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SUMÁRIO 
 
1 INTRODUÇÃO	4 
2 HISTÓRIA DA PSICILOGIA SOCIAL	5 
3 PSICOLOGIA SOCIAL	7 
4 PSICOLOGIA SOCIAL NO BRASIL	9 
5 INFLUÊNCIAS SOCIAIS E COMPORTAMENTOS	11 
5.1 Atitudes e disposições pessoais também moldam nosso comportamento	15 
6 O COMPORTAMENTO SOCIAL É BIOLOGICAMENTE ENRAIZADO	16 
6.1 Princípios da psicologia social são aplicáveis à vida cotidiana	17 
7 PSICOLOGIA E VALORES HUMANOS	19 
8 HISTÓRIA DA PSICOLOGIA COMUNITÁRIA	21 
9 COMUNIDADE	24 
10 PSICOLOGIA SOCIAL COMUNITÁRIA	26 
11 IMPLICAÇÕES E ATRAVESSAMENTOS DA CRISE NA PSICOLOGIA SOCIAL	28 
12 O PAPEL DO PSICÓLOGO	30 
12.1 Psicólogo Clínico	32 
12.2 Psicólogo do Trabalho	32 
12.3 Psicólogo do Trânsito	32 
12.4 Psicólogo Educacional	32 
12.5 Psicólogo Jurídico	33 
12.6 Psicólogo Social	33 
13 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS	34 
INTRODUÇÃO 
Prezado aluno, 
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. 
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. 
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. 
 
 
Bons estudos! 
 
 
HISTÓRIA DA PSICILOGIA SOCIAL 
 
Fonte: https://bit.ly/366dZjA 
Segundo Lane os primórdios da psicologia social remontam ao século XIX, com o filósofo francês Augusto Conte tido como o pai dessa ciência. Para Conte, a psicologia social seria um “subproduto” não só da sociologia, mas também da ética (moral), responsável por articular como o indivíduo pode ser causa e efeito da sociedade. Porém, por volta de 1920 após a Primeira Guerra Mundial, foi que a indústria se desenvolveu como um estudo sistemático e científico. Em um mundo abalado por conflitos e grandes crises, os estudiosos encontraram uma base para novas pesquisas, para encontrar maneiras de preservar os valores da liberdade e dos direitos humanos em uma sociedade lenta e corporativa. 
Os cientistas têm buscado compreender diversos fenômenos sociais como: preconceito, liderança, propaganda, conflitos de valores e como os indivíduos se comportam diante desses fenômenos. Nos Estados Unidos, este estudo busca melhorar a vida dos homens em um contexto social, utilizando dados e conceitos de anos de pesquisa no campo da psicologia. A sociedade era então seu principal objeto de estudo, suas motivações, suas atitudes diante de determinadas situações, seus comportamentos, enfim, tudo o que expressava a dicotomia existente entre existência e sociedade. Sabendo que, um não existe sem o outro e são fenômenos diferentes. 
Durante algumas décadas, houve um otimismo sobre os resultados da Pesquisa Psicossocial, mas diante dos resultados conflitantes da pesquisa e do agravamento da crise global, a ciência entrou em declínio e passou por um período chamado " crise da psicologia social". (LANE, 1981) Essa crise foi causada principalmente, por pesquisas que careciam de conhecimento prático, e os resultados que foram apresentados eram conflitantes e não apresentaram soluções concretas para os problemas enfrentados pelos países. Psicólogos norte-americanos foram criticados pela natureza ideológica de seu trabalho, que vinha sendo replicado em países latino-americanos sem levar em conta as peculiaridades desses países. O conhecimento dos Estados Unidos foi replicado em outros lugares, usando técnicas e conceitos não inteiramente aplicáveis aos lugares mencionados. 
Pesquisadores latinos organizaram uma reunião para com intuito de expor quais eram as principais dificuldades encontradas na investigação (de cada país) e, quais eram as possíveis soluções para solucionar os problemas que foram apresentados. Desse modo, cientistas de diversos países inclusive o Brasil, encontraram semelhanças em suas visões, que embora semelhantes, tinham a mesma opinião porque todos possuíam as mesmas condições de trabalho. Desde a reunião, os participantes decidiram dar um novo rumo às pesquisas, onde cada um iria focar nas necessidades do seu país e não mais depender do indivíduo. Ou seja, desde então as buscas focariam de fato, nas reais necessidades de cada país, independentemente da dinâmica geopolítica ou econômica, sem influência de contextos específicos de outros países. 
No entendimento de Jacques sobre os resultados desta crise é que: 
[...] originam-se múltiplos efeitos, sendo possível detectar, no contexto da psicologia social atual, pluralizações diversas que apontam para um quadro de fragmentação antes do que para a unidade. Novos espaços se constituem pelas conjunções e disjunções realizadas. Implicações antigas são questionadas e descentramentos são propostos. Tornam-se vigorosos os discursos da interdisciplinaridade e das conjunções, bem como o da ecologia social e cognitiva que lhe é consequente, revelando um contexto propício à análise cujos componentes se amalgamam, não se comportando como configurações isoladas. Redes de saberes se propõem a interconexões, possibilitando uma infindável trama de possibilidades de conhecer. (JACQUES, p. 39, 2013) 
PSICOLOGIA SOCIAL 
 
