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Prévia do material em texto

CDD-158.12
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
George, Mike
O sistema imunológico da alma : a jornada de autoconhecimento para se
libertar de todas as formas de desconforto / Mike George ; tradução de
Jacqueline Valpassos. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2018.
Título original : e Immune System of the Soul : the Journey from
awareness to realization to transformation and freedom from ALL Dis –
ease
Bibliogra�a.
ISBN 978-85-326-5796-1 – Edição digital
1. Autoconhecimento (Psicologia) 2. Autorrealização 3. Bem-estar –
Aspectos sociais 4. Meditação
I. Título.
18-13146
Índices para catálogo sistemático:
1. Meditação : Aperfeiçoamento pessoal : Psicologia aplicada 158.12
Título original em inglês: e Immune System of the Soul – e Journey from Awareness to Realization
to Transformation and Freedom from ALL Dis – ease,by Mike George.
Direitos de publicação em língua portuguesa – Brasil:
© 2018, Editora Vozes Ltda.
Rua Frei Luís, 100
25689-900 Petrópolis, RJ
www.vozes.com.br
Brasil
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida ou transmitida por
qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia e gravação) ou
arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da editora.
CONSELHO EDITORIAL
Diretor
Gilberto Gonçalves Garcia
Editores
Aline dos Santos Carneiro
Edrian Josué Pasini
Marilac Loraine Oleniki
Welder Lancieri Marchini
Conselheiros
Francisco Morás
Ludovico Garmus
Teobaldo Heidemann
Volney J. Berkenbrock
Secretário executivo
João Batista Kreuch
_________________________
Editoração: Maria da Conceição B. de Sousa
Diagramação: Sheilandre Desenv. Grá�co
Revisão grá�ca: Nilton Braz da Rocha / Nivaldo S. Menezes
Capa: SGDesign
Ilustração de capa: ©neyro2008 | iStock
ISBN 978-85-326-5796-1 (Brasil – edição digital)
ISBN 978-0-9576673-2-7 (Inglaterra – edição impressa)
Editado conforme o novo acordo ortográ�co.
http://www.vozes.com.br/
Sentir-se mal
Quando você é alguém que “sente-se mal”, é provável que se sinta fechado
e isolado, às vezes prejudicado e vitimado, talvez ansioso e apreensivo,
geralmente melancólico e até deprimido ou apenas frustrado e extremamente
estressado! Em outras palavras, você criará e sentirá uma combinação de
emoções, todas elas adaptações das três famílias de emoções que indicam um
estado de mal-estar – tristeza, raiva e medo. É provável que o mundo pareça
um lugar um tanto ameaçador e hostil. Que as outras pessoas, em geral,
precisem ser toleradas! É provável que você olhe com frequência para trás, para
o que julga terem sido dias melhores. E sempre que olha para frente, parece
haver pouca luz no �m do túnel.
No entanto, sentir-se mal é geralmente considerado “normal”. Ouça várias
conversas na hora do cafezinho e você notará como a sensação de mal-estar
torna-se facilmente uma forma perversa de conforto mutuamente consentida!
Sentir-se bem
Quando você é alguém que “sente-se bem”, está aberto e cordialmente
disposto a conectar-se com quase todo mundo. Há um entusiasmo natural,
uma atitude alegre e animada que atrai os outros para a sua aura. Mesmo
quando circunstâncias difíceis surgem do nada, você permanece inabalável e
consegue lidar com elas com uma facilidade que con�rma seu domínio de seus
próprios pensamentos e sentimentos. Seu coração está sempre pronto a
satisfazer amorosamente as necessidades dos outros. Você consegue esquecer
com facilidade as provações e tribulações do passado enquanto marcha com
alegria para um amanhã radiante e novinho em folha. Sentir-se bem pode
parecer anormal para alguns e totalmente irritante para muitos dos que se
sentem mal! É por isso que, no mundo moderno, ser alguém que se sente bem
às vezes parece algo tão inadequado!
Eu sou
O mal-estar é popular não por um consentimento comum, mas devido a
um tipo de ignorância onipresente que possui uma causa profunda, oculta,
antiga e arraigada. Qualquer momento de mal-estar no interior de seu ser é um
sinal de que você aprendeu a acreditar que é alguém diferente de quem você
realmente é! O bem-estar não pode ser restaurado até que você se reconheça
como nada além do “eu” que diz “eu sou”. Se você colocar qualquer coisa
depois do “eu sou”, isso não é você. É uma �cção, uma construção, uma
invenção da sua imaginação! Como consequência, você irá sofrer, mas é
improvável que você faça a conexão, já que também é improvável que você
tenha consciência de que não é quem você pensa ser!
Quando você acredita que é mais do que apenas o “eu” que diz “eu sou”,
você inconscientemente diminui a si mesmo e sabota sua natureza pací�ca e
amorosa! Você começa a acreditar que tem de “ir e estar” em outro lugar, que
você tem de “ir e fazer” algo importante, que você tem de “ir e alcançar” algo
signi�cativo. Tudo isso resulta em uma espécie de ausência perpétua em sua
própria vida. Estas são as estratégias que usamos para evitar sermos nós
mesmos. Daí o ditado: “Alguém que está tentando ser outra pessoa não sabe
como ser!”
Ser ou não ser, é sempre uma falsa escolha!
Você sempre é o “eu” que diz “eu sou”.
E isso é TUDO... que você é!
Sumário
PARTE UM – VOCÊ é alguém que se sente bem?
A diferença entre saúde e bem-estar
A diferença entre dor e sofrimento
Compreendendo o sistema imunológico da alma
A cura P.E.T
Fase 1 – Percepção dos sintomas
Fase 2 – Entendimento da causa
Fase 3 – Transformação do nosso estado de ser
O seu sistema imunológico funciona?
PARTE DOIS – Os 12 desconfortos da alma
1 “Eu devo ter mais” – O desconforto do VÍCIO
2 “Isso pertence a mim!” – O desconforto da CEGUEIRA
3 “Perdi algo muito importante” – O desconforto do CORAÇÃO
4 “Algo terrível está prestes a acontecer” – O desconforto da PARALISIA
5 “Eles deveriam fazer o que eu quero” – O desconforto da INSANIDADE
6 “Eu não mereço tamanha bondade” – O desconforto do DIABETES
7 “Eu �z algo errado, então eu sou mau” – O desconforto de estar INCAPACITADO
8 “Ah, não, eles de novo, não!” – O desconforto da ALERGIA
9 “Espere até eu contar pros outros!” – O desconforto da INCONTINÊNCIA
10 “Eu preciso saber mais!” – O desconforto da INDIGESTÃO
11 “Eu sempre estou certo” – O desconforto da ARTRITE
12 “Eu não posso dar amor, esse não sou eu!” – O desconforto da ASMA
PARTE TRÊS – FIQUE bem – PERMANEÇA bem – SIGA bem
A primeira prática – MEDITAÇÃO
A segunda prática – CONTEMPLAÇÃO
A terceira prática – APLICAÇÃO
A quarta prática – CONTRIBUIÇÃO
As quatro por dia! – E mais outra
Treine você mesmo para o bem-estar
Realize o seu diagnóstico – Parte I
Realize o seu diagnóstico – Parte II
Agradecimentos e links
PARTE UM
VOCÊ é alguém que se sente bem?
Doença
Uma condição patológica de uma parte, órgão ou sistema de um
organismo resultante de várias causas, como infecção ou defeito genético ou
estresse, e caracterizada por um grupo identificável de sinais ou sintomas.
Desconforto
Uma condição da consciência que se manifesta devido à perda da
autopercepção e ao apego e identificação com uma imagem/ideia mental,
caracterizada por um grupo identificável de tipos específicos de
pensamentos e emoções.
A diferença entre saúde e bem-estar
Nós provavelmente estamos vivendo no período da história mais
consciente em relação à saúde. Podemos nos tornar um especialista em quase
qualquer doença em questão de horas. Com dois cliques num mouse, podemos
convocar o consultor internacional e guru de todos os problemas de saúde,
também conhecido como Google, e ter acesso imediato a sintomas, causas e
curas de milhares de enfermidades.
Mas nada disso pode nos dizer por que todos nós não estamos bem!
Se você digitar em seu mecanismo de busca a mais vaga descrição de um
nódulo, uma dor ou uma coceira, será inundado por um rio de informações e
um fornecimento ilimitado de insights de diagnóstico. Você terá acesso ao
conhecimento tanto dos tratamentos convencionais como dos “alternativos”
por meio de centenas delinks em uma centena de países. Como nossos pais
sobreviveram sem isso? Na verdade, extremamente bem!
A saúde do nosso corpo já não é mais apenas uma conversa ocasional para
alguns. Agora é uma preocupação obsessiva para muitos. Mas a verdadeira
questão hoje não é quão saudável o seu corpo pode ser, mas VOCÊ é alguém que
se sente bem? Saúde e bem-estar, embora obviamente ligados, são duas coisas
diferentes.
Boa saúde refere-se ao corpo que ocupamos, mas o “bem-estar” refere-se
a... bem, ao seu ser! Você pode ter um corpo saudável, mas não estar bem em
seu ser. Ao longo do tempo, no entanto, o mal-estar de seu ser provavelmente
se traduzirá em uma deterioração da saúde do corpo que você ocupa! Você
pode ser alguém que se sente bem, enquanto seu corpo é um verdadeiro
catálogo de enfermidades variadas. No entanto, hoje sabemos que, se você
mantiver o seu bem-estar, é mais que provável que isso provocará um efeito
positivo sobre a saúde do seu corpo e até mesmo auxiliará na cura de muitas
dessas doenças.
Nosso bem-estar é primordial e a saúde física do nosso corpo, secundária.
Entretanto, por sabermos tão pouco sobre o que signi�ca “sentir-se bem” e
como “permanecer bem” em nosso ser, tornamos nossa saúde física primordial
e quase ignoramos o bem-estar do nosso ser.
A ciência não fala sobre ser!
Na era dos especialistas em medicina, é fácil detectar, de�nir e descrever
tanto um estado de “boa saúde” quanto as diversas condições de “má saúde”.
Como nosso corpo é visível e tangível, é fácil descobrir o que, por que e como
as coisas saem errado. Mas, obviamente, não é tão fácil enxergar e entender por
que não estamos bem em nosso ser. Com a doença física, temos procedimentos
cientí�cos e formas de mensurar, compreender e curar quase qualquer
enfermidade. Mas “sentir-se bem em seu ser” não é mensurável, simplesmente
porque você não pode colocar o “ser” em um tubo de ensaio! O ser não pode
ser submetido a um bisturi. Isso signi�ca basicamente que a “ciência” nada tem
a dizer sobre sentir-se bem, porque a ciência não tem nem como medir o
sentir-se bem do nosso ser, que dirá por que e como não nos sintamos bem em
nosso ser.
Provavelmente é por isso que a ciência em geral, e a ciência médica em
particular, resiste à ideia de que a deterioração e a ausência de bem-estar são
fatores importantes na doença física. No entanto, como a tecnologia moderna
facilita o compartilhamento instantâneo de insights sobre o bem-estar mental e
espiritual, e à medida que aumentamos nossa compreensão pessoal de nossos
estados de ser, parece que mais de nós estamos aprendendo a avaliar com maior
precisão o quão bem estamos... em nosso ser! Aos poucos, um número cada vez
maior de pessoas vem se tornando mais sábio e mais intuitivamente consciente
do vínculo direto entre o bem-estar do ser e a saúde de seu corpo. Embora
possamos nos bene�ciar de tal conhecimento, nada substitui ainda a ação de
voltarmos a atenção para nosso interior e constatarmos por nós mesmos.
Medindo-se!
Existem muitas maneiras de estimar e avaliar o bem-estar do seu ser. O
bem-estar é de�nido não por “quantidades” mensuráveis, mas pela “qualidade”
de seus pensamentos e atitudes, os seus níveis de felicidade e contentamento, a
consistência de sua capacidade de se conectar amorosa e compassivamente com
os outros, a estabilidade de seus sentimentos e em que medida você sente que é
o mestre das escolhas que faz. A este respeito, você é seu próprio cientista e o
laboratório é sua própria consciência. Os testes que você executa exigem os
instrumentos de seu próprio conhecimento, enquanto você observa e mede a
clareza de suas percepções, a qualidade de seus pensamentos e sentimentos e a
benevolência de suas intenções.
Ser capaz de ver e identi�car as causas de qualquer perda de bem-estar e
conhecer as formas de restaurar o bem-estar ao nosso ser são as habilidades
primárias de alguém apto a �car bem sempre que quiser, permanecer bem
onde quer que esteja e seguir bem através de desa�os e provas que a vida nos
apresenta a todos, todos os dias.
O propósito deste pequeno livro é entender um pouco mais sobre a
verdadeira natureza do “bem-estar”, o que fazemos para sabotá-lo, como obter
alguma medida de quão bem estamos e, �nalmente, saber como despertar
nosso sistema imunológico espiritual a �m de restaurar e manter o nosso bem-
estar.
Se alguma coisa não estiver clara, por favor contate mike@relax7.com
A diferença entre dor e sofrimento
Como diz o velho ditado, “A dor é obrigatória, mas o sofrimento é
opcional”. Dor é o que inevitavelmente sentimos quando algo acontece com o
corpo que ocupamos. Mas sofrimento é o que criamos em um nível mental e
emocional em “resposta” ao que acontece com o nosso corpo e ao que
percebemos estar acontecendo no e ao mundo ao nosso redor. Nosso corpo
pode estar doendo, mas podemos escolher não sofrer. Alguns conseguem fazer
essa escolha. Eles aceitam que a dor física é inevitável, mas não se debruçam
sobre isso, não culpam os outros por isso, não se preocupam com a duração da
dor, não sofrem mental ou emocionalmente. Eles tendem a aceitar a presença
da dor e continuar com a vida. Não é fácil para a maioria de nós, mas parece
possível.
Por outro lado, enquanto a saúde física da maioria das pessoas está bem,
elas podem passar a vida sofrendo, já que julgam, culpam, criticam e
condenam os outros e/ou sentem-se furiosos em relação a acontecimentos no
mundo. Entremeados nesses e em muitos outros “comportamentos” estão as
emoções do sofrimento.
A dor é física e o sofrimento é mental/emocional. A dor é um sinal que o
seu corpo envia para o cérebro. A mensagem é que você precisa mudar algo
dentro das energias de sua forma física. Obviamente, signi�ca que algo precisa
ser curado. O sofrimento é uma mensagem emocional que diz que você perdeu
o controle de suas percepções, pensamentos e sentimentos, e se você não quer
sofrer, você precisa mudar a maneira como “percebe e pensa” sobre o que está
acontecendo ao seu redor.
A dor pode ser causada por outras pessoas se elas �zerem algo ao seu corpo,
mas o sofrimento sempre é causado por você mesmo, de acordo com o que
acredita, que então molda como e o que você percebe. É por isso que alguém
olha para fora da cela da prisão e vê apenas as grades, enquanto o cara na cela
ao lado olha para fora e vê apenas as estrelas! O sofrimento sempre pode ser
uma escolha. Isso não é fácil enxergar em um mundo que geralmente funciona
com base na crença de que é natural sofrermos nas mãos de nossos pais,
gerentes, governos e até mesmo do nosso clima! É um sinal de que nos
esquecemos de que ninguém mais é responsável por nossos pensamentos e as
emoções que criamos e sentimos. Esse “entendimento” por si só, o de que sou
sempre eu e não os outros que me fazem pensar e sentir de determinada maneira, é
um insight que pode, em última instância, permitir que você se liberte de todos
os sofrimentos. Se você quiser!
O que é natural?
Muitos de nós aprendemos a acreditar que o sofrimento é natural, que faz
parte da natureza humana, que é o que nos torna humanos. Poucos de nós
questionam essa crença particular. Então, não conseguimos enxergá-la como o
que ela é na verdade: uma falsa crença! Se acreditarmos que o sofrimento é
natural e, portanto, ok, então é provável que nosso sofrimento, que é o
codinome para “infelicidade”, aumentará gradualmente em nossa vida e não
nos daremos conta de que poderíamos ter feito algo a respeito. Mas se você
puder perceber que todo sofrimento é autocriado, então despertará para a
possibilidade de eliminar a crença de que você é uma “vítima indefesa”.
A percepção de que você nunca é vítima, se assim escolher, pode mudar
quase tudo, desde seus sentimentos do dia a dia até a qualidade de toda a sua
vida! No entanto, para conseguir isso, você precisará examinar, contestar e
mudar as muitas crenças que você herdou durante a infância, absorvidas no
processo de sua educação e assimiladasdurante sua “passagem” para o mundo
dos chamados adultos. São essas crenças que subconscientemente fazem de
refém o estado de ser de quase todos nós, já que elas se tornam as sementes de
estados de ser extremamente não naturais e, portanto, nada saudáveis.
As re�exões deste livro destinam-se a destacar as crenças mais comuns e
mais debilitantes que nos fazem sofrer. Isso permitirá que você veri�que se elas
estão presentes em sua consciência e depois entenda como essas crenças são
como “infecções” que sabotam seu bem-estar. Por último, você poderá perceber
que todo o seu estresse, toda a sua tristeza e todo o seu sofrimento têm suas
raízes nas crenças que você, consciente e subconscientemente, encara como
verdadeiras.
Há também alguns insights precisos, polvilhados com um pouco de
sabedoria, sobre como você pode acabar com seu sofrimento e restaurar o bem-
estar ao seu ser se você realmente estiver disposto a fazer esse trabalho interior.
Muitas pessoas não querem acabar com o próprio sofrimento! Não querem
estar bem em seu ser. Por mais estranho que isso pareça, muitos de nós �camos
apegados à nossa infelicidade, confortáveis com nossos ressentimentos,
satisfeitos com o nosso estresse! Podemos até usar nosso sofrimento emocional
para formar a base do nosso senso de identidade. Quando usamos nossos
descontentamentos dessa maneira, isso se torna semelhante a uma doença física
que entra diretamente nos ossos e, portanto, é difícil mudar. Quando a nossa
infelicidade se in�ltra no nosso senso de identidade, pode ser difícil libertar-se
do que poderia ser diagnosticado como uma “condição crônica de ser”,
também conhecida como “identi�cação errônea”. Esta é a causa fundamental
de tudo que a�ige o nosso ser e nos deixa mal. Embora seja difícil enxergá-la, é
por isso também que, como você descobrirá, há apenas uma cura para todas as
várias formas de sofrimento humano. Existem muitos tratamentos e curas para
todas as nossas doenças físicas, mas há apenas uma “cura �nal” para todos os
nossos desconfortos espirituais!
Essa cura pode ser realizada em um instante. Mais comumente, leva tempo
para emergir do fundo da nossa alma. Só então podemos restaurar a imunidade
completa a todas as várias formas de desconforto espiritual. Só então podemos
�car bem, permanecer bem e seguir bem novamente.
Compreendendo o sistema imunológico da
alma
Quando qualquer área da energia celular de nosso corpo é invadida por
uma “forma de energia” que é de natureza hostil ou incompatível, as “células
auxiliares” do sistema imunológico, muitas vezes referidas como anticorpos e
glóbulos brancos, quase imediatamente detectam a presença do invasor. Elas se
movem rapidamente para o local em questão a �m de proteger as partes
afetadas do nosso corpo. Quando lá chegam, são capazes de discernir e
distinguir a natureza exata da invasão e/ou a natureza precisa do desvio que
acontece às próprias células do corpo. Seu trabalho é extinguir, expulsar ou
cercar e, assim, conter o que pode ser chamado de “mau funcionamento
celular”, que temos o costume de chamar de... doença!
Embora possamos experimentar a dor de doenças ocasionais em nosso
corpo, todos nós sofremos de muitos momentos de desconforto em nossa
consciência, no íntimo de nosso ser. Momentos de desconforto são sinais que
nos dizem que nosso bem-estar está sendo comprometido. Podem variar de
uma silenciosa sensação de inquietação a estados de extremo estresse, que
podem incluir desde a tristeza profunda e raiva total ao terror abjeto, na outra
extremidade do “espectro do desconforto”.
O objetivo do “sistema imunológico do nosso corpo” é detectar e
distinguir, proteger e, muitas vezes, extinguir do nosso organismo os muitos
tipos de doenças físicas com as quais hoje em dia estamos familiarizados. O
“sistema imunológico da alma” funciona de forma semelhante em relação aos
muitos tipos de “desconforto” que ocorrem em nossa consciência, dentro do
nosso ser. O primeiro sintoma de qualquer perda de bem-estar, o primeiro sinal
de qualquer “desconforto” que ocorre em nossa consciência, geralmente é uma
“sensação” de inquietação mental ou emocional!
No contexto de todos os desconfortos da consciência que exploraremos
aqui, uso as palavras alma, consciência e ser como sinônimos. Todos se referem
ao “eu” que diz “eu sou”, distinto do corpo que ocupamos. Enquanto a energia
do corpo físico é o que chamamos de “matéria”, a energia da alma/eu é o que às
vezes chamamos de “espírito”. Um é visível e tangível, e o outro é invisível e
intangível. O espírito é o ser que eu sou/você é. Outra maneira de dizer isso no
contexto dessa abordagem aos desconfortos da consciência é que você não tem
alma, você é a alma. Você não tem consciência, você é consciência. Você não
tem um espírito a espreitar em algum lugar do seu corpo, não é uma misteriosa
entidade �utuante. Você é o ser espiritual que anima e irradia da forma que
você ocupa.
No entanto, enquanto o sistema imunológico do corpo é composto de
“células auxiliares” separadas, o sistema imunológico da alma não está separado
da alma/espírito. O sistema imunológico da alma está dentro de você, a alma!
Não pode ser separado de você! Eu enfatizo isso para sublinhar a noção de que
é distinto do seu corpo! O sistema imunológico que é um aspecto natural e
integral de seu ser é mais bem descrito como “movimentos especí�cos da
consciência”.
Os três movimentos
Quando o sistema imunológico da alma (espírito) entra em ação, os três
movimentos dentro de sua consciência são: percepção, entendimento e
transformação.
Para ilustrar como nossa consciência se move e funciona dessa maneira,
imagine que você está dirigindo rumo a um destino conhecido. Você também
sabe a direção para qual deseja viajar, mas não está 100% certo do percurso,
que tem desvios e retornos. Você dirige por algum tempo com a percepção de
uma sensação desconfortável, mas não consegue apontar exatamente a causa
dessa sensação. Então, você “�ca com” a sensação e deliberadamente “examina”
a sensação desconfortável. De repente, você percebe que o sol está brilhando do
lado esquerdo do carro e você sabe que deveria estar brilhando do lado direito.
Você entende que está indo na direção errada. Você dá meia-volta enquanto
“muda” (transforma) a direção na qual você está viajando. A sensação
desconfortável desaparece instantaneamente.
Aprofundando um pouco mais o paralelo, imagine que você �que com
raiva de alguém. Parece uma reação normal, pois é algo que você já fez, até com
certa frequência, toda sua vida. Os outros também fazem isso à beça! Mas,
certo dia, a raiva se torna tão grande que você se pergunta se tudo isso vale a
pena. Você percebe o intenso sentimento de desconforto dentro de si, dentro
de sua consciência. Você percebe que esse desconforto é a emoção da raiva. Em
vez de esperar para recuperar-se, você examina a raiva e entende que a) você a
criou e b) a razão pela qual você a criou é porque você “acredita” que os outros
devem fazer o que você diz (e obviamente não fazem!). Na verdade, você
acredita implicitamente que a) você pode controlar os outros e b) os outros são
responsáveis por sua felicidade. Você dedica um momento para reconsiderar
essas crenças e entende que elas não são “verdadeiras”. Claro que elas não são
verdadeiras: você não pode controlar os outros, nunca! Pode “parecer” que você
está controlando quando eles fazem o que você diz ou quer, mas ainda assim
eles estão decidindo fazer o que eles fazem. Também se torna óbvio que os
outros não são responsáveis por sua felicidade. No entanto, você também pode
“observar” que é verdade que, embora você não possa controlar os outros, você
pode “in�uenciar” os outros. O entendimento dessas “verdades” inicia a
transformação de seu estado de ser e, consequentemente, de seus pensamentos
e comportamentos. Você deixa de tentar controlar os outros. Você nunca se
irrita com ninguém e então o desconforto da raiva é curado! Sua energiaestá
agora disponível para se concentrar no desenvolvimento de formas criativas de
in�uenciar.
Você percebeu o desconforto, você o examinou e entendeu a “crença
causal”. Você examinou um pouco mais fundo e entendeu “a verdade” e,
usando o poder dessa verdade, você transformou seu estado de ser.
Uma variedade de vírus
Enquanto o sistema imunológico do corpo é projetado para identi�car e
curar muitos tipos de doenças físicas, o sistema imunológico da alma
(consciência) é projetado para identi�car e curar muitos tipos de desconfortos
da consciência, dentro do “eu”. Da mesma forma que qualquer doença no
corpo é normalmente devida a algum vírus invasor que infecta e afeta a energia
celular do corpo, os desconfortos da consciência também são causados por uma
variedade de vírus.
Estamos agora extremamente familiarizados com a ideia de “vírus”.
Sabemos como vírus podem infectar e interromper as funções de um
computador. Agora conhecemos muitos tipos de vírus que podem infectar e
interromper as funções de nossos corpos. Mas o que são os vírus que infectam
e perturbam a nossa consciência, isto é, nós mesmos? Tais vírus são chamados
de “crenças”. Todos os desconfortos da consciência são causados pelos vírus de
diferentes crenças e nosso “apego” consciente e subconsciente a essas crenças.
No entanto, crença não é sinônimo de verdade. Como diz o velho ditado: “A
verdade o libertará”. No contexto de todas as várias formas de desconforto que
criamos dentro de nossa consciência, somente o entendimento da verdade pode
nos libertar do apego a essas crenças e libertar-nos do sofrimento. Daí as três
fases do sistema imunológico da alma enquanto realiza o processo de cura.
A cura P.E.T.
(Percepção – Entendimento –
Transformação)
Fase 1 – Percepção dos sintomas
Isso signi�ca notar que há um desconforto que ocorre dentro de sua
consciência, isto é, dentro de você! Signi�ca estar ciente de alguma coisa, desde
uma leve sensação de inquietação até pensamentos e sentimentos turbulentos
sobre qualquer coisa ou qualquer um.
Ser consciente de si mesmo não é algo que se conquista facilmente para a
maioria de nós. Somos quase que totalmente programados para estarmos
cientes apenas do que está acontecendo “lá fora” no mundo que nos rodeia.
Temos consciência do clima, do que há na TV, do que os outros estão fazendo
e vestindo, das notícias, do que iremos fazer no dia seguinte, do que tem para o
jantar, do dinheiro etc. Mas a única coisa que raramente percebemos é o que
está acontecendo dentro de nossa consciência, dentro de nós mesmos. Nós
achamos difícil “observar” a variedade e a qualidade ilimitadas dos
pensamentos e sentimentos que estamos criando constantemente em nossas
reações e respostas ao mundo.
Somos vagamente conscientes de que nossas emoções têm um efeito no
nosso corpo. Mas somos inclinados a não notar a presença da emoção até que
ela de fato tenha atingido a energia física de nossa forma e nós “sintamos” algo
�sicamente. A preocupação afeta nosso estômago, o medo afeta nosso coração,
a tensão afeta nossos músculos, a ira afeta nossa pressão sanguínea.
Consequentemente, tendemos a atribuir emoções e sentimentos “somente” ao
nosso corpo e não percebemos que todas as nossas emoções têm sua origem
dentro de nossa consciência, dentro de nós mesmos.
Outra consequência dessa falta de percepção parece ser a de que a maioria
de nós não tem uma “linguagem desenvolvida” para descrever o que sentimos e
as emoções que surgem. Sem essa linguagem compartilhada, torna-se difícil
atribuir signi�cado a tudo o que está acontecendo dentro de nossa consciência,
dentro de nós mesmos. Uma das maneiras mais fáceis, e alguns diriam
necessárias, de melhorar nossa autoconsciência e desenvolver nossa linguagem é
falar sobre o que percebemos que está acontecendo dentro de nossa
consciência. Não de um jeito terapêutico formal, mas de maneira informal e
re�exiva com amigos e conhecidos. Inestimável é aquele amigo com o qual
podemos ser totalmente abertos e relaxados enquanto expomos o que estamos
pensando e sentindo sobre tudo e qualquer coisa. Enquanto fazemos isso,
estamos criando juntos uma linguagem e começamos a enxergar com maior
clareza as conexões entre nossas crenças e experiências, entre nossas percepções
e nossas emoções, entre nossas atitudes e sentimentos e entre nossas lembranças
e comportamentos.
Não é preciso estudar como se estivéssemos atrás de um diploma em
Psicologia, apenas desenvolver um grau de consciência e uma capacidade de
descrever o que, como e por que pensamos e sentimos da maneira como
fazemos.
Quando tais conversas interativas são complementadas com tempo gasto
em tranquila autorre�exão, vez por outra aproveitando os insights que
encontramos na sabedoria dos outros, elas vão gradualmente aprimorando
nossa percepção e entendimento do que está acontecendo em nossa própria
consciência. Começamos a enxergar claramente como e por que criamos os
muitos desconfortos da consciência e como eles sabotam o bem-estar do nosso
ser. Não se trata de olhar para o próprio umbigo, e sim, de uma automotivada
“educação interior” na única escola real na vida, que é a própria consciência.
Não demora muito para que possamos identi�car e libertar-nos dos principais
desconfortos da alma que todos “aprendemos” a sofrer. Nós os exploraremos
todos em detalhes aqui e, enquanto o fazemos, você perceberá exatamente o
que precisa ser “desaprendido”.
Fase 2 – Entendimento da causa
Isso signi�ca “enxergar” através da sensação de desconforto e entender a
“crença viral” que “infectou” a nossa consciência. Isso só é possível quando não
evitamos as emoções que sentimos e examinamos essas emoções. Só então
podemos “enxergar” exatamente qual “crença viral” está por trás da emoção e
está causando o desconforto. Mais uma vez, isso requer uma contemplação
silenciosa e talvez algumas pistas de alguém que já tenha entendido as crenças
causais de tais desconfortos. Então, é possível induzir o momento heureca!, o
que signi�ca: “Agora vejo por que estou me sentindo assim, por que estou tão
chateado, por que estou tão irritado, por que estou apavorado. Agora enxergo e
entendo que a crença subjacente que eu continuo fortalecendo é que está
moldando esses pensamentos e emoções no cerne deste desconforto.
Conforme descobriremos, todos os nossos desconfortos da alma têm
sintomas chamados “emoção”. Toda emoção é uma forma de sofrimento. Essa
última frase é difícil de aceitar para muitos, geralmente porque eles nunca
pensaram seriamente a respeito ou não de�niram o próprio conceito de
“emoção”. Fazer isso requer algum tempo e atenção para re�etir sobre nossa
própria “insperiência” de emoção. Só então podemos desenvolver a nossa
compreensão das emoções que estamos criando e sentindo. Só então é possível
identi�car e articular exatamente quais emoções estamos sentindo e, em
particular, por que estamos criando essas emoções para começo de conversa.
Este é um processo gradual que avança de acordo com nosso nível de interesse!
À medida que crescemos, a maioria de nós aprende a acreditar que temos
emoções positivas e negativas, como medo e amor, raiva e alegria, ódio e
compaixão etc. Nós nunca questionamos essa crença! Mas quando percebemos
que TODAS as nossas emoções têm sua origem em nossa consciência. E quando
nos damos conta de que na consciência não há dualidade, nem polaridade,
nem opostos, essas “crenças” sobre emoções começam a voar pela janela. Não
há emoções positivas ou negativas. Há apenas emoção, ou não, conforme o
caso!
Neste ponto, termina o interesse de muitas pessoas em autopercepção e
autoentendimento. Você pode estar achando que isso está �cando um pouco
profundo demais e muito complexo, e que a vida só precisa ser vivida, não
analisada assim. Além disso, como pode NÃO haver emoções positivas e
negativas? Mas, na realidade, é aqui que começa a cura de todos os nossos
desconfortos, todos os nossos sofrimentos, todo nosso estressee infelicidade.
Esta é a fronteira além da qual você pode redescobrir a realidade de uma
felicidade autêntica e sustentável sem qualquer dependência de qualquer coisa
ou de qualquer pessoa. Mas isso exige que você seriamente conteste e deixe de
lado muitas das “crenças aprendidas”. Incluindo a crença de que existem
emoções positivas e negativas. Há apenas emoções. O amor não é uma emoção!
É um estado de ser. A felicidade autêntica não é uma emoção. É um estado de
ser. A alegria pura não é uma emoção, é um estado de ser.
A emoção “acontece” quando a energia da nossa consciência é distorcida e
perde sua vibração máxima, que é o seu estado natural. Essa “vibração máxima”
é o que chamamos de amor. Mas, para conversar sobre tudo isso, primeiro
precisamos concordar sobre o que queremos dizer com “amor”, o que
queremos dizer com “emoção”, o que queremos dizer com “sentir” e o que
queremos dizer com “estado”. Não é o tipo de conversa que muitas pessoas
têm, daí a ausência geral de clareza em torno do tema emoção. Vamos voltar a
isso em um instante.
Entendimento nesse contexto signi�ca ver e perceber qual crença
exatamente em nossa consciência está causando qualquer desconforto (emoção)
que estamos sentindo em determinado momento.
Por exemplo, a crença que causa grande parte do “desconforto emocional
do medo” é a de que a vida é um curso de sobrevivência. A crença que causa o
“desconforto da insegurança” é a de que a riqueza só pode ser medida pelo
dinheiro! A crença que causa o “desconforto da irritação” é a de que a mesa deve
ser posta exatamente como eu gosto!
Entendimento também signi�ca redespertar para uma verdade mais
profunda que já conhecemos, mas que saiu da nossa consciência. Nesses
exemplos, a “verdade” pode soar como: a vida não é um curso de sobrevivência,
mas uma oportunidade de servir aos outros, a verdadeira riqueza é o recurso
interior da consciência conhecido como virtude e nossa felicidade não depende da
maneira como uma mesa está posta! Quando entendemos tais verdades, elas
naturalmente substituem as crenças e, portanto, curam o desconforto. A
verdade é o catalisador da terceira fase da cura da alma, que é a transformação.
Fase 3 – Transformação do nosso estado de ser
A transformação ocorre dentro do “eu” através da redescoberta do que é
“verdadeiro”. Somente o entendimento da “verdade” pode superar e substituir
uma “crença viral” que é sempre a causa do desconforto. Cura neste sentido
signi�ca restaurar a energia da consciência para o seu “verdadeiro” estado ou
vibração. A conquista disso é con�rmada pelo desaparecimento da sensação de
desconforto. A sensação de desconforto é substituída por sentimentos como
paz e contentamento, compaixão e cooperação, e intenções como carinho e
compreensão. Estes são “movimentos sem emoção” da consciência que moldam
atitudes e comportamentos que criam conexões harmoniosas e relacionamentos
saudáveis com os outros.
Mas como sabemos que sabemos ou entendemos o que é verdade? Qual a
diferença entre crença e verdade? Costumávamos acreditar que o mundo era
plano. Então, vimos uma foto e percebemos a verdade, que o mundo é
redondo. Ao contrário de um insight, neste caso foi uma perspectiva de fora
que nos forneceu uma pista da verdade! Algumas pessoas “acreditam” que sua
felicidade vem de “fora”. Poderíamos dizer que esta é uma crença do tipo
“Terra plana”! Muitos outros contemplaram sua própria “insperiência” e
entenderam a verdade, que a felicidade é um “trabalho interno”. Eles tiveram
um “insight” de que a felicidade surge de nossa consciência. Cada um de nós
tem o poder de criar nossos próprios níveis de felicidade de “dentro para fora”.
Talvez você ainda “acredite” que outras pessoas fazem você sentir raiva. Mas
pergunte aos mais esclarecidos ao seu redor e eles provavelmente dirão que
entenderam “a verdade” de que ninguém nunca “faz” você �car com raiva. Nós
“criamos” nossas próprias emoções e a raiva é apenas uma “emoção popular”!
Provavelmente diriam também que foi o entendimento dessa verdade e a
consequente restauração da capacidade de escolher nossos sentimentos que
transformaram a maneira como eles se relacionam com os outros e vivem sua
vida.
A maioria das pessoas aprende a “acreditar” que o amor é adquirido; por
isso, sai por aí em busca do amor. Isso parece ser contrariado por aqueles que
a�rmam ter entendido uma das verdades mais profundas da vida, ou seja, que
o amor é o que somos quando nos doamos incondicionalmente. Portanto, não
há necessidade de procurar o amor em nenhum lugar. Ele já está “aqui”! Na
verdade, eles nos lembram que é uma busca inútil que só criará muitos
momentos de desconforto!
Quando uma verdade é entendida pelo “eu”, ela produz uma mudança de
percepção que, por sua vez, muda nossos pensamentos e ações. Cada um desses
entendimentos então tem o poder de mudar nosso estado de ser e o
consequente comportamento. Tais verdades têm o poder de curar a alma, o que
signi�ca eliminar todos os tipos de desconforto que estamos habitualmente
criando e sentindo dentro de nossa consciência.
Tanto a localização como o processo de entendimento e transformação são
pouco compreendidos, até mesmo entre as muitas escolas de iluminação.
Imagine espremer seu corpo em uma caixa de papelão da metade da sua altura.
Seu corpo está na caixa, mas perdeu sua “forma/estatura natural”. Haverá
muito desconforto físico. E assim também é com a nossa consciência. Existe
um estado natural de ser, do qual emana uma vibração natural da energia
espiritual que somos. Às vezes, chamamos essa vibração de paz, outras vezes
vibramos como amor, e às vezes vibramos como alegria, compaixão ou
paciência etc. Estes são estados naturais de ser que também “sentiremos” em
tais momentos.
Cuidado com o que você faz... na sua mente!
Perdemos a capacidade de vibrar a partir desses estados naturais e estender
essa vibração em pensamento e ação quando esprememos nosso “eu” em algo
não natural e, assim, distorcemos a verdadeira natureza de nosso ser. Fazemos
isso perdendo o nosso “eu” em nossa própria mente. As caixas são ideias,
imagens, lembranças e crenças. Nós as criamos em nossa mente e então
comprimimos nosso “eu” nelas. Tomamos a forma do que está em nossa
mente. Pode ser por apenas alguns segundos ou um hábito de muitos anos! Isso
às vezes é referido como apego. Este acontece quando perdemos o nosso “eu”
no que está em nossa mente. Nem percebemos que estamos fazendo isso. Nós
então nos “identi�camos” com o que nos apegamos e esse é o momento em
que o ego nasce. É por isso que uma das de�nições mais simples do ego é
“identi�cação errônea”.
Quando perdemos o nosso senso de nós mesmos no que diz respeito à
nossa mente, é como se o ser consciente que somos fosse desformado. Estamos
permitindo que uma ideia, imagem ou crença nos molde. Nós estamos usando
a ideia/imagem/crença para nos dar um falso senso de identidade. É como se
deixássemos de ser o “espírito livre”, que é o nosso estado verdadeiro, para nos
tornarmos “presos” numa forma mental. Alguns dos sinais de que estamos
fazendo isso incluem sentimentos de inferioridade, de inadequação, de
estarmos sendo ameaçados, medo, tristeza, estresse, raiva e muitas outras
emoções que sinalizam desconforto! É por isso que o ego, isto é, a identi�cação
errônea, é a causa subjacente de todos os desconfortos, de todo sofrimento.
Não é a causa “direta” da dor, que é física, mas é a causa direta de todo o
sofrimento.
A transformação é a libertação do “eu” das formas “não naturais” que o
“eu” criou e adotou na mente. A esta altura, tenho certeza de que você deduziu
que o “eu” não é a mente. A mente é uma função do “eu”, é um atributo ou
faculdade da consciência.
Por exemplo, assim que você começa a discutir com alguém, signi�ca que
você se tornou “a forma” da crença que você está mantendo em sua mente
nesses momentos. Você não percebe que está fazendo isso porque está ocupado
construindo sua defesa contra a crençado outro ou sua estratégia para atacar a
crença do outro. Em tais momentos, sua crença está moldando você. Você está
se perdendo na crença que está “na sua mente” e, portanto, está percebendo a
crença do outro como uma ameaça para você. É pessoal! Mas no momento em
que você entende que a crença que você criou na mente é apenas mais outra
crença e que ela não é você, então você estará começando a “deixar pra lá”.
Você estará começando a “sair” da crença. E, ao fazer isso, você estará se
transformando. Você estará se devolvendo à sua verdadeira forma como um
espírito livre, não mais preso em coisa alguma na sua mente. Esse também é o
momento em que os desconfortos do medo e da raiva, que são a moeda
corrente em qualquer discussão, começam a desaparecer.
Há três signi�cados embutidos na palavra “transformação”. “Trans”
signi�ca TRANSCENDER, “form” signi�ca FORMA e “ação”, que é AÇÃO mesmo.
A ação de transcender a forma ocorre dentro da consciência. É o momento
em que o “eu” deixa de ser moldado por qualquer forma (imagem/ideia) na
mente. O “eu” sai da mente e, assim, se eleva acima (transcende) do que está na
mente. A liberdade do “eu” é restaurada ao retornar à sua forma original como
energia radiante, invisível e não distorcida da consciência. O sentimento é de
paz e liberdade. A verdadeira intenção do “eu”, que é “doar-se”
incondicionalmente, sem desejar algo em troca, é restaurada. E as ações são
sentidas e percebidas pelos outros como gentis e benevolentes... em TODAS as
ocasiões.
O principal sinal externo de transformação é a ausência de emoção e
restauração da nossa capacidade de responder criativamente ao invés de reagir
emocionalmente. Não porque a emoção é ruim ou é suprimida ou reprimida,
mas por não ser mais criada! Emoções (energia em movimento) são o preço
que pagamos hoje por nossos apegos (identi�cações errôneas) de ontem! Em
outras palavras, as emoções surgem na consciência quando o “eu” se liga ao que
está na mente. Se você gritar de raiva quando alguém quebra seu vaso Ming,
isso signi�ca que você está apegado e identi�cado com a “imagem” do vaso em
sua mente. Se você não estivesse apegado à imagem do vaso, se você não tivesse
perdido seu senso de si mesmo na imagem do vaso, você não criaria a emoção
da raiva, não sofreria o desconforto da raiva quando o vaso se quebrasse em mil
pedacinhos! Você reagiria de forma pací�ca e perdoaria, porque aquilo é apenas
um vaso e você é você! Quando você é pací�co e perdoador, você não é
emotivo, você está em paz e estende o amor (seu próprio ser) como perdão para
o outro!
Escolhendo os seus sentimentos
Um dos principais sinais de “transformação” é a restauração de sua
capacidade de escolher os seus sentimentos em qualquer ocasião. Você já deve
ter notado que isso é impossível quando se é emotivo! Quando você é emotivo
não consegue escolher os seus sentimentos. Esta é outra pista de por que o
“amor” não é uma emoção. Quando você está em um estado de amor, você
pode escolher a maneira apropriada de expressar esse amor. Talvez como afeto
ou compaixão, como aceitação ou perdão, como bondade ou compreensão etc.
Estendendo a si mesmo como amor da maneira apropriada, você “sentirá”
qualquer forma que escolher para doá-lo. Mas observe que você não pode fazer
isso quando está chateado, assustado ou triste. Há apenas uma perturbação,
que é extremamente emocional, há apenas medo, que é extremamente
emocional, ou há apenas tristeza, que é extremamente emocional. Em tais
momentos, é como se a sua capacidade de escolher qualquer outro sentimento
houvesse sido desligada.
Na verdade, acreditar e a�rmar que o amor é apenas outra emoção é o que
sabota a nossa capacidade de estendê-lo aos outros. Quando nos preocupamos
com alguém, acreditamos que estamos cuidando, acreditamos que estamos
sendo amorosos. Mas a preocupação é uma forma de medo, não amor.
Quando somos “emotivos”, estamos ocupados principalmente com nossas
próprias emoções, ocupados com a emoção que “sentimos” e, portanto, não
totalmente disponíveis para “cuidar” do outro. O cuidado é amor em ação com
a intenção de bene�ciar o outro. Mas o preocupado não pode enxergar isso
porque está ocupado criando imagens do que “pode” acontecer e como eles se
“sentirão” se algo acontecer com quem ele está preocupado! Ufa! Não é de
admirar que o verdadeiro signi�cado e sentimento de amor sejam perdidos tão
facilmente!
Inteligência emocional é um oxímoro!
Também é útil notar que a emoção surge logo que “acreditamos” não
estarmos recebendo o que queremos (raiva) ou quando “acreditamos” estarmos
prestes a perder o que “acreditamos” já possuirmos (medo). Observe que
sempre que desejar qualquer coisa, você já tem o que quer que você deseje
como uma imagem ou uma ideia em sua mente. Você se apega à imagem.
Então, você começa a se consumir com a preocupação de que tal coisa não se
torne realidade no tempo, no espaço ou na matéria! O amor, como sabemos,
não tem nada a ver com querer, obter e manter. O amor de�nitivamente está
ausente quando estamos chorando nossas lágrimas emotivas após uma perda
percebida. É por isso que a “inteligência emocional” é um oxímoro! Na
realidade, quando você é emotivo está sabotando a sua capacidade de ser
inteligente, de tomar decisões inteligentes e de oferecer conselhos inteligentes!
Falaremos mais sobre emoções, já que constituem o principal sintoma de todos
os desconfortos que criamos e sofremos em nossa consciência!
O processo de transformação começa quando você entende que está
apegado a uma crença que está causando a sensação de desconforto. Mas não
deixaremos a crença para trás completamente, o que signi�ca “sair da” crença,
até que possamos entender uma verdade mais profunda que já existe dentro de
nós. No entanto, é difícil identi�carmos a maioria das crenças às quais estamos
apegados, pois estão arraigadas no fundo do nosso subconsciente. Elas fazem
parte da “programação” que todos nós absorvemos e assimilamos de outras
pessoas e do mundo ao nosso redor enquanto crescemos. É por isso que não é
su�ciente perceber o desconforto que está ocorrendo em nossa consciência.
Não é su�ciente usar algum tipo de “técnica” ou receber algum tipo de terapia
para aliviar o nosso desconforto emocional. É apenas o sintoma. É necessário
examinarmos as emoções que sentimos a �m de descobrirmos a crença causal, e
depois analisarmos a crença para entender a verdade. É o entendimento da
verdade que nos permite nos libertar por completo da crença, desapegando
nosso “eu” e já não sendo mais moldados por ela!
O desapego não signi�ca que você não se preocupa ou que está evitando
coisas, eventos e pessoas. Signi�ca que você não está mais perdendo seu senso
de si mesmo no que está em sua mente em um nível consciente ou
subconsciente. Somente num estado de não apego é que você pode “ser você
mesmo”, que você pode ser tudo o que você é, que é o “eu” que diz “eu sou”!
Só então você está totalmente livre e disponível para estender o amoroso calor
do seu coração enquanto realmente se importa com os outros, onde antes você
estava apenas ocupado com “eu, meu e minhas emoções”.
O SEU sistema imunológico funciona?
Embora o sistema imunológico do corpo possa ser enfraquecido ou
prejudicado por uma dieta não saudável, exaustão física ou infecção viral, ele
está sempre funcionando num certo grau. O sistema imunológico da alma, no
entanto, pode ser quase completamente suprimido. A ausência total de
autopercepção de fato signi�ca uma incapacidade de reconhecer o que está
ocorrendo em nossa consciência, dentro de nós mesmos. Quando isso
acontece, �camos mais vulneráveis à invasão dos vírus conhecidos como
“crenças dos outros”. Com quase nenhuma autopercepção, somos facilmente
in�uenciados quando começamos a absorver e assimilar crenças do tipo: é
natural e necessário sofrer na vida; a vida é apenas um curso de sobrevivência,
então tenha medo e certi�que-se de cuidar de si mesmo em primeiro lugar; seusucesso e segurança serão medidos por quanto dinheiro e bens materiais você
conseguir acumular.
Nossa convicção de que essas crenças são verdades, cega nossa consciência
para os sinais emocionais que nos dizem que estamos “insperimentando”
algum desconforto como resultado de viver pautado por tais crenças. O
despertar do sistema imunológico da alma é essencialmente o mesmo que o
redespertar da autopercepção. Começa quando notamos e percebemos (nos
tornamos conscientes de) nossos desconfortos emocionais, quando percebemos
que a própria emoção é desconfortável e entendemos que ela não é natural.
Continua com o “entendimento” de que somos totalmente responsáveis por
todas as nossas emoções, todas as nossas a�ições, todos os nossos momentos de
desconforto!
Imagine uma lâmpada em uma sala. Na sala também há um sensor. Sempre
que a intensidade da luz irradiando da lâmpada for inferior a um certo nível, o
sensor disparará um alarme. Nossa consciência é como a luz, uma fonte
radiante do que muitas vezes se chama luz do espírito ou luz espiritual.
Quando a frequência – a intensidade, a vibração de nossa consciência – vai
abaixo de um certo nível, temos um sensor embutido chamado “nossos
sentimentos”, que nos indica que algo não está bem “aqui dentro”.
Infelizmente, aprendemos a ignorar nosso sensor embutido ou até mesmo a
desligá-lo.
Também pode ser comparado ao sistema de segurança de um carro. Você
não entende como funciona o sistema de segurança até obter o manual e ler as
instruções. A maioria de nós não entende como funciona o sistema sensor da
nossa consciência. Ninguém nos deu um manual e ninguém nos ensinou a
sermos conscientes de nós mesmos. Não sabemos como registrar e ler nossos
próprios sentimentos. Não conseguimos ativar nosso “sistema de sensores” nem
reconhecer as emoções que sentimos e nem saber exatamente o que está
causando essas emoções. Nosso sistema de sensores interior é a porta de
entrada para o sistema imunológico da alma, bem como sua função primária.
Geralmente, é preciso uma certa intensidade de sofrimento para que
possamos começar a tomar conhecimento do nosso “sensor de sentimentos”.
Iremos suportar nossos desconfortos o máximo que pudermos antes de
pararmos e começarmos a notar que estamos recebendo um sinal que está
apelando para que mudemos algo – o que signi�ca entender algo – dentro de
nós mesmos. Quando �nalmente começamos a perceber, em geral não há volta!
PARTE DOIS
Os 12 desconfortos da alma
Crença
Uma aceitação sem evidência de que algo existe ou é verdadeiro.
O que “pensamos” ser verdadeiro, mas não “sabemos” ser verdadeiro.
Verdade
O que é verdadeiro e verificável por experiência direta. Aquilo que
nunca muda.
Sinônimos: vericidade, realidade, fato, veracidade, fidelidade!
Assim no corpo como na alma
Há uma variedade de desconfortos da alma que todos nós “aprendemos” a
criar e sofrer. Cada um tem sua própria “crença viral” causal, seus próprios
sintomas na forma de seus próprios padrões de pensamento e seu próprio tipo
de sofrimento emocional.
A dinâmica de muitos dos desconfortos da alma é notavelmente similar às
doenças que afetam a energia do nosso corpo. Utilizei os nomes e, de fato, a
natureza de algumas das doenças físicas mais comuns como “metáforas” para
descrever os desconfortos da alma.
Alguns dirão que há uma ligação direta entre os dois, que o desconforto da
alma é a verdadeira causa das doenças do corpo. Isso agora parece ser uma
verdade óbvia. Mas isso dá muito pano pra manga! O objetivo aqui é ajudá-lo a
identi�car os vários desconfortos que você desenvolveu em si mesmo, o ser
espiritual, para que você possa tomar suas próprias medidas para restaurar o seu
bem-estar.
À medida que você for passando por cada um dos “desconfortos”,
explorando suas causas e sintomas, no �nal de cada seção, há algumas questões
para sua re�exão pessoal. Eu recomendaria que você mantivesse um diário
separado para rabiscar suas respostas às perguntas. Enquanto você começa a
despertar e ajustar sua consciência do que exatamente está acontecendo dentro
de... você! Só com a prática contínua de tal autorre�exão, ao longo de um certo
tempo, que você quebrará sua dependência das ideias e conhecimentos de
outros e começará de fato a cultivar os seus próprios.
Tudo o que você está lendo aqui aponta para o que você já conhece. Só foi
perdido temporariamente de sua consciência.
1
“Eu devo ter mais”
O desconforto do VÍCIO
O VÍCIO não é apenas uma doença que afeta o corpo e o cérebro. O VÍCIO
também é um desconforto da consciência. Os principais sintomas a serem
observados são DESEJO e ÂNSIA.
Quando você examina um desejo e o que há por trás dele, nota que a causa
subjacente é a “crença viral” na “aquisição e posse”. Você acredita que pode
adquirir e possuir. Os pensamentos que surgem incluem: “Eu quero...” “Eu
preciso conseguir...” “Eu preciso ter...” O corpo e o cérebro tendem a desejar
coisas “tangíveis”, substâncias que fornecem estímulos sensuais, físicos. Os
desejos da alma, no entanto, podem variar entre muitos “intangíveis”, do
conhecimento ao reconhecimento, da aceitação à a�rmação, do status ao
respeito. Todos sabemos que, quando não conseguimos o que queremos,
criamos emoções de desapontamento e frustração, que pertencem às famílias
da tristeza e da raiva. Estes não são momentos de felicidade, e sim, momentos
de sofrimento, momentos de desconforto!
No contexto da consciência humana, apenas o entendimento da “verdade”
pode transformar/curar o desconforto do desejo/ânsia. Somente a “verdade”
redespertada pode dominar e eliminar a “crença viral”. Crença não é verdade.
Crença é o que criamos quando perdemos a percepção do que é verdade, o
que, no contexto do nosso “ser”, signi�ca a perda de nossa “veracidade”! Neste
caso, a verdade é restaurada quando você percebe que você é consciência e não
forma, e que essa consciência, ou seja, você, não precisa adquirir nada!
Na VERDADE, eu/você/nós não precisamos adquirir nada. Nosso corpo
“precisa” de comida, roupas e abrigo, mas “eu/você/nós” não “precisamos”
obter e manter coisa alguma! Se houver uma necessidade, é a de “cuidar” do
nosso corpo, é a de “cuidar” da forma que ocupamos. No entanto, mesmo isso
não chega a ser uma necessidade, é uma responsabilidade natural.
Dependência dos outros
A maioria de nós nasce, é criado e vira adulto na crença de que precisamos
conquistar a aceitação e a aprovação dos outros, a a�rmação e validação deles.
Acreditamos que só então podemos nos sentir dignos, valiosos para os outros e
assim alcançar o sucesso na vida. Muitos de nós passaremos toda a vida
construindo nossa reputação aos olhos dos outros, acreditando que esse é o
caminho para uma vida feliz e grati�cante. Um número signi�cativo anseia
profundamente não só pela aceitação e aprovação, mas pelo aplauso dos outros,
na medida em que tenta construir uma imagem aos olhos do mundo e
conquistar fama. Estas são as crenças virais que se encontram por trás de nossas
necessidades, nossos desejos.
Quando essas aprovações e a�rmações se esgotam, e nossos desejos �cam
insatisfeitos, começamos a sentir falta de mérito. Consideramo-nos
inadequados e sem valor real. Tememos que esse fracasso em adquirir e
satisfazer nosso desejo de aprovação e reconhecimento dos outros continuará.
Assim, oscilamos entre os desconfortos do medo e da tristeza. Então, sempre
que nos encontramos no extremo oposto do que desejamos, ou seja, quando
recebemos a menor crítica ou um olhar de desaprovação �camos devastados,
acabamos raivosos e depois nos preocupamos que isso possa acontecer de novo.
No entanto, enquanto “crermos” que somos apenas uma forma física,
acreditaremos que nossa necessidade se justi�ca. O corpo tem necessidades e se
alguém acredita que é apenas corpo, como a maioria de nós aprendeu, então
acreditará: “eu tenho necessidades”. A compreensão da verdade de que “eu”, o
ser da consciência, não precisa de nada nos escapará até que hajao
entendimento da nossa “verdadeira identidade”, que é uma identidade
espiritual, que não é realmente uma identidade, é mais um estado de
“verdadeira autopercepção”.
Até que possamos nos libertar da nossa necessidade de aprovação e
aceitação pelos outros, será difícil curar o desconforto do vício. Será difícil
acabar com o desejo/ânsia pela a�rmação e validação dos outros e, para alguns,
pelo aplauso do mundo. Será difícil acabar com o sofrimento emocional que
deve acompanhar a nossa necessidade.
Tudo porque acreditamos que precisamos obter algo dos outros.
Você pode libertar o seu “eu”?
Então, a questão aqui é: você consegue estar bem consigo mesmo sem ser
aprovado, aceito e aplaudido por outros? Você consegue viver satisfeito sem
precisar saber que você tem uma grande reputação aos olhos dos outros? Você
ainda consegue permanecer tranquilo e equilibrado diante de qualquer crítica
que lhe possam fazer? Você consegue construir um relacionamento livre de
qualquer tipo de necessidade psicológica dentro desse relacionamento? Se você
conseguir responder sim a todas as questões anteriores, então você estará livre
de um dos desconfortos mais comuns da alma e não sofrerá mais.
Tudo depende do entendimento de que você não é a sua forma, que
de�nitivamente tem necessidades. Depende de seu entendimento de que VOCÊ
não é a sua IMAGEM CORPORAL, como parece que gostamos de chamá-la hoje.
Enquanto você acreditar que é apenas uma imagem corporal, nunca estará
contente, satisfeito ou feliz, simplesmente porque seu corpo nunca é tão bom
quanto o de outra pessoa e está em contínuo processo de decadência! E parece
ter um destino �xo conhecido como “morte imanente”! Não é exatamente a
receita para uma vida prazerosa.
No cerne da maioria dos caminhos da sabedoria e ensinamentos espirituais
encontra-se uma verdade fundamental que pode ser entendida por qualquer
pessoa. Você é o ser sem forma da consciência que anima a forma do seu corpo
físico. Quando você perceber isso, notará que sua “inclinação natural” não é
“obter algo” dos outros e do mundo, e sim, “dar algo” a quem quer que esteja
presente com você no momento. Se houver um desígnio maior, você pode
sentir que todos nós fomos projetados para nos doar, ou seja, para “irradiar
para o exterior”. Começará a parecer anormal tentar adquirir e possuir
qualquer coisa de qualquer um. Começará a parecer ridículo querer aquelas
coisas intangíveis como a aprovação e a aceitação dos outros. Este
“entendimento”, a compreensão de si mesmo como o ser sem forma da
consciência, requer certa introspecção e geralmente a prática de algum método
de meditação, até que ela seja devidamente restaurada à nossa consciência. É a
plataforma de lançamento para o que é muitas vezes referido como
“espiritualidade” ou viver uma vida mais espiritualizada.
Em resumo, o principal sintoma do desconforto do vício que devemos
perceber é o desejo por coisas intangíveis como a a�rmação e a validação dos
outros, a �m de sustentar nossa autoestima e uma reputação aos olhos do
mundo. O desconforto é o sentimento de “medo” de que lhe serão negados tais
coisas intangíveis e que sua reputação pode ser destruída. A “crença viral” é “eu
preciso adquirir”. O entendimento é que, enquanto o seu corpo precisa,
nós/você/eu não precisamos de nada. A verdade é que já temos tudo o que
precisamos dentro do “eu”, dentro de nossa consciência.
No entanto, um dos muitos paradoxos em um caminho espiritual
autêntico é que você não pode “saber” o que há dentro de si até doá-lo!
Respeite os outros incondicionalmente e você perceberá rapidamente sua
necessidade de ser respeitado diminuindo. Celebre os outros e notará como
você começa a gerar uma apreciação e gratidão naturais pela vida. A alegria de
viver começa a surgir de dentro de si. Isso fortalece sua resiliência quando a
vida lhe apresentar circunstâncias difíceis. Cuide dos outros e você notará
como a energia desse cuidado aumenta o sentimento de ser uma fonte de amor
para os outros. Isso naturalmente fortalece sua percepção de seu próprio valor.
Um dos principais sinais de que houve transformação e de que seus vícios
estão em declínio é quando você consegue permanecer imperturbável quando
as pessoas não o louvam, não o parabenizam, não lhe dão aprovação e podem
até mesmo ignorá-lo. Então você sabe que já não há mais vício, o hábito da
“necessidade” foi curado. Você se sente bem dentro do seu ser novamente.
Re�exão pessoal
Passe algum tempo com seu diário pessoal e contemple os três movimentos
da consciência que facilitarão seu retorno ao bem-estar.
Percepção: Identi�que as três últimas ocasiões em que conscientemente
buscou a aprovação e/ou a aceitação dos outros.
Entendimento: Por que você acha que precisava obter
aprovação/aceitação/validação?
Transformação: Imagine que você já não precise mais da
aprovação/aceitação dos outros. Como você se sentiria? Qual seria a
sensação de sua atitude e como lhe pareceria seu comportamento?
2
“Isso pertence a MIM!”
O desconforto da CEGUEIRA
Existe um desconforto da consciência que poderia ser chamado de
CEGUEIRA; não cegueira dos nossos olhos físicos, mas cegueira do nosso olho
interior, nosso terceiro olho, o olho da nossa consciência. O principal sintoma
é EMOÇÃO. Ser emotivo é o equivalente a ter areia jogada nos seus olhos físicos.
No entanto, a emoção é uma areia que lançamos em nosso próprio olho!
Observe, sempre que você se tornar emotivo, que é como se você não pudesse
enxergar (perceber) claramente, não conseguisse pensar com clareza nem tomar
decisões corretas.
Semelhante ao desconforto do vício, a “crença viral” que está causando o
sofrimento emocional é a “possessividade”! Os pensamentos que surgem
incluem: “Isso é meu...” “Isso pertence a mim...” Ou: “Eu possuo tal coisa”.
Trata-se do nosso velho amigo apego em ação novamente! Parece que poucos
têm noção de que toda emoção surge dos apegos que criamos em nossa
consciência. Só o entendimento da verdade de que nada nem ninguém é meu,
isto é, possuído por mim, pode nos libertar e assim curar o desconforto da
cegueira causada pela emoção.
O amor é perdido... temporariamente!
Quando conseguimos o que queremos num nível material, a aquisição
muitas vezes é seguida por pensamentos como “Eu amo essas coisas...” ou “Eu
amaria ter mais dessas coisas...” Esse é outro exemplo de situação em que o
verdadeiro signi�cado do amor tende a se perder. Neste caso, o amor é
confundido com desejo e apego. O amor não é desejo e não é apego. Ambos
são condicionais e egoístas. É aí também que, para a maioria de nós, “amor” é
misturado com “emoção”. A emoção surge do desejo e do apego e é
erroneamente chamada de amor. O amor e a alegria não são emoções, são os
nossos estados de consciência mais naturais quando não estamos apegados.
Mas perdemos nossa capacidade de sermos “amor” e de sermos “alegria”
quando distorcemos a energia da nossa consciência com qualquer tipo de
apego. Observe que, quando você se apega a qualquer coisa ou a alguém, isso
acabará um dia, se não imediatamente, gerando medo e tristeza; medo de perda
ou dano e tristeza quando ocorre perda inevitável. É por isso que a insegurança
rapidamente se instala depois que a novidade do apego (“isso agora é meu”)
desaparece.
Do desconforto ao conforto
“Isso é meu e eu amo” ou “Isso vai ser meu e eu amarei possuí-lo” são sinais
de que estamos confundindo amor com medo. Você pode reconhecer isso se
tornando mais consciente do que está sentindo. Re�ita um momento e perceba
por si mesmo a diferença entre “sentir-se medroso” e “sentir-se amoroso”.
Quando você sente medo, repare como você está em algum ponto no processo
de querer, obter e manter. Você está fechado. Quando você sente amor está no
processo de dar e compartilhar. Você está aberto. Infelizmente, sempre que
dizemos: “Eu amo isso...”, a respeito de qualquer coisa, geralmente signi�ca:
“Estou apegado a isso ou a alguém...”, que é o modo querer/obter/manter!O
medo é desconforto e o amor é conforto!
Sempre que dizemos, em meio às lágrimas, “perdi um ente querido”, o que
realmente queremos dizer é que “eu perdi um apego”. Tristeza é desconforto e
alegria é conforto. Mas, então, muitos vão perguntar de que forma podemos
ser alegres quando alguém morre? Talvez comemorando o tempo passado
juntos, apreciando as lembranças que o ente falecido deixou e abençoando-o,
enviando-lhe nossas felicitações pelo próximo capítulo de sua jornada!
Celebrar, apreciar e abençoar são as várias facetas do amor em ação. Quando
recorremos a essas facetas, a tristeza torna-se impossível.
Mas para a maioria de nós, isso não é fácil de enxergar, especialmente
quando nos agarramos às “crenças virais” de que a) tudo bem ter algum tipo de
apego e b) que propriedade/posse é nosso direito. Observe, quando você reage
emocionalmente a alguém ou a uma situação qualquer, a emoção que surge
dentro de você (da consciência) é sempre porque você está ligado a algo, que
pode ser uma ideia, uma imagem, uma lembrança ou uma crença. Você está se
agarrando a tal coisa e também aprisionado nela, dentro de sua mente,
consciente ou subconscientemente, por apenas um momento, uma hora, talvez
um ano ou mesmo uma vida inteira.
Reserve um momento no �nal de cada dia, re�ita sobre todos esses
“momentos emocionais” até enxergar ao que você estava apegado. Então você
poderá entender a “verdade sobre a emoção” e como o amor e a alegria
autênticos só podem ocorrer quando não há apego a nada e não há emoção! O
desapego não signi�ca que você não tenha nada nem ninguém na sua vida.
Signi�ca apenas que você muda seu relacionamento com o que ou quem quer
que seja em sua vida. Signi�ca que você entende completamente que
algo/alguém não são “meus”, eles não são eu! O relacionamento torna-se de
não apego! O que, em última instância, você percebe ser saudável e
fortalecedor, simplesmente porque, no não apego, não há dependência!
Ver e perceber por nós mesmos o que é verdadeiro dentro do universo da
nossa consciência inclui o entendimento de que nada pode ser possuído ou ser
seu. É como se intuitivamente “conhecêssemos” esta verdade quando dizemos
coisas como “O que se leva da vida é a vida que se leva” ou “caixão não tem
gaveta”. Mas adormecemos e perdemos a consciência natural dessa “verdade”.
Então, a crença aprendida, mas ilusória, da posse entra em ação. É nossa crença
de que o apego está correto e nossas tentativas de tornar coisas e pessoas
“nossas” que asseguram que a “emoção” se torne a principal moeda corrente em
quase todos os nossos relacionamentos. Nossas emoções tornam-se tão
viciantes quanto cansativas. Não é de admirar que �quemos cansados e
precisemos de pausas e feriados frequentes e tratamentos e terapias e mimos e...
bem, você conhece a história!
Estas são as formas mais comuns de apego e do consequente sofrimento da
cegueira:
Apego a uma IDEIA
Assim que você se apega a uma “ideia”, talvez até mesmo dizendo “Esta é
MINHA ideia”, quando alguém ataca ou critica essa ideia, observe como “você”
se coloca na defensiva (desconforto do medo) e talvez até mesmo ataca de volta
(desconforto da raiva). Se você não estivesse apegado à ideia, �caria mais aberto
às ideias dos outros, não perderia sua paz quando a ideia que criou não fosse
aceita por outros. Você estaria aberto para compreender as ideias dos outros e
até mesmo a aprender com elas, talvez procurando maneiras criativas de
combinar ideias.
Apego a uma IMAGEM CORPORAL ou a qualquer imagem
Se você criar uma imagem de si mesmo com base em qualquer coisa no
mundo, observe como começa a se sentir inseguro (medo). Assim que você cria
uma imagem sua na mente, não é fácil permanecer desapegado da imagem.
Todos nós aprendemos a criar imagens de nós mesmos, geralmente com base
em nossa forma como a vemos todas as manhãs no canal HD conhecido como
espelho do banheiro! Então, se alguém ri do nosso corpo ou tece comentários
negativos sobre qualquer coisa que tenha a ver com a imagem física que temos
de nós mesmos, criamos “emoção”, geralmente uma forma de tristeza, raiva ou
vergonha. Em tais momentos, somos cegados por essas emoções. Perdemos a
paz e somos incapazes de nos estender como amor. Tudo porque estamos
unidos a uma imagem que criamos de nós mesmos dentro de nós mesmos. Isso
só pode terminar quando percebemos: “Eu não sou uma imagem na minha
mente!”
Apego a uma LEMBRANÇA
Se alguém contesta ou tenta corrigir uma lembrança sua, observe como
você começa a defender sua interpretação, sua descrição detalhada do evento
(medo) e até mesmo desprezar a interpretação dos outros (raiva). Ou como
você cria tristeza em torno da lembrança, porque o momento se foi, está
perdido no passado.
Apego a uma CRENÇA
Depois, há a razão pela qual todos esses momentos de desconforto da
cegueira ocorrem para começo de conversa. Que é o seu apego às suas crenças,
tanto consciente quanto subconscientemente. É por isso que é aconselhável
não acreditar em nada que você ouça ou leia, e sim, olhar dentro de si, enxergar
e conhecer a si mesmo. A maneira de fazer isso é incluir algumas práticas
espirituais em sua vida, como meditação e contemplação.
