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Gestão de equipes Renato da Costa de alta performance ISBN 978-65-5821-210-2 9 786558 212102 Código Logístico I000903 G estão de equipes de alta perfo rm ance R enato da C o sta Gestão de equipes de alta performance Renato da Costa IESDE BRASIL 2023 Todos os direitos reservados. IESDE BRASIL S/A. Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 Batel – Curitiba – PR 0800 708 88 88 – www.iesde.com.br © 2023 – IESDE BRASIL S/A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito do autor e do detentor dos direitos autorais. Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: BoykoPictures/Envato Elements - namanoidstudio/Envato Elements - CrafteryCo/Envato Elements 22-81805 CDD: 658.3 CDU: 005.962 CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃONAPUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ C875g Costa, Renato da Gestão de equipes de alta performance / Renato da Costa. - 1. ed. - Curitiba [PR] : IESDE, 2023. Inclui bibliografia ISBN 978-65-5821-210-2 1. Administração de pessoal. I. Título. Meri Gleice Rodrigues de Souza - Bibliotecária - CRB-7/6439 23/12/2022 27/12/2022 Renato da Costa Doutor em Administração pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), tendo feito doutoramento sanduíche na Universitat Jaume I, em Castellón de La Plana, Espanha. Mestre em Administração pela PUCPR. Pós-graduado em Administração Estratégica pelo IBPEX-Facinter. Graduado em Administração pela Faculdade Opet (FAO-OPET). Trabalhou no armazém de uma multinacional de tecnologia norte-americana em Carlisle, Pensilvânia, EUA, no sistema inbound-outbound como management trainee. É membro efetivo da Academia de Cultura de Curitiba (ACCUR) e da Academia Paranaense da Poesia. É membro de corpo editorial e revisor de periódicos nacionais e internacionais. Agora é possível acessar os vídeos do livro por meio de QR codes (códigos de barras) presentes no início de cada seção de capítulo. Acesse os vídeos automaticamente, direcionando a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet para o QR code. Em alguns dispositivos é necessário ter instalado um leitor de QR code, que pode ser adquirido gratuitamente em lojas de aplicativos. Vídeos em QR code! SUMÁRIO 1 Gestão de talentos 9 1.1 Atraindo talentos para a empresa 10 1.2 Desenvolvendo talentos 13 1.3 Estratégias para retenção de talentos 16 1.4 Organização e gestão de equipes 18 2 Gestão de equipes 25 2.1 Gestão de equipes de trabalho 26 2.2 Organização de equipes de trabalho 29 2.3 Formação e trabalho em equipe 33 2.4 Equipes autogerenciáveis 36 2.5 Equipes vencedoras 40 3 Gestão do trabalho remoto 47 3.1 Trabalho remoto 48 3.2 Desafios do trabalho remoto 51 3.3 Engajamento no trabalho 60 3.4 Integração no trabalho remoto 64 4 Liderança e trabalho integrado 70 4.1 Características e tipos de liderança nas empresas 71 4.2 Formação de líderes 77 4.3 Comunicação e integração de equipes 79 5 Gestão humanizada 86 5.1 Conceito e pilares de gestão humanizada 87 5.2 Vantagens da gestão humanizada 96 5.3 Gestão humanizada e desempenho 99 5.4 Gestão humanizada na prática 102 5.5 Variáveis que influenciam a gestão da liderança 105 Resolução das atividades 112 Agora é possível acessar os vídeos do livro por meio de QR codes (códigos de barras) presentes no início de cada seção de capítulo. Acesse os vídeos automaticamente, direcionando a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet para o QR code. Em alguns dispositivos é necessário ter instalado um leitor de QR code, que pode ser adquirido gratuitamente em lojas de aplicativos. Vídeos em QR code! Esta obra busca discutir como a gestão de equipes de alta performance nas empresas pode ser considerada estratégica para o sucesso dos negócios. As equipes são responsáveis pelo desempenho no âmbito organizacional, e seu estudo, análise e compreensão fazem com que as empresas possam se beneficiar das contribuições dos seus funcionários no que diz respeito aos resultados alcançados. Para compreender a dinâmica que envolve a gestão de equipes de alta performance, estudaremos algumas questões que interferem diretamente no desempenho individual e coletivo. O ambiente empresarial é dinâmico e instável, o que faz com que as decisões dos gestores tenham que ser rápidas e eficazes, pois a concorrência em muitos casos é grande. Nesse contexto, atender às demandas do mercado com eficiência e eficácia é uma questão de sobrevivência, o que torna o trabalho das equipes fundamental para o alcance dos objetivos. Diante disso, no primeiro capítulo discorreremos sobre a gestão de talentos e como as empresas elaboram ações para atrair e desenvolver talentos para as suas mais diferentes áreas; como organizam as equipes e as motivam; e como fazem para reter os talentos diante de tanta concorrência no mercado. As pessoas buscam a sua realização profissional e, devido a isso, demonstram interesse em trabalhar em empresas que tenham princípios e valores próximos aos seus. Logo, compete ao departamento de recursos humanos junto aos gestores da empresa elaborar políticas e estratégias capazes de fazer a gestão dos talentos e gerar uma vantagem competitiva diante dos concorrentes. No segundo capítulo trataremos da gestão das equipes de trabalho, como as empresas organizam as equipes para trabalharem em projetos e demais atividades, destacando as principais ações para promover a integração das pessoas e as principais características de equipes vencedoras. APRESENTAÇÃOVídeo No terceiro capítulo abordaremos a gestão do trabalho remoto, a sua caracterização e as formas de engajar pessoas nas tarefas a serem realizadas. Nesse sentido, estudos podem ajudar os profissionais a compreender a importância do trabalho remoto para a empresa, seus benefícios e como ele pode ajudar a dar respostas aos problemas que as organizações enfrentam. A preocupação com a saúde, motivação, produtividade e qualidade de vida dos funcionários – diante da necessidade de redução de custos das empresas –, permite o aumento do espaço para o desenvolvimento do trabalho remoto e a sua consequente popularização. No quarto capítulo discutiremos a liderança e o trabalho integrado, ou seja, as melhores práticas encontradas para que os líderes consigam integrar as suas equipes e fazer com que produzam com eficiência e eficácia. A formação do líder, o seu papel na manutenção da qualidade dos serviços e na produtividade individual e coletiva, a gestão dos conflitos, o estabelecimento da confiança, entre outros aspectos, são discutidos nesse capítulo. No quinto e último capítulo abordaremos a gestão humanizada nas empresas e a maneira pela qual elas buscam oferecer boas condições de trabalho aos seus funcionários. Estudaremos algumas ações que podem ser implementadas na prática, sobretudo no clima organizacional e no trato com as pessoas, os pilares da gestão humanizada e as suas principais vantagens para a melhoria da produtividade dos funcionários. Bons estudos! Gestão de talentos 9 1 Gestão de talentos Um dos grandes desafios das empresas ao redor do mundo diz res- peito a como atrair, desenvolver e reter talentos em seu quadro de cola- boradores. Cada vez mais as empresas buscam pessoas capacitadas, que possuam diferentes competências, habilidades e atitudes. Isso demonstra o tamanho do desafio para os gestores e profissionais de recursos hu- manos (RH) em busca de alocar pessoas com diferentes conhecimentos em prol dos mesmos objetivos. Logo, saber selecionar pessoas de acordo com as necessidades da empresa, a cultura organizacional e as demandas de cada departamento ou setor é estratégico e vital para o sucesso do desenvolvimento de produtos e serviços de uma organização. A discussão em torno da formação e retenção de talentos em uma em- presa ganhou ainda mais importância nos últimos tempos devido à acir-rada competitividade entre as empresas nos mais diferentes segmentos. Isso mostra que é preciso cada vez mais investir no capital intelectual, ou seja, nas pessoas, pois são elas que fazem a organização funcionar. O de- partamento de recursos humanos das empresas é altamente estratégico, pois é ele que recruta, treina, forma e retem os talentos. Nesse sentido, é necessário que os gestores de toda as áreas da empresa tenham uma co- municação direta e flexível com o RH para que as pessoas certas possam ser alocadas nos lugares certos. Assim, o que se espera é uma melhoria significativa do desempenho individual e consequentemente coletivo. Por meio dos conceitos que estudaremos neste capítulo, será possível compreender a dinâmica que envolve a atração de talentos e a elabora- ção de políticas para formação e retenção de pessoas e como se dá o processo de gestão das equipes de trabalho. 10 Gestão de equipes de alta performance Com o estudo deste capítulo, você será capaz de: • identificar as principais estratégias para atração de talentos; • verificar como as empresas elaboram políticas para a formação de talentos; • analisar o processo de retenção de talentos; • analisar o processo de organização e gestão das equipes. Objetivos de aprendizagem 1.1 Atraindo talentos para a empresa Vídeo O principal objetivo de uma empresa é atrair talentos para o seu qua- dro de colaboradores. Isso significa elaborar estratégias e ações com vistas a conseguir os melhores profissionais disponíveis no mercado. Sabemos que a concorrência entre as empresas está cada vez maior, obrigando-as a se anteciparem em suas estratégias para obter vanta- gem competitiva. Assim, quanto mais pessoas preparadas e engajadas, melhores as chances de melhoria no desempenho coletivo e na eficácia no cumprimento de metas e objetivos propostos. Os profissionais de recursos humanos devem buscar critérios técnicos específicos que possam identificar profissionais de mercado que se encaixem em seu projeto de empresa, ou seja, na intenção e nos objetivos estratégicos desenhados no planejamento. Busca-se encontrar pessoas que possam desempenhar as ativi- dades de acordo com a política da empresa. O processo inicia-se quando os gestores das áreas da empresa identificam a necessidade da contratação ou da realocação de uma pessoa que detém algum conhecimento específico para a realização dos trabalhos. Com base nisso, um processo interno de recrutamento pode ser desenvolvido, a fim de encontrar um profissional que possa suprir a vaga oferecida. Caso ninguém internamente da empresa tenha condições, o RH pode buscar a contratação de uma pes- soa que apresente as características dese- jadas pelos gestores em suas áreas. ea m es Bo t/ Sh ut te rs to ck Gestão de talentos 11 Não basta apenas ser bom naquilo que faz, é preciso também ter competências técnicas e profissionais que sejam úteis para o desenvol- vimento das tarefas. A partir daí a empresa consegue definir seus ob- jetivos e suas metas e contar com profissionais capazes de colocar em prática todas as ações necessárias para a execução das tarefas diárias. Cabe aos profissionais de RH avaliar não apenas a capacidade intelectual das pessoas, mas a capacidade de relacionamento, pois a maioria dos problemas internos ocorre pela dificuldade de se relacionar em equipe e se engajar em tarefas que exigem contato com mais pes- soas. A atração de talentos requer primeiro uma política interna voltada para o desenvolvimento de pessoas e a manutenção delas no quadro funcional. Para isso, os propósitos da empresa devem estar muito bem elaborados, as metas alinhadas aos objetivos, entre outras coisas. Deve-se ter em vista também que a atração de talentos está rela- cionada à maneira pela qual uma empresa é vista no mercado, pois as pessoas buscam informações a respeito do histórico da empresa, como é o seu ambiente interno e o que ela podem oferecer aos seus profissionais. Não basta apenas um bom salário e benefícios financeiros, é preciso um ambiente e uma política que permitam o desenvolvimen- to das pessoas. Isso passa pela formação continuada, desenvolvimento de lideranças e oportunidade de conhecer outras áreas da empresa. A importância da gestão de pessoas é mais que estratégica para toda e qualquer empresa, ela é vital para a sobrevivência dos negócios. De acordo com Chiavenato (2004, p. 12): as pessoas devem ser visualizadas como parceiras das organi- zações, como tais elas são fornecedoras de conhecimento, ha- bilidades, competências e, sobretudo o mais importante aporte para as empresas: a inteligência que proporciona decisões ra- cionais e que produz significado e direção aos objetivos globais. Essa citação aponta para a necessidade de enxergar as pessoas como parte da estratégia de sucesso da empresa, pois são elas que to- mam decisões, promovem debates e buscam o consenso com relação a diferentes temas importantes para a empresa. Logo, obter no seu quadro funcional pessoas preparadas, com boa formação e conheci- mento, mas acima de tudo em condições de trabalhar em meio a tantas diferenças, é fundamental para o sucesso de uma organização. 12 Gestão de equipes de alta performance Ao encontrar pessoas preparadas no mercado de trabalho, a em- presa ganhará em tempo, ações e execução de tarefas e processos necessários ao bom funcionamento dos negócios. Saber identificar pessoas com capacidade para solucionar conflitos, trabalhar em equi- pe, trabalhar sob pressão e estresse, compartilhar informações entre pessoas, fazer uso de novas tecnologias, entre outros, não é uma tarefa fácil, porém é necessário, porque é uma ação que deve estar conectada com as estratégias elaboradas pela organização. Vale destacar um ponto interessante que influencia diretamente a atração de pessoas para uma empresa: o clima organizacional. Segun- do Knapik (2008, p. 23), “é em função do clima organizacional que al- gumas empresas atraem mais e outras menos candidatos a um posto de trabalho”. Por essa perspectiva, as pessoas costumam direcionar seus currículos e intenções de trabalho para empresas que possuem características mais próximas do seu interesse pessoal e profissional. Uma cultura mais rígida, isto é, que não permite uma comunicação mais horizontalizada, liberdade de opinião, uso da criatividade e com- partilhamento de ideias entre departamentos e setores, tende a não ser muito bem-vista pelos candidatos a uma vaga de trabalho. Isso por- que muitos candidatos fazem uma pesquisa sobre a empresa na qual pretendem trabalhar para saber como é o ambiente, a carreira, os salá- rios e os benefícios. Logo, empresas mais flexíveis e com possibilidades de crescimento e aperfeiçoamento são mais procuradas e bem-vistas. Elas permitem integração entre pessoas, equipes e projetos e envol- vem a maioria em atividades conjuntas para fortalecer laços. O que devemos compreender é que, de um lado, as empresas esta- belecem suas estratégias para atrair, reter e desenvolver talentos e, de outro, profissionais buscam empresas capazes de oferecer oportunida- des diversas que favoreçam o seu crescimento profissional. Imagine-se em uma fábrica de sorvetes que atende o Brasil e grande parte da Europa. Essa fábrica certamente precisa de profissionais com co- nhecimento em diferentes áreas, pois deve fabricar produtos que serão direcionados a diferentes culturas, costumes, gostos e necessidades. Em seu quadro funcional, é necessário criatividade e inovação, pois os sabores podem variar de país para país, as cores das embalagens de- vem respeitar a cultura local, e os preços devem estar de acordo com Gestão de talentos 13 a competitividade do mercado. Portanto, com funcionários preparados e tendo recursos disponíveis para a execução dos trabalhos, não há como haver problemas. O desenvolvimento de talentos e a formação continuada de pessoas passam pela efetiva compreensão de que sem pessoal preparado, treinado, motivado, engajadoe com espaço para mostrar o seu potencial não é possível atingir bons desempenhos. Dian- te disso, os profissionais se qualificam em diferentes áreas do conheci- mento com objetivo de galgar postos de trabalho cada vez melhores. 1.2 Desenvolvendo talentos Vídeo A necessidade de obter lucratividade e reconhecimento dos pro- dutos e serviços fornecidos por uma empresa faz com que seja exi- gido grande esforço conjunto de seus departamentos e setores. Em decorrência disso, a pressão por resultados faz com que o clima orga- nizacional seja afetado. O departamento de recursos humanos deve buscar alinhar os propósitos da empresa com profissionais que este- jam dispostos a correr riscos e encarar novos desafios. A elaboração de políticas voltadas à formação de talentos passa pelo diálogo entre gestores e líderes de equipe, que identificam as necessi- dades a serem supridas em termos de mão de obra. O segundo mo- mento é a implementação de programas de aprendizagem e talentos, em que as empresas podem propiciar que os funcionários participem da apresentação de projetos de melhoria interna aos seus colegas. As empresas também podem ministrar cursos e treinamentos, mon- tar seminários, academia de talentos com premiações aos melhores trabalhos e ideias, oferecer oportunidades de desenvolvimento, como apoio a cursos de especialização e participação em eventos externos representando a empresa. Essas são algumas iniciativas que podem ser feitas na elaboração de políticas de formação de talentos. Deve-se considerar ainda a ideia de talento como um conjunto de aptidões de uma pessoa. Segundo Michaels (2002), faz parte do talen- to desde questões como caráter e dons até a capacidade de a pessoa aprender e se desenvolver. Isso é refletido na conduta das pessoas, na sua forma de pensar, agir e fazer as coisas acontecerem na empresa. Com isso, podemos interpretar o talento como um conjunto har- mônico que requer muita sincronia a fim de que os profissionais pos- 14 Gestão de equipes de alta performance sam se desenvolver em suas carreiras. Compete a cada um de nós, profissionais do mercado, saber se adaptar às mudanças tecnológicas e estruturais e saber lidar com as questões emocionais. Segundo Chiavenato (2004, p. 52), “o conceito de talento humano conduz necessariamente ao conceito do capital humano – o patrimônio inestimável que uma organização pode reunir para alcançar competitividade e suces- so”. Por capital humano entende-se o conjunto de conhecimentos técnicos e experiências vividas pelas pessoas e que agrega valor aos trabalhos da empresa. Isso significa que é fundamental que a política de desenvolvimen- to de talentos saiba absorver o que há de melhor em termos de experiência e conhecimento das pessoas para que possam ser úteis à empresa. O quadro a seguir apresenta as principais diferenças entre um profissional tradicional e um profissional com talento. Quadro 1 Colaborador tradicional x colaborador com talento Colaborador tradicional Colaborador com talento Níveis médios de desempenho Elevados níveis de desempenho Rentabilidade média Rentabilidade elevada Lealdade à organização Lealdade a si mesmo, às suas equipes e ao seus projetos Procura estabilidade Tem paixão pela mudança e ação “Eu preciso da empresa” “A empresa precisa de mim” Reativo – responde a ordens Faz planos proativos de modo autônomo Nível médio de confiança Alto nível de confiança Reage à mudança Adapta-se à mudança e atua como agente dela Enfoque no dinheiro e na posição Enfoque no crescimento pessoal, nas oportunidades e no dinheiro Fonte: Elaborado pelo autor com base em Camara et al., 2010. É possível identificar no quadro anterior que merecem destaque a adaptação às mudanças e o enfoque no crescimento pessoal, visto que não é mais possível aceitar que os profissionais do mercado fiquem estagnados esperando pelas oportunidades. É necessário que os fun- cionários busquem novos desafios e oportunidades e aceitem novas metodologias de trabalho para crescer na carreira profissional, porque quanto mais rapidamente nos adaptarmos ao cenário empresarial, maiores as chances de crescermos na carreira. Gestão de talentos 15 A política interna relaciona-se diretamente com a forma pela qual os processos internos serão desenvolvidos, o comportamento da em- presa no mercado e, principalmente, a cultura organizacional. Por meio da política interna da empresa são desenvolvidas ações estraté- gicas para manter o ambiente interno harmônico e propício à integra- ção entre as pessoas e o fortalecimento das relações. As empresas estão muito mais focadas em atrair pessoas que tenham visão holística, isto é, do todo, que tenham interesse em conhecer ou- tras áreas do conhecimento e, a partir disso, aprender cada vez mais. Segundo Camara (2010), o talento das pessoas está associado ao seu desempenho. Sendo assim, é funda- mental fortalecer cada vez mais as suas habilidades para que possam mostrar todo o seu talento em prol da empresa em que trabalham. Logo, as empresas buscam pessoas capazes de oferecer o melhor de si em favor dos objetivos estabelecidos. Uma empresa que possui um clima mais amigável e favorável ao desenvolvimento certamente terá muito mais candidatos interessados em fazer parte de seus setores e departamentos. Pode- mos imaginar, por exemplo, como seria trabalhar em uma empresa em que as pessoas não possam interagir umas com as outras e trocar informações em tempo real, em que existe um clima de rivalidade en- tre setores e departamentos e a pressão dos gestores leva as equipes a um grau de estresse elevado. Você acredita que seria um ambiente produtivo? Consegue imagi- nar o descontentamento de todos? Certamente não seria um bom local para seguir a sua carreira profissional. É bem verdade que ao entrar em uma empresa estamos sujeitos às suas regras e a eventuais mudanças de postura e comportamento diante do mercado consumidor e da con- corrência, devido à pressão por resultados no curto e médio prazo e à necessidade de atender aos anseios e desejos dos consumidores que acabam por influenciar internamente as decisões a serem tomadas. Isso, no entanto, não significa que os gestores não possam se esforçar para proporcionar um clima interno que minimize ou até mesmo não permita que esses eventos externos prejudiquem o convívio de todos. Desenvolver pessoas é a principal estratégia a ser adotada por uma empresa e deve ser o foco de todas as áreas. Dar oportunidade, tempo, espaço e ferramentas é a melhor estratégia que um gestor pode aplicar BRO.vector/Shutterstock 1616 Gestão de equipes de alta performanceGestão de equipes de alta performance em seu departamento ou setor. Vale lembrar que o departamento de recursos humanos da empresa, por meio de sua política interna, é que define os planos de carreira e os benefícios. 1.3 Estratégias para retenção de talentos Vídeo O fato de atrair talentos para a empresa não significa necessaria- mente que eles permanecerão trabalhando por muito tempo. A compe- titividade acirrada entre as empresas nos segmentos nos quais atuam faz com que elas estejam constantemente em busca de novos talentos e de pessoas capazes de aceitar novos desafios. Estar preparado técnica e psicologicamente é o primeiro passo para ser cobiçado por uma empresa qualquer e quem sabe receber uma proposta nova de trabalho. É preciso saber reter os talentos oferecen- do a eles condições de desenvolver o seu trabalho, ofertando recursos operacionais do dia a dia, treinamento e qualificação profissional, opor- tunidade de carreira, entre outras coisas. Por isso, os profissionais de recursos humanos devem orientar os gestores de áreas para que monitorem os seus colaboradores, deem a eles autonomia para trabalharem e fazerem parte do processo de tomada de decisão gerencial. De acordo com Chiavenato (2014), as em- presas devem oferecer o que há de melhor em termos de condições estruturais aos seus colaboradores, de modo que possamexigir deles atuações que ajudem a alavancar o desempenho coletivo. Deve-se ter em mente que cada um de nós possui interesses, de- sejos, sonhos e motivações que nos fazem seguir adiante, de maneira que, quando não encontramos ambiente propício para que possamos crescer, em dado momento pensaremos em mudanças. Isso obriga os gestores a estarem atentos ao comportamento dos seus colaboradores. Cada empresa possui o seu mercado de atuação e, em consequência, um público-alvo selecionado. Nesse sentido, são elaboradas estratégias empresariais voltadas à defesa de uma posição competitiva para garan- tir as vendas e a lucratividade. Isso implica formar equipes capazes de responder rapidamente aos eventuais problemas que possam surgir ao longo do tempo. Por isso, é preciso compreender as necessidades de cada indivíduo e oferecer oportunidades que favoreçam seu desenvol- vimento ao longo do tempo. Segundo Knapik (2008, p. 19), “os aspectos materiais, como o volume de produção, o faturamento e o patrimônio da empresa, são considerados relevantes, mas como consequências dessa visão mais moderna de gestão de empresas e de pessoas”. Uma empresa não deve apenas se importar com os processos in- ternos, deve saber entender a dinâmica do dia a dia dos seus colabo- radores e como eles podem melhorar a sua performance. Isso passa pelo acompanhamento dos setores e departamentos por meio de reuniões periódicas, dicas e sugestões, pesquisas internas e contato direto com os funcionários. Dessa maneira, é possível ter profissionais mais engajados, moti- vados e dispostos a superar obstáculos que possam surgir. Diante de acirrada competitividade entre as empresas, a busca por profissionais qualificados se torna um desafio. Saber reter talentos passa a ser uma questão fundamental para os interesses coletivos, bem como é fun- damental para esse processo conhecer de perto os funcionários da empresa e o que eles pensam a respeito dela. Não basta apenas elaborar políticas internas que ofereçam bene- fícios se não souber de que maneira as pessoas enxergam isso como positivo ou não. As mudanças devem ser discutidas entre todos e não apenas introduzidas com base na ideia de quem está dirigindo o de- partamento de recursos humanos. Os tempos são outros e requerem controle e monitoramento constante dos trabalhos e dos resultados. As pessoas estão mais atentas às oportunidades de trabalho, buscam saber mais a respeito dos planos de carreira, e suas ambições podem Ki t8 .n et /S hu tte rs to ck Ki t8 .n et /S hu tte rs to ck No livro Inteligência emocional, de Daniel Goleman, são aborda- das características que podem ser úteis no ambiente de trabalho e na vida pessoal das pessoas. O autor aponta importantes conceitos que podem potencializar o trabalho individual e coletivo, assim como garantir que as pessoas façam o melhor de si em prol dos objetivos a serem atingidos. GOLEMAN, D. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005. Livro Gestão de talentos 17 Deve-se ter em mente que cada um de nós possui interesses, de- sejos, sonhos e motivações que nos fazem seguir adiante, de maneira que, quando não encontramos ambiente propício para que possamos crescer, em dado momento pensaremos em mudanças. Isso obriga os gestores a estarem atentos ao comportamento dos seus colaboradores. Cada empresa possui o seu mercado de atuação e, em consequência, um público-alvo selecionado. Nesse sentido, são elaboradas estratégias empresariais voltadas à defesa de uma posição competitiva para garan- tir as vendas e a lucratividade. Isso implica formar equipes capazes de responder rapidamente aos eventuais problemas que possam surgir ao longo do tempo. Por isso, é preciso compreender as necessidades de cada indivíduo e oferecer oportunidades que favoreçam seu desenvol- vimento ao longo do tempo. Segundo Knapik (2008, p. 19), “os aspectos materiais, como o volume de produção, o faturamento e o patrimônio da empresa, são considerados relevantes, mas como consequências dessa visão mais moderna de gestão de empresas e de pessoas”. Uma empresa não deve apenas se importar com os processos in- ternos, deve saber entender a dinâmica do dia a dia dos seus colabo- radores e como eles podem melhorar a sua performance. Isso passa pelo acompanhamento dos setores e departamentos por meio de reuniões periódicas, dicas e sugestões, pesquisas internas e contato direto com os funcionários. Dessa maneira, é possível ter profissionais mais engajados, moti- vados e dispostos a superar obstáculos que possam surgir. Diante de acirrada competitividade entre as empresas, a busca por profissionais qualificados se torna um desafio. Saber reter talentos passa a ser uma questão fundamental para os interesses coletivos, bem como é fun- damental para esse processo conhecer de perto os funcionários da empresa e o que eles pensam a respeito dela. Não basta apenas elaborar políticas internas que ofereçam bene- fícios se não souber de que maneira as pessoas enxergam isso como positivo ou não. As mudanças devem ser discutidas entre todos e não apenas introduzidas com base na ideia de quem está dirigindo o de- partamento de recursos humanos. Os tempos são outros e requerem controle e monitoramento constante dos trabalhos e dos resultados. As pessoas estão mais atentas às oportunidades de trabalho, buscam saber mais a respeito dos planos de carreira, e suas ambições podem Ki t8 .n et /S hu tte rs to ck Ki t8 .n et /S hu tte rs to ck No livro Inteligência emocional, de Daniel Goleman, são aborda- das características que podem ser úteis no ambiente de trabalho e na vida pessoal das pessoas. O autor aponta importantes conceitos que podem potencializar o trabalho individual e coletivo, assim como garantir que as pessoas façam o melhor de si em prol dos objetivos a serem atingidos. GOLEMAN, D. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005. Livro 18 Gestão de equipes de alta performance ser muito diferentes daquilo que as empresas esperam. Compete à or- ganização em si construir o ambiente adequado para que possa ser uma referência no mercado em termos de ambiente, cultura e clima para se trabalhar e progredir na carreira. 