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É PROIBIDO o compartilhamento desses materiais Erisipel�, Impetig� � Celulit� aaaaaaaaaaaaaaaa� � � � � � � � � Beatriz Ignacio Carvalho - @beasroutine MORFOFISIOLOGIA DA PELE Pele: tecido epitelial de origem ectodérmica (epiderme) e tecido conjuntivo de origem mesodérmica (derme). Camadas: 1. Estrato basal: com queratinócitos jovens em divisão, melanócitos e ocasionais células de Merkel. 2. Estrato espinhoso: com desmossomos proeminentes nos queratinócitos ainda vivos, dando o aspecto espinhoso. Possuem filamentos de pré-queratina e conferem resistência à tensão. 3. Estrato granuloso: com queratinócitos em apoptose e grânulos de querato-hialina que irão compor a queratina da superfície e grânulos lamelares com glicolipídeos que ajudam na impermeabilidade. 4. Camada lúcida: na pele espessa com queratinócitos mortos não descamados, conferindo resistência extra. 5. Camada córnea: com queratinócitos mortos e pavimentosos ricos em queratina que irão descamando. Derme: conjuntivo com fibroblastos, macrófagos, vasos e nervos. As principais porções dos folículos pilosos e glândulas sebáceas e sudoríparas derivam da epiderme mas residem na derme. A camada papilar superficial é composta de conjuntivo frouxo e muitos vasos, formando as papilas dérmicas com terminações nervosas livres e corpúsculos de meissner. Já a derme reticular é composta de conjuntivo denso não-modelado e possuem vasos, nervos, folículos e glândulas. FUNÇÕES DA PELE ➔ Proteção ➔ Receber estímulo ➔ Regulação da temperatura ➔ Reservatório de sangue ➔ Excreção e absorção ➔ Síntese de vitamina D. INFECÇÕES BACTERIANAS DE PELE Classificadas como cutâneas quando são primárias e como impetiginização quando são secundárias a lesões prévias. Suas etiologias são: ➔ Estafilococcias por S. aureus ➔ Estreptococcias por S. pyogenes A classificação pela profundidade é: ➔ Infecção superficial: impetigo por S. pyogenes e síndrome da pele escaldada por S. aures ➔ Infecção da epiderme e derme: ectima ➔ Infecção profunda: erisipela e celulite infecciosa ERISIPELA Variante mais superficial da celulite, causada por Streptococcus grupo A que afetam mais a derme papilar e envolvem o sistema linfático. Já a celulite envolve a derme reticular e subcutânea. Afeta crianças, idosos, debilitados e portadores de linfedema ou úlceras cutâneas. Sua incidência aumenta durante o verão. Em países quentes e úmidos afetam mais os membros inferiores por conta da tinea pedis (frieira) e nos países frios afeta mais a face por conta da dermatite seborreica. É PROIBIDO o compartilhamento desses materiais AGENTES Os mais frequentes são os Streptococcus do grupo A, embora outros Streptococcus, S. aureus, k. pneumoniae, Pneumococos, Haemophilus e Yersinia também possam estar envolvidos. FATORES DE RISCO Tinea pedis, insuficiência venosa, diabetes, traumas, tromboflebites, desnutrição, uso de álcool e drogas e nas erisipelas de face as infecções respiratórias. Na maioria das vezes a bactéria penetra por traumas na pele, mas ocasionalmente pode advir de origem hematogênica. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA ERISIPELA ❖ Incubação de 2-5 dias ❖ Eritema vivo e edema doloroso com bordas bem delimitadas. ❖ Em casos mais severos podem surgir bolhas, necrose e ulcerações. Imagem: Erisipela bolhosa Imagem: Erisipela com áreas de necrose ❖ Pode haver complicação com pele em aspecto musgoso, especialmente em obesos. Imagem: Erisipela com certo grau de linfedema É PROIBIDO o compartilhamento desses materiais Imagem: Erisipela bilateral com linfedema ❖ As complicações mais sérias são nefrite e septicemia. ❖ Acompanha linfangite (infecção dos vasos linfáticos) e linfadenopatia regional aguda. ❖ Febre, mal-estar e calafrios. DIAGNÓSTICO ❖ Exame físico com achados: área eritemato edematosa com aumento de temperatura e dor, e bordas bem delimitadas. Linfadenopatia local e linfangite. ❖ Hemograma: com leucocitose com D.E. As culturas não são muito úteis, por conta do alto grau de colonização da pele. ❖ Dosar ASLO e anti-DNAse B: podem indicar a origem estreptocócica. ❖ Pode-se usar IFl e aglutinação em látex para detectar antígenos de streptococcus em biópsia cutânea. DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS Tromboflebite ou flebite: processo inflamatório em veia superficial com formação de trombo, especialmente em pessoas com varizes e veias varicosas. O aspecto é de um eritrema que segue o curso do vaso. Trombose venosa profunda: mesmo processo, porém em veias mais profundas. Neste caso não se vê o eritema acompanhando a veia, apenas sente-se dor, cursa com edema, tom de pele mais acinzentado e dermatites ocres. A dor melhora ao elevar o membro e o toque é quente. DAOP: consiste no bloqueio ou estreitamento de uma artéria nas pernas (ou, raramente, nos braços), geralmente devido a aterosclerose e resultando em diminuição do fluxo sanguíneo. Neste caso não há edema, o toque é frio e a dor melhora ao abaixar o membro. O tom da pele é avermelhado e não se observam veias ingurgitadas. É PROIBIDO o compartilhamento desses materiais TRATAMENTO Antibióticos orais: ❖ Penicilina V ou Amoxicilina (penicilinas) ❖ Cefalexina ou Cefadroxila (cefalosporinas 1 geração) Antibióticos endovenosos para casos mais graves: ❖ Penicilina G Cristalina e alternativos ceftriaxona (3 geração) e cefazolina (1 geração). Nos casos de erisipela recorrente em que não se consegue controlar os fatores de risco: ❖ Pode ser indicado tratamento profilático com uma dose de penicilina benzatina a cada 4 semanas por 6 a 24 meses. Indica-se repouso com membros elevados, compressas frias e, se necessário, desbridamento. CELULITE Processo semelhante ao da erisipela mas que atinge camadas mais profundas, dando bordas menos definidas e eritema menos vivo. Na prática, podem ser difíceis de diferenciar. Mais frequente em idosos e prevalente nos meses mais quentes. AGENTES Mais comumente causada por Streptococcus A e S. aureus (mais frequente em crianças). Nos pacientes com úlceras diabéticas e de decúbito os agentes são mais variados, com cocos positivos e gram-negativos. FATORES DE RISCO Linfedema, alcoolismo, diabetes, drogas e doença vascular periférica. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS ❖ Eritema menos vivo e menos delimitado, acompanhado de sinais flogísticos. ❖ Em casos mais graves pode haver vesículas, bolhas, pústulas e necroses. É PROIBIDO o compartilhamento desses materiais ❖ Febre, calafrios, mal-estar e linfadenopatia regional. ❖ A celulite facial é mais comum em crianças, mas pode ocorrer em adultos. ❖ A celulite pré-septal atinge as pálpebras inferiores e a celulite orbitária atinge ambas as pálpebras. Constitui uma situação grave pelo risco de trombose séptica pelo seio cavernoso. Nestes casos, além de traumas, infecções como sinusites, conjuntivites e gripes são fatores de predisposição. ❖ Complicações como glomerulonefrite pós-estreptocócica, linfadenite, endocardite bacteriana e sepse são raras mas podem ocorrer em imunodeprimidos. ❖ A celulite hemorrágica é rara, sendo descrita em pacientes diabéticos, imunodeprimidos e em uso de anticoagulantes. Há área de hemorragia dérmica e bolhas. DIAGNÓSTICO ❖ Exame físico com achados: área eritemato edematosa com aumento de temperatura e dor, com bordas mal delimitadas. Pode haver linfadenopatia local e linfangite. ❖ Hemograma: Leucócitos normais ou ligeiramente elevados. ❖ Hemoculturas: quase sempre dão negativos. Exceção: celulite por H. influenzae, com leucocitose e D.E e hemoculturas positivas. ❖ Pode-se pedir biópsia cutânea. TRATAMENTO Repouso, elevação do membro e compressas frias. Para a maioria dos pacientes com celulite não purulenta, usa-se terapia empírica eficaz contra estreptococos do grupo A e S. aureus: ❖ Dicloxacilina (penicilina) ou cefalexina (1 geração) ❖ Em pacientes alérgicos à penicilina, usa clindamicina (lincosamida que inibe ribossomo). Celulite purulenta e complicada: antibiótico endovenoso. Usa-se uma das seguintes opções: ❖ Vancomicina ou Teicoplanina (glicopeptídeos que inibem síntese deparede) ❖ Linezolida (oxazolidinonas que inibe a síntese ribossomal) ❖ Daptomicina (lipopeptídeo que muda a polaridade da membrana e inibe a síntese de DNA e RNA) É PROIBIDO o compartilhamento desses materiais IMPETIGO Infecções piogênicas superficiais e primárias de pele, que são contagiosas. Acometem primariamente face e membros superiores e podem se alastrar. Se complicação de dermatoses prévias chama-se impetiginização e geralmente são de natureza estafilocócica. Acometem principalmente