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17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 1/56
Objetivos
Módulo 1
Geração de 45 e Guimarães Rosa
Identificar o contexto da Geração de 45 e as características da
prosa de ficção de Guimarães Rosa.
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Módulo 2
João Cabral de Melo Neto
Identificar a obra de João Cabral de Melo Neto na poesia da
Geração de 45.
Acessar módulo
O Pós-modernismo:
a Geração de 45
Profa. Teresa Montero
Descrição
Você vai estudar a Geração de 45 do
Modernismo brasileiro. Na prosa de ficção
através das obras de Guimarães Rosa e
Clarice Lispector. Na poesia e no teatro,
respectivamente, com as obras de João
Cabral de Melo Neto e Nelson Rodrigues.
Propósito
Ao conhecer uma das gerações do
Modernismo brasileiro, você ampliará seus
conhecimentos sobre a história da literatura
brasileira e o contexto histórico no qual ela
está inserida.
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17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45
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Módulo 3
Clarice Lispector
Reconhecer as características e os temas da obra de Clarice
Lispector na prosa de ficção.
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Módulo 4
O teatro de Nelson Rodrigues
Identificar as características e temáticas do teatro de Nelson
Rodrigues.
Acessar módulo
Introdução
Vamos explorar como se configurou a Geração de 45 na literatura
brasileira na ficção, na poesia e no teatro.
Começamos abordando o contexto histórico, político e social em
que se inseriu a Geração de 45. As consequências da Segunda
Guerra Mundial, e a nova configuração geopolítica com o
surgimento da Guerra Fria.
Estudaremos as obras de Guimarães Rosa e Clarice Lispector na
prosa de ficção. Ambos provocaram transformações radicais na
narrativa brasileira a ponto de serem considerados inauguradores
de uma nova forma de se escrever romances e contos.
Clarice Lispector e Guimarães Rosa pertencem àquela geração de
escritores do terceiro estágio modernista. Ambos se voltam para
a expressão literária em si, para as múltiplas possibilidades de se
narrar uma história. Para esses romancistas, o que repercute na
narrativa é menos a descrição de fatos exteriores e mais as
situações mentais dos personagens.
Vamos estudar, ainda, a vida e a obra de João Cabral de Melo
Neto, dando destaque ao poema Vida e morte severina.
Finalmente, vamos abordar o teatro de Nelson Rodrigues, um
marco da nossa dramaturgia que consolida o teatro moderno
brasileiro.

17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45
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A Geração de 45 transformou a narrativa ao aprofundar a
expressão literária, a poesia e o teatro brasileiro alcançaram um
novo patamar. Um momento de solidificação de nossa literatura.
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Geração de 45 e Guimarães Rosa
Ao final deste módulo, você será capaz de identificar o contexto da Geração de 45 e as características da prosa de ficção de Guimarães Rosa.
javascript:CriaPDF()
17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45
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Contexto da Geração de 45
A Segunda Guerra Mundial foi o fato histórico mais representativo para
explicar como era viver no mundo e no Brasil na Geração de 45. Os
escritores sentiram na pele a dor de um mundo marcado pela barbárie.
O cronista Fernando Sabino (1923-2004) definiu esse sentimento em
carta a Mário de Andrade em setembro de 1942:
Em 1942, o Brasil declarou guerra à Alemanha. A nação sofreu os
reveses da disputa por territórios entre as potências do Eixo –
Alemanha, Itália e Japão – e os Aliados, representados pelos Estados
Unidos e por países europeus, como a Grã-Bretanha e a França.
Os escritores que davam os primeiros passos na literatura
demonstraram um profundo abalo espiritual e moral.
O crítico literário Afrânio Coutinho (1978) resumiu o espírito da época
quando argumentou que a confiança no conhecimento puro e na razão
cedeu lugar a um sentimento trágico da vida. Uma concepção agônica
da existência se expressou no pensamento de Nietzsche (1844-1900) e
Miguel de Unamuno (1864-1936).
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A realidade da guerra mundial mostrou a falência das
civilizações. O pensamento iluminista não dava mais
conta de um universo em desencanto.
O novo mundo seguiu para um caminho espiritualista. A descoberta do
inconsciente por Freud (1856-1939) e o universo da intuição de Henri
Bergson (1859-1941) sedimentaram um diálogo com os movimentos
das vanguardas europeias na cena literária e artística: Futurismo,
Impressionismo, Cubismo, Expressionismo, Surrealismo, Dadaísmo.
Veja a seguir exemplos de expressões artísticas desses movimentos.
A cidade se levanta, Umberto Boccioni, 1910.
Futurismo
 1 de 6 
A arte moderna configurada no romance, na poesia e no teatro na
década de 1940 refletiu esse estado de descrença, de pessimismo.
O fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, com as bombas atômicas
lançada em Hiroshima e Nagasaki pelos Estados Unidos, inaugurou a
era de incertezas. Nunca mais o mundo foi o mesmo.
Nuvens de fumaça formadas sobre Hiroshima (esquerda) e Nagasaki (direita), após o lançamento
das bombas atômicas.
O contexto histórico refletiu na produção artística. A literatura da
Geração de 45 fez do romance e da poesia um modo de indagar a
transitoriedade da vida, a fragmentação do homem moderno. A poesia e
a narrativa ficaram mais subjetivas, interiorizadas. A vida do espírito
passou para o primeiro plano.
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O ano de 1947 foi o marco do início da Guerra Fria: Estados Unidos x
União Soviética. Isso representou um mundo dividido em dois blocos,
isto é, em dois modelos econômicos e políticos:
Capitalista
Bloco liderado pelos
Estados Unidos.
Socialista
Bloco liderado pela
União Soviética.
A configuração geopolítica dessas duas superpotências fez com que as
outras nações, como o Brasil, sofressem intervenções do país que
estivesse sob a sua influência, no nosso caso, os Estados Unidos.
A busca pela ampliação de áreas de influência e novos territórios acirrou
os conflitos entre os dois blocos, a destruição do planeta em larga
escala pelas mãos das potências econômicas tornou-se uma realidade
com a existência dessa arma letal.
Após o término da Segunda Guerra, em 1945, novos ares surgiram na
política brasileira. Finda a ditadura do Estado Novo (1937-1945), foi
retomado o regime democrático, ainda que o Governo Dutra (1946-1950)
tenha sido impopular e acirrado os conflitos ideológicos entre os
partidos políticos.
A volta ao poder de Getúlio Vargas (1951-1954) e seu suicídio devido às
pressões dos que não aceitaram seu governo popular retrataram as
transformações pelas quais o Brasil passou.
O poder político movimentou-se em direção à era da modernidade. O
aperfeiçoamento dos meios de comunicação, as invenções
tecnológicas atestaram isso. Dessa forma, o governo que sucedeu o de
Vargas, o de Juscelino Kubitschek (1956-1960), plantou o
desenvolvimento industrial em face ao crescimento urbano.
Brasília foi inaugurada com a promessa de um Brasil grande e próspero.
As metrópoles se expandiram, a vida urbana tornou-se o coração do
país, criando um cenário para a literatura que nasceu com essa geração.
Os escritores do período captaram as transformações de seu tempo e

Dica
Sob o olhar do cinema contemporâneo,
Oppenheimer (2023), filme dirigido por
Christopher Nolan, mostra ainda no século
XXI os dilemas do uso da bomba atômica eas consequências da Guerra Fria.
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tentaram expressar em sua obra a síntese das primeiras décadas do
Modernismo.
Inauguração de Brasília, 1960.
A essa altura, a afirmação de uma consciência nacional, de uma
identidade brasileira com temas que caracterizassem o ser brasileiro,
tão desejada pela primeira geração modernista, cedeu lugar a um olhar
mais universal.
A literatura brasileira e o instrumento que a veicula, a
língua portuguesa, nos levariam a entender os
caminhos mais profundos do pensamento nacional.
A feição regionalista tão cara aos escritores nordestinos da Geração de
30 mudou de perspectiva. A temática nacional foi abordada em uma
expressão universal. Se a seca e os desmandos dos latifundiários foram
abordados como fenômenos de um Brasil rural e injusto, agora foi
exposta a paisagem interior dos habitantes do sertão mineiro.
A complexidade psicológica da alma brasileira foi atingida em cheio
pelos romancistas e poetas do período. Um posicionamento sintonizado
com um mundo e um país em desencanto. O enfoque da história a ser
contada, do poema a ser escrito, revela uma atitude de experimentação
da linguagem literária.
Panorama literário da Geração de 45
A expressão “Geração de 45” foi usada particularmente para se referir a
um grupo de poetas empenhados na valorização do rigor formal e dos
princípios clássicos da poesia. São poetas integrantes desse grupo:
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Geir Campos
Outra denominação dada à Geração de 45 guarda um sentido mais
amplo, abrange um grupo de romancistas e poetas que estrearam nos
anos 1940, construíram suas trajetórias literárias ao longo das décadas
seguintes e tiveram um papel renovador e até mesmo revolucionário na
prosa de ficção, na poesia e no teatro brasileiro.
