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CDD-158.12 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) George, Mike O sistema imunológico da alma : a jornada de autoconhecimento para se libertar de todas as formas de desconforto / Mike George ; tradução de Jacqueline Valpassos. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2018. Título original : e Immune System of the Soul : the Journey from awareness to realization to transformation and freedom from ALL Dis – ease Bibliogra�a. ISBN 978-85-326-5796-1 – Edição digital 1. Autoconhecimento (Psicologia) 2. Autorrealização 3. Bem-estar – Aspectos sociais 4. Meditação I. Título. 18-13146 Índices para catálogo sistemático: 1. Meditação : Aperfeiçoamento pessoal : Psicologia aplicada 158.12 Título original em inglês: e Immune System of the Soul – e Journey from Awareness to Realization to Transformation and Freedom from ALL Dis – ease,by Mike George. Direitos de publicação em língua portuguesa – Brasil: © 2018, Editora Vozes Ltda. Rua Frei Luís, 100 25689-900 Petrópolis, RJ www.vozes.com.br Brasil Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da editora. CONSELHO EDITORIAL Diretor Gilberto Gonçalves Garcia Editores Aline dos Santos Carneiro Edrian Josué Pasini Marilac Loraine Oleniki Welder Lancieri Marchini Conselheiros Francisco Morás Ludovico Garmus Teobaldo Heidemann Volney J. Berkenbrock Secretário executivo João Batista Kreuch _________________________ Editoração: Maria da Conceição B. de Sousa Diagramação: Sheilandre Desenv. Grá�co Revisão grá�ca: Nilton Braz da Rocha / Nivaldo S. Menezes Capa: SGDesign Ilustração de capa: ©neyro2008 | iStock ISBN 978-85-326-5796-1 (Brasil – edição digital) ISBN 978-0-9576673-2-7 (Inglaterra – edição impressa) Editado conforme o novo acordo ortográ�co. http://www.vozes.com.br/ Sentir-se mal Quando você é alguém que “sente-se mal”, é provável que se sinta fechado e isolado, às vezes prejudicado e vitimado, talvez ansioso e apreensivo, geralmente melancólico e até deprimido ou apenas frustrado e extremamente estressado! Em outras palavras, você criará e sentirá uma combinação de emoções, todas elas adaptações das três famílias de emoções que indicam um estado de mal-estar – tristeza, raiva e medo. É provável que o mundo pareça um lugar um tanto ameaçador e hostil. Que as outras pessoas, em geral, precisem ser toleradas! É provável que você olhe com frequência para trás, para o que julga terem sido dias melhores. E sempre que olha para frente, parece haver pouca luz no �m do túnel. No entanto, sentir-se mal é geralmente considerado “normal”. Ouça várias conversas na hora do cafezinho e você notará como a sensação de mal-estar torna-se facilmente uma forma perversa de conforto mutuamente consentida! Sentir-se bem Quando você é alguém que “sente-se bem”, está aberto e cordialmente disposto a conectar-se com quase todo mundo. Há um entusiasmo natural, uma atitude alegre e animada que atrai os outros para a sua aura. Mesmo quando circunstâncias difíceis surgem do nada, você permanece inabalável e consegue lidar com elas com uma facilidade que con�rma seu domínio de seus próprios pensamentos e sentimentos. Seu coração está sempre pronto a satisfazer amorosamente as necessidades dos outros. Você consegue esquecer com facilidade as provações e tribulações do passado enquanto marcha com alegria para um amanhã radiante e novinho em folha. Sentir-se bem pode parecer anormal para alguns e totalmente irritante para muitos dos que se sentem mal! É por isso que, no mundo moderno, ser alguém que se sente bem às vezes parece algo tão inadequado! Eu sou O mal-estar é popular não por um consentimento comum, mas devido a um tipo de ignorância onipresente que possui uma causa profunda, oculta, antiga e arraigada. Qualquer momento de mal-estar no interior de seu ser é um sinal de que você aprendeu a acreditar que é alguém diferente de quem você realmente é! O bem-estar não pode ser restaurado até que você se reconheça como nada além do “eu” que diz “eu sou”. Se você colocar qualquer coisa depois do “eu sou”, isso não é você. É uma �cção, uma construção, uma invenção da sua imaginação! Como consequência, você irá sofrer, mas é improvável que você faça a conexão, já que também é improvável que você tenha consciência de que não é quem você pensa ser! Quando você acredita que é mais do que apenas o “eu” que diz “eu sou”, você inconscientemente diminui a si mesmo e sabota sua natureza pací�ca e amorosa! Você começa a acreditar que tem de “ir e estar” em outro lugar, que você tem de “ir e fazer” algo importante, que você tem de “ir e alcançar” algo signi�cativo. Tudo isso resulta em uma espécie de ausência perpétua em sua própria vida. Estas são as estratégias que usamos para evitar sermos nós mesmos. Daí o ditado: “Alguém que está tentando ser outra pessoa não sabe como ser!” Ser ou não ser, é sempre uma falsa escolha! Você sempre é o “eu” que diz “eu sou”. E isso é TUDO... que você é! Sumário PARTE UM – VOCÊ é alguém que se sente bem? A diferença entre saúde e bem-estar A diferença entre dor e sofrimento Compreendendo o sistema imunológico da alma A cura P.E.T Fase 1 – Percepção dos sintomas Fase 2 – Entendimento da causa Fase 3 – Transformação do nosso estado de ser O seu sistema imunológico funciona? PARTE DOIS – Os 12 desconfortos da alma 1 “Eu devo ter mais” – O desconforto do VÍCIO 2 “Isso pertence a mim!” – O desconforto da CEGUEIRA 3 “Perdi algo muito importante” – O desconforto do CORAÇÃO 4 “Algo terrível está prestes a acontecer” – O desconforto da PARALISIA 5 “Eles deveriam fazer o que eu quero” – O desconforto da INSANIDADE 6 “Eu não mereço tamanha bondade” – O desconforto do DIABETES 7 “Eu �z algo errado, então eu sou mau” – O desconforto de estar INCAPACITADO 8 “Ah, não, eles de novo, não!” – O desconforto da ALERGIA 9 “Espere até eu contar pros outros!” – O desconforto da INCONTINÊNCIA 10 “Eu preciso saber mais!” – O desconforto da INDIGESTÃO 11 “Eu sempre estou certo” – O desconforto da ARTRITE 12 “Eu não posso dar amor, esse não sou eu!” – O desconforto da ASMA PARTE TRÊS – FIQUE bem – PERMANEÇA bem – SIGA bem A primeira prática – MEDITAÇÃO A segunda prática – CONTEMPLAÇÃO A terceira prática – APLICAÇÃO A quarta prática – CONTRIBUIÇÃO As quatro por dia! – E mais outra Treine você mesmo para o bem-estar Realize o seu diagnóstico – Parte I Realize o seu diagnóstico – Parte II Agradecimentos e links PARTE UM VOCÊ é alguém que se sente bem? Doença Uma condição patológica de uma parte, órgão ou sistema de um organismo resultante de várias causas, como infecção ou defeito genético ou estresse, e caracterizada por um grupo identificável de sinais ou sintomas. Desconforto Uma condição da consciência que se manifesta devido à perda da autopercepção e ao apego e identificação com uma imagem/ideia mental, caracterizada por um grupo identificável de tipos específicos de pensamentos e emoções. A diferença entre saúde e bem-estar Nós provavelmente estamos vivendo no período da história mais consciente em relação à saúde. Podemos nos tornar um especialista em quase qualquer doença em questão de horas. Com dois cliques num mouse, podemos convocar o consultor internacional e guru de todos os problemas de saúde, também conhecido como Google, e ter acesso imediato a sintomas, causas e curas de milhares de enfermidades. Mas nada disso pode nos dizer por que todos nós não estamos bem! Se você digitar em seu mecanismo de busca a mais vaga descrição de um nódulo, uma dor ou uma coceira, será inundado por um rio de informações e um fornecimento ilimitado de insights de diagnóstico. Você terá acesso ao conhecimento tanto dos tratamentos convencionais como dos “alternativos” por meio de centenas delinks em uma centena de países. Como nossos pais sobreviveram sem isso? Na verdade, extremamente bem! A saúde do nosso corpo já não é mais apenas uma conversa ocasional para alguns. Agora é uma preocupação obsessiva para muitos. Mas a verdadeira questão hoje não é quão saudável o seu corpo pode ser, mas VOCÊ é alguém que se sente bem? Saúde e bem-estar, embora obviamente ligados, são duas coisas diferentes. Boa saúde refere-se ao corpo que ocupamos, mas o “bem-estar” refere-se a... bem, ao seu ser! Você pode ter um corpo saudável, mas não estar bem em seu ser. Ao longo do tempo, no entanto, o mal-estar de seu ser provavelmente se traduzirá em uma deterioração da saúde do corpo que você ocupa! Você pode ser alguém que se sente bem, enquanto seu corpo é um verdadeiro catálogo de enfermidades variadas. No entanto, hoje sabemos que, se você mantiver o seu bem-estar, é mais que provável que isso provocará um efeito positivo sobre a saúde do seu corpo e até mesmo auxiliará na cura de muitas dessas doenças. Nosso bem-estar é primordial e a saúde física do nosso corpo, secundária. Entretanto, por sabermos tão pouco sobre o que signi�ca “sentir-se bem” e como “permanecer bem” em nosso ser, tornamos nossa saúde física primordial e quase ignoramos o bem-estar do nosso ser. A ciência não fala sobre ser! Na era dos especialistas em medicina, é fácil detectar, de�nir e descrever tanto um estado de “boa saúde” quanto as diversas condições de “má saúde”. Como nosso corpo é visível e tangível, é fácil descobrir o que, por que e como as coisas saem errado. Mas, obviamente, não é tão fácil enxergar e entender por que não estamos bem em nosso ser. Com a doença física, temos procedimentos cientí�cos e formas de mensurar, compreender e curar quase qualquer enfermidade. Mas “sentir-se bem em seu ser” não é mensurável, simplesmente porque você não pode colocar o “ser” em um tubo de ensaio! O ser não pode ser submetido a um bisturi. Isso signi�ca basicamente que a “ciência” nada tem a dizer sobre sentir-se bem, porque a ciência não tem nem como medir o sentir-se bem do nosso ser, que dirá por que e como não nos sintamos bem em nosso ser. Provavelmente é por isso que a ciência em geral, e a ciência médica em particular, resiste à ideia de que a deterioração e a ausência de bem-estar são fatores importantes na doença física. No entanto, como a tecnologia moderna facilita o compartilhamento instantâneo de insights sobre o bem-estar mental e espiritual, e à medida que aumentamos nossa compreensão pessoal de nossos estados de ser, parece que mais de nós estamos aprendendo a avaliar com maior precisão o quão bem estamos... em nosso ser! Aos poucos, um número cada vez maior de pessoas vem se tornando mais sábio e mais intuitivamente consciente do vínculo direto entre o bem-estar do ser e a saúde de seu corpo. Embora possamos nos bene�ciar de tal conhecimento, nada substitui ainda a ação de voltarmos a atenção para nosso interior e constatarmos por nós mesmos. Medindo-se! Existem muitas maneiras de estimar e avaliar o bem-estar do seu ser. O bem-estar é de�nido não por “quantidades” mensuráveis, mas pela “qualidade” de seus pensamentos e atitudes, os seus níveis de felicidade e contentamento, a consistência de sua capacidade de se conectar amorosa e compassivamente com os outros, a estabilidade de seus sentimentos e em que medida você sente que é o mestre das escolhas que faz. A este respeito, você é seu próprio cientista e o laboratório é sua própria consciência. Os testes que você executa exigem os instrumentos de seu próprio conhecimento, enquanto você observa e mede a clareza de suas percepções, a qualidade de seus pensamentos e sentimentos e a benevolência de suas intenções. Ser capaz de ver e identi�car as causas de qualquer perda de bem-estar e conhecer as formas de restaurar o bem-estar ao nosso ser são as habilidades primárias de alguém apto a �car bem sempre que quiser, permanecer bem onde quer que esteja e seguir bem através de desa�os e provas que a vida nos apresenta a todos, todos os dias. O propósito deste pequeno livro é entender um pouco mais sobre a verdadeira natureza do “bem-estar”, o que fazemos para sabotá-lo, como obter alguma medida de quão bem estamos e, �nalmente, saber como despertar nosso sistema imunológico espiritual a �m de restaurar e manter o nosso bem- estar. Se alguma coisa não estiver clara, por favor contate mike@relax7.com A diferença entre dor e sofrimento Como diz o velho ditado, “A dor é obrigatória, mas o sofrimento é opcional”. Dor é o que inevitavelmente sentimos quando algo acontece com o corpo que ocupamos. Mas sofrimento é o que criamos em um nível mental e emocional em “resposta” ao que acontece com o nosso corpo e ao que percebemos estar acontecendo no e ao mundo ao nosso redor. Nosso corpo pode estar doendo, mas podemos escolher não sofrer. Alguns conseguem fazer essa escolha. Eles aceitam que a dor física é inevitável, mas não se debruçam sobre isso, não culpam os outros por isso, não se preocupam com a duração da dor, não sofrem mental ou emocionalmente. Eles tendem a aceitar a presença da dor e continuar com a vida. Não é fácil para a maioria de nós, mas parece possível. Por outro lado, enquanto a saúde física da maioria das pessoas está bem, elas podem passar a vida sofrendo, já que julgam, culpam, criticam e condenam os outros e/ou sentem-se furiosos em relação a acontecimentos no mundo. Entremeados nesses e em muitos outros “comportamentos” estão as emoções do sofrimento. A dor é física e o sofrimento é mental/emocional. A dor é um sinal que o seu corpo envia para o cérebro. A mensagem é que você precisa mudar algo dentro das energias de sua forma física. Obviamente, signi�ca que algo precisa ser curado. O sofrimento é uma mensagem emocional que diz que você perdeu o controle de suas percepções, pensamentos e sentimentos, e se você não quer sofrer, você precisa mudar a maneira como “percebe e pensa” sobre o que está acontecendo ao seu redor. A dor pode ser causada por outras pessoas se elas �zerem algo ao seu corpo, mas o sofrimento sempre é causado por você mesmo, de acordo com o que acredita, que então molda como e o que você percebe. É por isso que alguém olha para fora da cela da prisão e vê apenas as grades, enquanto o cara na cela ao lado olha para fora e vê apenas as estrelas! O sofrimento sempre pode ser uma escolha. Isso não é fácil enxergar em um mundo que geralmente funciona com base na crença de que é natural sofrermos nas mãos de nossos pais, gerentes, governos e até mesmo do nosso clima! É um sinal de que nos esquecemos de que ninguém mais é responsável por nossos pensamentos e as emoções que criamos e sentimos. Esse “entendimento” por si só, o de que sou sempre eu e não os outros que me fazem pensar e sentir de determinada maneira, é um insight que pode, em última instância, permitir que você se liberte de todos os sofrimentos. Se você quiser! O que é natural? Muitos de nós aprendemos a acreditar que o sofrimento é natural, que faz parte da natureza humana, que é o que nos torna humanos. Poucos de nós questionam essa crença particular. Então, não conseguimos enxergá-la como o que ela é na verdade: uma falsa crença! Se acreditarmos que o sofrimento é natural e, portanto, ok, então é provável que nosso sofrimento, que é o codinome para “infelicidade”, aumentará gradualmente em nossa vida e não nos daremos conta de que poderíamos ter feito algo a respeito. Mas se você puder perceber que todo sofrimento é autocriado, então despertará para a possibilidade de eliminar a crença de que você é uma “vítima indefesa”. A percepção de que você nunca é vítima, se assim escolher, pode mudar quase tudo, desde seus sentimentos do dia a dia até a qualidade de toda a sua vida! No entanto, para conseguir isso, você precisará examinar, contestar e mudar as muitas crenças que você herdou durante a infância, absorvidas no processo de sua educação e assimiladasdurante sua “passagem” para o mundo dos chamados adultos. São essas crenças que subconscientemente fazem de refém o estado de ser de quase todos nós, já que elas se tornam as sementes de estados de ser extremamente não naturais e, portanto, nada saudáveis. As re�exões deste livro destinam-se a destacar as crenças mais comuns e mais debilitantes que nos fazem sofrer. Isso permitirá que você veri�que se elas estão presentes em sua consciência e depois entenda como essas crenças são como “infecções” que sabotam seu bem-estar. Por último, você poderá perceber que todo o seu estresse, toda a sua tristeza e todo o seu sofrimento têm suas raízes nas crenças que você, consciente e subconscientemente, encara como verdadeiras. Há também alguns insights precisos, polvilhados com um pouco de sabedoria, sobre como você pode acabar com seu sofrimento e restaurar o bem- estar ao seu ser se você realmente estiver disposto a fazer esse trabalho interior. Muitas pessoas não querem acabar com o próprio sofrimento! Não querem estar bem em seu ser. Por mais estranho que isso pareça, muitos de nós �camos apegados à nossa infelicidade, confortáveis com nossos ressentimentos, satisfeitos com o nosso estresse! Podemos até usar nosso sofrimento emocional para formar a base do nosso senso de identidade. Quando usamos nossos descontentamentos dessa maneira, isso se torna semelhante a uma doença física que entra diretamente nos ossos e, portanto, é difícil mudar. Quando a nossa infelicidade se in�ltra no nosso senso de identidade, pode ser difícil libertar-se do que poderia ser diagnosticado como uma “condição crônica de ser”, também conhecida como “identi�cação errônea”. Esta é a causa fundamental de tudo que a�ige o nosso ser e nos deixa mal. Embora seja difícil enxergá-la, é por isso também que, como você descobrirá, há apenas uma cura para todas as várias formas de sofrimento humano. Existem muitos tratamentos e curas para todas as nossas doenças físicas, mas há apenas uma “cura �nal” para todos os nossos desconfortos espirituais! Essa cura pode ser realizada em um instante. Mais comumente, leva tempo para emergir do fundo da nossa alma. Só então podemos restaurar a imunidade completa a todas as várias formas de desconforto espiritual. Só então podemos �car bem, permanecer bem e seguir bem novamente. Compreendendo o sistema imunológico da alma Quando qualquer área da energia celular de nosso corpo é invadida por uma “forma de energia” que é de natureza hostil ou incompatível, as “células auxiliares” do sistema imunológico, muitas vezes referidas como anticorpos e glóbulos brancos, quase imediatamente detectam a presença do invasor. Elas se movem rapidamente para o local em questão a �m de proteger as partes afetadas do nosso corpo. Quando lá chegam, são capazes de discernir e distinguir a natureza exata da invasão e/ou a natureza precisa do desvio que acontece às próprias células do corpo. Seu trabalho é extinguir, expulsar ou cercar e, assim, conter o que pode ser chamado de “mau funcionamento celular”, que temos o costume de chamar de... doença! Embora possamos experimentar a dor de doenças ocasionais em nosso corpo, todos nós sofremos de muitos momentos de desconforto em nossa consciência, no íntimo de nosso ser. Momentos de desconforto são sinais que nos dizem que nosso bem-estar está sendo comprometido. Podem variar de uma silenciosa sensação de inquietação a estados de extremo estresse, que podem incluir desde a tristeza profunda e raiva total ao terror abjeto, na outra extremidade do “espectro do desconforto”. O objetivo do “sistema imunológico do nosso corpo” é detectar e distinguir, proteger e, muitas vezes, extinguir do nosso organismo os muitos tipos de doenças físicas com as quais hoje em dia estamos familiarizados. O “sistema imunológico da alma” funciona de forma semelhante em relação aos muitos tipos de “desconforto” que ocorrem em nossa consciência, dentro do nosso ser. O primeiro sintoma de qualquer perda de bem-estar, o primeiro sinal de qualquer “desconforto” que ocorre em nossa consciência, geralmente é uma “sensação” de inquietação mental ou emocional! No contexto de todos os desconfortos da consciência que exploraremos aqui, uso as palavras alma, consciência e ser como sinônimos. Todos se referem ao “eu” que diz “eu sou”, distinto do corpo que ocupamos. Enquanto a energia do corpo físico é o que chamamos de “matéria”, a energia da alma/eu é o que às vezes chamamos de “espírito”. Um é visível e tangível, e o outro é invisível e intangível. O espírito é o ser que eu sou/você é. Outra maneira de dizer isso no contexto dessa abordagem aos desconfortos da consciência é que você não tem alma, você é a alma. Você não tem consciência, você é consciência. Você não tem um espírito a espreitar em algum lugar do seu corpo, não é uma misteriosa entidade �utuante. Você é o ser espiritual que anima e irradia da forma que você ocupa. No entanto, enquanto o sistema imunológico do corpo é composto de “células auxiliares” separadas, o sistema imunológico da alma não está separado da alma/espírito. O sistema imunológico da alma está dentro de você, a alma! Não pode ser separado de você! Eu enfatizo isso para sublinhar a noção de que é distinto do seu corpo! O sistema imunológico que é um aspecto natural e integral de seu ser é mais bem descrito como “movimentos especí�cos da consciência”. Os três movimentos Quando o sistema imunológico da alma (espírito) entra em ação, os três movimentos dentro de sua consciência são: percepção, entendimento e transformação. Para ilustrar como nossa consciência se move e funciona dessa maneira, imagine que você está dirigindo rumo a um destino conhecido. Você também sabe a direção para qual deseja viajar, mas não está 100% certo do percurso, que tem desvios e retornos. Você dirige por algum tempo com a percepção de uma sensação desconfortável, mas não consegue apontar exatamente a causa dessa sensação. Então, você “�ca com” a sensação e deliberadamente “examina” a sensação desconfortável. De repente, você percebe que o sol está brilhando do lado esquerdo do carro e você sabe que deveria estar brilhando do lado direito. Você entende que está indo na direção errada. Você dá meia-volta enquanto “muda” (transforma) a direção na qual você está viajando. A sensação desconfortável desaparece instantaneamente. Aprofundando um pouco mais o paralelo, imagine que você �que com raiva de alguém. Parece uma reação normal, pois é algo que você já fez, até com certa frequência, toda sua vida. Os outros também fazem isso à beça! Mas, certo dia, a raiva se torna tão grande que você se pergunta se tudo isso vale a pena. Você percebe o intenso sentimento de desconforto dentro de si, dentro de sua consciência. Você percebe que esse desconforto é a emoção da raiva. Em vez de esperar para recuperar-se, você examina a raiva e entende que a) você a criou e b) a razão pela qual você a criou é porque você “acredita” que os outros devem fazer o que você diz (e obviamente não fazem!). Na verdade, você acredita implicitamente que a) você pode controlar os outros e b) os outros são responsáveis por sua felicidade. Você dedica um momento para reconsiderar essas crenças e entende que elas não são “verdadeiras”. Claro que elas não são verdadeiras: você não pode controlar os outros, nunca! Pode “parecer” que você está controlando quando eles fazem o que você diz ou quer, mas ainda assim eles estão decidindo fazer o que eles fazem. Também se torna óbvio que os outros não são responsáveis por sua felicidade. No entanto, você também pode “observar” que é verdade que, embora você não possa controlar os outros, você pode “in�uenciar” os outros. O entendimento dessas “verdades” inicia a transformação de seu estado de ser e, consequentemente, de seus pensamentos e comportamentos. Você deixa de tentar controlar os outros. Você nunca se irrita com ninguém e então o desconforto da raiva é curado! Sua energiaestá agora disponível para se concentrar no desenvolvimento de formas criativas de in�uenciar. Você percebeu o desconforto, você o examinou e entendeu a “crença causal”. Você examinou um pouco mais fundo e entendeu “a verdade” e, usando o poder dessa verdade, você transformou seu estado de ser. Uma variedade de vírus Enquanto o sistema imunológico do corpo é projetado para identi�car e curar muitos tipos de doenças físicas, o sistema imunológico da alma (consciência) é projetado para identi�car e curar muitos tipos de desconfortos da consciência, dentro do “eu”. Da mesma forma que qualquer doença no corpo é normalmente devida a algum vírus invasor que infecta e afeta a energia celular do corpo, os desconfortos da consciência também são causados por uma variedade de vírus. Estamos agora extremamente familiarizados com a ideia de “vírus”. Sabemos como vírus podem infectar e interromper as funções de um computador. Agora conhecemos muitos tipos de vírus que podem infectar e interromper as funções de nossos corpos. Mas o que são os vírus que infectam e perturbam a nossa consciência, isto é, nós mesmos? Tais vírus são chamados de “crenças”. Todos os desconfortos da consciência são causados pelos vírus de diferentes crenças e nosso “apego” consciente e subconsciente a essas crenças. No entanto, crença não é sinônimo de verdade. Como diz o velho ditado: “A verdade o libertará”. No contexto de todas as várias formas de desconforto que criamos dentro de nossa consciência, somente o entendimento da verdade pode nos libertar do apego a essas crenças e libertar-nos do sofrimento. Daí as três fases do sistema imunológico da alma enquanto realiza o processo de cura. A cura P.E.T. (Percepção – Entendimento – Transformação) Fase 1 – Percepção dos sintomas Isso signi�ca notar que há um desconforto que ocorre dentro de sua consciência, isto é, dentro de você! Signi�ca estar ciente de alguma coisa, desde uma leve sensação de inquietação até pensamentos e sentimentos turbulentos sobre qualquer coisa ou qualquer um. Ser consciente de si mesmo não é algo que se conquista facilmente para a maioria de nós. Somos quase que totalmente programados para estarmos cientes apenas do que está acontecendo “lá fora” no mundo que nos rodeia. Temos consciência do clima, do que há na TV, do que os outros estão fazendo e vestindo, das notícias, do que iremos fazer no dia seguinte, do que tem para o jantar, do dinheiro etc. Mas a única coisa que raramente percebemos é o que está acontecendo dentro de nossa consciência, dentro de nós mesmos. Nós achamos difícil “observar” a variedade e a qualidade ilimitadas dos pensamentos e sentimentos que estamos criando constantemente em nossas reações e respostas ao mundo. Somos vagamente conscientes de que nossas emoções têm um efeito no nosso corpo. Mas somos inclinados a não notar a presença da emoção até que ela de fato tenha atingido a energia física de nossa forma e nós “sintamos” algo �sicamente. A preocupação afeta nosso estômago, o medo afeta nosso coração, a tensão afeta nossos músculos, a ira afeta nossa pressão sanguínea. Consequentemente, tendemos a atribuir emoções e sentimentos “somente” ao nosso corpo e não percebemos que todas as nossas emoções têm sua origem dentro de nossa consciência, dentro de nós mesmos. Outra consequência dessa falta de percepção parece ser a de que a maioria de nós não tem uma “linguagem desenvolvida” para descrever o que sentimos e as emoções que surgem. Sem essa linguagem compartilhada, torna-se difícil atribuir signi�cado a tudo o que está acontecendo dentro de nossa consciência, dentro de nós mesmos. Uma das maneiras mais fáceis, e alguns diriam necessárias, de melhorar nossa autoconsciência e desenvolver nossa linguagem é falar sobre o que percebemos que está acontecendo dentro de nossa consciência. Não de um jeito terapêutico formal, mas de maneira informal e re�exiva com amigos e conhecidos. Inestimável é aquele amigo com o qual podemos ser totalmente abertos e relaxados enquanto expomos o que estamos pensando e sentindo sobre tudo e qualquer coisa. Enquanto fazemos isso, estamos criando juntos uma linguagem e começamos a enxergar com maior clareza as conexões entre nossas crenças e experiências, entre nossas percepções e nossas emoções, entre nossas atitudes e sentimentos e entre nossas lembranças e comportamentos. Não é preciso estudar como se estivéssemos atrás de um diploma em Psicologia, apenas desenvolver um grau de consciência e uma capacidade de descrever o que, como e por que pensamos e sentimos da maneira como fazemos. Quando tais conversas interativas são complementadas com tempo gasto em tranquila autorre�exão, vez por outra aproveitando os insights que encontramos na sabedoria dos outros, elas vão gradualmente aprimorando nossa percepção e entendimento do que está acontecendo em nossa própria consciência. Começamos a enxergar claramente como e por que criamos os muitos desconfortos da consciência e como eles sabotam o bem-estar do nosso ser. Não se trata de olhar para o próprio umbigo, e sim, de uma automotivada “educação interior” na única escola real na vida, que é a própria consciência. Não demora muito para que possamos identi�car e libertar-nos dos principais desconfortos da alma que todos “aprendemos” a sofrer. Nós os exploraremos todos em detalhes aqui e, enquanto o fazemos, você perceberá exatamente o que precisa ser “desaprendido”. Fase 2 – Entendimento da causa Isso signi�ca “enxergar” através da sensação de desconforto e entender a “crença viral” que “infectou” a nossa consciência. Isso só é possível quando não evitamos as emoções que sentimos e examinamos essas emoções. Só então podemos “enxergar” exatamente qual “crença viral” está por trás da emoção e está causando o desconforto. Mais uma vez, isso requer uma contemplação silenciosa e talvez algumas pistas de alguém que já tenha entendido as crenças causais de tais desconfortos. Então, é possível induzir o momento heureca!, o que signi�ca: “Agora vejo por que estou me sentindo assim, por que estou tão chateado, por que estou tão irritado, por que estou apavorado. Agora enxergo e entendo que a crença subjacente que eu continuo fortalecendo é que está moldando esses pensamentos e emoções no cerne deste desconforto. Conforme descobriremos, todos os nossos desconfortos da alma têm sintomas chamados “emoção”. Toda emoção é uma forma de sofrimento. Essa última frase é difícil de aceitar para muitos, geralmente porque eles nunca pensaram seriamente a respeito ou não de�niram o próprio conceito de “emoção”. Fazer isso requer algum tempo e atenção para re�etir sobre nossa própria “insperiência” de emoção. Só então podemos desenvolver a nossa compreensão das emoções que estamos criando e sentindo. Só então é possível identi�car e articular exatamente quais emoções estamos sentindo e, em particular, por que estamos criando essas emoções para começo de conversa. Este é um processo gradual que avança de acordo com nosso nível de interesse! À medida que crescemos, a maioria de nós aprende a acreditar que temos emoções positivas e negativas, como medo e amor, raiva e alegria, ódio e compaixão etc. Nós nunca questionamos essa crença! Mas quando percebemos que TODAS as nossas emoções têm sua origem em nossa consciência. E quando nos damos conta de que na consciência não há dualidade, nem polaridade, nem opostos, essas “crenças” sobre emoções começam a voar pela janela. Não há emoções positivas ou negativas. Há apenas emoção, ou não, conforme o caso! Neste ponto, termina o interesse de muitas pessoas em autopercepção e autoentendimento. Você pode estar achando que isso está �cando um pouco profundo demais e muito complexo, e que a vida só precisa ser vivida, não analisada assim. Além disso, como pode NÃO haver emoções positivas e negativas? Mas, na realidade, é aqui que começa a cura de todos os nossos desconfortos, todos os nossos sofrimentos, todo nosso estressee infelicidade. Esta é a fronteira além da qual você pode redescobrir a realidade de uma felicidade autêntica e sustentável sem qualquer dependência de qualquer coisa ou de qualquer pessoa. Mas isso exige que você seriamente conteste e deixe de lado muitas das “crenças aprendidas”. Incluindo a crença de que existem emoções positivas e negativas. Há apenas emoções. O amor não é uma emoção! É um estado de ser. A felicidade autêntica não é uma emoção. É um estado de ser. A alegria pura não é uma emoção, é um estado de ser. A emoção “acontece” quando a energia da nossa consciência é distorcida e perde sua vibração máxima, que é o seu estado natural. Essa “vibração máxima” é o que chamamos de amor. Mas, para conversar sobre tudo isso, primeiro precisamos concordar sobre o que queremos dizer com “amor”, o que queremos dizer com “emoção”, o que queremos dizer com “sentir” e o que queremos dizer com “estado”. Não é o tipo de conversa que muitas pessoas têm, daí a ausência geral de clareza em torno do tema emoção. Vamos voltar a isso em um instante. Entendimento nesse contexto signi�ca ver e perceber qual crença exatamente em nossa consciência está causando qualquer desconforto (emoção) que estamos sentindo em determinado momento. Por exemplo, a crença que causa grande parte do “desconforto emocional do medo” é a de que a vida é um curso de sobrevivência. A crença que causa o “desconforto da insegurança” é a de que a riqueza só pode ser medida pelo dinheiro! A crença que causa o “desconforto da irritação” é a de que a mesa deve ser posta exatamente como eu gosto! Entendimento também signi�ca redespertar para uma verdade mais profunda que já conhecemos, mas que saiu da nossa consciência. Nesses exemplos, a “verdade” pode soar como: a vida não é um curso de sobrevivência, mas uma oportunidade de servir aos outros, a verdadeira riqueza é o recurso interior da consciência conhecido como virtude e nossa felicidade não depende da maneira como uma mesa está posta! Quando entendemos tais verdades, elas naturalmente substituem as crenças e, portanto, curam o desconforto. A verdade é o catalisador da terceira fase da cura da alma, que é a transformação. Fase 3 – Transformação do nosso estado de ser A transformação ocorre dentro do “eu” através da redescoberta do que é “verdadeiro”. Somente o entendimento da “verdade” pode superar e substituir uma “crença viral” que é sempre a causa do desconforto. Cura neste sentido signi�ca restaurar a energia da consciência para o seu “verdadeiro” estado ou vibração. A conquista disso é con�rmada pelo desaparecimento da sensação de desconforto. A