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www.projetoredacao.com.br Lista de Redação – Gramática – Morfologia (Classe de palavras) – 99 Questões [Fácil] Questão 01) Formado por milhares de pequenos vasos semelhantes a veias e artérias, ele trabalha de baixo para cima - portanto contra a gravidade. Isso significa que, se ficarmos parados, a sujeira se estagna. Se ficarmos imóveis durante sete dias, os tecidos morrem. O pronome ele refere-se, no trecho, a a) serviço de limpeza. b) corpo inteiro. c) movimento. d) sistema linfático. e) conjunto de veias e artérias. Questão 02) No trecho ...os músculos pressionam os vasos linfáticos...– substituindo o verbo pressionar pela locução verbal fazer pressão conjugada no futuro do pretérito, o resultado é: a) os músculos fariam pressão nos vasos linfáticos. b) os músculos faziam pressão nos vasos linfáticos. c) os músculos fizessem pressão aos vasos linfáticos. d) os músculos fariam pressão com os vasos linfáticos. e) os músculos faziam pressão com os vasos linfáticos. Questão 03) Em “Era a flor, e não já da escola, senão de toda a cidade.”, a palavra assinalada pode ser substituída, sem que haja alteração de sentido, por: a) mas sim. b) de outro modo. c) exceto. d) portanto. e) ou. Questão 04) Na frase “O Sol ainda produzirá energia (...)”, o advérbio ainda tem o mesmo sentido que em: a) Ainda lutando, nada conseguirá. b) Há ainda outras pessoas envolvidas no caso. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br c) Ainda há cinco minutos ela estava aqui. d) Um dia ele voltará, e ela estará ainda à sua espera. e) Sei que ainda serás rico. Questão 05) Toda ciência contém, em seus fundamentos, uma mitologia. Para muitos, a mitologia é coisa da fantasia, enquanto a ciência se constitui em fala de gente séria. Na passagem acima, os pronomes que substituem, pela ordem, os termos sublinhados sem que haja alteração de sentido são: a) esta / essa. b) aquela / esta. c) essa / aquela. d) esta / aquela. e) aquela / essa. Questão 06) Complete as lacunas com as formas verbais adequadas. “No Recife, a coleta seletiva de ‘porta em porta’ é realizada em pelo menos 45 bairros, que ______________localidades como Arruda, Campo Grande, Cordeiro, Madalena, Boa Viagem e Imbiribeira. O material recolhido – cerca de 130 toneladas por mês - é levado para seis núcleos de triagens, sendo dois deles parcerias com Organizações Não-Governamentais. O esforço é válido, mas não é suficiente para ____________ o desperdício de materiais que ______________ gerar renda e, o mais importante, não _____________ prejuízos ao meio-ambiente, que ________ muito tempo – muito além do que imaginamos - para decompor vidro, plástico, embalagens”. Recife tem projetos para melhorar o tratamento do lixo na capital. Diário de Pernambuco. abril/ 2007. www.diariodepernambuco.com a) Incluem – reduzir – poderiam – acarretar – leva. b) Incluem – reduzir – poderia – acarretar – levam. c) Inclui – reduzir-se – poderiam – acarretarem – leva. d) Incluem – reduzir-se – poderiam – acarretar – levam. e) Inclui – reduzir – poderia – acarretarem - leva. Questão 07) Complete as lacunas com os conectivos adequados. TEXTO III (....) 1“Os ruralistas defendem a proposta - o projeto de lei (PL) que muda substancialmente a porcentagem de autorização para derrubada de vegetação nativa em propriedades privadas na Amazônia - , alegando que a lei, _______aprovada, vai 5incentivar a adesão dos fazendeiros à legislação http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br ambiental e, __________, garantir a sobrevivência de metade da biodiversidade amazônica. A verdade, __________, é que, num ecossistema frágil como o amazônico, ninguém sabe quanto de biodiversidade resistiria se 50% dela fosse 10destruída. _________ a floresta encolhe, diminuem o volume de chuvas e a capacidade de a vegetação reter água. __________, a mata fica cada vez mais seca e vulnerável à ação do calor e do fogo.” ARAIA, Eduardo , Projeto de lei pode significar, no prazo de algumas décadas, o fim da Floresta Amazônica. 28/05/2008. www.terra.com.br/isto é/sumarios. Acesso em 04/08/08. Assinale a alternativa correta. a) Se – dessa forma – porém – conforme – com isso b) Caso – assim – logo – segundo – com isso c) Desde que – de conformidade – não obstante – à medida que – portanto d) Logo – assim – contudo – desde que – desta forma e) Embora - portanto – todavia – com isso – no entanto. Questão 08) Na sua intenção carnavalizadora, Mendes Fradique, ao tratar do substantivo, mescla a nomenclatura usual com o que lhe serve ao propósito humorístico. Em termos de Nomenclatura Gramatical Brasileira – e apenas em termos dela – ele somente NÃO inovou em: a) O substantivo pode ser próprio ou de aluguel. O substantivo é próprio quando nomeia pessoa. Ex.: Presidente da República, Prefeito, Ministro, etc. Esses substantivos só não nomeiam pessoa quando a pessoa não tem pistolão. O substantivo é de aluguel quando o morador paga a renda ao senhorio... b) O substantivo pode ser real ou abstrato. É real quando se relaciona com o rei ou quando serve de padrão monetário. O substantivo é abstrato quando não passa de conversa fiada. Ex.: Câmbio estável, plataforma governamental, opinião pública, soberania popular, democracia, sorte grande, camarão de empada, Tesouro Nacional, etc. c) O substantivo pode ser simples ou composto. O substantivo é simples quando é simples mesmo. Ex.: café pequeno. É composto quando acompanhado de entrepitíveis. Ex.: média com pão quente. d) Quanto ao gênero, podem os substantivos ser masculinos, femininos ou neutros. Masculino: Mesquita Cabral; feminino: Marion; neutro: preguiça, que é comum ao masculino e ao feminino. e) Os substantivos variam desinencialmente [também] em caso... Ex.: João come frutas. João é aí um caso nominativo. Maria lê jornais. Maria é aí um caso nominativo. Excetuam-se: Pedro toma o trem da Central, porque aí Pedro é um caso perdido. http://www.projetoredacao.com.br/ http://www.terra.com.br/isto%20é/sumarios.%20Acesso%20em%2004/08/08 http://www.terra.com.br/isto%20é/sumarios.%20Acesso%20em%2004/08/08 www.projetoredacao.com.br Questão 09) “O substantivo varia segundo o grau, dando uma idéia de aumento no aumentativo; de diminuição no diminutivo [...]. Aumentativo se forma com a terminação inho [...]; diminutivo se forma com a terminação ão.” A exemplificação que completa a doutrina carnavalizada do autor foi quebrada por um exemplo, que é nosso, em: a) aumentativo: moinho - mó grande. b) aumentativo: fossinho - fossa grande (nasal). c) diminutivo: cartão - carta pequena. d) diminutivo: limão - lima pequena (e azeda). e) diminutivo: pedrinha - pedra pequena. Questão 10) “No telefone, a primeira pessoa é a que fala; a segunda é a que não ouve; e a terceira é a Light.” Em apenas uma alternativa, Mendes Fradique NÃO carnavalizou: a) As pessoas gramaticais mais conhecidas são: Mario Barreto, João Ribeiro, Laudelino Freire, Assis Cintra. b) Os pronomes pessoais do plural são: nós, vós, eles ou elas. c) Nós é usado pelas pessoas que não conhecem o seu lugar. Ex.: Nós só aceitamos reclamações na Companhia, diz o homem do gás, referindo-se à Light. d) Vós é a forma de que se servem os homens de letras em alocuções acadêmicas. Ex.: Entrade, macêbado, de onde vindes vós? e) Eles são os que marcham. Elas são as mulheres deles. Questão 11) “Advérbio é a palavra mais ou menos invariável que modifica um verbo, um adjetivo ou outro advérbio.” O “mais ou menos invariável” atribuído ao advérbio tem sua razão de ser devido à possibilidade de receber um sufixo indicativo de grau nos advérbios da frase NÃOcarnavalizada em: a) Os advérbios mais amáveis são sim, bem, muito bem. b) Os advérbios mais antipáticos são não, nunca, jamais. c) Formam-se advérbios de modo normalmente juntando-se ao feminino dos adjetivos o sufixo mente: gostosamente, calmamente, tranqüilamente, dormente, semente. d) Excetuam-se Clemente e portuguesmente, que se formam de palavras masculinas. e) Aprendemos cedo a identificar o advérbio; estamos perto de o esquecer? Questão 12) “O verbo deve sempre concordar com o sujeito em gênero, número e pessoa.” Não obstante carnavalizado, cada exemplo está adequado, EXCETO em: http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br a) Em gênero: Acometidas pelos portugueses as estâncias contrárias... b) Em número: Os vinte estados do Brasil são dois: São Paulo e Minas. c) Em pessoa: O governo eletrificará a Central. d) Em gênero, número e pessoa: Tudo são aplausos!... e) Vários sujeitos no singular podem levar o verbo ao plural e o fornecedor à falência. Ex.: Fulano, Beltrano e Sicrano compram fiado na casa do Bento. Questão 13) “COLOCAÇÃO DO PRONOME - É menos difícil colocar-se um sujeito no Ministério da Fazenda do que um pronome no seu competente lugar.” Sem a carnavalização dos exemplos colhidos, diríamos que a colocação pronominal está adequada em: a) O advérbio não repele [...] o pronome, pospondo-o ao verbo. Ex.: Não dou-te as rosas da face / Nem as que tenho na mão... (Afonso Celso) b) Fosse Jesus no Horto das Oliveiras qualquer pessoa, teria completado a oração de outro modo que não Faça-se a vossa vontade... c) O pronome precede sempre o verbo quando se trata de nomes próprios. Assim ninguém diz, por exemplo, o Dr. Queira-se, ou o Dr. Abra-se; e sim: o Dr. Sequeira, o Dr. Seabra. d) Também deve sempre preceder o verbo o pronome que forma adjetivos numerais. Não é correto dizer-se: senta-se e quatro ou tenta-se e oito; e sim: sessenta e quatro, setenta e oito. e) Em via de regra, em certos utensílios e objetos de uso doméstico ou agrário, o pronome é sempre posposto ao verbo. Não é correto dizer-se: um se cale de licor ou a se foi do lavrador e sim um cálice de licor e a foice do lavrador. Questão 14) “Como disse o famoso pensador Alfred E. Neumann, o mal da nova geração é que não pertencemos mais a ela.” “Como lemos nos jornais que os adolescentes revoltados esquartejam pais e avós, entram para seitas orientais que preceituam a abstenção de banhos ou erigem Átila como modelo, cabe nos resignarmos e nos refugiarmos num quarto acusticamente isolado.” O conectivo “como” aparece, nas passagens acima, significando respectivamente: a) Segundo / Já que. b) Tal qual / Quando. c) Conforme / Sempre que. d) Consoante / Da mesma maneira que. e) Do mesmo modo que / Uma vez que. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 15) “Outra só come o que, a cada dia, lhe ditam entidades para nós misteriosas, cuja única coerência é rejeitar tudo o que na semana passada era uma delícia.” Das alterações ocorridas na passagem acima, assinale aquela em que há ERRO no emprego do pronome relativo: a) Outra só come o que, a cada dia, lhe ditam entidades para nós misteriosas, nas quais invariavelmente acredita. b) Outra só come o que, a cada dia, lhe ditam entidades para nós misteriosas, sob cuja orientação organiza seu cardápio. c) Outra só come o que, a cada dia, lhe ditam entidades para nós misteriosas, com quem jamais discorda. d) Outra só come o que, a cada dia, lhe ditam entidades para nós misteriosas, a que sempre se refere com euforia. e) Outra só come o que, a cada dia, lhe ditam entidades para nós misteriosas, em cujo saber deposita plena confiança. Questão 16) “Penso nisto enquanto procuro conter as nênias de horror que me tumultuam o peito fatigado [...].” O verbo “conter” conjuga-se pelo verbo “ter”, do qual deriva. Assinale a alternativa em que há ERRO na conjugação do verbo derivado em destaque: a) Os pais abstiveram-se de falar dos filhos na reunião. b) Os jovens se mantinham em grupo, isolados dos mais velhos. c) Seria bom que os rapazes se entretessem ouvindo música mais baixo. d) O professor da turma às vezes retém a garotada na escola por motivos banais. e) Os professores trabalharão melhor se contarem com a simpatia dos jovens e obtiverem o seu apoio. Questão 17) “Penso nisto enquanto procuro conter as nênias de horror que me tumultuam o peito fatigado [...].” A alternativa em que o pronome pessoal “me” aparece empregado com valor possessivo, como na sentença acima, é: a) Meus filhos me são gratos. b) Meus filhos me ouvem os conselhos. c) Meus filhos me desobedecem sempre. d) Meus filhos me causam preocupações. e) Meus filhos me convidam para suas festas. Questão 18) Assinale a alternativa que esteja INCORRETA quanto à função gramatical das expressões e dos vocábulos sublinhados. (Trechos retirados de Contos Novos, de Mário de Andrade.) http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br a) "E tudo aquilo era uma desgraça muito cachorra mesmo." – Substantivo e substantivo (respectivamente). b) "Na verdade, ninguém sabia de fato o que era peru em nossa casa, peru resto de festa." – Locução adjetiva. c) "Assim: o nos afastarmos um do outro em nossa quotidianidade, o que chamei já agora erradamente, tenho certeza, de "desagregação", era mais apenas um jeito da amizade verdadeira." – oração substantivada e substantivo (respectivamente). d) "Eu, tão menor, tenho esse quê repulsivo do anão, pareço velho." – Substantivo, adjetivo e adjetivo (respectivamente). e) "Vivíamos por vezes meia hora sem uma palavra, mas em que nossos espíritos, nossas almas entreconhecidas se entendiam e se irmanavam com silêncio vegetal." – Adjetivo e adjetivo (respectivamente). Questão 19) Leia os textos a seguir. I. O Curso Química Ambiental - Controle e Aproveitamento de Resíduos - visa a contribuir com a sociedade na preservação do seu habitat e ao desenvolvimento de processos que favoreçam a qualidade de vida do ser humano. II. O Curso Química Ambiental - Controle e Aproveitamento de Resíduos - visa a contribuir com a sociedade na preservação do seu habitat e com o desenvolvimento de processos que favoreçam a qualidade de vida do ser humano. III. O Curso Química Ambiental - Controle e Aproveitamento de Resíduos - visa a contribuir com a sociedade na preservação do seu habitat e no desenvolvimento de processos que favoreçam a qualidade de vida do ser humano. Do ponto de vista da norma culta, as preposições sublinhadas estão empregadas corretamente: a) somente no texto I. b) somente no texto II. c) somente no texto III. d) em todos os textos. e) em nenhum dos textos. Questão 20) Indique a alternativa em que a substituição dos termos grifados nas frases abaixo está gramaticalmente correta. I. Sinhá Vitória vestiria saias de ramagens vistosas. II. ... para não derramar a água salobra. III. Encheu a Guia. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br a) I. Sinhá Vitória vesti-las-ia. II. ... para a não derramar. III. A encheu. b) I. Sinhá Vitória lhes vestiria. II. ... para não a derramar. III. Encheu-lhe. c) I. Sinhá Vitória vestir-lhes-ia. II.... para não derramá-la. III. Encheu-a. d) I. Sinhá Vitória vestiria-a. II. ... para a não derramar. III. Encheu-lhe. e) I. Sinhá Vitória as vestiria. II. ... para não derramá-la. III. Encheu-a. Questão 21) Dentre os tempos verbais, existe um que se chama futuro do presente composto do indicativo; um exemplo é terei partido. Explique em que circunstância esse tempo verbal é utilizado. Redija uma frase em que ele seja corretamente empregado, mas use verbo diferente de partir.Questão 22) Observe a palavra sublinhada no seguinte período: A implicação é que esses países talvez se saíssem melhores economicamente se fossem mais parecidos entre si. Essa palavra está sendo usada de acordo com a norma culta? Explique. Questão 23) “O diminutivo é uma maneira ao mesmo tempo afetuosa e precavida de usar a linguagem. Afetuosa porque geralmente o usamos para designar o que é agradável, aquelas coisas tão afáveis que se deixam diminuir sem perder o sentido. E precavida porque também o usamos para desarmar certas palavras que, por sua forma original, são ameaçadoras demais.” [Luis Fernando Veríssimo, Diminutivos] A alternativa inteiramente de acordo com a definição do autor sobre diminutivos é: a) O iogurtinho que vale por um bifinho. b) Ser brotinho é sorrir dos homens e rir interminavelmente das mulheres. c) Gosto muito de te ver, Leãozinho. d) Essa menininha é terrível! e) Vamos bater um papinho. Questão 24) Assinale a alternativa em que a correlação de tempos e modos verbais NÃO é adequada ao contexto. a) Ainda aparecerá no Congresso alguém disposto a apresentar um projeto que fixe conseqüências para aqueles que enganem a sociedade. b) Tudo leva a crer que nesses cruzamentos de culturas a situação das áreas coloniais apresente um convívio de extremos. c) Não há dúvida de que, nos traumas sociais, os sujeitos da cultura popular sofrem abalos graves. d) More alguém nos bairros pobres da periferia de uma cidade grande e verá no que resultou essa condição do migrante. e) A sua conduta será de inconformidade e violência, até que um dia certas condições poderiam reconstruir sua vida familiar. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 25) No trecho, “…eu duvido que o rei dissesse tal palavra nem que ela seja verdadeira”, o termo dissesse expressa uma: a) continuidade b) improbabilidade c) simultaneidade d) impossibilidade e) alternância Questão 26) Em que frase o espaço em branco deve ser preenchido apenas com pronome relativo e não com pronome relativo regido de preposição? a) Trata-se de jóias de família ........ jamais me desfarei. b) O candidato expôs planos ........ ninguém confiou. c) Nesta rua, os serviços ........ você tem acesso são inúmeros. d) Foi positivo o resultado ........ a empresa atingiu. e) Eis o documento ......... cópia me refiro. Questão 27) A carruagem parou ao pé de uma casa amarelada, com uma portinha pequena. Logo à entrada um cheiro mole e salobro enojou-a. A escada, de degraus gastos, subia ingrememente, apertada entre paredes onde a cal caía, e a umidade fizera nódoas. No patamar da sobreloja, uma janela com um gradeadozinho de arame, parda do pó acumulado, coberta de teias de aranha, coava a luz suja do saguão. E por trás de uma portinha, ao lado, sentia-se o ranger de um berço, o chorar doloroso de uma criança. (Eça de Queirós, O primo Basílio) O segmento do texto em que a preposição de estabelece uma relação de causa é: a) “ao pé de uma casa amarelada”. b) “escada, de degraus gastos”. c) “gradeadozinho de arame”. d) “parda do pó acumulado”. e) “luz suja do saguão”. Questão 28) A frase em que a correlação de tempos e modos verbais foge às normas da língua escrita padrão é: a) Pode-se prever que os ideólogos do capitalismo usarão todos os apelos populistas de que puderem valer-se para introduzir um forte golpe. b) Em 1970, não houve argumento capaz de convencer a imprensa paulista de que seria de interesse geral a 1ª Bienal Internacional do Livro. c) Todos seríamos escravos de idéias maniqueístas, não fora o trabalho desenvolvido pelos filósofos iluministas. d) Agora que ensandeceste, se a tua consciência reouver um instante de sagacidade, tu dirás que queres viver. e) Se os parlamentares tivessem tido preocupação de discutir com seriedade as propostas, os eleitores só poderão estar satisfeitos. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 29) A única frase em que as formas verbais estão corretamente empregadas é: a) Especialistas temem que órgãos de outras espécies podem transmitir vírus perigosos. b) Além disso, mesmo que for adotado algum tipo de ajuste fiscal imediato, o Brasil ainda estará muito longe de tornar-se um participante ativo do jogo mundial. c) O primeiro-ministro e o presidente devem ser do mesmo partido, embora nenhum fará a sociedade em que eu acredito. d) A inteligência é como um tigre solto pela casa e só não causará problema se o suprir de carne e o manter na jaula. e) O nome secreto de Deus era o princípio ativo da criação, mas dizê-lo por completo equivalia a um sacrilégio, ao pecado de saber mais do que nos convinha. Questão 30) Assinale a opção INCORRETA quanto ao que está indicado nos parênteses. a) “Os pontos que vou fazendo ...” (que – conj. subordinativa integrante) b) “... adestramento que já não tenho ...” (já – advérbio de tempo) c) “... que se foi desenrolando ...” (se – pron. pessoal oblíquo átono) d) “... a certeza que, desta vez, estou ...” (desta vez – loc. adverbial) e) “Mulheres de meia-idade ...” (meias-idades – forma do plural Questão 31) Em relação ao texto abaixo, assinale a opção que preenche corretamente as lacunas: Nos ecossistemas naturais, como as matas, os cerrados e os campos nativos, há um perfeito equilíbrio entre os seres vivos, e entre eles e o meio. Esta condição resulta da interação entre as espécies, e da adaptação destas ao meio ao longo de extensos períodos de tempo. São sistemas quase fechados __(1)__ , devido a razões pouco conhecidas, novas espécies dificilmente se estabelecem neles de modo natural. Em qualquer deles, a densidade populacional de um inseto fitófago, isto é, que se alimenta de plantas, é controlada principalmente pela densidade populacional da espécie __(2)__ ele tem preferência e por seus inimigos naturais (parasitas, predadores e patógenos, ou seja, seres que ___(3)___ causam doenças), além evidentemente dos fatores físicos como a temperatura, a umidade e a luz, entre outros. (Ciência hoje, N.6, maio/junho/1983) a) que – que - os b) por que – a qual – lhe c) porque – na qual – lhes d) porque – pela qual – lhe e) por que – pela qual – os http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 32) Assinale a opção cujas formas verbais preenchem corretamente as respectivas lacunas do texto: É notável o fato de que as civilizações clássicas – gregos e romanos – não marcaram a história da humanidade por contribuições práticas ou inventos que __(1)__ o esforço humano no desempenho do trabalho. Isso não significa que não __(2)__ exemplos de dispositivos que se __(3)__ a essa finalidade e que __(4)__ a essa época. Em contraposição, as contribuições dessas civilizações no desenvolvimento da Filosofia , da ciência pura, das artes, da Política e do Direito __(5)__ os fundamentos e os rumos de parte considerável do conhecimento humano. (Youssef, A.N.: Fernandez, V.P Informática e sociedade. São Paulo: Ática, 1988) a) Atenuassem – existissem – prestem – remontam – estabelecem. b) Atenuem – existem – prestam – remontam – estabelecem c) Atenuam – existissem – prestam – remontem – estabeleçam. d) Atenuassem – existam – prestam – remontem – estabeleceram. e) Atenuem – existem – prestem – remontam – estabeleceram. Questão 33) Assinale a opção que descreve corretamente uma das ocorrências de formas verbais em fragmentos da obra Os colegas: (1) Não vai dar pé, ninguém vai acreditar que você é dono deles. (2) E o bom daquele sonho é que ele ia acordar e ver que tudo que tinha sonhado continuava a ser verdade. (3) Pega a mangueira aí! Desenrola! Engata naquela torneira! Abre a torneira todinha!a) Uso de locução verbal (ir + infinitivo) com o verbo auxiliar no imperfeito do indicativo em vez do futuro do pretérito. b) Uso do pretérito-mais-que-perfeito simples em vez do pretérito imperfeito do indicativo. c) Uso de formas do subjuntivo em vez do imperativo. d) Uso de locução verbal (ir + infinitivo) com o verbo auxiliar no imperfeito do indicativo em vez do imperfeito do indicativo. e) Uso de locução verbal (ir + infinitivo) com o verbo auxiliar no presente do indicativo em vez do presente do subjuntivo. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 34) Os versos abaixo são da letra da música Cobra, de Rita Lee e Roberto de Carvalho: Não me cobre ser existente Cobra de mim que sou serpente Com relação ao emprego do imperativo nos versos, podemos afirmar que: a) a oposição imperativo negativo e imperativo afirmativo justifica a mudança do verbo cobre/cobra. b) a diferença de formas (cobre/cobra) não é registrada nas gramáticas normativas, portanto há inadequação na flexão do segundo verbo (cobra). c) a diferença de formas (cobre/cobra) deve-se ao deslocamento da 3ª para a 2ª pessoa do sujeito verbal. d) o sujeito verbal (3ª pessoa) mantém-se o mesmo, portanto o emprego está adequado. e) o primeiro verbo no imperativo negativo opõe-se ao segundo verbo que se encontra no presente do indicativo. Questão 35) Considerando as regras de concordância e regência verbal e nominal, assinale a alternativa que preenche adequadamente as lacunas a seguir: “O iatista Lars Grael, 44, Destaca nos campeões a habilidade para realizar. "A um atleta bem-sucedido não basta ter talento e aptidão física. A capacidade de transformar utopia em sonho e sonho em realidade é o que define suas conquistas." Folha Oline, 04/08/2008. Indique a classificação e o uso da palavra sublinhada no excerto da questão 26. a) Artigo definido, pois determina um substantivo subentendido na oração. b) Pronome demonstrativo, pois substitui a idéia expressa pela oração anterior. c) Pronome adjetivo, pois especifica o substantivo da oração anterior. d) Artigo definido, pois substitui o verbo transformar, determinando-o. e) Pronome indefinido, pois substitui um substantivo subentendido na oração anterior. Questão 36) Leia com atenção a seguinte frase de um letreiro publicitário: Esta é a escola que os pais confiam. a) Identifique a preposição exigida pelo verbo e refaça a construção, obedecendo à norma gramatical. b) Justifique a correção. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 37) Assinale a opção em que o uso do pronome relativo NÃO está de acordo com a norma padrão escrita. (Excertos extraídos e adaptados de Folha de S. Paulo, 1/11/1993.) a) [O cineasta sofreu] um derrame, do qual não iria se recuperar mais. b) [O rosto e a voz do cineasta] são aqueles os quais estamos acostumados, talvez um pouco mais cansados. c) [Estar doente era] uma realidade sobre a qual [o cineasta] não sabia nada, sobre a qual jamais havia pensado. d) [Com ele, o cinema] não é mais um meio; torna-se um fim, no qual o autor é a principal referência. e) Depois das três cirurgias às quais se submetera, teve um ataque cardíaco. Questão 38) Leia o texto abaixo e identifique as palavras usadas INCORRETAMENTE para encadear as orações, afetando o aspecto semântico do texto. As cidades surgiram para atenuar as ameaças sofridas por gente que vive em regiões isoladas. Os antigos devem ter pensado: mas a união faz a força, por que não juntar um punhado de moradias e erguer um muro à volta? As primeiras cidades fortificadas apareceram cedo, perto de 6000 anos atrás. Se cidades foram feitas para nos proteger, então por que continuamos a rodear a casa com grades, muros, câmeras e arames farpados? As cidades também se tornaram hostis, você dirá. Ou pare e pense: até que ponto a fronteira física entre os de fora e os de dentro não aguça essa hostilidade? Portanto a morte da rua como espaço de socialização não nos torna mais estranhos uns aos outros? Lembre-se: a raiz de toda violência é o medo. (BARTABURU, Xavier. Viver Bem, julho/2008, p.122) a) Que (1º§) - por que (1º§) - se (2º§). b) Então (2º§) - por que (2º§) - ou (2º§). c) Para (1º§) - mas (1º§) - e (1º§). d) Mas (1º§) - ou (2º§) - portanto (2º§). e) E (1º§) - para (2º§) - portanto (2º§). Questão 39) “ Que me enganei ora o vejo: Nadam-te os olhos em pranto Arfa-te o peito, e no entanto Nem me podes encarar.” Em um dos versos acima, um pronome substitui toda uma oração. Aponte-o: a) que b) me c) o d) te http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 40) “ Que me enganei ora o vejo: Nadam-te os olhos em pranto Arfa-te o peito, e no entanto Nem me podes encarar.” Em um dos versos acima, um pronome pessoal oblíquo está substituindo um pronome possessivo. Aponte-o: a) te b) me c) o d) que Questão 41) Aponte a alternativa em que a colocação pronominal está corretamente empregada : a) Existia uma relação triste e doente, me entristecendo cada vez mais. b) Um criança surgia na estrada; em me olhando demonstrava muita tristeza. c) Lhe quero dizer toda a verdade que conheço. d) Não ia-lhe contando tudo, pois o medo era muito grande. Questão 42) “Dizia meu avô que, quando chegou a Natal, a cidade teria menos de 300.000 habitantes.” O futuro do pretérito, na oração grifada, expressa uma ação: a) fato futuro em relação ao passado. b) fato futuro em relação ao presente. c) suposição em relação ao futuro. d) suposição em relação ao passado. e) suposição em relação ao presente. Questão 43) Aponte a alternativa em que não há correlação temporal nas formas verbais abaixo : a) Seria interessante que você fizesse uma boa prova. b) É interessante que você faria uma boa prova. c) Era interessante que você fizesse uma boa prova. d) Será interessante que você faça uma boa prova. Questão 44) Em uma das alternativas o pronome pessoal possui valor de possessivo. Aponte-a : a) Nunca me contaram seus dissabores. b) Roubaram-lhe o carro sem qualquer problema. c) Aceite-me como amigo e todos ganharão com isso. d) Digo-vos o que penso a vosso respeito. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 45) Das orações abaixo, há apenas uma que possui o pronome relativo empregado corretamente. Aponte-a : a) Jamais falamos dos alunos aos quais sempre foram nossos amigos. b) São situações difíceis que você se referiu. c) Esta é a obra a cuja aquisição sempre aspiramos. d) Conheci uma linda cidade cuja a arquitetura impressionou-me muito. Questão 46) A opção em que não há correspondência entre a palavra sublinhada e a classe gramatical a ela atribuída é: a) "Mal se foi o Salgueiro," - conjunção b) “Por que, então, chorar a festa passada...”. - locução adverbial c) "...o verde rebentou verdíssimo." – advérbio. d) "de área a área," – preposição. e) "...e no instante infinito de um gol “. - substantivo. Questão 47) Assinale a opção INCORRETA quanto ao que está indicado nos parênteses. a) “Os pontos que vou fazendo…” (que conj. Subordinativa integrante) b) “…adestramento que já não tenho.” (já advérbio de tempo) c) “que se foi desenrolando…” (se pron. Pessoal oblíquo átono) d) “…a certeza que, desta vez, estou…” (desta vez loc. adverbial) e) “Mulheres de meia-idade…” (meia-idade forma do plural) Questão 48) A preposição de contida nas opções abaixo NÃO estabelece relação de posse em: a) “…a tessitura dos pontos…” . b) “…ao fim do bordado…” . c) “…o destino dos seres…” . d) “…pessoas (…) de cuja existência…” e) “…tamanho do bastidor.” . Questão 49) Assinaleo tempo verbal das formas grifadas abaixo que NÃO tem o mesmo emprego do grifado em "PRONTO! ESTAVA COMPLETA A LIGAÇÃO DE BELÉM COM BUENOS AIRES" a) PARA UM ROMANCE NESSE CENÁRIO, SIMENON NÃO DAVA MAIS b) AINDA SE FAZIA VER E OUVIR NA MAIOR PARTE DO SEU BREVE CURSO ... c) ...HOJE QUATROCENTÃO, EXISTIA O RIO CARIOCA. d) O RIO ACOMPANHAVA, DESCOBERTO... e) ... CADA CASA DO VALE ... TINHA SUA PONTE. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 50) Indique a alternativa em que há erro gramatical: a) Ele é contra eu estar aqui. b) Não vá sem eu. c) Ele está contra mim. d) Não haverá entre mim e ti qualquer entendimento. e) Como eu estava doente, não houve seminário. Questão 51) Assinale a alternativa em que a forma apresentada entre parênteses completa corretamente a lacuna da frase, de acordo com a norma culta: a) Ele trouxe os livros para ... ler e comentar (MIM) b) Não é bom que haja discórdia entre .... e você (MIM) c) Fazia tempo que eu não ... via tão alegre (LHE) d) Infelizmente devo dizer-lhe que não ... amo (LHE) e) Essas são algumas das resoluções ... todos discordam (A QUE). Questão 52) O verbo grifado nas frases abaixo que se encontra flexionado de forma INCORRETA é: a) Os vaqueiros vozeavam à distância, trazendo-lhe uma vaga melancolia. b) Tudo o que lhe agradava na vida vira de sua atividade na terra. c) Só via vantagem em se fazerem consultas à terra e ao tempo, para obter bons resultados. d) Não se lembrava mais de que havia escrito belos poemas, em sua mocidade. e) Tendo sido induzido pelo irmão mais velho, o mais moço dedicou-se ao ofício de juntar palavras. Questão 53) O adjetivo sublinhado em Sim, adiamos, uma vez que há um incoercível destino nacional está corretamente substituído por: a) irreprimível. b) imbatível. c) indefensável. d) inconsistente. e) invencível. Questão 54) A série em que todas as palavras pertencem à mesma classe é: a) distância - nenhum - recônditas b) mas - também - não c) nenhum - qualquer - muitas d) principalmente - sem - nos e) mais - modelo - em breve http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 55) … não é proibir os transgênicos. … que o casal adote uma criança. Os termos grifados estão corretamente substituídos por pronomes, devidamente colocados em respeito à norma culta, respectivamente, em: a) lhes proibir - lhe adote. b) lhes proibir - adote-a. c) proibir-nos - a adote. d) os proibir - adote-lhe. e) proibi-los - a adote. Questão 56) … que se fale agora na clonagem de humanos. O verbo que se encontra no mesmo tempo e modo em que se encontra a forma grifada acima é: a) muitas pessoas encontram-se confusas. b) vejo favoravelmente a manipulação genética... c) a iniciativa veio de um médico italiano. d) eles não comprometam a estabilidade ecológica. e) ocupam manchetes de jornais e revistas. Questão 57) As palavras grifadas nas frases abaixo incluem-se na mesma categoria gramatical em: a) que deveriam ser discutidas por toda a sociedade. b) sem saber como se posicionar perante as várias questões. c) gostaria de tocar em alguns dos vários ângulos dessa questão. d) mas poderia ter vindo de qualquer outro mais interessado no oportunismo. e) a clonagem de vários animais já é uma realidade. Questão 58) … que quase sempre é o de constituir família. … não é isso que define o amor. A substituição dos termos grifados pelos pronomes pessoais correspondentes e sua colocação estão corretas em: a) a constituir e que define-lhe. b) constituí-la e que lhe define. c) constituí-la e que o define. d) lhe constituir e que define-o. e) constituir-lhe e que o define. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 1 - Comum às questões: 59, 60, 61 QUAIS SÃO, MESMO, OS AFLUENTES DO AMAZONAS? Há pouco tempo faleceu um dos melhores professores que tive, Alfredo Steinbruch, que lecionava física no Julinho. Lembro muito bem a primeira aula que nos deu, e que foi cercada da maior expectativa: como tinha fama de ralador, todos nós estávamos ansiosos. O professor Alfredo entrou na sala, foi direto para o quadro e escreveu: Calor dilatação. Assim mesmo: calor – flechinha – dilatação. E todos nós imediatamente copiamos: calor – flechinha – dilatação. Ele pousou o giz, olhou-nos e fez uma pergunta que nos deixou a todos perplexos. Perguntou por que havíamos copiado aquilo. Ninguém soube responder. O professor então passou o resto da aula explicando: é mais importante entender do que copiar. Não sei como será a escola no futuro, mas de uma coisa estou seguro: a regra do professor Steinbruch será mais válida do que nunca. Durante muito tempo, ensino foi sinônimo de informação: nomes, datas, batalhas, lugares. Coisas que os alunos copiavam, ou liam nos livros, e memorizavam – porque aquilo caía no exame. Nada mais paradigmático a esse respeito do que a lista de afluentes do Amazonas. Trata-se de um rio longo, e portanto cheio de afluentes. Era preciso recitá-los de memória, os da margem esquerda e os da margem direita. Nós nunca tínhamos ido à Amazônia, nunca tínhamos visto os rios da região, mas sabíamos seus nomes. Por que é um mistério que nunca esclareci. Informação memorizada é algo que, daqui em diante, ficará cada vez mais por conta do computador. Não é preciso lembrar, é preciso saber como acessar. A memória do computa-dor nos dará todo tipo de informações. O que o computador não nos ensinará é como entender as coisas. E também não nos ensinará o valor das emoções. Nesse binômio, entendimento e emoção, está o objetivo maior da educação. Exemplar, a esse respeito, é o ensino da literatura. A pergunta que, em geral, se faz a respeito de um texto é: o que quis o autor dizer com isso? Pergunta difícil, para a qual o próprio escritor muitas vezes não tem resposta. Eu perguntaria ao leitor, em primeiro lugar: o que sentiste lendo esse texto? Em que ele aumentou a tua compreensão do mundo, da vida? No futuro, os escolares saberão dos afluentes do Amazonas não recitando os nomes, mas indo até lá, conhecendo como é o lugar, como vivem os habitantes da região. E aí os nomes surgirão naturalmente. A propósito, como se chamam os afluentes da margem direita? (Zero Hora, 26 set. 1999. Revista ZH) Questão 59) Nós nunca tínhamos ido à Amazônia, nunca tínhamos visto os rios da região, mas sabíamos seus nomes. Por que é um mistério que nunca esclareci A propósito desse segmento é INCORRETO afirmar que: http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br a) a recorrência do termo nunca reforça a relação de oposição que o mas estabelece. b) a palavra mistério caracteriza, ironicamente, uma situação, segundo o texto, contraditória e incompreensível. c) o mas poderia ser substituído por no entanto, sem comprometer a mensagem expressa. d) o acréscimo do termo embora, no início da frase, implicaria supressão do mas e alterações nas formas verbais. e) o nexo embora poderia ser empregado em substituição ao mas, sem que fossem necessários quaisquer ajustes. Questão 60) Assinale a alternativa que justifica, adequadamente, a grafia da palavra em negrito. “Há pouco tempo faleceu um dos melhores professores que tive.” a) Trata-se do verbo “ haver” com o sentido de existir. b) Observa-se um caso em que o “ h” não é pronunciado. c) A expressão “ Há pouco” ocupa a posição inicial da frase. d) O “ Há” informa que se trata de tempo decorrido. e) A expressão “ pouco tempo” não está flexionada. Questão 61) No texto, por uma questão de adequação estrutural e elegância de estilo, alguns pronomes são utilizados em substituiçãoa seus referentes. Assinale a opção que apresenta associação correta entre o pronome e seu referente. a) aquilo (linha 14) uma pergunta (linhas 12-13) b) los (linha 29) afluentes (linha 28) c) seus (linha 32) nomes (linha 33) d) a qual (linha 47) resposta (linha 48) e) ele (linha 50) o leitor (linha 49) TEXTO: 2 - Comum à questão: 62 UM SONHO DE SIMPLICIDADE Então, de repente, no meio dessa desarrumação feroz da vida urbana, dá na gente um sonho de simplicidade. Será um sonho vão? Detenho-me um instante, entre duas providências a tomar, para me fazer essa pergunta. Por que fumar tantos cigarros? Eles não me dão prazer algum; apenas me fazem falta. São uma necessidade que inventei. Por que beber uísque, por que procurar a voz de mulher na penumbra ou os amigos no bar para dizer coisas vãs, brilhar um pouco, saber intrigas? http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Uma vez, entrando numa loja para comprar uma gravata, tive de repente um ataque de pudor, me surpreendendo assim, a escolher um pano colorido para amarrar ao pescoço. A vida bem poderia ser mais simples. Precisamos de uma casa, comida simples, mulher, quê mais? Que se possa andar limpo e não ter fome, nem sede, nem frio. Para que beber tanta coisa gelada? Antes eu tomava a água fresca da talha, e a água era boa. E quando precisava de um pouco de evasão, meu trago de cachaça. Que restaurante ou boate me deu o prazer que tive na choupana daquele velho caboclo do Acre? A gente tinha ido pescar no rio, de noite. Puxamos a rede afundando os pés na lama, na noite escura, e isso era bom. Quando ficamos bem cansados, meio molhados, com frio, subimos a barraca, no meio do mato e, chegamos