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Recém-nascido e amamentação
Ação dos hormônios sobre a mama gravídica
- A fisiologia mamária está intimamente relacionada com a esfera
neuroendócrina e pode ser dividida, fundamentalmente, em três processos
a. Mamogênese → o desenvolvimento da glândula mamária;
b. Lactogênese → o início da lactação;
c. Lactopoese → a manutenção da lactação.
→ MAMOGÊNESE
Anatomia
- A unidade morfofuncional das mamas é o ácino mamário, forrado por
camada única de células epiteliais secretoras de leite
- Cada ácino está envolvido por células mioepiteliais e rede capilar
encorpada. Células contráteis musculares abraçam os canais
intralobulares que se relacionam com o lúmen dos ácinos e alcançam o
mamilo pelos canais galactóforos
- Durante o período embrionário humano, a formação das glândulas mamárias
segue a memória filogenética dos mamíferos e caracteriza-se pelo surgimento
da linha mamária, que corresponde a uma fita de tecido epidérmico que se
estende da base axilar até a região inguinal.
- Na espécie humana, a maior parte da linha mamária atrofia e desaparece,
dando origem a apenas um par de glândulas. Em casos anômalos,
remanescentes embrionários podem permanecer e apresenta-se, nessas
ocasiões, glândulas ou mamilos extranumerários na linha inguinoaxilar. E
considerada, pela sua origem, glândula sudorípara modificada.
- O desenvolvimento das glândulas mamárias no sexo feminino inicia-
se no período puberal e só atinge plenitude caso a mulher engravide e
amamente, o que confere à gravidez e ao período de amamentação papel
imprescindível no crescimento e na diferenciação das mamas.
- O tecido mamário começa seu desenvolvimento no início da puberdade, com
crescimento dos componentes glandulares e da tumescênàa areolar
(telarca) como resposta à atividade ovariana. Após aproximadamente 2
anos, ocorre a menarca, e o crescimento das mamas se modifica com o
aumento do componente de gordura e aplainamento da aréola
- Os limites anatômicos da mama adulta atingem superiormente o segundo ou
o terceiro arco costal e inferiormente a sexta ou a sétima costela. O limite lateral
é determinado pela linha axilar anterior e o medial pela borda lateral do esterno.
- As mamas possuem projeções
axilares chamadas caudas de
Spence. Posteriormente à glândula,
estão os músculos peitorais maiores e
menores, n os quais o tecido
conjuntivo fibroso mamário se fixa,
dando sustentação às glândulas
- A mama adulta é composta de 15
a 20 lobos → unidades
funcionalmente independentes entre
si, que se subdividem em lóbulos
em número variável ( de 20 a 40
subunidades). Os lóbulos, por sua
vez, são compostos por 10 100
alvéolos → estruturas acinosas
secretoras e saculiformes, cujas
células são responsáveis pela
produção láctea. Os alvéolos
desembocam em reduzidas
estruturas ductais - os dúctulos,
que se reúnem em duetos maiores.
- Lobo → lóbulo →
alvéolos → dúctulos → duetos
maiores
- Os duetos maiores, por sua vez,
fundem-se para formar duetos
principais que drenam as unidades
maiores, os lobos. Os duetos
principais apresentam dilatação
na projeção da aréola,
denominada seio galactóforo, cuja
importânàa reside na participação
do mecanismo de sucção das
mamas pelo neonato.
Exteriorizam-se na pele da papila mamária em pequenos orifícios
- Entre os lóbulos e duetos, as mamas são preenchidas por tecido gorduroso e
conjuntivo. A vascularização mamária permeia esse tecido extraglandular até as
menores unidades alveolares, que externamente se revestem de capilares e de
células mioepiteliais. As células mioepiteliais têm função contrátil,
auxiliando na mobilização do leite dos alvéolos para os dúctulos
Esteroides sexuais
- Na menácma, os esteroides sexuais ovarianos exercem, por meio dos
estrogênios, efeitos proliferativos nos canais mamários, enquanto a
progesterona, em atuação conjunta com aqueles, produz o crescimento
e a expansão dos ácinos
Complexos lactogênicos
- A diferenciação completa do tecido funcional da mama requer, além
dos esteroides sexuais, a participação de diversos outros hormônios que
constituem o complexo lactogênico: prolactina (PRL), hormônio do
crescimento (GH), cortisol e, secundariamente, tireoxina e insulina
Gestação
- Com a produção acentuada de estrogênios e de progesterona, acentua-se o
crescimento das estruturas glandulares mamárias.
- A gestação é o período no qual ocorrem desenvolvimento e diferenciação
completos das glândulas mamárias. As alterações fisiológicas locais são
exuberantes por causa dos altos níveis de esteroides sexuais. Os duetos
lactíferos proliferam a partir da terceira semana de gravidez, levando ao
aumento de tecido glandular, consideravelmente maior em relação ao teàdo
gorduroso e conjuntivo.
- Os altos níveis de estrógenos placentários desencadeiam proliferação
celular, em especial das estruturas ductais, que não só aumentam em
quantidade, como desenvolvem o lúmen em canalículos que não existiam
previamente.
- Outros hormônios que participam da atividade mitótica dessas células são o
hormônio do crescimento e a insulina. A progesterona, por sua vez, é
responsável pela diferenciação das células terminais dos dúctulos em células
acinosas (alvéolos).
- A prolactina toma essas células acinosas diferenciadas em células
maduras, capazes de produzir os diferentes componentes do leite.
Apesar dos altos níveis de prolactina durante a gravidez, sua ação é
limitada pelos elevados teores àrculantes de progesterona e de hormônio
lactogênico placentário, cuja ligação com receptores alveolares possui maior
afinidade
- Esses fenômenos acentuam-se no segundo trimestre com o aumento
da produção de prolactina, que estimula os processos secretórios dos
alvéolos mamários. Nesse momento, as mamas já possuem capacidade plena
de funcionamento. No terceiro trimestre, observam-se a redução dos
componentes extraglandulares e o desenvolvimento ainda mais
pronunciado das unidades lóbulo-acinosas.
- As mamas atingem capacidade máxima de produção e de secreção
de proteínas, lactose e lípides, além de atividade exponencial de
determinadas enzimas como a galactosiltransferase e a lactose
sintetase
- O aumento do volume mamário também se deve ao desenvolvimento
vascular localizado, o que contribui para o surgimento de veias visíveis
pela epiderme, denominadas rede de Haller.
- Os fenômenos vasculares são proeminentes desde o início da gestação, o
que gera intumescimento e edema localizados A inervação do tegumento
é extremamente abundante e está comprometida com os arcos reflexos
neurais envolvidos na lactogênese e na galactoà nese.
