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Comunicação Breve Brief Communication Zambon et al. CoDAS 2017;29(2):e20150261 DOI: 10.1590/2317-1782/20172015261 1/6 Equivalência cultural da versão brasileira do Vocal Fatigue Index – VFI Cross-cultural adaptation of the Brazilian version of the Vocal Fatigue Index – VFI Fabiana Zambon1,2,3 Felipe Moreti1,2 Chayadevie Nanjundeswaran4 Mara Behlau1,2 Descritores Voz Disfonia Fadiga Protocolos Tradução Fonoaudiologia Keywords Voice Dysphonia Fatigue Protocols Translating Speech, Language and Hearing Sciences Endereço para correspondência: Fabiana Zambon Sindicato dos Professores de São Paulo – SINPRO-SP Rua Borges Lagoa, 208, Vila Clementino, São Paulo (SP), Brasil, CEP: 04038-000. E-mail: fabiana@sinprosp.org.br Recebido em: Outubro 14, 2015 Aceito em: Março 01, 2016 Trabalho realizado no Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP - São Paulo (SP), Brasil. 1 Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP - São Paulo (SP), Brasil. 2 Centro de Estudos da Voz – CEV - São Paulo (SP), Brasil. 3 Sindicato dos Professores de São Paulo – SINPRO-SP - São Paulo (SP), Brasil. 4 East Tennessee State University - Johnson City (TN), United States of America. Fonte de financiamento: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Conflito de interesses: nada a declarar. RESUMO O objetivo deste estudo foi desenvolver a equivalência cultural da versão brasileira do protocolo Vocal Fatigue Index – VFI. Dois fonoaudiólogos brasileiros bilíngues traduziram a versão original do VFI do inglês para o português. As traduções foram revisadas pelos pesquisadores e por um comitê de cinco fonoaudiólogos especialistas em voz, chegando-se a uma versão final do instrumento. Um terceiro fonoaudiólogo bilíngue retrotraduziu essa versão final e o mesmo comitê reviu as diferenças em relação à versão original. A versão final em português do protocolo VFI, assim como o original em inglês, é respondida de acordo com a frequência de ocorrência em que se experienciam os sintomas: 0 = nunca, 1 = quase nunca, 2 = às vezes, 3 = quase sempre e 4 = sempre. Para a equivalência cultural da versão em português, a opção “não aplicável” foi acrescida na chave de respostas e 20 indivíduos com queixa vocal e disfonia completaram o instrumento. Se alguma questão fosse considerada “não aplicável”, seria eliminada da versão brasileira do protocolo; nenhuma questão foi eliminada do instrumento. A versão em português brasileiro foi intitulada Índice de Fadiga Vocal – IFV e apresenta 19 questões, da mesma forma que o instrumento original. Dos 19 itens, 11 referem-se à fadiga e restrição vocal, 5, ao desconforto físico associado à voz e 3 à recuperação dos sintomas com o repouso. A versão para o português brasileiro do VFI apresenta equivalência cultural e linguística em relação ao instrumento original. A validação do IFV para o português brasileiro está em andamento. ABSTRACT The purpose of this study was to perform the cultural adaptation of the Brazilian version of the Vocal Fatigue Index (VFI). Two Brazilian bilingual speech-language pathologists (SLP) translated the original version of the VFI in English into Portuguese. The translations were reviewed by a committee of five voice specialist SLPs resulting in the final version of the instrument. A third bilingual SLP back-translated this final version and the same committee reviewed the differences from its original version. The final Portuguese version of