à choça de um velho seringueiro. Ele acendeu um fogo, esquentamos um pouco junto do fogo, depois me deitei, numa grande rede branca - foi um carinho ao longo de todos os músculos cansados. E então ele me deu um pedaço de peixe moqueado e meia caneca de cachaça. Que prazer em comer aquele peixe, que calor bom em tomar aquela cachaça e ficar algum tempo a conversar, entre grilos e vozes distantes de animais noturnos. Seria possível deixar essa eterna inquietação das madrugadas urbanas, inaugurar de repente uma vida de acordar bem cedo? Outro dia vi uma linda mulher, e senti um entusiasmo grande, uma vontade de conhecer mais aquela bela estrangeira: conversamos muito, essa primeira conversa longa em que a gente vai jogando um baralho meio marcado, e anda devagar, como a patrulha que faz um reconhecimento. Mas para quê, essa eterna curiosidade, essa fome de outros corpos e outras almas? Mas para instaurar uma vida mais simples e sábia, então seria preciso ganhar a vida de outro jeito, não assim, nesse comércio de pequenas pilhas de palavras, esse ofício absurdo e vão de dizer coisas, dizer coisas... Seria preciso fazer algo de sólido e de singelo; tirar areia do rio, cortar lenha, lavrar a terra, algo de útil e concreto, que me fatigasse o corpo, mas deixasse a alma sossegada e limpa. Todo mundo, com certeza, tem de repente um sonho assim. É apenas um instante. O telefone toca. Um momento! Tiramos um lápis do bolso para tomar nota de um nome, um número... Para que tomar nota? Não precisamos tomar nota de nada, precisamos apenas viver - sem nome, nem número, fortes, doces, distraídos, bons, como os bois, as mangueiras e o ribeirão. (BRAGA, Rubem. In: 200 crônicas escolhidas, 3 ed. Rio de Janeiro: Record, 1979. p.262-3.) http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 62) A flexão de gênero da expressão... “meio molhados”... resultaria na expressão: a) meios molhados. b) meio molhadas. c) meia molhadas. d) meias molhadas. e) meia molhada. TEXTO: 3 - Comum à questão: 63 O mundo já testemunhou uma verdadeira guerra contra a introdução de novas tecnologias no local de produção. O movimento dos luddities da Inglaterra destruiu máquinas e equipamentos por achar que as tecnologias que fizeram a Revolução Industrial destruiriam o trabalho. Nos dias de hoje, ainda há quem atribua às tecnologias a causa do desemprego. É comum citar a destruição de postos de trabalho provocada por uma colheitadeira que dispensa centenas de trabalhadores rurais. Essa análise não encontra respaldo na realidade. Uma nova tecnologia pode ter um impacto direto destrutivo e outro indireto construtivo, ao reduzir postos de trabalho onde entra e criar oportunidades de trabalho em outros setores. É verdade que isso não acontece automaticamente. Os impactos são mediados pelo tipo de administração, pelo ambiente institucional e pelas regras da economia. Quando novas tecnologias são incorporadas por empresas bem administradas e são usadas para baixar os preços e instigar a demanda de bens e serviços novos, os impactos positivos são enormes. Em 1960, uma ligação telefônica de três minutos entre o Brasil e os Estados Unidos custava cerca de US$ 45,00 (em valores de 2001); hoje, custa menos de US$ 3,00, graças ás inovações tecnológicas. Isso intensificou o volume das transações comerciais, o que, por sua vez, ampliou os investimentos e o emprego. A história mostra que o emprego aumenta quando a produtividade se eleva. Por outro lado, uma empresa que perde produtividade deixa de competir, destruindo empregos. (O Estado de S. Paulo, A3, 29/12/01) Questão 63) Está correta a forma verbal grifada na frase: a) O sindicato interviu na negociação de melhores condições de trabalho. b) A equipe de segurança da empresa deteu os manifestantes, impedindo sua entrada. c) Os conselheiros proporam mudanças na empresa, objetivando diminuir custos. d) Nem sempre advieram somente resultados positivos das grandes inovações tecnológicas. e) Com o desenvolvimento tecnológico, refazeu-se a economia, gerando novos empregos. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 4 - Comum à questão: 64 "Ali na casa do carro o mestre Amaro ficava o dia inteiro no serviço. Os arreios do cabriolé estavam em petição de miséria, tudo podre, levado do diabo. A princípio, quis voltar para casa. Não havia material para o serviço. O velho não dava sola, não tinha nada para o conserto da carruagem. Afinal ficara. No fundo, o coronel Lula agradava. Parecia-lhe um homem aluado. Ficou, trouxe de casa o material necessário e estava ali, botando ordem no luxo do coronel Lula. Pelo menos, o carro do coronel Lula cantaria pela estrada, seria mais alguma coisa que o cavalo ruço do coronel José Paulino. O cabriolé consolava um pouco o seleiro da mágoa que lhe dava aquele senhor muito rico, muito cheio de terras, que lhe dera gritos como se fosse um negro cativo. Gostava de ver o coronel Lula no cabriolé, enchendo a estrada com a sua parelha. O diabo era aquele orgulho do velho, aquela soberba. O moleque se fora e agora, sozinho no trabalho, os pensamentos enchiam a cabeça do mestre e começavam a sair, a criar asas. A vida daquele povo da casa-grande ninguém podia compreender. D. Amélia tocava piano. Era outra satisfação do seleiro. Em casa do coronel Lula havia piano. Era o único que existia por ali. Em Goiana havia uma senhora de engenho que tocava piano. Por ali, só d. Amélia. O velho José Paulino fora casado com uma filha do major João Alves de Itambé, mulher que perto de d. Amélia fazia vergonha. D. Amélia quando saía de cabriolé era como se fosse dona de todas as terras por onde ela passava de carro. As negras não gostavam dela porque não vivia na cozinha, ouvindo enredadas, metida nas conversas dos camumbembes. Com o cabriolé, d. Amélia era outra força que o seleiro tinha contra o coronel José Paulino. Mas como seria aquele povo por dentro? O velho Lula só andava de gravata, não saia de casa apé, a filha estivera com as freiras no Recife, e havia aquela doida, andando dentro de casa sem parar, a irmã de d. Amélia. E havia aquele piano. Era tudo o que o povo sabia. A sala de visitas tinha muito quadro, tinha um espelho para o corpo inteiro, tapetes no chão. O velho Lula não abria as janelas da sala de visitas; vivia ela fechada, com o piano de d. Amélia para um canto. E de que vivia aquele povo? As safras do Santa fé não davam cem pães. Diziam que o velho todo ano ia ao Recife trocar moedas de ouro que o capitão Tomás deixara para a filha." (REGO, José Lins do. Fogo morto. 53. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1999.) Questão 64) A classificação morfológica correta das ocorrências do vocábulo "que" no último período do texto é: a) pronome interrogativo / pronome indefinido. b) pronome interrogativo / pronome relativo. c) pronome indefinido / conjunção integrante. d) conjunção integrante / pronome relativo. e) conjunção consecutiva / conjunção explicativa. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 5 - Comum à questão: 65 A vida pelos bytes A medicina se une à tecnologia da informação para socorrer e cuidar da saúde dos brasileiros a distância POR LUCIA REGGIANI Se o paciente não pode ir ao médico, como fazer para levar o médico ao paciente? O teletransporte de corpo inteiro ainda não saiu da ...........(1)........., mas a telemedicina, já. Infartos são ...........(2).......... por exames feitos por telefone, em tempo real; sinais vitais de pacientes podem ser acompanhados pelo médico, pela Web; especialistas internacionais participam de cirurgias por videoconferência. E estamos falando de Brasil, de Rondônia ao Paraná, do socorro ao técnico de uma plataforma de petróleo em alto-mar, ao pré- natal de uma gestante de risco no Agreste pernambucano. As iniciativas ainda são recentes e poucas, mas os projetos fervilham, utilizando todo tipo de tecnologia. Para resultados de exames, discussões de diagnósticos e aulas chegarem ..........(3)......... precisam, vale tudo, de e-mail pelo sistema de satélite de vigilância do Projeto Sivam, na Amazônia, a videoconferência pela Internet 2, em São Paulo. (INFO Exame, n. 175, out. 2000) Você sabia? Byte – unidade de memória Web – conjunto de informações disponíveis na Internet Questão 65) Considerando o contexto, assinale a alternativa em que todas as palavras relacionadas pertencem à mesma categoria gramatical. a) teletransporte (linha 3) – telemedicina (linha 4) - internacionais (linha 8) b) tempo (linha 6) - socorro (linha 11) - recentes (linha 14) c) pré-natal (linha 12) - socorro (linha 11) - especialistas (linha 8) d) técnico (linha 11) - alto-mar (linha 12) - pernambucano (linhas 13-14) e) sistema (linha 19) - vale (linha 18) - videoconferência (linhas 20-21) http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 6 - Comum à questão: 66 Nós também já fomos Como disse o famoso pensador Alfred E. Neumann, o mal da nova geração é que não pertencemos mais a ela. Grande e triste verdade, que sou obrigado, mais uma vez, a reconhecer. Sempre foi assim, informam-nos almanaques e obras de divulgação. Praticamente desde que o homem aprendeu a escrever, algum mais velho anota comentários desalentados sobre a juventude. Deste jeito não dá, reclamam invariavelmente; deste jeito o mundo vai acabar, com essa dissolução de costumes, esse desapego aos valores mais básicos, essa permanente afronta ao estabelecido e sedimentado através de longa experiência. “A juventude é valiosa demais para ser desperdiçada com os jovens”, resmungou Bernard Shaw e resmungamos nós, coroas despeitados. Às vezes é difícil crer que já fomos assim. Não, nunca fomos assim, hoje em dia é muito diferente. E, por outro lado, quase não dá para acreditar que os portadores de certas cataduras assustadoras ou repelentes, que vemos na rua ou na televisão, já foram bebês, talvez rechonchudos, fofinhos e todos os adjetivos dengosos que costumamos usar em relação a bebês. Não, não, esse canalha aí nunca foi neném, já apareceu com esse aspecto, essa cara untuosa e malévola de quem está permanentemente aplicando um golpe no semelhante. Mas fomos, já fomos nenéns e, ai de nós, já fomos adolescentes. Penso nisto enquanto procuro conter as nênias de horror que me tumultuam o peito fatigado, ao encontrar de manhã a pia da cozinha cheia de garrafas de água e cubas de gelo vazias, portas de armários abertas, tênis e camisetas jogadas pelo chão e outros vestígios que a adolescência deixa em seu rastro, como bem poderão testemunhar pais de adolescentes e de ex-adolescentes. Conheço vários pais que rogam praga – aqui se faz, aqui se paga; quando doer no bolso deles, aí é que eles vão ver; deixa ele casar com uma megera, que ele vai ver o que é bom para a tosse, e assim por diante. Não adianta nada, é claro. As pragas podem até colar, mas não têm efeito retroativo e talvez já nem estejamos neste vale de lágrimas, quando se concretizarem. Mas quiçá encontremos algum consolo e esperança, ao contribuir para o acúmulo e intercâmbio das descobertas mais relevantes, a respeito dos adolescentes. Pai de dois e, atualmente, anfitrião de mais dois, creio que posso oferecer algumas achegas, fruto de observação científica e de experiência duramente vivenciada. Mártir da ciência e do conhecimento, menciono algumas, despretensiosamente e sem ordem de importância. A primeira é que eles são surdos. Estou convicto de que o sentido da audição só completa seu aparato com a maturidade. Antes, precisa de considerável estímulo para funcionar. É imperioso ter compreensão para com o fato inescapável de que, para que eles possam entender o que se fala na TV, necessitam de um volume suficiente para abafar três trios elétricos. Do contrário, não entendem nada e, muito justamente, se revoltam. Como lemos nos jornais que os adolescentes revoltados esquartejam pais e avós, entram para seitas orientais que preceituam a abstenção de banhos ou erigem Átila como modelo, cabe nos resignarmos e nos refugiarmos num quarto http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br acusticamente isolado. Penso nisso e baixo a mira do rifle que já endereçava às caixas de som do home theater de um brioso adolescente, nosso vizinho, que no momento espalha seu som por toda a Zona Sul do Rio de Janeiro. Apagar luzes e aparelhos elétricos em geral é absolutamente estrangeiro à adolescência. Quando reclamei a meu filho de 17 anos, ele me apontou uma solução óbvia, que minha obtusidade anciã não me deixava perceber. – A luz é só pagar – disse ele. – E, os aparelhos, é só comprar novos. Perfeitamente, como não me havia ocorrido isso antes? Nem cheguei a abordar o problema, tornado bastante flagrante com a presença de outros jovens aqui em casa. Trata-se da circunstância de que um não come carnes (inclusive de peixe), embora se indigne, quando chamado de vegetariano. Não é vegetariano, até porque detesta verdura e sua dieta de farofa com lingüiça, feijão e arroz é absolutamente pessoal, não se enquadra em nenhum desses códigos de velho. Outra passa a sanduíches e cata meticulosamente qualquer prato de natureza diversa, enquanto se queixa da algozaria do destino, que a submete a um regime