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TECNOLOGIAS DIGITAIS E 
A EDUCAÇÃO INCLUSIVA
Autoria: Dra. Juliana Fatima Serraglio Pasini
Indaial - 2020
UNIASSELVI-PÓS
1ª Edição
Sumário
APRESENTAÇÃO ............................................................................5
CAPÍTULO 1
Inovação e Tecnologias Educacionais
na Educação Inclusiva................................................................... 7
CAPÍTULO 2
Desafios Na Formação Docente e a Educação
Inclusiva Frente Às Novas Tecnologias .................................. 59
CAPÍTULO 3
Aplicativos Educacionais Inclusivos:
Possibilidades De Criação e Inovação Para o
Atendimento Às Necessidades Educacionais Especiais ........111
CAPÍTULO 1
INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS 
EDUCACIONAIS NA EDUCAÇÃO 
INCLUSIVA
A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes obje-
tivos de aprendizagem:
 caracterizar a inovação e tecnologia no contexto da Educação Inclusiva;
 identifi car ferramentas tecnológicas para realização de práticas na Educação 
Inclusiva;
 reconhecer a importância da inserção da inovação e novas tecnologias no pro-
cesso educacional, como fator necessário para a prática do ensino.
8
 Tecnologias Digitais e a Educação Inclusiva
9
INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA Capítulo 1 
1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Este capítulo objetiva apresentar a conceito de inovação e tecnologia, bem 
como sua importante relação com a educação, formação de professor e desenvol-
vimento de uma aprendizagem colaborativa e motivadora para os alunos. 
Apresentamos, ainda, aspectos conceituais e práticos da aprendizagem co-
laborativa, como proposta para repensar e refl etir acerca do modelo de ensino 
atual, e principalmente, repensar em estratégias que visem incluir os alunos da 
educação especial inclusiva, que por vezes são excluídos do processo pedagógi-
co em virtude das suas limitações.
Para concluir o Capítulo 1, apresentamos um histórico da evolução tecno-
lógica da Web 2.0, 3.0 e 4.0, bem como estas infl uenciam o contexto escolar. As 
ferramentas que serão apresentadas poderão auxiliar o professor a desenvolver o 
trabalho colaborativo em sala de aula, além de rever o modo como ensina e como 
seus alunos aprendem o conteúdo, dentre elas destacamos: ferramentas simples, 
como por exemplo, e-mail, blog, redes sociais, plataformas e aplicativos usados 
pelos professores em sua atividade profi ssional. Apresentamos uma refl exão do 
quão é importante que o aluno mediado ou não por recursos tecnológicos deve se 
apropriar do conteúdo por meio de erros, acertos e tentativas, para que autono-
mamente possa chegar as suas próprias conclusões. Para tanto, é fundamental 
que o professor assuma o papel de mediador nesse processo. 
2 INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS 
EDUCACIONAIS NA EDUCAÇÃO 
INCLUSIVA
Nos últimos anos, o cenário educacional vem realizando com frequência 
ações e refl exões acerca da importância de inclusão de alunos com diversos ti-
pos de defi ciência ou com difi culdades de aprendizagem, além de uma grande 
preocupação com as estratégias e ações que devem ser realizadas no contexto 
escolar para que os alunos desenvolvam suas potencialidades e adquiram novos 
conhecimentos. Essa preocupação em incluir o alunado da educação inclusiva 
também está relacionada à inovação e à tecnologia no contexto educacional, por 
meio das quais se busca desenvolver estratégias para que os alunos, em especial 
da educação inclusiva, possam ser protagonistas de sua história escolar. 
Nesse primeiro momento, buscamos apresentar o conceito de inovação e 
10
 Tecnologias Digitais e a Educação Inclusiva
tecnologia para que possamos relacioná-los ao contexto atual da educação, em 
específi co da educação inclusiva. 
O conceito de inovação é comumente utilizado na área de conhecimento do 
contexto de negócios e passa a ser utilizado na educação. Nesse contexto, passa 
a ser encontrado com diferentes denominações: inovação educativa, educação 
inovadora, inovação com efeito educativo, inovação educacional, sendo este últi-
mo, o mais utilizado. 
No Brasil, as ideias de inovação no âmbito educacional foram intensifi cadas 
na década de 1960. Os trabalhos publicados pela Organização das Nações Uni-
das para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), nos anos 1970, dos quais 
se destacam Comment s’opbrent lês changementes en éducacion: contribution à 
l’étude de I’innovation (1973), de Huberman, e Solving educational problem: the 
theory and reality of innovation in developing coutries (1977), de Huberman e Ha-
velock, bem como o artigo de Michael Fullan, intitulado Overview of the innovative 
process and the user (1972). Tais obras marcam o início de uma história da inova-
ção no campo educacional, evidenciando a preocupação dos autores na intenção 
de propor generalizações de princípios e da criação de novos modelos que pos-
sam ser experimentados, planejados e implementados no âmbito educacional. 
A abordagem sobre o uso de recursos tecnológicos e inovação na 
educação é atual, entretanto, já presente desde a década de 1930, com 
Drecoly (1929), Dewey (1976), Ausebel (1982), dentre outros autores 
que discutem a necessidade de uma abordagem metodológica do pro-
fessor, deve superar o ensino tradicional e ter uma prática voltada aos 
modos como o aluno aprende, desenvolvendo diferentes competências 
e habilidades necessárias para viver em sociedade. Além, claro, da ne-
cessidade de o professor ser mediador do processo de ensino-apren-
dizagem e o aluno ser um sujeito ativo, participativo na construção do 
conhecimento. 
Inovar vem da palavra derivada do latim in+novare, seu “signifi cado está re-
lacionado a fazer o novo, renovar, alterar a ordem das coisas, ou, de maneira 
simplifi cada, ter novas ideias, ou aplicar uma ideia já conhecida em um novo con-
texto” (DAROS, 2018, p. 4). Desde o início da história da humanidade, o processo 
de inovação esteve presente, de início relacionado a sua sobrevivência, e mais 
adiante, para sua evolução e progresso. Com as mudanças na contemporaneida-
de, e aceleração da produção de novos conhecimentos científi cos e tecnológicos, 
a capacidade de inovar tem sido cada vez mais exigida pelas diferentes profi s-
sões, como forma de se manter no mercado de trabalho. 
Inovar vem da 
palavra derivada 
do latim in+novare, 
seu “signifi cado 
está relacionado 
a fazer o novo, 
renovar, alterar a 
ordem das coisas, 
ou, de maneira 
simplifi cada, ter 
novas ideias, ou 
aplicar uma ideia já 
conhecida em um 
novo contexto”.
11
INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA Capítulo 1 
No que se refere à educação, este cenário não é diferente, pois aos 
professores está o desafi o de desenvolver atividades inovadoras, que 
motive os alunos no processo de ensino-aprendizagem, que os desafi e 
e possa despertar a criatividade, produtividade e desenvolver as compe-
tências necessárias para se desenvolver na sociedade. 
De acordo com o manual de Oslo (OCDE, 2013, p. 46), inovação é 
defi nida como “[...] implementação de um produto (bem ou serviço) novo 
ou signifi cativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método 
de marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de negó-
cios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas”. O 
manual afi rma ainda que é por meio da inovação que novos conheci-
mentos são criados e difundidos, expandindo assim o potencial econô-
mico para o desenvolvimento de novos produtos e de novos métodos 
produtivos de operação.
A Teoria da Inovação teve seu início em 1912, com o economista austríaco e 
professor da Univesidade de Harvard, Joseph Schumpeter, com a publicação de 
sua obra Teoria do Desenvolvimento Econômico. Ele acompanhou e observou que 
as longas ondas dos ciclos de evolução no capitalismo resultam da conjugação ou 
da combinação de inovações, de mudanças que desenvolvem um setor de lideran-
ça na economia ou um novo paradigma, que alavanca o crescimento da economia. 
Schumpeterinterpreta o capitalismo de uma maneira muito 
especial e inovadora, atribuindo ao empresário inovador 
(empreendedor) um papel central na dinâmica capitalista. Para 
ele, empreender signifi ca a “criação de novas combinações”, e 
a fi gura do empreendedor está conectada à ideia de quem irá 
implementar essas novas combinações. Esse empreendedor, 
por sua vez, vive num mundo incerto, e ainda sim é dotado de 
coragem para iniciar novos empreendimentos e lutar contra a 
segurança da zona de conforto (HEERTJE, 2008, p. 321 apud
PAIVA et al., 2017, p. 156-157).
Para o autor, inovar signifi ca criar novas combinações, é um conceito ampla-
mente utilizado em Economia e no mundo dos negócios, que passa a ser incor-
porada à Educação. Nessa perspectiva, o conceito está relacionado à capacidade 
de empreender, de arriscar, de fazer diferente e proporcionar ao mercado outras 
experiências. Na educação, estes podem estar relacionados a criar estratégias, 
aplicativos, métodos, técnicas que visem melhorar a aprendizagem, propor novas 
soluções a partir do que é velho, ou seja, do que já existe. 
Inovação é 
defi nida como “[...] 
implementação de 
um produto (bem 
ou serviço) novo ou 
signifi cativamente 
melhorado, ou 
um processo, ou 
um novo método 
de marketing, ou 
um novo método 
organizacional 
nas práticas de 
negócios, na 
organização do local 
de trabalho ou nas 
relações externas”.
12
 Tecnologias Digitais e a Educação Inclusiva
A Fiocruz é uma empresa que pode ser considerada um exem-
plo de produção e inovação, pois além da produção de conhecimen-
to, atua no desenvolvimento de produtos e processos com aplicação 
potencial, como: novas vacinas, medicamentos à base de plantas, 
métodos de diagnóstico e monitoramento da saúde do trabalhador, 
aumento do número de diagnóstico e monitoramento da saúde do 
trabalhador, aumento do número de patentes brasileiras e aprimo-
ramento do sistema de saúde nacional. Além de ações e produções 
que contribuem para o desenvolvimento da educação e uso da tec-
nologia em diferentes espaços. Sugerimos realizar um passeio pelo 
site da Fiocruz e analisar as entrevistas, editais e matérias disponí-
veis, identifi cando como ocorre o processo de inovação. Saiba mais 
em: https://portal.fi ocruz.br/producao-e-inovacao. 
A oportunidade de inovação pode também ser uma adaptação de produto 
ou serviço. Nesse momento, o Brasil vive uma pandemia com a COVID-19, uma 
doença que assola o mundo todo, onde muitos países, estados e municípios de-
cretaram isolamento social como forma de conter a avanço do vírus. Entretanto, o 
isolamento gerou grandes perdas econômicas, psicológicas e sociais que reper-
cutiram em todas as famílias, e estas, para honrar seus compromissos fi nanceiros 
e garantir o sustento de seus entes queridos, criaram novos produtos e serviços, 
ou seja, inovaram para superar a crise. 
No que se refere à educação, o trabalho de aulas remotas foi implementado 
em quase todo o Brasil, algumas redes municipais suspenderam seus calendá-
rios, mas universidades e faculdades mudaram a forma de atender a seus alunos. 
Os professores passaram a atender de modo on-line, por meio de plataformas 
como Google Meet, Zoom, dentre outros (que abordaremos no terceiro capítulo 
deste livro), mesmo os professores que possuem difi culdades em trabalhar com 
a tecnologia, tiveram que se reinventar, passaram a gravar aulas conceituais, de-
senvolver planos de aula com atividades que visem despertar o interesse pelo 
estudo nos estudantes, mesmo estando afastados do espaço formal de ensino, ou 
seja, a escola. Neste momento, a tecnologia se tornou essencial para que as ativi-
dades cheguem aos alunos, além de reduzir a distância entre professores/alunos, 
casa/escola/universidade. 
A inovação pode estar relacionada a todas as áreas e pode resultar de parce-
rias entre empresas, universidades e indústrias, em que os processos de patentes 
13
INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA Capítulo 1 
são gerados, como por exemplo, criar uma plataforma acadêmica para uma ins-
tituição de ensino superior, e se pensarmos no setor empresarial, podemos citar 
como exemplo uma aplicação ou software que permita o controle de produtos, 
logo, redução de desperdício, redução de custos e perda de material. 
Outra forma de inovação pode acontecer por fatores que envolvem riscos, 
audácia e criatividade. O risco deve ser calculado para que o investimento não 
seja perdido, mas esse risco sempre existe. Este tipo de inovação é conhecido 
como “inovação radical”. 
Inovação radial é um produto, processo ou serviço que apre-
senta características de desempenho sem precedentes ou ca-
racterísticas já conhecidas que promovam melhoras signifi ca-
tivas de desempenho ou curso e transformem ou criem novos 
mercados. Alguns exemplos são a tomografi a computadoriza-
da, a imagem de ressonância magnética, e os computadores 
pessoais, os pagers e os telefones celulares (LEIFER; O’CON-
NOR; RICE, 2002, p. 18-19). 
Para inovadores não radicais, existe a inovação que pode ser considerada de 
baixo risco, ou seja, trata-se de uma solução pronta, que será aperfeiçoada para 
que mantenha sua atividade por mais tempo no mercado de trabalho. O ganho 
nem sempre é signifi cado de dinheiro, ele também pode estar ligado à satisfação 
dos funcionários ou a uma ação de marketing. 
Temos também a inovação incremental, esta objetiva otimizar produtos, ser-
viços e processos existentes. Neste tipo de inovação, a fi nalidade é tornar melhor 
a experiência do cliente, reduzir os custos, reposicionar a marca, adaptar o pro-
duto às leis e normas do mercado, já que estas são atualizadas e modifi cadas ao 
longo do tempo. Para se caracterizar como uma inovação incremental, esta deve 
ter um impacto fi nanceiro signifi cativo para a empresa, que acarreta fortalecimen-
to da marca, novos valores ao produto e novos consumidores. 
Inovações radicais e incrementais se adicionam e reforçam 
mutuamente no esforço de criar novas realidades. Veja-se o 
caso da bicicleta, artefato cuja versão pioneira data de julho 
de 1817, portanto exatos duzentos anos antes da redação do 
presente artigo. Mudanças técnicas e de design incrementais 
sucessivas no artefato em si se associaram a alterações gra-
dativas nos costumes da sociedade, a reformulações no traça-
do das vias urbanas e à modernização tecnológica dos siste-
mas auxiliares, como os de controle do tráfego. Esse processo, 
por sua vez, “pegou carona” nos movimentos contemporâne-
os de exaltação da atividade física e de reconhecimento da 
importância de se mitigar as pegadas de carbono dos meios 
de transporte. É a convergência de todos esses fatores que 
explica por que as bicicletas, agora com o apelido carinhoso 
de “magrelas”, puderam se tornar um instrumento tão popular 
de mobilidade urbana e lazer, que é utilizado praticamente por 
todos os segmentos de moradores (PLONSKI, 2017, p. 9).
