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Leite cru A verdade que vai mudar sua vida! Dr. Wilson Rondó Jr. *** 1ª edição digital São Paulo 2019 Prefácio Minha vida profissional foi dedicada a desenvolver pesquisas “para dentro da porteira”, no intuito de colaborar com o aumento da produtividade leiteira em rebanhos da América Latina. Quando recebi o convite para prefaciar este livro, me senti distinguido e honrado, todavia, desafiado, dada a peculiaridade do assunto. Resolvi, então, apenas introduzir o leitor naquilo que encontrará ao longo destas páginas. O Dr. Rondó, cirurgião vascular e endovascular de formação, especializado em Nutrologia, tem publicado livros e artigos com o intuito de levar os leitores à compreensão das práticas alimentares. Conheci o Dr. Rondó em 2012, de forma inusitada, no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando ambos embarcávamos para a Bolívia, a fim de proferir palestra no XV Congresso Latino-Americano de Agricultura e Pecuária. Na ocasião, ele me considerou “um exótico jogador de golfe”. Nesse momento, nasceu uma empatia entre nós. A palestra dele foi sobre o livro Sinal verde para a carne vermelha, no qual desmistifica e contesta paradigmas propagados por vários profissionais que consideram a carne vermelha nociva à saúde. Demonstra, em suas investigações, que a carne de bovinos criados em condições naturais é a chave para uma alimentação saudável. Agora, da mesma forma, escreve sobre o leite. Existem, atualmente, 870 milhões de pessoas (15%) com subnutrição. No outro extremo, 500 milhões de obesos. Isso, somado ao sedentarismo do mundo moderno, aponta a urgência de se adquirir bons hábitos alimentares para melhorar a qualidade de vida. O padrão alimentar está sempre em transição no mundo e no Brasil. O assunto é complexo e influenciado por diversos fatores: interesse comercial, preferências individuais, crenças, tradições culturais e culinárias, aspectos geográficos e socioeconômicos. De forma semelhante, o leite ocupa atualmente o centro de debates e estudos sobre sua contribuição para a saúde e prevenção de doenças ou, de forma oposta, sobre suas implicações para a gênese e a manutenção de enfermidades na população. Ou seja, este livro surge num momento em que há duas frentes divergentes em relação a esse tema: de um lado, defensores ferrenhos do consumo do leite e, de outro, adeptos e patrocinadores do consumo dos chamados sucedâneos do leite (aqueles alimentos produzidos de grãos e cereais). Estes últimos são apresentados no comércio como “leite de...”, tentando fazer o consumidor acreditar ser um substituto daquilo que só os mamíferos produzem, numa concorrência publicitária desleal visando a interesses econômicos para a venda de seus produtos de origem vegetal, como já ocorreu com a margarina e os óleos derivados de sementes, apontados como substitutos mais saudáveis que a manteiga e a gordura animal, mas que, ao contrário, se mostraram prejudiciais à saúde humana. Análises históricas revelam que o consumo de leite pelo ser humano tenha começado há 11 mil anos, com a domesticação dos primeiros animais. Dentre todas as matérias-primas de origem animal, o leite é o mais utilizado no mundo. São produzidos cerca de 560 bilhões de litros/ano de leite de vaca. Neste livro, o autor promove o leite, numa visão atualizada e livre de preconceitos, como adequado à dieta, uma vez que contém nutrientes considerados fundamentais aos processos imunológicos, fisiológicos e metabólicos, nas diversas fases da vida do ser humano, além de ser ingrediente insubstituível no preparo de muitas receitas. Ao longo do texto, ele descreve a forma ideal de sua ingestão como produto não agressivo à saúde, compartilhando informações que atestam ser o leite um alimento balanceado e equilibrado para nossas refeições, principalmente quanto aos ácidos graxos que possui. Em relação à alergia e à intolerância que algumas pessoas podem apresentar, são apontados meios e alternativas de como se deve proceder, evidenciando também o valor do leite A2, que já é mainstream em algumas indústrias. Neste livro, além dos assuntos já relatados, Dr. Rondó, uma pessoa pragmática, rompe com a aplicação draconiana das regras atuais de higienização – impostas em muitos países – no tratamento do leite para consumo, propondo uma alimentação mais natural ou sem transformação, dentro da filosofia da slow food, mas com respaldo científico. Demonstra que o leite pasteurizado é menos digerível que o leite cru, cujas enzimas são destruídas. Dentre tantos outros fatores que serão abordados, mostra que o tratamento do leite industrializado também pode levar a uma alergia atópica ao seu consumo e aos produtos derivados, afetando a beta-lactoglobulina e reduzindo vitaminas. Além disso, aumenta casos de doenças e enfermidades. Neste livro, são descritas as vantagens que o leite cru tem em relação aos chamados “leites limpos” (pasteurizados, termizados ou microfiltrados), principalmente por conta de seu maior valor nutricional nos componentes naturais, mantidos íntegros, além de sua riqueza diversificada na flora de colônias microbianas – geradoras de fermentações de numerosos compostos aromáticos e degustativos –, que são reduzidas ou desnaturadas pela pasteurização. Ademais, a própria competição microbiana do leite cru impede o desenvolvimento de micro-organismos patogênicos – em que as bactérias láticas produzem metabólitos durante a fermentação –, que agem como agentes bacteriostáticos, além de promover a exclusão competitiva de micro-organismos indesejáveis, garantindo a inocuidade do produto. Ao contrário, nos leites tratados (com apenas 5 a 50 mil micro- organismos por grama versus mais de um milhão por grama nos crus), existe um terreno virgem onde pode ocorrer pós-contaminação, principalmente das bactérias Listeria, Campylobacter e Salmonella. As vantagens não acabam na riqueza nutricional do leite cru, dificilmente igualável, em qualidade, a outro alimento. O leite contribui também para a prevenção de determinados problemas do coração, diabetes, câncer, hipertensão, osteoporose, distúrbios metabólicos e de obesidade, saúde bucal e intestinal, moléstias degenerativas e de memória, de acordo com a literatura científica moderna. Além disso, o leite cru é essencial para a produção de queijos diferenciados, valorizados no mercado e produzidos, de forma artesanal, por muitos dos pequenos produtores rurais que necessitam agregar valor ao seu produto. No caso específico do queijo produzido com leite cru, a alimentação dos animais, a raça do gado, o estágio da lactação, o ecossistema e a estação do ano também interferem na qualidade do leite, chegando a ser o fator determinante e essencial para a produção de queijos com textura, bouquet e sabor especiais. Por conta disso, muitos queijos tendem a ser mais típicos do seu meio de origem e fazem parte da história de diversas regiões. A maturação é outra etapa importante no processo de fabricação de queijos artesanais, pois não há necessidade de adição de fermentos lácteos; além disso, as bactérias láticas do leite cru acabam criando condições desfavoráveis ao desenvolvimento de bactérias patogênicas e deteriorantes, por conta da diminuição do pH e do aumento do potencial de oxidorredução. Nesta abordagem, não se está preconizando nem estimulando o comércio de leite cru e seus derivados no mercado informal. Ao contrário, ela pode ser vista como um alerta aos órgãos competentes sobre a importância de haver regulamentos, normas e legislação específicos para certificar e credenciar produtores de lácteos não pasteurizados, como ocorre, efetivamente, em outros países, devendo ter atenção especial no controle sanitário do rebanho e na higiene da ordenha para evitar transmissão de doenças zoonóticas e, assim, proporcionar aos cidadãos uma alimentação segura. Parabenizo o Dr. Rondó, um profissional diferenciado, que vem novamente a público elucidar dúvidas acerca dos polêmicos e divergentes trabalhos que discriminam o hábito do consumo de lácteos, trazendo novas evidências para dar o “sinal verdepara o leite in natura”. Ivan Luz Ledić Apresentação Quando grandes empresas enfrentam o desafio de alterar a receita de produtos já consagrados em benefício do consumidor, algo realmente importante está acontecendo. Não sejamos ingênuos: de olho no mercado, os empresários mudam porque são pressionados pelos consumidores mais exigentes. E isso já vem acontecendo. Há um sério movimento de um público consciente sobre questões de saúde tomando vulto em alguns países, o que nos permite ter esperanças de dias melhores nessa área. Para citar apenas um caso, uma poderosa empresa multinacional de produtos alimentares comprometeu- se, publicamente, a eliminar transgênicos de todos os seus produtos até 2018. Bondade? Não. Pressão do público consumidor esclarecido e visão econômica, pois as vendas de iogurte caíram, drasticamente, nos últimos tempos. No caso, os transgênicos estariam embutidos no leite de gado confinado, alimentado com ração, usado pela empresa. O empenho desta empresa a levou a solicitar aos produtores de leite que mudassem a forma de tratar o gado: de confinado para criação livre, a pasto, o que influencia diretamente na qualidade do leite. Mudanças desse tipo são animadoras e acabam por estimular outras iniciativas. Em recente decisão, a justiça europeia determinou que as palavras “leite” e “queijo” não podem mais ser usadas em produtos de origem vegetal, como em “leite de soja” e “leite de coco”. Para efeitos de comercialização e publicidade, a normativa da União Europeia reserva a denominação “leite”, a princípio e exclusivamente, ao leite de origem animal. Os juízes do alto tribunal entendem que isso se aplica também aos produtos de origem vegetal etiquetados como “creme de leite”, “chantili”, “manteiga”, “queijo” e “iogurte”, mesmo se sua origem estiver especificada no rótulo. Para o tribunal, a adição de menções descritivas ou explicativas não garante que o consumidor não se confunda. A grande pergunta Defensores ferrenhos do consumo de leite se contrapõem aos que pretendem excluí-lo da alimentação, baseados na premissa de que leite só é bom mesmo para bezerros. Há ainda os que acreditam que o consumo de leite cru pode evitar doenças, melhorar a vida sexual, dar mais energia e estender a expectativa de vida, ao menos, por 10 anos. Não quero entrar nessa discussão com base apenas no “achismo”, tão comum nos dias atuais. Não basta responder com a ligeireza do imediatismo se o leite é bom ou ruim para consumo. O leite está aí, à nossa disposição, apresenta qualidades invejáveis quando in natura e, a meu ver, deve ser avaliado com seriedade. O importante é trabalhar com dados reais, a maneira mais correta de ampliar o conhecimento sobre qualquer assunto, estabelecer parâmetros e tirar conclusões. Além disso, para mim, a questão é outra e se resume em uma simples pergunta: Que tipo de leite beber? Pasteurizado, homogeneizado, enriquecido, desnatado, leite integral, leite cru etc. É sobre isso que trata este livro. Leite limpo Dr. Henry Coit, o pai do leite certificado, reconhece claramente que o leite fresco de qualidade máxima não deve ser aquecido, como na pasteurização, e que o melhor meio de preservar ao máximo os seus nutrientes naturais é garantir que seja limpo. No caso, “limpo” significa leite cru produzido em propriedades certificadas, dentro de padrões rígidos de higiene e segurança. Perfeito. Mas aqui já encontramos o primeiro problema, pois a pasteurização é uma exigência governamental no Brasil. Assim, quem ousar comercializar leite cru será um infrator passível de responder à lei, tanto quanto vendedores de drogas. E, provavelmente, seja tratado até com mais severidade. Pior: pode também ter de enfrentar a possibilidade de associações médicas, veterinárias, pediátricas e o lobby do leite se posicionarem contra o comércio do leite cru. Não duvide. As forças contra o leite de ótima qualidade são poderosas. A indústria, por meio de divulgação em palestras e eventos fortemente patrocinados, conseguiu convencer grande parte dos médicos de que o leite que fabrica e vende é saudável e indispensável como alimento. Por sua vez, há médicos e nutricionistas que alertam sobre o perigo de a gordura saturada do leite e seus derivados aumentar o colesterol. Esses profissionais são vítimas do que aprenderam e não revisaram. Ainda acreditam que gordura saturada faz mal, quando o que ocorre é exatamente o contrário. A pasteurização é um processo de aquecimento com a finalidade de eliminar micro-organismos patogênicos. Seu custo é menor que o de outros procedimentos sanitários. E não é garantia de saúde, como você verá. No entanto, na cultura popular, a palavra “pasteurizado” indica um produto insuspeito aos consumidores. Um produto confiável, fresco, que não apresenta riscos à saúde. Na verdade, o leite pasteurizado nada tem de fresco. Lamento, mas, apesar da técnica moderna de pasteurização, o leite que resulta dela não passa de um produto morto. No processo, todas as enzimas e proteínas do leite são alteradas e as gorduras são destruídas, desnaturadas, como em qualquer tecido animal morto. Leite bom de origem A minha posição é priorizar a saúde dos rebanhos, que precisam estar livres de doenças, especialmente, de tuberculose e brucelose, algo que já se fazia nos Estados Unidos por volta de 1930. Mas isso não basta. É necessário que o leite nosso de cada dia seja, realmente, nutritivo e o mais natural possível. Um verdadeiro amigo da boa saúde. Como chegar a isso é uma luta que devemos encarar. O objetivo deste livro é dar ao leitor as informações necessárias sobre esse discutido alimento, a fim de que possa formar sua própria opinião. Quanto mais pessoas esclarecidas, maiores as possibilidades de surgirem mudanças positivas no consumo do leite e de seus derivados. Leia, informe-se e responda: que tipo de leite você quer beber? Leite pasteurizado No processo de pasteurização, o