1.4 Organização e gestão de equipes Vídeo As equipes precisam trabalhar em sincronia para que possam cum- prir seus trabalhos, por isso é preciso saber contornar situações ineren- tes ao dia a dia, como os conflitos que acabam por prejudicar a sintonia entre as pessoas. Pensando nisso, temos que a formação de uma equipe se relaciona à estratégia da empresa que busca atingir seus objetivos. Devemos ter em mente que uma equipe é a reunião de pessoas a fim de realizar uma tarefa ou ação. As equipes são responsáveis mutuamente pelos resultados, compartilham seus conhecimentos e solucionam pro- blemas com base na interpretação coletiva dos acontecimentos. A organização de uma equipe de trabalho se dá pela escolha das pessoas por parte dos gestores. Isso acontece primeiro por intermédio da seleção de pessoas com diferentes conhecimentos, habilidades e atitudes. A partir daí, elas começam a se conhecer e a trocar informa- ções a respeito do trabalho de cada uma. Depois disso, as demandas são apresentadas pela gestão da empresa, inicia-se a divisão do traba- lho e o estabelecimento das regras e dos métodos de trabalho. Em seguida, é comum que pequenos conflitos surjam, sendo fun- damental a presença do líder para apontar o rumo certo. Os conflitos, no entanto, quando em níveis mais baixos, são aceitáveis e bem-vindos para que ajustes pontuais possam ser feitos. Por fim, à medida que os desafios surgem, as pessoas naturalmente vão se ajudando, até que não precisem mais da supervisão do líder. Atualmente fala-se muito em equipes autogerenciáveis, ou seja, aquelas que conseguem tomar decisões sem a necessidade da presen- ça de um gestor o tempo todo. Segundo os estudos de Moscovici (2007), as equipes se formam e começam a desenvolver suas atividades no mesmo tempo que as pessoasse conhecem e iniciam os seus traba- lhos. A partir disso, as pessoas aos poucos começam a interagir, a se conhecer e a trocar informações e conhecimento. Gestão de talentos 19 Ainda com relação ao conceito de equipes, Luecke (2010, p. 17) consi- dera como “um pequeno número de pessoas com habilidades comple- mentares que são comprometidas com uma meta comum pela qual se consideram mutuamente responsáveis”. O fato é que quando colocamos várias pessoas com um objetivo trabalhando em conjunto, estamos dan- do a elas a oportunidade de mostrar suas habilidades, aptidões e conhecimentos. É claro que conflitos podem surgir, assim como excelentes resultados quando as pessoas certas são colocadas para trabalhar juntas. Quanto melhor for a seleção das pessoas que irão compor a equipe de trabalho, mais fácil será o seu processo de adaptação e produção de resultados. Os gestores devem conhecer muito bem os seus co- laboradores, a ponto de poderem com assertividade indicar pessoas para compor equipes de projetos, por exemplo. Maxwell (2007) apresenta quatro itens a respeito das equipes vencedoras, ou seja, aquelas com grandes chan- ces de atingir os resultados e superar as expectativas: sacrifício, com- promisso, desenvolvimento pessoal e abnegação. O sacrifício diz respeito ao comprometimento total das pessoas da equipe em busca dos resultados. Ele se caracteriza principalmente na manutenção do foco e da sinergia. O compromisso é a maneira pela qual as pessoas superam os obstáculos que se apresentam, devido ao seu empenho irrestrito e ao forte compromisso pela vitória. O desenvolvimento pessoal se verifica em pessoas que estão se qualificando e se preparando constantemente. Ele deve ser cons- tante, pois os desafios requerem preparo para dar o suporte que a empresa precisa. A abnegação, por fim, diz respeito a deixar o aspecto individual de lado em favor do interesse coletivo. Em muitos casos, bons profissio- nais acabam não crescendo em sua carreira por serem muito indivi- dualistas, perseguindo suas metas pessoais, mas não as coletivas. São pessoas que pensam única e exclusivamente em seu sucesso, deixan- do de lado os interesses da empresa. Dessa maneira, é preciso saber organizar as pessoas para que consi- gam render o máximo possível em alto nível, aprendendo e ensinando Viktoria Kurpas/Shutterstock 20 Gestão de equipes de alta performance ao mesmo tempo. A produtividade das equipes está relacionada à ma- neira pela qual as pessoas interagem e conseguem realizar as suas tare- fas no tempo determinado. A literatura apresenta conceitos importantes a respeito das equipes de alto desempenho e que conseguem na prática potencializar esforços coletivos e atingir resultados satisfatórios. Quando falamos em desempenho, não há como negar que ele é a principal meta a ser atingida por todos, em especial entre as equipes de trabalho. Desse modo, extrair o máximo de todos os integrantes das equipes é uma tarefa constante e que precisa ser sempre desenvolvi- da, pois o futuro dos negócios depende do sucesso da execução das tarefas e da implementação da estratégia da empresa. Com relação ao desempenho, Dyer, Dyer Jr. e Dyer (2006, p. 23) consideram que: As equipes de alto desempenho são aquelas compostas de membros cujas habilidades, atitudes e competências lhes permitem atingir as metas da equipe. Em equipes de alto de- sempenho, os membros definem as metas, tomam decisões, comunicam-se, administram os conflitos e solucionam proble- mas em uma atmosfera de incentivo e confiança para atingir seus próprios objetivos. O fato de trabalhar em equipe não significa necessariamente sucesso nos propósitos. Pelo contrário, se não houver empatia, en- gajamento e foco no resultado dificilmente uma equipe fará sucesso em seus objetivos. Para Tonet et al. (2009), as condições do ambien- te, somadas à falta de infraestrutura, podem culminar no fracasso das equipes de trabalho. Isso significa que a empresa precisa fornecer as ferramentas necessárias para o desenvolvimento das atividades. De acordo com Blanchard, Carew e Carew (2011), as equipes de alto desempenho são reconhecidas por: propósito; empoderamento; rela- cionamentos e comunicação; flexibilidade; ótimo desempenho; reco- nhecimento e apreço; e moral. Com relação ao propósito, fica evidente o foco, o alvo a ser atin- gido e que trará os resultados esperados. Sobre o empoderamen- to, nada mais é que proporcionar as ferramentas necessárias para as pessoas executarem com perfeição o seu trabalho. A respeito dos relacionamentos e da comunicação, consideramos imprescindível que as pessoas se relacionem entre si e compartilhem as informações essenciais para a realização dos trabalhos. A flexibilidade deve estar presente no dia a dia quando os profissionais precisam trocar informa- ções, materiais e até mesmo funções para que possam dar sequência a seus projetos, ações e tarefas. O ótimo desempenho está relacionado à maneira pela qual os líderes e suas equipes gerenciam os recursos existentes e executam o que precisa ser feito no tempo estabelecido. O reconhecimento e o apreço tratam da exposição positiva dos resul- tados individuais e coletivos, servindo de reforço positivo para todos os envolvidos. Por fim, a moral segue a mesma linha de raciocínio do reconhecimento e gera estímulos positivos nas pessoas que se sentem prestigiadas pela empresa. 1.4.1 Motivação e formação de pessoas A motivação é fundamental para que as pessoas possam focar A motivação é fundamental para que as pessoas possam focar os objetivos coletivos. O que se espera é a manutenção do nível de os objetivos coletivos. O que se espera é a manutenção do nível de desempenho sempre em alta. Para que as tarefas sejam realizadas desempenho sempre em alta. Para que as tarefas sejam realizadas com qualidade, eficiência e eficácia, é preciso motivação na busca de com qualidade, eficiência e eficácia, é preciso motivação na busca de resultados. O profissional é movido a desafios, porém, muitas vezes resultados. O profissional é movido a desafios, porém, muitas vezes por falta de incentivo e condições de trabalho adequadas, acaba de-por falta de incentivo e condições de trabalho adequadas, acaba de- sanimando e deixando de fazer o que deve ser feito.sanimando e deixando de fazer o que deve ser feito. Sem motivação, fica praticamente impossível trabalhar com eficiência e eficácia. Cada indivíduo pode buscar a sua motiva- ção independentemente da sua posição na empresa. Isso faz com que o sucesso no ambiente de trabalho esteja relacionado ao processo motivacional. Complementan- do ainda a questão da motivação, Chiavenato (2004, p. 365) aponta que, “para conseguir satisfazer o cliente ex- terno, as organizações precisam antes satisfazer a seus funcionários responsáveis pelo produto ou serviço ofere- cido”. A motivação pode ser intrínseca ou extrínseca, isto é, vir da própria pessoa ou ainda do ambiente externo es- timulador dos propósitos das iniciativas. Por isso, as empresas podem muito bem ofere- cer esse ambiente para que as pessoas se sintam mais participativas e dispostas a fazer o melhor pi ch it/ Sh ut te rs to ck pi ch it/ Sh ut te rs to ck Gestão de talentosGestão de talentos 2121 22 Gestão de equipes de alta performance possível em benefício do local em que trabalham sem necessa-possível em benefício do local em que trabalham sem necessa- riamente obterem resultados materiais. Os colaboradores podem riamente obterem resultados materiais. Os colaboradores podem trabalhar de maneira tanto intrínseca quanto extrínseca. Na verda-trabalhar de maneira tanto intrínseca quanto extrínseca. Na verda- de, os estudos apontam que a maioria espera uma recompensa ou de, os estudos apontam que a maioria espera uma recompensa ou algo que faça com que sigam além de suas capacidades.algo que faça com que sigam além de suas capacidades. Uma das mais conhecidas teorias da motivação é a de Abraham Maslow, de 1954. Maslowera um psicólogo norte-americano que ficou conhecido pela hierarquização das necessidades humanas. Segundo ele, existe uma categoria de cinco necessidades humanas: fisiológicas, de segurança, sociais, de estima e de autorrealização. As necessidades fisiológicas são aquelas relacionadas a se alimentar, beber, dormir, ter relações sexuais etc. As necessidades de segurança dizem respeito a obter um bom emprego, ter salário e garantias. Quanto à necessidade social, trata-se de pertencer a alguma classe ou grupo de pessoas com influência na sociedade. Com relação à estima ou ao per- tencimento, significa pertencer a grupos e neles ter influência e prestígio. Por fim, mas não menos importante, a necessidade de autorrealização é considerada inalcançável, pelo fato de sempre querermos mais. Figura 1 Pirâmide de Maslow Estima Social Segurança Fisiológica Autor- realização A pirâmide de Maslow é sem dúvida alguma uma referência para se trabalhar com as equipes, pois ordena as prioridades conforme o nível de importância que cada uma possui. Durante a nossa vida, seja pessoal, seja profissional, estamos constantemente em busca de Gestão de talentos 23 satisfação e felicidade. Logo, por intermédio da pirâmide, é possível compreender porque muitas vezes pensamos e agimos de maneira in- dividual ou coletiva. Assim, cabe a cada um de nós, e principalmente quando na posição de gestor, entender o que preocupa o funcionário e o que ele espera em termos de carreira profissional para os próximos anos de empresa, a partir da hierarquia de suas necessidades. CONSIDERAÇÕES FINAIS Pudemos observar que atrair e reter talentos em uma empresa não é tarefa fácil, pois envolve estratégia e, principalmente, atenção aos míni- mos detalhes. O mercado está cada vez mais exigente, as competências, habilidades e atitudes sozinhas já não representam mais um diferencial competitivo para um indivíduo. Agora, é preciso dominar as emoções, ter empatia, se engajar nas ações da empresa, mostrar produtividade e desempenho à altura do trabalho. Não basta apenas ser eficiente, é necessário interagir em meio a tanta diferença de ideias, pensamentos, atitudes e comportamentos. O que se espera é que as pessoas invistam em suas carreiras, busquem qualificação profissional e, especialmente, aprendam a aprender. Uma empresa de sucesso nada mais é que a so- matória de estrutura, tecnologia, recursos financeiros, equipamentos e capital intelectual. Essa junção e gestão é fundamental para a sobrevivên- cia de qualquer empresa no Brasil e no mundo. ATIVIDADES Atividade 1 Atrair talentos para as empresas é uma tarefa difícil, mas fun- damental para o sucesso dos negócios. Os gestores sabem que somente por meio das pessoas é possível realizar com eficiência e eficácia os trabalhos. Assim, compete ao departamento de recur- sos humanos em parceria com os líderes e gestores atrair pessoas para o seu quadro funcional. Diante dessas considerações, explique de que forma as empre- sas podem atrair talentos diante da acirrada competitividade entre os setores. 24 Gestão de equipes de alta performance Atividade 2 O desenvolvimento de talentos é parte essencial da estratégia de uma empresa, especialmente quando o assunto é vantagem com- petitiva. Quem consegue desenvolver talentos em diferentes áreas da empresa certamente estará em vantagem competitiva em rela- ção à concorrência de mercado e com grandes possibilidades de ser líder em seu setor. Nesse sentido, desenvolver pessoas passa a ser uma questão de sobrevivência e manutenção dos negócios. Com base nessas informações e nos estudos realizados, escreva o que pode ser feito na implementação de um programa de aprendiza- gem e talentos. Atividade 3 A organização e a gestão das equipes são valores fundamentais das organizações competitivas. Isso se deve ao fato de que elas podem proporcionar resultados satisfatórios e desempenhos aci- ma da média. Diante disso, as empresas buscam trabalhar esses valores de maneira que se tornem o seu maior diferencial e sejam refletidos nos seus negócios. Com base nessas considerações e nos estudos feitos, explique como uma empresa pode organizar equipes de trabalho. REFERÊNCIAS BLANCHARD, K.; CAREW, D.; CAREW, E. P. O gerente minuto desenvolve equipes de alto desempenho. 9. ed. Rio de Janeiro: Record, 2011. CAMARA, P. B.; GUERRA, P. B.; RODRIGUES, J. V. Novo humanator. Lisboa: Dom Quixote, 2010. CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. DYER, W. G.; DYER JR., W. G.; DYER, J. H. Equipes que fazem a diferença (team building): estratégias comprovadas para desenvolver equipes de alta performance. São Paulo: Saraiva, 2006. KNAPIK, J. Gestão de pessoas e talentos. Curitiba: Ibpex, 2008. LUECKE, R. Criando equipes. 2. ed. Rio de Janeiro: Record, 2010. MAXWELL, J. C. As 17 incontestáveis leis do trabalho em equipe: descubra os segredos para o desenvolvimento de equipes vencedoras. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2007. MICHAELS, E.; HANDFIELD-JONES, H.; AXELROD, B. A guerra pelo talento. Rio de Janeiro: Campus, 2002. MOSCOVICI, F. Equipes que dão certo: a multiplicação do talento humano. Rio de Janeiro: José Olympio, 2007. TONET, H. et al. Desenvolvimento de equipes. 2. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2009. Gestão de equipes 25 2 Gestão de equipes Administrar pessoas é uma tarefa fundamental para o desempenho das atividades empresariais e a manutenção dos negócios de uma empre- sa, de maneira que sua política interna deve estar voltada para a poten- cialização do trabalho em equipe e consequentemente para a evolução e formação das pessoas. Para tanto, como veremos neste capítulo, devemos atentar às práticas que melhor direcionem o gestor em sua atuação e na formação de equipes. Da mesma maneira, o entendimento de certas noções de gestão se faz im- portante, como o conceito de equipes autogerenciáveis, o incentivo ao traba- lho em equipe e a definição do que é uma equipe de sucesso. O que estudaremos neste capítulo, portanto, é necessário para que as empresas possam atingir seus resultados de maneira mais dinâmica, flexí- vel e eficaz, tendo em vista um trabalho diário em equipe que seja constan- te e exija sacrifício de todos em prol dos resultados. Afinal, dificilmente uma empresa conseguirá bons resultados se o seu capital intelectual (as pes- soas) não estiver disposto a interagir e a discutir, propor e debater ideias. Com o estudo deste capítulo, você será capaz de: • identificar as melhores práticas para a formação e gestão de equipes; • analisar como as empresas incentivam o trabalho em equipe; • entender o que são equipes autogerenciáveis e conhecer suas ca- racterísticas e vantagens; • saber analisar as principais características de uma equipe de sucesso. Objetivos de aprendizagem 26 Gestão de equipes de alta performance 2.1 Gestão de equipes de trabalho Vídeo A gestão de equipes nas empresas é essencial para a manutenção de um ambiente harmônico e produtivo de trabalho. Todos nós te- mos nossos problemas pessoais e profissionais, então é necessária uma gestão de equipes eficiente para que as pessoas possam traba- lhar em alto nível em busca dos objetivos da empresa. Uma equipe em sincronia é capaz de proporcionar grandes resultados, pois a in- teração permite a chegada ao consenso com muito mais facilidade. A dinâmica do mercado consumidor pressiona as empresas a tomarem decisões estratégicas no curto prazo em muitos casos, o que implica um aumento de estresse e a consequente geração de conflitos. Logo, ter uma equipe focada nos objetivos, alinhada, em sincronia de ideias e procedimentos a serem executados é o primeiro passo para a me- lhoria do desempenho coletivo. Os gestores precisam estar atentos à mudança de comportamento dos seus colaboradores, pois em muitos casos a equipe pode estar passando por dificuldades e a moral pode estar baixa, influenciando negativamente o desempenhoindividual e coletivo. A participação de todos nas tarefas também é algo fundamental, pois demonstra co- nhecimento e comprometimento com os trabalhos. Diante disso, é imprescindível que os gestores e demais colaboradores saibam tra- balhar em equipe em busca dos melhores resultados para a empresa, bem como para a sua própria carreira. Uma boa e eficiente gestão de equipes de trabalho sem dúvida é essencial para a performance das empresas, ainda mais em se tratando de competitividade entre elas. O mercado é competitivo e exige respostas prontas para os desafios que surgem diariamente. Portanto, investir na gestão de equipes é a melhor receita para o sucesso dos negócios. Outro aspecto importante na gestão certamente é a diversidade de pessoas dentro de uma equipe de trabalho: quanto mais hetero- gênea, maiores as chances de promoção de discussões, troca de in- formações, experiências e conhecimentos variados sobre os temas propostos. O gestor precisa fomentar a discussão, estimulando a par- ticipação de todos, envolvendo as pessoas em projetos e ações que visem à melhoria da performance da empresa. Gestão de equipes 27 Nesse sentido, vale a pena investir em reuniões periódicas, apre- sentar subprojetos e fazer com que as pessoas interajam com frequên- cia. De acordo com Soares (2015), para que uma equipe de trabalho possa alcançar efetividade são necessários três elementos: propósito comum, metas específicas e tomada de decisão. Nesse sentido, o au- tor considera que é necessário um senso único, isto é, um senso de objetivo compartilhado entre todos os envolvidos nos trabalhos. Além disso, ter metas direcionadas para o alcance dos objetivos, evitando quaisquer distorções. Por último, a tomada de decisão deve se dar com base no consenso entre todos os integrantes da equipe. Com isso em mente, podemos perceber que as melhores práticas para formação das equipes podem ser vistas em exemplos do cotidia- no empresarial, como o diálogo e o fluxo informacional constante entre departamentos da empresa, reuniões entre gestores para definir me- tas em conjunto e programas de treinamento. Figura 1 Elementos de efetividade em uma equipe Ta h De si gn /S hu tte rs to ckPropósito comum Oferece direção à equipe, com os caminhos necessários ao alcance dos resultados. Metas específicas Traçam e compreendem as metas da equipe, melhoram o desempenho, mantêm o foco nos resultados e contribuem para o aumento do ritmo de produção. Tomada de decisão Faz parte da oportunidade de participação da equipe, o que contribui para o seu engajamento. Fonte: Elaborada pelo autor com base em Soares, 2015. Para tanto, é necessário um plano de desenvolvimento de ativida- des das equipes de trabalho a fim de que se possa treinar e formar equipes vencedoras. Esse plano trata de estabelecer uma espécie de cronograma do que deve ser feito pelos integrantes de uma equipe. Podemos citar a título de exemplo um departamento de marketing de uma empresa, em que um programa de fidelidade de clientes preci- sa ser elaborado. Cada integrante da equipe envolvida no projeto pre- cisa ter a sua tarefa bem definida e de conhecimento de todos. A partir daí, com base em critérios bem estabelecidos – como prazo, natureza da tarefa, principais processos a serem executados, necessidade de re- cursos, entre outros –, é possível ser eficiente e eficaz. 28 Gestão de equipes de alta performance Te tia na Y ur ch en ko /S hu tte rs to ck As equipes, por sua vez, podem apresentar diferentes conotações, como equipes de projetos, trabalho, gestão, monitoramento e controle. O que se espera disso é que os processos sejam desenvolvidos da melhor forma e o aprendizado organizacional permita que as melhores práticas se reprodu- zam ao longo do tempo. A inclusão de pessoas com diferentes competên- cias, habilidades e atitudes é que pode fazer uma equipe vencedora. Portanto, aproximar pessoas com diferentes potencialidades pode ser a melhor ferramenta para atingir eficiência e eficácia. Pen- se em uma empresa cujo produto é de alta tecnologia e sofre grande concorrência no mercado. Nesse caso, para que o projeto de produto tenha aceitação entre os consumidores e possa ter vantagem sobre os concorrentes é necessário um envolvimento dos profissionais. Uma equipe entrosada é capaz de superar com mais facilidade as adversidades existentes, assim como encontrar soluções para impasses em torno de projetos de produtos ou serviços. O ambiente organizacio- nal deve ser favorável ao aprendizado, ao trabalho em equipe, à pro- moção de estudos e a pesquisas importantes para a empresa. O que precisa ser feito da parte da gestão da empresa é o incentivo à formação de equipes de trabalho para cada atividade a ser realizada. Para isso, os gestores devem integrar diferentes perfis, conhecimentos, habili- dades e atitudes em prol dos mesmos objetivos. É necessário incentivar profissionais que tenham motivação para enfrentar desafios e se envolver em projetos, o que promove a ampliação e melhoria da integração entre os setores da empresa. Dessa forma, é possível aumentar a comunicação interna e facilitar o fluxo de informações consideradas estratégicas e essen- ciais para a realização das tarefas. Segundo Escorsin e Walger (2017, p. 154): O desenvolvimento de equipes possibilita que: • as pessoas adquiram uma ampla visão dos objetivos que a equipe precisa atingir, criando uma identidade de equipe; • cada integrante compreenda seu papel, sua forma de se relacio- nar, de se comunicar, seu jeito de lidar com os conflitos existen- tes e a maneira como cada um pode contribuir para a eficácia da área e da organização; • os colaboradores compreendam suas características de personali- dade e o estilo com o qual cada um funciona; (Continua) Gestão de equipes 29 • cada pessoa aprimore a capacidade de observar e analisar seu próprio funcionamento e o dos demais componentes; • os integrantes ampliem a percepção de si mesmos e dos outros; • a equipe potencialize suas competências, tornando-se capaz de ampliar sua performance e, com isso, aprimorar a qualidade de seus resultados; • cada pessoa se posicione da maneira mais adequada para que a equipe possa atingir os resultados esperados. Esta citação apresenta alguns aspectos importantes do trabalho em equipe, provando que os benefícios são maiores e mais vantajosos para as empresas. De um lado, pessoas trabalham em favor dos seus próprios objetivos; de outro, há equipes unidas para solucionar proble- mas existentes e propor melhorias. O que falta muitas vezes dentro das empresas é a conscientiza- ção a respeito das melhores práticas a serem adotadas. Para isso, algumas ações podem ser tomadas, como: incentivo ao envolvimen- to em projetos, oferecimento de cursos e aperfeiçoamentos, progra- mas de integração entre setores e departamentos da empresa, uso de metodologias inovadoras, fomento à aprendizagem organizacio- nal, entre outras possibilidades. O aprendizado organizacional e a internalização dos conceitos só ocorrem quando os funcionários da empresa estão conscientizados a respeito da importância de se trabalhar em equipe e dos benefícios decorrentes dessa prática. É muito provável que o esforço em trabalhar em equipe supere qualquer outra estratégia voltada para a formação e o desenvolvimento de equipes. 2.2 Organização de equipes de trabalho Vídeo As equipes de trabalho precisam ser organizadas para atender às de- mandas da empresa. Os produtos ou serviços das empresas são desti- nados a públicos específicos, o que aponta para uma estratégia voltada a fazer com que as equipes atuem de maneira sincrônica. Assim, podemos esperar mais efetividade nas ações e atividades a serem desenvolvidas. 30 Gestão de equipes de alta performance Segundo Escorsin e Walger (2017), as equipes podem aprender a lidar com os conflitos existentes, trabalhar a comunicação, entender as metas organizacionais e repassá-las a todos, entreoutras coisas. Segundo os estudos de Stadler e Pampolini (2014), as diferenças entre os líderes e os gestores são cruciais para entender o desempe- nho das equipes de trabalho. Eles apontam para diferentes caracte- rísticas de perfil e comportamento que, quando analisadas, exercem influência no desempenho das equipes de trabalho. O quadro a se- guir apresenta muito bem essas diferenças entre um líder e um ges- tor dentro de uma empresa. Quadro 1 Líder x gestor Líder Gestor Lidera conectando-se às pessoas. Coloca as pessoas para trabalhar. Lidera influenciando as pessoas a pensar e a agir como proprietários da empresa. Gerencia e apenas mantém as pessoas tra- balhando para a organização. Lidera convencendo e influenciando as pessoas a fazer o que precisa ser feito. Para ele, gerenciar é a arte de fazer com que os outros façam algo que ele está con- vencido de que precisa ser feito. Para ele, liderar é mobilizar os outros a batalhar por aspirações compartilhadas. Para ele, gerenciar é a arte de mobilizar os outros apenas para o trabalho funcional. Para ele, liderar é a arte de obter resulta- dos desejados, acordados e esperados de pessoas engajadas e comprometidas. Para ele, gerenciar é a arte de obter resulta- dos desejados, acordados e esperados por meio das pessoas, sem que haja necessida- de de engajamento e comprometimento. Fonte: Elaborado pelo autor, com base em Stadler; Pampolini, 2014. As diferenças apresentadas no quadro se refletem no desempenho das equipes, pois não é fácil de se conseguir um gestor que saiba conectar as pessoas, influenciar positivamente e fazer com que trabalhem em prol dos objetivos coletivos. Por isso, quanto mais se desenvolver a liderança dentro das empresas, melhores as chances de potencializar o desempe- nho coletivo. Dessa forma, identificar possíveis líderes na empresa é um dos passos a serem dados para a melhoria do desempenho coletivo. Segundo os estudos de Chiavenato (2010, p. 35), um bom programa de desenvolvimento de equipes precisa de alguns elementos, como “fi- losofia e missão da empresa, estrutura organizacional, sistemas orga- nizacionais, políticas organizacionais e habilidades dos colaboradores”. Partindo dessa citação, podemos entender que é necessária a in- tegração de todos os elementos para que um programa possa ser Gestão de equipes 31 Te tia na Y ur ch en ko /S hu tte rs to ck Te tia na Y ur ch en ko /S hu tte rs to ck eficaz. Conhecer e internalizar a missão da empresa é importante para seguir os propósitos estabelecidos. A estrutura organizacional diz respeito à clareza com relação ao que se encontra disponível para ser utilizado pelas equipes de trabalho. Sistemas organizacionais dizem respeito às informações disponibilizadas ou não aos colabora- dores da empresa. Por meio das políticas organizacionais torna-se necessário entender como as pessoas se comportam com relação a mudanças internas, crescimento na carreira etc. As habilidades dos colaboradores relacionam-se à maneira pela qual as tarefas são rea- lizadas. Com base nessas questões, é fundamental que tudo possa ser transmitido de maneira clara e principalmente com a finalidade de integrar processos e conceitos que possam potencializar o desem- penho coletivo. Um aspecto importante a ser destacado no processo de desenvol- vimento das equipes de trabalho é a estrutura de programa. Por meio dela, é possível identificar quais as etapas de condução de um progra- ma eficiente de desenvolvimento de profissionais. Isso faz com que a observância desses itens possa ser decisiva para a ocorrência de falhas no processo. Cada etapa precisa ser corretamente executada para que possa surtir efeito positivo nas outras, de maneira que é necessário um monitoramento e controle mais acentuado dos processos internos da empresa. Conhecer as pessoas por meio de reuniões, encontros, debates e discussões é parte do processo como um todo, e deve ser coordenado por um profissional de gestão de pessoas. Escorsin e Walger (2017) estruturam o programa de desenvolvimento de equipes em cinco etapas, consideradas fundamentais para o sucesso de todos: percepção da equipe sobre seu funcionamento; análise das atitudes vivenciadas pelos integrantes da equipe; elaboração de um plano de ação para a melhoria do funcionamento da equipe; execução das ações elaboradas, inclusive com a realização de treinamentos so- bre temas específicos; e avaliação do processo. A primeira etapa caracteriza-se pela identificação das formas de funcionamento ou das adversidades da equipe de trabalho. Aqui, cabe o uso de dinâmicas de grupo, brainstorm e outras técnicas de relacionamento de pessoas. A segunda etapa constitui-se em analisar as atitudes vividas pelas pessoas que fazem parte da equipe de trabalho. Com base na vivência 32 Gestão de equipes de alta performance delas, é possível corrigir a rota, as ações, as atividades e os processos existentes, como acontece quando há troca de informações entre cole- gas de trabalho que atuam em um mesmo projeto. A terceira etapa é a elaboração de um plano de ação para melhorar o funcionamento da equipe. Por meio dele, as empresas conseguem identificar e corrigir problemas existentes nos processos internos. Um exemplo prático disso é o estabelecimento de um mural de trabalho, em que as tarefas são definidas e expostas a todos os profissionais para que possam acompanhar o andamento das atividades. A quarta etapa consiste em executar as ações que foram elabora- das, fazendo treinamentos a respeito de temas específicos. Isso signifi- ca que os gestores e suas equipes precisam colocar em prática o que foi discutido no tempo previsto e conforme as necessidades da empresa. A quinta e última etapa consiste em avaliar o processo como um todo, identificando possíveis melhorias no desenvolvimento das pessoas. O aprendizado organizacional se faz fundamental para a melhoria dos pro- cessos por meio do aperfeiçoamento das metodologias de trabalho. Os programas de desenvolvimento de equipes consistem em utilizar métodos de desenvolvimento interno, como aprendizagem, treinamento e capacitação, jogos de empresas, dinâmicas de grupo, entre outros. Dentro desses programas de desenvolvimento existem algumas particularidades, como o chamado coaching de equipe. Esse profissional pode desempenhar um papel extremamente importante no que se refere à motivação e ao en- gajamento de todos. Enquanto algumas equipes focam apenas os resulta- dos, o coaching de equipe busca conciliar o alcance de resultados com a satisfação das pessoas pelo trabalho realizado. Coaching de equipe: denominado também de team coaching, segue o mesmo princípio do processo de coaching, porém tem como objetivo melhorar o desempenho e os resultados das equipes de trabalho. Por meio de ferramentas específicas, busca-se estabelecer a identidade da equipe, analisar as principais lacunas nas competências dos mem- bros da equipe e criar ações para solucioná-las. O coaching de equipe possibilita a melhoria da convivência entre as pessoas, tornando a comunicação mais efetiva e ampliando a visão da equipe sobre seu funcionamento. Esse processo deve ser conduzido por um profissional qualificado. (ESCORSIN; WALGER, 2017, p. 162) Gestão de equipes 33 A busca pela melhoria contínua nas empresas faz do profissional coaching uma das melhores alternativas para potencializar e canalizar o melhor de cada pessoa. O seu trabalho consiste em auxiliar as pes- soas a encontrarem o melhor de si, suas qualidades, habilidades e for- ças internas. Esse profissional consegue motivar as pessoas, dar a elas significado sobre seu trabalho e sua carreira. Com isso é possível dar mais força e vigor aos trabalhos realizados e assim fomentar a partici- pação de todos em torno dos objetivos estabelecidos. Quanto mais as empresas se preparam com profissionais de coaching interno, melhores as chances de alcançar resultados no curto, médio e longo prazo. As pessoasprecisam constantemente de atenção e cuidados, treinamento, incentivo, capacitação, motivação e apoio. Elas não conse- guem por si só se autodesenvolverem, é necessário estarem sempre moti- vadas a atingir seus objetivos. Por outro lado, há aqueles que mesmo com todo o apoio e incentivo ainda não conseguem se desenvolver, tampouco ajudar os demais a se desenvolverem. Cada vez mais as empresas estão investindo no crescimento intelectual das pessoas, por meio de incentivos, condições de trabalho e estrutura de maneira geral. 