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<p>Introdução</p><p>Prezada(o) estudante, o estudo do texto e dos sistemas de comunicação contribuirá</p><p>para a formação dos conhecimentos necessários à construção de sujeitos críticos e</p><p>reflexivos, aptos a desenvolverem e produzirem conhecimentos.</p><p>É necessário apresentar a importância de você ter bastante clara a noção do que é</p><p>texto. Também discutiremos a definição de texto com linguagem verbal, não verbal</p><p>e mista, procurando mostrar a variedade de textos existente. Para isso, nosso</p><p>material apresenta muitos exemplos.</p><p>A abordagem do sentido denotativo e conotativo da linguagem será realizada, a fim</p><p>de levar você, estudante, a conhecer essas características, para desenvolver</p><p>habilidades críticas e reflexivas.</p><p>Como falamos em sentido, é pertinente discutir a intertextualidade, que está</p><p>presente na maioria dos textos e tem como objetivo ativar o conhecimento prévio</p><p>do leitor e fazê-lo reconhecer as vozes textuais que ali estão.</p><p>Este material se encerra com a explicação de alguns aspectos abordados pela</p><p>gramática normativa da Língua Portuguesa, com o intuito de que você saiba</p><p>aplicá-los em seus textos. Para isso, apresenta o Novo Acordo Ortográfico, dicas e</p><p>aplicações.</p><p>Força para mais uma etapa de estudos. Boa leitura!</p><p>Texto e Sistema de Comunicação</p><p>Hellyery Agda Gonçalves da Silva</p><p>Autor</p><p>Marina Miotto Negrão</p><p>Autor</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>Estudar o que é texto.</p><p>Compreender o Novo Acordo Ortográfico da gramática geral da Língua</p><p>Portuguesa.</p><p>O Que é Texto?</p><p>Para luz de nossos estudos, vamos compreender o que é texto, segundo a linha de</p><p>pesquisa da Linguística Textual, que tem o texto como objeto de estudo, pois</p><p>considera que é ele que importa, sem ele, a palavra ou frase não tem sentido. Para</p><p>esclarecer essa ideia, vejamos o que explica uma grande estudiosa no assunto,</p><p>Koch e Travaglia (2000, p. 2), para ela, texto é:</p><p>[...] uma unidade linguística concreta (perceptível pela visão ou</p><p>audição) que é tomada pelos usuários da língua (falante,</p><p>escritor/ouvinte, leitor), em uma situação de interação</p><p>comunicativa específica, como uma unidade de sentido,</p><p>preenchendo uma função comunicativa reconhecível e</p><p>reconhecida, independente de sua extensão.</p><p>Percebe-se que o texto é responsável por atribuir sentido às coisas do mundo,</p><p>agindo sobre ele pela interação humana, mas somente quando há um</p><p>entendimento da unidade de sentido do texto, caso contrário, não terá função</p><p>comunicativa alguma.</p><p>Você já teve curiosidade de procurar o significado da palavra texto em um</p><p>dicionário? Não? Então vamos fazer isso. De acordo com Houaiss (2004, p. 726), texto</p><p>é um “conjunto de palavras, frases escritas”, ou seja, só há a confirmação de que o</p><p>texto é algo muito maior do que simplesmente uma junção de palavras. No latim, a</p><p>palavra é textum e está relacionada a tecido, mais profundamente, à costura de fios</p><p>e de pontos que se ligam e entrelaçam para se tornarem um só.</p><p>Independente de se falar sobre texto escrito, oral, verbal, não verbal ou misto, só há</p><p>como tornar o texto uma unidade de sentido, se tiver algo a ser dito por alguém, que</p><p>será recebido por outrem. Ou seja, haverá troca de informações e de ação sobre o</p><p>texto.</p><p>Fazendo um adendo nesse assunto, você já ouviu falar em contexto? Sabe o que é?</p><p>Pense um pouco! Contexto é o agrupamento da situação em que se insere o texto.</p><p>Por exemplo, o seu professor está explicando sobre o conteúdo de estratégias</p><p>empresariais e, em meio a isso, faz uso da palavra “luvas”, que tem mais de um</p><p>sentido, o qual dependerá do contexto para ser entendido. Podemos ter luvas que</p><p>se referem ao objeto o qual se coloca nas mãos ou, então, à alguma premiação,</p><p>dinheiro, algo relacionado a uma recompensa.</p><p>Ainda, para esclarecer qualquer dúvida que você possa ter, contexto é algo que</p><p>faça sentido, em um determinado lugar, como o assunto a ser abordado no texto,</p><p>que, para ser coerente, precisa pertencer ao contexto.</p><p>Com o objetivo de deixar mais fácil o seu entendimento sobre o que é texto,</p><p>buscamos uma definição bastante simples, encontrada no artigo de Urbano</p><p>Cavalcante Filho e Vânia Lúcia Menezes Torga (2011, p. 2), com base nos</p><p>ensinamentos de Mikhail Bakhtin, um dos maiores estudiosos da linguagem.</p><p>Em “O problema do texto na linguística, na filologia e em outras ciências humanas”,</p><p>Bakhtin afirma que o texto (verbal – oral ou escrito – ou também em outra forma</p><p>semiótica) constitui a realidade imediata para que se possa estudar o homem</p><p>social e a sua linguagem, uma vez que é por meio do texto que exprimimos nossas</p><p>ideias e sentimentos.</p><p>Além disso, o texto pode ser visto como enunciado, assim possui uma função</p><p>dialógica particular, em que autor e destinatário mantêm relações dialógicas com</p><p>outros textos (textos-enunciados), possuindo, então, as seguintes características:</p><p>a. projeto discursivo (entendendo-o como o autor e o seu querer dizer);</p><p>b. realização do projeto (trata-se da produção do enunciado atrelado às</p><p>condições de interação e a relação com os outros enunciados (já-ditos e</p><p>previstos) (CAVALCANTE; TORGA, 2011, p. 2).