the VFI, as in the original English version, was answered on a categorical scale of 0-4 indicating the frequency they experience the symptoms: 0=never, 1=almost never, 2=sometimes, 3=almost always, and 4=always. For cultural equivalence of the Portuguese version, the option “not applicable” was added to the categorical scale and 20 individuals with vocal complaints and dysphonia completed the index. Questions considered “not applicable” would be disregarded from the Brazilian version of the protocol; no question had to be removed from the instrument. The Brazilian Portuguese version was entitled “Índice de Fadiga Vocal – IFV” and features 19 questions, equivalent to the original instrument. Of the 19 items, 11 were related with tiredness of voice and voice avoidance, five concerned physical discomfort associated with voicing, and three were related to improvement of symptoms with rest or lack thereof. The Brazilian version of the VFI presents cultural and linguistic equivalence to the original instrument. The IFV validation into Brazilian Portuguese is in progress. Zambon et al. CoDAS 2017;29(2):e20150261 DOI: 10.1590/2317-1782/20172015261 2/6 INTRODUÇÃO A fadiga vocal é uma percepção do indivíduo manifestada pelo aumento do esforço fonatório associado ao aumento da demanda vocal, que melhora com repouso vocal adequado(1). A fadiga vocal é também descrita como um sintoma de alteração vocal ou, quando associada a comportamentos negativos, é a causa de uma disfonia(2). Frequentemente, a presença de fadiga vocal é avaliada pela presença de uma variedade de sintomas(3-5). Existem várias definições de fadiga vocal na literatura, resultando em um aumento da dificuldade de se avaliar com precisão esse aspecto do ponto de vista do indivíduo(6,7). Recentemente, um grupo de pesquisadores americanos desenvolveu e validou o Vocal Fatigue Index – VFI(7), um instrumento de autoavaliação respondido pelo paciente, elaborado à partir de um conjunto de sintomas que sinalizam a fadiga vocal e que colabora na identificação de indivíduos com esse problema. O protocolo americano apresenta 19 questões divididas em três domínios: fadiga e restrição vocal, desconforto físico associado à voz e recuperação dos sintomas com repouso(7). De acordo com as normas internacionais do Scientific Advisory Committee of Medical Outcome Trust(8), para que um instrumento seja utilizado em outra língua e cultura é imprescindível a sua validação, cujo primeiro passo é a realização da adaptação cultural e linguística, resolvendo-se, assim, as diferenças de idioma, culturais e sociais que possam existir para a aplicação do instrumento na nova cultura e língua. Dessa forma, o objetivo da presente pesquisa é desenvolver a equivalência cultural do protocolo VFI para o português brasileiro, por meio da adaptação cultural e linguística do protocolo. MÉTODO A presente pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp (CAAE: 09205412.1.0000.5505 e parecer n. 159.968, de 29/11/2012). Todos os sujeitos investigados concordaram em participar do estudo e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. O VFI(7) foi traduzido para o português brasileiro por dois fonoaudiólogos brasileiros e bilíngues (Tradutor 1 – T1 e Tradutor 2 – T2), que realizaram a tradução conceitual. As traduções foram analisadas e comparadas por um comitê formado por cinco fonoaudiólogos especialistas em voz e com proficiência na língua inglesa. As diferenças encontradas foram discutidas e, quando