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Estacas - parte I João Crisóstomo dos Santos Neto Estruturas de Fundações Capítulo 6 Introdução As estacas são elementos estruturais esbeltos que, colocados no solo por cravação ou perfuração, têm a finalidade de transmitir cargas a ele, através da sua base (resistência de ponta), por sua superfície lateral (resistência lateral), ou por uma combinação das duas. As estacas recebem esforços axiais de compressão, que são resistidos pela reação exercida pelo solo sobre a sua ponta e pelo atrito lateral entre a estaca e o terreno. Esforços axiais O esforço axial pode ser caracterizado como a resultante das forças que atuam na direção do eixo perpendicular ao plano da seção de uma barra. O esforço axial pode ser positivo (tração) ou negativo (compressão). Objetivos Após os estudos deste capítulo, esperamos que você seja capaz de: • explicar a importância estrutural das estacas; • demonstrar as principais características das estacas de madeira, metálica, pré-moldadas e moldadas in loco; • atender aos critérios para a escolha do tipo de estaca; • aplicar critérios para a determinação do número de estacas; • explicar as possibilidades de distribuição das estacas. 106 Uniube Esquema 6.1 Estacas 6.1.1 Estacas de madeira 6.1.2 Estacas metálicas 6.1.3 Estacas pré-moldadas 6.1.4 Estacas moldadas in loco 6.2 Critérios para a escolha da estaca 6.3 Determinação do número de estacas 6.4 Distribuição das estacas 6.4.1 Critérios para a distribuição das estacas 6.5 Considerações finais Estacas 6.1 As estacas são caracterizadas como um elemento de fundação profundo, esbelto, que são inseridas no solo por cravação ou perfuração e que têm como objetivo transferir a carga ao solo através da sua extremidade inferior (resistência de ponta) ou pela sua extremidade lateral (resistência lateral) ou ainda por uma combinação das duas. (ALONSO, 2010). Observe a Figura 1: Uniube 107 Figura 1 – Estaca Fonte: Elaborado pelo autor. De acordo com o seu material, as estacas podem ser de: • madeira; • aço (metálica); • concreto. Estacas de madeira6.1.1 A madeira foi o primeiro material a ser utilizado para a fabricação de estacas. Nos dias atuais, devido aos novos materiais disponíveis, as estacas de madeiras não são muito utilizadas como na antiguidade. As estacas de madeira são elementos feitos de troncos de árvores, sendo o eucalipto o tipo de madeira mais utilizada no Brasil, cravados no solo através de percussão, ou seja, dando golpes na estaca através de um bate-estaca. 108 Uniube 6.1.1.1 Vantagens e desvantagens As estacas de madeira apresentam as seguintes vantagens para uma construção. Podemos citar: • baixo custo; • facilidade de transporte devido ao seu baixo peso; • possibilidade de fazer emendas com facilidade; • grande período de vida útil quando submersas. As estacas de madeira também possuem algumas desvantagens que podem tornar o seu uso inviável, tais como: • rápida deterioração quando há variação no nível da água; • fragilidade durante a cravação; • limitação de carga. Estacas metálicas6.1.2 As estacas metálicas são utilizadas, geralmente, em casos em que o emprego da estaca de concreto não pode ser adotado. As estacas de açosão indicadas para situações em que se deseja diminuir a vibração durante a cravação desse elemento de fundação ou quando o atrito para atravessar o solo impede a utilização da estaca de concreto. As estacas de aço são feitas de peças de aço soldado e/ou laminado, principalmente em perfis de seção I ou H, assim como por trilhos. Os perfis I e H possuem alta capacidade para suportar cargas horizontais, verticais e momento fletor. Observe a Figura 4: Uniube 109 Figura 4 – Estacas metálicas formato H Fonte: Getty Images. Acervo Uniube. Conforme já falado anteriormente, uma das principais características da estaca de aço é a sua fácil cravação, além de apresentar uma grande capacidade de carga. A facilidade