvimento em relação ao comportamento motor e</p><p>aos processos cognitivos são: conhecimento do corpo e suas estruturas, noção</p><p>de espaço, tempo, lateralidade, até o início da escrita. Um erro relacionado a</p><p>algum desenvolvimento que não ocorreu pode impactar diretamente outros</p><p>aspectos do aprender. Por exemplo, a dificuldade de noção espacial influencia a</p><p>alfabetização e o conhecimento das letras e caracteres, pois uma alteração, como</p><p>a da letra “p” para “d”, por exemplo, modifica o sentido da palavra (devido à</p><p>mudança da haste da letra de um lado para o outro). Por esse motivo, a</p><p>lateralidade defasada acarreta dificuldade tanto na escrita quanto na leitura.</p><p>De acordo com Gallahue e Ozmun (2005, p. 22-27), o desenvolvimento</p><p>motor está ligado aos processos cognitivos e à afetividade. Há inúmeros fatores</p><p>que o influenciam, inclusive o biopsicossocial, decorrente da interação com o</p><p>ambiente, da maturação biológica, da construção afetiva e de aspectos cognitivos,</p><p>presentes desde a idade mais tenra até a velhice. O exercício e a prática contínua</p><p>dessas habilidades em todas as faixas etárias são de extrema importância, pois o</p><p>ciclo vitalício compreende e aprende de forma flexível e adaptativa em todos os</p><p>momentos da vida, sendo mais plástico na infância e um pouco mais complexo</p><p>em relação à reorganização na fase da velhice, mas isso não impede de evoluir,</p><p>mudar, aprimorar e o comportamento motor.</p><p>TEMA 2 – NEUROPSICOMOTRICIDADE, APRENDIZAGEM E ENVELHECÊNCIA</p><p>O aprender é contínuo em todo o ciclo da vida, iniciando-se na infância com</p><p>maior intensidade e reconhecimento do meio e do organismo. Posteriormente, tem</p><p>alguns de seus aprimoramentos na fase da adolescência; na fase adulta, após a</p><p>maturação de estruturas do Sistema Nervoso (Cosenza; Guerra, 2011, p. 101),</p><p>algumas funções e movimentos ficam mais rígidos, passíveis de mudança,</p><p>contudo, demandando maior complexidade; por fim, a velhice é a fase na qual é</p><p>importante o exercício de atividades motoras para manutenção de movimentos,</p><p>ações, pensamentos, construções cognitivas e linguagem, pois, embora a</p><p>aprendizagem seja constante e possível, para essa faixa etária são necessários</p><p>treinos específicos e distintos das demais, visto o organismo ter algumas</p><p>limitações (o que não configura impedimento para aprender) que precisam de uma</p><p>5</p><p>atenção maior. Assim, o exercício psicomotor é uma alternativa para manter ativa</p><p>a dinâmica do organismo junto à interação com o ambiente.</p><p>Henry Wallon (1997, p. 105) direcionou uma atenção especial para o</p><p>desenvolvimento psicomotor, diferenciando-o do comportamento motor. Explicou</p><p>que a construção psicomotora não compreende apenas regulação e execução dos</p><p>movimentos, mas a interação com diversos processos psíquicos, como</p><p>linguagem, classificação e outras ações que relacionam o corpo com a mente.</p><p>A gerontopsicomotricidade, que estuda e analisa os processos do aprender</p><p>em relação aos movimentos no envelhecimento, traz diversas peculiaridades</p><p>investigadas. Para que o indivíduo nessa fase tenha um desenvolvimento</p><p>saudável, precisa buscar atividades de forma holística e que envolvam o</p><p>funcionamento dos processos psicológicos, cognitivos, afetivos, além de ações</p><p>físicas e sua prática. O idoso, nessa fase do desenvolvimento, passa por inúmeras</p><p>reorganizações e readaptações: consciência do corpo, agilidade do movimento,</p><p>novos projetos de vida e até mesmo ressignificação de diversas condições do ciclo</p><p>vital. O aprender não se resume a apenas algumas ou uma única fase do</p><p>desenvolvimento, mas estende-se para todas as faixas etárias. Por esse motivo,</p><p>o exercício e o treino dos processos de pensamento e as ações motoras devem</p><p>continuar ativos e diretos (Galvani, 2015, p. 16-18).</p><p>Durante a vida toda, o idoso passou por diversas percepções do corpo,</p><p>conhecidas por meio do movimento, do exercício e da execução de ações do</p><p>próprio corpo. O pensamento em ato é a realização psicomotricista, o sentir e</p><p>conhecer o organismo – é reproduzir, por meio do movimento, o pensamento.</p><p>Tendo uma visão holística, não separando a mente do corpo, mas integrando os</p><p>processos, é possível compreender a psicomotricidade como um funcionamento</p><p>de passos interligados do indivíduo. A linguagem, as ações emocionais e outros</p><p>funcionamentos constroem uma história conectada (interações e meio), tendo em</p><p>si uma contribuição biopsicossocial. Conscientizar-se e apropriar-se desse</p><p>conhecimento em relação ao corpo torna o indivíduo um idoso mais funcional em</p><p>suas ações, com capacidades adaptativas e potencializadas, também em maiores</p><p>proporções (Galvani, 2015, p. 52-55).</p><p>Por esse motivo, é de grande valia a atuação dos educadores como</p><p>estimuladores motricistas no que se refere à ação junto aos idosos, pois traz a</p><p>possibilidade de reorganização e readaptação de seu funcionamento motor,</p><p>tornando-os mais ativos e constantes. Isso contribui para aprendizagem de novas</p><p>6</p><p>ações e atividades laborais, colaborando para a adaptação à nova fase do</p><p>desenvolvimento em relação ao controle emocional, ao aperfeiçoamento de</p><p>funções cognitivas, ao equilíbrio afetivo, às práticas esportivas e à ativação de</p><p>memórias declarativas (informações de curto ou longo prazo acessadas) e não</p><p>declarativas (vias reflexas e sensoriais), que podem ser revividas e reavivadas em</p><p>uma condição saudável. Ler, escrever, fazer palavras cruzadas e caça-palavras</p><p>são processos que contribuem para uma vida saudável no envelhecimento.</p><p>TEMA 3 – INTERVENÇÕES PSICOMOTORAS NAS FASES DO</p><p>DESENVOLVIMENTO EM RELAÇÃO À DEFICIÊNCIA INTELECTUAL</p><p>As fases do desenvolvimento cumprem um papel importante para o</p><p>amadurecimento do ser humano. Cada momento do ciclo da vida tem sua</p><p>particularidade; sequencialmente, há uma colaboração entre uma fase e outra.</p><p>Mas quando é que existe uma alteração significativa nesse circuito, seja na</p><p>infância, na adolescência, na fase adulta ou no envelhecimento? Até o presente</p><p>momento, debatemos e comentamos o desenvolvimento psicomotor saudável.</p><p>Contudo, o que fazer quando, no desenvolvimento (cognitivo, físico ou afetivo),</p><p>ocorre uma alteração (perda, lesão ou atraso), seja ela mínima ou severa?</p><p>De acordo com Leitão et al. (2008, p. 21-24), para um indivíduo que</p><p>apresenta déficit intelectual, as ações e intervenções psicomotoras são de grande</p><p>importância, pois há necessidade de reajuste de diversos processos. As autoras</p><p>discutem sobre a integração do comportamento motor a outras funções básicas</p><p>do desenvolvimento. Como já mencionado em outros temas, há um importante</p><p>entendimento de que o processo psicomotor envolve uma visão holística, ou seja,</p><p>uma integração biopsicossocial, e não apenas o comportamento motor em si</p><p>enquanto ação e execução. Na deficiência intelectual, em qualquer faixa etária, é</p><p>interessante investigar a raiz da dificuldade de aprendizagem e explorar as</p><p>capacidades de flexibilidade e reorganização dos processos mentais, respeitando</p><p>a evolução do indivíduo de acordo com o seu rendimento, mas entendendo que</p><p>cada um tem seu ritmo. A intervenção psicomotora possibilita ao indivíduo</p><p>construir novas aprendizagens e estratégias para lidar com as condições</p><p>proporcionadas pelo meio.</p><p>Para Ferreira et al. (2012, p. 31-32), a deficiência intelectual se define como</p><p>um comprometimento limitante nas adaptações de funções intelectuais</p><p>acompanhado de defasagens cognitivas, sociais, conceituais etc. Segundo os</p><p>7</p><p>autores, essas dificuldades podem ser auxiliadas por atividades físicas e treinos</p><p>psicomotores, no caso de déficits motores. Como já vimos, uma falha no processo</p><p>motriz resulta em comprometimento também de outras áreas do aprender. Assim,</p><p>intervenções diretas para remover ou amenizar o problema por meio de ações</p><p>práticas são de grande valia para promoção da saúde do indivíduo com dificuldade</p><p>e deficiência intelectual. Tal intervenção deve ocorrer com grande intensidade</p><p>principalmente entre a infância e os 18 anos aproximadamente, pois as limitações</p><p>de um indivíduo com deficiência intelectual se desenvolvem com grande</p><p>intensificação nesse período.</p><p>O funcionamento básico da psicomotricidade para auxiliar um indivíduo</p><p>conta com alguns elementos: tônus, lateralização, equilíbrio, conhecimento da</p><p>esquematização do corpo, orientação espaço-tempo, coordenação geral e</p><p>coordenação motora fina. Quando se fala em aplicação psicomotricista, sua</p><p>estrutura compreende três pilares (Ferreira et al., 2012, p. 32): querer fazer – de</p><p>ordem emocional; fazer – referente à motricidade; saber fazer, relacionado aos</p><p>processos cognitivos. Com base nessa organização é possível desenvolver</p><p>inúmeras atividades físicas direcionadas ao processo mental e à integralização do</p><p>indivíduo como um todo, contribuindo para promoção de saúde mental.</p><p>TEMA 4 – TRANSTORNOS DE COORDENAÇÃO MOTORA E O APRENDER</p><p>A coordenação motora corresponde às ações ordenadas em conjunto com</p><p>base no movimento, e tem grande importância para o desenvolvimento do ser</p><p>humano no que tange às habilidades sociais, funções cognitivas, prática,</p><p>criatividade, afetividade, entre outros. Há, no movimento, um valor inestimável,</p><p>pois constantemente o indivíduo cria e executa atividades motoras: escrever,</p><p>digitar, tocar um instrumento, praticar exercício físico, utilizar talheres etc. Esse</p><p>indivíduo nasce com comportamentos reflexos e inábil para movimentos de</p><p>coordenação motora fina, mas, no decorrer de seu desenvolvimento, isso é</p><p>aprimorado e elaborado. Na velhice, contudo, o sujeito torna-se inábil em certo</p><p>ponto, com atraso nos movimentos e até mesmo dificuldade para executá-los,</p><p>dependendo do avanço da idade. Dessa forma, pode-se entender que o</p><p>desenvolvimento motor permeia todas as fases do ciclo vital, o qual é construído</p><p>por meio de ações e mudanças ao longo desse processo (Santos et al., 2004, p.</p><p>33-34).</p><p>8</p><p>O comportamento motor possui algumas especificidades, como a</p><p>universalidade com base em uma ordem filogenética (por exemplo: engatinhar,</p><p>levantar, andar e correr). Contudo, também é aprimorado de maneira</p><p>diversificada, sendo construído por estimulação do ambiente, uma relação que se</p><p>desenrola junto a condições culturais, inclusive respeitando a sequência de</p><p>aprendizagem do indivíduo – e, nesse caso, evolui-se de forma particular, pois</p><p>cada pessoa tem sua forma de andar, de correr, de executar um movimento e de</p><p>exercitar suas articulações. No entanto, em alguns casos há um atraso no</p><p>processo de desenvolvimento do movimento, o que resulta em uma inabilidade,</p><p>dificultando a prática e causando desordem na aquisição das habilidades. Muitas</p><p>vezes a dificuldade de execução dos movimentos não está limitada apenas ao</p><p>mover-se, mas reporta-se a possíveis causas orgânicas, como, por exemplo,</p><p>lesões ou defasagens neurológicas, psicológicas e cognitivas.</p><p>O comprometimento de alguma área cerebral, por exemplo, pode impactar</p><p>diretamente o comportamento motor; na fase da infância, uma alteração que</p><p>causa atraso ou lesão neurológica pode impactar movimentos que exigem</p><p>habilidades motoras fundamentais, como andar, correr, sentar etc., mas também</p><p>impactar as condições do aprender na escola, como escrita, prática de educação</p><p>física, atividades motoras para brincar, entre outras (Santos et al., 2004, p. 37-38).</p><p>Considera-se o Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação (TDC) o</p><p>comprometimento do comportamento motor; sua causa não necessariamente</p><p>corresponde diretamente a funções de capacidades intelectuais ou neurológicas,</p><p>embora tenha ligação com elas. Um indivíduo que apresente essa disfunção</p><p>geralmente sofre um impacto em suas atividades diárias (escola, trabalho,</p><p>brincadeiras, entre outras); ele pode, em certa instância, desenvolver habilidades</p><p>básicas de comportamento motor, como equilibrar-se, andar e sentar, porém, não</p><p>as aprimora de maneira funcional (no que se refere a auxiliar a relação junto aos</p><p>demais indivíduos e à ação no ambiente). Na velhice, por exemplo, o sistema</p><p>motor tende a declinar, e as experiências de vida interagem de forma negativa</p><p>com os comprometimentos da motricidade do indivíduo (Santos et al., 2004, p. 40-</p><p>41).</p><p>Dessa forma, entende-se que o TDC impacta diversas fases do</p><p>desenvolvimento humano, trazendo comprometimentos desde a infância até a</p><p>velhice. Embora em uma fase ocorra o desajuste da aprendizagem e da aplicação</p><p>funcional para novas atividades, outras fases do desenvolvimento são afetadas</p><p>9</p><p>no que tange à ação das atividades já aprendidas, mas que agora precisam de</p><p>readaptação e reorganização, em decorrência dos sistemas biológicos que</p><p>gradativamente vão perdendo sua força e tornando-se mais lentos, porém, não</p><p>inábeis. Esse cenário exige uma sequência de treinos e a promoção da saúde</p><p>para reabilitação de situações e condições comprometidas pelo transtorno motor.</p><p>TEMA 5 – DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR E FORMAÇÃO DE</p><p>EDUCADORES</p><p>É muito importante que falemos, neste último tema, sobre a atuação, a</p><p>preparação e a capacitação do profissional da Educação – seja ele professor,</p><p>pedagogo, psicólogo etc. – quanto ao desenvolvimento psicomotor.</p><p>Há certas dúvidas que pairam sobre esse assunto, e elas também podem</p><p>ser suas: Como atuar e o que fazer para identificar o desenvolvimento psicomotor</p><p>saudável? Quando identificar um indivíduo que apresenta comprometimento?</p><p>Como essa condição aparece? Para essas e outras questões, é necessário</p><p>entrelaçar os temas anteriormente vistos nesta aula. Um educador deve</p><p>apresentar uma visão holística de como o indivíduo cresce, se desenvolve e</p><p>amadurece no decorrer dos anos: entender como isso ocorre é primordial. Saber</p><p>quais as ferramentas e os recursos e também como trabalhar com esse aspecto</p><p>do desenvolver é muito importante, pois cada detalhe pode ser muito útil</p><p>(Ferronato et al., 2006, p. 60-76).</p><p>Para os educadores de um modo geral, existe a necessidade de entender</p><p>que há diversas estratégias que colaboram para o desenvolvimento psicomotor</p><p>em harmonia com outros processos, como estimulação com base em ações de</p><p>relacionamento interpessoal, práticas psicopedagógicas, reabilitações cognitivas,</p><p>aprendizagem por meio de interações sociais etc. A educação e a reeducação</p><p>psicomotoras são essenciais para ativação da sensação e da percepção dos</p><p>sentidos, pois orientam vários aspectos (educacionais, sociais, familiares e</p><p>individuais).</p><p>Há práticas que devem ser aplicadas de forma criativa, pois demandam</p><p>organização, tentativa e erro, reorganização e formulação de atividades que</p><p>tenham objetivos pedagógicos para construção do aprender, o que leva o</p><p>educador a ter a necessidade de explorar o máximo de alternativas possível para</p><p>encontrar um meio mais adequado a cada indivíduo. No caso da reeducação</p><p>psicomotricista, o educador deve retomar ações e funções que não apresentam o</p><p>10</p><p>devido funcionamento e, por meio de condutas que possam reabilitar as atividades</p><p>motoras, remover ou reduzir o problema motor apresentado – o que inclui uma</p><p>gama de profissionais tanto da área da Saúde quando da Educação (Ferronato et</p><p>al., 2006, p. 81-82).</p><p>Desse modo, é imperativo frisar a importância dos profissionais que</p><p>trabalham o desenvolvimento humano, a prevenção e a promoção da saúde, pois</p><p>a multidisciplinaridade contribui com indivíduos em processo de formação</p><p>psicomotora e com aqueles que estão na fase de envelhecimento, não</p><p>reproduzindo mais suas ações motoras devido a comprometimento cognitivo ou</p><p>atraso no movimentar-se. Logo, entende-se como essencial um preparo</p><p>psicológico, pedagógico, operacional e estratégico, a fim de que os educadores</p><p>tenham bons resultado com seus educandos, pacientes e envolvidos nas</p><p>atividades proporcionadas.</p><p>Toda e qualquer ação bem elaborada, criada com base em uma</p><p>fundamentação direcionada e esclarecida pode contribuir para o bom andamento</p><p>do desenvolvimento humano – de crianças a idosos –, potencializando a</p><p>motricidade e dando funcionalidade a ela, inclusive reorganizando o</p><p>comportamento motor e a readaptação de acordo com cada fase (Logarezi; Alves,</p><p>2009, p. 125-132).