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Segunda Edição 
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Prática Farmacêutica no 
Ambiente Hospitalar 
Do Planejamento à Realização 
2ª edição 
Editores 
Fábio Teixeira Ferracini 
Especialista e1n Homeopatia pelo lnstiti1to Brasileiro de Esti1dos Homeopáticos. 
Especialista em Administração Hospitalar pelo instituto de Ensino e Pesqitisa. 
Especialização e1n Fa1~1nácia Clinica p elo lnstititto Israelita de Ensino 
e Pesqitisa Albert Einstein. MBA em Logística Empresarial pela FGV 
Coo1~denador de Farmácia do Hospital Israelita Albert Einstein. 
Wladmir Mendes Borges Filho 
Especialista em Administração Hospitalar pela 
Faci1ldade de Saiide Pública da USP - 1998. 
MBA em Economia da Saúde - Centro Paulista de 
Economia da Saúde - Unifesp - 2006. 
Gerente de Farmácia do Hospital Israelita Albert Einstein. 
Atheneu 
São Paulo• Rio de Janeiro• Belo Horizonte 
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-1 
Sumário 
Capítulo 1 
Estrutura Organizacional, 1 
Fábio Teixeira Ferracini 
Capítulo 2 
Cestão de Estoques, 21 
Miguel Salomão Neto 
Capítulo 3 
Seleção de Medicamentos, 31 
Rosângela Romano 
Capítulo 4 
Provisão de Materiais e Medicamentos, 39 
Wladmir Mendes Borges Filho 
Capítulo 5 
Atenção Farmacêutica à Prescri ção Médica, 47 
Sweyme Bertoni Lima da Silva 
Capítulo 6 
Automed icação, 51 
Nathália Torres Globo 
Renê Assunção Silva 
Capítulo 7 
M ed icamentos Trazidos pelo Paciente, 59 
Aline Melo Santos Silva 
Andreia Ramos Lira 
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Cinthia .\ catc·11a c:a111a 
Capítul<1 11 
Racii( lt«1r111l11.. ~ i{1, 97 
,4ndrt-'~ 'ª de ,4tJreu Ferrare i 
Da\ ane Berto/lo Cozer Candiotto , 
Cio' ana R<)berta Zelezoglo 
Capítulc> 12 
Armazenan1ento e Distribuição de 
Mtldi< amentos e Prc)dutos para a Saúde, 107 
Mariza Tobias da Silva 
Capítulo 13 
Di~r)e 11sac.,.ão de Medicamentos 
e Materiais no Centro Cirúrgico, 125 
Vanessa de Cássia Brumatti 
Capítulo 14 
Autorriaçã<J 11<J PrfJcess<J de Uso do Med ican1ento, 13 7 
Nilson Gonçalves Malta 
Capítulo 15 
lntervençãr) Farmacêutica, 185 
Fábio Teixeira Ferracini 
Capítulo 16 
lndicadc) res de Qualidade e Desempenho, 193 
Mariza TrJbias da Silva 
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Capítulo 1 7 
Me d icc1 111 ' rl l < )~ S<)b C) ll l rc>l(\ ESjJ('c·ia l, 20 7 
Sar1dra Pet ric·cior1 c 
Capítulo 18 
Rc:(·,111 ele~ Mc'rli(·,1 111c11tos JC)S Fc)r11eccdores, 215 
Neila Maria MarqL1es Negrini 
Fabricia Aparecida de Lima Alves 
Capítu lo 19 
i te 111c.1s de ... DistribL1ição de M cclica 111e11tos, 223 
Patrícia \li/a Boa 
Capítulo 20 
Produção, U11itarização de Sólidos e Líquidos O rais, 233 
Mirian1 Tokita 
Cristina Midori Kunii 
Capítulo 21 
M edican1entos Injetáveis: Central de 
Preparo de M ed icamentos Estéreis, 237 
Luciana Kaori Leite Agari Torraga 
Capítulo 22 
Farmacovigilância, 267 
Si/vana Maria de Almeida 
Neila Maria Marques Negrini 
Capítulo 23 
Erros de M edicamentos, 279 
, 
Erika Miyamoto Kunii de Andrade 
Capítulo 24 
Treinamento e Capacitação de Profissionais, 289 
Mariza Tobias da Silva 
Fábio Teixeira Ferracini 
Capítulo 25 
Centro de 1 nformações sobre M edicamentos, 295 
Silvana Maria de Almeida 
1 
1 
• • 1 
! 
• 
1 
= 1 
! • • • • • • • ' 1 
~ 
' 
Scanned by TapScanner
• 
Capítulo 26 " · 307 
Farn1ácia Clí11ica e Atenção Farmaceut1ca, 
Silvana faria de Almeida 
Cise/e de Lima 
Capítulo 27 
Participação do Fa rn1a~êu ti co 
en1 EqL1ipe l11terd iscipl1nar, 323 
Juliana Locatelli 
Capítulo 28 
Qu i n1ioterapia, 3 35 
Cetina Setsuko Haga 
Capítulo 29 
Farn1ácia An1bulatorial, 347 
Lara Tânia de Assumpção Domingues Gonçalves de Oliveira 
Luciano Mio/a Zarzur 
Rozel de Campos Lopes 
Capítulo 30 
Protocolos em Farmácia Hospitalar, 351 
Liou Hsing Ling 
Capítulo 31 
Projetos Farmacêuticos, 359 
Fábio Teixeira Ferracini 
,. 
lndice Remissivo, 379 
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Estrutura Organizacional 
f·ábio Teixeirc1 Fcrrc1cini 
Ex s'""e a as de n oes de diversos autores, para a Farmácia Hospitalar: 
• o a ace t co hospitalar e responsável pela produção artesanal ou semi-industrial 
ae eo can1entos 
• a a ac a osp talar e a unidade tecnicamente aparelhada para prover a clínica e 
os oe a s serv ços dos rnedicamentos e produtos; 
• a fa rnac a hospitalar não se restringe aos aspectos técnico-científicos ligados aos 
med camentos, mas se responsabiliza, também, pelo gerenciamento das ativida­
des buscanao redução de custos, racionalização do trabalho e garantia do uso 
adequado aos medicamentos; 
• a farmac a hospitalar é um órgão de abrangência assistencial técnico-científica e 
adm n stratrva, no qual se desenvolvem atividades ligadas: à produção, ao arma­
zenamento, ao controle, à dispensa e à distribuição de medicamentos e materiais 
méd co-hospitalares; às unidades de internação e à orientação de pacientes in­
ternos e ambulatoriais - visando sempre à eficácia da terapêutica, à redução de 
custos e voltando-se também para o ensino e para a pesquisa, com o objetivo 
de propiciar um vasto campo de aprimoramento profissional; 
• clínrco-ass1stenc1al: é exatamente nesta fase que a farmácia hospitalar se encontra 
nos dias atuais. Segundo a defin ição da Sociedade Brasileira de Farmacêuticos 
Hospitalares (SBRAFH), a farmácia hospitalar é a unidade clínica, administrativa e 
econômica dirigida por um profissional farmacêutico, ligada hierarquicamente à 
direção do hospital e integrada funcionalmente às demais unidades de assistên­
cia ao paciente. A farmácia hospitalar não é responsável apenas pela provisão de 
produtos e serviços, mas também pela assistência prestada ao paciente. Como 
unidade clínica, o foco de sua atenção deve estar neste e em suas necessidades, 
bem como no medicamento como instrumento. 
ESTRUTURA ORGANIZACIONAL J 
Scanned by TapScanner
- s da Farmácia Hospitalar Funçoe 
. d Saúde (OPAS) e o Ministério da Saúde do Brasil 
. - p -Americana e . 
A Organ1zaçao _ an , . de um serviço de farmácia hospitalar: 
definem como funçoes bas1cas 
. micidas juntamente com a Comissão de Farmácia 
• selecionar medicament~s e Jer teriais médico-hospitalares juntamente com a 
e Terapêutica (CFT), a em e ma . . (CPM)· 
. - d p dronização de Mater1a1s ' 
Com1ssao e ª 
1 
edicamentos e materiais médico-hospitalares· 
• adquirir, conservar e contro ar os m , 
. riadamente os estoques; 
• gerenciar aprop d' t seguindo as normas técnicas adequadas, a fim de 
• armazenar os me 1camen os 
Preservar sua qualidade; 'd , · d' ·b·1·d d d 
. . 1 d. tos e germicidas devi o a 1n 1spon1 1 1 a e estes 
• produz1r/man1pu ar me 1camen . - · · · d 
d 
, ·d de de se atenderem prescnçoes espec1a1s ou, a1n a, de-no merca o, a necess1 a 
vida a motivos econômicos; . 
b 1 · t a rac·ional de distribuição de medicamentos, assegurando • esta e ecer um s1s em , . , 
desta forma, que estes cheguem ao paciente certo, na dose certa e no horario 
certo, com segurança; . 
• implantar um Centro de Informações sobre Med1~amen~o~, para que s~ ~bte~h~m 
dados objetivos que possibilitem à equipe de saude ot1m1zar a prescr1çao medica 
e a administração de medicamentos. 
Segundo o Conselho Federal de Farmácia (CFF), por meio da Resolução 308/97, a 
farmácia hospitalar deve desenvolver as seguintes atividades: 
• distribuir medicamentos por dose unitária e/ou individualizada para todas as uni­
dades de internação; 
• manter e controlar o estoque-padrão de medicamentos e produtos farmacêuticos 
utilizados nas unidades de internação, no pronto atendimento e nos demais servi­
ços do hospital; 
• dispensar medicamentos a pacientes em alta hospitalar, prestando orientação far­
macêutica adequada; 
• manipular soluções desinfetantes e distribuir na diluição de uso para todas as uni­
dades; 
• preparar, aditivar e controlar a qualidade das soluções de nutrição parenteral; 
• fracionar formas sólidas e líquidas para uso oral e/ou parenteral necessárias à pe­
diatria, à unidade neonatal e a pacientes especiais; 
• controlar a qualidade dos produtos manipulados adquiridos,da matéria-prima e 
do material de envase utilizados nas preparações manipuladas no hospital; 
• manter a central de abastecimento farmacêutico, além de executar as atribuições 
e tarefas inerentes ao controle físico e contábil necessários à prestação de contas 
do hospital; 
• e.laborar pedidos de compras de medicamentos, emitir pareceres técnicos, inspe­
c1Aon~r, receber, armazenar e distribuir medicamentos, produtos e insumos farma­
ceut1cos; 
2 PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITAlAR 
l 
Scanned by TapScanner
• controlar, de acordo com a legislação vigente, medicamentos que possam levar à 
dependência física e/ou psíquica ou que provoquem efeitos colaterais importantes; 
• participar da Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT) ou sim ilar, fornecendo 
subsídios técnicos para a tomada de decisões quanto à inclusão e à exclusão de 
medicamentos; 
• participar da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), subsidiando as 
decisões políticas e técnicas, relacionadas, em especial, à seleção, à aquisição, ao 
uso e ao controle de antimicrobianos e de germicidas hospitalares; 
• participar da Equipe Multiprofissional de Terapia Nutriciona l (EMTN), prestando 
informações relacionadas à viabilidade técnica das aditivações desejadas, da esta­
bilidade, do custo das preparações etc.; 
• participar das atividades de pesquisa que utilizam medicamentos; providenciar sua 
aqu isição, controlar e definir normas para a sua sol icitação à farmácia, bem como 
fornecer orientação sobre seu uso racional; 
• participar de reuniões técnico-científicas desenvolvidas nos serviços assistenciais 
do hospital; 
• participar das atividades de "reciclagem" dos funcionários do hospital, ministran­
do temas relacionados a medicamentos e a ciências farmacêuticas; 
• elaborar e prestar informações técnico-científicas sobre medicamentos e outros 
produtos farmacêuticos; 
• realizar estudos farmacoepidemiológicos; 
• elaborar avaliações farmacoeconômicas; 
• implantar a monitorização plasmática de fármacos e da farmacocinética clínica; 
• estruturar programas de farmacovigilância; 
• elaborar protocolos farmacoterápicos; 
• desenvolver atividades de farmácia clínica/atenção farmacêutica; 
• desenvolver programas de terapia nutricional; 
• implantar a central de misturas endovenosas; 
• estruturar o centro de informações sobre medicamentos; 
• desenvolver atividades educacionais e de pesquisa. 
Proposta de Desenvolvimento da Farmácia Hospitalar 
São necessários os seguintes requisitos para viabilizar uma farmácia hospitalar: 
• área física e localização adequadas; 
• posição apropriada na estrutura organizacional; 
• planejamento e controle; 
• gerenciamento de materiais; 
• recursos humanos adequados; 
• horário de funcionamento compatível com a complexidade do hospital; 
• sistema de distribuição de medicamentos; 
• informação sobre medicamentos; 
• otimização da terapia medicamentosa; 
• proposta de desenvolvimento da Farmácia Hospitalar, veja Fig. 1.1. 
ESTRUTURA ORGANIZACIONAL 3 
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Realizar estudo - Desenvolver estudos 
lrnplenientar o - de utilização de 
lrnplantar o - farn1acotecnico das - sisten1,1 de medicamentos. 
proce5so de seleção forrnulações de uso 
distribuição de Realizar anâl1ses 
no hospital. -de merlicarnentos 
111ed1ca111en tos. farrnaco-econômicas. 
- lniplantar o srsterna 
Estrutur;:11 o sistema - Estruturar a Estruturar siste--
de gerenciarnento - unidade de preparo ma de farmaco-de inforrnnções sobre 
de estoque. de medicamentos vigilâricia. rnedican1entos. Definir o srsten1a citostát1cos. Participar da - Participar ativan1ente -
de distnbu1ção de - _ Estruturar a monitorização 
da CFT. 111edicar1'1entos n1a1s unidade de plasmática de 
Arnplia1 a participação viável ao hospital. - n1an1pulação farmácos. 
nas ações de controle ln1plantar o sisten1a parenteral e misturas - Desenvolver -
de infecção hospitalar. de farmacotécnica. estudos de f arma-endovenosas. 
Implantar controle de cocinética clínica . - Implantar 
qualidade da -
ferramentas de 
matéria-prima. suporte a decisão. 
- Participar de 
ensaios clínicos de 
medicamentos. 
- Implantar farmácia 
clínica ou atenção 
farmacêut ica. 
Fig. 1. 1 - Proposta de desenvolvirnento da farmácia hospitalar. 
, 
Area física e localização 
Existem, na literatura, várias formas de se prever o dimensionamento da farmácia hos­
pitalar, mas o ideal é que se leve em consideração o desenvolvimento das atividades. 
Podemos definir o dimensionamento da farmácia hospitalar somente pelo número de 
leitos: 
• segundo o Ministério da Saúde: 1,5 m2/leito; 
• segundo Organização Pan-americana de Saúde (OPAS): 1,2 m2/ leito; 
• segundo Sociedade Espanhola de Farmácia Hospitalar: 1,0 m2/leito. 
Se a previsão for pelas atividades desenvolvidas pelos serviços prestados, tem-se que 
levar em consideração os seguintes aspectos: 
• tipo do hospital: especializado, geral, policlín ico, de ensino, filantrópico etc.; 
• fonte mantenedora e tipo de atendimento: particular, convênio, com SUS etc.; 
• região geográfica onde se localiza o hospital; 
• política de aquisição de medicamentos: semanal, mensal, trimestral, semestral etc. 
Quanto à localização, a farmácia deve seguir critérios que possibilitem o seu bom fun­
cionamento, adequando-se ao tipo de estrutura do hospital. Para isto, devem-se observar 
os seguintes aspectos: 
• facilidade de circulação e de reabastecimento; 
• equidistância das unidades usuárias e consumidoras, o que facilita o acesso a 
elas; 
4 / PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
1 
• certo g~~u de i~olamento devido aos ruídos - quando houver produção industrial 
ou sem1-1ndustr1a l; 
• facilidade logística para a distribuição de medicamentos e materiais. 
Segundo a SBRAFH, para o funcionamento de um serviço de farmácia ho 't 1 
d 
, . sp1 a ar, 
recomen am-se, no m1n1mo, os seguintes ambientes: 
• área administrativa; 
• área de armazenamento· , 
• área de dispensação; 
• área de orientação farmacêutica; 
• área limpa para a manipulação de nutrição parenteral; 
• área limpa para a manipulação de misturas endovenosas; 
• área para a manipulação de drogas citostát icas; 
• área para a manipulação de radiofármacos; 
• área para o fracionamento de sólidos e líquidos orais. 
Planejamento e controle 
O planejamento é um instrumento de gestão indispensável em uma farmácia hospi­
talar. 
Trata-se do estabelecimento de objetivos e de uma linha de ação adequada para 
alcançá-los. 
As iniciativas que visam ao alcance dos objetivos do planejamento denominam-se o 
fazer. 
O controle se encarrega de assegurar o êxito dos planos elaborados, por meio do 
acompanhamento e da medida do progresso da realização das metas estabelecidas. 
Pelo controle, podemos descobrir os desvios e agir para executar as alterações ne-
, . 
cessarias. 
Assim, temos o PDCA - pfain, do, contrai and action, ou seja, planejar, fazer, controlar 
e agir. Esta é uma importante ferramenta para que se projetem mudanças no âmbito 
hospitalar (Fig. 1.2). 
Modelo de PDCA Realizado no Hospital Israelita Albert Einstein sobre 
Dispensação de Medicamentos 
FASE 1 - P 
Identificação do Problema 
• Os medicamentos atendidos pelo sistema de dose unitária eram d ispensados para 
24 horas, 0 que acarretava no não atendimento das alterações das prescrições 
médicas. 
• Havia um grande número de reversões (devoluções), pois uma parte dos _medica-
mentos era dispensada e posteriormente suspensa º.u alterada ~~ rela,ç~o a sua 
via de administração, a sua dosagem e a sua posologia na prescr1çao medica. 
ESTRUTURA ORGANIZACIONAL 5 
Scanned by TapScanner
p '\...-------1 
1 I 
, Fase 1 
• • do problema ldentif1caçao 
irar 0 problema por 
Defin ir e mens1 d1c~dorrs que 
d do< ou ,,, ' 
ine10 de a . necessidade de açao. 
demonstrem a d ' íl ser checado i1a 
Defina um ind1cfa o os resultados do 
fase C para ven 1Cilr 
projeto. 
p 
1 Fase 2 '-....__..,........ 
Planode ação 
entes do Plano de Ação: Os sete compon . 
1. Anâ hse do problema, . 
2 Estratégias, etas mensuráveis; . . scom m 3 Ações obieuva . . 
s necessários, 4. Recurso 
S. Orçamento;_ 
b. Responsáveis; 
7. Prazos. 
D ' \---- - --- ---, 
' Fase 3 1 
A '~----1 1 I 
, Fase 6 Nome do projeto 
Área/Setor 
Execução 
Continuidade 
O pla10 101 eficaz na resolução 
do problema 7 Se sim, corno dar • 7 
5 él manutençao · prosseguimento a u . • ? Como? 
De Continuar com a rnoni toraçao. vo • ? 
Preciso refazer o plano de açao . 
e 
Fase 5 
Verificação 
Inserir gráficos, tabelas ou outras 
fomias de apresentação de dados que 
comprovem a melhoria alcançada. 
Autores 
(máxirno 6 nomes) 
e 
· Fase 4 
0 plano foi implementa~o baseado 
nas etapas e prazos previamente 
determinados? 
e 0 hai·a alguma alteração, deve-se as . 
especificar 0 n1ot1vo. 
Verificação 
Mensurar o plano novament: n_as . 
b da mensuraçao in1c1al que mesmas ases 
identificaram o problema. 
Fig. 1.2 - Modelo de PDCA. 
• 
• 
b'd muitas reclamações por parte da enfermagem. . 
~~: :~~ ~is;ensados materiais médicos hospitalares pelo sistema de dose uni­
tária. 
FASE 2 - P 
Plano de Ação 
1. Análise do problema 
• Grande número de reversões de medicamentos. 
• Alterações da prescrição médica não contempladas. 
2. Estratégias 
• 
• 
Análise do tempo de separação e de manipulação dos medicamentos, levando­
se em consideração a entrega nas alas de internação e o horário de administra­
ção, conforme prescrição médica. 
Dispensação de seis materiais - de alta rotatividade - em kits, pelo sistema de 
dose unitária por períodos. 
6 / PRÁTICA FARtv1ACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
-
3. Ações objetivas com metas mensuráveis 
• Contemplação das alterações da prescrição médica. 
• Diminuição do número de itens d evo lvidos {revertidos), conforme Fig . 1.3. 
• Diminuição do número de materiais retirados no dispensador automatizado de 
medicamentos. 
2000 
1500 
1000 
500 
o 
06º Andar 1 Oº Andar 11 ° Andar 12º Andar 
Fig. 1.3 - Número de reversões (análise de 15 dias). 
4. Recursos necessários 
o Dispensação por 
24 horas 
• Dispensação por 
período de 3 horas 
• Modificação do sistema de relatório de prescrições, que era impresso para 24 
horas, para períodos de 3 horas. 
• Elaboração de kits com os materiais selecionados. 
5. Orçamento 
500 horas trabalho por funcionário. 
6. Responsáveis 
Farmácia e Núcleo Técnico de Informática . 
7. Prazos 
Período entre junho e agosto de 2002. 
FASE 3- D 
Execução 
O plano foi implantado nas etapas e prazos predeterminados. 
ESTRUTURA ORGANIZACIONAL 7 
Scanned by TapScanner
.. 
FASE 4- C -Verificaçao . t ma de dose unitária passaram a ser dísp 
d.d s pelo s1s e 
1 
_ en-
. ntos aten 1 o d atendimento das a teraçoes da prescriç-
• Os n1ed1can1e abrangen o o ao 
ados a cada 3 horas, - - ) 
s . , ro de devoluçoes (reversoes devido à di . 
n1éd1ca. - d 66% do nume - d 2 h m1-
urna reduçao e . - a preparaçao e a entrega - e 4 oras para 
• Houve tre a prescr1çao, 
. - d ten1po en nu1çao o . , ia , . -
3 1 oras - da dose un1tar . . da farmácia quanto a d1spensaçao pelo sistema 
, 11elhoria do serviço 
• Houve u111a ' 
de dose unitária. . 
1 
assaram a ser dispensados pelo sistema de 
. . médico-hosp1ta ares p 
• Os materiais 
. ' . 
dose un1tar1a. 
FASE 5 - C 
Verificação 
FASE 6 - A 
Continuidade 
, . ·, d. d tempo entre a prescrição médica e o horário de entrega dos 
• Analise peno 1ca o 
medicamentos. 
• Análise do número e do motivo das devoluções (reversões). 
• Análise das reclamações feitas pelos clientes internos e externos. 
Por meio da observação dos dados analisados, serão revalidados os métodos e os 
processos utilizados ou será refeito o plano de ação. 
Nos últimos anos, as profundas mudanças ocorridas no competitivo ambiente hospi-
talar têm afetado significativamente a tarefa de gerenciar a produção estoques, pessoas 
em todo o mundo. 
A cada instante, novos paradigmas são incorporados a este ambiente, até então tidos 
como eternos, passam a ser contestados ou viram exemplos do que não se deve mais 
fazer. 
O aumento da competitividade tem sido caracterizado, principalmente, pela diminui­
ção dos ciclos de vida dos medicamentos e serviços e pelo aumento da d iversificação dos 
mesmos. 
O aumento da flexibilidade como fonte de vantagem competitiva tem provocado 
grandes mudanças, dentre as quais podemos citar: 
• ciclos de vida de rn d. 
• . . e icamentos cada vez mais curtos· 
alta variabilidade de medicamentos· ' 
: a~ta. custornização de serviços; ' 
rap1da adoção de novas tecnologias; 
8 / PRÁTICA FARMACÊUTICA NO 
AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
...... --
• est reita ligação entre o fabricante e o consumidor, e relacionamento flexível e de 
longo prazo er1tre eles; 
• participação de clientes e fornecedores no desenvolvimento d e novos produtos. 
Alguns proble111as têr11 sido encontrados com frequência em hospitais nas últimas dé­
cadas, os quais são aqu i resumidos em cinco tóp icos: 
• Inconsistências - ocorrem principalmente quando os interesses de um departa­
n1ento, seção, etc. são colocados acima dos interesses do hosp ital . 
• Complicações - ocorrer11 , prír1cipaln1ente, devido a um fator: à grande atração que 
as cl1an1adas "novas tecnolog ias" e "grandes co isas " exercem sobre os dirigentes. 
Como exer11plo, podemos citar a adoção de uma nova tecnologia que, em deter­
n1inadas situações, acaba complicando desnecessariamente um processo em vez 
de sir11plificá-lo . 
• Perdas - as perdas costumam ocorrer de diversas formas e, segundo a visão dos sis­
ter11as. JIT, são representadas por tudo o que não agrega valor ao produto, como 
produção alén1 do necessário, estoques, perdas, reparos/retrabalhas, dentre outros. 
• Vaivém - ocorrem devido à existência de arranjos físicos e logísticas de sup ri­
mentos e/ ou d istribu ição inadequados. A adoção de novas tecnologias tem sido, 
q uando possível, o antídoto mais comum para este problema. 
• Impaciência - as conhecidas "urgências" no ambiente hospitalar, refletem o nível 
de desorgan ização do mesmo e geralmente elevam o nível de perdas e conse­
quentemente dos custos. 
É importante notar que praticamente todos estes problemas estão intimamente li­
gados à questão do gerenciamento de estoques e da distribuição de medicamentos e 
materiais. 
Um sistema produtivo pode ser definido genericamente como sendo um elemento 
capaz de t ransformar alguns recursos de entrada (inputs) em produtos e/ou serviços, como 
sa ídas (outputs) (Fig. 1.4). 
Entradas ------· Sistema Produtivo 
Medicamentos 
Materiais médico 
hospitalares 
Manipulação de quimioterápicos 
Manipulação de NPT 
Manipulação de injetáveis 
Unitarização de sólidos e líquido orais 
Fig. 1.4 - Inputs e outputs de uma farmácia hospitalar. 
Saídas 
Dispensação 
Coletiva 
Individual izada 
Unitária 
ESTRUTURA ORGANIZACIONAL 9 
Scanned by TapScanner
Sistema Just ln Time (JIT) 
. JIT · no Japão no começo da década de 1960, nas linhas de pr d 
O sistema surgiu ' d , d d 1970 1 o ução 
M e P
any Mas foi apenas na eca a e que e e se difundiu 
da Toyota otors om · . , . 1 ~ . . , arnpla-
1 
, rincipalmente nas industrias e etron1ca e automobilistica D 
mente naque e pais, P 1 d .d · urante a 
, d d 
198
0 · tema se difundiu largamente pe o mun o oc1 ental. 
deca a e , o sis . , 
E f 
- d a grande amplitude algumas vezes o sistema JIT e rotulado d "f· 
rn unçao e su ' _ , e ilo-
t · d f t ra ,, 
0 
que entretanto nao e consenso entre os autores da área A fºI 
so11a a manu a u , / , : . . · 1 oso-
fia JIT consiste em três elemen.tos bas1cos: ~m sistema de gere~c1amento .da produção, 
um sistema de garantia da qualidade e um sistema de manutençao preventiva total. 
Va
,r
1
·
0
s são os obJ·etivos costumeiramente atribuídos ao JIT, mas eles podem ser . . . , resu-
n,idos em uma meta principal: minimizar - e el1m1nar, quando foi poss1vel -desperdícios 
principalmente elementos/atividades que não agregam valor ao produto/serviço prestad ' 
- como retrabalhos, estoques intermediários, tempos improdutivos etc. Sob a ótica JIT 
0 
produção ou aquisição deve ser .feita sempre na quantidade e nas datas necessárias p~r: 
o uso 1med1ato, ou seja, nem mais, nem menos; nem antes, nem depois. 
Pode-se resumir um sistema JIT assim: 
• redução nos tempos de preparação - o lote de produção ideal é o unitário· I 
• utilização de tecnologia de grupo; 
• utilização de sistemas de manutenção preventiva total; 
• utilização de mão-de-obra multifuncional; 
• utilização de cargas de trabalho uniformes e de operações padronizadas; 
• recebimento do item certo, na quantidade certa, no prazo certo e na qualidade 
certa; 
• qualidade (conformação) com o objetivo de erro zero. 
A seguir, levantaremos oito razões para a implantação do sistema JIT nos hospitais: 
• reduzir inventários; 
• reduzir custos; 
• aume~tar a qual.idade dos medicamentos e dos materiais médico-hospitalares· 
• re~u~1r a necessidade de espaço físico; ' 
• atingir uma posição competitiva melhor· 
• I 
aumentar as margens de lucro; 
• aumentar a eficiência da mão-de-obra. 
Sistema Kanban 
O Kanban consiste em um sistema de contr 1 . 
qual todos os centros_ SeJ·a d . 0 e que cria um processo em cadeia, no 
e armazenamento d d' _ 
sumem também a responsabilidade d b ' e ispensaçao ou de manipulação - as-
A operacionalização do K b e co rar, controlar e buscar/distribuir os materiais. 
o · an an costuma f · . sistema de dois cartões_ - . . ser eita por meio de um ou dois cartões. 
des 1 .d cartao de requ1s1çã - d envo v1 o originalmente T . ~ e cartao e produção - é o mesmo que o 
na ioyota. A ma1or1a d · d, · as 1n ustr1as japonesas, entretanto, faz 
j 0 1 PRÁTICA FARMACÊUTICA NO 
AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
uso do sistema de cartão único - cartão de requisição -, que proporciona um mecanismo 
de controle mais simples. Por exemplo, quando um medicamento em uma determinada 
unidade de estoque atinge seu nível crítico, o ca rtão é retirado do local do armazenamen­
to do mesmo. Isto significa que ele deverá ser reposto ou adquirido. 
Sistema FIFO 
É o sisten1a de armazenamento mais empregado na indústria automobilística e na 
maioria dos hospitais. A sigla FIFO signi fica first in first out, ou seja, "o primeiro que entra é 
o primeiro que sai ". Este sistema, portanto, respeita sempre a validade do medicamento. 
Recursos Humanos 
Um serviço de farmácia deverá ser administrado por um profissional farmacêutico 
com qualificação e experiência em farmácia hospitalar. Este profissional deve integrar­
se e relacionar-se adequadamente aos demais serviços assistenciais e administrativos da 
instituição. 
O serviço de farmácia deve dispor de um número adequado de farmacêuticos e pro­
fissionais de apoio - nível médio - qualificados, comprometidos e competentes. 
Os funcionários devem ter formação compatível com a complexidade de suas funções 
e ser devidamente treinados de acordo com os programas previamente elaborados. 
O perfi l dos profissionais e os critérios de seleção e avaliação de desempenho devem 
ser definidos pelo chefe do serviço de farmácia juntamente com o departamento de re­
cursos humanos. Os procedimentos de avaliação de desempenho dos funcionários devem 
ser bem estabelecidos e divulgados para o conhecimento de todos. 
A SBRAFH (Sociedade Brasileira de Farmacêuticos Hospitalares) preconiza que a uni­
dade de farmácia hospitalar tem de contar com, no mínimo, um farmacêutico para cada 
50 leitos. O número de auxiliares de farmácia dependerá da complexidade do serviço 
rea lizado, como, por exemplo, o sistema de distribuição de medicamentos, se existe fra­
cionamento de sólidos e líquidos orais, central de preparo de medicamentos estéreis, 
disponibilidade de recursos, do grau de informatização da unidade etc. Em linhas gerais, 
preconiza-se, no mínimo, um auxiliar para cada dez leitos. 
Segundo a Organização Mundial de Saúde, o farmacêutico hospitalar deve possuir as 
. , . 
seguintes caracter1st1cas: 
• capacidade técnica de prestação de serviços; 
• poder de decisão; 
• capacidade de comunicação; 
• liderança; 
• habilidade gerencial; 
• aperfeiçoamento profissional; 
• capacidade de ensinar. 
Para que o serviço de farmácia hospitalar consiga atingir seus objetivos e ter excelên­
cia na qualidade do serviço prestado, o farmacêutico hospitalar deve possuir uma grande 
ESTRUTURA ORGANIZACIONAL 11 
Scanned by TapScanner
ambientes competitivos, e é sobre este as 
capacidade de geri.r pessoas em sunto que 
iren1os tratar a segurr: 
m an1bientes competitivos 
Gestão de pessoas e 
. F de Vantagem Competitiva 
For a Hun1and. onte 
"Nada podes e11sir1ar a um homem, 
podes so111e11te ajudá-lo 
a descob1" coisas dentro 
. ,, 
de s1 nies1110 
(Galileu Galilei) 
Ao analisarn1os os cenários con temporâneos que norteiam os .quatro setores da so­
ciedade - in1aginados por sociólogos - , poderemos constata r o im.p~~to do ambiente 
organizacional brasileiro na administração de recursos humanos neste 1n1c10 de século XXI. 
Ve1amos estes quatro setores: 
• Setor econôn1ico ou produtivo 
_ Aunienta a necessidade de as organizações possuírem mecanismos de controle 
de despesas, o que pode gerar a alienação dos trabalhadores, além de dificul­
dades para a integração de objetivos individuais e organizacionais, que, por sua 
vez, den1andará a promoção de aconselhamento de pessoal (coaching); 
- As drásticas transformações da economia globalizada demandam políticas de 
curto prazo, o que gerará uma ênfase em sistemas de compensação atrelados a 
sistemas de avaliação de desempenho embasados em objetivos mensuráveis. 
• Sistema sociocultural 
- O crescimento contínuo de custos com pessoal, motivado em parte pela falên­
cia do Estado, demanda critérios legítimos para contratações, recolocações ou 
possíveis listas de dispensa; 
- Tendência à flexibilidade nos horários de trabalho - banco de horas; 
- Segurança: a agravação da criminalidade e da violência urbana se reflete nas 
. -organ1zaçoes; 
- A força de trabalho mais competitiva dá origem a problemas de insatisfação e 
desmotivação pessoais; 
- Necessidade de esquemas contingenciais de benefícios e assistência aos em­
pregados. 
• Setor tecnológico 
- Maior desemprego potencial de mão de obra desqualificada; 
- Menor interação de pessoa l; 
- Substituições de homens por máquinas exigem novos treinamentos da mão-
de-obra para atividades mais qualificadas, além de recolocações, alterações na 
estrutura organizacional e no quadro de pessoal. 
12 / PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
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• Setor político 
- Necessidade crescente de um sistema de controle e informação de pessoal 
capaz de responder com rapidez às transformações e mudanças externas das 
políticas governamentais, às mudanças na legislação, a influências de partidos 
políticos em sind icatos etc.; 
- Impacto na legislação trabalhista quando de regulamentações de direitos so­
ciais na Constituição. 
As mudanças que revolucionaram os velhos modelos de gestão de pessoas são con­
sequência dos cenários globais de competição e atingiram mais fortemente os países que 
mantinham sua econon1ia sob proteção. Os negócios que tinham o preço determinado 
pelo custo passararn a fixá-lo a partir do mercado e, em breve, a 
11
comoditização
11 
deverá 
atingir a maioria dos produtos, reduzindo ainda mais as margens e exigindo maior eficiên­
cia operacional e criatividade por parte das pessoas. 
Olhar para dentro da empresa - hospital - sempre foi uma prática desejável e, quanto 
mais eficiente fosse aquele que realizasse esta prática, mais valorizado ele seria. Hoje, 
ganham valor as pessoas capazes de /1 olhar para fora 11
, fazer a diferença no meio ambiente 
e no meio social, além de conseguir sobreviver em ambientes competitivos. 
Motivação e Comprometimento: Basesda Excelência de Resultados 
Entre os fatores internos e externos que influenciam o comportamento humano está a 
motivação. O comportamento pode ser explicado por meio do ciclo motivacional, que se 
completa com a sat isfação ou frustração, ou ainda com a compensação de necessidades 
humanas. 
A motivação, para acontecer, depende da instrumentalidade dos resultados interme­
diários - produtividade, por exemplo - em relação aos resultados finais - dinheiro, bene­
fícios, promoção etc. O resultado motivacional das pessoas produz o clima organizacional 
e é por este influenciado. Em função disto, o comportamento humano nas organizações 
apresenta características importantes para a gestão de pessoas, e o fato de o homem ser 
um entidade complexa complica ainda mais o processo. 
Um dos assuntos mais abordados e d iscut idos em análises organizacionais é, portanto, 
a "teoria da motivação". Buscando reforço na p irâmide de necessidades de Maslow ou na 
filosofia humanística de Elton Mayo, todos procuram descobrir que fatores conduzem os 
profissionais a uma produtividade motivada, ao prazer de fazer - e fazer bem-feito. 
Fel iz quem conseguir identificar nos seus colaboradores o que os levará à felicidade 
no trabalho, quase sempre realizado sob a ótica da racionalidade - não só por questões 
de sobrevivência, mas também porque algumas empresas não estão interessadas em criar 
condições para que se sinta realizado dentro delas. Felizes estes, porque deteriam um 
poder capaz de dominar o mundo, uma liderança de limites imprevisíveis. 
Apesar de incontáveis pesquisas e teses sobre motivação, visto ser este o fator maior 
de produtividade nas organizações e razão de sua existência, nada existe de concreto 
até hoje sobre fórmulas mágicas que transformem um indivíduo apático em um diligente 
executor de ordens, um alegre cumpridor do dever. 
ESTRUTURA ORGANIZACIONAL / 13 
Scanned by TapScanner
-
. ondidos recônditos da vida interior de 
. - lta dos mais esc . - , 
Na realidade, a mot1vaçao sa f muitas vezes em s1tuaçoes precarias e 
. 1 d dentro para ora, - d . 
cada ser. Ela é urn 1n1pu so e . b' t a influencia, mas nao a eterm1na. Não 
, . , . o meio am ien e - , h d 
desconfortave1s. Log1co que . . da rnotivaçao; esta na ora e pensarmos 
Penas na teoria . 
se pode, por-tanto, pe11sar ª. _ e não odemos descobrir o que motiva uma pessoa, 
tar11bén1 na teoria da des111ot1vaçao. S ~ ? 
d 't r o que a desmotiva. f . , . d 
quen1 sabe po en1os ev1 a , . 
1 
d smotivação de um unc1onar10 e uma em-
Os principais fatores responsav~is ~e.ª d: uma farmácia hospitalar são: 
presa e, principaln1ente, de um funcronar10 
d aís· 
• incerteza sobre o futuro da empresa e 0 P ' 
• constantes alterações no rur110 dos projetos; 
1
. _ . 
• ausência de metas ou falta de acompanhamento na sua rea izaçao, 
• pouco reconhecimento de valor; . . 
• estagnação en1 desenvolvimento. ~rof~ss~onal;_ 
• tratan1ento desigual para potenc1a1s similares, 
• subaproveitan1ento de talentos; 
• inibição de criatividade; 
• cl1efias medíocres e prepotentes; 
• ambiente de trabalho sob uma competitividade insalubre; 
• adn1inistrações políticas com grandes privilégios para poucos privilegiados. 
Gestão de Pessoas por meio das Técnicas de Motivação 
Cada chefe tem o seu estilo de relacionamento com os subordinados. Alguns são 
frios e autoritários, outros assumem a paternidade da equipe, sendo dominados pelos 
próprios "filhos". Existem aqueles que são firmes nas horas necessárias e, geralmente, 
mantêm uma relação amistosa com os subordinados. Lideram de acordo com a situação e 
as características de maturidade do grupo. 
Sobre esta face do gestor, seguem algumas dicas de como motivar a equipe: 
• confie em sua equipe; 
• peça sugestões; 
• aprenda a delegar; 
• seja atencioso; 
• estimule a iniciativa· 
1 
• respeite seus subordinados; 
• resolva problemas pessoalmente; 
• não faça promessas; 
• e, principalmente, seja bem-humorado. 
Provocando a Motivação das Pessoas 
• Desafie as pessoas a alcançarem seu d - ~ . 
potenciais. pa rao de excelenc1a, respeitando os seus 
• Expl icite os padrões desejados. 
J 4 PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
- - - - -
• Comunique-se: dê e receba feedbacks. 
• Estimule as pessoas a sentirem orgulho do que fazem. A auto-estima precisa ser 
estimulada sempre. 
• Esclareça as recompe11sas individuais e coletivas oferecidas pelo serviço de Farmácia 
ou pelo hospital, em um processo de reconhecimento pelo esforço despendido. 
• Elogie, incentive, confie, aposte nas pessoas. 
• Aceite as possibilidades e os limites, invista nas suas forças e saiba contornar as 
suas fraquezas. 
• Permita que as pessoas errem e incentive-as a aprender com o erro. 
• Seja solidário. 
• Respeite o tempo das pessoas, cada um tem o seu próprio ritmo. 
• Eduque, sobretudo, pelo exemplo. 
• Não crie constrangimentos, não humilhe. 
• Faça com que seu discurso corresponda a sua ação: evite incoerências, desconfian-
. 
ças e inseguranças. 
• Compartilhe autoridade, saiba delegar. 
A Questão do Comprometimento 
Gary Dessler, diretor do Departament of Management and lnternational Business da 
Florida lnternational University, no livro Personnel Human Resources Management, coloca 
o seguinte sobre o comprometimento: "Empregados comprometidos representam a cha­
ve da vantagem competitiva de uma organização, e justo agora que o comprometimento 
dos empregados é cada vez mais difícil de ser operacionalizado". 
A importância de um serviço de farmácia hospitalar ter funcionários comprometidos 
deve-se ao fato de que: 
• empregados comprometidos ajudarão a competir de forma mais efetiva em bons perío­
dos do serviço de farmácia e a reagir quando as condições estiverem adversas; 
• empregados comprometidos realizarão as funções com responsabilidade, busca­
rão altos níveis de qualidade e produtividade e darão o melhor de si para o serviço 
de farmácia, mesmo quando sua chefia não estiver olhando ou controlando-os. 
A Questão dos Paradigmas 
Segundo Roger Harrison, encontramos habitualmente quatro orientações ideológicas 
. -nas organ1zaçoes: 
• 
• 
Poder - a empresa privilegia o próprio crescimento em detrimento do bem-estar 
das pessoas. Recompensas são o meio de valorização dos funcionários que aten­
dem aos interesses da chefia. De modo geral, as decisões são tomadas pela auto­
ridade de maior nível hierárquico. Manter o poder instituído é mais importante do 
que realizar o trabalho de modo eficaz. 
Papel - demasiada preocupação com a legalidade, a responsabilidade, a legiti­
midade, a hierarquia e o status. A adaptação à mudança, quando ocorre, é lenta. 
ESTRUTURA ORGANIZACIONAL / J 5 
Scanned by TapScanner
... ~----------------------~~-
. , . ois são tomadas com base em normas e regra 
d . - são prevrs1ve1s, P . s. Há 
As ec1soes . a irl1previsibi lidade que ca racteriza o atual ce .. . d d se lrdar com . nari0 d1ficul a es en
1, . . rtante do que gerar resu ltados efrcazes. · 
. dens e n1ars rn1po N 1 -
Cun1pnr or _ d 1 nce dos resultados. orma mente sao empresa fl 
f alor·izaçao o a ca s e 
• Tare a - v . , adaptação a mudanças, e suas regras são alte d -. · is que vrsam a . d ra as 
rvers e age ' lt dos Equipes são treina as para desenvolver co . foco ern resu a · . _ rnpe-
sen1~r e con1 , .· , ecução do traba lho. A valorrzaçao e o reconhecimento d 
têncras '.1~ce:sar ras a _ex . das competências demonstradas. o 
f ncionarro sao decorrentes . . . . . d . 
u . , ecessidades 1nd1v1dua1s, v1san o a estimular a mot· • Pessoas _ atendimento as n . d . 1va-
- _ li A t ridade é pouco exercida, sen o, murtas vezes, desn _ çao para o t1aba io. au 0 f ,. . e 
- , . _ d d legação fundamenta -se em pre erenc1as e necessídad cessaria. O processo e e es 
de crescin1ento pessoais. 
d d d.9,,,as (Tabela 1.1) são alavancadas por pessoas, por isso nelas As mu anças e para 1 . . . 
. . · iites de mudanças m ambientes compet1t1vos. Vejamos a encontran1osos prrnc1pa1s age 
evolucào dos cenários organizacionais. . , . 
, d . dança podemos observar as seguintes caracter1st1cas em um Nos processos e rnu , 
serviço de far111ácia: 
• a maioria dos sistemas tem tendências ao conservadorismo e à manutenção do 
status quo; 
• pessoas resistem às mudanças, é "humano" resistir; 
• mudanças paradigmáticas fundamentais ocorrem lentamente. 
Tabela 1.1 - Mudanças de Paradigma 
Antigo Paradigma 
, Mudanças impostas hierarquicamente 
/ Adm1n istraç~o forte e centraliz~d~ . 
Administraçao para manter a d1scrpllna das 
pessoas 
Interesses ocultos, manipulação, tráfico de poder 
Predominância dos interesses do hospital 
Uso do poder e das relações humanas como um 
jogo desigual 
Paradigma Contemporâneo 
Mudanças surgem do consenso 
Administração descentralizada 
Estímulo ao crescimento, à criatividade , 
Etica, respeito pela autonomia 
Alinhamento dos interesses do hospital com os 
individuais 
As partes e o todo ganham. Relações humanas 
como jogo cooperativo 
A mudança cultural é a parte mais difícil da transformação de um serviço de farmácia 
hospitalar ou mesmo de uma organização, e este fato é, em geral, subestimado não só 
em relação ao tempo, mas também em relação aos custos envolvidos. Ao menos em seis 
situações a mudança deve ser considerada pelo chefe do serviço de farmácia: 
• quando estão ocorrendo modificações fundamentais no ambiente; 
• quando o serv.iço de farmácia é altamente competitivo e o ambiente é estável ; 
• q~ando 0 serviço de farmácia é medíocre e vem apresentando resultados cada vez 
piores; 
• quando o hospital está prestes a tornar-se uma grande empresa; 
J 6 / PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITAlAR 
Scanned by TapScanner
• quando o l"l o~pit al cstf.I 110sc Pi,rlc> 1 t1ricjorrl<'nt<' 
balharlores 0stf'l ~011rlc) ,)l )~<)rvic~fl · ' 
0 11rn;i m<lss;:i consid~ráve l de tra -, 
• qLia11dc.) a acJ111i11ist1 ~çÃo rio l)<)s11ital é mod f d 
culttJ1 as. . ' rcN a e ocorre a chegada de novas 
o Papel da Líderança r1a Gestão de Mudanças 
"Trate a pessoa corno se ela fosse 
que111 deveru=J ser, e você 
a ajudara a to111a1-se o 
, 
qt1e e capaz de ser. " 
(Goethe) 
O cl1efe do serviço de f arr1'1ácia necessi ta ter os seguintes atributos para ser um líder 
en1 amb1e11tes de mudanças: 
• C~nhecimento - precisa ser an1plo e profundo, cobrindo aspectos técnicos e ad­
rn1n1strat1vos, cor1 t rrbuir1do para que o chefe do serviço de farmácia seja capaz de 
gerrr adequada111ente o processo. 
• Conceituação - e a capacidade conceituai necessária para se lidar com a comple­
xidade de um serviço de farmáci a hospitalar. Para tanto, os chefes de farmácia de­
vem ser, simultaneamente, especializados e holísticos em sua maneira de pensar, o 
que implica na concei tuação de anál ise e síntese. 
• Flexibilidade - é a habilidade necessária para se lidar com as mudanças rápidas 
no serviço prestado pela farmácia hospitalar, que permite que se seja capaz de 
participar de processos, em vez de reg ras e procedimentos. 
• Sensibilidade - é necessária para se lidar com as d iferenças individuais presentes 
na equ ipe de farmácia hospitalar. Para isto, é importante não só estar integrado 
e emocionalmente estável, integrado e emocionalmente estável, como também 
aberto a outros pontos de vista e predisposto a questionar suposições, valores e 
. -
conv1cçoes. 
• Julgamento - está associado à qualid ade de lidar com incerteza, dada vez mais 
presente nas decisões gerenciais de um serviço de farmácia hospitalar. 
• Reflexão - oferece a perspectiva necessária para tomar parte nas exigências de um 
aprendizado contínuo. 
Os colaboradores gostariam de ter como chefe do serviço de farmácia hospita lar uma 
pessoa com capacidade para liderá -los, mas nem todo chefe é uni líder e nem t odo líder 
é um chefe. Em síntese, um chefe d e farmácia hospitalar deve: 
• não temer seus superiores, seus auxi liares ou possíveis insucessos, além de não 
recusar tarefas difíceis; 
• estar persuadido da importância de seu t rabalho e do trabalho de todos que com 
ele colaboram; 
ESTRUTURA ORGANIZACIONAL 17 
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lho e apoiar os seus colaboradores quando acreditar 
• gostar de seu traba que estes 
têm razão; mpetente, mas também saber reconhecer a 
• ser profissronaln1ente co s suas lacunas 
· to· 
de conherrnien . ~· com quem o colaborador sabe como agir e p 
ro e posrt1 vo, e . ensar· 
• ser segu . .
1 
d. as também saber deixar passar um erro e perdoa· _1 . ' - derxar' u ir, n1 . d o, 
• nao se . om os colaboradores, ouv1n o seus erros e preocup ~ 
on1preensrvo c . . . açoes· 
• ser e. 
1 
to não tolerar desonest idade e servil ismo. Ser ético· ' 
rncero, iones , . . . , 
• ser 5 
1 
a tarefa sem fazer sent ir a sua super1or1dade; 
• saber e picar um 1 1· 
.d d a seus colaboradores de e es rea 1zarem tarefas mais dif' . 
• dar oportun1 a e 1ce1s, não 
realizadas anteriormente; . 
b 
·. om atenção quando o colaborador tem algo a dizer· 
• sa erouv11 c . . _ .. ', 
.t s sentimentos e a d1gn1dade do colaborador, nao cr1t1ca-lo na fre t d • respe1 ar o . , n e e 
terceiros ou expô-lo ao r1d1culo; . , 
mpre bem informado mas se mostrar 1nacess1vel aos boatos e mexe . • estar se ' ricos. 
A Farmácia Hospitalar no Século XXI 
A grande perspectiva para o serviço de farmácia hospitalar no Brasil no século XXI é a 
introdução e/ou a afirmação da farmácia clínica. Cada vez mais as diretorias dos hospitais 
estão solicitando este tipo de atenção farmacêutica, por julgá-lo necessário ao aumento 
da qualidade de seus serviços. Por meio da farmácia clínica, espera-se evitar erros de 
medicações e prescrições desnecessárias de medicamentos, visando à diminuição dos 
custos da terapia medicamentosa e do tempo de internação dos pacientes. A tendência 
atual é que a prática farmacêutica se direc ion~ para o paciente, tendo o medicamento 
como um instrumento e não mais como meio. E essencia l que a incorporação de avanços 
tecnológicos no serviço de farmácia hospitalar contribua para a qualidade da assistência 
prestada ao paciente, com a promoção do uso seguro e racional de medicamentos. 
No entanto, o farmacêutico hospitalar nunca deverá deixar de estar atento a todas as 
fases da farmácia clínica - nem à primeira, que se inicia com o recebimento dos medica­
mentos, seu correto armazenamento e controle, além de sua d ispensação correta, para o 
paciente certo, na dose prescrita e no horário determinado. Se o farmacêutico não obser­
var estas premissas, de nada adiantará desenvolver a parte clínica; ele precisa ser capaz de 
manter as atividades básicas e fundamentais de um serviço de farmácia hospita lar. 
Já possuímos evidências das intervenções do farmacêutico e do impacto que estas 
causam na prescrição médica no Brasil. Alguns hospitais brasileiros já apresentam um ser­
viço de farmácia clínica atuante e, a cada dia que passa, estamos ganhando mais espaços 
em instituições privadas e públicas. 
Bibliografia Consultada 
1. GSo~i.e~ade Brasileira de Farmácia Hospitalar - SBRAFH Padrões mínimos para farmácia hospitalar. 
01an1a; 2007 . · 
2. Gouveia WA. At cente t · h · 999 r 5 age. P armacy 1n the next century. Am J Health Syst Pharm; 1 · 
J 8 / PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE 
HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
3. Rosa MB. Farmácia hospitalar: histórico, conceito, objetivos, atribuições perfil do farmacêutico . ln: 
Conselho Federal de Farmácia, Ministério da Saúde. Organização Pan-Americana de Saúde, ed. 
Manual básico de farmácia hospitalar. Brasíl ia: CFF; 1997. 
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Health-Syst Pharrn ; 1999. 
s. Brasil. M inistério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Departamento de promoção e 
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hospita lar. Brasília: Ministério da Saúde; 1994. 
6. Gonçalves EL. Estrutura organizacional do hospital moderno.Revista de Administração de Empresas, 
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7. Marin N. Los servicios farmacéuticos en la atención de salud. ln: Medicamentos e a reforma do setor 
de saúde. São Paulo: Hucitec - Sobravime; 1999. 
8. Gomes MJVM, Reis AMM. Ciências farmacêuticas. Uma abordagem em farmácia hospitalar. São 
Paulo: Editora Atheneu; 2000. 
ESTRUTURA ORGANIZACIONAL J 9 
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• ... 
Introdução 
.... .. 
Gestão de Estoques 
Miguel Salomão Neto 
Admin istração de estoques é um assunto vital em qualquer organização e com maior 
complexidade na área hospita lar, pois requer controle e agilidade na movimentação de 
materiais para manter o equilíbrio entre o va lor financeiro dos estoques, a disponibilidade 
e excelente nível de atendimento aos pacientes e a quem deles cuidam. Tem como objeti­
vo principal deixar disponíveis os produtos necessários aos clientes internos no momento, 
nas condições e locais desejados. Desta forma, a logística na área hospitalar deve agrupar 
todas as atividades relacionadas ao fluxo de produtos e serviços, para administrá-las de 
forma sincron izada. 
É importante ressaltar que os profissionais que atuam nesta área devem possuir a 
capacidade de entendimento holístico de t odo processo que envolve a cadeia de supri­
mentos. Este conhecimento deve contemplar desde a homologação e cadastro dos itens 
de estoque até o atendimento do cliente final. 
A estrutura de todo o processo deve ser desenhada de forma a dar subsídios à toma­
da de decisões quanto ao suprimento de insumos. 
As atividades iniciam com a homologação para padronização materiais e medicamentos 
que devem compor os estoques, parametrizações dos itens para reposição, planejamento 
e acompanhamento das necessidades, negociações com fornecedores, processamento 
de ped idos, recebimento, armazenagem e distribuição. 
Um dos pontos importantes deste processo e que deve ter atenção especial é o cadas­
tro dos itens que compõem os estoques. Este cadastro deve ~er centralizado, originado 
de uma aprovação analisada por comissões de padronização. E necessário conter as prin­
cipa is informações pertinentes ao item, com descrição padrão quanto nome, descrição, 
referência, especificar setor ou área que utilizará este item, além de contemplar históricos 
de todas as alterações e novas informações que forem sendo agregadas ao mesmo. 
O sistema informatizado com dados confiáveis, em tempo real , é fundamental para 
uma gestão de estoque de qualidade. Todos os componentes da equipe responsável pela 
GESTÃO DE ESTOQUES 21 
Scanned by TapScanner
d Se conscientizar da importância de manter as inf 
- d stoques evem ~ . ormaç-gestao os e . sejam evitadas intercorrenc1as que acabam difi 
1 
°es 
de estoque precisas para ~ue cu tando o 
Ih d t mesn1a equipe. 
traba o es ª . 
1 
f t ar as reposições sem quebras de estoque e mant 
N · hosp1ta ar, e e u . , er a rot . 
a area d d sem impacto financei ro e sempre um grande desaf· at1-
. d 'vel a equa o 10 par 
vida e en1 ni , . 
1 
planeJ·amento e compra. Desta forma, as informaço-e ª as 
· ponsave1s pe o , . . s adi · 
equipes ~es nto de demanda ou a descont1nu1dade de utilização d cio-
. lac1onadas ao aume , . . . 
1 
_ e mat 
~a ~s re d. t 
5 
prevista por usuar1os f1na1s, ou por aque es que estao na gest- e­
nars ou me ican1en o . . .d ao dos 
_ . i ntes aos planejadores, po is antecipam necess1 ades que so 
Processos, sao in1po1 a . d f f mente 
. ebidas posteriormente. Evitamos, esta orma, á alta de itens im poderiam ser perc , . . . f pres-
. d' . t dimento dos próprios usuar1os f1na1s que nos orneceram as informa _ cin 1ve1s ao a en Çoes 
ou a obsolescência dos insumos em estoque. 
Atividades Primárias 
Manutenção de estoques 
Não é viável, principalmente na área hospit~lar, pr~videnciar produção ou entrega 
de itens de estoque por fornecedores de forma rnstantanea e no momento da necessi­
dade. Muitos itens, após o recebimento, não necessariamente estarao disponíveis para 0 
atendimento, pois dependem de algumas etapas que os deixem nestas condições. Uma 
destas etapas, por exemplo, pode ser o de etiquetagem qu,e é utilizada para o processo 
de rastreabilidade de itens controlados por lote e validade. E necessário manter estoques 
agindo como "amortecedores" considerando também este tempo de processo dentro do 
fluxo logístico e as variações de consumo que afetam particularmente o ramo hospitalar. 
Destacamos a área hospitalar, pois não há como prever quantos pacientes serão recebidos 
no Pronto-Atendimento com a necessidade de talas ortopédicas para a perna direita, por 
exemplo. Apesar disso, os estoques deste e de outros produtos precisam ser bem admi­
nistrados quanto a sua rotatividade e aos seus custos financeiros, já que representam 33% 
dos custos operacionais. O sistema de distribuição dos estoques no ambiente hospitalar 
exerce influência sobre os níveis deste. Ao optar por sistema de Depósitos Satélites com 
pontos de formação de estoques, garante-se maior disponibilidade, rapidez e nível de 
serviço no atendimento aos usuários, porém aumentam os níveis gerais de estoques. Os 
responsáveis por estes Depósitos Satélites devem administrá-los de forma eficiente evi­
tando a estocagem em excesso, baseando-se em parâmetros de reposição de acordo com 
o consumo e criticidade da Unidade de atendimento. É, portanto, uma atividade-chave na 
gestão de suprimentos. 
Processamento de pedidos 
A importância desta atividade deriva do fato de ela ser um elemento crítico em termos 
de tem~º. de atendimento aos clientes com os insumos e serviços desejados. Este proces­
so se orrgrna da der;ianda ou do consumo dos produtos, que são anal isados e solicitados 
de acordo com parametros de reposição predefin idos. 
22 f PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
C~mo estamos falando d.e gestão d~ estoques, equivale dizer que os pedidos para 
estes f ins podem ser automatizados atraves de contratos com fornecedores por um perío­
do predetermina~? em que as. cotações. já foram efetuadas e acordadas. O planejador 
simplesmente ver1f1ca as necessidades e libera as quantidades para serem entregues. Este 
t ipo de processo diminui o tempo de espera e consequentemente o nível de estoque para 
atender a demanda. 
Outra forma são os pedidos de itens de consumo regular, normalmente materiais de 
escritório, informática e impressos, que podem ser solicitados diretamente pelos usuários 
f ina is através da web de forma descentralizada gerando pedidos aos fornecedores cadas­
trados com preços pré-negociados pelo Departamento de Compras. Este tipo de proces­
so elimina várias etapas de atividades de suprimentos como recebimento, armazenagem, 
separação e distribuição. 
Atividades de Apoio 
Armazenagem 
Refere-se à administração dos espaços físicos onde são mantidos os estoques. Deve 
contar com um gerenciamento de localização dos itens e um dimensionamento da área 
necessária para armazená-los. Esta atividade envolve também a escolha do local adequa­
do para cada material, em local controlado do ponto de vista ambiental e de segurança, 
baixa umidade, boa ventilação, iluminação e temperatura adequada de acordo com suas 
características, por exemplo, materiais que exigem ambientes refrigerados. 
Os móveis destinados para este fim devem ser adequados para cada tipo de material 
em termos de peso, volume e necessidades ambientais para sua estocagem. 
Na determinação da localização deve-se considerar a quantidade de vezes em que 
o item é separado para que seja armazenado em local de fácil acesso para agil izar o 
processo de atendimento. 
Manuseio dos materiais 
Diz respeito à movimentação dos itens desde o seu recebimento e a sua armazenagem 
até a sua dispensação ou expedição. O manuseio destes produtos requer uma atenção 
especial para que não sejam danificados e evite derramamento de produtos perigosos. 
O acondicionamento destes materiais em caixas específicas para o transportedesde o 
recebimento até a entrega ao cliente interno em perfeitas condições de utilização. 
Programação de entregas 
Refere-se à programação das entregas pelos fornecedores, que deve ser vinculada à 
capacidade do setor de recebimento da organização. 
Os analistas de estoques efetuam as programações de ac~rdo com a d:r:nanda de 
produtos, e ela deve ser cumprida pelos fornecedores quanto as datas e horar1os de en­
tregas. 
GESTÃO DE ESTOQUES 23 
Scanned by TapScanner
·--------------~~~ 
d Pontua lidade deve ter um peso relevante, pois e 
N 1. - d fornece ores, a . o-
a ava 1açao o~ .f evitando picos, congestionamentos de entregas 
labora para o recebimento u111 orme . b'd e 
melhor q1Ja/idade de conferência dos itens rece 1 os. 
-Manute11ção da informaçao 
É 
. m uma eficiente base de dados para que sejam mantidos urn importante co11tar co d 1· 
. 1 l , tico corretos. Isso engloba o ca astro atua rzado dos plane1an1ento e u1n contra e ogrs , 1 d . -
ite11s de estoque - com históricos relativos a cada um deles -, o ~rve e aval1açao dos 
d d - de entrega 0 nível de estoque, alem do custo e da mar-fornece ores co1n seus pa roes , , , 
d ·b · - mesmo está gerando e um fator fundamental para a saude gem e contr1 u1çao que o ' 
financeira de uma organização. . ~ . 
Quando nos referi1nos à qualidade da informação, destacamos a importanc1a do ca-
dastro dos itens de estoque. Este deve ser composto de dados importantes. e fa~ilmente 
identificáveis por todos aqueles que utilizam estas informações. O cad~stro 1nclu1 ~m ,có­
digo interno, a descrição detalhada do item, sua dose e sua apresentaçao. lmprescrndrvel 
ainda é a unidade mínima de dispensação. 
Exemplos: 
Eritropoetina 4.000 UI sga 0,3 ml (ex e/ 5) 
Diclofenaco 50 mg cp (ex e/ 20) 
Dipirona 1 g ap 2 ml (ex d 100) 
Dexametasona xarope 0,5 mg/S ml frasco 100 ml 
• unidade de dispensação "seringa" 
• unidade de dispensação "comprimido" 
• unidade de dispensação "ampola" 
• unidade de dispensação "frasco" 
Usualmente, códigos internos podem conter informações sobre a classificação tera­
pêutica dos medicamentos e suas subclasses, ou ainda sobre a necessidade de controle 
de sua temperatura. Em outros casos, pode-se classificá-los à parte, em sistemas infor­
matizados que possuem este tipo de visão agregado ao cadastro do item. São dados 
que facilitam a emissão de relatórios que trazem o perfil de consumo destas drogas. A 
implantação deste tipo de código dependerá das necessidades de cada hospital e dos 
recursos disponíveis. 
A solicitação de inclusão de novos itens em estoque deve partir de uma comissão de 
padronização, e cabe ao setor de planejamento inserir as informações deste novo item 
n~ sist:m.a informatizado, adequando a descrição aos campos existentes e aos espaços 
d1spon1ve1s por caracteres nos respectivos campos. Desta forma, está centralizado neste 
setor o cadastro dos itens. 
Departamentos da Organização no Processo Logístico 
Homologação de materiais e medicamentos 
A hom~logação de materiais tem como função principal a padronização dos insumos 
que deverao compor o estoque · d · 1· -
.
1
.d d ' vrsan ° a raciona 1zaçao de seu uso, identificação de 
ut1 1 a e e uso comprovado reduç- d , d . 
t 1 .
1
. . ' ao 0 numero e itens em estoque melhorando o con-
ro e, agi rza ndo a dispensação ot· . d 
d d _ ' imizan o os espaços de armazenagem qua lidade dos 
pro utos, re uçao de custo e melhoria da margem de contribuição. ' 
24 /PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
Realizar a especificação técn ica dos materiais médicos hospitalares, aval iando a ido­
neidade da empres~ fabricante/distribuidora e registros pertinentes ao produto. 
Identificar imediatamente, pro.dutos para substituir itens indisponíveis para aquisição 
que podem co~pr~meter o atend1me.n~o a pacientes. 
Ana lisar per1od1camente os mater1a1s para propor substituição por outro que agregue 
maior valor ou descadastramento daqueles que não possuem mais uso justif icado. 
Efetuar acompanham.e.nto das aquisições de itens não padronizados para identificar 
usuários e produtos adq~1r1.d~s com frequência, relacionando-os aos similares de estoque, 
interferindo para a subst1tu1çao destes itens de estoques homologados ou possível homo­
logação. 
A padronização dos itens de estoque deve ser elaborada por uma comissão composta 
por membros multiprofissionais da organização em que a escolha dos materiais não deve 
ficar exclusivamente nas mãos dos usuários finais, mas sim atender um consenso entre 
usuários, farmacêuticos, área de suprimentos e o departamento financeiro. 
Os membros devem se reunir periodicamente para avaliar testes de novos produtos, 
dificuldades de aquisição, problemas de qualidade e produtos alternativos. 
Homologação de materiais e medicamentos - Resumo de atividades 
Especificação técnica e identificação. 
Apoio na substituição de itens indisponíveis no mercado. 
Apoio na redução de variedades e obsolescência de itens. 
Redução de custo. 
Planejamento de materiais 
Esta é uma área de fundamental importância na cadeia de suprimentos. Podemos 
considerá-la como "cérebro" de todo o processo logístico. 
Qualquer decisão tomada por este departamento afetará o departamento de com­
pras, recebimento de mercadorias, armazenagem e o próprio atend imento aos clientes. 
Se houver tendência do planejamento focar somente a rotatividade de estoque com 
redução de estoque de segurança e aumento de ciclos de entregas poderá gerar constan­
tes aquisições de urgências acarretando intercorrências que induzem a erros que compro­
metem o atendimento aos usuários. 
De outra forma, estoques excessivos prejudicam a armazenagem e capacidade de 
estocagem levando a perdas desnecessárias. 
Tem como responsabilidade a manutenção atualizada das informações referentes: 
• ao cadastro dos itens de estoque; 
• à inclusão dos parâmetros de reposição que sugerem as quantidades a serem 
adquiridas; 
• à emissão de requisições e liberação das quantidades nos processos que envolvem 
contratos para compras externas; . . 
• às informações de consumo e estoque dos itens aos clientes internos; 
• à rotat iv idade de estoque e à análise de compras de oportun idades; 
• à determinação da política de estoque. 
GESTÃO OE ESTOQUES 25 
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, . 1 d parr:i cada item individualmente, variando de ac 
1, · d t e C estrpll a a e Or-
A po 1t1ca e es oqu . ..J ..J 1111 destes itens na cL1rva ABC de consumo 
. ,. · f' ce1rri { 10 CA< 1él L ~· · 
do con1 ri 1111~)01 tancrn lf)éll1 , d ·n ·ida pelo valor total consumido de cada ·t 
ABC d0 cons111110 e cte1 r111 e . , ern 
A cur\ia ~ 1 do cori suino total de todos os itens que compõ 
con1pé'l1rido ~1e1·ccn tt1aln1c11 1 e ê!C) va, o: d. 't para este cá lculo. ern 
. · -i to rnedro de ca a 1 ern 
o estoque, titilrzanc o-se, o cus 1 t . a item a item, e definem-se as categorias dos ite 
Est~ porcentagen1 e acurn11 a iv 1 d ns 
l . f . ,_., somatória decrescente dos va ores e consumos d 
nesta cu1va, da segu1r1te or111a. 0 · • . . e 
. . 
1 
far·xa dos 60% são class1f1 cados como itens A; de 61 % ate' 
itens atinge, por exe111p o, a , . 
90% COl110 itens B; e os restantes 10%, corno itens e. d 
' .f. - · d empresa para empresa e acordo co As porcentagens de class1 1caçao varram e ' . . m o 
d 1 O t aior for o percentual de class1f1cação p 
que for 111elhor para cada llll1a e as. .uan o rn ara 
os itens da cu1vri A, n1aior será a qL1antidade de itens, atividades e trabalho para controle 
de estoques, e111 contra partida haverá a diminuição dos va lores de estoque de acordo 
con1 a política de reposição adotada para estes itens. . , . 
Existe111 varias forn1as de previsão de demandas para determinar P?l1~1cas de esto-
que. Desde calculas exponenciais à ingênua reposição de acordo com o ultimo consumo. 
Particularmente acredito que a rnédia ponderada do últ imo trimestre atenda as necessida-
des do seguimento hospitalar. 
Utilizando este tipo de previsãode demanda, determinamos na política de estoque 
a frequência en1 dias em que o item será reposto. Esta frequência em dias calcula as 
quantidades que serão entregues de acordo com o consumo médio d iário, que podere­
mos chamar de estoque de giro. O estoque de segurança também é ca lcu lado em dias 
baseado no consumo médio d iá rio, representando a quantidade necessária do item como 
reserva para as oscilações de consumo que possam ocorrer. 
O cálculo do consumo médio mensal é feito através das quantidades atendidas do 
item nos últimos 90 dias, com peso maior para os últimos 30 dias. 
, Por exemplo, um item que tem um consumo médio mensal calculado em 120 peças 
tera um estoque de segurança de 60 peças para uma política de 15 dias de consumo. 
Um exemplo de pol ítica de estoque utilizada para os itens baseada na curva ABC de 
consumo na Tabela 2.1. 
Tabela 2.1 - Controle do ciclo de entrega 
Classificação Ciclo de entrega (em dias) Estoque de segurança (em dias) 
A 15 10 
B 15 15 
e 30 20 
Mas não é só o conceito de curva ABC ue , . , . - , 
tica de estoque Existem outros f t q 
1 
~sta incorporado a determ1naçao da poli-, . · ª ores que ne a 1nte rf 
f1s1co do item em relação à sua t 'd d , . erem como, por exemplo : o volume 
quan ' a e medra co .d 
de entrega do fornecedor e 
0 9 
d ... d nsumr a mensalmente, a capacidade 
rau e cr1t1c1 ade do item 
A lten_s que ocupam grande área de armazen . 
tem o creio de entregas reduz·d d . amento ou possuem custo financeiro alto 
' os entre ois a set d . . 
rança reduzido a sete dias_ 
1 
e ias, assim como o estoque de segu-
por exemp 0 papel h · . A • 
' ig1en1co, embalagens para refeições dos 
26 f PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE H 
OSPITALAR 
Scanned by TapScanner
._..-
Pacientes, papel toa lha, filmes de diagnóstico alguns rna teriais me' d' d' . . _ . . . , 1cos e me 1camentos. 
Outra class1f1caçao util izada em con1unto com a curva ABC é a c XYZ f . . urva , que c;e rc ere a 
crit icidade dos itens (Tabela 2.2). 
Tabela 2.2 - Classificação XYZ 
Classificação 
X 
y 
z 
Criticidade 
-
Itens ~uj a falta ern estoque pode afetar seriamente a operação da empresa e 
que nao possuem substitutos. 
Itens cuja falta ern estoque afeta a operação da empresa sem consequências 
graves e que ~ossuem substitutos em estoque sem a mesma qualidade. 
Itens necessárros, mas não irn prescindíveis para a operação da empresa. 
Os itens da. curva X são monitorados com maior frequência do que três vezes por 
semana, para evitar a sua fa lta e o consequente prejuízo da operação da empresa . Já os da 
curva Y podem ser controlados em intervalos de tempo um pouco maiores: de uma a duas 
vezes por semana. Contudo, há necessidade de se monitorar paralelamente o consumo 
dos substitutos natura is destes itens, para o caso de sua falta no estoque ou no mercado. 
Os materiais consignados pelos fornecedores são acompanhados diariamente para 
que sejam efetuadas as reposições e a autorização de faturas. Normalmente estes itens 
são adquiridos at ravés do processo de contratos e o planejamento libera diretamente aos 
fornecedores as quantidades para reposição e faturamento. 
Em casos em que não há este tipo de contrato, o planejamento informa ao depar­
tamento de compras as necessidades de aquisição destes materiais, bem como a quan­
tidade necessária e data de entrega. Efetua-se acompanhamentos semanais de toda a 
programação de aquisições, apontando as necessidades mais urgentes. O anal ista de 
estoque deve estar integrado a esse processo e ter a visão de todo o fluxo dos itens desde 
o seu cadastro, passando por sua aquisição, seu recebimento, seu armazenamento e sua 
dispensação. 
O monitoramento dos itens A da curva ABC de consumo deve ser prioritário, pois 
pode comprometer tanto a área de armazenagem quanto a parte orçamentária da organ i­
zação caso o planejamento das aquisições não esteja de acordo com a política de estoque 
parametrizada. 
Assim como existe a curva ABC de consumo, existe também a curva ABC dos valores 
dos itens que compõem o estoque. Estes precisam ser acompanhados para que se verifi­
quem as obsolescências e não prejudique o ind icador de rotatividade dos estoques. 
Departamento de compras 
O departamento de compras é responsável por avaliar fo.rn~cedores quant? à id.o­
neidade, à capacidade de atendimento da demanda, a negoc1açoes e por prov1~enc1ar 
a entrega dos itens sol icitados, de acordo com as quantidades e os prazos determinados 
pelo setor de planejamento. . . _ . 
Na visão do comprador moderno, não basta apenas a aqu1s1çao do material pelo 
menor preço; a qualidade do produto e a capacid~de ~o .fornecedor de entregarª quan­
tidade total do pedido na data programada tambem sao importantes. 
GESTÃO DE ESTOQUES 27 
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. m a organização - tanto sob a forma de custo · que mais onera . Com base nos itens de contribuição reduzidas-, devem-se buscar no 
b f a de margens direto quanto so . a orm d as demandas com melhores resultados operacionais e 
mercado, alternativas que aten am . -
, d f ceira da organ1zaçao. 
reflitam isto na sau e inan , sponsável pela manutenção atualizada do cadas-
d t de compras e o re 
O epartamen o b , gerar informações que com plementem o cadastro 
tro de fornecedores e tadrn em pi ~r ento de novos fornecedores, a ava liação sistemática 
d . d toque O esenvo vim . _ _ . 
os itens e es . ·o de ·ind icadores finance iros sao funçoes importantes 
d t acompanhamento por me1 es es e 0 d p demos dizer que a administração adequada deste de-
do departan1ento e compras. o . - d Ih 
t ·b · para a sustentabil idade da organ1zaçao, geran o me ores margens 
partan1e11to con r1 u1 
ou redução de despesas. b 1 · 
A 
· t t s de fornecimentos de longo prazo e o om reacionamento s parcerias, os con ra o . . . 
f d - f d menta1·5 na cadeia de suprimentos e devem ser enfatizados com os orr1ece ores sao un a . _ 
d A Preparaça-0 para uma negoc1açao com fornecedores deve 
nos processos e con1pra. , . . . . 
1 · d t edehnci·a· nesta fase e im portante traçar objetivos e determ inar ser p aneJa a com an ec , ' . . _ 
quanto se está disposto a ceder ou exigir dos fornecedores. Ao fim da negoc1açao, de~e 
ser estabelecido o benefício mútuo dos dois lados da mesa, para que nenhum deles se1a 
prejudicado. O comprador moderno possui um papel estratégico e importante, trazendo 
benefícios financeiros para a organização. 
Setor de recebimento de mercadorias 
Tudo o que foi planejado e negociado em requisições será recebido por este setor. 
Os agentes desta área são os responsáveis por verificar a quantidade e a qualidade das 
mercadorias, as condições nas quais elas foram transportadas e os acordos comerciais 
acertados na negociação feita pelo departamento de compras. Além disso, organizam o 
fluxo dos fornecedores, coordenando entregas prioritárias, registram informações utiliza­
das na avaliação de fornecedores e mantêm contato constante com os departamentos de 
planejamento e compras. Após a conferência física, registram as notas fiscais recebidas 
para atualização dos sa ldos de estoque com lotes e validades dos produtos para o início 
da rastreabilidade, efetuam as devoluções necessárias aos fornecedores auxi liando nos 
processos de garantia de qualidade (recai/ de produtos com problemas de qua lidade). 
Nos sistemas informatizados integrados, após o registro da nota fiscal, as contabi liza­
ções de estoque são feitas automaticamente. 
A importância de se receber o materia l certo, na quantidade correta e em perfeitas 
condições é a ta refa-chave deste setor. 
Armazenamento de materiais 
Os itens recebidos que necessitam de rastreabi lidade, antes de serem armazenados, 
devem passar pelo processo de identificação com código de barras para facilitar o pro­
c~s~o de dispensação. Este trabal ho deve ser criterioso, controlado e onera muito as 
at1v1dades do ramo hospital a · d f . . f _ r, pois nem to os os abr1cantes rotulam os seus produtos 
com as 1n ormaçoes delote e v 1·d d , . , , ª 1 a e em um un1co codigo de barras. Somente apos 
passarem por este processo os itens são liberados para armazenagem. 
28 / PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
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Devem terº. manuseio ade~uad~ .e ser armazenados nos locais predefinidos pelo sis­
tema. Est~s locais d:vem estar 1dent1f1cados pelos códigos dos itens ou pelos endereços 
que norteiam o rote iro ?e armazenagem e a própria dispensação. 
Sistemas de gerenciamento de depósitos conhecidos com WMS a ·1· 1 1· . _ , , ux1 iam na oca 1za-
ção dos itens e geram 1~formaçoes estatísticas importantes para 0 controle das operações 
e produtividade da equipe responsável por este setor. 
Os erros operac io~ais de armazenagem devem ser evitados, pois afetam 0 desem e-
nho da cadeia de suprimentos. P 
Um materi~I existe~te . não localizado gera compras de emergência que oneram 
0 
custo do material e pre1ud icam o atendimento. A armazenagem correta é importante no 
nosso processo de abastecimento. 
Setor de distribuição 
Este setor é responsável pelo atendimento central aos clientes internos relacionados 
aos insumos necessários para a execução dos processos operacionais. 
Abastece Depósitos satélites e Departamentos que atendem os clientes externos, no 
caso de hospitais, os pacientes. 
Para que isso ocorra de forma organizada é necessário definir cronogramas de atendi­
mento a estes usuários, respeitando suas necessidades quanto à periodicidade, podendo 
este ser diário, uma, duas ou três vezes por semana de acordo com cada setor. 
Identifica itens não atendidos solicitando, ao setor de planejamento, providências de 
. -
repos1çao. 
Mantém o estoque organizado e efetua contagens rotativas periódicas. 
Ele envolve o manuseio dos produtos, sua embalagem para o transporte, o transporte 
em si - interno e externo -, além da dispensação correta dos itens no que se refere à 
identificação e à q uantidade. Somando-se a isso, o setor de distribuição é também res­
ponsável pela emissão dos documentos que acompanham os produtos separados para 
serem distribuídos, pelo atendimento às urgências dos usuários e por um relacionamento 
mais próximo do cliente. 
Observamos que toda a logística que compõe a gestão de estoque é composta de 
um conjunto de células produtivas interligadas, interdependentes e que necessitam 
de um excelente sincronismo para que este fluxo funcione adequadamente. Se não houver 
participação ativa e interação, o resultado final que é o atendimento aos clientes internos 
e pacientes será prejudicado. 
Bibliografia Consultada 
1. Ballou RH . Logística empresarial, administração de materiais e distribuição física. São Paulo: Atlas; 
2. ~:~~i-eri JC, Machline e. Logística hospitalar, teoria e prática. São Paulo: Saraiva; 2006. 
GESTÃO DE ESTOQUES 29 
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• 
Seleção de Medicamentos 
Rosângela Romano 
O uso racional de medicamentos no segmento hospitalar vem aumentando gradativa­
mente ao longo dos anos. A racionalização de medicamentos traz diversos benefícios tais 
1 
como a redução de tempo de hospitalização e a diminuição dos gastos nas instituições 
hospita lares. 
Nos hospitais a política do uso racional de medicamentos deve ser implementada 
pela com issão de farmácia e terapêutica (CFT), portanto torna-se essencia l a elaboração 
de uma seleção destes produtos. 
Por meio desta seleção obter-se-á a padronização dos medicamentos. Estima-se que 
em um hospital especializado o número de fármacos padronizados fique em torno de 400; 
já em um terciário este número deve subir para cerca de 800. 
O processo de seleção de medicamentos tem como objetivo assegurar uma terapêu­
tica racional. Para tanto, torna-se necessário desenvolver uma padronização de medica­
mentos no hospital. A divulgação e o respeito a esta padronização devem ser incentivados 
pela equipe de farmácia hospitalar. 
Diante da atual velocidade com que a indústria farmacêutica lança novos fármacos no 
mercado e da grande propaganda exercida sobre o corpo clínico do hospital, é necessário 
um processo de seleção de medicamentos capaz de acompanhar mudanças com discer-
. , . 
n1mento e et1ca . 
A seleção de medicamentos é um processo dinâmico, contínuo, participativo e multi-
discipl inar, que assegura ao hospita l o acesso aos produtos mais necessários, por meio da 
adoção de critérios de eficácia, segurança, qualidade e custo e da promoção da utilização 
racional destes fármacos. 
Os principais objetivos da seleção de medicamentos são: 
• implantar políticas de utilizaçao de medicamentos com base em avaliação, seleção 
e emprego terapêutico corretos no hospital; 
SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS J J 
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d. entos essenciais à cobertura dos tratarnen-
. d obter me icam 
. tos v1san o a 
• reduzir cus · tes · · , 
essários aos pac1en ' . 1 gem" de assuntos relacionados a terapêutica 
tos nec 
1
. ção e a "rec1c a 
• promover a atua iza 
hospita lar. . . . . 
,. . , ecessário um enfoque mult1d1sc1pl1nar cons·-
nal terapeut1co e n ' 
Para a escolha ~o .ª~e d s seguintes ciências: 
derando-se a contrrbu1çao a 
• 
• farrnacoeconom1a; . 
• fa rrnacoepiderniolog1a; . , . . 
1 
. e terapêutica cl1n1ca, • farrnaco og1a 
• farrnacovigi lância; 
, . . 
• biofarrnacotecn1ca, 
, . 
• farmacocinet1ca. 
Etapas da Seleção de Medicamentos 
_ de seleção de medicamentos é recomendável seguir 
Na implantaçao de um processo 
as seguintes etapas: 
• escolha da comissão de seleção de medica~e~tos; 
• nomeação da comissão de farmácia e terapeu~1ca (CFT); 
• levantamento do perfil farmacológico do hospital; . . 
• análise do nível assistencial e da infraestrutura de tratamento existentes no hospital; 
• análise do padrão de utilização de medicamentos; 
• defin ição dos critérios de seleção a serem ado.tados; , . , 
• seleção dos medicamentos, com o desenvolvimento de formular1os e metodos a 
serem emoregados; 
• edição e divulgação do formulário farmacêutico; 
• atualização anual do formulário farmacêutico. 
Preenchimento do Formulário de Inclusão na Padronização de Medicamentos 
O serviço de farmácia hospitalar deverá disponibilizar um formulário de sol icitação de 
inclusão de medicamentos na padronização (Anexo 1 ). 
~~ solicitações de inclusão deverão ser feitas por meio do preenchimento deste for­
mulano, no qu~I o s~licitante deverá expor os motivos pelos quais está encaminhando o 
docu~ento . Alem disto, deverão estar anexadas ao formulário referências bibliográficas 
de o~igens reconhecidas e independentes, que confirmem a sua justificativa e mostrem 0 
seguinte: 
• Eficácia/segurança d d' h ·a 
. . 0 me 1camento em questão - para os casos em que ªJ 
• similar ou equ ivalente padronizado. 
Vantagens terapêuti · 1 pa-
d · d . cas - para casos em que já exista similar ou equ1va ente 
ron1za o destinado ao mesmo fim. 
32 / PRÂTICA FARMACÊUTICA NO 
AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
.,, 
Fluxo da Solicitação de lnclusao na Padronizaçao de Medicamentos 
farmácia l1ospitalar 
Coni os daL1l1s soli itados 110 fo11r1ulário de incll1sãc) clcverão ser encaminhados ao 
Serviço L1e Fd1 n1acia Hospita la1 OLJ ao Cen tro de lnfor1T1élçocc; sobre Medicamentoc; (CI M), 
que verificai ão s: todos os crit~rios e 11or1nas de 1nrlt1c;élo clef1nidos pela CrJm1ssAo de 
Farn1ac1a e Te1apeL1t1ca (CFT) estao sc11do res1)eitados e farao a revisão b1bl1ográfica, bem 
con10 a a11alise econôn'lica da solic1taçao, 1r1d1cando o possível incremento de gastos com 
a iiiclusão do n1ed1ca111ento 11a pad1onização. 
Avaliação médica 
Apos a a11al1se do Serviço de Far111ácia Hospitalar ou do Centro de Informações sobre 
Medicame11tos (CI~~). ur11 destes orgaos e11v1a a solicitaçao ao representante - médico consul­
tor - da classe a que o n1edican1ento pertence, para que ele emita o seu parecer a respeito. 
Oficialização pela comissão de farmácia e terapêutica 
O último passo é a apresentação do processo à Comissão de Farmácia e Terapêutica, 
que oficializaráa decisão final sobre o assunto. Caso seja aprovada a inclusão, esta será 
assinada pelo consu ltor e presidente da comissão, sendo atualizada nas próximas edições 
do formularia farmacêutico. 
Antes do produto ser efetivamente colocado em estoque para a dispensação, ainda 
será necessário que sejam obedecidos os seguintes requisitos: 
Cadastramento do fornecedor 
Se o fornecedor do produto em questão - fabricante/distribuidor/etc. - não fizer parte 
da re lação de fornecedores cadastrados pelo Hospital, a farmácia hospita lar fará uma visi­
ta técn ica de cadastramento de acordo com padrões estabelecidos pelo programa oficial 
pertinente. 
Testes 
Após a fase de inspeção do fornecedor, a próxima é a dos testes, quando o produto 
será submetido a testes analíticos, e será verificado se ele está dentro das especificações 
necessárias. Estas ava liações serão feitas em laboratórios sem vínculos com o fabricante e 
por meio de amostras escolhidas pelo hospital. 
Aprovação comercial interna do fornecedor 
Todos os medicamentos incluídos serão acompanhados por um período de seis meses 
e, após este período, sua permanência como medicamento padronizado será reavaliada 
em razão do consumo apresentado. 
SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS 33 
Scanned by TapScanner
Critérios para a Seleção de Medicamentos 
. . , . d em ser empregados no processo de seleção de medic 
Os seguintes cnter1os ev a-
mentas: 
. lt. 
1
. ·dade de princípios ativos destinados ao mesmo fim - a incl 
• evitar uma mu 1p 1c1 . .b. . u-
- d d. ento deverá estar sempre atrelada a poss1 didade de exclusa-
sao e um me 1cam . o 
de um representante da classe, anteriormente P~?ron1zado; 
• padron izar medicamentos de fornecedores que Jª tenham passado pela avaliação 
, . 
tecn 1ca; 
• evitar, sempre que possível, as associações medicamen,to~as, priorizando me-
dicamentos com um único princípio ativo, para que o medico possa associar os 
produtos considerados necessários nas doses convenientes para cada caso. A pa­
dronização de associações de fármacos só se justifica quando: 
- a documentação clínica justifica o uso concomitante de mais de um fármaco; 
- o efeito terapêutico da combinação é maior do que a soma dos efeitos de cada 
um isoladamente; 
- o custo da combinação é menor do que a soma dos custos dos diversos produ-
tos em separado; 
- facilita-se, assim, a posologia do paciente; 
• evitar a padronização de forma farmacêutica de liberação prolongada, com exce-
ção dos casos em que haja vantagens terapêuticas comprovadas; 
• resguardando-se a qualidade, padronizar medicamentos levando-se em conside­
ração os menores custos de aquisição, de armazenamento, de dispensação e de 
controle; 
• padronizar formas farmacêuticas, apresentações e dosagens considerando: 
- comod idade de administração aos pacientes; 
- faixa etária; 
- facilidade para cálculo de dose a ser administrada; 
- facilidade para o fracionamento ou multipl icação de doses. 
Exclusão de Medicamentos da Padronização 
Os medicamentos deverão ser excluídos da padronização quando: 
• for padronizado u~ outro m~d_icamento da mesma classe farmacológica; 
• fo!em produtos cu1a comercialização tiver sido proibida ou descontinuada por ór­
gao competente; 
• puderem ser substituídos com vantagens quando da ·1ncl - d t f, • , , usao e ou ro armaco; 
o consumo, no per1odo considerado, não justifique a padronização. 
Medicamentos de Uso Eventual 
São aqueles medicamentos que or 0 , 
e/ou serem utilizados em .t - ' P P. ssuirem um consumo muito pequeno e irregular 
s1 uaçoes excepcion · - d 
Sua compra deve ser real" d d ais, nao evem ser mantidos em estoque. 
iza a e acordo com a prescrição médica. 
34 PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
Comissão de Padronização de Medicamentos e e , -, . li " t· om1ssao de Farmac1a e erapeu 1ca 
As comissões l1ospitalares responsáveis pela sei - d d' _ eçao e me 1camentos sao: 
• Comissão de Padronização de Medicamentos· 
• Comissão de Farmácia e Terapêutica. ' 
Estas duas comissões têm o mesmo obJ'etivo ma t. ·d d -
A 
.b . - / s as a 1v1 a es que desenvolvem sao 
diferentes. s atr1 u1çoes da Comissão de Padron 'izaç- d M d. -ao e e 1camentos sao: 
• seleçã_o dos me.dica_mentos para o uso no hospital; 
• r~daçao : atua.l1zaçao d~ padronização de medicamentos; 
• d1vulgaçao de 1nformaçoes sobre os medicament os. 
As atribuições da Comissão de Farmácia e Terapêutica são: 
• re~p.onsabilida.~e p:lo desenv~lvimento e pela supervisão de todas as pol íticas e 
praticas de ~t1.l 1zaç~~ de medicamentos no hospital, com o intuito de assegurar 
resu ltados cl1n1cos ot1mos e um risco potencial mínimo; 
• estabelecimento de normas e procedimentos relacionados à seleção, à distribui­
ção, à produção, à utilização e à administração de fármacos; 
• padronização, promoção e ava liação do uso seguro e racional dos medicamentos 
prescritos no hospital; 
• redacão do Manual Farmacêutico· 
~ I 
• avaliação periódica do arsenal terapêut ico disponível, promovendo inclusões ou 
exclusões segundo critérios de eficácia, eficiência clínica e custo; 
• coordenação de avaliações clínicas e estudos de consumo de medicamentos em 
pesquisa ou recém-lançados; 
• sugestão de medidas que possibilitem a disponibilidade de recursos materiais e 
humanos, assegurando a viabilidade da política de medicamentos dentro da ins-
titu ição; 
• rea lização de estudos sobre os medicamentos do ponto de vista clínico, biofarma­
cêutico e químico, além de emissão de parecer técn ico sob sua eficácia terapêutica 
como critério fundamental de escolha; 
• divulgação de informações relacionadas a estudos clínicos relativos aos medica-
mentos incluídos e excluídos do Manual Farmacêutico; 
• realização de estudos e/ou revisões bibl iográficas sobre os medicamentos~ 
• elaboração de programas de notificação e acompanhamento de reaçoes ad-
versas. 
As Comissões de Padronização de Farmácia e Terapêutica têm a mesma estrutu~a bá­
sica, que deve garantir um caráter multidisciplinar e dinâmico ao process? ~e seleçao de 
· , d ' esidente por med1cos represen-
med1camentos. Devem ser compostas por um me 1co pr , , . 
tantes - clínica médica, clínica pediátrica, clínica cirúrgica e outras clin icas, de acordo com 
as características do hospital -, por farmacêuticos e por representantes da enfermagem. 
SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS 35 
Scanned by TapScanner
Vantagens da Seleção de Medicamentos 
. J v M Gomes e Adriano M. M. 
Segundo os autores Mana . · · 
seleção de 111edicarnentos são: 
• aumentar a qualidade da farmacoterapia e facilitar~ vigilância. farmacológica; 
• garantir a segurança na prescrição e na adm1nistraçao do medicamento, reduzindo 
a incidêr1cia de reações adversas; ,. . 
• disciplinar a prescrição médica e uniformizar a terapeutica, quando possível, para 
estabelecer protocolos cri teriosos; 
• reduzir o custo da terapêutica, sem prejuízos para a segurança e para a efetividade 
Reis, as vantagens da 
do trata111ento; 
• reduzir o nún1ero de dosagens e formas farmacêuticas; 
• reduzir os estoques qualitativos e quantitativos; 
• reduzir o custo da aquisição de medicamentos; 
• reduzir o custo de manutenção do estoque; 
• facilitar a comunicação entre a farmácia, a equipe médica e a equipe de enferma-
gern; 
• simplificar rotinas de aquisição, de armazenamento, de dispensação e de controle. 
Anexo 1 - Inclusão de Medicamento na Padronização 
Nome genérico: Nome comercial: ------------:-L-a-:-b-o-ra-to'.""'", r-io_f_a-br-ic_a_n-te_: _____ _ 
Concentração: For f ~ t ' ____ ma armaceu 1ca: Via de administração: -----
. . Justificativa de inclusão 
(se Jª houver equivalente ou similar da mesma classe terapêutica padronizada ind 'icar · · ·1· • quais e 
iust1 1car sua superioridade terapêutica) 
Referências bibliográficas 
Médico: 
- - - ----- CAM: _____ Tel: ------
Assinatura: Data: __ / ___ / ---
36 PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
Bibliografia Consultada 
GomesMJVM, Reis AMM. Ciências farmacêuticas: uma abordagem em farmácia hospitalar. Editora 1 . 
Atheneu; 2001 . 
Brasil. Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar. Padrões mínimos para farmácia hospitalar. Belo 2
· Horizonte: SBRAFH; 1997. 
Bonafont RPX. Selección de medicamentos. ln: Bonal J, Gil AD eds. Farmácia Hospitalaria, 2. ed. 3
· Madrid: Edisa; 1992. 
Schvartsman, C. Manual Farmacêutico do Hospital Israelita Albert Einstein, 13. ed, 2009. 4
· Kresil JJ, Hutchings C, Mackay DN, Weistein MC, Read JL, Hálvorsen KT et ai. Aplication of decision 
S. analysis to drug selection for formulary addition. Hosp Formul; 1997. 
SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS 3 7 
Scanned by TapScanner
-
Introdução 
--------~-
• 
• 
Provisão de Materiais 
e Medicamentos 
Wladmir Mendes Borges Filho 
A crise financeira mundial, que deu sinais da sua gravidade em final de 2008, registrou 
um dos seus piores momentos com a quebra do gigante Lehman Brothers nos EUA. E 
como anteciparam alguns especialistas e economistas, a crise, que se caracterizava pela 
fa lta de confiança no sistema financeiro, atingiria o setor produtivo mais cedo ou mais 
tarde. No cenário macroeconômico o setor da saúde foi atingido um pouco depois, já no 
início de 2009: "se os países ricos abandonarem a ajuda aos mais pobres diante dos pro­
blemas financeiros que atravessam, a crise que começou nos bancos pode se transformar 
em um desastre humanitário", este é um trecho extraído do relatório de uma equipe de 
pol íticos liderado por Gordon Brown, primeiro ministro da Inglaterra. Já no cenário micro­
econômico, cada Instituição utilizará suas particularidades (volume de compra, estoques, 
número de parceiros fornecedores, força de negociação não só com esses fornecedores 
como também com as próprias operadoras de planos de saúde, e alternativas de marcas) 
para enfrentar as dificuldades de suprimento dos insumos e fazer valer suas vantagens 
competitivas. Com a larga dependência de importação de matérias-primas na fabricação 
de medicamentos e produtos médicos, os desafios não parecem nada fáceis (lembremos 
que a taxa do dólar variava de R$ 1,60 e R$ 1, 70, até a eclosão da crise e depois bateu 
os R$ 2,30). Vale também reforçar que o departamento de Compras é mais do que um 
mero prestador de serviços para os demais setores do hospital; ele pode trazer vantagens 
competitivas e ganhos financeiros significativos, desde que esteja integrado às atividades 
assistenciais e envolvido no objetivo maior de suprir a Instituição com as melhores condi­
ções (preço versus qualidade versus prazo de entrega). 
Seguramente ações governamentais de redução de impostos sobre os medicamen­
tos, mesmo que temporárias, trariam fôlego aos prestadores de serviços que necessitam 
de insumos para suas atividades. A lgumas fontes apontam uma carga tributária média 
sobre o preço final dos medicamentos na ordem de 30%. Até o momento não se registrou 
PROVISÃO DE MATERIAIS E MEDICAMENTOS 3 9 
Scanned by TapScanner
_ f .. 
1 
dução de impostos como observadas para os auto . . 
nenhuma açao o ic1a para re . f - 1 d moveis e 
d r ha branca (refrigeradores, ogoes e ava oras de roup ) 
os produtos da chama a 1n as 
-
Concorrência e Documentaçao 
d f . . d padronização das drogas e dos materiais médicos que farão 
Uma vez e 1n1 a a . . . d parte 
1 
A t. 
0 
do hospital é 1mpresc1nd 1vel que ao epartamento de Col'Y'I 
do arsena terapeu 1c ' . . d · • •pras 
. entadas alternativas de marcas que possam part1c1 par o processo de conco sejam apres . . . . _ r-
A • d Esta pol ítica traz vantagens comerc1a1s importantes, pois nao restring renc1a e preços. . _ . . e a 
atuação do comprador e aumenta o poder de nego.c1açao no processo ~e aqu1s1ção das 
apresentações comerciais. Portanto, mostrar alternativas de ~a:cas ?os diversos laborató­
rios fabricantes para as drogas padronizada~ e para os mater1.a1s me~1cos trará vantagens 
comerciais e possibil itará a aquisição dos insumos com maior facilidade e rapidez em 
situações de desabastecimento do mercado. _ . . 
Ao contrário do que possa parecer regra, nao e raro conseguirmos preços menores 
nos distribuidores de materiais médicos e de medicamentos do que no próprio laborató­
rio fabricante. Muitas vezes, os distribuidores fazem aquisições em grande volume. Este 
investimento implica receber descontos maiores do que aqueles ofertados ao hospital em 
uma compra direta do laboratório fabricante. E, dependendo da situação de mercado_ 
condições de estoques das distribuidoras, por exemplo, é possível que o hospita l consiga 
preços melhores do que os inicialmente ofertados pelo fabricante. Temos de ter o cuidado 
de sol icitar formalmente aos laboratórios fabricantes a relação das distribuidoras que têm 
autorização a comercializar seus produtos. Com isto, não corremos o risco de adquirir 
insumos que apresentem desvios técnicos ou mesmo que sejam suspeitos de alguma 
irregu laridade contábil. 
As quantidades de cada produto a ser comprado, o tempo da programação e as 
condições de prazo de pagamento necessárias devem estar absolutamente claras e am­
plamente divulgadas. As informações oferecidas a um fornecedor devem ser as mesmas 
para todos os outros que participarão do processo de concorrência. Não é raro algum 
dos participantes do processo da concorrência querer fazer uma segunda oferta antes da 
análise da melhor proposta e, portanto, ainda sem a definição do(s) ganhador(es). No caso 
de ser aceita, ju lgamos que seja correto informar a todos os outros participantes que uma 
outra oferta foi recebida e que todos podem, se ju lgarem necessário, formular também 
uma nova proposta. 
Todas as ofertas devem estar devidamente documentadas - mesmo as dos participan­
tes que informam não terem disponível o item para entrega. A documentação pode ser 
um fax recebido, uma mensagem enviada pelo correio eletrônico - é muito desejável que 
esta contenha logomarca da empresa fornecedora - ou ainda a tradicional carta entregue 
em mãos. O importante é termos a evidência de que a concorrência foi efetuada e de que 
a proposta que continha as melhores condições foi a escolhida. Não obstante, melhores 
con?ições não implicam necessariamente menor preço. Algumas vezes o prazo de entre­
ga e preponderante. Para tal, recomenda-se que quantidades menores sejam estipuladas 
para a cotação de preços . 
. Evidentemente, os processos encaminhados pela Internet têm a vantagem de estar 
devidamente já documentados pelo próprio provedor do site. Assim, um processo de 
40 PRÁTICA FARMACEUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
compras estará bem documentado e co~ evidências de ter sido bem encaminhado quan­
do contiver como documentos um pedido do planejamento ou de alguma área usuária 
devidamente aprovado, as propostas por escrito dos fornecedores, o pedido de compra 
emitido para o fornecedor .com as melhores condições e o comprovante de entrega do 
edido de compra - ~-111ail, comprovante do envio pelo fax ou documento assinado. 
~ica a critério do hospital - nos cas~s dos privados - a d ivulgação aos participantes da 
Osta escolhida e de suas condrçoes. prop 
uso da Internet 
Entre 2000 e 2001 , vimos. uma verdadeira explosão de plataformas de compras na 
Internet. Muitas empresas surgiram com sites que ofereciam um contato instantâneo entre 
0 comprador e o vendedor. Catálogos eletrôn icos, recursos de busca, leilão reverso, am­
biente exclusivo para assinantes, entre outros, foram algumas modalidades que passamos 
a conhecer. Não se observou a sustentação destas empresas e dos serviços que elas ofe­
reciam inicialmente. Entretanto, hoje a Internet está mais presente na rotina dos compra­
dores e os ajuda nos processos de concorrência . A rede traz agilidade e torna a compra 
quase i nstantâ~~ª· Des.de qu.e seus forn~cedores tenham um bom nível tecnológ ico, além 
de firme proposrto de rnvestrr neste mero de comun icação, a Internet cumpre bem o seu 
papel. Porém, não julgamos que a rede atendatodo e qualquer tipo de compra com 
suprema vantagem. Toda esta tec~ologia não exclui a necessidade do contato pessoal 
em algumas situações específicas. E famoso o caso de uma montadora de carros que fez 
uma das primeiras cotações pela Internet - os chamados leilões reversos - para pneus. Foi 
um grande sucesso. Mas será que o leilão reverso para aquele detalhe personalizado do 
cinzeiro teria o mesmo sucesso? Não temos aqui o objetivo de discutir casos particulares, 
apenas julgamos que para cada classe de material médico e de medicamentos deve ser 
escolhida a melhor opção, de acordo com suas características. 
Modalidades de Compras 
Ao relacionarmos o conceito de criticidade à dificuldade de aquisição dos itens, 
estamos aptos a escolher a modalidade de compra mais adequada. Para. tanto, po~emos 
construir um diagrama que ident ifique os campos onde cada classe de itens estara con­
templada de acordo com sua modalidade. Vamos analisar algumas possibilidades: 
• itens com afta dificuldade de aquisição e afta criticidade, como, por exemplo, 
materiais descartáveis importados para cirurgias que tenham soment.e um fabr!c~n­
te, medicamentos sem similares ou genéricos: podem ter sua modalidade de!1n1da 
como um contrato corporativo por um período longo (1 a 2 anos). A longevidade 
· · h sp1.tal pode garantir o suprimento dos do contrato parece ser vanta1osa , pars o o , 
· ·, d ' 1 programação e portanto podera insumos, Jª que o fornece or tera uma onga ', ' , _ 
' · - O t vantagem esta na manutençao do tambem programar suas 1mportaçoes. u ra 
1 · 1· · do o desgaste que as constantes nego-preço fixo por um interva o maior, e 1m1nan 
ciações envolvendo insumos exclusivos acarretam; 
PROVISÃO DE MATERIAJS E MEDICAMENTOS 4 J 
Scanned by TapScanner
p 
. . _ baixa criticidade, como, por exemplo 
. alta dificuldade de aquis'.ç~o e limpeza personalizados e hotelaria: ~ 
• itens com . · de higiene e , 
. ressos exclusivos, mater1a1s d parece ser a contrato por um per1odo de 
1mp ·5 adequa a · d 
d lidade de compra ma1 É . rescindível que sejam aprova os 2 ou 3 
mo a 1 ano). imp . 1 
'd' dtiraçâo (6 meses a . obJ. etivo de prevenir qua quer descon-
n1e 1a os insumos com 
fornecedores para ~s mesm ntratado· 
tinu idade no fornecimento co .. ~ e baixa criticidade, como, por exemplo, 
• itens de baixa dificuldade de aquis~ç~o dem ter sua modalidade definida como 
"C" de manutençao. po . f d os itens classe ou ,. . ) Teremos muitos ornece ores com ca-
( tálogo eletron1co . d -
cotação pela Internet ca t lvez consigamos uma re uçao de custo 
f eras entregas, e ª · p f' 
Pacidade para cotar e az ·gnificância f inanceira. or 1m, acompa-
'tens com menor s1 d . . . 
importante nlesmo para 1 d ovos fornecedores, po emos 1dent1f1car 
1. d entregas esses n 1· d d nhando e ava 1an o as . , . outros tipos de moda 1 a e; 
. t tes e conf1ave1s para 
parceiros nla1s cons an .. _ e alta criticidade, como, por exemplo 
d b · d'f' culdade de aqu1s1çao , 
• iter1s e a1xa ' 1 
• , . s ue tenham duas ou três marcas aprovadas: po-
materia is de exames diagnostico q um período restrito (3 a 6 meses) que 
d . dalidade de contrato por , 
emos sugerir a mo 1· t dência de preços do mercado e a manutenção 
Possibilitará sempre se ava iar ª en " · 
d aprovadas na concorrenc1a. 
do interesse dos fornecedores as marcas 
1 ·t d que devem ser entendidos somente como uma 
São apenas alguns exemp os c1 a os, , . , . d. . 
f d 
- · d h spital terá suas propr1as caracter1st1cas no que 1z respeito onte e sugestoes, pois ca a o d · - . 
ao perfil dos insumos disponíveis em estoque e à questão do poder ~ negoc iaç~o JUnto 
d d f d ale, m da proposta de atendimento aos clientes (pacientes e a ca a um os ornece ores, 
acompanhantes). " . . _ . . 
É evidente que as compras de urgenc1a cont1nuarao ~x.1st1ndo. C~be aos co.n:p~a-
dores, juntamente com os usuários e gestores, evitar ao max1m~ este tipo de aqu 1 ~1çao, 
mantendo-o em níveis aceitáveis e controlados. Nestes casos, nao vemos a necessidade 
de se sustentar a formal idade tentando enquadrar a compra do item em questão em 
alguma modalidade específica. Um contato rápido por telefone, fax ou correio eletrônico, 
que resolva o problema dentro do prazo necessário, deve ser adotado - sem se eximir da 
obrigação da documentação mínima obrigatória. 
Outra modalidade que pode ser adotada pelo hospital com os insumos padronizados 
é a consignação. Neste modelo, o hospital recebe o insumo sem ter que efetuar o paga­
mento por este primeiro recebimento. O fornecedor emitirá o faturamento apenas depois 
de consumido pelo paciente. Quando isso acontecer, o fornecedor deve ser avisado. 
Neste momento, ele receberá uma autorização para faturar as unidades consumidas e re­
por o estoque inicial o mais rapidamente possível. As condições previamente negociadas, 
quanto ao preço e ao prazo de pagamento, permanecem as mesmas durante o período 
acordado. O estoque é de propriedade do fornecedor que deve ter acesso ao insumo 
para ~ contagem física e~ verificação do prazo de validade, em intervalos de tempos pré­
comb1n~dos com o hospital. Esta modalidade deve ser restrita a um determinado grupo 
de medicamentos e materiais médicos d 1 d 1 · , · · 1 , . e e eva o va or un1tar10 e consumo 1rregu ar -
dependendo das caracter1st1cas do hospital podemos ·t . h d · d t 'dotos 
b 1, . . . , . , c1 ar. emo er1va os, an 1 ' 
trom o 1t1cos, ant1b1ot1cos específicos · · , . 
( d , ' quimioterap1cos materiais de cirurgias complexas 
en oproteses), etc. ' 
42 PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
l 
Scanned by TapScanner
p 
Relacionamento com os Fornecedores e Manual de Ética 
Conforme descrito no capítulo de planejamento de estoques t b 
1 
. 
, , man er om re ac1ona-
ento com os fornecedor·es e uma estratég ia interessante Bom 1 · m . . . _ . · reacionamento, contudo 
não sign1f1ca perda de poder de 11~g~c1açao, e sim um acordo no qual ambos obterão 
vantagens - ca~~ um p~ra seu negocio. Seja este fornecedor um distribuidor, seja ele o 
ro' prio laborator10 fabricante. Algumas vezes a venda aos hosp.ita ·rs d · · d. 
P . _ . . , e maneira rn 1reta 
faz com que rnfor~açoes e s~rv1ços importantes acabem se perdendo - consumo, troca 
de lotes com. d~svr~ de qu~a lidade, controle do transporte etc. Felizmente, nos últimos 
tempos, os distribuidores te~ ~ercebido que não basta simplesmente efetuar a venda. 
Em conjunto com os l abor~tor1os fabricantes, eles têm acompanhado 0 consumo dos 
produtos, ofe~ado oportunidades (sen1pre levando em consideração as características 
do hospita l), ajudado na tr.oca de m~dicamentos e materiais médicos com potencial de 
vencimento da data de validade, verificado alertas dos órgãos oficiais e das autoridades 
de saúde. Entend~mos que ac~rdos com os laboratórios farmacêuticos aproximam os 
fabricantes da realidade das rot inas do hospital e, de uma certa maneira, acabam me­
lhorando a compreensão do que é o atendimento na área hospitalar. Implica estimular 
a participação em outros eventos do hospital, como palestras, aulas de educação conti­
nuada, treinamentos institucionais e patrocínios de maneira geral, que contribuem para a 
fixação da marca do fabricante frente aos usuários. Julgamos importante ter uma política 
clara e amplamente divulgada sobre os patrocínios que os fornecedores podem oferecer 
ao hospital. Estabelecer que os valores do patrocínio são direcionados ao hospital e não 
ao ind ivíduo parece favorecer o relacionamento entre as partes e possibilitar aos gestores 
uma escolha mais isenta do emprego deste patrocínio. Cabe ao comprador firmar acordos 
com os fornecedores que contemplam esta atuação e cobrar resultados caso o acordo não 
esteja sendo cumprido. 
A elaboração de um Manual de Conduta Ética é extremamente desejável já que per­
mitirá a todos terem acesso às regras nas quais a instituição se norteia para se desenvolver. 
Ética é "pensar e agir de forma correta, segundo preceitos estabelecidose aceitos pela 
sociedade". Conceituar o que são Brindes e Gratificações e as normas que os regem 
auxiliam os compradores - e todos os funcionários - a manter um comportamento ali­
nhado com a conduta moral e os valores defendidos pela instituição. Os fornecedores 
devem ser contratados com base em critérios técnicos e profissionais e a participação em 
concorrências precisa ser orientada por processos previamente definidos e amplamente 
divulgados. 
Programação de Entrega e Transparência nas Informações 
Uma das grandes dificuldades hoje é o cumpr'.mento d_? prazo d~.entrega das comp!as 
negociadas. O que pode ajudar a evitar atrasos e a adoça.o.da pol1t1c~ de programaçoes 
de entrega. A partir do ponto em que 0 Planejamento def1n1u a quantidade d.o .~roduto a 
· · I' ta de estoque a poss1bil1dade de ser comprada o comprador pode d1scut1r com o ana is . _ . . 
' d . - idas na negoc1açao ev1denc1em ampl iar-se o prazo de entrega caso as con 1çoes consegu .d b 
. - 0 das vantagens consegui as, em vantagens. Esta atitude pode garantir a prorrogaça . . 
d · t ·á que se firmou um compromisso como o cumprimento das entregas nas atas previs as, J 
PROVISÃO DE MATERIAIS E MEDICAMENTOS 43 
Scanned by TapScanner
f 
dor Com isso, o hospita l está contribuindo com 0 1 . d d uro com o ornece . f ·1· , . - p a-
mais ura o d f rnecedor 0 que ac1 1tara a negoc1açao de vant 
. d toques este o , . agens 
neJamento os es t , na possível perda de oportunidades de compra de ai 
d. . · A desvantagem es a d. A • .d 9Urn 
a 1c1ona1s. . do é por vezes, 1nam1 co, e oportun1 ades rnelh 
t pois o merca , . . ores 
outro concorren e, . erimos que 0 compromisso previamente firmado d 
· Mesmo assim, sug d d . eva 
podern surgrr. d a vigência sob pena de per a a confiança das part 
·d durante to a a su ' f es 
ser cumpri 0 
. equências negativas para os uturos processos de aq .. ' 
uramente traria cons _ d . u1s1-
o que s~g d m receio de perder as vendas, nao 1scutem com 0 hosp·t 
1 - Muitos fornece ores, co . bl . i a 
ç.ª 0
· _ d d.f. ld des pontuais _ desabastec1mento por pro emas de importação 
srtuaçoes e 1 icu ª bl d - N ' _ . M. ·stério da Saúde, pro emas na pro uçao etc. o moment 
renovaçao de regist ro no in1 - d' .d.d o 
f
. ompromisso as vantagens sao 1v1 1 as entre as partes, mas as 
em que se 1rma um c / . . d A • 
d.f. ld d devem ser discutidas prof1ss1onalmente com antece enc1a para que ações 
1 ICU a es d•f' ld d 't' . T b ' ' . . d t das a fim de contornar a 1 1cu a e trans1 or1a. iam em e papel 
preventivas sejam a o a . · d d 
d d f ler esta Política deixando clara a necess1da e e total transparên-o compra or azer va , 
eia nos acordos fir111ados. 
Avaliação dos Fornecedores 
Faz parte da rotina dos compradores a avaliação de seus for~ecedores . Nesta ava­
liação, quesitos mais usuais, como o cumprimento das ~r~gramaçoes com a q.uantidade 
total e 0 prazo de entrega estipulado, o correto acond1c1onamento dos medicamentos 
e 0 correto preenchimento e emissão das notas fiscais, podem ter como complemento 
a inclusão de outros, como a qual idade do contato no pós-venda (grau de faci lidade de 
se conseguir o contato) a rapidez da entrega em casos de urgência, a resposta ao ques­
tionamento dos desvios de qualidade (ação de troca de algum lote, por exemplo) e a 
pró-atividade na atualização de novidades etc. 
É importante que cada comprador tenha nítida e objetivamente a classificação de cada 
um dos fornecedores nesta aval iação. Parece claro que um sistema que informa a nota da 
aval iação dos fornecedores, no momento da avaliação das propostas do pedido de com­
pra, em muito pode ajudar o comprador a decidir pela melhor opção. Podemos defin ir 
intervalos de notas em que se deseja trabalhar e, identificado algum fornecedor abaixo do 
limite inferior deste intervalo, é imperativo que este seja chamado para participar de uma 
reunião, devidamente registrada em documento próprio, em que ações de melhorias sejam 
acordadas e firmadas por ambos - fornecedor e hospital. A postura inicial do hospital deve 
ser esclarecer a insatisfação existente e questionar os pontos nos quais ele pode contribuir 
para melhorar a qualidade do serviço prestado. Por outro lado, os fornecedores que estejam 
atingindo pontos do limite superior podem ser convidados a receber, por escrito, uma carta 
na qual fique expressa a razão da satisfação do hospital. Isso incentivará este fornecedor 
a manter-se conquistando boa avaliação e despertará nos outros o sentimento de que a 
qualidade no atendimento terá o reconhecimento do hospital. 
Envolvendo as Áreas Consumidoras 
Casos de dificuldades n- d . do-. , ao po em permanecer restritos a fornecedores e compra 
res do hospita l E fundam t 1 1 · . ara · en a o envo v1mento das áreas consumidoras dos insumos P 
44 / PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
que os gestores destas, em conjunto com os farmacêuticos pos . . . 
_ . . , sam part1c1par ativamente 
da busca de soluçoes para que o tratamento e d iagnostico dos pa · t - . f 
. . c1en es nao se1am a eta-
dos Muitas vezes, as alternativas parecem bem mais concretas a d d 
• A • _ • • os compra ores quan o 
gestores e farmaceut1cos sao acionados pois eles sa- 0 0 
· h d 
os ' s ma iores con ece ores dos 
procedimentos que envolvem ~ uso de materiais médicos e de medicamentos. Eles po-
dem orientar quanto a alternativas de marcas ou mesmo de dro · 
1 . gas equ1va entes e optar 
por u~a . mudança de pr~c~~iment~ ou esco lha de outra técnica em caso de absoluta 
imposs1btl1dad~ de substit_uiçao do 1 ~sumo. Informações sobre previsão de alteração de 
consumo dos insumos, SeJa por quaisquer motivos, precisam ser de conhecimento dos 
planejadores e com?ra_dores, ª fim ~e qu_e se evite tanto o desabastecimento quanto a 
perda por obsolescencia. Essa aprox1maçao das áreas prestadoras da assistência com os 
departamentos ~~e suprem as Instituições t raz confiança mútua, transparência no rela­
cionamento e agil idade na tomada de decisões que refletem positivamente na vantagem 
competitiva frente aos concorrentes. 
Ganho de Escala - Compra em Conjunto 
Parece bem estabelecido que há vantagem financeira quando se faz a opção pela 
compra dos medicamentos em conjunto com outros hospitais com as mesmas caracterís­
ticas. Existem exemplos bem-sucedidos de grupos de compras de Santas Casas na região 
Central do país que passaram a fazer compras em conjunto e tiveram sucesso na redução 
de custos de seus insumos. Ta lvez tão importante quanto o ganho f inanceiro - tanto na re­
dução dos preços pagos quanto no aumento do prazo para o pagamento das faturas - seja 
a troca de informações que inevitave lmente acontece entre os componentes do grupo. 
É evidente que as dificuldades encontradas pelo hospital individualmente são levadas a 
uma discussão, na qual a participação de todos acontece de maneira natural e com grande 
proveito. A alternat iva encontrada por um dos componentes se transforma em solução 
para outros tantos. Seguramente, o que se deve buscar sempre é a transparência das in­
tenções de cada um dos componentes que proporcionará o cumprimento da observância 
das regras definidas em conjunto. Com isso, o sucesso do coletivo será a meta maior, sem 
se esquecer que poderá haver benefícios individuais em diferentes graus. 
Relacionamento com as Operadoras de Plano de Saúde 
As vantagens fina nceiras que Compras trará para a Institu ição, através de negocia­
ções com os fornecedores, precisam se refletir na receita financeira que gera o caixa. 
Portanto, Compras precisa estar em contato permanente com o Departamento Comercial 
da Instituição com o objetivo de obter informações sobre as relações com as operadoras 
de plano de saúde. É arriscado supor que todas as inovações e avanços tecnológicos, que 
os prestadores de serviço p retendem incorporar, terão ava l incon~iciona l ~as ope~a~oras 
de p lanos de saúde quanto à cobertura do proced imento a serre~l1zado. Ha que ex1st1r um 
acordo prévio bem defin ido e claro entre os prestadores de serviços e a_s o~erador~s ~ue 
garanta a satisfação do cliente (paciente ou não) e o resultado f inanceiro 1mpresc1n~1v~I 
para alavancar o desenvolvimento do setor saúde para ambos os atores . Com a tendenci~ 
de queda cada vez mais acentuada dos juros, o ganho f inanceiro das operadoras sera 
PROVISÃO DE MATERIAIS E MEDICAMENTOS 45 
Scanned by TapScanner
_ b e os prestadores no sentido de se eliminar gast 
· r a pressao so r _ os 
menor, portanto maio , ·os o modelo de remuneraçao predominante 
d mo desnecessar1 · no 
que elas enten am co S . ,, parece afetar numa escala menor a compete" . 
, .d "Fee for ervice , , . nc1a 
pais, conheci o por . , e a remuneração e por item de cada procedirnent 
t de Compras, Jª qu · h · . º· 
do departamen ° . de 90% do que se pratica OJe no Brasil, pode e t 
d 1 
representa mais s ar 
Esse mo e o, que . conteceu nos EUA nos anos 80. Se experimentarrn 
d . tados assim como a " . os 
com os ias con .' . - 1 odeio que reconhece a competenc1a na assistênc· 
d " · d subst1tu 1çao pe o m . . " 1ª 
a ten ~nc1a e P4P - "Pa amento por Desempenho li, da sigla em rngles - os ganho~ 
conhecido como g oc·1ações com os fornecedores passam a ser uma ques 
·d s por Compras nas neg -
consegui o . " . t dores Independente do modelo de remuneração ado-
tão de sobrev1venc1a para os pres ª · . , d 
1 . · um) urge que um dialogo ma uro tome ugar e urna 
tado (ou mesmo que seja mais que , , 
f d 1 
. to entre as operadoras de plano de saude e os prestadores de 
nova ase e re ac1onamen , . f ' . 
. h ambas construam um cenar10 de con rança e, JUnto com as 
serviços gan e corpo para que , 
" · 1 d promovam um crescimento sustentado para o setor saude. agencias regu a oras, 
Bibliografia Consultada 
1. Site Estadão _ www.estadão.com.br artigo "Crise financeira chega ao setor saúde - 22 de março 
2009 por Jan1il Chade. 
2. Site Bionexo - www.bionexo.com.br 
3. Alianças estratégicas em hospitais privados: estudo de caso com oito hospitais. São Paulo, 2000 _ 
Tese (Doutorado) por José Henrique Germann Ferreira - Tese DatDef 24.08.2000 - Faculdade de 
Saúde Pública - USP. 
4. Gonçalves F. Excel avançado 2003/2007 Forecast - análise e previsão de demanda. Rio de Janeiro: 
Editora Ciência Moderna; 2007. 
5. Manual Institucional de Diretrizes de Conduta Ética da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira 
Albert Einstein; 2009. 
6. Site da Febrafarma - www.febrafarma.org.br artigo "Crise segura reajuste de remédio" - 01 de abril 
de 2009 por Marcos Burghi. 
7. Amaral GL do. Redução do lCMS sobre medicamentos. São Paulo: Febrafarma - Federação Brasileira 
da Indústria Farmacêutica, 2007 (Estudos Febrafarma). 
8. lntegration Consultoria Empresarial. Manual de Compras do Hospital Albert Einstein; 2003. 
9. Silva AA da. A relação entre operadoras de planos de saúde e os prestadores de serviços - um novo 
relacionamento estratégico. ln: Brasil. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Saúde. Documentos 
técnicos de apoio ao fórum de saúde suplementar de junho de 2003. 
1 O. l Fórum ANAHP de "Relacionamento com as Operadoras de Planos de Saúde" - junho 2009 - Feira 
Hospitalar 2009. 
46 / PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
Introdução 
Atenção Farmacêutica 
à Prescrição Médica 
Sweyme Bertoni Lima da Silva 
Em 1960 surgiu o primeiro conceito de farmácia clínica, que seria a prestação de ser­
viços do farmacêut ico ao paciente, ou seja, tratar do paciente, tendo como base principal 
a terapia farmacológica, seus efeitos adversos e suas interações indesejáveis. Em 1990, 
a atenção farmacêutica foi descrita como a prestação responsável de cu idados integrais 
relacionados à medicação, que tem por objetivo principal a melhora da qualidade de vida 
dos pacientes. 
A farmácia clínica propôs a introdução da prestação de serviços farmacêuticos voltados 
d iretamente ao paciente. Houve uma conscientização de que os serviços farmacêuticos 
não se resumiriam somente a orientar o paciente e sim que a intervenção farmacoterapêu­
tica melhoraria a qualidade de vida do paciente. 
A atenção farmacêutica constitui uma nova filosofia dessa prática. Como não existe 
um conceito definido para esta área, o profissional de farmácia tem de se adequar a sua 
realidade aos recursos que têm disponíveis. 
O princípio da atenção farmacêutica é estabelecer uma relação entre o farmacêutico 
e o paciente, que permita um trabalho em comum com o objetivo de buscar, ident ificar, 
prevenir e resolver os problemas que poderão surgir durante o tratamento farmacológ ico 
desse paciente. 
Esta prática implica, além da cooperação do paciente, a integração do farmacêutico 
com outros profissiona is da saúde, com a finalidade de definir, executar e monitorar o 
plano terapêutico direcionado a cada paciente. 
Características Principais da Atenção Farmacêutica 
As principais características da atenção farmacêutica são: 
ATENÇÃO FARMACÊUTICA À PRESCRIÇÃO MÉDICA 4 7 
Scanned by TapScanner
.. 
. , d. nsação do medicamento - entrega do medicament 
• as que se re lacr_o~am ª b r~pe·do em prescrição/prontuário e ao paciente a qu 
0 
correto, no horar10 esta e ec1 e se 
destina; egurar 0 uso racional de medicamentos; 
. f ações para ass 
• fornecer rn orrn . 
0 
propósito de obter resultados defin idos ern . 
. · t paciente com sau-
• curdar/onen ar 0 . ' l'dade de vida . 
de que leven1 à melhorra de sua qua 1 
r esses conceitos, podemos utilizar as definições da ASPH 
Para e11 tender~os r11edlhoF cêuticos da Area da Saúde - , que elucida bern este 
- Associação Americana e arma 
assunto: 
. d'camentos _ inclui decisões sobre o desuso de deter-
• Relacronamento com me 1 1 - d . 
. d d. t s assim como opiniões sobre a se eçao a terapra corn 
mina os me 1ca111en o , d . 
. . d · d administração acompanhamento a terapia farrnaco-
med1can1entos. ose, via e , . . 
• . 
1
• d · nto de informações e conselhos aos pacientes relaciona-
log1ca, a em e prov1me 
dos a n1edicar11entos. . . 
e 'd d · te si·gnifica cooperar diretamente com outros prof1ss1onais e • u1 a os ao pac1en - . A 
· t · Jantação e no controle do plane1amento farmacoterapeutico com o pacren e na 1mp Ih 
decidido, a fini de que se obtenha resultados definidos que me orem a qualidade 
de vida do paciente. . . 
• Resultados _ é sinônimo de melhora na qualidade de vida de cada pacrente por 
intermédio de resultados definidos na terapia medicamentosa. 
Os resu ltados buscados são: 
- a cura de uma doença do paciente; 
- a eliminação ou redução da sintomatologia; 
- a detenção ou diminuição do progresso da doença; 
- a prevenção de uma doença ou de uma sintomatologia. 
Esses resu ltados, por sua vez, implicam três funções primordiais: 
1. Ident ificação de PRM - problemas relacionados a medicamentos - potenciais e 
. 
reais; 
2. Resolução de PRM reais; 
3. Prevenção de PRM potenciais. 
De acordo com o consenso de Granada, definem-se problemas relacionados a medi­
camentos como quaisquer problemas de saúde entendidos como resultados clínicos ne­
gativos, derivados da farmacoterapia, que produzem resultados terapêuticos ou aparição 
de efeitos não desejados, produzindo ou levando a alguma deficiência de saúde. 
Os problemas relacionados a medicamentos apresentam-se da seguinte maneira: 
• Indicação sem tratamento - o paciente não está recebendo o medicamento para 
tratar uma patologia. 
• Seleção inadequada do medicamento - o paciente faz uso de um medicamento 
errado para indicação de certa patologia. 
• Dosagem subterapêutica - o paciente recebe o medicamento correto, mas em 
uma dosagem menor do que seria necessária para seu estado clínico. 
48 f PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
• Fracasso no recebimento da medicação _ 0 pacient · d , 
b d
. _ e possui uma oença porem 
não rece e a n1e 1caçao de que precisa. ' 
• Sobredosagem - o pacier1te recebeurna dose que lhe é t, · 
d d
. ox1ca. 
• Reações a versas a me 1camentos (RAM) _ 0 pac· t 
. 1en e apresenta uma reação 
adversa a L1111a deter·rn1nada droga. 
• Interações medicamentosas - o paciente apresenta um problem , d ' 
1 . _ _ a me 1co em resu -
tado a L1n1a 1nte1 açao droga-droga droga-alimento ou droga ex 1 b t · 1 . . . _ , - ame a ora oria . 
• Medicamento sem 1nd1caçao - o paciente utili·za um med· t - · d . d . 1camen o nao 1n 1ca o 
para a sua patologia . 
U1na completa ª .nálise da qualidade d e vida dos pacientes deve incluir dados objetivos 
e subjeti.vo.s a r~spe i to ?eles. Os pacier1tes d evem se comprometer a passar informações 
aos prof1 ss10 11~1s de saude, ~ara que sejam estabelecidos objetivos que resultem na me­
lhoria da qualidade da terapia e, consequentemente, na qualidade de vida do doente. 
A relação fundan1ental em todo t ipo de atenção ao paciente é o intercâmbio mútuo 
de ?e~efícios, 110 q~al o paci~nt.e concede autoridade ao provedo r e este, por sua vez, 
retr1bu1 con1 conhecimento, ot1m1zando assim, a farmacot erapia individual. 
Erros de Prescrição e Intervenção Farmacêutica 
Alguns estudos mostraram que erros de prescrição são mais fáceis de serem detecta­
dos e corrig idos do que aqueles que ocorrem devido à administração. 
O farmacêutico, além de ava lia r as prescrições médicas, tem importância fundamen­
tal, como membro da equipe multiprofissional, na identificação de erros relacionados a 
med icamentos. 
É de extrema importância que o farmacêutico avalie as prescrições antes que as me­
dicações sejam dispensadas ao paciente, com o objetivo de identificar as irregularidades 
que elas possam conter e, assim, intervir nelas por meio de contatos com médicos e com 
a equ ipe assistencial. 
Ao receber uma prescrição, o farmacêutico deve fazer uma análise geral e individual 
de todos os itens prescritos. Os pontos a serem observados por este profissiona l são: 
• Legibilidade da prescrição - verificar se a prescrição está legível , para que não 
ocorra erros na dispensação OLJ na administração do medicamento. 
• Dose inexistente e dose acima ou abaixo da dosagem usualmente prescrita -
por exemplo: Carbolitium CR® 300 mg; Flagyl® 400 mg injetável etc. 
• Frequência de administração - verificar se a frequência prescrita está dentro da 
usua l (estabelecida em protocolo ou literatura médica) - por exemplo: Durogesic® 
para troca diária. . . , . , . . _ 
• Via de administração - verificar se a via prescrita e inadequada a adm1n1st raçao 
prescrita - por exemplo: medicamento de uso exclusivo 1 M e ~rescrito EV. . . 
• Interação medicamentosa - verifi ca r se há interações med1ca:nentosa.s, pr1~c~­
palmente as de severidade alta - por exemplo: Tramado! e antidepressivos trici-
clicos. 
• Alergia - verificar se o paciente é alérgico a algum medicamento prescrito. 
ATENÇÃO FARMACÊUTICA À PRESCRIÇÃO MÉDICA 49 
Scanned by TapScanner
. ·ficar se ela é inexistente ou inadequada , d . 
~ ut1ca -ver1 1 . a a rn1 . 
Forma farmace 
1 
. V: cápsula ampola exc us1vamente admi . nistraçà 
• . or exemp o. 2 , n1strada o 
presenta - P VO Por Via 
EV prescrita como · ·f·car se os medicamentos são incompatíve· 
tºbilidade - ver1 ' ts para a d 
• lncompa 1 a mi-
nistração. . _ verificar 0 tempo de tratamento. 
- 0 da terapia .f. . A 
• Duraça d sagem descrita - ver1 1car a ex1stencia de vár· 
d. nto sem o tas dos 
• Me 1came d. nto comercia lizado no mercado. ª9ens 
d es1no me icame d d .I . d 
o m .f. se houve prescrição e 1 uente 1na equado/incomp t' 
o ·iuente - ver1 1car . . ® B f. . a tvel e 
• 
1 
. or exemplo: Anfoter1c1na em soro 1s1ológico. orn 
0 medicamento - P 
d Erros de Medicação para o Paciente Impacto os 
A ·as de erros de medicação variam desde um pequeno desconfort As consequenc1 , . , . . A • o até 
d · nte Muitas vezes e d1f1cil predizer as consequenc1as de um erro . a morte o pac1e · ' , d . b . _ , pois 
. f t podem estar envolvidos, e esta e uma as atr1 u1çoes fundamenta· d muitos a ores is 0 
farmacêutico. 
E O farmacêutico é peça fundamental quando se trata de assistência far m suma, . rna-
cêutica. Por isto, este profissional deve estar sempre atualizado com relação a literatura 
médica, visando a estabelecer um bom relacionamento com os integrantes da equipe 
multi profissional. 
Bibliografia Consultada 
1. Farmácia online. Atenção farmacêutica. [Acessado em maio 2009]. Disponível em: http://www. 
farmaciamed.com.br 
2. Bona! J, Alerany C, Bassons T, Gascón P. Farmácia clínica y atención farmacéutica. [Acessado em 
junho 2009}. Disponível em: http://farmaclin.com 
3. Bisson MP. Farmácia clínica & atenção farmacêutica. São Paulo: Medfarma; 2003. p. 3-9. 
4. Principales conceptos y definiciones en atención farmacéutica. [Acessado em maio 2009]. Disponível 
em: http://www.farmacare.com 
5. Hepler CD, Strand LM. Oportunidades y responsabilidades en atención farmacéutica. Espanha: 
Pharmaceutical Care, 1999. v. 1, p. 35-47. 
6. Organização Mundial de Saúde. Informe de Tókio sobre el papel dei farmacéutico en el sistema de 
arención de sa lud. Ars. Pharmaceutica, 1995. v. 36, p. 285-292. 
7. Fonseca AL. Interações medicamentosas. 3. ed. Rio de Janeiro: EPUB; 2000. 
50 I PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMB 
IENTE HOSPITALAR 
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Introdução 
• 
-
Automedicação 
Nathália Torres Globo 
Renê Assunção Silva 
~ preocu~aç.ão com a :aúde~ o fácil acesso a medicamentos e o atendimento precário 
do Sistema Publico de Saude sao fatores que contribuem para o uso indiscriminado de 
medicamentos. 
O ato de automedicar-se é uma prática potencialmente prejudicial, pois nenhum me­
dicamento é inócuo a saúde. Por trás deste ato aparentemente sem consequências, existe 
um problema em potencial para a saúde. Uma dose acima da indicada, administrada por 
via inadequada ou utilizada para fins impróprios, pode transformar-se em algo perigoso. 
O uso inadequado de substâncias consideradas simples pela população, como os me­
dicamentos de venda livre podem acarretar em diversas consequências, como: efeitos 
indesejáveis, enfermidades iatrogên icas e mascaramento de doenças evolutivas. 
A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a automedicação como a prática pela 
qual os indivíduos selecionam e usam medicamentos para tratar sintomas ou pequenos 
problemas de saúde. 
Muitos entendem que o ato de automedicar-se é o mesmo que adquirir saúde por 
meio da compra e da ingestão aleatória de medicamentos. A saúde não corresponde a 
este fator isolado, mas sim a uma série de requisitos. 
Como ninguém está livre de problemas relacionados à saúde, as pessoas tendem a 
praticar a automedicação quando a situação patológica aparenta ser de pouca gravidade. 
Ocorre que, para se atingir a fina lidade para a qua l os medicamentos foram concebidos, 
eles devem ser ut ilizados de maneira correta. 
Sabe-se que esta prática não está relacionada apenas a medicamentos industrializa­
dos, n1as tan'"lbem a produtos fitoterápicos, chás e ervas que são vendidos livremente. 
Considerando a automedicação como uma necessidade e uma função complemen­
tar aos sistemas de saude, particularmente em países pobres, a Organização Mu~dia l da 
Saude (OMS) publicou diretrizes para a avaliação dos medicamentos que poderiam ser 
AVTOMEDICAÇÃO f 5 J 
Scanned by TapScanner
d
. - Segundo este informe, ta is medicamentos d 
d utome rcaçao. , . ~ d evern 
emprega os na ~ de emprego facrl e como o. ser 
. f., s seguros e , . ' d (MS) eficazes, con iave1 , OMS do Minister10 da Sau e , o mercado bras·11 . 
d d d da e . e1ro d' 
Segun o a os erciais de medicamentos. A liberdade que a . 1spõe 
. d 32 ·1 n1arcas com , . s 1ndú . 
de mais e mi anda 0 acesso nem sempre facil ao consulto' . Stnas 
eicularpropag ' . . norn· d. 
usufruern para v , f ·i·dade com que os consumidores adquirem med· e ico 
. d saude a ac1 r icarne 
ou ao serviço e ' odutos nas prateleiras das farmácias e drogarias ntos, 
, d · dade destes pr . , perrnit 
alem a varre,, lt m" nestes estabelecimentos, com os seus amigos e eni 
soas se consu e . . parent 
que as pes medicamentos que JUigam necessitar sem ouvir a op· · ~ es 
e, até n1esmo, comprem os rn1ao de 
um n1édico. 
Automedicação Racional ou Responsável 
Devido à falta de estrutura do sistema de saúd.e, r:1édicos e farmacêuticos já adrnitern 
um novo conceito para a automedicação, que atrrbu1 a quem se automedica a total res-
ponsabilidade por este ato. , , . . . , 
A OMS define a automedicação responsavel como a pratica dos 1nd1v1duos em trat 
d. d ar 
seus próprios sintomas e males menores com .me 1camentos aprova os e disponíveis sem 
a prescrição médica e que sã~ seguros e efetivos qua~d~ usados segundo ~~ instruções. 
A automedicação responsavel, de acordo com Zub1ol 1, tem aspectos pos1t1vos. Pode-se 
citar, por exemplo, a maior "comodidade" do paciente que r~aliza esta prática em relação 
àquele que tenta obter a receita médica, considerando a habitual demora no atendimento 
à população pelo Sistema Públ ico da Saúde. Também pode ser vista como uma alternativa 
mais barata para o usuário, uma vez que o alivia de consultas médicas. A automedicação 
racional, segundo o autor, estimularia as pessoas a aceitar a sua conta de responsabilidade 
sobre a própria saúde. Porém, tal prática transfere ao leigo uma responsabilidade inerente 
ao profissional da saúde. 
Este fato muitas vezes pode trazer problemas, visto que nem sempre a escolha é a 
mais adequada à sintomatologia do paciente, aos problemas de saúde que apresenta ou 
mesmo aos outros medicamentos que são utilizados. 
Portanto, para que a utilização do medicamento seja feita de maneira correta, eficaz e 
segura, é preciso que o consumidor esteja amparado por um sistema de informações, com 
aconselhamento de profissionais de saúde, tais como médicos ou farmacêuticos. 
Para que seja possível a automedicação responsável, deve-se promover o uso racional 
de medicamentos, que será alcançado por meio do processo educativo dos usuários ou 
consumidores acerca dos riscos da automedicação, da interrupção do uso ou da troca de 
medicamentos prescritos, assim como da necessidade de receita médica para a aquisição 
de produtos tarjados. 
Autoprescrição 
~ ª-u~ome?icação responsável restringe-se aos medicamentos que não necessitam ?e 
recert~arro. ~ed ico (Over The Counter - OTC), isto é, aqueles de venda livre, sem t~r!ª ' 
que sao utilizados no tr t t d · ssibrlrta ª amen o e sintomas e doenças sem gravidade - o que Pº 
52 / PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
uqe o paciente assuma plen~mente. a responsabilidade pelo seu tratamento-, as informa­
ções contidas na bula deverao se~ lidas atentamente. 
Como exemplos destes med1can1entos podemos citar os analge' · t . . . 
. . , s1cos, os an 1term1-
cos, os antiácidos, as v1tar11rnas, os expectorantes, os co lírios e alguns produtos dermato-
lógicos. . _ , 
Já a auto~rescr1 çao e o uso .por conta própria de medicamentos de tarja verme lha ou 
preta , e que so. p~dem ser receitados por médicos. Trata-se de produtos sob verificação 
periódic~ do ~edico, que .dev~ 0?serv~r-a progressão do estado clínico do paciente e, por 
este 111ot1vo, nao podem ficar a dispos1çao da população, visto que esta não tem conheci­
mento suficiente para seu uso racior1al. Temos como exemplo algumas classes de medica­
rnentos que necessitam de prescrição: antibióticos, anti-hipertensivos, anti-inflamatórios, 
antipsicót icos e antidepressivos. 
O antibiótico para um tratamer1to eficaz dos pacientes requer monitoramento rigo­
roso por parte dos profissionais da saúde. No entanto, o seu uso irracional, em particular 
através da auton1edicação, tem sido amplamente relatado. O aumento da resistência aos 
antibióticos é um problema de saúde pública mundial, sua prescrição indiscriminada e a 
automedicação irresponsável contribuem para o desenvolvimento de resistência. 
A autoprescrição é extremamente perigosa, e o farmacêutico e o médico desempe­
nharão importante papel na assistência ao paciente, informando sobre os riscos do uso 
irracional destes medicamentos. 
Os medicamentos no Brasil, assim como em outros países, precisam ser obrigatoria­
mente prescritos e são identificados com uma tarja vermelha ou preta. A diferenciação 
de tais tarjas faz-se necessária devido à possibilidade de os medicamentos de tarja preta 
causarem dependência; por isso, eles são submetidos a um controle rigoroso em sua 
dispensação. 
Autocuidado 
A automedicação responsável exige uma elevada consciênc!a ?ª p~pulaçã,o, que de~e 
ser criada por meio do trabalho informativo realizado pelos prof1ss1o~a1s da sau?e. Se feita 
de forma correta, ela pode trazer benefícios à saúde de quem a pratica, traduzindo-se em 
um autocu idado. . 
Segundo a OMS, define-se como autocuidado aquilo que as pesso.as fazem P?r s1 mes­
mas para estabelecer e manter a saúde, prevenir e lidar com a d~ença. E urr: concei~o ª~dpl~ 
1 1 t · - tipo e qualidade de alimento 1nger1 o, que abrange: higiene - gera e p essoa ; nu rrçao - . _ . , . . .. 
estilo de vida - atividade física, lazer; fatores ambientais - ~ondiçoes de ~ida~ habitos sociais, 
... . , 1 d d nças culturais· e automed1caçao. fatores socioeconom1cos - n1ve e ren a, cre 1 
Automedicação e Interação Medicamentosa 
, . - medicamentosa. O termo interação 
Outro prob lema que pode ocorrer e a intera~ao - de outro ou de um ali-
d . f , . rf ... ·a de um farmaco na açao 
me 1camentosa se re ere a 1nte erenci d' to é associado a outro 
. A · quando um me 1camen 
mento na ação de um medicamento. ssim, . . d bj.etivo deseJ·ado ou pro-
. .f d do não at1ng1n o o o se pode ter um efeito dr erente o espera ' 
vocando uma reação adversa ao paciente. 
AUTOMEDICAÇÃO 53 
Scanned by TapScanner
. _ d' mentosas sempre foram tema de discussões entre 05 p t· . 
As 1nteraçoes me ica . - l'f , . , ro 1ss10 . 
, . d' ntos A polimed1caçao ou po 1 armacra e uma prát. b na1s 
e os usuarios de me reame · . d · - rca asta 
t as chances do surgimento e 1nteraçoes medicament nte 
comum 0 que aumen a . d . osas nu 
' d gerar problemas de sau e para o paciente. ..., e, 
eventualn1ente, po em . · 
. .d ~ . d ·nterações medicamentosas em pacientes que usam vários . A 1nc1 enc1a e 1 0 . . rnedrca 
.
1 
d 301 a 5~ e chega até 20 7b ou mais em pacientes que usam de 10 -
mentos osc1 a e 1º 0 a 20 
medican1entos. , . , , . . 
A auton1edicação e polifarmac1a e pratica ~omuns entre os pa~1ente portadores do 
, d · nodefi'ciência humana (HIV). O uso inadequado de medicamentos OTC' v1rus a 1n1u ~ . . s po-
tencia liza 0 risco de toxicodependenc1a e de eventos advers?s aos medicamentos. 
É imprescindível que os pacientes que fazem uso de quaisquer medicamentos to . . mem 
cuidado ao consum~r ~ais de .um produto concomitantemente ~e~ orientação rnédica, 
pois, apesar do efeito inofensivo ~e .algumas drogas, sua assoc1açao com outras pode 
levar a reações de graves consequenc1as. 
Automedicação como Causa de Intoxicação 
Na automedicação, é comum a utilização de doses exageradas ou insuficientes de 
medicamento. Esta é uma prática inadequada, que pode conduzir a situações clínicas 
variadas, com surpreendentes resu ltados. As superdosagens especialmente constituem 
uma das causas mais frequentes de atendimento em serviços de emergência. 
O intervalo entre as doses e a duração do tratamento, quando est ipulados erronea­
mente, constitui situações de perigo. O acúmulo de uma substância no organismo, oriun­
do de repetidas doses ou do tempo prolongado de um t ratamento podem levar a variados 
graus de intoxicação. 
O consumo de medicamentos sem receita médica por recém-nascidos e idosos cons­
titui iminente perigo de intoxicação grave. Nestas faixas etárias, a possibi lidade de intoxi­
cação é maior, e a manipulação inadequada da dose constitui fator fundamental para sua 
utilização. Outras situações de necessária atenção são o período de gravidez e a lactação, 
pois o medicamentoé absorvido, respectivamente, pelo feto e pelo recém-nascido, quan­
do passa pela corrente sanguínea. 
A intoxicação por medicamentos é responsável por 29% das mortes no Brasil e, na 
maioria dos casos, é consequência da automedicação. No mundo inteiro é cada vez maior 
o número de reações adversas a medicamentos e, na maior parte dos casos, estas ocor­
rem em indivíduos que realizam a automedicação. Nos EUA, em 1999, foram registradas 
120 mil internações hospita lares decorrentes do uso inadequado dos medicamentos. No 
Brasil, a intoxicação por medicamentos é uma das ocorrências mais comuns decorrentes 
da automedicação. Dados do Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox) da Universidade 
de São Paulo (USP) apontam que dos 3.211 casos de intoxicação registrados em 1998, 
40% foram provocados por medicamentos. 
Automedicação Decorrente do Marketing 
A publicidade é um do f t 
1 
. . . d. . · damente . s a ores que evam as pessoas a utilizarem 1n 1scr1m1na . 
os medicamentos que d . , . f êut1ca 
po em ser vendidos sem receita. O poder da industria armac 
54 / PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
-
1 
á alimentado pelo marke.t~ng, que muitas vezes não esclarece a manei ra e a situação cor­
reta em que se devem utilizar estes produtos. 
Outro enfoque diz resp eito ao direcionamento que os médicos dão a determinados 
medicame11tos, de acordo com a ~orcent~gcm d e dependência das empresas junto aos 
representa11t~s ~estes P!odutos - J~ que sao estes representantes que estão diretamente 
relacionados a d1vulgaçao dos rned1camentos junto aos médicos. 
Assin1, a propagarida torna-se um grande estímulo à compra, como se este ato fosse 
unia solução para todos os problernas relacionados à saúde. 
A automedicação é un1 perigo, e as consequências podem ser graves e acabar levando 
0 indivíduo à 111orte. Dest~ forma as autoridades sanitárias devem investir nas campanhas 
para esclarecer ª. p~pulaçao . ~uanto ao uso racional do medicamento e a importância de 
procurar Lll11 prof1ss1onal habilitado para proporcionar a melho ra da saúde. Assim, evita-se 
0 uso de medicamer1tos de forma irracional e desnecessária. 
Riscos Associados à Automedicação 
De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (ABIFARMA), no 
Brasil, cerca de 80 milhões de pessoas são adeptas da automedicação. A má qualidade 
da oferta de medicamentos, o não-cumprimento da obrigatoriedade da apresentação da 
receita médica e a ca rência de informação e instrução da população em geral justificam 
a preocupação com a qualidade desta automedicação praticada no pa ís. O consumidor, 
por não ter conhecimentos suficientes para avaliar a gravidade e definir os distúrbios que 
estão ocorrendo com a sua saúde, tenta adequar os recursos terapêuticos, impondo pos­
síveis riscos a sua saúde, os quais podem ser classificados como: 
• d iagnóstico incorreto do distúrbio; 
• retardamento do reconhecimento do distúrbio, com possível agravamento; 
• escolha de terapia inadequada; 
• administração incorreta do medicamento; 
• dosagem inadequada ou excessiva; 
• uso excessivamente curto ou prolongado; 
• risco de dependência; 
• possibilidade de efeitos indesejados sérios; , . . . 
• incapacidade de reconhecer os riscos farmacolog1cos espe.c1a1s; 
• desconhecimento de possíveis interações com outros medicamentos; 
• possibilidade de reações alérgicas; . . 
• armazenamento incorreto ou por tempo excessivamente longo do medicamento. 
A OMS reconhece a automedicação como um problema até certo ponto inevi~ável; 
Os riscos associados ao uso irracional dos medicamentos são muitos. Por este motivo, e 
aconselhável consultar um médico nos seguintes casos, descritos abaixo: 
• se os sintomas persistirem; , 
• se os sintomas piorarem ou se o paciente tiver uma reca1da; 
• se o paciente apresentar dores agudas; 
AUTOMEDICAÇÃO 55 
Scanned by TapScanner
· 
1 1· er tent t'ldó 111n ou rrlais rnedicamentos sem sucesso· • se o pac1cn e es 1v . , 
• se surqir0n1 0f0itos nf:lo cl0seJêldos; . . 
• · t"" ..... s1 iver corivencido da gravidade de seus s1r1tomas; • se () ~•ílCt011 e ç ~ , • , • • • d d · 
• se o paciente tive1 problernas p.s1colog.1cos., .tais como ans1e a e, inquietação, de-
pressão, letargia, agitação ou h1perexc1tabtl1dade. 
Automedicaçáo no Âmbito Hospítalar 
ÜL1a11do sub111etidos ao processo de inter11ação, com receio de fi carem sem se d . us 
n1edican1e11tos l1abitL1ais, os pacientes levam estes pro utos cons~go . Em algumas 
situações, a prescrição n1edica dura11te a internação contemp!a .ºs medican:ientos levados 
pelo pac1e11te, n1as en1 outras o paciente 11ão ir1forma ao medico os m_ed1camentos que 
está util1za11do naqLiele período, de forn1a que algumas destas drogas nao fazem parte da 
prescrição durante a 111ternação. . 
En1 posse de seus n1edican1er1tos, o paci~nte ~ode praticar a automedicação, que 
possibilita a ingestão destes p1·odutos "em duplicata , quando estes constarem na prescri­
ção e foren1 dispensados pela farmácia ou até sem o conhecimento da equipe que 0 está 
assistindo dura11te a internação, o que aumenta os riscos de superdosagem, interações 
medican1entosas, reações adversas e pode mascarar os resultados do diagnóstico pato­
lógico, podendo levar ao agravamento do problema e a um maior tempo de internação. 
Na maioria dos casos, o motivo destas reações não é facilmente identificado, uma vez que 
a equ ipe de saúde envolvida no tratamento deste paciente desconhece que ele está se 
automedicando. 
Devido a estes fatores, é conveniente que, no momento da internação, o paciente seja 
questionado se faz uso habitual de algum medicamento e se está trazendo este produto 
consigo para consumi-lo durante a hospitalização. Desta forma, podemos ter um controle 
mais efetivo da terapia medicamentosa do paciente. 
A farmácia, por sua vez, pode desenvolver formulários para documentar os medica­
mentos levados pelo paciente e avaliar se os mesmos se encontram sob corretos arma­
zenamento e dentro do prazo de validade. Apesar de este controle ser bem simples, ele 
é muito importante para que o paciente não faça uso de medicamentos sem a devida 
orientação e, consequentemente, não enfrente problemas futuros. 
Bibliografia Consultada 
1. Ajuoga E, Sansgiry SS, Ngo C, Yeh RF. Use/misuse of over-the-counter medications and associated 
adverse drug events among HIV-infected patients. [Medline - Literatura Internacional em Ciências da 
Saúde PMID: 18794039] 2008 [Acessado em junho 2009]; Disponível em: http://search .bvsalud.org/ 
regional/resources/mdl-18794039 
2. Arra is PSD, Coelho HLL, Batista MCDS, Carvalho ML, Righi RE, Arnau JM. Perfil da automedicação 
no Brasil. Revista Saúde Publ ica 1997; 31(1): 71 -7. 
3. Cascaes . E~, Falchetti ML, ~a lato D. Perfi l da automedicação em idosos participantes de grupos 
da terceira idade de uma cidade do sul do Brasil. Arquivos Catarinenses de Medicina 2008; 37(1); 
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4· Ca.stro . LL~. Fundamentos de farmacoepidemiologia: uma introdução ao estudo farrnaco­
ep1dem1ologico. Campo Grande: GRUPURAM; 2001. 
56 PRÁTICA FARMACtUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
p 
Correr CJ. Os problemas relacionados aos medicamentos no contexto da atenção farmacêutica : uma 
5
· liação de conceitos. lnfarma 2002; 5/6(14). 
ava A d. _ 
Filho JBM, Ribeiro MAA. utome icaçao -. Projeto Ministério da Saúde-Programa VIVA LEGA, 
6
· 1998/ 1999. [Acessado em maio 2004]. Disponível em: http://www.nib.unicamp.br/svol/artigo 
87.htm 
Herrerias T, Marinez M, Ba_ret~ GM~ . Aut~~e~icação. Pharmacia Brasileira 2000; p. 20. 
7
· Li LJ, Wang OS. S~lf-med1cat1~n ~1th ant1b1~t1cs: a possible cause of bacterial resistance. [Medline-
8· Literatura Internacional em C1enc1as da Saude PMID: 16002231] 2005 [Acessado em junho 2009]; 
Disponível em: http://search.bvsalud.org/regional/index.php 
Lisboa SML. Interações e incompatibilidade mendicamentosas. ln: Gomes MJV, Reis AMM. Ciências 
9
· Farmacêuticas - umaabordagem em farmácia hospitalar. 1 a ed. São Paulo: Atheneu; 2001. 
p. 85-107. 
10_ Ogawa AI, Kurachi G, Hata HT, Abreu KRS, Lourenço L, Santos LL et ai. Estudo comparativo sobr.e a 
automedicação em estudantes do segundo ano de enfermagem e medicina e moradores do bairro 
Vila Nova. 2004. 
11 . Zubio li A. Profissão: farmacêutico, e agora? Curitiba: Ed. Lovise; 1992. p . 165. h 
2 WHO - World Health Organization. The hole of the pharmacist in self-care and self-medication. T e 1 . 
Hange: World Health Organization; 1998. 
AUTOMEDICAÇÃO 57 
Scanned by TapScanner
Introdução 
Medicamentos 
Trazidos pelo Paciente 
Aline Melo Santos Si lva 
Andreia Ramos Lira 
O avanço da atividade do farmacêutico no âmbito hospitalar implica um trabalho en­
tre profissionais variados, que, apesar de desempenharem suas funções individua is com 
habilidade, atuam unidos com os mesmos objetivos, os quais são realizados diariamente, 
com a conclusão de metas e compromissos. 
O medicamento conquistou atualmente uma dimensão especial na medicina, tornando­
se alvo principal de interesse não apenas da classe médica, mas também da população. 
O conceito de medicamento adquiriu um significado especial para a população devido ao 
seu aspecto econômico, ao seu caráter de produto de primeira necessidade, à questão 
da automedicação e aos cuidados com a saúde intimamente relacionados à medicação. A 
importância do farmacêutico ficou evidenciada após o ingresso efetivo deste profissional 
nas áreas relacionadas ao medicamento, através da aptidão, seriedade e resultados posi­
tivos obtidos ao longo do tempo. 
Nos hospitais, o profissional especializado e responsável pelos medicamentos é o 
farmacêutico, que a cada dia gera resultados que demonstram sua competência e sua de­
dicação. A atuação dos farmacêuticos se orienta em áreas específicas, preconizadas mun­
dialmente como sendo parte integrante do exercício farmacêutico hospitalar, ta is como: 
recebimento, armazenamento e distribuição de medicamentos, organização e gestão, 
informação técnica e científica, farmacotécnica e desenvolvimento, controle de qualidade, 
farmacovig ilância, farmacocinética, ensaios clínicos e inteNenção farmacêutica - a qual 
está ligada à farmácia clín ica, atividade farmacêutica muito promissora no Brasil. Além 
disso, nunca se deve esquecer 0 importante papel dos farmacêuticos como formadores e 
educadores. 
O farmacêutico hospitalar desempenha hoje funções primordiais e únicas, busca cres­
cimento e aprimoramento, conquistando espaço na prática da farmácia clínica, ª qual 
MEDICAMENTOS TRAZIDOS PELO PACIENTE 5 9 
Scanned by TapScanner
l·dade de alguns hospitais no Brasil, com a expre . 
está presente na rea i . ss1va pre 
f A t·co assumindo seu compromisso. sença d 
profissiona l arn1aceu 1 o 
Medícamentos Trazídos pelo Paciente 
A . t 't ções hospitalares possuem uma gama de medicamentos dis , 
s 1ns 1 u1 .d d d I' . pon1vei 
_ d. . dos de acordo com as necess1 a es as c 1n1cas médicas ex· t s, que sao pa ron1za . . is entes 
h 
. . 11 0 tipo de população atendida e a economia estabelecida A d nestes 
osp1ta1s, co1 . _ d F , . A • pa roniz ~ 
dos niedicanlentos co111pete à C~m 1 ssao e _ armac1a e. Terapeutica, ~ue discute e ~ça? 
d d tro de critérios estabelecidos, a relaçao de medicamentos mais adeq d ec1-
e, en d ua a pa 
instituição, seja esta de pequeno, n1édio ~u gran e porte. ra a 
Os 111edican1entos trazidos pelos pacientes fazem parte de uma prática co 
, . . d - f A • rnurn na 
institu ições, poré111 este habito necessita e atençao armaceut1ca para gerar s s 
. . . , . . . - egurança 
aos profissionais envolvidos na terapia, aos .pacientes e a 1ns.t1tu1çao. 
En1 determinadas situações alguns medicamentos prescritos não são dispensad 
· f ·1· d' os pela farnlácia , e alguns pacientes pre erem ut1 1zar os me 1camentos que levaram ao h . 
. d A • N , · . , osp1ta 1 
_muitas vezes, medicamentos e uso cronico. este caso, e 1mpresc1nd1vel a abord 
· - ·t· - d d· agern do farn1acêutico para aval1açao e ver1 1caçao os me 1camentos. 
Os niedican1entos trazidos pelo .paciente ~odem ser p~dr~nizados na instituição ou 
não porém na maioria das vezes, existe envolvimento econom1co nesta questão e d , , , eve-
se respeitar a preferência do paciente ou dos acompanhantes. Desta maneira, é imprescin-
dível que o farmacêutico verifique alguns itens como: se o princípio ativo do medicamento 
trazido ao hospital pelo paciente é o mesmo do medicamento prescrito; se a forma farma­
cêutica e sua dosagem estão corretas; se é possível identificar o número do lote, a data 
de fabricação e o prazo de validade descritos na embalagem; se os medicamentos estão 
conservados na embalagem original ou não e se a conservação do medicamento é feita 
de maneira adequada pelo paciente ou por seus familiares. Enfim, é uma grande respon­
sabilidade do farmacêutico avaliar e conferir todas estas informações, com a final idade de 
garantir o uso seguro do medicamento e que o produto esteja dentro das especificações 
exigidas pelas normas de qualidade. 
Após a internação, o paciente é assistido por profissionais da equipe multiprofissional 
e interdisciplinar, das quais fazem parte médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, 
farmacêuticos, nutricionistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupaciona is e psicólogos, que 
desenvolvem suas funções e interagem entre si durante a internação do paciente. 
Um dos primeiros contatos que o paciente tem ao internar é com a equipe enferma­
gem responsável pela avaliação inicial do paciente, questionando e anotando informações 
específicas que serão úteis para auxiliar a terapia proposta pela equipe médica. Dentre 
os dados obtidos no momento da internação, a enfermagem identifica os medicamentos 
utilizados antes da internação, a presença de alergias, as doenças preexistentes e os pro­
fissionais que deverão ser informados das necessidades a serem supridas no atendimento 
daq.uele paciente. Caso o paciente tenha levado ao hospital os medicamentos de uso 
habitual, ª enfermagem deve informar ao farmacêutico e este abordará o paciente ou s:u 
acompanhante com a prescrição médica para validar os medicamentos que não serao 
fornecidos pelo h ·t 1 d ' . , . 
1 
não fazem _ osp1 a e a otar as medidas necessar1as para aque es que 
parte da relaçao de medicamentos padronizados naquela instituição. 
60 I PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
d 
Scanned by TapScanner
~e~~ndo a Joint Co:nmission on Accreditation of Hea/thcare Organizations (JCAHO) 
os cnter1os a serem analisados pelo farmacêutico são: ' 
• Princípio ativo - deve ser o mesmo do medicamento p ·t t d , rescr1 o a entan o-se a 
mesma dosagem. Exemplos de fármacos com usos ma r· s com · , ·d ·1 1· , . . uns. acr o acet1 sa 1c1-
ltco, r bu~r~feno, paracetamol, d'.pirona sód ica, indometacina, cetoprofeno, diclo-
f~naco sod1co, dexa~etas~na, _n1trofurazona, gentamicina, brometo de ipratrópio, 
d1azepan., fen?ba~brta l, d1gox1na, furosemida, heparina sódica, betametasona, 
bromopr1da, h1osc1na, entre muitos outros. 
• F~rma Farmacêu~ic~ - a forma farmacêutica deve ser a mesma que a prescrita. O 
numero de compr1m1dos, drágeas ou cápsulas é indiferente, mas devem ser iden­
tificados e devem apresentar a mesma concentração de fármaco. Se na prescrição 
con~ta "X 20 mg cp", o similar ou genérico deve conter a mesma dosagem ou o 
paciente deve tomar o equivalente ao prescrito para seu tratamento ser efetivo. 
Não se deve ignorar que a forma farmacêutica confere características diferentes 
aos medicamentos. 
• Fabricante - alguns laboratórios são interditados pela Agência Nacional de 
Vigi lância San itária (ANVISA), e o paciente precisa ser orientado. 
• Data de fabricação e prazo de validade - o medicamento deve respeitar o pe­
ríodo em que foi fabricado até o prazo determinado pelo fabricante para seu uso 
seguro, com efet ividade de sua ação farmacológ ica. É importante a conferência da 
data de validade impressana embalagem do medicamento. 
• Número de lote - o número do lote assegura tanto o paciente quanto a instituição, 
pois possibilita a rastreabilidade quanto à aquisição e possíveis efeitos adversos 
do medicamento e alertas quanto à intercessão de lotes emitidos pelos órgãos 
oficiais. Todos os medicamentos industrial izados trazem seu número do registro no 
Ministério da Saúde; a conferência do número do registro e do número do lote é 
uma medida de segurança que poderá ser fundamental na apuração de problemas 
com o medicamento. 
• Embalagem - ao observar a embalagem, pode-se observar também as condições 
de armazenamento do medicamento e deve-se avaliar atentamente a embalagem 
em relação à marca, à concentração, à apresentação comercial e ao número de 
registro do medicamento junto ao Ministério da Saúde, bem como o número 
de lote, a data de fabricação, o prazo de validade e a identificação de seu fa­
bricante. Quando o medicamento não está conservado adequadamente em sua 
embalagem original, pode sofrer alterações físico-químicas em sua formulação. Os 
fatores externos interferem na eficácia do medicamento. Outro aspecto relevante é 
se 0 paciente guarda consigo mais de uma medicação '.º.ra da _embalagem origina l_, 
pois isso pode gerar confusão no momento da adm1~1straça? '. pod:ndo levar a 
duplicidade na dosagem de algum medicamento e nao adm1n1straçao do outro, 
colocando em risco a saúde do paciente. 
• Conservação adequada - ao analisar os medicamentos trazidos p~ lo paciente, o 
farmacêutico deve aval iar as condições de armazenamento questionando o pa­
ciente ou acompanhante quando necessário, observando as condições estabele-
cidas pelo fabricante. 
MEDICAMENTOS TRAZIDOS PELO PACIENTE 6 J 
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Segurança da Instituição versus Segurança do Paciente 
O medicamento levado ao hospital p elo paciente possui vantagens e d 
b t t d b 
esvanta 
Analisando-se este tema, podemos o servar q~e ~ n o po e enef~cia r quanto re· 9~n~. 
q
uando a instituição está de um lado e seu maior interesse - o paciente - , do P JUd1car, 
· d· t t h · · outro 
A farmácia deve garantir o me 1camen o corre o, no o rar10 prescrito e n · 
· · d · 1 d· ª dosa solicitada pelo medico. Quan o o paciente eva o me 1camento de sua p . . 9ern . ropna ca 
g
eralmente prefere que este esteja em sua posse, no quarto. Esta preferéncía . sa, . . . - b . d ou at1tud 
significa segurança, segurança esta que a 1nst1tu1çao tam em eve garantir. Ouand e 
ciente traz a medicação própria, esta precisa ser observada e verif icada pelo farm ~ 0 
.Pa-
d 
·t· h d aceut1co 
e 
0 
tratamento com o me icamento espec1 1co, acompan a o atentamente t . · 
d f 
. . 1 ºd . d . ISSO que 
garante a segurança os pro iss1ona1s envo v1 os na terapia, o paciente e, conse u 
d 1 
. . _ q ente-
mente, a nst1tu1çao. 
As instituições podem utilizar documentos que registrem as informações sobre 
dicamentos trazidos pelo paciente para uso próprio, mantendo estes documentos:~ rne­
prontuário, garantindo-se, assim, a segurança do paciente e da instituição. seu 
Bibliografia Consultada 
1. Ordem dos Farmacêuticos. Portugal, 2003. Disponível em: <http://www.ordemfarmaceutico tJ 
frontoffice/pages/ s.p 
2. Natíonal Center for Biotechnology lnformation/ U.S. Natíonal Library of Medicine/MEDLINE 
Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/PubMed/ · 
3. Coe CP. Preparing the pharmacy for a joint commission survey. 4th edition. Bethesda: ASHP _ 
American Society of Health-System Pharmacists; 1998. 
4. Korolkovas A. Química farmacêutica: Rio de Janeiro : Guanabara; 1988. 
62 / PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
Introdução 
• 
Terapia Nutricional 
Parenteral 
Fábio Teixeira Ferracini 
Mariza Tobias da Silva 
Wladmir Mendes Borges Filho 
A Nutrição Parenteral (NP) é uma solução estéril que é infundida por via endovenosa 
através de um acesso venoso periférico ou central para a admin istração total ou parcial 
(para oferta de todas as necessidades nutricionais ou para complementar a d ieta oral ou 
enteral), por via intravenosa dos nutrientes necessários à sobrevivência do paciente, em 
regime hospitalar, ambulatorial ou domiciliar. 
A NP é indicada nos casos em que os pacientes não podem receber alimentos atra­
vés do trato gastrintestinal. Entre as indicações clássicas desta terapia nutricional estão 
a doença inflamatória intestinal, portadores de desnutrição com doenças obstrutivas no 
trato gastrintestinal alto, complicações cirúrgicas pós operatórias: fístulas intestinais, íleo 
prolongado e infecção peritoneal, síndrome do intestino curto, lesões múltiplas, queima­
duras graves, infecção, insuficiências orgânicas: insuficiências hepática e renal, condições 
pediátricas: prematuros, má formação congênita do trato grastrintestinal, pacientes on­
cológicos com mucosite, esofagite, obstrução e ou aderências e mal formações do trato 
gastrointestinal. 
Dentre as principais contra indicações na NP podemos citar: pacientes hemodina­
micamente instáveis, choque cardiogênico, choque séptico, edema pulmonar, distúrbios 
metabólicos ou hidroeletrolíticos profundos e anúria sem diálise. 
Para a utilização da NP, deve-se levar em consideração dentre outros fatores a duração 
da terapia, o acesso venoso disponível, limitação de infusão hídrica e etc. 
Tipos de Nutrição Parenteral 
Existem dois tipos de NP: 
• Nutrição Parenteral Periférica - a solução parenteral é administrada diretamente 
em uma veia periférica, esta é indicada por um período não superior a sete dias. 
TERAPIA NUTRICIONAL PARENTERAL j 63 
Scanned by TapScanner
.. 
. d d 1 rias administradas normalmente fica em torno de 1.SOO K 
A quant1da e e ca 0 
0 1 cal/ 
1 .d d não deve ultrapassar 900 m sm/ . 
dia e sua osmo ari a e - 1 , d .. 
. _ 1 Central _ a soluçao parentera e a m1n1strada direta 
• Nutriçao Parentera . . , . mente 
. t 1 geralmente a veia cava superior, e esta esta indicada em uma veia cen ra , 
1 
, . para 
, d · a 1 o dias. A N PC oferece aporte ca or1co e proteico pa 
um peno o superior _ . 
1 1 
d 
1
. ra os 
. - t leram a ingestao via ora ou entera e a 1mentos. A osmol . pacientes que nao o 
1 
an-
dade, geralmente, é superior a 1.000 mOsm/. 
, d. to que pode ser adaptado às necessidades individuais de cad A NP e um proce 1men . _ .d d . _ a 
. d d Iterada em sua compos1çao na medi a a var1açao das condições paciente, po en o ser a . d · d 
, bºd d · t o cálculo estimado de energia po e ser estima o como sendo 25 mor 1 as o pac1en e. 
a 30 Kcal/Kg/dia. 
Componentes 
Fontes nitrogenadas 
Nas proteínas do organismo estão aproximadamente 95% do nitrogênio. Após a água 
corporal tota l, a proteína é o principal constituinte da célula. 
Os aminoácidos são incluídos na NP como fonte de nitrogênio para a síntese de novas 
proteínas. O aporte diário de proteínas está intimamente relacionado com a quantidade 
de nitrogênio, de energia, e de micronutrientes administrados em conjunto, e deve ser 
norteado pelo tipo de patologia de cada paciente. São utilizados de 0,8 a 1 g/kg de peso, 
em que cada grama fornece 4 Kcal. Em casos de sepse, pacientes queimados e traumas 
pode-se usar de 1,2 a 2g/Kg. 
Os aminoácidos para NP estão disponíveis comercialmente. Os aminoácidos crista­
linos sintéticos possuem uma vantagem significativa sobre os aminoácidos hidrolisados 
de proteínas. Os aminoácidos disponíveis estão numa concentração entre 8,5% à 15% 
e devem ser diluídos para obtenção de uma solução final entre 3.5% à 5%. Esta diluição 
geralmente é realizada com glicose. 
Fontes de carboidratos 
Os carboidratos são as principais fontes geradoras de energia na NP. A glicose é utili­
zada como fo~te calórica exclusiva. As necessidades calóricas variam para cada paciente e 
podem ser f~cilmente atingidas pela alteração no volume da formu lação. A glicose nas for­
~as m~no-hidrato de dextrose fornece 3,4 Kcal/g. A glicose encontra-se comercialmente 
d1spon1vel e.m concentrações quevariam de 5%, 10%, 25%, 50% e a 70%. 
A quanti~a?e míni~a de glicose requerida por um indivíduo por dia é de 100 a 1 SOg. 
~~~ ~~r adm i ~istrada via periférica, a concentração final da glicose não deve ultrapassar 
o, Jª pela via central a concentração final pode ser de até 35%. 
64 PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
Fontes de lipídios 
As emulsões de lipídios são isotônicas e podem ser administradas por veia periférica e 
constituem em fontes seguras e eficazes de calorias não-protcica5 cJevido a al la rJcn5icJadc 
calórica . Estas emulsões são preparadas principalmente a partir de triglicerí(Jeos de cadeia 
longa obtidos da semen te de soja ou, ainda, em combinação com triglicerídeos de ca­
deia média, proveniente do óleo de coco. 
Comercialmente estão disponíveis apresentações em concentrações de 10% e 20%. 
A emulsão lipíd ica 10% fo rnece 1, 1 Kcal/ml ao passo que a de 20% fornece 2 Kca l/ml . 
Para se evitar hepatomegal ia, icterícia e plaquetopenia, que são evidenciadas pela 
sobrecarga de gordura , geralmente deve-se administrar 1 g/kg/dia. 
Micronutrientes 
Vitaminas 
As vitam inas devem ser administradas de acordo com as necessidades do paciente, 
casos de processos infecciosos podem requerer maiores quantidades, mas infel izmente 
não é possível avaliar estas situações. No entanto as vitaminas são compostos orgân icos 
necessários em pequena quantidade. Existem no mercado farmacêutico po livitamínicos 
com composição apropriada à manutenção diária de vitaminas para adultos e crianças em 
terapia nutricional parenteral. 
Eletrólitos 
O sódio, o cloro, o potássio, o cálcio, o magnésio e o fosfato são minera is necessários 
em quantidades acima de 200mg/dia. Esses micronutrientes são essenciais para a manu­
tenção do ba lanço hídrico, da função cardíaca, da mineralização do esqueleto, da função 
dos sistemas nervoso, muscular e enzimático. 
Estes são administrados com base no balanço hídrico eletrolítico do paciente. 
Olígoelementos 
As reservas de oligoelementos no organismo não ultrapassam a 4g, sendo que as 
necessidades d iárias são menores do que 1 OOmg. 
Os oligoelementos essenciais são: ferro, iodo, zinco, cobre, cromo, manganês, selê­
nio, molibdênio e cobalto. 
Acetato e cloreto 
O farmacêutico deverá balancear as concentrações de acetato e cloreto prescritos 
para se evitar acidose metabólica ou alcalose rnetabólica. Em pacientes com acidose me­
tabólica a concentração de acetato deve ser aumentada. 
TERAPIA NUTRICIONAL PARENTERAL 65 
Scanned by TapScanner
Cálculo da NP 
Lipídeos: 
Solução a 20% = mi X 2 cal (padrão) 
Solução a 10% = mi X 1, 1 cal . . . h . _ , 
. 1 pacientes hospitalizados. O, 1 g/Kg/ (nutr1çao ciclica . Para evitar co estase em interrni-
tentAe). 1 - 1· 'd·ca na nutrição parenteral é composta por TCL. Se houver necess·d 
emu sao 1p1 1 , . f d. 10 20
o/c 1 ade 
de adicionar TCM, o produto utilizado sera o L1po un in a ou º sendo 50% TCM e 
50% TCL. 
Cálculo de gramas de Lip/kg/hora: 
0 
_ . . 
Somar oferta de lipídios em mi e multiplicar pela Yo da soluçao, d1v1dir pelo peso do 
paciente e por 24h. 
Proteínas: 
Soluções de aminoácido a 10% ou 8% = g X 4cal , . 
150 a 300 Kcal não proteicas/kg/N2 - pacientes estave1s 
100 a 150 Kcal/Kg/N2 - pacientes graves 
Carboidratos: 
Soluções de glicose a 50% = g X 3,4cal. 
Nível máximo de glicose EV para prevenir a hipergl icemia = 4mg/kg/minuto para pa­
cientes graves e 7mg/Kg/min para pacientes estáveis. Quantidades excessivas de glicose 
acima da necessidade basal resultam em lipogênese e hiperglicemia. 
Monitoração: 
Peso, linfocitometria, infusão de lipídeos e glicose, devem ser acompanhados. 
Complicações: 
Alteração hepática: colestase (al teração bilirrubinas, fosfatase alcalina e gama GT) 
Intolerância a lipídeos - triglicérides e colesterol 
Hiperglicemia (> 150mg/dl) 
Distúrbio hidroeletrolítico: hiper ou hipo (K, Na, Ca, P, Mg) 
Incompatibilidades entre Nutrientes 
. Novo~ ~~bstratos em NP vêm sendo pesquisados a fim de minimizar os problern~s ?e 
1ncompat1bil1dades ent t · , do calc10, 
re nu r1entes. Uma das principais incompatibilidades e ª 
66 PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner-
sob a forma de gluconato e o fósforo. O fósforo orgânico é um dos novos substratos utili­
zados e este é compatível corn o cálcio sob a forma de gluconato, sem qua isquer limites 
de concentração, possibilitando desta forma uma reposição adequada destes substratos, 
principaln1ente para pacientes neonatos, em que o volume total da NP é pequeno, sendo 
perfeitan1ente estável em formulações de NP. 
Na reação química entre o fosfato de potássio e o gluconato de cálcio obtêm-se cris­
tais de cálcio que podem levar à embolia pulmonar, devido ao acúmulo destes no alvéolo, 
podendo inclusive levar o paciente ao óbito. 
Recipientes 
Podem ser utilizados frascos de vidro, bolsas de polietileno, bolsas de PVC, desde 
que estes impeçam trocas com o meio externo. O recipiente deve ser estéril, apirogênico, 
garantir que sejam inertes e transparentes. 
Bolsa de EVA 
É um policarboneto quimicamente inerte. 
Bolsa de PVC 
É uma substância dura, frágil e inflexível. 
Estabilidade e Compatibilidade da Nutrição Parenteral 
Incompatibilidade é o fenômeno físico-químico responsável pela formação de um 
novo produto inadequado no momento do preparo ou quando estão sendo infundidas as 
soluções de NP. A incompatibilidade pode ocorrer devido a uma reação envolvendo: 
• droga x droga; 
• droga x material de envase; 
• droga x diluente. 
As incompatibilidades podem ser: 
a) físicas 
precipitação; alteração de cor; formação de gás e turbidez. 
b) químicas 
oxidação; fotólise e catálise. 
c) físico-químicas _ 
floculação; absorção/adsorção e quebra de emulsao. 
Compatibilidade de drogas com Nutrição Parenteral pode ser consultada na 
Tabela 8.1, a seguir. 
TERAPIA NUTRICIONAL PARENTERAL 67 
Scanned by TapScanner
Tabela 8.1 
- Compatlbllldade de drogas com NP 
_ trl çllo pnrontorol "" "" (NP) o omu11 
d drogo& corn nu 
o llpídlon ,. .. ,, .... ( 
L) 
conlpollbllldodo o Nomo comorclol 1 f'~P • 
Principio nllvo EL 
/OI IVilX 11 / 
nrlclov11 Ac:1clo 1 t>llc<> O, l 'Y.1 11f> . !J 111U CJ> (; \/ 
óc1clo lóllco l\ll>tHlllllíl 1 h111H1nn ?O'Y11 HJI 
(, 1 (; • -
/ 1 nllJun11nn Novrin 1111110 e 
1 
~ % c11nicoclnn l\inl11of1ll11n (; 
on11nofillnfl 
I 
l\ITIJ)lélCill no<lo / ~- = e An1p1cll1nn 111ng1:;rJnC10 X X ' 
nnfotericlno B 1\1 actarn<H> e e a7troonam Kefa7oloo X 
cef azollna e 
NP e X 
, 
cefotetan 
Mofoxin<iv e e cefotetan 
Rocefin<lo e X • 
cef1riaxona 
cianocobalan1ina (B 12L NP e e -
Genuxal<lv e • 
c1clof osfam1da X 
,_ - Sandimmun(í.!) e • 
cic lo~orina ** X -
Ulcimet(í!> e ' 
cimetidina e 
Dalac1n<11J e e -
c1met1d1na 
Quemicetina® e e -
cloranfenicol -- Cloreto de Potássio 19°/o ao e • 
cloreto de ootássio e 
Amplictil6J> e ·-
clorpromazina X 
co-tri moxazole NP X X 
dexametasona Decadron® X X 
diazepam Valium<í!> X X 
difenidramina Difenidrin® X e 
diaoxina Diaoxina e e 
dooamina *** Revivan® e X 
doxiciclina Vibramicina® e X 
doxorrubicina Adriblastina® X X 
eritromicina llosone®; Erythromvcin® X e 
fenobarbital Gardenal® X X 
fentalina Duroaenic®; Fentanil® e X 
ferro dextrano * NP e X 
filarastim Granulokine® X e 
fitonadiona Kanakion® e e 
fluconazol Zoltec® e X 
fluorouracil Fluoro-Uracil® e X 
foscarnet Foscavir® X X 
fosfato de ootássio Fosfato de potássio 2 mEq/ml ao e e 
fosfato de sódio Fleet Enema® solução e e 
furosemida Lasix® e e 
aamma-alobulina Octaaan®; Sandoqlobulina® X e 
aanciclovir Cymevene® X X 
aentamicina Garamicina® e e 
aluconato de cálcio * Gluconato de cálcio 1 Oº/o ap e X 
heoarina Heparina 5000Ul/ml, Hep-Lock® 1 OOUl/ml e X 
hidralazina Nepresol® X X 
hidrocortisona Cortiston® e e 
hidromorfina NP e e 
hidroxizine 
Hidroxizine® X X 
la anti-timócito J Lvmohoglobul ina® X 1u 
' . l imipenem/cilastatina X Tienamr~ Monovial X 
insulina reaularBiohuhn® R; Humulin® R; Novolin® R e e -
68 PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
Tabela 8.1 (cont.) - Compatibilidade de drogas com NP 
comoatibílidade de dro_gas com n utrição parenteral **** (NP) 
. e emulsão llpldlca ***** (EL) 
princíeio ~t1vo Nome comercia l 
;sopr~al1na lsop1 oteronol 0,2 mg/rnl ap NP EL 
lidocaína XylocaínaQP C X 
lorazeoam N P - C C 
rneperidl!:!a N~ X X 
rnetildo ~ Aldomet® - C C 
rnetilprednisolona Depo-~ed~l®_;_§ol~edrol® C X 
rnetoc!2Q_ramida Plasil<..m - X X 
metronidazol Metroni flex® C C 
midazolam D;;:monid®~-------------- X X 
morfina. sulfato de Oimort® - X X 
multivitamínico multivitam-ín-ic_o___ e e -j 
naloxona Narcan® ----------------l C_ C -1 
noreoinefrina *** Levooh~e;::d:j;@~R ----------------1 X X 
ondansetrona Zofran® C X 
oxacilina Staficilin® N C C 
oenicilina G ootássica Pen-svn® C C 
oentamidina NP C C 
orocloroerazina NP C C 
orometazina Feneraan® C C 
ranitidina Antak® C C 
sararamo~s~tin~a;--------~~N~P~.:..:.::::__ _______________ __j~C~_J_~C'..__J 
sulfato de maanésio * Sulfato de Maanésio 10% ao ; ~ 
tiamina Benerva®; Vitamina 81 100ma/ml ao C e 
ticarcilina/ácido clavulânico Timenin® C C 
. 
-
-
-
tioteoa Thioolex® x x 
tobramicina Tobramina® e e 
vancomicina Vancocid® e x 
vimblastina vimblastina Velban® x x 
VP-16 NP X X 
LEGENDAS: 
X : não administrar 
C : compatível via Y 
U: não se sabe 
OBSERVACÕES: 
* A incompatibilidade é dependente da concentração; essas drogas podem ser compatíveis quando 
misturadas em soluções de nutrição parenteral (NP) e infundido via Y com solucões lipídicas IV. 
** Extraído da revisão do Trissei com as seguintes exceções: ciclosporina é um con1posto altamente 
lipofílico. Embora não sejam fisicamente incompatíveis, emulsões lipídicas IV tem efeito significativo no 
clearance total do corpo e do volume de distribuição desse medicamento. Co-administração tem que 
se contínua para minimizar o rompimento dos parâmetros farmacocinéticos . 
*** Extraído da revisão do Trissei com as seguintes exceções: catecolaminas, dopamina, norepinefrina 
~ ~pinefrina . Ph alcalino deprime a atividade dessas medicações. Emulsões lipídicas IV são 
fisicamente compatíveis com esses medicamentos. Entretanto, a elevação do Ph pode acarretar 
resultados imprevisíveis quando cada droga é administrada IVPB. 
**** D . extrose e aminoácidos misturados administrados simultaneamente. 
***** p . . or co-1nfusão ou parte do total dos nutrientes misturados. 
TERAPIA NUTRICIONAL PARENTERAL 69 
Scanned by TapScanner
mistura 3 em 1 
de com 
Pat ib i lida t r lentos totnls 3 om '1 ) 2 c om t rfl de OlJ 1 0 T:abela 8. - ldeos (!nl5 u com pRt1vel bs. ' ' as dellP . com sistem 
C mpatibihdade - omercial 
o Nome e O"o 
Droga - t-lurnRna 2 -AJbun11na 
albumina - ~ 
Novarn1n1..~_ 
amicacina 
Ami~of~~-
aminofilina 
Ulcin1e~® --
ciinetidina - ·1 f{) 
Fluoro-Uracr ~ R> 
5-fluorouracil 
ITT. Hep-Lockl.!' L'quernine~ · - -1 --
-heparina 
cortiston® N ol int.~ · Hu111n log~) hidrocortisona 
1 @· ov . r ®· Humu un . Biohu rn · insulina 
metoclopramida Plasil® 
ranitidina Antak® 
tetraciclina NP 
$11 1\ , \ (t) .':'li 1 
1) O llll t b1 ' , Ül))U1$f\~l 
sln1 
Stlll 
s 11 l"I 
sirri 
sin1 
s in1 
si rn 
sin1 
não qu br en1u1s 0 
. - obre a mistura 3 em 1 . . 
Cons1deraçoes 
5 
s·istem de an1i11 oac1dos, glicose e 
. as que con 1 -o fórmulas intravenos Misturas 3 em sa .. nte 
. d m um rec1p1e . lipídios combina os e 
da mistura 3 em 1 Principais vantagens 
. sondas intravenosas. • Redução de custos em eq~1pos e 
• Facilidade de administraçao. lsão lipídica por 24 horas. 
• Possibilidade de se adn11n1strar emu 
• Redução da osmolaridade. 
Principais desvantagens 
• Seu grande potencia 1 dÉl instabilidade. . . . . lemen tos. 
• Estabilidade afetada pelo volume de eletrólitos, mult1v1tam1nas e ol1goe 
Interação Química entre Eletrólitos 
Cálcio e fósforo 
A incompatibilidade comumente apresentada em NP é a formação de precipitados 
de fosfato de cálcio. Esta incompatibilidade leva à infusão de cristais de fosfato de calcio, 
podendo ocasionar óbito por embolia pulmonar, principalmente em neonatos, uma _vez 
que estes eletrólitos são necessários para um crescimento neonata l normal e pela mine· 
ra lização óssea. Ouando não administrados em quantidades suficientes, podem levar a 
displasias broncopu lmona res, e ainda causar problemas respiratórios no prematuro. 
701 PRATICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
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, . 
Magnes10 
o magnésio é con1patível en1 concentrações de até 12rnEq/l. 
Sódio, potássio. acetato e cloreto 
Estes eletrólitos r1ão cau:an1 problen1as de ir1compatibilidade, visot qL1e são compatí­
veis ern todas as concentraçoes e co111 todos os cornponentes da NP. 
Bicarbonato 
As incompatibilidades n1ais cornL111s são a forn1ação de sais insolúveis com cálcio e 
magnésio e a forn1ação de precipitados con1 vitarnina~ Cedo complexo B. 
Adição de Medicamentos na NP 
Segundo a Portaria 272, a via de acesso utilizada para a administração da Nutrição 
Parenteral é exclusiva. É vedada a sua utilização para outros procedimentos. Casos 
excepcionais devem ser submetidos à avaliação da Equipe Multiprofissional de Terapia 
Nutricional (EMTN). 
Sob o ponto de vista farmacológico, é possível adicionar fármacos na NP. Para um me­
dicamento ser adicionado na NP, é necessário que este possa ser administrado por infusão 
endovenosa contínua, que os níveis plasmáticos constantes tenham utilidade terapêutica, 
ser estável e não produzir interações. 
Ao adicionar à NPT, podemos economizar o fluido adicional que seria necessário para 
admin istrar a medicação. Se tivermos uma medicação que não seja compatível para mis-
, 
tura direta à NPT, tentaremos então administrá-la no menor volume possível. As vezes, 
mesmo se um medicamento não puder ser adicionado, pode ser administrado por co­
infusão e volumes mínimos de fluido são usados para diluir a medicação. As desvantagens 
da adição de medicamentos na NP é que aumenta a possibilidade de interações medica­
mentosas, a instabilidade da solução e requer um melhor monitoramento do tempo de 
infusão da N P. 
Só devem ser adicionados medicamentos na NP, quando não for possível: 
• obter outro acesso venoso; 
• o medicamento não poder ser administrado por outra via (oral , retal, etc.); 
• co-administração com uma conexão em Y; 
• correr NP cíclica com um período de administração entre 12 a 20 horas, permitindo 
desta forma a administração de medicamentos; 
• administração em cateter multilúmen. 
Casos Clínicos 
A seguir estão alguns exemplos de casos clínicos hipotéticos, mas que poderiam s~r 
reais na prática do farmacêutico hospitalar, em que o paciente apresenta apenas uma vra 
de acesso disponível: 
TERAPIA NUTRICIONAL PARENTERAL 7 J 
Scanned by TapScanner
• 
caso Clínico 1 . , . 
S urna via de acesso. O medico prescrito . 
f corn apena d . r soi, . 
e S 9 anos - Lin 0111a, dern ser admin istra os Junto com a NP. cita 
. ., . medicamentos po 
, 1· ara ver quais . ana ise p . . táveis prescritos: 
Medican1entos inJe 1 I® 
. 2. F agy 
1. Targoc1d~ 4 Tagarnet® . . . 
3 Granulok1ne® · . d na lisar a compat1bil1dade destes quatro rn d' 
· f ~ ut1co eve ª · e ica 
Neste caso, o ar·mace , . t conclusão: Os medicamentos Targocid® e Fi -
Np hegar a segurn e - PT d . . agyl® 
111entos con1 a , e c t parar a infusao da N para a a mrn1stração d 
, . d vendo porian o, , . estes 
são inco1npat1ve1s, e ' . ® Tagamet® são compat1ve1s com a NP. 
J , G ulok1ne R e o ,, 
n1edican1entos. a o ran 
Caso Clínico 2 
. 67 crônica, anticoagulada. Internado há 5 dias por colit 
Paciente com FA anos, d ' d d · · e ' d NP com heparina. No sexto ia e a m1n1stração de NP 
pseudon1en1branosa e111 uso ~ 1 o de protombina prolongado. 
apresentou sangramento gengiva e temp . .f. 
. 
1
. . , 1· e da prescrição de NP a fim de ver1 1car se alguns dos rned·i O médico so 1c1tou ana is . -
ndo este sangramento.Dentre os medicamentos estava prescrito 
camentos estavam causa 
metronidazol. . . 
N t O O metronidazol está potencializando o efeito do anticoagulante, urna vez es e cas , . . 
que nos pacientes que fazem uso de metronidazol co~com 1tant~men~e com ~nt1coagulan-
te, a relação do tempo do protrombina ou a INR (relaçao n~rmal1zada 1nternac1?nal), devem 
ser monitorados periodicamente. A suspensão do metron1dazol dever ser avaliada. 
Mecanismo - diminuição do metabolismo do anticoagulante. 
Caso Clínico 3 
Paciente B.R.B, 72 anos, internada há 5 dias/ apresentando desconforto respiratório, 
tosse com secreção amarela e espessa e períodos de hipertemia após a insta lação da NP. 
A imagem (RX) mostra pneumonia de base direita. Evolui com infecção da corrente 
sanguínea por Cândida albicans, sendo tratado com fluconazol e clindamicina EV. Durante 
a internação apresentou arritmia cardíaca (Torsade de points ) e prolongamento do inter­
valo O. T. 
Neste caso é provável que: 
a) Paciente esteja apresentando bacteremia devido a NPT. 
b) Paciente esteja apresentando cardiotoxicidade pelo uso da cl indamicina em alta 
dose. 
c) Paciente esteja apresentando cardiotoxicidade pelo uso da clindamici na e fluco­
nazol . 
d) O paciente deve estar apresentando hipercalcemia. 
Após avaliação das int - d. l ~ o 
. eraçoes me 1camentosas o farmacêutico chega a cone usa 
daume .ª .rac1efnl te esta apresentando cardiotoxicidade devido ao uso concomitante de clin· 
ic1na e uconazol. 
72 / PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIEN 
TE HOSPITALAR 
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Mecanismo - a administração concomitante de clindamicina e fluconazol causa au­
mento do risco de cardiotoxicidade, prolongamento OT, Torsades de pointes e pode levar 
à parada cardíaca. 
caso Clínico 4 
Paciente S.R.S, 39 anos, diabética controlada, fazendo uso de insulina apresentou hi-
perglicernia no 5º dia de ~dministração de NP. 
Medicamentos prescritos: 
1 - Ceftriaxona 2 - Gatifloxacino; 3 - Ranitidina 
4 - Furosemida 5 - Amiodarona 6 - Digoxina 
Após análise da prescrição médica, o farmacêutico solicitou ao médico a suspensão 
da gatifloxacina. Existem relatos que esta pode causar hipo ou hiperglicemia. 
Mecanismo - tem sido reportado após o uso gatifloxacina, usualmente em pacientes 
diabéticos, reações hipoglicêmicas que ocorrem frequentemente no primeiro dia. 
A maior parte das reações hiperglicêmicas ocorrem 4 a 1 O dias após o início terapia; 
pacientes idosos (> 75 anos) com diabetes, diminuição função renal ou medicamentos 
associados com hiperglicemia. 
O nível glicêmico deve ser monitorado quando gatifloxacina é usada em pacientes 
diabéticos. 
Terapia com gatifloxacina deve ser suspensa e medidas apropriadas devem ser inicia­
das imediatamente mediante sinais hipo ou hiperglicemia. 
Caso Clínico 5 
Paciente W A S, 33 anos em tratamento oncológico. Perdeu a via de acesso, ficando 
apenas com a que está sendo administrada NP. Prescrito fluouracil 1.800mg para ser ad­
ministração contínua (em 24h). 
Neste caso, o fluouracil pode ser adicionado a NP, uma vez que é compatível. 
Caso Clínico 6 
Paciente R. R., pré termo internado na Unidade de Terapia Intensiva Neo Natal, 
com apenas uma via de acesso. Recebe NP individualizada com volume total 65ml. 
Necessitando de albumina (20 mi). 
A albumina é compatível na NPP até 25g/1, ou seja 0,025g/ml. 
A dose de albumina prescrita (20 mi) equivale a 4g, diluída em 65ml obtêm-se uma 
concentraçã o de 0,061 g/ml. 
Portanto se torna incompatível. 
Caso Clínico 7 
Paciente M J S, 1 ano e 4 meses com prescrição de N P, individualizada há 5 dias, 
perdeu a via de acesso. O médico solici ta avaliação dos medicamentos prescritos, quanto 
à compatibilidade com a NP. 
TERAPIA NUTRICIONAL PARENTERAL 73 
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74 
. . táveís prescritos: 
McrJíe,amcntos 1n1e .. d. 3. trarnadol 
2 an1t1 1na - ' · D ' 
1 871rr1onan . r t onarn sao cornpatrvers. evera ser sugerid 
. ~ . id1na e o az re . . a ao rn . 
l\Jr·')lr: r,ar;o, a ran1t . . _ do trarnadol - da via EV para a via VO (trarnad edj, 
- . da adm1n1straçao oi 9ot 
co 8 1 ror:a rJe via as 
por r;romplo). 
caso Clinico B 
. 55 anos HIV positivo, h~s~ital i~ado há 63 dias, _com NP há 7 di 
Pacien te M. C. O.,, . stá corn uma un1ca via de acesso. Foi prescrito . 
1 
as. 
/\presentou infecção fung1ca ~, ~ 800 ac1c ovir 
" 616h _ dose total d1ar1a mg. _ . 
200mg de .. , t ' 
1 
com a NP. Neste caso nao existe outra alternativa sen-o aciclovir nao e compa ive . , d · · -
1 
ao pa, 
d 'nistrar 0 aciclov1r e apos a a m1n1straçao votar a correr a NP 
rar de correr a NP para ª mi · 
Caso Clf nico 9 
Paciente ENL, hepatopata, com prescrição de NP. Médico prescritor solicita verificar 
compatibilidade com omeprazol ~ midazol~n.. , . 
Neste caso, omeprazol e 0 m1dazolan sao 1nco~p~t1ve1:, deve-se ~arar de correr a NP 
e administrar 05 medicamentos. No entanto, a adm1n1straçao concomitante de rnidazolan 
e omeprazol pode levar à Toxicidade benzodiazepínica - depressão do SNC, ataxia e 
letargia. 
Suspeita de Reação Pirogênica ou Infecciosa 
Ao receber uma notificação de suspeita de reação pirogênica ou infecciosa associada 
à infusão de soluções parenterais, o farmacêutico deve avaliar o quadro apresentado pelo 
paciente descrito pela enfermagem, notificar o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar 
(SCIH), acompanhar a evolução clínica do paciente envolvido e elaborar relatório de rea­
ção pirogênica ou infecciosa juntamente com o SCIH. 
Reação "Tipo Pirogênica" 
Para s~r ~aracterizada como uma reação tipo pirogênica o paciente dever apresentar 
um ou mais sintomas: 
• Tremor· 
1 
• Calafrio; 
• Palidez· 
I 
• Erupção cutânea ou de mucosa. 
1 
• Febre > 38º(. 
O que fazer? 
• Interromper imediatamente a infusão 
• Desconectar o s· t , . 
is ema com tecn ica asséptica. 
PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE 
HOSPITALAR 
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r 
• Proteger as extremidades corn õq1dl1A r stéril onr ;ir;icla 
• Manter a perrnenl)ilrrlad0 rio< ;11 0tc'r 
• Verificar os ~ r C'r't <)S ela arlr111111c;1r,1çilo do medrcamerito 
• E111 r ar e n1 <' t) l1t c) 'I <) rorn o ri10ci r< c1 
• Regrs1 r ar tr>t1ns as 111fo1111ações rio prontuário. 
• olicitar e ri111es. 
Quais exames solicitar? 
Pac1er1te cor11 ca teter \1er1oso ce11t1 ai 
• He1110CLJltur a qL1õr1trtat rva 1)areada do cateter e sangue periférico. 
Paciente con1 acess() ~-,er1fer1co 
• Hen1ocult L1r a qL1al1têlt1va. 
• Colher o sar1gue em nova veia p 11fér1ca. 
O Farmacéutrco deve ava Irar a ocor 1 ê11c1a 1untamente com o médico e a en fermagem. 
Avrsar o SCIH para que JLJr1tos 1nvest1gl10m c;e houve ou tras ocorrencras no hospital 
Se a suspeita de reação p1rogen1ca ou 1nfecc1osa for com NP, a amostra da bolsa deve 
ser encaminhada par a o laborator10 cl 1n1co para análise. O farmacêutico deve também 
1nvest19ar no prontuarro do paciente se existem outros focos infecciosos que poderiam ter 
levado à reação t ipo prrogênica. 
Q ue exames devo solicitar? 
Cultu,..a oe anaerob1cos, aeróbicos e fungos para: 
• O medicamento (soro, NP e etc). 
• Do liquido do equipo. 
• Da amostra (caso for NP). 
Após resultado, emitir juntamente com o SCIH o laudo da ocorrência. 
Atuação do Farmacêutico na Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional 
O traba lho multiprofissional é de extrema importância para que o tratamento com 
NP obtenha êxito. O farmacêutico deve trabalhar ativamente como um dos membros da 
EMTN, desenvolvendo políticas e garantindo, assim, excelência na qual idade do serviço 
prestado. 
O farmacêutico deve avaliar todas as prescrições de NP quanto à estabilidade, com­
patibilidade e possíveis interações medicamentosas. Nesse quadro, o monitoramento do 
paciente se torna essencial, e as intervenções farmacêuticas essenciais para o progresso 
do paciente. 
O farmacêutico da EMTN deve: 
• verificar possíveis reações adversas documentando-as e se necessário emitindo 
laudo; 
• supervisionar todo o processo de aquisição de insumos para aprodução de NP, 
bem como a qualidade da área dest inada ao preparo de NP; 
• controlar a qualidade; 
• sugerir e implementar melhores práticas. 
TERAPIA NUTRICIONAL PARENTERAL 75 
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Bibliografia Consultada 
1. Rahe H. Understanding the criticai components of asuccesful cleanroon ande ba . . 
Am J Helath Syst Pharm; 2000. rner rso/at 
2. ASHP Guidelines on the safe use automated compounding devices for th or Projeq 
nutrition admixtures. Am J Health - Syst Pharm; 2000. e preparation of · 
3 Trissei LA. Drug stability and compatibility issues in drug delivery ln· H db Pareritera/ · · · an ook · 
9. ed. 1997. on 1njectab/ 
4. Gomes MJVM, Reis AM. Ciências farmacêuticas, uma abordagem ern fa . . e drugs rrnac1a h . · 
Editora Atheneu; 2001. osprta/ar s~ 
5. Agência Nacional de Vigilância Sanitária, RDC 33. . ª0 
Paulo: 
76 /PRATICA FARMAc -
EUTICA NO 
AMBIENTE 
HOSPITALAR 
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Introdução 
Medicamentos versus 
Terapia Nutricional Enteral 
Roselaine M . Coelho de Oliveira 
Marcelo Costa Batista 
• A terapia medicamentosa é um importante aspecto do tratamento do paciente 
crítico, constituindo-se em um dos principa is fatores no restabelecimento de sua 
saúde e bem-estar. Por outro lado, uma nutrição adequada que atenda a todas as 
necessidades do paciente também é obrigatória para que se atinja o sucesso neste 
processo de recuperação. 
• Para que a terapia medicamentosa seja eficaz e bem-sucedida, é necessário que se 
trabalhe a utilização de medicamentos da forma mais otimizada possível , conhe­
cendo-se as particularidades de uso destes produtos, sua forma de administração 
e seus eventuais problemas e questões associados à terapia medicamentosa. 
• No tratamento do paciente crítico, uma das modalidades de administração de 
alimentos e medicamentos mais utilizada é a administração por via enteral, que é 
explorada quando o paciente não pode receber alimentos por via oral, mas, apesar 
disto, possui o aparelho digestivo funcionante. 
• Neste ponto, é importante observar que os medicamentos, em geral, não são 
produzidos com o objetivo de serem administrados por sonda. Além d isso, tam­
bém é importante sabermos que a maioria dos medicamentos orais apresenta um 
equ ivalente para a via parenteral, mas que existe uma pequena parcela para a 
qual esta afirmação não se aplica . É especialmente para estes medicamentos que 
temos de acompanhar uma administração correta, que garanta a manutenção de 
sua eficácia. 
• Ouando tanto o alimento quanto o medicamento precisam ser administrados pelo 
mesmo tubo é necessário analisar-se não só a administração pura e simples do 
1 
med icamento por esta v ia, mas também as potenciais interações droga-nutriente 
envolvidas nesta admir1istração. 
MEDICAMENTOS VERSUS TERAPIA NUTRICIONAL ENTERAL 77 
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·t /Definição Etiologia Conce1 o . 
e- ~r -;::i - ..---- ---. r-acão oe ur-a a _e ~ ~e -e e ~::-e--~- -
f 1 da admrnrsl , - --~ _ 
• Quando a amos . . r0 · cr.::>do e ooss-- c2--ac:e-s:-2s -=-e -.::, _ - - :::-:,_ 
t 
·rá 0 paciente .... .... :::;:- _ 
duto que nu n • ·a 1 0 en a rito o caso c2 - ;: ..... - a ::::.::: -:::..... ;: ~ 
f. , ·a quando usada esta"' . d . ... ,.,....~ .... -os ~.:::.- "~ - - -- ~-~--e rcacr od ção e meo Cai e , ~ - e e . ~ e- .;:::;:-- ... _ --~ 
- tece A píí u · - '-"='--=- -.:: 
isto nao acon ·d .. tração oela " a O'd e e'\:J C'"2 a -a~a:c--~::--:: ... :~-: ~ 
·b·1·d de de a m1n1s .. . - ""'~ --
poss1 11 a . . d garantir sua e·1cac a. s:o c-..e- e =e .. c_e ~s .-;:r. ~ --'~ 
. b1et1vo e --..... --e--
Sta via com o o . ,.... .., ,....-. ........ - ""' e- - ::::----~ e forma integra O'lG o \.ft_, e .._ .:: ' ~ '-'e --sados em sua ~ . . 
devem ser u lt que as apresen-ações de rea c2~e..,:cs a ·sc""'::---.::- -
r- · rtante ressa ar ~- :::....-
• e 1mpo rodutos disponÍ\1eis ro e rcaoo :"tacic--a a:e ~---;:: ~- '"'-~ 
capítulo se referem aos P ~- ~::: 
Epidemiologia 
O d das enterais em uma UTI abrange e rreo·õ 20~ ao .. o:a a:::..._ __ _ 
• uso e son . , d "" vc ~---
. d Em um levantamento real1zaao o 2 o e 2 ce ..... :.--,... :: 
tes 1 nterna os. . . r· ~a- ..., . . '""'"" ..... e--
. 1 1 1·ta Albert· Er·nstern ven rcou-se aue ..) e aos oac en-es ..,,-:::....,,.._ Hosp1ta sra e 1 . . . . I • . • • • - • ... • -'- cC~ 
·d d de terapia intensiva e sem1-1ntens1\ a ra_ o so oe o e a 00.. __ nas uni a es . • º c---
tera l. Isso mostra a importância do acompanhamen o dos pac1en·es co e:a 
entera l e prescrição de medicamentos via sonda. 
• Em relação às interações droga-nutriente,. e 1mportan e . º?_servar que ·ooa .êã­
ção medicamentosa é potencial, isto é, e 1ste uma poss10 daoe de ocorre~ ·0 03 
in teração. 
• Geralmente, as interações são apresentadas sob a orma ae oados oorce!') 0 ·5 
de incidência e nem todos os mecan ismos de ação são e uc dados. Eri re~a" :'"' a 
maior parte das interações droga-nutriente e de cara er: s CO-QL mico o QLe o ... e­
dizer que existe a formação de um precipitado \ ist\ e l oue imoede a absorção do 
medicamento dentro do processo f armacocinet1co norn1a . 
• Contudo, existe também um lado menos abordado da questão que e a ação oo­
tencial do medicamento sobre a cinetica do alimento. Como analisamos an enor­
mente, é importante para a total recuperação do paciente rarro um tra amen·o 
medicamentoso eficiente quanto uma terapia nu tric1ona aoeqt..ada. Sobes e po"­
to de vista, a ação do medicamento sobre a resposta à terapia nutricional se toma 
extremamente importante para a nossa d iscussão. 
Classificação 
• As interações droga/nutriente acontecem pelos seguintes mecanismos: 
- Físico-químicos: são os mais comuns e mais face is de se rabalhar. São decor­
rentes de um processo físico ou qu1mico que, em gera pro\ocam o surgirnento 
de um precipitado vis ível, que pode causar a obstrução do cateter· 
- Farmacoci~étic~s :. estão relacionados a alterações provocadas nos processos 
de absorçao; drstrrbuição e excreção do alimento e do medicamento - acres­
. cente-se, neste caso, alterações no metabolismo. 
Veja nas Tabelas 9.1 e 9.2 alguns exemplos. 
78 / PRATICA FARMACEUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
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Fórmulas Farmacêuticas Sólidas e Líquidas Orais 
• Quando o médico prescreve urn medicamento em geral el - t , d 
. d'f • , e nao es a preocupa 0 
com as sutis r erenças entre as apresentações farmacêut· d . , . 
, , . . 1cas rsp o n1vers, como 
capsulas e drageas, mas sim com a aceitação do produto por parte d · 
d f ~ . o pacrente. 
No entanto, quan o o armaceut1co formula um produto uma d b · -
f f ~ . , e suas o r1gaçoes 
é escolher a orma ·armaceut1ca mais adequada em relação · f. , · d d · . . - f . , . . a e rcac1a a roga, a 
otrmrzaçao de sua armacoc1net1ca as suas qualidades fi'si·co q · · . . _ • - u1m1cas, a sua me-
l/1or forma de adm1n1straçao e a sua aceitabilidade por parte do paciente p rt t 
f f 
~ . . . o an o, 
as orm~s . armaceu:1cas existem e~ função do medicamento e do paciente e suas 
caracter1st1cas precisam ser respeitadas para que haja uma resposta terapêutica 
mais eficiente. 
• Para facilitar o entendimento de quem é quem dentro das diferentes formas far­
macêuticas, explicaremos sucintamente abaixo as características de cada uma e 
apresentaremos algumas ilustrações na seção de apêndices: 
- Cápsula - forma farmacêutica sólida, elaborada por meio da contenção de ma­
terial em pó, granulado ou líquido dentro de cápsulas. Geralmente, esta forma 
farmacêutica está relacionada à impossibilidade de agregação do produto ou a 
formas líquidas de sabor desagradável. 
- Comprimido - forma farmacêutica sólida, formulada por compressão, que per­
mite a liberação da droga em função da desagregação gradual do produto. É a 
forma farmacêutica mais comum para a administração oral e apresenta possibi­
lidade de maceração. 
- Drágea - forma farmacêutica sólida, formulada por contenção de material sóli­
do com revestimento externo duro. Esta formulaçãotem a função de proteger 
a droga contra o ataque dos ácidos e enzimas do estômago ou, ao contrário, 
proteger o estômago contra alguma droga que causa irritação local. Estas ca­
racterísticas contra-indicam a sua maceração. Além disso, esta é uma forma 
farmacêutica com revestimento duro e liso, o que causa uma certa dificuldade 
mecânica neste procedimento. Geralmente, encontram-se pequenos pedaços 
do revestimento junto ao medicamento em pó macerado. 
- Elixir - forma farmacêutica líquida, elaborada com princípios ativos solúveis em 
meio alcoólico. Esta forma farmacêutica é caracterizada pela elevada concentra­
ção de princípios ativos por causa da extração direta do produto de sua fonte. 
O teor alcoólico nestas formulações é variado e depende muito do produto. 
- Pó - forma farmacêutica sólida, elaborada para medicamentos que devam 
ser dissolvidos em líquido - geralmente água - antes da administração. Estão 
apresentados na forma de sachês e são recomendados para administração via 
sonda se forem produtos solúveis - por exemplo, efervescentes - e não forma­
rem géis de alta viscosidade. 
- Solução - forma farmacêutica líquida, elaborada com princípios ativos solúveis 
em água. Esta formulação tem a vantagem de se adaptar a pacientes pediátri­
cos e permitir ajustes de dosagem com facilidade. Sua utilização está associada 
a sua palatabilidade. . , . . . 
- Suspensão - forma farmacêutica líquida, elaborada com pr1nc1p1os at1v~~ 1ns_?-
lúveis em líquidos aquosos. Apresenta as mesmas características de util1zaçao 
MEDICAMENTOS VERSUS TERAPIA NUTRICIONAL ENTERAL 79 
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- -maioria dos casos, sao preparaçoes extempo ~ 
d 1 Ções mas, na d d . . - raneas . assou ' das no momento a a m1n1straçao - mistu d , isto . ser prepara ra 0 . 
é, precisam . d de agitação a cada administração . Algumas Po em 
, .d necess1tan o suspen -
l1qu1 o-, . , _ d 'luídas e prontas para o uso. Soes 
. , is Jª vem i 
mais estave !mente de uma solução caracterizada pela alt 
- tra ta-se, gera ' . . · ª con 
- Xarope , f rmulações mais trad1c1ona1s - cerca de 8S<Yc cen, 
- d açucarem o o - e p 
traçao e . dernas. Tem alta aceitabilidade por parte dos . ores-
essantes nas mais mo 'd d paciente 
P rt'd apresenta alta osmolar1 a e. s, 
mas em contrapa ' a 
DIAGNÓSTICO 
M d. mentos que não devem ser macerados 
Tabela 9.1 - e 1ca 
ou administrados via sonda 
Forma farmacêutica 
Comprimidos de liberação 
lenta 
Cápsulas com 
microgrânulos 
Drágeas com proteção 
entérica 
Medicamentos de 
absorção sublingual ou 
bucal 
Medicamentos com 
corantes na formulação 
ou com substâncias que 
possam tingir os dentes 
Características farmacêuticas 
Identificação: Retard, Long, SR, 
Continus, AP, LC etc. Em geral, 
apresentam dosagem elevada 
e 0 revestimento do produto 
é responsável pela liberação 
gradual, o que permite 
administrar o medicamento 
menos vezes 
Cápsulas com microgrânulos 
de base lipídica que liberam 
medicamentos na região 
intestinal 
Produtos com revestimento 
externo duro e com conteúdo 
sensível ao pH e enzimas do 
estômago ou drogas irritantes 
locais 
Produtos formulados para 
absorção rápida na região e, 
em geral, de pequena dosagem 
Produtos formulados 
. , . . 
com pnnc1p1os ativos ou 
componentes de coloração 
marcante 
Consequências da maceração 
Perda do efeito de liberação 
lenta 
- Liberação imediata de altas 
doses com risco de intoxicação 
- Perda do efeito de liberação 
lenta 
- Liberação imediata de altas 
doses com risco de intoxicação 
- Obstrução da sonda por 
formação de uma goma 
- lnativação da droga em função 
do pH ácido ou ataque das 
. 
enzimas 
- Reações e irritações gástricas 
em geral 
- Alteração da biodisponibilidade 
do medicamento 
- Se não for para administração 
via sonda, pode provocar a 
coloração dos dentes 
Quimioterápicos orais 
sólidos 
~~~~~~~~----l~~~~~~~~ 
Medicamentos utilizados 
no tratamento oncológico, 
possuindo características 
citotóxicas 
- Em ambiente sem 
proteção (capela de fluxo 
laminar) , podem provocar 
alterações hematológicas ou 
citotoxicidade * 
* Os medica.n:entos quimioterápicos na forma sólida - cápsulas, comprimidos ou drágeas - necessitan1 de cu 1~ 
dados espec1a1s na administração d A - . d rn ser feitas . . por son a. maceraçao, a diluição e a aspiração em seringa eve 
em capela de fluxo laminar vertical dentro da sala de manipulação exclusiva de medicamentos citostat1cos. 
80 I PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
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Oo 
......... 
Tabela 9.2 - Principais Interações Medicamentosas Encontradas em uma UTI 
Medicamento Mecanismo de interação Recomendação 
Antiácidos Ligação com proteínas (Mg, AI) e - Parar a dieta 1 h antes e 2 h depois 
alteração do pH do meio 
Carbamazepina Ligação a moléculas de proteína - Não administrar drogas dependentes de pH ácido 
com diminuição da absorção e da no período de 1 h antes ou 2 h depois 
aderência à sonda 
Ciprofloxacina Absorção i por complexação (Ca, - Parar dieta 2 h antes e 2 h depois ou 
Zn, Mg e AI). A posição pós-pilórica - Monitorar nível sérico da droga 
contribui para a i absorção - Lavar a sonda com grande volume de água antes 
e após a administração 
Fenitoína Complexação (Ca, Mg, antiácidos - Parar dieta 1 h antes e 2 h depoisou 
ou proteínas complexas - - Aumentar a dosagem do medicamento 
albumina). Absorção ide forma - Parar a dieta 2 h antes e 2 h depois 
errática (35o/o-80°/o) - Monitorar níveis séricos 
- Lavar com 60 mL de água antes e depois 
Hidralazina Absorção i com redução do - Monitorar mudanças na pressão arterial 
pico sérico entre 46% a 80%, - Dar preferência à administração contínua da dieta 
principalmente após administração 
em bolus da dieta 
ltraconazol Medicamento de absorção em - Administrar os microgrânulos íntegros (até mesmo 
meio ácido fora da cápsula, mas sem macerar) 
- Não deve ser administrado via sonda pós-pilórica 
- Se houver administração concomitante de 
inibidores de bomba de próton, administrar com 
líquidos ácidos (refrigerante à base de cola) 
, 
Forma liquida Maceração passivei 
Sim (SS) NA 
Sim (SS) Sim 
Não Sim (porém não 
recomendada por se 
tratar de um comprimido 
revestido) 
Sim (SS) Sim 
Não Não (drágea) 
Não Não 
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~ Tabela 9.2 (cont.) - Principais Interações Medicamentosas Encontradas em uma UTI 
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Medicamento 
Levotiroxina 
(L - tiroxina) 
Norfloxacina 
Penicilina V 
Sucralfato 
Teofil ina 
Warfarina 
Xaropes em geral 
Mecanismo de interação 
Ligação com componentes da soja 
causando aun1ento da eliminação 
fecal 
Ligação (Ca, Fe, Mg) com J, 
absorção 
Absorção J, entre 30% e 80°/o 
Ligação (proteínas) com 
obstrução de sonda. Pode causar 
hipofosfatemia quando associado à 
dieta enteral 
Absorção J, (60%-70%). Aumento 
do metabol ismo 
Ligação (proteínas da soja) . 
Antagonismo de ação com vitamina K 
Complexação com proteínas na 
dieta podendo causar obstrução. 
A alta osmolaridade pode causar 
d iarreia quando administrado via 
sonda pós-pilórica 
Recomendação Forma líquida 
- Evitar formulações à base de soja Não 
- Monitorar função da tireoide 
- Parar dieta 1 h antes e 2 h depois Não 
- Parar dieta 1 h antes e 2 h depois Sim 
- Aumentar a dosagem ou Sim 
- Usar amoxicilina 
- Parar dieta 2 h antes e 2 h depois 
- Ao utilizar o comprimido, diluir em elevado volume 
de líquido (preferível com suco ácido) e lavar bem 
- Não administrar em posição pós-pilórica 
- Não usar quando motilidade está -l. 
- Parar dieta 1 h antes e 2 h depois Não 
- Monitorar níveis séricos 
- Evitar fórmulas à base de soja 
- Monitorar o INR 
- Evitar alimentos com vitamina K Não 
- Considerar o uso de heparina de baixo peso 
molecular 
- Diluir o xaropecom pelo menos a mesma Sim 
quantidade de água 
- Lavar a sonda com alta quantidade de água antes 
e depois da administração 
.., 
M aceração possível 
s . 1m 
Sim 
NA 
Não recomendada* 
Não** 
Sim 
NA 
Scanned by TapScanner
p 
111ento (Medidas Profiláticas e Paliativas) TratB••• 
Medidas gerais 
gem de sondas Lava 
Para evitar obstruções, os cateteres de sonda ent 
1 
d 
• , era evem ser 1 d 
rnenos 20 ml de agua antes e após a administr _ d . ava os com pelo 
· açao e med1cament d 
4 horas, no caso das dietas enterais de admin 'istr _ , os e a ca a 
açao continua. 
Técnica de administração 
• Todo medicamento administrado via sonda enteral p · b . , 
. . .d d recisa esta r em dilu1do ou 
corn ba ixa v1scos1 a e - no caso de produtos insolúve·s , . 
, · d · 1 · 1 em agua - , para evitar o 
deposito e mater1a part1culado na porção distal do cateter. 
Medidas profiláticas 
Prescrição de formulações líquidas pouco viscosas 
• Como já foi dito, algumas formulações líquidas apresentam elevada viscosidade_ 
xaropes e algum~~ suspens~es. Assim, é preferível que sejam uti lizadas soluções 
aquosas ou alcool1cas de baixo teor - soluções orais, gotas, elixires ou emulsões. 
Algumas soluçõe~ p~di.átri cas apresentam uma concentração mais elevada do que 
as adultas. Para d1m1nu1r o volume de líquido administrado ao paciente pediátrico, 
é sempre interessante utilizar a formulação mais concentrada. 
Diluição de xaropes 
• Xaropes são formulações de alta osmolaridade em decorrência de sua elevada taxa 
de açúcar. Em decorrência disso, a administração de xaropes di retamente em sítios 
de osmolaridade menor - como, por exemplo, posição pós-pilórica - pode causar 
diarreia. Para minimizar o problema, recomenda-se a dilu ição de xaropes com, no 
mínimo, o mesmo volume de água. É interessante observar que a osmolaridade 
destas soluções depende de cada formulação e de cada fabricante. Portanto, a 
quantidade exata de d iluição necessária dependerá do produto que está sendo 
diluído. Como cada hospita l traba lha com produtos diferentes e mais adequados à 
sua realidade, é necessário que cada um possua uma tabela de osmolaridade dos 
produtos - xaropes e algumas suspensões - uti lizados em seu hospital. 
Medidas paliativas 
Análise dos casos 
• e d h . . ' . 1 ª-º a' indicação e ao calibre ª a osp1tal possu i as suas propr1as normas com ~e aç_ . . 
das sondas ut ilizadas e também quanto à padron1zaçao de medicamentos mais 
MEDICAMENTOS VERSUS TERAPIA NUTRICIONAL ENTERAL 83 
Scanned by TapScanner
,... 
P r isso os eventos decorrentes da adrn· . 
Pacientes. o ' . d . 1n1stra ~ 
d uada aos seus d m estar relaciona os a estas pecu liaridad Çaa 
a eq . sonda po e - d . .d ,.. . es U 
d edicamentos via . das padronizaçoes e a 1nc1 enc1a das oc : ma 
e m edimentos, d . orren . 
, lise geral dos proc . te" ncia mais adequa a ao paciente nestas cond· ~ cias ana ma assis 1ç0 colabora n1uito com u es. 
Suspensão te111porária da dieta . , . -
d Orrências relacionadas a 1nteraçao droga-nutr'i . arte as oc . . ente . 
• Con10 a maior p d .t mos o contato da dieta com o medicamento est e , . quan o ev1 a _ , arn
0 física e quimrca, _ 0 ·ncipal problema desta questao e quando 0 pa . s 
· d · teraçao. pri d - ciente 
ev1tan o a 
111 
d d. t ontínua por sistema fecha o. Nao havendo a po .b. 
, f do uso e ie a c - ss1 l-
esta azen d. ento por outro que nao apresente a mesma inte ~ 
.d d d t ca do me 1cam raça0 li a e e ro . d d inistração deste medicamento, a abertura do sist 
ou a troca de via e a m . erna 
precisa ser discutida pela equipe. 
Acompanhamento de níveis séricos 
. t de algumas drogas principalmente dos medicamentos de ba·ix • O n1on1toramen o ' ,.. . o 
índice terapêutico_ ID: dose tóxica/dose terapeutrca -, torna-se ~ecessá rio em al-
guns casos, principalmente quando estas drogas possuem ur:' perrodo prolongado 
para a estabilização do nível sérico. ~esmo a mudança d~ via oral p~ra. enteral ou 
vice-versa pode provocar uma necessidade de readequaçao destes n1ve1s. Por isso, 
este acompanhamento torna-se especialmente importante. 
Mudança de via de administração 
• Quando existe uma forte interação droga-nutriente e o período de suspensão da 
dieta torna-se significativo e pode prejudicar o estado nutricional do paciente, 
é recomendável que a troca da via de administração seja vista como alternativa. 
Havendo acesso venoso, pode-se optar pela admin istração do medicamento, des­
de que este ou um produto de ação semelhante exista na forma injetável. Alguns 
medicamentos de ação sistêmica também possuem apresentação por via nasal e 
retal, podendo também ser analisados como alternativa, desde que se respeitem 
as necessidades de cada uma destas vias para a administração destes medicamen­
tos de maneira eficiente. 
Bibliografia Consultada 
1 
· ASPEN. The ~SPEN Nutrition Support Practice Manual. The American Society of Parenteral and 
Enteral Nutnt1on. Silver Spring, MD; 1998. 
2. Cardoso SP Martins C 1 t - d . 
3. Gomes MJVM Reis A.MnMerCa~~es. rofga-nutnente. Curitiba: Nutrocl ínica; 1998. s-
p 1 . A h , . iencras armacêuticas - uma abordagem em farmácia hospitalar. ao au o. t eneu; 2001 . 
4. Hardman JG, Goodman & G'I Th . . . o: 
Guanabara-Koogan· 2001 
1 
man. e pharmacolog1cal basis of therapeutics. 1 O. ed. Rro de Janeir 
5. Nóbrega JL, Larsso~ EJ Âlmeida MF tas no 
paciente grave. São p i . A h et ai. Suporte nutricional enteral. ln : Knobel E. Condu 
au o. t eneu; 1998. p. 481-90. 
84 / PRÁTICA FARMACÊUTICA NO 
AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
Introdução 
• 
Drogas de 
Investigação Clínica 
Cinthia Scatena Gama 
Em meados do século XX, as experimentações clínicas chamaram a atenção do públ ico 
e das Institu ições, devido às experiências desumanas de médicos alemães com prisionei­
ros de guerra e con1 judeus nos campos de concentração sem o conhecimento destes. Por 
este tipo de barbárie, surgiram documentos internacionais que procuraram estabelecer 
claramente os princípios éticos da experimentação clínica e formam o corpo dos códigos 
éticos atuais, promovidos por Governos e Instituições Internaciona is (Organização Mundial 
de Saúde e Associação Médica Mundial). 
As pesquisas clínicas envolvendo seres humanos tornaram-se mais criteriosas a fim de 
preseNar a integridade do sujeito da pesquisa, bem como dos resultados obt idos. Mas 
os controles ineficientes relativos à segurança, eficácia, tolerabil idade e ética, envolvendo 
a liberação do medicamento, foram um dos problemas relacionados ao uso de "elixir de 
sulfanilamida " que provocou em 1937 a morte de 107 pessoas e o grande desastre do uso 
da Talidomida na década de 1960, como sedativo, acarretando sérias anormalidades às 
crianças nascidas de mães que fizeram uso de ta l medicação. 
Entidades governamentais organizaram-se e surgiram setores específicos para contro­
lar os diversos seguimentos das indústrias farmacêuticas, químicas e de alimentos. 
Baseado na Declaração de Helsinque (1964) e após a anuência internacional, publicou­
se o Good Clinica/ Practice (GCP), que segue um esquema básico de qualidade científica e 
ética internacional para o desenho, condução, registro e relato de estudos que envolvam 
a participação de seres humanos. Este esquema básico é adotado por todos os pesquisa­
dores que desenvolvem qualquer tipo de ensaio. 
Desde o final da década de 1980, o Brasil tem avançado muito na questão pesquisa clínica 
de desenvolvimento e investigação de novas drogas, e os investimentos das grandes compa­
nhias farmacêuticas têm contribuído substancialmente para este crescimento científico. 
. No que concerne à investigação clínica, verifica-se que alguns hospitais são os cent~os 
primários da condução de pesquisas com novas drogas de investigação, e por este motivo 
DROGAS DE INVESTIGAÇÃO CLINICA 85 
Scanned by TapScanner
A responsabilidade de conhecer todos 
0 1• t am tem a . . s asp 
A ticos que a ' a u . . das e estarem ativamenteenvolvidos co ectos 
os Farmaceu - endo investiga rn a ad . 
d as que estao s í1J1, das rog · to 
. - do rned1camen . n1straçao 
Definições , . . 
·sa clínica proteger a saude, pr1vac1dade e dig . 
"É dever do rnédico, na pesqu; . e) ' n1dade 
"(Declaração de He s1nqu . do ser humano 
Objetivo 
. . d squisa clínica envolvendo seres humanos é melhora o · ·pai objetivo a pe A • b r os 
pnnci fºI ' . diagnósticos e terapeut1cos, em como entender a etiolo . dimentos pro 1 at1cos, . g1a 
proce d E tes procedimentos devem ter, continuamente, sua eficá . togênese da oença. s , . eia, 
e .P~A . ·b·i·d d e qualidade testadas atraves de pesquisas. ef1c1enc1a, acess1 1 1 a e 
Pesquisa clínica 
Segundo 0 Conselho Nacional de Saúde, a Pesquisa Clínica "é um estudo sistemático, 
seguindo todas as normas do método científico em ~e~es humano~ ~ol~ntários, sadios ou 
enfermos, realizado com medicamentos e ou espec1al1dades med1c1na1s, com o objetivo 
de descobrir ou verificar os efeitos e/ou identificar reações adversas do produto pesqui­
sado, e/ou estudar a absorção, distribuição, metabolismo (biotransformação) e excreção 
dos princípios ativos, com o objetivo de estabelecer sua eficácia e segurança" (Conselho 
Nacional de Saúde). 
O sujeito de pesquisa é o participante pesquisado, individual ou coletivamente, de 
caráter voluntário e vedada qualquer forma de remuneração. 
O consentimento do paciente (sujeito de pesquisa) é absolutamente essencial. Isso 
significa que as pessoas que serão submetidas a uma pesquisa clínica devem ser legal­
mente capazes de dar consentimento, devem ter conhecimento suficiente do assunto em 
estudo para tomarem uma decisão. É importante que o voluntário saiba a natureza, a 
duração e o propósito da pesquisa clínica, qual será o método aplicado, os riscos e bene­
fícios esperados. O dever e a responsabilidade de garantir a qualidade do consentimento 
recaem sobre o pesquisador que inicia ou dirige uma pesquisa clínica ou ainda que se 
compromete com esta pesquisa. 
Fases da Pesquisa Clínica 
A Pesquisa Clínica de um t d d . . · d. · · e' 
d. . . es u o com me 1camentos ou espec1al1dades me 1c1nais 1v1d1da em 5 fases: 
Fase O ou Fase Pré-Clínica 
No desenvolvimento de u d º . · vitro 
aplicadas de for 
1 
m me icamento, são todas as pesquisas realizadas in ' 
ma amp a em a · · d . . . d seres 
nimais e experimentação, antes de ser utiliza a em 
86 / PRÁTICA FARMACÊUTICA NO 
AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
•= 
humanos, a fim de não expô-los a riscos injustificáveis. Os produtos que demonstraram ati­
vidade farmacológica específica e perfil de toxicidade aceitável passam à fase seguinte. 
fase 1 
É o primeiro estudo em seres humanos em pequenos grupos de pessoas voluntárias 
em geral sadios, embo~a em" raras ocasiões, possa envolver indivíduos com patologias 
específicas. Estas pesquisas tem como principal objetivo, estabelecer a segurança e a to­
lerabilidade do produto em um sujeito saudável, além de ava liar o perfil farmacocinético, 
a biodisponibilidade, a dose e o regime posológico da nova droga. 
Fase li (Estudo Terapêutico Piloto) 
O objetivo deste estudo é determinar a segurança e a eficácia terapêutica do prin­
cípio ativo em curto prazo, pela primeira vez, em voluntários afetados por determinada 
enfermidade ou condição patológica para qual está investigando o produto. Nesta fase, 
deve-se estabelecer o intervalo mais apropriado entre as doses, bem como os regimes 
de administração. Espera-se ainda que se possa disponibilizar as relações-dose resposta, 
com o objetivo de obter sólidos antecedentes para a descrição de estudos terapêuticos 
ampliados (Fase Ili). 
Fase Ili (Estudo Terapêutico Ampliado) 
São estudos realizados em grandes e variados grupos de pacientes portadores da 
enfermidade ou condição patológica para a qual o novo produto pretende ser aplicado. 
O objetivo deste estudo é determinar: 
• Risco/benefício a curto e longo prazo das formulações do princípio ativo. 
• Comparar a real atividade da droga de investigação com uma droga já estabe­
lecida. 
• De maneira global (geral) o valor terapêutico relativo. 
Exploram-se, nesta fase, estudo dos eventos adversos mais frequentes, interações me­
dicamentosas, fatores modificadores do efeito, tais como sexo, idade, raça e etc. Esta fase 
deverá ocorrer, preferencialmente, dentro de condições normais de utilização da droga 
em estudo. Após a conclusão dos estudos de fase Ili é que os novos medicamentos, em 
geral, obtêm aprovação para uso comercial, por parte das autoridades regulatórias. 
Fase IV (Pós-comercialização) 
São pesquisas realizadas depois de comercializado o produto e/ou especialidade me­
dicinal. Gera lmente são estudos de vigilância pós-comercialização, para estabelecer o va­
lor terapêutico, o surgimento de novas reações adversas e/ou confirmação da frequência 
de surgimento das já conhecidas, e as estratégias de tratamento, determinar os efeitos da 
DROGAS DE INVESTIGAÇÃO CLÍNICA 87 
Scanned by TapScanner
.~--
1 ngo prazo, avaliar o produto em populações não 
. . - d produto a o estud d adm1n1straçao 0 b 1 er possíveis novos usos para o produto, os qua · d ª as . s e esta e ec , is ev , 
nas fases anteriore rtir da Fase li. Essa fase e bastante significati erao 
ser estudados nova".1~n~te ~ pa va Para os 
d de farmacov1gdanc1a. estu os 
Classificação 
b. t'vo da pesquisa clínica, seleciona-se o tipo de estudo qu 
De acordo com o o Je 1 e Pode 
ser classificado em: . A ·A • d , d 
d b t _ 0 médico e paciente tem c1enc1a o que esta sen o administ d 
• Estu o a er o f' . . ra 0 
f - analisados prontamente os bene 1c1os e riscos do medicam ' desta a rma sao ento 
em questão. . 
• Estudo mono-cego - somente uma d~s .partes, normalmente o paciente, não tern 
· A ia de qual droga está sendo adm1n1strada. c1enc . . d . A 
• Estudo duplo cego _ nem 0 médico nem su~e1to a pesquisa t.em ciência de qual 
droga está sendo administrada. Este procedimento garante a imparcialidade dos 
resultados. 
• Estudo comparativo ou controlado - quando se compara uma droga nova corn 
outra de conhecida segurança e eficácia ou com placebo. Aqui a droga compara­
tiva (ou o placebo) serve como controle. 
• Estudo duplo-cego comparativo - quando a droga de investigação será compa­
rada com uma droga equivalente ou placebo, mas o médico e paciente não terão 
conhecimento de qual grupo pertence. 
• Estudo paralelo - diferentes tratamentos são fornecidos a diferentes grupos de 
pacientes, que são confrontáveis entre si, durante todo o tempo planejado 
de estudo. 
• Estudo cruzado - é um planejamento de grupos aleatórios modificados, nos quais 
cada grupo recebe ma is de uma formulação de um mesmo fármaco em períodos 
diferentes. 
Os estudos com mais aceitação para avaliação de esquemas medicamentosos são os 
duplo-cego, comparativo, paralelo e duplo-cego cruzado. 
Randomização 
A randomização é o processo de designar tratamentos específicos aos pacientes en­
volvidos no estudo ou aos grupos de controle, utilizando-se elementos aleatórios para de­
terminar estas designações, visando reduzir a probabilidade de interferências estatísticas. 
A rand~m ização tem a função de produzir grupos de estudos tanto com relação aos 
fa~~res _de riscos conhecidos, quanto aos desconhecidos e assim garantir a validade da 
util1zaçao de testes estatísticos. 
• Randomizaça-o 1 t , · 1 - , f · caso a ea or1a - a a ocaçao dos pacientes nos grupos e e1ta por a · 
• Ran_domização por blocos - a alocação é feita em pequenos blocos (entre 4 e 5 
pacientes). 
88 f PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
, Randomização estratificada - é feita em estratos ( d 
1 
. 
. d . - , . exp. a u tos e crianças). Este 
tipo de ran om1zaçao e real izado quando 0 estrato em t - . , . . ques ao possu i caractenst1-
cas importantes no estudo, podendo levar a resultados diferentes. 
Equipe Investigadora 
Muitas pessoas, nas instituições pesquisadoras estãoenvolv.idas na ·n t. - I' . , . . ~ . ,, , 1 ves 1gaçao c 1n1-
ca· medicos, enfermeiras, farmaceut1cos, patrocinadores" pac'ientes (s · ·t d . . . , . . , u1e1 os a pesqui-
sa) e outros func1o~ar1os do hospital. Todos os profissiona is envolvidos em um estudo têm 
uma parte resp.onsave~ com o protocolo e traba lham de forma interdiscipl inar. Contudo, 0 
principal .'nvestrgador e a p_ess.oa ~esponsável legal para a condução do estudo. Atua lmente 
os investigadores responsave1s sao profissionais exclusivamente médicos. 
Uma rea l.idade. bra~ileir~ ~ a d!ficuldade para encontrar profissionais capacitados, pois 
0 campo da rnvest1gaçao cl1n1ca ainda é relativamente "novo". 
Conceitos Básicos 
• Patrocinador - um indivíduo, empresa, instituição ou organização responsável 
pela irnplementação, gerenciamento e/ ou financiamento de um estudo clínico. 
• Investigador coordenador - é o investigador responsável pela coordenação dos 
investigadores de diferentes centros participantes em um estudo multicêntrico . 
• Investigador - pessoa responsável pela condução de um estudo clínico em uma 
instituição/centro de estudo. Se o estudo for conduzido por um grupo de pessoas 
em um centro de estudo, o investigador será o coordenador responsável pelo 
grupo e poderá ser denominado como investigador principal. 
• Brochura do investigador - compilação de dados clín icos e não clínicos sobre o(s) 
produto(s) sob investigação, em seres humanos. 
• Sub-investigador - qualquer membro individual do grupo envolvido no estudo clí­
nico, o qual é designado e supervisionado pelo investigador principal no centro de 
estudo para conduzir procedimentos essenciais e/ou tomar decisões importantes 
relacionadas ao estudo (incluindo associados, residentes, bolsistas de pesquisa). 
• Código de identificação do paciente - cód igo exclusivo, designado pelo investi­
gador para cada paciente do estudo, para proteger sua identidade e ser utilizado 
como um substituto para o nome do paciente em situações em que o investigador 
relatar ever1tos adversos e/ou outros dados relacionados ao estudo. 
• Formulário de caso clínico (CRF) - documento impresso, óptico ou eletrônico, 
destinado a registrar toda a informação requerida em protocolo, a ser relatada ao 
patrocinador sobre cada paciente envolvido no estudo. 
• Conselho de revisão institucional (IRB) - organização independente constituída 
de membros médicos, científicos e não científicos responsáveis por garantir a pro­
teção dos direitos, segurança e bem-estar dos pacientes envolvidos em um estudo, 
através, entre outros meios, de revisão, aprovação e cont ínua revisão de protocolo 
do estudo e de suas emendas e métodos e materiais a serem util izados na obten­
ção e documentação do consent imento informado dos pacientes do estudo. 
DROGAS DE INVESTIGAÇÃO CLÍNICA 89 
Scanned by TapScanner
d ervisionar o progresso de um estudo clínic 
• Monitorização - ato ed s~dpo registrado e relatado, de acordo com 0 o, 9aran. 
)·a con uz1 , prato 
1 tindo que este se ci·onais padronizados, com as normas de b coo d. ntos opera , . oa p , . , 
com os proce im~ ~ . regu latórias aplicave1s. rat1ca 
clínica e outras ex1genc1asda pelo patrocinador ou pela organização de se . 
soa designa . . rviços d 
• Monitor - pes , 
1 
monitorizar e comunicar o cumprimento do prot e 
. spo11save por . .f. 0 colo a 
pesquisa, re d esquisa clínica, assim como para ven 1car a infor _ Ll-
torizado e o prog~esso , ª Participante pesquisado, individual ou coletivam~ªÇao. 
• Sujeito da pe~~u1sa d e J pqualquer forma de remuneração. nte, de 
caráter voluntario, ve a a 
' . 
Órgãos Regulator1os 
d 
- d investigação clínica, é necessário que o estudo passe por órgã 
Para a con uçao e _ . ) , . , . os 
, . . d Leg islação (Resoluçoes e Portarias ate o 1n1c10 da pesquisa 
regulator1os respe1tan o a A • • d · 
"É L . / - associada à competenc1a dos pesquisa ores e centros de pesquis 
essa eg1s açao, A , . L . " (L as 
. . i d Brasil um país de destaque na mer1ca atina ousana 2002) nac1ona1s, que 1azern o . . A • • , • , • • I , _ ' , . · 
A Anvisa (Agência Nacional de V1gdanc1a San1tar1a) .e o pr1nc1pa orgao regulatono para 
- d m novo medicamento no mercado nacional. aprovaçao e u 
ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária 
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária foi criada pela Lei n. 9.782, de 26 de ja­
neiro de 1999. É uma autarquia sob regime especial, ou seja, uma agência regu ladora 
caracterizada pela independência administrativa, estabilidade de seus dirigentes durante 
0 período de mandato e autonomia financeira. A gestão da Anvisa é responsabilidade de 
uma Diretoria Colegiada, composta por cinco membros. 
Na estrutura da Administração Pública Federal, a Agência está vinculada ao Ministério 
da Saúde. A finalidade Institucional da Agência é promover a proteção da saúde da popu­
lação por intermédio do controle sanitário da produção e da comercialização de produtos 
e serviços submetidos à vigilância sanitária, inclusive dos ambientes, dos processos, dos 
insumos e das tecnologias a eles relacionados. Além disso, a Agência exerce o controle de 
portos, aeroportos e fronteiras, bem como a interlocução junto ao Ministério das Relações 
Exteriores e instituições estrangeiras para tratar de assuntos internacionais na área de 
vigilância sanitária. 
CONEP - Comissão Nacional de Ética em Pesquisa 
A Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP/MS) é uma instância colegiada 
de natureza consultiva, deliberativa, normativa, educativa, independente, vincu lada ao 
Conselho Nacio 1 d S ' d CNS d. · na e au e - . Com a função de implementar as normas e 1retnzes 
regula.mentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos. Cabe à CONEP apreciar as 
Ép~squisas enquadradas nessa área atuando conjuntamente com uma rede de Comitês de 
trca em Pesquisa_ CEP. 
90 I PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
, 
CEP _ Comitê de Etica em Pesquisa 
Toda pesquisa envolvendo seres humanos deverá ser submetºd · . - d 
r- . . ' a a aprec1açao e 
urn Comitê de ct1ca e_rTI ~es~u1sa. Faz_ parte dest~ comitê, um grupo independente (da 
pesquisa) de p~s~oas (r nst1tuc1~nal, re_g1~nal _ou nacional) constitu ído por profissionais mé-
d·cos e não med1cos e por nao prof1ss1onars, que têm a responsabilidade d 
1 . ·d d d º . h e assegurar 
P
roteção da integr1 a e e ire1tos umanos das pessoas participantes d . a · , . 
1 
d . a pesquisa. 
Considera, portanto ,_ a et1ca gera o e~t_udo, reafirmando deste modo publicamente a 
segurança da ~esq_uisa · Esta r:sponsabil1dade est á estabelecida nas diversas diretrizes 
éticas lnternac1ona1s (Declaraçao d e Helsinque, Diretrizes Internacionais de Pesquisas 
Biornédicas envolvendo Seres Humanos - CIOMSO e Manual para a Boa Prática Clínica _ 
Versão Harmonizada Tripartite E.U.A., Europa e Japão - ICH) e Nacionais (Resolução CNS 
196/96 e complementa res) . Os Comitês de ttica se constituirão e exercerão suas tarefas 
I 
livres de influência daquelas pessoas que conduzem ou interveem na pesquisa clínica 
(pesquisadores, patrocinadores, etc.). 
Boas Práticas de Pesquisa Clínica (GCP - Good Clinica/ Practice) 
É um modelo para estudos clínicos que compreende o desenho, condução, monitora­
ção, terminação, auditoria, análise, comunicação e documentação das pesquisas clínicas, 
assegurando que a pesquisa seja cientificamente e eticamente correta e as propriedades 
clínicas do medicamento e/ou especialidade medicinal para diagnóstico, profilaxia ou te­
rapêutica, estejam apropriadamente documentadas. 
O objetivo para Boas Práticas Clínicas é fornecer um padrão unificado para a União 
Europeia, Japão e E.U.A. , facilitando a aceitação mútua de dados clínicos pelas autorida­
des regulatórias nestas juri sdições. 
Em 1996, na Conferência Internacional de Harmonização, foram organizados e publi­
cados um conjunto de normas e padrões éticos e científicos em forma de manual - Manual 
para Boa Prática Clínica - Guia Tripartite HarmonizadoICH (Conferência Internacional de 
Harmonização) [Situação EMEA em Junho de 1996]. 
O manual foi desenvolvido considerando a Boa Prática Clínica atual na União Europeia, 
Japão e E.U.A ., bem como da Austrália, Canadá, Países Nórdicos e a Organização Mundial 
da Saúde (WHO). 
Princípios das boas práticas clínicas 
. , . , . . 
• Os estudos clínicos devem ser conduzidos de acordo com os pr1n c1p1os et1cos ori-
g inados na "Declaração de Helsinque" e devem ser consistentes com as normas 
de boas práticas clín icas e com as exigências regulatória: aplicáveis,- . 
• Os riscos e conveniências devem ser pesados em relaçao ao benef1co esperado 
para 0 paciente (sujeito da pesquisa) e para a sociedade. _o estudo somente deve 
ser iniciado e cont inuado se os benefícios superarem os riscos. 
O · · b d · ºto da pesquisa são considerados • s d1re1tos, a segurança e o em-estar o sujei . . A • 
da maior importância e devem prevalecer sobre os interesses da ciencia e da so-
ciedade. 
DROGAS DE INVESTIGAÇÃO CLÍNICA 91 
Scanned by TapScanner
• 
, . não clínicas adequadas e disponíveis s b -es cl1n1cas e , . o re 
D e haver inforrnaço ortar 0 estudo clinico proposto. um 
• ev . . a ão para sup , . , . 
duto e111 111vestig ç bases cíent1f1cas solidas e devem ser desc . 
pro línÍCOS deverTI ter ritos em 
• Os estudos e detall1ados. 
Protocolos claros e d ·dos de acordo com o protocolo que rec b 
d ser con uzi . " É · e eu 
• Os estudos eve~- , 
1 
prévia de um Com1te de t1ca em Pesquis . a 
- ou opin1ao favorave a inde. 
aprovaçao 
pendente. . _ . d·cas para um sujeito de pesquisa devem ser se 
.d d dec1soes n1e 1 d rnpre 
• Os cu1 a os e d e' d·ico ou de dentista, quan o apropriado. 
b·rd de e ur11 m 
de responsa r 1 ª 
1 
.d na realização dos estudos devem ser academicarn 
t· · nais envo v1 os ente 
• Os pro 1ssio . d erientes para executarem suas tarefas. 
r f ados tre111a os e exp ºd 1· 
qua 1 ic '. . f do por escrito, concedi o 1vremente, deve ser obt'd 
• Un1 consentimento in orn1a - d I' . 1 o 
. d sua participaçao nos estu os e 1n1cos. 
de cada paciente, ar1tes e . d 
. - bre 0 estudo clínico deve ser registra a, manuseada e arnu· • Toda a 1nforn1açao so _ .f. _ . .., 1-
d 
·t· relatos interpretaçoes e ver1 1caçoes precisas. 
vada de n10 o a perm1 ir ' . . . . 
f. b.I d d dos registros que possam 1dent1f1car pacientes deve ser protegi-• A con 1a 1 1 a e . " . 
d 
. d privacidade e as regras de acordo com as ex1genc1as regulatórias a, respe1tan o a 
aplicaveis. . 
• Os produtos sob investigação devem ser produ~1do~, manuseados e armazenados 
de acordo com a GMP - Boas Práticas de Fabr1caçao e usados de acordo com 0 
protocolo aprovado. . 
• Devem ser implementados sistemas com procedimentos adequados que assegu-
rem a qualidade de todos os aspectos envolvidos no estudo. 
Protocolo de Pesquisa 
Protocolo de pesquisa são documentos que contemplam a descrição da pesquisa em 
seus aspectos fundamentais, informações relativas ao sujeito da pesquisa, à qualificação 
dos pesquisadores e todas as instâncias responsáveis. Encontra-se no protocolo: 
• Folha de rosto - título do projeto. Informações do pesquisador responsável e do 
patrocinador. Fase do estudo. Data em que se finalizou o documento. Quantidade 
de páginas. Endereços dos responsáveis pelo estudo. Informações adicionais 
como palavras-chave, código do projeto ou itens, que possam identificar o estudo 
facilmente. 
• Descrição da pesquisa - propósitos e hipóteses a serem estudados. Antecedentes 
científicos e dados que justifiquem a pesquisa. Material e métodos, casuística, resul­
tados ~spera~os ~ ~ib~iografia. Análise de riscos e benefícios. Responsabilidades do 
p~squisador, instrturçao, promotor e patrocinador. Local da pesquisa. Orçamento. 
Divulgação dos resultados. 
• Sujeito da pesqu· , · de 
. . , isa - caracter1st1ca da população estudada. Recrutamento 
1nd1v1duos Crit , · d · 1 - · e 
E . · .erros e 1nc usao e exclusão. Termo de Consentimento Livre~ 
sclarec1do. Orientaçã 
1 
- . ao 
. . . _ 0 em re açao aos riscos e descrição de medidas de proteç 
ou m1n1m1zaçao de qualquer ri sco eventual. 
92 /PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENT 
E HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
Atuação do Farmacêutico e da Farmácia Hospitalar 
Assistência farmacêutica 
Os Guidelines - ASHP descrevem a função do farmacêutico com relação à pesquisa 
clínica, fornecendo or·ientações e comunicando a função e responsabilidade deste profis­
sional aos outros .participantes do ~studo. 
o Farn1acêutrco ter11 um papel 1111portante na manipulação e monitoração de todas as 
investigações de fármacos, er11 virtude da especia lidade, estoque, dispensação de todas 
as drogas do l1ospital. 
o Farn1acêutico envolvido na pesquisa clín ica deve assegurar o registro de responsa­
bilidade das drogas de investigação, fornecer informações ao paciente e a outros profis­
sionais e11volvidos na investigação clínica. Certificar a qualidade da droga de investigação 
(inventário da temperatura de geladeira, rastreabilidade do lote), documentação da dose 
dispensada ao paciente, da droga de investigação não utilizada que deve ser re-encami­
nhada à farmácia. 
O Farn1acêutico deve seguir os padrões encontrados nos Guidelines - ASHP que as-
segurando o controle das drogas de investigação, constando na farmácia, uma cópia do 
pr·otocolo, a brochura do investigador, a folha de dados da droga de investigação e todas 
as emer1das, sob responsabilidade do farmacêutico. 
O Farmacêutico deve desenvolver ferramentas para o "bom andamento" deste estu­
do. O ideal é a apresentação de um formulário, contendo informações técnicas da droga 
de investigação, instruções fornecidas pelo investigador e patrocinador, dados coletados 
com a equipe de enfermagem e orientações pertinentes da administração da droga de 
investigação: 
• designação da droga de investigação e sinônimos comuns; 
• apresentação farmacêutica e dose da droga de investigação; 
• dose usual, frequência e via de administração; 
• indicações propostas no estudo; 
• efeito terapêutico esperado; 
• efeitos adversos esperados. Sintomas de toxicidade e tratamento; 
• interações droga X droga e droga X alimento; 
• contraindicações; 
• cuidados com estocagem e/ou armazenagem; 
• instruções para preparação e administração incluindo estabilidade e manipulação 
de acordo com os Guidelines; 
• instruções para descarte da dose não utilizada; 
• nomes e números de telefones do investigador principal, sub-investigador e coor-
denador do estudo. 
Cópias confidenciais conter1do essas informações devem ser distribuídas aos setores 
de armazenagem, preparação e dispensação, sempre sob supervisão e responsabilidade 
do Farmacêutico. 
O estoque droga de investigação deve ser feito em local apropriado, com tempera­
tura controlada, acesso limitado, afastado dos medicamentos armazenados na farmácia. 
DROGAS DE INVESTIGAÇÃO CLÍNICA 93 
Scanned by TapScanner
d ter O nome da droga de investigação, apresentação fa 
f. h d · stro eve con rrnac "' 
A 1c a e regi , d lote prazo de validade, nome e endereço do patro . eu-
. d m numero o / c1nad 
t1ca e osage ' 
1 
tras informações pertinentes para a dispensação da d 0 r, 
, do protoco o, e ou . - d roga d 
numero f. h deve constar toda a mov1mentaçao e estoque (quant·d e 
· t . ão Nesta 1c a . 1 ad 
1nves igaç · f .d desperdiçadas ou dispensadas), com datas, numero do cód· es 
recebidas, trans_ err _as, d édico prescritor. igo da 
droga de invest1gaçao e nome o m . . f I h O . . 
J . t e mission on Accred1tat1on o Hea t care rgan1zations 
Baseado na o1n om . - d . , para a 
d 
_ d studo clínico, a droga de invest1gaçao eve ser registrada e guard d 
con uçao e um e . - d . . a a 
f 
,. . d. pensadas somente com a autor1zaçao o 1nvest1gador respon , pelo arn1aceut1co e 1s . . . . savel 
f. · nal desi·gnado não sendo perm1t1do que os 1nvest1gadores mantenh ou outro pro 1ss10 / arn 
em seus escritórios ou consultórios. _ 
0 protocolo deve especificar0 desenvolvimento das funç.oes _do '.armacêutico e dos 
outros membros da equipe, e incorporar a cada um, duas a~l1c~ço:s importantes para a 
condução do estudo, tais como educação ao paciente e mon1tor1zaçao da terapia (incluin-
do reações adversas). . . _ . 
A farmácia clínica pode trazer importante contr1bu1çao para o serviço de drogas de 
investigação, pois 0 farmacêutico clínico pode monitorar a administração e as reações 
adversas e determinar a incidência de reações adversas desenvolvendo ferramentas, pro­
cedimentos e programas para utilização dessas drogas de investigação de acordo com 0 
protocolo estudado. Os pacientes devem ser monitorados com relação a qualquer tipo de 
reação adversa que podem ser causadas pela droga em investigação. Essas reações são 
documentadas e relatadas ao patrocinador. 
É importante salientar que, para assumir a responsabilidade do controle da investiga­
ção de uma droga, a instituição deve estar disposta a dar suporte e recursos aos pesquisa­
dores facilitando a promoção deste estudo. Deste modo, o Farmacêutico é o profissional 
preparado para prover a assistência farmacêutica (informação, registro, preparação, ad­
ministração, estocagem) para os investigadores, paciente (sujeito da pesquisa), instituição 
pesquisadora e o patrocinador da pesquisa. 
Bibliografia Consultada 
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94 / PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
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DROGAS DE INVESTIGAÇÃO CLÍNICA 9 5 
Scanned by TapScanner
Introdução 
• 
Radiofarmácia 
Andressa de Abreu Ferraresi 
Dayane Bertollo Cozer Candiotto 
Giovana Roberto Zelezoglo 
O radiofármaco é uma substância que, por sua forma farmacêutica, quantidade e qua­
lidade de radiação, pode ser utilizada no d iagnóstico e tratamento de seres vivos, qualquer 
que seja a via de administração ut ilizada. De forma mais simples, podemos d izer que os 
radiofárrnacos são moléculas ligadas a elementos radioativos (radioisótopos ou rad ionu­
clídeos), constituindo, dessa forma, fármacos rad ioativos usados em uma especial idade 
médica denominada Medicina Nuclear. Os radiofármacos são utilizados com a fina lidade 
de diagnosticar patolog ias e d isfunções do organismo. Em menor extensão, são aplicados 
na terapia de doenças, particu larmente no tratamento de tumores radiosensíveis. 
No Brasil, os primeiros passos nesse sentido foram dados a partir de 1956, quando, 
pelo convên io entre o CNPq (Conselho Naciona l de Pesquisa) e USP (Universidade de São 
Paulo), foi criado o IEA (Instituto de Energia Atômica). Em 1959, começaram os trabalhos 
pioneiros do IEA no campo dos radionuclídeos, com a produção de lodo-131 para aplica­
ção médica. Somente quatro anos mais tarde, em 1963, o IEA, atualmente IPEN (Instituto 
de Pesquisas Energéticas e Nucleares), começou a produção rotineira de radioisótopos e 
depois a inclusão dos procedimentos farmacêuticos de radiofármacos. 
Nos anos segu intes, outros radiofármacos foram sendo desenvolvidos, produzidos 
e distribuídos, como o cloreto de 2º1TI (T álio-201 ), para estudo da viabi lidade cardíaca, 
e o 153Sm (Samário-1 53) que, na forma de EDTMP-153Sm, age como paliativo das dores 
proven ientes de metástases de câncer ósseo. Em 1999, foi iniciada a produção e distri­
buição de Fluordesoxig licose- 18F (FDG-18F), para estudo da viabilidade miocárdica e loca­
lização de tumores, com grande aceitação pela classe médica nuclear. O 
18
F (Flúor-18) foi 
o primeiro radioisótopo produzido no Pa ís, para uso na técnica de PET (Positron Emission 
Tomography), que permite maior sensib ilidade nas imagens e d iagnósticos. 
Os radiofármacos compreendem : os geradores de radionuclídeos, os conjuntos de 
reativos liofilizados pa ra marcar com Tc-99m (Tecnécio-99c) ou Kits e os precursores dera-
RADIOFARMÁCIA 97 
Scanned by TapScanner
d de radionuclídeos é um sistema de preparação de d. 
d. f ' os O gera or ra iof . 'º armac ·. . m radionuclídeo de meia-vida longa que decai num outro rad· arrnacas 
em que se ut'.dlrza (u traído por métodos de extração). Os kits para a p ionuclídea 
1 é elu1 o ou ex . · · d . repara ~ 
o qua. odem ser preparações l1ofil1za a~ a ,serem reconstituídas e/ou Çao de 
radrofarrnac~s p l'd na produção final de radrofarmacos. Ouanto aos p combina. 
d om rad1onuc r eos . l'd recurso 
as. e , odem ser qualquer rad1onuc 1 eo produzido por rad· res de 
radrofarmacos, ~est~s p d dministração. 'º-marcação 
de urna substancia, antes a a 
CONCEITOS 
Radioatividade 
A radioatividade é um fenômeno nuclear que ocorre quando o núcleo de urn . 
, . , 1 atorno 
emite radiações, através de ondas eletr~magn~t1cas ou pa~1~u as que se propagam corn 
alta velocidade e com energia e que, ao interagir com a ma~er1a, pode~ pr~~uzi r variados 
efeitos. As rad iações podem ser gerad~s p_or fontes natura,'~ ou por d1spos1t1vos construí­
dos pelo homem. São exemplos ?e ~ad1açoes eletro.ma_?net1cas: a luz, as micro-ondas, as 
ondas de rád io, os ra ios X e a rad1açao gama. As rad1açoes sob a forma de partículas rnaiscomuns são as radiações beta e alfa. 
Núcleos 
, . 
estave1s com excesso de energia (radioativos) 
emitida em forma de 
matéria (partículas) 
radiação a 
radiação ~ 
1' Excesso de energia 
• 
emitida em forma de 
ondas eletromagnéticas 
radiação y 
Fig. 11.1 - Apostila educativa: Radioatividade - CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear). 
Radiações ionizantes 
. As radiações são denominadas ionizantes quando produzem íons, radicais e elétrons 
livr~s na matéria que sofreu a interação, ou seja, quando a energia incidente sobre um ma­
terial é suficiente para arrancar elétrons dos seus átomos. A ionização se deve ao fato de 
d. - , . . . , . pulsar 
as, ra iaçoes ~ossu1rem energia suf1c1ente para quebrar as ligações qu1m1cas ou ex 
eletrons dos atomos após colisões. 
98 / PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner-
Emissões de radiação 
A emissão de radiação é a fo rma que o núcleo instável encontra para se estabilizar. 
E . tem basicamente três tipos de emissões de radiação: a radiação alfa ou partícula alfa, 
,XI S , l b d. 
d·ação beta ou partrcu a eta e a ra ração gama. a ra ' 
• Radiação alfa ou partícula alfa (a.) - a radiação alfa é emitida por um núcleo atômi­
co instável, geralmente de massa atômica elevada. É constituída por dois prótons 
e dois nêutrons sendo a forma mais rápida de atingi r a estabilidade, pois cada 
partícula alfa tem número de massa igual a 4. Sendo assim, a cada partícula alfa 
emitida por um núcleo instável, sua massa diminui 4 unidades. As radiações 
alfa apresentam baixo poder de penetração e alta taxa de ionização. 
• Radiação beta ou partícula beta ( ~) - a radiação beta é a forma encontrada pelo 
núcleo instável para se estabilizar, quando existe um número bem maior de nêu­
trons do que de prótons. Um elétron negativo (~-) ou positivo (~+) é emitido pelo 
núcleo na busca de sua estabilidade, quando um nêutron se transforma em próton 
ou um próton se transforma em nêutron, respectivamente . A partícula beta possui 
alta energia cinética e poder de penetração superior a da partícula alfa, devido ao 
fato de a partícula beta possuir massa muito inferior à partícula alfa. Já o seu poder 
de ionização também será considerável, no er1tanto menor q ue o das partículas 
alfa, uma vez que a carga das partículas beta são inferiores à das partículas alfa. 
• Radiação gama (y) - a radiação gama, ao contrário das radiações alfa e beta, 
é formada por ondas eletromagnéticas emitidas por núcleos instáveis, logo em 
seguida à emissão de uma partícula alfa ou beta, uma vez que o núcleo resultante 
desse processo, ainda com excesso de energia, procura estabilizar-se. A rad iação 
gama é altamente penetrante, uma vez que não possui massa, nem carga elétrica. 
O poder de ionização dessa rad iação pode ser inferior ao das partículas alfa e beta, 
mas isso irá depender do quão energética é a rad iação gama. 
Radioisótopo 
Radioisótopo ou radionuclídeo é um elemento que tem uma configuração no seu 
núcleo a q ual o torna instável e tende à estabilização pela emissão de radiação. O rad ioi­
sótopo pode ser de origem natural ou obtido por reator atômico ou aceleradores. Podem 
ser divididos em fontes de irradiação ou traçadores (radiofármacos) e possuem grande 
aplicação na Medicina Nuclear. 
Decaimento radioativo 
O decaimento radioativo, também conhecido como desintegração radioativa , é a de­
sintegração de um núcleo através da emissão de energia em forma de radiação, sendo que 
a radiação pode ser emitida na forma de energia que se propaga por meio de partículas 
(radiação corpuscular) ou por meio de ondas eletromagnéticas (radiação eletromag~éti~a). 
O decaimento radioat ivo é a alteração sofrida pelo núcleo de um elemento rad1oat1vo 
após a emissão de uma radiação. 
RADIOFARMÁCIA 99 
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de meia.vida 
Tempo , tempo necessário para que a metade d 
0 de meia vida (Ti;7) de 
0 
airnento radioativo. Existem três conce~ quantidade 
O ten1p . 1 dioatívo sofra ec ' os de me· 
,..,..,atena ra ia_ 
de um'" 
vida: 
ecessário para que um nuclídeo rad ioativo t h 
f , . tempo n d 'd d en a o • Meia.vida 1sica - _ s ou a sua ativida e por uni a e de tempo d seu 
, de desintegraçoe re U2ida , nun1ero a 
metade. , . orre quando um elemento químico, radioativo ~ 
. 'd biolog1ca - oc 1. - , 1· · d ou nao · 
• Me1a·VI a . sofre metabo 1zaçao e e e 1m1na o pelas vias , e 
d 'do no organismo, , . norma· 
intro uzi . .d biológica 0 tempo necessar10 para que metad 1s. 
de me1a-v1 a . . e des 
Chan1a1nos 1· d pelo organismo seja el1m1nado. se 
1 ento n1etabo iza o . 'd f' . 
e en1 f . , da combinação entre a me1a-v1 a 1s1ca e a biológ· 
Meia·vida e et1va - e ica que 
• . .d efetiva correspondente ao tempo em que a dose de rad· ~ 
sur~e ª-me1a-v1 ta à radia~ão fica reduzida à metade. iaçao 
do orgao expos o 
Radiofármacos 
Os radiofármacos são materiais radioativos .preparados ~~ra serem administrados a 
. G !mente são radioquímicos associados a estabilizadores, tamponadores pacientes. era . , , . f ~ . . . e 
outros elementos, cuja finalidade e dar caracter1st1cas armace~t1cas com possibilidades 
de administração, principalmente por :'ia. intravenosa .. Um rad1~~ármaco incorpora dois 
componentes: um radionuclídeo, substancia co~ ~ropr1edades f1s1cas ~d~quadas ao pro­
cedimento desejado (partícula emissora de rad1açao beta, para terapeut1ca; ou partícula 
emissora de radiação gama, para diagnóstico) e um vetor fisiológico, isto é, uma molécula 
orgânica com fixação preferencial em determinado tecido ou órgão. Essencialmente, os 
radionuclídeos são a parte radioativa dos radiofármacos. Mas esses, também possuem 
uma molécula (não radioativa) que se liga ao radionuclídeo (marcação radioativa) e o con­
duz para esse órgão ou essa estrutura que se pretende estudar. 
Produção de Radionuclídeo 
Os radionuclídeos usados em Medicina Nuclear para diagnóstico e terapia são produ­
zi~os artif~c ialmente em reatores ou aceleradores de partículas. Podem, ainda, ser acessí­
veis atraves de geradores de radioisótopos, que permitem a utilização de radionuclídeos 
de t ,12 (tempo de meia-vida) curto, por meio do decaimento de um radionuclídeo com t112 
longo. Esses radi?nuclídeos de t112 longo são produzidos em reator ou cíclotron. 
. Os radionucl1deos que decaem por emissão de partículas p-são geralmente produ­
zidos em reator, por fissão do 235U (Urânio-235) ou por reações de captura de nêutrons 
numa amostra alvo a · d O d ' , 1 " · ou . _ propr1a a. s ra 1onucl1deos que decaem por captura e etronica 
emissao de partículas A+ - d ·d , 1 d ele-
d . . JJ sao pro uz1 os em cíclotrons. Nessas reações, part1cu as e 
va a energ ia interagem · 1 , . . . d dutos 
d f. · , com nuc eos estave1s de alvos apropriados, or1g1nan o pro 
e ic1entes em protons N alvo 
podem ser , ~· esse processo, as partículas que interagem com as amostras 
protons, deuterons, partículas alfa ou 3He. 
100 I PRÁTICA FARMACÊUTICA NO 
AMBIENTE HOSPITALAR 
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Os geradores permítem obt~r um radíonuclídeo de t 117 curto a partir de um radio­
nuclídeo de t 112 longo. As. propri~dades químicas dos dois radionuclídeos precisam ser 
distintas para que e.les se1am f acdmen~e separados. Os geradores são constituídos por 
urna coluna de alum1na.' o~ por uma resina de troca iónica, na qual se fixa o radionuclídeo 
"pai" de tempo de meia-vida longo. Por decaimento deste último, forma-se o radionucl í­
deo "filho:' , que é separado . por_eluiç~~, com um eluente adequado. O eluído pode ser 
util izado diretamente em aplicaçoes clinicas, constituindo, neste caso, a substância radio­
farrnacéutica; ou pode s:r:vir ~ara preparar radiofármacos mais complexos. O eluído deve 
ser obtido na forma esterd e isenta de pirogénios. A utilização do gerador deve ser feita 
de forma a nunca se perder a esterilidade e a apirogenicidade. Na Fig. 11 .2, apresenta-se 
esquematicamente o gerador 
99
Mof9mTc (Molibidênio -99/Tecnécío-99m). 
Eluente! _r 
• 
~ l t 
,• 
! 
•• 
99Mo0,2 -
Alumína : 
·~ 
-~ 
Fig. 11.2 - Esquema do gerador 99Mo/99mTc. 
Radiofármacos: Diagnóstico e Tratamento 
-
Proteção 
de chumbo 
Os radiofármacos, utilizados na prática clínica, apresentam características de diag­
nóstico ou terapêutica. As suas propriedades nucleares são utilizadas para se realizarem 
diagnósticos variados por meio da avaliação da distribuição do material radioativo no 
corpo humano, após a sua administração. 
Nesses exames, a irradiação do paciente é inevitável, mas deve-se cuidar para que ela 
seja a menor possível. A dose de radiação é proporcional à atividade administrada que 
deve ser suficiente para ser bem detectada externamente, nunca excessiva. O paciente 
fica emitindo radiação enquanto a atividade administrada nele for significativa. Por isso, 
devem ser usados radioisótopos de meia-vida curta . 
Um método tradicional de diagnóstico, como a cintilografia, emprega há muitos anos 
o material radioativo, como, por exemplo, o iodo. Na cintilografia, a pessoa recebe o 
material radioativo que, após um tempo, se deposita em alguns órgãos. Imagens t ira­
das posteriormente, permitem ao médico avaliar as condições morfológicas e verificar se 
RADIOFARMÁCIA J 0 J 
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. da pessoa. O radioisótopo mais utilizad 
_ rgan1smo , . . . . o na M . 
. alteraçoes no 0 
. d é 0 tecnecio-99, para c1 ntdograf1 a. ed1cina 
existem , e no mundo a1n a 
Nuclear no Pais . 
, diofármaco empregado no diagnóst ico d 
, . 99 - e um ra d. 1 , . e tum 
• otecnec10- . b/emas pulmonares, ca r 10 og1cos e hepátic Ores, 
funções renais, dproB0º1 dos procedimentos da área de Mediei os. É Utili-
rca e 'º , . na Nu 1 
zado em ce . t de Pesquisas Energet1 cas e Nucleares (lpen) .e ear. 
B ·1 0 lnst1tu o 
1 
, un1d d 
No rasi · 
5
_ Paulo fornece semana mente a cerca de 300 1 . . ª e 
d CNEN e111 ao ' d , . e in1ca 
a , chamados geradores e tecnec10, equipame se 
·tais do Pa is os _ , . ntos q 
l1osp1 
1
.bd " . _99 para geraçao do tecnecio-99. O Brasi l não Ue 
o n10 i en10 produz 
usam . ( 1.bdênio-99) mas irnporta da empresa canadense MDS No d' ª 
sua n1atnz 1110 r ' r ion e 
processa em São Paulo. 
. d 2009 a empresa canadense informou a necessidade de suspe d 
Em n1a10 e ' . d - n er o 
. d olibidên io-99 matéria-prima para a pro uçao do gerador do tecn , . 
fornecrmento e m ' _ d . ec10 
.d , da do reator nuclear de produçao a Nat1onal Research Unive 'i 
devi o a para . f . rsa 
(NRU), eni Ontário, Canadá. Para at~nuar essa crise no ornec 1 m:~to d~ molibidênio-99, 
a CNEN definiu medidas como planejamento. de compra ~~ mater1a-pr1ma da Argentina 
e negociação com a MDS Nordion ~o .fornecimento de tal r ~-201, que pode substituir 0 
tecnécio-99 em alguns casos. Em medro prazo, a CNEN esta desenvolvendo projeto de 
um novo reator de pesquisa que, em cerca de seis anos, tornará o Brasil independente 
- ' de importaçoes nessa area. 
o reator canadense é um dos quatro produtores de grandes quantidades 
de mol ibdênio destinado aos serviços de Medicina Nuclear em todo o mundo. 
Nesse reator, são produzidos 30 a 40% dos radioisótopos para uso médico no 
mundo e aproximadamente 50% para a América do Norte. 
Em 2007, uma parada do reator NRU também impactou a distribuição dos 
geradores de tecnécio para os serviços de Medicina Nuclear do país. 
Outro método diagnóstico em crescente desenvolvimento é a tomografia por 
emissão de pósitrons (PET), que alia alta sensibilidade e resolução a uma corre­
lação anatômica permitida por um tomógrafo computadorizado (CT). A técnica 
permite a identificação precoce do tumor, de forma precisa, sem tratar-se de um 
método invasivo. O FDG (molécula de glicose marcada com flúor-18) é aplicado 
no paciente e, com o PET /CT, é possível verificar se há áreas de captação do 
fármaco rad ioativo. 
• O Flúor-18 - apresenta tempo de meia-vida 109 minutos, é o principal isóto­
po. empreg.a~o para estudos PET, sendo obtido em ciclotron a partir do bombar: 
deio, do oxrgenio-18 com prótons. Após sua obtenção, o flúor-18 é incorporadoª 
molecula de deoxiglicose, dando origem à fluordeoxiglicose-18F (FDG-18F) que, 
marc~da com 0 flúor-18 (FDG-1 BF), é semelhante à g licose. Dessa forma, ° FDG-
18F e captado por , 1 l " maior 
. . ce u as que tem grande consumo de glicose por terem 
at1v1dade metab , I' S . - . . . . cisão 
rn t, 0 rca. ua apl1caçao va i da onco logia, d1st1ngu1ndo com pr~ 
e astases de neo 1 . . . . s infec-
ciosos. P asias orrg1 na1s, neurologia, ca rdiologia e processo 
J 02 / PRÁTICA FARMACÊUTICA 
NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
O ciclotron é.º mais versát il e cornpacto trpo de acelerador de partículas da atualida­
de. Empregando rnteiisos canlpos magneticos capazes de curvar a trajetória das partículas 
e um cai11po de rádio freqL1ênc1a para acelerar particulas. 
As inforn1ações fornecid as pelo e ame PET auxiliam no melhor estadiam ento 
do tumor e, er11 niLii tos casos, levam à mudança de conduta m édica. Quando um 
tumor é detectado, os e ames para ident if icar seu estágio ajudam a d eterminar 
sua localização e ata e se e le d issen1inou-se (produziu metástases) . O estadia­
m ento tar11bém periTiit e que os n1édicos pla r1ejem melho r o tratamento . Em 
cardiologia, o FDG possibilita estudos sobre viabilidade do miocárdio, músculo 
cardíaco. Na área de neurologia, o FDG permite identificar a ocorrência de de­
mências. E~ deterniinadas situações, nenhum o utro método é capaz de avalia r a 
real extensao do tumo r e detecta r sua recidiva. 
Outros radiofármacos, como o lodo-123, o Gálio-67 e o Tálio-201, também 
são utilizados. 
• lodo-123 - com tempo de meia-vida de 13,2 horas, o iodo-123 é produzido pela 
irradiação de Xe-124. Nesse processo, produz-se Cs-124 que decai para Xe-123 e, 
após 6 horas, decai completamente para 1-123. O lodo-123 (1 -123) é largamente em­
pregado em tom~grafia SPECT, para imageamento do cérebro, da glândula tireoide 
e do miocárdio. E ideal para a obtenção de imagens precisas do fluxo sanguíneo 
no cérebro, devido à emissão de um único fóton, e uma excelente ferramenta no 
diagnóstico de doenças neurológicas, principalmente o Mal de Alzheimer. 
• Tálio-201 - produzido em cíclotron, o tá lio-201 possui tempo de meia-vida de 73 
horas, emit indo, em seu processo de deca imento, predominantemente, radiação 
X, além de uma quantidade menor de radiação gama. Como um traçador de fluxo, 
uma vez injetado por via venosa, o tálio-201 distribui-se por quase todos os tecidos 
do corpo (à exceção do cérebro, devido à sua incapacidade de transpor a barreira 
hemato-encefá lica), proporcionalmente ao fluxo sanguíneo regional, acumulando­
se principa lmente no miocárdio, rins, fígado, intestinos e musculatura esquelética. 
Ao ser administrado a um indivíduo em repouso, a captação miocárdica do tálio-
201 é rápida, com cerca de 85% da extração ocorrendo na primeira passagem. 
Essa captação utiliza mecanismos de transporte ativo com utilização de energia 
pela bomba de sódio-potássio e difusão passiva dependente do gradiente do po­
tencial elétrico transmembrana. Quando comparado aos agentes marcados com 
tecnécio-99m, a extração miocárdica do tálio-201 correlaciona-se de forma mais 
linear com o aumento do fluxo coronariano, mantendo-se assim até que esse fluxo 
alcance duas vezes e meia o valor basal. Uma característica marcante do tálio-201 
é a sua capacidade de redistribuição, também denominada_ "fenômeno _da r~dis­
tribuição ". Essa propriedade torna possível avaliar as alteraçoes de fluxo 1nduz1das 
pelo estresse (físico ou farmacológico), com imagen,s obt!d~s imediatam~nte após 
a administração do agente nessa etapa, e compa~a -l~s as 1ma_ge~s ?~tidas al~u­
mas horas depois (em média 4 horas). Em con:equenc1a ~a red1str1bu1çao ocorrida 
durante esse período de repouso, as áreas h1poperfund1das durant~ a etapa do 
estresse tenderão à normalização em relação às áreas normoperfund1das, uma vezque, em condições de repouso, as alterações do fluxo c~ronariano te_ndem a ser 
menores que sob estresse. Essa transitoriedade do defeito de perfusao observa-
RADIOFARMÁCIA / J 03 
Scanned by TapScanner
P01150 em geral é interpretada corno . . 
lélçrio no re . - ind1c . 
st1 essr rn1 rr ersistênci<1 da h1pocaptaçao em um det . atrva 
do no e. 0 nuc rl P · · .b errnrn 
rrYlltl , (ló j)r1SS . · f1 1 e Ol l 1n1ocárclio h1 ernante OU atordoado 0 · ada 
de isqu 1 iz11 i 11 os , . d . . iante d 
ti"' 1'lt l-ir t1 ílt 1 f nl se 11ecessa r1a uma ose adicional d e 
c::C'qn1rn r ii ttlS v0zes, . . o radi 
. . "srl1ilrdat~ rs, n1L . . 1 nte logo após as imagens de red1stribuiçã Otra. 
t AIS ~)t). · . hab1turi nie .
1
. d o, pa 
J 11 l"ll 1r1111E ç;it), d . ' vel Tradicionalmente ut1 1za o em estudo d ra a 
~at1l d ,-1iocar 'ºvia . s e 
rar acte11;riçao r ' ·do rece11temente menos empregado em consequênc· Per-
f ,c::;io n11orardicri, ten1 si f varável e da meia-vida física longa que lirnita 'ª da 
l · t co n1e11os a a do 
c::eu l"er1il energe 1 os élgentes marcados com tecnécio-99
m. No e se 
. vrintageris ~1C11 a ,. . f - d ntanto 
uttl1zada, roni diopati a isquern1ca, em unçao a grande experi"' . · 
ainda e en1~')re9ado na cl ar s ceri tros o agente de escolha . enc1a 
:1 do en1 a 9l 111 ' 
acun1ulaL a sen ' d iadioisotopo com tempo de meia-vida de 78,3 hor f-
G ' I' 67 t1atase eun1 O ·1· 67 , ·1· as. e:: 
• aro- - · d Zri-68 com prótons. ga 10- e ut1 1zado em diag , 
t t d..., "'ela 1rrali1açao o . f . d .d nos-º"' ' L ~ f SPECT de processos 1n ecc1osos e teci os moles, detec _ 
t 1101 ton1091 a ia , . , . O G 67 d . Çao 
icos r- ~ eli tes e lesoes 1nflamator1as. a- eca1 por capt 
de l1nfon1as e osteon11 . A F' 11 3 d ura 
d d versos fótons de raio gama. 1g. . emonstra as aplic 
eletron1ca en11t111 o ' . . a-
ões dos rad1ofar111acos na Med1c1na Nuclear. 
e enlplo os rad iofármacos complementam a terapêutica da dor 
0 tratan1ento, por ' , . 
ln,ente nos casos de difícil controle, como nas mult1plas metástases 
oncoloa1ca pr1nc1pa . d d .d d . 
~ - do 0 sofrimento e melhorando a qual1da e e v1 a os pacientes. osseas arien ... an , . 
Esses raoio armacos não devem ser empregados em mulheres g.rav1~a~: o~ que este-
jam amamentando, e também devem ser evitados em pessoas com 1nsuf1c1enc1a hepática 
e Ot- rera e supressão medular grave. 
Os principais rad1onuclídeos utilizados no tratamento da dor oncológica são: 
• Fósforo radioativo (32p) - utilizado nos casos de policitemia vera, para o auxílio 
da oor ossea. 
• Estrôncio-89 - utilizado para o tratamento de metástase óssea, com alívio da dor 
severa por rra1s de seis meses (60 a 84%). 
• Rênio-186 HEDP - é um radiofármaco com alta afinidade em metástase óssea, 
sendo nd1cado para paliação desse tipo de dor. Emite radiação beta, o que causa 
destruição das células tumorais, e também raios gama, que permite o controle 
pela c1ntdografia óssea. A analgesia ocorre em torno da 60% a 75% com duração 
de trés meses. 
, 
• ltrio-90 - quando associado ao fármaco ibritumomabe tiuxetano, é indicado para 
0 tratamento de l1nfoma não-Hodgkin, leucemia linfocítica crônica , leucemia lifo­
blástica aguda e também Síndrome de Richter. 
• Lutécio-177 - tem sido recentemente usado no tratamento de tumores do Sistema 
Gastroent · · (G · · eropancreatico EP), por tratar sozinho e sem necessidade de cirurgia 
os tumores neuroendócrinos da linha GEP 
• Samário-153 EDTMP d. f , · , . 3 ' ·do 
.
1 
- um ra 10 armaco composto por Samario-15 e aci 
e:i eno-ami~?·tetrametileno fosfônico (EDTMP). O referido ácido tem Lima predile­
çao pelos s1t1os de t · , . d es 
1 · E me astases osseas, devido ao metabolismo aumenta o ness 
oca1s. sse compost , . ão 
nos t ·d 0 e emissor de partículas beta havendo pequena penetraç . 
ec1 os, o que pe .t . . ' 1 s1a 
rmi e terapia seletiva. Emite também raios gama. A ana ge 
J 04 PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMB 
IENTE HOSPITALAR 
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observada na prática clínica é de 60% a 80%, com duração em torno de 3 meses. 
É ind icado em casos de múltiplas metástases ósseas (osteoblásti ca), tendo resulta­
dos antiálg icos sat isfatórios ern 80% dos casos, com melhora na qualidade de vida 
dos doentes. Esse é um dos radiofármacos mais utilizados no país, sendo que suas 
vantagens são o manuseio simples e a meia-vida curta, que não provoca grandes 
riscos de rad iação em pessoas, e a possibilidade de serem usados em outras pato­
logias álgicas não-oncológicas. 
Ultimamente, existem diversos radiofármacos sendo pesquisados em todo o mundo. 
Durante essas anál ises, estão sendo estudados marcadores e novos produtos que vão 
trazer mais benefíc ios à população. 
GLÃNDULAS SALIVARES 
PERTECNETATO Tc-99m 
SISTEMA LINFÁTICO 
DEXTRAN 70 Tc-99rn 
DEXTRAN SOO Tc-99m 
PULMÃO 
MAA Tc-99m / 1-131 
GLÂNDULA SUPRARENAL 
MIBG 1-12311-131 
SISTEMA ÓSSEO 
EDTMP Sm-153 
MDPTc-99m 
PYRO Tc-99m 
RADIOTERÁPICOS 
MIBG 1-1 31 
Na 1-131 
EDTMP Srn -1 53 
1-131 CÁPSULAS 
{PARA TERAPIA) 
FfGADO 
ENXOFRE COLOIDAL 
Sn Tc-99rn 
FITATO Tc-99m 
MIAA Tc-99m 
DISIDA Tc-99m 
UPIDOL 1-131 
BRAQU ITE RAPIA 
TUMORES DA MAMA, COLO 
DE ÚTERO. CAVIDADE 
ORAL. PESCOÇO E 
CÉREBRO 
FIO DE IR[DIO - 192 
I 
/ 
) 
TUMORES EM 
TECIDOS MOLES 
(LESÕES INFLAMATÓRIAS) 
CITRATO DE GÁLIO Ga-67 
CÉREBRO 
GHA Tc-99m 
DTPA Tc-99m 
ECD Tc-99m 
Tl-201 
MIOCÁRDIO 
FDG F-18 
MIBG 1-123 
Tl -201 
SISTEMA 
HEPÁTICO-BILIAR 
DISIDA Tc-99rn 
POOL SANGUiNEO 
SAH Tc-99m 
Cr • S 1 
PYROTc-99m 
TUMORES 
FDG F-18 
Lu-177 
TIREOIDE 
Na 1-123 
1-131 
RINS 
DMSA Tc-99rn 
HIPPURAN 1-1231 1-131 
EDTA Cr - Sl 
GHA Tc-99m 
DTPA Tc-99m 
EC Tc-99m 
ARTICULAÇÕES 
HIDROXIAPATITA Srn-153/Y-90 
BRAOUITERAPIA 
TUMORES DA PRÓSTATA 
SEMENTES DE IODO - 125 
Fig. 11 .3 - Aplicações 
res - /PEN). 
Nuclear l/nstituto de Pesquisas Energéticas e Nuclea-
dos radiof ármacos na Medicina i , 
RADIOFARMÁCIA J 05 
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Bibliografia Consultada 
- C 1-listória da radiofarmácia e as imp~cações ~a Emenda Const; . 
1. Olivc11 él RS, Lcao dAMC~ A. ·as farmacêuticas, Vol. 44; n. 3; Sao Paulo JUl./set. 2008 tuc1ona1 r. 4 
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2. Oliv0i1t1 R, Santos~: Fc_1re1Fra m'aceAut1'cas Vol. 42, n. 2, São Paulo abr11·un. 2006 se suas ªPlic,, , 
'I · ( encras ar ' . . · "ÇOe 
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13. Radiofármac?s no tratam_en_to da d~r on~ológica_- '.rática Hospitalar. Ano X; n. 55. Jan/Fev 
14. SBBMN. Socredade Brasileira de 81olog1a, Medicina Nuclear e Imagem Molecular o· . ~OOB. 
http://www.sbbmn.com.br · isponive/ern: 
J 06 / PRÁTICA FARMACÊUTICA NO 
AMBIENTE HOSPITALAR 
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Armazenamento e Distribuição de 
Medicamentos e Produtos para a Saúde 
Marizo Tobias da Silva 
Introdução 
Dentre as atribuições e responsabilidades do farmacêutico hospita lar está a coordena­
ção técnica das ações relacionadas à padron ização, à programação, à seleção, à aquisição, 
ao armazenamento e à distribuição de medicamentos, produtos para a saúde e saneantes, 
buscando a qualidade e a otimização da terapia medicamentosa dos pacientes· . Embora 
as atividades de compra de medicamentos possam ser realizadas por outros profissio­
nais não-farmacêuticos, o estabelecimento de padrões de qua lidade e especif icações 
requerem conhecimentos profissionais e de julgamento que competem ao profissional 
farmacêutico2. 
Além disso, também são atribuições do farmacêutico hospitalar fazer cumprir a legis­
lação vigente relativa ao armazenamento, à conservação e ao controle de estoque desses 
produtos, bem como as normas relacionadas à distribuição e à util ização dos mesmos, 
com o estabelecimento de um sistema eficiente, eficaz e seguro de transporte, d istribuição 
e dispensação, que permita rastreabilidade de todo o processo, podendo implementar 
ações de atenção farmacêutica 1. 
Outra atribuição importante do farmacêutico hospitalar é a participação nos processos 
de qualificação e monitorização da qualidade de fornecedores. A avaliação do desempe­
nho dos fornecedores deve ser baseada em critérios definidos, tendo como objetivo o 
aprimoramento dos serviços prestados pelos mesmos, a garantia da aquisição de produ­
tos com qualidade, assim como a seleção de possíveis parceiros comerciais com base em 
mecanismos adequados3•4. Devem ser real izadas visitas de inspeção às indústrias e d istri­
buidoras, durante o horário normal de funcionamento das mesmas, para se inspecionar os 
processos de fabricação e os procedimentos de controle3·5. 
A qualidade dos medicamentos deve ser resguardada, para que se garanta a eficácia 
da farmacoterapia desenvolvida na instituição, e a farmácia hospitalar deve adotar es­
tratégias para assegurar a aquisição de medicamentos de qualidade, eficazes e seguros, 
ARMAZENAMENTO E DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS E PRODUTOS PARA A SAÚDE ] 07 
Scanned by TapScanner
aís3 t preciso que os pacientes possarn - ·gente no P · . . receb 
f rrne a Jegislaçao vi a saúde da mais alta qualidade ao meno er rnecf con o dutos para . r cust ,_ 
entos e outros pro uisição de produtos provenientes de fabricant o e, Par:. 
carn , . egurar a aq . d. - es riu '" 
. é necessano ass f b . ção supervisionar as con 1çoes de armaze ., e ate11 isso, , , icas de a rica , d _ , narner -
dan1 as boas pr at f do processo, desde sua pro uçao ate a utilizaçã . to dos 
das as ases d f . o, cont 
P
rodutos em to to e transporte, e orma a garantir a proteçã rolar 
. - d rrnazenamen . . . o nece . 
as condrçoes e ª . d das do ambiente e prop1c1ar as correções ad ssaria 
d. - s rna equa ' equa ~ 
contra as con rçoe re que houver necessidade4
. Çoes e 
. - d produtos semp d 
substitu1çoes e . _ d medicamentos e pro utos para a saúde é a b 
. de prov1sao e . . ase pa 
O s1sterna , . h spita lar sendo o suporte para as at1v1dades de as . ,.. ra o 
t da farmacra o ' s1sten · 
funcionamen ° ~ . recisam contar com um fornecimento seguro de ins eia e 
- farmaceut1cas, que P f. . . urnas qu 
atençao d de estoques de forma e 1c1ente e oportuna, possibilita d e , · adequa os ' . n o a · 
garanta n1v_e1sd t serviços como: distribuição de medicamentos por dose u . _1~-
I 1entaçao e ou ros ' . d n1tana 
Pen _ d . t s intravenosas, desenvolvimento e programas de reações d · 
Preparaçao e m1s ura - . a Ver 
. _ d racional de medicamentos e atençao aos pacientes, entre out 6 -
sas, avaliaçao o uso ros . 
Armazenamento 
0 armazenamento é a etapa do ciclo da assistência farn:acêutica que tem por objetivo 
principal assegurar a qualidade dos medicamentos e outr~s insumos, através de ~ondições 
adequadas de estocagem e de um controle d~ estoque ~f1caz, bem co~o. g4ar~nt1 r a dispo­
nib ilidade destes produtos em todos os locais de atendimento ao usuar10 . E importante 
que estas atividades sejam planejadas com objetivo de identificar a localização adequada 
dos pontos de estocagem, a capacidade de armazenamento destes locais, assim como 
as instalações, os equipamentos e o layout. Algumas considerações importantes são: as 
áreas de estocagem devem estar localizadas em locais controlados do ponto de vista 
ambiental, com baixa umidade, baixa temperatura, boa ventilação, pisos que não transmi­
tam vibrações e iluminação adequada. Esses requisitos são importantes pelo fato de que 
principalmente os medicamentos podem sofrer alterações em decorrência das condições 
de armazenamento inadequadas. A localização e o layout devem facilitar a recepção e 
distribuição dos produtos aos setores solicitantes e o controle físico dos estoques6
. 
Armazenamento pode ser definido como um conjunto de procedimentos técnicos e 
admin istrativos, que inclui as seguintes atividades4: 
• Recepção/ recebimento - ato de examinar e confe rir os produtos quanto à quan­
tidade e documentação. 
• Estocagem ou guarda - organização dos produtos em áreas previamente defini­
das, visando otimização do espaço físico e da movimentação, permitindo rapidez 
e segurança. 
• Segurança_- proteção dos_ produtos contra roubos, perdas e danos. , 
0 • Conservaçao - manutençao das características dos produtos, durante o penod 
de estocagem. 
• Controle de est · . de entrada , oque - monitoramento das movimentações e registros 
e sa1da dos produtos. 
1 os (PRÁTICA FARMACÊUTICA NO 
AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
• Entrega ou distribuição - entrega dos produtos de acordo com as necessidades 
dos solicitantes ou pacientes, garantindo condições adequadas de transporte, 
preservação de identificação até o consumidor final e com rastreabilidade do pro­
duto. 
Atualmente, espera-se que as equipes responsáveis pelo armazenamento e distribui­
ção assumam a co-respons~bilidade na ~reparação dos produtos, de forma que as unida­
des usuárias possam recebe-los, na medida do possível, prontos para uso: medicamen tos 
fracionados e devidamente rotulados com as informações necessárias, inclusive código de 
barras, com objetivo de garantir a rastreabilidade dos produtos distribuídos4. 
Objetivos 
Os objetivos do armazenamento do hospital são4•7: 
• receber medicamentos e outros produtos para a saúde de acordo com as especifi­
cações determinadas nos processos de planejamento e compras; 
• efetuar a estocagem ou guarda, respeitando as condições específ icas de cada 
produto (termolábeis, fotossensíve is, inflamáveis, etc.) e também a segurança da 
equipe e do ambiente de traba lho; 
• localizar os produtos de forma pronta, ágil e inequívoca; 
• manter os produtos seguros contra perdas e roubos; 
• preservar a qualidade dos produtos; 
• entregar os produtos de forma a garantir a disponibilidade adequada e oportuna 
' . aos usuar1os; 
• promover o controle de estoque e manter informações sobre as movimentações 
realizadas. 
Normas do Processo de Armazenamento 
Estrutura8 
Para funcionalidade do setor, devem-se levar em conta os seguintes aspectos: 
• Estrutura física - área física e instalações adequadas (físicas, elétricas, hidráulicas, 
computadores, impressoras, coletores de código de barras, etc.). 
• Estrutura organizacional - layout, organização interna, segurança, equipamentos 
e acessórios. Deve possuir área administrativa, para recebimento, expedição e es­
tocagem dos produtos. 
• Estrutura funcional - definição e controle das atividades, elaboração de normas, 
procedimentos operacionais e planilhas de controle, sistemas de informação eco­
municação eficazes e eficientes. 
• Serviço de manutenção de equipamentos - garantir disponibilidade dos equipa-
mentos em condições perfeitas para utilização. 
ARMAZENAMENTOE DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS E PRODUTOS PARA A SAÚDE / 109 
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ai habilitado e capacitado tecnicamente e . 
os - pesso , . d f , . d qual1fi 
R ursos human .. d d Os funcionar1os a armac1a evem ser . cad0 • ec - das at1vr a es. cu1dad 
para e ecuçao pervisionados. osa. 
n1ente selecionados e su 
- , , • 7 9 
, t' as das instalaçoes ,1s1cas , 
' 'sica e caracter1s ic 
Estrutura '' . . . . 
d t r 0 máximo de flex1 bil1dade, ajustando-se às . 
cupado eve e . . d , 1 rna1s d' 
• O espaço o . I ' de ser 0 mais ot1m1za o poss1ve . Para se det . 1-
ss1dades, a em - rf'I . . errn1n 
versas r1ece , . levar em consideraçao o pe 1 ass1stenc1al do hosp·t 
1 
ar 
sua area ideal, e preciso . . ' a e a 
1
• . d gestão de mater1a1s. 
po 1t1ca e . condições especiais de armazenamento, como os prod 
O ·tens que ex1ger11 1 d Utos 
• s 1 . . fl áveis e os medicamentos contro a os, como narcóti 
tern1olabe1s, os 111 a111 , d cos e 
. d ser mantidos em areas separa as. 
psicotrop1cos, evem , . 
• As paredes devem ser lavave.1s. 
O iso deve ser lavável e antiderrapante. A • • • -
• p 
1 
d ·r boa circulação de ar e ausenc1a de 1nfiltraçoes. 
• O loca eve possui 
• A uniidade relativa deve ser controlada, devendo estar entre 40 a 70% e medida 
com higrôn1etro. . . , . . 
• Deve haver uma luminosidade bem d1str1bu1d~, que permita .u~a Aboa visualização 
dos itens e sua respectiva identificação. Mas, nao deve haver 1nc1dencia de luz solar 
direta sobre os produtos. 
0 0 
. 
• A temperatura ambiente deve estar entre, 15. e 30 C, c~m um1~ade controlada, 
devendo, no entanto, garantir conforto term1co, sendo ideal nao ser superior a 
25ºC. 
• É necessário que o local tenha rede de frio - freezer, câmara fria, refrigerador - para 
produtos termolábeis, que necessitam de temperaturas na faixa de 2º a 8ºC, exis­
tência de gerador e os devidos controladores de temperatura, que devem estar 
ca librados. 
• Existência de armários e prateleiras resistentes, de preferência em aço, para esto-
cagem dos produtos. 
• Pa letes (estrados) de material plástico também são necessários, pois os de madeira 
permitem a retenção de umidade, a proliferação de fungos, de pragas e de outros 
parasitas. 
• Porta-paletes - para estocagem de produtos volumosos ou pesados. 
• Existência de carrinhos destinados ao transporte dos produtos. 
• Existência de veículos, empilhadeiras, destinados ao transporte de materiais e me­
dicamentos, podendo ser manuais ou elétricas. As elétricas são utilizadas em arma­
zenamento vertical de grandes quantidades, em almoxarifados de grande porte. 
• Observar proteção contra incêndios e entrada de insetos e animais. 
Recebimento (recepção e inspeção)4,9 
Recebimento é o ato d f A • ses-
t - . e con erenc1a em que se verifica se os produtos entregue 
ao em conform1dad f · 'ste · _ e como 0 que 01 solicitado. É uma atividade importante que consi 
na inspeçao detalhada ent f · . . · p isso, re 0 que 01 sol1c1tado e o que está sendo recebido. ara 
11 o I PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
devem ser elaboradas normas técnicas d . . 
d 
e a m1n1strat1vas dº 
instrumentos e controle para reg istro das informa õ , oroce imentos operacionais e 
O objetivo do setor de recebimento d f ç e~ ~eferentes ao processo. 
b
.d e uma armac1a ho 1 , .. 
dutos rece 1 os cumprem os requ isitos d t . spi ta ar e ver1f1car se os pro-e erm1nados nos d 
pedidos fe itos pelo hospital, quanto à quantºd d , . ocumentos de compra ou 
. . 1 a e, a qualidade · d. -
aos prazos e outros requ1s1tos fiscais e efetu . · as con 1çoes de entrega 
. . ar o registro de t d d ' 
dos, por rne10 de um sistema informatizado . f en ra ª os produtos recebi-
' in a rmando o lot l"d d 
deve vir aco111pa nhado de um documento d e eª va 1 a e. Todo produto e entrega 
A área de recebimento deve ser separad d , d. · ª a area e estocage D · · 
dimentos descritos para todas as atividade d m. evem ex1st1r proce-
. s o setor. O pessoal 1· . 
to precisa ser bem treinado em suas fu - que rea rza o receb1men-
. nçoes e responsabilidad o f ~ · 
assegurar que exrstam registros e formas d . es. armaceut1co deve 
e proporcionar o cont 1 d bº 
medicamentos, e o pessoal envolvido d roe 0 rece 1mento de eve compreender a nature , · · 
!idade envolvida nesta função. za serra e a responsabr-
No recebimento são real izadas duas atividades de f ~ · . ·f· -
d 
. . . . con erenc1a. ver1 1caçao dos aspec-
tos a m1n1strat1vos e das especificações técnicas. 
Normas para o processo de recebimento 
a) Aspectos administrativos9 
. Es_tão re lacionad~s com o pedido de compra, buscando atender aos requ isitos admi­
n1strat1vos estabelecidos em contrato ou editais, quanto às quantidades a serem entre­
gues, os prazos de entrega e preços: 
• conferir a nota fiscal quanto à razão social, o preço e as condições de pagamento; 
• verificar se o número e peso dos volumes estão de acordo com a nota fiscal ou o 
documento de entrega. A quantidade recebida deve estar em conformidade com 
a quantidade solicitada. Para maior segurança na conferência, o setor de rece­
bimento deve dispor de cópias de todos os pedidos de compra efetuados, seja 
impressa ou em sistema informatizado de recebimento de produtos; 
• verifica r prazos de entrega: os produtos devem ser entregues de acordo com os 
prazos estabelecidos e o não atendimento a este requisito deve ser notificado e 
comunicado aos setores envolvidos para medidas cabíveis, sendo este um impor­
tante critério para avaliação da qualidade de fornecedores. 
b) Verificação das especificações técnicas5
•
9
·
16 
Especificações técnicas são aquelas relacionadas aos aspectos qualitativos e le­
gais (cumprimento da legislação), devendo-se observar o cumprimento dos seguintes 
requisitos: 
• os volumes devem estar em bom estado de conservação, sem sina is de viola­
ção. Os medicamentos devem estar em suas embalagens originais e observado 
ARMAZENAMENTO E DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS E PRODUTOS PARA A SAÚDE 111 
Scanned by TapScanner
. 
0 
nome do fa rmacêutico, o número d 
as 
eni balagens constam:dade federativa na qual está inscrito· ° Conselh 
se n , · e a u n 1 .f. _ , o 
R 
·anal de Fa rn1ac1a mbalagens e as espec1 icaçoes dos prod 
eg1 d . tulagem, e - d d utos (f 
s condiçõ s e 'º - apresentaça o) evem esta r e acordo co orrna 
• a • . concentraçao, rn o Ped· 
farn1accut1ca, Ido 
do hospital; . . de medicamentos e as distribuidoras de 
. . fa bri cantes 1 M' . , . d S vern p 
• 
05 
laborator1os . to expedida pe o 1n1ster10 a aúde e pel S ossuir 
. - d func1onamen a ecr . autonzaça~ e . , .· respect ivamente; etaria 
de Vigilã11c1a Sanita i ia, ssuir 0 credenciamento dos fabricantes par 
.b ·d ·as deven1 po . f a os p • as distn u1 oi d fornecedores devem 1n ormar a numeraçã d rodu. 
den1 e to os os d . .b . o os 1 
tos que v_en venda. As empresas fabricantes, 1str1 u1dora s, irnportad Otes 
na nota fiscal de d' entos devem manter e forn ecer, quando nec ?rase 
· . · de n1e 1carn . essar' 
de con1eicio . t - es dos lotes de medicamentos comercial izado . io, o 
. t . das n1ov1n1e11 aço . d d s, v1sand 
reg1s 'º _ to às denúncias de suspeitas e pro utos falsificad o 
a facilitar as açoes quan f m comprovado risco à saúde· os, adul-
terados ou alterados, que o ere~e d d . , . 
d 
· clusive os importa os, evem possuir o registro e s 
• todos os pro utos, ',n. , . erern ca-
dastrados no Min isteno da Saude, . . . 
d 
. d como a albumina, as 1munoglobul1nas e o cornple 
• os hen10 enva os, . . d xo pro-
b
, . mente deverão ser adqu1r1dos e empresas que cumpram a RD 
trom 1n1co, so d d - e 
n º 46/ 1998, a qual normatiza os processo.s e pro uçao, de controle de qualida. 
de de aqu isição e de distribuição de medicamentos he~odenvados; 
' rodutos importados é necessária a apresentaçao do certificado de b 
• para os p ' . . I .d d . , . oas 
práticas de fa bricação e controle, .e.m1t1do pe a auton a e .s~n1tana do país de 
origem, oulaudo de inspeção em1t1do pela autoridade sanita na . brasilei ra, bem 
como laudos anal íticos de cada lote fornecido, em1t1dos no Brasil. Somente de­
verão ser adquiridos produtos importados de empresas legalmente autorizadas 
como importadoras e com as exigências legais cumpridas para a comercialização 
dos produtos; 
• deve-se adquirir medicamentos sujeitos ao controle legal apenas de fabricantes 
e distribuidoras que apresentarem a autorização especial exigida pela Portaria 
344/98; 
• os medicamentos adquiridos pelo hospital devem ser entregues acompanhados 
de laudos anal ít icos do fabricante, que devem possuir Certificado de Boas Práticas 
de Fabricação e Controle por linha de produção/produtos emitido pela ANVISA; 
• o prazo de validade e os lotes dos produtos precisa ser verificado atentamente. 
O prazo de val idade ideal para recebimento é de no mínimo 12 meses; 
• as condições do transporte precisam ser rigorosamente verif icadas, pri ncipalmente 
para produtos termolábeis. As empresas transportadoras devem estar devidamen-
te autorizadas legalmente para a atividade. 
Procedimentos operacionais para recebimento9 
• Verificar as espe ·f· - , . . tidades . ci icaçoes tecn1cas e admin istrativas conferindo as quan 
recebidas po ·d d ' ·d d com a . ' r uni a e, embalagem lotes e validades em conform1 ª e 
nota fiscal e O dºd e • I I pe 1 o. ar1mbar, assinar e datar a nota fisca l. 
112 ?RÁ TICA FARMACÊUTICA NO 
AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
• Registrar a entrada dos produtos nos sistema de controle de estoque existente na 
instituição, incluindo a informação de lote e validade. 
• Avaliar a entrega do fornecedor, mediante preenchimento do formulário específico 
ou outra sistemática estabelecida pelo hospita l. 
• Encaminhar a nota fiscal original ao setor financeiro para que seja processado o 
pagarnento. 
Recomendações9 
• Qualquer violação ou irregularidade no preço, nas especificações, na quantidade 
e na rotulagem deve ser informada ao farmacêutico e ao setor de compras, e o 
produto não deve ser recebido . 
• Após o recebimento, os medicamentos entorpecentes e psicotrópicos devem ser 
imediatamente transferidos para áreas seguras. 
• Não escrever ou rasurar a via original da nota fiscal ou documento que acompanha 
o produto. 
• Contatar imediatamente a Vigilância Sanitária local, quando houver suspeita de 
falsificação de algum medicamento. 
Estocagem e Guarda 
Após o recebimento dos produtos, de acordo com suas especificações, seguem-se 
as atividades de estocagem e distribuição. Estocagem é a guarda racional e segura dos 
produtos no estoque, sendo uma atividade importante no sistema de controle total de 
medicamentos. 
Em algumas instituições, após o recebimento, os produtos são identificados com 
código de barras interno da instituição contendo lote e validade, visando a garantia da 
rastreabilidade dos lotes dos produtos utilizados no hospital e a maior segurança na mo­
vimentação dos estoques. Alguns fabricantes de medicamentos já fornecem produtos 
codificados com a informação de lote e validade, dispensando as farmácias hospitalares 
de terem que realizar o processo de etiquetagem interna. 
Devem existir procedimentos descritos para todas as atividades realizadas no setor, 
tais como5·7: 
• estocagem dos produtos recebidos; 
• controle sobre obsolescência, baixa movimentação, danos e vencimentos; 
• manutenção das condições de segurança e higiene; 
• registros necessários sobre entradas e saídas; 
• atendimento de requisições das unidades assistenciais e de dispensação, como 
farmácias-satélites ou equipamentos de dispensação automatizada. 
Os controles apropriados das condições ambientais, como luz, temperatura, umidade, 
a~pectos sanitários, ventilação e segregação, devem ser mantidos nos locais em que me­
dicamentos e materiais médico-hospitalares estejam estocados. As áreas de estocagem 
devem ser seguras, os mobiliários e os equipamentos utilizados devem ser construídos, 
para ~ue os ~rodutos estejam acessíveis somente ao pessoal autorizado, e são necessários 
tarnbern equipamentos contra incêndio nestes locais2. 
ARMAZENAMENTO E DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS E PRODUTOS PARA A SAÚDE 113 
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,.. 
·t· descartar corretamente medicamentos e 
·dent1 ·1car e . prod 
Métodos para 1 . . d obsoletos devem ser estabelecidos e rea l· utos Pêl 
.d dan1f1ca os e d 1zados ra 
saúde venci os, ·r· -
0 
dos produtos que po em ser trocados corn rnensêlJ 
mo a veri icaça . p d outro h -
mente, bem co d ·es antes do vencimento. ro utos rejeitados 1 . s osp· 
. 
111 
fornece or , . - . pe a 1 1-
ta is ou n1esn10 co . d algum problema, que 1rao ser encaminhados nspeçã 
li 
.d or suspeita e d d d . . para a , o 
ou reco 11 os P rentena, segrega os os ema1s itens do esto analise 
deverão permanecer em qua que e proib-' 
d d 
ren1 utilizados7
. · 1 · , · ,_ os e se . ·tos a controle espec1a , os ps1cotrop1cos e os ent 
d'cainentos su1e1 . _ . orpe 
Os me 1 d e controlados, conforme a leg1slaçao vigente, sob su centes 
deven1 ser arn1azer1a os " . perv1são e 
b
·1·d de lega l do farmaceut1co. 
responsa 1 1 a 
Norn1as para o processo de estocagem4,9 
P 
estabi lidade e a qualidade dos medicamentos, protegendo-o 
• reseNar a , . , . . b ' 
1 
, . s contra 
riscos de alterações f1s1co-qu1m1cas e micro io og1cas. 
• Permitir fácil local ização dos produtos, , e~tabelecen~o normas para ordenação· 
organização por ordem alfabética, por cod1go, por açao farmacológica, por forma 
farn1acêutica etc. 
• Acomodar os produtos de acordo com o sistema PEPS - primeiro que entra . • 1 pn-
mei roque sai - considerando a data de venc 1 ment~. _ 
• Subdividir produtos com mais de um lote de fabr1caçao em quantos lotes forem 
necessários e estocá-los desta forma. 
• Facilitar a distribu ição dos itens com maior rotatividade. 
• Identificar imediatamente os medicamentos sujeitos ao controle especial de ar­
mazenamento - como psicotrópicos, entorpecentes e produtos termolábeis, in­
flamáveis etc - e armazená-los de acordo com as condições especificadas pelo 
fabricante e as demais exigências da legislação vigente. 
• Os medicamentos termolábeis devem ser mantidos em áreas especificas para es-
tes produtos, com temperatura controlada (2ºC a 8ºC) at ravés de termômetros, 
com reg istro diário. 
• Levar em consideração a capacidade física da área de armazenamento. 
• Manter em segurança os produtos, protegendo-os de furtos, extravias, umidade, 
luz - solar e artificial - poeira, insetos, aves e roedores. Restringir a circulação na 
área aos funcionários do setor. 
• Utilizar os paletes ou estrados, em vez de colocar os produtos diretamente sobre 
. 
o piso. 
• ObseNar as condições de estocagem conforme especificações do fabricante. 
• Respeitar o empilhamento máximo de caixas dos produtos. 
• Conservar os produtos nas embalagens originais e ao abrigo da luz. 
Formas de estocagem dos produtos9 
A estocagem dos produtos depende de parâmetros como dimensão, volume, tipo de 
produto, das condições d - . . , · amentos , . . e conservaçao ex1g1das, do espaço dispon1vel. Os equip 
e acessonos mais utilizados são: 
114 PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
a) Paletes e porta-paletes - plataf armas verti e ... ·1s de t h . 
• '
1 aman os varrad d f , ·1 
Se
io utilizadas para rnovrmentaçno e estocagcm r-le d .i os, e ac1 ma-
nu · · \. pro L1tos rJe grand 1 0 
rta-paletes são estr·L1turas ref orçad0s destinarl ... s .,, - es vo umes. s 
po · 0 
'
1 suportar cargas a 5 d 
d·
1
versos 11íveis, co111 L':>or11 nproveitamento do esp . 
1 
erem estoca as ern . . aço vertrca . 
b) Prateleiras - e o rne10 de cstocagem mais simples ~ . . 
d . e econom1co destinada para 
P
rodutos leves e estoqLies re uzrdos, devendo ser preferencialmente d , 
'Ih t ·11 e aço. e) Emp1 amen o - o empr 1amento deve obedecer à recome d - d f b . . . d e n açoes o a ncante 
quanto ao l1111rte e peso. orno reg r·a,a altura das pilhas não deve ultrapassa 1 5 , 
b t lt - r , m, para 
evitar desa ar11er1 os e a eraçoes nas embalagens por compressa- A ºIh d _ o. s p1 as evem ser 
feitas e111 esque1na de amarraçao, mantendo-se distanciamento entre 1 d . _ e as e as pare es 
para u111a boa crrculaçao de ar. ' 
conservação9 
Conservar n1edican1entos é manter os produtos em condições satisfatórias de esto­
cagem para nianuter1.ção de sua ~stabi lidade e integridade durante 0 período de vida 
útil. Para que o_s _n1ed1.ca rnentos sejam bem conservados é preciso seguir procedimentos 
técnicos e adn11n1strat1vos adequados. 
Estabil idade de Medicamentos4·s,11,1 a 
A eficácia e a segurança do tratamento farmacoterapêutico dependem da disponibi­
lidade de medicamentos com qualidade garantida. Para que isso ocorra, o medicamento 
deve ser produzido na indústria, dentro das especificações de boas práticas de fabricação 
e estocado em seus locais de distribuição e dispensação de acordo com as boas normas 
de estocagem com a legislação vigente. 
Os medicamentos podem ser alterados no processo de estocagem, se este for feito 
em condições ambientais inadequadas, como: temperatura elevada, umidade relativa do 
ar elevada e luz. Devem-se considerar também as condições de transporte, pois, neste 
caso, o medicamento pode ficar exposto a condições de temperatura inadequadas à ma­
nutenção da sua estabilidade. 
A estabilidade pode ser definida como a extensão em que um produto retém, dentro 
dos limites especificados e do período de armazenagem e de uso - ou prazo de validade -
as mesmas ca racterísticas e propriedades que possuía na ocasião em que foi fabricado. A 
estabilidade de produtos farmacêuticos depende de fatores ambientais como temperatu­
ra, umidade e luz e de outros relacionados ao próprio produto como propriedades físicas 
e químicas de substâncias ativas e excipientes farmacêuticos, forma farmacêutica e sua 
composição, processo de fabricação, tipo e propriedades dos materiais de embalagem. 
Existem cinco tipos importantes de estabilidade para que os produtos farmacêuticos 
mantenham suas características e eficácia terapêutica: 
• estabilidade química; 
• estabi lidade física e físico-quím ica; 
• estabi lidade microbiológica; 
• estabilidade terapêutica; 
• estabilidade toxicológica. 
ARMAZENAMENTO E DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS E PRODUTOS PARA A SAÚDE 115 
Scanned by TapScanner
. . d de química Estabtlt a ) deverá reter a integridade e a potênc· . 
ativo (fármaco ia indicad 
Cada cornponendte 1· nites especificados. as na 
d tro os ir 
ernbalagerri, en 
, · físico-química 
stabíf idade f1s1ca e " . E . . ·s da forma farmaceut1ca, como aspecto s b 
d 
físicas or1g1na1 'd d d , a or u 'f 
As p1·oprieda - es sibil idade, são mant1 as entro as especificações , n1 or. 
'd de dissoluçao, suspen , Por um 
n11 a , _, do de tempo. 
detern1inado per'º 
, . 
Estabilidade microbio/og1ca 
. " · ao crescimento de micro-organismos deverá pe 
·1·d d ou res1stenc1a rrnane 
A esten ' a e .f. dos Os agentes antimicrobianos presentes devem m cer 
dentro dos lin1ites espe~ 1 '~ª . belecidos anter a 
f
. , ·a dentro dos l 1 rn1tes esta . 
sua e 1cac1 
Estabilidade terapêutica 
b
·r·d d terapêutica de um fármaco significa a manutenção da eficácia terapê _ 
A esta 1 1 a e d , d d ·d , ·1 d u 
. d d t mpo estabelecido como sen o o per10 o e v1 a ut1 o medicamento 
t1ca entro o e · 
Estabilidade toxicológica 
Este tipo de estabilidade determina que não deve~á ocorrer. aun;~nto significativo da 
toxicidade no período estabelecido como sendo o per1odo de vida util do medicamento. 
Fatores que Alteram a Estabilidade dos Medicamentos
4
,
5
•
17
•
18 
Um medicamento é uma associação de um ou mais princípios ativos (fármaco) com 
um ou mais agentes não terapêuticos - os excipientes farmacêuticos - contidos em uma 
embalagem única, devendo ser compatíveis farmacotecnicamente para gerar um produto 
estável, seguro e eficaz. A formulação deve também ser preservada contra a decomposi­
ção gerada pela degradação química, além de protegida de contaminação microbiológica 
e das influências prejudiciais do meio ambiente, como luz, calor excessivo e umidade. 
Os ~atores que podem alterar a estabilidade de medicamentos podem ser intrínsecos_ e 
~xtrinsecos e, geralmente somente temos controle sobre os fatores extrínsecos, pois estao 
ligados a fatores ambientais, que podem ser controlados. 
Fatores Intrínsecos 
Os fatores int , - " · às 
caract , t. f' . r1nsecos sao aqueles ligados à formulação do produto farmaceut1co~ 
er1s 1cas isico-q , · d f laçoes 
farmacêuticas . ui~icas os componentes. Devido à complexidade das orm~l.d de 
, muitos tipos d - , . f stab1 1 a e reaçoes qu1m1cas podem ocorrer e a etar a e 
J J 6 / PRÁTICA FARMACÊUTICA N 
O AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
uímica de um medicamento, levando ou não à perda da estabilidade farmacológica . Os 
q cessas mais frequentemente encontrados de degradação química são a hidrólise e a 
~~~dação . No trabalho .de formu!aç~o do produto farmacêutico, devem-se tomar medidas 
reduzir ou prevenir a ocorrenc1a de deterioração devido a estas reações para . , . , . · 
Um fator 1ntr1nseco importante que e preciso levar em consideração é a qualidade do 
recipiente de envase ~o produto. Sempre que se altera o recipiente fornecido pelo fabri-
nte alteramos a validade do produto, para um valor não determinado. Por essa razão ca , _ . 
19 
. , 
legislaçao atual (RDC 67, Anv1sa) somente autoriza o fracionamento com diminuição 
~o prazo de vali.dade ~eterminado pelo fabricante e desde que sejam garantidas as boas 
práticas de man1pulaçao. 
Hidrólise 
Neste tipo de reação, as moléculas do fármaco interagem com as moléculas de água, 
formando novos compostos. A hidrólise é provavelmente a causa mais importante de 
degradação dos fármacos, pois grande parte dos princípios ativos é de ésteres ou con­
tém grupamentos como amidas e lactonas, que são bastante suscetíveis ao processo de 
hidrólise. 
Oxidação 
Este t ipo de reação destrói muitos tipos de fármacos, como aldeídos, alcoóis, fenóis, 
açúcares e alcaloides. Muitas das alterações oxidativas nas preparações farmacêuticas são 
do tipo auto-oxidação. Elas ocorrem espontaneamente devido à influência do oxigênio 
atmosférico, prosseguem lentamente no início e, a seguir, com mais rapidez, conforme o 
processo avança. É um processo descrito como reação em cadeia. 
Fotólise 
A reação fotoquímica é uma importante fonte de degradação, não somente no 
período de armazenamento, mas durante todo o processo de produção do medicamento. 
O resultado deste tipo de reação pode ser uma nova molécula, que pode ser responsável 
por efeitos adversos do medicamento. 
pH 
O pH é um dos fatores mais importantes na aceleração ou diminuição da velocidade 
das reações químicas, sendo um catalisador de muitas reações de hidrólise. 
Tamanho das partículas 
O tamanho das partículas dos componentes de uma formulação afeta bastante a es­
tabilidade física de formas farmacêuticas como suspensões e emulsões, resultando em 
ARMAZENAMENTO E DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS E PRODUTOS PARA A SAÚDE 117 
Scanned by TapScanner
118 
" . paladar, na uniform idade, na cor e na text 
Parenc1a, no . d. ·b·1·d d ura d 
alterações na a , a absorção e b10 ispon1 i i a e. o Prod 
rf . do tan1bem na su llta 
inte enn ' 
Incompatibilidade 
- dois fármacos de uma mesma formulação r 
. de reaçao, , d . eagern 
Neste tipo -b.l'dade do produto. Este e um os motivos pelo entre . 
t do a esta 1 1 . , s quai ~ s1, 
co1r1pron1e en . _ s de dois ou mais farmacos. s nao sã 
mendadas assoc1açoe o reco 
Fatores Extrínsecos 
f e não faze111 parte da composição do produto farma ,. . 
São os atores qu _ f _ b ' . . ceutico 
. f . sua estabilidade. Sao os atores am 1enta1s, ligados às e d. ~ ' mas 
oden1 inte1 enr e1n . 'd d . " on içoe d 
P t cagenl como temperatura, lum1nos1 a e, ar - ox1genio gás b" s e 
transporte e es o , , carOnico 
- e umidade. 
Temperatura 
A elevação da tempera~ura _pode acelerar as reações químicas que consomem ener. 
gia, conio a hidrólise e a ox1daçao.. . . 
As condições de temperatura 1dea1s para estocagem de medicamentos são: 
- Temperatura ambiente: 1 SºC a 30ºC; 
- Fresca: SºC a 1 SºC; 
- Quente: Acima de 30ºC; 
- Fria ou Refrigeração: 2ºC a 8ºC; 
- Congelado: -SºC a -20ºC. 
Os medicamentos particularmente sensíveis à ação da temperatura (termolábeis} 
requerem, em geral, temperatura refrigerada ou fresca . Algumas formas farmacêuticas, 
como supositórios e óvu los vaginais, são caracteristicamente termolábeis independente­
mente do fármaco que os compõem. 
Umidade 
A umidade é um fator ambienta l que influencia bastante a estabilidade dos medica­
mentos, pois pode causar a hidrólise de muitos fármacos ou mesmo o crescimento de 
micro-organismos, e a água presente no ar pode acelerar este processo. O efeito degrada­
tivo da umidade é potencia lizado pelo aumento da temperatura. O grau de umidade para 
estocagem de medicamentos não deve ultrapassar 70%. Os medicamentos estocados 
em áreas úmidas podem sofrer alterações na consistência, sabor, odor, turvação, tempo 
de desintegração. Por isso, recomenda-se não encostar medicamentos nas paredes, teto, 
contat~ ~ireto com o chão, próximos a banheiros ou junto a áreas com muitas infiltrações. 
A med1çao da umidade é fe ita por higrômetros ou psicrômetros. 
Ar (gases atmosféricos) 
O oxigênio é 0 g , t f , . s de degra· 
d - d . as ª mos er1co que maior participação tem nos processo .d 
açao e med1cament d . - bmet1 os. 
os, sen o o maior agente oxidante a que eles estao su 
PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
LUZ 
A maioria dos fármacos absorve radiação na região do ultraviole .. a o d 
1 . . _ . _ . t . espectro a uz 
solar emite rad1açao nesta reg1ao, :or~ando-se , assim, um fator importante de alteracào da 
estabilidade dos pro~utos farmaceut1cos. A incidência direta de luz, principalment~ raros 
solares sobre o: medicamentos, ace le:~ a velocidade de reações químicas, principaimen­
te oxido-reduçoes, alterando a estabil idade dos mesmos. Os produtos particularmente 
sensíveis à luz são c~ama~os fotossensíveis . Os efeitos da luminosidade dependem da 
fonte de luz, grau de intensidade e tempo de exposição. Para proteção dos medicamentos 
fotossensíveis, são util izadas emba lagens de cor âmbar ou de papel alumínio, em virtude 
da opacidade das mesmas. 
Ventilação 
Uma circulação interna de ar deve ser mantida para conservação satisfatória dos pro­
dutos e equilíbrio da temperatura em todos os pontos do ambiente. 
A perda da estabilidade física pode ser percebida pelos nossos sentidos com razoável 
facilidade, através das características organolépticas dos produtos, como por exemplo, 
a inspeção visual. No entanto, é importante lembrar que quando a estabil idade física do 
medicamento é percebida, as estabilidades qu ímica e microbiológica já estão comprome­
tidas, e prejuízos importantes para a ação terapêutica e possíve l ganho de ação toxicoló­
gica podem ocorrer. A Tabela 12.1 traz alguns sinais físicos da perda de estabilidade. 
Tabela 12.1 - Alterações visíveis na estabilidade de medicamentos4 
Formas farmacêuticas Alterações visíveis 
Comprimidos Quantidade excessiva de pó. 
Quebras, lascas, rachaduras na superfície. 
Manchas, descoloração, aderência entre os comprimidos ou formação 
de depósitos de cristais sobre o produto. 
Drágeas Fissuras, rachaduras, manchas na superfície. 
Cápsulas Mudança na consistência ou aparência (amolecimento ou 
endurecimento). 
Pós e Grânulos Presença de aglomerados. 
Mudança na cor ou endurecimento. 
Pós efervescentes Crescimento da massa e pressao gasosa. 
Cremes e pomadas Diminuição do volume por perda de água. 
Mudança na consistência. 
Presença de líquido ao apertar a bisnaga. 
Formação de grânulos, grumos e textura arenosa. 
Separação de fases. 
Supositórios Amolecimento, enrugamento ou manchas de óleo. 
Soluções/xaropes/el ixires Precipitação. 
Formação de gases. 
Soluções injetáveis Turbidez, presença de partículas, grumos, cheiro forte, mudança na 
coloração, entumecimento e liberação de gases. 
Tinturas/ extratos Mudança de coloraçao, turbidez e formação de gases. 
ARMAZENAMENTO E DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS E PRODUTOS PARA A SAÚDE 11 9 
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. . . f tores ambientais controláveis, com ação na estabilid d 
Os pr1nc1pa1s a 
1 
. .d d . a e d 
tura ambiente, a um1nos1 a e e a umidade po· os rried· 
t s são a tempera , is tanto ica. 
men ° ' b. 
1
, gicas são aceleradas com o aumento dos valores d as reaç~ 
, · quanto 10 o esse f ºes 
quimicas l'd d u 0 tempo previsto para a perda de estabilidade de u s atores 
deva 1 a e o · d ' - f rn rned· ·O 
prazo . s se forem respeitadas as in icaçoes armacopeicas d icaniertt 
é verdadeiro apena e canse a 
IVa ~ 
dos mesn1os. Çao 
Controle de Estoque2,4,7 
O t O
le de estoque é uma atividade administrativa com o objetivo de 
co11 r . _ f' . f. . manter · f 
- fiável sobre níveis e mov1mentaçao 1s1ca e 1nance1ra dos estoque 1n or. maça o con . . _ s necess, . 
atendimento da demanda, evitando-se a superpos1çao de estoques e d b anos 
para esa aste . 
d · Ci-mento o sistema. 
Estoques são quantidades de produto~ mantidos em disponibilidade para s . 
·d d E · ·d ·f· erern ut1 l"zados de acordo com as necess1 a es. importante 1 ent1 1car a importânc· 
1 
. · 
' - b 1 , . d ia re ativa 
aos itens que compoem o estoque e esta e ecer n1ve1s e segurança. Esses esto u ~ 
· - d d d t t d q es sao 
ProJ·etados para absoNer as var1açoes na eman a uran e o empo e ressuprirn 
, . . entoou 
variações no propr10 tempo de ressuprimento. 
Os níveis de inventário devem ser adequadamente gerenciados pela farmácia: 
• deve haver controle rigoroso de entradas e saídas; 
• deve-se verificar itens em falta, bem como a necessidade de sua reposição; 
• deve-se obseNar se há itens vencidos ou próximos do vencimento, promover tro-
cas com outros hospitais ou com o próprio fornecedor; 
• deve-se evitar, ao máximo, perdas acidentais; 
• deve-se efetuar descarte físico e contábil de produtos danificados ou vencidos; 
• deve-se realizar verificações do estoque por meio de inventários totais e seletivos. 
Descarte de Produtos4·8 
O descarte adequado de medicamentos e outros insumos devido a vencimento ou 
deterioração deve ser uma preocupação do seNiço de farmácia hospitalar. A melhor so­
lução é investir em melhoria contínua do processo e da estrutura para evitar que se tenha 
produtos nessas condições. 
No entanto, deve haver procedimentos descritos para esta situação que garanta~ 0 
descarte correto dos produtos, com o objetivo de reduzir o risco potencial de contamina­
ção do meio ambiente, por meio da destinação correta dos produtos. 
Os seguintes cuidados são recomendados para o descarte seguro de medicamentos 
e outros produtos para a saúde vencidos ou danificados: 
• ·b· ' · · d rt dos no os anti 1ot1cos, ant1neoplásicos e desinfetantes não devem ser esca ª 
· . . de tra-
si stem a de esgoto, pois podem destruir as bactérias utilizadas no sistema 
tamento de água; . 
• os antin I ' · - · dem pre1u-
. ~op as1cos nao devem ser lançados em cursos de água, pois P0 
d1car a vida aqua' t '1ca o t . , , 1 u con am1nar a agua potave ; 
J20 1 PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
,._..-
• a incineração de produt~s farmac~uticos em baixas temperaturas ou em recipien­
tes abertos deve ser evitada, pois resu lta na liberação de poluentes tóxicos na 
atmosfera; 
• descarte in~fic iente e fei.to de forma insegura pode aca rretar que medicamentos 
vencidos se1am reaproveitados para venda ao públ ico ou tenham outras util izações 
indevidas; 
• manter os produtos vencidos em recipientes adequadamente identificados e 
segregados, enquanto aguardam o descarte, impedindo que os mesmos sejam 
ut ilizados inadvertidamente. 
Distribuição 1 
•
2
•
4
•
20A distribuição e o controle dos medicamentos e outros produtos pa ra a saúde é de 
competência do profissional farmacêut ico. A missão da fa rmácia hospitalar é assegurar o 
uso seguro e apropriado dos medicamentos e outros p rodutos para a saúde. O fa rmacêuti­
co deve se responsab ilizar d iretamente pela d istribuição e pelo contro le destes produtos. 
O serviço de farmácia deve func ionar em tempo integral (24h) pa ra a provisão dos 
itens necessários pa ra a assistência aos pacientes. Uma d istribuição eficiente depende de 
uma gestão de niateria is que assegure a existência de estoques em níveis adequados à 
demanda do hospital, garantindo a assistência aos pacientes. 
O objet ivo da d ist ribu ição é o atendimento de forma segura e eficiente dos itens 
necessários pa ra as unidades ou serviços do hospita l, com posterior utilização nos pa­
cientes. A distribu ição aos diversos setores do hospital deve ser feita de acordo com uma 
programação previamente acertada com os serviços. Nesta programação, devem ser con­
siderados fatores técnicos e administrativos, incluindo também os de ordem logística e 
aqueles pertinentes à qualidade do serviço de atenção aos pacientes. 
Normas para o processo de distribuição4
'
7 
Dentro de um hospital, o processo de distribuição inicia-se a partir de uma solicitação 
dos p rodutos por parte do requisitante para o nível de distribu ição envolvido, a fim de 
suprir as necessidades desses produtos por um determinado período de tempo ou em 
atendimento a uma prescrição méd ica. 
Seja qual for o tipo, a d ist ribuição correta e racional deve garantir: 
• Rapidez na entrega - o processo de distribu ição deve ser real izado em tempo 
hábil, através d e um cronograma estabelecido, impedindo atrasos e desabasteci -
mentos. 
• Segurança - é a garantia de que os produtos chegarão ao solicitante ou paciente 
nas quantidades corretas e com a q ual idade desejada. 
• Transporte - na esco lha do transporte deve-se considerar as condições adequadas 
de segurança, d istância, tempo da entrega e custos f inanceiros. 
• Sistema de informação e controle eficientes - a distribuição deverá ser sempre 
mon itorada; deve dispor de um sistema de info rmações que prop icie, a qualquer 
momento, rast reabilidad e de produtos fornecidos, dados atua lizados sobre a po-
ARMAZENAMENTO E DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS E PRODUTOS PARA A SAÚDE 121 
Scanned by TapScanner
122 
. . dos estoques, das quantidades recebidas d. 
f
, . e f1nance1ra d e ist .b 
sição 1s1ca 
0 
e demanda de ca a produto, dos estoqu n Uídas 
d d de consum .d d es rná · , 
dos a os d reposição das quant1 a es que foram adqu· .d x.1rnos 
, . do ponto e ' 1r1 as e 
rn1n1mos,_ gerenciamento adequado dos processos envol .d e outras 
. f açoes para um d 1· . - d v1 os 1n orrn ·stir mecanismos e so 1c1taçao e pedidos e d · 
. t s devem ex1 e elab 
• Reg1s ro, .- . formações sobre a transação realizada, contend 0 raçã0 
d " lator1os com in d , o os d 
e re d . stituição· serviço e nome e quem esta fazendo a 
1 
. . adas 
o· non1e a in , , . - so ic1t -
com · . _ d produto _ cod1go, nome, concentraçao, forma fa açao· 
data. descnçao o d rrnacêur , 
' .d d quisitada e quantidade entregue; nome o funcionário ica; 
quant1 a e re , . f - . . que fe 
. . _ . e do funcionaria que ez a separaçao, assinatura do f . z a 
requ1s1çao, nom . 1 . unc1oná . 
b l.c.itação nome do paciente, eito etc. rio 
que rece eu a so i , . . 
. t de entregas - baseado no cronograma de d1str1buição 
• Plane1amen o . . . _ . . · 
f 
-
5 
sobre sistemas de d1str1bu1çao espec1a1s - produtos terrnol 'b . 
• ln ormaçoe . .d d . . a eis e 
d
. tos controlados precisam de cu1 a os espec1a1s, conforme leg· 
1 me 1can1en 1s ação 
vigente. 
Tipos de sistemas de distribuição de medicamentos
4
•
21 
A questão da distribuição de medicam_entos e out~o~ insum~s pelos ~uais é responsá­
vel deve ser uma prioridade para um serviço de farmac1a hospitalar, assim como a busca 
por sistemas e processos que garantam: 
• segurança ao paciente; 
• diminuição dos erros de medicação; 
• racionalização dos processos de distribuição e administração de medicamentos; 
• controle sobre os medicamentos e o acesso do farmacêutico às informações sobre 
o paciente, como: idade, peso, diagnóstico e medicamentos prescritos, que irão 
permitir ao profissional a avaliação da prescrição médica; 
• diminuição dos custos com medicamentos e outros insumos. 
Vários fatores interferem na escolha de um sistema de distribuição de medicamentos, 
sendo os principais: 
• necessidade de supervisão técnica adequada; 
• complexidade do hospital, planta física (tipo de edificação) e fonte mantenedora 
(privado ou público); 
• existência de padronização de medicamentos atualizada; 
• ex~st~nc~a de controle de qualidade de produtos e processos; 
• ex1stenc1a de procedimentos e rotinas bem estruturados. 
Os sistemas de distribuição podem ser divididos em: 
• Sistema de d' t ·b · - 1 nidade • 15 r1 u1çao co etivo ou de estoque descentralizado por u 
assistencial _ os d' - d · t nação ou me icamentos sao distribu ídos por unidade e 1n er -
setores a partir d e 1 · . - f o rmaçao 
d uma so 1c1 taçao ou requ isição da enfermagem, com ª 
e estoques nas unidades ou setores solicitantes. 
PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
• Sistema de distribuição individualizado direto e indireto - os medicamentos 
são dispensados por paciente, geralmente por um período de 24 horas, através 
da transcrição da prescrição médica (Indireto) ou baseada na cópia da prescrição 
médica (Direto). 
• Sistema de distribuição por dose unitária - os medicamentos são dispensados 
por paciente, para um período de 24 horas, contidos em embalagens unitárias, 
conforme horário de administração e prontos para serem administrados, conforme 
a prescrição médica, individualizados e identifi cados para cada paciente. 
• Sistema de distribuição misto ou combinado - neste sistema a farmácia hospi­
talar distribui alguns medicamentos mediante solicitação (radiologia, endoscopia, 
laboratórios) pelo sistema coletivo e outros por cópia da prescrição medica (unida­
des de internação) pelo sistema individualizado. 
Os sistemas de distribuição de medicamentos também podem ser divididos em: 
• Centralizado - o setor de d istribuição está concentrado em uma única área física 
e atende todas as unidades assistenciais. 
• Descentralizado - existe mais de uma unidade de distribuição localizadas em locais 
estratég icos para atendimento de unidades como bloco cirúrgico, pronto atendi­
mento, terapia intensiva e semi-intensiva. São as chamadas farmácias satélites. 
Alguns medicamentos requerem fluxos especiais de distribuição como nutrição pa­
renteral, medicamentos antineoplásicos, misturas endovenosas, medicamentos sujeitos a 
controle especial (psicofármacos), medicamentos de emergências, medicamentos de uso 
restrito, medicamentos para ensaio clínico e dispensação de medicamentos e/ou materiais 
em kits. As instituições devem estabelecer o fluxo mais adequado, dentro das normas e 
legislações vigentes e considerando as necessidades e possibilidades de cada serviço. 
Distribuição e a automação 
Nos últimos anos, cada vez mais tem se utilizado os recursos de informática, como 
a automação, para agilizar e racionalizar as atividades de movimentação de estoque nos 
hospita is. São exemplos desta tecnologia a utilização de código de barras nos produtos e 
equipamentos de dispensação automatizada. 
O uso de equipamentos de distribuição ou dispensação automatizada no processo 
de medicação deve ter como foco a melhoria no cuidado do paciente e racionalização de 
recursos. Dentre os objetivos da utilização destes equipamentos podemos citar: 
• a informação necessária para o uso apropriado do gerenciamento do medicamen­
to e do cuidado ao paciente deve ser precisa, acessível e oportuna; 
• medicamentos apropriados devem estar disponíveis e acessíveis e de acordocom 
as necessidades do paciente, dentro dos controles de segurança; 
• possibilitar a identif icação e minimização dos erros de medicação; 
• o pessoa l envolvido com o processo de uso de medicamentos deve ser consciente, 
cumprir corretamente e de forma produtiva as suas atividades; 
ARMAZENAMENTO E DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS E PRODUTOS PARA A SAÚDE J 23 
Scanned by TapScanner
• 
124 
. . f ·tos com a qualidade e com os serviços de . 
. tes devem ficar sat1s e1 cuida. 
• os pac1en 
dos prestados; . d d 'stribuição de medicamentos; 
. . ·1· . o sistema e 1 , d . rf • facilitar e ag i izar d recursos atraves a inte ace entre os ca . 
. rencian1ento os na1s d 
• n1elhora1 o ge . de distribuição. e 
ressupri1r1ento e o s1sten1a 
b.1. ar por assegurar que o sistema automatizad 
· · d e responsa ' iz o sej 
A fanr1ac1a eve 5 . h uma boa manutenção, de forma a prevenir e ª 
utilizado da forrna plane1ada e ten a rros e 
inten·rupções do sisterna. 
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JH (e1~ ~ 1 
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PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMBIENTE HO 
SPITALAR 
Scanned by TapScanner
Introdução 
Dispensação de Medicamentos e 
Materiais no Centro Cirúrgico 
Vanessa de Cássia Brumatti 
A farmácia hospitalar é uma unidade com finalidade assistencial, técnico-científica e 
administrativa, na qual se desenvolvem atividades ligadas à produção, ao armazenamen­
to, ao controle, à dispensação e à distribuição de medicamentos e correlatos aos setores 
hospitalares 1. 
No início do século XX, o farmacêutico já era tido pela sociedade como referência para 
os assuntos relacionados a medicamentos. Cabia ao farmacêutico hospitalar também a fun­
ção de manipular todos os medicamentos que eram uti lizados no ambiente hospitalar. 
O principa l objetivo da Farmácia é atender o paciente dispensando medicamentos de 
forma segura. Compreende-se desde a seleção até a dispensação, visando à adequada 
utilização nos planos assistencial, econômico, investigativo e docente. O farmacêutico 
tem, portanto, importantes funções clínica, administrativa e de consulta 1. 
Assim, a farmácia hospitalar tem o papel de contribuir para a qualidade da assistência 
prestada ao paciente, promovendo o uso seguro e racional dos medicamentos e correlatos. 
Os materiais médico-hospitalares, juntamente com os medicamentos e os alimentos, 
são responsáveis por mais de 40% dos gastos hospitalares. O elevado custo destes itens 
faz com que seja necessário um gerenciamento seguro e racional2. 
No Brasil, encontramos gerenciando materiais médico-cirúrgicos os mais variados pro­
fissionais, como assistentes de administração com nível de escolaridade de segundo grau, 
administradores, enfermeiras e, em alguns casos, os farmacêuticos2. 
A maior concentração e variedade de materiais médico-hospitalares, também co­
nhecidos como correlatos ou médico-ci rúrgicos, encontra-se estocada nas farmáci as dos 
centros cirúrgicos, onde ocorrem os procedimentos mais específicos, tornando o local um 
grande consumidor destes produtos. 
A lei 5. 991 diz que o termo "correlato " é determinado por: substância, produto, apa­
relho ou acessório não enquadrado como droga, medicamento ou insumo farmacêutico, 
.. 
DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS E MATERIAIS NO CENTRO CIRÚRGICO J 25 
Scanned by TapScanner
. 
1
. d à defesa e à proteção de saúde individual 
1
. - esteja 1ga 0 · , · ou col 
cuJ·0 uso ou ap 1caçao b. ntes ou afins de d1agnost1cos e ana líticos e , etiva 
1 u de an1 ie ' , . , . , . , osrnet· , 
à higiene pessoa o d. téticos, oticos, de acust1ca medica, odontol ' . icos e 
ainda, produtos ie ogicos e 
perfu1nes e, ve. 
teririár·ios3. . 
1 
dos materiais e medicamentos, é aconselháv 
1 uso raciona . . , e ter-
Pa ra tern1os u111 t nda às necessidades das equipes medicas q se urna 
pad1·011ização adequada, que a e ue trabalham 
no hospital. d I' ·cos fechados de equipes médicas que trabalh 
d qua ros c in1 . . arn n . 
Ouan o temos _ f' ·to mais fácil de ser realizada e respeitada. Com · ª 1nsti-
. _ d · açao 1ca rnu1 isso, n- . 
tu1çao, a Pª roniz d . ·ça- 0 de materiais extras. ª0 ha 
. idade e aqu1s1 
grande necess tam quadro clínico aberto, este processo se torna rn . 
1 ·t ·s que apresen ais e 
En1 iospi ª1 , . ·pes médicas diferentes trabalhando no mesmo arnb· ºm-
i' d or l1aver varias equ1 . . . . . 1ente. N 
Pica o, P 
1 
·tal tem de adqu1r1r mater1a1s com a mesma final idade ª 
n1aioria das vezes, o 1osp1 'd d d . , mas de 
1 
diferentes para atender a necess1 a e as diferentes . 
marcas cores e tan1an 1os ' 1 . . equipes 
, . ' b ndo um desgaste nos setores envo v1dos diretamente 
n1ed1cas. Isso aca a gera f , corn o 
bl farmácia a área de compras e a en ermagem, alem de aument 
pro en1a, como a 1
• • _ ar os 
custos referentes a essas aqu1s1çoes. ~ . . 
Outro problen1a encontrado é que sem a ader~~c1a das equ1~es. de saúde, a padro-
. - d ateri·a1·s e medicamentosacaba prop1c1ando, na ma1or1a das vezes 0 n1zaçao e m , uso 
incorreto dos produtos. . _ . . 
Deve-se, portanto, empreender esta padron1zaçao da forma mais eficaz e eficiente 
possível. _ . . . 
Os materiais médico-hospitalares sao sol1c1tados pela equipe de enfermagem pelo 
"apelido" e não pela nomenclatura tradicional. Para que evitemos confusões, esses 
produtos devem ter em sua descrição, no momento da padronização, informações que 
determinem exatamente o que eles são. Assim, o nome dado ao material é de suma 
importância para, inclusive, aumentar a agilidade no atendimento2
. 
Em relação aos medicamentos, as nomenclaturas são mais básicas, o que pode evitar 
confusões. Assim como os materiais, os medicamentos devem ter uma eficiente padroni­
zação, para que não sejam gerados transtornos à equipe médica. 
Centro Cirúrgico 
O centro cirúrgico, juntamente com o centro de terapia intensiva, é considerado um 
setor extremamente crítico para o hospital. Dependendo do porte da instituição, o número 
de salas cirúrgicas varia de quantidade e tamanho. Normalmente, em hospita is de grande 
porte,. t~m-se mais de 1 O salas ci rúrgicas. Pode-se dividi-las quanto ao porte, quanto às 
especi~lidades ~édicas e quanto ao tempo de duração dos procedimentos cirúrgicos. 
Preconiza-se deixar uma sala cirúrgica reservada a situações de emergência. 
_ As cirurgias de pequeno porte, normalmente com menos de duas horas de duração, 
sao consideradas ra' p'd · h · . . d. tos urna , 1 as e, em muitos osp1ta1s, destina-se a estes proce 1men 
area reservada A t t. ·d d te os · ro ª ivi a e para estes casos é bem maior e, consequenternen .' 
estoques de medicam t . . b tecidos en os e mater1a1s devem sempre estar adequados e a as 
corretamente. 
126 / PRÁTICA FARMACÊUTICA NO AMB 
IENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
Ja, em procedimentos cirúrgicos de médio e grande porte t·1 · . . . 
. ~ ~ , u 1 1zam-se mater1a1s mais 
ecíficos e que, em diversos casos, nao tem muita rotatividade Com . I ' d 
esp . d · isso, a em a pre-
ação de se realizar um a equado reabastecimento tambe' m t d 
ocup . . . . ' emas e esta r atentos 
, lidade e à 1ntegr1dade destes rnater1a1s. 
ª vaNo centro cirúrgico, a interação entre as equipes médicas e de apoi·o f 
. ~ . , . - en ermagem, 
farn1ácia, ass1sten~1~ tecn1ca, entre outras - deve ser a mais estreita e clara possível. Há es-
tudos que_ ~xemplificam que .ª ,ch~ga~a de um paciente que será submetido a um proce­
din1ento crrurg1co ao ce.ntro c1rurg1co e sempre precedida da sensação de medo: medo do 
desconhecido, do ambi~nte estranh?, da cirurgia e do seu resultado4. Por isso, situações 
corno a falta de determinado mat~r1al ou atraso de algum integrante da equipe médica 
tornam-se ameaçado,ras para o pacie~te e acabam gerando conflitos e ansiedades - algu­
mas vezes podem at~ ~e.smo, determinar o cancelamento do procedimento cirú rgico4. 
Assim o centro c1rurg1co e uma unidade composta por várias áreas interligadas entre 
si, a fim de prop_or~ionar óti~as cond ições satisfatórias para a real ização do procedimento 
cirúrgico. Const1tu1-se, com isso, uma equipe multidisciplinar dentro do setor,. 
Muito do sucesso desta equipe está relacionado ao reabastecimento e à dispensação 
de materiais e medicamentos utilizados para os procedimentos cirúrgicos. Portanto, é de 
suma importância que tenhamos um eficaz controle de estoque e, consequentemente, 
urna adequada dispensação de materiais e medicamentos, para que não prejudiquemos 
. , . 
o ato c1rurg1co. 
Farmácia do Centro Cirúrgico 
A farmácia, como já mencionado, é responsável pela integridade e pela qualidade dos 
medicamentos e materiais médico-hospitalares, bem como pela distribuição destes para 
as equ ipes que atenderão ao paciente. 
Por ser o centro cirúrgico um setor extremamente crítico dentro do hospital, a farmácia 
deste setor sempre deve estar abastecida e trabalhar de forma que a agilidade seja a 
grande arma para a dispensação, o controle e a cobrança dos materiais e medicamentos 
utilizados nos procedimentos cirúrgicos. 
O grande consumo no centro cirúrgico é o de materiais médico-hospitalares. Temos 
também o de medicamentos, mas de uma forma mais amena e racional. 
Medicamentos 
Medicamentos psicotrópicos 
O maior controle de medicamentos nos centros cirúrgicos é destinado aos produtos 
util izados para a indução e a manutenção da anestesia. . _ . 
Os medicamentos psicotrópicos, como são conhecidos, sao _normalm~nte d1spens~­
dos em kits, 0 que facilita sua dispensação e seu contro!e. Este kit de med1cam~ntos psi­
cotrópicos deve ser montado conforme o perfil do hospital. Se est: f?r um hospital geral, 
o kit deve englobar os psicotrópicos para cirurgias de gr~n~e, med~o _e pequen~ porte, 
além de os diversos tipos de anestesia. Já no caso de hosp1ta1s especiali:ados, 0 kit acaba 
sendo mais específico, e fica mais fácil definir que drogas devem compo-lo. 
DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS E MATERIAIS NO CENTRO CIRÚRGICO 127 
Scanned by TapScanner
' 
128 
. , . os que compõem estes kits são deter . 
Ps1cotrop1c . . _ rn1nad 
O medicamentos . 1 ·stas que trabalham na lnst1tu1çao e conh os Pel 
s . anestesio 091 ' . ecern as 
. s de médicos dem no hospital. o Perf·1 equipe , d. as que aten _ d 1 
d disciplinas me ic psicotrópicos sao monta os e armazenados na f 
as d' arnentos h ar111 • . 
Os kits de me ic r lacrados, para que se ten a o controle do qu f . ac1a do 
. Eles devem se , 1· d e o1 r 
ntro cirL'.1rg1co. A d'spensação correta e rea iza a com a retirada d . eposto 
ce d. nsado. i . . E d o kit d 
está sendo ispe . 1 me' dico anestes1olog1sta. ste eve preencher . a far. 
e · , rg1co pe o urn lllJ 
n1ácia do centro c1ru. d no balcão da farmácia na presença dos funcioná . Pressa 
, prio conferir o kit lacra o . . rios desta e 
pro , . sala de c1rurg1a. 
levá-lo desta forma ª h'd pelo médico deve constar o nome do paciente q f 
. 0 preenc 1 o , . ue ará 
No 1mpress d t a sala em que ocorrera o procedimento, 0 nome d uso 
d. mentos a a a, 1 o anest 
dos me ica , ' d registro no conselho da casse e um campo para ass· e-
. 1 · eu numero e . . . 1natura d 
s10 og1sta , s Ih . 1 e este impresso seja feito em duas vias, para que no rr. o t: aconse ave qu . . , d. '' 'ºillent 
mesm.o. k. d f ácia uma via fique com o me ico e a outra permaneça n f .º 
da retirada do it a arm - a arma-
. ara controle dos kits que estao ~m uso. , . 
eia, P d. t devem ser registrados em ordem alfabet1ca, para facilitar a 
Os me 1camen os _ anota-
- 'd. 0 ve-se ter 0 campo para a anotaçao de quantas ampolas foram t·i· 
çao pelo n1e 1co. e . d f . d . . u 11za-
d 
. do medicamento que quant1da e 01 a m1n1strada - de prefereA nc· das de eterm1na ' 1a ern 
mililitros - e o quanto foi despreza~o daque~e produto. . 
Um controle mais rígido da d1spensaçao destes medicamentos pode ser adotado 
quando 110 impresso houver o ca~po para a assinatura da testemunha d~ .descarte deste 
medicamento, ou seja, o que foi desprezado do produto deve ser ver1f1cado por uma 
testemunha, que deve ser uma pessoa que tenha acomp~nhado o procedimento, como 0 
auxiliar de enfermagem ou a enfermeira, para que, com isto, garanta-se a correta utiliza-
ção do medicamento. . 
Após 0 término do procedimento, e com o impresso completamente preenchido, 0 
anestesiologista deve devolver o kit à farmácia, com todas as ampolas, inclusive as que 
foram utilizadas durante o procedimento. As ampolas com embalagens vazias são habi­
tualmente conhecidas como "cascos vazios". Na devolução dos kits, deve-se proceder 
a conferência na presença do médico anestesiologista, para que não haja divergência 
quanto ao que foi utilizado. 
Outra forma também conhecida para devolução do kit é dispensá-lo lacrado e dentro 
deste colocar um outro lacre, de cor diferente para ser usado após o procedimento, ou 
seja, o médico deslacra o kit para fazer uso dos medicamentos e após o procedimento 
lacra novamente o kit com o outro lacredisponibilizado na caixa. Este procedimento é 
interess_ante, pois garante o que está sendo devolvido para a Farmácia. 
. Apos esta conferência, o kit é reposto lacrado e armazenado para novo uso. Os me­
dicamentos que foram utilizados são cobrados dos pacientes por meio do lançamento 
efetuado pelos auxiliares de farmácia. 
São vantagens deste processo: 
• • 
maior c?ntrole dos medicamentos utilizados pelo médico; . 
• menor 1ndice de d · d d. . , _ d os vazios esv10 os me 1camentos pois ha devoluçao os case 
na farmácia· ' 
1 
• melhor qualid d . d. arnento 
f 
. ª e no controle, inclusive com o testemunho sobre o me ic 
que 01 desprezado. 
PRÁTICA FARMACÊUTICA NO 
AMBIENTE HOSPITAlAR 
Scanned by TapScanner-
São desvantagens deste processo: 
• pode ocor~er ferimentos nos auxil.i~res de farmácia por manipularem os cascos 
vazios. Por isso, recomenda~se a utilização de luvas de proteção; 
• a necessidade da colaboraçao da equipe de enfermagem para garantir 0 testemu­
nho do descarte dos medicamentos; 
• a necessidade d~ ~elaboração dos médicos anestesiologistas para retirar e devol­
ver 0 kit na farmac1a . 
• 
Medicamentos gerais 
Nas salas cirúrgicas, além dos equipamentos que são utilizados nos procedimentos, há 
os carros de medicações. Nestes estão os medicamentos de uso geral que serão utilizados 
durante o procedimento. Normalmente, eles são medicamentos analgésicos, anestésicos 
locais, antieméticos, relaxantes musculares de ação periférica, anti-histamínicos e anti­
inflamatórios. 
O elenco de medicamentos para ser incluído neste processo é definido pela equipe 
de anestesiologista do hospital, que é composta pelos profissionais que mais utilizarão 
estes produtos. Normalmente, a definição é feita por meio do perfil clínico dos pacientes 
e do consumo dos medicamentos em determinado período. 
Com relação à utilização de medicamentos deste "carro de medicações", o aneste­
siologista deve anotar na ficha de anestesia o que está sendo utilizado. Caso seja outro 
profissional médico, a rotina deve ser anotação em relatório de cirurgia. 
Além de medicamentos, também devem ser colocados neste instrumento de trabalho 
os materiais médico-hospitalares utilizados para a entubação - como cânulas - , para o pre­
paro e para a administração de medicamentos - seringas, agulhas e equipes. Da mesma 
forma, este elenco é definido pela equipe de anestesiologistas da instituição. 
Após o término do procedimento cirúrgico, o técnico de enfermagem encaminha o 
carro de medicações para a Farmácia. O auxiliar de farmácia deve real izar o levantamento 
dos medicamentos e materiais que foram utilizados e anotar estas informações em impres­
so próprio, para efetuar a reposição e a cobrança dos mesmos. 
Cabe ao auxiliar de farmácia, além do levantamento do que foi utilizado, também 
realizar a reposição do carro de medicações e mantê-lo lacrado para sua utilização em 
novo procedimento. 
Materiais médico-hospitalares 
Os materiais médico-hospitalares são de suma importância e altamente consumidos 
em um centro cirúrgico. Sabemos que é por meio destes que os médicos realizam os 
procedimentos cirú rgicos. A correta d istribuição desses materiais promove o uso seguro 
e racional para que se possa realizar um procedimento dentro dos padrões de qualidade. 
Assim não há necessidade de se usar" quebra-galhos" diante da falta do produto indicado 
para a rea lização do procedimento2. 
Estes materiais podem ser dispensados pela farmácia do centro cirúrgico de formas 
diferentes. 
DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS E MATERIAIS NO CENTRO CIRÚRGICO 129 
Scanned by TapScanner
Forma geral ,d. -hospitalares por esta forma consiste e 
·ais me ico . , . ~ m se d . 
. sação de maten d tro das salas c1rurg1cas e repo-los confor e1x.ar 
A d1spen ·dade destes en me houv"' 
d quant1 _ -=r a gran e ·r açao. , . 
um .d de após sua ut1 iz f' nas salas cirurg1cas deve atender aos difer necess1 a ' . · que 1cam d . . , entes 
O lenco de mater1a1s . d C m isso, o montante e mater1a1s e diversific d Pro_ 
e - realiza os. o dºf' ·1 1 . a o e e 
d. ntos que serao , . dequada e de 1 1c1 contro e, pois os mate . . . rn ce ime . d E ta forma e ina , . na1s fica 
1 vada quantrda e. , s. a enfermagem, nem a farmac1a conseguem cont 
1 
rn 
e e . medica e nem ro ar o 
à mercê da equip~ . d ' té mesmo desviado. 
que está sendo utiliza ~ ou,ª obrança desses materiais para os hospitais partic 
1 egat1vo e a c . . 
1 
. u ares 
Outro ponto n 
1 
f t·vo da utilização dos mater1a1s pe o paciente. Há tarnb' ' 
- o contro e e e 1 . d . . . , , , em 
Por nao termos d la cirúrgica fica repleta e mater1a1s e, em muitas oc ._ 
d vo quan o a sa , . as1oes 
mais um esagr~ h reclamar da falta de espaço f1s1co e dos transtornos ' 
· éd1cas c egam ª que 
as equipes m dimento. A única vantagem deste processo é que 
0 
núrn . t l rn durante o proce . , , , ,ero 
se 1ns ª ª Ih d farmácia se reduz drasticamente, porem esta diminuição -
d oas traba an o na 
1 
nao 
e pess d d' . que se pode ter com a falta de contro e dos materiais médi condiz com o esper ic10 . - /b f' . co-
. d d salas cirúrgicas. Assim, a relaçao custo ene 1c10 deste proces hospitalares entro as so 
não é a ideal. 
Por Kits 
A dispensação de materiais médico-hos_Pitalares na for~a de kits é a mais adequada 
e utilizada nos dias de hoje. Esta dispensaçao promove maior controle dos estoques, do 
que está sendo enviado para as salas cirúrgicas e do que está sendo cobrado do paciente, 
no caso dos hospitais particulares. 
A definição de como será este kit deve ser feita com base no perfil dos pacientes 
atendidos pelo hospital, no perfil das equipes médicas que atuam no centro cirúrgico e 
também no perfil da farmácia-satélite montada no centro cirúrgico. 
Não adianta montar kits de materiais médico-hospitalares por equipe médica e não 
ter espaço na farmácia para deixá-los montados e prontos para o uso. Deve-se usar o bom 
senso para determinar quais serão estes kits e como eles devem ser utilizados durante o 
processo cirúrgico. 
Kits por especialidades médicas/tipos de cirurgias 
Este.s kits devem. ser definidos por meio do levantamento das especialidades médicas 
que realizam procedimentos cirúrgicos mais rotineiros no hospital. Após este levantamen­
to, elabora-se uma rela - d · · , . para 
çao os mater1a1s medico-hospitalares utilizados em comum os mesmos procediment · ' · · d 
A 1 _ os c1rurg1cos, mesmo que de equipes médicas varia as. . 
re açao dos mate · · , d' h · · equi-
pes méd. _ riais me ico- osp1talares deve ser validada pelas diferentes k' 
icas que farao uso d t . . . - t -se o it 
com os mate · · ' d· es es mater1a1s. Depois de validada a relaçao, mon ª . 
r1a1s me ico-ho . 1 ·ai resis-
tente. Devem s . spita ares, normalmente em caixas plásticas, de maten t 
5 , - e evitar caixas pes d d dºf' . r aciden e 
as pessoas que as utilizam. ª as, e 1 1cil manuseio e que possam causa 
J 30 1 PRATICA FARMACÊUTICA No 
AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
Para cada procedimento, o kit deve ser encaminhado compl t d , 
d . e o e, quan o passivei, a 
·xa deve ser lacra a. A montagern deste kit deve ser feita por um ·1· d f , . 
car _ . aux1 1ar e armac1a e 
Onferida por outro, para que nao ha1a falta ou erro de material incluído sem 'd d 
e · · ' d ' h . necess1 a e . 
Os kits de mater1a1s me 1co- osp1talares devem ser montados n d ' . , 
. o 1a anterior a rea-
lização dos proced1n1entos, para assegura~ q.ue os produtos não falta rão quando forem 
requisitados, 0~ .pelo menos com te.mp~ habrl para que, caso haja falta de material, este 
ssa ser adqu1r1do a tempo da real1zaçao do procedimento. po d. . , . d 
Para proce rmentos cirurgrcos e emergência, deve haver preestabelecido um kit 
básico, no qual devem cor:star os ,materiais médico-hospitalares necessários para iniciar­
se 0 procedimento. Este kit tambem deve ser elaborado pela equipe médica do centro 
cirúrgico. 
Os demais materiais e~senciais para os procedimentos de emergênciasão retirados 
na farmácia , co~f?rme pedrdo dos cirurgiões, e encaminhados para a sala cirúrgica pelo 
auxiliar de farmacra. 
A farmácia do centro cirúrgico pode contar com uma equipe de "circulantes de far­
mácia", que são os auxiliares de farmácia que ficam circulando pelos corredores do centro 
cirúrgico. A qualquer solicitação do médico, o circulante de sala - técnico de enfermagem 
_ solicita ao circulante da farmácia o produto desejado. Os kits podem ser retirados da far­
mácia pelos circulantes de farmácia e encaminhados para as salas cirúrgicas. A distribuição 
dos n1ateriais dentro do campo operatório é realizada pela equipe de enfermagem. Caso o 
hospital não tenha o circulante da farmácia, será o técnico de enfermagem que retirará 
0 kit na farmácia. 
Quando este kit está disponível nas salas cirúrgicas, os materiais ficam distribuídos 
nas mesas de apoio e, conforme há necessidade, o cirurgião solicita estes materiais. Todo 
material utilizado deve ser anotado em impresso próprio, que servirá para repor a caixa e 
promover a cobrança junto ao paciente. 
Quando há a necessidade de um material que não faz parte do kit, o técnico de 
enfermagem o solicita para a farmácia. Todo material solicitado extra, ou seja, que não 
está no kit, deve ser anotado em impresso próprio, para controle de estoque e cobrança 
do produto. 
Ao término do procedimento cirúrgico, o técnico de enfermagem entrega o kit na 
farmácia, para que seja feita a reposição e a cobrança dos itens utilizados. 
Para a farmácia, o controle de estoque se torna muito mais estreito e eficiente, por 
não se ter muitas variedades de materiais, e mesmo com o "circulante da farmácia " seu 
quadro de funcionários não deve sofrer alteração, devido à diminuição do atendimento 
no balcão da farmá cia. 
Com este processo, consegue-se uma melhor qualidade no atendimento, sem, contu­
do, gerar um aumento de custos para a instituição. 
Dispensação por automação 
O · - - venha ser a dispensação de medi-processo de drspensaçao por automaçao, que d , d . d b do 
, · · 1 · d leitura o co 1go e arras camentos e materiais med1co-hosp1ta ares por mero a . . . 
d . , . l'd de dos mater1ars e medicamentos pro uto, vrsa a obtenção de maior segurança e qua ' a 
dispensados. 5 
DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS E MATERIAIS NO CENTRO CIRÚRGICO 131 
Scanned by TapScanner
Vantagem para um centro cirúrgico rna· 
ta como ' 1or ag·i· 
E te sisten1a apresen . te Diante de qualquer eventualidade qu 1 idade 
s do pac1en · . e Poss na 
f h mento da con~~ de-se rastrear sua o rigem e, contatar os forn a Ocorr 
ec a t lizado po . . . 1 1 d .d ecedo er 
11 produto u 1 ' . a tem um custo 1n1c1a a to ev1 o à aqu·is· _ res p::. 
con1 ur s,6 Tal s1stem . . 1çao d 'Ira 
lver 0 problema · . d ·nformação fornecida pelo sistema varia de e Progr 
reso o tipo e 1 . acord a-
s e equipar11entos. de acordo com suas necessidades. o com 
n1a . 
1 
portanto, . 0 
P
orte do hosp1ta e, d , d'go de barras deve registrar o nome do rned· 
b , ico e co i icarn 
Un1 sistema as . nte que fez uso deste produto para, então fa enta, 0 
lote, a validade e qual o pac1e , zero rastrea. 
niento do r11esmo. d ter relatórios que forneçam dados sobre o consu 
. sidade e se . rno do 
Ha a neces b a relação de itens dispensados, o procedimento ci . . s me. 
. a sua co rança, . . f - rurg1co 
d1carnentos, . C ·stema não tenha muitas 1n ormaçoes para serem ai · que 
. ais etc aso o s1 irnentad 
consumiu m . , ·1 facilita toda a rotina do setor. as, 
sso se torna agi e d d 
o proce . e são mais complexos e eman am um tempo maior d 
E · tem srstemas qu - . a eq · 
XIS . ( emplo temos a dispensaçao automatizada dos kits de . Ur-
pe envolvida. orno ex ' rnatenais 
médico-hospitalares. - k. d 1·d 
. 
1 
• dica-hospitalar que compoe o 1t eve ser 1 o em código d b 
Todo mater1a me . _ d 
1 
, . e arras 
. d · tema interno com a ind1caçao o que ne e esta disponível. 
e registra o em s1s . . d 
Para ,, decodificar" 0 código de ba.rras dos mat~r1a1s, po e mos optar entre sistemas 
1 d. ·amente 0 código fornecido pelo fabricante e neste deve constar 0 lot que eem ire . . e e a 
validade do produto a ser utilizado._ E s1stem~s que real1~am o processo "de/para"_ pro-
cesso este que consiste em migrar 1nforma?oes de ~m s1ste~a .externo para um interno, 
ou seja, 0 código de barras do fornecedor e converti.do em cod1go de barras interno. 
Neste último processo, há a necessidade de se etiquetar cada produto para possibilitar 
a sua leitu ra, a qual facilitará a rastreabilidade do produto dispensado. Esta tarefa deman­
da um tempo maior de pessoal, porém ela é necessária para a sequência do processo. 
Todo kit montado para os procedimentos cirúrgicos deve ter uma identificação própria 
como, por exemplo, um número sequencial de montagem. Isso facilita o rastreamento dos 
produtos constantes nele. 
Quando se solicita o uso do kit, fica registrada no sistema a identificação do auxiliar 
de farmácia que o está dispensando, a identificação da pessoa que está retirando o kit, a 
identificação do paciente, o número da sala cirúrgica, a identificação do cirurgião e a data. 
Todas estas informações estão ligadas ao número do kit dispensado. Com estes dados 
consegue-se real izar a rastreabilidade dos produtos. 
Se houver necessidade de algum material extra na sala, o técnico de enfermagem, 
conhecido também como circulante, deve retirá-lo na farmácia e seguir os mesmos passos 
descritos anteriormente, o que acarreta em um tempo maior para retirada. Estes materiais 
tamb~~ deverão ser ligados ao número do kit montado, pois na devolução todos 0~ 
ma.tenais restantes vêm dentro da mesma caixa, o que dificulta a identificação do que foi 
retirado no balcão e do que foi já montado no kit. 
P~ra que eles sejam ligados ao número do kit, o sistema deve permitir a inclusão deste 
matenal por meio de uma "janela". 
Após seu uso 0 k't · d 1 ·d f , . . 
1 
d se preen-
h ' / e evo v1 o na armac1a pelo circulante da sa a, e eve- .. 
e er todos os campo d . . d rnatenars. 
E t . f _ 5 0 sistema com as informações relativas ao retorno os -
s as in ormaçoes sã 1 d d' pensaçao 
do kit. 0 comp ementares aos dados inseridos no momento a 15 
132 PRÁTICA FARMACÊUTICA NO 
AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
os 
Leem-se, então, os materiais devolvidos ut·1· d , 
, ' izan o-se o cod d b 
e tiverem sido consumidos e, conscqLientement _ igo e arras. Aqueles 
qu e, nao retornarem a f · - 1 
çados aut~n1aticame11 te na cont~ do paciente. armac1a, sao an-
Este kit e colocado em un1a area de remontagem . 
itens que faltan1, e todo o processo é iniciado novam~~t:a que se1am acrescidos a ele os 
São vantagens deste processo: 
• 0 rastrea111ento dos materiais médico hosp·t 1 d 
dura11te o procedimento; -
1 ª ares e os medicamentos, mesmo 
• a agilidade da dispensação dos produtos; 
• a agilidade da liberação de contas para 0 f t 
ticulares; a uramento, no caso de hospitais par-
• o n1elhor gere11ciamento do estoque 1·á que nã d d d - · 
1 1 
. . · o se epen e a marcaçao em im-
presso n1anua , pe o aux1l1ar de farmácia do que e t ' d d ' d -
. . . . , , s a sen o 1spensa o no balcao 
e ate mesmo nos k'.ts de mater1a1s medico-hospitalares; 
• a nielhora do relacionamento com a equipe de enfe ·1· 
d
. t rmagem, por agi 1zar o aten-
1men o; 
• a maior confiabilidade no processo. 
São desvantagens deste processo: 
• seu alto custo de implantação; 
• a necessidade de um número maior de funcionários no setor de farmácia caso 0 
sistema montado solicite muitas informações; ' 
• a menor agilidade no caso de sistemas complexos; 
• a menor aderência da equipe de enfermagem, caso o processo não tenha agili­
dade. 
Em resumo, a automação da farmácia do centro cirúrgico é um processo vantajoso, 
visto que este é um setor que exige agilidade de atendimento, além de gerenciamento 
de estoque claro e correto. Devemos, pois, buscar sempre a melhoria da qualidade de 
serviço fornecido. 
Materiaismédico-hospitalares consignados 
Mesmo tendo uma gama muito grande de materiais médico-hospitalares padron iza­
dos no hospital, há ainda materiais que são solicitados por meio de consignação junto aos 
fornecedores externos. 
Consignar um material é solicitá-lo ao fornecedor. Caso haja consumo, deve-se pagar 
por ele. No entanto, se o produto não for utilizado, pode-se devolvê-lo a cust o zero. 
Os materiais médico-hospitalares consignados são aqueles de alto valor e com consumo 
extremamente pequeno, ou até mesmo que são utilizados somente para proced imentos 
cirúrgicos específicos. Quando há a necessidade da utilização de um material como este, o 
cirurgião deve solici tá-lo com antecedência, de preferência no mínimo com 48 horas, para 
que possamos adquiri-lo da r11elhor forma . No hospital, deve haver um setor específ ico 
para este processo, setor este de responsabilidade do serviço de farmácia. 
DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS E MATERIAIS NO CENTRO CIRÚRGICO 133 
Scanned by TapScanner
. . 0 ci rurgião deve preencher adequadarnent 
n1atena1s, d . . e tod 
querer estes ste deve ter uas vias, com as 1nforrnaçõ os os 
Para re interno, e e . ·- es refer 
de un1 impresso ·mpresso o c1rurg1ao se compromete a dev 1 entes 
can1pos . . dos Neste i d . o Ver os 
d tos requ1s1ta ·. _ , tegras para o setor e consignados, para ma_ 
aos P'º u . d em cond1çoes in que este 
tenars solicita os , os 
.t a ao fornecedor. . . - deve permanecer anexa ao prontuario e a 
rest1 u d t solic1taçao . _ ' outra d 
Unia das vias es a sável pela solic1taçao. eve 
. d setor respon . . ,.. 1 
ficar arquiva a no . - de mater1a1s que tem um consumo regu ar no hosp·t 1 
b
, cons1gnaçao _ . . 1 a p 
Ha tan1 en• a los mais comuns sao os mater1a1s para cirurgias v·d ' O-
I 1 r Os exemp h . 1 eolap 
rén1 são de a to va o . 1 ·a entre outros. Para os c amados materiais con . a-
. s de 11euro 091 , . . . . s19nad 
roscop1cas, cirurgia 
1 
d ser ainda mais ef1c1ente e rigoroso, pois eles ficarn os 
contro e eve . d f , · sob a 
pern1anentes, 0 . _ . eci fi camente do serviço e armac1a, que respond , 
arda da insti tu1çao, n1a1s esp _ . d d era por 
gu , . ou conservaçao ina equa a. 
qualquer e tr avio d -se realizar inventários constantes, com período deterrn· d 
p stes casos, evem , . ,.. b ' . ina o 
ara e .d d d setor Tais inventarias tem como o Jet1vo controlar se 0 est 
f e necess1 a e o · ,.. . f. . oque 
con orm f rnecedora é ident1co ao que se tem 1s1camente nas pratelei 
d · do pela ernpresa o f ras. 
ei ª . _ d tes produtos deve ser feita da mesma orma que a dos demais 
A dispensaçao es . , . rna-
. 
1 
. 0 preenchimento de impresso propr10 para a cobrança e 0 contrai 
tenars, 1nc us1ve com e 
de estoque adequado. 
Recuperação pós-anestésica 
Quando 0 paciente é submetido aos procedimentos cirúrgicos - exceto procedimen­
tos cirúrgicos ambulatoriais-, é necessário que ele permaneça sob os cuidados da equipe 
de enfermagem do centro cirúrgico antes de ser encaminhado para o leito de origem. 
Este setor é conhecido como recuperação pós-anestésica (RPA) ou, atualmente, como 
recuperação anestésica (RA). O paciente permanece neste setor para recuperar-se da 
anestesia a que foi submetido na realização do procedimento. 
Diante disso, em muitos casos, o paciente necessita fazer uso de medicamentos para 
a sua pronta recuperação. Por isso, há estoques pequenos neste setor, tanto de medica­
mentos como de materiais médico-hospitalares, conhecidos como "reserva", para uso 
imediato do paciente. 
Nestes estoques, não há medicamentos psicotrópicos. Há uma parceria entre estes 
setores, a enfermagem, os médicos plantonistas - normalmente anestesiologistas - e a 
farmácia .. º~ estoques ficam sob a responsabilidade da equipe de enfermagem. 
O medico plantonista do setor prescreve o medicamento. A enfermagem procura 
0 produto na reserva e, caso não o encontre, retira-o da farmácia do centro cirúrgico -
nor~almente ele está registrado na prescrição médica, porém há instituições em q~e ª 
equipe de e~f:rmagem retira os medicamentos após transcrição para impresso próprio. 
Af reposiçao da reserva que fica disponível na RA deve ser feita por turnos, em qu~ 
ª en errnagem transcreve · · · med1-para impresso interno o que foi utilizado no paciente -
camento e material · h , ' · que 
P 
·d . - e encamin a este documento para a farmácia. E a farmacra 
rov1 enc1a a reposição. 
Se há necessidade da r t. d d . . caminha 
à farmácia · e ira a e medicamento Psicotrópicos, a enfermeira en t 
o impresso para ret· d d h'd . ntamen e 
ira a e medicamentos controlados preenc 1 0 JU 
134 PRÁTICA FARMACtUTICA 
NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
' 
com a prescrição médica para a conferência do que foi prescrito. Neste setor, também é 
necessária uma testemunha p~r.a o descarte ?os medicamentos psicotrópicos. 
A cobrança dest.e~ ~ater1a1s e dos medicamentos aos pacientes deve ser fe ita pela 
farmácia do centro c1rurg 1co. . . 
Sabe-se qu~ este pr~c~sso facd1t~ o extravio e a perda de medicamentos e materiais, 
porém, em muitos hosp1ta1s, ~ ~ nao se localiza próxima à farmácia, 0 que dificulta a 
retirada dos produtos na farmac1a pela equipe de enfermagem. 
Deve-se lembrar q~e a reserva que f,ic~ no setor da RA deve ser a menor possível e aten­
da à demanda dos pacientes de forma agi! e com garantia de qualidade de assistência. 
conclusão 
A farmácia do centro cirúrgico exerce uma função extremamente crítica, que não pode 
apresentar deslizes ou erros, para não colocar em risco a vida dos pacientes envolvidos 
no processo. 
A d ispensação ideal para os medicamentos e materiais médico-hospitalares deve ser 
a que apresenta melhor gerenciamento do estoque, melhor confiabil idade no processo, 
melhor agilidade e melhor qua lidade e segurança no atendimento. 
As dispensações em forma de kits e com automação do processo são as mais ind i­
cadas, visto que apresentam as vantagens descritas anteriormente e também auxiliam o 
melhor desempenho da assistência de enfermagem em relação ao paciente. 
Em resumo, a farmácia do centro cirúrgico exerce um papel fundamental para a qua­
lidade de serviço oferecido ao paciente e, por este motivo, seu gerenciamento deve ser 
feito com extremo cuidado e qualidade, visando sempre à otimização do tempo e do 
custo, sem perder a excelência de qualidade do serviço oferecido. 
Referências Bibliográficas 
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hospita lgera 1. com. br 
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2004]. Disponível em: http//www.fen.ufg .br . . . . . 
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[Acessado em maio 2004]. Disponível em: http//www.saudebusinessweb.com .br . 
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Disponível em: http//www. sa udebusi nessweb. com. br 
DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS E MATERIAIS NO CENTRO CIRÚRGICO 135 
Scanned by TapScanner
Introdução* 
Automação no Processo 
de Uso do Medicamento 
Nilson Gonçalves Malta 
Há poucos anos o assunto mais discutido dentro dos fóruns farmacêuticos da área 
hospitalar era sem dúvida nenhuma a dose unitária. O sistema de distribuição de me­
dicamentos por dose unitária (SOMOU), desenvolvido com base em novos e avançados 
conceitos em Farmácia Hospitalar, durante os anos de 1950 e início dos 1960 nos Estados 
Unidos, é ainda de alta importância no âmbito nacional e encontra imenso espaço a ser 
preenchido. Neste mesmo período, nos Estados Unidos, também se iniciaram as primeiras 
atividades clínicas do profissional farmacêutico 1. No entanto, o SOMOU, mesmo sendo 
praticamente unanimidade comoum dos sistemas mais seguros para a dispensação de 
medicamentos, e nem ter sido implantado na maior parte dos hospitais brasileiros, os 
avanços da tecnologia da informação e a redução dos seus custos coloca novos conceitos 
a serem d iscutidos. A tecnologia vem revolucionando todas as áreas da nossa sociedade, 
invadindo nosso cotidiano e não é de se surpreender que os farmacêuticos não venham a 
ser envolvidos e questionados. 
Para alimentar esta argumentação, no contexto mais amplo do setor hospitalar, 
diversas entidades certificadoras de qualidade do setor propõem Standards de segu­
rança, para os quais, o uso da tecnologia é imprescindível. Atua lmente são d iversos os 
hospitais que, na busca da excelência e de diferenciação no mercado, buscam certifi­
cações como a Joint Commission /nternationa/ª, Organização Nacional de Acreditação 
*. Neste capítulo são mencionadas diversas marcas de ~rodutos disponív~is no ~ercado. É. i ~portante 
destacar a ausência de interesses ou benefícios comerciais. A citação tem a mera 1ntençao de contribuir com os 
colegas profissionais na busca de produtos para as suas atividades. . . . 
a. A Joint Commission /ternational é a divisão inte rnacional da Jo1nt Comm1ss1on Resources que traba-
lha com organizações de saúde, ministérios da saúde e organizações globais em mais. de 80 país·e·s d:_sde 
1994. Com foco na segurança do cuidado ao paciente, atua através da provisão de serviços, d~ cert1f1.ca.çao e 
acreditação. (www.jointcommissioninternational.org). No Brasil, atua conjuntamente ao Consorcio Brasileiro de 
Acreditação (CBA) (www.cbacred.org .br). 
