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SEMANA 1 – CONCEITOS DE LITERATURA 
 
LETRAS - arte que concerne às letras, arte de escrever e ler 
LITERATURA - Primitivamente, o vocábulo [Literatura] designava o ensino das primeiras letras. Com o tempo, passou 
a significar ‘arte das belas letras’ e, por fim, ‘arte literária’. Até o século XVIII, preferiu-se o termo ‘poesia’, ao qual se 
atribuía sentido solene e elevado. Somente a partir do século XIX é que a palavra ‘Literatura’ entrou a ser 
empregada, foi quando a arte emancipou-se/separou-se da história. 
Os estudos literários se vinculam aos saberes praticados durante a Antiguidade grega. 
 
Técnica 
Artifícios + Procedimentos > Práticas Letradas 
 
Distinção 
Letras > Literato > Letrado (século XIV ao XVIII) 
 
Arte 
Belas Letras > Arte Literária > Literatura (século XVIII em diante) 
 
O termo "literatura" começa a se estabelecer e ganhar especificidade semântica em relação ao termo "letras" a 
partir do século XIX, designando os saberes relativos à constituição dos textos e/ou artefatos literários. 
 
SOUZA, Roberto Acízelo 
Qualquer texto esconde em suas camadas discursos que manipulam os leitores 
História literária caracterizada por três itens: 
1) Pretensão de objetividade e identificação com o conceito de ciência 
2) Inserção no historicismo, com periodização e diacronia 
3) Nacionalismo, confecção de relatos atrelados ao país onde se constituiu 
Entre 1970 e 1990, divisões e subdivisões sem hierarquia nos estudos da literatura e teoria da literatura 
Ascensão da história literária 1800: 
1- Expansão do capitalismo 
2- Construção de filosofias da história 
3- Conceito de ordem social que progride com o tempo 
4- Preocupação e valorização da tradição e de obras do passado 
1920: Formalismo Russo, evolução de substituição de sistemas 
1960-1970: Surge a Estética da Recepção 
1980: Novo historicismo nos EUA 
 
 
WALTER BENJAMIN 
“A criança deve impor a sua ação imaginativa (crítica aos brinquedos que limitam sua brincadeira)” 
“Respeitar o protagonismo infantil, mesclar as práticas pedagógicas oriundas dos docentes e das crianças” 
“Cultura como geral e não patrimônio das elites, Educação emancipatória” 
 
ANTONIO CANDIDO 
“O conteúdo só atua por causa da forma” 
“Humanização é o processo que confirma no homem os traços essenciais: reflexão, o saber, boa disposição para com 
o próximo, afinamento das emoções, empatia, senso de beleza” 
 
Cândido afirma que as pessoas não pensam que o seu semelhante pobre teria direito a boa literatura, pois apesar 
das boas intenções, talvez isso não lhes passe pela cabeça. E não por mal, mas somente porque quando arrolam 
(colocar em uma lista ou grupo) os seus direitos, não estendem todos eles ao semelhante. Não há o esforço para 
incluir o semelhante no mesmo elenco de bens que reivindicamos, o que está na base da reflexão sobre os direitos 
humanos. 
 
Entre os séculos XIV e XVIII, ser um homem letrado caracterizava, além das várias atribuições que lhe eram 
conferidas, um dos aspectos mais importantes na sociedade em que estava inserido. Assim, “dominar as 
letras e manejar as armas” representava um importante papel naquele período. 
Principal fator que era atribuído a um homem letrado no período em questão: 
DISTINÇÃO SOCIAL 
 
A literatura, assim como outras artes, é um espaço que promove reflexões e convida o público leitor a 
conhecer, observar, analisar e raciocinar sobre vários outros mundos, tornando a experiência de leitura muito 
mais significativa e reveladora. Assim, segundo Almeida (2014), pode-se dizer que a literatura é um espaço 
que possibilita o exercício da liberdade, pois ela coloca em questão justamente nossos padrões sociais e 
linguísticos A partir disso, podemos dizer que a leitura de uma obra literária nos convida a lidar com os 
padrões que nos cercam e que regem nossa vida. Isso acontece, porque, no seio da experiência total do ler, 
vemos claramente uma tensão entre liberdade e automatismos. 
 
 
SEMANA 2 – CARACTERÍSTICAS E FUNÇÕES DA LITERATURA 
 
 
Texto NÃO LITERÁRIO 
Prioridade UTILITÁRIA: Informar, noticiar, esclarecer (O QUE se diz) 
 
Texto LITERÁRIO – Se distancia da fala comum 
Prioridade ESTÉTICA: Provocar estranhamento, reflexão (COMO se diz) - Conotativo 
 
“Talvez a literatura seja definível não pelo fato de ser ficcional ou ‘imaginativa’, mas porque emprega a linguagem de 
forma peculiar (...) a literatura é a escrita que, nas palavras do crítico russo Roman Jakobson, representa uma ‘violência 
organizada contra a fala comum’. A literatura transforma e intensifica a linguagem comum, afastando-se 
sistematicamente da fala cotidiana” (Eagleton, 2019 [1983], p. 3). 
 
“A prioridade da definição da especificidade do literário baseada no texto coube ao Formalismo Russo. Este 
compreende a essência da literatura como literariedade”. (Castro, 1985, p. 39) 
 
Linguagem Cotidiana Linguagem Poética 
A) Automatismo 
B) Transparência 
C) Conceituação do Objeto 
A) Desautomatização 
B) Opacidade 
C) Percepção do Objeto 
 
“A noção de literariedade influenciou diversas gerações e pautou o trabalho de muitos teóricos e críticos literários (...) 
[no] que era considerado literatura de qualidade. Esse interesse surgiu de uma vontade de separar uma literatura 
mais elaborada, mais intelectualizada, daquela de apelo mais popular”. (Silva, 2014, p. 82) 
 
“Qualquer coisa pode ser literatura, e qualquer coisa que é considerada literatura, inalterável e inquestionavelmente 
– Shakespeare, por exemplo –, pode deixar de sê-lo”. (Eagleton, 2019, p. 16) 
 
LITERARIEDADE: Conjunto de características específicas (linguísticas, semióticas, sociológicas) que permitem 
considerar um texto como literário. 
 
