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OPERACIONALIZAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE FUNCIONALIDADE, INCAPACIDADE E SAÚDE NA PRÁTICA DO PROFISSIONAL DE SAÚDE PROF. DENILSON DE QUEIROZ CERDEIRA FISIOTERAPEUTA DOUTOR EM BIOTECNOLOGIA - UECE MESTRE EM CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO – UTIC/UFRS ESPECIALIZAÇÃO EM FISIOTERAPIA EM TRAUMATO – ORTOPEDIA – FIC RPGISTA - SOUCHARD DOCENTE DA UNINASSAU A demanda de tratamento com base em evidências e em boa proporção entre custo-benefício tem desafiado muitas práticas tradicionais e gerado pressões sobre os profissionais de saúde, para que mudem as atitudes e desenvolvam habilidades. O papel da fisioterapia e da terapia ocupacional no amplo sentido da reabilitação, que objetiva proteger ou restaurar a identidade pessoal e social dos pacientes, é considerado essencial, mas as evidências quanto à efetividade ainda são escassas. Medidas • (1) as avaliações formais devem tomar muito tempo do tratamento • (2) as medidas podem não refletir com precisão o movimento ou a função que está sendo tratada • (3) o processo de avaliação pode identificar um profissional de saúde que “se atrapalha” em vez de realizar a avaliação de modo estruturado e lógico • (4) as medidas precisas nada acrescentam ao processo de tratamento • (5) o tratamento específico pode não ter o sucesso que o profissional espera • (6) as medidas em andamento podem mostrar que o profissional não obteve o êxito que pretendia na realização do tratamento O que é reabilitação? • Segundo a OMS, é um conjunto de influências, procedimentos e recursos a serem aplicados tanto à pessoa com deficiência quanto ao ambiente em que ela vive. • Diz respeito à recuperação ou melhora da função, assim como à preservação da incapacidade e à manutenção do papel social, o que implica que, enquanto o foco estiver centralizado na incapacidade, o objetivo é reduzir os impedimentos. Definição do Problema • Deficiência, incapacidade e funcionalidade são termos centrais na construção da iden6dade profissional de saúde e estão longe de ser consenso no cenário do cuidado em saúde. • A polissemia dos termos traz uma série de dificuldades operacionais para sua consolidação e abordagem, que dependem não somente dos profissionais de saúde, mas também de fatores como: • ambientes de assistência em que os profissionais estão inseridos • níveis de complexidade em que atuam • formas de gestão da oferta de serviços de cuidado em saúde Definição do Problema • Deficiência é a falta de parte do corpo ou de função, como consequência direta de dano patológico; perda de movimento, visão, audição ou sensibilidade, por exemplo • Incapacidade é a consequência da patologia ou da deficiência; é a impossibilidade de realizar uma atividade em determinado nível ou de maneira considerada • Impedimento é a consequência social da deficiência ou da incapacidade que limitam ou impedem o desempenho de um papel normal (dependendo da idade, sexo e fatores sociais e culturais) em um indivíduo Leonardi M, Lee H, Kostanjsek N, Fornari A, Raggi A, Martinuzzi A, Yáñez M, Almborg AH, Fresk M, Besstrashnova Y, Shoshmin A, Castro SS, Cordeiro ES, Cuenot M, Haas C, Maart S, Maribo T, Miller J, Mukaino M, Snyman S, Trinks U, Anttila H, Paltamaa J, Saleeby P, Frattura L, Madden R, Sykes C, Gool CHV, Hrkal J, Zvolský M, Sládková P, Vikdal M, Harðardóttir GA, Foubert J, Jakob R, Coenen M, Kraus de Camargo O. 20 Years of ICF-International Classification of Functioning, Disability and Health: Uses and Applications around the World. Int J Environ Res Public Health. 2022 Sep 8;19(18):11321. doi: 10.3390/ijerph191811321. PMID: 36141593; PMCID: PMC9517056. Publicada 2001 organização registro documentação FINALIDADE Dados de saúde em todos os seus aspectos World Health Organization. (2001). International classification of functioning, disability and health : ICF. World Health Organization Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) • Classificação-modelo para organização e documentação do grupo de informações referentes à funcionalidade e incapacidade, cujo objetivo principal é propiciar uma linguagem padronizada e uma base conceitual para a definição e mensuração de funcionalidade e incapacidade. • A CIF é um sistema de classificação que descreve a funcionalidade e incapacidade relacionadas às condições de saúde, refletindo uma abordagem que muda o foco das consequências da doença para destacar, também, a funcionalidade como um componente