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O empirismo, a ciência e a tecnologia Filosofia 3o bimestre – Aula 10 Ensino Médio • O empirismo, a ciência e a tecnologia. ● Analisar os princípios do empirismo e sua importância para a ciência moderna; ● Avaliar o empirismo e seus desdobramentos para a ciência e a tecnologia. FAÇA AGORA 3 MINUTOS Na sua opinião, quais dados e informações conferem maior credibilidade à informação e à pesquisa científica? A. ( ) Narrativa sobre a experiência, a coleta de dados e a vivência do pesquisador. B. ( ) Modelos matemáticos com abordagens analíticas. C. ( ) Dados estatísticos e gráficos. D. ( ) Outro. Qual? Imagem: Pixabay O termo geocêntrico deriva da ligação de “geo” (Terra) e “centro”. Ou seja, nesse modelo a Terra seria o centro do universo e os demais corpos celestes gravitariam ao seu redor. Esse modelo encontrou sua forma matemática com o astrônomo grego Cláudio Ptolomeu (90-168 d.C.). O modelo geocêntrico só foi formalmente questionado a partir dos séculos XVI e XVII, com o modelo matemático de Nicolau Copérnico (1473-1543) e as observações de corpos celestes realizadas por Galileu Galilei (1564-1642) através de um instrumento, o telescópio. Modelos geocêntrico e heliocêntrico As contribuições de Copérnico e Galileu promoveram um novo modelo, o heliocêntrico. O termo heliocêntrico deriva da ligação da palavra “hélio” (Sol) e “centro”. Assim, nesse modelo o Sol passa a ser o centro do universo e os demais corpos celestes gravitariam ao seu redor. Nascido em 1564, na Itália, Galileu Galilei é considerado o pai da Física moderna experimental. Em 1610, Galilei deu início às suas primeiras investidas na astronomia, observando o céu com um telescópio que ele mesmo construiu (apesar de não ser considerado, de fato, o inventor da tecnologia do telescópio). Galileu Galilei: quem foi ele? Em sua observação sistemática do céu, Galilei contribuiu em larga escala para o chamado modelo heliocêntrico do universo, modelo matemático do astrônomo polonês Nicolau Copérnico. Galilei concluiu, em seus estudos, que a Terra estava em constante movimento ao redor do Sol, contrariando proposições de grandes pensadores da História, como Aristóteles. Post do Instituto de Física de São Carlos (adaptado). Disponível em: https://encurtador.com.br/NFR3M. https://encurtador.com.br/NFR3M A revolução científica Vale destacar que Galileu Galilei abordou os eventos e fenômenos da natureza de forma ordenada e metódica. Coordenou a linguagem matemática e aprimorou recursos para comprovar empiricamente as hipóteses científicas. Dessa forma, ele contribuiu para a moderna concepção de ciência. A observação, a experimentação e o uso da Matemática como uma linguagem na construção de teorias constituíram a base da ciência moderna e geraram a necessidade de desconfiar, reavaliar e substituir os conhecimentos e concepções herdados da Antiguidade e do período medieval. Pode-se dizer, aproximadamente, que essa revolução científica e filosófica […] causou a destruição do Cosmos, ou seja, o desaparecimento [...] da concepção do mundo como um todo finito, fechado e ordenado hierarquicamente […] e a sua substituição por um universo indefinido e até mesmo infinito que é mantido coeso pela identidade de seus componentes e leis fundamentais, e no qual todos esses componentes são colocados no mesmo nível do ser. Isto, por seu turno, implica o abandono, pelo pensamento científico, de todas as considerações baseadas em conceitos de valor, como perfeição, harmonia […], o divórcio do mundo do valor e do mundo dos fatos”. KOYRÉ, Alexandre. Do mundo fechado ao universo infinito. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1986. “ DE SURPRESA Leia novamente o excerto do livro de Alexandre Koyré Do mundo fechado ao universo infinito, vire e converse com o seu colega por dois minutos. Construa com ele uma resposta para a seguinte questão: Como a revolução científica e filosófica destruiu o Cosmos? Fiquem preparados, o professor pode querer saber o que vocês pensaram sobre o assunto e chamá-los de surpresa. VIREM E CONVERSEM 5 MINUTOS Resposta aberta e dependente do que os estudantes conversaram. Contudo, vale destacar que o texto relaciona a “destruição do Cosmos” com o declínio da visão de mundo de um universo finito, fechado e ordenado hierarquicamente. Em seu lugar emerge a visão de um universo aberto e infinito. Essa mudança de visão e perspectiva ocorre pela adoção de leis fundamentais fundamentadas em fatos. Dessa forma, os corpos que constituem o universo deixam de ser organizados por uma ordem celeste em que a Terra ocupa o lugar privilegiado, central. A partir da revolução científica e filosófica todos os corpos celestes passam a ter a mesma condição de existência e estão submetidos às mesmas leis naturais que regem o universo e explicam o movimento dos astros. Correção: A revolução científica e a teoria do conhecimento A teoria do conhecimento é uma área de estudo da filosofia ocidental que contempla a busca pela compreensão racional do mundo, dos seus objetos e fenômenos, assim como dos processos mobilizados por aqueles que desejam conhecer. Vale destacar que aquele que deseja conhecer vai se utilizar de processos e procedimentos de acordo com a sua época. Ou seja, cada época e lugar gera demandas e estratégias características de conhecer que lhes são próprias. No contexto da revolução científica do século XVII, questiona-se sobre a possibilidade do conhecimento, a partir daquele que conhece. Destacam-se nesse momento duas correntes filosóficas, o racionalismo e o empirismo. Quais as possibilidades de conhecer alguma coisa? Qual o melhor método para obter conhecimento seguro? René Descartes (1596-1650) foi o representante mais destacado da posição racionalista no século XVII. A revolução científica no campo da Astronomia foi um dos desdobramentos de uma compreensão do universo em termos matemáticos que impactava todos os campos do saber. Nesse contexto, Descartes publica, em 1637, sua obra Discurso do método. Para Descartes, a aplicação do método matemático é a garantia do uso correto da razão. Ele propõe aceitar como verdade apenas aqueles conhecimentos dotados de evidência, tal como na Matemática. Seu projeto filosófico mais ambicioso almejava estruturar todo o edifício do conhecimento humano como uma cadeia de certezas fundamentada sobre uma primeira verdade que deveria ser absolutamente evidente ao espírito. Racionalismo Assim porque nossos sentidos às vezes nos enganam, quis supor que não havia cosa alguma que fosse tal como eles nos levam a imaginar. E porque há homens que se enganam ao raciocinar, mesmo sobre os mais simples temas de geometria [...] julgando que eu era tão sujeito ao erro quanto qualquer outro, rejeitei como falsas todas as razões que antes tomara como demonstrações. E, finalmente, considerando que todos os pensamentos que temos quando acordados também nos podem ocorrer quando dormimos sem que nenhum seja tão verdadeiro, resolvi fingir que todas as coisas que haviam entrado no meu espírito não eram mais verdadeiras que as ilusões de meus sonhos. Mas logo me atentei que, enquanto queria pensar assim que tudo era falso, era necessariamente preciso que eu que o pensava, fosse alguma coisa. E notando que esta verdade – penso logo existo era tão firme e tão certa que [...] julguei que podia admiti-la sem escrúpulo como primeiro princípio da filosofia que buscava”. DESCARTES, R. Discurso do método, 2001, p. 38 (grifo nosso). “ John Locke (1632-1704) entendia que todo o conhecimento é derivado da experiência sensível