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Tópico 2 – A origem do campo magnético 249 A origem do campo magnético Bloco 1 Tópico 2 1. Introdução Já conhecemos as origens dos campos gravita- cional e eletrostático: uma massa cria um campo gravitacional, e uma carga elétrica estacionária cria um campo eletrostático. Vamos, agora, estudar a origem do campo mag- nético. Em 1820, o dinamarquês Hans Christian Oers- ted (1777-1851), professor de Física da Universidade de Copenhague, mostrou experimentalmente que os fenômenos elétricos e os magnéticos não eram tão independentes como se supunha até então. Oersted descobriu que um fio percorrido por corrente elétri- ca, colocado nas proximidades de uma bússola, era capaz de provocar desvio na agulha magnética. Des- sa maneira, comprovou-se a ligação existente entre eletricidade e magnetismo. Hans Christian Oersted, físico dinamarquês, que muito contribuiu para o desenvolvimento do Eletromagnetismo e de suas aplicações tecnológicas. H u lt o n A rc h iv e/ G et ty I m ag es Na figura, a agulha da bússola já se estabilizou na direção norte-sul. A chave está aberta e, portanto, não circula corrente no fio condutor AB (de cobre), disposto paralelamente à agulha e acima dela. A N S Chave Pilhas B Madeira Bússola + – As três figuras a seguir ilustram a experiência de Oersted: Fechando-se a chave, o condutor AB é percorrido por uma corrente i, no sentido indicado. A agulha sofre um desvio, estabilizando-se numa direção diferente da anterior. Abrindo-se a chave, a agulha volta a se estabilizar na direção norte-sul. A N S B + – Desvio i TF3-249_275_P3T2_5P.indd 249 20/08/12 13:23 Parte III – Eletromagnetismo250 Para interpretar o resultado desse experimento, é preciso lembrar que a agulha da bússola se esta- biliza na direção do campo magnético no local em que ela se encontra, com seu polo norte magnético apontando no sentido desse campo. Na primeira das três figuras, a agulha estava ali- nhada com o campo magnético da Terra. Nas outras duas figuras, porém, a agulha se estabilizou em di- reções diferentes, alinhando-se, portanto, com um campo magnético diferente do da Terra. Constata-se, então, que a corrente elétrica no fio AB criou um campo magnético que, compos- to com o da Terra, produziu um campo magnético resultante, com o qual a agulha passou a se alinhar. Portanto: Cargas elétricas em movimento, ou seja, cor- rentes elétricas, criam um campo magnético na região do espaço que as circunda, sendo, portan- to, fontes de campo magnético. Neste momento, podemos questionar a origem do campo magnético de um ímã. Para um ímã produzir seu campo magnético, ele não precisa ser ligado a uma pilha ou a uma bateria, ou seja, não precisamos fazer uma corrente elétrica passar por ele. Do ponto de vista clássico, a causa do campo magnético de um ímã, entretanto, continua sendo correntes elétricas: são pequeníssimas correntes de- vidas ao movimento dos elétrons dos átomos que constituem o ímã, como veremos no item 5 deste Tópico. Notas: - père mostrou, também experimentalmente, que um fio de cobre enrolado em forma de hélice cilíndrica, chama- do solenoide, produzia externamente os mesmos efeitos que um ímã em forma de barra reta, quando nesse fio era estabelecida uma corrente elétrica. determinado referencial cria, nesse referencial, um cam- po elétrico E, por estar eletrizado, e um campo magnéti- co B, por estar eletrizado e em movimento. Réplica do equipamento usado por Oersted em seu experimento. D K L im it ed /C o rb is /L at in st o ck Faça você mesmo Invertendo o sentido da corrente, a agulha sofre um desvio no sentido oposto. A N S B – + Desvio i Corrente elétrica gera campo magnético Coloque a bússola construída no experimento proposto no “Faça você mesmo” do Tópico 1 em um recipiente de vidro, plástico ou alumínio, e enrole nele um fio de cobre esmaltado, dando várias voltas, como mostra a figura. Coloque água no reci- piente, de modo que o pedaço de isopor (com a agulha imantada) fique próximo do fio de cobre. Posicione o recipiente de tal forma que a agulha fique alinhada com o fio de cobre sobre ela. Raspe as pontas (1) e (2) do fio de cobre para retirar o esmalte isolante que existe nele. Em seguida, ligue as pon- tas aos terminais de uma pilha comum e observe o desvio da agulha imantada. Esse desvio comprova o surgimento de um campo magnético criado pela corrente elétrica que passa pelo fio. Obviamente, você pode realizar um experimento equivalente a este, usando uma outra bússola qualquer. Fio de cobre(2) (1) TF3-249_275_P3T2_5P.indd 250 20/08/12 13:23 Tópico 2 – A origem do campo magnético 251 2. Campo magnético gerado por um fio retilíneo muito longo (infinito) Linhas de indução Na prática, quando nos referimos a “fio muito lon- go” ou “fio infinito”, estamos considerando as regiões próximas do fio e bem afastadas de suas extremidades. A figura a seguir sugere um experimento em que será gerado um campo magnético supostamente in- tenso o suficiente para podermos ignorar o campo magnético da Terra. Um fio retilíneo AB perfura uma placa, de pape- lão, madeira ou plástico, perpendicularmente. Esse fio está ligado a um gerador, capaz de produzir nele uma corrente elétrica de grande intensidade i. Placa A B i Gerador + – Observamos que as linhas de indução desse campo são circunferências dispostas em um plano perpendicular ao fio, todas com centro nesse fio. Para descobrir o sentido dessas linhas de indu- ção, usamos uma bússola, em vez de limalhas de fer- ro. Deslocamos a bússola sobre a placa, mantendo-a sempre à mesma distância do fio. Observe, na ilus- tração a seguir, os posicionamentos da agulha. i Se pulverizarmos limalha de ferro sobre a placa, poderemos observar a configuração das linhas de indução do campo magnético gerado pelo fio. R ic h ar d M eg n a/ Fu n d am en ta l P h o to g ra p h s Padrão do campo magnético gerado pela corrente elétrica em um fio retilíneo. Cada partícula de ferro comporta-se como uma minúscula agulha imantada. Lembrando que a agulha se alinha com o vetor B, criado pelo fio, com seu polo norte magnético apon- tando no sentido de B, descobrimos a orientação das linhas de indução indicada na figura A: i Linhas de indução Figura A B O vetor B é, em cada ponto, tangente a uma linha de indução e tem o sentido indicado por ela. Regra da mão direita envolvente. Na figura B, observamos uma regra prática para orientar as linhas de indução: a regra da mão direi- ta envolvente. Para aplicar essa regra, “segure” o fio com a mão direita, de modo que seu dedo polegar aponte no sentido da corrente elétrica i, como mostra a figura. Os outros dedos darão, automaticamente, o sentido das linhas de indução. i Figura B Mão direitaB TF3-249_275_P3T2_5P.indd 251 20/08/12 13:23 PARTE III ELETROMAGNETISMO 2. A origem do campo magnético