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Zípora Morgana Quinteiro dos Santos & Amigos O CANDEEIRO Devocionais para iluminar a mente e aquecer o coração O CANDEEIRO Categoria: Devocional / Teologia / Vida cristã Copyright © 2024, Zípora Morgana Quinteiro dos Santos Todos os direitos reservados Primeira edição: Abril de 2024 Coordenação editorial: Alexandre Almeida Revisão: Alexandra Resende Capa: Editora Kaleo Projeto gráfico e diagramação: Neriel Lopez PUBLICADO NO BRASIL COM AUTORIZAÇÃO E COM TODOS OS DIREITOS RESERVADOS EDITORA KALEO Blumenau-SC contato@editorakaleo.com.br (47) 98883-3650 | (47) 98901-4960 www.editorakaleo.com.br 24-202697 CDD-242 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Santos, Zípora Morgana Quinteiro dos O candeeiro : devocionais para iluminar a mente e aquecer o coração / Zípora Morgana Quinteiro dos Santos. -- Blumenau, SC : Editora Kaleo, 2024. Vários colaboradores. ISBN 978-65-89348-44-3 1. Cristianismo 2. Literatura devocional I. Título. Índices para catálogo sistemático: 1. Literatura devocional : Cristianismo 242 Eliane de Freitas Leite - Bibliotecária - CRB 8/8415 SUMÁRIO PREFÁCIO ............................................................................................................... 7 A PAZ DE CRISTO ............................................................Zípora Morgana Quinteiro dos Santos 9 VOCÊ ADORA QUANDO LÊ AS ESCRITURAS? ............................................................................. Ricardo Teixeira Murtada 11 ESCOLHA A MELHOR PARTE .....................................................................Márcia Vieira Silva de Almeida 13 A SINGULARIDADE ENCARNADA ...................................................................................................Paulo Medeiro 15 CRISTO, O REI .......................................................................... Marco Antônio Chiodi Junior 17 O SENHOR, A NOSSA ESPERANÇA ETERNA ............................................................Zípora Morgana Quinteiro dos Santos 19 O PRAZER E A SATISFAÇÃO ATRAVÉS DA ORAÇÃO ............................................................................Victor Samuel Steffens Maas 21 AJUDA-ME A TE AMAR, SENHOR ...................................................................Nilzete de Souza Ferreira Campos 23 FELIZ É AQUELE QUE CONFIA NO SENHOR ....................................................................................... Fábio Müller dos Reis 25 DE ONDE VEM A NOSSA FORÇA ........................................................... Rilson Joás Guedes Bezerra dos Santos 27 NÃO FIQUEM PREOCUPADOS .............................................................................. Vinícius de Souza Munhoz 29 UM REINO PARA UM PECADOR ................................................................................. Danilo Zanon dos Santos 31 UMA CONSCIÊNCIA PURA NÃO OFENDE .....................................................................Vitor Germano da Silva Oliveira 33 REFLEXÕES SOBRE O PERDÃO: UMA CHAMADA À CONTRACULTURA CRISTÃ ............................................................Zípora Morgana Quinteiro dos Santos 35 TUDO VEM DAS MÃOS DE DEUS .........................................................................Keire do Carmo Morais Cedro 37 NAS PROFUNDEZAS DO PECADO PODEMOS ENCONTRAR ESPERANÇA NA MISERICÓRDIA E GRAÇA DE UM DEUS COMPASSIVO E REDENTOR ........................................................Davi Wesler Stefani Pedrozo de Quadros 39 4 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS DESILUSÃO ...................................................................................................Paulo Medeiro 41 TRANSFORMANDO A VERGONHA EM TESTEMUNHO ..................................................................................................... Alcino Junior 43 A ORAÇÃO DE JABEZ ............................................................Zípora Morgana Quinteiro dos Santos 45 GATILHO DA RECIPROCIDADE ...............................................................................................George Harryson 47 A ORAÇÃO É UMA SEMENTE ......................................................................... Adérica Ynis Ferreira Campos 49 RELACIONAMENTO É MELHOR QUE CONHECIMENTO ................................................................................. Danilo Zanon dos Santos 51 DEUS QUER QUE NOS TORNEMOS MAIS FORTES ...................................................................................................Paulo Medeiro 53 A FAMÍLIA DA ALIANÇA ......................................................................................Lucas Oliveira Vianna 55 TOME O ARCO E AS FLECHAS, ABRA A JANELA E ATIRE .................................................................................... Jonatas Manoel Gaspar 57 ESPERANÇA DE JUSTIÇA PARA OS CORAÇÕES DESPEDAÇADOS ............................................................Zípora Morgana Quinteiro dos Santos 59 O DEUS DAS SEGUNDAS CHANCES .................................................................................. Thiago dos Santos Souza 61 NÃO TEMOS TODO O TEMPO DO MUNDO ...................................................................................................Paulo Medeiro 63 QUAL É A MÚSICA QUE AGRADA A DEUS? ........................................................................Denílson Nogueira de Almeida 65 DORMINDO TARDE E ACORDANDO MUITO CEDO .........................................................................Keire do Carmo Morais Cedro 67 NEEMIAS: EXEMPLO DE ORAÇÃO E AÇÃO NA OBRA MISSIONÁRIA ............................................................Zípora Morgana Quinteiro dos Santos 69 ENCONTRANDO O SENHOR NO SECRETO ........................................................................... Lilian Kelly Ferreira Martins 71 A VIRTUDE E A MORALIDADE .....................................................................Vitor Germano da Silva Oliveira 73 O PODER DA PALAVRA E DO PERDÃO NA VIDA CRISTÃ .............................................................................................. Vinicius Almeida 75 QUEM É O NOSSO PORQUÊ ........................................................... Rilson Joás Guedes Bezerra dos Santos 77 EXCELÊNCIA DO PAI .......................................................................Márcia Vieira Silva de Almeida 79 DOCE MORADA DO SENHOR ............................................................Zípora Morgana Quinteiro dos Santos 81 5O CANDEEIRO RESSIGNIFICANDO A DOR .................................................................................Danilo Zanon dos Santos 83 O DEUS CONHECIDO .......................................................................Paulo Matheus Souza de Souza 85 O PECADO DE NÃO ORAR ...................................................................................................Paulo Medeiro 87 PREPARANDO-SE PARA TESTEMUNHAR: SANTIFICAÇÃO NA MISSÃO DE DEUS ............................................................Zípora Morgana Quinteiro dos Santos 89 EM QUEM TEMOS CRIDO .............................................................................. Murilo César Bezerra Neto 91 O CONTENTAMENTO NO SENHOR .......................................................................................Angela Fernanda Joia 93 O QUE DE FATO IMPORTA ................................................................................. Danilo Zanon dos Santos 95 PERSEVERAI NA ORAÇÃO ...................................................................................................Paulo Medeiro 97 O PROPÓSITO DE JESUS CRISTO É O PERDÃO .....................................................................................Adilson Inhance Junior 99 QUANDO CORAÇÕES QUEIMAM ............................................................Zípora Morgana Quinteiro dos Santos 101 OLHOS NO ALVO .................................................................................................... Tais Rostirola103 COMO SER UM SEGUIDOR DE JESUS CRISTO NESTA GERAÇÃO ....................................................................................................Lenito Beltrão 105 EU FALEI DO QUE NÃO ENTENDIA .........................................................................Keire do Carmo Morais Cedro 107 O SERVIÇO E A PREGAÇÃO DO EVANGELHO ............................................................Zípora Morgana Quinteiro dos Santos 109 NO VALE OU NA MONTANHA, ELE ESTÁ ....................................................................................................Jônatas Abreu 111 VIVENDO DE PROPÓSITO ................................................................................. Danilo Zanon dos Santos 113 FELIZ O HOMEM QUE NÃO SE CONDENA NAQUILO QUE APROVA .........................................................................Keire do Carmo Morais Cedro 115 ONDE ESTAVAS TU? .............................................................................. Murilo César Bezerra Neto 117 O PECADO QUE NOS LEMBRA DE NOSSO SALVADOR ................................................................................Ricardo Teixeira Murtada 119 RICO PARA COM DEUS ............................................................Zípora Morgana Quinteiro dos Santos 121 MEU CONSOLO É SER ENTENDIDO PELO SENHOR .........................................................................Keire do Carmo Morais Cedro 123 MISERICÓRDIA E CONHECIMENTO DE DEUS .....................................................................Vitor Germano da Silva Oliveira 125 O CONHECER A DEUS ................................................................................Marcelo de Souza Rosário 127 TRABALHANDO PARA A GLÓRIA DE DEUS ................................................................................. Danilo Zanon dos Santos 129 A ESPERANÇA EM TEMPOS TURBULENTOS ...................................................................................................Paulo Medeiro 131 EIS QUE FAÇO NOVAS TODAS AS COISAS .......................................................Zípora Morgana Quinteiro dos Santos 133 ESPERANÇA NO DESESPERO .............................................................................Francisco Haroldo de Sousa 135 ROMPENDO EM FÉ ....................................................................... Miquéias Amorim Santos Silva 137 TU ÉS O DEUS QUE ME VÊ ....................................................................................................Jônatas Abreu 139 O DEUS QUE RESTAURA .............................................................................. Vinícius de Souza Munhoz 142 ESPECIAL: CALENDÁRIO LITÚRGICO EMANUEL, DEUS CONOSCO ............................................................Zípora Morgana Quinteiro dos Santos 145 O BEBÊ QUE ABALOU O MUNDO ........................................................... Rilson Joás Guedes Bezerra dos Santos 147 NASCEU O EVANGELHO, A NOTÍCIA SUPREMA ................................................................................ Rodrigo Anselmo da Silva 149 TEMPO COMUM: ENCONTRANDO DESCANSO EM CRISTO ............................................................Zípora Morgana Quinteiro dos Santos 151 PÁSCOA, ÊXODO E REDENÇÃO ............................................................Zípora Morgana Quinteiro dos Santos 153 REFLEXÃO PASCAL ............................................................Zípora Morgana Quinteiro dos Santos 155 TEMPO COMUM: JÚBILO, BENEVOLÊNCIA E SERENIDADE EM CRISTO ............................................................Zípora Morgana Quinteiro dos Santos 157 EPÍLOGO ............................................................................................................. 159 6 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS PREFÁCIO Caro leitor, Apresentamos a você “O Candeeiro – devocionais para ilumi- nar a mente e aquecer o coração”. Cada página deste livro reflete a colaboração de membros de diferentes comunidades cristãs e regiões geográficas que se uniram para escrever reflexões devo- cionais abordando temas diversos, desde a renovação interior até a coragem para testemunhar do Evangelho. São corações piedosos que buscaram beleza, autenticidade e inspiração nas verdades bíblicas para oferecer, por meio da escrita, valores fundamentais, como misericórdia, piedade, fé, oração, arrependimento, perdão, salvação, restauração e esperança diária em Deus. Cada título, habilmente elaborado por autores comprometidos, é mais do que uma simples leitura; é uma oportunidade para esvaziar- -se do peso diário, abrir o coração ao arrependimento e permitir que a luz da Palavra de Deus ilumine a mente e aqueça o coração. Ao folhear estas páginas, você descobrirá devocionais que ex- ploram o gatilho da reciprocidade, a transformação da vergonha em testemunho, a necessidade de nos tornarmos mais fortes no Senhor e a importância de valorizar o relacionamento com Deus acima do simples conhecimento. 8 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS Recomendamos que você reserve um momento tranquilo e de refúgio, longe da correria do cotidiano. Não tenha pressa; permita-se examinar lentamente as páginas deste livro em busca de esperança e alegria renovadas em Cristo. Cada autor, por meio de sua escrita sincera e inspirada, convida você a encontrar Cristo no ordinário, na rotina diária, nas lutas e nas alegrias. Que a leitura destes devocionais seja uma fonte de inspiração, encorajamento e crescimento espiritual. Que a jornada espiritual que se inicia aqui seja repleta de bênçãos e que, ao final de cada devocional, a presença do Senhor seja sentida de maneira verda- deira, profunda e significativa. Que O Candeeiro ilumine sua mente e aqueça seu coração enquanto você se entrega a este momento de devoção e reflexão. Em Cristo, Zípora Morgana Quinteiro dos Santos. 9O CANDEEIRO A PAZ DE CRISTO Zípora Morgana Quinteiro dos Santos Membro da Igreja Assembleia de Deus, Santo Ângelo, RS, Brasil. Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou. (João 14:27a) Ao longo da história da humanidade inúmeros líderes e sábios pronunciaram eloquentes discursos buscando transmitir mensa- gens de esperança e paz. Contudo, dentre essas vozes, ressoa uma singular e incomparável. Cristo proferiu: “Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou”. Ele usou essa expressão em um momento crucial, pre- parando seus discípulos para Sua partida iminente. Ao se despedir de seus discípulos, Cristo não ofereceu apenas encorajamento, con- selhos ou palavras reconfortantes ante aos desafios que surgiriam; Ele deu algo divinamente único – Sua própria paz; uma dádiva celestial que emana da sua própria natureza. Por que Cristo usou essa expressão específica? A resposta reside na singularidade de Sua autoridade. Ele, sendo o Filho de Deus, traz consigo uma paz que vai além das capacidades humanas. A afirmação “Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou” reflete a mensagem central de Cristo sobre a importância da fé, confiança e da paz espiritual que Ele pro- porciona; ela destaca a natureza da paz que Ele oferece. É uma paz que provém do Seu domínio sobre as tempestades da vida, da Sua vitória sobre o pecado e da Sua reconciliação com o Pai Celestial. É uma paz que transcende as circunstâncias internas e externas e não é comparável à paz que o mundo pode proporcionar. Nenhum guia, filósofo ou mestre espiritual pode conceder a paz que Cristo 10 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS oferece, e nenhuma outra pessoa, por mais sábia ou compassiva que seja, pode conceder a paz que Ele prometeu. Ao refletirmos sobre esta verdade, somos chamados a ser portadores da paz de Cristo em um mundo tumultuado. Mas podemos compartilhar a paz de Cristo somente se a experimentarmos primeiro, isso implica vivermos de maneira a refletir a paz de Cristo em nosso próprio ser, nas palavras que falamos e nas ações que empreendemos. Que nossa paz seja um testemunho do poder transformador de Deus em nossas vidas. Afinal, a expectativa depaz não está enraizada em circunstâncias perfeitas, mas na confiança inabalável de Sua promessa. Diante das incertezas do mundo, mantenhamos nossos olhos fixos na promessa de Cristo. Sua paz é a âncora da nossa esperança. Que possamos viver cada dia confiando na paz que só Ele pode dar. Amado Pai Celestial, o mundo procura paz em realizações temporais, mas nós reconhecemos que somente Cristo possui o poder de acalmar nossas tormentas internas, de trans- cender as instabilidades da vida, de nos oferecer perdão e restauração. Dá-nos a força para confiar em Tua promessa, mesmo em meio às adversidades. Concede-nos a graça de sermos fiéis portadores dessa paz em nosso viver diário, compartilhando-a com todos ao nosso redor. Em nome de Jesus, amém. 11O CANDEEIRO VOCÊ ADORA QUANDO LÊ AS ESCRITURAS? Ricardo Teixeira Murtada Membro da Igreja Batista da Palavra, São Paulo, SP, Brasil. [...] Esdras abriu o livro, e todo o povo conseguia vê-lo. Assim que abriu o livro, todo povo se pôs em pé. Então Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus: e todo o povo levantou as mãos e respondeu: Amém! Amém! E eles se inclinaram e adoraram o Senhor, com rosto em terra. (Neemias 8:5-6) Os livros de Esdras e Neemias marcam o período no qual após o exílio babilônico o povo de Israel retorna a Jerusalém. Muitos temas são tratados nesses livros, como a reconstrução do templo e dos muros da cidade, e o mais importante de todos, eles buscam trazer as Escrituras para o centro da vida de Israel. No sétimo mês todo o povo se reuniu para comemorar a festa dos tabernáculos e, seguindo aquilo que Deus proclamou em Levítico (23:33-44), houve a reunião e a proclamação da Lei de Moisés. Agora, algo que deve chamar a nossa atenção nesse texto, principalmente porque essa mesma atitude é repetida diversas vezes em toda a Bíblia, é que a leitura do livro da Lei levou o povo diretamente para a adoração. E essa não era uma leitura qualquer, eles estavam estudando cada verso do texto das Escrituras e os levitas ensinavam o sentido de tudo o que estava escrito para que o povo entendesse. E entendendo o texto bíblico a atitude de todo o povo era a adoração. Ao serem 12 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS expostos às Escrituras o povo reconheceu seu pecado, chorou em lamento, compreendeu a necessidade da salvação que vem de Deus e se alegraram por agora entenderem as palavras da Lei. No Novo Testamento vemos a mesma atitude em Paulo quando, depois de expor cada característica doutrinária do evangelho de Jesus, ele é imediatamente levado à adoração – “Ó profundidade da riqueza, da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são seus juízos, e quão inescrutáveis são seus caminhos!” (Rm 11:33). O estudo da Bíblia e a compreensão das doutrinas bíblicas devem nos levar à adoração. Que essa reflexão seja um encorajamento para que ao nos debruçarmos no texto bíblico nosso coração possa arder como ocorreu com o povo de Israel e nossa ação seja adorar nosso grande e eterno Deus. Grandioso e eterno Deus, que nossos corações possam arder em adoração ao Senhor ao nos debruçarmos em sua santa palavra. Que a tua palavra seja luz para os nossos caminhos e teu Santo Espírito nos ilumine para entendermos a tua Escritura. Em nome de Jesus, amém. 13O CANDEEIRO ESCOLHA A MELHOR PARTE Márcia Vieira Silva de Almeida Membro da Comunidade Alcance Goiânia, Goiânia, GO, Brasil. E o Senhor lhe respondeu: Marta, Marta, estás ansiosa e preocupada com muitas coisas; mas uma só é neces- sária; e Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada. (Lucas 10:38-42) Na passagem que lemos acima, temos o Senhor Jesus chegan- do à casa de Marta, Maria e Lázaro na cidade de Betânia. Marta assumiu a responsabilidade de cuidar dos afazeres da estadia do Senhor e seus discípulos, porém sua irmã Maria sentou-se aos pés de Jesus e ficou a ouvi-lo, mesmo em meio ao barulho das panelas na cozinha, do arrastar das sandálias de sua irmã indo e vindo saber se todos estavam acomodados, se havia lugar à mesa para todos, se a comida não iria faltar, se havia bastante água e vinho. Sentindo-se sobrecarregada, Marta se incomodou com a atitude de sua irmã e foi se queixar ao Senhor para que Ele ordenasse a Maria que trabalhasse, mas neste momento o Senhor gentilmente lhe explica que sua irmã havia escolhido a melhor parte e isso não lhe seria tirado. Atualmente vivemos dias muito parecidos com o acontecido na cidade de Betânia. Somos direcionados a manter nossas mentes e mãos ocupadas em todo tempo, seja na vida secular, seja na vida ministerial. Estamos cheios de projetos e planos e muitos deles para a obra do Senhor, mas não percebemos que assumimos o papel de Marta, ou seja, queremos agradar, ser 14 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS hospitaleiros, aceitos, reconhecidos... nos deixamos ser tomados pela ansiedade dos dias maus e com isso perdemos a melhor parte, a presença, o mover do Espírito Santo, o falar aos nossos corações e a paz que excede todo o nosso entendimento encontrada somente Nele, Cristo Jesus. Existe uma máxima na arquitetura que “menos é mais”, o conceito do minimalismo toma conta das casas, mas não das vidas, precisamos de menos atividades que tomem toda a nossa atenção e esforço físico e mental, menos ansiedade pelo que está por vir, menos desejo de crescer porque ao assumirmos uma vida ministerial minimalista estaremos diminuindo o nosso “eu” e deixando que Ele cresça em nós de tal modo que teremos mais tempo para contemplar a beleza do ensino e do silêncio de estar na presença de Jesus. Que possamos aprender a desacelerar em busca de cumprir o que diz o apóstolo Pedro em sua primeira carta “lançando sobre Ele toda a nossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós!” (1 Pe 5:7). Pai, queremos desfrutar do melhor de Ti, para isso te pedimos que afaste do nosso coração e mente todo ruído que nos impede de ouvir a Sua doce e suave voz, capacitando-nos a descansar em Ti e deixando de lado toda a ansiedade. Em nome de Jesus, amém. 15O CANDEEIRO A SINGULARIDADE ENCARNADA Paulo Medeiro Membro da Igreja Assembleia de Deus de Águas Claras, Brasília, DF, Brasil. No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. Ela estava com Deus no princípio. To- das as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito. Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram. (João 1:1-5) No Evangelho de João 1, somos convidados a contemplar a singularidade de Jesus, a Palavra que se fez carne e habitou entre nós. No universo da eternidade, Ele se destaca como o Verbo, a expressão divina de amor e graça, personificando a essência de Deus em forma humana. Neste relato fascinante, João nos apre- senta Jesus como a luz que brilha nas trevas, trazendo clareza aos corações obscurecidos. Em um mundo muitas vezes marcado pela confusão, Ele é a clareza que buscamos, o farol que nos guia em meio à incerteza. A singularidade de Jesus não reside apenas em Sua natureza divina, mas na maneira como Ele se aproxima de nós, tocando nossas vidas com compaixão e verdade. Sua singularidade é a encarnação do amor que transcende barreiras e quebranta co- rações. Ao mergulharmos na narrativa de João 1, somos desafiados a reconhecer a singularidade de Jesus não apenas como um evento 16 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS histórico, mas como uma realidade transformadora em nosso pre- sente. Ele não é apenas uma figura do passado, mas o Pão da Vida que nutre nossa jornada diária. Que possamos, ao contemplar a singularidade de Jesus, ser inspirados a viver de maneira que reflita Sua luz e Seu amor. Em um mundo ansioso por autenticidade, Ele é a resposta definitiva, a encarnação da verdade que nos liberta. Pai celestial, dirigimos a Ti nossas palavras em adoração e gratidão pelo privilégio de conhecer a Tua Palavra revelada. No princípioera o Verbo, e o Verbo estava contigo, era con- tigo desde o início. Nele, encontramos a essência da vida e a luz que brilha nas trevas. Hoje, SENHOR, abrimos nossos corações para receber a luz que é Jesus Cristo. Agradecemos pelo Verbo que se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e verdade. Ele, que estava no princípio contigo, é a fonte da vida eterna, a luz que não pode ser apagada pelas trevas do mundo. Concede-nos, SENHOR, a graça de rece- bermos a Cristo em nossas vidas, para que, assim como a luz dispersa as trevas, Ele possa iluminar nossos caminhos. Que, ao conhecermos a Tua Palavra, encontremos vida em abundância e esperança para cada amanhecer. Que o Verbo que trouxe a luz ao mundo também brilhe em nossas vidas, dissipando as sombras da dúvida e do desespero. Que, ao seguirmos os passos de Jesus, possamos ser portadores dessa luz para um mundo que precisa desesperadamente dela. Agradecemos, Pai, pela revelação de Ti mesmo em Jesus Cristo, o Verbo encarnado. Que a nossa adoração e compromisso sejam uma resposta ao amor manifesto em Cristo, a luz que resplandece nas trevas. Em nome de Jesus, oramos. Amém. 17O CANDEEIRO CRISTO, O REI Marco Antônio Chiodi Junior Membro da Igreja Metodista Central de Curitiba, Curitiba, PR, Brasil. Quando o filho do homem vier em sua glória, continuou Jesus, e todos os anjos com ele, então ele tomará assento em seu trono glorioso. (Mateus 25:31) Esta passagem bíblica é, provavelmente, uma das mais presen- tes na imaginação do cristão evangélico: a de Cristo Jesus, com toda a sua majestade, vindo dos céus para julgar o mal e trazer a justiça para o mundo. Historicamente, a Igreja tem guardado um dia no calendário litúrgico para lembrar que Jesus é de fato o Rei. No entanto, o que isso quer dizer? Desde a volta do exílio, Israel não viveu uma autonomia plena, havendo sempre um sentimento de que o exílio ainda persistia. Após o domínio persa vieram os macedônios, os selêucidas e, por fim, os romanos. No imaginário daquele povo, o Messias viria para trazer justiça a Israel e inverter a lógica do mundo corrompido. Em alguns apocalipses judaicos é mostrado que Deus mesmo julgaria as nações por conta da forma como trataram o Seu povo. A imagem que o texto de Mateus evoca é similar. Ao utilizar o termo “irmão” para se referir a quem padecia necessidades, muitos comentaristas dizem que Jesus estaria dizen- do que Ele mesmo julgará o mundo pela forma como este tratou a Igreja, o novo Israel; e isso ocorrerá quando Ele estiver sentado em Seu trono. E quando será isto? A resposta já foi dada, Cristo já está reinando. Imagine o quanto esta mensagem foi acolhedora 18 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS para os primeiros cristãos que tinham como inimigo o Império Romano. Hoje, o chamado da Igreja é duplo. Em primeiro lugar, deve proclamar ao mundo que o Rei está no trono. No entanto, ela mesma deve ser lembrada desta verdade, que um dia todo mal e injustiça será finalmente julgado e toda dor e angústia sofridas até aqui terão seu propósito cumprido, pois os maus “irão para o castigo eterno, mas os justos irão para a vida eterna” (Mt 25:46). Senhor Jesus, Filho de Deus, peço humildemente que cuide de Seu povo espalhado nesta Terra, enquanto o Reino ainda não é manifesto. Da mesma forma, peço sabedoria do Teu Espírito para mostrar o Seu reinado para o mundo. Amém. 19O CANDEEIRO O SENHOR, A NOSSA ESPERANÇA ETERNA Zípora Morgana Quinteiro dos Santos Membro da Igreja Assembleia de Deus, Santo Ângelo, RS, Brasil. Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida, e habitarei na Casa do Senhor por longos dias. (Salmos 23:6) O Salmo 23:6 é uma expressão vívida da esperança que aguarda aqueles que confiam no Senhor. Davi proclama com confiança que a bondade e a misericórdia do Senhor seguirão cada passo daque- les que escolhem andar nos caminhos do Senhor. Essas virtudes não são meras acompanhantes temporárias, mas guias perpétuos, testemunhando da fidelidade do Deus que as concede, apontando para uma esperança que se estende por toda a eternidade. A vida do cristão é permeada pela graça incessante do Senhor. A bondade e a misericórdia são como companheiros fiéis, nos envolvendo em todos os momentos. Mesmo diante dos desafios e das tribulações, podemos confiar na presença constante dessas virtudes divinas. Davi não fala apenas sobre a jornada terrena, mas projeta seu olhar para o futuro. A afirmação “habitarei na Casa do Senhor por longos dias” revela a esperança da comunhão eterna com Deus. É a promessa de desfrutar da presença íntima do Salvador hoje e para sempre. A Casa do Senhor simboliza a presença plena e íntima com o Pai Celestial onde há comunhão, segurança e plenitude. Para o cristão, a esperança eterna não é meramente um destino distante; 20 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS é a promessa de viver eternamente na presença do Senhor. Cada dia vivido com Ele aqui na terra é um antegozo do banquete celes- tial que está por vir. Ao refletir sobre a recompensa da fidelidade divina, somos chamados a renovar nossa confiança no Senhor. A recompensa não é baseada em méritos próprios, mas na graça e fidelidade de Deus. Ele é o Pastor que nos conduz com amor e nos presenteia com a promessa da eternidade ao Seu lado. Assim, regozijemo-nos na certeza da bondade e misericórdia divina. Que essa convicção nos fortaleça diariamente, alimentando nossa fé e esperança. E, olhando para o futuro, ansiemos pelo dia em que habitaremos na Casa do Senhor por toda a eternidade. Santo Deus, agradecemos por Sua bondade e misericórdia que nos cercam diariamente. Confiamos em Sua promessa inabalável e aguardamos com esperança o dia em que ha- bitaremos em Sua presença para sempre. Conduza-nos nas veredas da justiça, e que possamos sempre reconhecer Sua soberania. Em nome de Jesus, amém. 21O CANDEEIRO O PRAZER E A SATISFAÇÃO ATRAVÉS DA ORAÇÃO Victor Samuel Steffens Maas Evangelista da Igreja Presbiteriana do Brasil, Pato Branco, PR, Brasil. De uma feita, estava Jesus orando em certo lugar; quan- do terminou, um dos seus discípulos lhe pediu: Senhor, ensina-nos a orar como também João ensinou aos seus discípulos. (Lucas 11:1) Sempre que buscamos aprender a respeito de determinada área, buscamos aprender com o melhor possível. Durante os três anos que andaram com Jesus, em nenhum momento os discípulos pe- dem para que ele os ensinasse a realizar milagres, apesar de terem visto a tempestade se acalmar ao som da sua voz, doentes serem curados, demônios sendo expulsos ou até mortos ressuscitarem. Entretanto, depois de vê-lo orar, um dos discípulos pede para que ele ensine-os a orar daquela forma. E como ele orava! Quanta intimidade! Várias vezes a Bíblia relata que o Senhor se retirava para orar ao seu Pai. Quando estamos cansados demais, nós nos retiramos para espairecer com alguma atividade que nos agrade, como mídia sociais, jogos, televisão, música ou livros. Mas quando foi a última vez que nos retiramos para orar, deixando o trabalho, pessoas e outros prazeres de lado para estar na presença do nosso Pai que está nos céus? Jesus tinha prazer de estar na presença do Deus Pai. Não havia nada melhor para Ele do que oferecer os seus louvores, súplicas e anseios, com todo seu coração, com toda sua 22 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS alma e com toda a sua força. Através do sacrifício de Cristo temos paz com Deus. Portanto, não somos mais inimigos rebeldes como outrora, mas somos feitos filhos dEle, a saber os que creram e o receberam. Temos o maior privilégio de estar na Santa Presença do Altíssimo. É muito triste que deixamos o contentamento nEle para gastar em excesso com outras coisas que não podem satisfazer o nosso coração. É necessário voltar e lembrar que encontrar alegria na presença de Deus é o nosso propósito e o nosso deleite. É nEle e somente nEle que a nossa alma se satisfaz. Não sabemosorar, mas o seu Santo Espírito nos conduz, orando até aprender a orar. Ó Deus eterno, soberano Senhor. Fomos criados para ti e per- tencemos ao Senhor. Não há nada neste mundo que possa satisfazer a nossa alma. Ensina-nos a orar como convém, de modo que a nossa alma encontre contentamento apenas no Senhor. Tu és a nossa alegria, nossa força. Ao Senhor toda honra, glória e poder. Em nome de Jesus, amém. 23O CANDEEIRO AJUDA-ME A TE AMAR, SENHOR Nilzete de Souza Ferreira Campos Membro da Igreja Assembleia de Deus, Petrolina, PE, Brasil. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. (João 1:14) Por maior que seja a capacidade humana, ainda assim não con- seguiremos entender em sua totalidade, a profundidade do amor do Verbo que se fez carne e habitou entre nós. Por isso, devemos pedir ao Pai forças para amá-lo como Ele é digno de ser amado, mas a nossa humanidade caberia, suportaria, esse tão grande amor? O coração humano poderia não suportar, mas podemos e devemos adorá-lo em espírito e em verdade como Jesus falou para a mulher samaritana. Certa vez li, não me recordo onde, que nós não suportaríamos, pela fragilidade do coração humano, conhecer em sua totalidade tudo o que Jesus conquistou no Calvário por nós e para nós, seria uma tão grande alegria que o coração não suportaria. Ora, vejamos, Deus fez o universo para se expressar e de fato se comunica conosco através da criação. Mas Deus também se revelou para nós de maneira especial, através dos profetas e através do seu Filho, Jesus Cristo, que encarnou na Terra para nos dizer suas palavras de vida. Deus sabia de nossas limitações para compreendê-lo e enviou seu Filho para assumir a forma humana e revelar aos homens a vontade de Deus. Não há nada mais ma- 24 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS ravilhoso no universo do que esse evento em que Deus assume a forma de homem para guiar os homens na Terra. Por isso ressalta o texto da primeira epístola de 1 João que diz que nós o amamos porque ele nos amou primeiro (1 João 4:19). Como diz John Piper, ao contemplarmos o amor de Deus encarnado na forma humana para expiar nossos pecados, para se sacrificar por nós, somos atraídos para nos deleitarmos neste Deus por quem Ele é em si mesmo. Assim é que pedimos ao Pai que encha nosso coração de amor por Ele, que dizemos tu és bem-vindo nesta casa, entra e faz morada, transfigura tudo que está quebrado em novidade de vida. Oh! Amado Salvador, ajuda-me a amá-lo como és digno de ser amado, prepara-me para abrigar o mais puro amor e gratidão por Ti, pois Tu és a minha total suficiência. Amém. 25O CANDEEIRO FELIZ É AQUELE QUE CONFIA NO SENHOR Fábio Müller dos Reis Pastor na Primeira Igreja Batista, Antônio Prado de Minas, MG, Brasil. Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nEle, e Ele tudo fará. (Salmos 37:5) O Salmo 37, um compêndio de sabedoria divina, desvela a fragilidade da felicidade centrada nos padrões terrenos. Diante disso, o salmista nos convoca a confiar na providência divina, desviando-nos da espera ansiosa nas contingências mundanas. O cerne desse convite encontra sua expressão máxima no versículo 5, uma síntese elucidativa que permeia todo o Salmo. A primeira ordem emanada desse convite é a entrega integral ao Senhor. “Entrega o teu caminho ao Senhor” exorta-nos a relegar a Deus o cuidado das nossas vidas e decisões, renunciando à ilusão de sermos senhores de nós mesmos. Essa entrega não é mera for- malidade; é um ato de rendição que reconhece a soberania divina sobre nossos destinos. No entanto, a entrega não é um ponto final, mas um início. A segunda ordem ressoa em consonância com a primeira, revelando que a entrega não é completa sem a confiança. Não é suficiente entregar o caminho ao Senhor; é imperativo con- fiar. Esse passo adicional implica reconhecer que Deus mantém o controle absoluto, mesmo quando nossa visão se perde na névoa da incerteza. Assim, ao cumprirmos ambas as ordens – entrega e confiança – nos encontramos diante da promessa sublime contida 26 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS no versículo: “e o mais Ele fará!”. Nessa afirmação, repousa a certeza da intervenção divina. Deus, sendo soberano, opera em nossa vida de maneira singular, ultrapassando nossas limitadas compreensões. A promessa não é apenas de realização, mas de uma obra que transcende nossa compreensão, dirigida por Sua sabedoria infinita. A mensagem subjacente é clara: precisamos ceder as rédeas das nossas vidas nas mãos divinas e confiar que Ele, em Sua benevo- lência, realizará sempre o melhor para Seus filhos. Nesse ato de entrega e confiança, descobrimos não apenas a realização de nossos anseios, mas a inabalável esperança que permeia toda a jornada daqueles que depositam sua fé na fidelidade de Deus. Portanto, ao trilharmos esse caminho de entrega e confiança, aguardamos com expectativa as maravilhas que Ele realizará, pois a promessa divina é o farol que guia nossa jornada espiritual. Pai celeste, Santo é o Teu nome. Neste momento te rogamos, nos ajude a manter nossa confiança em suas promessas. Não permita que caiamos na tentação de ter nossos corações seduzidos pelas coisas desta vida, livrai-nos de todo mal, por Cristo Jesus, nosso Senhor. Amém. 27O CANDEEIRO DE ONDE VEM A NOSSA FORÇA Rilson Joás Guedes Bezerra dos Santos Membro da Igreja Assembleia de Deus, Tracunhaém, PE, Brasil. A alegria do Senhor é a vossa força. (Neemias 8:10) Ler o jornal diário ou assistir o noticiário da noite pode nos gerar vários medos e incertezas quanto à atualidade e quanto ao futuro, tanto o nosso quanto o da humanidade. Muito se fala de ‘guerra cultural’ ou se esta ou uma outra política vai ou não resol- ver a situação do dia. As redes sociais geraram um feed imenso de informações e novos problemas que não para nunca. Mas, apesar das provações do mundo, nada disso deve ser motivo de desânimo ou tristeza, pois a alegria de quem serve a Cristo não está nestas coisas, não está na volatilidade do dia ou nos trending topics do Twitter, mas nEle, que tudo pode fazer. A fé da Bíblia pode ser desprezada pela mídia, por alguns ambientes universitários e por representantes da classe política, mas as Escrituras continuam sendo verdadeiras e continuam sendo o alimento eterno para a alma, de geração em geração. E o que estamos acompanhando são apenas sinais passageiros que apontam para o fim da história, quando o nosso querido Senhor estará conosco para nos levar para a eternidade. Se desastres culturais acontecerem, lembre-se do que está escrito em Neemias 8:10: “A alegria do Senhor é a vossa força”. Se o noticiário quiser falar mais alto, lembre-se do que está escrito em Neemias 8:10: “A alegria do Senhor é a vossa força”. 28 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS Se vos perseguirem por causa do nome de Cristo, lembre-se do que está escrito em Neemias 8:10: “A alegria do Senhor é a vossa força”. A nossa força não vem de nossos próprios pensamentos ou esquemas, mas vem dEle, e só dEle. Cristo é nossa única salvação. Santo Deus, que sejas nossa fonte de alegria diária e que possamos repousar na certeza de que nossa alegria foi con- quistada por Ti na cruz. Que possamos olhar para as aflições do presente com fé e esperança em Tuas promessas. Pois és a salvação, minha e de minha casa. 29O CANDEEIRO NÃO FIQUEM PREOCUPADOS Vinícius de Souza Munhoz Seminarista da Igreja Presbiteriana de Mirassol, Mirassol, SP, Brasil. Não fiquem preocupados com coisa alguma, mas, em tudo, sejam conhecidos diante de Deus os pedidos de vocês, pela oração e pela súplica, com ações de gra- ças. E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus. (Filipenses 4:6-7) Preocupação, ansiedade, medo, desespero e noites mal dormi- das é o que mais vemos e ouvimos nas ruas, transporte coletivo e ambientes sociais.Nós vivemos preocupados! A ansiedade por exemplo, é descrita como um mal do século em decorrência da proporção de pessoas assoladas por tal problema. Paulo, ao escrever aos Filipenses traz a orientação de não nos preocuparmos com coisa alguma, absolutamente nada, mas, em tudo, em todas as situ- ações, circunstâncias, sejam conhecidos diante de Deus os pedidos de vocês. Em outras palavras, devemos levar nossas demandas, dores, aflições a Deus em oração, descansando no Senhor, pois é Ele, o Senhor, que nos ouve e pode nos livrar, orientar e sustentar em toda e qualquer situação. E, por fim, Paulo acrescenta: “E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus”. Portanto, somos guardados no Senhor Jesus, que conhece nossas dores e intercede por nós junto ao Pai. Diante disso, convido você a apresentar ao Senhor tudo 30 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS o que está consumindo suas esperanças e fazendo você cativo do medo, das preocupações, da ansiedade a descansar na certeza de que o Senhor trará consolo, direção e repouso. Você não está só e o Senhor não está alheio às suas dores. Busque ao Senhor! Bondoso Deus, pedimos ao Senhor que nos dê paz em meio as adversidades, nos guardando das preocupações da vida e nos levando a confiar e depender de Ti. Não conseguire- mos prosseguir sozinhos, precisamos da sua forte mão. O Senhor é a nossa esperança e nosso sustento. Em nome de Jesus, amém. 31O CANDEEIRO UM REINO PARA UM PECADOR Danilo Zanon dos Santos Membro da Igreja Assembleia de Deus Alto do Ipiranga, Santo André, SP, Brasil. Então ele disse: “Jesus, lembra-te de mim quando entra- res no teu Reino”. Jesus lhe respondeu: “Eu lhe garanto: Hoje você estará comigo no paraíso”. (Lucas 23:42-43) O cenário aqui é: uma cruz e três condenados na cruz. Temos Jesus Cristo ao centro e dois criminosos, um à sua esquerda e outro à sua direita. Os três no mesmo dia e horário, com a mesma sentença. Jesus havia passado por momentos de humilhação. Os soldados bateram nEle até ficar completamente desfigurado. Co- locaram então coroa de espinhos, zombaram e o trataram como nada: “Você não é o Cristo? Então salve-se a si mesmo!” diziam. Não havia qualquer indicação de Jesus sendo um rei. Não havia pompa. Não havia tratamento melhor a Ele. Muito pelo contrário. O tratamento dado a ele foi muito pior e mais humilhando do que para os outros criminosos Ninguém podia zombar de um rei, seja ele quem fosse. Lembrando: Jesus não havia ressuscitado ainda. Nem os discípulos estavam juntos dEle nesse momento, afinal estavam fugindo e se escondendo (e, ok, havia motivos humanos para isso...). Mas no meio dessa humilhação toda, en- quanto um criminoso zombava junto com os soldados (os mesmos que iam lhe matar em seguida) o outro reconhece seu reinado. 32 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS Lembrando: só um rei tem um reinado. Talvez ele tenha ouvido falar do Salvador ao cometer seus crimes. Não sabemos ao certo. Mas esse criminoso, contra todas as aparências e evidências, viu ali o Salvador de sua vida, e como disse Jesus: “Hoje você estará comigo no paraíso”. O que ele fez para merecer? Nada! Apenas o reconhecimento que necessitava de um Salvador! Como pode? Para muitos a escória da sociedade, um bandido da pior espécie inaugurou o “aceitar a Jesus”. Sei que tudo pode estar parecendo um caos na sua vida, mas não importa quem você é ou o que você faz! Seu cargo na igreja ou no trabalho, se tem um carro ou não, ou mesmo se tem dinheiro. Se é famoso ou um criminoso. Reconheça que Ele é o Salvador! Que você necessita dEle. Que sem Ele não há salvação ou justificação. Ele é o caminho! Se renda ao Rei e herde um reinado eterno com Ele. Amado Deus e Pai, agradeço por tua graça e Salvação. Dê-me um coração puro e inclinado apenas à tua vontade. Que eu entenda que nada do que eu faça ou tenha pode me salvar ou justificar. Só tu tens palavras de vida eterna! O quão dependente sou de Ti! Ajuda-me, quebra meu coração orgulhoso! Necessito de Ti, Pai, e apenas de Ti! Amém. 33O CANDEEIRO UMA CONSCIÊNCIA PURA NÃO OFENDE Vitor Germano da Silva Oliveira Membro da Igreja Presbiteriana do Brasil, Sapucaia do Sul, RS, Brasil. E por isso procuro sempre ter uma consciência sem ofensa, tanto para com Deus como para com os homens. (Atos 24:16) Como reagimos diante de uma ofensa e como lidamos com conflitos são questões desafiadoras. No âmbito do relacionamento humano, e especialmente na comunidade da igreja, é inevitável que surjam divergências, debates e atritos, mesmo entre irmãos. O ver- dadeiro desafio reside não em evitar o conflito, mas em abordá-lo de maneira equilibrada e justa. É natural que defendamos nossas posições e perspectivas, fazendo parte do convívio cotidiano. No entanto, é crucial questionar até que ponto devemos ir. Onde está o limite sensato que distingue a discordância saudável da contenda, os questionamentos construtivos das acusações prejudiciais? Um parâmetro fundamental para orientar nossa conduta é identificar o surgimento das ofensas. Em conflitos onde ambas as partes ca- recem de sobriedade e equilíbrio, é comum que sejam proferidas palavras ofensivas, impactando não apenas a comunhão entre ir- mãos, mas também nosso relacionamento com Deus. Paulo, ciente das diferenças entre ele e seus ouvintes, almejava evitar disputas desordenadas que, invariavelmente, resultariam em ofensas, pre- judicando sua própria consciência. É imperativo mantermos uma 34 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS postura de cordialidade e fraternidade, mesmo diante de ideias que consideramos absurdas. Isso não implica concordar com tudo, mas discordar com discernimento e equilíbrio, preservando a paz na consciência e evitando ofensas a Deus e aos outros. Se, porventura, a pessoa com quem dialogamos permanece inflexível, lançar-se em ofensas não contribuirá em nada; nesse caso, é mais prudente encerrar a discussão. Jamais devemos recorrer a ofensas, pois a pureza de nossa consciência é mais valiosa do que qualquer controvérsia. Senhor Jesus, obrigado por nos fazer compreender a impor- tância de manter a consciência pura e livre de maledicência. Nos ajude a manter esta pureza. Em nome de Jesus, amém. 35O CANDEEIRO REFLEXÕES SOBRE O PERDÃO: UMA CHAMADA À CONTRACULTURA CRISTÃ Zípora Morgana Quinteiro dos Santos Membro da Igreja Assembleia de Deus, Santo Ângelo, RS, Brasil. Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus perdoou vocês em Cristo. (Efésios 4:32) A carta aos Efésios, direcionada aos cristãos em Éfeso, res- plandece uma orientação vital sobre a postura cristã nas relações interpessoais. A essência dessa orientação reside na exemplificação da bondade, compaixão e perdão, moldando nosso comportamento à luz do perdão concedido por meio de Jesus Cristo. Num contexto cultural permeado por valores competitivos e egocêntricos, o apelo à benevolência destaca-se como uma chamada à contracultura, um convite a uma conduta que reflete a graça divina em meio a desafios identitários e hostilidades. A cidade de Éfeso, situada na Ásia Menor, era um polo comercial e cultural sob a influência das tradições grega e romana, marcada pelo poder, competição e exi- bição pessoal. Nesse cenário, a carta ressoa como uma mensagem atemporal, instando os cristãos a adotarem uma postura positiva e benevolente, destacando que a prática do perdão é fundamen- tal para a vida cristã. No contexto bíblico, o chamado ao perdão não é apenas uma exigência moral, mas uma conexão direta com 36 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS a narrativa cristã. Os cristãos são desafiados a perdoar, mesmo diante de ofensas, seguindo o exemplo do perdão divino revelado em Cristo. É a recordação graciosa do perdão em Jesus que não apenas impulsiona a capacidade de perdoar, mas também serve como um eco do amor divino que deve impregnartodas as áreas de suas vidas. Na prática, os cristãos em Éfeso eram encorajados a transcender a cultura ao seu redor, demonstrando bondade, compaixão e perdão uns aos outros. Esses princípios não apenas fortaleceriam a comunidade local, mas também testemunhariam aos não cristãos sobre os valores transformadores do evangelho. Este apelo transcende o contexto histórico e ressoa na contempo- raneidade, desafiando-nos a viver em harmonia, manifestando o perdão recebido em Cristo e impactando positivamente o mundo ao nosso redor. Assim, ao considerar a importância de agir com benignidade e misericórdia, somos lembrados de que a experiên- cia do perdão divino nos capacita a perdoar o próximo. Que este chamado à prática do perdão seja a luz que guia nossas interações diárias, refletindo a graça que recebemos em Cristo e transforman- do nosso entorno pela influência positiva do evangelho. Amado Deus, que a compreensão do perdão que recebemos em Cristo seja uma fonte constante de disposição para per- doarmos uns aos outros. Capacita-nos a viver de maneira contrária à cultura ao nosso redor, manifestando a Tua bon- dade, compaixão, misericórdia, graça e perdão. Que nossas vidas sirvam como testemunho do amor transformador do evangelho, influenciando positivamente o mundo à nossa volta. Em nome de Jesus, amém. 37O CANDEEIRO TUDO VEM DAS MÃOS DE DEUS Keire do Carmo Morais Cedro Membro da Primeira Igreja Batista, Feira de Santana, BA, Brasil. Não há nada melhor para o ser humano do que comer, beber e fazer com que sua alma desfrute o que conse- guiu com seu trabalho. No entanto, vi que também isto vem da mão de Deus, pois, separado deste, quem pode comer ou quem pode alegrar-se? (Eclesiastes 2:24-25) Sabemos que a Bíblia é um conjunto de livros inspirados pelo Espírito Santo. Este conjunto, pelo decorrer da história, foi dividido em estilos literários, dentre os quais destacamos o estilo Poético. Eclesiastes é um desses livros poéticos – os outros livros do estilo são Jó, Salmos, Provérbios e Cantares de Salomão – cuja intenção é orientar o leitor à sabedoria, analisando diversos temas sobre a vida humana e nossa relação com Deus. No livro de Eclesiastes, o Mestre, como Salomão se refere a si mesmo na introdução, escre- ve sobre sua investigação em torno da sabedoria, da loucura e da insensatez. Neste trecho, Salomão analisa se o trabalho debaixo do sol faz sentido, isto é, se existe razão para trabalharmos tanto, quando a vida – nossa realidade – é um absurdo por estar fora da sabedoria de Deus. O termo “debaixo do sol” é uma metáfora para uma vida de sabedoria mundana. A intenção do autor é justamente criar uma imagem de intenso esforço e sofrimento, já que passar horas trabalhando sob o sol sem a devida proteção é extrema- 38 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS mente doloroso. Da mesma maneira, trabalhar sem gratidão a Deus, de onde tudo vem, inclusive o nosso próprio fôlego de vida, consequentemente das nossas forças e dos nossos recursos, para Salomão, é como um trabalho árduo debaixo do sol, é um absurdo. Contudo, o Mestre finaliza este trecho perguntando a si mesmo – e levando o leitor a fazer o mesmo questionamento – quem pode se alegrar com o fruto do seu trabalho vivendo separado de Deus? A resposta é “ninguém, pois tudo vem de Deus”. A benção de Deus sobre nossa vida flui para nós, mas também através de nós, através das nossas realizações. Diferente de um trabalho debaixo do sol, um trabalho debaixo do Céu é aquele onde somos guiados pela sabedoria divina. Que o Senhor nos ajude nisso. Pai amoroso, por muitas vezes esquecemos que nosso tra- balho e nosso salário vêm de Ti tanto quanto nosso próprio fôlego de vida. Livra-nos da tentação de sermos ingratos. Livra-nos de pensar que tudo o que fazemos é resultado apenas das nossas próprias forças. Que nossas conquistas sejam louvores a Ti. Em nome de Jesus, amém. 39O CANDEEIRO NAS PROFUNDEZAS DO PECADO PODEMOS ENCONTRAR ESPERANÇA NA MISERICÓRDIA E GRAÇA DE UM DEUS COMPASSIVO E REDENTOR Davi Wesler Stefani Pedrozo de Quadros Presbítero na Igreja Assembleia de Deus em Francisco Beltrão, PR, Brasil. Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua be- nignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias. (Salmos 51:1) Coberto de vestes reais, coroa na cabeça e cetro na mão, sua residência: o palácio, cercado por ministros de províncias, essa era a imagem oficial do rei de Israel. Mas Natã caminha lentamente para uma audiência e carrega a responsabilidade, dada por Deus, de revelar a condição verdadeira que se encontrava o rei Davi. Após dissertar uma intrigante história, o profeta Natã conclui que Davi é o homem rico explorador do mais fraco e pobre. A sua verdadeira condição diante de Deus está exposta: adúltero, assassino e ingrato pecador. Recebe de Deus a dura sentença de estar longe de sua Santa Presença e a indagação retórica: Por que desprezou a palavra do Senhor e fez o que era mau aos seus olhos? (2 Sm 12:9). Ao cair em si de sua incontestável condição diante de Deus, Davi reconhece que pecou (2 Sm 12:13a). Esse diagnóstico 40 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS acompanha grande comoção e confirmação da realidade em que sua alma se encontrava. Agora só resta uma opção: clamar por per- dão e derramamento de misericórdia divina (Sl 51:1). Nossa ação deve ser como a do rei Davi, pois, embora estejamos bem trajados, em boa posição e em boa moradia, o Profeta já expôs a condição pecadora de toda humanidade. Cabe agora suplicarmos para que a misericórdia de Deus nos lave completamente, pois conhecemos nossa transgressão contra o céu. Oramos, crentes do livramento dado por Jesus Cristo, e certos de que não seremos lançados fora da presença de Deus nem tampouco abandonados pelo Santo Espírito, isso se verdadeiramente frutificarmos o arrependimento do cora- ção quebrantado e contrito, e não somente notabilizar-se palavras e sacrifícios vãos. Oportuna é a recordação de que somos apenas pó e cinza carentes das multidões de misericórdias divinas para apagar nossas transgressões que sempre estão diante de nós, pois fazemos coisas más aos olhos de Deus por herdarmos o pecado. Acima de tudo é favorável recordar que, embora sejamos achados entre as cinzas, o sopro do Espírito Santo nos conduz até o Cristo, que das cinzas mortas faz brotar vida – simul justus et peccator. Deus Todo-Poderoso e eterno, sabemos do seu amor por tudo que criaste e do seu perdão aos penitente, faz brotar em nós corações novos e contritos, para que reconheçamos nossa real condição diante de sua Santa Presença. Deus de toda misericórdia faz-nos lembrar que só alcançamos perdão e perfeita remissão através de Jesus Cristo, teu Filho, nosso SENHOR, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus agora e sempre. Amém. 41O CANDEEIRO DESILUSÃO Paulo Medeiro Membro da Igreja Assembleia de Deus de Águas Claras, Brasília, DF, Brasil. Maldito o homem que confia no outro homem, que faz da humanidade mortal a sua força. (Jeremias 17:5) Você já se decepcionou com alguém? É claro que sim, não é? Talvez hoje mesmo estejamos vivenciando uma grande decepção. O sentimento de desilusão é universal, afetando até mesmo os menos propensos a expressar emoções. A ironia reside no fato de que a decepção muitas vezes surge da esperança. A decepção brota quando esperamos que algo de bom aconteça, ou que alguém que admiramos continue fazendo o que nutriu a nossa admiração e esta pessoa não age de acordo com as nossas expectativas, ou quando o que sonhamos não se concretiza. A intensidade da decepção está diretamente ligada à quantidade de amor ou confiança investidos. Quando pessoas ou ideias em que acreditamos traem essas expec- tativas, a dor se torna mais profunda. Vivemos em um mundo de pessoas e ideologias falíveis, por isso é sábio não “apostar todas as fichas” em ninguém. Para minimizar nossas decepções é prudentever cada ser humano, não importando a posição que ocupa na so- ciedade, como ele é: um pecador. Em todo o universo somente um merece nossa total e irrestrita confiança: Deus. Por isso o “maldito” contrasta com o “bendito” (Jr 17:7-8): “Mas, bendito é o homem cuja confiança está no Senhor, cuja confiança nele está. Ele será 42 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS como uma árvore plantada junto às águas e que estende as suas raízes para o ribeiro. Ela não temerá quando chegar o calor, porque as suas folhas estão sempre verdes, não ficará ansiosa no ano da seca nem deixará de dar fruto”. Sendo assim, só vejo um caminho para superar nossas decepções: renovando, a cada dia, nossa confiança no SENHOR. Esta confiança nEle é que nos ajudará a sobreviver em um ambiente adverso. Não fiquemos paralisados pela decepção. Que nosso compromisso com uma fé sadia seja maior do que o nosso compromisso com qualquer ideologia. Creiamos naquele que promete e cumpre, que é quem diz ser e que permanece fiel no compromisso de amor por nós. Pai Celestial, diante de Ti nos humilhamos e reconhecemos a tua soberania. Ao refletirmos sobre as palavras do profeta Jeremias, acerca da maldição daqueles que confiam na força humana e se afastam de Ti, buscamos a Tua misericórdia e orientação. SENHOR, que nossos corações não se inclinem para a confiança na carne, mas que depositemos nossa fé e confiança unicamente em Ti. Que não busquemos soluções meramente humanas, mas que estejamos ancorados na Tua Palavra e na Tua vontade. Quebranta-nos, ó Deus, para que reconheçamos a nossa dependência total de Ti. Concede-nos a graça de sermos como árvores plantadas junto às águas, cujas raízes se estendem profundamente na terra da Tua verdade. Que em cada estação, possamos dar frutos para a Tua glória, confiando na Tua fidelidade. Perdoa-nos, SENHOR, por vezes confiarmos em nossa própria compreensão e força. Que a Tua Palavra esteja gravada em nossos corações, guiando-nos em todos os caminhos. Em meio às adversidades, que confiemos em Ti, a fonte inesgotável de vida e esperança. Que a nossa confiança esteja firmemente ancorada em Ti, ó Deus, pois reconhecemos que em Ti encontramos segurança e bênção. Em nome de Jesus, oramos. Amém. 43O CANDEEIRO TRANSFORMANDO A VERGONHA EM TESTEMUNHO Alcino Junior Diácono da Igreja Missionária Evangélica Maranata, Duque de Caxias, RJ, Brasil. Indo ter com Jesus, viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido, em perfeito juízo; e temeram. Os que haviam presenciado os fatos conta- ram-lhes o que acontecera ao endemoninhado e acerca dos porcos. E entraram a rogar-lhe que se retirasse da terra deles. Ao entrar Jesus no barco, suplicava-lhe o que fora endemoninhado que o deixasse estar com ele. Jesus, porém, não lho permitiu, mas ordenou-lhe: Vai para tua casa, para os teus. Anuncia-lhes tudo o que o Senhor te fez e como teve compaixão de ti. Então, ele foi e começou a proclamar em Decápolis tudo o que Jesus lhe fizera; e todos se admiravam. (Marcos 5:15-20) Dentre as muitas lições que podem ser extraídas da famosa história do endemoninhado gadareno, uma das mais preciosas diz respeito às direções que Cristo nos dá. Ao ler o capítulo cinco de Marcos, percebemos que a situação daquele homem era tão grave que causava terror aos habitantes de sua cidade. No entanto, Jesus vai até a região e o livra dos demônios que o oprimiam. Para muitos, a história termina nesse ponto, mas ainda havia um grande desafio a ser vencido pelo famoso gadareno: para onde ir depois 44 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS de tanto tempo vivendo uma vida tão miserável? Aquele homem pede a Jesus que o leve embora em seu barco. Ele sabia que a ver- gonha e a humilhação de permanecer naquele lugar seriam quase insuportáveis. Como as pessoas o tratariam? Como olhariam para ele? Talvez as dúvidas habitassem seu coração. Jesus, no entanto, ordena que ele volte pra casa e anuncie o que o Senhor fez em sua vida. O texto encerra dizendo que, ao ouvir aquele homem, todos se admiravam. Esse é um texto que renova as nossas esperanças! Quantas vezes nos sentimos envergonhados por tantas coisas: nosso passado, alguma atitude que tivemos ou até mesmo algo que fizeram conosco. Mas em momentos assim, devemos lembrar que Cristo está conosco e nos deu uma responsabilidade. Não podemos deixar a vergonha embaçar nossa visão a ponto de não enxergarmos quantas coisas o Senhor já fez em nossas vidas. Nós servimos a um Deus que transforma vergonha em testemunho. Senhor, somos gratos a ti por Sua Palavra e pela honra que nos concede de poder proclamá-la. Ajuda-nos a discernir diariamente os locais para os quais o Senhor quer nos con- duzir e não permita que nossa vergonha fale mais alto que nosso testemunho. Em nome de Jesus. Amém. 45O CANDEEIRO A ORAÇÃO DE JABEZ Zípora Morgana Quinteiro dos Santos Membro da Igreja Assembleia de Deus, Santo Ângelo, RS, Brasil. Jabez orou ao Deus de Israel [...] (1 Crônicas 4:10a) A Oração de Jabez, registrada em 1 Crônicas 4:9-10, é um farol de esperança que ilumina o caminho dos cristãos em meio às adversidades. Jabez, cujo nome significava “aquele que causa dor”, não se resignou ao destino que seu nome sugeria, mas bus- cou uma transformação por meio da oração fervorosa. A vida de Jabez, permeada pelo sofrimento desde o nascimento, reflete muitas das situações desafiadoras que enfrentamos hoje. No en- tanto, ao invés de se render passivamente às circunstâncias, Jabez escolheu a rota da oração. Sua fé em Deus não apenas mudou seu destino, mas também revelou um coração que reconhecia a soberania divina sobre todas as áreas da vida. A oração de Jabez foi simples, mas profunda, ele não hesitou em pedir bênçãos, crescimento, a presença divina e proteção contra males. Sua ati- tude nos convida a expressar nossos anseios a Deus de maneira direta, confiando na receptividade do Pai celestial. Assim como Jabez confiou na providência divina, somos encorajados a confiar que Deus é capaz de guiar, abençoar e transformar nossas vidas. O versículo subsequente destaca a resposta positiva de Deus à oração de Jabez. Deus não apenas ouviu, mas atendeu ao pedido dele. Isso ressalta a disposição de Deus em responder às orações sinceras e a confiança que podemos depositar nEle. A eficácia da 46 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS abordagem simples e sincera de Jabez em sua comunicação com Deus destaca a importância de mantermos uma fé perseverante em nossas orações. Jabez buscou uma mudança de destino por meio da oração, e Deus respondeu favoravelmente. Isso nos encoraja a não nos resignarmos passivamente às circunstâncias adversas, mas a buscarmos a intervenção divina em todas as áreas de nossa vida. Em um mundo marcado pela queda, a esperança em Deus se torna alicerçada na promessa de que Ele é capaz de transformar nossas vidas e moldar nosso futuro de acordo com Sua vontade so- berana. Que a oração de Jabez sirva como um lembrete inspirador de que, em Deus, encontramos não apenas consolo para nossas dores, mas também esperança para o amanhã. Em nossa jornada de fé, confiemos naquele que alarga as fronteiras, mudando nossas sentenças e circunstâncias, conduzindo-nos a um futuro certo sob Sua graça transformadora. Querido Deus, confiamos em Ti, o nosso farol de esperança nas adversidades. Assim como Jabez não se resignou ao destino que seu nome sugeria, também buscamos uma trans- formação em nossas vidas por meio da oração fervorosa. Assim, expressamos nossos anseios a Ti com simplicidade e sinceridade, mantendo uma fé perseverante e confiando em Sua providência. Senhor, Tu és aquele que alarga as fron- teiras, muda sentenças e circunstâncias, conduz-nos assim a um futuro certo sob Tua graça transformadora. Amém. 47O CANDEEIRO GATILHO DA RECIPROCIDADE George Harryson Membro da Igreja Assembleia de Deus Templo Central, Pacatuba, CE, Brasil. [...] que é a vossa vida?(Tiago 4:14) Desde que se tem conhecimento que está vivo, o ser humano se faz várias perguntas essenciais ou básicas, onde todas elas não ficam sem serem respondidas de uma forma ou outra, apesar de muitos acharem as respostas insuficientes. Tiago, o apóstolo “joelho de camelo” é outro que nos traz algumas metáforas sobre o que é a vida. A vida “é um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece”. Sendo assim, como estamos vivendo as nossas vidas efêmeras à luz do que Cristo fez por nós? Lembro de uma cena de um filme O Conde de Monte Cristo, quando a personagem principal salva um homem da morte e este homem lhe jura fidelidade até o fim dos seus dias. Cristo fez isso por nós! Pense um pouco: de todas as criações de Deus, apenas duas falham em servir e adorar a Deus como deve ser feito: os anjos caídos e os seres humanos. Aqueles, por separação eterna e indissolúvel da comunhão com o Criador. Estes, muitas vezes por estarem ocupados demais construindo suas vidas sem a presença de Deus. Que é a vossa vida? Um outro exemplo de nossos dias, com a crescente massa de pessoas falando qualquer coisa ou muita coisa na internet, há o que eles chamam de “gatilho da re- ciprocidade”, uma técnica que acredito que funcione. Exemplo: você dá algum produto ou serviço para alguém gratuitamente e a pessoa 48 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS que obtém esse benefício sente-se obrigada a retribuir adquirindo um outro produto ou serviço mais caro. Como está sua reciprocidade a respeito do Reino de Deus? O que recebemos gratuitamente não foi suficiente para que devotássemos toda a nossa vida a serviço não do Conde de Monte Cristo, mas ao próprio Cristo, Rei e Senhor? Pai eterno e amado Senhor, ajuda-nos a viver nossa curta vida nessa terra de maneira que o Senhor se agrade de nós. 49O CANDEEIRO A ORAÇÃO É UMA SEMENTE Adérica Ynis Ferreira Campos Membro da Igreja Assembleia de Deus, Petrolina, PE, Brasil. Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao grão de mostarda que o homem, pegando nele, semeou no seu campo; o qual é, realmente, a menor de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas, e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu, e se aninham nos seus ramos. (Mateus 13:31-32) Muitas vezes tentamos fazer as coisas acontecerem do nosso jeito e ficamos frustrados, então quando chegamos ao nosso limite, incapazes de atravessar o deserto sozinhos, oramos pedindo ajuda a Deus. Mas se nossas orações não são respondidas imediatamente, nós desistimos. Hoje quero encorajá-lo a orar com persistência e a esperar em Deus. Lettie Cowman em seu devocional Mananciais no Deserto destaca que se ouve muito falar em esperar em Deus, mas há outro lado nessa questão: quando esperamos em Deus, ele está esperando que estejamos preparados. Segundo Cowman muitos dizem, e muitos mais creem, que quando preenchemos as condições necessárias à resposta de uma oração, Deus a responde. Dizem estes que Deus vive em um eterno agora; para Ele não há passado nem futuro, e se pudermos cumprir tudo o que Ele requer no caminho da obediência à sua vontade, nossas necessidades serão supridas imediatamente, nossos desejos cumpridos e respondidas as nossas orações. A autora continua suas reflexões afirmando que 50 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS há muita verdade nessa crença, contudo ela expressa apenas um lado da verdade. Embora Deus viva num eterno agora, Ele opera os seus propósitos no tempo. Uma petição apresentada diante de Deus é como uma semente lançada no solo. Forças que estão aci- ma e além do nosso controle trabalham sobre ela, até que é dada a plena frutificação da resposta. Na Bíblia Círculo de Oração em Mateus 13:31-35 há a sugestão de um exercício para ilustrar que o reino de Deus é algo crescente. Passe algum tempo ao ar livre, contemplando o tamanho das árvores e as pequenas sementes das quais elas crescem. Louve a Deus porque o seu reino é o mesmo, sempre crescente, desde o menor princípio até uma entidade enor- me e de longo alcance. Portanto, se você está orando, mas ainda não obteve resposta para suas orações, não desanime, persista, Deus está trabalhando, a oração é uma semente que frutificará no tempo certo, ela está crescendo sempre. Pai, eu te louvo porque teu reino é sempre crescente e nós podemos confiar que nossas orações serão atendidas no tempo certo, nossas petições lançadas diante de Ti cresce- rão e frutificarão como a pequena semente no solo escuro. Pai, nos ajude a aguardar pelo tempo da realização de tuas promessas! É o que te peço, em nome de Jesus, amém. 51O CANDEEIRO RELACIONAMENTO É MELHOR QUE CONHECIMENTO Danilo Zanon dos Santos Membro da Igreja Assembleia de Deus Alto do Ipiranga, Santo André, SP, Brasil. Então, do meio de um redemoinho, o Senhor respondeu a Jó e disse: “Quem é este que obscurece os meus planos com palavras sem conhecimento?” (Jó 38:1-2) O livro de Jó é um retrato de uma série de acontecimentos ter- ríveis que acontece a um homem fiel e íntegro a Deus (Jó 1:1) que perde seus bens, rebanhos, filhos e saúde. Rapidamente sua vida desmorona diante de seus olhos. Aí os ‘amigos’ que vão consolá-lo nesse momento (Jó 2:11), na verdade vão julgá-lo acusando inde- vidamente que o que ele estava passando era derivado de algum pecado grave escondido e que ele deveria se arrepender para que a situação mudasse. No meio das acusações desses pretensos amigos, Jó tenta se explicar, justificar e falar sobre Deus, até que no meio de um redemoinho, o Senhor Deus aparece e começa a responder Jó e seus questionamentos. E não só ele, mas seus amigos também. E Ele começa falando sobre Jó: “Quem é este que obscurece os meus planos com palavras sem conhecimento?” Mas olha o que Deus fala um pouco mais adiante quando ele se dirige aos amigos no final de seu discurso: “A minha ira se acendeu contra você e contra os seus dois amigos, porque vocês não falaram a meu respeito o que é reto, como o meu servo Jó falou” (Jó 42:7b). Ué, parece um 52 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS contrassenso. O Jó que falava sem conhecimento é o mesmo que falou o que era reto a respeito de Deus. Veja, em uma época que tentamos explicar e saber de tudo, onde todos necessitam ter uma resposta e uma explicação sobretudo, Deus nos convida não a entender tudo sobre Ele, mas a termos relacionamento com Ele. Jó era fiel e íntegro a Ele, pois conhecia o Deus Todo-Poderoso, mesmo sem saber em detalhes tudo o que Ele fez. Entenda que o conhecimento é muito importante, sim, mas de nada vale conhecer as Escrituras se não tivermos relacionamento com Ele. Precisamos conhecer Deus não só na teoria, mas também na prática. Ele é o Deus Todo-Poderoso que criou tudo do nada, mas que também é um Deus pessoal que ouve nossas angústias e medos. Se entregue a Ele em oração e em estilo de vida. Ele está aqui! Amado Deus e Pai, agradecemos por tudo o que Tu és. Muitas vezes ficamos aflitos, temerosos, confusos, achando que o fim chegou assim como seu servo Jó. Mas a verdade é que não sabemos todos os mistérios a seu respeito. Queremos te conhecer intimamente. Queremos fazer a Tua vontade em nossas vidas. Fortaleça-nos e nos ampare em nossas lutas. Amém. 53O CANDEEIRO DEUS QUER QUE NOS TORNEMOS MAIS FORTES Paulo Medeiro Membro da Igreja Assembleia de Deus de Águas Claras, Brasília, DF, Brasil. Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. (Efésios 6:10) Ao longo do texto o apóstolo Paulo nos ensina que devemos buscar ser fortalecidos por Deus “e na força do seu poder” para não cairmos nas ciladas do diabo (v. 11), resistirmos com fé quando o dia mau chegar (v. 13) e termos ousadia na proclamação do evan- gelho de Cristo (v. 18-20). O texto nos revela três fontes de enfra- quecimento, que minam a fé e a confiança em Deus. Inicialmente Paulo cita as armadilhas pensadas e promovidas pelo inimigo (v. 11), realizadas paraatacar, não a sua saúde, carreira ou família, mas a sua fé em Deus. Sem fé, tudo se perde. Portanto, o inimigo prepara “ciladas” para que nelas possamos cair. A segunda fonte é o dia mau, aquele quando o indesejado e inesperado acontece, seja a enfermidade, o luto, a angústia, o desemprego ou os problemas da vida que parecem intransponíveis. Quem já não recebeu notícias ruins? Todos nós! Em 1 Samuel 7:12, diz: “Até aqui nos ajudou o SENHOR”. Certa vez fui convidado a levar uma palavra de consolo e oração a uma família que estava passando por dificuldades. Eu mesmo não estava passando por bons momentos e logo pensei: precisando eu de consolo, como posso consolar alguém? Eu me coloquei em oração e, ao final, preparei uma mensagem, com base 54 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS no texto de Atos 16:25, intitulado “quando o dia mau chegar”. Foi um dia muito especial, pois vi que Deus havia me guiado para que eu falasse exatamente o que todos naquela casa, incluindo eu, precisavam ouvir. Portanto, no dia mau, encha o seu coração de confiança em Cristo, contentamento de alma e gratidão, pois nenhuma tragédia, jamais, será maior do que a graça do Senhor em nós. A terceira fonte é o temor dos homens. Curiosamente, Paulo termina a carta pedindo que orem para que ele tenha ousadia para falar do evangelho de Jesus. Paulo, o apóstolo mais ousado, pede ousadia, e isso ele faz por um motivo simples: coragem para testemunhar de Cristo não é algo que temos naturalmente. Se do Alto não recebermos, não a teremos. Portanto, ore e peça a Deus que encha a sua vida de coragem para testemunhar do Nome acima de todo nome: Jesus! E lembre-se: Deus deseja que você seja fortalecido! Amado Pai celestial, a Ti elevamos nossa oração com grati- dão por tua Palavra que nos instrui e orienta. Reconhecemos as armadilhas do inimigo, que sutilmente tenta minar nossa fé, mas, com a Tua graça, resistimos firmes, confiando em Tua proteção. SENHOR, sabemos que em dias maus, quando o indesejado e inesperado acontece, podemos confiar em Ti. Assim como proclamado, confiamos que Tua mão está sobre nós, mesmo nos momentos mais difíceis. Pedimos a Tua gra- ça para encher nossos corações de confiança em Cristo, con- tentamento de alma e gratidão, superando assim qualquer adversidade. Em meio ao temor dos homens, entendemos a importância da ousadia para proclamar o Evangelho de Jesus. Enche-nos, ó Deus, com a coragem necessária para testemunhar do Nome acima de todo nome: Jesus! 55O CANDEEIRO A FAMÍLIA DA ALIANÇA Lucas Oliveira Vianna Membro e aspirante da Igreja Presbiteriana de Santo Ângelo, RS, Brasil. Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no decurso das suas gerações, aliança perpétua, para ser o teu Deus e da tua descendência. (Gênesis 17:7) As alianças de Deus se estendem por toda a Bíblia. No sistema pactual da antiguidade, o representante trazia as bênçãos (e maldi- ções) da aliança para todos os seus representados e o caminho de comunicação da aliança era sempre familiar. Adão trouxe a maldi- ção da morte para toda a sua descendência. Noé trouxe a bênção de não haver um novo dilúvio. Na aliança feita com Abraão, Deus se interpôs como juramento (Hb 6:17). Também temos alianças feitas com as famílias de Jacó, Isaque e Davi. No Antigo Testa- mento, aliança e família são chaves hermenêuticas mutuamente imbricadas: a aliança se comunica primariamente pelas famílias e as famílias constituem-se elas próprias por uma aliança de graça (ninguém escolhe ser filho ou merece ser amamentado). No Novo Testamento permanece a transmissão da fé no âmbito familiar (2 Tm 1:5) e a comunicação da promessa aos filhos (At 2:39). Mas o conceito de filiação na Bíblia não é meramente genético, como entendiam os fariseus. Pela fé, somos herdeiros da aliança feita com Abraão (Gl 3:7), e a linguagem familiar da aliança não é abandonada, mas redirecionada às realidades espirituais: somos 56 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS filhos de Deus (Jo 1:12), herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo (Rm 8:17-18), nosso irmão primogênito (Rm 8:29). A linguagem familiar é usada até para descrever os deveres dos pastores, que exortam como a um pai, uma mãe ou irmã (1 Tm 5:1-2). Natural- mente, o meio original de transmissão da aliança era a criação de filhos que temem ao Senhor. Não houvesse o pecado, a expansão da aliança se daria simplesmente pelos pais ensinando os filhos a invocarem o nome do Senhor (Sl 78:2-4), como a linhagem de Sete o fez (Gn 4:26). Esse caminho nunca foi revogado. Mas também evangelizamos pessoas que não são de nosso sangue, como um meio de trazer filhos pródigos à Igreja, que é “a família de Deus” (Ef 2:19). Essa é uma verdade maravilhosa para todos. Para ca- sados e pais, confere um significado espiritual e um peso eterno para coisas aparentemente insignificantes – como beijos conjugais e trocas de fraldas –, colocando-as nos lugares mais centrais da grande narrativa cósmica da história e propósito do universo. E para solteiros, viúvos e celibatários confere a segurança e glória de pertencer à família eterna para a qual todas as outras apontam, tendo o próprio Deus como Pai: a família dos santos. Pai amado, damos-te graças por nossas famílias, no sangue e no Espírito, rogando que nos capacite a cuidá-las e amá- -las como o Senhor faz conosco. Que haja uma verdadeira aliança familiar em nossas igrejas, para a glória de Cristo, em nome de quem oramos. Amém. 57O CANDEEIRO TOME O ARCO E AS FLECHAS, ABRA A JANELA E ATIRE Jonatas Manoel Gaspar Pastor, presidente da Igreja Assembleia de Deus, São Pedro de Alcântara, SC, Brasil. E Eliseu estava doente da enfermidade de que morreu, e Jeoás, rei de Israel, desceu a ele, e chorou sobre o seu rosto, e disse: Meu pai, meu pai, o carro de Israel, e seus cavaleiros! E Eliseu lhe disse: Toma um arco e flechas. E tomou um arco e flechas. (2 Reis 13:14-15) A vida é feita de altos e baixos, por vezes nos sentimos frágeis e impotentes diante das adversidades, quem nunca sentiu medo? Quem nunca se sentiu sem saída e pensou ser o fim? Assim se encontrava o rei Jeoás, após receber uma ameaça dos Siros, um inimigo poderoso. Considerando sua pequena força diante de seu oponente ele se desespera, porém, mesmo sendo rei e possuindo muitos conselheiros e estrategistas de batalhas, ele busca o profeta Eliseu. Ao encontrar o profeta, esse que, por sua vez, estava no leito de enfermidade, vivendo seus últimos dias, mas inspirado por Deus liberou palavras que mudariam por completo aquela situação. A primeira determinação do profeta foi que o rei pegasse o arco e as flechas. A sua visão se torna embaçada em meio às lágrimas do desespero, te faz perder de