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Blog BUILDIN 
 
 
 
Erro 1 – Deixar de fazer visita ao local da obra 
 
Dando início a nossa série Os 10 Erros mais Comuns de Orçamento de Obra destacarei os 10 
maiores erros que tenho visto nas empresas em que trabalho e onde faço consultoria. 
A fim de contextualizar melhor o problema, mostro na figura abaixo o roteiro básico das etapas 
de um orçamento típico. Os marcadores vermelhos mostram onde se localizam cada um dos 10 
Erros que vou abordar. (Está curioso?) 
 
O primeiramente erro é deixar de fazer visita ao local da obra. Talvez não seja o erro mais 
comum ou mais relevante da série, mas cronologicamente no orçamento é o que ocorre mais 
cedo. 
Este é um erro típico de quem tem pressa (ou preguiça...). O fato é que muito orçamentista, por 
premência de fechar o orçamento ou por restrição de recursos ou por dificuldades de se deslocar 
até o local onde será executada a obra, deixa de realizar a visita de campo preliminar. 
O objetivo dessa visita é olhar o local da obra sob o ponto de vista técnico e logístico. Durante a 
visita o importante é mapear o tipo de solo e de vegetação, as características dos terrenos 
adjacentes, as rotas de acesso, as dificuldades de suprimento de mão de obra e material daquela 
praça, entre outras coisas. Um profissional experiente aproveita a visita também para uma 
salutar “espionagem”: buscar soluções técnicas (de fundações, por exemplo) adotadas em obras 
próximas. 
Eu percebo, e o leitor há de me dar razão, que o problema de visita é mais acentuado entre as 
empresas que participam de obras públicas do que entre aquelas do setor imobiliário, mas o 
problema pode assolar todo mundo. 
 
No caso de uma empresa habituada a participar de licitações, muitas vezes acontece de se 
comprar o edital e logo começar o orçamento através da consulta a tabelas de preços e bancos 
de dados. O projeto que vem no edital, por melhor e mais detalhado que seja, certamente não 
contém alguns aspectos importantes, como, o tipo de pavimento dos acessos ao local da obra, 
sobre a capacidade do mercado local de fornecer mão de obra e materiais, etc. 
Já imaginou você orçar a obra e se deparar com este acesso? 
 
 
Imagine agora que a obra é uma adutora que atravessa vários municípios e cruza regiões de 
vegetação de diferentes densidades. De onde virá a brita? E onde serão alojados os 
trabalhadores? Há surgência de água em algum ponto do terreno? O terreno está invadido? 
Existem edificações a demolir (além das que eventualmente estejam mapeadas no projeto)? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Erro 2 – Desconhecer os critérios de medição 
 
Todo serviço de uma obra precisa ser quantificado para fins de orçamento e posteriormente 
medido para pagamento pelo trabalho executado. Essa quantificação, contudo, tem que 
obedecer a critérios bem conhecidos e previamente definidos entre as empresas contratantes. 
Uma importante tarefa do engenheiro de custos ao preparar o orçamento da obra e fazer a 
medição mensal é entender bem os critérios de medição e pagamento utilizados pela empresa 
contratante. O curioso é que esses critérios não são universais, o que requer que, para cada 
contrato, o assunto seja revisitado e conhecido. 
Vou dar três exemplos que pegam muita gente: alvenaria, pintura e escavação. 
 
Alvenaria 
Quantos metros quadrados de alvenaria tem a parede abaixo? Tem 15 m² ou menos? 
Descontam-se os vãos? Todos eles? 
 
 
Não existe uma resposta certa. A resposta certa é aquela que obedece aos critérios de medição 
e pagamento do órgão contratante ou do sistema de custos empregado. 
O SINAPI, por exemplo, diz o seguinte: 
 
Nesse caso, a área total para fins de medição da parede será 10,92 m², pois serão descontados 
os vãos da porta e da janela. Então, se sua obra é um empreendimento do Projeto Minha Casa 
Minha Vida, é essa sistemática que deverá ser seguida. Não adianta vir argumentar que são 15 
m², porque o argumento não vinga. 
Considere, agora, que sua obra é regida pelos critérios de medição e pagamento do TCPO. Aqui 
a coisa muda de figura, porque a regra é distinta: desconta-se apenas a área que exceder a 2 m² 
em cada vão. A lógica desse critério é que o trabalho que o pedreiro tem para fazer o esquadro 
e o arestamento de um vão de 2 m² é o mesmo trabalho que teria se fosse preencher esse vazio 
com alvenaria. 
 
 
 
Qual seria, então, a área para fins de medição? 15 – [(1,20 x 2) – 2] – 0 = 14,60 m² 
Veja que diferença! Agora pense nessa diferença amplificada para um edifício de 10 andares... 
Como resolver essa aparente contradição? A resposta é: trabalhando com os índices da 
composição de custos. Não é que o resultado vá dar diferente, o montante total é o mesmo, o 
que muda é a base de cálculo. 
 