</p><p>Para os autores, analisar um texto como enunciado, na visão bakhtiniana, diz</p><p>respeito à sua integridade concreta e viva (aspectos sociais), em que o texto é</p><p>entendido como fenômeno sociodiscursivo, vinculado às condições concretas da</p><p>vida.</p><p>Dado o exposto, é possível compreender que um texto não é um emaranhado de</p><p>palavras, que estão agrupadas, de qualquer forma, para simplesmente transmitir</p><p>uma ideia. Pelo contrário, há uma complexidade ao se produzir um texto, seja ele</p><p>oral, escrito, verbal ou não verbal.</p><p>Este material todo que você está lendo é um texto, dotado de significados, tanto</p><p>para o autor, quanto para você, leitor(a), interlocutores desse discurso. Quando o</p><p>livro começou a ser elaborado, pensou-se em quem seria o público-alvo, qual o</p><p>objetivo, o que se esperava que a(o) aluna(o) entendesse com esse estudo, ou seja,</p><p>alguém tenha o que dizer, como dizer e para quem dizer.</p><p>Como vimos, o texto é dotado de uma unicidade de significado, que pode vir</p><p>apresentada por várias formas de linguagem, porém, há três ideias muito</p><p>importantes, que precisamos esclarecer,as quais são: verbal, não verbal e mista.</p><p>Saber Ler as Diferentes Linguagens</p><p>Toda forma de se comunicar é, primeiramente, pautada na linguagem, seja ela qual</p><p>for, mas todo texto precisa de um esquema que faça sentido para os interlocutores</p><p>e que esteja dentro de um contexto. Dependendo da intenção desse emissor e do</p><p>canal de divulgação do texto, a mensagem pode ser elaborada, utilizando</p><p>diferentes formas de linguagem.</p><p>A princípio, vamos tratar da linguagem verbal, que nada mais é do que aquela que</p><p>precisa apresentar palavras escritas ou faladas, para que haja um ato de</p><p>comunicação. O vocábulo verbal tem origem no latim, que significa verbu, o qual,</p><p>por sua vez, é entendido como palavra. Ou seja, com essa linguagem, é preciso</p><p>construir o texto, utilizando palavras. Esse tipo de linguagem tem duas formas, a oral</p><p>e a escrita.</p><p>Normalmente, a escrita é usada, quando se quer dizer algo a alguém, mas não há a</p><p>possibilidade de estar presente, diante do interlocutor, por exemplo, um livro, uma</p><p>revista, um jornal impresso, um e-mail, um blog etc.</p><p>Entende-se que a linguagem oral, por sua vez, ocorre quando os interlocutores</p><p>estão diante um do outro, na presença, no momento em que se enuncia a</p><p>mensagem, por exemplo, nas salas de aula, ao telefone, em uma conversa entre</p><p>amigos, em uma palestra etc. Os conceitos estão esclarecidos, cara(o) aluna(o)?</p><p>Então, vamos a uma pergunta: você sabe dizer qual das duas linguagens seria a</p><p>mais complexa? Se respondeu a escrita, está certo, sabe por quê? Utilizando-a, é</p><p>necessário transmitir tudo o que precisa, mediante a pontuação e as escolhas</p><p>certas das palavras; nem sempre é possível voltar e reexplicar o que se queria dizer.</p><p>Você considera, no entanto, uma tarefa simples formular um texto oral? Não, certo?</p><p>Nele, também precisamos de organização, de entonação, de pontuação e, assim</p><p>como na escrita, é preciso pensar no grau de formalidade a ser utilizado.</p><p>Espero que tenha</p><p>compreendido que é preciso conhecer e dominar as regras da</p><p>linguagem, seja para a escrita ou para a linguagem oral, pois é preciso pensar que</p><p>o seu discurso deve ser bem elaborado, para que o interlocutor consiga decodificar</p><p>a mensagem e fazer uma boa compreensão do que o emissor desejava com</p><p>aquele texto.</p><p>Passaremos, agora, para a linguagem não verbal. Considera-se um texto elaborado</p><p>por linguagem não verbal aquele que tem como principal transmissor de</p><p>mensagens uma imagem. Pode ser, também, uma cor, um objeto, um desenho etc.</p><p>Pense em uma propaganda publicitária, que não tenha escritas nem sons, só pela</p><p>imagem é possível compreender o sentido, desde que o contexto seja comum aos</p><p>interlocutores. Isso é linguagem não verbal.</p><p>Observe a figura a seguir. Você consegue compreender o significado?</p><p>Espero que tenha entendido, especialmente, se você tiver mais de 18 anos e possuir</p><p>carteira de habilitação. Você precisa compreender os sinais, as placas e as regras</p><p>do trânsito. O semáforo indica que os carros podem transitar. Então, quando se está</p><p>no semáforo, aguardando na faixa de pedestre para que seja possível passar, é</p><p>preciso esperar o sinal fechar para os carros e abrir para o pedestre.</p><p>FIGURA 1 Semáforo</p><p>FONTE: Gonewiththewind / 123RF.</p><p>Essa placa, por exemplo, indica que o pedestre precisa parar e ficar atento ao</p><p>cruzamento. Assim, conforme defende Souza (1998, on-line), a interpretação da</p><p>imagem “vai pressupor também a relação com a cultura, o social, o histórico, com a</p><p>formação social dos sujeitos. E vai revelar de que forma a relação</p><p>imagem/interpretação vem sendo "administrada" em várias instâncias”.</p><p>Por sua vez, a linguagem mista utiliza, concomitantemente, a verbal e a não verbal,</p><p>isto é, a partir do momento que o locutor une palavras e imagens, para criar sentido</p><p>e transmitir uma mensagem. Pertencentes a este tipo de linguagem, temos as</p><p>tirinhas, as histórias em quadrinhos, os poemas concretos, os filmes (com áudio e</p><p>vídeo), os infográficos, dentre outros. Vejamos alguns exemplos:</p><p>FIGURA 2 Placa de pare</p><p>FONTE: Siur / 123RF.