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(AULA 11 – VÍDEO AULA) FARMACODINÂMICA Estudo do Mecanismo de ação dos medicamentos Estudo da interação que ocorre entre a molécula do medicamento e a estrutura do organismo. Se ligando a receptores presente em uma célula, e com isso, causando mudanças intracelulares >> EFEITO FARMACOLÓGICO. ~ Nenhum fármaco é capaz de gerar um efeito farmacológico se não interagir com o organismo ~ Possíveis efeitos dos fármacos: 1) BENÉFICOS / TERAPÊUTICOS: ● É considerado o efeito esperado de um medicamento. ● Quando o medicamento se liga ao receptor ele é capaz de produzir uma atividade intrínseca – capacidade da droga de produzir um efeito farmacológico quando ligada ao seu receptor. - POTÊNCIA: capacidade de o medicamento produzir o efeito farmacológico na menor dose possível, ou seja, quando um fármaco é muito potente deve-se adm em baixas doses para que se tenha um efeito farmacológico interessante. ~ Quanto menor a dose, maior a Potência ~ ~ Considerando um efeito de 50%, ou seja, no meio da linha na vertical, cada medicamento precisará de uma dose diferente – Sempre que for olha potência deve-se fixar uma dose a ser analisada. O medicamento A: precisa de uma dose ‘X’, se quisermos o mesmo efeito para o medicamento B será preciso uma dose maior, assim como, se quisesse do medicamento C iria precisar de uma dose maior ainda. Sendo assim, é possível concluir que o Fármaco A é o mais potente dentre eles, ou seja, necessita de menores doses para que o efeito aconteça. - EFICÁCIA: Capacidade do medicamento de produzir uma resposta farmacológica desejada- Efeito farmacológico mais intenso. Ou seja, quando um medicamento é muito eficaz, isso indica que ele produz um efeito maior/intenso. O medicamento ‘A’ tem uma curvatura maior, o que indica que ao se utilizar doses crescentes desse medicamento, o efeito também cresce, podendo assim, atingir 100%. O medicamento ‘B’ mesmo adm várias doses ele atinge um platô de cerca de 50%, ou seja, o MEDICAMENTO A’ é mais eficiente do que o ‘B’. O medicamento ‘C’ com a adm de várias doses não chega a atingir nem 50%. Ex: Morfina produz analgesia mais intensa, portanto ela é mais EFICAZ que o Paracetamol. 2) EFEITOS ADVERSOS/ COLETERAIS/ TÓXICOS: A) REAÇÕES ADVERSAS PREVISÍVEIS [acontece em pacientes normais, ou seja, sem hipersensibilidade a medicamentos/ que não possuem alergia]: - Sabe-se que àquela reação adversa pode ocorrer = previsível. - Pode acontecer por dois principais motivos: ¹ TOXICIDADE devido a SUPERDOSAGEM; Quando o paciente utiliza uma dose elevada, ou , quando o paciente utiliza uma dose terapêutica e por ele ter dificuldade de excreção, o fármaco se acumula, aumentando a concentração plasmática e posterior toxicidade. ² EFEITO COLATERAL: Ocorre devido à falta de SELETIVIDADE e ESPECIFICIDADE, pois quanto mais seletivo e específico um medicamento for para seu receptor, maior será a chance dele causar o efeito farmacológico esperado sem produzir o efeito colateral. EX: Atropina [anticolinérgico] é específica, mas não é seletiva. Ela é específica por se ligar e bloquear apenas receptores muscarínicos, mas não é seletiva, pois ela se liga a todos os receptores muscarínicos, ou seja, ela se liga a M1-SNC / M2-coração / M3-M. liso [brônquios, intestino, bexiga, glândulas]. Se utilizá-la em procedimentos para diminuir secreções ela irá realizar este papel – ESPERADO -, porém, também trará outros efeitos, já que, se liga a outros receptores – COLATERAL - EX: Clorpromazina (antipsicótico muito utilizado para esquizofrenia), espera-se que ela bloqueie os receptores dopaminérgicos no SNC, pois a dopamina em excesso é o que ocasiona a esquizofrenia. Porém ela é pouco específica e pouco seletiva, pois se a todos os receptores do organismo, não só nos dopaminérgicos, como por exemplo: Muscarínicos / Histamínicos / Alfa-Adrenérgico; Dessa maneira, ela causa muitos efeitos indesejáveis, ou seja, COLATERAIS. ● ÍNDICE TERAPÊUTICO [fornece a margem de segurança/ quão seguro o fármaco é] IT = Índice Terapêutico – a distância entre TD50 e ED50 - DT = Dose Tóxica 50, ou seja, para 50% dos pacientes ED = Dose Eficaz 50 ~ Quanto maior o índice terapêutico de um medicamento, maior será a sua margem de segurança, ou seja, quanto maior o numerador = TD50 - dose tóxica, maior tem que ser sua margem demonstrando ser um fármaco seguro ~ ³ EFEITOS SECUNDÁRIOS DIRETOS E INDIRETOS: Às vezes alguns medicamentos são utilizados para tratar alguma doença e seu uso pode provocar outra doença. EX: ANTIBIÓTICOS geram Colite Pseudomembranosa; A Clindamicina é um medicamento que além de eliminar as bactérias do foco infeccioso, também elimina algumas bactérias do trato gastrointestinal, exceto a Clostridium difficile, o que fará com que ele tem maior fonte de alimentação e comece a se multiplicar, liberando uma toxina que leva a essa doença secundária. EX: Pacientes que utilizam GLICOCORTICOIDES na bombinha pra asma, se ele faz o uso do medicamento de maneira incorreta, como ele diminui a imunidade, ele pode ficar na região orofaríngea e essa cândida pode multiplicar e ocasionar Candidose orofaríngea. B) EFEITO ADVERSO IMPREVISÍVEL - que acontece em pacientes hipersensíveis: - Acontece por 3 motivos: ● INTOLERÂNCIA: Mesmo em pequenas doses o paciente apresenta efeito adverso. EX: Ácido Acetilsalicílico – alguns pacientes podem apresentar zumbido no ouvido – comuns em casos de intoxicações -. Mas alguns pacientes mesmo em baixas doses. ● REAÇÕES IDIOSSINCRÁSICAS: Reações individuais/ inespecíficas de um determinado medicamento a um determinado paciente. Sendo considerado como uma resposta ANORMAL, porém existem indivíduos que podem apresentar estes efeitos. ● REAÇÕES ALÉRGICAS: Acontecem em um número limitado de pacientes; Sendo resposta do sistema imunológico frente a determinada droga. ~ Reação Alérgica Cruzada: alguns fármacos possuem estruturas químicas similares a outros medicamentos e muitas vezes entra-se em contato com medicamento ‘X’ e nos hipersensibilizamos e quando entramos em contato com outros fármacos similares pode-se desenvolver uma reação alérgica. EX: Toda Penincilida tem uma estrutura básica - anel betalactânico -, isso significa se o paciente tiver alergia a um medicamento que contém este anel, ele pode desenvolver alergia aos antibióticos da classe das penicilinas. ~ Pacientes que tem alergia a Amoxicilina, o médico precisa mudar a classe farmacológica ~ 1) EFEITOS FRACOS, NULOS OU AUSENTES: - Muitas vezes o paciente utiliza medicamento e a resposta terapêutica não aparece. Isso pode acontecer por 2 motivos principais: ¹ RESISTÊNCIA: Existe alguns microrganismos - bactéria, fungo - que adquirem resistência aos medicamentos. ² TOLERÂNCIA: Perda gradual – pode levar meses/anos - do efeito do medicamento; Onde o organismo começa a ter uma tolerância ao fármaco por dois mecanismos: * FARMACOCINÉTICO – o organismo induz enzimas que metabolizam o fármaco, do CP450, e consequentemente esse medicamento será mais biotransformado/metabolizado e seu efeito farmacológico reduz. * FARMACODINÂMICO – apresenta dessensibilização dos receptores, ou seja, o receptor perde a sensibilidade à sensibilidade do medicamento, ocasionando uma perda gradual do efeito. EX: Paciente utiliza um Benzodiazepínico para tratar insônia todos os dias durante meses , porém passado certo tempo a dose inicial não será suficiente para exercer o efeito farmacológico, necessitando assim, de dose maior. ** TAQUIFILAXIA: Perda rápida do efeito farmacológico – pode ocorrer em minutos/horas/dias – **Outros motivos: DIAGNÓSTICO ERRADO / ESCOLHA ERRADA DO MEDICAMENTO / DESOBEDIÊNCIA AO REGIME TERAPÊUTICO –circunstância que pode fazer com que o paciente não alcance o ‘Step State’, ou seja, a concentração plasmática constante para que se tenho um efeito pleno - / MEDICAMENTOS FALSIFICADOS 2) EFEITOS COMBINADOS - quando se associa alguns medicamentos pode-se ter 2 tipos de efeitos: ¹ SINERGISMOS: 2 fármacos associados tendem a ter um AUMENTO da resposta farmacológica:SINERGISMO POTENCIALIZADOR: A associação faz com que os efeitos sejam somados, porém os efeitos colaterais não se somam. Por isso, ao invés de aumentar a dose de um medicamento único – que poderia trazer efeitos colaterais -, faz-se a utilização de um fármaco que o potencializa. Ex: Amoxicilina + Clavulanato O Clavulanato potencializa a ação da Amoxicilina, mas não apresenta efeito se estiver sozinho, já que, ele não é um antibiótico; pois sua função é INIBIR uma enzima produzida por bactéria – Betalactamase - que é capaz de degradar a Amoxicilina. SINERGISMO ADITIVO: Ex: Paracetamol [analgésico periférico] + Codeína [analgésico opioide] A associação faz com que os efeitos sejam somados, já que, isolados ambos conseguem continuar realizando suas funções normalmente. ² ANTAGONISMO:: A) FÍSICO: uma substância se une fisicamente com outra IMPEDINDO seu efeito farmacológico. Ex: Paciente intoxicado por via oral por substancias alcaloides e utiliza-se o carvão ativado, pois ao chegar ao trato gastrointestinal ele se complexa ao alcaloide e impede sua absorção. B) QUÍMICO: uma substância REAGE quimicamente com outra alterando a sua estrutura, o que altera a capacidade de ligação ao receptor. Ex: Quando dois medicamentos são misturados na mesma seringa ou no soro fisiológico e ocorre: Mudança de Cor / Fica Turvo/ Precipita. Essa reação faz que um dos fármacos perca a sua estrutura farmacológica ideal e não se liga mais em seu receptor diminuindo o efeito farmacológico. C) FISIOLÓGICO: acontece quando um medicamento é capaz de PRODUZIR UM EFEITO CONTRÁRIO de outro fármaco que o paciente já utiliza. Ex: Uso de Glicocorticóides para tratar doença autoimune, porém o glicocorticoide aumenta a neoglicogenese, que aumenta a glicemia; Um paciente diabético utiliza insulina – hipoglicemiante -. Ou seja, o glucagon e a insulina são antagônicos do tipo fisiológico, com efeitos contrários um do outro. D) RECEPTORES: Há medicamentos que são capazes de atuar no receptor e bloqueá-lo de alguma maneira, a fim de, impedir que outro fármaco se ligue a ele; Então se existe medicamento que faz isso se pode classificar como sendo antagonismo competitivo e não competitivo. Os medicamentos podem ser classificados em 2 tipos: 1) FÁRMACOS ESTRUTURALMENTE INESPECÍFICOS: São aqueles que NÃO dependem de um receptor para gerar seu efeito farmacológico – minoria -. Pode gerar um efeito por alteração da membrana plasmática – alguns se acumulam na camada bi lipídica da membrana e alteram-na - EX: Anestésicos Gerais. 2) FÁRMACOS ESTRUTURALMENTE ESPECÍFICOS: DEPENDEM de um receptor para exercer seu efeito farmacológico. Esses fármacos são chamados de agonistas ou antagonistas. ¬ AGONISTA: é um medicamento é capaz de se encaixar no receptor farmacológico e gerar uma resposta biológica. Estes agonistas tem estrutura química endógena/semelhante que deveria se ligar a este receptor. EX: Agonista de dopamina, é um medicamento que tem estrutura semelhante a dopamina e por isso consegue se ligar no receptor de dopamina. * AGONISTAS TOTAIS: Preenche inteiramente o sítio de ligação do receptor e produz 100% de efeito biológico; * AGONISTAS PARCIAIS OU MODIFICADOS: Se liga no receptor, porém o encaixe não é perfeito, o que resulta em uma resposta biológica de 50%. ¬ ANTAGONISTA: * COMPETITIVOS: Compete com uma substância endógena pela ligação no receptor. EX: Antagonista dopaminérgico - compete com a dopamina pela ligação no receptor; Ou seja, age como bloqueio e ela não se liga, bloqueando assim, a resposta/efeito. * NÃO COMPETITIVOS: Ao invés de se ligarem no sítio de ligação ele se liga em outra região do receptor - como se fosse uma ligação alostérica - e modifica a conformação do receptor, fazendo com que a substância endógena não consiga se ligar ao seu receptor, não por ter bloqueá-lo, mas sim por ter mudado a sua conformação química. TIPOS DE RECEPTORES: REVER NAS ANOTAÇÕES DE BASE/FISIOLOGIA ¬ Ionotrópicos - ¬ Metabotrópicos ou acoplados a proteína G - ¬ Enzimáticos ou de tirosinaquinase - ¬ Intracelulares, presentes ou no citoplasma ou no DNA na células - INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS São os principais pontos chaves em uma farmacoterapia. Isso ocorre porque muitos pacientes utilizam grandes variedades de medicamentos que podem interagir entre si alterando um a atividade do outro. É importante entender que essas interações medicamentosas podem ocorrer para evitá-las e consequentemente contribuir para a farmacoterapia do paciente. Todos sabemos que atualmente existe uma grande variedade de especialidades médicas que tendem a prescrever medicamentos específicos de acordo com a patologia do paciente. EX: paciente vai até o cardiologista, que vai prescrever medicamentos que atuam no Sistema cardiovascular, porém ao mesmo tempo o paciente desenvolve um distúrbio endócrino, e o endocrinologista vai prescrever medicamentos para tratar essas doenças endocrinológicas. ● Os medicamentos podem interagir entre si [fármaco com fármaco]: efeito farmacológico pode ser reduzido ou aumentado. Na maioria das vezes as interações medicamentosas acontecem entre fármacos ● Os medicamentos podem interagir com ÁLCOOL ● Os medicamentos podem interagir com o TABACO - existem estudos dizendo que o tabaco podem alterar as enzimas do CP450. ● Os medicamentos podem interagir com ALIMENTOS: podem alterar a taxa de absorção - aumentando ou diminuindo -, ou podem influenciar num efeito farmacológico direto. EX: Inibidores de MAO (IMAO’s), que são medicamentos antidepressivos que não devem ser utilizados ou associados com alimentos ricos em tiramina (está em alimentos tipo chocolate, queijo, vinho, fígado de galinha). Os IMAO’s não podem ser usados juntos com esses alimentos, pois ao inibir a MAO do Trato Gastro Intestinal (além de ter a MAO no SNC também temos a MAO no TGI), inibem também a degradação da tiramina presente nestes alimentos. Quando a tiramina chega ao TGI ela é degradada pela MAO, se o medicamento está inibindo a MAO, a tiramina não será degradada, será mais absorvida e a maior presença de tiramina na corrente sanguínea, aumentando muito a PA, pois a tiramina é importante para a liberação de noradrenalina das vesículas pré - sinápticas. Então quanto mais tiramina chega a corrente sanguínea, maior será a liberação de noradrenalina e o paciente terá um pico de hipertensão arterial podendo ser necessário hospitalizar. Na maioria das vezes, pensa-se que interações medicamentosas são maléficas, mas elas podem ser benéficas também. Interação medicamentosa é todas as vezes que um medicamento interage com outra substâncias podendo ter um efeito benéfico. As duas situações clínicas onde a interação tem um efeito benéfico: 1) Quando um medicamento é capaz de aumentar o efeito terapêutico do outro: Efeito Sinérgico/ Capaz de potencializar a ação farmacológica do outro. EX: Quando associa dois analgésicos [SINERGISMO ADITIVO] - Os dois medicamentos são capazes de um somar o efeito do outro e consequentemente o efeito analgésico será aumentado. EX: PROBENICIDA com PENICILINA- A PROBENICIDA bloqueia a secreção tubular da PENICILINA, aumentando a concentração plasmática desta e consequentemente prolongando seu efeito farmacológico. EX: DIURÉTICO = HIDROCLOROTIAZIDA associado a ANTI-HIPERTENSIVO = PROPANOLOL [beta-bloqueador] eles irão aumentar o efeito terapêutico que é a diminuição da PA. 2) Quando um medicamento reduz a toxicidade causada por outro fármaco: Às vezes o paciente usa um medicamento e esse pode causar uma toxicidade, podendo assim, utilizar um antagonista ou que reduz o efeito farmacológico deste que está produzindo o efeito tóxico. EX: PROTAMINA com a HEPARINA - A HEPARINA é um anticoagulante injetável, quando o paciente utiliza ela e apresenta sangramentos pelo uso desse medicamento, o fármaco antagonista é a PROTAMINA. O SULFATO DE PROTAMINA é utilizado por via injetarem e ao atingir a crente sanguínea ele se complexa com a HEPARINA impedindo que ela exerça seu mecanismo de ação. Sendoassim, a PROTAMINA diminui a toxicidade causada pela HEPARINA reduzindo seus efeitos maléficos. Existem alguns pacientes que possuem fatores que predispõe para as interações medicamentosas. E nós precisamos conhecer quais são esses fatores, quais são esses pacientes que precisam de atenção especial para prescrever medicamentos devido ao risco aumentado do desenvolvimento das interações medicamentosas. Dentre esses pacientes, destacam-se: IDOSOS: Eles tendem a ter uma dificuldade em eliminar medicamentos, fisiologicamente, a função renal e hepática dos pacientes idosos tendem a diminuírem e a capacidade de eliminação dos fármacos também. Outro fator é que os idosos também tendem a consumir vários medicamentos, porque à medida que a idade avança o numero de patologias também aumentam e precisam utilizar medicamentos para tratar cada uma dessas patologias. Então como o idoso utiliza mais medicamentos, ele fica mais suscetível a interações medicamentosas. COM DISTÚRBIOS FISIOLÓGICOS: Qualquer paciente que tenha dificuldade de excretar, ou até mesmo de distribuir os medicamentos, também são suscetíveis a interações; Muitas vezes um paciente jovem/adulto podem ter um risco maior de interação medicamentosa, devido a esses problemas hepáticos e renais. DESNUTRIDOS: Tendem a ter uma redução dos níveis de albumina, de proteínas plasmáticas. Portanto, podem ter uma hipoalbuminemia e isso altera a distribuição dos medicamentos. Esse estado nutricional, no entanto deve ser avaliado antes de se prescrever medicamento. O próprio problema hepático do paciente também leva a alteração de proteínas plasmáticas e a distribuição do medicamento também será comprometida. Algumas características genéticas também influenciam no efeito do formato: por exemplo, existem alguns pacientes que são metabolizadores rápidos e outros metabolizadores lentos dos medicamentos, essas características genéticas vão influenciar no processo de biotransformação e culminar em uma resposta terapêutica alterada. OS QUE SE AUTOMEDICAM: Porque muitas vezes a interação medicamentosa não ira acontecer entre os medicamentos que prescritos, mas sim entre os fármacos utilizados pelo paciente em casa por automedicação e um medicamento que prescrito. Já é sabido que no BR mais de 90% da população se automedica, e essa automedicação está amplamente associada com os quadros de interações medicamentosas. Uso de analgésicos, antiácidos e outros são considerados automedicação. Portanto esses fármacos podem contribuir positivamente ou negativamente para o efeito farmacológico da substancia que foi prescrita. POLIMEDICADOS: Quanto maior o número de medicamentos utilizados pelo paciente maior será o risco de desenvolvimento de interações medicamentosas. As interações medicamentosas são classificadas em dois tipos principais 1) INTERAÇÕES FÍSICOS-QUÍMICAS / FARMACÊUTICAS São aquelas que ocorrem fora do organismo do organismo do paciente. Acontece antes de o paciente administrar um medicamento. Essa interação pode acontecer quando 2 medicamentos não são incompatíveis entre si quando são misturadas antes de administrar em um determinado paciente. Muitas vezes associa-se medicamentos para administrar. EX: Por via endovenosa, associado com um soro, ou até mesmo na mesma seringa pode associar dois fármacos desde que não sejam incompatíveis; O paciente precisa tomar 2 medicamentos na mesma hora, então como já vou fazer um acesso venoso no paciente, aproveito para misturar os dois fármacos na seringa e administrar. Dois fármacos incompatíveis, ao se misturar, podem alterar a cor [se os dois forem transparentes podem ficar com uma cor amarelada, esverdeado], ou pode turvar/leitosa, ou acontece precipitação dos fármacos, então significa que um medicamento interagiu com o outro, porque se isoladamente são transparentes e ao associarem tiveram essa alteração, é uma interação físico-química que aconteceu fora do organismo do paciente. EX: Inativação DE NITROPRUSSIATO DE SÓDIO pela luz – Ele é um medicamento vasodilatador utilizado por via endovenosa para tratamento de pacientes que tem crises hipertensivas/emergências. Muitas vezes o paciente chega ao hospital com hipertensão grave, ao invés de utilizar medicamentos por via oral, usamos nitroprussiato de sódio endovenoso, que é capaz de relaxar veias e artérias. Mas, ele é um medicamento fotossensível, e não podemos utilizar em bólos [quando pega o nitroprussiato numa seringa, injeta na corrente sanguínea no paciente de uma vez só, ou numa única injeção], porque o paciente poderá ter uma queda brusca de PA porque o ele é um potente vasodilatador, então utilizamos ele por infusão venosa contínua, ou seja, fica gotejando e sua utilização demora algumas horas ate o paciente reestabelecer sua PA, o nitroprussiato quando fica em contato com a luz, ele vai sendo degradado e produz uma substancia chamada de CIANETO, então ele perde sua atividade e atém disso libera CIANETO que é considerado tóxico para o paciente. É por esse motivo que o nitroprussiato de sódio é comercializado numa embalagem em um plástico colorido, com uma cor alaranjada na maioria das vezes para impedir o contato com a luz artificial daquele pronto-socorro, e mantém sua atividade sua atividade farmacológica que é a de vasodilatadora. EX: ANFOTERICINA B: fármaco antifúngico, utilizada para infecções fúngicas graves, administrada por via endovenosa, mas não deve ser misturada com solução fisiológica, porque essas duas substâncias são consideradas incompatíveis. Se misturar o soro turva, precipita (A ANFOTERICINA B precipita no soro). EX: CEFALOTINA SÓDICA que é um antibiótico é incompatível com o RINGER-LACTATO, que é utilizado para aumentar o volume de sangue do paciente. 