Prévia do material em texto
Gestão Estratégica da Cadeia de Suprimentos Gestão da Cadeia de Suprimentos Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial ALESSANDRA VANESSA FERREIRA DOS SANTOS Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria MÔNICA PATRÍCIA ALCÂNTARA DE MORAIS STEPHANIE FREIRE BRITO AUTORIA Mônica Patrícia Alcântara de Morais Olá. Sou graduada em Relações Públicas, com especialização em Administração em Marketing e uma experiência técnico-profissional de mais de 10 anos na área de Gestão da Cadeia de Suprimentos. Passei por empresas como TIM Nordeste, Ericsson Gestão de Sistemas (EGS), Estaleiro Atlântico Sul e vários outros empreendimentos, sempre na área de Logística e Supply Chain. Participei da implantação do sistema SAP-R3 na TIM e de vários outros sistemas de automação e gestão empresarial. Estruturei diversos projetos logísticos, como o da Rede Teleport de Educação, com unidades de ensino espalhadas em 13 estados da Federação. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso, fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! Stephanie Freire Brito Olá. Sou graduada em Administração pela Universidade Federal da Paraíba (2016), possuo MBA em Marketing e Inteligência de Mercado (2018) e mestrado em Administração pela Universidade Federal de Campina Grande – UFCG (2021). Atualmente, desenvolvo pesquisas científicas nas áreas de Gestão de Cidades, Indicadores de Sustentabilidade, Smart Cities e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Ministro cursos e palestras na área de Negócios e atuo como professora conteudista. Sou empreendedora, e estou muito satisfeita em poder colaborar com o seu crescimento profissional por meio do estudo. Por isso, fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova competência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de apresentar um novo conceito; NOTA: quando necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; REFLITA: se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido; ACESSE: se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando uma competência for concluída e questões forem explicadas; SUMÁRIO Estratégias Competitivas ......................................................................... 12 Competitividade na Supply Chain ...................................................................................... 12 Estratégia ............................................................................................................................................... 14 As Cinco Forças de Porter ........................................................................................................ 16 Competição do Mercado........................................................................................ 17 Ameaça de Novos Concorrentes ..................................................................... 17 Ameaça de Produtos Substitutos .................................................................... 18 Poder dos Clientes ...................................................................................................... 18 Poder dos Fornecedores ........................................................................................ 19 Exemplos de Estratégia ............................................................................................................. 20 Tomada de Decisão ...................................................................................................................... 20 Estratégia de Fornecimento ...................................................................23 Responsividade Versus Previsibilidade na Cadeia de Suprimentos..........23 Antecipar ou Postergar o Consumo? ................................................................................26 Entendendo o Efeito Chicote ..................................................................................................28 Medidas Antiespeculativas .................................................................................. 30 Racionalização dos Lotes de Compra .......................................................... 31 Gestão do Global Supply Chain ................................. 33 O Que é Globalização? ................................................................................................................33 Critérios da Produção Global ................................................................................................. 36 A Globalização e o Supply Chain.........................................................................................37 Barreiras Contra a Globalização da Cadeia de Suprimentos ...... 38 Desvantagens da Globalização para a Cadeia de Suprimentos .................................................................................................................... 39 Como Sobrevier em um Mundo Globalizado? .......................................................... 41 Gerenciamento de Riscos na Supply Chain ......................................44 Modelo de Gerenciamento de Riscos na Supply Chain .....................................44 Identificação dos Riscos ..........................................................................................45 Avaliação dos Riscos ................................................................................................ 46 Controle dos Riscos ...................................................................................................47 Monitoramento dos Riscos ...................................................................................47 Principais Riscos na Cadeia de Suprimentos............................................................. 49 9 UNIDADE 04 Gestão da Cadeia de Suprimentos 10 INTRODUÇÃO Agora que cobrimos praticamente toda a área de conhecimento de Operação e Gestão da Cadeia de Suprimentos, passando pela área de Produção, precisamos refletir: qual é a utilidade prática de tudo isso? Esse questionamento é válido, visto que apenas o conhecimento sobre os elos da cadeia de suprimentos, e como eles se relacionam entre si, não ajuda muito a superarmos as barreiras de mercado e a ação dos concorrentes. Precisamos pensar em estratégias para tornar nossas organizações mais competitivas. Para isso, dedicaremos a última etapa da disciplina ao estudo dessas estratégias. Preparado para uma viagem rumo ao conhecimento? Então, aperte o cinto e boa viagem! Gestão da Cadeia de Suprimentos 11 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 4 – Gestão estratégica da cadeia de suprimentos. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Aplicar estratégias competitivas no gerenciamento da cadeia de suprimentos. 2. Engendrar estratégias de fornecimento para melhorar a competitividade da cadeia de suprimentos. 3.Gerir a cadeia de suprimentos no contexto da globalização. 4. Gerenciar riscos na Supply Chain. Gestão da Cadeia de Suprimentos 12 Estratégias Competitivas OBJETIVO: Neste capítulo, vamos entender a importância das estratégias competitivas no âmbito da Gestão da Cadeia de Suprimentos. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante!. Competitividade na Supply Chain No mercado editorial, é possível encontrar inúmeros títulos de autoajuda empresarial e profissional, prometendo receitas de bolo para solucionar uma boa parte dos problemas do dia a dia da gestão empresarial. Em que pese o fato de simplesmente não haver receitas de bolo garantidoras de sucesso, algumas boas práticas merecem ser estudadas e, com alguma dose de cuidado, adaptadas e aplicadas à realidade de outras empresas. Em se tratando de cadeia de suprimentos, existem algumas estratégias amplamente difundidas e comprovadamente assertivas, com o respaldo científico de estudiosos e de grandes gestores do cenário nacional e internacional. Começaremos entendendo a importância de se ter uma estratégia. A competitividade é algo dito muito intenso e frequentemente nas últimas quatro décadas. Com o progresso das tecnologias da informação e comunicação, aliado à quebra das barreiras frente ao vertiginoso processo de globalização, competir no mercado local e internacional se torna um verdadeiro desafio para empresas de todos os portes. Gestão da Cadeia de Suprimentos 13 Figura 1 – Corrida pela vantagem competitiva fonte: Pixabay. NOTA: Até as grandes corporações sucumbem a startups, que nascem de um dia para o outro. Empresas como a Amazon, Google e Microsoft são exemplos do que estamos falando. Mas, engana-se quem pensa que vencer a concorrência é uma questão relacionada apenas ao Marketing e à força de vendas. Muito mais que vender, as empresas necessitam buscar a dilatação de suas margens de lucro para sobreviverem no mercado. Para isso, faz-se extremamente necessário tornar a estrutura organizacional mais leve e ágil, e a cadeia de suprimentos é a engrenagem responsável pela produção e entrega de valor ao cliente. Assim como ocorre na área de Engenharia Mecânica, a velocidade de um sistema de engrenagens é tanto maior quanto mais leve for as estruturas que o suporta. Transportando esse raciocínio para a área de Supply Chain, racionaliza-se as atividades primárias e de suporte à cadeia de valor, sob pena de onerar-se o produto na ponta. Gestão da Cadeia de Suprimentos 14 A cadeia de suprimento é como uma engrenagem que gira em função do mercado, unindo pessoas, processos e resultados. Figura 2 – Engrenagem Fonte: Freepik. Quando o mercado sofre alterações importantes, esse sistema de engrenagens precisa mudar em força e/ou velocidade. Mas como entender o mercado para, a partir dele, decidir-se quanto a essas mudanças? Então, a estratégia entra em ação! Estratégia Você sabe o que significa estratégia? Essa é mais uma daquelas palavras que usamos em nosso dia a dia, mas quase nunca paramos para pensar no que realmente ela significa. DEFINIÇÃO: Proveniente do grego, “strategia”, este termo pode ser traduzido de várias maneiras distintas, como: método, plano, manobra ou estratagema, voltados ao atingimento de um objetivo específico. Gestão da Cadeia de Suprimentos 15 Em um sentido mais amplo, estratégia pode ser entendida como qualquer técnica adotada para conseguir gerar um resultado desejado. As guerras, apesar de todo horror e prejuízos para todos, são verdadeiras professoras de como utilizar essas técnicas de forma assertiva ou destrutiva. Personagens como Winston Churchill, grande político estrategista e um dos protagonistas da vitória aliada frente ao exército nazista, deixou grandes ensinamentos sobre a importância de uma estratégia eficaz para vencer as limitações e a pressão de seus adversários. Assim como nas guerras, as organizações precisam lançar mão de estratégias para superar seus concorrentes, alcançar seus clientes e alçar novos mercados para perpetuar e incrementar continuamente suas vendas e suas margens de lucratividade. Figura 3 – Estratégia Fonte: Freepik. Mas, como criar uma estratégia? Podemos utilizar alguma de prateleira? Para abrir nossas mentes, algumas ferramentas podem ser utilizadas e, com elas, novas estratégias devem surgir diante do cenário do negócio em tela. Estamos falando de ferramentas como o Diagrama de Porter, Gestão da Cadeia de Suprimentos 16 mais conhecido como “As cinco forças de Porter”; o Diagrama de SWOT (forças, fraquezas, oportunidades e ameaças), entre outros. Para efeito do estudo em tela, vamos nos concentrar na primeira delas: o Diagrama de Porter. Dele poderemos extrair várias estratégias bastante úteis e adaptáveis a cada situação na cadeia de suprimentos. NOTA: O Diagrama de SWOT pode ser melhor estudado nas disciplinas de Marketing ou Empreendedorismo. As Cinco Forças de Porter Criada por Michael Porter (1979), essa técnica consiste no mapeamento de cinco forças indutoras para avaliar o quão atraente ou desinteressante é um determinado mercado. O mapeamento resulta em um diagrama, conhecido como Diagrama de Porter, e serve para analisar a dinâmica do mercado, considerando os seguintes atores: clientes, fornecedores e concorrentes. Figura 4 – Cinco forças de Porter Fonte: Elaborada pelas autoras (2022). Gestão da Cadeia de Suprimentos 17 Competição do Mercado A primeira análise feita é sobre o mercado no qual se atua (ou se deseja atuar) é quanto à intensidade de sua concorrência. O grau de competitividade entre empresas fornecedoras dos mesmos produtos ou similares vai medir se este é ou não um nicho interessante de mercado. Para Kim & Mauborgn (2014), em A Estratégia do Oceano Azul, o mercado é como um oceano de oportunidades e concorrentes. Alguns mercados se assemelham a oceanos vermelhos, ou seja, cheio de tubarões e oportunidades já devoradas por esses sangrentos predadores. Já outros nichos menos concorridos ainda se configuram como oceanos azuis, em que a vida marinha abunda à disposição dos desbravadores que, nesse cenário, não terão qualquer dificuldade em se alimentar desse mundo de oportunidades e clientes em potencial. Ameaça de Novos Concorrentes Até mesmo o mais azul dos oceanos não está livre de atrair novos predadores. Mas alguns mercados oferecem maiores ou menores barreiras de entrada. Estamos falando do grau de dificuldade oferecido por esses mercados para iniciar uma operação. Por exemplo: universidades que precisam de credenciamento, usinas, de licenças ambientais, e inúmeras outras atividades regulamentadas pelo governo, ou que requeiram algumas prerrogativas de ordem técnica ou grandes investimentos, como é o caso da construção civil e o mercado aeronáutico. Esses últimos, além de grandes somas de investimento, também exigem forte regulamentação por parte do poder público. Os mercados em que a entrada de novos concorrentes ocorre com facilidade, ainda que virgens, oferecem elevado risco para quem nele empreende. Logo, como enseja a figura anterior, a melhor estratégia para se blindar contra os entrantes em nossos nichos de mercado é erguer Gestão da Cadeia de Suprimentos 18 muros, ou seja, barreiras de entrada para dificultar a investida de tubarões forasteiros. Se não há como erguê-los, talvez a melhor estratégia seja buscar novos nichos de mercado os quais essas barreiras de entrada já existam previamente. Ameaça de Produtos Substitutos Entende-se por concorrentes empresas capazes de subtrair clientes de outra com a oferta de produtos similares. Mas também existem empresas que, apesar de não concorrerem diretamente, têm a capacidade de subtrair clientes mediante a substituição de