 
Pintura 
Pintura é um serviço que admite mil variações de tinta e substrato. Vamos nos concentrar 
primeiro na pintura de esquadria, considerando a porta e a janela de madeira da figura acima. 
Qual a área de pintura para fins de medição? É a área em projeção ou tem que se adicionar 
alguma coisa por causa do batente? E se a porta for almofadada? 
Bem, o conselho é: consulte sempre a regra em jogo naquela obra específica. Se o orçamento 
for feito com base no TCPO, a regra é: 
• Portas ou janelas guilhotina com batente: multiplicar a área do vão-luz por 3; 
• Portas ou janelas guilhotina sem batente: multiplicar a área do vão-luz por 2; 
• Caixilhos com veneziana: multiplicar a área do vão-luz por 5. 
A adoção desses critérios facilita o entendimento entre contratante e contratado. Uma vez eu 
vi um estagiário quebrando a cabeça para calcular a área de um portão de ferro com balaústres. 
O empenhado futuro engenheiro estava recorrendo a uma integral complicada para calcular a 
área lateral de um paraboloide de revolução. Será que precisa disso mesmo? 
 
Escavação 
Mudando o foco para um serviço de movimento de terra, pensemos num projeto que exija a 
escavação de 1.000 m³ do terreno natural para aterrar uma depressão. Esses 1.000 m³ de solo 
darão origem a 1.300 m³ de material solto, em cima do caminhão. Quando esse material for, 
enfim, compactado na praça do aterro, a seção final terá 800 m³. Qual o volume a ser pago de 
escavação: 1.000, 1.300 ou 800 m³? E como fazer com o transporte, estará contemplado no 
custo da escavação ou não? 
A resposta vem do critério de medição que reja a obra. Supondo que sejam as especificações do 
DNIT, a regra é: a medição dos serviços levará em consideração o volume de material extraído 
e respectiva dificuldade de extração – medido e avaliado no corte (volume in natura), e a 
distância de transporte percorrida, entre o corte e o local de deposição. 
 
Nota-se que o DNIT paga o serviço de escavação englobando carga e transporte, o que significa 
que todas essas operações devem ser computadas na composição de custo do serviço. De forma 
esquemática, o referido serviço será medido como 1.000 m³ (volume de corte), porém nesse 
custo deverá estar incluído o transporte de 1.300 m³ de solo solto (a quantidade de 
horas/viagens de caminhão será calculada em função dos 1.300 m³, é lógico). E o aterro? Bem, 
como essa operação não está abrangida no serviço escavação, ele deverá figurar em outro item 
da planilha. 
Minha dica é: quando pegar um projeto e se familiarizar com ele, vá ler a seção do edital 
referente aos critérios de medição e pagamento. Isso fará com que você não incorra em erros 
bobos. 
Um engenheiro “achou” que o telhado inclinado de R$1 milhão da obra seria pago como 10.000 
m² de telhado (extensão real, medida ao longo da hipotenusa) e cobrou R$100/m². No entanto, 
o critério de medição da obra estipulava que o telhado seria pago em projeção horizontal. Essa 
trigonometria aí quebrou o orçamento do engenheiro... 
 
 
 
Cuidado: tem empresa que utiliza um critério de medição e pagamento com seu 
contratante, mas pratica outro com o subempreiteiro. Na hora da medição é uma confusão 
para compatibilizar os sistemas!Erro 3 – Ignorar a convenção coletiva de trabalho 
 
A mão de obra tem um peso grande em qualquer obra, girando em torno de 40 a 60% do custo 
total. Por essa razão, deve-se sempre analisar com cuidado o que incide no custo da mão da 
obra. Um erro comum é ignorar a convenção coletiva de trabalho, pois ela regula vários 
aspectos da relação laboral na obra. 
Uma convenção coletiva de trabalho (CCT) é um ato jurídico pactuado entre sindicatos de 
empregadores e de empregados para o estabelecimento de regras nas relações de trabalho em 
todo o âmbito das respectivas categorias (econômica e profissional). Para encontrar a CCT do 
local da obra, sugiro que você procure o site do Sinduscon desse estado. 
A convenção difere do acordo coletivo, que é uma negociação feita por uma empresa com o 
sindicato dos trabalhadores. É mais comum em grandes obras. 
Alguns aspectos tratados numa CCT (ou num acordo) são: 
• Salários – hora-base das diversas categorias; 
• Cesta básica – regras e valores; 
• Faltas justificadas – situações que justificam as faltas; 
• Baixadas – periodicidade de viagens ao local de origem do trabalhador; 
• Auxílios diversos. 
Os efeitos das regras trabalhistas acordadas entre patrões e trabalhadores se manifestam nos 
encargos sociais e no custo indireto da obra. 
Suponhamos que você vai fazer uma obra em Feira de Santana (BA) muito parecida com uma 
que você acabou de fazer em Porto Velho (RO). O orçamento pode ser aproveitado? A resposta 
é: pode, mas com ajustes. No que tange à mão de obra, veja como a política de hora extra é 
diferente nos dois estados: 
Hora extra 
 
