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LIBRAS I 
APRESENTAÇÃO 
 
Professora Me. Elizete Pinto Cruz Sbrissia Pitarch Forcadell 
● Mestre em Ensino Formação Docente Interdisciplinar (UNESPAR); 
● Especialista em Educação Especial: Área da Surdez – Libras (ESAP); 
● Especialista em Psicopedagogia Institucional e Clínica (ESAP); 
● Especialista em Atendimento Educacional Especializado – AEE (UEM); 
● Graduada em Pedagogia (UEM); 
● Graduada em Letras com Habilitação em Libras (EFICAZ); 
● Proficiência em Tradução/Interpretação de Libras (FENEIS); 
● Proficiência em Tradução/Interpretação de Libras (PROLIBRAS); 
● Técnica em Tradução/Interpretação de Libras (IFPR); 
● Docente Universitária da Disciplina de Libras; 
● Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Especial e Inclusiva 
– GEPEEIN (IFPR). 
 
Currículo Lates: http://lattes.cnpq.br/4629794516295407 
 
 
 
APRESENTAÇÃO DA APOSTILA 
 
Prezado(a) acadêmico(a)! 
 
Que alegria estar com você novamente! Seja bem-vindo(a) à Disciplina de 
LIBRAS I. 
Chegou a hora de você se desafiar a praticar a Língua Brasileira de Sinais, 
conhecer os aspectos visuais e gramaticais, as propriedades e a formação dos léxicos 
na morfologia e na sintaxe que podem mudar o significado e o sentido dos sinais e 
formar frases para iniciar sua comunicação com os surdos. É importante refletir e 
saber utilizar cada formação de sinais e sua descrição imagética, pois pode descrever 
cada objeto, animais e pessoas. 
Vale lembrar que, para que você não perca o contato com a língua de sinais, é 
preciso exercitar os “olhos” para “ver” as complexidades da língua, e, permitir que suas 
“mãos” possam “falar” durante a prática dessa língua visuo-espacial. 
 Essa disciplina te convida a mergulhar em um outro mundo, o das imagens em 
movimento, dos significados em comunicação, dos traços das expressões que 
traduzem todas emoções. 
Aprender língua de sinais é desafiante e instigante, e você acadêmico(a) 
poderá através desse material didático executar seus primeiros sinais e iniciar a 
comunicação com a comunidade surda. 
Portanto, aproveite este material didático que foi elaborado em 4 Unidades e 
apresenta conteúdos teóricos, mas, principalmente práticos. Sabemos que estudar 
essa disciplina exige contato com a prática, por isso, tentamos apresentar a você, 
exemplos sinalizados por essa autora e pelo Professor Me. Murilo Sbrissia Pitarch 
Forcadell, surdo e esposo da autora desse material didático, a quem agradecemos 
pela valorosa contribuição. 
Na Unidade I - DIVISÃO DA LÍNGUA DE SINAIS: ASPECTOS DA 
VISUALIDADE, você vai adquirir noções básicas da Libras reconhecendo os aspectos 
visuais que compõe a língua, desenvolver a consciência espacial, as expressões 
faciais e corporais e a percepção visual na língua de sinais, registrar o conceito de 
descrição imagética e identificar os processos de formação de sinais, analisando os 
conhecimentos linguísticos e culturais dos sujeitos surdos. 
Na Unidade II - CONVERSANDO EM LIBRAS, passaremos a conhecer e 
distinguir os parâmetros da Libras na constituição dos sinais, percebendo os 
elementos visuais e estéticos na literatura sinalizada, aprenderemos o alfabeto 
manual e o sinal soletrado, a diferença entre os numerais cardinais, ordinais e 
quantidade nos diferentes contextos, e como executar os sinais conforme seus 
parâmetros de configuração de mão, utilizando esses sinais de maneira apropriada 
em situações comunicativas com surdos. 
Na Unidade III - APRESENTAÇÃO PESSOAL, apresentaremos as saudações 
em Libras em contextos formal e informal, você será capaz de usar adequadamente 
os pronomes e os advérbios de lugar na Língua Brasileira de Sinais e compreender a 
Libras em seus aspectos morfológicos e sintáticos. 
Na Unidade IV – OS CLASSIFICADORES NA LIBRAS, será compartilhado 
com você os verbos de locomoção e os verbos classificadores e seu sistema de flexão, 
para que inicie a construção de frases com verbos de locomoção e com verbos 
classificadores, diferenciando classificadores de adjetivos descritivos, bem como 
conhecer os vários tipos de verbos classificadores na Libras. 
Durante toda essa disciplina de Libras I, estaremos sempre ao seu lado, pois o 
nosso desejo é que você possa avançar mais e mais a cada Unidade de Estudo. 
Buscamos então, usar uma linguagem acessível para facilitar a apreensão dos 
conteúdos. Portanto, para que a aprendizagem de Libras se torne algo prazeroso e 
contagiante, você precisa ir além desse material didático, leia, releia, treine – se for o 
caso – o material, assista às videoaulas correspondentes e desafie-se a praticar os 
sinais. Não se esqueça de consultar os sites e links que sugerimos, a fim de 
complementar seus estudos. Procure aprimorar seus conhecimentos sobre o assunto 
com colegas que já cursaram Libras, busque conhecer e iniciar uma relação 
comunicativa com os surdos. O importante é não ficar parado, lembre-se que a Libras 
é a comunicação em suas mãos! 
 
Bons estudos e abraços sinalizados! 
 
 
UNIDADE I 
DIVISÃO DA LÍNGUA DE SINAIS: ASPECTOS DA VISUALIDADE 
Professora Mestre Elizete Pinto Cruz Sbrissia Pitarch Forcadell 
 
 
Plano de Estudo: 
 
● Experiência visual: o ouvir pelos olhos e o falar com as mãos; 
● Componentes não manuais: expressões faciais e corporais na Libras; 
● A percepção e o processamento visual espacial dos surdos; 
● Os aspectos da visualidade na educação dos surdos; 
● A descrição imagética na Libras; 
● Signo visual e suas propriedades na Libras. 
 
 
Objetivos de Aprendizagem: 
 
● Adquirir noções básicas da Libras reconhecendo os aspectos visuais que 
compõem a língua; 
● Desenvolver a consciência espacial, as expressões faciais e corporais e a 
percepção visual na língua de sinais; 
● Registrar o conceito de descrição imagética; 
● Identificar os processos de formação de sinais, analisando os conhecimentos 
linguísticos e culturais dos sujeitos surdos. 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
Iniciamos esta unidade com um questionamento reflexivo a você acadêmico(a)! 
Já parou para pensar, se de repente você se visse obrigado(a) a se comunicar 
sem emitir sons, usar as mãos e as expressões faciais e corporais para ser 
compreendido(a)? Não te parece estranho, ter que criar estratégias para que as pessoas 
possam compreender seus pensamentos, seus sentimentos, suas emoções, seus 
conhecimentos, as informações, através de uma emissão não baseada em sons e falas 
orais? Você já parou para observar um grupo de surdos conversando? O que você 
sentiu? Como você se sentiria se estivesse no meio deles por alguns instantes? 
Se você já teve essa experiência, posso imaginar algumas das suas respostas ou 
reflexões para cada um desses questionamentos, se você ainda não teve essa 
experiência, sugiro que comece aos poucos ir observando e tentando refletir sobre isso. 
Um dos pontos que certamente você irá perceber é a forma criativa que os surdos 
estabelecem para se comunicar através da comunicação visuo-espacial, o uso das 
expressões faciais e corporais, a sinalização rápida, o direcionamento dos olhos, os 
apontamentos, são pontos muito destacados nessa comunicação, a isso, damos o nome 
de experiência visual da surdez, ou seja, a ausência da audição faz com que os surdos 
recorram a outros caminhos para interagir e desenvolver suas necessidades de 
compreensão linguística. 
Não podemos confundir essa forma de comunicação como mímica, como muitas 
pessoas erroneamente o fazem. Já estudamos anteriormente que a língua que os surdos 
brasileiros utilizam em sua comunicação, ensino e aprendizagem (LIBRAS), passou a ser 
reconhecida através da Lei 10.436/2002, sendo assim, ela tem o mesmo status linguístico 
que as línguas orais, no caso do Brasil, a Língua Portuguesa. 
Assim, a Libras é uma língua natural, relacionada aos costumes e à cultura da 
comunidade surda brasileira, que flui de uma necessidade de comunicação entre as 
pessoas que utilizam a modalidadeou visuo-espacial para se comunicar. 
A experiência visual dos surdos, os componentes não-manuais, a percepção e o 
processamento visual espacial, os aspectos da visualidade na educação dos surdos, a 
descrição imagética e o signo visual e suas propriedades, a partir de agora farão parte 
dos nossos estudos que estão subdivididos em tópicos neste material didático. 
 
1 EXPERIÊNCIA VISUAL: O OUVIR PELOS OLHOS E FALAR COM AS MÃOS 
 
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/deaf-mute-patient-use-video-conference-
1779751163 
 
Para iniciarmos os estudos deste capítulo, propomos apresentar uma síntese 
sobre a modalidade visuo-espacial, escrito por Heloisa Maria Moreira Lima Salles et al. 
(2007 p. 83-84) o texto a seguir é um convite para que você acadêmico(a) mergulhe a 
fundo nas reflexões abordadas no livro de Salles, et al. (2007) intitulado: “Ensino de 
Língua Portuguesa para Surdos: caminhos para a prática pedagógica”, vol. I. 
Na caracterização das línguas de sinais, o primeiro aspecto a considerar é que 
essas línguas utilizam a modalidade visuo-espacial, que se distingue da modalidade oral-
auditiva, utilizada pelas línguas orais. Essa oposição remete ao cerne do conceito de 
linguagem, suas propriedades e manifestações. 
Como salienta Brito (1995, p.11), a linguista brasileira pioneira no estudo da Língua 
Brasileira de Sinais (Libras), o canal visuo-espacial pode não ser o preferido pela maioria 
dos seres humanos para o desenvolvimento da linguagem, posto que a maioria das 
línguas naturais são orais-auditivas, porém é uma alternativa que revela de imediato a 
força e a importância da manifestação da faculdade de linguagem nas pessoas. 
Heloisa Maria M. L. Salles et al. (2004), em Ensino de língua portuguesa para 
surdos: caminhos para a prática pedagógica, comenta: 
 
 
Um aspecto que se sobressai no contraste entre as modalidades visuo-espacial 
e oral-auditiva é a questão da arbitrariedade do signo linguístico. Esse conceito 
estabelece que, na constituição do signo linguístico, a relação entre o significante 
(imagem acústica/fônica) e o significado é arbitrária, isto é, não existe nada na 
forma do significante que seja motivado pelas propriedades da substância do 
conteúdo (significado). Uma característica das línguas de sinais é que, 
diferentemente das línguas orais, muitos sinais têm forte motivação icônica. Não 
é difícil supor que esse contraste se explique pela natureza do canal perceptual: 
na modalidade viso-espacial, a articulação das unidades da substância gestual 
(significante) permite a representação icônica de traços semânticos do referente 
(significado), o que explica que muitos sinais reproduzam imagens do referente; 
na modalidade oral-auditiva, a articulação das unidades da substância sonora 
(significante) produz sequências que em nada evocam os traços semânticos do 
referente (significado), o que explica o caráter imotivado ou arbitrário do signo 
linguístico nas línguas orais. (SALLES et al., 2004, p. 83) 
 
Para compreender melhor sobre a construção da experiência visual das pessoas 
surdas, Strobel (2008) exemplifica que os surdos conseguem andar ao mesmo tempo 
em que escrevem a mensagem no celular, diferentemente dos ouvintes. Isto porque, com 
a impossibilidade ou dificuldade de ouvir, os surdos se baseiam na visão e, portanto, 
desenvolvem uma atenção visual muito grande, percebendo mais detalhes do que os 
ouvintes. Também possuem uma comunicação facial bastante expressiva e usam o corpo 
e muitos gestos para se fazer entender. 
Sob esse ponto de compreensão é possível entender que, não há uma 
comunicação sem o estabelecimento do olhar, e, esse olhar além de estar associado à 
gramática espacial, também é pré-requisito que contribui na organização dos espaços 
físicos. 
Vivenciar a surdez como ‘experiência visual' permite que o surdo possa 
compreender e interagir com o mundo, e no mundo, por meio da sua cultura, suas 
experiências, sua língua, suas representações e produções. A língua visual-espacial é 
capaz de dar ao surdo o direito de pensar, sonhar e planejar as coisas em sua língua 
natural. 
A língua de sinais acontece em um espaço de sinalização que inclui o próprio 
corpo sinalizante e o espaço à frente do seu corpo. Os sinais serão feitos neste espaço, 
como você pode observar no vídeo The Giving Tree in American Sign Language, 
acessando: https://www.youtube.com/watch?v=moUvQIsro_M 
 
 
Figura 1 - A representação da árvore na história e o sinal Árvore 
 
Fonte: SILVERSTEIN. The giving tree in American Sign Language. 2013. Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=moUvQIsro_M. Acesso em: 26 ago. 2021. 
 
 
Figura 2 - Sinal de árvore 
 
 
Fonte: SILVERSTEIN. The giving tree in American Sign Language. 2013. Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=moUvQIsro_M. Acesso em: 26 ago. 2021. 
 
 
The giving tree (em português: A árvore generosa) que é traduzido em várias 
línguas, inclusive em línguas de sinais e latim. A análise do texto sinalizado foi feita com 
foco no uso da mão passiva e ativa na ação construída para a representação dos dois 
personagens principais da história 
O texto faz uso frequentemente dos classificadores, da mudança de papel e da 
perspectiva do sinalizador. Também é rico em expressões faciais e recursos não 
manuais. A árvore é representada pelo corpo do sinalizador. Para indicar a vida da árvore 
(as folhas, flores e os frutos), o sinalizador usa a configuração de mão, principalmente 
 
com as duas mãos, que indicam os galhos da árvore. Na verdade, a forma das mãos 
refere-se ao sinal ÁRVORE. 
Somente quando o sinalizador quer representar o menino é que usa uma das mãos 
(em sinal de ÁRVORE) como mão passiva. A mão ativa então representa o menino, 
incorporando a inflexão dos verbos direcionais. No final da história, quando a árvore não 
tem galhos, o sinalizador não usa as mãos e a configuração de mão (em sinal de 
ÁRVORE). Aliás, para indicar o tronco cortado da árvore, o sinalizador se curva e a parte 
superior do corpo é abaixada. Assim, existe uma metáfora. O corpo para cima demonstra 
a vida (a árvore viva com galhos, flores, frutos), e o corpo para baixo, o fim da vida (a 
árvore sem galhos e com o tronco cortado). A perspectiva do sinalizador é baseada nessa 
contradição, e os recursos não manuais (por exemplo, o olhar do sinalizador) são 
direcionados por esta relação espacial; para cima, quando representa a árvore, e para 
baixo, quando representa o menino. 
 
● Conectando objetivos com estrutura: a mudança de papel 
 
Objetivo: Reconhecer a mudança de papéis como um marcador da mudança de 
sujeito e/ou objeto, bem como o uso do olhar para indicar o sujeito em uma sinalização. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3 - Mudança de papéis na sinalização 
 
 
Fonte: adaptado pela autora: SILVERSTEIN. The giving tree in American Sign Language, 2013. 
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=moUvQIsro_M. Acesso em: 26 ago. 2021. 
 
 
 Para Campello (2008), o papel do olhar, movimentos dos lábios, estufar das 
bochechas, boca em forma de “canudo”, movimentos das sobrancelhas, movimentos 
oculares, movimentos da testa, movimentos da cabeça, movimentos da face direita ou 
da esquerda puxando os lábios para cima ou para baixo e diversas formas da expressão 
facial são muito importantes: neles se mostra o “termômetro” em cada medida dos sinais 
ou dos gestos, para dar sentido ou dar o valor de tamanho ou de forma. As 
representações, associadas com as expressões faciais do narrador ou sujeito surdo, 
completam e acabam qualificando o signo visual em sinal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 COMPONENTES NÃO MANUAIS: EXPRESSÕES FACIAIS E CORPORAIS NAS 
LIBRAS 
 
 
Fonte: Murilo Forcadell, arquivos da autora (2021). 
 
A Libras conta com uma série de componentes não manuais, conforme Quadros 
e Karnopp (2004) esses componentes referem-se às expressões faciaise aos 
movimentos do corpo produzidos durante a realização do sinal ou realizados 
isoladamente para marcar construções sintáticas – marcar sentenças interrogativas, 
relativas, concordância, tópico e foco, marcar referência específica, referência 
pronominal, negação, advérbios, grau ou aspecto, bem como para marcar afetividade 
conforme ocorre nas línguas naturais e podem muitas vezes definir ou diferenciar 
significados entre sinais. 
 Muitos ouvintes ao iniciarem seus estudos e aprendizagem na área da língua de 
sinais apresentam bastante dificuldades em compreender a diferença que a expressão 
da face tem para marcar aspectos gramaticais. Vejamos alguns depoimentos e relatos 
de alunos ouvintes iniciantes da aprendizagem da Libras: 
 
“É uma dificuldade pra gente de trabalhar a expressão facial...” 
“A expressão facial não é uma coisa rotineira para nós ouvintes, e por isso é tão difícil.” 
“O professor contou uma piada para nós. É a primeira vez que “ouço” uma piada de 
surdos e contada por um surdo, e me impressiona muito a capacidade do professor surdo 
 
de mostrar os sentimentos através do corpo, da fase e do olhar também. Não é só as 
mãos que falam, mas o conjunto. Para pessoas contidas como eu é um “baile” 
desenvolver, além das mãos, essa capacidade de falar com o corpo! Depois em outra 
atividade ele nos chamou a atenção para a expressão facial. Particularmente tenho 
bastante dificuldade neste aspecto: cara de gesso!” 
 
 
A expressão facial e corporal é o quinto parâmetro na Língua Brasileira de Sinais 
e pode traduzir alegria, tristeza, raiva, amor, encantamento, entre outros sentimentos, 
dando mais sentido à Libras e, em alguns casos, determinando o significado de um sinal 
como por exemplo: 
Figura 4 - Expressões faciais associadas às palavras 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
 
 
 
Figura 5 - Expressões faciais associadas às palavras 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
Para os usuários de língua de sinais, as expressões faciais têm duas funções 
distintas: as afetivas, capazes de expressar as emoções (assim como nas línguas 
faladas) e as gramaticais que se subdividem em lexicais e sentenciais (como orações 
relativas), servindo para distinguir funções linguísticas, uma característica única das 
línguas de modalidade visual-espacial. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6 - Expressões faciais afetivas 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
Figura 7 - Expressões faciais afetivas 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
 
 
Figura 8 - Expressões faciais gramaticais 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
Figura 9 - Expressões faciais associadas à sentença interrogativas 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
Figura 10 - Expressões faciais associadas à sentenças afirmativas ou negativas 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
Figura 11 - Expressões faciais associadas à sentenças exclamativas 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
Os trabalhos de Baker e Cokely (1980), Baker e Padden (1978) e Baker-Shenk 
(1983) são estudos que analisam a importância das expressões não-manuais expressa 
pela face (sobrancelhas franzidas, piscar dos olhos, movimentos de lábios) e pelo corpo 
 
(movimento de cabeça e tronco). Os estudos de Baker-Shenk (1983) serviram de base 
para Ferreira-Brito e Langevin (1995) identificarem as marcas não manuais em Libras. É 
importante registrar que duas expressões não manuais podem ocorrer simultaneamente, 
como podemos observar nas frases apontadas por Quadros apud Strobel (1995, p. 25), 
e sinalizadas pela autora deste material didático: 
 
Figura 12 - Expressões faciais associadas às construções sintáticas 
PORTUGUÊS LIBRAS Expressão 
 
 
Você encontrou seu 
amigo? 
 