Ler por ler seria uma das marcas da leitura literária. Essa caracterização da leitura se aproxima da máxima de Wilde 
(1995) que sublinha a inutilidade da arte. 
 
“[...] a literatura é a arte da palavra. É essa arte que permite ao artista (escritor) inventar e criar fatos e personagens de 
uma obra literária. Já os textos classificados como não literários são objetivos e preocupados em fixar a realidade e 
a verdade”. (SILVA, Pedro Paulo. Teoria da Literatura I. São Paulo: Pearson, 2014. p. 7) 
 
 
Podemos assinalar, junto à reflexão de Jouve (2002), que, na leitura, se o sujeito procura na experiência 
do ler a sua semelhança, ele tem o objetivo de se confirmar, de encontrar no escritor um par para o pensamento. 
Então, ele gostaria de achar no texto algo que confirme o que ele pensa sobre a vida e sobre o mundo. Essa 
forma de leitura estaria mais ligada a textos teóricos e a best-sellers. Esses textos estão vinculados a um 
público preestabelecido e que se unifica em torno de ideias e pensamentos semelhantes. Todavia, quando o 
sujeito depara com uma diferença, ele é convidado a entrar em um campo experiencial que lhe possibilita um 
distanciamento de si, proveniente da vivência do pensamento de outrem, para, depois desse primeiro 
momento, retornar sobre si. Esse movimento o ajuda não a confirmar o que ele era, mas sim a entender o que 
ele veio a ser. A possibilidade da mudança subjetiva decorre desse movimento que atravessa o distanciamento, 
ao se aproximar da palavra do outro, para chegar a um retorno sobre si mesmo, possibilitando questionar o 
que se é (ALMEIDA, 2014, p.154-155). 
Refletindo sobre as considerações do autor, que discute as experiências de leitura, analise as alternativas a seguir e 
assinale a que é coerente com esse contexto: 
Os textos que possuem contraposição de ideias em relação às vivências dos leitores, pelo princípio de 
alteridade, permitem um olhar para o mundo por um prisma diferente. 
 
 
 
O conceito de literariedade está intimamente associado ao conceito de texto literário, o que serviu de 
base para a teoria e crítica literária e para muitos estudiosos do meio (SILVA, 2014). Nesse contexto, diversas 
características são atreladas a essa relação e essas perpassam também por aspectos sociais importantes. 
Assim,levando em consideração essas informações, assinale a alternativa que indica o surgimento da noção de 
literariedade: 
Para separar a literatura mais elaborada da literatura com apelo mais popular. 
 
 
De acordo com Carmen Pimentel (on-line), basicamente, podemos definir que “os textos literários são 
aqueles que possuem função estética, destinam-se ao entretenimento, ao belo, à arte, à ficção. Já os não 
literários são os textos com função utilitária, pois servem para informar, convencer, explicar, ordenar”. 
Levando em consideração as características dos dois tipos de texto, identifique se são (V) verdadeiras ou (F) falsas as 
afirmativas a seguir: 
I. (F) O texto literário apresenta linguagem objetiva, clara e concisa para transmitir uma informação da forma mais direta 
possível. 
II. (V) Textos, como poemas, romances, contos e peças de teatro são exemplos de textos literários. 
III. (V) São exemplos de textos não literários: notícia, manual de instrução, enciclopédia e receita culinária. 
IV. (F) O texto não literário tem como principais características a expressividade e o uso de simbologias. 
 
 
SEMANA 3 – POESIA 
Gêneros: Alto: epopeia e tragédia; Médio: lírica e ditirambo; Baixo: comédia e sátira. 
No grego antigo o termo poesia exprime fazer ou criar algo. 
Platão e Aristóteles associaram a ideia de mimese na poesia, que significa imitação. (ou narração) 
As motivações da poesia eram para ensinar ou proporcionar lazer. Ela mostra uma verdade e a torna amada. 
Historiador = Fatos que ocorreram sem verso ou prosa 
Poeta = Prosa ou verso que podem até mostrar o que poderia ter acontecido 
A poesia é considerada uma prática artística produzida por meio do manejo de certas técnicas e artifícios. 
Gênero literário é o mesmo que obra literária. 
Verossimilhança: o que poderia acontecer por necessidade ou probabilidade 
Métrica diz respeito à medida e ao ritmo do verso 
 
ÉPICO = descrição/narração de grandes feitos, empreendidos por personagens extraordinárias em relação ao 
homem comum. Virtudes, Viagens, Guerras, poemas de caráter coletivo. (“Nós”) – Autores: Homero, Virgílio, 
Camões, S.R.Durão, Gon.Magalhães. 
LÍRICO = descrição/narração de episódios relativos ao enunciador. Bucolismo, Natureza, Afetividade, poemas de 
cunho pessoal. (“Eu”) – Autores: Horácio, Virgílio, Tom.Ant.Gonzaga, Álv.Azevedo. 
CÔMICO = descrição/narração de cenas atuadas por personagens vis, inferiores ao homem comum. Vícios, 
Deformações, Defeitos, majoritariamente em poemas de cunho pessoal. (“Outro”) – Autores: Juvenal, Greg.Matos, 
Tom.Ant.Gonzaga, Pato Moniz, Juó Bananére. 
 
No início do século XX houve a aparição do verso livre (cujo ritmo é despojado de qualquer coerção métrica), o 
metro era o critério essencial, a condição “sine qua non” à criação poética até então. 
 
