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Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 Autor: Renan Araujo 12 de Dezembro de 2021 05642808796 - Flavio Gama de Oliveira Renan Araujo Aula 01 Índice ..............................................................................................................................................................................................1) Competência em Razão da Matéria 3 ..............................................................................................................................................................................................2) Competência Territorial 7 ..............................................................................................................................................................................................3) Competência em Razão da Pessoa 13 ..............................................................................................................................................................................................4) Da Conexão e da Continência 19 ..............................................................................................................................................................................................5) Questões Comentadas - Jurisdição e Competência - Cebraspe 27 ..............................................................................................................................................................................................6) Lista de Questões - Jurisdição e Competência - Cebraspe 65 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 2 77 Competência em razão da matéria (ratione materiae) ou competência de Jurisdição ou competência de Justiça. Embora os termos “competência de jurisdição” e “competência de Justiça” não me agradem, eles são usados por alguns doutrinadores, portanto, vocês devem conhecer estes termos. Esta espécie de competência é a primeira que deve ser analisada para que possamos, no caso concreto, definir qual o órgão Jurisdicional é competente para julgar o processo. Esta espécie leva em consideração a natureza do fato criminoso para definir qual a “Justiça” competente (Justiça Eleitoral, Comum, Militar, etc.). Assim, a competência em razão da matéria se divide da seguinte forma: Assim, existem basicamente duas ordens de competência criminal em razão da matéria: Comum e especial. A Justiça comum se divide em Federal e Estadual. Já a Justiça Especial se divide em Eleitoral e Militar. Desta maneira, o primeiro passo na fixação da competência é definir à qual “Justiça” cabe julgar o fato. A Justiça Especial (Eleitoral e Militar) julga somente os crimes que sejam eleitorais e militares. Todos os outros crimes são de competência da Justiça Comum. Dizemos, assim, que a Justiça comum possui competência residual. Mas como saber quando um crime será julgado pela Justiça Comum Federal e quando será julgado pela Justiça Comum Estadual? Nesses casos, somente será competente a Justiça Comum Federal se estivermos diante de uma das hipóteses previstas no art. 109 da Constituição: COMPETÊNCIA CRIMINAL EM RAZÃO DA MATÉRIA Justiça Especializada Justiça Eleitoral Justiça Militar Justiça Comum Justiça Federal Justiça Estadual Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 3 77 Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: (...) IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral; V - os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente; V-A as causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5º deste artigo;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) VI - os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei, contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira; VII - os "habeas-corpus", em matéria criminal de sua competência ou quando o constrangimento provier de autoridade cujos atos não estejam diretamente sujeitos a outra jurisdição; VIII - os mandados de segurança e os "habeas-data" contra ato de autoridade federal, excetuados os casos de competência dos tribunais federais; IX - os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competência da Justiça Militar; X - os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a execução de carta rogatória, após o "exequatur", e de sentença estrangeira, após a homologação, as causas referentes à nacionalidade, inclusive a respectiva opção, e à naturalização; XI - a disputa sobre direitos indígenas. (...) § 5º Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da República, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 4 77 Todas as causas que não se enquadrem na competência da Justiça Comum Federal, serão de competência da Justiça Comum Estadual. Assim, a Justiça comum estadual possui competência duplamente residual: 1) primeiro, é residual porque a Justiça Comum é residual em relação à Justiça Especial; 2) é residual em relação à Justiça Comum Federal. Analisando mais especificamente o CPP, verificamos que ele “passa batido” pela definição da competência em razão da matéria (que ele chama de “natureza da infração”), limitando-se a dizer que esta será definida conforme as Leis de Organização Judiciária. Por “Leis de Organização Judiciária” entenda-se, atualmente, “Constituição Federal”, pois quando do advento do CPP (1941), a definição destas normas era mera questão de organização judiciária, e não uma questão de índole constitucional como hoje. No entanto, o CPP trata de uma hipótese de competência em razão da natureza da infração: A competência do Tribunal do Júri. Nos termos do art. 74 do CPP: Art. 74. A competência pela natureza da infração será regulada pelas leis de organização judiciária, salvo a competência privativa do Tribunal do Júri. § 1º Compete ao Tribunal do Júri o julgamento dos crimes previstos nos arts. 121, §§ 1º e 2º, 122, parágrafo único, 123, 124, 125, 126 e 127 do Código Penal, consumados ou tentados. (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) § 2º Se, iniciado o processo perante um juiz, houver desclassificação para infração da competência de outro, a este será remetido o processo, salvo se mais graduada for a jurisdição do primeiro, que, em tal caso, terá sua competência prorrogada. § 3º Se o juiz da pronúncia desclassificar a infração para outra atribuída à competência de juiz singular, observar-se-á o disposto no art. 410; mas, se a desclassificação for feita pelo próprio Tribunal do Júri, a seu presidente caberá proferir a sentença (art. 492, § 2º). A competência do Tribunal do Júri está prevista, ainda, na própria Constituição Federal, em seu art. 5°, XXXVIII, d: XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: (...) d) a competência para o julgamentodos crimes dolosos contra a vida; Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 5 77 ==1b4257== Mas quais seriam os crimes dolosos contra a vida? Estes são os previstos no capítulo I do Título I da parte especial do CP, compreendendo os crimes de homicídio, instigação ou induzimento ao suicídio1, infanticídio e aborto2. Com relação a estes crimes, entende-se que a Constituição estabeleceu uma cláusula pétrea, ou seja, cláusula que não pode ser modificada pelo constituinte derivado. Assim, a Doutrina entende que as hipóteses de competência do Tribunal do Júri podem ser ampliadas, mas nunca reduzidas! Vale frisar que o Júri irá julgar os crimes dolosos contra a vida e também aqueles que sejam conexos com estes (ex.: homicídio doloso consumado conexo com estupro = Júri julgará os dois). Por fim, os crimes de latrocínio (roubo seguido de morte) e lesão corporal com resultado morte não são da competência do júri, pois não são crimes dolosos contra a vida. O primeiro é crime patrimonial; no segundo a morte deriva de culpa, não de dolo do agente. Por fim, o Tribunal do Júri poderá ser realizado no âmbito de “qualquer Justiça”. Como assim? Significa que podemos ter Tribunal do Júri na Justiça Estadual (o mais comum), na Justiça Federal, etc. (ex.: Policial Rodoviário Federal morto em serviço = trata-se de competência da Justiça Federal, pois atenta contra serviço e interesse da União, mas ao mesmo tempo é crime doloso contra a vida, logo, será da competência do Tribunal do Júri FEDERAL). 1 Vale frisar que o art. 122 do CP, com a redação dada pela Lei 13.968/19, passou a se chamar “induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a automutilação”. Todavia, apenas quando for induzimento, instigação ou auxílio a SUICÍDIO é que a competência será do Júri, por se tratar de crime doloso contra a vida. 2 Existem, ainda, crimes dolosos contra a vida previstos, por exemplo, na Lei de Genocídio (Lei 2.889/56). Neste caso, a competência também será do Tribunal do Júri (STF, RE 351.487/RR). Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 6 77 Competência Territorial (ratione loci) Em razão do local da infração A terceira e última fase para a definição da competência para julgamento de um processo criminal, compreende a análise do local de ocorrência da infração (ou, em alguns casos, o local do domicílio do réu), que irá determinar em que base territorial será o processo julgado (comarca, na Justiça Estadual, e Seção Judiciária, quando for da competência da Justiça Federal). Para definirmos a competência territorial devemos, primeiramente, saber onde o crime foi praticado. Mas, para isso, precisamos saber qual o critério para definição do “lugar do crime”. Nos crimes plurilocais, aplica-se, em regra, a teoria do resultado, considerando-se como local do crime o lugar onde o resultado se consuma . A exceção são os crimes plurilocais contra a vida,1 onde se aplica a teoria da atividade.2 Assim, como regra, no processo penal, a competência territorial é definida pelo lugar em que se consumar a infração. Existem ainda alguns regramentos específicos, como nos crimes de competência dos Juizados Especiais e nos atos infracionais, em que se aplica a teoria da atividade, e nos crimes falimentares, em que se considera lugar do crime o local em que foi decretada a falência. Assim: TIPO DE CRIME TEORIA ADOTADA Crimes plurilocais comuns Teoria do resultado Crimes plurilocais contra a vida Teoria da atividade Juizados Especiais Teoria da atividade 2 Trata-se de entendimento jurisprudencial consolidado, para facilitar a produção probatória, na busca pela verdade real. Ver, por todos, NUCCI, Guilherme de Souza. Op. Cit., p. 209 1 Art. 70. A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução. § 1º Se, iniciada a execução no território nacional, a infração se consumar fora dele, a competência será determinada pelo lugar em que tiver sido praticado, no Brasil, o último ato de execução. § 2º Quando o último ato de execução for praticado fora do território nacional, será competente o juiz do lugar em que o crime, embora parcialmente, tenha produzido ou devia produzir seu resultado. § 3º Quando incerto o limite territorial entre duas ou mais jurisdições, ou quando incerta a jurisdição por ter sido a infração consumada ou tentada nas divisas de duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção. Art. 71. Tratando-se de infração continuada ou permanente, praticada em território de duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 7 77 Crimes falimentares Local onde foi decretada a falência Atos infracionais Teoria da atividade Além disso, temos: ● Crime praticado no exterior e consumado no exterior - Na capital do estado em que o réu (acusado), no Brasil, tenha fixado seu último domicílio, ou, caso nunca tenha sido domiciliado no Brasil, na capital federal. ● Crime praticado a bordo de aeronaves ou embarcações, mas, por determinação da Lei Penal, estejam sujeitos à Lei Brasileira - No local em que primeiro aportar ou pousar a embarcação ou aeronave, ou, ainda, no último local em que tenha aportado ou pousado.3 ● No caso de o crime não se consumar, sendo, portanto, um crime tentado (art. 14, II do CP) - Nessa hipótese, aplica-se o disposto no art. 70, segunda parte, do CPP, considerando-se como lugar do crime o local onde ocorreu o último ato de execução. O § 3° e o art. 71 tratam do fenômeno da prevenção. O que isso significa? Quando dois ou mais órgãos jurisdicionais são competentes para apreciar determinada demanda, a competência será fixada naquele que primeiro atuar no caso. Assim, a competência será fixada naquele Juízo que primeiro praticar algum ato relativo ao caso. Essa é a definição de competência fixada por prevenção. Nos termos do art. 83 do CPP: Art. 83. Verificar-se-á a competência por prevenção toda vez que, concorrendo dois ou mais juízes igualmente competentes ou com jurisdição cumulativa, um deles tiver antecedido aos outros na prática de algum ato do processo ou de medida a este relativa, ainda que anterior ao oferecimento da denúncia ou da queixa (arts. 70, § 3º, 71, 72, § 2º, e 78, II, c). O caso previsto no art. 71 é extremamente relevante. Vejamos: 3 Art. 88. No processo por crimes praticados fora do território brasileiro, será competente o juízo da Capital do Estado onde houver por último residido o acusado. Se este nunca tiver residido no Brasil, será competente o juízo da Capital da República. Art. 89. Os crimes cometidos em qualquer embarcação nas águas territoriais da República, ou nos rios e lagos fronteiriços, bem como a bordo de embarcações nacionais, em alto-mar, serão processados e julgados pela justiça do primeiro porto brasileiro em que tocar a embarcação, após o crime, ou, quando se afastar do País, pela do último em que houver tocado. Art. 90. Os crimes praticados a bordo de aeronave nacional, dentro do espaço aéreo correspondente ao território brasileiro, ou ao alto-mar, ou a bordo de aeronave estrangeira, dentro do espaço aéreo correspondente ao território nacional, serão processados e julgados pela justiça da comarca em cujo território se verificar o pouso após o crime, ou pela da comarca de onde houver partido a aeronave. Art. 91. Quando incerta e não se determinar de acordo com as normas estabelecidas nos arts. 89 e 90, a competência se firmará pela prevenção. (Redação dada pela Lei nº 4.893, de 9.12.1965)Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 8 77 Art. 71. Tratando-se de infração continuada ou permanente, praticada em território de duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção. Assim, em se tratando de crime permanente (ou crime continuado), praticado no território de duas ou mais jurisdições, a competência será de qualquer delas, e firmar-se-á pela prevenção, nos termos do art. 71 do CPP. EXEMPLO: José, visando exigir pagamento pelo resgate (crime de extorsão mediante sequestro, que é crime permanente, pois se prolonga no tempo), sequestra Maria na cidade do Rio de Janeiro, levando-a para um cativeiro em Campinas, no qual a vítima fica uma semana. Posteriormente, José leva a vítima para outro cativeiro, em Belo Horizonte-MG, onde a vítima fica mais uma semana e acaba sendo libertada. Nesse caso, a competência será do Juízo criminal de qualquer das três comarcas (Rio de Janeiro, Campinas e Belo Horizonte), firmando-se naquele Juízo que primeiro atuar no caso, antecipando-se aos demais. Imagine-se, por exemplo, que em Campinas tenha sido aberta investigação e tenha sido decretada a interceptação telefônica pelo Juiz competente. Nesse caso, este Juízo estará prevento para processar e julgar a futura ação penal relativa a este delito. A Lei 14.155/21 criou nova hipótese de definição da competência territorial. Vejamos o §4º do art. 70 do CPP: Art. 70 (...) § 4º Nos crimes previstos no art. 171 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), quando praticados mediante depósito, mediante emissão de cheques sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado ou com o pagamento frustrado ou mediante transferência de valores, a competência será definida pelo local do domicílio da vítima, e, em caso de pluralidade de vítimas, a competência firmar-se-á pela prevenção. (Incluído pela Lei nº 14.155, de 2021) Como se vê, o referido artigo passou a estabelecer um critério, até então inexistente, de competência em razão do foro do domicílio ou residência da vítima. Isso se dará no caso de crime de estelionato quando: ⇒ Praticado mediante depósito; ⇒ Praticado mediante emissão de cheques sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado ou com o pagamento frustrado; ou ⇒ Mediante transferência de valores Em caso de pluralidade de vítimas, a competência irá se firmar pela prevenção. EXEMPLO: Maria (residente em Petrópolis-RJ) e Joana (residente em Campinas-SP) foram vítimas de estelionato praticado por José. José se apresentava nas redes sociais para ambas como alguém galanteador e bem-sucedido, e rapidamente conquistou o coração de ambas. Após algum tempo, José pediu a Maria a quantia de R$ 10.000,00 emprestada, mas após receber o dinheiro via transferência bancária, desapareceu e Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 9 77 ==1b4257== não retornou contato. O mesmo fez com Joana. Nesse caso, a competência será do foro do domicílio ou residência da vítima. Assim, tanto o Juízo criminal de Petrópolis-RJ quanto o Juízo criminal de Campinas-SP são igualmente competentes para julgar o caso. Todavia, imaginemos que em Campinas tenha sido iniciada investigação e o Juízo competente tenha decretado a prisão preventiva de José. Nesse caso, o Juízo de Campinas estará prevento para processar e julgar a futura ação penal ajuizada, caso haja reunião dos processos. Se dois ou mais Juízes, na mesma comarca, forem competentes para julgar a demanda, a competência será fixada pelo critério da distribuição, ou seja, a competência será fixada naquele órgão jurisdicional ao qual fora distribuída a ação penal. Nos termos do art. 75 do CPP: Art. 75. A precedência da distribuição fixará a competência quando, na mesma circunscrição judiciária, houver mais de um juiz igualmente competente. Parágrafo único. A distribuição realizada para o efeito da concessão de fiança ou da decretação de prisão preventiva ou de qualquer diligência anterior à denúncia ou queixa prevenirá a da ação penal. Entretanto, conforme disse a vocês, tanto o critério da prevenção quanto o critério da distribuição não passam de critérios de consolidação da competência territorial, pois a competência daquele Juiz já existia antes da prevenção ou distribuição, tendo apenas se consolidado quando da ocorrência de um destes fenômenos. Em razão do domicílio do réu Existem casos em que a competência territorial poderá ser fixada levando-se em conta o domicílio do réu. Vejamos :4 ● Não sendo conhecido o lugar da infração – Será regulada pelo lugar do domicílio ou residência do réu. ● Se o réu tiver mais de uma residência – Prevenção. ● Se o réu não tiver residência ou for ignorado seu paradeiro - juiz que primeiro tomar conhecimento do fato. ● Se for hipótese de crime de ação exclusivamente privada – Poderá o querelante escolher ajuizar a queixa no lugar do domicílio ou residência do réu, ainda que 4 Art. 72. Não sendo conhecido o lugar da infração, a competência regular-se-á pelo domicílio ou residência do réu. § 1º Se o réu tiver mais de uma residência, a competência firmar-se-á pela prevenção. § 2º Se o réu não tiver residência certa ou for ignorado o seu paradeiro, será competente o juiz que primeiro tomar conhecimento do fato. Art. 73. Nos casos de exclusiva ação privada, o querelante poderá preferir o foro de domicílio ou da residência do réu, ainda quando conhecido o lugar da infração. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 10 77 conhecido o lugar da infração (ex.: Maria foi vítima de crime de ação penal privada, praticado por José. Maria poderá escolher ajuizar a queixa-crime no lugar da infração ou no lugar do domicílio ou residência de José). Gostaria de chamar a atenção de vocês para um fato: O art. 73 fala em “casos de exclusiva ação privada”. Assim, no caso de ação penal privada subsidiária da pública, não pode o querelante optar pela comarca do domicílio do réu em detrimento da comarca do local da infração, caso este local seja conhecido, pois esta ação não é exclusivamente privada, mas, na verdade, é pública. Muito cuidado com isso!! DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES CÓDIGO DE PROCESSO PENAL CAPÍTULO I DA COMPETÊNCIA PELO LUGAR DA INFRAÇÃO Art. 70. A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução. § 1º Se, iniciada a execução no território nacional, a infração se consumar fora dele, a competência será determinada pelo lugar em que tiver sido praticado, no Brasil, o último ato de execução. § 2º Quando o último ato de execução for praticado fora do território nacional, será competente o juiz do lugar em que o crime, embora parcialmente, tenha produzido ou devia produzir seu resultado. § 3º Quando incerto o limite territorial entre duas ou mais jurisdições, ou quando incerta a jurisdição por ter sido a infração consumada ou tentada nas divisas de duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 11 77 Art. 71. Tratando-se de infração continuada ou permanente, praticada em território de duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 12 77 Competência em razão da pessoa (ratione personae) Apósdefinida qual “Justiça” irá julgar o processo, devemos definir a competência do órgão Jurisdicional verificando as condições pessoais dos acusados. Em regra, os processos criminais são julgados pelos órgãos jurisdicionais mais baixos, inferiores, quais sejam, os Juízes de primeiro grau. No entanto, pode ocorrer de, em determinados casos, considerando a presença de determinadas autoridades no polo passivo (acusados), que essa competência pertença originariamente aos Tribunais. Essa é a chamada prerrogativa de função (vulgarmente conhecida como “foro privilegiado”). EXEMPLO: O art. 96, III da Constituição Federal estabelece que cabe aos Tribunais de Justiça dos Estados e do DF, julgar os Juízes estaduais de primeiro grau, bem como os membros do MP que atuem na primeira instância, tanto nos crimes comuns quanto nos crimes de responsabilidade, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral (hipótese na qual serão julgados pelo TRE local): Art. 96. Compete privativamente: (...) III - aos Tribunais de Justiça julgar os juízes estaduais e do Distrito Federal e Territórios, bem como os membros do Ministério Público, nos crimes comuns e de responsabilidade, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral. Existem inúmeras outras hipóteses previstas na Constituição Federal, nas quais há prerrogativa de foro em razão da função exercida pelo acusado. Para facilitar a compreensão de vocês, reuni estas hipóteses no quadro abaixo: TRIBUNAL COMPETENTE DESTINATÁRIO DA NORMA CONSTITUCIONAL DE COMPETÊNCIA EMBASAMENTO CONSTITUCIONAL Tribunais de Justiça estaduais e do Distrito Federal Infrações penais comuns e de responsabilidade: Juízes estaduais e do Distrito Federal e membros do Ministério Público estadual ou do DF, nos crimes comuns e de responsabilidade, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral.1 Art. 96, III, da CF 1 Mesmo em se tratando de CRIME FEDERAL, cabe ao TJ o julgamento, e não ao TRF. A ressalva constitucional é apenas em relação à Justiça ELEITORAL. Ver, por todos, NUCCI, Guilherme de Souza. Op. Cit., p. 214/215 Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 13 77 Infrações penais comuns e de responsabilidade: Prefeito Municipal.2 Art. 29, X, da CF TRIBUNAL COMPETENTE DESTINATÁRIO DA NORMA CONSTITUCIONAL DE COMPETÊNCIA EMBASAMENTO CONSTITUCIONAL Tribunais Regionais Federais Infrações penais comuns e de responsabilidade: Juízes federais da área de sua jurisdição, incluídos os da Justiça Militar e da Justiça do Trabalho, nos crimes comuns e de responsabilidade, os membros do Ministério Público da União (ressalva a competência da Justiça Eleitoral) e Prefeitos Municipais, se3 praticarem crimes na órbita federal. Art. 108, I, “a”, da CF Supremo Tribunal Federal Somente nas Infrações penais comuns: Presidente da República, o Vice-Presidente, os membros do Congresso Nacional, seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República. Art. 102, I, “b”, da CF Infrações penais comuns e de responsabilidade: os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ressalvado o disposto no art. 52, I (estabelecendo a competência do Senado Federal para julgar os comandantes das forças armadas em crimes de responsabilidade conexos com os do Presidente da República e Vice), os membros dos Tribunais Superiores, os do Tribunal de contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente. Art. 102, I, “c”, da CF Superior Tribunal de Justiça Somente nas infrações penais comuns: Governadores dos Estados e do Distrito Federal. Art. 105, I, “a”, da CF Infrações penais comuns e de responsabilidade: Desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, os membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, os dos Tribunais Art. 105, I, “a”, da CF 3 Em relação aos magistrados e membros do MPF, o TRF a que estão vinculados será competente, mesmo em se tratando de crime que seria de competência da Justiça Estadual. Ver, por todos, PACELLI, Eugênio. Op. cit., p. 214 2 Nos crimes de responsabilidade PRÓPRIOS a competência para julgar o prefeito municipal é da CÂMARA DE VEREADORES. (STF, RE 192.527/PR, bem como HC 71.991-1/MG). Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 14 77 Regionais Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, os membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do Ministério Público da União que oficiem perante tribunais. Especificamente no caso dos prefeitos, há uma súmula importante (súmula 702 do STF), que estabelece que a competência do TJ para julgar os prefeitos só se aplica em caso de crime de competência da Justiça estadual. Sendo crime federal, a competência será do TRF; sendo crime eleitoral, a competência será do TRE. Mas, o foro privilegiado se aplica a todo e qualquer crime? Sempre se entendeu que sim, ou seja, não havia diferença entre crime praticado no exercício das funções (e com elas relacionados) ou crimes sem relação com as funções. Todavia, o STF, mais recentemente, quando do julgamento da AP 937, fixou duas teses importantes: ⇒ O foro por prerrogativa de função se aplica apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas ⇒ Após o término da instrução processual, com a publicação do despacho de intimação para apresentação de alegações finais, a competência não mais se altera pelo fato de o agente deixar de ocupar o cargo, seja qual for o motivo (renúncia ao cargo, posse em outro cargo, etc.). Ou seja, além de o crime ter que ter sido praticado durante o exercício do cargo, deve ter relação com as funções desempenhadas no cargo. Além disso, a segunda tese visa a evitar manobras processuais, como muitas vezes ocorria (o processo seguia no Tribunal até quase a prolação da sentença, quando então o réu renunciava ao cargo e o processo tinha que ser remetido à primeira instância). Assim, com relação à perda do cargo durante o processo, temos o seguinte regramento atualmente: ● REGRA - A competência também se desloca, ou seja, o Tribunal deixa de ser competente e o processo vai para a primeira instância. ● EXCEÇÃO – Se já terminou a instrução processual, tendo já havido intimação para a apresentação de alegações finais, a competência permanece no Tribunal, não se deslocando. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 15 77 Conflito aparente entre a competência de foro por prerrogativa de função e a competência do Tribunal do Júri CUIDADO! No aparente conflito de competências entre o Tribunal do Júri e a competência de foro por prerrogativa de função, qual prevalece? Depende. Se a competência de foro por prerrogativa de função está prevista na CF/88, ela prevalece sobre a competência do Júri. Contudo, se estiver prevista apenas na Constituição Estadual, prevalece a competência do Tribunal do Júri, conforme súmula 721 do STF, que foi convertida na súmula vinculante 45: "A competência constitucional do tribunal do júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição estadual" EXEMPLO: Paulo é Juiz de Direito e pratica um homicídio doloso. Neste caso, no aparente conflito entre a competência constitucional do TJ para processar e julgar Paulo (foro por prerrogativa de função) e a competência do Tribunal do Júri (crime doloso contra a vida), prevalece a competência de foro por prerrogativa de função, eis que esta prerrogativa de foro está prevista na Constituição Federal. EXEMPLO 2: Júlio é Secretário Estadual de Fazenda em determinado estado XYZ, e pratica um homicídio doloso. No estado XYZ osSecretários possuem foro por prerrogativa de função perante o TJ (só está previsto isso na Constituição ESTADUAL, não na Federal). Neste caso, no aparente conflito entre a competência do TJ para processar e julgar Júlio (foro por prerrogativa de função NÃO PREVISTO NA CF/88), e a competência do Tribunal do Júri (crime doloso contra a vida), prevalece a competência de do Tribunal do Júri, eis que a competência do Júri está prevista na CF/88 e a competência por prerrogativa de função (neste caso) não. OBS.: Os deputados estaduais possuem prerrogativa de foro perante o TJ. Isso não está previsto expressamente na CF/88, mas entende-se que está IMPLÍCITO, pelo princípio da SIMETRIA. Assim, caso um deputado estadual cometa crime doloso contra a vida, prevalecerá a competência de foro por prerrogativa de função. Todavia, é importante destacar que como o STF restringiu o foro privilegiado, entendendo que o foro por prerrogativa de função se aplica apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas (STF – AP 937), estas disposições sobre um eventual conflito entre a competência do júri e a competência de foro por prerrogativa de função Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 16 77 perderam bastante de sua utilidade, pois hoje só possuem razão de ser quando estamos diante de um crime doloso contra a vida praticado durante o exercício das funções e que tenha relação com as funções, por alguém que possui foro por prerrogativa de função. DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES CÓDIGO DE PROCESSO PENAL CAPÍTULO VII DA COMPETÊNCIA PELA PRERROGATIVA DE FUNÇÃO Art. 84. A competência pela prerrogativa de função é do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, dos Tribunais Regionais Federais e Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, relativamente às pessoas que devam responder perante eles por crimes comuns e de responsabilidade. (Redação dada pela Lei nº 10.628, de 24.12.2002) § 1º (Vide ADIN nº 2797) § 2º (Vide ADIN nº 2797) Art. 85. Nos processos por crime contra a honra, em que forem querelantes as pessoas que a Constituição sujeita à jurisdição do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais de Apelação, àquele ou a estes caberá o julgamento, quando oposta e admitida a exceção da verdade. Art. 86. Ao Supremo Tribunal Federal competirá, privativamente, processar e julgar: I - os seus ministros, nos crimes comuns; II - os ministros de Estado, salvo nos crimes conexos com os do Presidente da República; III - o procurador-geral da República, os desembargadores dos Tribunais de Apelação, os ministros do Tribunal de Contas e os embaixadores e ministros diplomáticos, nos crimes comuns e de responsabilidade. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 17 77 ==1b4257== Art. 87. Competirá, originariamente, aos Tribunais de Apelação o julgamento dos governadores ou interventores nos Estados ou Territórios, e prefeito do Distrito Federal, seus respectivos secretários e chefes de Polícia, juízes de instância inferior e órgãos do Ministério Público. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 18 77 Da Conexão e da Continência A conexão e a continência são fenômenos que importam na modificação da competência previamente estabelecida. A conexão está prevista no art. 76 do CPP: Art. 76. A competência será determinada pela conexão: I - se, ocorrendo duas ou mais infrações, houverem sido praticadas, ao mesmo tempo, por várias pessoas reunidas, ou por várias pessoas em concurso, embora diverso o tempo e o lugar, ou por várias pessoas, umas contra as outras; II - se, no mesmo caso, houverem sido umas praticadas para facilitar ou ocultar as outras, ou para conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas; III - quando a prova de uma infração ou de qualquer de suas circunstâncias elementares influir na prova de outra infração. A Doutrina, em sua maioria, classifica a conexão em :1 ⇒ Intersubjetiva por simultaneidade ocasional (art. 76, I do CPP) – Ocorre quando pessoas diversas cometem infrações diversas no mesmo local, na mesma época, mas desde que não estejam ligadas por nenhum vínculo subjetivo. ⇒ Intersubjetiva por concurso (art. 76, I do CPP) – Nesta hipótese não importa o local e o momento da infração, desde que os agentes tenham atuado em concurso de pessoas. Assim, exige-se para esta hipótese de conexão que os agentes tenham agido unidos por um vínculo subjetivo, uma comunhão de esforços para a prática das infrações penais. ⇒ Intersubjetiva por reciprocidade (art. 76, I do CPP) – Traduz a hipótese de conexão de infrações praticadas no mesmo tempo e no mesmo lugar, mas os agentes praticaram as infrações uns contra os outros. Exemplo: Dois crimes de lesões corporais praticados reciprocamente entre fulano e beltrano. ⇒ Conexão objetiva teleológica (art. 76, II do CPP) – Uma infração deve ter sido praticada para “facilitar” a outra. Assim, imaginem que um assassino tenha espancado um vigia para entrar na casa e assassinar o dono da residência. ⇒ Conexão objetiva consequencial (art. 76, II do CPP) – Nesta hipótese uma infração é cometida para ocultar a outra, ou, ainda para garantir a impunidade do infrator ou garantir a vantagem da outra infração. Imaginem o caso de alguém que comete homicídio e, logo após, mata também a única testemunha, para garantir que ninguém poderá provar sua culpa, garantindo, assim, a impunidade do fato. ⇒ Conexão instrumental (art. 76, III do CPP) – Exige-se, nesse caso, que a prova da ocorrência de uma infração e de sua autoria influencie na caracterização da outra infração. Exemplo clássico é a conexão entre o crime de furto e de receptação, no 1 NUCCI, Guilherme de Souza. Op. Cit., p. 241/243 Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 19 77 qual a prova da existência do furto, e de sua autoria, influencia na caracterização do crime de receptação. A continência, por sua vez, está prevista no art. 77 do CP; Art. 77. A competência será determinada pela continência quando: I - duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração; II - no caso de infração cometida nas condições previstas nos arts. 51, § 1º, 53, segunda parte, e 54 do Código Penal. Os mencionados arts. 51, § 1°, 53 e 54 do CP, referiam-se ao texto original da parte geral do Código penal, que foi totalmente alterado pela Lei 7.209/84. Assim, atualmente, estes dispositivos se referem às hipóteses de concurso formal e suas aplicações no caso de erro na execução (aberratio ictus e aberratio delicti), atualmente previstos nos arts. 70, 73 e 74 do CP. Assim, por questões didáticas, a doutrina divide a continência em: ⇒ Continência por cumulação subjetiva (art. 77, I do CPP) – É o caso no qual duas ou mais pessoas são acusadas pela mesma infração (concurso de pessoas). Diferentemente da hipótese de conexão, aqui há apenas um fato criminoso, e não vários.2 ⇒ Continência por concurso formal (art. 77, II do CP, c/c art. 70 do CP) – Aqui, mediante uma só conduta, o agente pratica dois ou mais crimes, sem que tenha tido a intenção de praticá-los. As hipóteses de continência e conexão podem ser melhor explicadas através do gráfico abaixo: 2 NUCCI, Guilherme de Souza. Op. Cit., p. 244 Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 20 77 ==1b4257== Regras aplicáveis nos casos de determinaçãoda competência pela conexão ou continência O CPP prevê algumas regras que devem ser observadas quando da consolidação da competência pela conexão ou continência. Como regra, havendo conexão ou continência, haverá a reunião dos processos para julgamento conjunto. Mas, qual será o Juízo competente? Isso será definido com base nas regras previstas no CPP. Vejamos, a princípio, o art. 78: Art. 78. Na determinação da competência por conexão ou continência, serão observadas as seguintes regras: (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) I - no concurso entre a competência do júri e a de outro órgão da jurisdição comum, prevalecerá a competência do júri; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) Il - no concurso de jurisdições da mesma categoria: (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) a) preponderará a do lugar da infração, à qual for cominada a pena mais grave; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) b) prevalecerá a do lugar em que houver ocorrido o maior número de infrações, se as respectivas penas forem de igual gravidade; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) c) firmar-se-á a competência pela prevenção, nos outros casos; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) III - no concurso de jurisdições de diversas categorias, predominará a de maior graduação; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) IV - no concurso entre a jurisdição comum e a especial, prevalecerá esta. (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) Assim, em resumo: 1. Havendo conexão ou continência entre um crime de competência do Tribunal do Júri e outro crime, de competência do Juiz singular, a competência deverá ser fixada naquele. 