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17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 1/56 Objetivos Módulo 1 Geração de 45 e Guimarães Rosa Identificar o contexto da Geração de 45 e as características da prosa de ficção de Guimarães Rosa. Acessar módulo Módulo 2 João Cabral de Melo Neto Identificar a obra de João Cabral de Melo Neto na poesia da Geração de 45. Acessar módulo O Pós-modernismo: a Geração de 45 Profa. Teresa Montero Descrição Você vai estudar a Geração de 45 do Modernismo brasileiro. Na prosa de ficção através das obras de Guimarães Rosa e Clarice Lispector. Na poesia e no teatro, respectivamente, com as obras de João Cabral de Melo Neto e Nelson Rodrigues. Propósito Ao conhecer uma das gerações do Modernismo brasileiro, você ampliará seus conhecimentos sobre a história da literatura brasileira e o contexto histórico no qual ela está inserida. Buscar Baixar conteúdo em PDF Vídeos Menu 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 2/56 Módulo 3 Clarice Lispector Reconhecer as características e os temas da obra de Clarice Lispector na prosa de ficção. Acessar módulo Módulo 4 O teatro de Nelson Rodrigues Identificar as características e temáticas do teatro de Nelson Rodrigues. Acessar módulo Introdução Vamos explorar como se configurou a Geração de 45 na literatura brasileira na ficção, na poesia e no teatro. Começamos abordando o contexto histórico, político e social em que se inseriu a Geração de 45. As consequências da Segunda Guerra Mundial, e a nova configuração geopolítica com o surgimento da Guerra Fria. Estudaremos as obras de Guimarães Rosa e Clarice Lispector na prosa de ficção. Ambos provocaram transformações radicais na narrativa brasileira a ponto de serem considerados inauguradores de uma nova forma de se escrever romances e contos. Clarice Lispector e Guimarães Rosa pertencem àquela geração de escritores do terceiro estágio modernista. Ambos se voltam para a expressão literária em si, para as múltiplas possibilidades de se narrar uma história. Para esses romancistas, o que repercute na narrativa é menos a descrição de fatos exteriores e mais as situações mentais dos personagens. Vamos estudar, ainda, a vida e a obra de João Cabral de Melo Neto, dando destaque ao poema Vida e morte severina. Finalmente, vamos abordar o teatro de Nelson Rodrigues, um marco da nossa dramaturgia que consolida o teatro moderno brasileiro. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 3/56 A Geração de 45 transformou a narrativa ao aprofundar a expressão literária, a poesia e o teatro brasileiro alcançaram um novo patamar. Um momento de solidificação de nossa literatura. Material para download Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material 1 Geração de 45 e Guimarães Rosa Ao final deste módulo, você será capaz de identificar o contexto da Geração de 45 e as características da prosa de ficção de Guimarães Rosa. javascript:CriaPDF() 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 4/56 Contexto da Geração de 45 A Segunda Guerra Mundial foi o fato histórico mais representativo para explicar como era viver no mundo e no Brasil na Geração de 45. Os escritores sentiram na pele a dor de um mundo marcado pela barbárie. O cronista Fernando Sabino (1923-2004) definiu esse sentimento em carta a Mário de Andrade em setembro de 1942: Em 1942, o Brasil declarou guerra à Alemanha. A nação sofreu os reveses da disputa por territórios entre as potências do Eixo – Alemanha, Itália e Japão – e os Aliados, representados pelos Estados Unidos e por países europeus, como a Grã-Bretanha e a França. Os escritores que davam os primeiros passos na literatura demonstraram um profundo abalo espiritual e moral. O crítico literário Afrânio Coutinho (1978) resumiu o espírito da época quando argumentou que a confiança no conhecimento puro e na razão cedeu lugar a um sentimento trágico da vida. Uma concepção agônica da existência se expressou no pensamento de Nietzsche (1844-1900) e Miguel de Unamuno (1864-1936). 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 5/56 A realidade da guerra mundial mostrou a falência das civilizações. O pensamento iluminista não dava mais conta de um universo em desencanto. O novo mundo seguiu para um caminho espiritualista. A descoberta do inconsciente por Freud (1856-1939) e o universo da intuição de Henri Bergson (1859-1941) sedimentaram um diálogo com os movimentos das vanguardas europeias na cena literária e artística: Futurismo, Impressionismo, Cubismo, Expressionismo, Surrealismo, Dadaísmo. Veja a seguir exemplos de expressões artísticas desses movimentos. A cidade se levanta, Umberto Boccioni, 1910. Futurismo 1 de 6 A arte moderna configurada no romance, na poesia e no teatro na década de 1940 refletiu esse estado de descrença, de pessimismo. O fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, com as bombas atômicas lançada em Hiroshima e Nagasaki pelos Estados Unidos, inaugurou a era de incertezas. Nunca mais o mundo foi o mesmo. Nuvens de fumaça formadas sobre Hiroshima (esquerda) e Nagasaki (direita), após o lançamento das bombas atômicas. O contexto histórico refletiu na produção artística. A literatura da Geração de 45 fez do romance e da poesia um modo de indagar a transitoriedade da vida, a fragmentação do homem moderno. A poesia e a narrativa ficaram mais subjetivas, interiorizadas. A vida do espírito passou para o primeiro plano. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 6/56 O ano de 1947 foi o marco do início da Guerra Fria: Estados Unidos x União Soviética. Isso representou um mundo dividido em dois blocos, isto é, em dois modelos econômicos e políticos: Capitalista Bloco liderado pelos Estados Unidos. Socialista Bloco liderado pela União Soviética. A configuração geopolítica dessas duas superpotências fez com que as outras nações, como o Brasil, sofressem intervenções do país que estivesse sob a sua influência, no nosso caso, os Estados Unidos. A busca pela ampliação de áreas de influência e novos territórios acirrou os conflitos entre os dois blocos, a destruição do planeta em larga escala pelas mãos das potências econômicas tornou-se uma realidade com a existência dessa arma letal. Após o término da Segunda Guerra, em 1945, novos ares surgiram na política brasileira. Finda a ditadura do Estado Novo (1937-1945), foi retomado o regime democrático, ainda que o Governo Dutra (1946-1950) tenha sido impopular e acirrado os conflitos ideológicos entre os partidos políticos. A volta ao poder de Getúlio Vargas (1951-1954) e seu suicídio devido às pressões dos que não aceitaram seu governo popular retrataram as transformações pelas quais o Brasil passou. O poder político movimentou-se em direção à era da modernidade. O aperfeiçoamento dos meios de comunicação, as invenções tecnológicas atestaram isso. Dessa forma, o governo que sucedeu o de Vargas, o de Juscelino Kubitschek (1956-1960), plantou o desenvolvimento industrial em face ao crescimento urbano. Brasília foi inaugurada com a promessa de um Brasil grande e próspero. As metrópoles se expandiram, a vida urbana tornou-se o coração do país, criando um cenário para a literatura que nasceu com essa geração. Os escritores do período captaram as transformações de seu tempo e Dica Sob o olhar do cinema contemporâneo, Oppenheimer (2023), filme dirigido por Christopher Nolan, mostra ainda no século XXI os dilemas do uso da bomba atômica eas consequências da Guerra Fria. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 7/56 tentaram expressar em sua obra a síntese das primeiras décadas do Modernismo. Inauguração de Brasília, 1960. A essa altura, a afirmação de uma consciência nacional, de uma identidade brasileira com temas que caracterizassem o ser brasileiro, tão desejada pela primeira geração modernista, cedeu lugar a um olhar mais universal. A literatura brasileira e o instrumento que a veicula, a língua portuguesa, nos levariam a entender os caminhos mais profundos do pensamento nacional. A feição regionalista tão cara aos escritores nordestinos da Geração de 30 mudou de perspectiva. A temática nacional foi abordada em uma expressão universal. Se a seca e os desmandos dos latifundiários foram abordados como fenômenos de um Brasil rural e injusto, agora foi exposta a paisagem interior dos habitantes do sertão mineiro. A complexidade psicológica da alma brasileira foi atingida em cheio pelos romancistas e poetas do período. Um posicionamento sintonizado com um mundo e um país em desencanto. O enfoque da história a ser contada, do poema a ser escrito, revela uma atitude de experimentação da linguagem literária. Panorama literário da Geração de 45 A expressão “Geração de 45” foi usada particularmente para se referir a um grupo de poetas empenhados na valorização do rigor formal e dos princípios clássicos da poesia. São poetas integrantes desse grupo: 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 8/56 Geir Campos Outra denominação dada à Geração de 45 guarda um sentido mais amplo, abrange um grupo de romancistas e poetas que estrearam nos anos 1940, construíram suas trajetórias literárias ao longo das décadas seguintes e tiveram um papel renovador e até mesmo revolucionário na prosa de ficção, na poesia e no teatro brasileiro. São representantes da Geração de 45: João Cabral de Melo Neto Clarice Lispector 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 9/56 Nelson Rodrigues O panorama literário já vivenciara a prosa revolucionária de 1922, com Mário de Andrade e Oswald de Andrade, assim como os caminhos da narrativa regionalista e social de Jorge Amado, Rachel de Queiroz e Graciliano Ramos, ainda que este último cultivasse, também, o romance interessado pela vida profunda do eu. A década de 1940 foi apontada por muitos historiadores da literatura brasileira como um divisor de águas na narrativa nacional porque reuniu as experiências de vanguarda de Guimarães Rosa e Clarice Lispector. Ambos criaram uma narrativa em que o mais importante é o como se diz. A força motriz é o mundo transcendente, a inquirição do inconsciente. Ao se questionar sobre os dilemas do homem moderno, como as consequências do progresso científico, os escritores tornaram- se mais introspectivos. Atenção! O romance da Geração de 45 é marcado pelo experimentalismo. A ação e o enredo cederam espaço para os estados mentais dos personagens. O fluxo de consciência se faz presente quando o leitor acompanha seus pensamentos na narrativa. Esses pensamentos se apresentam de forma fragmentada, pois seguem o ritmo da mente. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 10/56 Os novos romancistas privilegiaram o ilógico, o irracional, para flagrar a realidade psíquica. A narrativa pede a participação do leitor, pois já não se trata de contar uma história, mas de expor a subjetividade dos personagens. O tempo é psicológico, o enredo não é linear. Trata-se do romance moderno, definido como uma pesquisa e experiência de linguagem. A visão de mundo do romancista é mostrada ao criar uma linguagem que pode traduzi-la (Coutinho, 1978, p. 246). A poesia da Geração de 45 não almejou o caráter demolidor da poesia de 22, nem elegeu os grandes temas de natureza política e social, a intenção foi buscar a síntese do que foi realizado esteticamente em 1922 e 1930. Nesse sentido, o termo equilíbrio ou contenção se ajusta ao fazer poético do período. Daí se justifica a retomada das formas clássicas da poesia, como a valorização da metrificação. O soneto foi uma marca dos poetas de 1945. A temática, por sua vez, dirigiu-se para a inquietação filosófica e religiosa. Questionou-se o fazer literário. A contenção emocional foi uma característica marcante (Coutinho, 1978). Como os historiadores da literatura brasileira mostram cada geração correspondendo a uma fase é assim que iremos acompanhar a atitude dos representantes da Geração de 45 na prosa, na poesia e no teatro perante a vida e a arte. Contexto e panorama literário da Geração de 45 Veja neste vídeo os principais elementos do contexto histórico e político da Geração de 45. Você conhecerá também as características da produção literária dessa geração do Modernismo. Comentário Apesar de contemporâneo da Geração 45, a lírica de João Cabral de Melo Neto distanciou-se em grande parte dos preceitos. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 11/56 Vida e obra de Guimarães Rosa Biogra�a João Guimarães Rosa (1908-1967) formou-se em medicina, exerceu o ofício durante três anos em sua terra natal, Minas Gerais, e ingressou na carreira diplomática em 1934. No entanto, nada mudou o rumo de sua vida, não o afastou de sua vocação: a literatura. Desde o primeiro livro, os contos de Sagarana (1946), a narrativa brasileira nunca mais foi a mesma. Sua inclinação para estudar línguas veio desde a tenra idade. O amor pela história natural o fez colecionar insetos. Isso se refletiu na obra povoada pelos animais, seres que ensinam muito sobre os homens como mostrou, por exemplo, no conto O burrinho Pedrês, de Sagarana. O período dedicado à medicina lhe proporcionou conhecer o sertão mineiro e entrar em contato com pessoas que se transformaram em seus personagens. Ele chegou a atuar como médico voluntário da Força Pública durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Data dessa época um período de intensa dedicação ao estudo das línguas. Um aprendizado que contribuiu muito para construir seu estilo dotado de uma linguagem insólita, recheada de arcaísmos e neologismos (Perez, 1975). 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 12/56 Guimarães Rosa. A vida diplomática o levou a morar no exterior: Hamburgo, Paris e Bogotá. Apesar de admirado, a originalidade de sua obra soou para muitos como algo incompreensível e elitista. O temperamento supersticioso foi determinante para adiar seu ingresso na Academia Brasileira de Letras. Eleito em agosto de 1963, adiou a posse durante quatro anos. Ele temia não suportar a emoção. Sua premonição se confirmou. Faleceu de um infarto fulminante três dias após a posse. O inesperado do fato deu a seu desaparecimento uma repercussão internacional. Guimarães Rosa foi um escritor de muito prestígio, sua obra foi vertida em traduções para muitos idiomas. A morte súbita em 19 de novembro de 1967 aos 59 anos foi mais um fator para torná-lo aos olhos do público uma personalidade mágica. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 13/56 Guimarães Rosa em sua posse na Academia Brasileira de Letras. A feição regionalista de sua ficção revestiu-se de um formato muito peculiar. Rosa fez uma interpretação mítica do real, promoveu em sua obra uma renovação formal e estilística. Se não criou uma língua nova, certamente fez uma ampla utilização das virtualidades de nosso idioma(Proença, 1958). Inventou palavras, usou recursos que propiciaram invenções nos campos da sintaxe e da semântica. Ao lermos suas páginas, temos a sensação de que a frase de uma de suas “estórias” na obra Tutaméia (1967) faz todo o sentido: “Quem quer viver, faz mágica”. Guimarães Rosa fez. Obra No conto O espelho, em Primeiras estórias, encontramos a seguinte frase: “Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo” (Rosa, 1975). Essa frase revela muito sobre o universo ficcional de Guimarães Rosa. Sejam as narrativas curtas dos livros de contos Sagarana e Primeiras estórias (1962), ou nas novelas de Corpo de baile (1956), em tudo há um halo de magia e transcendência. A criação de uma obra singular e focada no sertão mineiro é fruto dos tempos da infância. Rosa nasceu no interior, em Cordisburgo, onde viveu até os 9 anos. Mesmo tendo se mudado para Belo Horizonte, onde cursou Medicina, jamais perdeu seus vínculos com a origem sertaneja. Nesse sentido, é importante lembrar que Guimarães Rosa fez duas cavalgadas, uma pelo sertão mineiro, outra por Mato Grosso (em 1947) 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 14/56 para recolher informações sobre o modo de vida dos vaqueiros, seus costumes, culinária e vocabulário. Guimarães Rosa durante suas viagens pelo sertão. Rosa queria ter a experiência de sentir o sertão mineiro e, para isso, precisava conviver com os vaqueiros. A seu pedido, o primo Chico Moreira organizou uma viagem. A viagem ocorreu em maio de 1952 com duração de 10 dias. Percorreram 240 km: da Fazenda Sirga, em Três Marias, até a Fazenda São Francisco, em Araçaí, Minas Gerais. Em seus caderninhos, o escritor anotou tudo o que viu e ouviu. Acompanhado de sete vaqueiros, Rosa se comportou como um deles nessa empreitada. As anotações estão reunidas em dois diários: “Boiada 1” e “Boiada 2”. A revista O Cruzeiro registrou em parte a viagem em uma matéria assinada em junho de 1952 por Álvaro Dias, com ensaio fotográfico realizado por Eugênio Silva. As fotos de Guimarães Rosa alimentaram nosso imaginário ao longo dos anos construindo a imagem do “vaqueiro Rosa” (IEB, 2022). Matéria da revista O Cruzeiro, 1952. Em entrevista a Pedro Bloch, Rosa explicou: “Você conhece os meus cadernos, não conhece? – faz ele. Quando eu saio montado num cavalo, por minha Minas Gerais, vou tomando nota de coisas. O caderno fica impregnado de sangue de boi, suor de cavalo, folha machucada. Cada pássaro que voa, cada espécie, tem voo diferente. Quero descobrir o que caracteriza o voo de cada pássaro, em cada momento” (Bloch, 1989, p. 100). 