Não é possível averiguar se o poeta foi honesto, já que estamos no domínio da ficção e do artifício. Por outro lado, 
isso não permite supor que a noção de Verdade não seja relevante em literatura. A literatura não rivaliza com a 
História; apenas se diferencia dela. Por sinal, há inúmeras relações entre uma e outra, ao longo da História, entre a 
Antiguidade e a Era Moderna. 
 
Tomando como referência a obra de Édipo Rei, de Sófocles, e analisando o trecho citado, avalie as 
afirmativas a seguir: 
 
I. A mensagem e os sentidos que a obra exibe ao leitor transcendem as ações narrativas, 
transformando um personagem em uma representação muito mais significativa. 
II. Os personagens não podem ser muito representativos nas obras, porque o mais importante é que suas 
ações se destaquem. 
III. Para se obter uma representação significativa de uma mensagem, o autor precisa buscar narrar fatos 
extraordinários e complexos, como a história de Édipo Rei. 
IV. É necessário que os personagens fiquem em segundo plano em narrativas que se propõem a instigar 
grandes reflexões. 
Está correto o que se afirma em: I, apenas. 
 
 
Marília de Dirceu, de Tomás Antônio de Gonzaga, é um poema que trata de um pastor apaixonado, 
chamado Dirceu, que exalta a beleza de sua amada, Marília, em meio a um cenário de natureza 
exuberante, bucólico e ar campestre. Essas características são típicas de um gênero poético 
específico, assim como possuem o “eu” como indivíduo central em suas produções. 
TEXTO LÍRICO 
 
 
 
POEMA DO BECO 
Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte? 
— O que eu vejo é o beco. 
 
I.Composto por título e um dístico, “Poema do beco” constitui-se como um poema lírico, 
PORQUE 
II. possui grande força expressiva e nos leva a refletir sobre os sentimentos da persona poética. 
 
As duas asserções são verdadeiras, e a segunda justifica a primeira. 
 
 
SEMANA 4 – ORIGENS DA PROSA 
 
Costuma-se atribuir a origem de “prosa” ao latim prosa oratio, no século I a.C. A partir do séc. XIII, passou 
para o antigo francês como prose e disseminou-se para outras línguas. De prosa derivam prosaico, 
prosaísmo etc. (A prosa costuma ter menos artifícios artísticos do que o poema) 
 
Narrativa [p. ex., a História] 
Demonstrativa [p. ex. Oratória, Tratadística, Epistolografia etc] (ensinamentos, cartas...) 
(Moisés, 2002, p. 418) 
 
Gêneros “Modernos” 
• Romance – O gênero surgiu em meados do século XVIII, associado ao Romantismo europeu. 
• Novela – Relacionado à novelo (enredo), novo, novidade. 
• Conto – do latim computus: cálculo; ou de computare: conta. (Aquilo que se conta) 
• Crônica literária – relativa ao grego, Khrónos (tempo), distingue-se da “Crônica” histórica (que 
predominou até o séc. XV). 
 
 
A palavra ‘romance’ aparece durante a Idade Média para designar não um conteúdo, mas uma escolha 
linguística. 
 
O indivíduo épico, o herói do romance, nasce desse alheamento em face do mundo exterior (...) o maior 
dos heróis ergue-se somente um palmo acima da multidão de seus pares (...) 
O herói da epopeia nunca é, a rigor, um indivíduo. Desde sempre considerou-se traço essencial da epopeia 
que seu objeto não é um destino pessoal, mas o de uma comunidade. 
 
“No século XVIII, o romance ainda não se havia livrado das peias (amarras) da estória centrada numa única 
figura que sempre deveria estar presente (...) o narrador permanecia no centro do palco”. (O herói passou 
a ser concebido de outro modo, coletivamente) 
(Muir, 1928, p. 13) 
 
“O romance como um todo verbalizado é um fenômeno pluriestilístico (vários modelos estilísticos), 
heterodiscursivo (Entonação do narrador), heterovocal (Várias vozes e pontos de vista de personagens e 
narradores). Nele, o pesquisador esbarra em várias unidades estilísticas heterogêneas”. 
(Bakhtin, 2015, p. 27) 
 
(Muir, 1928): 
Romance de Ação – em que prevalecem as intrigas 
Romance de Personagem – em que sobressai a caracterização das figuras 
Romance de Drama – em que há fusão entre ação (intriga) e personagem 
Subgêneros: Histórico, Filosófico, Costumes, Indianista, Urbano, Policial 
 
 
Vidas Secas trata-se de uma obra em que a narrativa parece situar-se entre a prosa mais econômica e a 
poesia, irmanada à música em ritmo, métrica e rima. 
O livro sugere um movimento análogo à linguagem musical presente no romance. A narrativa, fortemente 
marcada pela difícil expressão verbal de seus personagens, ao mesmo tempo faz ressoar as sílabas soltas 
e emitidas a custo pelas criaturas. 
 
“O romance vem a ser a forma narrativa que, embora sem nenhuma relação genética com a epopeia (como 
nos demonstram as teses mais avançadas), a ela equivale nos tempos modernos. E, ao contrário da 
epopeia, como forma representativa do mundo burguês, volta-se para o homem como indivíduo. Não tendo 
existido na Antiguidade, essa forma narrativa aparece na Idade Média, com o romance de cavalaria, já como 
ficção sem nenhum compromisso com o relato de fatos históricos passados. No Renascimento, aparece 
como romance pastoril e sentimental, logo seguido pelo romance barroco, de aventuras complicadas e 
inverossímeis, bem diferente do romance picaresco, da mesmaépoca. É, no entanto, em D. Quixote, de 
Cervantes, que podemos localizar o nascimento da narrativa moderna que, apresentando constantes 
transformações, vem-se impondo fortemente, desde o século XIX, quando — quase sempre publicada em 
folhetins — se caracterizou sobretudo pela crítica de costumes ou pela temática histórica. Estas chegam até 
nossos dias, juntamente com as narrativas que, nos moldes impressionistas, são calcadas no fluxo de 
consciência e nas análises psicológicas, ou as que optam por uma forma de realismo maravilhoso ou de 
ficção ensaio. Em qualquer dessas formas, ora perfeitamente delineados e identificáveis, ora 
desestruturados e camuflados, o enredo, as personagens, o espaço, o tempo, o ponto de vista da narrativa 
constituem os elementos estruturadores do romance.” 
 