</p><p>Ao observar os exemplos, constatamos que, na atualidade, as interações sociais</p><p>são manifestadas pelo hibridismo entre as diferentes artes, como a fotografia, a</p><p>ilustração, a figura, os sons, os textos verbais, entre outros. Ademais, a linguagem</p><p>não pode ser reduzida somente à verbal, se fizéssemos isso, estaríamos negando as</p><p>demais linguagens, as quais estão presentes, no contexto social, e que contribuem</p><p>para a formação de  sujeitos interlocutores culturais. Assim, fica evidente que é por</p><p>meio das linguagens que as relações pedagógicas (e todas as outras) realizam-se.</p><p>FIGURA 3 História em quadrinho</p><p>FONTE: Liubomyr Feshchyn / 123RF.</p><p>FIGURA 4 Poesia Concreta</p><p>FONTE: Campos (1986).</p><p>Saiba mais!</p><p>Poesia Concreta</p><p>A Poesia Concreta foi um movimento encabeçado pelos poetas</p><p>paulistas Décio Pignatari (1927) e os irmãos Haroldo (1929-2003) e</p><p>Augusto de Campos (1931), que tinham por intuito exercitar e criar</p><p>novas formas de expressão verbal, dialogando com a pintura, a</p><p>escultura, a música (as artes, de modo geral). Esse tipo de poesia tem</p><p>por premissa eliminar os supérfluos, usar imagens e fazer um apelo</p><p>para o visual. Para saber mais, acesse o conteúdo, disponível em:</p><p>Clique Aqui</p><p>Fonte: elaborado pelas autoras.</p><p>Cara(o) estudante, nosso próximo passo é compreender que, nessa variedade de</p><p>linguagem, há, também, a intenção do emissor de tornar ou não a mensagem</p><p>objetiva, que seja de fácil compreensão e, para isso, é possível “brincar” com o</p><p>sentido denotativo ou conotativo da linguagem. O que é isso? Veremos a seguir.</p><p>Sentido Conotativo e Denotativo</p><p>Durante nossa vida de usuários da linguagem, aprendemos a utilizar muitas</p><p>palavras, tanto na fala, quanto na escrita, porém, muitas vezes, o sentido dessas</p><p>palavras pode fugir ao que se encontra comum a todos os que a conhecem,</p><p>quando isso acontece, normalmente, caracteriza-se pelo sentido conotativo.</p><p>Nas palavras de Lopes (2010, p. 10), “a palavra tem valor conotativo quando remete</p><p>para outros significados por associação, quando extrapola o sentido comum,</p><p>quando é usada de modo criativo”.</p><p>Para nós, estudiosos da linguagem, a conotação ocorre, quando usamos a palavra</p><p>no sentido figurado, simbólico, que não é o encontrado no dicionário, ou seja, o</p><p>original. Se alguém diz “vá catar coquinho!”, em um contexto de briga, por exemplo,</p><p>o que ela realmente está dizendo é que a pessoa que a está incomodando deve</p><p>sair dali e a deixá-la em paz; isso é o sentido figurado, ou, então, conotativo. Se</p><p>fosse o sentido denotativo, a instrução seria para a pessoa ir até um local em que</p><p>há vários coquinhos e pegá-los.</p><p>Observe, cara(o) acadêmica(o), que um é o oposto do outro; nesse caso, fica claro</p><p>explicar que o denotativo é o sentido real da palavra, o significado original, aquele</p><p>que está no dicionário. Conforme Lopes (2010, p. 10), “quando é tomada no seu</p><p>sentido usual ou literal, com significação restrita [...], é aquilo a que uma palavra ou</p><p>expressão se aplica no seu stricto sensu”.</p><p>Resumidamente:</p><p>Texto 1 Texto 2</p><p>Inscrição para uma lareira</p><p>A vida é um incêndio: nela</p><p>dançamos, salamandras</p><p>mágicas</p><p>Que importa restarem cinzas</p><p>se a chama foi bela e alta?</p><p>Em meio aos toros que</p><p>desabam,</p><p>cantemos a canção das</p><p>chamas!</p><p>Cantemos a canção da vida,</p><p>na própria luz consumida...</p><p>(Mário Quintana)</p><p>Incêndio de grandes proporções atinge Floresta</p><p>Nacional de Palmares</p><p>Bombeiros, Exército, PM e Defesa Civil tentam conter</p><p>as chamas no local. Governo do PI informou que</p><p>existem 13 focos de incêndios grandes na área.</p><p>Homens do Corpo de Bombeiros e do Exército</p><p>combatem um incêndio de grandes proporções que</p><p>atingiu a Floresta Nacional de Palmares, localizada</p><p>entre os municípios de Teresina e Altos, na BR-343.</p><p>Segundo o major Rivelino de Moura, dos bombeiros,</p><p>as chamas começaram nessa sexta-feira (14)</p><p>afetam grande área da mata nativa da reserva [...].</p><p>Quadro 1 - Exemplificação de conotação e denotação.</p><p>Fonte: Adaptado de Mário Quintana (2007, p. 197) e G1 PI (2016, on-line).</p><p>Analisando os dois textos, em especial a palavra incêndio, é possível afirmar que o</p><p>sentido é o mesmo? Não é, cara(o), estudante! No texto 1, o sentido da palavra é</p><p>figurado, ainda mais por estar contida em um poema. Já no texto 2, por ser um texto</p><p>jornalístico, o sentido da palavra é o literal, o mesmo empregado no dicionário.</p><p>Tenho certeza de que, a partir de agora, não haverá mais dúvidas sobre o que é</p><p>conotação e denotação. Aproveitamos o ensejo para lhe perguntar: você sabe o</p><p>que é intertextualidade? Esse é o nosso próximo assunto.</p><p>O que é Intertextualidade?</p><p>É provável que você já tenha tido contato com essa palavra. Para recordar, vamos</p><p>pensar: o que significa “inter”? Qual a origem de “textualidade”? A palavra “inter”,</p><p>segundo o dicionário Houaiss (2004, p. 428), é um prefixo, que significa “entre”</p><p>(preposição, não do verbo entrar), no caso em questão, estar entre algo. A palavra</p><p>“textualidade”, por sua vez, vem, como o próprio nome sugere, de texto.</p><p>Tendo em vista o exposto, podemos inferir que a intertextualidade é, basicamente, a</p><p>relação entre textos, bem como o reconhecimento de que um texto está sempre em</p><p>diálogo com outros textos. Nas palavras da linguista Julia Kristeva, o texto é</p><p>produzido por intermédio de afirmação e de negação, ao mesmo tempo, de outro</p><p>texto.