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 15/56 A localização do sertão roseano são as regiões norte, noroeste e Vale do Jequitinhonha de Minas Gerais, e parte dos estados da Bahia e Goiás. Outra parte é ao longo de todo o curso do rio São Francisco. Segundo Paulo Rónai (1985), um de seus maiores estudiosos, na paisagem roseana se vê lugares rústicos e ermos, descampados, estradas e lugarejos perdidos de Minas. Rónai observa: “nunca se rompeu a comunhão entre ele e a paisagem, os bichos, as plantas e toda aquela humanidade tosca em cujos espécimes ele amiúde se encarnava, partilhando com eles a sua angústia existencial” (Rónai, 1985, p. 221). Guimarães Rosa. Esse modo de registrar suas vivências acabou por mostrar também um saber típico do sertão de Minas Gerais, transmitido oralmente. Sua obra foi construída a partir dos relatos daqueles sertanejos, basta ler a narrativa de Riobaldo em Grande sertão: Veredas (1956) para compreender a marca essencial da obra de Guimarães Rosa. Vida e obra de Guimarães Rosa Neste vídeo, assista à apresentação de uma breve biografia de Guimarães Rosa e conheça as principais características de sua produção literária. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 16/56 Personagens, estilo e temáticas Personagens Sobre as personagens, Rónai (2001, p. 18) comenta que “são almas ainda não estereotipadas pela rotina, com receptividade para o extraordinário e o milagre”. Em geral, são criaturas humildes. Personagens como os vaqueiros, jagunços, caçadores, fazendeiros, crianças e adultos inadaptados ao cotidiano, muitos adotam comportamentos típicos de mentes insanas. Os inspirados na vida real são vaqueiros como aqueles que acompanharam Rosa na cavalgada até Araçaí. Veja alguns exemplos! Manuelzão Personagem de Uma estória de amor, da obra Manuelzão e Miguilim (segundo volume de Corpo de baile). Zito Personagem de A partida do audaz navegante, em Primeiras estórias. Os personagens são guiados pelo instinto, não se integram à sociedade. O irracional parece suplantar tudo, eles têm dificuldades de expressarem suas experiências. Muitos falam mais pelo silêncio. É o que vemos no conto A menina de lá, em Primeiras estórias. Com apenas quatro anos de idade, Nhinhinha tinha o dom de curar e previu a própria morte. No conto Sorôco, sua mãe, sua filha, publicado em Primeiras estórias, o tema da loucura e seus labirintos conduz a estória. Mãe e filha são transportadas para um hospício em Barbacena, como vemos neste fragmento: “A moça punha os olhos no alto, que nem os santos e os espantados, vinha enfeitada de disparates, num aspecto de admiração” (Rosa, 1975). O filho Sorôco não dava mais conta. Não tinha cura. A infância e seu processo de descobertas como a da morte é uma das maneiras de Guimarães Rosa indagar sobre a constituição do ser humano em Às margens da alegria, em Primeiras estórias. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 17/56 Estilo e temáticas A originalidade de Guimarães Rosa é uma combinação de vários fatores de ordem léxica e sintática. A presença do neologismo é menor do que se acredita. O que parece criação do autor é somente fruto de muita pesquisa nos dicionários, da observação da fala popular do sertanejo. Daí a presença de palavras insólitas como uca, alarife. As criações individuais se expressam em palavras como fraternura, orfandante e psiquepiscar (Rónai, 1985). As ousadias sintáticas tornam suas frases muitas vezes herméticas. O ritmo destas é surpreendente, subverte a ordem gramatical. O leitor precisa de um tempo para se adaptar a esse universo linguístico no qual a língua portuguesa é submetida a um nível de experimentação jamais visto em nossa literatura. O lirismo de sua prosa a leva a ser denominada prosa poética. A seguir, vamos abordar brevemente duas obras de Guimarães Rosa de modo que possamos observar alguns aspectos centrais de seu universo literário. Primeiras estórias É um conjunto de 21 contos cuja diversidade de assuntos e subgêneros é uma de suas marcas. Como observa Paulo Rónai (1975), vê-se do conto fantástico ao psicológico, do autobiográfico ao episódio cômico ou trágico até o poema em prosa. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 18/56 Capa do livro Primeiras estórias. O título da obra refere-se ao gênero adotado pelo escritor. Um neologismo que traduz um dos significados de “conto”, de “história”, isto é, “short story”. Referindo-se à narrativa do autor mineiro a estória “envolve-se numa aura mágica”, afirma Rónai. Grande Sertão: Veredas O enredo: o narrador-personagem, o fazendeiro, ex-jagunço Riobaldo Tatarana, conta a um interlocutor, Quelemén de Góis, a história de sua vida. Narra seu dia a dia, o convívio com os jagunços, as batalhas que enfrentou, amores e alegrias. Riobaldo fez parte do bando do fazendeiro Zé Bebelo, que queria exterminar os jagunços da região liderados por Hermógenes. Quandoele decidiu sair do bando encontrou Reinaldo, que pertencia ao bando de Joca Ramiro. Reinaldo manteve sua identidade oculta. Ele era, na realidade, Diadorim, mas manteve o disfarce porque uma mulher jamais poderia lutar ao lado dos jagunços. Riobaldo alia-se ao bando de Joca Ramiro. Enfrenta conflitos, passa por traições e torna-se chefe do bando como Urutu Branco, e faz pacto com o diabo para vencer a batalha. O enfrentamento com o inimigo, Hermógenes, resulta na morte de Reinaldo e do traidor. É quando se revela a identidade de Reinaldo/Diadorim. Riobaldo descobre que Maria Deodorina, a Diadorim, é filha de Joca Ramiro. Capa do livro Grande sertão: veredas. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 19/56 Temas Entre os muitos temas abordados, mostra as entranhas do sistema político no sertão brasileiro através de episódios sangrentos. Esses habitantes têm leis próprias para absolver ou condenar, vide o julgamento de Zé Bebelo, condenado à morte. Outro tema é o conflito interno, amoroso, vivido por Riobaldo. A paixão homossexual por Reinaldo/Diadorim lhe traz grandes embates com sua sexualidade. Ele desconhece que Reinaldo é uma mulher disfarçada de homem, a descoberta só se dá quando ela é morta junto com Hermógenes e seu corpo é desnudo. É uma narrativa feita em forma de monólogo, sem divisão de capítulos, é um romance oralizado. Como afirma Willi Bolle (1999), a obra é uma reflexão sobre a própria existência, uma forma de se pensar o Brasil sob o ponto de vista do sertanejo, o sertão como forma de pensamento. Personagens, estilo e temáticas em Guimarães Rosa Confira neste vídeo uma entrevista sobre temas, estilo e personagens na prosa de ficção de Guimarães Rosa. Exemplo Quando os chefes (fazendeiros) alcançam o poder no bando sob sua chefia, fica patente a existência de uma força armada que está a serviço dos latifundiários. É uma realidade do sertão mineiro. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 20/56 Questão 1 ”Saio montado num cavalo, pela minha Minas Gerais. Vou tomando nota das coisas. O caderno fica impregnado de sangue de boi, suor de cavalo, folha machucada” (Entrevista de Guimarães Rosa a Pedro Bloch. Manchete, 1963 - Bloch, 1989, p. 100). A obra de Guimarães Rosa se constrói também pela observação, pela vivência com o sertão mineiro, com seus habitantes, em especial os vaqueiros e jagunços. Sua célebre viagem por 10 dias ao sertão, em 1952, demonstra um modo particular de estudar, conhecer de perto esse universo. Assinale a passagem de Grande sertão: veredas que demonstra o modo de observação do escritor, fruto de sua vivência. Vamos praticar alguns conceitos? Falta pouco para atingir seus objetivos. A ”Quem me ensinou a apreciar essas belezas sem dono foi Diadorim...A da Raizama, onde até os pássaros calculam o giro da lua – e cangussú monstra pisa em volta” (Rosa, 2006, p. 23). B ”Meu era um alívio. Mesmo não duvidei de meu menos valer: alguém lá tem a feição do rosto igualzinha à minha?” (Rosa, 2006, p. 66). C “Jagunço é isso. Jagunço que não se escabreia com perda nem derrota – quase que tudo para ele é o igual. Nunca vi. Pra ele a vida já está assentada: comer, beber, apreciar mulher, brigar, e o fim final” (Rosa, 2006, p. 45). 