2. No caso de Jurisdições da mesma categoria, primeiro se utiliza o critério de fixação da competência territorial com base na local em que ocorreu o crime que possuir pena mais grave. Se as penas forem idênticas, utiliza-se o critério do lugar onde ocorreu o maior número de infrações penais. Caso as penas sejam idênticas e tenha sido cometido o mesmo número de infrações penais, ou, ainda, em qualquer outro caso, aplica-se a fixação da competência pela prevenção (Lembram-se da prevenção, não é?) Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 21 77 3. Se as Jurisdições forem de graus diferentes (Um Tribunal Superior e um Juiz singular, por exemplo), a competência será fixada no órgão de Jurisdição superior. 4. Se houver conexão entre uma causa de competência da Justiça Comum e outra da Justiça Especial, será fixada a competência nesta. Ex.: Imaginem um crime eleitoral conexo com um crime comum. Será da competência da Justiça Eleitoral o julgamento de ambos os processos. Mas, no caso de continência, por exemplo, e se um dos réus tiver foro privilegiado e outro não? O STF editou a súmula 704, afirmando que a atração de um processo por conexão ou continência, no caso de corréu, por prerrogativa de função do outro réu, não viola a Constituição: SÚMULA Nº 704 NÃO VIOLA AS GARANTIAS DO JUIZ NATURAL, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL A ATRAÇÃO POR CONTINÊNCIA OU CONEXÃO DO PROCESSO DO CO-RÉU AO FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO DE UM DOS DENUNCIADOS. Ex.: José, deputado federal, e Pedro, empresário, são acusados de praticar, em conluio, o crime de peculato. Neste caso, cabe ao STF julgar José, por conta do foro por prerrogativa de função. Todavia, em razão da continência, Pedro também será julgado pelo STF. Separação de processos em hipóteses de conexão e continência Embora a regra seja a de que, havendo conexão ou continência, todos os processos conexos ou continentes sejam julgados pelo mesmo órgão jurisdicional, existem algumas exceções, ou seja, existem casos em que mesmo ocorrendo conexão ou continência, não haverá reunião de processos. Estas hipóteses estão previstas no art. 79 do CPP: Art. 79. A conexão e a continência importarão unidade de processo e julgamento, salvo: I - no concurso entre a jurisdição comum e a militar; II - no concurso entre a jurisdição comum e a do juízo de menores. § 1º Cessará, em qualquer caso, a unidade do processo, se, em relação a algum co-réu, sobrevier o caso previsto no art. 152. § 2º A unidade do processo não importará a do julgamento, se houver co-réu foragido que não possa ser julgado à revelia, ou ocorrer a hipótese do art. 461. Art. 80. Será facultativa a separação dos processos quando as infrações tiverem sido praticadas em circunstâncias de tempo ou de lugar diferentes, ou, quando pelo excessivo número de acusados e para não Ihes prolongar a prisão provisória, ou por outro motivo relevante, o juiz reputar conveniente a separação. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 22 77 Vamos analisar as hipóteses isoladamente: ⇒ Concurso entre a Jurisdição comum e militar – A única ressalva que deve ser feita é a de que, no caso de militar que comete crime doloso contra a vida de um civil, responde perante o Tribunal do Júri, e não perante a Justiça Militar, nos termos do art. 82, § 2° do Código de Processo Penal Militar – CPPM. ⇒ Concurso entre crime e infração de competência do Juizado da Infância e da Juventude – Nestas hipóteses (por exemplo, um crime cometido em concurso de pessoas por um menor, que responde perante o ECA, e um adulto), não pode haver reunião de processos. ⇒ Insanidade mental superveniente de um dos corréus (art. 152 do CPP) – Nesse caso, havendo a insanidade mental do corréu sido regularmente apurada em incidente de insanidade mental, os processos devem ser separados, pois o processo, em relação ao corréu declarado mentalmente insano, será suspenso, nos termos do art. 152 do CPP. Frise-se que essa insanidade mental do réu deve ser posterior ao fato criminoso (art. 151 do CPP). ⇒ Impossibilidade de formação do conselho de sentença no Tribunal do Júri – Embora o § 2° do art. 79 mencione o “art. 461”, com as alterações promovidas pela Lei 11.689/08, vocês devem entender como “art. 469, § 1° do CPP”. Este artigo trata da impossibilidade de, no julgamento pelo Tribunal do Júri, formar-se o conselho de sentença (mínimo de sete jurados), em razão das recusas legalmente permitidas realizadas pelos advogados dos acusados. Assim, se houver, no Tribunal do Júri, dois ou mais réus, e sendo diferentes os advogados, as recusas aos Jurados (Direito de recusar algum jurado) impossibilitarem a formação do conselho de sentença, o processo deverá ser desmembrado. ⇒ Separação facultativa quando os fatos criminosos tenham sido praticados em circunstâncias de tempo e lugar diferentes, ou o Juiz entender que a reunião de processos pode ser prejudicial ao Julgamento da causa ou puder implicar em retardamento do processo (art. 80 do CPP) – O importante é saber que, nestas hipóteses, a separação dos processos é discricionária, ou seja, o Juiz pode, ou não, a seu critério, decidir pela separação dos processos. ATENÇÃO! Existe uma outra hipótese de separação de processos, no entendimento jurisprudencial. No caso de CRIMES DOLOSOS contra a vida praticados em concurso de pessoas, quando um dos acusados possui foro por prerrogativa de função fixado na Constituição Federal, ao invés de todos os acusados serem julgados perante o Tribunal (em razão da prerrogativa de foro de um dos comparsas), haverá a separação dos processos, de forma que o detentor de prerrogativa de foro será julgado perante o Tribunal respectivo e os demais pelo Tribunal do Júri. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 23 77 EXEMPLO: José e Valter são contratados por Ricardo Albuquerque, deputado federal, para matarem Lúcio, também deputado, e que é desafeto de Ricardo por questões relacionadas àsfunções por eles exercidas. José e Valter executam o crime. No caso em tela, Ricardo de Albuquerque possui foro privilegiado (como é deputado federal, a Constituição prevê que cabe ao STF julgá-lo nos crimes comuns), mas os demais não possuem. Neste caso, Ricardo será julgado pelo STF e os demais serão julgados pelo Tribunal do Júri. Por que, neste caso, não há atração por continência? Não há porque as regras de continência são infraconstitucionais, e tanto a competência do Júri quanto a do STF (por prerrogativa de função) estão previstas na própria Constituição Federal. Assim, normas infraconstitucionais não podem se sobrepor a normas de índole constitucional. O art. 81 trata da hipótese de perpetuação da competência. Vejamos: Art. 81. Verificada a reunião dos processos por conexão ou continência, ainda que no processo da sua competência própria venha o juiz ou tribunal a proferir sentença absolutória ou que desclassifique a infração para outra que não se inclua na sua competência, continuará competente em relação aos demais processos. Parágrafo único. Reconhecida inicialmente ao júri a competência por conexão ou continência, o juiz, se vier a desclassificar a infração ou impronunciar ou absolver o acusado, de maneira que exclua a competência do júri, remeterá o processo ao juízo competente. O art. 81 diz, em resumo, o seguinte: Se um Juiz recebe dois processos (reunidos por conexão ou continência), e no processo de sua competência originária (e não aquele que lhe foi remetido em razão da conexão ou continência) ele profere sentença absolutória ou desclassifica o fato para outro crime, que não seja de sua competência, mesmo assim ele continua competente para julgar o processo recebido pela conexão. O § 1°, por sua vez, estabelece uma exceção à regra. Se houver reunião de processos para julgamento pelo Tribunal do Júri, havendo desclassificação, absolvição sumária ou impronúncia, deverá o Juiz remeter o processo conexo ao Juízo competente (que não era o Tribunal do Júri).3 O art. 82, por fim, estabelece que, no caso de haver conexão ou continência, mas terem sido instaurados processos em Juízos diversos, o Juiz cuja competência é prevalente poderá avocar (trazer para si) o julgamento dos demais processos, a qualquer tempo, salvo se já houver sentença definitiva naqueles (já tiverem transitado em julgado). Se já tiver ocorrido o trânsito em julgado, os processos serão reunidos posteriormente para fins de execução de pena: Art. 82. Se, não obstante a conexão ou continência, forem instaurados processos diferentes, a autoridade de jurisdição prevalente deverá avocar os processos que corram perante os outros juízes, salvo se já estiverem com sentença definitiva. 3 Isso não ocorrerá se a desclassificação ocorrer apenas no momento da quesitação formulada aos jurados (art. 492, §1º do CPP). Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 24 77 Neste caso, a unidade dos processos só se dará, ulteriormente, para o efeito de soma ou de unificação das penas. DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES CÓDIGO DE PROCESSO PENAL � Arts. 69 a 91 do CPP - Regulamentação da Competência no CPP: CAPÍTULO V DA COMPETÊNCIA POR CONEXÃO OU CONTINÊNCIA Art. 76. A competência será determinada pela conexão: I - se, ocorrendo duas ou mais infrações, houverem sido praticadas, ao mesmo tempo, por várias pessoas reunidas, ou por várias pessoas em concurso, embora diverso o tempo e o lugar, ou por várias pessoas, umas contra as outras; II - se, no mesmo caso, houverem sido umas praticadas para facilitar ou ocultar as outras, ou para conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas; III - quando a prova de uma infração ou de qualquer de suas circunstâncias elementares influir na prova de outra infração. Art. 77. A competência será determinada pela continência quando: I - duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração; II - no caso de infração cometida nas condições previstas nos arts. 51, § 1º, 53, segunda parte, e 54 do Código Penal. Art. 78. Na determinação da competência por conexão ou continência, serão observadas as seguintes regras: (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) I - no concurso entre a competência do júri e a de outro órgão da jurisdição comum, prevalecerá a competência do júri; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) Il - no concurso de jurisdições da mesma categoria: (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 25 77 a) preponderará a do lugar da infração, à qual for cominada a pena mais grave; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) b) prevalecerá a do lugar em que houver ocorrido o maior número de infrações, se as respectivas penas forem de igual gravidade; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) c) firmar-se-á a competência pela prevenção, nos outros casos; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) III - no concurso de jurisdições de diversas categorias, predominará a de maior graduação; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) IV - no concurso entre a jurisdição comum e a especial, prevalecerá esta. (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) Art. 79. A conexão e a continência importarão unidade de processo e julgamento, salvo: I - no concurso entre a jurisdição comum e a militar; II - no concurso entre a jurisdição comum e a do juízo de menores. § 1º Cessará, em qualquer caso, a unidade do processo, se, em relação a algum co-réu, sobrevier o caso previsto no art. 152. § 2º A unidade do processo não importará a do julgamento, se houver co-réu foragido que não possa ser julgado à revelia, ou ocorrer a hipótese do art. 461. Art. 80. Será facultativa a separação dos processos quando as infrações tiverem sido praticadas em circunstâncias de tempo ou de lugar diferentes, ou, quando pelo excessivo número de acusados e para não Ihes prolongar a prisão provisória, ou por outro motivo relevante, o juiz reputar conveniente a separação. Art. 81. Verificada a reunião dos processos por conexão ou continência, ainda que no processo da sua competência própria venha o juiz ou tribunal a proferir sentença absolutória ou que desclassifique a infração para outra que não se inclua na sua competência, continuará competente em relação aos demais processos. Parágrafo único. Reconhecida inicialmente ao júri a competência por conexão ou continência, o juiz, se vier a desclassificar a infração ou impronunciar ou absolver o acusado, de maneira que exclua a competência do júri, remeterá o processo ao juízo competente. Art. 82. Se, não obstante a conexão ou continência, forem instaurados processos diferentes, a autoridade de jurisdição prevalente deverá avocar os processos que corram perante os outros juízes, salvo se já estiverem com sentença definitiva. Neste caso, a unidade dos processos só se dará, ulteriormente, para o efeito de soma ou de unificação das penas. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 26 77 EXERCÍCIOS COMENTADOS – JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA 01. (CESPE – 2017 – TRF1 – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) Verificada a reunião dos processos por conexa ̃o ou continência, o juiz ou o tribunal que proferir sentença que desclassifique a infração para outra que não se inclua em sua compete ̂ncia própria perderá a competência em relação aos demais processos. COMENTÁRIOS Item errado, pois nestes casos, “ainda que no processo da sua competência própria venha o juiz ou tribunal a proferir sentença absolutória ou que desclassifique a infração para outra que não se inclua na sua competência, continuará competente em relação aos demaisprocessos”, na forma do art. 81 do CPP. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 02. (CESPE – 2017 – TRF1 – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) Situação hipotética: Caio, prefeito municipal, responde a ação penal pelo desvio, em proveito próprio, de verba destinada pelo Ministe ́rio da Educaça ̃o a ̀ construção de escolas no município. Assertiva: Nessa situação, o TRF local é o órgão jurisdicional competente para o julgamento do crime cometido por Caio, porque se trata de infração praticada em detrimento de bem da União. COMENTÁRIOS Item correto, pois neste caso temos uma verba sujeita a prestação de contas perante órgão federal, de forma que a competência será da Justiça Federal, na forma do art. 109, IV da CF/88, bem como da súmula 208 do STJ. Ademais, a competência, neste caso, não será do TJ local, pois a competência do TJ local para processar e julgar os prefeitos só se aplica em relação aos crimes da competência da Justiça Estadual. No caso de crimes federais, a competência será do TRF local, e no caso de crimes eleitorais, a competência será do TRE local, conforme súmula 702 do STF. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. A questão, todavia, foi ANULADA pela Banca. 03. (CESPE – 2017 – TRF1 – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) Sentença prolatada por juiz territorialmente incompetente é ato jurídico nulo, razão pela qual o seu trânsito em julgado Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 27 77 não impede que o acusado seja processado novamente, pela mesma imputação, em juízo competente, salvo se tiver sido anteriormente absolvido. COMENTÁRIOS Item errado, pois a competência territorial é relativa, de maneira que deve ser arguida na primeira oportunidade em que a parte se manifestar nos autos, sob pena de preclusão. Assim, em não tendo havido arguição no momento oportuno, preclusa está a questão, não sendo possível a desconstituição da coisa julgada. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 04. (CESPE – 2017 – TRF1 – OFICIAL DE JUSTIÇA) José, vereador do município de Luziânia – GO, foi denunciado pela prática de crime doloso contra a vida praticado contra Antônio, policial rodoviário federal que, no momento do crime, se encontrava no exercício de suas funções em Brasília – DF. Com referência a essa situação hipotética, julgue os itens que se seguem. A competência para processar e julgar José é, em regra, do tribunal do júri federal situado em Brasília – DF, porém, caso exista previsão de foro por prerrogativa de função para vereadores, estabelecido exclusivamente na Constituição estadual, a competência será do TRF da 1.a Região. COMENTÁRIOS Item errado, pois a competência de foro por prerrogativa de função previsto APENAS NA CONSTITUIÇÃO ESTADUAL não afasta a competência do Júri para o processo e julgamento dos crimes dolosos contra a vida. Neste caso, portanto, deve prevalecer a competência do Tribunal do Júri (súmula vinculante 45). Ademais, é importante destacar que o STF restringiu o foro privilegiado, entendendo que o foro por prerrogativa de função se aplica apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas (STF – AP 937). Assim, hoje a questão fica parcialmente prejudicada. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 05. (CESPE – 2015 – DPU – DEFENSOR PÚBLICO) José foi denunciado pela prática de homicídio doloso contra Carlos, em Brasília. A vítima era policial federal e estava investigando crime de falsificação de moeda que teria sido praticado por José em Goiânia. O juiz determinou a citação de José por edital, devido ao fato de ele não ter sido encontrado no endereço que constava dos autos. Com referência a essa situação hipotética, julgue os itens a seguir. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 28 77 A competência para processar e julgar José será do tribunal do júri federal do DF. COMENTÁRIOS Item correto. Isto porque a competência será do Tribunal do Júri, por força do art. 5º, XXXVIII da Constituição: Art. 5º (...) XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: a) a plenitude de defesa; b) o sigilo das votações; c) a soberania dos veredictos; d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida; Com relação à competência ratione materiae, esta será da Justiça Federal, pois se trata de crime que afeta interesse da União, pois fora praticado contra policial federal em razão de sua função, por força do art. 109, IV da Constituição. Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: (...) IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral; Por fim, a competência territorial será do Juízo Federal do DF, já que lá ocorreu a consumação da infração penal, por força do art. 70 do CPP: Art. 70. A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução. Notem que a jurisprudência entende que, no caso de crimes dolosos contra a vida, em que o resultado morte ocorre em local diverso do local da prática do ato, é possível a fixação da competência territorial para o Juízo do local da execução do delito: Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 29 77 (...) 