de saúde. Não é possível exibir esta imagem. Não é possível exibir esta imagem. M a ovimentos sociais defensores da guinada da tenção à deficiência em direção à promoção da justiça social. pa Não é possível exibir esta imagem. Não é possível exibir esta imagem. Não é possível exibir esta imagem. Disability studies (estudos sobre deficiência) para contrapor a hegemonia do saber médico. Não é possível exibir esta imagem. Frutos desse encontro, marcos legais em acordos internacionais possibilitaram a incorporação da compreensão da deficiência no arcabouço do modelo social para influenciar as ações públicas ao redor do mundo2. Não é possível exibir esta imagem. ü Uma política assistencial não contributiva direcionada para pessoas com deficiência na extrema pobreza passou a ser a primeira política de grande alcance a utilizar, em 2007, a CIF para avaliação das deficiências com objetivo de conceder benefícios7. ü O Benefício de Prestação Continuada (BPC) da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), garantido atualmente a mais de 2,354 milhões de pessoas com deficiência, passou a incorporar o que estabelece a CIF, deixando de utilizar as diretrizes da Classificação Internacional de Doenças e Problemas relacionados à Saúde (CID), da mesma OMS. Não é possível exibir esta imagem. Não é possível exibir esta imagem. ACIFAPLICADA... ü Em 2013, a Previdência Social Brasileira, em um caminho semelhante, passou a adotar a CIF na avaliação das pessoas com deficiência no momento de solicitarem a aposentadoria em razão da publicação da Lei Complementar no 1428. Essa Lei passou a conceder de forma diferenciada as aposentadorias às pessoas com deficiência, levando-se em consideração graus variados da deficiência8. Não é possível exibir esta imagem. Não é possível exibir esta imagem. ACIFAPLICADA... Objetivos da CIF Ø Proporcionar uma base científica para a compreensão e o estudo dos determinantes da saúde, dos resultados e das condições relacionadas com a saúde; Ø Estabelecer uma linguagem comum para a descrição da saúde e dos estados relacionados com a saúde, para melhorar a comunicação entre diferentes utilizadores, tais como, profissionais de saúde, investigadores, políticos e gestores e o público, incluindo pessoas com incapacidades; Ø Permitir a comparação de dados entre países, entre disciplinas relacionadas com os cuidados de saúde, entre serviços, e em diferentes momentos ao longo do tempo; Não é possível exibir esta imagem. Não é possível exibir esta imagem. Objetivos da CIF Ø Proporcionar um esquema de codificação para sistemas de informação de saúde. Ø Estes objetivos estão interrelacionados, dado que a necessidade de aplicar a CIF e a sua utilização requerem a construção de um sistema prático e útil que possa ser aplicado por vários utilizadores na política de saúde, na garantia da qualidade e na avaliação de resultados em diferentes culturas. Não é possível exibir esta imagem. Não é possível exibir esta imagem. Aplicações da CIF ü Como uma ferramenta estatística – na colheita e registo de dados (e.G. Em estudos da população e inquéritos na população ou em sistemas de informação para a gestão); ü Como uma ferramenta na investigação – para medir resultados, a qualidade de vida ou os fatores ambientais; ü Como uma ferramenta clínica – avaliar necessidades, compatibilizar os tratamentos com as condições específicas, avaliar as aptidões profissionais, a reabilitação e os resultados; Não é possível exibir esta imagem. Não é possível exibir esta imagem. Aplicaçõesda CIF ü Como uma ferramenta de política social – no planeamento de sistemas de segurança social, de sistemas de compensação e nos projetos e no desenvolvimento de políticas; ü Como uma ferramenta pedagógica – na elaboração de programas educacionais, para aumentar a conscientização e realizar ações sociais. Não é possível exibir esta imagem. Não é possível exibir esta imagem. Definições da CIF Termo Definição Funções do corpo São as funções fisiológicas dos sistemas orgânicos (incluindo psicológicos) Estruturas do corpo São as partes anatômicas do corpo, como órgãos, membros e seus componentes Deficiências São problemas nas funções ou nas estruturas do corpo, como um desvio importante ou uma perda Atividade É a execução de uma tarefa ou ação por indivíduo Participação É o envolvimento de um indivíduo em uma situação da vida real Definições da CIF Termo Definição Limitações às atividades São dificuldades que um indivíduo pode apresentar na execução de atividades