2.3 Formação e trabalho em equipe Vídeo Formar equipes vencedoras não é nada fácil, pois requer muito mais que reunir pessoas com diferentes habilidades e conhecimentos. Por isso, quanto mais uma empresa investir em políticas internas de crescimento e valorização das pessoas, maiores as chances de apren- der com os erros e obter muito mais acertos no futuro. É preciso investir em programas de integração entre setores e de- partamentos, fluidez das informações, democratização do acesso a dados e troca de experiências entre as pessoas mais velhas e os fun- cionários mais jovens. Segundo os trabalhos de Knapik (2012), as pessoas levam para o ambiente de trabalho a formação e seus traços de personalidade. Ain- da para o autor, a personalidade é formada por três fatores: 1. Hereditariedade: diz respeito aos conceitos que moldaram o nosso caráter durante a nossa vida. 2. Ambiente: exerce influência sobre nossas atitudes, ações, comportamentos e modo de se expressar. 3. Situação: refere-se ao instante em que uma atitude é tomada e que reflete como somos ao lidar com diferentes situações do dia a dia. Além desses três, temos a percepção, que é fruto de nossas ex- periências de vida, nosso aprendizado e nossa interação com outras pessoas. Tudo isso faz com que tenhamos a nossa visão de mundo e assim coloquemos nossa opinião e conhecimento em discussão quase que o tempo todo. No trabalho, sempre que possível, nossas vivências fazem com que nossas opiniões acabem divergindo dos demais colegas, fato que pode desencadear um conflito. Precisamos conviver com as nossas limita- ções, fraquezas e incertezas, fazendo parte de equipes heterogêneas e que busquem sua autoafirmação. As pessoas possuem interesses próprios que às vezes acabam supe- rando interesses coletivos. Isso precisa ser controlado pelos gestores e líderes das equipes. Quanto mais entrosamento, disposição e vontade de fazer a diferença, certamente mais facilmente serão alcançados os resultados. Segundo Knapik (2012, p. 79), uma equipe “é um grupo que tem objetivos bem definidos e cujos integrantes buscam as mesmas metas por meio de habilidades complementares e de um contínuo pro- cesso de experimentação e troca de experiências”. A autora propõe que cabe aos gestores e demais líderes da em- presa buscarem formar líderes capazes de fomentar o aprendizado coletivo e garantir a busca pelo sucesso. A formação de uma equipe começa pela sintonia entre os funcionários de um mesmo setor e por um propósito bem definido. Vamos imaginar uma fábrica de brinquedos que possui aproxima- damente 500 funcionários. Ela atende Europa e América Latina com uma ampla gama de produtos. Logo, o seu departamento de marketing Recomendamos a leitura do livro Construindo equi- pes de alta performance, de Lauter Fontana Ferreira. Nele o autor discute como pode ser desenvolvida uma equipe de alta performance dentro das empresas, partindo da ideia de que uma equipe pode ser forjada dentro da empresa com base na disposição e no interesse das pessoas. Por meio do conteúdo trabalhado no livro é possível aumentar a força da equipe, enga- jando todos em busca dos melhores resultados. FERREIRA, L. F. Rio de Janeiro: QualityMark, 2014. Livro Na dy a_ Ar t/ Sh ut te rs to ck 3434 Gestão de equipes de alta performanceGestão de equipes de alta performance Gestão de equipes 35 e design deve trabalhar de maneira integrada, pois os produtos são destinados a países com culturas diferentes. Diante disso, com o apoio do departamento de recursos humanos, a gestão deve formar equipes com profissionais motivados e produtivos. A partir daí, começa um processo que vai desde a contratação de pessoas com determinadas características próprias para os trabalhos, até a revisão dos processos de recursos humanos, a fim de obter suporte na escolha, formação e retenção de pessoas, além da constante troca de informações. A criatividade certamente é o que move essa fábrica em busca dos seus propósitos, afinal de contas, trata-se de produtos infantis que requerem criatividade, inovação, tecnologia e segurança. No começo, as pessoas vão divergir, pois ainda estão se conhecen- do e entendendo o ritmo de cada uma. Com a maturidade da equipe, começa a surgir o que chamamos de interdependência da equipe, ou seja, diminui consideravelmente a necessidade de repassar tarefas ou esperar pela produtividade dos outros. Por fim, deixar alinhadas as expectativas e tarefas de todos os integrantes da equipe é o passo fundamental para a execução dos processos e, consequentemente, para a entrega de resultados. As equipes vão se aprimorando com o passar do tempo devido à con- fiança e ao consenso entre si. A presença de um líder experiente é que vai dar o ritmo da equipe e fazer com que as pessoas reflitam sobre suas ati- tudes e maneiras de pensar e executar as ações. A realização de reuniões frequentes para discutir pontos importantes e estratégicos é fundamental para a consolidação do processo de formação e do trabalho em equipe. Outro aspecto importante para a formação e o trabalho em equipe é a comunicação entre todos os membros. Os gestores precisam esta- belecer mecanismos flexíveis de comunicação entre os setores, como encontros para debater metas comuns, fóruns para apresentar proje- tos, discussões em grupos diferentes para propor melhorias e troca de conteúdos entre gestores de áreas (ESCORSIN; WALGER, 2017). O que se espera é que as pessoas possam interagir ainda mais e potencializar as suas ações, compreendendo a dinâmica de trabalho de todos os en- volvidos nos processos da empresa. Outros itens relevantes são: o fortalecimento entre os funcioná- rios e os propósitos da empresa (objetivos e metas organizacionais); a inovação em modelos de gestão; a relação com os clientes; e o re- 36 Gestão de equipes de alta performance lacionamento entre os pares. Uma equipe deve ser formada por pes- soas capazes de buscar soluções sobre os mais diferentes problemas sem a necessidade de interferência direta dos líderes e gestores. Logo, notamos que a partir de um conjunto de ações a serem implantadas gradativamente é que conseguimos fortalecer as equipes de trabalho e fazer delas ferramentas potencializadoras do desempenho coletivo. A consolidação da formação de uma equipe fica mais evidenciada quando a dependência entre os membros diminui e alguns deles pas- sam a atuar como facilitadores. Isso significa que podem liderar situa- ções mais complexas, envolvendo conflitos ou dificuldade em realizar uma tarefa que requeira mais tempo. Outro aspecto são os feedbacks, que devem ser construtivos em todos os momentos. Eles devem ser individuais e coletivos, com intuito de reduzir as possíveis falhas. O en- volvimento de todos também é fundamental, isto é, não pode haver integrantes das equipes ociosos ou com baixa participação nas ativida- des. Todos devem estar envolvidos e com responsabilidades sobre os resultados. Por fim, é fundamental construir um ambiente que possibi- lite relações positivas e de apoio e fortalecimento em torno dos objeti- vos e do futuro dos negócios da empresa. 2.4 Equipes autogerenciáveis Vídeo As denominadas equipes autogerenciáveis são aquelas que con- seguem executar as suas tarefas sem a necessidade de supervisão e controle dos gestores imediatos. Isso significa que possuem autono- mia para tomarem decisões e proporem melhorias sem perder tempo, tampouco os seusobjetivos. Uma equipe coesa, engajada e firme nos seus propósitos pode aumentar a produtividade, melhorar a perfor- mance individual e coletiva e entregar ótimos resultados. Conhecer as dificuldades de cada integrante da equipe e saber como cada um pensa e realiza as suas ações é essencial para o desempenho de todos. Cada um possui a sua responsabilidade, suas atribuições, e deve entregar resultados consistentes. Por isso, as equipes que conseguem se organizar e minimizar os conflitos internos são capazes de entregar projetos com alto rendimento. Para Soares (2015, p. 16), o formato de equipes autogerenciáveis “é composto por 10 a 15 pessoas que com- Gestão de equipes 37 partilham as tarefas, apresentam atitudes individuais que repercutem positivamente na equipe e ainda assumem muitas responsabilidades”. Por outro lado, o autor considera que muitas equipes autogerenciáveis acabam dando problemas para as empresas, no sentido de que poupam o trabalho do gestor e encobrem erros e falhas. Isso se deve muito à liber- dade dada às pessoas, que acabam gerando sinergia e movimentando o trabalho, o que faz com que muitos gestores ruins ou sem preparo per- maneçam no trabalho devido à ação dos colaboradores. Cada empresa deve organizar a sua política interna de maneira que as pessoas possam se desenvolver e ajudar as outras a crescerem profissionalmente. Desse modo, o aprendizado permanece contínuo e a perspectiva de melhores desempenhos se faz cada vez mais presente. As equipes mais eficazes são caracterizadas por aspectos bem cla- ros. O que mais se espera é que elas possam trabalhar de maneira inte- grada e dentro dos objetivos estabelecidos. O foco deve ser na melhoria dos processos internos e no desempenho coletivo que certamente irá afetar diretamente a relação entre produtos e clientes. Quanto maior a capacidade dos gestores de integrar as pessoas e fazer com que elas consigam trabalhar focadas, longe de conflitos, discussões, brigas e de- sencontros, melhores as chances de projetos darem certo. Para que a formação de equipes seja eficaz é necessário que al- guns aspectos sejam analisados: o contexto, a composição, o projeto de trabalho e o processo. O contexto relaciona-se com o propósito da formação da equipe e em que condições ela vai se constituir. A compo- sição diz respeito às pessoas que irão compor a equipe de trabalho de acordo com as suas características. O projeto de trabalho nada mais é que a estrutura de trabalho, as atividades a serem desenvolvidas pela equipe. Por fim, o processo tem a ver com os caminhos necessários para a execução das tarefas desenhadas pelos gestores. De acordo com Robbins (2008), as equipes desempenham diferen- tes papéis ao longo do tempo e passam por reestruturações em suas configurações. A eficácia delas está relacionada à maneira pela qual administram os seus recursos e distribuem as tarefas entre os mem- bros. Desse modo, cada um sabe exatamente o que deve ser feito para atingir os resultados. Outro aspecto importante é saber ganhar a con- fiança de todos, fazendo com que o desempenho seja uniforme e per- mita resultados positivos. 38 Gestão de equipes de alta performance A maioria das empresas modernas procura dar mais autonomia aos seus funcionários, sobretudo com a participação nas decisões e apresentações de ideias e projetos. O que se espera é uma oxi- genação de propostas e ideias para solução de problemas em seus setores e departamentos. Eficácia de equipe • Recursos adequados • Liderança e estrutura • Clima de confiança • Avaliação de desempenho e sistema de recompensas • Habilidades dos membros • Personalidade • Alocação de papéis • Diversidade • Tamanho das equipes • Flexibilidade dos membros • Preferência dos membros • Autonomia • Variedade de habilidades • Identidade das tarefas • Importância das tarefas • Propósito comum • Metas específicas • Efetividade da equipe • Níveis de conflito • “Força” social Contexto Abert/Shutterstock Composição Projeto de trabalho Processo O que mais chama a atenção nas equipes autogerenciáveis atualmente é elas serem capazes de contagiar as pessoas de outros setores da empre- sa. O fato de conseguirem manter um bom relacionamento e ainda atingi- rem bons resultados faz com que recebam grande atenção por parte dos gestores. Essas equipes são fundamentais para dar ritmo aos trabalhos mais desafiadores que existem, logo precisam ser estimuladas dentro da empresa. O que se apresenta é um campo fértil para a promoção dessas equipes e, sobretudo, o incentivo à sua formação e autogestão. O trabalho de Silva (2020) discute os cinco principais fatores de sucesso de uma equipe dentro da empresa, que são: a percepção do seu papel dentro da empresa; a sua aptidão para o que deve fazer; a habilidade para o trabalho; o sucesso e a motivação; e a área pessoal Gestão de equipes 39 e organizacional. Esses elementos combinados são considerados pelo autor como fundamentais para o sucesso de uma equipe. O primeiro fator principal de sucesso de uma equipe se deve à percepção que uma pessoa tem do seu papel dentro da empresa. É esperado que ela conheça a natureza da sua tarefa. Isso significa saber a importância do trabalho que realiza, as funções que desempenha e como o seu resultado pode influenciar os demais membros da equipe. Quando uma pessoa é devidamente treinada e conscientizada do seu papel dentro da empresa, ela produz com mais eficiência e tem a plena convicção de que sua função é essencial para o sucesso de todos. O segundo fator de sucesso é a aptidão que uma pessoa tem, que diz respeito à sua capacidade de desenvolver atividades que beneficia- rão a empresa, sobretudo fazendo bem as suas tarefas do dia a dia. Ter aptidão para determinadas áreas ou tarefas é essencial na distribui- ção das operações de uma empresa. É imprescindível para qualquer empresa que as pessoas sejam alocadas conforme as suas aptidões e conhecimentos em diferentes áreas. Sobre a habilidade para o trabalho, compete ao departamento de recursos humanos monitorar o desempenho das pessoas e as suas ha- bilidades para o exercício de determinadas funções. Por habilidade en- tendemos ser toda e qualquer coisa que uma pessoa sabe fazer, como se comunicar, resolver problemas, trabalhar em equipe etc. As pessoas podem desenvolver habilidades ao longo do tempo, tornando-se refe- rência em determinadas atividades dentro da organização. Sucesso e motivação diz respeito ao que cada pessoa é capaz de fazer para seguir em frente diante das adversidades. Algumas pessoas precisam ser mais incentivadas do que outras, são mais dependentes de apoio e auxílio, bem como necessitam de mais direcionamento do que outras. De maneira geral, a motivação é intrínseca, isto é, depende de cada pessoa. O indivíduo é que precisa buscar os seus objetivos e metas pessoais, fazendo de sua profissão o caminho para a melhoria de sua qualidade de vida e sucesso profissional. Por fim, temos como último fator de sucesso a área pessoal e profissional, que não pode ser negligenciada pelo profissional. É fun- damental que as pessoas se preparem e estejam sempre prontas para desempenhar funções na empresa em que atuam. Isso faz com que os profissionais devam estar sempre à procura de cursos, especializações e Recomendamos o artigo de Renata Barcelos Moreira dos Santos, da Fundação Dom Cabral, sobre como conduzir uma equipe vencedora. O trabalho elenca cinco elementos essenciais para a formação de times engajados e produtivos. Disponível em: https://exame. com/negocios/como-conduzir- uma-equipe-vencedora-segundo- expert-da-fundacao-dom-cabral/. Acesso em: 26 dez. 2022. Leitura https://exame.com/negocios/como-conduzir-uma-equipe-vencedora-segundo-expert-da-fundacao-dom-cabral/ https://exame.com/negocios/como-conduzir-uma-equipe-vencedora-segundo-expert-da-fundacao-dom-cabral/ https://exame.com/negocios/como-conduzir-uma-equipe-vencedora-segundo-expert-da-fundacao-dom-cabral/ https://exame.com/negocios/como-conduzir-uma-equipe-vencedora-segundo-expert-da-fundacao-dom-cabral/40 Gestão de equipes de alta performance mais conhecimento acerca de determinados temas. Os vendedores são o melhor exemplo de necessidade de especialização para o atendimento ao público. As vendas exigem conhecimento técnico, moda, modismo, ten- dências e necessidades dos clientes. É preciso ter uma visão ampliada da venda, desempenhando um papel de consultor dos produtos da empresa. A partir dessas reflexões, um profissional pode estruturar a sua carreira com base em suas experiências, conhecimento e adequação à realidade do mercado de trabalho. As empresas querem pessoas ca- pazes de propor soluções e alternativas para melhoria do desempe- nho e da lucratividade dos negócios. Os tempos exigem novas atitudes, proatividade e vontade de vencer com a empresa, não apenas buscar a realização pessoal, mas sim a de todos os integrantes da organização. 2.5 Equipes vencedoras Vídeo O trabalho em equipe é fundamental para o alcance dos resultados em qualquer tipo de empresa. Isso independe de sua estrutura organizacional ou modelo de gestão. Grande parte das empresas que investem em políti- cas que fomentam o trabalho em equipe obtém resultados satisfatórios em termos de desempenho. Os administradores, gestores e demais profissio- nais precisam interagir com outras pessoas para desenvolver ideias capazes de oxigenar a estratégia da empresa. Isso significa trabalhar com a diversi- dade de ideias e opiniões, formações e conhecimentos múltiplos. A figura a seguir apresenta claras diferenças entre grupos e equipes de trabalho. Figura 2 Comparação entre grupos e equipes de trabalho Grupos de trabalho • Compartilhar informações • Neutra (às vezes, negativa) • Individual • Aleatórias e variadas Equipes de trabalho • Desempenho coletivo • Positiva • Individual e mútua • Complementares Objetivo Sinergia Responsabilidade Habilidades Fonte: Robbins, 2005, p. 213. Gestão de equipes 41 Repare na figura anterior que nos grupos de trabalho ocorre um distanciamento, enquanto nas equipes ocorre a inter-relação, ou seja, a interação entre as pessoas. Diante disso, fica ainda mais evidente que as equipes de trabalho possuem mais condições de atingirem os seus re- sultados, por conta da sua forma de constituição e organização coletiva. Quadro 2 Tipos de equipes de trabalho Tipos de equipe Características Equipes de soluções de problemas São criadas para discutir e implementar soluções para pro- blemas existentes. Por outro lado, nem sempre conseguem implementar o que foi discutido e acordado. Seu papel é de buscar gerar possíveis soluções para diferentes problemas de ordem interna. Equipes de trabalho autogerenciadas São equipes que conseguem trabalhar por objetivos e metas e principalmente, estabelecer planejamentos de curto, médio e longo prazos. Assumem a responsabilidade de gestores e tomam decisões baseadas no consenso coletivo. Equipes multifuncionais São compostas por profissionais de mesmo nível hierárquico, porém de diferentes setores da empresa. De maneira geral, são profissionais multifuncionais, que buscam soluções con- juntas para a solução de problemas. Equipes virtuais Utilizam ferramentas de TICs como forma de unir e interagir com as pessoas em diferentes distâncias. A interação é feita pela internet, o que muitas vezes dificulta a aproximação das pessoas e cria um ambiente mais formal e pouco participativo. Fonte: Robbins, 2005, p. 214 Os estudos de Robbins (2005) serviram de base para que muitos gestores pudessem colocar em prática em suas organizações dife- rentes políticas de integração e gestão de pessoas. A sua divisão de equipes e a forma como conceitua a formação das equipes e a sua importância refletem o que muitas organizações vivenciam no dia a dia. Sem o avanço da internet, dificilmente as empresas conseguiriam ampliar as suas vendas e atingir grandes mercados em diferentes re- giões do mundo. O que chama a atenção é a forma como as pessoas interagem, criam ambientes favoráveis à produtividade e alcançam os objetivos definidos. No Quadro 2 é possível identificar a importância do papel das equi- pes autogerenciáveis. Os profissionais que nelas trabalham conse- guem atingir desempenhos acima da média pela constante interação e discussão de ideias e propostas. Cada pessoa dá a sua parcela de contribuição com base em seus conhecimentos e experiências da vida. 42 Gestão de equipes de alta performance De acordo com os estudos de Moscovici (2013, p. 70), “o relaciona- mento interpessoal pode tornar-se e manter-se harmonioso e prazero- so, permitindo trabalho em equipe, com integração de esforços”. Dessa forma, é gerada a sinergia entre as partes envolvidas, proporcionando alto rendimento e resultados mais próximos do ideal. Muitas organiza- ções erram em não permitir que as pessoas interajam ou participem ativamente das decisões internas, isso faz com que ocorra um distan- ciamento entre as ideias e a geração do consenso. Fazer com que as pessoas participem das decisões diminui a carga de atribuições dos gestores, ao mesmo tempo que amplia a condição de chegar a um con- senso sobre diferentes problemas existentes. De acordo com os estudos de Silva (2020), um gestor deve entender que as suas decisões devem sempre ser favoráveis à empresa e não so- mente à sua equipe de trabalho. Isso significa que o espírito de coletivida- de deve se sobrepor a qualquer possibilidade de individualismo dentro dos departamentos ou setores da empresa. As equipes vencedoras são aquelas que conseguem trabalhar em harmonia, superando as dificul- dades e minimizando qualquer tipo de conflito que possa surgir. Elas conseguem se autorregular, estabelecem regras claras e motivam umas às outras na busca de resultados práticos. Os estudos de Soares (2015) apontam para cinco estágios de desenvolvimento de equipes e do papel da liderança, que são: 1. Formação: o desenvolvimento de equipes é uma fase na qual muitos querem fazer parte, porém ainda há muita incerteza e insegurança sobre o que pode acontecer. Nela é preciso definir muito bem a estrutura de trabalho, as funções, os objetivos e as metas a serem alcançadas por todos da equipe. 2. Tormenta: neste estágio ocorrem os primeiros conflitos entre as pessoas, pois elas estão se conhecendo e entendendo o papel de cada um. É comum também que a desconfiança a respeito do sucesso ou não dos trabalhos seja uma constante, tendo em vista que o relacionamento interpessoal ainda esteja em fase de consolidação. 3. Normalização: estágio em que os relacionamentos estão mais estreitos, as pessoas mais confiantes, e os trabalhos em evolução. Isso faz com que a produtividade aumente, sobretudo ProStockStudio/Shutterstock Gestão de equipes 43 com relação a atividades que requerem interatividade. Dessa forma, buscar a normalização é um dos principais objetivos das equipes de trabalho. Certamente, a sincronia e o consenso são o que vai fazer com que atinjam grandes resultados ao longo do tempo. 4. Desempenho: trata-se dos resultados obtidos a partir do planejamento realizado e das metas atingidas. Aqui o ambiente é favorável, as pessoas estão integradas e os conflitos quase não existem mais. O desempenho passa a ser acima da média, pois a equipe é permanente e os trabalhos ganham ritmo. Cabe ao líder fazer apenas a mediação entre os problemas e buscar apoiar as soluções produzidas pelos integrantes da equipe. 5. Interrupção: significa o fim dos trabalhos e a possível dissolução da equipe. Nesta fase as pessoas já estão um pouco mais tristes, tendo em vista que haverá uma ruptura nos trabalhos e o distanciamento entre as pessoas. Nesse momento, os objetivos já foram alcançados e não há mais necessidade de continuidade das atividades. Logo, ocorre a realocação das pessoas em outras áreas da empresa. A compreensão dos cinco estágios de desenvolvimento de equipes possibilita a elaboração de estratégias assertivas e eficazes. Nesse sen- tido, cabe aos profissionais responsáveispor suas equipes possibilitar que o ambiente seja favorável à produtividade, inovação e criatividade. Assim, o que se espera são resultados melhores e metas cumpridas de acordo com o planejamento elaborado. As empresas estão buscando cada vez mais agregar pessoas em prol dos mesmos objetivos. Isso tudo devido à necessidade de respon- der prontamente às demandas do mercado. Conforme os estudos de Dyer, Dyer Jr. e Dyer (2006, p. 23): As equipes de alto desempenho são aquelas compostas de membros cujas habilidades, atitudes e competências lhes permi- tem atingir as metas da equipe. Em equipes de alto desempenho, os membros definem as metas, tomam decisões, comunicam-se, administram os conflitos e solucionam problemas em uma atmosfera de incentivo e confiança para atingir seus próprios objetivos. Além disso, os membros desta equipe estão cientes de suas próprias forças e fraquezas e têm a capacidade de mudar quando necessário para melhorar o desempenho do grupo. Segundo os trabalhos de Kops, Costa e Silva e Romero (2013), o tra- balho em equipe passou a ser muito valorizado pelas empresas, pois 44 Gestão de equipes de alta performance é preciso novos modelos de gestão que possibilitem melhores desem- penhos. Nessa perspectiva, o importante é fazer com que as pessoas produzam com qualidade e eficácia. As principais características das equipes com potencial de vencedores são: • Persistência: consiste em manter o foco e não desistir facilmente; • Empatia: saber se colocar no lugar dos outros; • Engajamento no trabalho: vestir a camisa e não esperar apenas por recompensas materiais; • Resiliência: adaptar-se às mudanças; • Solução de conflitos: saber resolver desavenças sem gerar outras; • Capacidade de arriscar: ter atitude, proatividade; • Visão de longo prazo: olhar adiante, pensar no amanhã; • Consenso e comprometimento: chegar a um acordo, doar-se mais aos propósitos da empresa; • Capacidade para dialogar: mente aberta para falar e ouvir. As equipes de trabalho correspondem a mais da metade da capaci- dade ativa de uma empresa, sobretudo a sua força de trabalho. Nesse sentido, o que as empresas devem fazer é justamente integrar cada vez mais os setores e departamentos, para que os trabalhos possam fluir com mais facilidade. Imagine, por exemplo, uma rede concessionária de veículos que possui várias lojas em uma mesma cidade. Ela apresenta várias pos- sibilidades de acesso aos seus veículos e certamente tem uma gama variada de clientes. Um exemplo de estratégia bem-sucedida é a si- nergia entre os seus vendedores e gerentes na abordagem e pros- pecção de clientes, na escolha do layout das lojas e nas promoções a serem realizadas. A partir disso, as pessoas passam a encarar o tra- balho como algo capaz de trazer benefícios futuros em sua carreira e buscar cada vez mais especialização em sua área. De acordo com Soares (2015), existem as chamadas equipes temporá- rias com características bem diferentes dos exemplos anteriores. Nesse processo, as pessoas trabalham com prazos bem definidos e voltadas a resultados imediatos. As pessoas que formam essa equipe geralmente possuem especialidades já pré-selecionadas de acordo com os requisitos das tarefas a serem executadas. Isso mostra que nem sempre o caráter das equipes prevê uma extensão dos relacionamentos e aprendizagem Gestão de equipes 45 organizacional. Por outro lado, essas equipes também são constituídas para serem vencedoras, sobretudo superar as expectativas. As pessoas que trabalham em equipes temporárias geralmente possuem alto conhecimento em determinadas áreas e conseguem ra- pidamente distribuir as tarefas e executar o que é solicitado. Para os gestores, torna-se uma tarefa ainda mais fácil, pelo fato de que cada um sabe exatamente o tempo que possui para a realização do seu tra- balho e como deve fazer para ser eficaz. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os estudos realizados nos mostraram a importância de uma eficiente gestão de equipes de trabalho. Por meio dela, as empresas podem ga- nhar em desempenho e produtividade. Também identificamos como as empresas organizam as suas equipes, sobretudo na escolha das pessoas que irão compor a equipe de acordo com os objetivos propostos. Ou- tro importante tópico discutido foi a formação da equipe de trabalho, em que cada indivíduo carrega as suas emoções, conhecimento, formação, valores, crenças, sentimentos, desejos e ambições. Esses fatores exercem forte influência na realização das atividades, bem como no consenso com relação aos temas discutidos. Por fim, abordamos as equipes autogerenciáveis, um conceito para lá de atual e necessário às organizações. As empresas que possuem equipes capazes de se autogerenciar, coordenar, dirigir ações e gerar resultados positivos certamente são vistas com um diferencial competitivo. Aliado a isso, discutimos e analisamos as principais características das equipes vencedoras no ambiente empresarial. ATIVIDADES Atividade 1 Em se tratando de gestão de equipes de trabalho dentro das empresas, é fundamental um alinhamento entre os gestores e os seus respectivos funcionários. Nesse sentido, o que se identifica é uma necessidade pertinente para que se elaborem políticas internas que possam potencializar as relações entre as pessoas e assim melhorar o desempenho de todos. Com base nessas informações, apresente pelo menos duas estratégias possíveis de serem executadas em uma empresa para proporcionar engajamento no trabalho e sinergia entre os setores e departamentos. 46 Gestão de equipes de alta performance Atividade 2 Nas relações entre funcionários e seus gestores é imprescindível que regras e condutas sejam bem definidas e aceitas por todos. Nesse sentido, é necessário que se desenvolvam políticas para for- mação de líderes que possam fazer com que as equipes trabalhem com muito mais eficácia. Com base nessas considerações, explique como as empresas podem desenvolver a liderança entre seu quadro de funcionários. Atividade 3 As equipes autogerenciáveis ganharam importância no cenário empresarial tendo em vista a necessidade de atender a grandes demandas do mercado consumidor. Por isso, é necessário fazer com que diferentes perfis e características possam trabalhar juntos em prol dos objetivos da empresa. Com base nessas considerações, explique resumidamente como os gestores podem fazer com que as equipes autogerenciáveis tenham sucesso em suas atividades. REFERÊNCIAS CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. DYER, W. G.; DYER JR., W. G.; DYER, J. H. Equipes que fazem a diferença (team building): estratégias comprovadas para desenvolver equipes de alta performance. São Paulo: Saraiva, 2006. ESCORSIN, A. P.; WALGER, C. Liderança e desenvolvimento de equipes. Curitiba: Intersaberes, 2017. KNAPIK, J. Gestão de pessoas e talentos. Curitiba: Intersaberes, 2012. KOPS, L. M.; COSTA E SILVA, S. F.; ROMERO, S. M. T. Gestão de pessoas: conceitos e estratégias. Curitiba: Interfaces, 2013. MOSCOVICI, S. Representações sociais: investigações em psicologia social. Petrópolis: Vozes, 2013. ROBBINS, S. P. Fundamento do comportamento individual. In: ROBBINS, S. P. Comportamento organizacional. 11. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. ROBBINS, S. P. Fundamentos do comportamento organizacional. 7. ed. São Paulo: Pearson, 2008. STADLER, A.; PAMPOLINI, C. P. G. Gestão de pessoas: ferramentas estratégicas de competitividade. Curitiba: Intersaberes, 2014. SILVA, C. C. da. Gestão de Pessoas e Equipes de Vendas. Curitiba: Contentus, 2020. SOARES, M. T. R. C. Liderança e desenvolvimento de equipes. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2015. Gestão do trabalho remoto 47 3 Gestão do trabalho remoto A pandemia do novo coronavírus trouxe consigo uma nova configuração do trabalho na grande maioria dos países do mundo. A privação do convívio com as pessoas no aspecto tanto pessoalquanto profissional, em virtude da propagação do vírus, fez com que medidas tivessem que ser tomadas para evitar o aumento do contágio e consequentemente do número de mortes. A partir daí, muitas empresas passaram a deixar seus funcionários trabalhando em home office (trabalho remoto), para que as atividades não fossem paralisadas em sua totalidade. Assim, apesar de já ser comum em alguns países desenvolvidos, como Estados Unidos – pioneiros nessa prática sobretudo pelo uso do telégra- fo, que exigia apenas uma tecnologia simples e poderia ser utilizado den- tro de casa –, essa realidade vem como novidade e ganha intensidade em ambientes empresariais como os brasileiros. O trabalho à distância, em suma, tornou necessária a adaptação das empresas para que se tirasse proveito do que há de melhor nessa prática. Os departamentos de recursos humanos (RH) passaram a adotar políticas que contemplam a prática do trabalho remoto, a fim de torná-lo estraté- gico para a realização dos trabalhos. A prática do home office é uma tendência que veio para ficar e que to- mou rapidamente o seu espaço, de maneira que as empresas que soube- ram lidar bem com a mudança conseguiram dar início a uma nova cultura. Os objetivos propostos neste capítulo visam mostrar como essa prática ganhou espaço e importância no ramo empresarial e como podemos lidar com seus desafios e particularidades. Com o estudo deste capítulo, você será capaz de: • entender o que é o trabalho remoto e como ele se caracteriza; • identificar os desafios do trabalho remoto; • conhecer as formas de engajar os trabalhadores no trabalho remoto; • entender como ocorrem as interações entre os colaboradores no trabalho remoto. Objetivos de aprendizagem 3.1 Trabalho remoto Vídeo O trabalho remoto ganhou grande repercussão no período da pandemia do novo coronavírus. A necessidade de manter a produtivi- dade sem comprometer a saúde das pessoas apresentou ao mundo uma nova forma de trabalho, capaz de manter os níveis de desem- penho em alta, mesmo com as pessoas umas longe das outras. Se- gundo Bellini et al. (2011), o home office, também conhecido como teletrabalho, tem benefícios que podem ser divididos em dois grupos: técnico-profissional e pessoal. Gomes (2007, p. 21) justifica a necessidade da presença de alternati- vas capazes de manter a dinâmica do trabalho em funcionamento, uma vez que “o atual processo de globalização, nesta era da informação, acelerado pela internet, tornou os mercados extremamente acirrados, com competitividade extrema, priorizando a rapidez, a eficiência, a efi- cácia, a qualidade e o menor custo”. Em outras palavras, o home office tornou-se uma tendência em nível mundial justamente porque é imprescindível manter a produ- tividade em alta. Nesse caso, as pessoas não podem deixar de tra- balhar apenas por estarem fora do ambiente físico da empresa. Os benefícios técnico-profissionais se dão na otimização da produção, de seu planejamento e na maior disponibilidade de tempo para as atividades de produção de relatórios e planos de ação, por exemplo (BELLINI et al., 2011). Já entre os benefícios pessoais, podemos elencar fatores relacionados à melhoria da qualidade de vida e à maior autono- mia no trabalho (BELLINI et al., 2011). Outro benefício destacado pelo autor se dá na redução de índices de licenças e faltas no trabalho. Ve ct or Sp ac e0 6/ Sh ut te rs to ck 4848 Gestão de equipes de alta performanceGestão de equipes de alta performance Gestão do trabalho remoto 49 O quadro a seguir apresenta algumas variações do conceito de home office e suas respectivas definições. Quadro 1 Definição de home office Tipos de home office Descrição Funcionário em seu domicílio Forma mais usual do home office. Pendular O funcionário trabalha na empresa e em casa. Escritório vizinhança Locais de trabalho oferecidos para vários funcioná- rios de várias empresas que moram próximos. Trabalho nômade Normalmente trabalhadores do setor comercial, que não ficam apenas em um local. Escritórios satélites São escritórios da empresa, para tratar de negócios fora da matriz central. Fonte: Haubrich; Froehlich, 2020, p. 169. Conforme vemos no Quadro 1, há diferentes formas de home office conceituadas na literatura. São maneiras de expressar a atividade ou, por assim dizer, caracterizá-la. No entanto, a literatura ainda não está consolidada sobre essa temática, mas busca mais informações e testes para definir o trabalho em home office. Outra questão é o fato de que, independentemente da maneira como se queira chamar ou caracterizar o home office, o mais importante é que as pessoas adotem metodologias capazes de garantir a produtividade. Recentemente, com o efeito provocado pela Pandemia de Covid-19, vimos a perspectiva de trabalho se voltar para o autogerenciamento, o que proporcionou a muitos profissionais estabelecer seu próprio estilo e rotina de trabalho. Cada profissional de maneira independente se viu obrigado a montar a sua rotina de atividades e ainda prestar contas ao seu gestor imediato. Segundo Boonen (2003), os profissionais que atuam no home office precisam buscar sua própria motivação e engajamento constante em suas tarefas. Logo, acabam fortalecendo ainda mais os laços com a em- presa onde trabalham, pelo fato de se doarem mais ao ofício, sobretudo nas tarefas diárias e que envolvem mais tempo para tomada de decisão. O profissional que busca a sua motivação tem expectativas elevadas para com o futuro dos negócios da empresa. Por parte dos gestores de re- cursos humanos, é necessário mapear o ambiente interno e verificar quais profissionais têm condições de atuar em sistema de home office, seja pelas necessidades familiares ou pela sua experiência e conhecimento técnico. De acordo com os trabalhos de Mello (2016), as principais vantagens para as empresas que adotam o sistema de trabalho home office são: crescimento na carreira sem ter que mexer na estrutura organizacio- nal; e diminuição dos gastos com equipamentos, materiais de escritó- rio, luz, água, alimentação e itens básicos. Por outro lado, por parte dos funcionários, a sensação de isolamen- to, falta de apoio e orientação, distanciamento, solidão, e a interferência dos problemas domésticos na realização das atividades profissionais são pontos negativos que podem afetar a produtividade individual (BOONEN, 2003; MELLO, 2016). Imagine uma fábrica de chocolates situada em uma capital brasilei- ra que atende todo o mercado latino-americano. A produção é alta, sua linha de produtos é variada e os preços são competitivos. Isso exige qualidade tanto nos processos produtivos quanto nas relações com o mercado consumidor para o sucesso das vendas. Portanto, é preciso que os funcionários sejam motivados pela gerência e acompanhados de perto para que se sintam satisfeitos, firmes em seus propósitos e objetivos, de modo que nada possa vir a atrapalhar o sucesso das ven- das e, em consequência, da lucratividade da empresa. Em se tratando das dificuldades enfrentadas pelos funcionários dentro das empresas em termos de relacionamento e dificuldades para desenvolver seu trabalho, as tecnologias de informação são essenciais para facilitar não apenas o trabalho das pessoas, mas a produtividade coletiva (MENDES; HASTENREITER FILHO; TELLECHEA, 2020). ea m es Bo t/ Sh ut te rs to ck 5050 Gestão de equipes de alta performanceGestão de equipes de alta performance Gestão do trabalho remoto 51 As tecnologias da informação e comunicação (TIC) foram decisivas: nas transformações na geração, processamento e transmissão da informa- ção, bem como para a instantaneidade no seu acesso e disseminação; na criação de redes informacionais; na diversificação das modalidades de conectividade; na desterritorialização das atividades e das conexões, as quais tiveram impacto sobre a redução da necessidade de mobilidade e culminaram na dispensabilidade do contato presencial em algumas atividades. (MENDES; HASTENREITERFILHO; TELLECHEA, 2020, p. 163) O fato é que as empresas passaram a compreender que o trabalho remoto se estabeleceu e que tende a ser cada vez mais presente nos próximos anos, tendo em vista que a redução de despesas para as em- presas acabou se destacando durante o período da pandemia. Muitas pessoas se sentiram bem por trabalhar em casa e ainda conseguir pro- duzir a contento, sendo que em alguns casos a família ainda acabava interagindo e participando da profissão do profissional. Diante desse contexto, vale a pena dar destaque ao papel do RH na articulação do trabalho remoto, no sentido de estar sempre presente para atender e tirar dúvidas por meio de chat, reuniões on-line ou troca de mensagens. Os profissionais entenderam que o trabalho remoto pode ser produtivo, pois cada um em seu ambiente pode dar o melhor de si. O incentivo a essa prática tende a ser a tônica para os próximos anos, e fa- zer disso uma rotina de aprendizagem organizacional passa a ser o maior desafio para os gestores. Cada departamento ou setor tem a obrigação de orientar os seus profissionais com relação à metodologia que pode ser adotada na resolução de problemas e propostas de melhoria. 3.2 Desafios do trabalho remoto Vídeo O trabalho remoto traz aos gestores alguns temores, como a segu- rança de dados e informações da empresa ou a dificuldade de acom- panhar o trabalho da equipe (HARA, 2011). Contudo, o maior desafio ainda está relacionado ao distanciamento das pessoas, isto é, à falta de interação no ambiente de trabalho, e à resistência de parte de algumas pessoas para com o trabalho remoto. Segundo Losekann e Mourão (2020), o cumprimento dos horários, a motivação para o trabalho, a falta de supervisão e a inteligência emo- cional são desafios aos profissionais que estão em home office, visto que estando em casa a distração e a ausência de regras claras a serem observadas podem comprometer o desempenho de cada indivíduo. Longe do ambiente físico da empresa fica mais difícil o controle das atividades a serem realizadas pelos funcionários. Nesse sentido, o esta- belecimento de mecanismos de controle passa a ser fundamental para que a produtividade não seja afetada. Assim, o profissional que está em home office não pode ficar alheio ao processo comunicacional da empresa, que se torna o elemento fun- damental da dinâmica do ambiente de trabalho por ser o responsável pela organização e pelo compartilhamento de informações. A troca de informações entre líder e liderado, equipes e gestores, é essencial no dia a dia de trabalho. A eficácia das ações é influenciada di- retamente pela fluidez das informações que chegam e saem diariamen- te das empresas. Quanto mais alinhados estiverem os departamentos e os setores, mais facilmente os processos podem ser executados com eficiência e eficácia. Outro desafio do home office é certamente a tecnologia, pois as pessoas podem sentir dificuldades com relação ao uso de softwares em reuniões, a treinamentos, exposições de conteúdos e apresenta- ções de projetos e tarefas, por exemplo. Essas pessoas, que antes bus- cavam apoio em seus colegadas de trabalho, agora em home office se veem forçadas a buscar ajuda em casa. Isso causou inconvenientes e estranheza em muitos casos, pelo fato de que a ausência de colegas de trabalho no mesmo ambiente faz com que muitos não consigam acessar plataformas de trabalho virtuais, estar em reuniões on-line etc. Há muito que ser feito em termos de inserção das pessoas nas tecnologias, pois as mais velhas ou com menos recursos geralmente possuem maior dificuldade em interagir com as ferramentas tecnológi- el en ab sl /S hu tte rs to ck el en ab sl /S hu tte rs to ck 5252 Gestão de equipes de alta performanceGestão de equipes de alta performance Gestão do trabalho remoto 53 cas mais recentes. Junto a isso, devemos considerar que cada vez mais o mercado de desenvolvimento de software se reinventa e apresenta novas soluções para as empresas, tornando fundamental o requisito de funcionários preparados e capacitados para fazer uso delas. Passa a ser necessário, então, criar um ambiente propício para o aprendizado organizacional de modo que as pessoas consigam replicar as melhores práticas e metodologias. O processo de aprendizagem deve ser constante e dar condições para que as pessoas construam metodologias e ações que possam po- tencializar o trabalho coletivo. Em uma empresa qualquer é necessário que os gestores, por exemplo, coloquem as pessoas mais jovens para trabalhar em projetos com as pessoas mais velhas. Isso pode significar um grande avanço no processo de amadure- cimento de um profissional com menos experiência ou ainda recém- -chegado na empresa. Outra possibilidade é a união de departamentos diferentes, trabalhando em prol de um mesmo projeto, como a relação entre o marketing e a logística em um departamento de vendas. De acordo com Robbins e Decenzo (2004), é preciso estabelecer critérios para a realização de um treinamento, de maneira que seja possível construir um projeto de desenvolvimento de pessoas. O investimento em treinamento é parte de toda e qualquer estratégia empresarial, especialmente para fazer frente às investidas da concorrên- cia. Quanto mais preparado estiver o profissional, mais apto a dar resul- tados positivos ele estará, e o RH tem a responsabilidade de dar suporte aos gestores de área a respeito das melhores formas de treinar e qua- lificar suas equipes e de como trabalhar pontos de melhoria. Em se tra- tando de home office, preparar os funcionários para o uso de softwares, links, aplicativos, entre outras possibilidades, é um dos caminhos para permitir a qualidade do desenvolvimento das tarefas. Após um diagnóstico acerca das necessidades do setor, inicia-se o planejamento de como deve ser o treinamento e os resultados es- perados. O diagnóstico pode ser feito por meio da aplicação de ferra- mentas como questionários. A partir dele, pode-se obter informações importantes, como: falta de equipamentos, demora na resolução de problemas, falta de recursos específicos do setor, conflitos, divergên- cias sobre a estratégia implementada. 54 Gestão de equipes de alta performance Com base nisso, o trabalho de monitoramento será fundamental para verificar o que houve ou não de melhorias. Esse monitoramen- to é feito por meio de indicadores de desempenho para avaliar os resultados em determinados períodos. Vale destacar a necessidade de manter as pessoas motivadas e focadas no que deve ser feito durante todo o processo. Com base na figura a seguir é possível entender a dinâmica do pro- cesso de treinamento que deve ser observada pelo gerente. Há necessidade de algum treinamento? Que deficiências, se há alguma, os funcionários têm em termos de habilidades, conhecimentos ou aptidões necessárias para apresentar os comportamentos essenciais e necessários ao cargo? Quais comportamentos são necessários para que cada funcionário complete os deveres de seu cargo? Quais são as metas estratégicas da organização? Que tarefas precisam ser completadas para se atingirem as metas organizacionais? Figura 1 Provisão de pessoal e administração de recursos humanos Fonte: Robbins; Decenzo, 2004, p. 131. A Figura 1 trata da reflexão feita sobre realizar ou não um processo de treinamento em uma empresa. Ela aponta alguns critérios a serem levantados com relação à necessidade de se criar um programa de trei- namento. A produtividade e o desempenho são certamente os primei- ros sinais a serem analisados em termos de proposta de treinamento. A diminuição da produtividade, das vendas e da motivação das pessoas em suas tarefas e o crescimento do conflito entre pessoas são alguns dos sinais mais evidentes de que é necessário se discutir a necessidade de um treinamento. Segundo Robbins e Decenzo (2004), outra consta- tação é que os gestores podem decidir investir ou não em treinamento em função da estrutura da empresa e da sua necessidadede evolução. Gestão do trabalho remoto 55 O fato de trabalhar em casa não dispensa o funcionário de partici- par de treinamentos e aperfeiçoamentos da empresa, pois o trabalho remoto veio com novas abordagens e formas de ver as coisas. Cabe a cada um de nós saber aproveitar as condições que se apresentam e fa- zer delas uma ponte para o nosso aperfeiçoamento profissional. Logo, “treinamento dos funcionários é uma experiência de aprendizagem no sentido de buscar uma mudança permanente nos funcionários” ( ROBBINS; DECENZO, 2004, p. 130). A tendência é que o treinamen- to para o home office se fortaleça, ou seja, torne-se cada vez mais necessário para contribuir com a execução das tarefas do dia a dia. Entre os principais desafios do home office nas empresas, Haubrich e Froehlich (2020) consideram: a falta de comprometimento; a indis- ciplina; a falta de contato com os demais; a cultura organizacional; e o modelo contratual. Segundo eles, esses pontos são mais presentes quando o assunto é home office e trazem consequências negativas para o desempenho individual e coletivo. As lideranças e suas equipes precisam, portanto, dialogar e encon- trar a melhor maneira de minimizar os impactos na produtividade e gerar sinergia em torno das ações. É preciso enfrentar os desafios e superar as barreiras, pois o que se vê ainda é muita resistência por parte das pessoas quanto ao uso de tecnologias e falta de disciplina com relação às atividades e à carga horária de trabalho. As empresas devem manter suas equipes produzindo em alta intensidade, logo dar condições favoráveis de trabalho aos seus funcionários é altamente es- tratégico e potencializador do desempenho coletivo. Um aspecto que chama a atenção ainda é o modelo contratual a ser estabelecido entre a empresa e o empregado. Na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) o home office é definido como “a prestação de servi- ços preponderantemente fora das dependências do empregador, com a utilização de tecnologias de informação e de comunicação que, por sua natureza, não se constituam como trabalho externo” (BRASIL, 1943). Isso mostra a necessidade de ampliar o diálogo sobre o que pode ou não ser feito durante esse período e como o trabalhador pode ter seus direitos preservados. As empresas buscam alinhar o trabalho con- forme as qualidades e habilidades de seus funcionários. Nesse sentido, aperfeiçoar as habilidades do quadro funcional, além de oferecer oportunidade de qualificação, é o melhor caminho para 56 Gestão de equipes de alta performance garantir que todos tenham igualdade de trabalho. O RH precisa estar determinado a fazer com que todos aprendam entre si e potencializem o aprendizado organizacional. A figura a seguir apresenta as características de uma organização de aprendizagem, destacando o projeto organizacional, o comparti- lhamento das informações, a liderança e a cultura organizacional. Por meio dela, é possível compreender como as empresas podem criar uma organização que aprende. Cultura organizacional • Fortes relacionamentos mútuos • Senso de comunidade • Atenção • Confiança Projeto organizacional • Sem fronteiras • Equipes • Emponderamento Liderança • Visão compartilhada • Colaboração Compartilhamento de informações • Aberto • Em tempo • Preciso A ORGANIZAÇÃO DE APRENDIZAGEM Figura 2 Características de uma organização de aprendizagem Fonte: Robbins; Decenzo, 2004, p. 113. Os membros de uma empresa devem colaborar entre si para que possam romper as eventuais barreiras existentes e executar as tarefas. Para isso é importante a troca e o compartilhamento das informações, a fim de que seja possível executar as tarefas do dia a dia. Desse modo, o compartilhamento das informações é caracterizado como aberto, em tempo e preciso. Aberto diz respeito à troca de in- formações sem barreiras, ou seja, democrática e direta entre os mem- bros das equipes e departamentos envolvidos. Em tempo significa que a informação deve chegar com brevidade, prontamente, para que não atrapalhe o andamento dos processos internos. E preciso significa que a execução das tarefas deve ser feita com exatidão e agilidade. Gestão do trabalho remoto 57 Outro aspecto é a liderança que precisa se fazer presente o tem- po todo para que as equipes de trabalho não percam o seu foco. Os líderes devem estar presentes em todas as etapas supervisionando e incentivando a todos. A visão compartilhada diz respeito à comunhão de objetivos e propósitos e à sinergia de ideias e opiniões. Com relação à colaboração, trata-se da necessidade de apoio mútuo para que as tarefas sejam executadas com eficiência e eficácia. A cultura organizacional também é necessária, a fim de que medi- das sejam tomadas para a implantação de uma política que possa am- pliar as relações internas da empresa, pois os setores e departamentos precisam estar alinhados em prol dos mesmos objetivos coletivos, in- dependentemente dos objetivos individuais definidos pelo gestor ime- diato. A cultura organizacional é essencial na condução dos negócios, pois reflete externamente valores, crenças e propósitos da empresa nos seus produtos e serviços. Ela é constituída de fortes relacionamentos mútuos, ou seja, valores, princípios e regras que regem todos e conduzem aos objetivos. Inclui-se nisso o senso de comunidade, que significa que a empresa deve ser vista como uma rede de pessoas conectadas e interdependentes. A atenção é outro elemento importante, pois é a necessidade de conhecer, respei- tar e seguir atentamente o que a cultura organizacional prega aos seus funcionários. Um terceiro elemento incluso na cultura organizacional é a relação de confiança, pois não há como ter sucesso em tarefas, projetos e objetivos sem a confiabilidade entre os pares. Por fim, o projeto organizacional diz respeito à maneira pela qual a gestão da empresa, junto a todas as suas equipes de trabalho, con- segue criar um cenário favorável à produtividade e ao desempenho de acordo com os objetivos traçados. Isso significa criar mecanismos de integração dos setores, departamentos, pessoas e ideias, em prol de um único objetivo: manter os padrões de qualidade dos produtos, ser- viços e processos internos. O projeto organizacional não tem fronteiras, ou seja, volta-se para a democratização do espaço e a liberdade para pensar, agir e fazer den- tro dos princípios estabelecidos e aceitos por todos, tendo a equipe como um elemento central da realização de todas as atividades e que precisa ser fortalecido e estimulado. Por fim, o emponderamento deve 58 Gestão de equipes de alta performance dar sentido ao trabalho de todos individual e coletivamente, por meio da emancipação dos funcionários com relação à tomada de decisões. Para Paiva (2019), a cultura organizacional pode ser analisada em três instâncias: cultura dominante; subculturas; e contraculturas. Pode- mos analisar essas três no quadro a seguir. Quadro 2 Instâncias de análise da cultura organizacional Instâncias Conceitos Cultura dominante Expressa os valores essenciais compartilhados pela maioria dos membros da organização. Subculturas Miniculturas dentro da organização, geralmente definidas por designações de departamento e separação geográfica. Contraculturas Miniculturas dentro da organização, cujos valores essenciais se opõem aos compartilhados pela maioria de seus membros. Fonte: Paiva, 2019, p. 157. A cultura dominante e as subculturas se sobressaem porque promo- vem o sentimento coletivo de pertencimento à instituição em que se tra- balha. Elas promovem a socialização e a coesão nos trabalhos, bem como a participação coletiva. São responsáveis pelo estímulo à criatividade e à mudança de comportamento de todos em função da internalização dos conceitos da cultura. Por outro lado, as contraculturas são responsáveis por dissipar as culturas da empresa. Estão presentes em todas as organi- zações e proporcionam a inovação e a criatividade. A cultura organizacional é intangível,isto é, só é percebida no dia a dia pelas atitudes das pessoas. Mesmo assim, ainda é passível de alterações naturais devido à dinâmica do mercado e das reações da empresa com as pessoas. A aproximação dos consumidores com os produtos e serviços da empresa faz com que a própria cultura seja mol- dada de tempos em tempos. Os desafios do home office passam por diferentes perspectivas, como família, gestão do tempo, tarefas de casa, insegurança, indefini- ção do horário do trabalho, queda na produtividade, menor visibilidade das situações, distrações e dificuldades no uso de tecnologias e ferra- mentas. A tecnologia sem dúvida alguma é um dos principais desafios que os funcionários enfrentam, justamente por aqueles que não esta- vam tão acostumados com isso no seu dia a dia. O uso de softwares para comunicação entre equipes, agendas vir- tuais, videochamadas e reuniões virtuais são alguns exemplos de que Gestão do trabalho remoto 59 é fundamental daqui em diante proporcionar treinamentos e capaci- tações das pessoas para com novas metodologias e ferramentas de trabalho, pois a evolução dos mercados exige das empresas pronta res- posta às principais demandas dos clientes e consumidores. Os gestores precisam a partir de agora oferecer treinamentos es- pecíficos aos seus funcionários no que se refere à utilização de ferra- mentas tecnológicas. Isso demanda tempo e conhecimento e pode ser estratégico para o futuro dos negócios da empresa, tendo em vista que a produtividade depende da qualidade do trabalho prestado. Quanto mais preparados os profissionais estiverem para o uso de ferramentas tecnológicas, melhor será o desempenho individual e coletivo. Diante disso, é necessário se adaptar, estar disposto a aprender novas ferramentas e metodologias de trabalho. Os funcionários de- vem se aperfeiçoar a cada dia em suas tarefas e aprender sempre mais. Ferramentas como o Trello foram muito utilizadas durante a pandemia, por serem facilitadores do gerenciamento de tarefas de uma empresa, por meio das quais podemos agrupar e distribuir tare- fas entre a equipe, tornando a gestão ágil e melhor ao longo do tempo (SOUZA JUNIOR; CUNHA, 2021). O uso de ferramentas durante a pandemia foi o que possibilitou que os trabalhos prosseguissem sem grandes prejuízos para as empre- sas, já que o isolamento social era necessário. Os gestores precisam entender que quanto mais houver opções de trabalho disponíveis ao funcionário que diversifiquem as formas de relação entre as pessoas ou que, no caso do trabalho remoto, venham a trazer benefícios para o desempenho, mais devem ser incorporadas na cultura da empresa. As reuniões remotas sem dúvida alguma foram a maior novidade dos últimos tempos no meio empresarial. Devido ao isolamento social exigido pela pandemia do coronavírus, as pessoas procuraram manter o ritmo de trabalho em suas casas e, nesse caso, as reuniões mantive- ram a rotina mesmo à distância. Ocorre que esse fenômeno ganhou proporções ainda maiores, pois até hoje as empresas fazem suas re- uniões à distância, muito por conta da disponibilidade de tempo dos funcionários da empresa. Pessoas que ficaram com sequelas da pan- demia, por exemplo, ainda que muitas coisas tenham voltado à sua normalidade, foram deixadas em home office por segurança. O Trello é um ferramenta muito útil no gerencia- mento de projetos, fluxos de trabalho e controle de tarefas. Trata-se de um sistema de gerenciamento considerado como um painel de controle digital, que