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LEGISLAÇÃO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR 
E POLÍTICAS DE INCLUSÃO
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A
01
47
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2.
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2
Carlos Eduardo Candido Pereira
Londrina 
Editora e Distribuidora Educacional S.A. 
2020
LEGISLAÇÃO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR E 
POLÍTICAS DE INCLUSÃO
1ª edição
3
2020
Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza
CEP: 86041-100 — Londrina — PR
e-mail: editora.educacional@kroton.com.br
Homepage: http://www.kroton.com.br/
Presidente
Rodrigo Galindo
Vice-Presidente de Pós-Graduação e Educação Continuada
Paulo de Tarso Pires de Moraes
Conselho Acadêmico
Carlos Roberto Pagani Junior
Camila Braga de Oliveira Higa
Carolina Yaly
Giani Vendramel de Oliveira
Henrique Salustiano Silva
Juliana Caramigo Gennarini
Mariana Gerardi Mello
Nirse Ruscheinsky Breternitz
Priscila Pereira Silva
Tayra Carolina Nascimento Aleixo
Coordenador
Giani Vendramel de Oliveira
Revisor
Aline Oliveira Gomes da Silva
Editorial
Alessandra Cristina Fahl
Beatriz Meloni Montefusco
Gilvânia Honório dos Santos
Mariana de Campos Barroso
Paola Andressa Machado Leal
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
__________________________________________________________________________________________ 
Pereira, Carlos Eduardo Candido
P436I Legislação da educação superior e políticas de inclusão/ 
 Carlos Eduardo Candido Pereira, – Londrina: 
Editora e Distribuidora Educacional S.A. 2020.
 64 p.
 
 ISBN 978-65-86461-88-6
 1. Legislação. 2. Educação I. Pereira, Carlos Eduardo 
Candido. II.Título.
 
CDD 378.81 
____________________________________________________________________________________________
Jorge Eduardo de Almeida CRB-8/8753
© 2020 por Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser 
reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, 
eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de 
sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, 
por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A.
4
SUMÁRIO
Introdução aos princípios da Legislação e da Legislação da Educação 
no Brasil ____________________________________________________________ 05
Universidade: Ensino, Pesquisa e Extensão _________________________ 22
A Legislação Nacional Para a Educação Superior ____________________ 38
Ações Afirmativas, Políticas e Legislação de Inclusão ________________ 55
LEGISLAÇÃO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR E 
POLÍTICAS DE INCLUSÃO
5
Introdução aos princípios da 
Legislação e da Legislação da 
Educação no Brasil
Autoria: Carlos Eduardo Candido Pereira
Leitura crítica: Aline Oliveira Gomes da Silva 
Objetivos
Para esta aula, apresentaremos temas relacionados 
à legislação e, também, faremos um breve panorama 
da Educação Superior, retomando alguns conceitos 
diferenciadores. Desse modo, temos por objetivo: 
• Conhecer o atual contexto da Educação Superior no 
Brasil. 
• Compreender a conceituação de Educação e Ensino.
• Verificar como se dá a formação da ordenação 
legislativa no Brasil.
6
1. Contexto da Educação Superior no Brasil
Para aqueles que um dia pretendem atuar num posto acadêmico 
ou administrativo na universidade, seja ela pública ou particular, é 
importante ter conhecimento do espaço que vivenciará por boa parte da 
jornada diária.
Dado isso, devemos nos situar no momento presente para 
compreendermo-nos como sujeitos da própria história e sujeitos que se 
relacionam à sociedade.
Desta maneira, na sociedade globalizada e capitalista, a Educação é vista 
como sinônimo de ascensão social. Afinal, para a Economia de um país 
se tornar competitiva, é necessária mão de obra qualificada.
Portanto, cabe a alguns cursos técnicos e profissionais de nível médio 
ou superior e, em especial, à universidade direcionar investimentos 
na composição de quadros qualificados à competitividade econômica 
nacional no mercado financeiro global.
Nesse sentido, para Dourado e Oliveira (1999), a Educação Superior tem 
duas tarefas básicas: conhecimento e formação, em outras palavras, 
produção de conhecimento e formação do profissional. Essas ações, 
por sua vez, são etapas essenciais para inserção de qualquer país no 
processo competitivo do mundo globalizado.
Assim, o investimento em cérebros, ou melhor, na criação de capital 
intelectual e na formação de competências básicas permitiria tornar a 
economia competitiva, uma vez que vivemos em uma sociedade marcada, 
crescentemente, pela internacionalização produtiva, pelo aumento dos 
conhecimentos técnicos-científicos e pela necessidade de elevação de 
qualidade profissional. (DOURADO; OLIVEIRA, 1999, p. 12)
7
Com isso, fica evidente que o bem econômico de maior valor para um 
país é o capital intelectual que ele produz.
Nesse sentido, é importante apontar que, em virtude da globalização, 
fato que permite maior integração entre culturas, as universidades têm 
passado por processos de internacionalização, fazendo intercâmbios 
entre seus estudantes para troca de experiências acadêmicas.
Neste cenário, o docente é o profissional da Educação quem guiará 
os discentes na compreensão de fenômenos sociais e naturais, assim 
como será o responsável em motivar à solução das mais variadas 
necessidades à sociedade. Desse modo, seu papel é tão importante 
que em atenção ao próprio trabalho deve ter o cuidado de não cair em 
obsolência, ou seja, esse profissional necessita, para além da formação 
inicial, continuar se capacitando e reinterpretando a prática pedagógica 
num mundo de constantes e aceleradas mudanças.
Adentrando ao contexto da Educação Superior Brasileira, para 
Pereira (2009), desde o final dos anos 1990, no Brasil, houve uma 
grande expansão desta modalidade de ensino. Isso se deve aos 
investimentos do Poder Público na expansão de universidades, uma 
vez que, em âmbito internacional, o Brasil se responsabilizava com o 
desenvolvimento do país na comparação do cenário do desenvolvimento 
de seus setores sociais, econômicos e de serviços em nível global.
Neste cenário de desenvolvimento, coube um papel importante à 
iniciativa privada: investir na Educação Superior. Dado isso, houve 
o investimento massivo deste setor na criação de instituições 
universitárias e, até mesmo, na expansão da oferta de cursos e vagas 
para as instituições já existentes.
Por sua vez, explica-se tais investimentos em razão da promulgação de 
legislações no país, como a Lei nº 9.394, de 1996 (BRASIL, 1996), também 
conhecida como Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN). 
8
Ela impôs crescimento de 2% em 1990 para 11% em 2010 no número 
de matriculas em universidades brasileiras. Este fenômeno de expansão 
de matrículas teve um impacto social, pois possibilitou o ingresso de 
pessoas das mais variadas classes sociais na Educação Superior.
2. O conceito de Educação e de Ensino
Não é incomum, mesmo a profissionais da Educação, o equívoco de 
interpretação entre as palavras Educação e Ensino. Muitas vezes, ocorre 
um engano ao se fazer referência, por exemplo, entre as expressões 
“Educação Superior” e “Ensino Superior”, no entanto, essas expressões 
não são palavras sinônimas e, por isso, se torna importante diferenciá-
las.
Em termos gerais, de acordo com Moreira (2013), Educação significa um 
conjunto de hábitos, valores, regras e Ensino se traduz na transmissão 
de conhecimento. Assim, é possível afirmar que para ensinar é preciso 
ter conhecimento de temas extraídos da Educação.
Para vários autores, a Educação é aquela que leva os sujeitos a 
conviver em sociedade, pois deve propiciar aos seus membros o 
autoconhecimento. Dado isso, para Saviani (2007, p. 154):
Se a existência humana não é garantida pela natureza, não é dádiva 
natural, mas tem de ser produzida pelos próprios homens, sendo, pois, 
umproduto de trabalho, isso significa que o homem não nasce homem. 
Ele forma-se homem. Ele não nasce sabendo produzir-se como homem. 
Ele necessita aprender a ser homem, precisa aprender a produzir sua 
própria existência. Portanto, a produção do homem é, ao mesmo tempo, a 
formação do homem, isto é, um processo educativo. A origem da educação 
coincide, então, com a origem do homem mesmo.
9
Nesta perspectiva, o homem é um ser histórico que produz 
conhecimento e trabalha sobre a natureza. A Educação se molda em 
corpus teórico, ou seja, a Educação se torna ciência, ou seja, Pedagogia–
que é a ciência da Educação.
A Educação Superior, portanto, é um corpo de conhecimento dado 
através de teorias, regras, valores e leis construídas historicamente. 
O Ensino Superior se traduz na transmissão de conhecimentos da 
Educação por meio de técnicas, de metodologias e das mais diversas 
manifestações de didática e ensino. Assim, a instituição que ensina 
em nível superior, pode ser denominada de IES (Instituição de Ensino 
Superior), recebendo outras denominações previstas em lei, como: 
faculdade, centro universitário e universidade.
3. Formação da Legislação
Sobre a legislação, é importante conhecermos qual a sua estrutura na 
democracia brasileira. A pretensão aqui não é aprofundar a reflexão 
em cada um dos itens da seguinte escala hierárquica, mas apontar o 
ordenamento jurídico brasileiro que se aplica, sobretudo, à Educação. 
De acordo com Toledo (2016), a sequência em ordem decrescente é:
1. Constituição Federal.
2. Emenda à Constituição.
3. Lei Complementar.
4. Lei Ordinária.
5. Lei Delegada.
6. Decreto Legislativo.
7. Resolução.
8. Decreto.
9. Instrução Normativa.
10. Instrução Administrativa.
10
11. Ato Normativo.
12. Ato Administrativo.
13. Portaria.
14. Aviso.
Nesta ordem, percebe-se que a principal legislação no Brasil é a 
Constituição Federal. Assim, as demais legislações submetem-se 
à anterior na hierarquia. Alguns autores da área do Direito tratam 
didaticamente esta divisão por meio da Pirâmide de Kelsen. Desse 
modo, vale apontar que a mesma ordem se aplica às esferas estadual e 
municipal.
Com relação à Constituição Federal (BRASIL, 1988), o Brasil já teve 
em sua história oito delas. A mais recente é do final dos anos 1980, 
considerada por muitos como constituição cidadã, por ter sido objeto 
de construção democrática após duas décadas de regime militar no 
país. A seguir, adentraremos nela para interpretar aspectos referentes à 
Educação.
No capítulo III, Da Educação, Da Cultura e do Desporto, Seção I, 
Educação, há dez artigos (205º ao 214º) que tratam sobre a Educação.
Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, 
será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando 
ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da 
cidadania e sua qualificação para o trabalho. (BRASIL, 1988, art. 205)
Este artigo aponta a relação entre o Estado e a família na Educação, 
visando o desenvolvimento da pessoa enquanto construção de 
sociedade. Isso é evidenciado, por sua vez, pelos termos cidadania e 
trabalho.
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I–Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
11
II–Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a 
arte e o saber;
III–pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de 
instituições públicas e privadas de ensino;
IV–Gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V–Valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma 
da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso 
público de provas e títulos, aos das redes públicas;
VI–Gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII–garantia de padrão de qualidade.
VIII–piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação 
escolar pública, nos termos de lei federal. 
Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhadores 
considerados profissionais da educação básica e sobre a fixação de prazo 
para a elaboração ou adequação de seus planos de carreira, no âmbito da 
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (BRASIL, 1988, art. 
206)
Em linhas gerais, o artigo trata da valorização do ensino no 
reconhecimento de várias formas de ensinar, bem como da gratuidade 
em instituições públicas. A gestão democrática no ensino público 
caracteriza o aspecto cidadão da constituição e valorização dos 
profissionais da educação, e destaca a importância do profissional da 
educação por meio da previsão de piso salarial nacional e planos de 
carreira.
Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, 
administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao 
princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.
12
§ 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas 
estrangeiros, na forma da lei.
§ 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e 
tecnológica. (BRASIL, 1988, art. 207)
O art. 207, por sua vez, aborda sobre a Educação Superior, sendo 
a universidade o espaço previsto para a sua realização. Para isso, 
sinaliza-se a autonomia das universidades para o ensino e a promoção 
da ciência, bem como da própria organização interna administrativa, 
patrimonial e financeira. O maior destaque é o que dá essência à 
universidade, sendo a tríade de ensino, pesquisa e extensão, pois 
permitem um relacionamento maior entre a instituição e a sociedade. 
Em casos de necessidade, na forma da lei, as universidades poderão 
admitir servidores estrangeiros.
Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a 
garantia de:
I–Educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) 
anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a 
ela não tiveram acesso na idade própria;
II–Progressiva universalização do ensino médio gratuito;
III–atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, 
preferencialmente na rede regular de ensino;
IV–Educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos 
de idade;
V–Acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação 
artística, segundo a capacidade de cada um;
VI–oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando;
13
VII–atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, 
por meio de programas suplementares de material didático escolar, 
transporte, alimentação e assistência à saúde. 