vista as armas que você possui para vencer a peleja. A palavra do profeta fez com que o rei se lembrasse que ele não estava desarmado. A segunda determinação do profeta 58 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS foi que a janela fosse aberta. Por vezes as situações difíceis te de- sencorajam a tomar uma atitude, ou até mesmo te faz pensar em fugir como a melhor solução. Abrir a janela é encarar o problema de frente, é permitir a entrada da luz em meio à escuridão que o medo te impõe, abrir a janela é não desistir. Por último, a ordem que o profeta dá ao rei é que ele atirasse as flechas. Atirar sem avistar um alvo é um ato de fé, e tudo o que você precisa fazer é crer que mesmo que não vendo o alvo, o Senhor direcionará as tuas flechas e lhe dará a vitória desejada. Senhor dos Exércitos, nos desafios da vida reconhecemos o quanto somos limitados e dependentes da sua ajuda, não permita que as afrontas do inimigo roubem de nós a fé e a esperança, mas que possamos, mesmo em meios às lágrimas, agir de acordo com suas orientações e alcançar as vitórias que o Senhor tem para nos dar. Amém. 59O CANDEEIRO ESPERANÇA DE JUSTIÇA PARA OS CORAÇÕES DESPEDAÇADOS Zípora Morgana Quinteiro dos Santos Membroda Igreja Assembleia de Deus, Santo Ângelo, RS, Brasil. E havia naquela cidade uma viúva que se dirigia conti- nuamente a ele, suplicando-lhe: “Faze-me justiça contra o meu adversário”. Por algum tempo ele se recusou. Mas finalmente disse a si mesmo: “Embora eu não tema a Deus e nem me importe com os homens, esta viúva está me aborrecendo; vou fazer-lhe justiça para que ela não venha me importunar”. (Lucas 18:3-5) Aos que enfrentam a solidão, o desprezo, a humilhação e carregam o peso das amarguras no coração, a parábola de Lucas 18:1-8 oferece um raio de esperança e consolo. Imagine-se na pele dessa viúva que, em sua aflição, recorre a um juiz aparentemente indiferente. Ela representa aqueles que se sentem abandonados, desamparados e sem voz. Nessa parábola há um juiz que não te- mia a Deus nem se importava com as pessoas. Ao mesmo tempo havia uma viúva que buscava justiça contra um adversário. O juiz, inicialmente, ignora suas súplicas, mas sua persistência em pleitear a causa torna impossível continuar a ignorá-la. Jesus contou essa parábola com o propósito de ensinar sobre a importância da oração perseverante, constante e confiante e sobre a prontidão de Deus em atender às súplicas de seus filhos. Em meio ao sofrimento, quando parece que as lágrimas são silenciadas e as palavras ignoradas, a 60 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS parábola nos assegura que o nosso clamor chega aos ouvidos de Deus. Jesus destaca que se um juiz injusto, por insistência, atende a uma petição, quanto mais Deus, que é justo, amoroso e se importa profundamente conosco. A viúva não recebeu justiça imediata- mente, mas sua perseverança foi recompensada. Ela persistiu, mesmo quando a resposta parecia distante. Assim, para aqueles que carregam fardos pesados, a mensagem é: persistam na oração. Ainda que a solidão pareça uma sombra constante e as amarguras se acumulem, Deus nos convida a perseverar. Ele vê as lágrimas que caem em segredo, ouve os suspiros que escapam quando ninguém mais escuta, e conhece as profundezas das dores silenciosas. Então, em meio à tristeza e ao desânimo, ergamos nossos corações em oração persistente. Que a esperança dessa parábola acenda uma luz nos corações entristecidos. Que a certeza de que Deus ouve, se importa e está pronto para agir traga consolo às almas cansadas. Em meio às sombras da desesperança, que a persistência na oração seja a fonte de renovada confiança e consolação. Que Deus, aquele que faz tudo novo, traga restauração aos corações quebrantados. Jesus conclui com uma pergunta provocativa: “quando vier o Filho do Homem, achará fé na terra?”; a fé perseverante é crucial até mesmo diante das aparentes demoras nas respostas de Deus. Pai Celestial, agradecemos por sermos encorajados a persis- tir na oração, sabendo que o Senhor, em Sua justiça e amor, nos responderá. Em momentos de tristeza e desamparo, conceda-nos a perseverança dessa viúva. Confiando em Ti, depositamos nossa esperança e regozijamo-nos na certeza de que a justiça virá. Em nome de Jesus, amém. 61O CANDEEIRO O DEUS DAS SEGUNDAS CHANCES Thiago dos Santos Souza Membro da Primeira Igreja Batista, Itabaiana, SE, Brasil. Quando a minha vida já desfalecia, eu me lembrei do SENHOR, e a minha oração subiu a ti, ao teu santo templo. (Jonas 2:7) O livro de Jonas faz parte da sessão bíblica do Antigo Testamen- to chamada de Profetas Menores e por vezes é lembrado apenas em razão do livramento dado a esse mensageiro do Senhor quando clamou do ventre do grande peixe que vagava pelas profundezas do mundo. Chegue um pouco mais perto, porém, e uma-se aos que ao observá-lo mais detalhadamente já o chamaram de “O Evangelho da Segunda Chance”. De fato, este é um livro sobre a grande compaixão de Deus, onde absolutamente todos recebem uma nova oportunidade: os marinheiros que serviram a outros deuses por toda a vida recebem o presente de poder adorar “o Senhor que fez o mar e a terra seca”, o profeta que havia fugi- do recebe uma nova chance de fazer a coisa certa e anunciar a mensagem divina, os ninivitas tão conhecidos por sua crueldade têm a oportunidade de mudar os seus caminhos e o fazem. Até mesmo os leitores desse texto sagrado, tanto os de antes como os de agora, são constrangidos a abandonar o exclusivismo e o indi- vidualismo e ao mesmo tempo confiar na bondade daquele que, no controle de toda a História, está pronto para ouvir o clamor de 62 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS quem precisa, desesperadamente, de uma nova oportunidade, de um recomeço. Se esse é o seu caso, não perca mais tempo, clame agora! O Senhor que fez cessar o mar de sua fúria, que perdoou os ninivitas, e que insistiu com o seu insatisfeito mensageiro é o mesmo que nos estende, pela graça do Evangelho, em Jesus, uma nova ocasião de fazermos as pazes com Ele e os seus maravilhosos propósitos! Se não é o seu caso, observe tudo o que desenrolou ali e se pergunte: devo ser como Deus, misericordioso, ou como Jonas? Que nos alegremos no Deus das Segundas Chances! Ele é o mesmo! Não muda e não mudará! Nas palavras do antigo hino “não desampara nunca, nem me abandonará”! A grande compaixão de Deus se renova todos os dias, nos alcança e convida mais uma vez! Que respondamos como o Apóstolo Paulo: “pelo que não fui desobediente à visão celestial”. Grandioso e misericordioso Deus, oramos e agradecemos pelas novas e maravilhosas oportunidades de obedecermos a Ti e nos submetermos aos seus Propósitos. Sabemos que teus planos são melhores e que teus pensamentos não podem ser impedidos. Reina sobre nossas vidas hoje e sempre, e nos ajude a fazer toda a tua vontade. Em nome de Jesus, amém. 63O CANDEEIRO NÃO TEMOS TODO O TEMPO DO MUNDO Paulo Medeiro Membro da Igreja Assembleia de Deus de Águas Claras, Brasília, DF, Brasil. Os céus e a terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão. (Mateus 24:35) Quem ouviu e cantou as canções do Legião Urbana? Muitos de nós! Porém hoje, após algumas décadas, permita-me discordar do Renato Russo, pois não temos todo o tempo do mundo. Para isso, se olhe no espelho, olhe para teus pais, amigos de infância ou o mundo ao teu redor. Deus, como o mestre do tempo, governa o universo por meio de leis inabaláveis. Todo ser vivo está submetido às rédeas do tempo cronológico, medido pelo relógio (kronos), mas também ao tempo oportuno, marcado por momentos significati- vos (kairós). Deus transcende a temporalidade; o curso do tempo não o afeta. Nossa jornada na Terra é fugaz, um breve suspiro na eternidade. A redenção se apresenta generosamente no presente, enquanto o relógio da existência ainda está em movimento. Essa escolha não admite adiamento, pois a extensão de nosso tempo é desconhecida. As Escrituras nos aconselham a utilizar sabiamente o tempo, evitando distrações e buscando incessantemente a von- tade divina. Na maturidade é vital discernir entre o essencial e o secundário. O tempo é um presente divino, cada momento uma oportunidade de crescimento. Abandonemos as preocupações superficiais, concentremo-nos no desenvolvimento pessoal, em 64 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS relacionamentos significativos e na conexão espiritual. Sejamos seletivos ao investir tempo e atenção, despertando para o propósito divino que guia nossos passos. Que nossa jornada seja marcada pela sabedoria de priorizar o que é eterno. Libertemo-nos das distrações, abracemos uma vida centrada em valores, nutrindo a alma e impactando positivamente o mundo. Não desperdicemos um único momento em trivialidades; cada dia é uma dádiva a ser vivida com propósito e alegria. SENHOR, tu és o nosso refúgio, sempre, de geração em geração. Antes de nascerem os montes e de criares a terra e o mundo, de eternidade a eternidade tu és Deus. Fazes os homens voltarem ao pó, dizendo: “Retornem ao pó, seres humanos!” De fato, mil anos para ti são como o dia de ontem que passou, como as horas da noite. Como uma correnteza,tu arrastas os homens; são breves como o sono; são como a relva que brota ao amanhecer; germina e brota pela ma- nhã, mas, à tarde, murcha e seca. Abençoe-nos! Em nome de Jesus. Amém. 65O CANDEEIRO QUAL É A MÚSICA QUE AGRADA A DEUS? Denílson Nogueira de Almeida Maestro e Presbítero da Igreja Presbiteriana Betel de Guarulhos, Guarulhos, SP, Brasil. As margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos, lembrando-nos de Sião. Nos Salgueiros que lá havia, pendurávamos as nossas harpas. Pois aqueles que nos levaram cativos nos pediam canções, e os nossos opressores, que fossemos alegres, dizendo: “Entoai-nos algum dos cânticos de Sião”. (Salmos 137:1-3) Música, Donum Divinum et Excellentissimum – Assim disse o reformador Martinho Lutero. Uma fagulha do divino, dado ex- clusivamente aos homens, acreditava Lutero. A música propiciou aos fiéis na reforma “cantar a reforma protestante, antes mesmo de que entendessem a reforma protestante”. Libertou o povo quando permitiu aos crentes em Cristo, cantar e entoar louvores a Deus no culto, algo antes permitido apenas ao clero. Em toda a Palavra de Deus, vemos a música como parte do cotidiano da vida do crente, seja na transmissão cultural do povo judeu, transmitindo as memórias e histórias do povo e os louvores ao Deus Altíssi- mo, exemplificado no versículo do enunciado, ou seja, no culto comunitário, a música solidifica a mensagem de Deus, louva-o, traz contrição e arrependimento, chama ao trabalho e transmite o evangelho. Muito se discute em nossos dias se a música em nossas 66 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS igrejas é apropriada ou não. Lutero, como um grande apreciador da boa música, capacitado e habilitado academicamente em música, entendia que a música que agrada a Deus segue obrigatoriamente alguns parâmetros, como a representação através das notas mu- sicais do texto, a métrica, a ordem poética etc. Lutero dizia ainda que: “a música obrigatoriamente deveria representar tão bem o texto que uma pessoa que ouvisse a música sem sequer entender o idioma, deveria obrigatoriamente entender o texto através dos sons e da melodia musical e que, portanto, deveria ser considera- da em sua mais alta qualidade”. A música sacra inspirou grandes compositores, como Bach, Handel e Walther, estes consideravam de forma plena o entendimento musical de Lutero, constantemente assinando em suas obras (quando as consideravam aprovadas) com SDG – Soli Deo Glória, não apenas uma menção de Glória ao Deus Criador, mas um verdadeiro carimbo de que aquela obra representava fielmente os anseios de Deus e suas diretrizes para a música que o agradava. A música deve representar fielmente a Palavra e falar ao indivíduo, transmitir a mensagem do texto mes- mo que este não entenda o que ali está sendo dito, mas os sons, a melodia e harmonia em sua alta qualidade musical, métrica e ordem acessando seu consciente para a pregação em sons, esta é a Música que então agrada a Deus. Pai celestial, a Ti dirigimos nossos corações em gratidão pelo dom precioso da música. Que, ao entoarmos louvores a Ti, sejamos levados em dedicação a representar fielmente a Tua Palavra por meio dos sons e das melodias, que nossa música seja verdadeiramente um reflexo da glória exclusiva a Ti. Que nossa música, Senhor, alcance os corações e as mentes daqueles que a ouvem, transmitindo a mensagem do Evangelho mesmo àqueles que talvez não compreendam as palavras, mas são tocados pela harmonia e melodia. Amém. 67O CANDEEIRO DORMINDO TARDE E ACORDANDO MUITO CEDO Keire do Carmo Morais Cedro Membro da Primeira Igreja Batista, Feira de Santana, BA, Brasil. É ainda de noite, e ela já se levanta, e dá mantimento à sua casa e tarefa às suas servas. Ela examina uma propriedade e adquire-a; planta uma vinha com a renda do seu trabalho. (Provérbios 31:15-16) Imagine que estamos numa programação de Dia das Mães na igreja. Os professores de Escola Bíblica Dominical organizaram uma apresentação das crianças e cada uma deve dizer uma carac- terística que considera mais marcante em sua mãe. Então uma delas, um menino com mais ou menos seis anos de idade, diz o seguinte sobre sua mãe: “Ela é muito esforçada e eu amo quando ela faz sanduíche para mim no café da manhã”. Pois bem. Este capítulo de Provérbios é como uma grande homenagem à mulher. O autor descreve um registro de conselhos com detalhes de todo o trabalho feito por uma mulher sábia, elogiando-a pelo esforço empenhado. Muitas pessoas entendem esse capítulo como se fosse um tipo de checklist para as mulheres, mas estão equivocadas. O ponto do texto não é o quanto a mulher faz, mas seu capricho, seu empenho, ou, melhor dizendo, sua sabedoria em fazer tudo isso. Ele não ignora a dificuldade, ao contrário, ressalta que em meio a toda necessidade, a sabedoria no trabalho glorifica a Deus. Para todas as irmãs em Cristo que trabalham, seja dentro de casa ou no 68 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS mercado de trabalho, isso deve ser um consolo e um ponto essen- cial de perspectiva. Ainda que você precise trabalhar muito, tenha sempre em mente que Deus observa o seu trabalho e, por isso, abençoa-lhe com forças e com frutos. Contudo, antes de qualquer patrão, que seja para Deus que você trabalha. Por isso, se estiver em casa, glorifique a Deus por cozinhar e abençoar sua família com uma comida gostosa; se conta com uma secretária, glorifique a Deus por ter recursos e poder abençoar o trabalho de outrem; se precisa fazer dupla jornada, glorifique a Deus por renovar suas forças diariamente. Mas Cristo a chamou para a liberdade, então não se deixe escravizar por nada nem ninguém. Senhor, que em todo meu trabalho eu possa glorificá-lo. Perdoa-me, pois frequentemente me deixo levar pelas preocupações da vida e perco de vista que Tu estás comigo. Louvado seja o seu nome por tudo que posso fazer com minhas mãos. Em nome de Jesus, amém. 69O CANDEEIRO NEEMIAS: EXEMPLO DE ORAÇÃO E AÇÃO NA OBRA MISSIONÁRIA Zípora Morgana Quinteiro dos Santos Membro da Igreja Assembleia de Deus, Santo Ângelo, RS, Brasil. “O que você deseja que eu faça?”, perguntou o rei. Depois de orar ao Deus dos céus, respondi: [...] (Neemias 2:4,5a) Neemias, um judeu durante o desterro babilônico, se destacou como líder na reconstrução dos muros de Jerusalém, mostrando- -se sensível às necessidades do seu povo. Ao receber as notícias dolorosas sobre a condição de Jerusalém, Neemias não se permitiu permanecer na inércia. Ao contrário, seu coração foi comovido a ponto de chorar diante de Deus em oração, como registrado em Neemias 1.1-11. Ao reconhecer a conexão entre os pecados do povo e sua condição, Neemias demonstrou humildade ao assumir a culpa coletiva e implorar pelo perdão divino. Esse reconhecimento da culpa e a busca pela reconciliação com Deus são fundamentais para qualquer empreendimento missionário verdadeiramente eficaz. A coragem de Neemias se manifestou na sua decisão de agir. Não contente em apenas lamentar, ele apresentou-se diante do rei, solicitando permissão para reconstruir os muros de Jeru- salém. Sua fé na providência divina foi recompensada quando o rei não apenas concedeu-lhe permissão, mas também providen- ciou recursos para a empreitada. Entretanto, Neemias não se viu como um empreendedor solitário, reconheceu a necessidade de uma colaboração mútua para alcançar o objetivo. Cada indivíduo 70 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS que se juntou a ele na reconstrução dos muros desempenhou um papel vital, refletindo a beleza da comunidade engajada na obra do Senhor. Assim como Neemias liderou a reconstrução física dos muros de Jerusalém, os discípulos de Cristo são chamados a participar da obra missionária de restauração espiritual ao redor do mundo. Como ele, devemos ser movidos pela consternação diante da necessidade, impulsionados pela oração fervorosa, for- talecidos pela coragem divinamente concedida, e comprometidoscom a colaboração mútua para alcançar o objetivo supremo: a glória de Deus entre todas as nações. Em Mateus 9:37-38, Jesus nos lembra da grandeza da seara e da escassez de trabalhadores. Que possamos, como Neemias, responder ao chamado do Senhor com fervor e determinação, confiando na promessa de que Ele é capaz de realizar além do que imaginamos. Ó Deus do céu, inspira-nos com o exemplo de Neemias, para que, como ele, possamos ser sensíveis às necessidades do teu povo e comprometidos com a obra missionária de pro- clamar teu Reino. Capacita-nos a orar com fervor, agir com coragem e colaborar uns com os outros para a glória do teu nome. Que em nossa fraqueza encontremos tua força e em nossas limitações, tua plenitude. Em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. Amém. 71O CANDEEIRO ENCONTRANDO O SENHOR NO SECRETO Lilian Kelly Ferreira Martins Membro da Igreja Assembleia de Deus, Tabaí, RS, Brasil. [...] ora a teu Pai que está em oculto, e teu Pai, que vê secretamente, te recompensará. (Mateus 6:6b) Mateus 6 é a continuação do sermão da montanha, onde, dentre tantos ensinamentos, Jesus ensina como orar, jejuar, dar esmolas e não agir como os hipócritas. Na verdade, esse tipo de conduta, a hipocrisia, parece ser tão repugnante aos olhos de Cristo, que somente no livro de Mateus, encontramos mais de 20 versículos condenando essa prática. Quando Jesus fala: “ora a teu Pai que está em oculto” estamos sendo convidados a ir para um nível de oração secreta, e convenhamos que essas orações no “secreto” tendem a ser as melhores/piores. Por quê? O lugar secreto é o lugar onde Deus nos espera para um encontro a sós. Sem espectadores, sem bajuladores, sem críticos, sem apoiadores. Somente você e Deus. Reflita por um momento, sobre a diferença da sua oração quando você está na igreja, rodeado por irmãos, e quando você está sozi- nho, no secreto com Deus. O nosso verdadeiro eu só vem à tona se estivermos no oculto. Neste lugar de privacidade podemos abrir o nosso coração sem nos preocuparmos com nada. É um privilégio celeste ter encontros com Deus no secreto. Isso não significa que não devemos orar na igreja ou em outros lugares públicos, mas sim, que a oração no secreto precisa acontecer disciplinarmente, 72 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS para a saúde da nossa alma e fortalecimento do nosso espírito. Da mesma forma a leitura bíblica, o jejum, a devoção e a caridade. Por mais que seja uma ordenança de Jesus, infelizmente, o lugar secreto possui uma grande tentação: somos tentados a deixá-lo de lado. Não é fácil ser sincero. Certamente é mais fácil e confortável ser hipócrita. Quão difícil é chegar no secreto e ter que admitir diante do Todo-Poderoso que mais uma vez falhamos no mesmo erro, que mais uma vez não nos esforçamos para acertar, que mais uma vez sentimos inveja do nosso irmão, que mais uma vez pagamos o mal com o mal, que mais uma vez a nossa fé foi pequena. Por ser tão difícil muitos cristãos têm preferido não ir até o Pai. Devemos nos lembrar que na terra não temos ninguém para impressionar, mas no céu temos um Deus a agradar. Esse devocional é um convite: vamos ao lugar secreto? Senhor Jesus, agradecemos pela oportunidade que nos con- cedes de te encontrarmos no lugar secreto. Que o teu Espírito Santo sempre nos conduza com temor e total sinceridade. Nos ensine a viver da maneira que te agrada e afaste todo resquício de hipocrisia do nosso coração. Em nome de Jesus, amém. 73O CANDEEIRO A VIRTUDE E A MORALIDADE Vitor Germano da Silva Oliveira Membro da Igreja Presbiteriana do Brasil, Sapucaia do Sul, RS, Brasil. Ora, o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo. (Romanos 1:13) Virtude e moralidade não são a mesma coisa. A virtude supera a moralidade, vai além dela. Ambos são dois pilares fundamentais que, embora frequentemente confundidos, desempenham papéis distintos e complementares em nossa busca por uma vida signi- ficativa. A moralidade, em sua essência, serve como um guia que nos orienta na diferenciação entre o certo e o errado. Ela repousa sobre princípios e normas que se acredita serem universalmente aplicáveis. Este alicerce moral oferece uma base sólida para nossas decisões e ações, proporcionando uma bússola moral em um mun- do cada vez mais complexo. Por outro lado, a virtude transcende a mera conformidade com normas éticas. Ela se refere às qualidades intrínsecas do caráter humano que elevam a vida para além do simples cumprimento de deveres morais. Inspirada na busca da excelência, a virtude não é apenas sobre fazer o que é certo, mas sobre viver uma vida marcada pela nobreza e integridade. Na busca por uma vida que honre a Deus e beneficie os outros, os cristãos são chamados a cultivar as virtudes, indo além da simples moralidade. Ao fazê-lo, não apenas solidificamos nosso alicerce 74 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS moral, mas também nos esforçamos para viver uma vida que re- flita a excelência do caráter divino. Assim, a moralidade fornece o alicerce, enquanto a virtude nos impulsiona a viver uma vida verdadeiramente excelente aos olhos de Deus e da humanidade. Senhor Deus, obrigado por tua imensa graça, teu perdão. Capacite-nos a alcançar a excelência da virtude cristã para nossas vidas. Em nome de Jesus, amém. 75O CANDEEIRO O PODER DA PALAVRA E DO PERDÃO NA VIDA CRISTÃ Vinicius Almeida Presbítero, Igreja Assembleia de Deus, Sapiranga RS, Brasil. A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto. (Provérbios 18:21) Ao descobrir que alguém falou mal de si, é natural sentir revolta e ira. Entretanto, esta reflexão propõe uma abordagem baseada na necessidade de controlar a língua e praticar o perdão, de acordo com os ensinamentos bíblicos. O Salmo 141:3 clama: “Senhor, coloca um guarda em minha boca e vigia a porta dos meus lábios!”, ressaltando a importância de controlar as palavras. Provérbios 18:21 destaca que a língua tem poder sobre a vida e a morte; a prudência na utilização dela resulta em frutos positivos. Uma palavra mal proferida pode romper relacionamentos, quebrar confianças, esfriar amores e destruir pessoas. Devemos lembrar como nos sentimos ao saber que alguém falou mal de nós, pois o próximo também se sentirá da mesma forma. Jesus, como o Verbo, exemplifica o poder da Palavra para abençoar e gerar vida, no evangelho de Mateus 7:12 Ele nos orienta a honrar o próximo: “tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós também a eles”, essa é a Lei de Ouro da Bíblia. Provérbios 12:18 destaca que palavras sábias trazem cura, enquanto palavras mal proferidas podem destruir. Mesmo ao sentir-se injustiçado perdoe, abençoe, gere vida e flua. Sua boca pode ser uma fonte de bênçãos para curar 76 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS corações e espalhar esperança na vida de outras pessoas. Não dê espaço para mágoa, não se aprisione no cárcere do ressentimento. Observe o exemplo de Estevão que, cheio do Espírito Santo, em Atos 7, é citado como inspiração para manter a integridade diante dos adversários. A capacidade de perdoar plenamente é um sinal de estar cheio do Espírito Santo. O chamado não é apenas para ser um grande pregador ou cantor, mas para revelar o homem de dores através do perdão, Jesus. Ao perdoar revelamos nossa verdadeira natureza e mostramos o que ocupa nosso coração. Concluindo, a mensagem é clara: não permita que palavras contrárias mudem sua essência, mas mostre graça, bondade e, acima de tudo, revele Deus através do perdão. Ao fazer isso, cumpriremos nosso chamado de revelar o amor de Cristo e mostrar a assinatura do Autor por trás da poeira das ofensas. Que esta reflexão inspire um encontro com Deus, confrontação e consolo, guiando-nos para uma vida pautada no perdão e na sabedoria da Palavra. Amado Pai, que nossa língua seja uma fonte de bênçãos, construindopontes onde há divisão. Concede-nos a graça de perdoar como fomos perdoados por Ti. Que, em meio às adversidades, possamos refletir a verdadeira natureza de Cristo, cheios do Espírito Santo. Em nome de Jesus, amém. 77O CANDEEIRO QUEM É O NOSSO PORQUÊ Rilson Joás Guedes Bezerra dos Santos Membro da Igreja Assembleia de Deus, Tracunhaém, PE, Brasil. O próprio Senhor irá à sua frente e estará com você; Ele nunca o deixará nem o abandonará. Não tenha medo! Não desanime! (Deuteronômio 31:8) As circunstâncias da vida podem se apresentar como uma chuva repentina, para a qual não se está preparado. Pode chegar uma demissão no trabalho, uma palavra dura vinda de quem se confia ou uma notícia trágica sobre um ente querido. E isso pode levar o cristão a se perguntar o porquê de tudo. Nestas horas difíceis, é útil lembrar que o quem responde o porquê dos acontecimentos. Em vez de perguntar ‘por que hoje?’, pergunte-se ‘quem está co- migo em todo o tempo?’ Em vez de ‘por que comigo?’, pergunte-se ‘quem nunca me abandonou?’ E se ainda não O conheces, vasculhe as Escrituras e verás quem é o Eu sou. Ele diz: Eu sou aquele que trouxe livramento a Israel quando os israelitas foram escravos no Egito. Eu sou aquele que derrotou o gigante filisteu usando uma pedrinha nas mãos do jovem Davi. Eu sou aquele que venceu a morte e a humilhação, para dar vida e vida em abundância. Eu sou o Eu Sou. E não mudo de acordo com as circunstâncias, mas sigo fiel em todo o tempo. Por esse motivo, os israelitas o chamavam de Jeová Jirê, que quer dizer “Deus proverá”, pois sabiam quem estava com eles no momento mais difícil, quando os ventos mais fortes sopravam sobre suas casas. O Eu Sou estava com eles e era 78 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS sua rocha. E da mesma maneira o Eu Sou está com todo aquele que confessa o seu nome de todo o seu coração. Clame pelo Eu Sou e Ele te responderá. Santo Deus, agradecemos pois és Aquele quem responde nossas orações. És o Quem, que nunca nos deixou. E és quem vai à frente em nosso caminhar. Que sejas também o nosso motivo de seguir caminhando cada dia. Em nome de Jesus, amém. 79O CANDEEIRO EXCELÊNCIA DO PAI Márcia Vieira Silva de Almeida Membro da Comunidade Alcance Goiânia, Goiânia, GO, Brasil. Tudo que fizerem, façam de todo coração, como para o Senhor, não para os homens, sabendo que receberão do Senhor a recompensa da herança, pois é a Cristo, o Senhor, a quem vocês servem. (Colossenses 3:23) Em uma sociedade onde somos bombardeados por novas informações a cada minuto e somos convidados a sermos conhecedores de tudo um pouco, se tornar multitarefa tem sido o objetivo de muitos; os famosos executores de tudo, especialistas de nada. Mas o nosso Deus nos chama para ir na contramão do mundo. O Deus da maestria é Senhor da exce- lência e você e eu fomos criados à sua imagem e semelhança, isso significa que a excelência está em nosso DNA. Talvez a rotina do dia a dia turve nossos olhos sobre a importância e relevância que o trabalho de nossas mãos tem para o Reino de Deus. Hoje é dia de olhar com os olhos de Deus para o seu trabalho, essa foi a forma que Ele encontrou de tornar-nos cativantes para o mundo, criando a devida oportunidade de apresentar o evangelho a todos que nos cercam, independen- temente do tipo de trabalho que você exerça, seja ele do lar, colaborativo, empresarial, ministerial, proponha-se a ser a personificação da excelência de Deus nele! 80 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS Pai, abra os olhos do meu coração para que eu aproveite todas as oportunidades que me são dadas ao exercer com excelência meu trabalho, e que assim eu possa testemunhar e glorificar sobre a TUA maestria. Amém. 81O CANDEEIRO DOCE MORADA DO SENHOR Zípora Morgana Quinteiro dos Santos Membro da Igreja Assembleia de Deus, Santo Ângelo, RS, Brasil. Como é agradável o lugar da tua habitação, Senhor dos Exércitos! A minha alma anela, e até desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e o meu corpo cantam de alegria ao Deus vivo. (Salmos 84:1-2) O coração do salmista, um filho de Corá, transborda em versos poéticos no Salmo 84 revelando um profundo anseio por habitar na doce morada do Senhor. Neste cântico inspirado, somos guia- dos a uma reflexão devocional sobre a beleza inigualável de estar na presença de Deus. A poesia do Salmo 84 nos transporta para a época dos levitas, cuja vocação era servir no Templo. Imagine o privilégio de adorar o Altíssimo em um lugar tão sagrado! As referências ao “vale de Baca” sinalizam para nós, peregrinos na jornada da vida, que podemos encontrar o Senhor mesmo nos períodos áridos e desafiadores. Os tabernáculos e átrios menciona- dos ressaltam a relevância do Templo como o centro da adoração. No silêncio dos átrios, nos deparamos com o verso 10, que ecoa como um hino celestial: um único dia na casa do Senhor supera mil dias em outros lugares. Este versículo, tão profundamente cristocêntrico, destaca a supremacia do culto e da adoração. Que privilégio é trocar nossos fardos por momentos nos átrios do Altíssimo! As palavras contidas neste poema nos instigam a re- fletir sobre o valor da comunhão com Deus. Em nossas próprias 82 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS jornadas somos convidados a reconhecer que, mesmo nos dias mais sombrios, encontramos refúgio na presença do Deus vivo. Deus não apenas renova nossas forças, mas também nos oferece consolo e paz em meio às adversidades da vida. Cada palavra deste Salmo é um chamado ressoante à nossa alma, convidando-nos a buscar incessantemente a presença divina. Através da oração e adoração somos guiados a uma comunhão íntima com o Senhor e lembrados de que a jornada espiritual é enriquecida pela constante busca pelo coração de Deus. Assim como o salmista encontrou consolo e renovação nos átrios do Senhor, nós também podemos experimentar a plenitude da Sua presença. Que, em cada passo de nossa jornada, possamos ansiar pelas doces moradas do Senhor, reconhecendo que, em Sua presença, encontramos a verdadeira alegria e satisfação. Que este Salmo inspire nossas almas a uma adoração fervorosa, pois, verdadeiramente, um dia na presença de Deus supera mil dias em qualquer outro lugar. Senhor, nosso coração anseia pela doce presença que per- meia os átrios do Teu santuário. Assim como o salmista, sentimos a beleza e a paz que fluem da Tua habitação. Nos momentos áridos do ‘vale de Baca’, que nossa fé permaneça inabalável, confiante em que, ao buscar-Te com fervor, en- contraremos refrigério. Que nosso viver seja marcada pela constante busca pela Tua face, pois melhor é um dia nos Teus átrios do que mil em outro lugar. Amém. 83O CANDEEIRO RESSIGNIFICANDO A DOR Danilo Zanon dos Santos Membro da Igreja Assembleia de Deus Alto do Ipiranga, Santo André, SP, Brasil. Quando desembarcaram, viram ali uma fogueira, peixe sobre brasas, e um pouco de pão. (João 21:9) O cenário aqui: Cristo morreu. Os discípulos estão perdidos em sua vida. Aquele com a qual Pedro e os outros passaram pouco mais de 3 anos juntos morreu. O reinado esperado por eles não veio. A pergunta que fica é: o que vem agora? Quem nunca passou por isso? A vida fica confusa e o medo brota no coração. Normalmente encontramos descanso naquilo que sabemos fazer. E é isso que Pedro e os amigos vão fazer: pescar. Mas mesmo sendo pescadores experientes, tudo dá errado. Não conseguem pescar nada. E quem está na beira da praia? Jesus com uma fogueira, peixe e pão. De início eles não reconhecem Jesus, mas o milagre vem e eles cor- rem em direção ao mestre ressurreto. A esperança reacende, mas ainda falta o tratamento. Pedro aqui fica cara a cara com o Jesus e na frente de uma fogueira, o mesmo cenário de quando, dias atrás ou capítulos anteriores ele o tinha negado (João 18:15-27). Hoje em dia falaríamos que isso dispararia um ‘gatilho’ trazendo a má recordação. Hoje, regra geral, quando nos tornamos cristãos, temos asensação de que viveremos uma vida protegidos por um Pai que não nos fará passar por certas situações. Se aquilo me traz dor, Ele irá me fazer passar por outro caminho. Mais leve. Mas a realidade não é essa e não é o que Ele quer para nós. Deus quer 84 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS ressignificar seu passado. Ele vai te fazer passar muitas vezes pelo mesmo cenário que você passou e que te feriu, para te mostrar que agora a realidade é outra. Que ela foi ressignificada pela vida dada por Jesus Cristo. Ele quer curar suas dores e te trazer para o propósito dEle! A sequência do texto (João 21:15 em diante) traz a redenção de Pedro. “Pedro tu me amas?” Ele responde “sim” três vezes em alusão às três negativas. Pedro não é mais o mesmo, agora ele é pescador de homens! Então, confie no processo! Pode doer, mas Deus quer ressignificar sua dor. Continue e se torne um pescador de homens para a glória dEle! Amado Deus e Pai, obrigado por esse infinito amor, que nos traz cura, amparo e crescimento. Muitas vezes em nossa vida queremos atalhos, mas o Senhor sabe o melhor para nós. Nos dê um coração paciente, que espera em Ti mesmo quando tudo parece confuso e sem sentido. Te louvo por sua infinita bondade e sabedoria! Amém. 85O CANDEEIRO O DEUS CONHECIDO Paulo Matheus Souza de Souza Membro da Igreja Assembleia de Deus Jardim Botânico, Porto Alegre, RS, Brasil. Agora eu proclamo para vocês aquilo que vocês adoram em sua ignorância. O Deus que fez o mundo e todas as coisas nele, sendo Ele o Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. (Atos 17:23-24) Quando Paulo proferiu essas palavras no meio da multidão ateniense, iniciou algo que transformaria profundamente a com- preensão de Deus na história da Igreja. O judaísmo, limitado pela promessa, teve dificuldade em aceitar essa mensagem, pois o “Deus Desconhecido”, adorado pelos filósofos epicuristas e estoicos, era de uma essência em grande parte desconhecida até mesmo para o povo hebreu. Os falsos deuses do Antigo Testamento exigiam adoração mediante sacrifícios e submissão imoral, mas o Deus verdadeiro, o Logos, revelava-se também por meio do conheci- mento. Assim, o Deus que os filósofos adoravam compartilhava semelhanças ao Deus verdadeiro, com a diferença crucial de que Ele próprio havia vivido entre nós, realizando milagres e profe- rindo palavras eternas. Essas ações não apenas atraíam multidões, mas também convenciam as pessoas de sua condição natural caída. Paulo não estava defendendo a adoração daquela estátua representativa; ao contrário, ele proclamava a mensagem da cruz, na qual o próprio Criador sofreu, mas ressuscitou para Sua glória 86 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS e honra. Mesmo diante da zombaria daqueles que consideram a vitória sobre a morte uma loucura, houve também aqueles que responderam positivamente ao discurso. Portanto, conscientes de que Deus cuida de Seu povo não por Sua ira, que mereceríamos de qualquer maneira, mas por Sua graça, busquemos diariamente conhecê-Lo mais profundamente. Isso nos preservará da perdição pela falta de sabedoria e nos permitirá confiar n’Ele diante das adversidades. Lembremo-nos de que Ele não reside apenas em nossos resultados, mas, pelo Seu Santo Espírito, habita em cada coração sedento pelo Deus que se revela por Sua palavra. Bondoso Deus, que nos cuida e nos guia através do Seu Santo Espírito, que o Senhor se revele cada vez mais através da Tua Palavra, pelo exemplo de Cristo, iluminando nosso caminho. Que, em meio às adversidades, possamos confiar em Ti, sabendo que Tu cuidas de nós não por ira, mas por amor. Que o Espírito Santo habite em nós, guiando-nos e satisfazendo nossa sede por Ti. Amém. 87O CANDEEIRO O PECADO DE NÃO ORAR Paulo Medeiro Membro da Igreja Assembleia de Deus de Águas Claras, Brasília, DF, Brasil. E, quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o Senhor, deixando de orar por vós; antes, vos ensinarei o caminho bom e direito. (1 Samuel 12:23) É fato que a falta de oração é um estado de inimizade contra Deus. Você tem dúvida? Todos os fracassos que nos sobrevêm são por não orarmos, orarmos sem fé ou orarmos para nossa própria honra e glória, produzindo uma vida sem alegria, esperança, sa- bedoria e direção; e repleta de aflições e indecisões; ou seja, sem prosperidade. Nossas orações, em geral, buscam resolver nossos problemas pessoais e estão centradas em nós mesmos. Sendo assim, é pecado quando oramos e pedimos para consumir em nossa luxú- ria ou orgulho aquilo que Deus nos deu. A oração é fundamental, pois revela claramente o coração. De fato, enquanto o adultério, o assassinato e a blasfêmia podem apanhar desprevenida uma pessoa obcecada pela mente carnal, não orar é o próprio coração dessa mente. Os discípulos rogaram a Jesus: Senhor, ensina-nos a orar (Lc 11:1). Não disseram: Senhor, ensina-nos como orar. Sendo assim, oremos! Nosso Deus e Pai, agradecemos a Ti por mais esse dia e pela vida que nos concedeu. Santo Espírito venha estar conosco, 88 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS nos ajudando e nos transformando, para que por meio de cada atitude possamos expressar a Glória de Deus. Que ao falarmos, ao nos relacionarmos, ao trabalharmos, e em tudo o que fizermos, possamos transmitir os valores do Teu Reino de amor, integridade, retidão, misericórdia e justiça. Que nenhuma carne se glorie, que nenhum “eu” chame mais atenção do que o SENHOR através das nossas vidas, que possamos reconhecer sempre o Teu agir, o Teu querer, a Tua bondade, o Teu governo e a Tua Soberania. SENHOR seja sempre o Primeiro em tudo o que fizermos e nos ajude neste dia e em todos os outros de nossas vidas. Em nome de Jesus, amém. 89O CANDEEIRO PREPARANDO-SE PARA TESTEMUNHAR: SANTIFICAÇÃO NA MISSÃO DE DEUS Zípora Morgana Quinteiro dos Santos Membro da Igreja Assembleia de Deus, Santo Ângelo, RS, Brasil. Preparai-vos, santificai-vos; porque amanhã fará o Senhor maravilhas no meio de vós. (Josué 3:5) O contexto bíblico de Josué 3:5 ocorre durante a preparação do povo de Israel para atravessar o rio Jordão e entrar na Terra Prometida. Este versículo é parte do discurso de Josué ao povo, enquanto eles se preparam para a grande travessia. Deus havia prometido a Josué que Ele estaria com ele assim como esteve com Moisés (Js 1:5), e agora chegou o momento de cumprir essa promessa. Antes de atravessarem o rio, Josué instrui o povo a se santificar, a se purificar, pois no dia seguinte Deus faria maravilhas no meio deles. Essa santificação incluía não apenas uma purificação cerimonial, mas também um preparo espiritual e moral. O povo deveria se afastar do pecado e se dedicar ao Senhor, mostrando sua prontidão para obedecer e confiar em Deus. Para nós, o ver- sículo de Josué 3:5 ecoa como um chamado divino à santificação, preparando-nos para presenciar as maravilhas de Deus. Não é meramente um ato de purificação pessoal, mas um preparo es- sencial para a missão que Deus confia a cada um de nós. Ao nos engajarmos na obra missionária, seja como indivíduos, comuni- 90 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS dades ou missionários dedicados, somos chamados a nos separar do mundo e nos consagrar ao Senhor. A santificação não é apenas uma formalidade externa, mas uma transformação interna que nos torna mais semelhantes a Cristo, capacitando-nos para a missão que Ele nos confia. Assim como Israel se preparou para cruzar o Jordão e conquistar a Terra Prometida, nós nos preparamos para enfrentar os desafios missionais com fé e confiança. A vida mis- sionária é uma jornada de fé, onde confiamos em Deus para nos guiar, capacitar e realizar grandes feitos através de nós. Cada passo na missão deve ser impulsionado pela santificação e guiado pelo Espírito Santo, para a glória do nome do Senhor. É essencial que nos consagremos, separando-nos do pecado e dedicando nossas vidas ao serviço do Reino. Respondendo aochamado de Deus para nos santificar, refletimos o amor, a graça e o poder transformador de Deus em nossas vidas. Amado Deus, à luz da Tua Palavra, reconhecemos a impor- tância da santificação na obra missionária. Capacita-nos a nos consagrar mais e mais a Ti, refletindo o caráter de Cristo em todas as nossas ações. Usa-nos como instrumentos em Tuas mãos para levar o Evangelho com poder e autoridade aos confins da terra. Que possamos refletir o caráter de Cristo, sendo luz no meio das trevas, testemunhando do Teu amor e graça a todos que encontrarmos. Em nome de Jesus, oramos. Amém. 91O CANDEEIRO EM QUEM TEMOS CRIDO Murilo César Bezerra Neto Membro da Igreja Ação Evangélica, Patos, PB, Brasil. Levando-o para fora da tenda, disse-lhe: “Olhe para o céu e conte as estrelas, se é que pode contá-las”. (Gênesis 15:5a) Infindáveis vales separam aquilo que o Senhor nos diz e aquilo que vemos. O Senhor nos manda ir por haver uma terra que nos espera, mas enxergamos apenas o deserto em redor. O Senhor diz para olhar o céu e contemplar a Sua Maravilhosa Promessa, mas há noites em que as estrelas parecem ser apenas estrelas. Como ter fé, então? Olho no espelho e vejo apenas terra seca e arrasa- da. Os passos ficam mais pesados e as dúvidas inundam a mente como dilúvio devastador. As dores no peito jogam-nos ao chão e continuar parece impossível. Mas, ainda assim, continuamos. Mesmo cansados e duvidosos, permanecemos. Só pode então ser tua Graça, Senhor. Nossa fé persiste. Nossa pequena e duvidosa fé continua aqui. Ela é a certeza da Promessa e prova do que ainda não contemplamos. Mesmo surrada e sofrida, a fé ainda é fé, pois não somos salvos pela intensidade com que cremos, mas pelo Poder Daquele em Quem temos crido. Todo-poderoso Deus, criador do universo e de tudo que nele há, ajuda-nos em nossa incredulidade. Fortalece a nossa crença sempre que esta for abalada pelas inflamadas setas 92 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS do Maligno. Faz-nos olhar fixamente para Jesus, autor e consumador da nossa fé. Concede-nos graça para permane- cemos firmes em Ti, mesmo diante dos desertos dessa vida. Assim nós clamamos, mediante Cristo, nosso Senhor. Amém. 93O CANDEEIRO O CONTENTAMENTO NO SENHOR Angela Fernanda Joia Membro da Igreja Presbiteriana Central de Pato Branco, PR, Brasil. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. (1 Timóteo 6:10) Você já parou para pensar em como nossa cultura está minada no que diz respeito ao dinheiro? Quando observamos a mídia, encontramos grande ênfase no comércio ou de nos pressionar a ganhar mais e mais; sendo isso por meio de cursos imperdíveis, ofertas irrecusáveis e negócios que você não pode deixar passar. Essa cultura nos traz ansiedade e, muitas vezes, tira a nossa paz. Enfatizo que o foco não é falar do dinheiro como algo que não seja algo importante ou necessário, precisamos dele para sobreviver e é digno trabalhar para conquistá-lo. A própria Bíblia aconselha sobre isso. Dinheiro é uma benção de Deus para o sustento de sua obra e de seus filhos. Entretanto, por vezes, o amor ao dinheiro está aos poucos tomando conta de nós e sequer percebemos, infiltrando-se em nossos pensamentos e nos enchendo de preocupação quanto ao futuro. Isso pode nos levar a confiar menos na providência divina que nos permite entregar nosso fardo e descansar. E quando nos deparamos, estamos inquietos com o que havemos de comer e ves- tir, como iremos pagar as contas ou fissurados em uma renda extra para ontem. Isso pode estar nos impedindo de nos deleitarmos 94 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS no Senhor e confiar inteiramente em seu cuidado. Ele se importa conosco, a Sua palavra nos assegura isso. Não ficaremos “para trás” ou “obsoletos” ao não entrar de cabeça em todas as novidades do mercado ou produtos novos para consumo. O contentamento na vida do cristão é fundamental para gastarmos nossa vida no que realmente importa e não dar lugar a vãs preocupações. Espero que, ao ler as Escrituras, orar e nos afastar um pouco dessa enxurrada de informações questionáveis por toda parte, possamos ver a dádiva que é viver contente com aquilo que Deus tem provido, podendo confiar sem pestanejar em um Pai amoroso e cuidadoso. E, acima de tudo, lembrando que nossa esperança não está no que o dinheiro pode comprar, mas no grande preço que Cristo já pagou na cruz por nós. Senhor, peço para que molde nossos corações cansados e sobrecarregados segundo ao seu. Que possamos viver uma vida intencional, onde o dinheiro não seja nosso ídolo, mas uma ferramenta com propósito para a sua obra em nossas vidas. Amém. 95O CANDEEIRO O QUE DE FATO IMPORTA Danilo Zanon dos Santos Membro da Igreja Assembleia de Deus Alto do Ipiranga, Santo André, SP, Brasil. Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é agradar aquele que o recrutou. Igualmente, o atleta não é coroado se não competir segundo as regras. (2 Timóteo 2:4-5) O tema aqui é propósito. Paulo está fazendo uma analogia de atletas, pois era um tema de conhecimento do povo e fácil de trans- mitir a mensagem. Uma das maiores dificuldades em nossa vida hoje é manter o foco. Principalmente em Deus. Afinal, já é difícil na vida. São tantas coisas a fazer, não é mesmo? Casa, trabalho, parentes, cônjuge, filhos e um monte de coisas que insistimos em colocar para nos sentirmos bem e importantes. Mas, afinal, o que é importante de verdade? Nosso cargo e conquistas? Não. Nossos bens? Menos. Nada isso basta se perdemos a salvação, pois nossa vida é muito curta, independentemente do tempo, comparada à vida eterna. Se o nosso alvo é Cristo, como nos comportamos? Estamos focados no alvo? Por exemplo, o atleta, para chegar à linha de chegada, precisa fazer renúncias. Ele deve ter tempo para se dedicar ao treino, ter alimentação controlada, se abster de festas e coisas que não envolvam seu objetivo final. Ele tem claro o seu objetivo e se quiser atingir esse objetivo deverá colocar seu plano em prática. Como Jesus, que em sua vida ministerial poderia curar milhares de outras pessoas, mas Ele tinha claro seu objetivo e 96 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS propósito, sua vida estava alinhada ao Pai. Ele não veio (apenas) para curar enfermidades físicas. Ele não estava preocupado com as coisas desse mundo, pois Seu propósito era maior. Como diz uma música cristã: “Passarinhos, belas flores, querem me encantar, são vãos terrestres esplendores, mas contemplo meu lar! Virá o rei Jesus, meu coração deseja vê-lo! Em sua presença para sempre estar, aguardo o dia em que Ele vem nos buscar”. Que o nosso coração esteja inclinado à presença do Pai e que isso dite o rumo de nossas vidas. Não nosso trabalho, cargo ou conquistas. Nosso foco deve ser a linha de chegada, e se for necessário sacrifícios, assim será feito, sempre olhando para o que realmente importa: A vida Eterna com Deus! Amado Deus e Pai, louvo o Teu santo nome. Obrigado por falar conosco através de sua palavra. Continue diariamen- te a nos conduzir para o centro da sua vontade, e que isso não seja meras palavras genéricas, mas que eu entenda e manifeste Seu reino em todas as áreas da minha vida! Te agradecemos pela tua graça e paz constantes em nossa vida! Amém. 97O CANDEEIRO PERSEVERAI NA ORAÇÃO Paulo Medeiro Membro da Igreja Assembleia de Deus de Águas Claras, Brasília, DF, Brasil. Dediquem-se à oração, estejam alertas e sejam agrade- cidos. (Colossenses 4:2) É interessante observar como é grande a parte das Escrituras Sagradas que fala da oração, seja fornecendo exemplos, reforçando preceitos ou anunciando promessas. Mal abrimos a Bíblia, lemos: “daí se começou a invocar o nome do SENHOR” (Gn 4:26), e quando estamos prestes a fechar o livro, o “amém” de uma fervorosa súplica chega aos nossos ouvidos (Ap 22:21). Oscasos são abundantes. Aqui encontramos um Jacó em conflito (Gn 27:35), ali um Daniel que orava três vezes ao dia (Dn 6:10), e um Davi que, do fundo do seu coração, clamava por seu Deus. Na montanha vemos Elias (1 Re 19:8); na masmorra, Paulo e Silas (At 16:25-26). Temos uma multidão de mandamentos e uma infinidade de promessas. O que isso nos ensina além da sagrada importância e necessidade da ora- ção? Podemos ter certeza de que tudo o que Deus destacou em Sua Palavra, Ele pretende que seja visível em nossa vida. Se o Senhor falou tanto sobre a oração é porque sabe o quanto precisamos dela. Nossa necessidade é tão profunda que, até chegarmos ao céu, não devemos parar de orar. Você não quer nada? Uma alma sem oração é uma alma sem Cristo. A oração é a respiração, a palavra de ordem, o conforto, a força e a honra do cristão. Se você é um filho de Deus, irá procurar a face do Pai para viver em Seu amor. Ore para que 98 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS você seja santo, humilde, zeloso e paciente; tenha uma comunhão íntima e direta com Cristo e que participe com mais frequência do Seu amor. Ore para ser exemplo e bênção aos outros, e para que possa viver mais para a glória de nosso mestre Jesus. Amado Pai celestial, nos aproximamos de Ti em oração, inspirados pelas palavras do apóstolo Paulo. Ele nos exorta a perseverar na oração, a estar vigilantes e agradecidos. Assim, SENHOR, queremos seguir esse conselho, buscando uma vida de comunhão contigo. SENHOR, ensina-nos a ser persistentes na oração, a manter uma conexão constante contigo, reconhecendo que é através da oração que nos achegamos mais perto de Ti. Ajuda-nos a superar as distra- ções e as pressões do dia a dia, para que possamos dedicar tempo para falar contigo em oração. Que a nossa vigilância seja constante, ó Deus, para que possamos discernir a Tua vontade em todas as circunstâncias. Dá-nos sabedoria para compreender os sinais que nos envias e a coragem para agir conforme a Tua direção. Que estejamos atentos aos propósi- tos que tens para nossas vidas. Expressamos nossa gratidão, SENHOR, por tudo o que és e por tudo o que fazes. Que a nossa oração não seja apenas uma lista de pedidos, mas também uma expressão de gratidão pelo Teu amor, graça e fidelidade. Enche nossos corações de gratidão, mesmo diante dos desafios, sabendo que em todas as coisas Tu estás no controle. Que a perseverança na oração, a vigilân- cia espiritual e a gratidão constante sejam características evidentes em nossa jornada de fé. Confiando que, em Cristo, encontramos acesso ao Teu trono de graça, elevamos esta oração em Seu nome. Amém. 99O CANDEEIRO O PROPÓSITO DE JESUS CRISTO É O PERDÃO Adilson Inhance Junior Diácono na Igreja Assembleia de Deus de Marmeleiro, PR, Brasil. Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas. (Mateus 6:15-15) O Senhor Jesus Cristo transformou vidas por onde esteve e onde tocava (Mt 14:32) e mesmo após sua morte de cruz os crentes são convictos da sua ressureição, pois são testemunhas vivas do seu amor e do seu poder. O perdão que Jesus apresentou no Sermão da Montanha é uma profunda verdade; retrata também a visão Dele para chamar seus seguidores de filhos de Deus e para que vivam o evangelho não conforme sua crença ou os seus próprios desejos pessoais, mas vivam de acordo com a Sua vontade. O Su- premo Pastor apresentou a vontade do seu perdão para aqueles ouvintes e para toda humanidade, sua Palavra não alterou com o passar do tempo, Ele permanece fiel (1 Jo 1:9). É fato a resistência em praticar o perdão; difícil é para o ser humano restaurar sua ofensa, bem como liberar a restauração para alguém que o tenha ofendido. A negligência alimenta sentimentos terríveis ao passar das primaveras, como tristeza e rancor, as profundas raízes de amargura no coração o que indica estar distante a possibilidade 100 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS de seguir o Mestre. Se esquecem e passam a acreditar nos pró- prios pensamentos de que não é mais necessário, que o tempo se encarregou de resolver a situação, mas na sua consciência o Espí- rito Santo age, ainda que por um momento, recordando o cristão da necessidade de pôr algo no lugar, algo que ele procura e não encontra. No coração haverá recordações dolorosas do passado que não foram bem resolvidas, e eles pensam: o que isso tem a ver, querem esquecer e não sentir essa dor que ficou no passado. Porém, Jesus nos confronta aqui, pois é enganoso o coração, e somente o poderoso Deus nos ama e nos conhece mais que nós mesmos (Jr 17:9). A verdade é que os salvos foram resgatados do pecado e chamados para serem libertos, vivendo de forma plena com Jesus, não há amarras do inimigo. Diante do amor do Pai e pelo agir Dele em suas vidas os filhos encontram coragem de viver o sobrenatural e por isso aceitam o Seu agir nos sentimentos mais profundos para curar. Os filhos de Deus não foram resgatados para agora terem sentimentos de menosprezo por alguém ou mágoas intermináveis, mas sim chamados para perdoar e liberar perdão a quem quer que seja, para acreditar no poder de Cristo e viver as promessas e os propósitos divinos exercendo os dons que a graça Dele concedeu. Creia no propósito de Jesus Cristo para sua vida! Pai, somos gratos pela vida, pelo seu perdão e pelo amor que tens por nós todos os dias. Oro para que o Senhor nos conceda força e coragem para viver o chamado, para em Seu Nome praticarmos o perdão, sermos totalmente libertos e vivermos o Teu melhor que ainda está por vir! Em nome de Jesus, nos guie para águas tranquilas. Amém. 101O CANDEEIRO QUANDO CORAÇÕES QUEIMAM Zípora Morgana Quinteiro dos Santos Membro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, Santo Ângelo, RS, Brasil. Perguntaram-se um ao outro: “Não queimava o nosso coração quando Ele falava conosco no caminho e nos explicava as Escrituras?” (Lucas 24:32) Neste relato de Lucas 24 somos transportados para a estrada de Emaús onde dois discípulos desanimados encontram Jesus após Sua ressurreição. Inicialmente cegos para Sua presença, eles caminham tristes, não reconhecendo que era o Mestre ao lado deles. Jesus começa a explicar as Escrituras, revelando como cada evento se alinhava às profecias antigas. Ao chegarem em Emaús, convidam-no a ficar, e, ao partir do pão, finalmente O reconhecem. É neste momento que expressam o que sentiram durante a jornada, reconhecendo a singularidade da experiência enquanto Jesus lhes explicava as Escrituras. Jesus, o Mestre divino, caminhou ao lado deles, revelando os mistérios das Escrituras. Embora inicialmente não O reconhecessem, os discípulos sentiram a presença palpável do Salvador. Essa presença não apenas aqueceu seus corações e a compreensão das profecias messiânicas não apenas iluminou suas mentes, quando a verdade das Escrituras se torna pessoal, quando vemos a Palavra viva em nossas vidas, experimentamos uma experiência impactante e transformadora. Ele é o Verbo vivo, desvendando os mistérios divinos, iluminando mentes obscure- 102 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS cidas e restaurando nosso ser caído. À medida que Jesus revela a verdade, o Espírito Santo age, tornando claro o caminho espiritual diante de nós. Quando os discípulos caminhavam com Ele, suas palavras eram como fogo, aquecendo e iluminando. Essa ilumina- ção não é apenas intelectual, mas também espiritual e emocional, gerando uma resposta profunda à revelação divina, inflamando nossos corações e manifestando o plano redentor de Deus. Ao perceberem que seus corações ardiam na presença de Cristo, os discípulos reconheceram que estavam diante do Messias prome- tido, e essa consciência os impeliu a uma ação imediata; movidos pelo reconhecimento, retornaram imediatamente a Jerusalém para compartilhar a notícia com os outrosdiscípulos. O coração ardente não é egoísta, é uma chama que busca inflamar outros corações. A alegria da revelação deve ser compartilhada para que outros também se aproximem de Cristo. Que possamos buscar essa experiência transformadora, reconhecendo a importância do entendimento espiritual e da presença constante de Cristo em nossa jornada diária. Que, ao reconhecermos esse fervor, não guardemos para nós mesmos, mas compartilhemos a boa nova com aqueles que estão ao nosso redor. Que a chama do coração ardente se espalhe, iluminando vidas e conduzindo outros a Cristo. Senhor, que Tu abras nossos olhos para compreendermos as Escrituras à luz de Cristo. Que nossos corações ardam na Tua presença, e que essa chama nos mova a compartilhar a verdade transformadora do Evangelho com aqueles que nos rodeiam. Em nome de Jesus. Amém. 103O CANDEEIRO OLHOS NO ALVO Tais Rostirola Obreira intercessora da Igreja Cristã Siloé, Socorro, SP, Brasil. Prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana voca- ção de Deus, em Cristo Jesus. (Filipenses 3:14) Todo ser humano desempenha diversos papéis enquanto vive neste mundo. Homem, filho, esposo, pai, empregado, patrão, aluno. Todos eles são vocações, ou seja, convites para executar funções. E cada função, quando executada, traz suas recompensas. O texto em destaque nos mostra que além dessas funções, há um chama- do mais elevado, é o que a Bíblia chama de soberana vocação. O desempenho fiel da soberana vocação trará uma recompensa eterna, que ladrões não poderão roubar e nem traça e ferrugem poderão comer. O apóstolo Paulo compreendeu que é desse tipo de prêmio que não se pode tirar os olhos, pois, se eu perder de vista a motivação pela qual corro a carreira da fé, essas funções podem ocupar o lugar de Deus, e ao invés de papéis, se tornarem objetos de adoração e as recompensas perecíveis serem o motivo da minha existência. Como prosseguir sem tirar os olhos do alvo? Ajustando nosso olhar ao de Cristo. Assim como precisamos de óculos ao ser diagnosticada alguma patologia na visão, o mesmo se dá na cosmovisão, que é a maneira que vemos todas as coisas. Jesus disse que os olhos são a lâmpada do corpo todo, então se eles não enxergam bem, para onde podem nos levar? Jesus é o cabeça da igreja e os olhos estão na cabeça, por isso Ele nos deu 104 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS meios pelos quais Ele continua sendo nossa cabeça, pensando, vendo e falando para que nós, o corpo, possamos executar seus comandos. Esses meios são a Bíblia, a oração, a liderança da igreja, o testemunho interior que o Espírito Santo nos dá. Seguindo essas luzes de navegação, nossos olhos estarão aptos para que, em meio a tantos papéis, o prêmio da soberana vocação continue sendo o alvo que traz sentido a qualquer outra função que Ele nos atribui. Pai, precisamos de olhos bons! Capacita-nos através dos meios que Seu Filho nos deixou, para que nenhuma recom- pensa momentânea desvie nosso olhar do alvo, que é o prêmio de estar para sempre na Sua presença, onde nada nos falta! 105O CANDEEIRO COMO SER UM SEGUIDOR DE JESUS CRISTO NESTA GERAÇÃO Lenito Beltrão Pastor na Igreja Assembleia De Deus Missão Integral, Colombo, PR, Brasil. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. (Romanos 12:2) Como seguidor de Jesus Cristo percebo que o que está aconte- cendo no mundo e em nosso país no que diz respeito aos enfren- tamentos pessoais, sociais, espirituais, relacionais e educacionais nestes dias extremamente marcados pelo relativismo espiritual, pela falta de senso de reflexão e pela explosão tecnológica tem sido um verdadeiro “Tsunami” em cima de todos. O texto de Romanos 12:2 “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” é muito atual, urgente e relevante. Ele mostra claramente que devemos viver e fazer as coisas do jeito de Deus aqui nesta terra marcada pelas obras das trevas; ele ainda adverte que não temos a obrigação de nos amoldar a tudo o que este sistema mundano oferece. É uma renúncia diária. É um desafio constante. Em ou- tras palavras, eu preciso ser transformado; eu preciso vencer pelo Poder do Espírito Santo e pelo Poder da obediência à Palavra de Deus tudo aquilo que me escraviza e que escraviza esta geração. 106 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS Então, precisamos trazer de volta tudo o que é agradável a Deus para a nossa existência e que nos faz viver uma vida com sentido e significado, algo que, infelizmente, se perdeu no tempo e no espa- ço. Seguir a Jesus Cristo significa entender o que Ele nos alertou: “De que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma” (Mc 8:36). É como dizia a poetisa Cora Coralina: “... e isto não é coisa de outro mundo, não! É o que dá sentido à vida e faz com que ela não seja nem curta nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira e pura enquanto durar”. Pai celestial, nos dirigimos a Ti humildemente em oração, reconhecendo a importância de sermos seguidores fiéis de Jesus Cristo nesta geração desafiadora. Em meio aos con- frontos pessoais, sociais, espirituais, relacionais e educa- cionais que enfrentamos, compreendemos que vivemos em um mundo marcado pelo relativismo espiritual, pela falta de reflexão e pela explosão tecnológica. Neste momento, clamamos pela Tua orientação e sabedoria, conceda-nos, Senhor, a graça de experimentar a Tua boa, agradável e perfeita vontade em meio aos desafios que enfrentamos. Capacita-nos, pelo Poder do Espírito Santo e pela obediên- cia à Tua Palavra, a viver uma vida que reflete a Tua luz em meio à escuridão deste mundo. Em nome de Jesus, amém. 107O CANDEEIRO EU FALEI DO QUE NÃO ENTENDIA Keire do Carmo Morais Cedro Membro da Primeira Igreja Batista, Feira de Santana, BA, Brasil. Tu perguntaste: “Quem é este que, sem conhecimento, encobre os meus planos?” Na verdade, falei do que eu não entendia, coisas que são maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia. (Jó 42:3) Talvez, se Jó soubesse o que nós, leitores do último século, sabe- mos quanto ao final da sua história de vida, ele tivesse dito coisas diferentes sobre Deus a seus amigos. Mas, Jó não sabia o futuro. Da mesma formas não sabemos o nosso futuro. Não sabemos por que ou para que muitas coisas acontecem do jeito como aconte- cem. E, justamente por não sabermos, somos chamados por Deus a confiar na vontade Dele muito mais do que procurar respostas. Jó fez muitas perguntas a Deus e como ele nós também podemos fazer. Dentre todos os detalhes lindos que este livro nos mostra, podemos destacar o fato de que Deus não responde a Jó com ira e nem o castiga por seus questionamentos em meio à extrema dor e sofrimento. Isso significa que nem todo questionamento é pecaminoso. Pecamos quando duvidamos da natureza divina, ou quando, à semelhança do povo de Israel no Êxodo, ofendemos a santidade de Deus reclamando das suas ações. Jó não fez nenhuma dessas coisas e, por isso, ainda que a resposta de Deus tenha sido terrivelmente maravilhosa, deixou nítido que Ele é o Criador e Jó 108 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS (como nós) é apenas uma criatura. Isso é lindo e consolador, por- que frequentemente nos esquecemos que Deus é amor e entende a nossa humanidade. A prova disso é que Cristo encarnou e viveu entre nós como um de nós. Ele entende que somos humanos e saber de tudo isso é maravilhoso demais para nós. A grandiosidade sem medida de Deus fez Jó reconhecer que ele estava falando de coisas que não conhecia. Apenas uma amostra simbólica da sua glória já foi suficiente para que Jó reconhecesse que “... agora meus olhos te veem”. Quanto mais podemos dizer nós que, além de sabermos o que houve com Jó, ainda podemos ver aDeus através de Cristo. Mais do que respostas, Deus nos deu a si mesmo. Glória a Deus por Jesus Cristo! Senhor, abra os meus olhos para que eu te conheça cada vez mais e possa amar-te realmente. Ainda que o Senhor não responda todas as minhas questões, que o seu amor em Cristo, por si só, seja a minha melhor resposta. Em nome de Jesus, amém. 109O CANDEEIRO O SERVIÇO E A PREGAÇÃO DO EVANGELHO Zípora Morgana Quinteiro dos Santos Membro da Igreja Assembleia de Deus, Santo Ângelo, RS, Brasil. E, descendo Filipe à cidade de Samaria, lhes pregava a Cristo. (Atos 8:5) No coração da missão de Filipe, encontramos um profundo compromisso com a missio Dei, a missão de Deus de redenção e restauração da humanidade. Sua jornada, registrada no livro de Atos, é um testemunho vívido de como ele respondeu às neces- sidades variadas das pessoas ao seu redor, mostrando-nos um modelo abrangente de serviço e evangelismo. Ao encontrar as viúvas desamparadas em Jerusalém, Filipe prontamente se colocou à disposição, revelando-nos a importância de responder às necessi- dades imediatas daqueles que nos cercam (At 6:1-4). Em Samaria, seu fervor pelo evangelho o levou a proclamar a mensagem de salvação com poder e autoridade, dissipando as trevas espirituais com a luz do amor de Cristo (At 8:5-6). E no encontro providen- cial com o eunuco etíope, alto funcionário da corte de Candace, a rainha da Etiópia, testemunhamos não apenas um momento de instrução, mas uma verdadeira revelação espiritual, onde Filipe, guiado pelo Espírito Santo, conduziu o eunuco, à compreensão das Escrituras e ao encontro pessoal com Jesus (At 8:35). A história de Filipe, nos relatos dos Atos dos Apóstolos, nos convida a refletir sobre o chamado de Deus para a missão e nossa resposta a Ele. 110 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS Assim como Filipe, somos chamados a ser parceiros na missio Dei, discernindo, por meio do Espírito Santo, para onde, para quem e para o que Deus nos convoca, a fim de responder às necessidades das pessoas ao nosso redor com amor, compromisso e compaixão. Em meio aos desafios da missão, confiamos na promessa de Cristo de que Ele estará conosco todos os dias, capacitando-nos pelo Seu Espírito para cumprir a grande comissão com determinação, responsabilidade e fidelidade (Mt 28:19-20). Assim, devemos buscar do Senhor sabedoria, poder e autoridade para discernir as oportunidades divinamente orquestradas para sermos instrumen- tos do amor de Cristo. Tomemos hoje uma posição, e o Senhor nos fortalecerá e habilitará para sermos testemunhas fiéis do Seu amor e da Sua graça, levando a palavra da verdade a um mundo perdido e necessitado. Amado Deus, guia-nos em nossa jornada de serviço e ousa- dia, assim como conduziste Filipe. Capacita-nos a discernir a Tua vontade e a responder ao Teu chamado com amor e compaixão. Que possamos ser testemunhas vivas do Teu amor redentor, levando tua palavra todos os que nos cercam. Em nome de Jesus, oramos. Amém. 111O CANDEEIRO NO VALE OU NA MONTANHA, ELE ESTÁ Jônatas Abreu Membro da Igreja Presbiteriana do Jardim, Campina Grande, PB. Brasil. [...] o meu socorro vem do Senhor, que fez os Céus e a terra. (Salmos 121:1b) Não é sempre fácil ou será olhar para cima. As vicissitudes da vida, muitas vezes, forçarão nossos olhos para baixo e tentarão curvar nossa “espinha”. As escrituras nos mostram exemplos de homens e mulheres que experimentaram glória e fracasso, nasci- mentos e luto, alegria e depressão, para nos mostrar que angústias e gozo não são privilégios ou maldições exclusivas. Todos nós, filhos de Adão, estamos expostos tanto às intempéries da vida quanto às suas venturas. Nos momentos de caminhada em direção ao tem- plo de Jerusalém, o povo de Israel, ao ver o monte Sião, cantava “elevo os meus olhos para os montes: de onde me virá o socorro?” Certamente, subir uma estrada íngreme na esperança de estar entre aqueles que iriam cultuar a Deus em Seu santo templo era um excelente combustível. Mas ainda assim, o que fazer quando precisamos escalar certos montes diante de nós e nos achegarmos a Deus em oração e súplica? A linha seguinte do salmo nos responde de maneira simples e direta: “meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra”. O próprio criador manifesta sua graça e Seu poder nos dando forças para subir os montes e adorá-lo. Não so- mente isso, Ele promete nos guardar e proteger mesmo do mal que 112 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS possa nos afligir por parte dos astros celestes. Naturalmente não precisamos fazer longas viagens para sacrificar ao Senhor; Seu filho foi entregue por nós e precisamos única e exclusivamente adorá-lo em Espírito e em verdade. Por Sua vez, Ele continua guardando a Sua promessa. Não cochila enquanto nos protege e sempre estará conosco através do Espírito Santo. Portanto, nosso privilégio não se encontra em poder desfrutar da mais confortável vida possível, mesmo que isso seja maravilhoso. Também não se encontra sentido para a existência no sofrimento autoengendrado. A resposta das Escrituras não está nos opostos diametrais, mas no alto. Como nos diz o Salmista, temos a vista de Deus por nossa sombra: “O Senhor olha dos céus; vê todos os filhos dos homens; do lugar de sua morada, observa todos os moradores da terra, ele, que forma o coração de todos eles, que contempla todas as suas obras” (Sl 33:13-15). É nesse único e verdadeiro Deus que podemos colocar toda a nossa confiança e anseios. Ele não cochila, não dorme, está sempre atento às nossas orações, mesmo que Ele mesmo responda negativamente aos nossos desejos. Ele enviou Seu filho único para viver e morrer em nosso lugar. Cristo conhece cada uma de nossas fraquezas, mesmo não tendo pecado. O nosso Sumo Sacerdote diante de Deus-Pai nos garante aproximação e proteção no Trono da Graça. Podemos confiar plenamente nele, “a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade” (Hb 4:15). E Ele mesmo promete que estará conosco todos os dias, até o fim dos Tempos (Mt 28:20). Amado Pai, muitas vezes é difícil confiar na Tua graça e na tua misericórdia. Me ajuda na minha incredulidade e, acolhendo meu coração e minhas dúvidas, encha-me de fé para caminhar em direção à Ti. 113O CANDEEIRO VIVENDO DE PROPÓSITO Danilo Zanon dos Santos Membro da Igreja Assembleia de Deus Alto do Ipiranga, Santo André, SP, Brasil. E Jesus, estendendo a mão, tocou nele, dizendo: – Quero, sim. Fique limpo! E, no mesmo instante, a lepra daquele homem desapareceu. Jesus ordenou-lhe que não contas- se isso a ninguém. E acrescentou: – Mas vá, apresente-se ao sacerdote e ofereça pela purificação o sacrifício que Moisés ordenou, para servir de testemunho ao povo. (Lucas 5:13-14) Jesus é nosso exemplo. Sei que é difícil a comparação, mas vemos Cristo em várias passagens curando enfermos e doentes e pedindo: “não conte isso a ninguém”. Como humanos, limitados e pecadores que somos, ficamos maravilhados com demonstrações visíveis da glória de Deus como a cura. Fazemos e vemos propagan- da disso, seja em testemunhos ou pregações. Até mesmo eventos disso vemos aos montes em igrejas e congressos. Mas a atitude de Jesus é diferente. Ele sabia que o que estava fazendo estava mara- vilhando a muitos e aumentando sua popularidade. Mas por que ele pedia para não contar? Simples: isso não era o propósito que movia seu ministério e seu coração. Ele não veio para (apenas) curar enfermos. O propósito que o movia era uma cura muito maior para a humanidade. Havia algo muito mais importante para fazer. Não apenas cura física, mas da alma. Havia uma cruz em seu caminho e nada ‘pequeno assim’ poderia pará-lo. E o que isso 114 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS nos ensina? Qual é o nosso propósito? Somos chamados a que? Veja: se Cristo focasse apenas nas curas, seria algo maravilhoso, não? Mais pessoas ainda sendo curadas. Imagina que glória seria! Milharesou milhões. E se Ele houvesse seguido esse caminho, onde ficaria a cruz? Onde estaria a salvação de nossas almas? Olhando para Cristo como exemplo e aplicando essa verdade a nossa vida, por vezes, será que não estamos atendendo nosso coração e não o caminho que Ele nos chamou? Queremos aparecer com os milagres visíveis de cura ou financeiros, com nossas orações fervorosas, com nossas pregações ‘poderosas’ ou até com nossa inteligência e sabe- doria, mas não queremos a vida de sacrifício que leva para a cruz, que Deus nos chamou. Podemos nos encher de coisas boas, mas que são terrenas e irrelevantes para o reino ou para a vida Eterna. Somos movidos por nosso ego e por milagres visíveis, buscando popularidade, ou estamos vivendo o reino e o propósito que Ele nos chamou, mesmo que esse caminho nos leve à cruz? Querido Deus e Pai, louvamos Teu santo e poderoso nome. Obrigado pela salvação e graça concedida pelo sacrifício de Jesus na cruz! Dê a nós um coração cada vez mais inclinado a seguir teus caminhos e propósitos. Que a sua glória seja manifestada através de nós e apesar de nós! Cremos e con- fiamos em Teus caminhos. Amém. 115O CANDEEIRO FELIZ O HOMEM QUE NÃO SE CONDENA NAQUILO QUE APROVA Keire do Carmo Morais Cedro Membro da Primeira Igreja Batista, Feira de Santana, BA, Brasil. Assim, seja qual for o seu modo de crer a respeito des- sas coisas, que isso permaneça entre você e Deus. Feliz é o homem que não se condena naquilo que aprova. (Romanos 14:22) A discussão sobre seguir ou não determinados elementos da cultura judaica é antiga. Contudo, até hoje cristãos se deparam com dúvidas em respeito de dias especiais ou certos tipos de alimentos. Quanto ao segundo, creio que já há mais consenso; agora, quanto ao primeiro, há tradições doutrinárias inteiras que carregam esse dilema e fomentam a discussão sobre o que seria mais correto até hoje. Apesar disso, o ensino do apóstolo Paulo é simples e direto: devemos manter a nossa convicção sobre essas coisas entre nós e Deus. A nenhum cristão é dado o direito de incomodar outros por não guardar aquele ou este dia. E isso para que nossa prioridade seja agir com amor e não com soberba ou pretensão. Essa é aplicação direta do texto, mas podemos ainda pensar em outros dilemas sob seu princípio. Por exemplo, pode- mos pensar situações de conflito, em que fazer o bem aos irmãos em Cristo envolve dizer algo que mais ninguém está dizendo. Os coríntios pensavam que era sábio incomodar uns aos outros por causa dos costumes judaicos e ninguém enxergava seu erro nisso, 116 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS até que Paulo chamou a atenção deles. Paulo usou sua autoridade de apóstolo para dizer o que mais ninguém estava dizendo; mas nós hoje, somos ensinados a usar nosso amor uns pelos outros como argumento para nos exortarmos mutuamente. Se dizemos algo que é correto que mais ninguém disse – à semelhança do que o apóstolo fez – não devemos nos condenar, afinal, não aprovamos o bem uns dos outros? Logo, não podemos nos condenar por agirmos pelo bem uns dos outros. Que o Espírito Santo nos encha cada vez mais dessa sabedoria e que Deus nos ajude a sermos sábios para continuar aprovando o bem e edificar e edificarmos a fé uns dos outros em nome de Cristo. Senhor, dá-me sabedoria para querer o bem e aprová-lo, independentemente das situações, como um verdadeiro cristão sábio. Em nome de Jesus, amém. 117O CANDEEIRO ONDE ESTAVAS TU? Murilo César Bezerra Neto Membro da Igreja Ação Evangélica, Patos, PB, Brasil. Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? (Jó 38:4a) Relatos de um coração aflito perante a Cruz: Diante do meu sofrimento, eu gritei de dor. Confesso que de raiva também. Quando as minhas feridas sangraram com mais força, eu per- guntei amargamente “Por quê?” e questionei com angústia “Ainda estais aqui, Senhor?” Mas, após um silêncio que parecia eterno, O Eterno respondeu-me. Deus questionou: – Onde estavas tu? Onde estavas tu, quando dei forma ao Universo? Qual tua idade, quando dei começo ao Tempo? Quem eras tu, quando dei senti- do ao existir? – Silêncio. Apenas chorei em silêncio. Diante das minhas dores, a resposta do Senhor não foi um motivo. Não sei por que sofro, apenas sei que Ele sabe. Isso é suficiente. Mas o diálogo continua. O sofrimento é meu companheiro, mas não o único. Quando minhas feridas estão abertas debaixo do sol, Deus lembra-me que as de Cristo também estavam. Eu não sofro só e nunca sofrerei. Sua morte foi Solidão para que a minha não fosse. Quando Deus pergunta “onde estava você?”, ele também responde “Eu estava na Cruz”. Soberano e Bondoso Deus, rico em misericórdia, perdoa-nos por todas as vezes que duvidamos de teu amor. Restaura 118 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS nossos corações cansados, Pai. Molda-nos em teus cami- nhos, conforme tua sempre perfeita e agradável vontade. Que a Cruz de Cristo seja constante consolo e bálsamo para nossas feridas nesta terra. Assim nós oramos, no poderoso nome de Jesus. Amém. 119O CANDEEIRO O PECADO QUE NOS LEMBRA DE NOSSO SALVADOR Ricardo Teixeira Murtada Membro da Igreja Batista da Palavra, São Paulo, SP, Brasil. Porque todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus. (Romanos 3:23) Quando cristãos param em seu momento devocional buscam muitas vezes esperança, conforto ou a intervenção de Deus em problemas que assolam suas vidas. Mas parece que poucas vezes se reflete sobre a corrupção de nossa natureza ou sobre o pecado que habita em cada ser humano em cada lugar desse mundo. O Apóstolo Paulo, quando escreve a carta direcionada às igrejas de Roma, começa a apresentar o evangelho demonstrando que tanto judeus como gentios pecaram, estavam na mesma condição de uma natureza corrompida e em inimizade com Deus. É necessário que essa condição seja confrontada na prática de reflexão cristã e encarando de forma séria a natureza humana corrompida à luz das Escrituras, pois é o pecado que habita em todo ser humano que leva à necessidade de um Salvador. É através do reconhecimento da natureza corrompida que se percebe que a obra de Jesus é pura Graça derramada em nós. E, sim, graça com “G” maiúsculo, porque só Deus na obra de Jesus pode concedê-la. Refletir sobre a natu- reza pecaminosa é reconhecer a impossibilidade do ser humano de salvar a si mesmo. É o reconhecimento de que não se encontra em nenhum lugar deste mundo, nem em nenhuma jornada de 120 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS autoconhecimento algo que poderia remover ou modificar tal natureza. E é justamente isso que ensina o Apóstolo Paulo, a justiça de Deus é agora manifestada em Cristo que concede àquele que tem fé em Jesus gratuitamente sua graça justificando e redimindo dos pecados. Que possamos refletir sobre o pecado, mas não em um desespero sem nenhuma esperança, mas antes reconhecendo como é abundante essa Graça de Deus que salvou pecadores que não mereciam seu tamanho amor, misericórdia e perdão. Que refletir sobre o pecado nos faça encarar de forma séria esse amor divino que tanto nos cerca. Senhor Deus louvado seja o seu nome e engrandecido seja o Senhor pela obra de Jesus Cristo em mim. Que teu Santo Espírito me mantenha firme em sua graça livrando-me do pecado e que eu possa reconhecer sua abundante graça diariamente. Em nome de Jesus. Amém. 121O CANDEEIRO RICO PARA COM DEUS Zípora Morgana Quinteiro dos Santos Membro da Igreja Assembleia de Deus, Santo Ângelo, RS, Brasil. Mas Deus lhe disse: Louco! Esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? (Lucas 12:20) Na atmosfera carregada de expectativa, um homem se aproxi- ma de Jesus, ansioso para que Ele intervenha em uma disputa de herança. Contudo, o Mestre, em sua sabedoria divina, transforma esse episódio aparentemente mundano em uma profunda lição espiritual sobre as prioridades da vida. Jesus, ao abordar a busca desenfreada por riquezas materiais, desvela uma verdadetrans- cendental. A vida, adverte Ele, não é medida pelo acúmulo de posses, mas por algo infinitamente mais valioso. A parábola que se desdobra revela um homem que, enredado na teia da avareza, direciona seu foco exclusivamente para o aumento de sua riqueza e o desfrute de uma existência confortável. É notável que Jesus não se rebaixa a resolver disputas financeiras. Sua missão transcende as preocupações terrenas, guiando-nos em direção à verdadeira fonte de significado e segurança. O homem da parábola, obcecado com seus próprios planos e prazeres, é chamado de “insensato”. Num átimo, sua vida é requerida, e ele percebe tarde demais a efemeridade de suas conquistas terrenas. Num mundo que muitas vezes nos seduz com a promessa de riquezas e conforto, somos convocados a ser vigilantes contra a ganância que ameaça desviar- 122 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS -nos dos desígnios divinos. A lição essencial é clara: priorizar Deus acima de todas as coisas e resistir à ânsia desenfreada por riquezas materiais. No reino de Deus, a abordagem à riqueza e à pobreza é revolucionária. Não se trata apenas de posses materiais, mas da riqueza espiritual que transcende as limitações terrenas. A conclusão da parábola destaca a verdadeira riqueza, que não está nas posses materiais, mas em ser “rico para com Deus”. Isso im- plica em investir nas coisas do Reino, em amar e servir aos outros, em cultivar um relacionamento íntimo com Deus. Essa riqueza espiritual é duradoura e eterna. Que essa passagem nos inspire a buscar um equilíbrio saudável entre as responsabilidades materiais e a verdadeira riqueza espiritual, reconhecendo que nossa vida encontra significado e plenitude em uma relação viva com Deus e no serviço ao próximo. Senhor, reconhecemos a urgência de direcionar nossos cora- ções para as prioridades eternas. Conceda-nos a sabedoria para discernir a verdadeira fonte de significado e seguran- ça, afastando-nos da avareza e da busca desenfreada por riquezas materiais. Ajude-nos a colocar-te em primeiro lugar em nossas vidas, reconhecendo que a verdadeira riqueza reside em amar e servir o próximo. Guarda nossos corações contra a ganância que nos afasta de Teus propósitos. Que a promessa de um futuro eterno contigo seja a nossa âncora de esperança, capacitando-nos a enfrentar os desafios com fé e confiança. Amém. 123O CANDEEIRO MEU CONSOLO É SER ENTENDIDO PELO SENHOR Keire do Carmo Morais Cedro Membro da Primeira Igreja Batista, Feira de Santana, BA, Brasil. A palavra ainda nem chegou à minha língua, e Tu, Senhor, já a conheces toda. (Salmos 139:4) Existe numa das linhas da psicoterapia um conceito de que depois dos quarenta começamos a viver a melhor fase da nossa vida porque conhecemos mais a nós mesmos. Trata-se da fase de colheita. Aos vinte começamos a plantar, mas cometemos muitos erros; aos trinta, seguimos plantando, mas agora corrigindo os erros cometidos anteriormente; então chegam os quarenta e tudo o que plantamos em experiências e autoconhecimento começa a dar frutos. Mesmo não podendo precisar a idade de Davi ao es- crever esse salmo, uma coisa é muito precisa: seu relacionamento maduro com Deus parte do fundamento de que o Senhor é quem o conhece e não ele mesmo. Por isso, o tom do salmo é levemente melancólico, e especialmente nos momentos de tristeza, quando nossa razão está bastante ofuscada pela dor, é essencial ao cristão lembrar que Deus não muda, nem se surpreende, nem se decep- ciona. É essencial respondermos nossos próprios questionamentos internos com essa verdade. Ele conhece as necessidades do nosso coração para além das emoções. Deus observa tudo o que fazemos, tudo que vivemos e faz isso no auge de sua natureza divinamente virtuosa. Ele sabe se estamos necessitando de mais fé ou de mais 124 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS força, mesmo que não tenhamos autoconhecimento o suficiente para admitir isso. Nós podemos nos equivocar em pensamentos, mas Deus nunca se equivoca. Ele conhece as palavras do nosso coração antes mesmo que nossa mente as formule. Tudo isso é o argumento do salmista para ressaltar que em seu relacionamento com Deus, ele [Davi] não é o protagonista. Que esse seja o nosso consolo. Graças a Deus por Jesus Cristo, com quem nos relacio- namos com base na sua perfeição, apesar da nossa imperfeição. Senhor, louvado seja o seu Nome, porque Tu és imutável. Louvado seja, porque nosso relacionamento independe da minha perfeição, já que ainda peco contra Ti. Mas, por causa de Cristo, eu não sou consumido e sim consolado. Em nome de Jesus, amém. 125O CANDEEIRO MISERICÓRDIA E CONHECIMENTO DE DEUS Vitor Germano da Silva Oliveira Membro da Igreja Presbiteriana do Brasil, Sapucaia do Sul, RS, Brasil. Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos. (Oseias 6:6) Muitas pessoas acreditam que podem quitar suas dívidas e ofensas para com Deus por meio de sacrifícios pessoais. Esse comportamento remonta aos tempos do profeta Oseias, quan- do o povo estava habituado a entregar o dízimo, fazer ofertas e oferecer animais em sacrifício como forma de expiação por seus pecados. Acreditavam que ao realizar tais rituais tudo estava re- solvido, permitindo-lhes retornar às suas práticas pecaminosas sem preocupações. Infelizmente, não compreendiam a verdadeira exigência de Deus: a misericórdia. O povo negligenciava o exercício da misericórdia, preferindo a prática de sacrifícios. Hoje, muitos cristãos também seguem essa abordagem, sacrificando em jejum, ofertas, orações e penitências na esperança de apaziguar a ira di- vina por seus pecados. Entretanto, sabemos que nossos pecados foram redimidos por Cristo na Cruz do Calvário, não necessitando de mais sacrifícios. O Senhor agora nos pede que pratiquemos o amor, ou seja, exercitemos a misericórdia. Ele deseja que tenhamos compaixão pelos perdidos e que sejamos solidários, dedicando nosso tempo para ajudar e socorrer os aflitos. O que Deus busca 126 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS é um espírito de misericórdia, uma religião vivida na prática. O apóstolo Tiago descreve isso ao afirmar: “A religião pura e ima- culada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas em suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo” (Tg 1:27). Deus utilizou sacrifícios e holocaustos como símbolos de Sua graça e misericórdia até que o sacrifício perfeito, nosso Senhor Jesus Cristo, viesse. Por meio de Cristo temos acesso à misericór- dia divina, encontramos a graça de Deus e podemos conhecer ao Senhor. O conhecimento de Deus por meio da revelação em Cristo capacita-nos a exercer a misericórdia, o amor e a justiça que Deus requer de Seus servos. Santo Deus, te engrandecemos por tua graça, teu perdão e o sacrifício puro e imaculado de Cristo Jesus que nos redimiu. Capacita-nos a exercer a misericórdia, o amor e a justiça que o Senhor requer de Seus servos. Em nome de Jesus, amém. 127O CANDEEIRO O CONHECER A DEUS Marcelo de Souza Rosário Presbítero na Igreja Assembleia de Deus, Santo Ângelo, RS, Brasil. E tu, meu filho Salomão, conhece o Deus de tu pai e serve-o com um coração perfeito e com uma alma volun- tária; porque esquadrinha o Senhor todos os corações e entende todas as todas as imaginações dos pensamentos; se o buscares, será achado de ti; porém, se o deixares, rejeitar-te-á para sempre. Olha, pois, agora, porque o Senhor te escolheu para edificares uma casa para o santuário; esforça-te e faze a obra. (1 Crônicas 28:9-10) A vida do renomado rei e compositor de salmos, Davi, aproxi- ma-se do seu fim. Este homem de fé, líder, guerreiro e profeta (At 2:30) reúne os príncipes de Israel para uma exortação de caráter transcendental. Seu discurso culmina ao se dirigir a seu filho Sa- lomão de forma solene e direta, com palavras que transcendem o tempo e ecoam em nosso coração. Davi, consciente da essencial ligação com o divino,inicia sua exortação com uma instrução crucial: “E tu, meu filho Salomão, conhece o Deus do teu pai...” Este “conhecer” vai além da compreensão superficial; é um convite para explorar, entender, perceber e relacionar-se intimamente com o Criador. A sequência do conselho divinamente inspirado pros- segue, enfatizando a ligação intrínseca entre o conhecimento e o serviço a Deus. Davi, ao orientar Salomão, destaca que o Senhor o escolheu para edificar o santuário. Portanto, o serviço a Deus 128 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS é uma resposta ao chamado divino, uma moldagem de nossas vidas para adequar-se ao propósito superior. A distinção entre os chamados e os escolhidos reside na resposta afirmativa destes últimos à convocação divina. Cada indivíduo convocado por Deus deve empreender o esforço consciente para conhecê-Lo, servi-lo e compreender que foi escolhido para uma obra específica. O esforço aqui envolve dedicação, moldagem e ajuste à vontade divina. Este chamado à devoção não é apenas um ato de servir mecanicamen- te, mas um convite para conhecer a Deus de maneira contínua, alimentando uma relação que transcende a superficialidade. Ao empregar nosso esforço em direção a essa busca, encontramos uma promessa divina: “se o buscares, será achado de ti” (1 Cr 28:9). Em nossa jornada diária, o Senhor aguarda ansiosamente que nos empenhemos em conhecê-Lo melhor. Ao priorizarmos essa busca, experimentamos a revelação divina em nossa vida, afinal, quando nos dispomos a conhecê-lo, Ele se dispõe para se revelar a nós. Assim, alinhar nosso coração ao d’Ele não apenas torna nossos dias mais leves, mas confere-nos um propósito mais profundo, pois nascemos para Ele e conhecê-lo nos levará de volta a Ele. Que esta reflexão nos inspire a prosseguir na jornada da devoção, conhecendo a Deus, servindo-o com dedicação e compreendendo a honra de ser escolhido por Ele. Que cada esforço empregado seja um testemunho vivo de nossa resposta afirmativa ao chamado divino. Em esperança, aguardamos o cumprimento da obra que Ele começou em nós. Ó Deus, que possamos, com corações sinceros, responder ao Teu chamado, buscando conhecer-Te e servir-Te com de- dicação. Que nossa vida seja um testemunho da Tua graça, revelando Tua vontade sobre nós. Amém. 129O CANDEEIRO TRABALHANDO PARA A GLÓRIA DE DEUS Danilo Zanon dos Santos Membro da Igreja Assembleia de Deus Alto do Ipiranga, Santo André, SP, Brasil. Ela (Rute) se foi, chegou ao campo e apanhava espigas atrás dos ceifeiros. Por casualidade entrou na parte do campo que pertencia a Boaz, que era da família de Elimeleque. (Rute 2:3) Uma das coisas que às vezes aprendemos (e errado) é separar nossa vida em ‘caixinhas’. Então no final de semana ou em cultos específicos, enquanto estamos na igreja, estamos ‘fazendo a obra’. Essa é a ‘caixinha’ cristã. Aí temos as ‘caixinhas’ casa, trabalho, descanso etc. Afinal, quantas vezes ouvimos testemunhos de pessoas que falam: ‘fulano de tal é tão bom na igreja, mas no trabalho...’ Aprendemos a viver assim. Mas na verdade Cristo nos chama a viver uma nova vida, independente da área, dia da semana e condição que estamos vivendo. Nesse texto, Rute (uma estrangeira), que acompanha sua sogra Noemi quando ela retorna para sua terra depois de muita fome e dificuldades (elas são viú- vas agora), está em um campo caçando espigas e chega às terras de um fazendeiro poderoso e rico chamado Boaz. Pode parecer algo simples ela apanhar espigas que ficaram no chão, mas veja o detalhe: o capítulo 1 do livro fala de um grande período de fome e pobreza. No capítulo 2, a situação está melhor, sim, mas um grande empresário ou fazendeiro, em circunstâncias normais e aceitáveis, 130 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS não deixaria as espigas que caem para os que não tem condições. Ele visaria o lucro... E até não tem nada de errado com isso, mas o detalhe é que isso era um mandamento expressado em Levítico 19:9-10. O que Boaz está fazendo aqui é cumprir o mandamen- to. O cumprimento da vontade do Senhor é maior em sua vida, mesmo que ele precisasse e fosse aceitável ele maximizar lucros depois de uma época de eventuais prejuízos. Ele usa seu trabalho e diminui sua margem de lucro para cumprir a vontade de Deus e ajudar quem necessitava. E o que ele ganha: não só abençoa a vida de Rute, mas ele torna-se bisavô de Davi, e consequentemente faz parte da genealogia do nosso Salvador Jesus Cristo. Que o seu trabalho, independentemente das circunstâncias expresse a von- tade e os preceitos do Pai! Não somos chamados a ser diferentes apenas na igreja ou nos cultos, mas sim a viver uma vida em total obediência a Ele. Obrigado Senhor por sua palavra e seu ensino. Obrigado por tua graça e amor que nos sustenta e nos guia. Queremos ser movidos pela tua vontade. Que sejamos chamados cristãos não porque vamos à igreja, mas porque seguimos sua von- tade em cada esfera de nossas vidas! Constantemente nos ensine e nos molde a viver como Tu queres. Obrigado, Pai. 131O CANDEEIRO A ESPERANÇA EM TEMPOS TURBULENTOS Paulo Medeiro Membro da Igreja Assembleia de Deus de Águas Claras, Brasília, DF, Brasil. Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. (Isaías 9:6) Nessas palavras encontramos um raio de esperança que trans- cende as adversidades do mundo. Em um cenário onde as guerras assolam nações e a violência ceifa a inocência, a promessa do “Príncipe da Paz” ressoa mais do que nunca. A dor causada pela violência é uma ferida aberta na alma da humanidade. No entanto, Isaías, o profeta que escreveu o texto acima, oferece um vislumbre de esperança ao nos apresentar o título de Jesus como o VERDA- DEIRO “Príncipe da Paz”. Este título não é apenas uma promessa, mas uma indicação de uma liderança divina que traz consigo a capacidade de transformar o caos em ordem e a escuridão em luz. Os discípulos de Jesus, durante o Seu ministério, perguntaram: “Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?” (Mt 8:23-27), se os discípulos de Jesus tinham dúvidas sobre quem era aquele homem, imagine nós! Você realmente sabe quem é Jesus? Reconhecer o Príncipe da Paz implica em passar por uma profunda transformação, interna e externa. Em um mundo onde o ódio muitas vezes prevalece, a luz da paz que Jesus oferece é uma 132 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS bússola moral, apontando para um caminho de perdão, compaixão e amor. O desafio para a humanidade é internalizar essa mensagem e refleti-la em suas ações diárias, e o nosso desafio é levá-la a este mundo secularizado. Celebremos o “aniversário” do verdadeiro homem que trouxe a Paz e Amor para o mundo caótico. Se você não sabe quem é Jesus, busque conhecê-lo. Amado Pai Celestial, diante de Tua majestade, nos ache- gamos com gratidão e reverência. SENHOR, em meio às sombras deste mundo, reconhecemos Jesus como o Príncipe da Paz, o Conselheiro, o Deus Poderoso e o Pai Eterno. Agra- decemos a luz que Ele trouxe ao mundo, dissipando as trevas e nos conduzindo ao caminho da redenção. Que a verdade do Seu governo e da Sua paz esteja enraizada em nossos corações, e que, a cada desafio, possamos nos lembrar da Sua autoridade soberana sobre todas as coisas. Que a Sua sabedoria nos guie, Sua força nos sustente e Sua paz nos console. SENHOR, em um mundo muitas vezes atribulado, clamamos por Sua paz que transcende todo entendimento. Que a presença de Jesus em nossas vidas seja a fonte de alegria, esperança e reconciliação, e que Sua luz brilhe in- tensamente em meio às circunstâncias sombrias, revelando o Seu amor redentor. Agradecemos a promessa cumprida em Jesus, o Emanuel, Deus conosco. Que em nossa jornada diária, possamos compartilhar esse presente maravilhoso com o mundo, proclamando a grandeza do Seu amor e a chegada do Reino que jamais terá fim.Em nome de Jesus, o Príncipe da Paz, oramos. Amém. 133O CANDEEIRO EIS QUE FAÇO NOVAS TODAS AS COISAS Zípora Morgana Quinteiro dos Santos Membro da Igreja Assembleia de Deus, Santo Ângelo, RS, Brasil. E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. (Apocalipse 21:5a) Apocalipse 21:5 é parte da visão que o apóstolo João teve acerca do novo céu e da nova terra, conforme descrito no livro do Apo- calipse. Nesse contexto, João presencia o Eterno, Aquele que está assentado sobre o trono, declarando: “Eis que faço novas todas as coisas”. Essa declaração é uma expressão divina de soberania sobre a criação e a História. Deus, como o criador e sustentador de todas as coisas, revela Seu poder e autoridade ao afirmar que Ele está prestes a realizar uma renovação completa e transforma- dora em todo o cosmos. À medida que nos aproximamos do novo ano, reflexões sobre o encerramento de um ciclo e a expectativa de um novo começo ocupam nossa mente. Nessa contemplação, o versículo de Apocalipse 21:5 retine como um címbalo, ecoando em nosso íntimo que Deus é o Autor Supremo, conduzindo com propósito divino cada capítulo de nossas vidas. É na perspectiva do ano vindouro que a promessa divina se destaca de maneira resplandecente: Deus faz novas todas as coisas. Cristo emerge como o protagonista dessa promessa, o redentor que restaura e o renovador que transforma. Sua obra na cruz não apenas nos assegura um novo ano, mas diariamente oferece-nos uma nova 134 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS oportunidade de nos aproximarmos Dele. Ao refletirmos sobre esse versículo, somos instigados a olhar com gratidão pelo ano que passou e esperança pelo ano que se inicia. Que neste novo ano, percebamos que Deus não apenas renova o calendário, mas efetua uma profunda transformação em nossas vidas, a qual não está ancorada em nossos méritos, mas na graça abundante que emana de Cristo. Ele é o artífice divino, o arquiteto perfeito, que molda nossos destinos com sabedoria e amor. Assim, a esperança cristã enraíza-se na certeza de que, em Suas mãos, podemos con- fiar plenamente para encarar o próximo ano com fé e confiança. Prossigamos, com expectativa, que em meio às incertezas e desafios da vida diária, possamos experimentar a contínua renovação de Deus. Que Sua graça nos guie, Sua presença nos fortaleça e Sua paz nos sustente. Deus, agradecemos por todas as bênçãos e desafios do ano que passou. À medida que nos aproximamos do novo ano, confiamos em Sua promessa de fazer tudo novo. Conceda- -nos sabedoria, coragem e fé para prosseguir em Sua graça. Que possamos experimentar a plenitude de Sua renovação em cada área de nossas vidas. Em nome de Jesus, amém. 135O CANDEEIRO ESPERANÇA NO DESESPERO Francisco Haroldo de Sousa Evangelista da Igreja Assembleia de Deus Ministério Canaã, Fortaleza, CE, Brasil. Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. (Lamentações 3:21) O profeta Jeremias encontrava-se diante da maior assolação que sua vida pôde experimentar. Mas ele não focou nas circunstâncias e decidiu que colocaria seus pensamentos no que lhe pudesse produzir esperança. Nos dias difíceis da vida somos tentados a “descansar” e nos acomodarmos com a enorme circunstância que foge ao nosso controle momentâneo e aceitarmos a derrota. Isso porque nos baseamos no fracasso de outros em circunstân- cias semelhantes, ou simplesmente não temos motivação para o enfrentamento e desanimamos, desesperamos mesmo. Porém, a receita de Deus para tais momentos é: “Seja firme e corajoso, foque no que lhe possa suscitar forças, ainda que seja um tênue raio de esperança, pois prometi estar sempre contigo. Eu sou a tua esperança e posso fazer até das trevas um dia radiante”. Tam- bém, Tiago, o irmão do Senhor, nos anima em meio às provações: Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança (Tg 1:2-3). Em meio à sequidão e ao caos Deus sempre tem algo lindo para nos suscitar forças e esperança. Também a mensagem do céu e a sua graça em Cristo estão com você agora, neste momento, a fim de lhe possibilitar 136 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS levantar-se, soltar as amarras dessas circunstâncias e seguir para a vitória certa em Deus que, ao seu tempo, sempre socorre a quem nele espera. Despreze o que lhe pode manter para baixo. Foque nos lindos valores divinos, como a misericórdia, justiça, retidão e santidade, e, então, sua força renascerá. Cultive, e muito, o que lhe traz esperança e Jesus iluminará seus passos e irá adiante de ti para garantir o rumo certo. Fé, Esperança e Amor nunca falham! Pai Eterno, Senhor de todas as batalhas, eis-nos perante ti com uma firme esperança de jamais desfaleceremos nas lutas e provações. Ao contrário, Senhor, sempre seremos mais que vencedores porque a tua graça nos alcançou e, nela, somos fortalecidos. Obrigado por estar sempre conosco e por toda a tua fidelidade. Amém. 137O CANDEEIRO ROMPENDO EM FÉ Miquéias Amorim Santos Silva Membro da Igreja Batista Vida e Paz, Itabuna, Ba, Brasil. E disse Gideão a Deus: Não se acenda contra mim a tua ira, se ainda falar só esta vez; rogo-te que só esta vez faça a prova com o velo; rogo-te que só o velo fique seco, e em toda a terra haja o orvalho. (Juízes 6:39) Deus demonstra constantemente a Sua imensa fidelidade para conosco. A Bíblia testemunha inúmeras vezes sobre este aspecto de Seu caráter. Em Salmos 36:5, está escrito que “O teu amor, Senhor, chega até os céus; a tua fidelidade até as nuvens”. Aqui, afirma-se que o amor e a fidelidade de Deus alcançam os céus. Em Salmos 89:8, é dito: “Ó Senhor, Deus dos Exércitos, quem é semelhante a ti? És poderoso, Senhor, envolto em tua fidelida- de”. Esta passagem destaca que a fidelidade é uma característica constante de Deus, essencial à Sua natureza. A imutabilidade de Deus, um de Seus atributos incomunicáveis, é o motivo pelo qual podemos confiar em Suas promessas e nos demais aspectos de Seu caráter. Deuteronômio 7:9 reitera a fidelidade de Deus e assegura Sua aliança e misericórdia eternas para com aqueles que O amam. Mesmo cientes da fidelidade do Senhor, muitas vezes exigimos sinais de que Ele cumprirá o prometido, como ilustra a história de Gideão em Juízes 6:36-40 e de muitos outros (Gn 15:8; 2 Rs 20:8-11). Essas narrativas evidenciam a nossa incredulidade em relação ao poder e à fidelidade de Deus. Em vez de confiarmos 138 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS na palavra que Deus proferiu sobre nós, frequentemente O testa- mos. A misericórdia do Senhor é tão vasta que Ele, confrontando nossa incredulidade, convida-nos a testá-Lo, como em Malaquias 3:10. Esse convite pode ser uma maneira de, pouco a pouco, for- talecermos nossa fé até que alcancemos uma compreensão mais profunda de quem Ele é, baseando-nos em Suas palavras e não em resultados visíveis. “Sendo assim, fixamos nossos olhos, não naquilo que se pode enxergar, mas nos elementos que não são vistos; pois os visíveis são temporais, ao passo que os que não se veem são eternos” (2 Co 4:18). Senhor, que a partir de hoje possamos fixar nossos olhos, não naquilo que vemos, mas, naquilo que cremos por meio da Sua palavra. Queremos alcançar a plenitude da fé e da confiança em ti, ajuda-nos com nossa incredulidade. Obrigado por tua fidelidade e paciência. Em nome de Jesus, amém. 139O CANDEEIRO TU ÉS O DEUS QUE ME VÊ Jônatas Abreu Membro da Igreja Presbiteriana do Jardim, Campina Grande, PB. Brasil. Levante se, erga o menino e tome o pela mão, porque dele farei uma grande nação. Então, Deus lhe abriu os olhos, e ela viu um poço de água. Foi até lá, encheu de água a vasilha e deu de beber ao menino. Deus estava com o menino. (Gênesis 21:18-20) Quando você se encontra envolvido em uma situação de peri- go ou desgaste, seja por sua própria ação ou pela ação de outraspessoas, como você reage? Ao revelar os caminhos e labirintos da alma humana na história de salvação, o livro de Gênesis relata a história de Hagar, a escrava egípcia de Sara, que, envolvida em uma trama para adiantar os planos de Deus, acabou em uma situação delicada junto ao seu filho, Ismael, também filho de Abraão. No processo de espera pela promessa, não é impossível que dúvidas tenham assaltado os corações de Sara e Abraão. Com um pouco de atenção às histórias, percebemos que as