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Módulo Introdutório Dr. Rafael Oliveira PSIQS Psiquiatras qualificados DSM 5 - TR Parte I PSIQS Psiquiatras qualificados Problematização Quais são os principais desafios na construção? Por que os critérios mudam? Quais são as principais abordagens teóricas na construção dos transtornos mentais? Introdução A sigla TR Construção do DSM 5 Fenomenologia Critérios Validadores Estrutura Organização Roteiro P Compreender os principais conceitos da neurofisiologia e neuroatamia é fundamental, mas para saber medicar você precisará compreender a estrutura diagnostica dos transtornos mentais. Ou seja, a questão não é exatamente o que o paciente fala ou o que você acha, e sim como ele se enquadra dentro dos critérios diagnosticos. O que a bula indica é conforme um conjunto de critérios e não de sintomas como muitos pensam. SIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com introdução P Classificação é o processo pelo qual a complexidade dos fenômenos é reduzida por meio de sua organização em categorias de acordo com alguns critérios estabelecidos para um ou mais propósitos. Na psiquiatria ainda não existem dados suficientes para criar um sistema diagnóstico preciso que utilize bases fisiopatologicas, como por exemplo biomarcadores. A solução então é agrupar estes conhecimentos em apresentações e as nomear de transtornos, que justamente refletem uma natureza neutra e abrangente. SIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com introdução P O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) fornece uma linguagem padrão com a qual os clínicos, pesquisadores, sistemas de saúde e pacientes podem se comunicar. Antes da padronização um nome de um transtorno mental não queria dizer muita coisa, vamos para um exemplo prático a palavra mania é muito utilizada pelos pacientes como TOC ou então como parafilia. Vamos conversar sobre a revisão da quinta versão do DSM, chamada de DSM 5 TR que foi publicada em 2013 e revisada em 2023. SIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com introdução P Para evitar confusões vamos dividir nossa conversa em duas partes, uma em que discutiremos as diferenças entre o DSM IV e o DSM 5, e outra sobre a revisão de texto (TR). Como as alterações da versão TR são mais simples iremos começar por ela, justamente pois a discussão sobre o DSM 5 será mais complexa. Essa complexidade vem das ideias de continuum, espectro e comorbidades que devem ser entendidas. SIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com introdução P O que é a sigla TR? Nada mais é do que Text Revision, ou seja, texto revisado, muitas alterações são denominativas. Isso significa que a APA pretende apenas atualizar a forma escrita e esclarecer alguns critérios que receberam reclamações, ou seja, não existem avanços significativos para a apoiar a criação de vários transtornos. Outro detalhe é que alguns dados estatísticos estavam desatualizados (O DSM-5 é de 2013), então eles foram atualizados. SIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com tr P Temos algum transtorno novo? Temos apenas 1, o transtorno de luto prolongado, que é apenas uma versão atualizada de um transtorno já descrito na seção III do DSM-5, que agora está na sessão II no capítulo “Transtornos Relacionados a Traumas e Estressores” pois tem uma diretriz de reação a um trauma ou estressor. O diagnóstico de transtorno de luto prolongado é conceitualizado como um intenso anseio ou desejo, frequentemente com intensa tristeza e dor emocional, por uma pessoa falecida próxima. SIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com tr P Destaca-se a criação de códigos diagnósticos para comportamento suicida e autolesão não suicida, visando um rastreamento mais eficaz. Outras alterações incluem substituições de termos, revisões de critérios diagnósticos e adição de descritores de gravidade em transtornos como bipolaridade e transtorno de estresse pós-traumático. Em geral a versão TR é praticamente idêntica a versão do DSM-5 com pouco impacto na prática clínica. SIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com tr A construção do DSM 5 teve dois objetivos principais. I - Abordar as limitações presentes no DSM IV. II - Integrar as evidências científicas acumuladas e clínicas sobre os transtornos mentais. Contribuição de 400 especialistas de 13 países, dentre eles psiquiatras, neurologistas, pediatras, psicólogos, epidemiologistas e estatísticos. Construção do dsm 5 PSIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com A principal estratégia foi desenvolver uma classificação que organizasse os transtornos mentais dentro de uma certa lógica. Essa lógica é bem variável (também questionável) envolvendo a ideia de “grupos” com base em fisiopatologia, genética, fatores