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MANUAL DO PROFESSOR Projeto de vida PV_MTereza_g21Sa_MP_209_ParteGeral.indd 209PV_MTereza_g21Sa_MP_209_ParteGeral.indd 209 2/21/20 12:15 PM2/21/20 12:15 PM APRESENTAÇÃO Caro professor/Cara professora, Com este manual queremos contribuir para sua prática em sala de aula. Para isso, apresentamos as premissas que orientaram a elaboração do livro, discutimos alguns conceitos que julgamos relevantes para a interação com os estudantes, além de ofere- cermos orientações específicas sobre as atividades. Esperamos que este livro ajude você a cumprir o mais importante: apoiar os estu- dantes no processo de reflexão sobre si mesmos e sobre o mundo em que vivem, assim como em suas possibilidades e sonhos. Que esse trabalho também inspire você a enfrentar desafios e sustentar a esperança necessária à convivência com quem tem tanto caminho pela frente. A autora M a ri a S a v e n k o /S h u tt e rs to ck u rb a n c o w /i S to ck p h o to /G e tt y I m a g e s D m y tr o Z in k e v y ch /S h u tt e rs to ck 210 PV_MTereza_g21Sa_MP_210-227_ParteGeral.indd 210PV_MTereza_g21Sa_MP_210-227_ParteGeral.indd 210 2/21/20 12:16 PM2/21/20 12:16 PM SUMÁRIO Parte Geral ....................................................................................................................................................................... 212 O Ensino Médio para jovens do mundo contemporâneo ....................................................................... 212 O Ensino Médio e as juventudes ........................................................................................................................................ 213 O protagonismo dos estudantes ...................................................................................................................................... 214 Argumentação: o embasamento para a atuação cidadã ............................................................................ 215 Estratégias de leitura inferencial ............................................................................................................................. 215 A mediação do professor ...................................................................................................................................................... 216 Competências socioemocionais e participação cidadã .................................................................................... 217 Educação midiática .................................................................................................................................................................. 218 Projeto de vida para quê? .............................................................................................................................................. 218 A comunidade na construção do Projeto de vida ................................................................................................... 220 Fundamentos teóricos e metodologias ............................................................................................................. 220 A organização do livro ....................................................................................................................................................... 221 Os módulos .................................................................................................................................................................................... 221 As unidades e suas seções .................................................................................................................................................. 222 #convivências ............................................................................................................................................................................. 224 Organizando as aulas com o livro ............................................................................................................................ 224 Sugestões de cronograma ................................................................................................................................................... 224 Propostas de avaliação .................................................................................................................................................... 226 Parte Específica .................................................................................................................................................... 228 Referências bibliográficas comentadas..................................................................... 255 211 PV_MTereza_g21Sa_MP_210-227_ParteGeral.indd 211PV_MTereza_g21Sa_MP_210-227_ParteGeral.indd 211 2/21/20 12:16 PM2/21/20 12:16 PM PARTE GERAL O Ensino Médio para jovens do mundo contemporâneo Direito dos cidadãos brasileiros, o Ensino Médio repre- senta um gargalo na etapa final da Educação Básica, pois nem todos o concluem. Quem se debruça sobre o problema levanta hipóteses, como o fato de a escola, de modo geral, não corresponder aos anseios e às necessidades desses estudantes ou o fato de esses jovens não encontrarem mo- tivações para levar os estudos até o fim por não verem rela- ção entre o que ali aprendem e a sociedade em que vivem. Em busca de soluções para o problema, a Reforma do Ensino Médio, regulamentada na Lei n. 13 415/17, propõe uma escola que dialogue com a realidade atual dos estu- dantes, ou seja, voltada para as necessidades de aprendi- zado e acolhimento desses jovens. O objetivo é prepará-los para viver em sociedade de modo pacífico e para tratar dos desafios do século