leite é aquecido a temperaturas de 72 °C a 75 °C, durante ao menos meia hora, o que muda a estrutura de suas proteínas, tornando-o menos saudável e mais alergênico. Nesse processo, ocorre oxidação das gorduras e proteínas, muitas enzimas são completamente destruídas e há redução de vitaminas, em especial B12 e B6. A pasteurização ainda reduz 20% do iodo contido no leite integral natural, o que pode causar constipação, e destrói whey protein, albumina e alfa-lactoalbumina contidas no leite cru, muito importantes para a saúde. Todos esses fatores podem comprometer o crescimento e causar anemia nutricional, o que não ocorre com o leite integral natural. Além disso, a pasteurização abre espaço para a ação de bactérias mortas no processo. Como essas bactérias não são removidas, os fragmentos celulares continuam no leite e os resíduos de bactérias patogênicas podem desencadear reações imunológicas nas pessoas que o ingerem, o que talvez seja a maior causa de alergias ao leite. Em outras palavras, a alergia pode não ser ao leite, propriamente dito, mas aos fragmentos celulares de bactérias, remanescentes pós-pasteurização. Pausterizado, portanto, o leite torna-se um alimento mais prejudicial que benéfico para a saúde. Doenças e sintomas associados à pasteurização A lista pode ser surpreendente, mas é real: • osteoporose; • doença cardíaca; • diarreia, cólicas; • distenção abdominal e gases; • câncer; • autismo; • artrite reumatoide; • diabetes tipo 1; • infecções recorrentes de vias aéreas; • leucemia; • cólicas em bebês e crianças. Até aqui, forneci um rápido panorama sobre o leite pasteurizado consumido pela maioria da população no Brasil, porém há muito mais a ser ressaltado, como se verá ao longo do livro. Leite cru e leite pasteurizado Algumas características do leite cru – que ainda não pode ser comercializado no Brasil – e informações sobre as relevantes diferenças entre ele e o leite pausterizado: • reduz o nível de imunoglobulinas (IgE), as quais aumentam a resposta celular a um alergênico. Reduzidas • as imunoglobulinas, cai a produção de histamina, que causa sintomas alérgicos;• é rico em ácido linoleico conjugado (CLA), que melhora a imunidade e aumenta a queima de gordura; • possui altos níveis de ômega 3 e 6 em proporções benéficas para a saúde; • apresenta mais de 60 enzimas digestivas, fatores de crescimento e imunoglobulinas; • é rico em vitaminas lipossolúveis A, D, E e K, além de vitaminas do complexo B; • apresenta mistura muito equilibrada de minerais, como cálcio, magnésio, fósforo etc.; • é rico em gorduras integrais, aminoácidos e proteínas na mais alta forma de disponibilidade – 100% digeríveis; • é rico em colesterol não oxidado; • contém fosfatase, enzima que auxilia a absorção de cálcio pelos ossos; • apresenta lactobacilos vivos, que aumentam a absorção dos nutrientes; • é rico em bactérias saudáveis, boas para o trato gastrointestinal; • contém lipase, enzima que ajuda a mobilizar e absorver gorduras; • favorece a melhora ou a cura completa de alergias, de problemas digestivos, eczemas e cansaço mental; • costuma ser bem tolerado por pessoas alérgicas a leite pasteurizado e, certamente, melhora a saúde como um todo. O leite cru oferece benefícios à saúde que não se encontram no leite pasteurizado. A grande indicação da pasteurização é para evitar a tuberculose em crianças, causada por germes lesivos encontrados no leite cru. No entanto, estudos mostram não haver risco algum com o consumo do leite cru, se for produzido por gado criado no pasto e dentro de parâmetros indispensáveis de limpeza, higiene e saúde. A qualidade da limpeza e das pastagens é fundamental para um produto apropriado ao consumo. De acordo com Connell Study, entre 1973 e 2009, houve 422 mil casos de doenças causadas pelo leite pasteurizado e apenas 1.100 relatos de problemas de saúde entre adeptos do leite cru. Com respeito à tuberculose, um estudo comparativo de cinco anos entre um grupo de crianças alimentadas com leite integral e outro grupo, com leite pasteurizado, não deixou dúvidas: houve apenas um caso de tuberculose no grupo que bebia leite integral, contra catorze casos no grupo das crianças que consumiram o leite pasteurizado. O FDA, órgão do governo norte-americano que controla os alimentos e medicamentos, coloca tanto o sorvete quanto os queijos pasteurizados entre os dez alimentos de maiores riscos, e o leite cru não entra nessa lista. O leite pasteurizado está envolvido com a geração de escorbuto e também aumenta a incidência de cáries em crianças, se comparado com o leite cru. Leite pasteurizado não promove o mesmo desenvolvimento em peso e altura que o leite cru. Para ganho de peso, apresentou apenas 66% da eficiência do leite cru em garotos e 91,9% da eficiência em meninas; e, em ganhos de crescimento de estatura, 50% da eficiência em meninos e 70%, em meninas. A pasteurização destrói a vitamina A, cerca de 25% de vitaminas do complexo B e de 20% a 50% de vitamina C, mas não apenas isso: ela destrói outros nutrientes importantes para a saúde e transforma a lactose (o açúcar do leite) em beta-lactose, mais solúvel, por isso, rapidamente absorvida pelo organismo. A rápida absorção faz a criança ou qualquer consumidor sentir fome bem antes do que seria desejável. Outra consequência da pasteurização é tornar insolúvel o cálcio contido no leite cru, o que pode levar a raquitismo, dentes e ossos fracos e problemas nos nervos. Estudo com 8 mil crianças mostra que os pré- escolares que consumiam leite cru tiveram 41% menos incidência de asma e 50% menos febre do feno quando comparados com crianças que beberam leite pasteurizado. Indivíduos em dieta para emagrecer, que também sofrem de diabetes ou hipertensão arterial, devem evitar qualquer tipo de leite, pois todos contêm o açúcar lactose e este piora a resistência à insulina e à leptina. Quem é saudável quer beber leite, mas também privilegiar a saúde, portanto deve ser crítico na hora de escolher qual deles consumir. Segundo um estudo sobre contaminação por Salmonella, realizado entre 1998 e 2008 nos Estados Unidos, não ocorreu nesses dez anos nenhum caso de contaminação de pessoas por leite cru. Porém, houve um surto de Salmonella entre as que bebiam leite pasteurizado. A vantagem da pasteurização é que o leite não azeda nem se decompõe com rapidez, o que evita a proliferação rápida de germes indesejáveis. Por isso, geralmente pensamos que o processo de pasteurização representa uma segurança na redução de doenças, como febre tifoide e tuberculose. De fato, ele foi importante no século XIX, quando estava começando a criação de sistemas seguros de reservatórios de água e tornavam-se crescentes os cuidados com a higienização e a saúde animal. Atualmente, a pasteurização pode ser considerada ultrapassada, apesar de já estar incorporada aos nossos padrões de saúde pública. Há que se procurar e reconhecer processos mais eficientes de preservar a saúde da população, e não a tornar pior. O leite pasteurizado é também homogeneizado, o que cria uma substância chamada xantina oxidase, com ação oxidativa. Essa substância gera radicais livres no corpo, causando envelhecimento celular precoce e suas consequências para a saúde. O leite cru e seus derivados – como queijo cru, iogurte cru e qualquer subproduto de leite fresco não pasteurizado – estão, positivamente, transbordando de bactérias saudáveis. O ingrediente secreto desse tipo de leite é a lactoferrina, uma proteína que absorve, efetivamente, o ferro das bactérias perigosas, matando-as de fome. Com a morte das bactérias perigosas, permite-se o florescimento das bactérias boas. O resultado é alentador, pois se obtêm todas as bactérias necessárias à saúde e à boa digestão e nenhuma das más! Já no leite e derivados que se encontram no mercado, ao contrário, tanto as bactérias boas como as más são eliminadas. E o que sobra no produto tem valor abaixo de zero! A pasteurização ainda é necessária para o leite de animais criados em confinamento, método lesivo à saúde do gado e que facilita a contaminação do leite por uma série de doenças. Com leite de vacas criadas livres, alimentando-se de pasto, não há necessidade de se processar o leite. Esses animais saudáveis produzem leite saudável! Como já dito, especialmente nos Estados Unidos observa-se que o consumo de leite cru vem aumentando, assim como seus subprodutos integrais: queijos, iogurte, manteiga, nata e creme de leite fresco de sabor incomparavelmente rico e de consistência cremosa. Devemos nos preparar para essa revolução de conceito e escolher o tipo de leite que mais nos convém. Com consciência! É claro que as “forças ocultas” estão fazendo o que podem para assustar o consumidor e afastá-lo do saudável leite cru. Não acredite nelas! Produzido com responsabilidade, o leite cru é mais seguro que o leite encontrado nos mercados, ou tão seguro quanto. A importância de vacas criadas a pasto A imagem que se tem de gado é quase sempre de animais vivendo e pastando em seu ambiente natural. Jamais se alimentando com ração, confinados em pequenos espaços e disputando um cocho de alimento em um ambiente desumano e inóspito, onde as bactérias se proliferam. O leite de vacas criadas nessas condições pode ser bem perigoso, necessitando ser pasteurizado para a segurança do consumidor. Afinal, seu alimento natural é o capim, não as rações à base de milho e soja (nem vou considerar aqui a péssima qualidade do milho e da soja de nossos dias). Infelizmente, ainda há muitos produtores que mantêm gado leiteiro em confinamento. O valor da origem Quando se consome leite de vacas criadas a pasto, o organismo é presenteado com melhor proporção entre ômega 3 e ômega 6, tão importante nos dias atuais, quando o consumo de muitos alimentos industrializados – processados, preparados em altas temperaturas com óleos vegetais hidrogenados – acaba comprometendo essa proporção. O que ocorre é a predominância absurda de ômega 6, molécula pró-inflamatória responsável pelas principais doenças do mundo moderno, como Alzheimer, artrite reumatoide, doença cardiovascular, depressão, câncer, diabetes e obesidade! Os estudos não deixam dúvidas:• leite de vacas criadas a pasto contém 25% menos ômega 6 e 62% mais ômega 3 que o leite de vacas confinadas; • comparando consumidores de leite de vacas criadas a pasto com consumidores de leite produzido por vacas confinadas, observou-se, entre estes últimos, um aumento de 25% de ômega 6 em relação ao ômega 3! Isso não é desejável, uma vez que a relação ideal é de 1 ômega 3:3 ômega 6. Desculpem a ironia, mas é um perfeito desequilíbrio! • todos os tipos de ômega 3 – ácido linoleico (60%), eicosapentanoico ou EPA (32%) e ácido docosapentanoico ou DHA (19%) – são maiores no leite de vacas criadas a pasto do que no leite de vacas confinadas. É muito comum ouvir a expressão “somos o que comemos” (bebemos, respiramos...). Isso é real e vale também para os animais. Portanto, ao se alimentar de capim, a vaca cria uma composição orgânica adequada à sua natureza. Essa composição natural, certamente, será transferida ao consumidor que se alimentar de seus produtos, como carne, leite e derivados. O leite de vacas criadas a pasto não precisa ser pasteurizado, pois o sistema natural de criação não permite proliferação bacteriana. A qualidade do leite de vacas criadas a pasto e seus derivados é facilmente identificável pela sua coloração meio amarelada, que se origina do capim, rico em carotenoides e antioxidantes. Em vacas criadas em confinamento, alimentadas com ração, ocorre uma mudança na composição corpórea, uma mudança para pior. Assim, todo alimento que vier desse animal é um produto inadequado para consumo. Uma das mais importantes alterações, nesse caso, é a mudança do equilíbrio de ácidos graxos essenciais. Tanto o leite como a carne de animais criados a pasto têm melhores níveis de muitos nutrientes, como vitamina E, niacina, betacaroteno e de gorduras boas, como ômega 3 (ALA, EPA e DHA) e CLA. Animais confinados costumam receber hormônios para induzir maior produção de leite. E isso também não é bom, porque os hormônios contaminam não só o leite, mas também a carne e, consequentemente, o consumidor desavisado. O uso de rações (milho e soja), cujos grãos sejam transgênicos, é outro problema. Os transgênicos alteram o rúmen dos animais e comprometem a qualidade do leite. A presença de glifosatos usados nos grãos transgênicos, por sua vez, causa um comprometimento na fertilidade animal, o que acaba sendo transferido também aos humanos. Portanto, ao decidir qual leite consumir, a melhor escolha será o de vacas criadas a pasto, com qualidade e nível nutricional adequados. Até mesmo se for o pasteurizado, pois ao menos esse leite não estará “batizado” com hormônios e antibióticos. A Ludwing Maximilian University, em Munique, Alemanha, baseando-se no fato de que o aleitamento materno protege os bebês contra infecções respiratórias, decidiu testar tipos de leite de vaca para determinar qual deles poderia também ser um bom protetor. Cerca de mil bebês de áreas rurais da Alemanha, França, Áustria, Suíça e Finlândia foram observados durante o primeiro ano de vida. Eles foram divididos em grupos, cada qual consumindo um determinado tipo de leite. Os resultados foram os seguintes: • os bebês alimentados com leite cru apresentaram 30% menos risco de infecção respiratória que os de outros grupos; • o leite que foi fervido na fazenda teve uma diminuição do efeito protetor; • o leite que foi ultrapasteurizado (aquecido por segundos a cerca de 135 °C) não mostrou nenhum efeito protetor, porque os compostos protetores foram destruídos ou lesados pelo aquecimento. Segundo o autor do estudo, o epidemiologista Georg Loss, “os compostos que são sensíveis ao aquecimento parecem desempenhar um papel importante na proteção contra infecções de ouvido e trato respiratório”. E as pesquisas não param por aí. O estudo Parsital, realizado em 2007 com 150 mil crianças, concluiu que o consumo de leite