São representantes da Geração de 45:
João Cabral de Melo Neto
Clarice Lispector
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Nelson Rodrigues
O panorama literário já vivenciara a prosa revolucionária de 1922, com
Mário de Andrade e Oswald de Andrade, assim como os caminhos da
narrativa regionalista e social de Jorge Amado, Rachel de Queiroz e
Graciliano Ramos, ainda que este último cultivasse, também, o romance
interessado pela vida profunda do eu.
A década de 1940 foi apontada por muitos historiadores da literatura
brasileira como um divisor de águas na narrativa nacional porque reuniu
as experiências de vanguarda de Guimarães Rosa e Clarice Lispector.
Ambos criaram uma narrativa em que o mais importante é o como se
diz. A força motriz é o mundo transcendente, a inquirição do
inconsciente. Ao se questionar sobre os dilemas do homem moderno,
como as consequências do progresso científico, os escritores tornaram-
se mais introspectivos.
Atenção!
O romance da Geração de 45 é marcado pelo
experimentalismo. A ação e o enredo
cederam espaço para os estados mentais
dos personagens. O fluxo de consciência se
faz presente quando o leitor acompanha
seus pensamentos na narrativa. Esses
pensamentos se apresentam de forma
fragmentada, pois seguem o ritmo da mente.

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Os novos romancistas privilegiaram o ilógico, o irracional, para flagrar a
realidade psíquica. A narrativa pede a participação do leitor, pois já não
se trata de contar uma história, mas de expor a subjetividade dos
personagens. O tempo é psicológico, o enredo não é linear.
Trata-se do romance moderno, definido como uma pesquisa e
experiência de linguagem. A visão de mundo do romancista é mostrada
ao criar uma linguagem que pode traduzi-la (Coutinho, 1978, p. 246).
A poesia da Geração de 45 não almejou o caráter demolidor da poesia
de 22, nem elegeu os grandes temas de natureza política e social, a
intenção foi buscar a síntese do que foi realizado esteticamente em
1922 e 1930. Nesse sentido, o termo equilíbrio ou contenção se ajusta
ao fazer poético do período.
Daí se justifica a retomada das formas clássicas da poesia, como a
valorização da metrificação. O soneto foi uma marca dos poetas de
1945. A temática, por sua vez, dirigiu-se para a inquietação filosófica e
religiosa. Questionou-se o fazer literário. A contenção emocional foi uma
característica marcante (Coutinho, 1978).
Como os historiadores da literatura brasileira mostram cada geração
correspondendo a uma fase é assim que iremos acompanhar a atitude
dos representantes da Geração de 45 na prosa, na poesia e no teatro
perante a vida e a arte.
Contexto e panorama literário da
Geração de 45
Veja neste vídeo os principais elementos do contexto histórico e político
da Geração de 45. Você conhecerá também as características da
produção literária dessa geração do Modernismo.
Comentário
Apesar de contemporâneo da Geração 45, a
lírica de João Cabral de Melo Neto
distanciou-se em grande parte dos preceitos.
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Vida e obra de Guimarães Rosa
Biogra�a
João Guimarães Rosa (1908-1967) formou-se em medicina, exerceu o
ofício durante três anos em sua terra natal, Minas Gerais, e ingressou na
carreira diplomática em 1934. No entanto, nada mudou o rumo de sua
vida, não o afastou de sua vocação: a literatura.
Desde o primeiro livro, os contos de Sagarana (1946), a narrativa
brasileira nunca mais foi a mesma.
Sua inclinação para estudar línguas veio desde a tenra idade. O amor
pela história natural o fez colecionar insetos. Isso se refletiu na obra
povoada pelos animais, seres que ensinam muito sobre os homens
como mostrou, por exemplo, no conto O burrinho Pedrês, de Sagarana.
O período dedicado à medicina lhe proporcionou conhecer o sertão
mineiro e entrar em contato com pessoas que se transformaram em
seus personagens. Ele chegou a atuar como médico voluntário da Força
Pública durante a Revolução Constitucionalista de 1932.
Data dessa época um período de intensa dedicação ao estudo das
línguas. Um aprendizado que contribuiu muito para construir seu estilo
dotado de uma linguagem insólita, recheada de arcaísmos e
neologismos (Perez, 1975).
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Guimarães Rosa.
A vida diplomática o levou a morar no exterior: Hamburgo, Paris e
Bogotá. Apesar de admirado, a originalidade de sua obra soou para
muitos como algo incompreensível e elitista.
O temperamento supersticioso foi determinante para adiar seu ingresso
na Academia Brasileira de Letras. Eleito em agosto de 1963, adiou a
posse durante quatro anos. Ele temia não suportar a emoção. Sua
premonição se confirmou. Faleceu de um infarto fulminante três dias
após a posse.
O inesperado do fato deu a seu desaparecimento uma repercussão
internacional. Guimarães Rosa foi um escritor de muito prestígio, sua
obra foi vertida em traduções para muitos idiomas.
A morte súbita em 19 de novembro de 1967 aos 59 anos foi mais um
fator para torná-lo aos olhos do público uma personalidade mágica.
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Guimarães Rosa em sua posse na Academia Brasileira de Letras.
A feição regionalista de sua ficção revestiu-se de um formato muito
peculiar. Rosa fez uma interpretação mítica do real, promoveu em sua
obra uma renovação formal e estilística.
Se não criou uma língua nova, certamente fez uma ampla utilização das
virtualidades de nosso idioma(Proença, 1958). Inventou palavras, usou
recursos que propiciaram invenções nos campos da sintaxe e da
semântica.
Ao lermos suas páginas, temos a sensação de que a frase de uma de
suas “estórias” na obra Tutaméia (1967) faz todo o sentido: “Quem quer
viver, faz mágica”. Guimarães Rosa fez.
Obra
No conto O espelho, em Primeiras estórias, encontramos a seguinte
frase: “Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo”
(Rosa, 1975). Essa frase revela muito sobre o universo ficcional de
Guimarães Rosa. Sejam as narrativas curtas dos livros de contos
Sagarana e Primeiras estórias (1962), ou nas novelas de Corpo de baile
(1956), em tudo há um halo de magia e transcendência.
A criação de uma obra singular e focada no sertão mineiro é fruto dos
tempos da infância. Rosa nasceu no interior, em Cordisburgo, onde viveu
até os 9 anos. Mesmo tendo se mudado para Belo Horizonte, onde
cursou Medicina, jamais perdeu seus vínculos com a origem sertaneja.
Nesse sentido, é importante lembrar que Guimarães Rosa fez duas
cavalgadas, uma pelo sertão mineiro, outra por Mato Grosso (em 1947)
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para recolher informações sobre o modo de vida dos vaqueiros, seus
costumes, culinária e vocabulário.
Guimarães Rosa durante suas viagens pelo sertão.
Rosa queria ter a experiência de sentir o sertão mineiro e, para isso,
precisava conviver com os vaqueiros. A seu pedido, o primo Chico
Moreira organizou uma viagem.
A viagem ocorreu em maio de 1952 com duração de 10 dias.
Percorreram 240 km: da Fazenda Sirga, em Três Marias, até a Fazenda
São Francisco, em Araçaí, Minas Gerais.
Em seus caderninhos, o escritor anotou tudo o que viu e ouviu.
Acompanhado de sete vaqueiros, Rosa se comportou como um deles
nessa empreitada. As anotações estão reunidas em dois diários:
“Boiada 1” e “Boiada 2”.
A revista O Cruzeiro registrou em parte a viagem em uma matéria
assinada em junho de 1952 por Álvaro Dias, com ensaio fotográfico
realizado por Eugênio Silva. As fotos de Guimarães Rosa alimentaram
nosso imaginário ao longo dos anos construindo a imagem do “vaqueiro
Rosa” (IEB, 2022).
Matéria da revista O Cruzeiro, 1952.
Em entrevista a Pedro Bloch, Rosa explicou: “Você conhece os meus
cadernos, não conhece? – faz ele. Quando eu saio montado num cavalo,
por minha Minas Gerais, vou tomando nota de coisas. O caderno fica
impregnado de sangue de boi, suor de cavalo, folha machucada. Cada
pássaro que voa, cada espécie, tem voo diferente. Quero descobrir o que
caracteriza o voo de cada pássaro, em cada momento” (Bloch, 1989, p.
100).
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A localização do sertão roseano são as regiões norte, noroeste e Vale
do Jequitinhonha de Minas Gerais, e parte dos estados da Bahia e
Goiás. Outra parte é ao longo de todo o curso do rio São Francisco.
Segundo Paulo Rónai (1985), um de seus maiores estudiosos, na
paisagem roseana se vê lugares rústicos e ermos, descampados,
estradas e lugarejos perdidos de Minas.
Rónai observa: “nunca se rompeu a comunhão entre ele e a paisagem,
os bichos, as plantas e toda aquela humanidade tosca em cujos
espécimes ele amiúde se encarnava, partilhando com eles a sua
angústia existencial” (Rónai, 1985, p. 221).