XXI com espírito crítico e propositivo. Ao pensar essa escola, busca-se garantir a eles conhe- cimentos e procedimentos para que possam enfrentar a transição para a vida adulta optando pela continuação dos estudos em nível superior ou em nível de formação profis- sional ou escolhendo o ingresso no mercado de trabalho após o término da Educação Básica. Nessa lei, são previstos também os itinerários formati- vos acadêmicos para o Ensino Médio, o que supõe o apro- fundamento em uma ou mais áreas curriculares; nesse ca- so, trata-se de itinerários da formação técnica profissional, que podem interessar aos estudantes na consecução do projeto de vida. Com sua sanção em 2017, a lei prevê cinco itinerários formativos: Linguagens e suas Tecnologias; Ma- temática e suas Tecnologias; Ciências da Natureza e suas Tecnologias; Ciências Humanas e Sociais Aplicadas; For- mação Técnica e Profissional. Esses itinerários devem ser organizados por meio da oferta de diferentes arranjos cur- riculares, conforme a relevância para o contexto local e se- gundo alguns eixos estruturantes: investigação científica; processos criativos; mediação e intervenção sociocultu- ral; empreendedorismo. Ou seja, o ensino será composto de uma parte comum a todos, organizada conforme a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e de parte dos itine- rários formativos. Essa flexibilização pretende valorizar o protagonismo juvenil e estimular a interdisciplinaridade no ensino. De maneira progressiva, todas as escolas de Ensino Médio passarão para tempo integral. Para responder às necessidades da vida em sociedade no mundo contemporâneo e reduzir o número de evasões de estudantes no Ensino Médio, a parte da BNCC dedicada a essa etapa final da Educação Básica também considera a dinâmica social da sociedade contemporânea, marca- da por constantes mudanças decorrentes sobretudo do desenvolvimento tecnológico. Nesse panorama cada vez mais complexo e fluido, leva em consideração o fato de que não se pode rotular os estudantes do Ensino Médio como um grupo homogêneo. Eles constituem um complexo de juventudes, pois muitas vezes experimentam a realidade de modos distintos, cultivam valores diversos e, conse- quentemente, agem no mundo de maneiras diferentes. Assim, com oapoio da BNCC, a escola então organiza- -se para acolher os jovens como seus interlocutores ati- vos com o objetivo de assegurar-lhes uma formação que dialogue com seus percursos e histórias pessoais. É nesse contexto que entra em cena o Projeto de vida no Ensino Médio, situando os estudantes no centro da vida escolar e tendo como preocupação o seu desenvolvimento integral, por meio do incentivo ao protagonismo, à autonomia e à tomada de decisões responsáveis, para que eles se tornem aptos a fazer escolhas para o futuro. Prevendo o desenvolvimento dos estudantes ao longo de toda a Educação Básica, a BNCC estipula dez compe- tências gerais, a serem desenvolvidas ao longo dessa for- mação. Por competência entende-se, conforme a BNCC (2018, p.8), a “mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e so- cioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cida- dania e do mundo do trabalho”. Uma atividade proposta em sala de aula pode acionar mais de uma competência ou habilidade, parcial ou inte- gralmente. As competências gerais, mais amplas, foram pensadas para serem desenvolvidas ao longo da Educação Básica, não em uma única atividade ou em um só semestre. No caso do Ensino Médio, há competências específicas de- finidas por áreas de conhecimento. Relacionadas a essas competências, são descritas habilidades a serem desen- volvidas ao longo da etapa. Por seu caráter mais pontual, algumas vezes uma habilidade é explorada de modo inte- gral por uma atividade, mas não necessariamente. O trabalho fundamentado em competências e habili- dades, conforme proposto pela BNCC, implica o desen- volvimento de conhecimentos, procedimentos, mas con- sidera também valores e atitudes, ou seja, procura levar a uma formação humana integral dos estudantes com o objetivo de construir uma sociedade justa, democráti- ca e inclusiva. Este livro está alinhado a essa proposta. Nas páginas iniciais do Livro do Estudante, há uma tabela com as com- petências (gerais e específicas) e habilidades mais favore- cidas ao longo das unidades. É importante conversar com os estudantes sobre a BNCC, uma referência fundamental no processo de ensino-aprendizagem, para que possam se conscientizar de seus direitos, aprendendo a consultar esse documento e a relacioná-lo com os estudos propos- tos na escola. O professor, cada vez mais um mediador essencial das aprendizagens dos estudantes, pode auxiliar a turma no 212 PV_MTereza_g21Sa_MP_210-227_ParteGeral.indd 212PV_MTereza_g21Sa_MP_210-227_ParteGeral.indd 212 2/21/20 12:16 PM2/21/20 12:16 PM um projeto de vida –, como traz, entre suas várias ativida- des, questões mais abertas, que permitem aos estudantes considerar o próprio contexto, as experiências pessoais, a realidade e o modo como a percebem, com a finalidade de garantir a sustentação de uma voz singular. Assim, as propostas desta obra consideram as transfor- mações do mundo contemporâneo, que nos pedem aber- tura para a tecnologia, mas também exigem analisar com espírito crítico o que é produzido por meio dela; levam-nos ainda a valorizar o conhecimento acumulado e a ser mais investigativos, resilientes e capazes de tomar decisões. A obra também convida os jovens a identificar seu posi- cionamento quanto aos problemas de âmbito local e global, estimulando-os a pensar soluções para essas questões, a perceber que suas ações (ou mesmo o fato de não agi- rem) impactam o mundo, a olhar o outro com empatia, a argumentar de modo respeitoso e a acolher as singulari- dades, sem necessariamente abrir mão de suas perspecti- vas. Com isso, busca-se estimular o protagonismo, a argu- mentação, a tomada de decisão responsável, entre outros aspectos necessários à formação de um cidadão crítico, atuante e responsável. Essa preocupação plural visa não só estimular a consciência da importância de discutir os temas contemporâneos transversais que permeiam as so- ciedades, como também incentivar a convivência ética, o respeito pela diversidade e as atitudes em prol do bem comum e da cultura da paz. Esta obra aposta na escola como ponto crucial de socia- lização, tecendo uma rede de relações: o compartilhamen- to das experiências e anseios de cada jovem quanto ao fu- turo com os demais de sua geração e o compartilhamento dessas experiências com outras gerações, de modo que as juventudes, e as respectivas culturas, possam se acolher e serem acolhidas pela comunidade escolar. Assim, a escola deve não só abrir-se para os estudantes e sua realidade, mas também convidar as famílias a participar desse processo, a perceber como são esses jovens, os valores que alicerçam suas escolhas, as angústias que enfrentam, sua busca pelo exercício do protagonismo, as produções feitas no espaço escolar, a expressão das culturas juvenis que representam a turma e as reflexões que aí são construídas. Ciente dessas relações, o livro propõe as #convivências, que são sugestões de vivências coletivas voltadas para o acolhimento e para o diálogo respeitoso dos estudantes com a comunidade, considerando as projeções para o fu- turo. Essas atividades favorecem a expressão das culturas juvenis, que também ganham espaço em outros pontos do livro, como na unidade 5, em que os estudantes são convi- dados a mostrar e registrar em vídeo seu cotidiano ou, na unidade 4, em que há proposta de produção de uma playlist comentada. Considera-se que abrir espaço para a expres- são dessas culturas de modo respeitoso, ou seja, garantin- do um ambiente acolhedor para todas e conscientizando os estudantes da necessidade de se respeitar o ambiente escolar, é o melhor procedimento para lidar com elas. Ou- tra possibilidade é convidar os jovens a mostrar seu coti- diano, seus espaços de lazer, seus territórios, o que é feito na unidade 4 e em #convivências 1. A valorização dessas culturas na escola pode ajudar os estudantes a se sentirem cruzamento dessa tabela com a BNCC, navegando pelo si- te http://basenacionalcomum.mec.gov.br/a-base. Aces- so em: 11 fev. 2020. Nessa tabela, é possível identificar as competências e habilidades acionadas em uma seção e perceber as diferenças entre trabalhar com competên- cias e trabalhar com habilidades. Por exemplo, as ques- tões de Vamos pensar um pouco, que constam da abertura da unidade 1, exploram a obra O tempo, de Rubens Tiezzi, exposta na página. Nessa exploração, as perguntas convi- dam à percepção dos elementos que compõem a obra e do funcionamento da linguagem visual nesse processo, o que aciona a habilidade EM13LGG103; levam em consideração ainda o processo de produção da linguagem visual, acio- nando a habilidade EM13LGG101. Com essas propostas, convidam-se os estudantes a perceber as relações entre os diversos sentidos de tempo na obra e fora dela, assim como a relação entre tempo e espaço. Com esse trabalho, é favorecido o desenvolvimento parcial da Competência Geral 6 (BNCC, p. 9) no que diz respeito a: “Valorizar a di- versidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem [...] fazer escolhas alinhadas [...] ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia [...]”. É importante, no caso, obser- var que a competência geral também sinaliza o trabalho com atitudes e valores ao favorecer a valorização da di- versidade. Isso é reforçado no livro, pelo fato de ser su- gerido o compartilhamento das produções, o que levará os estudantes a expor seus trabalhos e a conhecer os dos colegas. Cabe ao professor criar um clima acolhedor, res- peitoso, em que cada um possa ser quem é e conhecer os demais de maneira inclusiva. O Ensino Médio e as juventudes Considera-se aqui a existência de juventudes, com va- lores e hábitos distintos, e não uma juventude homogênea. Então quem são os jovens que chegam ao Ensino Médio no mundo contemporâneo? Quais as representações que a escola e o corpo docentefazem dos jovens estudantes? Será que a escola conhece a realidade social dos estudan- tes? Quais as vivências e saberes que as juventudes cons- troem fora do universo escolar? Que sentido os estudan- tes atribuem a essa experiência escolar no Ensino Médio? No vasto território brasileiro, os jovens vivem realidades muito distintas. Afirmam Maia e Correa (2014, p. 28): “A es- cola, o trabalho, os espaços de lazer, as culturas juvenis, o modo de lidar com as tecnologias, as relações de gênero e a sexualidade, as formas de engajamento e participação, os modos de apropriação do território, as sociabilidades juvenis, as relações étnico-raciais, entre outros elemen- tos, se configuram como peças fundamentais que, a partir de distintas combinações, constroem a ‘juventude mosai- ca’, multifacetada, que precisa ser compreendida em sua plural complexidade”. O volume aqui desenvolvido não ignora essa realidade. Por isso, não só propõe uma grande diversidade de temas a fim de provocar a reflexão e a discussão necessárias pa- ra pensar a relação consigo, com o outro, com o mundo e uma possível atuação nele – base para a elaboração de PARTE GERAL 213 PV_MTereza_g21Sa_MP_210-227_ParteGeral.indd 213PV_MTereza_g21Sa_MP_210-227_ParteGeral.indd 213 2/21/20 12:16 PM2/21/20 12:16 PM