</p><p>FINALIZANDO</p><p>O desenvolvimento neuropsicomotor segue a complexidade do</p><p>amadurecimento das faixas etárias. Cada fase tem sua singularidade e, por esse</p><p>motivo, cada detalhe tem de ser levado em consideração. A recepção dos</p><p>estímulos na infância precisa ser elaborada e trabalhada de maneira particular,</p><p>pois esses estímulos fornecerão a base para movimentos mais refinados na fase</p><p>adulta.</p><p>As inabilidades ocasionadas por um transtorno psicomotor podem impactar</p><p>o desenvolvimento humano, ocasionando disgrafias, dislexias e dispraxias em</p><p>âmbitos escolares; caso essa situação não seja identificada, não sendo</p><p>descoberta a raiz do problema (que pode ser motora), haverá desajustes em</p><p>inúmeras áreas acadêmicas, como, por exemplo, nas áreas de linguística, lógico-</p><p>matemática, na atividade física etc. A defasagem de orientação temporal-espacial</p><p>pode comprometer áreas interligadas.</p><p>11</p><p>O preparo de profissionais é essencial para atuação no desenvolvimento</p><p>psicomotor, pois possibilita analisar os principais indícios das inabilidades e, por</p><p>meio dessa constatação, trazer uma proposta para reabilitar diversas funções.</p><p>Além disso, é necessário conhecer técnicas, estratégias e planejamentos</p><p>aplicáveis em intervenções assertivas, a fim de auxiliar o indivíduo que apresenta</p><p>dificuldades.</p><p>Nesta aula, discutimos o desenvolvimento infantil, mas também a fase</p><p>adulta e a velhice. O profissional que lida com o desenvolvimento psicomotor deve</p><p>entender que o sentar, o levantar e o andar são distintos na infância e na velhice:</p><p>na primeira, a tendência é a de aprimorar os movimentos e torná-los funcionais;</p><p>na segunda, reorganizar e readaptar os movimentos de acordo com os atrasos</p><p>cognitivos e motores. No entanto, tudo se trata de cada vez mais aprender sobre</p><p>o desenvolvimento humano.</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>Texto de abordagem teórica</p><p>LUSSAC, R. M. P. Psicomotricidade: história, desenvolvimento, conceitos,</p><p>definições e intervenção profissional. Revista Digital-Buenos Aires, ano 13, n.</p><p>126, 2008. Disponível em: <https://www.efdeportes.com/efd126/psicomotricidade-</p><p>historia-e-intervencao-profissional.htm>. Acesso em: 10 ago. 2021.</p><p>Texto de abordagem prática</p><p>SANTOS, R. C. F. et al. Psicomotricidade: uma ferramenta norteadora no</p><p>processo de ensino-aprendizagem de crianças com dislexia. Rev. Ciênc. Ext. v.</p><p>5, n. 2, p. 79, 2009. Disponível em:</p><p><https://ojs.unesp.br/index.php/revista_proex/article/view/281>. Acesso em: 10</p><p>ago. 2021.</p><p>12</p><p>Saiba mais</p><p>ANTUNES, A. P. A Psicomotricidade no envelhecimento patológico. Relatório</p><p>de Estágio (Mestrado em Reabilitação Psicomotora) – Universidade Técnica de</p><p>Lisboa. Faculdade de Motricidade Humana, 2013. Disponível em:</p><p><https://www.repository.utl.pt/handle/10400.5/5927>. Acesso em: 10 ago. 2021.</p><p>13</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>FERREIRA, E. F.; VAN MUNSTER, M. de A.; PEREIRA, E. T. Deficiência</p><p>intelectual e psicomotricidade: uma revisão. Revista da Sobama, v. 13, n. 2, p.</p><p>31-37, 2012.</p><p>FERRONATTO, S. R. B. et al. Psicomotricidade e formação de professores:</p><p>uma proposta de atuação. Dissertação (Mestrado em Educação) – PUC</p><p>Campinas, 2006. p. 60-76; 81-82.</p><p>GALVANI, C. et al. Longevidade e psicomotricidade: ter ou ser um corpo que</p><p>envelhece com qualidade de vida. Dissertação (Mestrado em Gerontologia) –</p><p>PUC-SP, 2015. p. 16-18.</p><p>GALLAHUE, D. L.; OZMUN J. C. Compreendendo o desenvolvimento motor:</p><p>bebês, crianças, adolescentes e adultos. 2. ed. São Paulo: Phorte, 2005. p. 22-</p><p>27.</p><p>LEITÃO, A. I.; LOMBO, C.; FERREIRA, C. O contributo da psicomotricidade nas</p><p>dificuldades intelectuais e desenvolvimentais. Revista Diversidades, v. 22, p. 21-</p><p>24, 2008.</p><p>LONGAREZI, A. M.; ALVES, T. de C. A psicologia como abordagem formativa:</p><p>um estudo sobre formação de professores. Psicologia Escolar e Educacional,</p><p>v. 13, n. 1, p. 125-132, 2009.</p><p>NETO, F. R. et al. Desenvolvimento motor de crianças com indicadores de</p><p>dificuldades na aprendizagem escolar. Revista Brasileira de Ciência e</p><p>Movimento, v. 15, n. 1, p. 45-52, 2008.</p><p>ROLIM, A. A. M.; GUERRA, S. S. F.; TASSIGNY, M. M. Uma leitura de Vygotsky</p><p>sobre o brincar na aprendizagem e no desenvolvimento infantil. Revista</p><p>Humanidades, v. 23, n. 2, p. 176-180, 2008.</p><p>ROSSI, F. S. Considerações sobre a psicomotricidade na educação</p><p>infantil. Revista Vozes dos Vales da UFVJM, Minas Gerais, n. 1, ano 1, maio,</p><p>2012. Disponível em: <http://site.ufvjm.edu.br/revistamultidisciplinar/files/2011/09</p><p>/Considera%C3%A7%C3%B5es-sobre-a-Psicomotricidade-na-</p><p>Educa%C3%A7%C3%A3o-Infantil.pdf>. Acesso em: 19 jun. 2018.</p><p>14</p><p>SANDRI, M. A.; LORELEI, M. S.; GOMES, E. Perfil comunicativo de crianças entre</p><p>1 e 3 anos com desenvolvimento normal de linguagem. Revista CEFAC, v. 11, n.</p><p>1, 2009.</p><p>SANTOS, S.; DANTAS, L.; OLIVEIRA, J. A. de. Desenvolvimento motor de</p><p>crianças, de idosos e de pessoas com transtornos da coordenação. Rev Paul</p><p>Educ Fís, v. 18, n. 1, p. 33-44, 2004.</p><p>WALLON, H. Del acto al pensamento: ensayo de psicología comparada. Buenos</p><p>Aires: Psique, 1997, p. 105.</p><p>AULA 5</p><p>DESENVOLVIMENTO</p><p>NEUROPSICOMOTOR E</p><p>APRENDIZAGEM</p><p>Prof. Everton Adriano de Morais</p><p>2</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Chegamos à quinta aula sobre o desenvolvimento motor. Temos por</p><p>objetivo falar sobre alguns contextos nos quais se desenvolvem o processo</p><p>neuropsicomotor com base no aprender. A princípio, é necessário relacionar os</p><p>primeiros contatos do indivíduo com o movimento, seus principais aspectos e</p><p>características.</p><p>O grupo social no qual um bebê está inserido intitula-se família. Embora</p><p>possam existir diversas formas de definir família, é importante ressaltar que esse</p><p>é o primeiro contato social da criança com algum tipo de estimulação, por</p><p>exemplo. Posteriormente, comentaremos a importância da</p><p>Neuropsicomotricidade e do aprender como uma ferramenta essencial na</p><p>escolarização do indivíduo.</p><p>Outro ponto importante trata da relação do desenvolvimento</p><p>neuropsicomotor no que tange à atividade física. Há diversos componentes</p><p>interessantes para avaliar: caminhar, praticar esportes, condicionamento físico,</p><p>entre outros. O exercício trabalha inúmeros fatores do organismo, e os processos</p><p>do pensamento estão diretamente interligados com essa condição. A capacidade</p><p>intelectual é grandemente beneficiada por essas atividades, uma vez que elas</p><p>trazem aprimoramentos de funções controladas e automatizadas reguladas pelo</p><p>pensamento e pelo comportamento motor.</p><p>Falaremos também sobre a música e os jogos. Há uma imensa contribuição</p><p>de ambos para o desenvolvimento neuropsicomotor, devido à sua interação com</p><p>os processos motores e o pensamento.</p><p>É necessário entender que a contextualização é diretamente importante</p><p>para o aprender, pois quaisquer alterações, estimulações ou manutenções de</p><p>comportamentos contribuem para os processos comportamentais do pensar do</p><p>indivíduo.</p><p>CONTEXTUALIZANDO</p><p>O processo neuropsicomotor envolve uma integração de diversas áreas</p><p>cerebrais, como, por exemplo, córtex pré-motor, motor e córtex pré-frontal, no que</p><p>tange aos âmbitos neuroanatômico e fisiológico, pertencentes ao processo</p><p>biológico. Porém, há grande relação e interação sociais, parte da influência do</p><p>ambiente externo, envolvendo família, escola e sociedade de um modo geral.</p><p>3</p><p>Pode-se dizer que o processo motor neuropsicomotricista é construído por meio</p><p>das interações entre o indivíduo e o meio.</p><p>A estimulação decorre de vários âmbitos. Na linguagem, por exemplo,</p><p>temos a comunicação entre um indivíduo e outro,</p><p>os signos (símbolos mediadores</p><p>e, em alguns casos, arbitrários) e outros meios de comunição; outro processo</p><p>responsável por estimular é a atividade lúdica, com jogos e interações de forma</p><p>dinâmica. As atividades físicas, além de contribuírem para a saúde física,</p><p>aprimoram o aprender e o desenvolver das funções cognitivas, como planejmento,</p><p>memória, atenção, tomada de decisão etc. O brincar, a atividade física, o âmbito</p><p>escolar teórico-prático e a família são responsáveis diretos pelo desenvolvimento</p><p>motor humano, o qual tem início de forma reflexa e vai sendo lapidado de forma</p><p>refinada e elaborada (Mello, 1989, p. 37-38; Soares, 2017, p. 6-12).</p><p>TEMA 1 – NEUROPSICOMOTRICIDADE NO CONTEXTO FAMILIAR</p><p>O primeiro contato em relação à estimulação e ao desenvolvimento</p><p>neuropsicomotor de uma criança se dá diretamente, em geral, com a família, que</p><p>é a primeira a provocar uma elaboração dos processos motores mais refinados</p><p>do indivíduo, como aprimorar o movimento de pinça (corresponde ao ato de</p><p>segurar algo com os dedos indicador e médio), e a estimular não apenas o segurar</p><p>de algum objeto, mas o desenvolvimento de movimentos elaborados com base</p><p>nesse processo. Uma criança que inicialmente pega um brinquedo – boneco,</p><p>carrinho, urso de pelúcia etc. –e posteriormente usa esse movimento de pressão</p><p>para segurar um lápis, uma caneta ou um talher, em atividades que envolvem uma</p><p>finalidade específica.</p><p>A família, por meio da construção inicial do vínculo, tem grande</p><p>responsabilidade no que diz respeito ao desenvolvimento psicomotor, envolvendo</p><p>afetividade, qualidade na interação, estimulação física e capacidades cognitivas,</p><p>como memória, atenção, percepção, planejamento. A família tem um papel</p><p>importante no processo de mediar a relação do indivíduo com a sociedade de um</p><p>modo geral. É interessante comentar que a disfunção da maturação</p><p>neuropsicomotora não se restringe apenas a uma lesão cerebral, mas também</p><p>abrange uma construção disfuncional emocional gerada com base na interação</p><p>entre o indivíduo e o ambiente, o que pode ter diversas causas, como não criação</p><p>de vínculo, dificuldade de afeto, entre outras, atingindo e comprometendo</p><p>4</p><p>paralelamente questões de ordem motora, como orientação espacial e esquema</p><p>corporal (Rabelo; Aquino, 2016, p. 116).</p><p>Um distúrbio psicomotor pode ocasionar a desorganização de inúmeros</p><p>processos relacionados ao comportamento motor (dificuldade na aprendizagem,</p><p>comportamento antissocial, déficit cognitivo e motricidade). O acompanhamento</p><p>da educação motora é necessário desde os primeiros movimentos: primeiros</p><p>contatos junto à família, primeiros reflexos inatos apresentados, elaboração de</p><p>movimentos mais refinados, motricidade voluntária, andar, correr, brincar, além de</p><p>outros. A influência da família é de extrema importância, pois configura o primeiro</p><p>contato social da criança, proporcionando uma interação dela consigo e com o</p><p>mundo. Essa estimulação contribuirá para que o comportamento motor interaja</p><p>com outras funções (cognitiva, social e afetiva) (Rabelo; Aquino, 2016, p. 116-</p><p>120).</p><p>TEMA 2 – NEUROPSICOMOTRICIDADE COMO FERRAMENTA DO</p><p>DESENVOLVIMENTO ESCOLAR</p><p>A Psicomotricidade no âmbito escolar abrange diversos processos de</p><p>âmbito cognitivo, social e afetivo. A promoção do desenvolvimento do aluno em</p><p>sua integralidade é de grande importância; seu maior objetivo é gerar a</p><p>comunicação e a interação entre educadores e alunos, de modo que seja possível</p><p>recriar vários contextos dentro da sala de aula, e não apenas o de uma</p><p>transmissão de conteúdo estática e sem criatividade (Vieira, 2014, p. 66-67).</p><p>A escola tem responsabilidade fundamental no desenvolvimento do</p><p>comportamento motor. Em geral, uma das principais causas da não aprendizagem</p><p>é a inabilidade referente à motricidade, que pode ser ou não a raiz do problema.</p><p>O trabalho voltado à Neuropsicomotricidade nas escolas é analisado muitas vezes</p><p>de forma curativa, ou seja, trata-se o problema apenas quando ele já existe, o que</p><p>prejudica a aprendizagem do estudante. É importante trabalhar de forma</p><p>preventiva no que se refere às dificuldades que possivelmente aparecerão devido</p><p>à não estimulação, gerando projetos que acompanhem o aluno em sua trajetória</p><p>de maturação e construção das relações sociais e afetivas, por exemplo.</p><p>Quando se trata dos primeiros anos de vida, o cuidado é ainda maior, pois</p><p>nessa fase ocorre a aprendizagem e o aprimoramento do comportamento motor</p><p>de forma global. Deve-se seguir alguns procedimentos e ter objetivos a alcançar</p><p>no aprender. Em seu percurso natural de desenvolvimento (de acordo com a</p><p>5</p><p>cultura), a criança sai dos movimentos reflexos para a elaboração e o</p><p>aprimoramento dos movimentos mais refinados e elaborados. Nesse processo,</p><p>aparecem comportamentos de desenhar, escrever, pintar e criar com base em</p><p>brinquedos móveis e outros. Toda essa questão se desenvolve na escola, e uma</p><p>falha nesse processo impacta diretamente o aprender.</p><p>O movimento não se restringe ao comportamento motor simples, mas</p><p>envolve comunicação, interação social, criação e modificação do mundo; por meio</p><p>do movimento o indivíduo transforma o mundo, e por meio dessa interação há</p><p>contribuição para maturação, desenvolvimento e aprimoramento das capacidades</p><p>psicomotoras. O papel essencial da escola está em estimular o desenvolvimento</p><p>neuropsicomotor da criança de diversas formas (lúdica, dinâmica e prática) para</p><p>uma aprendizagem saudável de modo geral (Gomes, 1998, p. 50-53).</p><p>TEMA 3 – NEUROPSICOMOTRICIDADE, DEFICIÊNCIA MOTORA E ATIVIDADE</p><p>FÍSICA</p><p>A atividade física tem grande responsabilidade nos processos do aprender,</p><p>seja das crianças sadias ou das que apresentam algum tipo de déficit devido à</p><p>dificuldade de aprendizagem ou lesão cerebral. No caso da Paralisia Cerebral</p><p>(PC), por exemplo, há uma sequência de disfunções e defasagens que</p><p>compromete as funções cognitivas, o comportamento e, inclusive, a maturação da</p><p>motricidade. Explorar os ambientes em que o indivíduo está inserido coopera</p><p>muito para o desenvolvimento da aprendizagem e para a motricidade. Um</p><p>ambiente com estratégias de estimulação pode colaborar para a maturação</p><p>biológica do engatinhar e do andar, por exemplo.</p><p>Conforme Adolph e Berger (2006, p. 161-213), há estudos transculturais</p><p>sobre estimulação motora que relatam a existência de dois contextos: pais que</p><p>não propiciam um ambiente com estratégias de estimulação; ambientes em que</p><p>os pais proporcionam estimulação desde os primeiros meses. O resultado desses</p><p>estudos mostra que os ambientes com estratégias estimulavam as crianças a</p><p>andar e a desenvolver o comportamento motor mais rápido e de forma saudável.</p><p>No caso da PC, essa estimulação com base em atividades físicas pode melhorar</p><p>o comportamento motor, amenizar comprometimentos cognitivos, ampliar a</p><p>capacidade de diversas habilidades e a compensação em relação a déficits.</p><p>Deve-se atentar para alguns contextos específicos quanto à atividade</p><p>física: certas vezes, em relação às pessoas com deficiência, familiares e</p><p>6</p><p>educadores não exploram suas capacidades devido às limitações que elas</p><p>apresentam, não cultivando suas habilidades. Com base nisso, sem estimulação</p><p>de atividades físicas, todo o desenvolvimento neuropsicomotor – seja de crianças</p><p>sadias, que não apresentam nenhuma deficiência em seu desenvolvimento, ou de</p><p>crianças com defasagens e déficits decorrentes de lesão ou transtorno – é</p><p>prejudicado, o que posteriormente afetará a aquisição de comportamentos</p><p>motores.</p><p>Esportes, de um modo geral, auxiliam e colaboram para o desenvolvimento</p><p>saudável neuropsicomotor, pois exploram capacidades cognitivas e motoras,</p><p>planejamento, coordenação motora, execução de movimento, coordenação</p><p>motora fina, sequência de passos e movimentos, além de outras funções</p><p>psicológicas que ajudam no aprimoramento dessas habilidades.</p><p>Os esportes aquáticos têm grande</p><p>importância para estimulação e</p><p>reabilitação das capacidades humanas em relação ao comportamento motor. O</p><p>novo ambiente de atividade leva o indivíduo a investir outro padrão de força, outra</p><p>velocidade, desenvolvendo a coordenação dos movimentos de pernas, braços e</p><p>mãos, o que ajuda a desenvolver a capacidade de movimento para outras</p><p>atividades (escrever, andar, correr, andar de bicicleta), promovendo melhora nas</p><p>rotinas diárias vivenciadas. A atividade aquática pode contribuir para uma vida</p><p>saudável e mais adaptativa a diversos contextos (Teixeira-Arroyo; Garijo, 2007, p.</p><p>97-98).