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SÍNDROME CONSUMPTIVA PROBLEMA 04 SA: Não consigo trabalhar. O que eu tenho? Identificação: N.G.A, 56 anos, masculino, casado, advogado, natural e procedente de Brasília (DF). Queixa principal: Dor na boca do estômago, azia e dificuldade de digestão há seis meses. História da doença atual: O paciente relata ter sido “bem de saúde” até há seis meses. Relata dor no estômago desde então, esporádica no início do quadro e mais constante nas últimas semanas. Refere que a dor melhora com antiácidos comuns e que piora após a alimentação, tendo começado a sentir sensação de empachamento, mesmo após comer pouco. Refere que até duas ou três semanas a dor era suportável, mas precisava utilizar medicamentos para dor. Refere estar perdendo o apetite progressivamente e acha que emagreceu cerca de 7,5 Kg desde que começou a apresentar a dor no estômago. Não fez exames, mas refere que já procurou médico e tratou para úlcera, gastrite e verminoses, porém não houve melhora da dor, pelo contrário. Interrogatório sistemático: Cabeça/pescoço: ndn Cardiovascular: Sem queixas. Refere ter feito teste da esteira há 1 ano, sem anormalidades. Respiratório: Refere tosse seca há 2 meses, que associa com a baixa umidade do ar nesta época do ano. Piora da tosse no período noturno, o que tem dificultado seu sono. Sem outros sintomas Gastrointestinal: já referido. Refere constipação intestinal e fezes muito duras; anorexia intensa; vomitou duas vezes quando forçou a alimentação. Nega hematêmese, melena e eructações. Gênito urinário: sem queixas. Refere ter feito exame de PSA há 6 meses (Resultado: 4.2 ng/ml) Osteomuscular: refere fraqueza intensa e generalizada, com pouca disposição para o trabalho, o que não acontecia antes do início do quadro de dor no estômago. Neurológico: sem queixas Renal metabólico: Refere urina um pouco mais escura, de cor amarelo intenso, porém em volume normal (SIC). Antecedentes pessoais: Hígido até o início dos sintomas. Antecedentes familiares: Pai e dois tios (um paterno e outro materno) falecidos por câncer de estômago. Mãe viva, hipertensa. Hábitos de vida: Tabagista de vinte cigarros/dia desde os 16 anos. Pratica atividade física regularmente. Exame físico: GERAL: Regular estado geral, emagrecido. Fácies atípica. Mucosas descoradas ++/4+. Escleróticas levemente amareladas (constitucional??). Hidratado Lúcido. Pressão arterial: 140 x 95 mmHg; pulso radial 85 bpm; frequência respiratória de 18 mpm; temperatura axilar de 37,0º. Peso atual de 60 kg. Altura de 1,86m ESPECIAL(dados positivos): CP: sem anormalidades. CV: Bulhas rítmicas com sopro sistólico em foco mitral, suave, discreto, que aumenta a inspiração profunda. Resp: Estertores crepitantes discretos, esparsos em ambos campos pulmonares, sem roncos ou sibilos. À inspiração profunda são mais audíveis em bases pulmonares, bilateralmente. GI: abdome plano, flácido, levemente doloroso à palpação profunda em epigástrio, com irradiação da dor para o hipocôndrio esquerdo. Sem massas pulsáteis palpáveis. Fígado palpável no hipocôndrio direito (hepatimetria: 4,0 cm do apêndice xifóide e 3,0 cm do rebordo costal direito). Discretamente distendido e timpânico difusamente. Toque retal: sem alterações (fezes de cor marrom e próstata com características de normalidade). Extremidades: edema de membros inferiores, discreto/moderado, com sinal de Godet perimaleolar, bilateralmente. Sem varizes. Pulsos periféricos palpáveis e simétricos. Objetivos 1. Compreender a definição, fisiopatologia, etiologia, epidemiologia e fatores de risco da síndrome consumptiva. 2. Compreender as diferenças entre diagnóstico sindrômico, diagnóstico anatômico e diagnóstico etiológico da crise consumptiva. 3. Discutir como deve ser feita a investigação diagnóstica nos casos de suspeita de câncer em pacientes com síndrome consumptiva (topografias mais frequentes, exames iniciais). 4. Compreender a relação entre anemia carencial e sinal de alerta para patologias graves em idosos (sangramento oculto, doenças medulares e neoplasias). 5. Conhecer as indicações para a realização dos exames de rastreamento de neoplasia. 6. Reconhecer quais são os principais diagnósticos diferenciais das síndromes consumptivas no adulto/idoso. Referências: Medicina interna de Harrison. J. Larry Jameson et al. 20. ed. Porto Alegre: AMGH, 2020. - Approach to the patient with unintentional weight loss. Renuka Gupta, Arthur T Evans. 