inaceitável para qualquer pessoa normal – y compris coisas borrachudas, coisas meladas, coisas dessa cor, coisas daqueloutra, coisas secas, coisas branquelas e muitas outras coisas por nós imemorizáveis. Outra só come o que, a cada dia, lhe ditam entidades para nós misteriosas, cuja única coerência é rejeitar tudo o que na semana passada era uma delícia. Isso nos preocupava, porque tornava impossível organizaruma mesa de almoço ou jantar. Éramos obrigados a conceber e preparar um menu para cada um, com os naturais transtornos acarretados para a administração do lar e a economia doméstica. Meu filho, entretanto, me abriu horizontes. Da mesma forma que deixar tudo ligado e comprar novo aparelho de som para substituir aquele em que derramaram sorvete é a solução, contratar um bufê para cada um é o caminho mais indicado. Faz-se apenas uma pequena despesa, que não é nada diante dos ganhos de tranqüilidade e paz obtidos. E eles pagam mico. Todos eles pagam mico por nossa causa. Em meu caso pessoal, devo evitar, por exemplo, dançar. Se eu dançar em público e na presença deles, é um mico impiedoso. Isso se estende a muitas atividades que me são vedadas e das quais tenho que manter um rol atualizado. Outro dia, à saída de um restaurante, resolvi cantarolar, de mãos dadas com minha filha mais nova. Ela deu uma corridinha, se afastando de mim em grande embaraço. Inadvertidamente, eu a tinha feito pagar um mico indelével, que até agora a traumatiza e, sem dúvida, a seguirá pela vida afora. Não, nunca fomos assim, no nosso tempo era diferente. Faço um exame de consciência, para confirmar esta impressão. Bem, e o dia em que resolvi botar ácido sulfúrico nas verrugas que me faziam pagar os piores micos, assim esburacando por contato a casa toda, de sofás a estatuetas? E o dia em que, treinando para lançador de facas, transformei a porta do meu quarto numa peneira? E como me considerava o mais infeliz dos homens, por ser forçado a tomar sopa em jantares de cerimônia? É, melhor não mexer nessas coisas. Aqui se faz, aqui se paga, pensando bem. (RIBEIRO, João Ubaldo. Nós também já fomos. O Globo, Rio de Janeiro, 17 jan 1999. c. 1 , p. 6.) http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Vocabulário: Algozaria – Ação própria do algoz; crueldade. Catadura – Semblante, aspecto, aparência. Nênia – Canto fúnebre; canção plangente, melancólica. Y compris (francês) – Incluindo. Home theater (inglês) – Disposição de aparelho sonoro que dá aos ouvintes sensação de som ao vivo. Questão 66) “Como disse o famoso pensador Alfred E. Neumann, o mal da nova geração é que não pertencemos mais a ela.” (§ 1) “Isso nos preocupava, porque tornava impossível organizar uma mesa de almoço ou jantar.” (§ 9) É freqüente a confusão que se faz entre mal e mau, bem como entre porque e por que. Assinale a alternativa em que a palavra em destaque aparece grafada com ERRO: a) Não leve a mal o que dizem os seus filhos. b) Minha filha caçula está sempre de mau humor. c) Os jovens agem desse modo porque se sentem inseguros. d) O problema da falta de comunicação entre pais e filhos vai de mau a pior. e) Para muitos pais, é difícil entender por que seus filhos agem com tanta rebeldia. TEXTO: 7 - Comum às questões: 68, 67, 69 Neste momento, o bordado está pousado em cima do console e o interrompi para escrever, substituindo a tessitura dos pontos pela das palavras, o que me parece um exercício bem mais difícil. Os pontos que vou fazendo exigem de mim uma habilidade e um adestramento que já não tenho. Esforço-me e vou conseguindo vencer minhas deficiências. As palavras, porém são mais difíceis de adestrar e vêm carregadas de uma vida que se foi desenrolando dentro e fora de mim, todos esses anos. São teimosas, ambíguas e ferem. Minha luta com elas é uma luta extenuante. Assim, nesse momento, enceto duas lutas: com as linhas e com as palavras, mas tenho a certeza que, desta vez, estou querendo chegar a um resultado semelhante e descobrir ao fim do bordado e ao fim desse texto, algo de delicado, recôndito e imperceptível sobre o meu próprio destino e sobre o destino dos seres que me rodeiam. Ontem, quando entrei no armarinho para escolher as linhas, vi-me cercada de pessoas com quem não convivia há muito tempo, ou convinha muito pouco, de cuja existência tinha esquecido. Mulheres de meia-idade que compravam lãs para bordar http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br tapeçarias, selecionando animadamente e com grande competência os novelos, comparando as cores com os riscos trazidos, contando os pontos na etamine, medindo o tamanho do bastidor. Incorporei-me a elas e comecei a escolher, com grande acuidade, as tonalidades das minhas meadas de linha mercerizada. Pareciam pequenas abelhas alegres (...), levando a sério as suas tarefas. (...) Naquelas mulheres havia alguma coisa preservada, sua capacidade de bordar dava-lhes uma dignidade e um aval. Não queria que me discriminassem, conversei com elas de igual para igual, mostrando-lhes os pontos que minha pequena mão infantil executara. (JARDIM, Rachel. O penhoar chinês. 4 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1990.) Questão 67) A forma do mais-que-perfeito composto do verbo da primeira oração do texto é: a) estava pousado. b) estará pousado. c) tinha estado pousado. d) teria estado pousado. e) tem estado pousado. Questão 68) Assinale a opção que indica de modo correto as classes do o respectivamente grifado em “... o bordado...”, “... o interrompi...” e “... o que me parece...” (1° período). a) Artigo, pronome pessoal reto, artigo. b) Artigo, pronome pessoal oblíquo átono, pronome substantivo demonstrativo. c) Pronome substantivo demonstrativo, pronome substantivo demonstrativo, artigo. d) Pronome adjetivo demonstrativo, pronome pessoal oblíquo átono, pronome substantivo demonstrativo. e) Pronome adjetivo demonstrativo, preposição, pronome substantivo interrogativo. Questão 69) A conjunção que, usada antes da oração “... de cuja existência tinha esquecido”, não altera o sentido do 8° período é: a) pois. b) ou. c) logo. d) nem. e) e. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 8 - Comum às questões: 70, 71, 72 Psicologia de um vencido Eu, filho do carbono e do amoníaco, Monstro de escuridão e rutilância. Sofro, desde a epigênesis da infância, A influência má dos signos do zodíaco. Profundissimamente hipocondríaco, Este ambiente me causar repugnância… Sobe-se à boca uma ânsia análoga à ânsia Que se escapa da boca de um cardíaco. Já o verme – este operário das ruínas – Que o sangue podre das carnificinas Come, e à vida em geral declara guerra, Anda a espreita meus olhos para roê-los, E há de deixar-me apenas os cabelos Na frialdade inorgânica da terra! Questão 70) Morfologicamente, “de escuridão” e “desde a epigênesis” funcionam respectivamente como: a) Locução substantiva e locução adjetiva. b) locução adverbial e locução adverbial c) locução adjetiva e locução adverbial d) locução adverbial e locução adjetiva e) locução adjetiva e locução adjetiva Questão 71) Em “Que o sangue podre das carnificinas” o termo grifado funciona morfológica e sintaticamente como: a) pronome relativo e sujeito. b) pronome substantivo e relativo. c) conjunção integrante e conectivo subordinativo. d) pronome relativo e objeto direto. e) conjunção consecutiva e sujeito. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 72) Os verbos “sofro” e “anda” no texto funcionam respectivamente como: a) intransitivo e ligação b) transitivo direto e auxiliar c) transitivo direto / indireto e ligação d) transitivo indireto e intransitivo e) intransitivo e auxiliar TEXTO: 9 - Comum à questão: 73 “APELO” Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, pra dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite e eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de sua presença a todas as aflições do dia, com a última luz na varanda. E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero na salada – o meu jeito de querer bem. Acaso é saudade. Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolhas? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.” DALTON TREVISAN, “Apelo”, em “O Conto Brasileiro Contemporâneo” (seleção de textos, introdução e notas bibliográficas por Alfredo Bosi) 2ª ed., São Paulo, Cultrix, 1977, p.190. Questão 73) A correspondência para o gerúndio em bocas raivosas mastigando é: a) se mastigam. b) porque mastigam. c) embora mastiguem. d) que mastigam. e) enquanto mastigam. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 10 - Comum às questões: 74, 75 Declaração Devia começar, como o sabe de cor e salteado a maioria dos leitores, que é sem dúvida nenhuma muito entendida na matéria, por uma declaração em forma. Mas em amor, assim como em tudo, a primeira saída é o mais difícil. Todas as vezes que esta idéia vinha à cabeça do pobre rapaz, passava-lhe uma nuvem escura por diante dos olhos e banhava-se-lhe o corpo em suor. Muitas semanas levou a compor, a estudar o que havia de dizer a Luizinha quando aparecesse o momento decisivo. Achava com facilidade milhares de idéias brilhantes: porém, mal tinha assentado em que diria isto ou aquilo, já isto ou aquilo lhe não parecia bom. Por várias vezes, tivera ocasião favorável para desempenhar a sua tarefa, pois estivera a sós com Luizinha; porém, nessas ocasiões, nada havia que pudesse vencer um tremor nas pernas que se apoderava dele, e que não lhe permitia levantar-se do lugar onde estava, e um engasgo que lhe sobrevinha, e que o impedia de articular uma só palavra. Enfim, depois de muitas lutas consigo mesmo para vencer o acanhamento, tomou um dia a resolução de acabar com o medo, dizer-lhe a primeira coisa que lhe viesse à boca. Luizinha estava no vão de uma janela a espiar para a rua pela rótula: Leonardo aproximou-se tremendo, pé ante pé, parou e ficou imóvel como uma estátua atrás dela que, entretida para fora, de nada tinha dado fé. Esteve assim por longo tempo calculando se devia falar em pé ou se devia ajoelhar- se. Depois fez um movimento como se quisesse tocar no ombro de Luizinha, mas retirou depressa a mão. Pareceu-lhe que por aí não ia bem; quis antes puxar-lhe pelo vestido, e ia já levantando a mão quando também se arrependeu. Durante todos esses movimentos o pobre rapaz suava a não poder mais. Enfim, um incidente veio tirá-lo da dificuldade. Ouvindo passos no corredor, entendeu que alguém se aproximava, e tomado de terror por se ver apanhado naquela posição, deu repentinamente dois passos para trás, e soltou um – ah! – muito engasgado. Luizinha, voltando-se, deu com ele diante de si, e recuando espremeu-se de costas contra a rótula: veio-lhe também outro - ah! – porém não lhe passou da garganta e conseguiu apenas fazer uma careta. A bulha dos passos cessou sem que ninguém chegasse à sala; os dois levaram algum tempo naquela mesma posição, até que Leonardo, por um supremo esforço, rompeu o silêncio, e com voz trêmula e em tom o mais sem graça que se possa imaginar perguntou desenxabidamente: - A senhora... sabe...uma coisa? E riu-se com uma risada forçada, pálida e tola. Luizinha não respondeu. Ele repetiu no mesmo tom: - Então... a senhora... sabe ou... não sabe? E tornou a rir-se do mesmo modo. Luizinha conservou-se muda. - A senhora bem sabe...é porque não quer dizer... http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Nada de resposta. - Se a senhora não ficasse zangada ... eu dizia ... Silêncio. - Está bom ... Eu digo sempre... mas a senhora fica ou não fica zangada? Luizinha fez um gesto de quem estava impacientada. - Pois então eu digo ... a senhora não sabe ... eu...eu lhe quero ... muito bem... Luizinha fez-se cor de uma cereja; e fazendo meia volta à direita, foi dando as costas ao Leonardo e caminhando pelo corredor. Era tempo, pois alguém se aproximava. Leonardo viu-a ir-se, um pouco estupefato pela resposta que ela lhe dera, porém, não de todo descontente: seu olhar de amante percebera que o que se acabava de passar não tinha sido totalmente desagradável a Luizinha. Quando ela desapareceu, soltou o rapaz um suspiro de desabafo e assentou-se, pois se achava tão fatigado como se tivesse acabado de lutar braço a braço com um gigante. Manuel Antônio de Almeida. Memórias de um Sargento de Milícias Questão 74) A opção em que o adjetivo determina o substantivo, mas, na verdade, qualifica o referente a que o substantivo está associado é: a) “ Achava com facilidade milhares de idéias brilhantes (2o §) b) “ ... e com voz trêmula...” (5o §) c) “E riu-se com uma risada pálida e tola” (7o §) d) “Luizinha fez-se cor de uma cereja” (18o §) e) “ Leonardo viu-a rir-se, um pouco estupefato” (19o §) Questão 75) De acordo com a norma culta da língua, o trecho destacado - “ – Se a senhora não ficasse zangada ... eu dizia...” - apresenta uma inadequação no uso do tempo verbal. Essa inadequação pode ser corrigida com a seguinte alteração: a) “ – Se a senhora não ficasse zangada... eu dissera...” b) “ – Se a senhora não ficasse zangada... eu diria...” c) “ – Se a senhora não ficasse zangada... eu direi...” d) “ – Se a senhora não ficasse zangada... eu digo...” e) “ – Se a senhora não ficasse zangada... dirá...” TEXTO: 11 - Comum à questão: 76 Quer desintoxicar? Mexa-se. A natureza nos deu um fantástico serviço de limpeza que percorre o corpo inteiro e retira tudo o que não serve, mas só funciona quando existe movimento: é o sistema linfático. Formado por milhares de pequenos vasos semelhantes a veias e artérias, ele trabalha de baixo para cima - portanto contra a gravidade. Isso significa que, se ficarmos parados, a sujeira se estagna. Se ficarmos imóveis durante http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br sete dias, os tecidos morrem. O que o sistema linfático conduz é a linfa, um fluido clarinho formado principalmente por células linfócitas e macrófagas, famosas por tirar bactérias e outros bichos de circulação. São a chamada linha de frente do sistema imunológico. E a linfa remove também os excessos de líquidos e proteína que os tecidos não conseguem absorver, bem como as sobras de todo o processo que converte comida em gente. Aí é que está o pulo do gato. Por uma simples razão: mesmo não tendo bactérias, sempre há excesso e sobra. E isso engorda, dói nas juntas, inflama os tecidos, entope os tubos e atrai oportunistas como (exatamente) bactérias, fungos, protozoários, vermes. No corpo parado, tudo prolifera. No corpo em movimento, os músculos pressionam os vasos linfáticos e praticamente bombeiam a linfa para cima. Ela assim pode vencer a resistência das minúsculas válvulas que impedem seu retorno para baixo e chegar aos gânglios linfáticos, onde é filtrada. (Sônia Hirsch, Bons fluidos) Questão 76) No trecho – ...só funciona quando existemovimento...