necessário, modificações foram realizadas, chegando-se a uma versão traduzida final (versão em português – VP). A versão final traduzida do protocolo foi retrotraduzida por um terceiro fonoaudiólogo brasileiro bilíngue, que não participou das etapas anteriores. A versão retrotraduzida foi comparada à versão inglês original do protocolo, chegando-se à versão em português com equivalência semântica e do idioma. As diferenças conceituais foram novamente discutidas pelo mesmo comitê de fonoaudiólogos que participou da etapa anterior, chegando-se à versão final com equivalência cultural e linguística do protocolo. A versão final em português do protocolo VFI, assim como o original em inglês, é respondida pelo próprio paciente, de acordo com a frequência de ocorrência com que experienciam os sintomas: 0 = nunca, 1 = quase nunca, 2 = às vezes, 3 = quase sempre e 4 = sempre. Para a avaliação e verificaçãoda equivalência cultural da versão em português brasileiro do instrumento, a opção “não aplicável” foi acrescida à chave de respostas e 20 indivíduos (13 mulheres e 7 homens, média de idade de 41 anos, com escolaridade de ensino fundamental a superior) com queixa vocal e diagnóstico de disfonia comportamental responderam a versão brasileira do VFI. As questões não aplicáveis foram desconsideradas da versão brasileira do questionário. O critério de inclusão para os 20 participantes foi apresentar queixa vocal e disfonia de qualquer grau, tipo e etiologia. Os critérios de exclusão foram: usar medicamentos para doenças psiquiátricas e/ou ter alterações neurológicas que impossibilitassem a compreensão para o preenchimento do questionário. RESULTADOS A versão do VFI para o português brasileiro foi intitulada Índice de Fadiga Vocal – IFV. Os participantes não escolheram a opção não aplicável em nenhuma questão, dessa forma, nenhum item teve de ser eliminado ou modificado na adaptação cultural e linguística. O processo de tradução e adaptação cultural do protocolo encontra-se no Quadro 1. Da mesma forma que o original VFI, a versão traduzida IFV possui 19 questões divididas em três domínios: o primeiro é formado por 11 itens relacionados à fadiga e restrição vocal; o segundo possui 5 itens referentes ao desconforto físico associado à voz e o terceiro, três itens relacionados à recuperação da fadiga com repouso vocal (Anexo A). DISCUSSÃO A fadiga vocal é um tema atual e de relevância para pesquisas com indivíduos disfônicos ou populações de risco(3-5). Poucos estudos desenvolveram instrumentos específicos para a autoavaliação da fadiga vocal, nenhum desenvolvido ou validado para o português brasileiro, fazendo-se necessária a adaptação cultural e linguística como primeiro passo para a validação de tais instrumentos(8). A adaptação cultural e linguística visa a adequação dos itens de um instrumento para sua aplicabilidade na população em questão, para que as possíveis diferenças socioculturais entre as culturas e os idiomas sejam resolvidas, não sendo uma mera tradução literal do instrumento original8, possibilitando seu uso pelos indivíduos dessa cultura alvo. Tal metodologia de adaptação cultural tem sido utilizada para a tradução e validação de outros instrumentos de áreas da Fonoaudiologia para o português brasileiro(9-15). Com a conclusão do processo de tradução e adaptação cultural e linguística para o português brasileiro, o processo de validação do IFV foi iniciado, objetivando-se demonstrar as propriedades psicométricas de validade, confiabilidade