14
 Tecnologias Digitais e a Educação Inclusiva
A página Na Pratica.Org, assim como a Revista Abril, divul-
garam um estudo com as empresas mais inovadoras do mundo de 
2020, vale a pena conferir, temos empreendedores brasileiros na lis-
ta. Disponível em: https://bit.ly/3eXVFc4. 
As inovações estão vinculadas a todas as área e setores, e no que diz res-
peito à educação estão ligadas às novas estruturas educacionais e soluções ne-
cessárias para que a aprendizagem do aluno ocorra. Os recursos tecnológicos e 
plataformas de ensino se tornaram parte do processo de marketing e diferencial 
de muitas instituições de ensino. Não podemos deixar de considerar que as ge-
rações a que atendemos no contexto escolar são consideradas nativas digitais, 
por este motivo, o grande desafi o é para os professores em fazer uso das novas 
tecnologias para auxiliar os alunos a superar difi culdades de aprendizagem, como 
apresentaremos no próximo capítulo. 
A inovação representa a prática de novas ideias, as quais são aplicadas por 
meiode ferramentas tecnológicas. Na educação, esta se refere a criar estratégias 
de aprendizagem, seja individual ou em grupo, para apoiar o aluno na construção 
do conhecimento. A inovação não está apenas na habilidade de defi nir relações, 
identifi car oportunidades, mas em saber aproveitá-las, pôr em prática no momen-
to oportuno. Está relacionada a utilizar o que já existe, com modifi cações que lhe 
deem destaque, ou seja, ao objetivo que pretende alcançar. 
No que se refere especifi camente ao campo educacional, a inovação é defi -
nida por Carbonell (2002, p. 19) como: 
[...] um conjunto de intervenções, decisões e processos, com 
certo grau de intencionalidade e sistematização, que tratam 
de modifi car atitudes, ideias, culturas, conteúdos, modelos de 
práticas pedagógicas. E, por sua vez, introduzir, em uma linha 
renovadora, novos projetos e programas, materiais curricula-
res, estratégias de ensino-aprendizagem, modelos didáticos e 
outra forma de organizar e gerir o currículo, a escola e a dinâ-
mica da classe. 
Independentemente do contexto de aplicação, seja para inclusão de alunos 
no ensino regular ou para alunos das escolas de modalidade da educação espe-
cial, salas de recurso ou atendimento educacional especializado, a implementa-
ção de um modelo ou estratégia inovadora na educação, este deve ter clareza da 
sua intencionalidade e necessita de planejamento, sistematização e adequação à 
15
INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA Capítulo 1 
realidade onde será desenvolvido. É fundamental que se tenha clareza da função 
social da escola e quais resultados se almeja por meio do ensino que se propõe. 
Para implementar o modelo de ensino pautado em inovação e uso de dife-
rentes recursos tecnológicos, há que se considerar a criatividade dos professores, 
motivação para desenvolver novas ideias e estratégias, conhecer e reconhecer 
os recursos materiais possíveis. A inovação será um processo e não um fi m em 
si mesma, será uma forma de alcançar os objetivos propostos, nesse caso, em 
especial, para o público da educação especial e inclusiva. 
De acordo com Daros (2018, p. 6), “experiências como atividades realizadas 
em grupo, mais de um professor acompanhando a execução da tarefa, realização 
de projetos, solução de problemas reais, estudos de caso são estratégias que, se 
bem conduzidas, podem gerar uma verdadeira inovação pedagógica”. A autora 
afi rma ainda que:
A inovação cria possibilidades de estabelecer relações signi-
fi cativas entre os diferentes saberes, de maneira progressiva, 
para ir adquirindo uma perspectiva mais elaborada; converte 
as escolas em lugares mais democráticos, atrativos e estimu-
lantes; estimula a refl exão teórica sobre as vivências, expe-
riências e diversas interações das instituições educacionais; 
rompe a cisão entre a concepção e a execução, uma divisão 
própria do mundo do trabalho; amplia a autonomia pedagógica 
e gera um foco de agitação intelectual contínuo; traduz ideias, 
práticas e cotidianas, mas sem se esquecer nunca da teoria. 
Destaca-se que a inovação nunca é empreendida de modo 
isolado, mas pelo intercâmbio e cooperação permanente das 
pessoas envolvidas (DAROS, 2018, p. 6-7).
Para o uso da inovação em sala de aula, como apoio ao trabalho pedagó-
gico, é necessário repensar a formação docente, rever uma estrutura que possa 
oportunizar a interação e incorporação de novos saberes, sem deixar de consi-
derar o conhecimento científi co clássico. Propor cursos de formação continuada 
que possam permitir ao professor realizar práticas e atividades imersivas, para 
que possa despertar a criatividade e vislumbrar novas possibilidades e estratégias 
para auxiliar o aluno a desenvolver o seu potencial criativo e produtivo. De acordo 
com Daros (2018, p. 7), “é preciso considerar que a inovação não ocorre apenas 
no plano pedagógico, mas também no epistemológico”. 
Entendemos inovação como uma alteração de práticas educacionais, que 
pode ser produzida tanto no espaço formal ou informal da educação, produzidas 
por iniciativas, tomadas de decisões, criatividade, criticidade, planejamento e sis-
tematização de mudanças e propostas que visem potencializar o modo de ensinar 
e aprender. Corrobora-se com o conceito de inovação de Cardoso (1997, p. 26):
16
 Tecnologias Digitais e a Educação Inclusiva
A inovação não é uma mudança qualquer. Ela tem um caráter 
intencional, afastando do seu campo as mudanças produzidas 
pela evolução “natural” do sistema. A inovação é, pois, uma 
mudança deliberada e conscientemente assumida, visando 
uma melhoria da ação educativa. A inovação não é uma sim-
ples renovação, pois implica uma ruptura com a situação vi-
gente, mesmo que seja temporária e parcial. Inovar faz supor 
trazer à realidade educativa efetivamente “novo”, ao invés de 
renovar que implica fazer aparecer algo sob um aspecto novo, 
não modifi cando o essencial.
Nessa perspectiva, acrescenta-se que a inovação no âmbito educacional 
está diretamente relacionada à inserção das tecnologias da informação e comu-
nicação (TIC), com uso ou não de recursos tecnológicos, inovação como ferra-
menta de apoio e material didático, elemento motivador e criativo, participação de 
mecanismos de aprendizagem em rede, apoio à gestão da sala de aula, aprendi-
zagem do aluno, manejo de instrumentos tecnológicos, aplicativos e plataformas 
que podem auxiliar principalmente o público da educação inclusiva na aquisição 
de novos conhecimentos. As questões que envolvem inovação e o uso da tecno-
logia na educação podem estar relacionadas ao uso de estratégias metodológicas 
diferenciadas, nova organização do modo de apresentar o conteúdo, por meio de 
estudos de caso, aprendizagem baseada em projetos ou problemas, metodolo-
gias ativas, entre outras. 
O termo tecnologia tem sua origem etimológica na palavra Techné, que vem 
do grego e signifi ca saber-fazer, e logia, do grego Logus, razão. O signifi cado 
original do termo Techné tem sua origem a partir das variáveis do verbo que signi-
fi ca fabricar, produzir, construir, dar à luz, o verbo teuchô ou tictein, seu signifi ca-
do vem de Homero; e teuchos vem de ferramenta, instrumento (TOLMASQUIM, 
1989; LION, 1997). Logo, tecnologia é a razão do saber-fazer (RODRIGUES, 
2001). Primeiro, o sujeito precisa aprender a fazer uso da tecnologia ou recur-
so escolhido, para posteriormente propor diferentes usos e formas de promover 
a aprendizagem, considerando um projeto adequado e um ambiente propício à 
aprendizagem, com estruturas adequadas ao que se almeja. 
A possibilidade de uso da tecnologia está relacionada a todas as profi ssões e 
ao modo de viver na modernidade, ao ambiente externo, ao uso de equipamentos 
que favorecem a adaptação do corpo para a comunicação com o mundo externo. 
Sugerimos a leitura da pesquisa apresentada no site do POR-
VIR, sobre TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO, recomendações e expe-
riências para transformar a maneira como se ensina e aprende a par-
tir do uso de ferramentas digitais. Estas serão exploradas no Capítulo 
3 deste livro. Porvir – disponível em: https://tecnologia.porvir.org/. 
Destaca-se que a 
inovação nunca é 
empreendida de 
modo isolado, mas 
pelo intercâmbio 
e cooperação 
permanente das 
pessoas envolvidas.
17
INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA Capítulo 1 
O século XXI trouxe mudanças signifi cativas para a sociedade, com incon-
táveis transformações em todas as dimensões da vida humana. O progresso tec-
nológico é notável, reconfi gurando a forma de organização social e profi ssional, 
bem como a forma de comunicação e relação entre os indivíduos. As tecnologias 
estão presentes em nosso dia a dia, que muitas vezes nem nos damos conta. 
Fazem parte da vida social, do trabalho, lazer, estudar, auxiliar na organização 
das atividades, comunicação e otimização do tempo. Se pensarmos as formas de 
tecnologias que estão presentes em nossas vidas e as que já vimosser transfor-
madas, perceberemos o quão estas têm evoluído rapidamente, que mal consegui-
mos acompanhá-las. 
As pesquisas de Santarosa e Conforto (2015) ressaltam que as in-
clusões da pessoa com defi ciência, principalmente por meio de recursos 
digitais e ferramentas tecnológicas, possam empoderar essas pessoas. 
Conceito este trazido por Paulo Freire à educação, a fi m de afi rmar a ca-
pacidade de transformação humana. Capacidade que está relacionada 
à tomada de decisões, visibilidades, infl uência, capacidade de realizar 
ações por conta própria, sem precisar do intermédio de outro. 
O acesso aos instrumentos e ferramentas tecnológicas não ocor-
rem de forma automática, principalmente pelas pessoas que possuem 
alguma defi ciência física, sensorial, cognitiva, motora ou aquelas que 
possuem vulnerabilidade econômica, estas precisam de apoio para ge-
renciar o uso dos diferentes recursos tecnológicos, para que possam se 
apropriar e empoderar diante da sociedade. Para tanto, faz-se necessá-
rio desenvolver ações que possam dar condições aos professores para 
que também se apropriem dos recursos a serem utilizados, conforme o 
perfi l dos seus alunos e turma, para que possam auxiliá-los nesse pro-
cesso. De acordo com Santarosa e Conforto (2015, p. 350):
A escola brasileira afi rma-se como uma instituição 
de acolhimento da diferença e de ruptura com as 
ações educativas cerceadas pela rígida demarcação 
de tempos e espaços para o aprender. Por meio de 
políticas públicas inclusivas, a diversidade humana e 
os dispositivos móveis (laptops e tablets) começam a 
imprimir as possibilidades e os desafi os relacionados 
à presença de estudantes com defi ciência na escola 
regular, como também de experienciar de conceitos 
de conectividade, de portabilidade, de fl exibilidade, 
de pertencimento e de customização.
O uso da tecnologia, principalmente no contexto escolar, atualmente ultra-
passa os muros da escola, não apenas relacionados a recursos eletrônicos e di-
gitais, como rádio, televisão, computadores, tablets, laptops e smartphones para 
As inclusões 
da pessoa com 
defi ciência, 
principalmente 
por meio de 
recursos digitais 
e ferramentas 
tecnológicas, 
possam empoderar 
essas pessoas.
O acesso aos 
instrumentos 
e ferramentas 
tecnológicas 
não ocorrem de 
forma automática, 
principalmente 
pelas pessoas que 
possuem alguma 
defi ciência física, 
sensorial, cognitiva, 
motora ou aquelas 
que possuem 
vulnerabilidade 
econômica, 
estas precisam 
de apoio para 
gerenciar o uso dos 
diferentes recursos 
tecnológicos, 
para que possam 
se apropriar e 
empoderar diante da 
sociedade.
18
 Tecnologias Digitais e a Educação Inclusiva
atividades diversas, mas ao uso competente desses recursos, envolvendo estra-
tégias de ensino que superem o ensino tradicional, a memorização e aprendiza-
gem mecânica. Seu uso deve fazer com que o aluno seja desafi ado a demonstrar 
e utilizar seus conhecimentos adquiridos para resolver problemas, desenvolver 
conceitos, pesquisas propostas e soluções, trabalhar em rede, comunicar-se de 
diferentes formas, utilizar aplicativos para tornar a aprendizagem e conteúdo mais 
interessante e instigante para o aluno. As pesquisas realizadas por Santarosa, 
Conforto e Vieria (2014) no campo da Informática, em especial na Educação Es-
pecial, têm demonstrado o quão potente a capacidade das tecnologias digitais 
podem se tornar quando acessíveis, pois podem impulsionar novas práticas de 
empoderamento para professores e estudantes, com e sem defi ciência.
Atualmente, os computadores e notebooks são comuns nas escolas e na 
casa de nossos alunos. “Em 1999 no Brasil, houve expansão da capacidade dos 
computadores, bem como uma redução substancial dos preços, facilitando o 
acesso à tecnologia disponível para todos os alunos em muitos ambientes esco-
lares” (SMITH, 2008, p. 134). Nesse período, o acesso às tecnologias se tornou 
viável para a maior parte das escolas de todo o país. Para os alunos da educação 
inclusiva, os benefícios são signifi cativos e as possibilidades de aprendizagem 
criadas pela tecnologia continuam a ser descobertas. Educadores das diferentes 
etapas de ensino vêm sendo autores de muitas práticas e materiais que passam 
ser socializados como experiências e práticas de sucesso. 
Alguns educadores, segundo a pesquisa de Lewis (1998 apud 
SMITH, 2008), sugerem que o computador ou o notebook seja consi-
derado como uma “prótese cognitiva” para alunos com distúrbios de 
aprendizagem. Tais avanços refl etem no modo de planejamento das 
aulas realizado pelos professores, além dos benefícios na aprendiza-
gem dos alunos. 
A tecnologia favorece ao público da educação inclusiva, principal-
mente quando se refere ao aumento do potencial desses indivíduos, 
compensar os efeitos da defi ciência e fornecer modelos alternativos de 
desempenho nas tarefas, possibilitando a eles se sentirem capazes de 
realizar diferentes ações que antes eram consideradas utópicas.