2- INTERAÇÕES TERAPÊUTICAS: Ocorrem depois que o paciente administrou o medicamento. Ocorrem dentro do organismo do paciente e são sub classificadas em farmacocinéticas e farmacodinâmicas ● FARMACOCINÉTICAS Ocorrem quando um medicamento influencia em uma etapa farmacocinética de outro medicamento ou uma substancia de maneira, em geral, influencia em uma etapa farmacocinética de um medicamento. Por exemplo: existem substancias que podem interferir no processo de absorção, ou de distribuição, biotransformação ou excreção e algum outro farmaco. Então as interações medicamentosas farmacocinéticas podem ser subclassificadas em: a) A NÍVEL DE ABSORÇÃO: Uma substância, seja medicamento, alimento qualquer tipo de substancia influencia na etapa de absorção de outro fármaco: ¬¹ Quando uma substancia é capaz de quelar/complexar com outro fármaco no TGI, e quando essa quelação ocorre, um desses medicamentos ou o alimento pode influenciar na taxa de absorção da outra droga, e isso pode comprometer no efeito farmacológico. EX: TETRACICLINA com o leite, a TETRACICLINA tem afinidade com o cálcio do leite. ¬ ² Quando um medicamento tem a capacidade de alterar (aumentar ou diminuir) a motilidade do TGI modificando o esvaziamento gástrico e essa alteração de esvaziamento influencia na absorção dos fármacos. EX: Às vezes o paciente ta utilizando um medicamento anticolinérgico, e os anticolinérgicos retardam o esvaziamento gástrico e pode influenciar na absorção de outro fármaco que o paciente ja esteja utilizando. ¬ ³ Quando um medicamento é capaz de alterar a flora bacteriana normal do TGI e isso acarretar na alteração da absorção de outro fármaco. EX: Alguns antibióticos são capazes de eliminar as bactérias da flora intestinal que são importantes para a ativação dos hormônios que são contidos nos contraceptivos hormonais. O estrógeno que é consumido nos anticoncepcionais dependem de enzimas produzidas pelas bactérias do intestino para ser ativado e consequentemente absorvido. Então, se o paciente utiliza um antibiótico que elimina essas bactérias, essas enzimas serão menos produzidas e o hormônio menos ativado. ~Esse é um dos motivos pelo qual nós falamos que os antibióticos pode reduzir o efeito farmacológico dos anticoncepcionais ~ ¬´´´´Quando um fármaco, alimento ou substanciaaltera o pH do TGI. Quando o pH do TGI é alterado é óbvio que a ionização dos medicamentos também altera. Então se a ionização altera eu posso alterar a capacidade do medicamento ultrapassar a membrana plasmática e chegar na corrente sanguínea. EX: Se há alteração do pH gástrico do TGI faz com que o estômago tenha um aumento do pH isso pode diminuir a absorção dos fármacos ácidos (que dependem do pH gástrico baixo para serem absorvidos) ** Como fazer para diminuir o risco de interações medicamentosas a nível de absorção? ** 1. Aumentar o intervalo de tempo de administração entre as 2 drogas. Se o medicamento se complexa com outro no TGI, podemos utilizar um medicamento num horário e esperar um tempo considerável (em média 4 horas) para tomar o outro fármaco. Como são tomados em horários muito diferentes, consequentemente, esses medicamentos não vão se encontrar no TGI, e com isso, o risco de interação a nível de absorção estará reduzida. b) A NÍVEL DE DISTRIBUIÇÃO ¬ ¹ Quando um farmaco atinge a corrente sanguínea, ele irá se manter uma porcentagem ligado a proteínas plasmáticas e outra porcentagem livre (fração livre = responsável pelo efeito farmacológico). Uma das formas de o medicamento interagir a nível de distribuição é quando ele desloca um medicamento da sua proteína plasmática aumentado a sua fração livre, e esse aumento pode aumentar o risco de toxicidade porque se essa fração livre aumenta de maneira considerável o paciente vai ter uma elevação brusca do efeito terapêutico do farmaco. Essa interação medicamentosa tem uma importância maior quando um medicamento tem uma porcentagem de ligação maior que 85%, ou seja quando os farmacos possuem alta fração ligada, isso significa que ele corre mais risco de sofrer interação a nível de distribuição. EX: VARFARINA [fração ligada 97%, 3% livre responsável pelo efeito anticoagulante]. Se aumentar a fração livre da VARFARINA já é o suficiente para exacerbar o efeito farmacológico e o paciente ter o risco de hemorragia. O AINES possui alta fração ligada, e tendem a se ligar mais de 90% nas proteínas plasmáticas, assim como anticoagulantes. Assim, quando um AINE é usado junto com a VARFARINA a VARFARINA é deslocada e aumenta a fração livre aumentando o risco de sangramento EX: HIPOGLICEMIANTES ORAIS = GLIBENCLAMIDA usados no tratamento de DM2 que tambem tem fração ligada alta e é um hipoglicemiante que aumenta a liberação de insulina pelas células beta-pancreáticas. Ela é um farmaco altamente ligado (tambem se liga a mais de 90% às proteínas plasmáticas) quando são tomados juntos com os AINES eles deslocam a GLIBENCLAMIDA das proteínas plasmáticas aumentando sua fração livre aumenta efeito farmacológico e esse aumento pode causar crises ou picos de hipoglicemias. EX: Paciente utiliza um medicamento hepatotóxico, significa que o fígado não vai produzir a quantidade de albumina suficiente para o organismo, então o outro medicamento que o paciente utilizar não vai ter proteína plasmática suficiente para ligar, aumentando a fração livre, e assim, ocorre uma exacerbação do efeito farmacológico desse medicamento. ~ Hepatopatias podem ocasionar interações medicamentosas a nível de distribuição ~ EX: CLOFIBRATO (trata dislipidemias -> hipertrigliceridemia) e TIROXINA (hipertireoidiano) o primeiro desloca o Segundo da proteína plasmática aumentando a fração livre da TIROXINA aumentando sua atividade = hipertireoidismo. ~ Toda vez que um farmaco é deslocado da sua proteína plasmática seu efeito farmacológico aumenta, pois aumenta sua porção livre ~ EX: SUCCINILCOLINA (bloquear muscular), se é deslocada da sua proteina plasmatica pela LIDOCAÍNA = apnéia prolongada (dificuldade de contrair músculos) c) A NIVEL DE METABOLISMO / BIOTRANSFORMAÇÃO A maioria dos medicamentos são biotransformados no fígado porque é la que existem uma grande quantidade de isoenzimas responsáveis por esse processo, principalmente as enzimas do CP450. Um medicamento que o paciente toma pode acelerar/reduzir a biotransformacao de outro fármaco; E pode ocorrer através dos processos de indução ou inibição enzimática * Indutores enzimáticos: capazes de induzirem/aumentarem as enzimas biotransformadoras do fígado. * Inibidores enzimáticos: capazes de inibirem/bloquearem as enzimas responsáveis por metabolizar os farmacos Quando um medicamento é INDUTOR enzimático, exemplo: FENOBARBITAL (anticonvulsivante), FENITOÍNA (anticonvulsivante), RIFAMPICINA (antibiótico), CARBAMAZEPINA (Anticonvulsivante), ETANOL, FUMO; Eles aceleram o metabolismo de outros medicamentos, e com isso, o metabólito que será formado é inativo ou ativo? Se utilizar um medicamento que é indutor e ele induzir o metabolismo de outro fármaco que produz um metabolismo inativo, quer dizer que o indutor enzimático vai diminuir o efeito farmacológico do segundo farmaco, porque ele está aumentando o metabolismo gerando metabólitos inativos e consequentemente o efeito do medicamento vai diminuir. Porém algumas vezes esse indutor enzimático acelerar metabolismo do segundo farmaco e ele pode gerar um metabolito ou mais ativo ou mais tóxico. EX: PARACETAMOL e O ETANOL, quando utilizado de maneira crônica ele é indutor enzimático, induz CYP2E1, a qual é responsável por metabolizar o PARACETAMOL, o qual quando é mais mais metabolizado ele gera um metabolito que é hepatotóxico e por isso o ALCOOL aumenta a hepatotoxicidade causada pelo PARACETAMOL. FENOBARBITAL (anticonvulsivante), FENITOÍNA (anticonvulsivante), RIFAMPICINA (antibiótico), CARBAMAZEPINA (Anticonvulsivante) podem induzir a CYP3A4 (responsável por metabolizar/biotransformar os contraceptivos). Se acelera o metabolismo dos contraceptivos, serão mais transformados em inativos e consequentemente o efeito farmacológico diminui. Esses indutores ou até mesmo os inibidores que fazem o contrário podem ocasionar interação a nível de biotransformação. EX: Paciente utiliza um medicamento que é hepatotóxico é obvio que o metabolismo de um segundo fármaco estará prejudicado, porque o fígado não estará nas suas plenas condições fisiológicas. d) INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS A NÍVEL DE EXCREÇÃO Ocorrem quando um medicamento é capaz de influenciar na excreção de outro fármaco. ¬ PRIMEIRO MECANISMO: quando um medicamento é capaz de alterar o fluxo sanguineo renal alterando a taxa de filtração glomerular. Se um medicamento reduz o fluxo sanguineo renal, ele vai reduzir a chegada de outro farmaco até os rins. Então esse outro medicamento pode ter sua excreção comprometida. Quando um medicamento aumenta o fluxo sanguineo renal, o medicamento chega mais rápido nos rins e consequentemente sua excreção será mais rápida. ~O fluxo sanguineo renal e a taxa de filtração glomerular são importantes para a excreção – quando é um medicamento que depende do rim para ser excretado~ ¬ SEGUNDO MECANISMO: quando um medicamento é considerado nefrotóxico, a lesão causada nos rins vai influenciar na excreção de outro medicamento. ~ Se os rins estão lesados, a excreção do segundo farmaco vai estar comprometida podendo até se acumular na corrente sanguínea ~ ¬ TERCEIRO MECANISMO: quando um medicamento influencia no pH urinário. ~Se alterar o pH urinário, altera a ionização do medicamento no túbulo renal e consequentemente altero a capacidade de reabsorção desses farmacos ~ EX: Paciente intoxicado por FENOBARBITAL – possui caráter acido. Se utilizar um medicamento ou uma substância de caráter básico para alcalinizar a urina o fenobarbital quando chegar na urina se ioniza e ao invés de ser reabsorvido ele vai ser excretado pela urina. ¬ QUARTO MECANISMO: quando um medicamento compete com outro pelas proteínas de secreção tubular.Medicamentos com alto peso molecular não conseguem chegar no túbulo renal por filtração glomerular, ele chega por secreção tubular, porém precisam de uma proteína transportadora. Existem medicamentos que competem com outro por essa proteína transportadora, então um medicamento será menos excretado e permanecerá na corrente sanguínea. EX: PROBENECIDA e PENICILINA,elas competem entre si pelo sistema de transporte de secreção tubular, a PROBENECIDA ganha a competição e a PENICILINA permanece na corrente sanguínea – aumentando seu tempo de ação. EX: A PROBENECIDA compete pelas PROTEÍNAS DE SECREÇÃO TUBULAR e ganha; Dessa maneira s outras drogas que competem e “perdem" estarão aumentadas na corrente sanguínea, prolongando seusefeitos farmacológicos. EX: Alguns AINES (SALICILATOS e FENILBUTAZONA) podem causar uma alteração de função renal elevando a concentração de alguns farmacos no sangue e potencializando os seus efeitos farmacológicos. - Deve-se observer e conhecer quando essas interaçãoes medicamentosas ocorrem, pois elas podem ser benéficas/maléficas. Tentando evitá-las. Quando se sabe qua pode ocorrer essas interações, deve-se: Evitar a prescrição de um fármaco – a fim de, diminuir a interação- , ou, faz controle de dose –para evitar que seja muito maléfica. ●FARMACODINÂMICA: quando um fármaco iterage e altera o mecanismo de ação de outro medicamento. ¬ ¹SINÉRGICO: Medicamento potencializa a ação do outro; Podem ser benéficas ou maléifcas. EX: (MALÉFICO) – Paciente com HAS e prescreve Captopril ou Propanolol (Beta bloqueador); Se utilizer apenas o PROPANOLOL ultimo, ao utilizá-lo a longo prazo, como mecanismo compensatório da diminuição da PA, retém NA+ (FEEDBACK NEGATIVO). Se associá-lo com DIURÉTICO = HIDROCLOROTIAZIDA – irá potencializar o efeito anti-hipertensivo. Ou associado com vasodilatador, em caso de paciente com insuficiência cardíaca. Dependendo da dose, essa redução de PA pode ser muito intense, a ponto de começar a ter HIPOTENSÃO, aí se tornar MALÉFICO. EX: (MALÉFICO) – Paciente com HAS e começa a tomar DIURÉTICO poupador de K+, ou seja, aumenta [K+] no sangue. O paciente começa a fazer suplementação em casa com polivitamínicos/minerais que possuem K+, e com isso pode apresentar INTERAÇÃO SINÉRGICA MALÉFICA, pois a taxa de K+ ficará muito alto, causando arritmias cardiacas, por exemplo. EX: (MALÉFICO) – Paciente que utiliza BENZODIAZEPÍNICO (Depressor do SNC – potencializa ação do GABA) e consome álcool (Depressor do SNC – potencializa ação do GABA). Pode evoluir para depressão mais profunda do SNC, entrar em come e até morrer. Realizar cirurgia com anestesia local = LIDOCAÍNA para amputar algum membro, associa a ele um vasoconstritor = ADRENALINA, pois o anestésico é local e com isso, ao associá-lo os vasos que irrigam a região estarão contraídos, e com isso, diminui a possibilidade dele cair no sangue. Se ele cairn a corrente sanguínea, ele pode favorecer uma HAS. Se for um paciente que utiliza COCAÍNA – A Cocaína é uma droga que aumenta a liberação de Adrenalina/Noradrenalina no organismo e com isso, o indivíduo que utiliza a droga já possui risco de HAS. Então, nesse caso o paciente já possui risco de HAS pela próprio cocaine, e se o vasoconstritor cair a corrente sanguínea, o risco irá aumetar ainda mais. Podendo gerar: Aumento brusco de PA / Pode evoluir com arrtmia, taquicardia. EX: AMITRIPTLINA – Antidrepressivo tricíclicos (Depressão – diminuição dos neurotransmissores na fenda sináptica) que impede/recaptação - a volta de NA da fenda para o neurônio pré-sinático, aumentando a NA disponível, pois ela não volta – NA e Adrealina em A1 causa vasocosntrição e se cair vasoconstrictor no sangue, isso irá aumentar ainda mais. EX: (MALÉFICO) - Vaso Constritor caiu na corrente saguínea, só que o paciente utiliza B-bloqueador não seletivo -PROPANOLOL – Adrenalina pode se ligar a receptres Alfa (A1 – eleva PA) e Beta (B1 e B2 - ), ou seja, bloqueia todos os receptors Beta; Quem estão livres são os recptores Alfa, assim, a Adrenalina qua caiu no sangue se liga muito no A1, pois não tem Beta para se ligar, e ligando-se no A1 causa elevação da PA. Paciente toma Ibuprofeno/AS/Diclofenaco/Nimesulida – AINE, que inibe COX, principalmente COX1, ou seja, quem transforma o Ácido Aracdônico e com isso, diminui a síntese de Tromboxano A2 e agregação plaquetária. Se ele toma um antiagregante plaquetário, nesse caso, ele apresenta uma forte ação antiagregante plaquetário, e assim, risco de hemorragia. ¬ ²ANTAGÔNICAS: EX: (MALÉFICO) – Paciente com quadro de tosse e começa utilizer um espectorante (favorece a expectoração), e ao mesmo tempo utiliza um outro xarope antitussígeno (impede reflex da tosse). Sendo assim, é maléfico para o tratamento. EX: (BENÉFICO) – Em tratamentos de intoxicação. Paciente com cancer, prescreve analgesic opioide para tratar dor. A Morfina é potente analgesico, porém ocasiona depressão do SNC; Se houver um quadro de intoxicação, com depressão respiratória, pode ser preciso utilizer Analoxona (ANTAGONISTA) - que bloqueia receptores opioides – EX: (MALÉFICO) – Paciente utilizando anticoagulante (Varfarina/Darbigatran). A VARFARINA impede a ação da Vitamina K (ativa cascata de coagulação) no organismo, assim, inibe cascata de coagulação. Ao fazer exames laboratoriais de tempo de coagulação apresentava tudo ok, porém o paciente começa a suplementar, em dietas – vegetais folhosos, verde escuro - / remédios, que contêm vitamina K, e assim, essa reposição pode afetar o tratamento, produzindo efeito contrária do fármaco. EX: (MALÉFICO) – Paciente com DM e utiliza um hipoglicemiante e possui controle glicêmico, e o descobre paciente autoimmune (Lupus) e prescreve para ele Glicocorticóides – Predsona -, quando utiliza por muito tempo e em altaas doses aumentam a neoglicogênese favorecendo o aumento da glucose, e diminui a funcionalidade da Insulina. Pode reavaliar o tipo de glicocorticoide, ou a dose da insulina. EX: (MALÉFICO) – Paciente utiliza CLONAZEPAN para insônia e não vê efeito, porém, se ele faz alimentação rica em substâncias estimuladoras do SNC, corta o efeito do medicamento ao interagir. EX: (MALÉFICO) – Paciente com HAS e para tartar toma inibidor de ECA associado com DIURÉTICO = hidroclorotiazida queage inibindo reabsorção de Na+ nos rins. Os AINES tendem reduzir o efeito do anti-hipertensino, pois inibe COX e síntese de Prostaglandinas (vasodilatadoras, presents também nos rins – aumento do fluxo renal) – diminuendo a chega de fluxo sanguíneo nos rins, chegando menos anti-hipertensivo, e assim, a HIDROCLOROTIAZIDA não chega no seu local de ação, aumentando a PA. INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS COM ÁLCOOL EFEITO FARMACOCINÉTICO: - Etanol no Trato Gastro Intestinal aumenta a produção de ácido clorídrico (diminui pH); Aumenta os movimentos peristálticos (menos tempo no TGI e assim menor absorção) No consume crônico pode lesar a mucosa do TGI. - Hepatotóxico: Altera capacidade de metabolism; Induz/Inibe enzimas do CP450; Altera os níveis de Albumina, alterando níveis livres e ligados. - Aumento da diurese: Inibe ADH e assim aumenta da excreção do antibiotico. EFEITO FARMACODINÂMICO: - Interage com medicamentos, principalmente BENZODIAZEPÍNICOS. ● Existem medicamentos, como antibióticos, que podem influenciar no metabolismo do álcool. Etanol -> ‘álcool desidrogenase’ -> Acetaldeído (tóxico para o organismo, pois causa a RESSACA) -> ‘aldeídodesidrogenase’ -> Acetato (excretado na urina) EX: METROONIZAZOL/ AMPICILINA/ SALOSPARAINA inibe aldeídodesidrogenase, ou seja, acumula Acetaldeído e gera reações de toxicidade. ** CASOS CLÍNICOS: ~ INTERAÇÃO MEDICAMENTOSA TERAPÊUTICA FARMACOCINÉTICA A NÍVEL DE ABSORÇÃO. - É terapêutica, pois ocorre dentro do organismo - O problema é farmacocinético e a nível de absorção, pois o leite ou antiácido altera a absorção da Tetraciclina, pois esse medicamento possui caráter ácido (um antiácido irá neutralizer e alterar a ionização da tetraciclina); Além de se complexar com íons, como o Ca²+ e não ser absorvido. Pode dar tomar um antiácido, desde que, o paciente tome o antibiotico e espere um tempo para que ela seja absorvida, aí pode tomar o antiácido. ~ INTERAÇÃO MEDICAMENTOSA TERAPÊUTICA FARMACOCINÉTICA A NÍVEL DE BIOTRANSFORMAÇÃO - Paciente do sexo feminine com 26 anos, ou seja, idade considerada reprodutiva, pressupõe que uso contraceptivo. A Rifampicina induzCYP3A4 metaboliza os contraceptivos hormonais, assim, recomenda-se que enquanto estiver utilizando Rifampicina precisa utilizer outro método contraceptivo. ~ INTERAÇÃO MEDICAMENTOSA TERAPÊUTICA FARMACOCINÉTICA A NÍVEL DE DISTRIBUIÇÃO - Paciente utiliza anticoagulante oral. A VARFARINA possui alta porção ligada, assim como os AINES = CETOPROFENO e competem para ligarem na albumina; Nesse caso, o AINE, que possui força de ligação maior, ganha e se liga, enquanto que a VARFARINA aumenta sua fração livre e aumento o seu efeito farmacológico, podendo apresentar hemorragia. # anticoagulante (VARFARINA – inibe síntese de fator de coagulação) é DIFERENTE de antiagregante plaquetário (AS – inibe COX e produção de Tromboxano A2 – estimula ativação de outras plaquetas - ), nesse ultimo seria FARMACODINÂMICO. PREVENÇÃO E TRATAMENTO DA DOR ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS (AINES)... Uma das principais classes de medicamentos utilizado na clínica, os mais prescritos no mundo para tratar dor (analgésico); Febre (antipirético e antitérmico); Processo Anti-inflamatório; A dor é considereda uma experiência sensorial, e até mesmo emocial relacioada com lesão tecidual estímulo lesivo (trauma mecânica/ térmico/ químico). Quando o tecido é lesado ocorre liberação de vários mediares inflamatórios (BRADICININA; SEROTONINA; PROTAGLADINAS; HISTAMINA; TROMBOXANO; SUBSTÂNCIA P), que são capazes de sensibilizar os nociceptores, ou seja, os recptores responsáveis por transportarem o estímulo da dor (quando sensibilizadas diminuem o limiar de excitabilidade e essas fibras ervosas vão despolarizar e enviar o estímulo doloroso ao SNC gerando a sensação de dor.) EX: Para barrar pode-se utilizar anestésico local – procedimentos cirúrgicos – que impede a despolarização neuronal, pois são capazes de bloquear canais Na+ no axônio dos neurônios, e com isso, o neurônio não despolariza enão há condução do impulso e não sente dor. EX: Os analgésicos opioides (de ação central) impedem a despolarização, ou seja, a condução do estímulo nervoso da dor. Os Anti-inflamatórios e os Analgésicos Perférico impedem a condução dos impulsos nervosos por impedirem a liberação dos mediares inflamatórios, e com isso, os neurônios são menos sensibilizados, os nociceptores serão menos sensibilizados e diminui assim, a despolarização e transmissão do impulso nervoso da DOR. A dor pode ser classificada: ... Conforme ao TIPO: ● AGUDA (período de tempo curto, e quando o estímulo nociso é retirado a dor para) ● CRÔNICA (período de tempo longo, e mesmo retirando o estímulo nociso é retirado a dor não para); ... Conforme a INTENSIDADE: ● LEVE (Utiliza analgésicos periféricos isolados - EX: PARACETAMOL / DIPIRONA – diminuem a sensibilidade dolorosa do paciente) ● MODERADA/LEVE NÃO TRATADA COM OS ANALGÉSICOS PERIFÉRICOS (Utiliza um anti-inflamatório associado, ou , não a um analgésico de potencia maior) ● GRAVE (Utiliza analgésicos opiodes – inibem receptores de substâncias opioides naturais e não COX -, com eficácia grande – como agem no SNC possui o risco de gerar dependência) ... Para classificar: ● PACIENTE INFANTIL: Utiliza “Escala Analógica Visual” para avaliar a intensidade da dor, pois ela é uma sensação individual. ● PACIENTE ADULTO: Utiliza-se “Escala Numérica” de 1-10 para avaliar a intensidade da dor, pois ela é uma sensação individual. CASCATA DO ÁCIDO ARACDÔNICO/ DA INFLAMAÇÃO: ¬ Quando há lesão tecidual, os fosfolipídios de membrana das células sofrem ação da enzima FOSFOLIPASE A2 dando origem ao ÁCIDO ARACDÔNICO [formado no citoplasma da célula]. Ele sofre ação/metabolizado pela LOX [Responsável por transformar o ácido araquidônico em LEUCOTRIENOS – LTC/LTD4/LTE – principalmente o LTD4 é responsável pelo processo de QUIMIOTAXIA – chegada de células de defesa na região lesada; Além disso, os LEUCOTRIENOS podem causar broncoconstrição também - EX: MONTELUCASTE / ZAFIRLUCASTE – Medicamentos Antileucotrienos, que bloqueiam receptores de Leucotrienos –TRATAMENTO DE ASMA] ... ou sofre ação/metabolizado pelaCOX [Gera mediadores inflamatórios, os principais são: PROSTAGLANDINAS / PROSTACICLINAS / TOROMBOXANO A2 – Fazem vasodilatação, e assim, chega mais sague com células de defesa; pode ocorrer extravasamento de líquido – EDEMA - ; Além de Sensibilizarem os nociceptores – DOR –] ** as Prostaglandinas possuem subtipos, sendo todas derivadas da PROSTAGLANDINA H2, e variam de acordo com o lugar aonde se encontram (PGI2 / PGE2 – PGF2 / PGD2/ ETC ** Para que se tenha um Processo inflamatório e que os sintomas ficarem evidentes é importante que mediadores inflamatórios apareçam, pois são eles que sinalizam que há algo de errado naquele tecido. Um anti-inflamatório não trata a CAUSA da inflamação, mas sim diminui a SINTOMATOLOGIA [inibe a síntese dos mediadores inflamatórios]; Por um lado é ruim, pois ele pode mascarar os sintomas; Porém, esses sintomas podem diminuir a qualidade de vida do indivíduo, sendo assim, positivos. TIPOS DE ANTI-INFLAMATÓRIOS: ¬ ANTI-INFLAMATÓRIOS ESTEROIDAIS (AIES)/ GLICOCORTICOIDES - Inibem a FOSFOLIPASE A2, e assim, o ÁCIDO ARACDÔNICO não chega nem a ser formado e não chega a produzir os mediadores inflamatórios. ¬ ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO-ESTEROIDAIS (AINES): Inibem a COX, ou seja, inibe síntese de PROSTAGLANDINAS; PROSTACICLINAS e TOROMBOXANO A2. TIPOS DE COX: (Principais) ¬ COX1 (COX CONSTITUTIVA) – é FISIOLÓGICA, ou seja, está presente nos tecidos, sendo necessária para o bom funcionamento dos mesmos. EX: Na MUCOSA GÁSTRICA – Converte o Ácido Araquidônico, em quantidades fisiológicas, em PROSTAGLANDINAS E2 [VASODILATADORA], e assim, aumenta chegada de sangue para nutrir as células estomacais, além de proporcionar a chegada de maior quantidade de Bicarbonato, que diminui a hiperacidez gástrica, facilitando/melhorando a função do estômago - Considerada CITOPROTETORA GÁSTRICA. EX: Nos RINS - produz PROSTAGLANDINAS RENAIS [VASODILATADORA], e assim, aumenta chegada de sangue para nutrir as células renais. - Considerada NEFROPROTETORA EX: Nas PLAQUETAS - facilita produção de TROMBOXANO A2 [Função de agregação plaquetária]. EX: Nos VASOS – Produz PROSTAGLANDINAS e PROSTACICLINAS ajudando na regulação de PA. ¬ COX 2 (COX INDUZIDA/INDUTIVA) - estará aumentada/induzida no processo inflamatório, pois produz substâncias em quantidades acima do fisiológico [Sinalização da inflamação]. E por isso, é considerada como COX PATOLÓGICA, pois é a responsável pela produção de mediadores inflamatórios que irão gerar a sintomatologia. EX: Paciente com úlcera gástrica grave utiliza-se infusão de MISOPROSTOL –Via Endovenosa - PROSTAGLANDINAS E2 sintética - que age no estômago fazendo CITOPROTEÇÃO GÁSTRICA. CITOTEC - Via Oral – PROSTAGLANDINAS E2 sintética - CITOPROTEÇÃO GÁSTRICA; porém é também ABORTIVO, pois pode induzir aborto ao tomar e/ou ao colocar o comprimido no canal vaginal, pois, no útero, a Prostaglandina gera grande contração, expulsando o feto que age causando cito proteção gástrica. TIPOS DE AINES: AINES NÃO SELETIVOS DE COX - Inibem COX1 e COX2 ao mesmo tempo. EX: Paciente que toma AINES NÃO SELETIVOS DE COX - AAS / IBUPROFENO / DICLOFENACO / PIROXICAM - ao inibirem COX1, que é fisiológica, pode ter consequências, como: Diminuição de síntese de Tromboxano A2 (TXA2) - responsável por agregação plaquetária – assim há risco de HEMORRAGIA. EX: Paciente que toma AAS para PROFILAXIA ANTITROMBÓTICA, pois ao inibir COX1 nas plaquetas, consequentemente inibe a síntese de TXA2 e diminui a possibilidade de formação de trombos; O problema é o uso indiscriminado, que pode gerar hemorragia. EX: Na mucosa gástrica, os AINES NÃO SELETIVOS DE COX irão inibir COX1 e assim, consequentemente, as Prostaglandinas não são produzidas, e com isso, irá aumentar a secreção de HCl [não está chegando muito Bicarbonato] e riscos de erosões [diminui vasodilatação e a chegada de sangue], podendo aumentar a lesão estomacal. Há indivíduos que desenvolvem problemasgástricos devido ao uso de AINES de maneira indiscriminada. Por isso, pacientes que possuem problemas gástricos não devem utilizar AINES NÃO SELETIVOS corriqueiramente. EX: Ao inibir a COX1, com o uso de AINES NÃO SELETIVOS DE COX, ocorre inibição das Prostaglandinas Renais (NEFROPROTETORA) também, diminuindo assim, a vasodilatação e proporcionando VASOCONSTRIÇÃO renal, diminuindo o fluxo para glomérulo e a FG. O indivíduo pode desenvolver Problemas Renais por utilizar esse tipo de medicamento de maneira indiscriminada. EX: O uso de AINES NÃO SELETIVOS DE COX diminui também a síntese de Prostaglandina, diminuindo assim, a vasodilatação e proporcionando VASOCONSTRIÇÃO renal, aumentando a PA. Pacientes com HAS que utilizam anti-hipertensivos + Diurético (HIDROCLOROTIAZIDA – age nos rins, no Túbulo Contorcido Distal) e utilizam AINES NÃO SELETIVOS DE COX, com isso, ocorre inibição das Prostaglandinas Renais (NEFROPROTETORA) diminuindo assim, a vasodilatação e proporcionando VASOCONSTRIÇÃO renal, diminuindo o fluxo sanguíneo para os rins, e com isso, chega menos diurético, consequentemente, terá efeito menor. AINES SELETIVOS PARA COX 2- Inibem COX2, que é a patológica (= COXIBES – Terminologia , ou seja, os medicamentos dessa classe terminam com esse sufixo) EX: ETORICOXIBE/ CELECOXIBE/ COFECOXIBE/ LUMIRACOXIBE Na clínica utiliza-se mais os AINES NÃO SELETIVOS DE COX, pois se descobriu que, os AINES SELETIVOS PARA COX 2 aumentam o risco CARDIOVASCULAR e de Acidentes Vascular Cerebral dos pacientes (Receita de Controle Especial – são controlados e com receita retida), pois a COX2 é Patológica, porém, ao mesmo tempo, ela também é FISIOLÓGICA em alguns tecidos, como: ● RINS – A COX2 também é responsável pela PRODUÇÃO DE PROSTAGLANDINAS RENAIS, e assim, com a inibição da COX2 Diminuição das Prostaglandinas Renais Diminuição da Vasodilatação Renal Diminuição do Fluxo Sanguíneo Glomerular Como ‘Feedback Negativo’ = Retém Na+ e Água. ● VASOS SANGUÍEOS Responsável pela PRODUÇÃO DE PROSTAGLANDINAS I2 (PGI2) = PROSTACICLINA - potente vasodilatador - com sua inibição Diminui a síntese de PROSTACICLINA (vasodilatora) no vaso, o que gera VASOCONSTRIÇÃO; Enquanto se inibe COX2, a COX1 continua funcionando normalmente, e nas plaquetas está produzindo TROMBOXANO A2 – agregação plaquetária -. Paciente já está com vasoconstrição - luz do vaso diminuída -, com formação de TXA2 normal, ou seja, as plaquetas estão se agregando mesmo em um vaso contraído, por isso há grandes chances de TROMBOS; Além disso, o TXA2, nos vasos, aumentam VASOCONSTRIÇÃO e PROLIFERAÇÃO DE CÉLULAS MUSCULARES LISAS diminuindo a luz do vaso, enquanto que o TXA2 está normalmente agregando as plaquetas, aumentando bastante os riscos cardiovasculares. ~ CONTRAINDICADO PARA PACIENTES COM FATORES DE RISCOS CARDIOVASCULARES! Pacientes com Insuficiência Cardíaca deve ser CONTRAINDICADO AINES. ... Há dois possíveis mecanismos: ¹ A Inibição da síntese de Prostaglandinas Renais Diminui a Vasodilatação favorecendo a VASCONSTRIÇÃO O coração tem dificuldade de Ejetar o Sangue precisando de maior força – pode causar ‘Remodelamento Cardíaco / Hipertrofia do Ventrículo Esquerdo/ Piora da Insuficiência Cardíaca’. ² A Inibição da síntese de Prostaglandinas Renais Diminui a Vasodilatação favorecendo a VASCONSTRIÇÃO Diminuição do fluxo sanguíneo para o rim e diminuição da FG Como ‘Feedback Negativo’ - Os rins começam a reter Na+ e água Aumento da Volemia Favorecendo EDEMA – pode piorar ‘Edema Pulmonar / Insuficiência Respiratória / Dispneia causada pela insuficiência Cardíaca Congestiva’. ** Pacientes com insuficiência cardíaca já possui risco de edema, o que causa, por exemplo: Dispneia; Edema de Membros Inferiores ** Paciente com Problemas Gástricos, sem problemas cardiovasculares, é interessante utilizar, a fim de inibir apenas a COX2, pois no estômago quem produz Prostaglandina –protetora - é a COX1. Pacientes com problemas renais deve-se utilizar Coxibe ao invés de um inibir não seletivo de COX? De maneira geral, recomenda-se que evite AINES para pacientes com problemas renais, pois mesmo mesma tendo a COX1 produzindo Prostaglandinas Renais, a inibição da COX2, e consequentemente, a diminuição das Prostaglandinas Renais, também são capazes de produzirem efeitos maléficos para pacientes com problemas renais. Dessa maneira, indica-se o uso de outras classes como os Glicocorticoides e/ou Analgésicos, como por exemplo: PARACETAMOL / DIPIRONA – inibem COX3 no SNC. Mas se for para escolher, o COXIBE produz menos efeitos colaterais. Paciente asmático pode apresentar piora se utilizar AINE não seletivo? Sim, pois, nesse caso, o medicamento inibe COX1 e COX2 e dessa maneira, o ÁCIDO ARACDÔNICO acaba sendo desviado metabolizado pela LOX, e produzindo, em maior quantidade, Leucotrienos - apresentando mais BRONCOCONSTRIÇÃO, piorando os sintomas da asma. EFEITO DOS AINES - Possuem EFEITO AAA ● ANTIPIRÉTICO/ANTITÉRMICO: A temperatura corporal é controlada pelo Termostato = HIPOTÁLAMO controlado pela quantidade de Prostaglandina que chega/produzida por ele; Como AINE inibe síntese de Prostaglandina, chegará/produzirá menos, e assim, diminui temperatura corporal. EX: PARACETAMOL + DIPIRONA – Não possuem função anti-inflamatória, mas são AINES pois inibem a COX3 presente no SNC, ou seja, não produz Prostaglandinas no SNC diminuindo a quantidade delas no hipotálamo acarretando na diminuição da temperatura corporal [AÇÃO ANTITÉRMICA]; Como não produz Prostaglandinas, não ocorre sensibilização os nociceptores e condução do estímulo de dor [AÇÃO DE ANALGESIA]. Possui baixa função anti-inflamatória e por isso, são usados APENAS Antipirético e Analgésico. ● ANALGÉSICO: Diminuem a produção de Prostaglandinas que sensibilizam os nociceptores aumentando a condução do impulso doloroso. Se os AINES inibem síntese de Prostaglandinas, consequentemente inibem a sensibilização dos nociceptores, e a condução do impulso doloroso ocorre mais lentamente. EX: PARACETAMOL ● ANTI-INFLAMATÓRIO: inibição periférica e central da atividade da COX e assim, diminui produção e liberação dos mediadores inflamatórios que geram sintomas como a dor e febre. AINES NÃO SELETIVOS: Inibem COX1 e COX2 e são subdivididos de acordo com suas estruturas químicas. 1. SALICILATOS ASPIRINA – AAS© e Aspirina© – Ácido Acetilsalicílico: INIBE MAIS COX1 DO QUE COX2. Possui caráter ácido – absorvido no estômago e na primeira porção do intestino, onde fica não ionizado e ultrapassa as membranas para ser absorvido. ~ [Lembrando que os AINES, de maneira geral, tendem a se ligar com força em cerca de 90% das proteínas plasmáticas, principalmente, a ALBUMINA. Se o paciente tomar outro medicamento que também se liga muito, ocorrerá uma competição e interação medicamentosa a nível de distribuição; A tenência é que os AINES desloquem os outros medicamentos das proteínas aumentando assim, as frações livres dos mesmos e potencializando a atividade farmacológica podendo até gerar efeitos indesejáveis/tóxicos. EX: AINES e GLIBENCAMIDA – os AINES deslocam a Glibencamida das proteínas, aumentando a fração livre e com isso, podem ocorrer crises hipoglicêmicas.] ~ O AAS é um dos medicamentos mais antigos, porém ele inibe mais a COX1 do que a COX2 e isso pode levar a 2 conclusões: ¹ NÃO possuui potência anti-inflamatória - Usado como antipirético e analgésico [Para ter capacidade anti-inflamatória ele teria que ser usado em doses de 4-5g, o que é muito alto e causaria efeitos adversos expressivos tanto que ele, atualmente, utiliza ele em doses de 450-600mg] ² CONSIDERADO ANTIAGREGANTE PLAQUETÁRIO: Inibe COX1 das plaquetas Inibe síntese de Tromboxano A2 (agregante plaquetário) – por isso utiliza-se para “ralear” o sangue, ou seja, é usado como profilaxia antitrombótica [dose máxima de 325mg/dia] para evitar IAM/AVC/Trobose Venose Profunda. Na dose infantil de 100mg ele tem ação antitrombótica sem causar grandes efeitoscolaterais importantes. ~ A tendência é utilizar novos agregantes, pois ao inibir COX1 ele pode gerar muitos efeitos colaterais – mesmo em doses terapêuticas; EX: No TGI pode ocorrer distúrbios gástricos [Dor epigástrica; Gastrite; Úlceras] que podem sangrar e ser eliminado pelas fezes. EX: Nos rins pode inibir COX1 Diminui síntese de Prostaglandinas Renais NEFROTÓXICO EX: Podem elevar as enzimas marcadoras de lesões hepáticas. O AAS é o ÚNICO AINE que pode causar inibição IRREVERSÍVEL da COX1, pois eram ligações covalentes que foram quebradas, e assim, o paciente terá que produzir novas COXs. A duração de AAS no organismo é considerada longa. EX: Em cirúrgia eletiva retira AAS 5 dias antes do procedimento para evitar hemorragias, pois nesse tempo foramarão novas plaquetas, e com isso, novas COX [isso tudo leva em média 7 dias]. CASO DE SUPERDOSAGES / INTOXICAÇÕES – SALICISMO Além de todas as complicações que pode ocorrer acima, o paciente também desenvolve quadros de náuseas/vômitos/tonturas e ZUMBIDO no ouvido, que aparece apenas em altas doses. TRATAMENTO: Retirar o medicamento e se foi por via oral: Lavagem gástrica [evitar absorção do que ainda está no TGI] e Alcalinização da Urina [ioniza medicamento nos rins e evita absorção nos túbulos renais e aumenta excreção] associada a Reposições Hidrolíticas [desidratação devido a vômitos], e se precisar, suporte respiratório mecânico. NÃO HÁ ANTAGONISTA, POR ISSO ALCALINIZAÇÃO DA URINA 2. DERIVADOS ACÉTICOS: Inibe COX1 e COX2, porém é mais homogêneo. DICLOFENACO: Possui potância antiiflamatória interessante Muito utilizado na clínica para tratametos de doenças/inflamções musculares, por via tópica, injetável, via oral [tratamento inflamção de tec. Moles] INDOMETACINA: Possui potância antiiflamatória interessante Utilizado para doenças reumáticas- articulações e ossos [EX: Gota / Inflamação na Coluna] TANTO O DICLOFENACO QUANTO A INDOMETACINA... São medicamentos que produzem muitos efeitos colaterais por inibirem COX1, principalmente no TGI. EX: Paciente toma comprimido de 50mg de 8h/8h com estômago vazio, e se quexam de desconforto epigástrico, já que, inibe COX no TGI e inibe síntese de Prostaglandinas. Por isso, muitos utilizam associados a PROTETORES GÁSTRICOS, como: ¹ OMEPRAZOL - inibidor de bomba de prótons no estômago, ou seja,a síntese de H+, e com isso não há formação de HCl. ² MISOPROSTOL = CITOTEC© - Utilizados em pacientes que possuem problemas gástricos graves devido ao uso de AINES. Esse medicamento é um tipo de Prostaglandina E2, que é utilizada por via oral ou endovenossa para proteção gástrica. Porém, após começar a ser utilizado como abortivo em clínicas clandestinas, tanto por via oral quanto inserindo no canal vaginal, já que, as Prostagladinas possuem receptores no m. liso do útero aumentando contração e eliminação do feto e por isso foi proibida a venda em drogarias, mas utiliza-se apenas em hospital para úlceras gástricas e para facilitar parto. EX: Ao inibir COX1 nos rins dimuinui o fluxo sanguíneo renal, diminui FG e o débito urinário podendo causar problemas menores, se usados em doses terapêuticas; porém, à medida que aumenta a dose, pode piorar problemas renais [DICLOFENACO 50mg de 8h/8h – por dia utiliza 150mg/dia – nessa dose já consegue diminuir o Fluxo Renal e FG. POR ISSO DEVE-SE EVITAR UTILIZAR ESSES 2 MEDICAMENTOS EM PACIENTES COM PROBLEMAS RENAIS]. 3. ÁCIDOS PROPIÔNICOS: Inibe COX1 e COX2 IBUPROFENO: Potência anti-inflamatória baixa, por isso é mais utilizado como analgésico para tratar sintomas inflamatórios de dor ou febre e não a inflamação – considerado seguro para iutilizar em crianças - há uma suspensão de 50mg/ml – 2 gotas/kg e no máximo 40 gotas - e de 100mg/ml - 1 gota/kg e no máximo 20 gotas - utilizado em forma de gotas. A dose terapêutica em adultos é 1 comp. de 400mg até 6 vezes ao dia - Em doses de até 2.400mg/dia ele é APENAS analgésico. EX: Advil© CETOPROFENO: Maior potência anti-inflamatória - Muito utilizado em doenças reumatoides/ osteoartrite/ osteoartrose / inflamção em articulações. EX: PROBENECIDA [utilizado para tratamento de gota] impede secreção tubular do Cetoprofeno ao competir com ele, e com isso ele é menos excretado aumentando seus níveis plasmáticos e potencializa seus efeitos. NAPROXENO: Maior potência anti-inflamatória - Muito utilizado em doenças reumatoides/ osteoartrite/ osteoartrose / inflamção em articulações. 4. FENAMATOS: Inibe COX1 e COX2 ÁCIDO MEFENÂMICO: Capacidade analgésico grande, e pode tratar processos inflamatórios mais leves. EX: PONSTAN – Utilizado para alívio de cólicas menstruais; Contém em sua composição 500mg de ácido mefenâmico, e como é AINE ele trata processo inflamatório no útero e com isso, trata a dor e reduz as cólicas. Medicamento que não deve ser utilizado > 7 dias, pois pode causar malefícios. Não são seguros em crianças. Desloca das proteínas de Anticoagulantes orais, como a VARFARINA, aumentando a fração livre e seu efeito podendo causar HEMORRAGIAS. OXICAM: todo medicamento dessa classe termina com sufixo “Oxicam” Grande capacidade anti-inflamatória. Pssuem t½ vida longa, por isso, são utilizados menos vezes (24h/24h ou 12h/12h) Como inibe COX1 pode causar Úlceras/ Sangramentos/ Problemas Renais e etc. EX: PIROXICAM EX: TENOXICAM EX: MELOXICAM e NIMESULIDA [não é oxicam, mas sim uma classe única] - Alguns relatos classificam ambos como inibidores seletivos de COX2 e outros dizem que inibem, preferencialmente, COX2. Não possuem efeitos adversos cardíacos expressivos como os COXIBES – RECEITA ESPECIAL-, tanto que é vendido em receita comum. Desssa maneira inibe um poquinho de COX1 e assim, Tromboxano, mas não é muito expressivo. Se o paciente possui doenças gástricas é melhor utilizar COXIBES – desde que o paciente não tenha fator de risco cardiovascular -, pois eles não causam doenças gástricas, já que, são inidores APENAS de COX2 não inibem COX1, as Prostaglandinas da mucosa gástricas são sintetizadas normalmente e com isso, o risco de lesão gástrica é muito menor = PROTEÇÃO GÁSTRICA. Porém, como não inibem agregação plaquetária aumentam o risco cardiovascular. As doses e os intervalos podem variar dependendo do que o paciente necessita. ● DICLOFENACO 50mg: 1. É barato e utilizado 3 vezes ao dia 2. Inibe COX1 e COX2 igualmente e por isso, pode causas mais problemas renais. ● NIMESULIDA 100mg: 1. É barato e é utilizado 2 vezes ao dia – adesão ao tratamento maior. 2. Inibidora preferencial de COX2, assim, causa menos efeitos colaterais por não inibir muito COX1 – também pode causar problemas renais, pois há COX2, nesse caso é fisiológica, nos rins também - ~ PACIENTES COM PROBLEMAS RENAIS DEVEM EVITAR O USO DE AIES E AINES ~ ● MELOXICAM 15mg: Utilizado 1 vez ao dia. ● COXIBES: Utilizado 1 vez ao dia. ● PARACETAMOL: - São considerados AINES, porém não são utilizados como antiinflamatóros, pois sua função é baixa, e com isso, não são SELETIVOS E NÃO SELETIVOS. E são utilizados como analgésicos e antipiréticos. Mas, são considerados AINES por inibirem COX3 que é a nível SNC: ● DIPIRONA: - São considerados AINES, porém não são utilizados como antiinflamatóros, pois sua função é baixa, e com isso, não são SELETIVOS E NÃO SELETIVOS. E são utilizados como analgésicos e antipiréticos. ¹ Diminui a síntese de Prostaglandinas chegando menos no hipotálamo [diminui temperatura - Antipirético] ² Com a inibição de Prostaglandinas, e os nociceptores são menos sensibilizados – condução de impulsos nervosos [Analgésico] - O problema maior é a Hepatotoxicidade, pois ao ser metabolizado no fígado gera o metabólito NAPBQI e ele é capaz de oxidar as biomoléculas [lipídeos, proteínas das membrans celulares, etc] do organismo causando toxicidade e lesão. ~ Em doses terapêuticas, o NAPBQI formado não é suficiente para causar lesão, pois há antioxidantes naturais no fígado, GLUTATIONA [substância redutora antioxidante]; Mas em doses> 4g/dia ou > 1000mg/dose, foma-se muito NAPBQI e não há glutationa suficiente para neutralizá-lo, ou, para prevenir os danos ocasionados por ele. Conforme aumenta a dose aumenta-se também a lesão, em doses > 10g/dia a lesão hepática é considerável, além do paciente poder vir a óbito. - No Brasil é considerado MIP [Medicamento Isento de Prescrição] - Em casos de INTOXICAÇÕES utiliza-se como ANTÍDOTO/ANTAGONISTA N-acetilcisteína - é uma substância redutora utilizada por via endovenosa; Com isso, ao chegar ao fígado, ela ajuda a glutationa, ao prevenir ou tratar a oxidação causada pelo metabólito. EX: Paciente utiliza FLUIMUCIL© [n-acetilcisteína] em casos de tosse, pois ela é uma substância redutora e diminui a formação das Pontes de Sulfeto do muco e o dissolve. Diminui a síntese de Prostaglandinas no hipotálamo [diminui temperatura - Antipirético] Mas, são considerados AINES por inibirem COX3 que é a nível SNC: ¹ Diminui a síntese de Prostaglandinas no hipotálamo [diminui temperatura - Antipirético] ² Com a inibição de Prostaglandinas, elas não ativam os nociceptores – condução de impulsos nervosos [Analgésico] - Podem causar DISTÚRBIOS HEMATOLÓGICOS [no sangue] – AGRANULOCITOS, ou seja, redução das células sanguíneas podendo causar problemas graves ao paciente. - No Brasil é considerado MIP [Medicamento Isento de Prescrição] - Comprido de 500mg e de 1000mg e pode ser utilizada no máximo de 6h/6h; enão há uma dose taxada como tóxica. E alguns até 4h/4h dependendo da dor. # AMBOS MEDICAMENTOS NÃO POSSUEM DIFERENÇA QUANTO A EFICÁCIA, POR ISSO SÃO UTILIZADOS ALTERNADOS PARA NÃO OCORRER SUPERDOSAGEM. AINES SELETIVOS de COX2: Inibe somente COX2 ** Lembrar do Meloxicam e Nimesulida CELECOXIB - Celebra© ~ Utilizado em Artrite reumatoide e Osteoartrite ~ Causa menos úlceras e não afeta agregação plaquetária, já que, não iibe COX1 ETORICOXIB – Arcoxia© ~ Maior seletividade a COX2; Além de ser considerado como seguro. ROFECOXIB - Vioxx© ~ Não inibe agregação plaquetária, já que, não inibe COX1; Além de promover proteção gástrica. Anti-inflamatórios Esteroidais - Glicocorticoides (AIEs) São anti-inflamatórios esteroidais, também chamados de AIES. Sem dúvida nenhuma uma das principais classes de medicamentos que são utilizadas na clínica, vários pacientes usam glicocorticoides por várias vias de administração diferentes, existem glicocorticoides usados por via oral, por via tópica, por via parenteral, por via interarticular, por via endovenosa. Glicocorticoide é usado é usado em ambiente ambulatorial e hospitalar com grande frequência. Todos nós produzimos glicocorticoides endogenamente graças a glândula suprarrenal. Na suprarrenal existem duas subdivisões, a parte medular que é a mais externa e a parte cortical que é a parte mais interna. O córtex da suprarrenal é responsável por produzir os hormônios mineralocorticoides, sexuais e os glicocorticoides, enquanto que a parte medular é responsável por produzir adrenalina, noradrenalina – hormônios simpatomiméticos. Então, no córtex da glândula suprarrenal existe a produção desses glicocorticoides e a liberação endógena do glicocorticoide segue o ciclo circadiano, isso se dá devido ao fato de que o glicocorticoide é liberado graças ao hormônio CRH no hipotálamo – Hormônio Liberador de Corticotrofina - o CRH no hipotálamo aumenta a liberação do ACTH na hipófise que age na suprarrenal aumentando a liberação dos hormônios glicocorticoides. O ACTH age na glândula suprarrenal aumentando a produção de glicocorticoide principalmente no período noturno, mais ou menos as 23 horas é o pico de ação do ACTH na suprarrenal, então, durante o período noturno a produção de glicocorticoide é aumentada enquanto que a liberação, secreção, dos glicocorticoides endógenos é aumentada no período matutino em maior quantidade. A medida que o dia passa a liberação dos hormônios glicocorticoides endógenos vai diminuindo, por isso que falamos que ele segue o ciclo circadiano, é por esse motivo que é comum observarmos pacientes que queixam uma inflamação e relatam que no período da manhã a inflamação está mais amena, que não está sentindo dor, que não tem tanto sintoma e a medida que o tempo passa a situação inflamatória se intensifica, isso se dá devido à redução endógena desses glicocorticoides. Só que sabemos que quando temos um processo inflamatório, seja ele agudo ou crônico esses glicocorticoides endógenos são insuficientes para reduzir o quadro inflamatório, sendo por isso que existem os medicamentos, substâncias exógenas – glicocorticoides exógenos. Os glicocorticoides exógenos são medicamentos que possuem estrutura química semelhante aos glicocorticoides endógenos e por isso eles se ligam nos mesmos receptores dos glicocorticoides endógenos, principalmente o cortisol, cortisona. Eles se ligam aos receptores de cortisol e possuem uma ação farmacológica muito parecida com esses glicocorticoides endógenos. Todo o medicamentos para ter a característica de um glicocorticoide tem que ter uma estrutura básica comum, que é o ciclopentantoperidrofenantreno que é um grupamento químico básico formado por três anéis de seis carbonos e um anel de cinco carbonos e para que tenha atividade de glicocorticoide é necessário que no carbono onze do ciclopentanoperidrofenantreno exista uma hidroxila ligada a esse carbono. Se o medicamento tiver o ciclopentanoperidrofenantreno e no carbono onze tiver uma hidroxila ligada quer dizer que ele tem atividade glicocorticoide. Principais glicocorticoides exógenos: Cortisona Hidrocortisona Retenção de sódio Prednisona Potência Prednisolona Metilprednisolona Triancinolona Dexametasona Betametasona • Estrutura química – ciclopentanoperidrofenantreno A diferença de um glicocorticoide para o outro é simplesmente os grupamentos químicos que estão associados ao ciclopentanoperidrofenantreno. Exemplo ao colocar um grupo metil na prednisolona virando metilprednisolona, ao invés do metil colocamos o flúor, formando o fluoroprednisolona. A diferença das estruturas químicas que vai fazer com que o medicamento seja um ou outro, mas a estrutura básica é