Guimarães Rosa.
Esse modo de registrar suas vivências acabou por mostrar também um
saber típico do sertão de Minas Gerais, transmitido oralmente. Sua obra
foi construída a partir dos relatos daqueles sertanejos, basta ler a
narrativa de Riobaldo em Grande sertão: Veredas (1956) para
compreender a marca essencial da obra de Guimarães Rosa.
Vida e obra de Guimarães Rosa
Neste vídeo, assista à apresentação de uma breve biografia de
Guimarães Rosa e conheça as principais características de sua
produção literária.

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Personagens, estilo e temáticas
Personagens
Sobre as personagens, Rónai (2001, p. 18) comenta que “são almas
ainda não estereotipadas pela rotina, com receptividade para o
extraordinário e o milagre”.
Em geral, são criaturas humildes. Personagens como os vaqueiros,
jagunços, caçadores, fazendeiros, crianças e adultos inadaptados ao
cotidiano, muitos adotam comportamentos típicos de mentes insanas.
Os inspirados na vida real são vaqueiros como aqueles que
acompanharam Rosa na cavalgada até Araçaí. Veja alguns exemplos!
Manuelzão
Personagem de Uma estória de amor, da obra Manuelzão e
Miguilim (segundo volume de Corpo de baile).
Zito
Personagem de A partida do audaz navegante, em Primeiras
estórias.
Os personagens são guiados pelo instinto, não se integram à sociedade.
O irracional parece suplantar tudo, eles têm dificuldades de expressarem
suas experiências. Muitos falam mais pelo silêncio.
É o que vemos no conto A menina de lá, em Primeiras estórias. Com
apenas quatro anos de idade, Nhinhinha tinha o dom de curar e previu a
própria morte.
No conto Sorôco, sua mãe, sua filha, publicado em Primeiras estórias, o
tema da loucura e seus labirintos conduz a estória. Mãe e filha são
transportadas para um hospício em Barbacena, como vemos neste
fragmento:
“A moça punha os olhos no alto, que nem os santos e os
espantados, vinha enfeitada de disparates, num aspecto de
admiração” (Rosa, 1975).
O filho Sorôco não dava mais conta. Não tinha cura.
A infância e seu processo de descobertas como a da morte é uma das
maneiras de Guimarães Rosa indagar sobre a constituição do ser
humano em Às margens da alegria, em Primeiras estórias.
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Estilo e temáticas
A originalidade de Guimarães Rosa é uma combinação de vários fatores
de ordem léxica e sintática. A presença do neologismo é menor do que
se acredita. O que parece criação do autor é somente fruto de muita
pesquisa nos dicionários, da observação da fala popular do sertanejo.
Daí a presença de palavras insólitas como uca, alarife. As criações
individuais se expressam em palavras como fraternura, orfandante e
psiquepiscar (Rónai, 1985).
As ousadias sintáticas tornam suas frases muitas vezes herméticas. O
ritmo destas é surpreendente, subverte a ordem gramatical. O leitor
precisa de um tempo para se adaptar a esse universo linguístico no qual
a língua portuguesa é submetida a um nível de experimentação jamais
visto em nossa literatura.
O lirismo de sua prosa a leva a ser denominada prosa poética.
A seguir, vamos abordar brevemente duas obras de Guimarães Rosa de
modo que possamos observar alguns aspectos centrais de seu universo
literário.
Primeiras estórias
É um conjunto de 21 contos cuja diversidade de assuntos e subgêneros
é uma de suas marcas. Como observa Paulo Rónai (1975), vê-se do
conto fantástico ao psicológico, do autobiográfico ao episódio cômico
ou trágico até o poema em prosa.
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Capa do livro Primeiras estórias.
O título da obra refere-se ao gênero adotado pelo escritor. Um
neologismo que traduz um dos significados de “conto”, de “história”, isto
é, “short story”. Referindo-se à narrativa do autor mineiro a estória
“envolve-se numa aura mágica”, afirma Rónai.
Grande Sertão: Veredas
O enredo: o narrador-personagem, o fazendeiro, ex-jagunço Riobaldo
Tatarana, conta a um interlocutor, Quelemén de Góis, a história de sua
vida. Narra seu dia a dia, o convívio com os jagunços, as batalhas que
enfrentou, amores e alegrias.
Riobaldo fez parte do bando do fazendeiro Zé Bebelo, que queria
exterminar os jagunços da região liderados por Hermógenes. Quandoele decidiu sair do bando encontrou Reinaldo, que pertencia ao bando de
Joca Ramiro. Reinaldo manteve sua identidade oculta. Ele era, na
realidade, Diadorim, mas manteve o disfarce porque uma mulher jamais
poderia lutar ao lado dos jagunços.
Riobaldo alia-se ao bando de Joca Ramiro. Enfrenta conflitos, passa por
traições e torna-se chefe do bando como Urutu Branco, e faz pacto com
o diabo para vencer a batalha.
O enfrentamento com o inimigo, Hermógenes, resulta na morte de
Reinaldo e do traidor. É quando se revela a identidade de
Reinaldo/Diadorim. Riobaldo descobre que Maria Deodorina, a Diadorim,
é filha de Joca Ramiro.
Capa do livro Grande sertão: veredas.
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Temas
Entre os muitos temas abordados, mostra as entranhas do sistema
político no sertão brasileiro através de episódios sangrentos.
Esses habitantes têm leis próprias para absolver ou condenar, vide o
julgamento de Zé Bebelo, condenado à morte.
Outro tema é o conflito interno, amoroso, vivido por Riobaldo. A paixão
homossexual por Reinaldo/Diadorim lhe traz grandes embates com sua
sexualidade. Ele desconhece que Reinaldo é uma mulher disfarçada de
homem, a descoberta só se dá quando ela é morta junto com
Hermógenes e seu corpo é desnudo.
É uma narrativa feita em forma de monólogo, sem divisão de capítulos, é
um romance oralizado. Como afirma Willi Bolle (1999), a obra é uma
reflexão sobre a própria existência, uma forma de se pensar o Brasil sob
o ponto de vista do sertanejo, o sertão como forma de pensamento.
Personagens, estilo e temáticas em
Guimarães Rosa
Confira neste vídeo uma entrevista sobre temas, estilo e personagens na
prosa de ficção de Guimarães Rosa.
Exemplo
Quando os chefes (fazendeiros) alcançam o
poder no bando sob sua chefia, fica patente
a existência de uma força armada que está a
serviço dos latifundiários. É uma realidade
do sertão mineiro.
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Questão 1
”Saio montado num cavalo, pela minha Minas Gerais. Vou tomando
nota das coisas. O caderno fica impregnado de sangue de boi, suor
de cavalo, folha machucada” (Entrevista de Guimarães Rosa a
Pedro Bloch. Manchete, 1963 - Bloch, 1989, p. 100).
A obra de Guimarães Rosa se constrói também pela observação,
pela vivência com o sertão mineiro, com seus habitantes, em
especial os vaqueiros e jagunços. Sua célebre viagem por 10 dias
ao sertão, em 1952, demonstra um modo particular de estudar,
conhecer de perto esse universo.
Assinale a passagem de Grande sertão: veredas que demonstra o
modo de observação do escritor, fruto de sua vivência.

Vamos praticar alguns conceitos?
Falta pouco para
atingir seus
objetivos.
A
”Quem me ensinou a apreciar essas belezas sem
dono foi Diadorim...A da Raizama, onde até os
pássaros calculam o giro da lua – e cangussú
monstra pisa em volta” (Rosa, 2006, p. 23).
B
”Meu era um alívio. Mesmo não duvidei de meu
menos valer: alguém lá tem a feição do rosto
igualzinha à minha?” (Rosa, 2006, p. 66).
C
“Jagunço é isso. Jagunço que não se escabreia com
perda nem derrota – quase que tudo para ele é o igual.
Nunca vi. Pra ele a vida já está assentada: comer,
beber, apreciar mulher, brigar, e o fim final” (Rosa,
2006, p. 45).
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Questão 2
Os personagens de Guimarães Rosa costumam refletir um contexto
que o próprio escritor vivenciou bastante. Sobre os personagens de
Guimarães Rosa, é correto afirmar que
2
João Cabral de Melo Neto
D
“Meu padrinho Selorico Mendes era muito medroso.
Contava que em tempos tinha sido valente, se gabava,
goga” (Rosa, 2006, p. 88).
E
“Ah, meu senhor, mas o que eu acho é que o senhor já
sabe mesmo tudo – que tudo lhe fiei. Aqui eu podia
pôr ponto” (Rosa, 2006, p. 234).
Responder
A
vivem em conflito porque estão distantes do cotidiano
da metrópole.
B
são seres humildes, não contaminados pelos valores
da civilização; em geral são vaqueiros, crianças,
loucos e jagunços.
C
reivindicam melhores condições de vida porque são
oprimidos.
D
são seres arrogantes, ambiciosos e desejosos de
sentimentos de vingança.