§ 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo.
§ 2º O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua 
oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente.
§ 3º Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino 
fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, 
pela frequência à escola. (BRASIL, 1988, art. 208)
Os aspectos indicados tratam o dever do Estado na oferta da Educação 
Básica aos brasileiros de quatro a dezessete anos, incorporando a 
Educação Infantil, Educação Fundamental e Ensino Médio. Além disso, 
há menção à ampliação da oferta às pessoas com deficiência e o ensino 
noturno, programas complementares de material didático, transporte, 
alimentação e outros tipos de assistência também caracterizam o 
papel do Estado na Educação. Ademais, o referido artigo também faz 
referência ao Poder Público, que deve acompanhar as matriculas e 
frequência dos discentes.
Art. 209. O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes 
condições:
I–cumprimento das normas gerais da educação nacional;
II–autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público. (BRASIL, 1988, 
art. 209)
Como se pode observar, o art. 209 trata sobre a possibilidade da 
Educação ser oferecida pela iniciativa privada, desde que ela cumpra 
a legislação respectiva e tenha sua situação regular junto aos órgãoscompetentes da administração educacional.
14
Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, 
de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores 
culturais e artísticos, nacionais e regionais.
§ 1º O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos 
horários normais das escolas públicas de ensino fundamental.
§ 2º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, 
assegurada às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas 
maternas e processos próprios de aprendizagem. (BRASIL, 1988, art. 210)
Neste artigo, por sua vez, trata-se de conteúdos básicos comuns a serem 
ensinados por todas as instituições escolares em território nacional. 
Com isso, o Estado brasileiro sinaliza a elaboração de documentos a 
especificar qual a pretensão de aquisição de aluno por faixa etária ou 
ano escolar na Educação Básica. Assim, podemos citar os documentos 
que foram elaborados após essa época, como: Parâmetros Curriculares 
Nacionais e a Base Nacional Comum Curricular. Nota-se ainda a 
referência ao ensino em língua portuguesa ou indígena no respeito às 
suas comunidades, bem como o ensino religioso sendo facultativo (não 
obrigatório).
Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão 
em regime de colaboração seus sistemas de ensino.
§ 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, 
financiará as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em 
matéria educacional, função redistributiva e supletiva, de forma a garantir 
equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade 
do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito 
Federal e aos Municípios;
§ 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na 
educação infantil.
§ 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino 
fundamental e médio.
15
§ 4º Na organização de seus sistemas de ensino, a União, os Estados, o 
Distrito Federal e os Municípios definirão formas de colaboração, de modo 
a assegurar a universalização do ensino obrigatório.
§ 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao ensino 
regular. (BRASIL, 1988, art. 211)
O art. 211 é especifico no regime de colaboração e responsabilidade 
da Educação entre as esferas de governo federal, estadual (atuando no 
ensino fundamental e médio) e municipal (atuação no ensino infantil 
e fundamental). Neste item, também, são apontadas questões como a 
prioridade da educação pública no ensino regular, o financiamento e o 
repasse financeiro.
Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os 
Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no 
mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente 
de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino.
§ 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos 
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos Estados aos 
respectivos Municípios, não é considerada, para efeito do cálculo previsto 
neste artigo, receita do governo que a transferir.
§ 2º Para efeito do cumprimento do disposto no «caput» deste artigo, serão 
considerados os sistemas de ensino federal, estadual e municipal e os 
recursos aplicados na forma do art. 213.
§ 3º A distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade ao 
atendimento das necessidades do ensino obrigatório, no que se refere a 
universalização, garantia de padrão de qualidade e equidade, nos termos 
do plano nacional de educação.
§ 4º Os programas suplementares de alimentação e assistência à saúde 
previstos no art. 208, VII, serão financiados com recursos provenientes de 
contribuições sociais e outros recursos orçamentários.
16
§ 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento 
a contribuição social do salário-educação, recolhida pelas empresas na 
forma da lei.
§ 6º As cotas estaduais e municipais da arrecadação da contribuição social 
do salário-educação serão distribuídas proporcionalmente ao número de 
alunos matriculados na educação básica nas respectivas redes públicas de 
ensino. (BRASIL, 1988, art. 212).
O art. 212, por sua vez, desenha sobre o financiamento da educação. 
Anualmente, o Governo Federal deve investir 18% de sua receita sobre 
imposto na Educação e o Distrito Federal, Estados e Municípios devem 
investir 25%. Ainda estão previstas outras formas de financiamento e 
receitas, como o salário-educação e o dinheiro deve ser redistribuídos 
com base no número de matrículas.
Art. 213. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, 
podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou 
filantrópicas, definidas em lei, que:
I–Comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus excedentes 
financeiros em educação;
II–Assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária, 
filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no caso de encerramento 
de suas atividades.
§ 1º Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas 
de estudo para o ensino fundamental e médio, na forma da lei, para os 
que demonstrarem insuficiência de recursos, quando houver falta de 
vagas e cursos regulares da rede pública na localidade da residência do 
educando, ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na 
expansão de sua rede na localidade.
§ 2º As atividades de pesquisa, de extensão e de estímulo e fomento à 
inovação realizadas por universidades e/ou por instituições de educação 
17
profissional e tecnológica poderão receber apoio financeiro do Poder 
Público. (BRASIL, 1988, art. 213)
Assim, há a possibilidade do financiamento público ser repassado para 
instituições escolares comunitárias, confessionais e filantrópicas que, na 
forma da lei, não são escolas não lucrativas de papel social relevante. 
Esse repasse pode ser ocorrer para as escolas continuarem auxiliando a 
sociedade com aplicação de excedente financeiro, doação de patrimônio 
(com outras instituições de ensino) e, até mesmo, sob a forma de bolsas 
de estudos aos discentes.
Art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração 
decenal, com o objetivo de articular o sistema nacional de educação em 
regime de colaboração e definir diretrizes, objetivos, metas e estratégias 
de implementação para assegurar a manutenção e desenvolvimento do 
ensino em seus diversos níveis, etapas e modalidades por meio de ações 
integradas dos poderes públicos das diferentes esferas federativas que 
conduzam a:
I–erradicação do analfabetismo;
II–universalização do atendimento escolar;
III–melhoria da qualidade do ensino;
IV–formação para o trabalho;
V–promoção humanística, científica e tecnológica do País.
VI–estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em 
educação como proporção do produto interno bruto. (BRASIL, 1988, art. 
214).
O art. 214 sinalizou ações do Plano Nacional de Educação (PNE), que 
dentro de uma década seria o responsável por cumprir algumas metas 
para a melhoria da Educação, como a redução do analfabetismo. No 
entanto, na História da Educação brasileira, há dois PNE’s; o primeiro 
18
foi elaborado em 1996, com duração entre 2001 e 2010; já o segundo 
contempla os anos de 2014 a 2024, vigorando atualmente com a 
finalidade de cumprir vinte metas por meio de dez diretrizes.
No que tange as metas para Educação Superior, destacam-se:
Meta 12: elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% 
(cinquenta por cento) e a taxa líquida para 33% (trinta e três por cento) 
da população de 18 (dezoito) a 24 (vinte e quatro) anos, assegurada a 
qualidade da oferta e expansão para, pelo menos, 40% (quarenta por 
cento) das novas matrículas, no segmento público.
Meta 13: elevar a qualidade da educação superior e ampliar a proporção 
de mestres e doutores do corpo docente em efetivo exercício no conjunto 
do sistema de educação superior para 75% (setenta e cinco por cento),sendo, do total, no mínimo, 35% (trinta e cinco por cento) doutores.
Meta 14: elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação 
stricto sensu, de modo a atingir a titulação anual de 60.000 (sessenta mil) 
mestres e 25.000 (vinte e cinco mil) doutores. (BRASIL, 2014, [s.p.])
(…)
Meta 16: formar, em nível de pós-graduação, 50% (cinquenta por cento) 
dos professores da educação básica, até o último ano de vigência 
deste PNE, e garantir a todos(as) os(as) profissionais da educação 
básica formação continuada em sua área de atuação, considerando as 
necessidades, demandas e contextualizações dos sistemas de ensino. 
(BRASIL, 2014, [s.p])
Com relação a legislação da Educação, é possível apontar a importância 
de algumas outras, como o Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) 
e, a mais relevante de todas, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional, Lei nº 9.394, de 1996 (BRASIL, 1996), que no capítulo IV trata da 
Educação Superior. O quadro a seguir apresenta de modo resumido o 
que aponta cada uma dessas leis.
19
Quadro 1–Artigos do Capítulo IV da LDBEN nº 9.394, de 1996 – Da 
Educação Superior
Artigos Resumo do texto
43 Finalidade: ensino, pesquisa e extensão.
44
Cursos e programas: sequenciais, graduação, pós-graduação e 
extensão.
45 Será ministrada em IES público ou privadas.
46 Autorização e reconhecimento de cursos.
47 Ano letivo: mínimo de 200 dias de trabalho acadêmico efetivo.
48 Diplomas reconhecidos nacionalmente.
49
Aceite de transferência de alunos de uma mesma área, desde que 
haja vagas.
50
Quanto a ocorrência de vagas, abrirão matrícula nas disciplinas de 
seus cursos a alunos não regulares que demonstrarem capacidade 
de cursá-las com proveito, mediante processo seletivo prévio.
51
As IES credenciadas como universidades, ao deliberar sobre critérios 
e normas de seleção e admissão de estudantes, levarão em conta 
os efeitos desses critérios sobre a orientação do ensino médio, 
articulando-se com os órgãos normativos dos sistemas de ensino.
52
As universidades são instituições pluridisciplinares de formação dos 
quadros profissionais de nível superior, de pesquisa, de extensão e 
de domínio e cultivo do saber humano.
20
53
Autonomia universitária: fixar currículos e programas; estabelecer 
extensão; fixar número de vagas; elaborar e reformar estatutos; 
conferir graus, diplomas e títulos; firmar contratos, acordos 
e convênios; aprovar e executar obras, bem como adquirir 
patrimônio; administrar rendimentos; submeter a subvenção, 
doações e heranças resultante de convênios e contratos.
54
 As universidades mantidas pelo Poder Público gozarão, na forma 
da lei, de estatuto jurídico especial para atender às peculiaridades 
de sua estrutura, organização e financiamento pelo Poder Público, 
assim como dos seus planos de carreira e do regime jurídico do seu 
pessoal.
55
Caberá à União assegurar, anualmente, em seu Orçamento Geral, 
recursos suficientes para manutenção e desenvolvimento das 
instituições de educação superior por ela mantidas.
56
 As instituições públicas de educação superior obedecerão ao 
princípio da gestão democrática, assegurada a existência de órgãos 
colegiados deliberativos, de que participarão os segmentos da 
comunidade institucional, local e regional.
57
Nas instituições públicas de educação superior, o professor ficará 
obrigado ao mínimo de oito horas semanais de aulas.
Fonte: elaborado pelo autor.
Neste tema, abordamos assuntos que contemplaram os objetivos 
propostos. Assim, conhecemos a perspectiva da sociedade globalizada e 
neoliberal os fatores que levaram à expansão universitária. Além disso, 
ressaltamos, também para efeitos didáticos e de correta compreensão, 
a diferença dos conceitos Educação e Ensino, uma vez que não são 
21
sinônimos e ao se referir à Educação Superior não se tratam do mesmo 
assunto. Por fim, apresentamos a forma com que a legislação se ordena 
no Brasil, bem como apresentadas as ações previstas na Educação pela 
Constituição Federal e na Educação Superior na Lei de Diretrizes e Bases 
da Educação Nacional.
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22
Universidade: Ensino, 
Pesquisa e Extensão
Autoria: Carlos Eduardo Candido Pereira
Leitura crítica: Aline Oliveira Gomes da Silva 
Objetivos
• Compreender a importância da universidade para 
sociedade. 
• Compreender a relação entre ensino, pesquisa e 
extensão. 
• Conhecer agências de fomento.
23
1. Universidade: papel social, dificuldades e 
ações à sociedade
Qual seria a relevância da universidade à sociedade? Por que ela é 
objeto de desejo de muitas pessoas? Qual seu papel e sua função? Nesta 
unidade, verificaremos algumas considerações importantes sobre esta 
instituição de ensino de nível superior.
As universidades não são tão recentes na história, pelo contrário, elas 
são bem antigas. Nesse sentido, alguns registros históricos apontam que 
elas iniciaram suas atividades na Europa no século VIII. As universidades 
mais antigas do mundo, de acordo com a data de fundação, são a 
Universidade de Bolonha (1088) na Itália, Oxford na Inglaterra (1096) 
e a Universidade de Coimbra, em Portugal, criada em (1290). Outros 
historiadores consideram que a mais antiga do mundo é a Universidade 
de Karaouine (859), no Marrocos.