2021. PINHEIRO, Karina Moraes Kiso et al. Investigação de síndrome consumptiva. Arquivos Médicos dos Hospitais e da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, v. 56, n. 2, p. 87-95, 2018. Medicina Interna de Harrison, 18ª ed. Biselli, P., & Atta, J. (2005). Diagnóstico sindrômico. Revista De Medicina, 84(3-4), 95-101. https://www.uptodate.com/contents/approach-to-the-patient-with-unintentional-weight-loss/contributors CONCEITOS BÁSICOS Perda de peso não intencional – Este termo exclui a perda de peso como consequência esperada do tratamento (por exemplo, perda de peso por terapia diurética em pacientes com insuficiência cardíaca) ou como resultado de uma doença conhecida. A perda de peso clinicamente importante é geralmente definida como perda de mais de 5% do peso corporal normal ao longo de 6 a 12 meses. Ex: pessoa com 70kg com perda maior que 3,5kg Caquexia: perda de peso associada a perda de massa muscular, podendo ou não haver perda de gordura. Anorexia + desnutrição. Desnutrição: deficiência de nutrientes, associada ou não com perda de peso. Sarcopenia: geralmente, é uma síndrome geriátrica, caracterizada por perda de massa muscular, de força e de desempenho, gerando um déficit funcional no idoso. SÍNDROME CONSUMPTIVA - DEFINIÇÃO A Síndrome Consumptiva (SC), também conhecida como síndrome do definhamento ou Wasting Syndrome, pode ser descrita como sendo a perda involuntária e significativa de peso basal corporal, a qual, em literatura, pode variar de 5% a 10%* em um período de 6 meses a 1 ano. O emagrecimento e a subnutrição são condições fisiológicas resultantes de um balanço nutritivo negativo; ocorrem quando a utilização metabólica mais a excreção de um ou mais nutrientes essenciais excedem o suprimento. O emagrecimento necessariamente não significa má nutrição. Os pacientes freqüentemente têm aspecto emagrecido, com perda de tecido gorduroso. Podem queixar-se de dispnéia, cansaço e falta de disposição. Na maioria das vezes, a grande preocupação de médicos e pacientes é a presença de uma neoplasia como causa desta síndrome. Embora esta seja uma possibilidade real, há outras causas que podem levar a esta condição e que devem ser investigadas. Em indivíduo anteriormente sadio, significa, com frequência, um anunciador de doença sistêmica subjacente. Flutuações rápidas ao longo de dias sugerem perda de líquidos. Mudanças a longo prazo costumam envolver perda de massa tecidual. EPIDEMIOLOGIA Estima-se que 15 a 20 por cento dos adultos ≥65 anos tenham perda de peso não intencional se acompanhados por 5 a 10 anos. Até 8% dos pacientes ambulatoriais terão perda de peso não intencional. Há menos estimativas da incidência ou prevalência de perda de peso na população em geral. A melhor evidência vem de estudos de pesquisa. Uma pesquisa incluindo uma amostra representativa de mais de 9.000 adultos nos Estados Unidos descobriu que 5% dos participantes relataram perda de peso não intencional de pelo menos 5% do seu peso corporal normal durante o ano anterior. Não houve diferenças sexuais importantes na incidência de perda de peso. Os preditores independentes mais fortes de perda de peso não intencional foram idade, tabagismo e saúde auto-relatada ruim. A perda de peso não intencional está associada ao aumento da mortalidade É pertinente destacar que faltam dados epidemiológicos precisos sobre a prevalência da SC; no entanto, estima-se que cerca de 15% a 60% dos indivíduoscom câncer apresentem essa condição, aumentando esse percentual para 80% quando o paciente apresenta um câncer terminal. Junto a pacientes com DPOC, HIV ou insuficiência cardíaca, a incidência de SC é estimada entre 5% e 20% dos pacientes. Deve ser ressaltado que a ampla variação percentual de pacientes acometidos pela SC, comumente, é atribuída à subidentificação de indivíduos com a referida síndrome, à variabilidade das populações doentes avaliadas no momento do diagnóstico, às diferenças na definição da patologia e, principalmente, a padrões a gerar seu diagnóstico em todo o mundo. ETIOLOGIA Mnemônico - GEMIDOS G – gastrointestinais E – endócrinas M – malignidades I – infecciosas D – doenças neurológicas O – outras neurológicas – psiquiátricas S – sistêmicas NEOPLASIAS MALIGNAS Malignidades (particularmente gastrointestinais, pancreáticos, pulmonares, linfomas, renais e cânceres de próstata) geralmente causam perda de peso. Existem vários mecanismos responsáveis pela perda de peso em pacientes com câncer. Anorexia e perda de peso estão presentes em 15 a 40% de todos os pacientes com câncer no momento do diagnóstico, mas a prevalência parece ser maior naqueles diagnosticados com câncer de pulmão (60%) ou câncer gastrointestinal superior (80%). A caquexia do câncer envolve anormalidades metabólicas complexas que diminuem a massa muscular. Entre os pacientes com perda de peso não intencional, apenas uma minoria é posteriormente diagnosticada com malignidade. Entre os pacientes com perda de peso não intencional, a malignidade foi associada à idade avançada, sexo masculino, tabagismo ativo e maior perda de peso. Pacientes com malignidade como causa de perda de peso não intencional geralmente apresentam uma ou mais anormalidades (sinais, sintomas ou anormalidades laboratoriais) observadas durante a avaliação diagnóstica