crianças, sendo a infecção cutânea mais comum neste grupo. Os adultos frequentemente se contaminam pelo contato com as crianças. AGENTE Causadas por S. aureus e mais raramente S. pyogenes. FATORES DE RISCO Calor e umidade, má higiene, traumas cutâneos, esportes de contato e diástase atópica. FISIOPATOLOGIA As espécies bacterianas na epiderme induzem resposta inata que pode destruir a epiderme e causar exsudato seroso com formação de crosta escamosa. No impetigo bolhoso a formação de bolhas está relacionada a toxinas bacterianas do S. aureus, especialmente a desmogleína l, que quebra os desmossomos e separa as camadas da pele. Mais provável de ocorrer na pele intacta. No impetigo não bolhoso a infecção se inicia em locais com traumas, pruridos ou infecções cutâneas tanto por S. aureus quanto por S. pyogenes. O local de preferência é em torno do nariz e boca e nas extremidades. Pode haver glomerulonefrite pós-estreptocócica 3 semanas após início do quadro cutâneo. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Impetigo não-bolhoso: ❖ Mácula eritematosa que evolui para bolha ou vesícula efêmera, que logo vira crosta espessa de coloração amarelada (lembra mel). Pode lembrar de queimadura de cigarro. ❖ Pode haver linfadenite-satélite mas não costuma ser associada a sintomas gerais. Impetigo - bolhoso: ❖ Vesículas que rapidamente se transformam em bolhas grandes que sofrem processo de pustulização. As crostas são mais finas e amarronzadas É PROIBIDO o compartilhamento desses materiais CARACTERÍSTICAS DO IMPETIGO BOLHOSO E NÃO - BOLHOSO IMPETIGO NÃO BOLHOSO IMPETIGO BOLHOSO Epidemiologi a 70% de todos os casos de impetigo; Crianças afetadas commais frequência Menos comum; Frequentemente ocorre no período neonatal, mas as crianças também são afetadas. Lesões clínicas Inicial: uma única mácula eritematosa de 2– 4 mm que evolui rapidamente para uma vesícula ou pústula de vida curta; Tardio: erosão superficial com uma crosta amarela “cor de mel” e extensão rápida e direta da infecção para a pele adjacente. Inicial: pequenas vesículas que aumentam e se transformam em bolhas superficiais de 1– 2 cm; Tardio: bolhas flácidas e transparentes que medem até 5 cm de diâmetro; depois do rompimento existe um colarete de escamas, mas não uma crosta grossa; normalmente, há um pouco de eritema ao redor. Distribuicão Face (ao redor do nariz e boca) e extremidades. Face, tronco, nádegas, períneo, axilas e extremidades. Achados associados Linfadenopatia leve pode estar presente. Normalmente não há sintomas sistêmicos, mas pode ser associado à fraqueza, febre e diarreia. Curso Clínico Geralmente um processo benigno e autolimitado; Geralmente se resolve dentro de 2 semanas sem formação de cicatriz, se não for tratado. Geralmente se resolve em 3–6 semanas sem formação de cicatriz, se não for tratado. Complicações Em 5% dos casos, o impetigo não bolhoso causado pelo S. pyogenes (sorotipos 1, 4, 12, 25 e 49) resulta na glomerulonefrite pós-estreptocócica aguda (GPEA); O risco de GPEA não é alterado pelo tratamento com antibióticos; O impetigo não foi vinculado a um risco de febre reumática. Em lactentes/crianças pequenas e adultos com imunodeficiência ou insuficiência renal, a toxina esfoliante pode disseminar e causar a síndrome de pele escaldada estafilocócica. É PROIBIDO o compartilhamento desses materiais DIAGNÓSTICO Clínico, pelo exame físico. Pode-se fazer cultura do exsudato ou fluído das bolhas. Metade dos casos causa leucocitose. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Herpes simples Dermatofitose Miliária (brotoeja): Obstrução ou inflamação do ducto da glândula sudorípara. Periporite: Representa a complicação da miliária por infecção bacteriana pelo estafilococo e manifestada por pústulas. TRATAMENTO A extensão, complicações e presença de comorbidades direciona a terapia. Para pacientes saudáveis; ❖ Pomada de mupirocina 2% ou retapamulina 1% podem ser prescritas. ❖ Limpeza e remoção das crostas. Em casos extensos usa-se: ❖ Amoxicilina e ácido clavulânico ou cefalexina. REFERÊNCIAS . TORTORA, Gerard J. Princípios de anatomia e fisiologia 14. ed. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. FILHO, Geraldo B. Bogliolo - Patologia. Grupo GEN, 2021. WHALEN et. al. Farmacologia Ilustrada, 6a edição. Porto Alegre: Artmed, 2016.