</p><p>TEMA 4 – DESENVOLVIMENTO NEUROPSICOMOTOR NA MÚSICA</p><p>O desenvolvimento neuropsicomotor estimulado pela musicalidade é muito</p><p>eficaz no aprimoramento das capacidades humanas. Por meio da música é</p><p>possível desenvolver motricidade, atenção, coordenação motora e desempenho</p><p>cognitivo de um modo geral. O aprender por meio da música auxilia questões</p><p>psicomotoras, pois envolve pensamento e comportamento motor. Uma criança</p><p>que pratica dança desenvolve coordenação motora ao mesmo tempo em que se</p><p>atenta aos movimentos, ao planejamento dos passos etc. A atividade lúdica</p><p>musical para intervenção no processo de aprendizagem contribui muito para</p><p>vivências no âmbito escolar, familiar, no lazer, nas atividades físicas etc. Destaca-</p><p>se também que o alinhamento, a harmonia dos ritmos, as batidas e as melodias</p><p>trabalham com o comportamento motor, pois, mesmo em situações nas quais há</p><p>inabilidade motora, a prática musical proporciona, por exemplo, coordenação</p><p>7</p><p>motora fina para execução de movimentos mais elaborados, passos sequenciais,</p><p>controle de respiração, assim como desenvolvimento de funções cognitivas, como</p><p>coordenação viso-motora, atenção concentrada, atenção seletiva, atenção difusa,</p><p>atenção alternada, memória de trabalho e muitas outras. A organização de</p><p>inúmeros processos no contexto da aprendizagem musical contribui para</p><p>aprendizagem, socialização, reabilitação cognitiva etc. Anatomicamente, a música</p><p>desenvolve habilidades motoras relacionadas ao movimento de membros como</p><p>braços, pernas, mãos, pés e cabeça, auxiliando no aprimoramento dos gestos</p><p>mais refinados (Ferreira; Rubio, 2012, p. 2-7).</p><p>A aprendizagem tem relação muito íntima com o descobrir de novas ações,</p><p>percepções e formas de interagir com o mundo. A repetição dos movimentos</p><p>proporciona a inter-relação entre conhecimento aprendido e execução de tarefas</p><p>aprendidas e internalizadas, sendo peça fundamental para criar e transformar os</p><p>processos de pensamento.</p><p>Na escola, no que se refere à infância, vemos continuamente a música</p><p>fazendo parte do aprender – de forma pedagógica e cultural – com o uso de</p><p>cantigas de roda, de dinâmicas de grupo, além de outras atividades. Quando se</p><p>trata de desenvolvimento biológico, especificamente de neurofisiologia e</p><p>neuroanatomia, há uma relação integralizada entre a Música e a</p><p>Neuropsicomotricidade. Existe um funcionamento interdependente dos</p><p>hemisférios cerebrais (esquerdo e direito), com uma contribuição ativa da música</p><p>do hemisfério direito, sendo as áreas de linguagem ativamente acessadas no</p><p>hemisfério esquerdo, criando, com o córtex motor e pré-motor, uma harmonia</p><p>entre esses processos do aprender e a música, desenvolvendo capacidades e</p><p>habilidades de cada indivíduo (Junqueira; Fornari, 2015, p. 3-7).</p><p>TEMA 5 – ATIVIDADE NEUROPSICOMOTORA, CRIATIVIDADE E JOGOS</p><p>A atividade neuropsicomotora visa, dentre seus diversos objetivos,</p><p>proporcionar e desenvolver a capacidade criativa de cada indivíduo, o que está</p><p>inserido em todas as culturas por meio de trocas e interações, nas quais os</p><p>processos de pensamento são estimulados na realidade vivenciada.</p><p>Os jogos têm a funcionalidade de contribuir para o desenvolvimento social,</p><p>cognitivo e motor dos indivíduos, entre outras capacidades mais. Para isso, é</p><p>importante entender a definição de jogo e seus conceitos trabalhados no processo</p><p>da educação. Tal definição pode variar, mas uma delas comenta que jogo é toda</p><p>8</p><p>e qualquer prática que tenha organização de regras, apresentadas como</p><p>limitações e direcionamentos, com começo e fim pré-estabelecido pelos</p><p>envolvidos na atividade. Os jogos, principalmente na infância, possuem papel</p><p>muito importante para o preparo da vida adulta – até mesmo entre os animais isso</p><p>é identificado: os filhotes brincam entre si como se isso fosse um preparo futuro</p><p>para a caça (Santos, 2015, p. 13-14).</p><p>O jogo também tem grande responsabilidade no desenvolvimento da</p><p>capacidade de criatividade e imaginação. A capacidade intelectual é desenvolvida</p><p>por meio de estimulações de ações, contextos, histórias, vivências, processos</p><p>cognitivos, emoções, interações etc. Entende-se que os jogos contribuem para as</p><p>relações interpessoais, o respeito e a convivência em grupo. As regras impostas</p><p>nos jogos têm por objetivo mediar limites, diretamente reproduzidos em inúmeros</p><p>contextos da vida adulta. Muitos hábitos podem ser desenvolvidos por meio dos</p><p>jogos, gerando cooperação e trabalhos em grupo, empatia, afetividade e outras</p><p>emoções, todas inseridas nos meios sociais. O jogo também aumenta as</p><p>potencialidades analíticas, de planejamento, de controle inibitório, de autocontrole</p><p>etc. (Santos, 2015, p. 14-15).</p><p>Nesse contexto que inclui prática de jogos e comportamento motor, temos</p><p>a Psicomotricidade Relacional, que consiste em interações voluntárias</p><p>organizadas, não diretivas, exigindo muito da capacidade criativa, da imaginação,</p><p>da flexibilidade de pensamentos e da tomada de decisão. As expressões</p><p>emocionais, junto ao comportamento motor, desenvolvem-se e amadurecem por</p><p>meio da atividade lúdica, ou pelos jogos; as interações fazem com que as</p><p>emoções sejam exteriorizadas, seja no ato alegre de ganhar uma partida, seja na</p><p>agressividade que se dá na preparação da estratégia do jogo ou na tristeza de</p><p>quem deve refletir sobre uma derrota, recriando um planejamento para vencer em</p><p>outro momento. Toda essa interação proporciona uma dinâmica de emoções,</p><p>cognições, comportamento motor, coordenação motora fina, harmonia dos</p><p>movimentos e de muitas outras capacidades, que serão reproduzidas em outras</p><p>atividades em todos os âmbitos (escola, trabalho, lazer, família e qualquer meio</p><p>no qual haja um princípio de regras, normas e execução de práticas com metas e</p><p>objetivos a atingir) (Santos, 2015, p. 18-15).</p><p>Desse modo, entende-se que o jogo é uma forma de promover o</p><p>desenvolvimento das capacidades de imaginação e de criatividade alinhadas à</p><p>sociabilização do indivíduo. Pais, educadores, professores e outros personagens</p><p>9</p><p>responsáveis pela contribuição ao desenvolvimento humano têm como ferramenta</p><p>o jogo que, aplicado de forma eficiente e efetiva, exerce grande função no</p><p>aprimoramento do aprender (Alves; Biachin, 2010, p. 282-287).</p><p>FINALIZANDO</p><p>Nesta aula, analisamos como a Neuropsicomotricidade contribui para o</p><p>desenvolvimento humano não apenas de forma individual, no que tange a</p><p>capacidades voltadas apenas ao processo biológico ou ao seu amadurecimento,</p><p>mas auxiliando na interação relacionada ao desenvolvimento interpessoal.</p><p>Diversos são os contextos beneficiados pela Neuropsicomotricidade: escolar,</p><p>familiar, de lazer e de esporte, contribuindo para o desenvolvimento, na infância,</p><p>de reflexos, maturação do pensamento, criatividade, imaginação,</p><p>aperfeiçoamento de movimentos e aprimoramento de ações.</p><p>Na adolescência, a relação entre pensamento e comportamento motor</p><p>contribui para abstração, lógica, complexidade na resolução de problemas,</p><p>relacionamentos interpessoais, emoções, elaboração de processos criativos e</p><p>outras capacidades que passam por uma maturação exigida nessa fase.</p><p>Por fim, na fase adulta, é possível identificar que infância e/ou adolescência</p><p>estimuladas contribuem para uma vida profissional saudável, proporcionando</p><p>interações, vivências e emoções refinadas, com capacidade</p><p>de controle</p><p>organizado desses processos.</p><p>É importante identificar a relação entre o processo do aprender e sua</p><p>contribuição para o comportamento motor e o pensamento, além de toda e</p><p>qualquer atividade construída por meio do esporte, do brincar ou do jogo. Com</p><p>base nessas atividades, tem-se uma funcionalidade dinâmica para o indivíduo,</p><p>reproduzida da infância à vida adulta; tal manejo promove uma ligação entre</p><p>diversos processos, sejam da ordem do pensamento ou do comportamento</p><p>motor.</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>Texto de abordagem teórica</p><p>MELLO, A. M. Psicomotricidade, educação e jogos infantis. São Paulo: Ibrasa,</p><p>1989.</p><p>10</p><p>Texto de abordagem prática</p><p>MORAES, I. M. A pedagogia do brincar: intercessões da ludicidade e da</p><p>Psicomotricidade para o desenvolvimento infantil. 164 f. Dissertação (Mestrado</p><p>em Educação) – Centro Universitário Salesiano de São Paulo, São Paulo, 2012.</p><p>Saiba mais</p><p>MARINHO, H. R. B. et al. Pedagogia do movimento: o universo da ludicidade e</p><p>Psicomotricidade. Curitiba: IBPEX, 2007.</p><p>11</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ADOLPH, K. E.; BERGER, S. A. Motor Development. In: DAMON, W.; LERNER,</p><p>R. (Series Ed.); KUHN, D.; SIEGLER, R. S. (Vol. Ed.). Handbook of Child</p><p>Psychology: Cognition, Perception, and Language. 6. ed. v. 2. Nova York: Wiley,</p><p>2006, p. 161-213.</p><p>ALVES, L.; BIANCHIN, M. A. O jogo como recurso de aprendizagem. Revista</p><p>Psicopedagogia, v. 27, n. 83, p. 282-287, 2010.</p><p>FERREIRA, L.; RUBIO, J. A contribuição da música no desenvolvimento da</p><p>Psicomotricidade. Revista Eletrônica Saberes da Educação, v. 3, p. 2-7, 2012.</p><p>GOMES, J. A. D. G. et al. Construção de coordenadas espaciais,</p><p>Psicomotricidade e desempenho escolar. 192 f. Dissertação (Mestrado em</p><p>Psicologia Educacional) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1998.</p><p>p. 50-53.</p><p>JUNQUEIRA, M. L. G.; FORNARI, J. Psicomotricidade na aprendizagem</p><p>musical. NICS Reports, n. 12, p. 5, 2015.</p><p>MELLO, A. M. Psicomotricidade, educação e jogos infantis. São Paulo: Ibrasa,</p><p>1989.</p><p>RABELO, K. I. L. de; AQUINO, G. B. de. Relação entre Psicomotricidade e</p><p>desenvolvimento infantil: um relato de experiência. Revista Científica da</p><p>Faminas, v. 10, n. 3, 2016.</p><p>SANTOS, A. C. A. Psicomotricidade: método dirigido e método espontâneo na</p><p>Educação Pré-Escolar. Dissertação (Mestrado em Jogo e Motricidade na Infância)</p><p>– Escola Superior de Educação, Instituto Politécnico de Coimbra, Coimbra, 2015,</p><p>p. 13.</p><p>SOARES, C. L. Educação Física escolar: conhecimento e especificidade. Revista</p><p>Paulista de Educação Física, n. supl. 2, p. 6-12, 2017.</p><p>TEIXEIRA-ARROYO, C.; OLIVEIRA, S. R. G. de. Atividade aquática e a</p><p>psicomotricidade de crianças com paralisia cerebral. Motriz. Revista de</p><p>Educação Física. UNESP, v. 13, n. 2, p. 97-98, 2007.</p><p>VIEIRA, J. L. Psicomotricidade relacional: a teoria de uma prática. Perspectivas</p><p>OnLine 2007-2011, v. 3, n. 11, p. 66-67, 2014.</p><p>AULA 6</p><p>DESENVOLVIMENTO</p><p>NEUROPSICOMOTOR E</p><p>APRENDIZAGEM</p><p>Prof. Everton Adriano de Morais</p><p>2</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Esta é nossa última aula da disciplina de Desenvolvimento</p><p>Neuropsicomotor e Aprendizagem. Nas aulas anteriores, vimos diversos temas,</p><p>assuntos e conteúdos referentes ao movimento do pensar. Foram inúmeras as</p><p>áreas que conhecemos relacionadas ao comportamento motor e aos processos</p><p>do pensamento no que tange ao desenvolvimento humano. Objetivou-se</p><p>apresentar os processos interligados e relacionados à educação, como os</p><p>processos psicológicos e os esportes, estudando áreas do conhecimento como</p><p>pedagogia, psicologia, educação física, entre outras.</p><p>Quando se fala sobre neuropsicomotricidade, é necessária uma</p><p>explanação interdisciplinar, pois o desenvolvimento humano é de extrema</p><p>complexidade, e a correlação e o estudo com base em várias áreas enriquecem</p><p>a avaliação e a análise do processo psicomotor.</p><p>Para esta última aula, falaremos a respeito da Neuropsicomotricidade, da</p><p>educação, da neurociência e da psicologia, pois entendemos que é importante</p><p>aprofundar o que já vimos em aulas anteriores.</p><p>CONTEXTUALIZANDO</p><p>A psicomotricidade pode ser trabalhada em diversas áreas do</p><p>conhecimento, e cada uma delas pode desenvolver suas particularidades, como,</p><p>por exemplo, processos de emoção e cognição. Um dos pontos importantes dessa</p><p>interdisciplinaridade refere-se aos vínculos criados para um melhor</p><p>desenvolvimento das áreas de saúde e educação, fortalecendo os estudos em</p><p>ambas e tratando casos de dificuldade de aprendizagem e déficit de forma mais</p><p>integral, possibilitando uma vida mais saudável para cada aprendiz,</p><p>pontencializando, amenizando ou removendo problemas e inabilidades</p><p>apresentadas pelos alunos de qualquer faixa etária, na escola ou na sociedade</p><p>em geral (Sousa, 2013, p. 8-9).</p><p>De acordo com Sousa (2013, p. 57-58), a psicomotricidade passa por</p><p>diversas áreas do conhecimento. Em particular, são três os campos especificados</p><p>pela autora: etnopsicomotricidade, sociopsicomotricidade e ergopsicomotricidade.</p><p>Acompanhe a descrição de cada um desses campos:</p><p>• Etnopsicomotricidade: refere-se à construção cultural de reconhecimento</p><p>dos processos do pensamento, relações interpessoais e aplicação dos</p><p>3</p><p>estudos transculturais sobre o comportamento motor. Procura entender</p><p>como ocorre o comportamento motor em diversas culturas.</p><p>• Sociopsicomotricida: desenvolve-se com base no entendimento das</p><p>diversidades sociais e suas dinâmicas. Seu papel é estudar como o</p><p>indivíduo se relaciona no que tange ao pertencimento dos grupos na prática</p><p>psicomotricista, sendo as emoções envolvidas no comportamento motor.</p><p>• Ergopsicomotricidade: corresponde à promoção de saúde para</p><p>desenvolver o indivíduo no sentido das relações trabalho-corpo e</p><p>movimento. Objetiva construir o conhecimento e o domínio das estruturas</p><p>corporais e o ajuste das vivências do indivíduo no meio social.</p><p>Esses três campos possibilitam o que a autora chama de</p><p>transpsicomotricidade, que é a inter-relação em profunda dimensão de diversas</p><p>áreas do conhecimento voltadas a conhecer e se aprofundar no processo de</p><p>entendimento da psicomotricidade – comportamento motor, processos do</p><p>pensamento, emoções, relacionamento de grupos, vivências no trabalho, escola,</p><p>lazer, família, entre outros. É grande a importância do estudo dessas áreas, mas</p><p>também das funcionalidades neurológicas por meio de áreas como, por exemplo,</p><p>Neurociência e Psicologia, no que se refere a campos relacionados ao processo</p><p>do aprender, além de outras áreas do conhecimento.</p><p>TEMA 1 – PSICOMOTRICIDADE RELACIONAL E OS PROCESSOS</p><p>PSICOLÓGICOS</p><p>A psicomotricidade relacional objetiva compreender o indivíduo em suas</p><p>particularidades em relação às dimensões psicossociais e afetivas, além de</p><p>relacionamentos interpessoais dentre diversos grupos. É grande a necessidade</p><p>de entender como o ser humano, com base no movimento, constrói seus</p><p>pensamentos com gestos e ações espontâneas, e de compreender como seu</p><p>desenvolvimento social, cultural e histórico é estabelecido por meio de um</p><p>conjunto de fatores psíquicos, emocionais e de uma comunicação verbal, ou não</p><p>(Vieira, 2014, p. 65-66).</p><p>Segundo Vieira (2014, p. 66), o psicomotricista deve ter um preparo voltado</p><p>a promover um desenvolvimento integral, correspondente a diversos aspectos:</p><p>cognitivo (atenção, memória, percepção, tomada de decisão, planejamento e</p><p>outros), da emoção (alegria, tristeza, raiva, entre outros) e social (relacionamento</p><p>4</p><p>interpessoal, pertencimento grupal e outros), além de outras capacidades</p><p>inerentes aos seres humanos. Entende-se que o ser humano é constituído por</p><p>diversos fatores no que diz respeito ao seu desenvolvimento, e esses fatores</p><p>correspondem a uma integralidade composta por uma gama de informações que</p><p>parte de inúmeros estímulos em vários contextos nos quais o indivíduo está</p><p>inserido.</p><p>A psicomotricidade relacional</p><p>também tem por objetivo construir um</p><p>processo do aprender focado no desenvolvimento com base nas relações e na</p><p>troca entre os indivíduos por meio da linguagem – do lúdico, no caso das crianças,</p><p>e no trabalho, em relação aos adultos. Essa possibilidade de relacionamento</p><p>interpessoal contribui para o crescimento dos indivíduos, de forma que cada</p><p>momento vivenciado possa cooperar para diversos avanços. Os profissionais de</p><p>Saúde ou Educação envolvidos nesse processo devem ter o entendimento de que</p><p>os valores investidos no ensino-aprendizagem não se limitam apenas a</p><p>capacidades intelectuais, ou à reprodução de um conhecimento decorado, mas a</p><p>considerar um indivíduo integral a ser desenvolvido, que precisa de atenção</p><p>voltada a cada detalhe de suas habilidades e inabilidades.