E
retratam a sociedade mineira do tempo do escritor
nas décadas de 1940 e 1950, constituídas sobre
valores da aristocracia rural.
Responder
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Ao final deste módulo, você será capaz de identificar a obra de João Cabral de Melo Neto na poesia da Geração de 45.
Biogra�a de João Cabral de Melo Neto
(1920-1999)
Pernambucano, neto de proprietário rural, João Cabral nasceu em uma
família tradicional de Recife. 0s vinte anos vividos nos engenhos e na
capital moldaram o universo afetivo e literário do autor.
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João Cabral nasceu à beira do rio Capibaribe em uma família de 7 filhos.
Cresceu vendo a paisagem recifense. Sua árvore genealógica está
enlaçada à civilização do açúcar que prosperou em Pernambuco e gerou
figuras ilustres como o primo, o sociólogo Gilberto Freyre, os
historiadores Evaldo Cabral e José Antônio Gonçalves de Mello,
respectivamente irmão e trisavô, e o primo poeta, Manuel Bandeira.
João Cabral de Melo Neto.
A infância do menino foi muito livre, em contato com animais como
cavalos e carneiros, vivendo em engenhos do pai. A memória desse
período aparece em vários momentos de sua obra, como no poema
Menino de três engenhos:
“Dos Engenhos de minha infância, onde a memória ainda me
sangra, preferi sempre Pacoval: a pequena Casa-Grande de cal”
(Melo Neto, 2008, p. 580).
Outro convívio íntimo se dava com o rio: “João ficava horas ouvindo a
voz do rio” (Marques, 2021, p. 33). Esse contato tão próximo formou sua
sensibilidade. Viver perto dos rios foi sua biblioteca do sentimento.
Obras como O cão sem plumas e O rio ou relação de viagem que faz o
Capibaribe de sua nascente à cidade do Recife são alguns dos exemplos
de como essa vivência foi fonte de inspiração para sua criação literária.
Vivendo no Nordeste, era natural ver os retirantes em busca de trabalho
nas usinas, mas ele não viveu a experiência da seca, como comenta seu
biógrafo Ivan Marques (2021).
Cabral foi marcado pela poesia da Geração de 30. Carlos Drummond de
Andrade é o poeta que mais o encantou, a tal ponto que ao lê-lo
convenceu-se de que poderia escrever poesia e de que ela não precisava
ser sentimental.
Os primeiros passos na vida literária deram-se ainda em Recife, na roda
literária do Café Lafayette, com o incentivo do erudito Willy Lewin, dono
de uma vasta biblioteca, um cronista atento à revolução modernista e às
transformações da arte moderna.
Lewin descobriu João Cabral e orientou escritores dessa geração no
Café Lafayette, como o poeta Lêdo Ivo e o escritor Breno Accioly.
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Fachada do Café Lafayette, em Recife.
A mudança para o Rio de Janeiro, e a aproximação com outros
escritores pelas mãos de Lewin, que lhe deu uma carta de
recomendação ao poeta Murilo Mendes, concedeu a João Cabral o
passaporte para iniciar sua trajetória literária.
No entanto, mesmo fazendo parte de uma roda literária com fortes
vínculos com os escritores do Rio de Janeiro, como Augusto Frederico
Schmidt e Octavio de Faria, fascinados pela chamada poesia pura,
profética, João Cabral não se identificava com o viés espiritualista.
Sua inserção na chamada Geração de 45 foi mais um critério
cronológico do queestético. Cabral foi contemporâneo de poetas dessa
geração, como Lêdo Ivo e Geir Campos, mas nunca demonstrou
afinidades com esses princípios literários.
O grupo de poetas nomeados como integrantes da
Geração de 45 ficou conhecido por reagir contra o
excesso de transgressões da primeira fase modernista
iniciada com a Geração de 22.
Os poetas da Geração de 45 retomaram os fundamentos da poesia
clássica. Buscaram o rigor, o equilíbrio e o retorno às regras da
versificação. Daí a Geração de 45 ser denominada também de
neoparnasiana.
Alfredo Bosi definiu o grupo assim:
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A Geração de 45 subestimou o que o Modernismo trouxe de mudanças
formais, e propôs novas reflexões sobre a poética estabelecida. Mais do
que inovar, o intuito foi reelaborar os ritmos tradicionais. João Cabral
seguiu um caminho próprio, único.
O fascínio pelas artes plásticas e pela arquitetura moderna sob o ponto
de vista de Le Corbusier (principal influência de sua obra) são outras
fontes de inspiração. Ao longo da vida, manteve contato com vários
artistas. O mais célebre deles foi o espanhol Joan Miró.
Seu ingresso no Itamaraty como diplomata em 1945 determinou o
itinerário literário. Compôs sua obra nas horas vagas, e por seguir uma
vida nômade, morou em diversos países, entrou em contato com várias
culturas. A cultura espanhola merece destaque por ter exercido grande
influência em sua obra. Cabral serviu nos consulados de Barcelona,
Sevilha e Madri.
João Cabral e Miró em Barcelona.
Sua obra, que atravessou seis décadas (1940-1990), é um dos pontos
altos da poesia brasileira. João Cabral demonstrou que a poesia é um
exercício racional. Aboliu a palavra inspiração de seu dicionário. Provou
como os caminhos do verso não passam por forças transcendentais.
Ele não aceitou o que o senso comum diz.
Biogra�a de João Cabral de Melo Neto
Acompanhe neste vídeo a apresentação de uma breve biografia de João
Cabral de Melo Neto e entenda a sua relação com a Geração de 45.
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A obra de João Cabral
O poeta como engenheiro
Desde os primeiros livros, Pedra do sono (1942) e O engenheiro (1943),
João Cabral tentou conciliar a herança modernista via Carlos Drummond
de Andrade e, em parte, aquela recebida através da poesia de Murilo
Mendes.
Entre a “pedra” e o “sono”, duas palavras que traduzem a poética
cabralina, o poeta foi construindo um modo muito particular de escrever
poemas.
De Murilo Mendes guardou os traços oníricos presentes na poesia
surrealista que viveu seu auge na pintura de Joan Miró e Salvador Dali.
Valorizou as camadas de sonho de que se reveste a realidade, mas de
uma forma construtivista, como assinala Secchin (1985).
João Cabral (à direita) com Murilo Mendes e sua esposa Maria da Saudade em Madrid.
Em A André Masson, do livro Pedra do sono, o verso insinua um sentido
de abstração:
“Com peixes e cavalos sonâmbulos/pintas a obscura
metafísica/do limbo” (Melo Neto, 1973, p. 275).
Quando publica O engenheiro, João Cabral se mostra avesso à tradição
lírica. Não é um acaso quando o denominam o poeta engenheiro. Tenta
substituir, e o faz em parte, as influências surrealistas pelo
intelectualismo. No entanto, o embate entre o sonho e a razão ainda
permanece.
João Cabral concebe o poeta como o engenheiro:
“O engenheiro sonha coisas claras: superfícies, tênis, um copo de
água” (Melo Neto, 2008, p. 46).
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A atitude do poeta é depurar qualquer subjetividade sentimental. Isso
seria a tônica de sua poesia ao longo das décadas.
Sua poesia também tematiza o ato de criação, uma atitude típica dos
poetas modernos das gerações anteriores seguida por João Cabral.
Poeta diplomata
A vida diplomática durou cinco décadas. Seus laços com a cultura
espanhola reverberaram na obra.
“Diversas coisas se alinham na memória/numa prateleira com o
rótulo: Sevilha/Coisas, se na origem apenas expressões/de
ciganos dali” (Melo Neto, 1973, p.14).
“O regaço urbanizado”, “Os bairros mais antigos de Sevilha”; são
inúmeros os poemas cujo cenário são as cidades de Sevilha, Barcelona
e Madri.
Em cada uma, criou laços com artistas locais: poetas e artistas
plásticos.
Em 1952, foi afastado de suas funções de diplomata, acusado de
integrar uma célula comunista no Itamaraty. O motivo: uma certa carta
endereçada a um diplomata encomendando um artigo sobre a
economia brasileira para ser publicado em uma revista ligada ao Partido
Trabalhista Inglês (na época, Cabral estava lotado na embaixada de
Londres).
A saída temporária do Itamaraty lhe permitiu voltar ao Recife. O
resultado foi a produção de obras que estão impregnadas de
pernambucanismos, da vida cotidiana dos nordestinos à margem da
sociedade.
Comentário
Marcada pelo rigor formal e pelo
intelectualismo, a poesia de João Cabral é
fruto de um pensamento que se propõe a
enfrentar o caos impondo-lhe a mais
implacável concretude, apegando-se ao que
é mais estável no real: as coisas.
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Estilo
O pensamento estético de João Cabral rejeita o paradigma da
inspiração como princípio da criação poética, nega o lirismo subjetivo
cultivado pela poesia romântica, rompe com a poesia que cultua a noite,
a morte, o mistério. Para o autor, poesia é construção.