 
 
O mesmo se dá com o benefício da cesta básica quando comparamos BA e SP: 
Cesta básica 
 
 
 
Por isso, a utilização indiscriminada de encargos sociais tabelados é um erro a ser combatido. O 
percentual dos encargos e o custo dos benefícios precisam ser considerados obra a obra. 
Mas, onde entra cada benefício: nos encargos ou no custo indireto? Depende. Por exemplo, a 
hora extra. Se o orçamentista parte da premissa de que hora extra será algo necessário 
habitualmente, então minha dica é que seja incluída uma linha na tabela de encargos chamada 
hora extra habitual, que compute o peso do acréscimo da hora na remuneração do trabalhador 
(meu livro Como Preparar Orçamentos de Obras explica como fazer). Explico abaixo. 
O adicional por hora extraordinária (hora extra) destina-se a indenizar o trabalhador pelas horas 
suplementares à da jornada diária ou semanal. A hora extra pode surgir por extrapolação da 
carga de trabalho diária — o excesso diário compensável não pode ser superior a quatro horas 
—, ou semanal — quando exceder às 44 horas da jornada legal. 
A Constituição Federal estabelece que o valor da hora extra deve ser no mínimo 50% maior do 
que o valor da hora normal. Em Salvador, pela Convenção Coletiva do Trabalho, pratica-se o 
seguinte: 
• Hora extra de 2ª a 6ª: acréscimo de 50%; 
• Hora extra aos sábados: acréscimo de 70%; 
• Hora extra aos domingos e feriados: 110%. 
A técnica orçamentária normalmente não leva em conta hora extra nas composições de custos. 
Ela assume que todo o trabalho da obra se dará dentro da jornada diária e semanal 
 
regulamentar. Contudo, verifica-se que as construtoras não conseguem trabalhar sem recorrer 
a esse mal necessário e por isso é boa prática prever no orçamento um percentual de horas 
extras habituais. 
O percentual de horas extras habituais, pressupondo uma média de 3 horas extras semanais por 
operário é de: 
4,33 x (HES x CHE) / S = 8,86% 
4,33 = semanas por mês 
HES = quantidade de horas extras habituais por semana (3h por semana) 
CHE = custo médio da hora extra (1,50 x R$7,00) 
S = salário médio mensal (R$1.540,00) 
 
Para a alimentação, pode-se incluir o custo da refeição (almoço, café da manhã) nos encargos 
(como um percentual sobre a hora-base do operário) ou no indireto (estimando-se o total de 
refeições ao longo da obra toda). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Erro 4 – Usar composições de custos de catálogo 
 
Um orçamento é acima de tudo um “exercício de futurologia”, em que o orçamentista busca 
prever todas as condicionantes de execução de uma obra para determinar antecipadamente 
quanto aquela obra irá custar. Muitas são as premissas, muitos são os cálculos, tudo em nome 
de reduzir a chance de imprecisão no orçamento. 
Durante o processo de orçamentação, a matéria-prima do orçamentista é a composição de 
custos unitários, que nada mais é do que uma tabela que sintetiza os insumos que entram na 
realização do serviço em questão. Seja, por exemplo, a composição de custos unitários para o 
serviço armação de aço estrutural CA-50: 
 
Insumo Unidade Índice Custo unitário 
(R$) 
Custo total 
(R$) 
Armador h 0,10 6,90 0,69 
Ajudante h 0,10 4,20 0,42 
Aço CA-50 kg 1,10 2,90 3,19 
Arame kg 0,03 5,00 0,15 
Total 
 
4,45 
 
O que esta tabela indica? Um monte de coisas. Veja abaixo o que se pode “ler” na composição: 
• A produtividade do armador: como o índice é 0,10 h por kg de armação, a produtividade 
é o inverso do índice, ou seja, 10 kg/h; 
• A proporcionalidade entre ajudante e armador: como os índices são iguais, há uma 
proporção numérica de 1:1 entre essas duas categorias; 
• A perda do aço: se é necessário adquirir 1,10 kg de aço para cada kg de armação, isso 
significa que o orçamentista pressupõe uma perda de 10% nesse insumo. 
 