sensação de desconforto é substituída por sentimentos como paz e contentamento, compaixão e cooperação, e intenções como carinho e compreensão. Estes são “movimentos sem emoção” da consciência que moldam atitudes e comportamentos que criam conexões harmoniosas e relacionamentos saudáveis com os outros. Mas como sabemos que sabemos ou entendemos o que é verdade? Qual a diferença entre crença e verdade? Costumávamos acreditar que o mundo era plano. Então, vimos uma foto e percebemos a verdade, que o mundo é redondo. Ao contrário de um insight, neste caso foi uma perspectiva de fora que nos forneceu uma pista da verdade! Algumas pessoas “acreditam” que sua felicidade vem de “fora”. Poderíamos dizer que esta é uma crença do tipo “Terra plana”! Muitos outros contemplaram sua própria “insperiência” e entenderam a verdade, que a felicidade é um “trabalho interno”. Eles tiveram um “insight” de que a felicidade surge de nossa consciência. Cada um de nós tem o poder de criar nossos próprios níveis de felicidade de “dentro para fora”. Talvez você ainda “acredite” que outras pessoas fazem você sentir raiva. Mas pergunte aos mais esclarecidos ao seu redor e eles provavelmente dirão que entenderam “a verdade” de que ninguém nunca “faz” você �car com raiva. Nós “criamos” nossas próprias emoções e a raiva é apenas uma “emoção popular”! Provavelmente diriam também que foi o entendimento dessa verdade e a consequente restauração da capacidade de escolher nossos sentimentos que transformaram a maneira como eles se relacionam com os outros e vivem sua vida. A maioria das pessoas aprende a “acreditar” que o amor é adquirido; por isso, sai por aí em busca do amor. Isso parece ser contrariado por aqueles que a�rmam ter entendido uma das verdades mais profundas da vida, ou seja, que o amor é o que somos quando nos doamos incondicionalmente. Portanto, não há necessidade de procurar o amor em nenhum lugar. Ele já está “aqui”! Na verdade, eles nos lembram que é uma busca inútil que só criará muitos momentos de desconforto! Quando uma verdade é entendida pelo “eu”, ela produz uma mudança de percepção que, por sua vez, muda nossos pensamentos e ações. Cada um desses entendimentos então tem o poder de mudar nosso estado de ser e o consequente comportamento. Tais verdades têm o poder de curar a alma, o que signi�ca eliminar todos os tipos de desconforto que estamos habitualmente criando e sentindo dentro de nossa consciência. Tanto a localização como o processo de entendimento e transformação são pouco compreendidos, até mesmo entre as muitas escolas de iluminação. Imagine espremer seu corpo em uma caixa de papelão da metade da sua altura. Seu corpo está na caixa, mas perdeu sua “forma/estatura natural”. Haverá muito desconforto físico. E assim também é com a nossa consciência. Existe um estado natural de ser, do qual emana uma vibração natural da energia espiritual que somos. Às vezes, chamamos essa vibração de paz, outras vezes vibramos como amor, e às vezes vibramos como alegria, compaixão ou paciência etc. Estes são estados naturais de ser que também “sentiremos” em tais momentos. Cuidado com o que você faz... na sua mente! Perdemos a capacidade de vibrar a partir desses estados naturais e estender essa vibração em pensamento e ação quando esprememos nosso “eu” em algo não natural e, assim, distorcemos a verdadeira natureza de nosso ser. Fazemos isso perdendo o nosso “eu” em nossa própria mente. As caixas são ideias, imagens, lembranças e crenças. Nós as criamos em nossa mente e então comprimimos nosso “eu” nelas. Tomamos a forma do que está em nossa mente. Pode ser por apenas alguns segundos ou um hábito de muitos anos! Isso às vezes é referido como apego. Este acontece quando perdemos o nosso “eu” no que está em nossa mente. Nem percebemos que estamos fazendo isso. Nós então nos “identi�camos” com o que nos apegamos e esse é o momento em que o ego nasce. É por isso que uma das de�nições mais simples do ego é “identi�cação errônea”. Quando perdemos o nosso senso de nós mesmos no que diz respeito à nossa mente, é como se o ser consciente que somos fosse desformado. Estamos permitindo que uma ideia, imagem ou crença nos molde. Nós estamos usando a ideia/imagem/crença para nos dar um falso senso de identidade. É como se deixássemos de ser o “espírito livre”, que é o nosso estado verdadeiro, para nos tornarmos “presos” numa forma mental. Alguns dos sinais de que estamos fazendo isso incluem sentimentos de inferioridade, de inadequação, de estarmos sendo ameaçados, medo, tristeza, estresse, raiva e muitas outras emoções que sinalizam desconforto! É por isso que o ego, isto é, a identi�cação errônea, é a causa subjacente de todos os desconfortos, de todo sofrimento. Não é a causa “direta” da dor, que é física, mas é a causa direta de todo o sofrimento. A transformação é a libertação do “eu” das formas “não naturais” que o “eu” criou e adotou na mente. A esta altura, tenho certeza de que você deduziu que o “eu” não é a mente. A mente é uma função do “eu”, é um atributo ou faculdade da consciência. Por exemplo, assim que você começa a discutir com alguém, signi�ca que você se tornou “a forma” da crença que você está mantendo em sua mente nesses momentos. Você não percebe que está fazendo isso porque está ocupado construindo sua defesa contra a crençado outro ou sua estratégia para atacar a crença do outro. Em tais momentos, sua crença está moldando você. Você está se perdendo na crença que está “na sua mente” e, portanto, está percebendo a crença do outro como uma ameaça para você. É pessoal! Mas no momento em que você entende que a crença que você criou na mente é apenas mais outra crença e que ela não é você, então você estará começando a “deixar pra lá”. Você estará começando a “sair” da crença. E, ao fazer isso, você estará se transformando. Você estará se devolvendo à sua verdadeira forma como um espírito livre, não mais preso em coisa alguma na sua mente. Esse também é o momento em que os desconfortos do medo e da raiva, que são a moeda corrente em qualquer discussão, começam a desaparecer. Há três signi�cados embutidos na palavra “transformação”. “Trans” signi�ca TRANSCENDER, “form” signi�ca FORMA e “ação”, que é AÇÃO mesmo. A ação de transcender a forma ocorre dentro da consciência. É o momento em que o “eu” deixa de ser moldado por qualquer forma (imagem/ideia) na mente. O “eu” sai da mente e, assim, se eleva acima (transcende) do que está na mente. A liberdade do “eu” é restaurada ao retornar à sua forma original como energia radiante, invisível e não distorcida da consciência. O sentimento é de paz e liberdade. A verdadeira intenção do “eu”, que é “doar-se” incondicionalmente, sem desejar algo em troca, é restaurada. E as ações são sentidas e percebidas pelos outros como gentis e benevolentes... em TODAS as ocasiões. O principal sinal externo de transformação é a ausência de emoção e restauração da nossa capacidade de responder criativamente ao invés de reagir emocionalmente. Não porque a emoção é ruim ou é suprimida ou reprimida, mas por não ser mais criada! Emoções (energia em movimento) são o preço que pagamos hoje por nossos apegos (identi�cações errôneas) de ontem! Em outras palavras, as emoções surgem na consciência quando o “eu” se liga ao que está na mente. Se você gritar de raiva quando alguém quebra seu vaso Ming, isso signi�ca que você está apegado e identi�cado com a “imagem” do vaso em sua mente. Se você não estivesse apegado à imagem do vaso, se você não tivesse perdido seu senso de si mesmo na imagem do vaso, você não criaria a emoção da raiva, não sofreria o desconforto da raiva quando o vaso se quebrasse em mil pedacinhos! Você reagiria de forma pací�ca e perdoaria, porque aquilo é apenas um vaso e você é você! Quando você é pací�co e perdoador, você não é emotivo, você está em paz e estende o amor (seu próprio ser) como perdão para o outro! Escolhendo os seus sentimentos Um dos principais sinais de “transformação” é a restauração de sua capacidade de escolher os seus sentimentos em qualquer ocasião. Você já deve ter notado que isso é impossível quando se é emotivo! Quando você é emotivo não consegue escolher os seus sentimentos. Esta é outra pista de por que o “amor” não é uma emoção. Quando você está em um estado de amor, você pode escolher a maneira apropriada de expressar esse amor. Talvez como afeto ou compaixão, como aceitação ou perdão, como bondade ou compreensão etc. Estendendo a si mesmo como amor da maneira apropriada, você “sentirá” qualquer forma que escolher para doá-lo. Mas observe que você não pode fazer isso quando está chateado, assustado ou triste. Há apenas uma perturbação, que é extremamente emocional, há apenas medo, que é extremamente emocional, ou há apenas tristeza, que é extremamente emocional. Em tais momentos, é como se a sua capacidade de escolher qualquer outro sentimento houvesse sido desligada. Na verdade, acreditar e a�rmar que o amor é apenas outra emoção é o que sabota a nossa capacidade de estendê-lo aos outros. Quando nos preocupamos com alguém, acreditamos que estamos cuidando, acreditamos que estamos sendo amorosos. Mas a preocupação é uma forma de medo, não amor. Quando somos “emotivos”, estamos ocupados principalmente com nossas próprias emoções, ocupados com a emoção que “sentimos” e, portanto, não totalmente disponíveis para “cuidar” do outro. O cuidado é amor em ação com a intenção de bene�ciar o outro. Mas o preocupado não pode enxergar isso porque está ocupado criando imagens do que “pode” acontecer e como eles se “sentirão” se algo acontecer com quem ele está preocupado! Ufa! Não é de admirar que o verdadeiro signi�cado e sentimento de amor sejam perdidos tão facilmente! Inteligência emocional é um oxímoro! Também é útil notar que a emoção surge logo que “acreditamos” não estarmos recebendo o que queremos (raiva) ou quando “acreditamos” estarmos prestes a perder o que “acreditamos” já possuirmos (medo). Observe que sempre que desejar qualquer coisa, você já tem o que quer que você deseje como uma imagem ou uma ideia em sua mente. Você se apega à imagem. Então, você começa a se consumir com a preocupação de que tal coisa não se torne realidade no tempo, no espaço ou na matéria! O amor, como sabemos, não tem nada a ver com querer, obter e manter. O amor de�nitivamente está ausente quando estamos chorando nossas lágrimas emotivas após uma perda percebida. É por isso que a “inteligência emocional” é um oxímoro! Na realidade, quando você é emotivo está sabotando a sua capacidade de ser inteligente, de tomar decisões inteligentes e de oferecer conselhos inteligentes! Falaremos mais sobre emoções, já que constituem o principal sintoma de todos os desconfortos que criamos e sofremos em nossa consciência! O processo de transformação começa quando você entende que está apegado a uma crença que está causando a sensação de desconforto. Mas não deixaremos a crença para trás completamente, o que signi�ca “sair da” crença, até que possamos entender uma verdade mais profunda que já existe dentro de nós. No entanto, é difícil identi�carmos a maioria das crenças às quais estamos apegados, pois estão arraigadas no fundo do nosso subconsciente. Elas fazem parte da “programação” que todos nós absorvemos e assimilamos de outras pessoas e do mundo ao nosso redor enquanto crescemos. É por isso que não é su�ciente perceber o desconforto que está ocorrendo em nossa consciência. Não é su�ciente usar algum tipo de “técnica” ou receber algum tipo de terapia para aliviar o nosso desconforto emocional. É apenas o sintoma. É necessário examinarmos as emoções que sentimos a �m de descobrirmos a crença causal, e depois analisarmos a crença para entender a verdade. É o entendimento da verdade que nos permite nos libertar por completo da crença, desapegando nosso “eu” e já não sendo mais moldados por ela! O desapego não signi�ca que você não se preocupa ou que está evitando coisas, eventos e pessoas. Signi�ca que você não está mais perdendo seu senso de si mesmo no que está em sua mente em um nível consciente ou subconsciente. Somente num estado de não apego é que você pode “ser você mesmo”, que você pode ser tudo o que você é, que é o “eu” que diz “eu sou”! Só então você está totalmente livre e disponível para estender o amoroso calor do seu coração enquanto realmente se importa com os outros, onde antes você estava apenas ocupado com “eu, meu e minhas emoções”. O SEU sistema imunológico funciona? Embora o sistema imunológico do corpo possa ser enfraquecido ou prejudicado por uma dieta não saudável, exaustão física ou infecção viral, ele está sempre funcionando num certo grau. O sistema imunológico da alma, no entanto, pode ser quase completamente suprimido. A ausência total de autopercepção de fato signi�ca uma incapacidade de reconhecer o que está ocorrendo em nossa consciência, dentro de nós mesmos. Quando isso acontece, �camos mais vulneráveis à invasão dos vírus conhecidos como “crenças dos outros”. Com quase nenhuma autopercepção, somos facilmente in�uenciados quando começamos a absorver e assimilar crenças do tipo: é natural e necessário sofrer na vida; a vida é apenas um curso de sobrevivência, então tenha medo e certi�que-se de cuidar de si mesmo em primeiro lugar; seusucesso e segurança serão medidos por quanto dinheiro e bens materiais você conseguir acumular. Nossa convicção de que essas crenças são verdades, cega nossa consciência para os sinais emocionais que nos dizem que estamos “insperimentando” algum desconforto como resultado de viver pautado por tais crenças. O despertar do sistema imunológico da alma é essencialmente o mesmo que o redespertar da autopercepção. Começa quando notamos e percebemos (nos tornamos conscientes de) nossos desconfortos emocionais, quando percebemos que a própria emoção é desconfortável e entendemos que ela não é natural. Continua com o “entendimento” de que somos totalmente responsáveis por todas as nossas emoções, todas as nossas a�ições, todos os nossos momentos de desconforto! Imagine uma lâmpada em uma sala. Na sala também há um sensor. Sempre que a intensidade da luz irradiando da lâmpada for inferior a um certo nível, o sensor disparará um alarme. Nossa consciência é como a luz, uma fonte radiante do que muitas vezes se chama luz do espírito ou luz espiritual. Quando a frequência – a intensidade, a vibração de nossa consciência – vai abaixo de um certo nível, temos um sensor embutido chamado “nossos sentimentos”, que nos indica que algo não está bem “aqui dentro”. Infelizmente, aprendemos a ignorar nosso sensor embutido ou até mesmo a desligá-lo. Também pode ser comparado ao sistema de segurança de um carro. Você não entende como funciona o sistema de segurança até obter o manual e ler as instruções. A maioria de nós não entende como funciona o sistema sensor da nossa consciência. Ninguém nos deu um manual e ninguém nos ensinou a sermos conscientes de nós mesmos. Não sabemos como registrar e ler nossos próprios sentimentos. Não conseguimos ativar nosso “sistema de sensores” nem reconhecer as emoções que sentimos e nem saber exatamente o que está causando essas emoções. Nosso sistema de sensores interior é a porta de entrada para o sistema imunológico da alma, bem como sua função primária. Geralmente, é preciso uma certa intensidade de sofrimento para que possamos começar a tomar conhecimento do nosso “sensor de sentimentos”. Iremos suportar nossos desconfortos o máximo que pudermos antes de pararmos e começarmos a notar que estamos recebendo um sinal que está apelando para que mudemos algo – o que signi�ca entender algo – dentro de nós mesmos. Quando �nalmente começamos a perceber, em geral não há volta! PARTE DOIS Os 12 desconfortos da alma Crença Uma aceitação sem evidência de que algo existe ou é verdadeiro. O que “pensamos” ser verdadeiro, mas não “sabemos” ser verdadeiro. Verdade O que é verdadeiro e verificável por experiência direta. Aquilo que nunca muda. Sinônimos: vericidade, realidade, fato, veracidade, fidelidade! Assim no corpo como na alma Há uma variedade de desconfortos da alma que todos nós “aprendemos” a criar e sofrer. Cada um tem sua própria “crença viral” causal, seus próprios sintomas na forma de seus próprios padrões de pensamento e seu próprio tipo de sofrimento emocional. A dinâmica de muitos dos desconfortos da alma é notavelmente similar às doenças que afetam a energia do nosso corpo. Utilizei os nomes e, de fato, a natureza de algumas das doenças físicas mais comuns como “metáforas” para descrever os desconfortos da alma. Alguns dirão que há uma ligação direta entre os dois, que o desconforto da alma é a verdadeira causa das doenças do corpo. Isso agora parece ser uma verdade óbvia. Mas isso dá muito pano pra manga! O objetivo aqui é ajudá-lo a identi�car os vários desconfortos que você desenvolveu em si mesmo, o ser espiritual, para que você possa tomar suas próprias medidas para restaurar o seu bem-estar. À medida que você for passando por cada um dos “desconfortos”, explorando suas causas e sintomas, no �nal de cada seção, há algumas questões para sua re�exão pessoal. Eu recomendaria que você mantivesse um diário separado para rabiscar suas respostas às perguntas. Enquanto você começa a despertar e ajustar sua consciência do que exatamente está acontecendo dentro de... você! Só com a prática contínua de tal autorre�exão, ao longo de um certo tempo, que você quebrará sua dependência das ideias e conhecimentos de outros e começará de fato a cultivar os seus próprios. Tudo o que você está lendo aqui aponta para o que você já conhece. Só foi perdido temporariamente de sua consciência. 1 “Eu devo ter mais” O desconforto do VÍCIO O VÍCIO não é apenas uma doença que afeta o corpo e o cérebro. O VÍCIO também é um desconforto da consciência. Os principais sintomas a serem observados são DESEJO e ÂNSIA. Quando você examina um desejo e o que há por trás dele, nota que a causa subjacente é a “crença viral” na “aquisição e posse”. Você acredita que pode adquirir e possuir. Os pensamentos que surgem incluem: “Eu quero...” “Eu preciso conseguir...” “Eu preciso ter...” O corpo e o cérebro tendem a desejar coisas “tangíveis”, substâncias que fornecem estímulos sensuais, físicos. Os desejos da alma, no entanto, podem variar entre muitos “intangíveis”, do conhecimento ao reconhecimento, da aceitação à a�rmação, do status ao respeito. Todos sabemos que, quando não conseguimos o que queremos, criamos emoções de desapontamento e frustração, que pertencem às famílias da tristeza e da raiva. Estes não são momentos de felicidade, e sim, momentos de sofrimento, momentos de desconforto! No contexto da consciência humana, apenas o entendimento da “verdade” pode transformar/curar o desconforto do desejo/ânsia. Somente a “verdade” redespertada pode dominar e eliminar a “crença viral”. Crença não é verdade. Crença é o que criamos quando perdemos a percepção do que é verdade, o que, no contexto do nosso “ser”, signi�ca a perda de nossa “veracidade”! Neste caso, a verdade é restaurada quando você percebe que você é consciência e não forma, e que essa consciência, ou seja, você, não precisa adquirir nada! Na VERDADE, eu/você/nós não precisamos adquirir nada. Nosso corpo “precisa” de comida, roupas e abrigo, mas “eu/você/nós” não “precisamos” obter e manter coisa alguma! Se houver uma necessidade, é a de “cuidar” do nosso corpo, é a de “cuidar” da forma que ocupamos. No entanto, mesmo isso não chega a ser uma necessidade, é uma responsabilidade natural. Dependência dos outros A maioria de nós nasce, é criado e vira adulto na crença de que precisamos conquistar a aceitação e a aprovação dos outros, a a�rmação e validação deles. Acreditamos que só então podemos nos sentir dignos, valiosos para os outros e assim alcançar o sucesso na vida. Muitos de nós passaremos toda a vida construindo nossa reputação aos olhos dos outros, acreditando que esse é o caminho para uma vida feliz e grati�cante. Um número signi�cativo anseia profundamente não só pela aceitação e aprovação, mas pelo aplauso dos outros, na medida em que tenta construir uma imagem aos olhos do mundo e conquistar fama. Estas são as crenças virais que se encontram por trás de nossas necessidades, nossos desejos. Quando essas aprovações e a�rmações se esgotam, e nossos desejos �cam insatisfeitos, começamos a sentir falta de mérito. Consideramo-nos inadequados e sem valor real. Tememos que esse fracasso em adquirir e satisfazer nosso desejo de aprovação e reconhecimento dos outros continuará. Assim, oscilamos entre os desconfortos do medo e da tristeza. Então, sempre que nos encontramos no extremo oposto do que desejamos, ou seja, quando recebemos a menor crítica ou um olhar de desaprovação �camos devastados, acabamos raivosos e depois nos preocupamos que isso possa acontecer de novo. No entanto, enquanto “crermos” que somos apenas uma forma física, acreditaremos que nossa necessidade se justi�ca. O corpo tem necessidades e se alguém acredita que é apenas corpo, como a maioria de nós aprendeu, então acreditará: “eu tenho necessidades”. A compreensão da verdade de que “eu”, o ser da consciência, não precisa de nada nos escapará até que hajao entendimento da nossa “verdadeira identidade”, que é uma identidade espiritual, que não é realmente uma identidade, é mais um estado de “verdadeira autopercepção”. Até que possamos nos libertar da nossa necessidade de aprovação e aceitação pelos outros, será difícil curar o desconforto do vício. Será difícil acabar com o desejo/ânsia pela a�rmação e validação dos outros e, para alguns, pelo aplauso do mundo. Será difícil acabar com o sofrimento emocional que deve acompanhar a nossa necessidade. Tudo porque acreditamos que precisamos obter algo dos outros. Você pode libertar o seu “eu”? Então, a questão aqui é: você consegue estar bem consigo mesmo sem ser aprovado, aceito e aplaudido por outros? Você consegue viver satisfeito sem precisar saber que você tem uma grande reputação aos olhos dos outros? Você ainda consegue permanecer tranquilo e equilibrado diante de qualquer crítica que lhe possam fazer? Você consegue construir um relacionamento livre de qualquer tipo de necessidade psicológica dentro desse relacionamento? Se você conseguir responder sim a todas as questões anteriores, então você estará livre de um dos desconfortos mais comuns da alma e não sofrerá mais. Tudo depende do entendimento de que você não é a sua forma, que de�nitivamente tem necessidades. Depende de seu entendimento de que VOCÊ não é a sua IMAGEM CORPORAL, como parece que gostamos de chamá-la hoje. Enquanto você acreditar que é apenas uma imagem corporal, nunca estará contente, satisfeito ou feliz, simplesmente porque seu corpo nunca é tão bom quanto o de outra pessoa e está em contínuo processo de decadência! E parece ter um destino �xo conhecido como “morte imanente”! Não é exatamente a receita para uma vida prazerosa. No cerne da maioria dos caminhos da sabedoria e ensinamentos espirituais encontra-se uma verdade fundamental que pode ser entendida por qualquer pessoa. Você é o ser sem forma da consciência que anima a forma do seu corpo físico. Quando você perceber isso, notará que sua “inclinação natural” não é “obter algo” dos outros e do mundo, e sim, “dar algo” a quem quer que esteja presente com você no momento. Se houver um desígnio maior, você pode sentir que todos nós fomos projetados para nos doar, ou seja, para “irradiar para o exterior”. Começará a parecer anormal tentar adquirir e possuir qualquer coisa de qualquer um. Começará a parecer ridículo querer aquelas coisas intangíveis como a aprovação e a aceitação dos outros. Este “entendimento”, a compreensão de si mesmo como o ser sem forma da consciência, requer certa introspecção e geralmente a prática de algum método de meditação, até que ela seja devidamente restaurada à nossa consciência. É a plataforma de lançamento para o que é muitas vezes referido como “espiritualidade” ou viver uma vida mais espiritualizada. Em resumo, o principal sintoma do desconforto do vício que devemos perceber é o desejo por coisas intangíveis como a a�rmação e a validação dos outros, a �m de sustentar nossa autoestima e uma reputação aos olhos do mundo. O desconforto é o sentimento de “medo” de que lhe serão negados tais coisas intangíveis e que sua reputação pode ser destruída. A “crença viral” é “eu preciso adquirir”. O entendimento é que, enquanto o seu corpo precisa, nós/você/eu não precisamos de nada. A verdade é que já temos tudo o que precisamos dentro do “eu”, dentro de nossa consciência. No entanto, um dos muitos paradoxos em um caminho espiritual autêntico é que você não pode “saber” o que há dentro de si até doá-lo! Respeite os outros incondicionalmente e você perceberá rapidamente sua necessidade de ser respeitado diminuindo. Celebre os outros e notará como você começa a gerar uma apreciação e gratidão naturais pela vida. A alegria de viver começa a surgir de dentro de si. Isso fortalece sua resiliência quando a vida lhe apresentar circunstâncias difíceis. Cuide dos outros e você notará como a energia desse cuidado aumenta o sentimento de ser uma fonte de amor para os outros. Isso naturalmente fortalece sua percepção de seu próprio valor. Um dos principais sinais de que houve transformação e de que seus vícios estão em declínio é quando você consegue permanecer imperturbável quando as pessoas não o louvam, não o parabenizam, não lhe dão aprovação e podem até mesmo ignorá-lo. Então você sabe que já não há mais vício, o hábito da “necessidade” foi curado. Você se sente bem dentro do seu ser novamente. Re�exão pessoal Passe algum tempo com seu diário pessoal e contemple os três movimentos da consciência que facilitarão seu retorno ao bem-estar. Percepção: Identi�que as três últimas ocasiões em que conscientemente buscou a aprovação e/ou a aceitação dos outros. Entendimento: Por que você acha que precisava obter aprovação/aceitação/validação? Transformação: Imagine que você já não precise mais da aprovação/aceitação dos outros. Como você se sentiria? Qual seria a sensação de sua atitude e como lhe pareceria seu comportamento? 2 “Isso pertence a MIM!” O desconforto da CEGUEIRA Existe um desconforto da consciência que poderia ser chamado de CEGUEIRA; não cegueira dos nossos olhos físicos, mas cegueira do nosso olho interior, nosso terceiro olho, o olho da nossa consciência. O principal sintoma é EMOÇÃO. Ser emotivo é o equivalente a ter areia jogada nos seus olhos físicos. No entanto, a emoção é uma areia que lançamos em nosso próprio olho! Observe, sempre que você se tornar emotivo, que é como se você não pudesse enxergar (perceber) claramente, não conseguisse pensar com clareza nem tomar decisões corretas. Semelhante ao desconforto do vício, a “crença viral” que está causando o sofrimento emocional é a “possessividade”! Os pensamentos que surgem incluem: “Isso é meu...” “Isso pertence a mim...” Ou: “Eu possuo tal coisa”. Trata-se do nosso velho amigo apego em ação novamente! Parece que poucos têm noção de que toda emoção surge dos apegos que criamos em nossa consciência. Só o entendimento da verdade de que nada nem ninguém é meu, isto é, possuído por mim, pode nos libertar e assim curar o desconforto da cegueira causada pela emoção. O amor é perdido... temporariamente! Quando conseguimos o que queremos num nível material, a aquisição muitas vezes é seguida por pensamentos como “Eu amo essas coisas...” ou “Eu amaria ter mais dessas coisas...” Esse é outro exemplo de situação em que o verdadeiro signi�cado do amor tende a se perder. Neste caso, o amor é confundido com desejo e apego. O amor não é desejo e não é apego. Ambos são condicionais e egoístas. É aí também que, para a maioria de nós, “amor” é misturado com “emoção”. A emoção surge do desejo e do apego e é erroneamente chamada de amor. O amor e a alegria não são emoções, são os nossos estados de consciência mais naturais quando não estamos apegados. Mas perdemos nossa capacidade de sermos “amor” e de sermos “alegria” quando distorcemos a energia da nossa consciência com qualquer tipo de apego. Observe que, quando você se apega a qualquer coisa ou a alguém, isso acabará um dia, se não imediatamente, gerando medo e tristeza; medo de perda ou dano e tristeza quando ocorre perda inevitável. É por isso que a insegurança rapidamente se instala depois que a novidade do apego (“isso agora é meu”) desaparece. Do desconforto ao conforto “Isso é meu e eu amo” ou “Isso vai ser meu e eu amarei possuí-lo” são sinais de que estamos confundindo amor com medo. Você pode reconhecer isso se tornando mais consciente do que está sentindo. Re�ita um momento e perceba por si mesmo a diferença entre “sentir-se medroso” e “sentir-se amoroso”. Quando você sente medo, repare como você está em algum ponto no processo de querer, obter e manter. Você está fechado. Quando você sente amor está no processo de dar e compartilhar. Você está aberto. Infelizmente, sempre que dizemos: “Eu amo isso...”, a respeito de qualquer coisa, geralmente signi�ca: “Estou apegado a isso ou a alguém...”, que é o modo querer/obter/manter!O medo é desconforto e o amor é conforto! Sempre que dizemos, em meio às lágrimas, “perdi um ente querido”, o que realmente queremos dizer é que “eu perdi um apego”. Tristeza é desconforto e alegria é conforto. Mas, então, muitos vão perguntar de que forma podemos ser alegres quando alguém morre? Talvez comemorando o tempo passado juntos, apreciando as lembranças que o ente falecido deixou e abençoando-o, enviando-lhe nossas felicitações pelo próximo capítulo de sua jornada! Celebrar, apreciar e abençoar são as várias facetas do amor em ação. Quando recorremos a essas facetas, a tristeza torna-se impossível. Mas para a maioria de nós, isso não é fácil de enxergar, especialmente quando nos agarramos às “crenças virais” de que a) tudo bem ter algum tipo de apego e b) que propriedade/posse é nosso direito. Observe, quando você reage emocionalmente a alguém ou a uma situação qualquer, a emoção que surge dentro de você (da consciência) é sempre porque você está ligado a algo, que pode ser uma ideia, uma imagem, uma lembrança ou uma crença. Você está se agarrando a tal coisa e também aprisionado nela, dentro de sua mente, consciente ou subconscientemente, por apenas um momento, uma hora, talvez um ano ou mesmo uma vida inteira. Reserve um momento no �nal de cada dia, re�ita sobre todos esses “momentos emocionais” até enxergar ao que você estava apegado. Então você poderá entender a “verdade sobre a emoção” e como o amor e a alegria autênticos só podem ocorrer quando não há apego a nada e não há emoção! O desapego não signi�ca que você não tenha nada nem ninguém na sua vida. Signi�ca apenas que você muda seu relacionamento com o que ou quem quer que seja em sua vida. Signi�ca que você entende completamente que algo/alguém não são “meus”, eles não são eu! O relacionamento torna-se de não apego! O que, em última instância, você percebe ser saudável e fortalecedor, simplesmente porque, no não apego, não há dependência! Ver e perceber por nós mesmos o que é verdadeiro dentro do universo da nossa consciência inclui o entendimento de que nada pode ser possuído ou ser seu. É como se intuitivamente “conhecêssemos” esta verdade quando dizemos coisas como “O que se leva da vida é a vida que se leva” ou “caixão não tem gaveta”. Mas adormecemos e perdemos a consciência natural dessa “verdade”. Então, a crença aprendida, mas ilusória, da posse entra em ação. É nossa crença de que o apego está correto e nossas tentativas de tornar coisas e pessoas “nossas” que asseguram que a “emoção” se torne a principal moeda corrente em quase todos os nossos relacionamentos. Nossas emoções tornam-se tão viciantes quanto cansativas. Não é de admirar que �quemos cansados e precisemos de pausas e feriados frequentes e tratamentos e terapias e mimos e... bem, você conhece a história! Estas são as formas mais comuns de apego e do consequente sofrimento da cegueira: Apego a uma IDEIA Assim que você se apega a uma “ideia”, talvez até mesmo dizendo “Esta é MINHA ideia”, quando alguém ataca ou critica essa ideia, observe como “você” se coloca na defensiva (desconforto do medo) e talvez até mesmo ataca de volta (desconforto da raiva). Se você não estivesse apegado à ideia, �caria mais aberto às ideias dos outros, não perderia sua paz quando a ideia que criou não fosse aceita por outros. Você estaria aberto para compreender as ideias dos outros e até mesmo a aprender com elas, talvez procurando maneiras criativas de combinar ideias. Apego a uma IMAGEM CORPORAL ou a qualquer imagem Se você criar uma imagem de si mesmo com base em qualquer coisa no mundo, observe como começa a se sentir inseguro (medo). Assim que você cria uma imagem sua na mente, não é fácil permanecer desapegado da imagem. Todos nós aprendemos a criar imagens de nós mesmos, geralmente com base em nossa forma como a vemos todas as manhãs no canal HD conhecido como espelho do banheiro! Então, se alguém ri do nosso corpo ou tece comentários negativos sobre qualquer coisa que tenha a ver com a imagem física que temos de nós mesmos, criamos “emoção”, geralmente uma forma de tristeza, raiva ou vergonha. Em tais momentos, somos cegados por essas emoções. Perdemos a paz e somos incapazes de nos estender como amor. Tudo porque estamos unidos a uma imagem que criamos de nós mesmos dentro de nós mesmos. Isso só pode terminar quando percebemos: “Eu não sou uma imagem na minha mente!” Apego a uma LEMBRANÇA Se alguém contesta ou tenta corrigir uma lembrança sua, observe como você começa a defender sua interpretação, sua descrição detalhada do evento (medo) e até mesmo desprezar a interpretação dos outros (raiva). Ou como você cria tristeza em torno da lembrança, porque o momento se foi, está perdido no passado. Apego a uma CRENÇA Depois, há a razão pela qual todos esses momentos de desconforto da cegueira ocorrem para começo de conversa. Que é o seu apego às suas crenças, tanto consciente quanto subconscientemente. É por isso que é aconselhável não acreditar em nada que você ouça ou leia, e sim, olhar dentro de si, enxergar e