</p><p>Quando se fala de movimento, de mover-se, da ação e do experienciar de</p><p>forma motora, fala-se de algo relacionado ao processo do aprender; a capacidade</p><p>motriz está diretamente ligada à aprendizagem, e isso acontece em diversos</p><p>contextos, como o escolar e o clínico. Nos primeiros passos de uma criança, ela</p><p>conhece o mundo e desenvolve suas capacidades cognitivas por meio do mover-</p><p>se – pegar um brinquedo, correr atrás do animal de estimação, andar com seus</p><p>cuidadores, e assim por diante. Dessa forma, entende-se que o principal objetivo</p><p>do profissional que atua como psicomotricista tem grande relação com o papel de</p><p>socialização, de maturidade intelectual e de desenvolvimento psicoafetivo de uma</p><p>criança, o que é fundamental quando se trata do aprender. Cada personagem que</p><p>se envolve no desenvolvimento do indivíduo representa um papel importante,</p><p>respondendo à necessidade de um olhar mais específico para que a criança, por</p><p>exemplo, cresça de forma saudável. Tal aprendizagem não é apenas papel da</p><p>escola ou das áreas pedagógicas, mas de todos os envolvidos (Vieira, 2014, p.</p><p>67).</p><p>5</p><p>TEMA 2 – PSICOMOTRICIDADE E NEUROCIÊNCIAS</p><p>O comportamento humano pode ser compreendido por meio das relações</p><p>interpessoais, mas há também uma via biológica, integrada por diversos sistemas</p><p>e organizações, cada um com sua importância e particularidade. A recepção e a</p><p>emissão de informações passam por uma grande rede: o sistema nervoso, que</p><p>controla todo esse processo. Funcionamento, localização das estruturas e relação</p><p>com o ambiente são questões estudadas intimamente por uma área da ciência</p><p>chamada de “neurociência”, que possui diversas subáreas de estudo, como</p><p>neuroanatomia, neurofisiologia, neurobiologia, neurolinguística, neurologia, entre</p><p>outras. Outra subárea refere-se à neuropsicomotricidade, que tem por objetivo</p><p>estudar os fatores psicológicos, cognitivos e emocionais do comportamento motor.</p><p>O campo das neurociências tem sido ampliado continuamente, o que possibilita</p><p>uma vasta pesquisa para o entendimento da interdisciplinaridade entre</p><p>comportamento humano e viés neurológico.</p><p>De acordo com Kandel et al. (2014, p. 5-6), a neurociência começou com</p><p>uma tradição voltada a experimentos relacionados à anatomia, à origem dos</p><p>sistemas nervosos, ao funcionamento desses sistemas, à dinâmica dos fármacos</p><p>e à psicologia. Para entender a construção da relação entre motricidade e</p><p>neurociência, é importante compreender a epistemologia dessa ciência</p><p>relacionada ao cérebro humano.</p><p>O comportamento humano de um modo geral é investigado desde os</p><p>tempos antigos (como na Grécia, por exemplo). Na Grécia antiga, eram vários os</p><p>estudiosos da mente humana e do comportamento, entre eles Platão e Aristóteles.</p><p>Platão acreditava que os pensamentos eram regidos pela cabeça (crença</p><p>platônica) enquanto Aristóteles atribuía essa função ao coração (crença</p><p>aristotélica). Assim, todos os comportamentos e ações motoras eram</p><p>consequências desses coordenadores.</p><p>Anos mais tarde, já no século XIX, estudiosos do cérebro e do</p><p>comportamento criaram diversas teorias para explicar como o cérebro funcionava</p><p>– se por partes ou estruturas isoladas, ou se equipotencialmente, ideias de Franz</p><p>Gall e Pierre Flourens, respectivamente, fisiologistas estudantes do cérebro e da</p><p>mente humana. Posteriormente, outros pesquisadores se dedicaram ao</p><p>entendimento do funcionamento do cérebro, da mente, do comportamento etc.</p><p>Como vemos por meio dessa rápida exposição a respeito do funcionamento da</p><p>6</p><p>mente humana em um viés biológico, o comportamento sempre tinha uma relação</p><p>muito próxima com esse contexto (Kandel, 2014, p. 5-6).</p><p>Entende-se que a compreensão do funcionamento de emoções,</p><p>afetividade, cognição, raciocínio e de outros processos traz um melhor</p><p>entendimento de como o funcionamento motor acontece, pois se trata de analisar</p><p>o homem em sua integralidade. O comportamento motor possui regulação e</p><p>coordenação biológicas que, por sua vez, têm investimento afetivo muito intenso</p><p>nos primeiros anos de vida; por outro lado, apresenta a necessidade de ser</p><p>compreendido por meio de um reforço social. Logo, a contribuição das</p><p>neurociências em relação ao comportamento humano possibilita enxergar uma</p><p>dimensão mais profunda dos processos psicológicos e sociais, correspondendo à</p><p>outra via que complementa o entendimento do aprender sobre a via motora.</p><p>TEMA 3 – PSICOMOTRICIDADE E NEUROPSICOLOGIA</p><p>O comportamento motor e os processos de pensamento geram inúmeras</p><p>ações e funcionamentos. O comportamento motor voluntário, após ser submetido</p><p>a um conjunto de fatores e repetições, é levado (ou não) à automatização. Por</p><p>exemplo, os primeiros passos de uma criança são dados um a um, com cuidado;</p><p>em diversas vezes há falhas e erros, ocasionando quedas. Antes mesmo dos</p><p>primeiros passos, a criança engatinha e, antes, ela rasteja. Todo comportamento</p><p>motor inicial passa por um processo gradativo de aprimoramento. E como é</p><p>controlado esse processo? Como ele sai de uma ordem mais lenta e controlada e</p><p>passa a ser mais refinado e elaborado? Todos esses processos têm uma relação</p><p>íntima com o comportamento humano e são interligados.</p><p>A capacidade motora tem uma interação direta com a questão relacional:</p><p>em toda a realização do percurso, do rastejar ao andar, há uma estimulação dos</p><p>cuidadores da criança, incentivando-a a ir do sofá até a mesa, da mesa para a</p><p>cozinha para, por exemplo, pegar a mamadeira, e assim por diante. Além disso, a</p><p>criança recebe um reforço positivo por seu sucesso em cada movimento</p><p>executado de forma correta. Sua recompensa é ouvir: “Parabéns, você</p><p>conseguiu!”, “Muito bem, muito bem!”, além de outros elogios que sejam</p><p>pertinentes. Dessa forma, pode-se perceber que desde muito cedo o andar está</p><p>ligado a condições afetivas e cognitivas: não é apenas um simples passo, mas um</p><p>“jogo” de conquistas, premiações e repetições (Gallahue; Goodway, 2013, p. 189).</p><p>7</p><p>Existem diversas áreas do conhecimento que estudam a relação entre o</p><p>movimento e o comportamento, e uma delas, em específico, é uma área da</p><p>psicologia intitulada neuropsicologia, que tem por objeto de estudo as concepções</p><p>e análises da inter-relação entre o sistema nervoso e o comportamento. Toda e</p><p>qualquer estrutura do sistema nervoso tem uma interação direta com o</p><p>comportamento humano (falar, ouvir, ver, equilibrar-se, mover-se, entre outras).</p><p>O comportamento motor é apresentado sob diversas formas nessa relação,</p><p>pois há várias estruturas cerebrais envolvidas para provocar e produzir o</p><p>movimento desejado. Como já aprendemos em aulas anteriores, o movimento é</p><p>coordenado por micro e macroestruturas modais e multimodais. Vendo pela lente</p><p>da Neuropsicologia, o funcionamento do corpo humano se dá com base em inter-</p><p>relações de vários sistemas, áreas e estruturas do sistema nervoso. Há uma</p><p>central de atendimento localizada no sistema nervoso central (SNC) que recebe a</p><p>informação da chegada do estímulo. Há, também, um filtro que distribui a</p><p>informação da chegada desse estímulo para as áreas responsáveis e, em um</p><p>tempo muito rápido, um movimento</p><p>pode ser executado, por exemplo. As</p><p>microestruturas, chamadas de neurônios sensoriais e motoneurônios, têm a</p><p>responsabilidades de receber o estímulo identificado pelas vias sensoriais e levá-</p><p>lo até o SNC, enquanto, no sentido inverso, os motoneurônios controlam a</p><p>execução do movimento, com ordem emitida pelo SNC. A função do motoneurônio</p><p>é a de continuamente contrair e relaxar o sistema musculoesquelético para a ação</p><p>do movimento (Gazzaniga et al., 2018, p. 77).</p><p>A neuropsicologia tem o objetivo de analisar os processos cognitivos e as</p><p>emoções em níveis neuroanatômico e neurofisiológico junto ao comportamento.</p><p>No caso da psicomotricidade, a neuropsicologia busca verificar a construção do</p><p>comportamento motor e as áreas envolvidas nesse processo, como, por exemplo,</p><p>o córtex pré-motor (coordenação e planejamento do movimento) e o córtex motor</p><p>(execução do movimento). É interessante realizar essa análise a fim de entender</p><p>que, além das questões sociais e de relacionamentos interpessoais, é importante</p><p>compreender como se dá a construção do movimento em nível biológico – nesse</p><p>caso, neuroanatômico e neurofisiológico. Quando o profissional tem uma ampla</p><p>gama de informações sobre o passo a passo das questões abordadas neste tema,</p><p>ele possui uma bagagem refinada para entender o indivíduo em sua integralidade,</p><p>compreendendo que o aluno pode apresentar dificuldade de expressar ações</p><p>motoras por motivos relacionais, e não por causas meramente sociais, mas com</p><p>8</p><p>explicação biológica; o oposto também pode ser verdadeiro, pois uma falha em</p><p>uma estrutura biológica pode impactar o comportamento (Fuentes et al., 2014, p.</p><p>47-48).</p><p>TEMA 4 – PSICOPEDAGOGIA E NEUROPSICOMOTRICIDADE</p><p>Há diversas áreas que trabalham com aprendizagem, como pedagogia,</p><p>história, matemática, geografia, psicologia e muitas outras. Por meio delas,</p><p>aprendemos, criamos, imaginamos e desenvolvemos nossas habilidades. Dentre</p><p>as áreas da educação, existe uma ligada à pedagogia, intitulada psicopedagogia,</p><p>que tem como objetivo estudar aquele que aprende e a aprendizagem para com</p><p>ele aplicada.</p><p>O ser humano está continuamente aprendendo coisas novas,</p><p>desenvolvendo-se, amadurecendo... E quando essa aprendizagem não é efetiva,</p><p>ou quando ela não acontece? Há alguma disfunção no cérebro? Ou uma falha no</p><p>sistema nervoso? Seria o caso de administrar medicação? Seria falta de atenção</p><p>devido a defasagens nas áreas cerebrais responsáveis por essa função cognitiva?</p><p>Nem sempre. Isso pode, sim, acontecer, porém, entende-se que é uma falha em</p><p>uma sistematização, ou seja, uma série de fatores, inclusive quanto ao método</p><p>aplicado, que pode gerar a dificuldade de aprender e apreender. A</p><p>Psicopedagogia tem por foco essa análise, visando uma possível reabilitação das</p><p>funções comprometidas que ocasionam a dificuldade (Sobrinho, 2016, p. 11-12).</p><p>Os processos de aprendizagem são estudados de forma minuciosa pelos</p><p>psicopedagogos, pois o mau funcionamento dos sistemas do aprender pode</p><p>comprometer como os educandos se desenvolvem em diversas áreas, como, por</p><p>exemplo, a aprendizagem motora dos alunos em relação ao escrever. Caso os</p><p>mecanismos aplicados à escrita (coordenação motora fina, dominância manual,</p><p>reflexo palmar etc.) não estejam aprimorados ou em uma dimensão esperada,</p><p>como conseguir desenhar e escrever, isso deve ser investigado. O objeto de</p><p>estudo da Psicopedagogia corresponde ao processo do aprender. Com isso,</p><p>pode-se entender que essa área deve explorar diversas outras áreas (pedagogia,</p><p>psicologia, medicina, filosofia) para construir suas ferramentas.</p><p>O profissional da psicopedagogia tem papel importante no</p><p>desenvolvimento de uma criança. O indivíduo tem, de forma gradativa, uma</p><p>aprendizagem motora sendo desenvolvida; porém, no início, ela corresponde</p><p>apenas a comportamento reflexos. Conforme o tempo vai passando, a criança</p><p>9</p><p>aprende novos comportamentos, novas ações etc. Caso haja uma falha nesse</p><p>desenvolvimento, o psicopedagogo pode criar possibilidades por meio de seus</p><p>exercícios e relacionar os processos de pensamento, aprendizagem e</p><p>comportamento motor. Após uma avaliação, que demanda uma técnica a ser</p><p>aplicada, possivelmente identifica-se a dificuldade no aprender, que pode ser</p><p>reeducada e contar com novas ações quanto ao processo do aprender.</p><p>Os distúrbios da aprendizagem são os mais diversos (defasagem</p><p>neurológica, emocional, cognitiva, que pode levar a um problema</p><p>neuropsicomotor, por exemplo). Nesse momento, o profissional que atua como</p><p>psicopedagogo pode utilizar suas ferramentas para avaliação do motivo da não</p><p>aprendizagem. Contudo, para entender o porquê, é importante compreender o</p><p>processo, a fim de reduzir ou remover o problema (Sobrinho, 2016, p. 81-82).</p><p>TEMA 5 – PSICOLOGIA DO COMPORTAMENTO, ADAPTAÇÃO,</p><p>APRENDIZAGEM E PSICOMOTRICIDADE</p><p>Conforme Haydu (2003, p. 103-136), é possível analisar que o grande</p><p>desenvolvimento do ser humano está embasado nas constantes variações</p><p>visando sobrevivência. A compreensão, o desenvolvimento e a adaptação de um</p><p>indivíduo envolvem a concepção e a análise do meio no qual ele vive, podendo</p><p>desenvolver habilidades comportamentais e psicomotoras. Essa concepção</p><p>refere-se ao comportamento ser classificado de duas formas: aspectos naturais e</p><p>aspectos funcionais. Todavia, situações comportamentais de crianças são</p><p>analisadas como funções de seus aspectos anteriores. O modelo anteriormente</p><p>estabelecido é considerado como processo de interação entre organismo e</p><p>ambiente, e por meio desse conceito ocorrem constantes alterações, de forma</p><p>ininterrupta, sofrendo variações e modificações de acordo com o ambiente, a</p><p>classe de eventos e as ações definidas pelo efeito comum no ambiente.</p><p>Segundo Haydu, o psicólogo estadunidense B. F. Skinner defendia a ideia</p><p>de que o comportamento do indivíduo não se restringe a observações,</p><p>denominando esse contexto de comportamento de respostas encobertas – o</p><p>ambiente inclui o conjunto de estímulos capaz de fazer interagir ambiente e</p><p>organismo. Entre outros estudiosos, a concepção é a de que o desenvolvimento</p><p>de um indivíduo corresponde a um processo de evidência histórica. Expõe-se</p><p>também a interação entre o meio social e físico, em que um recém-nascido possui</p><p>um repertório limitado de comportamentos: por exemplo, há reflexos e um</p><p>10</p><p>processo de interação entre o evento ambiental e o organismo. Dentro desse</p><p>contexto, observa-se que há relevância para a sobrevivência de um bebê; o</p><p>desenvolvimento do indivíduo é decorrente da ampliação comportamental, de</p><p>novos comandos, ações, comportamentos motores, cognições ampliadas, além</p><p>de outros processos.</p><p>Entende-se que há uma evolução no comportamento, e o repertório do</p><p>indivíduo não se limita aos processos condicionados correspondentes (reflexos</p><p>dos primeiros meses ou anos de vida). Um dos comportamentos que sofre</p><p>evolução é o choro, ora causado por estímulos específicos, danos, lesões etc.,</p><p>ora resultado de o bebê sentir frio, forme, entre outras causas fisiológicas. É</p><p>importante destacar que os estímulos discriminativos não eliciam respostas</p><p>operantes e a contingência de estímulos na infância. Pode-se considerar que o</p><p>indivíduo, desde a tenra idade, não é totalmente determinado ou determinante;</p><p>em inúmeras situações existe a necessidade de se submeter a relações que</p><p>estabelecem seu ambiente social e natural.</p><p>FINALIZANDO</p><p>Os processos psicomotores passam por diversos fatores do</p><p>desenvolvimento. A funcionalidade de cada particularidade atribui ao indivíduo</p><p>grande riqueza de informações quanto ao aprender. Entende-se que cada</p><p>aquisição de novas aprendizagens também promove alterações sociais,</p><p>psicológicas e cognitivas. O amadurecimento é composto por uma integralidade</p><p>que compõe o ser, abarcando fatores que não são determinados apenas de forma</p><p>endógena ou exógena, mas por uma ligação entre ambas as formas.</p><p>Compreender</p><p>que o processo neuropsicomotor não se restringe apenas a</p><p>estruturas cerebrais é muito importante. As emoções ou cognições não decorrem</p><p>somente de momentos de alegria ou de tristeza intensa, mas são disparadores</p><p>importantes para a consolidação do aprender, e conferem ao educador e ao</p><p>educando uma relação sólida, desde que consigam intensificar o processo</p><p>sistemático do aprender. Executar ações motoras não corresponde só a uma</p><p>demanda do ambiente (correr, andar, pular, escrever); mais que isso, é o ato de</p><p>se relacionar e vivenciar por meio do movimento.</p><p>11</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>Texto de abordagem teórica</p><p>CABRAL, S. V. Psicomotricidade relacional: prática clínica e escolar. Rio de</p><p>Janeiro: Revinter, 2001.</p><p>Saiba mais</p><p>COSTA, A. C. Psicopedagogia e psicomotricidade: pontos de intersecção nas</p><p>dificuldades de aprendizagem. Petrópolis: Vozes, 2001.</p><p>12</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>FUENTES, D. et al. Neuropsicologia: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed,</p><p>2014, p. 47-48.</p><p>GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o</p><p>desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. Porto Alegre:</p><p>AMGH, 2013, p. 189.</p><p>HAYDU, V. B. “Aprendizagem: desenvolvimento e adaptação”. In: ZAMBERLAN,</p><p>M. A. T. (Org.). Psicologia e prevenção: modelos de intervenção na infância e</p><p>adolescência. Londrina: Eduel, 2003, p. 103-136.