No Brasil, muitas pessoas acreditam que a universidade chegou 
junto com a família real portuguesa em 1808, pois eles trouxeram 
várias escolas de teor profissional. Naquele período, todavia, quase a 
totalidade da população brasileira não tinha nenhum grau de instrução 
e antes de surgirem as universidades aos moldes que hoje se conhece, 
houve a criação de faculdades e outras escolas de nível superior, como 
as de medicina. Desse modo, a primeira universidade do Brasil foi criada 
no século XX, sendo ela a atual Universidade de Manaus (1909), que 
pertence atualmente à UniversidadeFederal do Amazonas.
Na atualidade existem várias universidades no Brasil, sejam elas de 
oferta de cursos presencial ou a distância, de graduação ou pós-
graduação e, graças a globalização, hoje é possível estudar em 
universidades dentro ou fora do país de origem.
24
Nesse sentido, vale ressaltar que as últimas décadas trouxeram 
uma grande expansão desta modalidade de ensino. Antigamente, 
predominantemente até o final do século XX, o acesso à universidade 
era mais restrito, não havia tantas vagas e, até mesmo, instituições 
suficientes. Desse modo, cursar uma graduação era visto, para além de 
uma ascensão social, algo voltado mais para as pessoas de elite.
Para as pessoas de classe média e, principalmente, de classe baixa, a 
passagem pela universidade era mais desafiadora, pois na trajetória 
delas havia dilemas de permanência no curso (em virtude, muitas 
vezes, pelas dificuldades financeiras em se manter nos estudos, com 
necessidade de trabalho ou bolsa de estudos, bem como dificuldades 
de outra ordem, como a locomoção até a universidade e a compra de 
materiais). Somado a isso, ainda havia os problemas das desigualdades 
sociais que impactavam incisivamente no público preto, com deficiências 
e indígenas.
Dado isso, a universidade, aos poucos, percebeu que para intensificar 
a sua função social, não bastava buscar fazer a diferença na vida das 
pessoas de sua comunidade interna. Ela necessitava ampliar o escopo 
de suas ações para a comunidade externa e, deste modo, interagir com 
a sociedade, sendo mais receptiva e inclusiva. Ao pensar e agir desta 
maneira, a universidade permitia uma discussão generalizada com 
impacto na legislação.
A universidade que exerce funções sociais acaba por preencher lacunas 
onde Governo e outros órgãos públicos falham. Isso acontece em razão 
da própria dificuldade do Estado se fazer presente na sociedade, mas 
também pela falta de gestores capacitados em lidar com questões 
sociais de mais alta complexidade, bem como pela falta de recursos 
financeiros e materiais.
Porém, é importante ressaltar um aspecto muito importante sobre 
este papel da universidade junto à sociedade. Ela, por si, não tem 
25
a obrigação de realizar serviços da competência do Estado, mas 
exercer ação reparatória com o uso da ciência. Em outras palavras, a 
universidade deve contemplar à sociedade o esclarecimento e a busca 
de soluções científicas, logo, a sua ação deve ser de qualidade e não de 
assistencialidade, pois ela não resolve conflitos sociais.
Logo, na busca da superação destes conflitos de classes sociais, é 
possível afirmar que à função da sociedade impacta as ações de ensino, 
pesquisa, extensão, bem como à sua gestão. De acordo com Leff (2001, 
p. 202):
Embora as universidades e instituições de educação superior gozem 
de autonomia formal (liberdade de pesquisa e ensino), suas atividades 
acadêmicas são afetadas pelos valores dominantes da sociedade na qual 
estão inscritas.
Nesse sentido, podemos compreender que, em razão do conflito de 
classes salientar as desigualdades, compete à universidade, enquanto 
papel social, contribuir para examinar, interpretar e quiçá solucionar 
problemas pontuais dados pelos conflitos presentes na sociedade.
Com relação aos conflitos sociais, talvez, fosse utópico pensar que a 
vida privada e social não tivesse seus dilemas e desafios. Se eles não 
existissem não haveria desafios, pessoas poderiam pensar a mesma 
coisa e a tendência social seria a de monotonia. Por consequência, 
poder-se-ia questionar: estudar porquê? Ensinar para quem? Pesquisar 
o quê?
O significado maior destes conflitos à universidade é a promoção da 
ciência. Assim, neste espaço, dado por autonomia de Lei, é possível 
pensar e atuar na tríade: ensino, pesquisa e extensão, por meio de 
projetos. Em razão dessa tríade–ensino, pesquisa e extensão -, a 
universidade, por meio de seus docentes, pesquisadores ou grupos de 
pesquisa, identificam desafios sociais ou naturais, aprofundam estudos 
e buscam dar respostas à sociedade.
26
Nesse sentido, vale ressaltar que internamente à universidade também 
existem seus próprios desafios e dilemas. Logo, há dificuldades internas 
e dificuldades externas.
Neste contexto, por exemplo, há o financiamento para pesquisas. Nesse 
sentido, existe diferença na arrecadação de verbas entre universidades 
públicas e universidades particulares, e há projetos de estudo que 
podem ter mais prioridade em comparação a outros (na maior parte das 
vezes pelo valor que pode agregar ao investidor ou às universidades ou 
ao tipo de bolsa/incentivo à pesquisa). Outro exemplo é a infraestrutura 
de laboratórios de pesquisa e insumos; por vezes, há diferenças de 
estruturas dentro de uma própria universidade ou entre universidades 
distintas, bem como de campos de conhecimento. A condição de 
mobiliários, a arquitetura dos prédios também são aspectos impactantes 
ao trabalho acadêmico.
Na perspectiva externa, um exemplo se refere ao material humano, 
ou seja, o tipo de aluno que chega à universidade. Em alguns casos, 
eles chegam desmotivados a se aprofundar nos conteúdos para além 
daqueles constantes no currículo dos cursos que realizam. Para aqueles 
interessados, por vezes, há escassez de bolsas de pesquisas e outros 
auxílios.
Como apontado, apesar destas dificuldades, não significa que a 
universidade não faça nenhuma ação, pelo contrário, ela faz o bastante 
graças à mencionada tríade de ensino, pesquisa e extensão.
De acordo com Rays (2003, p. 71):
A apropriação do conceito de indissociabilidade, em relação aos termos 
ensino, pesquisa e extensão, é imprescindível para o planejamento, 
desenvolvimento e avaliação das atividades curriculares que pretendem 
tomar o conceito como princípio norteador das práticas cotidianas do 
ensino superior.
27
De acordo com o autor, a indissociabilidade entre ensino, pesquisa 
e extensão é base para articulação das atividades fins da educação 
superior (RAYS, 2003). Com isso, ensino, pesquisa e extensão se agregam 
e são incorporados pela universidade aos currículos dos cursos que 
oferece. Isso se percebe na estrutura curricular e em ações em que 
ocorra proximidade entre a teoria e a prática. Isso, na verdade, é o que 
apregoa a legislação nacional à exemplo da Constituição Federal (BRASIL, 
1988, art. 207):
Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, 
administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao 
princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.
§ 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas 
estrangeiros, na forma da lei.
§ 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e 
tecnológica.
E da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL 1996, art. 
1996):
Art. 53. No exercício de sua autonomia, são asseguradas às universidades, 
sem prejuízo de outras, as seguintes atribuições:
§ 1º (...)
III–estabelecer planos, programas e projetos de pesquisa científica, 
produção artística e atividades de extensão;
§ 2º (...)
V–programação das pesquisas e das atividades de extensão.
28
2. Ensino
Na tríade ensino, pesquisa e extensão, o primeiro deles certamente é 
o mais conhecido. O ensino é a forma que se transpõe didaticamente 
todos os elementos construídos pela ciência da Educação ou a 
Pedagogia. É pelo ensino que se pode desenhar as possibilidades 
para o desenvolvimento da aprendizagem. Desse modo, é importante 
destacar que pode ocorrer a aprendizagem dentro ou fora de contextos 
escolares, como: na família, no grupo de amigos, na igreja, na internet, 
etc. Entretanto, esta aprendizagem, às vezes, está mais relacionada 
à aquisição de informações desviadas do que direcionadas. Ou seja, 
é como se afirmássemos que pelo uso de uma rede social seria 
possível aprender conteúdos de política. É possível obter uma fonte de 
informação ampla na internet, todavia, para o aprendizado ocorrer e 
para o leitor compreender, é necessária aorganização da informação 
obtida.
Portanto, o ensino se realiza quando o tema a ser lecionado estiver 
previsto as regras básicas de organização de conteúdo, os processos 
didáticos direcionados à aprendizagem e as maneiras de avaliação, 
que leve como resultado o educando: refletir, perceber, construir e 
abstrair a realidade que o/a envolve. Isso vale desde à aquisição das 
primeiras letras e números para uma criança em idade de alfabetização, 
como para uma pessoa em qualquer faixa etária, até mesmo, em nível 
superior.
Rays (2003, p. 72) aponta que o termo ensino faz alusão à forma 
de “ensino sistematizado”. Para o autor: “necessitam-se selecionar 
procedimentos didáticos que promovam o aprendizado crítico de 
conteúdo, habilidades, hábitos e valores” (RAYS, 2003, p. 72).
Assim, é possível compreender que os procedimentos didáticos têm 
sentido de pensar nas formas de se chegar ao conhecimento pretendido 
29
para que o aluno possa ter a autocrítica pessoal e coletiva, ou seja, 
moldar os seus valores pessoais. Nesta ocasião, a universidade ou a 
instituição escolar investe na sua imagem, pois com base nela é que 
vai transmitir à sociedade os seus objetivos e sua missão enquanto 
instituição de ensino.
O ensino no Brasil possui uma legislação específica do que se espera 
que os alunos aprendam na escola. Em atenção à universidade, em 
nível macro da gestão, isso é pensado e efetivado num documento 
denominado Projeto Político Pedagógico (PPP), que demonstra o 
currículo do curso e as ementas de cada uma das disciplinas de um 
curso de graduação. Ao iniciar o trabalho em uma disciplina dentro de 
um curso, o professor nunca “parte do zero”, pois esse profissional da 
Educação tem como guia um corpus teórico de que deve estar apto e ter 
domínio para lecionar.
Ao ingressar numa universidade para atuar profissionalmente, o 
professor necessita estar atento ao que instituição onde for lecionar 
promove como missão, objetivo e valores.
Em função disso, talvez, seja pertinente ao docente ou ao candidato a 
uma vaga de docência na universidade ou outra instituição de ensino 
superior levar em consideração os valores da instituição pretendida. 
Logo, fazer esta observação em comparação aos próprios objetivos 
pessoais e profissionais podem direcionar para um trabalho de 
sucesso se os objetivos forem comuns, ou poderá criar situações 
desestimulantes, como: frustrações profissionais–em caso de 
discordância de regras, missão, objetivos e dos valores do local do 
trabalho.
Adicionalmente, além dos objetivos em comum, é importante ter 
outras habilidades em seu perfil professional, pois a sociedade atual 
apresenta muitas mudanças de postura e paradigma. Portanto, cabe ao 
docente além de estar sempre se qualificando, buscar contribuir para 
30
mudanças significativas enquanto ator, agente e propulsor de novas 
perspectivas sociais. Afinal, a sociedade espera muito a contribuição 
deste professional e da universidade.
3. Pesquisa
Quando se fala em pesquisa, o que vem à sua mente? Provavelmente 
a resposta teria uma das seguintes ilustrações: pessoas dentro de 
laboratório usando macacões ou jalecos específicos, um pesquisador 
usando tubos de ensaio, alguém olhando para as estrelas, um cientista 
com a cara de Einstein, etc.
Essas percepções, todavia, não devem estar marcadas por um estigma. 
A ideia de pesquisa é bem ampla, porém tem relação direta com a 
produção do conhecimento e a inovação da ciência. Para Rays (2003, p. 
73):
A pesquisa, tanto a básica quanto a aplicada, necessita, ao lado do ensino 
e da extensão, constituir-se como uma atividade progressivamente 
constante nos meios acadêmicos e nas atividades de difusão de 
conhecimentos e de intervenção em problemas efetivos da sociedade. 
Essas atividades, conforme o caso, são realizadas não só nos meios 
acadêmicos, mas também nos meios não acadêmicos. Assim, por 
exemplo, o contato interativo com problemas específicos da sociedade 
pode provocar nos pesquisadores a necessidade de transformarem os 
resultados de suas investigações em ações cognitivas e práticas (cognição-
prática-cognição) que possam auxiliar a comunidade a resolver os seus 
problemas. Esse contato interativo tem, ainda, despertado em muitos 
pesquisadores, inquietações que os auxiliam na definição de temas e 
problemas concretos de pesquisa.