conhecer a si mesmo. A maneira de fazer isso é incluir algumas práticas espirituais em sua vida, como meditação e contemplação. Em todos os exemplos acima, estamos pensando em nós mesmos. “Minha ideia, minha imagem, minha lembrança, minhas crenças!” É como se estivéssemos tentando adquirir e manter a posse exclusiva. Essa crença no “meu” é a raiz de todas as emoções que nos cegam momentaneamente. Para alguns, não é tão momentâneo, está mais para todos os dias de suas vidas! Certamente foi para mim, durante muito tempo. A EMOÇÃO é o desconforto da consciência mais comum Esta é uma declaração ousada sobre a qual tenho certeza de que muitos estariam intensamente em desacordo. Mas antes que você também discorde (!), permita-me recomendar que você se certi�que de que sabe o que “quer dizer” quando usa a palavra “emoção”. Na verdade, quase todos os que encontro nas o�cinas e nos retiros que ministro sobre este tema não têm uma noção clara do que querem dizer quando usam a palavra “emoção”. Não estou dizendo que eles estejam errados, nós simplesmente não conseguimos de�nir claramente a emoção, provavelmente porque isso não faz parte de nossa educação formal ou informal. “O que é emoção?” Não é exatamente uma pergunta que os professores fazem para sua turma ou o que as famílias discutem à mesa de jantar. E isso vem antes de tentarmos de�nir o signi�cado de “sentir”, e então tentar desenredar as duas coisas! Mas por que essa é uma área tão cinzenta para muitos? Por três razões: a) falta de percepção do que estamos sentindo exatamente em determinado momento, já que ninguém nos ensina a identi�car nossos sentimentos; b) ignorância da verdade de que somos 100% responsáveis pelo que sentimos; c) crença de que somos apenas um corpo, o que coloca então a emoção no campo de uma função cerebral com sua consequente sensação corporal, sobre a qual podemos fazer muito pouco. Mas as emoções não se originam no cérebro, elas se originam na consciência, no “eu”, no “eu” que diz “eu sou”. Elas têm um efeito no cérebro com certeza. Mas nós não somos vítimas de uma função cerebral e dá para saber disso no momento em que você começa a reparar quando, onde e como você cria suas emoções, ou seja, suas tristezas, angústias e medos! Se realmente entendêssemos que somos plenamente responsáveis por nossas emoções e sentimentos, seríamos muito mais vigilantes e aprenderíamos rapidamente a escolher e conscientemente gerar nossos sentimentos. (Existe uma descrição completa deste processo em meu livro anterior: e 7 Myths About Love... Actually! [Em língua portuguesa: Os 7 mitos sobre o amor – Uma viagem da mente ao fundo da alma. São Paulo: Integrare, 2011].) Por favor, não interprete mal, eu NÃO estou dizendo que emoção é errada ou ruim. NÃO estou dizendo que nunca devemos ser emotivos. A emoção é um sinal de que estamos sofrendo e a causa é sempre apego a uma opinião/imagem/ideia.A emoção é uma mensagem vital, uma espécie de “mensagem de texto interior” para nós mesmos de que estamos cometendo algum tipo de erro em nossa consciência. Você consegue enxergar? Veja se você é capaz de enxergar essa dinâmica dentro de sua consciência, dentro de si mesmo. Encontre um canto quieto e re�ita sobre a última vez que você �cou chateado (emotivo). Quem criou o aborrecimento? Qual era a imagem/ideia/opinião à qual você estava apegado em sua mente? Qual foi a emoção exata que você criou e sentiu – nomeie? À medida que você começa a ver e a nomear aquelas “emoções que você sente” em sua consciência, começa a desenvolver a linguagem que o torna “emocionalmente alfabetizado”. Lembre-se, não é que a emoção seja ruim ou que você nunca deve se tornar emotivo. Isso não vai acontecer... da noite para o dia! São crenças como essa que nos impedem de enxergar como e por que estamos criando as emoções para começo de conversa. Somente quando você “enxergar por si mesmo” é que poderá, conseguirá naturalmente... parar com isso! Em essência, o principal sintoma do desconforto da cegueira é a emoção. Quando você estiver emotivo, perceba a natureza exata do desconforto. Nomeie a emoção e, enquanto o faz, você construirá seu vocabulário emocional e ajustará sua consciência. A “crença viral” que está causando o desconforto e que todos nós absorvemos enquanto crescemos para nossa vida adulta é: “Isso é meu” ou “Isso será meu” ou “Isso deve ser meu”. É a crença de que realmente possuímos... coisas! O entendimento da verdade é: “Nada é meu... nunca”. A “verdade” é que tudo vem e vai, incluindo pessoas, objetos, dinheiro, pensamentos, sentimentos etc. Mas há uma coisa, que não é uma coisa, que nunca vem e vai. Está sempre presente. Mas não é “algo”, não é uma coisa! É o “eu” que diz: “Eu sou!” E é isso que você é, você não é uma coisa! Enxergue isso, entenda isso e você estará livre. Você não será mais possuído pela ilusão de possuir bens! A transformação é vista pela ausência de emoção, já que você não chora mais quando algo o deixa, você não teme mais que alguém o deixe e você não se irrita, pois não há quem culpar quando você não tem nada a perder! E agora você tem a capacidade de acolher e abraçar tudo e todos, sem segurá-los de forma alguma. Às vezes, nós chamamos isso de amor! Observe como, quando você está nesse estado de ser que chamamos de amor ou “estar amando”, há uma ausência total de emoção! Percepção: Quais são as dez coisas mais preciosas que você acredita que pertencem a você? Entendimento: Qual dessas coisas você realmente possui, que você poderia a�rmar de todo coração que é “meu”? Transformação: Como você se sentiria “imediatamente” depois de cada uma dessas coisas ser tirada de você? O que você acabaria sentindo... “a�nal”? 3 “Perdi algo muito importante” O desconforto do CORAÇÃO Existe um desconforto do nosso coração; não o coração do nosso corpo, mas o coração da nossa consciência, o coração do nosso ser, o nosso coração espiritual. Conhecemos esse desconforto como a emoção especí�ca da TRISTEZA. Às vezes, referimo-nos a isso como um sentimento de peso no coração quando dizemos: “Eles de�nitivamente pareciam estar com o coração pesado”. A “crença viral” que se esconde por trás dessa emoção particular e, portanto, causa toda a tristeza, é: “Eu perdi algo/alguém”. Essa é uma das mais predominantes “crenças virais” com as quais frequentemente “infectamos” uns aos outros, mais ou menos da mesma forma que espalhamos o vírus da gripe por todo o escritório! A tristeza se alastra através de nossas conversas quando nos “identi�camos” com a perda aparente de outra pessoa e geramos pesar por ela. Sendo a tristeza e o pesar moeda corrente em nossos relacionamentos, eles também são “encarados” como naturais. É difícil entender que eles são uma forma de sofrimento e, portanto, eventos “não naturais” dentro de nossa consciência. De volta à realidade! Voltemos ao território “do que é real” por um momento; em essência, há duas realidades na vida. A primeira é o mundo físico que nos rodeia, que está sempre mudando. Isso inclui a forma física que ocupamos. A segunda realidade é o mundo dentro de nós, dentro de nossa consciência, que é o nosso eu. Nessa realidade, enquanto os pensamentos e os sentimentos mudam, há um espaço interno que nunca muda. É o núcleo calmo e silencioso de seu ser. O “eu” que diz “Eu sou” é como o centro de uma roda, na qual em certo ponto há uma parte dela que nunca se movimenta. Todo o restante se movimenta à sua volta. Isso signi�ca que tudo “na vida” gira em torno do centro imutável, imóvel e sempre tranquilo que é o “eu”. Você! Separe um momento para re�etir e veja se você consegue acalmar os seus pensamentos por apenas... um momento. Permita que o seu “eu” perceba nada além do seu “eu” estando consciente. Perceba a serenidade, o silêncio, que é você! O tranquilo, imóvel, imutável... você. No meio dessas duas realidades, entre a realidade do “ser” (centrado) e a realidade do “fazer” algo no mundo (ação longe do centro), temos o que chamamos de mente. A mente é a interface entre o ser e o fazer. Embora sua mente esteja dentro da sua consciência, dentro do “eu”, você não é a sua mente! A mente é como uma janela e uma tela. Através da janela da mente você traz o mundo lá fora para “aqui dentro”... por assim dizer. Ao mesmo tempo, você pode usar a sua mente como um quadro, como uma tela, na qual cria imagens, ideias, conceitos etc. Pela janela da sua mente você então projeta o que você cria em sua mente “aqui dentro” para o enorme e vasto mundo “lá fora”. Separe outro momento e veja se você consegue perceber esse processo ou dinâmica. Todos nós temos a tendência de cometer um erro fundamental. Nós “confundimos” a realidade secundária do mundo físico sempre em mudança que trazemos à nossa consciência por meio da nossa mente com a realidade primária do nosso eu. Aprendemos a “acreditar” que a única realidade é a que está “lá fora” nas ações e interações de todos os dramas que acontecem ao nosso redor, local e globalmente. Como consequência, muitos de nós nunca saberemos realmente, nunca compreenderemos realmente, portanto, a realidade primária do nosso próprio ser. Como consequência, permitimos que o mundo “lá fora” molde, de�na e controle nosso estado de ser “aqui dentro”. Daí o sentimento frequente que muitos de nós temos de estar “à mercê” de eventos de mudança, de sermos afetados pelos comportamentos das outras pessoas, de sermos perturbados pelas emoções dos outros, de �carmos profundamente comovidos pelo �lme. Nós permitimos que a realidade secundária “lá fora” subjugue a nós, o “eu”, a realidade primária, “aqui dentro”. A “crença viral” mais profunda que nos mantém presos e erroneamente acreditando que “o exterior” é a realidade primária é: “Eu mesmo sou apenas uma forma física”. Como diz o velho ditado: “Quando tudo o que você tem é um martelo, então todo problema parece um prego”. Quando você apenas acredita, vê e pensa em si mesmo como uma forma física, então tudo que você tende a perceber, “valorizar” e querer são as coisas materiais/físicas que você vê continuamente movimentando-se ao seu redor. Mas no momento em que você desperta e torna-se consciente do seu “eu” como a própria “consciência”, no momento em que você toca e saboreia esse estado de percepção calma e silenciosa dentro de você, esse é o momento em que você corrige a sua compreensão da realidade e restaura a percepção da realidade primária, que é o universo da sua própria consciência. Interior e exterior À medida que você começa a se tornar mais consciente do que está acontecendo dentro de sua consciência, na sua mente, você claramente diferencia as duas realidades – a interior e a exterior. É quando você começa a enxergar as “conexões” entre o interior e o exterior, entre consciência e forma, entre suas decisões tomadas na consciência hoje e seu destino produzido no mundo amanhã,entre você e o seu corpo. Em tais momentos, você está despertando para a realidade primária do seu ser. É também o momento em que você começa a curar todos esses desconfortos da alma/do espírito/do “eu”. As crenças virais por trás desses desconfortos são vistas pelo que elas são, apenas crenças absorvidas da realidade secundária, do próprio mundo “lá fora”. Contra a luz da verdade entendida de que você é espírito e não forma, essas crenças programadas são percebidas pelo que são: ilusões. São ilusões reluzentes que passam através de você. Elas perdem o poder sobre você quando você para de “acreditar” e entende o que é verdade. No caso do peso no coração de um indivíduo, existe o entendimento de que nada na realidade secundária (o mundo lá fora) pode ser possuído pela realidade primária (você aqui dentro), então, nada nunca pode ser perdido. Não mais perder signi�ca não mais sofrer! Olhe atentamente Passamos por muitos momentos de tristeza em nossas vidas, sem nos darmos conta de que estamos criando o desconforto da tristeza para nós mesmos. Quando a tristeza torna-se um hábito e muitos momentos de tristeza acumulam-se em nossa memória, a depressão não está longe. Portanto, a percepção da presença da tristeza dentro de nossa consciência é o primeiro passo para curar o desconforto de um coração pesado. Examine a emoção de tristeza que você sente e você sempre entenderá que a causa é a “crença viral” de que você acabou de perder alguma coisa/pessoa/reputação/oportunidade etc. Continue examinando introspectivamente até você perceber que, na realidade, você nunca possuiu nenhuma dessas coisas para começo de conversa. Permita que a percepção dessa “verdade” transforme o peso da sua tristeza na leveza de ser. Observe o seu sorriso e a sua risada retornarem à sua consciência, atravessando-a e irradiando dela. Isso então resultará num sorriso na realidade secundária do seu rosto! Vamos nos aprofundar mais. Crie outro momento Sente-se, relaxe e separe um momento para observar o mundo rodar. Perceba como ele facilmente segue em frente com todo o seu movimento e mudanças... sem você! Fique imóvel e repare como você é essa serenidade no centro. Apenas analisando... observando... sendo. Pratique esse estado interior sozinho e, aos poucos, você começará a ressuscitar a sua percepção de que a realidade primária da vida é o que está ocorrendo na sua consciência, dentro de você, neste exato momento. Você começará a notar que todos os movimentos e as mudanças em tudo “lá fora” estão realmente acontecendo dentro da realidade primária de você “aqui dentro”, na tela da sua mente. Veja bem, não mergulhe na sua mente. Apenas ASSISTA ao que está acontecendo nela. O �lme chamado “A vida no mundo lá fora” está acontecendo na tela de sua mente “aqui dentro”! Está passando agora no cinema da sua consciência e você é a plateia. Repare, enquanto você assiste, quão profundamente calmo e pací�co você se sente. Note a ausência de todas as emoções, mas a presença de uma alegria silenciosa, uma profunda valorização e gratidão que naturalmente abraça “aqui dentro” seja lá o que estiver acontecendo “lá fora”! Fique consciente de como tudo e todos estão apenas viajando. Não por meio do aeroporto, mas por meio da sua consciência enquanto eles passam por VOCÊ! Repare como você está consciente de que você nunca passa, você está sempre... lá! Nem mesmo lá, mas... aqui! Veja se você consegue perceber que o que antes você acreditava estar “lá fora” está, na verdade, agora aqui! Sente-se... relaxe... observe... veja... entenda... saiba... seja. Re�exões para o seu diário Percepção: Como você ajudaria outra pessoa a perceber que estar triste e pesaroso não é natural? Entendimento: Qual verdade você gostaria de fazer outra pessoa entender que a ajudaria a não criar e sentir pesar depois de ela acreditar que perdeu algo importante? Transformação: Como você pode demonstrar aos outros que eles podem escolher não sofrer quando acreditam que algo ou alguém foi perdido? 4 “Algo terrível está prestes a acontecer” O desconforto da PARALISIA Há um desconforto da consciência que é conhecido como PARALISIA. O sintoma primário é o MEDO. É a emoção do medo que paralisa nossa consciência como o proverbial coelho que é iluminado subitamente pelos faróis do carro. O medo nos vem sob muitos matizes, da ansiedade ao pânico, da tensão à preocupação, da insegurança ao terror abjeto! Temos a tendência de não prestarmos muita atenção à sua presença, pois é um companheiro de longa data na vida da maioria de nós. Aprendemos a viver com tal emoção até que ela domine a nossa vida e talvez mesmo nos leve a algum tipo de doença física. O medo também estimula uma certa substância química viciante em nosso corpo chamada adrenalina. Tamanha é a nossa incoerência que vamos assistir a um �lme de terror e pagamos a alguém para nos deixar de cabelo em pé de susto para relaxarmos! O medo, como a adrenalina, é viciante. Ironicamente, isso signi�ca que o estresse é viciante. Portanto, não é de admirar que, quando se mostram formas de eliminar o estresse às pessoas, muitas vezes elas respondem algo como: “Bem, o estresse é uma parte natural da minha vida; por isso, acho que tudo bem. Todo mundo tem estresse; então, deve ser da natureza humana”. Que são formas de dizer “Na verdade, eu não quero mudar, sou viciado no meu estresse!” Observe como a tristeza se baseia sempre na “crença” de que alguma coisa no passado foi perdida e o medo é sempre uma “crença” da perda por vir, que é projetada em um futuro imaginado. Todas as formas de medo provêm da mesma “crença viral” que é: “Estou prestes a perder algo”. Esse “algo” pode ser desde objetos tangíveis à reputação pessoal, desde uma oportunidade à aprovação de alguém, desde outra pessoa a uma posição no trabalho. Nós também “tememos” em nome de outrem. Imaginamos que vão perder algo, então �camos assustados por eles. Podemos até sofrer mais do que eles próprios. No entanto, como expusemos anteriormente, muitos de nós crescemos com essa “crença viral” que diz que nos preocupar com os outros é uma forma de mostrar que nos importamos com eles. É fácil dizer e tenho incentivado você a entender o que alguns chamam de “verdade eterna” e que soa mais ou menos assim: “Não tenho nada a perder porque, em última análise, nada é meu”. Mas é difícil de pô-la em prática depois de uma vida inteira de assimilação e a�rmação da “crença viral”: “tenho tudo a perder porque tudo o que tenho é meu”. Falsa sensação de segurança Talvez, em primeiro lugar, precisemos perguntar por que queremos possuir ou conquistar qualquer coisa. Normalmente, é porque tudo o que acreditamos possuir “parece” nos proporcionar uma sensação de estabilidade, segurança e status. Parece oferecer a sensação de certo controle em um mundo que está em constante mudança. Com efeito, estamos externalizando nosso senso de estabilidade e segurança, e investindo-os em um mundo instável e mutável sobre o qual não temos nenhum controle. Tão adormecidos estamos que não percebemos que depositando nossa estabilidade, segurança e senso de independência em qualquer pessoa ou coisa externa a nós mesmos é criar sentimentos de... instabilidade e insegurança! Imagine que você não possui coisa alguma nem ninguém! Sim, há a casa, o carro, o trabalho, as roupas, o guarda-roupa, as fotos, os parceiros e até mesmo os �lhos. Seria possível entender que “eles” NÃO são meus? Eles de fato não pertencem a mim! Todos entram em nossa vida por algum motivo. Alguns para nos ensinar algo, alguns para nos dar a oportunidade de nos doarmos, alguns simplesmente para uso funcional, alguns por conveniência, alguns para que possamos criar junto com eles outras pessoas. Mas nenhum é, em última análise, “meu”. Se você puder se afastar de TODOS eles, por um momento, poderá ter um vislumbre de uma verdade básica que lembra que todas as coisas “lá fora” são apenas “pacotes de energia” entrando esaindo da existência já que a energia está mudando constantemente suas muitas formas! É da natureza de toda a energia na realidade material lá fora mudar constantemente sua forma, localização e relacionamento para com todas as outras formas. Companheiro ou controlador? Até nossos �lhos não são “MEUS �lhos”. Eles são seres humanos em sua própria jornada única pela da vida. Temos o privilégio e a honra de poder ajudá-los no caminho; como guia, treinador, talvez um companheiro, às vezes um conselheiro, às vezes um professor, e às vezes sendo apenas um amigo. Eles nos dão a oportunidade de desempenhar todos esses papéis e, enquanto o fazemos, aprendemos, crescemos e nos tornamos mais sábios. No processo, eles nos dão a chance de mostrar, dar e conhecer o que nós mesmos temos dentro de nós. Infelizmente, muitos pais não conseguem ver isso. São inclinados a enxergar apenas um papel, que é o de “controlador supremo”! Por quê? Por causa de uma “crença viral”! Eu tenho que controlar o que acredito ser meu, MEUS �lhos. Então, usamos outra “crença viral” para justi�car nossa tentativa de controle quando dizemos: “Mas é para o seu próprio bem!” De repente, os pais se tornam tiranos em meio período e, portanto, mestres das práticas e procedimentos da tirania! Você pode perder a sua vida? A única maneira de nos livrarmos do medo da perda é a mesma de nos livrarmos do pesar do coração pela tristeza. É entender que não há absolutamente nada a perder porque nada nunca foi nosso/seu/meu! Então, alguns dizem: “Mas e se eu perder minha vida? Certamente, isso é uma coisa que posso perder”. Aqui está talvez a verdade mais profunda que, uma vez entendida, permitirá que você ande sem medo em todos os lugares e para sempre. É assim; a vida é o que você é. Você ocupa e anima seu corpo, trazendo-o à vida. Seu corpo um dia terá que partir, com certeza, mas isso não é o mesmo que perder a vida porque você é a vida e você jamais pode se perder! Aí está um tema para uma meditação e tanto! O �m da história A “história” da vida que você está criando através de seu corpo, ou seja, sua história de vida, pode chegar ao �m. Mas isso é apenas uma história “na vida”, não é a própria vida. São simplesmente lembranças que você junta e vai encadeando ao longo do caminho, e “você” não é uma cadeia de lembranças! Você é a própria vida e você jamais poderia se perder. Você já se perdeu? O “eu” é a única coisa que nunca vai a lugar nenhum! Agora, alguns dirão que não existe o “eu”. Ok, vamos enveredar por este caminho por um momento. Quem é que está se referindo à “própria identidade” como a “si mesmo”? Há alguém ali, certo? Tudo bem, não vamos chamá-lo de “si mesmo”, vamos chamá-lo de consciência ou isso que está consciente de ser consciente. Isso somos eu/você ou simplesmente “eu”. Isso é vida. Essa centelha de consciência pura às vezes é chamada de alma, espírito ou apenas consciência. Mas, seja qual for a palavra que usemos, a palavra em si não é o “isso”! A palavra não é o “eu”! A palavra é sempre inadequada. Apenas tome consciência de que você está consciente, tome consciência de que você é “vivacidade”, de que você é a vida... em si! Você consegue agarrar o seu “eu”? Não. “Você” consegue agarrar a vida da mesma forma como a sua mão consegue agarrar e segurar um objeto, ou sua mente consegue reter uma ideia? Não! Então, se “você” não consegue agarrar a vida você não pode perder a vida! Quando falamos sobre perder nossa vida, ao que realmente estamos nos referindo são as condições da nossa vida, incluindo nosso estilo de vida, que é o que criamos, o que “conhecemos” e no que nos apegamos. Sim, nossa história sobre nossa vida e todas as suas condições materiais chegará ao �m. E porque estamos apegados às lembranças que compõem o que chamamos de “minha história” e estamos apegados a todas as imagens de todas as coisas e pessoas dentro da “minha história” nos identi�camos com ela. Histórias e os diferentes componentes dentro das histórias têm um �m; por isso, surge o medo. Mas você não tem ideia se “você”, o criador da história, vai acabar! Vamos supor que EXISTE um �m para você. O que acontece no “�m” é uma completa incógnita. E você não pode ter medo do que você não conhece. É irracional e ilógico. É por isso que todo medo se baseia em perder o que você crê que já conhece ou tem. Mas o que você tem são apenas lembranças e você não é uma lembrança! Você é... você! Morrendo para viver Apegar-se a qualquer coisa ou a qualquer pessoa, qualquer história, incluindo a nossa ou outras histórias, é não viver por inteiro. Na verdade, é uma forma de suprimir a nossa energia de vida, nosso “eu”. Como vimos anteriormente, quando nos tornamos apegados a qualquer coisa, �camos presos à ideia ou à imagem da coisa em nossa própria mente. Nós nos tornamos pequenos e limitados quando nos de�nimos por essas ideias e imagens pequenas e limitadas que saem da nossa memória. Comparadas a VOCÊ, até mesmo ideias e imagens grandes são pequenas! Como consequência do apego, os desconfortos da tristeza e do medo aparecem. Para vivermos e estarmos plenamente vivos, precisamos ser totalmente livres; por isso, é necessário matarmos nossos apegos todos os dias. Não literalmente, claro; matar signi�ca quebrar o apego, libertar-nos do nosso apego ou não nos apegarmos, às vezes descrito como “deixar pra trás”. Mas porque estivemos formando nosso senso de vida e vivendo dos nossos apegos, da nossa história, parece que estamos nos matando sempre que pensamos em “deixar pra trás”... qualquer coisa! A causa raiz do desconforto seguido de doença Isso signi�ca que toda vez que nos apegamos, e nos identi�camos com o que não somos, estamos cometendo uma espécie de suicídio espiritual. A fonte do desconforto da consciência que chamamos de estresse é sempre o apego e identi�cação errônea. Esta é a causa de todos os nossos medos e angústias e agora sabemos que são essas emoções que, ao longo do tempo, também têm um impacto prejudicial sobre a saúde de nossos corpos. Quando criamos tais desconfortos e sabotamos o bem-estar do nosso ser, não só criamos nossa própria infelicidade, mas também afetamos a nossa saúde física ao desencadear doenças em nossos corpos. Este é o “efeito psicossomático”. Portanto, a raiz dos desconfortos da alma e das doenças do corpo é nosso apego às “crenças virais” de que a) perda é possível e b) posse é possível. Essas “crenças virais” raramente são diagnosticadas na viagem de volta à boa saúde e ao bem-estar do ser. Viver é morrer e morrer é viver! Os corpos que ocupamos são nossas habitações. Nosso corpo é nosso Rolls Royce®! São criações requintadas e e�cientes que nos permitem conduzir nossa vida e nos conectar e criar junto com os outros. É um meio que nos dá a oportunidade de expressar – pressionar para fora – os atributos e a beleza do nosso ser. Cuidar do nosso corpo é ter o relacionamento certo com o nosso corpo. Dá para você perceber pelo seu corpo que ele, enquanto vive, está morrendo. Todos somos animadores de uma forma material que está em constante processo de decadência física. Isso se chama envelhecimento com um destino chamado morte! Então, se você estiver apegado e identi�cado com o corpo que ocupa, então irá “acreditar” que “estou envelhecendo” e que “vou morrer”. Por isso, é fácil passar a vida inteira em algum estado de ansiedade! Mas é verdade? Você morre? O júri cientí�co está fora dessa porque é impossível para a ciência provar que o “eu”, como uma entidade consciente, como energia espiritual, existe separado do corpo. Há muita evidência informal na forma de experiências “fora do corpo” ou de “quase-morte”. Há muitas pessoas que acreditam ter tido vidas passadas. Há aqueles que passaram por hipnose em terapia de regressão para recordar vidas passadas. E há milhões que “sentem intuitivamente” que este não é seu primeiro “veículo” de quatro membros e que a morte é apenas uma passagem para outra vida, uma transição oportunapara um novo modelo! Nesse quesito, a decisão é individual, cada um é cada um. A liberdade mais profunda O que parece ajudar essa decisão, especialmente se estamos no campo da incerteza, é o aprendizado e a prática da meditação e da contemplação. Isso permite a você enxergar e conhecer, sentir e perceber seu “EU”, sem todas as histórias, sem todos os apegos e dependências, sem a bagagem de todas as crenças hereditárias. Permite que você acesse e sinta um nível mais profundo dentro de si, em sua consciência. Um nível onde você não está apegado a nada e a ninguém. Onde você não tem lembranças e onde conhece a liberdade mais profunda e a maior alegria. Você não pode “imaginá-lo”, você só pode acessá- lo, estar nele e depois conhecê-lo. Só então a ideia de morrer pode perder seu sentido de conclusão e talvez até sua realidade! O estado mais elevado É só quando você chega ao topo de uma montanha que consegue ver toda a paisagem lá embaixo em uma imagem nítida. É como se você visse o quadro geral e sentisse ser o mestre de tudo aquilo diante de você. Da mesma forma, é somente quando você acessa e conhece o estado de consciência mais profundo – ou, melhor dizendo, o mais elevado –, em que você não está apegado a nada, não depende de ninguém, não tem qualquer tipo de necessidade, e é um espírito verdadeiramente livre, que você enxerga claramente como todos os apegos nos níveis inferiores da consciência são as causas de todos os seus medos, todos os seus momentos de paralisia interior. Uma vez que você tenha experimentado isso, não apenas terá uma nova visão de si mesmo, como também restaurará a sua força interior para não ser afetado pelas idas e vindas de todas as coisas às quais você antes se agarrava desesperadamente. Em vez de se sentir impotente para lidar com eventos e circunstâncias adversos, em vez de se sentir desanimado com a ideia de um destino inevitável, você volta a contar com sua força. Em resumo, perceba qualquer tipo de medo que surja em sua consciência, em você. Examine-o e veja se você consegue enxergar a “crença viral” por trás dele. Você notará que acredita que está prestes a perder algo ou alguém no futuro próximo ou distante. Você notará que está usando sua imaginação de forma inadequada, ao criar um �lme na tela de sua mente onde você está sendo catastró�co e desse modo se apavorando. Fique calmo enquanto assiste, e veja se você consegue enxergar por trás das imagens e dos sentimentos de sua futura e imaginada perda catastró�ca. Veja se você consegue enxergar uma verdade mais profunda, a de que você não possui o que acredita que pode perder! São apenas adereços nos milhões de cenas da história de sua vida. Não é seu para que possa possuí-lo. E você não pode perder uma coisa que não possui. “Na realidade”, você não tem nada. Quando você entende isso, então, o “falso senso de si”, que foi o resultado da identi�cação com o que você pensou ser “meu”, está morto. O falso “você”, talvez muitas versões falsas de você que estavam sugando sua energia vital, acabaram de morrer. Mas VOCÊ está agora vivo por inteiro. E quando não há mais falsos eus para sustentar, então, e somente então, você pode começar a viver completamente e sem medo. Para a maioria de nós, a vida é vivida entre muitas formas de medo, incluindo ansiedade, tensão, preocupação e momentos de completo pânico. Deixar o “falso eu” morrer para que você possa começar a viver é a libertação de todos esses medos. Sua transformação é “conhecida e sentida” apenas por si mesmo, mas é testemunhada e experimentada pelos outros, pois eles passam a receber uma qualidade de energia muito diferente de você. Você sente uma liberdade interior altamente estimulante e eles veem e sentem a presença de um espírito livre se elevando. Re�exões para o seu diário Percepção: Anote todas as coisas que você acredita que perderá no futuro. Como você vai se sentir quando elas tiverem ido? Quanto tempo demorará para se recuperar desses sentimentos? (Elabore uma lista e faça uma estimativa para cada uma delas.) Entendimento: Como você pode garantir que, quando chegar a hora de você se separar de tudo o que há na sua vida, você não sofrerá? Transformação: Como você se sentiria e o que faria de forma diferente se entendesse que, na realidade, você não pode perder coisa alguma? 5 “Eles deveriam fazer o que eu quero” O desconforto da INSANIDADE Há um desconforto da consciência que conhecemos como INSANIDADE; não é o tipo de insanidade de�nida pelo universo psiquiátrico que nos faria ser “internados”. É o tipo de insanidade “comum”. Uma insanidade popular! O sintoma primário é a RAIVA em uma de suas várias formas. É o ardor emocional que incita a nossa visão das coisas e lança nossos pensamentos em uma corrida alucinada em nossa mente enquanto buscamos por justiça ou vingança. Essencialmente, a raiva surge da “crença viral” de que podemos mudar ou controlar as duas coisas na vida que nunca podem ser mudadas e sobre as quais não temos controle, ou seja, o passado e as outras pessoas. Os pensamentos que se manifestam são do tipo: “Eu não estou conseguindo o que eu quero...” “Eles não estão fazendo o que eu quero...” “Eles deveriam fazer o que eu quero...” “Eu deveria ter mais controle sobre eles”. Insanidade por quê? Por três razões. Sempre que a raiva surge, signi�ca que nós estamos fora de controle enquanto entregamos o controle de nossa consciência ao incendiário distúrbio emocional da raiva. Em segundo lugar, nos tornamos irracionais. Por alguns momentos, pelo menos, perdemos toda a capacidade de pensar e decidir racionalmente. Em terceiro lugar, e a principal razão pela qual podemos chamar a raiva de insana, é um sinal de que estamos tentando fazer o impossível, isto é, mudar o que jamais pode ser mudado, o passado ou as outras pessoas. Só que estamos totalmente inconscientes de que é isso que estamos tentando fazer. Felizmente, a raiva sempre passa, assim como todas as emoções, e no �m nós nos acalmamos. A menos que rompamos o hábito de criar a raiva, o incêndio emocional simplesmente �cará mais quente e mais frequente. Comemorando nossa infelicidade A maioria de nós tem consciência de que �camos extremamente infelizes sempre que estamos aborrecidos. Mas a sociedade aprova a nossa irritação. De forma um tanto perversa, nós inclusive aprendemos a celebrar esses momentos de infeliz irritação. Então, acreditamos que está tudo bem. Mamãe e papai não desaprovavam quando fazíamos birra, desde que passasse rapidamente! Todos nós aprendemos a ser “entretidos” pela raiva e vingança dos outros, seja em um �lme ou na vida real. A menos, é claro, que esteja acontecendo conosco! Então, não contestamos a crença de que um pouco de raiva é ok! Existem sete “crenças virais” populares em torno da raiva e suas várias “formas” (irritação, frustração, ressentimento, fúria etc.) que infectam a nossa consciência. Essas crenças em geral garantem que com frequência nos tornemos insanos enquanto permanecemos completamente inconscientes de que estamos temporariamente “fora da casinha”! As crenças virais 1) É natural �car com raiva, então tudo bem. 2) A minha/nossa raiva pode mudar as coisas para melhor “por aqui”. 3) Não é saudável manter a sua raiva reprimida; portanto, é bom extravasá- la. 4) É melhor expressá-la; caso contrário, como os outros saberão o que você sente? 5) São “eles” que estão me deixando com raiva. 