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Clínica cirúrgica de Grandes Animais Professora: Isabela Maria Lopes Médica Veterinária Mestra em Ciências Veterinárias - UNIVASF Doutoranda em Ciência Animal – UEL Email: isaabelalopess@outlook.com Fluidoterapia É um tratamento de suporte. O diagnostico e o tratamento da doença de base são fundamentais para a cura do paciente. É vital no manejo clínico do doente. 1 A fluidoterapia é indicada? 2 Como avaliar a desidratação? 3 Que tipo de fluido devo empregar? 4 Qual a via de administração do fluido? 5Qual a velocidade de administração do fluido? 5- Qual a quantidade de fluido a ser administrado? 6- Quando devo encerrar a fluidoterapia? Fluidoterapia Indicações para fluidoterapia •Desidratação: Avaliada pelo exame clínico, como turgor da pele, umidade das mucosas e condições dos olhos. •Choque: Pode ser hipovolêmico, séptico ou cardiogênico, cada um exigindo abordagens diferentes. •Distúrbios Eletrolíticos: Hipocalemia, hipernatremia, hipocalcemia, etc. •Distúrbios Ácido-Base: Acidose metabólica, alcalose metabólica, etc. •Suporte Nutricional: Em casos de anorexia prolongada ou durante a recuperação pós-operatória. •Perda Sanguínea: Hemorragias internas ou externas que necessitam de reposição volêmica. Fluidoterapia em animais de grande porte Condições clínicas mais frequentes: ✓ Diarréias ✓ Choque ✓ Síndrome cólica ✓ Excercício físico extenuante ✓ Ruptura de bexiga em potros ✓ Doenças renais ✓ Desequilíbrios metabólicos Fluidoterapia Razões para emprego da fluidoterapia - Repor déficit de volume intravascular para melhorar a perfusão tecidual; - Repor o volume de fluído intersticial (desidratação); - Manter volume de fluídos e eletrólitos em pacientes que não estão consumindo quantidades suficientes de fluídos; - Repor perdas concomitantes (ou prévias) devido a vômitos, diarreias, pneumonias, queimaduras, feridas extensas e acúmulo de fluído em “terceiro espaço” (ascite, efusão plural) Como avaliar a desidratação História vômito, diarréia, poliúria e outras causas potenciais anorexia Exame físico peso antes e peso depois = % exata desidratação (inviável) A estimativa é feita pela avaliação da elasticidade da pele, do tempo de preenchimento capilar e da hidratação de mucosas. É ainda hoje o melhor método! A gordura subcutânea pode interferir na elasticidade da pele => obesos subestimativa => magros superestimativa Estimativa clínica do grau de desidratação Grau de desidratação Perda de água aproximada Sinais clínicos Não aparente <5% indetectável Leve 5 a 7% diminuição da elastici- dade da pele, mucosas secas Moderada 8 a 9% pequeno aumento do tempo de refluxo capilar enoftalmia, maior perda da elasticidade da pele Grave 10 a 12% pele não retorna aumento no tempo de refluxo capilar Choque 12 a 15% choque hipovolêmico Volume corpuscular médio (VCM) Proteína plasmática total (PT) caso não existam perdas destes compostos, alterações em suas concentrações refletem expansão ou retração do FEC Interferem na precisão destes indicadores ✓ não saber exatamente o VCM e a PT normal do paciente antes da doença (anêmico, hipoproteinêmico) ✓ existem entrada e saída de globulina e albumina do plasma ✓ sequestro ou liberação de hemácias pelo baço Exames laboratoriais VCM PT VCM PT N ou 1- Enterite com Perda protéica (erosão da mucosa) 2- Hipoproteinemia Doença hepática ou renal. N ou 1 Anemia 2 Hiperproteinemia Hemorragia Perda de VCM e de PT A terapia pode ser acompanhada clinicamente pelo retorno do VCM e da PT aos parâmetros normais Exames laboratoriais Exames laboratoriais Urinálise desidratação = concentração urinária (> 1,035) isostenúria em animal desidratado (1,008 a 1,025) indica insuficiência renal (pode ser a causa da desidratação), hipo e hiperadrenocorticismo, piometra, emprego de corticóides, diuréticos ou fluidoterapia. Durante a fluidoteratpia urinar é um bom sinal!! Que fluido empregar? Cristalóides: solutos com e sem eletrólitos que penetram em todos os compartimentos corporais - solução fisiológica de cloreto de sódio a 0,9% - ringer com lactato - ringer simples - solução glicosada a 5% Colóides: solução com substâncias de alto peso molecular que se mantém exclusivamente no plasma. Usados para restaurar a pressão oncótica - plasma - dextran Que fluido empregar? Cristalóides de manutenção: repor perda obrigatória de eletrolitos e fluidos hipotônicos, sua composição é diferente da do plasma Na e Cl => 40 a 60 mEq/L K => 15 a 30 mEq/L Cristalóide de reposição: visam repor o fluido e eletrólitos perdidos. Têm composição semelhante à do plasma. Desde que a função renal esteja normal, os fluidos de reposição podem ser empregados para a manutenção do paciente. Nesta condição devem ser suplementados obrigatoriamente com K. Tipo de fluido Suplementação com potássio: em animais que não se alimentam, com K < 3mEq/L, a suplementação, na mesma dose que indicada para pequenos e grandes animais, deve ser instituída. LENTO! Solução com glicose a 5% deve ser administrada a animais de grande porte na velocidade máxima de 2 mL/kg/hora. Mais rápido pode levar a diurese osmótica, desidratação e hiponatremia. Tipo de fluido Solução de ringer com lactato é a que apresenta composição mais próxima à do plama, sendo normalmente a de primeira escolha (observar mesmas contra-indicações anteriores) Solução de cloreto de sódio deve ser emprega em hipercalemias ruptura de bexiga em potros e na correção da desidratação de equinos após exercício extenuante e intensa sudores. Tipo de fluido Solução de NaCl 7,5% é empregada para expandir o volume circulatório em casos graves de desidratação e choque. Infunde-se de 4 a 6 mL/kg IV, em um período de 15 a 30 minutos.Na sequencia infunde-se fluido isotônico para a reidratação do animal (primordial, sem fluido isotônico o efeito da solução hipertônica é fugaz) Composição iônica, osmolalidade e tonicidade dos principais fluidos Solução lactato ringer NaCl 0,9% glicose 5% glicofisiológica Na (mEq/L) 130 147 154 0 154 K (mEq/L) 4 4 0 0 0 Cl (mEq/L) 110 156 154 0 154 Ca+ (mEq/L) 3 4,5 0 0 0 HCO3 (mEq/L) 28 (lactato) 0 0 0 0 Osm (mOsm/L) 272 310 308 253 560 Tonicidade isoton isoton isoton isoton hipert Glicose (g/L) 0 0 0 50 50 Calorias (L) 0 0 0 170 170 Composição iônica, osmolalidade e tonicidade dos principais fluidos Solução NaHCO3 NaCl 7,5% Plasma Na (mEq/L) 600 1.200 136-145 K (mEq/L) 0 0 2,8-4,7 Cl (mEq/L) 0 1.200 98-108 Ca+ (mEq/L) 3 0 5,5-6,5 HCO3 (mEq/L) 600 0 24-30 Osm (mOsm/L) 1.200 2.400 270-300 Tonicidade hiperton hiperton isoton Glicose (g/L) 0 0 1 Calorias 0 0 - Suplementação com K (Potássio) As necessidades de K são de aproximadamente 15 a 30 mEq/L Solução fisiológica (0 mEq/L), ringer (4 mEq/L) e ringer com lactato (4 mEq/L) não atendem à necessidade. Todo paciente em fuidoterapia que nao apresentem hipercalemia devem ser suplementados com K. 1 mL KCl (10%) 1 mL KCl (19,1%) => 1,3 mEq de K => 2,6 mEq de K 1 litro de ringer tem 4 mEq K. Para atingir 20mEq faltam 16mEq. adicionar 15mL KCl a 10% ou 8mL KCl a 19,1% 1 litro de solução fisiológica tem 0mEq K. Para atingir 30 mEq adicionar 23mL KCl a 10% ou 12mL KCl a 19,1% Problema provavel desidratação outras anormalidades fluido Anorexia isotônica hipocalemia ? ringer lactato fisiológica Choque hipovol isotônica acidose lática fisiológica Diabetes mellitus hipertônica acidose, hipocalemia hipofosfatemia ringer lactato fisiológica (choque) Diarréia isotônica/hipetônica