de risco, experiência clínica e evidências da neurociência. A tal “lógica” é combinada com conceitos fenomenológicos e critérios de validação para construir uma “descrição” do que seriam estes transtornos. Construção do dsm 5 PSIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com O DSM - 5 traz novas maneiras de pensar e definir os transtornos mentais. Dimensionalidade Espectro Continuum Especificadores Construção do dsm 5 PSIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com Continuum (Continuidade): Refere-se à ideia de que os transtornos mentais podem ser vistos como existindo em um espectro contínuo, em vez de categorias discretas. Dimensionalidade: Relaciona-se com a abordagem de avaliar e descrever os transtornos mentais em múltiplas dimensões em oposição a uma abordagem categórica que classifica os transtornos em categorias distintas. PConstrução do dsm 5 SIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com Espectro: Refere-se à ideia de que os transtornos mentais não são entidades discretas e isoladas, mas sim fazem parte de um espectro ou gama de condições relacionadas. Especificadores: São características adicionais que podem ser utilizadas para descrever mais detalhadamente um diagnóstico de transtorno mental. Construção do dsm 5 PSIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com O DSM - 5 traz novas maneiras de pensar e definir os transtornos mentais. Dimensionalidade: Abordagem que considera os transtornos mentais como ocorrendo em um espectro contínuo de gravidade, ao invés de categorias discretas, permitindo uma avaliação mais detalhada da intensidade dos sintomas e do funcionamento. Espectro: Reconhecimento de que muitos transtornos mentais compartilham características comuns e podem se manifestar em diferentes graus de intensidade, sugerindo uma interconexão entre eles. Especificadores: Características adicionais ou subtipos que podem ser utilizados para descrever melhor a apresentação clínica de um transtorno, como padrões de sintomas, curso do transtorno, idade de início, entre outros. Construção do dsm 5 PSIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com A fenomenologia é uma abordagem filosófica que se concentra na descrição direta e na compreensão dos fenômenos da experiência humana, sem preconceitos teóricos ou pressupostos prévios. No contexto da psiquiatria, a fenomenologia é utilizada para explorar e compreender os aspectos subjetivos dos sintomas e experiências vividas por pessoas com transtornos mentais. Fenomenologia PSIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com P Karl Jaspers (1883-1969): Psiquiatra, filósofo e professor alemão. Contribuições significativas para a psiquiatria moderna. Abordagem fenomenológica e existencialista na compreensão dos transtornos mentais. Obra mais influente: "General Psychopathology" (1913), em nossa plataforma. Fenomenologia SIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com P Epoché: Refere-se à suspensão temporária de julgamentos e suposições para permitir uma investigação imparcial e direta dos fenômenos da consciência. Consciência: É a capacidade de estar ciente de si mesmo e do mundo ao seu redor, com foco na experiência subjetiva e na intencionalidade dos pensamentos, emoções e percepções. Experiência: Refere-se à vivência diretae imediata dos fenômenos pelo sujeito, sem interpretações ou juízos prévios, buscando descrever os aspectos essenciais da experiência tal como são vivenciados. FENOMENOLOGIA SIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com EPOCHÉ CONSCIÊNCIA FENO MENO LOGIA EXPERIÊNCIA Muitos dos "critérios de validade" foram propostos originalmente por Robins e Guze em 1970, incluem: Validade de construção: Os critérios para um diagnóstico devem refletir os aspectos essenciais do transtorno ou condição mental que está sendo avaliado. Validade de critério: Os critérios de diagnóstico devem ser capazes de distinguir entre indivíduos com o transtorno em questão e aqueles sem o transtorno. critérios de validação PSIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com Validade discriminante: O diagnóstico deve ser distinto de outros transtornos ou condições mentais semelhantes, garantindo assim a especificidade do diagnóstico. Validade prognóstica: O diagnóstico deve ter implicações prognósticas significativas em termos de curso clínico, resposta ao tratamento e resultados a longo prazo. Validade etiológica: O diagnóstico deve estar associado a características biológicas, genéticas, psicológicas ou ambientais específicas que contribuem para o desenvolvimento do transtorno. Validade de confiabilidade: Os critérios de diagnóstico devem ser aplicáveis de forma consistente por diferentes profissionais de saúde mental, garantindo assim a confiabilidade do