 
VOCÊ ENCONTRAR AMIG@ 
(expressão de interrogação) 
 
 
 
Você encontrou seu 
amigo. 
 
 
VOCÊ ENCONTRAR AMIG@ 
(expressão de afirmação) 
 
Você encontrou seu 
amigo! 
VOCÊ ENCONTRAR AMIG@ 
(expressão de alegria) 
 
Você encontrou seu 
amigo!? 
VOCÊ ENCONTRAR AMIG@ 
(expressão de dúvida/desconfiança) 
 
 
Você encontrou seu 
amigo. 
VOCÊ ENCONTRAR AMIG@ 
(expressão de negação) 
 
Você encontrou seu 
amigo? 
VOCÊ ENCONTRAR AMIG@ 
(expressão de interrogação/negação) 
 
Fonte: adaptado de Strobel (1995). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 A PERCEPÇÃO E O PROCESSAMENTO VISUAL ESPACIAL DOS SURDOS 
 
 
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/vector-girl-faces-silhouette-looking-like-1894348066 
 
 
Quando falamos em surdez como experiência visual, Skliar, (2013, p. 28) 
esclarece que todos os mecanismos de processamento da informação, e todas as formas 
de compreender o universo em seu entorno, se constroem como experiência visual. O 
autor ainda em seus estudos complementa: 
 
Ao definir a surdez como uma experiência visual, que constitui e especifica a 
diferença, não estou restringindo o visual a uma capacidade de produção e 
compreensão especificamente linguística ou a uma modalidade singular de 
processamento cognitivo. Experiência visual envolve todo tipo de significações, 
representações e/ou produções, seja no campo intelectual, linguístico, ético, 
estético, artístico, cognitivo, cultural etc. (SKLIAR, 1998, p. 11). 
 
Assim, reconhecer e valorizar a importância da experiência visual para os sujeitos 
surdos, como forma peculiar de apreender o mundo e de posicionar-se diante dele, não 
só abre caminhos para que este se constitua na sua diferença, como também cria 
possibilidades no seu processo de aprendizagem, levando em consideração às 
características visuais, gestuais e espaciais da língua de sinais. 
Para Campello (2008) essa experiência visual do surdo está relacionada à 
percepção de signos visuais, e a partir dessa percepção os surdos criam os significados 
que irão compor a sua comunicação sinalizada: 
 
 
O signo visual nascido ou criado culturalmente pela comunidade Surda está em 
constante pesquisa, uma vez que envolve uma dada percepção visual e 
construção de ideias e imagens visualizadas que regem ou se constituem como 
princípios da língua natural e da modalidade comunicativa que possibilita a 
comunicação interativa entre os Surdos em um mesmo ambiente linguístico ou 
distinto deles. Os signos visuais (ou do som da palavra para os oralizados) criam 
uma língua quando repassam uma ou várias informações para o cérebro e essa 
passa para uma ação verbal ou sinalizada (CAMPELLO, 2008, p. 100). 
 
 Nessa linha de pensamento, Campello (2008, p. 91) ressalta que a Língua de 
Sinais tem “inúmeras formas de apreensão, interpretação e narração do mundo a partir 
de uma cultura visual”, o que significa que a Língua de Sinais, no âmbito da experiência 
visual, não pode ser pensada apenas em seus aspectos estruturais, mas ancora-se 
também na exploração da visualidade do sujeito. 
Sobre a experiência visual apontada por Campello (2008), temos que a cultura 
surda e identidade surda são formadas pelas experiências e pelos saberes do povo 
surdo. Todo o povo surdo traz consigo a experiência de ser surdo – e esta é uma 
experiência surda individual. Contudo, quando essa experiência pessoal se mistura com 
os saberes provenientes das experiências de outras pessoas surdas, incluindo aquelas 
que vêm do passado ou de outros lugares, nós podemos encontrar a cultura surda 
(BAHAN, 1994). Então, existem muitas formas pelas quais as pessoas surdas podem 
adquirir saberes do mundo surdo, todavia a Literatura Surda se torna uma das mais 
importantes. 
A Literatura Surda produzida pelos artistas surdos advém das suas experiências e 
dos saberes presentes no seu mundo surdo. Assim, os surdos levam adiante a sua 
cultura (linguística e de outros saberes) para outros surdos. 
A Literatura Surda pode incluir a escrita por surdos, mas é principalmente uma 
literatura em línguas de sinais, quase sempre produzida por pessoas surdas. Podeser 
original (criada pelos próprios autores surdos), traduzida ou adaptada. Essas traduções 
e adaptações nem sempre são traduções de textos, mas sim de outros recursos como 
filmes e teatros (BAHAN, 2006). 
A Literatura Surda em língua de sinais é uma manifestação artística (com poemas, 
narrativas, teatros, piadas, entre outros) criada e apresentada por surdos. Entende-se 
que determinada produção faz parte da Literatura Surda se ela é criada e apresentada 
por surdos, o conteúdo mostra elementos da cultura surda, o público-alvo é um público 
 
de surdos, e/ou a forma de apresentação é por meio da língua dos surdos. A centralidade 
está na linguagem estética visual, a qual tem suas origens no uso da língua cotidiana, 
mas se modifica e se destaca por ser “diferente”, principalmente por aumentar a produção 
das imagens visuais. O objetivo das produções literárias é criar imagens visuais fortes e 
inesperadas. Por isso, podemos identificar alguns elementos nas narrativas, piadas, 
teatros e poemas em Libras que chamam a atenção para o aspecto visual. 
As produções literárias focalizam o uso do espaço. Os sinais que costumam ser 
colocados no espaço de sinalização tendem a ser altamente icônicos, ou seja, 
apresentam uma função majoritariamente ilustrativa, criando imagens impressionantes. 
O espaço, além de icônico, tende a ser metafórico. A incorporação dos personagens 
mostra diretamente como são estes personagens, quais os seus sentimentos e como ele 
se comporta. Essa “ação construída”, também conhecida como “incorporação”, é um 
recurso muito valorizado na Literatura Surda no qual o artista recria os personagens por 
intermédio do seu próprio corpo, como vimos anteriormente no tópico I: The giving tree 
(em português: A árvore generosa). A incorporação literária muitas vezes usa o exagero, 
com movimentos maiores e expressões não manuais mais fortes do que na simples 
conversa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 OS ASPECTOS DA VISUALIDADE NA EDUCAÇÃO DOS SURDOS 
 
 
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/detailed-drawing-two-young-women-drinking-
1812672274 
 
 
 Ser professor de alunos surdos significa considerar suas singularidades de 
apreensão e construção de sentidos, as possibilidades de leitura de imagens se bem 
exploradas pelo professor, vai na mesma direção da construção desses sentidos. Martins 
(2010) complementa que: 
 
[...] para que [o professor] possa garantir uma prática adequada e eficaz, precisa 
desenvolver uma pedagogia visual e ser capaz de “transformar as palavras, as 
frases, as significações, os signos em outros signos visuais, ou seja, em “palavras 
visuais” em imagem, porque isso facilita muito para os surdos (MARTINS, 2010, 
p. 39). 
 
A “experiência visual” na educação de surdos e na escolarização dos surdos com 
suas demandas de recursos gesto-visual e espacial aproxima-se sobremaneira da 
mesma tendência da chamada Sociedade da Visualidade, a sociedade da imagem. Como 
diz Jobim e Souza (2000, p.115), “vivemos na sociedade da visualidade, da estetização 
da realidade, da transformação do real em imagens [...]”. 
Nesse contexto as questões da surdez relacionadas à comunicação com base em 
signos visuais se destacam e se coadunam com as características do tempo 
 
contemporâneo: a visualidade anteriormente citada. Assim, a surdez passa a ser 
considerada e reconhecida por parâmetros diferentes dos tradicionais. Apresentamos, na 
sequência, o pensamento de alguns autores sobre tais questões que já foram ressaltadas 
por Skliar (1998): 
 
Tabela 1 - A surdez e a experiência visual 
⮚ Wrigley (1996) afirma que é preciso compreender “a surdez não como uma 
questão de audiologia, mas em um nível epistemológico" (apud SKLIAR, 1998, 
p.10). 
⮚ Skliar (1998, p.11) destaca, por sua vez, que “A surdez constitui uma diferença 
a ser politicamente reconhecida; a surdez é uma experiência visual”. A surdez 
não é mais considerada como patologia clínica terapêutica e sim como uma 
“experiência visual”. 
⮚ Skliar (1995, p. 13) lembra que a Surdez está “ancorada em práticas de 
significação e de representações compartilhadas entre os Surdos”. Os signos 
visuais e suas interpretações variam de acordo com a subjetividade visual, 
representatividade visual e pensamento visual dos sujeitos Surdos. 
⮚ Luklin (1998, p. 44) diz que “O conhecimento dos códigos do ver e do olhar de 
uma cultura visual possibilita outras interpretações e favorece os ‘estrangeiros’ 
que se aproximam da comunidade de pessoas Surdas”, facilitando o 
conhecimento pela visualidade e com os signos visuais. 
⮚ Lane (1992, p. 38) aponta que é “mencionada muita coisa sobre as perdas 
auditivas e nada sobre o aumento da percepção visual e raciocínio”. 
Fonte: Skliar (1998). 
 
A “experiência visual” em consonância com o tema aspectos da visualidade na 
Educação de Surdos, relacionado ao processo de ensinar e aprender com os Surdos, é 
assunto pouco pesquisado, estudado e trabalhado aqui no Brasil, por vários fatores, 
dentre esses gostaríamos de destacar: 
● ausência de uma política educacional específica para a educação dos surdos; 
● exigência de integração dos componentes curriculares aos aspectos da 
visualidade 
● na educação de Surdos; 
● a área é ainda destinada a poucos, pois os estudos da imagem visual, da semiótica 
imagética e mesmo da língua de sinais estão presentes como disciplina em raros 
cursos secundários ou superiores. 
 
Esses pontos comentados têm como objetivo chamar a atenção para uma outra 
questão importante relacionada ao processo de ensinar e aprender: o registro escrito dos 
conteúdos “ensinados”. Os signos da língua dos sujeitos surdos possuem um caráter 
visual, independentemente da escrita e da oralidade. Esses possuem um “outro” modo 
de olhar, com percepções do mundo pautadas nesse caráter visual que difere do caráter 
da fala, que tem a palavra como signo. O registro por e com a escrita do português pode 
ser realizado de forma mecânica, sem “nada dizer” ao aluno surdo, mesmo que as 
anotações sejam feitas por ele. É sabido que muitos alunos não-surdos são exímios 
copistas sem que compreendam nada do que escrevem. As palavras para eles não 
possuem valor de signo. 
Para entender melhor sobre a aprendizagem por meio da visualidade com diversas 
formas de representação presentes no nosso dia a dia, recorremos aos às experiências 
visuais dos surdos e aliamos aos estudos da pesquisadora professora doutora Fernandes 
(2006) sobre “Práticas de letramentos na educação bilíngue para surdos” , em que 
a pesquisadora apresenta um roteiro de leitura com base na experiência visual, afirmando 
que esse canal sensorial deve ser amplamente explorado nos sujeitos surdos, e que a 
representação dos símbolos visuais estão intrinsecamente ligados ao processamento 
cognitivo, possibilitando a construção de conhecimentos. 
No quadro a seguir Fernandes (2006) define melhor como seria a Seleção de 
Textos para iniciar um roteiro de leitura com os surdos, alertando que é necessário 
selecionar textos que apresentam linguagem verbal e não-verbal, para que o aluno 
surdo possa fazer as associações entre as linguagens e constituir os sentidos no texto, 
como por exemplo: fotografias, desenhos, caricaturas, cartazes, outdoors, folhetos, 
informativos, revistas, jornais, gibis, artes plásticas e cênicas, vídeos com trechos de 
programas de TV (novelas, humorísticos, propagandas...), filmes (legendados, 
preferencialmente), games eletrônicos, softwares, entre outros. 
 
 
Tabela 2 - Seleção de Textos 
Elementos intertextuais (Conhecimento prévio) 
 
 
▪ Exploração do conhecimento prévio das informações do texto, fazendo relações com o cotidiano 
dos alunos sobre o tema proposto, questionando os alunos e conduzindo as hipóteses de leitura, 
por meio do diálogo em Libras. 
▪ Organizar perguntas que conduzam à ‘adivinhação’ das palavras e/ou expressõesdesconhecidas presentes no texto. Se necessário, associar pistas visuais como desenhos, 
ícones, etc. 
▪ Seleção de aspectos que organizam o texto escrito e o inserirem em determinado gênero (carta, 
reportagem, notícia, bulas...) tipologia (narração, descrição, argumentação...) e formalidade 
(formal/informal). 
▪ Explorar sinais de pontuação (travessões, exclamações, interrogações...); a organização em 
verso ou prosa; o uso de maiúsculas/minúsculas como recurso estilístico; as caixas de texto, 
os destaques, as notas de rodapé, os asteriscos, a cor e o formato das letras, as marcas da 
oralidade (repetições, reduções de palavras, gírias, dialetos...). 
▪ Seleção de aspectos gramaticais desconhecidos pelos alunos surdos: ordem dos constituintes 
(sujeito-verbo-objeto), conhecimento de gênero e número (concordância nominal), concordância 
verbal (tempo/pessoa...), colocação pronominal, entre outros. 
Fonte: Fernandes (2006). 
 
Para Fernandes (2006) esse primeiro passo é importante porque permite ao aluno 
surdo combinar descrições imagéticas com as pistas textuais, com essa associação o 
professor poderá interagir com seu aluno, estimulando-o a refletir sobre as imagens e as 
palavras já conhecidas ou não por ele. 
A seguir propomos duas imagens que poderão nos ajudar a compreender melhor 
esse processo de exploração da experiência visual: 
 
Figura 13 - Linguagem verbal Figura 14 - Linguagem não-verbal 
 
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-
vector/happy-hijri-year-1441-arabic-calligraphy-
1491195533 
 
Fonte: http://www.arionaurocartuns.com.br/2016/03/cartum-olha-o-
aviaozinho.html 
 
 
Já com esta imagem mesmo sem as 
informações escritas, seria possível criar 
 
Perceba que na imagem acima se os 
textos trouxeram apenas informações 
escritas, se apresentaram como 
grandes cartas enigmáticas, como 
comparativamente a leitura desse texto 
em árabe nos pareceria 
 
estratégias para conduzir o olhar do aluno 
para as ideias centrais do texto (linguagem 
não-verbal). Explorar o conhecimento prévio 
sobre a imagem, realizar relações com o 
cotidiano, chamar a atenção para as pistas 
de palavras que não estão descritas na 
imagem, mas podem ser mais familiares aos 
alunos, induzir o raciocínio para associações 
importantes, questionar e conduzir hipóteses 
de leitura, ampliar o vocabulário com 
informações novas e etc. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 A DESCRIÇÃO IMAGÉTICA NA LIBRAS 
 
 
 
 Morfologicamente, dentro da especificidade da estrutura icônica, a transferência 
de tamanho serve para representar o signo visual do Urso Grande em sinais, e se utiliza 
da descrição imagética para representá-la, como mostra a forma do corpo e do tamanho 
do urso e em seguida, a descrição corporal e da grandeza do urso, como você pôde 
observar nas imagens acima. 
 Isso reflete a transferência da percepção visual, cujos detalhes são transferidos 
mentalmente para o signo visual e, consequentemente, repassam para a imagem visual 
que acaba transmitindo o tamanho por meio de sinais. 
 É sempre bom relembrar que na estrutura icônica cada língua de sinais 
representa seus referentes, ainda que de forma icônica, convencionalmente porque cada 
uma vê os objetos, seres e eventos representados em seus sinais sob uma determinada 
ótica ou perspectiva. Por exemplo, o sinal ÁRVORE em Libras representa o tronco da 
árvore através do antebraço e os galhos e as folhas através da mão aberta e do 
movimento interno dos seus dedos. 
 
Outros exemplos: 
 
 
 
 
Figura 15 - Sinais Icônicos 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
Também há um tipo de transferência icônica metafórica, como poderemos citar os 
exemplos: sabemos que a cor amarela semanticamente é diferente da cor amarela como 
objeto de pintura, e corresponde à forma que se assemelha com a cor do sol para 
demonstrar a visualidade mais chocante. A cor é um signo abstrato, mas sinalizamos a 
cor amarela junto com a metáfora ou com expressões chamativas que possam denominar 
a cor, como ouro, pessoa doente (de malária), as cores das flores (margaridas ou 
girassóis). Culturalmente, a cor preta associa-se com a cor da morte, do terror, da 
infelicidade, do prenúncio de dias ruins, etc. A cor branca denuncia a inocência, a 
brancura da neve, a pureza, etc. Todos os signos que sinalizamos denotam a 
expressividade da suavidade ou do grotesco, dependendo da manifestação das cores. 
Esses sinais podem ser incorporados como adjetivos, aumentativos, diminutivos, 
advérbios, e toda a gramática, como outras línguas, mas com suas próprias 
especificidades e particularidades. 
A sintaxe na Libras é a área da gramática que trata da estrutura da sentença. E 
analisar alguns aspectos dessa língua requer “enxergar” ou “ler” esse sistema que é viso-
espacial e não oral-auditivo. Os mecanismos espaciais apontados por Quadros e 
Karnopp (2004 p. 127-133) que são importantes para estruturar a sintaxe da língua de 
sinais são os seguintes: 
 
a) Local particular – são os espaços para definir a localização espacial 
acompanhada com o referente. Quando sinalizam determinados sinais sempre 
acompanham com a direção do olhar, dependendo da direção (lado esquerdo, 
lado direito, em cima, embaixo, etc). 
b) Direcionar a cabeça, os olhos e o corpo – é um dos mecanismos espaciais 
para definir onde os movimentos da cabeça, dos olhos ou do corpo estão e 
acompanham juntamente com a “apontação” ou de um sinal para determinado 
referente ao substantivo ou ponto de locação. 
c) Apontação ostensiva – é uma apontação para associar a locação com 
determinado substantivo ou ponto de locação. 
d) Usar o pronome – com a apontação para determinar a referência no ponto de 
locação. 
e) Usar um classificador – é um mecanismo muito importante, e utiliza-se como 
“transferência imagética”, cujos detalhes são transferidos mentalmente para o 
signo visual e, consequentemente, repassar para a imagem visual que acaba 
transmitindo o tamanho, forma, espaço, e dá o “toque visual” por meio de sinais. 
Também se usa para representar o referente em descrições imagéticas. 
f) Usar um verbo direcional – os verbos são recursos muito úteis para direcionar 
do ponto da partida ao ponto de chegada para determinados sinais. 
g) Estabelecer o referente – é um dos instrumentos para definir o referente 
mesmo visível ou não visível em determinadas locações espaciais. 
h) Marcação não-manual – é a expressão facial e gramatical que complementa 
o discurso por meio de movimentos da cabeça e movimentos do corpo. 
 