 
 
Viu quanta informação está contida numa composição? 
Pois bem, agora pense nesse orçamentista aproveitando composições já prontas, de um banco 
de dados como o SINAPI, o SICRO, o ORSE, o TCPO, o da EMOP, etc. Será que essas composições 
são mágicas a ponto de servirem para toda e qualquer obra? É claro que não. A função de um 
banco de dados é ser referencial, ou seja, servir de base para um orçamento, mas sem 
representar uma verdade absoluta. 
Numa construtora, o orçamentista pode até buscar uma composição referencial, mas terá que 
temperá-la com as condicionantes locais. Por exemplo, no exemplo da armação, a proporção de 
1 ajudante por armador se verificou em outras obras da construtora? Essa proporção é realista? 
Será que não é possível alocar apenas 1 ajudante para cada 2 armadores, o que garantiria menos 
gente e uma economia de R$0,21 no custo unitário do serviço? 
E quanto à produtividade? Veja que produtividade depende de uma série de fatores: 
 
 
 
Um serviço de armação tem uma produtividade mais alta em uma obra com predominância de 
barras grossas e retas — como uma barragem ou um viaduto — do que em uma obra com muitas 
peças de barras finas e dobradas (por quê?). 
Além disso, a repetitividade é um fator importante, porque quanto mais se faz de um serviço, 
mas tempo há para a curva de aprendizado se manifestar. 
Uma ideia da variabilidade de uma composição “fria” é o que nos mostra o TCPO para alguns 
serviços. O exemplo abaixo mostra o índice (h/m²) do serviço alvenaria de tijolo cerâmico furado. 
Veja como o índice é função de algumas características. 
PRODUTI-
VIDADE
Local
Clima
Repetitividade
Conhecimento 
do serviçoExperiência
Logística
Motivação
 
 
Minha dica de ouro é: estabeleça em sua obra um sistema de apropriação de dados reais. 
Com isso você gera dados confiáveis de produtividade, podendo criar seu próprio banco 
de dados. Além disso, um processo bem criado permite identificar desvios, comparar equipes, 
controlar subempreiteiros e até servir de base para pleitos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Erro 5 – Esquecer frete e descarga 
 
Uma obra requer uma grande quantidade de compras que vão de mercadorias simples e baratas 
a produtos importados ou que vêm de longa distância. Na fase de montagem do orçamento da 
obra, o orçamentista precisa se preocupar a questão do local de entrega desses produtos, tanto 
porque alguns fornecedores entregam na obra e outros não, como porque às vezes é mais 
conveniente para a construtora solicitar cotação para entrega em um determinadolocal 
intermediário. Vamos por partes. 
Quando uma construtora solicita uma cotação de insumo, o fornecedor — que pode ser o 
fabricante, um distribuidor, um intermediário ou um revendedor — manda seu preço com as 
seguintes informações que servem de base para o preço proposto: 
 
Na construção civil, a informação sobre o local de entrega vem geralmente codificada nas siglas 
FOB e CIF: 
PreçoLOCAL DE 
ENTREGA
Quantidade
Embalagem Validade da 
proposta
Índice de 
reajuste
Condições 
de 
pagamento
 
 
 
Ocorre que nas folhas de cotação, não é raro os fornecedores informarem se o preço é FOB ou 
CIF numa nota de rodapé em letra pequena. Isso pega muito orçamentista pelo pé. Se o preço 
for FOB e o orçamentista o usar na composição do custo de um serviço, estará faltando a parcela 
do frete e do seguro do transporte daquele insumo. A depender da distância de onde o material 
vem, isso pode ser uma diferença apreciável. 
OBS: muito importante, tanto no FOB quanto no CIF, é deixar claro com o fornecedor quem faz 
a carga do produto no caminhão e principalmente quem realiza descarga na obra. Isso é motivo 
de muita briga. 
 
Incoterms 
FOB e CIF são siglas inglesas originárias do comércio marítimo. Essas siglas fazem parte de um 
conjunto de 11 denominações padronizadas por um acordo internacional chamado Incoterms. 
A figura abaixo ilustra a que se refere cada uma, o que está incluído no respectivo preço e o que 
precisa ser adicionado pelo comprador. (Não se preocupe: você só se deparará mesmo com FOB 
e CIF, talvez com EXW.) 
FOB Material entregue na fábrica ou algum centro de distribuição
Não é entregue na obra
Orçamentista precisa somar frete e seguro
CIF Material entregue na obra ("posto obra")
Vendedor assume os custos de frete e seguro
Orçamentista não precisa acrescentar nada
 