inicial. Por exemplo, os pacientes podem apresentar dor, distensão abdominal, náuseas, vômitos, disfagia, saciedade precoce devido ao aumento hepatoesplênico ou obstrução maligna, hipercalcemia ou sintomas de má absorção. DOENÇAS CRÔNICAS INFLAMATÓRIAS OU INFECCIOSAS DPOC A perda de peso crônica com desnutrição pode ocorrer com doença pulmonar crônica grave e tem sido chamada de síndrome da caquexia pulmonar. As estimativas de caquexia na doença pulmonar obstrutiva crônica grave variam de 30 a 70%. Perda de peso progressiva pode ocorrer mesmo com ingestão calórica adequada devido ao aumento do trabalho muscular respiratório e possivelmente inflamação sistêmica. Muitas vezes a perda de peso é episódica, associada a exacerbações da doença pulmonar, mas sem qualquer ganho de peso após a recuperação. O tratamento com glicocorticóides, inflamação sistêmica e imobilidade contribuem para a perda de massa muscular na doença pulmonar grave. OUTROS Enfisema Má absorção Anemia perniciosa Úlcera DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL E DOENÇA CELÍACA Pacientes com perda de peso por causas gastrointestinais geralmente apresentam sintomas gastrointestinais associados, incluindo: anorexia, dor abdominal, saciedade precoce, disfagia, odinofagia, diarréia, esteatorréia, constipação crônica ou evidência de sangramento crônico. Eles também podem apresentar sinais e sintomas associados à inflamação crônica, isquemia crônica, obstrução ou fístulas. Pacientes com DII podem ter manifestações extraintestinais. Pacientes com má absorção podem ter perda de peso com apetite aumentado ou normal. ICC Quase metade dos pacientes com insuficiência cardíaca com doença Classe III ou IV da New York Heart Association perdem massa corporal magra e atendem aos critérios de desnutrição. A perda de peso nesta população pode estar associada à anorexia, saciedade precoce, depressão, congestão intestinal e hepática e aumento dos níveis de citocinas e angiotensina II. A retenção de líquidos associada à insuficiência cardíaca crônica muitas vezes mascara a extensa perda de massa corporal magra. A perda de peso em pacientes com insuficiência cardíaca crônica está associada a um aumento da taxa de mortalidade. HIV Pacientes com infecção pelo HIV têm gasto energético diário total semelhante aos indivíduos normais. A perda de peso em pacientes com infecção pelo HIV geralmente é episódica, ocorrendo com infecções secundárias ou doenças gastrointestinais, e leva a uma redução na ingestão de energia. A letargia e a fadiga que acompanham a infecção podem ajudar a manter o equilíbrio energético e o peso. TUBERCULOSE Muitos pacientes com tuberculose ativa apresentam perda de peso. Para a tuberculose de reativação, a perda significativa de peso é um dos sinais e sintomas cardinais. INFECÇÃO PARASITÁRIA Várias infecções helmínticas podem causar deficiências nutricionais e perda de peso. HEPATITE C A infecção crônica pelo vírus da hepatite C também pode causar perda de peso, além de náuseas, anorexia e fraqueza. DOENÇAS REUMÁTICAS Pacientes com condições reumatológicas (artrite reumatoide, arterite de células gigantes [temporal]) geralmente apresentam perda de peso como parte dos sintomas sistêmicos. DOENÇA RENAL AVANÇADA Na doença renal avançada, a anorexia e outros sintomas urêmicos geralmente ocorrem quando a taxa de filtração glomerular (TFG) cai abaixo de 15 mL/min. Tal como acontece com a insuficiência cardíaca, a retenção de líquidos na doença renal avançada muitas vezes mascara a verdadeira perda de massa corporal magra. DISTÚRBIOS METABÓLICOS HIPERTIREOIDISMO A perda de peso é um sintoma clássico do hipertireoidismo. A maioria dos pacientes tem hiperfagia. Alguns pacientes mais jovens com hipertireoidismo leve comem o suficiente para realmente ganhar peso. Em pacientes mais velhos, no entanto, o hipertireoidismo geralmente causa anorexia com perda de peso acelerada. DM Diabetes mellitus não controlado pode causar perda de peso com aumento do apetite, particularmente com diabetes mellitus tipo 1 de início recente. Embora os pacientes com diabetes tipo 2 mal controlado ou não diagnosticado possam ocasionalmente apresentar perda de peso, o ganho de peso é muito mais comum. No entanto, alguns pacientes com diabetes tipo 2 podem ocasionalmente apresentar caquexia neuropática diabética, uma síndrome incomum e pouco compreendida caracterizada por perda de peso profunda (até 60% do peso corporal) e muitas vezes dor neuropática grave na região anterior das coxas. FEOCROMOCITOMA O estado hiperadrenérgico entre pacientes com feocromocitoma teoricamente causaria perda de peso com aumento do apetite, mas apenas 5% dos pacientes com feocromocitomas relatam perda de peso. INSUFICIÊNCIA SUPRARRENAL A insuficiência adrenal primária crônica geralmente apresenta perda de peso significativa, embora outros sinais e sintomas associados