hiponatremia? acidose? ringer lactato fisiológica Insufic hepática isotônica /hipetônica hipocalemia ? glicofisiológica fisiológica Insufic renal isotônica hipetônica (vômito) acidose ringer lactato fisiológica Linfossarcoma isotônica /hipetônica acidose latica ? fisiológica Obstruç uretral isotônica /hipetônica hipercalemia/acidose fisiológica Vômito (intestinal) isotônica/hipetônica hipocalemia/acidose ringer lactato fisiológica Vômito (estomacal) isotônica /hipetônica hipocalemia hipocloremia/alcalose fisiológica Parâmetros empíricos para escolha do tipo de fluido Regra geral para o tipo de fluido O fluido administrado deve ser semelhante ao perdido. Na dúvida, empregue ringer simples/sol fisiológica. Não podem receber lactato: ✓ Vômito agudo de conteúdo estomacal ✓ Pacientes com hiperlactatemia (acidemia latica, choque hipovolêmico) ✓ Pacientes que não metabolizam lactato (insuficiência hepática ou linfossarcoma - câncer) Não podem receber potássio: ✓ Choque, hipoadreno, obstrução uretral Metabolismo do lactato No fígado, o lactato de sódio presente no Ringer: NaC3H5O3 Fígado => C3H5O3 + 3O2 = 2 CO2 + 2 H2O + ATP Rim => Nao permite resíntese de HCO3 (Na HCO3) O lactato é empregado como fonte de energia, entrando no ciclo de Krebs como oxalacetato, gerando ATP e gás carbônico. O sódio é liberado permitindo a resíntese de um bicarbonato no rim. Via de administração do fluido Intravenosa: mais indicada – animais muito doentes, desidratação grave, situações emergenciais, permite rápida expansão de volume. Intra-óssea: excelente alternativa à intravenosa em pacientes pequenos, filhotes, com colapso de veias (muito desidratados). Considera-se que os fluidos administrados intra-ósseo caem diretamente na corrente sanguínea Via de administração do fluido Subcutânea: prática e barata. Não empregar em animais com vasoconstrição periférica – muito desidratados, hipotensos e hipotérmicos (fluido não é absorvido). Se o fluido permanecer no local 6h após aplicação, empregue outra via. Necessita de um período de equilíbrio e absorção. Não adminstrar fluídos sem eletrólitos (agravam desequilíbrios) ou hipertônicos (dor e necrose). Oral: é a mais fisiológica e deve ser empregada em pacientes sem vômito, mesmo naqueles que estão recebendo fluído por outras vias. Qualquer tipo de fluido pode ser empregado. Não deve ser a única via em pacientes muito desidratados. Velocidade de infusão A velocidade de infusão depende das condições do paciente, da rapidez com que ele perdeu fluidos e da gravidade da perda. A velocidade de infusão pode ser mais deletéria que o tipo ou o volume de fluido infundidos. Choque hipovolêmico: até 1 volume circulante na primeira hora. Fluídos ricos em K devem ser infundidos lentamente. Velocidade de infusão Infusão mais rápida nas primeiras horas Infusão máxima de 10 a 20 mL/kg/hora na manutenção Velocidade elevada leva a expanção plasmática com diurese, não permitindo a correta reidratação do animal Velocidade de infusão Desidratação grave – “dose de ataque”, correspondente a 30 a 50% do déficit estimado na forma rápida e o restante nas próximas 12 a 24 horas. Desidratação leve a inaparente/manutenção – administrar o déficit estimado em um período de 24 horas. Referência manutenção => 2,2mL/kg/h + déficit + perdas concomitantes . Bovinos Animais adultos: •Manutenção: 2-3 mL/kg/h. •Desidratação moderada: 5-10 mL/kg/h. •Desidratação severa/choque: até 40-80 mL/kg/h durante a primeira hora, seguido por 10-20 mL/kg/h. Velocidade de infusão Bezerros: •Manutenção: 4-5 mL/kg/h. •Desidratação moderada: 10-20 mL/kg/h. •Desidratação severa/choque: até 80-100 mL/kg/h durante a primeira hora, seguido por 20-30 mL/kg/h. Velocidade de infusão