- As mudanças na coloração e pigmentação das aréolas mamárias são
evidentes já no primeiro trimestre de gravidez. A proteção epitelial é
reforçada pelo desenvolvimento das glândulas sebáceas do mamilo - os
tubérculos de Montgomery-, que irão lubrificar e proteger a pele local,
mantendo sua elasticidade
→ LACTOGÊNESE
- O leite materno é constituído por proteínas, carboidratos, lipídios, sais
minerais e vitaminas. A lactogênese é considerada o início da produção
láctea, que não ocorre na gravidez em função do efeito inibitório da
progesterona, que impede a atuação da PRL nos seus receptores nas
células mamárias. Após o parto há queda abrupta e profunda dos níveis de
progesterona e de estrogênio, o que remove a influência inibitória da
progesterona na produção da lactalbumina-α pelo retículo endoplasmático,
promovendo a ação da PRL. O aumento da lactalbumina-α estimula a secreção
da lactose láctea
- Durante os primeiros 2 dias do pós-parto há poucas transformações
nas mamas. É possível observar apenas secreção de colostro, substância
amarelada já existente na gravidez, com grande concentração de proteínas,
anticorpos e células tímicas, que ajudam a imunizar o bebê contra infecções,
particularmente gastrintestinais.
- Pelo 3 o dia de pós-parto → ocorre aumento na consistência dasmamas,
que se tornam pesadas, congestas e dolorosas.
- Algumas pacientes chegam a referir a sensação de “formigamento” → É
a “subida do leite”, ou apojadura. O aumento do fluxo sanguíneo local
e a intensificação dos fenômenos secretórios produzem calor na região,
que pode ser confundido com elevação térmica patológica (“febre do leite”)
- A produção láctea adequada pressupõe que a glândula mamária esteja
plenamente desenvolvida, sendo relevante a contribuição de outros
hormônios, como insulina, corticoides, tireoxina.
- A prolactina exerce seus efeitos na mama, modificando a secreção de
colostro para leite propriamente dito no período de aproximadamente
72 horas.
- Os níveis de prolactina sob em picos induzidos pela sucção do recém-
nascido. Quanto menor for o intervalo entre as mamadas, menor será o
tempo para o restabelecimento dos níveis de prolactina, mantendo o nível
sérico desse hormônio e a produção adequada de leite.
-A secreção basal é progressivamente menor com picos relativamente
maiores até o terceiro mês pós-parto, quando os níveis séricos circulantes
se aproximam dos valores normais
- Acredita-se que determinadas substâncias presentes no leite materno sejam
responsáveis pela regulação autócrina de sua produção, inibindo localmente a
secreção láctea e alterando sua composição quando existe estase no sistema
ductal.
- Assim, a produção de leite pelas glândulas mamárias depende não só
da existência de um aparelho glandular desenvolvido, mas também da
contínua e eficiente remoção do leite
→ LACTOPOESE
- A lactopoese relaciona-se com o conjunto de eventos que visa à
manutenção da produção e da ejeção do leite. A galactoànese, por sua
vez, é o mecanismo que descreve a excreção do leite durante a sucção
das mamas pelo neonato.
- Iniciada a lactação (lactogênese), ela é mantida (lactopoese) pela
existência do reflexo neuroendócrino da sucção do mamilo pelo
lactente, que age no eixo hipotalâmico-hipofisário e culmina por
determinar a liberação de PRL (aumento dos níveis de 6 a 9 vezes) e de
ocitocina.
- O ato da sucção por via medular inibe a dopamina hipotalâmica, aqui
chamada PIF, promovendo, em última análise, a liberação da PRL. A
PRL mantém a secreção láctea (proteínas, caseína, ácidos graxos,
lactose) e a ocitocina age nas células mioepiteliais e musculares
situadas, respectivamente, ao redor dos ácinos e dos canais
intralobulares e determina a contração deles com a consequente ejeção
láctea.
- O reflexo de ejeção do leite é mais complexo que o reflexo liberador
de prolactina, uma vez que é mais suscetível a influências de fatores
psicoemocionais e ambientais. Assim, situações de desconforto,
vergonha, ansiedade e dor provocam inibição imediata desse
reflexo, reduzindo a quantidade de leite expelida
- E também comprovada a presença de uma substância inibitória da
produção de prolactina (fator inibidor da prolactina), cuja liberação está
relacionada ao eixo neuroendócrino e, portanto, sujeita a modificações
dependentes de estímulo emocional exógeno.
- Durante a sucção das mamas pelo recém-nascido, o estímulo dos
nervos torácicos provoca a redução dessa substância, permitindo a
secreção de prolactina
- A solicitação repetida do mamilo, com o esvaziamento continuado dos
ácinos, resulta em intensificação da produção de leite. A intensidade e a
duração da lactação são
controladas, em parte, pelo
estímulo repetitivo da
amamentação.
- Embora, após o parto, a
PRL plasmática caia a níveis
inferiores aos da gravidez,
cada ato de sucção do mamilo
estimula a sua produção.
Provavelmente o estímulo
do mamilo refreia a PIF
hipotalâmica,
possibilitando o aumento
da secreção de PRL
- A neuro-hipófise também
secreta ocitocina em pulsos.
Isso estimula a ejeção do leite
ao causar a contração das
células mioepiteliais do alvéolo
mamário
- O leite é produzido no
intervalo das mamadas, de
forma a ficar armazenado na
glândula mamária. A síntese
do leite é um processo lento e
não poderia completar-se no decurso da amamentação, episódio fisiológico
relativamente rápido.
- Orienta-se, dessa forma, que a primeira pega não exceda 40 minutos do parto
e que a frequência mínima seja por volta de 7 a 8 mamadas por dia. Preconiza-
se a amamentação de livre demanda, e variações individuais são possíveis sem
maiores prejuízos
- Na 1 a semana pós-parto (colostro), após a secreção da glândula
mamária, segue-se um “leite de transição”, por 2 a 3 semanas, para,
finalmente, surgir o “leite maduro”, definitivo.
- Há proteção imunológica pós-natal, posto que anticorpos maternos
assim veiculados são absorvidos no intestino sem digestão (presença de
inibidor da tripsina). Os corpúsculos de Donné, compostos de leucócitos,
histiócitos, linfócitos e células epiteliais descamados, são típicos do
colostro.
Quantidade normal de leite produzida
- Varia de acordo com a mulher e as necessidades do bebê. A Organização
Mundial de Saúde (OMS) estima em 850 mℓ (600 kcal) por dia, valor
médio satisfatório nos 6 primeiros meses de amamentação.