cru foi inversamente associado à asma. Ou seja: quanto mais leite cru, menos asma! Pesquisas comprovam que leite orgânico cru de alta qualidade traz em si um “sistema imune” embutido: apresenta concentração elevada de leucócitos, o que ajuda a reduzir o risco de intoxicação alimentar. Já o leite pasteurizado não tem essa qualidade protetora. O estudo Gabrieza, publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology, em 2011, analisou 8 mil crianças com idade escolar e concluiu que as que beberam leite cru foram 41% menos propensas a desenvolver asma e cerca de 50% menos susceptíveis a febres e alergias. Um estudo comparativo entre leite cru e leite pasteurizado, ambos contaminados com patógenos mortais – Escherichia coli (E. coli), Listeria, Campylobacter ou Salmonella –, apontou dados interessantes. No leite cru, após 30 minutos, não foi encontrado nenhum patógeno, pois todos foram neutralizados. Já no leite pasteurizado, havia um meio de cultura riquíssimo em patógenos, perfeito para as bactérias se reproduzirem e gerarem problemas. Portanto, quase todas as intoxicações alimentares causadas por laticínios têm origem no leite cozido. Leite integral e leite sem gordura A nata é a parte mais importante do leite. É nela que se encontram os componentes necessários para a digestão da caseína do leite. Assim, consumir leite integral e seus derivados aumenta a capacidade de regular a absorção de açúcar e evita a subida repentina de insulina. A nata do leite, portanto, é saudável. Há quem recomende o consumo de leite sem gordura por apresentar benefícios à saúde, o que não é verdade. Sem a gordura, o leite torna-se muito rico em açúcar (lactose), o que contribui para a obesidade. Outro ponto a considerar é que, sem gordura no leite, não se absorvem suas vitaminas lipossolúveis A, D, E e K, e ainda perdemos as gorduras boas ômega 3 e CLA, que só são absorvidas em meio gorduroso. A perigosa ligação entre leite desnatado e diabetes Já não basta a orientação errada que nos passaram esses anos todos, afirmando que gordura animal causava doença cardíaca. Não, gordura animal não causa doença cardíaca! Atualmente, novas pesquisas desmentem os conselhos dos profissionais da saúde que indicam o consumo de leite desnatado. Esses profissionais devem rever suas orientações para não continuar a ser responsáveis por fomentar a epidemia que cresce mais rápido no mundo: o diabetes tipo 2. Uma ligação direta foi estabelecida entre diabetes tipo 2 e leite desnatado. Esqueça todas as informações assustadoras sobre o leite integral, aquelas que escutamos há décadas! A indústria alimentícia – com o apoio total da medicina tradicional – já gastou centenas de milhões de dólares para convencer-nos de que uma dieta de baixa gordura previne a obesidade, as doenças cardíacas e o diabetes. Mas, nos últimos 60 anos, a taxa dessas doenças crônicas tem disparado. Então, o que está acontecendo? Acho que você já adivinhou! Leite integral reduz o risco de diabetes Recentemente, pesquisas da Universidade Tufts reavaliaram, minuciosamente, 15 anos de dados sobre cerca de 3.400 adultos que participaram do Estudo Sobre Saúde dos Enfermeiros e Profissionais de Saúde. Eles concluíram que, ao tomar leite integral, o risco de desenvolver diabetes é 46% menor! Surpreendente, não?! Quando se retira a gordura do leite, o que fica são só seus açúcares! Então, o leite desnatado é um alimento altamente glicêmico, que causa picos de açúcar no sangue e aumenta significantemente o risco de diabetes. Ao se remover a gordura dos produtos naturais, como no leite desnatado, cria-se algo artificial, não natural, um alimento que não é mais adequado à química do organismo. Alimentos com pouca gordura e ricos em carboidratos forçam as células do pâncreas a produzirem mais insulina, necessária para processar todos esses açúcares. Esse excesso de insulina induz o corpo a acumular mais gordura corporal. Com o passar dos anos, mantendo essa sobrecarga de carboidratos, mais cedo ou mais tarde, o organismo se torna resistente à insulina e, em última instância, diabético. Ingerir gordura e proteína não aumenta o açúcar no sangue nem estimula a produção de insulina. Dessa maneira,o corpo não acumula gordura. Segundo um estudo realizado recentemente, na Suécia, observou-se que homens de meia-idade que consumiam leite rico em gorduras, manteiga e creme de leite eram menos propensos a se tornarem obesos, se comparados com aqueles que nunca ou raramente consumiam laticínios ricos em gordura. Isso confirma que as dietas chamadas “saudáveis para o coração”, que a maioria dos médicos recomenda, na verdade causam doenças crônicas, diferentemente das dietas primitivas com gorduras e proteínas saudáveis dos nossos ancestrais. O que faz o leite integral tão saudável é o equilíbrio correto dos ácidos graxos ômega 3 e ômega 6, e a maior concentração das vitaminas A, D, B6, B12 e E, bem como de betacaroteno, cálcio, proteínas, enzimas vivificantes e bactérias benéficas. A sabedoria da alimentação ancestral Por milhares de anos, as pessoas aproveitaram os benefícios do leite cru e fresco, direto da fonte, sem problemas com esse alimento. Nossos ancestrais primitivos obtinham uma quantidade abundante de ômega 3 do leite de gado de pasto e de peixes que viviam em habitat naturais. O ômega 6 era encontrado em sementes e castanhas. Dessa forma natural, mantinham a proporção perfeita: 2 de ômega 6 para 1 de ômega 3. Ou seja, 2:1. Ao longo de grande parte da história, o leite consumido pelos seres humanos apresentou a proporção correta entre ômega 6 e ômega 3. O equilíbrio desses ácidos graxos é essencial para a vida. A saúde do coração e do cérebro depende deles! Uma dieta com pouca gordura destrói essa proporção. O nível natural do ômega 3 dos alimentos cai, enquanto o de ômega 6 sobe perigosamente. É o que vem acontecendo em decorrência da alimentação moderna, pobre em gorduras por recomendação médica equivocada e rica em alimentos industrializados, brutal fonte de ômega 6. Exames confirmam que, atualmente, a proporção típica é de 20:1. Em outras palavras, ingere-se dez vezes mais a quantidade necessária de ômega 6! As principais fontes dessas gorduras ômega 6 são óleos vegetais, grãos industrializados e carne de vacas alimentadas com grãos. Essas gorduras não existiam e, portanto, não faziam parte da dieta dos nossos ancestrais. O desequilíbrio entre esses dois ácidos graxos está na origem da inflamação silenciosa, raiz de todas as doenças crônicas de hoje. O caminho para acabar com ela é retornar a uma dieta primitiva, revalorizando as boas gorduras, o que inclui tomar leite integral orgânico, mas somente de vacas alimentadas a pasto. Talvez ele não seja tão nutritivo quanto o leite cru e não pasteurizado, mas é a melhor opção que dispomos em comparação com os leites comerciais, produzidos por vacas alimentadas com grãos e cheias de hormônios e antibióticos. Ômega 3 também reduz a inflamação silenciosa causada pela insulina e melhora a sensibilidade a ela. O grande problema é que a maioria das pessoas simplesmente acaba não ingerindo o suficiente desses alimentos tão consumidos no passado. Pode-se compensar a carência de ômega 3 tomando cápsulas de óleo de peixe livre de metais tóxicos. Diferença entre leites A1 e A2 Multiplicam-se os casos de intolerância à lactose. No entanto, alguns distúrbios creditados a ela resultam, na verdade, de intolerância a proteínas do leite. Por incrível que pareça, a origem do problema também se vincula à qualidade do gado. Mutação perturbadora Todas as fêmeas, incluindo a mulher, produzem a proteína beta-caseína A2. Mas o cientista agrícola Keith Woodford, com base em pesquisas, aponta que, há cerca de 10 mil anos, houve uma mutação no gado que gerou a formação de uma proteína aberrante em algumas vacas de origem europeia, classificadas como A1, que produzem beta-caseína 1. Essa proteína, presente no leite desses animais, tem sido relacionada com uma série de reações alérgicas e casos de autismo, morte súbita e diabetes tipo 1 em crianças, e a problemas coronários, neurológicos e colesterol elevado em adultos. Woodford afirma que a intolerância ao leite é uma consequência dessa variação genética, o que bem pode ser possível, já que muitos indivíduos que toleram lactose se queixam de problemas com leite. Dr. Bob Elliot, professor de Pediatria da Universidade de Auckland, levou em conta esses estudos ao observar aumento do número de casos de crianças com diabetes tipo 1 (que precisa ser tratada com insulina). Essas crianças moravam na Nova Zelândia, mas eram originárias de Samoa. O pesquisador, então, comparou- as com crianças que moravam em Samoa. Inicialmente, suspeitou de um efeito ambiental, não de um fator genético, porque todas as crianças pertenciam à mesma origem étnica. Dr. Bob Elliot avaliou as diferenças, concluiu que o problema era ambiental e responsabilizou o leite pelo diabetes tipo 1 que afetava as crianças. Dr. Elliot questionou o instituto de pesquisa de laticínios da Nova Zelândia sobre uma leve diferença que porventura existisse entre os leites consumidos ali e em Samoa. A resposta foi que não havia diferença. Na realidade, havia uma pequena diferença em relação à caseína: pesquisas mostraram que a caseína do leite A1 é diabetogênica. E, assim, tudo se encaixava. Muitas pessoas se dizem intolerantes à lactose; na verdade, talvez elas sejam intolerantes à beta-caseína A1. Outro problema com o leite A1 é liberar um peptídeo, pequeno fragmento de proteína chamado beta- casomorfina-7 (BCM-7), que, se atravessa a mucosa estomacal e atinge a corrente sanguínea, tem alta probabilidade de causar problemas. O corpo reage à BCM-7 e, dependendo da genética de cada um, pode abrir portas a diversas doenças. Estudo recente publicado no International Journal of Peptide Research and Therapeutics mostra que crianças que excretam BCM-7 com mais rapidez apresentam melhor desenvolvimento neurológico e melhor capacidade muscular em comparação com crianças que têm dificuldade de excretar BCM-7. Atualmente, o manejo inadequado do gado parece estar contribuindo para agravar o quadro. Os animais deveriam ser criados livres, em campo fértil, alimentando-se, basicamente, de pasto. Com base em pesquisas, sabe-se hoje que todas as raças zebuínas, como Gir, Sindi, Guzera e Guernsey, esta última a raça leiteira mais criada no Brasil, não foram afetadas por mutação genética e ainda produzem leite A2 em níveis bem próximos a 100%. A Guernsey produz só o leite A2. É seguida pela raça Jersey, com 75% de leite A2 e 25% de leite A1 (alergênico). Já a Holandesa produz 50% de leite A1 e 50% de leite A2. Esta é uma questão importante: escolher leite e derivados de animais, predominantemente, A2. O Gir leiteiro, que hoje é o nosso produto genético mais exportado, pode muito bem ser a solução desse problema, tanto aqui como fora do país, se os produtores souberem trabalhar bem o produto. A Nova Zelândia já registrou o nome “A2 Milk” e está certificando laticínios e produtores que usem apenas leite A2 de gado criado a pasto. Um bom exemplo a seguir. Seria muito interessante se pudéssemos ter no mercado o leite A2 e seus produtos derivados com essa informação dada de maneira evidente aos consumidores. Relação entre BCM−7 e doenças Há estudos interessantíssimos realizados pelo professor Robert Cade, na Universidade da Flórida, Estados Unidos, mostrando que a BCM-7 está envolvida com sintomas de autismo. Outros estudos evidenciam a participação de BCM-7 na destruição de ilhotas do pâncreas, produtoras de insulina. Pode-se observar que a sequência de aminoácidos das ilhotas do pâncreas é muito similar à da BCM-7. Como sabemos que o diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, o que significa que o organismo ataca a si próprio, presume-se que ele tente atacar a BCM-7 e, ao identificar a sequência de aminoácidos das ilhotas como BCM-7, também as ataca. Em relação ao autismo, uma doença crescente nos países chamados “desenvolvidos”, já foi observado que pacientes apresentam melhoras significativas quando param de consumir leite A1 e produtos com glúten. As pesquisas continuam, mas ainda sem resultados definitivos. Há ainda uma suposição de que doenças psicológicas,como transtorno bipolar, depressão crônica e esquizofrenia, podem estar relacionadas com BCM-7. Em relação à doença cardíaca, existem evidências de que esteja associada à BCM-7. Nos países onde ocorre alta incidência de doença cardíaca, a beta-caseína A1 é bastante consumida. Sabe-se ainda que, se alimentarmos um grupo de ratos com leite A1 e outro com leite A2, ocorre formação de placas arteriais no grupo do leite A1, enquanto, no outro, não. Hoje, admite-se que a doença cardíaca é uma doença autoimune, essencialmente causada por inflamação nas artérias. Portanto, quem consome leite e derivados com muita frequência está mais predisposto a desenvolver essa doença se o leite consumido for o A1. As proteínas do leite e suas proporções dependem da raça e do tipo de animal – vaca, cabra, ovelha etc. A proteína do leite de vaca mais importante é a caseína, cuja variedade predominante é a beta-caseína. Atenção às diferenças entre A1 e A2 É importante ressaltar que a beta-caseína também contém um aminoácido chamado BCM-7, que se transforma em um poderoso opiácio no trato digestivo, causando muitos efeitos negativos à saúde. Nas vacas A2, há uma forte ligação entre a prolina e a BCM-7, o que mantém o leite do animal incapaz de causar efeitos negativos. Mas, nas vacas A1, há uma sutil ligação entre a histidina e a BCM-7, o suficiente para que a BCM-7 contamine o leite que será oferecido ao consumidor. Os efeitos negativos para a saúde são: • doenças autoimunes; • doenças cardíacas; • diabetes tipo 1; • autismo; • esquizofrenia; • comprometimento de resposta imunológica; • comprometimento neurológico; • estímulo da produção de muco no trato respiratório e digestivo. Apesar de o leite A2 não estar associado a doenças e apresentar