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Universidade Federal do Maranhão
Campus – São Luís
Curso de Comunicação Social – Rádio e TV
	Discente:
	
	Disciplina:
	
	Docente:
	
Resumo
Capítulo “A crítica da formação musical.”
Livro - Paidéia: a formação do homem grego / Wemer Wilhelm Jaeger; [tradução Artur M. Parreira; adaptação para a edição brasileira Monica Stahel; revisão do texto grego Gilson Cesar Cardoso de Souza]. - 3? ed. - São Paulo: Martins Fontes, 1994.
Trata-se de um livro escrito por Werner Jaeger, publicado pela primeira vez em 1934 e aborda assuntos referentes ao estudo da formação do homem grego. O autor traz reflexões meticulosas sobre a educação da Grécia Antiga e detalha conceitos mitológicos, políticos, filosóficos e culturais da Grécia. O livro divide-se em quatro partes: A primeira Grécia; Apogeu e crise do espírito Ático; À procura do centro divino e O conflito dos ideais de cultura no século IV. O capítulo denominado A crítica da formação musical (p.768 - 795) está inserido na terceira divisão do livro: À procura do divino.
	Para Platão, todo o interesse do filósofo pelos testemunhos verbais gira em torno do problema de saber se são verdadeiros ou falsos. Ele concorda com a tese de que a educação se dá não pela verdade, mas a partir da não verdade, ou seja, a mentira. Ele reflete sobre a educação inicial das crianças, analisando o fato de que inverdades sempre são contadas a elas e analisa o fato de que é durante esta fase primordial da vida do indivíduo, que a educação se faz extremamente importante, pois, segundo ele, a educação parte da fase mais primitiva e maleável da evolução do homem. 
	Ou seja, é neste período de “tábula rasa” que se torna mais fácil moldar a criança, educa-la e inserir conceitos que possar ajudar na formação do seu caráter e no seu desenvolvimento como um indivíduo social. Logo, é preciso vigiar os contadores de histórias e analisar que informação eles estão distribuindo, pois o que se deixa na alma de uma criança é duradouro.
	Platão revela sua crítica em torno da poesia, não somente do ponto de vista pedagógico, mas, por traz desta crítica, revela-se o antagonismo de princípios de filosofia e poesia, objeto de estudo de sua intensa luta platônica sobre educação. Ele, portanto, problematiza a poesia. Além de rejeitar a poesia, ele a censura e a condena por não ser, segundo ele, a principal fonte de formação do indivíduo.
	Jaeger aponta que Platão não é o único filósofo que cesura a poesia. O ataque específico parte da falta da dignidade, que apresenta as imagens dos deuses em Homero e em Hesíodo. Xenófanes também apresentava sua luta contra a poesia épica, além de Heráclito. 
A poesia e a música sempre foram consideradas as bases da formação do espírito e estavam inseridas no contexto da educação religiosa e moralidade. Platão julga esta concepção da poesia. Segundo ele, ela não representa a maneira de sentir dos gregos. 
Um dos pontos principais deste empenho em se opor ao valor exacerbado atribuído à poesia, revela-se em um trecho do livro, onde explicita a ação dos oradores áticos que citam as leis de estado perante os tribunais. Para ele, um lugar que deve ser proferida somente leis, são proferidas passagem poéticas para ocultar a falta de normas escritas. Um verso de Homero ocupa um prestígio maior como argumento de autoridade na falta de uma fundamentação racional. A crítica, portanto, é sobre como a palavra do poeta se fez norma. 
Segundo Platão, o aspecto da poesia muda ao analisar o seu valor como norma de conduta ou como conhecimento da verdade absoluta. Para o autor, as apreciações modernas, nem sempre se dão conta da relação existente entre a crítica platônica da poesia e a peculiar posição que o poeta ocupava entre os Gregos, como educador do povo.
Ele também afirma que o pensamento “histórico” do séc. XIX também não foi capaz de sobrepor-se às premissas ideológicas do seu próprio tempo. Buscava-se eventualmente argumentos para desculpar os pensamentos de Platão ou para apresentar seus pensamentos de uma forma mais ingênua do que realmente era.
Os gregos empenhavam-se em uma luta travada para emancipar a poesia e a filosofia moderna da tutela do Estado e da Igreja e Platão não se encaixava neste aspecto.