– a relação de sentido estabelecida entre a oração quando existe movimento e a oração só funciona é de a) conseqüência. b) tempo. c) contraste. d) modo. e) adição. TEXTO: 12 - Comum à questão: 77 Parei num cruzamento. Lembrei-me do garoto do porão. Se um dia eu precisasse fugir, tentaria levá-lo comigo. Queria dar a ele uma chance. Atravessei a rua e me lembrei de como eu era diferente, apenas algumas semanas atrás. Não vacilava ao receber uma ordem, por mais incompreensível que fosse. Ler algumas páginas do diário do Dr. Bertonni foi o mesmo que virar o mundo pelo avesso. Eu tinha a ração, casa e trabalho. Pensava que fosse feliz por isso, Enquanto desvendava a história do mundo, através dos amigos e pelo diário, era tomado pelo medo. Muitas vezes pensei ter perdido a felicidade por saber tanto. Mas agora eu percebo: meses atrás eu não era feliz, mas apenas ignorante. (Costa, Marcos Túlio. O canto da ave maldita. Rio de Janeiro: Record, 1986) Questão 77) Nesse mesmo texto, assinale a opção correspondente à função da conjunção “mas” na penúltima linha do texto: a) Estabelece uma oposição entre felicidade e ignorância. b) Opõe o tempo presente ao tempo passado. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br c) Opõe perceber e conhecer. d) Complementa a idéia de felicidade com a idéia de ignorância. e) Contrapõe a vida pregressa do narrador a uma certa noção de ignorância. TEXTO: 13 - Comum à questão: 78 É verdade que podemos votar, é verdade que podemos, como cidadãos eleitores e normalmente por via partidária, escolher os nossos representantes no governo. Mas é igualmente verdade que a possibilidade de ação democrática começa e acaba aí. O eleitor poderá tirar do poder um governo que não lhe agrade e pôr outro no seu lugar, mas o seu voto não teve, não tem, nem nunca terá qualquer efeito visível sobre a única real força que governa o mundo e, portanto, o seu país e a sua pessoa. Refiro-me, obviamente, ao poder econômico, em particular à parte dele sempre em aumento, gerida pelas empresas multinacionais de acordo com estratégias de domínio que nada têm que ver com aquele bem comum a que, por definição, a democracia aspira. Todos sabemos que é assim e, contudo, por uma espécie de automatismo verbal e mental que não nos deixa ver a nudez crua dos fatos, continuamos a falar de democracia como se se tratasse de algo vivo e atuante, quando dela pouco mais nos resta que um conjunto de forças ritualizadas, os inócuos passes e os gestos de uma espécie de missa laica. (José Saramago – Trecho do discurso pronunciado no “Fórum de Porto Alegre”, realizado em janeiro de 2002) Questão 78) A série em que todas as palavras pertencem à mesma classe é: a) representantes, democráticas e definição. b) sempre, estratégias e aí. c) automatismo, atuante e espécie. d) portanto, obviamente e nada. e) contudo, quando e como. TEXTO: 14 - Comum à questão: 79 No pálido céu o sol vai-se inclinando aos poucos para as bandas da Argentina. Antares parece submersa num lagoão de ar estagnado e fétido. E os sete mortos apodrecem em silêncio no coreto. (...) O advogado dos mortos volta-se para D. Quitéria e pergunta: - A senhora quer falar? Nesta nossa pequena tanatocracia existe a mais absoluta liberdade de pensamento e palavra, coisa hoje em dia rara na chamada América Latina. Quitéria Campolargo ergue a cabeça e fita os olhos imóveis e sem brilho em Tibério Vacariano, dizendo: http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br - Tibé, estás muito enganado. Não tenho nada mais a ver com vocês. Entre vivos e mortos não há entendimento possível. Hoje de manhã, quando voltei à minha casa, tive a maior desilusão da minha vida. Encontrei as minhas quatro filhas e os meus quatro genros discutindo a partilha das minhas jóias... das jóias com as quais eu pedi que me seputassem. Passaram a noite batendo boca. Não creio que tivesse tido a menor palavra de afeto ou saudade para comigo. Eu queria levar as jóias para a sepultura não por birra ou vaidade, mas pra evitar que elas fossem o ponto da discórdia. Compreendi esta manhã que com elas ou sem elas de qualquer modo meus genros e filhas iam brigar: por um pedaço de terra, por um imóvel, por uma vaca, um porco ou um paliteiro de prata... É triste. Hoje em dia as pessoas prezam mais os objetos do que os outros seres humanos. (...) E tu também toma nota do que vou te dizer. Os moços não só esperam que os velhos morram, como até desejam que isso aconteça o mais depressa possível. É uma lei da vida. Assim, para as pessoas de idade como nós, morrer não é apenas uma fatalidade biológica como também uma espécie de obrigação social. (Érico Veríssimo in Incidente em Antares, 1972, Ed. Globo.) Questão 79) A opção em que se observa discordância entre preposição e a relação a ela correspondente é: a) em silêncio - modo. b) das minhas jóias - posse. c) sem elas - exclusão. d) por um pedaço - causa. e) lei da vida -especificação. TEXTO: 15 - Comum à questão: 80 A Maria recuou dous passos e pôs-se em guarda, pois também não era das que se receava com qualquer cousa. – Tira-te lá, ó Leonardo! – Não chames mais pelo meu nome, não chames... que tranco-te esta boca a socos... – Safa-te daí! quem te mandou pôr-se aos namoricos comigo a bordo? Isto exasperou o Leonardo; a lembrança do amor aumentou-lhe a dor da traição e o ciúme e a raiva de que se achava possuído transbordaram em socos sobre a Maria, que depois de uma tentativa inútil de resistência, desatou a correr, a chorar e a gritar (...). (Manuel Antônio de Almeida. Adaptado) http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 80) Safa-te daí! quem te mandou pôr-se aos namoricos comigo a bordo? Alterando tu por você, a uniformização do tratamento exigiria as seguintes alterações: a) Safa-se daí! quem te mandou pôr-se aos namoricos comigo a bordo? b) Safe-lhe daí! quem lhe mandou pôr-se aos namoricos comigo a bordo? c) Safe-se daí! quem te mandou pôr-se aos namoricos comigo a bordo? d) Safa-se daí! quem se mandou pôr-se aos namoricos comigo a bordo? e) Safe-se daí! quem a mandou pôr-se aos namoricos comigo a bordo? TEXTO: 16 - Comum à questão: 81 "Ali na casa do carro o mestre Amaro ficava o dia inteiro no serviço. Os arreios do cabriolé estavam em petição de miséria, tudo podre, levado do diabo. A princípio, quis voltar para casa. Não havia material para o serviço. O velho não dava sola, não tinha nada para o conserto da carruagem. Afinal ficara. No fundo, o coronel Lula agradava. Parecia-lhe um homem aluado. Ficou, trouxe de casa o material necessário e estava ali, botando ordem no luxo do coronel Lula. Pelo menos, o carro do coronel Lula cantaria pela estrada, seria mais alguma coisa que o cavalo ruço do coronel José Paulino. O cabriolé consolava um pouco o seleiro da mágoa que lhe dava aquele senhor muito rico, muito cheio de terras, que lhe dera gritos como se fosse um negro cativo. Gostava de ver o coronel Lula no cabriolé, enchendo a estrada com a sua parelha. O diabo era aquele orgulho do velho, aquela soberba. O moleque se fora e agora, sozinho no trabalho, os pensamentos enchiam a cabeça do mestre e começavam a sair, a criar asas. A vida daquele povo da casa-grande ninguém podia compreender. D. Amélia tocava piano. Era outra satisfação do seleiro. Em casa do coronel Lula havia piano. Era o único que existia por ali. Em Goiana havia uma senhora de engenho que tocava piano. Por ali, só d. Amélia. O velho José Paulino fora casado com uma filha do major João Alves de Itambé, mulher que perto de d. Amélia fazia vergonha.D. Amélia quando saía de cabriolé era como se fosse dona de todas as terras por onde ela passava de carro. As negras não gostavam dela porque não vivia na cozinha, ouvindo enredadas, metida nas conversas dos camumbembes. Com o cabriolé, d. Amélia era outra força que o seleiro tinha contra o coronel José Paulino. Mas como seria aquele povo por dentro? O velho Lula só andava de gravata, não saia de casa a pé, a filha estivera com as freiras no Recife, e havia aquela doida, andando dentro de casa sem parar, a irmã de d. Amélia. E havia aquele piano. Era tudo o que o povo sabia. A sala de visitas tinha muito quadro, tinha um espelho para o corpo inteiro, tapetes no chão. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br O velho Lula não abria as janelas da sala de visitas; vivia ela fechada, com o piano de d. Amélia para um canto. E de que vivia aquele povo? As safras do Santa fé não davam cem pães. Diziam que o velho todo ano ia ao Recife trocar moedas de ouro que o capitão Tomás deixara para a filha." (REGO, José Lins do. Fogo morto. 53. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1999.) Questão 81) Em relação à frase "Era tudo o que o povo sabia" todas as afirmativas estão corretas, exceto: a) O primeiro o é pronome demonstrativo e funciona como sujeito. b) Que é pronome relativo e funciona como objeto direto. c) "O que o povo sabia" é oração subordinada adjetiva restritiva. d) Tudo é pronome indefinido e tem função sintática de predicativo do sujeito. e) "que o povo sabia" é oração subordinada adjetiva restritiva. TEXTO: 17 - Comum à questão: 82 Existe, hoje, uma percepção disseminada pela intelectualidade e por boa parte da opinião pública mundial de uma grande e acelerada mudança operando em várias dimensões da sociedade moderno-contemporânea. Não há, certamente, consenso sobre esse fenômeno, variando definições, terminologia e, sobretudo, avaliações positivas, negativas ou matizadas. De qualquer modo, há uma tendência maciça para reconhecer o caráter ampliado das mudanças econômicas e tecnológicas que afetariam, com maior ou menor impacto, todas as sociedades do planeta, justificando o termo globalização mesmo quando se critica a sua possível banalização como instrumento de conhecimento. (Gilberto Velho, Revista de Cultura Brasileira, 03/98, nº1) Questão 82) Substituindo por pronome pessoal oblíquo o complemento de afetariam, na mesma frase em que ocorre, obtém-se: a) afetá-las-iam. b) afetariam-nas. c) as afetariam. d) lhes afetariam. e) afetar-lhes-iam. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 18 - Comum à questão: 83 O senão do livro Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem... (Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas) Questão 83) O emprego dos pronomes este e esse, no início do texto, a) tem a finalidade de distinguir entre o que já se mencionou (mundo) e o que se vai mencionar (livro). b) marca a oposição entre o concreto (mundo real) e o abstrato (mundo da ficção). c) faz uma distinção decorrente da diferença entre a posição do narrador e a do leitor. d) é conseqüência da oposição entre passado (livro) e presente (mundo). e) é indiferente; assim como hoje, esses pronomes não têm valor distintivo. TEXTO: 19 - Comum à questão: 84 Texto I (...) la chover. Bem. A catinga ressuscitaria, a semente do gado voltaria ao curral, ele, Fabiano, seria o vaqueiro daquela fazenda morta. Chocalhos de badalos de ossos animariam a solidão. Os meninos, gordos, vermelhos, brincariam no chiqueiro das cabras, Sinhá Vitória vestiria saias de ramagens vistosas. As vacas povoariam o curral. E a catinga ficaria toda verde. Lembrou-se dos filhos, da mulher, e da cachorra, que estavam lá em cima, debaixo de um juazeiro, com sede. Lembrou-se do preá morto. Encheu a cuia, ergueu-se, afastou-se, lento, para não derramar a água salobra. (...) Chegou. Pôs a cuia no chão, escorou-a com pedras, matou a sede da família. Em seguida acocorou-se, remexeu o aió, tirou o fuzil, acendeu as raízes de macambira, soprou-as, inchando as bochechas cavadas. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Uma labareda tremeu, elevou-se, tingiu-lhe o rosto queimado, a barba ruiva, os olhos azuis. Minutos depois o preá torcia-se e chiava no espeto de alecrim. Eram todos felizes. Sinhá Vitória vestiria uma saia larga de ramagens. (...) A fazenda renasceria — e ele, Fabiano, seria o vaqueiro, para bem dizer seria dono daquele mundo. Os troços minguados ajuntavam-se no chão: a espingarda de pederneira, o aió, a cuia de água e o baú de folha pintada. A fogueira estalava, O preá chiava em cima das brasas. Uma ressurreição. As cores da saúde voltariam àcara triste de Sinhá Vitória. (...) A catinga ficaria verde. Graciliano Ramos, Vidas Secas Texto II Vou-me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Aqui eu não sou feliz Lá a existência é uma aventura De tal modo inconseqüente Que Joana a Louca de Espanha Rainha e falsa demente Vem a ser contraparente Da nora que nunca tive E como farei ginástica Andarei de bicicleta Montarei em burro brabo Subirei no pau-de-sebo Tomarei banhos de mar! E quando estiver cansado Deito na beira do rio Mando chamar a mãe-d’água Pra me contar as histórias Que no tempo de eu menino Rosa vinha me contar Vou-me embora pra Pasárgada Em Pasárgada tem tudo É outra civilização Tem um processo seguro http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br De impedir a concepção Tem telefone automático Tem alcalóide à vontade Tem prostitutas bonitas Para a gente namorar E quando eu estiver mais triste Mas triste de não ter jeito Quando de noite me der Vontade de me matar — Lá sou amigo do rei — Terei a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada. Manuel Bandeira, Libertinagem Questão 84) Eram todos felizes. Sinhá Vitória vestiria uma saia larga de ramagens. (...) A fazenda renasceria — e ele, Fabiano, seria o vaqueiro, para bem dizer seria dono daquele mundo. (texto I) E quando estiver cansado Deito na beira do rio Mando chamar a mãe-d’água (texto II) Considere as seguintes análises dos trechos acima. I) No trecho 1, a escolha de formas verbais do imperfeito indica a impossibilidade de realização do ideal pretendido; no trecho II, o emprego do presente traduz o reconhecimento da realidade vivida. II) Em ambos os trechos a escolha de verbos no futuro do subjuntivo representa a irrealidade do sonho, que projeta uma realidade superior àvivida. III) A forma do imperfeito do indicativo “Eram” (texto I) liga o parágrafo que a precede àquele que ela inicia, estabelecendo a passagem da realidade vivida para a imaginada. IV) No trecho II, as formas do presente (“deito”, “mando”) são empregadas para designar ação futura, atribuindo ao fato futuro o sentido de certeza de sua realização. Dentre essas análises, estão corretas a) I e IV apenas. b) I e II apenas c)III e IV apenas. d) I, II e III apenas. e) II, III e IV apenas. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 20 - Comum à questão: 85 Cidade prevista Guardei-me para a epopéia que jamais escreverei. Poetas de Minas Gerais e bardos do Alto-Araguaia, vagos cantores tupis, recolhei meu pobre acervo, alongai meu sentimento. O que eu escrevi não conta. O que desejei é tudo. Retomai minhas palavras, meus bens, minha inquietação, fazei o canto ardoroso, cheio de antigo mistério mas límpido e resplendente. Cantai esse verso puro, que se ouvirá no Amazonas, na choça do sertanejo e no subúrbio carioca, no mato, na vila X, no colégio, na oficina, território de homens livres que será nosso país e será pátria de todos. Irmãos, cantai esse mundo que não verei, mas virá um dia, dentro em mil anos, talvez mais. não tenho pressa. Um mundo enfim ordenado, uma pátria sem fronteiras, sem leis e regulamentos, uma terra sem bandeiras, sem igrejas nem quartéis, sem dor, sem febre, sem ouro, um jeito só de viver, mas nesse jeito a variedade, a multiplicidade toda que há dentro de cada um. Uma cidade sem portas, de casas sem armadilha, um país de riso e glória como nunca houve nenhum. Este país não é meu nem vosso ainda, poetas. Mas ele será um dia o país de todo homem. (Carlos Drummond de Andrade, de A rosa do povo) Questão 85) No Texto , o sujeito lírico se dirige a outros poetas e lhes faz um apelo. Empregando você em lugar de “poetas”, assinale a alternativa que, de acordo com a norma culta, substitua as formas verbais “recolhei”, “alongai”, “retomai” ,”fazei”, “cantai”: a) recolhe; alonga; retoma; faze; canta. b) recolha; alongue; retome; faça; cante. c) recolha; alonga; retoma; faz; cante. d) recolha; alonga; retoma; faça; canta. e) recolhe; alongue; retome; faze; cante. TEXTO: 21 - Comum à questão: 86 Chegou. Pôs a cuia no chão, escorou-a com pedras, matou a sede da família. Em seguida acocorou-se, remexeu o aió, tirou o fuzil, acendeu as raízes de macambira, soprou-as, inchando as bochechas cavadas. Uma labareda tremeu, elevou-se, tingiu-lhe o rosto queimado, a barba ruiva, os olhos azuis. Minutos depois o preá torcia-se e chiava no espeto de alecrim. Eram todos felizes. Sinha Vitória vestiria uma saia larga de ramagens. A cara murcha de sinha Vitória remoçaria (...). (...) A fazenda renasceria – e ele, Fabiano, seria o vaqueiro, para bem dizer seria dono daquele mundo. (Graciliano Ramos, Vidas secas) http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 86) Observando as diferentes formas verbais. a) Considerando que no primeiro parágrafo predomina o pretérito perfeito, justifique o emprego do imperfeito em “o preá torcia-se e chiava no espeto de alecrim”. b) Explique o efeito de sentido produzido no excerto pelo emprego do futuro do pretérito. TEXTO: 22 - Comum à questão: 87 Oh! Bendito o que semeia Livros... livros à mão cheia... E manda o povo pensar! O livro caindo n’alma É germe – que faz a palma, É chuva – que faz o mar. Vós, que o templo das idéias Largo – abris às multidões, P’ra o batismo luminoso Das grandes revoluções, Agora que o trem de ferro Acorda o tigre no cerro E espanta os caboclos nus, Fazei desse “rei dos ventos” Ginete dos pensamentos, Arauto da grande luz!... (Castro Alves) Questão 87) Se iniciarmos a segunda estrofe pelo pronome tu, os verbos abris e fazei, que aparecem no texto, deverão mudar, respectivamente, para: a) abre; faz. b) abras; faças. c) abres; faze. d) abre; faça. e) abres; fazes. TEXTO: 23 - Comum à questão: 88 As duas manas Lousadas! Secas, escuras e gárrulas como cigarras, desde longos anos, em Oliveira, eram elas as esquadrinhadoras de todas as vidas, as espalhadoras de todas as maledicências, as tecedeiras de todas as intrigas. E na desditosa cidade, não existia nódoa, pecha, bule rachado, coração dorido, algibeira arrasada, janela entreaberta, poeira a um canto, http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br vulto a uma esquina, bolo encomendado nas Matildes, que seus olhinhos furantes de azeviche sujo não descortinassem e que sua solta língua, entre os dentes ralos, não comentasse com malícia estridente. (Eça de Queirós, A ilustre Casa de Ramires) Questão 88) A correlação de tempos que, neste texto, se verifica entre as formas verbais existia, descortinassem e comentasse, mantém-se apenas em: a) não existe; não descortinem; não comente. b) não existiu; não teriam descortinado; não teria comentado. c) não existira; não tinham descortinado; não tinha comentado. d) não existirá; não tiverem descortinado; não tiver comentado. e) não existiria; não descortinavam; não comentava. TEXTO: 24 - Comum à questão: 89 Só os roçados da morte compensam aqui cultivar, e cultivá-los é fácil: simples questão de plantar; não se precisa de limpa, de adubar nem de regar; as estiagens e as pragas fazem-nos mais prosperar, e dão lucro imediato; nem é preciso esperar pela colheita: recebe-se na hora mesma de semear. (João Cabral de Melo Neto, MORTE E VIDA SEVERINA) Questão 89) Substituindo-se os dois-pontos por uma conjunção, em “(...) pela colheita: recebe-se (...)”, mantém-se o sentido do texto APENAS em “(...) pela colheita, a) embora se receba (...)”. b) ou se recebe (...)”. c) ainda que se receba (...)”. d) já que se recebe (...)”. e) portanto se recebe (...)”. TEXTO: 25 - Comum à questão: 90 Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para conhecer o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver. Amyr Klink, Mar sem fim. Questão 90) Na frase “que nos faz professores e doutores do que não vimos”, o pronome sublinhado retoma a expressão antecedente: a) “para lugares”. b) “o mundo”. c) “um homem”. d) “essa arrogância”. e) “como o imaginamos”. TEXTO: 26 - Comum à questão: 91 Leia o fragmento abaixo, do conto A cartomante de Machado de Assis. Depois, responda à pergunta. “Separaram-se contentes, ele ainda mais que ela. Rita estava certa de ser amada; Camilo, não só o estava, mas via-a estremecer e arriscar-se por ele, correr às cartomantes, e, por mais que a repreendesse, não podia deixar de sentir-se lisonjeado. A casa do encontro era na antiga Rua dos Barbonos, onde morava uma comprovinciana de Rita. Esta desceu pela Rua das Mangueiras na direção de Botafogo, onde residia; Camilo desceu pela da Guarda Velha, olhando de passagem para a casa da cartomante.” Questão 91) Em “Esta desceu pela Rua das Mangueiras ...”, explique por que, no texto, se usou o pronome esta e não o pronome ela. TEXTO: 27 - Comum à questão: 92 DESAFIO DAS DISTÂNCIAS Há duas semanas, astrônomos da NASA e da ESA, respectivamente as agências espaciais americana e européia, anunciaram a descoberta de moléculas de metano na atmosfera do planeta HD 189733b, situado a 63 anos-luz de distância da Terra. É a primeira vez que moléculas desse gás são encontradas num exoplaneta, como são chamados os planetas fora do sistema solar. O achado é um passo significativo na busca por vida extraterrestre.Desde que se encontrou o primeiro exoplaneta, há treze anos, já foram encontrados 277 astros desse tipo. O mais perto que se chegou da descoberta de indícios de vida neles foi a identificação de moléculas de água. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br O metano, em geral, é produzido como resultado da atividade orgânica. “Assim como a água, ele está entre as substâncias essenciais para a vida”, explica o astrônomo Amâncio César Friaça, da Universidade de São Paulo. Os cientistas detectaram o gás usando um método conhecido como espectroscopia. Nessa técnica, analisa-se a luz que incide sobre a atmosfera do planeta, produzida pela estrela que ele orbita. A luz é decomposta em diferentes grupos de cores, cada um deles correspondendo a uma substância presente no HD 189733b. Embora a descoberta de metano possa sugerir vida, os cientistas acreditam que, nesse caso, o gás seja resultante de reações químicas, e não da atividade orgânica. Isso porque o HD 189733b é composto de gases e sua temperatura atinge 940 graus. Além disso, sua órbita é tão próxima a sua estrela que a quantidade de radiação sobre a superfície destruiria as células de seres vivos. (Veja, 02.04.08) Questão 92) Assinale a alternativa capaz de substituir a palavra sublinhada no trecho abaixo sem alterar o significado do texto. “Embora a descoberta de metano possa sugerir vida, os cientistas acreditam que, nesse caso, o gás seja resultante de reações químicas, e não da atividade orgânica.” a) Portanto b) Entretanto c) Conquanto d) Uma vez que e) À medida que TEXTO: 28 - Comum à questão: 93 Carta sobre a felicidade (a Meneceu) Epicuro [...] Consideremos que, dentre os desejos, há os que são naturais e os que são inúteis; dentre os naturais, há uns que são necessários e outros, apenas naturais; dentre os necessários, há alguns que são fundamentais para a felicidade, outros, para o bem-estar corporal, outros, ainda, para a própria vida. E o conhecimento seguro dos desejos leva a direcionar toda escolha e toda recusa para a saúde do corpo e para a serenidade do espírito, visto que esta é a finalidade da vida feliz: em razão desse fim praticamos todas as nossas ações, para nos afastarmos da dor e do medo. Uma vez que tenhamos atingido esse estado, toda a tempestade da alma se aplaca, e o ser vivo, não tendo que ir em busca de algo que lhe falta, nem procurar outra coisa a não ser o bem da alma e do corpo, estará satisfeito. De fato, só sentimos necessidade do prazer quando sofremos pela sua ausência; ao contrário, quando não sofremos, essa necessidade não se faz sentir. [...] http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Embora o prazer seja nosso bem primeiro e inato, nem por isso escolhemos qualquer prazer: há ocasiões em que evitamos muitos prazeres, quando deles nos advêm efeitos o mais das vezes desagradáveis; ao passo que consideramos muitos sofrimentos preferíveis aos prazeres, se um prazer maior advier depois de suportarmos essas dores por muito tempo. Portanto, todo prazer constitui um bem por sua própria natureza; não obstante isso, nem todos são escolhidos; do mesmo modo, toda dor é um mal, mas nem todas devem ser sempre evitadas. [...] Consideremos ainda a auto-suficiência um grande bem; não que devamos nos satisfazer com pouco, mas para nos contentarmos com esse pouco caso não tenhamos o muito, honestamente convencidos de que desfrutam melhor a abundância os que menos dependem dela; tudo o que é natural é fácil de conseguir; difícil é tudo o que é inútil. Os alimentos mais simples proporcionam o mesmo prazer que as iguarias mais requintadas, desde que se remova a dor provocada pela falta: pão e água produzem o prazer mais profundo quando ingeridos por quem deles necessita. Habituar-se às coisas simples, a um modo de vida não luxuoso, portanto, não só é conveniente para a saúde, como ainda proporciona ao homem os meios para enfrentar corajosamente as adversidades da vida: nos períodos em que conseguimos levar uma existência rica, predispõe o nosso ânimo para melhor aproveitá-la, e nos prepara para enfrentar sem temor as vicissitudes da sorte. Quando então dizemos que o fim último é o prazer, não nos referimos aos prazeres dos intemperantes ou aos que consistem no gozo dos sentidos, como acreditam certas pessoas que ignoram o nosso pensamento, ou não concordam com ele, ou o interpretam erroneamente, mas ao prazer que é a ausência de sofrimentos físicos e de perturbações da alma. [...] a prudência é o princípio e o supremo bem, razão pela qual ela é mais preciosa do que a própria filosofia; é dela que originaram todas as demais virtudes; é ela que nos ensina que não existe vida feliz sem prudência, beleza e justiça, e que não existe prudência, beleza e justiça sem felicidade. Porque as virtudes estão intimamente ligadas à felicidade, e a felicidade é inseparável delas. [...] (Tradução de Álvaro Lorencini e Enzo Del Carratore. São Paulo: Ed. Unesp, 2002) Questão 93) No trecho: “não só é conveniente para a saúde, como ainda proporciona ao homem os meios para enfrentar corajosamente as adversidades da vida”, o termo grifado estabelece idéia de: a) Causa. b) Conformidade. c) Comparação. d) Adição. e) Modo. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 29 - Comum às questões: 94, 95 Leia com atenção um fragmento do poema extraído do livro A Rosa do Povo, de Carlos Drummond de Andrade, e responda às questões. A Flor e a Náusea 1.Preso à minha classe e a algumas roupas, Vou de branco pela rua cinzenta. Melancolias, mercadorias espreitam-me. Devo seguir até o enjôo? 5.Posso, sem armas, revoltar-me? 6.Olhos sujos no relógio da torre: Não, o tempo não chegou de completa justiça. O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera. O tempo pobre, o poeta pobre 10.fundem-se no mesmo impasse. 11.Em vão me tento explicar, os muros são surdos. Sob a pele das palavras há cifras e códigos. O sol consola os doentes e não os renova. 14.As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase. 15.(...) Uma flor nasceu na rua! Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego. Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto. Façam completo silêncio, paralisem os negócios, 21.garanto que uma flor nasceu. 22.Sua cor não se percebe. Suas pétalas não se abrem. Seu nome não está nos livros. 25.É feia. Mas é realmente uma flor. 26.Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde e lentamente passo a mão nessa forma insegura. Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se. Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico. 30.É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 94) Na primeira estrofe, os verbos estão todos flexionados no: a) subjuntivo b) imperativo c) indicativo d) particípio e) gerúndio Questão 95) Respeitando o sentido de “Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase” (verso 14), após a vírgula e sem alterar o sentido original seria admissível o conectivo: a) onde. b) porque. c) conforme. d) portanto. e) se. TEXTO: 30 - Comum à questão: 96 TEXTO I O desemprego dos idiotas Uma pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria), que acaba de ser divulgada, informa que inúmeros setores da economia estão desesperados à procura de mão-de-obra qualificada. Não estamos falando aqui de doutores, mas de qualificações simples. Esse é o desemprego dos idiotas. É preciso muita idiotice pública (muita mesmo) para chegarmos nessa situação em que há um imenso número de desempregados, especialmente jovens, e uma não menos imensa demandapor trabalhadores com um mínimo de preparo. Além do drama humano dos batalhões de marginalizados, temos um nada desprezível impacto no crescimento econômico. Sem contar que, com melhor educação profissional, se conseguiria distribuir mais a renda. O desemprego dos idiotas ocorre, entre outros motivos, porque se dá mais atenção aos cursos superiores tradicionais, os quais, muitas vezes, são de péssima qualidade e cuja empregabilidade é baixíssima. Isso com estímulo oficial que dá bolsas a alunos mais pobres para cursarem faculdades medíocres. Para reduzir esse problema, bastaria conhecer as vocações econômicas locais e preparar mão-de-obra para elas, acrescentando ensino profissionalizante ao ensino regular. Tudo isso pode ser feito com a ajuda dos recursos de educação à distância. Nada disso é novidade e já temos, no Brasil, vários casos de sucesso. É muito mais barato um curso superior para tecnólogo do que a graduação normal. Mas muitos jovens não sabem disso na hora de prestar o vestibular. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br O melhor que se pode fazer pela inclusão de verdade dos jovens é ampliar a oferta de ensino profissionalizante, transformando as escolas de ensino médio numa porta de saída ao mercado de trabalho. Gilberto Dimenstein. Folha Online, 7/10/2007, www.folha.com.br. consulta 23/07/2008. Questão 96) Em “Isso com estímulo oficial que dá bolsas a alunos mais pobres para cursarem faculdades medíocres.” (3º§), a palavra sublinhada se refere à(às) a) preocupação com o problema denominado de desemprego dos idiotas. b) necessidade de se profissionalizar os jovens economicamente marginalizados. c) ênfase dada pelo governo a cursos de pouca empregabilidade. d) causas geradoras do despreparo profissional dos jovens. e) necessidade de profissionalização dos jovens no ensino médio. TEXTO: 31 - Comum às questões: 97, 98 TEXTO II A genética da paixão (...) 1Quanto mais se estudam os genes, mais se atribuem a eles um papel decisivo na escolha de nossos parceiros amorosos. A antropóloga e pesquisadora americana Helen Fisher, da Universidade Rutgers, de Nova Jersey, considerada uma das 5maiores autoridades em comportamento amoroso, avaliza essa teoria e está prestes a lançar um livro sobre ela. Helen relaciona as características de comportamento à predominância de determinados tipos de hormônios e neurotransmissores no organismo. A produção dessas 10substâncias é controlada pelo sistema endócrino, que funciona de acordo com o perfil genético de cada ser humano. Ela sustenta que há, basicamente, quatro tipos de personalidade. Indivíduos com predominância de dopamina seriam os exploradores; de serotonina, os construtores; de 15estrógeno, os negociadores; e de testosterona, os diretores. "Todos nós somos uma combinação dos quatro tipos, mas um deles se expressa com mais destaque em nossa personalidade", disse Helen a VEJA. Para chegar a esses quatro perfis humanos, a psicóloga submeteu um questionário 20baseado em sua teoria a assinantes da agência americana de namoro pela internet Chemistry.com. Após avaliar 20.000 respostas, ela concluiu que os negociadores, com altos níveis de estrógeno, se sentem mais atraídos pelos diretores, ricos em testosterona. Já os exploradores e construtores sentem 25mais desejo por pessoas do seu próprio grupo. (....) Lima, R. Abreu .www.revistaveja.com.br, 21/05/08. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 97) Com relação aos termos em destaque, respectivamente, pode-se afirmar que estabelecem relação de: .”.... mas um deles se expressa com mais destaque em nossa personalidade"(l. 16). a) Intensidade e quantificação. b) Conclusão e intensidade. c) Contrariedade e adversidade. d) Intensidade e oposição. e) Oposição e intensidade. Questão 98) A classe gramatical da palavra que, no trecho, “A produção dessas substâncias é controlada pelo sistema endócrino, que funciona de acordo com o perfil genético de cada ser humano.” é a mesma da palavra que em: a) “O juiz que autoriza a escuta, não consegue controlar seu resultado, afirmou o ministro durante debate promovido pelo jornal”. b) “O ministro Tarso Genro admitiu ‘abusos’ da PF, mas disse que não pretende acabar com as escutas telefônicas.” c) Apesar de Tarso negar que haja crise entre os poderes, Mendes começou seu discurso ironizando a PF. d) ”É um exagero dizer que nós estamos em um estado de medo.” e) "Antigamente, você tinha certeza que quem batia na sua porta era o leiteiro.” TEXTO: 32 - Comum à questão: 99 TEXTO III (....) 1“Os ruralistas defendem a proposta - o projeto de lei (PL) que muda substancialmente a porcentagem de autorização para derrubada de vegetação nativa em propriedades privadas na Amazônia - , alegando que a lei, Se aprovada, vai 5incentivar a adesão dos fazendeiros à legislação ambiental e, dessa forma, garantir a sobrevivência de metade da biodiversidade amazônica. A verdade, porém, é que, num ecossistema frágil como o amazônico, ninguém sabe quanto de biodiversidade resistiria se 50% dela fosse 10destruída. conforme a floresta encolhe, diminuem o volume de chuvas e a capacidade de a vegetação reter água. Com isso, a mata fica cada vez mais seca e vulnerável à ação do calor e do fogo.” ARAIA, Eduardo , Projeto de lei pode significar, no prazo de algumas décadas, o fim da Floresta Amazônica. 28/05/2008. www.terra.com.br/isto é/sumarios. Acesso em 04/08/08. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 99) Com relação ao termo “...Substancialmente “ (l. 2) pode-se afirmar que se trata de: a) advérbio oracional. b) adjetivo determinando “porcentagem”. c) substantivo e concorda com “porcentagem”. d) advérbio e concorda com “os ruralistas”. e) advérbio e modifica a forma verbal “muda”. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br GABARITO: 1) Gab: D 2) Gab: A 3) Gab: A 4) Gab: D 5) Gab: D 6) Gab: A 7) Gab: A 8) Gab: C 9) Gab: E 10) Gab: B 11) Gab: E 12) Gab: D 13) Gab: B 14) Gab: C 15) Gab: C 16) Gab: C 17) Gab: B 18) Gab: A 19) Gab: D 20) Gab: C 21) Gab: O tempo composto “terei partido” indica um evento anterior em relação a outro, futuro. Nota-se tal procedimento, por exemplo, em: • Em fevereiro já estarei tranqüilo, pois todas as provas já terão passado. • Quando formos universitários, teremos passado por uma difícil etapa de nossas vidas. 22) Gab: A palavra “melhores” não está sendo usada de acordo com a norma culta escrita. Com efeito, a expressão empregada no fragmento é, na base, “sair- se bem”, com a substituição do advérbio bem pela sua forma comparativa de superioridade melhor. Ora, o advérbio, seja na forma bem, seja na forma melhor, é palavra invariável, não podendo, portanto, ser colocada no plural. A redação correta seria: A implicação é que esses países talvez se saíssem melhor economicamente se fossem mais parecidos entre si. 23) Gab: C 24) Gab: E 25) Gab: B 26) Gab: D 27) Gab: D 28) Gab: E 29) Gab: E http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br 30) Gab: A 31) Gab: D 32) Gab: D 33) Gab: A 34) Gab: C 35) Gab: B 36) Gab: a) O verbo confiar exige a preposição em e a frase reconstruída seria a seguinte: “Esta é a escola em que os pais confiam.” b) O pronome relativo que é precedido da preposição em , que, na oração reformulada, foi exigida pelo verbo confiar (um verbo transitivo indireto). 37) Gab: B 38) Gab: D 39) Gab: C40) Gab: A 41) Gab: B 42) Gab: D 43) Gab: B 44) Gab: B 45) Gab: C 46) Gab: C 47) Gab: A 48) Gab: A 49) Gab: A 50) Gab: B 51) Gab: B 52) Gab: B 53) Gab: A 54) Gab: C 55) Gab: E 56) Gab: D 57) Gab: B 58) Gab: C 59) Gab: E 60) Gab: D 61) Gab: B 62) Gab: B 63) Gab: D 64) Gab: D 65) Gab: C 66) Gab: E 67) Gab: C 68) Gab: B 69) Gab: E http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br 70) Gab: C 71) Gab: A 72) Gab: B 73) Gab: D 74) Gab: C 75) Gab: B 76) Gab: B 77) Gab: A 78) Gab: E 79) Gab: B 80) Gab: E 81) Gab: C 82) Gab: C 83) Gab: C 84) Gab: B 85) Gab: B 86) Gab: a) No primeiro parágrafo, o pretérito perfeito indica uma ação acabada. A função do pretérito imperfeito, ao contrário, é a de introduzir a idéia de uma ação não finalizada, que denota uma continuidade. Nesse trecho de Vidas Secas , sua utilização tem especial importância para contrapor a desesperança à esperança que a família passou a ter com a chegada à fazenda e com a vida que poderia renascer. b) O emprego do futuro do pretérito reforça a idéia de esperança, cria uma expectativa, projeta o futuro por meio de conjecturas. 87) Gab: C 88) Gab: A 89) Gab: D 90) Gab: D 91) Gab: O pronome ela criaria uma ambigüidade, pois poderia ter como referência tanto “Rita” como “sua comprovinciana”. O anafórico esta, entre duas referências, sempre retoma a mais próxima, portanto recupera o último elemento citado, isto é, Rita. Se quisesse recuperar o primeiro citado, o autor usaria o pronome aquela. 92) Gab: C 93) Gab: D 94) Gab: C 95) Gab: E 96) Gab: D 97) Gab: E 98) Gab: A 99) Gab: E http://www.projetoredacao.com.br/