</p><p>KANDEL, E. et al. Princípios de Neurociências-5. Porto Alegre: AMGH, 2014, p.</p><p>5-6.</p><p>SOBRINHO, P. J. Fundamento da psicopedagogia. São Paulo: Cengage, 2016,</p><p>p. 11-12; 81-82.</p><p>SOUSA, D. C. de. A pluralidade dos vínculos em Psicomotricidade: multi, inter e</p><p>transdisciplinaridade. MESA-REDONDA NO XII CONGRESSO BRASILEIRO DE</p><p>PSICOMOTRICIDADE. Vínculos em Psicomotricidade: o real e o virtual.</p><p>Moderação de Eduardo Costa. 12 a 15 de setembro de 2013. Universidade</p><p>Estadual do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, p. 8-9; 57-58.</p><p>VIEIRA, J. L. Psicomotricidade relacional: a teoria de uma prática. Perspectivas</p><p>Online, v. 3, n. 11, 2014.</p><p>Conversa inicial</p><p>Contextualizando</p><p>TEMA 1 – Desenvolvimento Neuropsicomotor e o aprendizado em diversos contextos</p><p>TEMA 2 – Aspectos Neurobiológicos do comportamento motor</p><p>TEMA 3 – Emoções, afetividade e o comportamento motor</p><p>TEMA 4 – Processos integradores da linguagem e o desenvolvimento neuropsicomotor</p><p>TEMA 5 – práticas psicopedagógicas e psicomotricidade</p><p>FINALIZANDO</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>Conversa inicial</p><p>Conversa inicial</p><p>Contextualizando</p><p>LEITURA OBRIGATÓRIA</p><p>Conversa inicial</p><p>Contextualizando</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>Conversa inicial</p><p>Contextualizando</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>interligada, sendo as emoções como alegria, medo, raiva etc. ligadas a cognição,</p><p>como atenção, memória, raciocínio lógico entre outros, e todo esse processo é</p><p>iniciado em uma região intitulada córtex pré-frontal, mais especificamente no</p><p>orbitofrontal-ventromedial (OF). Em seguida, o funcionamento prossegue a uma</p><p>ligação a outra estrutura, esta chamada de córtex pré-frontal dorsolateral</p><p>(CPFDL). Posteriormente, a continuidade ocorre em um região do lobo frontal</p><p>intitulada pré-motora (PM), e a ordem de execução do movimento em si é efetuada</p><p>na região motora primária (M1). Por fim, o movimento controlado é efetivado</p><p>(Kandel et al., 2014, p.356). Pode-se exemplificar a sequência de descrita a partir</p><p>de um atleta em atuação, como um jogador de futebol que vai executar uma</p><p>cobrança de pênalti. Ele planeja em qual canto fará a cobrança e o lado do pé que</p><p>vai usar para chutar a bola, pensa de forma hipotética qual será o movimento do</p><p>goleiro. Em seguida, corre para a bola, faz uso de vários sistemas do seu</p><p>organismo, como ossos, músculos, controle de respiração, pressão do</p><p>movimento, força do chute etc., até que, para finalizar o movimento, chuta a bola</p><p>6</p><p>em direção ao gol. Ou seja, houve um planejamento, um comportamento pré-</p><p>motor e posteriormente motor (execução). Para ilustrar de forma estrutural</p><p>cerebral toda essa explicação, abaixo segue uma imagem com a descrição visual</p><p>de como ocorre toda a situação:</p><p>Figura 2 – Estruturas cerebrais do lobo frontal envolvidas no comportamento</p><p>motor dirigido</p><p>Crédito: Grayjay/Shutterstock.</p><p>Todo esse funcionamento foi identificado a partir de pacientes que sofreram</p><p>lesões restritas ao lobo frontal, nas quais houve deterioração das estruturas</p><p>cerebrais específicas que afetou diretamente a motricidade direta e voluntária no</p><p>que diz respeito ao comportamento motor. Outro ponto importante a ser destacado</p><p>é a relação da cognição e da emoção junto ao comportamento de execução</p><p>motora. A tomada de decisão e o planejamento quanto a cognição e sua relação</p><p>com a emoção intitulada medo, por exemplo, pode dificultar a execução de um</p><p>movimento. Caso haja alto nível de carga emocional, pode-se dificultar a</p><p>efetivação do movimento de andar de bicicleta, que exige equilíbrio e execução</p><p>paralela de motricidade dirigida. Desta forma, é possível analisar que, no viés de</p><p>aspectos biológicos, o comportamento motor tem sua complexidade interligada</p><p>aos mecanismos de funcionamento cerebral a partir de inúmeras áreas. Estas, por</p><p>7</p><p>sua vez, regulam e controlam a motricidade dirigida a um objetivo específico,</p><p>como andar, correr, pular, dançar, digitar, entre outros, e demonstra a ligação</p><p>direta entre o movimento e o pensamento no que se refere a construção da</p><p>coordenação motora fina ou grossa, por exemplo.</p><p>TEMA 3 – EMOÇÕES, AFETIVIDADE E O COMPORTAMENTO MOTOR</p><p>O encéfalo possui diversas estruturas responsáveis pelo sistema de</p><p>regulação, ativação e funcionalidade de processos psicofisiológicos e motores.</p><p>Uma das características desse funcionamento são as emoções, as quais podem</p><p>ser classificadas inicialmente como primárias (inatas) e secundárias (evolutivas).</p><p>De acordo com Kendal et al. (p. 303, 2014), em meados do século XX, um</p><p>pesquisador chamado Pierre Paul Broca foi o primeiro a designar e classificar</p><p>porções do cérebro como lobo frontal por sua responsabilidade direta no controle</p><p>do movimento voluntário; parietal, com funções somatossensoriais; e temporal,</p><p>com atribuições de funções auditivas, linguagem compreensiva e emoções. O</p><p>lobo entorno contínuo envolto do córtex temporal ele inicialmente chamou de lobo</p><p>límbico.</p><p>O córtex associativo límbico tem diversas funções, sendo uma delas a</p><p>responsabilidade pelas emoções. Para que esse funcionamento ocorra, há</p><p>diversas estruturas envolvidas, por exemplo: giro do cíngulo, hipotálamo e</p><p>amígdala. Esse conjunto de estruturas cerebrais tem por objetivo funcional ativo</p><p>o desempenho de consolidação de memórias de longa duração e das emoções</p><p>(Kendal et al., 2014, p. 361) e forma o sistema chamado límbico, um circuito</p><p>responsável pelas emoções. Este, por sua vez, tem uma importante ligação de</p><p>forma intrínseca com mecanismos de áreas corticais. Esse circuito envolve</p><p>diversas estruturas do sistema nervoso para o recebimento das informações pelos</p><p>nervos sensitivos, interpretado por hipotálamo, giro cingulado e hipocampo, tendo</p><p>ativações viscerais responsáveis pela sistematização do funcionamento</p><p>fisiológico das emoções (Holanda, p. 8, 2013; Machado, p. 277-281,1993; Lent,</p><p>2004).</p><p>O neurologista Ledoux (2001), especialista em estudo de emoções e</p><p>funções do sistema límbico, lança a seguinte questão: “Nós controlamos nossas</p><p>emoções ou elas nos controlam?” Em outras palavras, trata-se de uma relação</p><p>que não exige somente uma tomada de decisão, mas um envolvimento direto com</p><p>diversos processos cognitivos, como autocontrole, e com o comportamento motor</p><p>8</p><p>voluntário, e determinadas vezes o poder fazer e o não poder fazer. Esse processo</p><p>exige uma relação direta com as funções cognitivas e as emoções. Uma decisão</p><p>pode mudar totalmente um contexto, e, através da cognição, uma pessoa pode</p><p>defender-se frente a um evento aversivo ou lastimar, ativando sua emoção</p><p>primária intitulada tristeza e produzindo a fraqueza de não conseguir se controlar</p><p>em uma situação de impulso.</p><p>A concepção da funcionalidade das emoções e sua relação com as funções</p><p>cognitivas têm sido motivo de exploração há algum tempo. De acordo com</p><p>pesquisas realizadas por Walter Mischel (Gazzaniga, 2017), utilizando a aplicação</p><p>do método Delay of gratification, ou atraso de gratificação, foi possível analisar o</p><p>comportamento humano e sua relação com autocontrole e tomada de decisão,</p><p>que possuem ligações diretas com a motricidade voluntária dirigida a um objetivo</p><p>específico, inclusive ligado às emoções.</p><p>No experimento, crianças eram colocadas individualmente em uma sala</p><p>espelhada e era dado um marshmallow para cada uma. Fazia-se um acordo de</p><p>que elas deveriam aguardá-lo para futuramente receber outro marshmallow. Na</p><p>ocasião, Mischel avaliou indivíduos com quatro anos de idade e, posteriormente,</p><p>acompanhou-os dez anos mais tarde. Por meio do acompanhamento, houve</p><p>possibilidade de analisar que indivíduos que conseguiram adiar a gratificação</p><p>tornaram-se mais competentes socialmente e mais capazes de lidar com</p><p>frustrações.</p><p>Mischel (Gazzaniga, 2017) classifica com sua colega de pesquisa Janet</p><p>Metcalfe estratégias para esse autocontrole, como cognições quentes e cognições</p><p>frias, em que relata também especificações e funções cerebrais para esses</p><p>critérios. Diante do método utilizado, cada criança desenvolvia sua técnica de</p><p>autocontrole em relação às emoções contidas na atividade. Havia crianças que</p><p>desenvolviam técnicas como fechar os olhos, pensar em nuvens ou não olhar para</p><p>o alimento. Cada indivíduo foi questionado a respeito da técnica utilizada para</p><p>desenvolver o autocontrole exigido, e foi possível notar as cognições quentes</p><p>sendo transformadas em frias, pois o indivíduo alterava a situação gratificante</p><p>para um conceito apenas simbólico.</p><p>Com isso, podem-se verificar as situações de defesa através das cognições</p><p>frias de um indivíduo frente a um evento aversivo, uma vez que o objeto desejado</p><p>simbolicamente torna-se indesejado. Conforme Mischel (Gazzaniga, 2017),</p><p>através dessa teoria, pode-se afirmar que a função da amígdala processa os</p><p>9</p><p>aspectos gratificantes (cognições quentes), enquanto o hipocampo processa os</p><p>conceitos simbólicos (cognições frias), planejamentos e objetivos estratégicos e,</p><p>por esse motivo, responsabiliza-se pelo autocontrole, junto com outras estruturas</p><p>cerebrais, como o córtex frontal.</p><p>Ledoux (2001), em seu livro O cérebro emocional, relata a maneira</p><p>interpretativa de neurologistas referente a emoção e cognição, pois eles dividem</p><p>uma da</p><p>outra, porém, mais tarde, pode-se comprovar o vínculo de ambas. Como</p><p>no experimento, dá-se a entender como as crianças fugiam psiquicamente do</p><p>contexto, utilizando a memória em caso de lembrar-se das nuvens, ou o próprio</p><p>autocontrole freando o impulso para não ingerir o alimento e aguardar a premiação</p><p>avisada.</p><p>Assim, pode-se inferir que a emoção tem grande influência nos processos</p><p>de adaptação e condução de aprendizagem, pois o amadurecimento no</p><p>desenvolvimento humano influencia diretamente a aprendizagem. Henry Wallon</p><p>trata a efetividade ou a vida emocional essencial para a aprendizagem, pois esta</p><p>deve ser considerada para todos os contextos do cotidiano. Um aluno que</p><p>expressa alegria ou tristeza tem grandes alterações não apenas fisiológicas</p><p>viscerais no organismo, mas também nas ações dos processos psicológicos, e</p><p>isso pode afetar sua capacidade cognitiva do aprender.</p><p>Exatamente por isso se deve analisar todo o funcionamento da</p><p>aprendizagem, suas estruturas, a capacidade emocional e a de lidar com estas.</p><p>Um aluno que apresenta medo de frequentar uma escola devido a uma</p><p>complicação fisiológica não pode ser encarado apenas como um aluno que está</p><p>só com medo, mas deve ser considerado o que isso pode gerar de transformação</p><p>no estado de aprendizagem do aluno (Almeida, 1999, p. 74).</p><p>TEMA 4 – PROCESSOS INTEGRADORES DA LINGUAGEM E O</p><p>DESENVOLVIMENTO NEUROPSICOMOTOR</p><p>A linguagem tem diversas interligações e processos integradores. O ato de</p><p>falar tem suas relações diretas com a construção articulada do movimento,</p><p>expressões faciais e gestos executados ao falar. Isso ocorre devido à</p><p>interdependência das funções psicomotoras. Quando se fala da linguagem oral, a</p><p>fala e sua articulação têm envolvimento com o comportamento motor. A estrutura</p><p>cerebral localizada no lobo frontal, mais precisamente no hemisfério esquerdo, é</p><p>conhecida classicamente como área de Broca e tem por responsabilidade a</p><p>10</p><p>execução da expressão da linguagem oral em um viés motor, o que, por sua vez,</p><p>tem ligação direta com a compreensão da fala e envolve as estruturas de lobo</p><p>temporal e parietal, conhecidas como área de Wernicke (Cosenza; Guerra, 2011,</p><p>p. 100). Abaixo segue, a descrição desse processo a partir de uma figura</p><p>ilustrativa do cérebro:</p><p>Figura 3 – Descrição das estruturas cerebrais conhecidas como área de Broca e</p><p>área de Wernicke</p><p>Crédito: OKILI77/ Shutterstock.</p><p>Outro ponto importante a ser mencionado sobre linguagem e</p><p>comportamento motor é a escrita. Esta envolve movimentos de articulação</p><p>manual, mas também de coordenação visomotora. Ao ver um texto, uma palavra</p><p>ou até mesmo um símbolo, a sua reprodução por meio da escrita exige processos</p><p>cognitivos, como atenção, categorização, tomada de decisão, planejamento, entre</p><p>outros aspectos. Segundo Cosenza e Guerra (2011, p. 101), a escrita é</p><p>tecnicamente uma descoberta recente na história humana, e, por esse motivo,</p><p>não há uma organização neurobiológica preestabelecida. Por isso, para a</p><p>execução desse comportamento motor chamado escrita, há um requerimento e</p><p>uma reorganização de circuitos cerebrais que exercem e efetivam outras funções,</p><p>mas que, por sua vez, são utilizados na linguagem escrita. O contato com a</p><p>linguagem faz alterações e modificações às quais os seres humanos reagem de</p><p>formas peculiares (Cosenza; Guerra, 2011, p. 101). Por esse motivo, entende-se</p><p>11</p><p>que existe uma integração entre a linguagem e seu processo de humanização,</p><p>junto a motricidade voluntária e, por sua vez, a relação com diversos processos</p><p>cognitivos.</p><p>TEMA 5 – PRÁTICAS PSICOPEDAGÓGICAS E PSICOMOTRICIDADE</p><p>O desenvolvimento psicomotor exige uma atividade contínua de</p><p>aprendizagem e exercícios. Em uma visão neuropsicológica, em que é possível</p><p>relacionar o comportamento e os processos cognitivos, as crianças passam por</p><p>uma maturação nervosa e têm uma interação prática com o movimento desde o</p><p>nascer, o que prossegue no decorrer da vida. Porém, é importante não limitar o</p><p>processo de aprendizagem motriz apenas ao desenvolvimento e à maturação</p><p>biológica. É necessário também trazer a discussão à interação social que contribui</p><p>para a motricidade e seu desenvolvimento.</p><p>Situações como pegar uma caneta em mãos e escrever, abrir uma lata de</p><p>conserva, dirigir, jogar tênis ou beisebol trazem uma demanda social, e esta tem</p><p>sua responsabilidade no desenvolvimento motor. Mesmo que de um modo geral,</p><p>caso o indivíduo não tenha uma habilidade refinada, pelo contrário, tenha uma</p><p>inabilidade ao efetivar tais funções, estas provocam uma modificação no sistema</p><p>nervoso de seu executor (Fernandes e Filho, 2012, p.18-20).</p><p>A prática psicopedagógica tem por objetivo explorar e investigar as</p><p>dificuldades apresentadas, e estas, serem reduzidas ou removidas em relação ao</p><p>comportamento. Atividades de treinamento para reabilitação são de extrema</p><p>importância para aprimorar e trazer habilidades motoras de uma forma</p><p>aperfeiçoada a um indivíduo com dificuldades de execução no sentido de</p><p>motricidade. Outro ponto a ser avaliado é o vínculo que o profissional que utiliza</p><p>a prática psicopedagógica estabelece junto ao indivíduo. É necessário entender</p><p>como isso acontece, pois há uma importância extrema em fazer esse vínculo, a</p><p>interação social. De acordo com Fernandes e Filho (2012, p. 23), quando não se</p><p>faz vínculo, não há como fazer referência, o que dificulta o trabalho de um</p><p>profissional da área da saúde e da educação para lograr êxito em suas atividades</p><p>preparadas. Para alunos deficientes que possuem mobilidade reduzida, é</p><p>necessário que o professor ou educador que for agir construa as atividades</p><p>adequadas para o bom andamento e desenvolvimento do indivíduo.</p><p>12</p><p>FINALIZANDO</p><p>Pode-se entender que o comportamento motor apresenta uma</p><p>interdependência a diversos processos cognitivos e emocionais. As estruturas</p><p>biológicas são inúmeras, e o envolvimento social também se faz de extrema</p><p>importância no desenvolvimento motor. A ação de profissionais preparados e</p><p>atentos a todos os processos relacionados a interação social, afetividade e</p><p>emoções e aos pensamentos proporciona um auxílio no acompanhamento</p><p>neuropsicomotor de cada indivíduo.</p><p>Como foi discorrido nesta aula, o entendimento de estruturas cerebrais,</p><p>suas interligações, seus funcionamentos e interligações sistemáticas ajuda a</p><p>compreender como se pode trabalhar no bom desenvolvimento de cada indivíduo</p><p>e, com isso, possibilita o respeito de suas particularidades, o gradativo</p><p>amadurecimento e o equilíbrio do sistema biológico. Por este motivo, o</p><p>conhecimento do desenvolvimento neuropsicomotor é de extrema importância</p><p>para compreensão dos processos de aprendizagem.</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>Texto de abordagem teórica</p><p>ROSSI, F. S. Considerações sobre a psicomotricidade na educação infantil.</p><p>Revista Vozes dos Vales da UFVJM, Publicações Acadêmicas, n. 2012.