muitos benefícios para a saúde, ainda não se ouvem comentários sobre produzi-lo com responsabilidade, como já ocorre em alguns nichos na Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos. Infelizmente, a variedade mais comum de leite ainda é a A1, produzida por vacas holandesas. No Brasil, precisamos de uma revolução nesse segmento: passar a produzir apenas leite A2. Só assim, talvez, se consiga abrir os olhos de nossos representantes no governo e de produtores que se interessem pelo assunto e se disponham a implantar uma nova realidade. Austrália e Nova Zelândia já estão investindo “pesado” no setor, de modo a produzirem apenas leite A2. Para isso, contam com a participação de touros com características A2. O projeto deve ser concluído em cerca de dez anos, quando todo o seu plantel será de gado leiteiro A2. Enquanto isso, no Brasil... O pecuarista brasileiro, altamente capacitado e acostumado a superar todas as adversidades, também já está trabalhando para melhorar o plantel e o leite nacional. Certamente, em breve teremos maior disponibilidade de leite A2 e seus derivados, capazes de concorrer em qualidade com produtores externos. Até se alcançar isso, o leite de cabra e o de ovelha ficam como opção aos organismos mais sensíveis, pois não apresentam BCM-7. Por enquanto, quem consome leite deve se certificar de ter uma boa ecologia intestinal e usar um probiótico diariamente. Sabe-se que pessoas com trato digestivo saudável correm menos risco de absorver BCM-7. Alergias a leite de vaca Atualmente, cerca de 95% dos meus pacientes que realizam teste de alergia alimentar apresentam reação alérgica ao leite, e em especial à lactose. Ao que parece, esse resultado está se tornando comum nesse tipo de exame. Mas será o leite o grande vilão? Analisando a evolução do consumo de leite por seres humanos, observamos que casos de alergia só surgiram há cerca de cem anos, ou seja, ninguém se queixava do leite no passado. E não se pode ignorar que o leite teve papel importante no desenvolvimento dos seres humanos, pois, além de alimentá-los, reduziu o trabalho diário exigido para obter alimentos. Desvendar esse quebra-cabeça exige que se observem quatro possíveis agentes causadores de alergia: 1. a lactose, o açúcar do leite, por falta da enzima lactase; 2. a pasteurização do leite; 3. os fragmentos celulares de bactérias mortas contidos no leite, capazes de promover reações imunológicas ou por oxidação de gorduras, desnaturação de proteínas e enzimas, e eliminação de bactérias boas. Às vezes, dois ou mais desses fatores podem agir em conjunto; 4. a proteína do leite A1 (beta-caseína A1) por mutação genética, havendo, no caso, presença aumentada de BCM-7 que se transforma num elemento alergênico do trato digestivo. Alergia alimentar Alergia alimentar é, por definição, uma irritação ou inflamação dos tecidos causada por um elemento alergênico. Onde esse alergênico vai atuar é predeterminado geneticamente, pois cada pessoa tem pontos fortes e fracos em termos de fisiologia e bioquímica, apresentando resistência a certas doenças e suscetibilidade a outras. Em outras palavras, cada um reage de forma diferente mesmo diante do mesmo alergênico. Analisando dez pessoas alérgicas a leite, por exemplo, podemos ter dez diferentes reações individuais. Um indivíduo pode ter diarreia, outro, cefaleia ou dores articulares etc. É importante entender que essas reações aparecem depois de longo tempo em contato com o alergênico, pois as reações alérgicas são cumulativas. Os leves sintomas que ocorrem nesse período intermediário, quando o alergênico ainda não desencadeou uma alergia, chamamos de intolerância alimentar. Nos períodos iniciais, os sintomas são leves e não mostram relação direta com o alimento causador. Pode demorar meses e até anos para essa reação se transformar em franca alergia alimentar a determinado produto. A alergia alimentar apresenta grande possibilidade de mascarar os sintomas porque, na realidade, estamos ainda no início dos estudos que levam ao reconhecimento dessas manifestações. Os alergênicos alimentares se depositam nos tecidos causando inflamação. O sistema imune reage, liberando grande quantidade de mediadores químicos que aumentam a dor, como a bradiquinina – provavelmente, o mais doloroso mediador produzido pelo nosso organismo – e prostaglandinas 2 e F2 alfa. Ambas causam aumento da sensibilidade à dor – uma forma magistral de o organismo mostrar que as coisas não estão bem. Sintomas de alergia alimentar A tabela a seguir relaciona os sintomas que ocorrem em diferentes áreas do corpo e que são, frequentemente, indicadores de alergia alimentar. Porém, estas informações cobrem apenas parte do que pode ser associado ao problema ou ao seu agente causador. Testes para alergia alimentar Testes convencionais – que usam mediadores alergênicos IgE na pele, para diagnóstico –, além de quase sempre caros e dolorosos, não funcionam para a maioria das alergias alimentares. Considero os testes para mediadores não IgE melhores, pois medem a lesão causada aos glóbulos brancos quando em contato com cada alimento potencialmente alergênico. Como a alergia alimentar pode causar dano ou mesmo destruir células sanguíneas, o teste mostra qual alimento o paciente deve evitar no futuro. Apesar da possibilidade de falso positivo, além da dificuldade de ser confirmado por outro exame, esse tipo de teste ainda é melhor do que o teste de pele para IgE ou RAST para IgE. Atualmente, dispomos do teste “FICA” (Food Immune Complex Assay), que mede a presença no sangue de anticorpos específicos para alimentos e imunocomplexo para alergênicos alimentares em cada alimento testado. Outro teste de bom resultado e não doloroso é o teste dermoelétrico. Através de diferenças de potenciais eletromagnéticos, ele consegue determinar os alergênicos por meio computadorizado, com resultado imediato. Alternativas para o leite de vaca Frequentemente me perguntam qual o melhor leite para crianças alérgicas ao leite pasteurizado de vaca. É possível e fácil encontrar uma gama de alternativas ditas saudáveis nos supermercados. No entanto, tenho dúvidas quanto a elas. Avalie aqui. Leite de arroz – Consumir leite de arroz industrializado parece uma escolha inteligente, mas esse produto não é tãosaudável como parece, especialmente as fórmulas comerciais. Leite de arroz não passa de uma combinação de arroz, água, adoçante, espessante e, normalmente, certos nutrientes como vitamina A, D e E. Além de não ter nada que seja saudável, ainda contém um ingrediente perigoso: arsênico. Devido às condições de crescimento e de fisiologia, o arroz contém cerca de dez vezes mais arsênico que outros grãos. Segundo estudo apresentado pelo Consumer Report, a concentração de arsênico no arroz excedeu 100 ppb, quando o máximo permitido em água potável é 10 ppb. Portanto, leite de arroz não passa de água, multivitaminas, adoçante e arsênico! Muito usado em pesticidas, sua maior contaminação é na forma de contato ocupacional. Está presente na água potável, e a exposição crônica a esse elemento está relacionada com câncer de bexiga, pulmão, pele, rins, fígado, vias aéreas e próstata. Exposição a níveis baixos de arsênico pode causar náuseas e vômito, redução de glóbulos vermelhos e brancos, arritmias, lesão de vasos sanguíneos e sensação de agulhas nas extremidades do corpo. Com o tempo, pode causar escurecimento da pele. Leite de coco – Produzido a partir do sumo extraído da polpa de coco e da água, é rico em antioxidantes e vitaminas C, E e B, além de magnésio, potássio, fósforo e ferro. Contém ácido láurico, um tipo de triglicerídeo de cadeia média, de fácil digestão, que atravessa as membranas celulares com extrema facilidade a fim de nutrir as células. Cerca de 50% do óleo de coco é composto por ácido láurico, também altamente eficiente na destruição de vírus, bactérias e protozoários. O leite de coco, com os seus triglicérides de cadeia média (TCM), promove perda de peso, melhora a sensibilidade à insulina e a tolerância à glicose. Outra qualidade: não contém lactose. Portanto, é um ótimo substituto do leite para os intolerantes à lactose. Leite de soja – Atualmente, quase toda a soja é transgênica. E contém um ingrediente ativo do herbicida Roundup, chamado glifosato, que é responsável pela alteração do equilíbrio hormonal do ciclo reprodutivo feminino. O glifosato é tóxico para a placenta, podendo levar à perda do bebê. Estudos mostram que bebês de mães que tiveram contato com glifosato durante a gestação têm maior risco de defeitos genéticos. Como compromete as funções celulares, pode induzir a doenças, como o autismo, por exemplo. Glifosato também tem sido considerado um “provável carcinogênico”. A soja apresenta outros pontos negativos. Entre eles o fato de seus produtos não fermentados estarem relacionados com desnutrição de tireoide, distúrbio reprodutivo, infertilidade, além de câncer e doenças cardíacas. Contém ainda vários antinutrientes, como os ftalatos, só reduzidos quando o produto é fermentado por longos períodos. Leite de amêndoas – Excelente fonte de proteínas, gorduras boas e antioxidantes, além de compostos fenólicos e flavonoides, o leite de amêndoas pode ser um bom substituto do leite de vaca pasteurizado. Mas, cuidado: a maioria dos leites de amêndoas prontos não é exatamente o que se supõe que sejam. Na verdade, esses leites prontos são enriquecidos com vitaminas A, E e D e contêm quase nada de amêndoas diluídas em água e açúcar. Para conseguir algum benefício nutricional, não adianta tomar um copo desse leite. Seria necessário tomar a caixa toda! Para realmente se desfrutar do leite de amêndoas, o melhor é produzi-lo em casa. Assim, obtém-se um produto ao mesmo tempo econômico e saudável, quando comparado às versões prontas de mercado. Importante: para garantir qualidade, esse leite deve ser feito com amêndoas orgânicas que não tenham sido pasteurizadas. Leite cru – Esse é um real substituto confiável do leite que se encontra no mercado brasileiro, mas sua liberação para consumo ainda não foi autorizada. O leite cru natural é aquele produzido por gado criado livre no campo, comendo pasto natural, com cuidados de saúde e higiene de qualidade e sem qualquer tipo de enriquecimento. O leite cru natural traz muitos benefícios para a saúde de quem o consome. Benefícios que não se encontram no leite pasteurizado padronizado. Veja: • é rico em bactérias boas, saudáveis para o trato digestivo; • contém mais de sessenta enzimas digestivas, fatores de crescimento e imunoglobulinas; • é abundante em ácido linoleico conjugado (CLA), que ajuda na prevenção do câncer e no emagrecimento; • contém aminoácidos, proteínas e gorduras altamente digeríveis; • é rico em vitaminas (A, B, C, D, E e K) e minerais (cálcio, fósforo, magnésio e ferro) que são facilmente absorvidos pelas bactérias boas do intestino. Leite de cabra – Rico em gorduras e em nutrientes essenciais para o crescimento e desenvolvimento da criança, tem estrutura similar à do leite materno e contém glóbulos de gorduras menores que os do leite de vaca, o que torna sua digestão mais fácil. Quem é alérgico à proteína do leite também terá mais facilidade de digeri-lo, por conter cadeias de proteínas de aminoácidos mais curtas que as do leite de vaca. Os alérgicos à lactose vão gostar de saber: o leite de cabra tem menos lactose que o de vaca. Além disso, contém menos calorias, menos proteína e menos da metade de sódio que o leite de vaca. Aconselho consumir sempre fresco, pois ao passar mais que dois dias na geladeira adquire um gosto muito forte. Características de um queijo saudável Embora se diga que os queijos crus não estão livres de germes que podem causar doenças, convém lembrar que os mais famosos queijos italianos e franceses são feitos com leite cru. Ao longo da história, foi possível consolidar, em sua produção, a complexidade de gosto e textura que apresentam, características certamente obtidas pelas bactérias boas que contêm. Isso é mais que suficiente para tirarmos da cabeça a ideia de que fazem mal à saúde. Para o queijo cru ser seguro e de qualidade, reconhecer sua origem é importantíssimo. A produção deve vir de vacas criadas a pasto, pois as criadas em confinamento não apresentam garantia de qualidade nem do leite, nem da carne. A maioria das doenças transmitidas por alimentos, nos Estados Unidos, está ligada a gado confinado e alimentos altamente processados. Na verdade, nenhum alimento é completamente seguro, mas leite e queijos crus não são mais perigosos que alface! Por conter gordura saturada e colesterol, o queijo é visto como indutor de obesidade e doença cardíaca. Isso é um mito! Há numerosos estudos provando que a gordura saturada não está associada à doença cardíaca e à obesidade. Gordura saturada, pelo contrário, é um agregador de saúde. Os países nos quais se consome mais queijo, como França, Itália e Grécia, apresentam baixas taxas de obesidade e hipertensão. Queijos naturais e queijos processados O queijo natural é um produto simplesmente fermentado, feito com ingredientes básicos: leite, cultura-mãe, sal e coalho (enzima). Quando produzidos a partir de leite cru de boa origem, os queijos naturais são livres de antibióticos, de hormônios de crescimento, e riquíssimos em elementos fundamentais à saúde. Os queijos naturais: • oferecem muitas proteínas e aminoácidos de alta qualidade; • são ricos em ômega 3 e gordura saturada de alta qualidade; • contêm ômega 3 e ômega 6 em proporções equilibradas (1:2), o que significa um combate mais efetivo à inflamação do organismo. O leite pasteurizado, ao contrário, quase sempre produzido por gado confinado, apresenta uma proporção entre ômega 3 e ômega 6 muito preocupante; • oferecem boa quantidade de vitaminas A, B2, B12, D, K2 e minerais, como cálcio, fósforo e zinco. Importante ressaltar: estão presentes três nutrientes (vitaminas D, K2 e cálcio) que agem sinergicamente e previnem doenças cardiovasculares, cerebrais e a osteoporose; • têm