Fonte: https://bit.ly/3J3uvzm 
 
A psicologia social estuda os efeitos de nossas situações, ou seja, é uma ciência com atenção especial à forma como influenciamos e percebemos uns aos outros. Mais especificamente, é o estudo científico de como as pessoas pensam, influenciam e se relacionam umas com as outras. A psicologia social está na fronteira da psicologia e da sociologia. Comparada à sociologia, que é o estudo das pessoas em grupos e sociedades, ela se concentra mais nos indivíduos. Relacionada à psicologia da personalidade, a psicologia social se concentra menos nas diferenças entre os indivíduos e mais em como eles percebem e influenciam uns aos outros. 
A psicologia social ainda é uma ciência jovem. Nesta área, os primeiros relatos foram há mais de um século, mais ou menos por volta de 1898, e os primeiros textos psicologia social apareceram por volta de 1900. Foi após a década de 1930 que a psicologia social assumiu sua forma atual, e somente após a Segunda Guerra Mundial que começou a emergir como a grande propriedade que é hoje. O estudo da psicologia social é: a forma que pensamos, que influenciamos e nos relacionamos, se questionando e fazendo perguntas que intrigam as pessoas. 
 
 
Nós, humanos, sempre tivemos a necessidade de explicar o comportamento, atribuí-lo a uma causa e, assim, fazê-lo parecer organizado, previsível e controlável. É possível reagir de maneiras diferentes a situações semelhantes porquê de fato, pensamos de maneira diferente. Como reagimos ao insulto de um amigo depende se o vemos como hostilidade ou como um dia ruim. 
Somos todos cientistas visuais (intuitivos). O comportamento das pessoas pode ser interpretado com rapidez e precisão suficientes para atender às nossas necessidades diárias. Quando o comportamento de alguém é consistente e diferente, atribuímos esse comportamento à sua personalidade. Por exemplo, se você observar que alguém costuma fazer comentários depreciativos, você pode inferir que essa pessoa tem tendências maliciosas e você pode evitá-lo. 
Na literatura psicológica, a intuição é frequentemente explicada como uma ou duas formas de pensar, juntamente com o raciocínio analítico, sendo que, o pensamento “intuitivo” é descrito como: rápido, automático e subconsciente. No entanto, o pensamento analítico é lógico, lento, deliberado e consciente. Os pensamentos, asatitudes, as memórias, operam em dois níveis: consciente e deliberado. Tendo também o inconsciente e automático, que é chamado pelos pesquisadores de processamento dual. 
PSICOLOGIA SOCIAL NO BRASIL 
 
Fonte: https://bit.ly/3CFtkUk 
 
A psicologia no Brasil foi influenciada pelos norte-americanos. Nossos professores e cientistas foram para a América justamente para aprimorarem seus conhecimentos e para estudos. Mas, também vinham desses centros professores dos Estados Unidos para lecionarem em nossas universidades. 
Em 1980 foi fundada a Associação Brasileira de Psicologia Social – ABRAPSO, com a finalidade de intercâmbio entre cientistas de diferentes regiões para debater sobre os problemas comuns. Vale ressaltar que a formação da ABRAPSO foi importante na consolidação desse campo de estudos no Brasil. 
Há grandes nomes nacionais representantes da psicologia social que influenciam as novas gerações de psicólogos e contribuem para importantes pesquisas sobre a sociedade brasileira e os problemas que ela enfrenta. Três nomes que têm grande influência no campo são os percussionistas Aroldo Rodrigues, Eliezer Schneider e Sílvia Lane, que contribuíram muito para a formação da psicologia social como ciência em nosso país. 
 