Em todos os exemplos acima, estamos pensando em nós mesmos. “Minha
ideia, minha imagem, minha lembrança, minhas crenças!” É como se
estivéssemos tentando adquirir e manter a posse exclusiva. Essa crença no
“meu” é a raiz de todas as emoções que nos cegam momentaneamente. Para
alguns, não é tão momentâneo, está mais para todos os dias de suas vidas!
Certamente foi para mim, durante muito tempo.
A EMOÇÃO é o desconforto da consciência mais comum
Esta é uma declaração ousada sobre a qual tenho certeza de que muitos
estariam intensamente em desacordo. Mas antes que você também discorde (!),
permita-me recomendar que você se certi�que de que sabe o que “quer dizer”
quando usa a palavra “emoção”. Na verdade, quase todos os que encontro nas
o�cinas e nos retiros que ministro sobre este tema não têm uma noção clara do
que querem dizer quando usam a palavra “emoção”. Não estou dizendo que
eles estejam errados, nós simplesmente não conseguimos de�nir claramente a
emoção, provavelmente porque isso não faz parte de nossa educação formal ou
informal. “O que é emoção?” Não é exatamente uma pergunta que os
professores fazem para sua turma ou o que as famílias discutem à mesa de
jantar. E isso vem antes de tentarmos de�nir o signi�cado de “sentir”, e então
tentar desenredar as duas coisas!
Mas por que essa é uma área tão cinzenta para muitos? Por três razões: a)
falta de percepção do que estamos sentindo exatamente em determinado
momento, já que ninguém nos ensina a identi�car nossos sentimentos; b)
ignorância da verdade de que somos 100% responsáveis pelo que sentimos; c)
crença de que somos apenas um corpo, o que coloca então a emoção no campo
de uma função cerebral com sua consequente sensação corporal, sobre a qual
podemos fazer muito pouco. Mas as emoções não se originam no cérebro, elas
se originam na consciência, no “eu”, no “eu” que diz “eu sou”. Elas têm um
efeito no cérebro com certeza. Mas nós não somos vítimas de uma função
cerebral e dá para saber disso no momento em que você começa a reparar
quando, onde e como você cria suas emoções, ou seja, suas tristezas, angústias e
medos!
Se realmente entendêssemos que somos plenamente responsáveis por
nossas emoções e sentimentos, seríamos muito mais vigilantes e aprenderíamos
rapidamente a escolher e conscientemente gerar nossos sentimentos. (Existe
uma descrição completa deste processo em meu livro anterior: e 7 Myths
About Love... Actually! [Em língua portuguesa: Os 7 mitos sobre o amor – Uma
viagem da mente ao fundo da alma. São Paulo: Integrare, 2011].)
Por favor, não interprete mal, eu NÃO estou dizendo que emoção é errada
ou ruim. NÃO estou dizendo que nunca devemos ser emotivos. A emoção é um
sinal de que estamos sofrendo e a causa é sempre apego a uma
opinião/imagem/ideia.A emoção é uma mensagem vital, uma espécie de
“mensagem de texto interior” para nós mesmos de que estamos cometendo
algum tipo de erro em nossa consciência.
Você consegue enxergar?
Veja se você é capaz de enxergar essa dinâmica dentro de sua consciência,
dentro de si mesmo. Encontre um canto quieto e re�ita sobre a última vez que
você �cou chateado (emotivo). Quem criou o aborrecimento? Qual era a
imagem/ideia/opinião à qual você estava apegado em sua mente? Qual foi a
emoção exata que você criou e sentiu – nomeie?
À medida que você começa a ver e a nomear aquelas “emoções que você
sente” em sua consciência, começa a desenvolver a linguagem que o torna
“emocionalmente alfabetizado”. Lembre-se, não é que a emoção seja ruim ou
que você nunca deve se tornar emotivo. Isso não vai acontecer... da noite para o
dia! São crenças como essa que nos impedem de enxergar como e por que
estamos criando as emoções para começo de conversa. Somente quando você
“enxergar por si mesmo” é que poderá, conseguirá naturalmente... parar com
isso!
Em essência, o principal sintoma do desconforto da cegueira é a emoção.
Quando você estiver emotivo, perceba a natureza exata do desconforto.
Nomeie a emoção e, enquanto o faz, você construirá seu vocabulário
emocional e ajustará sua consciência. A “crença viral” que está causando o
desconforto e que todos nós absorvemos enquanto crescemos para nossa vida
adulta é: “Isso é meu” ou “Isso será meu” ou “Isso deve ser meu”. É a crença de
que realmente possuímos... coisas! O entendimento da verdade é: “Nada é
meu... nunca”. A “verdade” é que tudo vem e vai, incluindo pessoas, objetos,
dinheiro, pensamentos, sentimentos etc. Mas há uma coisa, que não é uma
coisa, que nunca vem e vai. Está sempre presente. Mas não é “algo”, não é uma
coisa! É o “eu” que diz: “Eu sou!” E é isso que você é, você não é uma coisa!
Enxergue isso, entenda isso e você estará livre. Você não será mais possuído
pela ilusão de possuir bens! A transformação é vista pela ausência de emoção,
já que você não chora mais quando algo o deixa, você não teme mais que
alguém o deixe e você não se irrita, pois não há quem culpar quando você não
tem nada a perder! E agora você tem a capacidade de acolher e abraçar tudo e
todos, sem segurá-los de forma alguma. Às vezes, nós chamamos isso de amor!
Observe como, quando você está nesse estado de ser que chamamos de amor
ou “estar amando”, há uma ausência total de emoção!
Percepção: Quais são as dez coisas mais preciosas que você acredita que
pertencem a você?
Entendimento: Qual dessas coisas você realmente possui, que você poderia
a�rmar de todo coração que é “meu”?
Transformação: Como você se sentiria “imediatamente” depois de cada
uma dessas coisas ser tirada de você? O que você acabaria sentindo...
“a�nal”?
3
“Perdi algo muito importante”
O desconforto do CORAÇÃO
Existe um desconforto do nosso coração; não o coração do nosso corpo,
mas o coração da nossa consciência, o coração do nosso ser, o nosso coração
espiritual. Conhecemos esse desconforto como a emoção especí�ca da
TRISTEZA. Às vezes, referimo-nos a isso como um sentimento de peso no
coração quando dizemos: “Eles de�nitivamente pareciam estar com o coração
pesado”. A “crença viral” que se esconde por trás dessa emoção particular e,
portanto, causa toda a tristeza, é: “Eu perdi algo/alguém”. Essa é uma das mais
predominantes “crenças virais” com as quais frequentemente “infectamos” uns
aos outros, mais ou menos da mesma forma que espalhamos o vírus da gripe
por todo o escritório! A tristeza se alastra através de nossas conversas quando
nos “identi�camos” com a perda aparente de outra pessoa e geramos pesar por
ela.
Sendo a tristeza e o pesar moeda corrente em nossos relacionamentos, eles
também são “encarados” como naturais. É difícil entender que eles são uma
forma de sofrimento e, portanto, eventos “não naturais” dentro de nossa
consciência.
De volta à realidade!
Voltemos ao território “do que é real” por um momento; em essência, há
duas realidades na vida. A primeira é o mundo físico que nos rodeia, que está
sempre mudando. Isso inclui a forma física que ocupamos. A segunda realidade
é o mundo dentro de nós, dentro de nossa consciência, que é o nosso eu. Nessa
realidade, enquanto os pensamentos e os sentimentos mudam, há um espaço
interno que nunca muda. É o núcleo calmo e silencioso de seu ser. O “eu” que
diz “Eu sou” é como o centro de uma roda, na qual em certo ponto há uma
parte dela que nunca se movimenta. Todo o restante se movimenta à sua volta.
Isso signi�ca que tudo “na vida” gira em torno do centro imutável, imóvel e
sempre tranquilo que é o “eu”. Você! Separe um momento para re�etir e veja se
você consegue acalmar os seus pensamentos por apenas... um momento.
Permita que o seu “eu” perceba nada além do seu “eu” estando consciente.
Perceba a serenidade, o silêncio, que é você! O tranquilo, imóvel, imutável...
você.
No meio dessas duas realidades, entre a realidade do “ser” (centrado) e a
realidade do “fazer” algo no mundo (ação longe do centro), temos o que
chamamos de mente. A mente é a interface entre o ser e o fazer. Embora sua
mente esteja dentro da sua consciência, dentro do “eu”, você não é a sua mente!
A mente é como uma janela e uma tela. Através da janela da mente você traz o
mundo lá fora para “aqui dentro”... por assim dizer. Ao mesmo tempo, você
pode usar a sua mente como um quadro, como uma tela, na qual cria imagens,
ideias, conceitos etc. Pela janela da sua mente você então projeta o que você
cria em sua mente “aqui dentro” para o enorme e vasto mundo “lá fora”.
Separe outro momento e veja se você consegue perceber esse processo ou
dinâmica.
Todos nós temos a tendência de cometer um erro fundamental. Nós
“confundimos” a realidade secundária do mundo físico sempre em mudança
que trazemos à nossa consciência por meio da nossa mente com a realidade
primária do nosso eu. Aprendemos a “acreditar” que a única realidade é a que
está “lá fora” nas ações e interações de todos os dramas que acontecem ao nosso
redor, local e globalmente. Como consequência, muitos de nós nunca
saberemos realmente, nunca compreenderemos realmente, portanto, a
realidade primária do nosso próprio ser. Como consequência, permitimos que
o mundo “lá fora” molde, de�na e controle nosso estado de ser “aqui dentro”.
Daí o sentimento frequente que muitos de nós temos de estar “à mercê” de
eventos de mudança, de sermos afetados pelos comportamentos das outras
pessoas, de sermos perturbados pelas emoções dos outros, de �carmos
profundamente comovidos pelo �lme. Nós permitimos que a realidade
secundária “lá fora” subjugue a nós, o “eu”, a realidade primária, “aqui dentro”.
A “crença viral” mais profunda que nos mantém presos e erroneamente
acreditando que “o exterior” é a realidade primária é: “Eu mesmo sou apenas
uma forma física”. Como diz o velho ditado: “Quando tudo o que você tem é
um martelo, então todo problema parece um prego”. Quando você apenas
acredita, vê e pensa em si mesmo como uma forma física, então tudo que você
tende a perceber, “valorizar” e querer são as coisas materiais/físicas que você vê
continuamente movimentando-se ao seu redor. Mas no momento em que você
desperta e torna-se consciente do seu “eu” como a própria “consciência”, no
momento em que você toca e saboreia esse estado de percepção calma e
silenciosa dentro de você, esse é o momento em que você corrige a sua
compreensão da realidade e restaura a percepção da realidade primária, que é o
universo da sua própria consciência.
Interior e exterior
À medida que você começa a se tornar mais consciente do que está
acontecendo dentro de sua consciência, na sua mente, você claramente
diferencia as duas realidades – a interior e a exterior. É quando você começa a
enxergar as “conexões” entre o interior e o exterior, entre consciência e forma,
entre suas decisões tomadas na consciência hoje e seu destino produzido no
mundo amanhã,entre você e o seu corpo. Em tais momentos, você está
despertando para a realidade primária do seu ser. É também o momento em
que você começa a curar todos esses desconfortos da alma/do espírito/do “eu”.
As crenças virais por trás desses desconfortos são vistas pelo que elas são, apenas
crenças absorvidas da realidade secundária, do próprio mundo “lá fora”.
Contra a luz da verdade entendida de que você é espírito e não forma, essas
crenças programadas são percebidas pelo que são: ilusões. São ilusões reluzentes
que passam através de você. Elas perdem o poder sobre você quando você para
de “acreditar” e entende o que é verdade. No caso do peso no coração de um
indivíduo, existe o entendimento de que nada na realidade secundária (o
mundo lá fora) pode ser possuído pela realidade primária (você aqui dentro),
então, nada nunca pode ser perdido. Não mais perder signi�ca não mais sofrer!
Olhe atentamente
Passamos por muitos momentos de tristeza em nossas vidas, sem nos
darmos conta de que estamos criando o desconforto da tristeza para nós
mesmos. Quando a tristeza torna-se um hábito e muitos momentos de tristeza
acumulam-se em nossa memória, a depressão não está longe. Portanto, a
percepção da presença da tristeza dentro de nossa consciência é o primeiro
passo para curar o desconforto de um coração pesado. Examine a emoção de
tristeza que você sente e você sempre entenderá que a causa é a “crença viral”
de que você acabou de perder alguma coisa/pessoa/reputação/oportunidade etc.
Continue examinando introspectivamente até você perceber que, na realidade,
você nunca possuiu nenhuma dessas coisas para começo de conversa. Permita
que a percepção dessa “verdade” transforme o peso da sua tristeza na leveza de
ser. Observe o seu sorriso e a sua risada retornarem à sua consciência,
atravessando-a e irradiando dela. Isso então resultará num sorriso na realidade
secundária do seu rosto!
Vamos nos aprofundar mais.
Crie outro momento
Sente-se, relaxe e separe um momento para observar o mundo rodar.
Perceba como ele facilmente segue em frente com todo o seu movimento e
mudanças... sem você!
Fique imóvel e repare como você é essa serenidade no centro. Apenas
analisando... observando... sendo.
Pratique esse estado interior sozinho e, aos poucos, você começará a
ressuscitar a sua percepção de que a realidade primária da vida é o que está
ocorrendo na sua consciência, dentro de você, neste exato momento.
Você começará a notar que todos os movimentos e as mudanças em tudo
“lá fora” estão realmente acontecendo dentro da realidade primária de você
“aqui dentro”, na tela da sua mente.
Veja bem, não mergulhe na sua mente. Apenas ASSISTA ao que está
acontecendo nela.
O �lme chamado “A vida no mundo lá fora” está acontecendo na tela de
sua mente “aqui dentro”!
Está passando agora no cinema da sua consciência e você é a plateia.
Repare, enquanto você assiste, quão profundamente calmo e pací�co você
se sente.
Note a ausência de todas as emoções, mas a presença de uma alegria
silenciosa, uma profunda valorização e gratidão que naturalmente abraça “aqui
dentro” seja lá o que estiver acontecendo “lá fora”!
Fique consciente de como tudo e todos estão apenas viajando. Não por
meio do aeroporto, mas por meio da sua consciência enquanto eles passam por
VOCÊ!
Repare como você está consciente de que você nunca passa, você está
sempre... lá!
Nem mesmo lá, mas... aqui!
Veja se você consegue perceber que o que antes você acreditava estar “lá
fora” está, na verdade, agora aqui!
Sente-se... relaxe... observe... veja... entenda... saiba... seja.
Re�exões para o seu diário
Percepção: Como você ajudaria outra pessoa a perceber que estar triste e
pesaroso não é natural?
Entendimento: Qual verdade você gostaria de fazer outra pessoa entender
que a ajudaria a não criar e sentir pesar depois de ela acreditar que perdeu
algo importante?
Transformação: Como você pode demonstrar aos outros que eles podem
escolher não sofrer quando acreditam que algo ou alguém foi perdido?
4
“Algo terrível está prestes a acontecer”
O desconforto da PARALISIA
Há um desconforto da consciência que é conhecido como PARALISIA. O
sintoma primário é o MEDO. É a emoção do medo que paralisa nossa
consciência como o proverbial coelho que é iluminado subitamente pelos faróis
do carro. O medo nos vem sob muitos matizes, da ansiedade ao pânico, da
tensão à preocupação, da insegurança ao terror abjeto! Temos a tendência de
não prestarmos muita atenção à sua presença, pois é um companheiro de longa
data na vida da maioria de nós. Aprendemos a viver com tal emoção até que ela
domine a nossa vida e talvez mesmo nos leve a algum tipo de doença física.
O medo também estimula uma certa substância química viciante em nosso
corpo chamada adrenalina. Tamanha é a nossa incoerência que vamos assistir a
um �lme de terror e pagamos a alguém para nos deixar de cabelo em pé de
susto para relaxarmos! O medo, como a adrenalina, é viciante. Ironicamente,
isso signi�ca que o estresse é viciante. Portanto, não é de admirar que, quando
se mostram formas de eliminar o estresse às pessoas, muitas vezes elas
respondem algo como: “Bem, o estresse é uma parte natural da minha vida;
por isso, acho que tudo bem. Todo mundo tem estresse; então, deve ser da
natureza humana”. Que são formas de dizer “Na verdade, eu não quero mudar,
sou viciado no meu estresse!”
Observe como a tristeza se baseia sempre na “crença” de que alguma coisa
no passado foi perdida e o medo é sempre uma “crença” da perda por vir, que é
projetada em um futuro imaginado.
Todas as formas de medo provêm da mesma “crença viral” que é: “Estou
prestes a perder algo”. Esse “algo” pode ser desde objetos tangíveis à reputação
pessoal, desde uma oportunidade à aprovação de alguém, desde outra pessoa a
uma posição no trabalho. Nós também “tememos” em nome de outrem.
Imaginamos que vão perder algo, então �camos assustados por eles. Podemos
até sofrer mais do que eles próprios. No entanto, como expusemos
anteriormente, muitos de nós crescemos com essa “crença viral” que diz que
nos preocupar com os outros é uma forma de mostrar que nos importamos
com eles.
É fácil dizer e tenho incentivado você a entender o que alguns chamam de
“verdade eterna” e que soa mais ou menos assim: “Não tenho nada a perder
porque, em última análise, nada é meu”. Mas é difícil de pô-la em prática
depois de uma vida inteira de assimilação e a�rmação da “crença viral”: “tenho
tudo a perder porque tudo o que tenho é meu”.
Falsa sensação de segurança
Talvez, em primeiro lugar, precisemos perguntar por que queremos possuir
ou conquistar qualquer coisa. Normalmente, é porque tudo o que acreditamos
possuir “parece” nos proporcionar uma sensação de estabilidade, segurança e
status. Parece oferecer a sensação de certo controle em um mundo que está em
constante mudança. Com efeito, estamos externalizando nosso senso de
estabilidade e segurança, e investindo-os em um mundo instável e mutável
sobre o qual não temos nenhum controle. Tão adormecidos estamos que não
percebemos que depositando nossa estabilidade, segurança e senso de
independência em qualquer pessoa ou coisa externa a nós mesmos é criar
sentimentos de... instabilidade e insegurança! Imagine que você não possui
coisa alguma nem ninguém! Sim, há a casa, o carro, o trabalho, as roupas, o
guarda-roupa, as fotos, os parceiros e até mesmo os �lhos. Seria possível
entender que “eles” NÃO são meus? Eles de fato não pertencem a mim! Todos
entram em nossa vida por algum motivo. Alguns para nos ensinar algo, alguns
para nos dar a oportunidade de nos doarmos, alguns simplesmente para uso
funcional, alguns por conveniência, alguns para que possamos criar junto com
eles outras pessoas. Mas nenhum é, em última análise, “meu”. Se você puder se
afastar de TODOS eles, por um momento, poderá ter um vislumbre de uma
verdade básica que lembra que todas as coisas “lá fora” são apenas “pacotes de
energia” entrando esaindo da existência já que a energia está mudando
constantemente suas muitas formas! É da natureza de toda a energia na
realidade material lá fora mudar constantemente sua forma, localização e
relacionamento para com todas as outras formas.
Companheiro ou controlador?
Até nossos �lhos não são “MEUS �lhos”. Eles são seres humanos em sua
própria jornada única pela da vida. Temos o privilégio e a honra de poder
ajudá-los no caminho; como guia, treinador, talvez um companheiro, às vezes
um conselheiro, às vezes um professor, e às vezes sendo apenas um amigo. Eles
nos dão a oportunidade de desempenhar todos esses papéis e, enquanto o
fazemos, aprendemos, crescemos e nos tornamos mais sábios. No processo, eles
nos dão a chance de mostrar, dar e conhecer o que nós mesmos temos dentro
de nós. Infelizmente, muitos pais não conseguem ver isso. São inclinados a
enxergar apenas um papel, que é o de “controlador supremo”! Por quê? Por
causa de uma “crença viral”! Eu tenho que controlar o que acredito ser meu,
MEUS �lhos. Então, usamos outra “crença viral” para justi�car nossa tentativa
de controle quando dizemos: “Mas é para o seu próprio bem!” De repente, os
pais se tornam tiranos em meio período e, portanto, mestres das práticas e
procedimentos da tirania!
Você pode perder a sua vida?
A única maneira de nos livrarmos do medo da perda é a mesma de nos
livrarmos do pesar do coração pela tristeza. É entender que não há
absolutamente nada a perder porque nada nunca foi nosso/seu/meu! Então,
alguns dizem: “Mas e se eu perder minha vida? Certamente, isso é uma coisa
que posso perder”. Aqui está talvez a verdade mais profunda que, uma vez
entendida, permitirá que você ande sem medo em todos os lugares e para
sempre. É assim; a vida é o que você é. Você ocupa e anima seu corpo, trazendo-o
à vida. Seu corpo um dia terá que partir, com certeza, mas isso não é o mesmo que
perder a vida porque você é a vida e você jamais pode se perder! Aí está um tema
para uma meditação e tanto!
O �m da história
A “história” da vida que você está criando através de seu corpo, ou seja, sua
história de vida, pode chegar ao �m. Mas isso é apenas uma história “na vida”,
não é a própria vida. São simplesmente lembranças que você junta e vai
encadeando ao longo do caminho, e “você” não é uma cadeia de lembranças!
Você é a própria vida e você jamais poderia se perder. Você já se perdeu? O “eu”
é a única coisa que nunca vai a lugar nenhum!
Agora, alguns dirão que não existe o “eu”. Ok, vamos enveredar por este
caminho por um momento. Quem é que está se referindo à “própria
identidade” como a “si mesmo”? Há alguém ali, certo? Tudo bem, não vamos
chamá-lo de “si mesmo”, vamos chamá-lo de consciência ou isso que está
consciente de ser consciente. Isso somos eu/você ou simplesmente “eu”. Isso é
vida. Essa centelha de consciência pura às vezes é chamada de alma, espírito ou
apenas consciência. Mas, seja qual for a palavra que usemos, a palavra em si
não é o “isso”! A palavra não é o “eu”! A palavra é sempre inadequada. Apenas
tome consciência de que você está consciente, tome consciência de que você é
“vivacidade”, de que você é a vida... em si! Você consegue agarrar o seu “eu”?
Não. “Você” consegue agarrar a vida da mesma forma como a sua mão
consegue agarrar e segurar um objeto, ou sua mente consegue reter uma ideia?
Não! Então, se “você” não consegue agarrar a vida você não pode perder a vida!
Quando falamos sobre perder nossa vida, ao que realmente estamos nos
referindo são as condições da nossa vida, incluindo nosso estilo de vida, que é o
que criamos, o que “conhecemos” e no que nos apegamos. Sim, nossa história
sobre nossa vida e todas as suas condições materiais chegará ao �m. E porque
estamos apegados às lembranças que compõem o que chamamos de “minha
história” e estamos apegados a todas as imagens de todas as coisas e pessoas
dentro da “minha história” nos identi�camos com ela. Histórias e os diferentes
componentes dentro das histórias têm um �m; por isso, surge o medo. Mas
você não tem ideia se “você”, o criador da história, vai acabar!
Vamos supor que EXISTE um �m para você. O que acontece no “�m” é uma
completa incógnita. E você não pode ter medo do que você não conhece. É
irracional e ilógico. É por isso que todo medo se baseia em perder o que você
crê que já conhece ou tem. Mas o que você tem são apenas lembranças e você
não é uma lembrança! Você é... você!
Morrendo para viver
Apegar-se a qualquer coisa ou a qualquer pessoa, qualquer história,
incluindo a nossa ou outras histórias, é não viver por inteiro. Na verdade, é
uma forma de suprimir a nossa energia de vida, nosso “eu”. Como vimos
anteriormente, quando nos tornamos apegados a qualquer coisa, �camos
presos à ideia ou à imagem da coisa em nossa própria mente. Nós nos
tornamos pequenos e limitados quando nos de�nimos por essas ideias e
imagens pequenas e limitadas que saem da nossa memória. Comparadas a
VOCÊ, até mesmo ideias e imagens grandes são pequenas! Como consequência
do apego, os desconfortos da tristeza e do medo aparecem. Para vivermos e
estarmos plenamente vivos, precisamos ser totalmente livres; por isso, é
necessário matarmos nossos apegos todos os dias. Não literalmente, claro;
matar signi�ca quebrar o apego, libertar-nos do nosso apego ou não nos
apegarmos, às vezes descrito como “deixar pra trás”. Mas porque estivemos
formando nosso senso de vida e vivendo dos nossos apegos, da nossa história,
parece que estamos nos matando sempre que pensamos em “deixar pra trás”...
qualquer coisa!
A causa raiz do desconforto seguido de doença
Isso signi�ca que toda vez que nos apegamos, e nos identi�camos com o
que não somos, estamos cometendo uma espécie de suicídio espiritual. A fonte
do desconforto da consciência que chamamos de estresse é sempre o apego e
identi�cação errônea. Esta é a causa de todos os nossos medos e angústias e
agora sabemos que são essas emoções que, ao longo do tempo, também têm
um impacto prejudicial sobre a saúde de nossos corpos. Quando criamos tais
desconfortos e sabotamos o bem-estar do nosso ser, não só criamos nossa
própria infelicidade, mas também afetamos a nossa saúde física ao desencadear
doenças em nossos corpos. Este é o “efeito psicossomático”. Portanto, a raiz dos
desconfortos da alma e das doenças do corpo é nosso apego às “crenças virais”
de que a) perda é possível e b) posse é possível. Essas “crenças virais” raramente
são diagnosticadas na viagem de volta à boa saúde e ao bem-estar do ser.
Viver é morrer e morrer é viver!
Os corpos que ocupamos são nossas habitações. Nosso corpo é nosso Rolls
Royce®! São criações requintadas e e�cientes que nos permitem conduzir nossa
vida e nos conectar e criar junto com os outros. É um meio que nos dá a
oportunidade de expressar – pressionar para fora – os atributos e a beleza do
nosso ser. Cuidar do nosso corpo é ter o relacionamento certo com o nosso
corpo.
Dá para você perceber pelo seu corpo que ele, enquanto vive, está
morrendo. Todos somos animadores de uma forma material que está em
constante processo de decadência física. Isso se chama envelhecimento com um
destino chamado morte! Então, se você estiver apegado e identi�cado com o
corpo que ocupa, então irá “acreditar” que “estou envelhecendo” e que “vou
morrer”. Por isso, é fácil passar a vida inteira em algum estado de ansiedade!
Mas é verdade? Você morre? O júri cientí�co está fora dessa porque é
impossível para a ciência provar que o “eu”, como uma entidade consciente,
como energia espiritual, existe separado do corpo. Há muita evidência informal
na forma de experiências “fora do corpo” ou de “quase-morte”. Há muitas
pessoas que acreditam ter tido vidas passadas. Há aqueles que passaram por
hipnose em terapia de regressão para recordar vidas passadas. E há milhões que
“sentem intuitivamente” que este não é seu primeiro “veículo” de quatro
membros e que a morte é apenas uma passagem para outra vida, uma transição
oportunapara um novo modelo! Nesse quesito, a decisão é individual, cada um
é cada um.
A liberdade mais profunda
O que parece ajudar essa decisão, especialmente se estamos no campo da
incerteza, é o aprendizado e a prática da meditação e da contemplação. Isso
permite a você enxergar e conhecer, sentir e perceber seu “EU”, sem todas as
histórias, sem todos os apegos e dependências, sem a bagagem de todas as
crenças hereditárias. Permite que você acesse e sinta um nível mais profundo
dentro de si, em sua consciência. Um nível onde você não está apegado a nada
e a ninguém. Onde você não tem lembranças e onde conhece a liberdade mais
profunda e a maior alegria. Você não pode “imaginá-lo”, você só pode acessá-
lo, estar nele e depois conhecê-lo. Só então a ideia de morrer pode perder seu
sentido de conclusão e talvez até sua realidade!
O estado mais elevado
É só quando você chega ao topo de uma montanha que consegue ver toda
a paisagem lá embaixo em uma imagem nítida. É como se você visse o quadro
geral e sentisse ser o mestre de tudo aquilo diante de você. Da mesma forma, é
somente quando você acessa e conhece o estado de consciência mais profundo
– ou, melhor dizendo, o mais elevado –, em que você não está apegado a nada,
não depende de ninguém, não tem qualquer tipo de necessidade, e é um
espírito verdadeiramente livre, que você enxerga claramente como todos os
apegos nos níveis inferiores da consciência são as causas de todos os seus
medos, todos os seus momentos de paralisia interior. Uma vez que você tenha
experimentado isso, não apenas terá uma nova visão de si mesmo, como
também restaurará a sua força interior para não ser afetado pelas idas e vindas
de todas as coisas às quais você antes se agarrava desesperadamente. Em vez de
se sentir impotente para lidar com eventos e circunstâncias adversos, em vez de
se sentir desanimado com a ideia de um destino inevitável, você volta a contar
com sua força.
Em resumo, perceba qualquer tipo de medo que surja em sua consciência,
em você. Examine-o e veja se você consegue enxergar a “crença viral” por trás
dele. Você notará que acredita que está prestes a perder algo ou alguém no
futuro próximo ou distante. Você notará que está usando sua imaginação de
forma inadequada, ao criar um �lme na tela de sua mente onde você está sendo
catastró�co e desse modo se apavorando. Fique calmo enquanto assiste, e veja
se você consegue enxergar por trás das imagens e dos sentimentos de sua futura
e imaginada perda catastró�ca. Veja se você consegue enxergar uma verdade
mais profunda, a de que você não possui o que acredita que pode perder! São
apenas adereços nos milhões de cenas da história de sua vida. Não é seu para
que possa possuí-lo. E você não pode perder uma coisa que não possui. “Na
realidade”, você não tem nada. Quando você entende isso, então, o “falso
senso de si”, que foi o resultado da identi�cação com o que você pensou ser
“meu”, está morto. O falso “você”, talvez muitas versões falsas de você que
estavam sugando sua energia vital, acabaram de morrer. Mas VOCÊ está agora
vivo por inteiro. E quando não há mais falsos eus para sustentar, então, e
somente então, você pode começar a viver completamente e sem medo.
Para a maioria de nós, a vida é vivida entre muitas formas de medo,
incluindo ansiedade, tensão, preocupação e momentos de completo pânico.
Deixar o “falso eu” morrer para que você possa começar a viver é a libertação
de todos esses medos. Sua transformação é “conhecida e sentida” apenas por si
mesmo, mas é testemunhada e experimentada pelos outros, pois eles passam a
receber uma qualidade de energia muito diferente de você. Você sente uma
liberdade interior altamente estimulante e eles veem e sentem a presença de um
espírito livre se elevando.
Re�exões para o seu diário
Percepção: Anote todas as coisas que você acredita que perderá no futuro.
Como você vai se sentir quando elas tiverem ido? Quanto tempo demorará
para se recuperar desses sentimentos? (Elabore uma lista e faça uma
estimativa para cada uma delas.)
Entendimento: Como você pode garantir que, quando chegar a hora de
você se separar de tudo o que há na sua vida, você não sofrerá?
Transformação: Como você se sentiria e o que faria de forma diferente se
entendesse que, na realidade, você não pode perder coisa alguma?
5
“Eles deveriam fazer o que eu quero”
O desconforto da INSANIDADE
Há um desconforto da consciência que conhecemos como INSANIDADE;
não é o tipo de insanidade de�nida pelo universo psiquiátrico que nos faria ser
“internados”. É o tipo de insanidade “comum”. Uma insanidade popular! O
sintoma primário é a RAIVA em uma de suas várias formas. É o ardor emocional
que incita a nossa visão das coisas e lança nossos pensamentos em uma corrida
alucinada em nossa mente enquanto buscamos por justiça ou vingança.
Essencialmente, a raiva surge da “crença viral” de que podemos mudar ou
controlar as duas coisas na vida que nunca podem ser mudadas e sobre as quais
não temos controle, ou seja, o passado e as outras pessoas. Os pensamentos que
se manifestam são do tipo: “Eu não estou conseguindo o que eu quero...” “Eles
não estão fazendo o que eu quero...” “Eles deveriam fazer o que eu quero...”
“Eu deveria ter mais controle sobre eles”.
Insanidade por quê? Por três razões. Sempre que a raiva surge, signi�ca que
nós estamos fora de controle enquanto entregamos o controle de nossa
consciência ao incendiário distúrbio emocional da raiva. Em segundo lugar,
nos tornamos irracionais. Por alguns momentos, pelo menos, perdemos toda a
capacidade de pensar e decidir racionalmente. Em terceiro lugar, e a principal
razão pela qual podemos chamar a raiva de insana, é um sinal de que estamos
tentando fazer o impossível, isto é, mudar o que jamais pode ser mudado, o
passado ou as outras pessoas. Só que estamos totalmente inconscientes de que é
isso que estamos tentando fazer. Felizmente, a raiva sempre passa, assim como
todas as emoções, e no �m nós nos acalmamos. A menos que rompamos o
hábito de criar a raiva, o incêndio emocional simplesmente �cará mais quente e
mais frequente.
Comemorando nossa infelicidade
A maioria de nós tem consciência de que �camos extremamente infelizes
sempre que estamos aborrecidos. Mas a sociedade aprova a nossa irritação. De
forma um tanto perversa, nós inclusive aprendemos a celebrar esses momentos
de infeliz irritação. Então, acreditamos que está tudo bem. Mamãe e papai não
desaprovavam quando fazíamos birra, desde que passasse rapidamente! Todos
nós aprendemos a ser “entretidos” pela raiva e vingança dos outros, seja em um
�lme ou na vida real. A menos, é claro, que esteja acontecendo conosco! Então,
não contestamos a crença de que um pouco de raiva é ok!
Existem sete “crenças virais” populares em torno da raiva e suas várias
“formas” (irritação, frustração, ressentimento, fúria etc.) que infectam a nossa
consciência. Essas crenças em geral garantem que com frequência nos tornemos
insanos enquanto permanecemos completamente inconscientes de que estamos
temporariamente “fora da casinha”!
As crenças virais
1) É natural �car com raiva, então tudo bem.
2) A minha/nossa raiva pode mudar as coisas para melhor “por aqui”.
3) Não é saudável manter a sua raiva reprimida; portanto, é bom extravasá-
la.
4) É melhor expressá-la; caso contrário, como os outros saberão o que você
sente?
5) São “eles” que estão me deixando com raiva.
6) Eu “preciso” �car com raiva de vez em quando, já que ela me motiva a
agir.
7) A raiva é uma forma de resolver as coisas, é uma maneira de motivar os
outros (diz o pai/supervisor preguiçoso).
