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Descartes, a propósito, já havia formulado a pergunta sobre como cérebro e consciência se relacionam um com o outro. Ele pensava que o contato entre consciência imaterial (mens) ou alma (animus) e corpo se dava na glândula pineal (uma parte do cérebro que se encontra no epitálamo e que toma parte na produção de melatonina no ciclo vigília- sono). Até hoje se pensa, dando continuidade ao debate que se seguiu a Descartes no início da Modernidade, que seria válido decidir uma disputa entre duas grandes posições. O dualismo a�rma que, ao lado das coisas cerebrais, haveria ainda uma coisa-consciência no universo, enquanto o monismo colocaria isso em questão. O neuromonismo a�rma que a coisa- consciência seria idêntica ou ao cérebro inteiro ou a algumas regiões cerebrais e a suas atividades. Ambas as posições pressupõem que a consciência é uma coisa, o que já é o erro decisivo. É correto que não podemos colocar em questão que estamos conscientes enquanto estamos conscientes. De fato, podemos nos enganar acerca da questão sobre se alguém ou alguma outra coisa é consciente (motivo pelo qual se pode incorrer no pensamento de que computadores, robôs aspiradores, termostatos, rios, galáxias ou seja lá o que for também poderiam ser conscientes), mas não na questão sobre se nós mesmos somos conscientes. Disso só não se segue, infelizmente, que já saberíamos o que é a consciência. Sabemos apenas que dispomos dela ou, se assim se quiser, que nós a somos – se deveria ser correto que o nosso Si, aquilo que faz de nós aquilo que nos consideramos ser, seja de�nido pela consciência. Autoconsciência signi�ca, por um lado, a circunstância de que somos conscientes e nos ocupamos expressamente com isso, ou seja, com a nossa consciência. Não poderíamos nos ocupar com essa circunstância, sem que fôssemos conscientes ao fazê-lo: somos conscientes enquanto nos ocupamos com a consciência, de modo que se coloca agora a pergunta sobre se esse