(Angélica Soares. Gêneros Literários, 2007, pp. 42-43) 
 
 
Entende-se por “Romance”: Um gênero literário, uma forma narrativa. 
 
O “romance moderno”, a partir do século XIX, retrata a trajetória de um indivíduo inserido na lógica burguesa. 
 
O romance é um gênero que se caracteriza, pela forma, tema e construção variável, ao longo do tempo. 
 
 
Chauvin (2013) se debruça a estudar uma profunda análise do romance “Vidas Secas”, de Graciliano 
Ramos, no que tange seus aspectos estruturais, temáticos e de conteúdo, abordando uma série de 
representações e desdobramentos advindos das relações que são travadas a partir desses aspectos 
literários. Assim, analise o trecho a seguir que retrata uma cena em que o pai (Fabiano) se dirige ao 
filho mais velho para medir o tamanho de seu pé, a fim de providenciar-lhe uma alpercata: 
 
O próprio significante (alpercatas) reveste-se de três vogais abertas (a) e uma média (e), reforçando o fato 
de que a palavra tem vocação para o acúmulo de notas, ainda que sob a forma do acorde dissonante. O 
termo é inserido repetidas vezes na narrativa, assinalando uma ruptura, também sonora, no âmbito da 
própria cena. As assonâncias conjugam-se à força das consoantes. Revelam a distância entre o pai e o filho 
mais velho: 
 
- Bota o pé aqui. A ordem se cumpriu e Fabiano tomou medida da alpercata: deu um traço com a ponta da 
faca atrás do calcanhar, outro adiante do dedo grande. Riscou em seguida a forma do calçado e bateu 
palmas: - Arreda (RAMOS, 1996, p. 54). 
 
Determinados episódios assumem forte caráter imagético. Nesse sentido, a despeito da configuração 
aparentemente fragmentária dos capítulos, a composição não impede (antes favorece) o caráter circular da 
narrativa, em que a sonoridade se combina às descrições e argumentos em constante reelaboração por 
parte de seus personagens (CHAUVIN, 2013, p. 46-47). 
 
Fonte: CHAUVIN, J. P. Vidas Secas: a escassez em ritornello. Fronteiraz. nº 11, 2013. Disponível 
em: https://revistas.pucsp.br/index.php/fronteiraz/article/view/16822/13055. Acesso em 21 jun 2022. 
 
Considerando o excerto do autor, assinale a alternativa que contrapõe o que o autor analisa sobre a 
representação dos termos e recursos literários empregados na obra e, mais especificamente, na cena 
em questão: 
Os termos linguísticos utilizados e o efeito que eles imprimem no texto não funcionam bem para representar 
o que a cena transmite ao leitor. 
 
Relativa ao grego, Khrónos, ou tempo, a crônica é um gênero relativamente moderno, que tem como 
ponto central situar um feito ou uma ação dentro de um espaço e período temporal específico. A 
crônica literária Distingue-se da crônica histórica por ser proveniente dos séculos XVIII, XIX, enquanto 
a crônica histórica se desenvolveu entre os séculos XIV e XV Como traços característicos de cada 
uma, a crônica histórica foi desenvolvida a partir da narração de historiadores para descrever os feitos 
e conquistas históricos, enquanto a literária se tornou um gênero mais conciso, como a crônica 
jornalística por exemplo. 
 
 
A etimologia da palavra prosa originou-se do latim, prosa oratio, e, posteriormente, ao 
francês, prose, disseminando-se ainda para outras línguas, na sequência. Segundo Moisés (2002), 
de forma genérica e tradicionalmente falando, a prosa apresenta e se diferencia a partir de dois tipos 
básicos. 
Fonte: MOISÉS, M. Dicionário de Termos Literários. 11. São Paulo: Cultrix, 2002. 
Dois tipos: A narrativa e a demonstrativa. 
 
 
O romance, enquanto estrutura narrativa que narra histórias variadas, se difere do Romantismo, 
PORQUE 
o primeiro é considerado um gênero e o segundo, um movimento ou corrente teórico-filosófica que possui 
suas próprias especificidades. 
As duas asserções são verdadeiras e a segunda justifica a primeira 
 
 
De acordo com Lukács (2000), os gêneros epopeia e romance se distinguem entre si por várias 
características, dentre elas, por seus temas, personagens, enredos e a forma como se mostram ao 
leitor mas também possuem certos atributos que os fazem se aproximar. 
 
I.O romance e a epopeia são gêneros narrativos que se constituem no mesmo período histórico, 
PORQUE 
II. precisam narrar os feitos dos homens elevados, em meio ao senso de coletividade de um povo. 
As duas asserções são falsas 
 
 
Lukács (2000) reflete, dentre outros aspectos relacionados às divergências entre epopeia e romance, 
sobre a construção e a representatividade do herói em cada um desses gêneros, bem como as ações 
que se travam diante deles e as relações que se desenvolvem com os outros aspectos narrativos. 
Fonte: LUKÁCS, G. A Teoria do Romance. Trad.: José Marcos Mariani de Macedo. São Paulo: Editora 34, 2000. 
Levando em consideração esses fatores, identifique se são (V) verdadeiras ou (F) falsas as 
afirmativas a seguir: 
II. ( V ) O herói do romance traça aspectos particulares e pessoais do indivíduo, deixando de ter somente 
virtudes. 
 