 
Fonte: www.brasiliense.com.br 
 
É melhor solicitar preço FOB ou CIF? 
Boa pergunta. A resposta é: depende da situação! 
Se a obra é urbana, com fácil acesso e fornecedores na própria praça, o mais prático é que se 
pratique o preço CIF, pois o fornecedor presumivelmente não terá nenhuma dificuldade de 
entregar a mercadoria na obra. Assim, por exemplo, quem compra concreto usinado, sempre 
pratica preço CIF, pagando pelo concreto entregue na obra. 
Agora pensemos em outro cenário. Sua obra é uma hidrelétrica em uma localidade distante, a 
afastada dos centros distribuidores, e com acesso precário. Essa obra precisa comprar gerador, 
tubo, aço, arame, gasolina e feijão. Se a construtora optar pela simplicidade de pedir cotações 
CIF, corre o risco de a obra ficar mais cara, pelo fato de que vários fornecedores irão 
simultaneamente enviar seus produtos com caminhão vazio, sem aproveitamento de cargas. Se 
a construtora se dispuser a gerenciar o transporte, certamente alcançará algum ganho. 
Um exemplo interessante: a obra da UHE Belo Monte, no Pará, tinha um sistema de balsas para 
levar material até o canteiro. As compras eram realizadas preferencialmente com entrega em 
Belém e, de lá até Altamira, o consórcio construtor gerenciava a programação e o carregamento 
das balsas. Isso nada mais é do que logística aplicada à construção civil, uma área de 
conhecimento muito útil. 
 
 
Erro 6 – Não equalizar propostas 
 
Ao final deste tópico há um desafio interessante. Quero saber o que VOCÊ pensa. 
Fornecedores de um mesmo produto ou prestadores de um mesmo serviço nem sempre 
apresentam suas cotações de preço tendo por referencial o mesmo escopo. Por essa 
razão, é preciso equalizar as propostas, ou seja, colocá-las numa mesma base para que 
seja possível compará-las e selecionar a que melhor convém ao construtor. 
Pensemos no serviço cravação de estacas. Existem empresas especializadas que dão 
preço por metro de estaca cravada, empresas que cobram uma verba de mobilização 
mais o preço por metro de estaca cravada, assim como empresas que cobram 
separadamente as remobilizações dentro da obra. Como então comparar as cotações 
de três empresas, cada uma com um critério distinto? Somente equalizando as 
propostas. 
É comum empresas fornecedoras não incluírem informações importantes nos 
orçamentos. Para evitar isso, nossa dica é ter um checklist a ser aplicado a cada proposta 
recebida. Prazo e local de entrega são informações que, às vezes, estão omissos na 
proposta e podem causar transtornos futuros, é bom lembrar. 
O objetivo da equalização é, portanto, completar propostas incompletas para compará-
las com as que envolvem um escopo mais amplo. Em outras palavras, o trabalho de 
equalização de propostas engloba, entre outras coisas, os seguintes aspectos: 
 
 
 
Vejamos um exemplo prático. Uma construtora quer comprar esquadria de madeira 
para um conjunto de casas. O projeto arquitetônico prevê que as esquadrias serão 
pintadas. O orçamentista da construtora recebeu proposta de três fornecedores em 
potencial. Qual a melhor proposta? 
 
Como não dá para comparar os três escopos, é preciso homogeneizar as ofertas: 
• A proposta do Fornecedor 1 é a mais completas das três e, por isso, será nosso 
paradigma. Note que ela contém o fornecimento na obra (CIF) e a esquadria já 
vem pintada; 
• A proposta do Fornecedor 2 está incompleta porque contempla um escopo mais 
restrito: a esquadria não vem pintada. Nesse caso, para que ela seja comparável 
à do Fornecedor 1, o orçamentista tem que cotar a pintura separadamente; 
Equalização Adicionar frete – necessário quando um fornecedor cotou o 
material entregue no canteiro (CIF), enquanto outro o cotou sem 
entrega (FOB). É também necessário verificar se o CIF do vendedor 
inclui a descarga do caminhão no canteiro de obra
Completar escopo – necessário quando uma proposta vai mais 
além do que outra em termos de abrangência. É o caso de uma 
construtora que recebe duas cotações de contêineres para 
escritório de obra: uma com o ar-condicionado instalado e outra 
não. Outro exemplo é transporte para bota-fora com e sem a taxa 
do aterro onde a terra será jogada
Compatibilizar moedas – necessário em obras complexas, em que 
haja insumos importados, pode haver cotações em reais e em 
dólares, por exemplo. Comparar isso requer cuidados para as 
condições comerciais descritas em cada proposta
Adequar quantitativos – necessário em obras onde o 
levantamento de quantidades fica a cargo do provedor do serviço 
(fornecedor). É o caso de volume de escavação de 1a e 2a
categorias cubados pelo subempreiteiro a partir de projetos
 
• A proposta do Fornecedor 3 também está incompleta porque, além de a 
esquadria não ser entregue pintada, o material estará disponível em algum local 
que não é a obra (preço FOB). Dessa forma, o orçamentista tem que cotar o 
frete (e seguro) separadamente. 
O resultado da equalização mostra que o preço mais vantajoso é o do Fornecedor 2. 
 
Note que a contratação do Fornecedor 2 será feita pelos R$18.000 que ele propôs. As despesas 
com pintura e frete serão pagas pelo construtor aos respectivos provedores. 
 