O autor discorre sobre o estado platônico, especificamente sobre a reforma da arte poética ao deter o alcance puramente espiritual e só é política na medida em que toda a finalidade espiritual encerra, uma força de forma ação política. Para ele, é neste ponto que Platão inclui a poesia, do ponto de vista da ideia, na reconstrução da comunidade estatal ou a pesá-la e, na medida em que não desencadeia aquela força, a achar-lhe falta de peso.
 Platão não pretende extinguir a poesia que não corresponda ao seu critério; para ele, não trata de lhe negar qualidades estéticas, porém essa poesia, não encontra no Estado. E assim que a dignidade ímpar com que os Gregos tinham envolvido a poesia converte-se na perdição dela. Ele complementa afirmando que nem a poesia nem o Estado podem ser colocados de lado como fatores morais; mas, no Estado platônico, a Filosofia, conhecimento da verdade, arrebata-lhes a direção que até então vinham ostentando, ao dizer-lhes em que sentido deviam mudar para se poderem ajustar à sua exigência educacional.
 A vontade de Platão, portanto, anseia, em vão, por conseguir uma reconciliação completa da aspiração da arte à beleza com a sua alta missão educacional, no entanto, amadureceria um fruto: a poesia filosófica dos seus próprios diálogos. O autor revela uma indagação do porquê o filósofo não declara diretamente que suas obras que são válidas e que elas que devem alcançar as mãos dos educadores e educando, como a verdadeira poesia.
Nota-se, então, a finalidade dupla de Platão. Ao mesmo tempo que ele inicia radical depuração de toda a cultura musical, eliminando dela todas as ideias morais e religiosamente indignas, incute na consciência humana o seu postulado de que toda educação deve ser presidida por uma norma suprema. Assim, a sua crítica e seleção dos mitos, segundo a tabela do conteúdo de verdade moral e religiosa que contêm, pressupõem um princípio irrefutável. 
Ela manifesta-se, primordialmente de forma indireta em sua aplicação prática, e tem caráter afetivo; mas é precisamente por isso que se faz sentir com maior força ainda a necessidade da sua fundamentação filosófica profunda, e esta fase aponta já para um grau posterior e mais elevado de consciência, em que se revela em sua totalidade, a verdadeira norma que Platão aplica em uma prática dogmática. 
Para Platão, no entanto, destaca- se que a divindade é absolutamente boa e livre de toda impureza. Na realidade, está ausente da sua natureza todo o demoníaco, o perverso e o nocivo, traços com que o mito a adorna. Não pode, portanto, ser a causa do mal do mundo. Para ele a divindade em um grau muito limitado que é responsável pela autoria do destino humano; ao contrário do que os poetas evidenciam, não é a fonte de onde surge todas as desgraças terrenas. 
O autor deixa nítido que para um estado platônico, não só não se deve utilizar na educação da juventude esta classe de poesias, mas nem sequer lá devem ter cabimento. As características da poesia grega, tais como Homero até a tragédia ática, são em acreditar que o destino do homem está em sua totalidade, submetido à ação dos deuses. Para esta poesia, não é por si mesmo nem por razões psicológicas que ela pode ser expressa, mas sim por fios invisíveis que estão unidos ao poder que governa o mundo. 
Platão aparece envolvido pela ironia do seu severo gesto de censor. Apesar de todos seus pensamentos a respeito da poesia, não discute com aqueles que pretendem reservar ao prazer poético. Mas sempre possui seu pensamento fixo e afirma que quanto mais poéticas forem os escritos, menos as crianças devem absorvê-la e quanto aos homens também devem ouvir menos se quiserem ser livres, para que temam mais a servidão que a morte.
Para a cultura grega, a poesia e a música andam sempre juntas, a ponto de uma única palavra grega abranger os dois conceitos.No entanto, para Platão as melodias ou harmonias desligadas da palavra, é pra onde a atenção deve voltar-se. Elas se unem como elemento não linguístico, o ritmo, tanto na poesia cantada como na música para dança. Platão estabelece como lei suprema que deve presidir a esta cooperação da trindade do logos, da harmonia e do ritmo, a norma de que tom e cadência têm de estar sujeitos à palavra.
Com isto declara que os princípios que ele proclama para a poesia vigoram também na música, o que possibilita examinar de um único ponto de vista, a palavra e o ritmo. Para Platão, a palavra é a expressão imediata do espírito e é este que a deve dirigir. As narrações que se conhecem da música daquele tempo são unânimes em censurar nela a tendência a embriagar os sentidos e a estimularas paixões e música emancipada torna-se demagoga do reino dos sons.