sejam mais proeminentes: desidratação, anorexia, lassidão, fadiga e fraqueza. A insuficiência adrenal aguda ou devido a disfunção hipotalâmica ou hipofisária geralmente não está associada à perda de peso. TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS DEPRESSÃO E ANSIEDADE O papel independente da depressão na perda de peso é difícil de determinar devido à frequência de causas sobrepostas, como isolamento social, deficiências físicas, demência, disfagia, uso de medicamentos/drogas e múltiplas doenças crônicas. O isolamento e a depressão são causas importantes de perda de peso involuntária e podem evidenciar-se por incapacidade de cuidar de si próprio, inclusive de atender às necessidades nutricionais. Uma reação metabólico-inflamatória em cadeia desencadeada pelas citocinas pode ser a causa e uma das manifestações da depressão. LUTO Luto pode ser uma causa de perda involuntária de peso e, quando ocorre, geralmente é mais acentuado nos homens. ALCOOLISMO Muitos pacientes dependentes de álcool consomema maior parte de suas calorias do álcool e, portanto, apresentam várias deficiências nutricionais além da perda de peso. No entanto, a perda de peso em pacientes com cirrose alcoólica pode ser mascarada por ascite secundária e retenção de líquidos. DISTÚRBIOS ALIMENTARES Em pacientes com peso normal ou abaixo do peso, a obsessão pelo excesso de peso leva à perda de peso como resultado da diminuição da ingestão de alimentos, exercício excessivo, vômitos autoinduzidos, uso de drogas/medicamentos à base de plantas e/ou comportamentos sugestivos de bulimia/anorexia nervosa. ATIVIDADE FÍSICA ACENTUADA Algumas pessoas têm vocações que exigem que sejam muito magras (corredores de longa distância, modelos, bailarinas, ginastas). Algumas pessoas que se envolvem em treinamento intenso devem aumentar consideravelmente sua ingestão de calorias para manter seu peso e massa muscular. O aumento da ingestão de alimentos nem sempre é suficiente para manter o peso corporal, resultando em perda de peso transitória ou persistente. FÁRMACOS Os fármacos podem causar anorexia, náuseas, vômitos, distúrbios gastrintestinais, diarreia, ressecamento da boca e alterações gustatórias. Isso é particularmente comum nos idosos, muitos dos quais utilizam cinco ou mais fármacos simultaneamente. A perda de peso é um efeito adverso conhecido de vários medicamentos prescritos comuns, incluindo anticonvulsivantes, medicamentos para diabetes e medicamentos para a tireoide. o Sedativos o Antibióticos o AINEs o ISRS o Metformina o Levodopa o IECA DROGAS Cocaína: Até 40% dos usuários crônicos de cocaína experimentam perda de peso, anorexia e distúrbios do sono. Anfetaminas: As anfetaminas promovem a liberação de catecolaminas dos terminais nervosos pré- sinápticos, o que pode diminuir o apetite e aumentar o metabolismo basal. Maconha: A abstinência do uso crônico de maconha pode causar uma síndrome que inclui anorexia, perda de peso, irritabilidade e sonhos estranhos. Tabaco; O uso pesado de tabaco leva à perda de peso, enquanto o ganho de peso ocorre com a cessação do tabagismo. DISTÚRBIOS NEUROLÓGICOS AVE Parkinson Distúrbios neuromusculares Demência e Alzheimer A perda de peso involuntária pode ser uma das primeiras manifestações da demência de Alzheimer. FISIOPATOLOGIA Divide-se a base fisiopatológica da perda de peso em três categorias: diminuição da ingestão de alimentos, metabolismo acelerado ou aumento da perda de energia. A perda de peso pode ser traduzida como um sintoma de desordem multifatorial que inclui alteração da ingesta calórica, da absorção intestinal, da motilidade intestinal, do uso de medicamentos e abuso de drogas ou da produção aumentada de substâncias endógenas como fator de necrose tumoral, a interleucina 6, substâncias bombesina-like e fatores liberadores de corticotropina. Outros fatores como náusea e vômito causados pela quimioterapia também são importantes processos associados à perda de peso, bem como dor oncológica e compressões tumorais do trato gastrintestinal, quando provocam disfagia e distensão abdominal. A regulação do apetite sofre alterações com o envelhecimento (“anorexia fisiológica da idade”), há aumento da circulação de colecistocinina, por exemplo, que associada à diminuição do metabolismo basal pode levar à perda de peso importante. A maioria dos homens atinge o máximo de peso corporal ao redor dos 40 anos e as mulheres aos 50 anos. Logo após, ocorre progressiva perda de massa magra corporal, principalmente nas extremidades e estoque de gordura central. Atrofia gordurosa também pode ocorrer gerando aparência caquética. Alguns estudos mostram que há declínio natural da sensibilidade ao paladar e olfato com o aumento da idade, o que pode contribuir para a diminuição de peso. Distúrbios de visão e cognição no idoso também podem contribuir para a diminuição de ingesta