Ovinos Adultos: •Manutenção: 2-3 mL/kg/h. •Desidratação moderada: 5-10 mL/kg/h. •Desidratação severa/choque: até 40-60 mL/kg/h durante a primeira hora, seguido por 10-20 mL/kg/h. Cordeiros: •Manutenção: 3-4 mL/kg/h. •Desidratação moderada: 10-20 mL/kg/h. •Desidratação severa/choque: até 60-80 mL/kg/h durante a primeira hora, seguido por 20-30 mL/kg/h. Velocidade de infusão Equinos Adultos: •Manutenção: 2-3 mL/kg/h. •Desidratação moderada: 5-10 mL/kg/h. •Desidratação severa/choque: até 40-80 mL/kg/h durante a primeira hora, seguido por 10-20 mL/kg/h. Potros: •Manutenção: 4-5 mL/kg/h. •Desidratação moderada: 10-20 mL/kg/h. •Desidratação severa/choque: até 80-100 mL/kg/h durante a primeira hora, seguido por 20-30 mL/kg/h. Velocidade de infusão Como controlar a velocidade de infusão com os equipos? equipo macrométrico (adultos) – 0,07 a 0,1 mL / gota (10 a 15 gotas somam 1 mL) equipo micrométrico (pediátrico) – 0,02 mL / gota (50 a 60 gotas somam 1 mL) Exemplo Paciente necessita de 500mL em 24 horas. a) Por hora = 500 ÷ 24 = 21 mL/hora b) Por minuto = 21 ÷ 60 = 0,35 mL/minuto Equipo adulto: 1 gota = 0,1 mL => paciente necessita de 3,5 gotas/min, 1 gota a cada 17 segundos (0,35 ÷ 0,1; 60 segundos ÷ 3,5 gotas). Frequência muito leta e imprecisa. Equipo pediátrico: 1 gota = 0,02 mL => paciente necessida de 18 gotas/min, 1 gota a cada 3,3 segundos, ou 3 gotas em 10 segundos (0,35 ÷ 0,02; 60 segundos ÷ 18 gotas). Melhor controle da velocidade de infusão. Velocidade de infusão Volume total a ser infundido Suprir a desidratação inicial (estimada) + suprir a necessidade de manutenção (~5% peso corporal*) + suprir as perdas concomitantes (vômito, diarréia, poliúria) Ex: cão adulto de 10 kg, com avaliação clínica de 10% de desidratação = 1L = 500 mL desidratação de 10% = 10% de 10 kg manutenção = 5%* de 10kg = 0,5kg perdas concomitantes = valor estimado Total = 1.500 mL em 24 horas Volume a ser infundido Rotatividade da água = 100 mL/kg animais jovens = 50 mL/kg animais adultos Reposição = (% desidratação) + (manutenção) + (perdas concomitantes) Cavalo adulto com 8% desidratação = (8% x 400kg) + (50 mL x 400kg) = 32 + 20 = 52 litros Bezerro com 10% de desidratação = (10% x 50kg) + (100 mL x 50kg) = 5 + 5 = 10 litros Volume total a ser infundido Método alternativo: múltiplos de manutenção Desidratação Inaparente - 1 x manutenção Leve - 1,5 a 2 x manutenção Moderada - 2 a 2,5 x manutenção Severa - 2,5 a 3 x manutenção Volume total a ser infundido Por qualquer dos métodos, os cálculos são apenas uma estimativa. O paciente deve ser reavaliado a cada 6 horas e o tipo de fluido e velocidade de infusão redefinidos. A cada 24 horas deve-se reavaliar o déficit restante a ser corrigido Ajustes: ✓De acordo com melhora clínica (preenchimento capilar, frequência cardíaca, coloração mucosas e frequência respiratória). ✓ Ganho de peso (pacientes que não ganham peso continuam desidratados) ✓ Hiper ou desidratação Pacientes oligúricos ou cardiopatas – monitoramento mais frequente. Falhas na hidratação Insuficiência renal poliúrica: podem não ganhar peso e permanecer desidratados Hipernatremia e hiperosmolalidade: fluido fica retido espaço extracelular, não vai para o intracelular, permanece nos vasos e é excretado pelos rins Falhas de manejo: erro de cálculo da quantidade – empregar planilhas erro de cálculo da velocidade equipo incorreto problemas mecânicos (fluxo posicional, obstrução, administração muito rápida) demora na troca de frascos erro na estimativa da desidratação subestimativa das perdas insensíveis (febre, taquipnéia) subestimativa das perdas sensíveis e concomitantes Problemas potenciais secundários à fluidoterapia Extravasamento subcutâneo Hiper-hidratação