A lista de opções que podem contribuir com o desenvolvimento 
da aprendizagem dos alunos com alguma defi ciência ou difi culdade de 
aprendizagem é longa, outro exemplo é o software DOSVOX, utilizado 
para pessoa que possui defi ciência visual, pois nem toda as pessoas 
com cegueira total ou parcial leem braile. O programa auxilia no proces-
so de alfabetização, utilizando um teclado que pode ou não ser adap-
tado em braile. O DOSVOX é instalado no computador ou notebook do 
A tecnologia 
favorece ao 
público da 
educação inclusiva, 
principalmente 
quando se refere 
ao aumento do 
potencial desses 
indivíduos, 
compensar 
os efeitos da 
defi ciência e 
fornecer modelos 
alternativos de 
desempenho 
nas tarefas, 
possibilitando a 
eles se sentirem 
capazes de realizar 
diferentes ações 
que antes eram 
consideradas 
utópicas.
19
INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA Capítulo 1 
aluno com defi ciência visual, e este poderá produzir seus textos, realizar tarefas 
no livro didático que será traduzido e inserido no computador do aluno para que o 
programa o reconheça, além de fazer suas próprias anotações acerca do conteú-
do que está sendo apresentado pelo professor. 
Além do DOSVOX, temos também o Virtual Vision, que é um leitor de tela de-
senvolvido pela MicroPower e adaptado para o Windows, e seus aplicativos não 
requerem sintetizador de voz externo. Outro é o Jaws, considerado o leitor de tela 
mais popular, possui um software de sintetizador de voz que utiliza a própria placa 
de som do computador. Já o Windows Eyes auxilia no acesso à internet, ele faz 
a captura de informações existentes na tela, faz a conversão dessas informações 
em áudio que serão enviadas em forma de som para o usuário. Todos esses pro-
gramas permitem, por meio do uso da tecnologia, que o aluno tenha autonomia no 
processo de ensino-aprendizagem, e não se sinta atrasado ou constrangido junto 
aos demais alunos da sala de aula. 
Para as pessoas com defi ciência auditiva, a internet e o uso do computador 
propiciam a inclusão e conexão com o mundo, criam novas formas de se comuni-
car e se sentir incluído entre os grupos. O WhatsApp e o Telegran, aplicativos de 
comunicação utilizados em smartphones, foram um grande marco para a comu-
nicação e inclusão das pessoas com surdez, principalmente no contexto escolar, 
agora passam a ser incluídos em grupos de trabalho, recebem as orientações por 
escrito e também se comunicam com os colegas. Para aqueles que às vezes se es-
quecem de que tem um defi ciente auditivo no grupo, tem os seguintes aplicativos: 
Speech To Text Notepad, Google Keyboard e Dragon Dictation, também podem ser 
utilizados no Facebook, Twuiter e WhatsApp. Os três são aplicativos que convertem 
os áudios em textos, até mesmo transcrevem os áudios de videoaulas em texto. A 
seguir, apresentamos uma síntese dos aplicativos citados e sua função.
QUADRO 1 – APLICATIVOS PARA PESSOA COM DEFI-
CIÊNCIA VISUAL E DEFICIÊNCIA AUDITIVAPÚBLICO APLICATIVOS FUNCIONALIDADE
Defi ciente 
visual 
DOSVOX
É um software que auxilia no processo de alfabetização, utilizando 
um teclado que pode ou não ser adaptado em braile.
Virtual Vision
É um leitor de tela desenvolvido pela MicroPower e adaptado para o 
Windows, e seus aplicativos não requerem sintetizador de voz externo.
Jaws
É um leitor de tela, possui um software de sintetizador de voz que 
utiliza a própria placa de som do computador.
Windows Eyes
Auxilia no acesso à internet, ele faz a captura de informações exis-
tentes na tela, faz a conversão dessas informações em áudio que 
serão enviadas em forma de som para o usuário.
20
 Tecnologias Digitais e a Educação Inclusiva
Defi ciente 
auditivo 
Speech To 
Text Notepad
É um aplicativo que transforma áudios em texto, reconhece mais de 
120 idiomas. 
Google 
Keyboard
É uma ferramenta do Google que possui um teclado inteligente, em 
que a digitação pode ser por gesto e voz, sendo um facilitador na co-
municação para envio de mensagens de texto. Reconhece centenas 
de idiomas. 
Dragon 
Dictation
É uma ferramenta de reconhecimento de voz, transforma tudo o que 
é dito em uma mensagem de voz, em texto.
FONTE: A autora
Os avanços tecnológicos de softwares e hardwares são importantíssimos 
para os alunos, principalmente para aqueles que possuem distúrbios de aprendi-
zagem, pois estes podem compensar seus desafi os de aprendizagem. Mas estes, 
por si só, não deram conta de auxiliar essa compensação, por isso é fundamental 
o papel do professor, e também da família, acompanhar o processo de ensino e 
aprendizagem de seu fi lho. 
De acordo com Boonne, Higgins e Williams (1997 apud SMITH, 2008, p. 
134), outro recurso é a instrução assistida pelo computador (CAI – Computer As-
sisted Instruction), este: 
Apoia ou, mesmo reforça a instrução tradicional. A instrução 
intensifi cada pelo computador fornece mais exercícios e opor-
tunidades de prática. Algumas características do CAI fazem 
expandir as oportunidades de aprendizagem. Por exemplo, 
o Hipertexto usa janelas pop-up, para mais explicações do 
assunto do livro-texto, permite aos indivíduos opções para re-
cuperar defi nições de palavras difíceis do vocabulário, refor-
mulando um trecho confuso ou complicado. O hipertexto tem 
mapas detalhados e diagramas para melhor entendimento de 
conceitos introduzidos no texto. Essas características estão 
disponíveis para os alunos com um simples pressionar de uma 
tecla do computador, capacitando os professores a adaptar os 
livros-texto de forma que os alunos com distúrbios de aprendi-
zagem tenham melhor acesso ao currículo do ensino regular. A 
hipermídia avança ainda mais, oferecendo multimídias, como 
o videoclipe, suplementos e enriquecimentos de textos com 
apresentações visuais muito interessantes. 
Essas possibilidades nos provocam a refl etir sobre a função da tecnologia 
em sala de aula, e o quanto estas podem auxiliar na inclusão dos alunos com 
necessidades educacionais especiais, incluindo aí, também, os alunos com habi-
lidades acima da média e mesmo os alunos típicos, que não possuem nenhuma 
comorbidade ou difi culdade no processo de ensino-aprendizagem, já que a tec-
nologia passa a ser algo a mais. Smith (2008, p. 135) apresenta as opções de 
Tecnologia de apoio para os alunos com Distúrbios de Aprendizagem, que podem 
ser visualizados no quadro a seguir:
21
INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA Capítulo 1 
QUADRO 2 – TECNOLOGIA DE APOIO PARA OS ALUNOS 
COM DISTÚRBIOS DE APRENDIZAGEM
Barreira Difi culdades Tecnologia de apoio
Impressão Leitura Livros em áudio
Computadores “que falam”
Filmes e vídeos legendados 
Software de mapeamento do tema 
(mapeamento da fábula)
Textos retirados da Web 
Hipermídia e hipertexto 
Escrita Editores de texto (incluindo assistência gramatical)
“Minipublicações” (desktop publishing)
Funções de léxico
Editores de estilo do texto
Ferramentas para montagem de texto 
Dicionário de sinônimos 
Ortografi a Verifi cador ortográfi co 
Equipamento para gravação de voz
Comunicação Organização Manipulação gráfi ca 
Software para apresentações (por exemplo Power-
Point, Software de planejamento semântico)
Fala E-mail
Sistemas de informação sonora 
Sintetizador de voz 
Resolução de 
problemas 
Cálculo Calculadora de mão 
Tabelas fi nanceiras 
Programas de gráfi cos 
Organização Vida diária Organizador pessoal 
Calendário eletrônico 
Lembretes eletrônicos 
Agenda eletrônica (de endereços)
Habilidade de estudo Software pra organização (resumir, or-
ganizar gráfi cos, cronometrar)
Aprendizagem Assuntos para 
pesquisa 
CD-ROM de livros indicados
Arquivos de internet
Aulas no laboratório de informáti-
ca (hipermídia, hipertexto)
Relembrando Sistema de resumo (ideias principais dos detalhes)
FONTE: Smith (2008, p. 135)
A internet e os recursos citados por Smith (2008) apresentam as possibilida-
des para que os alunos com distúrbios de aprendizagem possam participar o cur-
22
 Tecnologias Digitais e a Educação Inclusiva
rículo escolar do ensino regular, sendo incluídos. Ler textos era algo que parecia 
ser inalcançável, assim os aplicativos tornam essa distância cada vez menor, uma 
vez que livros digitais podem ser acessados, além de visitas a museus virtuais, 
conhecer diferentes lugares do mundo, pois ser incluído digitalmente passa a ser 
uma forma de aumentar a bagagem cultural dos nossos alunos como um todo. 
À defi ciência física, a tecnologia implica em um apoio não apenas em ferra-
mentas e dispositivos que permitem aos indivíduos interagir com o mundo que os 
cerca, mas está relacionado também a facilitar ações diárias e também garantir a 
saúde de muitas pessoas. 
As adaptações não estão apenas relacionadas à alta tecnologia e a programas 
sofi sticados, mas adaptados a talheres, quadro de comunicações, adaptadores para 
cadeira de rodas, apoio para cabeça, próteses e órteses, dentre outros equipamentos 
que auxiliam na locomoção, desenvolvimento motor, postura e comunicação dos indi-
víduos com defi ciência física, que repercutem nas ações do seu dia a dia. 
COMO A BIÔNICA E A ROBÓTICA INFLUENCIAM A VIDA 
DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS FÍSICAS?
A mobilidade é uma área em que os benefícios da tecnologia 
são óbvios: liberdade de movimento, aumento da privacidade e inde-
pendência pessoal. Hoje, os indivíduos podem selecionar membros 
artifi ciais que são biônicos e semelhantes aos humanos. Membros 
mioelétricos (biônicos) são movidos à bateria e esteticamente agra-
dáveis. Eles são ocos, mas contêm um sensor que capta sinais elé-
tricos transmitidos pelo cérebro do indivíduo por meio do membro. 
Embora não sejam ainda como um membro artifi cial biônico popu-
larizado nos fi lmes da TV (O Homem Biônico e A Mulher Biônica), 
permitem ao indivíduo controlar o movimento e a função. Diamond 
Excell nasceu sem os braços, mas ela pode agora abraçar sua mãe 
com seus novos braços “biônicos” (Association Press, 2001). Com 
o apoio comunitário e doações acima de 60 mil dólares, seus bra-
ços especialmente construídos movem-se quando os sinais em seu 
cérebro fl exionam um músculo e ativam um motor em seu membro 
artifi cial. A mão é de látex, moldada com dedos e unhas, e a cor da 
pele é igual à sua. 
A robótica é outra área promissora para o futuro de pessoas 
com defi ciências físicas. A robótica consiste no uso de equipamentos 
23
INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA Capítulo 1 
sofi sticados para alcançar habilidades motoras conforme desejadas. 
Por exemplo, os braços robóticos podem manipular objetos, em no 
mínimo, três movimentos direcionados: extensão/retração, balanço/
rotação e elevação/abaixamento. Outros avanços nessa área in-
cluem robôs ativados por voz, que estão em estágio de desenvol-
vimento, mas são uma grande promessa de apoio à rotina com in-
dependência. Os robôs manipuláveis têm sido usados com sucesso 
no apoio às crianças em suas atividadesde autoajuda, como teclar 
o telefone, virar as páginas do livro, tomar o líquido de uma xícara. 
Os custos, a mobilidade, os reparos e o treinamento são atualmente 
obstáculos para a difusão desse tipo de tecnologia; porém, a deman-
da popular por robôs que sejam capazes de realizar tarefas domésti-
cas provavelmente crescerá no futuro, o que podem fazer com que a 
tecnologia robótica fi que mais acessível em termos fi nanceiros. 
Além disso, os membros mioelétricos, partes artifi ciais do corpo 
que são especialmente planejadas para as várias atividades, estão, 
hoje em dia, disponíveis e populares. Os indivíduos usam um dese-
nho especial de membros para corrida, um outro para andar e outro 
para jogar futebol, e assim por diante. Michael Rinehart nasceu sem 
os pés, mas isso não o impediu de jogar futebol, com suas pernas es-
pecialmente desenhadas, no time de ensino médio (Humbles, maio 
de 2000). Na verdade, ele tira suas pernas para nadar e usa outras 
diferentes para correr e pedalar. Ele tem o recorde americano entre 
os atletas com defi ciência da meia-maratona, corre 1.600 metros em 
6 minutos e 48 segundos, além de ter o recorde norte-americano dos 
200 metros de nado-peito. Ele espera fazer parte da equipe da próxi-
ma Paraolimpíada dos Estados Unidos.
FONTE: Smith (2008, p. 291)
24
 Tecnologias Digitais e a Educação Inclusiva
De acordo com Gadotti (2010), a inclusão das tecnologias digitais no contex-
to escolar passa a ser uma possibilidade de interagir, contextualizar conteúdos, a 
fi m de que o aluno perceba conexões e as relações existentes entre um conteúdo 
e outros, incidindo diretamente na produção e aquisição do conhecimento. 
A pesquisa de Locatelli e Schlemmer (2018) alertam para o novo perfi l das 
gerações que nasceram e crescem com a evolução tecnológica digital, ou seja, 
os chamados “nativos digitais”, ou aos “falantes” nativos da linguagem digital dos 
computadores, videogames e da internet. Estes apresentam um novo perfi l, e 
frente a isso é necessário pensar em novos modelos de aprendizagem. Visto que 
o contexto tecnológico digital:
[...] pode estar infl uenciando a forma como se desenvolvem, 
percebem e signifi cam o mundo, pois aprendem por meio de 
cliques, toques, telas, ícones, sons, jogos, num emaranhado 
de ações e interações que envolvem a curiosidade, a pesqui-
sa, a descoberta, o desafi o, a exploração, a experimentação, a 
vivência em diferentes redes de conversações online (LOCA-
TELLI; SCHLEMMER, 2018, p. 3-4). 
O desafi o da Educação, em específi co na educação especial, em meio a 
tantas mudanças no mundo moderno está em propor novas formas de aprendi-
zagem. Estas devem desenvolver, nos alunos, competências e habilidades que 
contribuem para que este possa fazer uso competente das informações que estão 
disponíveis no mundo global e digital. Ao falar de Educação na atualidade, não é 
possível ignorar o fenômeno de como os indivíduos se relacionam com o mundo 
digital, pois estes incidem nas novas formas de pensar, se relacionar e estabele-
cer relações com o mundo. 