a mesma. Existem glicocorticoides que ao invés de ter a hidroxila ele tem uma dupla O, porém para ter ação glicocorticoide ele precisa ter uma hidroxila ligada no carbono onze, um exemplo de medicamentos que possuem a dupla O no ciclopentanoperidrofenantreno é a cortisona e a prednisona, por elas possuírem uma dupla O ao invés de uma hidroxila no carbono onze elas são consideradas um pró-fármaco – medicamentos que necessitam ser metabolizados para se transformarem em um fármaco ativo. Quando a prednisona é metabolizada ela se transforma na prednisolona, pois durante o metabolismo ela ganha um H e o que era dupla O se transforma em OH-, se tornando ativo. A cortisona quando ganha um hidrogênio se transforma na hidrocortisona, sendo um fármaco ativo. É importante relembrar que como o pró-fármaco necessita ser metabolizado para se tornar um fármaco ativo isso quer dizer que prednisona e cortisona não devem ser usadas em pacientes com problemas hepáticos, pois essa OH- que o medicamento ganha ocorre no fígado, então para transforma prednisona em prednisolona é necessário que esse medicamento chegue no fígado ganhe o grupo hidrogênio para se transformar no fármaco ativo. Existem n glicocorticoides, cada um possui uma potência anti-inflamatória diferente e cada um possui uma capacidade retentora de sódio diferente. Os glicocorticoides, alguns deles, possuem a capacidade de se ligarem nos receptores mineralocorticoides – que tem como principal função reter sódio. Se o glicocorticoide se ligar em alguma porcentagem no receptor mineralocorticoide também vai reter sódio. Portanto, à medida que eu aumento a potência a capacidade de retenção de sódio estará reduzida. Por exemplo, a potência da cortisona e da hidrocortisona é uma potência de 1, enquanto que a potência da prednisona é de 3,5 a 4, da prednisolona 4, da metilprednisolona 5, da triancinolona 5, da dexametasona 30 e da betametasona30. A dexametasona e a betametasona são os glicocorticoides mais potentes que existem, potente no sentido de precisar de uma dose baixa para produzir o efeito do glicocorticoide, exemplo a dexametasona é usada na clínica em doses de 4 a 7,5 mg enquanto que prednisona tem pacientes que chegam a tomar 60mg. Porém, quanto menor a potência maior a capacidade redentora de sódio, prednisona retém muito mais sódio do que dexametasona, todos são glicocorticoides, porém as reações adversas são diferentes. A prednisona é muito imussupressora por isso que é muito utilizada para tratamentos autoimune. Farmacocinética dos glicocorticoides em geral, quando falamos em farmacocinética lembramos de: administração, absorção, distribuição, biotransformação e excreção. Glicocorticoide pode ser usado por via oral como prednisona para tratar doenças autoimunes como lúpus, granulomatose, pode ser utilizado por via endovenosa principalmente em ambiente hospitalar normalmente administra três doses em alta dosagem e depois mantem o glicocorticoide em casa isso é feito para estabilizar o risco, pode ser usado por via intra-articular por meio de infiltração, por via inalatória como o beclometazona para o tratamento de asma ela diminuiu a inflamação dos brônquios em pacientes com asma, ou seja, as vias de administração são várias. Porém, de maneira em geral os glicocorticoides são muito bem absorvidos por serem medicamentos lipossolúveis, quando é usado por via oral depois de no máximo duas horas ele atinge o seu pico plasmático, quando ele cai na corrente sanguínea se ligam com grande afinidade a albumina, portanto, cuidado com pacientes com problemas hepáticos ou com hipoalbuminemia devido ao aumento da fração livre dos glicocorticoides e ao aumento das reações adversas, então esses pacientes que tem problemas hepáticos ou tem hipoalbuminemia tem uma tentencia a terem um aumento da fração livre dos glicocorticoides tendo uma potencialização dos efeitos colaterais. Glicocorticoide exógeno chegou no sangue, vai ser distribuído quando ele é distribuído ele vai chegar no seu local de ação. Por ele ser muito lipossolúvel ele ultrapassa a membrana das células por difusão simples e se liga ao seu receptor do tipo intracelular e quando ele liga no receptor, dentro da célula, no citoplasma, migra receptor com glicocorticoide para dentro do núcleo, no núcleo esse glicocorticoide altera a transcrição do RNAm. De maneira em geral o glicocorticoide aumenta a transcrição do RNAm que será responsável, ou será traduzido, para uma proteína chamada anexina 1. A anexina 1 é a proteína capaz de inibir a fosfolipase A2, então, de maneira em geral, glicocorticoide é um medicamento capaz de inibir a fosfolipase A2. ATENÇÃO: não é o glicocorticoide que inibe fosfolipase A2 e sim a proteína anexina 1 que é produzida pela ação do glicocorticoide no núcleo da célula, alterando a transcrição do RANm responsável pela produção dessa proteína, ou seja, inibe de maneira INDIRETA. *Os glicocorticoides endógenos se ligam a uma proteína chamada transportina. Depois que o glicocorticoide que ele é distribuído, exerce sua ação, inibe fosfolipase A2 ele não tem motivo mais para ficar no nosso organismo, diante disso, ele vai sofrer biotransformação. É importantíssimo que o glicocorticoide seja transformado, pois na biotransformação vai acontecer duas reações com o glicocorticoide: 1. Eles serão inativados durante a biotransformação. Ele é inativado pela retirada do grupo OH- 2. Eles irão se conjugar com o ácido glicurônico para ficar mais hidrossolúvel e ser excretado pela urina. Um detalhe importante: pelos glicocorticoides serem lipossolúveis eles ultrapassam facilmente a barreira placentária, podendo atingir facilmente o feto. O que significa que o uso de glicocorticoides em gestantes pode causar supressão de suprarrenal do bebê, uma vez que glicocorticoide exógeno faz feedback negativo com a produção endógena. Se o paciente está utilizando glicocorticoide exógeno a produção endógena de glicocorticoide diminui. Diante disso, é necessário ficar a tento se o paciente está usando glicocorticoide diário não pode fazer suspensão abrupta do uso do glicocorticoide, sendo necessário realizar um desmame, para dar tempo de a suprarrenal perceber que o glicocorticoide está caindo e começar a produzir novamente. Se parar de uma vez o paciente pode apresentar sintomas semelhantes a síndrome de addison: paciente que tem queda abrupta de corticoide no organismo, podendo ter alterações de minerais podendo ter hipotensão arterial, hiponatremia. Síndrome de Cushing: excesso de glicocorticoide de organismo, portanto, pacientes que possuem uma doença autoimune terão sintomas que se assemelham a essa síndrome. Esses sintomas só acontecem se os pacientes tomarem doses altas e por um período prolongado. Os glicocorticoides quando usados em altas doses por um período prolongado pode causar: 1. Hiperglicemia: muitos pacientes que usam glicocorticoide por causa de doença autoimune desenvolvem diabetes medicamentosa. Esses pacientes tem hiperglicemia por vários motivos: 1o a alteração do RNAm não vai ser específica para anexina 1, o glicocorticoide é responsável por aumentar a síntese de enzimas (fosfenolpiruvato carboxiquinase e glicose 6 fosfatase) responsáveis pela neoglicogêneses. 2o a captação de glicose pelos tecidos é reduzida, porque os transportadores de glicose não migram para membrana, os Gluts – transportadores de glicose – não migram para membrana impossibilitando a captação de glicose. 3o alteram o metabolismo de proteínas, fazendo um balanço nitrogenado negativo, os glicocorticoides diminuem o anabolismo proteico – síntese de proteínas - por impedir a incorporação de aminoácidos na cadeia políptica, ao diminuir o anabolismo há um aumento do catabolismo, quando há um aumento da degradação de proteínas há uma maior liberação de aminoácidos e esses vão para a rota de síntese de glicose. 4o Os glicocorticoides alteram o metabolismo lipídico, os adipócitos dos nossos organismos possuem sensibilidade diferentes aos glicocorticoides, alguns adipócitos são mais sensíveis, outros mais resistentes, de maneira em geral, os adipócitos dos membros superiores e inferiores são mais sensíveis aos glicocorticoides e por isso acontece uma maior lipólise, enquanto que os adipócitos da região torácica são mais resistentes então a tendência é que essa região tenha um acumulo de gordura, gerando uma obesidade centrípeta e a corcova de búfalo. Onde os adipócitos são quebrados eles liberam ácidos graxos e esses vão para a rota de síntese de glicose. Então, de maneira em geral, os glicocorticoides alteram muito o metabolismo do nosso organismo. 2. Altera o metabolismo ósseo, nos ossos existem receptores para glicocorticoide e quando o glicocorticoide se liga no receptor no osso ele ativa os osteoclastos e inativa os osteoblastos, ou seja, diminuição da matriz óssea e aumento da reabsorção óssea. Pacientes que usam glicocorticoides por um período longo podem desenvolver com maior facilidade osteoporose. Por isso que é muito comum prescrever cálcio mais vitamina D para pacientes que fazem uso prolongado de glicocorticoides. 3. Diminuiu síntese de colágeno, deixando a pele muito fina e susceptível a lesões. Desenvolvimento de catarata subcapsular. Rompimento de vasos sanguíneos com o paciente apresentando equimoses (manchas arroxeadas) fáceis 4. Redução do sistema imunológico, sendo isso o que faz com que o glicocorticoide seja usado para tratar doenças autoimunes. Ele diminui a síntese de interleucina 1 e consequentemente diminui de interleucina 2 que é importante para a proliferação dos linfócitos B e T 5. Diminuem a expressão de interferon gama que é uma substância importante para que os macrófagos reconheçam os antígenos, ou seja, diminui a síntese de interferon gama diminuindo o reconhecimento dos macrófagos para os antígenos e consequentemente diminuído o sistema imunológico. De maneira em geral os linfócitos são reduzidos, os anticorpos são reduzidos, porém já é sabidoque os glicocorticoides podem causar uma leve leucocitose, os leucócitos tendem a aumentar, porém linfócitos e anticorpos são reduzidos. Ou seja, são bons para tratar doenças autoimunes e o motivo pelo qual os pacientes possuem infecções oportunistas. 6. Podem causar alteração no SNC, alterando a função do hipocampo por isso que as funções cognitivas do paciente podem estar alteradas. Alguns pacientes apresentam depressão, outros insônia, outras psicoses. 7. Podem causar aumento da secreção de HCl, porém o problema é potencializado se o glicocorticoide for associado com um AINE. O glicocorticoide sozinho não é um grande fator de risco para doenças gástricas, porém se for utilizado junto com um AINE esse problema é potencializado. ANESTÉSICOS LOCAIS Os fármacos anestésicos locais são medicamentos capazes de bloquear o impulso nervoso de uma certa região, de maneira reversível, e consequentemente reduzir a sensibilidade dolorosa graças a sua capacidade de bloquear os canais de Na+ na membrana dos axônios dos neurônios, impedindo as despolarizações neuronais e consequentemente a condução do impulso doloroso [O Na+ deveria entrar e despolarizar para ocorrer despolarização]. Porém, os anestésicos locais bloqueiam os canis de sódio em qualquer membrana excitável, por isso se atingirem a corrente sanguínea e se distribuírem no organismo pode gerar diversos efeitos colaterais por bloquearem canais de sódio em outros tecidos como por exemplo coração, SNC e outros órgão que dependam dos canais de sódio para que as células se despolarizem. O primeiro anestésico local descoberto, utilizado na clínica, foi a COCAÍNA. A COCAÍNA foi descoberta em 1860 e foi utilizada por 30 anos consecutivos como medicamento anestésico local porque era o único que existia. Porém, com a descoberta do risco da cocaína em causar dependência esse fármaco foi modificado, a estrutura química foi modificada e outro anestésico surgiu na clínica médica que é a chamada PROCAÍNA, ela tem a mesma capacidade de impedir a condução do impulso nervoso sem gerar dependência para o paciente, sendo utilizada nos 50 anos subsequentes. A partir da procaína novos anestésicos locais foram lançados no mercado, atualmente existem dezenas de fármacos anestésicos locais diferentes cada um com uma aplicação clínica especifica, porém até hoje não existe na clínica um anestésico local considerado ideal, a indústria farmacêutica ainda busca um anestésico local que tenha três características. Um anestésico local ideal deve conter: 1. Um anestésico local que cause menos irritação tecidual, então, quanto menos lesão no tecido ao ser aplicado melhor. 2. Um anestésico que tenha um início de ação rápido, quase que imediato, com duração de ação longa. 3. Um anestésico local que cause o mínimo de toxicidade sistêmica possível Por não existir um anestésico local ideal a escolha do anestésico depende do procedimento a ser realizado, depende da duração do procedimento. Todo anestésico local é formado por um grupamento químico básico, todo anestésico local é formado por três grupos funcionais: 1. Formado por um grupo lipofílico. Esse grupo lipofílico, normalmente, é um anel aromático. 2. Formado por um grupo ionizável, normalmente, esse grupo ionizável é uma amina terciaria. 3. E ligando o grupo lipofílico ao grupo ionizável há uma cadeia intermediária, que é um éster ou uma amida. GRUPO LIPOFÍLICO + CADEIA INTERMEDIÁRIA + GRUPO IONIZÁVEL Então, classificamos da seguinte maneira: o paciente está utilizando um anestésico local do tipo éster ou o paciente está utilizando um anestésico local do tipo amida. Os anestésicos locais são subdivididos em dois tipos, ou eles são do tipo éster ou eles são do tipo amida. Anestésicos locais que são ésteres: Procaína, Tetracaína, Benzocaína e antigamente quando era utilizada a própria Cocaína. Anestésicos locais que são amida: é a maioria dos anestésicos locais. Lidocaína conhecida comercialmente como xilocaína, Mepivacaína, Etidocaína, Prilocaína, Ropivacaína, Bupivacaína. Uma das principais DIFERENÇAS que existem entre ter um anestésico local que é um éster ou uma amida é a duração de ação. Os anestésicos locais que são ésteres tendem a ter duração de ação curta, muito mais curta dos que aqueles que são amidas. Dos anestésicos locais que tem duração de ação mais curta são: a procaína, a tetracaína, a benzocaína porque esses medicamentos são metabolizados mais rapidamente e excretados do organismo mais rapidamente, ou seja, eles tendem a ter uma duração de ação mais curta e por isso são menos utilizados na clínica do que as amidas. Um outro motivo pelo qual eles são menos utilizados é que os ésteres tendem a produzir mais reações alérgicas do que as amidas. Dos anestésicos locais que tem duração de ação mais itermediária são: Lidocaína, Mepivacaína e Prilocaína. Dos anestésicos locais que tem duração de ação mais longo são: (?) 16 min Além de eles serem formados por esses três grupos químicos nós temos que lembrar que todo anestésico local são medicamentos básicos – são bases fracas. Além disso, os anestésicos locais são comercializados na forma de sais. EX: Fala-se que o paciente vai usar cloridato de lidocaína, ou seja, ele vai tomar um sal de lidocaína. EX: Quando você vai fazer um procedimento de qualquer membro você pode utilizar um anestésico local que tenha uma ação intermediaria, porem quando vai fazer um trabalho de parto é necessário um anestésico local que tenha duração de ação prolongada. Então a escolhado anestésico a ser utilizado depende do procedimento a ser realizado e da duração de ação do medicamento. Os anestésicos locais são usados na forma de sal para aumentar a solubilidade no tecido e para aumentar a estabilidade do medicamento. Além dessa característica é importante saber o pKa do anestésico local, normalmente o pKa do anestésico local varia entre 8 e 9. Normalmente nós injetamos o anestésico local, no tecido que você deseja bloquear o impulso nervoso. Então, o tecido que o anestésico local será aplicado é inervado, ou seja, existem os neurônios que estão inervando esse tecido e nos axônios desses neurônios existem canais de sódio e como sabemos os anestésicos locais tem como mecanismo de ação o bloqueio dos canais de sódio, mas normalmente pensamos que o anestésico vai bloquear o canal externamente, porém não é isso que acontece, o anestésico local será depositado no tecido e como sabemos o tecido tem um pH tecidual normal, quando o anestésico local é depositado no tecido se ele é uma base fraca - uma fração vai ficar na forma ionizada e outra fração vai ficar na forma não ionizada - . Essa porcentagem não ionizada do anestésico local é imprescindível para o seu mecanismo de ação, pois para ele exercer sua ação é necessário que ele entre, penetre, no axônio do neurônio e lá dentro do neurônio que ele vai bloquear o canal de sódio, ou seja, o anestésico local bloqueia o canal de sódio por dentro do neurônio. Dentro do neurônio o pH intraneuronal, pH intra-axonal, é considerado um pH mais baixo, ou seja, é considerado um pH mais ácido do que o do tecido, isso significa que quando o anestésico local que é básico entra no neurônio e se depara com o pH mais ácido o anestésico se torna ionizado e essa ionização do anestésico local é imprescindível para o seu mecanismo de ação, pois o anestésico local só consegue se ligar nos sítios de ligações e bloquear o canal de sódio por diferença de cargas, esse canal de sódio é cheio de aminoácidos que possuem cargas elétricas e o anestésico local possui cargas opostas, portanto eles aproximam do canal iônico pela ligação iônica. Ou seja, para ele conseguir entrar no neurônio é necessário que ele esteja na forma não ionizada, porém para que ele exerça sua função é necessário estar na forma ionizada. Caso ele entre no neurônio e não se ionize ele não consegue reconhecer o canal de sódio para bloquear, então, é necessário que o anestésico local se ionize dentro no axônio, caso elese ionize fora no axônio ele não vai exercer sua ação, pois ele não conseguirá entrar para dentro do neurônio devido a existência de cargas elétricas, não conseguindo ultrapassar a membrana. Ao entrar no interior do axônio, se ionizar e consequentemente bloquear os canais de sódio impedido a entrada desse íon no neurônio, impedindo o processo de despolarização BLOQUEIO É INTRAXONAL. ANESTESIA NÃO PEGOUEM TECIDOS INFLAMADOS, o que isso significa? Isso quer dizer que o anestésico não conseguiu bloquear os canais de sódio como deveria. Existe uma relação muito importante entre inflamação e efeito farmacológico do anestésico local, quando o tecido está inflamado eles tendem a ter uma sensibilidade ao anestésico local menor, sendo mais difícil a ação do anestésico local. Os tecidos inflamados são mais resistentes aos anestésicos locais porque eles possuem pH mais baixo, mais ácido, o que significa que quando injetar o anestésico local estará injetando o anestésico que é básico em um tecido que está acidificado devido a presença das enzimas lisossomais, tornando o anestésico local mais ionizado não conseguindo penetrar na membrana do axônio e não conseguindo exercer sua função. Quando o tecido está inflamado a tendência é aumentar a dose, repetindo as aplicações, mas é necessário ter cuidado para a repetição das doses, pois o anestésico local é um fármaco básico, porém a solução anestésica é uma solução ácida – aumenta estabilidade/prazo de validade -, desse modo, quanto maior o volume de anestésico injetado naquele tecido mais o tecido vai ficar ácido tendendo que o efeito farmacológico do anestésico local diminua cada vez-mais. O tecido não será acidificado quando o anestésico for aplicado em dose terapêutica devido à existência do sistema tampão no tecido. EX: Tampão bicarbonato, quando se injeta uma quantidade limitada de solução os nossos sistemas tampões são capazes de corrigir essa alteração de pH, quando vamos repetido, aumentando o volume, o sistema tamponante fica saturado o pH fica ácido e consequente diminuindo o efeito do anestésico local, isso é chamado de TAQUIFILAXIA - quanto maior o volume de anestésicos locais que utilizar em um tecido, a tendência é que ele PERCA SUA ATIVIDADE. Os anestésicos locais são medicamentos devem exercer sua ação no local em que é administrado, por isso que a farmacocinética dos anestésicos locais [EX: Raqui e Peridural] são menos importante, pois para um anestésico local exercer sua ação ele não precisa ser absorvido, distribuído, pelo contrário, quanto menos ele for absorvido e distribuído melhor porque ele vai permanecer no seu local de aplicação e consequentemente o efeito farmacológico será potencializado, porém sabe-se que existem vários casos em que o anestésico local pode sim ser absorvido e distribuído devido a alguns fatores como: 1. Aplicação do anestésico local em uma área muito vascularizada. Se aplicar um anestésico em uma área que possui muitos vasos sanguíneos, por mais que aquele medicamente tenha um efeito local ele pode ser captado, ser absorvido. 