Esses dias fui a uma incorporadora que faz vários empreendimentos simultaneamente e 
onde há um setor dedicado apenas a equalizar propostas das construtoras a quem eles 
pedem orçamento para a construção. A engenheira com quem conversei me mostrou um “mapa 
de concorrência” onde ela comparava as propostas. Como o projeto fornecido pela 
incorporadora era ainda um projeto básico (praticamente um anteprojeto), as propostas 
recebidas vieram assim: 
• Construtora A – incluiu a fundação do prédio no preço (admitindo uma solução de tubulão 
com um determinado volume total). Admitiu um paisagismo simples. Preço: R$20 milhões; 
• Construtora B – declarou que não tinha informação suficiente para orçar as fundações e o 
paisagismo e os deixou fora da proposta. Preço: R$16 milhões; 
• Construtora C – assumiu fundação em estaca metálica e deu um preço fechado para o 
prédio e um preço unitário para a fundação. Orçou um paisagismo complexo, similar ao de 
outra obra da incorporadora. Preço:R$19 milhões + R$500/m de fundação. 
Pergunto: como VOCÊ equalizaria estas propostas e como preferiria contratar a construção? 
 
 
 
 
 
 
 
 
Erro 7 – Não gerar a curva ABC 
 
Ao final deste post há um desafio interessante. Quero saber como VOCÊ responde. 
As utilidades da Curva ABC de Serviços 
Embora a utilidade maior de um orçamento seja mostrar o custo total estimado da obra, alguns 
subprodutos gerados durante o processo de elaboração do orçamento chamam a atenção por 
sua relevância. Um deles é a Curva ABC, que na verdade pode ser dividida em Curva ABC de 
Serviços e Curva ABC de Insumos. 
A Curva ABC de Serviços consiste na ordenação dos serviços da planilha orçamentária em ordem 
decrescente de custo total, com as colunas de percentual simples e acumulado. Seja, por 
exemplo, o orçamento hipotético mostrado abaixo: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sua curva ABC seria: 
 
O nome ABC provém das faixas que podem ser definidas nessa tabela decrescente: 
• Faixa A – engloba os serviços que perfazem 50% do custo total da obra; 
• Faixa B – avança do final da Faixa A até 80% do custo total; 
• Faixa C – são os serviços restantes. 
Qual a importância da Curva ABC de Serviços? São várias. Destacamos algumas: 
I. Permite identificar os serviços mais representativos no custo total da obra 
Os serviços do topo da curva ABC são os que mais pesam no total do orçamento. Obviamente, 
são esses serviços que precisam ser orçados com mais atenção e conferidos por quem aprova o 
orçamento; 
II. Permite priorizar a negociação de certos serviços 
No caso de subcontratação de serviços, aqueles serviços que ocupam as posições mais altas na 
Curva ABC deverão ser objeto de negociação mais cautelosa do que serviços de menor 
representatividade no todo. Existem empresas que usam a Curva ABC como mecanismo de 
governança durante a execução da obra: 
• Faixa A – serviços precisam ter orçamento/contratação aprovado(a) pela diretoria e 
devem ter 5 cotações; 
• Faixa B – serviços precisam ter orçamento/contratação aprovado(a) pela gerência da 
obra e devem ter 3 cotações; 
• Faixa C – têm níveis mais baixos de restrição. 
 
 
III. Permite avaliar o impacto em casos de aumento 
É bastante comum que alguns serviços venham a ser contratados ou executados a um custo 
diferente do orçado. Esses desvios têm impacto diferente no resultado da obra a depender da 
posição que ocupam na Curva ABC. 
 
A construtora deu um preço global a seu cliente para construir um prédio. Ocorre que a 
avaliação da construtora quanto às fundações foi equivocada e não há margem para 
renegociação do preço da obra. Supondo que as fundações custarão 30% mais do que orçado e 
que a equipe estima que será possível recuperar esse estouro na contratação das INSTALAÇÕES, 
que meta de desconto (em %) em relação ao orçamento o gerente deverá impor a sua equipe 
a fim de manter o orçamento total inalterado? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Erro 8 – Dimensionar o canteiro incorretamente 
 
Percebo que dimensionar o canteiro de obras é um problema para muita gente. Primeiro 
porque muitas vezes o orçamentista não tem noção do tamanho do efetivo da obra; segundo 
porque o dimensionamento do mobiliário e das instalações de vivência não segue um roteiro; e 
terceiro porque as empresas não têm o hábito salutar de registrar o tamanho e o custo do 
canteiro das obras passadas, ou seja, o orçamentista não se beneficia da experiência pregressa 
da construtora. 
 
Cálculo do efetivo médio da obra 
O processo que mostro a seguir é um roteiro para dimensionamento expedito do efetivo médio 
da obra. A maneira correta, registre-se, é a partir do total de homem-hora da obra, obtida da 
Curva ABC de Insumos. Suponhamos, contudo, que você só disponha da planilha orçamentária. 
Um exemplo simples é dado abaixo: 
 
Categoria Valor (R$) 
A - Pavimentação asfáltica 17.322.834,65 
B - Terraplenagem, aterro sanitário e dragagem 12.598.425,20 
C - Obras de arte (pontes ou viadutos) 6.692.913,39 
D - Drenagem 1.574.803,15 
E - Demais serviços, com a utilização de equipamentos 11.811.023,62 
Total 50.000.000,00 
 
Tomaremos como referência os parâmetros adotados pela Instrução Normativa SRP 03/2005 
(com a nova redação dada pela IN SRP 20/2007), que trata de retenções previdenciárias, para 
cálculo do custo da mão de obra direta (MOD) em cada categoria de serviço: 
a) 10% para pavimentação asfáltica; 
b) 15% para terraplenagem, aterro sanitário e dragagem; 
c) 45% por cento para obras de arte (pontes ou viadutos); 
d) 50% para drenagem; e 
e) 35% para os demais serviços realizados com a utilização de equipamentos, exceto os 
manuais. 
 
 
 
 
 
Para transformar o valor da MOD em número de trabalhadores, basta dividir o montante pela 
jornada mensal e pelo custo médio da MOD (assumimos que seja o custo horário do pedreiro): 
 
Valor da hora de mão de obra de referência R$12,25 
Jornada de trabalho mensal 176 
Prazo da obra (meses) 12 
Efetivo médio mensal 447 
 
Com esse efetivo de 447 trabalhadores, calcularemos as instalações de canteiro de acordo com 
os dados históricos referenciais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Categoria Valor (R$) % MOD Valor da MOD 
(R$) 
A - Pavimentação asfáltica 17.322.834,65 10% 1.732.283,46 
B - Terraplenagem, aterro sanitário e dragagem 12.598.425,20 15% 1.889.763,78 
C - Obras de arte 6.692.913,39 45% 3.011.811,02 
D - Drenagem 1.574.803,15 50% 787.401,57 
E - Demais serviços 11.811.023,62 35% 4.133.858,27 
Total 50.000.000,00 11.555.118,11 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Erro 9 – Aplicar o ISS errado 
 
Tenho visto algumas afirmações desencontradas sobre como se aplicar o ISS no orçamento de 
uma obra, isto é, que alíquota aplicar. Vamos esclarecer alguns pontos neste post. 
O nome correto do ISS é Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza, cuja sigla completa é 
ISSQN (embora não usemos essas letras todas na linguagem corrente). O ISS é um imposto de 
competência municipal, ou seja, cabe ao município legislar sobre ele. Sendo assim, a alíquota 
pode variar de um município para outro. A base de cálculo que é o valor sobre o qual incide o 
imposto é o preço do serviço prestado, sendo admitidas algumas deduções. 
 
Aspectos tributários 
De forma esquemática: 
 
 
Considerando que o ISS varia de município para município, o orçamentista deve sempre se 
certificar da alíquota vigente no local da obra. A alíquota mais comum é 5%. 
Como o ISS incide sobre serviço, admitem-se deduções de materiais e subempreitadas. Em 
outras palavras, se o construtor emite uma nota fiscal de R$100.000,00, a base de cálculo do ISS 
não é o valor integral da nota, e sim o valor descontado dos materiais e subempreitadas —
incidirá, digamos, sobre R$60.000,00. 
O quadro abaixo mostra as deduções que podem ser feitas e aquelas que não podem ser feitas: 
Competência
• Municipal
Alíquota
• Varia de um município 
para outro
Base de cálculo
• Preço do serviço 
prestado (com 
deduções)
Forma de cálculo
• Alíquota x preço do 
serviço (com 
deduções)
 
 
Via de regra, só pode ser abatido do ISS materiais que ficam incorporados à obra. 
Consulte sempre a legislação do ISS do local da obra. E cuidado quando a obra atravessa 
mais de um município. Nesse caso, você terá que saber quanto da obra corresponde a cada 
município — se for uma adutora, uma estrada ou uma linha de transmissão, por exemplo, isso 
pode dar um trabalhão se os municípios tiverem alíquotas distintas! 
 
ISS no orçamento 
No caso de um orçamento feito com rigor, o orçamentista consegue identificar com precisão o 
valor sobre o qual incidirá o ISS. Em orçamentos expeditos ou feitos com tabelas de preço, a 
maneira mais prática de tratar o ISS é estimar que percentual do contrato será deduzido do ISSe aplicar a alíquota à parcela restante. 
Exemplo. Sabendo que a alíquota do ISS é 5,0% e supondo que as deduções com materiais e 
subempreiteiros atingem 40% do valor do contrato, o percentual a ser considerado no 
orçamento. 
• Parcela a sofrer incidência do imposto = 100% – 40% = 60% 
• Alíquota para orçamento = 0,60 x 5,0% = 3,0% 
• O orçamentista, portanto, deve adotar 3,0% sobre o preço de venda (valor do contrato). 
 