</p><p>Vale pontuar que cabe ao leitor ativar a intertextualidade, visto que é o responsável</p><p>por reconhecer a “familiaridade”, o “parentesco” entre os textos e, assim,</p><p>estabelecer os vínculos. Conforme bem expõe Cosson (2010, p. 64), há dois tipos de</p><p>intertextualidade:</p><p>a. Intertextualidade externa: diz respeito às relações que o leitor estabelece entre</p><p>dois ou mais textos, a partir de sua experiência de leitura, independentemente</p><p>do proposto pelo texto.</p><p>b. Intertextualidade interna: diz respeito às experiências do leitor, no entanto,</p><p>requer uma indicação dentro do texto, uma vez que a citação, mais ou menos,</p><p>explicita uma obra anterior.</p><p>A intertextualidade pode ser vista sob a</p><p>ótica de um emaranhado de ideias e</p><p>conexões, permitindo e propondo a relação de diferentes tipologias textuais, obras</p><p>de arte, letras de músicas, entre outros. Deste modo, ao aproximarmos diferentes</p><p>versões de uma mesma história, averiguar as semelhanças e as pontes textuais e</p><p>sígnicas é uma prática interessante, pois permite ao leitor o diálogo e a ampliação</p><p>de seu repertório cultural e de conhecimento.</p><p>Um exemplo bem evidente da intertextualidade pode ser observado na música</p><p>“Monte Castelo”, interpretada pela banda Legião Urbana, que dialoga com o poema</p><p>“Amor é fogo que arde sem se ver”, do poeta português  Luís Vaz de Camões, e com</p><p>a Carta de São Paulo Apóstolo aos Coríntios 13. A seguir, observe os destaques:</p><p>Monte Castelo</p><p>Ainda que eu falasse a</p><p>língua dos homens.</p><p>E falasse a língua dos</p><p>anjos, sem amor eu nada</p><p>seria.</p><p>É só o amor, é só o amor.</p><p>Que conhece o que é</p><p>verdade.</p><p>O amor é bom, não quer o</p><p>mal.</p><p>Não sente inveja ou se</p><p>envaidece.</p><p>O amor é o fogo que arde</p><p>sem se ver.</p><p>É ferida que dói e não se</p><p>sente.</p><p>É um contentamento</p><p>descontente.</p><p>É dor que desatina sem</p><p>doer.</p><p>Amor é um Fogo que Arde</p><p>sem se Ver</p><p>Amor é um fogo que arde sem</p><p>se ver;</p><p>É ferida que dói, e não se</p><p>sente;</p><p>É um contentamento</p><p>descontente;</p><p>É dor que desatina sem doer.</p><p>É um não querer mais que</p><p>bem querer;</p><p>É um andar solitário entre a</p><p>gente;</p><p>É nunca contentar-se e</p><p>contente;</p><p>É um cuidar que ganha em se</p><p>perder;</p><p>É querer estar preso por</p><p>vontade;</p><p>É servir a quem vence, o</p><p>vencedor;</p><p>Primeira Epístola de S.</p><p>Paulo Apóstolo aos</p><p>Coríntios</p><p>Capítulo 13</p><p>1 Ainda que eu falasse as</p><p>línguas dos homens e dos</p><p>anjos, e não tivesse</p><p>caridade, seria como o</p><p>metal que soa ou como o</p><p>sino que tine.</p><p>2 E ainda que tivesse o</p><p>dom da profecia, e</p><p>conhecesse todos os</p><p>mistérios e toda a ciência,</p><p>e ainda que tivesse toda a</p><p>fé, de maneira tal que</p><p>transportasse os montes,</p><p>e não tivesse caridade,</p><p>nada seria.</p><p>3 E ainda que distribuísse</p><p>toda a minha fortuna</p><p>para sustento dos pobres,</p><p>e ainda que entregasse o</p><p>meu corpo para ser</p><p>queimado, e não tivesse</p><p>caridade, nada disso me</p><p>aproveitaria.</p><p>Ainda que eu falasse a</p><p>língua dos homens.</p><p>E falasse a língua do</p><p>anjos, sem amor eu nada</p><p>seria.</p><p>É um não querer mais que</p><p>bem querer.</p><p>É solitário andar por entre</p><p>a gente.</p><p>É um não contentar-se de</p><p>contente.</p><p>É cuidar que se ganha em</p><p>se perder.</p><p>É um estar-se preso por</p><p>vontade.</p><p>É servir a quem vence, o</p><p>vencedor.</p><p>É um ter a quem nos</p><p>mata a lealdade.</p><p>Tão contrário a si é o</p><p>mesmo amor.</p><p>Estou acordado e todos</p><p>dormem todos dormem</p><p>todos dormem.</p><p>É ter com quem nos mata,</p><p>lealdade.</p><p>Mas como causar pode seu</p><p>favor</p><p>Nos corações humanos</p><p>amizade,</p><p>Se tão contrário a si é o</p><p>mesmo Amor?</p><p>4 A caridade é sofredora,</p><p>é benigna; a caridade</p><p>não é invejosa; a caridade</p><p>não trata com</p><p>leviandade, não se</p><p>ensoberbece,</p><p>5 Não trata com</p><p>indecência, não busca os</p><p>seus interesses, não se</p><p>irrita, não suspeita mal;</p><p>6 Não se alegra com a</p><p>injustiça, porém se alegra</p><p>com a verdade;</p><p>7 Tudo sofre, tudo crê,</p><p>tudo espera, tudo suporta.</p><p>[...].</p><p>Agora vejo em parte. Mas</p><p>então veremos face a</p><p>face.</p><p>É só o amor, é só o amor.</p><p>Que conhece o que é</p><p>verdade.</p><p>Ainda que eu falasse a</p><p>língua dos homens.</p><p>E falasse a língua do</p><p>anjos, sem amor eu nada</p><p>seria.</p><p>Quadro 2 - Intertextualidade com texto verbal.</p><p>Fonte: Adaptado de Russo (1989), Camões (2001, p. 49) e Bíblia Sagrada (1980).</p><p>Lembre-se: o termo “intertexto” diz respeito a um texto que faz relação a outro, ou</p><p>seja, é o ato de colocar um texto já existente dentro de outro. Esse texto pode ser</p><p>apenas a ideia, o assunto, o tema, ou, então, pode haver, de fato, o uso de partes do</p><p>texto; não se esqueça de que temos vários tipos de textos, tanto os verbais como os</p><p>não verbais e os mistos.</p><p>Um dos textos não verbais mais utilizados para se fazer uma intertextualidade é o</p><p>famoso quadro Mona Lisa, do pintor Leonardo da Vinci. Veja os exemplos:</p><p>Nos exemplos elencados, foi possível observar que a intertextualidade foi utilizada</p><p>de maneira explícita, além disso, qualquer tipo de texto que apresente um tema e</p><p>um assunto pode dialogar com outro. A intertextualidade é, então, um texto criado</p><p>(verbal e não verbal) com base em outro texto já existente, e deve fazer parte do</p><p>mesmo contexto para o autor e o leitor, caso contrário, fica como uma folha em</p><p>branco.