- Todavia, pondera-se que a melhor maneira de avaliar a lactação adequada é
pelo crescimento do bebê: ganho de 800 g ± 20% ao mês durante os 6
primeiros meses de vida, ou a duplicação do peso do nascimento à altura do 4
o mês são parâmetros satisfatórios.
Lactação e fertilidade
- A lactação condiciona efeito contraceptivo temporário. Da mesma maneira
que a sucção do mamilo inibe a liberação da PIF hipotalâmica, com
elevação da PRL, o hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) está
reduzido a níveis não ovulatórios.
- As mães que amamentam integralmente podem ficar amenorreicas no
pós-parto por 8 a 12 meses, enquanto as não lactantes, por menos de 2 meses.
A amamentação de curta duração (poucas semanas) ou parcial é menos
eficiente em prolongar a amenorreia pós-parto.
- Cerca de 80% das puérperas ovulam antes da 1 a menstruação. Nas que o
fazem entre 1 e 2 meses, 65% dos catamênios foram precedidos de ovulação,
e naquelas que sangram após 2 meses, a taxa aumenta para 85%.
- No fim de 6 meses de puerpério, 90% das pacientes já ovularam. As mulheres
que amamentarem integralmente, enquanto amenorreicas, não conceberão (3 a
10% de falhas).
- A fim de se evitar a gravidez, aconselha-se o uso de proteção
anticoncepcional às não lactantes, 30 a 40 dias, e às lactantes, após 3 a 6 meses,
se ainda amenorreicas, ou indistintamente após o retorno das menstruações.
Os anovulatórios orais combinados podem inibir a produção láctea e devem
ser evitados.
→ INIBIÇÃO DA LACTAÇÃO
- A secreção láctea finda quando cessa a amamentação. A falta de
estímulo mamilar impede a liberação de ocitocina e, em consequência,
não há ejeção láctea. A produção de leite pelo ácino túrgido é reduzida por
efeito local do aumento da pressão. A ausência de sucção reativa a
produção de PIF de modo a impedir a secreção de PRL. Com a reabsorção
do leite no lúmen do ácino mamário, esse acaba por “secar”.
Composição do leite materno e as vantagens do
aleitamento para filho-mãe
→ COMPOSIÇÃO DO LEITE
- Distinguem-se três tipos de secreção láctea no período puerperal,
sucessivamente: o colostro, o leite de transição e o leite maduro.
a. O colostro é um fluido cremoso, amarelado, mais denso que
o leite, com composição altamente proteica e com baixo teor
de gorduras. Sua excreção dura, em geral, 72 , horas, mas pode
variar de 1 a 7 dias. E de fácil digestão para o recém-nascido, além
de conter grande quantidade de imunoglobulinas e células
leucocitárias e epiteliais. As imunoglobulinas são transportadas do
plasma materno para o leite e absorvidas pelo trato gastrointestinal
do neonato. Estão protegidas da digestão porque se ligam a
inibidores de enzimas proteolíticas
b. Após o fenômeno da apojadura, o leite materno apresenta
aumento da quantidade de carboidratos e gorduras em sua
composição, com redução relativa de proteínas.A quantidadede
água contribui para 87% do volume de leite produzido e o teor
calórico-energético varia de 600 a 750 kcal/dia. O volume de leite
produzido aumenta progressivamente de 500 mL/dia, ao fim
da primeira semana, e alcança rapidamente de 1 a 2 L/dia.
- A maior parte das gorduras do leite fica depositada nos alvéolos
posteriores da mama. Por esse motivo, é necessário que a lactante esvazie
completamente cada uma das mamas para garantir que o leite com maior teor
de gordura seja ofertado para o recém-nasàdo.
- O teor de lípides no leite matemo é progressivamente maior até o
terceiro mês de lactação. Relaciona-se com a passagem de determinados
tipos de ácidos graxos do plasma da lactante para o leite e com a produção de
outros tipos nas células da glândula mamária.
- A lactose é o principal carboidrato presente no leite humano e deriva da
união de alfalactoalbumina e glicose. Para a produção de lactose, papel de
extrema importância é dado à prolactina, que estimula a ação de
enzimas catalisadoras dessa reação, como a galactosiltransferase e a lactose
sintetase.
- As mamas também apresentam a capacidade de adaptação mediante
situações fora do padrão habitual de lactação. Assim, em casos de gravidez
múltipla, a produção de leite aumenta proporcionalmente à nova demanda
estabelecida.
- Da mesma forma, a composição do leite é diferente em casos de recém-
nascido pré-termo. O leite da puérpera que deu à luz recém-nascido pré-
termo é 20% mais rico em proteínas, 50% mais rico em gorduras,
apresenta níveis de imu noglobulina A (IgA) aumentados e possui 15%
menos lactose, padrão este mais compatível com a imaturidade do
sistema digestório dessas crianças.
→ VANTAGENS
- leite materno é altamente nutritivo e pode suprir todas as necessidades
alimentares do bebê durante os 4 a 6 primeiros meses de vida. De 6 a 12 meses,
fornece 3/4 das proteínas de que carece a criança e daí em diante
permanece como valioso suplemento proteico à dieta infantil. Além
desses elementos, o leite materno contém açúcar, gorduras, sais minerais e
vitaminas. Exceto para gorduras e vitaminas, sua composição é relativamente
independente da nutrição materna
- Devido à sua composição e, principalmente, ao seu conteúdo em substâncias
imunológicas, o leite materno protege o recém-nascido contra infecções
bacterianas do sistema gastrintestinal, poliomielite, alergias, obesidade
e certos distúrbios metabólicos
- O leite materno é isento de bactérias e não estraga, exceto na amamentação
artificial em áreas tropicais, onde a esterilização e a refrigeração dos alimentos
são deficientes ou inexistentes
- É econômica e conveniente desde que a mãe possa alimentar o filho
quando queira, não havendo necessidade de preparo. Psicologicamente
recompensadora para a mãe e para o bebê. Relativamente efetiva como
método anticoncepcional, pois as lactantes, enquanto amenorreicas, não
costumam conceber
Manejo clínico da amamentação e os principais
fármacos usados para favorecer a lactação
→ TÉCNICA DE PREPARO
- A técnica de preparo das mamas para o aleitamento inicia-se com as
orientações realizadas no período pré-natal. Gestantes bem orientadas
serão lactantes seguras de sua capacidade de amamentar.
- O conhecimento das alterações fisiológicas que a gravidez impõe sobre as
glândulas mamárias e a arma mais importante que a gestante possui para
reconhecer as anormalidades a tempo de corrigi-las, ao menos parcialmente. A
prevenção de complicações é, por sua vez, ferramenta eficiente para o
sucesso da amamentação.