produto. Por exemplo, fabricantes de cabos de redeUTP de repente se viram forçados a enfrentar a concorrência dos sistemas WiFi, que, se por um lado não extinguiram completamente os cabos, por outro, reduziram sensivelmente aquele nicho de mercado, uma vez que as redes sem fio dispensam esse artefato. Desse modo, em suas estratégias, a empresa deve ponderar o grau de risco que um mercado oferece quanto à substituição de produtos. Acompanhar a evolução tecnológica da comunidade científica é uma prática imperativa na estratégia de qualquer empresa, pois somente assim é possível antecipar-se aos fatos e reagir precocemente à morte prematura de seus produtos. Poder dos Clientes O poder de barganha dos clientes é um fator extremamente importante a ser considerado em uma avaliação estratégica de mercado. Nichos em que os clientes são predominantemente de grande porte oferecem mais riscos do que aqueles onde há maior número de clientes de menor porte. Um caso clássico ocorrido no nordeste brasileiro: no início dos anos 1980, a Palmeiron, uma importante indústria de doces no interior de Pernambuco, resolveu equivocadamente deixar de atender seu leque de Gestão da Cadeia de Suprimentos 19 pequenos e médios clientes para escoar a maior parte de sua produção apenas para uma única rede de supermercados, a rede Bompreço. Em menos de cinco anos, a Palmeiron havia perdido todos os seus clientes de menor porte, tendo que se submeter ao poder de barganha do Bompreço, que forçava a redução contínua de seus preços. Sem margem suficiente para custear a operação, a Palmeiron findou por ser adquirida pelo próprio Bompreço, incorporando aquela fábrica em sua rede própria de abastecimento. EXPLICANDO MELHOR: Às vezes, a ciência só comprova aquilo que a sabedoria popular já diz há muitos séculos: “Jamais deposite todos os ovos em uma só cesta”. Com o exemplo da Palmeiron, podemos tomar essa lição. Poder dos Fornecedores Existe o outro lado da moeda. Alguns mercados oferecem poucas ou apenas uma única opção de fornecedor, como é o caso do mercado de combustíveis no Brasil, há apenas a Petrobrás como fornecedora primária desses insumos. Em um cenário assim, o poder de barganha dos fornecedores se torna um risco para toda a cadeia de suprimentos das empresas, pois muitas vezes têm que comprometer sua margem de lucro para absorver aumentos arbitrários nos preços e condições de seus fornecedores. Quando há uma margem de manobra para repasse dos preços ao consumidor final, o risco é mitigável, mas há casos em que isto também não é possível. É fácil constatar isso quando a Petrobrás anuncia um aumento no preço dos combustíveis. Dificilmente esses percentuais de aumento são integralmente repassados aos consumidores, graças à livre concorrência entre os postos. Mas, se por um lado existe livre competição entre esses postos, por outro, não há qualquer liberdade de concorrência entre os fornecedores de combustíveis e derivados, fator que eleva bastante o risco desse negócio. Gestão da Cadeia de Suprimentos 20 Exemplos de Estratégia A seguir, elencamos dois exemplos de estratégias adotadas por empresas que mantêm uma cadeia de suprimentos: – Em uma empresa de manutenção de máquinas para escritório, os técnicos passavam grande parte do tempo viajando para atender chamados de conserto de máquinas. A empresa disponibilizou máquinas em consignação para reposição em pontos estratégicos. Quando uma máquina quebra, o cliente recebe outra provisoriamente. Enquanto isso, máquina defeituosa é encaminhada ao centro de assistência técnica, para o conserto ser efetuado. • Redução de custos. • Melhoria dos serviços ao cliente. • Uma empresa de suprimentos para hospitais desenvolveu um novo sistema de vendas. Colocou terminais de computador nos escritórios de seus clientes. O sistema simplificou e facilitou o processamento de pedidos e garantiu uma quantidade maior de pedidos para a empresa. • Melhoria dos serviços ao cliente. • Aumento das vendas. Tomada de Decisão As estratégias adotadas pelas organizações mudam o sabor da concorrência e dos mercados atendidos por elas. Isso faz com que a velocidade na tomada de decisão seja um fator determinante para a competitividade entre as empresas. Gestão da Cadeia de Suprimentos 21 Figura 5 – Tomada de decisão Fonte: Freepik. A forma como a alta gestão se organiza para a sistematização de suas decisões difere de caso a caso. Neste sentido, existem três níveis de tomadas de decisão: • Estratégico (por projeto): o gestor pensa a empresa a longo prazo, considerando incertezas como capacidade, localização e instalações. • Tático (por planejamento): o gestor define que mercados serão atendidos, terceirizando ou não a demanda, e, em função disto, decide sobre a demanda e os estoques, em curto prazo. • Operacional (por operação): aqui, o horizonte de decisão varia em função de dias e semanas, e as decisões giram em torno das atividades específicas. SAIBA MAIS: Quer se aprofundar no tema desta aula? Recomendamos a leitura do livro Cadeia de Suprimentos Projeto e Gestão: conceitos, estratégias e estudos de caso (SIMCHI-LEVI; KAMINSKY, 2010), disponível aqui. Gestão da Cadeia de Suprimentos https://goo.gl/R8YhZt 22 RESUMINDO: E então, você gostou do que estudamos nesse capítulo? Nós esperamos que sua resposta seja sim! Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o conteúdo estudado nesta primeira etapa da unidade, explanaremos de forma resumida tudo o que vimos. Neste capítulo, estudamos a importância das estratégias competitivas para a gestão da cadeia de suprimentos. Além disso, focamos conceitos relativos associados ao de estratégia e como podem ajudar a aumentar a produtividade de nossas empresas. Contamos com você nos próximos capítulos. Até breve! Gestão da Cadeia de Suprimentos 23 Estratégia de Fornecimento OBJETIVO: Neste capítulo, vamos compreender as principais estratégias de fornecimento dentro do contexto da Supply Chain. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante! Responsividade Versus Previsibilidade na Cadeia de Suprimentos Como vimos até aqui, muitas são as estratégias utilizadas para elevar as margens de lucratividade e melhorar a qualidade dos serviços ao cliente. No entanto, muitas dessas estratégias permeiam muito mais o Marketing e a área comercial do que o contexto da cadeia de suprimentos propriamente dita. Desse modo, vamos nos ater, ao longo desta aula, às estratégias aderentes à Supply Chain, ou seja, aquelas cuja tomada de decisão gira em torno do esquema de fornecimento, mais especificamente no que tange aos níveis de estoque, previsão de demanda e aquisição de insumos para a produção. A cadeia responsiva de fornecimento pode ser uma boa estratégia dependendo da natureza do produto e do comportamento da demanda do mercado. A responsividade é a reação a uma demanda pontual do cliente ou do mercado. De outro modo, existe a estratégia de previsão de demanda, com base em fatos históricos e em cálculos estatísticos para determinar o ritmo de produção e estocagem de um produto. Gestão da Cadeia de Suprimentos 24 Figura 6 – Estocagem de produtos Fonte: Freepik. Para exemplificarmos os dois tipos de estratégia de fornecimento, vamos comparar dois produtos completamente