Pandemia emocional
Essas crenças são realmente verdadeiras? Até que a verdade seja entendida, a
nossa insanidade aumentará à medida que continuamos a criar essa emoção
que nos cega ao longo de um espectro que vai desde um mau-humor em fogo
lento até uma ira vulcânica!
Essas crenças são globais e é por isso que a raiva, em todas as suas formas,
podeser classi�cada como uma “pandemia emocional”. Todos os dias surgem
notícias de novos surtos, e as mortes de centenas e, às vezes, milhares de pessoas
pelas mãos da raiva em ação. Uma multidão gritando contra o seu próprio
governo ou contra outro governo é um sinal claro de que o vírus foi ativado,
muitos foram infectados e a insanidade reina em massa.
Libertar-se dessas erupções vulcânicas autoproduzidas signi�ca não apenas
entender a verdade, mas vivê-la. Velhos hábitos são duros de serem suprimidos;
por isso, velhas formas de reagir com raiva são hábitos que não desaparecem da
noite para o dia. É bom não esperar sucesso imediato. Cada dia traz muitas
oportunidades para acordar, dissipar essas “crenças virais” e vivenciar algumas
das verdades mais poderosas em nossos relacionamentos em casa e no trabalho.
No contexto da cura do desconforto conhecido como “insanidade da alma”,
aqui estão algumas das verdades que, quando entendidas e traduzidas em
comportamento, servirão para restaurar a tranquilidade do bem-estar a um
“eu” agitado.
Da crença à verdade
1) Crença viral: É natural estar com raiva, então tudo bem. Verdade: Não,
não é “natural”. A raiva é um sinal de que você perdeu temporariamente a
consciência e a conexão com a sua “verdadeira natureza”, que é pací�ca e
amorosa.
2) Crença viral: A minha/nossa raiva pode mudar as coisas para melhor
“por aqui”. Verdade: “Por aqui” começa dentro da sua própria consciência.
A raiva é uma mudança prejudicial na consciência. Sinta você mesmo! O
equivalente físico é �ncar uma faca na perna!
3) Crença viral: Não é saudável manter a sua raiva reprimida; portanto, é
bom extravasá-la. Verdade: Não é uma boa ideia expressar-se raivosamente,
pois isso é uma forma de violência, e violência é a condição emocional por
trás de todos os con�itos e guerras.
4) Crença viral: É melhor expressá-la; caso contrário, como os outros
saberão o que você sente? Verdade: Se você continuar dizendo às pessoas o
quanto está com raiva, é provável que comecem a se comportar de certa
forma com você, a �m de não “desencadear” sua ira. Então, você está
encorajando as pessoas a temê-lo e esse medo acabará se tornando “evitar
você” ou o pensamento “O que posso fazer para desencadear sua raiva?”,
enquanto tentam ter poder sobre você.
5) Crença viral: São “eles” que estão me deixando com raiva. Verdade:
Ninguém o deixa com raiva. Somos 100% responsáveis pelo nosso estado
emocional (cf. o meu livro Don’t Get mad get wise [Em língua portuguesa:
Viva com sabedoria – Uma viagem que parte da raiva com destino à paz e
ao perdão. São Paulo: Integrare, 2010]).
6) Crença viral: Eu “preciso” �car com raiva de vez em quando, já que ela
me motiva a agir. Verdade: A raiva não é uma necessidade, é uma perda de
consciência que leva a uma perda de autocontrole. Se alguma necessidade
há é a de manter a calma. Só então você pode se conectar com os outros e
entender suas necessidades. Só então você pode responder de forma
proativa, em vez de reativa. Se você usa a raiva para se motivar, isso resulta
em a) dependência emocional/vício; b) tendência a começar
conscientemente a procurar razões para se ofender; c) infelicidade
contínua.
7) Crença viral: A raiva é uma forma de resolver as coisas, é uma maneira
de motivar os outros (diz o pai/supervisor preguiçoso). Verdade: Sim, a
maneira preguiçosa de educar e supervisionar é usar a raiva para provocar o
medo nos outros. Você pode obter o que deseja, mas simplesmente sabota
sua própria felicidade e a harmonia do relacionamento. Serão necessários
tempo e energia para reparar ambas.
A sanidade começa a retornar quando você percebe que o desconforto
desses momentos de insanidade está destruindo cada vez mais a sua “alegria de
viver”. Você também percebe que esses momentos estão sabotando os seus
relacionamentos, já que as pessoas ao seu redor se aproximam de você já na
defensiva contra suas irritações, frustrações e raiva. Mas a libertação desse
desconforto chega no momento em que você entende que pessoas e eventos
não estão aqui para dançar conforme a sua música. Eles não estão aqui para
fazer você feliz ou infeliz. Isso é trabalho seu.
Quando você entender por inteiro que só tem domínio sobre o seu próprio
mundo interior, em sua própria consciência, dentro de você, somente então
você terá se libertado de tentar controlar o incontrolável. Você terá restaurado a
força interior para gerar sua felicidade, sua alegria, sua leveza, de dentro para
fora. A felicidade é, a�nal, um “trabalho interno”! Sua transformação estará
completa quando ninguém, nenhum evento e nenhuma circunstância, local ou
globalmente, jamais “desencadear” em você a criação de raiva novamente. Você
será visto saltitando e dançando o seu caminho pela vida, metaforicamente
falando, renovado pelo entendimento de uma verdade signi�cativa: ser feliz,
conhecer o amor e estar em paz são todos estados de ser que você pode criar a
qualquer momento sem qualquer ajuda dos outros ou do mundo.
Re�exões para o seu diário
Percepção: Quando foram as três últimas ocasiões em que você sofreu o
desconforto da insanidade temporária conhecida como raiva?
Entendimento: O que você estava tentando mudar especi�camente que
era impossível mudar e que o levou a criar irritação, frustração ou um
acesso de raiva em cada uma dessas situações?
Transformação: Imagine estar nas mesmas situações novamente e não
reagir com raiva, mas responder de forma tranquila e racional. O que você
percebeu que permitiu que se comportasse de forma diferente nessas
situações especí�cas?
6
“Eu não mereço tamanha bondade”
O desconforto do DIABETES
Sim, há um desconforto que podemos chamar de “diabetes da alma”. Pelo
menos neste pequeno livro, há! Em algum momento em nossas vidas alguém
disse ou fez algo inexplicavelmente gentil e generoso para nós. Em tais
momentos, podemos ter dito: “Bondade sua, muito obrigado”. Nesse
momento, nós mesmos mudamos a vibração da nossa consciência em nossa
própria versão de um momento de profunda gratidão, entrelaçado com uma
graciosa doçura em retribuição. Embora possamos não ter notado isso no
momento, a “doce vibração” que criamos em nós mesmos em direção aos
“outros” também energizou todo o nosso ser. Em tal momento, nós mesmos
nos tornamos mais brandos, mais gentis, mais doces com... bem... com todo
mundo! Por alguns instantes, pelo menos!
Talvez tenhamos até notado que, como fomos doçura e luz em retribuição
à doçura do outro, isso trouxe consigo a sensação de que podemos ter ainda
mais da nossa própria bondade a oferecer. Talvez surgisse o pensamento: “Ué,
por que eu não posso me sentir assim com mais frequência?”
Como sabemos hoje, a doença física que conhecemos como diabetes surge
quando nosso corpo perde a capacidade de produzir a substância química que
quebra os alimentos que comemos, que são em grande parte açúcares, e depois
transfere a energia desses açúcares para dentro das células do nosso organismo,
fornecendo, assim, energia renovada para o corpo.
Quase exatamente a mesma coisa acontece em um nível espiritual, na
consciência, quando sofremos o desconforto da versão do diabetes na alma. Os
principais sintomas incluem um sentimento de retraimento, às vezes uma
espécie de fechamento ressentido ou talvez um perceptivo cinismo em relação à
presença da bondade ou doçura no outro. Isso evidencia a nossa incapacidade
de sermos abertos e aceitar a bondade, a generosidade, a doçura do outro. É
como se não pudéssemos aceitá-la, quebrá-la e absorver a energia que vem com
o reconhecimento de que “os outros estão sendo gentis comigo”. Isso é o que,
em seguida, sabota a nossa capacidade de gerar a “doçura recíproca” na forma
de gratidão em retribuição. É o nosso ato recíproco que nos dá energia, e não o
gesto de bondade ou doçura dos outros. Podemos usar o gesto deles para
alimentar o nosso ego, mas é a nossa capacidade de retornar o gesto, de gerar e
corresponder com uma energia similar,que nos dá uma injeção no braço
espiritual!
O rompimento de nossa capacidade de reciprocidade tende a acontecer
quando começamos a nos considerar tanto consciente como
subconscientemente desmerecedores ou indignos da bondade ou do amor do
outro. Alguma coisa entra no caminho e geralmente é uma das duas “crenças
virais” que soam como: “Eu não mereço a generosidade e a gratidão deles” ou
“É óbvio que eles estão sendo legais porque querem algo de mim”. Que é o
código para: “Eu não mereço uma energia tão amorosa, eu não sou digno do
amor de outra pessoa”. Em outras palavras, nós criamos e estamos carregando
uma “autoimagem sombria e/ou distorcida” ou desenvolvemos o hábito de ser
“cinicamente descon�ados” das intenções dos outros. Isso é o que mata a nossa
capacidade de assimilar e em seguida retribuir a bondade, a generosidade de
espírito, a doçura e o amor dos outros.
Exaustão espiritual
O diabético espiritual extremo não consegue aceitar o amor dos outros, o
que também signi�ca que eles não podem se doar amorosamente. A aceitação
é, a�nal, uma das primeiras formas de expressarmos o nosso amor. Isso signi�ca
que estão temporariamente incapazes de gerar a doçura, que é o amor
verdadeiro, em sua própria consciência. É como se o “eu” tivesse perdido sua
capacidade de permanecer em seu estado mais elevado, que é o próprio amor.
A energia ou vibração do amor, então, está indisponível. O resultado,
semelhante ao esgotamento do diabético físico, é uma desesperança interior,
um crescente desamparo e, certamente, a ausência de qualquer entusiasmo
verdadeiro pela vida em geral ou para estar com outros em particular. Quando
perdemos a nossa capacidade de permanecer em um estado amoroso achamos
difícil, e às vezes impossível, “doar-nos” em retribuição à energia amorosa do
outro. Como resultado, um esgotamento espiritual acaba se instalando.
Não ajuda começar a tentar “se amar”. Muitos acreditam que isso irá
remediar uma sensação de falta de amor em sua vida. Mas não vai funcionar
porque é impossível amar a si mesmo. Dizer ou ao menos pensar: “Eu me amo”
implica um sujeito e um objeto, e não há dois “eus”. É por isso que “tentar”
amar a si mesmo causa outro tipo de desconforto chamado “fragmentação”! O
amor só é “conhecido” pelo “eu” quando o “eu” tem a intenção de doar-se,
estender-se e conectar-se com os outros ou com o mundo natural. O amor é a
energia da alma, do “eu”, quando doado de forma desinteressada, isto é, sem
pensar em obter nada para si mesmo. Tentar amar a si próprio não só é
impossível, como tem uma motivação egoísta! Pensar “Eu preciso me amar”, na
verdade, é um código para “Eu preciso obter amor para mim de mim mesmo”.
O que é quase... bem... um pouco ilógico! Não há um “eu” que está separado
de “si mesmo”. Mas não fará mal algum continuar “tentando”, pelo menos
nossa atenção estará no amor e em ser amoroso!
Ondas e oceanos
Amor é apenas uma palavra que usamos para descrever a mais alta vibração
da energia do “eu”. Isso não quer dizer que não recebemos e sentimos o amor
dos outros. Mas é como a diferença entre a onda e o oceano. Nós receberemos
ondas de energia amorosa do outro. Mas elas passam, como devem passar,
como todas as ondas o fazem! A onda não é nada em comparação a um oceano,
a uma fonte ilimitada. Existe uma fonte ilimitada de amor dentro dos nossos
corações. Não o coração do nosso corpo, mas o coração da nossa alma! Você é
o seu coração, você é a alma. As palavras podem parecer diferenciar, mas, em
última análise, todas essas palavras, como alma, coração, eu, consciência,
apontam para o mesmo “eu” que diz “Eu sou”. Essa fonte interna ilimitada
poderia ser comparada a um oceano. As ondas vêm e vão, mas o oceano desse
potencial amoroso está sempre a apenas um segundo e a nenhuma distância
dentro de você. Você é ele! Mas você só pode estar consciente de ser “ele”, você
só pode estar consciente de ser uma fonte de amor, quando há um �m para a
“carência” das ondas de amor dos outros.
A chave para acessar a nossa fonte interior, o nosso oceano, se preferir, é a
intenção. Somente a precisa intenção por trás de nossas palavras e ações nos
permite acessar o nosso próprio oceano interior. Enquanto o fazemos,
enquanto nos doamos incondicionalmente, podemos até nos sentir
“oceânicos”, que é a sensação de que temos um fornecimento ilimitado de
energia para doar. Quando sentimos essa fonte ilimitada �uindo dentro de nós,
ela traz consigo uma felicidade que às vezes chamamos de êxtase. Daí a
de�nição mais simples de vida em seis palavras: paz é... amor faz... felicidade
recompensa!
Receber é dar
Mas isso não é tão fácil em um mundo onde aprendemos a acreditar que
precisamos encontrar amor, ter amor, ganhar amor, ser amado, antes mesmo
que possamos conhecer o amor. Todas essas ideias são “crenças virais” que
acabarão por causar o “diabetes da alma”, que é a incapacidade de converter os
gestos amorosos dos outros na doçura que nos energizará para sermos capazes
de retribuir com a doçura do nosso próprio amor.
Aceitar o amor de outro é um ato de amor em si mesmo, porque você está
“dando” a eles a oportunidade, a portinhola, através da qual eles podem
derramar o seu amor. É nesse momento que eles percebem sua própria doçura.
Somente em um estado verdadeiramente amoroso receber é um ato de dar.
Mas temos a tendência de sabotar esse estado com a “crença viral” de que não
podemos, não devemos, não temos de esperar para receber: temos de ir lá e
pegar de uma vez! Em suma, nós “queremos”.
Então, resumindo, é por isso que a grande maioria das pessoas no Planeta
Terra hoje sofre do desconforto conhecido como “diabetes da alma” – algumas
pessoas em alguns momentos e algumas pessoas quase o tempo todo e
provavelmente a maioria de nós a maior parte do tempo!
Da cabeça ao coração
Dietas especiais e certos medicamentos ajudam o diabético a administrar a
condição física do diabetes. Companhia de alta qualidade e a desintoxicação de
nossa consciência de todas as “drogas intangíveis” (cf. o desconforto n. 1) que
são as nossas dependências podem ajudar a alma com o que poderíamos
chamar de “diabetes espiritual”.
Estando em companhia incondicionalmente amorosa, o “diabético
espiritual” lentamente aprende a aceitar o amor dos outros, o que é o mesmo
que aprender a ser amor eles mesmos. Isso os ajuda a avançar para aquele
momento quando são capazes de restaurar sua capacidade de retribuir com o
coração e não com a cabeça. Em outras palavras, dar amor, ser amoroso e fazer
isso “intencionalmente”.
No entanto, as drogas que usamos como substituto para o amor precisarão
ser largadas. Esses substitutos são as nossas dependências. As coisas das quais
nos tornamos dependentes, sejam elas quais forem, por causa de como e do
que sentimos são drogas que estamos usando para aliviar nossa incapacidade
temporária de sermos amorosos e repletos de amor. Separe um momento e
anote todas as coisas das quais você é dependente, tanto física como
mentalmente, e você começará a enxergar quais são os seus “substitutos”. O
que você acredita atualmente que não poderia viver sem? Então, imagine viver
sem cada uma dessas dependências e, enquanto o faz, você está ensaiando sua
liberdade, você está preparando a si mesmo para retornar ao seu estado de ser
natural e amoroso. Você está se preparando para o momento em que estará
livre e aberto e transparente e disponível e se doando... novamente! Sem
desejar, querer, esperar, ansiar ou atrair nada em troca!
A cura para o desconforto espiritual do diabetes estará quase completa
quando você entender integralmente que o amor é, em última análise, o que
você é quando a “energia em você” está irradiando para fora em seu nível mais
elevado. É para fazer isso que estamos aqui. O amor é o que o “eu” que diz “Eu
sou” é, em seu estado mais elevado de ser. Quando isso é compreendido, então
“a busca” pelo amor é cancelada. O coração é curado e a transformação estará
quase completa.
Vocêpode até perceber que, quando é autenticamente amoroso para com
os outros, você está cumprindo o propósito da própria vida. Em tais
momentos, a energia da alma, o “eu”, é totalmente revitalizada, e a exaustão, a
impotência, a desesperança e a apatia se tornam lembranças desvanecidas e
conceitos extremamente estranhos!
No �m das contas, você não pode “fabricar” um gesto autenticamente
amoroso. Só é “verdadeiro” quando é espontâneo e natural. Mas enquanto não
se chega lá, não faz mal algum utilizar um pouco de fabricação! No mínimo,
isso nos desperta para um nível mais profundo de percepção de nós mesmos
enquanto exploramos e entendemos as maneiras pelas quais bloqueamos nosso
próprio coração.
Percepção: Quais são as duas pessoas, em sua vida hoje, das quais você
acha particularmente difícil receber amor, seja em que forma for; por
exemplo: doçura, gentileza, cuidado etc.?
Entendimento: Por que você acha que não é capaz de receber e retribuir o
amor delas?
Transformação: Visualize a si mesmo com a intenção de praticar alguma
forma de gentileza a cada uma delas e efetivamente o fazendo,
completamente livre do desejo de receber algo em troca. (Se, a esta altura,
surgir em sua cabeça perguntas do tipo “Qual é o objetivo disso”, isso
signi�ca que você não entendeu o objetivo!) Então, crie uma oportunidade
para colocar sua visualização em ação.
7
“Eu �z algo errado, então eu sou mau”
O desconforto de estar INCAPACITADO
Há um desconforto da consciência que faz com que nos sintamos como se
estivéssemos mental e �sicamente INCAPACITADOS. O principal sintoma é a
CULPA. A “crença viral” recorrente, que pode permanecer conosco por toda a
nossa vida, é: “Eu �z algo errado; portanto, eu sou uma pessoa má”.
Sempre que você perceber que sente culpa, examine atentamente o que está
sentindo e notará uma matriz de emoções. A culpa é uma mistura de tristeza,
raiva e medo. Três em um! Os pensamentos que surgem, que muitos de nós
conhecemos tão bem, incluem: “Eu estraguei tudo de novo”. “Eles nunca vão
me perdoar por isso”. “Como eu pude fazer algo tão ruim”. Embora ainda
possamos falar e interagir, é como se estivéssemos atro�ados, paralisados,
momentaneamente aleijados. É difícil olhar nos olhos do outro. Ficamos
cabisbaixos, olhando para o chão ou para longe. Sentimo-nos drenados de todo
o entusiasmo.
Em tais momentos, certamente não nos sentimos próximos de entender de
onde a nossa culpa realmente está vindo ou como e por que somos os criadores
dela. No entanto, o entendimento da verdade sobre a culpa é um dos processos
mais libertadores e curadores. Mas é profundo.
É questão de consciência
Em geral, reconhece-se que todo ser humano, independentemente de sua
situação ou criação, tem a consciência como seu guia interior. O que acontece
é que alguns parecem mais capazes de ouvi-la e serem guiados por ela do que
outros. A consciência é aquela capacidade embutida que nos permite perceber,
sentir e saber a coisa adequada a fazer e a coisa inadequada a ser evitada. Eu uso
os termos adequado/inadequado enquanto evito propositalmente os termos
“certo e errado”, e você entenderá a razão disso logo adiante.
A consciência aparece em quase todas as �loso�as religiosas, caminhos da
sabedoria e ensinamentos espirituais. Esse aspecto de nossa “consciência” é
geralmente reconhecido como sendo a nossa fonte de Deus, nossas intenções
virtuosas, nosso leme interior. Ela nos mantém no caminho coerente e
adequado conhecido como “ser �el a si mesmo” ou, mais precisamente, “ser seu
verdadeiro eu”. Não verdadeiro num sentido objetivo, prescritivo e absolutista.
Mas “verdadeiro” num sentido subjetivo, em que vivemos a nossa vida
momento a momento a partir de uma adequada percepção de nós mesmos
como espírito, e não forma. Quando guiados por nossa consciência, estamos
alinhados com a nossa verdade, o que de fato signi�ca nossa “verdadeira
natureza”, nossa “autenticidade”. Somos abertos, transparentes e amorosos,
apegados a nada nem ninguém, e, portanto, nossa tomada de decisão está livre
de ser distorcida pela tristeza, o medo ou a raiva. No entanto, nós hoje não
conhecemos o nosso “eu”, já que aprendemos a nos identi�car com o que não
somos; então nossa verdadeira natureza, ou seja, a nossa “autenticidade”,
encontra-se comprometida. O apego e a identi�cação errônea criam o ruído da
emoção e consequentemente �ca mais difícil ouvir e seguir a nossa consciência.
As origens da culpa
Embora usemos a palavra “consciência” de maneiras diferentes, o uso mais
comum tende a referir-se ao certo e ao errado. Quando ouvimos e somos
guiados por nossa consciência, diz-se que estamos fazendo a “coisa certa”. Por
outro lado, a “coisa errada” é vista como uma ação ou decisão que vai contra a
nossa consciência. Muitas vezes nos referimos a alguém que vive a vida com
grande honestidade e integridade como uma pessoa de “sã consciência”. Todos
nós ouvimos falar do “objetor de consciência”: uma pessoa que se recusa a
seguir cegamente os outros na guerra ou na violência. Tal indivíduo diria que a
guerra é um ato contra a “verdadeira” natureza da humanidade.
O uso mais comum é quando falamos em estar com “a consciência pesada”.
Todos nós conhecemos aquele momento de culpa quando nossa consciência
“pesa” e pensamos com nossos botões: “Eu não �z a coisa certa”. Mas, “na
verdade”, a consciência nunca carrega o peso da culpa e certamente não gera o
sentimento de culpa. É o ego que faz isso. É o ego que considera e encoraja os
julgamentos de certo e de errado. É o ego que sequestra a nossa consciência
quase todos os dias, sustentando as ilusões de certo e de errado, de bom e de
ruim. Eis aqui a razão disso.
A culpa começa cedo
Quando éramos jovens e inocentes “aprendemos” a nos tornar dependentes
da aprovação dos outros quanto a como nos vemos e sentimos a respeito de nós
mesmos. A principal fonte de aprovação geralmente eram �guras de autoridade
como pais e professores. Quando fazíamos algo “certo” a seus olhos, recebíamos
o elogio de sermos “bons”. Ao mesmo tempo, recebíamos uma onda de energia
afetuosa de “aprovação” que confundíamos com amor! Mas, então, apenas
alguns momentos depois, quando fazíamos algo “errado” a seus olhos, éramos
rotulados de “maus”. Então, nos era negada aquela onda de energia afetuosa da
qual nos havíamos tornado ligeiramente dependentes! Durante esses momentos
de formação na infância aprendemos a “acreditar” nas ideias de “certo e errado”
de outras pessoas e a associá-las de imediato e pessoalmente com “Eu sou bom”
ou “Eu sou mau”. Aprendemos que às vezes somos uma “pessoa má”, e outras
vezes uma “pessoa boa”, mas que sempre devemos tentar ser uma boa pessoa.
E, assim, quando julgavam que fazíamos algo errado e, portanto, ruim, éramos
encorajados a criar o sentimento de culpa como uma espécie de castigo e, por
conseguinte, como uma medida corretiva. Especialmente porque permitia que
os adultos sustentassem sua ilusão de que tinham a nós e o nosso estado
emocional sob seu controle!
As emoções da culpa
A dinâmica pela qual criamos a culpa é reveladora. Se você separar um
momento para examinar a culpa por sua própria experiência, notará a matriz
dessas três emoções: tristeza, raiva e medo. Como todas as emoções, elas não
são criadas pelos outros, mas por nós mesmos. Como vimos antes, a tristeza
sempre segue uma sensação de perda. A raiva é a projeção do nosso sofrimento,
sob a forma de responsabilização. E o medo é ou o temor da repetição futura
dessa perda ou o receio de ser descoberto (perda futura de
reputação/aprovação).
Então, vamos correlacionar essa matriz emocional com as ideias do bom e
mau/certo e errado. Quando éramos crianças, aprendemos a “oscilar” entre as
autoimagens de “pessoa boa” e “pessoa má”, dependendo dos julgamentos
daquela “gente grande”, na qual inocentemente acreditávamos na época.
Quando os adultos nos diziam que éramos bons, acreditávamos neles e criamos
uma ideia/imagem em nossa mente denós mesmos sendo bons. Da mesma
forma, quando nos diziam que éramos maus, criamos uma imagem sutil em
nossas mentes de sermos pessoas más. Então, quando alguém nos julga
negativamente, incluindo nós mesmos julgando-nos negativamente, temos a
tendência de renovar a autoimagem de “Eu sou uma pessoa má”. É como se a
autoimagem de “Eu sou uma pessoa boa”, que obviamente é preferida porque
vinha acompanhada de uma onda do que achávamos ser amor, fosse então
“perdida”, daí o “componente da tristeza” da culpa.
Na vida, em geral, a raiva é mais frequentemente direcionada aos outros,
mas o “componente da raiva” na culpa, em particular, normalmente é
direcionado a nós mesmos pelo que percebemos ser uma perda autoin�igida da
autoimagem de “Eu sou uma boa pessoa”. O “componente do medo” da culpa
é na maioria das vezes baseado na possibilidade de que outros descubram que
“�zemos mal” e, portanto, perderemos nossa reputação aos olhos dos outros ou
perderemos a aprovação dos outros!
Isso é tudo um jogo do ego simplesmente porque todo ego baseia-se em
uma “autoidentidade equivocada”. No caso da culpa, nossa autoidentidade é
baseada em uma imagem de “ser bom” e, quando parecemos contradizer essa
imagem com um “mau comportamento” ou mesmo com pensamentos ruins,
criamos sentimentos de culpa, uma combinação das emoções de
tristeza/raiva/medo em nós mesmos.
Sentir-se culpado é sentir-se enfraquecido e mostrar que você se sente
enfraquecido. Quando outra pessoa, na maioria das vezes um dos pais ou
supervisor, percebe isso, eles geralmente aprendem a “pressionar o botão de
certo” para induzir esse sentimento em você. Então, quando você reage “de
forma culpada”, por assim dizer, eles acreditam que sabem como ter poder
sobre você.
Mais uma vez, a verdade pode libertá-lo!
“Na verdade”, nem as imagens de “ser bom” ou “ser mau” são a verdadeira
imagem/ideia de si mesmo, simplesmente porque o “eu” nunca pode ser uma
imagem/ideia! A “bondade”, que muitas vezes é apontada como sendo a
consciência ou a verdadeira natureza inata de todo ser humano, não tem
oposto. Existem apenas “graus de alinhamento” ou desalinhamento com a
“verdade” inerente à nossa natureza. Na realidade, o “eu” verdadeiro é
“anterior” a todas as imagens mentais; portanto, anterior às “ideias” de bom e
mau e, por isso, anterior aos julgamentos de “certo” e “errado”. O verdadeiro
“eu” não tem imagem e não é uma ideia, e está além da dualidade de todos os
conceitos.
É aqui que as coisas �cam um pouco complicadas ou sutis. No universo da
consciência, não há certo e errado! É difícil enxergar isso porque estamos
profundamente condicionados a “acreditar” no certo e no errado. É como se
tivéssemos sido programados para julgar os outros e nossas próprias ações
como certas ou erradas e, portanto, boas e más. Mas as ideias de certo e de
errado são simplesmente funções de “dualidade”, que é uma condição do
mundo material externo. A própria consciência é anterior a essa dualidade.
Não há opostos na consciência. E consciência é o que somos.
Sendo cutucado para alinhar-se
Nossa “consciência” é, portanto, nossa percepção inata do que é verdadeiro,
o que, no contexto do nosso “eu”, é ser o nosso “verdadeiro eu”. Não
verdadeiro em um sentido absoluto e �loso�camente de�nível, mas verdadeiro
no sentido de que uma bússola está sempre apontando para o “verdadeiro
norte”, não importa em que lugar no mundo ela possa estar. Nossa “verdade” é
a nossa verdadeira natureza, que é pací�ca, amorosa e alegre. A consciência é a
nossa bússola e ela sempre nos aponta o nosso “verdadeiro norte”. Sua função é
nos cutucar e nos informar quando criamos pensamentos e ações que estão
desalinhados com a nossa “verdade”, desalinhados com a nossa verdadeira
natureza, que é pací�ca, amorosa e alegre. Infelizmente, in�uenciados pelas
crenças virais aqui mencionadas, adotamos o hábito de ignorar e até mesmo
suprimir as suas “cutucadas”.
Do ponto de vista puramente espiritual, a consciência é o estado eterno,
imutável e verdadeiro da energia do “eu”. É esse “núcleo calmo” do nosso ser
que permanece intocado pelo que quer que seja. Assim que usamos a nossa
energia de uma forma que contradiga ou perturbe essa vibração, ela nos envia
uma mensagem sutil. Nós, então, ou escutamos essa mensagem e permitimos
que ela nos guie de volta ao alinhamento ou nós a ignoramos e suprimimos.
Como o carpinteiro que vai contra o veio da madeira, nós imediatamente
percebemos como é mais difícil moldá-la e como ela se torna mais áspera como
resultado. Quando vamos contra o veio da nossa consciência, quando não
seguimos a sua orientação, quando ignoramos sua voz tranquila e a leve
sensação de que essa ou aquela ação foi contra o veio da nossa verdade
(vibração verdadeira), recebemos um sinal. Nós sentimos um momento de
incômodo.
Sinais lá do fundo
Não há oposição a essa “verdade”, essa verdadeira vibração no nosso
núcleo, apenas graus de desalinhamento, somente tons de obscuridade que
nublam a nossa capacidade de perceber para onde a bússola de nossa
consciência está apontando. Essa obscuridade é muitas vezes chamada de
nossos “desejos”. Um forte desejo muitas vezes nos faz comprometer o nosso
“eu”, ou seja, ignorar as cutucadas orientadoras da consciência. Por exemplo, o
desejo de alguma forma de prazer pessoal e físico pode afastar o sinal interior
de dedicar tempo e atenção para auxiliar alguém que precisa de ajuda. Lá do
fundo, pode surgir uma sentimento sutil da nossa consciência que nos sinaliza
para revermos a nossa decisão.
Os sinais da nossa consciência também são distorcidos pelas nossas
emoções. Todos nós sabemos que, quando estamos emotivos de alguma forma,
é mais difícil ouvir e ser guiado por nossa consciência, pela verdadeira vibração
da nossa consciência. Nós muitas vezes ignoramos tais sinais em favor de
experimentar alguma emoção prazerosa que ainda não percebemos ser uma
forma de desconforto. Por exemplo, quando buscamos por empolgação,
acreditando ser felicidade, ela sabota a nossa capacidade de decidir em favor do
uso do nosso tempo com mais sabedoria ou criatividade, pois preferimos
buscar uma emoção rápida. A nossa consciência nos chamará a atenção para a
nossa impaciência e, talvez, para o nosso egoísmo, indicando que estamos
desalinhados com a nossa verdadeira natureza, que é amorosa, isto é, altruísta e
paciente. Se prosseguirmos com a nossa investigação interior até o ponto para o
qual as cutucadas da consciência estão apontando, podemos até perceber um
erro básico. Estamos confundindo empolgação com felicidade. Na realidade, a
empolgação é apenas um estímulo.
Como a consciência é ignorada
No mundo “lá fora” (na sociedade), roubar é visto como algo errado e,
portanto, ruim. A sociedade tem que considerar isso dessa forma, caso
contrário, a essa altura haveria caos. Mas no contexto do mundo “aqui dentro”,
na nossa consciência, a intenção de roubar e cobiçar não é algo errado como
oposto a certo. É simplesmente um ato que está desalinhado com a nossa
verdade ou a nossa verdadeira natureza. Nós sabemos de forma inata que para
manter relacionamentos harmoniosos com os outros e com o mundo que nos
rodeia, roubar não é uma opção. Portanto, o que é então “a verdade” no caso
de roubar? Qual é a verdade “aqui dentro” quando qualquer um de nós rouba
algo “lá fora”? Nós perdemos temporariamente nossa capacidade de ouvir e
sentir essa voz interior que nos guia para agir de maneira “adequada”, de forma
a não roubar, porque estamos “distraídos”!
O que queremos dizer com “distraído”? Imagine que você está encerrando
mais um dia e indo para a cama. Você caminha pela casa para trancá-la. Você
está passando pela cozinha a caminho de seu quarto. Mas lá, na mesa da
cozinha, há um prato e no prato há uma fatia de seu bolo de chocolate
predileto. Sua mente diz: “Esse prato deveria ser lavado e guardado no
armário!” Que é o código para “Eu gostaria de comer esse bolo!” Então, você
para e come obolo. O que é, claro, extremamente agradável! Você lava o prato
e o coloca no armário. Mas, enquanto está subindo a escada, uma vozinha em
sua cabeça sussurra: “Será que aquele bolo era de outra pessoa na casa? Talvez
ela tivesse ido a algum lugar e estivesse voltando para comer a sua fatia de
bolo”.
Você foi “distraído” de fazer a coisa adequada (continuar seu trajeto para a
cama) pelo bolo e seu desejo de saborear o chocolate (estímulo prazeroso)!
Distraídos por nossas crenças
Quando agimos contra a nossa consciência, contra a nossa percepção inata
do que seria a ação mais verdadeira, a ação adequada, é sempre porque estamos
distraídos em nossa consciência pela presença da “crença”. Nossas crenças
equivalem ao bolo a caminho da cama, mas não tão saborosas! Geralmente, há
três razões pelas quais as pessoas roubam, três crenças em sua consciência que
as “distraem” de decidir fazer o que está alinhado com a sua verdade: a) elas
acreditam que, se puderem ter o objeto que cobiçam, isso irá de alguma forma
completá-las; b) elas acreditam que, quando conseguirem o que cobiçam, isso
as deixará felizes; c) elas acreditam que podem possuir o objeto. Todas essas
crenças não são “verdadeiras” dentro do universo do “eu” ou da consciência.
O que podem ser chamadas de “verdades espirituais”, ou apenas
“verdades”, neste exemplo, são: a) nós já somos completos e essa completude
jamais pode ser perdida, mas podemos perder temporariamente nossa
“percepção” disso; b) nenhum objeto material pode nos proporcionar felicidade
autêntica, apenas um estímulo temporário, porque a autêntica felicidade
verdadeiramente vem de dentro para fora; c) como já analisamos, no nível da
nossa “consciência”, há uma verdade que nos lembra que, na realidade, é
impossível “possuir” o que quer que seja.