 
SEMANA 5 – CONTO 
 
“Na Idade Média, significou inicialmente ‘enumeração de objetos’, passando a ‘resenha ou descrição de 
acontecimentos’, ‘relato de coisas verdadeiras’ [...]” 
 
https://revistas.pucsp.br/index.php/fronteiraz/article/view/16822/13055
“Embora o início do contar estória seja impossível de localizar e permaneça como hipótese que nos leva aos 
tempos remotíssimos, ainda não marcados pela tradição escrita, (...) para alguns, os contos egípcios são os 
mais antigos: devem ter aparecido por volta de 4000 anos antes de Cristo”. (Gotlib, 2006, p. 6) 
 
Apogeu do Conto: “Com a entrada do século XIX, o conto vive uma época de esplendor. Além de tornar-
se ‘forma artística’, (...) abandona o estágio de ‘forma simples’, paredes-meias com o folclore e o mito, para 
ingressar numa fase em que se torna estrito produto literário” (Moisés, 2012, p. 263). 
 
“[...] o romance e o conto se deixam comparar analogicamente com o cinema e a fotografia, na medida em 
que um filme é em princípio uma ‘ordem aberta’, romanesca, enquanto que uma fotografia bem realizada 
pressupõe uma justa limitação prévia, imposta em parte pelo reduzido campo que a câmara abrange e pela 
forma com que o fotógrafo utiliza esteticamente essa limitação”. (Cortázar, 2004, p. 151) 
 
“O conto é uma narrativa unívoca, univalente: constitui uma unidade dramática, uma célula dramática, 
visto gravitar ao redor de um só conflito, um só drama, uma só ação. Caracteriza-se, assim, por conter 
unidade de ação”. (Moisés, 2012, p. 268) 
 
História de ação – Ação, investigação 
História de personagem – Estudo de caracteres 
História de cenário ou atmosfera – Ambiente, cenário 
História de ideia – Reflexão, filosofia, lição, conclusão 
História de efeitos emocionais – Emoções, reações, efeitos, suspense, terror, mistério 
 
“Mais dia, menos dia demito-me deste lugar. Um historiador de quinzena, que passa os dias no fundo de 
um gabinete escuro e solitário, que não vai às touradas, às Câmaras, à Rua do Ouvidor, um historiador 
assim é um puro contador de histórias. E repare o leitor como a língua portuguesa é engenhosa. Um 
contador de histórias é justamente o contrário de historiador, não sendo um historiador, afinal de contas, 
mais do que um contador de histórias”.(Machado de Assis Apud Azevedo, 2011, p. 114) 
 
Interpretação: O excerto lido pertence a uma crônica, publicada em 15 de março de 1877, na revista 
Ilustração Brasileira. No trecho, o cronista relativiza os papéis do contador de histórias e do historiador. Para 
enfatizar a ambivalência das palavras, Machado repete-as diversas vezes, provocando no leitor da crônica 
a sensação de que o significado dos termos é instável e está sujeito a mudanças, em acordo com diferentes 
perspectivas. 
 
Para Poe, o romance por não poder ser lido em uma sentada perde a imensa força derivada da totalidade. 
 
Não é exata a fixação do marco do início do conto no Brasil, pois as características desse gênero tiveram 
uma delimitação traiçoeira, ligada à falta de prestígio no momento áureo da criação do romance e pela 
dificuldade em classificá-lo. 
 
Em tese, o contista trabalha com a ficção; o historiador, com os fatos. 
 
 
O tamanho não é o que faz mal a este gênero de histórias, é naturalmente a qualidade; mas há sempre 
uma qualidade nos contos que os torna superiores aos grandes romances, se uns e outros são 
medíocres: é serem curtos (ASSIS, Apud PARRINE, s.d., p. 476). 
II - É uma reflexão de Machado de Assis ironizando mas também contribuindo com a compreensão das 
características do gênero conto. 
 
Ainda que povoada pela ironia própria do seu autor, a afirmação não está completamente 
descontextualizada. A preocupação com o tamanho e com a forma do texto aproxima efetivamente 
sua obra aos contos fantásticos criados por Poe (PARRINE, s.d. p. 477). 
III - Parrine indica certas semelhanças da produção machadiana com outras obras do mesmo gênero 
narrativo, dando relevância ainda maior à produção do autor brasileiro. 
 
A tensão desenvolvida nos contos de Machado, a reviravolta no fim do relato, os personagens que 
se revelam somente no epílogo de fato não são de forma alguns alheios à sua produção ficcional 
(PARRINE, p. 477). 
I - Parrine elogia a produção machadiana, por meio dos aspectos narrativos que o autor utiliza, explicando 
que tais recursos são utilizados de propósito por ele. 
 
O conto, enquanto gênero narrativo e literário, ganhou força e relevância no século XIX e é a partir desse 
período que grandes obras desse gênero são escritas por diversos e representativos autores da nossa 
literatura. Nesse sentido, vários contos de Machado de Assis, Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles, 
dentre outros, constituem-se como aqueles contos que privilegiam o estudo de caracteres, em 
contraponto a outros aspectos narrativos (GRABO apud MOISÉS, 2012). 
História de personagem. 
 
Composto por uma única célula dramática, e de acordo com as considerações de Grabo (apud Moisés 
2012), o conto possui tipologias diferentes que retratam suas especificidades e variam de acordo com aquilo 
que se pretende relevar dentro dele, a depender do enfoque no enredo, nos personagens, nas reflexões, 
dentre outros aspectos. Assim, uma dessas tipologias é a História de ideias. 
A intencionalidade filosófica e/ou moral 
 
O conto torna-se para o leitor uma unidade melhor em sua totalidade na experiência de leitura, 
PORQUE 
como é mais breve, o leitor consegue realizar a leitura sem pausas ou interrupções, as quais podem 
interferir nos sentidos do texto. 
 
( V ) Ambos os gêneros possuem relevância na literatura e se assemelham em variados aspectos 
narrativos. 
( V ) Os tipos de conto são bastante semelhantes aos tipos de romance, como o de ação e o de 
personagem, por exemplo. 
 