</p><p>VIEIRA, J. L. Psicomotricidade relacional: a teoria de uma prática. Perspectivas</p><p>On Line 2007-2011, v. 3, n. 11, 2014.</p><p>FALCÃO, H. T.; BARRETO, M. A. M. Breve histórico da psicomotricidade. Ensino,</p><p>saúde e ambiente, v. 2, n. 2, 2009.</p><p>13</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALMEIDA, A. R. S. Emoção na sala de aula. Campinas: Papirus, 1999.</p><p>COSENZA, R.; GUERRA, L. Neurociência e educação. Porto Alegre: Artmed,</p><p>2009.</p><p>GAZZANIGA, M. S. Ciência psicológica: mente, cérebro e comportamento. Porto</p><p>Alegre: Artmed, 2005. p. 314 – 341.</p><p>HOLANDA, V. N. et al. As bases biológicas do medo: uma revisão sistemática da</p><p>literatura. Revista Interfaces: Saúde, Humanas e Tecnologia, v. 1, n. 3, 2013.</p><p>LEDOUX, J. O que o amor tem a ver com isso? In: O cérebro emocional: os</p><p>misteriosos alicerces da vida emocional. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 11-20.</p><p>LENT, R. Cem bilhões de neurônios: conceitos fundamentais de neurociência.</p><p>São Paulo: Atheneu, 2004.</p><p>MACHADO, A. Áreas encefálicas relacionadas com as emoções. O sistema</p><p>límbico. Neuroanatomia</p><p>funcional. 2. ed. Belo Horizonte: Atheneu, 1993. p. 277-</p><p>281.</p><p>AULA 2</p><p>DESENVOLVIMENTO</p><p>NEUROPSICOMOTOR E</p><p>APRENDIZAGEM</p><p>Prof. Everton Adriano de Morais</p><p>2</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Nobres alunos, sejam bem-vindos à segunda aula sobre comportamento</p><p>neuropsicomotor e aprendizagem. Para este momento, a discussão está pautada</p><p>em conteúdos referentes a interações entre funções cognitivas e comportamento</p><p>motor, em consideração ao aspecto gradual de como o ser humano aprende e</p><p>apreende o conhecimento. Você já parou para pensar que digitar um texto envolve</p><p>inúmeros processos cognitivos, além de linguagem e do próprio comportamento</p><p>motor? Considere como a sua história de vida, o modo como se deu a construção</p><p>do conhecimento a partir do contexto de vivências escolares, familiares e sociais,</p><p>de um modo geral, faz com que você seja capaz de transportar, por exemplo, o</p><p>símbolo de uma placa de trânsito para um conjunto semântico de fatores que</p><p>influenciam a forma como você se porta diante de uma situação de tomada de</p><p>decisão.</p><p>A descoberta do significado de direita e esquerda, horizontal e vertical,</p><p>oriente e ocidente, qual dia você faz aniversário, quando ocorreu a queda das</p><p>torres gêmeas estadunidenses, um número de telefone não anotado e</p><p>posteriormente evocado – o que todas essas informações têm a ver com o</p><p>aprender e com a motricidade? Direta ou indiretamente, informações mnemônicas</p><p>acarretam em organização no espaço e no tempo; como isso acontece? Depende</p><p>diretamente de como aprendemos. Assim, a aula que se inicia irá explorar os</p><p>processos cognitivos interligados ao comportamento neuropsicomotor.</p><p>CONTEXTUALIZANDO</p><p>Dentre diversas teorias da aprendizagem voltadas a explicar o</p><p>comportamento motor, podemos analisar a teoria walloniana. Essa teoria</p><p>contribuiu significativamente, como suporte teórico, para a compreensão da</p><p>dimensão social e afetiva do desenvolvimento em relação à aprendizagem e a</p><p>motricidade, pois revelou a interação entre ambos os processos. Henri Wallon</p><p>enfatizou de um modo especial a comunicação humana nos primeiros anos de</p><p>vida, e sua maturação de um modo geral. Ele também deu enfoque à influência</p><p>do meio social no desenvolvimento do ser humano, o que inclui o seu contexto</p><p>histórico e social.</p><p>De acordo com Guedes (2011), Wallon aborda, em sua teoria, temas como</p><p>emoção, motricidade, formação da personalidade, linguagem, e pensamento.</p><p>3</p><p>Estuda o modo como aprendemos e a forma como o indivíduo desenvolve suas</p><p>capacidades cognitivas e emocionais.</p><p>Obviamente, há outras teorias da aprendizagem que também contribuem</p><p>para a literatura quanto às fases do desenvolvimento e sua construção</p><p>maturacional de motricidade, cognição e interação social. No decorrer desta aula,</p><p>algumas delas serão comentadas e descritas, com a finalidade de mostrar a</p><p>importância do comportamento motor, a forma como evolui e contribui com o</p><p>funcionamento dos pensamentos, a criação de ideias e a coordenação motora</p><p>fina. O objetivo desta aula é traçar uma correlação entre os temas propostos e a</p><p>forma como o ser humano nasce, cresce e se desenvolve, considerando o</p><p>aprender voltado ao brincar, ao estudar, ao relacionar-se, à vivência e ao</p><p>compartilhamento do que é aprendido. Tudo isso com o suporte das teorias da</p><p>aprendizagem e da motricidade.</p><p>TEMA 1 – LUDICIDADE E PSICOMOTRICIDADE</p><p>O comportamento motor é desenvolvido a partir de diversos fatores, entre</p><p>eles a ludicidade. A psicomotricidade é conhecida por funções que são</p><p>relacionadas a processos do pensamento, e isso envolve tanto emoção quanto</p><p>cognição. Assim, de acordo com Silva e Haetinger (2013), o termo</p><p>psicomotricidade tem por definição a ciência que tem por objeto de estudo o</p><p>homem em seu desenvolvimento relacionado ao movimento, seja interno ou</p><p>externo, incluindo aí a socialização e suas produções.</p><p>A educação psicomotora abrange aprendizagens progressivas, referentes</p><p>a etapas do desenvolvimento do indivíduo que interferem diretamente nos</p><p>aspectos cognitivos. O meio interno ou externo influencia diretamente na</p><p>maturação da psicomotricidade, que se realiza em âmbitos diversos, como escola</p><p>e casa, em atividades lúdicas nos mais diversos locais e ambientes. A participação</p><p>de pais, adultos, professores e educadores em geral tem imensa importância</p><p>nesse processo. Música, dança, práticas diversas de artes-educadoras, e</p><p>atividades físicas em geral são a base para o desenvolvimento da vida motora de</p><p>uma criança (Silva; Haetinger, 2013).</p><p>Além da aprendizagem e da maturação biológica, a psicomotricidade</p><p>produz uma melhora comportamental em cada indivíduo, pela socialização e</p><p>adaptação ao mundo exterior, que se configuram como os principais e mais</p><p>eficazes motivos para a progressão psicomotriz. Mas o que ocorre quando não há</p><p>4</p><p>desenvolvimento? Para entender esse ponto, é necessário analisar</p><p>minuciosamente cada caso e propor uma reeducação psicomotora. Com isso,</p><p>reeducar é também orientar o indivíduo a assimilar etapas que não foram</p><p>desenvolvidas progressivamente; o mesmo vale para dificuldades relacionadas à</p><p>coordenação de processos de pensamento e do comportamento motor.</p><p>Para que ocorra pleno desenvolvimento, o brincar é de extrema</p><p>importância: além de exercitar movimentos, contribui para criatividade,</p><p>planejamento, tomada de decisão, cinestesia, entre outros processos do</p><p>pensamento. As brincadeiras são as mais variadas e estão relacionadas com a</p><p>cultura em que o indivíduo está inserido. A inteligência é outra questão a ser</p><p>analisada, em especial a capacidade de lidar com as influências ambientais da</p><p>família, da sociedade e da ação do próprio indivíduo na sua aprendizagem.</p><p>Outra condição extremamente importante na aprendizagem psicomotora,</p><p>que envolve o brincar intimamente, é o escrever. Esta condição tem como</p><p>precursora a construção de símbolos e signos que contribuem para a transcrição</p><p>de pensamentos, e dá espaço à criatividade. Este processo precede a transcrição,</p><p>mas se dá concomitantemente ao simbólico, ao brincar e ao desenhar, em uma</p><p>reconstrução contínua de pensamentos. Após este processo inicial, é atribuído</p><p>um significado convencional e arbitrário ao produto, dando espaço à escrita; isso</p><p>depende de todo um processo complexo, que não envolve apenas o</p><p>comportamento psicomotor. Apesar da psicomotricidade ser precursora,</p><p>posteriormente a criança desenvolve uma percepção conceitual, que varia</p><p>conforme sua realidade.</p><p>Dessa forma, pode-se considerar que o desenho ou o brincar trazem de</p><p>forma precursora a ideia de linguagem escrita; para tal, são utilizados conceitos</p><p>semânticos. Por exemplo, o ato de brincar com um pedaço de madeira pode</p><p>indicar um boneco de brinquedo. A semelhança gestual com a escrita está em</p><p>entender que o objeto atual denota um significado para uma determina ação, a</p><p>qual posteriormente terá outro sentido; o mesmo se dá no processo semântico da</p><p>escrita. Uma palavra traz um certo significado dentro de um contexto, mas em</p><p>outro não (Maluf; Cardoso-Martins, 2013).</p><p>A ludicidade é fundamentalmente importante às condições cognitivas, que</p><p>se relacionam, por sua vez, ao comportamento motor. O brincar caracteriza-se</p><p>como um preparo a movimentos complexos, à criatividade e ao desenvolvimento</p><p>intelectual dos indivíduos.</p><p>5</p><p>TEMA 2 – PSICOGÊNESE, APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO</p><p>Wallon (1975) aprofundou seus estudos em uma pesquisa chamada</p><p>Psicologia Genética, que trata da gênese dos processos psíquicos. O autor</p><p>acreditava que determinadas situações precursoras do psiquismo podem ajudar</p><p>a compreender a vida psíquica na sua totalidade, e que para tanto a observação</p><p>é o principal método de pesquisa.</p><p>Sua teoria partia do pressuposto de que o homem não pode ser dividido</p><p>em sociável e biológico, devido às exigências tanto do organismo quanto da</p><p>sociedade, presentes na vida de todos. Por meio de tal conceito, concluía que o</p><p>homem possui uma inteligência genética e organicamente social, e que isso</p><p>ocorre devido à relação entre o ambiente social e questões biológicas, por meio</p><p>da qual o indivíduo se constrói, por meio da reciprocidade e da interdependência</p><p>com o meio.</p><p>Após estudar o comportamento infantil, Wallon (1975) contextualizou as</p><p>condutas das crianças com base no meio em que o sujeito vive, incluindo aspectos</p><p>como a cultura, o social e o familiar, entre outros. Ele afirma que a condição e o</p><p>meio em que a criança vive determinam o seu desenvolvimento.</p><p>O desenvolvimento é visto em referência ao todo. Wallon (1975)</p><p>compreende que o psiquismo da criança é desenvolvido de forma descontínua,</p><p>carregando a marca de muitas contradições, devido às situações de maturação</p><p>orgânica e à relação com o ambiente. A teoria walloniana se contrapõe à teoria</p><p>chamada de linear, que propõe um desenvolvimento por etapas definidas e</p><p>sequencias; nesta, os aspectos do processo não são superados por outros, porém</p><p>podem ocorrer em outro momento da vida. Acredita-se que a idade da criança</p><p>também estabelece uma determinada interação com o meio; assim, pode-se dizer</p><p>que o meio não é estático ou homogêneo, mas sofre alterações, junto com o</p><p>indivíduo.</p><p>Todo esse processo ocorre porque a criança extrai recursos do meio de</p><p>convívio para o seu desenvolvimento. Isso irá ocorrer conforme a competência e</p><p>as necessidades específicas da criança nos momentos em que é exigida. Por</p><p>razões culturais e ambientais, o sujeito tem uma dinâmica e um ritmo próprios,</p><p>que Wallon chama de princípios funcionais, os quais agem como leis constantes.</p><p>Nesse processo, há também a instalação de conflitos, que são chamados de</p><p>6</p><p>dinamogênicos. Os conflitos seriam os responsáveis pela propulsão do</p><p>desenvolvimento.</p><p>Tais conflitos podem ter origem exógena (com relação ao externo), entre o</p><p>comportamento da criança e o ambiente, ou ter origem orgânica, o que</p><p>corresponde à maturação infantil, sendo, portanto, endógenos (causas internas).</p><p>Wallon também expõe que, na construção progressiva, há fases ora</p><p>predominantemente afetivas, ora cognitivas; a isso ele dá o nome de</p><p>predominância funcional.</p><p>Wallon propõe cinco estágios essenciais, e cada um com suas</p><p>especificidades:</p><p>1. Impulsivo-emocional: Abrangência no primeiro ano de vida. Enfatiza a</p><p>emoção (predomínio afetivo).</p><p>2. Sensório motor e projetivo: Ocorre até o terceiro ano de vida; é a fase</p><p>em que a criança se interessa pela exploração sensório-motora do mundo</p><p>físico (predomínio cognitivo).</p><p>3. Personalismo: Faixa etária dos três aos seis anos; construção da</p><p>personalidade e consciência de si (predomínio afetivo).</p><p>4. Categorial: Ênfase nos avanços intelectuais, que ocorre a partir dos seis</p><p>anos; é quando a criança parte para a conquista do mundo exterior</p><p>(predomínio cognitivo).</p><p>5. Adolescência: Crises impõem a necessidade de novos contornos da</p><p>personalidade. Mudanças corporais, questões existenciais e morais</p><p>retornam à situação de predominância afetiva.</p><p>Segundo Guedes (2011), o desenvolvimento e a aprendizagem ocorrem</p><p>com sucessivas diferenciações entre os campos funcionais. Esse processo seria</p><p>a chave da psicogenética proposta por Wallon, e orienta a formação da</p><p>personalidade de forma mais ampla nos processos de aprendizagem.</p><p>TEMA 3 – CONTRIBUIÇÕES DA EPISTEMOLOGIA GENÉTICA DE PIAGET AO</p><p>PROCESSO NEUROPSICOMOTOR</p><p>A epistemologia genética é uma teoria elaborada por Jean Piaget. A</p><p>epistemologia é um resumo de duas teorias existentes: apriorismo e empirismo.</p><p>Para Piaget, o conhecimento não é algo inato ao indivíduo, como afirma o</p><p>apriorismo. A epistemologia é utilizada comumente para designar o que</p><p>7</p><p>chamamos de teoria do conhecimento. Por meio dos processos de</p><p>desenvolvimento e maturação biológica, se pode atingir uma formação para o</p><p>aprender. Cada etapa passa por uma fase de construção interacional; tais fatores</p><p>são importantes para a construção do conhecimento. Tanto nas fases de infância</p><p>como na adolescência, o indivíduo está sujeito a interagir de forma crítica com o</p><p>objeto, por meio de relacionamento interpessoal, mas também por influências</p><p>diretas do crescimento orgânico, pelo exercício e pela experiência com o objeto</p><p>(Lima; Bellini, 2017, p. 28-51).</p><p>A criticidade clínica, por meio do interrogatório, faz-se necessária para a</p><p>construção do conhecimento a partir da aprendizagem prática. Esta inclui a</p><p>construção cognitiva e a do comportamento motor, como base ao</p><p>desenvolvimento. Com isso, é importante desenvolver um aluno ativo, que busca</p><p>interação não apenas com seu tutor/professor, mas na relação com outro aluno,</p><p>de modo relacional e interacional, exercendo a capacidade de maturação que</p><p>possui, para executar vários comportamentos.</p><p>Outro processo importante a ser avaliado é a construção da capacidade</p><p>intelectual, pela interação do aluno, que se torna efetivamente um agente que</p><p>estabelece objetos educacionais. Os processos cognitivos contribuem para a</p><p>reciprocidade voltada aos relacionamentos humanos, bem como para</p><p>capacidades de atenção, memória, socialização, autonomia e motricidade, as</p><p>quais desempenham papel importante na formação do processo de</p><p>aprendizagem.</p><p>Desta forma, pode-se considerar que o motivo de Piaget ter pesquisado o</p><p>desenvolvimento humano (a partir do estudo e da observação de bebês, crianças</p><p>e adolescentes) é por conceber este estudo como o mais apropriado para suas</p><p>investigações a respeito da gênese do conhecimento. Ele visava, com isso,</p><p>demonstrar empiricamente e explicar o seu modelo teórico de construção de</p><p>inteligência.</p><p>O comportamento motor está ligado aos estágios propostos por Piaget em</p><p>sua teoria, desde o início, quando o autor retrata isso como uma condição reflexa,</p><p>até o momento em que é considerado como mais reflexivo e formal, com a</p><p>utilização de pensamentos mais abstratos. O fato, nesse caso, não corresponde</p><p>apenas a agir, executar, abrir ou fechar a mão, pegar ou não um talher, executar</p><p>um movimento de pressão, mas é algo mais refinado, elaborado e pensado muito</p><p>8</p><p>antes da efetivação. O processo cognitivo que permeia toda essa construção</p><p>passa por fases que evoluem gradativamente.</p><p>Pode-se perceber que, na fase sensório-motora (assim intitulada por</p><p>Piaget), o movimento parte de uma inteligência prática. Isso quer dizer que a</p><p>criança não utiliza linguagem para executar movimentos, pois traz a</p><p>empregabilidade de atos a partir de percepções que possui. Com isso, vem o</p><p>funcionamento de estruturações cerebrais, que são estimuladas produzindo um</p><p>determinado mecanismo que varia de indivíduo para indivíduo. As ações e a</p><p>maturação biológica das estruturas mentais estão diretamente ligadas quando o</p><p>quesito é a aprendizagem; a cada exercício de estimulação, isso contribui para a</p><p>formação das capacidades cognitivas e para o seu aprimoramento em um viés</p><p>neuropsicomotor (Pádua, 2009, p. 22-35).