Essas não são revelações (verdades) fáceis de assimilar, pois não são levadas
em conta na nossa educação infantil. São verdades espirituais que vivem em
silêncio em nosso ser. Não como ideias intelectuais, mas como estados de ser,
que, se comprometidos, acionam a nossa consciência para nos enviar um sinal.
Infelizmente, as “crenças” de que adquirir coisas traz plenitude, felicidade,
satisfação etc., nos são dadas como verdades quando ainda somos bem
pequenos. Daí a nossa confusão ao conseguirmos o que queremos e ainda
assim nos sentirmos incompletos, infelizes e vivermos com medo de perder o
que, erroneamente, achamos que agora possuímos!
Então, na verdade, quando roubamos, não é RUIM ou ERRADO em contraste
com BOM e CERTO. O que ocorre é que perdemos a percepção da nossa verdade
(verdadeira natureza) e estamos, portanto, agindo em desalinhamento com a
nossa verdade (verdadeira natureza). Se de fato roubarmos, nossa consciência
irá nos cutucar. Não porque é errado ou ruim, ela está tentando nos lembrar de
que estamos agindo em desalinhamento com a nossa verdadeira natureza, não
porque a sociedade diz isso, mas porque estamos negando e suprimindo a
verdade de quem nós somos: seres completos, livres, já satisfeitos.
Nossa consciência não está nos dizendo que “�zemos errado” e que “somos
maus”. Essas são apenas “crenças virais” apreendidas anteriormente que são
desencadeadas. Nossa consciência está nos sinalizando que caímos na “ilusão”
de que estamos incompletos, infelizes e insatisfeitos. Mas nós ignoramos e até
mesmo suprimimos esse sinal, essa mensagem, do coração do nosso ser,
especialmente se todos os outros à nossa volta estão fazendo o mesmo.
Infelizmente, muitos hoje em dia já aprenderam a suprimir sua consciência e,
distraídos por essas e muitas outras crenças virais, estão agindo em
desalinhamento com a sua verdade. É por isso que a sociedade tem de fazer leis
para prevenir que um enorme número de pessoas roube. Se todos nós fôssemos
guiados por nossa consciência (nossa verdade), então as leis da sociedade seriam
desnecessárias.
De certa forma, isso pode soar como uma permissão para irmos lá e
fazermos o que quisermos, mas essa não é a inferência mais importante aqui. Já
existem pessoas su�cientes fazendo isso de qualquer jeito, apesar das leis locais
que tentam de�nir o que é certo e errado e, portanto, bom e ruim. A inferência
aqui é que todo ser humano tem uma consciência. Todo mundo tem uma
percepção inata de como viver e criar ações que estão precisamente alinhadas
com sua verdadeira natureza, que é amorosa e pací�ca.
A lâmpada que se acende na cabeça
Voltemos à nossa lâmpada que está iluminando uma sala. A sala está cheia
de sensores. Se a luz da lâmpada oscilar e reduzir a uma certa
intensidade/brilho, os sensores serão desligados. A sala é uma metáfora para a
nossa consciência. A luz é o que somos. Se algo como uma crença ou um
desejo obscurece a nossa luz ou distorce a nossa luz e começa a comprometer o
resplendor da nossa verdadeira natureza, que é pací�ca e amorosa, a nossa
consciência nos enviará uma mensagem geralmente sob a forma de uma
sensação. Ela está nos informando que estamos pensando e agindo em
desalinhamento com a nossa verdade. As cortinas da crença, as distrações do
desejo, o apego às imagens em nossa mente, tudo isso atua para diminuir o
verdadeiro brilho da luz da nossa consciência. Eles encobrem o âmago de nossa
percepção que chamamos de “consciência”. Mas quando estamos nesse estado
de nosso verdadeiro brilho, quando nada está bloqueando, distorcendo ou
distraindo o resplendor da nossa consciência, não se pensa em fazer nada que
esteja em desalinhamento com esse estado.
Redespertando a percepção e a consciência
Em algumas culturas parece haver uma nova geração que está crescendo
sem fazer quase nenhuma ideia de como viver em harmonia com os outros
dentro da sociedade e até mesmo dentro da sua própria família. Suas ações
parecem vir de um espaço interior de tal forma violento que eles parecem não
ter consciência. Eles parecem não ter orientação interna de que estão pensando
e agindo de forma “inadequada”, que estão em desarmonia com tudo dentro de
si próprios e com todos fora de si mesmos. Esses jovens foram considerados por
muitos casos sem esperança e, em alguns lugares, os esforços para ajudá-los
foram abandonados. Eles foram rotulados de forma irrevogável como “pessoas
más”, de tal forma que o termo “selvagem” foi usado para descrevê-los.
Infelizmente, quando recebem esse rótulo, eles tendem a aceitá-lo, identi�car-
se com ele e, portanto, fazer jus a ele!
No entanto, há um número crescente de casos em que tais jovens foram
salvos, casos nos quais sua consciência foi trazida de volta à vida. Isso parece
acontecer somente quando eles recebem uma intensa orientação pessoal de
uma outra pessoa. O papel do mentor é simples: oferecer-lhes consideração e
respeito incondicionais como seres humanos, independentemente do seu
passado, de seu comportamento no presente ou de seus planos para o futuro.
De pouquinho em pouquinho, ao longo do tempo, a luz suprimida, distorcida
e distraída de sua consciência, sua “verdade”, começa a ser redespertada e a
orientar seus pensamentos, decisões e ações.
Não porque lhes é dito o que é certo e errado por uma força exterior, não
porque eles aprendem a acreditar no bem em vez do mal, mas através do
entendimento gradual de como viver em alinhamento com sua própria “luz
interior”. Eles restauram sua capacidade de viver com honestidade e
integridade, e assim se integram harmoniosamente no contexto de seus
relacionamentos. Sua verdadeira natureza, sua “verdade”, é recuperada. É um
bom exemplo de como a verdadeira natureza da consciência humana sempre
existe “anterior a” e sob as muitas camadas de crenças, autoimagens negativas e
lembranças de experiências dolorosas que podem suprimir a luz da nossa
“verdade”.
Sendo guiado pela nossa verdade
Então, parece que o “guia da verdade” da percepção humana conhecida
como “consciência” nunca morre, mas sua orientação ou é ignorada, ou
suprimida, ou distraída ou distorcida. É difícil para muitos enxergar e aceitar
isso.Eles têm um apego bastante profundo a uma crença particularmente forte
de que os seres humanos podem ser inata e naturalmente maus, vis e malignos
sem a menor possibilidade de redenção. Cada um de nós tem que decidir por si
mesmo. É uma decisão fundamental, já que afetará nossa visão “do outro” e,
portanto, nossas relações com os outros de forma signi�cativa.
Mas se é verdade que todas as pessoas têm uma “luz” inata da verdade
dentro delas, isso signi�ca que não existem pessoas más, apenas pessoas sem
conhecimento claro do que fazem, esquecidas e desorientadas, cuja consciência
está temporariamente desconectada, cuja luz está temporariamente reduzida.
Essa compreensão nos libera de julgar, rotular e condenar os outros com o
rótulo de “Você é uma pessoa má”. Isso ajuda a nos libertar de nossa própria
autoimagem autoimposta baseada no rótulo de “Eu sou uma pessoa má”. Em
última análise, isso nos liberta daquela matriz emocional debilitante que
conhecemos como “culpa”. Pode até ajudar a nos impulsionar para um estado
mais esclarecido no qual uma das principais percepções é a de que “na
realidade” não existem seres humanos maus.
Isso não é tão fácil se ainda con�amos em Hollywood e Bollywood para
servir de modelo e glamourizar personagens humanos com uma consciência
suprimida e distorcida como nossos heróis! Depois de uma vida inteira de
condicionamento e cultivando o hábito mental de julgar, após anos sendo
expostos aos julgamentos dos outros, depois de absorver tantas noções da mídia
de que muitas pessoas são simplesmente malignas e irrecuperáveis, após uma
vida toda de pensamento condicionado em termos de “bom” e “mau”,
sustentarmos o reconhecimento de que não existem pessoas más, não é um
“espaço interior” tão fácil de se estar e no qual viver. Mas, também, talvez seja
exatamente isso o que o mundo espera hoje.
Por �m, para uma futura conversa para o cafezinho!
Uma vez percebida a presença da culpa, a cura desse desconforto
incapacitante da alma só pode ocorrer quando entendemos que “Nem eu nem
você somos bons nem maus, tampouco certos ou errados... nunca!” Ou
estamos despertos e conscientes no nível mais profundo do nosso ser, onde não
existe bom/mau ou certo/errado, apenas nosso verdadeiro estado, nossa
“verdade”. Ou... não estamos! Discuta a respeito!
Re�exões para o seu diário
Percepção: Separe um momento e identi�que as duas últimas ocasiões em
que você se sentiu culpado por alguma coisa. Anote os pensamentos que
você criou nesses momentos.
Entendimento: Articule a crença por trás dos pensamentos que você estava
sustentando durante esses momentos. Qual seria a verdade subjacente que
o libertaria?
Transformação: Da próxima vez em que você estiver em situações
semelhantes com as mesmas pessoas, o que você diria ou faria de maneira
diferente quando agisse a partir dessa verdade?
8
“Ah, não, eles de novo, não!”
O desconforto da ALERGIA
Há um desconforto da consciência conhecido como ALERGIA. Ele tende a
acontecer em um ou mais dos nossos relacionamentos nos quais “o outro” é
alguém com quem nós simplesmente não nos damos bem. Há um choque de
personalidades ou o que parece ser uma aversão instantânea e inexplicável. O
principal sintoma é uma forte REAÇÃO DE RESISTÊNCIA à outra pessoa. Às vezes,
parece não haver uma razão clara para isso, que geralmente é recíproco. Às
vezes, sabemos exatamente por que nos tornamos irritadiços em sua presença.
As “crenças virais” não são tão fáceis de enxergar, mas uma delas geralmente soa
mais ou menos como “Eu nunca irei com a cara dele”. Talvez essa seja a versão
suave! Outras crenças e pensamentos que surgem incluem: “O jeito dele me dá
nos nervos”, que geralmente é um código para “Ele não deveria ser como é,
deveria ser mais como... eu!”
O que não percebemos é que o outro costuma re�etir algo dentro de nós
mesmos que não conseguimos ou não queremos enxergar nem reconhecer.
Embora possamos dizer que não somos ameaçados por “eles”,
subconscientemente nós somos. Embora possamos até tentar disfarçar nosso
incômodo em sua presença, no �m das contas estamos no contorcendo em
uma espécie de agonia emocionalmente suprimida. Se a nossa consciência
pudesse ser revelada em uma erupção cutânea, nessas horas estaríamos nos
coçando violentamente! Queremos que eles vão embora; entretanto, como
qualquer prurido na pele, quanto mais coçamos, mais comicha. Em termos de
relacionamentos, isso signi�ca que quanto mais resistimos ao outro, mais
frequentemente ele “parece” surgir e mais forte nossa resistência/reação se
torna.
Vive la différence
Esse é um dos desconfortos da alma mais difíceis de curar. Simplesmente
porque há um enorme número de “crenças virais” sutis que estamos mantendo
em relação ao outro, consciente e subconscientemente. No �m das contas, tem
de haver uma mudança da resistência para a aceitação em nosso coração e nossa
mente se quisermos nos libertar de nossos incômodos emocionais perto “deles”.
Isso é atenuado, mas não curado, pelo entendimento de uma verdade básica; a
de que cada ser humano é único e diferente e, portanto, cada um deve
inevitavelmente criar uma personalidade diferente.
Se pudermos reconhecer, celebrar e apreciar a nossa própria singularidade,
torna-se mais fácil aceitar e celebrar a dos outros, em vez de nos ressentirmos
pelo modo como são. Se pudermos valorizar e apreciar a variedade, não apenas
em uma caixa de bombons, mas em todas as relações humanas, podemos
acabar crescendo e transcendendo a sensação de ter de “tolerá-los” até
chegarmos a uma celebração sincera de sua presença em nossa vida.
Enquanto isso, é útil re�nar a nossa própria percepção de por que podemos
ser alérgicos a algumas pessoas e não a outras. Por que algumas pessoas parecem
nos fazer coçar mais do que outras?
O relacionamento tem uma história pregressa!
Às vezes existe uma história por trás do nosso relacionamento difícil e
alérgico com essa pessoa em particular. Normalmente essa história contém
momentos em que acreditamos que ela fez ou disse algo que feriu nossos
sentimentos. Isso geralmente se traduz em nosso medo de que isso aconteça
outra vez. Então, �camos “em guarda” em sua companhia. Somente com o
entendimento de que ninguém nunca “fere” os nossos sentimentos e que
somos os criadores de todo o nosso sofrimento emocional é que podemos nos
libertar o su�ciente para relaxar nesse relacionamento.
Um incômodo lembrete
Às vezes, uma pessoa em particular simplesmente nos lembra outra pessoa
que conhecemos no passado, alguém que acreditamos que nos prejudicou ou
nos feriu. A pessoa a quem somos altamente alérgicos no presente está, sem
saber, pressionando um botão subconsciente em nós que está reativando a
lembrança do sofrimento. É isso que está nos tornando resistentes a eles,
fazendo-nos evitá-los e até mesmo projetando neles a culpa de outros
infortúnios atuais em nossa vida. Mais uma vez, ao entendermos a verdade de
que nós mesmos somos os responsáveis, que qualquer sofrimento mental ou
emocional do passado foi nossa própria criação, isso pode começar a nos
libertar e nos fortalecer para não resistir ou reagir a essa pessoa.
Consciente ou subconscientemente invejoso
Às vezes, batemos de frente com alguém porque há algo em sua
personalidade que acreditamos que deveríamos ter. Por trás do nosso
comportamento reside uma inveja que está envenenando o relacionamento.
Mesmo que possamos ser bons em disfarçá-la, mesmo que nós mesmos não
possamos enxergá-la claramente, existe uma inveja sutil ali. Isso distorce a nossa
capacidade de aceitar que o outro possui uma qualidade, talvez uma presença,
uma habilidade única, que podemos apreciar e não invejar. Nossa incapacidade
de estender a apreciação ao outro é um sinal de que ainda não entendemos
uma das verdades mais poderosas das relações humanas. Quando você
“valoriza” uma virtude ou atributo de caráter do outro, nesse momento você
começa a cultivar e a imprimir a mesma virtude ou atributo em seupróprio
caráter!
Espelho, espelho meu... quem não é o mais belo dentre nós?
Às vezes, alguém é simplesmente um poderoso espelho para algumas
características ou tendências não muito agradáveis que desenvolvemos. Mas
nós simplesmente não queremos enxergar e reconhecer isso. Nossa maneira de
evitar fazê-lo é atacar o outro com algumas crenças não tão legais sobre “ele”.
Quando pensamos ou dizemos algo sobre o outro, não percebemos nossa
contradição e nossa hipocrisia. Nós não queremos encarar isso. “Ele não
deveria ser tão crítico o tempo todo”, é um momento em que simplesmente
não percebemos que nós mesmos estamos sendo críticos quase o tempo todo...
sobre o outro!
Posição e não a pessoa
Às vezes, especialmente no local de trabalho, nós nos descobrimos alérgicos
a alguém em posição de autoridade. Em tais casos, isso normalmente signi�ca
que estamos reagindo a uma posição e não a uma pessoa. Nós encaramos o
indivíduo como a sua posição, o que signi�ca que estamos nos vendo como
uma posição em relação a ele. O que não é verdade. Ninguém é uma posição!
Somente quando começamos a apreciar o outro como ser humano e paramos
de enxergá-lo como alguém que tem poder posicional sobre nós é que as coisas
se acomodam. Só então a animosidade e o ressentimento, que em geral estão
por trás de nossas reações alérgicas, começam a desaparecer.
Não é difícil detectar os sintomas desse desconforto da alma que pode ser
comparado a uma espécie de alergia. Você notará esses sintomas sempre que
perceber sua resistência em relação ao outro. Essa resistência pode assumir a
forma de uma reação emocional qualquer em relação ao indivíduo, rejeição
mental absoluta a ele, ou as formas mais sutis que usamos para evitar
determinadas pessoas.
Há muitas percepções que podem sinalizar a cura de sua alergia a uma
pessoa ou a todas aquelas que você anteriormente evitou. Talvez a primeira seja
um insight sobre a natureza do verdadeiro intercâmbio energético que é o
relacionamento.
É uma percepção que pavimenta o caminho para a capacidade de não
apenas acolher aqueles a quem você resistia, como também de celebrar a
presença deles em sua vida. É mais ou menos assim: “Não é o que você diz ou
faz que me faz sentir dessa maneira, é o que eu faço com o que você diz ou faz
que me faz sentir assim”. É o entendimento de que a forma como estamos
criando o outro dentro de nossa consciência é o que está nos incomodando.
Não é a maneira de ser da pessoa. Este é um pré-requisito para a verdade
libertadora de que nossa alergia não só é corrigível, mas a sua cura é uma
transformação que, para alguns, pode �nalmente tornar a vida digna de ser
vivida... outra vez.
Compreender a dinâmica do processo nos leva até a metade do caminho. A
outra metade é o nosso compromisso de assumir a total responsabilidade pela
nossa criação. Então podemos parar de usar os outros para culpá-los por nos
aborrecer! Então poderemos perceber que o indivíduo que anteriormente
considerávamos “extremamente difícil” acabou por ser nosso melhor mestre!
Re�exões para o seu diário
Percepção: Identi�que as três pessoas às quais você diria que é mais
alérgico.
Entendimento: Por que você realmente acha que é alérgico a elas
(relacionando motivos diferentes para cada uma, talvez). Quais são as
crenças que você está mantendo sobre cada uma que está fazendo você
resistir ou reagir à sua presença?
Transformação: Examinando cada uma individualmente, que verdade
sobre elas começaria a libertá-lo da alergia e permitiria que você se
conectasse com elas com mais conforto e facilidade?
9
“Espere até eu contar pros outros!”
O desconforto da INCONTINÊNCIA
Existe um desconforto que pode se desenvolver na consciência conhecido
como INCONTINÊNCIA. Os principais sintomas são pensar e falar de forma
incessante e/ou a necessidade de sempre ser visto como aquele que sabe das
coisas e que tem opinião! Normalmente, ambos! A “crença viral” que está por
trás desse desconforto é muitas vezes uma profunda crença subconsciente de
que “Eu preciso ser reconhecido pelos outros”. Alguns dos pensamentos que
surgem que são sintomáticos da incontinência da alma provavelmente incluirão
“Eu preciso contar para eles...”, “Eles precisam saber...” ou “Espere só até eu
contar...” ou “Eles nunca irão acreditar...” Muitas vezes, pensamentos precisos
assim nem chegam a ocorrer antes das falas do incontinente, já que tudo é
simplesmente vomitado de forma descontrolada de qualquer jeito!
A “consciência do incontinente” geralmente está em um estado de
expansão e especulação sobre muitas coisas. As conversas reais, quando o
incontinente expressa suas opiniões, são provavelmente motivadas por três
formas de necessidade. A primeira é a necessidade de ser o centro das atenções.
A segunda é a necessidade de ser reconhecido, legitimado e valorizado como
“aquele que sabe das coisas”. A terceira necessidade é, muitas vezes, a de se
libertar e aliviar da pressão mental de tanto pensar, avaliar, julgar, especular,
interpretar, concluir, deduzir... ufa!
Assim como a disfunção física que conhecemos como incontinência é
difícil de curar, o mesmo acontece com o desconforto da incontinência da
consciência. Em seu processo, parece haver muitos momentos de aparente
prazer. “Oh... quer dizer que você não sabia!...” “Nunca pensei que seria eu
quem lhe contaria!...” “Fico tão feliz por você gostar da minha interpretação do
que está acontecendo com eles!...”
Ser ouvido atentamente, ser legitimado e valorizado como aquele que sabe
é um vício difícil de ser sanado! A exaustão retarda as coisas, mas não é uma
solução. O choque de que a sua “conversa informal” possa causar o efeito de
desencadear uma reviravolta na vida de outra pessoa, pode fazer com que o
“incontinente” hesite um pouco em seguir com sua descontrolada tagarelice.
Mas provavelmente não por muito tempo. Alguém de fora de seu círculo pode
fornecer ao incontinente algum feedback sobre o incessante blá-blá-blá e o fazer
dar uma analisada em si mesmo. Mas o incontinente é bom em encontrar uma
justi�cativa para as suas divagações não solicitadas, repletas de carência, que
buscam apenas a atenção dos outros.
O entendimento de que, ao se ocupar com a vida das outras pessoas,
“Estou deixando de viver a minha própria vida”, pode ou não ocorrer. Se
ocorrer, pode acenar para uma grande mudança de atenção e energia. No �m
das contas, entretanto, precisa haver um profundo reconhecimento de que a
necessidade de ser ouvido pelos outros, de ser legitimado e valorizado por eles
só pode ser atenuada quando ele próprio se der conta de seu verdadeiro valor. É
só quando percebe que seu senso de valor e mérito é obtido, percebido e
conhecido em seu próprio interior, que os hábitos de se intrometer, de pensar e
tagarelar sem parar podem ser... curados!
A tagarelice da insatisfação
No entanto, mesmo isso provavelmente não é possível até que haja uma
“inversão de propósito” do querer para o doar. Em sua incontinência, eles
parecem estar se doando e eles próprios acreditam que estão se doando, mas na
realidade estão querendo e obtendo. Somente quando nos doamos sem desejar
algo em troca é que passamos a conhecer o que somos e o valor do que temos
dentro de nós. A di�culdade para aqueles que são afetados pela incontinência
da alma é perceber que de fato não estão “doando” nada quando estão mental
ou verbalmente “despejando”. Eles estão querendo atenção e obtendo
legitimação de quem quer que os escute. Mesmo que não haja ninguém por
perto, provavelmente irão tagarelar silenciosamente para ouvintes imaginários
em suas próprias cabeças.
É somente no processo de se doarem genuinamente, sem quererem nada
em troca, que eles podem perceber que não precisam de nada de ninguém.
Sim, como analisamos anteriormente, nosso corpo precisa de comida, abrigo,
roupa etc. Mas o “eu”, você mesmo, aquilo que você é, não precisa de coisa
alguma. Quando isso é entendido, torna-se fácil assumir uma postura calma,até mesmo silenciosa, livre da necessidade de ser ouvido, reconhecido,
valorizado ou mesmo aceito pelos outros. A força e o valor de si próprio são
conhecidos diretamente de dentro, de uma forma que toda a “carência”, todo o
desejo do que quer que seja dos outros, se dissipa. De muitas maneiras, essa é
uma das liberdades mais profundas.
Na verdade, é uma questão de amor!
Um dos entendimentos mais poderosos pode acontecer de um momento
para o outro. Ele normalmente acontece durante o processo de ser amoroso
para com os outros. É aquele momento do “estalo” que diz: “Amor é o que eu
sou”. Nesses momentos, o “eu” entende que “O que antes eu acreditava que
precisava, eu não preciso!” Já está presente. Esse entendimento “pode” extinguir
todas as novas buscas pelo amor nas formas de reconhecimento, aprovação e
legitimação que vem dos outros ou do mundo. Pelo menos para alguns, pode.
Para outros, não é tão fácil permitir que esse entendimento seja totalmente
integrado. O fato de todos os outros à nossa volta ainda estarem no modo
“buscando o amor” não facilita as coisas. Essa crença, a de que o amor deve ser
buscado nos outros, é tão profunda e compartilhada por tantos, que reside no
coração da cultura moderna. Mesmo que tenha ocorrido o entendimento de
que o amor é, em última análise, o que eu sou, de que agora eu conheço o meu
valor como fonte de amor, ainda assim não é fácil libertar-se dos vícios da
“carência” e da “busca”.
Se esse entendimento for autêntico, se a libertação da necessidade de algo
intangível dos outros for autêntica, então um contentamento silencioso começa
a surgir em seu interior. Você notará que uma sensação de completude
substitui a carência que vem de uma sensação ilusória de vazio. O tagarelar
diminui, substituído por uma vibração de tranquilidade que irradia para fora.
Você pode então ouvir os outros em um nível mais profundo. Eles vão sentir
que estão recebendo algo de grande valor simplesmente através da atenção de
sua escuta compassiva.
Sim às vezes, precisamos nos expressar, dizer algo, compartilhar algo, mas
quando isso não procede de uma carência, se parece mais com a oferta de um
presente. Os sentimentos de desconforto que surgem e nos levam a tagarelar se
foram. Em seu lugar há sensibilidade à comunicação dos outros e o senso claro
de quando é apropriado dar sua contribuição à conversa. É quando os outros
são atraídos por sua tranquilidade e não estão mais preocupados em evitar ou
serem oprimidos por seu desconforto de incontinência.
Em resumo, a cura dessa forma de desconforto da alma começa quando
percebemos que o hábito de matraquear se origina em uma mente que
simplesmente não consegue manter-se quieta, que precisa sempre estar
pensando nos outros e está continuamente falando, em geral sobre os outros, se
não verbalmente, pelo menos mentalmente. Esse derramamento de energia
mental frequentemente se manifesta em uma avalanche de palavras em
conversas unidirecionais. O entendimento começa quando enxergamos que
existe uma profunda sensação de insegurança dentro do “eu” sobre a própria
capacidade e valor. Tudo por causa de uma “crença viral” que diz que nossa
existência precisa ser reconhecida e valorizada por outros antes de podermos
nos sentir vivos e aproveitar nossa vida. A cura começa a se revelar quando há a
compreensão de que outros nunca podem nos dar o que já está dentro de nós,
ou seja, nosso próprio senso de mérito e valor. Só precisamos entender a
verdade do que somos, de quem o “eu”, que diz “eu sou”, na verdade é. É
somente quando compreendemos que estamos buscando nos outros o que já
temos em nosso próprio ser que é possível acabar com o hábito de querer e
buscar a validação dos outros. A transformação é completa quando somos
capazes de sentar e tanto ouvir quanto falar com tranquilo contentamento,
onde antes uma agitada empolgação fazia com que sequestrássemos a conversa
com informações na maior parte triviais, se não completamente irrelevantes.
Re�exões para o seu diário
Percepção: Em uma escala de 1 a 100 (1 é baixo, 100 é alto), como você
avaliaria seu nível de incontinência?
Entendimento: Por que exatamente você acha que às vezes simplesmente
desanda a tagarelar quando tem seus ataques de incontinência verbal? O
que você está procurando?
Transformação: Conscientemente, pratique estar tranquilo e moderado
em todas as suas conversas nesta semana.
10
“Eu preciso saber mais!”
O desconforto da INDIGESTÃO
Existe um desconforto da consciência conhecido como INDIGESTÃO. Os
principais sintomas são confusão mental, incapacidade de focar a atenção,
tempestades ocasionais de agitação emocional com surtos de linguagem
rebuscada intercalada com constipação verbal e social! A crença viral que causa
essa doença é “Eu preciso saber o que está acontecendo”. Os pensamentos que
surgem incluem: “Eu posso perder algo importante” ou “Fico me perguntando
o que aconteceu com...” ou “Eu preciso saber mais a respeito de...” ou “Tenho
certeza de que há algo novo que eu posso ter perdido...”
Quando comemos muito e rápido demais, nosso sistema digestivo físico
não consegue dar conta. Podemos sofrer de todo tipo de incômodo, desde
re�uxo ácido até gastrite, de sensação de estufamento a arrotos, de diarreia a
constipação. Nosso corpo está nos dizendo para pegar leve e comer menos,
“mastigar a sopa e beber a comida”, como dizem por aí!
Na era da informação, em que temos hoje acesso instantâneo a
praticamente qualquer assunto, qualquer evento e à vida de quase qualquer
indivíduo, alguns de nós desenvolveram a tendência de absorver enormes
quantidades de imagens, ideias e fofocas. Podemos facilmente passar o dia
inteiro pesquisando notícias, opiniões e as últimas entrevistas. Como o viciado
em comida que teme perder um belo lanche, algumas pessoas �cam agitadas
quando são cortadas dos �uxos de informação que alimentam um insaciável
vício de saber o que está acontecendo nas vidas de outras pessoas. A variedade
de sintomas desse desconforto da alma vai desde a confusão até o esgotamento,
da entusiasmada alegria ao desapontamento, da inquietação à ânsia. É a ânsia
por informação que nos atrai para uma tela e um teclado, seja na nossa mesa,
na nossa bolsa ou no nosso bolso, inúmeras vezes todos os dias.
Você pode observar isso em quase todos os lugares, quase todos os dias com
quase todo mundo. Grupos de pessoas se reúnem para tomar um cafezinho,
mas a conversa é adiada, já que se sentam juntas ao redor da mesa, todas elas
veri�cando suas mensagens em seus smartphones. Adolescentes em uma
caminhada nas montanhas �cam alheios à paisagem espetacular, pois todos eles
se sentam em pedregulhos para veri�car o que está acontecendo na sua página
do Facebook. Pessoas sentadas em galerias, cercadas pela mais requintada arte,
estão checando seus e-mails e com os olhos colados nas fotos enviadas por
amigos, examinando-as atentamente. Representantes que participam de
seminários caros e ricos em conteúdo afastam os olhos de seus smartphones sob
a mesa só de vez em quando para escutarem, enquanto se comunicam com o
escritório e respondem aos seus clientes e colegas, como se cada mensagem
fosse uma emergência. Talvez seja por isso que Einstein aparentemente disse:
“Temo o dia em que a tecnologia superar a interatividade humana. O mundo
terá uma geração de idiotas”.
Ser desconectado!
E a cura? Essa é difícil. Ficar online costumava ter a ver com estar mais “em
contato” com algumas pessoas, talvez conectar-se com familiares ou amigos por
meio de um e-mail ocasional. Isso nos proporcionava a facilidade de estender o
cuidado a distância, de entrar em contato rapidamente de formas que
sustentavam um relacionamento valioso. Também nos permitia nutrir uma
conexão com a família humana maior. Mas �car “online” hoje, para um
número crescente de pessoas, é como inserir um medicamento intravenoso
diretamente em suas mentes. Se houver um �m súbito de um “feed ao vivo” das
notícias, das crençasvirais dos outros, da hiperestimulação de “o que está
rolando” de todos os cantos do mundo – bem, para aqueles que atingiram um
alto estado de vício, retirar esse medicamento intravenoso pode ser o
equivalente a uma terrível abstinência! Ser “desconectado” para essas pessoas é
um pensamento assustador.
Precisamos saber menos
Uma admissão sincera e um reconhecimento signi�cativo são sinais de que
o poder de cura do sistema imunológico começou o seu trabalho. Primeiro, um
pouco de honestidade e a admissão: “Sim, eu sou um viciado, eu sou um
infocólatra! Eu sou um tecnocólatra! Eu sofro, sim, de indigestão de
informações”. Em segundo lugar, o reconhecimento: “Eu não preciso saber o
que está acontecendo a mais de um metro de distância de mim 95% do
tempo”.
O que pode ajudar a manter o entendimento dessas duas “realidades” é
quando examinamos um dia normal que passou e nos perguntamos quanto da
informação que consumimos conseguimos nos lembrar. Normalmente, muito
pouco! Provavelmente, menos de 5%. Por quê? Porque não tinha nenhum
valor real. Era o equivalente a junk food. Apresentava pouco ou nenhuma
sustância mental ou intelectual verdadeira. Nós simplesmente não
precisávamos saber disso, simplesmente não precisávamos consumir isso.
Sustância verdadeira
Então, o que, de fato, nos nutre? Qual é a fonte saudável de informação
que também é de valor para nós e pode inclusive nos fortalecer? É a informação
que surge no processo de autorre�exão. Ela vem “de dentro para fora” e não “de
fora para dentro”. É a informação sobre o que estamos sentindo, de onde estão
vindo os nossos pensamentos, o que está nos in�uenciando a agir da maneira
como agimos, por que estamos reagindo emocionalmente e não respondendo
racionalmente. Cultivar esse tipo de conhecimento autoembasado é o cerne do
processo de cura de todos os desconfortos apresentados aqui. Ele é reforçado
pela prática da meditação, já que a meditação, por de�nição, cultiva, expande e
aprofunda a autopercepção. A meditação é a jornada para longe da nossa
dependência de informações, substituindo-a por uma reconexão com a nossa
própria sabedoria inata.
Entendendo a realidade
Outra inspiração ou verdade que pode ajudá-lo a libertar-se do desconforto
da “indigestão da alma” é a de que você nunca pode perder nada real! O que
você está consumindo eletronicamente não é real. Surfar no oceano digital da
vida é uma atividade um tanto quanto super�cial. Isso é bastante óbvio. Mas a
noção de que você está consumindo o que é “irreal” é pouco mais difícil de
enxergar. Qualquer que seja a informação que você consome depois que ela
chega através de suas janelas eletrônicas proveniente do mundo foi �ltrada e
interpretada pelos intelectos de outras pessoas. Ela é reapresentada e
reformulada pela natureza do próprio meio eletrônico. É descontextualizada e
exagerada em sua importância, glamourizada e reembalada para o nosso ego
sedento! Então, não é real. Você não está testemunhando a realidade. É tudo
arti�cialmente moldado, transformado, distorcido, reconstituído e
reapresentado para mantê-lo interessado, viciado, dependente e querendo mais.
É projetado para estimulá-lo a manter o seu hábito de investir o seu senso de
identidade na vida de outras pessoas, em suma, a viver sua vida de forma
indireta! É isso que signi�ca viver em um “mundo irreal”. Infelizmente, parece
ser um mundo no qual um número cada vez maior de nós vive como
sonâmbulos.
Então, você vai viver no mundo real e natural ou no mundo irreal e
fabricado pelos outros? Experimente passar alguns dias sem conectividade
tecnológica, qualquer que seja. O primeiro dia será o da abstinência; o
segundo, trará uma estabilidade mental e uma tranquilidade no coração que o
lembra como a vida costumava ser num ritmo mais lento. No terceiro dia, você
pode se dar conta do quanto a qualidade da sua dieta mental é vital para o seu
bem-estar. O quarto dia pode ser o começo de um novo hábito, à medida que
você re�ete detidamente sobre tudo com um pouco mais de profundidade por
si mesmo. Você começará a “sentir” tudo mais profundamente dentro de si.
Começará a escolher e sentir seu próprio “bem-estar” sempre que quiser. Bem,
está certo, talvez quatro dias seja uma previsão um pouco otimista!