sabor mais pronunciado e rico que os feitos com leite pasteurizado. Isso ocorre porque a pasteurização destrói enzimas e bactérias boas que dão mais sabor aos queijos. Mesmo intolerantes à lactose podem incluí-los na alimentação, pois a lactose é removida durante sua produção. Benefícios da gordurasaturada A gordura dos laticínios é composta de 50% a 60% de gordura saturada, sendo a maior parte de ácido oleico, o mesmo do óleo de oliva, tão saudável. O tipo de gordura restante é o ácido linoleico conjugado (CLA), que estimula a perda de peso. A gordura saturada: • fornece componentes para as membranas celulares; • fornece hormônios e substâncias similares essenciais à saúde; • é fonte de energia na alimentação; • aumenta a absorção das vitaminas lipossolúveis A, D, E, K; • é necessária para a conversão de caroteno em vitamina A; • aumenta a absorção de minerais; • atua como agente antiviral (ácido caprílico); • atua como agente anticáries, antiplacas e antifungos (ácido láurico); • reduz o colesterol (ácido palmítico e esteárico); • atua também como modulador genético e na prevenção de câncer (ácido butírico). Queijo natural protege o coração e aumenta a longevidade Como já foi dito anteriormente, o queijo é rico em vitaminas A, D, B2 e B12, minerais (incluindo cálcio, zinco e fósforo), aminoácidos e proteínas, além de gorduras saturadas e ômega 3 de alta qualidade. Também apresenta excelentes concentrações de vitamina K2, fundamental para a saúde do coração, do cérebro e dos ossos. Por seu poder nutritivo, herdado do leite cru, esse tipo de queijo é a melhor opção para quem deseja um coração fortalecido e uma vida mais longa. Claro, ele não faz milagres. Na medicina, como em quase tudo, não há regra sem exceção. Mas, como vimos até aqui, substituir leite pasteurizado por cru é uma atitude positiva, de amor próprio e sabedoria. São tantos os seus benefícios, que seria irracional não fazer isso, já que: • aumenta o HDL colesterol, protetor contra doenças metabólicas e doenças cardíacas; • reduz o nível de triglicérides, o que é importante para a proteção cardiovascular; • aumenta o metabolismo, o que ajuda a emagrecer. Queijos de leite cru e poliaminas Novas descobertas reforçam o lado positivo de incluir na alimentação os queijos puros feitos com leite cru. As poliaminas são uma dessas novidades, capazes de ampliar horizontes sobre como evitar doenças cardíacas e prolongar a vida. Poliaminas são derivados de aminoácidos, importantíssimos para o crescimento celular, para a sobrevivência, e são encontrados tanto nos alimentos quanto na microbiota intestinal. Sua composição química apresenta componentes de alto potencial anti-inflamatório, antioxidante, protetores de DNA contra o dano oxidativo, sendo importante no processo de divisão, crescimento e diferenciação celular. Esses componentes também se relacionam com o aumento de expectativa de vida, proteção cardiovascular e redução do risco de doenças. São eles: espermidina, espermina (assim denominados por terem sido, originalmente, descobertos em sêmen humano) e putrescina. Conforme observado pela Royal Society of Chemistry, “a espermina deriva da espermidina. E, a espermidina, com a ajuda da espermidinasintase, surge de outra poliamina chamada putrescina, originalmente denominada por seu papel na carne apodrecida. As poliaminas são a razão pela qual o esperma e – na primavera – algumas espécies de árvores apresentam um odor [...]”. Não é preciso guardar na memória esses nomes todos. O que importa é lembrar que as poliaminas protegem contra doença cardiovascular e prolongam, com qualidade, a vida. Segundo estudos, quando crescem os níveis de poliaminas em um organismo, inclusive no de seres humanos, a atividade celular aumenta e a mortalidade decresce. Isso melhora a função cardiovascular e diminui a pressão arterial. Relação entre poliaminas e antienvelhecimento Em estudo recente, foram avaliados 800 apreciadores de queijos. Os que apresentavam níveis mais altos de espermidina tinham risco 40% menor de insuficiência cardíaca e mostravam redução de pressão arterial. As poliaminas desempenham um papel importante na luta contra o envelhecimento e a morte prematura. Em estudo, ratos transgênicos criados para não produzir espermina e espermidina sofreram perda de pelos, ganharam mais rugas e sua expectativa de vida diminuiu, quando comparados com ratos normais. Mas submetidos a uma dieta rica em espermidina, esses ratos apresentaram aumento de 25% na expectativa de vida. Os resultados são promissores e podem estimular estudos que visem aumentar, na mesma proporção, a longevidade humana. Poliaminas estimulam a autofagia celular, permitindo uma melhor eliminação de toxinas e de componentes celulares danificados, fatores implicados na longevidade. Outro benefício das poliaminas é atuar sobre o relógio biológico, agindo como indutoras do sono natural, o que reduz o risco de doenças crônicas e leva à longevidade. Contraindicações potenciais Por induzir rápida regeneração celular, alguns cientistas e oncologistas alertam sobre a possibilidade de que dietas ricas em poliaminas não sejam adequadas para pacientes com psoríase e certos cânceres sensíveis à sua ação, como o câncer de próstata. As melhores fontes de poliaminas Poliaminas são encontradas na maioria dos queijos envelhecidos, feitos de leite cru, em frutas, peixes e frutos do mar, vegetais crucíferos (como brócolis e couve-flor), alimentos fermentados (como chucrute e missô), folhas verdes, cogumelos, ervilhas, nozes e sementes, incluindo avelãs, amêndoas, pistaches e amendoim. Frutas e queijos contêm os mais altos níveis de putrescina; os vegetais, os melhores níveis de espermidina; e os produtos à base de carne, mais espermina. Diante de todas essas informações, apreciadores de queijo agora podem consumi-lo sem peso na consciência, sem receio de seu conteúdo gorduroso. São gorduras saudáveis que, em vez de aumentar o ganho de peso, estimulam a queima de gordura, contribuindo para uma ótima saúde cardíaca, para o aumento de expectativa de vida e para a redução do risco de doenças. Mas atenção: isso tudo apenas se o queijo consumido for cru, natural, não pasteurizado e produzido por vacas criadas a pasto. E, de preferência, que seja feito com leite A2. Os poderes da manteiga Uma das mais antigas gorduras de origem animal usadas como alimento, a manteiga é feita a partir do leite de vaca e de outros mamíferos, como cabra, búfala e ovelha. Quando obtida de animais criados a pasto, apresenta altas concentrações de vitamina A e de ácido linoleico conjugado (CLA), bem conhecidos pelos benefícios que trazem à saúde. Sua gordura tem propriedades antimicrobianas que inibem o crescimento de fungos patogênicos. Seus altos índices de ácido láurico colocam-na entre os alimentos com grande poder antivirótico. Na cozinha, manteiga é uma gordura muito útil e bastante versátil. Uma pequena quantidade acrescenta sabor a diversos pratos. Também é conhecida como excelente transportadora de sabor: combine-a com alho e ervas ou açúcar e laranja e verá que ela ajuda a incorporar esses sabores ao alimento que está sendo preparado. A manteiga é única e especial. Diferente de outras gorduras animais, não requer que matemos para obtê-la. Na verdade, ela surge pelo trabalho de nossas mãos manipulando o leite. Qualquer um que tenha se distraído ao bater creme de leite sabe como ele, rapidamente, se transforma em manteiga. Batido por tempo demais, o creme de leite se transforma de uma espuma estável em uma combinação de glóbulos gordurosos e um líquido amanteigado, ou leitelho. Esses glóbulos gordurosos não são gordura pura, mas uma emulsão de gordura de manteiga, água e sólidos de leite. O conteúdo de gordura da manteiga natural é de aproximadamente 82% – este é o padrão europeu para a manteiga, embora possa chegar a 86%, dependendo da vaca e de como ela se alimenta. Na América do Norte, o conteúdo de gordura mínimo está estabelecido em 80% e, portanto, frequentemente, a manteiga recebe a adição de água para diminuir sua gordura até o mínimo legal. Os outros 20% da manteiga se constituem, basicamente, de sólidos do leite (2%) e de água (18%), o que explica o chiado quando o produto entra em contato com a panela quente. Gordura muito complexa, a manteiga contém mais de 500 ácidos graxose 400 compostos voláteis que contribuem para o seu sabor. A raça da vaca, como se alimenta, a estação do ano em que o leite é tirado são fatores que afetam o sabor, a textura e o aspecto visual da manteiga. Não nos esqueçamos de que a manteiga é sazonal, como muitos outros produtos. Na primavera e no início do verão, apresenta um tom mais forte de amarelo, porque o capim que alimenta os animais, nessa época do ano, tem alta porcentagem de carotenos amarelos e laranja. Também o pasto está repleto de ervas e flores que emprestam à manteiga tons florais e herbáceos. No inverno, a dieta do animal é suplementada com forragem, o que torna a manteiga pálida, mais rica em gordura e com suave sabor. Antes do advento da refrigeração, a manteiga era altamente salgada para enfrentar o transporte entre cidadelas e cidades sem estragar. Mesmo assim, ficava rançosa com frequência e, às vezes, sofria adulteração. Somente quem vivia no campo e tinha sua própria produção desfrutava do sabor da manteiga fresca. Afortunadamente, a manteiga de hoje não é mais adulterada, pois a produção em larga escala exige altos padrões de qualidade. Mas o mesmo sistema que garante certo padrão também resulta na uniformidade das diferentes marcas do produto. A manteiga que chega à nossa mesa, quase sempre, foi congelada por longos períodos, podendo ter meses de idade antes mesmo de chegar aos pontos de venda. Portanto, o sabor delicado da manteiga, tão frágil, dificilmente se mantém. Assim, a maioria das pessoas não conhece o que é, de fato, uma manteiga fresca produzida por vacas alimentadas a pasto. Manteiga boa é acetinada, cremosa na faca e esbanja uma infinidade de sabores que vão do delicado e doce até o picante, maduro e complexo. Eles são determinados pelo sabor do creme de leite e de como ele é manuseado e batido. Manteiga doce e manteiga de cultura A manteiga feita com creme de leite fresco é mais branda em sabor, portanto, frequentemente é chamada de “doce”. Não é doce como o açúcar, mas não tem nada do picante ou da profundidade da manteiga de cultura. A manteiga de cultura é feita de creme de leite maturado ou de creme de leite ao qual se adicionam culturas láticas antes de bater. Isso dá a ela um sabor mais complexo e, brandamente, ácido, que lembra nozes. Quanto mais maturado for o creme de leite, mais desenvolvido será o seu sabor. Os sabores naturais da manteiga eram comuns no passado, antes da pasteurização. Com ou sem sal Ambas as manteigas, doce e de cultura, podem ser salgadas. A manteiga com sal, frequentemente considerada inferior, o que é um erro, está sendo redescoberta. O sal ajuda a dar sabor e a preservá-la. Às vezes, é usado para mascarar sabores negativos. A quantidade de sal que é adicionada varia de quase nada até 3%. A manteiga salgada pode ter um conteúdo de gordura mais baixo que a manteiga sem sal. Por essa razão, a manteiga sem sal costuma ser indicada para determinadas receitas. As mais gordurosas, com conteúdo menor de água, são mais firmes e melhores para cozinhar e assar. A vantagem do uso de manteiga sem sal é permitir ao cozinheiro o controle da quantidade de sal que acrescenta à receita. Uma pequena quantidade ou demi-sel, como dizem os franceses, pode ressaltar o sabor de ambos: da manteiga e do alimento ao qual é acrescentada. Se duvidar disso, experimente manteiga levemente salgada em uma torrada com geleia e veja como se comportam e completam o sabor de ambos. Não é apenas o sal fino marinho que pode ser adicionado à manteiga. Cristais de sal grandes e irregulares, misturados a ela no final de seu preparo, garantem que se consiga uma textura quase granulada. Quando essa manteiga derreter na sua boca ou sobre o peixe ou as batatas, vai ressaltar sabores. Manteigas de qualidade elevada expressam o que os franceses chamam de terroir, ou essência única de um lugar, e pode-se distingui-las pelos seus sabores. A manteiga francesa é considerada um marco de qualidade. Várias delas têm alcançado o status AOC (Appellation d’Origine Contrôlée), como muitos vinhos e queijos. Há uma longa tradição de manteiga com sal na Bretanha, a única região da França que usa, exclusivamente, a manteiga com sal, até em assados e sobremesas. O creme de leite é batido, vagarosamente, em pequenos lotes e, quase sempre, à mão no final, o que dá sabor e textura superiores ao produto. Muitos gourmets consideram a manteiga d’Echiré, que ainda é feita em pequenos recipientes de madeira, a melhor do mundo. Os franceses, entretanto, não detêm o monopólio de manteiga boa. Pequenos produtores, em outros países europeus e americanos, também estão produzindo manteiga gostosa de alta qualidade. Forte, gordurosa e cheia de calorias e colesterol, a manteiga não tem recebido menção honrosa na mídia há muito tempo. Formada, na maior parte, por gordura saturada, é menos indicada para cozinhar que outras gorduras saturadas, em grande parte por causa dos sólidos de leite que contém. Embora esses sólidos limitem sua utilidade na cozinha, são eles a razão de a manteiga ser tão saborosa. Muitos dos ácidos graxos saturados da manteiga são de cadeias curtas ou médias, o que significa que o organismo os usa rapidamente, em vez de armazená-los em áreas do corpo, como barriga e quadris. Há ácidos graxos na manteiga que fazem bem à saúde: os ácidos láurico e butírico fortalecem o sistema imune, enquanto os ácidos esteárico e palmítico baixam o colesterol LDL. A manteiga contém ainda cobre, zinco, crômio, selênio, iodo, lecitina e as vitaminas A, D, E e K, solúveis em gordura. A manteiga é um alimento extremamente saudável. Apesar disso, de 1920 a 1960, seu consumo apresentou uma queda de 75%, por ser