calórica. PERDA DE PESO INVOLUNTÁRIA COM AUMENTO DO APETITE Esta condição está associada com aumento do gasto energético ou perda de calorias pelas fezes ou urina. Neste caso, a quantidade de calorias ingeridas é insuficiente para suprir o déficit energético. Hipertireoidismo: a perda de peso está associada com aumento do gasto energético basal e com o déficit na absorção intestinal devido ao aumento da motilidade gastrointestinal Diabetes mellitus descompensado: principalmente no DM tipo 1, a causa da perda de peso está associada à deficiência de insulina (hormônio anabólico) e à hiperglicemia com glicosúria (diurese osmótica), causando depleção de líquido extra e intracelular (desidratação). Outra causa não orgânica deste tipo de perda de peso é a baixa condição econômica, que pode resultar em dificuldades para comprar alimentos adequados para a manutenção do equilíbrio calórico. PERDA DE PESO INVOLUNTÁRIA COM DIMINUIÇÃO DO APETITE Incluíam-se as doenças psiquiátricas, uso crônico de drogas, doenças como câncer, endocrinopatias, doenças crônicas, doença pulmonar obstrutiva crônica e doenças gastrointestinais. A perda de peso devido ao câncer (síndrome anorexia-caquexia) é comum e ocasionalmente pode ser a única manifestação de tumores ocultos. Qualquer câncer pode evoluir com perda de peso, tanto como primeira manifestação ou manifestação tardia do tumor. As malignidades acometem aproximadamente um terço dos pacientes que apresentam síndrome consumptiva AVALIAÇÃO Dado o amplo diagnóstico diferencial de perda de peso não intencionaL, não existe uma única abordagem diagnóstica para todos os pacientes. A avaliação deve começar com a verificação da perda de peso (os pacientes podem queixar-se de perda de peso sem perda de peso objetiva), seguida de uma história e exame físico cuidadosos Em pacientes com perda de peso documentada de ≥5 por cento do peso corporal habitual e achados positivos na história ou exame físico, testes adicionais devem ser focados na confirmação do diagnóstico suspeito. Não existem diretrizes amplamente aceitas para a avaliação clínica da perda de peso não intencional. Documentando a perda de peso – Os julgamentos qualitativos dos pacientes sobre a magnitude de sua perda de peso geralmente não são confiáveis. Portanto, é importante obter registros de peso anteriores e, se não houver, consultar os familiares sobre o histórico de peso do paciente, incluindo peso habitual anterior ao período de perda de peso. Padrão de perda de peso – É importante determinar a duração e o padrão de perda de peso, incluindo flutuações anteriores de peso e se a perda de peso é progressiva ou estável. A perda de peso recente em uma pessoa com peso estável há muitos anos e a perda de peso progressiva são mais preocupantes e requerem acompanhamento mais imediato. Avaliação para transtornos alimentares e perda de peso intencional – Os médicos devem questionar os pacientes sobre a possível perda de peso intencional com a dieta. Sintomas associados – Perguntamos a todos os pacientes sobre outros sintomas gastrointestinais (por exemplo, dor abdominal, náusea, vômito, disfagia, diarreia e fezes com sangue ou escuras. Além disso, avaliamos todos os pacientes quanto a sintomas de: o Malignidade – Os pacientes podem ter sudorese noturna, febre e fadiga. o Má absorção – Os sintomas de má absorção incluem esteatorreia, perda muscular, diarreia aquosa. o Fatores funcionais – Fatores funcionais como disfagia, má dentição ou má cognição/demência podem contribuir para a perda de peso. EXAME FÍSICO Aparência geral – Os pacientes podem ter um baixo afeto que pode ser um sinal de doença psiquiátrica. Cabeça e pescoço – Os pacientes devem ser examinados para oftalmoplegia e estigmas de deficiências nutricionais (por exemplo, queilose, glossite). Se apropriado, um exame odontológico deve ser feito, pois a má dentição pode levar à perda depeso. Exame cardiopulmonar – Pacientes com doença cardíaca e pulmonar crônica podem apresentar perda de peso. Exame abdominal – Os pacientes devem ser avaliados quanto à sensibilidade abdominal, ascite, hepatoesplenomegalia e massas abdominais. Exame cognitivo e neurológico – Realizamos um exame neurológico para avaliar déficits. Além disso, particularmente em pacientes mais velhos, avaliamos comprometimento cognitivo e demência, pois podem contribuir para a perda de peso. Outros – Também examinamos linfadenopatia. IMC (peso e altura) e sinais vitais (lembrar da febre). EXAMES COMPLEMENTARES Se com anamnese + exame físico foi possível diagnóstico etiológico, pode-se fazer pesquisa laboratorial direcionada. Se não foi possível, parte-se para pesquisa laboratorial em fases: Pesquisar inflamação o PCR, leuco, VHS, DHL, albumina Pesquisa sistêmica o Bioquímica, glicemia; Hemograma; Enzimas hepáticas; Função Renal; EAS; Albumina e TSH Pesquisa etiológica o