A tecnologia deve ser utilizada não apenas para potencializar o 
processo de ensino-aprendizagem, mas deve estar a serviço da inclu-
são, conforme aponta o Art. 9 da Convenção sobre os Direitos das Pes-
soas com Defi ciência. 
A fi m de possibilitar às pessoas com defi ciência viver de forma 
independente e participar plenamente de todos os aspectos da 
vida, os Estados Partes tomarão as medidas apropriadas para 
assegurar às pessoas com defi ciência o acesso, em igualdade 
de oportunidades com as demais pessoas, ao meio físico, ao 
transporte, à informação e comunicação, bem como outros ser-
viços e instalações abertos ao público e de uso público, tanto 
na zona urbana como na rural. Essas medidas, que incluirão a 
identifi cação e a eliminação de obstáculos e barreiras às aces-
sibilidades, serão aplicadas, entre outros, a: 
a) edifícios, rodovias, meios de transporte e outras instalações 
internas e externas, inclusive escolas [...] 
b) informações, comunicações e outros serviços, inclusive ser-
viços eletrônicos e serviços de emergência. [...] 
A tecnologia deve 
ser utilizada não 
apenas para 
potencializar o 
processo de ensino-
aprendizagem, 
mas deve estar a 
serviço da inclusão, 
conforme aponta o 
Art. 9 da Convenção 
sobre os Direitos 
das Pessoas com 
Defi ciência.
25
INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA Capítulo 1 
h) promover desde a fase inicial, a concepção, o desenvolvi-
mento, a produção e a disseminação de sistemas e tecnologias 
de informação e comunicação, a fi m de que esses sistemas 
e tecnologias se tornem acessíveis a custo mínimo (BRASIL, 
2009, s.p.). 
Nesse sentido, ao falar de novos tempos, temos um modelo de sociedade 
tecnológica e inovadora, e o mercado de trabalho tem exigido profi ssionais mais 
capacitados, ativos e protagonistas nos diferentes espaços. Assim, o modelo de 
ensino tradicional não atende a este perfi l. Retorna, assim, um debate de ideias 
antigas, porém com novas propostas, a fi m de atender ao mercado econômico, 
social e cultural ao qual nos encontramos. A escola e a universidade devem se 
tornar o espaço propulsor de novas formas de aprendizagem, conduzir o ser apre-
endente, a fazer uso de tantas informações disponíveis, saber resolver problemas 
de forma criativa e inovadora, não ser apenas um mero reprodutor de conteúdos e 
informações já disponíveis na internet. 
As aprendizagens por experimentação, por design e aprendi-
zagem maker são expressões atuais da aprendizagem ativa, 
personalizada e compartilhada. A ênfase na palavra ativa pre-
cisa sempre estar associada à aprendizagem refl exiva, para 
tornar visíveis os processos, os conhecimentos e as compe-
tências do que estamos aprendendo com cada atividade. En-
sinar e aprender tornam-se fascinantes quando se convertem 
em processos de pesquisa constantes, de questionamento, de 
criação, de experimentação, de refl exão e de compartilhamen-
to crescentes, em áreas de conhecimento mais amplas e em 
níveis cada vez mais profundos. A sala de aula pode ser um 
espaço privilegiado de cocriação, maker, de busca de soluções 
empreendedoras, em todos os fi os, jogos, experiências, vivên-
cias, problemas, projetos, com os recursos que têm em mãos: 
materiais simples ou sofi sticados, tecnologias básicas ou avan-
çadas. O importante é evoluir como pesquisadores, descobri-
dores, realizadores; que conseguem assumir riscos, aprender 
com os colegas, descobrir seus potenciais. Assim, o aprender 
se torna uma aventura permanente, uma atitude constante, um 
progresso crescente (MORAN, 2018, p. 3).
É importante o estímulo multissensorial e a valorização dos conhecimentos 
prévios dos estudos, para que possam sustentar os novos conhecimentos, a tec-
nologia poderá auxiliar nesse processo. Desse modo, é necessário repensar a 
organização dos espaços de aprendizagem, a formação dos profi ssionais da edu-
cação das diversas áreas, desde a educação infantil até o ensino superior, pois a 
aprendizagem ativa se dá ao longo da vida. 
O ser humano aprende ativamente desde que nasce e inicia sua interação 
com o mundo, enfrentando desafi os mais complexos. Aprendemos a partir de si-
tuações concretas, que aos poucos conseguimos ampliar e generalizar (processo 
26
 Tecnologias Digitais e a Educação Inclusiva
indutivo), aprendemos também por meio de teorias e ideias que precisam ser tes-
tadas, depois no concreto (processo dedutivo), não apenas para uma adaptação 
da realidade, mas para transformar, intervir e recriá-la.
Ao longo dos anos, nota-se que o processo de ensino e as metodologias 
predominantes são as dedutivas, ou seja, o professor transmite a teoria e o aluno 
deve aplicá-la em situações específi cas, não interação direta com o conteúdo. 
Entretanto, as pesquisas de Moran (2018, p. 2) constataram que:
[...] a aprendizagem por meio da transmissão é importante, 
mas a aprendizagem por meio de questionamentoe experi-
mentação é mais relevante para a compreensão mais ampla e 
profunda. Nos últimos anos, tem havido uma ênfase em com-
binar metodologias ativas em contextos híbridos, que unam as 
vantagens das metodologias indutivas e das metodologias de-
dutivas. Os modelos híbridos procuram equilibrar a experimen-
tação com a dedução, invertendo a ordem tradicional: experi-
mentamos, entendemos com a dedução, invertendo a ordem 
tradicional: experimentamos, entendemos a teoria e voltamos 
para a realidade (indução-dedução, com apoio docente).
A neurociência e a psicologia cognitiva vêm apresentando muitas pesquisas 
que comprovam o quão o ser humano aprende de formas diferentes e variadas, 
pois cada ser é único, e aprendizagem tem relevância de modo distinto em cada 
um. Aprendemos o que nos interessa e faz sentido, o que está próximo do estágio 
de desenvolvimento que nos encontramos. Não é recente o debate e pesquisas 
sobre a aprendizagem ativa, e de que cada pessoa aprende de forma diferente e 
em tempos distintos. 
Dewey (1950), Freire (1996), Ausebel et al. (1980), Rogers (1973), Piaget 
(2006), Vygotsky (1998) e Bruner (1976) mostram que tanto a criança quanto o 
adulto aprendem de forma ativa, por meio de atividades concretas, a partir do 
contexto em que se encontra, do que lhe é signifi cativo e relevante. Esses auto-
res questionam o modelo de ensino tradicional, que ignora os tempos e modo de 
aprender, onde a aprendizagem ocorre de forma mecânica e por meio da reprodu-
ção de conteúdos prontos. O aluno não é participativo, e sim passivo, receptor de 
informações e pouco questionador. 
A personalização no processo de ensino-aprendizagem vem sendo muito uti-
lizada, principalmente o debate que suscita novas estratégias que envolve inova-
ção, com e sem uso de recursos tecnológicos. Bacich e Moran (2018) chama a 
atenção por ser um processo complexo, que exige maturidade dos estudantes e 
docentes, é uma tarefa árdua e precisa de professores bem preparados e remu-
nerados para o ensino neste formato. Em contraponto, temos hoje muitas platafor-
mas e aplicativos que favorecem a personifi cação do ensino, auxiliam no proces-
so de monitoria do ensino por meio de plataformas que monitoram o desempenho 
e avanços do aluno em tempo real. 
27
INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA Capítulo 1 
Cada aluno vai desenvolvendo suas atividades e verifi cando quando precisa 
de maior apoio do professor, de orientação e monitoria, e o professor vai acom-
panhando o progresso dos alunos. É fundamental que se tenha uma equipe de 
mentores para acompanhar as etapas de cada projeto (diagnóstico, design, imple-
mentação e avaliação) e as diferentes visões de mundo dos alunos, dando-lhes 
bons feedbacks sempre que possível. 
Nunes et al. (2015) ressaltam que a defi nição de inovação educacional está 
relacionada a uma prática educacional inovadora à ação estruturada relativamen-
te nova, que efetiva melhorias no processo de ensino-aprendizagem. Considera-
-se nesse contexto, as características das instituições escolares, os interesses 
e necessidades dos alunos, bem como perfi l da turma e condições para que o 
trabalho pedagógico seja efetivado.
Os autores citados se preocupam em defi nir critérios para manusear a inova-
ção educacional, ou seja, critérios essenciais são os que permitem avaliar os im-
pactos, contextualização, efi ciência, aplicabilidade, engajamento, intencionalidade 
e critérios desejáveis, interdisciplinaridade, inter-relacionamento e inclusão, como 
apresentado no quadro a seguir: 
QUADRO 3 – CRITÉTIOS ESSENCIAIS DESEJÁVEIS QUE TODAS AS PRÁTICAS 
DEVEM OBSERVAR, SUA DESCRIÇÃO E SEUS RESPECTIVOS INDICADORES
CRITÉRIO DESCRIÇÃO INDICADORES
Impacto A ação pedagógica inovadora deve gerar 
mudanças que resultem em melhorias re-
ais para a educação. O impacto refere-se 
ao efeito gerado após a execução da prá-
tica educacional inovadora. Este deve ser 
signifi cativo e claramente percebido nos 
alunos e no seu desempenho.
• Demonstra resultados substanciais de 
melhoria na aprendizagem.
• Demonstra resultados substanciais de 
melhoria do fl uxo escolar.
• Demonstra resultados substanciais no 
desenvolvimento de competências dos 
alunos, considerando sua diversidade 
de interesses e necessidades.
Contextu-
alização
A prática educacional deve ser elaborada 
e executada considerando as caracterís-
ticas do local e das pessoas envolvidas 
no processo. A inovação só apresentará 
resultados satisfatórios se estiver contex-
tualizada. A contextualização é um dos 
fatores mais determinantes para o êxito 
de uma prática inovadora, e é um risco 
tentar importar práticas sem as devidas 
adaptações que respeitem as caracterís-
ticas culturais, sociais, histórias e econô-
micas dos alunos e da escola.
• Considera circunstâncias sociais, eco-
nômicas e culturais da escola, da comu-
nidade e da localidade.
28
 Tecnologias Digitais e a Educação Inclusiva
Efi ciência A efi ciência refere-se à racionalização 
dos recursos (materiais, humanos, fi -
nanceiros), de modo que se obtenha o 
melhor resultado possível com a menor 
quantidade de recursos. Ser efi ciente na 
prática educacional inovadora é empre-
gar da melhor forma possível os recur-
sos disponíveis.
• Fez bom uso dos recursos (materiais e 
de estrutura) disponíveis.
Aplicabilidade Aplicabilidade é a possibilidade de im-
plementar a prática em outro contexto 
fazendo as devidas contextualizações.
• É aplicável em outras realidades edu-
cacionais, com as devidas adaptações.
Engajamento Engajamento na prática educacional ino-
vadora é o envolvimento e a interação 
entre os envolvidos: alunos, professores, 
servidores técnico-administrativos e dire-
ção da escola. O engajamento se refl ete 
no empenho com o qual os envolvidos 
participam da prática.
• Promove o envolvimento ativo de alu-
nos, professores, gestores e da comuni-
dade na prática inovadora.
Intencio-
nalidade 
A inovação não é um fi m em si mesma, 
mas sim uma forma de alcançar os obje-
tivos da educação. A inovação educacio-
nal deve ser orientada para resultados, 
promovendo mudanças signifi cativas no 
contexto pedagógico e/ou escolar.
• Soluciona problemas dos alunos, pro-
fessores e da escola como um todo.
Interdiscipli-
naridade
Na prática educacional inovadora, a in-
terdisciplinaridade pode estar presente 
na busca por integração entre diferentes 
disciplinas, conteúdos e abordagens.
• Integra diferentes conteúdos, discipli-
nas e/ou áreas de conhecimento.
• Traz elementos novos gerando novas 
formas de aprender e de ensinar
Inter-relacio-
namento
A diversidade de pessoas de fora da es-
cola envolvidas na prática inovadora é 
altamente enriquecedora. A inclusão de 
colaboradores e organizações além da 
escola aumenta a complexidade da práti-
ca, pois há potencialmente mais confl itos 
e mais pessoas para gerenciar, porém in-
crementa a capacidade da rede para re-
solver problemas multidimensionais, que 
não podem ser reduzidos às perspectivas 
particulares de indivíduos.
• Promove a participação de atores ex-
ternos à escola, formando parcerias 
com outros professores, escolas, comu-
nidade ou outras organizações.
29
INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA Capítulo 1 
Inclusão A inclusão em práticas educacionais inova-
doras refere-se ao acolhimento de todos os 
alunos, independentemente de cor, classe 
social e condições físicas e psicológicas.
• Promove a aceitação e a valorização 
das diferenças individuais.
FONTE: Adaptado de Nunes et al. (2015 apud TEIXEIRA; SOUZA, 2018, p. 24)
Ganham espaço as atividades em que a educação formal, ou seja, institui-
ção, professores e alunos se envolvem com a comunidade, e utilizam como es-
tratégia a personifi cação do ensino, aprendizagem compartilhada, aprendizagem 
por tutoria, visto que o aluno entrará em contato com a comunidade, além de 
difi culdades e situações de problemas reais, de modo a conhecer e contribuirde 
forma efetiva com soluções para a comunidade. O professor atua como designer 
de caminhos, de atividades individuais e em grupo. Torna-se um gestor da apren-
dizagem, orientador de caminhos individuais e coletivos, previsíveis e imprevisí-
veis, na construção do conhecimento de forma mais ativa, criativa e empreende-
dora, dada assim a importância de se defi nir indicadores e critérios de avaliação e 
acompanhamento do trabalho pedagógico. 
Temos instituições que trabalham com projetos integradores, onde todas as 
disciplinas do curso convergem para dar sustentação teórica para o projeto em 
desenvolvimento, todos trabalham em conjunto e em uma trilha de aprendizagem, 
permeadas ou não pelo uso de recursos tecnológicos. 
A obra Educação fora da caixa apresenta experiências e prá-
ticas sobre Inovação na Educação. São sistematizações e práticas 
que contemplam tanto as turmas da educação básica, quanto do en-
sino superior. 
O download do e-book pode ser realizado pelo site: https://via.
ufsc.br/educacao-fora-da-caixa/. 
30
 Tecnologias Digitais e a Educação Inclusiva
Atividades De Estudo:
1) Ana é professora do 9º ano do Ensino Fundamental II e está dis-
posta a convencer o diretor do colégio onde leciona de que cada 
aluno deve ter um notebook pessoal para atividades em sala de 
aula. Nas salas onde Ana leciona, somente os alunos com de-
fi ciência receberam notebooks, devidamente adaptados, para o 
acompanhamento das aulas. A professora observou que, com o 
tempo, grande parte dos alunos que tinha um notebook pessoal 
ou um tablet à disposição no momento da aula, apresentou, ao 
longo dos meses, resultados que, em média, foram melhorando e 
aumentando signifi cativamente, do que os resultados dos alunos 
sem algum tipo de defi ciência que não receberam os notebooks. 