distintos: aparelho celular e refrigerante. Dado o extremo índice de obsolescência dos aparelhos celulares, convém que a estratégia de fornecimento desse tipo de produto seja responsiva, ou seja, uma cadeia de abastecimento que minimize a estocagem desse produto. Já os refrigerantes, por não possuírem alto índice de obsolescência, não necessitam da cadeia responsiva, podendo ser estocados por muito mais tempo. Os refrigerantes consumidos hoje são praticamente os mesmos que consumíamos há mais de 100 anos. Pouco mudou em termos de formato e funcionalidade. Neste caso, a estratégiade produção por previsões é a mais adequada, pois ainda que haja grandes mudanças no mercado consumidor, será possível escoar os estoques sem grandes problemas enquanto não são lançadas novas versões do produto. Gestão da Cadeia de Suprimentos 25 NOTA: Há outros tipos de produto literalmente no limbo, como é o caso dos alimentos perecíveis. Em que pese o fato de eles serem estocados em grande quantidade e não mudarem por séculos, sua perecibilidade obriga a indústria a ficar extremamente sintonizada com as variações de demanda. Diante do exposto, fica a pergunta: responsividade ou previsibilidade? Qual a melhor estratégia? As duas formas de agir são igualmente corretas ou redondamente equivocadas, dependendo dos contextos organizacional e mercadológico no qual se está inserido. De acordo com essas circunstâncias, os gestores farão suas escolhas, tendo, porém, que considerar alguns fatores para essas decisões. Nesse sentido, de acordo com Wanke (2012), o primeiro elemento a ser observado na definição da estratégia de reagir ou planejar é a visibilidade da demanda, entendida sob o prisma do ponto de desacoplamento da demanda. Figura 7 – Planejamento da demanda Fonte: Freepik. Gestão da Cadeia de Suprimentos 26 O autor se refere ao desacoplamento como o direcionamento pela demanda ou pela previsibilidade, dependendo dos cenários, um ou outro poderá ser o mais indicado. No caso de o ponto de desacoplamento acontecer no cliente final, será necessário fazer um planejamento total. Em contrapartida, se acontecer no fornecedor inicial, haverá uma reação total. Antecipar ou Postergar o Consumo? Quando a empresa dispõe de ferramentas e tecnologia eficientes para a previsão de suas vendas, é possível optar pela antecipação das compras (ou da produção, no caso de indústrias). A vantagem da antecipação das aquisições está na redução drástica dos custos, uma vez que não será necessário fazer pedidos de compra de última hora. Sem a pressão do tempo, a organização entrega ao departamento de compras a prerrogativa de negociar melhores preços e condições de pagamento. Com tempo hábil para comprar, até mesmo os fornecedores poderão ser reavaliados, possibilitando, inclusive, a busca por novos. Por outro lado, quando não existem mecanismos confiáveis de previsibilidade de vendas, a antecipação dos estoques passa a ser uma atividade arriscada, pois, se por um lado há economia no planejamento das aquisições, por outro, qualquer erro nessas previsões pode acarretar no acúmulo excessivo de produtos em estoque, o que provoca perdas por depreciação desses produtos e elevados custos de manutenção dos estoques. Figura 8 – Falta de itens nos estoques Fonte: Freepik. Gestão da Cadeia de Suprimentos 27 Há ainda o efeito inverso, ou seja, a antecipação das compras de forma malsucedida pode ocasionar em falta de itens nos estoques, uma vez que a demanda pode ser subestimada, acarretando pedidos urgentes, de última hora, e a perda de clientes pelo não atendimento dos prazos de entrega. NOTA: Uma boa estratégia de como agir é auscultar constantemente o mercado, cujo comportamento é determinante para que se possa fazer a integração entre estas duas estratégias: antecipar/postergar e reagir/planejar. Para as empresas, que utilizam as duas políticas integradas, poderem funcionar de forma eficaz, é necessário o uso de um sistema flexível para que os acontecimentos indesejáveis do mercado possam ser parcialmente eliminados. Qual a melhor estratégia a ser adotada? Em que circunstâncias? Para discernir sobre esses aspectos, é imprescindível cercar-se de ferramentas e técnicas aprimoradas de gestão, desde a correta classificação dos produtos (pela curva ABC), até os sistemas informatizados de gestão empresarial e da produção. Sem essas ferramentas de apoio, qualquer decisão será sempre arriscada, e poderá expor a empresa a situações críticas. Figura 9 – Sistemas informatizados de gestão empresarial e da produção Fonte: Freepik. Gestão da Cadeia de Suprimentos 28 Muitas empresas sucumbiram ao longo da história, pois o mercado competitivo não admite erros dessa natureza. Entendendo o Efeito Chicote Entendemos o termo “efeito chicote” como a variação entre a demanda prevista e a efetivamente realizada, juntamente com os esforços das empresas em aproximarem, ao máximo, as suas ofertas a essa demanda. A falta de dados corretos ou acuráveis acerca dos próprios clientes faz com que esse efeito provoque resultados indesejáveis para a organização, como a falta ou o excesso de produtos em estoque, que nem sempre consegue acompanhar essa variação de demanda. A Figura 10 ilustra bem o que acontece com a organização ao sabor da demanda, analisando o comportamento, de forma comparativa, do mercado, do fornecedor, do distribuidor e do varejista. Coelho, Folmann e Rodriguez (2009) observam que as grandes variações na demanda acarretam dificuldade de se obter previsões mais precisas sobre o comportamento ideal para os níveis de estoque, aumentando as diferenças entre as curvas observadas no gráfico da Figura 10. Em outras palavras, o efeito chicote se acentua quando as ordens de compras variam em uma escala maior do que a das vendas. Ainda com base no gráfico da Figura 10, podemos observar que, para cada um dos atores envolvidos na cadeia de suprimentos, existe uma percepção diferente e ampliada da leitura do mercado. Esses atores tendem a reagir de forma amplificada em relação à variação real da demanda de mercado. Gestão da Cadeia de Suprimentos 29 Figura 10 – Curva do chicote e variações do mercado Fonte: Wikimedia Commons. Por exemplo, o varejista, na tentativa de equilibrar seus estoques, adquire um quantitativo de itens para suprir a demanda atual. Cumulativamente, o fornecedor, o distribuidor e a montadora fazem o mesmo, elevando ainda mais a variação entre a curva real da demanda e as curvas dos níveis de estoque de cada um. Desse modo, qualquer pequena variação na demanda efetiva do mercado gera variações bem expressivas em cada elo da cadeia, exatamente como ocorre ao se movimentar um chicote na origem. Mas qual o segredo para superar esse desafio? Na verdade, a curva de variação do mercado será, em tese, sempre mais suave que as demais curvas, ou seja, não há solução definitiva e absoluta para este problema. Entretanto, é possível atenuar-se o efeito chicote, aproximando-se as curvas entre si. Para isso, é fundamental que os atores da cadeia apliquem as técnicas de previsão de demanda. Além dessas técnicas, uma articulação entre os elos da cadeia (fornecedor, distribuidor, varejista etc.) pode contribuir para a redução dessas variações. Gestão da Cadeia de Suprimentos