 
Crítico da forma que os estudos eram geridos nos EUA, Schneider tinha uma visão voltada para as problemáticas humanas, como foco principal nos problemas que os brasileiros enfrentavam e, totalmente disposto a aceitar e entender visões de outros cientistas, que não tinham como principal objeto o indivíduo, mas sim as influências socioculturais como um todo. 
 
 
 
Porém, a partir de divergências entre novos métodos, eclodiu uma cisão e Silvia Lane fundou a Associação Brasileira de Psicologia, cuja visão era conflitante com as propostas de Aroldo Rodrigues. 
 
 
Não só por esse motivo, Silvia é respeitada e vista como uma grande referência. Ela era marxista e repreendeu fortemente o sistema socioeconômico capitalista pelo fato de moldar a identidade, o que acabou contribuindo para muitas injustiças em nossa sociedade. Em seu livro "O que é psicologia social", ela apresentou diversas dessas críticas, e hoje é referência em diversos cursos de psicologia no Brasil. 
Pode-se dizer que a psicologia social estuda a adaptação social, sobrevindo de um suposto modelo de “cidadão ideal” para uma psicologia crítica que defende fortemente os movimentos sociais, para garantir o direito a todos. As ações ocorrem de acordo com as necessidades de cada local, e de acordo com os interesses psicólogos e organizações. 
INFLUÊNCIAS SOCIAIS E COMPORTAMENTOS 
 
Fonte: https://bit.ly/3CBI7iM 
Como Aristóteles observou e tinha como pensamento, os seres humanos são animais sociais. Isso porque aprendemos com os outros o que pensamos e falamos. 
Aspiramos a estar conectados, pertencer e ser valorizados. 
Influência diz respeito a capacidade de despertar comportamentos, desejos e principalmente ações de consumo em outras pessoas. Esse fator social é uma base de estratégia de Marketing que usa pessoas influentes para “representar” marcas, dando às empresas engajamento e gerando mais vendas. Já a influência social é um processo de mudanças de comportamentos; atitudes, crenças, ou sentimentos da forma que é interpretado e percebido o comportamento de outras pessoas. 
 
 
Outras situações podem gerar compaixão e generosidade. Por exemplo, após a tragédia de 11 de setembro, a cidade de Nova York recebeu uma grande quantidade de alimentos, roupas e ajuda de voluntários. 
A influência social é denominada também como prova social. Trata-se de um fenômeno psicológico em que um indivíduo repete o comportamento de outra, usandoo como referência para determinar como agir. E quanto mais você vê um comportamento sendo repetido ou quanto mais você confia no modelo, mais provável é que você copie esse comportamento. 
A psicologia entende que ser influenciável, é o indivíduo que possui certo grau de obediência perante regras que são instituídas por outro indivíduo, seja por religião, por política ou até mesmo a sociedade. 
 
 
 
Estudos afirmam que há três fatores que afetam as pessoas influenciáveis e que as mantêm nessa dependência: 
 
 
Muito se discute se as pessoas influenciáveis possuem problemas de segurança, ou melhor, se há insegurança e medo no momento de manter suas opiniões, de não agradar ou de não ser aceito pelas pessoas a sua volta. 
Atitudes e disposições pessoais também moldam nosso comportamento 
A força interior também é importante. Não somos folhas espalhadas, simplesmente varridas aqui e ali pelo vento social. Nossa atitude interna influencia em nossos comportamentos. Nossa opinião política influencia nosso comportamento nas urnas. Nossa atitude em relação aos pobres afeta nossa disposição de ajudá-los. Como veremos, nossas atitudes também estão enraizadas em nosso comportamento, fazendo-nos acreditar firmemente nas coisas das quais participamos ou sofremos. 
As mudanças de personalidade afetam também o comportamento. Diante da mesma situação, pessoas diferentes podem reagir de formas diferentes. Após anos de detenção política, exala amargura e busca vingança. Outro, como o sul-africano Nelson Mandela, buscou reconciliação e integração com seus antigos inimigos. 
Atitudes e personalidades influenciam o comportamento. 
O COMPORTAMENTO SOCIAL É BIOLOGICAMENTE ENRAIZADO 
 