2. Quando administramos o anestésico local em grandes doses ou em grandes volumes. Quando o anestésico local é administrado em um volume alto à tendência é que ele saia do aplicado e seja absorvido, e consequentemente pode ser distribuído para o organismo. Quando o anestésico local é distribuído ele possui a capacidade de se acumular no tecido adiposo e pode bloquear os canais de sódio em qualquer membrana excitável do organismo, gerando assim uma série de efeitos colaterais; Por isso que, na prática clínica é comum associar ao anestésico um fármaco vasoconstritor, como a ADRENALINA, pois o vasoconstritor tem duas principais funções ao ser associado como: prolongar a duração de ação do anestésico local por diminuir a irrigação sanguínea tecidual reduzindo a absorção do anestésico local mantendo-o por um tempo mais prolongado no tecido alvo. Pode ser um vasoconstritor adrenérgico ou vasoconstritor não adrenérgico. O segundo motivo para utilização do vasoconstritor junto é diminuir a toxicidade do anestésico local, pois ele vai cair menos no sangue e consequentemente bloquear menos canais de sódios em outros tecidos gerando menos efeitos colaterais. Normalmente, os vasoconstritores são utilizados em associação com anestésicos locais de ação curta ou intermediária para tentar prolongar a duração de ação desses fármacos [o vasoconstritor é aplicado em solução diluída, pois doses altas podem gerar problemas ao paciente]. Existem vários problemas que podem acontecer com o anestésico local. Muitas das vezes várias pessoas, inclusive clínicos acham que anestésico local não provoca efeito colateral, porém isso só ocorre se eles forem utilizados em locais não vascularizados e que seja utilizado em doses baixas. Caso o anestésico seja captado pela corrente sanguínea ele pode causar uma toxicidade sistêmica, ou seja, cai na corrente sanguínea e causa toxicidade em outro tecido. EX: Utilizar Raqui, ao utilizar altas doses, ele pode atuar no SNC e gerar efeitos indesejados. EX: Um tecido que tem grande risco de toxicidade com anestésico local é o SNC, pois quando o anestésico local age no SNC quando em doses intermediárias o paciente pode apresentar letargia, dormência na língua e nos lábios, gosto amargo na boca que indica o início da toxicidade do anestésico local no SNC. Se o medicamento não for interrompido ou se a dose não for reduzida o paciente pode evoluir para crises convulsivas porque os anestésicos locais são capazes de deprimirem as vias corticais inibitórias fazendo prevalecer à função das vias corticais excitatórias, por isso os neurônios ficam muito excitados aumentando o risco de crises convulsivas, com o aumento da dose do anestésico local a evolução é a depressão de todo o SNC e o paciente pode ter redução das funções vitais do organismo, podendo evoluir inclusive para mortalidade. Para que esse quadro seja evitado é necessário estabelecer doses terapêuticas, evitando doses e volumes altos e evitar a aplicação do medicamento em tecidos muito vascularizados. OBSERVAÇÃO: se houver a necessidade de aplicar altas doses do anestésico local pode-se realizar uma pré-medicação com medicamentos benzodiazepínicos para evitar as crises convulsivas e a excitabilidade neuronal, se a convulsão acontecer pelo uso do anestésico local ela deve ser tratada utilizando medicamentos depressores como os próprios Benzodiazepínicos ou anestésicos gerais em doses mínimas como por exemplo propofol ou tiopental. O anestésico local não é toxico apenas para o SNC, qualquer que seja o tecido, a membrana que dependa do canal de sódio para se excitar, se despolarizar, ele pode ser toxico, como por exemplo, o sistema cardiovascular. EX: No sistema cardiovascular o anestésico local em doses acima da dose terapêutica, ou seja, ao cair na corrente sanguínea o anestésico local bloqueia canais de Na+ nas membras das células cardíacas e em doses ainda mais elevadas além de bloquear os canais de sódio eles também são capazes de bloquear os canais de cálcio no miocárdio. Por isso, de maneira em geral, dizemos que os anestésicos locais reduzem a força de contração do coração, então ele deprime a função cardíaca e por diminuir o DC, ele tende a reduzir a pressão arterial e, além disso, o anestésico local é capaz de causar vasodilatação reduzindo ainda mais a resistência vascular periférica. EX: O único fármaco, substância, considerada anestésico local que estimula o sistema cardiovascular é a cocaína porque ela inibe a recaptação de noradrenalina, ou seja, esse neutransmissor fica mais disponível na fenda sináptica, por inibir a recaptação ela ativa a função do simpático, ou seja, ela aumenta o débito cardíaco, aumentando a função cardíaca e PA. EX: Dentro dos anestésicos locais o considerado mais cardiotóxico é a Bupivacaína. Alguns artigos mostram que ela tem cardiotoxicidade aumentada em GESTANTES. Quando utilizados em doses,na concentração de 0,75% - dose terapêutica – as pacientes podem apresentar arritmias cardíacas e um dos motivos para essa toxicidade cardíaca é a alteração hormonal dessas gestantes, então o miocárdio se torna mais sensibilizado e consequentemente a bupivacaína tem a sua toxicidade aumentada, por isso utiliza-se o isômero Levógeno da Bupivacaína = Levobupivacaína que está sendo muito utilizado na clínica principalmente em gestantes em trabalho de parto. Em gestantes não usamos a bupivacaína por ela ser considerada muito cardiotóxica, a bupivacaína pode alterar a condução elétrica no coração causando arritmias graves. O isômero da bupivacaína não é considerado cardiotóxico. Os anestésicos locais podem produzir efeitos colaterais no sistema hematológico (sangue). EX: Prilocaína – principal anestésico local capaz de alterar a função sanguínea. O principal efeito colateral causado é a metahemoglobinemia (Fe³+ ao invés do Fe²+), ou seja, são capazes de aumentar a quantidade de metahemoglobina na corrente sanguínea, isso se da devido ao fato de que a prilocaína ao ser metabolizada gera um metabolito chamado de orto-toluidina. Esse metabolito é altamente oxidante capaz de oxidar o ferro da hemoglobina, transformando-a em metahemoglobina e esse aumento que vai produzir a metahemoglobinemia. Paciente com metahemoglobina, ou seja, possui Fe³+ 3 não Fe²+, e dessa maneira não transporta oxigênio Paciente fica cianótico, com as extremidades arroxeadas com dificuldade respiratória, aumento da frequência respiratória para tentar oxigenar os tecidos TRATAMENTO é colocá-lo em uma câmera hiperbárica, ou seja, com alta saturação de oxigênio ou podemos utilizar substâncias altamente redutoras que podem ser o azul de metileno ou o ácido ascórbico. Outro problema causado pelos anestésicos locais são as REAÇÕES ALÉRGICAS. Os ésteres – medicamentos que tendem a ter uma duração de ação mais curta por serem metabolizados mais rápidos. Os ésteres são metabolizados na corrente sanguínea, não precisando ser metabolizado pelo fígado, eles são metabolizados por uma pseudocolinesterase plasmática - butirilcolinesterase – e quando os ésteres são metabolizados pelas pseudocolinesterases ele gera um metabolito chamado de PABA – ácido paraminobenzoico. A produção do PABA aumenta a susceptibilidade de reações alérgicas, o paciente pode ser alérgico ao PABA e esse PABA é gerado durante o metabolismo dos ésteres. Enquanto que as amidas são metabolizadas pelo fígado, de maneira mais específica pelas enzimas do citocromo p450, como eles são metabolizadas pelo fígado elas demoram mais para ser metabolizadas e excretadas, então a tendência é que as amidas tenham duração de ação mais prolongada, e como não gera PABA como produto do metabolismo a tendência é que as amidas gerem menos reações alérgicas. CUIDADO: ao utilizar uma amida em um paciente com PROBLEMA HEPÁTICO e em pacientes que estão utilizando medicamentos que DIMINUEM FLUXO HEPÁTICO, pois a tendência vai ser que esse anestésico local demore mais para ser metabolizado, podendo aumentar a meia vida de eliminação desse fármaco. EX: A meia vida da Lidocaína [é amida, ou seja, metabolizada no gígado] é de 1,8h quase 2h em pacientes normais, já em pacientes hepatopatas a meia vida da lidocaína passa para 6h. Halotano medicamento que é capaz de reduzir o fluxo sanguíneo hepático e quando utilizados em conjuntos com a lidocaína o tempo de meia vida desse estará aumentando. CASOS CLÍNICOS – ANESTÉSICOS LOCAIS: Midazolan – Benzodiazepínico utilizado para depressão SNC, Amnésia retrógrada daquilo que houve durante cirurgia, além de ser utilizado para bloqueador muscular. Fentanil – Analgésico opioide, que pode ser até 1000X mais potente que morfina. Bupivacaína e Lidocaína 1a: Foram utilizados anestésicos locais como: Bupivacína e Lidocaína - 1b: O paciente apresenta problema hepático, e a Bupivacaína e a Lidocaína são amidas, ou seja, precisam das enzimas do CP450 para serem metabolizados – do fígado. Como não está sendo biotransformada, a substância fica no organismo e acabam gerando efeitos adversos. 2a: Dentre as amidas, dos anestésicos que possuem duração de ação longa destaca-se a Ropivacaína e Bupivacaína, e por ser um procedimento loingo, essa seria a melhor escolha. 2b: Utilizou-se o vaso constritor, a fim de, aumentar a ação da Lidocaína, que, dentre as amidas é de duração intermediária; Além de diminuir efeitos sistêmicos, já que, a concentração que cairá na corrente sanguínea será menor; Já a Ropivacaína possui ação prolongada. 3: O uso excessivo do anestésicos fez com que ele fosse absorvido e fosse, por meio da carótida, para suas ramificações além da cavidade oral levando a metahemoglobinemia, o que ocasionou cianose. Metahemoglobinemia (Hb Fe³+) durante sua metabolização ela gera um metabólito oxida o Fe da Hb transformando-o em Meta-Hb, e essa, não transporta oxigênio. O tratamento seria Azul de Metileno, Vitamina C. ** Prilocaína, Lidocaína e Benzocaína – Principais Anestésicos Oxidantes. 4: O (...) Quando há excesso do anestésico local, ele cai na corrente sanguínea e inibe as vias corticais inibitórias do encéfalo deixando livres as vias corticais excitatórias, consequentemente a despolarização neuronal fica em excesso = Convulsões, principalmente tônico-clônicas. Utilizou-se Propofol, pois é um medicamento depressor de SNC. Farmacologia do SNA – Fármacos Adrenérgicos - Catecolaminas Adrenérgicos – Simpatomimético - Não catecolaminas Todos os medicamentos que atuam no SNA ou eles imitam ou eles antagonizam ou bloqueiam a ação do SNS ou SNP. O SNS é ativado pela adrenalina, então existem medicamentos que imitam ação da adrenalina que são chamados de adrenérgicos ou simpatomiméticos. Os adrenérgicos, simpatomiméticos, também são chamados de drogas vasoativas que são substâncias que possuem efeito vasculares periféricos, cardíacos ou pulmonares, são amplamente utilizados em pacientes críticos, principalmente, em pacientes que estão na UTI ou em urgência e emergência. Os fármacos simpatomiméticos são classificados de dois tipos: 1. Classificação química: é baseada na estrutura química do simpatomimético. Eles são classificados em catecolaminas e não catecolaminas, sendo a diferenciação apenas na presença do grupo catecol. 2. Classificação baseado no Mecanismo de Ação: que podem ser classificados de três tipos: 2.1 Simpatomiméticos de ação direta: medicamentos capazes de se ligarem aos receptores adrenérgicos α ou β imitando a ação da adrenalina endógena. Dentre os principais adrenérgicos de ação direta destaca-se: a própria adrenalina, noradrenalina, dobutamina, e o isoproteronol. 2.2 Simpatomimético de ação indireta: são aqueles que aumentam a liberação de noradrenalina das vesículas pré-sinápticas potencializando a ação desse neurotransmissor. Dentre os principais adrenérgicos de ação indireta destaca-se: Anfetaminas, Dopamina, Efedrina, Fenilpropanolamina. 2.3 Simpatomiméticos de ação mista: são aqueles que possuem tanto ação direta quanto ação indireta, ou seja, eles tanto se ligam aos receptores adrenérgicos imitando a ação da adrenalina quanto liberam a noradrenalina das vesículas pré-sinápticas. Muitos autores consideram a dopamina como sendo um medicamento de ação mista. Então os dois medicamentos que possuem uma ação mista mais evidente são a dopamina e o metaraminol. É muito comum que alguns autores digam que alguns fármacos de ação indireta tenham ação mista como por exemplo as anfetaminas. Os simpatomiméticos são medicamentos podem ser utilizados em pacientes críticos como em casos de: hipotensão, choque circulatório, choque hipovolêmico, paciente com uma insuficiência cardíaca congestiva. Só que existem indicações clínicas diferentes, cada medicamento por mais que todos sejam simpatomiméticos eles possuem indicações clinicas diferentes porque eles se ligam com afinidade diferente nos receptores, por exemplo, tem medicamentos que se liga mais nos receptores α do que aos β, temmedicamentos que se liga mais aos β1 do que aos β2, tem medicamento que se liga no β2 e não se liga no β1, liga no α1 e não liga no β1. LEMBRAR: Antidepressivo tricíclico por mais que ele iniba a recaptação de noradrenalina não pode ser considerado um simpatomimético, a inibição da recaptação é um efeito colateral dele e não foi feito para ativar o simpático. ➢ PRINCIPAIS CATECOLAMINAS Lembrar que nenhuma catecolamina pode ser utilizada por via oral devido ao fato de que elas sofrem ação da MAO. Sem dúvida nenhuma das catecolaminas usada na clínica destaca-se: 1. Adrenalina: é um medicamento que se liga com afinidades diferentes aos receptores adrenérgicos, por exemplo, quando utilizada em doses muito baixas, em doses menores ou até 0,05 microgramas/Kg por minuto ela se liga com maior afinidade aos receptores β adrenérgicos a medida que essa dose vai aumentando a adrenalina vai aumentando a sua capacidade de se ligar aos receptores α como em doses de 0,2 a 0,5 microgramas/Kg a adrenalina se liga tanto nos receptores α quanto aos β adrenérgicos – a afinidade de ligação é equivalente. Quando utiliza doses maiores que 1 micrograma/Kg por minuto, ou seja, dose mais altas, a adrenalina vai se ligar com mais afinidade aos receptores α adrenérgicos. A adrenalina é um fármaco considerado muito estimulante do sistema cardíaco ela é capaz de aumentar tanto a força de contração do coração quanto a frequência cardíaca, por isso que dizemos que a adrenalina é um inotrópico (força de contração) e cronotrópico (frequência cardíaca) positivo. Por ela alterar a frequência cardíaca e o sistema de condução elétrica cardíaco a adrenalina é capaz de produzir arritmias cardíacas, ou seja, ela é um medicamento muito arritmogênico, por isso que seu gotejamento, dose, volume, tem que ser muito controlado. Por se ligaram aos receptores α1 adrenérgicos ela é capaz de produzir vasoconstrição e diminuir o fluxo sanguíneo tecidual podendo reduzir a irrigação renal, mesentérica e cutânea. Ela também é capaz de alterar a glicemia do paciente, pois quando ela se liga aos receptores α presente no pâncreas do paciente ela é capaz de inibir a secreção de insulina ao passo que ao se ligaram aos receptores β presente no pâncreas aumenta a secreção de insulina, sendo esse um dos principais motivos pelo qual pacientes diabéticos devem utilizar com cautela medicamentos β bloqueadores, pois esses ao bloquearem os receptores β no pâncreas são capazes de diminuírem a secreção de insulina e aumentam a glicemia do paciente. Ela também é capaz de aumentar a lipólise (substâncias adrenérgicas no geral são capazes de aumentar a lipólise) graças a sua capacidade de se ligarem aos receptores β1 presente no tecido adiposo, aumentando a quebra dos lipídeos sendo esse o principal motivo que muitos pacientes utilizam madrenérgicos como termogênicos. A adrenalina é um medicamento que não sofre absorção oral devido ao fato de que a sua estrutura química não permite a sua absorção pelo TGI - molécula polar, outro motivo pelo qual não existe adrenalina por via oral é que ela sofreria ação de uma enzima chamada de MAO – Monoamina oxidase – uma das principais enzimas para degradação das catecolaminas. As principais vias parenterais que a adrenalina é utilizada são: endovenosa, subcutânea e intramuscular, sendo que a absorção de adrenalina por via subcutânea e intramuscular é lenta devido a vasoconstrição promovida por este medicamento. Outra característica importante é que em doses terapêuticas ao atingir a corrente sanguínea a adrenalina não é capaz de ultrapassar a barreira hematoencefálica, ou seja, ela não é capaz de atingir o SNC tento apenas efeitos periféricos. Claro que em superdosagem alguma adrenalina consegue ultrapassar a barreira hematoencefálica e causar uma vasoconstrição central. Qualquer que seja a situação onde é necessário estimular o sistema nervoso a adrenalina pode ser utilizada. Sendo os principais uso clínico: tratar reações alérgicas agraves porque durante quadros alérgicos graves há uma liberação maciça de histamina no organismo, sendo essa uma substancia broncoconstritora por isso que além dos anti-histamínicos é comum a utilização da adrenalina para que ela se liga aos receptores β2 pulmonares garantindo broncodilatação, nesse caso a adrenalina pode ser utilizada por via subcutânea. Outra situação clínica muito comum é para o tratamento de parada cardíaca sendo utilizada por via endovenosa ou intra-cardíaca, lembrando que ela deve ser usada diluída e com cautela em pacientes com arritmias cardíacas. Outro uso clínico é para o tratamento de quadros hemorrágicos devido a vaso constrição. Associado aos anestésicos locais para aumentar o tempo de ação e diminuir os efeitos tóxicos. Além disso, a adrenalina e os adrenérgicos em geram podem ser utilizadas para causar vasoconstrição periférica e serem utilizados por descongestionantes nasais, sendo utilizado nesse caso por via tópica. A adrenalina produz vários efeitos colaterais dentre eles alteração da frequência cardíaca, aumento de pressão arterial, alguns pacientes ao utilizarem altas doses podem apresentar hemorragias intracranianas devido ao excesso da vasoconstrição e rompimento dos vasos sanguíneos do SNC, palpitações (mesmo usando em doses baixas) e tremores de extremidade. O paciente pode chegar a ter quadros de arritmia devido a alteração da frequência cardíaca. 2. Noradrenalina: é um medicamento muito mais utilizado que a adrenalina para aumentar a pressão arterial do paciente. A principal indicação clínica da noradrenalina é para o tratamento de hipotensão arterial não tratada com adrenérgicos menos potentes utilizados na clínica e, além disso, pode ser usada para tratar choque hipovolêmico. Ela possui uma capacidade muito maior de aumentar a pressão arterial do que a adrenalina devido ao fato de que a noradrenalina se liga com grande afinidade aos receptores α1 e β1 adrenérgicos, não sendo capaz de se ligar com afinidade aos receptores β2. Sendo assim, a noradrenalina irá causar vasoconstrição intensa devido a ligação no receptor α1, aumento da força de contração cardíaca devido a ligação nos receptores β1, porém como ela não se liga aos receptores β2 não vai acontecer a vasodilatação e não vai compensar a vasoconstrição causada pelo medicamento. Sendo assim, a pressão sistólica e diastólica aumenta ocasionando uma elevação da pressão arterial média no paciente, além disso, diminui o fluxo sanguíneo para os tecidos, aumenta glicogenólise por isso pode causar alterações metabólicas no organismo. Devido a vasoconstrição intensa causa pela noradrenalina cuidados devem ser tomados durante a administração do medicamento porque se houver extravasamento da solução de noradrenalina para o tecido durante a aplicação do fármaco o paciente pode evoluir para necrose tecidual no local de aplicação do medicamento. 3. Isoproterenol: é um medicamento que se liga apenas aos receptores β adrenérgicos, então, ele é um agonista dos receptores β adrenérgicos se ligando tanto aos receptores β1 quanto aos receptores β2. Por isso a utilização clínica do isoproterenol está totalmente relacionada a situações onde é preciso estimular os receptores β como por exemplo: situações que eu necessito de uma broncodilatação, ou seja, ele pode ser utilizado por inalação para tratar asma brônquica, além dele ser usado para estimular os receptores β2 eles estimulam os receptores β1, então, o isoproterenol também pode ser utilizado para parada cardíaca, pacientes com choque cardiogênico, pacientes com débito cardíaco muito baixo, paciente que precisa do estimulo do receptor β1, pacientes que tem bloqueio atrioventricular ou uma insuficiência cardíaca descompensada. É preciso entender que o isoproterenol se liga apenas nos receptores βmas ele se liga tanto no β1 quanto no β2, então, por exemplo, pacientes que estão com uma broncoconstrição intensa e é necessário estimular os receptores β2 para causar uma broncodilatação, desse modo pode se usar o isoproterenol, mas é precisolembrar que o isoproterenol vai estimular os receptores β2 no pulmão causando uma broncodilatação, mas também vai estimular β1 no coração. Então, atualmente, o isoproterenol não é um fármaco de primeira escolha para tratar uma asma porque um dos principais efeitos colaterais que o paciente vai ter é a taquicardia, alteração na força de contração do coração – efeitos cardíacos intensos. Como o isoproterenol tem esse problema de causar muito efeito colateral cardíaco foram lançados no mercado os adrenérgicos que são agonista apenas para receptor β2, sendo muito utilizado na clínica, consideramos os principais medicamentos agonistas apenas para β2: salbutamol, formoterol, fenoterol, terbutalina. LABA: agonista β2 adrenérgico de longa duração. Usado para tratamento de asma. Uma vantagem do isoproterenol é que como ele se liga apenas nos receptores β eles causam pouca hiperglicemia porque esse medicamento estimula a liberação, secreção de insulina no pâncreas por se ligarem aos receptores β pancreáticos, ou seja, é um medicamento interessante para se usar em um paciente diabético. 4. Dopamina: é um medicamento muito utilizando na clínica, sendo um neurotransmissor endógeno do SNC e muito importante para prevenir doenças a nível central. Porém o medicamento dopamina é usado na clínica para ter efeitos periféricos porque a dopamina é um medicamento que não ultrapassa a barreira hematoencefálica. Quando a dopamina cai na corrente sanguínea ela pode se ligar perifericamente aos receptores dopaminérgicos como também podem se ligar aos receptores adrenérgicos e a afinidade de ligação depende da dose desse medicamento, quando utilizada em doses baixas ela se liga com grande afinidade ao receptores dopaminérgicos, quando a dose vai aumentando ela vai se ligando aos receptores adrenérgicos. Quando a dopamina se liga aos receptores dopaminérgicos nos vasos sanguíneos ela provoca uma vasodilatação, só que quando utilizada em doses mais altas ela começa a se ligar em α1 e começa a fazer vasoconstrição. Existem pacientes que possuem insuficiência cardíaca descompensada e que o diurético – furosemida – não é suficiente para tratar, pois como é uma IC descompensada o seu débito cardíaco está muito baixo, portanto, está chegando pouco sangue nos rins e como a furosemida precisa chegar nos rins para exercer sua função e o débito cardíaco está muito baixo utiliza-se dopamina em doses baixas para potencializar o efeito da furosemida, pois ao utilizar a dopamina em doses baixas ela vai se ligar aos receptores dopaminérgicos causando uma vasodilatação, como estará causando uma vasodilatação a tendência é chegar mais sangue nos tecidos, inclusive nos rins, portanto a furosemida vai chegar mais no rim e exercer sua função. Na maioria das vezes a dopamina é usada na clínica para tratar choque, hipotensão arterial e para aumentar a força de contração do coração, ou seja, ela é usada em doses para se ligarem aos receptores adrenérgicos. 