6) Eu “preciso” �car com raiva de vez em quando, já que ela me motiva a agir. 7) A raiva é uma forma de resolver as coisas, é uma maneira de motivar os outros (diz o pai/supervisor preguiçoso). Pandemia emocional Essas crenças são realmente verdadeiras? Até que a verdade seja entendida, a nossa insanidade aumentará à medida que continuamos a criar essa emoção que nos cega ao longo de um espectro que vai desde um mau-humor em fogo lento até uma ira vulcânica! Essas crenças são globais e é por isso que a raiva, em todas as suas formas, podeser classi�cada como uma “pandemia emocional”. Todos os dias surgem notícias de novos surtos, e as mortes de centenas e, às vezes, milhares de pessoas pelas mãos da raiva em ação. Uma multidão gritando contra o seu próprio governo ou contra outro governo é um sinal claro de que o vírus foi ativado, muitos foram infectados e a insanidade reina em massa. Libertar-se dessas erupções vulcânicas autoproduzidas signi�ca não apenas entender a verdade, mas vivê-la. Velhos hábitos são duros de serem suprimidos; por isso, velhas formas de reagir com raiva são hábitos que não desaparecem da noite para o dia. É bom não esperar sucesso imediato. Cada dia traz muitas oportunidades para acordar, dissipar essas “crenças virais” e vivenciar algumas das verdades mais poderosas em nossos relacionamentos em casa e no trabalho. No contexto da cura do desconforto conhecido como “insanidade da alma”, aqui estão algumas das verdades que, quando entendidas e traduzidas em comportamento, servirão para restaurar a tranquilidade do bem-estar a um “eu” agitado. Da crença à verdade 1) Crença viral: É natural estar com raiva, então tudo bem. Verdade: Não, não é “natural”. A raiva é um sinal de que você perdeu temporariamente a consciência e a conexão com a sua “verdadeira natureza”, que é pací�ca e amorosa. 2) Crença viral: A minha/nossa raiva pode mudar as coisas para melhor “por aqui”. Verdade: “Por aqui” começa dentro da sua própria consciência. A raiva é uma mudança prejudicial na consciência. Sinta você mesmo! O equivalente físico é �ncar uma faca na perna! 3) Crença viral: Não é saudável manter a sua raiva reprimida; portanto, é bom extravasá-la. Verdade: Não é uma boa ideia expressar-se raivosamente, pois isso é uma forma de violência, e violência é a condição emocional por trás de todos os con�itos e guerras. 4) Crença viral: É melhor expressá-la; caso contrário, como os outros saberão o que você sente? Verdade: Se você continuar dizendo às pessoas o quanto está com raiva, é provável que comecem a se comportar de certa forma com você, a �m de não “desencadear” sua ira. Então, você está encorajando as pessoas a temê-lo e esse medo acabará se tornando “evitar você” ou o pensamento “O que posso fazer para desencadear sua raiva?”, enquanto tentam ter poder sobre você. 5) Crença viral: São “eles” que estão me deixando com raiva. Verdade: Ninguém o deixa com raiva. Somos 100% responsáveis pelo nosso estado emocional (cf. o meu livro Don’t Get mad get wise [Em língua portuguesa: Viva com sabedoria – Uma viagem que parte da raiva com destino à paz e ao perdão. São Paulo: Integrare, 2010]). 6) Crença viral: Eu “preciso” �car com raiva de vez em quando, já que ela me motiva a agir. Verdade: A raiva não é uma necessidade, é uma perda de consciência que leva a uma perda de autocontrole. Se alguma necessidade há é a de manter a calma. Só então você pode se conectar com os outros e entender suas necessidades. Só então você pode responder de forma proativa, em vez de reativa. Se você usa a raiva para se motivar, isso resulta em a) dependência emocional/vício; b) tendência a começar conscientemente a procurar razões para se ofender; c) infelicidade contínua. 7) Crença viral: A raiva é uma forma de resolver as coisas, é uma maneira de motivar os outros (diz o pai/supervisor preguiçoso). Verdade: Sim, a maneira preguiçosa de educar e supervisionar é usar a raiva para provocar o medo nos outros. Você pode obter o que deseja, mas simplesmente sabota sua própria felicidade e a harmonia do relacionamento. Serão necessários tempo e energia para reparar ambas. A sanidade começa a retornar quando você percebe que o desconforto desses momentos de insanidade está destruindo cada vez mais a sua “alegria de viver”. Você também percebe que esses momentos estão sabotando os seus relacionamentos, já que as pessoas ao seu redor se aproximam de você já na defensiva contra suas irritações, frustrações e raiva. Mas a libertação desse desconforto chega no momento em que você entende que pessoas e eventos não estão aqui para dançar conforme a sua música. Eles não estão aqui para fazer você feliz ou infeliz. Isso é trabalho seu. Quando você entender por inteiro que só tem domínio sobre o seu próprio mundo interior, em sua própria consciência, dentro de você, somente então você terá se libertado de tentar controlar o incontrolável. Você terá restaurado a força interior para gerar sua felicidade, sua alegria, sua leveza, de dentro para fora. A felicidade é, a�nal, um “trabalho interno”! Sua transformação estará completa quando ninguém, nenhum evento e nenhuma circunstância, local ou globalmente, jamais “desencadear” em você a criação de raiva novamente. Você será visto saltitando e dançando o seu caminho pela vida, metaforicamente falando, renovado pelo entendimento de uma verdade signi�cativa: ser feliz, conhecer o amor e estar em paz são todos estados de ser que você pode criar a qualquer momento sem qualquer ajuda dos outros ou do mundo. Re�exões para o seu diário Percepção: Quando foram as três últimas ocasiões em que você sofreu o desconforto da insanidade temporária conhecida como raiva? Entendimento: O que você estava tentando mudar especi�camente que era impossível mudar e que o levou a criar irritação, frustração ou um acesso de raiva em cada uma dessas situações? Transformação: Imagine estar nas mesmas situações novamente e não reagir com raiva, mas responder de forma tranquila e racional. O que você percebeu que permitiu que se comportasse de forma diferente nessas situações especí�cas? 6 “Eu não mereço tamanha bondade” O desconforto do DIABETES Sim, há um desconforto que podemos chamar de “diabetes da alma”. Pelo menos neste pequeno livro, há! Em algum momento em nossas vidas alguém disse ou fez algo inexplicavelmente gentil e generoso para nós. Em tais momentos, podemos ter dito: “Bondade sua, muito obrigado”. Nesse momento, nós mesmos mudamos a vibração da nossa consciência em nossa própria versão de um momento de profunda gratidão, entrelaçado com uma graciosa doçura em retribuição. Embora possamos não ter notado isso no momento, a “doce vibração” que criamos em nós mesmos em direção aos “outros” também energizou todo o nosso ser. Em tal momento, nós mesmos nos tornamos mais brandos, mais gentis, mais doces com... bem... com todo mundo! Por alguns instantes, pelo menos! Talvez tenhamos até notado que, como fomos doçura e luz em retribuição à doçura do outro, isso trouxe consigo a sensação de que podemos ter ainda mais da nossa própria bondade a oferecer. Talvez surgisse o pensamento: “Ué, por que eu não posso me sentir assim com mais frequência?” Como sabemos hoje, a doença física que conhecemos como diabetes surge quando nosso corpo perde a capacidade de produzir a substância química que quebra os alimentos que comemos, que são em grande parte açúcares, e depois transfere a energia desses açúcares para dentro das células do nosso organismo, fornecendo, assim, energia renovada para o corpo. Quase exatamente a mesma coisa acontece em um nível espiritual, na consciência, quando sofremos o desconforto da versão do diabetes na alma. Os principais sintomas incluem um sentimento de retraimento, às vezes uma espécie de fechamento ressentido ou talvez um perceptivo cinismo em relação à presença da bondade ou doçura no outro. Isso evidencia a nossa incapacidade de sermos abertos e aceitar a bondade, a generosidade, a doçura do outro. É como se não pudéssemos aceitá-la, quebrá-la e absorver a energia que vem com o reconhecimento de que “os outros estão sendo gentis comigo”. Isso é o que, em seguida, sabota a nossa capacidade de gerar a “doçura recíproca” na forma de gratidão em retribuição. É o nosso ato recíproco que nos dá energia, e não o gesto de bondade ou doçura dos outros. Podemos usar o gesto deles para alimentar o nosso ego, mas é a nossa capacidade de retornar o gesto, de gerar e corresponder com uma energia similar,que nos dá uma injeção no braço espiritual! O rompimento de nossa capacidade de reciprocidade tende a acontecer quando começamos a nos considerar tanto consciente como subconscientemente desmerecedores ou indignos da bondade ou do amor do outro. Alguma coisa entra no caminho e geralmente é uma das duas “crenças virais” que soam como: “Eu não mereço a generosidade e a gratidão deles” ou “É óbvio que eles estão sendo legais porque querem algo de mim”. Que é o código para: “Eu não mereço uma energia tão amorosa, eu não sou digno do amor de outra pessoa”. Em outras palavras, nós criamos e estamos carregando uma “autoimagem sombria e/ou distorcida” ou desenvolvemos o hábito de ser “cinicamente descon�ados” das intenções dos outros. Isso é o que mata a nossa capacidade de assimilar e em seguida retribuir a bondade, a generosidade de espírito, a doçura e o amor dos outros. Exaustão espiritual O diabético espiritual extremo não consegue aceitar o amor dos outros, o que também signi�ca que eles não podem se doar amorosamente. A aceitação é, a�nal, uma das primeiras formas de expressarmos o nosso amor. Isso signi�ca que estão temporariamente incapazes de gerar a doçura, que é o amor verdadeiro, em sua própria consciência. É como se o “eu” tivesse perdido sua capacidade de permanecer em seu estado mais elevado, que é o próprio amor. A energia ou vibração do amor, então, está indisponível. O resultado, semelhante ao esgotamento do diabético físico, é uma desesperança interior, um crescente desamparo e, certamente, a ausência de qualquer entusiasmo verdadeiro pela vida em geral ou para estar com outros em particular. Quando perdemos a nossa capacidade de permanecer em um estado amoroso achamos difícil, e às vezes impossível, “doar-nos” em retribuição à energia amorosa do outro. Como resultado, um esgotamento espiritual acaba se instalando. Não ajuda começar a tentar “se amar”. Muitos acreditam que isso irá remediar uma sensação de falta de amor em sua vida. Mas não vai funcionar porque é impossível amar a si mesmo. Dizer ou ao menos pensar: “Eu me amo” implica um sujeito e um objeto, e não há dois “eus”. É por isso que “tentar” amar a si mesmo causa outro tipo de desconforto chamado “fragmentação”! O amor só é “conhecido” pelo “eu” quando o “eu” tem a intenção de doar-se, estender-se e conectar-se com os outros ou com o mundo natural. O amor é a energia da alma, do “eu”, quando doado de forma desinteressada, isto é, sem pensar em obter nada para si mesmo. Tentar amar a si próprio não só é impossível, como tem uma motivação egoísta! Pensar “Eu preciso me amar”, na verdade, é um código para “Eu preciso obter amor para mim de mim mesmo”. O que é quase... bem... um pouco ilógico! Não há um “eu” que está separado de “si mesmo”. Mas não fará mal algum continuar “tentando”, pelo menos nossa atenção estará no amor e em ser amoroso! Ondas e oceanos Amor é apenas uma palavra que usamos para descrever a mais alta vibração da energia do “eu”. Isso não quer dizer que não recebemos e sentimos o amor dos outros. Mas é como a diferença entre a onda e o oceano. Nós receberemos ondas de energia amorosa do outro. Mas elas passam, como devem passar, como todas as ondas o fazem! A onda não é nada em comparação a um oceano, a uma fonte ilimitada. Existe uma fonte ilimitada de amor dentro dos nossos corações. Não o coração do nosso corpo, mas o coração da nossa alma! Você é o seu coração, você é a alma. As palavras podem parecer diferenciar, mas, em última análise, todas essas palavras, como alma, coração, eu, consciência, apontam para o mesmo “eu” que diz “Eu sou”. Essa fonte interna ilimitada poderia ser comparada a um oceano. As ondas vêm e vão, mas o oceano desse potencial amoroso está sempre a apenas um segundo e a nenhuma distância dentro de você. Você é ele! Mas você só pode estar consciente de ser “ele”, você só pode estar consciente de ser uma fonte de amor, quando há um �m para a “carência” das ondas de amor dos outros. A chave para acessar a nossa fonte interior, o nosso oceano, se preferir, é a intenção. Somente a precisa intenção por trás de nossas palavras e ações nos permite acessar o nosso próprio oceano interior. Enquanto o fazemos, enquanto nos doamos incondicionalmente, podemos até nos sentir “oceânicos”, que é a sensação de que temos um fornecimento ilimitado de energia para doar. Quando sentimos essa fonte ilimitada �uindo dentro de nós, ela traz consigo uma felicidade que às vezes chamamos de êxtase. Daí a de�nição mais simples de vida em seis palavras: paz é... amor faz... felicidade recompensa! Receber é dar Mas isso não é tão fácil em um mundo onde aprendemos a acreditar que precisamos encontrar amor, ter amor, ganhar amor, ser amado, antes mesmo que possamos conhecer o amor. Todas essas ideias são “crenças virais” que acabarão por causar o “diabetes da alma”, que é a incapacidade de converter os gestos amorosos dos outros na doçura que nos energizará para sermos capazes de retribuir com a doçura do nosso próprio amor. Aceitar o amor de outro é um ato de amor em si mesmo, porque você está “dando” a eles a oportunidade, a portinhola, através da qual eles podem derramar o seu amor. É nesse momento que eles percebem sua própria doçura. Somente em um estado verdadeiramente amoroso receber é um ato de dar. Mas temos a tendência de sabotar esse estado com a “crença viral” de que não podemos, não devemos, não temos de esperar para receber: temos de ir lá e pegar de uma vez! Em suma, nós “queremos”. Então, resumindo, é por isso que a grande maioria das pessoas no Planeta Terra hoje sofre do desconforto conhecido como “diabetes da alma” – algumas pessoas em alguns momentos e algumas pessoas quase o tempo todo e provavelmente a maioria de nós a maior parte do tempo! Da cabeça ao coração Dietas especiais e certos medicamentos ajudam o diabético a administrar a condição física do diabetes. Companhia de alta qualidade e a desintoxicação de nossa consciência de todas as “drogas intangíveis” (cf. o desconforto n. 1) que são as nossas dependências podem ajudar a alma com o que poderíamos chamar de “diabetes espiritual”. Estando em companhia incondicionalmente amorosa, o “diabético espiritual” lentamente aprende a aceitar o amor dos outros, o que é o mesmo que aprender a ser amor eles mesmos. Isso os ajuda a avançar para aquele momento quando são capazes de restaurar sua capacidade de retribuir com o coração e não com a cabeça. Em outras palavras, dar amor, ser amoroso e fazer isso “intencionalmente”. No entanto, as drogas que usamos como substituto para o amor precisarão ser largadas. Esses substitutos são as nossas dependências. As coisas das quais nos tornamos dependentes, sejam elas quais forem, por causa de como e do que sentimos são drogas que estamos usando para aliviar nossa incapacidade temporária de sermos amorosos e repletos de amor. Separe um momento e anote todas as coisas das quais você é dependente, tanto física como mentalmente, e você começará a enxergar quais são os seus “substitutos”. O que você acredita atualmente que não poderia viver sem? Então, imagine viver sem cada uma dessas dependências e, enquanto o faz, você está ensaiando sua liberdade, você está preparando a si mesmo para retornar ao seu estado de ser natural e amoroso. Você está se preparando para o momento em que estará livre e aberto e transparente e disponível e se doando... novamente! Sem desejar, querer, esperar, ansiar ou atrair nada em troca! A cura para o desconforto espiritual do diabetes estará quase completa quando você entender integralmente que o amor é, em última análise, o que você é quando a “energia em você” está irradiando para fora em seu nível mais elevado. É para fazer isso que estamos aqui. O amor é o que o “eu” que diz “Eu sou” é, em seu estado mais elevado de ser. Quando isso é compreendido, então “a busca” pelo amor é cancelada. O coração é curado e a transformação estará quase completa. Vocêpode até perceber que, quando é autenticamente amoroso para com os outros, você está cumprindo o propósito da própria vida. Em tais momentos, a energia da alma, o “eu”, é totalmente revitalizada, e a exaustão, a impotência, a desesperança e a apatia se tornam lembranças desvanecidas e conceitos extremamente estranhos! No �m das contas, você não pode “fabricar” um gesto autenticamente amoroso. Só é “verdadeiro” quando é espontâneo e natural. Mas enquanto não se chega lá, não faz mal algum utilizar um pouco de fabricação! No mínimo, isso nos desperta para um nível mais profundo de percepção de nós mesmos enquanto exploramos e entendemos as maneiras pelas quais bloqueamos nosso próprio coração. Percepção: Quais são as duas pessoas, em sua vida hoje, das quais você acha particularmente difícil receber amor, seja em que forma for; por exemplo: doçura, gentileza, cuidado etc.? Entendimento: Por que você acha que não é capaz de receber e retribuir o amor delas? Transformação: Visualize a si mesmo com a intenção de praticar alguma forma de gentileza a cada uma delas e efetivamente o fazendo, completamente livre do desejo de receber algo em troca. (Se, a esta altura, surgir em sua cabeça perguntas do tipo “Qual é o objetivo disso”, isso signi�ca que você não entendeu o objetivo!) Então, crie uma oportunidade para colocar sua visualização em ação. 7 “Eu �z algo errado, então eu sou mau” O desconforto de estar INCAPACITADO Há um desconforto da consciência que faz com que nos sintamos como se estivéssemos mental e �sicamente INCAPACITADOS. O principal sintoma é a CULPA. A “crença viral” recorrente, que pode permanecer conosco por toda a nossa vida, é: “Eu �z algo errado; portanto, eu sou uma pessoa má”. Sempre que você perceber que sente culpa, examine atentamente o que está sentindo e notará uma matriz de emoções. A culpa é uma mistura de tristeza, raiva e medo. Três em um! Os pensamentos que surgem, que muitos de nós conhecemos tão bem, incluem: “Eu estraguei tudo de novo”. “Eles nunca vão me perdoar por isso”. “Como eu pude fazer algo tão ruim”. Embora ainda possamos falar e interagir, é como se estivéssemos atro�ados, paralisados, momentaneamente aleijados. É difícil olhar nos olhos do outro. Ficamos cabisbaixos, olhando para o chão ou para longe. Sentimo-nos drenados de todo o entusiasmo. Em tais momentos, certamente não nos sentimos próximos de entender de onde a nossa culpa realmente está vindo ou como e por que somos os criadores dela. No entanto, o entendimento da verdade sobre a culpa é um dos processos mais libertadores e curadores. Mas é profundo. É questão de consciência Em geral, reconhece-se que todo ser humano, independentemente de sua situação ou criação, tem a consciência como seu guia interior. O que acontece é que alguns parecem mais capazes de ouvi-la e serem guiados por ela do que outros. A consciência é aquela capacidade embutida que nos permite perceber, sentir e saber a coisa adequada a fazer e a coisa inadequada a ser evitada. Eu uso os termos adequado/inadequado enquanto evito propositalmente os termos “certo e errado”, e você entenderá a razão disso logo adiante. A consciência aparece em quase todas as �loso�as religiosas, caminhos da sabedoria e ensinamentos espirituais. Esse aspecto de nossa “consciência” é geralmente reconhecido como sendo a nossa fonte de Deus, nossas intenções virtuosas, nosso leme interior. Ela nos mantém no caminho coerente e adequado conhecido como “ser �el a si mesmo” ou, mais precisamente, “ser seu verdadeiro eu”. Não verdadeiro num sentido objetivo, prescritivo e absolutista. Mas “verdadeiro” num sentido subjetivo, em que vivemos a nossa vida momento a momento a partir de uma adequada percepção de nós mesmos como espírito, e não forma. Quando guiados por nossa consciência, estamos alinhados com a nossa verdade, o que de fato signi�ca nossa “verdadeira natureza”, nossa “autenticidade”. Somos abertos, transparentes e amorosos, apegados a nada nem ninguém, e, portanto, nossa tomada de decisão está livre de ser distorcida pela tristeza, o medo ou a raiva. No entanto, nós hoje não conhecemos o nosso “eu”, já que aprendemos a nos identi�car com o que não somos; então nossa verdadeira natureza, ou seja, a nossa “autenticidade”, encontra-se comprometida. O apego e a identi�cação errônea criam o ruído da emoção e consequentemente �ca mais difícil ouvir e seguir a nossa consciência. As origens da culpa Embora usemos a palavra “consciência” de maneiras diferentes, o uso mais comum tende a referir-se ao certo e ao errado. Quando ouvimos e somos guiados por nossa consciência, diz-se que estamos fazendo a “coisa certa”. Por outro lado, a “coisa errada” é vista como uma ação ou decisão que vai contra a nossa consciência. Muitas vezes nos referimos a alguém que vive a vida com grande honestidade e integridade como uma pessoa de “sã consciência”. Todos nós ouvimos falar do “objetor de consciência”: uma pessoa que se recusa a seguir cegamente os outros na guerra ou na violência. Tal indivíduo diria que a guerra é um ato contra a “verdadeira” natureza da humanidade. O uso mais comum é quando falamos em estar com “a consciência pesada”. Todos nós conhecemos aquele momento de culpa quando nossa consciência “pesa” e pensamos com nossos botões: “Eu não �z a coisa certa”. Mas, “na verdade”, a consciência nunca carrega o peso da culpa e certamente não gera o sentimento de culpa. É o ego que faz isso. É o ego que considera e encoraja os julgamentos de certo e de errado. É o ego que sequestra a nossa consciência quase todos os dias, sustentando as ilusões de certo e de errado, de bom e de ruim. Eis aqui a razão disso. A culpa começa cedo Quando éramos jovens e inocentes “aprendemos” a nos tornar dependentes da aprovação dos outros quanto a como nos vemos e sentimos a respeito de nós mesmos. A principal fonte de aprovação geralmente eram �guras de autoridade como pais e professores. Quando fazíamos algo “certo” a seus olhos, recebíamos o elogio de sermos “bons”. Ao mesmo tempo, recebíamos uma onda de energia afetuosa de “aprovação” que confundíamos com amor! Mas, então, apenas alguns momentos depois, quando fazíamos algo “errado” a seus olhos, éramos rotulados de “maus”. Então, nos era negada aquela onda de energia afetuosa da qual nos havíamos tornado ligeiramente dependentes! Durante esses momentos de formação na infância aprendemos a “acreditar” nas ideias de “certo e errado” de outras pessoas e a associá-las de imediato e pessoalmente com “Eu sou bom” ou “Eu sou mau”. Aprendemos que às vezes somos uma “pessoa má”, e outras vezes uma “pessoa boa”, mas que sempre devemos tentar ser uma boa pessoa. E, assim, quando julgavam que fazíamos algo errado e, portanto, ruim, éramos encorajados a criar o sentimento de culpa como uma espécie de castigo e, por conseguinte, como uma medida corretiva. Especialmente porque permitia que os adultos sustentassem sua ilusão de que tinham a nós e o nosso estado emocional sob seu controle! As emoções da culpa A dinâmica pela qual criamos a culpa é reveladora. Se você separar um momento para examinar a culpa por sua própria experiência, notará a matriz dessas três emoções: tristeza, raiva e medo. Como todas as emoções, elas não são criadas pelos outros, mas por nós mesmos. Como vimos antes, a tristeza sempre segue uma sensação de perda. A raiva é a projeção do nosso sofrimento, sob a forma de responsabilização. E o medo é ou o temor da repetição futura dessa perda ou o receio de ser descoberto (perda futura de reputação/aprovação). Então, vamos correlacionar essa matriz emocional com as ideias do bom e mau/certo e errado. Quando éramos crianças, aprendemos a “oscilar” entre as autoimagens de “pessoa boa” e “pessoa má”, dependendo dos julgamentos daquela “gente grande”, na qual inocentemente acreditávamos na época. Quando os adultos nos diziam que éramos bons, acreditávamos neles e criamos uma ideia/imagem em nossa mente denós mesmos sendo bons. Da mesma forma, quando nos diziam que éramos maus, criamos uma imagem sutil em nossas mentes de sermos pessoas más. Então, quando alguém nos julga negativamente, incluindo nós mesmos julgando-nos negativamente, temos a tendência de renovar a autoimagem de “Eu sou uma pessoa má”. É como se a autoimagem de “Eu sou uma pessoa boa”, que obviamente é preferida porque vinha acompanhada de uma onda do que achávamos ser amor, fosse então “perdida”, daí o “componente da tristeza” da culpa. Na vida, em geral, a raiva é mais frequentemente direcionada aos outros, mas o “componente da raiva” na culpa, em particular, normalmente é direcionado a nós mesmos pelo que percebemos ser uma perda autoin�igida da autoimagem de “Eu sou uma boa pessoa”. O “componente do medo” da culpa é na maioria das vezes baseado na possibilidade de que outros descubram que “�zemos mal” e, portanto, perderemos nossa reputação aos olhos dos outros ou perderemos a aprovação dos outros! Isso é tudo um jogo do ego simplesmente porque todo ego baseia-se em uma “autoidentidade equivocada”. No caso da culpa, nossa autoidentidade é baseada em uma imagem de “ser bom” e, quando parecemos contradizer essa imagem com um “mau comportamento” ou mesmo com pensamentos ruins, criamos sentimentos de culpa, uma combinação das emoções de tristeza/raiva/medo em nós mesmos. Sentir-se culpado é sentir-se enfraquecido e mostrar que você se sente enfraquecido. Quando outra pessoa, na maioria das vezes um dos pais ou supervisor, percebe isso, eles geralmente aprendem a “pressionar o botão de certo” para induzir esse sentimento em você. Então, quando você reage “de forma culpada”, por assim dizer, eles acreditam que sabem como ter poder sobre você. Mais uma vez, a verdade pode libertá-lo! “Na verdade”, nem as imagens de “ser bom” ou “ser mau” são a verdadeira imagem/ideia de si mesmo, simplesmente porque o “eu” nunca pode ser uma imagem/ideia! A “bondade”, que muitas vezes é apontada como sendo a consciência ou a verdadeira natureza inata de todo ser humano, não tem oposto. Existem apenas “graus de alinhamento” ou desalinhamento com a “verdade” inerente à nossa natureza. Na realidade, o “eu” verdadeiro é “anterior” a todas as imagens mentais; portanto, anterior às “ideias” de bom e mau e, por isso, anterior aos julgamentos de “certo” e “errado”. O verdadeiro “eu” não tem imagem e não é uma ideia, e está além da dualidade de todos os conceitos. É aqui que as coisas �cam um pouco complicadas ou sutis. No universo da consciência, não há certo e errado! É difícil enxergar isso porque estamos profundamente condicionados a “acreditar” no certo e no errado. É como se tivéssemos sido programados para julgar os outros e nossas próprias ações como certas ou erradas e, portanto, boas e más. Mas as ideias de certo e de errado são simplesmente funções de “dualidade”, que é uma condição do mundo material externo. A própria consciência é anterior a essa dualidade. Não há opostos na consciência. E consciência é o que somos. Sendo cutucado para alinhar-se Nossa “consciência” é, portanto, nossa percepção inata do que é verdadeiro, o que, no contexto do nosso “eu”, é ser o nosso “verdadeiro eu”. Não verdadeiro em um sentido absoluto e �loso�camente de�nível, mas verdadeiro no sentido de que uma bússola está sempre apontando para o “verdadeiro norte”, não importa em que lugar no mundo ela possa estar. Nossa “verdade” é a nossa verdadeira natureza, que é pací�ca, amorosa e alegre. A consciência é a nossa bússola e ela sempre nos aponta o nosso “verdadeiro norte”. Sua função é nos cutucar e nos informar quando criamos pensamentos e ações que estão desalinhados com a nossa “verdade”, desalinhados com a nossa verdadeira natureza, que é pací�ca, amorosa e alegre. Infelizmente, in�uenciados pelas crenças virais aqui mencionadas, adotamos o hábito de ignorar e até mesmo suprimir as suas “cutucadas”. Do ponto de vista puramente espiritual, a consciência é o estado eterno, imutável e verdadeiro da energia do “eu”. É esse “núcleo calmo” do nosso ser que permanece intocado pelo que quer que seja. Assim que usamos a nossa energia de uma forma que contradiga ou perturbe essa vibração, ela nos envia uma mensagem sutil. Nós, então, ou escutamos essa mensagem e permitimos que ela nos guie de volta ao alinhamento ou nós a ignoramos e suprimimos. Como o carpinteiro que vai contra o veio da madeira, nós imediatamente percebemos como é mais difícil moldá-la e como ela se torna mais áspera como resultado. Quando vamos contra o veio da nossa consciência, quando não seguimos a sua orientação, quando ignoramos sua voz tranquila e a leve sensação de que essa ou aquela ação foi contra o veio da nossa verdade (vibração verdadeira), recebemos um sinal. Nós sentimos um momento de incômodo. Sinais lá do fundo Não há oposição a essa “verdade”, essa verdadeira vibração no nosso núcleo, apenas graus de desalinhamento, somente tons de obscuridade que nublam a nossa capacidade de perceber para onde a bússola de nossa consciência está apontando. Essa obscuridade é muitas vezes chamada de nossos “desejos”. Um forte desejo muitas vezes nos faz comprometer o nosso “eu”, ou seja, ignorar as cutucadas orientadoras da consciência. Por exemplo, o desejo de alguma forma de prazer pessoal e físico pode afastar o sinal interior de dedicar tempo e atenção para auxiliar alguém que precisa de ajuda. Lá do fundo, pode surgir uma sentimento sutil da nossa consciência que nos sinaliza para revermos a nossa decisão. Os sinais da nossa consciência também são distorcidos pelas nossas emoções. Todos nós sabemos que, quando estamos emotivos de alguma forma, é mais difícil ouvir e ser guiado por nossa consciência, pela verdadeira vibração da nossa consciência. Nós muitas vezes ignoramos tais sinais em favor de experimentar alguma emoção prazerosa que ainda não percebemos ser uma forma de desconforto. Por exemplo, quando buscamos por empolgação, acreditando ser felicidade, ela sabota a nossa capacidade de decidir em favor do uso do nosso tempo com mais sabedoria ou criatividade, pois preferimos buscar uma emoção rápida. A nossa consciência nos chamará a atenção para a nossa impaciência e, talvez, para o nosso egoísmo, indicando que estamos desalinhados com a nossa verdadeira natureza, que é amorosa, isto é, altruísta e paciente. Se prosseguirmos com a nossa investigação interior até o ponto para o qual as cutucadas da consciência estão apontando, podemos até perceber um erro básico. Estamos confundindo empolgação com felicidade. Na realidade, a empolgação é apenas um estímulo. Como a consciência é ignorada No mundo “lá fora” (na sociedade), roubar é visto como algo errado e, portanto, ruim. A sociedade tem que considerar isso dessa forma, caso contrário, a essa altura haveria caos. Mas no contexto do mundo “aqui dentro”, na nossa consciência, a intenção de roubar e cobiçar não é algo errado como oposto a certo. É simplesmente um ato que está desalinhado com a nossa verdade ou a nossa verdadeira natureza. Nós sabemos de forma inata que para manter relacionamentos harmoniosos com os outros e com o mundo que nos rodeia, roubar não é uma opção. Portanto, o que é então “a verdade” no caso de roubar? Qual é a verdade “aqui dentro” quando qualquer um de nós rouba algo “lá fora”? Nós perdemos temporariamente nossa capacidade de ouvir e sentir essa voz interior que nos guia para agir de maneira “adequada”, de forma a não roubar, porque estamos “distraídos”! O que queremos dizer com “distraído”? Imagine que você está encerrando mais um dia e indo para a cama. Você caminha pela casa para trancá-la. Você está passando pela cozinha a caminho de seu quarto. Mas lá, na mesa da cozinha, há um prato e no prato há uma fatia de seu bolo de chocolate predileto. Sua mente diz: “Esse prato deveria ser lavado e guardado no armário!” Que é o código para “Eu gostaria de comer esse bolo!” Então, você para e come obolo. O que é, claro, extremamente agradável! Você lava o prato e o coloca no armário. Mas, enquanto está subindo a escada, uma vozinha em sua cabeça sussurra: “Será que aquele bolo era de outra pessoa na casa? Talvez ela tivesse ido a algum lugar e estivesse voltando para comer a sua fatia de bolo”. Você foi “distraído” de fazer a coisa adequada (continuar seu trajeto para a cama) pelo bolo e seu desejo de saborear o chocolate (estímulo prazeroso)! Distraídos por nossas crenças Quando agimos contra a nossa consciência, contra a nossa percepção inata do que seria a ação mais verdadeira, a ação adequada, é sempre porque estamos distraídos em nossa consciência pela presença da “crença”. Nossas crenças equivalem ao bolo a caminho da cama, mas não tão saborosas! Geralmente, há três razões pelas quais as pessoas roubam, três crenças em sua consciência que as “distraem” de decidir fazer o que está alinhado com a sua verdade: a) elas acreditam que, se puderem ter o objeto que cobiçam, isso irá de alguma forma completá-las; b) elas acreditam que, quando conseguirem o que cobiçam, isso as deixará felizes; c) elas acreditam que podem possuir o objeto. Todas essas crenças não são “verdadeiras” dentro do universo do “eu” ou da consciência. O que podem ser chamadas de “verdades espirituais”, ou apenas “verdades”, neste exemplo, são: a) nós já somos completos e essa completude jamais pode ser perdida, mas podemos perder temporariamente nossa “percepção” disso; b) nenhum objeto material pode nos proporcionar felicidade autêntica, apenas um estímulo temporário, porque a autêntica felicidade verdadeiramente vem de dentro para fora; c) como já analisamos, no nível da nossa “consciência”, há uma verdade que nos lembra que, na realidade, é impossível “possuir” o que quer que seja. Essas não são revelações (verdades) fáceis de assimilar, pois não são levadas em conta na nossa educação infantil. São verdades espirituais que vivem em silêncio