Fonte: https://bit.ly/3Igx6Fb 
 
A psicologia social do século XXI nos dá uma compreensão cada vez maior dos fundamentos biológicos de nossos comportamentos. Muitos de nossos comportamentos sociais refletem uma profunda inteligência biológica. 
Nos estudos iniciais de psicologia aprende-se que: 
 
 
Como os psicólogos evolucionistas nos lembram, nossa natureza humana tende a se comportar de maneiras que ajudaram nossos ancestrais a sobreviver e se reproduzir. Pegamos os genes de pessoas que têm características que permitem que elas e seus filhos sobrevivam e se reproduzam. Assim, os psicólogos evolucionistas se perguntam como a seleção natural pode predeterminar nossas ações e respostas ao namoro e acasalamento, ódio e mágoa, carinho e compartilhamento. A natureza também nos dotou de uma tremenda capacidade de aprender e se adaptar a diferentes ambientes. Somos sensíveis e responsivos ao nosso contexto social. 
Se todo evento psicológico, pensamentos, emoções, comportamentos; é simultaneamente um evento biológico, então, podemos analisar a neurobiologia subjacente ao comportamento social. 
Os comportamentos sociais complexos não são reduzidos pelos neurocientistas, tais como ferir e ajudar, a mecanismos moleculares simples ou neurais. O principal é entender o comportamento social, tanto que, devemos considerar as influências sob a pele “biológicas” como aquelas entre as peles “sociais”. O corpo e a mente são um grande sistema. Já os hormônios do estresse afetam por exemplo nos sentimos e como agimos. O ostracismo social abrange a pressão arterial. O apoio social fortalece o sistema imune, responsável por combater as doenças, somos organismos biopsicossociais. 
Princípios da psicologia social são aplicáveis à vida cotidiana 
Há de se destacar que a psicologia social tem a habilidade de iluminar sua vida, de indicar influências sutis que orientam seus pensamentos e ações. Além disso, como veremos, ele fornece muitas ideias sobre como entender melhor uns aos outros, como fazer amigos e influenciar pessoas, como transformar punhos em braços abertos. 
 
 
Como uma visão simplista da existência humana, a ciência psicológica não visa resolver as questões fundamentais da vida: Qual deve ser o nosso objetivo? Qual é o sentido da vida humana? Qual é o nosso destino final? No entanto, a psicologia social nos fornece um método para perguntar e responder algumas perguntas muito interessantes e importantes. A psicologia social é sobre a vida - sua vida: suas crenças, suas atitudes, seus relacionamentos. 
PSICOLOGIA E VALORES HUMANOS 
 
Fonte: https://bit.ly/3sZZQxo 
A psicologia social não diz respeito à um conjunto de descobertas,e também não é um conjunto de “estratégias” para responder perguntas. Na ciência, como no tribunal, as opiniões pessoais são inaceitáveis. Quando as ideias são postas à prova, a evidência determina o veredicto. 
Os valores humanos são os princípios éticos e morais que orientam a vida de uma pessoa. Fazem parte da formação da consciência e das formas de agir e se relacionar em sociedade. Os valores humanos são padrões de comportamentos que podem ditar decisões importantes e garantir que as pessoas vivam juntas de forma pacífica, honesta e justa. Os valores são construídos socialmente e vão orientar as decisões e garantir que determinados princípios governem as ações das pessoas e, portanto, a vida. 
Os valores variam não apenas ao longo do tempo, mas também entre as culturas. Na Europa, as pessoas têm orgulho da sua nacionalidade. Os escoceses estavam mais conscientes de suas diferenças com os britânicos e os austríacos do que os alemães dos residentes de Michigan de residentes igualmente adjacentes de Ohio. Assim, a Europa nos deu uma importante teoria da "identidade social", enquanto os psicólogos sociais norte-americanos se concentraram mais no indivíduo como se pensa nos outros, influenciados por outros, influenciados por eles e seus contatos. Os psicólogos sociais australianos desenharam teorias e métodos da Europa e da América do Norte. 
Por fim, os valores auto evidentes são considerados o objeto da análise psicossocial. Os psicólogos sociais estudam como os valores são formados, por que mudam e como afetam atitudes e ações. No entanto, nenhum desses valores nos diz qual é o "correto". Deixando que os valores influenciem a psicologia sem que percebamos, reconhecemos as formas mais sutis pelas quais os compromissos com os valores se disfarçam de verdade objetiva. 
 
