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UNIDADE 2 | PERCURSOS TEÓRICOS DA SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO 80 Por isso Marx destaca a formação politécnica e a formação omnilateral, articulando mais do que a união de instrução e trabalho, mas, sim, a instrução enquanto elemento da crítica da forma histórica que o trabalho assumiu, ganhando um contorno revolucionário. A educação em Marx tinha três papéis essenciais: Por educação nós entendemos três coisas: 1) Educação mental. 2) Educação corporal, tal qual é produzida pelos exercícios ginásticos e militares. 3) Educação tecnológica, abrangendo os princípios gerais e científicos de todos os processos de produção e, ao mesmo tempo, iniciando as crianças e os adolescentes na manipulação dos instrumentos elementares de todos os ramos da indústria. A divisão das crianças e dos adolescentes em três categorias, de 9 a 18 anos, deve compreender um curso graduado e progressivo para a sua educação intelectual, corporal e politécnica. Os custos destas escolas politécnicas devem ser em parte cobertos pela venda das suas próprias produções (MARX, 1978, p. 223). A EDUCAÇÃO POLITÉCNICA foi a forma que o alemão empregou para articular essas duas noções, trabalho e educação, rompendo com a educação voltada apenas para a preparação de mão de obra. Para Marx e Engels (1983, p. 60), a combinação do trabalho produtivo pago com a educação mental, os exercícios corporais e a aprendizagem politécnica, deveria elevar “a classe operária bem acima do nível das classes burguesa e aristocrática”. OMNILATERALIDADE [...] Embora não haja em Marx uma definição precisa do conceito de omnilateralidade, é verdade que o autor a ela se refere sempre como a ruptura com o homem limitado da sociedade capitalista. Essa ruptura deve ser ampla e radical, isto é, deve atingir uma gama muito variada de aspectos da formação do ser social, portanto, com expressões nos campos da moral, da ética, do fazer prático, da criação intelectual, artística, da afetividade, da sensibilidade, da emoção, etc. Essa ruptura não implica, todavia, a compreensão de uma formação de indivíduos geniais, mas, antes, de homens que se afirmam historicamente, que se reconhecem mutuamente em sua liberdade e submetem as relações sociais a um controle coletivo, que superam a separação entre trabalho manual e intelectual e, especialmente, superam a mesquinhez, o individualismo e os preconceitos da vida social burguesa. O homem omnilateral não se define pelo que sabe, domina, gosta, conhece, muito menos pelo que possui, mas pela sua ampla abertura e disponibilidade para saber, dominar, gostar, conhecer coisas, pessoas, enfim, realidades – as mais diversas. O homem omnilateral é aquele que se define não propriamente pela riqueza do que o preenche, mas pela riqueza do que lhe falta e se torna absolutamente indispensável e imprescindível para o seu ser: a realidade exterior, natural e social criada pelo trabalho humano como manifestação humana livre. [...] FONTE: Disponível em: <http://www.epsjv.fiocruz.br/dicionario/verbetes/omn.html>. DICAS