e da reflexão sobre essas experiências. Esse entendimento contrariava a ideia de conhecimento inato ou de que os sentidos seriam elementos acessórios ao conhecimento.Ou seja, se posicionava de forma diametralmente oposta ao racionalismo. Para Locke, as nossas ideias resultam das sensações e da reflexão. David Hume (1711-1776) levou adiante a teoria de Locke e se posicionou de forma ainda mais radical na crítica ao racionalismo cartesiano. Para Hume a experiência é um critério de confirmação do pensamento filosófico. Empirismo A pergunta sobre a natureza da filosofia é central para Hume. [...] Tanto o Tratado da natureza humana (1739-40) quanto a Investigação sobre o entendimento humano (1748) iniciam-se com essa pergunta e se desenvolvem como respostas a ela. [...] Hume caracteriza sua filosofia como extremamente cética [...]. Esse ceticismo rejeita ideais racionalistas de explicação, com seus parâmetros de certeza e de evidência, mas não ameaça a aquisição do conhecimento. Ao contrário, ao refletir a vida comum e rejeitar o dogmatismo e a superstição, ele favorece a “ciência do homem” [...]. Hume adota um naturalismo metodológico e filosófico, ao defender uma metodologia relacionada à das ciências naturais e buscar explicações livres de princípios sobrenaturais.” “Ceticismo, naturalismo e sentimentalismo: as contribuições de Hume”, entrevista com Lívia Guimarães (adaptada). “ Os trechos a seguir apresentam as características e a importância do empirismo a partir de duas fontes distintas. A partir desses excertos e das aprendizagens desenvolvidas nesta aula, responda: é possível identificar, na produção do conhecimento atual, heranças do empirismo? Quais? “Corrente filosófica para a qual a experiência é critério de verdade [...] em geral, essa corrente caracteriza-se pelo seguinte: 1) negação do caráter absoluto de verdade ou ao menos, a verdade acessível ao homem; 2) reconhecimento que toda a verdade pode e deve ser posta à prova, logo eventualmente modificada, corrigida ou abandonada.” “Não se pode duvidar de que todos os nossos conhecimentos começam com a experiência, porque com efeito, como haveria de exercitar-se a faculdade de se conhecer, se não fosse pelos objetos que, excitando os nossos sentidos, de uma parte produzem por si mesmos representações, e de outra parte, impulsionam a nossa inteligência a compará-los entre si, reuni- los ou separá-los.” ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia, 2007. KANT, I. Crítica da razão pura, 2021. TODO MUNDO ESCREVE 10 MINUTOS Resposta aberta. Contudo, vale destacar que o empirismo fornece alguns padrões que podemos identificar na produção científica atual como, por exemplo, a perspectiva de que “toda a verdade pode e deve ser posta à prova, logo eventualmente modificada, corrigida ou abandonada”, conforme excerto do Dicionário de Filosofia de Abbagnano. Essa perspectiva pode ser observada em artigos científicos de revisão, por exemplo. O excerto de Kant indica a necessidade de verificação empírica das hipóteses elaboradas teoricamente. Um exemplo contemporâneo pode ser encontrado na Astronomia. A hipótese de ondas gravitacionais foi levantada no início do século XX, a partir dos trabalhos de Einstein, porém, sua confirmação empírica pôde ocorrer apenas em 2015, com o uso de tecnologias e instrumentos inovadores. Correção Atualmente sabemos que o desenvolvimento científico e tecnológico se deve à experiência empírica e a dados da razão que permitem a generalização e a formulação de leis teóricas. São essas duas fontes que fundamentam o conhecimento científico. Agora é com vocês! A partir das aprendizagens desenvolvidas nesta aula, escreva uma mensagem para um dos pensadores que abordamos: Galileu Galilei, Descartes, Locke ou Hume. Nessa mensagem, narre como o racionalismo e/ou empirismo se fazem presentes na produção científica e tecnológica atual e como a ciência e tecnologia contemporâneas têm operado revoluções na nossa forma de entender a vida e viver na atualidade. VIREM E TRABALHEM 8 MINUTOS Fonte: Gif por Marcelo Ortega/@ortega_alemão. ● A investigação e proposta de Galileu e seu método científico; ● Os princípios do racionalismo e do empirismo e sua importância para a ciência moderna. ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. Tradução da 1ª edição brasileira coordenada e revisada por Alfredo Bosi; revisão da tradução e tradução Ivone Castilho Beneditti. São Paulo: Martins Fontes, 2007. DESCARTES, R. Discurso do método. Trad. Maria Ermantina Galvão. Revisão Mônica Stahel. São Paulo: Martins Fontes, 2001. GUIMARÃES, L. Ceticismo, naturalismo e sentimentalismo: as contribuições de Hume. Revista do Instituto Humanitas UNISINOS, São Leopoldo/RS, n. 369, 15 ago. 2011. Disponível em: https://www.ihuonline.unisinos.br/media/pdf/IHUOnlineEdicao369.pdf. Acesso em: 04 jun. 2024. IFSC – Instituto de Física de São Carlos. Galileu Galilei: quem foi ele? (post). São Carlos, 18 abr. 2012 (texto adaptado). Disponível em: https://encurtador.com.br/NFR3M. Acesso em: 04 jun. 2024. KANT, I. Crítica da razão pura. (Versão eletrônica do livro Crítica da razão pura). Tradução: J. Rodrigues de Merege. Créditos da digitalização: Membros do grupo de discussão Acrópolis (Filosofia). Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000016.pdf. Acesso em: 04 jun. 2024. KOYRÉ, Alexandre. Do mundo fechado ao universo infinito. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1986. https://www.ihuonline.unisinos.br/media/pdf/IHUOnlineEdicao369.pdf https://encurtador.com.br/NFR3M http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000016.pdf LEMOV, D. Aula nota 10: 63 técnicas para melhorar a gestão da sala de aula. Tradução: Daniel Vieira, Sandra. M. M. da Rosa. Revisão técnica: Fausto Camargo, Thuinie Daros. Porto Alegre: Penso, 2023. SÃO PAULO (Estado). Currículo Paulista: etapa Ensino Médio, 2020. Disponível em: Acesso em: 04 jun. 2024. Lista de imagens e vídeos: Slide 1 – Imagem de capa: SEDUC Slide 3 – Pixabay. Disponível em: https://pixabay.com/pt/illustrations/estude-experimento- cient%C3%ADfico-7565904/. Acesso em: 23 maio 2024. Slide 4 – Wikimedia Commons. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=3672259. Acesso em: 17 maio 2024. Slide 4 – Wikimedia Commons. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=65270. Acesso em: 17 maio 2024. Slide 5 – Wikimedia Commons. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Justus_Sustermans_-_Portrait_of_Galileo_Galilei,_1636.jpg. Acesso em: 23 maio 2024. Slide 10 – Wikimedia Commons. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Descartes_Discours_de_la_Methode.jpg. Acesso em: 23 maio 2024. Slide 17 – Gif Animado por Marcelo Ortega/@ortega_alemão. https://pixabay.com/pt/illustrations/estude-experimento-cient%92fico-7565904/ https://pixabay.com/pt/illustrations/estude-experimento-cient%92fico-7565904/ https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=3672259 https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=65270 https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Justus_Sustermans_-_Portrait_of_Galileo_Galilei,_1636.jpg https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Descartes_Discours_de_la_Methode.jpg Slide 1 Slide 2 Slide 3 Slide 4: Modelos geocêntrico e heliocêntrico Slide 5: Galileu Galilei: quem foi ele? Slide 6: A revolução científica Slide 7 Slide 8: Correção: Slide 9: A revolução científica e a teoria do conhecimento Slide 10: Racionalismo Slide 11 Slide 12: Empirismo Slide 13 Slide 14 Slide 15: Correção Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21