Platão convenceu-se com exatidão do seu juízo sobre a teoria musical da Antiguidade. Não pensa em por freio ao mundo degenerado, mas anseia por uma cidade “sã e seca”. Platão não se propõe precisamente traçar uma teoria completa da arte. Não sobrecarrega de detalhes técnicos a sua análise, mas limita-se a traçar, na qualidade de legislador, alguns traços firmes, para descriminar os campos.
O autor afirma que a modernidade ao estudar a Grécia clássica, mais precisamente a ginástica e a música grega, não é possível detalhar com precisão os detalhes inseridos nestes contextos, muito menos os fundamentos que se assentava a Paideia antiga clássica e alerta que a sua exposição a estes temas será tratado em capítulos a parte e que precisa consolar-se com a convicção de que para ele assim como também para Platão, trata-se de problemas secundários. 
Platão remete várias vezes aos especialistas no que se refere ao lado técnico da teoria da harmonia e anota que Sócrates conhecia a teoria da música de Damon. Dava-se indicações sumárias como a de se prescindir da melodia lídica-mista e lídica-tensa por serem próprias para a lamentação e o duelo, previamente proibidos na crítica da poesia. Se reprovam as melodias lânguidas, jónicas e lídias, boas para as orgias, mas inaceitáveis, pois nem a embriaguez nem a languidez ficam bem aos guardiões.
 Gláucon, interlocutor de Sócrates, encarna os interesses da juventude culta, sente-se orgulhoso de poder fazer gala dos seus conhecimentos da teoria da música. Dá-se conta de que nestas condições prevalecerão só as melodias dórica e frigia. Platão o caracteriza, como o homem de verdadeira cultura, cujo olhar mergulha na essência das coisas, mas a quem não compete rivalizar com os especialistas.
Sócrates afirma em termos gerais, que de seja ver conservado unicamente o tipo de melodia em que se imite o tom de voz e o acento do guerreiro na presença do perigo, das feridas e da morte, ou o do homem pacífico de caráter sereno e conduta comedida. Não é pela variedade dos sons que produzem ou pelo número de cordas que possuem que os instrumentos devem ser avaliados. Instrumentos como as flautas, as harpas e os címbalos, foram suprimidas e conservam-se só a lira e a cítara, instrumentos adequados a melodias simples; no campo deverão soar apenas as gaitas dos pastores.
Qualquer mudança fundamental que introduzisse na harmonia musical constituía uma revolução política para os ouvidos gregos, pois modificava o espírito da educação em que assentava a vida da pólis. Em Atenas, demonstra-o a tempestade de indignação que se ergueu contra a música moderna em toda a comédia ática da mesma época.
A ordem do movimento, é composta pela harmonia e pelo ritmo e são inseparáveis. Para Platão, só são aceitáveis as harmonias que exprimem o ethos do homem valente ou do homem sereno. A teoria do ethos dispõe em princípio comum tanto da Paideia musical como da Paideia rítmica. Platão além de fundamentá-la, pressupô-la. Porém, o fato desta teoria ser tirada de Dámon, o maior teórico musical do tempo de Sócrates, prova que não se encontra diante de algo especificamente platônico, mas que é, antes, uma concepção da música peculiar aos Gregos, a qual, de maneira consciente ou inconsciente, foi desde o início decisiva para a posição dominante que a harmonia e o ritmo desempenhavam na cultura grega.
Aristóteles afirma o conteúdo ético tanto da música como do ritmo, e é dele precisa mente que deriva a importância que ambos têm para a educação. No ethos da harmonia e do ritmo vê o reflexo de atitudes de alma de diversos valores e coloca o problema de saber se estas qualidades, que captamos por meio da apreciação artística e às quais damos o nome de ethos, se apresentam também no campo do tato, do gosto ou do olfato. Nega em absoluto a existência delas através destes sentidos
Por mais que a tendência a espiritualizar a educação se acentue, o grego nunca deixa de perceber que se trata de um processo de crescimento. As palavras correspondentes, “educação” e “nutrição”, que a princípio tinham um significado quase idêntico, continuam a ser sempre termos gêmeos. Platão volta a estabelecer uma maior afinidade entre ambos os conceitos, pois, ao contrário dos sofistas, não concebe de modo isolado o processo de formação espiritual do indivíduo, mas reconhece que a cultura do espírito exige também certos pressupostos de clima e certas condições de desenvolvimento.