- O primeiro passo é realizar anamnese detalhada, com especial atenção para
dados sociodemográficos que possam classificar a gestante como de risco para
o desmame precoce. Durante as consultas de pré-natal, é também possível
reconhecer as dificuldades experimentadas em gestações prévias ou
inseguranças típicas da primigesta.
- O acesso ao nível de informações que a gestante possui e as suas
expectativas e seus desejos em relação à amamentação irão orientar o
obstetra quanto à abordagem, que deve ser direcionada, levando-se em conta
as características de cada caso
- O exame físico das mamas é de suma importância, pois é por meio dele
que se podem diagnosticar as anormalidades anatômicas, prevendo suas
possíveis complicações e corrigindo-as sempre que possível.
- A inspeção do mamilo fornecerá informação a respeito de lesões e
oleosidade ou ressecamento da pele areolar, além de classificar o tipo de
papila em normal, plana, pseudoinvertida ou invertida.
- Os cuidados dispensados com os mamilos devem incluir
exposição solar e higiene com água. Recomenda-se evitar o
uso de lubrificantes e sabonetes, os primeiros por exacerbar a
oleosidade da pele local e os últimos por ressecá-la em
demasia.
- O aumento da produção sebácea pelas glândulas da aréola fornece
quantidade de lubrificação necessária e sufià ente à futura lactante. Em
relação às papilas normais, não é preciso nenhuma orientação adicional.
- A maior dificuldade associada à amamentação diz respeito às papilas
planas, pseudo invertidas e invertidas (ou umbilicadas) As papilas invertidas
não protraem, mesmo na vigência de exercícios e manobras, enquanto as
pseudoinvertidas podem permanecer protraídas por algum tempo após
manipulação ou sucção.
- Para esses casos, orientam-se exercícios de rotação, tração e
exteriorização, que irão aumentar a flexibilidade e a capacidade de
exposição da papila (exercícios de Hoffman). Peças plásticas ou de silicone
colocadas entre o mamilo e o sutiã podem auxiliar, na medida em que
promovem compressão contínua da aréola e extrusão da papila
- É importante lembrar que esses cuidados com as mamas não possuem
evidência científica de eficácia comprovada, mas contribuem para o
compromisso materno com o aleitamento, com a autoestima e com os
cuidados com o próprio corpo. As orientações do pré-natalista para incentivar
o aleitamento são medida de impacto na prevalência a e na manutenção da
amamentação, tão ou mais efetiva que as providências tomadas nos primeiros
dias do pós-parto
→ TÉCNICAS QUE VISEM À PEGA CORRETA
- As técnicas de amamentação visam à pega correta da boca do recém-nasàdo
no mamilo da lactante, com consequente nutrição adequada da criança, sem
prejuízo físico ou psicológico matemo.
- A amamentação de forma incorreta leva à insatisfação do recém-
nascido, com consequente choro do infante e ansiedade materna. A
ansiedade materna, por sua vez, gera produção e liberação inadequadas de
ocitocina com ingurgitamento mamário.
- O ingurgitamento mamário, por fim, dificulta ainda mais a pega do
lactente, o, que leva a um círculo vicioso. E por essa razão que o
treinamento da gestante em relação à técnica de aleitamento é a orientação mais
importante a ser forneà da durante o pré-natal e reforçada nos primeiros dias
após o parto
- Com intenção de assegurar o adequado controle neuroendócrino da lactação,
bem como o aporte lácteo suficiente ao recém-nascido, deve-se iniciar o
processo de aleitamento tão logo ocorra o nascimento do concepto e ambos,
lactante e lactente, tenham condições físicas para tal.
- Dessa forma, a primeira mamada deve ocorrer, sempre que possível, na
primeira hora pós-parto, para que o pico sérico de prolactina aconteça
em sua plenitude e a secreção de ocitocina ocorra de forma apropriada.
- Orienta-se à lactante a amamentação de livre demanda, ou seja, ao
neonato devem ser oferecidas as mamas toda vez que ele desejar (ou que
a lactante assim julgar), e o tempo das mamadas deverá ser o necessário
para o esvaziamento mamário, o que pode variar de poucos minutos a uma
hora
- Assim, é importante alertar a puérpera que cada criança terá seu período de
aprendizado e adaptação, e que toda paciência é necessária, já que não há regras
definidas para se considerar anormal determinado comportamento. Entre 7 e
10 dias, a frequência das mamadas se torna mais regular - em torno de
oitoa doze vezes diárias; e o esvaziamento mamário, mais eficiente
- O objetivo da boa técnica é permitir que o recém-nascidos à do abocanhe
toda ou boa parte da aréola e posicione a papila na região do palato duro,
de forma que as gengivas fiquem na projeção dos seios lactóforos. Com
isso, será possível a formação de pressão negativa pela língua e pelos
movimentos de
sucção, assim como
compressão dos
seios galactóforos
pela gengiva.
- Na vigência de
dificuldades, a boca
do recém-nascido
apreende apenas a
papila, impedindo
a formação da
pressão negativa e
do correto
posicionamento da
aréola na cavidade oral. Isso gera lesões mamilares, com consequente
dor para amamentar, ingurgitamento e maior obstáculo à pega
- Para garantir a técnica de amamentação adequada, é necessário que a
postura materna e a do recém-nascido estejam apropriadas; e a posição
da boca do neonato, correta em relação ao mamilo/mama. Recomenda-
se que o ambiente seja agradável e confortável, permitindo a privacidade da
lactante.
- As mamas devem ser alternadas em relação ao lado de início, já que a
primeira mama oferecida é sempre esvaziada de maneira mais eficiente, pois a
fome do lactente é sempre maior ao início da mamada.
- O esvaziamento completo de ao menos uma das mamas a cada
mamada é desejável na medida em que assegura a ingestão do leite
posterior, rico em lípides. Os cuidados de higiene incluem a lavagem
das mãos e das mamas apenas com água, a fim de evitar a retirada da
oleosidade das aréolas necessária para manter a integridade da pele
- A seguir, apontam-se as orientações relacionadas com a técnica de pega
adequada e com as posições corretas da lactante e do lactente.
1) Posição da lactante →
relaxada, confortável, bem
apoiada, não curvada para
trás, nem para a frente.
2) Posição da mão na mama
→ polegar acima da aréola e
indicador abaixo da aréola,
como um C
3) Posição do lactente → todo
o corpo deve estar voltado
para a mãe, cinturas pélvica
e escapular, pescoço e
coluna vertebral alinhados.