Restrição à participação São problemas que um indivíduo pode enfrentar quando está envolvido em situações da vida real Fatores ambientais Constituem os ambientes físico, social e atitudinal em que as pessoas vivem e conduzem suas vidas Fatores pessoais Consistem no histórico particular e no estilo de vida de um indivíduo, englobando as características que não são parte de uma condição de saúde Qualificadores • Funções e estruturas do corpo (Escala de Likert) • 0 – nenhuma deficiência • 1 – deficiência leve • 2 – deficiência moderada • 3 – deficiência grave • 4 – deficiência completa Qualificadores • Qualificador por desempenho – deve ser usado para descrever o que a pessoa realiza em seu ambiente real, com a presença dos facilitadores e barreiras que par:cipam do contexto • Qualificador de capacidade – deve ser u:lizado para descrever a habilidade inerente do indivíduo para executar uma tarefa ou ação em um específico contexto sem facilitadores Sucesso • Redução da incapacidade • Novas estratégias e habilidades • Alteração do ambiente • Avaliação • Planejamento (meta) • Intervenção • Avaliação do resultado final Avaliação • Estabelecer se há um distúrbio de movimento • Determinar qual seria o estado futuro • Detectar se ocorreram alterações com o tempo • Identificar o problema • Descrever o problema • Desenvolver a terapia direcionada à meta • Monitorar o progresso • Acompanhamento • Medir o resultado final História • Problemas presentes: finalidade da avaliação • Anamnese e diagnós8co • Levantamento da função diária: situação da casa; mobilidade; cuidados pessoais; comunicação; função psicológica; papeis; profissão e função • História pessoal Exame • Iden%ficação de alterações funcionais: humor, personalidade, comportamento, cognição, visão, comunicação (verbal e não-verbal), mobilidade funcional (transferências e marcha), a%vidades relevantes de cuidados pessoais e deglu%ção. • Exames diagnós%cos • Estado nutricional, órteses e disposi%vos auxiliares e estado geral das proeminências ósseas. Medida • Quan%ficação de uma observação com relação a um padrão (Wade, 1992) • Podem ser usados para registrar: • Funções Csicas, mentais ou cogni%vas • A%vidades de vida diária • Medidas globais de independência e incapacidade • Qualidade de vida generalizada e especificada relacionada com a doença • Estado de saúde • Comportamento profissional Medidas discriminativas • Para que uma medida seja usada para discriminação, é preciso haver uma base de dados normal, de acordo com a idade e o sexo, para que sirva de parâmetro para comparar o desempenho de um paciente. Escalas • Escala de Desenvolvimento Motor e Cartões de A4vidade de Peabody – habilidades motoras grosseiras e finas de crianças – nascimento até 6 meses • Escala de Desenvolvimento do Lactente de Bayley – estado evolu4vo mental e habilidades motoras nas crianças – 2 a 2,5 anos • Teste de Triagem de Desenvolvimento de Denver – habilidades motoras grosseiras e finas, pessoais, sociais, de linguagem e intelectuais em crianças Escalas • Avaliação do Estado Mental de Idosos de Middlesex (MEAMS) – função cogni:va • Teste de Desatenção Comportamental – negligência visual • Monitoramento de Desempenho de Equilíbrio – oscilação esta:va e distribuição do peso corporal Medidas de previsão • Examinam o que pode acontecer no futuro. Devem ser validades pela função, assim como pela capacidade de prever deve ser confirmada, isto é, o estado do paciente depois da previsão tem que ser testado. Escalas • Escala de Bleck – atividade postural e os reflexos tônicos da criança com um 1 ano, através de 7 itens específicos, para prever o estado deambulatório aos 7 anos. • Contagem Prognóstica de Guy – independência funcional. Medidas de avaliação • Baseadas nos dados arbitrados por critérios e demonstram se o paciente está diferente da úl4ma vez em que foi avaliado. Esses instrumentos precisam ser capazes de mostrar se a mudança ocorreu com o tempo. Escalas • Medida de função motora grosseira – função motora grosseira de crianças desde o nascimento até os 16 anos. • Teste de Proficiência Motora de Bruininks-Oseretsky – mede a função motora grosseira e fina dos 4 aos 14 anos de idade. • Escala das AVD de Klein-Bell – mede as aGvidades da vida diária em qualquer idade. OPERACIONALIZAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE FUNCIONALIDADE, INCAPACIDADE E SAÚDE NA PRÁTICA DO PROFISSIONAL DE SAÚDE Prof. Dr. Denilson de Queiroz Cerdeira Doutor em Biotecnologia - UECE denilsonqueiroz@hotmail.com