 
 
 
 
6 SIGNO VISUAL E SUAS PROPRIEDADES NA LIBRAS 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
Se você conseguiu ler a mensagem acima sem dificuldades é porque seu 
dicionário mental reconheceu todas as letras e lhes atribuiu um sentido, não necessitando 
soletrar letra por letra para compreender a palavra invertida. 
É esse o mecanismo cognitivo que permitirá que os surdos passem da palavra ao 
significado, sem conhecer seus sons! 
Como ocorre com a gramática em todas as línguas, a Libras possui ordem básica 
da frase que é a SVO (Sujeito, Verbo e Objeto). Segundo as pesquisas da Libras, as 
regras gramaticais admitem também a flexibilidade na sentença. Pode ser também OSV 
e SOV quando há concordância e as marcas não-manuais. Podemos observar os 
exemplos: 
SVO - EL@ VENDER UVA 
OSV – UVA EL@ VENDER 
SOV – EL@ UVA VENDER 
 
⮚ O advérbio varia, assim como mostra a sentença em sinais: 
AMANHÃ J-O-Ã-O VENDER UVA ou J-O-Ã-O VENDER UVA AMANHÃ. 
⮚ Da topicalização muda a ordem da frase de acordo com a prosódia, ou das 
sentenças interrogativas ou da afirmativa ou de negação, assim como: 
 
● Afirmativa: MAÇÃ, J-O-Ã-O GOSTA 
● Negativa: MAÇÃ, J-O-Ã-O NÃO GOSTA 
● Interrogativa: EST@ MAÇÃ, ONDE J-O-Ã-O PEGAR 
 
Quanto a estrutura sintática a Libras possui gramática diferenciada da Língua 
Portuguesa, portanto,não pode ser estudada com base no português. A construção de 
um enunciado obedece regras próprias que refletem a forma de o surdo processar suas 
ideias, com base em sua percepção visual espacial da realidade. Vamos ver alguns 
exemplos na tabela de como isso acontece: 
 
Tabela 3 - Estrutura sintática 
Exemplo (1) 
Libras: EU IR CASA (verbo direcional) 
Português: “Eu irei para casa” 
(observe que /para/ não se usa em Libras porque está incorporado ao verbo) 
Exemplo (2) 
Libras: FLOR EU – DAR MULHER ^ BENÇÃO (verbo direcional) 
Português: “Eu dei a flor para a mamãe.” 
Exemplo (3) 
Libras: PORQUE ISTO (expressão facial de interrogação) 
Português: “Para que serve isto?” 
Exemplo (4) 
Libras: IDADE VOCÊ (expressão facial de interrogação) 
Português: “Quantos anos você tem?” 
Fonte: Strobel e Fernandes (1998). 
 
 
Há alguns casos de omissão de verbos na Libras, como vamos exemplificar: 
 
 
Tabela 4 - Omissão de verbos na Libras 
Exemplo (1) 
 
Libras: CINEMA O-P-I-A-N-O MUITO BO@ 
Português: “O filme O Piano é maravilhoso!” 
Exemplo (2) 
Libras: PORQUE PESSOA FELIZ-PULAR 
Português: “...porque as pessoas estão felizes demais!” 
Exemplo (3) 
Libras: PASSADO COMEÇAR FÉRIAS EU VONTADE DEPRESSA VIAJAR 
Português: “Quando chegaram as férias, eu fiquei ansiosa pra viajar” 
Fonte: Strobel e Fernandes (1998). 
 
 
A estrutura Semântica e Pragmática na Libras também apresenta distinção entre 
a língua falada ou escrita, como no caso da língua portuguesa. Na língua portuguesa, a 
estrutura semântica e pragmática se aborda em relação com os sentidos das palavras e 
das frases, por exemplo: “Me lambuzo todo chupando manga” e “Não posso sair com 
essa manga rasgada”. Os sinais, na sua maioria, não são correspondidos com as 
palavras da língua portuguesa, por exemplo: 
a) ÔNIBUS IGUAL COBRA – se refere a ônibus que faz muitos trajetos e leva 
muito tempo para chegar; 
b) TOCAR-VIOLINO – se refere a “monotonia” ou “ser monótono”; 
c) CONHECER – se refere a JÁ TER-ESTADO (conhece em algum lugar); 
 
d) VIVER – se refere a pessoa que está em determinado lugar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SAIBA MAIS 
 
 
● Signo: é a união de um conceito com uma imagem acústica, que não é o som 
material, físico, mas a impressão psíquica dos sons, perceptível quando 
pensamos numa palavra, mas não a falamos. 
● Signo Visual: é a união de um conceito com imagem visual com a impressão 
psíquica da imagem, perceptível quando pensamos num significado. 
● Percepção Visual: é uma de várias formas de percepção associadas à visão. 
Consiste na habilidade de detectar as descrições e interpretar (ver) as 
consequências do estímulo da imagem, do ponto de vista lógico e cognitivo. 
● Descrição Imagética: os detalhes são transferidos mentalmente para o signo 
visual e consequentemente repassam para a imagem visual que acaba 
transmitindo o tamanho e o grau por meio de sinais. 
● Experiência Visual: na teoria cultural e de Estudos Surdos, a língua de sinais 
vem construída e absorvida visualmente juntamente com a cultura do sem som. 
As percepções visuais e suas experiências visuais, no dia a dia, com seus 
“próprios significados não-sonoros” transportam aquilo que foi vivenciado por 
meio da língua de sinais. 
● Aspectos da Visualidade: pela ausência do som, criamos as nossas 
informações sobre a cultura do seu criador em detrimento da maioria da 
comunidade Surda e seus usuários que perderam ou nunca tiveram contato 
com a língua de sinais. O artefato varia e é acrescido ao longo do tempo, 
dependendo da evolução da tecnologia, de novas descobertas e dos recursos 
de que nós necessitamos para viver por meio da visão. 
 
Fonte: Campello (2009) 
 
#SAIBA MAIS# 
 
 
 
 
REFLITA 
 
 
 Acadêmico(a) estamos chegando ao final dos nossos estudos do capítulo I, mas 
ainda há tempo para uma prazerosa reflexão em forma de poema “O Balé das mãos” 
de Alexis Pier Aguayo, que reflete a beleza da comunicação visual-gestual, em sua 
cadência e força. Te convido a acessar o Link e perceber na tradução em língua de sinais 
pelo intérprete Quintino Martins Oliveira, como as mãos são capazes de dançar e criar o 
mundo ao seu redor. 
Link: https://www.youtube.com/watch?v=U-7bpBFkoAI 
 
O Balé das Mãos 
 
Em meio a mil palavras 
 Um único gesto molda toda a expressão do sentimento 
O corpo se expressa com desenvoltura 
 E as mãos seguem graciosamente cada movimento 
Ouvidos trocados pelos olhos em uma escuta atenciosa 
E o balé das mãos segue incansável e incessante. 
O Silêncio quebrado às vezes pelo baque das mãos 
 Só o silêncio, e as mãos seguem de forma majestosa. 
Cada par de mãos, iguais, e ao mesmo tempo diferentes. 
Dando mais uma graça a esse belíssimo espetáculo 
Onde cada movimento completa o próximo, e é completado pelo anterior. 
Cada forma, expressando todo o sentimento em si, presente. 
E mesmo no fim quando elas dão o sinal de adeus no fim do espetáculo, 
A levamos em nossa memória, em nossa alma e coração. 
A recordação daquela dança de movimentos, expressões e sentimentalismo, 
A magia fantástica do glorioso Balé das mãos. 
Alexis Pier Aguayo 
Fonte: Alexis Pier Aguayo (2016) 
 
#REFLITA# 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 
Aprender Libras é entrar no mundo das imagens, da interpretação, da tradução, 
da leitura, da vivência com o corpo, das experiências visuais espaciais, cujo objetivo é 
compreender o outro. 
A teoria e prática da “experiência visual” se fundem porque para se atuar na prática 
é preciso de uma atividade teórica. Não é uma posição absoluta e sim relativa, ou trata-
se de uma diferença, da visualidade, pois vamos considerar que nas relações entre teoria 
e prática, diremos que a primeira depende da segunda, na medida em que a prática da 
“experiência visual” é fundamento da teoria, uma vez que indica com precisão a definição 
de desenvolvimento e progresso do conhecimento visual. 
 Nesta unidade você estudou que a língua de sinais é formada através da 
experiência visual que é um “espaço de produção”, conforme diz Quadros (2007), 
igualmente na teoria cultural e de Estudos Surdos, que provêm da constituição dos surdos 
apresentando seus diversos artefatos. E que, historicamente, a língua de sinais sempre 
existiram, e existem, quando dois sujeitos usuários dessa forma de comunicação 
estabelecem suas comunicações. 
Aprendemos a diferenciar a modalidade de uma língua oral auditiva e uma língua 
de sinais, conhecendo os aspectos linguísticos que estruturam a Libras, além de 
compreendermos que as características gramaticais da língua usada pela comunidade 
surda brasileira se estruturam pela modalidade visual espacial, ou seja, a linguagem do 
corpo, não como uma ilustração de uma narrativa oral, e sim a língua que atribui sentidos 
a identidade cultural surda. 
Vimos que, além dos sinais produzidos pelas mãos, as línguas de sinais usam 
recursos não manuais, que incluem expressões faciais, movimentos da boca, direção do 
olhar, direção dos movimentos das mãos, produzindo a formação linguística. 
Você também percebeu que a Libras não é uma língua tão fácil de aprender. Não 
é mímica. Para sua aquisição é necessário muito estudo e principalmente seu exercício 
corporal, na interação com as comunidades surdas ou com ouvintes que a dominem 
linguisticamente, internalizando sua aquisição. 
Esperamos que esta Unidade tenha contribuído para uma melhor compreensão 
acerca dos aspectos da visualidade e do uso da “descrição imagética” para a educação 
de sujeitos Surdos do Brasil. Sem esquecer a importância da necessidade de criar um 
 
Estudo Visual para desenvolver, aprofundar, preservar os registros imagéticos e uma 
pesquisa acerca das descrições imagéticas que irão contribuir mais para o 
desenvolvimento dos estudos e pesquisas na área linguística nas próximas Unidades 
desse Material Didático e, consequentemente, darão suporte linguísticopara a formação 
dos futuros professores. 
Para isso, é necessário que você acadêmico(a) se proponha a aprofundar seus 
conhecimentos, buscando explorar os materiais complementares que foram sugeridos 
neste Material Didático. Para treinar as percepções visuais e cognitivas, é preciso 
elaborar, argumentando todos os aspectos dos sentidos e significados e, finalmente, 
coletar, ler e interpretar os sentidos e significados dos sinais através das narrativas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
 
Caro(a) Acadêmico(a)! 
 
O livro de Karin Lilian Strobel (2008) “As imagens do outro sobre a cultura 
surda” é uma publicação muito importante nos Estudos Surdos. É um livro que traz as 
imagens do outro sobre a cultura surda a partir do olhar do próprio surdo. Para 
compreender melhor nossos estudos desse material didático, sugiro aprofundar os 
conhecimentos trazidos pela autora deste livro, que especificamente no capítulo 4, a 
autora descreve os artefatos culturais do povo surdo. Parte das experiências visuais, 
conversa sobre a língua de sinais, uma língua que também é uma experiência visual, as 
famílias, a literatura, o lazer, as artes, a política e os materiais. Todos estes artefatos 
foram concebidos a partir do VER. 
 
Fonte: Strobel, UFSC (2008). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR 
 
 
Como material complementar cito a história contada e ilustrada, intitulada “Casal 
Feliz” é uma criação do autor Cleber Couto (2010), que é surdo e atua principalmente 
nos seguintes temas: palhaços surdos, inclusão, educação dos surdos e Língua Brasileira 
de Sinais. A história que preferi apresentar suas páginas nesse material didático, fala 
sobre o encontro entre a mão vermelha e a mão azul, uma história contada a partir da 
percepção visual. 
 
 
 
 
Fonte: Cleber Couto (2010) 
 
 
 
 
 
 
 
LIVRO 
 
 
Título: Curso de Libras 1 iniciante 
Autor: Nelson Pimenta e Ronice Muller de Quadros 
Ano: 2013 
Sinopse: O livro destina-se às pessoas ouvintes ou surdas interessadas em aprender ou 
melhorar conhecimentos em Língua Brasileira de Sinais - Libras. Propõe uma forma de 
aprender a língua natural dos surdos a partir do conceito de língua como fator de cultura 
e identidade dos indivíduos, ou seja: o aluno aprender, entendendo os mecanismos de 
comunicação e interação que acontecem no mundo dos surdos e, por isso, tem uma 
apreensão maior e mais sólida dessa língua rica e complexa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FILME/VÍDEO 
 
 
De forma especial, destacamos que na Literatura Surda podemos brincar com a 
nossa língua, a Libras. Nesse contexto, não se trata de algo meramente comunicativo, 
mas sim uma fonte de prazer e diversão – tanto para adultos quanto para crianças. O 
objetivo das produções literárias é criar imagens visuais fortes e inesperadas. Por isso, 
podemos identificar alguns elementos nas narrativas, piadas, teatros e poemas em Libras 
que chamam a atenção para o aspecto visual. Aproveitando para dar mais algumas dicas 
sobre Literatura Surda para vocês, trago como sugestão explorar o repositório 
institucional da UFSC, nele há mais de 1000 vídeos selecionados no eixo Literatura Surda 
do Corpus da Libras, penso que os vídeos trarão elementos visuais completos que te 
farão entrar no mundo da visualidade surda. 
● Você pode encontrar uma lista de vídeos através do link: 
https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/172841 
● Há também o projeto Literatura Didática em Libras – disponível no 
link: https://vimeo.com/showcase/6241328 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
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the Teller, the Tale, and the Audience. In: BAUMAN, D. L., NELSON, J. L. e ROSE, H. 
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ed. Los Angeles: UC PRESS, 2006, cap. 2, p. 21-50. 
 
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Grammar and Culture. Silver Spring, MD: T.J. Publishers, 1980. 
 
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Sign Language. In: SIPLE, P. (Ed.). Understanding Language through Sign Language 
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Sinais – Libras e dá outras providências. Brasília: MEC, 2002. 
 
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Surdos. Tese de Doutorado. Florianópolis: UFSC, 2008. 
 
CAMPELLO, Ana Regina. Deficiência auditiva e Libras. Centro Universitário Leonardo 
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Stecker. Tradução por Dyan Kovacs. [S. l.]: ASLized!, 2013. Disponível em: 
https://youtu.be/moUvQIsro_M. Acesso em: 15 abr. 2021. 
 
SKLIAR, C. (Org.). A surdez: um olhar sobre as diferenças. 6. ed. Porto Alegre: 
Mediação, 2013. 
 
SKLIAR, Carlos (org.). A surdez: um olhar sobre as diferenças. Porto Alegre: Mediação, 
1998. 
 
SKLIAR, C.; MASSONE, M. I., & VEINBERG, S.. El acceso de los ninos sordos al 
bilinguismo y al biculturalismo. Infancia y Aprendizaje, 2(69), 85-100. 1995. 
 
STROBEL, Karin. As imagens do outro sobre a cultura surda. Florianópolis: Editora 
da UFSC, 2008. 
 
STROBEL, K. L.; Surdez: abordagem geral. Curitiba: Apta Gráfica, 1995. 
 
STROBEL, Karin Lilian; FERNANDES, Sueli. Aspectos linguísticos da LIBRAS. 
Secretaria de Estado da Educação. Superintendência de Educação. Departamento de 
Educação Especial. Curitiba: SEED/SUED/DEE,1998. 
 
 
 
 
UNIDADE II 
CONVERSANDO EM LIBRAS 
Professora Mestre Elizete Pinto Cruz Sbrissia Pitarch Forcadell 
 
 
Plano de Estudo: 
 
● Configurações de mão na Libras; 
● Elementos visuais e estéticos possíveis na linguagem literária em Libras; 
● O alfabeto manual da Libras; 
● Os numerais na Libras; 
● Calendário e advérbio de tempo. 
 
 
Objetivos de Aprendizagem: 
 
● Conhecer e distinguir os parâmetros da Libras na constituição dos sinais; 
● Perceber os elementos visuaise estéticos na literatura sinalizada; 
● Conhecer o alfabeto manual e o sinal soletrado; 
● Diferenciar os numerais cardinais, ordinais quantidade nos diferentes contextos; 
● Executar os sinais conforme seus parâmetros de configuração de mão; 
● Utilizar os sinais de maneira apropriada em situações comunicativas com surdos. 
 
INTRODUÇÃO 
 
A língua de sinais é a língua natural da comunidade surda. Esta língua, com regras 
morfológicas, sintáticas, semânticas e pragmáticas próprias, possibilita o 
desenvolvimento cognitivo da pessoa surda, favorecendo o acesso desta aos conceitos 
e aos conhecimentos existentes na sociedade. 
Pesquisas linguísticas têm demonstrado que as línguas de sinais são sistemas de 
comunicação desenvolvidos pelas comunidades surdas, constituindo-se em línguas 
completas com estruturas independentes das línguas orais. Os sinais são formados a 
partir de parâmetros, como a combinação do movimento das mãos, com uma 
determinada configuração de mão, num determinado lugar de realização do sinal, 
orientação espacial, expressões. Ou seja, podemos definir que para compreender melhor 
e ter uma boa comunicação em Libras, não basta saber basicamente esses três recursos: 
datilologia, sinais e os sinais soletrados. É preciso mergulhar no aprendizado também 
dos Parâmetros que estruturam a língua: Configuração de Mão, Ponto de Articulação, 
Movimento, Orientação da Mão e Expressão Facial e Corporal. 
Nosso objetivo nesta Unidade de Estudos, é que você acadêmico(a), compreenda 
que a língua de sinais traz em sua estrutura a combinação desses parâmetros para que 
consigamos obter determinado sinal. Portanto, falar com as mãos é combinar os sinais 
que formam as palavras e as frases num determinado contexto. 
As línguas são consideradas naturais quando são próprias das comunidades 
inseridas, que as têm como meio espontâneo de comunicação. Podendo ser adquiridas, 
através do convívio social, como primeira língua (ou língua materna), por qualquer um de 
seus membros desde a mais tenra idade. 
 
 
 
 
 
 
 
1 CONFIGURAÇÕES DE MÃO NA LIBRAS 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
Caro(a) acadêmico(a) você lembra o que são as configurações de mão na 
Libras? Vamos relembrar? 
A configuração de mão é o ponto de partida da articulação do sinal, ou seja, a 
forma que a mão assume para realizar os sinais. Quando estudamos os Parâmetros da 
Libras, vimos que as configurações de mão estão presentes nos estudos da fonologia da 
Libras, ou seja, é uma unidade mínima fonético-fonológica, como temos o exemplo na 
língua oral, nos fonemas (a menor unidade distintiva da palavra) a palavra FALA a letra 
/F/ representa o fonema /f/(fê), Pata e Rata /P/ e /R/. Na língua de sinais, também temos 
as unidades mínimas distintivas, que combinadas produzem unidades significativas, os 
sinais que obedecem às regras para construir frases, e produzir contextos, como é o caso 
das configurações de mão, que quando combinadas a outros parâmetros produzem o 
sinal. 
Uma das tarefas de um investigador de uma determinada língua de sinais é 
identificar as configurações de mão, os pontos de articulação, os movimentos, a 
direcionalidade do sinal e as expressões que têm um caráter distintivo. Isso pode ser feito 
 
comparando-se pares de sinais que contrastam minimamente, um método utilizado na 
análise tradicional de fones distintivos das línguas naturais. 
Então, vamos analisar o valor contrastivos dos parâmetros fonológicos na Libras, 
e observar que o contraste de apenas um dos parâmetros altera o significado dos sinais. 
 