 
 
 
 
HISTÓRIA DA PSICOLOGIA COMUNITÁRIA 
 
Fonte: https://bit.ly/3CylgVD 
O termo psicologia comunitária foi aberto na Conferência de Swampscott, em 1965 e, desde então, tem sido utilizado para definir um conjunto de práticas e saberes voltados ao estudo e desenvolvimento da psicologia social da comunidade. Para alguns, deturpação, sem sentido; para outros, é adequado porque se refere a uma especificidade cada vez mais definida. Referimo-nos Psicologia da Comunidade, Psicologia na Comunidade, Psicologia Social Comunitária ou simplesmente Psicologia Social e Intervenção Psicossocial, mas, o termo Psicologia Comunitária é o mais adequado ao que ouvimos (que pretendemos) transformar e estudar. 
 
 
É uma divisão da Psicologia Social que afirma que o indivíduo é uma realidade sócio histórica, fortemente influenciada por um processo cultural, e que ele reside em um modo de vida social, em uma estrutura social de classes e em um contexto social, cultural, histórico geográfica, econômica, simbólica, e, portanto, ideológica. Que vive imerso em uma complexa teia de interações sociais (além de grupos e indivíduos) de uma sociedade de classes bem definidas. 
"Porém o homem fala, pensa, aprende e ensina, transforma a natureza; o homem é cultura, é história. (...) O seu organismo é uma infraestrutura que permite o desenvolvimento de uma superestrutura que é social e, portanto, histórica. Esta desconsideração da Psicologia em geral, do ser humano como produto histórico-social, é que a torna, senão inócua, uma ciência que reproduziu a ideologia dominante de uma sociedade..." (Lane, p. 12, 1987). 
A partir daí, é preciso algum direcionamento, uns mais comprometidos e outros menos comprometidos com as realidades da comunidade; alguns têm uma visão mais sócio histórica do indivíduo e outros uma visão mais idealista do comportamento ou comportamentos dos indivíduos; alguns são mais solidários e outros mais técnicos ou políticos; alguns são mais clínicos e outros mais sociais ou educacionais. 
Tendo como referência básica experiências e pensamentos, além dos estudos de Leontiev, Sílvia Lane, Vigótski, Luria e Paulo Freire, entende-se a psicologia comunitária como um campo de vida do lugar (comunidade). Seu sistema de relações e representações, a identidade, percepção e relação dos indivíduos com o lugar, sítios e grupos comunitários, visam o desenvolvimento de uma identidade comunitária e, uma consciência mais profunda do modo de vida do lugar, por meio de um esforço interdisciplinar na organização e desenvolvimento de grupos e comunidades, mas sempre com foco na construção do tema comunitário. 
 
 
Sua questão central não é a relação entre saúde e doença, prevenção e cura, mas a construção do indivíduo como sujeito que emerge das atividades comunitárias e das condições sócio históricas, associação daquele lugar e quem é responsável por ele. Assim, o campo de ação é o espaço comunitário, geográfico, social, econômico, político, simbólico, significativo e fundamental da vida em sociedade, tanto rural quanto urbana. 
O estudo da Psicologia Comunitária é voltado para as condições da vida comunitária sejam elas externas ou internas à pessoa, que previnem o indivíduo de ser sujeito e as condições que o fazem sujeito na comunidade. Ao mesmo tempo que, no ato de compreender e conviver, trabalhar com ele a partir dessas condições, na construção de sua identidade e de uma nova realidade socioambiental para o lugar. 
Um Psicólogo Comunitário não é um profissional que apenas diagnostica e intervém. O mesmo, analisa o modo de vida da comunidade e como ele se transforma e se reflete na mente de seus habitantes, para que possa reaparecer em suas atividades cotidianas concretas. Constitui também, abranger as necessidades da comunidade e o compromisso do psicólogo comunitário. 
COMUNIDADE 
Desde meados do século passado, o conceito de "comunidade" tem sido controverso, e ao longo deste século até os dias de hoje, a crescente complexidade da vida social reforçou a dificuldade de chegar a um denominador comum. Há algumas características utilizadas na tentativa de se encontrar uma conceituação, especialmente aquelas que ao longo da nossa experiência temos utilizadas: 
 