e sensibilidade da versão brasileira, a fim de possibilitar seu uso confiável em pesquisas e na prática clínica(8). Pesquisas futuras Zambon et al. CoDAS 2017;29(2):e20150261 DOI: 10.1590/2317-1782/20172015261 3/6 Q ua d ro 1 . P ro ce ss o d e tr ad uç ão e a d ap ta çã o cu ltu ra l e li ng uí st ic a d o p ro to co lo V oc al F at ig ue In d ex – V FI (7 ) p ar a o p or tu gu ês b ra si le iro Q ue st õe s Ve rs ão o rig in al em in gl ês (7 ) Tr ad uç ão p ar a o p or tu gu ês b ra si le iro R et ro tr ad uç ão d a V P p ar a o in gl ês C om itê d e fo no au d ió lo go s: eq ui va lê nc ia s em ân tic a e d o id io m a C om itê d e fo no au d ió lo go s: eq ui va lê nc ia c ul tu ra l e lin gu ís tic a 1 I d on ’t fe el li ke t al ki ng af te r a p er io d o f v oi ce us e T1 : F ic o se m v on ta de d e fa la r d ep oi s qu e fa le i u m p ou co m ai s T2 : P er co a v on ta d e d e fa la r ap ós o p er ío d o d e us o vo ca l V P : F ic o se m v on ta de d e fa la r d ep oi s qu e fa le i u m p ou co m ai s I d on ’t fe el li ke t al ki ng a ft er I ha d b ee n sp ea ki ng q ui te a b it N ão t en ho v on ta d e d e fa la r d ep oi s d e te r co nv er sa d o p or al gu m t em p o Fi co s em v on ta d e d e fa la r d ep oi s q ue fa le i u m p ou co m ai s 2 M y vo ic e fe el s tir ed w he n I t al k m or e T1 : M in ha v oz fi ca c an sa d a q ua nd o eu fa lo d em ai s T2 : M in ha v oz fi ca c an sa d a q ua nd o eu fa lo m ui to V P : M in ha v oz fi ca c an sa d a q ua nd o fa lo m ui to M y vo ic e ge ts t ire d w he n I sp ea k a lo t M in ha v oz fi ca c an sa d a q ua nd o eu fa lo m ui to M in ha v oz fi ca c an sa d a q ua nd o eu fa lo m ui to 3 I e xp er ie nc e in cr ea se d se ns e of e ff or t w ith ta lk in g T1 : S in to q ue o e sf or ço a um en ta n a m ed id a em q ue e st ou fa la nd o T2 : S in to q ue fa ço m ui to e sf or ço p ar a fa la r V P : S in to q ue fa ço m ai s es fo rç o q ua nd o eu fa lo I f ee l t ha t I s tr ai n m or e w he n I s p ea k S in to q ue fa ço m ai s fo rç a q ua nd o fa lo S in to q ue o e sf or ço a um en ta en q ua nt o fa lo 4 M y vo ic e ge ts h oa rs e w ith v oi ce u se T1 : M in ha v oz fi ca r ou ca d ep oi s d e um t em p o d e fa la T2 : M in ha v oz fi ca r ou ca q ua nd o fa lo V P : M in ha v oz fi ca r ou ca d ep oi s d e fa la r M y vo ic e ge ts h oa rs e af te r I sp ea k M in ha v oz fi ca r ou ca d ep oi s q ue fa lo M in ha v oz fi ca r ou ca d ep oi s q ue fa lo 5 It fe el s lik e w or k to u se m y vo ic e T1 : T en ho q ue fa ze r fo rç a p ar a p ro d uz ir a vo z T2 : T en ho q ue fo rç ar p ar a p ro d uz ir a vo z V P : T en ho q ue fa ze r fo rç a p ar a p ro d uz ir a vo z I h av e to s tr ai n to p ho na te P re ci so fa ze r fo rç a p ar a fa la r Te nh o q ue fa ze r fo rç a p ar a p ro d uz ir a vo z 6 I t en d t o ge ne ra lly lim it m y ta lk in g af te r a p er io d o f v oi ce u se T1 : P ro cu ro e vi ta r fa la r d ep oi s q ue u se i m ui to a v oz T2 : E u ge ra lm en te p ou p o m in ha v oz a p ós u sá -l a V P : T en to e vi ta r fa la r d ep oi s q ue fa le i m ui to I t ry t o av oi d s p ea ki ng a ft er I ta lk ed a lo t E vi to c on ve rs ar d ep oi s q ue fa le i m ui to P ro cu ro e vi ta r fa la r d ep oi s q ue u se i m ui to a v oz 7 I a vo id s oc ia l s itu at io ns w he n I k no w I ha ve t o ta lk m or e T 1: E vi to s itu aç õ es s o ci ai s q ua nd o s ei q ue v o u te r q ue fa la r m ui to T2 : E vi