</p><p>Uma vez que você estudou bastante a respeito da linguagem e dos textos,</p><p>consideramos pertinente trazer até você algumas questões voltadas à parte prática</p><p>da Língua Portuguesa, que diz respeito à noção do uso das regras gramaticais que</p><p>pertencem à norma-padrão. É a isso que dedicamos nossa próxima parte dos</p><p>estudos.</p><p>FIGURA 5 Intertextualidade com texto não verbal</p><p>FONTE: Przemyslaw Przybylski / Ostill / Anton Brand / Geekclick / Jodo19 / Igor Akimov / 123RF.</p><p>O Novo Acordo Ortográfico da Língua</p><p>Portuguesa</p><p>Muitas são as críticas que se ouvem a respeito do ensino da Língua Portuguesa,</p><p>principalmente acerca do que se ensina na escola e do uso que os falantes fazem</p><p>do que aprendem. Uma pergunta intrigante: por que os falantes de Língua</p><p>Portuguesa apresentam dificuldades, quando precisam fazer escolhas com relação</p><p>ao uso de determinadas regras, uma vez que eles estiveram ou ainda estão</p><p>expostos ao ensino da Gramática Normativa nos bancos escolares?</p><p>Segundo Possenti (1996, p. 33), um dos motivos da dificuldade que os falantes</p><p>encontram está relacionado com a variação da língua: “[...] todas as línguas variam,</p><p>isto é, não existe nenhuma sociedade ou comunidade, na qual todos falem da</p><p>mesma forma”, ou seja, não existe uma língua que não tenha variações, dialetos,</p><p>que seja uniforme.</p><p>Essa variação existente nas línguas está diretamente implicada com a teoria</p><p>funcionalista, uma vez que o objeto da linguística é estudar o modo como as</p><p>pessoas comunicam-se “[...] toda a língua, tanto em seu funcionamento, como em</p><p>sua evolução [...] se impõe [...] como instrumento de comunicação da experiência”</p><p>(MARTINET, 1994, p.14).</p><p>Para todo funcionalista, o importante é entender a comunicação, verificar o modo</p><p>como o usuário expõe a sua competência linguística. A visão de competência</p><p>linguística é bastante observada pelos estudiosos da língua, pois eles entendem</p><p>que a linguística não é autônoma, porque a gramática de uma língua depende do</p><p>funcionamento cognitivo, do processamento mental, da interação social e cultural,</p><p>o que leva a uma evolução da linguagem, ou seja, a uma mudança e variação</p><p>constante.</p><p>Miranda e Campos (2013, p. 480) afirmam que, para Martinet, o funcionalismo diz</p><p>respeito ao “[...] papel que a língua desempenha para os homens, na comunicação</p><p>de sua experiência uns aos outros”, ou seja, a função que a linguagem vai exercer</p><p>entre os interlocutores.</p><p>Para que essa função linguística seja entendida por todos os participantes de</p><p>determinada situação comunicativa, é interessante que todos tenham um</p><p>conhecimento da gramática da língua. Para a gramática funcional, é relevante que</p><p>o usuário organize seu discurso gramaticalmente, unindo-o à capacidade de</p><p>codificação e decodificação dos interlocutores.</p><p>Uma vez que os funcionalistas abordam suas investigações, associando a interação</p><p>social à competência comunicativa, fica claro entender que, na gramática</p><p>funcional, está implicado o estudo dos princípios pragmáticos, além dos sintáticos e</p><p>semânticos.</p><p>Partindo dessas premissas, é de extrema importância discorrer sobre um dos</p><p>pioneiros do Funcionalismo, no Brasil, Evanildo Bechara (1991). Neves (1999, p. 321-33)</p><p>afirma que: “Bechara delimita o objeto da gramática funcional, segundo Coseriu,</p><p>como o estudo da estruturação idiomática dos significados proposicionais de uma</p><p>língua, tanto gramaticais quanto léxicos”.</p><p>Embasada por essa teoria de Bechara, Neves (1999, p. 13) define a gramática</p><p>funcional como a de usos, que:</p><p>[...] busca, essencialmente, verificar como se processa a</p><p>comunicação em uma determinada língua, e, para isso, não</p><p>assume como tarefa descrever a língua enquanto sistema</p><p>autônomo, e, portanto, não desvincula as peças desse sistema</p><p>das funções que elas</p><p>preenchem. Vê a relação entre estrutura e</p><p>função como algo instável, que reflete o caráter dinâmico da</p><p>linguagem. Considera que, na produção dos enunciados, forças</p><p>internas (fonológicas, sintáticas e semânticas) e forças externas</p><p>interagem, entrando em competição. Desse modo, não abstrai</p><p>de sua análise o contexto global do discurso, e é dentro dele que</p><p>procura correlacionar forma e sentido.</p><p>Estudante, você acabou de ler uma das teorias linguísticas mais difundidas, ao</p><p>longo dos últimos anos, e que não é muito bem compreendida por outras vertentes</p><p>da área, imagine por quem não é um estudioso da Língua Portuguesa. Nota-se,</p><p>assim, que delimitar as regras gramaticais é muito mais complexo do que se possa</p><p>imaginar, principalmente, pelo que foi explicado anteriormente; a língua não é</p><p>estática, ela sofre mudanças o tempo todo. É preciso, porém, ter algo que determine</p><p>as regras de aplicação e procure deixar tudo ordenado; para isso, há as regras</p><p>gramaticais, que estruturam o texto de forma coesa e coerente.</p><p>O Novo Acordo Ortográfico tem o objetivo de unificar e simplificar a quantidade de</p><p>regras utilizadas por todos os países que falam a língua portuguesa. O Acordo teve</p><p>sua aceitação oficial, no ano de 2009, e, até 2012, não era obrigatório, mas já era</p><p>necessária uma adaptação do seu uso. Nos anos seguintes, passou a ser</p><p>obrigatório e, no ano de 2016, começou a ser exigido em provas, livros, documentos</p><p>etc. O intuito é, basicamente, unificar a nossa escrita e a das demais nações de</p><p>língua portuguesa: Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São</p><p>Tomé e Príncipe e Timor-Leste.