em sua cravação se deve pelo fato de ao invés de provocar compressão lateral do terreno, ela se limita a perfurar as camadas do terreno. É natural a preocupação com a corrosão das estacas metálicas, porém essa situação não ocorre quando o elemento de fundação permanece por toda a sua extensão enterrada abaixo do solo. Isso acontece porque a presença de oxigênio que existe abaixo do solo é praticamente nula, assim, não há a possibilidade de ocorrer uma reação química que promova a corrosão do aço. A NBR 6122 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT, 1996) estabelece que seja desconsiderada a espessura de 1,5 mm em toda a sua superfície que esteja em contato com o solo, o que resulta em uma área útil inferior à área real do perfil. 110 Uniube 6.1.2.1 Vantagens e desvantagens As estacas metálicas apresentam as seguintes vantagens para uma construção: • podem ser utilizadas em quase todos os tipos de solo; • apresentam facilidade de emenda; • têm grande capacidade de carga; • podem ser reutilizadas quando utilizadas em serviços provisórios; • apresentam inexistência de vibração durante a sua cravação. As estacas metálicas também possuem algumas desvantagens que podem tornar o seu uso inviável, tais como: • custo elevado quando comparado ao custo das estacas de concreto; • exigência de indústria específica para a sua fabricação. Estacas pré-moldadas6.1.3 As estacas pré-moldadas são fabricadas em indústrias específicas, sendo cravadas no terreno através de um equipamento conhecido como bate-estaca. As estacas pré-moldadas podem ser feitas de concreto armado ou protendido e podem ser concretadas em formas horizontais ou verticais. Esse tipo de estaca pode ser cravadono terreno através de percussão e também as estacas podem ser denominadas como “estacas de deslocamento”. Em virtude do terreno, as estacas pré-moldadas podem ser feitas por um único tipo de material ou por uma combinação de dois materiais: • concreto e madeira; • concreto e aço. Uniube 111 6.1.3.1 Vantagens e desvantagens As estacas pré-moldadas apresentam as seguintes vantagens para uma construção: • boa capacidade de carga; • boa resistência aos esforços de flexão e cisalhamento; • execução em alta qualidade. As estacas pré-moldadas também possuem algumas desvantagens que podem tornar o seu uso inviável, tais como: • alto peso próprio; • limitação de comprimento. Observe a Figura 5: Figura 5 – Estacas pré-moldadas Fonte:Getty Images. Acervo Uniube. 112 Uniube Estacas moldadas in loco6.1.4 As estacas moldadas in loco, como o nome já diz, são produzidas no local onde elas serão utilizadas. Esse tipo de estaca é executado através do preenchimento com concreto das perfurações feitas no terreno. Essas perfurações podem ser feitas através de escavações e/ou cravações. As estacas moldadas in loco podem ser: • brocas; • estaca tipo raiz; • estaca escavada; • estacas trauss; • estacas franki; • estaca hélice contínua, entre outras. Critérios para a escolha da estaca 6.2 É importante considerar alguns fatores no momento da escolha do tipo de estaca a ser utilizada: • localização: é necessário um conhecimento prévio do local onde a estaca ficará localizada para que seja possível verificar a quais condições ela estará sujeita durante a sua vida útil; • tipo de estrutura: para que seja possível proceder com o melhor tipo de estaca para o projeto, é importante saber qual o tipo da estrutura e quais cargas estarão atuando na estaca; • solo: para qualquer projeto de fundação, faz-se necessário um amplo conhecimento sobre o solo onde a estrutura será projetada; Uniube 113 Determinação do número de estaca 6.3 Distribuição da estaca 6.4 Após a determinação do tipo de estaca a ser adotada no projeto, deve-se determinar o número de elementos necessários. O número de estacas pode ser cálculo através da seguinte expressão: Após a determinação do número de estacas necessárias para o projeto em questão, faz-se necessário determinar como elas serão distribuídasno bloco de fundação. Para isso, Alonso (2010) estabelece algumas formas de como as estacas devem ser distribuídas. • durabilidade: a partir do conhecimento da localização e do solo, é possível fazer uma opção de estaca que tenha uma durabilidade considerável; • custo: além de todos os critérios acima relacionados, não se pode deixar o fator custo de lado. É necessário verificar se a escolha feita é viável economicamente para o projeto que está sendo desenvolvido. 