 
SEMANA 6 - Correntes Literárias (1): Formalismo e Sociologia da Literatura 
 
O FORMALISMO RUSSO 
 
“O movimento conhecido como formalismo russo se irradiou a partir de dois centros: Moscou, onde em 1914 foi fundado 
o Círculo Linguístico de Moscou, e São Petersburgo, onde em 1916 organizou-se a Sociedade para o Estudo da 
Linguagem Poética”. (Souza; Fonseca, 1975, p. 30) 
 
CARACTERÍSTICAS: 
1o) Recusa do impressionismo crítico e da erudição historicista; (analisa a obra sem contar com o seu contexto histórico 
social) 
2o) Aproximação dos estudos de linguística aos de literatura; (Teorias poéticas) 
3o) Concepção da literatura como uma série cultural de contornos próprios; (Não depende de outras artes do 
conhecimento para se consolidar) 
4o) A forma como totalidade da obra literária; (Contém todos os elementos para os críticos fazerem uma análise) 
5o) Aproximação com o Futurismo (Souza; Fonseca, 1976). (Saudar as máquinas, mundo moderno, mecanização) 
 
EIXOS: 
“Caracterizando-se pela recusa aos elementos extratextuais, como fonte de explicação da obra literária, através de seu 
método descritivo e morfológico, os formalistas vão procurar distinguir, no próprio texto, as características que o tornam 
literário, a sua literariedade. Vista por eles a obra como uma forma, isto é, um sistema em que todos os elementos se 
integram (...), haveria na linguagem literária uma deformação criadora, que conduziria a um estranhamento por parte 
do leitor”. 
(Soares, 1984, p. 95) 
 
 
A SOCIOLOGIA DA LITERATURA 
 
A sociologia da leitura considera que a estrutura social e o momento histórico contagia(m) a literatura e vice-
versa. 
 
“Em 1806, em artigo do Mercure de France, Bonald retoma sua famosa frase, ‘A literatura é expressão da sociedade’, 
antes aparecida em 1796, o que vai ocasionar uma série de polêmicas sobre a trama existente entre literatura, 
sociedade e história. (...) a frase está na origem do estabelecimento de um tipo de compreensão da produção literária, 
o do condicionamento da literatura pelo ‘caráter’ da sociedade, o que geraria seus desdobramentos posteriores” (Araújo 
Neto, 2007, p. 17). 
 
“O círculo em que vivem metafisicamente os gregos é menor do que o nosso: eis por que jamais seríamos capazes de 
nos imaginar nele com vida; ou melhor, o círculo cuja completude constitui a essência transcendental de suas vidas 
rompeu-se para nós; não podemos mais respirar num mundo fechado. Inventamos a produtividade do espírito”. 
(Lukács, 2000, p. 30) 
 
Ausência de Modelos 
“A arte, a realidade visionária do mundo que nos é adequado, tornou-se independente: ela não é mais uma cópia, pois 
todos os modelos desapareceram; é uma totalidade criada, pois a unidade natural das esferas metafísicas foi rompida 
para sempre (...) o heroísmo tornou-se polêmico e problemático; ser herói não é mais a forma natural de existência da 
esfera essencial; antes, é o elevar-se acima do que é simplesmente humano, seja da massa que o circunda ou dos 
próprios instintos”. 
(Lukács, 2000, pp. 34 e 41) 
 
Epopeia ≠ Romance 
“A epopeia dá forma a uma totalidade de vida fechada a partir de si mesma, o romance busca descobrir e construir, 
pela forma, a totalidade oculta da vida (...) apenas o romance possui uma caricatura que lhe é quase idêntica em todos 
os aspectos inessenciais da forma: a leitura de entretenimento, que indica toda as características exteriores do 
romance, mas que em sua essência não se vincula a nada e em nada se baseia”. 
(Lukács, 2000, pp. 60 e 73) 
 
A Literatura e a Coletividade 
“A obra literária não é o simples reflexo de uma consciência coletiva real ou dada, mas o resultado em um nível de 
coerência impulsionado por tendências próprias à consciência deste ou daquele grupo, consciência que é preciso 
conceber como uma realidade dinâmica, orientada em direção um certo estado de equilíbrio”. 
(Goldmann, 1964, p. 41) 
 
“[...] antes procurava-se mostrar que o valor e o significado de uma obra dependiam de ela exprimir ou não certo 
aspecto da realidade, e que este aspecto constituía o que ela tinha de essencial. Depois, chegou-se à posição oposta, 
procurando-se mostrar que a matéria de uma obra é secundária, e que sua importância deriva das operações formais 
postas em jogo (...) Hoje sabemos que a integridade da obra não permite adotar nenhuma dessas visões dissociadas”. 
(Candido, 2000, p. 5) 
 
LITERARIEDADE 
O termo “literariedade” era empregado pelos formalistas russos com a intenção de diferenciar o textoliterário do texto 
cotidiano (ou pragmático). Podemos apontar diferenças entre uma e outra modalidade textual; no entanto, as 
especificidades do texto literário confundiam-se, entre as décadas de 1910 e 1930, com um modo absoluto e autônomo 
de enxergar a literatura, relacionada à pretensão de diferenciá-la da linguagem utilizada no cotidiano. Com o passar 
dos tempos, passou-se a discutir as tais margens que separariam o artefato literário do texto pragmático, já que o limite 
entre as duas modalidades pressupunha uma separação, nem sempre verificável, entre o texto “belo” e texto útil. 
Haverá textos de má qualidade considerados “literários” e textos do cotidiano que revelariam atributos “artísticos”. 
 