Evitar flexão dos membros
entre o corpo da lactante e do
lactente.
4) Posição da boca e da face do
lactente → boca centrada em
frente ao mamilo, bem
aberta; mento encostado na
mama e o nariz afastado;
lábios evertidos; língua
sobre a gengiva inferior
5) Sucção → mais rápida no
início, diminuindo a
frequência
progressivamente, com
pausas ocasionais, irregular
ao fim. As bochechas não se
encovam e a deglutição é
possível de ser ouvida.
6) Fim da mamada → o
recém-nascido solta
espontaneamente a papila
ou a lactante pode retirar o
complexo areolopapilar,
tracionando-o suavemente
com os dedos indicador e
médio (nunca afastar o
neonato da mama para evitar
traumas locais), ou colocar o
dedo mínimo entre a boca
do lactente e a aréola, com
intuito de desfazer a pressão
negativa de sucção. Colocar
o lactente em posição vertical
ou sentado para facilitar a
eructação e evitar
broncoaspiração
- A lactante deve variar
regularmente as posições
para que o recém-nascido
comprima o mento e a
língua em distintos locais da aréola e do mamilo, evitando, dessa forma,
fissuras, traumas e dor. Recomendam-se diferentes posições para
aleitamento materno
1) Posição sentada (forma tradicional) → o recém-nascido está
de frente para a mãe, de tal maneira que seu abdome encosta no da
mãe.
2) Posição sentada inversa (bola de futebol americano) → o
corpo do lactente localiza-se abaixo da axila materna, com o
ventre apoiado nas costelas da lactante. Apoia- -se o corpo do
recém-nascido no braço materno; e a cabeça, na mão
3) Posição deitada → a puérpera e o lactente estão deitados de lado,
de frente um para o outro. A lactante oferece a mama do lado sobre
o qual está deitada
- Em ocasiões em que a lactante não é capaz de amamentar momentânea ou
permanentemente, recomenda- -se a utilização da técnica do "copinho"
para nutrir o lactente. Essa técnica consiste em oferecer leite por meio de
pequeno recipiente plástico com o recém-nasàdo sentado.
- A adoção dessa medida evita a ocorrência da chamada "confusão do
mamilo", que consiste na dificuldade de adaptação dos neonatos ao
utilizar os bicos artificiais de mamadeiras concomitantemente ao
aleitamento materno, pois estes exigem movimentos totalmente diferentes da
musculatura oral e facial do recém-nascido.
- O papel do profissional de saúde que cuida de gestantes e lactantes é orientar
quanto aos cuidados e às técnicas anteriormente discutidos durante o pré-natal
e, principalmente, nos primeiros dias de vida do recém-nascido, pois é nesse
período que o desmame ou o sucesso do aleitamento materno ocorrem. Ações
de incentivo à amamentação
→ ATO DA AMAMENTAÇÃO
- A amamentação será iniciada quando completadas as primeiras horas, ou
antes mesmo, e embora as características nutritivas do leite (colostro) ainda
sejam imperfeitas, ele deve ser ministrado para a hidratação adequada do
recém-nascido, visando, também, como foi referido, à proteção contra
determinadas infecções, em virtude da ação de anticorpos nele presentes.
- A mãe inicia a amamentação colocando o mamilo na boca do bebê que, ao
sugá-lo, comprime a aréola com o seu maxilar de maneira a forçar para o
exterior o leite acumulado nos canais galactóforos subareolares. Depois de a
criança ter sugado um dos seios por 10 min, o processo deve ser repetido
no outro.
- Na próxima mamada a ordem deve ser invertida a fim de facilitar o
esvaziamento das mamas. A paciente deve ser orientada a não aplicar
nenhum tipo de creme nem pomada na área aréolomamilar, durante
toda a gestação e no período do aleitamento, pois sua utilização
aumenta o risco de traumas mamilares.
- Além disso, a higiene dos mamilos com água ou qualquer outra substância,
antes e depois das mamadas, está contraindicada porque remove a camada
hidrolipídica, formada naturalmente pela secreção das glândulas sudoríparas,
sebáceas, pelos tubérculos de Montgomery e pelo leite materno.
- Essa camada tem como finalidade lubrificar a região mamilo-areolar. As
mamas devem ser lavadas apenas no banho diário.
- A mulher que amamenta toda vez que o recém-nascido solicita tem melhor
lactação do que aquela que só atende a um esquema rígido – a amamentação
incrementa a lactação.
- O esvaziamento incompleto dos seios determina produção láctea inadequada;
o leite elaborado em excesso, além das necessidades do bebê, deve ser
eliminado manualmente ou com bomba de sucção.
→ FÁRMACOS QUE FAVORECEM A AMAMENTAÇÃO
- As técnicas hormonais incluem o uso de anticoncepcionais hormonais
orais (ACHO) combinados ou de terapia hormonal (que habitualmente é
utilizada para fins de reposição hormonal no climatério) que contenham
estrógeno e progesterona.
- Segundo o protocolo de Goldfarb e Newman, 77 recomenda-se a utilização
desses hormônios por um período que varia de 2 a 6 meses antes da data em
que se pretende iniciar a amamentação. Com 5 meses de antecedência, inicia-
se o uso de domperidona, aumentando-se a dose lenta e progressivamente,
para evitar intolerância, até 20 mg, quatro vezes ao dia.
- Uma segunda opção a essa droga é a metoclopramida. Ambas possuem ação
central e inibem a secreção de dopamina, fato que permite a produção e a
liberação da prolactina.
- Dois meses antes do começo do aleitamento, suspende-se a tamente o uso do
ACHO e iniciam-se as manobras mecânicas de ordenha mamária manual ou
com "bombas" de sucção.
- Com o início da amamentação, complementa-se o esquema com o uso de
ocitocina nasal, para auxiliar na ejeção do leite. Esse processo visa a mimetizar
o comportamento de resposta tecidual das mamas aos hormônios, de forma
mais próxima possível do que ocorre na gestante normal
- Outras técnicas resumem-se na estimulação mecânica das mamas, por meio
da sucção das glândulas pela criança ou artificialmente. Como estratégia para
atingir esse intento, é descrito o uso de pequenos recipientes com leite,acoplados a diminutos tubos que se fixam ao complexo areolopapilar
(translactação)
-Com a sucção realizada pela criança, estimulam-se a produção e a ejeção de
leite, além de preparar o lactente para o aleitamento nas mamas. Essa técnica
também é utilizada por lactantes de recém-nascidos prematuros, portadoras de
hipogalactia e por aquelas que suspenderam a amamentação temporariamente.