Diante do exposto, observa-se que, na pesquisa, o olhar do pesquisador 
requer constante reflexão para com o objeto de análise ou situação-
31
problema. O objeto investigado deve possibilitar o conhecimento sobre 
ele, melhorando-o ou levando-o a um olhar pautado na inovação.
Assim, de acordo com Fonseca (2002), a pesquisa científica é o resultado 
de um inquérito ou exame minucioso, realizado com o objetivo de 
resolver um problema, recorrendo a procedimentos científicos. Assim, 
investiga-se uma pessoa ou grupo capacitado (sujeito da investigação), 
abordando um aspecto da realidade (objeto da investigação), no 
sentido de comprovar experimentalmente hipóteses (investigação 
experimental), ou para descrevê-la (investigação descritiva) ou para 
explorá-la (investigação exploratória).
No ensino superior, o primeiro passo que o interessado em pesquisa 
deve ter é o de buscar um professor pesquisador que possa orientar 
o trabalho e, com isso, elencar quais os devidos procedimentos de 
pesquisa. Na sequência, em parceria, ambos elaboram um projeto. 
Posteriormente, é necessária fundamentação teórica e, por fim, o 
método para checar uma hipótese ou teoria de estudo. No método, 
portanto, deve estar previsto se a proposta do projeto será pautada em 
análises quantitativa, qualitativa ou ambas.
Ao final da pesquisa, ao confrontar aquilo que coletou com a teoria 
estudada, o pesquisador dará a sua argumentação de pesquisador 
sobre o objeto estudado. Neste caso, vale ressaltar a parceria entre 
pesquisador e orientador. O fato da troca de experiências, além de um 
treino acadêmico, permite análise mais específica sobre os rumos da 
pesquisa e do projeto.
No Brasil, há a possibilidade de se realizar pesquisa com o auxílio 
financeiro na forma de bolsa de estudo ou bolsa de pesquisa. Algumas 
vezes, a própria universidade concede auxílios à pesquisa com verba 
própria. Todavia, o financiamento também pode ser chancelado por 
instituições públicas e privadas, sendo os produtos, na maior parte dos 
casos, patenteados e revendidos no mercado financeiro. No que tange 
32
às universidades, os órgãos mais próximos que podem patrocinar os 
estudos são conhecidos por agências de fomento.
Esses órgãos de fomento podem receber propostas de projetos de 
pesquisa naquilo que se denomina de propostas de fluxo contínuo, 
ou seja, recebendo propostas a qualquer período do ano ou, como na 
maioria dos casos, por meio de editais que possuem regulamentação 
própria com prazos e cronogramas.
4. As agências de fomento à pesquisa
As agências de fomento, de modo geral, são conhecidas por 
serem entidades financeiras sem caráter bancário, pois elas são 
regulamentadas pelo Banco Central do Brasil. No Brasil, algumas 
agências de fomento ligadas ao governo estão disponíveis na esfera 
federal, como: no Ministério da Educação ou ao Ministério da Ciência, 
Tecnologia, Inovações e Comunicações e aos Estados, por meio das 
Fundações de Amparo e Pesquisa (FAP’s). Como docente pesquisador 
ou discente, após a elaboração do projeto de pesquisa cientifica, vale 
conferir as informações disponíveis na internet, em sites específicos, 
para verificar a possibilidade de candidatura à bolsa de pesquisa. Para 
isso, serão apresentadas algumas das principais agências de fomento:
• CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do 
Ensino Superior): está ligada ao Ministério da Educação e atua, 
principalmente, na pós-graduação em projetos de mestrado e 
doutorado stricto sensu, para realização de estudos no Brasil ou no 
exterior. Ela financia, além de bolsas de estudo, auxílios diversos 
e apoios acadêmicos. Além disso, a Capes possui um repertóriorelevante de estudos e pesquisas em revistas acadêmicas e base 
de dados, sendo o seu banco de teses um repositório que traz 
todas as produções acadêmicas realizadas no país. Nos últimos 
anos, desde 2007, ela está atuando, em paralelo, no fomento à 
33
formação de professores da educação básica por meio de bolsas 
como o PARFOR (Plano Nacional de Formação de Professores 
da Educação Básica). Outro importante auxílio está sendo para 
estudantes em cursos de licenciaturas, que têm recebido apoio em 
programas como o Programa Residência Pedagógica e o Programa 
Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID). Por fim, a 
Capes também financia o projeto Universidade Aberta do Brasil 
(UAB), que é um programa do governo, no âmbito de ensino 
superior, voltado para a modalidade à distância. Vale a pena 
conferir o site da CAPES em: www.capes.gov.br. Acesso em: 6 jul. 
2020.
• CNPq: Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e 
Tecnológico está ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, 
Inovações e Comunicações. De maneira semelhante à CAPES, 
ele também auxilia e fomenta a pesquisa, dá auxilio e apoio às 
atividades de pesquisa e inovação. Todavia, não atua apenas 
no Ensino Superior, mas também na Educação Básica e às 
empresas, fomentando pesquisas no Brasil e no exterior. São as 
principais bolsas acadêmicas no Brasil: ICJ – Iniciação Cientifica 
Junior (Ensino Médio) e IC – Iniciação Científica (graduação). 
Para a pós-graduação: Mestrado GM, Doutorado GD, Doutorado 
Sanduíche no País (SWP). São as principais bolsas acadêmicas 
no exterior: Graduação Sanduíche (SWG); para a pós-graduação 
(Doutorado Pleno GDE, Doutorado Sanduíche no País – SWE, 
Mestrado Profissional no Exterior–MPE). Por fim, são as bolsas 
voltadas apenas para pesquisa: Pós-Doutorado (PDE), Estágio 
Sênior (ESN), Treinamento no Exterior (SPE). Para as empresas, 
no âmbito do ensino médio e graduação, as bolsas são: Iniciação 
Tecnológica e Industrial (ITI), Iniciação Tecnológica em TIC’s (IT). 
Para a Pós-graduação: doutorado sanduíche (SWI) e, por último, 
como pesquisa às empresas: Pós-Doutorado Empresarial (PDI), 
Desenvolvimento Tecnológico e Industrial (DTI), Especialista 
Visitante (EV), Apoio à Difusão do Conhecimento (ADC), Iniciação ao 
Extensionismo (IEX), Fixação e Capacitação de Recursos Humanos 
http://www.capes.gov.br
34
(SET), Apoio Técnico em Extensão no País (ATP), Extensão no País 
(EXP), Estágio/Treinamento no Exterior (BSP), Bolsa a Especialista 
Visitante (BEV), Estágio/Treinamento no País (BEP) e, por último, 
Desenvolvimento Tecnológico em TICs (DTC). Cada uma destas 
bolsas e programas tem uma regra específica, portanto, vale 
consultar mais informações pelo site, disponível em: http://www.
cnpq.br/. Acesso em: 6 jul. 2020.
• FINEP: Financiadora de Estudos e Projetos, ela está ligada ao 
Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e 
chancela projetos de grande porte, promove a organização de 
eventos e projetos de pesquisa que visem o desenvolvimento 
social e econômico do país. Confira editais e chamadas públicas 
em: http://www.finep.gov.br. Acesso em: 6 jul. 2020.
• SEBRAE: trata-se de uma entidade privada e de interesse público, 
que contempla a abertura e expansão dos pequenos negócios, por 
meio do empreendedorismo. Esta entidade subsidia os custos 
de serviços tecnológicos prestados por empresas especializadas 
em tecnologia e inovação, as quais irão buscar soluções para 
otimizar os resultados da gestão, aperfeiçoar processos ou 
produtos da pequena empresa, tornando-a mais competitiva e 
melhor preparada para o mercado. Confira mais sobre o SEBRAE, 
acessando: www.sebrae.com.br. Acesso em: 6 jul. 2020.
• INCT: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia é um órgão 
ligado ao CNPq e voltado à ciência brasileira, com programas 
para formação de redes de pesquisa, parcerias institucionais, 
abordagem de temas nacionais de modo multidisciplinar, 
formação e capacitação de recursos humanos e investimentos de 
longo prazo. Ele financia projetos de pesquisa e fornece bolsas de 
iniciação cientifica, mestrado, doutorado e pós-doutorado. Saiba 
mais acessando: http://inct.cnpq.br/. Acesso em: 6 jul. 2020.
• FAP’s: Fundações de Amparo à Pesquisa são agências pertencentes 
aos Estados. Cada uma delas possui sua agência própria com 
http://www.cnpq.br/
http://www.cnpq.br/
http://www.finep.gov.br
http://inct.cnpq.br/
35
regras particulares. Em geral, ela financia a iniciação cientifica, dá 
apoio técnico, bolsa de recém-mestre, bolsas de pós-graduação 
– mestrado e doutorado strictu sensu. Algumas agências famosas 
são: FAPESP, FAPERJ, FAPBAHIA, FAPMG, FUNCAP, etc. É possível 
obter mais informações sobre elas por meio do site: http://www.
confap.org.br/. Acesso em: 6 jul. 2020.
Nesse sentido, vale ressaltar que cada agência de fomento tem regras 
específicas para concessão de bolsas de pesquisa, auxílios e outros tipos 
de apoio e, em geral, todas elas cobram relatórios parciais, relatórios 
finais e, até mesmo, prestação de contas do dinheiro investido na 
pesquisa. Um fato adicional aos projetos de pesquisa que pode incidir na 
obtenção da bolsa é a passagem por um Comitê de Ética em Pesquisa, 
ligado ao Conselho Nacional de Saúde (CONEP) no Ministério da Saúde. 
O professor orientador ou o docente do ensino superior deve estar bem 
informado das regras deste órgão para propor pesquisas e estudos.
5. Extensão
Bem parecida ao modo que é feita a pesquisa, a extensão tem suas 
similaridades. A diferença, por sua vez, é que a pesquisa se concentra 
mais em refletir teoricamente um aspecto da sociedade, enquanto a 
extensão se apropria de conteúdos teóricos não tão complexos para 
levar conhecimento e ação à sociedade. Desse modo, é importante 
destacar que pesquisa e extensão são inerentes a qualquer matriz 
curricular de um curso no Ensino Superior. Para Rays (2003, p. 74):
• Deve se entender extensão como o momento de ensino-
aprendizagem de acadêmicos com a sociedade, pois é o momento 
em estes entram em contato com a sociedade e discutem os 
problemas da mesma e buscam soluções em comum.
http://www.confap.org.br/
http://www.confap.org.br/
36
Para que se possa aplicar a extensão acadêmica à sociedade, também é 
importante a elaboração de um projeto, apesar dele não ser obrigatório, 
como na pesquisa. Por não ser obrigatório, ele não é desnecessário, 
pois ele pode nortear as ações pretendidas. Desse modo, é importante 
destacar também que não é necessário buscar apoio em agência de 
fomento ou com outros patrocinadores para realizar a extensão. Por 
vezes, fazer o simples, como levar o conteúdo de determinado assunto 
estudado em sala de aula para uma comunidade já é o bastante.
No trabalho da extensão com a sociedade é importante que a ação não 
seja estritamente assistencialista, ou seja, dar algo às pessoas sem que 
possam refletir a sua experiência e quiçá mudar um comportamento 
ou uma atitude negativa para qualificá-la como positiva. Por exemplo, 
considere um curso de Odontologia, com carga horária e currículo para 
formação dentro de cinco anos. Em um determinado semestre, como o 
terceiro, o estudante cursa apenas aulas teóricas e, esporadicamente, 
realiza pesquisas para responder os exercícios. O referido discente ainda 
não iniciou os estágios de formação na área. Então, questiona-se: se até 
o momento ele apenas estuda questões teóricas, em qual momento ele 
poderia tatear a realidade e compreender mais a sua futura profissão 
para além de estágios em clínicas? Algumas respostas seriam possíveis, 
uma delas como a didática ou o tipo de ensino, o docente que pode 
envolver na sua prática pedagógica a teoria. O limite disso é que nem 
sempre todas as aulas serão assim e, além do mais, um estudante 
inicial em odontologia tem contato restrito com a população. Neste 
caso, um projeto de extensão pode permitir que ele faça observações 
e compreenda a realidade social com mais detalhes, ainda mais se 
envolver a experiência entre alunos devários semestres.