Nota fiscal eletrônica 
Quando comecei minha carreira de engenheiro de obras, o recolhimento do ISS era feito 
manualmente. O encarregado administrativo-financeiro da obra grampeava as notas de 
material e subempreitada na fatura emitida para o Cliente e fazia as contas. Geralmente dava 
certo. 
Deduções permitidas
• Cimento, areia, concreto pré-
misturado, bloco
• Material de pintura
• Material de revestimento
• Esquadrias
• Vidros
• Metais
• Material elétrico e hidráulico
Deduções vedadas
• Barracões, alojamentos e 
respectivos utensílios
• Madeira e ferragens utilizadas 
em tapumes, andaimes, 
escoras, torres e similares
• Máquinas, motores, veículos, 
bombas, ferramentas, 
guindastes, balancins, 
equipamentos de segurança
• Materiais ou equipamentos 
utilizados na obra, mas que 
não se incorporam a ela
 
Hoje em dia com a tecnologia de nota fiscal eletrônica, há três tipos de ocorrência: 
• Prefeituras que aceitam que a construtora informe o % de dedução; 
• Prefeituras que, por simplicidade fiscal, admitem um percentual-padrão (Ex: cobram ISS 
sobre 60% do total da nota); 
• Prefeituras que cobram o ISS sobre o valor cheio da nota – o STJ já decidiu que isso é 
ilegal. Se agirem assim com você, acione o departamento jurídico para recuperar seu 
crédito. 
 
Como é a cobrança de ISS em SUA obra? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Erro 10 – Aplicar lucro e impostos de forma errada 
 
Uma vez calculados todos os custos da obra, incluindo os diretos e os indiretos, fica faltando ao 
orçamentista computar os custos “de fora da obra”, como administração central, e, finalmente, 
considerar os impostos e o lucro para chegar ao preço de venda da obra. Essa etapa final é feita 
de maneira equivocada por muita gente. 
Vamos ilustrar com um exemplo: 
• Custo direto = 80 
• Custo indireto = 20 
 
 
Computaremos a seguir a administração central, que é o rateio do custo da sede da empresa 
entre todas as obras. Essa fase requer que o orçamentista adote uma premissa de cálculo. 
Premissa: 
• Administração central = 5% sobre o faturamento 
 
Para os impostos que incidem sobre a nota, isto é, sobre o faturamento, digamos que a soma 
das alíquotas (PIS, Cofins, ISS, CPRB) seja 10%. 
E, por fim, assumamos que o construtor deseje obter um lucro de 8% sobre o faturamento. 
Como fechar o preço de venda (PV)? Muita gente soma 5% + 10% + 8% = 23% e aplica esse 
percentual sobre o custo total: 100 x 1,23 = 123. Está certo? Não! Verifiquemos se a soma fecha: 
• Custo direto = 80 
• Custo indireto = 20 
• Administração central = 5% x 123 = 6,15 
• Impostos = 10% x 123 = 12,3 
• Subtotal = 118,15 Ü só sobram 4,85 de lucro, que não atende a premissa de 8% sobre 
o faturamento!!!!!!!! 
 
Onde está o erro? Na local de aplicação de cada item. Como impostos e lucro incidem sobre o 
preço de venda (faturamento) e não sobre o custo, ele não pode ser aplicado a CD+CI. A conta 
então é uma regra de três enunciada assim: “qual é o preço de venda do qual descontamos 
administração central, impostos e lucro (23%) e sobra CD+CI (100)?”. 
Matematicamente, 
PV ----------------- 100% 
CD+CI = 100 ----------------- 100% – 23% = 77% 
𝑃𝑉 =
100
0,77
= 𝟏𝟐𝟗, 𝟖𝟕 
CD = 80 CI = 20
 
 
Será que agora está certo? Verifiquemos: 
• Custo direto = 80 
• Custo indireto = 20 
• Administração central = 5% x 129,87 = 6,49 
• Impostos = 10% x 129,87 = 12,99 
• Subtotal = 119,48 Ü sobram 10,39 de lucro, que atende a premissa de 8% sobre o 
faturamento!!!!!!!! 
 
 
 
 
Agora um teste para você: 
• CD = 5.000 
• CI = 800 
• Imprevistos = 2% sobre os custos diretos mais indiretos 
• AC = 4% sobre os custos diretos mais indiretos 
• Impostos = 8% 
• Lucro = 10% 
• PV = ? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CD = 80 CI = 20 AC = 6,49 I = 12,99 L = 10,39

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