</p><p>TEMA 4 – APRENDIZAGEM E COORDENAÇÃO MOTORA FINA</p><p>O comportamento motor possui algumas singularidades que são</p><p>aprimoradas com o decorrer do desenvolvimento humano. Movimentos de</p><p>coordenação motora grossa passam por aprimoramentos a partir de situações que</p><p>exigem algo mais refinado, como por exemplo escrever, desenhar, replicar algum</p><p>movimento de dança e agir dentro de uma determinada regra, o que é o caso de</p><p>movimentos de esportes sincronizados. Mas como isso ocorre? Como se chega</p><p>de uma motricidade toda desregulada ou desorganizada a uma ação que respeita</p><p>rigorosamente passos e sequências minuciosas e quase perfeitas? A partir de tais</p><p>indagações, partimos para possíveis respostas, considerando o aprimoramento e</p><p>o refinamento de comportamentos motores, da coordenação motora fina.</p><p>Em um nível estrutural biológico, temos áreas do sistema nervoso humano</p><p>que regulam e coordenam os</p><p>movimentos organizados e bem elaborados, que</p><p>são considerados como sendo reproduzidos a partir de uma série de treinos e</p><p>repetições, que variam de situação para situação. O cérebro e a medula espinhal</p><p>têm um determinado objetivo, dentre muitos outros: o controle do comportamento</p><p>motor (Neto, 2009, p. 27). Inicialmente, o comportamento motor voluntário, e de</p><p>certo modo ainda rudimentar, é coordenado e executado pelos lobos frontal e</p><p>parietal. Por exemplo, quando uma pessoa está aprendendo a escrever, existe</p><p>uma exigência enorme nos cuidados, nos aprimoramentos e nas elaborações do</p><p>comportamento motor fino.</p><p>9</p><p>De acordo com Okuda et al. (2011), a coordenação motora fina é uma</p><p>função que necessita de destreza para que sejam efetuadas ações com demanda</p><p>de certa complexidade, com execução mais elaborada e aprimorada. A inabilidade</p><p>na execução de movimentos que exigem coordenação é caracterizada pelos</p><p>autores como Transtorno de Coordenação (TDC). Isso inclui não apenas</p><p>movimentos finos, mas o desempenho motor de um modo geral. Outro ponto</p><p>mencionado pelos autores é que a não execução do comportamento motor pode</p><p>ocasionar diversos problemas de aprendizagem, além de causar inúmeras</p><p>comorbidades, como Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH),</p><p>dislexia, disgrafia e outras condições que comprometem a aprendizagem devido</p><p>a uma defasagem no sistema integrador que está envolvido nos processos de</p><p>pensamento e na capacidade motora necessária ao aprender.</p><p>Ou seja, um aluno pode apresentar mau desempenho escolar devido à</p><p>dificuldade em escrever de forma correta. Por sua vez, isso pode ser decorrente</p><p>de uma dificuldade na efetivação de comportamento motor, e não</p><p>necessariamente ligado a causas diretamente psicológicas ou emocionais.</p><p>Embora haja uma ligação entre os sistemas integradores no aprender, a raiz do</p><p>problema muitas vezes não é cognitiva, mas reside na dificuldade de coordenação</p><p>motora.</p><p>TEMA 5 – PLASTICIDADE CEREBRAL E COMPORTAMENTO</p><p>NEUROPSICOMOTOR</p><p>O ser humano passa continuamente por processos de aprender e</p><p>reaprender, e isso independente da demanda que precisa ser trabalhada. Um</p><p>certo dia, alguém se deparou com um teclado de computador. As teclas estavam</p><p>dispostas de uma maneira jamais vista: era o primeiro contato com o teclado</p><p>intitulado qwerty. O primeiro contato para digitar foi relativamente lento, parecia</p><p>que se estava “catando milho”. Com o passar do tempo, e com treino diário, a</p><p>performance mudou. Havia uma regra que era cumprida para a utilização de todos</p><p>os dedos. Por exemplo, as teclas “asdfg” eram digitadas com o dedo mínimo</p><p>esquerdo para “a”, dedo anelar para “s”, o dedo médio para “d” e o indicador para</p><p>“f” e “g”. E assim sucessivamente para os demais dedos das mãos, conforme a</p><p>organização do teclado. A partir desse exemplo, temos uma explicação do</p><p>processo de neuroplasticidade: as regiões que tinham uma certa forma de</p><p>execução e coordenação tiveram que readaptar-se e reaprenderam a digitar.</p><p>10</p><p>De acordo com Kandel et al. (2014, p. 643), o comportamento motor tem</p><p>um processo de aprendizagem diretamente relacionado às funções de</p><p>plasticidade do sistema nervoso. Isso resulta em uma consideração</p><p>extremamente interessante sobre a plasticidade cerebral e a aprendizagem: por</p><p>mais que esta fique mais complexa no decorrer da vida, e seja diminuída, não se</p><p>extingue. As estruturas do sistema nervoso podem ser reorganizadas durante a</p><p>vida, e isso traz uma evidência de que é possível aprender sempre, mesmo na</p><p>velhice, fase do desenvolvimento em que é há possivelmente diversos</p><p>comprometimentos por complicações de saúde (Guerra; Cosenza, 2011, p. 36).</p><p>Quando se trata de sistema nervoso, a cada estudo, a cada leitura e pesquisa,</p><p>descobre-se o quanto esta rede é complexa e o quanto é possível descobrir</p><p>avanços a cada dia. A vida inteira, podemos realizar mudanças, as quais</p><p>possibilitam novas aprendizagens.</p><p>De acordo com Guerra e Cosenza (2011, p. 36), há dois períodos</p><p>importantes para o desenvolvimento humano: o primeiro na fase dos primeiros</p><p>dias de vida, logo após o nascimento, quando há um ajuste das células nervosas</p><p>que irão se organizar para executar inúmeras funções. O segundo momento</p><p>corresponde à fase da adolescência, quando há a poda neural de sinapses, ou</p><p>seja, uma reorganização em todo o córtex cerebral. O organismo se reorganiza</p><p>por causa de um aumento de mielinização, aprimorando os comportamentos já</p><p>aprendidos. Segundo os mesmos autores, é como se o organismo estivesse</p><p>preparando o adolescente para a vida adulta.</p><p>Algo extremamente interessante é o modo como o sistema nervoso – em</p><p>qualquer fase do desenvolvimento, seja na infância (com um grande ritmo de</p><p>ligação sináptica), ou na adolescência, ou até mesmo na aprendizagem um pouco</p><p>mais lenta da velhice – é capaz aprender e reorganizar o aprendizado. Assim, é</p><p>importante ressaltar que, com o passar do tempo, a agilidade da neuroplasticidade</p><p>pode diminuir, mas ainda assim continua acontecendo.</p><p>Outro ponto importante a respeito da reorganização das conexões</p><p>cerebrais é que elas acontecem, porém dependem da complexidade da atividade</p><p>desempenhada, e também da estrutura cerebral. Por exemplo, caso um paciente</p><p>sofra uma lesão nas estruturas do lobo frontal, devido à complexidade dessa</p><p>região do cérebro, a dificuldade de reorganização é grande, mas não quer dizer</p><p>que não ocorra. Esse processo ocorre de outra forma com outras estruturas e</p><p>regiões do cérebro, que não apresentam tanta dificuldade de reorganização. De</p><p>11</p><p>qualquer modo, tudo irá depender da estimulação e do modo como o indivíduo</p><p>exercita a região que foi impactada. É preciso também considerar que há vários</p><p>fatores a serem avaliados, os quais podem ser investigados por diversos</p><p>profissionais.</p><p>Abaixo, segue uma imagem ilustrativa de como as redes neuronais podem</p><p>ser reorganizadas e rearranjadas a partir de treino e aprendizagem.</p><p>Figura 1 – Descrição ilustrativa de uma rede neuronal (A) e sua reorganização por</p><p>neuroplasticidade (B)</p><p>Fonte: Guerra; Cosenza, 2011, p. 37.</p><p>Por meio da reorganização e da readaptação neuronal, é possível</p><p>aprender, e isso em todos os níveis, desde um movimento motor simples até um</p><p>novo idioma, com hieróglifos, ideogramas e outros símbolos não utilizados</p><p>frequentemente. O desenvolvimento neuropsicomotor pode ser constantemente</p><p>organizado, para chegar até um devido objetivo, que pode ser escrever, dirigir,</p><p>operar uma máquina, entre outros processos. Algo comentado indiretamente, mas</p><p>que é de suma importância mencionar, é que, apesar de a plasticidade cerebral</p><p>envolver diversas estruturas biológicas, todo o processo está ligado também com</p><p>a interação efetiva com o ambiente externo – estimulações, vivências, relações</p><p>12</p><p>interpessoais, enfim, o meio em que o indivíduo está, considerando também os</p><p>responsáveis pela aprendizagem, como ela acontece etc. Entende-se que o</p><p>aprender está ligado a uma contribuição biológica, que sofre influência do meio, o</p><p>qual também é responsável pela reorganização e pela readaptação de novos</p><p>comportamentos e aprendizagens.</p><p>FINALIZANDO</p><p>Nesta aula, discorremos sobre o modo como o comportamento motor está</p><p>ligado aos processos do aprender, desde as bases biológicas. Tal processo</p><p>envolve todo o sistema nervoso, o que inclui capacidade emocional, afetiva,</p><p>regulação e controle cognitivo, além de suas particularidades, da interação social</p><p>e do lúdico. Fica evidente a necessidade de estimulação para que o indivíduo</p><p>tenha uma aprendizagem saudável, conseguindo assimilar e acomodar novos e</p><p>pertinentes conhecimentos.</p><p>Cada fase, cada estrutura e faixa-etária tem sua particularidade no</p><p>amadurecer. A ligação de diversos processos contribui para que o ser humano</p><p>evolua e cresça em todos os sentidos. As relações interpessoais, em vários</p><p>contextos, o desenvolvimento biológico, a maturação</p><p>e o aperfeiçoamento de</p><p>vivências trazem a cada ser humano, a cada dia, uma nova perspectiva. A partir</p><p>disso, são possibilitadas novas aquisições de conhecimento. Outro ponto</p><p>importante, que também trabalhamos, é a condição de aprender a todo momento</p><p>ao longo da vida, mesmo que de forma lenta na velhice, ou de forma mais rápida</p><p>na infância. Todas essas contribuições corroboram para a ideia de sequência das</p><p>etapas do desenvolvimento. E, em se tratando do quesito neuropsicomotor, e da</p><p>interação entre todas essas condições, ressaltamos a importância do</p><p>aprimoramento e da interligação entre todas as estruturas, processo que</p><p>proporciona uma aprendizagem funcional e saudável.</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>Texto de abordagem teórica</p><p>ALMEIDA, A. Ludicidade como instrumento pedagógico. 2009. Disponível:</p><p><http://www.cdof.com.br/recrea22.htm>. Acesso em: 10 ago. 2021.</p><p>13</p><p>BARDUCHI, A. L. J. et al. As concepções de desenvolvimento e aprendizagem na</p><p>teoria psicogenética de Jean Piaget. Movimento e Percepção, Espírito Santo de</p><p>Pinhal, SP, v. 4, n. 4/5, 2004.</p><p>GUEDES, A. O. A psicogênese da pessoa completa de Henri Wallon:</p><p>desenvolvimento da comunicação humana nos seus primórdios. 2011. Disponível</p><p>em: <http://gestaouniversitaria.com.br/artigos/a-psicogenese-da-pessoa-</p><p>completa-de-henri-wallon-desenvolvimento-da-comunicacao-humana-nos-seus-</p><p>primordios>. Acesso em: 10 ago. 2021.</p><p>14</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>GUEDES, A. O. A psicogênese da pessoa completa de Henri Wallon:</p><p>desenvolvimento da comunicação humana nos seus primórdios. 2011. Disponível</p><p>em: <http://www.museudainfancia.unesc.net/memoria/expo_escolares/GUEDES</p><p>_psicogenese.pdf>. Acesso em: 28 maio 2018.</p><p>GUERRA, L. B.; COSENZA, R. M. Neurociência e Educação: como o cérebro</p><p>aprende. Porto Alegre, Artmed, p. 36-37, 2011.</p><p>LIMA, E.; BELLINI, M. Implicações da Teoria de Piaget para a educação científica</p><p>nas séries iniciais: contribuições do estudo sobre o conceito de adaptação à</p><p>dimensão social do conhecimento. Schème-Revista Eletrônica de Psicologia e</p><p>Epistemologia Genéticas, v. 8, n. 2, p. 28-51, 2017.</p><p>MALUF, M. R.; CARDOSO-MARTINS, C. Alfabetização no século XXI: como se</p><p>aprende a ler e a escrever. São Paulo: Penso, 2013.</p><p>NETO, F. R. Manual de avaliação motora para terceira idade. Porto Alegre:</p><p>Artmed, 2009.</p><p>OKUDA, P. M. M. et al. Coordenação motora fina de escolares com dislexia e</p><p>transtorno do déficit de atenção e hiperatividade. Revista CEFAC, p. 876-885,</p><p>2011.</p><p>PÁDUA, G. L. D. de. A epistemologia genética de Jean Piaget. Revista FACEVV,</p><p>n. 2, p. 22-35, 2009.</p><p>SILVA, D. V. da; HAETINGER, M. G. Ludicidade e psicomotricidade. Curitiba:</p><p>IESDE, 2013.</p><p>WALLON, H. Psicologia da Educação e da Infância. Lisboa, Portugal: Editorial</p><p>Estampa, 1975.</p><p>AULA 3</p><p>DESENVOLVIMENTO</p><p>NEUROPSICOMOTOR E</p><p>APRENDIZAGEM</p><p>Prof. Everton Adriano de Morais</p><p>2</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Na presente aula, discutiremos a importância dos processos mentais no</p><p>funcionamento do comportamento motor, ou seja, a inter-relação entre esses</p><p>processos e suas contribuições ao desenvolvimento humano.</p><p>Já parou para pensar que estamos sempre em movimento? Esse</p><p>movimento se dá desde os processos automatizados do nosso organismo</p><p>(batimento cardíaco, fluxo sanguíneo, sistema respiratório etc.) até os nossos</p><p>pensamentos mais complexos, como raciocínio lógico, leitura, resolução de</p><p>problemas, entre outros. Tais mecanismos envolvem uma gama de informações</p><p>interligadas e que contribuem para o bom andamento da nossa vida.</p><p>Ao fazer um arremesso, um jogador de basquetebol não apenas utiliza</p><p>articulações, movimento de pressão, músculos e força: há também uma interação</p><p>com os pensamentos. Em frações de segundo, ele imagina o movimento e</p><p>coordena todos os sistemas do organismo que serão envolvidos até a execução</p><p>do arremesso. Quando um escritor vai produzir sua obra utilizando uma caneta,</p><p>lápis ou material similar, ele tem em si uma organização a partir da coordenação</p><p>motora, viso-motora, da atenção, da percepção, da memória e de muitas outras</p><p>funções cognitivas.</p><p>Dessa forma, conseguimos inicialmente entender que há uma ligação direta</p><p>entre o comportamento motor e os processos da mente. Cada um tem sua</p><p>particularidade e seu papel importante no desenvolvimento, mas existe uma</p><p>integração que auxilia no amadurecimento e no crescimento de cada indivíduo.</p><p>CONTEXTUALIZANDO</p><p>Desde a infância até o envelhecimento, passamos por fases de maturação</p><p>e aprimoramento de funções cognitivas. Pode-se dizer que o comportamento</p><p>motor se inicia de forma controlada e, porteriormente, segue sendo aprimorado.</p><p>Existe uma importância enorme em relação à estimulação no desenvolvimento</p><p>infantil sobre o compormento motor e também a respeito da cognição. Há,</p><p>portanto, no que tange a essa estimulação, uma responsabilidade que se distribui</p><p>em diversas esferas – na família, na escola, nas atividades lúdicas e esportivas,</p><p>entre outras (Murta et al., 2011, p. 220-229).</p><p>A psicomotricidade atua em inúmeras áreas do conhecimento, como</p><p>educação física, psicopedagogia, psicologia, fisioterapia, dentre outras, o que</p><p>3</p><p>mostra a representatividade que há entre as ciências que estudam o</p><p>corportamento motor e a mente. As diversas teorias sobre o desenvolvimento</p><p>humano demonstram preocupação a respeito de como esse desenvolvimento</p><p>ocorre de forma integral e holística. As áreas de educação, por exemplo,</p><p>consideram importante a relação e a mediação da psicomotricidade junto a</p><p>características socioemocionais – controle inibitório, formação de autoconceito,</p><p>dentre outros aspectos que auxliam na formação do indivíduo.</p><p>Com base nisso, entende-se que a criança precisa contar com o</p><p>autoconhecimento para se situar no meio que a cinrcunda, pois toda atividade e</p><p>ação executadas no desenvolver são aprimoradas no decorrer dos anos. Contudo,</p><p>é necessária a ligação entre o que é biológico e o que é do meio.</p><p>Para autores como Jean Piaget (Santos, 2008, p. 15), a capacidade</p><p>intelectual é resultante de interações junto ao mundo exterior, quando ocorre uma</p><p>adapatação por meio de assimilação (estruturação cognitiva por meio da</p><p>experiência anteoriormente vivenciada) e uma acomodação (inclusão de uma</p><p>nova informação que acrescenta a estruturas anteiores). Isso corresponde às</p><p>interações que demandam funções intelectuais e à motricidade propriamente dita</p><p>(Santos, 2015, p. 14-15).</p><p>TEMA 1 – PROCESSOS COGNITIVOS E COMPORTAMENTO MOTOR: PENSAR,</p><p>AGIR E EXECUÇÃO</p><p>A organização de pensamentos, emoções, funcionamentos biológicos,</p><p>reações etc. acontece de forma simultânea em nossa mente. Mas como essa</p><p>organização se dá? Entende-se que, por meio da sensação (processo</p><p>responsável pelo recebimento dos estímulos e ativação dos órgãos dos sentidos)</p><p>e da percepção (atribuição e interpretação dos estímulos recebidos), acontecem</p><p>as primeiras interações com as informações que chegam ao nosso organismo,</p><p>sendo organizadas em um terceiro processo, chamado de cognição.</p><p>Considerando todos esses contextos, pode-se entender como o ser humano</p><p>aprende, lembra de informações, manipula imagens mentais, percebe o mundo,</p><p>interpreta ações e mais uma infinidade de interações. A cognição tem por</p><p>responsabilidade organizar como os homens pensam e constroem o pensamento</p><p>(Sternberg, 2016, p. 19-20).