fluido acima do necessário e da capacidade de excreta-lo edema, ascite, quemose, efusão pleural e taquipnéia, crepitações pulmonares. Emergência tratada com furosemida (2 a 4 mg/kg IV). Problemas potenciais secundários à fluidoterapia Desequilíbrios eletrolíticos - hipocalemia: ocorre sempre que não ha suplementação com K. A necessidade de K excede em muito a concentração nos fluidos comerciais, reidratação aumenta a excreção renal de K. - hipercloremia - hiper ou hiponatremia - hipofosfatemia em diabéticos cetoacidóticos, pode levar a anemia hemolítica Desidratação (%) 5 a 7 8 a 10 > 10 Classificação leve moderada grave Turgor curâneo (seg) 2 a 3 3 a 5 > 5 Temp Pre Capilar (seg) 1 a 2 2 a 4 > 4 VG (%) 40 a 50 50 a 65 > 65 Proteina Plasm Total(g/dL) 6,5 a 7,5 7,5 a 8,5 > 8,5 Estimativa clínica do grau de desidratação em animais de grande porte Concluindo a fluidoterapia Deve ser interrompida após a resolução da causa da desidratação e quanto o paciente estiver ingerindo água e alimento suficiente para manter-se hidratado. ✓ Redução gradual do volume de fluídos infundios. ✓ Dar água de bebida para faciliar readaptação. ✓ Hidratação subcutânea no final da hidratação endovenosa: diminui custos e favorece homeostase. Exemplos Diarreia Neonatal (Bezerros) •Causa: Pode ser causada por agentes infecciosos como Escherichia coli, Rotavírus, Coronavirus, Cryptosporidium, entre outros. •Sintomas: Diarreia, desidratação, letargia, perda de apetite. •Indicações de Fluidoterapia: • Correção da Desidratação: Administração de fluidos isotônicos (como Ringer Lactato) intravenosamente. • Reposição de Eletrólitos: Suplementação de eletrólitos específicos (sódio, potássio, bicarbonato). • Correção da Acidose Metabólica: Uso de soluções contendo bicarbonato se houver acidose metabólica significativa. Exemplos Desidratação por Insolação ou Exaustão pelo Calor •Causa: Exposição prolongada a altas temperaturas sem acesso adequado a sombra e água. •Sintomas: Letargia, mucosas secas, aumento da frequência respiratória, diminuição da produção de leite. •Indicações de Fluidoterapia: • Reidratação Rápida: Infusão intravenosa de fluidos isotônicos. • Reequilíbrio Eletrolítico: Administração de eletrólitos para corrigir possíveis desequilíbrios. Exemplos . Cetose •Causa: Distúrbio metabólico comum em vacas leiteiras de alta produção, especialmente no início da lactação, devido ao balanço energético negativo. •Sintomas: Perda de apetite, redução da produção de leite, hálito cetônico. •Indicações de Fluidoterapia: • Reposição de Glicose: Administração intravenosa de solução de dextrose a 50%. • Reidratação Geral: Uso de fluidos isotônicos para manter o volume circulatório. Exemplos Acidose Ruminal •Causa: Ingestão excessiva de carboidratos facilmente fermentáveis, levando à produção excessiva de ácido láctico no rúmen. •Sintomas: Depressão, desidratação, diarreia, perda de apetite, claudicação. •Indicações de Fluidoterapia: • Correção da Desidratação: Infusão intravenosa de fluidos isotônicos. • Correção da Acidose Metabólica: Administração de bicarbonato intravenoso para corrigir a acidose sistêmica. Exemplos Doenças Respiratórias (ex.: Pneumonia) •Causa: Infecções bacterianas, virais ou fúngicas, comumente associadas a fatores de manejo e estresse. •Sintomas: Tosse, febre, dificuldade respiratória, secreção nasal. •Indicações de Fluidoterapia: • Manutenção da Hidratação: Administração de fluidos para manter a hidratação, especialmente se o animal estiver febril. • Suporte Sistêmico: Fluidoterapia pode ser necessária para manter a perfusão tecidual adequada. Exemplos Retículo-Peritonite Traumática •Causa: Ingestão de objetos metálicos que perfuram a parede do retículo, causando