http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7f/Bullwhip_effect.png 30 Figura 11 – Previsão de demanda Fonte: Freepik. É nisso em que consiste o gerenciamento da cadeia de suprimentos. Quando bem realizado, o controle e monitoramento das demandas de mercado proporciona melhor interação entre esses atores, beneficiando a todos. Além da articulação entre esses atores, medidas pontuais podem ser adotadas para atenuar o efeito chicote, tais como: • Medidas antiespeculativas. • Racionalização dos lotes de compra. Medidas Antiespeculativas Muitas vezes as variações de demanda do mercado são erroneamente percebidas, criando ilusões de uma possível escassez de determinados produtos. Esta percepção também pode acarretar o efeito chicote. As causas dessas especulações são inúmeras, mas, como em toda especulação, alguém sempre sai ganhando em detrimento da perda Gestão da Cadeia de Suprimentos 31 de outros. Cabe aos responsáveis pelo gerenciamento da cadeia de suprimentos atentar para essas causas e alertar os demais elos da cadeia quanto a isto. Racionalização dos Lotes de Compra É cômodo para o fornecedor estimular o cliente a adquirir lotes cada vezmaiores de unidades nos processos de aquisição. Isto se deve ao alto custo de pedir. Como medida preventiva, deverá requisitar sucessivas revisões em suas reais necessidades de compra, de modo a não gerar discrepâncias maiores entre seus estoques e a demanda do mercado. Uma outra forma de racionalizar esses lotes é a requisição de operadores logísticos que trabalhem com o transporte de cargas fracionadas, o que reduz a necessidade de compra de grandes lotes, reduzindo consequentemente o custo unitário do produto consumido, mesmo para lotes menores. Figura 12 – Transporte de cargas fracionadas para pequenas compras Fonte: Freepik. Por fim, o departamento de compras tem papel fundamental na regulação dos pedidos de aquisições. Técnicas como LEC (Lote Econômico de Compra), PP (Ponto de Pedido), entre outras, podem auxiliar bastante na racionalização desses lotes. Gestão da Cadeia de Suprimentos 32 O comprador conta com o acervo histórico de informações da empresa. Analisando o passado recente (normalmente os últimos 12 meses), é possível mapear sazonalidades no consumo dos produtos vendidos pela empresa, permitindo uma melhor previsibilidade das demandas de aquisição dos insumos de produção e matéria-prima. NOTA: As técnicas de LEC e PP, bem como outras, podem ser estudadas ou revisadas nos livros didáticos de Gestão de Compras, Gestão de Estoques e Administração de Materiais. SAIBA MAIS: Quer se aprofundar no tema desta aula? Recomendamos a leitura dos artigos O Efeito Chicote e o seu impacto na gestão das cadeias de suprimentos (COELHO; FOLLMANN; RODRIGUEZ, 2015), disponível aqui; e Estudo sobre o efeito chicote e estratégias de minimização em uma indústria de autopeças (GONTIJO; FARAH; BARBOSA; SOUZA, 2016), disponível aqui. RESUMINDO: E então, você gostou do que estudamos nesse capítulo? Nós esperamos que sua resposta seja sim! Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o conteúdo estudado nesta segunda etapa da unidade, explanaremos, de forma resumida, tudo o que vimos. Neste capítulo, verificamos quais são as principais estratégias de fornecimento para a gestão de cadeia de suprimentos. Em seguida, estudamos conceitos relativos ao controle dos estoques e ao atendimento de demandas de consumidores. Por últimos, vimos que a base da gestão de cadeia de suprimentos é o monitoramento eficiente e constante das demandas de mercado. Contamos com você nos próximos capítulos. Até breve! Gestão da Cadeia de Suprimentos https://goo.gl/YvhEps http://www.abepro.org.br/biblioteca/TN_STP_226_319_29088.pdf 33 Gestão do Global Supply Chain OBJETIVO: Neste capítulo, vamos entender os conceitos e fundamentos acerca da gestão do Global Supply Chain. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante! O Que é Globalização? Para a gestão da cadeia de suprimentos, o processo de globalização, iniciado na última década do século XX e asseverado a cada ano em função das novas tecnologias de comunicação informatizadas, foi sem dúvida um divisor de águas e, ao mesmo tempo, o maior desafio que estamos vivenciando atualmente. Figura 13 – Processo de globalização Fonte: Freepik. Gestão da Cadeia de Suprimentos 34 De maneira geral, a globalização pode ser definida como um processo de aumento da integração entre os países e as culturas de nosso planeta, integração mostrada nos âmbitos político, social e econômico. A globalização ganhou fôlego, nas últimas décadas, devido à diminuição do custo de meios de comunicação e de meios de transporte. Existem, ainda, pesquisadores que consideram a globalização um fenômeno muito antigo, remetendo a 3.000 a.C. Com a globalização, decretou-se o fim das economias eminentemente nacionalizadas, e o marco inicial da integração cada vez maior entre os mercados. Além das tecnologias de informação, o avanço dos modais e a criação de novas rotas de interligação entre os países, facilita ainda mais o crescimento desse mercado global, afetando diretamente a logística e a cadeia de suprimento como um todo. DEFINIÇÃO: Entende-se globalização como a quebra definitiva das fronteiras entre as nações, abrindo caminhos para a expansão cada vez maior das operações de importação e exportação no comércio internacional. Para entendermos melhor a dimensão do que representa a globalização para o SCM, um automóvel de fabricação alemã pode ser montado na Argentina e no Brasil, e ainda ser comercializado diretamente para os Estados Unidos e países do mercado europeu. Isso começou a acontecer no mercado brasileiro, em meados da década de 1980. Alguns modelos da Ford e da Volkswagen tiveram versões híbridas, utilizando peças e linhas de montagem compartilhadas entre essas duas concorrentes. Entre concorrentes? Isso mesmo. No final da década de 1980, surgiu uma parceria entre essas duas gigantes do mercado automobilístico, resultando no lançamento de um mesmo automóvel que utilizava as duas marcas. Gestão da Cadeia de Suprimentos 35 Figura 14 – Ford Fonte: Wikimedia Commons. Figura 15 –Volkswagen Fonte: Wikimedia Commons. Gestão da Cadeia de Suprimentos 36 O Ford-Verona e o Volkswagen-Apolo selavam o pontapé inicial de uma empresa denominada Autolatina, resultado de um joint venture entre as duas companhias. Critérios da Produção Global Com a globalização, é possível as empresas escolherem livremente os mercados mais rentáveis e os países que oferecem mão de obra e recursos logísticos mais baratos e produtivos, em qualquer lugar no mundo, e sem qualquer distinção acerca de localidade, distância, idioma, entre outros fatores. As empresas ditas globalizadas não mais pertencem a esta ou àquela nação. Elas literalmente não possuem pátria. Simplesmente estão nos países e localidades que ofereçam maior rentabilidade e eficiência competitiva. IMPORTANTE: Quando falamos que não há distinção entre países e localidades, evidentemente não estamos considerando alguns aspectos que ainda oferecem obstáculos à globalização, como os culturais, religiosos e políticos. Por exemplo, o Oriente Médio ainda é uma região hostil para a instalação de empresas que buscam