to s itu aç õe s so ci ai s on d e se i q ue fa la re i m ui to V P : E vi to s itu aç õe s so ci ai s q ua nd o se i q ue fa la re i m ui to I a vo id s oc ia l m ee tin gs w he n I k no w I w ill s p ea k a lo t E vi to e ve nt os s oc ia is q ua nd o se i q ue t er ei q ue fa la r m ui to E vi to s itu aç õe s so ci ai s q ua nd o se i q ue v ou t er q ue fa la r m ui to 8 I f ee l I c an no t ta lk t o m y fa m ily a ft er a w or k d ay T1 : D ep oi s d e um d ia d e tr ab al ho s in to d ifi cu ld ad es p ar a fa la r co m m in ha fa m íli a T2 : S in to q ue n ão c on si go fa la r co m m in ha fa m íli a ap ós u m d ia d e tr ab al ho V P : Te nh o p ro b le m as p ar a fa la r co m m in ha f am ília d ep oi s d e um d ia d e tr ab al ho I h av e tr ou b le t o ta lk t o m y fa m ily a ft er a d ay o f w or k Te nh o d ifi cu ld ad e em co nv er sa r co m m in ha fa m íli a d ep oi s d e um d ia d e tr ab al ho Te nh o d ifi cu ld ad es p ar a fa la r co m m in ha fa m íli a d ep oi s d e um d ia d e tr ab al ho 9 It is e ff or tf ul t o p ro d uc e m y vo ic e af te r a p er io d of v oi ce u se T1 : Te nh o q ue f az er f or ça p ar a p ro d uz ir a vo z d ep oi s q ue fa le i u m p ou co m ai s T2 : F al ar a p ós u m p er ío d o d e us o vo ca l r eq ue r m ui ta e ne rg ia V P : Te nh o q ue f az er f or ça p ar a p ro d uz ir a vo z d ep oi s q ue fa le i u m p ou co m ai s I h av e to m ak e an e ff or t to p ho na te a ft er I ha d b ee n ta lk in g q ui te a b it P re ci so fa ze r ce rt o es fo rç o p ar a fa la r d ep oi s d e te r co nv er sa d o p or u m t em p o Te nh o q ue fa ze r fo rç a p ar a p ro d uz ir a vo z d ep oi s q ue fa le i u m p ou co m ai s 10 I fi nd it d iffi cu lt to p ro je ct m y vo ic e w ith vo ic e us e T1 : Te nh o d ifi cu ld ad es d e p ro je ta r a m in ha v oz n a m ed id a em q ue v ou fa la nd o T2 : É d ifí ci l p ro je ta r m in ha v oz V P : T en ho d ifi cu ld ad es e m p ro je ta r m in ha v oz q ua nd o fa lo I h av e tr ou b le p ro je ct in g m y vo ic e w he n I s p ea k Te nh o d ifi cu ld ad e p ar a p ro je ta r m in ha v oz q ua nd o fa lo Te nh o d ifi cu ld ad e p ar a p ro je ta r a m in ha v oz en q ua nt o fa lo 11 M y vo ic e fe el s w ea k af te r a p er io d o f v oi ce us e T1 : M in ha v oz fi ca fr ac a d ep oi s q ue e u fa lo u m p ou co m ai s T2 : M in ha v oz fi ca fr ac a ap ós u m p er ío d o d e us o V P : M in ha v oz fi ca fr ac a d ep oi s q ue e u fa lo u m p ou co m ai s M y vo ic e ge ts w ea k af te r I ha d s p ok en q ui te a b it M in ha v oz fi ca fr ac a d ep oi s d e eu t er fa la d o um p ou co M in ha v oz fi ca fr ac a d ep oi s q ue e u fa lo u m p ou co m ai s 12 I e xp er ie nc e p ai n in t he ne ck a t th e en d o f t he d ay w ith v oi ce u se T1 : Q ua nd o us o da v oz , fi co c om d or n o pe sc oç o ao fi na l d o di a T2 : E u te nh o do re s no p es co ço n o fin al d o di a qu an do u so a v oz VP : E u te nh o do re s no p es co ço n o fin al d o di a qu an do u so a v oz I f ee l p ai n in t he n ec k at t he en d o f t he d ay w he n I u se m y vo ic e N o fin al d o d ia , q ua nd o fa lo , si nt o d or n o p es co ço Fi co c om d or n o p es co ço a o fin al d o d ia q ua nd o us o a vo z Le g en d a: T 1 = t ra d ut or in gl ês -p or tu gu ês n úm er o 1; T 2 = t ra d ut or in gl ês -p or tu gu ês n úm er o 2; V P = v er sã o em p or tu gu ês d a co m p ila çã o d as t ra d uç õe s d o T1 + T 2 Zambon et