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 21/56 Questão 2 Os personagens de Guimarães Rosa costumam refletir um contexto que o próprio escritor vivenciou bastante. Sobre os personagens de Guimarães Rosa, é correto afirmar que 2 João Cabral de Melo Neto D “Meu padrinho Selorico Mendes era muito medroso. Contava que em tempos tinha sido valente, se gabava, goga” (Rosa, 2006, p. 88). E “Ah, meu senhor, mas o que eu acho é que o senhor já sabe mesmo tudo – que tudo lhe fiei. Aqui eu podia pôr ponto” (Rosa, 2006, p. 234). Responder A vivem em conflito porque estão distantes do cotidiano da metrópole. B são seres humildes, não contaminados pelos valores da civilização; em geral são vaqueiros, crianças, loucos e jagunços. C reivindicam melhores condições de vida porque são oprimidos. D são seres arrogantes, ambiciosos e desejosos de sentimentos de vingança. E retratam a sociedade mineira do tempo do escritor nas décadas de 1940 e 1950, constituídas sobre valores da aristocracia rural. Responder 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 22/56 Ao final deste módulo, você será capaz de identificar a obra de João Cabral de Melo Neto na poesia da Geração de 45. Biogra�a de João Cabral de Melo Neto (1920-1999) Pernambucano, neto de proprietário rural, João Cabral nasceu em uma família tradicional de Recife. 0s vinte anos vividos nos engenhos e na capital moldaram o universo afetivo e literário do autor. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 23/56 João Cabral nasceu à beira do rio Capibaribe em uma família de 7 filhos. Cresceu vendo a paisagem recifense. Sua árvore genealógica está enlaçada à civilização do açúcar que prosperou em Pernambuco e gerou figuras ilustres como o primo, o sociólogo Gilberto Freyre, os historiadores Evaldo Cabral e José Antônio Gonçalves de Mello, respectivamente irmão e trisavô, e o primo poeta, Manuel Bandeira. João Cabral de Melo Neto. A infância do menino foi muito livre, em contato com animais como cavalos e carneiros, vivendo em engenhos do pai. A memória desse período aparece em vários momentos de sua obra, como no poema Menino de três engenhos: “Dos Engenhos de minha infância, onde a memória ainda me sangra, preferi sempre Pacoval: a pequena Casa-Grande de cal” (Melo Neto, 2008, p. 580). Outro convívio íntimo se dava com o rio: “João ficava horas ouvindo a voz do rio” (Marques, 2021, p. 33). Esse contato tão próximo formou sua sensibilidade. Viver perto dos rios foi sua biblioteca do sentimento. Obras como O cão sem plumas e O rio ou relação de viagem que faz o Capibaribe de sua nascente à cidade do Recife são alguns dos exemplos de como essa vivência foi fonte de inspiração para sua criação literária. Vivendo no Nordeste, era natural ver os retirantes em busca de trabalho nas usinas, mas ele não viveu a experiência da seca, como comenta seu biógrafo Ivan Marques (2021). Cabral foi marcado pela poesia da Geração de 30. Carlos Drummond de Andrade é o poeta que mais o encantou, a tal ponto que ao lê-lo convenceu-se de que poderia escrever poesia e de que ela não precisava ser sentimental. Os primeiros passos na vida literária deram-se ainda em Recife, na roda literária do Café Lafayette, com o incentivo do erudito Willy Lewin, dono de uma vasta biblioteca, um cronista atento à revolução modernista e às transformações da arte moderna. Lewin descobriu João Cabral e orientou escritores dessa geração no Café Lafayette, como o poeta Lêdo Ivo e o escritor Breno Accioly. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 24/56 Fachada do Café Lafayette, em Recife. A mudança para o Rio de Janeiro, e a aproximação com outros escritores pelas mãos de Lewin, que lhe deu uma carta de recomendação ao poeta Murilo Mendes, concedeu a João Cabral o passaporte para iniciar sua trajetória literária. No entanto, mesmo fazendo parte de uma roda literária com fortes vínculos com os escritores do Rio de Janeiro, como Augusto Frederico Schmidt e Octavio de Faria, fascinados pela chamada poesia pura, profética, João Cabral não se identificava com o viés espiritualista. Sua inserção na chamada Geração de 45 foi mais um critério cronológico do queestético. Cabral foi contemporâneo de poetas dessa geração, como Lêdo Ivo e Geir Campos, mas nunca demonstrou afinidades com esses princípios literários. O grupo de poetas nomeados como integrantes da Geração de 45 ficou conhecido por reagir contra o excesso de transgressões da primeira fase modernista iniciada com a Geração de 22. Os poetas da Geração de 45 retomaram os fundamentos da poesia clássica. Buscaram o rigor, o equilíbrio e o retorno às regras da versificação. Daí a Geração de 45 ser denominada também de neoparnasiana. Alfredo Bosi definiu o grupo assim: 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 25/56 A Geração de 45 subestimou o que o Modernismo trouxe de mudanças formais, e propôs novas reflexões sobre a poética estabelecida. Mais do que inovar, o intuito foi reelaborar os ritmos tradicionais. João Cabral seguiu um caminho próprio, único. O fascínio pelas artes plásticas e pela arquitetura moderna sob o ponto de vista de Le Corbusier (principal influência de sua obra) são outras fontes de inspiração. Ao longo da vida, manteve contato com vários artistas. O mais célebre deles foi o espanhol Joan Miró. Seu ingresso no Itamaraty como diplomata em 1945 determinou o itinerário literário. Compôs sua obra nas horas vagas, e por seguir uma vida nômade, morou em diversos países, entrou em contato com várias culturas. A cultura espanhola merece destaque por ter exercido grande influência em sua obra. Cabral serviu nos consulados de Barcelona, Sevilha e Madri. João Cabral e Miró em Barcelona. Sua obra, que atravessou seis décadas (1940-1990), é um dos pontos altos da poesia brasileira. João Cabral demonstrou que a poesia é um exercício racional. Aboliu a palavra inspiração de seu dicionário. Provou como os caminhos do verso não passam por forças transcendentais. Ele não aceitou o que o senso comum diz. Biogra�a de João Cabral de Melo Neto Acompanhe neste vídeo a apresentação de uma breve biografia de João Cabral de Melo Neto e entenda a sua relação com a Geração de 45. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 26/56 A obra de João Cabral O poeta como engenheiro Desde os primeiros livros, Pedra do sono (1942) e O engenheiro (1943), João Cabral tentou conciliar a herança modernista via Carlos Drummond de Andrade e, em parte, aquela recebida através da poesia de Murilo Mendes. Entre a “pedra” e o “sono”, duas palavras que traduzem a poética cabralina, o poeta foi construindo um modo muito particular de escrever poemas. De Murilo Mendes guardou os traços oníricos presentes na poesia surrealista que viveu seu auge na pintura de Joan Miró e Salvador Dali. Valorizou as camadas de sonho de que se reveste a realidade, mas de uma forma construtivista, como assinala Secchin (1985). João Cabral (à direita) com Murilo Mendes e sua esposa Maria da Saudade em Madrid. Em A André Masson, do livro Pedra do sono, o verso insinua um sentido de abstração: “Com peixes e cavalos sonâmbulos/pintas a obscura metafísica/do limbo” (Melo Neto, 1973, p. 275). Quando publica O engenheiro, João Cabral se mostra avesso à tradição lírica. Não é um acaso quando o denominam o poeta engenheiro. Tenta substituir, e o faz em parte, as influências surrealistas pelo intelectualismo. No entanto, o embate entre o sonho e a razão ainda permanece. João Cabral concebe o poeta como o engenheiro: “O engenheiro sonha coisas claras: superfícies, tênis, um copo de água” (Melo Neto, 2008, p. 46). 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 27/56 A atitude do poeta é depurar qualquer subjetividade sentimental. Isso seria a tônica de sua poesia ao longo das décadas. Sua poesia também tematiza o ato de criação, uma atitude típica dos poetas modernos das gerações anteriores seguida por João Cabral. Poeta diplomata A vida diplomática durou cinco décadas. Seus laços com a cultura espanhola reverberaram na obra. “Diversas coisas se alinham na memória/numa prateleira com o rótulo: Sevilha/Coisas, se na origem apenas expressões/de ciganos dali” (Melo Neto, 1973, p.14). “O regaço urbanizado”, “Os bairros mais antigos de Sevilha”; são inúmeros os poemas cujo cenário são as cidades de Sevilha, Barcelona e Madri. Em cada uma, criou laços com artistas locais: poetas e artistas plásticos. Em 1952, foi afastado de suas funções de diplomata, acusado de integrar uma célula comunista no Itamaraty. O motivo: uma certa carta endereçada a um diplomata encomendando um artigo sobre a economia brasileira para ser publicado em uma revista ligada ao Partido Trabalhista Inglês (na época, Cabral estava lotado na embaixada de Londres). A saída temporária do Itamaraty lhe permitiu voltar ao Recife. O resultado foi a produção de obras que estão impregnadas de pernambucanismos, da vida cotidiana dos nordestinos à margem da sociedade. Comentário Marcada pelo rigor formal e pelo intelectualismo, a poesia de João Cabral é fruto de um pensamento que se propõe a enfrentar o caos impondo-lhe a mais implacável concretude, apegando-se ao que é mais estável no real: as coisas. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 28/56 Estilo O pensamento estético de João Cabral rejeita o paradigma da inspiração como princípio da criação poética, nega o lirismo subjetivo cultivado pela poesia romântica, rompe com a poesia que cultua a noite, a morte, o mistério. Para o autor, poesia é construção. A obra Morte e vida severina Sua obra mais conhecida foi levada à cena pelo Tuca, em 1965, em São Paulo, com trilha sonora de Chico Buarque de Hollanda. Adaptada para a TV em 1981, alcançou um sucesso extraordinário. O protagonista desse “Auto de Natal Pernambucano” é Severino. Ele narra a história de sua vida miserável, isto é, uma vida severina. Como uma peça teatral, a história se desenvolve ora através dos monólogos de Severino, ora através dos diálogos que ele estabelece com nordestinos miseráveis, como ele. A peça é estruturada em estrofes constituídas com versos rimados. Cena da peça Morte e vida severina no palco do Teatro Tuca, 1966. Em sua caminhada, Severino se depara com vários nordestinos como ele, um deles é Seu José, mestre Carpina, que mora em um mocambo, lugar miserável na cidade de Recife, localizado entre o cais e as águas do Capibaribe. Por onde passa, Severino sempre vê a morte: “- Desde que estou retirando/só a morte vejo ativa/só a morte deparei/e às vezes até festiva”. Ou: “e o pouco que não foi morte/foi de vida Severina/ (aquela vida que é menos/vivida que defendida,/e é ainda mais Severina/ para o homem que retira).” (Melo Neto, 2000, p. 52-53) 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 29/56 O destino dos Severinos já está traçado: “Morremos de morte igual,/mesma morte Severina:/que é a morte de que se morre/de velhice antes dos trinta,/de emboscada antes dos vinte/de fome um pouco por dia”. (Melo Neto, 2000, p. 46) No entanto, no mocambo nasce uma criança e a esperança se renova, mesmo diante da miséria. O desejo de Severino é cometer suicídio jogando-se no Rio Capibaribe, mas mestre Carpina o impede. A obra de João Cabral de Melo Neto Confira neste vídeo uma entrevista sobre a obra de João Cabral, com destaque para o seu estilo e para o poema Morte e vida severina. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 30/56 Questão 1 Ao falar sobre a importância de João Cabral para sua geração, o poeta Augusto de Campos (Ferreira; Vasconcelos, 1990) comentou: “aquele com quem eu tenhomais afinidade, aquele que para mim sempre foi o mais importante é o João Cabral, não só pelas características de rigor compositivo da sua obra, como pela sua aversão ao sentimentalismo e à facilidade. O João Cabral desenvolveu ao longo dos anos uma obra extremamente coerente, que para nós, de geração posterior, constituiu uma lição de poesia". A partir das observações de Augusto de Campos, assinale qual dos versos abaixo traduz melhor o modo como Augusto de Campos caracteriza a poesia de João Cabral de Melo Neto. Vamos praticar alguns conceitos? Falta pouco para atingir seus objetivos. A “O mar se estende pela terra/em ondas que se revezam/e se vão desdobrando até/ondas secas de outras marés” (Litoral Pernambucano) (Melo Neto, 1973, p. 128). B “A noite inteira o poeta/em sua mesa, tentando/salvar da morte os monstros/germinados em seu tinteiro” (A lição de poesia) (Melo Neto, 1973, p. 265). C “Sempre que no telefone/me falavas, eu diria/que falavas de uma sala/toda de luz invadida” (Paisagem pelo telefone) (Melo Neto, 1973, p. 111). D “A cidade é passada pelo rio/como uma rua/é passada por um cachorro;/uma fruta/por uma espada” (Paisagem do Capibaribe) (Melo Neto, 1973, p. 223). E “Do alpendre sobre o canavial/a vida se dá tão vazia/que o tempo dali pode ser/ sentido: e na substância física” (O alpendre no canavial) (Melo Neto, 1973, p. 71). Responder 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 31/56 Questão 2 “A primeira fase do João é muito diferente da definitiva. A primeira é mais frenética, inspirada em Mallarmé, Rimbaud. A definitiva, mais objetiva, direta. É o agreste de Pernambuco, o sertão, os problemas do dia de hoje, que ele considera e trata num estilo muito próprio [...]”. (Andrade, 1985) Carlos Drummond de Andrade define acima dois momentos da poesia cabralina. Seu convívio muito próximo a partir da mudança do poeta para o Rio de Janeiro lhe permitiu acompanhar de perto essa trajetória literária. Assinale a obra que corresponde à fase denominada “mais objetiva, direta”, que trata do agreste Pernambucano, dos problemas de hoje. 3 Clarice Lispector Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer as características e os temas da obra de Clarice Lispector na prosa de ficção. A Pedra do sono. B O engenheiro. C Morte e vida severina. D Psicologia da composição. E Uma faca só lâmina. Responder 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 32/56 Biogra�a de Clarice Lispector Clarice Lispector (1920-1977) nasceu na Ucrânia, filha de imigrantes judeus russos, chegou ao Brasil com um ano e três meses de idade. Sua infância transcorreu em Recife, onde morou até os 14 anos. O período em Recife lhe permitiu vivenciar o cotidiano nordestino marcado por um duplo pertencimento: Origem judaica Como filha de judeus, costumava frequentar sinagogas e colégios da comunidade judaica. Cultura nordestina Como criança nordestina, absorveu o modo de ser pernambucano, a culinária local e seu folclore no convívio com vizinhos e empregadas. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 33/56 A mudança da família para o Rio de Janeiro, em 1935, a levou aos caminhos da literatura. É o momento da adolescência e o período de formação acadêmica e literária. Em contato com escritores veteranos na Agência Nacional e no jornal A Noite, iniciou os primeiros passos publicando contos. Com Lúcio Cardoso, amigo e mestre literário, recebeu o estímulo para publicar seu livro: Perto do coração selvagem (1943), recompensado com o Prêmio Graça Aranha. O curso de Direito (1939-1943) a aproximou da elite intelectual e política, mas seu casamento com o diplomata e colega de faculdade Maury Gurgel Valente a levou a trilhar uma vida nômade durante quase duas décadas. Em companhia do marido, morou em Belém, Nápoles, Berna, Torquay e Washington. A vida de esposa de diplomata, a maternidade vivida de forma solitária, distante dos amigos, e de suas irmãs (a escritora Elisa Lispector e Tania Kauffman), acentuaram sua personalidade melancólica. Clarice Lispector e o marido Maury Gurgel Valente em Berna. Após a separação, Clarice Lispector voltou a morar definitivamente no bairro do Leme, no Rio de Janeiro, com os dois filhos. A partir de 1959, começou a colaborar com contos inéditos na revista Senhor e retomou sua trajetória literária com a publicação de Laços de família (1960). A escritora incursionou pelo romance, conto, crônica e literatura infantil, mas foi o romance o gênero de sua predileção. A maçã no escuro (1961) e A paixão segundo GH (1964) são romances que a consagraram no cânone da literatura nacional. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 34/56 Capa do livro Laços de família. Capa do livro A maçã no escuro. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 35/56 Capa do livro A paixão segundo G.H.. O período em que colaborou como cronista no Jornal do Brasil (1967- 1973) a tornou mais conhecida e amada pelo público. Esse gênero popular cultivado por Rubem Braga, mestre da crônica, deu a Clarice Lispector a oportunidade de escrever uma espécie de autobiografia. No JB, foram mais de trezentas crônicas. Os temas versavam sobre o seu cotidiano: o dia a dia com os filhos, o relacionamento com as empregadas, suas viagens, as lembranças da infância em Recife, as conversas com os taxistas. Dos fatos locais aos acontecimentos mundiais: a falta de água na cidade, a morte de uma baleia na praia do Leme, a ida do primeiro homem à Lua, muitas reflexões sobre o ato de viver. Saudada como a grande ficcionista surgida na geração do pós-guerra, é inserida no terceiro estágio do movimento modernista nomeado como instrumentalista, isto é, voltado para a expressão literária em si, para as suas diversas e múltiplas possibilidades expressivas (Portella, 1960). Clarice Lispector. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 36/56 Clarice Lispector abriu caminhos para a literatura escrita por mulheres. Sua estreia com Perto do coração selvagem, em 1943, foi uma coisa inédita, rara. Poucas mulheres publicavam no Brasil. Seu centenário de nascimento comemorado em 2020 foi uma demonstração do quanto seu legado se expande cada vez mais, ultrapassando as fronteiras da literatura brasileira. Clarice dizia que escrever “é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada” (Lispector, 1998, p. 144-145). Biogra�a de Clarice Lispector Assista a este vídeo sobre a vida e a trajetória literária de Clarice Lispector e conheça sua atuação na imprensa escrita. Características da obra de Clarice Lispector Estilo da escrita de Clarice A escritora explora com profundidade a natureza humana. Como disse Lúcio Cardoso (1944 apud Souza, 2004, p. 155), Clarice era dotada de “uma singular personalidade que sabe captar o mundo exterior e interior, e muitas vezes de sua fusão, uma visão perfeita”. O que a interessava não são os fatos em si, mas a sua repercussão nos indivíduos. A vida interior é revelada nos pequenos gestos, nos atos mais imperceptíveis do dia a dia. A presença do insólito no cotidiano é apresentada em diversas situações: andando pela rua, no encontro da menina com um cachorro basset no conto Tentação ou na freada brusca do carro que aproxima mãe e filha, como ainda não ocorrera, no conto Os laços de família. 17/04/2024,11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 37/56 O incomum surge quando o narrador ou o personagem- narrador capta outros ângulos da realidade. Para quem a via como uma escritora pessimista, Clarice Lispector preferia acreditar que o impacto emocional do que escreve corre por conta da reinvenção pessoal do leitor. Seus livros são espécie de trilhas, de onde cada um parte para as próprias descobertas. Sua prosa poética não prima pela construção de um enredo nos moldes do romance realista, a realidade é apresentada em uma atmosfera de sonho. A narrativa se desenvolve de forma lenta e microscópica. A tudo confere um halo de transcendência. O cotidiano é carregado de uma atmosfera metafísica. Clarice Lispector. Seu propósito de renovar a linguagem, de criar uma fala própria, foi destacado pelos críticos literários. Sua técnica rompeu com as concepções e esquemas naturalistas, segundo os quais o conto seria uma história com princípio, meio e fim. Portella (apud Montero, 2021, p. 634) observou: “Ela é mais uma romancista do gesto apenas esboçado que do movimento ostensivamente consumado. Sua extraordinária percepção emocional conduziu-a menos a descrição de fatos exteriores que ao registro de estados e situações mentais”. Clarice dizia que não era demasiadamente cerebral: “acontece que meu tipo é mais intuitivo” (Montero, 2021, p. 637). O fluxo da consciência é a técnica literária utilizada pela autora, através dele apresenta os aspectos psicológicos da personagem. Isso se dá através do monólogo. Temas em Clarice 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 38/56 Estava em busca da “própria coisa”, como gostava de dizer. A essência da vida, o mistério da existência. Mesmo sabendo da impossibilidade de alcançá-la devido às limitações da condição humana, constituída de fragilidade, sempre incompleta. Outros temas recorrentes em sua obra: a incomunicabilidade humana, a angústia de existir. A busca da identidade é um tema presente no romance A paixão segundo G.H., a personagem-narradora empreende um mergulho existencial após sua rotina ser alterada quando sua empregada Janair se demite e ela fica sozinha em seu apartamento. G.H. decide entrar no quarto de Janair para arrumá-lo. Não podia imaginar as consequências desse ato. A arrumação exterior a leva à desorganização de seu próprio “Eu”. No enfrentamento com o desconhecido, ao encontrar a barata na porta do armário de Janair, e no desejo de comê-la, vê-se diante do núcleo da vida. Ela encontra as raízes de sua identidade no corpo da barata. Experimenta a náusea que lhe dá acesso à existência divina. A experiência da personagem-narradora não é objetiva, a escritora, portanto, recria imaginariamente a visão mística do encontro da consciência com a realidade última (Montero, 2021, p. 645). Capa do livro A paixão segundo G.H.. As questões do universo feminino ocupam um lugar de destaque: a relação homem/mulher e o papel social da mulher na família. No conto Os laços de família, a forma como o marido se vê expressa o quanto a mulher sente-se aprisionada em uma relação: “Porque sábado era seu, mas ele queria que sua mulher e seu filho estivessem em casa enquanto ele tomava o seu sábado” (Montero, 2021, p. 100). 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 39/56 Portanto, em contos da obra Laços de família, como O búfalo e Os laços de família, é flagrante o modo de ser da condição feminina, aprisionado por valores de uma sociedade patriarcal. Personagens em Clarice As personagens de Clarice Lispector são mulheres (Martim, em A maçã no escuro, é uma exceção), em geral oriundas da classe média, adaptadas a uma vida burguesa: seus destinos parecem traçados. O momento de desvio, de quebra da rotina do cotidiano, se dá ao vivenciarem um momento de epifania, isto é, de “revelação”. É o que acontece com Ana no conto Amor de Laços de família, uma dona de casa que vive para os filhos e o esposo. Como várias personagens clariceanas, tem a necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E um lar (como disse o narrador do conto) lhe dera essa segurança: “Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher” (Lispector, 1998, p. 20). Sua rotina vê-se alterada quando entra no Jardim Botânico, cercado por uma natureza exuberante e misteriosa: “Era um mundo de se comer com os dentes, um mundo de volumosas dálias e tulipas. Os troncos eram percorridos por parasitas folhudas” (Lispector, 1998, p. 25). No trajeto do bonde, Ana se depara com um cego mascando chicletes. A presença inesperada de um cego altera seu cotidiano programado para aproveitar algumas horas ociosas enquanto não retornava para casa. Os momentos epifânicos no Jardim Botânico a levam a repensar sua vida, sua condição de mulher: “Ela apaziguara tão bem a vida, cuidara tanto para que esta não explodisse” (Lispector, 1998, p. 23). Em alguns momentos, a vida perde o sentido, a náusea toma conta de si: “Mesmo as coisas que existiam antes do acontecimento estavam agora de sobreaviso, tinham um ar mais hostil, perecível...” 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 40/56 (Lispector, 1998, p. 22). O acontecimento transformador, epifânico, não modifica seu cotidiano. Ao sair do Jardim Botânico, Ana volta para casa, reencontra os filhos e o marido: “Num gesto que não era seu, mas que pareceu natural, segurou a mão da mulher, levando-a consigo sem olhar para trás, afastando- a do perigo de viver”, diz o narrador do conto (Lispector, 1998, p. 29). A hora da estrela Clarice foi autora de oito romances, sete livros de contos, quatro livros infantis, um de crônicas e um de entrevistas, num total de 17 livros e mais alguns póstumos, como Um sopro de vida. Sua última obra, A hora da estrela (1977), narra as desventuras da alagoana Macabéa na cidade do Rio de Janeiro. Por um lado, traça um panorama das desigualdades sociais que marcam a vida de milhares de brasileiros nordestinos. Macabéa foi criada por uma tia, pois perdeu os pais ainda menina. Ao mudar-se para o Rio de Janeiro, passa a trabalhar como datilógrafa. Namora Olímpico de Jesus, um nordestino ambicioso. Macabéa vive alheada de si e excluída do meio onde vive. A ida a uma cartomante lhe promete felicidade, mas à saída é atropelada por um Mercedes Benz. É a sua “hora da estrela”. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 41/56 Capa do livro A hora da estrela. A voz do narrador e autor Rodrigo S.M. reflete os dilemas do escritor. Seu papel na sociedade, as peculiaridades de seu ofício e a busca do sentido de sua vida. Características da obra de Clarice Lispector Acompanhe neste vídeo uma entrevista sobre estilo, temas e personagens da obra de Clarice Lispector. Veja também as análises do conto Amor e do romance A hora da estrela. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 42/56 Questão 1 Podemos dizer que a obra de Clarice Lispector é um mergulho profundo nas questões mais íntimas do ser humano. Uma reflexão sobre a existência. Desse modo, assinale qual o comentário emitido pelos críticos literários que traduz essa afirmação de forma mais precisa. Vamos praticar alguns conceitos? Falta pouco para atingir seus objetivos. A “Clarice era dotada de uma singular personalidade que sabe captar o mundo exterior e interior” (Lúcio Cardoso, Diário Carioca – 1944 apud Souza, 2004). B “Um romance original em nossas letras, embora não o seja na literatura universal” (Álvaro Lins, Correio da Manhã, fevereiro,1944 apud Souza, 2004). C “O perfeito equilíbrio que a romancista conseguiu estabelecer entre o plano da inteligência e o plano da sensibilidade” (Lauro Escorel, Diário da Bahia, fevereiro 1944 apud Souza, 2004). D “Seu romance pode ser situado dentro de uma linguagem mais artística, mais difusamente poética de quantas já tenham apresentado as nossas escritoras” (Guilherme Figueiredo, O Diário de Notícias, janeiro, 1944 apud Souza, 2004). 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 43/56 Questão 2 Clarice Lispector é bastante conhecida pela sensibilidade e profundidade com que aborda temas do universo feminino, além de outras temáticas. Assinale a alternativa que apresenta temática abordada na obra de Clarice. 4 O teatro de Nelson Rodrigues Ao final deste módulo, você será capaz de identificar as características e temáticas do teatro de Nelson Rodrigues. E “O leitor menos experiente confundirá com a obra criada aquilo que é apenas o esplendor de uma micante personalidade” (Álvaro Lins, Correio da Manhã, fevereiro 1944 apud Souza, 2004). Responder A O lugar da literatura no mundo. B As consequências da Segunda Guerra Mundial no Brasil. C Os direitos da família. D A busca da identidade. E Os embates entre pais e filhos. Responder 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 44/56 Biogra�a de Nelson Rodrigues Nelson Rodrigues (1912-1980) nasceu em Recife, mas mudou-se ainda criança com 3 anos de idade para o Rio de Janeiro. Era o quinto filho de uma família de 12 irmãos. O pai, Mário Rodrigues, foi um homem de imprensa. Os filhos seguiram o seu ofício. Em Crítica, jornal paterno, Nelson Rodrigues começou a se exercitar na seção policial. Aos 13 anos, tinha preferência por matérias sobre pactos de morte entre jovens namorados. A veia de escritor despertou logo na infância, mas a experiência de trabalhar na redação de um jornal, acompanhar o dia a dia da cidade, lhe forneceu subsídios e fonte de inspiração para a dramaturgia que iria construir. Um fato trágico mudou o destino da família Rodrigues em 1930. Ruy Castro, biógrafo de Nelson Rodrigues, 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 45/56 afirmou: “ninguém conseguirá penetrar no teatro de Nelson Rodrigues sem entender a tragédia provocada pela morte de Roberto” (Castro, 1992, p. 93). Uma matéria sobre o desquite do casal Thibau, onde a adúltera era apontada em uma manchete do jornal Crítica, tornou pública a vida de uma senhora da alta sociedade. Em vão ela pediu que o jornal não a publicasse. A senhora Sylvia foi à redação do jornal e, ao não encontrar o pai de Nelson, dirigiu sua vingança a Roberto Rodrigues, um dos filhos. Um jovem e talentoso artista plástico que ilustrava matérias no jornal. Foi assassinado aos 23 anos. Capa do jornal Crítica noticiando a morte de Roberto Rodrigues. Mário Rodrigues não suportou a tragédia. Faleceu 67 dias depois. Nelson Rodrigues estava na redação. Ouviu o tiro. O fato seria recordado durante toda a sua vida. Um divisor de águas na história da família Rodrigues. Os anos seguintes foram duros: fome, desemprego e tuberculose (Nelson e um dos irmãos, Jofre, adoeceram). Lutaram muito até conseguirem se reerguer. Todos os irmãos eram ligados à imprensa. Mário Filho, aos esportes, tornou-se o mais célebre e seu nome está eternizado no Maracanã. Nelson despertou para o teatro em 1941, quando escreveu a primeira peça: A mulher sem pecado. Temas como morte e adultério iriam ser a marca registrada de sua dramaturgia. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 46/56 Foi com a encenação da segunda peça, Vestido de noiva (1943), que ele alcançou o reconhecimento da crítica. O texto rodriguiano reuniu um conjunto de inovações cênicas aliado à direção criativa do polonês Ziembinski e aos cenários de Santa Rosa. A peça se tornou um marco do teatro brasileiro moderno. Cena da peça Vestido de noiva, primeira montagem dirigida por Ziembinski, em 1943. Sua produção no teatro o consagrou como o maior dramaturgo brasileiro. É dessa maneira que Nelson Rodrigues é reverenciado. No entanto, sua dramaturgia “desagradável”, que provoca o “tifo e a malária” na plateia, como o próprio autor dizia, foi rejeitada durante décadas. Censurado em vários momentos, conviveu com a fama de “autor maldito” e “tarado”. O epíteto de gênio surgiu muitos anos após a sua morte. Colaborou intensamente na imprensa, especialmente em “O Jornal”, “O Globo” e “Última Hora”. De redator dos balões dos quadrinhos em “O Globo Juvenil”, no início de sua carreira, até aos folhetins escritos sob pseudônimo (Suzana Flag é o mais conhecido). Nelson Rodrigues e a máquina de escrever. Produção que alcançou o grande público e contribuiu muito para sua sobrevivência: títulos como Meu destino é pecar (1944), Escravas do amor (1946) e O casamento (1966) são alguns dos folhetins que, após o sucesso nos jornais, foram publicados com ampla repercussão. As crônicas seguiram a mesma trajetória. O óbvio ululante (1968) e O reacionário (1977) foram extraídas de sua coluna em O Globo. Os contos de A vida como ela é... no Última Hora são até hoje lembrados pelos leitores. O sucesso estrondoso alavancou as vendas do jornal. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 47/56 Suas histórias reuniam todos os ingredientes que prendiam a atenção do público: adultério, sexo em profusão, crimes, velórios e paixões arrebatadoras. Coluna A vida como ela é, do jornal Última Hora. Os personagens viviam na Zona Norte do Rio de Janeiro e, em geral, eram comerciários, desempregados, homens comuns, em geral da classe média. As mulheres demonstravam desejo pelos homens em uma época (nos anos 1950) em que isso não era permitido. Toda a obra de Nelson Rodrigues, seja no teatro, no romance folhetim, nas crônicas ou nos contos, tem a marca da tragédia. A definição do dramaturgo sobre a coluna A vida como ela é... revela como via a obra e a vida: A vida como ela é... se tornou justamente útil pela sua tristeza ininterrupta e vital. Uma pessoa que só tenha do mundo uma visão unilateral e rósea, e que ignore a face negra da vida, é uma pessoa mutilada. Por outro lado, nego a qualquer um o direito de virar as costas à dor alheia. [...] é dever participar do sofrimento dos outros [...] (Castro, 1992, p. 239). A marca de seu texto, seja na dramaturgia, seja nas crônicas ou no folhetim, era revelar as zonas mais profundas do ser humano. Nelson revelava suas imperfeições e desejos proibidos. Ao expor o “teatro desagradável”, Nelson mostrava as fraquezas da natureza humana, suas limitações. Biogra�a de Nelson Rodrigues Assista ao vídeo e conheça a vida de Nelson Rodrigues, seus dramas pessoais e sua atividade na imprensa escrita. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 48/56 A obra de Nelson Rodrigues O início do teatro moderno Uma forma de compreender o universo dramatúrgico de Nelson Rodrigues é dividi-lo em três grandes grupos: peças psicológicas, peças míticas e tragédias cariocas. Apesar de ser uma divisão que tem uma função didática, nos ajuda a ter uma visão geral sobre seu universo agrupado de acordo com sua temática. A divisão não impede que elementos de cada um dos grupos penetre no de outros. Por exemplo, podemos ter peças psicológicas que absorvem elementos míticos e, ao mesmo tempo, traços da tragédia carioca. Veja a seguir! Peças psicológicas Peças como Vestido de noiva e Valsa nº 6 desvendam a psique dospersonagens. Peças míticas Peças como Anjo negro e Álbum de família são consideradas as mais abomináveis pelo público por revelarem os conflitos familiares em situações extremas como o incesto e a vingança. Tragédias cariocas Peças como A falecida e O beijo no asfalto retratam o universo de pessoas das camadas populares, a linguagem do cotidiano registra o dialeto carioca. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 49/56 A linguagem e a temática O fato de os personagens falarem de uma forma popular, com a espontaneidade das imperfeições gramaticais, foi uma novidade para o teatro que se fazia até então. As temáticas polêmicas exploradas e apresentadas no teatro rodrigueano provocaram protestos da plateia e a intervenção da censura. Há uma recorrência temática em toda dramaturgia de Nelson Rodrigues que corresponde a temas como morte, amor, traição, sexo, comicidade, grotesco e relações familiares. Nelson Rodrigues. Vestido de noiva A estreia no dia 28 de dezembro de 1943, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, é o reflexo de como nosso teatro estava pronto para aderir aos caminhos da modernidade após tantas iniciativas nas décadas de 1920 e 1930 com a dramaturgia de Oswald de Andrade, bem como as inovações cênicas do Teatro do Estudante do Brasil, de Paschoal Carlos Magno. O espetáculo dirigido pelo polonês Ziembinski trouxe uma série de inovações no texto dramático, nas técnicas de encenação e na iluminação, por isso se tornou um marco simbólico. O teatro brasileiro passava por uma grande transformação e foram os grupos amadores, como Os comediantes, que trouxeram novas possibilidades de se fazer teatro em sintonia com as artes cênicas modernas europeias. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 50/56 Ziembiński. A figura do ensaiador, responsável por marcar o posicionamento dos atores em cena, é substituída pelo encenador ou diretor; ele é uma espécie de maestro do espetáculo, é a sua concepção da peça que será encenada. Ela é o resultado de um trabalho em equipe formado pelo iluminador, o cenógrafo e o figurinista. Nesse novo formato, deu-se maior destaque ao trabalho em equipe do que ao primeiro ator, como ocorriam nas montagens teatrais do teatro brasileiro na Companhia de Leopoldo Fróes. O cenógrafo Santa Rosa (1909-1956) projetou uma construção com arcos e três planos independentes onde um engenhoso plano de iluminação, até então inédito no teatro brasileiro, idealizado por Ziembinski, revelam os planos imaginados. Cenário da primeira montagem de Ziembinski, em 1943. Enredo e dramaturgia Para entender por que Vestido de noiva alcançou o patamar de marco do teatro moderno no Brasil, é preciso considerar a estrutura da peça concebida em três planos de tempo: realidade, memória e alucinação. A trajetória da protagonista Alaíde se passa simultaneamente em diferentes planos. Nelson Rodrigues indica nas rubricas a transição de um plano para outro e, através do recurso da iluminação, podemos acompanhar a vida da personagem. Tudo começa com o atropelamento de Alaíde e sua ida para o hospital após violenta discussão com Lúcia, sua irmã, sobre seu romance com Pedro, ex-namorado de Lúcia, que se tornou marido de Alaíde. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 51/56 As cenas mostram a projeção da mente da protagonista quando está sendo operada, isto é, tudo que nos chega em forma de dramaturgia é o resultado da descrição de flashes da realidade (Alaíde, atropelada no largo da Glória, está sendo operada) em fusão com os outros planos: Flashes da memória Relacionado ao passado da protagonista com seus pais e, principalmente, com a irmã, Lúcia, e o marido Pedro, ex- namorado da irmã. Flashes da alucinação Fantasias sobre uma cafetina, Madame Clessi, morta pelo namorado em 1905, cujo diário Alaíde leu no sótão de sua casa, onde há muitos anos morara essa personagem que a fascinou. Clessi é uma espécie de alter ego de Alaíde, são suas fantasias no plano do inconsciente. Na peça, ambas dialogam sem terem se conhecido na realidade. A mente de Alaíde, em função do atropelamento, projeta essas situações que o dramaturgo nomeia como plano da alucinação. Camilla Amado como Alaíde e Norma Bengell como Madame Clessi em montagem dirigida por Ziembinski, em 1976. Com o cruzamento dos planos, o espectador percebe a mistura das lembranças e dos delírios de Alaíde, ora conversando com a falecida Madame Clessi, ora com o marido e com a irmã. É no plano da alucinação que Alaíde tenta se lembrar de momentos de sua vida. O plano da realidade indica o tempo cronológico linear da história e a ação ali é disposta em flashes, os planos da memória e da alucinação ajudam também a organizar e reconstruir os acontecimentos que a protagonista vivenciou. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 52/56 A dramaturgia de Vestido de noiva é urdida pelos conflitos internos de Alaíde. A vida em família, sua relação com a irmã, Lúcia, na disputa pelo namorado Pedro, que depois se torna seu marido. Instaura-se um triângulo amoroso entre eles, paira a dúvida se o atropelamento de Alaíde foi tramado por Lúcia e Pedro. Yoná Magalhães como Alaíde em montagem dirigida por Ziembinski, em 1965. Os três atos de Vestido de noiva se passam simultaneamente na sala de cirurgia, na redação do jornal, nas cenas do casamento, na casa da família de Alaíde e no bordel de madame Clessi. A obra de Nelson Rodrigues Confira neste vídeo uma entrevista sobre a obra de Nelson Rodrigues, situando-a no contexto do teatro moderno, e veja uma análise de Vestido de noiva. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 53/56 Questão 1 Qual é a obra de Nelson Rodrigues que se tornou um divisor de águas na história do teatro brasileiro ao ponto de os historiadores a designarem como o início do teatro moderno brasileiro? Questão 2 A dramaturgia rodriguiana pode ser dividida, para efeitos didáticos, em três grupos temáticos. Assinale a alternativa que apresenta corretamente essa divisão. Vamos praticar alguns conceitos? Falta pouco para atingir seus objetivos. A O beijo no asfalto B Dorotéia C Bonitinha, mas ordinária D Vestido de noiva E A mulher sem pecado Responder A Psicológicas, fantasmáticas, memorialistas. B Tragédias cariocas, psicológicas, míticas. C Míticas, surrealistas, memorialista. D Psicológicas, tragédias cariocas e míticas. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 54/56 Considerações �nais Neste conteúdo, mostramos a Geração de 45, terceira geração do movimento modernista, com destaque para a poesia de João Cabral de Melo Neto, a prosa de ficção de Guimarães Rosa e Clarice Lispector, e o teatro de Nelson Rodrigues. Vimos que a marca da Geração de 45 é a sintonia que estabelece especialmente com o contexto social e político de sua época. Não fica indiferente às consequências da Grande Guerra, que abala os alicerces geopolíticos e econômicos das nações e cria dois polos que se enfrentam sob a égide do capitalismo e do socialismo. A literatura se caracteriza por uma experimentação ao nível da linguagem. A narrativa alça novos voos introjetando técnicas que a identificam ao romance moderno. A poesia não se conforma com os princípios estabelecidos, busca o antilirismo, nega a inspiração e cria uma dicção nova em sintonia com o ser universal. A Geração de 45 é um salto na produção modernista. Só possível porque acolheu e processou os ensinamentos das geraçõesde 1922 e 1930. E Tragédias cariocas, fantasmáticas e memorialistas. Responder Explore + Assista aos vídeos a seguir para conhecer mais sobre os autores que estudamos neste conteúdo: 110 anos de Guimarães Rosa, Jornal USP. Disponível no Canal USP, no YouTube. Recordar é TV - O mundo mágico de Nelson Rodrigues. Novembro, 2017. Araken Távora entrevista Nelson Rodrigues. 1977. Programa O Mundo mágico de Nelson Rodrigues. TVE. Disponível no Canal TV Brasil, no YouTube. Recordar é TV celebra a poesia de João Cabral de Melo Neto. Maio, 2019. Araken Távora entrevista João Cabral. 1977. Programa Os Mágicos. Disponível no Canal TV Brasil, no YouTube. João Cabral de Melo Neto. Programa De lá Pra Cá. Apresentação Ancelmo Gois e Vera Barroso. Disponível Canal TV Brasil, no YouTube. Clarice Lispector. Programa De Lá Pra Cá. Apresentação Ancelmo Gois e Vera Barroso. Disponível no Canal TV Brasil, no YouTube. 17/04/2024, 11:14 O Pós-modernismo: a Geração de 45 https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/05636/index.html?brand=estacio# 55/56 Referências ANDRADE, C. D. de. Entrevista a Augusto Mais e Lúcia Nagib. Folha de S. Paulo, Folhetim, São Paulo, 1985. BOLLE, W. O sertão como forma de pensamento. Scripta, v. 2, n. 3, PUC Minas, 1998. BOSI, A. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1979. BLOCH, P. Guimarães Rosa. In: Pedro Bloch entrevista. Rio de Janeiro: Bloch, 1989. CASTRO, R. O anjo pornográfico: a vida de Nelson Rodrigues. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. COUTINHO, A. Introdução à literatura no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978. FERREIRA, C.; VASCONCELOS, J. Certas palavras. 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