 
 
A comunidade é entendida como expressão da sociedade ou da vida de um povo ou nação que a reflete com sua própria dinâmica; é um local de residência, estabilidade e permanência, desenvolvimento, orientação e proteção do indivíduo perante a natureza e a sociedade. 
O termo “comunidade” se expressa tanto como um estado, no sentido do que é idêntico ou comum, quanto como um lugar, pressuposto como um sentido de coletividade, de uma agência social. Assim, a comunidade é considerada como uma identidade harmoniosa e homogênea, e como um todo, uma união de sujeitos com interesses semelhantes: nação, povo, cultura. (ARENDT, 1997). 
Para a psicologia social, comunidade designa um espaço criativo de identidade, um espaço de relações e história, onde cada membro pode expressar a totalidade. Comunidade, para a psicologia social e as ciências sociais, ocupa um campo de paisagem cuja existência só é possível enquanto seus membros mantêm uma certa unidade. 
Assim, a comunidade assume o caráter de uma invenção que conduz à clareza teórica. Para a pesquisa comunitária, há o compromisso de identificar o objeto de estudo com a paisagem em que se insere, levando em consideração a diversidade de vida desses sujeitos e a flexibilidade de limites em que existem. 
Como menciona Arendt (1997), os contemporâneos levaram à transitoriedade da vida, com uma constante passagem entre a residência, acabando por existir de forma limitada, muitas vezes apenas um dormitório e um local de trabalho, dando lugar à invenção de novas formas de existir em o mesmo espaço. Afinal, no ambiente de trabalho existem normas e regras que conflitam com a legitimidade de cada uma. 
Podemos, assim, refletir sobre o conceito de comunidade nos tempos modernos, onde a flexibilidade entre os limites da comunidade, cada vez mais elástica, permite a criação de novos poderes. Por exemplo, se pensarmos em uma comunidade, uma vez fechada, completamente imersa em sua própria atividade, muitas vezes em detrimento de seus membros, seja pela violência,miséria, falta de higiene, maus hábitos, entre outros, ela pode não permitir romper os ciclos de destruição, regeneração e repetição, perpetuando uma atividade não lucrativa. Hoje, com trânsito e fluxo cada vez mais frequentes, a informação pode chegar aos membros das comunidades, que a utilizam como ferramenta para quebrar hábitos disfuncionais ou disseminar métodos, e o direito pode beneficiar a todos. 
A comunidade pode então ser permanente, habitação e trânsito. Ocupando um espaço em que seus membros residem e transitam, com um fluxo perpétuo para construir continuamente seu crescimento. 
PSICOLOGIA SOCIAL COMUNITÁRIA 
Foi a partir da crise na psicologia social que surgiu a Psicologia Social Comunitária, em conflito com o posicionamento neutro, respaldado pelo método empírico-analítico. 
 
 
A psicologia comunitária oferece a oportunidade de uma estrutura equilibrada de relacionamentos, unindo os membros para a superação do individualismo, em práticas autogovernadas (CAMPOS, 2001). E usa a diversidade intelectual de seus membros e seu potencial produtivo para formar o desenvolvimento da autonomia comunitária. 
Enfatizando intervenções em grupo, a psicologia social comunitária destaca a construção de relacionamentos entre indivíduos e entre grupos. Melhorando o desenvolvimento politizado e crítico-ético à vida na comunidade. Esta é a grande área mediadora da psicologia comunitária, estimulando-a na construção de capacidades de mudança e consciência das suas potencialidades. 
Freire nos aponta a importância da comunicação no desenvolvimento e construção do conhecimento. O trabalho do psicólogo social comunitário se desenvolve no decorrer do diálogo. Porque, como apontou Freire, sem comunicação baseada no diálogo, a interação e a expressão são limitadas, dificultando o aprendizado. O desenvolvimento do pensamento crítico tenta perceber a realidade em que a comunidade vive e se insere. Como pensa Freire, o pensamento crítico organiza os sujeitos para refletir, aprimorar seus olhares sobre as diferenças e a evolução do aprendizado e da mudança. A psicologia social comunitária visa abrir a diversidade de conhecimento e confiança em sua extensão, por meio de trocas trocadas no diálogo. Todo sujeito tem dentro de si uma multiplicidade de poderes criativos que, se estimulados, irão promover habilidades, e é essa crença na comunidade psicossocial que o torna único e promotor de mudanças. 
IMPLICAÇÕES E ATRAVESSAMENTOS DA CRISE NA PSICOLOGIA SOCIAL 
 