al. CoDAS 2017;29(2):e20150261 DOI: 10.1590/2317-1782/20172015261 4/6 Q ue st õe s Ve rs ão o rig in al em in gl ês (7 ) Tr ad uç ão p ar a o p or tu gu ês b ra si le iro R et ro tr ad uç ão d a V P p ar a o in gl ês C om itê d e fo no au d ió lo go s: eq ui va lê nc ia s em ân tic a e d o id io m a C om itê d e fo no au d ió lo go s: eq ui va lê nc ia c ul tu ra l e lin gu ís tic a 13 I e xp er ie nc e th ro at p ai n at t he e nd o f t he d ay w ith v oi ce u se T1 : Q ua nd o us o a vo z, fi co c om d or n a ga rg an ta a o fin al d o di a T2 : E u te nh o do re s na g ar ga nt a no fi na l d o di a qu an do u so a v oz V P : E u te nh o d o re s na g ar g an ta n o fi na l d o d ia q ua nd o us o a vo z I f ee l t hr oa t p ai n at t he e nd o f th e d ay w he n I u se m y vo ic e N o fin al d o d ia , q ua nd o fa lo , si nt o d or n a ga rg an ta Fi co c om d or n a ga rg an ta a o fin al d o d ia q ua nd o us o a vo z 14 M y vo ic e fe el s so re w he n I t al k m or e T1 : T en ho a s en sa çã o d e q ue fa la r fic a d ol or id o q ua nd o eu fa lo m ai s T2 : M in ha v oz p ar ec e ru im q ua nd o fa lo m ui to V P : Q ua nd o fa lo m ui to s in to d or p ar a fa la r W he n I s p ea k to o m uc h I f ee l p ai n w hi le s p ea ki ng Q ua nd o co nv er so m ui to , si nt o d or a o fa la r Q ua nd o eu fa lo m ui to s in to d or p ar a fa la r 15 M y th ro at a ch es w ith vo ic e us e T1 : M in ha g ar ga nt a d ói q ua nd o fa lo m ui to T2 : M in ha g ar ga nt a d ói q ua nd o fa lo V P : M in ha g ar ga nt a d ói q ua nd o eu fa lo W he n I s p ea k m y th ro at h ur ts Q ua nd o eu fa lo m in ha ga rg an ta d ói Q ua nd o eu fa lo m in ha ga rg an ta d ói 16 I e xp er ie nc e d is co m fo rt in m y ne ck w ith v oi ce us e T1 : S in to d es co nf or to n o p es co ço q ua nd o fa lo T2 : S in to d es co nf or to n a re gi ão d o p es co ço q ua nd o fa lo V P : Q ua nd o eu fa lo s in to d es co nf or to n o p es co ço W he n I s p ea k I f ee l d is co m fo rt in t he n ec k Q ua nd o eu fa lo s in to d es co nf or to n o p es co ço Q ua nd o eu fa lo s in to d es co nf or to n o p es co ço 17 M y vo ic e fe el s b et te r af te r I h av e re st ed T1 : Q ua nd o eu d es ca ns o m in ha v oz m el ho ra T2 : M in ha v oz m el ho ra q ua nd o d es ca ns o V P : Q ua nd o eu d es ca ns o m in ha v oz m el ho ra W he n I r es t m y vo ic e ge ts b et te r Q ua nd o eu d es ca ns o m in ha vo z m el ho ra Q ua nd o eu d es ca ns o m in ha vo z m el ho ra 18 Th e ef fo rt t o p ro d uc e m y vo ic e d ec re as es w ith r es t T1 : Q ua nd o eu d es ca ns o, fa ço m en os fo rç a p ar a fa la r T2 : O e sf or ço p ar a p ro d uz ir a vo z d im in ui q ua nd o d es ca ns o V P : Q ua nd o eu d es ca ns o, fa ço m en os fo rç a p ar a fa la r W he n I r es t I s tr ai n le ss w he n I s p ea k Q ua nd o eu d es ca ns o fa ço m en os fo rç a p ar a fa la r Q ua nd o eu d es ca ns o fa ço m en os fo rç a p ar a fa la r 19 Th e ho ar se ne ss o f m y vo ic e ge ts b et te r w ith re st T1 : Q ua nd o eu d es ca ns o, m in ha v oz fi ca m en os r ou ca T2 : M in ha r ou q ui d ão d im in ui q ua nd o d es ca ns o V P : Q ua nd o eu d es ca ns o, m in ha v oz fi ca m en os r ou ca W he n I r es t m y vo ic e ge ts le ss h oa rs e Q ua nd o eu d es ca ns o m in ha vo z fic a m en os r ou ca Q ua nd o eu des ca ns o m in ha vo z fic a m en os r ou ca Le g en d a: T 1 = t ra d ut or in gl ês -p or tu gu ês n úm er o 1; T 2 = t ra d