</p><p>Cara(o) estudante, você pode estar se perguntando se é possível uniformizar uma</p><p>língua, uma vez que, no mesmo território em que ela é utilizada, há inúmeras</p><p>variações e variantes linguísticas. Não é exatamente esse o intuito, mas há, sim, a</p><p>intenção de tornar uma língua única, ou, ao menos, mais próxima em todos os</p><p>lugares em que ela é tida como oficial. Seguem algumas mudanças importantes:</p><p>Alfabeto: herança do inglês, as letras “k”, “w” e “y” já apareciam em nomes</p><p>próprios, unidades de medidas, palavras importadas do idioma inglês. A partir</p><p>do Novo Acordo, nosso alfabeto passa a ter 26 letras, além disso, adotou-se a</p><p>convenção internacional, de que o k vem depois do j, o w depois do v e o y</p><p>depois do x.</p><p>Também são utilizadas na constituição das palavras: o ç (cê cedilhado) e os</p><p>dígrafos: rr (érre duplo), ss (ésse duplo), ch (cê agá), lh (éle agá), nh (ene agá), gu</p><p>(gê u) e qu (quê u).</p><p>Faz-se necessário revisar alguns pontos gramaticais que nos ajudarão a</p><p>compreender as classificações, bem como as regras da acentuação gráfica da</p><p>Língua Portuguesa.</p><p>Classificação silábica</p><p>a. Átonas: não há ênfase na pronúncia de uma sílaba.</p><p>b. Tônicas: há ênfase na pronúncia de uma sílaba.</p><p>Exemplo: te-le-fo-ne: “fo” é a sílaba tônica; as outras são átonas.</p><p>Classificação da sílaba tônica</p><p>a) Oxítonas – a sílaba forte localiza-se na última sílaba de uma palavra. Exemplo:</p><p>café; Paraná; computador; problematizar.</p><p>As oxítonas são acentuadas, caso sejam terminadas em “a”, “e” e “o”, seguidas ou</p><p>não da letra “s”, indicativa de plural, se aplicando também aos pronomes verbais</p><p>“lo” e “la”, bem como aos ditongos “éi’, “éu” e “ói”. Por exemplo: chá; mês; nós; gás;</p><p>sapé; vatapá; pontapés; só; recuperá-los; conhecê-los; véu; dói; chapéus;</p><p>parabéns; Jerusalém.</p><p>b) Paroxítonas – a sílaba forte localiza-se na penúltima sílaba. Exemplo: fênix;</p><p>sossego; dormindo; amá</p><p>As paroxítonas são acentuadas quando terminadas em:</p><p>L  – afável, fácil, cônsul, desejável, ágil, incrível.</p><p>N – pólen, abdômen, sêmen.</p><p>R – câncer, caráter, néctar, repórter.</p><p>X – tórax, látex, ônix.</p><p>PS – fórceps, Quéops, bíceps.</p><p>Ã(S) – ímã, órfãs, ímãs, Bálcãs.</p><p>ÃO(S) – órgão, bênção, sótão, órfão.</p><p>I(S)  – júri, táxi, lápis, grátis, oásis, miosótis.</p><p>ON(S) – náilon, próton, elétrons, cânon.</p><p>UM(S) – fórum, médium, álbuns.</p><p>US – ânus, bônus, vírus, Vênus.</p><p>c) Proparoxítonas - a sílaba forte localiza-se na antepenúltima sílaba. Exemplo:</p><p>esdrúxula, vítima, cântico; pân</p><p>Todas as proparoxítonas são acentuadas.</p><p>Classificação dos encontros vocálicos</p><p>a. Ditongo: encontro de duas vogais em uma só sílaba. Exemplo: caixa; pai; série;</p><p>lei.</p><p>b. Tritongo: encontro de três vogais em uma só sílaba. Exemplo: iguais; saguão;</p><p>espiões; Paraguai.</p><p>c. Hiato: encontro de duas vogais em sílabas separadas. Exemplo: di-a; ide-ia*;</p><p>no-el; papagai-o. Obs.: a palavra “ideia” possui ditongo e hiato.</p><p>Quando uma sílaba tônica é composta por uma vogal sozinha, sem outra vogal ou,</p><p>ainda, sem uma consoante, como em juízo (ju-í-zo), pois o ‘i’ é tônico (mais forte) e</p><p>está sozinho, essa vogal será acentuada, mas apenas se for “i” ou “u”,</p><p>acompanhadas ou não de “s”, por exemplo: Luís (Lu-ís).</p><p>No entanto, por que não acentuamos “ba-i-nha”, “fei-u-ra”, “ru-im”, “Ra-ul”, se todas</p><p>são “i” e “u” tônicas, portanto, hiatos? Porque o “i” tônico de “bainha” vem seguido de</p><p>NH. O “u” e o “i” tônicos de “ruim”, “cair” e “Raul” formam sílabas com “m”, “r” e “l”,</p><p>respectivamente. Essas consoantes já soam forte por natureza, tornando,</p><p>naturalmente, a sílaba “tônica”, não tendo a necessidade de acentuação.</p><p>Classificação número de sílabas:</p><p>a) Monossílabas – com apenas uma sílaba: sol.</p><p>Os monossílabos podem ser de dois tipos:</p><p>Átono: palavras de uma sílaba fraca, ou seja, pronunciada sem ênfase. Por</p><p>exemplo: artigos: o, a, um etc.; pronomes pessoais oblíquos: se, te, ti, lhe, o, a</p><p>etc.; pronome relativo: que; conjunção: e, ou, mas, nem etc.; preposição: dos,</p><p>de, à, na etc.</p><p>Tônico: palavras de uma sílaba tônica, ou seja, pronunciadas com ênfase. Por</p><p>exemplo: verbos: li, vi, ter, ser, dê etc.; substantivos: sol, mar, flor, dor, mel etc.;</p><p>adjetivos: mau, bom, má etc.; pronomes: eu, tu, nós, mim etc.; advérbios: lá, cá,</p><p>bem, já etc.</p><p>a. Dissílabas – com duas sílabas: cha-ve.</p><p>b. Trissílabas – com três sílabas: ca-ne-ta.</p><p>c. Polissílabas – com quatro ou mais sílabas: bor-bo-le-ta.</p><p>Acento diferencial: utilizado em palavras com escrita igual, mas que servem</p><p>para diferenciá-las em seus sentidos e uso. Em algumas palavras, esse acento</p><p>diferencial não foi mantido. Em outras, porém, foi mantido, como em: pôde</p><p>(passado), pode (presente); pôr (verbo), por (preposição); nas formas verbais</p><p>que diferenciam a 3ª pessoa do singular e do plural (ela tem / elas têm; você</p><p>vem / vocês vêm - essa é uma regra geral, para todos os verbos que sejam</p><p>derivados do “ter” e do “vir”, por exemplo: deter, manter, intervir, sobrevir, entre</p><p>outros.