PSOF; Mamografia; CCO; PSA; EDA; Colonoscopia; PPD; Sorologia para HIV e hepatites; RX de tórax e Parasitológico de fezes. Rastreamento de Câncer Marcadores tumorais o CA 72.4 - Monitoramento de câncer gástrico. o CEA (antígeno carcinoembriogênico) - Monitoramento de adenocarcinomas gastrointestinal e outros adenocarcinomas. o PSA (antígeno prostático específico) - Diagnóstico, rastreamento e monitoramento de câncer de próstata. TRATAMENTO A primeira prioridade do tratamento da perda de peso involuntária é identificar e tratar as causas subjacentes. O tratamento dos distúrbios metabólicos, psiquiátricos, infecciosos ou sistêmicos coexistentes pode ser suficiente para recuperar gradativamente o peso e o estado funcional. Os fármacos que causam náusea ou anorexia devem ser interrompidos ou substituídos, quando possível. Nos casos de PPI inexplicável, os suplementos nutricionais (p. ex., bebidas hipercalóricas) revertem a perda de peso em alguns casos. Orientar os pacientes a consumir suplementos entre as refeições, em vez de junto com as refeições, pode ajudar a atenuar a supressão do apetite e facilitar o aumento da ingestão oral. Em pacientes selecionados, o antidepressivo mirtazapina produz aumentos significativos do peso corporal, da massa gordurosa e da concentração de leptina. Os pacientes com distúrbios debilitantes e que podem aderir a um programa de exercícios apropriados adquirem massa proteica, força e resistência musculares. DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS SÍNDROME DE ANOREXIA-CAQUEXIA NOS PORTADORES DE CÂNCER (SAC) O comprometimento do Estado Nutricional (EN) está associado ao aumento da morbimortalidade no câncer. Avaliação nutricional periódica deve fazer parte da rotina do tratamento, pois repercute na susceptibilidade a infecções, resposta terapêutica e no prognóstico. O grau e a prevalência da desnutrição depende também do tipo e do estágio do tumor, dos órgãos envolvidos, dos tipos de terapia anticâncer, da resposta do paciente e da localização do tumor, que quando atinge o trato gastrointestinal (TGI), a desnutrição é bastante evidenciada. A presença de câncer aumenta o risco de desnutrição em 8,1x e a localização no TGI superior associa-se a um risco aumentado em 15,7x. Anorexia é um dos sintomas mais comuns no câncer avançado – pela alteração do paladar e olfato ou mudanças na regulação hipotalâmica. A diferença mais importante entre desnutrição e caquexia do câncer é a preferência por mobilização de gordura poupando o músculo esquelético na desnutrição, enquanto na caquexia há igual mobilização de gordura e tecido muscular. FISIOPATOLOGIA o Aumento do consumo energético pelo tumor. o Liberação de fatores que agem no centro da saciedade diminuindo o consumo alimentar. o Citocinas produzidas pelo hospedeiro e pelo tumor que levam às anormalidades metabólicas características da síndrome. A caquexia pode ser classificada em: o Primária: consequências metabólicas da presença do tumor associada a alterações inflamatórias. Resulta em consumo progressivo e frequentemente irreversível de proteína visceral, musculatura esquelética e tecido adiposo. o Secundária: resultante da diminuição na ingestão e absorção de nutrientes por obstruções tumorais o TGI, anorexia por efeito do tratamento e ressecções intestinais maciças. o As duas condições aparecem concomitantemente em um só indivíduo. METABOLISMO Metabolismo dos carboidratos: A célula cancerosa utiliza preferencialmente a glicose como substrato energético, 10 a 50x mais em relação às células. Seria esperada redução dos níveis plasmáticos de glicose, mas isso não ocorre, pois há aumento na gliconeogênese hepática, a partir de substratos, como os aminoácidos musculares e o lactato. A glicose é degradada até lactato pelas células neoplásicas e o lactato é reconvertido em glicose no fígado - Ciclo de Cori. Essa reconversão resulta em um consumo de 6 moléculas de ATP, levando a uma espoliação energética que corrobora com a degradação tecidual e perda de peso e de massa corpórea nesses pacientes. Os pacientes com câncer avançado e perda de peso progressiva apresentam a atividade do Ciclo de Cori aproximadamente 2 a 3x maior do que aquela medida nos pacientes com câncer sem perda de peso. Segundo Tisdale (2002), o gasto energético no Ciclo de Cori é de aproximadamente 300 calorias por dia. Metabolismo de Lipídios: Ocorre perda de gordura corporal pelo aumento da lipólise e redução da lipogênese. A diminuição da lipase lipoprotéica leva à: Hiperlipidemia; Hipertrigliceridemia; Hipercolesterolemia e Aumento dos ácidos graxos livres. São fenômenos observados em paciente oncológicos desnutridos com tumores no TGI Metabolismo de proteínas: Manifestam-se por atrofia muscular, atrofia e órgãos viscerais, miopatia e hipoalbuminemia. O catabolismo muscular está aumentado para fornecer ao organismo aminoácidos para a gliconeogênese. RESUMO