 
Três parâmetros de leitura (Madame de Stael) 
• “Leitura Diacrônica” do sistema literário (privilegiando a ideia de que a literatura sofre transformações à 
medida que as sociedades se transformam) 
• “Leitura Espacial” da literatura (afastando-se de um modelo único e universal e aproximando-se de uma 
leitura pela qual as literaturas nacionais passam a ser consideradas em sua especificidade) 
• Leitura da contradição entre “Literatura Necessária e Literatura De Fato” (o exame da problemática das 
relações entre uma pretensa necessidade de um determinado tipo de literatura e a literatura que aparece de 
fato) 
 
Chateaubriand em O gênio do cristianismo (1800): as relações entre cultura pagã e cultura cristã, demonstra como a 
interpenetração de culturas se faz de modo complexo, à revelia de qualquer projeto estético de adoção de pressupostos 
de elaboração artística alheios às práticas socioculturais de um povo em determinado momento de sua história. 
 
“A literatura é expressão da sociedade” – Bonald 1806 
 
A teoria do romance, de Georg Lukács 1920 (na França em 1963) 
Perspectiva Teórica com intenções filosóficas (“As formas da grande épica em sua relação com o caráter fechado ou 
problemático da cultura como um todo”) 
Perspectiva Classificatória (“Ensaio de uma tipologia da forma romanesca”) 
Entende-se por arte: Uma realidade alternativa ao mundo empírico. Um conjunto de técnicas e procedimentos. 
O interesse dos pensadores em compreender as relações entre literatura e sociedade não é recente, embora tenha 
tomado mais fôlego, principalmente na segunda metade do século XX, com a publicação, na França, em 1963, de A 
teoria do romance, de Georg Lukács, bem como dos estudos, ainda na década de 1950, de Lucien Goldmann, um dos 
mais atuantes divulgadores dos estudos sociológicos aplicados à literatura. Segundo Jean-Yves Tadié, o que hoje 
podemos chamar de sociologia da literatura teria suas origens teóricas ainda em princípios do século XIX. 
 
 
Levando em consideração as especificidades da crítica sociológica, Antonio Candido reflete sobre 
o valor demasiado dos fatores externos darem mais sentido ao texto do que o próprio instrumento 
textual em si e, a partir disso, suas implicações literárias e sociais. Dessa forma, analise o excerto a 
seguir: 
A análise feita do texto literário pelo Formalismo Russo, que considera o texto em seu interior é muito menos 
problemática e íntegra, portanto, melhor do que aquela feita pela Crítica Sociológica, que considera o texto 
em seus aspectos externos e sociais, FALSA 
 
os fatores externos acabam por influenciar negativamente a compreensão da obra em sua totalidade, 
fazendo com que o texto seja menos valorizado enquanto produto da literatura em seus aspectos sociais e 
culturais. FALSA 
 
 
De acordo com Goldmann (1964) e Candido (2000), a literatura relacionada à coletividade e à 
realidade suscita inúmeras reflexões e questionamentos sobre fatores que vão além dela própria, 
objetos esses de estudo da Sociologia da literatura. Considerando o dinamismo em que se vive e os 
aspectos sociais em que a Literatura está relacionada, variadas são as relações em que ela se 
desenvolve. 
A obra não se resume à sua forma, estrutura ou a um resultado de ideologias socialmente aplicadas, 
possui relações estruturais, sociais, literárias que se formam a partir dela e são por ela formadas. 
(UMA JUSTIFICA A OUTRA) 
 
 
De acordo com Souza e Fonseca (s.d.), o Formalismo Russo foi uma corrente CRÍTICA que se constituiu a 
partir do CÍRCULO LINGUÍSTICO de Moscou, em Moscou, e a Sociedade para o ESTUDO DA 
LINGUAGEM POÉTICA, em São Petersburgo, respectivamente em 1914 e 1916, e possuem nessas áreas 
de conhecimento a sua base formativa. 
 
 
 
Algumas das várias teses do Formalismo Russo são a aproximação dos estudos de linguística aos 
de literatura, bem como a recusa do impressionismo crítico e da erudição historicista (SOUZA; 
FONSECA, s.d.) 
Considerava o texto literário por sua forma, não pelo autor e nem pela história. 
 
 
SEMANA 7 - New Criticism, Estruturalismo e Pós-Estruturalismo 
 
A Nova Crítica (New Criticism) 
 
“A denominação ‘Nova’ Crítica (New Criticism) derivou-se do livro de John Crowe Ransom, The New Criticism (1941) 
(...) [que] defendia a crítica ‘ontológica’ e atacava o grupo nascente dos novos críticos, que então ajudava a 
popularizar com sua obra. O termo já fora empregado por Joel E. Spingarn numa conferência na Universidade de 
Columbia, em 1910” (Lobo, 1985, p. 101) 
 
“A nova crítica se propõe a romper com a hermenêutica (interpretação de texto), com a ontologia (estudo metafísico 
ou do ser), com a filologia (...) e com a leitura de texto que empresta a este a noção de ‘intenção do autor’ ou se rege 
pelo perfil biográfico do mesmo. Dentro de uma noção de autonomia do texto estético, a nova crítica propõe para o 
texto poético uma ‘leitura microscópica’ (close reading), isto é, imanente do texto literário” (Lobo, 1985, p. 102). 
 
“[...] close reading, isto é, o exame detido e minucioso dos textos, considerados pelos adeptos do new criticism como 
um tecido verbal autônomo, passível de ter seus processos de construção artística conhecidos através de análises 
altamente técnicas do artesanato literário. (...) o texto é, assim, uma realidade autárquica, independente de 
condicionamentos de ordem psicológica ou sociológica”. (Souza, 1976, p. 26) 
 
“A nova crítica busca superar a velha dicotomia entre fundo e forma, substituindo-a por uma noção de unidade 
orgânica do poema que se expressa pela noção de tensão, cunhada por Allen Tate. Para este autor, o objeto poético 
resulta da extensão – que é o elemento conceitual e denotativo do poema que mais se aproxima da linguagem 
referencial, da prosa ou da razão (...) da intensão (in + tensão) – que é o elemento conotativo, linguagem emotiva ou 
‘textura’ da linguagem poética”. 
 
Contribuição para a leitura consciente do poema: Definição da autonomia do texto literário que passou a ser 
entendido como entidade independente, livre das supostas relações determinantes da sociedade com o artista e 
deste com o texto. 
 