1. Nos termos do art. 70 do CPP, a competência para o processamento e julgamento da causa, será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumou a infração. 2. Todavia, a jurisprudência tem admitido exceções a essa regra, nas hipóteses em que o resultado morte ocorrer em lugar diverso daquele onde se iniciaram os atos executórios, determinando-se que a competência poderá ser do local onde os atos foram inicialmente praticados. 3. Tendo em vista a necessidade de se facilitar a apuração dos fatos e a produção de provas, bem como garantir que o processo possa atingir à sua finalidade primordial, qual seja, a busca da verdade real, a competência pode ser fixada no local de início dos atos executórios. (HC 95.853/RJ, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEXTA TURMA, julgado em 11/09/2012, DJe 04/10/2012) Assim, seja como for, como a conduta foi praticada no DF e também no DF ocorreu o resultado morte, a competência territorial será do Juízo Federal do DF, não havendo qualquer discussão a respeito. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 06. (CESPE – 2015 – TJ-PB – JUIZ – ADAPTADA) Em se tratando de crime permanente praticado em território de duas ou mais jurisdições, a competência será firmada pela residência do réu. COMENTÁRIOS Neste caso a competência será firmada pela prevenção, nos termos do art. 71 do CPP. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 07. (CESPE – 2015 – TJ-PB – JUIZ – ADAPTADA) A justiça federal deverá julgar os casos de contravenção praticada em detrimento de bens, serviços ou interesses da União. COMENTÁRIOS Item errado, pois a justiça federal não possui competência para o processo e julgamento de contravenções penais, nos termos do art. 109, IV da Constituição Federal. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 30 77 08. (CESPE – 2015 – TJDFT – JUIZ – ADAPTADA) Roberto importou do exterior, paravenda, grande quantidade de equipamentos eletroeletrônicos. Ele não declarou esses bens à aduana brasileira nem recolheu os tributos que seriam devidos. Antes de chegar a Brasília, destino final, seu voo fez escalas em São Paulo e Goiânia. Nessa situação, havendo a apreensão da mercadoria em Brasília, competirá à justiça federal do DF processar e julgar a ação. COMENTÁRIOS Item correto. Conforme a jurisprudência do STJ, no caso dos delitos de descaminho ou contrabando, a competência será determinada pelo local da apreensão dos produtos: Súmula 151 do STJ A competência para o processo e julgamento por crime de contrabando ou descaminho define-se pela prevenção do Juízo Federal do lugar da apreensão dos bens Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 09. (CESPE – 2012 – MPE-TO – PROMOTOR – ADAPTADA) Será do tribunal do júri a competência para o processo e o julgamento de membro do MP acusado de praticar crime doloso contra a vida. COMENTÁRIOS Item errado, pois os membros do MP possuem prerrogativa de foro prevista na Constituição, sendo de competência dos Tribunais de Justiça dos estados procederem ao processo e julgamento dos membros do MP, nos termos do art. 96, III da Constituição Federal. Assim, havendo conflito entre foro por prerrogativa de função previsto na Constituição Federal e a competência do Júri, prevalece aquela, segundo entendimento do STF. Ademais, é importante destacar que o STF restringiu o foro privilegiado, entendendo que o foro por prerrogativa de função se aplica apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas (STF – AP 937). Assim, hoje a questão fica parcialmente prejudicada. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 10. (CESPE – 2012 – MPE-TO – PROMOTOR – ADAPTADA) No caso de ação penal privada, prevalece, no processo penal, a competência de foro, sendo preponderante o interesse do querelante quando se trata da distribuição territorial da competência. COMENTÁRIOS Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 31 77 Item errado, pois, embora o art. 73 do CPP estabeleça a possibilidade de o querelante escolher o foro do domicílio do réu, mesmo quando conhecido o lugar da infração, isso não ocorre em toda ação penal privada, mas apenas na ação penal privada EXCLUSIVA, ou seja, não inclui a ação penal privada subsidiária da pública. Portanto, errada! Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 11. (CESPE – 2012 – MPE-TO – PROMOTOR – ADAPTADA) Não consubstanciam transgressão ao princípio do juiz natural as regras que estabelecem a competência originária dos tribunais para o processo e o julgamento de determinadas pessoas em razão de prerrogativa de função. COMENTÁRIOS De fato, este é o entendimento adotado pelo STF e também pelo STJ. Estes Tribunais entendem, ainda, que nem mesmo a atração por conexão de um processo relativo a outra pessoa, que não possui prerrogativa de foro, constitui violação ao Juiz Natural. Vejamos: EMENTA: COMPETÊNCIA CRIMINAL. Ação penal. Membro do Ministério Público estadual. Condição de co-réu. Conexão da acusação com fatos imputados a desembargador. Pretensão de ser julgado perante o Tribunal de Justiça. Inadmissibilidade. Prerrogativa de foro. Irrenunciabilidade. Ofensa às garantias do juiz natural e da ampla defesa, elementares do devido processo legal. Inexistência. Feito da competência do Superior Tribunal de Justiça. HC denegado. Aplicação da súmula 704. Não viola as garantias do juiz natural e da ampla defesa, elementares do devido processo legal, a atração, por conexão ou continência, do processo do co-réu ao foro por prerrogativa de função de um dos denunciados, a qual é irrenunciável. (HC 91437, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, Segunda Turma, julgado em 04/09/2007, DJe-126 DIVULG 18-10-2007 PUBLIC 19-10-2007 DJ 19-10-2007 PP- 00087 EMENT VOL-02294-02 PP-00391 RTJ VOL-00204-03 PP-01224) Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 12. (CESPE – 2011 – TJ-ES – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) Caso diversas infrações sejam praticadas por diversas pessoas, umas contra as outras, configurar-se-á conexão intersubjetiva por reciprocidade. COMENTÁRIOS O item está correto. Essa é, de fato, a definição doutrinária da conexão intersubjetiva por reciprocidade, prevista no art. 76, I do CPP: Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 32 77 Art. 76. A competência será determinada pela conexão: I - se, ocorrendo duas ou mais infrações, houverem sido praticadas, ao mesmo tempo, por várias pessoas reunidas, ou por várias pessoas em concurso, embora diverso o tempo e o lugar, ou por várias pessoas, umas contra as outras; Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 13. (CESPE – 2011 – TRE-ES – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) O tribunal de justiça não tem competência para julgar prefeito municipal pela prática de crime eleitoral. COMENTÁRIOS O item está correto. Embora os prefeitos possuam prerrogativa de foro para serem julgados perante o TJ local, no caso de se tratar de crime de competência da justiça especializada, caberá ao respectivo órgão de segunda instância o julgamento (no caso, o TRE local), nos termos da súmula 702 do STF. Vejamos: Art. 29. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços dos membros da Câmara Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do respectivo Estado e os seguintes preceitos: (...) X - julgamento do Prefeito perante o Tribunal de Justiça; (Renumerado do inciso VIII, pela Emenda Constitucional nº 1, de 1992) [...] SÚMULA 702 DO STF A COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA PARA JULGAR PREFEITOS RESTRINGE-SE AOS CRIMES DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA COMUM ESTADUAL; NOS DEMAIS CASOS, A COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA CABERÁ AO RESPECTIVO TRIBUNAL DE SEGUNDO GRAU. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 33 77 14. (CESPE – 2011 – TRE-ES – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) O tribunal do júri é competente para julgar promotor de justiça que comete crime doloso contra a vida, consumado ou tentado. COMENTÁRIOS O item está errado. Embora o tribunal do júri tenha competência para o processo e julgamento dos crimes dolosos contra a vida, tal competência fica afastada quando o acusado possui foro por prerrogativa de função estabelecido na própria Constituição Federal, como ocorre com os promotores de justiça, que são julgados perante o TJ local. Vejamos: Art. 96. Compete privativamente: (...) III - aos Tribunais de Justiça julgar os juízes estaduais e do Distrito Federal e Territórios, bem como os membros do Ministério Público, nos crimes comuns e de responsabilidade, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral. Nesse caso, prevalece a competência por prerrogativa de foro, conforme súmula 721 do STF: "A competência constitucional do tribunal do júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição estadual" Ademais, é importante destacar que o STF restringiu o foro privilegiado, entendendo que o foro por prerrogativa de função se aplica apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas (STF – AP 937). Assim, hoje a questão fica parcialmente prejudicada. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 15. (CESPE – 2011 – TRE-ES – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) Conforme entendimento sumulado do STF, quando o foro por prerrogativa de função for estabelecido exclusivamentepela constituição estadual, prevalecerá o juízo natural previsto na CF, ou seja, a competência do tribunal do júri, para os crimes dolosos contra a vida, por exemplo. COMENTÁRIOS O item está correto. No aparente conflito de competências entre o Tribunal do Júri e a competência de foro por prerrogativa de função prevista apenas na Constituição Estadual, prevalece a competência do Tribunal do Júri, conforme súmula 721 do STF: Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 34 77 "A competência constitucional do tribunal do júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição estadual" Ademais, é importante destacar que o STF restringiu o foro privilegiado, entendendo que o foro por prerrogativa de função se aplica apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas (STF – AP 937). Assim, hoje a questão fica parcialmente prejudicada. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 16. (CESPE – 2012 – TJ-AC – TÉCNICO JUDICIÁRIO) Admite-se a fixação da competência ratione loci pelo domicílio ou pela residência do réu quando não for conhecido o lugar da infração ou nos casos de exclusiva ação privada, em que o querelante poderá preferir o foro do domicílio ou da residência do réu, ainda quando conhecido o lugar da infração. COMENTÁRIOS O item está correto. Esta é a previsão contida nos arts. 72 e 73 do CPP: Art. 72. Não sendo conhecido o lugar da infração, a competência regular-se-á pelo domicílio ou residência do réu. (...) Art. 73. Nos casos de exclusiva ação privada, o querelante poderá preferir o foro de domicílio ou da residência do réu, ainda quando conhecido o lugar da infração. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 17. (CESPE – 2012 – TRE-RJ – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) A competência será determinada pela prevenção se houver dois ou mais juízes competentes e um deles tiver antecedido aos outros na prática de alguma medida relativa ao processo, ainda que em fase anterior ao oferecimento da denúncia ou da queixa. COMENTÁRIOS O item está correto. Esta é uma hipótese de consolidação da competência pela prevenção, nos termos do art. 83 do CPP: Art. 83. Verificar-se-á a competência por prevenção toda vez que, concorrendo dois ou mais juízes igualmente competentes ou com jurisdição cumulativa, um deles tiver antecedido aos outros na prática de algum ato do processo ou de Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 35 77 medida a este relativa, ainda que anterior ao oferecimento da denúncia ou da queixa (arts. 70, § 3º, 71, 72, § 2º, e 78, II, c). Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 18. (CESPE – 2012 – PC-CE – INSPETOR) Considere que a agência dos Correios de determinado bairro de Fortaleza – CE, que funciona em prédio próprio da ECT, tenha sido assaltada por agentes armados, que roubaram a quantia de R$ 500,00. Nesse caso, a competência para processar e julgar eventual ação penal será da justiça federal. COMENTÁRIOS Existe uma pequena controvérsia jurisprudencial a respeito da competência no caso de crimes praticados contra agências dos correios. Parte da Jurisprudência entende que sempre será da competência da Justiça Federal, pois a ECT é uma empresa pública federal, e, portanto, a competência é da Justiça Federal, nos termos do art. 109, IV da CRFB/88: Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: (...) IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral; Contudo, há parcela da Jurisprudência que entende que isso só se aplica quando a agência pertencer à própria ECT (Pois existem agências que são franqueadas, ou seja, pertencem a particulares e atuam sob o regime de franquia). A questão não diz se se trata, ou não, de agência franqueada. De toda forma, a questão é clara ao dizer que a agência funciona dentro de prédio da própria ECT, o que já denota, por si só, a existência de um interesse por parte da empresa pública. De qualquer maneira, apenas parte da jurisprudência faz esta distinção. A maioria ainda entende que haverá sempre interesse da ECT, de forma que a competência será sempre da Justiça Federal. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 19. (CESPE – 2012 – PC-CE – INSPETOR) Considere que um agente tenha sido surpreendido por inspetores civis, na cidade de Fortaleza – CE, com mercadorias que adentraram no Brasil, por meio de contrabando, pela cidade de Foz do Iguaçu – PR. Nesse caso, a competência da justiça federal será determinada pelo local de entrada dos produtos, e não pelo local da apreensão. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 36 77 COMENTÁRIOS O item está errado. O STJ firmou o entendimento no sentido de que a competência, neste caso, é determinada pelo local da apreensão dos produtos, nos termos do verbete nº 151 da súmula de sua jurisprudência. Vejamos: Súmula 151 do STJ A competência para o processo e julgamento por crime de contrabando ou descaminho define-se pela prevenção do Juízo Federal do lugar da apreensão dos bens. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 20. (CESPE – 2013 – PRF – POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL) Compete à justiça federal processar e julgar a contravenção penal praticada em detrimento de bens e serviços da União. COMENTÁRIOS O item está errado, pois a Justiça Federal não possui competência para o processo e julgamento de contravenções penais, tendo o art. 109, IV da CRFB expressamente excluído as contravenções penais: Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: (...) IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral; Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 21. (CESPE – 2013 – POLÍCIA FEDERAL – DELEGADO) Em se tratando de ações penais privadas, prevalece, no processo penal, a competência de foro, com preponderância do interesse do queixoso no que diz respeito à distribuição territorial da competência. COMENTÁRIOS O item está errado. A preponderância do interesse do queixoso somente se aplica quando estivermos diante de ações penais privadas exclusivas, ou seja, não há esta possibilidade em relação às ações penais privadas subsidiárias da pública. Vejamos: Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 37 77 Art. 73. Nos casos de exclusiva ação privada, o querelante poderá preferir o foro de domicílio ou da residência do réu, ainda quando conhecido o lugar da infração. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 22. (CESPE – 2013 – POLÍCIA FEDERAL – DELEGADO) Uma quadrilha, em determinado lapso temporal, realizou, em larga escala, diversos roubos de cargas e valores transportados por empresas privadas em inúmeras operações interestaduais, o que ensejou a atuação da Polícia Federal na coordenação das investigações e a instauração do competente inquérito policial. Nessa situação hipotética, findo o procedimento policial, os autos deverão ser remetidos à justiça estadual, pois a atuação da Polícia Federal não transfere à justiça federal a competência para processar e julgar o crime. COMENTÁRIOS O itemestá correto. Embora, neste caso, a Polícia Federal possua atribuição para investigar o caso (art. 144, §1º, I da CRFB/88), isso, por si só, não transfere à Justiça Federal a competência para processar e julgar o delito, que permanece sendo de competência da Justiça Estadual, eis que não há nenhuma hipótese de atração da competência para a Justiça Federal, nos termos do art. 109 da CRFB/88. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 23. (CESPE – 2013 – MPU – ANALISTA – DIREITO) Deputado estadual que pratique crime doloso contra a vida deve ser julgado, dada a prerrogativa de foro especial, pelo tribunal de justiça do estado em que tenha sido eleito. COMENTÁRIOS No aparente conflito de competências entre o Tribunal do Júri e a competência de foro por prerrogativa de função prevista apenas na Constituição Estadual, prevalece a competência do Tribunal do Júri, conforme súmula 721 do STF: "A competência constitucional do tribunal do júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição estadual" Os deputados estaduais não possuem prerrogativa de foro EXPRESSAMENTE prevista na Constituição Federal, logo, deveria prevalecer a competência do Júri. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 38 77 Contudo, sustenta-se que, pelo princípio da simetria, os deputados estaduais possuem as mesmas prerrogativas dos deputados federais (aplicadas as devidas proporções), de maneira que haveria prerrogativa de foro para eles, com previsão constitucional (implícita). O STJ possui decisões adotando a segunda corrente, ou seja, considerando que o foro por prerrogativa de função dos deputados estaduais está previsto na CF/88, pelo princípio da simetria. A questão é tão controversa que o CESPE chegou a dar a afirmativa como ERRADA no gabarito preliminar, mas voltou atrás e passou a entender que está correta. Ademais, é importante destacar que o STF restringiu o foro privilegiado, entendendo que o foro por prerrogativa de função se aplica apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas (STF – AP 937). Assim, hoje a questão fica parcialmente prejudicada. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 24. (CESPE – 2013 – TJ-DF – ANALISTA JUDICIÁRIO) No que se refere a competência, sujeitos processuais, provas, medidas cautelares e recursos, julgue os itens a seguir. O querelante pode escolher ajuizar queixa-crime no foro do domicílio do réu, ainda que conhecido o lugar da infração. COMENTÁRIOS Questão polêmica! O CESPE entendeu como correta, tendo como base o art. 73 do CPP: Art. 73. Nos casos de exclusiva ação privada, o querelante poderá preferir o foro de domicílio ou da residência do réu, ainda quando conhecido o lugar da infração. Contudo, este dispositivo só se aplica às ações penais privadas. Não se aplica, portanto, à ação penal privada subsidiária da pública (em que também há querelante). Desta maneira, o item estaria errado. Assim, entendo que o item está errado. Porém, a Banca considerou a AFIRMATIVA COMO CORRETA. 25. (CESPE – 2014 – TJ/CE – AJAJ – ADAPTADA) Na determinação da competência por conexão ou continência, quando houver concurso entre a jurisdição comum e a especial, prevalecerá aquela. COMENTÁRIOS Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 39 77 Item errado, pois neste caso, deverá prevalecer a jurisdição especial, conforme art. 78, IV do CPP. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 26. (CESPE – 2014 – TJ/CE – AJAJ – ADAPTADA) A junção dos processos, em decorrência de conexão ou continência, é absoluta. COMENTÁRIOS Item errado, pois a junção dos processos pode ser rechaçada pelo Juiz quando as infrações tiverem sido praticadas em circunstâncias de tempo ou de lugar diferentes, ou, quando pelo excessivo número de acusados e para não lhes prolongar a prisão cautelar, ou por outro motivo relevante, o juiz entender conveniente a separação, nos termos do art. 80 do CPP. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 27. (CESPE – 2014 – TJ/CE – AJAJ – ADAPTADA) A competência será determinada pela conexão quando duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração. COMENTÁRIOS Item errado, pois neste caso teremos continência, e não conexão, nos termos do art. 77, I do CPP. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 28. (CESPE – 2014 – TJ/CE – AJAJ – ADAPTADA) Caso um deputado federal cometa um crime de corrupção e seu comparsa, um delito doloso contra a vida, ambos serão processados e julgados perante o STF. COMENTÁRIOS Item errado, pois o entendimento que tem predominado é no sentido de que, neste caso, a competência do Júri não prevalece frente à competência do STF para processar e julgar o deputado, competência esta de foro por prerrogativa de função, por possuírem o mesmo status constitucional. Contudo, entende-se que esta competência do júri prevalece sobre as regras legais (e, portanto, infraconstitucionais) de fixação da competência por conexão (que seria o caso), de forma que o corréu não seria julgado pelo STF, ocorrendo a separação dos processos e seu julgamento pelo Tribunal do Júri. Vejamos: (...) 2. Em caso de co-autoria em crime doloso contra a vida, o privilégio de foro ostentado por um dos agentes, porque desembargador, não atrai para competência do Superior Tribunal de Justiça o julgamento do outro envolvido, Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 40 77 que deve ser julgado pelo Tribunal do Júri, seu juiz natural. Precedentes do STF e do STJ. 3. O reconhecimento da competência do Tribunal do Júri para processar e julgar a reclamante não prescinde da prévia desconstituição da competência até então prorrogada e preventa deste Superior Tribunal de Justiça em decorrência de anterior deferimento de quebra dos sigilos bancário e telefônico dos acusados, que não podia ser ignorada nem pelo Ministério Público, nem pelo Juízo do primeiro grau, nos seus efeitos jurídico-processuais. (...) (Rcl 2.125/CE, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, CORTE ESPECIAL, julgado em 03/12/2008, DJe 05/02/2009) Ademais, é importante destacar que o STF restringiu o foro privilegiado, entendendo que o foro por prerrogativa de função se aplica apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas (STF – AP 937). Assim, hoje a questão fica parcialmente prejudicada. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 29. (CESPE – 2014 – TJ/CE – AJAJ – ADAPTADA) Se um deputado federal cometer um crime doloso contra a vida, ele terá de ser julgado pelo STF, em detrimento do tribunal do júri. COMENTÁRIOS O item está correto pois, neste caso, prevalece a competência de foro por prerrogativa de função, uma vez que está prevista na Constituição Federal. Vejamos o entendimento sumulado do STF: Súmula 721 A COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL DO TRIBUNAL DO JÚRI PREVALECE SOBRE O FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO ESTABELECIDO EXCLUSIVAMENTE PELA CONSTITUIÇÃO ESTADUAL. Ademais, é importante destacar que o STF restringiu o foro privilegiado, entendendo que o foro por prerrogativa de função se aplica apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas (STF – AP 937). Assim, hoje a questão fica parcialmente prejudicada. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 41 77 30. (CESPE – 2014 – TJ/SE - ANALISTA) Acerca do inquérito policial,da ação penal e da competência, julgue os próximos itens. Em caso de conexão ou continência, é facultativa a separação dos processos caso os crimes tenham sido cometidos em tempo e lugares diferentes. COMENTÁRIOS Item correto, pois é a exata previsão do art. 80 do CPP: Art. 80. Será facultativa a separação dos processos quando as infrações tiverem sido praticadas em circunstâncias de tempo ou de lugar diferentes, ou, quando pelo excessivo número de acusados e para não Ihes prolongar a prisão provisória, ou por outro motivo relevante, o juiz reputar conveniente a separação. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 31. (CESPE – 2011 – PC-ES – DELEGADO DE POLÍCIA) Em caso de crime continuado e, também, de infração permanente, praticado em território de duas ou mais jurisdições, a competência processual penal será definida pela prevenção. COMENTÁRIOS Item correto. Neste caso, a competência será firmada pela prevenção, já que ambos serão considerados competentes para o julgamento da demanda, nos termos do art. 71 do CPP: Art. 71. Tratando-se de infração continuada ou permanente, praticada em território de duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 32. (CESPE – 2010 – DPE-BA – DEFENSOR PÚBLICO) Júlio e Lauro foram denunciados, em processos distintos, pela prática da mesma infração penal. Nessa situação, a continência pode ser reconhecida em qualquer fase da persecução penal, ainda que um dos processos esteja em sede recursal ou, ainda, na fase de execução penal. COMENTÁRIOS Aqui temos continência, nos termos do art. 77, I do CPP. Contudo, não poderá haver a reunião de processos quando um deles já estiver em fase de execução penal, pois já possuirá sentença definitiva, nos termos do art. 82 do CPP: Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 42 77 Art. 82. Se, não obstante a conexão ou continência, forem instaurados processos diferentes, a autoridade de jurisdição prevalente deverá avocar os processos que corram perante os outros juízes, salvo se já estiverem com sentença definitiva. Neste caso, a unidade dos processos só se dará, ulteriormente, para o efeito de soma ou de unificação das penas. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 33. (CESPE – 2010 – PGM-RR – PROCURADOR) Não sendo conhecido o lugar da infração, a competência será firmada pelo domicílio da vítima. COMENTÁRIOS Item errado, pois, neste caso, a competência será determinada pelo local de domicílio ou residência do réu: Art. 72. Não sendo conhecido o lugar da infração, a competência regular-se-á pelo domicílio ou residência do réu. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 34. (CESPE – 2010 – PGM-RR – PROCURADOR) Caso um prefeito municipal cometa crimes contra bens, interesses ou serviços da União, ele somente poderá ser processado criminalmente mediante ação penal instaurada no tribunal de justiça do estado. COMENTÁRIOS O prefeito, neste caso, será julgado perante o TRF, pois será compatibilizada a competência de foro por prerrogativa de função afeta ao TJ com a competência ratione materiae da Justiça Federal, de forma que o Prefeito será julgado pelo órgão de segunda instância (foro por prerrogativa de função) da Justiça Federal (ratione materiae), nos termos do art. 29, X e 109, IV da CRFB/88, respectivamente. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 35. (CESPE – 2010 – PGM-RR – PROCURADOR) A competência territorial é relativa; não alegada no momento oportuno, ocorre a preclusão. Por conseguinte, ela é prorrogável. COMENTÁRIOS Item correto. A competência territorial é considerada pela Doutrina como relativa, ou seja, se não for alegada a eventual incompetência territorial do Juízo no momento oportuno, ocorrerá a Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 43 77 preclusão, não podendo mais ser arguida, de forma que a competência irá “prorrogar-se” nas mãos do Juízo originalmente incompetente. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 36. (CESPE – 2010 – AGU – ADVOGADO DA UNIÃO) A incompetência do juízo anula somente os atos decisórios, devendo o processo, quando for declarada a nulidade, ser remetido ao juiz competente. COMENTÁRIOS Item correto. Vejamos a redação do art. 567 do CPP: Art. 567. A incompetência do juízo anula somente os atos decisórios, devendo o processo, quando for declarada a nulidade, ser remetido ao juiz competente. Frise-se, apenas a título de registro, que o STJ entende que a nulidade dos atos decisórios somente se aplica no caso de nulidade absoluta. No caso de nulidade relativa os atos decisórios poderiam ser ratificados pelo Juízo competente: “(...) O § 1º do artigo 108 do Código de Processo Penal, estabelece que se a exceção de incompetência for aceita, "o feito será remetido ao juízo competente onde, ratificados os atos anteriores, o processo prosseguirá". 2. Por sua vez, o artigo 567 da Lei Penal adjetiva preceitua que "a incompetência do juízo anula somente os atos decisórios, devendo o processo, quando for declarada a nulidade, ser remetido ao juízo competente". 3. Da leitura dos dispositivos legais em apreço, observa-se que em caso de incompetência relativa, o Juízo competente deve confirmar os atos decisórios proferidos, para que se revistam de legalidade. (...)” (HC 185.407/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 12/03/2013, DJe 26/03/2013) Mais: Mesmo em se tratando de atos decisórios, é possível a ratificação, desde que não se trate de ato decisório “meritório” (sentença): 2. Inexiste nulidade a ser declarada, pois os atos eram de caráter instrutório e não decisório, tendo sido ratificados posteriormente, pelo juízo competente. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 44 77 3. Nos termos da jurisprudência desta Corte, a modificação da competência não invalida automaticamente a prova regularmente produzida. Destarte, constatada a incompetência absoluta, os autos devem ser remetidos ao juízo competente, que pode ratificar ou não os atos já praticados. 4. Não se verifica qualquer nulidade na ratificação de atos decisórios não meritórios, como no caso, pois a ratificação consiste na validação desses atos pelo juízo competente, mormente quando não demonstrado qualquer prejuízo, uma vez que o processo seguiu seus trâmites normais e a pronúncia foi proferida pelo juízo competente. 5. Recurso Especial a que se nega provimento. (REsp 1453601/AL, Rel. Ministro WALTER DE ALMEIDA GUILHERME (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP), QUINTA TURMA, julgado em 05/02/2015, DJe 12/02/2015) Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 37. (CESPE – 2017 – PC-GO – DELEGADO) Cláudio, maior e capaz, residente e domiciliado em Goiânia – GO, praticou determinado crime, para o qual é prevista ação penal privada, em Anápolis – GO. A vítima do crime, Artur, maior e capaz, é residente e domiciliada em Mineiros – GO. Nessa situação hipotética, considerando-se o disposto no Código de Processo Penal, o foro competente para processar e julgar eventual ação privada proposta por Artur contra Cláudio será a) Anápolis – GO ou Goiânia – GO. b) Goiânia – GO ou Mineiros – GO. c) Goiânia – GO, exclusivamente. d) Anápolis – GO, exclusivamente. e) Mineiros – GO, exclusivamente. COMENTÁRIOS Em se tratando de crime de exclusiva ação privada, o querelante pode optar pelo local da consumação do delito ou pelo local do domicílio ou residência do querelado. Esta é a previsão contida nos arts. 72 e 73 do CPP: Art. 72. Não sendo conhecido o lugar da infração, a competência regular-se-ápelo domicílio ou residência do réu. (...) Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 45 77 1 Art. 73. Nos casos de exclusiva ação privada, o querelante poderá preferir o foro de domicílio ou da residência do réu, ainda quando conhecido o lugar da infração. Neste caso, portanto, o querelante pode optar pelas comarcas de Anápolis-GO e Goiânia-GO. Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A. 38. (CESPE – 2017 – PC-GO – DELEGADO - ADAPTADA) Segundo entendimento do STJ, é de competência da justiça estadual processar e julgar crime contra funcionário público federal, estando ou não este no exercício da função. COMENTÁRIOS Item errado, pois em se tratando de funcionário público FEDERAL no exercício da função, há interesse direto da União, de forma que a competência será da Justiça Federal, nos termos do art. 109, IV da CF/88. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 39. (CESPE – 2017 – PC-GO – DELEGADO - ADAPTADA) A competência para julgar prefeito municipal por desvio de verba sujeita a prestação de contas perante o órgão federal será dos juízes federais da seção judiciária da localidade em que o prefeito exercer ou tiver exercido o mandato. COMENTÁRIOS A competência, nesse caso, é da Justiça Federal. Vejamos a súmula 208 do STJ: COMPETE A JUSTIÇA FEDERAL PROCESSAR E JULGAR PREFEITO MUNICIPAL POR DESVIO DE VERBA SUJEITA A PRESTAÇÃO DE CONTAS PERANTE ORGÃO FEDERAL. Em se tratando de competência da Justiça Federal, a competência para processar e julgar o prefeito municipal será do Tribunal Regional Federal da respectiva região (súmula 702 do STF). Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 40. (CESPE – 2017 – PC-GO – DELEGADO - ADAPTADA) A competência para julgar governador de estado que, no exercício do mandato, cometa crime doloso contra a vida será do tribunal do júri da unidade da Federação na qual aquela autoridade tenha sido eleita para o exercício do cargo público. COMENTÁRIOS Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 46 77 b Embora o tribunal do júri possua competência para o processo e julgamento dos crimes dolosos contra a vida, tal competência fica afastada quando o acusado possui foro por prerrogativa de função estabelecido na própria Constituição Federal (caso dos Governadores, que são julgados pelo STJ). Nesse caso, prevalece a competência por prerrogativa de foro, conforme súmula vinculante 45: Súmula Vinculante 45 - “A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição Estadual.” Como se vê, se a competência de foro por prerrogativa de função está prevista apenas na Constituição ESTADUAL, prevalecerá a competência do Júri. Ademais, é importante destacar que o STF restringiu o foro privilegiado, entendendo que o foro por prerrogativa de função se aplica apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas (STF – AP 937). Assim, hoje a questão fica parcialmente prejudicada. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 41. (CESPE – 2017 – PC-GO – DELEGADO - ADAPTADA) A competência para processar e julgar crime de roubo que resulte em morte da vítima será do tribunal do júri da localidade em que ocorrer o fato criminoso. COMENTÁRIOS Item errado, pois o latrocínio (roubo com resultado morte) é um crime contra o patrimônio, e não um crime doloso contra a vida. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 42. (CESPE – 2017 – PC-GO – DELEGADO - ADAPTADA) No Estado brasileiro, a jurisdição penal pode ser exercida pelo STF, e em todos os graus de jurisdição das justiças militar e eleitoral, e das justiças comuns estadual e federal, dentro do limite da competência fixada por lei. COMENTÁRIOS Item correto, pois a jurisdição penal é exercida pelo STF e pelas justiças comum (estadual e federal) e especializada (militar e eleitoral), não havendo competência criminal outorgada à Justiça do Trabalho. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 47 77 4 43. (CESPE – 2016 – PC-PE – AGENTE – ADAPTADA) Conexão e continência são institutos que autorizam a prorrogação da competência, possibilitando que esta seja definida em desacordo com as regras abstratas baseadas no lugar do crime, domicílio do réu, natureza da infração ou distribuição. COMENTÁRIOS Item correto, pois a conexão e a continência são institutos que fazem com que a competência para o processo e julgamento de determinado delito seja deslocada em razão de alguns fatores externos (interdependência entre as infrações penais, concurso de pessoas, etc.). Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 44. (CESPE – 2016 – PC-PE – AGENTE – ADAPTADA) A competência ratione loci, que se refere ao local da consumação do crime, deriva da legislação infraconstitucional e é de natureza absoluta, não podendo ser prorrogada nem reconhecida de ofício pelo juiz. COMENTÁRIOS Item errado, pois a competência territorial possui natureza relativa, ou seja, não sendo impugnada no momento oportuno, considera-se “prorrogada”, ou seja, o Juiz originalmente incompetente passa a ser competente para julgar aquele processo. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 45. (CESPE – 2016 – PC-PE – AGENTE – ADAPTADA) O princípio do juiz natural determina que a ação penal deverá ser julgada pelo juiz que primeiro tiver tomado conhecimento do fato. COMENTÁRIOS Item errado, pois o princípio do Juiz natural determina, apenas que a competência para o processo e julgamento de determinada infração penal deve estar previamente estabelecida de acordo com regras abstratas de definição da competência, sendo vedada a atribuição casuística de competência, bem como a criação de tribunais de exceção. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 46. (CESPE – 2016 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) Na hipótese de um crime de latrocínio em que haja conexão com um crime de tentativa de homicídio, deve haver a reunião de processos em um só juízo, e preponderará a competência do juízo ao qual esteja associado o crime cominado com pena mais grave, no caso o de latrocínio. COMENTÁRIOS Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 48 77 2 Item errado, pois neste caso, deverá prevalecer a jurisdição especial do Tribunal do Júri, conforme art. 78, I do CPP. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 47. (CESPE – 2016 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) Nos crimes culposos contra a vida em que os atos de execução ocorram em um lugar e a consumação, em outro, excepcionalmente adota-se a teoria da atividade, e a competência para julgar o fato será do juízo do local dos atos executórios. COMENTÁRIOS Item correto, pois o STJ possui entendimento no sentido de que, para fins de facilitação da atividade instrutória, a competência territorial nos crimes contra a vida (dolosos ou culposos) é definida de acordo como local da prática dos atos executórios (teoria da atividade). Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 48. (CESPE – 2016 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) É da competência da justiça estadual o processo dos réus acusados pelo crime de redução à condição análoga à de escravo, porque a conduta criminosa atinge a liberdade individual de homem específico, não caracterizando violação a interesse da União. COMENTÁRIOS Item errado, pois a competência, neste caso, é da Justiça Federal. O STF e o STJ possuem entendimento pacífico no sentido de que a competência será da Justiça Federal,eis que o delito ofende gravemente a organização do trabalho, eis que, dentre outras coisas, há violação flagrante à dignidade da pessoa humana em relação de trabalho (RE 459510). Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 49. (CESPE – 2016 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) A competência pela prevenção se dá quando, concorrendo dois ou mais juízes igualmente competentes ou com jurisdição cumulativa, um deles anteceda aos outros ao determinar a citação do réu. COMENTÁRIOS Item errado, pois a competência pela prevenção se dá quando “concorrendo dois ou mais juízes igualmente competentes ou com jurisdição cumulativa, um deles tiver antecedido aos outros na prática de algum ato do processo ou de medida a este relativa, ainda que anterior ao oferecimento da denúncia ou da queixa”, nos termos do art. 83 do CPP. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 49 77 5 Quando o Juiz determina a citação, já houve definição da competência pela distribuição do processo, e não pela prevenção. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 50. (CESPE – 2016 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) Os crimes contra a honra da vítima quando praticados pelas redes sociais da Internet são da competência exclusiva da justiça federal. COMENTÁRIOS Item errado, pois tais delitos só serão da competência da Justiça Federal quando ofenderem bens, interesses ou serviços da União, suas autarquias, etc., na forma do art. 109, IV da CF/88, ou quando houver qualquer outra situação que desloque a competência para a Justiça Federal. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 51. (CESPE – 2016 – TRE-PI – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA – ADAPTADA) Prefeito municipal do estado do Rio Grande do Sul que cometa o delito de porte ilegal de arma em cidade do estado de São Paulo será processado e julgado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. COMENTÁRIOS Item errado, pois o prefeito deverá ser julgado pelo TJ-RS, que é o Tribunal de Justiça do local em que exerce seu mandato, nos termos do art. 29, X da CF/88. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 52. (CESPE – 2016 – TRE-PI – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA – ADAPTADA) Parlamentar estadual que cometa crime contra bens e interesses da União deverá ser processado e julgado pelo tribunal de justiça com jurisdição no local do delito. COMENTÁRIOS O parlamentar, neste caso, deverá ser processado e julgado pelo TRF local, e não pelo TJ local, por se tratar de crime da competência da Justiça Federal (analogia à súmula 702 do STF). Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 53. (CESPE – 2016 – TRE-PI – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA – ADAPTADA) Prefeito municipal que cometa homicídio doloso será processado e julgado pelo tribunal de justiça local, e não pelo tribunal do júri. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 50 77 7 COMENTÁRIOS Embora o tribunal do júri possua competência para o processo e julgamento dos crimes dolosos contra a vida, tal competência fica afastada quando o acusado possui foro por prerrogativa de função estabelecido na própria Constituição Federal (como é o caso dos prefeitos, nos termos do art. 29, X da CF/88). Nesse caso, prevalece a competência de foro por prerrogativa de função, conforme súmula vinculante 45: Súmula Vinculante 45 - “A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição Estadual.” Ademais, é importante destacar que o STF restringiu o foro privilegiado, entendendo que o foro por prerrogativa de função se aplica apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas (STF – AP 937). Assim, hoje a questão fica parcialmente prejudicada. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 54. (CESPE – 2016 – TRE-PI – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA – ADAPTADA) Ocorrerá a separação de processos quando um parlamentar federal praticar homicídio doloso em concurso com outro parlamentar estadual, pois, no caso deste, o foro especial é estabelecido pela Constituição estadual. COMENTÁRIOS Item errado, pois, apesar de a separação ser necessária neste caso, já que um tem foro por prerrogativa de função no STF e o outro perante o TJ local, a separação se dá para preservar ambas as competências funcionais, e não por que o foro especial do parlamentar estadual está previsto apenas na Constituição Estadual, já que segundo a Doutrina majoritária, os parlamentares estaduais possuem foro por prerrogativa de função previsto na CF/88 (princípio da simetria). Ademais, é importante destacar que o STF restringiu o foro privilegiado, entendendo que o foro por prerrogativa de função se aplica apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas (STF – AP 937). Assim, hoje a questão fica parcialmente prejudicada. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 55. (CESPE – 2015 – AGU – ADVOGADO DA UNIÃO) Um servidor público, concursado e estável, praticou crime de corrupção passiva e foi condenado definitivamente ao cumprimento de Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 51 77 pena privativa de liberdade de seis anos de reclusão, em regime semiaberto, bem como ao pagamento de multa. A respeito dessa situação hipotética, julgue o item seguinte. Na hipótese em apreço, a competência seria da justiça federal, caso o servidor público fosse integrante da administração pública federal e o crime cometido tivesse nexo funcional com o cargo ocupado. COMENTÁRIOS Item correto, pois em se tratando de funcionário público FEDERAL no exercício da função, há interesse direto da União, de forma que a competência será da Justiça Federal, nos termos do art. 109, IV da CF/88. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 56. (CESPE – 2014 – CÂMARA DOS DEPUTADOS – ANALISTA LEGISLATIVO) Acerca dos juizados especiais criminais, do processo de responsabilidade administrativa, civil e penal nos casos de abuso de autoridade, do processo dos crimes ambientais e da interceptação de comunicações telefônicas, julgue o item a seguir. O policial militar que, em serviço, praticar crime de abuso de autoridade será julgado pela justiça militar. COMENTÁRIOS Item errado, pois a competência para processar e julgar militar pela prática de crime de abuso de autoridade, ainda quando praticado em serviço, é da justiça comum, nos termos da súmula 172 do STJ: Súmula 172 do STJ – “Compete à justiça comum processar e julgar militar por crime de abuso de autoridade, ainda que praticado em serviço” Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 57. (CESPE – 2014 – PGE-BA – PROCURADOR) Considere que Cássio, jogador de futebol residente na cidade de Montes Claros — MG, tenha declarado, em entrevista a jornais de circulação local no município de Governador Valadares — MG, que Emílio, árbitro de futebol, recebia dinheiro de agremiações para influenciar os resultados das partidas que arbitrava. Nessa situação hipotética, caso Emílio se considere caluniado e decida defender seus direitos na esfera criminal, ele poderá optar por propor a queixa-crime no foro de Montes Claros — MG. COMENTÁRIOS Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 52 77 O item está correto, pois o querelante pode optar por ajuizar a ação penal no foro do domicílio do querelado. Esta é a previsão contida nos arts. 72 e 73 do CPP: Art. 72. Não sendo conhecido o lugar da infração, a competência regular-se-ápelo domicílio ou residência do réu. (...) Art. 73. Nos casos de exclusiva ação privada, o querelante poderá preferir o foro de domicílio ou da residência do réu, ainda quando conhecido o lugar da infração. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 58. (CESPE – 2013 – AGU – PROCURADOR FEDERAL) Acerca da competência, da coisa julgada e dos recursos no processo penal, julgue os itens a seguir à luz do entendimento dos tribunais superiores e da doutrina majoritária. Aos juízes federais compete processar e julgar, nos casos determinados por lei, os crimes contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira. COMENTÁRIOS Item correto, pois esta é a exata previsão contida no art. 109, VI da CF/88: Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: (...) VI - os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei, contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira; Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 59. (CESPE – 2013 – AGU – PROCURADOR FEDERAL) Acerca da competência, da coisa julgada e dos recursos no processo penal, julgue os itens a seguir à luz do entendimento dos tribunais superiores e da doutrina majoritária. A competência da justiça federal para processar e julgar os crimes contra a organização do trabalho alcança os delitos referentes a direitos individuais, e não, a direitos que visem a toda uma categoria de trabalhadores. COMENTÁRIOS Item errado, pois para o STJ, a competência será, a princípio, da Justiça estadual, salvo se ficar comprovado que houve: Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 53 77 (i) violação a direito dos trabalhadores, considerados coletivamente; ou (ii) violação à organização geral do trabalho. Segundo o STJ, a mera violação aos direitos de um ou alguns trabalhadores não desloca a competência para a Justiça Federal. Resumidamente, para o STJ, só haverá competência da Justiça Federal quando a conduta configurar lesão ao sistema de órgãos e instituições destinadas a preservar a coletividade trabalhista. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 60. (CESPE – 2013 – TJ-BA – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) Nos casos de exclusiva ação privada, quando conhecido o lugar da infração, o querelante não poderá preferir o foro de domicílio ou da residência do réu. COMENTÁRIOS O item está errado, pois o querelante pode optar por ajuizar a ação penal no foro do domicílio do querelado, nos casos de exclusiva ação privada. Esta é a previsão contida nos arts. 72 e 73 do CPP: Art. 72. Não sendo conhecido o lugar da infração, a competência regular-se-á pelo domicílio ou residência do réu. (...) Art. 73. Nos casos de exclusiva ação privada, o querelante poderá preferir o foro de domicílio ou da residência do réu, ainda quando conhecido o lugar da infração. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 61. (CESPE – 2013 – TJ-BA – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) A conexão e a continência importarão na unidade de processo e julgamento, mesmo no concurso entre a jurisdição comum e a militar. COMENTÁRIOS Item errado, pois a conexão e a continência importarão na unidade de processo e julgamento como REGRA, mas há exceções. Uma destas exceções é o concurso entre a jurisdição comum e a militar. Neste caso, deverá ocorrer a separação obrigatória dos processos, nos termos do art. 79, I do CPP. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 54 77 62. (CESPE – 2013 – TJ-ES – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) Não sendo conhecido o local da infração praticada no território nacional, a competência será regulada pelo domicílio ou pela residência da vítima. COMENTÁRIOS Item errado, pois neste caso a competência será determinada pelo local domicílio ou residência do réu, nos termos do art. 72 do CPP. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 63. (CESPE – 2013 – TJ-ES – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) A competência para o processo de acusado de conduta classificada como contravenção penal contra bens da União é da justiça federal. COMENTÁRIOS Item errado, pois a justiça federal não possui competência para o processo e julgamento de contravenções penais, nos termos do art. 109, IV da Constituição Federal. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 64. (CESPE – 2013 – TJ-ES – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) Compete à justiça estadual o julgamento dos acusados da prática de contravenções penais, ainda que praticadas em desfavor da União, de suas autarquias ou empresas públicas, salvo se houver conexão entre a prática da contravenção penal e a prática de delitos cujo agente deva ser julgado pela justiça federal, a quem caberá o julgamento de ambos os fatos. COMENTÁRIOS Item errado, pois a justiça federal não possui competência para o processo e julgamento de contravenções penais, nos termos do art. 109, IV da Constituição Federal. Havendo conexão entre contravenção penal e crime da competência da Justiça Federal, deverá ser realizada a separação dos processos. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 65. (CESPE – 2013 – TJ-ES – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) A competência do tribunal do júri prevista na CF prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente em constituição estadual. COMENTÁRIOS Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 55 77 Embora o tribunal do júri possua competência para o processo e julgamento dos crimes dolosos contra a vida, tal competência fica afastada quando o acusado possui foro por prerrogativa de função estabelecido na própria Constituição Federal. Nesse caso, prevalece a competência de foro por prerrogativa de função, conforme súmula vinculante 45: Súmula Vinculante 45 - “A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição Estadual.” Como se vê, se a competência de foro por prerrogativa de função está prevista apenas na Constituição ESTADUAL, prevalecerá a competência do Júri. Ademais, é importante destacar que o STF restringiu o foro privilegiado, entendendo que o foro por prerrogativa de função se aplica apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas (STF – AP 937). Assim, hoje a questão fica parcialmente prejudicada. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 66. (CESPE – 2013 – TJ-ES – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) Compete à justiça militar processar e julgar militar pela prática, em serviço, do crime de abuso de autoridade. COMENTÁRIOS Item errado, pois a competência para processar e julgar militar pela prática de crime de abuso de autoridade, ainda quando praticado em serviço, é da justiça comum, nos termos da súmula 172 do STJ: Súmula 172 do STJ – “Compete à justiça comum processar e julgar militar por crime de abuso de autoridade, ainda que praticado em serviço” Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 67. (CESPE – 2013 – POLÍCIA FEDERAL – DELEGADO DE POLÍCIA) Compete à Justiça federal processar e julgar os acusados da prática de crimes de lavagem de dinheiro, uma vez que a repressão a esses crimes é imposta por tratado internacional. COMENTÁRIOS Item errado, pois o simples fato de se tratar de crime de lavagem de capitais não atrai a competência da Justiça Federal. Tal crime só será da competência da Justiça Federal quando Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 56 77 praticado contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira,ou em detrimento de bens, serviços ou interesses da União, ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas ou quando a infração penal antecedente for de competência da Justiça Federal, nos termos do art. 2º, III da Lei 9.613/98. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 68. (CESPE – 2013 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) A conexão e a continência implicam a reunião dos processos e atingem os processos que estiverem com sentença prolatada, salvo se, em relação a algum corréu, sobrevier doença mental posterior à infração penal ou se houver corréu foragido que não possa ser julgado à revelia. COMENTÁRIOS Item errado. A conexão e a continência implicam, como regra, a reunião dos processos. Nos casos de superveniência de doença mental a algum dos corréus ou no caso de corréu foragido que não possa ser julgado à revelia (ex.: art. 366 do CPP), a separação dos processos será obrigatória, nos termos do art. 79, §§1º e 2º do CPP. Todavia, se já foram instaurados processos diversos, perante juízos diversos, e já houve sentença prolatada em alguns deles, não será possível a reunião dos processos, nos termos do art. 82 do CPP. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 69. (CESPE – 2013 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) Determina-se a competência pela continência, caso se caracterize, nos termos do CPP, concurso formal de crimes, aberractio ictus e aberractio criminis. COMENTÁRIOS Item correto, pois nos casos de concurso formal de crimes, aberractio ictus e aberractio criminis, a competência será definida pela continência, nos termos do art. 77, II do CP. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 70. (CESPE – 2013 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) Caracteriza-se como conexão intersubjetiva por simultaneidade a prática de diversas infrações penais, perpetradas por diversas pessoas, umas contra as outras. COMENTÁRIOS Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 57 77 Item errado, pois neste caso teremos conexão intersubjetiva por reciprocidade, prevista no art. 76, I do CPP: Art. 76. A competência será determinada pela conexão: I - se, ocorrendo duas ou mais infrações, houverem sido praticadas, ao mesmo tempo, por várias pessoas reunidas, ou por várias pessoas em concurso, embora diverso o tempo e o lugar, ou por várias pessoas, umas contra as outras; Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 71. (CESPE – 2013 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) A competência é definida pelo lugar em que ocorreu a infração cominada com a pena mais grave. Caso o limite territorial entre duas ou mais jurisdições seja incerto ou a jurisdição seja incerta, por ter sido o crime consumado ou tentado nas divisas de duas ou mais jurisdições, prevalece o lugar em que ocorreu o maior número de infrações, independentemente da regra de conexão ou continência. COMENTÁRIOS Item errado, pois como regra a competência é definida pelo local em que se consumar a infração, nos termos do art. 70 do CPP. Caso o limite territorial entre duas ou mais jurisdições seja incerto ou a jurisdição seja incerta, por ter sido o crime consumado ou tentado nas divisas de duas ou mais jurisdições, a competência deverá se firmar pela prevenção, nos termos do art. 70, §3º do CPP. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 72. (CESPE – 2013 – TJDFT – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) O querelante pode escolher ajuizar queixa-crime no foro do domicílio do réu, ainda que conhecido o lugar da infração. COMENTÁRIOS O item está correto, pois o querelante pode optar por ajuizar a ação penal no foro do domicílio do querelado. Esta é a previsão contida nos arts. 72 e 73 do CPP: Art. 72. Não sendo conhecido o lugar da infração, a competência regular-se-á pelo domicílio ou residência do réu. (...) Art. 73. Nos casos de exclusiva ação privada, o querelante poderá preferir o foro de domicílio ou da residência do réu, ainda quando conhecido o lugar da infração. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 58 77 Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 73. (CESPE – 2013 – TJ-PI – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) Será da competência da justiça federal processar e julgar os acusados da prática de crimes em detrimento de sociedade de economia mista. COMENTÁRIOS Item errado, pois os crimes praticados em detrimento de sociedade de economia mista não são da competência da Justiça Federal, nos termos do art. 109, IV da CF/88. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 74. (CESPE – 2013 – TJ-PI – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) O vereador que praticar crime doloso contra a vida será processado e julgado no tribunal do júri, não se aplicando, nesse caso, o foro especial estabelecido em Constituição estadual. COMENTÁRIOS A súmula vinculante 45 assim dispõe: Súmula Vinculante 45 - “A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição Estadual.” Como se vê, se a competência de foro por prerrogativa de função está prevista apenas na Constituição ESTADUAL, prevalecerá a competência do Júri. No caso dos vereadores, a competência de foro por prerrogativa de função NÃO está prevista na CF/88, motivo pelo qual devem ser julgados pelo Tribunal do Júri. Ademais, é importante destacar que o STF restringiu o foro privilegiado, entendendo que o foro por prerrogativa de função se aplica apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas (STF – AP 937). Assim, hoje a questão fica parcialmente prejudicada. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 75. (CESPE – 2013 – TJ-PI – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) O prefeito que praticar crime eleitoral será processado pelo tribunal de justiça do estado onde se localize o município em que ele exerça sua função, ainda que o fato tenha ocorrido em outro estado. COMENTÁRIOS Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 59 77 Embora os prefeitos possuam prerrogativa de foro para serem julgados perante o TJ local, no caso de se tratar de crime de competência da justiça especializada, caberá ao respectivo órgão de segunda instância o julgamento (TRE ou TRF, a depender do caso), nos termos da súmula 702 do STF. Vejamos: Art. 29. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços dos membros da Câmara Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do respectivo Estado e os seguintes preceitos: (...) X - julgamento do Prefeito perante o Tribunal de Justiça; (Renumerado do inciso VIII, pela Emenda Constitucional nº 1, de 1992) [...] SÚMULA 702 DO STF A COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA PARA JULGAR PREFEITOS RESTRINGE-SE AOS CRIMES DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA COMUM ESTADUAL; NOS DEMAIS CASOS, A COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA CABERÁ AO RESPECTIVO TRIBUNAL DE SEGUNDO GRAU. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 76. (CESPE – 2013 – TJ-PI – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) A inobservância da competência pela prevenção será causa de nulidade absoluta. COMENTÁRIOS Item errado, pois a inobservância da competência pela prevenção é causa de nulidade relativa, nos termos da súmula 706 do STF: Súmula 706 do STF - “É relativa a nulidade decorrente da inobservância da competência penal por prevenção.” Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 77. (CESPE – 2013 – TJ-PI – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) O prefeito que desviar verba pública federal será processado perante o foro especial estadual. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 60 77 COMENTÁRIOS A competência, nesse caso, é da Justiça Federal. Vejamos a súmula 208 do STJ: COMPETE A JUSTIÇA FEDERAL PROCESSAR E JULGAR PREFEITO MUNICIPAL POR DESVIO DE VERBA SUJEITA A PRESTAÇÃO DE CONTAS PERANTE ORGÃO FEDERAL. Em se tratando de competência da Justiça Federal, a competência para processar e julgar o prefeito municipal será do Tribunal Regional Federal da respectiva região (súmula 702 do STF). Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 78. (CESPE – 2012 – TJ-RO – TÉCNICO JUDICIÁRIO - ADAPTADA) Deputada federal que cometeu infanticídio deverá ser processada e julgada perante o STF, por tratar-se de crime doloso contra a vida. COMENTÁRIOS Embora o tribunal do júri possua competência para o processo e julgamento dos crimes dolosos contra a vida (como o infanticídio), tal competência fica afastada quando o acusado possui foro por prerrogativa de função estabelecido na própria Constituição Federal (caso dos deputados federais). Nesse caso, prevalece a competência de foro por prerrogativa de função, conforme súmula vinculante 45: Súmula Vinculante 45 - “A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição Estadual.” Todavia, a questão possui uma redação MUITO ruim, pois a competência do STF não se dá “por tratar-se de crime doloso contra a vida”. Caberia anulação da questão. Ademais, é importante destacar que o STF restringiu o foro privilegiado, entendendo que o foro por prerrogativa de função se aplica apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas (STF – AP 937). Assim, hoje a questão fica parcialmente prejudicada. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 79. (CESPE – 2012 – TJ-RO – TÉCNICO JUDICIÁRIO - ADAPTADA) Deputado estadual que cometeu homicídio qualificado pela crueldade deverá ser processado e julgado perante o respectivo tribunal de justiça do estado, em consideração à prerrogativa infraconstitucional. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 61 77 COMENTÁRIOS Embora o tribunal do júri possua competência para o processo e julgamento dos crimes dolosos contra a vida (como o homicídio), tal competência fica afastada quando o acusado possui foro por prerrogativa de função estabelecido na própria Constituição Federal (caso dos deputados federais). Nesse caso, prevalece a competência de foro por prerrogativa de função, conforme súmula vinculante 45: Súmula Vinculante 45 - “A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição Estadual.” Os deputados estaduais não possuem prerrogativa de foro EXPRESSAMENTE prevista na Constituição Federal, logo, deveria prevalecer a competência do Júri. Contudo, sustenta-se que, pelo princípio da simetria, os deputados estaduais possuem as mesmas prerrogativas dos deputados federais (aplicadas as devidas proporções), de maneira que haveria prerrogativa de foro para eles, com previsão constitucional (implícita). Assim, é errado dizer que a competência do TJ local se dará “em consideração à prerrogativa infraconstitucional”, pois a prerrogativa, aqui, é CONSTITUCIONAL. Ademais, é importante destacar que o STF restringiu o foro privilegiado, entendendo que o foro por prerrogativa de função se aplica apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas (STF – AP 937). Assim, hoje a questão fica parcialmente prejudicada. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 80. (CESPE – 2012 – TJ-RO – TÉCNICO JUDICIÁRIO - ADAPTADA) Membro de ministério público estadual que cometeu crime de peculato deverá ser processado e julgado por juiz de 1.º grau, exceto se, na respectiva constituição estadual, essas ações sejam de competência do tribunal de justiça. COMENTÁRIOS Item errado, pois os membros do MP possuem prerrogativa de foro prevista na Constituição, sendo de competência dos Tribunais de Justiça dos estados procederem ao processo e julgamento dos membros do MP, nos termos do art. 96, III da Constituição Federal. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 62 77 ==1b4257== 81. (CESPE – 2012 – TJ-RO – TÉCNICO JUDICIÁRIO - ADAPTADA) Juiz de direito que cometeu crime de abuso de autoridade durante sua atuação em vara criminal deverá ser processado e julgado perante o Superior Tribunal de Justiça. COMENTÁRIOS Item errado, pois os Juízes Direito de primeira instância possuem prerrogativa de foro prevista na Constituição, sendo de competência dos Tribunais de Justiça ao qual estão vinculados o processo e julgamento dos crimes por eles praticados, nos termos do art. 96, III da Constituição Federal. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 82. (CESPE – 2012 – TJ-RO – TÉCNICO JUDICIÁRIO - ADAPTADA) Governador que cometeu estelionato deverá ser processado e julgado perante o STF, em face de exercer função constitucional. COMENTÁRIOS Item errado, pois o Governador, neste caso, deverá ser processado e julgado pelo STJ, nos termos do art. 105, I, “a” da CF/88. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 83. (CESPE – 2012 – TJ-RO – ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUSTIÇA – ADAPTADA) Se duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração penal, a competência deve ser definida pela continência. COMENTÁRIOS Item correto, pois neste caso teremos o fenômeno da continência por cumulação subjetiva, nos termos do art. 77, I do CPP. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA. 84. (CESPE – 2012 – TJ-RO – ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUSTIÇA – ADAPTADA) Caso uma infração continuada ou permanente seja praticada em território de duas ou mais jurisdições, a competência deve ser definida pela natureza da infração. COMENTÁRIOS Item errado, pois neste caso a competência será firmada pela prevenção, nos termos do art. 71 do CPP. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 63 77 Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. 85. (CESPE – 2012 – TJ-RO – ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUSTIÇA – ADAPTADA) Tanto nas ações penais privadas como nas públicas, cabe ao autor escolher o foro de domicílio ou da residência do réu, ainda que seja conhecido o local da infração. COMENTÁRIOS Item errado, pois, embora o art. 73 do CPP estabeleça a possibilidade de o querelante escolher o foro do domicílio do réu, mesmo quando conhecido o lugar da infração, isso só se aplica às ações de EXCLUSIVA AÇÃO PRIVADA, não se aplicando às ações penais públicas e às ações penais privadas subsidiárias das públicas. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 64 77 1 EXERCÍCIOS PARA PRATICAR – JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA 01. (CESPE – 2017 – TRF1 – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) Verificada a reunião dos processos por conexa ̃o ou continência, o juiz ou o tribunal que proferir sentença que desclassifique a infração para outra que não se inclua em sua compete ̂ncia própria perderá a competência em relação aos demais processos. 02. (CESPE – 2017 – TRF1 – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) Situação hipotética: Caio, prefeito municipal, responde a ação penal pelo desvio, em proveito próprio, de verba destinada pelo Ministe ́rio da Educação a ̀ construção de escolas no município. Assertiva: Nessa situação, o TRF local é o órgão jurisdicional competente para o julgamento do crime cometido por Caio, porque se trata de infração praticada em detrimento de bem da União. 03. (CESPE – 2017 – TRF1 – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) Sentença prolatada por juiz territorialmente incompetente é ato jurídico nulo, razão pela qual o seu trânsito em julgado não impede que o acusado seja processado novamente, pela mesma imputação, em juízo competente, salvo se tiver sido anteriormente absolvido. 04. (CESPE – 2017 – TRF1 – OFICIAL DE JUSTIÇA) José, vereador do município de Luziânia – GO, foi denunciado pela prática de crime doloso contra a vida praticado contra Antônio, policial rodoviário federal que, no momento do crime, se encontrava no exercício de suas funções em Brasília – DF. Com referência a essa situação hipotética, julgue os itens que se seguem. A competência para processar e julgar José é, em regra, do tribunal do júri federal situado em Brasília – DF, porém, caso exista previsão de foro por prerrogativa de função para vereadores, estabelecido exclusivamente na Constituição estadual, a competência será do TRF da 1.a Região. 05. (CESPE – 2015 – DPU – DEFENSOR PÚBLICO) José foi denunciado pela prática de homicídio doloso contra Carlos, em Brasília. A vítima era policial federal e estava investigando crime de falsificação de moeda que teria sido praticado por José em Goiânia. O juiz determinou a citação de José por edital, devido ao fato de ele não ter sido encontrado no endereço que constava dos autos. Com referência a essa situação hipotética, julgue os itens a seguir. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 65 77 2 A competência para processar e julgar José será do tribunal do júri federal do DF. 06. (CESPE – 2015 – TJ-PB – JUIZ – ADAPTADA) Em se tratando de crime permanente praticado em território de duas ou mais jurisdições, a competência será firmada pela residência do réu. 07. (CESPE – 2015 – TJ-PB – JUIZ – ADAPTADA) A justiça federal deverá julgar os casos de contravenção praticada em detrimento de bens, serviços ou interesses da União. 08. (CESPE – 2015 – TJDFT – JUIZ – ADAPTADA) Roberto importou do exterior, para venda, grande quantidade de equipamentos eletroeletrônicos. Ele não declarou esses bens à aduana brasileira nem recolheu os tributos que seriam devidos. Antes de chegar a Brasília, destino final, seu voo fez escalas em São Paulo e Goiânia. Nessa situação, havendo a apreensão da mercadoria em Brasília, competirá à justiça federal do DF processar e julgar a ação. 09. (CESPE – 2012 – MPE-TO – PROMOTOR – ADAPTADA) Será do tribunal do júri a competência para o processo e o julgamento de membro do MP acusado de praticar crime doloso contra a vida. 10. (CESPE – 2012 – MPE-TO – PROMOTOR – ADAPTADA) No caso de ação penal privada, prevalece, no processo penal, a competência de foro, sendo preponderante o interesse do querelante quando se trata da distribuição territorial da competência. 11. (CESPE – 2012 – MPE-TO – PROMOTOR – ADAPTADA) Não consubstanciam transgressão ao princípio do juiz natural as regras que estabelecem a competência originária dos tribunais para o processo e o julgamento de determinadas pessoas em razão de prerrogativa de função. 12. (CESPE – 2011 – TJ-ES – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) Caso diversas infrações sejam praticadas por diversas pessoas, umas contra as outras, configurar-se-á conexão intersubjetiva por reciprocidade. 13. (CESPE – 2011 – TRE-ES – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) O tribunal de justiça não tem competência para julgar prefeito municipal pela prática de crime eleitoral. 14. (CESPE – 2011 – TRE-ES – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) O tribunal do júri é competente para julgar promotor de justiça que comete crime doloso contra a vida, consumado ou tentado. 15. (CESPE – 2011 – TRE-ES – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) Conforme entendimento sumulado do STF, quando o foro por prerrogativa de função for estabelecido exclusivamente pela constituição estadual, prevalecerá o juízo natural previsto na CF, ou seja, a competência do tribunal do júri, para os crimes dolosos contra a vida, por exemplo. 16. (CESPE – 2012 – TJ-AC – TÉCNICO JUDICIÁRIO) Admite-se a fixação da competência ratione loci pelo domicílio ou pela residência do réu quando não for conhecido o lugar da infração ou nos casos de exclusiva ação privada, em que o querelante poderá preferir o foro do domicílio ou da residência do réu, ainda quando conhecido o lugar da infração. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 66 77 3 17. (CESPE – 2012 – TRE-RJ – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) A competência será determinada pela prevenção se houver dois ou mais juízes competentes e um deles tiver antecedido aos outros na prática de alguma medida relativa ao processo, ainda que em fase anterior ao oferecimento da denúncia ou da queixa. 18. (CESPE – 2012 – PC-CE – INSPETOR) Considere que a agência dos Correios de determinado bairro de Fortaleza – CE, que funciona em prédio próprio da ECT, tenha sido assaltada por agentes armados, que roubaram a quantia de R$ 500,00. Nesse caso, a competência para processar e julgar eventual ação penal será da justiça federal. 19. (CESPE – 2012 – PC-CE – INSPETOR) Considere que um agente tenha sido surpreendido por inspetores civis, na cidade de Fortaleza – CE, com mercadorias que adentraram no Brasil, por meio de contrabando, pela cidade de Foz do Iguaçu – PR. Nesse caso, a competência da justiça federal será determinada pelo local de entrada dos produtos, e não pelo local da apreensão. 20. (CESPE – 2013 – PRF – POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL) Compete à justiça federal processar e julgar a contravenção penal praticada em detrimento de bens e serviços da União. 21. (CESPE – 2013 – POLÍCIA FEDERAL – DELEGADO) Em se tratando de ações penais privadas, prevalece, no processo penal, a competência de foro, com preponderância do interesse do queixoso no que diz respeito à distribuição territorial da competência. 22. (CESPE – 2013 – POLÍCIA FEDERAL – DELEGADO) Uma quadrilha, em determinado lapso temporal, realizou, em larga escala, diversos roubos de cargas e valores transportados por empresas privadas em inúmeras operações interestaduais, o que ensejou a atuação da Polícia Federal na coordenação das investigações e a instauração do competente inquérito policial. Nessa situação hipotética, findo o procedimento policial, os autos deverão ser remetidos à justiça estadual, pois a atuação da Polícia Federal não transfere à justiça federal a competência para processar e julgar o crime. 