Mas �que atento aos sintomas do desconforto da alma que pode ser
chamado de “indigestão”. Seu sistema imunológico pode até mesmo pegar no
tranco sozinho. Isso o lembrará que a maioria das informações que você
consome tem pouco valor. Você provavelmente perceberá que a informação
está no �nal de uma trilha que começou com a “verdade”. Então, a verdade,
através da aplicação, torna-se sabedoria, que depois se cristaliza em
conhecimento. Nós então usamos o nosso conhecimento para criar a
tecnologia para gerar e enviar quantidades enormes de informação por grandes
distâncias na velocidade de um raio! A cada transição, que alguns chamariam
de queda, a qualidade da nossa dieta mental e intelectual foi reduzida, e o bem-
estar foi perdido.
Criando valor nutricional para a alma
Da próxima vez que você perceber um certo desconforto em relação às
notícias do dia ou ao que parece estar acontecendo nas vidas de outras pessoas,
lembre a si mesmo de que simplesmente não precisamos saber mais do que
uma porcentagem do que “acreditamos” que devíamos e poderíamos saber. É
essa “crença viral” que diz “Eu preciso saber” que causa o eventual re�uxo da
informação indigerível que chamamos de notícia e das opiniões de outras
pessoas. Veja se você consegue entender que, no �m das contas, tudo isso não
é real e não oferece nenhum valor nutricional à alma. Enxergue “o real” com a
sua visão interior. A realidade é você, o “eu” que diz “Eu sou”. O que é “real”
são os pensamentos e sentimentos que você cria. O “real” é o que você está
doando ao mundo, não o que você está consumindo do mundo. A realidade é
o que você ouve de sua própria intuição, não o que é produzido e transmitido
pelas instituições.
Esteja atento aos sinais de que a cura da sua indigestão espiritual está
acontecendo e que a transformação começou. Você passou a digitar no teclado
uma vez a cada hora, não cinco vezes a cada hora. A veri�car as mensagens no
seu telefone uma vez a cada hora, não dez vezes a cada hora. Você pode ser
visto com frequência olhando pela janela para a imensidão do espaço exterior
enquanto contempla e pondera sobre as possibilidades, ideias, inspirações, que
você está criando e com as quais está “brincando” na realidade primária e
in�nita de sua própria consciência.
Percepção: Com que frequência você se encontra consumindo informação
todos os dias – tente �xar um número médio de minutos por hora! Em
seguida, estenda isso para um dia. Por que você consome tanta informação
com tamanha frequência?
Entendimento: Em termos de porcentagem, quanto da informação é útil,
quanto dela o está nutrindo, quanto é um desperdício de tempo e energia?
Transformação: Crie cinco “ações criativas” alternativas, ou seja, coisas que
você pode fazer em vez de consumir informações do meio eletrônico. Em
outras palavras, não é para você parar de usar o meio eletrônico como um
recurso, mas o que poderia ser descartado e substituído por sua própria
criatividade?
11
“Eu sempre estou certo”
O desconforto da ARTRITE
Há um desconforto da consciência que poderia ser chamado de “artrite da
alma”! Seu principal sintoma é uma in�exibilidade profunda que beira a rigidez
crônica. A “crença viral” oculta é: “Eu estou certo sobre tudo”. Os pensamentos
que surgem são do tipo: “É assim que eu vejo e é a única forma certa de ver
isso!...”, “Só existe uma maneira correta de fazer isso e é do jeito que eu faço!...”
Como o seu equivalente físico, no qual ocorre uma dolorosa rigidez das
articulações do corpo, há uma rigidez na alma que se mostra como uma atitude
fechada para novas formas de ver e fazer. Enquanto numa articulação física,
que é feita para dobrar, atingida pela artrite há dor, na “artrite daalma” há
sofrimento na in�exível resistência às ideias e maneiras de ser dos outros. Esse
sofrimento é, obviamente, emocional e se manifesta oscilando entre a raiva,
como em “Como se atrevem a tentar me fazer ver ou fazer de forma
diferente?”, e/ou medo, como em “Isso não pode continuar assim, pode?” e/ou
“Com certeza não poderiam estar mais certos do que eu!”
A alma artrítica tem opiniões rígidas e em geral mantém-se agarrada
�rmemente a um conjunto de crenças assimiladas e formadas há muito tempo
no passado. Pessoas profundamente religiosas tendem a sofrer de artrite
espiritual. O senso de identidade, segurança e estabilidade delas é baseado em
suas crenças religiosas absorvidas das antigas escrituras ou de interpretações de
outros dessas escrituras. Tendo “adotado” essas crenças, elas acabam
considerando suas crenças como suas próprias verdades pessoais. Elas
raramente param para analisar e entender a diferença entre crença e verdade.
No entanto, é somente com a lubri�cação de novos insights, novas maneiras de
perceber, novas maneiras de compreender o seu próprio eu, novas maneiras de
trazer signi�cado para a vida cotidiana, que novas verdades podem ser
entendidas e antigas crenças, dispensadas. É apenas o entendimento contínuo
de novas verdades que, no �nal das contas, proporcionará à alma artrítica o
alívio do sofrimento autocriado que surge de agarrar-se a um conjunto de
crenças.
É por isso que a principal diferença entre religião e espiritualidade é em
geral a diferença entre crença e verdade. A religião costuma dizer que você
“deve acreditar” no que lhe foi dito ou haverá terríveis consequências. A
espiritualidade costuma dizer não acredite em nada e, por meio de uma prática
especí�ca, você pode enxergar e entender o que é verdadeiro para si mesmo. A
religião costuma dizer que a “crença” é o su�ciente, enquanto que a
espiritualidade diria que a crença é, na melhor das hipóteses, uma placa de
sinalização e, na pior das hipóteses, uma venda para os olhos. A crença costuma
vir de “fora para dentro”, ao passo que a “verdade compreendida” vem de
dentro para fora. A crença está limitada por ideias e conceitos, enquanto que a
verdade é mais como um estado multidimensional de ser com profundidade
in�nita. Como um exemplo do cotidiano, olhar para o seu cartão de visita e
“acreditar” que você é o que diz no cartão não é a verdade. Poucos se dão conta
de que a verdade começa com “Eu não sou o que eu faço” e termina com “Eu
sou o ‘eu’ que diz, ‘eu sou’”, só isso!
Um mau humor sombrio
Provavelmente é verdade dizer que a maioria de nós cresce com o
desconforto da artrite aumentando dentro de nós. Simplesmente porque
acreditamos cegamente no que nos ensinaram e disseram aquela gente grande
que chamamos de pais e professores. Muitas vezes, em o�cinas e seminários, eu
me deparo com pessoas com diferentes formas de artrite da alma. As mais
frequentes parecem ser aquelas que costumam sentar-se com os braços
�rmemente cruzados sobre o peito. Sua expressão facial sugere um mau humor
sombrio. A vibração que emana delas parece estar dizendo: “Eu realmente não
quero estar aqui”. Depois de um tempo e devido a uma crescente frustração,
elas levantam a mão e começam a se queixar de que simplesmente não
concordam. Começam a me comunicar, em termos inequívocos, suas próprias
crenças, em um tom que diz que estão se sentindo muito incomodadas e
resistentes ao ponto de vista que estão captando no que estou expondo. Nesse
momento, costumo falar (e eu também deveria dizer isso aqui, no contexto
deste livro, apenas para o caso de você se sentir um pouco artrítico em resposta
a algum conteúdo!): “Por favor, não acredite em uma só palavra do que eu
digo, eu não estou aqui para convencê-lo de nada. Eu só estou divagando e, ao
fazê-lo, descrevendo o que eu vejo quando analiso essas questões/assuntos etc.
por mim mesmo e sozinho! Meus pontos de vista/insights/entendimentos
podem mudar na próxima semana ou no próximo ano. Na verdade, eu espero
que mudem. Espero que eles se tornem mais profundos e pareçam ainda mais
alinhados com o que é verdadeiro para mim. Mas, por favor, não acredite
simplesmente no que eu digo, caso contrário você pode deixar de enxergar
alguma coisa nova por si mesmo. E é por isso que estamos todos aqui agora,
para ver e entender por nós mesmos o que é verdadeiro hoje e não tanto o que
é apenas mais uma crença assimilada ontem”.
Só um pouco!
Neste ponto, essas pessoas geralmente relaxam... um pouco. Ficam mais
receptivas, bem... um pouco! O olho de seu intelecto se abre... um pouco. O
estado de ausência de ego conhecido como “curiosidade” se expande... um
pouco! As articulações artríticas entre seus sistemas de crenças unidos parecem
afrouxar e tornar-se menos dolorosas... um pouco! Elas são capazes de se curvar
com um pouco mais de facilidade e elas o fazem, às vezes até com um sorriso e
um “obrigado”. Mas quem sabe por quanto tempo.
Difícil de curar
Já sabemos que a artrite do corpo não é fácil de tratar. Da mesma forma, a
artrite da alma é complicada de curar. Torna-se mais difícil enxergar que, assim
como a dieta é um enorme fator na artrite física, nossa dieta mental e
intelectual no passado constitui um fator importante em nossa artrite espiritual
no presente. Mais uma vez, é o ego que está operando aqui, como é o caso, em
última análise, com todos os desconfortos. A alma artrítica é simplesmente
consciente e subconscientemente apegada às suas crenças e identi�cada com
elas. Daí a criação do ego. As pessoas �cam presas nas formas que suas crenças
tomam na mente. É como se elas se tornassem suas crenças. É como se seu
corpo pensasse que é a cadeira em que está sentado. Se seu corpo pudesse
pensar, e se pensasse isso, ele nunca mais caminharia. Seu corpo, com você
nele, �caria permanentemente preso na cadeira. E é por isso que a artrite da
alma parece uma espécie de ponto de vista permanentemente �xo, com
percepções rígidas e interpretações congeladas que apenas se repetem. Tudo se
resume a uma atitude empacada que gera padrões de comportamento
repetitivos.
O alívio vem quando a alma artrítica desperta e percebe o valor de uma
das três coisas; aprender com os outros, compreender o outro e ser um guia
para os outros. Quando as pessoas se envolvem em qualquer uma dessas
interatividades, naturalmente começam a se desprender do pensamento rígido
e da crença �xa. Percebem naturalmente que existem outros ângulos válidos,
pontos de vista variados, mais opções para avançar do que concebiam
anteriormente. Esse tipo de entendimento leva naturalmente à transformação,
já que a alma artrítica de antes deixa de se aprisionar e ser moldada pela mesma
“cadeira de crenças”. As pessoas se levantam e é como se o espírito delas
começasse a dançar com novas maneiras de ver, novos insights sobre o
conhecimento, enquanto revigoram os níveis mais profundos de seu próprio
ser. Às vezes, a transformação da alma artrítica é sinalizada pelo retorno a um
entusiasmo infantil. É como se estivessem descobrindo o mundo novamente.
Há uma “embriaguez do espírito” à medida que a consciência respira e entra
em contato com o novo e revigorante ar de novos entendimentos, insights e
conhecimentos.
Não é uma conquista desprezível levantar-se de sua cadeira e ir até a pista
de dança após anos de artrite. Vale a pena comemorar quando alguém se
levanta e começa a se “mover e chacoalhar” suas velhas articulações! Se você
estiver no mesmo recinto quando isso acontecer com alguém, sinta-se
privilegiado por estar presente. Você provavelmente estará assistindo ao que às
vezes é chamado de milagre menor. É um momento igualmente alegre quando
alguém começa a deixar para trás seus rígidos pontos de vista e opiniões,
crenças e comportamentos. Aqueles ao seu redor começam a dizer ou a pensar
coisas como, “Uau! Você realmente mudou. De fato você está mais �exível e
fácil de se conviver. Você realmente está... bem!”
Se você acha que é alguémcom algumas “articulações espirituais”
dolorosamente rígidas e inchadas, ligue para o seu instrutor de dança local
agora mesmo!
Re�exões para o seu diário
Percepção: Quando você mais se pega resistindo às ideias e opiniões dos
outros? A quais crenças você percebe estar rigidamente agarrado em tais
situações? Por que você acha que acontece isso?
Entendimento: Qual é a diferença entre crença e verdade – pesquise e
investigue. Anote suas conclusões enquanto o faz.
Transformação: Quais diferenças em atitudes e comportamentos as
pessoas veriam e sentiriam em você se você fosse mais aberto e �exível?
12
“Eu não posso dar amor, esse não sou eu!”
O desconforto da ASMA
Há um desconforto da consciência que pode ser conhecido como ASMA da
alma. O principal sintoma é a di�culdade de “expressar amor”. Enquanto o
diabetes da alma é a incapacidade de receber, aceitar e assimilar o amor dos
outros, a asma é o sinal de uma alma que tem di�culdade de dar amor e ser
amorosa a qualquer tempo e em qualquer lugar. O indivíduo pode acreditar
que está “dando amor”, mas em geral não é com o coração e sim, mais com a
cabeça.
Alguém que tem um “ataque de asma físico” encontra di�culdade de
“inspirar” o ar. Algo está obstruindo e estreitando suas vias aéreas. Alguém que
tenha um “ataque de asma espiritual” acha quase impossível “expirar” seu amor
para os outros. Algo está obstruindo o seu coração e o caminho de seu coração
até “o outro”. Não o coração de seu corpo, mas o coração de seu ser.
Em um ataque de asma físico, os músculos que circundam as vias aéreas se
comprimem. O revestimento das vias aéreas �ca inchado e in�amado. As
células que forram as vias aéreas produzem um muco mais espesso do que o
normal. Em um ataque de asma espiritual, a habilidade de ser amoroso é
restringida pelo encolhimento da capacidade do coração de emanar a energia
do amor. A in�amação é evidenciada pelo “muco emocional” que conhecemos
como as várias formas de medo e raiva.
O oxigênio da alma
Na dimensão física, o ar é inalado pelo corpo para adquirir o oxigênio vital
que é essencial para a saúde do nosso corpo. Quando ocorre a respiração, não é
você que está respirando, é o seu corpo! Na dimensão espiritual, que é você, o
ser consciente, o amor é uma emanação para fora da energia vinda de... você!
Assim como a inspiração do oxigênio é essencial para a saúde do corpo, a
emanação do amor é essencial para o bem-estar da alma. Quando você faz
qualquer coisa com amor, está essencialmente doando a sua energia. Se você
doa de si mesmo, mas ainda assim quer algo em troca, sua energia �ca
distorcida e bloqueada pela ideia/imagem em sua mente do que você quer. Em
tais momentos, você não se sente bem, porque implícito em todo desejo está o
medo. Querer é a conversão do amor em medo.
O amor é o oxigênio da alma! Mas o oxigênio espiritual do amor precisa
ser emanado e liberado, e não adquirido e consumido, para que o bem-estar
seja restaurado e conservado. Isso signi�ca que a diferença entre corpo e alma
pode ser resumida por duas dinâmicas. O corpo é projetado para “absorver”
nutrientes e oxigênio para manter a sua saúde. A alma é projetada para
“distribuir” a energia/vibração da luz e do amor, que são os nutrientes
espirituais que mantêm o seu bem-estar. A natureza do corpo é consumir e a
natureza da alma é emanar.
A obstrução das vias aéreas do corpo parece ser “desencadeada” (mas não
causada) por muitas coisas, como alimentos, outras pessoas, situações
estressantes, o ambiente, e até mesmo o tempo. No entanto, a obstrução da
energia radiante da alma é causada por uma coisa, o apego.
Entendendo a mente
A mente não é a alma, não é o “eu”. A mente é a faculdade da alma, onde a
alma recebe as visões e sons do mundo “lá fora”, quando eles entram “aqui
dentro” através dos nossos olhos e ouvidos. Depois, nós os projetamos na tela
de nossa mente “aqui dentro”. A mente também é onde você cria pensamentos,
ideias e imagens, que você então irradia “daqui de dentro” para o mundo “lá
fora” por meio de suas atitudes e ações. Ao longo do tempo, você começa a se
apegar e se prender às ideias e imagens que você cria em sua mente. O apego a
qualquer ideia ou imagem gera medo. É por isso que o medo se torna o
principal sintoma do desconforto da asma. O medo é o amor distorcido pelo
apego. O medo é a mesma energia radiante da consciência que o amor. Mas a
vibração dessa energia é “distorcida” no caminho para fora pelo objeto
(imagem ou ideia) ao qual o “eu” se apegou. Daí os muitos sentimentos de
medo diferentes que nós “insperimentamos” como preocupação, tensão,
ansiedade, pânico etc.
Isso é fácil de veri�car por experiência pessoal. Num minuto, você pode
estar aberto e amoroso para com alguém, no próximo, você cria medo e/ou
raiva em relação a essa mesma pessoa quando ela não faz, não diz, nem é
exatamente como VOCÊ deseja. Se você pudesse estar plenamente consciente
nesse momento, notaria a vibração do amor que você estava doando num
minuto, transformar-se em medo apenas alguns momentos depois, porque
você tem uma imagem em sua mente de como você gostaria que essa pessoa
�zesse/dissesse/estivesse. É como se você “se encolhesse” dentro da
imagem/ideia na mente. Você “encolhe” para o tamanho da imagem e se
“embrulha” na imagem, o que signi�ca que você está apegado à imagem. Você
espera que as pessoas sejam como você as criou em sua mente. Quando elas
não estão à altura dessa imagem, quando sua expectativa sobre elas não é
preenchida, é seu apego a essa imagem que converte a vibração de sua energia
de amor em medo/raiva. Abandone o apego, ou seja, saia da imagem em sua
mente, e você retorna naturalmente ao coração do seu ser. Então, a energia que
você dá é restaurada para a vibração original e máxima que conhecemos como
amor. Mas isso não é tão fácil, simplesmente porque não estamos tão
conscientes dessa dinâmica interior sutil dentro de nossa consciência, dentro de
nós mesmos. Esta é a formação dinâmica do ego ou do falso sentido de si
mesmo. O ego sendo o momento em que você se apega ao que você não é e
perde seu senso de identidade! É também por isso que é impossível ser
autenticamente amoroso para com outro, a menos que “você” seja
desinteressado ou não apegado!
Reconhecendo um ataque de asma!
A asma da alma é ainda mais comum do que a asma do corpo. Sempre que
você criar e sentir qualquer “emoção” (tristeza, raiva ou medo), signi�ca que
você está tendo um ataque de asma espiritual! Existe uma constrição na sua
capacidade de doar com amor. Em um ataque de asma físico, a luta para inalar
é auxiliada pelo uso de um “inalador externo” que fornece certas substâncias
químicas para ajudar a descongestionar e desconstranger as vias aéreas. Em um
ataque de asma espiritual, também precisamos de ajuda enquanto lutamos para
“exalar” a energia mais alta, conhecida como amor, em nossos relacionamentos.
Para isso, requeremos o auxílio de um “exalador interno”!
Existem três tipos de “exaladores internos” que podem abrir as vias do
coração do nosso ser e garantir que restauremos e irradiemos a energia do amor
autêntico. O primeiro é o próprio coração. No coração do nosso ser, existe um
estado imutável original e eterno que jamais pode ser perdido. A meditação
leva você lá. É por isso que o primeiro e vital passo na meditação é
“desconectar-se”, o que signi�ca libertar-se de qualquer apego a todos os
pensamentos, ideias, imagens, lembranças etc. Então seu estado natural de paz
interior é restaurado. É dentro dessa paz que você sentirá o pulsar de seu
coração espiritual, que é o “impulso natural” de doar, conectar-se, amar. Sua
intenção natural é doar-se sem visar nada em troca. Em tal estado de
consciência não há pensamento “sobre” o eu, há apenas “ser” o eu. Nesse
estado natural de ser, você está irradiando a energia máxima de si mesmo como
amor... naturalmente!
Mantendo companhias elevadas
O segundo “exalador interno” é a companhia de alguém que está sendoamoroso, que está nesse estado amoroso natural que acabamos de descrever. É
aqui que as coisas �cam um pouco “interessantes”! A outra pessoa
aparentemente está “lá fora” e, no nível físico, de fato está, mas não tanto no
nível espiritual. Você já se sentiu com o ânimo elevado na presença de alguém
que obviamente está sendo incondicionalmente amoroso para com todos os
que os cercam, incluindo você? Em tais momentos, a energia de sua
consciência está sendo puxada para cima e em “ressonância” com a vibração da
consciência do outro. É como se você estivesse sendo elevado a um estado
superior pela vibração do outro. Em tais momentos, enquanto o outro parece
estar “lá fora”, vocês dois estão de fato conectados no que se poderia chamar de
“conexão alma com alma”. É como se suas duas energias espirituais se
tornassem uma só! Dois “eus” tornando-se um “eu” sem perderem a noção de
“você” e “eu”.
Nesses momentos não há “lá fora” ou “aqui dentro”. Existe uma conexão
energética invisível que você e o outro “sentirão”. A maior vibração do outro
tem uma in�uência magnética e elevadora sobre a sua consciência. É por isso
que é sempre bené�co se misturar com pessoas que estão fazendo seu “trabalho
interior” para elevar e aprimorar a própria consciência. Elas estão no processo
de despertar enquanto sacodem fora todas as ilusões e falsas crenças reunidas ao
longo do caminho. Elas estão despertando e fortalecendo seu sistema
imunológico espiritual e curando todos esses desconfortos enquanto recuperam
o bem-estar da alma. O estado �nal de bem-estar é visto em alguém capaz de se
estabilizar em um estado amoroso de consciência em todos os momentos e em
todos os lugares.
A fonte ou luz e calor
O terceiro “exalador interno” também não é “aqui de dentro” nem “lá de
fora”. Na verdade, no contexto da consciência, que é o que o “eu” que diz “eu
sou”, é, não há interno e externo. Conforme exploramos anteriormente, a
consciência não está sujeita à dualidade, a essa separação. É por isso que a fonte
suprema de energia espiritual é um mistério para a maioria. Mas é “a fonte”
que é de grande ajuda para restaurar a nossa capacidade de ser quem somos,
que é o amor, e de fazer o que fomos projetados para fazer, que é o amor! Esta
fonte às vezes é referida como energia divina, ou o amor dele, ou o amor de
Deus, ou Deus enquanto amor! Realmente não importa quais rótulos usamos.
É a energia do amor puro. Então, como nos conectamos com a fonte? Como
extraímos do mais alto nível de energia espiritual? Simplesmente esteja aberto.
Isso signi�ca não estar apegado a nada nem a ninguém, já que é o apego que
mantém nossa consciência, nosso coração, nosso “eu” fechado!
Um dia no sol
Uma metáfora ajuda. Você está parado ao ar livre. Há nuvens no céu. Você
não pode ver ou sentir o sol diretamente por causa das nuvens. Para sentir o
calor do sol e absorver sua luz, ambos essenciais para a saúde do corpo, você
precisa esperar que as nuvens desapareçam ou se erguer acima das nuvens. O
mesmo acontece com sua consciência, com você! Neste momento, o nível
vibracional da consciência da maioria de nós é bastante baixo. Ele varia em um
espectro de pouco amoroso a altamente ressentido! Nós “sentimos” esses
estados de baixa vibração como formas de medo e raiva, ansiedade e ciúmes,
tristeza e desesperança etc. As nuvens são todos os objetos, pessoas, crenças,
lembranças e situações que criamos e aos quais nos apegamos em nossa mente.
São nossos apegos que bloqueiam a luz da fonte. Eles são como cortinas na
janela da nossa consciência. Para além das nuvens de nossos apegos existe a
“energia fonte” que está vibrando em um nível muito mais alto. É a mais
elevada vibração da consciência, do espírito. Nós chamamos essa vibração de
amor puro, amor divino. Para nos conectarmos à “energia fonte”, precisamos
elevar-nos acima das nuvens produzidas por nós mesmos em nossa consciência,
o que signi�ca simplesmente abandonarmos nossos apegos. Não há perda
nisso, apenas uma mudança de relacionamento com o que ou quem quer que
esteja ao nosso redor em nossa vida. O que signi�ca que a realidade de que
nada nem ninguém é “meu” é plenamente entendida.
À medida que você se solta, enquanto se liberta de todos os seus apegos e,
portanto, de suas dependências, a vibração da sua consciência torna-se re�nada
e elevada. Internamente você está se libertando. Isso, por sua vez, reabre você,
permitindo que receba e “se conecte” com essa “energia fonte”. Em tais
momentos, você também sente o “calor” desse amor puro que emana da fonte.
Você pode “sentir” o que às vezes é referido como a sublime felicidade. Em tais
momentos de conexão, você é tocado pela “luz” de um ser com uma
consciência pura. Isso redesperta a consciência de seu “eu” autêntico e
incondicionado. Você “entende por completo” que seu “eu” é a energia
espiritual que você é! Você não está pensando isso! Neste estado de
autoentendimento não há pensamento, não há necessidade de pensar. É um
estado que também serve para afrouxar e quebrar toda sua conexão
subconsciente mais sutil com todas as “crenças virais” que temos explorado
aqui. Em algumas culturas esse “momento de conexão” com a fonte às vezes é
chamado de “yoga”, que signi�ca apenas união.
Onde há união, há amor e onde há amor, haverá união.
Em resumo, perceba seus ataques de asma espiritual. Aqueles momentos
de perturbação mental e emocional. Entenda que é apenas a energia do seu
coração, de você, que começa como a vibração do amor, mas é distorcida pelo
apego aos sentimentos de tristeza, raiva ou medo. Transforme-se, o que
signi�ca livrar-se do “encolhimento e conformidade” aos seus apegos. Restaure
sua consciência ao seu mais alto nível de vibração e você naturalmente se
conectará e ressoará com “a fonte”. Permita que essa “insperiência” o
transforme para que você não precise mais assumir a forma de seus apegos.
Observe que na verdade você é e sempre foi um espírito livre! Observe como
agora você pode “respirar livremente” a partir de seu coração, sem constrição
ou restrição. Enquanto o faz, você também notará que está “sentindo-se bem
em seu ser” de verdade outra vez.
Re�exões para o seu diário
Percepção: Examine o dia que passou e localize os momentos em que você
teve um ataque de asma espiritual, ou seja, momentos em que �cou triste,
bravo ou com medo. Anote-os.
Entendimento: O que você queria nesses momentos dos outros ou da
situação, mas acreditava que não estava recebendo? Coisas tangíveis ou
intangíveis, tanto faz.
Transformação: Imagine que você soubesse que seu papel em cada uma
dessas situações era o de ser o doador, ser a pessoa cuja tarefa era trazer algo
valioso, bené�co para a pessoa ou a situação. O que seria isso em cada
situação? Seja o mais especí�co possível.
PARTE TRÊS
FIQUE bem – PERMANEÇA bem – SIGA
bem
Ser
Viver, existir, estar vivo.
Sinônimos: existência, vida, entidade, essência.
Sinônimos em um contexto puramente espiritual – alma, eu, espírito,
consciência, percepção pura.
Bem-estar
O estado natural ou condição de ser anterior à perda da percepção pura.
Ser é tornar-se
Então, agora você sabe, agora você está completamente consciente, se já
não estava antes, de que o bem-estar é uma condição da alma. É um “estado
natural” do ser espiritual que você é. “Alguém que se sente bem” não dorme
sobre os seus louros. Tem uma percepção bem de�nida do que está afetando
sua consciência por dentro e entendeu plenamente a verdade de que nenhuma
pessoa, evento ou circunstância pode fazê-lo sentir-se mal. Sou sempre EU que
faz isso!
“Alguém que se sente bem” também integra práticas diárias em sua vida
que são vitais para a manutenção do seu bem-estar, permitindo que �que bem
novamente após uma vida inteira de muitas formas de desconforto, permaneça
bem em qualquer situação em que se encontre e siga bem em qualquer lugar
no mundo onde decida levar a si mesmo.
Quando descobrimos e corrigimos nossas doenças físicas, elas geralmentepermanecem corrigidas, com algumas exceções, talvez. Mas com os
desconfortos da consciência, a tendência é ocorrer o contrário. Nós muitas
vezes temos um rápido insight de uma verdade, que anula momentaneamente a
“crença viral” que é a causa do nosso desconforto. Talvez haja uma breve
transformação de atitude e comportamento, um breve alívio do incômodo
interno, mas a antiga crença e os comportamentos subsequentes logo retornam,
a menos que �quemos vigilantes. A razão disso é o nosso velho amigo, o
“hábito”.
O hábito mantém nossos desconfortos vivos
Costumamos pensar nos hábitos como ações físicas que executamos
repetidamente. Mas os hábitos têm sua origem nas profundezas da nossa
consciência, no nível de nossas crenças e percepções, que, por sua vez, moldam
nossos pensamentos e sentimentos habituais, que então orientam o nosso
comportamento. Todos esses desconfortos da nossa consciência tendem a se
tornar “hábitos sobrepostos”. Juntos, eles compõem a nossa zona de conforto.
É por isso que a maioria de nós aprende a �car confortável estando
desconfortável, feliz sendo infeliz, e nós sequer nos damos conta disso!
Rendendo-se à humildade
Embora pareça perverso acreditar que nos sentimos felizes e confortáveis
estando ao mesmo tempo péssimos, a grande maioria de nós aprende a tolerar
os nossos “desconfortos da alma” até que o nível de sofrimento ou infelicidade
se torne tão intenso que somos forçados a encará-los. E só aí que fazemos, de
fato, algo a respeito. Muitos de nós esperaremos até aquele momento em que
chegamos ao fundo do poço, o ponto mais baixo da nossa vida, muitas vezes
chamado de “a noite negra da alma”. É nesse momento que cada aspecto da
nossa vida parece estar envolvido em... bem... escuridão! É o momento em que
atiramos as mãos para o alto e gritamos, seja na nossa mente ou no recinto que
estamos no momento, “Eu não aguento mais isso!”
Esse é o momento em que nos tornamos abertos a receber ajuda. O ego,
que antes estava sussurrando no nosso ouvido interior, devido a uma habitual
resistência à mudança, dizendo “Eu estou bem, é sério” ou “Eu posso consertar
isso sozinho” ou “Eu posso cuidar de mim mesmo, obrigado”, desliga-se por
alguns momentos e somos forçados a baixar as nossas cabeças, espiritualmente
falando. É como se fôssemos humilhados para darmos abertura para receber
ajuda, para rendermo-nos a quem ou o que quer que seja que nos ajude nessa
nossa hora de extrema necessidade interior. Muitas vezes, esse é o momento em
que simplesmente calha de estar presente em nossa vida alguém que pode nos
apontar uma maneira nova, quem sabe mais profunda, talvez mais espiritual de
perceber e pensar. Se não é uma pessoa, pode ser um livro que cai em nossas
mãos, ou um folheto ou um convite para algum retiro que, por uma ligeira
coincidência, chega naquele mesmo dia!
A jornada tem início... será mesmo?
Essas são ocasiões signi�cativas que podemos reconhecer, olhando para
trás, como momentos decisivos e o início da nossa jornada espiritual. Este livro
pode ser o primeiro de muitos desses momentos em sua jornada ou apenas
mais um de uma crescente coleção. No entanto, mesmo que pareça que
estamos despertando para verdades mais profundas, esses antigos hábitos ainda
persistem. Tendo passado a vida toda desenvolvendo a tendência de sentir pena
de nós mesmos, �car com raiva dos outros, temer o futuro ou sentir-se
deprimido com qualquer coisa, estes são apenas hábitos, no �m das contas.
Independentemente das técnicas que experimentemos, apesar da sabedoria que
possamos assimilar, não importa quantos seminários assistamos, em um nível
mais profundo, esses hábitos não desaparecerão simplesmente. É como se
muitos deles lutassem para permanecer, mesmo que agora possamos entender
claramente o que, por que, quando e como eles são a fonte das muitas formas
de desconforto que temos analisado aqui.
Por que tão poucas pessoas mudam!
Embora de forma plena reconheçamos intelectualmente que sou eu e não
outras pessoas que estão nos fazendo sofrer, o hábito de acreditar que o nosso
“eu” é a vítima é difícil de mudar. É como o alicerce de aço reforçado e
concreto de uma antiga e bem construída zona de conforto que preferimos não
demolir. Ser um alvo é uma posição com a qual estamos familiarizados. É
muito mais fácil ser a vítima. Espera-se que “reajamos” quando alguém faz
alguma coisa especí�ca para nos provocar. Então, preferimos viver de acordo
com a nossa reputação de vítima, satisfazer a nossa autopercepção como
perseguidos, ao invés de embarcarmos numa batalha interna total contra as
ilusões que nós mesmos estamos sustentando.
Por que é que, na realidade, parece que tão poucas pessoas mudam? Muitas
falam um bocado sobre mudança. Elas ouvem e estudam os chamados
“especialistas em automudança”. Elas participam com entusiasmo dos cursos,
seminários e o�cinas de “mude a si mesmo”. Seguem a trilha para o prometido
pote de ouro da felicidade no �m do arco-íris do desenvolvimento pessoal e
transformacional! Vão para retiros longos, muitas vezes totalmente silenciosos.
Encontram um “coach de mudança” e são treinadas e orientadas para... mudar!
Tudo com o objetivo de transformarem a si mesmas e, assim, mudar a forma
como pensam, sentem e vivem as suas vidas. Não há nada de errado em nada
disso. As lições apropriadas são geralmente aprendidas ao longo do caminho de
acordo com nosso nível de comprometimento. Elas podem não ser as lições
esperadas, as lições desejadas. Pode ser que elas não proporcionem os estalos de
percepção prometidos na sinopse promocional. Mas algo valioso acontecerá ao
longo de qualquer processo que promova o autoquestionamento. Algo mudará
com a expansão da autopercepção e um envolvimento sincero com o próprio
processo criativo do indivíduo.
No entanto, parece que muito poucos realmente mudam...
profundamente, signi�cativamente, permanentemente! Alguns até mesmo
chegam ao término desses eventos e processos de autofortalecimento e
autodesenvolvimento recebendo eles mesmos um certi�cado de “expert
transformacional” quali�cado com credenciais para ensinar aos outros como
mudar! Mas seus próprios comportamentos, reações, emoções e personalidade
permanecem essencialmente iguais. Por quê? São esses hábitos irritantes! É o
apego ao conforto dessas zonas de conforto desconfortáveis! É a longa e
profunda familiaridade com sua própria infelicidade que elas aprenderam a
amar... por assim dizer! Bem, talvez isso seja um pouquinho de exagero!
Nas profundezas da nossa consciência existe um lugar, muitas vezes
chamado de subconsciente, onde estamos apegados a todas essas crenças virais,
e não é questão simplesmente de nos livrarmos delas. A�nal, a grande maioria
são apegos “subconscientes”, o que signi�ca que eles estão fora da nossa
consciência do dia a dia, do momento a momento. E você não pode se livrar
do que não percebe que está segurando! Hum!
Mas, por outro lado, talvez você nem precise. Você está sentado
desconfortavelmente? Então, vamos terminar com o único começo!