utiliza como base a metodologia kanban, ferra- menta visual que controla os fluxos de produção. Saiba mais 60 Gestão de equipes de alta performance 3.3 Engajamento no trabalho Vídeo O engajamento no trabalho é possível quando as pessoas são orientadas a fazer suas tarefas conhecendo a sua importância para a estratégia da empresa. Durante a pandemia, muitas empresas não sa- biam como organizar o trabalho remoto, ao passo que outras foram muito mais inovadoras. “Para muitos, a vida pública e privada nunca estiveram tão entrelaçadas, famílias passaram a dividir em um mesmo ambiente as atividades de trabalho, escolares, domésticas e de lazer” (LOSEKANN; MOURÃO, 2020, p. 31-38). É o caso da XPM Bank, uma empresa de software bancário localiza- da no Centro Oeste brasileiro. Durante a pandemia, ela criou grupos de trabalho que se reuniam toda a semana sem qualquer prejuízo ao andamento das atividades. Cada equipe tinha acesso a outras áreas da empresa simultanea- mente e podia trocar informações como se estivesse na empresa visi- tando o setor. Os dados e informações eram discutidos entre gestores e equipes, sendo possível contactar com outras áreas de imediato, assim como abrir a discussão. Isso fez com que os trabalhos não parassem pela distância, con- tinuassem funcionando só que com a participação em tela maior. As pessoas se engajaram nas atividades de tal maneira que os trabalhos fluíram rápida e gradativamente. Aos poucos, as equipes foram se aproximando e compartilhando conhecimentos, habilidades e experiências que aperfeiçoaram os pro- cessos e deram agilidade aos negócios em curto período. Com isso, podemos perceber que para que as tarefas sejam cumpri- das com êxito e possibilitem retorno em desempenho para as empre- sas é necessário o engajamento de todos. Nesse sentido, quanto mais as pessoas souberem trabalhar em conjunto, mais o engajamento será atingido. Fazer com que as pessoas trabalhem juntas não é uma tarefa fácil, logo reunir as ideias diferentes em busca de consenso na resolu- ção dos problemas requer muita cautela. Cada indivíduo possui a sua motivação e os seus interesses den- tro de uma empresa. Nesse caso, problemas de relacionamento e principalmente motivação para o trabalho podem existir e afetar o Gestão do trabalho remoto 61 desempenho de todos. “É provável que a motivação diminua e o en- gajamento das pessoas nas atividades se perca, pois elas não teriam razões para tentar encontrar as melhores soluções” (SCHAUFELI; DIJKSTRA; VAZQUEZ, 2013, p. 41). Ainda com relação ao engajamento, Gramigna (2007, p. 210) considera necessário que a gestão: Estimule a cooperação e exija das pessoas – todos são responsá- veis pelo sucesso do grupo. Proponha regras de cooperação para a equipe e estimule a aná- lise crítica para a superação dos conflitos. Trabalhe a máxima “participar é ser responsável”, desempenhan- do bem seu papel no grupo. Abra espaços para o novo: modificar-se e deixar-se modificar nos enriquece. Utilize a empatia, coloque-se no lugar do outro – isso facilita as relações. Dê e receba feedbacks: a consciência crítica de todos melhora com o uso responsável e respeitoso desse recurso. Isso mostra a necessidade de uma mudança de perspectiva por par- te das pessoas em trabalhar em conjunto. O engajamento só consegue se fazer presente se as pessoas estiverem imbuídas do sentimento de mudança, isto é, quererem efetivamente unir esforços para atingir os objetivos estratégicos. Sendo assim, o que se prevê daqui em diante são as empresas investindo cada vez mais em fortalecer o ambiente interno e fazer com que as pessoas consigam interagir dentro ou até mesmo fora da empresa. Cabe aos líderes, gestores e demais profis- sionais a responsabilidade pela manutenção do desempenho coleti- vo e individual, pois estão diretamente relacionados à eficiência dos processos e consequentemente dos resultados. Uma empresa que fomenta o engajamento tem muito mais possibi- lidades de resolver seus problemas com facilidade, pois as pessoas es- tarão mais dedicadas às tarefas e com sentimento de pertencimento à organização. O desempenho tem relação direta com o sentimento das pessoas para com o seu emprego, ou seja, o quanto elas representam para a organização que atua. O Quadro 3 apresenta uma visão ampla e abrangente a res- peito das exigências e dos recursos de trabalho que, na visão de Dessbesell et al. (2017), correspondem aos movimentos que a gestão precisa fazer paradar suporte à empresa. A partir desses recursos, é considerado possível de se aumentar a produtividade e o desempenho 62 Gestão de equipes de alta performance de todas as áreas da empresa. É preciso coordenação, direção e controle de todos os processos para se identificar qual ou quais recursos poten- cializam o trabalho coletivo. Já discutimos que os mercados são instá- veis, dinâmicos e concorridos, sendo que as decisões dos consumidores sofrem influências constantes no dia a dia. Dessa forma, o primeiro a se movimentar certamente terá mais chances de se sobressair no atendi- mento à demanda. Acompanhe no quadro a seguir uma visão geral a respeito das fontes de estresse e dos recursos externos e internos. Quadro 3 Visão geral sobre exigências e recursos de trabalho Fontes de estresse Recursos potencializadores do engajamento Recursos internos de trabalho Exigência do trabalho Recursos externos de trabalho Recursos internos de trabalho • Pressão por prazos curtos e eleva- ção da quantidade de trabalho. • Liberdade para definir como e quando trabalhar (autonomia). • Otimismo. • Horas extras. • Suporte psicossocial dos colegas. • Resiliência. • Exigências emocionais (alunos pro- blemáticos, chefes ausentes, nego- ciação com clientes difíceis). • Feedback construtivo. • Estratégias ativas de coping. • Atividades que exigem esforço físico. • Bom relacionamento com seu ges- tor direto. • Autoeficácia. • Exigências intelectuais tais como: tomada de decisão que envolve elementos diversificados ou ativi- dades com elevada necessidade de memorização. • Oportunidade para se desenvolver profissionalmente na organização. • Extroversão. • Conflito entre as demandas de tra- balho e a vida pessoal. • Bom ambiente de trabalho. • Estabilidade emocional. • Insegurança no trabalho. • Valorização. • Autoestima. • Conflitos interpessoais no trabalho. • Espírito de equipe. • Atitude proativa e iniciativa pessoal. • Conflito de papéis, tais como lidar com tarefas contraditórias, informa- ções ambíguas ou atividades diver- sas compatíveis com seu trabalho. • Diversidade de tarefas. • Flexibilidade e adaptação. • Ambiguidade de papéis, quando as expectativas não estão claras. • Papel claramente estabelecido. • Assertividade. • Rotinas de trabalho. • Participação nas decisões. • Crença de quem tem controle sobre seu futuro (lócus interno de controle). • Oportunidade de carreira. • Responsabilidade no trabalho. Fonte: Dessbesell et al., 2017, p. 3. Gestão do trabalho remoto 63 Com base no Quadro 3, os gestores podem elaborar estratégias capa- zes de ampliar a participação coletiva por meio da identificação dos prin- cipais recursos que podem potencializar o engajamento no trabalho. As fontes de estresse devem ser acompanhadas de perto, pois influenciam diretamente as atividades diárias e a motivação das equipes de trabalho. É necessário minimizar ao máximo as fontes de estresse, mesmo sa- bendo das dificuldades em controlar o ambiente o tempo todo. Compete aos líderes e gestores estarem lado a lado com seus funcionários para que identifiquem prontamente os focos de problema. Ao engajar as pessoas, estamos mostrando a elas que são capazes de transformar a empresa e um ambiente melhor para se trabalhar e que elas são parte vital do suces- so coletivo. Não existe empresa sem pessoas, nem estratégia sem quem a coloque em prática. O que se espera é uma união de esforços visando alcançar aquilo que se procura em termos de resultados de mercado. Quanto melhor for a seleção das pessoas que irão compor a equipe de trabalho, mais fácil será o seu processo de adaptação e produção de resultados. Os gestores devem conhecer muito bem os seus colaborado- res, a ponto de poderem com assertividade indicar pessoas para compor equipes de projeto, por exemplo. Maxwell (2007) apresenta quatro itens a respeito das equipes vence- doras: sacrifício; compromisso; desenvolvimento pessoal; e abnegação. O sacrifício diz respeito ao comprometimento total das pessoas da equipe. O compromisso é a maneira pela qual as pessoas superam os obstáculos que se apresentam. O desenvolvimento pessoal relaciona-se à qualifica- ção e preparação constante das pessoas. A abnegação, por fim, diz res- peito a deixar o aspecto individual de lado em prol do interesse coletivo. Portanto, é preciso saber organizar as pessoas de maneira que elas consigam render o máximo possível em alto nível, aprendendo e ensi- nando ao mesmo tempo. A produtividade das equipes está relaciona- da à maneira pela qual as pessoas interagem e conseguem realizar as suas tarefas no tempo determinado. Ainda sobre desempenho, para Dyer, Dyer Jr. e Dyer (2011): As equipes de alto desempenho são aquelas compostas de mem- bros cujas habilidades, atitudes e competências lhes permitem atingir as metas da equipe. Em equipes de alto desempenho, os membros definem as metas, tomam decisões, comunicam-se, administram os conflitos e solucionam problemas em uma atmos- fera de incentivo e confiança para atingir seus próprios objetivos. O livro Liderando para alta performance apresenta abordagens importantes a respeito da liderança de alta performance, passan- do por aspectos como: papel do líder, formas de liderança, estilos de líder, motivação de pessoas e formação de equipes de alta performance. MANDELLI, P.; LORIGGIO, A. Petrópolis: Vozes, 2017. Livro 64 Gestão de equipes de alta performance Trabalhar em equipe não significa necessariamente sucesso nos pro- pósitos. Pelo contrário, se não houver empatia, engajamento e foco no resultado, dificilmente uma equipe fará sucesso em seus objetivos. Se- gundo Tonet et al. (2009), as condições do ambiente, somadas à falta de infraestrutura, podem culminar no fracasso das equipes de trabalho. Isso significa que a empresa precisa fornecer as ferramentas necessá- rias para o desenvolvimento das atividades. De acordo com Blanchard, Carew e Carew (2011), as equipes de alto desempenho são reconhecidas por: propósito; empoderamento; relacionamentos e comunicação; flexi- bilidade; ótimo desempenho; reconhecimento e apreço; e moral. O propósito relaciona-se com o senso de direção, algo pelo que se trabalhar e lutar todos os dias. O empoderamento diz respeito a ter controle sobre si mesmo e suas ações. Sobre relacionamentos e co- municação, é preciso garantir que as pessoas convivam em harmonia e busquem o consenso nas decisões. Com relação à flexibilidade, trata-se da necessidade de reduzir a burocracia e acelerar o processo decisório. Sobre o ótimo desempenho, é o mínimo que se espera de uma equi- pe de trabalho para dar conta das suas tarefas. O reconhecimento diz respeito à forma pela qual os gestores devem proceder com relação à sua equipe, enaltecendo as ações e parabenizando os feitos. Por fim, a moral está atrelada ao estado de espírito sempre elevado e confiante. A partir dessas reflexões, conseguimos entender que é preciso de- senvolver as habilidades e competências de cada indivíduo, a fim de unir todas as experiências, conhecimentos, habilidades e atitudes para que busque soluções para os problemas existentes. De nada adianta apenas um setor ou departamento da empresa estar devidamente pre- parado se os demais estão à margem, ou seja, longe do ideal. 3.4 Integração no trabalho remoto Vídeo Quando falamos de integração no trabalho remoto, temos que vol- tar a discussão para a manutenção do ritmo de trabalho e da integra- ção das pessoas mesmo estando à distância. Saber fazer com que a comunicação flua com eficácia não é tarefa fácil. Diante disso, cabe aos profissionais alinharem os fluxos comunicacionais para permitir que todos tenham acesso aos dados e às informações de modo simultâneo. A integração só é possível quando há empatia e consenso entre as pessoas. Ter empatia é uma das principais condições para que as pessoas apoiem umas às outras, mesmo em ambientes diferentes. En- tender o que se passa emoutro setor ou departamento é essencial para cumprir metas e objetivos sem passar por cima dos interesses co- letivos. À medida que as pessoas entendem as dificuldades dos outros, fica mais fácil colaborar. A colaboração é fundamental para que todos superem os problemas e melhorem o desempenho. Quadro 4 Seis hábitos de pessoas extremamente empáticas Hábito 1 – acionar seu cérebro empático Mudar nossas estruturas mentais para reconhecer que a empatia está no cerne da natureza humana e pode ser expandida ao longo da vida. Hábito 2 – dar o salto imaginativo Fazer um esforço consciente para se colocar no lu- gar de outras pessoas – inclusive, no lugar de nossos inimigos – e reconhecer sua humanidade, sua indivi- dualidade e suas perspectivas. Hábito 3 – buscar aventuras experienciais Explorar vidas e culturas diferentes das nossas por meio da imersão direta, da viagem empática e da cooperação social. Hábito 4 – praticar a arte da conversão Incentivar a curiosidade por estranhos e a escuta ra- dical e tirar nossas máscaras emocionais. Hábito 5 – viajar em sua poltrona Transportamo-nos para as mentes de outras pessoas com a ajuda da arte, da literatura e do cinema. Hábito 6 – inspirar uma revolução Gerar empatia em uma escala de massa para promo- ver mudança social e estender nossas habilidades empáticas para abraçar a natureza. Fonte: Krznaric, 2015, p. 28. Conforme podemos analisar no quadro anterior, a empatia nada mais é que uma habilidade que pode ser desenvolvida com o tempo. Até mesmo uma pessoa que não seja muito empática pode desenvol- ver essa habilidade. Basta ver as pessoas que trabalham à sua volta e tentar compreender as dificuldades alheias. Cada um de nós possui seus objetivos pessoais e profissionais, logo é comum que em muitos casos deixemos de lado os interesses dos outros. Isso faz com que disputas internas ocorram e conflitos surjam no decorrer do tempo. Portanto, desenvolver nas pessoas a empatia pode soar estranho em um primeiro momento, porém necessário. As pessoas costumam se distan- ciar uma das outras em um ritmo de competição desenfreada. Em alguns casos, intrigas, conflitos e ST.art/Shutterstock Gestão do trabalho remotoGestão do trabalho remoto 6565 66 Gestão de equipes de alta performance ressentimentos acabam tomando conta do ambiente e prejudicando to- dos. A improdutividade muitas vezes está associada à falta de interação ou a relacionamentos tóxicos e rivalizados dentro da empresa. Assim, quanto melhor o clima organizacional e a qualidade das relações, mais facilmente as coisas melhoram no ambiente empresarial. O que dificulta muito a integração das pessoas no ambiente de tra- balho são as diferentes formas de resistência. O ser humano costuma ser receoso quanto a mudanças, não aceitando muitas vezes novas condições de trabalho, uso de tecnologias ou novas formas de reali- zar os processos. Portanto, é necessário que a resistência seja quebra- da, ou seja, minimizada para não haver interferência no andamento dos processos internos da empresa e na forma como os negócios são conduzidos. O quadro a seguir trata das principais barreiras existentes com relação às mudanças dentro das empresas e que influenciam de maneira direta o desempenho das pessoas e os resultados auferidos. Quadro 5 Principais fontes de resistência à mudança Fontes de resistência individual Fontes de resistência organizacional Hábitos: os hábitos ou respostas programadas que temos podem ser abalados quando se deparam com mudanças. Inércia estrutural: as organizações têm mecanismos internos que produzem estabilidade, o que se torna um fator de resistência à mudança. Segurança: pessoas com elevada necessidade de se- gurança tendem a resistir à mudança quando se sen- tem ameaçadas. Foco limitado de mudança: como são formadas por di- versos subsistemas, as organizações não podem realizar mudanças em um desses subsistemas sem considerar os impactos nos demais. Fatores econômicos: principalmente quando a remu- neração é vinculada à produtividade, as pessoas podem ter medo de, após as mudanças, não atingirem o mesmo desempenho de antes. Inércia de grupos: muitas vezes as normas criadas pelos grupos as impedem de mudar, mesmo que eles queiram. Medo do desconhecido: a mudança traz incertezas e ambiguidades que fogem do comum e do cotidiano. Ameaça à especialização: mudanças nos padrões or- ganizacionais podem ameaçar a exclusividade de gru- pos especializados. Processamento seletivo de informações: as pessoas processam seletivamente as informações e podem ouvir apenas o que querem, ignorando informações que po- dem afetar seu mundo. Ameaça às relações de poder estabelecidas: em ca- sos de redistribuição de autoridades, esse processo pode ameaçar as relações de poder existentes. Ameaça às alocações de recursos estabelecidas: os grupos que controlam recursos consideráveis podem ver a mudança como ameaça, já que pode haver novas for- mas de distribuir recursos existentes. Fonte: Czajkowski; Müller; Oliveira, 2020, p. 234. Gestão do trabalho remoto 67 O quadro anterior apresenta de maneira objetiva as principais fon- tes de resistência individuais e organizacionais, que são responsáveis pela baixa produtividade, resistência às mudanças, falta de empenho e resultados abaixo do esperado. Diante disso, é essencial que haja um controle e monitoramento constante das equipes de trabalho, bem como de setores e departamentos da empresa no intuito de minimizar as possíveis interferências no ambiente interno. Com base nas informações apresentadas no quadro anterior, vemos que a resistência à mudança pode ocorrer em diferentes perspectivas e condições, o que faz com que tenha que ser minimizada ao máximo. As fontes de resistência estão presentes dentro das empresas e trazem con- sequências graves ao aprendizado organizacional e ao avanço de ideias e novos projetos. O desafio está em justamente romper com as fontes individuais e simultaneamente as organizacionais. Cabe aos gestores e suas equipes discutirem o que pode ser feito em termos de melhorias e estimularem todos que tenham uma visão holística, ou seja, do todo da empresa e do futuro que ela projeta. Inserir as pessoas nesse contexto é um grande desafio que pode ser superado com a união de todos. CONSIDERAÇÕES FINAIS Como pudemos ver o home office veio para ficar na rotina das pessoas. A maioria das empresas já entendeu ser necessário possibilitar que os seus funcionários produzam da melhor forma possível, nem que para isso tenham que trabalhar em regime de trabalho remoto. Seja por motivos de saúde, distância e necessidades particulares, seja por opção dos funcionários, a modalidade surge como uma boa alternativa para manter o nível de produtividade em alta. Algumas resistências são notadas no trabalho remoto, como a falta de fiscalização, a motivação para o cumprimento de tarefas, a internet de boa qualidade, o local adequado, a presença de familiares no mesmo local onde trabalha, entre outras. Daqui para a frente, as empresas precisam saber colaborar ainda mais para permitir que as pessoas realizem o seu trabalho remotamente, sem perder a qualidade e a eficácia das atividades. Do contrário, correm o risco de se perder em termos de controle, conteúdo e motivação dos funcioná- rios ao longo do tempo. 68 Gestão de equipes de alta performance ATIVIDADES Atividade 1 O trabalho remoto veio para ficar e ainda há muita coisa para ser discutida e colocada em prática nas empresas. Nesse sentido, os gestores e demais profissionais precisam buscar ampliar as possibilidades do trabalho remoto para outras áreas da empresa, fazendo com que a produtividade não seja afetada. É um caminho sem volta, e as pessoas devem estar aptas a manter sua rotina de trabalho com eficiência e eficácia. Com base nos estudos feitos, explique de que forma a empresa pode contribuir para o avanço do trabalho remoto sem prejudicar o desempenho dos seus funcionários.Atividade 2 Toda nova tecnologia ou metodologia de trabalho implantada em uma organização é motivo de resistência por parte dos funcio- nários no começo. Por outro lado, é necessário elaborar políticas internas que favoreçam o aprendizado de metodologias e o uso de softwares e evitem a baixa motivação e produtividade. Com base nessas considerações, aponte duas possíveis estratégias que a gestão da empresa pode adotar para minimizar os desafios do trabalho remoto. Atividade 3 Para que os trabalhos da empresa possam fluir com naturalidade e de maneira eficiente, é preciso que as pessoas estejam motivadas e engajadas. As tarefas do dia a dia muitas vezes são repetitivas e acabam causando cansaço e falta de motivação nas pessoas. Logo, trabalhar o engajamento no trabalho passa a ser mais que estraté- gico, e sim fundamental para o bom desempenho das tarefas. Com base nessas considerações, explique e cite dois exemplos de como é possível gerar mais engajamento no trabalho dentro das empresas. REFERÊNCIAS BELLINI, C. G. P. et al. 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Tudo isso é essencial para que se possa ter sucesso e atingir uma alta performance. Diante disso, é fundamental que os gestores saibam como identificar talentos, fortalecer as equipes e dar oportunidade para que todos possam se desenvolver, de maneira que o trabalho possa ser potencializado. A si- nergia ajuda na manutenção de um clima propício à mudança e mantém um nível de controle das tarefas de todos. Uma organização que possui profissionais trabalhando em sinergia e com conhecimento profundo de suas responsabilidades e deveres certamente terá grandes chances de atingir com excelência os seus objetivos. Neste capítulo estudaremos a importância da liderança e as suas prin- cipais características; a avaliação do processo comunicacional dentro da empresa, assim como as principais formas de integração entre as equipes de trabalho; e o surgimento do líder dentro das empresas, o que precisa ser compreendido por todos, pois pode significar um processo coletivo de aprendizagem organizacional. Com o estudo deste capítulo, você será capaz de: • identificar as características, os tipos e estilos de liderança; • entender a necessidade da formação da liderança; • avaliar a importância do processo de comunicação na gestão de equipes; • conhecer estratégias de comunicação para melhorar a integra- ção das equipes. Objetivos de aprendizagem Liderança e trabalho integrado 71 4.1 Características e tipos de liderança nas empresas Vídeo A liderança é um dos pontos fortes de uma empresa. Por meio dela, muitas mudanças podem ser conduzidas; negócios, fechados; e pes- soas, motivadas a perseguir os mesmos objetivos. O líder é uma figura necessária em todo e qualquer ambiente e independe de formação ou qualificação. Ao longo da história, vimos muitos líderes que surgiram e marcaram época em diferentes países, contextos e situações. Para que uma equipe atinja seus objetivos, é necessário foco, com- prometimento e responsabilidade de todos, sendo a figura do líder uma peça fundamental para a organização dos trabalhos, a distribuição de tarefas e o equilíbrio das relações. Segundo Di Nizo (2013), a figura da liderança remete à maneira pela qual esse líder se formou pessoal e profissionalmente, bem como aos seus valores pessoais e de gestão. Podemos dizer que isso denota uma importância da ética na profis- são compartilhada entre todos os profissionais envolvidos na empresa. Em se tratando de líderes, no entanto, isso fica ainda mais evidente e será cobrado por todosdentro da empresa mais cedo ou mais tarde. De acordo com Tejada (2013), os líderes, ao gerenciarem processos e fazerem parte das adaptações da equipe (muitas vezes exigidas pelo mercado), acabam sendo agentes de mudança na empresa. O que podemos constatar é que o papel do líder é, sem dúvida alguma, fundamental para a sobrevivência dos trabalhos em equipe na empresa, pois a falta de alguém capaz de conduzir as pessoas em busca de propósitos pode causar grandes problemas no desempe- nho e na performance, bem como afetar as relações dos produtos e serviços para com o mercado consumidor. Por isso, a busca por esses resultados não é somente carac- terística da liderança, mas um critério de sua avaliação, porque, com a liderança, espera-se a maximização dos resultados de uma equipe (TEJADA, 2013). No cenário competitivo em que vivemos, as empre- sas precisam adotar posições estratégicas ca- pazes de diferenciá-las da concorrência. Isso implica desenvolver projetos de produtos ou apresentar propostas de serviços que possam Ily af s/ Sh ut te rs to ck Ily af s/ Sh ut te rs to ck 72 Gestão de equipes de alta performance atrair a atenção dos clientes. Essa dinâmica se reflete dentro da empre- sa em forma de estresse, competição entre setores e departamentos, conflitos, disputa por mais recursos, cobrança por mais apoio e partici- pação da alta gestão, etc. O fato é que a instabilidade dos mercados em que as empresas operam interfere diretamente nas relações internas que precisam ser mediadas pela figura do líder. A matriz da figura a seguir foi desenvolvida por Jack Welch, executivo americano famoso por suas consultorias em empresas como a General Eletric entre os anos de 1960 e 2001. A matriz apresenta um processo que envolve atitude, comportamento e estilo das pessoas e comporta- mentos previstos. Repare que, quando o profissional não consegue dar uma resposta condizente com a sua função ou atividade, ele pode ser desligado da empresa. Figura 1 Exemplo de matriz de performance Al ca nç a os re su lta do s co m bi na do s Age de acordo com os valores + + +- - - - - - TIPO 4 (“Aquele tipo que sorri para cima e chuta para baixo”) Demitir TIPO 3 (“Sem resultados e sem atitude”) Demitir TIPO 1 (“Resultados e atitudes OK”) Reconhecer, recompensar, promover TIPO 2 (“Atitudes OK, mas resultados ruins”) Dar uma segunda chance + + + Fonte: Biazzi, 2019, p. 142. A matriz de performance apresenta atitudes e comportamentos manifestados pelas pessoas na empresa. O tipo 1 se caracteriza por re- conhecer, recompensar e promover, o que é essencial na dinâmica de Liderança e trabalho integrado 73 uma empresa para a satisfação e motivação dos funcionários. O tipo 2 prevê uma segunda chance, isto é, uma nova oportunidade para que as pessoas possam se redimir e tentar novamente. O tipo 3 considera a postura de um profissional que não cumpre com os seus objetivos e não dá resultados, ou seja, a demissão é o caminho e não há outra opção. Por fim, o tipo 4 é aquele que sorri para muitos, mas pouco produz ou entrega para empresa, tendo como consequência também a demissão. Diante da matriz, o que fica evidenciado é que o profissional deve sempre estar à frente de seu tempo, isto é, de suas ações, assim como deve estar consciente daquilo que ele precisa fazer, das suas respon- sabilidades e dos compromissos com a empresa. Do contrário, o único caminho à frente é o de perda de espaço e, consequentemente, do seu cargo e de funções. As empresas estão atentas ao mercado de traba- lho, sempre em busca de novos talentos e pessoas com capacidade de liderar e motivar as outras. Dessa forma, quanto mais bem preparado estiver um gestor, líder e profissional, melhores serão as suas chances de obter grandes posições dentro e fora da empresa. Os estudos de Biazzi (2019) discorrem a respeito do diagrama do ciclo de gestão de talentos. Por meio desse ciclo, é possível identifi- car diferentes etapas do processo de gestão de pessoas. Entre elas, destacamos engajar, comunicar e reter, que tem relação direta com os talentos da empresa e a formação de pessoas. O ciclo da gestão é responsável por dar aos gestores uma grande noção de que somente, e tão somente, por meio da formação das pessoas, do aprendizado organizacional e da retenção de talentos uma empresa consegue me- lhores desempenhos no presente e no futuro. Aspectos importantes do diagrama com certeza são a capacitação e o desenvolvimento. Empresas que investem profundamente na ca- pacitação de seu quadro pessoal obtêm vantagem competitiva frente às demais empresas que operam no mesmo setor. Por conta da quali- ficação das pessoas, gera-se um processo contínuo de aprendizagem que culmina em desempenhos acima da média, assim como em um diferencial competitivo superior a todas as demais empresas. A se- guir, vejamos o diagrama elaborado por Biazzi (2019), que apresenta o ciclo completo da gestão de pessoas. 