23. (CESPE – 2013 – MPU – ANALISTA – DIREITO) Deputado estadual que pratique crime doloso contra a vida deve ser julgado, dada a prerrogativa de foro especial, pelo tribunal de justiça do estado em que tenha sido eleito. 24. (CESPE – 2013 – TJ-DF – ANALISTA JUDICIÁRIO) No que se refere a competência, sujeitos processuais, provas, medidas cautelares e recursos, julgue os itens a seguir. O querelante pode escolher ajuizar queixa-crime no foro do domicílio do réu, ainda que conhecido o lugar da infração. 25. (CESPE – 2014 – TJ/CE – AJAJ – ADAPTADA) Na determinação da competência por conexão ou continência, quando houver concurso entre a jurisdição comum e a especial, prevalecerá aquela. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 67 77 4 26. (CESPE – 2014 – TJ/CE – AJAJ – ADAPTADA) A junção dos processos, em decorrênciade conexão ou continência, é absoluta. 27. (CESPE – 2014 – TJ/CE – AJAJ – ADAPTADA) A competência será determinada pela conexão quando duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração. 28. (CESPE – 2014 – TJ/CE – AJAJ – ADAPTADA) Caso um deputado federal cometa um crime de corrupção e seu comparsa, um delito doloso contra a vida, ambos serão processados e julgados perante o STF. 29. (CESPE – 2014 – TJ/CE – AJAJ – ADAPTADA) Se um deputado federal cometer um crime doloso contra a vida, ele terá de ser julgado pelo STF, em detrimento do tribunal do júri. 30. (CESPE – 2014 – TJ/SE - ANALISTA) Acerca do inquérito policial, da ação penal e da competência, julgue os próximos itens. Em caso de conexão ou continência, é facultativa a separação dos processos caso os crimes tenham sido cometidos em tempo e lugares diferentes. 31. (CESPE – 2011 – PC-ES – DELEGADO DE POLÍCIA) Em caso de crime continuado e, também, de infração permanente, praticado em território de duas ou mais jurisdições, a competência processual penal será definida pela prevenção. 32. (CESPE – 2010 – DPE-BA – DEFENSOR PÚBLICO) Júlio e Lauro foram denunciados, em processos distintos, pela prática da mesma infração penal. Nessa situação, a continência pode ser reconhecida em qualquer fase da persecução penal, ainda que um dos processos esteja em sede recursal ou, ainda, na fase de execução penal. 33. (CESPE – 2010 – PGM-RR – PROCURADOR) Não sendo conhecido o lugar da infração, a competência será firmada pelo domicílio da vítima. 34. (CESPE – 2010 – PGM-RR – PROCURADOR) Caso um prefeito municipal cometa crimes contra bens, interesses ou serviços da União, ele somente poderá ser processado criminalmente mediante ação penal instaurada no tribunal de justiça do estado. 35. (CESPE – 2010 – PGM-RR – PROCURADOR) A competência territorial é relativa; não alegada no momento oportuno, ocorre a preclusão. Por conseguinte, ela é prorrogável. 36. (CESPE – 2010 – AGU – ADVOGADO DA UNIÃO) A incompetência do juízo anula somente os atos decisórios, devendo o processo, quando for declarada a nulidade, ser remetido ao juiz competente. 37. (CESPE – 2017 – PC-GO – DELEGADO) Cláudio, maior e capaz, residente e domiciliado em Goiânia – GO, praticou determinado crime, para o qual é prevista ação penal privada, em Anápolis – GO. A vítima do crime, Artur, maior e capaz, é residente e domiciliada em Mineiros – GO. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 68 77 5 Nessa situação hipotética, considerando-se o disposto no Código de Processo Penal, o foro competente para processar e julgar eventual ação privada proposta por Artur contra Cláudio será a) Anápolis – GO ou Goiânia – GO. b) Goiânia – GO ou Mineiros – GO. c) Goiânia – GO, exclusivamente. d) Anápolis – GO, exclusivamente. e) Mineiros – GO, exclusivamente. 38. (CESPE – 2017 – PC-GO – DELEGADO - ADAPTADA) Segundo entendimento do STJ, é de competência da justiça estadual processar e julgar crime contra funcionário público federal, estando ou não este no exercício da função. 39. (CESPE – 2017 – PC-GO – DELEGADO - ADAPTADA) A competência para julgar prefeito municipal por desvio de verba sujeita a prestação de contas perante o órgão federal será dos juízes federais da seção judiciária da localidade em que o prefeito exercer ou tiver exercido o mandato. 40. (CESPE – 2017 – PC-GO – DELEGADO - ADAPTADA) A competência para julgar governador de estado que, no exercício do mandato, cometa crime doloso contra a vida será do tribunal do júri da unidade da Federação na qual aquela autoridade tenha sido eleita para o exercício do cargo público. 41. (CESPE – 2017 – PC-GO – DELEGADO - ADAPTADA) A competência para processar e julgar crime de roubo que resulte em morte da vítima será do tribunal do júri da localidade em que ocorrer o fato criminoso. 42. (CESPE – 2017 – PC-GO – DELEGADO - ADAPTADA) No Estado brasileiro, a jurisdição penal pode ser exercida pelo STF, e em todos os graus de jurisdição das justiças militar e eleitoral, e das justiças comuns estadual e federal, dentro do limite da competência fixada por lei. 43. (CESPE – 2016 – PC-PE – AGENTE – ADAPTADA) Conexão e continência são institutos que autorizam a prorrogação da competência, possibilitando que esta seja definida em desacordo com as regras abstratas baseadas no lugar do crime, domicílio do réu, natureza da infração ou distribuição. 44. (CESPE – 2016 – PC-PE – AGENTE – ADAPTADA) A competência ratione loci, que se refere ao local da consumação do crime, deriva da legislação infraconstitucional e é de natureza absoluta, não podendo ser prorrogada nem reconhecida de ofício pelo juiz. 45. (CESPE – 2016 – PC-PE – AGENTE – ADAPTADA) O princípio do juiz natural determina que a ação penal deverá ser julgada pelo juiz que primeiro tiver tomado conhecimento do fato. 46. (CESPE – 2016 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) Na hipótese de um crime de latrocínio em que haja conexão com um crime de tentativa de homicídio, deve haver a reunião de processos em Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 69 77 ==1b4257== 6 um só juízo, e preponderará a competência do juízo ao qual esteja associado o crime cominado com pena mais grave, no caso o de latrocínio. 47. (CESPE – 2016 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) Nos crimes culposos contra a vida em que os atos de execução ocorram em um lugar e a consumação, em outro, excepcionalmente adota-se a teoria da atividade, e a competência para julgar o fato será do juízo do local dos atos executórios. 48. (CESPE – 2016 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) É da competência da justiça estadual o processo dos réus acusados pelo crime de redução à condição análoga à de escravo, porque a conduta criminosa atinge a liberdade individual de homem específico, não caracterizando violação a interesse da União. 49. (CESPE – 2016 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) A competência pela prevenção se dá quando, concorrendo dois ou mais juízes igualmente competentes ou com jurisdição cumulativa, um deles anteceda aos outros ao determinar a citação do réu. 50. (CESPE – 2016 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) Os crimes contra a honra da vítima quando praticados pelas redes sociais da Internet são da competência exclusiva da justiça federal. 51. (CESPE – 2016 – TRE-PI – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA – ADAPTADA) Prefeito municipal do estado do Rio Grande do Sul que cometa o delito de porte ilegal de arma em cidade do estado de São Paulo será processado e julgado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. 52. (CESPE – 2016 – TRE-PI – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA – ADAPTADA) Parlamentar estadual que cometa crime contra bens e interesses da União deverá ser processado e julgado pelo tribunal de justiça com jurisdição no local do delito. 53. (CESPE – 2016 – TRE-PI – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA – ADAPTADA) Prefeito municipal que cometa homicídio doloso será processado e julgado pelo tribunal de justiça local, e não pelo tribunal do júri. 54. (CESPE – 2016 – TRE-PI – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA – ADAPTADA) Ocorrerá a separação de processos quando um parlamentar federal praticar homicídio doloso em concurso com outro parlamentar estadual, pois, no caso deste, o foro especial é estabelecido pela Constituição estadual. 55. (CESPE – 2015 – AGU – ADVOGADO DA UNIÃO) Um servidor público, concursado e estável, praticou crime de corrupção passiva e foi condenado definitivamente ao cumprimento de pena privativa de liberdade de seis anos de reclusão, em regime semiaberto, bem como ao pagamento de multa. A respeito dessa situação hipotética, julgue o item seguinte. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo)Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 70 77 7 Na hipótese em apreço, a competência seria da justiça federal, caso o servidor público fosse integrante da administração pública federal e o crime cometido tivesse nexo funcional com o cargo ocupado. 56. (CESPE – 2014 – CÂMARA DOS DEPUTADOS – ANALISTA LEGISLATIVO) Acerca dos juizados especiais criminais, do processo de responsabilidade administrativa, civil e penal nos casos de abuso de autoridade, do processo dos crimes ambientais e da interceptação de comunicações telefônicas, julgue o item a seguir. O policial militar que, em serviço, praticar crime de abuso de autoridade será julgado pela justiça militar. 57. (CESPE – 2014 – PGE-BA – PROCURADOR) Considere que Cássio, jogador de futebol residente na cidade de Montes Claros — MG, tenha declarado, em entrevista a jornais de circulação local no município de Governador Valadares — MG, que Emílio, árbitro de futebol, recebia dinheiro de agremiações para influenciar os resultados das partidas que arbitrava. Nessa situação hipotética, caso Emílio se considere caluniado e decida defender seus direitos na esfera criminal, ele poderá optar por propor a queixa-crime no foro de Montes Claros — MG. 58. (CESPE – 2013 – AGU – PROCURADOR FEDERAL) Acerca da competência, da coisa julgada e dos recursos no processo penal, julgue os itens a seguir à luz do entendimento dos tribunais superiores e da doutrina majoritária. Aos juízes federais compete processar e julgar, nos casos determinados por lei, os crimes contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira. 59. (CESPE – 2013 – AGU – PROCURADOR FEDERAL) Acerca da competência, da coisa julgada e dos recursos no processo penal, julgue os itens a seguir à luz do entendimento dos tribunais superiores e da doutrina majoritária. A competência da justiça federal para processar e julgar os crimes contra a organização do trabalho alcança os delitos referentes a direitos individuais, e não, a direitos que visem a toda uma categoria de trabalhadores. 60. (CESPE – 2013 – TJ-BA – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) Nos casos de exclusiva ação privada, quando conhecido o lugar da infração, o querelante não poderá preferir o foro de domicílio ou da residência do réu. 61. (CESPE – 2013 – TJ-BA – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) A conexão e a continência importarão na unidade de processo e julgamento, mesmo no concurso entre a jurisdição comum e a militar. 62. (CESPE – 2013 – TJ-ES – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) Não sendo conhecido o local da infração praticada no território nacional, a competência será regulada pelo domicílio ou pela residência da vítima. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 71 77 8 63. (CESPE – 2013 – TJ-ES – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) A competência para o processo de acusado de conduta classificada como contravenção penal contra bens da União é da justiça federal. 64. (CESPE – 2013 – TJ-ES – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) Compete à justiça estadual o julgamento dos acusados da prática de contravenções penais, ainda que praticadas em desfavor da União, de suas autarquias ou empresas públicas, salvo se houver conexão entre a prática da contravenção penal e a prática de delitos cujo agente deva ser julgado pela justiça federal, a quem caberá o julgamento de ambos os fatos. 65. (CESPE – 2013 – TJ-ES – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) A competência do tribunal do júri prevista na CF prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente em constituição estadual. 66. (CESPE – 2013 – TJ-ES – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) Compete à justiça militar processar e julgar militar pela prática, em serviço, do crime de abuso de autoridade. 67. (CESPE – 2013 – POLÍCIA FEDERAL – DELEGADO DE POLÍCIA) Compete à Justiça federal processar e julgar os acusados da prática de crimes de lavagem de dinheiro, uma vez que a repressão a esses crimes é imposta por tratado internacional. 68. (CESPE – 2013 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) A conexão e a continência implicam a reunião dos processos e atingem os processos que estiverem com sentença prolatada, salvo se, em relação a algum corréu, sobrevier doença mental posterior à infração penal ou se houver corréu foragido que não possa ser julgado à revelia. 69. (CESPE – 2013 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) Determina-se a competência pela continência, caso se caracterize, nos termos do CPP, concurso formal de crimes, aberractio ictus e aberractio criminis. 70. (CESPE – 2013 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) Caracteriza-se como conexão intersubjetiva por simultaneidade a prática de diversas infrações penais, perpetradas por diversas pessoas, umas contra as outras. 71. (CESPE – 2013 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) A competência é definida pelo lugar em que ocorreu a infração cominada com a pena mais grave. Caso o limite territorial entre duas ou mais jurisdições seja incerto ou a jurisdição seja incerta, por ter sido o crime consumado ou tentado nas divisas de duas ou mais jurisdições, prevalece o lugar em que ocorreu o maior número de infrações, independentemente da regra de conexão ou continência. 72. (CESPE – 2013 – TJDFT – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) O querelante pode escolher ajuizar queixa-crime no foro do domicílio do réu, ainda que conhecido o lugar da infração. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 72 77 9 73. (CESPE – 2013 – TJ-PI – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) Será da competência da justiça federal processar e julgar os acusados da prática de crimes em detrimento de sociedade de economia mista. 74. (CESPE – 2013 – TJ-PI – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) O vereador que praticar crime doloso contra a vida será processado e julgado no tribunal do júri, não se aplicando, nesse caso, o foro especial estabelecido em Constituição estadual. 75. (CESPE – 2013 – TJ-PI – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) O prefeito que praticar crime eleitoral será processado pelo tribunal de justiça do estado onde se localize o município em que ele exerça sua função, ainda que o fato tenha ocorrido em outro estado. 76. (CESPE – 2013 – TJ-PI – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) A inobservância da competência pela prevenção será causa de nulidade absoluta. 77. (CESPE – 2013 – TJ-PI – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) O prefeito que desviar verba pública federal será processado perante o foro especial estadual. 78. (CESPE – 2012 – TJ-RO – TÉCNICO JUDICIÁRIO - ADAPTADA) Deputada federal que cometeu infanticídio deverá ser processada e julgada perante o STF, por tratar-se de crime doloso contra a vida. 79. (CESPE – 2012 – TJ-RO – TÉCNICO JUDICIÁRIO - ADAPTADA) Deputado estadual que cometeu homicídio qualificado pela crueldade deverá ser processado e julgado perante o respectivo tribunal de justiça do estado, em consideração à prerrogativa infraconstitucional. 80. (CESPE – 2012 – TJ-RO – TÉCNICO JUDICIÁRIO - ADAPTADA) Membro de ministério público estadual que cometeu crime de peculato deverá ser processado e julgado por juiz de 1.º grau, exceto se, na respectiva constituição estadual, essas ações sejam de competência do tribunal de justiça. 81. (CESPE – 2012 – TJ-RO – TÉCNICO JUDICIÁRIO - ADAPTADA) Juiz de direito que cometeu crime de abuso de autoridade durante sua atuação em vara criminal deverá ser processado e julgado perante o Superior Tribunal de Justiça. 82. (CESPE – 2012 – TJ-RO – TÉCNICO JUDICIÁRIO - ADAPTADA) Governador que cometeu estelionato deverá ser processado e julgado perante o STF, em face de exercer função constitucional. 83. (CESPE – 2012 – TJ-RO – ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUSTIÇA – ADAPTADA) Se duas ou mais pessoas foremacusadas pela mesma infração penal, a competência deve ser definida pela continência. 84. (CESPE – 2012 – TJ-RO – ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUSTIÇA – ADAPTADA) Caso uma infração continuada ou permanente seja praticada em território de duas ou mais jurisdições, a competência deve ser definida pela natureza da infração. Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 73 77 10 85. (CESPE – 2012 – TJ-RO – ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUSTIÇA – ADAPTADA) Tanto nas ações penais privadas como nas públicas, cabe ao autor escolher o foro de domicílio ou da residência do réu, ainda que seja conhecido o local da infração. GABARITO 1. ERRADA 2. CORRETA (ANULADA) 3. ERRADA 4. ERRADA 5. CORRETA 6. ERRADA 7. ERRADA 8. CORRETA 9. ERRADA 10. ERRADA 11. CORRETA 12. CORRETA 13. CORRETA 14. ERRADA 15. CORRETA 16. CORRETA 17. CORRETA 18. CORRETA 19. ERRADA 20. ERRADA 21. ERRADA 22. CORRETA 23. CORRETA 24. CORRETA 25. ERRADA 26. ERRADA Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 74 77 11 27. ERRADA 28. ERRADA 29. CORRETA 30. CORRETA 31. CORRETA 32. ERRADA 33. ERRADA 34. ERRADA 35. CORRETA 36. CORRETA 37. ALTERNATIVA A 38. CORRETA 39. ERRADA 40. ERRADA 41. ERRADA 42. ERRADA 43. CORRETA 44. ERRADA 45. ERRADA 46. ERRADA 47. CORRETA 48. ERRADA 49. ERRADA 50. ERRADA 51. ERRADA 52. ERRADA 53. CORRETA 54. ERRADA 55. CORRETA 56. ERRADA 57. CORRETA 58. CORRETA 59. ERRADA 60. ERRADA 61. ERRADA 62. ERRADA 63. ERRADA 64. ERRADA 65. CORRETA 66. ERRADA 67. ERRADA 68. ERRADA Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 75 77 12 69. CORRETA 70. ERRADA 71. ERRADA 72. CORRETA 73. ERRADA 74. CORRETA 75. ERRADA 76. ERRADA 77. ERRADA 78. CORRETA 79. ERRADA 80. ERRADA 81. ERRADA 82. ERRADA 83. CORRETA 84. ERRADA 85. ERRADA Renan Araujo Aula 01 Senado Federal (Técnico - Policial Legislativo) Direito Processual Penal - Cebraspe 2022 www.estrategiaconcursos.com.br 178645505642808796 - Flavio Gama de Oliveira 76 77