inflamação e infecção. •Sintomas: Febre, anorexia, redução da produção de leite, dor abdominal. •Indicações de Fluidoterapia: • Suporte Hidratante: Administração de fluidos intravenosos para manter a perfusão. • Antibióticos: Fluidoterapia pode ser combinada com antibióticos para tratar a infecção. Exemplos Enterotoxemia (Clostridiose) •Causa: Infecção por Clostridium perfringens, frequentemente associada à ingestão de grandes quantidades de ração concentrada. •Sintomas: Diarreia, cólica, morte súbita. •Indicações de Fluidoterapia: • Reidratação e Manutenção: Infusão intravenosa de fluidos isotônicos. Ringer com Lactato • Tratamento da Toxemia: Fluidoterapia intensiva para combater a toxemia sistêmica. Exercício 1 Bezerro, 45kg PC, diarreia ha 3 dias. Anorético. 1)Que perguntas faria na anamnese quanto ao quadro do bezerro, com especial ao tipo/frequencia/intensidade da diarreia. 2)De a fluidoterapia (tipo de soluto, volume total a ser infundido em 24h, velocidade de infusão e tipo/regulação do equipo) Exercício 2 Equino, 385kg PC, relata que animal fez caminhada longa, de 6h, sob forte calor e não era adequadamente condicionado. 1)Que perguntas faria na anamnese quanto ao quadro do cavalo, com especial ao tipo/frequencia/intensidade das alterações. 2)De a fluidoterapia (tipo de soluto, volume total a ser infundido em 24h, velocidade de infusão e tipo/regulação do equipo) • Para a infusão inicial rápida, recomenda-se o uso de um equipo macro (10-15 gotas/ml). Exercício 3 Histórico: Uma vaca leiteira de 5 anos foi encontrada em estado letárgico no pasto. O proprietário relatou que o animal sofreu uma laceração profunda na coxa direita, com hemorragia significativa. A vaca estava com mucosas pálidas, frequência cardíaca aumentada (120 bpm), pulso fraco e extremidades frias. Havia uma redução significativa na produção de leite nas últimas 24 horas. Exame Clínico: Mucosas: Pálidas Pulso: Fraco e rápido Frequência Cardíaca: 120 bpm TPC (Tempo de Preenchimento Capilar): Aumentado (> 2 segundos) Estado de hidratação: Desidratada Temperatura: Normal Questões para Discussão: Qual é o tipo de choque apresentado por este animal? Qual é a abordagem inicial para este caso? Clínica ou cirúrgica? Quais são os tratamentos recomendados para estabilização deste paciente? Exercício 4 Um cavalo de 10 anos, utilizado para competições de salto, apresentou episódios recentes de cansaço excessivo após exercícios leves, dispneia e distensão venosa jugular. O exame ecocardiográfico revelou cardiomiopatia dilatada. Hoje, o cavalo foi encontrado em decúbito, com dificuldade respiratória e mucosas cianóticas. Exame Clínico: Mucosas: Cianóticas Pulso: Irregular e fraco Frequência Cardíaca: 80 bpm TPC: Normal Estado de hidratação: Normal Temperatura: Normal Questões para Discussão: Qual é o tipo de choque apresentado por este animal? A abordagem deve ser clínica ou cirúrgica? Quais são as intervenções terapêuticas indicadas para este paciente? Exercício 5 Um bezerro de 8 meses foi trazido à clínica com um histórico de diarreia severa e febre alta nos últimos 3 dias. O animal estava deprimido, com pulso fraco e rápido, extremidades frias e mucosas congestionadas. O proprietário relatou que o bezerro não estava se alimentando bem e apresentava desidratação severa. Exame Clínico: Mucosas: Congestionadas Pulso: Rápido e fraco Frequência Cardíaca: 140 bpm TPC: Aumentado (> 2 segundos) Estado de hidratação: Severamente desidratado Temperatura: Elevada (febril) Questões para Discussão: Qual é o tipo de choque apresentado por este animal? Qual é a abordagem inicial recomendada? Clínica ou cirúrgica? Quais são os tratamentos recomendados para estabilização deste paciente? Exemplo