74 Gestão de equipes de alta performance Figura 2 Diagrama do ciclo de gestão de talentos Ciclo de gestão de talentos Identificar, atrair, contratar e integrar Atribuir, recompensar e reconhecer Gerenciar desempenho e alinhamento Capacitar e desenvolver Engajar, comunicar e reter Planejar e administrar a sucessão Conduzir transição e recontratação Fonte: Biazzi, 2019, p. 146. O ciclo está em constante evolução, sendo que ele deve ser me- lhorado e aperfeiçoado a cada etapa. O fato de estarmos em uma po- sição de comando dentro da empresa faz com que possamos refletir mais acerca do nosso papel, da nossa tarefa. Assim, o que se espera é maior interação entre os colegas, desempenho na realização das tarefas, melhoria dos processos internos e fortalecimento dos pontos fortes da empresa. Nesse sentido, políticas internas precisam ser ela- boradas para garantir que as pessoas cresçam dentro da empresa e contribuam diretamente para a melhoria das vendas de produtos ou da prestação de serviços. A empresa precisa interagir com o ambiente externo todos os dias, logo sua imagem e marca estão presentes na mente das pessoas. Os gestores elaboram estratégias visando garantir as vendas dos seus produtos e serviços, assim como obter cada vez mais lucratividade em seus negócios. Sendo assim, o papel dos líderes se torna ainda mais importante por eles estarem à frente das equipes de trabalho, incenti- vando, dando apoio e orientação a todos que precisam. Liderança e trabalho integrado 75 4.1.1 Tipos de liderança As discussões em torno do líder e de suas características ganharam cada vez mais espaço nos últimos tempos, não apenas por se tratar de um trabalho interno que visa melhorar o desempenho de todos, mas certamente por proporcionar benefícios em curto, médio e longo pra- zos. A liderança ainda é tratada como um mito dentro das empresas, sobretudo pela dificuldade em formar novos líderes e capacitar pes- soas para que exerçam função de comando e gestão. É comum também que as empresas tratem os líderes como profissionais caros, que requerem tratamento diferenciado, e isso não é verdade. O líder é alguém capaz de conduzir as pessoas pelo exemplo, pela atitude e pelo conhecimento. Logo, é um profissional que pode sair de qualquer equipe ou departamento da empresa. Podemos elencar dois tipos de liderança que se re- lacionam diretamente às atitudes e ao desempenho dos líde- res: a liderança carismática e a liderança transacional, consideradas presentes há muito tempo no ambiente organizacional, pois são refle- xos da industrialização e mecanização das empresas. A liderança carismática é considerada aquela que inspira e motiva os liderados a seguir alguém por conta do poder de persuasão e ca- risma de uma pessoa. A autoconfiança do líder é que faz com que ele tenha condições de ser uma referência para os demais profissionais da empresa. Por outro lado, uma das grandes críticas ao modelo de liderança carismática é o fato de que, muitasvezes, a pessoa do líder acaba por ficar extremamente egocêntrica, ou seja, insensível ao com- portamento das outras pessoas. Na liderança transacional, o líder se utiliza de ameaças ou recom- pensas aos seus subordinados para que eles façam as suas tarefas. Por meio de conversas individuais ou coletivas, acaba persuadindo as pes- soas a fazer o que se quer sob pena de exclusão ou punição severa. É um tipo de liderança que se sustenta apenas pelo medo e pela insegurança. Outros tipos de liderança também se destacam, entre as quais: li- derança liberal e liderança situacional. A liderança chamada de liberal é ea m es Bo t/ Sh ut te rs to ck 76 Gestão de equipes de alta performance aquela que prevê mais autonomia e liberdade, capacita os membros da equipe por proporcionar a eles mais participação nas decisões, possibi- lita mais conhecimento dos processos da empresa. Já a liderança situa- cional é aquela em que o líder surge conforme o contexto e a situação, ou seja, uma liderança mais reativa frente às necessidades que surgem. 4.1.2 Estilos de liderança Os estilos de liderança mostram mais do que características, pois são es- tilos bem definidos de modelos de liderança que se fazem presentes dentro das empresas. Na literatura – aqui nos basearemos em Lück (2014) – pode- mos identificar claramente dois estilos: o autoritário e o democrático. O estilo autoritário se resume a uma liderança centralizada na figura do líder, de maneira que o andamento dos processos depende sempre de sua anuência. O estilo democrático, por sua vez, é voltado para uma liderança compartilhada, ou seja, os membros da organização têm uma participação ativa no processos, no enfoque dado ao trabalho em conjunto. Podemos analisar mais detalhadamente esses dois estilos de lide- rança no quadro a seguir, em um comparativo entre eles em diferentes aspectos da gestão. Quadro 1 Estilos de liderança Estilo autoritário Liderança centralizada Estilo democrático Liderança compartilhada Iniciativa Centrada no dirigente. Pessoas esperam permissão para tomar iniciativa. Compartilhada entre os membros da organização e determinada coletivamente. Cultura organizacional Considerada secundária. Mais forte é o culto ao dirigente e às suas decisões. Fortalecida mediante o desenvolvimento de compe- tências pelo compartilhamento de decisões e ações, que transformam positivamente o modo de ser e de fazer na escola. Tomada de decisão Centralizada e baseada em processos formais. Distribuída mediante processos de reflexão e dis- seminação de informações. Sentido de missão e visão Definido e assumido pelo dirigente, que se torna seu arauto. Definido e assumido pelos membros da empresa e incorporada ao ideário de suas ações mediante sua iniciativa para implementá-lo. Continuamente revisto à luz das ações e reflexões. Crédito do sucesso Atribuído ao dirigente. Atribuído ao trabalho conjunto. Papéis e funções Assumidos de acordo com cargos e res- pectiva definição. Assumidos de maneira compartilhada, segundo o sentido de responsabilidade comum. Desenvol- vem-se em associação com o desenvolvimento das competências das pessoas. Fonte: Lück, 2014, p. 86. Esses dois estilos são bastante explícitos quanto ao seu propósito e às suas características. Uma liderança autocrática – isto é, individualizada na figura de uma única pessoa – pode trazer sérios danos ao desempe- nho coletivo, especialmente quando falamos de pessoas com diferentes estilos e formações trabalhando juntas. Quanto mais democrático e par- ticipativo for o ambiente, melhores serão as chances de renovação de ideias, propostas e projetos que podem ser desenvolvidos. Não há mais espaço para apenas uma só pessoa tomar as decisões mais importantes para o futuro de uma empresa, pois o momento é de compartilhar. O estilo democrático ainda é sem dúvida o mais esperado por todos, es- pecialmente quando o assunto é flexibilidade na tomada de decisões e par- ticipação coletiva nos assuntos abordados. Muitas das empresas brasileiras têm dificuldades em formar líderes para conduzir pessoas em busca dos objetivos da empresa e do sucesso dos negócios. Assim, o que pode ser fei- to é investir maciçamente em treinamento e desenvolvimento de pessoas. 4.2 Formação de líderes Vídeo A formação de novos líderes é certamente um dos grandes desafios das empresas no mundo contemporâneo. Isso significa que as empre- sas que pretendem continuar atuantes no mercado consumidor preci- sam saber desenvolver talentos e formar líderes capazes de conduzir equipes a grandes resultados. Segundo Soares (2015), a liderança consiste em enfrentar a mudan- ça, direcionar as pessoas por meio de uma visão de futuro engajando- -as em prol dos mesmos objetivos. Am an ita S ilv ic or a/ Sh ut te rs to ck Liderança e trabalho integradoLiderança e trabalho integrado 7777 78 Gestão de equipes de alta performance Ainda segundo Soares (2015), um grande líder influencia e dirige uma equipe de maneira ética, estimulante, positiva e com sabedoria. O líder influencia e conduz com maestria as pessoas em busca dos obje- tivos coletivos da empresa. Por outro lado, uma liderança frágil coloca em risco toda uma estratégia elaborada e colocada em prática. O processo de formação de líderes nas empresas requer plane- jamento de parte da diretoria em conjunto com o departamento de recursos humanos. O líder precisa ser flexível, pois a situação pode mu- dar a qualquer momento. Biazzi (2019) afirma – ao lembrar que aquilo que pode ter dado cer- to há um tempo agora já não se encaixa mais – que os problemas que seriam facilmente resolvidos no passado podem se tornar extrema- mente complexos no presente. Disso podemos concluir que é necessário formar líderes capazes de se atualizar e lidar com situações adversas e com as mudanças de ce- nários. Isso passou a ser parte da estratégia competitiva das empresas. Segundo os trabalhos de Jucá (2013), todas as equipes de sucesso possuem um líder forte, que adora encontrar e lapidar novos ta- lentos. Grandes líderes formam equipes vencedoras devido à sua expertise e sua capacidade de fazer com que elas trabalhem juntas e gerando resultados. O processo de formação de líderes deve levar em consideração al- gumas variáveis fundamentais, que são: eficácia da liderança; caracte- rísticas e estilo do líder; características do seguidor; comportamento do líder; e contexto de liderança (ROBBINS, 2000, p. 7). Vejamos, na sequência, mais detalhadamente cada uma delas. Eficácia da liderança: a eficiência da liderança na condução dos trabalhos e no seu nível de influência exercida sobre subordina- dos se dá com a aceitação do líder por sua equipe de trabalho. Características e estilo do líder: trata-se de aspectos como honestidade, ética, valores, preparo e inteligência, ambição para com o cargo ou função, habilidade para lidar com pessoas e motivação para as liderar. Características do seguidor: estão relacionadas à forma como o líder conduz as atividades e é seguido pelos liderados, visto que a aceitação da sua conduta de gestão é fundamental para a conso- No livro Formando líderes: como identifi- car, desenvolver e reter talentos de liderança, os autores apresentam um posicionamento quanto ao executivo do futuro e sobre quais são as suas principais características. É uma leitura agradável a qual apresenta uma perspectiva que visa ao mercado de trabalho. BYHAN, W. C.; SMITH, A. B.; PAESE, M. J. D. São Paulo: Prentice Hall, 2003. Livro 1 2 3 Liderança e trabalho integrado 79 lidação do seu trabalho. Em outras palavras, o seguidor deve ter condições de aceitabilidade das ações do líder. Comportamento do líder: está relacionado aos meios utilizados para a consecução das tarefas, bem como à forma por meio da qual elas são avaliadas. Contexto de liderança: está atrelado à forma como o líder se faz compreender e consegue o consenso de todos a respeito do que deve ser feito. Todas as equipes precisamde um líder para fazer a ponte entre elas e novos projetos e caminhos a serem seguidos. Dessa maneira, a formação de líderes – levando em consideração suas variáveis, seu estilo e suas características – é estratégica e permite uma vantagem competitiva frente aos concorrentes que atuam no mesmo setor, muito em razão dos benefícios que a liderança traz para o aumento da produ- tividade e a entrega de resultados. 4 5 4.3 Comunicação e integração de equipes Vídeo A comunicação é a principal ferramenta de trabalho para toda e qualquer equipe. Por meio dela, as pessoas trocam informações das mais variadas, como as estratégicas formais e informais. A comunica- ção é importante para a gestão dos negócios, assim como a condução das pessoas em suas atividades. Quando pensamos na importância e na potencialidade da comuni- cação, devemos ter em mente que foi por meio desta que se viabilizou a interação entre os primeiros grupos de humanos na Terra, trazendo consigo o progresso, a evolução e o conhecimento (LUIZARI, 2014). É necessário que aquele que ocupa o papel de liderança se comunique sempre de maneira clara, objetiva e coerente (KYRILLOS; SARDENBERG, 2019). Isso demonstra a relevância do processo comunicacional dentro da empresa, pois está relacionado à produtividade das pessoas. Uma comunicação eficaz é aquela que consegue ser objetiva e direta em sua informação, trazendo o conteúdo certo para as pessoas refletirem a respeito (LUIZARI, 2014). Já com relação aos processos comunicacionais, é preciso que o emissor e o receptor sejam bons ouvintes. Nesse sentido, podemos destacar quatro técnicas importantes na co- municação, que podem ser aplicadas a qualquer momento na empresa e 80 Gestão de equipes de alta performance que são normalmente seguidas e utilizadas por gestores mais acostuma- dos a liderar equipes de alta performance. São elas: foco no interlocutor; demonstração de respeito e interesse no ouvinte; uso das habilidades sensoriais; inversão de papéis entre interlocutores (LUIZARI, 2014). Foco no interlocutor: ter o enfoque na pessoa com quem se está dialogando torna-se fundamental no objetivo de tornar a comuni- cação mais direta e para que se reduzam ruídos ou interrupções. Demonstração de respeito e interesse no ouvinte: é importan- te para que a pessoa possa manifestar a sua opinião de acordo com o seu entendimento e conhecimento sobre determinados fatos. Uso das habilidades sensoriais: é necessário se atentar às habi- lidades sensoriais, ou seja, aquelas pertinentes à linguagem não verbal, ao corpo comunicando por meio de gestos aquilo que se está sentindo ou querendo dizer. Inversão de papéis entre interlocutores: trata da necessidade de as pessoas se colocarem no lugar das outras e entenderem o que está tentando ser dito, mesmo que de modo simples ou rústico. As equipes passam a maior parte do tempo conversando e trocando informações a respeito do trabalho. Isso faz com que a interação seja cada vez mais fortalecida e instigan- te, pois cada integrante precisa manifestar a sua opinião a respeito de algum tema. Quanto mais sinergia a equipe tiver, mais sincronismo e empatia para ouvir a opinião de todos have- rá e melhores serão os resultados. Os estudos de Biazzi (2019) se dedicaram a identificar quais carac- terísticas são mais marcantes na formação e estruturação das equi- pes dentro das empresas. Para os gestores, é essencial conhecer em profundidade como as pessoas se relacionam e como isso influencia a produtividade individual e coletiva. Katzenbach e Smith (1993 apud BIAZZI, 2019) elencam sete ca- racterísticas próprias de equipes de trabalho, que são: Papéis de liderança compartilhados: compartilhar o papel da li- derança e delegar atividades traz a equipe para perto da rotina de gestão e faz com que todos participem de acordo com as suas ca- pacidades e seus conhecimentos quanto a determinados assuntos. Responsabilidade individual e mútua: cada um participa con- forme suas capacidades e seus conhecimentos, mas todos têm 1 2 3 4 ea m es Bo t/ Sh ut te rs to ck 1 2 Liderança e trabalho integrado 81 compromisso com o resultado, tanto com suas atividades indivi- duais quanto em compromisso mútuo. Propósito específico para o qual a equipe foi criada: significa que a formação das equipes está relacionada com o seu propósi- to, podendo ser dissolvida após o término das tarefas. Entregas e produtos coletivos: a equipe tem responsabilidade so- bre as entregas da empresa, seja em forma de produto ou de projeto. Discussões abertas e reuniões para resolução de problemas: essas discussões e reuniões servem justamente para ampliar o leque de opções com relação a pontos de vista sobre os proble- mas e ajustes a serem feitos. Medidas de performance diretas sobre as entregas coletivas: dizem respeito à produtividade das equipes e a quanto elas são capazes de responder às demandas existentes. Trabalho, discussões e decisões em conjunto: a resolução de problemas corriqueiros e a tomada de decisões feitas de modo conjunto entre todos os participantes da equipe são a marca das equipes genuínas de trabalho, pois se referem à capacidade de essa equipe superar problemas e gerar resultados. A partir dessas características, decorre o processo comunicacional, no qual as ideias são expostas a todos em busca do consenso. Nesse senti- do, quanto mais democrático for o ambiente, melhor será para se atingi- rem os resultados desejados. É necessário que os gestores mudem a sua mentalidade – isto é, a forma como eles entendem as equipes de trabalho e a formação dos líderes – para que prossigam à frente dos trabalhos. É preciso haver pessoas voltadas ao coletivismo, ao enfrentamento dos problemas e ao aperfeiçoamento dos processos. Gerenciar pessoas é considerado por muitos uma arte, mas pode se tornar uma tarefa mais fácil se houver paciência e empatia das pessoas envolvidas no processo. 4.3.1 Estratégias de comunicação e integração A comunicação não pode se limitar a transmitir informações. Ela deve proporcionar um fluxo ativo e eficaz de conteúdos estratégicos relacio- nados diretamente aos negócios da empresa. Uma comunicação inte- grada é aquela capaz de unir diferentes áreas da empresa sob o mesmo objetivo e de alimentar as áreas estratégicas de maneira eficiente. 3 4 5 6 7 82 Gestão de equipes de alta performance Compete aos gestores estabelecer relações harmoniosas e, ao mesmo tempo, profissionais, fazendo com que os processos transcor- ram da melhor maneira possível. Para uma comunicação estratégica na prática, é preciso escolher os canais certos para falar, os objetivos devem ser claros, a comunicação deve ser planejada, a mensagem deve estar alinhada à linguagem visual, e as apresentações e discus- sões também são bem-vindas. De acordo com os trabalhos de Mafei e Cecato (2011) é preciso existir um diagnóstico de comunicação na empresa. Esse diagnóstico consiste em estar ao lado dos executivos da empresa com intuito de, juntos, realizar as tarefas necessárias à consecução dos negócios, pois isso se reflete na concretização das metas de uma empresa. Assim, a comunicação passou a ter seu status elevado no que se refere ao seu papel ativo na tomada de decisão gerencial, sobretudo com a participação conjunta de gestores e funcionários. Um exemplo prático disso é o de uma empresa automotiva famosa que fez a sua aposta na comunicação face to face, ou cara a cara. A intenção era criar espaços para encontros, proporcionando mais segurança às pessoas, pois as redes sociais e a tecnologia promoveram a aceleração da comunicação entre as pessoas, mas não a aproximação delas. Esse tipo de abordagem foi criado por Othon de Villefort Maia (2013), que aborda o assunto em três pilares de comunicação interna, a saber: informação, clima/motivação e diálogo. Segundo o autor, a informação na comunicação pode ser estabele- cida por meio de documentos e intranet (rede interna de uma empre- sa); o clima/motivaçãodiz respeito a eventos e campanhas internas que promovam a circulação da mensagem; por fim, o diálogo se ca- racteriza pela conversa franca com cada indivíduo, frente a frente, para discutir os pontos de interesse. Com isso, podemos verificar também que, no ambiente corporati- vo, é importante a participação ativa do gestor, sobretudo na escolha de sua equipe e das características que ele espera que essa equipe te- nha (MAFEI; CECATO, 2011). Diante desse cenário, as escolhas irão se refletir no trabalho do dia a dia, influenciando diretamente a execução das tarefas mais simples até as mais complexas. Segundo a análise de Liderança e trabalho integrado 83 Torquato (2015), o processo comunicativo empresarial pode ser mais eficaz, entendendo-o como um processo simbólico de comunicações técnicas (voltadas à metodologia), cognitivas (voltadas ao comportamen- to individual) e normativas (voltadas a questões de normas e valores). Essa análise nos mostra que a comunicação como um processo simbólico significa que os sentimentos dos funcionários se misturam à história da empresa, ao seu histórico e à interação com o mercado consumidor. Não é tão simples estabelecer uma comunicação integra- dora, isto é, fazer com que todos os departamentos da empresa falem a mesma língua. Em cada setor ou departamento da empresa existem objetivos e metas estabelecidas que, muitas vezes, conflitam com os interesses de outras áreas. Os estudos de Torquato (2015) buscam aproximar a forma de comu- nicação dos funcionários dos interesses da empresa. O autor se preocupa com a forma por meio da qual a comunicação acontece entre os níveis hierárquicos, buscando um consenso a respeito de qual seria a melhor maneira de desenvolver uma comunicação efetiva. A simbologia envolvida nesse processo faz com que muitos ajustes acabem sendo feitos ao longo do tempo, sobretudo no modo de se comportar em diferentes situações e de chegar a um consentimento quanto às necessidades da empresa. Ainda com relação aos estudos de Torquato (2015), o autor destaca que é possível melhorar o desempenho da comunicação dentro da em- presa. Ele considera que os fluxos comunicacionais contribuem para a eficácia das informações. Segundo Torquato (2015), a comunicação segue fluxos dentro da empresa, sendo considerada verticalizada (fluxo descendente e fluxo as- cendente) e horizontalizada (fluxo lateral). Sabemos que, quanto mais verticalizada for uma organização em termos de comunicação, mais cen- tralizado nas mãos da alta gestão está o processo de tomada de decisão. Nesse sentido, faz-se necessário ter sempre em mente a horizontali- zação do processo de comunicação para que os funcionários do mesmo nível hierárquico participem das discussões, melhorando a coordenação das equipes de trabalho. Assim, as decisões podem ser tomadas de modo rápido e mais eficiente, o que ajuda a estreitar as relações entre as pessoas fortalecendo o companheirismo e potencializa a obtenção de resultados. 84 Gestão de equipes de alta performance CONSIDERAÇÕES FINAIS Com base nos estudos realizados, pudemos compreender que a lide- rança é a base para a gestão das pessoas dentro das empresas. Por meio dela, os processos podem ser mais eficazes; a interação das pessoas, po- tencializada; e o desempenho coletivo, aumentado. Pudemos entender como se dá a formação dos líderes, assim como a característica da lide- rança dentro das empresas. Da mesma forma como é necessário formar novos líderes capazes de aumentar a participação das pessoas no processo de tomada de deci- sões, é necessário que os setores e os departamentos conversem entre si. Tendo isso em mente, vimos que a comunicação integrada entre as equipes é parte de um processo contínuo e de aprendizagem organizacio- nal. Os profissionais preparados para o mercado são, portanto, aqueles em condições de integrar as diversidades, agrupar as ideias e chegar ao consenso para a resolução dos problemas. Por fim, estudamos que a utilização de estratégias de comunicação e integração entre os setores e departamentos deve fazer parte do planeja- mento estratégico das empresas. Dessa maneira, vimos que compete aos gestores e às suas equipes estabelecer uma relação harmônica, sincrônica e duradoura para que o ambiente seja propício à criação de ideias e elabo- ração de estratégias com vistas à melhoria dos processos da empresa. ATIVIDADES Atividade 1 A liderança em uma empresa é a base para que as equipes de trabalho e os demais funcionários possam executar as suas atividades. A grande maioria das empresas investe em programas de formação de líderes pensando justamente na produtividade e no desempenho coletivo. Nesse sentido, é necessário que as em- presas entendam que somente por meio de uma liderança forte e presente as pessoas têm condições de desempenhar com sucesso as suas atividades. Com base nisso, explique como a liderança pode influenciar os trabalhos da empresa. Liderança e trabalho integrado 85 Atividade 2 O papel dos líderes é transformar as equipes e forças de trabalho. Isso se deve ao fato de que, sem que haja consenso, envolvimento, comprometimento e foco nos resultados, dificilmente os trabalhos serão bem-sucedidos. Diante disso, o que se espera é que alguns tipos de modelo de liderança possam se refletir positivamente na conduta da pessoas e fazê-las produzir. A partir dessas considerações, comente a respeito do tipo de liderança chamada carismática. Atividade 3 É inegável que a liderança é essencial para o sucesso dos trabalhos dentro das empresas. Independentemente do seu porte, é preciso haver nelas pessoas que desenvolvam o papel de líder e auxiliem as demais pessoas a atingir os objetivos planejados. Do contrário, muito provavelmente não será possível melhorar o desempenho ou cumprir as metas estabelecidas. Diante dessas considerações sobre a liderança nas empresas, co- mente a respeito da sua importância estratégica para os negócios. REFERÊNCIAS BIAZZI, F. Lições essenciais sobre liderança e comportamento organizacional. 2. ed. São Paulo: Labrador, 2019. DI NIZO, R. Reinventando a liderança: por uma ética de valores. São Paulo: Summus Editorial, 2013. JUCÁ, F.; CAMALIONTE, E.; JUCÁ, R.; BILTON, R. Academia de liderança. São Paulo: Papirus 7 Mares, 2013. KYRILLOS, L.; SARDENBERG, C. A. Comunicação e liderança. São Paulo: Contexto, 2019. LÜCK, H. Liderança em gestão escolar. Petrópolis: Vozes, 2014. LUIZARI, K. Comunicação empresarial eficaz: como falar e escrever bem. Curitiba: InterSaberes, 2014. MAFEI, M.; CECATO, V. Comunicação corporativa: gestão, imagem e posicionamento. São Paulo: Contexto, 2011. MAIA, O. V. M. Comunicação interna: a força das empresas. São Paulo: Aberje Editorial, 2013. v. 7. ROBBINS, S. Administração: mudanças e perspectivas. São Paulo: Saraiva, 2000. SOARES, M. T. R. C. Liderança e desenvolvimento de equipes. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2015. TEJADA, J. Motivação e liderança como fatores estratégicos de sucesso: você pode fazer a diferença na organização. Caxias do Sul: Educs, 2013. TORQUATO, G. Comunicação nas organizações: empresas privadas, instituições e setor público. São Paulo: Summus, 2015. 86 Gestão de equipes de alta performance 5 Gestão humanizada A gestão humanizada é um tema novo no mundo empresarial, mas que sempre esteve conectado com a evolução da administração de empresas. Muito pelo fato de que a preocupação com o bem-estar das pessoas e do seu desempenho individual e coletivo fez com que muitos gestores passassem a olhar de outra forma para o relacionamento e a interação das pessoas. Diante disso, adotar políticas internas capazes de proporcionar às pessoas crescimento pessoal e profissional, além de um ambiente favorável à criatividade, inovação e humanização, deve fazer parte da agenda dos gestores e empreendedores. O ambiente de negócios muitas vezes é turbulento, estressante e desafia- dor, na grande maioria das vezes com trabalhos sob pressão,prazos curtos, projetos desafiadores e que colocam as pessoas em reais situações de dificul- dades. Logo, é preciso trabalhar em equipe, buscando apoio e recursos para concluir as atividades. Cabe aos profissionais das empresas adotarem as melho- res estratégias que possam proporcionar os melhores resultados, levando-se em conta as necessidades da empresa e a satisfação dos funcionários. Neste capítulo estudaremos a importância de uma gestão humanizada nas empresas, com vistas a proporcionar um ambiente favorável de tra- balho e aprendizado. Com o estudo deste capítulo, você será capaz de: • entender o que é gestão humanizada e identificar as melhores práticas; • compreender como é possível o desenvolvimento de uma ges- tão humanizada; • analisar as características de uma gestão humanizada nas empre- sas e avaliar suas vantagens; • identificar como otimizar os processos da empresa para alcançar melhor desempenho; • entender como funciona a gestão humanizada na prática; • conhecer as variáveis que influenciam a gestão da liderança. Objetivos de aprendizagem Gestão humanizada 87 5.1 Conceito e pilares de gestão humanizada Vídeo Quando nos referimos a uma gestão humanizada dentro das empre- sas, estamos pensando justamente na melhor forma de incluir as pessoas em todos os processos possíveis e necessários ao bom desempenho dos negócios. Fazer com que todos possam produzir com qualidade e efi- ciência não é uma tarefa fácil de ser colocada em prática rapidamente. As empresas dependem das pessoas para atingir os seus objetivos, logo é preciso um alinhamento constante entre os objetivos organiza- cionais e pessoais. Uma gestão humanizada deve permitir, por meio do plano de carreira da empresa, que as pessoas se desenvolvam, possam fazer parte de grandes projetos, liderar equipes e fazer as coisas acon- tecerem. Por meio da democratização do acesso às oportunidades as pessoas terão condições de provar o seu valor para a empresa e dar o melhor de si em prol dos trabalhos. Diante de um ambiente empresarial turbulento, instável e cada vez mais competitivo, qualquer diferença pode representar o sucesso ou o fracasso dos negócios. Em suma, quanto mais as pessoas estiverem coesas, motivadas e dispostas a crescer junto à empresa, maiores se- rão as chances de sucesso. Quadro 1 Habilidades gerenciais para a implantação da gestão humanizada Dimensões para a gestão humanizada Habilidades do gestor Competência Técnica Capacidade de comunicar ideias Capacidade de trabalhar com equipes Capacidade de formar substitutos Capacidade de resolver conflitos Competência Humana Práticas de valorização do ser humano, relaciona- mento interpessoal, capacidade de estimular pes- soas e empatia Competência Conceitual Capacidade de pensar estrategicamente Capacidade reflexiva Capacidade empreendedora Visão sistêmica Fonte: Silva, 2006, p. 35. O Quadro 1 nos permite compreender que os gestores precisam de- senvolver a capacidade de ter atitudes, comportamentos, visões e postu- ras capazes de lidar com as mudanças internas e externas do ambiente. As competências técnicas somadas às competências humanas são res- ponsáveis pela melhoria do ambiente interno, e consequentemente inter- ferirão diretamente na produtividade individual e coletiva. Quando um gestor preocupa-se com essas questões, está demons- trando a capacidade da empresa de preparar o clima para que as pessoas possam dar o seu melhor. Não há outra saída senão permitir às pessoas que incorporem os negócios da empresa, pensem como quem toma as principais decisões, atuem para resolver problemas e ajudem todos a alcançarem os resultados. Imagine, por exemplo, uma empresa em que os líderes reúnem as pessoas e entregam a elas desafios de gerenciar o projeto de lançamento de um produto qualquer. Para que o lançamento seja um sucesso, será necessária uma série de recursos e de estrutura para a realização das ati- vidades. Será preciso facilitar a troca de informações entre as pessoas e dar liberdade a elas para que discutam e pensem a respeito das melhores estratégias, executem sem medo as ações necessárias, apresentem os re- sultados e gerenciem a própria pressão do tempo e dos resultados. Assim, o ambiente será dinâmico e favorável à busca de soluções. As mudanças sociais e tecnológicas têm implicações diretas no am- biente interno das empresas, especialmente na pressão para bons re- sultados e lucratividade. Isso demanda dos gestores e suas equipes forte integração, compreensão e entendimento coletivo daquilo que precisa ser feito. Somente por meio da união de esforços e empatia é possível se che- gar a um bom resultado. Isso significa que equipes de trabalho pre- cisam de união, sinergia, consenso com relação aos objetivos e às metas, discussão de alternativas e opções, estreitamento de laços e troca de conhecimentos. É possível desenvolver uma gestão humaniza- da com base no diálogo, na participação coletiva e na facilitação do trabalho de todos. Com relação ao diálogo, fazer com que a política interna da empresa facilite a troca de informações e opiniões é garantir o aprendizado coletivo. A participação coletiva diz ao m ve ct or /S hu tte rs to ck 8888 Gestão de equipes de alta performanceGestão de equipes de alta performance Gestão humanizada 89 respeito à possibilidade de todos decidirem o futuro dos negócios, in- dependentemente das áreas em que atuam. Quando os líderes são mais próximos da sua equipe de trabalho e co- nhecem cada um dos seus funcionários e as suas principais qualidades e características, fica mais fácil promover uma participação coletiva no processo de tomada de decisão. A facilitação do trabalho busca dar as melhores condições para que as pessoas desenvolvam suas atividades. Quanto mais os líderes, administradores, gestores e profissionais buscarem a participação coletiva nos projetos da empresa, maiores serão as chances de obter resultados práticos. Alguns setores da em- presa, como marketing e design, requerem mais flexibilidade por parte das pessoas, bem como troca de dados e informações, discussão de projetos de produtos e pensamentos estratégicos na concepção e in- trodução de um produto no mercado. Uma gestão mais humanizada será uma realidade quando políticas internas forem implantadas com vistas a proporcionar um ambiente mais igualitário e que respeite a diversidade de ideias, opiniões, atitu- des e crenças e valorize a formação de cada indivíduo. Isso vai depen- der de como a empresa quer ser vista pelo mercado e como quer atrair talentos, formar pessoas e entregar resultados satisfatórios à socieda- de em forma de produtos e serviços. Em empresas nas quais falta uma gestão humanizada, o caminho não pode ser outro além da perda de profissionais qualificados devido a pre- juízos à saúde mental. Quando não humanizado, o ambiente da empresa contribui para o surgimento de depressão, estresse, síndrome de burnout (exaustão extrema), perda da motivação e da produtividade. Outro aspecto resultante da falta de um ambiente humanizado é justamente a perda de talentos, que não encontram mais espaço para a realização do seu trabalho. 