</p><p>O comportamento motor, por sua vez, tem uma relação direta com os</p><p>processos de pensamento. No funcionamento biológico a partir do sistema</p><p>4</p><p>nervoso há células funcionais (os motoneurônios), que têm por responsabilidade</p><p>determinar a contração e o relaxamento dos músculos, o controle das articulações</p><p>e o movimento em si. Um exemplo do comportamento motor junto à cognição é o</p><p>ato de escrever: para executar essa função motora, são necessários a contração</p><p>e o relaxamento de diversos músculos, assim como o uso</p><p>de articulações, visando</p><p>produzir o movimento e efetivar o comando. Toda e qualquer ação ligada à</p><p>movimentação requer interações e ações do sistema nervoso como um todo, o</p><p>que integra a cognição em todos os eventos.</p><p>A aprendizagem motora ocorre desde os primeiros dias de vida. Apesar de</p><p>um bebê ser incapaz de se defender a partir de suas ações, ele apresenta</p><p>comportamentos motores e reflexos que se desenvolvem e se aprimoram no</p><p>decorrer de sua existência. Reflexos como pressão palmar, de busca, entre outros</p><p>são herdados da espécie humana e antecedem comportamentos motores</p><p>construídos anos mais tarde (Gazzaniga; Heatherton; Halpern, 2018, p. 77; 361).</p><p>A construção do desenvolvimento mostra a integração entre aprendizagem</p><p>motora e pensamento, emoções e cognições. No nascimento, por exemplo, um</p><p>bebê tem aparato biológico suficiente para reflexos básicos, mas que estão em</p><p>constante desenvolvimento; a partir da estimulação e do apreender, eles são</p><p>aprimorados a cada dia de vida. Outro exemplo refere-se à progressão do</p><p>comportamento motor: inicialmente sem muita coordenação, a criança começa a</p><p>se mexer na cama; depois, rola de um lado para o outro; depois, senta com a</p><p>ajuda de alguém, ou não, e assim vai seguindo uma sequência até chegar ao ato</p><p>de andar. Toda essa construção parte de um processo controlado – a princípio,</p><p>precisando de certa atenção, mas, com o passar do tempo, contando com</p><p>estimulação e envolvimento dos familiares e de outras pessoas envolvidas, todo</p><p>e qualquer movimento passa a ser mais complexo. Após mais ou menos 1 ano de</p><p>idade, essa criança já consegue ficar em pé sem apoio (não sendo esse o padrão</p><p>para todas as crianças) e firmar mais os passos. Nesse caso, entra uma sequência</p><p>simultânea de movimentos controlados e automatização de outros que foram</p><p>praticados repetidamente, de acordo com a demanda do ambiente.</p><p>Pode-se perceber que, desde os movimentos reflexos iniciais até os mais</p><p>elaborados, a motricidade está ligada ao pensamento, às ações pré-motoras e</p><p>motoras. Existe uma relação muito íntima entre a cognição e o comportamento</p><p>motor: enquanto um prepara, planeja e elabora as ações, o outro executa, efetiva</p><p>e efetua essas ações de uma maneira controlada ou automatizada baseado na</p><p>5</p><p>vivência e das experiências no dia a dia, seja em ambiente familiar ou escolar, por</p><p>exemplo. Dessa forma, para que o desenvolvimento ocorra de maneira saudável,</p><p>é de extrema importância a estimulação e o incentivo para maturação dessas</p><p>capacidades.</p><p>TEMA 2 – BRINCADEIRA É COISA SÉRIA PARA A MENTE: QUANDO O</p><p>BRINCAR CONTRIBUI PARA A MENTE E PARA A MOTRICIDADE</p><p>A aprendizagem está inserida nos primeiros anos de vida dos seres</p><p>humanos. Segundo Gazzaniga, Heatherton e Halpern (2018, p. 364-365), as</p><p>crianças, desde os primeiros momentos na maternidade, têm a capacidade de</p><p>interação e de aprender. Por exemplo, caso uma pessoa pare em frente ao berço</p><p>de um bebê e mostre a língua, a criança mostrará a língua também. De acordo</p><p>com os autores, essa criança não olhou no espelho durante um tempo para</p><p>aprender essa ação – ou seja, o ser humano tem um aparato biológico de</p><p>imitação. Sabe-se que não aprendemos apenas por motivos hereditários; também</p><p>a aprendizagem não é inata, mas há uma interação entre o ambiente e o biológico.</p><p>Gazzaniga, Heatherton e Halpern (2018) ainda mencionam que a imitação</p><p>configura a primeira interação social dos seres humanos, mas envolve uma</p><p>capacidade intelectual peculiar, pois os recém-natos reproduzem imitações de</p><p>outros seres humanos, e não de objetos – é como se os humanos categorizassem</p><p>suas ações do processo de aprender desde o começo da vida. Entende-se, assim,</p><p>que toda e qualquer brincadeira aplicada por qualquer pessoa a crianças pode ser</p><p>reproduzida, sendo inicialmente mais simples em relação a gestos e movimento,</p><p>e posteriormente mais complexa.</p><p>A estimulação por meio do brincar também é extremamente importante na</p><p>formação dos processos de aprendizagem. Cada atividade lúdica contribui</p><p>diretamente e com grande expressividade para o desenvolvimento do ser. De</p><p>acordo com Almeida e Shigunov (2004, p. 69-70), o brincar corresponde a algo</p><p>intimamente ligado aos seres humanos. A construção das atividades do brincar</p><p>possui uma linguagem singular e que varia de acordo com a faixa etária,</p><p>aumentando sua complexidade a cada maturação alcançada.</p><p>Os autores também definem a diferença entre brincadeira, jogo, brinquedo</p><p>e atividade lúdica (Almeida; Shigunov, 2004): a brincadeira se refere a atividades</p><p>livres e espontâneas; o jogo corresponde a brincadeiras, mas que exigem</p><p>mediações de regras (nesse caso, pode-se entender que há um exercício</p><p>6</p><p>cognitivo de atenção, como, por exemplo, tomar decisões e saber o que pode ou</p><p>não ser feito em uma atividade); o brinquedo é definido como um instrumento</p><p>utilizado na brincadeira, logo, é importante definir quais serão utilizados, pois, para</p><p>o desenvolvimento motor, são diversos os brinquedos que podem auxiliar na</p><p>construção tanto do desenvolvimento quanto da brincadeira; por fim, a atividade</p><p>lúdica envolve todos os outros mencionados anteriormente.</p><p>É interessante analisar como o processo do aprender, o brincar e as</p><p>atividades lúdicas auxiliam o desenvolvimento humano de um modo geral. Uma</p><p>brincadeira de pular corda pode ajudar na interação e na maturação biológica,</p><p>envolvendo processos cognitivos, como, por exemplo, atenção, tomada de</p><p>decisão, motricidade voluntária e automatizada, além de aperfeiçoar o</p><p>comportamento motor de um modo geral, aprimorando os movimentos</p><p>característicos de cada faixa etária.</p><p>Desde os comportamentos reflexos de um bebê até um movimento mais</p><p>complexo, como um passo de dança ou um movimento de arte marcial em um</p><p>exercício sincronizado para uma apresentação, a inter-relação entre</p><p>comportamento motor e pensamento é constante (Fortuna, 2000, p. 3-4).</p><p>TEMA 3 – EDUCAÇÃO PSICOMOTORA E SUAS HABILIDADES MENTAIS</p><p>VISUAIS</p><p>A educação psicomotora ocorre a partir da colaboração de diversos fatores,</p><p>sendo eles cognitivos, comportamentais, emocionais, psicológicos, entre outros.</p><p>Essa elaboração e esse aprimoramento dependem de como o ser humano se</p><p>relaciona com a estimulação e percepção da vivência diária. Tudo decorre de</p><p>como observamos e aprendemos todo e qualquer tipo de informação, o que é</p><p>dado por meio do recebimento de estímulos que identificamos pelos órgãos dos</p><p>sentidos – e, dentre esses, considera-se que a visão é a maior responsável pela</p><p>interação do nosso organismo junto ao ambiente em relação à percepção. Estima-</p><p>se que 80% das percepções humanas são visuais, envolvendo cores, textura,</p><p>formas etc., além de toda a complexidade cognitiva para identificar esses</p><p>estímulos (Fonseca, 2008, p. 281).</p><p>Por meio dessa explanação, pode-se analisar que a aprendizagem</p><p>acontece por uma interação de estímulos, interações e treinamentos, em parceria</p><p>com a maturação neurológica, pois não bastam apenas o desenvolvimento</p><p>biológico e seu progresso, mas uma construção de ambos.</p><p>7</p><p>Nos processos de aprendizagem, há o entendimento de que existe uma</p><p>relação das capacidades viso-espaciais em conjunto com o comportamento</p><p>motor. Por exemplo, a coordenação viso-motora é responsável pela reprodução</p><p>da escrita, por desenhos, formas, traços etc., e a aplicação dessa habilidade</p><p>requer diretamente uma integração de ações motoras e funções cognitivas</p><p>complexas, como atenção concentrada e seletiva, coordenação motora fina,</p><p>classificação, categorização etc.</p><p>Outro ponto importante trazido por Fonseca (2008, p. 291) configura que o</p><p>funcionamento psicomotor é possível apenas a partir da integração sistêmica de</p><p>processos e por meio de uma efetuação visual saudável, sem a qual não há</p><p>realização integral e adequada. Educar pelo movimento pelo movimento,</p><p>mediante repetições físicas e sem uma organização integral do aprender</p><p>não</p><p>atende à necessidade da educação de um modo geral. O princípio holístico que</p><p>integra as habilidades motoras junto à cognição traz à educação global uma forma</p><p>não apenas de se movimentar, mas a construção de uma motricidade elaborada</p><p>por particularidades de consciência do próprio corpo – concentração e</p><p>organização de planos psíquicos que contribuirão para o desenvolvimento</p><p>humano de um modo geral no processo do aprender.</p><p>Dessa forma, os processos cognitivos auxiliam na aprendizagem pela</p><p>motricidade: uma educação psicomotricista que envolve regulação e coordenação</p><p>a partir de orientação espacial e temporal, concentração, habilidades que</p><p>envolvem ritmo, flexibilização mental, agilidade e outras funcionalidades em</p><p>relação à mente e ao comportamento motor, o que, segundo Fonseca (2008, p.</p><p>295), caracteriza um desenvolvimento da evolução das crianças, por exemplo,</p><p>que vai do crescimento até a aprendizagem.</p><p>Figura 1 – Descrição ilustrativa a respeito do processo de desenvolvimento do</p><p>mover ao aprender</p><p>Fonte: Fonseca, 2008, p. 296.</p><p>8</p><p>Outra questão importante apontada pelo autor refere-se à aprendizagem</p><p>perceptivo-motora, que corresponde à construção de funções cognitivas – como</p><p>a linguagem, por exemplo – por meio da educação na perspectiva do movimento,</p><p>em que a criança deve desenvolver a sua aprendizagem por meio de noções</p><p>espaciais, peso, tempo, relação interpessoal etc. associadas à conscientização do</p><p>corpo e à busca da exploração do espaço que vivencia. Nesse sentido, explora-</p><p>se a capacidade viso-espacial e é requerida uma construção de espaço, tempo e</p><p>conhecimento perceptivo sensorial do corpo em movimento.</p><p>Figura 2 – Descrição da educação motora em movimento</p><p>Fonte: Fonseca, 2008, p. 296.</p><p>Assim, pode-se analisar que a educação pelo movimento é caracterizada</p><p>pela criatividade e pelo conhecimento espontâneo, pela relação da criança junto</p><p>ao mundo externo e seu mundo interior. Toda construção parte de processos</p><p>sensório-motores e vai até aprendizagens mais complexas de nível abstrato e</p><p>metacognitivo, envolvendo uma reflexão do ser humano para aplicação mais</p><p>refinada e elaborada diretamente.</p><p>TEMA 4 – PSICOMOTRICIDADE E FUNCIONAMENTO CORTICAL:</p><p>INTEGRAÇÃO BIOLÓGICA E O SOCIAL</p><p>De acordo com Fonseca (2008, p. 414), a motricidade humana corresponde</p><p>a uma interação comportamental entre o indivíduo e o meio externo. O cérebro é</p><p>o órgão responsável pela integração entre as informações recebidas pelos</p><p>sentidos e a interpretação dos estímulos vindos do ambiente. A execução do</p><p>9</p><p>movimento se origina em estruturas complexas do córtex cerebral, posteriormente</p><p>passando por emissores responsáveis pela informação, de estrutura subcortical,</p><p>sendo enviada por meio da medula. Essa construção destina-se diretamente ao</p><p>sistema musculoesquelético, no qual ocorre a execução do comportamento motor.</p><p>Toda essa construção, segundo Fonseca (2008), constitui a relação entre</p><p>a intenção do movimento (ainda em um processo cognitivo) e a execução pelo</p><p>comportamento motor. Para efetivação da motricidade, é necessário passar por</p><p>diversas vias da cognição, como autocontrole, tomada de decisão, planejamento,</p><p>pré-motricidade, entre outras. Há também uma interação com os estímulos</p><p>recebidos por meio dos órgãos dos sentidos: visão, audição e, nesse caso</p><p>comentado, tátil-cinestésico (Moraes, 2015, p. 85-86).</p><p>A interação entre o sistema aferente (que recebe as informações dos</p><p>estímulos por meio dos sentidos) e o sistema eferente (que executa a informação</p><p>regulada e coordenada) parte de uma integração de processos internos e</p><p>externos. A organização entre a regulação das informações recebidas e as</p><p>posteriormente efetuadas para ação do comportamento tem uma relação junto ao</p><p>ambiente que parte de um contexto histórico, social e cultural. A partir disso,</p><p>segundo Luria e Wallon (Fonseca, 2008, p. 410-414), há uma inter-relação da</p><p>prática e do conhecimento desenvolvido no meio em que o indivíduo está inserido:</p><p>o cérebro é moldado de acordo com as vias de recebimento de informação,</p><p>regulação, intenção e ação comportamental – todas essas sendo determinadas</p><p>por uma interação ambiental e biológica.</p><p>TEMA 5 – PSICOMOTRICIDADE, PROCESSOS COGNITIVOS E</p><p>NEUROFUNCIONALIDADE: A CONTRIBUIÇÃO DA ESCOLA RUSSA</p><p>A escola russa de estudos voltados ao comportamento e aos processos</p><p>psicológicos tem como principais autores Vygotsky, Leontiev e Luria. Luria é</p><p>responsável por explicações do funcionamento do sistema nervoso em um</p><p>conjunto de estruturas funcionais, e seu trabalho defende que as funções</p><p>cognitivas partem de uma integração sistematizada e funcional de ordem</p><p>complexa, por meio de uma progressão filogenética e ontogenética construída de</p><p>maneira sócio-histórica. A partir dos estudos sobre linguagem é possível analisar</p><p>a evolução do comportamento motor em conjunto com processos cognitivos e</p><p>suas complexidades. Desde os tempos da micromotricidade e da</p><p>macromotricidade até a linguagem escrita, a filogênese mostra a evolução e a</p><p>10</p><p>maturação da espécie em relação à aprendizagem – o que direciona cada ação,</p><p>pensar e agir (Fonseca, 2008, p. 406). A seguir, confira, na figura, como isso</p><p>aconteceu no decorrer dos anos.</p><p>Figura 3 – Descrição dos processos evolutivos da linguagem no decorrer dos anos</p><p>Fonte: Fonseca, 2008, p. 406.</p><p>Para Fonseca (2008, p. 407), o cérebro não age diretamente de forma</p><p>equipotente, como diriam os unitaristas (corrente que acreditava no</p><p>funcionamento único do cérebro para quaisquer funções), mas ele também não</p><p>considerava plenamente correta a visão localizacionista de Gall (que trazia a ideia</p><p>do funcionamento do cérebro em centros específicos: centro do andar, do ler etc.).</p><p>A visão luriana é a de que as atividades cerebrais ocorriam de forma integradora</p><p>e por um sistema funcional, possibilitando uma reorganização com base em uma</p><p>imensurável flexibilidade, funcionalidade esta que, segundo o autor, não está</p><p>construída por um sistema rígido e imutável, mas que desenvolve uma interligação</p><p>entre diversas áreas de forma simultânea. Por exemplo, o comportamento motor</p><p>de andar contribui, a cada fase do desenvolvimento, para maturação e evolução,</p><p>e se aprimora e se aperfeiçoa de acordo com o exercício e a estimulação de</p><p>treinamento das habilidades.</p><p>O viés e o foco dos psicomotricistas russos configuravam o entendimento</p><p>do desenvolvimento humano por meio de uma construção sócio-histórica.</p><p>Conforme o tempo e a história vão definindo rotas e enredos, o ser humano passa</p><p>por alterações fisiológicas e anatômicas. Vygotsky defendia ser a linguagem a</p><p>responsável pela humanização dos homens, e todos os processos cognitivos</p><p>básicos ocorreriam de acordo com a história social do indivíduo, e não sendo</p><p>11</p><p>determinadas por fatores congênitos. Logo, as habilidades dos indivíduos</p><p>resultariam da interação social e cultural, desenvolvendo o pensar, a ação motora</p><p>e todos os outros processos cognitivos (Vygotsky, 2008, p. 9-10).</p><p>Dessa forma, apesar das investigações com base no pensamento luriano</p><p>a respeito do funcionamento cerebral e seus estudos sobre o sistema nervoso, os</p><p>pensadores russos tinham uma grande vertente histórico-cultural, que carregava</p><p>como pressupostos a influência da cultura e os hábitos construídos por meio da</p><p>interação externa.</p><p>FINALIZANDO</p><p>Os processos do aprender ligados ao desenvolvimento cognitivo e à</p><p>interação do ambiente são produzidos e criados a partir de estímulos e</p><p>treinamentos. Quando se fala em aprendizagem, pode-se discutir sobre</p><p>perspectivas motoras, visuais, auditivas, dentre outras, mas a construção dessas</p><p>ocorre por meio de assimilações e acomodações, e traz transformação à</p><p>maturação de cada indivíduo. Respeitando as particularidades de cada um, a</p><p>educação, por meio do brincar, estimula a criança a, por exemplo, aprender sobre</p><p>algo novo, criar hipóteses, usar a</p>

Mais conteúdos dessa disciplina