A obra Morte e vida severina
Sua obra mais conhecida foi levada à cena pelo Tuca, em 1965, em São
Paulo, com trilha sonora de Chico Buarque de Hollanda. Adaptada para a
TV em 1981, alcançou um sucesso extraordinário. O protagonista desse
“Auto de Natal Pernambucano” é Severino. Ele narra a história de sua
vida miserável, isto é, uma vida severina.
Como uma peça teatral, a história se desenvolve ora através dos
monólogos de Severino, ora através dos diálogos que ele estabelece
com nordestinos miseráveis, como ele. A peça é estruturada em
estrofes constituídas com versos rimados.
Cena da peça Morte e vida severina no palco do Teatro Tuca, 1966.
Em sua caminhada, Severino se depara com vários nordestinos como
ele, um deles é Seu José, mestre Carpina, que mora em um mocambo,
lugar miserável na cidade de Recife, localizado entre o cais e as águas
do Capibaribe.
Por onde passa, Severino sempre vê a morte:
“- Desde que estou retirando/só a morte vejo ativa/só a morte
deparei/e às vezes até festiva”.
Ou:
“e o pouco que não foi morte/foi de vida Severina/ (aquela vida
que é menos/vivida que defendida,/e é ainda mais Severina/ para
o homem que retira).” (Melo Neto, 2000, p. 52-53)
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O destino dos Severinos já está traçado:
“Morremos de morte igual,/mesma morte Severina:/que é a
morte de que se morre/de velhice antes dos trinta,/de
emboscada antes dos vinte/de fome um pouco por dia”. (Melo
Neto, 2000, p. 46)
No entanto, no mocambo nasce uma criança e a esperança se renova,
mesmo diante da miséria. O desejo de Severino é cometer suicídio
jogando-se no Rio Capibaribe, mas mestre Carpina o impede.
A obra de João Cabral de Melo Neto
Confira neste vídeo uma entrevista sobre a obra de João Cabral, com
destaque para o seu estilo e para o poema Morte e vida severina.
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Questão 1
Ao falar sobre a importância de João Cabral para sua geração, o
poeta Augusto de Campos (Ferreira; Vasconcelos, 1990) comentou:
“aquele com quem eu tenhomais afinidade, aquele que para mim
sempre foi o mais importante é o João Cabral, não só pelas
características de rigor compositivo da sua obra, como pela sua
aversão ao sentimentalismo e à facilidade. O João Cabral
desenvolveu ao longo dos anos uma obra extremamente coerente,
que para nós, de geração posterior, constituiu uma lição de poesia".
A partir das observações de Augusto de Campos, assinale qual dos
versos abaixo traduz melhor o modo como Augusto de Campos
caracteriza a poesia de João Cabral de Melo Neto.
Vamos praticar alguns conceitos?
Falta pouco para
atingir seus
objetivos.
A
“O mar se estende pela terra/em ondas que se
revezam/e se vão desdobrando até/ondas secas de
outras marés” (Litoral Pernambucano) (Melo Neto,
1973, p. 128).
B
“A noite inteira o poeta/em sua mesa, tentando/salvar
da morte os monstros/germinados em seu tinteiro” (A
lição de poesia) (Melo Neto, 1973, p. 265).
C
“Sempre que no telefone/me falavas, eu diria/que
falavas de uma sala/toda de luz invadida” (Paisagem
pelo telefone) (Melo Neto, 1973, p. 111).
D
“A cidade é passada pelo rio/como uma rua/é
passada por um cachorro;/uma fruta/por uma
espada” (Paisagem do Capibaribe) (Melo Neto, 1973,
p. 223).
E
“Do alpendre sobre o canavial/a vida se dá tão
vazia/que o tempo dali pode ser/ sentido: e na
substância física” (O alpendre no canavial) (Melo Neto,
1973, p. 71).
Responder
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Questão 2
“A primeira fase do João é muito diferente da definitiva. A primeira é
mais frenética, inspirada em Mallarmé, Rimbaud. A definitiva, mais
objetiva, direta. É o agreste de Pernambuco, o sertão, os problemas
do dia de hoje, que ele considera e trata num estilo muito próprio
[...]”. (Andrade, 1985)
Carlos Drummond de Andrade define acima dois momentos da
poesia cabralina. Seu convívio muito próximo a partir da mudança
do poeta para o Rio de Janeiro lhe permitiu acompanhar de perto
essa trajetória literária.
Assinale a obra que corresponde à fase denominada “mais objetiva,
direta”, que trata do agreste Pernambucano, dos problemas de hoje.
3
Clarice Lispector
Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer as características e os temas da obra de Clarice Lispector na prosa de ficção.
A Pedra do sono.
B O engenheiro.
C Morte e vida severina.
D Psicologia da composição.
E Uma faca só lâmina.
Responder
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Biogra�a de Clarice Lispector
Clarice Lispector (1920-1977) nasceu na Ucrânia, filha de imigrantes
judeus russos, chegou ao Brasil com um ano e três meses de idade. Sua
infância transcorreu em Recife, onde morou até os 14 anos.
O período em Recife lhe permitiu vivenciar o cotidiano nordestino
marcado por um duplo pertencimento:
Origem judaica
Como filha de judeus,
costumava frequentar
sinagogas e colégios da
comunidade judaica.
Cultura nordestina
Como criança
nordestina, absorveu o
modo de ser
pernambucano, a
culinária local e seu
folclore no convívio
com vizinhos e
empregadas.
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A mudança da família para o Rio de Janeiro, em 1935, a levou aos
caminhos da literatura. É o momento da adolescência e o período de
formação acadêmica e literária.
Em contato com escritores veteranos na Agência Nacional e no jornal A
Noite, iniciou os primeiros passos publicando contos. Com Lúcio
Cardoso, amigo e mestre literário, recebeu o estímulo para publicar seu
livro: Perto do coração selvagem (1943), recompensado com o Prêmio
Graça Aranha.
O curso de Direito (1939-1943) a aproximou da elite intelectual e política,
mas seu casamento com o diplomata e colega de faculdade Maury
Gurgel Valente a levou a trilhar uma vida nômade durante quase duas
décadas.
Em companhia do marido, morou em Belém, Nápoles, Berna, Torquay e
Washington. A vida de esposa de diplomata, a maternidade vivida de
forma solitária, distante dos amigos, e de suas irmãs (a escritora Elisa
Lispector e Tania Kauffman), acentuaram sua personalidade
melancólica.
Clarice Lispector e o marido Maury Gurgel Valente em Berna.
Após a separação, Clarice Lispector voltou a morar definitivamente no
bairro do Leme, no Rio de Janeiro, com os dois filhos. A partir de 1959,
começou a colaborar com contos inéditos na revista Senhor e retomou
sua trajetória literária com a publicação de Laços de família (1960).
A escritora incursionou pelo romance, conto, crônica e literatura infantil,
mas foi o romance o gênero de sua predileção. A maçã no escuro (1961)
e A paixão segundo GH (1964) são romances que a consagraram no
cânone da literatura nacional.
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Capa do livro Laços de família.
Capa do livro A maçã no escuro.
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Capa do livro A paixão segundo G.H..
O período em que colaborou como cronista no Jornal do Brasil (1967-
1973) a tornou mais conhecida e amada pelo público. Esse gênero
popular cultivado por Rubem Braga, mestre da crônica, deu a Clarice
Lispector a oportunidade de escrever uma espécie de autobiografia.
No JB, foram mais de trezentas crônicas. Os temas versavam sobre o
seu cotidiano: o dia a dia com os filhos, o relacionamento com as
empregadas, suas viagens, as lembranças da infância em Recife, as
conversas com os taxistas. Dos fatos locais aos acontecimentos
mundiais: a falta de água na cidade, a morte de uma baleia na praia do
Leme, a ida do primeiro homem à Lua, muitas reflexões sobre o ato de
viver.
Saudada como a grande ficcionista surgida na geração do pós-guerra, é
inserida no terceiro estágio do movimento modernista nomeado como
instrumentalista, isto é, voltado para a expressão literária em si, para as
suas diversas e múltiplas possibilidades expressivas (Portella, 1960).
Clarice Lispector.
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Clarice Lispector abriu caminhos para a literatura escrita por mulheres.
Sua estreia com Perto do coração selvagem, em 1943, foi uma coisa
inédita, rara. Poucas mulheres publicavam no Brasil.
Seu centenário de nascimento comemorado em 2020 foi uma
demonstração do quanto seu legado se expande cada vez mais,
ultrapassando as fronteiras da literatura brasileira.
Clarice dizia que escrever “é procurar entender, é procurar reproduzir o
irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria
vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi
abençoada” (Lispector, 1998, p. 144-145).
Biogra�a de Clarice Lispector
Assista a este vídeo sobre a vida e a trajetória literária de Clarice
Lispector e conheça sua atuação na imprensa escrita.