Essas situações são denominadas processo de relactação
Patologias e medicamento que contraindicam a
amamentação
→ PATOLOGIAS
- Inúmeras são as eventualidades que obrigam o obstetra a inibir a lactação:
ingurgitamento mamário, hipergalactia, rachaduras, ragádias e fissuras
do mamilo, mastite, incapacidade de sucção do lactente, nati ou
neomortalidade, doenças sistêmicas maternas etc. As medidas adequadas
são:
- Deixar as mamas suspensas por sutiãs ajustados durante 3 a
10 dias
- Aplicar bolsa de gelo por 10 min, 4/dia
- Não possibilitar a sucção pelo recém-nascido ou a expressão dos
mamilos
HIV
- As gestantes HIV-positivo devem ser orientadas quanto aos riscos de
transmissão do HIV durante a gestação e a lactação e aconselhadas a
não amamentar seus recém-nascidos.
Vírus linfotrófico humano de células T
- A orientação é não amamentar se houver sorologia positiva para o human T-
cell lymphotropic vírus (HTLV 1 e 2). A , infecção é epidêmica em partes do
Brasil, nas Indias orien- , tais, na Africa subsaariana e no sudoeste do Japão.
- A transmissão ocorre por contato sexual, contato com sangue ou
hemoderivados, leite humano e raramente por transmissão
transplacentária, casual ou contato doméstico.
Hepatites
- Na ocorrência de hepatite aguda periparto ou pós-parto, orienta-se a
suspensão da amamentação até que a causa da doença seja esclarecida.
Estimado o risco potencial de transmissão e realizadas medidas preventivas
apropriadas no recém-nascido, permite-se o uso do leite materno, que poderá
ter sido ordenhado e congelado até a elucidação diagnóstica.
o Hepatite A
- a infecção no último trimestre ou durante a amamentação não é uma
contraindicação para o aleitamento materno, já que a transmissão vertical
e a perinatal são raras. Orienta-se a lavagem adequada das mãos durante
o período de transmissão, que é de até 3 semanas, bem como a aplicação
de imunoglobulina e vacina do vírus de hepatite A para o recém-nascido.
o Hepatite B
- a infecção materna pelo vírus da hepatite B (VHB) não é
contraindicação para a amamentação. Os recém-nascidos de mães que
são positivas para pesquisa do antígeno de superfície do vírus da
hepatite B (Ag- -HBs positivo) devem receber profilaxia por meio de
imunoglobulina e vacinação para hepatite B ( aplicadas em membros
diferentes)
o Hepatite C
- pode ser transmitida verticalmente, dependendo do genótipo do vírus
da hepatite C (VHC), coinfecção pelo HIV ( chegando a 100% de risco),
doença hepática materna em atividade e títulos de RNA virai (VHC-
RNA) no plasma matemo.
- O risco de transmissão do VHC pelo leite matem o é desconhecido.
Apesar de não representar contraindicação formal à amamentação, recomenda-
se o esclarecimento dos potenciais riscos à lactante, que deverá decidir quanto
ao aleitamento
Citomegalovírus
- Existe risco de transmissão do citomegalovírus pelo leite materno para
lactentes prematuros e imunodeficientes. Os recém-nascidos prematuros
citomegalovírus-soronegativos não devem receber leite humano de mães com
sorologia positiva (de banco de leite ou da própria mãe).
- Para o recém-nascido a termo, o leite humano pode ser congelado a -20°C
por 7 dias ou pasteurizado, para então ser oferecido ao recém-nascido nas
primeiras semanas de vida. A infecção por citomegalovírus leva à progressão
da doença em recém-nascidos de mães HIV-1-positivo
Herpes-vírus
- A infecção neonatal por exposição intrauterina ou intraparto pode ser grave
ou letal. O aleitamento não está contraindicado, mesmo na vigência de
infecção ativa, desde que não haja lesões herpéticas nas mamas.
- Na sua presença, interrompe-se a amamentação até a resolução da
lesão. Recomendam-se a lavagem cuidadosa das mãos e a precaução de
se evitar o contato direto com lesões ativas ( em especial as orais e de face
Varicela-zoster
- A infecção congênita pode ser grave ou letal. A infecção materna no
período periparto requer isolamento de contato temporário em relação
ao neonato.
- lmunoglobulina específica para varicela-zóster deve ser aplicada no recém-
nascido, independentemente do modo de alimentação. Se não houver lesões
nas mamas, o leite materno pode ser ordenhado e dado ao recém-
nascido assim que ele receber a imunoglobulina.
-Deve-se restabelecer a amamentação quando a mãe não estiver mais no
período de transmissão (crostas nas lesões e sem novas lesões em 72 horas
de observação), que geralmente é de 6 a 10 dias após o aparecimento do rash.
Infecção materna após 1 mês do parto não requer suspensão do aleitamento, p
Sarampo
- No caso de sarampo, recomenda-se realizar curto período de isolamento
matem o em relação ao recém-nascido (72 horas após o início do rash). O
leite ordenhado pode ser oferecido ao lactente após este ter recebido
imunoglobulina
Doença de Lyme
- A doença de Lyme é uma infecção transmitida pela picada do carrapato
infectado pela espiroqueta Borrelia burgdorferi. Se a mãe for tratada
adequadamente durante a gestação, o prognostico será bom.
- Não há necessidade de isolar a mãe de seu recém-nascido ou de outras
pessoas. Se a doença for diagnosticada no pós-parto, a mãe e o recém-nascido
deverão ser tratados imediatamente, principalmente se houver sintomas como
rash ou febre.
- A espiroqueta é transmitida pelo leite materno. Após o início do tratamento,
a amamentação pode ser retomada. O tratamento é realizado com amoxicilina
(25-50 mg/kg/dia) ou ceftriaxona, por pelo menos 14 dias.1
Tuberculose
- A lactante com suspeita de tuberculose ativa (escarro positivo) deve ser
isolada do contato respiratório após o parto, independentemente do
modo de alimentação do neonato. Esse contato coloca os recém-nascidos
em risco de infecção.
- O leite materno, entretanto, não contém o bacilo tuberculoso. Pode,
portanto, ser ordenhado e oferecido ao recém-nascido por meio de
"copinho" ou seringa. Com o tratamento da mãe, após ser considerada não
bacilífera (escarro negativo em aproximadamente 2 semanas de tratamento), a
amamentação pode ser reiniciada.
- O uso profilático de isoniazida (10 mg/kg/dia) para o recém-nascido está
indicado, sendo seguro e efetivo em prevenir a infecção por tuberculose
→ MEDICAMENTOS
- O uso de medicamentos durante o período de amamentação é motivo
de preocupações constantes tanto por parte da lactante quanto de
obstetras e pediatras. Grande parte das puérperas ( de 80 a 90% delas)
necessitará de algum tipo de medicação durante a lactação, em especial nos
primeiros dias pós-parto.
- Ao contrário do que se acreditava, a maioria delas pode fazer uso dessas
drogas sem risco para o lactente. Mesmo assim, a associação entre drogas e
lactação é causa frequente de desmame precoce ou suspensão do tratamento.
- Precavendo-se com o conhecimento dos cuidados necessários, é possível
manter a amamentação com segurança para essas mulheres.
- E preciso ter em mente que os recém-nascidos, principalmente os
prematuros, apresentam imaturidade do desenvolvimento de alguns
órgãos, o que pode causar maiores complicações quando expostos a
determinadas drogas.
- Assim, a imaturidade intestinal pode permitir a passagem de
substâncias cuja metabolização hepática e excreção renal ficam
comprometidas pela falta de desenvolvimento desses órgãos. Da mesma
forma, o epitélio alveolar das mamas da lactante contém um número
muito maior de poros nos primeiros 2 a 3 dias de puerpério, facilitando
a passagem de substâncias.
- Com o passar do tempo, esses poros se fecham e a passagem de
substâncias ocorre por viatransmembrana e transcelular. Do
mesmo modo, os sistemas do neonato desenvolvem-se
progressivamente.
- Mesmo considerando-se esses riscos, observa-se que a ocorrência de efeitos
adversos no lactente é menor do que se esperava. Apesar do conhecimento
atual e da orientação adequada dessas mulheres, 30% delas optam por
suspender a amamentação ou o tratamento, quando, por exemplo, a droga em
questão é um antibiótico.
- A avaliação da concentração e do potencial efeito adverso de determinada
droga no leite é realizada por meio da relação entre as concentrações no
leite e no plasma maternos ou relação L/ P (leite/ plasma).
- Essa relação é menor que 1,0 para a enorme maioria de drogas
conhecidas, o que denota concentração láctea da droga quase
sempre inferior à concentração plasmática materna.
- Deve-se observar que a relação depende das características
farmacocinéticas da substância em questão, como peso molecular,
gradiente de concentração, lipossolubilidade, ligação com proteínas
plasmáticas e capacidade de ionização relacionada ao pH.
- As moléculas com baixo peso molecular ( entre 100 e 200 dáltons) e alta
concentração no plasma matemo atravessam facilmente a membrana celular,
arrastadas pelo gradiente osmótico e hidrostático.
- As substâncias lipossolúveis e que não têm capacidade de ligação com
proteínas plasmáticas apresentam-se em maior concentração no leite.
Por fim, o grau de ionização das drogas relaciona-se com o pH do
plasma, que é discretamente alcalino em relação ao leite materno .
- Dessa forma, as substâncias ácidas tendem a ficar mais ionizadas no
plasma matemo, o que dificulta sua passagem transmembrana para o
leite. De forma inversa, as substâncias mais alcalinas atravessam a
barreira plasma-leite com facilidade e se ionizam neste último.
- Nessas ocasiões, é possível haver uma concentração proporcionalmente
maior no leite, elevando a relação L/P para valores maiores que 1,0
- Baseada na farmacocinética das drogas e em relação à sua passagem para o
leite, foi organizada uma classificação das substâncias em geral, para orientar
clinicamente a decisão de utilizá-las ou não em lactantes.
- Especial atenção deve-se fornecer àquelas drogas ainda não bem
estudadas, prescritas em altas doses e por tempo prolongado, o que pode
diminuir a segurança de seu uso nesse período.
- Além da passagem
de drogas, o uso de
determinadas
medicações pode
alterar a produção
láctea. Embora não h
aja evidência científica
de que essas drogas
realmente elevem a
produção de leite em
puérperas normais,
galactagogos como a
domperidona e a
metoclopramida
podem ser usados
com propriedade,
principalmente em
lactantes de neonatos
prematuros.
- Por sua vez, as
substâncias que
reduzem o volume
de leite produzido
estão relacionadas a
ação agonista nos
receptores
dopaminérgicos, o
que suprime a produção de prolactina. São usadas, em geral, como
inibidores da lactação, quando ela está indicada.
- Os mais conhecidos são os derivados do ergot (ergotamina, ergom etrina e
bromocriptina), cabergolina, estrógenos etc. Outros tipos de substâncias
também têm capacidade de reduzir a galactogênese e a galactopoese, estando
entre elas o álcool, a nicotina e os diuréticos
Diferenças do organismo do RN diante da adaptação
ao novo ambiente (pele, manutenção da temperatura,
superfície corpórea e sua condição)
→ RESPIRAÇÃO:
- Início da respiração ao nascimento: Na maioria dos nascimentos, a
primeira respiração realiza-se logo que o recém-nascido deixa o canal
do parto.
- Não se conhece o mecanismo responsável pela mudança do padrão
intermitente da respiração presente durante a vida intra-uterina para
o padrão contínuo, presente imediatamente após o nascimento.
- Admite-se que o estímulo sensorial, representado pela simples
exposição ao ar mais frio que o meio interno, somado a outros estímulos
como a diferença entre a pressão intra-uterina e a pressão atmosférica
participem do desencadeamento da resposta respiratória.
- Estímulos adicionais, como fricção dos calcanhares com a palma das
mãos, parecem ajudar o processo.O estímulo sensorial parece ser o primeiro
que desencadeia a resposta respiratória.
- Se os centros não estão em condições adequadas de oxigenação, essa resposta
não é boa, sendo necessária a estimulação química para o início da
respiração. Essa estimulação é representada pelo baixo pH consequente ao
acúmulo de metabólitos ácidos nos centros respiratórios medulares, o
qual, por sua vez, deve-se a hipóxia determinada por interrupção da
circulação umbilical.
- Para que os centros respondam a essa diminuição do pH, é necessário que
a oxigenação esteja em um nível mínimo, abaixo do qual eles possam estar
deprimidos a ponto de não responder.
- O controle da respiração após o nascimento é, em grande parte,
influenciado pela idade gestacional e pelo sono → Quanto menor a idade
gestacional, mais irregular é o ritmo respiratório:
- O prematuro normalmente apresenta períodos de ausência de
movimentos respiratórios os quais podem durar alguns segundos ou ter
duração Igual ou maior do que 20 segundos, acompanhados de cianose
generalizada e bradicardia, sendo então definida a clássica apneia do prematuro.