5.1.1 Pilares da gestão humanizada Segundo Barros Neto (2022), não tem como pensar em uma ges- tão humanizada senão por meio de uma liderança direcionada para a cooperação e a relação entre empresa, clientes, fornecedores e funcio- nários. Para que uma empresa tenha sucesso em seus empreendimen- tos, ela depende das pessoas, que são os pilares de toda e qualquer estrutura organizacional. Portanto, saber tratar bem as pessoas e dar a 90 Gestão de equipes de alta performance elas estrutura de trabalho, recursos e um plano de carreira que permi- ta o crescimento de todos é o que impulsiona o desempenho coletivo. Segundo Lamoglia et al. (2015), ao buscar a satisfação no trabalho a gestão estará fomentando o interesse dos funcionários em cola- borar. E ainda, nas palavras de Chiavenato (2009, p. 68): ”É do am-biente que as organizações obtêm os recursos e informações para sua subsistência e funcionamento, e é no ambiente que colocam os resultados de suas operações. À medida que o ambiente sofre mu- danças, todo o quadro habitual das operações das organizações é tremendamente influenciado”. Essa citação nos dá a real noção da importância do ambiente que cerca as empresas, justamente pelo fato de que a sua dinâmica altera as estratégias de produtos e serviços no mercado em que operam. O processo de comunicação nas empresas é considerado o elo funda- mental para uma gestão humanizada, porque passamos a maior par- te do tempo trocando informações estratégicas para a realização do nosso trabalho (BARROS NETO, 2022). Quando as relações da empresa são fortes, isto é, existe engaja- mento da maioria, confiança, consenso sobre aquilo que deve ser fei- to, certamente os trabalhos tendem a ter bons resultados. Com base nas tarefas do dia a dia a empresa vai diagnosticando pontos de me- lhoria, de potencialização de recursos, onde alocar e realocar pessoas, quando deve iniciar um processo de treinamento, entre outras coisas. O departamento de RH deve estar atento às necessidades do mer- cado, assim como às tendências para melhoria das políticas institucio- nais. É dever de todos trabalhar em prol da melhoria da performance coletiva, porém compete ao RH estabelecer as normas e regras a serem cumpridas no quesito atrair, reter e manter talentos na empresa. Para que uma gestão possa ser efetivamente humanizada, as pessoas precisam estar no centro do planejamento. O processo de aprendizagem deve ser contínuo, evoluindo de tempos em tempos para novas práticas e modelos de gestão. Gestão humanizada 91 A figura a seguir mostra um processo contínuo de necessidade de treinamento em uma empresa. Os gestores precisam identificar as ne- cessidades de treinar seus funcionários, além das competências que precisam ser desenvolvidas. Figura 1 Processo contínuo de necessidade de treinamento Necessidades Projeto de treinamento Avaliação Realização Fonte: Knapik, 2012, p. 305. A figura anterior apresenta um processo que passa pela observação das necessidades de uma empresa, a elaboração de um projeto de treinamento, a realização desse projeto e a sua con- sequente avaliação. Com base nesse diagnóstico, a próxima etapa é elaborar um plano de treinamento e capacitação dos funcioná- rios. Após a implantação, a avaliação e o controle das atividades, é possível mensurar se houve ou não melhorias no desempenho individual e coletivo. A humanização nas empresas só é possível por meio de um clima organizacional flexível, democrático, com índices baixos de conflito. A partir daí, os funcionários começam a se engajar cada vez mais nas tarefas e na necessidade de mostrar resultados. O departamento de recursos humanos (RH) é quem deve monitorar o clima organizacio- nal por meio de questionários de pesquisa e atividades de integração dos funcionários. Com base nesse monitoramento é que políticas po- dem ser planejadas e posteriormente implementadas com o intuito de melhorar o ambiente de trabalho, tornando-o mais humanizado. 92 Gestão de equipes de alta performance Quadro 2 Fatores influenciadores do clima organizacional Fatores positivos Fatores negativos • Companheirismo entre colaboradores e trabalho em equipe. • Reconhecimento pelas atividades. • Oportunidade de crescimento profissional. • Respeito. • Incentivo para desenvolvimento das atividades. • Espaço para criatividade e inovação. • Individualidade dos colaboradores. • Intrigas, fofocas, inveja, falta de companheirismo, ética e postura. • Reatividade para desenvolvimento das atividades. • Não reconhecimento pelo trabalho desenvolvido. • Falta de incentivos. • Falta de espaço para criatividade e inovação. Fonte: Stadler; Pampolini, 2014, p. 66. O Quadro 2 apresenta os principais fatores positivos e negativos que influenciam o clima organizacional de uma empresa. Quando devi- damente identificados, podem ser promovidas ações para melhoria do clima, sobretudo reunindo gerentes e funcionários para discutir como é possível aprimorar as relações de trabalho. Os fatores positivos de- vem ser potencializados, ao passo que os negativos minimizados ou de- finitivamente excluídos do ambiente da empresa. Mesmo sabendo das dificuldades em manter um bom clima de trabalho diante de tantas cir- cunstâncias, é preciso fazer um esforço conjunto para impedir que os aspectos negativos possam surgir e prejudicar o desempenho de todos. Diante disso, é estratégico para os gestores manter o clima sem- pre propício ao bom desempenho dos funcionários, de modo que eles possam produzir com todo o seu entusiasmo e conhecimento. Um bom clima organizacional certamente fará com que os conflitos dimi- nuam significativamente, de maneira que os índices de produtividade possam aumentar consideravelmente. Segundo Barros Neto (2022), o departamento de recursos humanos é que deve promover a inclusão das pessoas, dando a elas condições de agregar esforços, promover o trabalho em equipe e garantir os resultados planejados. A maneira pela qual o departamento de recursos humanos con- duz as políticas internas da empresa referentes às relações intraor- ganizacionais é que faz com que o ambiente seja controlado de maneira positiva e eficiente. O RH da empresa possui as responsabi- lidades descritas no quadro a seguir. Gestão humanizada 93 Quadro 3 As responsabilidades da gestão de pessoas moderna Responsabilidades da gestão de pessoas Estratégicas Administrativas Operacionais Relacionais • Políticas de RH • Entendimento do negó- cio • Planos estratégicos de RH • Orientação aos gestores para que cumpram o papel de gestão do seu pessoal • Gestão de bancos de talentos • Apoio como agente de mudanças • Desenvolvimento e ges- tão de processos de RH • Administração de folha de pagamento e benefí- cios • Domínio da legislação trabalhista • Controle de litígios traba- lhistas • Recrutamento e seleção • Plano de carreira • Compensação e benefí- cios • Programas de desenvol- vimento de pessoal • Sistemas de avaliação de desempenho • Programas motivacionais • Saúde e segurança am- biental • Apoio aos executivos em suas funções como reais gestores de gente • Comunicação interna • Gestão de ferramentas virtuais de network e co- municação • Avaliação de clima orga- nizacional e proposição de ações de melhoria • Relações sindicais • Relações com entidades de RH e setoriais • Apoio à responsabilida- de social corporativa Fonte: Stadler; Pampolini, 2014, p. 69. As responsabilidades apresentadas demonstram a importância do RH para as empresas e a sua influência no desempenho individual e coletivo. O departamento de recursos humanos é essencialmente estratégico, pois representa a porta de entrada de talentos, a for- mação de pessoas, o aperfeiçoamento e o sucesso da empresa. O departamento de recursos humanos preocupa-se com a cultura or- ganizacional, os direitos trabalhistas dos funcionários, as promoções, as demissões e os processos de avaliação. O RH, portanto, interfere diretamente no processo de tomada de decisão das pessoas, em es- pecial, dos gestores de uma empresa. Dessa forma, espera-se que os profissionais consigam entender a cultura da empresa, extrair o que há de melhor em termos de trei- namento e qualificação oferecidos internamente e mostrar o seu po- tencial. A sobrevivência dos negócios está diretamente relacionada à maneira pela qual a empresa interage com o mercado em que atua, além, é claro, da sua vantagem competitiva em relação à concorrência. Para Barros Neto (2022), a diversidade de ideias, opiniões, posicio- namentos, cultura, religião e as demais mudanças de ordem cultural e pessoal fizeram com que as pessoas tivessem que conviver com as diferenças e os antagonismos. Dessa forma, saber entender as pessoas 94 Gestão de equipes de alta performancepassou a ser parte do dia a dia de trabalho, em especial dos gestores para com o seus subordinados. Entre as tendências da gestão de recursos humanos para o novo milênio está, sem dúvidas, não mais administrar pessoas, mas adminis- trar com elas (KOPS; SILVA; ROMERO, 2013; BARROS NETO, 2022). Isso significa incluir as pessoas no planejamento e no processo decisório, sobretudo na condução dos negócios da empresa. Um exemplo disso são algumas companhias áreas, como a Ameri- can Airlines dos Estados Unidos, que por volta dos anos 2000 passaram a dialogar mais de perto com os funcionários dos guichês de atendi- mento e check-in para saber exatamente quais as demandas mais ur- gentes para resolver. Assim, implantaram um sistema de controle feito pelos próprios funcionários, que tinham autonomia em alguns aero- portos dos Estados Unidos para propor melhorias no atendimento ao público. Isso resultou nos anos seguintes em uma mudança significa- tiva da qualidade e eficiência no atendimento ao público, elevando o status da companhia área diante de seus concorrentes, como Delta Air Lines e United Airlines. Com relação aos principais desafios da gestão de recursos huma- nos, muitos especialistas consideram as novas inserções tecnológicas como vitais para a sobrevivência das empresas. Outro aspecto é saber mesclar os profissionais mais experientes com os mais novos, pois a existência de conflitos muitas vezes resulta dessa tentativa. O que se espera é que os profissionais entendam a dinâmica da mudança e coloquem em prática ações efetivas de melhoria da quali- dade de vida das pessoas no ambiente de trabalho e da performance da empresa. O RH precisa adaptar-se cada vez mais às novas perspec- tivas do ambiente de trabalho, sejam elas físicas, tecnológicas ou de ordem estrutural. Quem não estiver alinhado a tendências, movimen- tos do mercado, novas formas de trabalho e alinhamento das neces- sidades humanas, com certeza perderá espaço rapidamente. Algumas características do comportamento humano precisam ser analisadas mais profundadamente, justamente pelo fato de que as relações humanas são diretamente afetadas pelo nosso modo de pensar, agir e fazer as coisas acontecerem. O quadro a seguir nos Gestão humanizada 95 apresenta de maneira ampla a forma pela qual as pessoas se com- portam dentro da empresa. Quadro 4 Características do comportamento humano Que o ser humano é proativo O comportamento das pessoas é orientado para a satisfação de suas ne- cessidades pessoais e para o alcance de seus objetivos e aspirações. Por isso, reagem e respondem a seu ambiente, seja no trabalho seja fora da organização. As pessoas podem tanto resistir como colaborar com as polí- ticas e os procedimentos da organização, dependendo das estratégias de liderança adotadas por algum supervisor. O ser humano é social Sua participação em organizações é muito importante na vida das pessoas, porque as conduz ao envolvimento com outras pessoas em grupos ou em organizações. As relações sociais, mais do que qualquer outro fator isola- do, determinam a natureza do autoconceito das pessoas. O ser humano tem dife- rentes necessidades Os seres humanos são motivados por grande diversidade de necessi- dades. Um fator pode motivar o comportamento de uma pessoa hoje e pode não ter potência suficiente no dia seguinte. O ser humano percebe e avalia A experiência de cada pessoa com seu ambiente é um processo ativo por- que seleciona os dados dos diferentes aspectos do ambiente, avalia-os em termos de sua própria experiência passada. O ser humano pensa e escolhe O comportamento humano é proposital, proativo e cognitivamente ativo. E pode ser analisado em termos de planos comportamentais que escolhe, desenvolve e executa para lidar com os estímulos com que se defronta e para alcançar seus objetivos pessoais. O ser humano tem limita- da capacidade de resposta A pessoa tem uma limitada capacidade para desempenhar, de acordo com o que pretende ou ambiciona fazer. Fonte: Lamoglia et al., 2015, p. 11. O quadro anterior revela muito das relações intraorganizacionais e o seu papel para o bom andamento dos negócios. A interação entre as pessoas nos setores e departamentos de uma empresa diz muito a res- peito do seu ambiente. Nesse sentido, é muito importante o conheci- mento do comportamento humano em diferentes fases, bem como da sua capacidade de se adaptar às mudanças. Qualquer decisão tomada é fruto das nossas experiências, conheci- mentos, aquilo que carregamos conosco ao longo da vida. É fundamen- tal que essa leitura seja feita pelos gestores e líderes em uma empresa e que sejam feitas as devidas melhorias, por meio de programas e trei- namentos, palestras, cursos e oficinas que integrem as pessoas e que compreendam as suas necessidades, bem como possam colocá-las para trabalhar juntas em prol dos mesmos objetivos. 96 Gestão de equipes de alta performance 5.2 Vantagens da gestão humanizada Vídeo As vantagens de uma gestão humanizada se relacionam direta- mente com toda e qualquer possibilidade de melhoria no ambiente empresarial. Cortez, Zerbini e Veiga (2019) consideram que a humani- zação é um processo que atua na transformação social e na gestão das pessoas, pois é capaz de promover políticas e demais práticas para o desenvolvimento dos trabalhadores de uma empresa. A competição gerada no ambiente de trabalho por vezes acaba fazendo com que as pessoas esqueçam as metas e os objetivos da empresa e coloquem os seus objetivos à frente de tudo. Esse tipo de comportamento não é bem-visto por todos, justamente porque dis- tancia as pessoas daquilo que elas realmente devem fazer: concentrar seus esforços nas atividades da empresa. A vantagem da humanização para as empresas, portanto, é grande, pois possibilita o aumento da sinergia entre as equipes de trabalho. Uma gestão humanizada precisa identificar nas pessoas características que sejam propícias ao relacionamento interpessoal no trabalho. Isso fará com que se crie um pro- cesso de aprendizagem organizacional fundamentando em boas práticas de trabalho, em função das características observadas. Compete ao departamento de recursos huma- nos elaborar um plano de treinamento e aperfeiçoamento de competências que sirva para reforçar em seus funcionários comportamentos positivos. O que podemos perceber é que em características como empa- tia, solidariedade, autoconhecimento, inteligência emocional, espí- rito de equipe, ética, boa comunicação, entre outras, é plenamente visível a melhoria do ambiente de trabalho, tendo em vista a ado- ção de comportamentos assertivos que acabam sendo passados de pessoas para pessoas. O senso de coletividade é beneficiado quando as pessoas se pro- põem a mudar o seu modo de ver as coisas em benefício de todos, fazendo com que diminuam as resistências e os conflitos e busquem mais o consenso para atingir os resultados. Outro ponto importante a ser discutido são as diferenças entre grupo e equipe de trabalho, que são objetos de estudo e discussão na administração de empresas. vladwel/Shutterstock Gestão humanizada 97 EQUIPE Apresentam objetivos gerais e específicos em comum, compartilham por todos os membros. São complementares, demandam convergências de esforços dos membros. Existe interdependência complexa, as tarefas e/ou resultados de um membro dependem do outro. São conhecidas e compartilhadas por todos do grupo, uma vez que o desempenho é coletivo. Positiva. O alcance dos objetivos pressupõe a convergência dos esforços. Individuais, mas correlacionadas ou coletivas. GRUPO Podem apresentar algum objetivo geral em comum, mas não é necessário que apresentem. Não são complementares. Normalmente não existe interdependência. Quando existe são simples e lineares. Podem compartilhar informações sobre a meta. Neutra. Em alguns casos pode ser negativa. Individuais e isoladas. Responsabilidades Sinergia Metas Relação Atividades ObjetivosX Figura 2 Diferenças entre equipes e grupos de trabalho Fonte: Faraco, 2020, p. 26. Na figura anterior é possível identificar vários aspectos que dife- renciam significativamente os grupos de trabalho das equipes de tra- balho, evidenciando os pontos positivos que justificam o porquê de as empresas precisarem investir na formação de equipes para obter resultados mais satisfatórios. 98 Gestão de equipes de alta performance As características positivas das equipes de trabalho fazem com que elas se tornem um movimento crescente dentro das empresas, pois seus resultados são mais satisfatórios em termos de desempenho. Criar, desenvolver e integrar equipes de trabalho é sem dúvida a me- lhor solução para potencializar o desempenho de todos e atingir os resultados planejados. Uma empresa que implanta uma gestão humanizada está propor- cionando aos seus funcionários darem o melhor de si em suas tarefas, estarem à frente de projetos e realizarem seus sonhos na carreira que escolheram. Compete aos gestores abrir espaço para que seus subor- dinados mostrem tudo o que sabem e coloquem em prática ideias e ações assertivas. Quadro 5 Soluções para quando as equipes não funcionam Problema Sintomas Solução Necessidades mal combinadas Pessoas com agendas ocultas trabalhando com propósitos contraditórios. Façam com que os planos particulares sejam reve- lados, perguntando às pessoas o que desejam pessoalmente da formação de equipes. Metas confusas, objeti- vos embolados As pessoas não sabem o que esperar que façam, ou as metas não fazem sentido. Esclareça a razão pela qual a equipe existe; defina seu propósito e resultados esperados. Papéis não resolvidos Os membros de uma equi- pe não sabem ao certo qual é o seu trabalho. Informe aos membros da equipe o que se espera deles. Liderança ruim A liderança é tímida, incoe- rente ou obtusa. O líder deve aprender a servir a equipe e manter sua visão viva ou deixar a li- derança para outra pessoa. Fonte: Faraco, 2020, p. 30. O quadro anterior nos apresenta algumas condições que fazem com que as equipes de trabalho não funcionem corretamente e as respectivas soluções. Repare que esses aspectos problemáticos muitas vezes estão presentes nas empresas por meio de lideranças ruins e propósitos mal resolvidos. Isso faz com que todo o planejamento ela- borado não tenha sucesso na prática, pois fica praticamente impossível atingir a eficiência e a eficácia operacional. Gestão humanizada 99 Uma empresa funciona como uma orquestra sinfônica, em que to- dos os instrumentos possuem a sua importância. Quando um ou mais deles contrasta com os demais, o resultado só pode ser o pior qua- dro. Isso só confirma que é necessário que a empresa esteja atenta aos eventuais problemas que possam interferir na produtividade das equipes de trabalho. A Google nos Estados Unidos é um grande exemplo de como trabalhar beneficamente com as equipes para produzirem em alto nível. A empresa alcançou patamares de sucesso justamente pela maneira como distribui seus funcionários em ambientes abertos e colaborativos. Isso proporciona a troca de opiniões e experiências e estimula a coletividade. A Google também oferece aos seus fun- cionários flexibilidade de horário de trabalho e áreas de lazer e des- canso. Como consequência dessas medidas, o nível motivacional se eleva, o engajamento nas atividades ganha força e a produtividade aumenta consideravelmente. No livro A meta da huma- nização: do atendimento à gestão da saúde, Rabahi apresenta conceitos importantes a respeito das formas de humanização, dando destaque especial para a área da saúde. Ele aponta diferentes perspectivas para que o atendimento possa ser efetivamente humanizado. RABAHI, M. F. Rio de Janeiro: Doc, 2018. Livro 5.3 Gestão humanizada e desempenho Vídeo O sucesso das empresas depende da maneira pela qual elas administram os seus recursos e talentos. Isso é consenso entre gran- de parte dos autores e gestores no mundo dos negócios. Saber como fazer com que as pessoas produzam a contento é fundamental no am- biente empresarial, sobretudo pela necessidade de atender à deman- da do mercado consumidor. Uma gestão que preze pela liberdade de opinião, democracia e participação coletiva nas decisões e, principal- mente, autonomia dos funcionários para resolução de problemas cer- tamente está no caminho certo. Sobre o desempenho, destacamos que devem ser es- tipulados indicadores que possibilitem aos gestores tomarem decisões estratégicas. Os indicadores de desempenho para uma gestão humanizada podem ser: capacidade de inovação, inclusão e diversi- dade, segurança psicológica, autonomia e parti- cipação nas decisões, confiança, segurança no trabalho, entre outros (IZIDORO, 2015). ga m av ec to r/ Sh ut te rs to ck 100 Gestão de equipes de alta performance Nesse sentido, Izidoro (2015) aponta algumas das principais condi- ções para a construção de indicadores de desempenho, que são: cumprir objetivos, proteger resultados e eliminar possibilidades de recorrência de erros. Com relação a cumprir objetivos, os indicadores devem medir a produtividade em função do tempo, isto é, o cumprimento de metas e objetivos dentro dos prazos estipulados. A proteção de resultados sig- nifica que quando as equipes de trabalho atingem os resultados estes precisam ser protegidos, pois servirão de parâmetro para que outras atividades possam ser realizadas. Isso cria um modus operandi, ou seja, um modo de operar ou executar algumas tarefas. Sobre eliminar possi- bilidades de recorrência de erros, significa que por meio da implantação e manutenção de boas práticas é possível manter um nível de excelência e resultados satisfatórios. O uso de indicadores é fundamental para se ter parâmetros do que está acontecendo durante os processos da empresa e do seu resultado. Essas condições apresentadas constituem o que a administração chama de Key Performance Indicator (indicadores-chave de performance). Segundo Izidoro (2015), quem estabelece os indicadores de desempenho são geralmente os gestores da alta cúpula da empresa, tendo também essa atribuição, em alguns casos, os gerentes de linha, em níveis mais baixos. Os indicadores podem ser divididos nos seguintes grupos (IZIDORO, 2015, p. 5): Indicadores de produtividade: controlam o uso de recursos para cria- ção de um produto ou serviço. Indicadores de estratégia: fiscalizam se as ações da empresa estão cumprindo a visão estratégica da organização. Indicadores de qualidade: informam o nível de aprovação dos serviços da empresa. Indicadores de capacidade: verificam se determinado procedimento é capaz de produzir algo por um tempo estipulado. Isso mostra a importância e o destaque que os indicadores de desempenho têm para as empresas. Os indicadores de produtividade ser- vem para medir o desempenho de uma equipe e de seus colaboradores. Em relação aos indicadores de estratégia, eles tratam de parâmetros utili- zados pelos gestores para verificar se as ações cumprem com a visão es- tratégica da organização. Os indicadores de qualidade buscam a melhoria contínua por meio da manutenção do direcionamento que deve ser dado Gestão humanizada 101 aos processos internos da empresa. Por fim, os indicadores de capacidade servem para mensurar a capacidade de resposta que um processo qual- quer da empresa tem com critérios previamente estabelecidos. É muito importante que as equipes de trabalho junto aos seus líde- res façam bom uso dos indicadores para a melhoria dos processos que resultarão em produtos, projetos ou serviços. Isso poderá ser o dife- rencial de uma empresa diante da concorrência, sobretudo por dar as respostas certas às necessidades do mercado, por meio da observação correta de suas atividades e de como melhorá-las. Quando utilizamos um parâmetro de análise, nesse caso indicado- res de desempenho, podemos nortear os nossos trabalhos buscando as melhores alternativas para a soluçãode problemas existentes. Ain- da sobre o uso de indicadores de desempenho, por meio da necessi- dade de monitoramento do desempenho, podemos entender que para ter sucesso é preciso: • “Assegurar que a coleta de informações tenha continuidade; • Inspecionar os prazos de coleta de dados; • Em caso de erros, tomar atitudes imediatas para corrigir as falhas; • Definir o responsável por cada função, inclusive os responsáveis pela monitoração” (IZIDORO, 2015, p. 7). A partir dessas informações, os profissionais envolvidos nos traba- lhos podem acompanhar o desempenho das tarefas e se elas trazem efetivamente os resultados esperados. Não há mais espaço para erros no que se refere a atender aos anseios do mercado consumidor: ou uma empresa oferece qualidade, eficiência, atendimento e produtos e serviços que resolvam problemas e melhorem a qualidade de vida das pessoas, ou estará fadada ao fracasso. Sabendo que o desempenho individual interfere diretamente no desempenho dos grupos de trabalho, as empresas passaram a dedicar seu tempo e estudo para saber como os processos funcionam e podem ser mais eficientes e eficazes (JARDEWESKI; JARDEWESKI, 2014). De acordo com Chiavenato (2004, p. 34), “as empresas perceberam que as pessoas constituem o elemento do seu sistema nervoso, que introduz a inteligência dos negócios e a racionalidade nas decisões”. A partir disso, as pessoas compreenderam ser necessária a qualificação constante, a busca pela melhoria na carreira profissional. 102 Gestão de equipes de alta performance É importante que todos estejam conscientes do seu papel dentro da empresa, saibam a importância da natureza da sua tarefa e possam se engajar nos trabalhos. O processo de humanização é precedido do comprometimento de todos os funcionários em dar o melhor de si em prol dos trabalhos, logo é uma atividade conjunta que requer empatia. Somente quando todos compreenderem a importância que desempe- nham para a empresa é que será possível melhorar o ambiente das organizações por completo. 