Numa situação de projeto de conscientização da escovação bocal em 
escolas com crianças de seis a dez anos, por exemplo, o estudante de 
odontologia certamente poderia refletir sobre seu curso e seus objetivos 
profissionais. Somado a isso, essa extensão teria caráter educativo, pois 
as crianças nesta faixa etária talvez deveriam ser esclarecidas sobre 
37
a importância da escovação. Isso poderia ser útil para elas, para suas 
famílias, bem como pela escola. Esse fato configura a função social 
da universidade. O contrário, ou seja, o assistencialismo seria se esse 
discente fosse à escola entregar kits de escovação às crianças e não 
fazer nenhuma intervenção. Assim, não há nenhuma transformação 
social, logo, não se tem extensão.
Para finalizar, neste tema, verificamos a importância social da 
universidade junto à sociedade. Para isso, a tríade ensino, pesquisa e 
extensão promove a possibilidade de uma formação em nível superior 
com mais capacidade de análise crítica e reflexiva. Além disso, vimos a 
importância dos projetos de pesquisa e a possibilidade do fomento de 
várias agências para a promoção da pesquisa e a inovação da ciência. 
Este escopo se insere na política e gestão educacional, uma vez que, 
dentro da lei, o ensino superior está suportado por todos este apoio 
técnico dos órgãos de governo.
Referências Bibliográficas
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. 
Brasília, DF: Senado Federal, 1988. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm. 
Acesso em: 18 abr. 2020.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases 
da Educação Nacional. Brasília, DF: Presidência da República, [1996]. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 18 abr. 2020.
FONSECA, J. J. S. Metodologia da pesquisa científica. Fortaleza: UEC, 2002.
LEFF, E. Saber ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder. 
Petrópolis: Vozes, 2001.
RAYS, O. A. Ensino-Pesquisa-Extensão: notas para pensar a indissociabilidade. 
Revista Educação Especial, Santa Maria, p. 71-85, mar. 2012. Disponível em: 
https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/5034. Acesso em: 24 abr. 
2020
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm
https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/5034
38
A Legislação Nacional Para 
a Educação Superior
Autoria: Carlos Eduardo Candido Pereira
Leitura crítica: Aline Oliveira Gomes da Silva
Objetivos
• Conhecer a atual estrutura de organização 
acadêmica da Educação Superior no Brasil. 
• Verificar a atual legislação que trata as funções de 
regulação,supervisão e avaliação das instituições de 
Educação Superior. 
• Interpretar o Decreto nº 9.235 de 2017 referente à 
Educação Superior.
 
39
1. A organização acadêmica da Educação 
Superior no Brasil
Dentro de um Estado de Direito constituído o predomínio do aspecto 
jurídico, com as leis, acaba por estruturar e organizar toda a hierarquia 
das estruturas sociais e o sistema político de uma nação. Assim, todas as 
instituições seguem as regras de acordo com sua finalidade. 
Com isso, a organização acadêmica e universitária existente no passado 
ainda é, culturalmente, bastante conhecida no presente. No passado, a 
mencionada organização da Educação Superior se dava em três níveis: 
1. Instituições Universitárias, compostas por Universidades e 
Universidades Especializadas.
2. Centros Universitários.
3. Instituições Não Universitárias, onde se agregavam os Institutos 
Superiores de Educação, os CEFET’s e CET’S, as Faculdades Isoladas 
e as Faculdades Integradas. 
Esses níveis ainda são presentes na cultura popular, pois uma instituição 
de ensino superior antes conhecida como “Faculdade Isolada” ou 
“Faculdade Integrada” ainda é conhecida com tal nomenclatura. O fato 
é que tais instituições passaram por mudanças e, em alguns casos, para 
continuar atendendo ao público, precisaram se readequar à Lei. No caso 
das Universidades Especializadas, Faculdades Integradas ou Isoladas, 
elas já nem existem mais dentro da Lei, os CET’s e CEFET’s foram 
elevados ao nível do Ensino Superior pela esfera federal. Isso ocorreu 
em virtude de uma nova forma de organização acadêmica que se 
ordenou ao Brasil, em vista da promulgação do Decreto nº 9.235 (BRASIL, 
2017), que traz no seu art. 15:
Art. 15. As IES, de acordo com sua organização e suas prerrogativas 
acadêmicas, serão credenciadas para oferta de cursos superiores de 
graduação como:
40
I - faculdades;
II - centros universitários; e
III – universidades. (BRASIL, 2017, art. 15)
Desse modo, esse artigo ainda aponta a ideia dos credenciamentos 
institucionais. Toda instituição de origem particular ou privada inicia as 
suas funções como faculdades. Para essa mesma instituição pleitear 
o status de instituições maiores, na ordem: a) centros universitários e; 
b) universidades – ela deve solicitar recredenciamento, obedecendo o 
quantitativo previsto na lei para porcentagem de mestres e doutores 
contratados, bem como a oferta de cursos de graduação e pós-
graduação, atividades de ensino e extensão e outras ações.
O Decreto nº 9.235, de 2017, portanto, será objeto de estudo mais 
detalhado a partir do próximo capítulo.
2. A regulação, a supervisão e a avaliação das 
instituições de Educação Superior: Decreto 
 nº 9.235, de 2017
Neste item, analisaremos o Decreto nº 9.235, de 2017, essa orientação 
legal trata as maneiras de regulação, supervisão e avaliação da Educação 
Superior. Nesse sentido, é importante realçar que este decreto amplia o 
que está disponível acerca da Educação Superior em outras legislações, 
como a Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988) e a Lei de Diretrizes 
e Bases da Educação Nacional (BRASIL, 1996). 
O Decreto nº 9.235, de 2017, está ordenado em cinco capítulos e conta 
com 108 artigos no total. Alguns capítulos, respectivamente o II, III e IV, 
trazem seções específicas dos assuntos seguintes assuntos: regulação, 
41
supervisão e avaliação. De modo resumido, apresenta-se a seguir a 
estrutura do referido decreto:
Capítulo I - Da Educação Superior no Sistema Federal de Ensino - (art. 1º 
ao 13)
Capítulo II - Da regulação
• Seção I - Dos atos autorizativos (art. 9º ao 14).
• Seção II - Das organizações acadêmicas (art. 15 ao 17).
• Seção III - Do credenciamento institucional (art. 18 ao 24).
• Seção IV - Do recredenciamento institucional (art. 25 ao 28).
• Seção V - Da oferta de pós-graduação (art. 29 ao 30).
• Seção IV - Do campus fora de sede (art. 31 ao 34).
• Seção VII - Da transferência de mantença (art. 35 ao 38).
• Seção VIII - Da autorização de cursos (art. 39 ao 44).
• Seção IX - Do reconhecimento e da renovação de reconhecimento 
de cursos (art. 45 ao 52).
• Seção X - Do protocolo de compromisso (art. 53 ao 56).
• Seção XI - Do encerramento da oferta de cursos e 
descredenciamento de instituições (art. 57 ao 58).
• Seção XII - Da validade dos atos (art. 59 ao 61).
Capítulo III - Da supervisão
42
• Seção I - Das fases do processo administrativo de supervisão (art. 
62 ao 64).
• Seção II - Do procedimento preparatório (art. 65 ao 68).
• Seção III - Do procedimento saneador (art. 69 ao 70).
• Seção IV - Do procedimento sancionador (art. 71 ao 75).
• Seção V - Da oferta sem ato autorizativo (art. 76 ao 78).
Capítulo IV - Da avaliação
• Seção I - Da avaliação das instituições de educação superior e dos 
cursos superiores de graduação e pós-graduação (art. 79 ao 85).
• Seção II - Da avaliação do desempenho acadêmico dos estudantes 
de cursos de graduação por meio do Enade (art. 86 ao 89).
Capítulo V – Disposições Finais – Artigo 90 ao 108
Pela estrutura apresentada, pode-se notar que a Lei é bem específica 
para tratar de alguns aspectos inerentes ao funcionamento da Educação 
Superior. O título de cada um dos capítulos proporcionaboa margem 
interpretativa. Por ser uma legislação extensa, há a apresentação de 
alguns pontos relevantes com comentários. Todavia, fica a indicação da 
leitura da lei na íntegra com base na bibliografia.
O primeiro artigo do decreto indica que serão abordadas as funções de 
regulação, supervisão e avaliação das instituições de educação superior 
(IES) e dos cursos superiores de graduação e de pós-graduação lato 
sensu nas modalidades presencial e a distância no Brasil. 
No que tange à regulação, ou seja, a forma da Lei que aponta como 
pode funcionar uma IES é indicado que deve ser realizada por meio 
de atos autorizativos de funcionamento. O art. 10 subsidia tais 
43
informações, tratando sobre: a) Ato Autorizativo de Credenciamento 
e Recredenciamento da IES; b) Ato Autorizativo de Reconhecimento 
ou Renovação dos Cursos Superiores. Em resumo, um dos atos é para 
permitir a autorização do funcionamento da IES e o outro para autorizar 
a oferta de cursos de graduação e pós-graduação.
Sobre a supervisão, a Lei determina que a finalidade é acompanhar 
a IES por meio de ações preventivas ou corretivas, com perspectivas 
de averiguar se está se cumprindo as normas gerais da Educação 
Superior, bem como a regularidade e a qualidade da oferta dos cursos 
de graduação e de pós-graduação lato sensu oferecidos. A supervisão 
é realizada por um órgão de governo na esfera federal, estadual ou 
municipal, ou, até mesmo, na parceria entre um ou mais deles.
Os processos de avaliação são apontados como tendo a principal 
ferramenta o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior, 
o SINAES. Nesse sentido, a lei aponta que esta avaliação tem caráter 
formativo e que se constitui como referencial básico para os processos 
de regulação e de supervisão da educação superior, com a finalidade de 
promover a melhoria da qualidade dos cursos nas instituições.
Ainda sobre o capítulo inicial deste decreto, é possível perceber que 
para além das ações de regulação, supervisão e avaliação, ele apresenta 
alguns atores adicionais que atuarão junto às Instituições de Ensino 
Superior. O art. 3, por sua vez, pontua alguns desses atores: 
Art. 3º As competências para as funções de regulação, supervisão e 
avaliação no sistema federal de ensino serão exercidas pelo Ministério 
da Educação, pelo Conselho Nacional de Educação - CNE, pelo Instituto 
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - Inep e pela 
Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior - Conaes, conforme 
estabelecido neste Decreto. (BRASIL, 2017, art. 3º)
Em vista disso, fazendo apresentação de cada um destes atores, com 
relação ao ministério da Educação, na figura do Ministro de Estado:
44
Art. 4º Ao Ministro de Estado da Educação compete:
I - homologar pareceres do CNE em pedidos de credenciamento, 
recredenciamento e descredenciamento de IES;
II - homologar pareceres e propostas de atos normativos aprovados pelo 
CNE;
III - aprovar os instrumentos de avaliação elaborados pelo Inep;
IV - homologar as deliberações da Conaes; e
V - expedir normas e instruções para a execução de leis, decretos e 
regulamentos.
§ 1º O Ministro de Estado da Educação poderá, motivadamente, restituir os 
processos de competência do CNE para reexame. 
§ 2º Os atos homologatórios do Ministro de Estado da Educação são 
irrecorríveis na esfera administrativa. (BRASIL, 2017, art. 4º)
Como apontado, o papel do Ministro da Educação para com a Educação 
Superior acontece mediante as ferramentas oferecidas por outros 
órgãos da educação, como o CNE (Conselho Nacional de Educação) e o 
CONAES (Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior). Além 
disso, é papel do Ministro estar na linha de frente à análise e o despacho 
administrativo das funções de regulação e supervisão da educação 
superior. Numa escala hierárquica, a palavra final é sempre deste ator.
Com relação ao CNE (Conselho Nacional de Educação):
Art. 6º Compete ao CNE:
I - exercer atribuições normativas, deliberativas e de assessoramento 
ao Ministro de Estado da Educação nos temas afetos à regulação e à 
supervisão da educação superior, inclusive nos casos omissos e nas 
dúvidas surgidas na aplicação das disposições deste Decreto;
45
II - deliberar, por meio da Câmara de Educação Superior, sobre pedidos 
de credenciamento, recredenciamento e descredenciamento de IES e 
autorização de oferta de cursos vinculadas a credenciamentos;
III - propor diretrizes e deliberar sobre a elaboração dos instrumentos 
de avaliação para credenciamento e recredenciamento de instituições a 
serem elaborados pelo Inep;
IV - recomendar, por meio da Câmara de Educação Superior, providências 
da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior do 
Ministério da Educação, quando não satisfeito o padrão de qualidade 
para credenciamento e recredenciamento de universidades, centros 
universitários e faculdades;
V - deliberar, por meio da Câmara de Educação Superior, sobre a inclusão e 
a exclusão de denominação de curso 
do catálogo de cursos superiores de tecnologia;
VI - julgar, por meio da Câmara de Educação Superior, recursos a ele 
dirigidos nas hipóteses previstas neste Decreto; e
VII - analisar e propor ao Ministério da Educação questões relativas à 
aplicação da legislação da educação superior. (BRASIL, 2017, art. 6º)
Como podemos observar, o CNE, em muitos casos, tem competência 
deliberação, recomendação, análise e proposição de diretrizes para 
deliberações. Além disso, ele é o órgão que assessora o Ministro da 
Educação e dá o aval ao credenciamento e recredenciamento de cursos 
quando às IES fazem solicitação de abertura ou recredenciamento 
à Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior no 
Ministério da Educação. 