Apesar de toda a sua espiritualidade, o conceito platônico da cultura reconquistou alguma coisa do caráter vegetal que na cultura individualista dos sofistas havia se perdido
uma das raízes da vontade platô nica que impele o Homem para a comunidade política; é a cons ciência de que o Homem não prospera no estado de isolamento, mas sim no interior de um mundo circundante adequado ao seu ser e ao seu destino. O Estado é necessário para que possa haver educação; necessário não só como autoridade legislativa, mas também como meio ambiente, como a atmosfera que o indivíduo
Não basta ser puro o alimento espiritual da cultura musi cal; as obras de todas as profissões, tudo o que tem forma, devem refletir o mesmo espírito de uma atitude nobre, e unir-se na as piração a uma perfeição máxima, ao decoro e à dignidade. E necessário que desde a mais tenra infância todo mundo respire neste ambiente qualquer coisa como o ar de uma região sau dável124 125.
No entanto, ainda que a arte e o artesanato contribuam em conjunto para criar o clima espiritual, é a música que continua a ser o alimento verdadeiramente culturalxr>. Também neste ponto o pensamento platônico não está exclusivamente enformado pela tradição. Platão coloca-se conscientemente o problema de se é ou não legítimo o primado que a tradição dapaidéia grega reconhece à música sobre as outras artes. E chega à conclusão de que está perfeitamente justificada, uma vez que são o ritmo e a harmonia os que mais fundo penetram no intimo da alma e os que dela se apoderam cm mais força, infundindo-lhe e comunicando-lhe uma atitude nobre. Mas não é só pelo seu dinamismo anímico que ele julga a música superior às outras artes; é também porque educa o Homem a cap tar com precisão incomparável o que há de exato ou de defeituoso numa obra bela e na sua execução126. Uma pessoa corretamente educada na música, pelo fato de a assimilar espiritualmente, sen te desabrochar dentro de si, desde a sua mocidade e numa fase ainda inconsciente do desenvolvimento, uma certeza infalível de satisfação pelo belo e de repugnância pelo feio, a qual a habilita mais tarde a saudar alegremente, como algo que lhe é afim, o co nhecimento consciente, quando ele se apresenta127. Na realidade, a educação que Platão quer que seja dada aos seus ‘'guardiões” an tecipa-se, na forma interior inconsciente com que as obras das musas educam o Homem, aos conhecimentos supremos que a educação filosófica do seu tipo de governantes mais tarde porá em
Platão aponta assim para um segundo tipo superior de cultura e já deixa transparecer claramente, ao mesmo tempo, os limites da educação pelas musas, o único tipo de cultura superior do espírito, na Grécia antiga. Esta educação adquire, além disso, um novo significado, como fase préviairre cusável para o conhecimento filosófico puro, que sem a base da cultura musical ficaria flutuando no ar.
O Bem não se pode conceber como algo de formal e conceptual situado fora de nós, sem previamente termos partici pado da sua natureza; o conhecimento do Bem só se desenvolve no Homem à medida que se vai tornando realidade e ganhando for ma no próprio Homem128. Para Platão, pois, a educação do cará ter é a via que conduz à educação dos olhos da inteligência, e que, sem o Homem ter consciência disso, modifica de tal maneira a sua natureza, pela ação das forças espirituais mais vigorosas — poesia, harmonia e ritmo —, que lhe é possível, finalmente, alcan çar o princípio supremo, por meio de um processo que o vai apro ximando da sua própria essência. Com a sua familiaridade habi tual, Sócrates compara ao ensino elementar da leitura e da escrita a essência deste longo e trabalhoso processo educacional que for ma o etbos do Homem129. E quando conhecemos as letras do alfa beto em todas as palavras e combinações que elas podem formar que dominamos a escrita, no pleno sentido da palavra. De igual modo podemos dizer que só temos uma cultura musical, no senutido pleno do termo, quando soubermos captar e apreciar devida mente, sempre e em todas as suas manifestações, no pequeno e no gtande, as “formas” do domínio de si próprio e da prudência, da valentia e da generosidade, da distinção e de tudo o que se relaciona com elas, bem como as suas imagens130.

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