Fonte: https://bit.ly/3JVoSUe 
Uma abordagem da psicologia social que utiliza o método empírico analítico é a psicologia social experimental empírico-analítica, usada como ferramenta para estudar fenômenos observáveis dos comportamentos da sociedade e do sujeito. E que também restringe o desenvolvimento dos seus conhecimentos, criando conceitos apenas por meio da observação de fatos que possam ser estimáveis e mensuráveis. 
Esse rigor científico é estabelecido pela psicologia social experimental empírico-analítica, fixado por métodos de pesquisa quantitativa, estruturados a partir de um problema a ser estudado, bem como de hipóteses. A teoria que norteou as observações, justamente esse ponto de instabilidade, finalmente despertou uma nova abordagem em psicologia social, psicologia comunitária. 
 
 
Surgiu como uma crítica à abordagem norte-americana, onde o psicólogo social se afastou do objeto de pesquisa e reforçada pelos movimentos de análise institucional latino-americana, colocando o pesquisador no centro da pesquisa, como pode ser observado na pesquisa-ação e na pesquisa participante também visa resolver o problema da posição por excelência da psicologia, até então marginalizada nos problemas da periferia e do campo das cidades, deixando para trás as favelas, a pobreza, os trabalhadores, a violência, etc. 
Contudo, a partir dessa nova visão da Psicologia Social e na ânsia de posicionamento e atuação que esta abordagem convoca, fez da concepção reflexiva uma “urgência prática” dessa psicologia que estava a nascer. Assim, implantando como campo, para o psicólogo comunitário: o ativismo; a militância; a postura politizada e engajada, no lugar que antes era ocupado pela neutralidade. 
Com isso, na psicologia social a crise foi superada pela necessidade de criar um domínio do problema, onde se tornou indispensável na presença de uma luta de forças que configuravam a demanda da realidade. Dessa forma, a psicologia social, na perspectiva da comunidade, busca construir um espaço de diálogo contínuo, com o objetivo de criar territórios que incluam discussões para desenvolver estratégias de mudança. 
Sob essa nova lente, elaborada pela autoanálise do conhecimento e do funcionamento efetivo da psicologia social, torna-se necessária a formulação de novas metodologias, bem como a estruturação de novos objetos teóricos. A crise psicossocial implicada pela ampliação da percepção da performance e da ampliação do campo de visão e audição transformou um campo antes conhecido como “lugar antropológico”, para um novo significado, podendo ser chamado de “Comunidade”. 
O PAPEL DO PSICÓLOGO 
 
Fonte: https://bit.ly/3uCFEBb 
 
Os psicólogos, no âmbito de sua profissão, atuam na educação, saúde, recreação, trabalho, segurança, justiça, comunidade e mídia, com o objetivo de promover em seu trabalho, a integridade da pessoa presente e o respeito à dignidade. 
 