Uma revelação revelada
Um dos verdadeiros segredos da automudança é que, se você quer mudar,
você precisará parar de tentar mudar!
Há uma ilusão que se encontra com frequência no cerne de muitas das
escolas de desenvolvimento espiritual e pessoal, de quase todos os cursos,
o�cinas e seminários de crescimento e fortalecimento pessoais e no âmago da
maioria das ferramentas, métodos e técnicas projetados para a “automudança”.
É a ideia de que VOCÊ tem que mudar, de que VOCÊ pode mudar. Mas isso é
impossível. Você não pode mudar o seu “eu”. O que você pode mudar é a sua
criação, que é a sua personalidade, a matriz de hábitos, a estrutura interna
constituída de todas as suas características e tendências previamente
desenvolvidas. Elas são suas construções únicas. Mas “elas” não são você – elas
são criação sua. A sua personalidade não é o “eu” que diz “Eu sou”. A sua
personalidade não é você!
O “eu”, você próprio, o ser conscienteque você e eu somos, nunca muda.
Nós apenas “acreditamos” que mudamos. Mas nós não o fazemos. No entanto,
como você se identi�ca com a sua forma física, como você se identi�ca com a
sua personalidade, com a matriz de hábitos e tendências que você criou, até
mesmo com as emoções que você sente, todas elas passíveis de mudança, você
cai na ilusão de que é você quem está mudando, que pode mudar, que precisa
mudar, que terá de mudar!
Esse insight, esse entendimento da mais profunda “verdade” sobre você,
sobre mim e sobre qualquer indivíduo, é verdadeiramente um divisor de águas,
isto é, muda todo o jogo... por assim dizer!
A iluminação acena para você
Na Parte Dois exploramos muitas das verdades que, quando totalmente
entendidas, têm o poder de dissipar as crenças que causam muitos desconfortos
da consciência. A “verdade entendida” cura a consciência dos desconfortos
causados por essas “crenças virais”. A verdade mais profunda que tem o poder
de eliminar todos os desconfortos da alma é a simples verdade sobre quem e o
que você é. Simplesmente porque todos esses desconfortos (como você já deve
ter notado) têm uma causa comum, ou seja, seu apego e identi�cação com o
que você não é!
Perdemos a consciência dessa verdade de quem somos quando nos
distraímos pelo mundo, somos atraídos pelo mundo, apegados a algo ou a
alguém no mundo e, �nalmente, viciados nos estímulos das experiências
mundanas. Não é certo ou errado, apenas “acontece”. A verdade de quem você
é não é uma “verdade” como em uma observação ou re�exão intelectual, mas a
verdade como em seu “verdadeiro estado de ser”.
Em outras palavras, perdemos nossa percepção e a capacidade de viver do
nosso verdadeiro estado de ser. Isso acontece no momento em que nos
tornamos apegados e nos identi�camos com formas materiais no mundo lá fora
e formas mentais no mundo de nossa consciência “aqui dentro”. Tudo começa
com a crença equivocada de que somos a imagem que vemos re�etida em
qualquer espelho. Esse erro então se expande para identi�car-nos com a
etiqueta do fabricante de seja lá o que for que a nossa forma estiver vestindo no
re�exo do espelho! O que se expandirá para incluir ideias com base no que
dirigimos, onde trabalhamos e com quem nos associamos! Todos esses apegos
geram uma corrente de identidades separadas em nossa própria mente. No
�nal, nossos apegos/identidades mais profundos e sutis serão a essas “crenças
virais” invisíveis e intangíveis que nós assimilamos do mundo que nos rodeia
em nossa jornada pela vida.
Gradualmente, essas crenças aprendidas tornam-se sutilmente entremeadas
em nossa consciência, enquanto diminuem e distorcem nosso verdadeiro
estado de ser. Que é um estado em que há uma percepção natural e clara de
“quem eu sou”. Essas crenças podem ser comparadas com as “impurezas”
encontradas nos metais quando são minerados. Antes que a pureza do metal
possa ser restaurada, as impurezas precisam ser extraídas. É como se essas
crenças fossem impurezas que “obscurecem” nossa consciência. Daí o grande
prêmio da “iluminação” que muitas vezes é citado como a recompensa da
prática espiritual e talvez anos de esforço espiritual concentrado.
Quando há um momento de “iluminação”, há uma breve restauração da
“clareza absoluta”. Este é um momento em que somos liberados do controle de
todas essas crenças. Todas as identidades separadas e falsas são demolidas. A
consciência do nosso verdadeiro estado é restaurada. Não como algo que é
sabido. E sim, mais como um estado silencioso de conhecimento sem
pensamentos! Mas tende a ser apenas por um momento. Então, percebemos
quão profundamente enraizadas em nossa consciência se encontram de fato
essas ilusões sobre nosso ser. Elas continuam “aparecendo” em nossa
consciência como vizinhos intrometidos. São aqueles hábitos outra vez.
Então, embora possamos sempre renovar essa percepção de “quem eu sou”,
geralmente através da prática meditativa, parece que só podemos recuperar e
manter essa “autêntica consciência de si mesmo” enxergando e entendendo
também quem NÃO somos. É só quando começamos a examinar e “despimos”,
TODAS as crenças que nós temos assimilado que podemos ver e compreender
plenamente que a) Eu não sou minhas crenças, b) Eu não sou a forma que “eu
acredito” que sou, em outras palavras, você não é quem ou o que você foi
ensinado a acreditar que é, c) as crenças às quais me agarro não são a verdade.
Um insight essencial sobre a essência
Muitas palavras são usadas para descrever a energia da consciência que
todos nós somos. Alma, espírito, o autêntico eu, o eu incondicionado, são
todos termos apropriados. Eu usei a maioria deles em algum lugar neste livro,
incluindo o “eu” que diz “eu sou”. Essas são maneiras de “apontar para” o que o
“eu” é! Porque as palavras só podem “apontar”.
Tudo isso pode ser mais ou menos traduzido em um insight essencial: você é
“ninguém”, eu sou “ninguém” e todos somos “ninguém”! Esta não é uma ideia fácil
de absorver. Mas o lance é esse mesmo, não tente. Não tente transformar isso
numa ideia e depois em apenas uma outra história sobre “mim”. É o que
fazemos com o nome dado à nossa forma física. Torna-se uma ideia, uma
crença de que seu nome e forma são o que você é, e então você cria uma
história composta de mais crenças e muitas lembranças construídas em torno
de seu nome e forma. Mas esse nome e forma e as histórias não são o que você
é. Você não é um nome ou forma. E você não é uma história. Estas são
imagens e ideias “criadas” e você é o criador delas, você não é uma imagem ou
uma ideia.
Sendo ninguém novamente!
Encare isso da seguinte forma. Quando você acredita que é seu
nome/forma, então, se alguém insultar seu nome/forma você �cará chateado, o
que equivale a um momento de desconforto. Se você acredita que é o que faz,
então, quando alguém criticar o que você faz, �cará triste ou irritado,
provavelmente ambos, o que equivale a desconforto. Se você acredita que é sua
religião, então, quando alguém ridicularizar suas crenças religiosas, você tomará
isso como pessoal e discutirá, o que equivale a atrito e talvez raiva, o que
equivale a desconforto. Todos os desconfortos da alma têm sua origem em uma
noção de quem e o que EU SOU posicionada no lugar errado! É por isso que
nosso maior, mais profundo e mais frequente hábito, de longe, é posicionar de
forma equivocada o nosso senso de quem e o que somos. Para muitos,
especialmente aqueles que já enveredaram por um “caminho espiritual”, tudo
isso pode parecer elementar. No entanto, as sutis camadas de ilusão sobre o
nosso “eu” chegam muito fundo em nossa consciência. Sempre que você
“reagir” emocionalmente a qualquer coisa ou pessoa que você conheça, cria
outra camada, outro hábito de apego e identi�cação errônea para serem
dissolvidos!
É só quando você começa a “notar” e, assim, descobrir essas camadas sutis
por si mesmo, dentro de si, que a parte mais profunda da jornada da percepção
até o entendimento, e daí à transformação, pode começar. Onde transformação
não signi�ca mudança, mas a transcendência das sutis “formas mentais” com as
quais você vem se identi�cando erroneamente.
Ninguém nem nada são o que o ser que você é é!
Gratidão e humildade
Quando você restaura essa percepção, também entende que você “sempre”
foi ninguém e nada. E você percebe que “ninguém” e “nada” não podem ser
alterados! Você não pode mudar esse primário, alguns dizem eterno, estado de
ser essencial. Tudo o que você pode fazer é restaurar sua percepção de que “em
última análise” e para sempre você é ninguém e nada. Enquanto você o faz,
nada muda exteriormente. Você ainda come, dorme, trabalha, joga, paga as
contas etc. Mas quando você desperta essa consciência, não precisa mais criar e
sustentar uma imagem aos olhos dos outros. Porque agora você sabe que
qualquer imagem sobre a qual você baseia seu senso de si mesmo é uma ilusão.
Você não precisa mais estar apegado a qualquer coisa ou a ninguém. Então,
você não precisapensar em “como eu faço para me soltar e não ser
dependente”, isso simplesmente ocorre naturalmente. Você não precisa de mais
nada dos outros ou do mundo para reforçar qualquer ilusão que você
“costumava” ter sobre onde você achava que “tinha que ir” e o que você
acreditava que “tinha que fazer” para ser bem-sucedido, feliz e realizado. O
sucesso é entender que você já está contente e já está repleto de tudo que é
necessário para viver uma vida plena e feliz. Todos esses velhos hábitos de
“querer” e “se apegar” caem por terra naturalmente. Tudo o que você pensa e
faz, então, parte da gratidão e da humildade. Tudo o que você vê acontecendo
“lá fora” é percebido como o que “deveria mesmo” ser. Agora você pode
enxergar, a partir de um espaço interior de compreensão e aceitação, que tudo
está bem e tudo �cará bem.
O jogo da vida
Agora, isso não quer dizer que, quando você for passar pelo controle de
passaporte e mostrar o seu documento, você possa dizer: “Bem, esse não sou
realmente eu, eu não sou ninguém na verdade!” Isso não signi�ca que você não
apareça mais para trabalhar e pare de desempenhar o papel de seja lá qual for a
posição que você ocupe ou deixe de fazer qualquer que seja o trabalho que você
faz. Isso não signi�ca que você distribua cartões de visita em branco com
nenhum nome nem nada escrito neles e diga “Bem, este sou eu e isso é o que
eu faço... nada!” Isso não signi�ca que você não tenha discussões sobre o
signi�cado mais profundo dos textos bíblicos que interessam seu intelecto.
Vivemos em um mundo de almas encarnadas, um mundo no qual atuamos
com uma forma física e por meio de uma forma física. A linguagem que todos
nós criamos juntos e compartilhamos nesse processo é basicamente a
“linguagem dos rótulos”. Continue falando a linguagem e continue jogando o
jogo da vida, o jogo criativo de viver. Mas experimente eliminar o que muitos
hoje veem como o erro mais comum que todos nós cometemos, que é
“identi�car-se” com os rótulos. Tente “não acreditar” que o rótulo é o que você
é. Você consegue distinguir, em suas conversas, momentos de rotulagem?
Quando você perceber um “momento de rotulagem”, começará a notar que é a
rotulagem que tira toda a diversão e leveza do jogo da vida. É ela que conduz a
muitos momentos de desconforto.
No fundo, sabemos em nosso coração que a vida na verdade é apenas um
jogo. Um jogo divertido planejado para ser uma experiência de prazer e alegria,
de admiração e risadas. Mas o momento em que nos esquecemos disso é o
mesmo momento em que nos esquecemos de ser ninguém e nada. No
momento em que acreditamos e tentamos ser alguém e algo, é aí que o
desconforto chamado “seriedade” entra em cena e a alegria desaparece.
Crie e jogue
Então, quando você, de fato, compreende de verdade, autenticamente, que
você é, em essência, ninguém e nada, então todo o restante é visto como aquilo
que é. Um jogo, uma brincadeira, uma o�cina, uma jornada, uma reunião...
você decide, porque você restaurou o seu poder de criar o mundo e a sua vida
no mundo, da maneira que for que você escolher. Mas você já não encara nem
pode encarar o que vê “lá fora” no mundo como a verdadeira e única realidade.
Você já não a enxerga como realidade primária, como antes costumava fazer. É
uma realidade bastante secundária e, como criador, você verá que tanto o
mundo como a sua jornada pela vida no mundo são apenas o contexto no qual
você pode ser criativo, jogar, ser amoroso, ser amado e ser alegre... na
companhia de amigos. Todo mundo torna-se seu amigo.
No momento em que você começar a levar qualquer coisa a sério, observe a
presença do medo, o mais popular desconforto da alma. Esse é o sinal de que
você acabou de adormecer, de novo, para quem você é. Você perdeu a
percepção do você verdadeiro. Começou a acreditar, de novo, que você é
exatamente o que vê no espelho, que você é o que você faz, que você é onde
você mora etc. A consequente ilusão de mortalidade surgirá e isso o fará
perceber o mundo “lá fora” como um lugar perigoso. Desconforto, de novo!
Despertando do seu sonho
No processo de entender ou restaurar a percepção de quem você realmente
é, que é ninguém e nada, haverá uma oscilação entre vigília e sono, entre
momentos de plena consciência e momentos em que você perde a clareza dessa
consciência.
Quando você está acordado e consciente, você sabe que não precisa mudar,
que NÃO pode mudar. Você “sabe” que é desnecessário e, em última análise,
impossível VOCÊ mudar. E você sabe que não tem como tentar mudar o
mundo à sua volta, porque, em seu estado desperto, você também entende que
tudo lá fora no mundo está parecendo, movendo-se e mudando exatamente
como deveria. Não é seu trabalho policiar o universo! Com esses dois
entendimentos, você está em paz com você e em paz com o mundo.
Despertar espiritualmente pode ser comparado ao despertar de um sono
físico profundo. Quando dormimos em nossas camas, sonhamos. Ao despertar
pela manhã, entendemos que o que sonhamos era apenas isso, um sonho.
Portanto, não real. Um sinal de que estamos despertando para quem/o que
realmente somos é quando começamos a notar que nossa vida cotidiana
tornou-se mais “como um sonho”. Começaremos a notar como interpretamos
o mundo, e os acontecimentos nele, de acordo com a forma como nos vemos,
de acordo com quem e o que “acreditamos” que somos e de acordo com as
crenças que herdamos e assimilamos de outros sobre o próprio mundo.
Por exemplo, quando você se identi�ca com o que faz, então, quando você
ouve as notícias que cortes estão sendo feitos em sua empresa, você cria uma
história mental que inclui uma imaginada perda de emprego e, aí, o medo
surge. Isso signi�ca que, embora você pense que está acordado, e você de fato
está �sicamente, embora tudo pareça real, você está em um estado de
consciência onírica. Seu medo é decorrente de uma identidade baseada no que
você faz. Mas essa noção de identidade é uma ilusão, é como um sonho, uma
�cção, que você está criando sobre você em sua consciência. Quando você
considera a si mesmo como um “personagem �ctício”, então todas as suas
interpretações do mundo são �ltradas através do “você �ctício”. Essas
interpretações tornam-se elas próprias �cção! Começar a perceber isso é um dos
principais sinais de que você está “despertando”.
Redescobrindo a realidade!
Como vimos, a “realidade” é que você não é o que você faz. Você é apenas
você, o ser consciente. Você é apenas o “eu” que diz “Eu sou”. A partir desse
estado de consciência, você observa a realidade secundária do mundo lá fora
mudando de cor, textura e forma. E, neste caso, a mudança está acontecendo
com algo chamado “empresa”, um local de trabalho. Porque você não se
identi�ca mais com o que você faz, você não cria uma história de perda futura,
você não cria medo, não sofre, você não vive em um sonho mental autocriado!
Você está livre, você está acordado, você está consciente. O mundo muda, você
não, os trabalhos mudam, você não, tudo vem e vai, você não. Você sempre
permanece. Você é a realidade primária em sua própria vida.
Se nos iludirmos sobre quem e o que somos, então criaremos interpretações
delirantes e ilusórias sobre o que está acontecendo “lá fora” no mundo. Nossa
versão da realidade lá fora é distorcida de acordo com nosso senso ilusório de
nós mesmos. Mas tão enraizadas em nossa consciência se encontram todas as
nossas identidades ilusórias, como “Eu sou minha forma, eu sou o que eu faço,
eu sou a minha nacionalidade” etc., que não percebemos que estamos
interpretando e distorcendo o mundo lá fora de acordo com nossa falsa noção
de quem/o que somos “aqui dentro”.
Vivendo em um sonho
Se, por exemplo, aprendemos a acreditar que apenas os grandes
empreendedores são pessoas bem-sucedidas e felizes no mundo, começamos a
nos afobar em nossa própria vida tentando ser um excelente empreendedor.
Começamos a caçar o sucesso aos olhos dos outros para que possamos ser
felizes. Muito provavelmente, será precisobatermos num grande muro de
tijolos chamado estresse para que restauremos nosso bom-senso e o
consequente entendimento de que o sucesso é relativo e nossa felicidade não
depende de nenhuma conquista exterior. Mas vivíamos em um estado de
sonho quando estávamos nos vendo como um “futuro excelente
empreendedor” perseguindo... realizações!
É por isso que o velho clichê “Estou vivendo o sonho” na verdade signi�ca
viver em um estado de irrealidade! Um dia, percebi que não queria nem
precisava “viver o sonho”, o que eu precisava era despertar “do sonho” que já
estou criando e vivendo! Só então é possível estar contente, que é a forma mais
profunda de felicidade. Só então é possível ser alegre, que é a felicidade que
vem de dentro para fora quando você entende que não quer “nada” de
ninguém, quando você entende que não veio para “ganhar a vida”, você veio
para criar sua vida! Ser criativo é o verdadeiro propósito e função da
consciência. Somente quando somos �éis à nossa natureza é que podemos ser
criativos de uma forma alinhada ao nosso eu real e verdadeiro. Só então
podemos conhecer a verdadeira alegria.
Todos esses momentos de desconforto que “insperimentamos” dentro de
nossa consciência são “sinais” primários de que estamos tanto gerando como
participando do sonho criado por nós mesmos. Nós absorvemos as crenças dos
outros em nossa consciência e, ao fazê-lo, sabotamos nossa própria criatividade.
Quando todos possuem as mesmas crenças, sonham quase as mesmas ilusões e
delírios, e o resultado é a confusão, o caos e a loucura que vemos com tanta
frequência no mundo que nos rodeia hoje. E, no entanto, em outro sentido,
um sentido mais verdadeiro, um sentido mais profundo, o mundo não é louco
e caótico, pois tudo o que está acontecendo é exatamente o que está destinado
a acontecer! Nós não chamamos a decadência e a destruição do outono de
loucas ou caóticas, é apenas uma estação do ano chegando no momento
apropriado!
Nosso apego às nossas “crenças virais” garante que não notemos nossas
próprias interpretações errôneas. Não notamos que estamos, em essência,
sonhando o mundo. E quando alguém contesta nossas crenças, isso se torna o
nosso sinal para desencadear a crença de que sempre são as crenças e
interpretações da outra pessoa que são delirantes. Até que um dia começamos a
notar e sentir que algo não está certo, algo não bate, falta algo, algo está me
perturbando e não é lá fora, no mundo. É em mim! Esse sentimento sutil,
aquela intuição silenciosa ou aquele momento do choque com o muro de
tijolos, é um dos primeiros sinais do redespertar de si mesmo. É a alma
acordando para entender que nada mais é do que a própria consciência, e não a
forma ou os muitos rótulos da forma, que todos aprendemos cegamente a
“acreditar” que somos.
No início, cada dia será preenchido com momentos que alternam entre
acordar e dormir, entre consciência e inconsciência, até que você perceba
plenamente a origem e a natureza de todas as ilusões que você criou para
construir seu sonho sobre... você!
Existem quatro práticas que, quando incorporadas em sua vida, garantem
que você gradualmente despertará por completo de seu sono e substituirá o
sonho, que não percebeu que criou subconscientemente, pela realidade. Não
são práticas que possam ter atenção apenas ocasional. Elas exigem atenção
diária. Estas são as quatro práticas que asseguram que o sistema imunológico
da alma recupere e mantenha sua capacidade de acessar as verdades necessárias
para demarcar e extinguir as crenças virais que são causa tanto dos sonhos
como dos desconfortos que ocorrem em nossa consciência.
A primeira prática
MEDITAÇÃO
“Não �que aí sentado, faça alguma coisa” é o mantra de um mundo viciado
em ação e reação. Um mundo que é governado pela crença de que, quando as
coisas não estão funcionando normalmente, “algo deve ser feito e rápido!” Você
já notou que raramente esse tipo de “reatividade” torna o mundo um lugar
melhor, mais amoroso, mais harmonioso? “Não �que aí fazendo alguma coisa,
sente-se” é a sabedoria de uma alma iluminada que entendeu que sua paz, sua
força e sua sabedoria vêm de dentro para fora. Ela aprendeu que a ação
conduzida por uma sabedoria paciente geralmente é mais e�caz do que uma
reação conduzida por um distúrbio emocional.
De muitas formas, a vida só começa quando entendemos que a nossa paz e
força interiores são estados de ser “já presentes”. Não alcançamos tais estados
indo a algum lugar, fazendo alguma coisa ou procurando alguém. Até este
ponto, buscamos paz e força fora de nós mesmos. A abordagem “não �que aí
fazendo alguma coisa, sente-se” não signi�ca que sempre devemos nos sentar
preguiçosamente sem fazer nada e que a vida é �car sentado por um longo
tempo! A ação que é imbuída de paz e moldada pelo poder da nossa sabedoria
é a ação que estende o amor aos outros e não estimula desconforto (emocional)
em nós mesmos.
A meditação é uma forma de se reconectar com esse estado de ser inerente
e poderoso. É uma maneira de restaurar a “verdadeira vibração” da energia da
consciência. A meditação é um modo de “conhecermos” a nós mesmos como
somos, como entidades poderosas, como seres amorosos, como indivíduos
alegres, como entidades intrinsecamente pací�cas, mas proativas. Como vimos,
deixamos de possuir essa capacidade de ser e conhecer o nosso verdadeiro “eu”
assim que fomos ensinados a perder o nosso senso de identidade para qualquer
coisa que não somos!
Todos os dias, o mundo ao seu redor quer que você se identi�que com o
que você não é! Isso é chamado de marketing e publicidade, entretenimento e
política. É o trabalho desses universos mantê-lo adormecido em um estado
semelhante ao de um sonho, mantê-lo adormecido sobre quem você é,
convencendo-o a se identi�car com o que “eles são”, com o que “eles têm”,
com o que “eles fazem” e com o que “eles acreditam”. Entretanto, até mesmo
eles não sabem o que fazem, pois eles próprios estão adormecidos!
“Prática” provavelmente não é a melhor palavra para descrever a meditação.
“Arte” provavelmente é melhor. Em última análise, meditação não é algo que
você faz: é a arte de restaurar o seu verdadeiro “estado de ser”, isto é, ser o seu
verdadeiro “eu”, onde quer que você esteja e durante seja o que for que você
estiver fazendo. A maioria de nós passará a vida inteira tentando ser outra
pessoa. Porque é o que a maioria de nós foi ensinada a acreditar que temos que
fazer para “viver em harmonia”. Portanto, é fácil �car preso à crença de que
“temos de ser bem-sucedidos”. Essa crença nos faz observar outras pessoas para
vermos como elas estão se saindo, nos compararmos com elas e aspirarmos ao
seu sucesso, e no �m nos perguntarmos por que nossa vida não parece ser tão
realizada. É uma montanha-russa mental que basicamente não leva a lugar
nenhum.
Perfeição e beleza
Há um velho ditado que restaura uma verdade para a nossa consciência
que, quando plenamente entendida, nos ajudará a sair dessa montanha-russa
particular. Aqueles que estão tentando “ser alguém” ainda não sabem como “ser”.
Somente quando PARAMOS de tentar ser algo, alguém, uma espécie de
“máquina humana” que é capaz de atrair a atenção e a legitimação dos outros, é
que �nalmente podemos SER nós mesmos. Quando estamos sendo nós
mesmos, percebemos que TUDO o que estávamos buscando anteriormente
tentando ser alguém já está lá. O “TUDO” que já está lá signi�ca que dentro de
nós há uma paz que supera todo o prazer, há um contentamento que supera
todos os outros entusiasmos, há uma serenidade que supera todas as
tranquilidades, há um amor que supera todas as outras afeições. Tudo isso já
está lá dentro do nosso ser!
Estar nesse estado de ser, consequentemente, muda as nossas prioridades, o
nosso propósito e a nossa maneira pessoal de nos relacionarmos com os outros.
No entanto, é melhor não falar sobre isso, apenas vivenciar, até que isso esteja
mais completamente restaurado e você, relativamente estável em um estado tãoliberado. Entre um estágio e outro haverá momentos de oscilação entre o
adormecer e o despertar, entre a consciência de TUDO e inconsciência disso
tudo... por assim dizer! Leva tempo restaurar a perfeição e beleza da virtude ao
nosso caráter. Demora um pouquinho para despertar completamente a nossa
consciência de não ser ninguém nem nada. Demora um pouquinho para
restaurar à nossa consciência a paz, a força e o amor que só podemos
“conhecer” uma vez que entendemos que não somos ninguém!
A arte e a prática da meditação são o cultivo da percepção, a invocação do
entendimento e, então, a subsequente transformação. Não apenas a
transformação do “eu” do indivíduo, à medida que o “eu” restaura a
consciência de sua forma original. Mas as formas de tudo que o indivíduo está
criando, desde pensamentos até atitudes, de percepções a comportamentos, de
crenças a emoções. Há um velho ditado que diz: “Paciência in�nita cria
resultados instantâneos!” A meditação é a paciência instantânea com resultados
in�nitos.
A prática artística da meditação
A meditação é essencialmente a arte de ser! Começa com momentos de
silêncio, em um cantinho sossegado qualquer, sentando-se calmamente e em
silêncio, apenas sendo, tranquilamente! Em seguida, percebendo os hábitos de
fazer que desejam assumir, percebendo os pensamentos e sentimentos que
querem saltar e entrar em ação. Então, gentilmente dizendo a todos: “Não,
agora não, �quem quietos e saibam que eu sou paz”. Quando você estiver em
paz, você saberá que a paz é o que você é. Já não é uma ideia, uma aspiração ou
uma promessa, é o que eu “sou”.
Vivemos no mundo da ação. Vivemos em corpos. Interagimos com os
outros e com as energias naturais do mundo que nos rodeia. Se quisermos nos
libertar de nossos hábitos de apego e identi�cação errônea, de nossos hábitos
de querer e aspirar ser alguém além do que somos, ajuda entender que embora
estejamos no mundo, não somos do mundo. Estamos simplesmente de
passagem.
Na meditação você “verá através” de todas as crenças e imagens ilusórias
que você assimilou e criou “sobre” si mesmo. Você se despirá de todas as ideias
e imagens, lembranças e conceitos que você usou para construir seu senso de
identidade, até que haja apenas a consciência do “eu” que diz “Eu sou”.
Qualquer coisa depois de “eu sou” não é você. É uma �cção, uma construção,
uma invenção da sua imaginação! Tudo o que você diz depois de “eu sou” não é
o que você é. Até mesmo dizer “Eu sou consciência” ou “Eu sou uma alma”
não é verdade, porque são palavras que trazem conceitos. E você/eu/nós não
somos conceitos. Somos criadores de conceitos. O pintor não é a pintura!
Então, quando você se senta para meditar, não tem nenhum objetivo,
nenhuma expectativa, nenhum desejo de qualquer “insperiência” particular.
Sente-se “em” seu corpo, sente-se no trono da sua consciência e apenas observe.
Veja como tudo vem e vai – pensamentos, sentimentos, lembranças, impressões
– todos vêm e vão, levantam-se e caem. Mas note quem está observando.
Quem é que nunca vem e vai? Você. O “eu”. Sim, há um “você”, há um “eu”,
uma noção de “eu”. E está tudo bem. Não tente agarrar. Não busque. Não
espere sentir nada. Não é tão fácil depois de uma vida inteira habitualmente
buscando, agarrando e esperando.
Chegará o momento. Isso ocorrerá. Você verá. Você saberá. Você será.
Apenas seja.
Em última análise, não existe um “jeito certo” de meditar. Então, se isso for
um pouco vago ou um pouco esotérico demais para o seu gosto, separe dez
minutos e tente assim.
Sente-se em um espaço calmo onde você não será perturbado. Deixe seu
corpo tomar a forma da cadeira. Conscientemente relaxe seu corpo na cadeira.
Explore o seu corpo com a sua percepção buscando pontos de rigidez ou
tensão. Permita que o relaxamento ocorra nesses pontos. Agora, deixe sua
atenção acompanhar sua respiração. Apenas por alguns momentos. Concentre-
se suavemente na sua respiração. Não separe o “inspire” do “expire”. Observe
como um movimento completo. Enquanto faz isso, notará que você se torna
ainda mais relaxado. Então, traga sua atenção para si mesmo. Perceba você
mesmo sendo... consciente. Então, crie um pensamento dentro de sua
consciência: “Eu sou um ser de paz”. Permita que esse pensamento receba a
energia da sua atenção. Como se estivesse regando uma �or, deixe esse
pensamento crescer, dando-lhe a água da sua atenção. Aumente o brilho desse
pensamento. Se você se distrair ou sua atenção se desviar, volte e comece de
novo. Então, depois de alguns momentos, deixe o pensamento se dissolver.
Deixe-o desaparecer no fundo suavemente. Observe o que resta. Um
“sentimento” de paz. Há apenas um sentimento de paz profunda. A mente está
quieta. Há uma quietude aqui no âmago do seu ser. Você está silencioso e
calmo. Silencioso e calmo. Silencioso... e... calmo. Permaneça nessa quietude.
Ouça o silêncio. Em seguida, traga sua consciência de volta ao seu corpo, à
cadeira, à sala ao seu redor. Volte para o aqui e agora da sala ao seu redor. Mas
traga essa quietude com você. Quando você olhar através de seus olhos, olhe
com essa quietude. Quando você escutar com seus ouvidos, escute com essa
quietude. Quando falar, fale com essa quietude. Em seguida, note como sua
quietude entra na sala e como aqueles ao seu redor se tornam um pouco mais
tranquilos, um pouco mais calmos eles próprios. Por um instante, pelo menos.
A segunda prática
CONTEMPLAÇÃO
A meditação não é o bastante para despertá-lo totalmente para ser quem
você é, que é ninguém e nada. Não é o bastante para garantir que você
permaneça acordado e consciente de forma con�ável em todas as situações e
circunstâncias. Ela deve ser combinada com outras três práticas: contemplação,
aplicação e contribuição. Contemplação signi�ca olhar de vez em quando para
o in�nito enquanto você faz uma de duas coisas:
Re�etir sobre uma experiência que acabou de acontecer
Por exemplo, você �cou aborrecido com alguém. Mas qual foi exatamente
a emoção? Especi�que o desconforto que você sentiu! Por que você sofreu?
Você consegue enxergar o que foi que VOCÊ pensou ou fez que resultou em que
VOCÊ �casse aborrecido, e não o outro? Por quê? O que, dentro de você, fez
você reagir? Existe um padrão aí? Havia algo que você queria ou acreditava que
não estava recebendo? Quem você estava tentando ser quando você reagiu?
Você consegue enxergar que seu momento de desconforto surgiu porque você
estava tentando ser alguém que você não é?
Pegue leve no seu autoquestionamento re�exivo e contemplativo. Seja
curiosamente deslumbrado, mas não obsessivamente investigativo.
Leia e re�ita sobre a sabedoria do outro
Escolha uma pequena pepita de sabedoria de outra pessoa e “garimpe” por
signi�cado e insight em sua própria consciência. O que essa pessoa diz é
verdadeiro para você? Se não, por que não? Existe uma razão pela qual você
concorda tão fortemente com ela? Existe uma razão pela qual você se opõe ao
que ela sugere? O que mais essa sabedoria revela? Para onde isso o leva a seguir?
A contemplação interior é o equivalente espiritual ao estudo acadêmico no
mundo. Mas está longe de ser acadêmica. Ela produz momentos em que você
enxerga e compreende um signi�cado mais profundo do que pensou que sabia,
um insight mais profundo daquilo que você tomou ao pé da letra, surgem
“estalos” de percepção, o entendimento ocorre. A contemplação ajuda você a
reinterpretar o mundo e a sua experiência do mundo de forma mais acurada e,
ao fazê-lo, revela exatamente como você cria o mundo... dentro de você!
Na contemplação, você está revendo, re�etindo e pensando, enquanto que,
na meditação, você está indo além das limitações da memória e do
pensamento. Na contemplação, você está explorando as conexões entre insights,
gerando um novo signi�cado. Na meditação, você não está procurando por
nada, não está querendo nada. Na meditação, você acessa sua força interior. Na
contemplação, você está acessando a sua sabedoria interior. Força e sabedoriasão inestimáveis recursos interiores de que você dispõe. Mas somente você pode
acessá-los para si mesmo. É por isso que a espiritualidade, ou o “despertar” para
a verdade de que o espírito é o que você é, jamais poderia ser uma disciplina
acadêmica.
Lembre-se de que você não está tentando mudar a si mesmo. Você está
despertando para quem você é e tem sido o tempo todo. As práticas da
meditação e da contemplação irão despertá-lo de seus sonhos, enquanto o
ajudam a “descartar” todas as suas ilusões. Se você assim o desejar!
A terceira prática
APLICAÇÃO
Embora costume haver padrões na forma como vivemos que fazem com
que cada dia pareça semelhante ao anterior, na realidade todos os dias são
diferentes. Todo momento é único, e nunca mais será repetido. Cada ação e
interação é diferente. É por isso que todos os dias e todas as interações são uma
oportunidade para aplicar o que você está entendendo. À medida que você
desperta a sua consciência para verdades mais profundas através da meditação e
da contemplação, você está invocando e evocando o entendimento. Você
começa a enxergar claramente o que é verdadeiro em vez do que é falso. Se
você não age com base no que você está entendendo e redescobrindo dentro de
si mesmo, perde a oportunidade de criar uma ponte entre a teoria e a prática,
entre o ideal e o real, entre viver sonhando e estar completamente desperto na
vida.
As velhas tendências e características, todos esses antigos vícios da sua
personalidade, somente se afastam por completo quando há uma nova atitude,
moldada por seus entendimentos pessoais do que é verdade. Elas perdem o
controle sobre VOCÊ. Como um conjunto de correntes fechadas com cadeado
envolvendo o seu corpo, o cadeado chamado “crença” se abre num clique, e as
correntes de todas as ilusões que surgem de todas essas “crenças virais” caem
por terra, libertando-o. Com essa liberdade, vem uma paz e contentamento
que são tão naturais quanto a cor amarela o é para um narciso. Mas só acontece
quando você age com base no que entende, somente quando você
conscientemente permite que o entendimento de sua verdade conduza e molde
suas atitudes e comportamentos.
