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Planejamento e avalição de programas de saúde - Resumo

Material sobre planejamento em saúde: define plano vs planejamento; descreve métodos (planejamento normativo CENDES/OPAS e Planejamento Estratégico Situacional de Carlos Matus), etapas (diagnóstico, prioridades, ações), estimativa rápida e níveis de análise territorial.

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Planejamento
Importância: Permite maior racionalização (aproveitamento) de recursos, tempo e aumenta a chance de alcançar os objetivos.
Plano: produto momentâneo de um processo de planejamento. 
· Funciona como um instrumento de referência para o acompanhamento da execução das ações, correção e avaliação dos resultados alcançados.
Planejamento: frente a situações dinâmicas e de transformações, precisa ser estabelecido como um processo permanente. 
 Situação atual caminho/ações Situação desejada
		 (objetivos a serem alcançados)
Métodos de planejamento em saúde
» Planejamento normativo (Método CENDES/OPAS): 
· Surge na América Latina, na década de 1960. 
· Elaborado pela OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde) e CENDES (Centro de Estudos do Desenvolvimento da Universidade Central da Venezuela)
· Transposição para a saúde do planejamento econômico normativo, vigente na América; Prioridades feitas a partir da relação custo/benefício.
A realidade deve funcionar como norma. Objetivo: otimizar os ganhos econômicos obtidos com saúde e/ou diminuir os custos da atenção.
- Considera-se que apenas um ator planeja com plenos poderes, supondo um consenso/ou quase (desconsidera-se o conflito e diferentes interesses, ou seja, a participação coletiva).
- Limitações quanto a análise da realidade. Método em descrédito.
» Planejamento estratégico situacional (PES): 
· Desenvolvido pelo Prof. Carlos Matus, no Chile. 
· Planejar é como preparar-se para a ação. 
· Tripé (Triângulo de Governo), entre Projeto de Governo (plano que uma equipe propõe a realizar para alcançar seus objetivos), Governabilidade (variáveis ou recursos que a equipe controla ou não) e Capacidade do Governo (experiência e acumulação de conhecimentos que uma equipe domina); 
· Trata-se de uma relação dinâmica e interdependente entre (plano – variáveis de controle ou não – conhecimento)
Estratégia (como)
Maneira de construir viabilidade para um plano elaborado, para o alcance de determinados objetivos.
→ Estratégias de longo prazo: importante ou indispensável. Objetivo futuro a ser perseguido. 
→ Estratégias de curto/médico prazo: relacionadas a questões mais imediatas e urgentes. 
Situação Expressa à condição a partir da qual indivíduos (diferentes atores sociais) grupos interpretam e explicam uma realidade ≠ interesses/objetivos
Ou seja: 
→ Uma análise ou explicação de uma situação é variável (depende de quem, para que, qual posição e de quais outros explica); 
→ Conhecimento e explicação da realidade são sempre parciais e múltiplos. 
Ator socialColetivo de pessoas ou uma personalidade que, atuando numa determinada realidade é capaz de transformá-la. 
- O PES, propõe que o planejamento seja um processo participativo. Também demanda, pelo conjunto de percepções, uma ação central.
ProblemaDiscrepância entre uma situação real (inaceitável) e uma situação ideal ou desejada. 
- Pode ser entendido como um obstáculo que impede determinado ator de alcançar seus objetivos. 
- O trabalho de planejamento terá que planejar intervenções/lidar com eles.
Momentos do Planejamento Estratégico Situacional
- Refletem uma dinâmica permanente, dialética e não uma sequência rígida.
1. Análise da Situação de Saúde
- Desafio do diagnóstico: Transformar dados (material bruto) → informações (descrição da realidade, com base em uma determinada visão de mundo/referencial explicativo).
1. Necessidade de conhecer os problemas de saúde mais importantes do território, causas e consequências.
2. Avaliar recursos e possibilidades de enfrentamento dos problemas; 
3. Definir prioridades 
4. Apontar soluções
5. Elaborar um plano de ação baseado nas prioridades; 
Método de estimativa rápida
- Um dos métodos utilizados para elaboração de um diagnóstico de saúde de determinado território; Reflete condições e as especificidades locais;
- Primeiro passo de um processo de planejamento (coleta e análise) que busca definir as intervenções necessárias para o enfrentamento dos problemas de saúde; 
- Vantagens: abordagem rápida, eficiente, contribui para a participação da comunidade (planejamento participativo) e facilita o trabalho intersetorial.
- Níveis de análise: 
1. As necessidades, estruturas, capacidades e envolvimento da população; 
2. Meio físico (sanitário e ambiental) e socioeconômico
3. Disponibilidade de serviços de saúde, ambientais e sociais (cobertura, acesso, aceitabilidade); 