diagnóstico. critérios de validação PSIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com Os testes de campo do DSM-5 revelaram limitações na abordagem etiologicamente agnóstica do DSM para o diagnóstico de transtornos mentais. Alguns transtornos, como o transtorno neurocognitivo maior e o transtorno de estresse pós-traumático, apresentaram boa confiabilidade entre avaliadores, enquanto outros foram muito ruins. O transtorno depressivo maior foi um exemplo proeminente, exibindo um kappa muito baixo de 0,28 (acordo questionável), possivelmente devido à ampla gama de gravidade da doença e à sua heterogeneidade. critérios de validação PSIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com O que é o Kappa ? É uma medida estatística usada para avaliar o acordo entre observadores em diagnósticos médicos, onde 1 indica acordo perfeito e 0 indica acordo ao acaso. Muitos diagnósticos médicos, especialmente na psiquiatria, dependem de interpretação subjetiva pelos observadores, já que não há diagnósticos objetivos. A estatística kappa é frequentemente usada para medir o acordo entre observadores. critérios de validação PSIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com Pcritérios de validação SIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com FREEDMAN, R. ET AL. (2013). THE INITIAL FIELD TRIALS OF DSM-5: NEW BLOOMS AND OLD THORNS. A estrutura linear externa do DSM tem como objetivo refletir melhor a força relativa das relações entre grupos de transtornos. A organização interna dos grupos de transtornos tem como objetivo refletir mais uma perspectiva de desenvolvimento de crianças para adultos. Ou seja, externamente aos capítulos (relação entre os capítulos) existe uma lógica de semelhanças entre as apresentações e internamente (dentro do próprio capítulo) a lógica é da relação cronológica da associação “relação com o neurodesenvolvimento” primeiro. ESTRUTURA PSIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com Transtornos do neurodesenvolvimento Espectro da esquizofrenia e outros transtornos psicóticos Transtornos bipolares e relacionados Transtornos Depressivos Transtornos depressivos Transtornos de ansiedade Transtornos obsessivo-compulsivos e relacionados Transtornos relacionados a traumas e estressores ESTRUTURA PSIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com Transtornos dissociativos Transtornos somáticos e relacionados Transtornos alimentares Transtornos de eliminação Transtornos do sono-vigília Disfunções sexuais Disforia de gênero ESTRUTURA PSIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com Transtornos disruptivos do controle de impulsos e do comportamento Transtornos relacionados ao uso de substâncias e aditivos Transtornos neurocognitivos Transtornos de personalidade Transtornos parafílicos Outros transtornos mentais ESTRUTURA PSIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com ESTRUTURA PSIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com O DSM-5 é um manual diagnóstico, não um tratado. Ele não faz menção a teorias de causas, manejo ou tratamento ou a questões controversas, das quais há muitas, que giram em torno de uma determinada categoria diagnostica. Para isso, é necessário um tratado como o Comprehensive Textbook of Psychiatry (Tratado de psiquiatria), que é livre para discutir pontos de vista controversos e alternativos. ORGANIZAÇÃO PSIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com São três bases: Abordagem descritiva. Critérios diagnósticos. Descrição sistemática. PSIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com A abordagem do DSM-5 é ateórica com relação a causas. O manual tenta descrever as manifestações dos transtornos mentais e apenas raramente explicar como acontecem. As definições dos transtornos, de modo geral, consistem em descrições de características clínicas. ORGANIZAÇÃO abordagem descritiva PSIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com ORGANIZAÇÃO critérios diagnósticos São fornecidos para cada transtorno mental em particular. Esses critérios incluem uma lista de requisitos que devem estar presentes para que o diagnóstico seja feito. Eles aumentam a confiabilidade do processo de diagnóstico. PSIQS Psiquiatras qualificados www.psiqs.com ORGANIZAÇÃO Descrição Sistemática O DSM-5 descreve sistematicamente cada transtorno em termos de seus aspectos associados. Aspectos específicos relacionados a idade, cultura e gênero; prevalência, incidência e risco; curso; complicações; fatores predisponentes; padrão familiar; e diagnóstico diferencial. Achados laboratoriais e sinais e sintomas de exame físico associado são descritos quando relevantes. PSIQS Psiquiatras qualificados Caso tenha alguma dúvida, utilize o nosso fórum, nosso whatts app ou então o email atendimento@psiqs.com www.psiqs.com Obrigado!