considerada um produto altamente letal. Isso se deveu à interpretação errônea de alguns estudos da época, que apontavam as gorduras saturadas como péssimas para a saúde. As gorduras saturadas em geral – de manteiga, leite, ovos, carne vermelha e coco – foram condenadas injustamente. Hoje em dia, não há mais dúvidas de que as gorduras saturadas não têm nenhuma relação com doenças cardíacas, como se supunha. Prova disso é que, em 2014, o Journal Annals of Internal Medicine afirmou não haver, absolutamente, nenhuma evidência de que consumir gordura saturada cause doença cardíaca. Na relação entre gorduras e doenças cardíacas, por sinal, ainda não há bases científicas que recomendem o consumo de gorduras poli-insaturadas (óleos vegetais) como prevenção. Estudos mostram que carboidrato refinado, açúcar e alimentos processados são o inimigo real, e não as gorduras saturadas. Como reconhecer uma manteiga de qualidade Sem dúvida, a manteiga de qualidade é feita a partir do leite natural de vacas em boas condições de higiene e saúde, criadas a pasto, que produzam de preferência leite tipo A2. Em seguida, vem a manteiga de leite pasteurizado de vacas criadas a pasto. Pode parecer absurdo, mas ouso dizer que qualquer manteiga comum é, infinitamente, superior à margarina. Esse produto, que ainda não havia entrado em meus comentários e observações, precisa ter seu consumo reavaliado seriamente. Trata-se de uma enganação que nos venderam, há décadas, como proteção eficaz contra doenças cardíacas, um embuste que permanece vivo, materializado nas gôndolas dos supermercados, sem que a vigilância sanitária pareça se importar com isso. No entanto, o leite cru e seus derivados, apesar de suas qualidades, ainda não foi liberado para consumo. Estudiosos dizem haver dois tipos de benefícios para quem consome manteiga: • a curto prazo – após uma refeição rica em manteiga, o nível de gordura no sangue é menor do que depois de uma refeição rica em óleo de oliva ou óleo de canola; • a longo prazo – cerca de 20% da nata consiste em ácidos graxos de cadeia curta e média, que não elevam o nível de gordura no sangue e podem ser prontamente usados para geração de energia. Outros óleos contêm ácidos graxos de cadeia longa que elevam o nível de gordura no sangue e são gorduras de depósito. O que a manteiga contém? • É rica em vitaminas lipossolúveisA (a forma mais absorvível), D, E e K2. • É rica em ácido láurico com potente ação imunoprotetora. • É rica em antioxidantes. • Possui minerais como zinco, cromo, cobre e selênio. • Contém CLA, que age contra o câncer, é estimulante imunológico e emagrecedor. • É rica em fator Wulzen, substância com ação semelhante a hormônio, que previne doenças articulares, como artrite. • É rica em iodo altamente absorvível. • Contém ômega 3 e ômega 6 em ótima proporção. • É rica em colesterol, que mantém a saúde intestinal, cerebral e incrementa a produção hormonal. Ação contra doenças O consumo de manteiga mostra sua melhor face ao cortar o risco de enfarto pela metade. Mas há outros aspectos positivos a destacar: • doença cardíaca – a manteiga contém muitos nutrientes que protegem o organismo contra doença cardíaca. Entre eles, vitaminas A, D, K2 e E, lecitina, iodo e selênio. Um estudo do Conselho de Pesquisa Médica Americana mostrou que os homens consumidores de manteiga corriam metade do risco de desenvolver doença cardíaca que os que usavam margarina; • câncer – os ácidos graxos de cadeias curtas e médias na manteiga têm forte efeito antitumoral. O CLA da manteiga produzida com leite de vacas alimentadas a pasto também fornece excelente proteção contra o câncer; • artrite – o fator Wulzen ou “antirrigidez”, na manteiga crua, e também a vitamina K2, encontrada na manteiga produzida a partir do leite de vacas alimentadas com capim, protegem contra a calcificação das articulações, bem como contra o endurecimento das artérias, a catarata e a calcificação da glândula pineal. Os bezerros alimentados com o leite pasteurizado ou desnatado desenvolvem rigidez nas articulações e não sobrevivem; • osteoporose – as vitaminas A, D e K2 encontradas na manteiga são essenciais para a absorção correta do cálcio e do fósforo, importantes para manter ossos e dentes fortes; • doenças da tireoide – a manteiga é uma boa fonte de iodo em uma forma altamente absorvível. O consumo de manteiga previne contra o bócio, especialmente em áreas montanhosas, onde os frutos do mar não estão disponíveis. E a vitamina A que ela contém é essencial para o funcionamento correto da tireoide; • digestão – os glicoesfingolipídeos na gordura da manteiga protegem contra infecções gastrointestinais, sobretudo em pessoas muito jovens e em idosos; • crescimento e desenvolvimento — muitos constituintes da manteiga são imprescindíveis para o crescimento ideal das crianças. Entre eles, o iodo e as vitaminas A, D e K2. Dietas baixas em gordura, que cada vez mais são recomendadas para jovens, estão ligadas ao déficit de crescimento em crianças; • asma – as gorduras saturadas na manteiga são essenciais para o funcionamento dos pulmões e protegem contra a asma; • sobrepeso – o CLA e os ácidos graxos de cadeias curtas e médias na manteiga ajudam a controlar o ganho de peso; • fertilidade – muitos nutrientes contidos na manteiga são necessários para a fertilidade e a reprodução normal. Acredito que, depois de ler isso, não haja mais dúvidas sobre a importância e a necessidade do consumo de manteiga. Ghee, a manteiga que resiste ao calor Ghee, um presente da cozinha indiana, está cada vez mais popular entre nós. Ghee, palavra hindu, significa “gordura”. É uma manteiga produzida para não se deteriorar no calor. Há séculos usada na medicina ayurvédica, ghee é manteiga sem sal, clarificada. Para isso, é aquecida suavemente até que se separem seus componentes líquidos e sólidos. Os líquidos se dissipam, e os sólidos permanecem no fundo da panela depois que a manteiga derrete. Ghee dura por semanas e, em clima frio, se solidifica como o óleo de coco. Pode ser consumido com pães ou bolachas, da mesma forma que a manteiga, e também usado na cozinha, como para saltear vegetais. Benefícios práticos do uso de ghee • Ghee não se deteriora rapidamente; resiste à temperatura ambiente por seis meses se mantido em recipiente fechado. Pode durar cerca de seis meses na geladeira ou até um ano no congelador. • Ghee é de fácil digestão mesmo para quem é sensível à lactose, pois os vestígios de produtos lácteos encontram-se numa forma bem assimilável e são fáceis de tolerar. Na verdade, não seria errado dizer que o ghee está livre da lactose e da caseína (proteína do leite). • Ghee suporta temperaturas mais elevadas, pois os produtos sólidos do leite, inflamáveis, já foram removidos no processo de sua produção. • Ghee contém mais triglicérides de cadeia média, o que pode facilitar a digestão, melhorar a função mitocondrial e, com isso, reduzir a ocorrência de doenças cardiovasculares, diabetes, câncer, doenças autoimunes, aterosclerose e epilepsia. Consumir ghee também reduz triglicérides e eleva o HDL colesterol. • Ghee concentra mais ácido butírico (ácido graxo saturado) que a manteiga, contribuindo para maior proteção imunológica e ação anti-inflamatória, o que pode ser excelente nos casos de síndrome do cólon irritável. A manteiga indicada para a produção de um ghee saudável Na produção de ghee, usa-se manteiga sem sal, feita de leite de vacas criadas a pasto. Se for manteiga de leite cru, de vacas a pasto, o ghee terá melhor nível nutricional e menor risco de contaminação por hormônios de crescimento, antibióticos e patógenos comuns ao gado em confinamento. Gado confinado, alimentado com grãos, como milho e soja transgênicos, costuma não ter boa digestão. Isso compromete sua ecologia intestinal, induzindo a doenças e reduzindo os nutrientes do leite e da carne desses animais. Nem todo ghee é igual É preciso observar o tipo de leite usado na manteiga – se vem de gado criado livre ou em confinamento. Como já vimos até aqui, é evidente que o leite de gado criado a pasto é superior. Também deve-se ler com atenção o rótulo do produto, já que existe ghee feito a partir de gorduras vegetais (ghee vegetal), em vez de manteiga. Esse tipo de ghee contém até 40% de gordura trans, responsável pelo avassalador aumento de doenças cardiovasculares. Portanto, leia bem o rótulo do produto que está comprando. Como preparar ghee É simples e prático. Basta seguir estes passos: 1. Usar manteiga sem sal, de preferência de gado criado a pasto, não pasteurizada e, se possível, originária de leite A2. 2. Colocar 500 gramas dessa manteiga em uma panela e deixá-la derreter, lentamente, em fogo baixo. 3. Quando começar a ferver vigorosamente, reduzir o fogo e começar a retirar a espuma branca que borbulha na superfície. 4. Continuar cozinhando em fogo brando e retirando a espuma, até restar apenas um líquido claro, cor de mel na panela. 5. Desligar o fogo, deixar esfriar um pouco e retirar as impurezas e resíduos do ghee. Para isso, basta coar o líquido, usando uma gaze, diretamente em um recipiente que possa ser tampado hermeticamente. Manteiga de garrafa: ghee nacional Muita gente não sabe, mas a nossa nacionalíssima manteiga de garrafa nada mais é que ghee nacional e apresenta os mesmos benefícios do produto indiano. Manteiga de garrafa é uma variação da manteiga obtida pelo cozimento do creme de leite bovino até que os líquidos se dissipem e os sólidos da nata se separem da gordura, depositando-se no fundo da panela. Se fora da geladeira e armazenada em garrafa de vidro, como o próprio nome diz, deve ser consumida em até dois meses. Apresenta sabor característico, levemente rançoso, e aroma delicado. Usa-se como manteiga para pão e bolachas, bem como ingrediente de diversos pratos regionais. Seus benefícios são os mesmos do ghee, com exceção do tempo de validade: a manteiga de garrafa pode durar cerca de dois meses ou mais na geladeira, para evitar a criação de mofo. Leite indicado para manteiga de garrafa O ideal é usar manteiga sem sal, feita de leite de vacas criadas a pasto, de preferência o tipo A2. Com o uso do leite cru de vacas criadas a pasto, o nível nutricional da manteiga de garrafa será maior, e será menor o risco de contaminação por hormônios de crescimento, antibióticos e patógenos encontrados em animais de confinamento. Gado confinado, alimentadocom grãos, como milho e soja transgênicos, costuma não ter boa digestão. Isso compromete a ecologia intestinal dos animais, induzindo a doenças e reduzindo os nutrientes do leite e da carne que produzem. Os passos para fazer em casa a manteiga de garrafa são os mesmos indicados para o preparo de ghee. O poderoso whey protein Whey é um subproduto da manufatura do queijo. Inicialmente descartado ou usado na alimentação de animais, após pesquisas científicas importantes, passou a ser considerado alimento benéfico, fonte rica de proteínas e, hoje, detém a reputação de ser um dos mais poderosos alimentos de suporte imunológico. Propriedades nutricionais São realmente marcantes. Para usufruir de seus benefícios, é preciso verificar a qualidade do produto com critério. Hoje em dia, por azar ou outros interesses, a maioria dos whey é derivada de leite ultrapasteurizado. Sua origem produtiva é a das vacas criadas em fazendas-fábricas. Esses produtos são, tipicamente, muito processados, hiperaquecidos e, em consequência, bastante danificados. Por sua vez, produtos rotulados como whey isolado não contêm nutrientes vitais como cofatores e, portanto, não se encaixam no critério de qualidade. Outra informação que se deve ter em mente ao escolher um whey é que a indústria da proteína está em expansão e, para maximizar rendimentos, muitos fabricantes escolhem produzir proteínas baratas, quase sempre cheias de aditivos químicos e substâncias tóxicas. Em 2010, segundo a revista americana Consumer Report, encontraram-se concentrações alarmantes de metais pesados, como cádmio, arsênico e chumbo, em algumas das mais populares marcas de whey protein dos Estados Unidos. Preço pode ser outro complicador. Quando se procura menor preço, a qualidade pode não ser a melhor. Mas preço mais caro também não é garantia de boa qualidade. Sabe-se que, para vender, muitos distribuidores de proteínas usam falsas alegações suportadas por pseudociência. A verdade é que a maioria das proteínas em pó comercializadas hoje, incluindo whey protein, é inadequada para consumo humano e animal. Whey de gado criado a pasto é melhor Whey de qualidade é algo raro atualmente. Para ser classificado como um produto de alto nível, precisa ser derivado de leite integral de vacas criadas a pasto e processado a frio. São bem poucos os whey com essas características. Já foi comprovado, inúmeras vezes, que o leite de vacas criadas a pasto, que produzam leite A2, apresenta valor nutricional superior ao do leite convencional. Para mim, whey protein produzido com esse leite é o que oferece o máximo em benefícios. Um bom whey contém fatores que agem como derivados do hormônio do crescimento. Promove reparo de tecidos, desenvolve músculos e combate os danos do envelhecimento. Vacas criadas no pasto são mais saudáveis que as alimentadas com ração. Esta, muitas vezes, contém produtos transgênicos relacionados com diminuição de fertilidade e problemas de aborto. Além disso, essas vacas são criadas em ambiente estressante, e quase sempre tratadas com antibióticos e hormônios, o que é bastante comum fora do Brasil. Nem animais nem seres humanos deveriam consumir alimentos desse tipo. Felizmente, no Brasil, a maioria do rebanho ainda é tratada com qualidade. O leite de vaca criada a pasto possui maior riqueza nutritiva de suporte imunológico, bem como antioxidantes e proteínas que melhoram o metabolismo. O que contém um whey de qualidade Grama por grama, o perfil de aminoácidos do whey protein integral, não aquecido, é mais expressivo que qualquer outro alimento do planeta. Ele fornece o maior espectro de aminoácidos