Características da obra de Clarice
Lispector
Estilo da escrita de Clarice
A escritora explora com profundidade a natureza humana. Como disse
Lúcio Cardoso (1944 apud Souza, 2004, p. 155), Clarice era dotada de
“uma singular personalidade que sabe captar o mundo exterior e interior,
e muitas vezes de sua fusão, uma visão perfeita”.
O que a interessava não são os fatos em si, mas a sua repercussão nos
indivíduos. A vida interior é revelada nos pequenos gestos, nos atos
mais imperceptíveis do dia a dia.
A presença do insólito no cotidiano é apresentada em diversas
situações: andando pela rua, no encontro da menina com um cachorro
basset no conto Tentação ou na freada brusca do carro que aproxima
mãe e filha, como ainda não ocorrera, no conto Os laços de família.
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O incomum surge quando o narrador ou o personagem-
narrador capta outros ângulos da realidade.
Para quem a via como uma escritora pessimista, Clarice Lispector
preferia acreditar que o impacto emocional do que escreve corre por
conta da reinvenção pessoal do leitor. Seus livros são espécie de trilhas,
de onde cada um parte para as próprias descobertas.
Sua prosa poética não prima pela construção de um enredo nos moldes
do romance realista, a realidade é apresentada em uma atmosfera de
sonho. A narrativa se desenvolve de forma lenta e microscópica. A tudo
confere um halo de transcendência. O cotidiano é carregado de uma
atmosfera metafísica.
Clarice Lispector.
Seu propósito de renovar a linguagem, de criar uma fala própria, foi
destacado pelos críticos literários. Sua técnica rompeu com as
concepções e esquemas naturalistas, segundo os quais o conto seria
uma história com princípio, meio e fim.
Portella (apud Montero, 2021, p. 634) observou: “Ela é mais uma
romancista do gesto apenas esboçado que do movimento
ostensivamente consumado. Sua extraordinária percepção emocional
conduziu-a menos a descrição de fatos exteriores que ao registro de
estados e situações mentais”.
Clarice dizia que não era demasiadamente cerebral:
“acontece que meu tipo é mais intuitivo” (Montero, 2021, p.
637).
O fluxo da consciência é a técnica literária utilizada pela autora, através
dele apresenta os aspectos psicológicos da personagem. Isso se dá
através do monólogo.
Temas em Clarice
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Estava em busca da “própria coisa”, como gostava de dizer. A essência
da vida, o mistério da existência. Mesmo sabendo da impossibilidade de
alcançá-la devido às limitações da condição humana, constituída de
fragilidade, sempre incompleta.
Outros temas recorrentes em sua obra: a incomunicabilidade humana, a
angústia de existir.
A busca da identidade é um tema presente no romance A paixão
segundo G.H., a personagem-narradora empreende um mergulho
existencial após sua rotina ser alterada quando sua empregada Janair
se demite e ela fica sozinha em seu apartamento.
G.H. decide entrar no quarto de Janair para arrumá-lo. Não podia
imaginar as consequências desse ato. A arrumação exterior a leva à
desorganização de seu próprio “Eu”. No enfrentamento com o
desconhecido, ao encontrar a barata na porta do armário de Janair, e no
desejo de comê-la, vê-se diante do núcleo da vida.
Ela encontra as raízes de sua identidade no corpo da barata.
Experimenta a náusea que lhe dá acesso à existência divina. A
experiência da personagem-narradora não é objetiva, a escritora,
portanto, recria imaginariamente a visão mística do encontro da
consciência com a realidade última (Montero, 2021, p. 645).
Capa do livro A paixão segundo G.H..
As questões do universo feminino ocupam um lugar de destaque: a
relação homem/mulher e o papel social da mulher na família. No conto
Os laços de família, a forma como o marido se vê expressa o quanto a
mulher sente-se aprisionada em uma relação: “Porque sábado era seu,
mas ele queria que sua mulher e seu filho estivessem em casa enquanto
ele tomava o seu sábado” (Montero, 2021, p. 100).
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Portanto, em contos da obra Laços de família, como O búfalo e Os laços
de família, é flagrante o modo de ser da condição feminina, aprisionado
por valores de uma sociedade patriarcal.
Personagens em Clarice
As personagens de Clarice Lispector são mulheres (Martim, em A maçã
no escuro, é uma exceção), em geral oriundas da classe média,
adaptadas a uma vida burguesa: seus destinos parecem traçados.
O momento de desvio, de quebra da rotina do cotidiano, se dá ao
vivenciarem um momento de epifania, isto é, de “revelação”.
É o que acontece com Ana no conto Amor de Laços de família, uma
dona de casa que vive para os filhos e o esposo. Como várias
personagens clariceanas, tem a necessidade de sentir a raiz firme das
coisas. E um lar (como disse o narrador do conto) lhe dera essa
segurança:
“Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher”
(Lispector, 1998, p. 20).
Sua rotina vê-se alterada quando entra no Jardim Botânico, cercado por
uma natureza exuberante e misteriosa:
“Era um mundo de se comer com os dentes, um mundo de
volumosas dálias e tulipas. Os troncos eram percorridos por
parasitas folhudas” (Lispector, 1998, p. 25).
No trajeto do bonde, Ana se depara com um cego mascando chicletes. A
presença inesperada de um cego altera seu cotidiano programado para
aproveitar algumas horas ociosas enquanto não retornava para casa.
Os momentos epifânicos no Jardim Botânico a levam a repensar sua
vida, sua condição de mulher:
“Ela apaziguara tão bem a vida, cuidara tanto para que esta não
explodisse” (Lispector, 1998, p. 23).
Em alguns momentos, a vida perde o sentido, a náusea toma conta de
si:
“Mesmo as coisas que existiam antes do acontecimento estavam
agora de sobreaviso, tinham um ar mais hostil, perecível...”
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(Lispector, 1998, p. 22).
O acontecimento transformador, epifânico, não modifica seu cotidiano.
Ao sair do Jardim Botânico, Ana volta para casa, reencontra os filhos e o
marido:
“Num gesto que não era seu, mas que pareceu natural, segurou a
mão da mulher, levando-a consigo sem olhar para trás, afastando-
a do perigo de viver”, diz o narrador do conto (Lispector, 1998, p.
29).
A hora da estrela
Clarice foi autora de oito romances, sete livros de contos, quatro livros
infantis, um de crônicas e um de entrevistas, num total de 17 livros e
mais alguns póstumos, como Um sopro de vida.
Sua última obra, A hora da estrela (1977), narra as desventuras da
alagoana Macabéa na cidade do Rio de Janeiro. Por um lado, traça um
panorama das desigualdades sociais que marcam a vida de milhares de
brasileiros nordestinos.
Macabéa foi criada por uma tia, pois perdeu os pais ainda menina. Ao
mudar-se para o Rio de Janeiro, passa a trabalhar como datilógrafa.
Namora Olímpico de Jesus, um nordestino ambicioso. Macabéa vive
alheada de si e excluída do meio onde vive.
A ida a uma cartomante lhe promete felicidade, mas à saída é
atropelada por um Mercedes Benz. É a sua “hora da estrela”.
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Capa do livro A hora da estrela.
A voz do narrador e autor Rodrigo S.M. reflete os dilemas do escritor.
Seu papel na sociedade, as peculiaridades de seu ofício e a busca do
sentido de sua vida.
Características da obra de Clarice
Lispector
Acompanhe neste vídeo uma entrevista sobre estilo, temas e
personagens da obra de Clarice Lispector. Veja também as análises do
conto Amor e do romance A hora da estrela.

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Questão 1
Podemos dizer que a obra de Clarice Lispector é um mergulho
profundo nas questões mais íntimas do ser humano. Uma reflexão
sobre a existência. Desse modo, assinale qual o comentário emitido
pelos críticos literários que traduz essa afirmação de forma mais
precisa.

Vamos praticar alguns conceitos?
Falta pouco para
atingir seus
objetivos.
A
“Clarice era dotada de uma singular personalidade
que sabe captar o mundo exterior e interior” (Lúcio
Cardoso, Diário Carioca – 1944 apud Souza, 2004).
B
“Um romance original em nossas letras, embora não o
seja na literatura universal” (Álvaro Lins, Correio da
Manhã, fevereiro,1944 apud Souza, 2004).
C
“O perfeito equilíbrio que a romancista conseguiu
estabelecer entre o plano da inteligência e o plano da
sensibilidade” (Lauro Escorel, Diário da Bahia,
fevereiro 1944 apud Souza, 2004).
D
“Seu romance pode ser situado dentro de uma
linguagem mais artística, mais difusamente poética
de quantas já tenham apresentado as nossas
escritoras” (Guilherme Figueiredo, O Diário de
Notícias, janeiro, 1944 apud Souza, 2004).
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Questão 2
Clarice Lispector é bastante conhecida pela sensibilidade e
profundidade com que aborda temas do universo feminino, além de
outras temáticas. Assinale a alternativa que apresenta temática
abordada na obra de Clarice.
4
O teatro de Nelson Rodrigues
Ao final deste módulo, você será capaz de identificar as características e temáticas do teatro de Nelson Rodrigues.