</p><p>Trema: abolição do uso do trema, com exceção para nomes próprios e seus</p><p>derivados, de origem estrangeira.</p><p>Vejamos, a seguir, um quadro com algumas dicas rápidas sobre o Novo Acordo</p><p>Ortográfico:</p><p>●      Acento diferencial</p><p>Em algumas palavras, não há mais a presença do acento diferencial. Deste modo,</p><p>para saber o sentido pretendido, é preciso analisar o contexto. Vejamos:</p><p>Para (verbo) – Para (preposição). Por exemplo:</p><p>Ele para de malhar logo no segundo dia.</p><p>Vou para o meu trabalho.</p><p>Pela e pelo (verbo) – Pela e pelo (preposição) – Pelo (substantivo). Por exemplo:</p><p>O animal pela conforme vai crescendo.</p><p>Vou pela sombra.</p><p>Ele vai pelo caminho mais rápido.</p><p>O pelo do meu cachorro está caindo.</p><p>●      Acento agudo</p><p>Ditongos nas paroxítonas: não tem mais acento nos ditongos “ei” e “oi”. Por</p><p>exemplo: joia, estreia, paranoico.</p><p>Vogais tônicas nas paroxítonas: “i” e “u” não são mais acentuadas, se vierem depois</p><p>de um ditongo. Por exemplo: feiura, bocaiuva, cheiinho, saiinha.</p><p>Verbos: o “u” tônico não é mais acentuado, como em: “gue”, “gui”, “que” e “qui”. Por</p><p>exemplo: apazigue, enxágue, arguem, averíguo, delinquo.</p><p>●      Acento circunflexo</p><p>Vogais dobradas: “ee” e “oo” não são mais acentuadas. Por exemplo: voo, veem,</p><p>perdoo, descreem, enjoo.</p><p>●      Hífen</p><p>Letra “h”: separar por hífen, quando for a primeira letra da segunda palavra. Por</p><p>exemplo: pré-história, sub-humano, super-herói, anti-higiênico.</p><p>Letras iguais: quando a primeira palavra terminar em uma letra igual a que</p><p>começa a segunda palavra,</p><p>elas devem ser separadas por hífen. Por exemplo:</p><p>arqui-inimigo, micro-ondas, anti-inflamatório.</p><p>Letras diferentes: caso sejam diferentes, elas não serão separadas. Por exemplo:</p><p>extraoficial, infraestrutura, semicírculo, superintendente.</p><p>Dobrar as letras “r” e “s”: quando a segunda palavra iniciar por “r” ou “s”, deve-se</p><p>dobrar essa letra e retirar o hífen, caso a última letra da primeira palavra seja vogal;</p><p>se a primeira palavra terminar com “r” ou “s” e a segunda começar com “r” ou “s”, o</p><p>hífen permanece. Por exemplo: autorretrato, minissaia, ultrassonografia; super-</p><p>realista, inter-resistente, sub-reino.</p><p>Prefixos “ex-”, “sota-“, “soto-”, “vice-” e “vizo-”: o hífen se mantém. Por exemplo:</p><p>soto-mestre, vice-diretor, ex-presidente, vizo-rei.</p><p>Prefixos “pré”, “pró” e “pós”: sempre separados por hífen, quando forem tônicos. Por</p><p>exemplo: pré-natal, pró-africano, pós-graduação.</p><p>Prefixos “pan” e “circum”: separados por hífen, quando a segunda palavra for</p><p>iniciada por vogal, “h”, “m’ ou “n”. Por exemplo: pan-americano, circum-escola.</p><p>Prefixos “co”, “re”, “pre”: não se usa o hífen. Por exemplo: coordenar, reedição,</p><p>preestabelecer.</p><p>Quadro 3 - Acordo Ortográfico descomplicado.</p><p>Fonte: Elaborado pelas autoras.</p><p>Gostou das dicas? Esperamos, cara(o) estudante, que reflita sobre os usos da língua</p><p>e exercite-a, pois só assim as novas regras serão memorizadas.</p><p>Agora que você concluiu a leitura deste estudo, veja, nos vídeos a seguir, temas que</p><p>complementarão seus estudos:</p><p>Indicação de Leitura</p><p>Livro: Comunicação empresarial</p><p>Autor: Carolina Tomasi e João Bosco Medeiros</p><p>Ano: 2009</p><p>Editora: Atlas</p><p>ISBN: 978-85-224-5274-3</p><p>Sinopse: Esse livro segue duas linhas distintas: a da Comunicação, que é a</p><p>profissional e abarca a comunicação externa e interna das organizações e a que</p><p>segue os estudos de Língua Portuguesa dos cursos que não são de Comunicação.</p><p>Como os manuais da área recomendam aos profissionais que a comunicação deve</p><p>ser clara e direta, mas silenciam sobre como obter esse tipo de desempenho, esse</p><p>livro ocupa-se com o uso da linguagem e entende que a comunicação que se faz</p><p>com apoio no conhecimento linguístico alcança objetivamente a eficácia. O</p><p>presente texto é resultado de pesquisa dos principais temas tratados em sala de</p><p>aula no que se refere à disciplina Comunicação Empresarial. Ocupando-se de</p><p>temas diretamente relacionados à Linguística e à Comunicação, esse livro poderá</p><p>ser uma ferramenta de ensino e aprendizagem. Enfatiza, também, o uso tanto da</p><p>modalidade escrita da língua quanto da modalidade oral. A Parte I focaliza os</p><p>temas relacionados à Comunicação Empresarial; a Parte II aborda temas relevantes</p><p>no aprendizado da língua, como coesão, coerência, discurso implícito,</p><p>procedimentos argumentativos, condições de produção do texto, intertextualidade.</p><p>A obra está dividida em treze capítulos, com a seguinte estrutura: objetivos do</p><p>capítulo; seção de reflexão e discussão, composta de questões as quais o aluno</p><p>deve responder; seção sobre o tema da unidade em estudo; um texto para leitura;</p><p>seção de leitura recomendada; por fim, um conjunto de exercícios que podem ser</p><p>feitos oralmente ou por escrito. A prática das propostas apresentadas no texto</p><p>poderá levar estudiosos e profissionais à consecução de uma comunicação</p><p>competente.</p><p>Questão 1</p><p>Leia o trecho a seguir:</p><p>“Desde as origens da Linguística do Texto até nossos dias, o texto foi visto</p><p>de diferentes formas. Em um primeiro momento, foi concebido como: a)</p><p>unidade linguística (do sistema) superior à frase; b) sucessão ou</p><p>combinação de frases; c) cadeia de pronominalizações ininterruptas [...]