Portanto, compete ao INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas 
Anísio Teixeira):
Art. 7º Compete ao Inep:
46
I - conceber, planejar, coordenar e operacionalizar:
a) as ações destinadas à avaliação de IES, de cursos de graduação e de 
escolas de governo; e
b) o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes - Enade, os exames e 
as avaliações de estudantes de 
 cursos de graduação;
II - conceber, planejar, coordenar, operacionalizar e avaliar: 
a) os indicadores referentes à educação superior decorrentes de exames e 
insumos provenientes de bases de dados oficiais, em consonância com a 
legislação vigente; e 
b) a constituição e a manutenção de bancos de avaliadores e 
colaboradores especializados, incluída a designação das comissões de 
avaliação;
III - elaborar e submeter à aprovação do Ministro de Estado da Educação 
os instrumentos de avaliação externa in loco, em consonância com 
as diretrizes propostas pela Secretaria de Regulação e Supervisão da 
Educação Superior e pelos outros órgãos competentes do Ministério da 
Educação;
IV - conceber, planejar, avaliar e atualizar os indicadores dos instrumentos 
de avaliação externa in loco, em consonância com as diretrizes propostas 
pela Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior do 
Ministério da Educação; 
V - presidir a Comissão Técnica de Acompanhamento da Avaliação - CTAA, 
nos termos do art. 85; e
VI - planejar, coordenar, operacionalizar e avaliar as ações necessárias à 
consecução de suas finalidades. (BRASIL, 2017, art. 7º)
O INEP é o órgão que atua mais próximo das instituições de ensino 
superior quanto ao planejamento, coordenação, operacionalização 
47
e instrumentalização das avaliações, sendo o ENADE o seu exemplo 
de mais conhecimento popular. Em vista disso, também é de sua 
competência a elaboração de relatórios e indicadores do Educação 
Superior pública e particular no país. 
Com relação ao CONAES (Comissão Nacional de Avaliação da Educação 
Superior):
Art. 8º Compete à Conaes:
I - propor e avaliar as dinâmicas, os procedimentos e os mecanismos de 
avaliação institucional, de cursos e de desempenho dos estudantes; 
II - estabelecer diretrizes para organização das comissões de avaliação, 
analisar relatórios, elaborar pareceres eencaminhar recomendações às 
instâncias competentes; 
III - formular propostas para o desenvolvimento das IES, com base nas 
análises e recomendações produzidas nos processos de avaliação;
IV - articular-se com os sistemas estaduais de ensino, com vistas ao 
estabelecimento de ações e critérios comuns de avaliação e supervisão da 
educação superior; e 
V - submeter anualmente à aprovação do Ministro de Estado da Educação 
a relação dos cursos cujos estudantes realizarão o Enade. (BRASIL, 2017, 
art. 8º)
Pelo excerto, podemos verificar o papel do Conaes na operacionalização 
técnica dos procedimentos de avaliação e supervisão, bem como, 
suporte aos estados para tal finalidade. Os relatórios apontam o cenário 
dos cursos da Educação Superior e quais serão os cursos a serem 
avaliados no ENADE.
48
O segundo capítulo do Decreto nº 3.295 de 2017 trata a regulação da 
Educação Superior. Esse é um capítulo com muitas seções específicas, 
sendo um destaque inicial o credenciamento das IES: 
Art. 18. O início do funcionamento de uma IES privada será condicionado à 
edição prévia de ato de credenciamento pelo Ministério da Educação 
(…)
Art. 19. A mantenedora protocolará pedido de credenciamento junto à 
Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior do Ministério 
da Educação, observado o calendário definido pelo Ministério da Educação.
(…)
Art. 20. O pedido de credenciamento será instruído com os seguintes 
documentos:
(…)
II - da IES:
a) comprovante de recolhimento das taxas de avaliação externa 
b) plano de desenvolvimento institucional - PDI;
c) regimento interno ou estatuto;
d) identificação dos integrantes do corpo dirigente e de informação sobre a 
experiência acadêmica e professional de cada um
e) comprovante de disponibilidade e regularidade do imóvel;
f) plano de garantia de acessibilidade, em conformidade com a legislação, 
acompanhado de laudo técnico emitido por profissional ou órgão público 
competentes; e 
49
g) atendimento às exigências legais de segurança predial, inclusive plano 
de fuga em caso de incêndio, atestado por meio de laudo específico 
emitido por órgão público competente. (BRASIL, 2017, art. 18-20)
Como podemos notar, o credenciamento de uma IES depende da 
mantenedora custear taxas e demonstrar espaço físico à oferta 
do atendimento educacional, valorizando as exigências legais de 
segurança predial e acessibilidade. Os documentos que comprovem 
a organização interna, como regimentos e, principalmente, o PDI 
(Plano de Desenvolvimento Institucional) é essencial no processo de 
credenciamento. Assim, não foi apontado nos artigos apresentados, 
mas é importante mencionar que o processo de recredenciamento das 
IES segue determinações semelhantes. Tanto para credenciamento 
como recredenciamento, as IES devem contatar a Secretaria de 
Regulação e Supervisão da Educação Superior do Ministério da 
Educação.
No que se refere à autorização para funcionamento dos cursos:
Art. 39. A oferta de cursos de graduação em faculdades, nos termos deste 
Decreto, depende de autorização prévia do Ministério da Educação.
(…)
Art. 41. A oferta de cursos de graduação em Direito, Medicina, Odontologia, 
Psicologia e Enfermagem, inclusive em universidades e centros 
universitários, depende de autorização do Ministério da Educação, após 
prévia manifestação do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do 
Brasil e do Conselho Nacional de Saúde.
(...)
Art. 42. O processo de autorização será instruído com análise documental, 
avaliação externa in loco realizada pelo Inep e decisão da Secretaria de 
Regulação e Supervisão da Educação Superior do Ministério da Educação.
50
(…)
Art. 43. O pedido de autorização de curso será instruído com os seguintes 
documentos: 
I - comprovante de recolhimento da taxa de avaliação externa in loco, 
realizada pelo Inep;
II - projeto pedagógico do curso, que informará o número de vagas, 
os turnos, a carga horária, o programa do curso, as metodologias, 
as tecnologias e os materiais didáticos, os recursos tecnológicos e os 
demais elementos acadêmicos pertinentes, incluídas a consonância da 
infraestrutura física, tecnológica e de pessoal dos polos de educação a 
distância do curso, quando for o caso.
III - relação de docentes e de tutores, quando for o caso, acompanhada 
de termo de compromisso firmado com a instituição, que informará a 
titulação, a carga horária e o regime de trabalho; 
IV - comprovante de disponibilidade do imóvel. 
Art. 44. A Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior 
do Ministério da Educação procederá à análise dos documentos, sob os 
aspectos da regularidade formal e do mérito do pedido, e ao final poderá:
I - deferir o pedido de autorização de curso;
II - deferir o pedido de autorização de curso com redução de vagas;
III - deferir o pedido de autorização de curso, em caráter experimental; 
IV - indeferir o pedido de autorização de curso. (BRASIL, 2017)
Nesse sentido, os cursos podem ter autorização de funcionamento antes 
mesmo de estarem registrados. Por vezes, o tempo para o registro do 
curso pelo Ministério da Educação e o tempo de conclusão do curso 
pela IES acaba coincidindo. De maneira diferente ao credenciamento da 
IES, que dentre a documentação se prevê a construção do PDI (Plano de 
51
Desenvolvimento Institucional), para cursos de graduação, para além 
de outras documentações, deve ser apresentado o PPP (Projeto Político 
Pedagógico) do curso. 
As etapas finais para regulação da IES e dos cursos das IES é o próprio 
reconhecimento do Ministérios da Educação e a assinatura do termo 
de compromisso com renovações esporádicas, em vista do processo de 
recredenciamento.
Adentrando aos principais aspectos do Capítulo III do Decreto nº 9.235 
de 2017, apresenta-se temas referentes ao processo de Supervisão nas 
IES. Em linhas gerais, quando a IES passa pelo processo de supervisão, 
pode acarretar na identificação de irregularidades, como: avaliação 
insatisfatória nos processos de avaliação, visitas in loco dos agentes do 
governo ou, até mesmo, por meio de denúncias, como nos casos das IES 
atuarem sem autorização.
Nesse sentido, o art. 62 aponta quais são os procedimentos 
administrativos de supervisão possam sofrer no caso de necessidade de 
melhorias:
Art. 62. O processo administrativo de supervisão instaurado para apuração 
de deficiências ou irregularidades poderá ser constituído das seguintes 
fases:
I - procedimento preparatório;
II - procedimento saneador; e
II - procedimento sancionador. (BRASIL, 2017, art. 62)
O primeiro procedimento preparatório dado pelo ministro da 
educação e instaurado pela Secretaria de Regulação e Supervisão 
do MEC aponta que a IES precisa readequar-se para um ou mais 
pontos. Logo, ele é preparatório porque indicar a instauração de um 
52
procedimento saneador, sancionador ou arquivamento de processo. 
O procedimento saneador é aplicado nos casos de identificação de 
deficiências ou de irregularidades passíveis 
de saneamento, determinar providências saneadoras, em prazo não 
superior a doze meses. O procedimento sancionador ocorrerá a 
partir do procedimento preparatório, ou, então, nos casos em que não 
se tendo cumprido as providências determinadas para o saneamento 
das deficiências pela instituição e das demais situações previstas na 
legislação educacional.
Ao final de um período apontado para readequações e melhorias, a IES 
pode sofrer várias punições, como: suspensão de auxílios do governo, 
abertura de cursos, vagas e, no caso mais grave, o descredenciamento 
institucional.
O quarto capítulo do Decreto nº 9.235, de 2017, aborda o processo 
de avaliação por meio de dois contextos. O primeiro deles é sobre a 
avaliação das instituições de educação superior e dos cursos superiores 
de graduação e pós-graduação que tem como principal ferramenta o 
Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes).
Art. 80. O Sinaes, a fim de cumprir seus objetivos e atender a suas 
finalidades constitucionaise legais, compreende os seguintes processos de 
avaliação:
I - avaliação interna das IES;
II - avaliação externa in loco das IES, realizada pelo Inep;
III - avaliação dos cursos de graduação; e
IV - avaliação do desempenho acadêmico dos estudantes de cursos de 
graduação por meio do Enade. (BRASIL, 2017, art. 80)
Como podemos observar, a avaliação interna demanda à IES estruturar 
formas de se auto pesquisar para saber qual tem sido a qualidade de 
53
seu atendimento. A avaliação in loco é realizada pelas esferas de governo 
que, aos moldes do que foi pontuado na supervisão, podem estabelecer 
procedimento administrativos. A avaliação dos cursos é dada por 
uma série de questões, como condições de acesso e permanência do 
estudante na IES, projeto político pedagógico, acervo de biblioteca.
O segundo ponto é sobre a avaliação do desempenho acadêmico dos 
estudantes de cursos de graduação por meio do Enade.
 Art. 86. Os exames e as avaliações de estudantes de cursos de graduação 
aferem os desempenhos em relação às habilidades e às competências 
desenvolvidas ao longo de sua formação na graduação.
Art. 87. O Enade será aplicado a estudantes de cada curso a ser avaliado de 
acordo com ciclo avaliativo a ser definido pelo Ministério da Educação. 
Art. 88. Os instrumentos de avaliação do Enade serão compostos a partir 
de itens do Banco Nacional de Itens da Educação Superior - BNI-ES a ser 
mantido pelo Inep.
Art. 89. Os indicadores da educação superior serão calculados a partir das 
bases de dados do Inep e de outras 
bases oficiais que possam ser agregadas para subsidiar as políticas 
públicas de educação superior. (BRASIL, 2017, art. 86-89)
Portanto, o ENADE avaliará o desempenho dos estudantes da graduação 
dentro daquilo que o MEC e o INEP apontam como Banco Nacional 
de Itens da Educação Superior, que é um documento que considera o 
que é conhecimento básico para determinado curso de graduação. Os 
resultados de desempenho permitem ao MEC atribuir nota ou conceito 
ao curso de graduação e à IES, sendo uma escala de 0 a 5.
Como estudamos nesta unidade, por meio do Decreto nº 9.235, de 2017, 
permitiu conhecer as principais regras que contemplam as Instituições 
de Ensino Superior. Desse modo, esse estudo da lei permite conhecer 
54
quais são as principais disposições governamentais para atividades fins 
da Educação Superior.