4.1 Dobutamina: ela possui um mecanismo de ação diferente de dopamina. Primeiro a dobutamina é um fármaco de ação direta, se liga nos receptores adrenérgicos enquanto a dopamina tem ação mista, ou seja, tanto se liga aos receptores quanto aumenta a liberação de noradrenalina. A dobutamina é o fármaco que é mais estimulante cardíaco, ou seja, ela tem grande afinidade de ligação aos receptores β1 adrenérgicos e se ligam muito fracamente, quase não se liga, aos receptores β2 e α1, não sendo utilizada para tratar doenças pulmonares e como ela não liga aos receptores α1 ela eleva menos a pressão arterial. A elevação da pressão arterial pela dobutamina é causada apenas pelo aumento do débito cardíaco, enquanto a dopamina eleva a pressão arterial tanto por aumentar a força de contração quanto pelas suas ações vasculares devido a ligação aos receptores α1. Sendo assim, pacientes em UTI com baixo débito cárdico e com hipotensão arterial é mais interessante utilizar dopamina que dobutamina. A dobutamina deve ser reservada para pacientes que necessitam de estímulo cardíaco, mas que não necessitam de elevação de pressão arterial Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt *Dobutamina = potente agente inotrópico positivo (aumenta força de contração do coração, com discreta ação vascular. *Dopamina = potente agente inotrópico e um potente vasopressor. Tanto as catecolaminas quanto as não catecolaminas são utilizadas na clínica com o principal intuído de aumentar a pressão arterial do paciente, seja por aumentar a resistência periférica ou a força de contração do coração, melhorar a função respiratória por causar uma broncodilatação, para tratamento de distúrbios cardíacos onde o paciente tem redução do débito cárdica como na insuficiência cardíaca descompensada, bloqueio átrio ventricular, parada cardíaca. Ou seja, esses fármacos são usados para estimular o SNS e por isso são chamados de adrenérgicos. ➢ PRINCIPAIS NÃO CATECOLAMINAS 1. Efedrina: é um medicamento que pode ser usado tanto por via endovenosa e quando é usada por via endovenosa ela tem uso apenas hospitalar para tratamento de choque, para pacientes que tem queda brusca de pressão arterial, por exemplo o paciente vai fazer um procedimento cirúrgico e vai utilizar um anestésico geral que tem o risco de causar uma hipotensão, então, para prevenir ou para tratar quadros de hipotensão arterial existe a possibilidade de se utilizar a efedrina por via endovenosa. Só que todas as não catecolaminas são medicamentos que podem ser utilizados por via oral, diferenciando das catecolaminas, pois as não catecolaminas possuem estrutura química que previne ou resiste a ação das monoaminoxidase – MAO – no TGI. A efedrina, por exemplo, existe na forma de comprimido por ser considerada α-metilada, o que significa que ao ser utilizado por via oral a sua estrutura química não sofre ação da MAO. A efedrina é um medicamento que tem ação simpatomimética mista, ou seja, ela tanto libera, aumenta liberação de noradrenalina, quanto se liga em receptores adrenérgicos estimulando-os. Quando utilizado por via oral clinicamente tem como principal indicação clínica o tratamento de doenças respiratórias graças a ligação aos receptores β2 favorecendo a broncodilatação. Porém, atualmente, a efedrina vem tendo um uso diferente principalmente por frequentadores de academias por ser considerado termogênico, para acelerar a perda de gordura graça a capacidade desse medicamento se ligar aos receptores β nos adipócitos estimulando a lipólise, porém, esse uso não é considerado clínico devido as complicações trazidas pela efedrina, pois ela aumenta o risco cardiovascular do paciente porque além de se ligar nos receptores adrenérgicos presente nos adipócitos ela também estimula a ação simpática nos leitos vasculares, aumentando a vasoconstrição, aumentando resistência vascular periférica, e no sistema cardíaco Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt alterando a frequência e força de contração do coração, além de ser capaz de ultrapassar a barreira hematoencefálica por ser muito lipossolúvel e causa ações simpatomiméticas centrais. Sendo assim, o paciente pode apresentar tremores, insônia, arritmias cardíacas, hipertensão arterial que pode evoluir para quadros de angina no peito e até mesmo parada cardíaca. *ECA: sustância utilizada nas academias para aumentar a perda de gordura. Ela é composta por: Efedrina + Cafeína + AAS. 2. Anfetaminas: é o nome do grupo que compõe os medicamentos: Anfepramona, Femproporex e o Mazindol. São medicamentos que foram proibidos no Brasil pela ANVISA em 2011. As anfetaminas são medicamentos que causam maior risco do que benefício para a saúde do paciente. É sabido que as anfetaminas reduzem o peso corporal por atuarem no SNC inibindo a recaptação de noradrenalina, estimulando assim a ação desse neurotransmissor e consequentemente inibindo o apetite, pois ela age em uma região que controla a saciedadedo paciente, além de aumentar lipólise. Porém, a anfetamina também possui ação mista, então, ela estimula o simpático de maneira em geral por isso o paciente pode apresentar boca seca, alteração ou distúrbios de sono, taquicardia e elevação da pressão arterial principalmente. Reduz sono (“Rebites”); Mas seu uso inadequado gera dependência. Fenilpropanolamina: também é um medicamento proibido no Brasil, só que ele era comum de ser encontrado nos antigripais. O uso clínico da fenilpropanolamina nos antigripais era para, principalmente, tratar a congestão nasal / das vias aéreas superiores, pois os fármacos simpatomiméticos causam uma vasoconstrição diminuindo a vasodilatação causada pela inflamação facilitando a capacidade respiratória. A fenilpropanolamina estava causando vasoconstrição nasal e sistêmica, desse modo, as pessoas estavam tendo um aumento do risco cardiovascular, principalmente, AVC. Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt Farmacologia do SNA – Anti-adrenérgicos – Simpatolíticos - α - bloqueadores Anti-adrenégico – Simpatolítico - β – bloqueadores - Ação central O uso clínico é totalmente ao contrário dos adrenérgicos, enquanto a grande maioria dos adrenérgicos são utilizados para aumentar a pressão arterial os simpatolíticos, anti-adrenérgicos, são medicamentos amplamente utilizados na clínica para o tratamento de hipertensão arterial. As três classes de anti-adrenérgicos são usadas para tratar hipertensão arterial. RELEMBRANDO: A adrenalina, neurotransmissor que ativa o simpático é capaz de se ligar a dois tipos de receptores principais os receptores α e β. Os receptores α1 estão presentes, principalmente, nos vasos sanguíneos promovendo uma vasoconstrição, enquanto os receptores α2 estão presentes nos neurônios pré-sinápticos para regular a liberação de noradrenalina na fenda. Os receptores β1 estão presentes no coração, aumentando a força de contração no coração, enquanto os receptores β2 estão presentes nos pulmões e nos vasos sanguíneos, quando se liga nos pulmões promovem uma broncodilatação e quando se Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt liga nos vasos sanguíneos uma vasodilatação. Quando falamos dos anti-adrenérgicos podemos classificá-los de três tipos: 1. α – bloqueadores – antagonistas α adrenérgicos: Prazosina, doxazosina, terazosina. Esses medicamentos possuem dois usos clínicos. A prazosina é usada principalmente para tratar hipertensão arterial, enquanto a terazosina e a doxazosina são mais utilizadas no tratamento de hiperplasia prostática benigna, isso porque esses medicamentos são capazes de relaxar a musculatura vesical e causar um relaxamento muscular da capsula prostática. A adrenalina ao se ligar aos receptores α1 adrenérgicos é capaz de estimular a proteína G e aumentar a atividade da fosfolipase C nos vasos sanguíneos. Essa fosfolipase ativada aumenta a produção de IP3 e DAG e o IP3 libera cálcio do reticulo endoplasmático promovendo a vasoconstrição. Esses medicamentos competem a adrenalina pela ligação no receptor α1 reduzindo assim a vasoconstrição. Esses três fármacos (prazosina, doxazosina e terazosina) bloqueiam apenas receptor α1 adrenérgico. Existem α bloqueadores que são capazes de bloquear α1 e α2. Existem bloqueadores que são não seletivos como por exemplo o medicamento chamando fentolamina que bloqueia α1 e α2, porém ela é menos utilizada na clínica por produzir mais efeitos colaterais como por exemplo taquicardia reflexa, pois esse fármaco ao bloquear os receptores α eles deixam livre os receptores β para a adrenalina se ligar, sendo o motivo pelo qual os bloqueadores não seletivos são menos utilizados na clínica do que os que bloqueiam apenas os receptores α1. Porém, existe um alerta, um cuidado, ao se utilizar prazosina no tratamento de hipertensão. A prazosina é um medicamento que pode sofrer o fenômeno de primeira dose que consiste no risco de causar uma queda brusca de pressão arterial nas primeiras tomadas do medicamento. Ela é comercializada em 3 dosagens 1mg, 2mg ou 4mg, prazosina sempre deve ser iniciada com a menor dose, ou seja, 1 mg uma vez ao dia a noite antes de dormir. Tem que ser a noite antes de dormir devido ao fato de que principalmente nas primeiras doses ela pode causar hipotensão ortostática, hipotensão postural. O paciente tem que tomar esse 1mg por pelo menos de 3 a 7 dias, aumentando gradativamente até que você atinja o resultado esperado, sendo que a dose terapêutica pode ser de até 20mg por dia. Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt *são menos usados do que a segunda classe 2. β – bloqueadores – bloqueadores β adrenérgicos – antagonistas β adrenérgicos: No sistema justaglomerular dos rins, diminuindo renina...são classificados em três gerações. 2.1. Primeira Geração: não seletivo - é o medicamento que bloqueia os receptores β1 e β2, sendo chamado de β bloqueador não seletivo. Exemplo: Propranolol. 2.2. Segunda Geração: são também chamados de cardiosseletivos, pois bloqueiam apenas receptores β1. Exemplo: Atenolol e Metoprolol 2.3. Terceira Geração: são β bloqueadores que além de bloquear os receptores β eles também são considerados vasodilatadores. Exemplo: Carvedilol é um medicamento que bloqueia tanto β1 quanto β2 e bloqueia os receptores α1 adrenérgicos. Nebivolol além de bloquear os receptores β é capaz de aumentar a liberação de oxido nítrico pelos vasos sanguíneos, causando um relaxamento da musculatura e consequentemente uma vasodilatação. Esses fármacos de terceira geração são muito interessantes para tratar pacientes que tem insuficiência cardíaca congestiva, sendo o carvedilol um fármaco de primeira escolha para tratar ICC. Por serem considerados vasodilatadores eles reduzem a pré-carga, reduzem a pressão de enchimento do ventrículo reduzindo o remodelamento ventricular do paciente, sendo medicamentos inovadores no tratamento de ICC. O β bloqueador não só diminui o sintoma da ICC, mas também diminui a progressão da doença devido ao fato de que eles além de bloquear os receptores β e diminuir o débito cardíaco diminuem a liberação de renina e consequentemente se tem a redução de angiotensina II. Sendo que a própria angiotensina II e adrenalina quando se ligam nos seus receptores cardíacos são capazes de produzir o remodelamento por causar uma alteração na matriz extracelular no coração, causando um fibrosamento, ou seja, o simples fato da adrenalina se ligar no coração vai causar apoptose dos cardiomiócitos e vai produzir uma alteração da matriz extracelular. LEMBRAR: só pode usar β bloqueador se o paciente com ICC estiver compensado, paciente com ICC descompensada – débito cardíaco muito baixo, capacidade de contração baixíssima – não pode usar um β bloqueador pois você vai parar o paciente. Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt Existem outros cuidados que devem ser tomados, eles devem ser usados com cautela em alguns pacientes como: com ICC descompensada, no caso de pacientes asmáticos é contraindicado os β bloqueadores não seletivos por bloquearem os receptores β2 eles causam uma broncoconstrição e podem piorar o quadro respiratório do paciente, outro paciente que é necessário cautela são os diabéticos por dois motivos: os β bloqueadores são capazes de diminuírem os sintomas de hipoglicemia de pacientes diabéticos, ou seja, eles mascaram os sintomas hiperglicêmicos (confusão mental, tremores, taquicardia, sudorese) e os β bloqueadores por bloquearem os receptores β no pâncreas eles diminuem a secreção de insulina, reduzindo a secreção de insulina, podendo ter dificuldade em adequar os níveis de glicose (sintomas de hipoglicemia mascarados pela medicação). Em pessoas em situações de ansiedade e tomam Propanolol, pois se está nervoso simpático está ativado; O problema é que nem todos podem. 3. Anti-adrenérgicos de ação central– medicamentos que reduzem a função do neurônio adrenérgico: Metildopa, Clonidina A metildopa (por via oral) é um anti-hipertensivo considerado de primeira escolha para pacientes gestantes, pois ela é considerada um medicamento seguro para o binômio materno fetal (tratamento de hipertensão em gestantes). Ela possui um mecanismo de ação diferente dos outros medicamentos que foram vistos, pois ela reduz a função do neurônio adrenérgico, ou seja, a metildopa atua no SNC diminuindo a liberação de noradrenalina do neurônio pré-sináptico. Depois de utilizado por via oral, ela ultrapassa a barreira hematoencefálica e atinge o neurônio pré-sináptico e dentro do neurônio pré-sináptico ela sofre metabolismo se transformando em metil-noradrenalina ou α-metil-noradrenalina. Essa metil-noradrenalina vai se acumular nas vesículas pré-sinápticas, quando o impulso nervoso chega as vesículas contendo meti-noradrenalina serão esvaziadas na fenda e essa vai se ligar como agonista nos receptores α2 adrenérgicos pré-sinápticos controlando assim a chegada de aminas simpatomiméticas na fenda sináptica, ou seja, diminuindo a liberação de noradrenalina na fenda sináptica, por isso que ela é chamada de simpatolítico só que ela é considerada uma simpatolítica de ação indireta, pois ela não vai bloquear diretamente o receptor, ela vai impedir que a noradrenalina seja liberada na fenda sináptica. Um outro medicamento chamado Clonidina é um fármaco que também atua no SNC e se liga diretamente aos receptores α2 como agonista adrenérgico impedindo a liberação de noradrenalina na fenda, ou seja, ela não necessita sofrer um metabolismo como a metildopa para se ligar ao receptor α2. Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt Tanto a metildopa quanto a clonidina são medicamentos contraindicados para idosos (Critério de Beers, 2012), pois ao alterar os níveis de neurotransmissores centrais pode produzir confusão mental e distúrbios cognitivos nos idosos, tanto é que dizemos que a metildopa e a clonidina estão nos critérios de beers que são litas de medicamentos que consta os fármacos contraindicados para idosos. Eles também são contraindicados para pacientes que já tiveram ou possuem susceptibilidade para depressão, pois na depressão o paciente já possui uma redução de neurotransmissores como noradrenalina, serotonina, dopamina e se o medicamento está diminuindo ainda mais liberação do neurotransmissor na fenda quer dizer que ele está predispondo esse paciente a ter essa doença e se o paciente já tiver a susceptibilidade o risco é ainda maior. Exemplo: um paciente é hipertenso e depressivo, para tratar a depressão dele eu uso a amitriptilina e para tratar a hipertensão começa utilizar metildopa, depois do uso da metildopa a amitriptilina começa a perder seu efeito, ou seja, o paciente começa a ter mais sintomas depressivos devido ao fato de que a metildopa inibe a recaptação de noradrenalina. Uma vantagem da metildopa e da clonidina é que ela não interfere na resistência periférica a insulina e perfil lipídico como os β bloqueadores. Clonidina não deve ser retirada bruscamente. Pode causar sedação, por isso podem ser utilizadas em cirurgias por via peridural ou intravenosa. A metildopa pode causar galactorreia, pois a dopamina se liga aos receptores dopaminérgicos da via túbero-infudibular, inibindo a liberação de Prolactina, como a Metildopa pode causar depleção “perda” de dopamina, pode ocorrer liberação de Prolactina. Pacientes que fazem o uso de Clonidina NÃO devem para de fazer o uso abrupto, pois ocorrerá descarga de noradrenalina causando hipertensão rebote grave. A Metildopa pode causar alteração das enzimas hepáticas. Fármacos Colinérgicos – Parassimpatolítico – Colinomimético Os fármacos simpatolíticos são bastante utilizados como anti-hipertensivos. São medicamentos que são utilizados para ativar ou Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt imitar a ação do SNP e outros medicamentos que são utilizados para bloquear ou inibir a ação desse mesmo sistema. ➢ RELEMBRANDO: Localização dos receptores de acetilcolina (recep Musc e Nic) Receptores Nicotínicos: estão principalmente localizados na placa motora e acetilcolina se ligando aos receptores nicotínicos na placa motora é importante para o processo de contração muscular. Existem medicamentos capazes de bloquear os receptores nicotínicos no músculo, considerados relaxantes musculares também chamados de bloqueadores neuromusculares sendo muito utilizados na clínica, no bloco cirúrgico durante procedimentos cirúrgicos maiores. Então, os bloqueadores neuromusculares são medicamentos que bloqueiam os sítios dos receptores nicotínicos presentes da placa mioneural. Miastenia Gravis é uma doença autoimune (produz anticorpos contra receptores nicotínicos de acetilcolina); uma das manifestações graves é cansaço, relaxamento e fadiga muscular podendo evoluir para quadros graves, como insuficiência respiratória (não consegue contrair musculatura respiratória) Acetilcolina se liga em seus receptores abrindo os canais de Na+, ocorre influxo de sódio gerando despolarização permitindo que os canais voltagem dependentes abram, dessa maneira o Ca²+ é liberado das vesículas e age favorecendo contração muscular. Receptores Muscarínicos: são receptores mais bem encontrados no nosso organismo. Os receptores muscarínicos são amplamente distribuídos e são encontrados principalmente: ● receptor M1: é encontrado no SNC e quando a acetilcolina se liga a esse receptor, considerado metabotrópico a acetilcolina estimula proteína Gs que ativa fosfolipase C causando uma excitabilidade neuronal. ● Receptor M2: são principalmente encontrados no coração e quando a acetilcolina se liga a esses receptores metabotrópicos ela é capaz de inibir a proteína G, diminuindo a função da adenilato cilase e como consequência teremos uma redução da força de contração e da frequência cardíaca. ● Receptor M3: estão presentes no musculo liso e nas glândulas quando a acetilcolina se liga a esses receptores estimula a proteína G, ativando fosfolipase C facilitando o processo de contração do musculo liso e liberação do conteúdo glandular. Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt Os fármacos colinérgicos também são chamados de parassimpatomiméticos ou colinomimético, são medicamentos que imitam ou potencializam a ação da acetilcolina. Os colinérgicos são divididos em dois tipos sendo: de ação direta que são aqueles que se ligam aos receptores (ionotrópicos) colinérgicos, muscarínicos ou nicotínicos imitando a ação da acetilcolina, detalhe, a maioria dos colinérgicos diretos se ligam com grande afinidade aos receptores muscarínicos, apenas alguns se ligam aos nicotínicos, enquanto que os colinérgicos indiretos são medicamentos capazes de inibirem a degradação da acetilcolina por bloquearem a ação da acetilcolinesterase, por isso, esses medicamentos também são chamados de anticolinisterasicos. 1. Colinérgicos Diretos – Mecanismo e Medicamentos Não há aceticoliina como um medicamento para ação sistêmica (há países que possuem como colírio apenas), pois ela é degradada pela acetilcolinesterase (amplamente distribuída nos tecidos – se fosse adm por via oral, a acetilcolina teria meia vida muito curta, pois seria muito degradada); e é um ligante endógeno para receptores muscarínicos, e assim, a acetilcolina, que não possui seletividade e nem especificidade, se ligaria em todos os receptores muscarínicos e também nicotínicos – causaria muitos efeitos colaterais. Eles pegaram a estrutura da acetilcolina e fizeram pequenas modificações, adicionando um grupo Metil, substituíram por NH2 e outras para que assim, gerassem medicamentos (AGONISTAS COLINÉRGICOS), que ainda fossem capazes de se ligarem nos receptores, porém com maior SELETIVIDADE, além de serem mais recsistentes à ação da Aceticolinesterase (meia-vida maior). Todo agonista colinérgico,todo medicamento de ação direta, é capaz de promover os mesmos efeitos fisiológicos produzidos pela acetilcolina quando se liga a esses receptores. Os principais agonistas diretos que se ligam aos receptores e promovem as ações da acetilcolina são: AGONISTAS COLINÉRGICOS ESTERES DA COLINA 1.1 Metacolina: é um agonista muscarínico apenas, ou seja, SÓ se liga a receptores muscarínicos que não possui seletividade para esse receptor, ligando em todos os receptores muscarínicos (M1, M2, M3, M4). Porém, ela considerada muito resistente à ação da acetilcolinesterase, por isso, em doses elevadas pode produzir efeitos colaterais graves (parada Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt cardíaca que pode ser fatal – se liga em receptores muscarínicos do coração diminuindo FC e força de contração). **Não é muito bem absorvido no TGI, por isso não é por via oral* Não é usado para tratamento, mas para diagnóstico de intoxicações, principalmente por Atropina, ou outros anticolinérgicos (bloqueia receptor de acetilcolina) – utiliza o colinérgico por via parenteral- atropa belladonna que é uma planta de onde é tirado alcaloides da atropina que tem como função no nosso organismo bloquear receptores muscarínicos. Sintomas de intoxicação atropínica: midríase, broncodilatação, taquicardia, diminuição da contração do TGI, retenção urinária. Para fechar o diagnóstico e realmente avaliar se esse paciente tem bloqueio dos receptores muscarínicos tem que usar um agonista colinérgico porque em uma dose x quando esse agonista colinérgico é utilizado para o paciente é normal que ele tenha sintomas colinérgicos como: aumento da salivação, aumento do lacrimejamento, aumento do peristaltismo intestinal, a tendência é que a frequência cardíaca reduza, ou seja, quando você administra a metacolina e o paciente não apresenta esses sintomas colinérgicos mostra que os receptores estão bloqueados por uma substância que pode ser derivada da atropina. Um segundo uso para essa fármaco é para teste de broncoprovocação para diagnóstico de asma, muita das vezes é difícil de realizar o diagnóstico de pacientes com a asma e um dos testes que pode ser realizado é a utilização de inalação com metacolina para avaliar a reatividade brônquica de um paciente com asma, é administrado no paciente doses de metacolina por via inalatória, sendo a dose média utilizada de 10mg de metacolina, porém essa dose não pode ser utilizada toda de uma vez e inicialmente no paciente. O protocolo para administração de metacolina nesse caso é: começa com uma dose de 2mg por via inalatória e aguarda-se 45s para avaliar a capacidade respiratória do paciente, avaliando o volume expiratório forçado (VEF-1) do paciente, espera-se 45s devido que a ação da metacolina por via inalatória é imediata, caso o paciente não apresente alteração no volume expiratório forçado deve administrar mais 3mg e esperar mais 45s e repete o teste de volume expiratório forçado e se ainda assim o paciente não apresentar alteração de capacidade respiratória deve-se administrar o restante dos 5mg caso não tenha alteração indica que a capacidade respiratória dele é normal, não apresentando uma reatividade brônquica aumentada. Pacientes com asma, muita das vezes, com os 2mg iniciais já apresenta uma broncoconstrição. Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt Consideramos a metacolina inalatória segura, apresentando pouco efeito colateral, porém esse teste só deve ser realizado em clínica especializada, pois se o paciente apresentar uma reatividade brônquica acentuada será necessário reverter o efeito da metacolina. Outro detalhe importante é que a metacolina usada por via inalatória pode sofrer absorção, se ligar aos receptores muscarínicos do organismo produzindo efeitos colaterais intensos dependendo da dose administrada e a consequência mais grave do uso da metacolina é a diminuição da função cardíaca. 1.2. Carbacol: é um fármaco que se liga aos receptores muscarínicos, porém também é capaz de se ligar aos nicotínicos. Pode ser usado como colírio Um dos principais usos do carbacol é para promover miose e diminuir a pressão intraocular em pacientes com glaucoma. Isso porque o carbacol é capaz de contrair a pupila e canais presentes nas trabeculas oculares, facilitando o escoamento do humor aquoso, reduzindo a PIO – pressão intraocular – de pacientes com glaucoma de ângulo aberto. 