ut or in gl ês -p or tu gu ês n úm er o 2; V P = v er sã o em p or tu gu ês d a co m p ila çã o d as t ra d uç õe s d o T1 + T 2 Q ua d ro 1 . C on tin ua çã o. .. Zambon et al. CoDAS 2017;29(2):e20150261 DOI: 10.1590/2317-1782/20172015261 5/6 com o IFV poderão comparar aspectos da fadiga vocal de indivíduos disfônicos com outros instrumentos de autoavaliação ou, ainda, incluir características da fadiga vocal como item de avaliação multidimensional para grupos de risco. CONCLUSÃO A versão para o português brasileiro do instrumento, chamada Índice de Fadiga Vocal – IFV, apresenta equivalência cultural e linguística em relação ao original Vocal Fatigue Index – VFI. A validação do IFV para o português brasileiro está em andamento. REFERÊNCIAS 1. Solomon NP. Vocal fatigue and its relation to vocal hyperfunction. Int J Speech-Language Pathol. 2008;10(4):254-66. PMid:20840041. http:// dx.doi.org/10.1080/14417040701730990. 2. Welham NV, Mclagan MA. Vocal fatigue: current knowledge and future directions. J Voice. 2003;17(1):21-30. PMid:12705816. http://dx.doi. org/10.1016/S0892-1997(03)00033-X. 3. Kostyk BE, Rochet AP. 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Contribuição dos autores FZ foi responsável pelo delineamento do estudo, coleta, tabulação, análise dos dados e elaboração do manuscrito; FM foi responsável pela coleta, análise dos dados e elaboração do manuscrito; CN foi responsável pelo desenvolvimento do instrumento original, análise dos dados, revisão do conteúdo e da versão do manuscrito para o inglês; MB foi responsável pelo delineamento do estudo e revisão final do manuscrito. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?cmd=Retrieve&db=PubMed&list_uids=20840041&dopt=Abstract http://dx.doi.org/10.1080/14417040701730990 http://dx.doi.org/10.1080/14417040701730990 http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?cmd=Retrieve&db=PubMed&list_uids=12705816&dopt=Abstract http://dx.doi.org/10.1016/S0892-1997(03)00033-X http://dx.doi.org/10.1016/S0892-1997(03)00033-X http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?cmd=Retrieve&db=PubMed&list_uids=9763179&dopt=Abstract http://dx.doi.org/10.1016/S0892-1997(98)80019-2 http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?cmd=Retrieve&db=PubMed&list_uids=23119905&dopt=Abstract http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?cmd=Retrieve&db=PubMed&list_uids=23119905&dopt=Abstract http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?cmd=Retrieve&db=PubMed&list_uids=17134877&dopt=Abstract http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?cmd=Retrieve&db=PubMed&list_uids=17134877&dopt=Abstract http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2006.10.001 http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?cmd=Retrieve&db=PubMed&list_uids=25261955&dopt=Abstract http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014.05.010 http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014.05.010 http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?cmd=Retrieve&db=PubMed&list_uids=25795356&dopt=Abstract http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014.09.012 http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?cmd=Retrieve&db=PubMed&list_uids=12074258&dopt=Abstract http://dx.doi.org/10.1023/A:1015291021312 http://dx.doi.org/10.1023/A:1015291021312 http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?cmd=Retrieve&db=PubMed&list_uids=17628396&dopt=Abstract http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2007.04.005 