Referências Bibliográficas 
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. 
Brasília, DF: Senado Federal, 1988. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm. 
Acesso em: 18 abr. 2020.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases 
da Educação Nacional. Brasília, DF: Presidência da República, [1996]. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 18 abr. 2020.
BRASIL. Decreto nº 9.235, de 17 de dezembro de 2017. Dispõe sobre o exercício 
das funções de regulação, supervisão e avaliação das instituições de educação 
superior e dos cursos superiores de graduação e de pós-graduação no sistema 
federal de ensino. Brasília, DF: Presidência da República, [2017]. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/decreto/D9235.htm. 
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/decreto/D9235.htm
55
Ações Afirmativas, Políticas e 
Legislação de Inclusão
Autoria: Carlos Eduardo Candido Pereira
Leitura crítica: Aline Oliveira Gomes da Silva
Objetivos
• Verificar as ações afirmativas enquanto 
contribuições e encaminhamentos de políticas 
educacionais e de inclusão. 
• Conhecer as Políticas Inclusivas Gerais da Educação 
Superior. 
• Analisar as Políticas Inclusivas Específicas da 
Educação Superior. 
56
1. Ações afirmativas: contribuições e 
encaminhamentos
Nas últimas décadas, o mundo tem passado por um processo múltiplo 
de políticas ideológicas com a reivindicação de proteção, direitos e 
legislações específicas para o reconhecimento da liberdade dos mais 
variados grupos sociais, etnias e raças.
No reconhecimento destas peculiaridades, grande parte dos governos 
mundiais, como o Brasil, reconhecem essa multiplicidade social. Desde a 
década de 1990, várias leis foram implementadas para que as chamadas 
minorias pudessem ter reconhecimento de suas peculiaridades sociais.
Todavia, mesmo na atualidade, essas legislações, apesar de reconhecer 
as minorias no campo político, no campo cultural estão presentes o 
olhar do preconceito, do estigma, do ódio, da exclusão, da posse e 
da discriminação. Este é o caso das pessoas com deficiências, negros, 
indígenas, imigrantes, mulheres, idosos, homossexuais, moradores da 
favela e, até mesmo, moradores de rua.
Apesar das reais dificuldades apontadas na atualidade, é importante 
reconhecer no âmbito político e legal os avanços obtidos aos mais 
variados grupos. Com isso, mencionamos os acontecimentos 
históricos, como o período pós-guerras no século XX e a promulgação 
da Declaração Universal dos Direitos Humanos pela Organização das 
Nações Unidas (ONU), em 1948. Por sua vez, isso propiciou ampliar 
os debates ideológicos por igualdade que resultaram em políticas e 
legislações ligadas às ações afirmativas.
De acordo com Santos (2005), as ações afirmativas são medidas tomadas 
ou determinadas pelo Estado, espontânea ou compulsoriamente, na 
forma de lei, com o objetivo de eliminar desigualdades historicamente 
acumuladas. Assim, se garante a igualdade de oportunidades e 
57
tratamento, bem como a compensação dos prejuízos incitados por 
ações de discriminação e marginalização racial, étnica, religiosa, de 
gênero, entre outros.
Somada a esta concepção, as ações afirmativas pretendem condenar as 
discriminações acontecidas e que por ventura ainda aconteça aos mais 
variados grupos na sociedade. Desse modo, as ações afirmativas, ao 
serem incorporadas pela política, fixam que:
As ações afirmativas, enquanto políticas compensatórias adotadas para 
aliviar e remediar as condições resultantes de um passado discriminatório, 
cumprem uma finalidade pública decisiva para o projeto democrático, 
que é a de assegurar a diversidade e a pluralidade social. Constituem 
medidas concretas que viabilizam o direito à igualdade, com a crença de 
que a igualdade deve se moldar no respeito à diferença e à diversidade. 
Através delas transita-se da igualdade formal para a igualdade material 
e substantiva Posto isso, com o advento de uma nova ordem propiciada 
pela estruturação do Estado Moderno, as principais legislações voltadas a 
esse público (das pessoas com deficiências) datam da segunda metade do 
século XX, sendo o marco a Declaração Universal dos Direitos Humanos 
em 1948. (SANTOS, 2005, p. 40)
Como podemos observar, as ações afirmativas buscam dar igualdade 
de condições, mesmo que na atualidade a sua efetivação ainda seja um 
processo de constante debate ideológico nas sociedades democráticas.
Entre todas as instituições de ensino numa sociedade democrática, 
certamente, são as da Educação Superior onde as críticas reflexivas 
sobre as ações afirmativas ganham mais ênfase e, por isso, também é 
este tipo de instituição que mais vem se tornando flexível nas últimas 
décadas. Isso explica o porquê, nos anos finais do século passado e 
nos anos iniciais deste século, o governo brasileiro se dedicou mais às 
políticas de diversidade no Ensino Superior. Para Moehlecke (2004, p. 
477):
58
Com relação a permanência no Ensino Superior, as ações abrangem 
basicamente, a concessão de bolsas vinculadas à participação em 
programas e projetos que promovem uma reflexão sobre políticas 
de diversidade [...]. Destacam-se ainda os programas de formação de 
professores abrangendo temas como educação indígena, a educação de 
gênero e a orientação sexual e as relações étnico-raciais.
Com isso, aspolíticas compensatórias aconteceram para evitar a evasão 
dos estudantes no ensino superior, sobretudo os de classes sociais 
desfavorecidas, bem como se formou mais professores e profissionais 
no debate da diversidade, ou seja, pensou-se em ampliar o tema para 
reduzir as desigualdades em vários setores profissionais.
2. Políticas inclusivas gerais da Educação 
Superior
Com base no debate sobre as ações afirmativas e sua efetivação em 
programas e políticas voltadas à Educação Superior, desde os anos 
1990, é importante apontar algumas ações, sobretudo, de acesso 
e permanência a esta modalidade de ensino para toda a sociedade 
brasileira. Logo, sendo ações que reconhecem a diversidade e as 
desigualdades sociais no Brasil e que buscam qualificar outras políticas 
combatendo a exclusão e aumento da pobreza.
A primeira legislação de acesso à Educação Superior foi a criação do 
Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM), em 1998. No início, esse 
exame possibilitou uma pontuação extra aos alunos do ensino médio a 
alguns vestibulares do país, contribuindo ao Instituto Nacional de Ensino 
e Pesquisa Anísio Teixeira (INEP) realizar diagnósticos para se pensar 
outras alternativas de política da educação.
Desde aquela época, o ENEM é utilizado como ferramenta pelo INEP 
para que este órgão, por meio de dados estatísticos, permita pensar 
59
soluções para a melhoria da qualidade da Educação em nível médio e 
ingresso na Educação Superior no Brasil.
Por sua vez, observou-se que, ao longo dos anos, em virtude das 
análises do ENEM, foram criadas políticas de acesso e permanência à 
Educação Superior, com auxílios financeiros e bolsas de estudo, como 
o FIES (2001), o Prouni (2004) e o Sistema de Seleção Unificada – SiSU 
(2010).
O Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES) 
surgiu originalmente com a Lei nº 10.260 de 2001, porém, ao longo dos 
anos sofreu várias atualizações no texto inicial sendo a versão mais 
recente dada pela Lei nº 13.530, de 2017. O FIES é bem especifico ao 
apontar que:
Art. 1º. (...) o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), de natureza 
contábil, vinculado ao Ministério da Educação, destinado à concessão de 
financiamento a estudantes de cursos superiores não gratuitos e com 
avaliação positiva nos processos conduzidos pelo Ministério, de acordo 
com regulamentação própria.
§ 1º. O financiamento de que trata o caput deste artigo poderá beneficiar 
estudantes matriculados em cursos da educação profissional, técnica e 
tecnológica, e em programas de mestrado e doutorado com avaliação 
positiva, desde que haja disponibilidade de recursos, nos termos do que 
for aprovado pelo Comitê Gestor do Fundo de Financiamento Estudantil. 
(BRASIL, 2017, art. 1º)
Assim, fica explicito que o FIES financia estudantes de cursos superiores 
não gratuitos (em outras palavras, públicos) em cursos e instituições 
que tenham boa avaliação de desempenho e que eles, para além da 
formação técnica, mas voltada à Educação Superior esteja voltado para 
graduação e pós-graduação.
60
O PROUNI (Programa Universidade Para Todos), por sua vez, foi 
institucionalizado pela Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005, e tem 
como finalidade a concessão de bolsas de estudo integrais e parciais 
em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em 
instituições de ensino superior privadas:
Art. 1º Fica instituído, sob a gestão do Ministério da Educação, o Programa 
Universidade para Todos–PROUNI, destinado à concessão de bolsas 
de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de 50% (cinquenta por 
cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento) para estudantes de cursos de 
graduação e sequenciais de formação específica, em instituições privadas 
de ensino superior, com ou sem fins lucrativos. (BRASIL, 2005, art. 1º)
Além disso, a Lei do Prouni trata outras informações, como a condição 
socioeconômica dos estudantes que venham pleitear participação no 
programa, bem como as atribuições deles e da universidade. Para a 
época de sua criação, a pretensão do governo federal era a de que as 
classes sociais mais desfavorecidas pudessem ter acesso ao ensino 
superior na esfera particular, uma vez que não havia vagas suficientes 
na esfera pública.
O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) foi promulgado pela Portaria 
Normativa nº 21 de 5 de novembro de 2012, definindo:
Art. 2º O Sisu é o sistema por meio do qual são selecionados estudantes a 
vagas em cursos de graduação disponibilizadas pelas instituições públicas 
e gratuitas de ensino superior que dele participarem (BRASIL, 2012, art. 2º).
Portanto, o Sisu se trata de um sistema que auxilia o estudante 
ingressar numa universidade que assina com a Secretaria da Educação 
Superior, no MEC, um termo de adesão. Assim, no momento em que 
processos seletivos acontecerem, os estudantes se inscrevem (podendo, 
inclusive, optar pela reserva de vagas para as ações afirmativas) e, 
posteriormente, podem verificar a existência de vagas em universidades 
por meio da classificação em chamadas regulares e em chamadas de 
61
lista de espera. Nesse sentido, vale ressaltar que a nota obtida no ENEM 
é um dos critérios de pontuação.
Com relação a reserva de vagas, vale ressaltar que os estudantes que 
optarem por esta condição poderão ser classificados em:
• Estudantes egressos de escola pública, com renda familiar bruta 
igual ou inferior a 1,5 (um e meio) salário-mínimo per capita: que 
se autodeclararam pretos, pardos e indígenas ou que não se 
autodeclararam pretos, pardos e indígenas.
• Estudantes egressos de escolas públicas, independentemente de 
renda: que se autodeclararam pretos, pardos e indígenas ou que 
não se autodeclararam pretos, pardos e indígenas.
Como se pode notar, o Sisu também leva em consideração critérios 
sociais dentre as políticas das ações afirmativas.
No próximo tópico, abordaremos sobre algumas políticas de inclusão de 
caráter mais especifico da Educação Superior para alguns grupos sociais, 
como: as pessoas com deficiência, os pretos e indígenas.
3. Políticas inclusivas específicas da Educação 
Superior
No tópico anterior, apresentamos algumas conquistas das ações 
afirmativas à sociedade em geral, no que tange às políticas de inclusão 
no ensino superior desde os anos 1990. Na sequência, verificaremos 
como essas políticas e ações permitiram legislações a grupos específicos 
a partir dos anos 2000. Assim, trataremos de modo mais peculiar sobre 
as políticas educacionais inclusivas voltadas às pessoas com deficiência, 
pretos e índios.
62
Com relação as pessoas com deficiência, este público tem cada vez 
mais acesso à Educação Superior, seja na modalidade presencial ou 
a distância. Logo, vale ressaltar que quando se trata o tema–políticas 
inclusivas –, popularmente, se pensa apenas no público com deficiência. 
Na verdade, o conceito de inclusão é amplo e atende outros públicos 
também.
As políticas de inclusão educacional das pessoas com deficiência já 
não são tão recentes, mas as dificuldades de prática pedagógica ainda 
são complexas, como os desafios aos profissionais da educação e da 
sociedade. Para ilustrar isso, basta imaginar como seria a seguinte 
situação: uma pessoa com deficiência chegar a uma loja e pede ao 
vendedor na língua de sinais uma informação sobre tamanho de uma 
roupa. Aqui, provavelmente, há uma barreira de comunicação. Assim, 
devemos nos perguntar: será que todos os vendedores da loja estão 
preparados para atender neste tipo de situação?