Todos os dias oferecem inúmeras oportunidades para você ser o seu “eu”
natural e despertado; para trazer sua verdadeira natureza, que é pací�ca,
amorosa e alegre, aos seus intercâmbios com os outros. Então, você também irá
notar por que, em alguns momentos e em algumas situações, você ainda não
conseguiu fazer isso.
Lembre-se, você não está aplicando e praticando a �m de mudar o seu
“eu”, mas para “revelar e restaurar” o seu estado de ser estável e imutável, que
ESTAVA e ESTÁ sempre aí! Às vezes, você só tem de estar consciente do que está
no caminho, simplesmente porque, em tais momentos, o que ESTÁ no caminho
É o caminho!
Três perguntas para re�exão sobre a aplicação de seus entendimentos:
1) O que esperar do dia à frente?
2) Liste as situações especí�cas nas quais você poderia aplicar o que você
entendeu.
3) Atribua um entendimento a cada situação.
A quarta prática
CONTRIBUIÇÃO
Assim que nascemos, a grande maioria de nós vem ao mundo num
determinado “sistema de crenças virais”. É um sistema de crenças que é
responsável pela destruição de incontáveis vidas, para não mencionar a
devastação diária da felicidade humana para bilhões de pessoas. É um sistema
que diz “para viver uma vida feliz, você deve desejar e adquirir, acumular e
possuir”. Ninguém parece ser capaz de explicar que seguir esse “decreto viral”,
que está incorporado à cultura de quase todas as sociedades, é ir contra o veio
da própria vida. É desa�ar a natureza, tanto a natureza do “eu” como a
natureza do mundo.
É da nossa natureza doar, irradiar nossa energia, para o mundo de nossos
relacionamentos com os outros e para o próprio mundo. Não é da nossa
natureza tentar trazer o mundo para nós. Ainda assim, a maioria de nós cresce
e vive com a inclinação de tentar obter algo do mundo, adquirir algo de
alguém no mundo, acreditando que é assim que a vida funciona. Nós não nos
damos conta de que essa crença viral e intenção são a raiz da maior parte do
nosso estresse e sofrimento diários. É o que literalmente nos torna infelizes. É
tanto o sintoma como a causa de todos os nossos momentos de desconforto em
todos os nossos relacionamentos. Sim, um momento de aquisição nos causa
um barato, nos proporciona um ânimo, um incentivo que alguns chamariam
de felicidade. Mas não é felicidade real, é apenas estímulo, e é por isso que não
dura e porque também desenvolvemos em nossa personalidade o hábito de
“ansiar por mais”. Independentemente do que acreditamos ter adquirido, nós
continuamos querendo mais.
Portanto, é altamente recomendável que você encontre um contexto em
sua vida no qual você apenas doe. Não querendo absolutamente nada em troca.
O que você doa pode ser em qualquer nível – tempo, energia, ajuda, conselho,
apoio. Aqui o que importa é a intenção. É a linha da intenção à ação que
requer a motivação “para doar” sem nenhuma expectativa de receber qualquer
coisa em troca. A satisfação resultante que vem de dentro é o sinal de que o
vício de querer e receber está perdendo o poder de governar seu
comportamento e, portanto, perdendo o poder de torná-lo infeliz! Tudo o que
você precisa fazer é veri�car se você tem alguma segunda intenção por trás de
sua contribuição altruísta. Uma segunda intenção sutil. Fique atento a
qualquer tipo de expectativa, já que esse é o primeiro sintoma do inevitável
desconforto!
Você rapidamente começará a notar três coisas. Primeiro, há um
sentimento que vem bem lá do fundo. É o sentimento de seu “poder de doar”.
Ele eventualmente virá acompanhado de uma clara percepção do seu imenso
valor. Em segundo lugar, desenvolve-se uma valorização e uma compreensão
maiores e mais profundas pelo que os outros estão passando, já que você sente
naturalmente empatia (não simpatia) para com aqueles aos quais você está
estendendo o seu “eu”. Em terceiro lugar, os antigos vícios de “Me dá! Me dá!
Me dá!”, os velhos �os do querer e desejar, que anteriormente costuravam o
manto de sua personalidade, começam a atro�ar e perder o controle sobre os
seus motivos e intenções. A infelicidade está a caminho da porta de saída, pois
toda infelicidade é essencialmente derivada da “crença” de que eu não estou
obtendo o que “eu quero”!
As quatro por dia!
E mais outra
É a combinação de todas as quatro práticas anteriores que é útil para
facilitar e sustentar o seu despertar e a cura de todos os desconfortos da alma
que analisamos neste livro, e mais!
Se você quiser acelerar todo o processo, existe uma quinta prática.
Relacionar-se com pessoas que também estão praticando com a intenção de
despertar. Estar no “campo de energia” de pessoas com a mesma intenção e
foco espiritual, a mesma motivação e interesse, é como aquelas pequenas
partículas que são lançadas pelos túneis do CERN na Suíça. É a presença de um
poderoso campo eletromagnético que as fazem mover-se mais rápido. Da
mesma forma, é o “campo de energia espiritual” de uma comunidade de
pessoas que estão despertando que tanto aprofunda como acelera o nosso
processo pessoal. Não que estejamos com pressa, é claro.
As partículas no CERN também são controladas para colidirem
deliberadamente a �m de que os cientistas possam observar o comportamento
resultante. Em uma comunidade espiritual não há intenção deliberada de haver
colisão entre as pessoas, mas haverá momentos inevitáveis em que as
personalidades começarão a se atritar umas com as outras, irritando-se
mutuamente e, sim, uma “colisão” pode acontecer vez por outra. Não por meio
de violência física, nada disso, apenas por se encontrarem e serem espelhos uma
para a outra. Esses momentos são inestimáveis, porque nos dão a oportunidade
de observar, examinar e compreender o nosso próprio comportamento, as
nossas próprias reações. Só então podemos ter uma noção de quão acordados e
conscientes nós estamos.Somente em tais momentos podemos obter alguma
medida do nosso progresso enquanto revigoramos e restauramos o sistema
imunológico da alma ao pleno funcionamento!
Só então sabemos quão bem estamos em nosso ser.
Treine você mesmo para o bem-estar
A última década viu um boom do coaching. Em parte, por causa do
reconhecimento de que podemos ajudar uns aos outros a despertar para todo o
nosso potencial. Em parte, porque um número cada vez maior de pessoas
busca mudar a trajetória de sua vida e criar uma carreira que seja de maior
utilidade para os outros. O coaching tornou-se uma “febre”: todos o almejam e
desejam praticá-lo.
Mas, da mesma forma que o aconselhamento, o coaching não é uma
habilidade ou uma arte que possa ser dominada em um seminário de �m de
semana ou mesmo ao longo de uma série de o�cinas formais. Só é
verdadeiramente desenvolvido em paralelo com uma percepção
deliberadamente cultivada do que está acontecendo dentro de si mesmo, bem
como o envolvimento frequente com os outros em conversas sobre assuntos
espirituais profundos!
Então, aqui está sua oportunidade de praticar em si mesmo um pouco de
autocoaching. Isso se encaixaria com perfeição na segunda prática, a de
CONTEMPLAÇÃO. Uma das principais habilidades de um grande treinador é a
capacidade de fazer a pergunta certa para permitir que o aprendiz encontre suas
próprias respostas, para gerar seus próprios “entendimentos”. O exercício a
seguir é sobre felicidade. Todos os desconfortos que temos explorado aqui
também são sintomas da perda de felicidade pessoal. A causa, como já vimos, é
sempre um conjunto de crenças virais que nós assimilamos e fortalecemos,
permitindo que moldem nossos sentimentos, pensamentos e ações.
Quando se trata de felicidade, as crenças que “interferem” não são apenas
virais, são “tóxicas” para nossa consciência. Então, aqui, nesta última parte do
nosso tempo juntos, há algumas re�exões sobre a felicidade autêntica e algumas
das crenças mais tóxicas que a “matam”. Há perguntas para sua própria
contemplação pessoal e re�exão. Perguntas que, se você as utilizar de forma
e�caz, deverão levá-lo a lembrar, entender e revelar as verdades que você já
conhece profundamente dentro de si.
Se você já não soubesse o que é verdadeiro, você se comportaria como uma
pessoa louca, sem noção de como pensar, relacionar-se e viver neste mundo.
Você praticamente não teria nenhuma inteligência. A verdade é a única cura
para as crenças virais e tóxicas que causam todos os nossos desconfortos e, no
�nal das contas, todas as doenças físicas. Ela só precisa ser entendida e trazida
de volta à vida e você recuperará o seu bem-estar.
Desintoxicando a consciência para restaurar a felicidade autêntica
Se alguém lhe dissesse que você é feliz para sempre, mesmo quando está
vivenciando sentimentos de desespero, depressão, e está, como dizem,
“arrasado”, você acreditaria? Se alguém lhe dissesse que a felicidade é a sua real,
verdadeira, subjacente, original e eterna natureza, apesar do seu estado de
espírito lamuriento predominante ou da concretude daquelas mazelas
cotidianas, você acreditaria? Se alguém lhe dissesse que o Santo Graal da
felicidade tem estado dentro do seu coração esse tempo todo, apesar do mundo
convencê-lo de que você só pode encontrá-lo em uma loja de departamentos,
você acreditaria?
Quase tudo o que fazemos e perseguimos é motivado pela busca da
felicidade. No entanto, parece que ninguém conseguiu nos explicar o que a
felicidade é exatamente ou como vivê-la precisamente. Como consequência, ela
tem sido confundida com muitos outros sentimentos, nublada por muitas
falsas promessas e perdida na névoa de diversas ilusões.
A felicidade é um estado de ser. Mas é difícil de�nir uma descrição precisa
da felicidade, pois é um estado que você “sente” e as palavras que usamos para
diferentes sentimentos signi�cam coisas diferentes para pessoas diferentes. Mas
aqui vai minha de�nição, assim mesmo. Veja se ela lhe parece “certa”!
Se você se sentar e re�etir sobre “o que é felicidade”, por alguns momentos,
pelo menos, é provável que você pense em três sentimentos predominantes
quando é autenticamente feliz: contentamento, alegria e êxtase. Não
contentamento como numa espécie de preguiça soporí�ca, não alegria como
num grito de empolgação quando o novo bebê chega, não o êxtase como num
estado induzido por substâncias químicas ou quando o seu time vence! Então,
que tipo de contentamento, alegria e êxtase?
A felicidade autêntica inclui um CONTENTAMENTO que ocorre
naturalmente quando nada nem ninguém pode incomodá-lo. Você não tem
mais nenhum calo que possa ser pisado! É um contentamento que só é possível
quando você não “deseja” coisa alguma nem ninguém simplesmente porque
você entendeu que não “precisa” de nada ou de outra pessoa para “fazer você”...
feliz! Enquanto houver desejo, haverá sempre algum descontentamento!
O contentamento ocorre quando você é capaz de aceitar todos como são e
tudo como está, em todas as ocasiões, em todos os lugares, em todos os
momentos! Lembre-se: a aceitação não signi�ca que você concorda com os
outros ou que você tolera o que outros fazem. É uma aceitação serena nascida
do reconhecimento de que, nas palavras em desiderata, tudo está acontecendo
exatamente como deveria. Parece fácil, mas não é, simplesmente porque o
trabalho que precisamos fazer inclui não se apegar a nenhuma ideia de como
queremos que o mundo e outras pessoas sejam, e não se identi�car com nada
ou com ninguém no mundo! Tal trabalho interior não é café pequeno!
A felicidade autêntica inclui uma ALEGRIA que surge naturalmente lá do
fundo do nosso ser quando estamos envolvidos no processo do que
você/eu/nós somos projetados para fazer, que é “ser criativo”. Não criativo
como na pintura e na poesia, ou noutra realização no mundo. Mas a forma
mais profunda de criatividade, que traz a sua verdadeira natureza, o seu estado
verdadeiro, que é pací�co e amoroso, ao mundo através de diferentes formas,
incluindo as formas de suas intenções, as formas dos seus pensamentos, as
formas das suas atitudes e as formas dos seus comportamentos. Estas são as
formas primárias que todos criamos. Elas são as formas de vida e de viver que
cada um de nós tem a oportunidade de criar simplesmente por estar vivo. No
entanto, o reconhecimento desse nível de criatividade só ocorre quando
entendemos que nós mesmos não somos uma “forma física”, e sim, a energia da
consciência, a energia do ser sem forma às vezes chamada de alma. Esta é a
energia espiritual que “nós somos” enquanto animamos e “atravessamos” a
forma física que ocupamos. A alegria começa a surgir novamente de dentro
quando há o entendimento de que eu não vim para ter uma vida, eu vim criar
uma vida, com os outros.
A felicidade autêntica inclui um ÊXTASE que surge naturalmente, desde que
permaneçamos internamente livres. Observe e ouça as pequenas andorinhas em
uma quente noite de verão enquanto aprendem a voar. Ouça-as chilrear em
êxtase enquanto ziguezagueiam pelo céu. Elas estão se “deleitando” com a
liberdade de voar. É uma grande metáfora para o espírito, para a nossa vida.
Nós experimentamos o deleite e o êxtase desse tipo de liberdade, mas apenas
muito ocasionalmente. Por quê? Porque na maioria das vezes não estamos
interiormente livres. Por quê? Porque aprendemos a nos apegar e, portanto,
temos receio de perder os objetos de nosso apego. É um apego que nos
mantém ancorados e ainda inseguros. Sabotamos nossa própria liberdade
interior com qualquer forma de apego. Onde há apego, há medo e, onde há
medo, não pode haver felicidade autêntica.
O estado natural da felicidade
Há uma ideia, alguns chamam isso de insight, outros chamam de
obviedade, que diz que a consciência (o “eu”) começa como água: pura e
natural, livre de todas as toxinas ou qualquer tipo de poluição. É somente ao
longo do tempo, depois que a água chega à terra, caída das nuvens lá em cima,
que ela começa a absorver eser poluída por uma variedade de toxinas. Como
resultado, ela perde sua pureza, sua naturalidade. Seu estado original é
comprometido. Hoje em dia, somos muito conscientes de todas as toxinas que
a nossa água contém. Muitas pessoas gastam rios de dinheiro em sistemas de
puri�cação de água para que sua saúde física não seja abalada. Elas tentam
extrair as sete toxinas que, segundo dizem, são encontradas hoje na água que
sai da nossa torneira: �úor, cloro, substâncias radioativas, produtos
farmacêuticos, cromo, metais pesados e arsênico – mas provavelmente há mais!
Poderia ocorrer um processo semelhante com o que chamamos de
felicidade? Poderia ser a felicidade um estado original, puro e natural da...
consciência? É possível que a nossa consciência tenha sido poluída e
comprometida por uma variedade de toxinas? Cada um de nós não pode saber
a resposta a essas questões até que examinemos no laboratório de nossa
consciência, o nosso “eu”, realizemos nossas próprias investigações e
enxerguemos por nós mesmos. Artigos e livros, seminários e retiros podem
“nos ajudar”; a prática de meditação e de contemplação pode nos auxiliar a
buscar a direção certa, a reconhecer se é verdade ou não. Mas somente quando
podemos “enxergar” e “entender” por nós mesmos o que está sabotando a nossa
“felicidade natural”, nosso estado de pura felicidade, é que podemos eliminar as
toxinas e nos libertar.
Um dos principais objetivos do coaching efetivo é ajudar o aprendiz a fazer
a si mesmo as perguntas certas para que ele possa aprimorar a sua
autopercepção e cultivar os “entendimentos perspicazes” do que está
atrapalhando a sua felicidade. Então, vamos testar a teoria “a felicidade é
natural” e ver se podemos encontrar as perguntas certas que, quando aplicadas
de forma autorre�exiva, podem nos ajudar a reconhecer as toxinas na nossa
consciência que estão poluindo e envenenando o nosso estado natural de
felicidade.
Enquanto a água que sai da nossa torneira “parece” ser pura, ao mesmo
tempo nós estamos cientes de que ela não é. Mais ou menos a mesma coisa
acontece com o nosso estado de felicidade. O que nos “parece” ser sentimentos
de felicidade em geral não são nosso verdadeiro e natural estado de felicidade.
Um dos sinais de que a felicidade que acreditamos que estamos sentindo não é
“autêntica” é que os nossos sentimentos normalmente dependem de algo ou de
alguém “lá fora”. Não há uniformidade, já que o que acreditamos ser um
sentimento de felicidade vem e vai. Ele aumenta e diminui de intensidade. Não
é um sentimento energizante, pelo contrário: ele nos drena ao longo do tempo.
Se você observar esses sintomas, signi�ca que algo tóxico poluiu a sua
consciência. Essas toxinas são outro conjunto de crenças aprendidas. Parece
haver uma variedade de “crenças tóxicas” que estão por trás do hábito de criar
“falsa felicidade”. Aqui estão sete das principais crenças tóxicas que se
instalaram em nossa consciência. São toxinas populares que todos nós temos a
tendência de absorver, principalmente quando jovens. Veja se você as
reconhece em si mesmo.
Crença tóxica n. 1: Adquirir me faz feliz!
Acreditamos que se adquirirmos certos objetos, certos “parceiros”, nós
encontraremos a felicidade. Entretanto, a maioria das pessoas que adquirirem
mais do que precisam geralmente con�rmará que a aquisição apenas traz um
estímulo temporário, na melhor das hipóteses, e uma falsa sensação de
segurança, na pior. Isso também traz um aumento de responsabilidade no
sentido de ter mais coisas para pensar a respeito, o que, para muitos, são coisas
“com as quais se preocupar”! E, se não tomarmos cuidado, usamos facilmente
nossas aquisições para criar uma falsa autoimagem enquanto tentamos
impressionar os outros. Confundimos a nossa riqueza com o nosso valor! No
entanto, pode ser uma maneira viciante de tentar ser feliz, porque sempre
existe aquele “baratinho inicial” proporcionado por uma nova aquisição. Mas
ele sempre se esvai. Portanto, a crença tóxica de que a aquisição traz felicidade
deve ser eliminada, caso contrário, podemos nos tornar viciados em acumular!
As questões de coaching para autorre�exão: O que você quer que você
“acredita” que o fará feliz? Faça uma lista. Então, pergunte a si mesmo se você
tem certeza de que essas coisas lhe trarão autêntica felicidade. Se não, por que
não trarão?
Crença tóxica n. 2: Conquistas me fazem feliz
Esta é a crença que nos faz continuamente traçar objetivos, e então gastar o
nosso tempo e energia para nos esforçarmos e batalharmos para conquistá-los.
Não é uma coisa ruim, alguns diriam. É importante concentrar a sua energia,
diriam outros. No entanto, quando acreditamos que as conquistas nos trazem
felicidade e concentramos tempo e energia em alcançá-las, temos a tendência
de fazer duas coisas que garantirão a nossa infelicidade. Costumamos adiar a
nossa felicidade até que o objetivo tenha sido atingido. Provavelmente
criaremos um medo em particular ao longo do caminho conhecido como a
preocupação de que talvez não consigamos atingir tal objetivo. Às vezes, uma
crença mais sutil entra em ação. Ela diz que você precisa “merecer” ser feliz.
Isso signi�ca que você tem que trabalhar duro para ser feliz, você tem que fazer
por merecer a sua felicidade. Isso é muitas vezes referido como a ética puritana
do trabalho! Quase uma garantia infalível de infelicidade perpétua!
As questões de coaching para autorre�exão: O que você pretende
conquistar que você acredita que o fará feliz? Faça uma lista. Então, pergunte a
si mesmo se você tem certeza de que essas conquistas o farão feliz. Se não, por
que não farão?
Crença tóxica n. 3: Emoção é igual a felicidade
Esta crença tende a ser aprendida quando somos muito jovens. Os pais
simplesmente passam a ilusão de que emoção é felicidade quando nos levam ao
nosso primeiro circo ou evento esportivo. Eles �cam empolgados e chamam
isso de felicidade, então, acreditamos neles. Mal sabem eles o que estão nos
ensinando! A empolgação é o que acontece quando a água na chaleira ferve. As
moléculas estão excitadas, estão agitadas. Mas a felicidade para um ser humano
não é agitação. A felicidade é, como vimos anteriormente, um estado de
contentamento com um �uxo natural de alegria do nosso coração para o
mundo.
As questões de coaching para autorre�exão: O que você usa para se
empolgar acreditando que isso faz você feliz? Faça uma lista. Então, pergunte a
si mesmo se você tem certeza de que essas empolgações são a verdadeira
felicidade. Se não, por que não são?
Crença tóxica n. 4: A felicidade depende dos outros
Todos já passamos por momentos em que dissemos: “Fiquei tão feliz
quando você disse aquilo! Você me deixou tão feliz!” Será mesmo? Alguém
mais o faz feliz? Assim parece. E é isso que foi ensinado à maioria de nós. Nós
esquecemos que somos nós mesmos os responsáveis pelo nosso próprio estado
de ser, portanto, nosso estado de felicidade. Quando tornamos nossos
sentimentos dependentes do que outras pessoas dizem e de seu comportamento
em relação a nós, essa provavelmente é uma das toxinas mais difíceis de
eliminar da nossa consciência. Uma pergunta pode iniciar o processo de
autolibertação: “Quem exatamente é responsável por minha felicidade
pessoal?” Você pode sentir-se contente, não importa o que alguém diga ou
faça? Se não, por que não? O que dentro de nós é tão dependente do que os
outros dizem e fazem? Talvez uma outra questão útil para a re�exão seja: O que
“parece” estar faltando dentro de nós? O que está nublando a nossa percepção
do nosso contentamento natural?
Mais questões de coaching para autorre�exão: De quem você depende
na sua vida para ser feliz? Faça uma lista. Então, pergunte a si mesmo se essas
pessoas realmente o fazem feliz. Elas são realmente responsáveis pela sua
felicidade? Se não, por que não são?
Crença tóxica n. 5: A felicidade é o resultado do apego
“Isso é meu, eles são meus, esta casa é minha, meu carro, meu dinheiro,
meu parceiro, meus�lhos.” Geralmente esses são momentos em que realmente
estamos dizendo que precisamos estar apegados a essas coisas para sermos
felizes. Como sabemos que todas “propriedades”, todo o apego, só nos trazem
infelicidade? Porque haverá momentos frequentes de ansiedade, tensão,
preocupação e até mesmo pânico, pois “tememos” perder aquilo a que estamos
apegados. Cada um desses momentos são momentos infelizes. O que acontece
é que, de alguma forma, aprendemos a tolerar tais sentimentos e até
começamos a acreditar que eles são “naturais”. Podemos até mesmo assistir a
um �lme de terror, ter sentimentos de medo evocados, e depois chamar isso de
felicidade quando contamos aos outros como o �lme foi legal!
As questões de coaching para autorre�exão: A que eu estou apegado e
acredito que está me trazendo felicidade? Faça uma lista. Então, pergunte a si
mesmo se tem certeza de que isso o faz feliz e se você poderia ser feliz sem isso.
Se não, por que não?
Crença tóxica n. 6: A felicidade é o alívio da dor ou do sofrimento
Talvez a confusão mais comum em torno da felicidade seja quando alguma
dor ou sofrimento cessa e nós dizemos: “Estou tão feliz que a dor tenha
passado”. No entanto, o alívio da dor nunca pode ser autêntica felicidade,
apenas um alívio temporário da infelicidade. A autêntica felicidade só é
possível quando somos capazes de aceitar a inevitabilidade da dor física e
quando entendemos e aplicamos a sabedoria para não criar mais sofrimento. A
dor é física, e é por isso que inevitavelmente acontecerá em algum momento.
Mas o sofrimento é mental e emocional, e é sempre inteiramente fruto de
nossa própria criação. O que ocorre é que achamos difícil enxergar através das
névoas da ilusão primária de que outras pessoas são responsáveis por nossos
sentimentos. Quando o fazemos, isso marca o início do �m do nosso
“sofrimento”, que é, de fato, o �m da infelicidade.
As questões de coaching para autorre�exão: Quais formas de dor estou
ansioso para cessar para que eu possa ser feliz? Existe uma lista? Você pode
decidir aceitar a dor aqui e agora neste momento? Você consegue discernir
como você se faz sofrer? Descreva isso!
Crença tóxica n. 7: A felicidade só é possível quando há sucesso
Brilhantemente condicionados a acreditar que o mundo e a vida são
inatamente competitivos, muitos de nós desenvolvem a crença de que sucesso é
igual a ganhar. Isso incluiria, e geralmente inclui, ganhar a nossa sobrevivência!
Então, vivemos com medo de perder, medo de não sobreviver, o que cria
muitos momentos infelizes. Então, começamos a comparar o nosso sucesso
com o sucesso dos outros, provocando ainda mais momentos infelizes!
Tentar ser mais bem-sucedido hoje do que ontem, aspirar ter mais sucesso
do que os outros, é o que transforma a vida em uma jornada ultrasséria, uma
expedição sem diversão, uma estada descontente. Você só precisa olhar para as
expressões dos nossos chamados heróis do esporte enquanto eles participam de
seus jogos em nome do “sucesso” para enxergar a total ausência de uma
felicidade natural e autêntica. Ainda assim, acreditamos que o seu sucesso lhes
traz muita felicidade! Então, começamos a acreditar que a dor de toda a tensão
é o único caminho para o sucesso e, portanto, para a felicidade. Então,
começamos a nos tornar extremamente infelizes a �m de sermos felizes!
Só dá mesmo para rir... quando enxergamos isso sob essa ótica!
As questões de coaching para autorre�exão: Que tipo de triunfos estou
lutando para obter com a crença de que me trarão felicidade? Faça uma lista.
Então, pergunte a si mesmo se você tem certeza de que eles trarão felicidade
real, autêntica e natural. Se não, por que não trarão?
Provavelmente, há mais do que sete crenças tóxicas contaminando a nossa
consciência e sabotando o nosso estado natural de contentamento, nossa pura
alegria, nossa felicidade original. Mas reconhecê-las e perceber como elas estão
induzindo sentimentos de descontentamento, falta de alegria e momentos
frequentes de mau humor é o primeiro passo para a puri�cação da nossa
consciência.
Assim como valorizamos a água pura em vez da água contaminada,
também o processo espiritual de puri�cação da nossa consciência inclui a
eliminação das crenças virais e tóxicas que foram absorvidas ao longo do
caminho.
As perguntas fornecem placas de sinalização para re�exão que você pode
usar para aprofundar sua percepção e evocar seus próprios entendimentos. No
entanto, é igualmente necessário o tempo gasto nesse estado mais profundo de
consciência. É nos momentos de meditação que é possível acessar e saborear o
nosso estado de ser original e livre de poluição. Quanto mais você o �zer, mais
fácil irá se tornar reconhecer, extrair e eliminar qualquer coisa que polua esse
estado.
Fique bem, permaneça bem, siga bem...
e obrigado por ler!
O SISTEMA IMUNOLÓGICO DA ALMA
Realize o seu diagnóstico
Parte I
Este é um exercício de percepção que permite que você enxergue qual
forma de desconforto que você “insperimenta” mais e o que você precisa
entender para retornar a um estado de conforto!
Cruze os sintomas abaixo com os desconfortos na página ao lado.
Os pensamentos estão entre aspas – As emoções estão em itálico – A
verdade está em negrito
O SISTEMA IMUNOLÓGICO DA ALMA
Realize o seu diagnóstico
Parte II
Cruze os sintomas abaixo com os desconfortos na página ao lado.
Os pensamentos estão entre aspas – As emoções estão em itálico – A
verdade está em negrito
Agradecimentos e links
Agradeço a alguns dos centros de retiro mais poderosos e bonitos onde
você pode encontrar o espaço “para ser” e a clareza “para enxergar”, durante
muitos tipos de retiros de �m de semana!
• Reino Unido: www.globalretreatcentre.com
• Estados Unidos: (Costa Leste) www.peacevillageretreat.org – (Costa
Oeste) www.anubhutiretreatcenter.org
• Austrália: www.brahmakumaris.org/au/spiritual-retreats (três centros de
retiro)
• Itália: www.casasangam.org
Agradeço a Lucinda e Andy pelo tipo de música que penetra no seu
coração e nutre a alma. – www.blissfulmusic.com
Agradeço a Marneta por mostrar a todos nós como alcançar os corações das
crianças do mundo. – www.relaxkids.com
Agradeço aos centros Brahma Kumaris, onde qualquer pessoa pode receber
ensinamentos gratuitos de meditação e começar desde uma simples prática de
meditação até uma jornada espiritual pessoal em 90 países diferentes. –
www.bkwsu.org
Agradeço imensamente ao Ammerdown Retreat Center – um oásis de
calma e tranquilidade onde podemos nos reunir para um retiro íntimo, como
fazemos todo mês de agosto, todos os anos. – www.ammerdown.org
http://www.globalretreatcentre.com/
http://www.peacevillageretreat.org/
http://www.anubhutiretreatcenter.org/
http://www.brahmakumaris.org/au/spiritual-retreats
http://www.casasangam.org/
http://www.blissfulmusic.com/
http://www.relaxkids.com/
http://www.bkwsu.org/
http://www.ammerdown.org/
Meu profundo apreço por todo o trabalho dos amigos do Comic Relief,
por eles levarem nossa contribuição �nanceira e nossa compaixão a um mundo
de privações e violência que é o destino de tantas crianças. –
www.comicrelief.com
E, por �m, parabéns e obrigado a Piero Musini por criar a “Santa Pasta”, a
nova rainha das massas – a mais saudável, a mais saborosa e elaborada com as
mais elevadas energias e da maneira mais orgânica! – www.santapasta.it
http://www.comicrelief.com/
http://www.santapasta.it/
Textos de capa
Contracapa
Mike George elenca 12 doenças que nós aprendemos a criar e nos fazem
sofrer. Cada uma tem sua causa e seu sintoma. Alguns dirão que existe uma
ligação direta entre as doenças do corpo e as doenças da alma, que as doenças
da alma são a verdadeira causa das doenças do corpo. Isso hoje parece uma
verdade óbvia.
O objetivo desta obra é ajudá-lo a identi�car as várias doenças que você
desenvolveu em si mesmo, o ser espiritual e, então, você poderá traçar seus
próprios passos para restaurar o estado de bem-estar de si mesmo.
Os 12 desconfortosda alma:
1) “Eu devo ter mais”
O desconforto do VÍCIO.
2) “Isso pertence a mim!”
O desconforto da CEGUEIRA.
3) “Perdi algo muito importante”
O desconforto do CORAÇÃO.
4) “Algo terrível está prestes a acontecer”
O desconforto da PARALISIA.
5) “Eles deveriam fazer o que eu quero”
O desconforto da INSANIDADE.
6) “Eu não mereço tamanha bondade”
O desconforto do DIABETES.
7) “Eu �z algo errado, então eu sou mau”
O desconforto de estar INCAPACITADO.
8) “Ah, não, eles de novo, não!”
O desconforto da ALERGIA.
9) “Espere até eu contar pros outros!”
O desconforto da INCONTINÊNCIA.
10) “Eu preciso saber mais!”
O desconforto da INDIGESTÃO.
11) “Eu sempre estou certo”
O desconforto da ARTRITE.
12) “Eu não posso dar amor, esse não sou eu!”
O desconforto da ASMA.
Orelhas
Dedicado a VOCÊ!
É lamentável, mas não de se surpreender, que na maior parte do tempo não
estejamos conscientes de como, com frequência, não nos sentimos bem.
Em nome do sucesso, alguns de nós competimos para �car mais estressados
do que os outros.
Após cumprimentarem-se de forma alegre e calorosa, não demora muito
para que amigos comecem a contar uns aos outros como as coisas têm estado
ruins e quão sombrio o futuro lhes parece.
Às vezes nós nos comparamos com os outros, em geral descobrindo
rapidamente seus defeitos, sob a ilusão de que estamos livres de características
tão “lamentáveis”.
Alguns de nós até acreditam que fomos feridos mental e emocionalmente
de forma tão profunda, que tornamos nossas mágoas parte da nossa identidade.
Vez por outra, consumimos as imagens mais sinistras e às vezes muitíssimo
violentas em nome do entretenimento – e, depois, perguntamo-nos por que
não nos sentimos tão positivos e animados na vida real.
Que essas ideias e re�exões o ajudem a �car bem, permanecer bem e seguir
bem em um mundo onde muitas vezes parece muito mais fácil não se sentir
bem.
O autor
Mike George “interpreta” uma série de papéis, incluindo o de autor,
professor espiritual, coach, orientador de gestão, mentor e facilitador. Ele reúne
as três vertentes-chave do século XXI: inteligência emocional/espiritual,
desenvolvimento de liderança e “desaprendizagem contínua”.
	Folha de rosto
	Ficha catalográfica
	Créditos
	Sumário
	PARTE UM – você é alguém que se sente bem?
	A diferença entre saúde e bem-estar
	A diferença entre dor e sofrimento
	Compreendendo o sistema imunológico da alma
	A cura P.E.T
	Fase 1 – Percepção dos sintomas
	Fase 2 – Entendimento da causa
	Fase 3 – Transformação do nosso estado de ser
	O seu sistema imunológico funciona?
	PARTE DOIS – Os 12 desconfortos da alma
	1 “Eu devo ter mais” – O desconforto do vício
	2 “Isso pertence a mim!” – O desconforto da cegueira
	3 “Perdi algo muito importante” – O desconforto do coração
	4 “Algo terrível está prestes a acontecer” – O desconforto da paralisia
	5 “Eles deveriam fazer o que eu quero” – O desconforto da insanidade
	6 “Eu não mereço tamanha bondade” – O desconforto do diabetes
	7 “Eu fiz algo errado, então eu sou mau” – O desconforto de estar incapacitado
	8 “Ah, não, eles de novo, não!” – O desconforto da alergia
	9 “Espere até eu contar pros outros!” – O desconforto da incontinência
	10 “Eu preciso saber mais!” – O desconforto da indigestão
	11 “Eu sempre estou certo” – O desconforto da artrite
	12 “Eu não posso dar amor, esse não sou eu!” – O desconforto da asma
	PARTE TRÊS – fique bem – permaneça bem – siga bem
	A primeira prática – meditação
	A segunda prática – contemplação
	A terceira prática – aplicação
	A quarta prática – contribuição
	As quatro por dia! – E mais outra
	Treine você mesmo para o bem-estar
	Realize o seu diagnóstico – Parte I
	Realize o seu diagnóstico – Parte II
	Agradecimentos e links
	Textos de capa

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