4. Política de saúde do governo (avaliar o comprometimento ou não de governantes com a saúde, nas esferas municipais, estaduais e nacional; 
- Análise dos dados: envolve a identificação dos problemas que afetam o território (um ou mais – eleger um enquanto prioritário) e a interpretação das descobertas (Produzindo um documento).
2. Elaboração do plano de ação
Processo de planejamento → são etapas fundamentais (para enfrentar problemas de forma mais sistematizada, seguir as necessidades da população): 
· a elaboração do diagnóstico situacional;
· identificação e priorização dos problemas 
· a construção do plano de ação.
Programação
- Se refere ao planejamento de curto prazo. Ex: Programação Anual;
- Horizonte temporal mais estreito e objetivo. 
- Precisa determinar o conjunto de ações que permitam concretizar os objetivos fixados o cumprimento das metas do Plano, ou criar condições necessárias para que sejam viáveis no futuro.
- Quantificação e elaboração de cronograma para cobertura (estimativas), organização da agenda de trabalho em equipe.
Monitoramento e avaliação
Avaliação: atividade que envolve a geração de conhecimento e emissão de juízos de valor sobre diversas situações e processos. 
· Pode ser realizada por agentes externos, especialistas contratados OU participantes de um dado projeto;
· Longa história com as políticas sociais;
· Tem-se utilizado cada vez mais, técnicas e abordagens metodológicas complexas de avaliação; 
· Processo crítico-reflexivo sobre práticas e processos (podendo-se incluir a participação de diferentes atores sociais);
· Avaliação inclui um caráter político; 
- Também é importante para alimentar processos de planejamento e decisão nas instituições. Retroalimentam com informações e permitem ajustes táticos para alcances dos objetivos;
Entre as formas clássicas estão as categoriais de eficácia, eficiência e efetividade.
Monitoramento: esforço institucional com propósitos semelhantes à avaliação;
· Realizado de forma mais permanente ou no decorrer de um tempo mais prolongado;
· Objetiva a verificar a longo tempo o comportamento do sistema analisado;
“Compreende-se monitoramento como parte do processo avaliativo, que envolve coleta, processamento e análise sistemática e periódica de informações e indicadores de saúde selecionados com o objetivo de observar se as atividades e ações estão sendo executadas conforme o planejado e estão tendo os resultados esperados” (BRASIL, 2005, p. 20).
1ª etapa: realização de um diagnóstico
Seleção de Prioridades
Definem-se ações e recursos
Momento explicativo: conhecer a situação atual, identificar, priorizar e analisar seus problemas. 
Momento normativo: formuladas soluções para efrentamento dos problemas identificados.
Momento estratégico: analisar e construir a viabilidade para as propostas de solução elaboradas. Formular estratégias para alcançar objetivos
Momento tático-operacional: execução do plano. Programação 
Fontes de informação
Registros escritos existentes ou fontes secundárias; 
Entrevistas com informantes-chave, utilizando roteiros ou questionários curtos;
Observação ativa da área
1. Identificação dos problemas de saúde
Considerar se ele é um problema finalístico (em que a resolução é, geralmente, objetivo geral do plano de intervenção; 
2. Classificação e priorização de problemas
Estabelecer, coletivamente, as prioridades;
Diagnóstico situacional
Considerar: a importância do problema,sua urgência e a capacidade do grupo de enfrentá-la (pensando em recursos, como financeiros, humanos, materiais, etc).
3. Descrição do problema
Caracterizá-lo para ter uma ideia de sua dimensão; 
O mais precisa possível, o que o caracteriza e quantificação;
4. Explicação do problema
Saber o por que ele acontece (causas)
A causa de um problema é também um problema;
5. Seleção dos "nós críticos"
Eleger causas dos problemas que precisam ser enfrentadas (possibilidade de ação direta)
6. Desenho das operações
Pensar soluções e estratégias para o enfrentamento do problema, iniciando o plano de ação propriamente tido. 
Analisar a viabilidade
7. Elaboração do plano operativo
Designar responsáveis por cada operação e definir prazos para a execução de operações;
8. Gestão do plano
Definir processo de acompanhamento do plano e respectivos instrumentos;
Práticas de monitoramento e avaliação
Úteis para a melhoria da qualidade dos serviços de saúde;
Melhoria na qualidade do desempenho da equipe 
Aumento da satisfação entre os membros
Atividades de prestação de contas a agentes externos, órgãos financiadores e a própria comunidade. 
Caráter mais momentâneo
Estabelece um recorte temporal claro
De maior profundidade da análise realizada (em geral)
Planejamento
Planejamento é um cálculo (situacional e sistemático) que precede e preside a ação;
Cálculo sistemático que articula a situação imediata e o futuro, apoiado por teorias e métodos.

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