- A presença do primeiro padrão é definida como respiração periódica,
presente na maioria dos prematuros. Esta é observada em qualquer estado
de consciência do recém-nascido, porém é mais intensa na fase REM do sono.
- Os mecanismos que determinam essa falta de controle preciso sobre o
ritmo respiratório dos prematuros não são conhecidos, embora se admita
que sejam em consequência de fatores relacionados à imaturidade anatômica e
fisiológica das vias e centros controladores da respiração.
Fatores mecânicos
- primeira respiração deve ser suficientemente forte para vencer a adesão
existente entre as paredes alveolares: umedecidas com conteúdo
amniótico
- Entre os fatores que influenciam na adaptação respiratória do recém-nascido,
merece especial atenção a mecânica respiratória.
- A complacência torácica é pelo menos cinco vezes maior do que a
complacência pulmonar, e essa diferença se acentua ainda mais entre os
prematuros, de modo que a complacência do sistema respiratório passa a ser
dependente quase exclusivamente da complacência pulmonar
Resistência à hipóxia
- O feto e o recém-nascido resistem aos efeitos imediatos da hipóxia melhor
do que os adultos, possivelmente devido a:
a) baixo metabolismo cerebral;
b) metabolismo energético e temperatura corpórea baixos e
bastante variáveis;
c) uma fonte anaeróbia de energia relativamente importante,
graças à grande participação da glicólise anaeróbia na geração
de energia. Essa peculiaridade parece ser favorecida, ao menos em
parte, pela estrutura "imatura" especial da desidrogenase láctica do
recém-nascido.
→ REGULAÇÃO DA TEMPERATURA:
- O recém-nascido, principalmente se prematuro, é homeotérmico
imperfeito, superaquecendo-se (febre) e esfriando-se com facilidade.
Sabe-se que o resfriamento de prematuros se acompanha de aumento de
mortalidade.
- Ao nascimento, a temperatura da criança é idêntica à materna, havendo
a seguir queda de 1°C a 3°C. Logo a seguir, volta a subir, atingindo cerca
de 37°C em 6 a 8 horas, se os cuidados forem adequados.
- As perdas de calor são maiores no recém-nascido (mais ainda no
prematuro) por ele ter área corpórea proporcionalmente maior em
relação ao peso e, portanto, menor isolamento térmico (menos tecido
subcutâneo).
- A perda calórica faz-se principalmente por irradiação ao ambiente
exterior e, em menor parte, por evaporação através dos pulmões, da pele
e por meio da eliminação de fezes e urina.
- A pequena atividade muscular, a ausência de tremores e a escassa
ingestão de alimentos compensam mal as perdas de calor. A atividade
vasoconstritora é, entretanto, satisfatória.
- Os centros encarregados do controle de temperatura são imperfeitosna
primeira fase da vida, predominando o mecanismo humoral. Por esse
mecanismo, o resfriamento liberta noradrenalina, que promove queima de tipo
especial de gordura ("gordura marrom"), libertando-se calor. Tal gordura
localiza-se principalmente na nuca.
- Esse gasto de energia a que é submetido o recém-nascido exposto ao
frio pode causar diminuição de vitalidade ou resistência e piora da acidose,
tendo sido causa de morte em prematuros.
- Existe uma temperatura ambiente chamada de neutralidade térmica, na qual
é mínimo o gasto de energia para manter a temperatura corpórea, e que para
os prematuros se situa entre 32°C e 35°C, com 50% de umidade, a qual permite
manter a temperatura corpórea do prematuro entre 36°C e 36,5°C.
- Todos os esforços devem ser feitos, para um bom cuidado, no sentido de se
manter no ambiente a temperatura de neutralidade térmica.
→ PELE
- Os recém-nascidos de cor branca são levemente rosados e os de cor
preta tendem ao avermelhado, com as bordas justaungueais e a pele do
escroto ou dos pequenos lábios pigmentada.
- A palidez acentuada é dado importante, pois pode significar a
existência de hemorragias sérias (rotura de vísceras parenquimatosas,
hemorragia supra-renal ou hemorragia feto materna) ou de doença hemolítica
por incompatibilidade materno-fetal.
- Doença hemorrágica do recém-nascido também pode causar anemia grave.
- Cianose de extremidades é comum em recém-nascidos,
principalmente prematuros, é do tipo estagnante, devido à má
circulação periférica, e responde bem ao aquecimento.
- Na criança normal, levemente cianótica, a cianose é menos pronunciada
nas mãos que nos pés. Se for igual nas quatro extremidades, trata-se
provavelmente de cianose patológica. Cianose generalizada necessita de
diagnóstico e tratamento.
- Icterícia é um sinal a ser pesquisado. Dificilmente aparece antes de 24
horas de vida, salvo em doenças hemolíticas do recém-nascido.
- Sua presença pode ser falseada pela pigmentação ou pela hiperemia da pele.
Cerca de 50% dos recém-nascidos normais a apresentam: nos prematuros, é
mais difícil de distinguir, devido à pobreza de gordura subcutânea.
- Equimoses são frequentes, sua localização depende da apresentação
quando do parto.A textura da pele do recém-nascido é delicada e muito lisa.
- No prematuro e principalmente no pequeno para a idade, o tecido
celular subcutâneo é escasso, e no recém-nascido em geral ele permite
facilmente a extensão de processos subcutâneos, hemorrágicos ou
purulentos, o que constitui grande perigo para essas crianças.
- A pele adquire facilmente aspecto marmóreo quando exposta ao frio.
Alterações congênitas graves, como epidermólise bolhosa e ictiose, são
reconhecíveis ao nascimento.
Vérnix
- O vérnix caseoso é um material cremoso esbranquiçado, composto de
descamação de secreção sebácea, que recobre o recém-nascido em
quantidades variáveis, podendo ser quase nulo no pós-maturo.
- Acumula-se nas dobras da pele e em geral sua remoção se segue de
descamação da epiderme. O vérnix corado por mecônio pode aparecer
em partos pélvicos, ou em casos de sofrimento fetal e em pós-maturos.
- Em doença hemolítica do recém-nascido, o vérnix pode aparecer amarelo ou
esverdeado.
Anexos:
- O lanugo, uma penugem fina e longa, está presente em geral nos
prematuros pequenos e aparece com frequência em crianças maiores na
face, orelhas e dorso.
- Esta penugem cai em cerca de uma semana, podendo, às vezes,
permanecer mais tempo.
- Os cabelos são finos, geralmente esparsos. As unhas em geral ultrapassam
a ponta dos dedos, o mesmo sucedendo em prematuros (embora nos
muito pequenos possa haver hipodesenvolvimento ungueal). Nos pós-maturas,
podem ser bem mais longas.