5.4 Gestão humanizada na prática Vídeo A gestão humanizada na prática representa a materialização dos princípios e valores pregados pela empresa, o que significa ter um olhar mais atento aos funcionários e ao que eles podem trazer de pro- dutivo para a empresa em termos de desempenho. Segundo os estudos de Jardeweski e Jardeweski (2014, p. 92), para que o sistema de desempenho de uma empresa possa ser retroalimen- tado é necessário que um processo de avaliação seja mais abrangente, devendo ser separado da seguinte forma: Competências pessoais: capacidade de aprendizagem de novos conteúdos. Competências tecnológicas: habilidades técnicas para desenvolver sua atividade profissional, como facilidade de dominar softwares e ferra- mentas necessárias ao melhor desempenho do trabalho. Competências metodológicas: capacidade de empreender, mudar, abor- dar, e resolver problemas, multifuncionamento. Competências sociais: capacidade de se relacionar com diferentes pessoas, grupos e hierarquias. Essas competências apresentadas fazem parte do ambiente em- presarial e, sobretudo, devem ser desenvolvidas pelas empresas. As competências pessoais nos acompanham ao longo da vida e formam o nosso conhecimento de diferentes temáticas. Já as competências tecnológicas estão em evidência, tendo em vista os avanços na ela- boração e uso de softwares nas empresas. Isso faz com que seja obrigatório o conhecimento de determinadas ferramentas tecnoló- gicas e metodologias avançadas de trabalho com o uso das tecno- logias de comunicação e informação. As capacidades metodológicas surgiram como um diferencial de todo e qualquer profissional para o desempenho de suas funções. A multifuncionalidade passou a ser a chave para trabalhar nas empresas e garantir a sua permanência. Um profissional com conhecimentos diversos tem espaço garanti- do em diferentes setores. Por fim, as capacidades sociais definem a nossa relação com as outras pessoas e a nossa capacidade de con- viver em grupo. Com base nessas avaliações é necessário que o gestor apresente os resultados aos seus subordinados para que possam verificar se suas respostas estão alinhadas aos propósitos da empresa. Diante disso, os funcionários podem ter a certeza de que houve imparciali- dade na formulação da avaliação e nos resultados esperados. Quan- do os funcionários estão cientes de que suas respostas se alinham com os propósitos da empresa, isso faz com que tenham ainda mais laços fortes e duradouros com a estrutura em que trabalham. É co- mum que funcionários da empresa tenham o sentimento de per- tencimento, isto é, de fazer parte do projeto da empresa, o que é extremamente importante. De acordo com Chiavenato (2009), algumas empresas erram muito na sua avaliação de desempenho. O fato de implantar um sistema de avaliação não significa que as empresas terão sucesso nos seus resul- tados. Isso quer dizer que não basta apenas elencar alguns critérios ou até mesmo indicadores de desempenho se não houver propósitos bem definidos pela gestão. É preciso clareza no processo de avalia- ção, especialmente naquilo que se espera obter como resultado e a el en ab sl /S hu tte rs to ck el en ab sl /S hu tte rs to ck Gestão humanizadaGestão humanizada 103103 forma como foi avaliado. Um dos erros cometidos pelas empresas é justamente a falta de critérios que possibilitem a implantação das melhorias reais e eficazes. Dessa forma, o que se vê são medidas pa- liativas e que não duram muito tempo. Os gestores têm a obrigação de monitorar as avaliações de desem- penho e produtividade e fazer com que o ambiente da empresa es- teja sempre equilibrado, em harmonia, propício para a interação das pessoas e a geração de novas ideias. A falta de uma presença marcante do gestor nas avaliações realizadas faz com que se perca o controle das variações do ambiente interno, com isso os funcionários podem abaixar o ritmo de sua produtividade. Não há dúvidas de que uma empresa seja capaz de interferir no meio social, cultural e de consumo. Por meio de suas estratégias de marketing é capaz de ditar comportamentos e atitudes das pessoas. Uma empresa consegue influenciar pessoas e um mercado como um todo, logo as pessoas que fazem parte desse processo precisam estar conscientes dos propósitos que sua empresa pretende atingir. Com relação a uma perspectiva crítica da organização e ao sistema social, Kunsch (2019) considera que existem sistemas que desafiam a norma estabelecida, isto é, como o ambiente é construído e aceito por todos. Ocorre que constantemente estamos enfrentando os padrões conhe- cidos, as normas e regras estabelecidas, tentamos nos adaptar com frequência, e isso causa desconforto e resistência na maioria dos casos. Logo, o que se propõe é uma adaptação ao contexto, buscando conci- liar os interesses individuais e coletivos. Os trabalhos de Kunsch (2019) sugerem que a humanização seja mais integralmente percebida nas empresas quando estiver atrelada às mudanças mais significativas da sociedade. Aspectos culturais, so- ciais, de gênero, raça e cor já não são mais temas exclusivos do am- biente externo. Pelo contrário, as empresas precisam incorporar as mudanças e os desafios inerentes ao avanço social. As organizações que colocam a humanização na prática sabem conciliar os interesses dos funcionários com as inovações nas carreiras profissionais e com a modernização dos postos de trabalho. O feedback é uma das principais ferramentas de comunicação que atuam diretamente nesse processo de melhoria contínua e é inegável que ele esteja diretamente relacionado à humanização nas empresas. 104104 Gestão de equipes de alta performanceGestão de equipes de alta performance Gestão humanizada 105 Quando o feedback é estabelecido de maneira correta, a empresa de- monstra que as estratégias precisam ser benéficas a todos os seus fun- cionários. Assim, além do fortalecimento dos vínculos entre as pessoas,notamos a melhoria na confiança e na autoestima. Segundo Moscovici (2011), o feedback tem relação com as mudan- ças de comportamento da equipe. Portanto, tem ligação direta com a avaliação de desempenho das empresas, pois oportuniza que os fun- cionários saibam como estão em suas atividades e se estão ou não ali- nhados aos propósitos da empresa (JARDEWESKI; JARDEWESKI, 2014). De maneira formal ou informal o feedback é sempre bem-vindo para que cada indivíduo possa melhorar pessoal e profissionalmente. Diante das considerações a respeito da importância que o feedback tem para as empresas e os indivíduos, é possível concluir que se resu- me a uma avaliação positiva, construtiva ou até mesmo negativa. Por meio do feedback a comunicação empresarial passa a ser mais flexível e assertiva. Os estímulos aos funcionários podem ser benéficos des- de que a gestão saiba como comunicar corretamente os resultados do desempenho individual e coletivo. Desse modo, é preciso ser feito de maneira profissional, respeitando as pessoas e promovendo o apren- dizado a partir dos resultados obtidos. 5.5 Variáveis que influenciam a gestão da liderança Vídeo A liderança pode ser afetada por diferentes variáveis ao longo do tempo. Isso não significa que ela seja frágil, sem propósito ou que as pessoas não saibam liderar. O fato é que em diferentes momentos a ins- tabilidade e a pressão por resultados acabarão afetando o clima interno das empresas, levando ao estresse elevado e à perda de desempenho. A resistência a mudanças, a falta de reciprocidade, os relacionamen- tos instáveis, a falta de autoridade e ética por parte do líder, a falta de consistência para gerar segurança aos membros da equipe, a falta de encorajamento do pensamento estratégico e as falhas na comunica- ção de ideias e procedimentos são algumas variáveis que influenciam de maneira direta a gestão da liderança. Diante disso, é imprescindível que a liderança sirva como inspiração para que os funcionários bus- quem atingir os resultados. Somente quando todos entendem que é ea m es Bo t/ Sh ut te rs to ck ea m es Bo t/ Sh ut te rs to ck preciso dar um pouco mais de si em favor dos trabalhos é que os resul- tados efetivamente aparecem. A tomada de decisão nas empresas há muito tempo vem sendo dis- cutida como um processo integrador. Verificamos em grande parte da literatura que é crescente a preocupação das empresas em saber como lidar com esse processo e chegar a resultados satisfatórios. Assim, o que se apresenta é um cenário favorável a boas práticas e ao surgimen- to de metodologias capazes de dar forma e padrão às ações. Segundo os estudos de Robbins (2005), os seis passos do modelo de tomada de decisões racionais são: Definir o problema: é preciso definir muito bem qual ou quais são os problemas que afligem uma gestão voltada para a liderança. Identificar os critérios para a decisão: é a correta e adequa- da seleção dos critérios que serão utilizados para uma tomada de decisão. Atribuir pesos específicos para cada um desses critérios: cada critério tem o seu grau de influência, que pode variar para mais ou para menos. Desenvolver alternativas: é a correta identificação daquilo que pode estar afetando a gestão da liderança. Auxiliar nas alternativas: é a busca de alternativas e soluções que possam dar suporte ao processo de decisão. Escolher a melhor alternativa: a partir da avalição das alterna- tivas, o próximo passo é a escolha daquela que possa contribuir para a tomada de decisão gerencial. 1 2 3 4 5 6 106106 Gestão de equipes de alta performanceGestão de equipes de alta performance Gestão humanizada 107 Importante destacar que esse é um processo simples, mas que na grande maioria das vezes é negligenciado pelos profissionais. Logo, deve- ria ser objeto de estudo e treinamento por parte das empresas, para que as decisões tomadas fossem as mais precisas e assertivas possíveis. Com base nesse breve roteiro é possível estabelecer critérios objetivos para que uma decisão resulte em soluções práticas e eficientes para as empresas. Já discutimos em alguns momentos que as empresas precisam res- ponder rapidamente às demandas do mercado. Devido a uma grande variedade de produtos e serviços oferecidos, os clientes e consumidores são frequentemente seduzidos pelas estratégias de marketing. Isso faz com que a disputa por espaço seja constante e acirrada. Assim, quanto mais os funcionários estiverem acostumados a processos dinâmicos e efi- cientes que os levem a chegar mais rapidamente ao consenso, maiores serão as chances de os produtos e serviços de uma empresa atenderem às expectativas diante das demandas de uma empresa. O quadro a seguir representa bem as premissas necessárias para o processo de tomada de decisão em uma empresa. Quadro 6 Premissas da tomada de decisão Tomada de decisões Premissas Clareza do problema O problema está claro e explicado. O líder deve ter todas as informações da situação da decisão. Conhecimento das opções É pressuposto que o líder pode identificar todos os critérios relevantes e listar todas as alternativas viáveis, mesmo que ele esteja ciente de todas as consequências possíveis para cada alternativa. Clareza das preferências A racionalidade assume que os critérios e as alternativas devem ser classifi- cados e ponderados para refletir sua importância. Preferências constantes Pressupõem-se que os critérios específicos de decisão são constantes e que os pesos atribuídos a eles são estáveis no decorrer do tempo. Ausência de limitações de tempo ou custos O líder racional pode obter todas as informações sobre critérios e alternati- vas, porque pressupõe não haver limitações de tempo ou custos. Retorno máximo O líder racional escolherá a alternativa que resume ao máximo o valor per- cebido. Fonte: Elaborado pelo autor com base em Soares, 2015, p. 92. O Quadro 6 apresenta de maneira clara a participação do líder ra- cional no processo de tomada de decisões da empresa. Muito do que é teoria se torna prática quando observamos ser necessário entender os diferentes momentos em que a decisão é requerida. Um gestor deve sempre analisar com muita cautela as condições em que surgem os 108 Gestão de equipes de alta performance eventuais problemas e ter consciência de que sua decisão pode ou não afetar mais de um setor ou departamento da empresa. A liderança precisa ser facilitada pelo líder, ou seja, ele deve permitir que a interação possa fluir naturalmente. Quando as pessoas se sen- tem à vontade para interagir e participar das decisões, fazem do seu lo- cal de trabalho um ambiente positivo e prazeroso. É muito comum que as empresas invistam em programas de treinamento justamente para conscientizar os seus funcionários quanto à importância de se obter engajamento, consenso e comprometimento de todos. A humanização só pode acontecer quando o ambiente favorece e estimula a empatia e a solidariedade entre os membros do quadro funcional. Ainda sobre a liderança, uma variável importante no processo é a confiança. Segundo Rousseau et al. (1998, p. 395), “confiança é um estado psicológico que compreende a intenção de aceitar uma vulne- rabilidade baseada em expectativas positivas das intenções ou com- portamentos de outro”. A confiança prevê a aceitação de uma condição que se supõe positiva e benéfica às pessoas. Confiar em alguém é acre- ditar que essa pessoa sabe o que está fazendo e pode conseguir re- sultados satisfatórios em determinado empreendimento. O quadro a seguir apresenta três tipos de confiança baseadas: na intimidação, no conhecimento e na identificação. Quadro 7 Tipos de confiança Tipo de confiança O que é Confiança baseada na intimidação Fundamenta-se no medo das consequências, caso os de- veres não sejam cumpridos. Cria relações frágeis nas quais qualquer violação ou inconsistência pode destruir o rela- cionamento. Só funciona se a ameaça de represália for real e se a perda potencial for maior do que o ganhoobtido com a quebra das expectativas. Mas muitos relacionamen- tos começam assim, como entre executivo e subordinado, quando o chefe tem autoridade para punir o funcionário. Confiança baseada no conhecimento Compreende a maioria das relações organizacionais. Baseia-se na previsibilidade do comportamento, que vem de um histórico de interações. Desenvolve-se com o tem- po, apoiando-se mais na informação do que na intimida- ção. Comportamentos inconsistentes não necessariamen- te causam rompimentos, pois uma parte pode às vezes compreender a violação cometida pela outra e perdoá-la. Gestão humanizada 109 Tipo de confiança O que é Confiança baseada na identificação É o nível mais alto de confiança, alcançado quando há co- nexão emocional entre as partes. Elas entendem e con- cordam com as intenções uma da outra, a ponto de uma poder agir em nome da outra. A lealdade é inquestionável. Fonte: Menegon, 2012, p. 83. A intimidação lamentavelmente pode existir e sabemos que é pre- judicial aos relacionamentos das pessoas. Não há mais espaço para esse tipo de relação, tampouco para a sua existência nas organizações modernas. O conhecimento é uma realidade que vem ganhando cada vez mais espaço nas empresas, muito por conta da especialização do trabalhador. Quanto mais pessoas preparadas, maior a possibilidade de compartilharem suas experiências e seus conhecimentos, capazes de gerar confiança e melhorar as interações. Por fim, a identificação prevê a conexão emocional entre as partes, sendo a mais significativa de todas. Os laços são fortes e a lealdade se sobressai na relação. Repare que o último tipo de confiança, isto é, com base na identi- ficação é o que as empresas buscam ao longo do tempo e procuram desenvolver em seus líderes. Em alguns casos, a própria pessoa do líder por si só consegue ser respeitada e seguida pela admiração das pessoas, no contato diário, na sua forma de agir, pensar e se posi- cionar. Isto mostra que as pessoas gostam quando têm alguém para seguir e confiar; mais do que isso, alguém que possa servir de ponto de apoio quando mais precisarem. A partir da análise dos tipos de confiança, podemos entender que as relações humanas são influenciadas por essa dinâmica de confiança e apoio e que o ambiente empresarial precisa de equilíbrio e respeito mútuo. Somente quando as empresas entenderem definitivamente a importância da construção de ambientes favoráveis à criatividade, à inovação, ao desenvolvimento humano e profissional é que veremos uma gestão mais humanizada. CONSIDERAÇÕES FINAIS Com base nos estudos realizados, foi possível identificarmos que uma empresa que tenha interesse em tornar o seu ambiente mais humaniza- do precisa investir na interação e colaboração entre todos os funcioná- rios. Os líderes devem ser solidários, democráticos, flexíveis e pacientes para oportunizar a todos que participem das decisões da empresa. 110 Gestão de equipes de alta performance ATIVIDADES Atividade 1 Uma gestão humanizada é muito bem-vinda nas empresas, especialmente quando o assunto é produtividade e desempe- nho das pessoas. Muito se fala em manter um bom clima de trabalho e evitar os conflitos prejudiciais a todos. Assim, nos últimos tempos esse assunto ganhou força, principalmente no Pós-Pandemia de Covid-19. Com base nas informações anteriores, explique o que as empresas podem fazer para implementar uma gestão humanizada. Atividade 2 O princípio de que uma gestão humanizada pode ajudar as em- presas a melhorar seu desempenho, fazer com que as pessoas se integrem mais e se comprometam com o sucesso da organização. É muito comum na atualidade ouvir de profissionais de recursos humanos que a melhor estratégia para fortalecer a empresa é o investimento nesse modelo de gestão. Assim, cabe a todos os profissionais que atuam na gestão da empresa buscar alternativas para fazer com que esse processo se consolide. Com base nessas considerações, cite quais são os pilares de uma gestão humanizada. Atividade 3 A gestão humanizada nas empresas é essencial para a produti- vidade e performance. O fato de proporcionar aos funcionários um ambiente capaz de motivar e incentivar as pessoas a darem o seu melhor pela empresa faz com que os profissionais de dife- rentes áreas adotem uma postura mais humanizada. Algumas vantagens são facilmente percebidas e precisam ser potenciali- zadas pela gestão. Com base nessas informações, comente a respeito das vantagens de uma gestão humanizada nas empresas. REFERÊNCIAS BARROS NETO, J. P. Gestão de pessoas 4.0. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2022. CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas e o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 2. ed. 4. reimp. Rio de Janeiro: Campus, 2004. CHIAVENATO, I. Recursos humanos. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2009. CORTEZ, P. A.; ZERBINI, T.; VEIGA, H. M. da Silva. Contexto de trabalho e burnout: confirmação de moderadores por metanálise. Revista Psicologia, Organizações e Trabalho, v. 19, n. 4, p. 755-761, 2019. Gestão humanizada 111 FARACO, N. N. T. Gestão de equipes de manutenção. Curitiba: Contentus, 2020. IZIDORO, C. (org.). Avaliação de desempenho de empresas. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2015. JARDEWESKI, C. J. F.; JARDEWESKI, G. L. F. Técnicas e métodos de avaliação de desempenho. Curitiba: Intersaberes, 2014. KNAPIK, J. Gestão de pessoas e talentos. Curitiba: Intersaberes, 2012. KOPS, L. 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Monografia (Bacharelado em Administração) – Universidade Estadual de Feira de Santana, 2006. SOARES, M. T. R. C. Liderança e desenvolvimento de equipes. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2015. STADLER, A.; PAMPOLINI, C. P. G. Gestão de pessoas: ferramentas estratégicas de competitividade. Curitiba: Intersaberes, 2014. Resolução das atividades 1 Gestão de talentos 1. Atrair talentos para as empresas é uma tarefa difícil, mas fundamental para o sucesso dos negócios. Os gestores sabem que somente por meio das pessoas é possível realizar com eficiência e eficácia os trabalhos. Assim, compete ao departamento de recursos humanos em parceria com os líderes e gestores atrair pessoas para o seu quadro funcional. Diante dessas considerações, explique de que forma as empresas podem atrair talentos diante da acirrada competitividade entre os setores. A atração de talentos requer primeiro uma política interna voltada para o desenvolvimento de pessoas e a manutenção delas no quadro funcional. Para isso, os propósitos da empresa devem estar muito bem elaborados, as metas alinhadas aos objetivos, entre outras coisas. A cultura organizacional e o clima interno devem ser favoráveis à criatividade e à inovação, assim como facilitar a interação e os relacionamentos entre setores da empresa. É preciso oferecer o que há de melhor em termos de recursos, espaço físico, salários e benefícios e plano de carreira para que uma empresa possa ser considerada atrativa. 2. O desenvolvimento de talentos é parte essencial da estratégia de uma empresa, especialmente quando o assuntoé vantagem competitiva. Quem consegue desenvolver talentos em diferentes áreas da empresa certamente estará em vantagem competitiva em relação à concorrência de mercado e com grandes possibilidades de ser líder em seu setor. Nesse sentido, desenvolver pessoas passa a ser uma questão de sobrevivência e manutenção dos negócios. Com base nessas informações e nos estudos realizados, escreva o que pode ser feito na implementação de um programa de aprendizagem e talentos. Na implementação de programas de aprendizagem e talentos as empresas podem propiciar que os funcionários participem da apresentação de projetos de melhoria interna aos seus colegas. As empresas também podem ministrar cursos e treinamentos, montar 112 Gestão de equipes de alta performance seminários, academias de talentos com premiações aos melhores trabalhos e ideias, oferecer oportunidades de desenvolvimento, como apoio a cursos de especialização e participação em eventos externos representando a empresa. 3. A organização e gestão das equipes são valores fundamentais das organizações competitivas. Isso se deve ao fato de que elas podem proporcionar resultados satisfatórios e desempenhos acima da média. Diante disso, as empresas buscam trabalhar esses valores de maneira que se tornem o seu maior diferencial e sejam refletidos nos seus negócios. Com base nessas considerações e nos estudos feitos, explique como uma empresa pode organizar equipes de trabalho. A organização de uma equipe de trabalho se dá pela escolha das pessoas por parte dos gestores. Isso acontece primeiro por intermédio da seleção de pessoas com diferentes conhecimentos, habilidades e atitudes. A partir daí, elas começam a se conhecer e a trocar informações a respeito do trabalho de cada uma. Em seguida, quando as demandas são apresentadas pela gestão da empresa e começa a divisão do trabalho, o estabelecimento das regras e dos métodos de trabalho acontece. 2 Gestão de equipes 1. Em se tratando de gestão de equipes de trabalho dentro das empresas, é fundamental um alinhamento entre os gestores e os seus respectivos funcionários. Nesse sentido, o que se identifica é uma necessidade pertinente para que se elaborem políticas internas que possam potencializar as relações entre as pessoas e assim melhorar o desempenho de todos. Com base nessas informações, apresente pelo menos duas estratégias possíveis de serem executadas em uma empresa para proporcionar engajamento no trabalho e sinergia entre os setores e departamentos. É preciso que o ambiente seja democrático e as informações possam fluir livremente entre os setores e departamentos da empresa. Os gestores devem facilitar a comunicação entre as equipes de trabalho e dar suporte a elas sempre que necessário. Podem ainda estimular a troca de conhecimento e metas entre os profissionais, gerando aprendizagem organizacional. Resolução das atividades 113 2. Nas relações entre funcionários e seus gestores é imprescindível que regras e condutas sejam bem definidas e aceitas por todos. Nesse sentido, é necessário que se desenvolvam políticas para formação de líderes que possam fazer com que as equipes trabalhem com muito mais eficácia. A partir dessas considerações, explique como as empresas podem desenvolver a liderança entre seu quadro de funcionários. Ampliando o diálogo e a sinergia entre os profissionais dos diferentes setores da empresa, além de políticas internas que estimulem a participação dos funcionários na tomada de decisão a respeito dos negócios da empresa. 3. As equipes autogerenciáveis ganharam importância no cenário empresarial tendo em vista a necessidade de atender a grandes demandas do mercado consumidor. Por isso, é necessário fazer com que diferentes perfis e características possam trabalhar juntos em prol dos objetivos da empresa. Com base nessas considerações, explique resumidamente como os gestores podem fazer com que as equipes autogerenciáveis tenham sucesso em suas atividades. Por meio da troca de conhecimentos, habilidades e atitudes, do fortalecimento das relações entre as pessoas e do foco nas metas e objetivos. Conhecer as dificuldades de cada integrante da equipe e saber como cada um pensa e realiza as suas ações é essencial para o desempenho de todos. Cada um possui a sua responsabilidade, suas atribuições, e deve entregar resultados consistentes. 3 Gestão do trabalho remoto 1. O trabalho remoto veio para ficar e ainda há muita coisa para ser discutida e colocada em prática nas empresas. Nesse sentido, os gestores e demais profissionais precisam buscar ampliar as possibilidades do trabalho remoto para outras áreas da empresa, fazendo com que a produtividade não seja afetada. É um caminho sem volta, e as pessoas devem estar aptas a manter sua rotina de trabalho com eficiência e eficácia. Como base nos estudos feitos, explique de que forma a empresa pode contribuir para o avanço do trabalho remoto sem prejudicar o desempenho dos seus funcionários. 114 Gestão de equipes de alta performance As empresas podem auxiliar na organização do fluxo de trabalho dos seus funcionários, da gestão do tempo e da segurança da informação. O departamento de RH precisa atuar na articulação do trabalho remoto, no sentido de estar sempre presente para atender e tirar dúvidas por meio de chat, reuniões on-line ou troca de mensagens. 2. Toda nova tecnologia ou metodologia de trabalho implantada em uma organização é motivo de resistência por parte dos funcionários no começo. Por outro lado, é necessário elaborar políticas internas que favoreçam o aprendizado de metodologias e o uso de softwares e evitem a baixa motivação e produtividade. Com base nessas considerações, aponte duas possíveis estratégias que a gestão da empresa pode adotar para minimizar os desafios do trabalho remoto. Para reduzir a possível falta de motivação e produtividade, estabelecer mecanismos de controle passa a ser fundamental para que a produtividade não seja afetada. Também é possível investir na comunicação entre todas as pessoas por meio de políticas que beneficiem a troca de conteúdos entre todos. 3. Para que os trabalhos da empresa possam fluir com naturalidade e de maneira eficiente, é preciso que as pessoas estejam motivadas e engajadas. As tarefas do dia a dia muitas vezes são repetitivas e acabam causando cansaço e falta de motivação nas pessoas. Logo, trabalhar o engajamento no trabalho passa a ser mais que estratégico, e sim fundamental para o bom desempenho das tarefas. Com base nessas considerações, explique e cite dois exemplos de como é possível gerar mais engajamento no trabalho dentro das empresas. O engajamento só consegue se fazer presente se as pessoas estiverem imbuídas do sentimento de mudança, isto é, quererem efetivamente unir esforços para atingir os objetivos estratégicos. Sendo assim, o que se prevê daqui em diante são as empresas investindo cada vez mais em fortalecer o ambiente interno e fazer com que as pessoas consigam interagir dentro ou até mesmo fora da empresa. Por meio da valorização das pessoas e das suas tarefas é possível aumentar o nível de engajamento e envolvimento com os objetivos da empresa. Resolução das atividades 115 4 Liderança e trabalho integrado 1. A liderança em uma empresa é a base para que as equipes de trabalho e os demais funcionários possam executar as suas atividades. A grande maioria das empresas investe em programas de formação de líderes pensando justamente na produtividade e no desempenho coletivo. Nesse sentido, é necessário que as empresas entendam que somente por meio de uma liderança forte e presente as pessoas têm condições de desempenhar com sucesso as suas atividades. Com base nisso, explique como a liderança pode influenciar os trabalhos da empresa. As equipes precisam de sinergia em suas ações, foco nos resultados e busca constantemente pelo sucesso dos negócios. Para isso, a presença de uma liderança é indispensável parase alcançarem os objetivos estabelecidos. Logo, o líder precisa estar ao lado das equipes de trabalho fornecendo apoio e orientação para que elas consigam realizar as suas tarefas com eficácia. 2. O papel dos líderes é transformar as equipes e forças de trabalho. Isso se deve ao fato de que, sem que haja consenso, envolvimento, comprometimento e foco nos resultados, dificilmente os trabalhos serão bem-sucedidos. Diante disso, o que se espera é que alguns tipos de modelo de liderança possam se refletir positivamente na conduta da pessoas e fazê-las produzir. A partir dessas considerações, comente a respeito do tipo de liderança chamada carismática. A liderança carismática é aquela que inspira e transmite confiança às pessoas, fazendo com que elas queiram seguir os exemplos do líder, bem como faz com que elas o escutem e obedeçam às suas ordens. Esse modelo é baseado na comunicação assertiva e na empatia de uma pessoa com relação a outras. 3. É inegável que a liderança é essencial para o sucesso dos trabalhos dentro das empresas. Independentemente do seu porte, é preciso haver nelas pessoas que desenvolvam o papel de líder e auxiliem as demais pessoas a atingir os objetivos planejados. Do contrário, muito provavelmente não será possível melhorar o desempenho ou cumprir as metas estabelecidas. Diante dessas considerações sobre a liderança nas empresas, comente a respeito da sua importância estratégica para os negócios. 116 Gestão de equipes de alta performance O líder tem influência direta nos resultados, pois, por meio da sua atuação constante motivando, incentivando, corrigindo, controlando os trabalhos, é possível garantir que os erros serão mínimos e que as metas serão cumpridas. Assim, ele atua diretamente na realização das tarefas acompanhando os processos e o desempenho individual e coletivo. 5 Gestão humanizada 1. Uma gestão humanizada é muito bem-vinda nas empresas, especialmente quando o assunto é produtividade e desempenho das pessoas. Muito se fala em manter um bom clima de trabalho e evitar os conflitos prejudiciais a todos. Assim, nos últimos tempos esse assunto ganhou força, principalmente no Pós-Pandemia de Covid-19. Com base nas informações anteriores, explique o que as empresas podem fazer para implementar uma gestão humanizada. Uma gestão humanizada ocorre quando uma empresa busca o bem-estar de seus funcionários, o engajamento de todos, a retenção dos principais talentos do seu quadro funcional e o aumento da produtividade. Isso pode ser feito na prática pelos gestores por meio de uma relação mais próxima com os funcionários, estabelecendo confiança e oferecendo estrutura necessária para trabalhar. 2. O princípio de que uma gestão humanizada pode ajudar as empresas a melhorar seu desempenho, fazer com que as pessoas se integrem mais e se comprometam com o sucesso da empresa. É muito comum na atualidade ouvir de profissionais de recursos humanos que a melhor estratégia para fortalecer a empresa é o investimento nesse modelo de gestão. Assim, cabe a todos os profissionais que atuam na gestão buscar alternativas para fazer com que esse processo se consolide. Com base nessas considerações, cite quais são os pilares de uma gestão humanizada. Os pilares de uma gestão humanizada são a mudança do clima organizacional, o fortalecimento das relações internas, a identificação de competências a serem desenvolvidas, o treinamento e a capacitação das pessoas para o trabalho. 3. A gestão humanizada nas empresas é essencial para a produtividade e performance. O fato de proporcionar aos funcionários um ambiente capaz de motivar e incentivar as pessoas a darem o seu melhor pela empresa faz com que os Resolução das atividades 117 profissionais de diferentes áreas adotem uma postura mais humanizada. Algumas vantagens são facilmente percebidas e precisam ser potencializadas pela gestão. Com base nessas informações, comente a respeito das vantagens de uma gestão humanizada nas empresas. A gestão humanizada tem como vantagens o aumento na sinergia entre as pessoas, os objetivos alcançados com menos conflitos e retrabalho, a motivação, o engajamento nos projetos, o companheirismo entre equipes de trabalho, o fluxo de informação democrático e amplo e o aumento da produtividade. 118 Gestão de equipes de alta performance Gestão de equipes Renato da Costa de alta performance ISBN 978-65-5821-210-2 9 786558 212102 Código Logístico I000903 G estão de equipes de alta perfo rm ance R enato da C o sta