em nosso ser. Não como ideias intelectuais, mas como estados de ser, que, se comprometidos, acionam a nossa consciência para nos enviar um sinal. Infelizmente, as “crenças” de que adquirir coisas traz plenitude, felicidade, satisfação etc., nos são dadas como verdades quando ainda somos bem pequenos. Daí a nossa confusão ao conseguirmos o que queremos e ainda assim nos sentirmos incompletos, infelizes e vivermos com medo de perder o que, erroneamente, achamos que agora possuímos! Então, na verdade, quando roubamos, não é RUIM ou ERRADO em contraste com BOM e CERTO. O que ocorre é que perdemos a percepção da nossa verdade (verdadeira natureza) e estamos, portanto, agindo em desalinhamento com a nossa verdade (verdadeira natureza). Se de fato roubarmos, nossa consciência irá nos cutucar. Não porque é errado ou ruim, ela está tentando nos lembrar de que estamos agindo em desalinhamento com a nossa verdadeira natureza, não porque a sociedade diz isso, mas porque estamos negando e suprimindo a verdade de quem nós somos: seres completos, livres, já satisfeitos. Nossa consciência não está nos dizendo que “�zemos errado” e que “somos maus”. Essas são apenas “crenças virais” apreendidas anteriormente que são desencadeadas. Nossa consciência está nos sinalizando que caímos na “ilusão” de que estamos incompletos, infelizes e insatisfeitos. Mas nós ignoramos e até mesmo suprimimos esse sinal, essa mensagem, do coração do nosso ser, especialmente se todos os outros à nossa volta estão fazendo o mesmo. Infelizmente, muitos hoje em dia já aprenderam a suprimir sua consciência e, distraídos por essas e muitas outras crenças virais, estão agindo em desalinhamento com a sua verdade. É por isso que a sociedade tem de fazer leis para prevenir que um enorme número de pessoas roube. Se todos nós fôssemos guiados por nossa consciência (nossa verdade), então as leis da sociedade seriam desnecessárias. De certa forma, isso pode soar como uma permissão para irmos lá e fazermos o que quisermos, mas essa não é a inferência mais importante aqui. Já existem pessoas su�cientes fazendo isso de qualquer jeito, apesar das leis locais que tentam de�nir o que é certo e errado e, portanto, bom e ruim. A inferência aqui é que todo ser humano tem uma consciência. Todo mundo tem uma percepção inata de como viver e criar ações que estão precisamente alinhadas com sua verdadeira natureza, que é amorosa e pací�ca. A lâmpada que se acende na cabeça Voltemos à nossa lâmpada que está iluminando uma sala. A sala está cheia de sensores. Se a luz da lâmpada oscilar e reduzir a uma certa intensidade/brilho, os sensores serão desligados. A sala é uma metáfora para a nossa consciência. A luz é o que somos. Se algo como uma crença ou um desejo obscurece a nossa luz ou distorce a nossa luz e começa a comprometer o resplendor da nossa verdadeira natureza, que é pací�ca e amorosa, a nossa consciência nos enviará uma mensagem geralmente sob a forma de uma sensação. Ela está nos informando que estamos pensando e agindo em desalinhamento com a nossa verdade. As cortinas da crença, as distrações do desejo, o apego às imagens em nossa mente, tudo isso atua para diminuir o verdadeiro brilho da luz da nossa consciência. Eles encobrem o âmago de nossa percepção que chamamos de “consciência”. Mas quando estamos nesse estado de nosso verdadeiro brilho, quando nada está bloqueando, distorcendo ou distraindo o resplendor da nossa consciência, não se pensa em fazer nada que esteja em desalinhamento com esse estado. Redespertando a percepção e a consciência Em algumas culturas parece haver uma nova geração que está crescendo sem fazer quase nenhuma ideia de como viver em harmonia com os outros dentro da sociedade e até mesmo dentro da sua própria família. Suas ações parecem vir de um espaço interior de tal forma violento que eles parecem não ter consciência. Eles parecem não ter orientação interna de que estão pensando e agindo de forma “inadequada”, que estão em desarmonia com tudo dentro de si próprios e com todos fora de si mesmos. Esses jovens foram considerados por muitos casos sem esperança e, em alguns lugares, os esforços para ajudá-los foram abandonados. Eles foram rotulados de forma irrevogável como “pessoas más”, de tal forma que o termo “selvagem” foi usado para descrevê-los. Infelizmente, quando recebem esse rótulo, eles tendem a aceitá-lo, identi�car- se com ele e, portanto, fazer jus a ele! No entanto, há um número crescente de casos em que tais jovens foram salvos, casos nos quais sua consciência foi trazida de volta à vida. Isso parece acontecer somente quando eles recebem uma intensa orientação pessoal de uma outra pessoa. O papel do mentor é simples: oferecer-lhes consideração e respeito incondicionais como seres humanos, independentemente do seu passado, de seu comportamento no presente ou de seus planos para o futuro. De pouquinho em pouquinho, ao longo do tempo, a luz suprimida, distorcida e distraída de sua consciência, sua “verdade”, começa a ser redespertada e a orientar seus pensamentos, decisões e ações. Não porque lhes é dito o que é certo e errado por uma força exterior, não porque eles aprendem a acreditar no bem em vez do mal, mas através do entendimento gradual de como viver em alinhamento com sua própria “luz interior”. Eles restauram sua capacidade de viver com honestidade e integridade, e assim se integram harmoniosamente no contexto de seus relacionamentos. Sua verdadeira natureza, sua “verdade”, é recuperada. É um bom exemplo de como a verdadeira natureza da consciência humana sempre existe “anterior a” e sob as muitas camadas de crenças, autoimagens negativas e lembranças de experiências dolorosas que podem suprimir a luz da nossa “verdade”. Sendo guiado pela nossa verdade Então, parece que o “guia da verdade” da percepção humana conhecida como “consciência” nunca morre, mas sua orientação ou é ignorada, ou suprimida, ou distraída ou distorcida. É difícil para muitos enxergar e aceitar isso.Eles têm um apego bastante profundo a uma crença particularmente forte de que os seres humanos podem ser inata e naturalmente maus, vis e malignos sem a menor possibilidade de redenção. Cada um de nós tem que decidir por si mesmo. É uma decisão fundamental, já que afetará nossa visão “do outro” e, portanto, nossas relações com os outros de forma signi�cativa. Mas se é verdade que todas as pessoas têm uma “luz” inata da verdade dentro delas, isso signi�ca que não existem pessoas más, apenas pessoas sem conhecimento claro do que fazem, esquecidas e desorientadas, cuja consciência está temporariamente desconectada, cuja luz está temporariamente reduzida. Essa compreensão nos libera de julgar, rotular e condenar os outros com o rótulo de “Você é uma pessoa má”. Isso ajuda a nos libertar de nossa própria autoimagem autoimposta baseada no rótulo de “Eu sou uma pessoa má”. Em última análise, isso nos liberta daquela matriz emocional debilitante que conhecemos como “culpa”. Pode até ajudar a nos impulsionar para um estado mais esclarecido no qual uma das principais percepções é a de que “na realidade” não existem seres humanos maus. Isso não é tão fácil se ainda con�amos em Hollywood e Bollywood para servir de modelo e glamourizar personagens humanos com uma consciência suprimida e distorcida como nossos heróis! Depois de uma vida inteira de condicionamento e cultivando o hábito mental de julgar, após anos sendo expostos aos julgamentos dos outros, depois de absorver tantas noções da mídia de que muitas pessoas são simplesmente malignas e irrecuperáveis, após uma vida toda de pensamento condicionado em termos de “bom” e “mau”, sustentarmos o reconhecimento de que não existem pessoas más, não é um “espaço interior” tão fácil de se estar e no qual viver. Mas, também, talvez seja exatamente isso o que o mundo espera hoje. Por �m, para uma futura conversa para o cafezinho! Uma vez percebida a presença da culpa, a cura desse desconforto incapacitante da alma só pode ocorrer quando entendemos que “Nem eu nem você somos bons nem maus, tampouco certos ou errados... nunca!” Ou estamos despertos e conscientes no nível mais profundo do nosso ser, onde não existe bom/mau ou certo/errado, apenas nosso verdadeiro estado, nossa “verdade”. Ou... não estamos! Discuta a respeito! Re�exões para o seu diário Percepção: Separe um momento e identi�que as duas últimas ocasiões em que você se sentiu culpado por alguma coisa. Anote os pensamentos que você criou nesses momentos. Entendimento: Articule a crença por trás dos pensamentos que você estava sustentando durante esses momentos. Qual seria a verdade subjacente que o libertaria? Transformação: Da próxima vez em que você estiver em situações semelhantes com as mesmas pessoas, o que você diria ou faria de maneira diferente quando agisse a partir dessa verdade? 8 “Ah, não, eles de novo, não!” O desconforto da ALERGIA Há um desconforto da consciência conhecido como ALERGIA. Ele tende a acontecer em um ou mais dos nossos relacionamentos nos quais “o outro” é alguém com quem nós simplesmente não nos damos bem. Há um choque de personalidades ou o que parece ser uma aversão instantânea e inexplicável. O principal sintoma é uma forte REAÇÃO DE RESISTÊNCIA à outra pessoa. Às vezes, parece não haver uma razão clara para isso, que geralmente é recíproco. Às vezes, sabemos exatamente por que nos tornamos irritadiços em sua presença. As “crenças virais” não são tão fáceis de enxergar, mas uma delas geralmente soa mais ou menos como “Eu nunca irei com a cara dele”. Talvez essa seja a versão suave! Outras crenças e pensamentos que surgem incluem: “O jeito dele me dá nos nervos”, que geralmente é um código para “Ele não deveria ser como é, deveria ser mais como... eu!” O que não percebemos é que o outro costuma re�etir algo dentro de nós mesmos que não conseguimos ou não queremos enxergar nem reconhecer. Embora possamos dizer que não somos ameaçados por “eles”, subconscientemente nós somos. Embora possamos até tentar disfarçar nosso incômodo em sua presença, no �m das contas estamos no contorcendo em uma espécie de agonia emocionalmente suprimida. Se a nossa consciência pudesse ser revelada em uma erupção cutânea, nessas horas estaríamos nos coçando violentamente! Queremos que eles vão embora; entretanto, como qualquer prurido na pele, quanto mais coçamos, mais comicha. Em termos de relacionamentos, isso signi�ca que quanto mais resistimos ao outro, mais frequentemente ele “parece” surgir e mais forte nossa resistência/reação se torna. Vive la différence Esse é um dos desconfortos da alma mais difíceis de curar. Simplesmente porque há um enorme número de “crenças virais” sutis que estamos mantendo em relação ao outro, consciente e subconscientemente. No �m das contas, tem de haver uma mudança da resistência para a aceitação em nosso coração e nossa mente se quisermos nos libertar de nossos incômodos emocionais perto “deles”. Isso é atenuado, mas não curado, pelo entendimento de uma verdade básica; a de que cada ser humano é único e diferente e, portanto, cada um deve inevitavelmente criar uma personalidade diferente. Se pudermos reconhecer, celebrar e apreciar a nossa própria singularidade, torna-se mais fácil aceitar e celebrar a dos outros, em vez de nos ressentirmos pelo modo como são. Se pudermos valorizar e apreciar a variedade, não apenas em uma caixa de bombons, mas em todas as relações humanas, podemos acabar crescendo e transcendendo a sensação de ter de “tolerá-los” até chegarmos a uma celebração sincera de sua presença em nossa vida. Enquanto isso, é útil re�nar a nossa própria percepção de por que podemos ser alérgicos a algumas pessoas e não a outras. Por que algumas pessoas parecem nos fazer coçar mais do que outras? O relacionamento tem uma história pregressa! Às vezes existe uma história por trás do nosso relacionamento difícil e alérgico com essa pessoa em particular. Normalmente essa história contém momentos em que acreditamos que ela fez ou disse algo que feriu nossos sentimentos. Isso geralmente se traduz em nosso medo de que isso aconteça outra vez. Então, �camos “em guarda” em sua companhia. Somente com o entendimento de que ninguém nunca “fere” os nossos sentimentos e que somos os criadores de todo o nosso sofrimento emocional é que podemos nos libertar o su�ciente para relaxar nesse relacionamento. Um incômodo lembrete Às vezes, uma pessoa em particular simplesmente nos lembra outra pessoa que conhecemos no passado, alguém que acreditamos que nos prejudicou ou nos feriu. A pessoa a quem somos altamente alérgicos no presente está, sem saber, pressionando um botão subconsciente em nós que está reativando a lembrança do sofrimento. É isso que está nos tornando resistentes a eles, fazendo-nos evitá-los e até mesmo projetando neles a culpa de outros infortúnios atuais em nossa vida. Mais uma vez, ao entendermos a verdade de que nós mesmos somos os responsáveis, que qualquer sofrimento mental ou emocional do passado foi nossa própria criação, isso pode começar a nos libertar e nos fortalecer para não resistir ou reagir a essa pessoa. Consciente ou subconscientemente invejoso Às vezes, batemos de frente com alguém porque há algo em sua personalidade que acreditamos que deveríamos ter. Por trás do nosso comportamento reside uma inveja que está envenenando o relacionamento. Mesmo que possamos ser bons em disfarçá-la, mesmo que nós mesmos não possamos enxergá-la claramente, existe uma inveja sutil ali. Isso distorce a nossa capacidade de aceitar que o outro possui uma qualidade, talvez uma presença, uma habilidade única, que podemos apreciar e não invejar. Nossa incapacidade de estender a apreciação ao outro é um sinal de que ainda não entendemos uma das verdades mais poderosas das relações humanas. Quando você “valoriza” uma virtude ou atributo de caráter do outro, nesse momento você começa a cultivar e a imprimir a mesma virtude ou atributo em seupróprio caráter! Espelho, espelho meu... quem não é o mais belo dentre nós? Às vezes, alguém é simplesmente um poderoso espelho para algumas características ou tendências não muito agradáveis que desenvolvemos. Mas nós simplesmente não queremos enxergar e reconhecer isso. Nossa maneira de evitar fazê-lo é atacar o outro com algumas crenças não tão legais sobre “ele”. Quando pensamos ou dizemos algo sobre o outro, não percebemos nossa contradição e nossa hipocrisia. Nós não queremos encarar isso. “Ele não deveria ser tão crítico o tempo todo”, é um momento em que simplesmente não percebemos que nós mesmos estamos sendo críticos quase o tempo todo... sobre o outro! Posição e não a pessoa Às vezes, especialmente no local de trabalho, nós nos descobrimos alérgicos a alguém em posição de autoridade. Em tais casos, isso normalmente signi�ca que estamos reagindo a uma posição e não a uma pessoa. Nós encaramos o indivíduo como a sua posição, o que signi�ca que estamos nos vendo como uma posição em relação a ele. O que não é verdade. Ninguém é uma posição! Somente quando começamos a apreciar o outro como ser humano e paramos de enxergá-lo como alguém que tem poder posicional sobre nós é que as coisas se acomodam. Só então a animosidade e o ressentimento, que em geral estão por trás de nossas reações alérgicas, começam a desaparecer. Não é difícil detectar os sintomas desse desconforto da alma que pode ser comparado a uma espécie de alergia. Você notará esses sintomas sempre que perceber sua resistência em relação ao outro. Essa resistência pode assumir a forma de uma reação emocional qualquer em relação ao indivíduo, rejeição mental absoluta a ele, ou as formas mais sutis que usamos para evitar determinadas pessoas. Há muitas percepções que podem sinalizar a cura de sua alergia a uma pessoa ou a todas aquelas que você anteriormente evitou. Talvez a primeira seja um insight sobre a natureza do verdadeiro intercâmbio energético que é o relacionamento. É uma percepção que pavimenta o caminho para a capacidade de não apenas acolher aqueles a quem você resistia, como também de celebrar a presença deles em sua vida. É mais ou menos assim: “Não é o que você diz ou faz que me faz sentir dessa maneira, é o que eu faço com o que você diz ou faz que me faz sentir assim”. É o entendimento de que a forma como estamos criando o outro dentro de nossa consciência é o que está nos incomodando. Não é a maneira de ser da pessoa. Este é um pré-requisito para a verdade libertadora de que nossa alergia não só é corrigível, mas a sua cura é uma transformação que, para alguns, pode �nalmente tornar a vida digna de ser vivida... outra vez. Compreender a dinâmica do processo nos leva até a metade do caminho. A outra metade é o nosso compromisso de assumir a total responsabilidade pela nossa criação. Então podemos parar de usar os outros para culpá-los por nos aborrecer! Então poderemos perceber que o indivíduo que anteriormente considerávamos “extremamente difícil” acabou por ser nosso melhor mestre! Re�exões para o seu diário Percepção: Identi�que as três pessoas às quais você diria que é mais alérgico. Entendimento: Por que você realmente acha que é alérgico a elas (relacionando motivos diferentes para cada uma, talvez). Quais são as crenças que você está mantendo sobre cada uma que está fazendo você resistir ou reagir à sua presença? Transformação: Examinando cada uma individualmente, que verdade sobre elas começaria a libertá-lo da alergia e permitiria que você se conectasse com elas com mais conforto e facilidade? 9 “Espere até eu contar pros outros!” O desconforto da INCONTINÊNCIA Existe um desconforto que pode se desenvolver na consciência conhecido como INCONTINÊNCIA. Os principais sintomas são pensar e falar de forma incessante e/ou a necessidade de sempre ser visto como aquele que sabe das coisas e que tem opinião! Normalmente, ambos! A “crença viral” que está por trás desse desconforto é muitas vezes uma profunda crença subconsciente de que “Eu preciso ser reconhecido pelos outros”. Alguns dos pensamentos que surgem que são sintomáticos da incontinência da alma provavelmente incluirão “Eu preciso contar para eles...”, “Eles precisam saber...” ou “Espere só até eu contar...” ou “Eles nunca irão acreditar...” Muitas vezes, pensamentos precisos assim nem chegam a ocorrer antes das falas do incontinente, já que tudo é simplesmente vomitado de forma descontrolada de qualquer jeito! A “consciência do incontinente” geralmente está em um estado de expansão e especulação sobre muitas coisas. As conversas reais, quando o incontinente expressa suas opiniões, são provavelmente motivadas por três formas de necessidade. A primeira é a necessidade de ser o centro das atenções. A segunda é a necessidade de ser reconhecido, legitimado e valorizado como “aquele que sabe das coisas”. A terceira necessidade é, muitas vezes, a de se libertar e aliviar da pressão mental de tanto pensar, avaliar, julgar, especular, interpretar, concluir, deduzir... ufa! Assim como a disfunção física que conhecemos como incontinência é difícil de curar, o mesmo acontece com o desconforto da incontinência da consciência. Em seu processo, parece haver muitos momentos de aparente prazer. “Oh... quer dizer que você não sabia!...” “Nunca pensei que seria eu quem lhe contaria!...” “Fico tão feliz por você gostar da minha interpretação do que está acontecendo com eles!...” Ser ouvido atentamente, ser legitimado e valorizado como aquele que sabe é um vício difícil de ser sanado! A exaustão retarda as coisas, mas não é uma solução. O choque de que a sua “conversa informal” possa causar o efeito de desencadear uma reviravolta na vida de outra pessoa, pode fazer com que o “incontinente” hesite um pouco em seguir com sua descontrolada tagarelice. Mas provavelmente não por muito tempo. Alguém de fora de seu círculo pode fornecer ao incontinente algum feedback sobre o incessante blá-blá-blá e o fazer dar uma analisada em si mesmo. Mas o incontinente é bom em encontrar uma justi�cativa para as suas divagações não solicitadas, repletas de carência, que buscam apenas a atenção dos outros. O entendimento de que, ao se ocupar com a vida das outras pessoas, “Estou deixando de viver a minha própria vida”, pode ou não ocorrer. Se ocorrer, pode acenar para uma grande mudança de atenção e energia. No �m das contas, entretanto, precisa haver um profundo reconhecimento de que a necessidade de ser ouvido pelos outros, de ser legitimado e valorizado por eles só pode ser atenuada quando ele próprio se der conta de seu verdadeiro valor. É só quando percebe que seu senso de valor e mérito é obtido, percebido e conhecido em seu próprio interior, que os hábitos de se intrometer, de pensar e tagarelar sem parar podem ser... curados! A tagarelice da insatisfação No entanto, mesmo isso provavelmente não é possível até que haja uma “inversão de propósito” do querer para o doar. Em sua incontinência, eles parecem estar se doando e eles próprios acreditam que estão se doando, mas na realidade estão querendo e obtendo. Somente quando nos doamos sem desejar algo em troca é que passamos a conhecer o que somos e o valor do que temos dentro de nós. A di�culdade para aqueles que são afetados pela incontinência da alma é perceber que de fato não estão “doando” nada quando estão mental ou verbalmente “despejando”. Eles estão querendo atenção e obtendo legitimação de quem quer que os escute. Mesmo que não haja ninguém por perto, provavelmente irão tagarelar silenciosamente para ouvintes imaginários em suas próprias cabeças. É somente no processo de se doarem genuinamente, sem quererem nada em troca, que eles podem perceber que não precisam de nada de ninguém. Sim, como analisamos anteriormente, nosso corpo precisa de comida, abrigo, roupa etc. Mas o “eu”, você mesmo, aquilo que você é, não precisa de coisa alguma. Quando isso é entendido, torna-se fácil assumir uma postura calma,até mesmo silenciosa, livre da necessidade de ser ouvido, reconhecido, valorizado ou mesmo aceito pelos outros. A força e o valor de si próprio são conhecidos diretamente de dentro, de uma forma que toda a “carência”, todo o desejo do que quer que seja dos outros, se dissipa. De muitas maneiras, essa é uma das liberdades mais profundas. Na verdade, é uma questão de amor! Um dos entendimentos mais poderosos pode acontecer de um momento para o outro. Ele normalmente acontece durante o processo de ser amoroso para com os outros. É aquele momento do “estalo” que diz: “Amor é o que eu sou”. Nesses momentos, o “eu” entende que “O que antes eu acreditava que precisava, eu não preciso!” Já está presente. Esse entendimento “pode” extinguir todas as novas buscas pelo amor nas formas de reconhecimento, aprovação e legitimação que vem dos outros ou do mundo. Pelo menos para alguns, pode. Para outros, não é tão fácil permitir que esse entendimento seja totalmente integrado. O fato de todos os outros à nossa volta ainda estarem no modo “buscando o amor” não facilita as coisas. Essa crença, a de que o amor deve ser buscado nos outros, é tão profunda e compartilhada por tantos, que reside no coração da cultura moderna. Mesmo que tenha ocorrido o entendimento de que o amor é, em última análise, o que eu sou, de que agora eu conheço o meu valor como fonte de amor, ainda assim não é fácil libertar-se dos vícios da “carência” e da “busca”. Se esse entendimento for autêntico, se a libertação da necessidade de algo intangível dos outros for autêntica, então um contentamento silencioso começa a surgir em seu interior. Você notará que uma sensação de completude substitui a carência que vem de uma sensação ilusória de vazio. O tagarelar diminui, substituído por uma vibração de tranquilidade que irradia para fora. Você pode então ouvir os outros em um nível mais profundo. Eles vão sentir que estão recebendo algo de grande valor simplesmente através da atenção de sua escuta compassiva. Sim às vezes, precisamos nos expressar, dizer algo, compartilhar algo, mas quando isso não procede de uma carência, se parece mais com a oferta de um presente. Os sentimentos de desconforto que surgem e nos levam a tagarelar se foram. Em seu lugar há sensibilidade à comunicação dos outros e o senso claro de quando é apropriado dar sua contribuição à conversa. É quando os outros são atraídos por sua tranquilidade e não estão mais preocupados em evitar ou serem oprimidos por seu desconforto de incontinência. Em resumo, a cura dessa forma de desconforto da alma começa quando percebemos que o hábito de matraquear se origina em uma mente que simplesmente não consegue manter-se quieta, que precisa sempre estar pensando nos outros e está continuamente falando, em geral sobre os outros, se não verbalmente, pelo menos mentalmente. Esse derramamento de energia mental frequentemente se manifesta em uma avalanche de palavras em conversas unidirecionais. O entendimento começa quando enxergamos que existe uma profunda sensação de insegurança dentro do “eu” sobre a própria capacidade e valor. Tudo por causa de uma “crença viral” que diz que nossa existência precisa ser reconhecida e valorizada por outros antes de podermos nos sentir vivos e aproveitar nossa vida. A cura começa a se revelar quando há a compreensão de que outros nunca podem nos dar o que já está dentro de nós, ou seja, nosso próprio senso de mérito e valor. Só precisamos entender a verdade do que somos, de quem o “eu”, que diz “eu sou”, na verdade é. É somente quando compreendemos que estamos buscando nos outros o que já temos em nosso próprio ser que é possível acabar com o hábito de querer e buscar a validação dos outros. A transformação é completa quando somos capazes de sentar e tanto ouvir quanto falar com tranquilo contentamento, onde antes uma agitada empolgação fazia com que sequestrássemos a conversa com informações na maior parte triviais, se não completamente irrelevantes. Re�exões para o seu diário Percepção: Em uma escala de 1 a 100 (1 é baixo, 100 é alto), como você avaliaria seu nível de incontinência? Entendimento: Por que exatamente você acha que às vezes simplesmente desanda a tagarelar quando tem seus ataques de incontinência verbal? O que você está procurando? Transformação: Conscientemente, pratique estar tranquilo e moderado em todas as suas conversas nesta semana. 10 “Eu preciso saber mais!” O desconforto da INDIGESTÃO Existe um desconforto da consciência conhecido como INDIGESTÃO. Os principais sintomas são confusão mental, incapacidade de focar a atenção, tempestades ocasionais de agitação emocional com surtos de linguagem rebuscada intercalada com constipação verbal e social! A crença viral que causa essa doença é “Eu preciso saber o que está acontecendo”. Os pensamentos que surgem incluem: “Eu posso perder algo importante” ou “Fico me perguntando o que aconteceu com...” ou “Eu preciso saber mais a respeito de...” ou “Tenho certeza de que há algo novo que eu posso ter perdido...” Quando comemos muito e rápido demais, nosso sistema digestivo físico não consegue dar conta. Podemos sofrer de todo tipo de incômodo, desde re�uxo ácido até gastrite, de sensação de estufamento a arrotos, de diarreia a constipação. Nosso corpo está nos dizendo para pegar leve e comer menos, “mastigar a sopa e beber a comida”, como dizem por aí! Na era da informação, em que temos hoje acesso instantâneo a praticamente qualquer assunto, qualquer evento e à vida de quase qualquer indivíduo, alguns de nós desenvolveram a tendência de absorver enormes quantidades de imagens, ideias e fofocas. Podemos facilmente passar o dia inteiro pesquisando notícias, opiniões e as últimas entrevistas. Como o viciado em comida que teme perder um belo lanche, algumas pessoas �cam agitadas quando são cortadas dos �uxos de informação que alimentam um insaciável vício de saber o que está acontecendo nas vidas de outras pessoas. A variedade de sintomas desse desconforto da alma vai desde a confusão até o esgotamento, da entusiasmada alegria ao desapontamento, da inquietação à ânsia. É a ânsia por informação que nos atrai para uma tela e um teclado, seja na nossa mesa, na nossa bolsa ou no nosso bolso, inúmeras vezes todos os dias. Você pode observar isso em quase todos os lugares, quase todos os dias com quase todo mundo. Grupos de pessoas se reúnem para tomar um cafezinho, mas a conversa é adiada, já que se sentam juntas ao redor da mesa, todas elas veri�cando suas mensagens em seus smartphones. Adolescentes em uma caminhada nas montanhas �cam alheios à paisagem espetacular, pois todos eles se sentam em pedregulhos para veri�car o que está acontecendo na sua página do Facebook. Pessoas sentadas em galerias, cercadas pela mais requintada arte, estão checando seus e-mails e com os olhos colados nas fotos enviadas por amigos, examinando-as atentamente. Representantes que participam de seminários caros e ricos em conteúdo afastam os olhos de seus smartphones sob a mesa só de vez em quando para escutarem, enquanto se comunicam com o escritório e respondem aos seus clientes e colegas, como se cada mensagem fosse uma emergência. Talvez seja por isso que Einstein aparentemente disse: “Temo o dia em que a tecnologia superar a interatividade humana. O mundo terá uma geração de idiotas”. Ser desconectado! E a cura? Essa é difícil. Ficar online costumava ter a ver com estar mais “em contato” com algumas pessoas, talvez conectar-se com familiares ou amigos por meio de um e-mail ocasional. Isso nos proporcionava a facilidade de estender o cuidado a distância, de entrar em contato rapidamente de formas que sustentavam um relacionamento valioso. Também nos permitia nutrir uma conexão com a família humana maior. Mas �car “online” hoje, para um número crescente de pessoas, é como inserir um medicamento intravenoso diretamente em suas mentes. Se houver um �m súbito de um “feed ao vivo” das notícias, das crençasvirais dos outros, da hiperestimulação de “o que está rolando” de todos os cantos do mundo – bem, para aqueles que atingiram um alto estado de vício, retirar esse medicamento intravenoso pode ser o equivalente a uma terrível abstinência! Ser “desconectado” para essas pessoas é um pensamento assustador. Precisamos saber menos Uma admissão sincera e um reconhecimento signi�cativo são sinais de que o poder de cura do sistema imunológico começou o seu trabalho. Primeiro, um pouco de honestidade e a admissão: “Sim, eu sou um viciado, eu sou um infocólatra! Eu sou um tecnocólatra! Eu sofro, sim, de indigestão de informações”. Em segundo lugar, o reconhecimento: “Eu não preciso saber o que está acontecendo a mais de um metro de distância de mim 95% do tempo”. O que pode ajudar a manter o entendimento dessas duas “realidades” é quando examinamos um dia normal que passou e nos perguntamos quanto da informação que consumimos conseguimos nos lembrar. Normalmente, muito pouco! Provavelmente, menos de 5%. Por quê? Porque não tinha nenhum valor real. Era o equivalente a junk food. Apresentava pouco ou nenhuma sustância mental ou intelectual verdadeira. Nós simplesmente não precisávamos saber disso, simplesmente não precisávamos consumir isso. Sustância verdadeira Então, o que, de fato, nos nutre? Qual é a fonte saudável de informação que também é de valor para nós e pode inclusive nos fortalecer? É a informação que surge no processo de autorre�exão. Ela vem “de dentro para fora” e não “de fora para dentro”. É a informação sobre o que estamos sentindo, de onde estão vindo os nossos pensamentos, o que está nos in�uenciando a agir da maneira como agimos, por que estamos reagindo emocionalmente e não respondendo racionalmente. Cultivar esse tipo de conhecimento autoembasado é o cerne do processo de cura de todos os desconfortos apresentados aqui. Ele é reforçado pela prática da meditação, já que a meditação, por de�nição, cultiva, expande e aprofunda a autopercepção. A meditação é a jornada para longe da nossa dependência de informações, substituindo-a por uma reconexão com a nossa própria sabedoria inata. Entendendo a realidade Outra inspiração ou verdade que pode ajudá-lo a libertar-se do desconforto da “indigestão da alma” é a de que você nunca pode perder nada real! O que você está consumindo eletronicamente não é real. Surfar no oceano digital da vida é uma atividade um tanto quanto super�cial. Isso é bastante óbvio. Mas a noção de que você está consumindo o que é “irreal” é pouco mais difícil de enxergar. Qualquer que seja a informação que você consome depois que ela chega através de suas janelas eletrônicas proveniente do mundo foi �ltrada e interpretada pelos intelectos de outras pessoas. Ela é reapresentada e reformulada pela natureza do próprio meio eletrônico. É descontextualizada e exagerada em sua importância, glamourizada e reembalada para o nosso ego sedento! Então, não é real. Você não está testemunhando a realidade. É tudo arti�cialmente moldado, transformado, distorcido, reconstituído e reapresentado para mantê-lo interessado, viciado, dependente e querendo mais. É projetado para estimulá-lo a manter o seu hábito de investir o seu senso de identidade na vida de outras pessoas, em suma, a viver sua vida de forma indireta! É isso que signi�ca viver em um “mundo irreal”. Infelizmente, parece ser um mundo no qual um número cada vez maior de nós vive como sonâmbulos. Então, você vai viver no mundo real e natural ou no mundo irreal e fabricado pelos outros? Experimente passar alguns dias sem conectividade tecnológica, qualquer que seja. O primeiro dia será o da abstinência; o segundo, trará uma estabilidade mental e uma tranquilidade no coração que o lembra como a vida costumava ser num ritmo mais lento. No terceiro dia, você pode se dar conta do quanto a qualidade da sua dieta mental é vital para o seu bem-estar. O quarto dia pode ser o começo de um novo hábito, à medida que você re�ete detidamente sobre tudo com um pouco mais de profundidade por si mesmo. Você começará a “sentir” tudo mais profundamente dentro de si. Começará a escolher e sentir seu próprio “bem-estar” sempre que quiser. Bem, está certo, talvez quatro dias seja uma previsão um pouco otimista! Mas �que atento aos sintomas do desconforto da alma que pode ser chamado de “indigestão”. Seu sistema imunológico pode até mesmo pegar no tranco sozinho. Isso o lembrará que a maioria das informações que você consome tem pouco valor. Você provavelmente perceberá que a informação está no �nal de uma trilha que começou com a “verdade”. Então, a verdade, através da aplicação, torna-se sabedoria, que depois se cristaliza em conhecimento. Nós então usamos o nosso conhecimento para criar a tecnologia para gerar e enviar quantidades enormes de informação por grandes distâncias na velocidade de um raio! A cada transição, que alguns chamariam de queda, a qualidade da nossa dieta mental e intelectual foi reduzida, e o bem- estar foi perdido. Criando valor nutricional para a alma Da próxima vez que você perceber um certo desconforto em relação às notícias do dia ou ao que parece estar acontecendo nas vidas de outras pessoas, lembre a si mesmo de que simplesmente não precisamos saber mais do que uma porcentagem do que “acreditamos” que devíamos e poderíamos saber. É essa “crença viral” que diz “Eu preciso saber” que causa o eventual re�uxo da informação indigerível que chamamos de notícia e das opiniões de outras pessoas. Veja se você consegue entender que, no �m das contas, tudo isso não é real e não oferece nenhum valor nutricional à alma. Enxergue “o real” com a sua visão interior. A realidade é você, o “eu” que diz “Eu sou”. O que é “real” são os pensamentos e sentimentos que você cria. O “real” é o que você está doando ao mundo, não o que você está consumindo do mundo. A realidade é o que você ouve de sua própria intuição, não o que é produzido e transmitido pelas instituições. Esteja atento aos sinais de que a cura da sua indigestão espiritual está acontecendo e que a transformação começou. Você passou a digitar no teclado uma vez a cada hora, não cinco vezes a cada hora. A veri�car as mensagens no seu telefone uma vez a cada hora, não dez vezes a cada hora. Você pode ser visto com frequência olhando pela janela para a imensidão do espaço exterior enquanto contempla e pondera sobre as possibilidades, ideias, inspirações, que você está criando e com as quais está “brincando” na realidade primária e in�nita de sua própria consciência. Percepção: Com que frequência você se encontra consumindo informação todos os dias – tente �xar um número médio de minutos por hora! Em seguida, estenda isso para um dia. Por que você consome tanta informação com tamanha frequência? Entendimento: Em termos de porcentagem, quanto da informação é útil, quanto dela o está nutrindo, quanto é um desperdício de tempo e energia? Transformação: Crie cinco “ações criativas” alternativas, ou seja, coisas que você pode fazer em vez de consumir informações do meio eletrônico. Em outras palavras, não é para você parar de usar o meio eletrônico como um recurso, mas o que poderia ser descartado e substituído por sua própria criatividade? 