Vaca Adulta (600 kg) Manutenção •Taxa de manutenção: 2-3 mL/kg/h •Volume diário: 600 kg * 2.5 mL/kg/h * 24 h = 36,000 mL ou 36 L Desidratação Moderada (5% do peso corporal) •Volume para correção: 600 kg * 0.05 = 30 L •Taxa de infusão inicial: 10 mL/kg/h •Volume para as primeiras 4 horas: 600 kg * 10 mL/kg/h * 4 h = 24 L Desidratação Severa/Choque (10% do peso corporal) •Volume para correção: 600 kg * 0.10 = 60 L •Taxa de infusão inicial: 80 mL/kg/h •Volume para a primeira hora: 600 kg * 80 mL/kg/h = 48 L •Volume para as próximas 3 horas (20 mL/kg/h): 600 kg * 20 mL/kg/h * 3 h = 36 L Exemplo Equino Adulto (500 kg) Manutenção •Taxa de manutenção: 2-3 mL/kg/h •Volume diário: 500 kg * 2.5 mL/kg/h * 24 h = 30,000 mL ou 30 L Desidratação Moderada (6% do peso corporal) •Volume para correção: 500 kg * 0.06 = 30 L •Taxa de infusão inicial: 10 mL/kg/h •Volume para as primeiras 4 horas: 500 kg * 10 mL/kg/h * 4 h = 20 L Desidratação Severa/Choque (10% do peso corporal) •Volume para correção: 500 kg * 0.10 = 50 L •Taxa de infusão inicial: 80 mL/kg/h •Volume para a primeira hora: 500 kg * 80 mL/kg/h = 40 L •Volume para as próximas 3 horas (20 mL/kg/h): 500 kg * 20 mL/kg/h * 3 h = 30 L Exemplo Bezerro(50 kg) Manutenção •Taxa de manutenção: 4-5 mL/kg/h •Volume diário: 50 kg * 4.5 mL/kg/h * 24 h = 5,400 mL ou 5.4 L Desidratação Moderada (8% do peso corporal) •Volume para correção: 50 kg * 0.08 = 4 L •Taxa de infusão inicial: 15 mL/kg/h •Volume para as primeiras 4 horas: 50 kg * 15 mL/kg/h * 4 h = 3 L Desidratação Severa/Choque (12% do peso corporal) •Volume para correção: 50 kg * 0.12 = 6 L •Taxa de infusão inicial: 100 mL/kg/h •Volume para a primeira hora: 50 kg * 100 mL/kg/h = 5 L •Volume para as próximas 3 horas (25 mL/kg/h): 50 kg * 25 mL/kg/h * 3 h = 3.75 L OBRIGADA! Slide 1: Clínica cirúrgica de Grandes Animais Slide 2: Fluidoterapia Slide 3: Fluidoterapia Slide 4: Fluidoterapia em animais de grande porte Slide 5: Fluidoterapia Slide 6: Como avaliar a desidratação Slide 7: Estimativa clínica do grau de desidratação Slide 8: Exames laboratoriais Slide 9: Exames laboratoriais Slide 10: Exames laboratoriais Slide 11: Que fluido empregar? Slide 12: Que fluido empregar? Slide 13: Tipo de fluido Slide 14: Tipo de fluido Slide 15: Tipo de fluido Slide 16: Composição iônica, osmolalidade e tonicidade dos principais fluidos Slide 17: Composição iônica, osmolalidade e tonicidade dos principais fluidos Slide 18: Suplementação com K (Potássio) Slide 19: Parâmetros empíricos para escolha do tipo de fluido Slide 20: Regra geral para o tipo de fluido Slide 21: Metabolismo do lactato Slide 22: Via de administração do fluido Slide 23: Via de administração do fluido Slide 24: Velocidade de infusão Slide 25: Velocidade de infusão Slide 26: Velocidade de infusão Slide 27: Velocidade de infusão Slide 28: Velocidade de infusão Slide 29: Velocidade de infusão Slide 30: Velocidade de infusão Slide 31: Velocidade de infusão Slide 32: Volume total a ser infundido Slide 33: Volume a ser infundido Slide 34: Volume total a ser infundido Slide 35: Volume total a ser infundido Slide 36: Falhas na hidratação Slide 37: Problemas potenciais secundários à fluidoterapia Slide 38: Problemas potenciais secundários à fluidoterapia Slide 39: Estimativa clínica do grau de desidratação em animais de grande porte Slide 40: Concluindo a fluidoterapia Slide 41: Exemplos Slide 42: Exemplos Slide 43: Exemplos Slide 44: Exemplos Slide 45: Exemplos Slide 46: Exemplos Slide 47: Exemplos Slide 48: Exercício 1 Slide 49 Slide 50 Slide 51: Exercício 2 Slide 52 Slide 53 Slide 54: Exercício 3 Slide 55: Exercício 4 Slide 56: Exercício 5 Slide 57: Exemplo Slide 58: Exemplo Slide 59: Exemplo Slide 60: OBRIGADA!