O pensamento da professora foi: Os notebooks estão adaptados 
para atender às necessidades educacionais dos alunos com de-
fi ciência, ou seja, capacitando-os a seguir normalmente as aulas, 
assim como os demais. Contudo, os computadores possibilitaram 
a esses alunos novas formas de aprender, com o acesso à inter-
net e à biblioteca virtual da escola, além do uso de aplicativos e 
de gadgets... Por que, então, não permitir que todos os alunos, 
e não apenas um pequeno grupo, se benefi cie com isso? Ago-
ra, Ana precisa pensar em apresentar um projeto para a coorde-
nação da escola, de modo que todos os alunos, e não apenas 
os alunos com algum tipo de necessidade educacional especial, 
possam usufruir de um notebook em sala de aula. Sendo assim, 
sua missão é ajudar a Ana. Quais justifi cativas podem ser utiliza-
das pela professora Ana, em favor do uso de notebooks em sala 
de aula por parte dos alunos?
3 APRENDIZAGEM 
COLABORATIVA COM USO DAS 
TECNOLOGIAS
O trabalho em grupo é uma ferramenta poderosa para muitos edu-
cadores e alunos, porém também pode ser o contrário, caso o profes-
sor não saiba conduzir o trabalho em grupo coerentemente. Para que 
a proposta tenha resultados positivos é necessário ter objetivos claros, 
Para que a proposta 
tenha resultados 
positivos é necessário 
ter objetivos claros, 
defi nir previamente 
os conteúdos que 
serão trabalhados, 
planejar a dinâmica e 
estratégia que melhor 
se adéqua à turma.
31
INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA Capítulo 1 
defi nir previamente os conteúdos que serão trabalhados, planejar a dinâmica e 
estratégia que melhor se adéqua à turma.
É necessário considerar o número de alunos e características destes quanto 
à aprendizagem, materiais disponíveis e o ambiente onde as atividades serão re-
alizadas. Realizar uma aprendizagem colaborativa, signifi ca “construir uma apren-
dizagem ativa, então o trabalho em grupo, planejado intencionalmente, é uma 
ferramenta poderosa, que oferece oportunidades simultâneas a todos” (COHEN; 
LOTAN, 2017, p. 1).
O trabalho em grupo para realização da aprendizagem colabora-
tiva depende sempre das estratégias que o professor selecionou para 
a concretização da atividade. Devemos ter em mente que as salas de 
aula são compostas por grupos heterogêneos, composta por alunos 
com altas habilidades/superdotação, com defi ciências ou difi culdades 
de aprendizagem, e os alunos que possuem timidez, introversão, outros 
têm facilidade, o importante é que, independentemente da habilidade 
ou difi culdade, o trabalho colaborativo permitirá que cada um contribui-
rá com a habilidade que possui. O trabalho colaborativo evoca as dife-
rentes visões dos estudantes, trocar ideias sobre temas, investigar a validade de 
diferentes pontos de vista pela leitura, compartilhando suas descobertas e prepa-
rando relatórios individuais e em grupo. 
Infelizmente, as práticas citadas são pouco realizadas em nossas 
salas de aula, visto a concepção pedagógica do professor, as condições 
em que o trabalho pedagógico ocorre, além da necessidade de que os 
alunos também aprendam e se conscientizem da sua função nos grupos, 
ou seja, aprender a estudar, e contribuir com as atividades quando esti-
ver trabalhando em grupo. A implementação de um trabalho colaborativo 
em sala é gradativa e processual, aos poucos tanto professor quanto 
aluno vão se benefi ciando, pois os alunos amadurecem e aprendem a 
se preocupar com o outro, aprendem também a ensinar e se preocupar 
com os colegas, não ignorando as difi culdades que alguns possuem.
Cohen defende efi cazmente a utilização do trabalho 
em grupo em turmas heterogêneas e fornece exem-
plos úteis de como os alunos são levados natural-
mente a aprender uns com os outros, independente 
dos seus diferentes níveis de progresso. De fato, 
essas diferenças se tornam vantagens em vez de 
desvantagens (COHEN; LOTAN, 2017, p. xxi).
Mas um trabalho em grupo, apresentado pelos autores, não é aquele que em 
que o professor exerce autoridade. Deve ser organizado de modo a delegar auto-
ridade aos alunos para que possam fazer suas próprias escolhas para debater a 
O trabalho em grupo 
para realização 
da aprendizagem 
colaborativa 
depende sempre 
das estratégias 
que o professor 
selecionou para a 
concretização da 
atividade.
A implementação 
de um trabalho 
colaborativo em 
sala é gradativa 
e processual, 
aos poucos tanto 
professor quanto 
aluno vão se 
benefi ciando, 
pois os alunos 
amadurecem e 
aprendem a se 
preocupar com o 
outro, aprendem 
também a ensinar 
e se preocupar 
com os colegas, 
não ignorando as 
difi culdades que 
alguns possuem.
32
 Tecnologias Digitais e a Educação Inclusiva
resolução do problema, a professora será aquela que irá supervisionar e apoiar os 
grupos nas suas escolhas. Eles estarão livres para defi nir o papel e função que cada 
um exercerá. Ainda, são responsabilizados pela entrega e fi nalização do trabalho, 
cumprindo os prazos e critérios da proposta do trabalho. Outra forma de acompa-
nhar o trabalho dos alunos, além da supervisão dos grupos, é quando a professora 
solicita que cada membro do grupo realize relatório individual depois da fi nalização 
do trabalho para poder avaliar as ações e colaboração de cada aluno. 
Ao passo que o aluno desenvolve e aprende os princípios do trabalho co-
laborativo, os alunos aprendem que em um grupo de trabalho colaborativo, os 
participantes precisam uns dos outros para completar a atividade; eles entendem 
que não conseguem fazer todas as partes sozinhos. Essas atividades podem ser 
realizadas em grupos maiores e menores de alunos, o importante é que aos pou-
cos cada um compreenda sua função no grupo. De acordo com Cohen e Lotan 
(2017, p. 2-3):
Alunos que trabalham em grupo falam entre si sobre sua 
atividade. Eles fazem perguntas, explicam, fazem sugestões, 
criticam, ouvem, concordam, discordam e tomam decisões 
coletivas. A interação também pode ser não verbal, como 
apontar, mostrar como fazer, acenar com a cabeça, fazer careta 
ou sorrir. Esse processo de interação de grupo pode ser muito 
interessante para os alunos. Alguns, que em geral fariamde 
tudo menos aquilo que lhes foi pedido, quando são envolvidos 
no trabalho em grupo, passam a se engajar ativamente em 
seu trabalho e se mantém nele por meio da ação do grupo. 
Existem inúmeras razões para isso. Interações cara a cara 
demandam respostas, ou pelo menos, um comportamento 
mais atento. Além disso, os alunos se importam com a 
avaliação de seus colegas, frequentemente, não se recusam 
a participar e não querem decepcionar o grupo. Por fi m, dão 
suporte aos companheiros para que não fi quem confusos a 
respeito dos papéis que devem exercer. Em geral, os alunos 
não interessados nas atividades de sala de aula são aqueles 
que não entendem as tarefas. 
 Em uma sala de aula com alunos de inclusão, esse trabalho se tor-
na fundamental para que estes não se sintam excluídos das atividades ou 
incapazes de realizá-las. Os autores alertam que é fundamental a natureza 
da tarefa. Quanto mais os alunos se comunicarem autonomamente, maior 
será o momento de aprendizagem. Para que os alunos se envolvam em um 
debate produtivo e criativo é necessário que o problema também seja com-
plexo e exija dos alunos o uso de diferentes habilidades. “O trabalho em 
grupo é uma técnica efi caz para atingir certos tipos de objetivos de apren-
dizagem intelectual e social. É excelente para o aprendizado conceitual, 
33
INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA Capítulo 1 
para resolução criativa de problemas e para o desenvolvimento de profi -
ciência em linguagem acadêmica” (COHEN; LOTAN, 2017, p. 9). Outras 
questões que melhoram com o trabalho colaborativo também são: melhora 
das relações intergrupais, aumento da autoestima e confi ança, além da 
cordialidade entre os colegas. Essa proposta de trabalhar em grupo pode 
auxiliar também a resolver problemas e confl itos comuns na condução da 
sala de aula, envolvendo os alunos em suas tarefas com compromisso 
e responsabilidade. São diversas as práticas ativas que podem contribuir 
para realizar diferentes propostas de trabalho em grupo, as quais aprofund-
aremos no terceiro capítulo. 
PARA EXEMPLIFICAR:
Os trabalhos em grupo podem ajudar os alunos a crescerem 
academicamente, como neste exemplo de Geraldo aprendendo so-
bre as lentes de aumento: 
Geraldo observa as outras crianças que terminam sua 
tarefa de montar uma lente com uma gota de água. “O 
que você vê?” Geraldo pergunta a outra criança, en-
quanto tenta espiar pela lente pronta. A outra criança 
ergue os olhos e deixa Geraldo olhar a lente com mais 
atenção. Geraldo volta muito ansiosamente para a tare-
fa de montar sua própria lente. Ele parece ter problemas 
para grudar a fi ta adesiva no plástico transparente so-
bre o cartão branco que tem um buraco no meio: insiste 
em fazer com que o plástico fi que enrugado ao colocar 
a fi ta, em vez de grudá-lo no topo do cartão. “Que dro-
ga!”, ele diz, e se levanta para ver o que outra criança 
está fazendo para montar a lente. Retorna à sua tarefa 
e logo se distrai com a criança ao seu lado, que diz: 
“Nossa, fi ca tudo maior!”. Geraldo se levanta e olha na 
lente da colega. Ergue as sobrancelhas, rapidamente 
retoma a tarefa e acaba de fazer a sua lente. Ele parece 
ter entendido qual era o problema, pois logo consegue 
usar a fi ta adesiva para grudar o plástico sem qualquer 
problema. Agora estende a mão e pega o conta-gotas 
em um copo cheio de água. Com muito cuidado enche 
o conta-gotas, centraliza-o sobre o cartão da sua lente 
e pinga uma gota sobre o plástico onde está o buraco. 
Aparentemente satisfeito com o que fez, coloca o ex-
cesso de água do conta-gotas de volta no copo. Pega 
um pedaço de pano para inspecionar debaixo de sua 
lente. A água escorrega pelo plástico cobrindo o papel 
e ele grita: “Ah, não!”. Ele põe a lente na mesa, estica 
bem o pano e então desliza cuidadosamente a lente em 
34
 Tecnologias Digitais e a Educação Inclusiva
cima do pano. Bem devagar olha para sua lente e grita: 
“Que irado!”. Uma das meninas perguntou: “O que você 
viu?”. Geraldo diz: “Olhe como fi cou grande!”. Ela per-
gunta: “O que você irá escrever?”. Geraldo olha para a 
lente de novo e diz: “Tudo fi ca maior”. Então, pega ou-
tros objetos planos e coloca sua lente de água em cima 
de cada um deles. Ao olhar para cada objeto com a len-
te, consente com a cabeça e diz: “Sim!” E diz para si 
mesmo: “Todos eles fi cam maiores”. Olha para a garota 
com quem vinha conversando e pergunta a ela: “O seu 
também fi cou maior?” (NAVARRETE, 1980, p. 13-14).
Geraldo “descobriu” o princípio da ampliação. O processo não 
foi fácil e ele, provavelmente, não teria sucesso sem a assistência 
da colega que trabalhava na mesma tarefa. Ser capaz de ver os ou-
tros fazendo a mesma atividade deu-lhe algumas informações impor-
tantes. E ser capaz de conversar sobre o assunto pareceu ajudá-lo 
ainda mais. Observe que Geraldo entende a ideia de tal forma que 
consegue aplicá-la em um novo contexto – quando ele é capaz de 
entender um conceito em um novo contexto, sabemos que adquiriu 
um entendimento verdadeiro da ideia abstrata. 
De que outra maneira Geraldo poderia aprender sobre amplia-
ção? Poderia ter aprendido por meio da explicação de um professor? 
Lendo sobre isso? Completando com um lápis e papel alguns exer-
cícios sobre o tema? Para que ele pudesse entender todo o proces-
so, os materiais e a instrução deveriam ser em inglês e espanhol, 
mas Geraldo tem difi culdades de ler nos dois idiomas. É provável 
que entendesse a ideia de modo que pudesse transferi-la para novos 
contextos. No cenário em que a interação se deu, Geraldo teve aces-
so as instruções em inglês e espanhol, além de ilustrações; também 
teve acesso aos colegas de língua espanhola. Uma grande vantagem 
de combinar uma tarefa manual com um contexto de grupo é que 
Geraldo dispôs de uma série de recursos úteis, incluindo materiais 
concretos para representar ideias abstratas e outras pessoas envol-
vidas em uma mesma tarefa. Ele pode vê-los; pode fazer perguntas; 
pode discutir e argumentar com eles; pode tentar explicar as coisas; 
e pode demonstrar ideias não verbais com os materiais. E o mais 
importante é que Geraldo tem permissão para se esforçar por conta 
própria, cometer seus próprios erros. Nenhum adulto corre para lhe 
dizer o que fazer e dar-lhe uma explicação verbal – tal assistência 
poderia muito bem ter abreviado o processo de sua descoberta. 
FONTE: Cohen e Lotan (2017, p. 8-9)
35
INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA Capítulo 1 
 Com base na experiência de Geraldo, podemos perceber o quanto as ati-
vidades colaborativas propiciam um ambiente onde as crianças se desenvolvem 
com autonomia e têm autonomia para realizar suas próprias descobertas, interagir 
com seus pares para que possam aprender mais e realizar suas próprias conclu-
sões. Muitas são as pesquisas que apontam que a aprendizagem do aluno é mais 
efetiva quando lhe é permitido construir o conhecimento por meio de experiências 
práticas, trocar ideias com os colegas e explicar o que compreendeu, é uma ma-
neira muito efi caz e útil para demonstrar o que aprendeu e obter a compreensão 
de um conceito. 
Aprender por meio de experiências e troca de ideias com alunos mais expe-
rientes é fundamental para o crescimento cognitivo dos alunos. Segundo Vygot-
sky (1978, p. 90), “o aprendizado desperta vários processos internos de desenvol-
vimento que são capazes de operar apenas quando uma criança está interagindo 
com as pessoas em seu ambiente e em cooperação com seus pares”.