● Pares mínimos na Libras 
 
Figura 1 - Sinais que se opõem quanto à configuração de mão 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
 
Figura 2 - Sinais que se opõem quanto ao movimento 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3 - Sinais que se opõem quanto ao ponto de articulação 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
A linguística contrastiva é uma forma de trabalhar com o conhecimento explícito 
no ensino de segunda língua. Envolve a comparação entre duas ou mais línguas quanto 
aos níveis fonológico, semântico, pragmático, morfológico e sintático, (QUADROS, 1997, 
p. 102-102). O domínio que o professor tem das semelhanças e diferenças da Libras e 
do Português contribui para que construa estratégias explicativas que favoreçam a 
aprendizagem dos alunos. 
 
Talvez você esteja se perguntando… 
O que são os Parâmetros da Libras? 
Então, vai aí uma síntese. 
 
Tabela 1 - Parâmetros na Libras
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
SAIBA MAIS 
 
Para saber mais sobre os Parâmetros em língua de sinais, sugiro que você acesse 
o vídeo do professor Everaldo Ferreira “Aula de Libras" destinado a surdos e ouvintes 
que querem aprender a Língua Brasileira de Sinais. Com o auxílio de animações, 
locuções e legendas, o professor ensina, passo a passo, os sinais básicos para se 
comunicar a partir do vocabulário de temas específicos como os Parâmetros em Libras. 
Link: http://tvines.org.br/?p=707 
 
Fonte: TV, Inês. Aula de Libras. Rio de Janeiro. Disponível em: http://tvines.org.br/?p=707 Acesso em: 29 
ago. 2021. 
 
 
#SAIBA MAIS# 
 
 
 
As Configurações de Mão (CM) podem ser feitas pela mão dominante (direita, se 
você for destro ou esquerda se você for canhoto) ou pelas duas mãos, dependendo do 
sinal a ser executado. Observe no quadro a seguir os sinais em Libras e as suas 
configurações de mão. Vale lembrar que, nas configurações de mão estão presentes as 
letras do alfabeto manual, os números e outras diferentes formas de mão. 
 
Figura 4 - Configurações de mão realizados pela mão dominante 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5 - Mesma configuração de mão para vários sinais 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
 
Figura 6 - Configuração de mão, com apenas uma mão 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021). 
 
 
 
 
 
 
Figura 7 - Duas configurações de mão diferentes 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021). 
 
Figura 8 - Duas configurações de mão iguais 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
 
2 ELEMENTOS VISUAIS E ESTÉTICOS POSSÍVEIS NA LINGUAGEM LITERÁRIA 
EM LIBRAS 
 
 
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/stratford-london-uk-30-aug-2014-1699792363 
 
 Na Unidade de Estudos I, falamos um pouco sobre a literatura surda e agora 
queremos analisar com você acadêmico(a) alguns poemas que também foram 
disponibilizados a você pelo link: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/172841 e 
Literaturas Didáticas em Libras no link: https://vimeo.com/showcase/6241328 
 
● Espaço Metafórico 
 
 O espaço, além de icônico, tende a ser metafórico. Tomando como exemplo o 
poema “Como veio a alimentação”, de Fernanda Machado (2011), analisamos a 
posição do lavrador rural e do morador urbano: 
 
 
 
 
 
 
Figura 9 - Espaço metafórico 
 
Fonte: adaptado de Fernanda Machado (2011). 
 
 Assim, o uso de espaço para articular os sinais mostram a metáfora de que “o mais 
alto tem poder”. 
 
● Espaço Simétrico 
 Outra forma de utilizar o espaço é a simetria, a ocorrência de sinais de maneira 
espelhada. Encontramos esse recurso no poema narrativo “Voo sobre Rio”, de 
Fernanda Machado (2013). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 10 - Espaço Simétrico em Voo Sobre Rio 
 
Fonte: adaptado de Fernanda Machado (2013). 
 
 
● Mesma Configuração de Mãos 
 
 Outra maneira de brincar com a língua é usar sinais das mesmas configurações 
de mão ou configurações novas e inesperadas. Vemos esses fenômenos, principalmente, 
nas narrativas infantis, nas quais podemos contar uma história em que o sinal do 
protagonista e outros sinais utilizados no decorrer do conto apresentam a mesma 
configuração de mão. Identificamos esse recurso na obra “Vaca surda de salto alto” de 
Marina Teles (2019), nos momentos em que a narradora produz os sinaisde VACA, 
USAR-SALTO-ALTO, VACA-GORDA, AVIÃO e CELULAR, todas com a configuração de 
mão em “Y”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 11 - Mesma configuração de mão 
 
Fonte: Marina Teles (2019). 
 
 
 Nesta mesma obra, também vemos brincadeiras com a língua, quebrando suas 
próprias regras para a criação dos sinais de BRINCOS, OI, VACA-COMER com a mesma 
configuração de mão em “Y”. 
 
Figura 12 - Mesma configuração de mão 
 
Fonte: Marina Teles (2019). 
 
 
 Esses elementos podem ser simplesmente estéticos – porque é prazeroso ver 
essas escolhas – ou podem ser metafóricos – por exemplo, se as configurações de mão 
 
estão todas fechadas (sugerindo força, peso ou algo acentuado), abertas (sugerindo algo 
leve e positivo) ou curvadas (com características mais negativas). 
 
● Múltiplas Perspectivas 
 
 Por meio das múltiplas perspectivas, podemos ver produções de ação e reação, 
inclusive no momento da sinalização. Um exemplo disso se encontra na narrativa 
“Bolinha de Ping-Pong”, de Rimar Segala, (2009) na qual vemos pessoas jogando com 
uma bola, enquanto a bola pula e é rebatida. A perspectiva pode ser explorada por meio 
do afastamento ou da aproximação. O sinal da bola pulando, visto de maneira afastada, 
utiliza um classificador que expressa objetos pequenos; quando a bola é rebatida e se 
aproxima, ela se torna maior e acaba sendo representada pela cabeça do artista. 
 Em “Tinder”, de Anna Luiza Maciel, (2018) a personagem mulher mexe com o 
celular e, a cada ação, enxergamos através da perspectiva do próprio celular. Essa 
diferenciação da perspectiva cria uma sensação de “desfamiliarização”, um elemento da 
literatura no qual vemos o cotidiano de uma perspectiva diferente da esperada. 
 
● Incorporação de Personagens 
 
 Na Literatura Surda, não falamos tanto do que acontece, pois preferimos mostrar o 
que acontece. A incorporação dos personagens mostra diretamente como são estes 
personagens, quais os seus sentimentos e como ele se comporta. Essa “ação 
construída”, também conhecida como “incorporação”, é um recurso muito valorizado na 
Literatura Surda no qual o artista recria os personagens por intermédio do seu próprio 
corpo. A incorporação literária muitas vezes usa o exagero, com movimentos maiores e 
expressões não manuais mais fortes do que na simples conversa. 
 A artista Klícia Campos (2017), na tradução do cordel “Antônio Silvino, rei dos 
cangaceiros”, se torna um cangaceiro macho; em “Bolinha de Ping-Pong”, Rimar Segala 
(2009) que descreve os dois jogadores de tênis de mesa, um homem e uma mulher, antes 
do jogo e, na sequência, incorpora cada personagem rebatendo a bola. 
 Também podemos mostrar animais, plantas e objetos inanimados pela 
incorporação. Quando damos forma humana aos não humanos, utilizamos um fenômeno 
chamado antropomorfismo. Podemos também dar intenções, emoções e até a fala 
 
humana para estes não humanos. O artista literário vai escolher dentre as opções de 
mapeamento entre os corpos do humano e do personagem em questão. A exemplo disso 
podemos ver no personagem de sapo de “O sapo e o boi”, de Nelson Pimenta (1999). 
Figura 13 - Incorporação de personagem 
 
Fonte: Nelson Pimenta (1999). 
 
 Nesses exemplos, vemos que podemos utilizar a cabeça do artista para representar 
a cabeça dos animais, enquanto outras partes do corpo (como a língua comprida do sapo 
e o chifre do boi) exigem que o artista use as mãos para criá-las. 
 A expressão facial e o uso de outros elementos não manuais, como a direção do 
olhar e a abertura dos olhos, são recursos especialmente importantes nesses exemplos 
de antropomorfismo, visto que muitas vezes os objetos não têm mãos e a comunicação 
não manual é a única opção possível. 
 Usar as mãos para criar partes do corpo é um exemplo do uso de classificadores, 
os quais também fazem parte da Literatura Surda. Os classificadores colocados e 
movimentados dentro do espaço de sinalização criam imagens visuais para o público. 
Podem apresentar múltiplas perspectivas de um personagem, do mais distante ao mais 
próximo, ou então podem ser classificadores com configurações de mão inesperadas ou 
criativas. 
 
3 O ALFABETO MANUAL DA LIBRAS 
 
 
 
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/close-person-teaching-sign-languages-multiethnic-
1619493550 
 
Iniciamos esse tópico com os estudos da pesquisadora Audrei Gesser (2009), que 
apresenta em seu livro intitulado, “Libras? Que língua é essa? Crenças e preconceitos 
em torno da língua de sinais e da realidade surdo” com uma abordagem bem clara 
sobre o alfabeto manual em Libras. Vale muito a pena você conhecer todas as temáticas 
trazidas no livro pela autora, por hora, vamos tentar compreender como ela cria esse 
espaço de estudos em torno do alfabeto manual. 
A autora começa fazendo um questionamento, que muitas pessoas têm dúvidas: 
“a língua de sinais é o alfabeto manual?” (GESSER, 2009, p. 28) 
De forma alguma. O alfabeto manual é utilizado para soletrar manualmente as 
palavras e é também conhecido como soletramento digital ou datilologia, é apenas um 
recurso utilizado por falantes da língua de sinais. Não é uma língua, e sim um código de 
representação das letras alfabéticas como por exemplo: 
 
 
Figura 14 - Tipos de alfabetos 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
Acreditar que a língua de sinais é o alfabeto é fixar-se na ideia de que a língua de 
sinais é limitada, já que a única forma de expressão comunicativa seria uma adaptação 
das letras realizadas manualmente, convencionadas e representadas a partir da língua 
oral. Imaginemos, por exemplo, quanto tempo levaria um surdo para falar uma sentença 
ou, ampliando bem a questão, ter uma conversa filosófica, se utilizasse apenas o 
soletramento manual? Travar uma conversa dentro deste enquadre s-o-l-e-t-r-a-d-o-s-e-
r-i-a-c-a-n-s-a-t-i-v-o-e-m-o-n-ó-t-o-n-o-(-u-f-a-!-). 
Entretanto, é importante que se diga que o alfabeto manual tem uma função na 
interação entre os usuários da língua de sinais. Lança-se mão desse recurso para soletrar 
nomes próprios de pessoas ou lugares, siglas, e algum vocabulário não existente na 
língua de sinais que ainda não tenha sinal. 
Aqui chegamos num ponto bem importante: o “Batismo do Sinal Pessoal”. Os 
surdos brasileiros se batizam por meio de sinais. Na verdade, é um ritual que acontece 
quando um surdo ou ouvinte entra na comunidade surda ou passa a ter contato com 
surdos. Eles olham para a pessoa e identificam alguma característica que seja específica 
desta pessoa e lhe dão um sinal. Veja os exemplos a seguir: 
 
 
 
Figura 15 - Sinal de Batismo em Libras 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
Ao ser batizada, a pessoa recebe um sinal por causa do destaque da sua 
característica, se essa caraterística mudar ao longo do tempo, por exemplo, como o braço 
quebrado do Murilo que foi curado com o tempo, o seu sinal permaneceu o mesmo. 
Quando questionado sobre o porquê do seu sinal, ele explica o contexto em que foi 
batizado. 
Os usuários de língua de sinais, em algumas situações, fazem empréstimos da 
grafia da língua oral, recorrendo à datilologia para realizar sinais de pontuação (tais como, 
vírgulas, ponto final, ponto de interrogação, sinais matemáticos etc.) que, na maioria das 
vezes, são desenhadas no ar. O mesmo pode ocorrer com as preposições ou outras 
classes de palavras. 
Entretanto, soletrar não é um meio com um fim em si mesmo. Palavras 
comumente soletradas podem e de fato são substituídas por um sinal. Assim, podemos 
afirmar que esse recurso funciona potencialmente nas interações para incorporar sinais 
a partir do entendimento conceitual entre interlocutores – uma vez apreendida a ideia 
convencionam-se os sinais para substituir a datilologia de um dado vocábulo, por 
exemplo. 
 
No Brasil, o alfabeto manual é composto de 27 formatos (contando o grafema ç 
que é a configuração de mão da letra c com movimentotrêmulo). Cada formato da mão 
corresponde a uma letra do alfabeto do português brasileiro: 
 
Figura 16 - Alfabeto manual 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
É importante ressaltar que o soletramento, tanto na sua forma receptiva (do ponto 
de vista de quem lê) quanto produtiva (do ponto de vista de quem realiza), supõe/implica 
letramento. O soletrando que não for alfabetizado (escrita/leitura) na língua oral de sua 
 
comunidade de fala, por exemplo, terá as mesmas dificuldades de um indivíduo iletrado 
para lançar mão deste uso, por exemplo: 
 
Figura 17 - Dificuldade de compreensão de soletramento 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
Para finalizar, a soletração manual não é uma representação direta do português, 
é uma representação manual da ortografia do português, envolvendo uma sequência de 
configurações de mão que tem correspondência com a sequência de letras escritas no 
português. 
Seguindo a proposta de Battison (1978), palavras do português podem ser 
emprestadas à língua de sinais brasileira, via soletração manual. Por exemplo, o sinal 
“AZL” ou “AL” é derivado da soletração manual A-Z-U-L, assim como o sinal “NUN” é 
derivado da soletração N-U-N-C-A, conforme ilustram os exemplos abaixo: 
 
 
 
Figura 18 - Soletração manual 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 OS NUMERAIS NA LIBRAS 
 
 
 
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/collection-hands-isolated-on-white-background-
41918530 
 
As línguas podem ter formas diferentes para apresentar os numerais quando 
utilizados como cardinais, ordinais, quantidade, medida, idade, dias da semana ou mês, 
horas e valores monetários, isso também acontece na Libras.Sendo assim, neste tópico 
vamos aprender um pouco sobre isso. 
É erro o uso de uma determinada configuração de mão para um numeral cardinal 
sendo utilizada em um contexto onde o numeral é ordinal ou quantidade, por exemplo: o 
numeral cardinal 1 é diferente da quantidade 1, como em LIVRO 1, que é diferente de 
PRIMEIRO-LUGAR, que é diferente do numeral PRIMEIRO, que é diferente de 
PRIMEIRO-ANDAR, que é diferente de PRIMEIRO-GRAU, que é diferente de MÊS-1. 
Estas diferenças serão trabalhadas neste tópico, para que você possa compreender 
melhor através dos sinais que utilizamos para exemplificar. 
 
 
 
 
 
 
Figura 19 - Números Cardinais 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
Observe que os números cardinais não possuem movimento. 
 
Figura 19 - Números Ordinais 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
Observe que do 1º ao 9º tem a mesma forma dos cardinais, mas os ordinais 
possuem movimento. Outra observação importante é que os ordinais do 1º ao 4º têm 
movimentos para cima e para baixo e os ordinais de 5º ao 9º têm movimentos para os 
lados. A partir do numeral 10 não há mais diferença entre os cardinais e ordinais. 
 
 
Figura 19 - Números Quantidade 
 
Fonte: arquivos da autora (2021) 
 
Observe que os números quantidade são utilizados para quantidade de pessoas, 
coisas, animais etc., dos numerais 1 ao 4, note que os dedos estão na vertical, do numeral 
5 ao 9 seguem a mesma sinalização dos números cardinais. 
 
● Valores Monetários 
 
Pesos e medidas: para representar valores monetários de 1 até 9, usa-se o sinal 
do numeral correspondente ao valor, incorporando a este o sinal VÍRGULA ou, também, 
após o sinal do numeral correspondente acrescenta-se o sinal de R$ “REAL”. Para 
valores de 1.000 até 9.000 usa-se a incorporação do sinal VÍRGULA ou PONTO. 
 
● Formas de Plural 
 
Há plural na Libras no uso repetido de sinais ou indicando a quantidade. 
 
 
 
Figura 20 - Formas de plural indicando quantidade 
 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
 
 
 
Figura 21 - Classificadores possuem plural 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
● Intensificadores e Advérbio de modo: utiliza-se a repetição exagerada para 
intensificar o significado do sinal. 
 
Figura 22 - Intensificadores 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
● Advérbio de modo: 
 
 
MUITO: utilizado como intensificador em Libras e expresso através das expressões facial 
e corporal ou de uma modificação no movimento do sinal 
 
RÁPIDO: para estabelecer um modo rápido de se realizar a ação, há uma repetição do 
sinal da ação e a incorporação de um movimento acelerado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 CALENDÁRIO E ADVÉRBIO DE TEMPO 
 
 
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/huge-calendar-stickers-check-marks-micro-
1696704847 
 
Na Libras não há marca de tempo nas formas verbais, é como se os verbos 
ficassem na frase quase sempre no infinitivo. O tempo é marcado sintaticamente através 
de advérbios de tempo que indicam se a ação está ocorrendo no presente: HOJE, 
AGORA; ocorreu no passado: ONTEM, ANTEONTEM; ou irá ocorrer no futuro: AMANHÃ. 
Por isso os advérbios geralmente vêm no começo da frase, mas podem ser usados 
também no final. 
Quando não há, na frase, um advérbio de tempo específico, geralmente a frase, 
no presente, não é marcada, ou seja, não há nenhuma especificação temporal; já para a 
frase no passado, pode-se utilizar o sinal PASSADO ou o sinal JÁ, e para a frase no 
futuro, pode-se utilizar o sinal FUTURO: 
 
 
 
 
Figura 23 - Marcação de tempo 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
Figura 24 - Dias da Semana 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 25 - Meses do Ano 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
Figura 26 - Estados do tempo 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
Figura 27 - Estados do tempo 
 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
Figura 28 - Estações do ano/Tempo/Clima 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
Figura 29 - Tempo/clima 
 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SAIBA MAIS 
 
 
 
 
Fonte: SHUTTERSTOCK. Disponível em: https://www.shutterstock.com/. Acesso em 26 ago. 2021. 
 