essenciais. É muito rico em aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA), importantíssimos na formação de músculos, em especial a leucina e o ácido glutamínico, com importante papel na construção de músculos. Whey protein de qualidade tem composição similar ao leite materno, com suas propriedades exclusivas, como fonte de compostos imunológicos de suporte, peptídeos antioxidantes e nutrientes que melhoram o metabolismo. Atua no rejuvenescimento. Assim como o leite materno, pode ajudar no desenvolvimento da criança. Fonte exclusiva de glutamilcisteína Integral, o whey protein não aquecido é uma fonte exclusiva de imunopeptídeo glutamilcisteína, a forma mais ativa de cisteína. Esse aminoácido é destruído na maioria dos alimentos proteicos processados ou cozidos. Mas o organismo precisa dele, pois é essencial para as funções imunológicas. O que há de especial na glutamilcisteína é o poder de aumentar a imunidade. No organismo, a glutamilcisteína converte-se no antioxidante glutationa, a molécula mais importante em termos de imunidade. Glutationa é crucial para as principais atividades imunológicas e de desintoxicação. É vista como um importante marcador de saúde. Em níveis baixos, indica deficiências imunológicas, doença e envelhecimento. Em momentos de alto nível de estresse, traumatismo ou doença, o corpo perde as reservas de cisteína para produzir glutationa. Isso significa que, nessas circunstâncias, devem ser consumidos mais alimentos ricos em cisteína para dar suporte às atividades diárias. Esse aminoácido é particularmente importante com o passar dos anos, porque reduz o processo de envelhecimento. Cisteína do whey e boa forma Concentrações plasmáticas de cisteína e seu metabólito glutationa são indicativos de aumento de massa muscular magra. Em sua forma natural, a cisteína atua sobre diferentes aspectos no organismo: • diminui a porcentagem de gordura corporal e aumenta a massa muscular; • eleva o nível celular de glutationa peroxidase, a mais poderosa enzima antioxidante produzida pelo corpo; • aumenta a resistência muscular; • reduz os riscos de lesões oxidativas nas mitocôndrias das células musculares. Em resumo: a cisteína é essencial para aumentar a massa muscular, diminuir a gordura corpórea e proteger as células contra danos oxidativos. E a cisteína do whey é a opção mais indicada para isso. A cisteína sintética, por sua vez, não tem a mesma capacidade da natural para atravessar a barreira celular dos músculos. Também não aumenta a glutationa nas células, como a natural. Além disso, consumida em altas doses, pode causar problemas gastrointestinais e turvação da visão. A forma natural da cisteína do whey é, sem dúvida, superior e mais segura que a sintética. Carência de cisteína É bastante frequente os indivíduos apresentarem deficiência de cisteína e de outros aminoácidos importantes, como lisina e carnitina. Cisteína e lisina são facilmente destruídas pelo aquecimento ou na presença de um meio ácido. Portanto, a alimentação diária nem sempre fornece o necessário para o organismo. Como o corpo necessita muito desses aminoácidos para manter o metabolismo adequado e produzir energia muscular, o whey de qualidade pode ajudar a prevenir essa deficiência. Suporte imunológico Entre todos os alimentos, whey integral não aquecido contém o mais impressionante espectro de elementos de suporte imunológico, antioxidantes e compostos anticâncer. São qualidades também encontradas no leite materno, essenciais para proteger bebês contra infecções e doenças. Isso inclui imunoglobulinas, alfa- lactoglobulinas, albumina do soro bovino, lactoferrina, glicomacropeptídeos e ácido linoleico conjugado (CLA). Whey integral não aquecido e produzido com leite de vacas criadas a pasto é a fonte mais valiosa de cisteína e outros aminoácidos frágeis, normalmente perdidos na alimentação. Os efeitos estimulantes imunológicos do whey protein têm sido amplamente documentados pelos benefícios a atletas engajados em atividades físicas intensas e a indivíduos com imunidade comprometida ou em recuperação de cirurgias ou doenças. Liberação rápida de nutrientes Uma das propriedades mais importantes do whey protein é o rápido aporte de nutrientes. Isso o torna excepcional para ser usado antes e após exercícios, no período de recuperação muscular. Após os exercícios, os músculos se encontram no ápice da capacidade de utilização de nutrientes.É quando se precisa alimentá-los com proteínas de rápida assimilação, de modo a lhes causar um impacto anabólico. Porém, para usufruir ao máximo dos seus benefícios, o whey precisa ter qualidade. Como escolher um whey de qualidade • Whey de primeira deve ser livre de pesticidas, sem ingredientes transgênicos, produzido com leite de vacas criadas soltas no pasto e que não sejam tratadas com hormônios. • O produto não pode passar por aquecimento nem receber tratamento ácido. Caso isso aconteça, os aminoácidos se alteram, tornam-se insolúveis e de qualidade inferior. • Evite o whey protein isolado. É processado em excesso, frequentemente tratado com ácido e aquecimento. O corpo humano nunca se adaptou ao consumo de proteína na forma isolada. E há também algumas restrições por desencadear possíveis efeitos colaterais tóxicos. • Use somente whey protein concentrado. É um alimento integral e contém todos os cofatores, incluindo minerais, lipídeos e componentes imunológicos que são perdidos no whey isolado. Whey protein concentrado é também pobre em gorduras e lactose e apresenta um sabor rico e consistência cremosa. • Cuidado com whey protein de baixa solubilidade. Isso indica danos nos aminoácidos e qualidade inferior. Quando os aminoácidos são lesados ou desnaturados, o whey perde sua configuração original hidrossolúvel. • Isso dá um sabor ácido ao produto. • Evite whey protein contendo aditivos sintéticos, adoçantes artificiais, açúcar de álcool ou frutose. Essas substâncias afetam o organismo como toxinas, quase sempre com danosos efeitos colaterais. • Whey com proteína hidrolisada também não é indicado. A hidrolisação e a fermentação da proteína concentram muito monossódio glutamato, aditivo pouco saudável, e lesam componentes imunológicos frágeis. Primos pobres do whey Proteína de soja em pó – Muitos a usam como substituta do whey protein, mas é outro produto a evitar, pois: • o processo de pasteurização da soja em pó retira muito do seu valor nutricional, se comparado com o da soja integral; • proteína de soja é rica em substâncias inibidoras de proteína, como fitatos, que também podem inibir a digestão de minerais e a absorção de iodo, comprometendo a produção de hormônio tireoidiano. Uma tireoide com redução de hormônio gera metabolismo lento, fadiga e impotência; • proteína de soja contém isoflavonas, capazes de acelerar uma alteração estrogênica já existente em muitas pessoas. Isoflavonas da soja são substâncias que se comportam como estrógeno e se ligam a receptores estrogênicos no corpo, além de simularem ações do hormônio estrógeno; • muitas pessoas são sensíveis à soja, um dos alimentos mais alergênicos, especialmente quando processada em excesso; • a fibra da proteína texturizada de soja é áspera e pode causar sensibilidade digestiva; • vários suplementos de soja em pó são carregados de aditivos capazes de irritar mucosas e de causar dor e problemas abdominais. Proteína de ovo em pó – O grande problema é o uso de ovos de granja para a sua confecção, por serem de aves criadas com ração em excesso, possivelmente com produtos de origem transgênica. Em alguns criatórios, em especial fora do Brasil, usam-se hormônios e antibióticos no controle da criação. Essas substâncias, consequentemente, também serão encontradas nos ovos. O melhor – e recomendo isto com veemência – é consumir ovos de galinhas criadas soltas, que se alimentem de ervas e vegetação rasteira orgânicas. Caseína, a mais abundante proteína do leite Atletas profissionais ou esportistas amadores que se preocupam com a saúde e pensam em fazer uma dieta de forma séria, que dê suporte adequado ao seu treinamento, certamente usam suplementos para melhorar o ganho de massa muscular e ter melhor recuperação após o exercício. A esses, aviso: cuidado com o uso de suplemento de proteína, para não cometerem um tremendo engano. A caseína de leite cru, de preferência de vacas criadas a pasto, é a melhor que se pode consumir. Há, no mercado, muitas caseínas industrializadas que não têm a mesma qualidade nutricional e, não raro, fazem parte de suplementos de nutrição esportiva com os objetivos de dar suporte ao desempenho atlético, aumentar a massa muscular e evitar o catabolismo proteico. Essas caseínas contêm grande quantidade de resíduos tóxicos que podem causar erosão de dentes, lesões no trato respiratório, nos olhos e na pele, depleção de vitamina B12, danos neurológicos, além de efeito carcinogênico, especialmente quanto ao câncer de cólon. O ideal é usar produtos lácteos crus de vacas criadas a pasto, como whey e concentrado de proteína de leite, que conferem maior integridade à matriz proteica e à composição dos lipídios. O concentrado de proteína de leite cru mantém intactos todos os fatores imunológicos e aminoácidos, além de ser desprovido da enzima xantina oxidase (um subproduto da homogeneização do leite que vem sendo associado a doenças cardiovasculares e degenerativas). Como escolher uma caseína de qualidade Há três tipos de caseína: a de leite cru integral natural, a do queijo e a industrial. Caseína de leite cru integral natural – É a melhor escolha. Representa quase 80% do teor de aminoácidos do leite. Quando associada ao whey, ambos atuam fortemente no sentido de nutrir e promover o crescimento saudável dos jovens mamíferos. Sua composição proteica complexa, conhecida como “micelas”, é ligada com íons de cálcio, fosfato e citrato. Esse tipo de caseína é uma das mais eficazes proteínas de construção muscular. Não causa efeito acidificante excessivo, pois ajuda a manter o equilíbrio ácido-base do organismo. As caseínas industriais, ao contrário, são altamente acidificantes, a ponto de precisarem ser quimicamente alcalinizadas a fim de se tornarem comestíveis. A caseína natural é uma das mais eficientes proteínas de construção muscular. No ambiente gástrico, torna-se um composto de liberação lenta de aminoácidos na circulação sanguínea por várias horas, promovendo eficaz ganho anabólico por períodos prolongados de tempo, como durante as horas de sono à noite. Caseína de queijo – A caseína de queijo e a de leite cru são compostos distintos, mas se comportam no organismo quase da mesma forma. No processo de fabricação do queijo, a caseína é separada, enzimaticamente, do soro do leite e quebrada em peptídeos, gerando uma proteína completa que permite a desejada absorção lenta e eficiente de nutrientes. Caseína industrial – Trata-se de um produto inferior aos já citados, por conta de suas características. • Todas as caseínas industriais são isoladas de proteínas, ao contrário da caseína de leite integral (caseína natural e caseína de queijo). • A maioria delas é extraída do leite ultrapasteurizado, muitas vezes por meio de processos extremos, com uso de ácido e calor. • Trata-se de proteína deficiente, pois não possui os aminoácidos essenciais metionina e cisteína perdidos no processamento. Esses aminoácidos, do grupo sulfidrílico (que contém enxofre), desempenham papéis fundamentais na manutenção do sistema imunológico do organismo. • Compõe-se de derivados do leite desnatado (subproduto da fabricação de creme), cujo processo é feito, basicamente, por centrifugação que separa a nata do leite. O leite desnatado resultante é a matéria-prima a partir da qual se extrai a caseína que será usada nos produtos industrializados. E já se sabe que, sem a nata, o leite vira “nada”, porque nada sobra de bom ali! • Na sequência do processo, substâncias são precipitadas por acidificação, por meio de ácidos químicos (ácido clorídrico ou ácido sulfúrico) ou ácidos naturais (ácido láctico), gerando micelas no leite. Micelas são componentes que se ligam aos minerais, aumentando sua absorção a longo prazo. • Os fabricantes de proteínas tentam criar produtos similares à caseína natural, mas têm encontrado dificuldades. Aqui, dois desses produtos, para sua avaliação: 1. concentrado de proteína do leite (MPC) – É o que mais se aproxima das propriedades da caseína natural, sendo extraído de ultrafiltração do leite, quando se separacaseína e whey. 2. caseína micelar – Sua grande desvantagem é a baixa solubilidade em água, o que a torna um ingrediente pouco funcional e comestível. Para resolver o problema, tenta-se aumentar a solubilidade da caseína por meio de altas temperaturas, antes do processo de filtração. E ainda se faz uso de sal, caseinato de sódio ou polidextrose, que aumentam a solubilidade do pó. A caseína micelar apresenta mais um problema: entra em deterioração, dependendo do tempo de armazenamento. Apesar de ser considerada superior a outras caseínas industriais, está longe de ser do mesmo nível da caseína natural e a da caseína do queijo. Concluindo, os melhores benefícios, em termos de ganho proteico na nutrição esportiva, encontram-se na caseína natural, na do queijo e no concentrado de proteínas de leite de animais criados a pasto. A caseína natural fornece nutrientes de forma muito mais eficaz e produz um efeito anabólico estável e duradouro nos músculos. A caseína do queijo, apesar de ter menor valor nutricional, não deixa de ser uma ótima escolha, com alta concentração de aminoácidos BCAA e leucina e alta proporção de proteína. Infelizmente, as caseínas industriais não fornecem um bom nível nutricional e é provável que contenham componentes tóxicos. Quando usar o whey Durante o dia, o mais indicado é o whey protein de alta qualidade para nutrição muscular e recuperação pós-exercício, momento em que os músculos precisam de rápida assimilação proteica e fatores imunológicos. Quando usar caseína À noite, convém usar caseína a fim