A sociedade atual exige do profi ssional que este seja um ser ativo e criativo na 
resolução de problemas, que saiba fazer uso dos conhecimentos adquiridos e os 
coloque em prática de modo competente. “Atualmente acredita-se cada vez mais 
que a resolução criativa de problemas, a engenharia multidisciplinar e o design 
thinking são, com frequência, mais bem desempenhados por grupos do que por 
indivíduos que trabalham sozinhos” (COHEN; LOTAN,2017, p. 14). Ou seja, para 
superar os desafi os do mercado de trabalho, os indivíduos devem reunir as ideias e 
defi nir coletivamente qual é a melhor solução, defi nindo critérios e ordem de impor-
tância de suas etapas. Assim, os alunos tendem a ganhar também na realização de 
atividades colaborativas no sistema de ensino, aprender a debater com seus pares, 
respeitar a opinião e ideia do outro, e defi nir as etapas de execução da tarefa por 
ordem de prioridades. Os alunos aprendem uns com os outros e são estimulados a 
atingir níveis cognitivos mais altos, valorizando as diferentes habilidades que pos-
suem, que passam a ser somadas na busca por soluções criativas. 
Ressaltamos que o planejamento dessas atividades é fundamental, e que os 
alunos precisam ser conduzidos pelos professores para que compreendam que a 
ação coletiva é importante e aprendam a trabalhar em grupo de forma colaborativa. 
Uma alternativa é uso de grupos heterogêneos e alunos 
capacitados a servirem como recurso acadêmico e linguístico 
uns aos outros. Se dois alunos do grupo podem ler com fl uência, 
eles podem ler as instruções para os outros. Se a atividade em 
grupo requer o uso da subtração e somente um dos alunos 
sabe subtrair, então esse aluno pode mostrar aos demais como 
fazê-lo. Se a maior parte dos alunos fala semente espanhol e 
um aluno é completamente bilíngue, então ele pode servir de 
intérprete entre os falantes do inglês e do espanhol (COHEN; 
LOTAN, 2017, p. 22). 
36
 Tecnologias Digitais e a Educação Inclusiva
Esse nível de maturidade dos alunos vai sendo construído ao longo do trabalho 
colaborativo, aprendendo uns com os outros, conduzidos pelo professor. Se para 
cada membro do grupo for solicitado demonstrar sua compreensão e, para isso, a 
ele for possibilitado utilizar os recursos próprios e habilidades que ele domina, logo 
nenhum será excluído do grupo, a este será permitido avançar com o grupo. Se a 
atividade for um desafi o, ele solicitará explicação aos outros membros do grupo e 
poderá aprender e superar difi culdades com a colaboração de seus colegas. 
Diante do exposto, questiona-se: Quais os desafi os para o pro-
fessor desenvolver as atividades colaborativas em sua sala de aula? 
Será que estamos preparados, enquanto professores, para realizar 
um trabalho colaborativo com nossos alunos?
Para realizar o início de um trabalho colaborativo em sala, o professor deverá 
considerar as questões específi cas do grupo de sua sala de aula, contexto fami-
liar, econômico, e difi culdades de aprendizagem que podem ser critérios de exclu-
são por alguns colegas ao organizar os grupos. O professor deverá desenvolver 
estratégias para que essas questões sejam minimizadas e que os alunos se colo-
quem na posição de auxiliar uns aos outros. Outro fator que pode levar à exclusão 
é a superpopularidade de alguns alunos, que têm elevada autoestima por ser par-
te dos seus colegas para várias atividades, mas que pouco contribui para os co-
nhecimentos necessários no trabalho colaborativo e acaba causando desavenças 
no grupo. Por essas questões, ressaltamos o papel do professor como mediador 
desses confl itos nos grupos, até que cada aluno assuma sua função com clare-
za. O professor precisa estabelecer regras para que se atinja o comportamento 
almejado no interior de um grupo. As regras são construídas coletivamente e, aos 
poucos, os alunos vão aprendendo a solicitar a ajuda do outro, percebendo que 
juntando os esforços, os objetivos são atingidos. Aprendem a respeitar a opinião 
do outro e fazer suas contribuições também, tudo dependerá da proposta ou pro-
blema delimitado pelo professor para iniciar o trabalho. 
Os comportamentos necessários em pequenos grupos de 
discussão interferem em algum grau daqueles necessários nas 
estações de aprendizagem. Aqui a tarefa é de troca verbal bem 
como a exigência de que o grupo atinja algum tipo de consenso. 
Por exemplo, você pode pedir que os grupos cheguem a alguma 
interpretação de literatura ou teatro, utilize as leituras fornecidas 
para responder uma pergunta da discussão, aplicar o que eles 
aprenderam sobre nutrição para planejar uma refeição, criar 
37
INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA Capítulo 1 
uma representação ou peça para ilustrar uma ideia, criar um 
diálogo curto utilizando novas palavras e estrutura de frases 
em uma aula de língua estrangeira, melhorar a gramática e 
a estrutura de sentenças de uma composição escrita por um 
colega da turma ou propor uma solução para um problema 
social ou político (COHEN; LOTAN, 2017, p. 44).
Para realização de atividades, como a proposta pelos autores, é necessário 
que entre as regras, uma delas seja a determinação de que cada membro do gru-
po deve dar pelo menos uma contribuição, e que não haja um membro dominante 
no grupo, ou seja, sem líder. A construção deve ser realmente coletiva, comparti-
lhada. Os alunos, aos poucos, precisam aprender a criar ideias juntos e descobrir 
que o grupo está pronto para tomada de decisões. A aprendizagem colaborativa 
deve contribuir para que os alunos desenvolvam suas habilidades de modo ele-
vado, até que consiga elaborar hipóteses, analisar, generalizar, dentre outros que 
possam contribuir para fi nalização da tarefa do grupo. 
Lotan (2017, p. 79) lista características de planejamento para auxiliar os pro-
fessores na elaboração de tarefas de aprendizagem que tenham rigor teórico in-
telectual e sejam desafi adoras a seus alunos. As tarefas adequadas ao trabalho 
em grupo:
• são abertas, produtivamente incertas e exigem resolução de 
problemas complexos;
• fornecem oportunidade para os alunos utilizarem múltiplas 
habilidades intelectuais para compreender a tarefa e para de-
monstrar competência intelectual;
• abordam conteúdo intelectualmente importante;
• exigem interdependência positiva e responsabilidade individual;
• incluem critérios claros para a avaliação do produto do grupo 
e do relatório individual.
Nota-se que as atividades devem estar relacionadas às habilidades intelectu-
ais que se quer desenvolver, para que o aluno compreenda a tarefa e demonstre 
se adquiriu as competências necessárias para colocá-la em prática e propor apli-
cabilidade, solução e outras formas e possibilidades para o problema elencado 
pela tarefa. 
PARA EXEMPLIFICAR: Reconhecendo um problema de status:
Cohen e Lotan (2017, p. 34-35) chamam a atenção para um pro-
blema que é recorrente nos trabalhos em grupo, mas sinalizam indi-
cadores que podem ser observados pelo professor para minimizar 
38
 Tecnologias Digitais e a Educação Inclusiva
esses problemas. Utiliza o termo baixo status para referir-se ao aluno 
que de algum modo apresenta difi culdade de aprendizagem. 
Quais são os sinais de um comportamento de baixo sta-
tus? [...] os alunos de baixo status frequentemente não 
tem acesso à tarefa. Às vezes eles não conseguem co-
locar as mãos nos materiais. A linguagem corporal é um 
bom indicador de status. Um aluno sem acesso estará 
com mais frequência separado fi sicamente do resto do 
grupo. Alunos com baixo status não falam tanto quan-
to os outros. Em geral, quando eles de fato falam, suas 
ideias são ignoradas pelos outros. Ser tratado dessa 
forma pode levar a mau comportamento e é assim que 
o professor descobre que algo está errado. Porém, re-
preender ou punir o aluno com baixo status contribuirá 
pouco para remediar a difi culdade.
Às vezes os professores erroneamente consideram 
alunos com baixo status como descomprometidos ou 
desmotivados. Na verdade, tais estudantes são sim-
plesmente incapazes de ter acesso aos materiais ou à 
atenção do grupo. Alguns professores atribuem a falta 
de participação à timidez, à introversão ou a caracterís-
ticas de personalidade similares. A observação cuida-
dosa e atenta dos grupos permitirá encontrar explica-
ções e alternativas, sociológicas, em vez de puramente 
psicológicas, para o comportamento dos estudantes. 
Levar em conta aqualidade geral das interações entre 
todos os membros ajudará a intervir e chamar a aten-
ção dos efeitos deletérios da participação desigual. 
Boaler (2020) ressalta que muitas escolas ainda vivem em um regime de traba-
lho com o conceito do cérebro fi xo, ou seja, de que as crianças avançam até certo 
limite de conhecimento e tempo, e depois não vão avançar mais. O que precisamos 
considerar, enquanto professores, é que independentemente da idade, estudos da 
neurociência demonstram que em qualquer etapa da vida podemos e somos ca-
pazes de aprender coisas novas, tudo dependerá do quanto essa aprendizagem é 
signifi cativa para nós e nos dediquemos a compreender, estudar e nos apropriar de 
tal conhecimento. Segundo a autora, “ninguém sabe o que as crianças são capazes 
de aprender, e as práticas escolares que colocam limites para a aprendizagem dos 
alunos precisam ser radicalmente repensadas” (BOALER, 2020, p. 21). 
De acordo com Lévy (1999), nem toda informação que recebemos é trans-
formada em conhecimento. Algumas vezes, é necessário um conjunto de infor-
mações para que se transforme em conhecimento. Para ser transformado em 
conhecimento, é necessário que essas informações sejam compreendidas e as-
similadas pelo nosso cérebro, logo, essas informações precisam estar completas 
39
INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA Capítulo 1 
para se ter uma boa assimilação. Em contrapartida, informações em pequeno nú-
mero podem ser transformadas pelo nosso cérebro em conhecimentos anteriores, 
que alimentarão as novas informações. Portanto, faz-se necessário refl etir sobre 
a organização do trabalho pedagógico, com a fi nalidade de promover aprendiza-
gem mais signifi cativa para o aluno. 
Fazer é compreender em ação uma determinada situação, 
em grau sufi ciente para atingir os objetivos propostos, e 
compreender é conseguir em pensamento dominar, até poder 
resolver os problemas por ela levantados, em relação ao 
porquê e ao como das ligações constatadas e, por outro lado, 
utilizadas pela ação (PIAGET, 1978, p. 176). 
De acordo com Piaget (1978), deve-se valorizar a pesquisa, a descoberta e 
a solução de problemas e, em especial, a criatividade do aluno. A aprendizagem 
colaborativa e signifi cativa dependerá das estratégias e do ambiente em que es-
tas serão realizadas. O ambiente de aprendizagem colaborativa não necessaria-
mente precisa ser o espaço físico da escola, este pode ser também um espaço 
colaborativo virtual. Os alunos poderão interagir e se comunicar com os meios de 
comunicação eletrônica, com uso de internet, que poderá ser por meio de e-mails, 
fóruns, listas de discussão, por meio de reuniões e debates on-line, uso de word 
on-line do Google docs, dentre outras opções que podem tornar a aprendizagem 
mais interessante mediada por inovações tecnológicas. 
O estudo de Boaler (2020) ressalta que, principalmente, a criança considera-
da com alguma defi ciência ou difi culdade de aprendizagem, que de algum modo 
foi laudada ou taxada como apresentando essas características, acaba aos pou-
cos sendo excluída pelo sistema escolar. Visto que as atividades não são pensa-
das e elaboradas considerando que essa criança também pode aprender, ou su-
perar seus limites, e sendo excluída pelas atividades tradicionais de ensino, logo 
é também excluída por seus colegas de modo geral. Ou seja, a escola precisa 
urgentemente rever a prática pedagógica, dar suporte aos professores, repensar 
e rever o modelo de ensino, e a tecnologia pode ser uma forma de inclusão. 
O processo cognitivo é adquirido por cada pessoa de maneira 
muito particular, defende Gardner (1995). Dependerá de com-
petências individuais aliadas à forma de entrada destes conhe-
cimentos, além de valores e instituições sociais, que estimu-
lam ou são determinadas competências. Para ele, podemos e 
devemos observar os indivíduos isoladamente, conforme eles 
resolvem seus problemas ou 
elaboram produtos considerados importantes em seu contexto 
social e específi co. O professor deve ser orientador e encora-
jador do processo, ensinando para o entendimento, abordan-
do pelo menos cinco maneiras diferentes, fazendo com que 
o aluno busque fundamentalmente a capacidade de resolver 
problemas (GUEDES, 2003, p. 27).
40
 Tecnologias Digitais e a Educação Inclusiva
O conhecimento, por sua vez, resulta de uma aprendizagem criticamente elabo-
rada, da investigação temática de caráter conscientizador, que possibilita ao aluno ter 
novas percepções da realidade. Freire (1988) ressalta que o educador e educando 
aprendem juntos, criam possibilidades na construção do conhecimento. Nesse sen-
tido, torna-se um erro agrupar os alunos por habilidades, o ideal é que estes estejam 
em grupos heterogêneos, para que possam contribuir uns com os outros. 
Cohen e Lotan (2017) reforçam que não devemos rotular as crianças e ter 
poucas expectativas em relação a elas. Devemos fazer o contrário, motivá-las 
a se desenvolver e aprender mais, criar estratégias para que possam se sentir 
incluídas e motivadas a continuar sua jornada escolar, e um caminho é o trabalho 
em grupo de modo colaborativo e com grupos heterogêneos. De acordo com Bo-
aler (2020, p. 25): 
Além das crianças com defi ciências de aprendizagens ge-
nuínas, muitos outros alunos são informados ou induzidos a 
acreditar que possuem uma difi culdade de aprendizagem que, 
na verdade, não têm – especialmente quando se trata de ma-
temática. Durante décadas, professores em todos os lugares 
identifi cam crianças que não memorizam fatos matemáticos 
tão bem quanto seus colegas e as rotulam como portadores de 
uma defi ciência ou incapacidade.
Entretanto, as pesquisas de Teresa Iuculano (neurocientista) e seus colegas 
da faculdade de medicina de Stanford, demonstram que o cérebro tem poten-
cial de crescer e mudar, apresentando o perigo de diagnosticar equivocadamente 
uma criança. 