1.3. Betanecol: GRANDE afinidade com receptores muscarínicos apenas (principalmente M3 presentes no m. liso) utilizado para tratar atonia (diminuição da capacidade de contração do músculo liso) do TGI e da bexiga. Ele tem como principal uso clínico reduzir a retenção urinária comum após cirurgias de amplo espectro, ele é utilizado por via parenteral e por isso pode se ligar em outros receptores muscarínicos além do seu local de ação promovendo efeitos colaterais como: cólicas abdominais devido ao excesso de contração do musculo liso no TGI, aumento da secreção de HCl no estômago podendo potencializar problemas gástricos como úlceras e gastrites, pode precipitar crises asmáticas em pacientes susceptíveis a essa doença, produzir sialorreia (aumento da secreção saliva) e potencializa a insuficiência cardíaca por se ligar aos receptores muscarínicos no coração. AGONISTAS COLINÉRGICOS ALCALOIDES Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt 1.4. Pilocarpina: é um alcaloide agonista muscarínico extraído de uma planta chamada de Pilocarpus jaborandi. Como ela é utilizada de forma tópica, colírio, a tendência é que o medicamento se manifeste apenas no seu local de ação. Seu principal uso clínico é causar miose e aumentar o escoamento do humor aquoso, diminuído a pressão intraocular assim como o carbacol. Porém, o carbacol é mais utilizado por via parenteral durante cirurgias oftalmológicas enquanto a pilocarpina é utilizada em forma tópica na forma de colírio. Caso a pilocarpina seja absorvida pelo canal lacrimal esse medicamento pode produzir efeitos colaterais sistêmicos que se assemelham aos efeitos colinérgicos. ¨¨¨¨¨ Uso de Amitriptilina (antidepressivo tricíclico) - (inibe a recaptação de Noradrenalina e Serotonina (aumentando a biodisponibilidade no SNC) e bloqueia receptores colinérgicos muscarínicos) EFEITOS COLATERAIS: Glândulas Salivares – boca seca -; Diminuição do peristaltismo intestinal (dificuldade para ir ao banheiro); e outros; Para não mudar de medicamento, se a maior queixa for boca seca pode-se utilizar Pilocarpina para resolver, com o colírio mesmo – uso tópico – e pinga gotas na cavidade oral (de 3 a 4 vezes ao dia, ou, quando achar melhor)– sublingual – que se liga nas glândulas salivares e aumenta secreção de saliva. 1.5. Muscarina: é uma substância que se liga aos receptores colinérgicos, mas não pode ser considerado um medicamento. A muscarina é derivada de um cogumelo chamado Amanita muscaria. Ela se liga como agonista apenas nos receptores muscarínicos com uma potência cem vezes maior que a própria acetilcolina que é um agonista endógeno dos receptores muscarínicos, ou seja, a muscarina se liga com maior afinidade e maior potência aos receptores muscarínicos. Então, quando a muscarina se liga aos receptores muscarínicos ela produz um efeito maior do que se a acetilcolina estivesse ligando. Paciente intoxicado que consumiu grande quantidade de “Chá de Cogumelo”- a infusão faz com que sejam absorvidas grandes partes de suas substâncias, e vai apresentar os seguintes efeitos colaterais: bradicardia intensa, sialorreia, lacrimejamento, aumento da sudorese, aumento da contração do musculo intestinal e vesical, broncoconstrição intensa, dificuldade respiratória, pupila contraída. A muscarina ao ultrapassar a barreira hematoencefálica e ligar nos receptores muscarínicos no neurônio vai provocar uma neuro-excitabilidade levando a delírios, convulsões, alucinações. Nesse caso, se o paciente apresenta todos esses quadrosde intoxicação, já que, a substância está se ligando aos receptores muscarínicos, portanto o tratamento consiste em bloquear os Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt receptores muscarínicos utilizando Atropina, pois ela bloqueia todos os tipos de receptores muscarínicos periféricos e centrais (consegue ultrapassar a barreira hemato-encefálica). 2. Colinérgicos de Ação Indireta – Anticolinesterasicos É um medicamento capaz de inibir a atividade da enzima acetilcolinesterase que é responsável por degradar a acetilcolina. É necessário relembrar a estrutura da acetilcolinesterase para entender o mecanismo de ação dos medicamentos. A acetilcolinesterase é uma enzima que tem dois sítios ativos, um sitio chamado aniônico e outro sítio chamado de esterásico, sendo o sítio aniônico um que possui aminoácidos carregados negativamente e esse sítio é responsável por reconhecer a molécula de acetilcolina, então, a molécula de acetilcolina será reconhecida pelo sítio aniônico onde esse sitio se ligará ao neurotransmissor e o sítio esterásico será responsável pela catalise, quebra, da acetilcolina. Portanto, o sítio aniônico reconhece uma parte da acetilcolina e quando essa se liga a acetilcolinesterase o sítio esterásico é capaz de clivar, catalisar, quebrar, a acetilcolina em dois produtos: ácido acético + colina, ou seja, se tem uma degradação do neurotransmissor e uma diminuição da sua atividade. Quem promove a quebra da acetilcolina são as esterases presentes no sítio esterasico. Um antiesterásico inibe acetilcolinesterase aumentando a quantidade de acetilcolina. De maneira em geral o mecanismo de ação dos antiesterásicos é aumentar a meia vida de eliminação da acetilcolina por impedirem a sua degradação. LEMBRE-SE da diferença colinérgico de ação direta vai no receptor de acetilcolina e liga imitando a ação desse neurotransmissor, anticolinesterásico inibe a degradação da acetilcolina aumentando a sua meia vida de eliminação. Dentro dos anticolinesterásicos existem três subclasses de medicamentos: 2.1. Aminas mono e biquaternárias: Ambenônio, edrofônio Essa classe de medicamentos é capaz de inibir a acetilcolinesterase por bloquearem de maneira reversível o sítio ativo da enzima – sítio aniônico – Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt impedindo o reconhecimento da acetilcolina. Essa inibição é considerada reversível devido ao fato de que é uma ligação fraca, não covalente, portanto, o medicamento liga e se desliga com grande facilidade, sendo esse um dos motivos pelo qual as aminas mono e biquaternárias possuem uma duração de ação curta no organismo do paciente, com um tempo de duração de ação de em média 30 minutos, fazendo com que medicamentos dessa classe não sejam utilizados para tratar patologias e sim para diagnóstico de algumas patologias. O medicamento mais utilizado dessa classe é o edrofônio, sendo utilizado para realizar o diagnóstico de miastenia gravis. A miastenia gravis é uma doença autoimune onde o paciente produz anticorpos contra os receptores nicotínicos presente na musculatura esquelética, quando a acetilcolina se liga aos receptores nicotínicos presente no músculo o músculo contrai e se o paciente está produzindo anticorpos contra esse receptor quer dizer que a acetilcolina liberada não vai conseguir ligar ao receptor nicotínico, então, ele não consegue contrair o músculo. Portanto, os principais sintomas da miastenia gravis são: fraqueza muscular, dificuldade respiratória, ptose. Porém, para realizar o diagnóstico de miastenia gravis o exame clínico e o exame físico muita das vezes nos limitam pois há diversas patologias que acometem o tecido muscular que podem promover fraqueza, desse modo, uma das formas para afirmar o diagnóstico de miastenia é fornecer para o paciente edrofônio. O edrofônio será administrado no paciente tendo início de ação muito rápido e o paciente apresenta uma melhora clínica rapidamente, dentro de 10 minutos, melhorando a sua resposta de força muscular deixando claro que era acetilcolina que estava faltando na placa mioneural. Uma das vantagens de se utilizar esse medicamento é que ele tem um tempo de duração ação curto, então o paciente vai utilizar o fármaco apenas para o diagnóstico, não apresentando risco de efeitos colaterais tardios ao sair do consultório. 2.2. Carbamatos: Fiostigmina, Neostigmina, Piridostigmina Os carbamatos são capazes de inibirem o sítio esterasico da enzima acetilcolinesterase de maneira reversível, porém as ligações são consideradas mais estáveis por isso a duração de ação dessa classe de medicamentos é maior do que das aminas mono e biquaternárias. Os carbamatos depois de administrados por via oral tem início de ação em 30 minutos e seu pico de ação acontece entre 1 e 2 horas sua duração de ação pode permanecer de 3 a 4 horas, por isso para o tratamento da miastenia gravis o fármaco de escolha é um medicamento da classe dos carbamatos. Esse medicamento não trata a causa da miastenia gravis ele alivia sintoma, ele vai acumular acetilcolina na fenda e consequentemente essa acetilcolina vai ficar mais disponível para se ligar nos receptores, o excesso de acetilcolina vai competir com o anticorpo pela ligação ao receptor. Portanto, o tratamento de miastenia é carbamato + Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt imunossupressor para diminuir a quantidade de anticorpo e o carbamato aumenta a quantidade de acetilcolina. Um problema dos carbamatos é que ele ao inibir acetilcolinesterase vai aumentar a acetilcolina do organismo, podendo se ligar a outros receptores de acetilcolina no corpo. Portanto, o paciente que faz uso de um carbamato pode apresentar: aumento do peristaltismo, sialorreia, sudorese, bradicardia, miose. Quando o paciente começa a se queixar muito de sintomas provocados pela acetilcolina se ligando aos receptores muscarínicos a saída é dar um bloqueador de receptor muscarínico, porém isso também é complicado. Podem ser utilizados como bloqueador neuromuscular em cirurgias, pois assim bloqueiam, em sua maioria, receptores nicotínicos no músculo; Para reverter esse bloqueio pode-se utilizar anticolinesterásico para aumentar ACh Hoje os carbamatos são muito utilizados para tratar Alzheimer, sendo a rivastigmina um dos principais fármacos usado. A fisiopatologia do Alzheimer é uma alteração da memória devido a uma dificuldade de enovelamento de proteínas no SNC podendo formar as placas β-amiloide alterando a condução de impulso nessa região e associada a formação das placas β-amiloide o paciente com Alzheimer possui redução dos níveis de acetilcolina no SNC, sendo necessário um fármaco que aumente a quantidade de acetilcolina no SNC. Nesse caso os carbamatos que são utilizados no tratamento do Alzheimer é a rivastigmina por ser capaz de ultrapassar a barreira hematoencefálica, portanto, ela inibe a acetilcolinesterase periférica, mas também inibe a acetilcolinesterase central. Enquanto a neostigmina e piridostigmina inibem apenas acetilcolinesterase periférica sendo usadas para tratar miastenia gravis. A rivastigmina ultrapassa a barreira hematoencefálica bloqueia acetilcolinesterase central assim como a fisostigmina, sendo o primeiro medicamento utilizado para o tratamento tanto de miastenia quanto de Alzheimer. Porém, a fisostigmina inibe muito a acetilcolinesterase periférica, então o paciente estava apresentando muito efeito colateral periférico, sendo por isso que a rivastigmina passou a ser mais usada. Hoje a fisostigmina é usada para tratar intoxicação por atropina, um anti-muscarinico, a atropina é um anticolinérgico que ultrapassa a barreira hematoencefálica, então, o paciente está bloqueando os receptores muscarínicos centrais sendo necessário aumentar a acetilcolina para competir com a atropina na ligação dos receptores. Todos os carbamatos possuem um mecanismo de ação idêntico que é inibir a acetilcolinesterasebloqueando o sítio esterasico, mas cada um possui seu uso clínico. 2.3. Organofosforados Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt São substâncias consideradas praguicidas, agrotóxicos não sendo considerados medicamentos. Os organofosforados bloqueiam, inibem, de maneira irreversível o sítio esterasico da enzima acetilcolinesterase, sendo o único anticolinesterásico que bloqueia de maneira irreversível. Os organofosforados foram uma ligação covalente muito estável com o sítio esterasico da enzima e à medida que o tempo de exposição com o organofosforado passa a ligação vai se tornando mais estável, dizemos que a medida que o tempo vai passando o organofosforado é capaz de produzir um “envelhecimento da enzima” por se ligar fortemente e essa enzima perde a sua atividade de maneira irreversível. Sintomas de uma intoxicação aguda por organofosforado: sialorreia, bradicardia, miose, dificuldade respiratória, broncoconstrição, contração musculares, micção e defecação involuntária, câimbras. A primeira coisa a se fazer para o tratamento é retirar a roupa do paciente, caso ele ainda esteja vestido, fazendo a lavagem da pele, pois como os organofosforados são substâncias altamente lipossolúveis podem ser absorvidos por qualquer via, tópica, respiratória, oral. A pralidoxima é um medicamento utilizado para tratar pacientes que chegam ao hospital intoxicado com organofosforado, esse medicamento é capaz de desligar o organofosforado da enzima, revertendo a intoxicação , porém ele só é capaz de fazer isso se a enzima não tiver sofrido o envelhecimento, ou seja, se a ligação do organofosforado não for muito estável, dessa forma, a pralidoxima é administrada, normalmente, até de 2 a 3, no máximo 4 horas após a intoxicação. Hoje além da pralidoxima um dos fármacos de primeira escolha para o tratamento é a atropina, pois como os organofosforados são muito lipossolúveis eles inibem a acetilcolinesterase periférica e central, portanto, como não sabemos se a pralidoxima vai desligar ou não o organofosforado é necessário bloquear os receptores assim diminuído os sintomas. A pralidoxima não consegue ultrapassar a barreira hematoencefálica, portanto, ela só consegue reverter acetilcolinesterase periférica, então, efeitos colaterais centrais ela não trata sendo necessária o uso da atropina. Efeito colateral central de paciente intoxicado com organofosforado: alucinações, delírios, convulsão devido a intensa neuro-excitabilidade intensa. *Pralidoxima é endovenosa *Deve fazer atropina + pralidoxima Fármacos Anticolinérgicos Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt Podem ser classificados em antimuscarínicos e os antinicotínicos. 1. Antinicotínicos Os antinicotínicos os mais importantes clinicamente são os bloqueadores neuromusculares (BNM) eles podem ser classificados em despolarizantes como a succinilcolina e não despolarizantes como a altracúrio, pancurônio, rocurônio, mevacúrio. Os bloqueadores neuromusculares despolarizantes são medicamentos que se ligam aos receptores nicóticos causando um estímulo desses receptores e posteriormente produzindo uma dessensibilização dos receptores. Sendo assim, a acetilcolina perde a sua capacidade de contrair a musculatura esquelética ao se ligar aos receptores nicotínicos. A succinilcolina é um medicamento muito utilizado no bloco cirúrgico para auxiliar o relaxamento muscular do paciente, como se o tiopental apresentar um capacidade bloqueadora neuromuscular baixa o paciente pode contrair, portanto associa-se medicamentos junto com o anestésico como a succinilcolina que vai se ligar ao receptor nicotínico, despolariza o músculo inicialmente só que como efeito final ela causa uma dessensibilização, ela se desliga do receptor e ele se torna pouco sensível a acetilcolina, portanto, o músculo não vai responder a acetilcolina que está ligando ao receptor nicotínico e não vai promover contração. Hoje os bloqueadores neuromusculares despolarizantes como a succinilcolina está caindo em desuso e atualmente os mais usados são os bloqueadores neuromusculares não despolarizantes – bloqueadores neuromusculares adespolarizantes. Os bloqueadores neuromusculares não despolarizantes competem com a acetilcolina pela ligação nos receptores nicotínicos. PROVA: Um paciente está no bloco cirúrgico, está recebendo um anestésico geral e foi associado um bloqueador neuromuscular para causar o relaxamento e facilitar o procedimento. O bloqueador neuromuscular que foi usado foi o rocurônio, então ele está lá bloqueado o receptor nicotínico, a acetilcolina não está ligando e não está causando contração muscular. Quando acaba a cirurgia o paciente tem uma demora maior para se recuperar desse relaxamento muscular, pois ele ainda está sobre efeito do bloqueador, portanto, para reverter o efeito do bloqueador neuromuscular pode ser administrado neostigmina pois ela não ultrapassa a barreira hematoencefálica, bloqueando apenas a acetilcolinesterase periférica, aumentando a concentração de acetilcolina na placa, competindo pela ligação ao receptor nicotínico. Frase no V ou F: “Para recuperar do bloqueio neuromuscular o médico prescreveu fisostigmina Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt para o paciente” (F) – não se usa fisostigmina porque ela ultrapassa barreira hematoencefálica vai aumentar a acetilcolina central e o paciente começa apresentar alucinações. Portanto deve-se usar um carbamato de ação periférica apenas como é o caso da neostigmina. 2. Antimuscarínicos: o protótipo, modelo, é a atropina 2.1. Atropina É um medicamento que bloqueia todos os tipos de receptores muscarínicos, ou seja, não tem seletividade nem especificidade e por isso mesmo possuindo alguns usos clínicos pode causar uma série de efeitos colaterais. Em ambiente hospitalar a atropina é muito utilizada devido a sua atividade antissecretória, facilitando o processo de intubação traqueal. Porém, ela apresenta outros usos clínicos como por exemplo: possui ação antiespasmódicas diminuindo os espasmos musculares no músculo liso – reduzem as cólicas intestinais por exemplo, pode ser usada na oftalmologia para produzir midríase e cicloplegia – paralisia da acomodação do músculo ocular. OBS IMPORTANTE: os antimuscarínicos como a atropina produzem midríase de longa duração, podendo durar dias. Por esse motivo para realizar exames oftalmológicos os anticolinérgicos não são os midriáticos de primeira escolha e sim os adrenérgicos. Os colírios com adrenérgicos produzem uma midríase mais curta, então isso diminui os efeitos colaterais do paciente após a realização do exame. Quando se fala em atropina é necessário lembrar que ela bloqueia todos os receptores muscarínicos, então produz todos os efeitos colaterais anticolinérgicos como: boca seca, broncodilatação, constipação, taquicardia. 2.2. Escopolamina – Buscopan É usado para cólicas intestinais, pois como a escopolamina é um antimuscarínico ela vai bloquear o receptor muscarínico no musculo liso do TGI, e se ela está bloqueando o receptor muscarínico no TGI consequentemente não vai ter a contração do músculo liso, então consequentemente o paciente não vai ter cólicas abdominais. Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt Principais usos clínicos: Antiespasmódica e para tratar cinetose – enjoo, náusea causada por movimento único, contínuo. 2.3. Ipratrópio – Atrovente Usado para tratamento de pacientes com asma, pois ele bloqueia o receptor muscarínico no brônquio e se a acetilcolina não consegue ligar não tendo uma broncoconstrição e sim uma broncodilatação. Hoje no tratamento da asma podemos usar dois grupos de fármacos, podendo usar os antimuscarínicos como o ipratrópio associado por exemplo como um adrenérgico – agonista β-2-adrenérgico – como o salbutamol, terbutalina, fenoterol. ➢ ATROPINA, ESCOPOLAMINA E IPRATRÓPIO são anticolinérgicosdiretos, pois bloqueiam o receptor de acetilcolina não a deixando ligar. 2.4. Toxina Botulínica – Botox É um anticolinérgico indireto. Inervando o músculo tem o neurônio colinérgico, carregado de acetilcolina, quando o impulso chega essa acetilcolina vai ser liberada na fenda e vai se ligar no receptor nicotínico presente no músculo causando a contração. A toxina botulínica inibe a liberação de acetilcolina do neurônio, o neurônio existe uma proteína muito importante para a exocitose da vesícula que é a proteína SNAP-25, a toxina botulínica vai inibir a proteína SNPA-25 impedindo a liberação da acetilcolina, então ela não se liga ao receptor nicotínico não tendo contração do músculo. Essa inibição da SNPA-25 é reversível, sendo necessário fazer aplicação mais de uma vez ao ano. Hoje em dia a toxina botulínica também é usada para tratar várias patologias como: hiper-sudorese impedindo a secreção glandular, tratamento de problemas faciais como o sorriso gengival, pacientes com bruxismo . Fármacos que agem no TGI Inicialmente falamos dos fármacos que atuam principalmente inibindo secreção de HCl e causando proteção de mucosa gástrica que são muito utilizados para tratar refluxo gastroesofágico, gastrite, úlcera, alterações onde acontece uma lesão no TGI. Posteriormente falaremos de Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt fármacos usados para tratar diarreia, constipação, náuseas e vômitos, outros distúrbios de TGI. Sem dúvida nenhuma essa hiperacidez gástrica é um dos principais motivos de doenças que acometem o TGI dentre os principais motivos de úlceras gástricas e duodenais que acometem os pacientes hoje destacam dois dos principais motivo: primeiro mais de 80% dos casos de úlceras são ocasionadas pela presença da bactéria H. pylori e depois da contaminação por H. pylori destaca-se o uso crônico dos anti-inflamatórios não esteroidais – AINES não seletivos. Existem outros motivos pelo qual o paciente pode desenvolver um quadro de hiperacidez, porém esses ditos são os principais. ➢ RELEMBRANDO: síntese de HCl: Necessitamos entender que além da célula parietal gástrica presente no estomago existem as células enterocromafins. As células enterocromafins são aquelas que possuem receptores tanto para gastrina quanto para acetilcolina. Quando a gastrina ou a acetilcolina se liga aos seus receptores nas células enterocromafins ocorre a liberação, secreção, de histamina dessas células. Essa histamina vai se ligar em receptores presentes na membrana das células parietais gástricas que possui receptores de gastrina, receptores de acetilcolina e receptores de histamina, sendo que a grande maioria de histamina que se liga a esses receptores são provenientes da liberação das células enterocromafins. Quando essas substancias se ligam na célula parietal gástrica ocorre ativação dos receptores acoplados a proteína G, quando as substancias se ligam aos receptores acoplados a proteína G ocorre ativação da proteína G e o aumento do AMPcíclico intracelular, esse AMPc que aumenta ativa PKA – proteína quinase – que por sua vez fosforila as bombas de prótons presente nas membranas das células parietais gástricas e quando essa bomba de prótons é fosforilada acontece um aumento de prótons para a luz estomacal. Quanto mais prótons na luz estomacal maior será a formação de HCl e, consequentemente, maior será a hiperacidez do TGI. Portanto, pode-se dizer que as três substâncias que comandam a produção de HCl no TGI são: Gastrina, Acetilcolina e Histamina. Sabendo disso, devemos saber que existem duas classes de substâncias que atuam protegendo a mucosa gástrica. Dentre essas duas classes destacam-se os fármacos que inibem a hiperacidez estomacal e eles podem inibir a hiperacidez diminuindo a secreção do HCl ou, simplesmente causando uma neutralização dessa hiperacidez gástrica. Dentre os fármacos que inibem a hiperacidez gástrica destacam-se três Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt classes: os antiácidos, bloqueadores de receptores de H2, inibidores de bomba de prótons também chamados de IBPs. 1. Antiácidos São medicamentos capazes de neutralizar o conteúdo de HCl presente no TGI. Esses fármacos podem ser usados tanto para o tratamento de pirose – azia – e para o tratamento de dispepsia – má digestão. Porem como o seu uso não requer a prescrição médica várias complicações, reações adversas, podem estar presentes em pacientes que usam antiácidos, principalmente em superdosagem ou de maneira crônica. Um dos principais antiácidos encontrados na clínica é o bicarbonato de sódio, essa substância ao reagir com o ácido clorídrico produz cloreto de sódio mais dióxido de carbono mais água. Todo antiácido funciona como uma base, e essa base reage com o ácido formando sal mais água. Por isso que quando o bicarbonato de sódio é utilizado em superdosagem o cloreto de sódio formado como produto da reação pode ser absorvido aumentando assim a volemia do paciente, podendo precipitar ou piorar quadros de hipertensão arterial ou de outras doenças cardiovasculares. Se o bicarbonato for usado em doses mais elevadas do que a quantidade de HCl no estômago sobre bicabornato da reação que é absorvido, podendo produzir então um quadro de alcalose metabólica. Porém, mesmo em doses terapêuticas o bicarbonato pode produzir como efeito colateral eructações e distensão abdominal devido a formação de dióxido de carbono como produto da reação e isso pode ser um incomodo para o paciente. O carbonato de cálcio, outro antiácido, reagem mais lentamente com o HCl, por isso a reação tende a ser completa sobrando menos carbonato de cálcio para ser absorvido. Porém, durante a reação com o ácido clorídrico também é formado dióxido de carbono como produto e por isso aparem as mesmas reações adversas causadas pelo bicarbonato como as eructações e distensões abdominais. Um dos maiores problemas do uso crônico de carbonato de cálcio é que se for utilizado junto com alimentos ricos em cálcio o paciente pode apresentar quadros de hipercalcemia, pois o próprio cálcio do bicarbonato de cálcio é absorvido mais o cálcio dos alimentos e o paciente pode ter um excesso de cálcio no organismo. Os hidróxidos de alumínio e hidróxido de magnésio não produzem dióxido de carbono como produto da reação, por isso as reações adversas são menos intensas. Porém, o hidróxido de alumínio tende a produzir constipação como principal reação adversa, enquanto que o hidróxido de Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt magnésio é capaz de aumentar a osmolaridade intestinal facilitando a chegada de água para o intestino aumentando o risco de diarreias, por isso é comum formulação de antiácidos como o fármaco Mylanta que é uma associação do hidróxido de alumínio e hidróxido de magnésio, assim compensando o efeito colateral do outro diminuindo as consequências para o paciente e uma potencialização do efeito terapêutico. É importante lembrar que os antiácidos devem ser utilizados em situações pontuas como: o paciente fez uma alimentação onde não teve uma boa digestão, adquirindo um quadro de má digestão ou azia, então, pontualmente ele pode utilizar um antiácido para melhorar esse quadro digestivo. Porém, os antiácidos não são indicados para serem usados diariamente, o uso contínuo de antiácidos pode ser prejudicial à saúde. 