E
“O leitor menos experiente confundirá com a obra
criada aquilo que é apenas o esplendor de uma
micante personalidade” (Álvaro Lins, Correio da
Manhã, fevereiro 1944 apud Souza, 2004).
Responder
A O lugar da literatura no mundo.
B
As consequências da Segunda Guerra Mundial no
Brasil.
C Os direitos da família.
D A busca da identidade.
E Os embates entre pais e filhos.
Responder
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Biogra�a de Nelson Rodrigues
Nelson Rodrigues (1912-1980) nasceu em Recife, mas mudou-se ainda
criança com 3 anos de idade para o Rio de Janeiro. Era o quinto filho de
uma família de 12 irmãos.
O pai, Mário Rodrigues, foi um homem de imprensa. Os filhos seguiram
o seu ofício. Em Crítica, jornal paterno, Nelson Rodrigues começou a se
exercitar na seção policial. Aos 13 anos, tinha preferência por matérias
sobre pactos de morte entre jovens namorados.
A veia de escritor despertou logo na infância, mas a experiência de
trabalhar na redação de um jornal, acompanhar o dia a dia da cidade, lhe
forneceu subsídios e fonte de inspiração para a dramaturgia que iria
construir.
Um fato trágico mudou o destino da família Rodrigues
em 1930. Ruy Castro, biógrafo de Nelson Rodrigues,
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afirmou: “ninguém conseguirá penetrar no teatro de
Nelson Rodrigues sem entender a tragédia provocada
pela morte de Roberto” (Castro, 1992, p. 93).
Uma matéria sobre o desquite do casal Thibau, onde a adúltera era
apontada em uma manchete do jornal Crítica, tornou pública a vida de
uma senhora da alta sociedade. Em vão ela pediu que o jornal não a
publicasse.
A senhora Sylvia foi à redação do jornal e, ao não encontrar o pai de
Nelson, dirigiu sua vingança a Roberto Rodrigues, um dos filhos. Um
jovem e talentoso artista plástico que ilustrava matérias no jornal. Foi
assassinado aos 23 anos.
Capa do jornal Crítica noticiando a morte de Roberto Rodrigues.
Mário Rodrigues não suportou a tragédia. Faleceu 67 dias depois.
Nelson Rodrigues estava na redação. Ouviu o tiro. O fato seria recordado
durante toda a sua vida. Um divisor de águas na história da família
Rodrigues.
Os anos seguintes foram duros: fome, desemprego e tuberculose
(Nelson e um dos irmãos, Jofre, adoeceram). Lutaram muito até
conseguirem se reerguer.
Todos os irmãos eram ligados à imprensa. Mário Filho, aos esportes,
tornou-se o mais célebre e seu nome está eternizado no Maracanã.
Nelson despertou para o teatro em 1941, quando escreveu a primeira
peça: A mulher sem pecado. Temas como morte e adultério iriam ser a
marca registrada de sua dramaturgia.
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Foi com a encenação da segunda peça, Vestido de noiva (1943), que ele
alcançou o reconhecimento da crítica. O texto rodriguiano reuniu um
conjunto de inovações cênicas aliado à direção criativa do polonês
Ziembinski e aos cenários de Santa Rosa. A peça se tornou um marco
do teatro brasileiro moderno.
Cena da peça Vestido de noiva, primeira montagem dirigida por Ziembinski, em 1943.
Sua produção no teatro o consagrou como o maior dramaturgo
brasileiro. É dessa maneira que Nelson Rodrigues é reverenciado. No
entanto, sua dramaturgia “desagradável”, que provoca o “tifo e a malária”
na plateia, como o próprio autor dizia, foi rejeitada durante décadas.
Censurado em vários momentos, conviveu com a fama de “autor
maldito” e “tarado”. O epíteto de gênio surgiu muitos anos após a sua
morte.
Colaborou intensamente na imprensa, especialmente em “O Jornal”, “O
Globo” e “Última Hora”. De redator dos balões dos quadrinhos em “O
Globo Juvenil”, no início de sua carreira, até aos folhetins escritos sob
pseudônimo (Suzana Flag é o mais conhecido).
Nelson Rodrigues e a máquina de escrever.
Produção que alcançou o grande público e contribuiu muito para sua
sobrevivência: títulos como Meu destino é pecar (1944), Escravas do
amor (1946) e O casamento (1966) são alguns dos folhetins que, após o
sucesso nos jornais, foram publicados com ampla repercussão.
As crônicas seguiram a mesma trajetória. O óbvio ululante (1968) e O
reacionário (1977) foram extraídas de sua coluna em O Globo.
Os contos de A vida como ela é... no Última Hora são até hoje lembrados
pelos leitores. O sucesso estrondoso alavancou as vendas do jornal.
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Suas histórias reuniam todos os ingredientes que prendiam a atenção
do público: adultério, sexo em profusão, crimes, velórios e paixões
arrebatadoras.
Coluna A vida como ela é, do jornal Última Hora.
Os personagens viviam na Zona Norte do Rio de Janeiro e, em geral,
eram comerciários, desempregados, homens comuns, em geral da
classe média. As mulheres demonstravam desejo pelos homens em
uma época (nos anos 1950) em que isso não era permitido.
Toda a obra de Nelson Rodrigues, seja no teatro, no
romance folhetim, nas crônicas ou nos contos, tem a
marca da tragédia.
A definição do dramaturgo sobre a coluna A vida como ela é... revela
como via a obra e a vida: A vida como ela é... se tornou justamente útil
pela sua tristeza ininterrupta e vital. Uma pessoa que só tenha do
mundo uma visão unilateral e rósea, e que ignore a face negra da vida, é
uma pessoa mutilada. Por outro lado, nego a qualquer um o direito de
virar as costas à dor alheia. [...] é dever participar do sofrimento dos
outros [...] (Castro, 1992, p. 239).
A marca de seu texto, seja na dramaturgia, seja nas crônicas ou no
folhetim, era revelar as zonas mais profundas do ser humano. Nelson
revelava suas imperfeições e desejos proibidos. Ao expor o “teatro
desagradável”, Nelson mostrava as fraquezas da natureza humana, suas
limitações.
Biogra�a de Nelson Rodrigues
Assista ao vídeo e conheça a vida de Nelson Rodrigues, seus dramas
pessoais e sua atividade na imprensa escrita.

17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45
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A obra de Nelson Rodrigues
O início do teatro moderno
Uma forma de compreender o universo dramatúrgico de Nelson
Rodrigues é dividi-lo em três grandes grupos: peças psicológicas, peças
míticas e tragédias cariocas.
Apesar de ser uma divisão que tem uma função didática, nos ajuda a ter
uma visão geral sobre seu universo agrupado de acordo com sua
temática.
A divisão não impede que elementos de cada um dos grupos penetre no
de outros. Por exemplo, podemos ter peças psicológicas que absorvem
elementos míticos e, ao mesmo tempo, traços da tragédia carioca. Veja
a seguir!
 Peças psicológicas
Peças como Vestido de noiva e Valsa nº 6
desvendam a psique dospersonagens.
 Peças míticas
Peças como Anjo negro e Álbum de família são
consideradas as mais abomináveis pelo público por
revelarem os conflitos familiares em situações
extremas como o incesto e a vingança.
 Tragédias cariocas
Peças como A falecida e O beijo no asfalto retratam
o universo de pessoas das camadas populares, a
linguagem do cotidiano registra o dialeto carioca.
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A linguagem e a temática
O fato de os personagens falarem de uma forma popular, com a
espontaneidade das imperfeições gramaticais, foi uma novidade para o
teatro que se fazia até então.
As temáticas polêmicas exploradas e apresentadas no teatro
rodrigueano provocaram protestos da plateia e a intervenção da
censura.
Há uma recorrência temática em toda dramaturgia de Nelson Rodrigues
que corresponde a temas como morte, amor, traição, sexo, comicidade,
grotesco e relações familiares.
Nelson Rodrigues.
Vestido de noiva
A estreia no dia 28 de dezembro de 1943, no Teatro Municipal do Rio de
Janeiro, é o reflexo de como nosso teatro estava pronto para aderir aos
caminhos da modernidade após tantas iniciativas nas décadas de 1920
e 1930 com a dramaturgia de Oswald de Andrade, bem como as
inovações cênicas do Teatro do Estudante do Brasil, de Paschoal Carlos
Magno.
O espetáculo dirigido pelo polonês Ziembinski trouxe uma série de
inovações no texto dramático, nas técnicas de encenação e na
iluminação, por isso se tornou um marco simbólico.
O teatro brasileiro passava por uma grande transformação e foram os
grupos amadores, como Os comediantes, que trouxeram novas
possibilidades de se fazer teatro em sintonia com as artes cênicas
modernas europeias.
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Ziembiński.
A figura do ensaiador, responsável por marcar o posicionamento dos
atores em cena, é substituída pelo encenador ou diretor; ele é uma
espécie de maestro do espetáculo, é a sua concepção da peça que será
encenada.