#SAIBA MAIS# 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFLITA 
 
 
Os surdos podem dançar? Precisamos nos despir de preconceitos! É assim que 
as 21 dançarinas surdas do Grupo de Artes Performativas da Associação Chinesa de 
Pessoas com Deficiência exibem o seu número mais conhecido, a dança Qianshou 
Kuanyin ou Bodhisattva. Esse espetáculo prende a atenção de todos, pois as dançarinas 
surdas formam uma fila vertical e 42 braços promovem diferentes gestos harmoniosos 
simultaneamente, reproduzindo a imagem do Buda de Mil Mãos, encontrada em muitas 
grutas da China. Os métodos para a percepção dos sons pelas bailarinas vão desde a 
marcação rítmica no próprio corpo, até a utilização de uma sala especial, com caixas 
acústicas colocadas sob o piso de madeira, o que favorece a percepção dos ritmos 
através da vibração provocada no corpo. Esse espetáculo foi criado por um famoso 
coreógrafo chinês, Zhang Jigang, e o vídeo está no site do Youtube desde junho de 2007, 
permanecendo disponível desde então. 
 
Assista você mesmo: http://br.youtube.com/watch?v=Iq9IOkWYlyY 
 
Fonte: YOUTUBE. Grupo de Artes Performativas da Associação Chinesa de Pessoas com 
Deficiência. Disponível em: http://br.youtube.com/watch?v=Iq9IOkWYlyY. Acesso em: 29 ago. 2021. 
 
 
#REFLITA# 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 
Nesta Unidade de Estudos, você viu que a realização dos sinais em Libras 
obedece a parâmetros que orientam o ponto de articulação, a forma assumida pela mão, 
o tipo de movimento executado, a posição da palma da mão e as expressões facial e 
corporal que acompanham o sinal. Alguns sinais não são constituídos por todos os 
parâmetros. 
Você também viu que a gramática da Libras ainda apresenta alguns pontos que 
merecem maior formalização, pois só recentemente passou a ser estudada com mais 
interesse pelos linguistas. 
Contudo, a insuficiência desses estudos não significa a inexistênciade uma 
gramática da Libras, sendo necessário conhecê-la, pois alterações inadvertidas na 
realização dos sinais, isto é, a inobservância de seus parâmetros, pode provocar 
problemas na compreensão e até inverter o sentido do que se está tentando comunicar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR 
 
 
Jogo dos Parâmetros 
 
 
 Instruções do Jogo 
 
 
 
 
Cartelas do Jogo 
 
 
Fonte: FORCADELL, Elizete, P. C. S. O Ensino de Libras na Universidade: política, formação docente 
e práticas educativas. 180 f. Dissertação de Mestrado, Universidade Estadual do Paraná, 2017. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LIVRO 
 
 
Título: Aprenda Libras com eficiência e rapidez 
Autor: Éden Veloso e Valdeci Maia Filho. 
Ano: 2009. 
Sinopse: O livro já está em sua 8ª edição, trazendo inovações ao mundo da Libras. Os 
autores estudaram e pesquisaram a fundo e trouxeram, de maneira fácil, uma leitura 
suave, com técnicas para aprender Libras. Trazem sinais simples aos termos mais 
complexos da língua de sinais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FILME/VÍDEO 
 
Imagem 
 
Título: Dicionário da Língua Brasileira de Sinais 
Ano: 2005. 
Sinopse: O Dicionário da Língua Brasileira de Sinais, é uma plataforma online de busca 
de vocabulários em Libras. Em ordem alfabética ou por assunto pode ser pesquisado 
palavras da Língua Portuguesa, exemplificado a aplicação da palavra no contexto de 
frases, apresenta a classe gramatical, busca a configuração de mão, exemplifica a 
aplicação do sinal na sentença em Libras, demonstra a sinalização através de um 
profissional habilitado em Libras e por fim, apresenta a imagem referente ao sinal. A 
plataforma é de fácil manuseio e contribui para o aprendizado da língua de sinais. 
Link: https://www.ines.gov.br/dicionario-de-libras/ 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
 
BATTISON, R. Lexical borrowing in american sign language. Silver Spring. MD: 
Linstok, 1978. 
 
CAMPOS, Klícia de Araújo. Literatura de cordel em Libras: os desafios de tradução 
da literatura nordestina pelo tradutor surdo. Dissertação (Mestrado em Tradução) - 
Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução da Universidade Federal de 
Santa Catarina, Florianópolis, 2017. 
 
FORCADELL, E. P. C. S. P. O Ensino de Libras na Universidade: políticas, formação 
docente e práticas educativas. 2017. 180 f. Dissertação de Mestrado defendida na 
Universidade Estadual do Paraná, 2017. 
 
GESSER, Audrei. LIBRAS? Que língua é essa? Crenças e preconceitos em torno da 
língua de sinais e da realidade surda. São Paulo: Parábola, 2009. 
 
MACIEL, Ana Luiza. Tinder, 2008. Disponível em: Celular de Anna Luiza Maciel on 
Vimeo Acesso em: 30 ago. 2021. In: SUTTON-SPENCE, Rachel. Literatura em Libras, 
livro eletrônico, Petrópolis, 2021. Disponível em: http://www.literaturaemlibras.com/ 
Acesso em: 30 ago. 2021. 
 
MACHADO, Fernanda de Araújo. Como veio a alimentação, 2011. Disponível em: como 
veio alimentação - YouTube Acesso em: 30 de ago de 2021. In: SUTTON-SPENCE, 
Rachel. Literatura em Libras, livro eletrônico, Petrópolis, 2021. Disponível em: 
http://www.literaturaemlibras.com/ Acesso em: 30 de ago de 2021. 
 
MACHADO, Fernanda de Araújo. Simetria na Poética Visual na Língua de Sinais 
Brasileira. 149 f. Dissertação (Mestrado em Estudos da Tradução) - Programa de Pós-
Graduação em Estudos da Tradução, Universidade Federal de Santa Catarina, 2013. 
 
MACHADO, Fernanda de Araújo. Voo sobre rio, 2013. Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=YaAy0cbjU8o Acesso em: 30 de ago de 2021. In: 
SUTTON-SPENCE, Rachel. Literatura em Libras, livro eletrônico, Petrópolis, 2021. 
Disponível em: http://www.literaturaemlibras.com/ Acesso em: 30 de ago de 2021. 
 
QUADROS, R. M. de. Educação de surdos: a aquisição da linguagem. Porto Alegre: 
Artes Médicas, 1997. 
 
PIMENTA, Nelson. Literatura em LSB, LSB vídeo (DVD). Rio de Janeiro: Editora Abril 
e Dawn Sign Press, 1999. 
 
SEGALA, Rimar. Bolinha de ping-pong, 2009. Disponível em: Bolinha de ping-pong - 
Rimar R. Segala - YouTube Acesso em: 30 ago. 2021. 
 
 
TELLES, Marina. Vaca Surda de Salto Alto, 2019. Disponível em: 
https://vimeo.com/356033857 Acesso em: 30 de ago de 2021. In: SUTTON-SPENCE, 
Rachel. Literatura em Libras, livro eletrônico, Petrópolis, 2021. Disponível em: 
http://www.literaturaemlibras.com/ Acesso em: 30 de ago de 2021. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
UNIDADE III 
APRESENTAÇÃO PESSOAL 
Professora Mestre Elizete Pinto Cruz Sbrissia Pitarch Forcadell 
 
 
Plano de Estudo: 
 
● A Libras e suas Modalidades Comunicativas; 
● Aspectos Gramaticais e Sentenças em Libras; 
● Tipos de Verbos em Libras. 
 
 
Objetivos de Aprendizagem: 
 
● Aprender e utilizar as saudações em Libras em contextos formal e informal; 
● Utilizar adequadamente os pronomes e os advérbios de lugar na Língua Brasileira 
de Sinais; 
● Compreender a Libras em seus aspectos morfológicos e sintáticos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
Nas Unidades anteriores você já conheceu o sistema linguístico de Libras e sua 
formação de palavras ou sinal e agora nesta Unidade, abordaremos mais alguns 
componentes gramaticais da Libras, a fim de aumentar seu conhecimento. Salientamos 
sempre que se faz necessário, além do estudo deste material didático, um 
aprofundamento de conteúdo. 
Acadêmico(a), as regras gramaticais da língua de sinais continuam em constante 
estudo, mas como já considerado, por se tratar de uma língua natural e com gramática 
própria, está totalmente estruturada, e tem parâmetros comparados à morfologia da 
Língua Portuguesa. “[...] línguas de sinais assemelham-se às línguas orais em todos os 
aspectos principais, mostrando que verdadeiramente há universais da linguagem, apesar 
das diferenças na modalidade em que a língua é realizada” (FROMKIN; RODMAN, 1993, 
p. 12). 
Você vai observar que, quanto mais nos aprofundamos nos estudos na gramática 
da Libras, perceberemos que ela está totalmente ancorada em uma linguística. Por se 
tratar de uma língua em constante movimento, pactuamos com você a seguinte citação: 
“Apesar da modalidade viso-gestual, a estrutura morfológica tem suas particularidades 
dentro da complexidade dessa estrutura. Além disso, na Língua de Sinais Brasileira, raros 
são os estudos linguísticos realizados nesta área” (QUADROS; KARNOPP, 2004, p. 84). 
Pontuamos que, nesse respeito, alguns talvez digam que a Libras é uma língua 
pobre porque apresenta um número pequeno de sinais ou palavras. 
Quando meditamos sobre isso, concluímos no que pode ter acontecido, por ser 
uma língua que não é usada em todos os setores da sociedade ou que é usada em uma 
cultura bem distinta da que conhecemos, alguns podem ter pensado que ela não 
apresenta vocábulos ou palavras para um determinado campo semântico, entretanto, 
isso não significa que esta língua seja pobre, porque potencialmente ela tem todos os 
mecanismos para criar ou gerar palavras para qualquer conceito que vier a ser utilizado 
pela comunidade que a usa. 
 
 
 
1 A LIBRAS E SUAS MODALIDADES COMUNICATIVAS 
 
 
Fonte: Murilo Forcadell (2021). 
 
 
Como já estudamos, empregamos a linguagem de várias formas no nosso cotidiano. Por 
exemplo: quando nos dirigimos a uma pessoa da família ou amigo, usamos uma variedade 
informal da língua, isso acontece porque quando há confiança no nosso interlocutor nos sentimos 
mais espontâneos. E ao contrário quando nos dirigimos a alguém que não conhecemos muito 
bem ou alguma autoridade como (juiz, polícia e outros), usamos uma variedade formal da língua, 
mais séria. No caso de Língua de Sinais, essa diferença fica evidente no momento da realização 
dos sinais. 
 
Os sereshumanos podem utilizar uma língua, de acordo com a modalidade de 
percepção e a produção desta: modalidade oral auditiva (português, francês, 
inglês etc.) ou modalidade espacial-visual (língua de sinais brasileira, língua de 
sinais americana, língua de sinais francesa etc.) (QUADROS, 2004, p. 24). 
 
Dessa forma, existem níveis em que os surdos utilizam a Libras. Por meio de 
vocabulário mais reduzido ou amplo/complexo, podendo ser comparada à Língua 
Portuguesa falada em nosso país, tendo vocabulário popular (coloquial) e o erudito. 
Descreveremos as mais utilizadas. Acompanhe: 
 
● Língua de Sinais Formal: utiliza a estrutura da língua de sinais, que é a imagem 
do pensamento, usa posturas corporais e faciais adequadas. Faz uso do processo 
anafórico, corretamente e os parâmetros, como configuração de mãos (CM), 
expressão e localização ou ponto de articulação. 
● Língua de Sinais Informal ou Nativa: não confundir com dialetos, gestos, 
mímicas ou pantomima (representações gestuais com o menor uso de palavras). 
Não utiliza as regras da Língua de Sinais e é composto pela imagem mental, do 
objeto, pessoa, animal ou situação a ser descrita. 
 
Em todas as línguas há o ritual da saudação. Dependendo do contexto, esse 
cumprimento será mais formal ou informal e geralmente é complementado por gestos. 
A Libras tem também sinais específicos para cada uma dessas situações. Assim pode-
se utilizar os seguintes sinais: BO@ DIA, BO@ TARDE, BO@ NOITE, O-I, TCHAU, 
acompanhados ou não de gestos para cumprimento: 
 
Figura 1 - Diálogo de situação formal
 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 2 - Diálogo de situação informal 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
Para Quadros e Karnopp (2004, p. 52) conversar em qualquer língua não basta 
conhecer as palavras, é preciso aprender as regras de combinação das palavras em 
frases. As palavras, ou itens lexicais, são os sinais. Partindo do pressuposto que cada 
língua tem um número determinado de unidades mínimas cuja função é determinar a 
diferença de um sinal em relação a outro sinal, na Unidade de Estudos II, vimos sobre a 
 
unidades mínimas: sinais que se opõem quanto a configuração de mão, sinais que se 
opõem quanto ao movimento e sinais que se opõem quanto ao ponto de articulação. 
Essa união de regras lexicais possibilita a transmissão de qualquer pensamento 
visual não verbal e que se fundamentou através da cultura e identidade das comunidades 
surdas. Consideramos aqui, a importância de que o sinal ao ser produzido nunca deve 
ficar em frente aos olhos, e sim em frente ao tronco, facilitando a comunicação e 
compreensão dos sinais. 
Ressaltamos ainda que essa orientação é de suma importância para não se criar 
sinais com movimentos sem sentido ou de difícil execução, já que a tendência das línguas 
é a economia e redução de palavras para agilidade na compreensão do receptor. 
Já analisamos a importância da criação correta dos sinais, mas será que é imposta 
alguma restrição ou podemos executar os sinais de qualquer maneira? Siple (1978) 
mostrou que propriedades do sistema de percepção visual restringem a produção de 
sinais. A acuidade visual é maior na área da face, pois é onde o interlocutor fixa o olhar 
e específica possíveis combinações entre as unidades mínimas (configuração de mão, 
movimento, ponto de articulação e orientação de mão), na formação dos sinais. Observe 
a figura a seguir: 
 
Figura 3 - Área central do espaço de sinalização 
 
Fonte: Quadros e Karnopp (2004, p. 78). 
 
Dessa forma, quando executamos o sinal, devemos prestar atenção se está sendo 
realizado de forma correta e em uma área que o receptor consiga ver e interpretar. 
 
Podemos citar, como exemplo, se a pessoa usa barba/bigode e vai fazer um sinal na 
face, certifique-se que o sinal está sendo realizado limpo/sem impedimento/barreiras. 
Por isso, pense nestas restrições físicas e linguísticas, como forma de nos 
capacitar para fazermos os sinais corretamente. Como já colocamos aqui, Libras não são 
gestos ou palavras soltas no ar, e nem são um sistema de comunicação superficial, muito 
pelo contrário, o sinal foi criado com um objetivo a ser cumprido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 ASPECTOS GRAMATICAIS E SENTENÇAS EM LIBRAS 
 
 
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/caucasian-female-teacher-wearing-face-mask-
1843399852 
 
Já vimos que a morfologia na linguística estuda e classifica as palavras ou 
morfemas, nesse caso de Libras, os sinais. Quadros (2004, p. 55) nos diz que: “similar 
às línguas orais auditivas, e diferentes dos gestos, os sinais pertencem à categoria lexical 
ou classes de palavras”. Para entender a Libras, é fundamental ter em mente a ampliação 
do conhecimento sobre o uso das propriedades da Língua utilizada pela comunidade 
surda. Aqui serão apresentadas algumas classes em que já se têm estudos mais 
profundos. 
 
⮚ Substantivos 
 
Na língua portuguesa, os substantivos são palavras que possuem desinência 
(sufixo/terminação) de gênero e numeral, podendo ter a função de sujeito ou objeto. Em 
Libras essa classe fica evidente durante a formação da frase, o que diferencia da Língua 
 
portuguesa é que o substantivo, em geral, fica em último lugar. Observe o exemplo 
apresentado por Felipe e Monteiro (2001), na frase a seguir os substantivos Recife e 
surdo ficam no final da frase. 
 
EU VIAJAR RECIFE 
BOM! BONIT@ LÁ CONHECER MUIT@ SURD@ 
 
Todas as línguas possuem palavras que são classificadas em relação a seus 
aspectos morfológicos, sintáticos, semânticos e pragmáticos. Assim também acontece 
em Libras. Não se pode esquecer que estamos estudando uma outra língua, que sua 
compreensão pode ser complexa, exigindo de nós um grande esforço para sua 
aprendizagem. 
 
⮚ Sistema de Preposição em Libras 
 
Na Língua Portuguesa, o sistema de preposição compõe-se de um grupo 
relativamente fechado: a, após, até, com, contra, desde, em etc., e um grupo mais aberto; 
a propósito de, de acordo com, por meio de etc. Trata-se de uma categoria nas línguas 
que estabelecem as mais diversas relações semânticas. Diferente do português, em 
Libras essa categoria de preposições possui um número bastante reduzido de elementos, 
sobretudo as relações de lugar. Veja os exemplos apresentados por Felipe (2001, p. 71): 
 
QUANT@-HORA TREM SÃO PAULO ATÉ RIO? 
VOCÊ MORAR LONGE, PERTO DA FACULDADE? 
 
 
⮚ Artigos 
 
Não se usam “artigos” no momento da realização do sinal, mas são expressos de 
outras maneiras, como na escrita datilológica. 
 
⮚ Pronomes Interrogativos 
 
 
 Os pronomes interrogativos QUE e QUEM geralmente são usados no início da 
frase, mas o pronome interrogativo ONDE e o pronome QUEM, quando está sendo usado 
com o sentido de “quem é” ou “de quem é” são mais usados no final. Todos os três sinais 
têm uma expressão facial interrogativa feita simultaneamente com eles. 
 Na variante do Rio de Janeiro, o pronome interrogativo QUEM, dependendo do 
contexto, pode ter duas formas diferentes, os sinais QUEM e o sinal soletrado QUM. Se 
se quer perguntar “quem está tocando a campainha”, usa-se o sinal o sinal QUEM; se 
quer perguntar “quem faltou hoje” ou “quem está falando” ou ainda “quem fez isso”, usa-
se o sinal soletrado QUM, como nos exemplos abaixo: 
Interrogativa 
Figura 4 - Pronome Interrogativo -QUEM 
 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021) 
 
Interrogativa 
 
Figura 5 - Pronome Interrogativo –Q-U-M 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021) 
 
 
⮚ Pronomes Pessoais 
 
 A Libras possui um sistema pronominal para representar as pessoas no discurso 
 
● Primeira Pessoa (singular, dual, trial, quatrial e plural): EU; NÓS-2, NÓS-3, NÓS-
4, NÓS-GRUPO, NÓS/NÓS-TOD@; 
Felipe e Monteiro (2001) pontuam como acontece a sinalização. Note que a 
direção da mão e do olhar é determinante para a significânciado sinal. 
 