114 Uniube • Distribuição para duas estacas: Figura 6 – Distribuição de duas estacas Fonte: Elaborado pelo autor. • Distribuição para três estacas: • Distribuição para quatro estacas: Figura 7 – Distribuição de três estacas Fonte: Elaborado pelo autor. Fonte: Elaborado pelo autor. Figura 8 – Distribuição de quatro estacas Uniube 115 • Distribuição para cinco estacas: Figura 9 – Distribuição de cinco estacas Fonte: Elaborado pelo autor. 116 Uniube • Distribuição para seis estacas: Figura 10 – Distribuição de seis estacas Fonte: Elaborado pelo autor • Distribuição para sete estacas: Figura 11 – Distribuição de sete estacas Fonte: Elaborado pelo autor. • Distribuição para oito estacas: Figura 12 – Distribuição de oito estacas Fonte: Elaborado pelo autor. Uniube 117 Critétios para a distribuição das estacas6.4.1 No momento de realizar a distribuição das estacas, alguns critérios deverão ser levados em consideração, tais como: • Deve-se respeitar o espaçamento entre as estacas (d), tanto para estacas situadas no mesmo bloco quanto entre estacas de blocos vizinhos; • Quando possível, a distribuição das estacas deve ser preferencialmente realizada no sentido do pilar que apresentar maior dimensão; • Em situações em que um bloco apresenta mais de um pilar, o “centro de carga” deverá ser o mesmo do centro de gravidade das estacas; • Sempre que possível, recomenda-se que seja evitado o uso de blocos contínuos de grandes dimensões; • Em caso de um bloco apresentar duas estacas para dois pilares, deve-se evitar que as estacas sejam posicionadas abaixo dos pilares; • Em projetos de pequeno porte, deve-se optar por não misturar estacas de diâmetros distintos em um mesmo bloco. Exemplificando Observando os pilares representados na figura a seguir, dimensione uma fundação de estacas pré-moldadas considerando as seguintes características: • diâmetro da estaca: 40cm • distância entre o centro das estacas: 100cm • capacidade da estaca: 700kN • distância da divisa: 50cm 118 Uniube → Determinação do número de estacas: → Determinação do centro de carga dos pilares: Uniube 119 → Distribuição das estacas: Considerações finais 6.5 A partir do que foi apresentado, podemos observar que em qualquer situação a escolha do tipo de estaca bem como dos métodos de projeto serão definidos pelos mesmos fatores que influenciaram a definição do uso de estacas. Além disso, concluímos que aescolha do tipo de estaca de fundação a ser utilizada em um projeto deve respeitar quesitos de segurança sem deixar de levar em conta os fatoreseconômicos. Outros critérios, como a topografia e tipo do solo,também influenciam a escolha do melhor tipo de estaca a ser utilizada assim como a preocupação com as edificações vizinhas. 120 Uniube Resumo Neste capítulo, iniciamos o nosso estudo referente às estacas dando destaque: • aos estudos sobre as estacas; • às características das estacas de madeira, metálica, pré-moldada e moldada in loco; • aos critérios para a escolha do tipo de estaca; • aos critérios para a determinação do número de estacas; • à distribuição das estacas. Uniube 121 Referências ALONSO, Urbano. Exercícios de Fundação. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2010. 206 p. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 6122 – Projeto e Execução deFundações. Rio de Janeiro, 1996. GETTY Images. Disponível em: www.gettyimages.com.br. Acesso em: 22 abr. 2020. Referências