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47Especialização em Educação Profissional | Trabalho, Sociedade e Educação na Educação Profissional
Estado, como a polícia e o judiciário, foram constituídos para assegurar esse direito. Em 
suma, transformações no modo como produzimos e reproduzimos nossa existência 
geram relações sociais inteiramente novas, e sempre relacionadas à produção.
Vamos ver a seguir como o conceito de modo de produção se aplica a sociedades de 
períodos distintos, sempre destacando as forças produtivas e as relações sociais em atuação.
3. MODO DE PRODUÇÃO ESCRAVISTA
A escravidão é frequentemente associada à Antiguidade (de 4.000 a.C a 476 d.C), e 
foi predominante em sociedades díspares quanto o Egito Antigo, as Cidades-Estados 
gregas e o Império romano (BOTTOMORE, 1988). É importante salientar, no entanto, 
que a prática da escravidão foi retomada em larga escala durante a chamada Era dos 
descobrimentos (entre os séculos XV e XVII), e ainda acontece em alguns lugares do 
mundo contemporâneo, embora seja amplamente condenada.
O que diferencia a sociedade Antiga é que, nela, o escravo era o tipo específico de força 
de trabalho; e a escravidão, sua relação de produção característica. Daí esse período ser 
caracterizado pelo modo de produção escravista. 
Nesse modo de produção, o escravo era considerado uma mercadoria em sentido estrito, 
isto é, uma coisa, da qual seus proprietários poderiam dispor da forma que achassem mais 
adequada. O escravo era uma propriedade privada, “a quem era perpetuamente negada 
a posse dos meios de produção, o controle sobre seu trabalho ou sobre os produtos desse 
trabalho e de sua própria reprodução” (BOTTOMORE, 1988, p. 216). 
48Especialização em Educação Profissional | Trabalho, Sociedade e Educação na Educação Profissional
É diferente, por exemplo, do que aconteceu posteriormente no modo de produção 
feudal, no qual a força de trabalho predominante eram os servos. Estes, apesar de não 
serem totalmente livres, possuíam uma série de obrigações e recebiam contraprestações 
dos senhores feudais em troca da propriedade de terra. O escravo não possuía os 
instrumentos do seu trabalho, não decidia como e quando trabalharia. No limite, não tinha 
controle sequer sobre sua própria vida e morte. 
Essa organização das forças produtivas correspondeu a um conjunto de relações sociais 
específicas. Na Grécia antiga, os escravos, obviamente, eram destituídos de quaisquer 
direitos civis e políticos, reservados apenas aos cidadãos (homens adultos livres). Enquanto 
as atividades intelectuais e de organização política eram reservadas aos homens livres, os 
escravos se encarregavam ao trabalho manual. 
De fato, a valorização do ócio e das atividades intelectuais permanece até hoje como 
uma marca de setores abastados da população, em contraste com serviços manuais, 
geralmente desempenhados por classes populares. Friedrich Engels (1820-1895), 
colaborador frequente de Karl Marx, chegou a afirmar que, não fosse a escravidão, não 
teriam existido a filosofia e a arte gregas, tampouco o império romano. 
Aqui entra a ideia de que a existência de uma massa de trabalhadores braçais, 
desempenhando as tarefas essenciais nessas sociedades, possibilitou o florescimento de 
uma classe ociosa dedicada às artes, ao pensamento abstrato e à filosofia. Trata-se de um 
claro exemplo de como o modo tal qual se organizam as forças produtivas e as relações de 
produção em grande medida moldam a feição de uma sociedade.