● Primeira pessoa do singular: EU 
Apontar para o peito do enunciador (a pessoa que fala) 
 
Figura 6 - Pronome pessoal primeira pessoa do singular - EU 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
● Primeira pessoa do plural: NÓS-2, NÓS-3, NÓS-4, NÓS-GRUPO, NÓS/NÓS-
TOD@S 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 7 - Pronome pessoal primeira pessoa do plural - NÓS 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
● Segunda pessoa (singular, dual, trial, quatrial e plural): VOCÊ, VOCÊ-2, VOCÊ-3, 
VOCÊ-4, VOCÊ-GRUPO, VOCÊS/VOCÊS-TOD@S 
● Segunda pessoa do singular: VOCÊ 
Apontar para o interlocutor (a pessoa com quem se fala) 
 
 
 
 
 
 
 Figura 8 - Pronome pessoal segunda pessoa do singular - VOCÊ 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
● Segunda pessoa do plural: VOCÊS-2, VOCÊS-3, VOCÊS-4, VOCÊS-GRUPO, 
VOCÊS/VOCÊS-TOD@S 
 
 Figura 9 - Pronome pessoal segunda pessoa do plural - VOCÊS 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021) 
 
● Terceira pessoa (singular, dual, trial, quatrial e plural): El@, El@-2, El@-3, El@-
4, El@-GRUPO, El@/El@TOD@) 
 
● Terceira pessoa do singular: EL@ 
Apontar para uma pessoa que não está na conversa ou para um lugar 
convencionado para uma pessoa. 
Figura 10 - Pronome pessoal terceira pessoa do singular - El@ 
 
Fonte: arquivos da autora (2021) 
 
● Terceira pessoa do plural: El@, El@-2, El@-3, El@-4, El@S-GRUPO, 
El@S/El@S-TOD@S) 
 
Figura 11 - Pronome pessoal terceira pessoa do plural - EL@ 
 
 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 No singular, o sinal para todas as pessoas é o mesmo, o que difere uma das outras 
é a orientação da mão: o sinal para “eu” é um apontar para o peito do emissor (a pessoa 
que está falando), o sinal para “você” é um apontar para o receptor (a pessoa com quem 
se fala) e o sinal para “ele/ela” é um apontar para uma pessoa que não está na conversa 
ou para um lugar convencionado para uma terceira pessoa que está sendo mencionada. 
No dual, a mão ficará com o formato do numeral dois (quantidade), no trial o 
formato será do numeral três (quantidade), no quatrial, o formato será do numeral quatro 
(quantidade). Para o plural há dois sinais: um sinal composto, formado pelo sinal para a 
respectiva pessoa do discurso (1ª, 2ª 3ª), mais o sinal GRUPO; e outro sinal para plural 
que é feito pela mão predominante com a configuração em “d”, fazendo um semicírculo 
à frente do sinalizador, apontando para as duas pessoas ou três pessoas do discurso. 
 Como na Língua Portuguesa, na Libras, quando uma pessoa surda está 
conversando, ela pode omitir a primeira pessoa porque, pelo contexto, as pessoas que 
estão interagindo sabem a qual das duas o contexto está relacionado, por isso, quando 
esta pessoa está sendo utilizada pode ser para dar ênfase à frase. 
 Quando se quer falar sobre uma terceira pessoa que está presente, mas deseja-
se uma certa reserva, por educação, não se aponta para esta pessoa diretamente. Nesta 
situação, o enunciador faz um sinal com os olhos e um leve movimento de cabeça para 
a direção da pessoa que está sendo mencionada, ou aponta para a palma da mão 
encostando o dedo indicador da mão esquerda na mão direita um pouco à frente do peito 
do emissor, estando o dorso da mão direita voltada para a direção onde se encontra a 
pessoa referida (FELIPE, 2007, p. 142-143). 
 
 Diferentemente do Português, os pronomes pessoais na terceira pessoa não 
possuem marca para gênero (masculino e feminino) 
 
⮚ Pronomes Demonstrativos e Advérbios de Lugar 
 
Os pronomes demonstrativos e os advérbios de lugar têm o mesmo sinal, 
somente o contexto os diferencia pelo sentido da frase acompanhada de 
expressão facial. Estes tipos de pronomes e de advérbios estão relacionados às 
pessoas do discurso e representam, na perspectiva do emissor, o que está bem 
próximo, perto e distante. Estes pronomes ou advérbios têm a mesma 
configuração de mãos dos pronomes pessoais (mão em d), mas os pontos de 
articulação e as orientações do olhar são diferentes (FELIPE, 2007, p. 41). 
 
 Na Libras, como no Português, os pronomes demonstrativos e os advérbios de 
lugar estão relacionados às pessoas no discurso e representam, na perspectiva do 
emissor, o que está bem próximo, perto ou distante. Eles têm a mesma configuração de 
mãos dos pronomes pessoais, mas os pontos de articulação e as orientações do olhar 
são diferentes. 
 Os pronomes demonstrativos e os advérbios de lugar relacionados à 1ª pessoa, 
EST@/AQUI, são representados por um apontar para o lugar perto e em frente do 
emissor, acompanhado de um olhar para este ponto. EST@ também pode ser sinalizado 
ao lado do emissor apontando para a pessoa/coisa mencionada. 
 ESS@/AI é um apontar para o lugar perto e em frente do receptor, acrescido de 
um olhar direcionado não para o receptor, mas para o ponto sinalizado com relação à 
coisa/pessoa que está perto da segunda pessoa do discurso. 
 AQUEL@/LÁ é um apontar para um lugar mais distante, o lugar da terceira pessoa, 
mas diferentemente do pronome pessoal, ao apontar para este ponto há um olhar 
direcionado para a coisa/pessoa ou lugar. 
 Como os pronomes pessoais, os pronomes demonstrativos também não possuem 
marca para gênero: masculino e feminino. 
 
● Pronomes pessoais 
EU (olhando para o receptor: 2ª pessoa) 
VOCÊ (olhando para o receptor: 2ª pessoa) 
EL@ (olhando para o receptor: 2ª pessoa) 
 
 
● Pronomes demonstrativos ou advérbios de lugar 
EST@/AQUI (olhando para coisa/lugar apontando, perto da 1ª pessoa) 
EST@/AI (olhando para a coisa/lugar apontando, perto da 2ª pessoa) 
AQUEL@/LÁ (olhando para a coisa/lugar distante apontado) 
 
Figura 12 - Pronomes demonstrativos ou advérbios de lugar 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
⮚ Pronomes Possessivos 
 
 
 Os pronomes possessivos, como os pessoais e demonstrativos, também não 
possuem marca para gênero e estão relacionados às pessoas do discurso e não à coisa 
possuída, como acontece em Português. 
 
Figura 13 - Pronomes Possessivos 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 Para a primeira pessoa: ME@, pode haver duas configurações de mão: uma é a 
mão aberta com os dedos juntos, que bate levemente no peito do emissor, a outra é a 
configuração da mão em P com o dedo médio batendo no peito – MEU-PRÓPRIO. Para 
as segunda e terceira pessoas, a mão tem esta segunda configuração em P, mas o 
movimento é em direção à pessoa com que se fala (segunda pessoa) ou está sendo 
mencionada (terceira pessoa), Capovilla e Raphael (2001). 
 
 Não há sinal específico para os pronomes possessivo no dual, trial, quatrial e plural 
(grupo), nestas situações são usados os pronomes pessoais correspondentes. Exemplo: 
NÓS FILH@ “nossos(a) filhos(a).” 
 Os adjetivos são sinais que formam uma classe específica na Libras. Figueira 
(2011) expõe essa relação apresentando-os sempre na forma neutra, não havendo, 
portanto, nem marca para gênero (masculino e feminino), nem para número (singular e 
plural). Muitos adjetivos, por serem descritivos e classificadores, apresentam 
iconicamente uma qualidade do objeto, desenhando-a no ar ou mostrando-a a partir do 
objeto ou do corpo do emissor. 
Em português, quando uma pessoa se refere a um objeto como sendo 
arredondado, quadrado, listrado, está também descrevendo e classificando, mas 
na Libras esse processo é mais 'transparente', porque o formato ou textura são 
traçados no espaço ou no corpo do emissor, em uma tridimensionalidade 
permitida pela modalidade da língua. Em relação à colocação dos adjetivos na 
frase, eles geralmente vêm após o substantivo que o qualifica (FELIPE, 2007, p. 
121). 
 
Assim, o gênero não se apresenta em Libras para substantivos e adjetivos, mas 
sim quando quer explicitar alguns substantivos dentro de determinados contextos. O sinal 
utilizado para essa distinção é o sinal de homem e o sinal de mulher em conjunto com 
sinais de pessoas ou animais. 
Figura 14 - Gênero (feminino/masculino)Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
⮚ Pronomes Indefinidos 
 
Figura 15 - Pronomes indefinidos 
 
 
Fonte: Capovilla e Raphael (2001), adaptado pela autora. 
 
Exemplos: 
 
 
 
NINGUÉM (acabar) 
 
Figura 16 - Uso do pronome indefinido - NINGUÉM - na sentença 
 
Fonte: arquivo da autora (2021) 
 
NENHUM (não) 
 
Figura 17 - Uso do pronome indefinidos - NENHUM (não) - na sentença 
 
Fonte: arquivo da autora (2021) 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 18 - Uso do pronome indefinido - NENHUM (não) - na sentença 
 
Fonte: arquivo da autora (2021). 
 
NENHUM-POUQUINHO 
 
Figura 19 - Uso do pronome indefinido - NENHUM-POUQUINHO - na sentença 
 
Fonte: arquivo da autora (2021). 
 
 
 
 
 
3 TIPOS DE VERBOS EM LIBRAS 
 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021) 
 
Neste tópico veremos como os verbos são divididos em Libras. Focalizamos em 
exemplos que irão te orientar a aumentar seu aprendizado e ter um entendimento 
satisfatório nesta classe gramatical tão importante. 
Apresentamos, as definições dos processos sintáticos de língua de sinais e a forma 
de identificar a formação de frases. Para formar uma frase, é necessário nomear as 
marcas da formação de interrogativa, de acordo com o contexto. Sem falar da inserção 
dos verbos e a concordância da língua de sinais. As construções sintáticas dão mais 
significado e sentido nas captações visuais e mentais, reconhecendo cada elemento na 
gramática da Língua Brasileira de Sinais. 
A sintaxe é a área da gramática que trata da estrutura da sentença. Analisar alguns 
aspectos da Libras requer “enxergar” ou “ler” esse sistema que é viso-espacial e NÃO 
oral-auditivo. 
Os verbos representam as ações. Em Libras alguns verbos apresentam variação 
de acordo com o contexto, por exemplo, não existe sinal para o verbo “ABRIR”, o sinal 
para esse verbo vai depender do contexto, ou seja, o sinal para “abrir a porta” será 
diferente do sinal de “abrir os olhos’, “abrir a porta”, “abrir o pote” entre outros. Veja na 
figura a diferença: 
Figura 20 - Verbos que representam as ações 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021) 
 
Conforme Quadros e Karnopp (2004), os verbos na Libras estão divididos nas 
seguintes classes: 
 
a) Verbos direcionais: verbos que possuem marca de concordância. A direção do 
movimento, marca no ponto inicial o sujeito e no final o objeto ou a localização. Há 
ainda, uma subclasse dos verbos direcionais cujo momento tem no ponto inicial o 
objeto ou localização e no ponto final o sujeito. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 21 - Verbos direcionais 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021) 
 
b) Verbos direcionais que incorporam o objeto 
Exemplo: TROCAR 
 
Figura 22 - Verbos direcionais que incorporam o objeto 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
c) Verbos não-direcionais: verbos que possuem marca de concordância. Quando 
se faz uma frase é como se eles ficassem no intuitivo. Os verbos não-direcionais 
podem aparecer. 
✔ Ancorados no corpo: são verbos realizados em contato ou muito próximos do 
corpo. Podem ser verbos de estados cognitivos, emotivos ou experiências, 
como: 
Figura 23 - Verbos não-direcionais 
 
Fonte: arquivos da autora (2021) 
 
E verbos de ação, como: 
Figura 24 - Verbos de ação 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
✔ Verbos que incorporam o objeto: quando o verbo incorpora o objeto, alguns 
parâmetros modificam-se para especificar as informações do sinal-objeto 
incorporado. 
 
Figura 25 - Verbos que incorporam o objeto - COMER 
 
Fonte: arquivos da autora (2021) 
 
Figura 26 - Verbos que incorporam o objeto - TOMAR/BEBER 
 
Fonte: arquivos da autora (2021) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 27 - Verbos que incorporam o objeto - CORTAR-TESOURA 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
Figura 28 - Verbos que incorporam o objeto - CORTAR 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
Nesta classe de verbos, também estão inclusos verbos classificadores e 
incorporam a ação. Mas esse será assunto para a nossa próxima Unidade de Estudos. 
 
⮚ Formação de Palavras 
 
 
 Na Libras também existe uma série de sinais que são derivados e compostos. 
 
Figura 29 - Sinais derivados e compostos 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
Figura 30 - Sinais derivados e compostos 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SAIBA MAIS 
 
SOBRE A TV INES 
 
Acessibilidade, qualidade e inovação: TV INES integra públicos surdo e ouvinte 
Parceria do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) e da Associação de 
Comunicação Educativa Roquette Pinto (ACERP) viabiliza a primeira webTV em Língua 
Brasileira de Sinais (Libras), com legendas e locução. 
O País tem mais de 9,7 milhões de pessoas com dificuldade auditiva, de acordo 
com o último censo do IBGE. Por isso, cresce entre surdos e ouvintes o uso da Língua 
Brasileira de Sinais (Libras) – reconhecida como meio legal de comunicação e expressão 
pela Lei 10.436, sancionada no dia 24 de abril de 2002. 
A estreia da TV INES na internet também se deu num 24 de abril – reforçando a 
relação entre a conquista legal dos surdos brasileiros e a conquista de um canal de 
webTV acessível a todos. 
A TV INES prioriza Libras e conta com legendas e locução em todos os produtos 
– o que a torna única na proposta de integrar os públicos surdo e ouvinte numa grade de 
programação bilíngue, já que Libras não é a simples gestualização da língua portuguesa 
e tem gramática, sintaxe e léxico próprios. 
O desafio diário de produzir um canal de televisão bilíngue e construir narrativas 
audiovisuais que conjuguem Libras e Língua Portuguesa, integrando públicos, é 
enfrentado por uma equipe de profissionais de televisão surdos, ouvintes, tradutores 
intérpretes e profissionais do INES. 
Na web 24 horas por dia (em streaming e vídeo on demand), com transmissão 
satelital e através de parabólica, e em aplicativos para celulares, tablets e televisões 
conectadas à internet, a TV INES oferece uma grade de programação eclética com foco 
na comunicação educativa: informação, cultura, entretenimento, esporte, documentários, 
desenhos animados, tecnologia, aulas de Libras, revistas eletrônicas, filmes com 
legendas descritivas e um talk show em Língua Brasileira de Sinais. 
A Roquette Pinto desenvolveu aplicativos que podem ser baixados gratuitamente 
para aparelhos com sistema Android, iOS e Windows Phone. Quem tem uma Samsung 
Smart TV (também chamada de TV conectada) pode acessar a tela Smart Hub, baixar o 
 
aplicativo da TV INES e ter acesso ao serviço de vídeos sob demanda (VoD). Desde a 
sua estreia, a TV INES conquista de maneira crescente e constante grande audiência 
nas diferentes plataformas e, em maio de 2014, ganhou o Troféu do Júri no Prêmio Oi 
Tela Viva Móvel – principal premiação para inovação em conteúdo móvel no Brasil. 
Em 24 de abril de 2014, data de seu primeiro aniversário, a TV INES presenteou 
a comunidade surda com um portal acessível. Além de assistir a todos os vídeos 
produzidos e exibidos pelo canal, o usuário pode também enviar seus vídeos 
colaborativos, comentar as publicações, avaliar os programas e interagir com a TV INES 
nas redes sociais, sem precisar sair do portal. 
Desenvolvido pela Roquette Pinto com a colaboração de profissionais surdos e 
ouvintes, o portal da TV INES se inscreve na filosofia da comunidade surda: “nada sobre 
nós, sem nós” e justifica, na prática, o slogan: TV INES – Acessível Sempre. 
 
Fonte: TV INES. Disponível em: http://tvines.org.br/. Acesso em: 26 ago. 2021. 
 
#SAIBA MAIS# 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFLITA 
 
A pesquisadora Heloisa Maria Moreira Lima em sua publicação “Ensino de 
Língua Portuguesa para Surdos: caminhos para a prática pedagógica'' (2007, p. 119 
- 120) aborda sobre a questão do texto escrito por surdos. Ela diz que o primeiro contato 
como texto escrito por um surdo é, para o ouvinte, desconcertante. Isso decorre do fato 
de que o ouvinte, que desconhece a realidade do surdo, supõe que o escritor surdo tenha 
como língua única e/ou materna a Língua Portuguesa. 
Uma vez lembrado que a percepção sensorial do surdo é essencialmente visual, 
tendo ele, portanto, acesso restrito, ou nenhum acesso, a modalidade oral do português, 
o ouvinte ainda se surpreende com o fato de que o surdo escolarizado demonstra domínio 
tão restrito da Língua Portuguesa. 
Informado de que o aluno surdo tem a língua de sinais a sua disposição, e que, na 
escola e nas situações de interação, lida com a língua de sinais de falantes não-nativos, 
com o português sinalizado, com a leitura labial, os gestos, as informações visuais e 
outras estratégias que possam auxiliá-lo na aquisição da língua oral, ainda assim, custa-
lhe crer que a Língua Portuguesa seja tão opaca para o surdo ou que anos de 
escolarização não tenham o efeito esperado sobre essas pessoas. O fato é que a 
situação de imersão do surdo na cultura ouvinte não é trivial. 
Acadêmico(a) com base nos estudos supracitados pela pesquisadora, gostaria 
que você agora pudesse tirar um tempinho e refletir sobre os textos que serão 
apresentados a seguir. Todos são textos de pessoas surdas em processo de 
escolarização. Se você fosse professor desses estudantes, como você avaliaria tais 
textos? 
Fonte: SALLES, Heloisa M. M. L. Ensino de língua portuguesa para surdos: caminhos para a prática 
pedagógica. Brasília: MEC, SEESP, 2007. 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021) 
 
#REFLITA# 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Finalizando esta unidade de estudos, enfatizamos a morfologia como estrutura 
complexa da Língua Brasileira de Sinais. É importante aprofundar as pesquisas sobre os 
processos morfológicos e suas comparações para um melhor entendimento e “ver” as 
complexidades da língua de sinais, bem como para rever e dar continuidade aos estudos 
da próxima Unidade. 
Para não perder o contato, procure exercitar os “olhos” durante a visualização dos 
links que complementam a teoria desse material didático. Cabe a nós pesquisarmos nos 
sites os vídeos, coletar as narrativas Surdas e fazer comparações por causa da sua 
modalidade viso-espacial, que é distinta da língua falada. Para aprimorarmos mais, é 
imprescindível elaborar a lista da formação sintática, tentar entender, coletar, ler e 
interpretar as classes gramaticais, os verbos e concordância através das narrativas. 
Nesta Unidade você pôde relembrar que a Libras, mesmo sendo de modalidade 
visuo-espacial, possui aspectos gramaticais como qualquer língua oral-auditiva. Como 
por exemplo, as unidades mínimas da língua de sinais possuem morfemas lexicais e 
gramaticais. Os morfemas lexicais são as unidades convencionadas pela comunidade 
surda e morfemas gramaticais são as unidades que foram acrescidas nos morfemas 
lexicais. 
As Preposições em Libras possuem um número bastante reduzido de elementos, 
sobretudo as relações de lugar. 
Os adjetivos são sinais que formam uma classe específica na Libras e sempre 
estão na forma neutra, não havendo, portanto, nem marca para gênero (masculino e 
feminino), nem para número (singular e plural). 
Na Língua Brasileira de Sinais – Libras há um sistema pronominal. No singular, o 
sinal para todas as pessoas é o mesmo, ou seja, a configuração da mão predominante é 
em “d” o que difere uma das outras é a orientação. No plural, configuração em “P”. 
Os pronomes em Libras são: pronomes pessoais, pronomes demonstrativos, 
lugar, pronomes possessivos, pronomes interrogativos 
Na Libras não há marca de tempo nas formas verbais, é como se os verbos 
ficassem na frase quase sempre no infinitivo. 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
 
Acadêmico(a) a Cartilha “A Classificação Indicativa na Língua Brasileira de 
Sinais” foi produzida em 2009 pelo Ministério da Justiça e traz orientações acerca da 
acessibilidade comunicacional de pessoas surdas às produções audiovisuais, sobretudo 
as veiculadas em TVs. É importante que você busque conhecer essas orientações, que 
podem ser encontradas no link: http://www.librasgerais.com.br/materiais-
nclusivos/downloads/Cartilha_libras.pdf 
Em especial, quero destacar a página 28 desta cartilha que nos orienta na 
comunicação com pessoas surdas: 
 
 
Fonte: LIBRAS Gerais. A classificação indicativa na Língua Brasileira de Sinais. Disponível em: 
http://www.librasgerais.com.br/materiais-nclusivos/downloads/Cartilha_libras.pdf. Acesso em: 26 ago. 
2021. 
 
 
 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR 
 
http://www.librasgerais.com.br/materiais-nclusivos/downloads/Cartilha_libras.pdf
 
Caro(a) acadêmico(a), como material complementar nesta Unidade de Estudos 
sugiro uma atividade lúdica para iniciar sua prática em Libras através do diálogo curto. 
Espero que se divirta sinalizando e busquem ampliar o vocabulário em Libras. O jogo foi 
criado pela autora deste material didático, caso você não saiba sinalizar algumas palavras 
que aparecem nos cartões. 
Faça uma busca no dicionário online de Libras disponível no link: 
https://www.ines.gov.br/dicionario-de-libras/ 
 
JOGO EU PERGUNTO, QUEM RESPONDE? 
 
● O jogo é composto por 36 cartelas, sendo 18 cor de rosa contendo as perguntas 
e 17 de cor amarela contendo as respostas das perguntas. 
● A professora entregará aleatoriamente as cartelas cor de rosa e amarelas para os 
alunos. 
● Todos deverão ler suas cartela e depois encontrar seus pares, ou seja: um aluno 
fará a pergunta e outro responderá. 
● Todas as cartelas são numeradas para facilitar o encontro dos pares. 
● Ao encontrar a dupla os alunos deverão treinar a sinalização e ao comando da 
professora sinalizar para a turma toda a pergunta e a resposta. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Arquivos da autora (2021). 
 
 
 
 
 
 
 
LIVRO 
 
 
Título: Língua de Sinais Brasileira Estudos Linguísticos 
Autor: Ronice Muller de Quadros e Lodenir Becker Karnopp. 
Ano: 2004. 
Sinopse: Neste livro, as autoras descrevem e analisam a língua de sinais brasileira, 
apontando, de modo competente, seus aspectos fonológicos, morfológicos e sintáticos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FILME/VÍDEO 
 
 
Título: Aprenda LIBRAS com eficiência e rapidez (vocabulários básicos) 
Ano: 2009. 
Sinopse: Éden Veloso é surdo ministra aulas de Libras na região de Curitiba e através 
de suas experiência sentiu-se motivado a criar um material junto com seu amigo Valdeci 
Maia, com o objetivo principal de inserir os ouvintes no universo dos surdos. O vídeo é 
fruto do livro do autor, intitulado Aprenda LIBRAS com eficiência e rapidez e apresenta 
sinais básicos utilizados na região sul - Paraná. 
● No vídeo “Mãos Sinais” você aprenderá os sinais da região do Sul – Paraná, 
acesse o link: http://www.youtube.com/watch?v=mBeLLxSUW9k 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Título: A Vida em Libras – Gramática I 
Ano: 2016. 
Sinopse: Heveraldo Ferreira mostra sinais em Libras e curiosidades da vida cotidiana. 
Cultura, esportes, educação, gastronomia e situações do dia a dia são alguns dos temas 
que o A Vida em Libras aborda, sempre com o auxílio de animações, locuções e 
legendas. O tema deste vídeo GRAMÁTICA I, explica e mostra os sinais de fonologia, 
morfologia, sintaxe, vogais, consoantes e as classes gramaticais, como substantivo, 
adjetivo, artigo e numeral. 
● No vídeo “A vida em Libras – Gramática I” você conhecerá os conceitos e os 
sinais de fonologia, morfologia, sintaxe, vogais, consoantes, substantivos, 
adjetivos, artigos e numerais, acesse o link: http://tvines.org.br/?p=14113 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Título: A Vida em Libras – Gramática II 
Ano: 2016 
Sinopse: Heveraldo Ferreira mostra sinais em Libras e curiosidades da vida cotidiana. 
Cultura, esportes, educação, gastronomia e situações do dia a dia são algunsdos temas 
que o A Vida em Libras aborda, sempre com o auxílio de animações, locuções e 
legendas. O tema deste vídeo, GRAMÁTICA II, dá continuidade ao vídeo anterior, de 
Gramática I, explica as classes gramaticais e mostra seus sinais. Neste episódio, foi 
incluído pronomes e suas variações, advérbios, verbos, preposições, conjunções e 
interjeições. 
● No vídeo “A vida em Libras – Gramática II” você conhecerá terá a explicação 
das classes gramaticais em Libras: pronomes e suas variações, advérbios, verbos, 
preposições, conjunções e interjeições, acesse o link: 
http://tvines.org.br/?p=14117 
 
 
 
 
 
 
 
 
Título: Aula de Libras - Verbos I e II 
Ano: 2014. 
Sinopse: Com apresentação do professor Heveraldo Ferreira, o Aula de Libras é 
destinado a surdos e ouvintes que querem aprender a Língua Brasileira de Sinais. Com 
o auxílio de animações, locuções e legendas, o professor ensina, passo a passo, os sinais 
básicos para se comunicar a partir do vocabulário de temas específicos como família, 
escola, dias da semana, meios de transporte, cultura, entre outros. Para apresentar a 
temática Verbos I, Heveraldo Ferreira esteve na Biblioteca Parque Estadual e na 
Biblioteca Nacional e ensina os sinais dos verbos, que são importantes para a 
comunicação dos surdos. Já para o ensino de Verbos II, Heveraldo foi ao Centro Cultural 
do Liceu Português, enquanto Áulio e Renato continuam na Biblioteca Nacional, para 
ensinar verbos de sentimentos, movimentos e atividades. 
● Nos vídeos “Aula de Libras – Verbos I e II” você aprenderá os sinais dos verbos, 
que são importantes para a comunicação dos surdos, acesse o link: 
http://tvines.org.br/?p=3304 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
 
CAPOVILLA, F. C.; RAPHAEL, W. D. Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngue 
– Língua de Sinais Brasileira. São Paulo: EDUSP, 2001. 
 
FELIPE, T. A.; MONTEIRO, M. S. Libras em contexto: curso básico, livro do professor 
instrutor. Brasília: Programa Nacional de Apoio à Educação dos Surdos, MEC: SEESP, 
2001. 
 
FELIPE, T. A; Libras em contexto: curso básico, livro do professor instrutor. 8. ed. 
Brasília: Programa Nacional de Apoio à Educação dos Surdos. MEC: SEESP, 2007. 
 
FIGUEIRA, A. dos S. Material de apoio para aprendizagem de LIBRAS. São Paulo: 
Phorte, 2011. 
 
FROMKIN, V.; RODMAN, R. Introdução à linguagem (trad.). Coimbra: Livraria 
Almedina, 1993. 
 
QUADROS, R. M. O tradutor e intérprete de Língua Brasileira de Sinais e Língua 
Portuguesa. Brasília: MEC/SEESP, 2004. 
 
QUADROS, R. M.; KARNOPP, L. B. Língua de sinais brasileira: estudos linguísticos. 
Porto Alegre: Artmed, 2004. 
 
SALLES, Heloisa M. M. L. Ensino de língua portuguesa para surdos: caminhos para 
a prática pedagógica. Brasília: MEC, SEESP, 2007. 
 
SIPLE, P. Visual constraints for sign language communication. Sign Language 
Studies. Chicago: University of Chicago Press, 1978. 
 
 
 
 
UNIDADE IV 
OS CLASSIFICADORES NA LIBRAS 
Professora Mestre Elizete Pinto Cruz Sbrissia Pitarch Forcadell 
 
 
Plano de Estudo: 
 
● Os Processos de Formação de Sinais; 
● Verbos Classificadores; 
● Classificadores na Libras; 
● Tipos de Classificadores na Libras. 
 
 
Objetivos de Aprendizagem: 
 
● Conhecer e utilizar adequadamente os verbos de locomoção e os verbos 
classificadores e seu sistema de flexão; 
● Construir frases com verbos de locomoção e com verbos classificadores; 
● Diferenciar classificadores de adjetivos descritivos; 
● Conhecer os vários tipos de verbos classificadores na Libras. 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
Caro(a) Acadêmico(a), 
 
O uso das estratégias para o estabelecimento de pontos espaciais é muito 
sofisticado na língua de sinais. Nós já estudamos a apontação e as suas diferentes 
funções, o jogo de papéis, os sinais definidos ao serem realizados em pontos específicos 
no espaço. 
Nesta Unidade de Estudos, vamos aprofundar nosso conhecimento e uso dos 
verbos classificadores, conhecendo os seus dez tipos. 
O termo “classificadores” é utilizado, na Libras, no sentido de uma configuração 
de mão geral que pode substituir vários sinais de uma determinada categoria. 
Na Libras há classificadores para objetos, que são usados para descrever alguma 
coisa; há, também, os classificadores que incorporam a ação e o objeto ao mesmo tempo. 
Os classificadores podem ser realizados em pontos específicos do espaço, assim 
como os sinais específicos, ou serem usados incorporando os pontos por meio de 
movimentos, assim como alguns sinais já descritos em outras unidades. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 OS PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE SINAIS 
 
 
 
Fonte: Língua de Sinais, arquivos da autora (2021) 
 
Quando se divide um sinal para estudá-lo, os cinco parâmetros, que você já 
conheceu na Unidade II, podem ser também comparados a “pedacinhos” de um sinal 
porque, não em todos, mas em muitos sinais, eles têm significados, são morfemas que 
se juntam ao radical do sinal em determinados contextos, assim: 
a) A expressão facial/corporal pode ser: 
 
Figura 1 - Um advérbio de modo 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
Figura 2 - Um intensificador 
 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
b) A alternância do movimento pode ser: 
 
Figura 3 - Uma marca de aspecto ou modo de realização da ação: 
 
Fonte: arquivos da autora (2021) 
Figura 4 - Um intensificador 
 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
c) A configuração de mão pode ser um classificador, ou seja, uma marca de gênero 
(animado: pessoa e animais / inanimado: coisas e veículos). Essa marca prende-
se ao verbo. 
d) O ponto de articulação pode ser uma marca de concordância verbal com o locativo 
– adjunto adverbial de lugar. 
e) A orientação da mão pode ser: 
● Uma concordância verbal número-pessoal 
● Um advérbio de tempo. Exemplos: ANO e ANO-PASSADO 
 
Como a maioria desses parâmetros tem a função de marcadores de concordância 
verbal, é no nível sintático, ou seja, quando os sinais estão sendo utilizados em frases, 
que eles se modificam devido às regras de combinação. 
 
⮚ Verbos de Locomoção 
Basicamente na Libras, há dois tipos de verbo: 
a) Verbos que não possuem marca de concordância 
b) Verbos que possuem marca de concordância 
 
 
Quando se faz uma frase com verbos do primeiro grupo, é como se eles ficassem 
no infinitivo, já que não se alteram mesmo mudando as pessoas do discurso, mas 
eles admitem modificadores com intensificadores ou advérbios de modo. 
Por exemplo: 
Figura 5 - Verbos modificadores com intensificadores e advérbios de modo 
 
 
 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
Figura 6 - Verbos de Locomoção 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
Meios de transporte podem também ser utilizados na função de verbo, por 
exemplo: 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7 - Verbos ligados ao substantivo 
 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 VERBOS CLASSIFICADORES 
 
 
 
Fonte: Verbos Classificadores, arquivos da autora (2021) 
 
A síntese do texto a seguir é parte do artigo da pesquisadora Tanya A. Felipe 
(2002), intitulado “Sistema de flexão verbal na Libras: os classificadores enquanto 
marcadores de flexão de gênero” Vários lingüistas, que têm pesquisado línguas de 
sinais, têm demonstrado que estas línguas possuem vários tipos de classificadores e, 
como os linguistas que têm pesquisando sobre classificadores nas línguas orais-
auditivas, aqueles também estão tendo posicionamentos diferenciados ao fazerem 
tipologias dos classificadores ou especificar as funções que eles exercem. O ponto em 
comum está na definição de classificador como sendo certas configurações de mãos que 
funcionam como morfemas que marcam certas características de um objeto nas línguas 
de sinais. Frishberg (1975), Kegl e Wilbur (1976) e Supalla (1978). 
As divergências estão nos enfoques em relação a estes morfemas classificadores: 
● Klima& Bellugi et al (1979) apresentaram um sistema de configurações de mãos 
que seriam classificadores na ASL, ou seja, as configurações de mãos especificam 
uma característica do objeto ou do modo como se seguraria um objeto; 
● Kegl (1985) apresentou estas configurações como sendo clíticos formantes das 
raízes verbais, existindo o clítico de proeminência e o de fundo; 
● Padden (1990) apresentou verbos classificadores, que possuem configurações de 
mãos que concordam com o sujeito ou objeto na frase, mas não especificou qual 
seria este tipo de concordância; 
● Pedersen & Pedersen (1983) preferem o termo pró-forma ao em vez de 
classificador como Edmondson (1990), que analisando o fenômeno na língua de 
 
 
sinais dinamarquesa, concluiu que as configurações nos verbos de movimento e 
localização seriam morfemas que caracterizariam os referentes, de modo icônico, 
em situações estáticas ou dinâmicas, já que a iconicidade estaria mais em relação 
às categorias animado/inanimado, dimensionalidade, orientação, entre outras, do 
que em relação à forma. 
Todas estas pesquisas apresentaram ou aspectos fonológicos e morfológicos ou 
sintáticos dos classificadores enquanto afixos ou itens lexicais. 
Na tipologia e morfologia dos Classificadores da ASL de Supalla (1986), pesquisa 
que sistematiza seus trabalhos anteriores e que tem sido ponto de referência para vários 
pesquisadores. 
A configuração de mão é uma marca de concordância de gênero: PESSOA, 
ANIMAL, COISA, VEÍCULO. Verbos que possuem concordância de gênero são 
chamados de verbo classificador porque concordam com o sujeito ou objeto da frase. 
Como, por exemplo, o verbo CAIR que, dependendo do sujeito da frase, terá uma 
configuração para concordar com a pessoa, a coisa, o animal ou veículo: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 8 - Verbo classificador para pessoa, animal, coisa e veículo
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021) 
 
 
 
 
 
 
3 CLASSIFICADORES NA LIBRAS 
 
Fonte: Classificadores na Libras, arquivos da autora (2021). 
 
Muitos classificadores são icônicos em seu significado pela semelhança entre a 
sua forma ou tamanho do objeto a ser referido. Às vezes o classificador refere-se ao 
objeto ou ser como um todo, outras refere-se apenas a uma parte ou característica do 
ser. (BRITO, 1995). 
Nas línguas do mundo, os elementos que constituem as formas linguísticas podem 
ser de vários tipos. Ou seja: 
- Uma desinência, como em português, que classifica os substantivos e os adjetivos 
em masculino e feminino: menina – menino 
- Uma partícula que se coloca antes ou depois da raiz 
- Uma desinência que se coloca no verbo para estabelecer concordância 
Ao se atribuir uma qualidade a uma coisa como, por exemplo: arredondada, 
quadrado, cheio de bolas, de listras, entre outras, isso tudo representa um tipo de 
classificação porque é uma adjetivação descritiva. 
Para os estudiosos deste assunto, um classificador é uma forma que existe em 
número restrito em uma língua e estabelece um tipo de concordância. 
Na Libras, os classificadores, são configurações de mão que relacionadas à coisa, 
pessoa, animal e veículo, funcionam como marcadores de concordância. 
Assim, na Libras, os classificadores são formas que, substituindo o nome que as 
precede, podem ser presas à raiz verbal para classificar o sujeito ou o objeto que está 
 
 
ligado à ação do verbo. Portanto, os classificadores na Libras são marcadores de 
concordância de gênero: PESSOA, ANIMAL, COISA, VEÍCULO. 
Os classificadores para PESSOA e ANIMAL podem ter plural, que é marcado ao 
se representar duas pessoas ou animais simultaneamente com as duas mãos ou fazendo 
um movimento repetido em relação ao número. 
Os classificadores para COISA representam, através da concordância, uma 
característica desta coisa que está sendo o objeto da ação verbal, exemplos: 
 
Figura 9 - Classificadores, objeto da ação verbal 
 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
 
Portanto, não se deve confundir os classificadores, que são algumas 
configurações de mão incorporadas ao movimento de certos tipos de verbos e que são 
obrigatórias, com os adjetivos descritivos que, nas línguas de sinais, por estas serem 
gestos-visuais, representam iconicamente qualidades de objetos. Por exemplo, para 
dizer nestas línguas que “uma pessoa está vestindo uma blusa de bolinhas, quadriculada 
ou listrada”, estas expressões adjetivas serão desenhadas no peito do emissor, mas esta 
descrição não é um classificador, e sim um adjetivo que, embora classifique, estabelece 
apenas uma relação de qualidade do objeto e não relação de concordância de gênero: 
PESSOA, ANIMAL, COISA, VEÍCULO que é a característica dos classificadores na 
Libras, como também em outras línguas orais e de sinais. 
Portanto, atenção! 
Os adjetivos descritivos são sinais e por isso não se modificam sintaticamente para 
concordar com o sujeito ou objeto da frase, eles apenas apresentam uma 
qualidade/característica do substantivo descrito iconicamente, ou seja, imitando ou 
desenhando essa característica, por exemplo: 
 
Figura 10 - Adjetivos descritivos, características icônicas 
 
Fonte: arquivos da autora (2021). 
 
 
 
4 TIPOS DE CLASSIFICADORES NA LIBRAS 
 
Fonte: Tipos de Classificadores na Libras, arquivos da autora (2021) 
 
 
1. Classificador descritivo 
 
As descrições visuais podem ser captadas de acordo com as imagens dos objetos 
animados ou inanimados. Observam-se aspectos tais como: som, tamanho, textura, 
paladar, tato, cheiro, “olhar”, sentimentos ou formas visuais, bem como a localização e a 
ação incorporada ao classificador. 
Na descrição visual para referir a forma, tamanho, textura, paladar, cheiro, 
sentimentos, “olhar”, ou desenhos de forma assimétrica ou simétrica é utilizado, 
dependendo da situação, uma mão ou duas. Exemplos: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 11 - Classificadores descritivos 
 
Fonte: PEXELS. Disponível em: https://www.pexels.com/. Acesso em: 27 ago. 2021. 
 
 
2. Classificador especificadores 
 
A sua função é descrever visualmente a forma, o tamanho, a textura, o paladar, o 
cheiro, os sentimentos, o “olhar”, os “sons” do material, do corpo da pessoa e dos 
animais. Exemplos: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 12 - Classificadores especificadores 
 
Fonte: PEXELS. Disponível em: https://www.pexels.com/. Acesso em: 27 ago. 2021. 
 