escrituras não nos autorizam a pensar que eles nunca pecaram pela falta de fé e pelos temores naturais. Pelo contrário, com graça sobre graça, Deus respondia e tratava com o Seu amigo e sua família. E nisso podemos observar que o trato de Deus para com os Seus é de um pai amoroso e gracioso. Contudo, houve um momento em que, aparentemente, Sara e Abraão, por suas próprias ações, quase arruinaram tudo e trariam sobre si a vergonha do abandono para 140 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS sua própria casa. Isaque já havia nascido; embora fosse filho da promessa, era o segundo de Abraão. As tensões entre os membros dessa “família disfuncional” haviam crescido a ponto de Sara dese- jar profundamente que Hagar e seu filho fossem expulsos de casa pelo marido, que se recusou até o momento em que Deus mesmo tratou com ele. Deve ter sido extremamente desconfortável para essa família sofrer as consequências do pecado de Sara e Abraão, não apenas do ponto de vista do arranjo familiar, mas também em relação ao direito à bênção da primogenitura. Sem mencionar o desconforto causado pelo “enviesamento” da promessa tratado nas disputas entre irmãos e mães. Entretanto, Deus não promete sem poder cumprir. A promessa da descendência estava mantida, e por Sua graça, Ele mesmo, na adversidade do “banimento” de Ismael, providenciou salvação e reparação para ele e sua mãe, uma vez vítimas, mas também algozes, na história da Salvação. Em um dos episódios mais dramáticos da Bíblia, no meio do deserto de Ber- seba, para onde haviam sido expulsos, a água e a comida acabam para ambos, Hagar e Ismael. Sem ter muito a fazer além de esperar a morte, ela põe seu filho debaixo de uma árvore e, chorando ao observá-lo de longe, diz: “Que eu não o veja morrer”. Não apenas a morte, mas um fim indigno e sem sentido de desterrado, bas- tardo que aparentemente nunca pediu para ocupar essa ou outra posição. E se esse era o desfecho mais provável, Deus subverteu mais uma vez a lógica do pecado com graça e misericórdia. Deus não apenas os salvou da morte ao ouvir seu choro e providenciar um pouco de água, mas estava com eles. Deus os viu, os acolheu e estava com eles. A promessa de fazer de Ismael uma grande nação não foi apenas cumprida posteriormente, mas o próprio Deus viu a aflição dos Seus amados. Ele os resgatou da morte com água e os fez viver novamente, com honra e dignidade. As escrituras declaram que Ele os viu. E em Cristo, Ele nos viu e vê, e assim como a Hagar e Ismael, não nos abandona à própria sorte; providencia salvação a partir de Si mesmo. Ele providencia meios 141O CANDEEIRO para a redenção dos Seus. A graça e a misericórdia prometidas a Abraão foram estendidas a Hagar; a promessa de ser uma grande nação também a Ismael. E a nós, herdarmos em Cristo a bênção da salvação e habitar com Ele eternamente. Ele é o Deus que nos vê! Te agradeço, Senhor, porque mesmo nos maiores desafios e decepções da vida, o Senhor não nos esquece, nos vê e nos providencia Salvação. Tu és o Deus que nos vê! 142 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS O DEUS QUE RESTAURA Vinícius de Souza Munhoz Seminarista da Igreja Presbiteriana de Mirassol, Mirassol, SP, Brasil. Quando o Senhor trouxe os cativos de volta a Sião, foi como um sonho. Então a nossa boca encheu-se de riso, e a nossa língua de cantos de alegria. Até nas outras nações se dizia: “O Senhor fez coisas grandiosas por este povo”. Sim, coisas grandiosas fez o Senhor por nós, por isso estamos alegres. (Salmos 126:1-3) Você já viveu como se estivesse só neste mundo? Parece que tudo está no automático e estamos à deriva em um oceano sem um porto seguro. A nossa volta existe inúmeras situações adversas e nos sentimos sem força e esperança. Esse é o retrato de muitos crentes. Vivem como se Deus não estivesse intervindo na história, sustentando e restaurando a sorte dos seus. O salmo 126 apresenta um Deus que realizou grandes feitos na história do seu povo (v. 1-3), que faz grandes coisas (v. 4) e que fará grandes coisas (v. 5,6). O salmo usa a figura do agricultor que semeia em uma terra árida e sem vida, terra que exala morte, mas se lembra que aquele que traz vida ao Neguebe, a terra mais árida de Israel é o Deus que restaura a sorte do seu povo. O agricultor lança as sementes que são alimento para sua família em uma terra seca, seu rosto está cheio de lagrimas, pois está tirando o pão da boca de seus filhos, mas a esperança repousa na certeza de que o Deus restaurador o está sustentando em uma terra árida, assim como Deus fez com 143O CANDEEIRO Isaque em Gênesis 26.12, fazendo com que ele colhesse com grande fartura em uma terra repleta de adversários e em um solo repleto de aridez e morte. Deus restaura a sorte dos seus, fazendo com que desertos sejam férteis, cativos sejam libertos e os feitos do Senhor sejam lembrados e exaltados pelos séculos. O salmo 126 é um convite a confiarmos e esperarmos no Deus que restaura. Deus não está alheio à sua história. Confiemos em sua obra em meio às adversidades da vida. Senhor, somos lembrados por este salmo que não estamos só. O Senhor é o Deus que nos sustenta e restaura a nossa sorte. Pai querido, conduza-nos e continue nos sustentando em meio a um mundo tão adverso, em meio a uma peregri- nação tão árdua, nos lembrando que o nosso Redentor vive. Abençoa seus filhos que carecem de restauração. Em Nome de Jesus. Amém. ESPECIAL: CALENDÁRIO LITÚRGICO 145O CANDEEIRO EMANUEL, DEUS CONOSCO Zípora Morgana Quinteiro dos Santos Membro da Igreja Assembleia de Deus, Santo Ângelo, RS, Brasil. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. (João 1:14) Jesus veio ao mundo de maneira humilde, sem ostentação ou luxo. Renunciou Sua glória junto ao Pai para compartilhar a nossa humanidade. No dia de Seu nascimento não houve uma recepção grandiosa, e nenhuma autoridade civil, política ou religiosa este- ve presente para cumprimentá-lo. Se não fosse pelos pastores de ovelhas, Sua chegada teria passado despercebida. E se não fosse por um grupo de observadores de estrelas, não haveria presentes. O nascimento de Jesus é mais do que um evento histórico, é a encarnação do próprio Deus. Emanuel, que significa “Deus co- nosco”, personifica o amor divino manifestado na forma humana. O Verbo, que existia desde o princípio, escolheu habitar entre a humanidade, envolvendo-se nas fragilidades da vida terrena para ser o Emanuel, o Deus conosco. A vinda de Jesus representa o início da história da redenção divina, a promessa cumprida de que Deus está conosco em todos os momentos. Ao contemplar- mos o Natal somos convidados a mergulhar na profundidade do amor de Jesus; Ele não apenas se aproximou de nós, mas viveu entre nós; Ele não apenas olhou para nós do alto, mas veio para estar ao nosso lado. Sua presença terrena é o emblema do amor 146 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS redentor que busca restaurar a comunhão perdida; seu propósito transcende o berço em Belém, Ele nasceu para estar conosco em cada passo, em cada alegria e desafio. Para nós, cristãos, o Natal nos faz lembrar que Jesus nasceu, Ele não encontrou lugar nas pousadas de Belém, mas deseja encontrar lugar em nossos corações. O Natal é a celebração da chegada do Salvador que, sendo totalmente divino, escolheu tornar-se totalmente humano para reconciliar a humanidade consigo mesma.É a revelação da glória divina envolta em humildade, graça e verdade, oferecendo a todos nós a oportunidade de experimentar a redenção e a vida abundante que só Ele pode proporcionar. Que a realidade do amor encarnado nos inspire a viver com gratidão, sabendo que, assim como Ele veio, Ele está presente em nossas vidas hoje e continua a nos oferecer amor, graça e salvação. Amado Deus, fixamos nossa esperança na promessa contida em Emanuel. Nossa alegria suprema reside na presença do Verbo entre nós. Que a realidade do amor de Jesus encha nossos corações de esperança, nos guie para um futuro an- corado no amor e na graça divina e nos lembre da constância de Sua presença hoje e sempre. Amém. 147O CANDEEIRO O BEBÊ QUE ABALOU O MUNDO Rilson Joás Guedes Bezerra dos Santos Membro da Igreja Assembleia de Deus, Tracunhaém, PE, Brasil. E o anjo lhes disse: “Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo”. (Lucas 2:10) Em 1914, o mundo enfrentava o maior confronto de sua história até aquele momento, posteriormente conhecido como a Primeira Guerra Mundial. Entretanto, chegando o dia do Natal, algo ines- perado aconteceu. Os soldados da Tríplice Entente, formada por ingleses, russos e franceses, escutaram um som vindo do outro lado da chamada ‘terra de ninguém’ que imediatamente reconheceram. Eles ouviram um soldado alemão que havia começado a cantar “Noite de paz, Noite de amor” em sua língua natal. E em resposta, seus inimigos de guerra (mas irmãos por Criação) passaram a acompanhar a melodia, cada um em seu idioma. E logo a batalha simplesmente deixou de ser a única opção. Esse foi o início do episódio que ficou conhecido como ‘A trégua de Natal’. Os dois lados do conflito trocaram presentes, medicamentos, comidas e canções durante todo o feriado, que terminou sendo o último suspiro de esperança no conflito. Infelizmente, o alto comando de guerra, quando soube do ocorrido, reiniciou os esforços bélicos no dia 26. Mas o episódio ficou marcado na memória dos soldados e na história das guerras. Os combatentes, apesar de adversários, baixaram as armas sob um canto que anunciava Aquele veio ao 148 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS mundo para trazer reconciliação. Seus corações não cantavam os reis ou imperadores da época, mas o Rei dos reis que nasceu humildemente numa manjedoura na Galileia. Aquele que dividiu a história entre antes e depois de seu nascimento. Aquele que rei- na para todo o sempre. Aquele a quem Charles Grant se referiu, quando disse que “Deus abalou o mundo com um bebê, e não com uma bomba”. Santo Deus, vieste para o mundo de forma humilde, e por meio do sacrifício próprio conquistaste para o mundo o maior dos presentes, a Tua presença renovadora e transformadora. Que esta presença seja nosso renovo todos os dias até a eternidade. Amém. 149O CANDEEIRO NASCEU O EVANGELHO, A NOTÍCIA SUPREMA Rodrigo Anselmo da Silva Membro da Igreja Batista Plenitude, São Luís, MA, Brasil. Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. (Isaías 9:6) No turbilhão cultural que nos envolve, o verdadeiro significado do Natal muitas vezes se perde, obscurecido por práticas merca- dológicas e ênfases festivas. Enquanto discutimos entre nós sobre a pertinência do dia 25, a legitimidade do uso de árvores ou a adequação de decorações alusivas ao velhinho de barba branca, a essência da celebração muitas vezes é negligenciada. No entanto, como cristãos, devemos centrar nossa atenção naquele que é a razão de tudo, aquele que define todas as coisas: Jesus Cristo. Ao mergulharmos em Isaías 9:6, encontramos uma profecia que res- plandece com a verdadeira essência do Natal: “Afinal, um menino nos nasceu, um filho nos foi concedido, e o governo está sobre os seus ombros. Ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz”. Este versículo é um farol que ilumina o propósito supremo da temporada festiva: Jesus, o Messias prometido, a encarnação do amor divino. Devemos nos afastar das polêmicas periféricas e nos entregar ao essencial. Em meio à agitação cultural, nossa ênfase deve ser em Cristo, pois é 150 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS “nEle [que] habita toda a plenitude”. O Natal é a celebração do nascimento daquele que veio para nos resgatar. Elevemos nossos corações em louvor ao Santo Nome de Deus, agradecendo por enviar Cristo ao mundo como a resposta redentora para a huma- nidade. Ao compreendermos que o Natal é, acima de tudo, a reve- lação de Cristo, somos capacitados a transmitir a notícia suprema a um mundo sedento de esperança. Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, é a mensagem que transcende todas as questões periféricas e temporais. É a notícia das notícias, onde tudo mais se torna secundário diante da magnitude da graça divina. Que ao refletirmos sobre Isaías 9:6 possamos focar em Cristo, proclamando a mensagem redentora que ressoa desde os primórdios da humanidade até os dias atuais, e que nossa missão seja clara e inabalável: apresentar Jesus como a solução suprema para todos os males e a fonte de vida em abundância. Em meio às festividades, que nossa alegria seja completa ao compartilharmos a notícia de que o Natal é Cristo. Oh, Deus bondoso, louvamos-te por enviar teu Filho, Jesus Cristo, ao mundo como a resposta redentora para a humani- dade. Que possamos nos concentrar na verdadeira essência do Natal e proclamar a notícia suprema de que o Natal é Cristo. Em nome de Jesus. Amém. 151O CANDEEIRO TEMPO COMUM: ENCONTRANDO DESCANSO EM CRISTO Zípora Morgana Quinteiro dos Santos Membro da Igreja Assembleia de Deus, Santo Ângelo, RS, Brasil. Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encon- trareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. (Mateus 11:28-30) Em meio ao tumulto das demandas diárias, quando as cargas da existência parecem esmagadoras, há um chamado suave eco- ando dos lábios de Jesus. Seu convite ressoa com um amoroso apelo a todos que, sob o peso da vida, anseiam por alívio e paz. O convite está registrado em Mateus 11:28-30, um refúgio de conforto e esperança que transcende a busca meramente física por descanso. A passagem destaca a necessidade de aprender com Jesus, cujo coração é manso e humilde. Ele não apenas oferece um descanso para o corpo exaurido, mas propõe uma pausa para a alma sobrecarregada. Este convite não é um simples respiro, é um chamado profundo para encontrar repouso espiritual nos braços do Redentor. Imerso no contexto do ministério de Jesus, onde Suas palavras transformadoras e milagres surpreendentes ecoavam, o convite surge após uma repreensão às cidades impenitentes que testemunharam Seus feitos extraordinários. Expressando gratidão ao Pai por revelar Seu plano aos humildes, Jesus, então, estende 152 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS uma mão calorosa e universal para todos que carregam fardos. A metáfora do jugo e do fardo não é apenas um simbolismo, mas uma chamada à submissão graciosa ao Mestre. “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados”: um convite que transcende as dimensões físicas, alcançando as profundezas da fa- diga emocional e espiritual. Aqui, Jesus não apenas promete alívio momentâneo; Ele oferece um descanso que permeia a alma. Ao aceitar o jugo de Jesus, não nos submetemos a uma carga pesada e opressora, mas a uma autoridade suave e benevolente. Ele, que é manso e humilde, guia com ternura, ensinando-nos a encontrar aprendizado e crescimento em cada passo da jornada. A promes- sa ecoa: “E vocês encontrarão descanso para as suas almas”, não apenas uma pausa superficial, mas um repouso duradouroque emerge do relacionamento íntimo com Cristo. A conclusão deste convite divino retumba com esperança; Jesus enfatiza a leveza de Seu chamado, contrapondo-se a fardos pesados. Seguir a Ele não é uma jornada exaustiva, mas uma trajetória de transformação espiritual. Ao aceitar o convite de Jesus, o abatido encontra des- canso, a alma sobrecarregada encontra paz, e a jornada se torna uma peregrinação de crescimento, guiada pelas mãos amorosas do Salvador. Que este convite ressoe em cada coração cansado, guiando-os para os braços acolhedores de Jesus. Pai celestial, que Sua promessa de descanso permeie as profundezas de nossa alma, nutrindo uma esperança que transcende os desafios diários e acalma nossas tempes- tades interiores. Confiando em Ti, reconhecemos que Tua promessa vai além do alívio momentâneo, mas é uma fonte inesgotável de descanso eterno. Dá-nos consciência diária de Sua presença, conforto e esperança de um futuro de paz. Em nome de Jesus. Amém. 153O CANDEEIRO PÁSCOA, ÊXODO E REDENÇÃO Zípora Morgana Quinteiro dos Santos Membro da Igreja Assembleia de Deus, Santo Ângelo, RS, Brasil. O sangue será um sinal para indicar as casas em que vo- cês estiverem; quando eu vir o sangue, passarei adiante. A praga de destruição não os atingirá quando eu ferir o Egito. (Êxodo 12:13) No âmago da história da redenção, encontra-se a celebração pascal. No cerne deste divino enredo está a impactante promessa registrada em Êxodo 12:13. Este versículo revela um episódio único: o sangue do cordeiro imaculado prefigurou o supremo sacrifício de Cristo na cruz. O sangue do cordeiro pascal, pintado nos umbrais das portas, representava a proteção espiritual, uma sombra do que estava por vir. O cordeiro pascal apontava para o cordeiro imaculado que viria para redimir a humanidade. Na noite da décima praga, a Páscoa no Êxodo não foi apenas a liberação física da escravidão egípcia, mas também uma sombra antecipa- tória da obra redentora de Cristo. O apóstolo Paulo, ao escrever aos Coríntios, declara que “Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado” (1 Co 5:7). A narrativa pascal no Êxodo revela-nos a urgência da redenção, a necessidade de um resgate. Assim como o sangue do cordeiro no Êxodo protegeu o povo da ira de Deus, o sangue de Cristo nos resgata do poder do pecado e da morte. Em sua crucificação, Jesus tornou-se o sacrifício perfeito, abrindo o caminho para a reconciliação e libertação espiritual. Na manhã da 154 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS Páscoa, o túmulo vazio proclama vitória sobre a morte, confirman- do a promessa de vida eterna para todos que creem. O sepulcro vazio não é apenas o desfecho da história, mas o início de uma nova era de esperança e redenção. Seu triunfo sobre a sepultura é a promessa da ressurreição que ressoa em nossos corações. O apóstolo João proclama “o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifi- ca de todo pecado” (1 Jo 1:7). Assim como o sangue do cordeiro afastou a morte nas casas dos israelitas, o sangue de Cristo nos liberta da penalidade do pecado. O túmulo vazio proclama que a morte não tem a última palavra, e a vida eterna se torna uma promessa viva e pulsante para todos que creem. Assim como o povo no Êxodo foi protegido pelo sangue, confiemos na proteção eterna do precioso sangue de Jesus. Querido Deus, ao refletirmos sobre a profunda mensagem da Páscoa e a redenção através do sangue de Jesus, agradece- mos por Seu amor incondicional. Damos graças pelo Êxodo, que não foi apenas a liberação física da escravidão, mas uma antecipação da obra redentora de Cristo. Ao nos aproximar- mos da Páscoa, Senhor, e refletirmos sobre a crucificação e a vitória na manhã da ressurreição, reconhecemos que o sepulcro vazio não é apenas o desfecho da história, mas o início de uma nova era de esperança e redenção. Seu triun- fo sobre a sepultura é a promessa viva da ressurreição que ressoa em nossos corações. Confiamos na proteção eterna do precioso sangue de Jesus. Em nome de Jesus, oramos e agradecemos. Amém. 155O CANDEEIRO REFLEXÃO PASCAL Zípora Morgana Quinteiro dos Santos Membro da Igreja Assembleia de Deus, Santo Ângelo, RS, Brasil. Levando Ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados. (1 Pedro 2:24) A Páscoa emerge como um momento singular, convidando-nos a contemplar a profunda significância da ressurreição de Cristo e a esperança que essa realidade confere aos cristãos. No epicentro dessa reflexão repousa a verdade proclamada por Pedro em 1 Pedro 2:24: “Levando Ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados”. Este versículo resplandece com a luminosa verdade da redenção, revelando o sacrifício incomparável de Cristo na cruz. Nele, Jesus assume nos- sos pecados em Seu próprio corpo, transformando o madeiro de sofrimento e humilhação no instrumento divino da reconciliação entre Deus e a humanidade. A cruz se torna, assim, a ponte que nos conduz à restauração espiritual. A morte de Cristo não é apenas um evento histórico, mas um convite para morrermos para o poder do pecado em nossas vidas. Este não é um ato isolado, mas um processo contínuo de renúncia ao domínio do pecado à medida que nos tornamos participantes da justiça divina. As feridas de Cristo, conforme nos lembra o versículo, transcendem o mero sofrimento; 156 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS são o meio pelo qual encontramos cura espiritual. A celebração da Páscoa, assim, se converte em uma oportunidade para imergirmos na realidade transformadora da ressurreição. A reflexão transcende o mero reconhecimento do que Cristo realizou; trata-se, antes, de como vivemos em resposta a esse supremo sacrifício. Ao contem- plarmos a ressurreição de Cristo, somos instigados a considerar a Esperança futura fundamentada na promessa de Sua volta, con- forme proclamado em Atos 1:11. Vivemos, assim, na esperança da parousia, a segunda vinda de Cristo. Esta esperança infunde nosso presente com propósito e significado, assegurando-nos que, assim como Ele ressuscitou, seremos transformados e O encontraremos nas nuvens. Esta esperança não é um mero consolo teológico, mas uma realidade vivida, influenciando como enfrentamos desafios, lidamos com o sofrimento e abraçamos a vida cotidiana. À me- dida que entregamos nosso caminho ao Senhor, confiamos Nele e vivemos na expectativa da ressurreição e de Sua volta, somos transformados diariamente pela gloriosa verdade do Evangelho. Amado Pai celestial, nos aproximamos com corações cheios de reverência e gratidão pela singularidade da Páscoa, que nos convida a contemplar a profunda significância da res- surreição de Teu amado Filho, Jesus Cristo. Reconhecemos, com humildade, a esperança imensurável que essa realidade confere aos que creem em Seu sacrifício redentor. Ao con- templamos Tuas feridas, Senhor Jesus, percebemos que elas são o meio pelo qual encontramos cura espiritual, refúgio, perdão e restauração. À medida que entregamos nosso ca- minho a Ti, Senhor, confiamos em Tua fidelidade e vivemos na expectativa da ressurreição e de Sua volta. Que sejamos transformados diariamente por essa gloriosa verdade do Evangelho. Em nome de Jesus Cristo. Amém. 157O CANDEEIRO TEMPO COMUM: JÚBILO, BENEVOLÊNCIA E SERENIDADE EM CRISTO Zípora Morgana Quinteiro dos Santos Membro da Igreja Assembleia de Deus, Santo Ângelo, RS, Brasil. Regozijem-se sempre no Senhor. Novamente direi: regozijem-se! Seja a amabilidade de vocês conhecida por todos. O Senhor está próximo. Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guar- dará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus. (Filipenses 4:4-7) Neste períododo calendário litúrgico, durante o tempo comum, somos conduzidos por um trecho que ressoa com a mensagem eterna de júbilo, benevolência e serenidade em Cristo. Filipenses 4:4-7 emerge como uma bússola espiritual, orientando nossos corações à fonte suprema de contentamento, instigando-nos a irradiar benevolência aos outros e recordando-nos da iminên- cia do Senhor. O apóstolo Paulo, em sua epístola aos Filipenses, convoca-nos a regozijar incessantemente no Senhor. Este é um chamado à alegria enraizada não em adversidades exteriores, mas na presença constante do Senhor em nossas vidas. Em tempos ordinários, encontramos razões para alegria ao reconhecermos 158 ZÍPORA MORGANA QUINTEIRO DOS SANTOS & AMIGOS a lealdade e bondade de Deus. Paulo ressalta a importância da benevolência, que deve ser manifesta em nossas vidas; essa be- nevolência não é uma postura superficial, mas uma expressão do caráter transformado pelo Espírito Santo. Num mundo carente de compaixão somos instados a ser embaixadores da benevolência de Cristo, para que todos possam testemunhar a diferença que Ele faz em nós. A promessa da iminência do Senhor é um anco- radouro para nossas almas; mesmo nos dias ordinários, podemos confiar na presença constante de Deus. Essa verdade nos capacita a enfrentar desafios com coragem e a viver com a certeza de que não estamos desamparados. O apóstolo oferece um antídoto con- tra a ansiedade: a oração. Ao invés de nos inquietarmos, somos encorajados a apresentar nossas petições a Deus com gratidão. A oração transforma-se em um diálogo constante com o Pai celestial, fortalecendo nossa fé e confiança em Sua soberania. A promessa final é a paz de Deus, uma paz que transcende toda compreensão humana. Esta paz é a presença serena de Deus em nossas vidas, guardando nossos corações e mentes em Cristo Jesus. Em meio às incertezas do tempo ordinário, esta paz nos sustenta e nos guia. Neste período do tempo comum somos convocados a viver uma vida de júbilo no Senhor, manifestando benevolência, confiando na proximidade divina, substituindo a ansiedade pela oração e experimentando a paz que somente Deus pode proporcionar. Que Filipenses 4:4-7 seja um guia perpétuo em nossas jornadas diárias, recordando-nos de que, em Cristo, encontramos a verdadeira fonte de júbilo, contentamento e serenidade. Querido Deus, agradecemos por termos em Ti a fonte de júbilo, benevolência para com os outros e confiança na oração como uma fonte de paz em meio às inquietações da vida. Filipenses 4:4-7 é uma mensagem edificante para os dias comuns, lembrando-nos de buscar o júbilo no Senhor e confiar em Ti em todas as circunstâncias. Ajuda-nos. Amém. 159O CANDEEIRO EPÍLOGO Encontramos nestas páginas reflexões sobre a paz, a esperança, a transformação, a perseverança e a graça redentora de um Deus que nos ama incondicionalmente. Cada autor, guiado pelo Espí- rito Santo, contribui com uma perspectiva única e enriquecedora, resultando em uma obra que busca inspirar e edificar os corações sedentos de Deus. Este devocional, como um candeeiro, iluminará o caminho daqueles que buscam a Deus com sinceridade, guiando-os na jornada da fé e da comunhão com o Salvador. Que esta leitura seja uma experiência transformadora, e que em cada frase o leitor seja lembrado do amor inabalável de Deus e da esperança que encon- tramos em Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador.