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MANUAL DO 
PROFESSOR
Projeto de vida
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APRESENTAÇÃO
Caro professor/Cara professora,
Com este manual queremos contribuir para sua prática em sala de aula. Para isso, 
apresentamos as premissas que orientaram a elaboração do livro, discutimos alguns 
conceitos que julgamos relevantes para a interação com os estudantes, além de ofere-
cermos orientações específicas sobre as atividades. 
Esperamos que este livro ajude você a cumprir o mais importante: apoiar os estu-
dantes no processo de reflexão sobre si mesmos e sobre o mundo em que vivem, assim 
como em suas possibilidades e sonhos. 
Que esse trabalho também inspire você a enfrentar desafios e sustentar a esperança 
necessária à convivência com quem tem tanto caminho pela frente.
A autora
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SUMÁRIO
Parte Geral ....................................................................................................................................................................... 212
O Ensino Médio para jovens do mundo contemporâneo ....................................................................... 212
O Ensino Médio e as juventudes ........................................................................................................................................ 213
O protagonismo dos estudantes ...................................................................................................................................... 214
Argumentação: o embasamento para a atuação cidadã ............................................................................ 215
Estratégias de leitura inferencial ............................................................................................................................. 215
A mediação do professor ...................................................................................................................................................... 216
Competências socioemocionais e participação cidadã .................................................................................... 217
Educação midiática .................................................................................................................................................................. 218
Projeto de vida para quê? .............................................................................................................................................. 218
A comunidade na construção do Projeto de vida ................................................................................................... 220
Fundamentos teóricos e metodologias ............................................................................................................. 220
A organização do livro ....................................................................................................................................................... 221
Os módulos .................................................................................................................................................................................... 221
As unidades e suas seções .................................................................................................................................................. 222
#convivências ............................................................................................................................................................................. 224
Organizando as aulas com o livro ............................................................................................................................ 224
Sugestões de cronograma ................................................................................................................................................... 224
Propostas de avaliação .................................................................................................................................................... 226
Parte Específica .................................................................................................................................................... 228
Referências bibliográficas comentadas..................................................................... 255
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PARTE GERAL
O Ensino Médio para jovens 
do mundo contemporâneo
Direito dos cidadãos brasileiros, o Ensino Médio repre-
senta um gargalo na etapa final da Educação Básica, pois 
nem todos o concluem. Quem se debruça sobre o problema 
levanta hipóteses, como o fato de a escola, de modo geral, 
não corresponder aos anseios e às necessidades desses 
estudantes ou o fato de esses jovens não encontrarem mo-
tivações para levar os estudos até o fim por não verem rela-
ção entre o que ali aprendem e a sociedade em que vivem.
Em busca de soluções para o problema, a Reforma do 
Ensino Médio, regulamentada na Lei n. 13 415/17, propõe 
uma escola que dialogue com a realidade atual dos estu-
dantes, ou seja, voltada para as necessidades de aprendi-
zado e acolhimento desses jovens. O objetivo é prepará-los 
para viver em sociedade de modo pacífico e para tratar dos 
desafios do século XXI com espírito crítico e propositivo. 
Ao pensar essa escola, busca-se garantir a eles conhe-
cimentos e procedimentos para que possam enfrentar a 
transição para a vida adulta optando pela continuação dos 
estudos em nível superior ou em nível de formação profis-
sional ou escolhendo o ingresso no mercado de trabalho 
após o término da Educação Básica.
Nessa lei, são previstos também os itinerários formati-
vos acadêmicos para o Ensino Médio, o que supõe o apro-
fundamento em uma ou mais áreas curriculares; nesse ca-
so, trata-se de itinerários da formação técnica profissional, 
que podem interessar aos estudantes na consecução do 
projeto de vida. Com sua sanção em 2017, a lei prevê cinco 
itinerários formativos: Linguagens e suas Tecnologias; Ma-
temática e suas Tecnologias; Ciências da Natureza e suas 
Tecnologias; Ciências Humanas e Sociais Aplicadas; For-
mação Técnica e Profissional. Esses itinerários devem ser 
organizados por meio da oferta de diferentes arranjos cur-
riculares, conforme a relevância para o contexto local e se-
gundo alguns eixos estruturantes: investigação científica; 
processos criativos; mediação e intervenção sociocultu-
ral; empreendedorismo. Ou seja, o ensino será composto 
de uma parte comum a todos, organizada conforme a Base 
Nacional Comum Curricular (BNCC), e de parte dos itine-
rários formativos. Essa flexibilização pretende valorizar o 
protagonismo juvenil e estimular a interdisciplinaridade no 
ensino. De maneira progressiva, todas as escolas de Ensino 
Médio passarão para tempo integral. 
Para responder às necessidades da vida em sociedade 
no mundo contemporâneo e reduzir o número de evasões 
de estudantes no Ensino Médio, a parte da BNCC dedicada 
a essa etapa final da Educação Básica também considera 
a dinâmica social da sociedade contemporânea, marca-
da por constantes mudanças decorrentes sobretudo do 
desenvolvimento tecnológico. Nesse panorama cada vez 
mais complexo e fluido, leva em consideração o fato de que 
não se pode rotular os estudantes do Ensino Médio como 
um grupo homogêneo. Eles constituem um complexo de 
juventudes, pois muitas vezes experimentam a realidade 
de modos distintos, cultivam valores diversos e, conse-
quentemente, agem no mundo de maneiras diferentes. 
Assim, com oapoio da BNCC, a escola então organiza-
-se para acolher os jovens como seus interlocutores ati-
vos com o objetivo de assegurar-lhes uma formação que 
dialogue com seus percursos e histórias pessoais. É nesse 
contexto que entra em cena o Projeto de vida no Ensino 
Médio, situando os estudantes no centro da vida escolar e 
tendo como preocupação o seu desenvolvimento integral, 
por meio do incentivo ao protagonismo, à autonomia e à 
tomada de decisões responsáveis, para que eles se tornem 
aptos a fazer escolhas para o futuro. 
Prevendo o desenvolvimento dos estudantes ao longo 
de toda a Educação Básica, a BNCC estipula dez compe-
tências gerais, a serem desenvolvidas ao longo dessa for-
mação. Por competência entende-se, conforme a BNCC 
(2018, p.8), a “mobilização de conhecimentos (conceitos 
e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e so-
cioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas 
complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cida-
dania e do mundo do trabalho”. 
Uma atividade proposta em sala de aula pode acionar 
mais de uma competência ou habilidade, parcial ou inte-
gralmente. As competências gerais, mais amplas, foram 
pensadas para serem desenvolvidas ao longo da Educação 
Básica, não em uma única atividade ou em um só semestre. 
No caso do Ensino Médio, há competências específicas de-
finidas por áreas de conhecimento. Relacionadas a essas 
competências, são descritas habilidades a serem desen-
volvidas ao longo da etapa. Por seu caráter mais pontual, 
algumas vezes uma habilidade é explorada de modo inte-
gral por uma atividade, mas não necessariamente.
O trabalho fundamentado em competências e habili-
dades, conforme proposto pela BNCC, implica o desen-
volvimento de conhecimentos, procedimentos, mas con-
sidera também valores e atitudes, ou seja, procura levar 
a uma formação humana integral dos estudantes com o 
objetivo de construir uma sociedade justa, democráti-
ca e inclusiva. 
Este livro está alinhado a essa proposta. Nas páginas 
iniciais do Livro do Estudante, há uma tabela com as com-
petências (gerais e específicas) e habilidades mais favore-
cidas ao longo das unidades. É importante conversar com 
os estudantes sobre a BNCC, uma referência fundamental 
no processo de ensino-aprendizagem, para que possam 
se conscientizar de seus direitos, aprendendo a consultar 
esse documento e a relacioná-lo com os estudos propos-
tos na escola. 
O professor, cada vez mais um mediador essencial das 
aprendizagens dos estudantes, pode auxiliar a turma no 
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um projeto de vida –, como traz, entre suas várias ativida-
des, questões mais abertas, que permitem aos estudantes 
considerar o próprio contexto, as experiências pessoais, 
a realidade e o modo como a percebem, com a finalidade 
de garantir a sustentação de uma voz singular.
Assim, as propostas desta obra consideram as transfor-
mações do mundo contemporâneo, que nos pedem aber-
tura para a tecnologia, mas também exigem analisar com 
espírito crítico o que é produzido por meio dela; levam-nos 
ainda a valorizar o conhecimento acumulado e a ser mais 
investigativos, resilientes e capazes de tomar decisões. 
A obra também convida os jovens a identificar seu posi-
cionamento quanto aos problemas de âmbito local e global, 
estimulando-os a pensar soluções para essas questões, 
a perceber que suas ações (ou mesmo o fato de não agi-
rem) impactam o mundo, a olhar o outro com empatia, a 
argumentar de modo respeitoso e a acolher as singulari-
dades, sem necessariamente abrir mão de suas perspecti-
vas. Com isso, busca-se estimular o protagonismo, a argu-
mentação, a tomada de decisão responsável, entre outros 
aspectos necessários à formação de um cidadão crítico, 
atuante e responsável. Essa preocupação plural visa não 
só estimular a consciência da importância de discutir os 
temas contemporâneos transversais que permeiam as so-
ciedades, como também incentivar a convivência ética, 
o respeito pela diversidade e as atitudes em prol do bem 
comum e da cultura da paz. 
Esta obra aposta na escola como ponto crucial de socia-
lização, tecendo uma rede de relações: o compartilhamen-
to das experiências e anseios de cada jovem quanto ao fu-
turo com os demais de sua geração e o compartilhamento 
dessas experiências com outras gerações, de modo que as 
juventudes, e as respectivas culturas, possam se acolher e 
serem acolhidas pela comunidade escolar. Assim, a escola 
deve não só abrir-se para os estudantes e sua realidade, mas 
também convidar as famílias a participar desse processo, a 
perceber como são esses jovens, os valores que alicerçam 
suas escolhas, as angústias que enfrentam, sua busca pelo 
exercício do protagonismo, as produções feitas no espaço 
escolar, a expressão das culturas juvenis que representam 
a turma e as reflexões que aí são construídas. 
Ciente dessas relações, o livro propõe as #convivências, 
que são sugestões de vivências coletivas voltadas para o 
acolhimento e para o diálogo respeitoso dos estudantes 
com a comunidade, considerando as projeções para o fu-
turo. Essas atividades favorecem a expressão das culturas 
juvenis, que também ganham espaço em outros pontos do 
livro, como na unidade 5, em que os estudantes são convi-
dados a mostrar e registrar em vídeo seu cotidiano ou, na 
unidade 4, em que há proposta de produção de uma playlist 
comentada. Considera-se que abrir espaço para a expres-
são dessas culturas de modo respeitoso, ou seja, garantin-
do um ambiente acolhedor para todas e conscientizando 
os estudantes da necessidade de se respeitar o ambiente 
escolar, é o melhor procedimento para lidar com elas. Ou-
tra possibilidade é convidar os jovens a mostrar seu coti-
diano, seus espaços de lazer, seus territórios, o que é feito 
na unidade 4 e em #convivências 1. A valorização dessas 
culturas na escola pode ajudar os estudantes a se sentirem 
cruzamento dessa tabela com a BNCC, navegando pelo si-
te http://basenacionalcomum.mec.gov.br/a-base. Aces-
so em: 11 fev. 2020. Nessa tabela, é possível identificar 
as competências e habilidades acionadas em uma seção 
e perceber as diferenças entre trabalhar com competên-
cias e trabalhar com habilidades. Por exemplo, as ques-
tões de Vamos pensar um pouco, que constam da abertura 
da unidade 1, exploram a obra O tempo, de Rubens Tiezzi, 
exposta na página. Nessa exploração, as perguntas convi-
dam à percepção dos elementos que compõem a obra e do 
funcionamento da linguagem visual nesse processo, o que 
aciona a habilidade EM13LGG103; levam em consideração 
ainda o processo de produção da linguagem visual, acio-
nando a habilidade EM13LGG101. Com essas propostas, 
convidam-se os estudantes a perceber as relações entre 
os diversos sentidos de tempo na obra e fora dela, assim 
como a relação entre tempo e espaço. Com esse trabalho, 
é favorecido o desenvolvimento parcial da Competência 
Geral 6 (BNCC, p. 9) no que diz respeito a: “Valorizar a di-
versidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se 
de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem [...] 
fazer escolhas alinhadas [...] ao seu projeto de vida, com 
liberdade, autonomia [...]”. É importante, no caso, obser-
var que a competência geral também sinaliza o trabalho 
com atitudes e valores ao favorecer a valorização da di-
versidade. Isso é reforçado no livro, pelo fato de ser su-
gerido o compartilhamento das produções, o que levará 
os estudantes a expor seus trabalhos e a conhecer os dos 
colegas. Cabe ao professor criar um clima acolhedor, res-
peitoso, em que cada um possa ser quem é e conhecer os 
demais de maneira inclusiva. 
O Ensino Médio e as juventudes
Considera-se aqui a existência de juventudes, com va-
lores e hábitos distintos, e não uma juventude homogênea. 
Então quem são os jovens que chegam ao Ensino Médio 
no mundo contemporâneo? Quais as representações que 
a escola e o corpo docentefazem dos jovens estudantes? 
Será que a escola conhece a realidade social dos estudan-
tes? Quais as vivências e saberes que as juventudes cons-
troem fora do universo escolar? Que sentido os estudan-
tes atribuem a essa experiência escolar no Ensino Médio? 
No vasto território brasileiro, os jovens vivem realidades 
muito distintas. Afirmam Maia e Correa (2014, p. 28): “A es-
cola, o trabalho, os espaços de lazer, as culturas juvenis, o 
modo de lidar com as tecnologias, as relações de gênero e 
a sexualidade, as formas de engajamento e participação, 
os modos de apropriação do território, as sociabilidades 
juvenis, as relações étnico-raciais, entre outros elemen-
tos, se configuram como peças fundamentais que, a partir 
de distintas combinações, constroem a ‘juventude mosai-
ca’, multifacetada, que precisa ser compreendida em sua 
plural complexidade”.
O volume aqui desenvolvido não ignora essa realidade. 
Por isso, não só propõe uma grande diversidade de temas 
a fim de provocar a reflexão e a discussão necessárias pa-
ra pensar a relação consigo, com o outro, com o mundo 
e uma possível atuação nele – base para a elaboração de 
PARTE GERAL 213
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