2. Bloqueadores de receptores H2: Usados para inibir a secreção de HCl. São medicamentos que competem com a histamina pela ligação em seus receptores presentes nas células parietais gástricas, inibindo assim a ativação das quinases intracelulares e consequentemente a atividade de bomba de prótons. A Cimetidina, Ranitidina e Famotidina são medicamentos dessa classe que sofrem um intenso metabolismo de primeira passagem e tem uma biodisponibilidade de 50% quanto utilizadas por via oral. Ao passo que a Nizatidina possui uma biodisponibilidade alta, mais de 90%, devido a baixacapacidade de sofrer metabolismo de primeira passagem. Esses medicamentos são mais indicados para diminuir a secreção de HCl noturna, pois o HCl noturno é produzido graças a ligação da histamina em seus receptores, enquanto o HCl produzido após as alimentações tem como principais estímulos tanto a histamina quanto a gastrina quanto a acetilcolina. Devido a isso os bloqueadores de receptores de H2 não são interessantes para tratar pacientes que tem uma má digestão, pacientes que possuem uma hiperacidez produzida por uma alimentação. Outra desvantagem dos bloqueadores de receptores de H2 é que eles possuem uma frequência posológica maior do que os inibidores de bomba de prótons. Enquanto os bloqueadores de receptores de H2 devem ser usados em uma frequência de duas vezes ao dia os IBPs podem ser usados em uma dose única diária. A cimetidina, um dos fármacos mais populares dessa classe, tem grande capacidade de bloquear, inibir, as enzimas do citocromo p450, por isso é considerada uma potente inibidora enzimática produzindo uma série de interações medicamentosas, diferente dos outros medicamentos da Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt mesma classe. A ranitidina por exemplo tem uma capacidade muito menor de se ligar as enzimas do citocromo p450. Todos esses fatores associados fazem com que os bloqueadores de receptores H2 não sejam medicamentos de primeira escolha para tratar a maioria dos quadros de hipersecreção gástrica. Sem dúvida nenhuma a principal classe utilizada atualmente na clínica são dos inibidores de bomba de prótons. ➢ OBS: paciente que tem úlcera tem contraindicação para agonistas colinérgicos, pois eles se ligam aos receptores M3 das glândulas do TGI aumentando a secreção de HCl 3. Inibidores da Bomba de Prótons – IBPs Eles não bloqueiam nenhum os receptores de gastrina, histamina e acetilcolina, eles bloqueiam a própria bomba de prótons, ou seja, se gastrina acetilcolina e histamina se ligarem ao seu receptor não haverá ativação da bomba de prótons, pois o medicamento está bloqueando a bomba propriamente dita. Por isso, os inibidores da bomba de prótons são eficazes tanto para tratar hipersecreção noturna quanto para tratar hipersecreção causada por alimentos, porque independente do estímulo que estiver se ligando ao receptor a bomba de prótons estará inativa, portanto, o HCl não será formado. Todos os inibidores da bomba de prótons como Omeprazol, Lansoprazol, Pantoprazol, Rabeprazol e Esomeprazol são pró-fármacos, então, eles precisam se transformarem na substância ativa para bloquear a bomba de prótons. Todos eles estão disponíveis para serem utilizados por via oral, apenas o pantoprazol está disponibilizado em ambiente hospitalar para ser utilizado por via endovenosa. Não existe diferença de eficácia entre os medicamentos dessa classe, a diferença está na potência farmacológica – dose que será utilizada – e na capacidade de produzirem interações medicamentosas como por exemplo: O omeprazol é o principal inibidor de bomba de prótons que produz interações medicamentosas porque ele também é capaz de inibir as enzimas do citocromo p450, inibindo o metabolismo de outros medicamentos, sendo as principais enzimas inibidas a CYP2C19 e CYP3A4, sendo o clopidogrel (é um pró-fármaco) um dos principais medicamentos que o omeprazol interage. Enquanto o pantoprazol não causa tanta interação medicamentosa. ➢ Farmacocinética dos inibidores da bomba de prótons: Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt Eles precisam ser absorvidos para gerarem seu mecanismo de ação. Vamos utilizar o omeprazol como exemplo, mas esse mecanismo segue para todos os medicamentos dessa classe. Dentro da capsula de omeprazol existem bolinhas que são chamadas de pellets, dentro desse pellet que vem o omeprazol medicamento, esse pellet é um revestimento que está protegendo o princípio ativo do HCl do estômago, pois ele é um ácido lábil – medicamento que sofre degradação pelo HCl do estômago. O paciente toma o omeprazol, a capsula pode até ser degradada mas o pellets passam intactos pelo estômago, quando os pellets chegam no intestino é que eles serão dissolvidos e no intestino que o omeprazol será absorvido, distribuído e vai chegar nos canalículos das células parietais gástricas – é na membrana dos canalículos que as bombas de prótons estão localizados. Então, o omeprazol que é um medicamento considerado uma base fraca chega nos canalículos ácidos das células parietais e se transforma em um próton chamado de próton sulfonamida que vai bloquear a bomba de prótons de maneira irreversível, pois eles fazem uma ligação covalente com essas bombas, portanto, a bomba de prótons que foi inibida pelo omeprazol não vai funcionar mais. Depois que o paciente começa a tomar um inibidor de bomba de próton é necessário um temo médio de 3 a 4 dias para que as bombas de prótons sejam bloqueadas e para que o paciente comece a apresentar os efeitos terapêuticos. De maneira em geral, esses fármacos são ingeridos uma vez ao dia pela manhã em jejum, pois a presença de alimentos no TGI inibe a absorção dos inibidores de bomba de prótons, eles devem ser tomados pelo menos uma hora antes do desjejum. É importante lembrar que a meia vida de eliminação desses fármacos é curta, variando em média de 3 horas, mesmo com esse tempo de meia vida curto eles são tomados uma vez por dia devido ao fato de causarem inibição irreversível da bomba de prótons. Inibidores de bomba de prótons devem ser tomados diariamente e quando o paciente para de tomar esses fármacos é necessário um período de 3 a 4 dias para que ele volte a secretar HCl normalmente, pois é o tempo necessário para sintetizar novas bombas de prótons. 4. Protetores da Mucosa Gástrica Não agem de maneira direta sobre a hiperacidez gástrica, eles não agem de maneira direta sobre a produção de HCl, eles protegem a mucosa gástrica de várias maneiras. 4.1. Sucralfato – Sucrafilm: Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt É um sal de sacarose conjugado com sulfato de alumínio. É utilizado em uma dose diária de 1g, quando ele chega no estômago e se depara com os líquidos gástricos ele forma uma pasta viscosa que se adere as feridas ou úlceras presentes na mucosa gástrica, protegendo-a contra a ação do HCl e, além disso, estimula a produção de muco na região, e ativa os fatores de crescimento epitelial, acelerando a cicatrização das ulcerações. Isso ocorre devido ao fato de que o gel de sucralfato formado no estômago é carregado negativamente e se liga nas cargas positivas das proteínas expostas nas ulcerações, essa diferença de cargas permite com que o sucralfato tenha aderência as úlceras, protegendo-as dos estímulos cáusticos do organismo. 4.2. Compostos de Bismuto Tem o mecanismo de ação similar ao sucralfato, também recobre as úlceras, protegendo-a do HCl. O bismuto estimula a produção de prostaglandinas na região lesada e também possui atividade antibacteriana contra H. pylori, por isso este medicamento está no esquema terapêutico de pacientes com úlceras causadas por H.pylori. O bismuto da formulação não é absorvido pelo TGI, porém os salicilatos podem sofrer absorver absorção e produzir efeitos colaterais como quadros de encefalopatias em uma minoria dos pacientes. Dos efeitos adversos destacam-se: enegrecimento de fezes que pode ser confundida com sangramento intestinal e as formulações liquidas orais podem ocasionar escurecimento de língua. 4.3. Misoprostol uma prostaglandina análoga a PGE1, ele liga aos receptores de PGE1 e faz a mesma coisa que essa prostaglandina faz – citoproteçao gástrica. Pode ser utilizado por via endovenosa ou por via oral na forma de comprimidos, por via endovenosa é muito utilizado em ambiente hospitalar em pacientes com úlceras graves causada por exemplo ela super dosagem ou uso contínuo de AINES. Por via oral o misoprostol é conhecido comercialmente por Cytotecé utilizado atualmente como um medicamento abortivo, muitas mulheres utilizam o cytotec de maneira irracional através dessas clínicas clandestinas de aborto, pede-se para a mulher tomar um comprimido de cytotec e introduzir outro por via intra-vaginal, isso porque as prostaglandinas possuem receptores no útero e quando se ligam aos seus receptores uterinos elas provocam um aumento da contração do músculo uterino facilitando a expulsão do feto. Isso mostra que o misoprostol pode ser utilizado de duas formas: como protetor gástrico ou como indução de trabalho de parto. CUIDADO ao usar misoprostol em mulheres em idade reprodutiva. Não se vendo misoprostol em drogarias. Além dos inibidores de secreção ácida e dos protetores de mucosa existem outros medicamentos que são utilizados na clínica que também Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt atuam em patologias que acometem o TGI. Uma das principais classes utilizadas atualmente são os fármacos que estimulam a motilidade do TGI, os fármacos que estimulam a motilidade também são chamados de pró-cinéticos. 5. Pró-cinéticos São fármacos que estimulam a motilidade, aumentam o peristaltismo do TGI e por isso podem ser usados para tratar diversas patologias como: doença do refluxo gastroesofágico, gastroparesias quando o músculo do TGI tem dificuldade de se contrair, ilioparalítico, constipação, quando quer acelerar o esvaziamento gástrico. Dentro dos pró-cinéticos podemos classificar várias subclasses de medicamentos. 5.1. Colinomiméticos – Parassimpatométicos: Betanecol e Neostigmina O betanecol é um agonista direto de receptor M3 presente no músculo liso presente no TGI, ou seja, ele se liga no receptor M3 e imita a ação da acetilcolina. Enquanto a neostigmina é um colinomimético de ação indireta, pois ela estimula a ação da acetilcolina por inibir acetilcolinesterase. Atualmente os colinomiméticos estão sendo pouco utilizados na clínica, ou seja, eles não são a primeira opção de pró-cinéticos. Esses fármacos não possuem seletividade de ação para o TGI, por isso, estimulam os receptores de acetilcolina de maneira em geral podendo produzir reações adversas colinérgicas como miose, sialorreia, cólicas abdominais, liquefação das fezes e em casos mais intensos diminuição da função cardíaca. O betanecol pode produzir broncoconstrição como efeito colateral e o paciente pode evoluir para uma insuficiência respiratória. 5.2. Antagonistas de receptores dopaminérgicos: Metaclopramida – Plasil – e Domperidona – Motilium. Esses dois fármacos são muito usados na clínica atualmente. Todas as vezes que houver bloqueio dos receptores dopaminérgicos no TGI ocorre um estímulo da atividade colinérgica, ou seja, a acetilcolina será mais liberada no intestino e se ligará mais em receptores muscarínicos intestinais, aumentando assim a motilidade do TGI. Desse modo, percebe-se que a ação desses dois medicamentos é muito mais localizada, pois eles bloqueiam um tipo específico de receptor – receptores D2 do TGI. Porém, a metaclopramida por exemplo é um medicamento que bloqueia os receptores dopaminérgicos no TGI, mas também bloqueia receptores dopaminérgicos em outras regiões do Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt organismo, como no SNC por isso que o plasil produz alguns efeitos colaterais conhecidos como: efeitos extrapiramidais – efeitos que o paciente apresenta disfunção de movimentação, como distonia muscular, rigidez muscular, tremores de extremidade se assemelhando muito a síndrome de Parkinson que é causada por uma baixa de dopamina no SNC e como a metaclopramida está bloqueando os receptores de dopamina no SNC ela está mimetizando um efeito de um paciente que tem Parkinson. A metaclopramida pode gerar dois principais problemas no SNC. Primeiro o bloqueio dos receptores dopaminérgicos pode gerar sintomas extrapiramidais e segundo, ao bloquear receptor dopaminérgico o paciente aumenta a secreção de prolactina, principalmente para aqueles pacientes que usam de maneira contínua. Com o uso crônico de metaclopramida o paciente pode começar a apresentar alguns sintomas como ginecomastia em homens, amenorreia em mulheres, distúrbios de menstruação, lactação devido ao aumento de prolactina. A domperidona não ultrapassa a barreira hematoencefálica então o risco de efeitos extrapiramidais não é visualizado quando o paciente utiliza esse medicamento. São dois medicamentos clinicamente muito usados ara duas situações: como pró-cinéticos para tratar as patologias já citadas no início e podem ser usados como antieméticos. 6. Antieméticos É um medicamento utilizado para tratar náuseas e vômitos. Os principais fatores que levam o paciente a apresentar náuseas e vômitos são: uso de medicamentos, pois vários medicamentos ativam a zona quimiorreceptora do vômito então eles induzem o processo de vômito; quimioterapia; radioterapia; pós cirúrgicos; infecções no TGI ou até mesmo infecções no SNC ou distúrbios no órgão vestibular do paciente; gestação. necessário saber quais estímulos são capazes de induzir o vômito. No centro do vômito no SNC existem vários tipos receptores e se esses receptores forem ocupados a náusea e o vômito vão acontecer. No centro do vômito existem três tipos de receptores que se os agonistas desses receptores se ligarem vão estimular o vômito são eles: receptores muscarínicos M1, receptores de histamina H1, receptores serotoninérgicos 5HT-3. Então, temos que pensar o seguinte, a acetilcolina está ligando no receptor M1 no centro do vômito gera náuseas e vômitos, histamina está ligando de mais gera náuseas e vômitos, serotonina está ligando no 5HT-3 náuseas e vômitos. Além do centro do vômito existe uma região importante que acaba sendo um estimulo também que é a zona Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt quimiorreceptora do vômito ou zona de gatilho quimiorreceptora – ZGQ – do vômito, nessa zona além de possuir receptores muscarínicos e serotoninérgicos também existem receptores dopaminérgicos, então, medicamentos como metaclopramida por bloquearem os receptores dopaminérgicos na zona quimiorreceptora do vômito ela também pode ser considerada antiemético. Dentre os antagonistas dopaminérgicos que atuam bloqueando o receptor de dopamina na zona de gatilho quimiorreceptora destaca-se: metaclopramida, domperidona e bromoprida. Existem outros fármacos que podem ser usados como antieméticos como os anti-histamínicos que bloqueiam o receptor de histamina no centro do vômito, sendo necessário ultrapassar a barreira hematoencefálica, ou seja, são os anti-histamínicos de primeira geração ultrapassando a barreira hematoencefálica e bloqueando os receptores histamínicos H1 no SNC, exemplos: Dramin – Dimenidrinato, Difenidramina – Notuss, Prometazina – Fenergan, Clorfeniramina – Polaramine, esses são antialérgicos e antieméticos. Hoje medicamentos anti-histamínicos para tratar náuseas e vômitos tem como principal reação adversa sonolência devido ao fato de bloquear o receptor de histamina do SNC. Atualmente existe o Dramin B6 que tem menor quantidade do anti-histamínico mais 50% de vitamina B6 – piridoxina que possui ação antiemético, pois ela consegue aumentar o nível de alguns neurotransmissores antieméticos no SNC, só que só de diminuir a dose do antiemético já diminui o efeito colateral. *Anti-histamínico de segunda geração não ultrapassa a barreira hematoencefálica. Ondansetron – Vonal – tem sido um medicamento muito prescrito na clínica atualmente, pois possui uma alta eficácia e os efeitos colaterais são menores pois não bloqueiam os receptores H1. Ele bloqueia o receptor de serotonina do tipo 5HT-3. Sendo um dos fármacos mais usado por gestantes. 7. Antidiarreicos São medicamentos que devem ser usados para tratar diarreia de leve a moderada e são contraindicados para tratar diarreia sanguinolenta ou com febre alta ou para pacientes que mantem a diarreia mesmoutilizando os medicamentos antidiarreicos. Esses fármacos devem ser utilizados para melhorar a qualidade de vida do paciente, porém como primeira escolha do tratamento da diarreia destaca-se a reidratação com soro caseiro para manter o equilíbrio hidroeletrolítico do paciente e em caso de diarreia infecciosa é necessário a utilização de um antibiótico. Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt Dentre os fármacos mais utilizados destaca-se: Loperamida – imosec, Difenoxilato – motillium. Ambos são agonistas de receptores opioides, eles se ligam aos receptores do tipo Mi presente no TGI. Lembrando que as substâncias opioides endógenas são as endorfinas, encefalinas e diendorfinas que se ligam nos receptores Mi, kapa e delta. Quando os opioides endógenos se ligam nos receptores do tipo Mi ele diminui a motilidade do TGI, diminui a contração do músculo liso e a água é absorvida com maior facilidade. Ex. paciente está internado tomando morfina e um dos principais efeitos colaterais é a constipação, pois além de se ligar aos receptores no SNC ela se liga nos receptores no TGI. Tanto a Loperamida quanto o Difenoxilato não ultrapassam a barreira hematoencefálica, portanto eles possuem uma ação periférica localizada. DETELHE: O difenoxilato se for usado em altas doses consegue ultrapassar barreira hematoencefálica. Devido a isso ele vem associado com uma pequena quantidade atropina, pois ela vai bloquear os receptores muscarínicos no TGI, diminuindo o peristaltismo, necessitando de uma dose menor de difenoxilato. Em ambiente hospitalar o mais usado é a Octreotida que é um medicamento que possui analogia estrutural com a substância endógena chamada somatostatina. A somatostatina é uma substância endógena capaz de reduzir a contração do músculo liso intestinal, ou seja, reduz a motilidade do TGI e além disso impede, inibe, a secreção de líquidos pelas células intestinais, porém a somatostatina é uma substancia que possui um tempo de ação muito curta de 180 segundos, enquanto que a octreotida quando usado por via endovenosa tem uma meia vida de 1:30h podendo ser usada por infusão venosa continua e quando usado por via subcutânea a meia vida aumenta para de 6 a 12 horas. Caulim e Pectina são muito usados atualmente também. Eles são substâncias usada por via oral e se liga as bactérias e constituintes presente nas fezes e aumentam a consistência das fezes. Pectina é um carboidrato não digerido derivado da maça. 8. Laxantes São muito usados na clínica, e normalmente também não são medicamentos de primeira escolha para tratar constipação. O mais interessante para tratar a constipação é alimentação, uma dieta rica em fibras, ingestão de água e atividade física. São classificados em quatro classes: 8.1. Laxantes formadores de massa: Metilcelulose, Farelo de trigo, Policarbofil Transcrição Adriane Souza do Nascimento – MED Alfenas T39 Farmacologia I – Prof. Gérsika Bitencourt São considerados coloides não digeríveis, porém quando ele chega no TGI ele forma uma massa emoliente, mole, e de grande volume fazendo a distensão do cólon intestinal, aumentando o peristaltismo e consequentemente a evacuação. 8.2. Laxantes Osmóticos: Óxido de Magnésio, Polietilenoglicol – PEG, Sorbitol, Lactulose A grande maioria dos laxantes osmóticos são carboidratos não absorvíveis, aumentando a osmolaridade, chegando água que vai amolecer as fezes facilitando a defecação. 8.3. Laxantes surfactantes: Óleo mineral Eles aumentam tanto a quantidade de lipídeos e aumentam o volume das vezes amolecendo o bolo fecal facilitando a eliminação. 8.4. Laxantes estimulantes: Sene, Cáscara sagrada, Óleo de Rícino São estimulantes do SNE, aumentando a motilidade e a secreção de água e eletrólitos. 9. Antiflatulentos: Dimeticona – Luftal São medicamentos que diminui os gases, as bolhas de ar no TGI. A dimeticona diminui a tensão superficial das bolhas de gás formadas pelas bactérias residentes no TGI. As bactérias ao metabolizar as substâncias produzem gases e esses gases formam bolhas no TGI e a dimeticona vai estourar as bolhas. Ele não é absorvido.