de sustentar os músculos durante as horas de sono. De preferência, que seja de queijo cru feito de leite de animais criados a pasto. E, para maior qualidade, que seja de vacas produtoras de leite A2. Proteínas de absorção lenta, como a caseína, mostraram-se menos eficazes que a proteína do whey no suporte imunológico e na promoção da síntese proteica nos músculos, após os exercícios. Mas têm uma grande vantagem anabólica a longo prazo, por conta de sua capacidade de induzir uma liberação lenta e constante de aminoácidos para a musculatura durante as horas de sono. Iogurte e probióticos Acredita-se que o consumo de iogurte melhora a flora intestinal, o que é muito saudável. Mas o que se observa é que a maioria dos iogurtes são junk food. Lixo! Fantasiado de alimento saudável, o iogurte em geral contém corantes artificiais, aditivos, aromatizantes e açúcar, em especial a frutose (xarope de milho). Esses aditivos comprometem o produto, pois em vez de nutrir bactérias saudáveis do trato digestivo, vão facilitar o aparecimento de fungos, de leveduras que causam doenças e a queda imunológica. Também não nos esqueçamos de que o iogurte é produzido com leite pasteurizado, em vez de leite cru. Isso o associa a todos os problemas gerados pelo leite pasteurizado, conforme abordado anteriormente. A melhor solução é fazer iogurte em casa, usando uma cultura-mãe acima de qualquer suspeita e leite cru de vacas criadas a pasto. Esse leite contém as bactérias benéficas para o sistema imunológico e pode reduzir ou prevenir alergias, cólicas e diarreias. Na hora de adoçar, é melhor evitar o açúcar. Adoçante natural, como mel ou estévia, é bem-vindo. Quem preferir mais sabor pode adicionar pedaços de fruta, sem culpa. Nutrindo a ecologia intestinal O iogurte é ótima fonte de bactérias do bem, importantes para manter a saúde do trato digestivo. Uma ecologia intestinal eficiente é necessária para a digestão e absorção dos nutrientes (vitaminas e minerais), estimula o sistema imunológico e melhora as condições de se resistir a estresse, ansiedade e depressão. Certos micro-organismos têm ainda a capacidade de neutralizar a absorção de toxinas e químicos, como pesticidas, e de eliminar mercúrio e arsênico. É sempre bom lembrar que o corpo humano tem por volta de 100 trilhões de bactérias e a maioria se encontra no trato digestivo, onde cerca de 80% dos receptores imunológicos estão presentes. Portanto, é fundamental que se tenha uma boa ecologia intestinal como barreira contra doenças, pois todas elas começam no intestino. Uma microflora bacteriana saudável pode ser induzida por alimentos probióticos. Esse tipo de alimento tem muitos benefícios, como: • combater vírus; • atuar contra alergias; • proteger contra fungos; • ter ação antioxidante; • estimular o sistema imunológico; • proteger contra problemas cardíacos; • aumentar a proteção do sistema gastrointestinal; • estimular a produção da principal enzima antioxidante endógena, a glutationa; • inibir tumores; • proteger contra os efeitos de rádio e quimioterapia; • ter efeito emagrecedor; • contribuir para uma aparência mais saudável; • reduzir gordura abdominal. Fatores que prejudicam a ecologia intestinal Alguns fatores podem prejudicar a ecologia intestinal. São eles: • alimentos refinados e processados; • estresse; • água clorada; • açúcar e frutose; • sabonetes antibacterianos; • antibióticos; • anticoncepcionais; • poluição ambiental. Consumidores exigem mudanças Ao que parece, as pessoas estão tomando consciência da realidade no que diz respeito à alimentação, em especial, à qualidade dos produtos à base de leite. Segundo pesquisas atuais, realizadas nos Estados Unidos, o interesse do consumidor norte-americano não é mais por produtos “light” e de “baixa caloria”. Isso já é passado! Tanto que esses produtos estão perdendo mercado rapidamente. A venda total de iogurtes nos Estados Unidos caiu 17%, no quarto trimestre de 2016, porque esse produto não estaria atendendo às expectativas do consumidor atual. Isso sacudiu a indústria, preocupada com seu futuro. Empresas ligadas ao ramo sabem que a corrida, agora, é chegar o quanto antes ao consumidor e oferecer o que ele deseja, já que as vendas de produtos feitos com leite de animais confinados e criados com rações transgênicas estão em queda livre. O que interessa às pessoas é que o produto tenha qualidade real e se apresente, no mercado, sem enganações. O que os atuais consumidores buscam são produtos orgânicos, sem adoçantes e feitos com 100% de leite de gado criado a pasto. Algo ainda difícil de encontrar no comércio, apesar de a procura ser cada vez maior. Os iogurtes convencionais deixam muito a desejar. Primeiro, porque sua matéria básica, o leite, vem de vacas criadas em confinamento, alimentadas com ração à base de transgênicos, como milho e soja, o que é nocivo à saúde. Além do mais, o leite usado é pasteurizado e a ele são acrescentados corantes, conservantes, açúcares ou adoçantes. Enfim, muito bom para o sabor, mas um grande zero em termos de nutrição. Alimentos transgênicos não são um bom negócio para a saúde humana, nem para a dos animais. Muito menos ainda para o meio ambiente, de onde vem tudo o que comemos e bebemos. Além disso, há que considerar o glifosato, ingrediente ativo de um herbicida proibido em vários países, mas largamente usado no Brasil, especialmente em lavouras de transgênicos. Presente na ração de animais criados em cativeiro, o glifosato promove a geração de doenças, aumenta o número de abortos, de deformidades fetais e de infertilidade. Evidente que o leite e a carne desses animais não podem ser saudáveis. O glifosato também tem sido apontado por pesquisadores como altamente cancerígeno para seres humanos. A indústria ligou o sinal de alerta Diante dos fatos, a poderosa empresa multinacional de produtos alimentares já citada neste livro se movimenta e procura reduzir e eliminar elementos, como herbicidas e pesticidas, de seus produtos. Isso, certamente, estimulará uma prática agrícola mais sustentável e menos danosa. A empresa, corajosamente, se posicionou a favor do consumidor, apesar de a maioria da indústria dos laticínios continuar de olhos fechados à realidade. Com esse passo, a mesma empresa anunciou, em abril de 2016, seu compromisso de passar a fazer uso de leite livre de transgênicos, de modo que, em três anos, todos os seus produtos estariam sendo comercializados dentro desse padrão de qualidade. Para atingir seuobjetivo, vem solicitando aos produtores de leite que participem dessa mudança, adotando a criação de gado criado a pasto. Só assim o leite estaria livre de transgênicos e seria adequado ao consumo. Segundo declaração dessa empresa, o consumidor estará no centro de cada decisão que vier a tomar. Ela se comprometeu, ainda, que, mesmo sem a exigência governamental, informará claramente em seus rótulos se o alimento em questão veio de animais criados a pasto e se está ou não livre de transgênicos. Se esse objetivo for alcançado, ela certamente será líder em seu ramo. E essa poderosa empresa multinacional de produtos alimentares não está sozinha na mudança de direção: em 2014, outra empresa multinacional anunciou que mais de 85% de seus sorvetes, vendidos nos EUA, são feitos de ingredientes não transgênicos e que pretendia chegar a 100% num futuro próximo. Respeito ao leite de verdade Como citado anteriormente, a normativa da União Europeia, ao reservar o nome “leite” apenas para o de origem animal, pretende garantir o direito de o consumidor escolher o melhor leite e seus derivados. E todos os produtos de origem vegetal, como creme de leite, chantili, manteiga, queijo e iogurte, mesmo com sua origem detalhada no rótulo, serão afetados por essa decisão, de modo a proteger o consumidor na hora da compra e, principalmente, do consumo. Em sua sentença, o Tribunal da União Europeia entende que as exceções a essa normativa europeia são produtos como o “leite de amêndoa” espanhol, o “crème de riz” francês ou o “queijo doce de Tomar” português, entre outros. O alto tribunal responde, assim, a uma dúvida levantada por um tribunal alemão, que deve se pronunciar sobre o processo interposto pela associação Verband Sozialer Wettbewerb contra uma companhia de produtos vegetarianos e veganos que distribui produtos com denominações como “queijo vegetal”, entre outros. Quem vai ganhar e quem vai perder No estudo publicado no Global Change Biology, os pesquisadores concluíram que alimentar rebanhos a pasto é mais eficiente, pois aumenta de forma expressiva a produção de leite e carne. A Science Daily relata que pode haver um aumento na produção de leite em 5% e de carne em 4%. Cerca de 40% das pastagens naturais do planeta podem suportar um aumento dos rebanhos a pasto. Portanto, nada de pânico. É lícito e racional lutar por maior oferta de leite e carne de animais criados a pasto, sem rações, e da forma mais natural e saudável possível. A mudança que as grandes empresas multinacionais de alimentos se impuseram mostra, com muita clareza, a força que o público detém, mesmo diante de instituições tão poderosas. Certamente, outras empresas seguirão seus passos, permitindo que a prática de pastoreio rotacionado para alimentar o gado ganhe vulto. Será uma mudança positiva. A indústria de derivados do leite que não se adaptar aos novos rumos terá sérios prejuízos. Na verdade, já vem perdendo terreno em vendas. De acordo com a Organic Valley Dairy, o consumo de iogurte orgânico, com leite de animais criados a pasto, passou a ser três vezes maior do que o de gado confinado e alimentado com ração transgênica. Leite certificado Reproduzo o que foi publicado pela Revista de Leite Certificado, na edição de setembro de 1938: “As regras e regulamentações para a produção de leite certificado são estabelecidas pela Organização Nacional dos Médicos, The American Association of Medical, Milk Commissions.”. Indo direto ao ponto, leite certificado é o produto de vacas que estão em perfeito estado de saúde. Para isso, o produtor deve seguir certas regras e submeter sua produção à supervisão de outras esferas. Cada fazenda certificada é supervisionada por um agente da Comissão Médica do Leite, cujo membro é indicado pela sociedade médica local, e cada comissão médica do leite é membro da organização nacional. Procedimentos • O leite das vacas é testado antes de cada ordenha, que só é realizada após higienização na região mamária, de modo que nenhuma sujeira externa possa entrar em contato com o leite. • Caso haja sinal de algo suspeito, por menor que seja, o animal é imediatamente retirado do rebanho certificado. Só voltará a ele quando estiver em perfeita saúde. • Para tornar-se certificado, assim que é retirado da vaca, o leite é resfriado, envasado, selado e colocado na refrigeração até o consumo. • Vacas que produzem leite certificado são acompanhadas, continuamente, por veterinários experientes que as submetem a exames e testes. • Essas vacas são alojadas em estábulos bem iluminados e ventilados, e são mantidas rigorosamente limpas. • Somente pessoas em perfeita saúde podem trabalhar com vacas produtoras de leite certificado. Essas pessoas recebem atenção constante de médicos e submetem-se a avaliações regulares de saúde. • Se um funcionário apresentar suspeita de qualquer problema de saúde, ele é afastado de suas funções até estar em condições de voltar ao trabalho. • Aos que trabalham com laticínios certificados também se exige que estejam, todo o tempo, rigorosamente limpos. Devem usar luvas brancas limpas, suas unhas precisam ser cortadas e lavadas com frequência, e seus hábitos de higiene devem ser mantidos sob constante supervisão. Todas essas precauções são necessárias para um leite chegar ao mercado com a designação invejável de “leite certificado”. Será esse o leite indicado para a alimentação humana. Um produto de qualidade acima de qualquer suspeita. Referências Artigos e livros ALI, M. A.; POORTVLIET, E.; STRÖMBERG, R.; YNGVE, A. Polyamines in foods: development of a food database. Food & Nutrition Research, 2011; 55:5572. BARTLEY, J.; MCGLASHAN, S. R. Does milk increase mucus production? 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Possui várias publicações em revistas médicas e diversos livros com temas relacionados à nutrição, ao metabolismo, às medicinas preventiva e esportiva, à oxidação e à obesidade. Confira seu currículo profissional completo e suas publicações no site: ww.drrondo.com. © Wilson Rondó Jr., 2019 1ª Edição Digital, Global Editora, 2019 Jefferson L. Alves – diretor editorial Richard A. Alves – diretor comercial Flávio Samuel – gerente de produção Helô Beraldo – editora assistente Jefferson Campos – assistente de produção Mônica di Giacomo – preparação de texto Fernanda Rodrigues – revisão Tathiana A. Inocêncio e Maira Spilack– projeto gráfico Felici Design – capa © Leonello Calvetti/Dreamstime.com – foto de capa Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) _____________________ Rondó Junior, Wilson Leite cru [livro eletrônico] : a verdade que vai mudar sua vida! / Wilson Rondó Jr.. – São Paulo : Gaia, 2019. 971 Kb ; e-PUB Bibliografia. ISBN 978-85-7555-492-0 1. Leite – Higiene 2. Leite – Produção 3. Leite – Qualidade 4. Leite como alimento 5. Leite como alimento – Efeito fisiológico 6. Promoção da saúde I. Título. 19-26910 CDD-613.2 _____________________ Índices para catálogo sistemático: 1. Leite como alimento : Nutrição aplicada : Promoção da saúde 613.2 Cibele Maria Dias – Bibliotecária – CRB-8/9427 Obra atualizada conforme o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Direitos Reservados editora Gaia Ltda. Pertence ao Grupo Editorial Global Rua Pirapitingui, 111-A – Liberdade CEP 01508-020 – São Paulo – SP Tel.: (11) 3277-7999 – Fax: (11) 3277-8141 e-mail: gaia@editoragaia.com.br www.editoragaia.com.br Colabore com a produção científica e cultural. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra sem a autorização do editor. Nº de Catálogo: 4409.eb