http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?cmd=Retrieve&db=PubMed&list_uids=22231064&dopt=Abstract http://dx.doi.org/10.1590/S2179-64912011000400018 http://dx.doi.org/10.1590/S2179-64912011000400018 http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?cmd=Retrieve&db=PubMed&list_uids=20434874&dopt=Abstract http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2009.09.007 http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?cmd=Retrieve&db=PubMed&list_uids=24408335&dopt=Abstract http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?cmd=Retrieve&db=PubMed&list_uids=24408335&dopt=Abstract http://dx.doi.org/10.1590/S2317-17822013000300009 http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?cmd=Retrieve&db=PubMed&list_uids=24408487&dopt=Abstract http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?cmd=Retrieve&db=PubMed&list_uids=24408487&dopt=Abstract http://dx.doi.org/10.1590/S2317-17822013000400012 http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?cmd=Retrieve&db=PubMed&list_uids=24560004&dopt=Abstract http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2013.11.009 http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2013.11.009 http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?cmd=Retrieve&db=PubMed&list_uids=25590918&dopt=Abstract http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20142014175 http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20142014175 Zambon et al. CoDAS 2017;29(2):e20150261 DOI: 10.1590/2317-1782/20172015261 6/6 Anexo A. Versão traduzida e culturalmente adaptada para o português brasileiro do protocolo Vocal Fatigue Index – VFI(7), chamado Índice de Fadiga Vocal – IFV Índice de Fadiga Vocal – IFV Nome completo: _______________________________________________________________________________________Data de nascimento: _____/_____/________ Data de hoje: _____/_____/________ As frases abaixo apresentam alguns sintomas frequentemente associados a problemas de voz. Assinale a resposta que indica o quanto você apresenta o mesmo sintoma. 0 = nunca 1 = quase nunca 2 = às vezes 3 = quase sempre 4 = sempre Fadiga e restrição vocal 1. Fico sem vontade de falar depois que falei um pouco mais. 0 1 2 3 4 2. Minha voz fica cansada quando eu falo muito. 0 1 2 3 4 3. Sinto que o esforço aumenta enquanto falo. 0 1 2 3 4 4. Minha voz fica rouca depois que falo. 0 1 2 3 4 5. Tenho que fazer força para produzir a voz. 0 1 2 3 4 6. Procuro evitar falar depois que usei muito a voz. 0 1 2 3 4 7. Evito situações sociais quando sei que vou ter que falar muito. 0 1 2 3 4 8. Tenho dificuldades para falar com minha família depois de um dia de trabalho. 0 1 2 3 4 9. Tenho que fazer força para produzir a voz depois que falei um pouco mais. 0 1 2 3 4 10. Tenho dificuldade para projetar a minha voz enquanto falo. 0 1 2 3 4 11. Minha voz fica fraca depois que eu falo um pouco mais. 0 1 2 3 4 Desconforto físico associado à voz 12. Fico com dor no pescoço ao final do dia quando uso a voz. 0 1 2 3 4 13. Fico com dor na garganta ao final do dia quando uso a voz. 0 1 2 3 4 14. Quando eu falo muito sinto dor para falar. 0 1 2 3 4 15. Quando eu falo minha garganta dói. 0 1 2 3 4 16. Quando eu falo sinto desconforto no pescoço. 0 1 2 3 4 Recuperação com repouso vocal 17. Quando eu descanso minha voz melhora. 0 1 2 3 4 18. Quando eu descanso faço menos força para falar. 0 1 2 3 4 19. Quando eu descanso minha voz fica menos rouca. 0 1 2 3 4