AUTOMAÇÃO NO PROCESSO DE USO DO MEDICAMENTO ] J 7 
Scanned by TapScanner
. . Canadacl, entre outras. O lnstitute of M d' . 
r A red1tat1011 . e icine (1 
NA)b ISO 9000 , cc t. ção de processos como meio para se evita Otvie) 
(O ' d a informa rza e r erros 
t n1bén1 recon1en a fonte de segurar1ça. e efej. 
a dversos2, en1 resu rno, 1·d de vemos que, apesar desta conjuntura tos a 0 5 a rea 1 a , . . , os ho . 
Mas se encarar rn .. d d li Diante deste panorama, quais seriam as dific ld sp1tais 
11 f a cri r a es · 1 , · u ad 
tão longe destas 0 com a evolução tecno 091ca em seus proc es dos 
es 111 compass . ,, essas? N 
hospitais en1 entrar e . t todas as camadas da sociedade tem acesso a . urn 
Prat1can1en e ,, . f. d 'f ' .1 celula 
Período em que . . et ca ixas eletron1cos, 1ca 1 1c1 encontrar um res, 
ssoais 1ntern , , a resp 
con1putadores pe ' amentos médicos certamente evolu1ram e estão 0 sta 
tão Os equ1p . . . , . em pi 
clara ~ara .ª ques Mas estes recursos que aux1l1am o d1agnost1co e. o tratamento af ena 
uso ha rnuitos anos.d ·stema muito elaborado, talvez dos mais complexo etarn 
rte e um s1 s seta 
apenas uma Pª d. . ontos frágeis e passíveis de erros. res 
. t s e coin 1ve1 sos P . 
exrsten e ', . d d sastre aéreo são sempre chocantes, pois muitas vidas s 
As not1c1as e um e . , . · · f · em per-
, . . t Com isso a 1ndustr1a aeronaut1ca 01 uma das prime· 
dem num un1co instan e. ' h . . . iras a se 
1 . ente na busca da segurança. E os osp1ta1s, lidando com .1h. 
aprimorar tecno og1cam - d . m1 oes 
. d. . te ao redor do mundo, nao carece este impulso? Oua is as med·d 
de vidas 1ar1amen , . . I - . 1 as 
d t d S? No contexto da Farmac1a Hosp1ta ar, sao muitos os pontos a 
poden1 ser a o a a · , . , . ,, . serem 
.d d o ue temos dispon1vel Jª hoje? Oual o papel do farmaceut1co? cons1 era os. q . . _ 
N t capítulo temos 0 intuito em ajudar os nossos colegas de prof1ssao a entend 
es e , . e d 1 . , b er 
as tecnologias e como atuar neste novo cenar1~. a a t~cno ?g1a e a ordada com infor-
mações específicas. Por isso, recomenda.mos a1n~a a leitura integral do capítulo, pois a 
visão global facilita 0 entendimento da 1ntegraçao entre todos os. recursos disponíveis. 
Certamente não cobrimos todos os aspectos nem todas as tecnologias e marcas, mas cre­
mos que já se poderá tirar proveito para a formação da opinião e como conduzir projetos 
seguros focados na missão de sua organização. 
Para quem vier a se assustar com as diversas possibilidades e complexidades dos 
processos propostos cabe um estímulo. Entidades que buscam a certificação da Joint 
Commission já vivenciam a ava liação através de elementos de performance como "ge­
renciamento da informação", em que o uso de sistemas é est imulado. A partir deste 
ponto, é interessante observar que organizações certificadas, e notadamente pela Joint 
Commision, há maior nível de satisfação entre os usuários administradores, apesar dos 
diversos requisitos exigidos pelos processos de acreditação e re-acreditação3, gerando o 
que parece ser um ciclo retroalimentado de satisfação. 
. ?· A ONA é uma organização não governamental com abrangência de atuação nacional, que tem por 
objetivo geral, promover a implantação de um processo permanente e de certificação dos serviços de saúde 
(ww\v.ona.org.br). 
e. ISO 9000 - Grupo de n t , · ·d d . _ ormas ecn1cas que estabelecem um modelo de gestão de qualr a e para 
organ1zaçoes em geral qual · . · 1 
O . . 1 ' quer que se1a o seu tipo ou tamanho A organização que significa lnternationa 
rga n1zat1on 1or Stand d ' t' · · ·1 
normas ISO são ar iza 'º~ ~eve ongem na Suíça em 1947 e está presente em 161 países. No Brasr as 
d a~rupadas na sena de normas ABNT NBR ISO 9000·2000 ( . ) . A Accreditat' C d . • , . . www.1so.org . . 
Accreditation · ton ~na .ª' antigamente conhecida como Canadian Council on Health Servi~es 
. , e uma organ1zaçao inde d . , e ada e 
internacionalmente ( . . pen ente sem fins lucrativos, avalia serviços de saude no an 
O 
www.accred1tat1on ca) e 1 · · · 
. nstrtute of Medicine (IOM) é . - - amen-
tal, uma das Academias N . . uma organrzaçao norte-americana sem fins lucrativos, nao govern . . 
5 d 1 ac1ona1s dos E t d U . , . 1 d C1enc1a 
aque e mesmo país (ww · s ª os n1dos e, desde 1970 parte da Academia Nac1ona e 
w.1om.edu). 
J 38 PRÁTICA FARMACÊUTICA NO 
AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
A Necessidade de Segurança 
Segundo estudos da Associação Americana .d.e Hospitais e outro conduzido por David 
Philips e levantados pelo o .IOM em seu relator10 To Err is Human, em 1999, cerca de 
98 OOO pessoas morrem devido a erros médicos e cerca de 7 000 un · t 
· _ , · d f · 1camen e por erros 
de medic~çao 4 
· Eni estati~ti~a ° CDC, neste n:iesmo relatório, concluía-se que mais pes-
soas morriam por erros medicos do que por acidentes automobilísticos. Embora 1 O anos 
tenham se passado, estes~dad.os alar~am e nos põem em atenção em relação à qualidade 
do serviço prestado em ~m~ito naci~nal. Os custos decorrentes dos erros seguiam em 
estimativa entre 17 e 29 brlhoes de dolares americanos anuais. Os erros de medicação em 
relatório mais recente do IOM contavam, em 2006, com uma estimativa anual de 400.000 
eventos (ADE - adverse drug event), com consequente custo de 3,5 bilhões de dólares 
anuais5
. 
Com dados tão assustadores, levantou-se no país uma onda de investimentos em 
qualidade, havendo uma procura mais intensa das instituições pelas certificações e apli­
cação de padrões que atentassem para a segurança do paciente. Além das entidades já 
mencionadas, ainda podemos contar com o ISMP9 (lnstitute for Safe Medication Practices) 
que auxilia na elaboração de programas e Standards, o IHlh, que contribui com ações, 
corno o "5 Million Lives Campaign" e com o Leapfrog Groupi entre outras. 
Na sociedade, de forma geral, a demanda por tecnologia é uma realidade e com 
finalidade baseada no conforto e entretenimento. Na Farmácia Hospitalar, veremos que 
uma das formas propostas para alcançar altos níveis de segurança é a adoção de sistemas 
informatizados e automatizados. Percebendo que a sociedade já está adaptada a esta 
nova realidade, colocamos este assunto em discussão com o intuito de dirimir dúvidas a 
respeito dos custos e complexidade das soluções ~repostas. A ~ad~ l~i~or cabe formar 
juízo a respeito das soluçõese propor a melhor opçao para a sua 1nst1tu'.çao. . _ 
No diagrama a seguir (Fig. 14.1 ), expomos uma proposta do uso da 1nformat1zaçao na 
Farmácia Hospitalar como meio para a segurança de processos e a redução de custos. 
I d P t . n (CDC) é a principal agência Americana de prevenção e f. Centers for Desease Contra an reven 10 
promoção de saúde públ ica (www.cdc.gov). , . - a- o governamental sem fins lucrativos, 
. . p t . (ISMP) e uma organ1zaçao n 
g. lnstitue for Safe Med1cat1on rac ices - d erros de medicação e o uso seguro 
. . . . d 1 · nte para a prevençao e original dos Estados Unidos, dedica a exc us1vame 
de medicamentos (www.ismp.org). . _ ·nde endente sem fins lucrativos que ajuda no 
h. lnstitute for Healthcare lmprovement (IHI), organizaçao 1 P .h. ) 
. d d ' d t do o mundo (www.1 i.org. 
comando de melhorias no c,u1da o a sau e em 0 
. formado or grandes empresas que buscam na 
1. O Leapfrog Group e um programa norte-americano . f da assistência de saúde (www.leap 
promoção de programas de qual idade uma forma de reduzir os cus os 
froggroup.org). 
AUTOMAÇÃO NO PROCESSO DE USO DO MEDICAMENTO 139 
J 
Scanned by TapScanner
~ 
Processos 
Informatizados 
--
Fig. 14. 1 - 01agran1a da segurança. 
Segurança e 
Qualidad e 
Redução 
d e Custos 
Resultados Esperados da Automação no Ciclo do Uso 
do Medicamento dentro do Hospital 
Neste tópico contemplamos os resultados da implantação de diferentes tecnol . . . agias 
em todos os passos do medicamento a partir do momento em que o medicamento . 
recebido. Especificamente na Farm~cia Hospitalar, em cada setor, existem tecnologia: 
disponíveis que podem atender a diferentes resultados esperados. Todos os benefícios 
listados convergem para um único foco de interesse: 
• Aumento da segurança nos processos do uso do medicamento. 
• Redução do erro de medicação. 
A seguir listaremos uma série de benefícios esperados. Cada um deles provém de 
soluções particulares e serão discutidos em tópico posterior. 
• Maior segurança na prescrição médica. 
• Agilização de processos na farmácia (aumento de produtividade). 
• Redução de erros nos setores da farmácia: 
- no Recebimento; 
- na Movimentação interna de estoque com consequente estoque mais preciso 
com redução de desperdícios; 
- na Dispensação. 
• Melhoria na gestão de compras. 
• Gara~tia dos cinco certos na administração de medicamentos: 
- paciente certo; 
- medicamento certo· 
1 
- dose certa · 
1 
- horário certo· 
I . 
- via certa. 
140 I PRÁTICA FARMACÊUTICA NO 
AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
• Rastreabilidade do medicamento. 
• Simplificação e maior eficiência no controle de v . 
• Redução de custo com mão-de-obrai. alidades. 
• Liberação do farmacêutico para atividad I' . 
d 
. . es c 1n1cas 
• Alcance os requ1s1tos de qualidade pa b _ · ra o tençao de certificações. 
0 que Automatizar? 
Praticamente todos os processos são auto t. , . . . ma izave1s no c1cl d d' 
do hospital6. Existem tecnologias mais simples , . 
0 0 
me 1camento dentro , e acess1ve1s em ter f' . 
niais caras. A segurança e a proposta para tod 
1 
mos 1nance1ros e outras , . as e as mas há 1 
benef1c10 apresenta retorno mais imediato. ' aque as em que o custo-
Listamos a seguir os processos que merece t -ma ençao: 
, . 
Na tarmac1a: 
• Movimentação de estoque: 
- Recebimento; 
- Armazenamento; 
- Transferências internas· I 
- Dispensação. 
• Unitarização; 
• Distribuição; 
• Devolucões. 
~ 
Par~ cada um dos pontos existem mais de uma solução. Em alguns momentos elas se 
sobrepoem ou mesmo se completam. 
Fora da farmácia: 
• Prescrição. 
• Checagem de medicamentos. 
Requerimentos Gerais para Implantação de Automação de Modo Seguro -
Planejamento e Infraestrutura 
Parte das recomendações tratadas são, no âmbito da Farmácia Hospitalar, recomen­
dadas pela Associação Americana de Farmacêuticos no Sistema de Saúde (ASHP)
7
. De 
maneira geral, no hospital, a Joint Commission emitiu Alerta de Evento Sentinela com 
. j. A redução de custos com a mão-de-obra é um resultado que pode ser obtido, porém não é necessa-
narnente f' · 1 · f. . . o 1m a ser alcançado. Por vezes existem administrações que erroneamente v1sua 1zam este 1m como 
d
o ~bjet~vo principal, mas acabam sendo frustrados. Determinadas tecnologias dispensam ª mão-de-obra em 
eterm1 d · . f · · na as at1v1dades, mas geram necessidades paralelas que acabam por absorver os pro iss1ona1s 
em outra N · d h 't 1 s. estes casos, o resu ltado esperado poderá ser mais amplo quanto maior o porte 
0 
ospi ª · 
AUTOMAÇÃO NO PROCESSO DE USO DO MEDICAMENTO 141 
Scanned by TapScanner
. _ ·mplantação segura em informação em saúde e tecnol . 
or1entaçoes para a 1 , 1 og1as e 
. d ·s sãoapresentadas neste cap1tu o. onverg 
tessª muitas as quai eri. 
' . . - 0 e automação dos processos podem conquistar 0 pi . 
A 1nformat1zaça .d d , . ane1arn 
. . d hospitalares, mas requerem cu1 a os espec1f1cos. Embora 
1 
enta do 
adm1n1stra ores , . H · 1 I ' a guns s 
. . d ' t mente somente a Farmac1a osp1ta ar e a promovam a . prace 
sos at1n1am ire a . d maior p s-
h d as áreas devem ser considera as num plano de ação instit . ªrte das 
gan os, to as . uc1ona1 . 
_ t madas tenham sempre em vista a segurança do paciente 0 1 
. · Ainda 
que as açoes o . . ~ . d ' ' P ane1a 
. , . ortante para se evitar res1stenc1a ou 1versos outros tipos d rnento 
con1unto e 1mp . . e probl 
P t d acordo com 0 processo a ser automatizado, o envolvimento de , eíllas. 
ortan o, e . _ f areas e 
1 
· da ·1nformação engenharia de manutençao, en ermagem e corpo 
1
• . ªrno 
tecno og1a 1 e 1n1co é f 
1 
Un-
da menta . 
Se 0 produto proposto for um software de mercado, a escolha deve envolv 
· d d d 1 · · · er todas a 
áreas usuárias. Se houver a necess1da e e esenvo v1mento, a especificação té . s 
d. .d d t - d f cn1ca do 
Produto deve ser cuidadosamente 1scut1 a antes a con rataçao a ábrica de s ft 
· 1 · · p 0 Wares ou envio para a equipe de desenvo v1mento interno. ara um orçamento bem f . 
d d d . d eito a 
descrição de todos os aspectos do processo e o pro uto eseJa o deve ser detalh d' 
clara. o levantamento de possíveis ~nterfaces ~om outros sistemas preexistentes ta~b:~ 
é crucial para que todo 0 novo conjunto de sistemas se converse de maneira eficien 
sem erros. Se algo ficar de fora, funcionalidades adicionais estarão sempre sujeitas a se~e e 
tratadas como fora de escopo e haverá a necessidade de aditivos de contrato Muda ern . . . · nças 
importantes no projeto or1g1nal podem comprometer o orçamento e prazo previstos 
tornando-se pontos críticos. Mesmo que o desenvolvimento seja feito "em casa", atraso~ 
e modificações comprometem o andamento de outros projetos, custos e o cronograma 
institucional. Caso o produto seja um equipamento, as orientações são basicamente as 
mesmas. De forma geral, o que se deve ter atenção é em relação à formação de grupos 
de avaliação e estudos que envolvam o maior número de representantes de cada área 
1 
com conhecimentos bastante profundos de seu processo. Por fim, independentemente 
do projeto, cabem ainda os testes prévios à implantação. Certamente esta é a parte me­
nos "prazerosa", mas extremamente delicada. Testes mal conduzidos podem resultar em 
problemas graves. Enquanto em testes, a correção pode ser planejada e realizada com 
segurança. Em produção, erros têm consequências e impactos de proporções imprevisí­
veis. Correções de urgência neste momento podem causar muito stress e mais erros. Sob 
pressão a condução do momento de crise é bastante dificultada. Portanto, também fica 
claro que planos de contingência devem ser muito bem elaborados prevendo qualquer 
coisa que possa dar errado. Com alta importância no projeto, e outra chave para o seu 
sucesso, temos a preparação e a execução do treinamento. E é relevante considerar que 
o treinamento e a aceitação não começam na sa la de aula. Trabalhos prévios de cons­
cientização são vitais para que os usuários nãotemam quanto a mudanças em rotinas e 
processos, um dos maiores medos percebidos nas instituições. O momento da ativação 
dos sistemas, na área de TI, são conhecidos como Go-Live. 
Uma vez "no ar" o trabalho apenas começou. Na vivência de projetos em tecnologi~ 
vê-se praticamente a obrigatoriedade de treinamento contínuo. Caso contrá rio, expecta:i­
vas iniciais de resultados de performance relacionados à precisão e à segurança poderao 
ser grandemente frustradas. 
Em implantações de equipamentos deve se levar em conta também as necessidadels 
1 d vo-
específicas de cada produto. Os aspectos são diversos. As limitações para 0 esen 
J 42 PRÁTICA FARMACÊUTIC.A NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
·rnento de determinados projetos recaem até mesmo sob . 
v1 d , d . . . re a arquitetura das áreas do 
hospital. Em casos e pre 1os mais antigos, as transformaçõ d . 
1
. d , d es po em ser importantes 
Devem ser ana isa as areas a equadas para a colocação do . . _ · 
d d d 
s equipamentos 1nstalaçoes 
de pontos de re e, toma as e emergência e tomadas com n b k 'd . . . _ o- rea , toma as de 360 
volts, ar compr1~'.do , antenas p~ra ~ransm1ssao de radiofrequência ou redes Wi-F1®k. 
A cada espec1e de tecnologia ainda cabem orientações es 'f. G d _ _ . pec1 1cas. ran e parte dos 
equipamentos de automaçao nao possui representantes no mercado nacional. Quando 
isso ocorre'. os fornecedore~ se con:prometem a formar uma equipe de manutenção entre 
P
rofissionais da empresa cliente. Diante deste fato 0 envolvi·mento d d 
_ , A • 
/ e pessoas e manu-
tençao com elevado n1vel de competenc1a e comprometi·mento , , · E e necessar10. m outra 
situaçã?, ainda que ~aven~o manutenção contratada do próprio fornecedor, em casos de 
urgência, haver alguem treinado para estes eventos é recomendado. 
Como se ~od.e ~o-tar, a adoção de novas tecnologias não nasce de uma simples von­
tade. A cada 1nstitui_çª.º cabe tomar o passo mais adequado à sua realidade, diante do 
pla.nejamento es~rateg1c? da orga~ização, à maturidade já existente nas rot inas, processos 
e sistemas das diversas areas e acima de tudo tendo em vista a segurança do paciente. 
Outras Recomendações para a Automação em Bases Seguras 
Como mencionamos no tópico sobre o que automatizar, dividimos a automação no 
processo de uso do medicamento e duas "faces". Uma dentro e outra fora da farmácia. 
Neste processo de escolha de tecnologias, existem aquelas que recomendados como 
pontos de partida. A estruturação de um processo de dispensação seguro é o primeiro a 
se propor. O SDMDU, como já comentado, é o processo mais difundido e conceituado9·1º. 
Porém, como garantir a dispensação correta sem ferramentas adequadas? A prescrição 
pode ser manuscrita e perfeitamente legível, mas se o processo da farmácia for meramen­
te manual, temos um ponto frágil que oferece um grande risco. Por outro lado, mesmo 
havendo sistema de prescrição eletrônica, se não houver integração desta com o sistema 
de dispensação da farmácia, incorre-se no mesmo erro. 
Portanto, as bases recomendadas para o processo partem da instalação de um sim­
ples sistema de prescrição eletrônica, integrado ao sistema da farmácia e com o estoque 
controlado através da dispensação com código de barras. Neste fluxo fecha-se um ciclo, 
em que devem estar previstos ao menos bloqueios de dispensação de itens incorretos e 
em quantidades incorretas. Controle por código de barras de modo isolado na farmácia, 
sem integração, pode ser no máximo seguro para o controle de estoque, mas continua 
sendo risco para o paciente. Por fim, neste processo ainda temos de expor a necessida­
de da aprovação da prescrição médica pelo profissional farmacêutico. Standard da Joint 
Commisison /nternational (MMU .5.1) 11, esta recomendação parte do princípio de que, 
mesmo com prescrição eletrônica e dispensação integradas, poder-se-á dispensar errado, 
pois a prescrição não foi avaliada quanto à sua correção. Hospitais que não cumpram com 
este Standard podem receber uma recomendação do tipo 1
1
. 
k. Wi-Fi é marca registrada da Wi-Fi Alliance, organização não governamental formada em 19?? Pª!ª 
certificar a interoperabilidade d e produtos para redes LAN (Local Area Network) baseados na especrfrcaçao 
IEEE 802.11 (www.wi-fi.org). . _ 
1. Recomendação d o t ipo 1 é a mais séria e afeta a decisão sobre a acred1taçao. 
AUTOMAÇÃO NO PROCESSO DE USO DO MEDICAMENTO / J 43 
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• J J l 1 ( • <) 111 11 ii •: ., i < ) 11 M M . (J ! ) . () 1 . () 1 ( M M l J . ~ > • 1 r 1 .i • J e: 1) St1llll1.1111 . <)111 • • 
J , .. 11 , <H'" 1111 •11rc "'' •\.lll l<'Vl'"-c l< l.i •, c111.i11t c> " <;1111 t1c lcciu1 ,. d J 
ll )(J.1 ~: .l~• / "l lt ,( 'I ' , • ' '· ' rl( Q O 
' 1 \ 'l t 'Vt 'I fl)t l.1· , d'' l )l('SI 11\C)(" ~ ( l(• 11)(•(11( rllll( ' lll( )', clll[ (Jc;( l 1 <l ' . fnr. 1)1.Hl'll!f\l)\(Vl ' ISJ)Onsa . 
J ll)lt ' llfll 11,111 .i t h l < l1 i c'!•llltjlll' clc1 11111cL1<I<' ele' c111fc•r rrhlCJC•rii . Çao, !>,,1,1 <' 111<'< i ll. . · , sc1u de ur 
1 1 ) ll ) ltl / 11~c) 1 >-,< <'' d<) 1) .i1.1 <111i11iclc) () 1)10c;c 11l c)r e <>11trc)lcJ 1 pre n 
tl.l '" '1' fl ' .11 1 1 • • • ' . ' pdraçao 
• J I 11 l') •lll t' lll Ctl ~()S (ll' lll <JÔllC Hl (' Ili <!li<) tl clo111orc1 í)C)UEl rJrovoc de e ,1 .1111111111!> 1, , l ' ' • • tir anos 
1)t) t),)Cll ' 111 l . 
N,1t1 1, 1111 , )tC'St 111 t1ivl' I tlllt' ,1111l)t)S s 'icJ111 t)l,1nc j;iclos e irnplantados simultane 
r ' ) 1 . . l d amentc 
111 ,15 tllll' .inil)t)!- l'~ l1 'l·'''' 11<) nu111c'1 t> 1 <' ,, t tl S ~11c>r1c tl cs. . . , 
l)ll''SCll\'il<) t'lt'ti c)n1c11 t' C'C>t1r ~Jº t lc 1).irrns t1111clt1 surao d1scut1cJos mais detalhadament 
ni,lrs ,1 ii,lri te, nl.l $ ~l)011l ,1lg1111s lllnda111cr1tos par a er1tao podermos aprofundar 0 assunto e 
Segurança: Definiçao de Rastreabilidade e as Limitações Existentes 
na Conjur1tura do Mercado Nacional 
• 
Ar1tes de in1c1arn1os a descrição dos processos, sistemas e equipamentos, cabe discu­
tir n1os outro pon to crucia l que é a rastreabilidade. Ao se falar em segurança no processo 
algu11s por1tos específicos começam a surg ir e merecem destaque. Este assunto vem sen~ 
do ten1a de rT1L11ta discussão, preocLrpação geral das entidades certificadoras e já entra no 
merrto de norrna tizações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Foi motivo 
de cor1sulta publica e de legislação pela ANVISA 12
·
13
. 
A rastreabilidade é tratada como a capacidade de o hospital monitorar o recebimento 
1 
distr1bu1ção e dispensação, mantendo-se o controle sobre lote e validade dos medicamen-
tos nestes processos. 
No Standard da Joint Commission que trata sobre o assunto temos: 
Standard Joint Commission MM.05.01.17 (MMU.3 .3 da JCI) 
Medicamentos dispensados pela organização são recuperados quando reco­
lhidos ou descontinuados pelo fabricante ou pelo órgão governamental fiscal iza­
dor por razões de segurança. 
Nestas circunstâncias fica implícita a necessidade de os medicamentos serem con­
trolados por lote em todos os momentos de sua distribuição dentro da organização. No 
entanto, não existe viabilidade de se rea lizar tal atividade se os medicamentos entregues 
pelos ~abricantes não possuem os requisitos para ta l tipo de controle. Atualmente .quas~ 
ª totalidade dos fornecedores não disponibiliza medicamentos em embalagens identi­
t· d I d' de ica as adequadamente para atenção a esta necessidade. Quando houver o co 1 9~ 
b · f · · sta na arras, este 1n orma somente o produto. A alternativa adotada pelos hospitais e ~ 
re-etiquetagem (re-identificação) dos medicamentos em todos os tipos de apresentaçao 
com informa - 1 f . · e o código çoes competas no ormato humano-legível. Juntamente 1mpr1me-s 
J 44 / PRÁTICA FARMACtUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
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b rras contendo os d0dos e ~ <' p1c)c~11lc) C' loto, <> 11 1>rorl11to lote• a 1· J d ( 1 de a , . J va 1( a e a gumas 
Sas t (lnibcn1 j)OC1C'n1 0 /1 l t11 1)01 1111.,c't 11 11 111 n 01 c> ele,s0ric•) /\ .. 
1 
• . 
empre . ' . ' . . . '' ,1 i 1;içrio 1 ()rnri <in ainda 
. . , t; e l riu a n ci t) t i il 1 'i n 1 <) s e s 1 ) < e d i e , i 11' C' ' , 1 e' e 1 () s i 11 e~ e l i e. êH ri<' i lo f f ,. . marS CI 1 < ' 1 . , e 1 '> (1 Jrl ()(rTlrlS armdceut1-
ll ...J ;i~ (COlll~)lllll tdos, < tll )Sl d rlS, c11.lc1eas, C'IC.)1 '1. ÍJnra <jlle S" l"nh I . f _ 
cas so l'' · <;.; • · • a e<> ri 1n (Jrmaçao 
..Ja 11111c10dc ci' COl1SLll110, C' flCCC'SSdl io IC'cll11ar () recorte clc rJli'sl·e - d en1 ct;it i . . • - rec; 01 1 remc>çao 0 
..J ca111entc.) de sLia e111balagc111 o1·1g111al e rccrnbalélcJcm co1n as ·1nform - 1 n1et11 açoes competas 
necessa1 ias. . . 
fni síntese, te111os ~ut1 o p~nto de risco. A ativiclélcJc clr re-e tiqtietagem é um passo 
cnt1co, de elevado ~ust? de r11ao-dc~ob1 a e crn qt10 0nvolvcmos a poss1bil1dade de in­
serção de inior111~çoes 111con1plctus, 111co1 re las C)U trc)<.éldfls. Para se evitar tais enganos, 
a adoção de ~~l1t1cas de prevençao de erros e controle de Cjlralidade pós-etiquetagem é 
recon1endada · . 
Ad1c1onalmente, ainda existe n possibi lidade de erro no recebimento de medicamen­
tos na entrada do estoque 110 l1ospital . Neste 1nomcnto, havendo controle de lote na 
distribuição ir1ter11a dos produtos, as i11f armações de lote e validade devem ser digitadas 
no sisten1a. Con1 isso, incorre-se 110 risco de erro de cópia de informações comprome­
tendo a capacidade de rast1·eabilidade dos dados durante o período de utilização do 
medicamento. 
A atenção ao padrão proposto também pode ser feita sem o rastreamento em todos 
os passos do processo, mas torna o processo mais complexo e inseguro. 
Código de Barras: Entendendo Melhor a Tecnologia - Usos e Benefícios 
Os padrões 
Uma vez que se deseja controlar o estoque da farmácia por lote, em razão da rastrea­
bilidade, é importante tomar algum conhecimento sobre o uso da tecnolog ia dos códigos 
de barras. 
Os códigos de barras utilizados na maioria dos produtos que temos acesso são regu­
lamentados pela organização GS 1 me trazem somente informação relacionada ao produto. 
O código de barras mais comumente utilizado para este fim é o EAN-1 3 (Fig. 14.2), de 
formato linear. 
m. GS1 - Global Standards é uma organização mundial dedicada ao desenvolvin1ento e implantação 
de padrões globais e soluções que melhorem a eficiência e visibilidade da cadeia de supnmentos em todas 
as áreas industriais. Entre suas atividades está a normatização do uso de cód igos de barras. Antigan1ente a 
o~ganização era conhecida pelo nome EAN (www.gs1 .org). Os códigos de barras da GS 1 são conhecidos .como 
Sistema GS1. O Sistema GS1 é um conjunto de padrões que permite o gerenciamento eficiente de cadeias de 
abastecimento globais e multi-industriais através da identificação inequívoca de produtos, unidades de despa­
~ho, ativos, localidades e serviços, facilitando o processo de comércio eletrônico íncluind.o co~.plel~ rastr~abi­
lidade. No Brasil o sistema GS 1 (Padrão internacional EAN) foi definido como padrão de identificaçao nacional 
de produtos de acordo com o decreto nº 90.595 de 29 de novembro de 1984. (www.gs 1 brasil.org.br). 
AUTOMAÇÃO NO PROCESSO DE USO DO MEDICAMENTO 145 
Scanned by TapScanner
/1 111 1 Fig. 14. 2 Código de Barras EAN-13. 
, d. , d·vidido em três blocos de informações: 
Este co 190 e 1 
• 0 priiTieiro, de 3 dígitos, informa o país ~e ~rigem do produto. 
• o segundo, de 4 a 6 dígi tos, informa o cod1go do fabricante. 
• o terceiro bloco, de 3 a 5 dígitos, informa o produto. 
o ultimo dígito é calculado a partir da combin~ção dos 12 primeiros. 
Apesar dos três blocos, 0 conjunto tem exclusivamente uma combinação que deter-
mina o produto. . . , . . .. 
Con1 esta situação torna-se praticamente obr1gator1a a re-1dent1f1cação dos produtos 
dentro do hospital. Neste momento, a empresa decide o padrão interno que irá utilizar 
sem necessariamente adotar padrões de identificação normatizados pela GS1 . Esta iden~ 
tificaçâo pode ser feita através da utilização de programas de identificação por códigos de 
barras d1spon1veis comercialmente. 
Daoa a condição de insegurança já discutida, a GS 1 Brasil, por meio da formação de 
um grupo de trabalho com ações direcionadas para o setor da saúde, estuda meios para 
fomentar a adoção de um novo formato de codificação que atenda às necessidades do 
ramo. Formado por membros da GS 1, representantes de hospitais públicos e privados, 
fornecedores de tecnologia e indústria farmacêutica , o grupo propõe a adoção do for­
mato bidimensional Data Matrix (Fig. 14.3) de código de barras. Neste formato de maior 
capacidade, pode-se inserir dados variáveis como lote e validade no seu conteúdo de 
informações. A partir destas ações, a indústria deve se preparar para substituir o EAN13 
de suas embalagens pelo novo padrão, ao passo que os hospita is preparam seus sistemas 
para a recepção destes produtos. É interessante observar que o problema de identificação 
é mundial. Nos Estados Unidos somente 24% dos hospitais utilizam códigos de barras na 
conferência de medicamentos antes da dispensação e 29, 9% como forma de controle de 
inventá rio ~ , revelando a fal ta da identificação adequada por parte da indústria 'º· Com 
0 códi~o bidimensional de conteúdo variável, os hospitais deixam de ter a necessidade 
de reetiquetagem e passam a ter o processo de recebimento com maior segurança. No 
m~mento da leitura do código, o sistema importa automaticamente os dados de lote e 
va lidade para o sistema e elimina a possibilidade de erro no registro destes dados no 
Fig. 14.3 - Código Data Matrix. 
J 46 / PRÁTICA FARMAC~UTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
-
. n"la de gestão de estoques da empresa. Zellmer17 , tendo em vista 0 levantamento 
s1ste111 d f , . h . 1 
1. do do atual status a armac1a osp1ta ar pela ASHP6, vê como meio de segurança 
rea iza 'd d - . , . 
e redução de cust_os, a necess1 a e da a~eq.u~çao . da industria para o fornecimento de 
medicamentos ~re~embalados em doses 1nd1v1dual1zadas já com cód igo de barras. Isso 
m consonanc1a com os estudos do grupo da GS1 Brasil. 
vem e . 
Este código tem tamanho apropriado para embalagens de tamanhos diminutos (pe-
uenas ampolas e identificação individ~al de comprimidos e cápsulas nos blísteres), com 
q ossibilidade de armazenagem de ate 55 caracteres em uma impressão de somente 2 a 
ª p d d. - · ' 
3 mm2. Códigos e . 1me~soes ma1ore: possue';' ate 2.335 caracteres alfanuméricos. Este 
adrão permite a leitu ra fiel do conteudo do codigo mesmo que tenha até 30% de dano 
~a sua superfície de impressão. Um algoritmo calcula os erros e realiza automaticamente a 
correção dos dados. Como potenciais adicionais, o código Data Matrix pode ser gravado 
a laser (Fig. 14.4) em superfícies metálicas e ser uti lizado para identificação de materiais 
como pinças cirúrgicas, tesou.r~s, ~te., material com alta necessid~~e ~e controle de ~em-
0 de utilização em Centro C1rurg1co e processamento de reesteril1zaçoes nas Centrais de 
p E ·1· -Materiais e ster1 1zaçao. 
Fig. 14. 4 - Data Matrix gravado a laser. 
. d rã o havia sido proposto, o código bidimensional GS 1 
Em estudos anteriores, outro Pª . b 1 ) (F. 14 5) Porém apesar de 
TM • RSS R d ced Space Sim o ogy 1g. · · , 
Data Bar (antigamente - e u , d 'i go não apresenta as mesmas 
, . paços pequenos, o co 
tambem poder ser 1mp~esso em es . . Contudo espera-se que, a partir de janeiro 
características de capacidade e ~ersatilid~de. 
0 
m~rcado varejista. Ao lado, um dos 
de 201 O, este se torne o padrao mundial para 
padrões DataBar existentes. 
... 
Fig. 14.5 - Código GS1 OataBar™ Estacado Omnidirecíonal. 
1 
AUTOMAÇÃO NO PROCESSO DE USO DO MEDICAMENTO 
147 
Scanned by TapScanner
148 
. d do Data Matrix e do Data Bar para o setor saúd d 
A estrutura de conteu ~d do padrão GS 1-128. O GS 1-128 (Fig. 14 6) et eve segui 
d .~ clc cont cu o ' d d dd .. . erna r 
o n1esn10 ~10 ' é10 N 13 porém com conteu o e a os var1avel(lote . Presen. 
o o 1 /\ - ' · 1 ·d d e val1d d taç~o lincn r con1 .. 1 grr:i nde. A part1cu arr a e se encontra na forrn d a e) e 
. ssl1() n11J1 o - ' . d 1· - a e a 
tan1,111ho ele 1n1~) r c e' 
5 
de identifrcadores e ap 1caçao (AI), ern que Presen. 
1teudt) alr av · 1 - • os dad 
t n(~t) de seu coi ' f rma 11umano-leg1ve sao numeres entre parênt os são 
t ' E tcs Al 's, na o ' . eses qu .. 
classilrcados. 5 
. bsequentes. A seguir alguns poucos exemplos de AI' e da0 
siqniiicado aos n111~1e rods su nte 100: s, urna Vez 
- . t 1 ap1ox1n1a ar11e b .d .f. - d 
que cxrs en G/ b 1 Trade Item Num er - 1 ent1 1caçao o produto 
(01) _ GTIN-14 - o a 
(1 O) - Lote 
(1 ?) _ Data de va lidade 
1 1 r li 
1 1 1 ! 
(01 )0539123456i892l1 5)051231( 10)AP01536Z Fig. 14.6 - Código GS1-128. 
Os leitores 
Para a leitura dos códigos l in,e~res, ª. t~cnol~gia .é bastan~e acessível e não requer 
grande investimento. Já para os codrgos b1d 1 m~ns 1on~1s, ~ec~ss 1ta-se de um investimento 
um pouco maior, mas não deve ser de grande 1mportanc1a diante dos gastos e riscos tra­
balho de reetiquetagem. Existem leitoras deste padrão ao custo máximo unitário de SOO 
dólares americanos. Algumas marcas no mercado: Motorola (www.motorola.com), HHP 
(www.handheldproduct.com.br), Metrologic (www.metrologicdobrasil.com.br). 
Para quem deseja mobil idade, ainda existem os PDA
1
s (Persona/ Digital Assitant), 
equipamentos portáteis, nos quais se pode trabalhar com sistemas interligados por redes 
Wi-Ft<t ou por radiofrequência. Neste caso os custos são mais elevados, chegando a 1.500 
dólares americanos. Entretanto, para o funcionamento adequado, além de necessitarem 
de rodar o programa de controle de estoque e dispensação, exige ainda a instalação de 
infraestrutura adequada de antenas e servidores, elevando o custo do projeto. Algumas 
marcas: HHP, Motorola. 
Benefícios alcançados com a utilização de códigos de barras 
De maneira breve, citamos os benefícios do uso dos códigos de barras: 
• agilidade no processo de dispensação, com a ba ixa de estoque on-line; 
: c~n~e:ên cia do item disp~nsado de acordo com o prescrito; e é 
historico do lote do medicamento desde o recebimento ao momento em qu 
utilizado pelos pacientes; RASTREABI LIDADE. . 
• garantia da d. - d . 
1 h d bloqueio . ispensaçao e medicamentos em condição de uso, aven ° 
de dispensação d 1 t . d ' . . . e o es inter 1tados ou vencidos via sistema; 
PRÁTICA FARMA • 
CEUTICA NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
, histórico do lote enviado para cada setor; 
, agi lidade na loca lização de produtos interditados para reca fl. 
A Evolução da Identificação de Produtos - Etiquetas Inteligentes 
Outro tipo de tec~ologia Aqu~ começa também a ser avaliada no setor da saúde é 
a identificação por. radiofrequencia (RFID). A tecnologia ajuda no rastreamento de itens 
através de uma etiqu~ta "transporl~er" .(chip de si líc io e antena), que emite sinais de 
radio, inforn1ando ao s~sterna .ª sua. 1.dent1dade (produto, quantidade, origem, lote, etc.). 
Dependendo do padrao de identificação, pode-se ainda determinar a localização do 
item. 
Este tipo de tecno logia já vem se popularizando e hoje a encontramos em diversos 
locais como lojas de roupas, supermercados, estacionamentos, pedágios, etc. 
Na área da saúde, as etiquetas de RFI D são propostas para o controle de localização 
de equipamentos médicos móveis (bombas de infusão), cadeiras de rodas, etc., melhoran­
do a relação custo/utilização. Uma vez que o código não necessita ser lido apontando um 
leitor diretamente para a etiqueta, faci lita a forma de encontrá-los e reduz-se a necessida­
de de um número muito grande para que sempre se tenha uma unidade visível. 
No caso de medicamentos, a sua utilização é esperada para o controle de medicamen­
tos de alto custo, sendo uma alternativa ao controle de desvios de produtos e fa lsificação 
e outros atos intencionais que afetem a segurança e a qual idade do medicamento. O FDA 
vem estudando a utilização do RFID com estas propostas 18. Nos Estados Unidos, o uso no 
controle de inventário ainda é de apenas 2%5
. O uso do RFID ainda está apenas começan­
do e há efetivamente uma gama bastante grande de aplicações que devem surgir como 
meios de melhorar o processo e a segurança no ambiente hospitalar. 
Atualmente os custos das etiquetas estão em declín io, pois já encontram apl icação em 
maior escala no ramo supermercadista norte-americano, além disso já estão num estágio 
de desenvolvimento tecnológ ico que possui n1aior fidel idade de leitura. Os leitores exis­
tentes são próprios para este tipo de identificação e estão demonstrados nas ilust rações 
abaixo (Figs. 14. 7 e 14.8): 
Fig. 14. 7 - Leitor por1átil de RFID. 
Fig. 14.8 _Sistema de Leitura RFID por portal. 
AUTOMAÇÃO NO PROCESSO DE USO DO MEDICAMENTO 149 
Scanned by TapScanner
guir algu11s modelos de etiquetas. . F' 14 9 a se , Veja na 19· · ' 
Fig. 14.9 - Etiquetas com RFID. 
o Processo de Uso do Medicamento 
A segu ir colocam~s um modelo de fluxo de trabalh~ ~Fig . 14.1 ?), no qual cabem 
soluções de automaçao em cada um d~s . passos. ~~s to~1cos seguintes propomos as 
soluções existentes para cada passo, requ1s1tos espec1f1cos, riscos, benefícios e critérios d 
segurança em cada tipo de tecnologia. Para o recebimento, armazenamento, distri buicã~ 
e dispensação já foi discutido o uso de códigos de barras para a atividade. , 
Prescrição 
Aprovação 
do farmacêutico 
Recebimento 
Re-etiquetagem Unitarização / 
fracionamento 
~j ---•• Armazenamento ... f----~ 
Unitarização / 
fracionamento 
Distribuição 
• Dispensação - • 
Checagem: 
Profissional 
Paciente 
Medicamento 
F' 
tg. 14.1 o - Fluxo de trabalho 
no processo do uso do medicamento. 
J 50 1 PRÁTICA FARMACÊUTICA 
NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
A automação e as tecnologias para cada área. 
,. . 
prescrição eletron1ca 
Para se falar en1 prescrição eletrônica, é preciso fazer a dife . _ 
d. . O L I G 19 renc1açao entre duas reali-
d des berTI 1st1ntas. eap1rog roup refere-se a programas d . _ 
1 
" . ª CPOE C .· . . e prescr1 çao e etronica 
11 0 noine de - 0111pL1tc1 rzed P/1ys1c1a11 Order Entry sa- ft d 
co1 , d ' _ , · o so wares esenhados 
especificamente .para me ic.os, que nao so,substituem a utilização de papel e melhoram a 
legibilidade dos itens prescritos, mas tambem dão embasamento ao ra · , . I' . f 
- d , c1oc1n10 c 1n1co o e-
ecendo inforn1açoes e SL1porte a decisão. A ferramenta CDSS (C/' · 1 0 . . 
5 
' 
r d . d . _ rn1 ca ecrs1on upport 
System), ~copia a a~ s1sterna e prescr1çao permite ao médico receber informações de 
diversos tipos que or1enter11 e condL1zam corn segurança 0 ato de prescrever. Mais adiante 
cornentan1os os recursos esperados de um CPOE. 
Existe~ outros tipos de program~s q~e não devem ser considerados na categoria de 
C~~E , P?'~ se~err\ ~pe ri as com~ ~P},1caçao para inserção de pedidos tran scritos da pres­
cnçao medica ( pedidos de farmac1a ) ou de enfermagem manuscritas, oferecendo pouco 
ou nenhun1 suporte à decisão. A ferramenta apresente-se neste caso somente como um 
meio para se obter maior legibilidade da prescrição médica. Embora fornecedores também 
chan1em estes programas ~e " prescrições eletrônicas", deve-se ter atenção quanto ao tipo 
de ferramenta que se deseja no momento do estudo de uma possível implantação. 
Uma vez que o intuito é divulgar o que há de mais avançado em tecnologia , vamos 
abordar a ferramenta CPOE com CDSS, seus potenciais, riscos, benefícios, etc. 
No mercado norte-americano6
·
20
, em 2007, este produto estava presente em somente 
cerca de 10% a 12% dos hospitais e crescendo gradativamente. Hospitais maiores (> 400 
leitos) são aqueles que apresentam maior índice de utilização, chegando a 25%, sendo 
que 21 % daqueles que não usam prescrição eletrônica sem CDSS, pretendiam adotá-lo 
dentro de um ano e 36,9% dentro de 1 a 3 anos. 
Funcionalmente, o CDSS avaliado nos programas existentes contemplaas seguintes 
categorias na Tabela 14.1, a seguir21. 
Apesar de todos estes recursos, há estudos que relatam reduções significativas nos 
eventos adversos evitáveis (erros) ou que necessitam de maior aprofundamento22•23•24•25 . 
Os custos de implantação de um sistema neste padrão são elevados. Segundo o 
Leapfrog Group, baseado em análise casos, a implantação em hospital de 500 leitos tem 
custo de 7, 9 milhões de dólares americanos e manutenção anual de 1,35 milhões26 . 
Neste horizonte, vemos que a avaliação e escolha de um programa deste tipo tornam­
se uma atividade complexa e, como discutido inicialmente neste capítulo, deve-se envol­
ver todos os profissionais médicos, de farmácia em enfermagem. Todos os setores devem 
se integrar e tomar cuidados específicos. Segundo estudos, os riscos ~a ~á impla~ta.ção 
podem conduzir a aumento do tempo de prescrição; redução de ader~n~1a dos med1cos 
devido a excessivos alertas devido a bloqueios que impedem a prescnçao de sua prefe­
rência e que os obrigam a determinados protocolos8. Em estudo conduzido por Liang2~ , 
f?i medida a aceitação de sistemas CPOE por médicos na China. ~erceb~u-se queª faci­
lidad~ Ade .utilização é um preditivo de aceitação. P~~ outro lado .•. ª m_edi,da_ q~e ga~h~: 
experienc1a com o sistema, não percebem que a facilidade de utd1zaçao e tao impo ª 
quanto antes de começarem a utilizá-lo. 
M . . 1· " · · tema deve contemplar a esmo envolvendo toda esta tecnologia e 1nte 1genc1a, o sis 
funcionalidade de aprovação do farmacêuticoª. 
AUTOMAÇÃO NO PROCESSO DE USO DO MEDICAMENTO 151 
Scanned by TapScanner
Tabela 14.1 
d suporte à decisão cl ínica 
- categorias e 
11açao da Leapfrog 
s egundo ava 
~ 
ooscrlçao - -
Cotogorln 1 10siçno terapêutica de outra droga nova ou de- --So 11 01 · ~ Prese( • -..... 
npÔl 1t iCA 1 , Pocle sor a mesrna droga, mesma classe ou corn 1Çao iá ... 
l )t1p l 1cn~·1'0 101 ai v. 1. Ponent 
essoc1oçoo. e de 
0 especi ficada excede limites recomendados. Dose 
ci doROS indivld1 ia1s osc . . resuit :::-........._ 
lotivo do dose que excede l1m1tes recomendados P a em 1.1111itO o . ' cun1u · Ode t 
O ('\lllltJIAllVAS . cluir 111111tes de dose JJara cada componente de urna as . arnbérn 
1n soc1açà 
·os o Alei çilas cruzados 
Existência de documentação de alergia para a referida dro ~ 
. ga ou P 
AIOIQI • outrn ele 111es1na categoria. ara 
Vio de adn1lnlstraçoo contra-
Prescrição especifica de via de administração que não é a~~ 
- ropnad para 0 111edican1ento em questao. a 
1nd1CAdO - Resultado do interação grave conhecida quando administrad 
lnto1 ft\OC'S d1 oga-droga e ---d' t os conjuntamente com outro me 1camen o ou grupo de alimentos. 
droga oh1l'1ento 
Contraindicação baseada no diagnóstico do paciente ou 0 Contra1nd1cações e lin1ites -
diagnóstico afeta a dose recomendada. 
de dose baseados no 
diagnostico do pacie~te 
Contraindicaçao baseadas em peso ou idade. 
Contraindicações e lirnites 
de dose baseados no peso 
ou idade do paciente 
- contraindicação baseadas em resultados laboratoriais ou para 0 q 
1 Contraindicações e limites 
0 resultado laboratorial deve ser considerado na dosagem prescrit~~ ' de dose baseados em 
0:-sultados laboratori~i~ 
Contraindicação baseada em interação com contraste (a partir de Contraindicações e ltm1tes 
de dose baseados em exame radiológico previamente pedido). 
resultados radiológicos 
Corolário Intervenção do sistema que requer uma segunda droga associada 
para atender o padrão do cuidado (alerta baseado em prompt). 
Custo do tratamento Verifica testes/exames que duplicam um serviço dentro de um período 
em que há benefício mínimo ao repeti-lo. 
Evitação de aborrecimentos Prescrições com interações leves ou tipicamente sem consequências 
\ que médicos normalmente ignoram alertas. 
Transcrição e aprovação da prescrição médica 
Há muita discussão a respeito da atividade de transcrição. No entanto, sabe-se que 
nem ser11pr.e é possível a adesão do corpo clínico para que a prescrição seja feita d~et~­
mente n~ sistema de prescrição eletrônica. Nos Estados Unidos, ainda que com tendencta 
de cre,~cimento,. ~penas 5, 1 % dos hospita is tinha suas prescrições feitas d i retarnent~ .no 
CPOE · Esta dificuldade é mais sentida principalmente nos hospitais de corpo clinico 
aberto, acompanhado ou não de sistema de fácil utilização e interface amigável. -
Nos casos de a · - - ·ntegraçao . prescr1çao nao ser realizada diretamente no CPOE com 1 
com o sistema da f · · . _ , . , 1· por duas 
f . . armacia, a prescr1çao deve chegar à farmac1a para ana ise 
ormas poss1ve1s: 
152 PRÁTICA FARMACÊUTIC 
A NO AMBIENTE HOSPITALAR 
Scanned by TapScanner
E vio da prescrição por "fax" - as prese · - · · · - . • n _ . riçoes or1g1na1s sao escaneadas na unidade 
de internaçao e impressas na Farmácia Central. 
I 
• Envio da pr~s~ri~ão por imagem digitalizada. O farmacêutico revisa e analisa a 
Prescrição d1g1tal1zada e a revisa simultaneamente à transcr· - · d f 
. 1çao no sistema a ar-
mácia mediante estrutura com dois monitores no microcom t d AI· d' . . _ . pu a or. em isso 
contr1bu1 com reduçao substancial no consumo de papel na F · · H · 
1 armac1a osp1ta ar. 
Não consideramos a possibilidade de cópias carbonadas, pois, além de não envolve­
rem tecnologia, são fonte de erros importantes devido à impossibilidade de leitura clara. 
A aprova~ão da. prescriçã.~ médica é normalmente feita na Farmácia Central, porém, 
com a evoluçao da internet, Jª cerca de 22% dos hospitais americanos adotam a revisão 
de prescrição ~ff-site. Nestes cas~s o ~armacêutico pode estar em casa ou compartilhado 
de outro hospital, por exe~pl~, a noite e nos finais de semana. É uma alternativa para 
hospitais pequenos qu: nao tem quadro suficiente para a manutenção do padrão de 
atendimento nestes per1odos. 
Equipamentos de fracionamento para dose unitária 
Fracionamento de sólidos orais 
Os equipamentos de fracionamento de sólidos orais já estão mais difundidos nos 
hospitais brasileiros. São equipamentos de valores mais acessíveis e temos duas marcas 
mais conhecidas e disponíveis no mercado brasileiro: Euclia® e JVM®. 
Dentre diversos os equipamentos, podemos destacar o Cadet Twin® e o Blíster Cadet® 
da Euclid® (www.euclidspiral.com) e o JVR-45E/KP da JVM® (www.myjvm.co.kr). 
A Cadet Twin® requer que os medicamentos sejam retirados dos blísteres originais 
para que sejam reembalados. Como benefício, temos a identificação individual de cada 
unidade com todos os dados legais obrigatórios e o Código de Barras requerido para a 
rastreabilidade e a checagem da administração à beira do leito (Fig. 14.11 ). Este equipa­
mento tem a velocidade de embalagem de 120 unidades por minutos. 
Neste processo exige-se hoje a obediência à RDC67. Na resolução está determinado 
que o medicamento removido de sua embalagem primária deve ter sua validade reduzida 
a 25% da validade restante no momento da reembalagem28
. 
Fig. 14.11 - Cápsulas reembaladas na CadetTwin . 
-.. .""\ --
1 ' li l 1âii.i• 
-· 
' - -. - . 
1 • ••• 1 i j 
• 
• 
-
• 
' • • 
AUTOMAÇÃO NO PROCESSO DE USO DO MEDICAMENTO 1 J 53 
Scanned by TapScanner
. Cadet"1- não é necessá ria a remoção dos medi· 
do Blister ' carnent 
Para o caso R corta-se 0 blíster e processa-se a reembalagern N Os de 
1 1 pr1111ar1a. e d p . 
1 
. · este 
sua emba agen l'd d or·igirial do fornece or. orem, a ve oc1dade do e . ca~0 
ter a va i a e qu1parn 
pode-se n1an 60 inidades por minuto. ente 
·d para ate L d · d e reduzi a _ . ·ça-0 deste t ipo e equipamento eve considerar r ao par a aqu1sr ' . a prod 
A ava iaç _ 
1 
deste serviço versus o tempo necessar10 para prod ~ Ut1vj_ 
d 
d ecLiçao r11anua 
1 
. uçao e 
da e ª e d d tarnbérn os insumos para emba agem nos dois proces 0 rn a 
a cons1 er ar1 o .d d . sos. 
n1aqurn , . d JVM tambérn processa 60 uni a es por minuto com a o equipan1en to a d. . , . vantag 
. t ·ada à prescrição, embalando o me 1camento Jª 1dentificad ern 
de poder ser 1n egr o para 0 
Paciente.

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