ALTERAÇÕES METABÓLICAS Alterações hormonais o O controle da ingestão alimentar tem regulação cerebral, a nível de hipotálamo. o Leptina – produzida e secretada pelo tecido adiposo. Quando há restrição calórica ou inanição, os níveis de leptina caem. Baixos níveis de leptina estimulam o apetite. o Leptina reduz o apetite e aumenta o gasto energético. o No câncer, os níveis aumentados de citocinas estimulam a expressão de leptina. o Neuropeptídeo Y (NPY) – é o mais potente peptídeo orexígeno – ativado pela diminuição da leptina. NPY tem como ação aumentar a ingestão de alimentos, diminuir o gasto energético e aumentar a lipogênese, promovendo o balanço energético positivo e o aumento da reserva de gordura. Citocinas o TNFa: associada ao aumento da lipólise, por ser capaz de inibir a lipase lipoprotéica. Induz caquexia pela redução da ingesta alimentar e balanço nitrogenado negativo. Aumento do cortisol e glucagon, diminuição de insulina, resistência à insulina, anemia, febre e aumento do gasto energético, tanto em animais como em humanos, estão associados à TNFa. o IL-1: citocina inflamatória. Induz saciedade – antagonista do NPY. Cauda febre e pode alterar a síntese proteica no fígado. o IFNg: assim como o TNFa, o IFNg provoca diminuição da ingestão alimentar e inibição da lipase lipoprotéica nos adipócitos ANEMIA PERNICIOSA Desenvolvimento de auto anticorpos que atacam as células do corpo e fundo gástricos (células parietais), reduzindo a produção de ácido e pepsina, e Fator Intrínseco (FI). >>> Hipocloridria e anemia megaloblástica por má absorção de B12. Epidemiologia - Entre 45-65 anos, sendo rara antes dos 30 anos. É ligeiramente mais comum em mulheres (1.6:1) de origem nórdica, com olhos azuis e que possuem cabelos brancos precocemente. A anemia perniciosa é FR para o adenocarcinoma gástrico. Associada a outras afecções autoimunes, como a tireoidite de Hashimoto (hipotireoidismo), o vitiligo,a insuficiência suprarrenal idiopática (doença de Addison), o hipoparatireoidismo e a doença de Graves. Laboratorial o Anticorpo antifator intrínseco – sensibilidade de 50-70% e especificidade de quase 100%; o Anti Célula parietal – mais sensível (90% dos pacientes), mas menos específico. Isolado, não confirma diagnóstico. o Necessita de acompanhamento regular com EDA pelo risco de CA de estômago por gastrite atrófica’. o Vitamina B12* Cofator para produzir a forma ativa do ácido fólico. Converte o metilmalonil CoA em succinil CoA. Para ser absorvida, necessita do ácido gástrico e pepsina para desprender das proteínas alimentares. Fator intrínseco (FI) – glicoproteína secretada pelas células parietais FI se liga à B12, protege contra degradação proteolítica e carreia o complexo até o íleo distal, onde será absorvida. Seriam precisos: 10-15 anos com dieta pobre em cobalamina para haver sinais clínicos de deficiência, caso a absorção não se encontre prejudicada; 3-6 anos, caso a absorção da vitamina esteja prejudicada. Etiologias (causas) comuns: Ingesta inadequada (raro); Má absorção Acloridria; Gastrectomia parcial; Anemia perniciosa; Ausência congênita de FI; Doença e Crohn; Ressecção intestinal. o Ácido fólico (folato)* Importante para a formação do DNA. Sinais clínicos de deficiência de folato se desenvolvem cerca de 4-5 meses após o início das perdas. A má absorção de folato pode ser consequência de um distúrbio primário da mucosa duodenojejunal (ex.: doença celíaca), ou do uso de determinados fármacos que interferem com o processo de absorção como a sulfasalazina e alguns anticonvulsivantes. Etiologias (causas) comuns: Pacientes que não se alimentam adequadamente; Alcoólatras; Gestantes; Anemia hemolítica; Câncer; Síndromes disabsortivas; Anticonvulsivantes (fenitoína, ácido valproico); Barbitúricos. Condições que consomem folato – gestação, anemia hemolítica, câncer >>> alta produção celular. Quadro clínico o Anemia megaloblástica: Fraqueza; Palpitação; Cefaléia e Irritabilidade. o Distúrbios neuropsiquiátricos: Parestesias em extremidades; Diminuição da sensibilidade profunda (vibração, propriocepção); Desequilíbrio, marcha atáxica; Romberg positivo; Babinski; Déficit cognitivo (demência, psicose). o Manifestações digestivas: Glossite; Diarreia; Perda ponderal e Queilite angular. Laboratório o Hemograma: VCM aumentado – quando maior que 120 fL, praticamente fecha diagnóstico de anemia megaloblástica; RDW aumentado; Leucopenia; Trombocitopenia; Elevação do DHL; Elevação de bilirrubina indireta; Reticulócitos normais. o Sangue periférico: Hipersegmentação do núcleo de neutrófilos (≥ 5 lobos). o Dosagem de Cobalamina e Folato séricos: Normal de B12 de 200 a 900 pg/ml e Normal folato de 2,5 a 20 ng/ml. CÂNCER GÁSTRICO O adenocarcinoma é o mais comum – 95% Homens em torno de 60-70 anos. Fatores de risco: Parentes de primeiro grau com câncer de estômago; Excesso de peso e