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TEMA 3 A dinâmica entre o rural e o urbano Se você habita o meio urbano provavelmente já deve ter se perguntado de onde vem a sua co- mida, sobretudo se nunca teve a oportunidade de conhecer áreas rurais. Com exceção da paisagem e do conjunto de práticas sociais e simbólicas que constituem cada um desses espaços, eles não exis- tem separadamente, nem em oposição, mas, sim, de maneira conjunta, pois há entre eles uma inter- dependência. Ao longo da história houve uma série de processos de urbanização e de ruralização que se alternaram. Os proces- sos de industrialização, a partir do século XIX, por exem- plo, foram acompanhados pela urbanização, alterando substancialmente as paisagens locais. A industrialização é chave para a compreensão da “problemática urbana”; ela caracteriza a sociedade ocidental moderna e fornece um ponto de partida para a compreensão da época presente, especialmente a compreensão do século XX. Os professores de História e de Sociologia são indica- dos, prioritariamente, para o trabalho deste segmento. Invasão cultural Desrespeitando as potencialidades do ser a que condiciona, a invasão cul- tural é a penetração que fazem os invasores no contexto cultural dos invadi- dos, impondo a estes sua visão do mundo, enquanto lhes freiam a criatividade, ao inibirem sua expansão. Neste sentido, a invasão cultural, indiscutivelmente alienante, realizada maciamente ou não, é sempre uma violência ao ser da cultura invadida, que perde sua originalidade ou se vê ameaçado de perdê-la. Por isto é que, na invasão cultural, como de resto em todas as modalidades da ação antidialógica, os invasores são os autores e os atores do processo, seu sujeito; os invadidos, seus objetos. FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 5. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1978. p. 178. • Com base na leitura dos trechos apresentados, desenvolva uma reflexão so- bre a importância material e imaterial do sul global, bem como sobre a rela- ção entre colonialismo, dominação e apropriação cultural. 1. No ano de 2019 a Noruega era a primeira colo- cada no IDH, enquanto a República Democráti- ca do Congo ocupava a posição 179 e o Brasil, a 79. No documentário Noruega e Congo no Centro do Brasil, são retratadas duas realidades muito distintas observadas no Distrito Federal, procurando mostrar como essas realidades tão diversas quanto as da Noruega e do Congo são capazes de coexistir em um mesmo território: o Brasil. Assista ao documentário e realize uma análise des- sa produção, seguindo os passos a seguir. Professor, no Manual você encontra orientações sobre esta atividade.Explorando NÃO ESCREVA NO LIVRO • liste as cenas que mais chamaram a sua aten- ção. Tente dar maior atenção às contraposições nas narrativas apresentadas no documentário; • compare os diferentes discursos presentes nas cenas selecionadas por você; • analise os discursos selecionados e os elemen- tos que compõem as cenas tendo como foco o tema desenvolvimento humano. NORUEGA e Congo no Centro do Brasil. Direção: Camila Muguruza; Jhady Arana. Brasil: [s. n.], 2013. 1 vídeo (20 min 15 s). Disponível em: https://youtu. be/IhZX2YHqiSA. Acesso em: 23 maio 2020. ação antidialógica: ações contrárias à dialética (ou seja, à contradição entre opostos) entre ação e reflexão que, na visão do estudioso, seriam a base da transformação da realidade. Um exemplo seria o de impor suas próprias palavras aos oprimidos, reduzindo-os a executores, “ao puro fazer”. 99 V2_Cie_HUM_Igor_g21Sc_Cap4_088-111.indd 99V2_Cie_HUM_Igor_g21Sc_Cap4_088-111.indd 99 10/09/2020 11:5110/09/2020 11:51 O arquiteto e historiador Leonardo Benevolo (1923-2017) compreendeu que essas transformações promovidas pela industrialização provocam o desen- volvimento de uma relação social específica entre os grupos humanos. Para ele, seria isso o que definiria uma cidade. Segundo esse autor: A cidade – local de estabelecimento aparelhado, diferenciado e ao mesmo tempo privilegiado, sede da autoridade – nasce da aldeia, mas não é apenas uma aldeia que cresceu. Ela se forma [...] quando as indús- trias e os serviços já não são executados pelas pessoas que cultivam a terra, mas por outras que não têm essa obrigação, e que são mantidas pelas primeiras com o excedente do produto total. Nasce, assim, o contraste entre dois grupos sociais, dominantes e subalternos [...]. BENEVOLO, Leonardo. História da cidade. São Paulo: Perspectiva, 1997. p. 23. Como surgiram as cidades? Grandes cidades não surgiram apenas com a urbanização na modernidade. Você já se perguntou como eram as antigas cidades neolíticas, mesopotâmicas, egípcias, gre- gas, romanas, pré-colombianas ou islâmicas? Entre 10000 e 7000 a.C., a humanidade começou a dar os primeiros passos para a constituição de cidades. Em torno de rios, onde era possível desenvolver um tipo de vida agrícola, sedentário e fixo, as relações econômicas se concentravam. Com o desenvolvimento dos assentamentos humanos no Período Paleolítico, e, muito mais tarde, a transformação urbana do Neolítico, a agricultura e a do- mesticação de animais foram estabelecidas em diversas partes do globo, assim como a divisão e a especialização do trabalho, as relações comerciais, a arte, o desenvolvimento da arquitetura e a criação de estruturas políticas. Um marco desse processo foi a Revolução Agrícola (ou Revolução Neolítica), ocorrida há cerca de 10 mil anos, que teve seu centro na região do Crescente Fértil (atual Oriente Médio). A Arqueologia revela registros de cidades antigas complexas, por exemplo, Harappa e Mohenjo-Daro, no vale do rio Indo. Essa cultura floresceu a partir de 3500 a.C., ocupando a região que hoje corresponde à atual fronteira entre o Paquistão e a Índia. Com um planejamento urbano detalha- do, as escavações revelaram que na cidade da cul- tura de Harappa, havia, até mesmo, a preocupação com o acesso à água e com o saneamento. Os ves- tígios da arquitetura da cidade de Harappa indicam também que essa era uma sociedade igualitária, o que é observável pelos padrões das construções, já que não havia grandes palácios, por exemplo. sedentário: nesse contexto, refere-se ao modo de vida fixo em um lugar, quando muitos grupos humanos deixaram de ser nômades, a partir do Período Neolítico. Vista do sítio arqueológico de Harappa, no vale do Indo, em Punjab, Paquistão, em 2013. DeAgostini/Getty Images Vista aérea da cidade de Manaus (AM), em 2019. Marcos Amend/Pulsar Imagens 100 V2_Cie_HUM_Igor_g21Sc_Cap4_088-111.indd 100V2_Cie_HUM_Igor_g21Sc_Cap4_088-111.indd 100 10/09/2020 11:5110/09/2020 11:51