11 “Eu sempre estou certo” O desconforto da ARTRITE Há um desconforto da consciência que poderia ser chamado de “artrite da alma”! Seu principal sintoma é uma in�exibilidade profunda que beira a rigidez crônica. A “crença viral” oculta é: “Eu estou certo sobre tudo”. Os pensamentos que surgem são do tipo: “É assim que eu vejo e é a única forma certa de ver isso!...”, “Só existe uma maneira correta de fazer isso e é do jeito que eu faço!...” Como o seu equivalente físico, no qual ocorre uma dolorosa rigidez das articulações do corpo, há uma rigidez na alma que se mostra como uma atitude fechada para novas formas de ver e fazer. Enquanto numa articulação física, que é feita para dobrar, atingida pela artrite há dor, na “artrite daalma” há sofrimento na in�exível resistência às ideias e maneiras de ser dos outros. Esse sofrimento é, obviamente, emocional e se manifesta oscilando entre a raiva, como em “Como se atrevem a tentar me fazer ver ou fazer de forma diferente?”, e/ou medo, como em “Isso não pode continuar assim, pode?” e/ou “Com certeza não poderiam estar mais certos do que eu!” A alma artrítica tem opiniões rígidas e em geral mantém-se agarrada �rmemente a um conjunto de crenças assimiladas e formadas há muito tempo no passado. Pessoas profundamente religiosas tendem a sofrer de artrite espiritual. O senso de identidade, segurança e estabilidade delas é baseado em suas crenças religiosas absorvidas das antigas escrituras ou de interpretações de outros dessas escrituras. Tendo “adotado” essas crenças, elas acabam considerando suas crenças como suas próprias verdades pessoais. Elas raramente param para analisar e entender a diferença entre crença e verdade. No entanto, é somente com a lubri�cação de novos insights, novas maneiras de perceber, novas maneiras de compreender o seu próprio eu, novas maneiras de trazer signi�cado para a vida cotidiana, que novas verdades podem ser entendidas e antigas crenças, dispensadas. É apenas o entendimento contínuo de novas verdades que, no �nal das contas, proporcionará à alma artrítica o alívio do sofrimento autocriado que surge de agarrar-se a um conjunto de crenças. É por isso que a principal diferença entre religião e espiritualidade é em geral a diferença entre crença e verdade. A religião costuma dizer que você “deve acreditar” no que lhe foi dito ou haverá terríveis consequências. A espiritualidade costuma dizer não acredite em nada e, por meio de uma prática especí�ca, você pode enxergar e entender o que é verdadeiro para si mesmo. A religião costuma dizer que a “crença” é o su�ciente, enquanto que a espiritualidade diria que a crença é, na melhor das hipóteses, uma placa de sinalização e, na pior das hipóteses, uma venda para os olhos. A crença costuma vir de “fora para dentro”, ao passo que a “verdade compreendida” vem de dentro para fora. A crença está limitada por ideias e conceitos, enquanto que a verdade é mais como um estado multidimensional de ser com profundidade in�nita. Como um exemplo do cotidiano, olhar para o seu cartão de visita e “acreditar” que você é o que diz no cartão não é a verdade. Poucos se dão conta de que a verdade começa com “Eu não sou o que eu faço” e termina com “Eu sou o ‘eu’ que diz, ‘eu sou’”, só isso! Um mau humor sombrio Provavelmente é verdade dizer que a maioria de nós cresce com o desconforto da artrite aumentando dentro de nós. Simplesmente porque acreditamos cegamente no que nos ensinaram e disseram aquela gente grande que chamamos de pais e professores. Muitas vezes, em o�cinas e seminários, eu me deparo com pessoas com diferentes formas de artrite da alma. As mais frequentes parecem ser aquelas que costumam sentar-se com os braços �rmemente cruzados sobre o peito. Sua expressão facial sugere um mau humor sombrio. A vibração que emana delas parece estar dizendo: “Eu realmente não quero estar aqui”. Depois de um tempo e devido a uma crescente frustração, elas levantam a mão e começam a se queixar de que simplesmente não concordam. Começam a me comunicar, em termos inequívocos, suas próprias crenças, em um tom que diz que estão se sentindo muito incomodadas e resistentes ao ponto de vista que estão captando no que estou expondo. Nesse momento, costumo falar (e eu também deveria dizer isso aqui, no contexto deste livro, apenas para o caso de você se sentir um pouco artrítico em resposta a algum conteúdo!): “Por favor, não acredite em uma só palavra do que eu digo, eu não estou aqui para convencê-lo de nada. Eu só estou divagando e, ao fazê-lo, descrevendo o que eu vejo quando analiso essas questões/assuntos etc. por mim mesmo e sozinho! Meus pontos de vista/insights/entendimentos podem mudar na próxima semana ou no próximo ano. Na verdade, eu espero que mudem. Espero que eles se tornem mais profundos e pareçam ainda mais alinhados com o que é verdadeiro para mim. Mas, por favor, não acredite simplesmente no que eu digo, caso contrário você pode deixar de enxergar alguma coisa nova por si mesmo. E é por isso que estamos todos aqui agora, para ver e entender por nós mesmos o que é verdadeiro hoje e não tanto o que é apenas mais uma crença assimilada ontem”. Só um pouco! Neste ponto, essas pessoas geralmente relaxam... um pouco. Ficam mais receptivas, bem... um pouco! O olho de seu intelecto se abre... um pouco. O estado de ausência de ego conhecido como “curiosidade” se expande... um pouco! As articulações artríticas entre seus sistemas de crenças unidos parecem afrouxar e tornar-se menos dolorosas... um pouco! Elas são capazes de se curvar com um pouco mais de facilidade e elas o fazem, às vezes até com um sorriso e um “obrigado”. Mas quem sabe por quanto tempo. Difícil de curar Já sabemos que a artrite do corpo não é fácil de tratar. Da mesma forma, a artrite da alma é complicada de curar. Torna-se mais difícil enxergar que, assim como a dieta é um enorme fator na artrite física, nossa dieta mental e intelectual no passado constitui um fator importante em nossa artrite espiritual no presente. Mais uma vez, é o ego que está operando aqui, como é o caso, em última análise, com todos os desconfortos. A alma artrítica é simplesmente consciente e subconscientemente apegada às suas crenças e identi�cada com elas. Daí a criação do ego. As pessoas �cam presas nas formas que suas crenças tomam na mente. É como se elas se tornassem suas crenças. É como se seu corpo pensasse que é a cadeira em que está sentado. Se seu corpo pudesse pensar, e se pensasse isso, ele nunca mais caminharia. Seu corpo, com você nele, �caria permanentemente preso na cadeira. E é por isso que a artrite da alma parece uma espécie de ponto de vista permanentemente �xo, com percepções rígidas e interpretações congeladas que apenas se repetem. Tudo se resume a uma atitude empacada que gera padrões de comportamento repetitivos. O alívio vem quando a alma artrítica desperta e percebe o valor de uma das três coisas; aprender com os outros, compreender o outro e ser um guia para os outros. Quando as pessoas se envolvem em qualquer uma dessas interatividades, naturalmente começam a se desprender do pensamento rígido e da crença �xa. Percebem naturalmente que existem outros ângulos válidos, pontos de vista variados, mais opções para avançar do que concebiam anteriormente. Esse tipo de entendimento leva naturalmente à transformação, já que a alma artrítica de antes deixa de se aprisionar e ser moldada pela mesma “cadeira de crenças”. As pessoas se levantam e é como se o espírito delas começasse a dançar com novas maneiras de ver, novos insights sobre o conhecimento, enquanto revigoram os níveis mais profundos de seu próprio ser. Às vezes, a transformação da alma artrítica é sinalizada pelo retorno a um entusiasmo infantil. É como se estivessem descobrindo o mundo novamente. Há uma “embriaguez do espírito” à medida que a consciência respira e entra em contato com o novo e revigorante ar de novos entendimentos, insights e conhecimentos. Não é uma conquista desprezível levantar-se de sua cadeira e ir até a pista de dança após anos de artrite. Vale a pena comemorar quando alguém se levanta e começa a se “mover e chacoalhar” suas velhas articulações! Se você estiver no mesmo recinto quando isso acontecer com alguém, sinta-se privilegiado por estar presente. Você provavelmente estará assistindo ao que às vezes é chamado de milagre menor. É um momento igualmente alegre quando alguém começa a deixar para trás seus rígidos pontos de vista e opiniões, crenças e comportamentos. Aqueles ao seu redor começam a dizer ou a pensar coisas como, “Uau! Você realmente mudou. De fato você está mais �exível e fácil de se conviver. Você realmente está... bem!” Se você acha que é alguémcom algumas “articulações espirituais” dolorosamente rígidas e inchadas, ligue para o seu instrutor de dança local agora mesmo! Re�exões para o seu diário Percepção: Quando você mais se pega resistindo às ideias e opiniões dos outros? A quais crenças você percebe estar rigidamente agarrado em tais situações? Por que você acha que acontece isso? Entendimento: Qual é a diferença entre crença e verdade – pesquise e investigue. Anote suas conclusões enquanto o faz. Transformação: Quais diferenças em atitudes e comportamentos as pessoas veriam e sentiriam em você se você fosse mais aberto e �exível? 12 “Eu não posso dar amor, esse não sou eu!” O desconforto da ASMA Há um desconforto da consciência que pode ser conhecido como ASMA da alma. O principal sintoma é a di�culdade de “expressar amor”. Enquanto o diabetes da alma é a incapacidade de receber, aceitar e assimilar o amor dos outros, a asma é o sinal de uma alma que tem di�culdade de dar amor e ser amorosa a qualquer tempo e em qualquer lugar. O indivíduo pode acreditar que está “dando amor”, mas em geral não é com o coração e sim, mais com a cabeça. Alguém que tem um “ataque de asma físico” encontra di�culdade de “inspirar” o ar. Algo está obstruindo e estreitando suas vias aéreas. Alguém que tenha um “ataque de asma espiritual” acha quase impossível “expirar” seu amor para os outros. Algo está obstruindo o seu coração e o caminho de seu coração até “o outro”. Não o coração de seu corpo, mas o coração de seu ser. Em um ataque de asma físico, os músculos que circundam as vias aéreas se comprimem. O revestimento das vias aéreas �ca inchado e in�amado. As células que forram as vias aéreas produzem um muco mais espesso do que o normal. Em um ataque de asma espiritual, a habilidade de ser amoroso é restringida pelo encolhimento da capacidade do coração de emanar a energia do amor. A in�amação é evidenciada pelo “muco emocional” que conhecemos como as várias formas de medo e raiva. O oxigênio da alma Na dimensão física, o ar é inalado pelo corpo para adquirir o oxigênio vital que é essencial para a saúde do nosso corpo. Quando ocorre a respiração, não é você que está respirando, é o seu corpo! Na dimensão espiritual, que é você, o ser consciente, o amor é uma emanação para fora da energia vinda de... você! Assim como a inspiração do oxigênio é essencial para a saúde do corpo, a emanação do amor é essencial para o bem-estar da alma. Quando você faz qualquer coisa com amor, está essencialmente doando a sua energia. Se você doa de si mesmo, mas ainda assim quer algo em troca, sua energia �ca distorcida e bloqueada pela ideia/imagem em sua mente do que você quer. Em tais momentos, você não se sente bem, porque implícito em todo desejo está o medo. Querer é a conversão do amor em medo. O amor é o oxigênio da alma! Mas o oxigênio espiritual do amor precisa ser emanado e liberado, e não adquirido e consumido, para que o bem-estar seja restaurado e conservado. Isso signi�ca que a diferença entre corpo e alma pode ser resumida por duas dinâmicas. O corpo é projetado para “absorver” nutrientes e oxigênio para manter a sua saúde. A alma é projetada para “distribuir” a energia/vibração da luz e do amor, que são os nutrientes espirituais que mantêm o seu bem-estar. A natureza do corpo é consumir e a natureza da alma é emanar. A obstrução das vias aéreas do corpo parece ser “desencadeada” (mas não causada) por muitas coisas, como alimentos, outras pessoas, situações estressantes, o ambiente, e até mesmo o tempo. No entanto, a obstrução da energia radiante da alma é causada por uma coisa, o apego. Entendendo a mente A mente não é a alma, não é o “eu”. A mente é a faculdade da alma, onde a alma recebe as visões e sons do mundo “lá fora”, quando eles entram “aqui dentro” através dos nossos olhos e ouvidos. Depois, nós os projetamos na tela de nossa mente “aqui dentro”. A mente também é onde você cria pensamentos, ideias e imagens, que você então irradia “daqui de dentro” para o mundo “lá fora” por meio de suas atitudes e ações. Ao longo do tempo, você começa a se apegar e se prender às ideias e imagens que você cria em sua mente. O apego a qualquer ideia ou imagem gera medo. É por isso que o medo se torna o principal sintoma do desconforto da asma. O medo é o amor distorcido pelo apego. O medo é a mesma energia radiante da consciência que o amor. Mas a vibração dessa energia é “distorcida” no caminho para fora pelo objeto (imagem ou ideia) ao qual o “eu” se apegou. Daí os muitos sentimentos de medo diferentes que nós “insperimentamos” como preocupação, tensão, ansiedade, pânico etc. Isso é fácil de veri�car por experiência pessoal. Num minuto, você pode estar aberto e amoroso para com alguém, no próximo, você cria medo e/ou raiva em relação a essa mesma pessoa quando ela não faz, não diz, nem é exatamente como VOCÊ deseja. Se você pudesse estar plenamente consciente nesse momento, notaria a vibração do amor que você estava doando num minuto, transformar-se em medo apenas alguns momentos depois, porque você tem uma imagem em sua mente de como você gostaria que essa pessoa �zesse/dissesse/estivesse. É como se você “se encolhesse” dentro da imagem/ideia na mente. Você “encolhe” para o tamanho da imagem e se “embrulha” na imagem, o que signi�ca que você está apegado à imagem. Você espera que as pessoas sejam como você as criou em sua mente. Quando elas não estão à altura dessa imagem, quando sua expectativa sobre elas não é preenchida, é seu apego a essa imagem que converte a vibração de sua energia de amor em medo/raiva. Abandone o apego, ou seja, saia da imagem em sua mente, e você retorna naturalmente ao coração do seu ser. Então, a energia que você dá é restaurada para a vibração original e máxima que conhecemos como amor. Mas isso não é tão fácil, simplesmente porque não estamos tão conscientes dessa dinâmica interior sutil dentro de nossa consciência, dentro de nós mesmos. Esta é a formação dinâmica do ego ou do falso sentido de si mesmo. O ego sendo o momento em que você se apega ao que você não é e perde seu senso de identidade! É também por isso que é impossível ser autenticamente amoroso para com outro, a menos que “você” seja desinteressado ou não apegado! Reconhecendo um ataque de asma! A asma da alma é ainda mais comum do que a asma do corpo. Sempre que você criar e sentir qualquer “emoção” (tristeza, raiva ou medo), signi�ca que você está tendo um ataque de asma espiritual! Existe uma constrição na sua capacidade de doar com amor. Em um ataque de asma físico, a luta para inalar é auxiliada pelo uso de um “inalador externo” que fornece certas substâncias químicas para ajudar a descongestionar e desconstranger as vias aéreas. Em um ataque de asma espiritual, também precisamos de ajuda enquanto lutamos para “exalar” a energia mais alta, conhecida como amor, em nossos relacionamentos. Para isso, requeremos o auxílio de um “exalador interno”! Existem três tipos de “exaladores internos” que podem abrir as vias do coração do nosso ser e garantir que restauremos e irradiemos a energia do amor autêntico. O primeiro é o próprio coração. No coração do nosso ser, existe um estado imutável original e eterno que jamais pode ser perdido. A meditação leva você lá. É por isso que o primeiro e vital passo na meditação é “desconectar-se”, o que signi�ca libertar-se de qualquer apego a todos os pensamentos, ideias, imagens, lembranças etc. Então seu estado natural de paz interior é restaurado. É dentro dessa paz que você sentirá o pulsar de seu coração espiritual, que é o “impulso natural” de doar, conectar-se, amar. Sua intenção natural é doar-se sem visar nada em troca. Em tal estado de consciência não há pensamento “sobre” o eu, há apenas “ser” o eu. Nesse estado natural de ser, você está irradiando a energia máxima de si mesmo como amor... naturalmente! Mantendo companhias elevadas O segundo “exalador interno” é a companhia de alguém que está sendoamoroso, que está nesse estado amoroso natural que acabamos de descrever. É aqui que as coisas �cam um pouco “interessantes”! A outra pessoa aparentemente está “lá fora” e, no nível físico, de fato está, mas não tanto no nível espiritual. Você já se sentiu com o ânimo elevado na presença de alguém que obviamente está sendo incondicionalmente amoroso para com todos os que os cercam, incluindo você? Em tais momentos, a energia de sua consciência está sendo puxada para cima e em “ressonância” com a vibração da consciência do outro. É como se você estivesse sendo elevado a um estado superior pela vibração do outro. Em tais momentos, enquanto o outro parece estar “lá fora”, vocês dois estão de fato conectados no que se poderia chamar de “conexão alma com alma”. É como se suas duas energias espirituais se tornassem uma só! Dois “eus” tornando-se um “eu” sem perderem a noção de “você” e “eu”. Nesses momentos não há “lá fora” ou “aqui dentro”. Existe uma conexão energética invisível que você e o outro “sentirão”. A maior vibração do outro tem uma in�uência magnética e elevadora sobre a sua consciência. É por isso que é sempre bené�co se misturar com pessoas que estão fazendo seu “trabalho interior” para elevar e aprimorar a própria consciência. Elas estão no processo de despertar enquanto sacodem fora todas as ilusões e falsas crenças reunidas ao longo do caminho. Elas estão despertando e fortalecendo seu sistema imunológico espiritual e curando todos esses desconfortos enquanto recuperam o bem-estar da alma. O estado �nal de bem-estar é visto em alguém capaz de se estabilizar em um estado amoroso de consciência em todos os momentos e em todos os lugares. A fonte ou luz e calor O terceiro “exalador interno” também não é “aqui de dentro” nem “lá de fora”. Na verdade, no contexto da consciência, que é o que o “eu” que diz “eu sou”, é, não há interno e externo. Conforme exploramos anteriormente, a consciência não está sujeita à dualidade, a essa separação. É por isso que a fonte suprema de energia espiritual é um mistério para a maioria. Mas é “a fonte” que é de grande ajuda para restaurar a nossa capacidade de ser quem somos, que é o amor, e de fazer o que fomos projetados para fazer, que é o amor! Esta fonte às vezes é referida como energia divina, ou o amor dele, ou o amor de Deus, ou Deus enquanto amor! Realmente não importa quais rótulos usamos. É a energia do amor puro. Então, como nos conectamos com a fonte? Como extraímos do mais alto nível de energia espiritual? Simplesmente esteja aberto. Isso signi�ca não estar apegado a nada nem a ninguém, já que é o apego que mantém nossa consciência, nosso coração, nosso “eu” fechado! Um dia no sol Uma metáfora ajuda. Você está parado ao ar livre. Há nuvens no céu. Você não pode ver ou sentir o sol diretamente por causa das nuvens. Para sentir o calor do sol e absorver sua luz, ambos essenciais para a saúde do corpo, você precisa esperar que as nuvens desapareçam ou se erguer acima das nuvens. O mesmo acontece com sua consciência, com você! Neste momento, o nível vibracional da consciência da maioria de nós é bastante baixo. Ele varia em um espectro de pouco amoroso a altamente ressentido! Nós “sentimos” esses estados de baixa vibração como formas de medo e raiva, ansiedade e ciúmes, tristeza e desesperança etc. As nuvens são todos os objetos, pessoas, crenças, lembranças e situações que criamos e aos quais nos apegamos em nossa mente. São nossos apegos que bloqueiam a luz da fonte. Eles são como cortinas na janela da nossa consciência. Para além das nuvens de nossos apegos existe a “energia fonte” que está vibrando em um nível muito mais alto. É a mais elevada vibração da consciência, do espírito. Nós chamamos essa vibração de amor puro, amor divino. Para nos conectarmos à “energia fonte”, precisamos elevar-nos acima das nuvens produzidas por nós mesmos em nossa consciência, o que signi�ca simplesmente abandonarmos nossos apegos. Não há perda nisso, apenas uma mudança de relacionamento com o que ou quem quer que esteja ao nosso redor em nossa vida. O que signi�ca que a realidade de que nada nem ninguém é “meu” é plenamente entendida. À medida que você se solta, enquanto se liberta de todos os seus apegos e, portanto, de suas dependências, a vibração da sua consciência torna-se re�nada e elevada. Internamente você está se libertando. Isso, por sua vez, reabre você, permitindo que receba e “se conecte” com essa “energia fonte”. Em tais momentos, você também sente o “calor” desse amor puro que emana da fonte. Você pode “sentir” o que às vezes é referido como a sublime felicidade. Em tais momentos de conexão, você é tocado pela “luz” de um ser com uma consciência pura. Isso redesperta a consciência de seu “eu” autêntico e incondicionado. Você “entende por completo” que seu “eu” é a energia espiritual que você é! Você não está pensando isso! Neste estado de autoentendimento não há pensamento, não há necessidade de pensar. É um estado que também serve para afrouxar e quebrar toda sua conexão subconsciente mais sutil com todas as “crenças virais” que temos explorado aqui. Em algumas culturas esse “momento de conexão” com a fonte às vezes é chamado de “yoga”, que signi�ca apenas união. Onde há união, há amor e onde há amor, haverá união. Em resumo, perceba seus ataques de asma espiritual. Aqueles momentos de perturbação mental e emocional. Entenda que é apenas a energia do seu coração, de você, que começa como a vibração do amor, mas é distorcida pelo apego aos sentimentos de tristeza, raiva ou medo. Transforme-se, o que signi�ca livrar-se do “encolhimento e conformidade” aos seus apegos. Restaure sua consciência ao seu mais alto nível de vibração e você naturalmente se conectará e ressoará com “a fonte”. Permita que essa “insperiência” o transforme para que você não precise mais assumir a forma de seus apegos. Observe que na verdade você é e sempre foi um espírito livre! Observe como agora você pode “respirar livremente” a partir de seu coração, sem constrição ou restrição. Enquanto o faz, você também notará que está “sentindo-se bem em seu ser” de verdade outra vez. Re�exões para o seu diário Percepção: Examine o dia que passou e localize os momentos em que você teve um ataque de asma espiritual, ou seja, momentos em que �cou triste, bravo ou com medo. Anote-os. Entendimento: O que você queria nesses momentos dos outros ou da situação, mas acreditava que não estava recebendo? Coisas tangíveis ou intangíveis, tanto faz. Transformação: Imagine que você soubesse que seu papel em cada uma dessas situações era o de ser o doador, ser a pessoa cuja tarefa era trazer algo valioso, bené�co para a pessoa ou a situação. O que seria isso em cada situação? Seja o mais especí�co possível. PARTE TRÊS FIQUE bem – PERMANEÇA bem – SIGA bem Ser Viver, existir, estar vivo. Sinônimos: existência, vida, entidade, essência. Sinônimos em um contexto puramente espiritual – alma, eu, espírito, consciência, percepção pura. Bem-estar O estado natural ou condição de ser anterior à perda da percepção pura. Ser é tornar-se Então, agora você sabe, agora você está completamente consciente, se já não estava antes, de que o bem-estar é uma condição da alma. É um “estado natural” do ser espiritual que você é. “Alguém que se sente bem” não dorme sobre os seus louros. Tem uma percepção bem de�nida do que está afetando sua consciência por dentro e entendeu plenamente a verdade de que nenhuma pessoa, evento ou circunstância pode fazê-lo sentir-se mal. Sou sempre EU que faz isso! “Alguém que se sente bem” também integra práticas diárias em sua vida que são vitais para a manutenção do seu bem-estar, permitindo que �que bem novamente após uma vida inteira de muitas formas de desconforto, permaneça bem em qualquer situação em que se encontre e siga bem em qualquer lugar no mundo onde decida levar a si mesmo. Quando descobrimos e corrigimos nossas doenças físicas, elas geralmentepermanecem corrigidas, com algumas exceções, talvez. Mas com os desconfortos da consciência, a tendência é ocorrer o contrário. Nós muitas vezes temos um rápido insight de uma verdade, que anula momentaneamente a “crença viral” que é a causa do nosso desconforto. Talvez haja uma breve transformação de atitude e comportamento, um breve alívio do incômodo interno, mas a antiga crença e os comportamentos subsequentes logo retornam, a menos que �quemos vigilantes. A razão disso é o nosso velho amigo, o “hábito”. O hábito mantém nossos desconfortos vivos Costumamos pensar nos hábitos como ações físicas que executamos repetidamente. Mas os hábitos têm sua origem nas profundezas da nossa consciência, no nível de nossas crenças e percepções, que, por sua vez, moldam nossos pensamentos e sentimentos habituais, que então orientam o nosso comportamento. Todos esses desconfortos da nossa consciência tendem a se tornar “hábitos sobrepostos”. Juntos, eles compõem a nossa zona de conforto. É por isso que a maioria de nós aprende a �car confortável estando desconfortável, feliz sendo infeliz, e nós sequer nos damos conta disso! Rendendo-se à humildade Embora pareça perverso acreditar que nos sentimos felizes e confortáveis estando ao mesmo tempo péssimos, a grande maioria de nós aprende a tolerar os nossos “desconfortos da alma” até que o nível de sofrimento ou infelicidade se torne tão intenso que somos forçados a encará-los. E só aí que fazemos, de fato, algo a respeito. Muitos de nós esperaremos até aquele momento em que chegamos ao fundo do poço, o ponto mais baixo da nossa vida, muitas vezes chamado de “a noite negra da alma”. É nesse momento que cada aspecto da nossa vida parece estar envolvido em... bem... escuridão! É o momento em que atiramos as mãos para o alto e gritamos, seja na nossa mente ou no recinto que estamos no momento, “Eu não aguento mais isso!” Esse é o momento em que nos tornamos abertos a receber ajuda. O ego, que antes estava sussurrando no nosso ouvido interior, devido a uma habitual resistência à mudança, dizendo “Eu estou bem, é sério” ou “Eu posso consertar isso sozinho” ou “Eu posso cuidar de mim mesmo, obrigado”, desliga-se por alguns momentos e somos forçados a baixar as nossas cabeças, espiritualmente falando. É como se fôssemos humilhados para darmos abertura para receber ajuda, para rendermo-nos a quem ou o que quer que seja que nos ajude nessa nossa hora de extrema necessidade interior. Muitas vezes, esse é o momento em que simplesmente calha de estar presente em nossa vida alguém que pode nos apontar uma maneira nova, quem sabe mais profunda, talvez mais espiritual de perceber e pensar. Se não é uma pessoa, pode ser um livro que cai em nossas mãos, ou um folheto ou um convite para algum retiro que, por uma ligeira coincidência, chega naquele mesmo dia! A jornada tem início... será mesmo? Essas são ocasiões signi�cativas que podemos reconhecer, olhando para trás, como momentos decisivos e o início da nossa jornada espiritual. Este livro pode ser o primeiro de muitos desses momentos em sua jornada ou apenas mais um de uma crescente coleção. No entanto, mesmo que pareça que estamos despertando para verdades mais profundas, esses antigos hábitos ainda persistem. Tendo passado a vida toda desenvolvendo a tendência de sentir pena de nós mesmos, �car com raiva dos outros, temer o futuro ou sentir-se deprimido com qualquer coisa, estes são apenas hábitos, no �m das contas. Independentemente das técnicas que experimentemos, apesar da sabedoria que possamos assimilar, não importa quantos seminários assistamos, em um nível mais profundo, esses hábitos não desaparecerão simplesmente. É como se muitos deles lutassem para permanecer, mesmo que agora possamos entender claramente o que, por que, quando e como eles são a fonte das muitas formas de desconforto que temos analisado aqui. Por que tão poucas pessoas mudam! Embora de forma plena reconheçamos intelectualmente que sou eu e não outras pessoas que estão nos fazendo sofrer, o hábito de acreditar que o nosso “eu” é a vítima é difícil de mudar. É como o alicerce de aço reforçado e concreto de uma antiga e bem construída zona de conforto que preferimos não demolir. Ser um alvo é uma posição com a qual estamos familiarizados. É muito mais fácil ser a vítima. Espera-se que “reajamos” quando alguém faz alguma coisa especí�ca para nos provocar. Então, preferimos viver de acordo com a nossa reputação de vítima, satisfazer a nossa autopercepção como perseguidos, ao invés de embarcarmos numa batalha interna total contra as ilusões que nós mesmos estamos sustentando. Por que é que, na realidade, parece que tão poucas pessoas mudam? Muitas falam um bocado sobre mudança. Elas ouvem e estudam os chamados “especialistas em automudança”. Elas participam com entusiasmo dos cursos, seminários e o�cinas de “mude a si mesmo”. Seguem a trilha para o prometido pote de ouro da felicidade no �m do arco-íris do desenvolvimento pessoal e transformacional! Vão para retiros longos, muitas vezes totalmente silenciosos. Encontram um “coach de mudança” e são treinadas e orientadas para... mudar! Tudo com o objetivo de transformarem a si mesmas e, assim, mudar a forma como pensam, sentem e vivem as suas vidas. Não há nada de errado em nada disso. As lições apropriadas são geralmente aprendidas ao longo do caminho de acordo com nosso nível de comprometimento. Elas podem não ser as lições esperadas, as lições desejadas. Pode ser que elas não proporcionem os estalos de percepção prometidos na sinopse promocional. Mas algo valioso acontecerá ao longo de qualquer processo que promova o autoquestionamento. Algo mudará com a expansão da autopercepção e um envolvimento sincero com o próprio processo criativo do indivíduo. No entanto, parece que muito poucos realmente mudam... profundamente, signi�cativamente, permanentemente! Alguns até mesmo chegam ao término desses eventos e processos de autofortalecimento e autodesenvolvimento recebendo eles mesmos um certi�cado de “expert transformacional” quali�cado com credenciais para ensinar aos outros como mudar! Mas seus próprios comportamentos, reações, emoções e personalidade permanecem essencialmente iguais. Por quê? São esses hábitos irritantes! É o apego ao conforto dessas zonas de conforto desconfortáveis! É a longa e profunda familiaridade com sua própria infelicidade que elas aprenderam a amar... por assim dizer! Bem, talvez isso seja um pouquinho de exagero! Nas profundezas da nossa consciência existe um lugar, muitas vezes chamado de subconsciente, onde estamos apegados a todas essas crenças virais, e não é questão simplesmente de nos livrarmos delas. A�nal, a grande maioria são apegos “subconscientes”, o que signi�ca que eles estão fora da nossa consciência do dia a dia, do