Os pesquisadores incluíram crianças de dois grupos – um gru-
po havia sido diagnosticado como portador de defi ciências de 
aprendizagem matemática e o outro consistia de crianças com 
desempenho normal. Os pesquisadores usaram ressonância 
magnética para examinar o cérebro das crianças enquanto 
estavam trabalhando em matemática. Eles encontraram dife-
renças cerebrais reais. É aí que fi ca interessante: a diferença 
foi que os alunos identifi cados como portadores de defi ciência 
tinham mais regiões do cérebro ativadas quando estavam tra-
balhando em um problema de matemática. 
Esse resultado é contraintuitivo, pois muitas pessoas pensam 
que alunos com necessidades especiais têm menos – e não 
mais – coisas acontecendo em seus cérebros. No entanto, 
queremos que todo o cérebro se ative quando trabalhamos 
matemática; queremos que algumas áreas focalizadas sejam 
ligadas. Os pesquisadores foram além, e ministraram aulas 
individuais aos dois grupos de alunos: os que tinham desem-
penho normal e os identifi cados como portadores de uma in-
capacidade de aprendizagem matemática. No fi nal das oito 
semanas de instrução, os dois grupos de alunos apresentaram 
não apenas o mesmo desempenho como também exatamente 
as mesmas áreas cerebrais ativadas (BOALER, 2020, p. 25). 
41
INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA Capítulo 1 
O que queremos demonstrar com este trecho da Boaler (2020) é que os alu-
nos, independentemente de terem alguma difi culdade de aprendizagem, possuem 
capacidade de aprender, precisamos pensar em estratégias que os incluam no con-
texto de ensino e aprendizagem, e que não reforcemos as suas limitações, pois 
elas podem ser superadas conforme for a metodologia, estratégia e organização 
que o trabalho pedagógico apresentar. Não podemos continuar propondo aulas, se-
jam presenciais ou em outros formatos, com uso das tecnologias utilizando apenas 
a exposição de conteúdos. O professor precisa assumir o papel de mediador no 
processo de ensino-aprendizagem e permitir que alunos possambuscar e identifi -
car caminhos para chegar a sua própria descoberta. 
 
Muitos de nossos alunos já dominam as mais diversas ferramentas tecnoló-
gicas, cabe a nós conhecer, buscar meios de nos atualizar e desenvolver propos-
tas de atividades que possam também ser permeadas pelo uso de tecnologias, 
tornando o ensino mais interessante e desafi ador para o aluno. Educar signifi ca 
colaborar para que os professores e alunos, nos diferentes espaços de apren-
dizagem, transformem suas vidas em processos permanentes de aprendizagem 
(MORAN, 2018). 
Saiba mais em: Jo Boaler: alunos com mentalidades progressi-
vas são melhores nos estudos. Disponível em: https://bit.ly/38qOir0. 
Atividades De Estudo: 
1) Você é professora de uma turma de quinto ano dos anos iniciais, 
composta por 25 alunos (sendo uma delas público-alvo da Edu-
cação Especial), realizou uma viagem de estudos e, posterior-
mente, os alunos deverão apresentar de forma coletiva, como 
foi a experiência da saída. Nessa proposta, você, sem interferir 
na opção de apresentação dos alunos (pode ser dramatização, 
representação gráfi ca, textual, jornalística etc.), assumiu o papel 
de escrita das ideias dos estudantes em grupo. Com a intenção 
de dar continuidade ao registro da viagem de estudos, e a partir 
dos pressupostos da Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 
2018), elabore um plano de aula envolvendo uma proposta de 
42
 Tecnologias Digitais e a Educação Inclusiva
trabalho colaborativa que contemple os elementos necessários a 
serem tratados em produção coletiva dos grupos com as crianças 
nesse ano escolar. No seu plano deve constar: 
 Objetivo: 
 Competências específi cas a serem desenvolvidas: (consultar na 
BNCC, a série correspondente).
 Habilidades: (consultar na BNCC, a série correspondente).
 Contextualização: (apresentar a caracterização da turma e conte-
údos que trabalhará com esta proposta).
 Metodologia: (apresentar as etapas/estratégias que envolvem a 
participação dos alunos, ou seja, como será realizada a atividade).
 Tempo estimado:
 Avaliação: (como os alunos serão avaliados, quais critérios).
 Informação complementar: Base Nacional Comum Curricular – 
BNCC. Disponível em: https://bit.ly/38wzgQv. 
A obra Planejando o trabalho em grupo, esrito por Cohen e Lo-
tan, publicada em 2017, apresenta uma vasta pesquisa realizada em 
campo nas Universidades de Stanford e em escolas públicas na Ca-
lifórnia, apresenta conceitos e exemplos de como o trabalho cola-
borativo ocorre no contexto escola real. Apresenta também múltiplas 
atividades práticas que podem ser realizadas para desenvolver o po-
tencial criativo e colaborativo dos alunos.
43
INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA Capítulo 1 
4 RECURSOS TECNOLÓGICOS: 
CONCEITUAÇÃO E FERRAMENTAS 
DA WEB 2.0, 3.0 E 4.0
Com o crescimento exponencial da tecnologia, novos modos de interações, 
aplicativos e plataformas vêm sendo desenvolvidos e aprimorados constantemen-
te. Essas inovações tecnológicas modifi caram a experiência das pessoas na Web, 
que passaram a compartilhar e publicar cada vez mais informações. 
Segundo Primo (2007), a Web 2.0 surgiu, como a segunda geração de ser-
viços on-line, ou seja, com o surgimento da banda larga nas conexões das TIC 
(Tecnologias de Informação e Comunicação), a possibilidade de postar e compar-
tilhar informações na Web se torna uma realidade. A Web 2.0 se caracteriza pela 
capacidade de potencializar as formas de publicação e socialização de informa-
ções, e amplia os espaços para interação entre os usuários da internet. 
A web 2.0 é a mudança para uma internet como plataforma, 
e um entendimento das regras para obter sucesso nesta 
nova plataforma. Entre outras, a regra mais importante é 
desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede para 
se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, 
aproveitando a inteligência coletiva (O´REILLY, 2006, s.p.).
Com certeza, você já acessou ou postou uma mensagem em algum blog, 
assistiu a diversos vídeos pelo Youtube; acessou o site Wikipédia, opinou em al-
guma notícia de jornais on-line, navegou pelas redes sociais Orkut, Facebook, 
Skype, Instagram, Linkedin, dentre outras. Se sua resposta for sim, signifi ca 
que você faz parte da nova geração de uso da Web, denominada Web 2.0, que 
iniciou a partir dos anos 2000. A Web 2.0 é marcada pela alta interatividade entre 
as pessoas por meio da comunicação digital.
A Web 2.0 trouxe uma maior participação do usuário, criaram-
-se comunidades virtuais, ferramentas de mídias sociais para o 
estabelecimento de redes, agregadores como mashups e social 
tagging, porém com pouca estruturação semântica. A WEB par-
ticipativa ou Web 2.0, consiste na participação ativa dos usuá-
rios na Internet, que criam conteúdos, adaptam e desenvolvem 
aplicações para uma grande variedade de campos. O conteúdo 
digital representa um fator importante na indústria das TICs – Tec-
nologias da Informação e Comunicação. A inovação tecnológica 
e a demanda dos novos usuários estão levando a novas formas 
de criação, distribuição e acesso ao conteúdo digital. A conver-
gência nas aplicações, tais como convergência da bioinformáti-
ca, da inteligência artifi cial, da biotecnologia, neurotecnologia, da 
robótica, da tecnologia da informação, entre outras tecnologias 
emergentes, fornecerão, provavelmente, maiores oportunidade e 
desafi os para os pesquisadores que atuam na área da Ciência da 
Informação (PALETTA; MUCHERONI, 2014, p. 75).
44
 Tecnologias Digitais e a Educação Inclusiva
Na Web 2.0, os usuários não apenas recebem informações, mas 
expandem o seu papel, podendo ser protagonistas, resolvendo proble-
mas, produzindo e compartilhando conteúdos na rede. Essas ferramen-
tas não apenas se tornaram apoio para comunicação, reduzindo a dis-
tância entre as pessoas, como passaram a exercer diferentes funções, 
podem ser utilizadas para organizar grupos de estudos, redes de pes-
soas que debatem temas em comum, socializar pesquisas realizadas, 
trabalhos e atividades escolares e profi ssionais. As ferramentas tecno-
lógicas são mais acessíveis, permitindo que professores e alunos, por 
exemplo, postem conteúdos com facilidade.
O Youtube é um dos canais mais utilizados atualmente para postar conteú-
dos relacionados aos mais diversos temas. Destacamos nessa oportunidade, as 
aulas gravadas envolvendo temáticas de todas as etapas do ensino, bem como 
cursos preparatórios, dentre outros. Por meio do Youtube, também é possível re-
alizar lives ao vivo, ou seja, o professor pode debater um conteúdo estudado com 
os alunos e ter a interação destes por meio dessa ferramenta tecnológica. É tam-
bém utilizado para divulgação de produtos, grupos de atividades, músicas, fi lmes, 
dentre outras. 
Exemplifi cando: Leia a matéria estudantes criam programa de 
rádio para aprender história, disponível em https://bit.ly/3iFFJxo. 
Essa experiência retrata como as ferramentas tecnológicas podem 
envolver os alunos, promover aprendizagem, permitir o trabalho co-
laborativo, trabalhar conteúdo de forma intelectual, crítica e criativa. 
A Web 2.0 representa mais do que uma nova tecnologia em si 
mesma, mas uma mudança no modo como se utiliza a própria Web. 
Nesta, os usuários alteram seu papel na navegação ou pesquisa de 
conteúdo para também produzi-los e compartilhá-los. Signifi ca que o 
acesso as suas ferramentas tecnológicas se torna mais simples e fácil 
de ser utilizado, oportunizando que usuários, como professores e alu-
nos, possam postar conteúdos com facilidade. 
Dentre as principais características da Web 2.0, de acordo com Coutinho e 
Bottentuit Junior (2007), está a interfaces ricas de informações e fácies de usar; o 
sucesso da ferramenta depende no número de usuários, que podemos constar pelo 
Na Web 2.0, os 
usuários não 
apenas recebem 
informações, mas 
expandem o seu 
papel, podendo 
ser protagonistas, 
resolvendo 
problemas, 
produzindo e 
compartilhando 
conteúdosna rede.
A Web 2.0 
representa mais 
do que uma nova 
tecnologia em si 
mesma, mas uma 
mudança no modo 
como se utiliza a 
própria Web.
45
INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA Capítulo 1 
número de usuários do Facebook e Instagran, por exemplo, resultando em milhões 
de pessoas do mundo todo. Outra característica é deixar de ser dependente de um 
espaço físico de armazenamento de informações, estas passam a ser realizadas 
pelas chamadas nuvens de armazenamento. Podemos citar o On Drive, ligado às 
contas de e-mail do Hotmail ou Otlook, e o Google Drive, para as contas de e-mail 
do Gmail, assim como outros que não estão vinculados as suas contas de e-mail. 
Esse sistema pode funcionar de modo on-line e também off-line, com opção de 
exportar suas informações para o seu computador. Outra característica é a possibi-
lidade de criar suas próprias páginas com temas de interesse, negócios, e mesmo 
comunidades de pessoas interessadas em um mesmo assunto. 
A Web 2.0 se constitui, atualmente, em um ambiente que permite a cada 
um selecionar, publicar e compartilhar informações de seu interesse. No ambiente 
educativo, o uso da tecnologia e das ferramentas e plataformas da Web 2.0 po-
dem potencializar o desenvolvimento e criatividade dos alunos, além de permitir 
que desenvolvam atividades críticas e criativas, que demonstrem a aplicabilidade 
do que foi aprendido das mais diversas formas. 
Assista ao vídeo: WEB 2.0. Disponível em: https://bit.ly/2Da8v94. 
Acesso em: 15 mar. 2020.
Leia o artigo intitulado Livros digitais: novas oportunidades para 
os educadores na era Web 2.0, que apresenta questões que auxi-
liam na compreensão de como as ferramentas da Web 2.0 podem 
colaborar para desenvolver atividades que envolvem a conectividade 
e colaboração entre os alunos. Disponível em: https://bit.ly/38qPF9j. 
Nesse contexto do uso e potencial dos recursos tecnológicos, temos também 
a Web 3.0, que se caracteriza em uma evolução do ambiente de interação virtual 
já proporcionado pela geração 2.0. Atualmente, existem inúmeras possibilidades 
de imersão, o que torna enriquecedor o processo de interação e engajamento nas 
46
 Tecnologias Digitais e a Educação Inclusiva
atividades, mediados por várias linguagens. Tanto a educação presencial, quanto 
EAD, tem se apropriado das tecnologias 3D com objetivos pedagógicos a fi m de 
tornar a aprendizagem mais signifi cativa. No Capítulo 3, apresentaremos vários 
aplicativos e plataformas que auxiliarão você a desenvolver aulas mais criativas e 
interessantes. 
A Web 3.0 reúne informações de vários bancos de dados, que processam e 
produzem novos conteúdos automaticamente, garantindo a associação de ele-
mentos que, inicialmente, não estariam relacionados. Essa evolução é resultado 
do número de pessoas que passam a fazer uso da Web 3.0. Esta se caracteriza 
por aplicações em tempo real, como portais 3D, representação de Avatar, games, 
educação e negócios integrados, palavras virtuais, multiutilizador. 
De acordo com Loth et al. (2019, p. 41), a Web 3.0 ou web semântica é:
A terceira onda da Internet e foi anunciada pela primeira vez 
em 2001, num artigo de Tim Berners Lee, James Hendler e Ora 
Lassila, intitulado de: “Web Semântica: um novo formato de 
conteúdo para a Web que tem signifi cado para computadores 
e vai iniciar uma revolução de novas possibilidades”, que 
apresentou a importância que a Web terá na vida dos seres 
humanos, demostrando as facilidades que trará às várias 
práticas cotidianas.
A web semântica se refere à inserção de arquivos de dados na web. Não 
apenas se refere a documentos, mas a dados, ou seja, muitas informações in-
terconectadas. Segundo Berners-Lee, Hendler e Lassila (2001 apud LOTH et al., 
2019, p. 41), a web semântica “não é uma web separada e sim uma extensão da 
web atual, na qual a informação é dada com signifi cado bem defi nido, permitindo 
que computadores e humanos trabalhem em cooperação”. Ou seja, modifi ca-se a 
forma de interação novamente entre as pessoas e a internet, suas plataformas e 
aplicativos. 
A Web 3.0 possibilita aos usuários ter acesso a espaços em rede que re-
forçam a cultura da participação, em um contexto de construção coletiva. Essa 
tecnologia especifi ca o desenvolvimento das tecnologias virtuais 3D, ou seja, das 
Tecnologias Digitais Virtuais (TDV) conectadas em rede, possibilitando que as 
pessoas conectadas em rede possam criar ambientes gráfi cos em 3D. O termo 
3D se refere a ambientes com três dimensões interativas que são incorporados 
nas páginas da web. 