3. Classificador partes do corpo 
 
Retrata uma parte específica do corpo em uma posição determinada ou fazendo 
uma ação. A configuração da mão retrata a forma de uma parte do corpo. Exemplos: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 13 - Classificadores partes do corpo 
 
 
 
 
Fonte: PEXELS. Disponível em: https://www.pexels.com/. Acesso em: 27 ago. 2021. 
 
 
4. Classificador locativo 
 
Retrata um objeto como lugar determinado em relação a outro objeto. Exemplos: 
 
 
 
Figura 14 - Classificadores locativos 
 
 
Fonte: PEXELS. Disponível em: https://www.pexels.com/. Acesso em: 27 ago. 2021. 
 
 
 
 
5. Classificador Semântico 
 
 
 
Tem a função semelhante ao Classificador de locativo, por retratar um objeto em 
um lugar específico (às vezes indicando movimento). A configuração da mão retrata o 
objeto todo e o retrata abstratamente (muito pouco ou não se relaciona a aparência do 
objeto). Exemplos: 
 
Figura 15 - Classificadores semânticos 
 
 
Fonte: PEXELS. Disponível em: https://www.pexels.com/. Acesso em: 27 ago. 2021. 
 
 
6. Classificador do Plural 
 
 
 
A configuração de mão substitui o objeto em si sendo repetido várias vezes. 
Exemplo: 
 
Figura 16 - Classificadores do plural 
 
 
 
Fonte: adaptação dos sinais pela autora (2021). PEXELS. Disponível em: https://www.pexels.com/. 
Acesso em: 27 ago. 2021. 
 
 
 
 
7. Classificador instrumental 
 
 
 
É a incorporação do instrumento descrevendo a ação gerada por ele. 
 
Figura 17- Classificadores instrumentais 
 
Fonte: PEXELS. Disponível em: https://www.pexels.com/. Acesso em: 27 ago. 2021. 
 
 
 
 
 
8. Classificador do corpo 
 
 
 
É o classificador que descreve como uma ação acontece na realidade por meio 
da expressão corporal de seres animados. Exemplo: 
 
Figura 18 - Classificadores do corpo 
 
Fonte: PEXELS. Disponível em: https://www.pexels.com/. Acesso em: 27 ago. 2021. 
 
 
9. Classificador de elemento 
 
Esses classificadores retratam movimentos de “elementos” ou coisas que não são 
sólidas, isto é, ar, fumaça, água/líquido, chuva, fogo, luz. 
Exemplos: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 19 - Classificadores de elemento 
 
Fonte: PEXELS. Disponível em: https://www.pexels.com/. Acesso em: 27 ago. 2021. 
 
10. Classificador de nome e número 
 
Esses classificadores utilizam as configurações das mãos do alfabeto manual ou 
os números, mas são parte de uma descrição. Exemplos: 
 
Figura 20 - Classificadores de nome e número 
 
Fonte: PEXELS. Disponível em: https://www.pexels.com/. Acesso em: 27 ago. 2021. 
 
 
SAIBA MAIS 
 
O projeto Literatura Didática em Libras é uma atividade de extensão com 
professores e alunos do Departamento de Libras da Universidade Federal de Santa 
Catarina (UFSC). As narrativas originais e humorísticas, foram criadas em Libras para 
alunos surdos iniciantes de Libras. O foco principal está na configuração de mão e nos 
elementos não manuais, o destaque desse material é explorar o humor surdo, realizado 
em Libras. O conteúdo das histórias mostra a cultura surda e a cultura brasileira. Cada 
uma dessas narrativas curtas, conta com ilustrações que apoiam e ampliam as ideias 
visuais dos sinais. Os professores podem usar estas histórias para estimular a 
aprendizagem da Libras, do humor e dos tópicos nas narrativas. Esse trabalho faz parte 
da Antologia de Literatura em Libras, organizado dentro do projeto Documentação da 
Libras, que tem o objetivo de disponibilizar materiais de literatura em Libras para 
professores de Libras. Escrita e apresentada por Marina Teles, Juliana Tasca Lohn, Anna 
Luiza Maciel, Rodrigo Custódio da Silva, Bruno Araújo de Freitas e Hélio Alves de Melo 
Neto. Ilustração: Aldenisa Peixoto. Edição: Martin Haswell. Equipe de apoio: Jaqueline 
Boldo, Donna Jo Napoli, Rachel Sutton-Spence. 
Link: https://vimeo.com/showcase/6241328 
 
Fonte: VIMEO. Literatura didática em Libras. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). 
Disponível em: https://vimeo.com/showcase/6241328. Acesso em: 29 ago. 2021. 
 
 
#SAIBA MAIS# 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFLITA 
 
As autoras Maria Amin, Maria Lúcia e Ozana Vera, retratam a história de Ana, uma 
menina com um grande mistério a resolver: por que quando as pessoas ao seu redor 
mexem a boca conseguem o que querem, seja na escola, seja na padaria, seja no 
mercado, e ela mexe a boca do mesmo jeito e ninguém a compreende? 
A história "Um mistério a resolver: o mundo das bocas mexedeiras" mostra, 
com sensibilidade e clareza, às crianças e adultos, surdos e ouvintes como a descoberta 
da surdez e a prática da Língua de Sinais - Libras representa um passo fundamental para 
a inclusão do surdo no mundo que o cerca. 
Acadêmico(a) você pode encontrar essa história facilmente na internet, contada 
por várias pessoas, selecionamos dois links para que você conheça mais essa literatura 
com personagens surdos e reflita sobre a importância da comunicação em língua de 
sinais. 
 
História “Um mistério a resolver: o mundo das bocas mexedeiras” em Libras. 
Link: https://www.youtube.com/watch?v=kHjqd6y4E-U 
 
História “Um mistério a resolver: o mundo das bocas mexedeiras” em Língua 
Portuguesa. 
Link: https://www.youtube.com/watch?v=jDobuSH3iug&t=110s 
 
Fonte: PORSINAL. Disponível em: 
https://www.porsinal.pt/index.php?ps=biblioteca&idt=liv&cat=40&idbib=885. Acesso em: 29 ago. 2021. 
(Texto adaptado do site) 
 
#REFLITA# 
 
 
 
 
 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Nesta Unidade de Estudos você visualizou e experienciou através das várias 
sugestões de materiais complementares que foram propostos, que os classificadores 
são, geralmente usados para especificar o movimento e a posição de objetos ou para 
descrever o tamanho ou a forma de objetos. 
Aprendeu também, que os sinais que utilizam classificadores são considerados 
como léxico nativo, mas formam outro componente no léxico das línguas de sinais, pois 
essas formações podem violar restrições formacionais do núcleo lexical. Nestes, a 
configuração da mão, o movimento e o ponto de articulação podem especificar atributos 
do predicado e as qualidades de um referente, ou seja, o classificador pode ser um 
predicado completo, contendo o verbo e o objeto em um único sinal. Na função verbal, 
esse classificador pode ter flexão. No registro da avaliação expressiva, é marcado o 
emprego ou não de classificadores. 
Acadêmico(a), ler os sinais é um exercício desafiante e ao mesmo tempo 
encantador, porque é nesse contato com a prática da língua de sinais que nós 
aprendemos e compreendemos as sensações, as percepções, a sinalização e forma de 
comunicação dos usuários de Libras. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
Vernáculo Visual 
 
O Vernáculo Visual (também conhecido como VV) é a técnica de contar histórias 
de uma forma muito visual sem utilizar o vocabulário de sinais. É um estilo que tem as 
raízes na tradição surda de contar de modo cinematográfico histórias, em que todos os 
personagens, a paisagem e o narrador são apresentados pelo contador. 
O VV não é nem exatamente Libras nem totalmente mímica. Algumas pessoas 
entendem que o VV foi criado pelo ator surdo americano Bernard Bragg, porém a ideia 
de contar histórias com sinais e gestos fortemente visuais não vem apenas dele. Bernard 
Bragg afirmou: 
 
Marcel Marceau me convidou para estudar mímica com ele em Paris. Eu criei 
uma outra técnica de performance baseada no método dele. Desenvolvi algo que 
chamei VV – que é uma forma de mímica. Não é uma estrutura tradicional de 
mímica. Eu diminuí o tamanho do quadro e utilizei técnicas de filme. Usei edições 
e cortes, close-ups e perspectivas de distância. Eu fui o primeiro a usar esse 
estilo que chamei de Vernáculo Visual por falta de um termo melhor (NATHAN-
LERNER; FEIGEL, 2009). 
 
O poeta surdo americano Peter Cook explicou com muita clareza a diferença entre 
o Vernáculo Visual e o uso de classificadores em línguas de sinais. Nessa explicação, 
ele mostra também elementos de mímica, um pouco diferentes da definição de Bragg. 
Vale a pena assistir ao vídeo curto O vernáculo visual e o uso de classificadores 
em línguas de sinais, de Peter Cook (ele usa uma mistura de ASL, Libras e sinais 
internacionais, mas quem conhece a Libras é capaz de entender), disponível no link: VV 
ou Classificadores Peter Cook - YouTube 
 
Os classificadores pertencem à linguística. O VV, por outro lado, é como a 
atuação no teatro. É uma técnica de teatro. Existe uma escala entre os dois. 
Numa extremidade da escala temos os classificadores. Com os classificadores, 
por exemplo, eu posso mostrar uma pessoa caminhando e avançando, junto a 
uma expressão facial de descuido, mas o classificador significa que a pessoa 
está caminhando a pé. Um pouco mais na direção do VV, aumenta o uso de 
expressão facial e o movimento do corpo. Mais próximo ao VV ainda, continuo 
com o classificador na mão, mas uso mais o corpo e até mexo as pernas. 
Finalmente, na extremidade da escala do VV, posso tirar o classificador e usar 
os braços, as mãos e até as pernas e os pés para mostrar o verdadeiro corpo do 
 
 
personagem caminhando. Assim, temos uma escala e podemos escolher o que 
queremos de qualquer ponto dessa escala. Mas a extremidade de VV não é 
linguística e na extremidade linguística temos os classificadores. São bastante 
diferentes, mas há muita flexibilidadeonde podemos escolher os sinais nos 
pontos da escala. (COOK, 2018). 
 
O Jaguadarte, de Aulio Nóbrega, facebook jabberwocky 
aulio_10_novembro_2015 (ufsc.br) e O Modelo do Professor Surdo, Poema Modelo do 
professor surdo sem legenda unicamp - YouTube de Wilson Santos são dois exemplos 
de VV (bastante diferentes nos tópicos e nos modos de apresentação). 
 
Fonte: SUTTON-SPENCE, Rachel. Literatura em Libras, livro eletrônico, Petrópolis, 2021. Disponível em: 
http://www.literaturaemlibras.com/ Acesso em: 30 de ago de 2021. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LIVRO 
 
 
 
 
Título: Livro Ilustrado de Língua Brasileira de Sinais 
Autor: Márcia Honora; Mary Lopes Esteves Frizanco 
Ano: 2009, 2010 e 2011 
Sinopse: Os livros desvendam a comunicação usada pelas pessoas com surdez e 
enfocam o conhecimento da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) através de campos 
semânticos de forma visual e elucidativa, tendo como objetivo diminuir a barreira de 
comunicação entre ouvintes e surdos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FILME/VÍDEO 
 
 
 
Título: As Aventuras de Pinóquio em Língua de Sinais Brasileira 
Autores: Nelson Pimenta e Carlos Freitas (roteiro adaptado). 
Ano: 2006. 
Sinopse: Um dos clássicos da literatura infanto-juvenil, “As aventuras de Pinóquio” 
(romance italiano escrito no séc. XIX pelo italiano Carlo Collodi) ganha uma adaptação 
em Libras traduzida pelo surdo Nelson Pimenta. A famosa história do pequeno boneco-
menino de madeira (que, ao mentir, via o seu nariz aumentar) criado por Gepeto e 
acompanhado por um Grilo Falante (personagem surgido em uma das adaptações da 
versão original) torna-se disponível em Língua de Sinais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Título: 6 Fábulas de Esopo em Libras vol. 2 
Autor: Nelson Pimenta. 
Ano: 2009. 
Sinopse: A fábula é um texto de ficção. As fábulas são narrativas em que os personagens 
são animais personificados que representam histórias sobre a vida humana. O objetivo 
final da fábula é realizar um ensinamento através de uma lição de moral. Nelson Pimenta 
apresenta as seguintes fábulas: A raposa e as uvas; As gêmeas e o galo; O cão e o 
pelicano; Os pelicanos amigos; O cão e o osso e O sol e o vento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Título: Configurações de Mãos em Libras 
Autor: Nelson Pimenta. 
Ano: 2011. 
Sinopse: As configurações de Mãos (CM) constituem um dos parâmetros gramaticais 
das línguas de sinais. Na Libras, o professor e pesquisador Nelson Pimenta catalogou 
sessenta e uma CM, mostradas neste vídeo-dvd interativo com exemplos, para ser 
utilizado em sala de aula, pesquisas ou mesmo para divertidas atividades com familiares 
e amigos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Título: Literatura em LSB - Poesia, Fábula, Histórias Infantis 
Autor: Nelson Pimenta. 
Ano: 2011. 
Sinopse: O ator surdo Nelson Pimenta, representa um contador de histórias para o 
público infanto-juvenil. Nesse vídeo o ator traz a fábula “O passarinho diferente”, além de 
histórias infantis “Os três porquinhos” e “Chapeuzinho vermelho”. Os vídeos/dvs de 
Nelson Pimenta direcionam-se a todos aqueles que querem ver ou conhecer as fábulas, 
bem como aprender ou aprimorar a língua de sinais brasileira, ou seja, surdos e ouvintes 
que trabalham ou estudam a língua de sinais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
BRITO, Lucinda F. Por uma gramática de Língua de Sinais. Rio de Janeiro: Tempo 
Brasileiro, 1995. 
 
EDMONDSON, W. H. A Non-Concatenative Account of Classifier Morphology in 
Signed and Spoken Languages. ln Siegmund Prillwitz & Tomas Vollhaber (eds.) 
Currents Trends in European Sign Language Research. Hamburg: Signum-Press, 1990. 
 
FELIPE, Tanya A; MONTEIRO, Myrna S. Libras em Contexto: curso básico, livro do 
professor instrutor – Brasília: Programa Nacional de Apoio à Educação dos Surdos, 
MEC: SEESP, 2001. 
 
FELIPE. Tanya. A. Sistema de Flexão Verbal na LIBRAS: Os classificadores enquanto 
marcadores de flexão de gênero. Artigo publicado nos Anais do Congresso Surdez e 
Pós-Modernidade: Novos rumos para a educação brasileira. p. 37-58. 1º. Congresso 
Internacional do INES. 7º. Seminário nacional do INES. Rio de Janeiro: INES, Divisão 
de Estudos e Pesquisas, 2002. 
 
FRISHBERG, N. Arbitrariness and Iconicity in American Sign Language. Language. 
1975. 
 
KEGL, J. & WILBUR, R. Where does structure stop and style begin? Syntax, 
morphology, and phonology vs. stylistic variations in American Sign Language. Papers 
from the 12 th Regional Meeting, Chicago Linguistic Society, 1976. 
 
KEGL, J. Lacative Relations in American Sign Language Word Formation, Syntax 
and Discourse. Thesis Document (Doctor of Philosophy), MIT. 1985. 
 
KLIMA, E., BELLUGI, U. et al. The Signs of Language. Cambridge MA: Harvard 
University Press, 1979. 
 
NATHAN LERNER, Miriam; FEIGEL, Don. The Heart of the Hydrogen Jukebox. 
(DVD). New York: Rochester Institute of Technology, 2009. 
 
PADDEN, C. The Relation between Space and Grammar in ASL Verbs Morphology. 
Sign Language Research: Theorical Issues. C. Lucas (ed.). Washngton Dc: Gallaudet 
Press - An Antropology, Linstok Press, Burtonsville, Maryland, 1990. 
 
PEDERSEN E. & PEDERSEN, A. Proforms in Danish Sign Language, Their use in 
figurative signing. Sign language Research. Linstok Press Inc, Silver Spring. 1983. 
 
SUPALLA, T. Morfology of verbs of motion and location in American Sign 
Language. F. Caccamise (ed.), Proceedings of the Second National Symposium on 
Sign Language Research and Teaching. Silver Spring, MD: National Association of the 
Deaf, 1978. 
 
 
 
SUPPALLA, T. (1986). The classifier system in American Sign Language. Em Craig, 
C. (Ed.) Typological studies in language: noun classes and categorization, 7, p. 181-
214. Amsterdam, Philadelphia: John Benjamin Publishing Company. 
CONCLUSÃO GERAL 
 
Prezado(a) acadêmico(a)! 
Chegamos ao fim de mais uma disciplina, mas, com a certeza de que será o 
início da sua longa caminhada de descobertas sobre a Língua Brasileira de Sinais – 
Libras. Foram tantos conceitos teóricos/práticos abordados durante o estudo das 
Unidades que te possibilitam entrar no mundo das experiências visuais, da 
comunicação visual-espacial dos surdos, do “ouvir com os olhos e falar com as 
mãos”. 
Conversamos muito na Unidade I sobre a atenção do olhar, imprescindível na 
comunicação com as pessoas surdas, no aprendizado da língua e na execução dos 
sinais. A morfologia nos ajudou compreender melhor a estrutura da Libras e suas 
regras gramaticais baseadas nos parâmetros da língua de sinais, foi durante os 
estudos da Unidade II que percebemos para se comunicar em Libras, não basta saber 
o alfabeto manual ou conhecer os sinais é preciso utilizar esses sinais a partir de 
combinações entre as configurações de mão, pontos de articulação, orientações de 
mão e expressões faciais e corporais. Para ampliar esse conhecimento, buscamos 
exemplificar e perceber essas combinações em algumas literaturas surdas. 
A Unidade III, foi fantástica! Porque permitiu que você se aventurasse com a 
prática da língua de sinais, buscando executar os sinais de forma adequada, formal e 
informal. Conhecer os pronomes nas Libras te ajudaram a iniciar a comunicação com 
a comunidade surda executando seus primeiros sinais e formação de frases curtas. 
Por fim, você viu que os aspectos morfológicos e sintáticos da Língua Brasileira 
de Sinais, trazem em sua constituição linguística os verbos, os classificadores, o 
sistema de flexão e a construção das frases. 
Todos esses aspectos visuais e gramaticais abordados neste material didático 
foram fundamentais para que você compreendesse que a Libras mesmo sendo de 
modalidade visuo-espacial, é tão complexa como qualquer língua oral-auditiva como 
a Língua Portuguesa, sendo imprescindível o estudo e contato diário com essa língua. 
A partirde agora esperamos que se envolvam cada vez mais com essa língua, 
que os conteúdos que dialogamos aqui tenham sido enriquecedores para o seu 
aprendizado e que você possa durante essa disciplina ter sentido vontade de 
conversar com os surdos, colocando em prática os sinais de acordo com os contextos 
que você aprendeu. 
Não perca tempo! Você já é capaz de iniciar uma comunicação com os surdos! 
Acredite em você! 
 
 Até uma próxima oportunidade, abraços sinalizados!

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