momento a momento. E você não pode se livrar do que não percebe que está segurando! Hum! Mas, por outro lado, talvez você nem precise. Você está sentado desconfortavelmente? Então, vamos terminar com o único começo! Uma revelação revelada Um dos verdadeiros segredos da automudança é que, se você quer mudar, você precisará parar de tentar mudar! Há uma ilusão que se encontra com frequência no cerne de muitas das escolas de desenvolvimento espiritual e pessoal, de quase todos os cursos, o�cinas e seminários de crescimento e fortalecimento pessoais e no âmago da maioria das ferramentas, métodos e técnicas projetados para a “automudança”. É a ideia de que VOCÊ tem que mudar, de que VOCÊ pode mudar. Mas isso é impossível. Você não pode mudar o seu “eu”. O que você pode mudar é a sua criação, que é a sua personalidade, a matriz de hábitos, a estrutura interna constituída de todas as suas características e tendências previamente desenvolvidas. Elas são suas construções únicas. Mas “elas” não são você – elas são criação sua. A sua personalidade não é o “eu” que diz “Eu sou”. A sua personalidade não é você! O “eu”, você próprio, o ser conscienteque você e eu somos, nunca muda. Nós apenas “acreditamos” que mudamos. Mas nós não o fazemos. No entanto, como você se identi�ca com a sua forma física, como você se identi�ca com a sua personalidade, com a matriz de hábitos e tendências que você criou, até mesmo com as emoções que você sente, todas elas passíveis de mudança, você cai na ilusão de que é você quem está mudando, que pode mudar, que precisa mudar, que terá de mudar! Esse insight, esse entendimento da mais profunda “verdade” sobre você, sobre mim e sobre qualquer indivíduo, é verdadeiramente um divisor de águas, isto é, muda todo o jogo... por assim dizer! A iluminação acena para você Na Parte Dois exploramos muitas das verdades que, quando totalmente entendidas, têm o poder de dissipar as crenças que causam muitos desconfortos da consciência. A “verdade entendida” cura a consciência dos desconfortos causados por essas “crenças virais”. A verdade mais profunda que tem o poder de eliminar todos os desconfortos da alma é a simples verdade sobre quem e o que você é. Simplesmente porque todos esses desconfortos (como você já deve ter notado) têm uma causa comum, ou seja, seu apego e identi�cação com o que você não é! Perdemos a consciência dessa verdade de quem somos quando nos distraímos pelo mundo, somos atraídos pelo mundo, apegados a algo ou a alguém no mundo e, �nalmente, viciados nos estímulos das experiências mundanas. Não é certo ou errado, apenas “acontece”. A verdade de quem você é não é uma “verdade” como em uma observação ou re�exão intelectual, mas a verdade como em seu “verdadeiro estado de ser”. Em outras palavras, perdemos nossa percepção e a capacidade de viver do nosso verdadeiro estado de ser. Isso acontece no momento em que nos tornamos apegados e nos identi�camos com formas materiais no mundo lá fora e formas mentais no mundo de nossa consciência “aqui dentro”. Tudo começa com a crença equivocada de que somos a imagem que vemos re�etida em qualquer espelho. Esse erro então se expande para identi�car-nos com a etiqueta do fabricante de seja lá o que for que a nossa forma estiver vestindo no re�exo do espelho! O que se expandirá para incluir ideias com base no que dirigimos, onde trabalhamos e com quem nos associamos! Todos esses apegos geram uma corrente de identidades separadas em nossa própria mente. No �nal, nossos apegos/identidades mais profundos e sutis serão a essas “crenças virais” invisíveis e intangíveis que nós assimilamos do mundo que nos rodeia em nossa jornada pela vida. Gradualmente, essas crenças aprendidas tornam-se sutilmente entremeadas em nossa consciência, enquanto diminuem e distorcem nosso verdadeiro estado de ser. Que é um estado em que há uma percepção natural e clara de “quem eu sou”. Essas crenças podem ser comparadas com as “impurezas” encontradas nos metais quando são minerados. Antes que a pureza do metal possa ser restaurada, as impurezas precisam ser extraídas. É como se essas crenças fossem impurezas que “obscurecem” nossa consciência. Daí o grande prêmio da “iluminação” que muitas vezes é citado como a recompensa da prática espiritual e talvez anos de esforço espiritual concentrado. Quando há um momento de “iluminação”, há uma breve restauração da “clareza absoluta”. Este é um momento em que somos liberados do controle de todas essas crenças. Todas as identidades separadas e falsas são demolidas. A consciência do nosso verdadeiro estado é restaurada. Não como algo que é sabido. E sim, mais como um estado silencioso de conhecimento sem pensamentos! Mas tende a ser apenas por um momento. Então, percebemos quão profundamente enraizadas em nossa consciência se encontram de fato essas ilusões sobre nosso ser. Elas continuam “aparecendo” em nossa consciência como vizinhos intrometidos. São aqueles hábitos outra vez. Então, embora possamos sempre renovar essa percepção de “quem eu sou”, geralmente através da prática meditativa, parece que só podemos recuperar e manter essa “autêntica consciência de si mesmo” enxergando e entendendo também quem NÃO somos. É só quando começamos a examinar e “despimos”, TODAS as crenças que nós temos assimilado que podemos ver e compreender plenamente que a) Eu não sou minhas crenças, b) Eu não sou a forma que “eu acredito” que sou, em outras palavras, você não é quem ou o que você foi ensinado a acreditar que é, c) as crenças às quais me agarro não são a verdade. Um insight essencial sobre a essência Muitas palavras são usadas para descrever a energia da consciência que todos nós somos. Alma, espírito, o autêntico eu, o eu incondicionado, são todos termos apropriados. Eu usei a maioria deles em algum lugar neste livro, incluindo o “eu” que diz “eu sou”. Essas são maneiras de “apontar para” o que o “eu” é! Porque as palavras só podem “apontar”. Tudo isso pode ser mais ou menos traduzido em um insight essencial: você é “ninguém”, eu sou “ninguém” e todos somos “ninguém”! Esta não é uma ideia fácil de absorver. Mas o lance é esse mesmo, não tente. Não tente transformar isso numa ideia e depois em apenas uma outra história sobre “mim”. É o que fazemos com o nome dado à nossa forma física. Torna-se uma ideia, uma crença de que seu nome e forma são o que você é, e então você cria uma história composta de mais crenças e muitas lembranças construídas em torno de seu nome e forma. Mas esse nome e forma e as histórias não são o que você é. Você não é um nome ou forma. E você não é uma história. Estas são imagens e ideias “criadas” e você é o criador delas, você não é uma imagem ou uma ideia. Sendo ninguém novamente! Encare isso da seguinte forma. Quando você acredita que é seu nome/forma, então, se alguém insultar seu nome/forma você �cará chateado, o que equivale a um momento de desconforto. Se você acredita que é o que faz, então, quando alguém criticar o que você faz, �cará triste ou irritado, provavelmente ambos, o que equivale a desconforto. Se você acredita que é sua religião, então, quando alguém ridicularizar suas crenças religiosas, você tomará isso como pessoal e discutirá, o que equivale a atrito e talvez raiva, o que equivale a desconforto. Todos os desconfortos da alma têm sua origem em uma noção de quem e o que EU SOU posicionada no lugar errado! É por isso que nosso maior, mais profundo e mais frequente hábito, de longe, é posicionar de forma equivocada o nosso senso de quem e o que somos. Para muitos, especialmente aqueles que já enveredaram por um “caminho espiritual”, tudo isso pode parecer elementar. No entanto, as sutis camadas de ilusão sobre o nosso “eu” chegam muito fundo em nossa consciência. Sempre que você “reagir” emocionalmente a qualquer coisa ou pessoa que você conheça, cria outra camada, outro hábito de apego e identi�cação errônea para serem dissolvidos! É só quando você começa a “notar” e, assim, descobrir essas camadas sutis por si mesmo, dentro de si, que a parte mais profunda da jornada da percepção até o entendimento, e daí à transformação, pode começar. Onde transformação não signi�ca mudança, mas a transcendência das sutis “formas mentais” com as quais você vem se identi�cando erroneamente. Ninguém nem nada são o que o ser que você é é! Gratidão e humildade Quando você restaura essa percepção, também entende que você “sempre” foi ninguém e nada. E você percebe que “ninguém” e “nada” não podem ser alterados! Você não pode mudar esse primário, alguns dizem eterno, estado de ser essencial. Tudo o que você pode fazer é restaurar sua percepção de que “em última análise” e para sempre você é ninguém e nada. Enquanto você o faz, nada muda exteriormente. Você ainda come, dorme, trabalha, joga, paga as contas etc. Mas quando você desperta essa consciência, não precisa mais criar e sustentar uma imagem aos olhos dos outros. Porque agora você sabe que qualquer imagem sobre a qual você baseia seu senso de si mesmo é uma ilusão. Você não precisa mais estar apegado a qualquer coisa ou a ninguém. Então, você não precisapensar em “como eu faço para me soltar e não ser dependente”, isso simplesmente ocorre naturalmente. Você não precisa de mais nada dos outros ou do mundo para reforçar qualquer ilusão que você “costumava” ter sobre onde você achava que “tinha que ir” e o que você acreditava que “tinha que fazer” para ser bem-sucedido, feliz e realizado. O sucesso é entender que você já está contente e já está repleto de tudo que é necessário para viver uma vida plena e feliz. Todos esses velhos hábitos de “querer” e “se apegar” caem por terra naturalmente. Tudo o que você pensa e faz, então, parte da gratidão e da humildade. Tudo o que você vê acontecendo “lá fora” é percebido como o que “deveria mesmo” ser. Agora você pode enxergar, a partir de um espaço interior de compreensão e aceitação, que tudo está bem e tudo �cará bem. O jogo da vida Agora, isso não quer dizer que, quando você for passar pelo controle de passaporte e mostrar o seu documento, você possa dizer: “Bem, esse não sou realmente eu, eu não sou ninguém na verdade!” Isso não signi�ca que você não apareça mais para trabalhar e pare de desempenhar o papel de seja lá qual for a posição que você ocupe ou deixe de fazer qualquer que seja o trabalho que você faz. Isso não signi�ca que você distribua cartões de visita em branco com nenhum nome nem nada escrito neles e diga “Bem, este sou eu e isso é o que eu faço... nada!” Isso não signi�ca que você não tenha discussões sobre o signi�cado mais profundo dos textos bíblicos que interessam seu intelecto. Vivemos em um mundo de almas encarnadas, um mundo no qual atuamos com uma forma física e por meio de uma forma física. A linguagem que todos nós criamos juntos e compartilhamos nesse processo é basicamente a “linguagem dos rótulos”. Continue falando a linguagem e continue jogando o jogo da vida, o jogo criativo de viver. Mas experimente eliminar o que muitos hoje veem como o erro mais comum que todos nós cometemos, que é “identi�car-se” com os rótulos. Tente “não acreditar” que o rótulo é o que você é. Você consegue distinguir, em suas conversas, momentos de rotulagem? Quando você perceber um “momento de rotulagem”, começará a notar que é a rotulagem que tira toda a diversão e leveza do jogo da vida. É ela que conduz a muitos momentos de desconforto. No fundo, sabemos em nosso coração que a vida na verdade é apenas um jogo. Um jogo divertido planejado para ser uma experiência de prazer e alegria, de admiração e risadas. Mas o momento em que nos esquecemos disso é o mesmo momento em que nos esquecemos de ser ninguém e nada. No momento em que acreditamos e tentamos ser alguém e algo, é aí que o desconforto chamado “seriedade” entra em cena e a alegria desaparece. Crie e jogue Então, quando você, de fato, compreende de verdade, autenticamente, que você é, em essência, ninguém e nada, então todo o restante é visto como aquilo que é. Um jogo, uma brincadeira, uma o�cina, uma jornada, uma reunião... você decide, porque você restaurou o seu poder de criar o mundo e a sua vida no mundo, da maneira que for que você escolher. Mas você já não encara nem pode encarar o que vê “lá fora” no mundo como a verdadeira e única realidade. Você já não a enxerga como realidade primária, como antes costumava fazer. É uma realidade bastante secundária e, como criador, você verá que tanto o mundo como a sua jornada pela vida no mundo são apenas o contexto no qual você pode ser criativo, jogar, ser amoroso, ser amado e ser alegre... na companhia de amigos. Todo mundo torna-se seu amigo. No momento em que você começar a levar qualquer coisa a sério, observe a presença do medo, o mais popular desconforto da alma. Esse é o sinal de que você acabou de adormecer, de novo, para quem você é. Você perdeu a percepção do você verdadeiro. Começou a acreditar, de novo, que você é exatamente o que vê no espelho, que você é o que você faz, que você é onde você mora etc. A consequente ilusão de mortalidade surgirá e isso o fará perceber o mundo “lá fora” como um lugar perigoso. Desconforto, de novo! Despertando do seu sonho No processo de entender ou restaurar a percepção de quem você realmente é, que é ninguém e nada, haverá uma oscilação entre vigília e sono, entre momentos de plena consciência e momentos em que você perde a clareza dessa consciência. Quando você está acordado e consciente, você sabe que não precisa mudar, que NÃO pode mudar. Você “sabe” que é desnecessário e, em última análise, impossível VOCÊ mudar. E você sabe que não tem como tentar mudar o mundo à sua volta, porque, em seu estado desperto, você também entende que tudo lá fora no mundo está parecendo, movendo-se e mudando exatamente como deveria. Não é seu trabalho policiar o universo! Com esses dois entendimentos, você está em paz com você e em paz com o mundo. Despertar espiritualmente pode ser comparado ao despertar de um sono físico profundo. Quando dormimos em nossas camas, sonhamos. Ao despertar pela manhã, entendemos que o que sonhamos era apenas isso, um sonho. Portanto, não real. Um sinal de que estamos despertando para quem/o que realmente somos é quando começamos a notar que nossa vida cotidiana tornou-se mais “como um sonho”. Começaremos a notar como interpretamos o mundo, e os acontecimentos nele, de acordo com a forma como nos vemos, de acordo com quem e o que “acreditamos” que somos e de acordo com as crenças que herdamos e assimilamos de outros sobre o próprio mundo. Por exemplo, quando você se identi�ca com o que faz, então, quando você ouve as notícias que cortes estão sendo feitos em sua empresa, você cria uma história mental que inclui uma imaginada perda de emprego e, aí, o medo surge. Isso signi�ca que, embora você pense que está acordado, e você de fato está �sicamente, embora tudo pareça real, você está em um estado de consciência onírica. Seu medo é decorrente de uma identidade baseada no que você faz. Mas essa noção de identidade é uma ilusão, é como um sonho, uma �cção, que você está criando sobre você em sua consciência. Quando você considera a si mesmo como um “personagem �ctício”, então todas as suas interpretações do mundo são �ltradas através do “você �ctício”. Essas interpretações tornam-se elas próprias �cção! Começar a perceber isso é um dos principais sinais de que você está “despertando”. Redescobrindo a realidade! Como vimos, a “realidade” é que você não é o que você faz. Você é apenas você, o ser consciente. Você é apenas o “eu” que diz “Eu sou”. A partir desse estado de consciência, você observa a realidade secundária do mundo lá fora mudando de cor, textura e forma. E, neste caso, a mudança está acontecendo com algo chamado “empresa”, um local de trabalho. Porque você não se identi�ca mais com o que você faz, você não cria uma história de perda futura, você não cria medo, não sofre, você não vive em um sonho mental autocriado! Você está livre, você está acordado, você está consciente. O mundo muda, você não, os trabalhos mudam, você não, tudo vem e vai, você não. Você sempre permanece. Você é a realidade primária em sua própria vida. Se nos iludirmos sobre quem e o que somos, então criaremos interpretações delirantes e ilusórias sobre o que está acontecendo “lá fora” no mundo. Nossa versão da realidade lá fora é distorcida de acordo com nosso senso ilusório de nós mesmos. Mas tão enraizadas em nossa consciência se encontram todas as nossas identidades ilusórias, como “Eu sou minha forma, eu sou o que eu faço, eu sou a minha nacionalidade” etc., que não percebemos que estamos interpretando e distorcendo o mundo lá fora de acordo com nossa falsa noção de quem/o que somos “aqui dentro”. Vivendo em um sonho Se, por exemplo, aprendemos a acreditar que apenas os grandes empreendedores são pessoas bem-sucedidas e felizes no mundo, começamos a nos afobar em nossa própria vida tentando ser um excelente empreendedor. Começamos a caçar o sucesso aos olhos dos outros para que possamos ser felizes. Muito provavelmente, será precisobatermos num grande muro de tijolos chamado estresse para que restauremos nosso bom-senso e o consequente entendimento de que o sucesso é relativo e nossa felicidade não depende de nenhuma conquista exterior. Mas vivíamos em um estado de sonho quando estávamos nos vendo como um “futuro excelente empreendedor” perseguindo... realizações! É por isso que o velho clichê “Estou vivendo o sonho” na verdade signi�ca viver em um estado de irrealidade! Um dia, percebi que não queria nem precisava “viver o sonho”, o que eu precisava era despertar “do sonho” que já estou criando e vivendo! Só então é possível estar contente, que é a forma mais profunda de felicidade. Só então é possível ser alegre, que é a felicidade que vem de dentro para fora quando você entende que não quer “nada” de ninguém, quando você entende que não veio para “ganhar a vida”, você veio para criar sua vida! Ser criativo é o verdadeiro propósito e função da consciência. Somente quando somos �éis à nossa natureza é que podemos ser criativos de uma forma alinhada ao nosso eu real e verdadeiro. Só então podemos conhecer a verdadeira alegria. Todos esses momentos de desconforto que “insperimentamos” dentro de nossa consciência são “sinais” primários de que estamos tanto gerando como participando do sonho criado por nós mesmos. Nós absorvemos as crenças dos outros em nossa consciência e, ao fazê-lo, sabotamos nossa própria criatividade. Quando todos possuem as mesmas crenças, sonham quase as mesmas ilusões e delírios, e o resultado é a confusão, o caos e a loucura que vemos com tanta frequência no mundo que nos rodeia hoje. E, no entanto, em outro sentido, um sentido mais verdadeiro, um sentido mais profundo, o mundo não é louco e caótico, pois tudo o que está acontecendo é exatamente o que está destinado a acontecer! Nós não chamamos a decadência e a destruição do outono de loucas ou caóticas, é apenas uma estação do ano chegando no momento apropriado! Nosso apego às nossas “crenças virais” garante que não notemos nossas próprias interpretações errôneas. Não notamos que estamos, em essência, sonhando o mundo. E quando alguém contesta nossas crenças, isso se torna o nosso sinal para desencadear a crença de que sempre são as crenças e interpretações da outra pessoa que são delirantes. Até que um dia começamos a notar e sentir que algo não está certo, algo não bate, falta algo, algo está me perturbando e não é lá fora, no mundo. É em mim! Esse sentimento sutil, aquela intuição silenciosa ou aquele momento do choque com o muro de tijolos, é um dos primeiros sinais do redespertar de si mesmo. É a alma acordando para entender que nada mais é do que a própria consciência, e não a forma ou os muitos rótulos da forma, que todos aprendemos cegamente a “acreditar” que somos. No início, cada dia será preenchido com momentos que alternam entre acordar e dormir, entre consciência e inconsciência, até que você perceba plenamente a origem e a natureza de todas as ilusões que você criou para construir seu sonho sobre... você! Existem quatro práticas que, quando incorporadas em sua vida, garantem que você gradualmente despertará por completo de seu sono e substituirá o sonho, que não percebeu que criou subconscientemente, pela realidade. Não são práticas que possam ter atenção apenas ocasional. Elas exigem atenção diária. Estas são as quatro práticas que asseguram que o sistema imunológico da alma recupere e mantenha sua capacidade de acessar as verdades necessárias para demarcar e extinguir as crenças virais que são causa tanto dos sonhos como dos desconfortos que ocorrem em nossa consciência. A primeira prática MEDITAÇÃO “Não �que aí sentado, faça alguma coisa” é o mantra de um mundo viciado em ação e reação. Um mundo que é governado pela crença de que, quando as coisas não estão funcionando normalmente, “algo deve ser feito e rápido!” Você já notou que raramente esse tipo de “reatividade” torna o mundo um lugar melhor, mais amoroso, mais harmonioso? “Não �que aí fazendo alguma coisa, sente-se” é a sabedoria de uma alma iluminada que entendeu que sua paz, sua força e sua sabedoria vêm de dentro para fora. Ela aprendeu que a ação conduzida por uma sabedoria paciente geralmente é mais e�caz do que uma reação conduzida por um distúrbio emocional. De muitas formas, a vida só começa quando entendemos que a nossa paz e força interiores são estados de ser “já presentes”. Não alcançamos tais estados indo a algum lugar, fazendo alguma coisa ou procurando alguém. Até este ponto, buscamos paz e força fora de nós mesmos. A abordagem “não �que aí fazendo alguma coisa, sente-se” não signi�ca que sempre devemos nos sentar preguiçosamente sem fazer nada e que a vida é �car sentado por um longo tempo! A ação que é imbuída de paz e moldada pelo poder da nossa sabedoria é a ação que estende o amor aos outros e não estimula desconforto (emocional) em nós mesmos. A meditação é uma forma de se reconectar com esse estado de ser inerente e poderoso. É uma maneira de restaurar a “verdadeira vibração” da energia da consciência. A meditação é um modo de “conhecermos” a nós mesmos como somos, como entidades poderosas, como seres amorosos, como indivíduos alegres, como entidades intrinsecamente pací�cas, mas proativas. Como vimos, deixamos de possuir essa capacidade de ser e conhecer o nosso verdadeiro “eu” assim que fomos ensinados a perder o nosso senso de identidade para qualquer coisa que não somos! Todos os dias, o mundo ao seu redor quer que você se identi�que com o que você não é! Isso é chamado de marketing e publicidade, entretenimento e política. É o trabalho desses universos mantê-lo adormecido em um estado semelhante ao de um sonho, mantê-lo adormecido sobre quem você é, convencendo-o a se identi�car com o que “eles são”, com o que “eles têm”, com o que “eles fazem” e com o que “eles acreditam”. Entretanto, até mesmo eles não sabem o que fazem, pois eles próprios estão adormecidos! “Prática” provavelmente não é a melhor palavra para descrever a meditação. “Arte” provavelmente é melhor. Em última análise, meditação não é algo que você faz: é a arte de restaurar o seu verdadeiro “estado de ser”, isto é, ser o seu verdadeiro “eu”, onde quer que você esteja e durante seja o que for que você estiver fazendo. A maioria de nós passará a vida inteira tentando ser outra pessoa. Porque é o que a maioria de nós foi ensinada a acreditar que temos que fazer para “viver em harmonia”. Portanto, é fácil �car preso à crença de que “temos de ser bem-sucedidos”. Essa crença nos faz observar outras pessoas para vermos como elas estão se saindo, nos compararmos com elas e aspirarmos ao seu sucesso, e no �m nos perguntarmos por que nossa vida não parece ser tão realizada. É uma montanha-russa mental que basicamente não leva a lugar nenhum. Perfeição e beleza Há um velho ditado que restaura uma verdade para a nossa consciência que, quando plenamente entendida, nos ajudará a sair dessa montanha-russa particular. Aqueles que estão tentando “ser alguém” ainda não sabem como “ser”. Somente quando PARAMOS de tentar ser algo, alguém, uma espécie de “máquina humana” que é capaz de atrair a atenção e a legitimação dos outros, é que �nalmente podemos SER nós mesmos. Quando estamos sendo nós mesmos, percebemos que TUDO o que estávamos buscando anteriormente tentando ser alguém já está lá. O “TUDO” que já está lá signi�ca que dentro de nós há uma paz que supera todo o prazer, há um contentamento que supera todos os outros entusiasmos, há uma serenidade que supera todas as tranquilidades, há um amor que supera todas as outras afeições. Tudo isso já está lá dentro do nosso ser! Estar nesse estado de ser, consequentemente, muda as nossas prioridades, o nosso propósito e a nossa maneira pessoal de nos relacionarmos com os outros. No entanto, é melhor não falar sobre isso, apenas vivenciar, até que isso esteja mais completamente restaurado e você, relativamente estável em um estado tãoliberado. Entre um estágio e outro haverá momentos de oscilação entre o adormecer e o despertar, entre a consciência de TUDO e inconsciência disso tudo... por assim dizer! Leva tempo restaurar a perfeição e beleza da virtude ao nosso caráter. Demora um pouquinho para despertar completamente a nossa consciência de não ser ninguém nem nada. Demora um pouquinho para restaurar à nossa consciência a paz, a força e o amor que só podemos “conhecer” uma vez que entendemos que não somos ninguém! A arte e a prática da meditação são o cultivo da percepção, a invocação do entendimento e, então, a subsequente transformação. Não apenas a transformação do “eu” do indivíduo, à medida que o “eu” restaura a consciência de sua forma original. Mas as formas de tudo que o indivíduo está criando, desde pensamentos até atitudes, de percepções a comportamentos, de crenças a emoções. Há um velho ditado que diz: “Paciência in�nita cria resultados instantâneos!” A meditação é a paciência instantânea com resultados in�nitos. A prática artística da meditação A meditação é essencialmente a arte de ser! Começa com momentos de silêncio, em um cantinho sossegado qualquer, sentando-se calmamente e em silêncio, apenas sendo, tranquilamente! Em seguida, percebendo os hábitos de fazer que desejam assumir, percebendo os pensamentos e sentimentos que querem saltar e entrar em ação. Então, gentilmente dizendo a todos: “Não, agora não, �quem quietos e saibam que eu sou paz”. Quando você estiver em paz, você saberá que a paz é o que você é. Já não é uma ideia, uma aspiração ou uma promessa, é o que eu “sou”. Vivemos no mundo da ação. Vivemos em corpos. Interagimos com os outros e com as energias naturais do mundo que nos rodeia. Se quisermos nos libertar de nossos hábitos de apego e identi�cação errônea, de nossos hábitos de querer e aspirar ser alguém além do que somos, ajuda entender que embora estejamos no mundo, não somos do mundo. Estamos simplesmente de passagem. Na meditação você “verá através” de todas as crenças e imagens ilusórias que você assimilou e criou “sobre” si mesmo. Você se despirá de todas as ideias e imagens, lembranças e conceitos que você usou para construir seu senso de identidade, até que haja apenas a consciência do “eu” que diz “Eu sou”. Qualquer coisa depois de “eu sou” não é você. É uma �cção, uma construção, uma invenção da sua imaginação! Tudo o que você diz depois de “eu sou” não é o que você é. Até mesmo dizer “Eu sou consciência” ou “Eu sou uma alma” não é verdade, porque são palavras que trazem conceitos. E você/eu/nós não somos conceitos. Somos criadores de conceitos. O pintor não é a pintura! Então, quando você se senta para meditar, não tem nenhum objetivo, nenhuma expectativa, nenhum desejo de qualquer “insperiência” particular. Sente-se “em” seu corpo, sente-se no trono da sua consciência e apenas observe. Veja como tudo vem e vai – pensamentos, sentimentos, lembranças, impressões – todos vêm e vão, levantam-se e caem. Mas note quem está observando. Quem é que nunca vem e vai? Você. O “eu”. Sim, há um “você”, há um “eu”, uma noção de “eu”. E está tudo bem. Não tente agarrar. Não busque. Não espere sentir nada. Não é tão fácil depois de uma vida inteira habitualmente buscando, agarrando e esperando. Chegará o momento. Isso ocorrerá. Você verá. Você saberá. Você será. Apenas seja. Em última análise, não existe um “jeito certo” de meditar. Então, se isso for um pouco vago ou um pouco esotérico demais para o seu gosto, separe dez minutos e tente assim. Sente-se em um espaço calmo onde você não será perturbado. Deixe seu corpo tomar a forma da cadeira. Conscientemente relaxe seu corpo na cadeira. Explore o seu corpo com a sua percepção buscando pontos de rigidez ou tensão. Permita que o relaxamento ocorra nesses pontos. Agora, deixe sua atenção acompanhar sua respiração. Apenas por alguns momentos. Concentre- se suavemente na sua respiração. Não separe o “inspire” do “expire”. Observe como um movimento completo. Enquanto faz isso, notará que você se torna ainda mais relaxado. Então, traga sua atenção para si mesmo. Perceba você mesmo sendo... consciente. Então, crie um pensamento dentro de sua consciência: “Eu sou um ser de paz”. Permita que esse pensamento receba a energia da sua atenção. Como se estivesse regando uma �or, deixe esse pensamento crescer, dando-lhe a água da sua atenção. Aumente o brilho desse pensamento. Se você se distrair ou sua atenção se desviar, volte e comece de novo. Então, depois de alguns momentos, deixe o pensamento se dissolver. Deixe-o desaparecer no fundo suavemente. Observe o que resta. Um “sentimento” de paz. Há apenas um sentimento de paz profunda. A mente está quieta. Há uma quietude aqui no âmago do seu ser. Você está silencioso e calmo. Silencioso e calmo. Silencioso... e... calmo. Permaneça nessa quietude. Ouça o silêncio. Em seguida, traga sua consciência de volta ao seu corpo, à cadeira, à sala ao seu redor. Volte para o aqui e agora da sala ao seu redor. Mas traga essa quietude com você. Quando você olhar através de seus olhos, olhe com essa quietude. Quando você escutar com seus ouvidos, escute com essa quietude. Quando falar, fale com essa quietude. Em seguida, note como sua quietude entra na sala e como aqueles ao seu redor se tornam um pouco mais tranquilos, um pouco mais calmos eles próprios. Por um instante, pelo menos. A segunda prática CONTEMPLAÇÃO A meditação não é o bastante para despertá-lo totalmente para ser quem você é, que é ninguém e nada. Não é o bastante para garantir que você permaneça acordado e consciente de forma con�ável em todas as situações e circunstâncias. Ela deve ser combinada com outras três práticas: contemplação, aplicação e contribuição. Contemplação signi�ca olhar de vez em quando para o in�nito enquanto você faz uma de duas coisas: Re�etir sobre uma experiência que acabou de acontecer Por exemplo, você �cou aborrecido com alguém. Mas qual foi exatamente a emoção? Especi�que o desconforto que você sentiu! Por que você sofreu? Você consegue enxergar o que foi que VOCÊ pensou ou fez que resultou em que VOCÊ �casse aborrecido, e não o outro? Por quê? O que, dentro de você, fez você reagir? Existe um padrão aí? Havia algo que você queria ou acreditava que não estava recebendo? Quem você estava tentando ser quando você reagiu? Você consegue enxergar que seu momento de desconforto surgiu porque você estava tentando ser alguém que você não é? Pegue leve no seu autoquestionamento re�exivo e contemplativo. Seja curiosamente deslumbrado, mas não obsessivamente investigativo. Leia e re�ita sobre a sabedoria do outro Escolha uma pequena pepita de sabedoria de outra pessoa e “garimpe” por signi�cado e insight em sua própria consciência. O que essa pessoa diz é verdadeiro para você? Se não, por que não? Existe uma razão pela qual você concorda tão fortemente com ela? Existe uma razão pela qual você se opõe ao que ela sugere? O que mais essa sabedoria revela? Para onde isso o leva a seguir? A contemplação interior é o equivalente espiritual ao estudo acadêmico no mundo. Mas está longe de ser acadêmica. Ela produz momentos em que você enxerga e compreende um signi�cado mais profundo do que pensou que sabia, um insight mais profundo daquilo que você tomou ao pé da letra, surgem “estalos” de percepção, o entendimento ocorre. A contemplação ajuda você a reinterpretar o mundo e a sua experiência do mundo de forma mais acurada e, ao fazê-lo, revela exatamente como você cria o mundo... dentro de você! Na contemplação, você está revendo, re�etindo e pensando, enquanto que, na meditação, você está indo além das limitações da memória e do pensamento. Na contemplação, você está explorando as conexões entre insights, gerando um novo signi�cado. Na meditação, você não está procurando por nada, não está querendo nada. Na meditação, você acessa sua força interior. Na contemplação, você está acessando a sua sabedoria interior. Força e sabedoriasão inestimáveis recursos interiores de que você dispõe. Mas somente você pode acessá-los para si mesmo. É por isso que a espiritualidade, ou o “despertar” para a verdade de que o espírito é o que você é, jamais poderia ser uma disciplina acadêmica. Lembre-se de que você não está tentando mudar a si mesmo. Você está despertando para quem você é e tem sido o tempo todo. As práticas da meditação e da contemplação irão despertá-lo de seus sonhos, enquanto o ajudam a “descartar” todas as suas ilusões. Se você assim o desejar! A terceira prática APLICAÇÃO Embora costume haver padrões na forma como vivemos que fazem com que cada dia pareça semelhante ao anterior, na realidade todos os dias são diferentes. Todo momento é único, e nunca mais será repetido. Cada ação e interação é diferente. É por isso que todos os dias e todas as interações são uma oportunidade para aplicar o que você está entendendo. À medida que você desperta a sua consciência para verdades mais profundas através da meditação e da contemplação, você está invocando e evocando o entendimento. Você começa a enxergar claramente o que é verdadeiro em vez do que é falso. Se você não age com base no que você está entendendo e redescobrindo dentro de si mesmo, perde a oportunidade de criar uma ponte entre a teoria e a prática, entre o ideal e o real, entre viver sonhando e estar completamente desperto na vida. As velhas tendências e características, todos esses antigos vícios da sua personalidade, somente se afastam por completo quando há uma nova atitude, moldada por seus entendimentos pessoais do que é verdade. Elas perdem o controle sobre VOCÊ. Como um conjunto de correntes fechadas com cadeado envolvendo o seu corpo, o cadeado chamado “crença” se abre num clique, e as correntes de todas as ilusões que surgem de todas essas “crenças virais” caem por terra, libertando-o. Com essa liberdade, vem uma paz e contentamento que são tão naturais quanto a cor amarela o é para um narciso. Mas só acontece quando você age com base no que entende, somente quando você conscientemente permite que o entendimento de sua verdade conduza e molde suas atitudes e comportamentos. Todos os dias oferecem inúmeras oportunidades para você ser o seu “eu” natural e despertado; para trazer sua verdadeira natureza, que é pací�ca, amorosa e alegre, aos seus intercâmbios com os outros. Então, você também irá notar por que, em alguns momentos e em algumas situações, você ainda não conseguiu fazer isso. Lembre-se, você não está aplicando e praticando a �m de mudar o seu “eu”, mas para “revelar e restaurar” o seu estado de ser estável e imutável, que ESTAVA e ESTÁ sempre aí! Às vezes, você só tem de estar consciente do que está no caminho, simplesmente porque, em tais momentos, o que ESTÁ no caminho É o caminho! Três perguntas para re�exão sobre a aplicação de seus entendimentos: 1) O que esperar do dia à frente? 