Origens do Estruturalismo: “Trazendo a herança do Formalismo Russo e recebendo a influência do grande 
desenvolvimento que tiveram os estudos linguísticos (...) aparecem, sob o rótulo do estruturalismo, pesquisas diversas 
sobre a análise do texto literário, todas elas guiadas pelo reconhecimento da obra como uma estrutura, isto é, um 
sistema de relações, um todo formado de elementos solidários, tais que cada um depende dos outros e não pode ser 
o que é, senão devido à relação que têm uns com os outros”. (Soares, 1985, p. 104) 
 
O estruturalismo são as pesquisas diversas sobre a análise do texto literário guiadas pelo reconhecimento da obra 
como estrutura, com elementos solidários, dependentes uns dos outros, relacionados. 
 
“Em geral, estruturalismo designa um grupo de pensadores principalmente franceses que, nas décadas de 50 e 60 do 
século XX, influenciados pela teoria da linguagem de Ferdinand de Saussure, aplicaram conceitos da linguística 
estrutural ao estudo de fenômenos sociais e culturais. O estruturalismo se desenvolveu primeiro na antropologia 
(Claude LéviStrauss), e depois nos estudos literários e culturais (Roman Jakobson,Roland Barthes, Gérard Genette), 
na psicanálise (Jacques Lacan), na história intelectual (Michel Foucault) e na teoria marxista (Louis Althusser)”. (Culler, 
1999, pp. 120-121 
 
Surgimento: “Na França, onde durante a primeira metade do século XX foram mínimas as ressonâncias da reação anti-
historicista da estilística, do new criticism, do formalismo russo, o método históricoliterário e a crítica científica 
oitocentista permaneceram inabalados até o aparecimento do estruturalismo”. 
 
Literatura como Linguagem: “[...] como o material se torna de certa forma seu próprio fim, a literatura é no fundo 
uma atividade tautológica (...) a literatura é tão somente uma linguagem, isto é, um sistema de signos: seu ser não 
está em sua mensagem, mas nesse ‘sistema’”. (Barthes, 1970, pp. 33 e 162) 
 
 
Pressupostos do PósEstruturalismo: “Barthes, Lacan e Foucault (...) reconheceram a impossibilidade de 
descrever um sistema significativo coerente e completo, já que os sistemas estão sempre mudando. Na realidade, o 
pós-estruturalismo demonstra menos as inadequações ou erros do estruturalismo do que se desvia do projeto de 
resolver o que torna os fenômenos culturais inteligíveis e enfatiza, em lugar disso, uma crítica do conhecimento, da 
totalidade e do sujeito”. (Culler, 1999, p. 121-122) 
 
“A passagem do estruturalismo para o pósestruturalismo em parte é, como o próprio Barthes disse, uma passagem 
da ‘obra’ para o ‘texto’. Ela deixa de ver o poema ou o romance como uma entidade fechada, equipada de significações 
definidas que são tarefa do crítico descobrir, para um jogo irredutivelmente pluralístico, interminável, de 
significantes que jamais podem ser finalmente apreendidos em torno um único centro, em uma essência ou 
significação únicas”. (Eagleton, 2019, p. 208) 
 
“No pós-estruturalismo não há uma divisão clara entre ‘crítica’ e ‘criação’: ambos os modos estão compreendidos 
na ‘escrita’ como tal. O estruturalismo começou a se verificar quando a linguagem se tornou uma preocupação 
obsessiva dos intelectuais (...) Como se deveria escrever em uma sociedade industrial onde o discurso havia se 
degradado a um simples instrumento da ciência, comércio, publicidade e burocracia?”. 
 
Subversão da Linguagem: “O pós-estruturalismo foi produto dessa fusão de euforia e decepção, libertação e 
dissipação, carnaval e catástrofe, que se verificou no ano de 1968. Incapaz de romper as estruturas do poder estatal, 
o pósestruturalismo viu ser possível, em lugar disso, subverter as estruturas da linguagem (...) A leitura, para o 
Barthes da fase final, não é cognição, mas jogo erótico”. (Eagleton, 2019, pp. 210-214 
 
 
A partir da caracterização e da busca excessiva pela organização, estruturação e compreensão da 
linguagem como um sistema formal e fechado, pela corrente Estruturalista, a vertente Pós-
Estruturalista vai no caminho contrário, à medida em que se utiliza da subversão linguística para 
disseminar a sua percepção do texto, já nos anos finais da primeira década da segunda metade do 
século XX (EAGLETON, 2019). 
I - Implica em renovar e amplificar o que se entende pela compreensão de um texto. 
II - Representa uma contestação do sistema social, imprimindo aspectos mais libertários. 
III - Permite maior abertura nas relações que, até então, compunham o sentido do texto. 
IV - Funciona como um ato prazeroso na percepção do texto em suas camadas constituintes. 
 
New Criticism ou Nova Crítica pode ser considerada mais uma corrente filosófico-literária 
disseminada a partir do início do século XX, primeiro, tendo o termo que dá nome a sua corrente 
citado em uma palestra e, depois, decorrente de um livro, conforme Lobo (1985) comenta. 
O principal objeto de análise da Nova Crítica é uma leitura que é inerente ao texto e indissociável dele. 
 
 
Como uma espécie de revisão do Estruturalismo, a corrente do Pós-Estruturalismo desenvolve-se 
na segunda metade do século XX, discutindo a preocupação excessiva com a linguagem dentro da 
análise do texto literário, porque considera que os sistemas estão em constante modificação. Para 
isso, esse movimento aborda também uma crítica do conhecimento, da totalidade e do sujeito 
(CULLER, 1999). 
I.O pós-estruturalismo analisa o texto a partir de vários centros e construções que dão-lhe sentidos múltiplos, 
PORQUE 
II. considera que o texto não é uma entidade fechada, mas um conjunto interminável de significações.

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