O Psicólogo colabora na produção do conhecimento científico na área da psicologia por meio da observação, análise e descrição dos processos de aprendizagem, personalidade, desenvolvimento, inteligência, entre outros aspectos do comportamento humano. Analisa a influência de fatores genéticos, psicossociais e ambientais sobre os sujeitos em sua dinâmica neuropsicológica e em suas relações sociais, a fim de orientar o diagnóstico. Promove o cuidado psicológico, da saúde mental na prevenção e tratamento dos transtornos mentais, trabalhando para promover amplo desenvolvimento psicossocial; desenvolver e aplicar técnicas de testes psicológicos, utilizando conhecimentos e práticas metodológicas específicas, para compreender as condições de desenvolvimento da personalidade, processos mentais internos e relações entre os indivíduos, realizar ou encaminhar cuidados adequados, conforme necessário. Ele está envolvido no desenvolvimento, adaptação e construção de ferramentas e técnicas psicológicas por meio de pesquisa, em instituições acadêmicas, associações profissionais e outras organizações cientificamente reconhecidas. Troca de experiências e também promove divulgação em eventos da profissão e da comunidade científica e, ao mesmo tempo, dá a conhecer ao público as possibilidades de utilização dos seus recursos. 
Estes profissionais exercem suas funções e deveres em grupos multidisciplinares ou individualmente; em instituições públicas ou privadas; em organizações sociais formais ou informais; em clínicas, centros e postos médicos, hospitais, consultórios, incubadoras, associações comunitárias, escolas, empresas, sindicatos, tribunais de menores, organizações, justiça juvenil, tribunais de família, sistemas prisionais, associações profissionais ou desportivas, clínicas especializadas, e outras áreas com problemas relacionados com a sua profissão e os resultados das suas atividades. 
Psicólogo Clínico 
Atua principalmente na área da saúde, orientando na compreensão dos processos internos e entre indivíduos, usando precauções ou objetivos de cura, isoladamente ou em um grupo multiprofissional em organizações formais e informais. Este profissional, visa também a realização de pesquisas, diagnósticos, monitoramento psicológico e intervenções ou grupo psicoterapia, através de diferentes métodos teóricos. 
Psicólogo do Trabalho 
Atua em equipe multidisciplinar ou individualmente, onde quer que as relações de trabalho ocorram em organizações sociais formais ou informais, a fim de aplicar os conhecimentos da Psicologia para compreender, intervir e desenvolver relações e processos internamente e entre indivíduos, dentro e entregrupos, aspectos políticos, econômicos, sociais e culturais. 
Psicólogo do Trânsito 
É uma área do conhecimento que estuda o comportamento humano no contexto do uso do trânsito, estudando os fatores internos e externos que, consciente e inconscientemente, motivam, influenciam e modificam esses comportamentos. 
Psicólogo Educacional 
Atua no setor de educação, em ambientes formais ou informais. Ajuda a compreender e mudar o comportamento de educadores e educandos, no processo ensino-aprendizagem, nas relações interpessoais e nos processos interpessoais, sempre remetendo aos aspectos políticos, econômicos, sociais e culturais. Realizar pesquisas, diagnósticos e intervenções pedagógicas, individualmente ou em grupo. Também está envolvida no desenvolvimento de planos e políticas relacionadas ao sistema educacional, visando à promoção da qualidade, valorização e democratização da educação. 
Psicólogo Jurídico 
Atua no judiciário, em organizações governamentais e não governamentais, colaborando no planejamento e implementação de políticas de direitos civis, direitos humanos e prevenção da violência. Sua atuação está, portanto, focada em direcionar dados psicológicos a serem veiculados não apenas aos juristas, mas também aos sujeitos carentes dessa intervenção, contribuindo na revisão, formulação e interpretação da lei. 
Psicólogo Social 
Os psicólogos sociais são profissionais que entende o tema de uma perspectiva histórica com a integração permanente entre pessoa e sociedade. Dessa forma, para atuar como psicólogo social é necessário desenvolver um trabalho dessa perspectiva sobre sociedade e homem, permitindo a ação em qualquer campo psicológico. Podemos citar como exemplo do escopo de estudos: estacionar em vagas especiais mesmo sabendo que é proibido, dirigir após consumo de bebida alcoólica mesmo conhecendo as consequências, entre outros. 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
ANTUNES, M. A. M. A psicologia no Brasil: leitura histórica sobre sua constituição. São Paulo: Unimarco, 1999. 
ARENDT, R. J. J. Psicologia comunitária: teoria e metodologia. Psicologia: Reflexão &Crítica, Porto Alegre, v. 10, n. 1, p. 7-16, 1997. 
BOCK, A. M. B.; FURTADO, O.; TEIXEIRA, M. de L. T. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2002. 
BOMFIM, E. de M. Psicologia social no Brasil. Belo Horizonte: Edições do Campo Social, 2003. 
CAMPOS, R. H. de F. Introdução: a Psicologia social comunitária. In: CAMPOS, R. H. de F. (org.). Psicologia social comunitária: da solidariedade à autonomia. 14. ed. Petrópolis: Vozes, 2008. 
CAMPOS, R. H. F. (Org.). Psicologia social comunitária: da solidariedade à autonomia. Petrópolis: Vozes, 2001. 
CHAUI, M. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2003. 
DIAS, R. Introdução à Sociologia. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. 
FARR, R. M. As raízes da psicologia social moderna. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1999. 
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