A transição da última década do século XX para o século XXI é caracterizada 
por jovens e crianças que nasceram imersos no mundo tecnológico e eu já têm 
muitas afi nidades com a Web 3.0. A gamifi cação ganha espaço na vida desses jo-
vens. A Web 3.0 não apenas permite interação comunicativa, mas também senso-
47
INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA Capítulo 1 
rial, atividades podem ser realizadas por um grupo de pessoas ao mesmo tempo, 
não apenas por meio de celulares ou chamadas de voz, mas estando conectadas 
ao vivo, demonstrando seus feitos e atividades realizadas. 
A evolução dos games possibilitou a participação em jogos individuais ou 
grupos on-line. Além do programa específi co, esses jogos pedem o uso de vários 
acessórios, como óculos 3D, luvas com sensores, fones, microfones que possibi-
litem tornar a jogo mais real possível, e que a experiência de interação entre os 
participantes também seja muito próxima da realidade. Entretanto, sempre de-
vemos alertar para o excesso do uso desses jogos por crianças e jovens, que 
acabam se afastando do mundo real e adentrando o espaço virtual com tal profun-
didade que podem interferir no desenvolvimento social e cultural da criança. 
Visto que os espaços dos jogos virtuais se tornam um meio viciante, cheio de 
regras e etapas a serem superadas, prendendo a atenção do jovem por horas ou 
dias inteiros. Um exemplo da interferência dos jogos virtuais na vida dos jovens e 
crianças é a série da Netfl ix Kiss me fi srt. Essa série é um exemplo de atividade 
virtual e metaversos. O metaverso é a base dos mundos digitais e virtuais 3D. Um 
metaverso é uma plataforma para a criação de um MDV3D, ou seja, “[...] é um 
universo de possíveis, calculáveis a partir de um modelo digital. A interagir com 
o mundo virtual, os usuários o exploram e o atualizam simultaneamente” (LÉVY, 
1999, p. 74-75). E ainda, “é um espaço de interação por proximidade dentro do 
qual o explorador pode controlar diretamente um representante de si mesmo” 
(LÉVY, 1999, p. 74-75). Um exemplo, já muito utilizado no contexto educacional, é 
o Second Life (Segunda Vida), um mundo virtual tridimensional que simula aspec-
tos da vida real e social do ser humano. É um ambiente híbrido, pois se misturam 
ferramentas de jogos, chats, comunidades virtuais etc. Podem criar avatares, em-
presas, espaços educativos e pessoais. 
As tecnologias 3D criam mundos virtuais que envolvem pessoas e realidades 
e experiências tridimensionais, estas podem ser on-line ou off-line. Por exemplo, 
nos cinemas, temos os fi lmes 3D e podemos ver objetos e personagens interagin-
do no ar, como se estivessem vindo em nossa direção.
A realidade virtual (RV) é outra tecnologia que nos permite interagir com lu-
gares distintos. Ao colocar um óculos 3D, você poderá simular que está andando 
de montanha russa, interagindo com dinossauros no vale dos dinossauros, ver os 
componentes de uma célula e compreender como os vírus atacam os glóbulos 
vermelhos. Ao andar na montanha russa, você dá gritos, tenta tocar o que está 
a sua volta, sente medo, olha para os lados e se sente surpreso com o que está 
vendo, esse é um exemplo de RV que podemos utilizar em atividades pedagógi-
cas e empresariais. 
48
 Tecnologias Digitais e a Educação Inclusiva
A realidade aumentada é capaz de projetar em tempo real informação digital, 
talcomo vídeos e modelos 3D, através de smartphones, tablets, computadores, 
ou através de tecnologia móvel inserida em diferentes acessórios, como óculos ou 
relógios, ao passo que a realidade virtual é uma simulação artifi cial que permite 
recriar ambientes ou situações da vida real, ou seja, submete o usuário a uma 
experiência na primeira pessoa, através de estimulações auditivas e visuais do 
dispositivo utilizado.
Há outros aplicativos que utilizam tecnologias 3D, como Quiver 3D, que é um 
aplicativo (app) de realidade aumentada (RA). Você deverá baixar o app no seu 
computador para imprimir as imagens de fi guras diversas. Estas poderão ser pin-
tadas e, logo após realizar a pintura, é possível interagir com o objeto que pintou. 
Para tanto, é necessário baixar o app no celular e fazer a leitura do desenho. Por 
exemplo: se for um dinossauro, além de interagir com ele, poderá jogar o game 
com o dinossauro que você personalizou. Segue um modelo na imagem a seguir: 
FIGURA 1 – QUIVER 3D
FONTE: <http://contido.com.br/artigo?aid=247>. Acesso em: 26 jun. 2020.
Além disso, o app pode ser utilizado para promover diversas situações de 
aprendizagem que podem ser criadas pelos professores das séries iniciais, princi-
palmente na fase de alfabetização das crianças. 
Na realidade virtual, o usuário interage totalmente imerso em um ambiente 
tridimensional, em tempo real. Já na realidade aumentada, o usuário visualiza ob-
jetos virtuais projetados ou dividindo uma cena com o mundo real. 
49
INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA Capítulo 1 
A RV e RA são duas tecnologias que têm crescido exponencialmente, ganhan-
do espaço no ambiente educacional, empresarial e na área da saúde, com a cria-
ção de produtos inovadores e o número de usuários cada vez mais expressivo. 
Atualmente, a RA consegue melhorar de maneira signifi cativa a qualidade 
de tratamento de diversas doenças. No que se refere a cirurgias com invasão mí-
nima, são necessários monitores que exibem sinais vitais ou imagens fornecidas 
por equipamentos médicos. 
A realidade aumentada se aplica, quer aos estudantes, quer aos praticantes 
de medicina. No aspeto da educação, a RA disponibiliza aos estudantes outras 
formas mais interativas de estudo, desde modelos anatômicos em três dimen-
sões, que oferecem uma imagem mais detalhada do que uma simples fotografi a, 
e uma maior compreensão do modelo, até seguir uma cirurgia pelos olhos de 
um cirurgião experiente através de um dispositivo móvel que, para além de ser 
fi nanceiramente mais acessível que simuladores médicos, consegue abranger um 
número mais elevado de utilizadores. 
Assista ao vídeo: Veja como a Realidade Virtual pode ser uti-
lizada na área da saúde. Disponível em: https://www.youtube.com/
watch?v=b3_Wksrv1KI. 
A Web 4.0 ou WebOS é baseada em sistemas operacionais da web, 
ou seja, de acordo com Flandoli (2010 apud NASCIMENTO; QUINTÃO, 2011, 
p. 7), é “um gigantesco sistema operacional inteligente e dinâmico, que 
irá suportar as interações dos indivíduos utilizando os dados disponíveis, 
instantâneos ou históricos, para propor ou suportar a tomada de decisão”, 
com base em um complexo sistema de inteligência artifi cial. Caracteriza-
-se pela interação da inteligência artifi cial em nosso cotidiano, ou seja, a 
experiência com a web otimizada, permite a integração de serviços, um 
exemplo são os monitoramentos de sistemas de segurança com baixo 
custo, como as persianas, câmeras e outros utensílios de sua casa que 
podem ser controlados pelo seu celular. 
A evolução tecnológica e o aumento da largura da banda larga, somados ao 
aumento expressivo do número de pessoas com acesso à internet e uso desta 
50
 Tecnologias Digitais e a Educação Inclusiva
como forma de interagir com o mundo dos negócios, social, educacional, entre 
outros, vai provocando uma reestruturação da web, que passa a criar novos me-
canismos – com isso, em 2020, estamos vivendo a quarta geração da web, ou 
seja a Web 4.0, conforme podemos visualizar na linha do tempo da web. 
GRÁFICO 1 – LINHA DO TEMPO DA WEB
FONTE: Flandoli (2010, adaptada por NASCIMENTO; QUINTÃO, 2011, p. 8)
A Web 4.0 apresenta aplicativos que podem interpretar dados, permite que 
as pessoas acessem dados pessoais que refl etem na dependência também des-
ta tecnologia. Um exemplo são os aplicativos de banco, que uma vez instalados 
em seu celular, você não precisa nem de dinheiro, nem cartão de crédito, basta 
aproximar seu celular ao aparelho da maquininha de cartão da loja que ele fará a 
cobrança, por meio da leitura do seu app. 
A Web 4.0 está relacionada à Quarta Revolução Industrial, considerada a 
Internet das Coisas, relacionada à inteligência artifi cial, coleta de dados, dentre 
outros. A Web 4.0, no contexto da Educação, está diretamente ligada ao aprender 
e aplicar no contexto da prática. O ambiente educacional deve ser um espaço co-
laborativo, dinâmico e criativo. Esse modelo propõe uma mudança de paradigma 
no contexto escolar, ou seja, a ruptura total com modelo tradicional de ensino, e 
a proposta de um modelo inovador e interativo, uma sala onde as carteiras não 
são dispostas individualmente, mas uma sala que seja composta por estações de 
trabalho, onde o aluno possa interagir com os colegas, ter aprendizagem mediada 
pelo professor, e também pela tecnologia e outros materiais que lhe possibilitem 
chegar ao conhecimento. 
51
INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA Capítulo 1 
A Web 4.0 dispõe de softwares que podem ser utilizados pela gestão escolar, 
pelos professores e pelos alunos. Dispõe de um espaço digital que lhe permite 
realizar as mais diversas ações e ter participação ativa. Esses softwares permitem 
ao professor desenvolver atividades colaborativas por meio de aplicativos, uma 
delas pode citar as ferramentas do Google Drive, em que um documento de word 
on-line pode ser utilizado por várias pessoas ao mesmo tempo para elaborar uma 
produção de texto coletiva, por exemplo. Outra são os testes e avaliações que 
podem ser realizados com segurança, e o professor pode monitorar o acesso do 
aluno, acertos e erros das questões, e o software lhe oferece uma planilha com 
a compilação de todos esses dados, como as ferramentas do Google Classroom. 
A Web 4.0 permite, por meio de seus softwares, a realização de cursos de curta 
duração, e atividades que envolvem o maior número de participantes, dependen-
do da plataforma, de modo a garantir a interação e participação ativa entre eles, 
trazendo um novo formato para a interação e aprendizagem em rede. 
Essas ferramentas não estão relacionadas apenas à socialização e realiza-
ção de uma atividade, mas ao monitoramento, acompanhamento e ferramentas que 
possibilitem acompanhar o desenvolvimento do aluno, propor novas atividades, inte-
ragir e dar feedbacks aos alunos, de forma individual e coletiva. Possibilita a apren-
dizagem por meio de jogos e atividades de gamifi cação. Este termo é comumente 
utilizado para expressar o uso de elementos de jogos (enredo, pontuação e ranking) 
em contextos que não são de jogos (ambientes de aprendizagem) para motivar ou 
infl uenciar as pessoas a realizar uma determinada atividade (KAPP, 2012).
Enquanto pais e professores, devemos orientar e monitorar o uso excessivo 
da internet, acesso a jogos e outros apps pelas crianças e adolescentes, pois ao 
mesmo tempo que desenvolvem a criatividade, imaginação, desenvolvimento do 
raciocínio lógico e resolução de problemas, podem apresentar alguns prejuízos 
quando utilizados de modo inadequado. Essas ferramentas devem servir para o 
desenvolvimento de uma aprendizagem signifi cativa e motivadora.
EXEMPLIFICANDO: os sites a seguir apresentam sugestões e 
formas de como as tecnologias podem contribuir com o trabalho pe-
dagógico. 
• Portal do MEC atividades 3D: Disponível em: https://bit.ly/2Aybrve. 
• Tecnologia na sala de aula: Disponível em: https://bit.ly/3f0Nuf2.• Ensino a Distância em 3D: Disponível em: https://bit.ly/2NY2ezr. 
52
 Tecnologias Digitais e a Educação Inclusiva
Atividades de Estudo:
1) Selecione uma das ferramentas da Web 2.0, 3.0 ou 4.0 e desenvol-
va uma atividade que pode ser realizada com um grupo de estudan-
tes. A atividade deve apresentar:
• Tema a ser desenvolvido:
• Público:
• Conteúdo: o que será trabalhado?
• Metodologia: como será realizada?
• Fontes pesquisadas: quais fontes pesquisou para realizar atividade?
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Com o objetivo de caracterizar a inovação e tecnologia no contexto da edu-
cação inclusiva, apresentamos o conceito de inovação e tecnologia, bem como a 
sua relação com o contexto educação considerando a educação inclusiva. Nota-
-se que falar em inovação e tecnologia no contexto escolar, muitas vezes, parece 
estar tão distante do contexto escolar, entretanto, falar de inovação no contexto 
escolar está diretamente relacionado às estratégias selecionadas para trabalhar 
com nossos alunos. A forma como o conteúdo é trabalhado defi nirá se este pode 
ou não ser considerado inovador, desde que rompa com o modelo tradicional de 
ensino e o aluno possa construir conhecimento por meio das possibilidades que 
lhe são apresentadas. 
Também apresentamos as especifi cidades do trabalho colaborativo e possi-
bilidades de como este pode modifi car a forma como os alunos se comportam em 
sala, exercendo um papel ativo na aquisição de novos conhecimentos. Vimos os 
desafi os que podem ser enfrentados pelo professor ao implementar essa propos-
ta na sua sala de aula. Entretanto, é preciso lembrar que a mudança na postura 
dos alunos é processual, e que aos poucos compreenderão seu papel e como 
esta proposta pode benefi ciá-los em suas descobertas.
Por fi m, descrevemos a evolução da tecnologia, suas ferramentas e possibi-
lidades para uso pedagógico no contexto escolar. Sabemos que há um longo ca-
minho a trilhar, visto que para muitas escolas e redes de ensino, o computador e 
internet ainda não fazem parte da sua realidade. Entretanto, é inegável suas con-
tribuições para melhorar o processo educativo. Cabe aos governos desenvolver 
políticas públicas que contemplem a aquisição de recursos mínimos para a uni-
53
INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA Capítulo 1 
versalização do acesso à internet, políticas que contemplem a formação continu-
ada de professores para uso dos diferentes recursos e ferramentas tecnológicas, 
para que estas não sejam benefícios apenas de algumas instituições de ensino, e, 
consequentemente, benefi cie o maior número de alunos e redes de ensino, seja 
ela pública ou privada. 
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 Tecnologias Digitais e a Educação Inclusiva

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