oferecer seus produtos para países islâmicos ou de cultura árabe. Alguns países infelizmente ainda oferecem demasiados riscos para a prática dos mercados globais. Outro aspecto impactante na globalização dos mercados é a facilidade com que os capitais financeiros se movem de um país para outro, por meio das práticas de comércio exterior. Gestão da Cadeia de Suprimentos 37 Figura 16 – Comércio exterior Fonte: Freepik. Sejam capitais especulativos ou de base produtiva, a verdade é que as empresas transferem suas operações de um país para outro ao sabor de fatores sutis como vantagens tributárias, mão de obra e custos logísticos em geral. A Globalização e o Supply Chain Como percebido até aqui, a globalização é lastreada na célere evolução tecnológica. Para um comprador, por exemplo, não há qualquer dificuldade em adquirir peças de países como China, Índia e África do Sul. A diversidade de oferta dos produtos desses países aliada ao baixo custo da mão de obra, constituem-se em fortes atrativos para torná-los fornecedores institucionalizados dentro da cadeia de suprimento de uma organização. Gestão da Cadeia de Suprimentos 38 Barreiras Contra a Globalização da Cadeia de Suprimentos Se por um lado os aspectos logísticos, como transporte, ainda oferecem obstáculos, outros fatores já não representam problemas, tais como: • Idioma: o inglês é um idioma global, e a comunicação entre empresas de diferentes idiomas é facilitada pelas tecnologias de tradução como as ofertadas pelo Google, entre outros softwares. Por outro lado, o fato de o Brasil ter se desenvolvido bastante nos últimos anos, forçou com que outros países investissem na contratação de mãode obra capaz de se comunicar em português. Essa é uma tendência, sobretudo no comércio entre países emergentes, como Brasil – China, Brasil – Rússia, Brasil – Índia etc. • Custos logísticos: cada vez mais operadores logísticos se especializam em trazer materiais e produtos acabados de países distantes, tais como os asiáticos e os africanos. Atualmente, o comércio entre o Brasil e a China, por exemplo, já compete diretamente com o realizado entre o Brasil e os Estados Unidos. O baixo custo da mão de obra e a tremenda escala industrial dos países asiáticos têm se constituído como fatores determinantes na seleção de fornecedores dessas regiões. • Barreiras alfandegárias:o surgimento de blocos econômicos cada vez mais abrangentes, como o Mercosul, União Europeia, Nafta, entre outros, acarretou na derrubada das barreiras fiscais ou, no mínimo, na sensível redução dos custos alfandegários e da burocracia para o comércio entre os países participantes. Atualmente, existem mais de 10 blocos econômicos de livre comércio entre países, mas isso não é tudo. Centenas de pactos comerciais e relações bilaterais unem países mesmo fora desses blocos, a distância geográfica não se constitui mais uma barreira à importação e à exportação para grande parte dos países do mundo. Gestão da Cadeia de Suprimentos 39 Figura 17 – Barreira alfandegária do Euro entre os países da Europa Fonte: Wikimedia Commons. IMPORTANTE: Os blocos econômicos são conjuntos de países e visam ao fortalecimento das atividades econômicas de seus membros. No mundo, hoje em dia, existem nove blocos econômicos. Desvantagens da Globalização para a Cadeia de Suprimentos Apesar de todos os avanços que transformaram a globalização em um elemento de progresso para a cadeia de abastecimento mundial, nem tudo se constitui em vantagens para as empresas. Entre as desvantagens da globalização para a cadeia de suprimentos, pode-se destacar: • Concorrência desproporcional: as empresas nacionais nem sempre conseguem concorrer em condições de igualdade com as estrangeiras. Muitas não sobrevivem a concorrência, dita como desleal, devido a fatores como: Gestão da Cadeia de Suprimentos 40 • A política externa do governo local. • Os incentivos praticados pelos países concorrentes. • O uso de mão de obra escrava (infelizmente, ainda é uma realidade em muitos dos países que mantêm relações comerciais com o Brasil). • O despreparo da mão de obra local. • A dificuldade de acesso ao crédito a juros baixos para o financiamento da produção etc. • Redução nos níveis de emprego: o fato de consumidores internos poderem escolher livremente seus fornecedores em todo o mundo acarreta aumento do desemprego na cadeia de fornecimento nacional. Assim, se por um lado os ganhos provocados pela globalização, como a redução dos preços e a melhoria da qualidade, ajudam a sociedade a ter acesso a produtos mais baratos e de melhor qualidade, por outro lado, reduz o número de postos de trabalho no mercado local. Cabe às políticas governamentais equilibrar essa balança. NOTA: Você conhece a história de Davi e Golias? Trata-se de uma passagem bíblica que relata a saga do pequeno Davi contra o sanguinário e cruel gigante Golias. Na história, o futuro Rei Davi leva a melhor, mas no mercado global nem sempre isso acontece. A maioria das empresas nacionais sucumbe à forte concorrência das multinacionais, que desfrutam de todas as vantagens tributárias e logísticas de sua rede de distribuição. • Necessidade de investimentos: para se manterem competitivas, as empresas precisam investir cada vez mais em inovação, quer em tecnologia, quer na melhoria de seus processos administrativos e de produção. A fim de suprir essa necessidade, cabe ao governo lançar mão de políticas de incentivo como o financiamento da produção com verba pública a juros baixos, entre outras medidas Gestão da Cadeia de Suprimentos 41 protecionistas não abusivas. Infelizmente, o Brasil é um dos países com as maiores taxas de juros, fato que reduz a liquidez do mercado de crédito. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos e na Europa, a obtenção de crédito é uma atividade bem mais simples, ao alcance de todos. Como Sobrevier em um Mundo Globalizado? Nos últimos anos, testemunhou-se provavelmente a maior concentração de turbulências no mercado desde a grande crise econômica de 1929. A velocidade com que as empresas assumem e deixam a liderança de seus segmentos impressionam até os mais arrojados economistas. O mercado de tecnologia, por exemplo, presenciou a ascensão e derrocada de vários gigantes do mercado mundial, como IBM, Microsoft e Google, que em apenas três décadas reversaram-se na liderança do mercado da Tecnologia da informação (TI). Figura 18 – Tecnologia da Informação Fonte: Freepik. Gestão da Cadeia de Suprimentos 42 Algumas empresas líderes em seus respectivos segmentos, há poucos anos, hoje enfrentam sérias dificuldades. O número de fusões e aquisições entre grandes grupos econômicos é assustador e provoca instabilidades simplesmente imprevisíveis para as menores empresas, muitas vezes sucumbem ao sabor dessas mudanças. Assim, pode-se apontar algumas estratégias para manter distância desses riscos iminentes, tais como: • Direcionar o foco da cadeia de suprimentos e da logística para o cliente, e não para o produto. • Investir em novos meios de tornar a estrutura organizacional a mais leve possível, lançando mão de parcerias estratégicas para baratear custos e agregar valor ao produto. • Buscar incessantemente a inovação como meio determinante de se manter competitivo frente às grandes corporações. Se por um lado as grandes corporações conseguem praticar preços cada vez mais baixos devido a sua capilaridade e potencial de investimento, por outro, elas normalmente são pesadas em sua estrutura e não conseguem acompanhar a velocidade de inovação das empresas de menor porte. Figura 19 – Inovação das empresas Fonte: Freepik. Gestão da Cadeia de Suprimentos 43 Essas pequenas empresas devem fixar-se nesse paradigma para manterem-se competitivas e, consequentemente, sobreviverem neste concorrido mercado global. SAIBA MAIS: Quer se aprofundar no tema desta aula? Recomendamos o acesso a leitura do artigo Globalização e complexidade em supply chains (ZINN, 2012), disponível aqui. RESUMINDO: E então, você gostou do que estudamos nesse capítulo? Nós esperamos que sua resposta seja sim! Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o conteúdo estudado nesta terceira etapa da unidade, explanaremos, de forma resumida, tudo o que vimos. Neste capítulo, conhecemos a gestão de cadeia de suprimentos em nível global. Inicialmente, vimos o conceito de globalização e a sua importância para esse contexto. Em seguida, conferimos tecnologias e estratégias relevantes para a gestão de cadeia de suprimentos em nível global. Por último, abordamos como as empresas podem sobreviver no cenário contemporâneo, repleto de competição. Contamos com você no próximo capítulo. Até breve! Gestão da Cadeia de Suprimentos http://www.tecnologistica.com.br/portal/artigos/60676/globalizacao-e-complexidade-em-supply-chains/ 44 Gerenciamento de Riscos na Supply Chain OBJETIVO: Neste capítulo, vamos conhecer e aplicar as técnicas de gerenciamento de riscos na Supply Chain Management. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante! Modelo de Gerenciamento de Riscos na Supply Chain Assim como tudo na vida, gerenciar uma cadeia de suprimentos apresenta vários riscos à organização e para quem nela trabalha. E como não poderia deixar de ser, para mitigar esses riscos, temos a aplicação de certas técnicas gerenciais sobre eles. O gerenciamento de riscos faz parte de toda e qualquer área de Gerenciamento. A exemplo do que preconizao Project Management Institute (PMI), o gerenciamento de riscos é uma das nove áreas de conhecimento do gerenciamento de projetos. Sem dúvida, os riscos envolvidos na operação e gerenciamento da Supply Chain são inegáveis e de extrema importância quanto à análise preventiva. Nesta aula, discorreremos acerca dos modelos de gerenciamento existentes, com casos de aplicação prática. Todo e qualquer modelo de gerenciamento de riscos deve se basear em quatro processos gerenciais recorrentes e cíclicos: • Identificação dos riscos. • Avaliação dos riscos. • Controle dos riscos. • Monitoramento dos riscos. Gestão da Cadeia de Suprimentos 45 Identificação dos Riscos A primeira fase para a construção de um modelo de gerenciamento de riscos constitui-se na identificação deles. Isso é obtido por meio da realização do levantamento de suas fontes, observando os pontos fracos da cadeia de suprimentos, as ameaças potenciais (internas e externas) e demais vulnerabilidades julgadas importantes. É muito importante, nesta fase, saber diferenciar os riscos provenientes das ameaças internas e externas. É sabido que as ameaças internas são mais facilmente mitigadas ou eliminadas do que as externas, uma vez que não se tem muito controle sobre essas últimas. Por exemplo, para uma indústria de materiais eletrônicos localizada no Brasil, constitui-se como riscos eminentes: Internos: • Erros no controle de qualidade dos componentes. • Perda de mão de obra qualificada. • Falhas nos sistemas de controle e monitoramento da produção. Externos: • Perda de contratos para a concorrência. • Redução de incentivos tributários no comércio exterior. • Medidas protecionistas dos países sedes das concorrentes. Segundo Craighead et. al. (2007), as empresas necessitam desenvolver a capacidade de analisar precocemente seus riscos, de modo que possam ser devidamente avaliados, permitindo que os esforços de mitigação produzam os efeitos esperados. Antecipar a identificação dos riscos, portanto, é de fundamental importância para o sucesso dessas medidas. Gestão da Cadeia de Suprimentos 46 Avaliação dos Riscos A segunda fase da construção do modelo de gerenciamento de riscos é a avaliação desses riscos. Essa etapa tem por objetivos: • Classificar os riscos quanto ao seu grau de importância para a cadeia de suprimentos. • Avaliar o impacto das consequências de cada um desses riscos, estimando a probabilidade de ocorrência deles em função da extensão de seus impactos. No que concerne à avaliação dos impactos, uma técnica bastante utilizada é a Matriz de Riscos. Essa matriz deve ser construída para cada um dos riscos identificados e consiste em associar o produto entre a probabilidade de ocorrência de uma ameaça e seu respectivo impacto. Em outras palavras, para cada risco identificado, uma matriz deve ser construída, mapeando-o quanto a sua probabilidade de ocorrência e ao impacto gerado por essa ocorrência. Figura 20 – Matriz de Riscos Fonte: Adaptada de Oliveira (2015). Gestão da Cadeia de Suprimentos 47 Observando bem o gráfico, percebe-se que o grau de risco é o produto entre o grau de impacto de sua ocorrência e a probabilidade dele ocorrer de fato. Dependendo do nível de precisão dessa avaliação, a empresa pode optar por atribuir escala numérica ou, simplesmente, indicadores qualitativos como “Baixo”, “Médio” e “Alto”, como sugerido pela ilustração. Imaginemos um caso prático: aquela mesma indústria de componentes eletrônicos, sobre a qual havíamos falado anteriormente, pode avaliar como “altíssimo” o impacto da perda de mão de obra especializada de seu quadro funcional, entretanto, ela pode considerar essa possibilidade como muito remota de acontecer, face à política estratégica de RH adotada, aliada ao numeroso quadro que detém. Da multiplicação entre esses dois fatores, o risco da perda de recursos humanos qualificados para a empresa pode ser considerado nulo. Controle dos Riscos A terceira fase do modelo de gerenciamento de riscos é o estabelecimento de técnicas e métodos para o controle desses riscos, cujo objetivo central é a mitigação ou eliminação, quando possível, da ocorrência dos eventos indesejáveis decorrentes. A mitigação ou eliminação à qual nos referimos utiliza-se de dados coletados na fase anterior (avaliação). Assim, para o eficaz controle dos riscos faz-se necessária a escolha de uma ou mais estratégias para mitigação ou eliminação, antes da ocorrência desses eventos. Como medidas de controle, é necessário o desenvolvimento de planos de contingência para mitigar os efeitos da ocorrência daqueles eventos. Assim, para cada risco iminente, uma estratégia específica e adequada de mitigação ou eliminação deve ser desenvolvida. Monitoramento dos Riscos Seria inócuo falarmos em controle de riscos sem termos como monitorar esse processo de controle. O planejamento e implantação de instrumentos capazes de acompanhar todo o processo produtivo é de Gestão da Cadeia de Suprimentos 48 vital importância para se controlar os riscos e, consequentemente, mitigar seus efeitos em caso de ocorrência de eventos