Ela é o resultado de um trabalho em equipe formado pelo iluminador, o
cenógrafo e o figurinista. Nesse novo formato, deu-se maior destaque
ao trabalho em equipe do que ao primeiro ator, como ocorriam nas
montagens teatrais do teatro brasileiro na Companhia de Leopoldo
Fróes.
O cenógrafo Santa Rosa (1909-1956) projetou uma construção com
arcos e três planos independentes onde um engenhoso plano de
iluminação, até então inédito no teatro brasileiro, idealizado por
Ziembinski, revelam os planos imaginados.
Cenário da primeira montagem de Ziembinski, em 1943.
Enredo e dramaturgia
Para entender por que Vestido de noiva alcançou o patamar de marco do
teatro moderno no Brasil, é preciso considerar a estrutura da peça
concebida em três planos de tempo: realidade, memória e alucinação.
A trajetória da protagonista Alaíde se passa simultaneamente em
diferentes planos. Nelson Rodrigues indica nas rubricas a transição de
um plano para outro e, através do recurso da iluminação, podemos
acompanhar a vida da personagem.
Tudo começa com o atropelamento de Alaíde e sua ida para o hospital
após violenta discussão com Lúcia, sua irmã, sobre seu romance com
Pedro, ex-namorado de Lúcia, que se tornou marido de Alaíde.
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As cenas mostram a projeção da mente da protagonista quando está
sendo operada, isto é, tudo que nos chega em forma de dramaturgia é o
resultado da descrição de flashes da realidade (Alaíde, atropelada no
largo da Glória, está sendo operada) em fusão com os outros planos:
Flashes da memória
Relacionado ao passado da protagonista com seus pais e,
principalmente, com a irmã, Lúcia, e o marido Pedro, ex-
namorado da irmã.
Flashes da alucinação
Fantasias sobre uma cafetina, Madame Clessi, morta pelo
namorado em 1905, cujo diário Alaíde leu no sótão de sua
casa, onde há muitos anos morara essa personagem que a
fascinou.
Clessi é uma espécie de alter ego de Alaíde, são suas fantasias no plano
do inconsciente. Na peça, ambas dialogam sem terem se conhecido na
realidade.
A mente de Alaíde, em função do atropelamento, projeta essas
situações que o dramaturgo nomeia como plano da alucinação.
Camilla Amado como Alaíde e Norma Bengell como Madame Clessi em montagem dirigida por
Ziembinski, em 1976.
Com o cruzamento dos planos, o espectador percebe a mistura das
lembranças e dos delírios de Alaíde, ora conversando com a falecida
Madame Clessi, ora com o marido e com a irmã. É no plano da
alucinação que Alaíde tenta se lembrar de momentos de sua vida.
O plano da realidade indica o tempo cronológico linear da história e a
ação ali é disposta em flashes, os planos da memória e da alucinação
ajudam também a organizar e reconstruir os acontecimentos que a
protagonista vivenciou.
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A dramaturgia de Vestido de noiva é urdida pelos conflitos internos de
Alaíde. A vida em família, sua relação com a irmã, Lúcia, na disputa pelo
namorado Pedro, que depois se torna seu marido. Instaura-se um
triângulo amoroso entre eles, paira a dúvida se o atropelamento de
Alaíde foi tramado por Lúcia e Pedro.
Yoná Magalhães como Alaíde em montagem dirigida por Ziembinski, em 1965.
Os três atos de Vestido de noiva se passam simultaneamente na sala de
cirurgia, na redação do jornal, nas cenas do casamento, na casa da
família de Alaíde e no bordel de madame Clessi.
A obra de Nelson Rodrigues
Confira neste vídeo uma entrevista sobre a obra de Nelson Rodrigues,
situando-a no contexto do teatro moderno, e veja uma análise de Vestido
de noiva.


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Questão 1
Qual é a obra de Nelson Rodrigues que se tornou um divisor de
águas na história do teatro brasileiro ao ponto de os historiadores a
designarem como o início do teatro moderno brasileiro?
Questão 2
A dramaturgia rodriguiana pode ser dividida, para efeitos didáticos,
em três grupos temáticos. Assinale a alternativa que apresenta
corretamente essa divisão.
Vamos praticar alguns conceitos?
Falta pouco para
atingir seus
objetivos.
A O beijo no asfalto
B Dorotéia
C Bonitinha, mas ordinária
D Vestido de noiva
E A mulher sem pecado
Responder
A Psicológicas, fantasmáticas, memorialistas.
B Tragédias cariocas, psicológicas, míticas.
C Míticas, surrealistas, memorialista.
D Psicológicas, tragédias cariocas e míticas.
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Considerações �nais
Neste conteúdo, mostramos a Geração de 45, terceira geração do
movimento modernista, com destaque para a poesia de João Cabral de
Melo Neto, a prosa de ficção de Guimarães Rosa e Clarice Lispector, e o
teatro de Nelson Rodrigues.
Vimos que a marca da Geração de 45 é a sintonia que estabelece
especialmente com o contexto social e político de sua época. Não fica
indiferente às consequências da Grande Guerra, que abala os alicerces
geopolíticos e econômicos das nações e cria dois polos que se
enfrentam sob a égide do capitalismo e do socialismo.
A literatura se caracteriza por uma experimentação ao nível da
linguagem. A narrativa alça novos voos introjetando técnicas que a
identificam ao romance moderno.
A poesia não se conforma com os princípios estabelecidos, busca o
antilirismo, nega a inspiração e cria uma dicção nova em sintonia com o
ser universal.
A Geração de 45 é um salto na produção modernista. Só possível
porque acolheu e processou os ensinamentos das geraçõesde 1922 e
1930.
E Tragédias cariocas, fantasmáticas e memorialistas.
Responder
Explore +
Assista aos vídeos a seguir para conhecer mais sobre os autores que
estudamos neste conteúdo:
110 anos de Guimarães Rosa, Jornal USP. Disponível no Canal USP, no
YouTube.
Recordar é TV - O mundo mágico de Nelson Rodrigues. Novembro,
2017. Araken Távora entrevista Nelson Rodrigues. 1977. Programa O
Mundo mágico de Nelson Rodrigues. TVE. Disponível no Canal TV Brasil,
no YouTube.
Recordar é TV celebra a poesia de João Cabral de Melo Neto. Maio,
2019. Araken Távora entrevista João Cabral. 1977. Programa Os
Mágicos. Disponível no Canal TV Brasil, no YouTube.
João Cabral de Melo Neto. Programa De lá Pra Cá. Apresentação
Ancelmo Gois e Vera Barroso. Disponível Canal TV Brasil, no YouTube.
Clarice Lispector. Programa De Lá Pra Cá. Apresentação Ancelmo Gois
e Vera Barroso. Disponível no Canal TV Brasil, no YouTube.
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Referências
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S. Paulo, Folhetim, São Paulo, 1985.
BOLLE, W. O sertão como forma de pensamento. Scripta, v. 2, n. 3, PUC
Minas, 1998.
BOSI, A. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix,
1979.
BLOCH, P. Guimarães Rosa. In: Pedro Bloch entrevista. Rio de Janeiro:
Bloch, 1989.
CASTRO, R. O anjo pornográfico: a vida de Nelson Rodrigues. São Paulo:
Companhia das Letras, 1992.
COUTINHO, A. Introdução à literatura no Brasil. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 1978.
FERREIRA, C.; VASCONCELOS, J. Certas palavras. São Paulo: Estação
Liberdade, Secretaria de Estado da Cultura, 1990.
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LISPECTOR, C. Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
MARQUES, I. João Cabral de Melo Neto: uma biografia. São Paulo,
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MELO NETO, J. C. de. Antologia poética. 2. ed. Rio de Janeiro: Sabiá,
1973.
MELO NETO, J. C. de. Morte e vida severina e outros poemas para
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MELO NETO, J. C. de. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova
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MONTERO, T. À procura da própria coisa. Uma biografia de Clarice
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PEREZ, R. Perfil de Guimarães Rosa. In: ROSA, J. Guimarães. Primeiras
estórias. Rio de Janeiro: José Olympio, 1975.
PORTELLA, E. A forma expressional de Clarice Lispector. Jornal do
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PROENÇA, M. C. Augusto dos Anjos e outros ensaios. Rio de Janeiro:
José Olympio, 1958.
RÓNAI, P. Os vastos espaços. In: ROSA, J. Guimarães. Primeiras
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RÓNAI, P. As estórias de Tutaméia. In: ROSA, J. Guimarães. Tutaméia:
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RÓNAI, P. Rondando os segredos de Guimarães Rosa. In: ROSA, J. G.
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SABINO, F.; ANDRADE, M. de. Cartas a um jovem escritor e suas
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SECCHIN, A. C. João Cabral: a poesia do Menos. São Paulo: Livraria
Duas Cidades, 1985.
SOUZA, C. M. de. A revelação do nome. Cadernos de Literatura
Brasileira, n. 17-18, São Paulo, Instituto Moreira Salles, 2004.
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