obesidade; Excesso de sal, alimentos conservados em sal; Consumo elevado de nitratos; Baixo consumo de gorduras ou de proteínas; Anemia perniciosa; Gastrite atrófica; H. pylori; Tabagismo; Etilismo; Agrotóxicos; Pólipos adenomatosos. Classificação de Borrmann: Divide o carcinoma em 5 tipos, dependendo da aparência macroscópica da lesão (EDA). o Tipo 1: lesões polipóides. o Tipo 2: lesões ulceradas com bordas elevadas. o Tipo 3: lesões ulceradas com infiltrações na espessura da parede gástrica. o Tipo 4: lesões difusamente infiltradas. Quadro clínico o Assintomático em estágio inicial. o Apenas 20% dos cânceres de estômago são diagnosticados em estágio inicial. o O desconforto epigástrico vago e indigestão, geralmente são confundidos com gastrite, levando a um tratamento sintomático durante 6-12 meses antes de serem solicitados estudos diagnósticos. o A dor epigástrica não irradia e não alivia com a ingestão de alimentos. o Os sintomas podem variar com a localização do tumor: o Quando proximais, na junção GE, apresentam disfagia. o Os antrais podem apresentar obstrução da saída do trato gástrico. o Sinais e sintomas comuns: Anorexia; Perda ponderal; Dor abdominal; Desconforto no abdome - epigastralgia; Plenitude pós-prandial; Azia ou indigestão; Náuseas e Vômitos; Hematêse (mais raro – 15%); Edema, ascite; Sangue nas fezes e Anemia. Exame físico o Linfonodo supraclavicular – Virchow – palpável. o Linfonodo periumbilical – Irmã Maria José. o Metástase peritoneais palpáveis pelo exame retal – Prateleira de Blummer. o Massa ovariana palpável – Tumor de Krukenberg . o Com a progressão da doença, pode surgir hepatomegalia secundária a metástases, icterícia, ascite e caquexia. Diagnóstico o EDA com biópsia (múltiplos fragmentos, entre 7 ou +) – precisão diagnóstico chega a 98%. o Após confirmação, estudos adicionais devem ser realizados: Hemograma; Bioquímica; Função hepática; Estudo da coagulação; RX de tórax e TC de abdome (Em mulheres, uma TC de pelve ou USG pélvica também é recomendada). TC de tórax pode ser necessária em CA proximal. Tratamento cirúrgico o Na ausência de disseminação metastática, justifica-se ressecção cirúrgica agressiva. Necessária uma linha de 6cm da massa tumoral para reduzir recorrências. o Tumores da cárdia e parte proximal são responsáveis por 35 a 50% dos adenocarcinomas. – geralmente são detectados maiores – necessitando de gastrectomia total (procedimento de escolha) Tumores distais são responsáveis por 35% dos casos. Pode ser realizada a gastrectomia subtotal. Prognóstico o Sobrevida em 5 anos após diagnóstico é entre 10-21%. o Pacientes submetidos à ressecção potencialmente curativa têm sobrevida maior – 24-57%. o As taxas de recidiva são altas – 40-80%. Ocorrem principalmente nos primeiros 3 anos. o Acompanhamento frequente, a cada 4 meses durante 1 ano. E a cada 6 meses por 2 anos. Depois, anualmente REVISÃO DE FISIOLOGIA DA FOME E SACIEDADE Estão relacionados sinais aferentes de curta ou longa duração que são repassados ao cérebro através do nervo vago ou pela via sistêmica e envolvendo também hormônios provenientes do trato gastrointestinal e tecido adiposo de acordo disponibilidade energética do indivíduo. A regulação do peso corporal é controlada por meio de hormônios e neuropeptídeos, que estão sob o comando de núcleos hipotalâmicos. De acordo com a “teoria glicostática”, o “centro da fome” está localizado na área lateral hipotalâmica, onde a percepção de baixa glicose sanguínea é reconhecida, e assim, consequentemente é estimulado o consumo alimentar. Após a refeição, o “centro da saciedade”, localizado na região ventromedial do hipotálamo, é ativado desencadeando a inibição do “centro da fome”, cessando a alimentação Os centros de controle que regulam o apetite e o gasto de energia situam-se em regiões profundas, entre três áreas do sistema límbico primitivo compreendendo hipotálamo, área tegmental ventral e amígdala. Cada uma destas áreas percebe uma sensação distinta mas complementar, que leva ao comportamento alimentar Projeções descendentes dos neurônios hipotalâmicos podem modular a ingestão de alimento modificando a capacidade de controle da saciedade. Além disso, a ação crônica da insulina na área tegmental ventral desregula as vias hedônicas da recompensa que, por seu turno, aumentam o comportamento de busca do alimento, especialmente os ricos em gordura ou açúcar, e isto resulta na ingestão excessiva de energia. E, finalmente, a ativação crônica da amígdala, sob condições de estresse, depressão ou ansiedade, aumenta a secreção de cortisol. Esta produção excessiva de cortisol leva ao acúmulo de gordura visceral e aumento na sinalização da lecitina, perpetuando o ciclo vicioso de ganho de peso Conforme oscilações das reservas energéticas de longo prazo, tecido adiposo tambémsecreta hormônios, sendo a leptina o principal hormônio adipositário