. Já</p><p>no interior de orientações de natureza pragmática, o texto passa a ser</p><p>encarado, pelas teorias acionais, como uma sequência de atos de fala;</p><p>pelas vertentes cognitivas, como fenômeno primariamente psíquico,</p><p>resultado, portanto, de processos mentais; e pelas orientações que adotam</p><p>por pressuposto a teoria da atividade comunicativa, como pressuposto a</p><p>teoria da atividade comunicativa, como parte de atividades mais globais</p><p>de comunicação [...]” (KOCH, [s./d.], p. 21-22).</p><p>O texto, portanto, deixa de ser concebido de forma fechada, sendo</p><p>abordado considerando o seu planejamento, verbalização e construção.</p><p>Assim, e considerando os conteúdos estudados no livro da disciplina,</p><p>analise as afirmativas, a seguir, sobre o texto.</p><p>I. O texto é responsável, por intermédio da interação do homem, de atribuir</p><p>sentido às coisas do mundo.</p><p>II. Para que o texto seja uma unidade de sentido, é imprescindível dois</p><p>sujeitos: quem fala e quem ouve.</p><p>III. Um emaranhado de palavras, agrupadas e sem uma ordem</p><p>estabelecida, é um conceito possível para o texto. IV. Em um texto, o</p><p>contexto é de sua importância para o entendimento de sua mensagem.</p><p>Está correto apenas o que se afirma em:</p><p>A. II e IV.</p><p>B. I e II.</p><p>C. I e IV.</p><p>D. I, II e IV.</p><p>E. I, III, IV.</p><p>Questão 2</p><p>Leia o trecho a seguir:</p><p>“A produção de linguagem [verbal e não verbal] constitui atividade</p><p>interativa altamente complexa de produção de sentidos que se realiza,</p><p>evidentemente, com base nos elementos [linguísticos] presentes na</p><p>superfície textual e na sua forma de organização, mas que requer não</p><p>apenas a mobilização de um vasto conjunto de saberes (enciclopédia),</p><p>mas a sua reconstrução e a dos próprios sujeitos – no momento da</p><p>interação verbal” (CAVALCANTE; CUSTÓDIO FILHO, 2010, p. 64).</p><p>A linguagem é, basicamente, o uso da língua como forma de expressão e</p><p>comunicação entre os sujeitos, a qual pode se manifestar de diferentes</p><p>modos, por meio da linguagem verbal, da linguagem não verbal e da</p><p>mista. Assim, e considerando os conteúdos estudados no livro da disciplina,</p><p>analise as afirmativas, a seguir, sobre os tipos de linguagem.</p><p>I. A linguagem que utiliza apenas códigos para a transmissão de uma ideia</p><p>pode ser considerada linguagem não verbal.</p><p>II. Para o estabelecimento de comunicação, a linguagem que utiliza apenas</p><p>a língua, oral ou escrita, diz respeito à linguagem verbal.</p><p>III. A utilização de recursos gráficos, bem como a oralidade, está dentro do</p><p>escopo da linguagem não verbal.</p><p>IV. A linguagem mista prevê a combinação de elementos textuais e visuais.</p><p>Está correto apenas o que se afirma em:</p><p>A. II.</p><p>B. I e III.</p><p>C. II e IV.</p><p>D. I, III, V.</p><p>E. I, II e IV.</p><p>Atividade</p><p>Leia o trecho a seguir:“A palavra tem valor conotativo quando remete para</p><p>outros significados por associação, quando extrapola o sentido comum,</p><p>quando é usada de modo criativo; e tem um valor denotativo (referencial)</p><p>quando é tomada no seu sentido usual ou literal, com significação restrita,</p><p>em “estado de dicionário” (LOPES, 2010, p. 10).Assim, considerando as</p><p>informações apresentadas e os conteúdos estudados, analise as</p><p>afirmativas, a seguir, sobre o sentido conotativo e denotativo.</p><p>I. O período “poento alumbramento róseo, de dia; tênue tecido alaranjado,</p><p>passando em fundo preto, de noite, à luz”, é um exemplo de texto</p><p>conotativo.</p><p>II. Devido aos valores transmitidos, a denotação é oposta à conotação.</p><p>III. A frase “Intensidade da tragédia ambiental é tão grave quanto a de</p><p>Mariana” apresenta uma linguagem conotativa.</p><p>IV. “[...] e a tarde pendurada no raminho de um fogáceo arborescente</p><p>deixava-se ir muda feita uma coisa última” é uma frase que apresenta</p><p>valor conotativo.</p><p>Está correto apenas o que se afirma em:</p><p>A. II.</p><p>B. I e III.</p><p>C. II e IV.</p><p>D. I, II e IV.</p><p>E.  I, III e IV.</p><p>Síntese</p><p>Parabéns!</p><p>Você concluiu este estudo. Esperamos que as informações apresentadas aqui</p><p>contribuam para a sua bagagem de conhecimento sobre o tema estudado e que</p><p>elas possam ser utilizadas em seu dia a dia. Que todo esse conhecimento possa lhe</p><p>trazer muito sucesso em suas atividades, além de despertar o desejo de estudar</p><p>cada vez mais.</p><p>Desejamos, a você, bons estudos!</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>BECHARA, E. Gramática funcional: naturezas, funções e tarefas. In: NEVES, M. H. M.</p><p>(Org.). Descrição do português II. Publicação do curso de Pós-graduação em</p><p>Linguística e Língua Portuguesa. Ano V, n. 1, p.1-97, Araraquara: Unesp, 1991.</p><p>BÍBLIA. A. T. Daniel.</p><p>In: BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada: contendo o antigo e o novo</p><p>testamento. Tradução dos originais mediante a versão dos Monges de Maredsous</p><p>(Bélgica) pelo Centro Bíblico Católico. 29. ed. São Paulo: Ave Maria, 1980. p.1197-1198.</p><p>CAMPOS, Augusto de. Viva Vaia. São Paulo: Brasiliense, 1986. [s./p.]</p><p>CAMÕES, Luís Vaz de. Sonetos de Camões: sonetos, redondilhas e gêneros maiores.</p><p>2. ed. Cotia-SP: Ateliê Editorial, 2001.</p><p>CAVALCANTE, U. F.; TORGA, V. L. M. Língua, discurso, texto, dialogismo e sujeito:</p><p>compreendendo os gêneros discursivos na concepção dialógica, sócio-histórica e</p><p>ideológica da língua(gem). CONGRESSO NACIONAL DE ESTUDOS LINGUÍSTICOS, 1, 2011,</p><p>Vitória-ES. Anais… Vitória-ES, 2011. 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