2) Liste as situações especí�cas nas quais você poderia aplicar o que você entendeu. 3) Atribua um entendimento a cada situação. A quarta prática CONTRIBUIÇÃO Assim que nascemos, a grande maioria de nós vem ao mundo num determinado “sistema de crenças virais”. É um sistema de crenças que é responsável pela destruição de incontáveis vidas, para não mencionar a devastação diária da felicidade humana para bilhões de pessoas. É um sistema que diz “para viver uma vida feliz, você deve desejar e adquirir, acumular e possuir”. Ninguém parece ser capaz de explicar que seguir esse “decreto viral”, que está incorporado à cultura de quase todas as sociedades, é ir contra o veio da própria vida. É desa�ar a natureza, tanto a natureza do “eu” como a natureza do mundo. É da nossa natureza doar, irradiar nossa energia, para o mundo de nossos relacionamentos com os outros e para o próprio mundo. Não é da nossa natureza tentar trazer o mundo para nós. Ainda assim, a maioria de nós cresce e vive com a inclinação de tentar obter algo do mundo, adquirir algo de alguém no mundo, acreditando que é assim que a vida funciona. Nós não nos damos conta de que essa crença viral e intenção são a raiz da maior parte do nosso estresse e sofrimento diários. É o que literalmente nos torna infelizes. É tanto o sintoma como a causa de todos os nossos momentos de desconforto em todos os nossos relacionamentos. Sim, um momento de aquisição nos causa um barato, nos proporciona um ânimo, um incentivo que alguns chamariam de felicidade. Mas não é felicidade real, é apenas estímulo, e é por isso que não dura e porque também desenvolvemos em nossa personalidade o hábito de “ansiar por mais”. Independentemente do que acreditamos ter adquirido, nós continuamos querendo mais. Portanto, é altamente recomendável que você encontre um contexto em sua vida no qual você apenas doe. Não querendo absolutamente nada em troca. O que você doa pode ser em qualquer nível – tempo, energia, ajuda, conselho, apoio. Aqui o que importa é a intenção. É a linha da intenção à ação que requer a motivação “para doar” sem nenhuma expectativa de receber qualquer coisa em troca. A satisfação resultante que vem de dentro é o sinal de que o vício de querer e receber está perdendo o poder de governar seu comportamento e, portanto, perdendo o poder de torná-lo infeliz! Tudo o que você precisa fazer é veri�car se você tem alguma segunda intenção por trás de sua contribuição altruísta. Uma segunda intenção sutil. Fique atento a qualquer tipo de expectativa, já que esse é o primeiro sintoma do inevitável desconforto! Você rapidamente começará a notar três coisas. Primeiro, há um sentimento que vem bem lá do fundo. É o sentimento de seu “poder de doar”. Ele eventualmente virá acompanhado de uma clara percepção do seu imenso valor. Em segundo lugar, desenvolve-se uma valorização e uma compreensão maiores e mais profundas pelo que os outros estão passando, já que você sente naturalmente empatia (não simpatia) para com aqueles aos quais você está estendendo o seu “eu”. Em terceiro lugar, os antigos vícios de “Me dá! Me dá! Me dá!”, os velhos �os do querer e desejar, que anteriormente costuravam o manto de sua personalidade, começam a atro�ar e perder o controle sobre os seus motivos e intenções. A infelicidade está a caminho da porta de saída, pois toda infelicidade é essencialmente derivada da “crença” de que eu não estou obtendo o que “eu quero”! As quatro por dia! E mais outra É a combinação de todas as quatro práticas anteriores que é útil para facilitar e sustentar o seu despertar e a cura de todos os desconfortos da alma que analisamos neste livro, e mais! Se você quiser acelerar todo o processo, existe uma quinta prática. Relacionar-se com pessoas que também estão praticando com a intenção de despertar. Estar no “campo de energia” de pessoas com a mesma intenção e foco espiritual, a mesma motivação e interesse, é como aquelas pequenas partículas que são lançadas pelos túneis do CERN na Suíça. É a presença de um poderoso campo eletromagnético que as fazem mover-se mais rápido. Da mesma forma, é o “campo de energia espiritual” de uma comunidade de pessoas que estão despertando que tanto aprofunda como acelera o nosso processo pessoal. Não que estejamos com pressa, é claro. As partículas no CERN também são controladas para colidirem deliberadamente a �m de que os cientistas possam observar o comportamento resultante. Em uma comunidade espiritual não há intenção deliberada de haver colisão entre as pessoas, mas haverá momentos inevitáveis em que as personalidades começarão a se atritar umas com as outras, irritando-se mutuamente e, sim, uma “colisão” pode acontecer vez por outra. Não por meio de violência física, nada disso, apenas por se encontrarem e serem espelhos uma para a outra. Esses momentos são inestimáveis, porque nos dão a oportunidade de observar, examinar e compreender o nosso próprio comportamento, as nossas próprias reações. Só então podemos ter uma noção de quão acordados e conscientes nós estamos.Somente em tais momentos podemos obter alguma medida do nosso progresso enquanto revigoramos e restauramos o sistema imunológico da alma ao pleno funcionamento! Só então sabemos quão bem estamos em nosso ser. Treine você mesmo para o bem-estar A última década viu um boom do coaching. Em parte, por causa do reconhecimento de que podemos ajudar uns aos outros a despertar para todo o nosso potencial. Em parte, porque um número cada vez maior de pessoas busca mudar a trajetória de sua vida e criar uma carreira que seja de maior utilidade para os outros. O coaching tornou-se uma “febre”: todos o almejam e desejam praticá-lo. Mas, da mesma forma que o aconselhamento, o coaching não é uma habilidade ou uma arte que possa ser dominada em um seminário de �m de semana ou mesmo ao longo de uma série de o�cinas formais. Só é verdadeiramente desenvolvido em paralelo com uma percepção deliberadamente cultivada do que está acontecendo dentro de si mesmo, bem como o envolvimento frequente com os outros em conversas sobre assuntos espirituais profundos! Então, aqui está sua oportunidade de praticar em si mesmo um pouco de autocoaching. Isso se encaixaria com perfeição na segunda prática, a de CONTEMPLAÇÃO. Uma das principais habilidades de um grande treinador é a capacidade de fazer a pergunta certa para permitir que o aprendiz encontre suas próprias respostas, para gerar seus próprios “entendimentos”. O exercício a seguir é sobre felicidade. Todos os desconfortos que temos explorado aqui também são sintomas da perda de felicidade pessoal. A causa, como já vimos, é sempre um conjunto de crenças virais que nós assimilamos e fortalecemos, permitindo que moldem nossos sentimentos, pensamentos e ações. Quando se trata de felicidade, as crenças que “interferem” não são apenas virais, são “tóxicas” para nossa consciência. Então, aqui, nesta última parte do nosso tempo juntos, há algumas re�exões sobre a felicidade autêntica e algumas das crenças mais tóxicas que a “matam”. Há perguntas para sua própria contemplação pessoal e re�exão. Perguntas que, se você as utilizar de forma e�caz, deverão levá-lo a lembrar, entender e revelar as verdades que você já conhece profundamente dentro de si. Se você já não soubesse o que é verdadeiro, você se comportaria como uma pessoa louca, sem noção de como pensar, relacionar-se e viver neste mundo. Você praticamente não teria nenhuma inteligência. A verdade é a única cura para as crenças virais e tóxicas que causam todos os nossos desconfortos e, no �nal das contas, todas as doenças físicas. Ela só precisa ser entendida e trazida de volta à vida e você recuperará o seu bem-estar. Desintoxicando a consciência para restaurar a felicidade autêntica Se alguém lhe dissesse que você é feliz para sempre, mesmo quando está vivenciando sentimentos de desespero, depressão, e está, como dizem, “arrasado”, você acreditaria? Se alguém lhe dissesse que a felicidade é a sua real, verdadeira, subjacente, original e eterna natureza, apesar do seu estado de espírito lamuriento predominante ou da concretude daquelas mazelas cotidianas, você acreditaria? Se alguém lhe dissesse que o Santo Graal da felicidade tem estado dentro do seu coração esse tempo todo, apesar do mundo convencê-lo de que você só pode encontrá-lo em uma loja de departamentos, você acreditaria? Quase tudo o que fazemos e perseguimos é motivado pela busca da felicidade. No entanto, parece que ninguém conseguiu nos explicar o que a felicidade é exatamente ou como vivê-la precisamente. Como consequência, ela tem sido confundida com muitos outros sentimentos, nublada por muitas falsas promessas e perdida na névoa de diversas ilusões. A felicidade é um estado de ser. Mas é difícil de�nir uma descrição precisa da felicidade, pois é um estado que você “sente” e as palavras que usamos para diferentes sentimentos signi�cam coisas diferentes para pessoas diferentes. Mas aqui vai minha de�nição, assim mesmo. Veja se ela lhe parece “certa”! Se você se sentar e re�etir sobre “o que é felicidade”, por alguns momentos, pelo menos, é provável que você pense em três sentimentos predominantes quando é autenticamente feliz: contentamento, alegria e êxtase. Não contentamento como numa espécie de preguiça soporí�ca, não alegria como num grito de empolgação quando o novo bebê chega, não o êxtase como num estado induzido por substâncias químicas ou quando o seu time vence! Então, que tipo de contentamento, alegria e êxtase? A felicidade autêntica inclui um CONTENTAMENTO que ocorre naturalmente quando nada nem ninguém pode incomodá-lo. Você não tem mais nenhum calo que possa ser pisado! É um contentamento que só é possível quando você não “deseja” coisa alguma nem ninguém simplesmente porque você entendeu que não “precisa” de nada ou de outra pessoa para “fazer você”... feliz! Enquanto houver desejo, haverá sempre algum descontentamento! O contentamento ocorre quando você é capaz de aceitar todos como são e tudo como está, em todas as ocasiões, em todos os lugares, em todos os momentos! Lembre-se: a aceitação não signi�ca que você concorda com os outros ou que você tolera o que outros fazem. É uma aceitação serena nascida do reconhecimento de que, nas palavras em desiderata, tudo está acontecendo exatamente como deveria. Parece fácil, mas não é, simplesmente porque o trabalho que precisamos fazer inclui não se apegar a nenhuma ideia de como queremos que o mundo e outras pessoas sejam, e não se identi�car com nada ou com ninguém no mundo! Tal trabalho interior não é café pequeno! A felicidade autêntica inclui uma ALEGRIA que surge naturalmente lá do fundo do nosso ser quando estamos envolvidos no processo do que você/eu/nós somos projetados para fazer, que é “ser criativo”. Não criativo como na pintura e na poesia, ou noutra realização no mundo. Mas a forma mais profunda de criatividade, que traz a sua verdadeira natureza, o seu estado verdadeiro, que é pací�co e amoroso, ao mundo através de diferentes formas, incluindo as formas de suas intenções, as formas dos seus pensamentos, as formas das suas atitudes e as formas dos seus comportamentos. Estas são as formas primárias que todos criamos. Elas são as formas de vida e de viver que cada um de nós tem a oportunidade de criar simplesmente por estar vivo. No entanto, o reconhecimento desse nível de criatividade só ocorre quando entendemos que nós mesmos não somos uma “forma física”, e sim, a energia da consciência, a energia do ser sem forma às vezes chamada de alma. Esta é a energia espiritual que “nós somos” enquanto animamos e “atravessamos” a forma física que ocupamos. A alegria começa a surgir novamente de dentro quando há o entendimento de que eu não vim para ter uma vida, eu vim criar uma vida, com os outros. A felicidade autêntica inclui um ÊXTASE que surge naturalmente, desde que permaneçamos internamente livres. Observe e ouça as pequenas andorinhas em uma quente noite de verão enquanto aprendem a voar. Ouça-as chilrear em êxtase enquanto ziguezagueiam pelo céu. Elas estão se “deleitando” com a liberdade de voar. É uma grande metáfora para o espírito, para a nossa vida. Nós experimentamos o deleite e o êxtase desse tipo de liberdade, mas apenas muito ocasionalmente. Por quê? Porque na maioria das vezes não estamos interiormente livres. Por quê? Porque aprendemos a nos apegar e, portanto, temos receio de perder os objetos de nosso apego. É um apego que nos mantém ancorados e ainda inseguros. Sabotamos nossa própria liberdade interior com qualquer forma de apego. Onde há apego, há medo e, onde há medo, não pode haver felicidade autêntica. O estado natural da felicidade Há uma ideia, alguns chamam isso de insight, outros chamam de obviedade, que diz que a consciência (o “eu”) começa como água: pura e natural, livre de todas as toxinas ou qualquer tipo de poluição. É somente ao longo do tempo, depois que a água chega à terra, caída das nuvens lá em cima, que ela começa a absorver eser poluída por uma variedade de toxinas. Como resultado, ela perde sua pureza, sua naturalidade. Seu estado original é comprometido. Hoje em dia, somos muito conscientes de todas as toxinas que a nossa água contém. Muitas pessoas gastam rios de dinheiro em sistemas de puri�cação de água para que sua saúde física não seja abalada. Elas tentam extrair as sete toxinas que, segundo dizem, são encontradas hoje na água que sai da nossa torneira: �úor, cloro, substâncias radioativas, produtos farmacêuticos, cromo, metais pesados e arsênico – mas provavelmente há mais! Poderia ocorrer um processo semelhante com o que chamamos de felicidade? Poderia ser a felicidade um estado original, puro e natural da... consciência? É possível que a nossa consciência tenha sido poluída e comprometida por uma variedade de toxinas? Cada um de nós não pode saber a resposta a essas questões até que examinemos no laboratório de nossa consciência, o nosso “eu”, realizemos nossas próprias investigações e enxerguemos por nós mesmos. Artigos e livros, seminários e retiros podem “nos ajudar”; a prática de meditação e de contemplação pode nos auxiliar a buscar a direção certa, a reconhecer se é verdade ou não. Mas somente quando podemos “enxergar” e “entender” por nós mesmos o que está sabotando a nossa “felicidade natural”, nosso estado de pura felicidade, é que podemos eliminar as toxinas e nos libertar. Um dos principais objetivos do coaching efetivo é ajudar o aprendiz a fazer a si mesmo as perguntas certas para que ele possa aprimorar a sua autopercepção e cultivar os “entendimentos perspicazes” do que está atrapalhando a sua felicidade. Então, vamos testar a teoria “a felicidade é natural” e ver se podemos encontrar as perguntas certas que, quando aplicadas de forma autorre�exiva, podem nos ajudar a reconhecer as toxinas na nossa consciência que estão poluindo e envenenando o nosso estado natural de felicidade. Enquanto a água que sai da nossa torneira “parece” ser pura, ao mesmo tempo nós estamos cientes de que ela não é. Mais ou menos a mesma coisa acontece com o nosso estado de felicidade. O que nos “parece” ser sentimentos de felicidade em geral não são nosso verdadeiro e natural estado de felicidade. Um dos sinais de que a felicidade que acreditamos que estamos sentindo não é “autêntica” é que os nossos sentimentos normalmente dependem de algo ou de alguém “lá fora”. Não há uniformidade, já que o que acreditamos ser um sentimento de felicidade vem e vai. Ele aumenta e diminui de intensidade. Não é um sentimento energizante, pelo contrário: ele nos drena ao longo do tempo. Se você observar esses sintomas, signi�ca que algo tóxico poluiu a sua consciência. Essas toxinas são outro conjunto de crenças aprendidas. Parece haver uma variedade de “crenças tóxicas” que estão por trás do hábito de criar “falsa felicidade”. Aqui estão sete das principais crenças tóxicas que se instalaram em nossa consciência. São toxinas populares que todos nós temos a tendência de absorver, principalmente quando jovens. Veja se você as reconhece em si mesmo. Crença tóxica n. 1: Adquirir me faz feliz! Acreditamos que se adquirirmos certos objetos, certos “parceiros”, nós encontraremos a felicidade. Entretanto, a maioria das pessoas que adquirirem mais do que precisam geralmente con�rmará que a aquisição apenas traz um estímulo temporário, na melhor das hipóteses, e uma falsa sensação de segurança, na pior. Isso também traz um aumento de responsabilidade no sentido de ter mais coisas para pensar a respeito, o que, para muitos, são coisas “com as quais se preocupar”! E, se não tomarmos cuidado, usamos facilmente nossas aquisições para criar uma falsa autoimagem enquanto tentamos impressionar os outros. Confundimos a nossa riqueza com o nosso valor! No entanto, pode ser uma maneira viciante de tentar ser feliz, porque sempre existe aquele “baratinho inicial” proporcionado por uma nova aquisição. Mas ele sempre se esvai. Portanto, a crença tóxica de que a aquisição traz felicidade deve ser eliminada, caso contrário, podemos nos tornar viciados em acumular! As questões de coaching para autorre�exão: O que você quer que você “acredita” que o fará feliz? Faça uma lista. Então, pergunte a si mesmo se você tem certeza de que essas coisas lhe trarão autêntica felicidade. Se não, por que não trarão? Crença tóxica n. 2: Conquistas me fazem feliz Esta é a crença que nos faz continuamente traçar objetivos, e então gastar o nosso tempo e energia para nos esforçarmos e batalharmos para conquistá-los. Não é uma coisa ruim, alguns diriam. É importante concentrar a sua energia, diriam outros. No entanto, quando acreditamos que as conquistas nos trazem felicidade e concentramos tempo e energia em alcançá-las, temos a tendência de fazer duas coisas que garantirão a nossa infelicidade. Costumamos adiar a nossa felicidade até que o objetivo tenha sido atingido. Provavelmente criaremos um medo em particular ao longo do caminho conhecido como a preocupação de que talvez não consigamos atingir tal objetivo. Às vezes, uma crença mais sutil entra em ação. Ela diz que você precisa “merecer” ser feliz. Isso signi�ca que você tem que trabalhar duro para ser feliz, você tem que fazer por merecer a sua felicidade. Isso é muitas vezes referido como a ética puritana do trabalho! Quase uma garantia infalível de infelicidade perpétua! As questões de coaching para autorre�exão: O que você pretende conquistar que você acredita que o fará feliz? Faça uma lista. Então, pergunte a si mesmo se você tem certeza de que essas conquistas o farão feliz. Se não, por que não farão? Crença tóxica n. 3: Emoção é igual a felicidade Esta crença tende a ser aprendida quando somos muito jovens. Os pais simplesmente passam a ilusão de que emoção é felicidade quando nos levam ao nosso primeiro circo ou evento esportivo. Eles �cam empolgados e chamam isso de felicidade, então, acreditamos neles. Mal sabem eles o que estão nos ensinando! A empolgação é o que acontece quando a água na chaleira ferve. As moléculas estão excitadas, estão agitadas. Mas a felicidade para um ser humano não é agitação. A felicidade é, como vimos anteriormente, um estado de contentamento com um �uxo natural de alegria do nosso coração para o mundo. As questões de coaching para autorre�exão: O que você usa para se empolgar acreditando que isso faz você feliz? Faça uma lista. Então, pergunte a si mesmo se você tem certeza de que essas empolgações são a verdadeira felicidade. Se não, por que não são? Crença tóxica n. 4: A felicidade depende dos outros Todos já passamos por momentos em que dissemos: “Fiquei tão feliz quando você disse aquilo! Você me deixou tão feliz!” Será mesmo? Alguém mais o faz feliz? Assim parece. E é isso que foi ensinado à maioria de nós. Nós esquecemos que somos nós mesmos os responsáveis pelo nosso próprio estado de ser, portanto, nosso estado de felicidade. Quando tornamos nossos sentimentos dependentes do que outras pessoas dizem e de seu comportamento em relação a nós, essa provavelmente é uma das toxinas mais difíceis de eliminar da nossa consciência. Uma pergunta pode iniciar o processo de autolibertação: “Quem exatamente é responsável por minha felicidade pessoal?” Você pode sentir-se contente, não importa o que alguém diga ou faça? Se não, por que não? O que dentro de nós é tão dependente do que os outros dizem e fazem? Talvez uma outra questão útil para a re�exão seja: O que “parece” estar faltando dentro de nós? O que está nublando a nossa percepção do nosso contentamento natural? Mais questões de coaching para autorre�exão: De quem você depende na sua vida para ser feliz? Faça uma lista. Então, pergunte a si mesmo se essas pessoas realmente o fazem feliz. Elas são realmente responsáveis pela sua felicidade? Se não, por que não são? Crença tóxica n. 5: A felicidade é o resultado do apego “Isso é meu, eles são meus, esta casa é minha, meu carro, meu dinheiro, meu parceiro, meus�lhos.” Geralmente esses são momentos em que realmente estamos dizendo que precisamos estar apegados a essas coisas para sermos felizes. Como sabemos que todas “propriedades”, todo o apego, só nos trazem infelicidade? Porque haverá momentos frequentes de ansiedade, tensão, preocupação e até mesmo pânico, pois “tememos” perder aquilo a que estamos apegados. Cada um desses momentos são momentos infelizes. O que acontece é que, de alguma forma, aprendemos a tolerar tais sentimentos e até começamos a acreditar que eles são “naturais”. Podemos até mesmo assistir a um �lme de terror, ter sentimentos de medo evocados, e depois chamar isso de felicidade quando contamos aos outros como o �lme foi legal! As questões de coaching para autorre�exão: A que eu estou apegado e acredito que está me trazendo felicidade? Faça uma lista. Então, pergunte a si mesmo se tem certeza de que isso o faz feliz e se você poderia ser feliz sem isso. Se não, por que não? Crença tóxica n. 6: A felicidade é o alívio da dor ou do sofrimento Talvez a confusão mais comum em torno da felicidade seja quando alguma dor ou sofrimento cessa e nós dizemos: “Estou tão feliz que a dor tenha passado”. No entanto, o alívio da dor nunca pode ser autêntica felicidade, apenas um alívio temporário da infelicidade. A autêntica felicidade só é possível quando somos capazes de aceitar a inevitabilidade da dor física e quando entendemos e aplicamos a sabedoria para não criar mais sofrimento. A dor é física, e é por isso que inevitavelmente acontecerá em algum momento. Mas o sofrimento é mental e emocional, e é sempre inteiramente fruto de nossa própria criação. O que ocorre é que achamos difícil enxergar através das névoas da ilusão primária de que outras pessoas são responsáveis por nossos sentimentos. Quando o fazemos, isso marca o início do �m do nosso “sofrimento”, que é, de fato, o �m da infelicidade. As questões de coaching para autorre�exão: Quais formas de dor estou ansioso para cessar para que eu possa ser feliz? Existe uma lista? Você pode decidir aceitar a dor aqui e agora neste momento? Você consegue discernir como você se faz sofrer? Descreva isso! Crença tóxica n. 7: A felicidade só é possível quando há sucesso Brilhantemente condicionados a acreditar que o mundo e a vida são inatamente competitivos, muitos de nós desenvolvem a crença de que sucesso é igual a ganhar. Isso incluiria, e geralmente inclui, ganhar a nossa sobrevivência! Então, vivemos com medo de perder, medo de não sobreviver, o que cria muitos momentos infelizes. Então, começamos a comparar o nosso sucesso com o sucesso dos outros, provocando ainda mais momentos infelizes! Tentar ser mais bem-sucedido hoje do que ontem, aspirar ter mais sucesso do que os outros, é o que transforma a vida em uma jornada ultrasséria, uma expedição sem diversão, uma estada descontente. Você só precisa olhar para as expressões dos nossos chamados heróis do esporte enquanto eles participam de seus jogos em nome do “sucesso” para enxergar a total ausência de uma felicidade natural e autêntica. Ainda assim, acreditamos que o seu sucesso lhes traz muita felicidade! Então, começamos a acreditar que a dor de toda a tensão é o único caminho para o sucesso e, portanto, para a felicidade. Então, começamos a nos tornar extremamente infelizes a �m de sermos felizes! Só dá mesmo para rir... quando enxergamos isso sob essa ótica! As questões de coaching para autorre�exão: Que tipo de triunfos estou lutando para obter com a crença de que me trarão felicidade? Faça uma lista. Então, pergunte a si mesmo se você tem certeza de que eles trarão felicidade real, autêntica e natural. Se não, por que não trarão? Provavelmente, há mais do que sete crenças tóxicas contaminando a nossa consciência e sabotando o nosso estado natural de contentamento, nossa pura alegria, nossa felicidade original. Mas reconhecê-las e perceber como elas estão induzindo sentimentos de descontentamento, falta de alegria e momentos frequentes de mau humor é o primeiro passo para a puri�cação da nossa consciência. Assim como valorizamos a água pura em vez da água contaminada, também o processo espiritual de puri�cação da nossa consciência inclui a eliminação das crenças virais e tóxicas que foram absorvidas ao longo do caminho. As perguntas fornecem placas de sinalização para re�exão que você pode usar para aprofundar sua percepção e evocar seus próprios entendimentos. No entanto, é igualmente necessário o tempo gasto nesse estado mais profundo de consciência. É nos momentos de meditação que é possível acessar e saborear o nosso estado de ser original e livre de poluição. Quanto mais você o �zer, mais fácil irá se tornar reconhecer, extrair e eliminar qualquer coisa que polua esse estado. Fique bem, permaneça bem, siga bem... e obrigado por ler! O SISTEMA IMUNOLÓGICO DA ALMA Realize o seu diagnóstico Parte I Este é um exercício de percepção que permite que você enxergue qual forma de desconforto que você “insperimenta” mais e o que você precisa entender para retornar a um estado de conforto! Cruze os sintomas abaixo com os desconfortos na página ao lado. Os pensamentos estão entre aspas – As emoções estão em itálico – A verdade está em negrito O SISTEMA IMUNOLÓGICO DA ALMA Realize o seu diagnóstico Parte II Cruze os sintomas abaixo com os desconfortos na página ao lado. Os pensamentos estão entre aspas – As emoções estão em itálico – A verdade está em negrito Agradecimentos e links Agradeço a alguns dos centros de retiro mais poderosos e bonitos onde você pode encontrar o espaço “para ser” e a clareza “para enxergar”, durante muitos tipos de retiros de �m de semana! • Reino Unido: www.globalretreatcentre.com • Estados Unidos: (Costa Leste) www.peacevillageretreat.org – (Costa Oeste) www.anubhutiretreatcenter.org • Austrália: www.brahmakumaris.org/au/spiritual-retreats (três centros de retiro) • Itália: www.casasangam.org Agradeço a Lucinda e Andy pelo tipo de música que penetra no seu coração e nutre a alma. – www.blissfulmusic.com Agradeço a Marneta por mostrar a todos nós como alcançar os corações das crianças do mundo. – www.relaxkids.com Agradeço aos centros Brahma Kumaris, onde qualquer pessoa pode receber ensinamentos gratuitos de meditação e começar desde uma simples prática de meditação até uma jornada espiritual pessoal em 90 países diferentes. – www.bkwsu.org Agradeço imensamente ao Ammerdown Retreat Center – um oásis de calma e tranquilidade onde podemos nos reunir para um retiro íntimo, como fazemos todo mês de agosto, todos os anos. – www.ammerdown.org http://www.globalretreatcentre.com/ http://www.peacevillageretreat.org/ http://www.anubhutiretreatcenter.org/ http://www.brahmakumaris.org/au/spiritual-retreats http://www.casasangam.org/ http://www.blissfulmusic.com/ http://www.relaxkids.com/ http://www.bkwsu.org/ http://www.ammerdown.org/ Meu profundo apreço por todo o trabalho dos amigos do Comic Relief, por eles levarem nossa contribuição �nanceira e nossa compaixão a um mundo de privações e violência que é o destino de tantas crianças. – www.comicrelief.com E, por �m, parabéns e obrigado a Piero Musini por criar a “Santa Pasta”, a nova rainha das massas – a mais saudável, a mais saborosa e elaborada com as mais elevadas energias e da maneira mais orgânica! – www.santapasta.it http://www.comicrelief.com/ http://www.santapasta.it/ Textos de capa Contracapa Mike George elenca 12 doenças que nós aprendemos a criar e nos fazem sofrer. Cada uma tem sua causa e seu sintoma. Alguns dirão que existe uma ligação direta entre as doenças do corpo e as doenças da alma, que as doenças da alma são a verdadeira causa das doenças do corpo. Isso hoje parece uma verdade óbvia. O objetivo desta obra é ajudá-lo a identi�car as várias doenças que você desenvolveu em si mesmo, o ser espiritual e, então, você poderá traçar seus próprios passos para restaurar o estado de bem-estar de si mesmo. Os 12 desconfortosda alma: 1) “Eu devo ter mais” O desconforto do VÍCIO. 2) “Isso pertence a mim!” O desconforto da CEGUEIRA. 3) “Perdi algo muito importante” O desconforto do CORAÇÃO. 4) “Algo terrível está prestes a acontecer” O desconforto da PARALISIA. 5) “Eles deveriam fazer o que eu quero” O desconforto da INSANIDADE. 6) “Eu não mereço tamanha bondade” O desconforto do DIABETES. 7) “Eu �z algo errado, então eu sou mau” O desconforto de estar INCAPACITADO. 8) “Ah, não, eles de novo, não!” O desconforto da ALERGIA. 9) “Espere até eu contar pros outros!” O desconforto da INCONTINÊNCIA. 10) “Eu preciso saber mais!” O desconforto da INDIGESTÃO. 11) “Eu sempre estou certo” O desconforto da ARTRITE. 12) “Eu não posso dar amor, esse não sou eu!” O desconforto da ASMA. Orelhas Dedicado a VOCÊ! É lamentável, mas não de se surpreender, que na maior parte do tempo não estejamos conscientes de como, com frequência, não nos sentimos bem. Em nome do sucesso, alguns de nós competimos para �car mais estressados do que os outros. Após cumprimentarem-se de forma alegre e calorosa, não demora muito para que amigos comecem a contar uns aos outros como as coisas têm estado ruins e quão sombrio o futuro lhes parece. Às vezes nós nos comparamos com os outros, em geral descobrindo rapidamente seus defeitos, sob a ilusão de que estamos livres de características tão “lamentáveis”. Alguns de nós até acreditam que fomos feridos mental e emocionalmente de forma tão profunda, que tornamos nossas mágoas parte da nossa identidade. Vez por outra, consumimos as imagens mais sinistras e às vezes muitíssimo violentas em nome do entretenimento – e, depois, perguntamo-nos por que não nos sentimos tão positivos e animados na vida real. Que essas ideias e re�exões o ajudem a �car bem, permanecer bem e seguir bem em um mundo onde muitas vezes parece muito mais fácil não se sentir bem. O autor Mike George “interpreta” uma série de papéis, incluindo o de autor, professor espiritual, coach, orientador de gestão, mentor e facilitador. Ele reúne as três vertentes-chave do século XXI: inteligência emocional/espiritual, desenvolvimento de liderança e “desaprendizagem contínua”. Folha de rosto Ficha catalográfica Créditos Sumário PARTE UM – você é alguém que se sente bem? A diferença entre saúde e bem-estar A diferença entre dor e sofrimento Compreendendo o sistema imunológico da alma A cura P.E.T Fase 1 – Percepção dos sintomas Fase 2 – Entendimento da causa Fase 3 – Transformação do nosso estado de ser O seu sistema imunológico funciona? PARTE DOIS – Os 12 desconfortos da alma 1 “Eu devo ter mais” – O desconforto do vício 2 “Isso pertence a mim!” – O desconforto da cegueira 3 “Perdi algo muito importante” – O desconforto do coração 4 “Algo terrível está prestes a acontecer” – O desconforto da paralisia 5 “Eles deveriam fazer o que eu quero” – O desconforto da insanidade 6 “Eu não mereço tamanha bondade” – O desconforto do diabetes 7 “Eu fiz algo errado, então eu sou mau” – O desconforto de estar incapacitado 8 “Ah, não, eles de novo, não!” – O desconforto da alergia 9 “Espere até eu contar pros outros!” – O desconforto da incontinência 10 “Eu preciso saber mais!” – O desconforto da indigestão 11 “Eu sempre estou certo” – O desconforto da artrite 12 “Eu não posso dar amor, esse não sou eu!” – O desconforto da asma PARTE TRÊS – fique bem – permaneça bem – siga bem A primeira prática – meditação A segunda prática – contemplação A terceira prática – aplicação A quarta prática – contribuição As quatro por dia! – E mais outra Treine você mesmo para o bem-estar Realize o seu diagnóstico – Parte I Realize o seu diagnóstico – Parte II Agradecimentos e links Textos de capa