O mesmo poderia ser aplicado à experiência de um docente na 
Educação Superior: o que faria este profissional ao receber um aluno 
com deficiência na sua sala de aula? Como ajudá-lo? A resposta 
inicialmente é simples: se ao receber um aluno com deficiência e o 
docente não souber o que fazer, ele deverá procurar a coordenação 
do curso ou algum serviço de apoio da universidade. De todo modo, 
ele nunca deverá ficar sem tomar uma atitude, devendo buscar 
informações e se qualificar no tema.
Mas o que é a pessoa com deficiência? Deacordo com a Lei nº 13.146, de 
2015, também conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência:
Art. 2º Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento 
de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, 
em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação 
plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais 
pessoas.
63
§ 1º A avaliação da deficiência, quando necessária, será biopsicossocial, 
realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar e considerará:
I–Os impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo;
II–Os fatores socioambientais, psicológicos e pessoais;
III–A limitação no desempenho de atividades; e
IV–A restrição de participação.
§ 2º O Poder Executivo criará instrumentos para avaliação da deficiência. 
(BRASIL, 2015, art. 2º)
Como podemos observar, a definição da deficiência se dá por 
impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual 
ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode 
obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de 
condições com as demais pessoas, sendo a sua avaliação considerada de 
maneira biológica, psicológica e social com a observação de vários tipos 
de impedimentos e limitações, e com o uso de instrumentos criados por 
governos nesta observação. De modo geral, o Estatuto da Pessoa com 
Deficiência é bastante amplo e também trata outros conceitos, como 
acessibilidade, ajudas técnicas, saúde, educação, trabalho, comunicação 
e entre outros. Logo, a sua leitura é fundamental para qualquer 
profissional.
Além disso, em termos pedagógicos, apesar das necessidades especiais 
dos alunos com deficiência, eles não devem ser tratados de modo 
diferenciado, pois devem se sentir cada vez mais incluídos e tratados 
como pessoas normais, mesmo que, por alguma necessidade especial, 
necessite de um apoio diferenciado.
Quando mencionamos anteriormente sobre a dúvida das ações 
possíveis que o profissional da educação deveria tomar ao receber um 
aluno com deficiência, apontamos sobre buscar a coordenação do curso 
64
e a própria instituição de ensino superior para a solução dos casos. O 
fato é que no âmbito das universidades públicas federais um programa 
já é existente (e que tem dado exemplo a outros tipos de instituições), 
trata-se do INCLUIR, mas para conhecê-lo, é necessário reconhecer o 
REUNI.
O REUNI, também conhecido como Programa de Apoio a Planos de 
Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, foi criado 
pelo Decreto nº 6.096 de 24 de abril de 2007 (BRASIL, 2007) e não 
tratou especificamente da inclusão. Ele até poderia compor o capítulo 
de políticas educacionais inclusivas gerais, mas além de não ser uma 
lei, sendo um decreto, o seu o objetivo principal descrito é o de criar 
condições para a ampliação do acesso e permanência de brasileiros 
na educação superior, no nível de graduação, por meio de um bom 
aproveitamento da estrutura física e de recursos humanos existentes 
nas universidades federais.
A melhoria das estruturas físicas e dos recursos humanos na 
universidade, graças ao REUNI, possibilitou direcionar uma ação 
exclusiva para as pessoas com deficiência no INCLUIR, também 
conhecido como Programa de Acessibilidade na Educação Superior.
O Incluir foi lançado em 2013 por meio de um documento orientador 
expedido pela extinta SECADI (Secretaria de Educação Continuada, 
Alfabetização, Diversidade e Inclusão) em parceria com a Secretaria 
da Educação Superior (SESu). De um modo geral, o principal objetivo 
do INCLUIR é fomentar a criação e a consolidação de núcleos de 
acessibilidade nas instituições de ensino superior. Esses núcleos, de 
acordo com o documento orientador, visam eliminar barreiras físicas, 
de comunicação e de informação que restringem a participação e o 
desenvolvimento acadêmico e social de estudantes com deficiência.
Na prática, os núcleos de acessibilidade se tornaram e ainda são 
referência nas universidades federais para consulta de políticas 
65
as pessoas com deficiência, além de espaço de debates didáticos 
pedagógicas, pesquisa e extensão.
A Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012 (BRASIL, 2012), aborda sobre o 
sistema de cotas, porém, somente na leitura dela é que se compreende 
a sua referência ao público de estudantes da escola pública, em situação 
racial e aos indígenas. Na prática, essa lei define a reserva de vagas 
para cotas (50% do total de vagas dos cursos) subdivididas em: a) 
metade para estudantes de escolas públicas com renda familiar bruta 
igual ou inferior a um salário mínimo; b) metade para estudantes de 
escolas públicas com renda familiar superior a um salário mínimo e 
meio. Em todos estes casos, devem ser respeitos o percentual mínimo 
correspondente a soma de pretos, pardos e indígenas. Por se tratar 
de uma lei muito curta, com apenas 9 artigos (o 2º revogado e o 9º 
apontando a data em que entrou em vigor), a seguir faremos uma 
exposição comentada:
Art. 1º As instituições federais de educação superior vinculadas ao 
Ministério da Educação reservarão, em cada concurso seletivo para 
ingresso nos cursos de graduação, por curso e turno, no mínimo 50% 
(cinquenta por cento) de suas vagas para estudantes que tenham cursado 
integralmente o ensino médio em escolas públicas.
Parágrafo único.  No preenchimento das vagas de que trata o caput deste 
artigo, 50% (cinquenta por cento) deverão ser reservados aos estudantes 
oriundos de famílias com renda igual ou inferior a 1,5 salário-mínimo (um 
salário-mínimo e meio) per capita. (BRASIL, 2012, art. 1º)
Este artigo aponta a reserva de 50% das vagas para alunos que 
estudaram sempre na escola pública por curso e turno. Na prática, 
por exemplo, se uma IES oferece ao todo 100 vagas anuais no curso 
de Letras, metade delas deverão ser reservados por esta lei ao público 
alvo citado (50 ao todo, sendo 25 para o período diurno e 25 no período 
noturno). Deste quantitativo, o estudante que pleitear vaga pelo sistema 
66
de cotas deverá comprovar ter renda familiar de até 1,5 salários-
mínimos.
Art. 3º  Em cada instituição federal de ensino superior, as vagas de 
que trata o art. 1º desta Lei serão preenchidas, por curso e turno, por 
autodeclarados pretos, pardos e indígenas e por pessoas com deficiência, 
nos termos da legislação, em proporção ao total de vagas no mínimo igual 
à proporção respectiva de pretos, pardos, 
indígenas e pessoas com deficiência na população da unidade da 
Federação onde está instalada a instituição, segundo o último censo da 
Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística–IBGE
Parágrafo único.  No caso de não preenchimento das vagas segundo os 
critérios estabelecidos no caput deste artigo, aquelas remanescentes 
deverão ser completadas por estudantes que tenham cursado 
integralmente o ensino médio em escolas públicas. (BRASIL, 2012, art. 3º)
O art. 3º aponta, pela primeira vez, a reserva de vagas às pessoas pretas, 
pardas, indígenas e pessoas com deficiência. Neste caso, por exemplo, 
das 100 vagas disponíveis no curso de Letras anuais, distribuindo 
50 para dois períodos, entre as 25 vagas por turno, deve ser feita a 
distribuição entre alunos que sempre estudaram em escola pública e 
o público mencionado. No caso de não haver pessoas deste público, a 
vaga retorna aos que estudaram sempre em escola pública.
Art. 4º  As instituições federais de ensino técnico de nível médio reservarão, 
em cada concurso seletivo para ingresso em cada curso, por turno, no 
mínimo 50% (cinquenta por cento) de suas vagas para estudantes que 
cursaram integralmente o ensino fundamental em escolas públicas.
Parágrafo único.  No preenchimento das vagas de que trata o caput deste 
artigo, 50% (cinquenta por cento) deverão ser reservados aos estudantes 
oriundos de famílias com renda igual ou inferior a 1,5 salário-mínimo (um 
salário-mínimo e meio) per capita. (BRASIL, 2012, art. 4º)
67
Semelhante ao art. 1º, o art. 4º menciona o preenchimento devagas 
para escolas técnicas e profissionalizantes de ensino médio, sendo a 
regra válida para alunos que estudaram sempre no ensino fundamental 
do 1º ao 9º ano.
Art. 5º  Em cada instituição federal de ensino técnico de nível médio, 
as vagas de que trata o art. 4º desta Lei serão preenchidas, por curso e 
turno, por autodeclarados pretos, pardos e indígenas e por pessoas com 
deficiência, nos termos da legislação, em proporção ao total de vagas no 
mínimo igual à proporção respectiva de pretos, pardos, 
indígenas e pessoas com deficiência na população da unidade da 
Federação onde está instalada a instituição, segundo o último censo do 
IBGE.
Parágrafo único.  No caso de não preenchimento das vagas segundo os 
critérios estabelecidos no caput deste artigo, aquelas remanescentes 
deverão ser preenchidas por estudantes que tenham cursado 
integralmente o ensino fundamental em escola pública. (BRASIL, 2012, art. 
5º)
Como no art. 3º, podemos observar a reserva de vagas às pessoas 
pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência.
Art. 6º. O Ministério da Educação e a Secretaria Especial de Políticas 
de Promoção da Igualdade Racial, da Presidência da República, serão 
responsáveis pelo acompanhamento e avaliação do programa de que trata 
esta Lei, ouvida a Fundação Nacional do Índio (Funai). (BRASIL, 2012, art. 6º)
Neste artigo, por sua vez, são apresentados quais são os agentes de 
governo responsáveis pelo acompanhamento e análise da política de 
cotas, ouvindo-se órgãos específicos das minorias, como a Funai.
Art. 7º.  No prazo de dez anos a contar da data de publicação desta 
Lei, será promovida a revisão do programa especial para o acesso às 
instituições de educação superior de estudantes pretos, pardos e indígenas 
e de pessoas com deficiência, bem como daqueles que tenham cursado 
integralmente o ensino médio em escolas públicas. (BRASIL, 2012, art. 7º)
68
O art. 7º aponta a revisão constante da lei, a fim de verificar se houve 
diminuição dos prejuízos sociais historicamente enfrentados pelo 
público alvo da lei, para isso, considerando-se o equilíbrio das diferenças 
sociais.
Art. 8º As instituições de que trata o art. 1o desta Lei deverão implementar, 
no mínimo, 25% (vinte e cinco por cento) da reserva de vagas prevista 
nesta Lei, a cada ano, e terão o prazo máximo de 4 (quatro) anos, a partir 
da data de sua publicação, para o cumprimento integral do disposto nesta 
Lei. (BRASIL, 2012, art. 8º)
Por fim, o art. 8º apontava a reserva de vagas de maneira anual às 
IES, desde que no 4º ano, já ocorrido, as vagas fossem totalmente 
organizadas no sistema de cotas apresentado.
Assim, verificamos nesse tema a importância das ações afirmativas e 
alguns processos históricos que culminaram em políticas e legislações 
em prol de alguns grupos considerados como minorias na sociedade 
brasileira. Em termos da Educação Superior, verificamos algumas das 
principais legislações divididas em políticas de educação inclusiva geral 
e específicas. O fato é que o escopo de legislações não estão todos 
apontados neste tema, todavia, os principais e mais comuns à realidade 
da Educação Superior. Desse modo, é importante frisar a importância 
de se aprofundar no tema para um ou mais grupos apontados, pois há 
mais legislações, especialmente à Educação Básica.
Referências Bibliográficas
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SANTOS, S. A. Ações afirmativas e combate ao racismo nas Américas. Brasília: 
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13530.htm
http://www.scielo.br/pdf/es/v25n88/a06v2588.pdf
70
Bons estudos!
	Sumário
	Referências Bibliográficas
	3. Formação da Legislação
	1. Contexto da Educação Superior no Brasil
	Objetivos
	2. O conceito de Educação e de Ensino
	Universidade: Ensino, Pesquisa e Extensão
	Objetivos
	1. Universidade: papel social, dificuldades e ações à sociedade
	2. Ensino
	3. Pesquisa
	4. As agências de fomento à pesquisa
	5. Extensão
	Referências Bibliográficas
	A Legislação Nacional Para a Educação Superior
	Objetivos
	1. A organização acadêmica da Educação Superior no Brasil
	2. A regulação, a supervisão e a avaliação das instituições de Educação Superior: Decreto nº 
	Referências Bibliográficas 
	Ações Afirmativas, Políticas e Legislação de Inclusão
	Objetivos
	1. Ações afirmativas: contribuições e encaminhamentos
	2. Políticas inclusivas gerais da Educação Superior
	3. Políticas inclusivas específicas da Educação Superior
	Referências Bibliográficas

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