indesejáveis. As medidas de controle e monitoramento dos riscos em uma cadeia de suprimentos devem ser implementadas respeitando-se, primordialmente, a relação custo-benefício. Algumas vezes é melhor submeter-se a um risco do que implementar medidas de prevenção, controle e monitoramento geradores de mais custos do que a margem de contribuição dos produtos finais conseguem pagar. Para sintetizar o debate até aqui, o diagrama ilustrado na Figura 21 sintetiza as fases do modelo de gerenciamento de riscos. Figura 21 – Etapas para a gestão de riscos Etapa 1 Identificação dos riscos Levantamento das fontes de riscos Caracterização dos riscos Etapa 2 Avaliação dos riscos Seleção dos riscos mais importantes Avaliar o impacto dos riscos Etapa 3 Controle dos riscos Estabelecer estratégias para mitigar os riscos Proceder com as informações Etapa 4 Monitoramento dos riscos Avaliar eficácia e eficiência Avaliar performance dos resultados Fonte: Tomas e Alcântara (2013). Gestão da Cadeia de Suprimentos 49 Principais Riscos na Cadeia de Suprimentos Até aqui discorremos sobre o modelo de gerenciamento de riscos em uma cadeia de suprimentos hipotética, suas fases e algumas ferramentas para mitigação desses riscos. Mas de que riscos estamos falando? Quais são as fontes de risco de maior incidência sobre uma cadeia de abastecimento? Para Christopher (2007), as principais fontes de riscos são: • Risco no fornecimento: trata-se de riscos provenientes do fornecimento de produtos, em que fatores como fornecedores globais, monopólios e oligopólios, para alguns tipos de produtos ou matérias primas, entre outros fatores ligados ao mau gerenciamento dos suprimentos, podem oferecer sérios riscos à cadeia como um todo. • Risco na demanda: como abordado inúmeras vezes, a previsão de demanda é uma importante ferramenta para o aumento da eficiência produtiva, sobretudo no que tange aos níveis de estoque. Quando essas previsões são malfeitas ou inexistentes, a demanda que supri a cadeia também representa enorme risco para o giro de seus produtos, acarretando eventos como falta ou excesso de itens estocados. • Risco no processo: erros e ineficiência no processo de produção, assim como na logística de entrada e saída dos produtos, podem oferecer riscos relevantes à eficiência da cadeia de suprimentos em geral. A mitigação desses riscos se baseia na identificação dos gargalos e dos pontos de vulnerabilidade nos processos produtivos e logísticos. • Risco ambiental: mais para umas do que para outras organizações, dependendo do perfil de seus produtos e matérias-primas produzidas e movimentadas, pode haver riscos relacionados ao meio ambiente. Acidentes ambientais tendem a se tornar cada vez mais caros paraas empresas causadoras, daí a importância desse risco. Gestão da Cadeia de Suprimentos 50 • Risco econômico: são riscos relacionados a aspectos, sobretudo externos, como a tarifação e tributação de mercadorias e matérias-primas, entre outros aspectos governamentais já citados anteriormente. O mapeamento de riscos de Harland, Brenchley e Walker (2003) baseia-se em 11 diferentes tipos de riscos e em seis diferentes tipos de perdas aos quais as cadeias de suprimento estão sujeitas. Como a Figura 22 aponta, precisamos percorrer seis etapas para conhecer os riscos mencionados. Figura 22 – Modelo de Harland, Brenchley e Walker Mapeamentos dos riscos na cadeia Identificação dos riscos Elaborar estratégias Avaliação dos riscos Controle dos riscos Implementar estratégias Fonte: Adaptada de Tomas e Alcântara (2013). À medida que essas etapas se sucedem, conseguimos definir falhas e elaborar soluções, evitando problemas futuros. Existem, ainda, outros tipos de riscos além dos que citamos, mas esses estão associados a caraterísticas muito mais específicas das cadeias produtivas. Gestão da Cadeia de Suprimentos 51 SAIBA MAIS: Quer se aprofundar no tema desta aula? Recomendamos a leitura do artigo Planejamento e controle da produção: um estudo de caso no setor de artigos esportivos de uma indústria manufatureira (LOPES; LIMA, 2008), disponível aqui. RESUMINDO: E então, você gostou do que estudamos nesse capítulo? Nós esperamos que sua resposta seja sim! Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o conteúdo estudado nesta última etapa da unidade, explanaremos, de forma resumida, tudo o que vimos. Neste capítulo, descobrimos as técnicas de gerenciamento de riscos no contexto da gestão de cadeia de suprimentos global. Vimos, especialmente, os riscos e as funções relacionados aos diversos setores dessa cadeia. Sucesso na sua caminhada. Avante! Gestão da Cadeia de Suprimentos http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2008_tn_sto_069_491_11556.pdf 52 REFERÊNCIAS CHRISTOPHER, M. Logística e Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos. São Paulo: Thomson Learning, 2007. COELHO, L.; FOLLMANN, N.; RODRIGUEZ, C. O impacto do compartilhamento de informações na redução do efeito chicote na cadeia de abastecimento. Gestão & Produção, v. 16, n. 4, p. 571-583, out./dez. 2009. CRAIGHEAD, C. et. al. A gravidade da cadeia de suprimentos interrupções: características de design e recursos de mitigação. Ciências da Decisão, v. 38, n. 1, p. 131-156, 2007. HARLAND, C.; BRENCHLEY, R.; WALKER, H. Risco nas redes de abastecimento. Journal of Purchasing and Supply management, v. 9, n. 2, p. 51-62, 2003. KIM, W.; MAUBORGNE, R. Blue Ocean strategy, expanded edition: how to create uncontested market space and make the competition irrelevant. New York: Harvard Business Review Press, 2014. OLIVEIRA, M. A importância da matriz de riscos no planejamento da auditoria. Orientador: Paulo Schimidt. 2015. 92 f. Dissertação (Mestrado em Economia) – Programa de Pós-Graduação em Economia. UFRGS. Porto Alegre. 2015. Versões impressa e eletrônica. PORTER, M. The structure within industries and companies’ performance. The Review of Economics and Statistics, p. 214-227, 1979. TOMAS, R.; ALCANTARA, R. Modelos para gestão de riscos em cadeias de suprimentos: revisão, análise e diretrizes para futuras pesquisas. Gestão & Produção, v. 20, p. 695-712, 2013. WANKE, P. Quadro conceitual para gestão de estoques: enfoque nos itens. Gestão & Produção, v. 19, n. 4, p. 677-687, 2012. Gestão da Cadeia de Suprimentos Estratégias Competitivas Competitividade na Supply Chain Estratégia As Cinco Forças de Porter Competição do Mercado Ameaça de Novos Concorrentes Ameaça de Produtos Substitutos Poder dos Clientes Poder dos Fornecedores Exemplos de Estratégia Tomada de Decisão Estratégia de Fornecimento Responsividade Versus Previsibilidade na Cadeia de Suprimentos Antecipar ou Postergar o Consumo? Entendendo o Efeito Chicote Medidas Antiespeculativas Racionalização dos Lotes de Compra Gestão do Global Supply Chain O Que é Globalização? Critérios da Produção Global A Globalização e o Supply Chain Barreiras Contra a Globalização da Cadeia de Suprimentos Desvantagens da Globalização para a Cadeia de Suprimentos Como Sobrevier em um Mundo Globalizado? Gerenciamento de Riscos na Supply Chain Modelo de Gerenciamento de Riscos na Supply Chain Identificação dos Riscos Avaliação dos Riscos Controle dos Riscos Monitoramento dos Riscos Principais Riscos na Cadeia de Suprimentos